Contador:
Última atualização: 30/03/2021

Prólogo

A atmosfera era estranha. Tudo ao redor da garota parecia frio e sem vida, assim como a figura que se encontrava em sua frente, figura essa que a olhava com indiferença, porém, com um certo ar de curiosidade. O homem  — ou o vestígio de o que já fora  um homem um dia — a observava, tirando da mesma todo o fôlego. Podia sentir suas batidas cada vez mais descompassadas e tentava se distrair do fato de que todos ali poderiam escutá-las. Após o que pareceram horas, por fim, decidiu se pronunciar.
- Eu posso ser útil. – dissera a garota.
- O que te faz pensar que eu precisaria de sua ajuda, criança? – rebateu de maneira calma e em um tom sombrio.
- Harry Potter. Ele não sabe sobre mim, ninguém sabe. – olhou-o com veemência – Eu poderia ser uma vantagem, uma infiltrada. – O Lorde parecia ponderar sobre as palavras da garota, em silêncio. – A aliada que garantirá seu legado. concluiu ela.
Voldemort examinava a garota em sua frente — fruto de uma noite planejada, porém, que acabara sendo inútil —, Pretendia ter um herdeiro que pudesse se tornar sua arma pessoal e, assim, garantir a continuidade de seu legado, porém, decepcionou-se ao ver que o herdeiro na verdade era uma menina, o que considerava fraqueza,  assim, a abandonou e a desprezou, deixando-a à mercê da escória  do mundo bruxo.
A garota se via em completo desespero. Tentava ao máximo não se mostrar fraca diante dele. Queria que a visse como capaz. Precisava que a visse. Não teve tempo, no entanto, de formular nenhuma frase, pois sentiu sua mente sendo invadida e seus sentidos cada vez mais confusos, procurava entender o que estava acontecendo. Ele invadira seus pensamentos com Legilimência, ignorando todas lembranças e sentimentos até chegar onde queria: o plano da garota. Podia ver com clareza todas suas ideias e ficara atordoado com a magnitude de sentimentos que a mesma nutria pela sua causa. Pensara, até então, que a bruxa era apenas uma farsante em um grito de socorro pela sua vida. Enganou-se. Libertou a mesma do feitiço, fitando-a como uma expressão indecifrável, até que resolveu se pronunciar. 
– Interessante – disse  com um meio sorriso enquanto acariciava Nagini – arriscado, porém interessante.
– Provarei que sou digna, Milorde. Faça de mim uma horcrux. A última horcrux. – dissera a garota esbanjando confiança pela primeira vez naquela noite.
E naquele momento, nascera a arma secreta de Lord Voldemort, sua oitava e última horcrux. E Harry Potter nunca a veria vindo.


Capítulo 1 - Hogwarts

Na estação de Hogsmeade, uma jovem bruxa desaparatava com a ajuda de seu Elfo-doméstico, trazendo consigo sua coruja, Hollow, e um malão com seus pertences. Após alguns segundos para se recuperar, pode enfim observar o ambiente ao seu redor. O mesmo era escuro e a ventania da noite já se fazia presente ricocheteando seus cabelos e suas vestes.
- Muito obrigada, monstro. Volte para sua casa, devo seguir sozinha a partir daqui. - dissera a jovem. O elfo apenas balançou a cabeça e em uma fração de segundos desapareceu novamente.
A jovem bruxa, então, começou a trilhar seu caminho pela larga e extensa estrada, seguindo marcas que pareciam terem sido deixadas por carruagens não muito tempo antes dela passar por ali. A garota havia usado o feitiço de levitação em seu malão e coruja para que os mesmos acompanhassem seu ritmo. Após alguns minutos de caminhada, sentiu uma forte dor em seu peito, fazendo com que a mesma - momentaneamente - perdesse seus sentidos e caísse de joelhos, a cicatriz recém-feita ardia intensamente e então, ela soube do que se tratava. Não precisou se virar para ver o dono dos passos vindo em sua direção para saber que se tratava dele: O Eleito. Harry Potter, seu inimigo e sua missão. Imediatamente a garota tratou de levantar e lançar um feitiço-mudo de desilusão em si mesma, em sua coruja e seu malão para que passassem despercebidos por ele ou quem mais estivesse ali e pudesse segui-los.
⚡️⚡️⚡️

Harry caminhava em direção à escola quando pode sentir um leve incômodo em sua cicatriz. Passava - freneticamente - a mão sobre a mesma, na esperança de que isso fosse fazer com que a dor que começava a aparecer, sumisse. Enquanto isso, Tonks o observava, o garoto parecia preocupado e estava completamente imerso em seus próprios pensamentos, além disso, sangue escorria através do seu nariz, pingando em sua camiseta e a manchando. Preferiu não se envolver, sabia que a mente do garoto estava bem longe dali.

⚡️⚡️⚡️

O caminho era extenso, tentava controlar a respiração ruidosa e ofegante para não chamar a atenção dos outros dois, que caminhavam logo à frente. Ela não pode evitar de comemorar internamente quando avistou o enorme portão que dava início às propriedades do castelo. A bruxa mais nova observou o eleito ir em direção ao mesmo, tentando abri-lo.
Sem sucesso.
- Alohomora. - arriscou ele baixinho, mas nada aconteceu.
- Não vai funcionar. - Tonks disse como se fosse óbvio - Dumbledore os trancou pessoalmente.
- Eu poderia tentar pular o muro…
- Não, não poderia. - interrompeu ela com a voz fria, antes que Potter terminasse de falar. - Há feitiços anti-intrusos em todos eles, a segurança aumentou muito nesse verão.
- Bem, então suponho que terei que dormir aqui fora e esperar pela manhã. - Harry parecia irritado com a impaciência da mulher.
- Alguém pode vir aqui para você. Olhe! - dissera a bruxa mais velha ao ver que uma lanterna se acendeu na porta do castelo.
observava o par quando notou a chegada do homem de expressão pálida, nariz comprido e torto e cabelos negros e sebosos. Severo Snape. Já havia o visto antes. Ele era um comensal.
- Bem - começou ele com a voz carregada de escárnio enquanto destrancava os portões. - Gentil da sua parte nos dar a honra de sua presença, Potter. Achou que as carruagens destoariam de sua aparência?
- Eu…
- Pode ir Ninfadora, Potter está bem seguro em minhas mãos. - dissera Severo enquanto dava um passo para trás abrindo espaço para que o menino passasse.
não tinha necessidade de ficar ouvindo a conversa, sabia que nada de útil seria dito entre Tonks e Potter enquanto Snape estivesse ali, então a jovem bruxa não pensou duas vezes antes de caminhar rapidamente e passar com cuidado dentre eles e o grande portão, assim, adentrando o castelo. Se apressou para sair de perto de Severo e Harry - já havia corrido riscos demais naquela noite - mas não sem antes ouvir quando o Professor selou novamente os portões. A emoção da garota fora tanta que não pode perceber que seu feitiço de desilusão havia sido desfeito no momento em que passou pelo portão. Tremenda foi sua sorte de não ter sido pega. Até então.
Foi quando ouviu um gato miando e junto com ele, um velho corcunda com o rosto extremamente magro, cabelo comprido com uma careca no topo da cabeça e papada trêmula apareceu em seu encalço.
- Ora, o que temos aqui, Madame Nora? - começou dizendo o que assustou a mais nova.
- Senhor, eu…
O velho não deixou que a garota terminasse de se explicar, segurou-a pelo braço e saiu arrastando-a até o castelo, ela tentava falar, mas era em vão. Ele parecia nem escutar, tamanha era sua animação. deduziu que aquele provavelmente era seu dever ali e encontrar alguém burlando as regras certamente seria o auge de sua noite.
- Já que não vai me ouvir poderia pelo menos não apertar tanto meu braço? ISSO DÓI! - a garota perdeu a paciência e deixou de falar com a educação de antes.
Nada.
Esse maldito só pode ser surdo. Pensou ela irritada.
Enquanto era arrastada corredor a dentro, ela pensou em reclamar novamente ou gritar com aquele velho insolente. Mas as palavras sumiram de sua mente quando a porta se abriu revelando o Salão Principal lotado.
- Mas agora, suas camas os esperam, quentes e confortáveis como vocês podem desejar, e eu sei que sua maior prioridade é estar bem descansados para suas lições amanhã. E vamos tod.. - Dumbledore fora interrompido pela chegada de Filch.
Todos no local encaravam a cena confusos, desviando seus olhares de Filch a , procurando entender o que acontecia ali. Draco a encarava com os olhos arregalados e completamente pálido naquele momento. E então o silêncio foi quebrado ao passo que Filch a arrastava pelo corredor bradando em plenos pulmões.
- INTRUSA, INTRUSA! INTRUSA EM HOGWARTS. - gritou o velho como se aquele fosse o ponto mais alto de sua vida.
- Mas o que está acontecendo, Argo? - Dumbledore perguntou ao zelador com a voz comedida.
- Eu a peguei pelos corredores, veja! Não é uma de nossas alunas, nem sequer tem idade para ser uma primeira anista. - proclamou Filch sorrindo de maneira orgulhosa - há de ser enviada pelas trevas para invadir e desestruturar a ordem do castelo.
sorriu, o velho não fazia ideia do quanto estava certo mas, é claro que ninguém precisava saber disso. Não agora, pelo menos. Aproveitou o momento de distração para - agressivamente - chacoalhar o seu braço a fim de se desvencilhar de quem agora conhecia como Argo. E antes que o mesmo pudesse impedi-la, a garota resolveu se pronunciar.
- Diretor, peço perdão pela chegada estrondosa! Planejava encontrá-lo em particular para termos essa conversa mas como pode ver, fui interrompida no meio do caminho. - dissera a garota de maneira calma, porém, lançando um olhar de desdém ao zelador. - Tenho em mãos um comunicado do Ministério da Magia.
E então, com um simples feitiço de levitação, a garota levou a carta até o diretor, parando a mesma em cima de seu púlpito com velas douradas. O diretor demorou alguns minutos para processar o que havia lido, sua expressão misturava surpresa e certo espanto.
- Senhorita… Lestrange? - O olhar de Dumbledore foi da carta em suas mãos até a garota, por cima dos óculos de meia lua. A bruxa se remexeu desconfortável. Sentia que o olhar lançado sobre si pelo diretor poderia enxergar até mesmo sua alma, como se fizesse uma varredura de seus mais profundos pensamentos e emoções. Mas meneou a cabeça concordando. - Minerva, traga o chapéu novamente. - Ordenou o diretor ainda perplexo, mas com voz firme.
Aquilo foi suficiente para o Salão irromper em burburinhos. Os alunos a encaravam confusos, e teorizando sobre o que tinha naquela carta. varreu o Salão com o olhar, sentiu novamente o ardor no peito e encontrou o olhar - extremamente indiscreto e perdido - de Potter em si, queimando como brasa. O efeito pareceu ter surtido nele também, pois depois de segundos mantendo o contato visual, o garoto abaixou a cabeça cobrindo a cicatriz com as mãos. A professora Minerva voltou com o chapéu e despertou a garota de seus devaneios ao chamá-la.
- Lestrange.
A jovem bruxa caminhou tranquilamente até o local indicado, sentou-se e enrijeceu sua musculatura quando o chapéu foi colocado em sua cabeça e começava a falar.
- Hmm, ambiciosa, eu vejo. - dissera o chapéu seletor - Extremamente corajosa, inteligente e valoriza trabalho duro, você poderia se dar muito bem na Sonserina.
Sonserina não. Pensou a garota.
- Sonserina não? - repetiu o chapéu em voz alta, novamente aumentando os cochichos pelo grande salão. - Sua alma bruxa parece pertencer a algo muito grande. Está tudo aqui, na sua cabeça. E Sonserina iria ajudá-la a alcançar essa grandeza. Não há dúvida sobre isso.
- Sonserina não! - afirmou novamente a garota, dessa vez aumentando seu tom de voz para que todos pudessem ouvir.
- Bom, se tem certeza... é melhor que seja... GRIFINÓRIA! - anunciou o chapéu seletor.
Muito embora a jovem bruxa ouvira falar sobre as calorosas e alegres recepções dos Grifinórios, sua realidade fora bem diferente disso. Ao ter sido anunciada como nova membro da casa, os alunos apenas a aplaudiram - ainda sentados - de maneira sem graça. Palmas leves e secas e expressões indecifráveis, provavelmente causadas pelo choque e imaginação de seu grau de parentesco com a recém fugitiva de Azkaban.
⚡️⚡️⚡️


- Draco – gritou a garota – Draco! – sem resposta.
Correu dentre a grande multidão e, finalmente, alcançara o garoto de cabelos platinados. “Draco”, dissera a garota com entusiasmo, suavemente tocando o ombro de seu primo. O loiro, então, virou e a olhou com desdém e não demorou a continuar seu caminho. A garota – sem entender o que acontecera ali – exclamou, mais uma vez.
- Draco! Primo!
- Oras, por Merlim! Não me chame assim, sua traidora de sangue. – exclamou o garoto a repreendendo.
A garota ficou pasma. Podia sentir tamanho desprezo na entonação de seu primo – que até então, era também seu melhor e único amigo.
- D-do q-que v-você está falando? – dissera gaguejando, ainda incrédula.
- “Sonserina não” – imitou o garoto as palavras que sua prima havia dito mais cedo – Como ousa dar essa vergonha a nossa família? – balançou a cabeça negativamente - Sempre soube que você era patética mas nunca esperei que fosse uma traidora de sangue.
- D, eu... – tentou, porém, logo foi cortada.
- Não me chame assim. – repreendeu o loiro – aliás, não me chame de mais nada. Você morreu para mim essa noite.
Estática. Era assim que Lestrange se encontrava. Podia sentir seus olhos arderem mas seu orgulho era grande demais para demonstrar qualquer fraqueza em frente a todos. A garota, então, começou a dar passos largos em direção contrária a grande massa. Não conhecia o castelo e sabia que já estava próximo do toque de recolher, porém, não se importou.



Capítulo 2 - A Capa da Invisibilidade

Eu não fazia ideia de quanto tempo havia passado desde que me perdi do resto da turma e honestamente eu nem me importaria, se eu não precisasse deles para encontrar o salão comunal. Andei pelo castelo entrando em alguns lugares mas não consegui encontrar nada, nem ninguém. Exceto pelo banheiro do segundo andar, onde fui pega de surpresa por uma fantasma que só sabia chorar e reclamar e se identificou a mim como Murta-que-Geme, mas que também não ajudou em nada, então sai do mesmo bufando em insatisfação antes que ela pudesse começar a choramingar sobre como havia morrido novamente. Andava distraída e cansada, o castelo era enorme e eu já me sentia tonta de tantas escadas que se mexiam, portas que não abriam, paredes que não eram paredes e arfava em descontentamento de que eu provavelmente passaria a noite toda ali perambulando aqueles malditos corredores. Estava prestes a virar o corredor quando senti meu corpo colidir fortemente com algo, fazendo com que eu fosse lançada ao chão. Olhei ao meu redor e não vi nada. Tudo estava perfeitamente normal.
– Mas que merda foi essa. – murmurei ainda procurando no que eu havia batido. E nada.
Ouvi um gemido estranho e tateei minhas vestes a procura da minha varinha e ao encontrá-la a apertei em minha mão ainda olhando ao meu redor.
– Quem está aí? – gritei tentando demonstrar confiança.
E como se a realidade se desmontasse em minha frente, pude ver um garoto aparecendo, também debruçado. Era ele. Harry esfregava a cabeça com a mão enquanto fazia uma careta de dor, em sua outra mão havia uma espécie de capa velha e gasta — que mais parecia um grande tapete — A capa da invisibilidade, é claro. Pensei. O menino apalpou o chão a procura de seus óculos e quando os encontrou colocou rapidamente em seu rosto.
– Me desculpe, eu não havia visto você, estava distraído. – disse Potter ainda sem perceber quem estava em sua frente. – O que faz aqui?
Eu não deveria estar te perguntando isso? – rebati em um tom interrogativo.
Antes que ele pudesse me responder, no entanto, ouvi o miado que há poucas horas atrás me perturbava. Fazendo com que nós dois virássemos nossa atenção para o final do corredor. Era o velho maldito e sua gata, eu sabia. De repente todo ódio que eu senti mais cedo por ele ter atrapalhado meus planos voltou para dentro de mim. Apertei minha varinha pronta para azarar ele assim que aparecesse no meu campo de visão, porém, fui interrompida.
– O que pensa que está fazendo? – sussurrou Harry enquanto abaixava minha mão.
Os passos estavam cada vez mais fortes e rápidos, encarei Harry de maneira séria sustentando um olhar forte.
– O que você acha? Estou nos livrando dessa. Não preciso ser velha na escola para saber que não deveríamos estar aqui essa hora. – e então levantei a varinha novamente.
Harry em um impulso e, me pegando completamente desprevenida, colocou seu braço ao meu redor e me puxou para perto de si, pegando o tapete — também conhecido como capa — e jogando sobre nós. Pude observar quando Filch e sua gata madame Nora passaram reto como se não estivéssemos ali. Eu e Potter acompanhamos eles andando até o final do corredor com o olhar até que ambos sumiram de nossas vistas e então o garoto respirou aliviado. Minutos após o zelador ter passado por nós, ainda sentia o braço de Harry me abraçando, o que me deixou levemente incomodada, então murmurei um "já pode me soltar agora" fazendo com que o mesmo despertasse e se afastasse de mim.
– Desculpe. – sussurrou enquanto se levantava – Sou Harry. Harry Potter. – me estendeu a mão.
– Eu sei quem você é. – o responsável por arruinar minha vida, completei mentalmente. 
Rejeitei sua mão e levantei aborrecida, não pensei que teria que lidar com ele tão rápido. A raiva queimava dentro do meu peito. Ele era o culpado por tudo. Se não fosse por ele, Voldemort estaria no comando há anos e quem sabe minha infância não poderia ter sido diferente. Cresceria sendo respeitada e temida pela comunidade bruxa como a herdeira do Lorde das Trevas ao invés de crescer presa em uma casa escondida do mundo lá fora, sem viver, sem amigos e carregando um sobrenome que não deveria ser o meu. Cravei meus olhos sob o garoto, minha vontade era acabar com ele ali mesmo, parecia tão abatido e fragilizado, uma presa fácil. Em contrapartida, eu sabia que não podia. Aquele havia de ser um feito do Lorde das Trevas e eu faria de tudo ao meu alcance para que dessa vez ele sucedesse, nem que para isso eu tivesse que engolir toda minha sede de vingança e fingir ser uma deles.
– Desculpe. Só estou um pouco irritada, estou há horas andando por esse castelo. Odeio me sentir presa. – e então lhe estendi minha mão – Sou Lestrange. – fingi o meu melhor sorriso.
– Então é verdade, você é filha… – disse o garoto parecendo meio desorientado.
– Sim, sou. – respondi antes que ele concluísse seu pensamento.
Observei o garoto torcer o nariz, como se pensar em minha mãe o trouxesse alguma lembrança muito ruim. Um silêncio constrangedor se instaurou e após longos segundos ele balançou a cabeça como se tentasse afastar alguma memória.
– Acho melhor irmos. – sussurrou sem manter contato visual.
Concordei com a cabeça e então o garoto me cobriu novamente com sua capa e trilhou o caminho pelos longos corredores. Subimos algumas escadas e por fim paramos em frente a um grande retrato de uma mulher gorda.
– Cabeça de dragão. – disse ele.
E então o quadro se abriu como uma porta, mostrando atrás de si uma passagem para o que eu deduzi ser o salão comunal da Grifinória. Harry tirou a capa de cima de nós e a dobrou em sua mão, evitando olhar para mim em todo o processo.
– O dormitório das garotas fica por ali. – apontou e saiu andando.
Torci o nariz. Eu precisava ser gentil.
– Harry! – exclamei vendo o mesmo se virar para mim - Obrigada por ter me trazido. – suspirei – Eu provavelmente passaria a noite toda perambulando o castelo se não fosse por você.
O garoto apenas assentiu e voltou a fazer seu caminho no sentido contrário ao meu, provavelmente indo para o dormitório masculino. Senti uma ardência em minha mão e só então pude perceber que eu estava com as unhas fortemente cravadas contra minha pele. Manter contato com o Harry - por mínimo que fosse -  todos os dias exigiria muito de mim. Mas eu era capaz. Perambulei pelo corredor que ele me indicou até avistar minhas coisas em cima de uma cama por uma porta entreaberta, entrei silenciosamente e acariciei Hollow que piou ao me ver. Foi só ao me sentar na cama que pude perceber o quanto meu corpo estava esgotado e, assim, adormeci. 
⚡️⚡️⚡️

Ao acordar no dia seguinte, não havia ninguém além de mim no quarto, o que me fez deduzir que eu estivesse atrasada para o café da manhã. Me levantei, coloquei minhas vestes e não pude deixar de sentir um relance de tristeza sobre meu peito. Imaginava como ficaria com o uniforme da Sonserina. O lindo verde e prata sobre a minha pele, os requintados aposentos e o luxuoso salão comunal. Aquilo sim seria um lar. Arfei em descontentamento enquanto descia as escadas trilhando meu caminho até o Salão Principal. Pelo bem da minha missão eu deveria me conformar com as vestes vermelho fogo e o brasão de leão em meu peito. Eu era uma Grifinória, muito embora meu coração pertencesse a outra casa. Distraída com meus pensamentos, acabei não notando que havia chego tão rapidamente. O teto do Salão Principal estava serenamente azul, raiado de leves farrapos de nuvens, como nos quadrados de céu que se viam pelas janelas de caixilhos. Sentei-me no canto mais afastado da mesa e mastigava meus ovos com bacon quando a senhora que reconheci como Minerva — que havia me colocado o chapéu na noite anterior — se aproximou de mim.
– Senhorita Lestrange. – voltei minha atenção a ela – Entendo que ainda há muitas coisas que precisam serem definidas mas conversando sobre suas... um… particularidades, os professores concordaram em lhe dar aulas extras para que possa alcançar os alunos de seu ano. – assenti. – de qualquer maneira, aqui está sua grade. – e então me entregou um pergaminho.
– Muito obrigada, Profª Minerva. – disse enquanto passava o olho pelo pergaminho. – Aguardarei ansiosamente por suas aulas.
McGonagall apenas sorriu com os lábios fechados e se virou para o próximo aluno. Corri os olhos pelo pergaminho dessa vez com mais calma. Feitiços, Defesa Contra as Artes das Trevas, Herbologia, Transfiguração e Poções. Sorri satisfeita. Pude observar que havia o período livre agora, um depois do recreio e outro após o almoço, o que era ótimo, já que me daria tempo o suficiente para pensar em como fazer uma aproximação do trio que não gerasse suspeita. Não poderia negar que estava feliz por finalmente poder participar das aulas de Hogwarts. Estudar em casa com os materiais antigos de Draco não era nada legal.
Por falar em Draco, precisava arrumar alguma maneira de falar com ele, a cena de ontem à noite foi simplesmente patética. Eu, traidora de sangue? Ele sabia muito bem os meus planos e o porquê eles só funcionariam se eu estivesse na Grifinória. Olhei por cima do ombro da garota a minha a frente e pude observar o platinado na mesa da Sonserina, ele carregava uma expressão séria enquanto comia ao lado de Crabbe e Goyle — que eu já conhecia por eles terem nos visitado alguns verões atrás. De repente, como se sentisse meu olhar queimando sobre si, ele levantou a cabeça em minha direção e deu um sorriso de canto, me deixando confusa. O encarei com uma sobrancelha arqueada e discretamente ele dobrou um braço sobre a mesa e, usando o dedo indicador, fez sinal de silêncio e voltou a atenção a sua comida. Maluco. Terminei meu café silenciosamente e trilhei meu caminho de volta para a sala comunal. Eu precisava mesmo de amigos.
⚡️⚡️⚡️

Harry's P.O.V

– Mas, professor… Eu não entendo. A mãe dela matou Sirius.
Eu havia chegado na sala de Dumbledore há alguns minutos — estava terminando de tomar meu café quando Edwiges sobrevoou sobre o Salão Principal trazendo consigo um bilhete que dizia "Caro Sr. Potter, preciso que venha me ver o mais rápido possível, temos assuntos a tratar. Ps: sapos de chocolate são realmente fascinantes" — e o Diretor tentava, incontestavelmente, me convencer a se aproximar da minha nova colega de casa. Lestrange.
– Isso mesmo. A mãe dela, não ela. – olhou-me com censura – Não culpe uma pessoa pelos pecados de outra, Harry.
– Mas ela é maluca! Ontem queria atacar o Filch e… – interrompi-me ao perceber que acabara falando demais – Minha cicatriz dói quando estou perto dela, isso é suspeito, não?
– De fato é curioso, muito curioso. – Dumbledore andava por trás da mesa com os olhos ao chão - Mas você precisa ajudá-la, Harry.
Arfei. Era incrivelmente exaustivo ter que, frequentemente, lidar com as missões enigmáticas que ele insistia em me dar. Mexi nervoso em minha capa enquanto dava passos ao redor do ambiente. A sala do Diretor já não parecia mais a mesma. Ela estava fria, sem vida, quase como que um grande borrão cinza e abandonado. Até mesmo os quadros dos antigos diretores pareciam terem sido sugados de toda felicidade, suas expressões eram apenas mórbidas e entediadas.
– Mas senhor, ajudá-la com o quê? - indaguei.
– Eu não sei. – confessou.
– Como posso ajudá-la sem ao menos saber com o quê?
Minha voz saiu um pouco mais alterada do que eu gostaria. Dumbledore apenas balançou a cabeça e logo em seguida voltou seu olhar para mim, sua feição era séria e cansada mas, seu olhar declarava que ele sabia muito mais do que me deixaria saber.
– Tudo que eu posso dizer é que a garota precisa ser salva, Harry. – aprofundou o olhar no meu – E eu acredito que você é o único que possa fazer isso.
⚡️⚡️⚡️

– Mas ajudá-la com o quê? - perguntou Rony, confuso.
Há pouco havia deixado a sala do Diretor — tão intrigado quanto quando entrei — e agora eu estava no Salão Comunal da Grifinória, contando a Rony e Hermione como minha "reunião” com Dumbledore havia sido.
– Eu não sei. – arfei, me jogando na poltrona ao lado da lareira.
Hermione, ainda em silêncio, olhava o fogo queimando atentamente. Sua expressão era séria, sua testa estava franzida e seus lábios comprimiam um ao outro o suficiente para me fazer entender que ela estava pensando. Me afundei na poltrona, deixando meu corpo relaxar no estofado macio da mesma enquanto tombava minha cabeça para trás. O Salão Comunal estava praticamente vazio, exceto por alguns sétimo-anistas que estudavam no canto da sala. Usávamos o feitiço Abaffiato para que os mesmos não nos escutassem.
– Bom, Harry. – começou a ruiva, chamando a atenção – Você sabe que Dumbledore nunca te daria uma missão que não fosse importante.
– É, acho que sim…
– Não ache. É a verdade. – repreendeu – E se ele diz que a garota tem que ser salva, então é porque ela tem que ser.
– Mas como espera que eu salve-a sem ao menos saber do quê? – frustrei-me - Eu não posso simplesmente esperar que ela entre por aquela porta e dizer "Ei, , poderia me dizer de quais demônios você anda fugindo atualmente?". - zombei.
Hermione estava prestes a me repreender novamente quando, por incrível ironia, a passagem do Salão Comunal se abriu, revelando a figura da tão comentada Lestrange. Percebi alguns dos alunos do sétimo ano sussurrando uns com os outros ao ver a garota chegar, fazendo-a se encolher e apressar seus passos em direção ao dormitório feminino. Olhei para Ron, que apenas deu de ombros e logo em seguida olhei para Hermione, que tinha uma expressão que dizia "O que está esperando?" e apontava com a cabeça para a garota. Apenas bufei, contorcendo meus músculos uma última vez contra a poltrona antes de me levantar.
– Ei, . – a garota se virou, em sua expressão havia confusão – Eu gostaria de saber se não quer ir para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas com a gente.
A garota me fitou por alguns segundos, como se esperasse que eu dissesse alguma coisa mais. Talvez a explicação da abordagem repentina. Porém, ao ver que eu nada falaria, suspirou, sorrindo logo em seguida.
– Seria um prazer.


Capítulo 3 - O meio gigante

Algumas semanas se passaram desde que Dumbledore deu a Harry a missão de salvar a menina Lestrange. A esse ponto, os alunos já não estavam mais tão desorientados pela filha de Bellatrix frequentando a escola e, bom, o trio de ouro tentava mantê-la dentro de seu ciclo, muito embora não confiassem completamente na mesma.

— Estou te dizendo, tem alguma coisa muito errada com essa menina. — disse Rony, enquanto mastigava, fazendo com que Hermione revirasse os olhos pela falta de etiqueta do amigo — Eu tenho uma sensação muito esquisita perto dela.

— Você está sendo dramático. — disse Hermione, com o nariz retorcendo e a sobrancelha arqueada — Você também não confiava muito em mim quando nos conhecemos.

O salão estava repleto de alunos perdidos em seus próprios mundos. Alguns riam e conversavam, outros apenas escutavam atentamente enquanto se concentravam em comer a maior variedade de alimentos que conseguissem. Rony e Hermione argumentavam arduamente sobre Lestrange há alguns minutos enquanto tomavam seu café da manhã na mesa repleta de grifinórios.

— É completamente diferente! Você era apenas uma garotinha irritante — disse o ruivo, indiferente, logo notando a raiva aparecer em forma de bochechas coradas na amiga — Hum, desculpa, Mione. — coçou a cabeça — O que eu quero dizer é que: até algumas semanas atrás, ela nem existia. Nem Dumbledore sabia sobre ela! Não acha isso suspeito?

— Em primeiro lugar, eu não era nenhum pouco irritante! Vocês sempre estavam se metendo em confusão e, de alguma forma, me levando para elas. — brandou, levantando a cabeça — E sobre , tente entender, a mãe dela era uma assassina. — aproximou-se, baixando mais o tom de voz — Uma das seguidoras mais fiéis de Você-Sabe-Quem, quantas pessoas você acha que não iriam caçá-la para conseguir algum tipo de vingança? Ela era apenas um bebê e teria de carregar o fardo do que sua mãe fez antes mesmo dela nascer.

Rony soltou um suspiro frustrado enquanto seus traços moldavam uma feição pensativa, fazendo com que Hermione lançasse um sorriso presunçoso antes de comer um pedaço de seu muffin de chocolate. Harry, no entanto, estava indiferente. O garoto nem comia, nem ria e muito menos conseguia ouvir sobre o que quer que seus colegas estivessem discutindo.

— O que você acha, Harry? — contestou o ruivo, finalmente voltando o olhar para o amigo quando o mesmo não o respondeu.

— Harry? — chamou, Hermione.

— Ah, hum. Uhum. — resmungou desatento — Acho que sim.

Os amigos olharam um para o outro e, em seguida, para o herdeiro, tentando entender ao que o garoto se referia. Mas chamar sua atenção parecia simplesmente inútil naquele momento, essa estava inteiramente focada no garoto de cabelos platinados sentado na mesa alguns metros à frente da sua. Harry sabia que Malfoy escondia algo, se ao menos pudesse provar.

⚡️⚡️⚡️

's POV

— Ele desconfia de você — sussurrei em seu ouvido fazendo com que o loiro se arrepiasse em surpresa — Tem toda uma teoria sobre você ser um comensal da morte.

— Potter te disse isso? — sussurrou, questionando.

— Claro que não, eles não confiam em mim. — bufei. — Ouvi enquanto ele falava escondido com os amigos.

Me arrastei através do espaço já conhecido, jogando meu corpo sobre a poltrona de veludo preto em frente a Draco. O garoto tinha uma expressão cansada, o que não o impediu, no entanto, de abrir um sorriso debochado antes de responder.

— Ele não está errado, não é mesmo?

— Pare de ser idiota — repreendo — Subestimar Harry Potter e sua trupe é ser idiota e ambos sabemos disso.

— Eu não sou idiota. — rosnou, torcendo o nariz.

— Espero mesmo que não, eu odiaria ver seu ego atrapalhar sua missão, afinal, sua vida nesse momento depende disso.

Joguei a cabeça para trás, me acomodando melhor na cadeira, não sem antes ver Draco tremer rapidamente em seu lugar.

Não sei exatamente quando Draco descobriu a Sala Precisa, mas era grata por ele ter compartilhado a sua existência comigo. Nesse momento ela era a cópia perfeita do nosso cômodo favorito da Mansão Malfoy. Uma sala de tamanho mediano, preenchida por paredes cores de verde musgo e chão amadeirado, com uma extensa mobília cinza preenchida pelos mais diversos livros bruxos, uma mesa com penas, tinta e pergaminhos espalhados, quadros bruxos de familiares antigos e janelas que davam vista para as colinas e o céu. Não havia muito para mim quando Draco iniciava o ano letivo em Hogwarts, então eu costumava arrastar uma das poltronas até a janela, acender a lareira e passar horas a fio lendo com as colinas de fundo. Me trazia paz e ajudava a diminuir um pouco da saudade e solidão que eu sentia.

— No que está pensando, ? — disse Draco, carinhosamente.

Provavelmente a única pessoa com quem ele conseguiria agir dessa maneira.

— Sei que as coisas parecem estar uma merda pra você nesse momento, mas estou muito feliz de estar aqui. — confesso. — Lá era… cinza. Tudo sempre cinza.

— Eu entendo mais do que você imaginaria — suspira, se afundando no sofá — Estou feliz que esteja aqui também.

Sorrio, pensando que não muito tempo atrás eu pensava ter perdido isso. Ainda me lembro da raiva que eu carregava de Draco por ter me humilhado no corredor quando me infiltrei em Hogwarts. Alguns dias depois, Hollow, minha coruja, pairou sobre minha janela trazendo consigo um bilhete de Draco pedindo para que o encontrasse no terceiro andar discretamente. E foi o que fiz. Confesso que, fui apenas movida pelo ódio e pela sede de me vingar das suas palavras duras, mas quando o encontrei em frente à entrada da sala precisa com uma cópia perfeita do nosso lugar, ficou um pouco difícil não ser tomada pelas lembranças. Então, eu entrei e o ouvi. Ele se explicou, dizendo que com sua história com o Trio de Ouro, eles ou qualquer outro grifinório jamais dariam abertura para mim, dificultando quaisquer que fossem os meus planos mas que, eles jamais recusariam acolher uma pobre coitada. Apenas mais uma vítima do mundo e das maldades de Draco Malfoy. Eles sabendo ou não, isso geraria empatia por parte deles e bom, eu não posso dizer que não tenha funcionado.

— Você deveria ir. — disse Draco, me despertando de meus devaneios — O horário do café da manhã está quase acabando, logo vão dar falta de você.

— Tudo bem, eu disse para Hermione que não iria tomar café hoje. Disse que tinha de terminar alguns pergaminhos antes da próxima aula e, como sabemos, se alguém cai nesse papo de importância de deveres, esse alguém é Hermione Granger.

Ambos rimos, balançando a cabeça.

— Essa Granger… me admira você estar conseguindo fingir tão bem perto dela. É uma intrometida. — diz, com descaso.

— Ossos do ofício. — reviro os olhos — Mas de qualquer maneira, acho que você está certo. Tenho que encontrar eles antes da aula.

Me levanto, andando até o lado do loiro e estalando um beijo em sua bochecha, bagunçando levemente seu cabelo com uma das mãos, fazendo com que Draco fizesse uma cara de desgosto típica de um Malfoy.

— Até mais, D.

— Até mais, .

⚡️⚡️⚡️

— Como foi o dever, ? — disse Hermione, receptiva.

— Ah bem. — forcei um sorriso — Pensei que não fosse acabar nunca, mas finalmente consegui.

Encontrei o trio enquanto saíam do Salão Principal, e então começamos a caminhar para ir ao campo de quadribol, Harry parecia pensativo, enquanto Rony vez ou outra me lançava alguns olhares de soslaio, sem dizer nenhuma palavra. Passavamos por Lilá Brown e Parvati Patil que cutucou Lilá, quando Rony emparelhou com elas, fazendo Lilá se virar e dar um enorme sorriso para o garoto. Rony piscou e, hesitante, retribuiu o sorriso. Instantaneamente, mudou o seu modo de andar, empertigando-se como um pavão. Pude perceber que Harry, assim como eu, resistiu à tentação de rir, Hermione, no entanto, assumiu um ar frio e distante durante a descida para o estádio sob a chuva fria e nevoenta, e me puxou para procurar um lugar nas arquibancadas, sem desejar boa sorte a Rony.

— Babaca. — brandou.

— O que houve, Mione? — questionei, mantendo expressão neutra. Eu sabia bem o que houve.

Não precisei de muitos dias observando de perto o trio para descobrir coisas sobre eles que nem mesmo eles pareciam saber. E Hermione Granger estava caidinha por Ronald Weasley.

— Nada, venha. Vamos nos sentar para assistir os testes.

⚡️⚡️⚡️

Os testes ocorreram durante a maior parte da manhã. Metade dos alunos da Grifinória parecia ter comparecido, desde os do primeiro ano, que seguravam nervosos uma seleção de horríveis vassouras velhas de escola, até os do sétimo, que, por serem muito mais altos que os demais, aparentavam um ar tranquilo e superior. Este último grupo incluía um rapaz robusto de cabelos duros que Harry pareceu  imediatamente reconhecer. deduziu que o garoto fosse tentar uma posição de goleiro, pois seu corpo e postura endurecida provavelmente bloquearia os três aros de gol sem sequer se mexer.

Harry apontou para a lateral do campo, direcionando o garoto para perto do lugar em que Hermione e eu estávamos sentadas. O novo capitão, então, resolveu começar por um teste básico, pedindo aos candidatos para se dividirem em grupos de dez e voarem uma vez em volta do campo. Foi uma boa decisão: os dez primeiros eram calouros e não poderia ter ficado mais claro que não estavam habituados a voar. Apenas um dos garotos conseguiu se manter no ar por mais de alguns segundos, e foi tal a sua surpresa que ele em seguida bateu em uma das balizas. O segundo grupo era formado por dez garotas que, quando ele apitou, simplesmente ficaram rindo demais e se agarrando umas nas outras. Era irritante de sequer assistir  Quando mandou-as sair do campo, comemorei internamente, as mesmas vieram sentar nas arquibancadas, de onde ficaram perturbando todo o mundo.

— Eu juro que se vocês não falarem essa boca, irão se arrepender muito disso. — berrei, fazendo com que as garotas me olhassem assustadas e se retirassem em seguida.

Voltei meu olhar a Hermione, que rua baixo.

— Privilégios de ter uma mãe assassina: as pessoas tem medo de você. — zombei.

— Você é terrível, . — concordou e rimos, voltando a prestar atenção no campo.

O terceiro grupo engavetou na metade da volta em torno do campo. A maior parte do quarto grupo não tinha trazido vassouras. O quinto grupo era formado por alunos da Lufa-Lufa.

— Se tiver mais alguém aqui que não seja da Grifinória — berrou Harry, que estava começando a parecer seriamente aborrecido —, por favor, se retire agora!

Fez-se silêncio e logo dois aluninhos da Corvinal saíram correndo do campo, abafando risadinhas.

Depois de duas horas, muitas reclamações e vários acessos de raiva, um deles envolvendo uma Comet 260 acidentada e vários dentes partidos, Harry descobrira três artilheiros: Katie Bell, que pelo que Hermione comentou já fazia parte do time e, devo admitir, fez um excelente teste, uma novata, Demelza Robins, particularmente ágil em se desviar de balaços, e Gina Weasley, a irmã mais nova de Rony que voara melhor que todos os candidatos e, de quebra, marcara dezessete gols, dois batedores: Jaquito Peakes, um terceiranista baixo, mas de peito largo que conseguira fazer um galo do tamanho de um ovo na nuca de Harry batendo um balaço com ferocidade, e Cadu Coote, que parecia franzino mas tinha boa pontaria.

Os últimos que foram selecionados para o time, vieram se reunir aos outros nas arquibancadas para acompanhar a seleção do último membro da equipe. Faltava agora, apenas o teste para a posição de goleiro. Os testes começam e a multidão reunida na arquibancada ia a loucura com cada um dos participantes. Vaiaram quem achavam não ser digno e urraram em aprovação aos que consideravam bons. Nenhum dos primeiros cinco candidatos pegou mais de dois gols cada. Exceto o garoto robusto do início do teste, que eu eventualmente descobri ser Córmaco McLaggen pelo grito de seus apoiadores, ele defendeu quatro dos cinco lançamentos. No último, no entanto, voou exatamente na direção oposta; a multidão riu e vaiou, e o rapaz voltou para o chão rangendo os dentes.

Rony parecia prestes a desmaiar, quando montou a sua Cleansweep Onze.

—Boa sorte! — gritou uma voz.

Olhei para o lado pensando ser Hermione, mas essa apenas tinha a expressão fechada e os lábios comprimidos. Quem havia gritado era Lilá Brown, a garota que flertou com Rony mais cedo.

O teste começou e Weasley surpreendeu a todos quando defendeu uma, duas, três, quatro, cinco penalidades seguidas. Hermione sorria satisfeita e tinha um tom rosado em suas bochechas, enquanto batia palmas ao ver que o amigo havia sido declarado goleiro do time. Voltei a olhar pro campo quando escutei uma discussão. Córmaco berrava na frente do Harry e por um momento, pensei que o rapaz fosse lhe dar um soco, mas ele se contentou em fazer uma careta e se afastou, enfurecido, aparentemente vociferando ameaças para o ar.

— Acho melhor irmos até lá dar os parabéns. — disse, mas Hermione já descia a arquibancada correndo. Bufei e me apressei em seguir a mesma.

— Parabéns — disse Harry, rouco. – Vocês voaram realmente bem...

— Você foi genial, Rony! — Irrompeu Hermione. 

Rony se virou sorrindo para a mesma.

— Foi mesmo incrível, Weasley. Meus parabéns. — disse, sincera.

Nunca havia visto um teste de Quadribol antes mas, pelos comentários de aprovação do público, comecei a entender o que era bom ou ruim.

— Obrigada, . — balançou a cabeça acenando.

Depois de marcar o primeiro treino para a quinta-feira seguinte, Eu, Harry, Rony e Hermione nos despedimos do resto da equipe e começamos a caminhar, um sol aguado tentava romper as nuvens, agora que finalmente parara de chuviscar

— Foi um teste e tanto, mas você se saiu muito bem, Harry. — sorri.

Potter parecia surpreso, considerando que dentre os três ele era um dos que eu menos me sentia confortável em falar, quem dirá elogiar.

— Muito obrigada. Córmaco não parece ter ficado tão feliz e alguns dos batedores provavelmente me odiarão por meses, mas estou satisfeito com o resultado.

— Ossos do ofício. — repito pela segunda vez nesse dia.

Harry apenas balança a cabeça, concordando e me lançando um sorriso educado.

— Afinal, onde estamos indo? — questiona Rony — estou faminto!

— Oras, no Hagrid. Temos sido péssimos amigos. — declara Hermione.

Sinto um arrepio correr pelo meu corpo, já ouvi falar sobre o guarda caças e o medo dele perceber minhas verdadeiras intenções com o trio passa subitamente pela minha cabeça.

— Pensando bem, acabo de lembrar que ficaram faltando alguns detalhes na minha redação. — digo, parando o passo — Acho que vou voltar ao salão comunal para terminá-la.

— Não seja rola, . — resmunga Hermione — Eu posso facilmente ajudá-la com isso quando voltarmos ao invés de você passar o resto do dia trancafiada.

— Mas eu…

— Você vai conosco e ponto final.

Olho para Harry e Rony em busca de qualquer sinal de apoio de que não me quisessem em sua visita, mas os garotos apenas dão de ombros, como se dissessem que era ela quem mandava. Então, suspiro, me sentindo derrotada e volto a caminhar.

—  Pensei que ia perder o quarto pênalti — comentou Rony contente. — Foi um arremesso esperto da Demelza, você viu, com um ligeiro efeito...

— Foi, foi, você foi magnífico — disse Hermione, parecendo achar graça.

— Fui melhor que o McLaggen — disse ele em tom muito satisfeito. — Vocês viram ele saindo na direção oposta no quinto? Parecia que tinha sido confundido...

Notei Hermione tremer ao meu lado e instantaneamente ficar muito vermelha ao ouvir isso. Rony não notou; estava ocupado demais descrevendo carinhosamente cada uma das penalidades em detalhe. Harry, no entanto, parecia compartilhar da mesma opinião que a minha quando trocamos olhares.

Um enorme hipogrifo cinzento, como o que havia visto nos livros, estava amarrado à frente da cabana de Hagrid. Bateu o afiadíssimo bico quando nos aproximamos, virando a cabeçorra para nós.

— Nossa! — exclamou Hermione nervosa. – Ele ainda dá medo, não acham?

— Fala sério, você já montou nele! — disse Rony.

— Você montou nele? — perguntei, exasperada, vendo a garota balançar a cabeça em resposta. 

— No terceiro ano. — sorriu.

Harry se adiantou e fez uma profunda reverência para o hipogrifo, mantendo o contato visual com o animal, sem piscar. Que segundos depois, se curvou também.

— Como vai indo? — perguntou Harry em voz baixa, aproximando-se para acariciar as penas de sua cabeça. — Sente falta dele? Mas você está bem aqui com o Hagrid, não é verdade?

 — Oi! – gritou uma voz.

Virei meu rosto para um canto da cabana apenas a tempo de ver um meio gigante, de mais ou menos 3 metros de altura, cabelos castanhos, olhos negros e pele branca, usando um grande avental florido e trazendo um saco de batatas na mão. Como se já não fosse estranho o suficiente, um enorme cão o acompanhava de perto e quando nos avistou, deu um tremendo latido e avançou para os garotos. Fazendo eu dar um pulo para trás com o susto.

 — Para trás! Ele vai comer seus dedos... ah, são vocês.

O cachorro cumprimentava Hermione e Rony aos pulos, tentando lamber suas orelhas. Hagrid parou, olhou-os por uma fração de segundo, e depois virou as costas e entrou na cabana batendo a porta.

— Ah, não! – exclamou Hermione, apreensiva.

— O que aconteceu aqui? — eu questionei, ainda controlando meus batimentos.

— Eu disse que estávamos sendo péssimos amigos! Ele não irá nos perdoar. — choramingou Hermione.

 — Não se preocupem — disse Harry mal-humorado, indo até a porta e batendo com força. — Hagrid! Abre, queremos falar com você!

Não houve resposta dentro da casa.

— Se você não abrir a porta, vamos arrombá-la! — ameaçou Harry puxando a varinha.

— Harry! — exclamou Hermione chocada. — Não é possível...

— É, sim! — retrucou Harry. — Cheguem para trás...

— Acho que deveríamos respeitar o desejo dele, sabe. Ele parece ser um homem muito...

Mas, antes que pudesse continuar a falar, a porta se escancarou e Hagrid surgiu com um ar agressivo e, apesar do avental florido, decididamente assustador.

— Sou um professor! — urrou para Harry. — Um professor, Potter! Como se atreve a ameaçar arrombar minha porta!

Hermione e eu automaticamente lançamos o melhor olhar de "Eu avisei!" existente para Harry, que bufou e voltou seu olhar ao meio gigante.

— Peço desculpas, senhor — disse Harry, sublinhando a última palavra enquanto guardava a varinha no bolso interno das vestes. Hagrid pareceu confuso.

— Desde quando você me chama de "senhor"?

— Desde quando você me chama de "Potter"?

— Ah, muito esperto – rosnou Hagrid. – Muito engraçado. Ganhou, não é? Muito bem, então entrem, seus ingratinhos...

Resmungando sombriamente, ele recuou para deixar nós passarmos. Hermione entrou depressa atrás de Harry, muito assustada, e eu e Rony entramos logo em seguida. Enquanto Harry, Rony e Hermione se sentavam à sua enorme mesa de madeira casualmente, eu fiquei paralisada ao sentir o cachorro parado na altura de meus joelhos, babando minhas vestes e rosnando em seguida.

— Mas quem diabos é você?



Continua...



Nota da autora: Olá meninas, como vão? Sei que faz um bom tempo que essa história não é atualizada e, por isso, peço minhas mais sinceras desculpas. Os últimos meses tem sido muito difíceis e corridos e, infelizmente, não consegui me programar de forma satisfatória com o cronograma da história. Prometo tentar melhorar as coisas em breve e dar a Senhorita Lestrange o enredo que ela verdadeiramente merece. Obrigada pelas mensagens de apoio nas redes sociais, vocês são incríveis. Espero que estejam todas bem e se cuidando nesses tempos difíceis. Até a próxima. Beijos, Aluada.
Nota da scripter: Oi gente! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.





Essa fanfic é de total responsabilidade da autora, apenas faço o script. Qualquer erro, somente no e-mail
Para saber se a história tem atualização pendente, clique aqui


comments powered by Disqus