Avallon
Contador:
Última atualização: 22/08/2020

Página Inicial | Capítulos Anteriores

Capítulo 19

Dia 1.
Jantar Real

Entrei no quarto de minha irmã, Kira, já arrumada para nosso primeiro jantar em família depois de um tempo. Ela estava vestida com um vestido longo, azul royal, simples, mas que lhe caía tão bem! A barriga estava visível e eu estava apaixonada.
-Nunca pensei em te ver pessoalmente vestida assim, tão divinamente - revirei os olhos me jogando em sua cama, a mesma dividia o quarto com Kiara, que estava terminando de se arrumar. Ela queria estar impecável.
-Cale a boca - a mesma riu terminando de ajeitar o cabelo em um "coque bagunçado", eu também havia optado por aquele penteado. Minha mãe não tinha o mínimo jeito com penteados, então era assim que a gente arrumava o cabelo. - Seu marido estaria babando se te visse agora.
-Com certeza! Ele baba só de ver a cunhada na TV, você precisa ver o quão babão ele está, fala para todo mundo.
-Sinto falta dele, da nossa rotina... - sorrio olhando para o chão - e quando acabar isso aqui, eu sei que nada vai ser como antes.
-Claro que não vai, a Princesa de Avallon não pode lavar pratos. - Revirei os olhos novamente - Não fuja do destino.
-Isso é ridículo.
-Ridícula é você - ela retrucou atacando a primeira coisa que tinha do lado, uma escova de cabelo - se você não quer sonhar, não atrapalha o meu sonho.
-Delicada - ironizei com a mão na testa. Não podia reclamar muito, era da mesma forma que ela, ninguém poderia dizer que não éramos da mesma família. - De qualquer forma, vamos logo encontrar a mamãe, Robin me disse que tínhamos uma sessão de fotos antes do jantar.
-Estou ansiosa demais pra isso, nunca imaginei que conseguiria vir até o castelo passar por isso - ri da cara de assustada dela, lhe dando um tapa na testa.
-Vamos, Kiara!
Ouvi a mesma reclamar por estar sendo apressada, ela sempre foi muito vaidosa, muito mais que eu e Kira juntas. Ela estava ansiosa para o jantar e para ser vista em rede nacional, mas não era necessária toda aquela arrumação, se ela soubesse o quanto é linda sem precisar de tudo aquilo...
-Eu fiz o mesmo penteado que você sempre fazia lá em Southamptom - o famoso coque. O vestido da mesma cor, isso era coisa das minhas damas. Estávamos vestidas praticamente iguais, apenas o modelo do vestido variava. - Uau - ela disse ao nos ver - Jordan vai infartar - apontou pra Kira, que gargalhou - vai infartar - apontou pra mim, que ataquei a almofada nela.
-Acho que vai enfartar - Kira deu de ombros, fazendo a gente encará-la - O que é? Ainda sou do Team mais velho.
-Totalmente Team do meio aqui - Kiara levantou as mãos.
-Tão tolinhas, mal sabem que a vai escolher o - nos assustamos com aquela voz, imediatamente vimos Kurt encostado na porta, olhando para as mãos, tirando gargalhadas de todas nós. Ele parecia um homenzinho e eu via nele, a mini versão de Ben.
-Você está lindo - falei correndo até ele e o pegando no colo.
-Vai amassar meu terno! - ele resmungou, me deixando ainda mais com vontade de esmagá-lo de tanto amor. - Vamos logo, vamos nos atrasar! - arqueei a sobrancelha, aquilo tinha tanto dedo de Bem.
-Pode aparecer, Walker. Você corrompeu meu irmão - o coloquei no chão indo até a porta vendo Ben, fardado rindo.
-Fala sério, ele daria um ótimo guarda.
-Fica longe dele - segurei a risala dando um empurrão nele.
Depois de alguns segundos, fomos até o quarto de minha mãe, não vi Merck, pelo que sabia, ele já havia saído e não gostava nenhum pouco de saber que o mesmo estava andando para cima e pra baixo no castelo. Minha mãe estava estupenda. Nunca tinha a visto tão bem arrumada como hoje, eu estava amando aquilo tudo. Ela também usava um vestido azul royal, rodado cheio de brilho. O cabelo da mesma forma que a gente e uma maquiagem leve, realçando sua beleza natural.
-Uau - Ben disse entrando no quarto olhando para todas nós - a Família é realmente deslumbrante. Você não - apontou pra mim tirando gargalhadas de todas nós.
Minutos depois resolvemos descer, já que o aparelho de Ben começou a apitar, era o chefe dos Guardas, vulgo: o pai dele.
Fomos conversando e dando muita risada das coisas que Kurt falava, ele estava um nojo! Kiara e Kira desembestaram uma discussão sobre quem ia dormir em qual cama, Kurt ficaria com minha mãe no quarto dela e de Merck. Faria ela dormir no meu quarto junto ao meu irmão, não queria de nenhuma maneira os dois no mesmo ambiente que aquele lixo.
Kurt não parava de dizer sobre o quão bom foi brincar com no período da tarde naquele dia, os dois correram no jardim até suar, e pelo que Robin havia comentado, não era para ter acontecido aquilo, tinha um protocolo a ser seguido e acabou quebrando aquilo brincando com meu irmão.
Descendo as escadas, fomos levadas ao salão onde tiramos as fotos para as revistas. Ben pediu para aguardarmos ao lado de fora por um instante, éramos a última família a tirar as fotos, vindo de mim não podia ser diferente. Vimos ele fazendo uma reverência e eu pude ver Dave ali. Caminhei até eles
-Major Walker - fiz uma reverência - Não sabia que já estava de volta!
-Cheguei ontem - ele sorriu fazendo uma reverência para mim - é bom te ver.
-A Independência de Avallon tem que ter o chefe, esqueci disso - bati na testa fazendo ele rir.
-E pelo que vi na agenda, está tudo muito bem organizado, você está de parabéns.
-As meninas fizeram tudo, eu só ajudei em algumas coisas - disse sem graça.
-Não seja tão humilde, eu fiquei sabendo da sua afronta contra a rainha - ele colocou a mão na cintura, sorrindo me fazendo ficar vermelha - Eu amei o jeito que você defendeu o que acredita.
-Obrigada, Dave. - Fomos interrompidos por Merck, que entrou bruscamente com uma garrafa de bebida, totalmente alterado.
A vergonha que habita em mim, saúda a vergonha que habita em vocês.
Coloquei as mãos no rosto, tentando me esconder daquela vergonha, nunca pensei que iria pensar no que os outros iriam pensar de mim, as meninas haviam entrado no Salão, a última estava na sessão de fotos e se eu tivesse um pouquinho de sorte, aquilo iria passar despercebido por elas. Mas era ridículo eu pensar daquela forma, tendo em vista que provavelmente o castelo inteiro já sabia daquela grande fofoca. Veja só: "SELECIONADA TEM ALCOÓLATRA NA FAMÍLIA E O MESMO DA UM SHOW"
Eu estava ferrada! Pude ver de longe Kurt se escondendo atrás de Kira, que não conseguia olhar para o próprio pai. Kiara olhava aquilo tudo, não sabia decifrar o que seu olhar dizia e nunca conversamos sobre esse assunto, era um problema da nossa família, falar sobre as coisas importantes que causam algum dano em nossas vidas. Minha mãe estava paralisada, os olhos marejados e tremia totalmente, eu odiava isso.
-Ora ora, se não é Dave Walker - Merck dizia chegando mais perto do Soldado, que permanecia intacto - a última vez que te vi você estava...
-Merck! - minha mãe interviu, indo próximo a ele. Foi então que Dave a encarou, os dois estavam com os olhos marejados, mas não me prendi a detalhes, Merck deu continuidade ao show.
-A última vez que eu te vi...
-Estava em uma missão em Southamptom - Dave completou rapidamente.
-Você já foi para lá? - Ben perguntou
-Eu morei lá - seu pai respondeu sorrindo sem mostrar os dentes.
-AH, claro! Lembro-me disso, você e...
-O senhor está bêbado - Dave interrompeu novamente - peço que se retire para o bem dos convidados e de sua família.
-Pedido negado - ele começou a rir apontando a garrafa para Dave - seu fracote!
-Creio que não entendeu - Dave chegou perto dele - Aqui eu sou o chefe, o braço direito do Rei, imagino que você não vá querer uma reunião com ele, principalmente nessas condições
-Uau, Davezinho, você subiu mesmo de cargo - o deboche era nítido, eu estava morrendo de vergonha, principalmente depois de ver e na porta assistindo tudo - mas você não me intimida.
-O que te intimida então, sr ? - perguntou, de braços cruzados. Do jeito que Merck era, iria ser mandado para a cadeia por desrespeitar uma autoridade.
-Alteza - ele se curvou, com deboche nítido.
-O que está acontecendo aqui, Dave? - perguntou, logo após me encarou, eu desviei o olhar do dele. A vergonha era tanta que nem isso era possível de ser fazer.
-Esse senhor está bêbado e sendo inconveniente com a família, pedi que se retirasse, mas o mesmo se recusa.
-Sabe quanto custa essa garrafa irlandesa de whisky, Merck? - perguntou, a tirando da mão de Merck, que deu de ombros o fuzilando por ter acabado com a brincadeirinha - muito mais do que você pode pagar, acredite. Foi um presente da dinastia irlandesa após selarmos um acordo...
-Olha só, o príncipe mostrando sua verdadeira face.
-Ele só está falando a verdade, você nem trabalha pra ter algum dinheiro, quem dirá ter o dinheiro mesmo para pagar uma garrafa dessa - Eu tomei a voz, indo até minha família.
-Você é uma garota tão ingrata - ele disse indo na minha direção, cambaleando, mas Ben entrou na frente dele.
-Peço que retirem este homem daqui, ele é uma ameaça a mim e a minha família quando bêbado - Senti Kurt me dando a mão, senti todo o apoio necessário naquele instante.
-Ouviu a garota - Ben disse, com o deboche que ele tinha na ponta da língua.
-Não irei a lugar algum - disse ele, ríspido.
-Levem este homem para a cela, amanhã eu me resolvo com ele... Quando ele estiver mais sóbrio - tomou a voz, chamando dois guardas. Merck pareceu cair em si com aquilo, começou a ficar desesperado e a gritar comigo, falando coisas sem sentido algum.
-VOCÊ ACABOU DE ACABAR COM A SUA VIDA, SUA VADIA - parecia que o ar não entrava e nem saía, eu estava em estado de choque. Kira começou a passar mal, precisou se sentar após uma crise de enjôos - TODO MUNDO VAI SABER - segundos depois, ele foi retirado da sala. Vi entrando sem entender o que estava acontecendo, Merck sendo levado por dois guardas, Kira sendo atendida por Dave, minha mãe com tontura sendo atendida por , com Kurt no colo, que tremia e Ben pegando água para todos. Kiara estava em estado de choque, olhava para a porta sem piscar e eu não sentia o ar em meus pulmões.
-O que houve? - ouvi ele perguntar para Ben, que respondeu por cima. Pude ver o olhar dele em mim, pena, eu diria. Eu odiava aquilo. - Vocês estão bem?
-Graças ao Dave, Ben, seus irmãos e a que brigou de novo com o papai - meu irmão disse, recebendo todos os olhares para si. Não pude deixar de ver que me encarava, assim como Dave.
-Temos que tirar as fotos - retomei a postura olhando para Kira - Você consegue fazer isso? Se não, eu te acompanho até a enfermaria agora mesmo.
-Eu aguento uma ou duas fotos - ela sorriu sem mostrar os dentes.
-Depois disso iremos para a enfermaria - segurei em sua mão.
-Eu vou com vocês - Kurt falou, eu sorri sem mostrar os dentes.
-Você vai jantar, junto com a mamãe e a Kiara.
-Não, eu tenho que ficar com vocês! - ele cruzou os braçinhos - se papai voltar, eu vou bater nele pra ele nunca mais ser mau com nenhuma de vocês - aquilo foi o baque da noite para mim, tanto por ver meu irmãozinho falar algo tão forte como aquilo e tanto por agora todos presentes terem ciência da situação.
-Vamos tirar as fotos. - Minha mãe tomou a palavra. Não olhei para nenhum deles enquanto caminhava até o salão onde tirariam as fotos. Era o mesmo fotógrafo da última vez, ele ficou totalmente animado quando me viu, até correu para me abraçar e pediu desculpa pelo ato. Acho que ele ficou sem graça depois do ocorrido, mas nada nos impediu de tirarmos fotos impecáveis. Kurt roubou até a coroa de , que ria do meu irmãozinho. Foram fotos aleatórias de todos rindo, o que era chocante, depois daquele episódio com Merck, não era de se negar o nervosismo de geral.
-Vai ser capa de revista - ele disse, após terminar a sessão - seu irmão roubou a cena.
-É um - falou, rindo. Tirando risada de todo mundo novamente, inclusive um pouco de indignação da minha parte.
-Curtam o jantar, vocês merecem - Dave falou depois de uns minutos, minha mãe não deixava de encarar ele e o mesmo não fazia o contrário. Intrigante.
-Levarei Kira até a enfermaria - Ben olhou minha irmã, que estava sentada.
-Irei junto - segurei na mão dela, tirando um suspiro de indignação. - Não adianta reclamar.
-Tomarei providências contra Merck - falou, depois de um tempo calado - Esse ato violento não pode acontecer novamente.
-, não podemos ir sem você! - Kiara segurou minha mão.
-Você vai se sair bem, confie em você. Eu volto logo.
-Kira consegue ir sozinha - ela sussurrou me fazendo ficar com peso na consciência, mas era necessário.
-Vocês ficarão bem comigo - tomou a palavra, deixando todos surpresos - até suas irmãs voltarem. Faço companhia.
-Faria isso? - perguntei.
-Claro que sim.
-Não precisa fazer isso - minha mãe se intrometeu.
-Eu faço e com muito prazer - ele levantou o braço, oferecendo para ela, que aceitou a contragosto. Pude ver meus irmãos partindo para dentro, não devia deixá-los, mas era necessário.

Fui caminhando ao lado de Kira, que permanecia quieta. O percurso todo ela não disse uma palavra, era sempre assim quando algum episódio com Merck acontecia e eu nem podia conversar sobre, não sabia nem o que dizer. Ela sabia que a mais prejudicada naquela situação, era eu. Sempre era eu.
Dave não foi com a gente, seguiu com até a cadeia. caminhava atrás de mim, como um guarda costa e Ben segurava minha irmã como sempre fizera comigo. Chegando na enfermaria, ela logo foi atendida
Fiquei do lado de fora como foi pedido pelo médico. Caminhava de um lado para o outro sem saber o que fazer, não me perdoaria se acontecesse algo com ela ou meu sobrinho. Merck não tinha mais esse direito. Senti uma mão segurando a minha, não tão forte, mas de um jeito firme. Olhei e vi .
Ele estava ali. E estava ao meu lado.
-Fica calma - Não consegui encará-lo por muito tempo, estava envergonhada.
-Você não deveria estar aqui.
-Não tem outro lugar que eu queira estar mais do que aqui - Senti as lágrimas apertarem, mas as segurei. Apertei sua mão de leve, era a forma mais sincera de agradecimento que eu podia dar naquele momento - , como Príncipe eu devo perguntar se devo me preocupar e saber de alguma coisa que você não está contando... Mas como amigo, eu devo te dar um tempo e espaço. E é o que farei, mas se tiver escondendo algo, me conte, vou ajudar você e sua família.
-Você será um bom Rei - soltei sua mão de leve, olhando pela primeira vez - com esse coração enorme que tem, Avallon merece você.
-Se um dia eu for rei - ele disse em tom de alerta, rindo. - Você não precisa carregar esse fardo sozinha.
-Preciso de um tempo para poder falar sobre isso, - sorriu sem mostrar os dentes se virando pra frente.
-O tempo eu dou... Agora o espaço, você terá que me engolir.
Consegui rir daquilo, ele parecia uma criança balançando do a cabeça de um lado para o outro com os braços cruzados. Os três eram assim, preocupados e atenciosos, eu sabia que não era apenas comigo e isso não era algo com que eu ficava enciumada, eu ficava muito feliz por estar enganada e ver que os futuros Reis de Avallon tinham mais do que o rostinho bonito e que eram mais do que pareciam.
, ainda fechado e quieto, havia mostrado o quão corajoso é por aceitar um cargo tão difícil mesmo querendo coisas diferentes, ele nunca havia dito com todas as palavras, mas não queria ser Rei. Eu o imaginava um cara escroto e que se achava melhor do que os outros e fazia de tudo para conseguir outros que quer. Aos poucos eu pude perceber que era totalmente o oposto. Era um cara bom e se sacrificava por milhões de pessoas.
, continuava um babaca. Mas um babaca que eu estou começando a gostar mais... Pude descobrir que o que ele era pela TV, ele era pessoalmente. E pude conhecê-lo e ver que o mesmo luta pelas mesmas coisas que eu, pela igualdade e justiça.
, sempre foi o que eu achava mais intrigante, todo brincalhão e engraçado... O achava burro e infantil e veja só: ele é o único cara que eu sabia que se importava realmente por Avallon e não era pelo status e sim por amor. O mundo deveria saber disso.
E sentada ali, naquela sala de espera com ao meu lado, sabendo que estava cuidando de minha mãe e meus irmãos em um jantar tão importante e na cadeia, resolvendo as coisas com aquele monstro quando eles não deveriam estar fazendo isso. Eu nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo.
Ouvi o aparelho tocando, o pager. Ele olhava, mas ignorava e aquilo me deixava nervosa, já que o pager não parava.
-Vai - segurei em sua mão e sorri sem mostrar os dentes. As sobrancelhas franzidas, como ele fazia quando não queria fazer algo, estavam bem visíveis.
-Não é importante.
-, vá! - ele bufou cruzando os braços - ficarei bem, sua mãe deve estar nervosa com os sumiços de vocês. Assim que Kira for examinada, eu irei ao jantar.
-Provavelmente não terei mais tempo de falar com você hoje se eu for para o jantar - Não entendi aquele comentário, na verdade, não quis entender, mas sabia do que se tratava.
-Só de você estar burlando as leis para estar aqui já é o suficiente e eu entendo a situação. Apenas vá.
-Às vezes eu sinto raiva por você ser tão compreensiva -comecei a rir, eu não era, mas havia aprendido a ser. Ele se levantou e me deu um beijo no rosto.
Depois que ele saiu, fiquei mais alguns minutos sozinha, esperando o Dr. Poirot. Ele me chamou no leito e disse que ela estava dormindo, o estresse foi muito grande e era bom ela ficar de observação ali, na manhã seguinte ele iria liberá-la.
-Seja o que for que tenha acontecido, é de extrema importância que não aconteça mais... A gravidez de sua irmã é saudável e segura, mas coisas deste tipo podem causar danos. - Ele tirou os óculos e me encarou enquanto limpava o mesmo - para você também.
-Como é?
-Estar em uma seleção é difícil e é pior ainda se você não tem como quem se abrir.
-Estou bem - virei o rosto encarando Kira.
-De qualquer forma, estou aqui. E sugiro que vá ao jantar, eu fico com sua irmã - fiz careta, não queria ir, mas sabia que teria. Confiava nele.
-Obrigada.
Saí do leito contra minha vontade, mas estava indo ao salão de refeição. Pensando naquilo tudo que havia acontecido e na emboscada que havia me metido. Ele abriria a boca.
Tinha alguns guardas espalhados pelos corredores, me senti segura por alguns minutos, mas não confiava em ninguém. Entrei no Salão recebendo todos os olhares, a Rainha me fuzilava e eu sabia o porquê: eu havia feito os filhos se desviarem. Fiz uma reverência ao Rei e ela, e procurei minha família.
Quase caí pra trás quando vi sentado na mesa junto com eles, conversando com minha mãe e brincando com Kurt e ainda tentando fazer Kiara rir. Todos aqueles olhares faziam mais sentido ainda pra mim. estava sentado com seus pais, recebi um mini sorriso dele e quando olhei para trás, estava ali na porta, entrando pedindo desculpas pelo atraso e me encarando arqueando duas vezes a sobrancelha direita, um sinal de que precisávamos conversar.
-, o disse que vai ficar comigo hoje até eu dormir - Olhei para querendo bater. Promessa é dívida com aquela criança.
-Ele disse? - perguntei encarando o mesmo que sorriu culpado.
- é magnífico - minha mãe comentou, extremamente grata e eu sabia que estava querendo chorar - Não tenho nem como agradecer.
-Um sorriso lindo e sincero desse já basta. Eu não fiz nada mais do que a minha obrigação - meu coração se encheu de amor.
-Muito obrigada - agradeci sentando ao lado dele - Pode ir, a gente se vira daqui.
-Está querendo se livrar de mim, ?
-Por enquanto - ri o encarando - olhe em volta, eu só estou usando tumulto.
-Só vou por conta da minha mãe e por você querer que eu vá. - Sorri sem mostrar os dentes recebendo um lindo sorriso de volta - Kurt, nossa noite dos garotos ainda está de pé.

~


Assim que o jantar terminou, fui com minha mãe até a enfermaria, deixando Kurt e Kiara com Olívia e as meninas. Kiara iria dormir com minha mãe e Kurt comigo. Minha mãe não dizia muita coisa, estava pensativa e triste. Eu sentia medo disso. Todos da nossa família eram calados assim, mas era errado. Deveríamos falar e desabafar um com o outro.
Chegando na enfermaria, Kira estava acordada e tomando sopa. Dr Poirot estava ali com ela, lendo um jornal. O mesmo sorriu ao nos ver e foi muito simpático me minha mãe, que foi cortejada. O mesmo a levou para conversar sobre mim e Kira do lado de fora.
-Como está se sentindo? - perguntei segurando sua mão.
-Melhor... - ela sorriu - Essa sopa está maravilhosa, tem como eu conversar com o chefe? Jordan ia amar essa receita.
-O chefe é Eric - respondi olhando para a sopa vendo-a engasgar.
-Aquele salafrário está aqui? Eu o mato! - ela disse revoltada - Não conversaram?
-Ele está totalmente maluco - foi a única coisa que disse para ela.
-Jordan demitiu ele depois de uns dias que você veio pra cá, Eric estava totalmente diferente e conturbado, bebendo e atrapalhando o restaurante. Depois disso nunca mais o vimos - ela respirou fundo balançando a cabeça negativamente - foi um prejuízo pra nós. Perdemos nossa melhor garçonete e nosso chefe. Jordan teve que se desdobrar pra resolver tudo isso. Agora já melhoramos um pouco.
-Eu não sabia disto. Ele não disse, mesmo porque, o que ele falou pra mim foi horrível e eu não repito as palavras dele pois é caso de sentença de morte.
-Ele ficou transtornado com sua vinda para cá.
-A culpa é dele - resmunguei irritada.
-Mas você tem que agradecer, olha a reviravolta da sua vida!
Fiquei pensativa, realmente. Não sabia exatamente como me sentia em relação a isso e não estava com tempo para pensar nisso. Tinha problemas maiores.
-Sabe, a gente não costuma falar sobre essas coisas e sobre Merck... - Olhei pra baixo - Mas você está fazendo o que é necessário. Não se sinta presa a nós, os meninos estão do seu lado e não vai acontecer nada com a mamãe ou com você.
-Quando descobrirem sobre a traição, vai ser o fim... E o fim pra mim! Nunca irei deixar que executem ela.
-Conte para eles. - Ela segurou minha mão - o afeto que eles têm por ti é visível. Tenho certeza que farão o impossível pra te ajudar nisto.

~


-Ben, fique na porta do quarto de minha mãe hoje, por proteção mesmo. Não deixe Merck chegar perto de lá - falei para ele assim que o encontrei.
-Merck vai passar a noite na cadeia. Vocês estão a salvo - ele passou a mão na testa, nervoso.
-O que aconteceu?
-Ele atacou meu pai, ambos ficaram feridos, mas Merck ficou pior... Só que passa bem. A história não me desce, parece que tem algo rolando.
-Deve ser coisa da sua cabeça, Merck ataca qualquer um - passei a mão em suas costas - Você pode tirar a noite de folga já que Merck está preso. Só... Peça pra alguém ficar de olho nela.
-Ficarei de guarda hoje.
-Eu ordeno - rimos, hoje foi o dia que eu mais dei ordem nas pessoas, e eu tinha gostado - Por favor.
-Ou você dá ordem ou você pede por favor, os dois não dá - Senti um empurrãozinho dele.
-Já anotei.
Depois de muita reluta, ele concordou comigo e tirou sua noite de folga. Sem antes deixar meu quarto e o de minha mãe com um guarda. Kiara havia saído junto com minha mãe até o quarto delas. Já estava tarde. Entrei no quarto e as meninas não estavam lá e a janela da sacada estava aberta, sentia uma brisa leve. Caminhei até o banheiro trocando aquele vestido por uma camisola branca, e soltando meu cabelo. Tirei toda a maquiagem e quase gritei ao ver um reflexo escuro pelo espelho.
Meu coração faltava sair de mim, o mais perto de defesa que eu tinha, era uma escova de cabelo. Caminhei tremendo até para fora do banheiro e quis rir.
Era .
deitando e cobrindo Kurt em minha cama. Ele se virou pra mim e levou um susto.
-Socorro! - ele falou com as mãos no peito e encarou minha mão, que segurava a escova como se fosse uma faca - Isso é sério? Uma escova de cabelo?
-Você me assustou - joguei a escova no chão tentando disfarçar.
-Você também, essa seria uma luta injusta - ele cruzou os braços. - Eu teria um travesseiro para defesa.
-É uma boa arma - comentei e ele riu - Obrigada por hoje.
-Chega de agradecer - ele revirou os olhos - tô aqui se precisar.
-É bom ter você do lado, me sinto aliviada.
-Você faria o mesmo se fosse comigo. Mas como amigo e príncipe, se prepara para o bombardeio. Amanhã isso aqui vai ser um rio de fofoca - ele caminhava até a porta e eu estava ao seu lado - farei o possível para combater as mentiras e meus irmãos também, só que ainda assim será complicado.
-Obrigada por avisar. Ficarei em alerta - antes de sair, ele segurou minha mão e me encarou.
-Vai ser mais fácil de resolver isso se você conversar com a gente - Olhei para o chão novamente - podemos fazer com que ele não chegue mais perto da sua família. Mas o argumento tem que ser mais forte - ele percebeu que não haveria resposta e suspirou - pense nisso.
-Muito obrigada - o encarei sorrindo sem mostrar os dentes - se cuida e boa noite.
-Se cuida e boa noite, princesa - ele chegou perto demais, não conseguia respirar. Ele encostou o nariz no meu, ficou assim por um tempo e respirou fundo, balançou a cabeça...
E me deu um longo beijo na testa.


Capítulo 20

Robin entrou no quarto como um avião, eu já estava acordada, era a segunda vez que eu acordava sem ninguém ter que me puxar dali. Na realidade, não havia nem pregado o olho depois da visita de e de ouvir a conversa de com Marie Damphine, a repórter oficial de Avallon. Me deixando ainda mais ansiosa por algo que eu não tinha como lidar.
-Achei que teria que gritar para você acordar - ela disse super confusa ao me ver em pé, saindo do banheiro e secando o cabelo com a toalha. Kurt ainda dormia. - Como você está?
-Eu é que te faço essa pergunta - a encarei. Robin estava muito afastada de mim de uns dias pra cá, pouco me visita e as aulas que eu costumava ter com ela, as vezes eram canceladas ou passadas para outra pessoa. Ela parecia cansada, mas mesmo assim permanecia na pose impecável.
-Eu estou ótima. Meu pai não passou a noite na cadeia - Senti o comentário alfinetar até minha quinta geração
-Nem o meu - respondi baixinho caminhando até a sacada. Não queria acordar Kurt.
-Os príncipes estão preocupados e querem que você converse com alguém sobre o que aconteceu.- Ela me seguiu e fechou a porta da sacada. - Ele atacou um guarda e você fica mais agressiva do que o normal perto dele.
-Não tenho o que dizer.
-Você sabe que precisa. - Suspirou sorrindo sem mostrar os dentes - Se ele é uma ameaça contra você ou sua família, você TEM que fazer alguma coisa.
-Está tudo sob controle, não está? - perguntei encarando o jardim. O meu cantinho preferido.
-Até ele sair da cadeia - ela arqueou a sobrancelha - Conversei um pouco com aquele drácula e devo dizer que ele sente ódio de você.
-É recíproco - ri sem humor, mas meu coração apertou, o ódio que ele sente por mim era tanto que podia contar para qualquer um o meu segredo e o de minha família.
-... - Ela nunca me chamou pelo apelido e muito menos segurou minha mão. Ela estava gelada - Pelo seu bem, confie nos meninos. Conte a eles o que está acontecendo, você vai ser ajudada e não vai acontecer nada com ninguém.
-? - meu irmãozinho abriu a porta da sacada, coçando os olhinhos e arrastando seu ursinho no chão.
-Bom dia, dorminhoco! - mudei de assunto e Robin entendeu o que aquilo significava. - Lembra de Robin?
-Sim, a moça que ia roubar você da mamãe - Isso tirou risadas de ambas.
-Espero que vocês não tenham ficado com raiva de mim por isso - ela sorriu e ele deu risada.
-A Kiara diz que te ama por fazer a agir como uma pessoa decente - amava a sinceridade de Kurt.
-Ela ainda está em tratamento.
-Você está fazendo um bom trabalho, tia Robin - ele abraçou minhas pernas - Mas não dá pra mudar quem você é... A vai ser pra sempre a garota briguenta que bate nas pessoas de Southamptom.
-Seu irmão tem quantos anos? - Robin perguntou completamente chocada. Até eu havia ficado - Você tem toda razão. Não quero mudar sua irmã, só quero deixá-la como uma princesa
-Ela já é uma - ele sorriu e me encarou, tomara que eu exploda de tanto amor.
-E você tem que se arrumar para dar uma volta com o Príncipe depois do café, antes de irmos depois do almoço para a inauguração do parque. Vá - vi meu irmão todo serelepe correndo até o banheiro - vejo você lá?
-Não gosto de circo e parque - ela tossiu e riu.
-É importante pra mim que você esteja lá - falei sem encará-la. Deixando claro que confiava nela, mas que ela precisava confiar em mim.
-Eu estarei lá.

~


Estava no jardim, sozinha. Havia deixado Kurt com , os dois não se desgrudavam mais e só não fui junto ao passeio por conta de Kira, que iria ter alta hoje e precisava de mim. Minha mãe e Kiara haviam ido ao salão, junto com a mãe e a própria Beth. Kiara dizia que ela era a segunda selecionada preferida dela.
Estava amando ter aquele momento com eles. Mas ainda estava preocupada com o sem noção de Merck, precisava falar com alguém, realmente. E alguém única pessoa que sabia de tudo, eu não podia conversar. Ser orgulhosa é um saco. As fofocas já estavam circulando pelo castelo, os olhares não eram nenhum pouco discretos. Minha cabeça parecia que ia explodir.
-Sua família é mais bonita pessoalmente do que por foto - me assustei com Lizzie sentando ao meu lado. Os cabelos loiros estavam soltos, usava um vestido amarelo que ia até o joelho e ela usava um óculo de sol, se parecia muito com o que eu tinha ganho de . - Vocês se parecem tanto.
-Obrigada - sorri sem mostrar os dentes e voltei a encarar o nada. Pude ver Kurt cavalgando com , sorri com a cena. - A sua família também é muito bonita.
-Eu sei - ela respondeu rapidamente seguindo meu olhar, respirando fundo - digo, obrigada. - era visível que eu não estava com cabeça para conversar com ninguém e não sabia o motivo de Lizzie estar ali, tentando um diálogo. - Acho que todas as selecionadas deveriam ganhar uns óculos escuros, é chique e previne nossos olhos do sol. Esse aqui eu ganhei de - a encarei com a sobrancelha arqueada.
-Belos óculos.
-Fomos caminhar no jardim hoje antes do sol nascer, foi muito importante pra mim - Senti um certo incômodo, mas não ia cair na dela. Sabia o que ela queria.
-Romântico - Eu evitei o máximo não ser sarcástica.
-E você não sabe - ela segurou meu braço sorrindo - nós nos beijamos! Ao nascer do sol!
Sem entender, foi uma flechada no meu peito. O incômodo que antes era pequeno, havia crescido e eu se quer entendia o porquê. Lizzie era minha amiga, mesmo não se parecendo mais com a garota que eu havia conhecido, eu deveria estar feliz com isso. Fiquei alguns segundos assimilando aquilo sem saber o que dizer
-Fico feliz por você - sorri sem mostrar os dentes.
-Eu estou tão feliz por isso - ela suspirou e, depois de um tempo olhando para onde cavalgava com meu irmão, tirou os óculos. Do nada, ela mudou - ele me contou sobre o que rolou ontem com você e seu pai. Que horrível.
-Contou? - Eu não consegui evitar o tom de surpresa, não acreditava que ele falaria algo tão pessoal para outra pessoa.
-Família maluca a sua... Muito bonita, mas maluca - arqueei a sobrancelha e a encarei, esperando o bombardeio de veneno que viria - digo, que homem louco! Imagino a vergonha que você deve estar sentindo de uma família assim - ela sabia exatamente o que estava fazendo. Me conhecia o suficiente para saber que meu ponto fraco era minha família.
-Vergonha deve ter a sua de você, por estar cuidando da vida alheia - ela ficou surpresa com a resposta, pelo jeito não estava esperando.
-Eles estão muito orgulhosos de mim.
-E você está? - ela me encarou sem entender - como é chegar até aqui sabendo que você não é mais quem era antes da Seleção? - sorri ao ver o ódio dela subindo, sabia disso pois ela ficava vermelha - Pelo menos este gostinho eu ainda tenho e você sabe.
-Realmente, continua a mesma que entrou. Roubando os príncipes, se fazendo de coitada e chamando a atenção pra você a qualquer custa! - ainda pendia um sorrisinho no canto dos meus lábios.
-Espero que um dia você caía na real - me levantei - e quando isto acontecer, estarei esperando um pedido de desculpas.
-Seu irmãozinho é igualzinho a você - ela falou quando eu já estava andando me fazendo parar e escutar - Está indo para o mesmo caminho no qual você percorre.
-Você não tem noção do quão Feliz eu estou por isso - sorri voltando para pegar meu livro - o caminho que estou trilhando é lindo! Eu ajudo as pessoas, eu não passo por cima de ninguém e não tenho que fazer o mal para me sentir bem. - Fiquei cara a cara com ela - Sou uma pessoa horrível, mas o Kurt é e será um homem incrível. Se você não quiser perder estes lindos dentes, é melhor pensar bem antes de falar de algum deles novamente.
-Irei denunciar você por ameaça - ela segurou meu braço, desta vez mais forte.
-Não! Por favor. Céus, o que os príncipes vão achar de mim? - o deboche estampado na minha cara - estes óculos é parecido com o meu, me deu um em uma cavalgada ao pôr do sol. Quer dar uma volta qualquer dia? Podemos combinar de usa-los juntas!
Vendo a fumaça saindo pelo ouvido dela, saí dali. Tremendo de raiva. Eu queria matar . Não imaginava que ele poderia contar algo tão sério para alguém, eu não pedi pra ele ficar quieto, mas a noção eu achei que ele teria.

~


-Todos em posições - ouvi um guarda falar, todos eles fizeram uma reverência, bateram o pé e deram três socos no peito esquerdo, sinal de lealdade e amor a Coroa. Fizemos isso também, nós, selecionadas estávamos todas em uma carruagem e nossos familiares estavam divididos em outras três. A família real estava logo à frente de todos. Estávamos indo à inauguração do parque, o circo seria mais tarde. Teríamos a tarde para nós antes de abrirmos ao povo, por questão de segurança. O último ataque fazia um tempo, mas mesmo assim, era melhor evitar conflitos.
Chegando ao local, que era um pouco afastado do castelo e da cidade, porém cômodo para ambos dos destinos irem caminhando, a vista era maravilhosa. Tinha enormes barracas coloridas e muitos funcionários ao redor, prontos para ajudar qualquer pessoa.
A Rainha me encarava muitas vezes, mantinha o olhar de raiva, mas naquele instante, eu não me importava com aquilo. O Rei sorria, estava maravilhado com tudo e eu fiquei feliz por ver que a maioria estava daquela forma, a ideia de juntar todas as atrações em uma só foi minha.
Era a primeira vez que eu pisava em um circo ou em um parque, imagine só como meus irmãos estavam. Kurt corria animado com tudo. Kiara se mantinha plena, mas sabia que estava deslumbrada. Minha mãe sorria junto a Kira, ambas de braços dados, aproveitando cada segundo.
Passamos certa parte do tempo em tudo possível, mas eu não pude aproveitar tanto, pois estava resolvendo problemas que ainda estavam abertos. Lizzie e Summer resolveram sumir bem naqueles momentos
-Senhorita , perdoe-nos por atrapalhar mais uma vez..., Mas ainda estamos com algumas dúvidas sobre a programação de amanhã - um dos ajudantes da rainha veio até mim novamente.
-Pode dizer, Bush - sorri deixando minha família sozinha mais uma vez.
-O evento que ocorrerá no jardim do castelo... Summer ainda não disse como será organizado, na verdade, ela mandou a gente deixa-la em paz - Droga, Summer. Odiava a forma que ela os tratava.
-Bom, Bush - cruzei os braços - comunique as Selecionadas através de um recadinho em cima da cama, que amanhã cada uma delas irão representar sua cidade. E no mesmo coloque que se houver alguma reclamação, que venha falar comigo.
-Isto não é muito arriscado, ? - ele pareceu receoso.
-Não tenho medo delas, Bush - sorri. Sabia que iam reclamar e provavelmente seria um motivo pra boicote, mas era culpa da Summer que resolveu abandonar as obrigações - Eu arcarei com as consequências.
-Quais consequências? - e apareceram do nada.
-Altezas - Bush fez uma reverência assim como suas ajudantes que permaneciam quietas e anotando minhas palavras. Estava brava com os dois, revirei os olhos e fiz uma reverência rápida e torta, sem nem os encarar.
-Mais alguma dúvida, Bush?
-Por enquanto é só - ele sorriu e se retirou. Encarei os príncipes bufando e saindo rápido de perto, sendo seguida.
-A senhorita não pode ignorar a gente - falou atrás de mim, enquanto eu tentava achar minha família.
-Não? - perguntei com sarcasmo - então observe - segui andando olhando dentro das barracas.
-O que fizemos dessa vez? - perguntou, sorrindo.
-É muita audácia perguntar - falei baixo, querendo esfolar a cara dos dois no chão.
-Gostaríamos de caminhar ao seu lado, se não se importar - cutucou o irmão, que segurou a risada.
-Eu me importo. - Parei encarando os dois, que se assustaram - Você - apontei pra - É um fofoqueiro! Por sua boca grande, Lizzie está contando para todo mundo sobre ontem. - Ele ia se defender, mas eu o cortei - e você - apontei pra - Eu não quero papo, acho fantástico o respeito que as Selecionadas devem ter com vocês. Só que esquecem do respeito com a gente. - Eles se encararam - Foi ilusão a minha achar que vocês nunca me magoariam.
Saí andando deixando os dois sem entender nada. Achei minha família dentro de uma barraca de circo, havia palhaços por todos os lados, as crianças gargalhavam e a cena do Kurt sendo o ajudante do palhaço encheu meu coração de amor.
Ficamos mais algumas horas ali, até as 18 horas, o horário em que estava programado para o discurso do rei. Todos nos colocamos nos devidos lugares. A rainha, espetacularmente radiante com seu sorriso e aquele vestido estonteante ao lado do rei Roger, que era maravilhoso, como sempre.
-É com muita honra que comemoramos mais um ano do nosso país. - Ele começou a dizer. - E é muito bom saber que o futuro de Avallon está nas mãos de garotas fantásticas que virão a ser nossas Princesas. Elas que fizeram toda essa festa para nós, uma organização que demandou tempo e mesmo sem muito preparo, tudo saiu muito bem. - Palmas das pessoas.
-Confesso que estava esperando ter que agir, mas as Selecionadas foram rápidas e precisas. Sempre organizei a festa anual, mas foi ótimo ficar de espectadora. Tudo está muito agradável e bonito. - A rainha falou, sorrindo. Até que me encarou - Espero que ninguém atrapalhe.
-Por questão de segurança, não ficaremos para a festa noturna. Mas queremos que vocês fiquem e apreciem essa comemoração junto com a gente. Estaremos logo ali, felizes por vocês estarem aproveitando esse momento importante.
Foi um momento realmente importante, ouvir a comemoração das pessoas que estavam do outro lado da fita vermelha, eles gritando contentes por estarem ali. Eu sempre me arrepiava ao ouvir o hino de Avallon ser tocado e as pessoas colocarem a mão no peito, em sinal de respeito e no final, os três “soquinhos” no mesmo. Era lindo! E estar presente naquilo me emocionava. Ao ver o Rei cortando a fita, eu me senti ainda mais lisonjeada.

~


Depois do jantar, ficamos mais um tempo conversando com as outras selecionadas, as quais estavam contentes com o dia que passamos. Depois disso, deixei Kurt com minha mãe e Kiara com Kira, eles estavam muito cansados depois do dia longo que tiveram e eu precisava descansar também. Mesmo não tendo o mínimo sono para isso. Caminhando de volta para o meu quarto, passei pelo mesmo corredor que vi com Marie, a repórter, enquanto caminhava ao lado de Ben... Senti um embrulho no estômago, não queria lembrar da cena horrorosa que presenciei.

“-Você sabe que sinto sua falta, ... - ouvi a mulher dizer, reconhecendo a voz de longe.
-Você sabe que não podemos mais fazer isso – pude ver ele abraçando-a de volta.
-Por que não? - Ela fez careta, antes de lhe dar um selinho - Você é o Príncipe, pode fazer qualquer coisa.
-Mas é abuso de poder – ele riu, retribuindo o selinho.
-Antigamente você não se importava com isso – ela sorriu maliciosa, colocando a mão por dentro da camiseta dele, que sorriu da mesma forma.
-, vamos sair daqui - Ben me puxou, mas o meu quarto era exatamente naquela direção. - Você não...
-Ben! - Falei horrorizada, não estava acreditando naquilo, os dois estavam se agarrando no corredor, como se ninguém fosse ver.
-Eles sempre fizeram isso – Ele deu de ombros, não olhando pra mim – Ela também tem um caso com , mas eles fingem não ver isso...
-Que ótimo - sussurrei, tentando não parecer que aquilo havia me ofendido de várias formas possíveis. Resolvi caminhar exatamente por aquele corredor, sendo contida por Ben no meio do caminho, mas já era tarde, eles já tinham me visto. - Desculpe atrapalhar, meu quarto fica bem ali, no final do corredor... Só não ofereço ele pra vocês pois meu irmãozinho está dormindo ali – pareceu ter ficado pálido, já Marie tinha um sorriso irônico nos lábios. - Mas se Vossa Alteza quiser, eu o tiro de lá para vocês terem a privacidade necessária. Tudo pela Coroa.
-Senhorita ! - Ela sorriu fazendo uma reverência, nem se importando em se soltar dele, já ele, se soltou rapidamente – Sempre falando o que pensa.
-Perdão, alteza – Ben falou, o encarando e se referindo a mim.
-Não peça perdão por mim. - O encarei, brava. - Continuem o que estavam fazendo, não irei mais atrapalhar – pude jurar que estava com os olhos marejados, e era de raiva. A pura raiva.
-... - me segurou, deixando a sem noção com cara de surpresa pelo ato - não é isso que você está pensando...
-Você não me deve satisfação alguma – me soltei de seus braços com raiva – Nem se eu me importasse com isso, você deveria algum tipo de satisfação - foi nesse momento que ele balançou a cabeça, completamente sem reação. - Você é sujo como todo o resto.
Disto isso, caminhei lentamente até o meu quarto, sem deixar de ouvir ela dizer:
-Não sei o que ela ainda faz aqui, é uma Selvagem de vestido...
-Eu também não sei. - O que terminou de partir meu coração.”


Capítulo 21

Estava tudo um caos. Eu acreditava que minha vida havia mudado quando fui escolhida para entrar na Seleção, mal sabia eu que a verdadeira mudança estava acontecendo naquele exato momento. E eu jamais imaginei que seria de forma tão grotesca e maldosa...
Estava me arrumando para a Grande Colheita. Seria logo no início da manhã e minhas damas estavam a todo vapor. A Grande Colheita era uma tradição do reino. Éramos conhecidos pelas nossas uvas suculentas e saborosas, tínhamos uma grande safra de vinhos e sucos que eram conhecidas pelo mundo todo e a nossa colheita de melancias e limões também não ficava muito atrás da nossa especialidade. Grande (e se não, a maior) parte da renda do Reino eram as vendas que fazíamos para outros países, por isso valorizamos tanto nossas frutas e seus derivados feitos através da mesma.
-Seus irmãos e sua mãe estão te esperando no Saguão. - Um guarda totalmente desconhecido falou ao abrir a porta de meu quarto.
-Certo – respondi me despedindo das meninas que estavam ansiosas para se juntarem com os outros funcionários para assistirem tudo pela TV. Caminhei até o Saguão, ansiosa pelo dia cheio que teríamos.
Depois da colheita, no período do pôr do sol, teríamos a apresentação de cada cidade de Avallon, apresentadas por cada Selecionada... Confesso que a decisão que havia tomado não agradou a maioria delas, especialmente Summer e Lizzie, ficava feliz e aliviada por ter Beth, Brigite e Cora que amaram a ideia de apresentar sua cidade para a Realeza.
Peguei Kurt no colo assim que o vi e fui com eles até os carros que nos levariam para as plantações mais conhecidas de Avallon. Cada família, desta vez, foi em um. Estranhei a princípio, já que eles sempre separavam as Selecionadas, mas não reclamei porque queria aproveitar o maior tempo possível com eles. Já estava chegando o dia deles partirem e sabe-se Deus quando eu os veria novamente.
-Tem notícias de Merck? - Kira perguntou, sem me encarar. Balancei a cabeça, negando, e ela resolveu ignorar aquilo.
-Vamos esquecer ele – minha mãe segurou nossas mãos. - E já disse pra você contatar um dos Príncipes. Se você não contar, eu conto.
-Não! - encarei ela - Você sabe as coisas que vão acontecer quando descobrirem o que fizeram, o país é tão machista que quem morre somos nós duas!
-Vocês vão morrer? - Kurt perguntou assustado e naquele instante eu percebi que estávamos discutindo na frente dos meus irmãozinhos
-Não, Kurt... Não vamos! - segurei sua mãozinha. - Adultos são idiotas.
-Você não pode falar isso – Kurt riu me fazendo sorrir - Mamãe e Robin vão brigar com você.
-Mas adultos continuam sendo idiotas – ele concordou com a cabeça, sorrindo. Mas eu sabia que ele era esperto o suficiente para não esquecer daquela conversa.
-E você não vai contar o que aconteceu entre você e ? - Kiara perguntou com as mãos na cintura – Tem muitos boatos rolando.
-Deixe rolar – dei de ombros observando a vista. Lembrando do episódio com ele e a apresentadora, com nojo, é claro. Nunca pensei que deixaria os três partirem o meu coração de uma vez só, me sentia burra e usada.
Chegamos no local e eu fiquei apaixonada ainda mais pelo meu país. Era tudo tão bem feito, até o cheiro era incrivel. Que Deus salve Avallon da destruição humana! Os guardas estavam em posições, as Selecionadas também, e logo após as cornetas serem tocadas, a família Real entrou sendo aplaudida pelas pessoas que estavam observando. fez questão de me encarar e eu fiz a mesma coisa, já , eu ignorei completamente, a raiva que eu sentia não estava escrita e ... Bom, não conseguia resistir ao sorriso dele, mas também estava chateada.
Após todo o discurso feito e toda a baboseira que eu estava cansada de ouvir, pude ver alguns trabalhadores carregando cestas enormes sozinhos, me senti incomodada com aquilo. Mas o que mais me incomodou foi ver uma senhora carregando a enorme cesta sozinha, com tanta dificuldade que ela se quer conseguia andar direito... Já estava sentindo um comichão no peito, ao ver a cena.
-Não ouse – Robin segurou meu braço, ela sabia o que eu estava prestes a fazer. Toda Selecionada estava com sua Dama atrás.
-Ela não está se aguentando e pé - estava tão inquieta que pude ver que minha família já tinha percebido o que eu estava fazendo.
-Não é da sua alçada. - Ela disse entredentes. Suspirei, ela me soltou e eu permanecia incomodada. Mas o ápice foi ver a senhora caindo no chão. Ninguém se moveu. Foi automático, eu saí do meu lugar e corri até ela. Ela me olhou assustada, estava muito nervosa.
-Está tudo bem? - perguntei segurando em seu braço - A senhora se machucou?
-Eu estou velha demais pra isso – ela falou, sem jeito.
-A senhora está ótima! - Eu sorri ao ver que ela havia corado. - Como posso chamá-la?
-Me chamo Rita. Senhorita...
-Senhorita , volte ao seu lugar – um guarda que estava a cavalo apareceu do nada, totalmente agressivo – e você, velha, carregue essa cesta até a colheita e não atrapalhe mais!
-Vamos, Rita! - ajudei a levantar - Você segura a cesta de um lado e eu te ajudo do outro – ignorando o soldado que estava sem entender.
-Mas senhorita...
-! - A encarei – Agora vamos. Eu carregaria sozinha se tivesse a sua força, mas eu não consigo! - Tirei risada dela e de alguns guardas e pessoas que estavam assistindo ali perto.
-Senhorita, você está sendo displicente - o guarda desceu do cavalo e segurou meu braço.
-Você não vai querer fazer isso – o encarei com raiva – Tire as mãos de mim agora antes que eu seja obrigada a meter a mão na sua cara – pude ver ele rindo, achando que eu não estava falando sério.

[Coloque pra tocar]

-Tenente Kendrick – ouvi alguém falar e deduzi que fosse pelo rádio.
-Marechal Walker – ele respondeu rapidamente, sem me soltar.
-Solte a garota! - Quis abraça-lo.
-Mas...
-Solte a garota – Ele disse pausadamente. - É uma ordem, Kendrick. - O encarei com o deboche puro.
-Obrigada, Kendrick. Vamos, Rita. - Sabia que estava fazendo tudo o que não devia. Seria expulsa no fim do dia, mas naquele instante, eu não me importava.
Caminhamos juntas e conversando sobre como eu podia ajudá-la, já que eu não sabia como fazer aquilo. Fui aplaudida por algumas pessoas, mas não tive coragem de encarar ninguém. Eu havia afrontado a Coroa... De novo.
-Eu não sei o que fazer, mas quero ajudar – Ouvi Beth falar com o senhor do lado, que sorriu e a acolheu ali. - Estamos juntas nessa – ela sussurrou me fazendo querer abraça-la.
-Você vai colhendo as mais bonitas e vai colocando aqui na cesta. Desse jeito mesmo que você está fazendo – Ela sorriu me vendo colher o primeiro cacho de uva. Aos poucos, vi que e haviam se juntado ao povo, estavam rindo e se divertindo. permaneceu com os pais, Lizzie e Summer não saíram do lugar mas outras selecionadas sim, eu estava amando.
-Você não cansa de causar problema, né? - apareceu do meu lado, me fazendo bufar.
-Sem tempo, Alteza – Falei sem encará-lo. - E como minha presença incomoda tanto, aproveite a deixa e me mande embora. Já que você não sabe o que eu ainda estou fazendo aqui.
-Droga – ele resmungou, sabendo do que eu me referia. - Não ouse me dar as costas.
-Você perdeu o direito de exigir algo de mim assim que eu o peguei beijando aquela repórterzinha. - Ataquei uma uva nele, manchando sua camisa branca. - E bem feito.
-Apoio sua causa contra o sistema, mas não aceito ser humilhado – o encarei, rindo – O que foi?
-Você humilhou todas nós assim que continuou o seu caso com aquela garota. Aposto se fosse uma de nós com um guarda nós seríamos mortas... Você apoia a minha causa, mas saiba você que eu também luto por igualdade de gênero. Engraçado mesmo é a sua hipocrisia.
-Você não sabe o que aconteceu antes e nem o que aconteceu antes de você chegar ali. - Ele parecia estar se irritando comigo, ótimo.
-E eu não preciso saber – Mantive a postura – Você não me deve nada e essa conversa está me cansando. Quer me mandar pra casa? Ótimo! Quer continuar fazendo as garotas que, realmente, estão achando que vocês são o “Presente de Deus” delas de trouxa? Continuem! Eu não sou mais umas de suas marionetes.
-Eu sei bem disso – Ele passou a mão no cabelo. - Fico triste por saber que você pensa assim de mim.
-E eu fico triste por ter acreditado que você era diferente – Saiu automático e eu não controlei meus pensamentos. Aquilo pareceu chegar nele como um soco. Deixei-o sozinho, me sentia envergonhada pelo que disse.
-Agora é a hora em que dançamos nas uvas! - Um senhor disse, fazendo a gente rir com a empolgação dele. - Queremos convidar a para dar as honras!
-Eu? - Fiquei chocada, não esperava. Normalmente eles convidavam a rainha e ela negava sempre.
-Sim! - Rita falou sorrindo. Olhei para Beth, que sorria me incentivando e depois pra Robin, que deu de ombros, ela estava cansada demais.
-Vamos, apareceu do meu lado - Vá terminar o que começou - ele sorriu.
-Só limpe os pés antes – apareceu do meu outro lado, me fazendo sorrir com sarcasmo.
Com a ajuda dos dois subi em uma das cestas. Com a música ao fundo e eu chamando as outras meninas para subirem ali comigo, foi um momento importante pra mim e imagino que pra elas também. Dançamos juntas em um marco importante para Avallon. Me sentia livre ali. Com muitas risadas e palhaçadas, nós permanecemos na Colheita e aquilo fez com que nos aproximássemos e eu estava muito feliz.

~


No cair da tarde, depois de passar mais algum tempo na colheita e termos um almoço maravilhoso ao ar livre, estávamos arrumando tudo para fazer a apresentação de cada cidade, que ia ser perto do local onde estávamos. Tinha um palco no meio da praça, para cada selecionada se apresentar e eu estava ficando cada vez mais nervosa. Onde é que eu havia nos metido?
Com os ocorridos dos dias anteriores e o nervosismo de me apresentar para a cidade toda, estava quase tendo um ataque de ansiedade de novo e me lembrei de e da respiração, fazendo logo em seguida o mais discreta possível. Ele era o maior embuste, mas conseguia me acalmar daquela forma, através dele.
Estava ao lado da minha família de novo, vendo a apresentação da primeira selecionada. Iria ser por ordem alfabética, então teria um tempo até eu ser chamada.
-Estou muito nervosa - disse Beth. Ela e sua família estavam ao lado da minha. - Nunca apresentei algo para tantas pessoas assim!
-Você vai se sair bem. - Segurei sua mão, rindo. - Use aquela falta de vergonha que você tem, esse é momento.
-Mas ainda sim estou nervosa - ela riu me dando um tapa de leve.
-Nem me fale, nem era para estarmos fazendo isso - disse Lizzie que brotou do nada do nosso lado também. Ela não tinha família, não?
-O rei pareceu amar a proposta da cidade... E adivinhe pra quem eu dou mais importância? - falei dando um sorriso de lado para ela, vendo-a bufar de nervoso. - Alias, cadê sua amiguinha? Summer? Já se cansou dela?
-Não é da sua conta! - ela revirou os olhos.
-Outch!- fingi que tinha me ofendido.
Prestando atenção no pessoal, consegui ver apenas e , que estavam junto de seus pais. Não vi em lugar nenhum, o que era estranho já que ele era o príncipe herdeiro do trono e deveria participar de coisas importantes como essa. Não dei muita importância pois minha hora de apresentar estava chegando e eu só sabia controlar minha respiração para não dar vexame no palco. O que funcionou bem, já que minha apresentação foi ótima e agradeço aos céus por Southampton ser uma cidade maravilhosa.
-Sua apresentação foi ótima - Disse chegando perto de mim. - Se me permite a dizer, foi a melhor na minha concepção. - Olhei para ele desconfiada, não me esquecendo do que Ben me disse antes sobre ele e Marie, mas não consegui resistir àquele sorriso.
-Obrigada, alteza! - falei mais seca do que deveria e o mesmo me olho confuso, mas não dei tempo para mais explicações e fui logo de encontro a carruagem para voltar ao castelo. Quanto menos contato, melhor.
Já no castelo, iria ao meu quarto tomar banho e me trocar para jantar, estava faminta. Não sei o porquê mas queria jantar no salão hoje, teríamos um baile e eu estava ansiosa para curtir os últimos dias da minha família ali, sem mais preocupações.
Pensei eu, claro. Porém, antes de chegar no mesmo, Ben me interviu no caminho com uma cara nada muito boa o que já faz meu coração errar as batidas, ele nunca deixa de fazer um comentário maldoso pra mim.
-Ben? O que aconteceu? - Perguntei visivelmente nervosa.
-É o Merck - Ah, só podia ser - , ele foi solto!
Meu mundo parou. Aquele canalha estava solto. O que seria da gente agora? Provavelmente ele irá querer nos expor depois da vergonha que ele passou. E pra me ferrar, ele faria um show.
-COMO É? QUEM SOLTOU ELE? - perguntei desesperada me apoiando na parede.
-, a rainha não viu motivos o suficiente para deixá-lo preso, então pediu para soltar ele.
-MAS COMO ELA FAZ UMA COISA DESSAS? - gritei andando de um lado pro outro. Mas sabia que eu poderia ter evitado aquilo se eu tivesse conversado com os meninos.
Já em meu quarto, andando de um lado para o outro tentando me acalmar, decidi sair e ir procurar alguém que pudesse me explicar melhor. Como é que eles soltam um cara desses? Ainda mais no castelo! A rainha não via motivos para deixá-lo na cadeia, mas eu tinha certeza que como era meu parente, ela fazia questão de me humilhar.
-Você tem que se arrumar para o baile! - Olivia me barrou assim que abri a porta - Não ouse sair.
-Mas... - Tentei argumentar, mas ela me empurrou para o banheiro.
-Você resolve seus pepinos depois, agora não é o momento.
-É o Merck, Olivia – A encarei e ela pareceu ficar nervosa ao perceber que não era uma coisa besta – Ele está solto...
-É por isso que você deve ficar aqui, encontrar ele não é sua melhor opção.
-Eu preciso encontrar o Princípe - Minha cabeça parecia que ia explodir.
-A gente resolve isso, a gente sempre resolveu isso.
Com a ansiedade que estava, nem consegui focar tanto em como elas estavam me arrumando, com tanto cuidado e focando em todos os detalhes. Era muito difícil eu ficar com meu cabelo solto, desta vez elas fizeram ondas nele e eu tinha no corpo um vestido vermelho sangue que eu também nunca havia usado. Era impressionante como valorizava meu busto, era completamente aberto nas costas, tinha pedrinhas por toda parte que cobria meu seio e no resto do cumprimento ele ficava mais rodadinho, completamente magnífico. Por um instante, eu havia esquecido de como eu tinha problemas e como os resolveria.
-, a Kira está surtando lá com a mamãe, vai brigar com ela agora! - Kurt entrou no quarto como um furacão. Me fazendo quase gritar de susto. - Uau! Meninas são nojentas, mas você está uma maravilha de tão bonita!
-Quando você começar a namorar, eu vou te lembrar desta frase – corri até ele, rindo e o pegando no colo. Ele odiava quando eu fazia aquilo.
-Me solte! - Ele gritava, rindo. - Vá salvar a mamãe do monstro Kira.
-Não fale assim da sua irmã. - Olivia o corrigiu, me fazendo concordar com ela. Ele precisava de limites as vezes.
-Querida Olivia, eu amo minhas irmãs, mas elas são meninas e são nojentas.
-Elas são chatas mesmo... - Taihne resolveu cutucar.
-NÃO FALE ASSIM DELAS! - Ele gritou quase voando nela. Tirando gargalhadas de todas nós.
Fui ao quarto de minha mãe e Kira realmente parecia um monstro. Estava irritada, chorando por qualquer coisinha e brigando, pois, segundo ela, estava um balão de tão gigante. Foram alguns minutos para convencê-la de que estava linda e que ninguém estava se importando com as coisas que ela dizia. Fomos levadas até o salão de fotos e eu estava menos preocupada com Merck, já que Ben estava ao nosso lado junto com mais um guarda. Durante as fotos tudo ocorreu bem e por incrível que pareça, novamente não vi em lugar algum.
Fomos ao programa e nossos familiares ficaram do outro lado do estúdio. Era por isso que Kira estava tão nervosa. Kurt parecia um ator mirim que estava se dando super bem com a situação. Lizzie estava estonteante com o vestido cor de rosa dela, mas provavelmente se irritou com isso, pois Amanda e Suzi estavam com o mesmo tom e Summer resolveu usar um branco naquele dia, também estava linda. Agora quem arrancou todos os olhares foi Beth. O vestido nude na pele negra era de tirar o fôlego. Que mulher!
-Que mulher! - Falei assim que ela se sentou ao meu lado.
-Olha quem fala, a preferida do país. - Eu quis rir daquilo. Seria hipocrisia minha negar aquilo, segundo as revistas mais importantes do país alegavam que eu era a preferida e logo em seguida, estava Beth e depois Lizzie.
-Você fala como se não tivesse alguns números atrás de mim.
-Eu vou ter que chamar sua atenção. - Fiz uma cara de dúvida. - PARA DE DIMINUIR O QUE VOCÊ É!
-Que susto, fale baixo – Dei um pulo da cadeira, ela tinha atraído alguns olhares para nós.
-Isso é a única coisa que me irrita em você! - Ela suspirou. - A gente te elogia e você joga o elogio pra outra pessoa ou muda o assunto... ACEITE A PORRA DO ELOGIO!
-Você é louca! - Começamos a rir da situação. Estava sendo engraçado aquela chamada de atenção
-Você me deixa assim. Céus! - Ela passou a mão no cabelo - Você age como se não fosse uma coisa importante você ser a preferida, comece a agir como a preferida, use isso ao seu favor... , as vezes a sua humildade de atrapalha. Você não é pouca coisa como se diz ser.
Fiquei quieta e pensando naquilo que ela havia dito. Não achava que era um defeito e eu não gostava de ser o centro das atenções mesmo agindo as vezes como se fosse. Atrair as atenções pra mim não era uma coisa que eu fazia questão. Mas ela tinha razão certas vezes, eu devia parar de agir como se fosse pouca coisa.
O programa havia começado.
Tocou o hino, Marie e Jeremy apareceram como sempre e fizeram tudo como sempre. A família real apareceu e estava tudo completamente normal. Até que...
-As famílias estão aqui! - Jeremy disse animado – Tive a oportunidade de conversar com todos eles e olha... São todos incríveis assim como suas filhas que ali estão.
-Deve ser uma experiência incrível estar dentro do castelo – Marie comentou, sorrindo – Mas vamos perguntar pra Summer como está sendo tudo isso.
-É muito importante pra nós estarmos finalmente com quem amamos. - Ela sorriu ao olhar para a mãe.
-E para a senhora, como está sendo? - ela perguntou para a mãe de Summer, que estava agindo normalmente. Claro, ela era uma atriz muito famosa e renomada em Avallon.
-Minha filha nasceu para isso. - Ela começou, tal mãe... - Somente quem é da família de uma dessas garotas sabem como é glorioso ver nossas meninas aqui. Chegam a encher nosso peito de orgulho.
-Com toda certeza! - A mãe de Beth falou atraindo a atenção. - Elas estão fazendo um trabalho incrível e a estadia aqui é magnífica.
-É tudo de muito conforto. - Foi a vez do pai de Suzie falar.
-E já que você foi o primeiro homem a falar aqui – Marie tomou a atenção, sorrindo – Vejo que todas vocês têm um membro masculino na família, cadê o seu, ? - Ela já sabia e queria me alfinetar.
-Não está me vendo aqui, sem noção? - Kurt ficou em pé com as mãos na cintura. Eu arregalei os olhos junto com minha mãe e Kira, Kiara tentou tampar a boca dele, mas foi em vão. Só que ninguém pareceu perceber, todos deram risada da situação, inclusive o Rei.
-Está aí a sua resposta, Damphine. - Arqueei uma sobrancelha, sorrindo.
-Vemos que ele tem o mesmo temperamento que a irmã - Marie riu, mas nem todo mundo entendeu o que ela quis dizer.
-Bom, pequeno Kurt, como é pra você morar com tanta mulher?
-Meninas são nojentas. - Ele cruzou os braços. - Mas eu amo as minhas e se alguém se meter com elas vai se ver comigo.
-Seu irmão é uma graça - Jeremy me encarou – Deve ser satisfatório estar ao lado deles.
-É sim, Jeremy... Ficar tão longe é desesperador. - Respondi encarando-os, que sorriam – Minha família é a coisa mais importante da minha vida.
Havíamos acabado de sair do programa, estávamos todos indo para o Salão de Baile, onde teríamos o banquete e após isso, uma grande festança. Era a última noite das famílias no castelo. O coração estava apertado demais.
-... - Olhei para trás desconfiada, sabia de quem era aquela voz e não gostava nem um pouco.
-, pra você - Cruzei os braços vendo Marie vindo toda sorridente até mim – Senhorita , de preferência.
-Oh, senhorita? - Estava debochando de mim.
-O que você quer? Tenho mais o que fazer.
-Pedir o seu silêncio sobre mim e – Ela sorriu após ver que eu havia demonstrado meu desgosto ao ouvir aquilo.
-Não sei ao certo se devo... - Fiz uma cara pensativa. - Mas também não daria a você o gostinho de ter o que mais quer, né?
-O quê?
-Atenção! - Foi eu quem abriu um sorriso ao ver ela desfazendo o seu – Agora, se me der licença, irei ao jantar... Pena que você não vai poder ir, né? Parece que transar com os Príncipes não te dá tantas regalias.
-Não gosto de você - ela falou cruzando os braços.
-Entra na fila.
Saí. Não tinha a paciência necessária para essas situações. Ultimamente está implicitamente na cara que eu não tenho o minimo jeito com outras garotas. Era por isso que não tive amigas durante a infância ou na escola. Não conseguia me dar bem e é impressionante para mim ver que consegui fazer amizade com Lizzie, mesmo que por pouco tempo. Era unilateral a forma que me importava com ela, dói ver quão mudada ela está e é surpreendente a forma que me aproximei de Beth. Mas como tudo na minha vida era passageiro, já esperava por algum imprevisto que fizesse com que eu fique sozinha novamente.
Jantei com minha família. Rimos muito, como antigamente. A comida era exatamente o prato mais familiar pra gente, o qual comíamos quando entrava um dinheiro a mais dentro de casa e eu fazia tudo que podia para fazermos isso no aniversário de algum dos meus irmãos ou no de minha mãe. Era inevitável não pensar em Eric naquele instante. Ele estava presente, mesmo longe.
Mas naquele instante eu esqueci qualquer coisa, a Seleção, os Príncipes, Merck, a Rainha ou a sonsa da Marie... Eu estava ali. Eu estava aproveitando cada segundo com aqueles que realmente importavam.
Depois da sobremesa, pudemos observar a Valsa Principal.
-Eu não quero ir embora! - Kiara dizia agarrada em minhas pernas, vendo o Rei e a Rainha dançando - Eles são magníficos. Tudo aqui é magnífico!
-Eu não quero ir embora... A precisa da gente aqui. - Kurt disse me dando a mão.
Tive que segurar as lágrimas, era verdade.
Eu precisava deles. Eu sentia que podia fazer e aguentar qualquer coisa, se eu os tivesse por perto. Era triste saber que eles estavam tão perto de partir e eu não os veria tão cedo. Estava cogitando a ideia de pedir para me mandarem embora, ficar ali estava sendo difícil e quanto mais eu me aproximava dos meninos, pior ficava.
Olhei em volta, estranhei quando Ben apareceu sutilmente atrás de seu pai que estava ao lado de . Eles conversaram brevemente e foi o suficiente para eu saber que tinha algo errado. não estava ali e Dave saiu imediatamente, antes de fazer com que e não saíssem de seus lugares. Discretamente, saí de onde estava, indo atrás de Ben que estava em alguns corredores distantes dali conversando com outro guarda.
-Era pra você estar no baile – Ele ralhou, depois que o guarda saiu rapidamente com uma arma nas mãos.
-O que está acontecendo? - Perguntei, assustada. Ben não andava armado.
-Volte para o baile.
-Benjamin! - gritei assim que ele me deu as costas – Os vândalos invadiram o castelo? É por isso que vocês estão assim?
-Preciso que vá para um lugar seguro – Ben me segurou pelos ombros.
-Não vou se não me disser o que está acontecendo.
-Alguns vândalos invadiram o castelo, coisa pequena, evitamos um desastre a tempo. Não queremos alarmar todo mundo. Com vocês no Grande Salão fica mais fácil de protegê-los, caso tenha algum escondido.
-Certo! - respirei fundo, me tremendo toda. - É por isso que sumiu?
-Não sabemos onde está. - Ele falou, olhando para baixo. Meu coração errou as batidas, eu achei que fosse infartar ali. Senti Ben me segurando, pois, minhas pernas vacilaram.
-AINDA BEM QUE ACHEI VOCÊS - Dei um pulo assim que ouvi Olivia correndo feito uma louca com os olhos vermelhos. - Ben, você tem que avisar Dave sobre , ele está atrás de Merck... Tentei impedir, mas foi em vão. Temo por ele.
-O que Merck fez? - Novamente, achei que fosse infartar.
-Sinto muito, . - Ela começou a chorar, vindo me abraçar. - Merck nos atacou enquanto vocês estavam no Jornal. foi atrás de você para conversar depois disso e nos encontrou arrumando tudo e eu tentei... Eu juro que tentei. Mas o Príncipe ordenou, eu contei tudo – Ela chorava tanto que eu sentia meus olhos arderem com vontade de chorar junto com ela. A abracei de volta, encarando Ben, que estava atrás dela, assustado. - Ele saiu tão nervoso, ele estava com tanto ódio... E Merck... Céus! O Merck jurou te encontrar e acabar com você de todas as formas possíveis.
-Você precisa se acalmar – Tentei parecer o mais calma possível, mesmo estando o oposto – Pelo bebê e por mim, ok? - Ela assentiu com a cabeça, respirando fundo – Agora, Ben vai te levar para seu quarto, em segurança e você vai descansar.
-Mas...
-É uma ordem! - Olhei para os dois, que falaram juntos. - Eu vou atrás de alguém que possa me ajudar, Dave está onde?
-Revistando os quartos, mas você não pode ir sozinha, agora é mais perigoso ainda.
Olhei em volta, havia vasos e quadros, mas nada que realmente pudesse me ajudar a me defender. Até que olhei no canto e vi um “guarda” de ferro ao lado de um enorme quadro de alguma pessoa importante, bem clichê.
-Ta me zoando, né? - Ele perguntou olhando para a mesma direção que eu.
-Vai me dar sua arma? - Coloquei a mão na cintura - Então me deixa!
-Isso é ridículo até pra você - Bufou, tirando de si uma arma de choque e me entregando – Fica com isso, Mulan. - Pude ouvir Olivia rindo pela primeira vez, aquilo foi o suficiente pra me deixar um pouco menos preocupada – Evite atingir o pescoço, ela é extremamente potente e pode matar. Derruba qualquer um.
-Se eu encontrar Merck, farei isso com todo o prazer. - Dito isso, saí correndo. Merck havia se metido com as pessoas erradas. Eu não vou permitir que ele arruíne a vida de mais ninguém.

~


Parecia que havia caminhado por horas e não encontrava uma alma viva pelos corredores. Estava começando a ficar assustada com aquilo. Sempre tinha alguém. Resolvi voltar para o Grande Salão e pedir ajuda aos meninos. Dei um pulo assim que ouvi um barulho estrondoso. Era o alarme quando havia ataques.
Naquele instante, eu sabia o que aquilo significava. Todas as portas importantes iam se fechar e nada abriria até que alguém o fizesse. Tentei correr o mais rápido possível para conseguir entrar, mas já era tarde.
Olhei para todos os lados, tentando achar alguém. Aquilo era péssimo. Eu estava ferrada.

Por ~

Caminhava pelos corredores do castelo, totalmente atordoado imaginando como sofreu com tudo isso. Só de imaginar a primeira vez que ele tentou abusar dela, meu sangue fervia de uma forma inexplicável, ela é tão pequenininha, é extremamente perturbador pensar na cena. Aquilo explicava ainda mais os motivos dela ser tão forte hoje. Não sabia onde aquele vagabundo estava, mas quando eu o encontrasse, ele iria pedir por clemência. -Alteza! - fui surpreendido com um guarda - Vândalos invadiram o castelo. - Eu precisava de mais um problema. -Eles atravessaram o jardim, mas pegamos a maioria. Evitamos algo pior. Mas é perigoso até sabermos se conseguiram ou não entrar.
-Já avisaram o General?
-Sim, senhor. Mas preciso de você para assinar a entrada dos Vândalos na Cadeia. - Respirei fundo e assenti. Faria isso o mais rápido possível.
Fui até a cadeia, tinha cinco homens, três mulheres e dois adolescentes. Eles não estavam sujos como o resto que já prendemos, na verdade, eles estavam muito arrumados. Estranhei aquilo. Enquanto um guarda pegava nomes dos envolvidos, que se recusavam a falar. Quando a menina mais nova me viu, ela fez uma reverencia, levando uma cotovelada do menino ao lado. Que não se importava com a minha presença ali. Nenhum deles.
-Espero que vocês sejam mais espertos que os da última vez – falei assim que me entregaram a prancheta – Digam os nomes e os motivos de tentarem invadir o castelo e eu os libero.
Silêncio total.
Aquilo significava alguma coisa.
Em todos esses anos, eles sempre falavam. Tinha sempre um líder. Ninguém ali falava nada e para mim, aquilo significava uma coisa. Tinha mais gente fora dali. Imediatamente ordenei que o Grande Salão fosse fechado e que fosse acionado o alarme. Ninguém saía e ninguém entrava. Sabia que estariam seguros ali. e sua família estariam seguros de Merck.
Peguei uma arma com um dos guardas e voltei para os corredores. Estava nervoso. devia estar aqui no meu lugar, ele amava isso. Eu fui criado para liderar, mas não era o líder que a minha nação merecia, quem é. E me doía sentir isso e não poder fazer nada sobre.


Capítulo 22

! ATENÇÃO !
Este capítulo contém uma pequena cena de teor abuso sexual.


Havíamos acabado de sair do programa, estávamos todos indo para o Salão de Baile, onde teríamos o banquete e, após isso, uma grande festança. Era a última noite das famílias no castelo. O coração estava apertado demais.
-... - Olhei para trás desconfiada, sabia de quem era aquela voz e não gostava nenhum pouco.
-, pra você - Cruzei os braços vendo Marie vindo toda sorridente até mim – Senhorita , de preferência.
-Oh, senhorita? - Estava debochando de mim.
-O que você quer? Tenho mais o que fazer.
-Pedir o seu silêncio sobre mim e – Ela sorriu após ver que eu havia demonstrado meu desgosto ao ouvir aquilo.
-Não sei ao certo se devo... - Fiz uma cara pensativa. - Mas também não daria a você o gostinho de ter o que mais quer, né?
-O quê?
-Atenção! - Foi eu quem abri um sorriso ao ver ela desfazendo o seu – Agora, se me der licença, irei ao Jantar... Pena que você não vai poder ir, né? Parece que transar com os Príncipes não te dá tantas regalias.
-Não gosto de você - ela falou cruzando os braços.
-Entra na fila.
Saí. Não tinha a paciência necessária para essas situações. Ultimamente, está explicitamente na cara que eu não tenho o mínimo jeito com outras garotas. Era por isso que não tive amigas durante a infância ou na escola. Não conseguia me dar bem e é impressionante pra mim ver que consegui fazer amizade com Lizzie, mesmo que por pouco tempo. Era unilateral a forma que me importava com ela, dói ver quão mudada ela estava e é surpreendente a forma que me aproximei de Beth. Mas como tudo na minha vida era passageiro, já esperava por algum imprevisto que fizesse com que eu fique sozinha novamente.
Jantei com minha família. Rimos muito, como antigamente. A comida era exatamente o prato mais familiar pra gente, o qual comíamos quando entrava um dinheiro a mais dentro de casa e eu fazia tudo que podia pra fazermos isso no aniversário de algum dos meus irmãos ou no de minha mãe. Era inevitável não pensar em Eric naquele instante. Ele estava presente, mesmo longe.
Mas naquele instante eu esqueci qualquer coisa, a Seleção, os Príncipes, Merck, a Rainha ou a sonsa da Marie... Eu estava ali. Eu estava aproveitando cada segundo com aqueles que realmente importavam.
Depois da sobremesa pudemos observar a Valsa Principal.
-Eu não quero ir embora! - Kiara dizia agarrada em minhas pernas, vendo o Rei e a Rainha dançando - Eles são magníficos. Tudo aqui é magnífico!
-Eu não quero ir embora... A precisa da gente aqui. - Kurt disse me dando a mão.
Tive que segurar as lágrimas, era verdade.
Eu precisava deles. Eu sentia que podia fazer e aguentar qualquer coisa se eu os tivesse por perto. Era triste saber que eles estavam tão perto de partir, eu não os veria tão cedo e estava cogitando a ideia de pedir para me mandarem embora. Ficar ali estava ficando difícil e quanto mais eu me aproximava dos meninos, pior ficava.
Olhei em volta, estranhei quando Ben apareceu sutilmente atrás de seu pai que estava ao lado de . Eles conversaram brevemente e foi o suficiente para eu saber que tinha algo errado. não estava ali e Dave saiu imediatamente, antes de fazer com que e não saíssem de seus lugares. Discretamente, saí de onde estava, indo atrás de Ben que estava em alguns corredores distantes dali conversando com outro guarda.
-Era pra você estar no baile – Ele ralhou, depois que o guarda saiu rapidamente com uma arma nas mãos.
-O que está acontecendo? - Perguntei, assustada. Ben não andava armado.
-Volte para o baile.
-Benjamin! - Gritei assim que ele me deu as costas – Os vândalos invadiram o castelo? É por isso que vocês estão assim?
-Preciso que vá para um lugar seguro – Ben me segurou pelos ombros. -Não vou se não me disser o que está acontecendo.
-Alguns vândalos invadiram o castelo, coisa pequena, evitamos um desastre a tempo. Não queremos alarmar todo mundo. Com vocês no Grande Salão fica mais fácil de protegê-los, caso tenha algum escondido.
-Certo! - Respirei fundo, me tremendo toda. - É por isso que sumiu?
-Não sabemos onde está. - Ele falou, olhando para baixo. Meu coração errou as batidas, eu achei que fosse enfartar ali. Senti Ben me segurando, pois minhas pernas vacilaram.
-AINDA BEM QUE ACHEI VOCÊS - Dei um pulo assim que ouvi Olivia correndo feito uma louca com os olhos vermelhos. - Ben, você tem que avisar o Major Dave sobre , ele está atrás de Merck... Tentei impedir, mas foi em vão. Temo por ele.
-O que Merck fez? - Novamente, achei que fosse enfartar.
-Sinto muito, . - Ela começou a chorar, vindo me abraçar. - Merck nos atacou enquanto vocês estavam no Jornal. foi atrás de você para conversar depois disso, nos encontrou arrumando tudo e eu tentei... Eu juro que tentei. Mas o Príncipe ordenou, eu contei tudo – Ela chorava tanto que eu sentia meus olhos arderem com vontade de chorar junto com ela. A abracei de volta, encarando Ben, que estava atrás dela, assustado. - Ele saiu tão nervoso, ele estava com tanto ódio... E Merck... Céus! O Merck jurou te encontrar e acabar com você de todas as formas possíveis.
-Você precisa se acalmar – Tentei parecer o mais calma possível, mesmo estando o oposto – Pelo bebê e por mim, ok? - Ela assentiu com a cabeça, respirando fundo – Agora, Ben vai te levar para seu quarto, em segurança e você vai descansar.
-Mas...
-É uma ordem! - Olhei para os dois, que falaram juntos. - Eu vou atrás de alguém que possa me ajudar, Dave está aonde?
-Revistando os quartos, mas você não pode ir sozinha, agora é mais perigoso ainda.
Olhei em volta, havia vasos e quadros, mas nada que realmente pudesse me ajudar a me defender. Até que olhei no canto e vi um “guarda” de ferro ao lado de um enorme quadro de alguma pessoa importante, bem clichê.
-Tá me zoando, né? - Ele perguntou olhando para a mesma direção que eu.
-Vai me dar sua arma? - Coloquei a mão na cintura - Então me deixa!
-Isso é ridículo até pra você - Bufou, tirando de si uma arma de choque e me entregando – Fica com isso, Mulan. - Pude ouvir Olivia rindo pela primeira vez, aquilo foi o suficiente pra me deixar um pouco menos preocupada – Evite atingir o pescoço, ela é extremamente potente e pode matar. Derruba qualquer um.
-Se eu encontrar Merck, farei isso com todo o prazer. - Dito isso, saí correndo. Merck havia se metido com as pessoas erradas. Eu não vou permitir que ele arruíne a vida de mais ninguém.

~


Parecia que havia caminhado por horas e não encontrava uma alma viva pelos corredores. Estava começando a ficar assustada com aquilo. Sempre tinha alguém. Resolvi voltar para o Grande Salão e pedir ajuda aos meninos. Dei um pulo assim que ouvi um barulho estrondoso. Era o alarme quando havia ataques.
Naquele instante, eu sabia o que aquilo significava. Todas as portas importantes iam se fechar e nada abriria até que alguém o fizesse. Tentei correr o mais rápido possível para conseguir entrar, mas já era tarde.
Olhei para todos os lados, tentando achar alguém. Aquilo era péssimo. Eu estava ferrada.

Por ~

Caminhava pelos corredores do castelo, totalmente atordoado imaginando como sofreu com tudo isso. Só de imaginar a primeira vez que ele tentou abusar dela, meu sangue fervia de uma forma inexplicável. Ela é tão pequenininha e é extremamente perturbador pensar na cena. Aquilo explicava ainda mais os motivos dela ser tão forte hoje.
Não sabia onde aquele vagabundo estava, mas quando eu o encontrasse ele iria pedir por clemência.
-Alteza! - fui surpreendido com um guarda - Vândalos invadiram o castelo. - Eu precisava de mais um problema.
-Eles atravessaram o jardim, mas pegamos a maioria. Evitamos algo pior. Mas é perigoso até sabermos se não conseguiram entrar.
-Já avisaram o General?
-Sim, senhor. Mas preciso de você para assinar a entrada dos Vândalos na Cadeia. - Respirei fundo e assenti. Faria isso o mais rápido possível.
Fui até a cadeia e tinham cinco homens, três mulheres e dois adolescentes. Eles não estavam sujos como o resto que já prendemos, na verdade, eles estavam muito arrumados. Estranhei aquilo. Um guarda pegava nomes dos envolvidos que se recusavam a falar. Quando a menina mais nova me viu, ela fez uma reverencia, levando uma cotovelada do menino ao lado. Que não se importava com a minha presença ali. Nenhum deles.
-Espero que vocês sejam mais espertos que os da última vez – falei assim que me entregaram a prancheta – Digam os nomes e os motivos de tentarem invadir o castelo e eu os libero.
Silêncio total.
Aquilo significava alguma coisa.
-Não foram todos capturados, não é? - Perguntei sabendo que não teria respostas, mas o olhar da garota para mim denunciou que minhas suspeitas estavam certas.
Em todos esses anos, eles sempre falavam. Tinha sempre um líder. Ninguém ali falava nada e para mim, aquilo significava uma coisa. Tinha mais gente fora dali. Imediatamente ordenei que o Grande Salão fosse fechado e que fosse acionado o alarme. Ninguém saía e ninguém entrava. Sabia que estariam seguros ali. e sua família estariam seguros de Merck.
Peguei uma arma com um dos guardas e voltei para os corredores. Estava nervoso. devia estar aqui no meu lugar, ele amava isso. Eu fui criado para liderar, mas não era o líder que a minha nação merecia, quem é. E me doía sentir isso e não poder fazer nada sobre. Não sem decepcionar meus pais que me criaram com muito esmero, assim como meus irmãos. Enquanto caminhava pelos corredores esperando que ninguém aparecesse na minha frente e eu não me assustasse com isso, tendo que atirar no mesmo, seria muito drama para uma noite só.
-CÉUS! - Ben falou assim que nos trombamos em uma esquina entre os corredores
-Quer me matar do coração? - Quase gritei, mas mantive a pose.
-Você que quase me matou! - Ele resmungou – Estava procurando você e .
-Ela está no baile – Falei dando de ombros e foi então que vi que a expressão dele era de “Sabe de nada” - Por que ela não está no Grande Salão junto com os outros?
-Procurando você, que resolveu surtar com o Merck.
-Que? - Estava muito mais irritado agora.
-Olivia nos encontrou, ela estava muito preocupada com você e desesperada por ter traído ...
-Droga, Olivia – Passei as mãos no rosto – Ainda não o achei, se quer saber...
-Estou feliz por ter te encontrado antes.
-Precisamos achar aquela sem noção - Dei de ombros – Tem mais vândalos no castelo, é perigoso pra ela ficar andando sozinha por aí.
-Se te deixa mais tranquilo, ela está com a minha arma de choque... - Ben disse me fazendo arregalar os olhos – Pensando bem... Foi uma má ideia.
-FOI UMA PÉSSIMA IDEIA – Respondi correndo para os quartos onde, tecnicamente, ela deveria estar. - Me avise se encontrar ela – gritei indo pelo lado oposto do dele.

~


Por .

Tentava ao máximo não demonstrar que estava ficando com medo, mas, sinceramente, eu estava. Se algum vândalo aparecesse eu estava ferrada. Sabia que eles faziam um banho de sangue, abusavam das mulheres e eram terrivelmente ruins. Uma arminha de choque não seria o suficiente pra eu me defender. O que me deixava ainda mais nervosa era não encontrar um guarda se quer por ali, não que eu precisasse de um homem pra me defender, mas não seria nada ruim se eu tivesse com alguém armado ao lado.
Estava na frente do Grande Salão e depois de uns dez minutos imaginei que o meu quarto seria minha melhor opção. Se Ben fosse esperto, iria me procurar lá quando a poeira abaixasse. Subir aquela escadaria nunca foi tão agonizante. Sentia como se fosse enfartar a qualquer instante. O silêncio perturbador preenchia o local todo e o único som que eu ouvia era os meus saltos batendo contra o chão estupidamente brilhante e minha respiração ofegante.
-FILHO DA PUTA! - Gritei assim que trombei com Ben novamente. O mesmo suspirava aliviado ao me ver e eu fazia o mesmo.
-Que bom que te encontrei. Você não sabe o desespero que eu estava. - Ele colocou as mãos no peito. - Se acontecesse algo, eu não sei o que faria.
-Seguiria a vida – Revirei os olhos e ele bufou.
-Vamos, vou te colocar em um lugar seguro.
-Já disse que não vou para lugar algum – cruzei os braços e resolvi seguir na direção contrária da que ele ia.
Quando estava entrando no corredor aberto onde passei mal no meu primeiro dia, escutei um barulho que pareciam duas pessoas brigando. O que foi o suficiente para nos escondermos atrás de uma pilastra, Ben estava tentando ver quem era para poder intervir e eu queria me matar por ser tão atrevida.
-É muita petulância sua vir aqui, comer da minha comida, dormir embaixo do meu teto, usufruir das minhas regalias e ainda fazer o que está fazendo... Sem se importar com o que posso fazer com você. - dizia, se levantando do chão, totalmente vermelho de raiva. Merck fazia o mesmo. - AGREDIR OS MEUS FUNCIONÁRIOS É DE EXTREMA AUDÁCIA, MAS AGREDIR MULHER É MUITO PIOR QUE QUALQUER COISA - Ben tapou minha boca para que eu não gritasse.
-O senhor está assim por causa de suas empregadinhas ou por causa da vadia da sua selecionada? - Pude ver dando um soco na cara de Merck, que caiu no chão, rindo. - É... Pela vadia.
-Não ouse falar dela assim, nunca mais.
-Você ainda não é Rei, alteza – Merck se levantou - Não recebo ordens de uma criança. Deixe-me contar um segredinho pra você, sobre sua ilustre selecionada... - Ele se aproximou de – Todas as vezes, ela adorava – havia perdido a linha, distribuía socos atrás de soco em Merck, que ria. Ele havia enlouquecido – Eu vou pra cadeia, mas e o seu Major, alteza? Ele deve ir junto – Merck falou ao se levantar novamente, depois de dar um soco no Príncipe. - Traição é crime nesse reino e eu exijo que ele e a vagabunda da filha tenham o castigo que merecem. - Eu estava tão nervosa que comecei a tremer.
-Do que você está falando, seu maníaco?
-Sobre e Dave. - Fiquei ainda mais sem entender nada. Foi ali que o meu grande companheiro passou a ficar ainda mais alarmado - Os dois podem começar uma relação de pai e filha na cela real, o que acha?
-Céus, você está delirando – Chirs se levantou do chão tirando da calça uma arma, apontando para Merck, que estava fora de si.
-Pergunte você mesmo para a vagabunda da mãe de ... Ou para , ela sabe que não é minha filha, só não sabia que o pai é o líder da Guarda Real.
Não.
Não era verdade. Não podia ser. Ele estava blefando. Meu mundo havia parado, eu estava completamente sem reação, só podia ser brincadeira. Dave era o meu pai e eu estive com ele todo esse tempo? Não podia acreditar nisso.
-Você é sujo. Inventar algo desse tipo é desumano – Eu falei saindo de trás da pilastra, estava visivelmente transtornada. Ben havia perdido o chão tanto quanto eu, nem se quer conseguiu se mover. Ambos se surpreenderam comigo, ouvi falar meu nome e Merck sorrir maleficamente.
-Que honra ter você aqui, querida! - O sorriso prevalecia. - Sinto por você ter ouvido desta forma a verdade sobre seu pai, queria que tivesse sido de forma mais dramática e que você fosse exposta para várias pessoas.
-Você não vai ganhar nada fazendo isso – Disse completamente abalada.
-Somente a destruição de três pessoas... Pense em Kiara e em Kurt, eles são apenas crianças! - terminou o que eu ia dizer. Eles eram a minha maior preocupação.
-O prêmio é exatamente isso, seu sofrimento. A humilhação que vocês vão passar. Kurt e Kiara não são páreos para uma coisa grandiosa como essa.
-Você não vai acabar com uma família desta forma, principalmente se eu puder evitar! - falou, com ódio - Ninguém vai acreditar em você.
-Você não vai estar em condições de falar algo, alteza. - O príncipe o encarou confuso e eu estava atordoada demais para evitar o que viria a seguir. Ele tomou a arma de choque de minhas mãos.
O velho chutou a arma de e deu um soco na cara de , que grunhiu e levou outro golpe na cabeça e levando um choque que o fez cair. Corri para pegar a arma, mas Merck foi mais rápido e a primeira pessoa em quem atirou foi em Ben que havia saído de trás da pilastra, o mesmo disparou também um tiro antes de cair no chão. Eu havia agachado assim que ouvi o primeiro tiro e só pensava em Ben e pedia aos céus que ele não morresse.
-Finalmente! - Ele sorriu ao me ver tão próxima, logo tratei de lhe dar um chute e tentar correr ao levantar, mas foi em vão. Ele havia segurado minhas pernas, assim como a primeira vez em que me atacou e a última, antes de eu vir ao castelo. - Parece-me tão familiar... - Começou a rir, aquela risada nojenta - Céus, finalmente vou poder fazer o que eu sempre quis, pela última vez, antes de você mofar – Senti suas mãos rasgando meu vestido deixando a mostra meu sutiã. Comecei a lhe chutar e dar socos para que o mesmo me soltasse, mas foi em vão, suas mãos percorriam meu corpo e pude sentir a boca imunda beijando meu pescoço. Comecei a gritar. Naquele instante eu não pude mais negar as lágrimas e o desespero. - Ninguém mais vai te querer depois disso aqui, mas pode ficar tranquila que minhas portas estarão abertas pra você - Ele sussurrou em meu ouvido, me fazendo gritar e me debater ainda mais contra ele. Senti Merck sendo tirado de cima de mim e caindo no chão ao receber um golpe.
Era Dave.
-Você está bem? - Perguntou assim que me levantou do chão. Eu estava tremendo e me sentindo humilhada e exposta daquela forma. Tentava cobrir meu corpo, pois só sabia sentir nojo de mim. E eu se quer sabia como falar com ele, o meu pai - REFORÇOS NA ÁREA SUL, CORREDOR PRINCIPAL – Ele gritou no aparelho após ver o Príncipe desmaiado e o filho baleado, antes de ser atacado por Merck e foi ali que eles começaram uma luta na qual eu não tinha condições físicas de me envolver.
Corri até Ben, que permanecia desmaiado. Havia muito sangue saindo de seu braço, mas pude ver que foi de raspão, no desespero, tentei acordá-lo, mas foi em vão. Corri até , que estava tentando se levantar, mas caiu novamente, ele tinha levado um golpe muito forte na cabeça.
-Eu ouvia seus gritos, mas não conseguia levantar... Eu... Eu sinto muito, me perdoe – Ele disse, completamente desesperado, pude notar que escorria uma lágrima de seu rosto, eu queria chorar. - Coloque isso – Tirou seu paletó e colocou sobre mim.
-Fique parado, o reforço já vem – segurei em sua mão o puxando para perto de Ben. Merck estava no chão, sendo mobilizado por Dave.
-Creio que você deva ficar calado. Sua atitude é digna de pena de morte perante o reino todo! - Dave dizia, com ódio.
-Vai ser uma honra ficar ao lado de vocês na forca. - Ele ria. Um psicopata.
-Vocês quem? - Dave perguntou, confuso.
-Você, a vadia da Karin e sua filhinha ali – Merck apontou pra mim. Foi o suficiente pra Dave se distrair e Merck se desvencilhar e distribuir socos em Dave. - Você não tem noção do quanto eu quis fazer isso – O homem dizia rindo.
-MERCK, PARE! - Disse me levantando e tentando tirar o velho de cima de Dave. - VAI MATÁ-LO! - Gritei ao ver que o mesmo continuava. Senti novamente as lágrimas voltarem.
Foi então que avistei a arma de .
Corri até ela.
Tremendo, apertei o gatilho.


Capítulo 23

Estava em meu quarto, deitada em minha cama e sozinha. Ainda era madrugada. Meus pensamentos estavam me matando. Havia se passado um dia após o ocorrido com Merck. Todos sabiam sobre ele e que ele tentou abusar de mim. Mas poucas pessoas eram as que sabiam sobre Dave e nosso parentesco.
Ben estava se recuperando do tiro de raspão e evitava falar comigo, ele sequer olhava em meus olhos. levou um golpe covarde da arma de choque e também estava se recuperando, o mesmo tinha em mente um plano sendo bolado para a lei que proíbe filhos fora de um casamento vinculados à traição não fosse necessária, já que Merck não havia feito uma denúncia formal assinando algum documento. Dave foi o que mais se machucou nessa história toda, estava todo cheio de hematomas e eu não tive coragem de conversar com ele. Minha mãe depois de saber de tudo, passou a chorar e ficar ansiosa com o que poderia acontecer conosco e o que seria de nossas vidas, Kira passou a sentir cólicas e iria ser enviada de volta à Southamptom junto a Jordan, já que a mesma não podia sentir fortes emoções e o marido exigiu a volta dela antes da Execução que ele tinha certeza que ocorreria. Mas eu acreditava que Kira seria obrigada a ficar e ver o próprio pai morrer.
Sim, Execução.
O tiro que dei em Merck pegou em seu ombro de raspão e o outro que disparou sozinho pegou de raspão também em sua cintura. Não foi o suficiente para sua morte, mas foi o suficiente para ele ser mandado para julgamento de Forca. Não consegui conversar com ninguém e recebia informações através de minhas damas. O julgamento do homem seria logo pela manhã, mas ninguém sabia, fez questão de mandar para me contar na tarde passada e eu já estava me preparando para isso, mas não estava nem um pouco feliz por esconder isso de minha família.

~


Fui acordada na manhã seguinte pelas minhas damas, mais tarde que o normal, que não sorriam como costumavam. Taihne tentava parecer firme, mas eu a conhecia e sabia que a expressão dela não era por algo bom.
-Vestido preto? Sem eu precisar implorar para que vocês me deixem usá-lo? - Perguntei, achando no mínimo estranho aquilo. - O que houve?
-Merck foi a julgamento – Meu coração havia errado as batidas novamente. - Ele vai ser executado hoje, ao entardecer. - Senti o meu corpo enrijecer, já esperava aquilo. - Não se sinta culpada, ele é um monstro e vai pagar por todo o sofrimento que fez vocês passarem.
-Sim – me levantei, zonza – Preciso... Preciso de um ar – Senti minhas pernas me traírem, me amaldiçoei por ser tão fraca.
-Céus, ! - Lauretta me segurou e Olivia correu para chamar um guarda, que imediatamente me pegou no colo e correu para a enfermaria. Não conseguia falar nada, estava em choque.
Senti uma agulha me perfurando e vi Dr. Poirot sorrindo pra mim assim que terminou, pude notar que ele estava me dando soro. O mesmo segurou minhas mãos depois de um tempo.
-Você sofreu muitas emoções e peço desculpas por ter te liberado, você devia ter ficado mais um pouco aqui comigo em observação.
-Você não tinha como saber... - Sorri sem mostrar os dentes.
-Esse soro vai te deixar mais forte pra... Você sabe...
-Meu dia não podia ter começado melhor.
(Música)
-Vai ficar tudo bem, mocinha. Eu te prometo. - Senti um aperto no peito ao ver minha mãe entrando imediatamente no quarto, junto com Kira e as crianças. - Vou deixar vocês a sós.
-Mamãe - Senti os olhos arderem novamente, era inevitável não deixar as lágrimas caírem ao ver as pessoas mais importantes na minha vida. -Me desculpe, me desculpe – Eu repetia essa frase aos prantos e ela não sabia exatamente o motivo – Merck foi julgado.
-Céus... - Kira se sentou na cama e minha mãe paralisou, Kiara colocou as mãos na boca e Kurt arregalou os olhinhos.
-Ele vai ser executado hoje – Falei aos prantos. Não entendia exatamente o motivo das lágrimas, eu me sentia aliviada por finalmente me livrar dele, mas temia por meus irmãos e minha mãe. Tudo era culpa minha.
-Respire, respire – Ela dizia, tentando me acalmar. Kira estava em choque. - Céus...
-Não quero que eles vejam isso, eles não podem! Nem vocês, vou exigir que mandem vocês embora agora e...
-Não vamos te deixar sozinha, principalmente agora – Kira segurou minhas mãos ao ouvir minha mãe falando e falou em seguida.
-Você é minha irmãzinha, . Ele era um monstro com você e passou a ser uma ameaça a nossa família. Sinto por termos deixado você passado por tanto por esses anos todos.
-Nosso pai vai morrer hoje? - Kurt perguntou, chocado – Uau. Finalmente! - Todos olhamos para aquela criança, que estava coçando a cabeça - Ele vai pagar pelo mal que nos fez, certo? - Assentimos com a cabeça - Nunca vou te culpar por isso, . Papai não era um homem bom, fazia coisas ruins com todos nós e agora finalmente estaremos livres daquele monstro.
-Kurt... - Coloquei as mãos na boca, completamente abismada com o que acabara de ouvir de uma criança, sentia tanto por ele crescer daquela forma.
-Tenho medo de ficar igual a ele – Ele começou a chorar, fazendo Kiara abraçar as pernas, Kira se levantar andando de um lado pro outro depois de encarar a situação e minha mãe, caindo na cadeira ao lado, sem reação. Puxei meu irmão para um abraço apertado, eles não mereciam aquilo
-Você não se parece nenhum pouco com ele e eu sou muito orgulhosa por finalmente termos um homem de verdade para honrar nossa família. - Sussurrei em seu ouvido, ele soluçava de tanto chorar e meu coração estava triturado.
-Eu tenho tanto ódio dele – Kiara dizia, secando as lágrimas - Deus... Como ele pode fazer todas essas coisas com você? Ele é um monstro.
-A culpa é minha.
-NÃO É - Mamãe gritou, chorando. - EU QUEM PERMITI CHEGAR ONDE CHEGOU. VOCÊ SOFREU TANTO E EU PERMITI QUE ELE FICASSE, ELE BATIA NOS SEUS IRMÃOS E EU PERMITI QUE ELE FICASSE.
-A culpa é só dele – Kira correu e a segurou. Eu estava abraçada com Kiara e Kurt, que também choravam. - Não vamos nos culpar de absolutamente nada, ouviram? Nada.
Minha família estava desolada e eu odiava vê-los assim, não conseguia me fazer de forte pois estava sem forças para isso, Merck havia tomado toda a minha energia e dignidade. Não queria que eles se humilhassem ainda mais vendo um monstro daqueles sendo executado. Merck era a pior pessoa do mundo e parte de mim estava feliz por se livrar dele. Vi entrando no quarto depois de alguns minutos, o mesmo imediatamente depositou um abraço em minha família, ele também não estava feliz com isso e após mais alguns minutos, o mesmo fez com que eles fossem se arrumar para o que estaria por vir. Não estávamos preparados. Aquilo era muito.
-Sinto tanto por vocês - Ele começou a dizer, segurando minha mão - Posso fazer algo por você?
-Pode – Respondi secando minhas lágrimas, me recuperando. - Proteja minha mãe. Livre meus irmãos da cena terrível de hoje e não permita que Dave seja punido.
-Quer pedir algo que eu já não esteja fazendo? - Ele sorriu, me abraçando de lado, dando um longo beijo na minha testa. - Estou fazendo de tudo por eles.
-Você é bom demais pra ser verdade – Sorri, deitando em seu peito – Obrigada.
-Tudo isso que você passou, tornou você mais forte e essa pessoa destemida que é hoje... Mas se eu pudesse mudar as coisas, não permitiria que você tivesse sofrido tanto. - Sentia sua mão mexendo carinhosamente em meu cabelo e a outra, brincando com meus dedos. - Estão todos preocupados com você... Os guardas arrebentaram Merck no soco, pelo que fiquei sabendo.
-Acho pouco – Respondi sem pensar.
-Eu também. A morte é muito fácil pra ele.
-Acredite, eu também. Só que desde que me conheço por gente, Merck morre de medo é disso, da morte. - O encarei
-Então fique em paz com o seu coração, ele está pagando pelo que cometeu. - Sorri, sem mostrar os dentes – Ele mexeu com a minha pessoa. - Senti as bochechas corarem, ele conseguiu me envergonhar.
-Você me deixou sem graça. - Senti ele segurando meu rosto e fazendo-me encará-lo.
-Eu só quero que saiba que é importante demais pra mim. - Disse chegando mais perto – E que estou sempre aqui por você - Meu coração se aqueceu com aquilo, ele era muito especial pra mim também e eu permiti o que acontecera em seguida.
Um beijo.
Nossos lábios se encontraram e ficaram grudados durante alguns segundos, serenamente e sem nenhum movimento brusco, já que o que valia naquela hora, era a demonstração de afeto através daquele ato. Dei permissão par que nossas línguas se encontrassem e foi uma coisa tão calma e especial, que eu havia me esquecido, por alguns minutos que o mundo estava desabando em minha cabeça.
era muito importante pra mim.
Fomos interrompidos com uma “tosse” forçada e nos separamos rapidamente.
Era .
-Desculpe atrapalhar – disse, irônico, ora me encarando e ora encarando o irmão, que parecia tão atordoado quanto eu – Mas, Merck tem um último desejo antes de morrer
-Não - respondeu cruzando os braços e eu fiquei mais confusa ainda. Sabia que os condenados a Execução tinham como direito um último pedido, mas não sabia que Merck teria essa regalia - Você só pode estar brincando. - Ele não tem direito sobre nada.
-Acredite, irmãozinho, eu briguei muito para que isso não acontecesse – se aproximou e se sentou na cama e vi se levantando, irritado.
-O que houve? - Perguntei, preocupada.
-Ele quer ver Kurt – Arregalei os olhos, só podia ser brincadeira.
-Não! - Cruzei os braços - Vocês nem ousem levar aquele menino até lá, você me ouviu?
-Por lei, ele tem o direito de ver algum familiar antes da execução e esse foi o seu pedido – Ele disse, balançando a cabeça, não gostava nem um pouco daquela situação.
-Entenda – Eu estava com os olhos de louca e me levantando da cama – Não haverá Execução alguma se vocês levarem aquele garoto até Merck, pois, eu mesma terminarei o que comecei.
-Vai com calma, ! - me segurou e se levantou, sorrindo sem mostrar os dentes, ele estava se divertindo?
-Eu vou. - Eles ficaram sem entender – Ele não tem o direito de ver alguém da família? Pois bem, minha mãe e meus irmãos não irão vê-lo, só por cima de mim. Eu vou.
-NÃO - Os dois gritaram e se encararam – Você não vai!
-Kiara não vai, Kira está grávida, minha mãe está em choque e KURT É UMA CRIANÇA - caminhei até a porta – Querem fazer algo por mim? Façam isso.

~


Depois de muita reluta, os príncipes cederam. Estava perante a cela de Merck. Era uma cela médica, o mesmo estava recebendo soro e medicamentos por conta dos ferimentos, ele teria que aguentar ficar em pé para a Execução.
-O que ela está fazendo aqui? - Me surpreendi com Dave ali. Ele estava com alguns hematomas no rosto, mas, mais forte do que nunca. Fiquei nervosa ao vê-lo ali e ele também.
-Sou o último desejo de Merck – cruzei os braços.
-Ela não permitiu que a família viesse – explicou.
-E eu não vou permitir que entre – Dave cruzou os braços, da mesma forma que eu havia feito.
-Céus, a semelhança na teimosia é assustadora – comentou quando viu que eu e Dave estávamos nos encarando parecendo dois cães - Certo, desculpe – Pediu assim que percebeu o comentário desnecessário.
-Não me importo com Merck não ter seu último pedido, mas me importo se alguém importante pra mim entrar nessa cela.
-E eu me importo com você entrando ali - Não neguei a surpresa com o ato de Dave, mas ele pareceu entender o meu lado – Cinco minutos e eu te puxo de lá sem pensar duas vezes.
-Obrigada – Olhei para os dois irmãos, que não estavam se falando, mas sorriram pra mim antes de eu entrar.
Recebi todas as instruções de Dave, que reclamou com sobre essa maldita lei que permitia um último desejo e que aquilo era uma palhaçada. não tirava os olhos de mim, examinando cada passo que eu dava. Não era pra menos, eu sentia que fosse desmaiar a qualquer instante. Merck estava desfigurado, os olhos roxos, a pele toda machucada, não o reconheceria, mas sabia que era ele ali, o sorriso que eu tanto tinha medo surgiu assim que me viu. Ele estava com os dois braços presos a mesa.
-Sabia que viria – Fiquei arrepiada ao ouvir aquela voz nojenta – Você não permitiria a vinda de seus irmãos até aqui, muito menos a da sua mãe. - Permaneci em silêncio, próxima a porta. - Uma mão enfaixada, apenas isso que você ganhou nisso tudo? - Como eu gostaria que tivesse sido só isso, pensei, mas não respondi - Não vai falar comigo? - Permanecia o encarando, com a sobrancelha arqueada, apenas esperando que os cinco minutos passassem rápido - Sabe... O príncipe levou um choque, seu irmão levou um tiro, seu pai uns socos na cara, eu ganhei dois tiros e uma Execução e você não tem nada pra me dizer? - Virei o rosto – Você não tem nada pra dizer pro homem que tentou te tornar uma mulher de verdade?
-Só que estou feliz com a sua ida direto pro inferno - Não aguentei e falei, ele perdeu o sorrisinho - Céus, você não tem noção do quão feliz eu estou com isso. É o seu maior medo, né? Morrer – Disse, caminhando até ele, eu tremia de raiva - Você não tem noção da honra que vai ser ver você ali, sufocando frente a milhões de pessoas. - Comecei a rir - Céus! Eu sempre falei pra não mexer comigo, mas você foi burro o suficiente para fazer isso em plena Seleção, na frente de pessoas importantes e que gostam de mim! Você jogou a corda e você mesmo se enforcou, eu simplesmente estou emocionada demais com isso – Ele estava com os olhos cheio de ódio, se tremendo.
-Vagabunda – Ele sussurrou, tentando se soltar nas algemas – Eu devia ter feito tudo que queria com você, eu devia! EU DEVIA!
-Tente – Sorri, próxima a ele – Ah, você não pode – Fiz biquinho e senti uma lágrima teimosa escorrer de meus olhos.
-VOCÊ É UMA BISCATE! VADIA! VADIA! - Ele gritou tentando sair dali com mais força - VOCÊ, SUA MÃE E SUAS IRMÃS... VADIAS! KURT VAI HONRAR O MEU LEGADO, KURT SERÁ QUEM IRÁ TERMINAR O QUE COMECE... - Foi ali que fiquei cega de ódio, assim que minha mão atingiu o rosto dele, Dave abriu bruscamente a porta, para me tirar de cima de Merck, foi necessário os três.
-KURT ABOMINA VOCÊ - Gritei. - QUE VOCÊ QUEIME MUITO NO INFERNO!

~


Havia chego a hora. Eu havia brigado tanto, não acreditava que aquilo finalmente terminaria. As outras Selecionadas estavam todas de preto e com a cara fechada, umas estavam com medo e demonstravam todo afeto por mim pelo que sabiam e pela famosa sororidade, Beth havia dito palavras tão lindas para mim que eu tive que me segurar para não chorar. Até mesmo Summer havia me dado um abraço e eu sabia que ela sentia ódio de mim. Lizzie não falou comigo.
Tinha uma fileira de guardas de um lado e do outro, Dave e mais alguns membros do conselho estavam na frente, a família real viria logo depois, atrás estavam as Selecionadas e logo depois minha família e eu. Fiquei surpresa ao ver meus irmãos vestidos e junto a mim
-O que vocês estão fazendo aqui? - Perguntei já nervosa.
-Recebemos ordens, . - Mamãe suspirou, triste. Ela estava linda, com a aparência cansada, mas linda.
- disse que vocês não iriam presenciar isso, ele me prometeu! - Segurei a mão de Kira, que passava a mão na própria barriga.
-A ordem veio muito mais além - Ouvi a voz da Rainha atrás de mim e só consegui respirar fundo para não voar nela – E você não está em condições de exigir algo.
-Duas crianças e uma grávida, majestade, é sério? - Coloquei uma das mãos na cintura - É tortura mental!
-Mãe! - apareceu, um pouco machucado, mas ainda tinha sua beleza estonteante – Libere-os disso.
-, não ouse – Ela falou, entredentes.
-Não seja uma monstra e mostre que tem compaixão - Ele respondeu da mesma forma, a mãe permanecia com um sorriso nos lábios. - Meu pai não está aqui, mas isso não significa que você pode fazer o que te der na telha – Rei Roger estava em Axel, uma cidade de Avallon, ele havia ido nesta manhã para uma missão de emergência e voltaria pela noite, perderia a Execução.
-Você ainda não é o Rei – Ela sussurrou – Essas crianças vão aprender a andar pelo caminho certo por bem.
-SÃO APENAS CRIANÇAS! - Gritei, sendo segurada por minha mãe e Kira.
-FILHOS DE UM MONSTRO. O QUAL QUASE MATOU MEU FILHO E MEUS DOIS GUARDAS – Ela levantou o tom de voz, fazendo todos encararem a gente.
-Eles não têm culpa disso – Disse, balançando a cabeça completamente horrorizada com a crueldade.
-Majestade – Major Walker apareceu, entrando no meio de nós duas.
-Faça a Execução acontecer e que essas crianças estejam na primeira fila – Ela me encarou - Não brinque comigo, garota. - Senti Kurt segurando minha mão e Kiara abraçando minha cintura.
-Mas... - Dave começou a dizer e foi interrompido apenas com o olhar da Rainha.
-Você não está em condições de falar nada, Major. Espero que faça o seu trabalho.
-Rei Roger mandou as crianças ficarem fora disso – Ele a encarou e a mesma pareceu soltar fogo pelos olhos.
-Ele não está aqui.
- apareceu atrás de mim, pedindo-me calma.
-Tudo bem, , a gente aguenta – Kiara falou, fazendo meu coração doer, sabia que ela estava com medo.
-A gente fecha os olhos e conta até cinquenta, sabia que aprendi a contar até cinquenta? - Senti meus olhos arderem, me sentindo uma completa inútil perante aos meus irmãos. Abracei os dois e respirei fundo, olhando para minha mãe e minha irmã mais velha, elas me deram a força que precisava. Quando me dei conta, os três Príncipes estavam ali, ao meu lado e a Rainha sem entender o que estava acontecendo.
-Voltem para seus devidos lugares – Ela ordenou.
-Ficarei aqui, com a e sua família. - foi o primeiro a desafiar a mãe ficando atrás de mim.
-Darei o apoio que eles precisam nesse momento difícil - foi para o meu lado direito, vendo a mãe arregalar os olhos.
-O apoio que a Rainha não está dando – foi ao meu lado esquerdo. Pude ouvir múrmuros por todos os lados, vi Dave sorrir atrás da Rainha e a mesma me fuzilou antes de erguer a cabeça e ir sozinha para seu lugar.
A Rainha me odiava ainda mais.

(Música)
Não costumamos ver a porta principal aberta, assim que os raios solares invadiram o local, pude ouvir o barulho e os gritos vindo lá de fora. Respirei fundo, precisava aguentar aquilo com firmeza. Praticava o tempo todo o pensamento de que Merck merecia aquilo, pois pagaria pelo que fez de mal e que eu não tinha culpa da sua Execução, ele é doente.
Colocamos os pés pra fora do castelo e não contive a surpresa. Haviam milhares de pessoas ali. Um monte de fotógrafos e flashs. Haviam cartazes sobre mim, sobre Merck e também sobre algumas meninas, não consegui focar em tanta coisa, pois o barulho era tanto, que meus pensamentos estavam bagunçados.
Meu estômago embrulhou ao ver um enorme Cadafalso em cima de um enorme palco improvisado perante a entrada do castelo. Dois homens de preto com o rosto coberto estavam parados de cada lado do cadafalso, muitos guardas estavam impedindo a passagem dos súditos irritados que insistiam em entrar.
As selecionadas estavam sentadas em uma arquibancada improvisada que fizeram na entrada e a Rainha junto com os membros do conselho, estavam próximos a um palco. Já minha família e eu fomos destinados a ficarmos diante ao palco. Ouvi uma série de batuques e trombetas serem tocadas, dando a vista para um homem sendo arrastado por três guardas. Merck.
-Papai – Kiara sussurrou escondendo o rosto na saia de minha mãe, que se manteve firme. Ele passou perto de nós, nos encarando.
-Monstro – Kurt gritou, fazendo-me arquear uma sobrancelha para Merck, que ficou surpreso com aquilo. Segurei meu irmãozinho enquanto Kira secou uma lágrima enquanto o pai esperava uma palavra de consolo, mas só recebeu o silêncio. O olhar julgador de minha mãe foi o que mais deve ter o machucado, ele esperava que ela surtasse por ele, mas só recebeu o que mais odiava: O desprezo.
Ele subiu no grande palco e foi posicionado no cadafalso com uma corda em seu pescoço e as mãos presas impedindo que o mesmo resistisse. Os gritos se intensificaram com aquilo.
-MINHA QUERIDA AVALLON! - Um homem, todo de preto, subiu ao palco, fazendo urros serem escutados – ESTAMOS AQUI, REUNIDOS DIANTE A UMA SITUAÇÃO PECAMINOSA E IMPERDOÁVEL... É! ESSE HOMEM, MERCK WILLIAMS RICALDDI ESTÁ SENDO ACUSADO DE CRIMES DE GRAVIDADE EXTREMAMENTE ALTAS COM A CONSEQUÊNCIA PENAL DE MORTE! SIM, MINHA QUERIDÍSSIMA AVALLON – O homem conversava com os súditos conforme eles gritavam animados. - AGREDIU O NOSSO PRÓXIMO REI, O PRÍNCIPE AYKROYD – Fechei os olhos para ouvir a enorme algazarra que o povo fazia – AGREDIU O NOSSO PROTETOR, MAJOR DAVE WALKER! - Dave permaneceu olhando para mim, que balancei a cabeça, querendo chorar – E, TENTOU ABUSAR SEXUALMENTE DA NOSSA QUERIDA SELECIONADA, , QUE PODE VIR A SER NOSSA PRÓXIMA RAINHA OU NOSSA PRÓXIMA PRINCESA! - Foi ali, que ouvi mais gritos, urros e vaias. Meu coração batia tão rápido que podia ser ouvido naquela barulheira toda – MOSTRANDO A ELA, NOSSAS SINCERAS LAMENTAÇÕES E QUE ESTAMOS AO SEU LADO NESSE MOMENTO TÃO DIFÍCIL, CHAMO ELA AQUI, NO PALCO, PARA VER DE PERTO O ACUSADO SENDO PUNIDO PELO ATO COVARDE! - Levantei a cabeça alarmada, não podia ser real.
As Selecionadas estavam surpresas, Lizzie parecia querer correr até mim e não deixar que eu fizesse aquilo, Beth falou bem alto que aquilo era barbaridade e Summer estava com as mãos no rosto.
Dave perdeu a postura de guarda e começou a gritar com os membros do conselho dizendo que eu não iria subir, os Príncipes...
Ah, os Príncipes...
surtou, perdeu a postura de membro da família real, tentava me acalmar, segurando meus braços para que eu não caísse e saiu em busca da mãe, para que ela retirasse aquilo imediatamente. Minha mãe me segurou, impedindo que eu saísse do lugar, Kira teve que se sentar, já que estava com náuseas com aquilo tudo, Kiara começou a chorar novamente, eu odiava aquilo, céus, como odiava. Kurt me abraçou pedindo para que fizesse algo, mas era em vão.
-Os súditos a querem ali – Ela sorriu, apontando para as pessoas gritando por mim. Eu não tinha a noção do quão maldosa as pessoas podiam ser. Aquilo não era pro meu bem, aquilo não ia me deixar bem e aquilo era desumano – Suba! - Ordenou, sorrindo maleficamente. Se tornou um evento catastrófico.
Respirei fundo, abracei minha família e pedi que Kiara fosse forte o bastante para segurar Kurt e impedir que ele visse a cena, minha mãe prometeu que não veria a cena toda, protegeria a cabeça dos filhos e chorava por não poder fazer o mesmo comigo. Dave saiu de seu lugar e ficou junto de minha mãe, eu estava grata. Com a cabeça erguida, subi. Ouvindo gritos animados e a grande imensidão de pessoas que estavam ali. O céu tinha tons lindos de rosa, laranja e roxo, o sol estava se pondo.
-MINHA QUERIDA , FAÇA DISSO UMA GRANDE FORMA DE VINGANÇA. ESSE SENHOR NUNCA MAIS ENCONSTARÁ EM VOCÊ. - Encarei-o, que não se importava comigo e nem com nada, só com o público - QUE VOCÊ QUEIME NO INFERNO, MERCK. - O homem gritou, ouvindo a animação da galera. Vi o mesmo caminhando devagar até o Cadafalso, Merck estava com tanto medo que era visível. Eu estava com medo.
Senti uma mão em meu ombro e quando me assustei, vi que era . Meus olhos arderam e senti uma lágrima escorrer assim que vi pegando em minha mão e pegando a outra. Eu estava segura e com os meus meninos, isso era o bastante para ter forças para aguentar aquilo.
O homem chegou perto de uma alavanca e assim que a puxou, o chão se abriu e Merck começou a sufocar com as pernas balançando e ouvi o mesmo agonizando.
Ouvi Kurt contando até cinquenta, senti beijando a minha cabeça, fechei os olhos e só esperei que aquilo acabasse.

Capítulo 24

Era surreal a forma que o povo queria e gostava de ver aquilo. Merck merecia passar por tudo, mas era de extrema humilhação para minha família ouvir o homem sufocando e ver que o público aclamava por isso.
Saí dali o mais rápido que pude assim que terminou e tentei ao máximo não ver o corpo de Merck sendo jogado. Aquilo era o auge. Kira foi arrastada para a enfermaria e Kurt junto com Kiara foram pegos por Olivia e Lauretta, que os levaram para o quarto, não havia entendido o motivo daquilo, não queria ficar longe da minha família. Minha mãe estava ao meu lado, completamente arrasada, os olhos estavam vermelhos e eu sabia que ela sentia culpa, o que me incomodava era ela sentir isso, já que de longe a culpa era dela. Todos haviam sido mandados para seus quartos assim que a Execução acabou, o jantar seria dado lá para cada selecionada e não haveria saidinhas de ninguém até a manhã seguinte. Os pais estavam indo embora e ninguém passaria mais tempo com seus familiares. Meu coração doía por isso.
Minha mãe e eu ficamos de mãos dadas, caminhando para o meu quarto, mas fomos pegas bruscamente por dois guardas que arrastavam a gente para um local que eu desconhecia.
-Me largue! - ordenei, tentando lutar contra a atitude agressiva do homem - Está me machucando, Kendrick! - Gritei com o guarda, que sorria sem mostrar os dentes
-Solte minha filha – minha mãe esbravejou de uma forma que eu nunca tinha visto, a mulher sempre teve uma postura firme e calma – Malditos! - ela deu um tapa na cara do guarda, que a soltou – Sei caminhar sozinha, sua atitude é abusiva e desnecessária e você nunca será nada além da guardinha de merda que é.
-Mãe - cobri a boca, chocada com aquilo.
-Me guie até onde quer que eu vá, mas não encoste em mim ou em minha filha, eu acabo com você - As mãos delicadas apontavam para o homem que tinha raiva nos olhos – Solte a minha filha – ela disse pausadamente para Kendrick, que me encarou tão surpreso quanto eu.
Caminhamos atrás do guarda que minha mãe havia agredido, em silêncio e juntas. Não sabia que era tão parecida com a minha mãe até agora, ela estava no auge do estresse. Entramos em uma sala com paredes douradas com vermelho e dois tronos, onde um estava a Rainha. Só podia ser... Os três Príncipes não estavam ali, onde parecia ser de reuniões. Só entendi tudo quando vi Dave, cabisbaixo e senti vontade de chorar... Se acontecesse o que eu achava que ia acontecer, eu não aguentaria.
-Dave! - Minha mãe sussurrou, recebendo um abraço dele, que me puxou em seguida, causando um enorme choque em meu corpo com o ato - Sinto muito por tudo... Filha! - Meu coração pareceu errar as batidas e eu senti algumas lágrimas escorrerem.
-Eu também - Dave sorriu sem mostrar os dentes, passando as mãos em minhas costas.
-O momento em família pode ficar pra depois – Ouvi a voz da Rainha ao fundo, se levantando – Veja só... Essa garota sempre me arrumando mais problemas do que posso contar! - Ela me encarou, balançando a cabeça - Desde as afrontas contra a família real até a ser fruto de uma traição... - Confesso que estou surpresa com a forma que você usou para aparecer dessa vez, ... Você é mais esperta do que eu pensava – Balancei a cabeça, inconformada com aquelas palavras. - Tem ideia do que está causando nesse castelo?
-Acredite, se eu pudesse evitar, eu o faria – Respondi, dando de ombros.
-Mas você pode – Ela se levantou, sorrindo. - Pela proteção de seus pais, peça para ser mandada embora da Seleção. - Por um momento eu havia esquecido como respirava, aquilo era chantagem.
-Você está chantageando uma menor de idade, Leigh Anne? - Dave se pronunciou, me fazendo ficar atrás dele. Era visível que aquilo havia me abalado de muitas formas.
-Jamais! - Ela fingiu estar ofendida – Estou achando uma solução para o problema de vocês...
-Não faça, – minha mãe entrou na minha frente, ficando ao lado de Dave – Eu assumo a responsabilidade, deixe a garota em paz.
-A mistura dos dois deu aquele monstrinho ali, certo? - A Rainha deu risada ao ver que Dave estava segurando minha mãe, que ameaçava voar no pescoço da mulher – Minha proposta é essa, desista da Seleção e suma da vida dos meus filhos.
-Eles não querem que eu vá - Dei de ombros vendo a mulher tirar o sorriso dos lábios - Os três não devem querer que eu vá e acredite... Você melhor do que ninguém sabe que eles não vão permitir que eu vá pra casa.
-Não me teste, garota.
-Chame-os aqui e veja você mesma – Cruzei os braços. Dave e minha mãe estavam surpresos com o meu ato – Eu peço pra ir.
-Chame os meninos – ela ordenou para um dos guardas que saiu correndo imediatamente.
-Ela não tem culpa, Leigh, e você melhor do que ninguém sabe disso – Dave interviu e a mesma pareceu ficar abalada por alguns segundos.
-Está insinuando algo?
-É apenas uma lembrança de algo que já passou – Ele respondeu, cruzando os braços - Rei Roger deve dar a última palavra, de qualquer forma.
-Eu tenho poder pra fazer isso enquanto ele estiver fora. - A mulher esbravejou, minutos depois os filhos entraram na sala, confusos. A reação de era de que os problemas não acabavam de jeito algum.
-Fale – A rainha me encarou. Por algum motivo, minha voz não queria sair.
-Sua mãe quer que eu peça para ir embora pra que meus pais não sofram nenhuma consequência por me ter como filha – A mulher queria me matar ainda mais depois daquilo.
-Chantagem? - colocou as mãos na cintura repreendendo a mãe.
-Uma menor de idade... - balançou a cabeça - Por mim, não vai.
-Pedido negado, Leigh-Anne – se sentou olhando para o irmão mais velho que ainda não havia dado sua resposta.
-Eu... An... Bem... - se embaralhou com o olhar intimidador da mãe - Ela não vai.
-Então... Parece que mais duas pessoas serão Executadas... - A rainha se sentou em sua cadeira.
-NÃO! - fiquei desesperada novamente, parecia que aquele sentimento não saía mais de mim.
-Você não pode matar Dave, ele salvou nossas vidas milhares de vezes, salvou o Reino... Esqueça isso como forma de agradecimento! - se levantou, inconformado – Meu pai faria isso.
-Não sou o seu pai, misericordioso e bom. É por causa do coração dele que Avallon está essa bagunça. - Ela começou a fazer algumas anotações - Se ele fizesse o que eu mando, as coisas seriam diferentes.
-Bom saber disso, Leigh – Rei Roger adentrou a sala, fazendo a mulher ficar pálida.
-Roger...
-Sinto muito por tudo que passou, ... Não posso imaginar os anos terríveis que você passou com aquele homem – Dei um leve sorriso para ele, eu amava o Rei de Avallon. - Peço desculpas a você, Karin... Devia ter dado ordens extremas para deixar as crianças de fora do ato da Execução. Se precisarem de psicólogos me avise, faço questão de mandar os melhores para Southampton para cuidar de você e dos seus filhos, vai ser muito bem cuidada por aqui. - Minha mãe agradeceu, os olhos da Rainha estavam vermelhos de ódio, tinha um sorriso nos lábios, eu sabia o motivo – Dave, meu grande irmão e amigo – O rei segurou a mão do guarda – Por estar sempre protegendo o meu reino, minha família e a mim, o ato de vocês será perdoado como forma de retribuição e agradecimento.
-Fico muito aliviado por isso, Roger... - Dave fez uma reverencia e eu não contive a emoção em ir abraça-lo, aos prantos.
-Vá se despedir de sua família, minha filha, poderá vê-los apenas no dia de seu casamento com um de meus filhos – O mesmo sussurrou, me fazendo quase cair com as pernas bambas com o que acabara de ouvir.

~


Ouvi algumas batidas na porta e me arrependi por ter deixado a luz acesa, mantive silêncio, rezando para que a pessoa fosse embora e foi isso que aconteceu. Passou alguns minutos e vi um vulto na sacada, comecei a ficar assustada, já que depois de Merck, eu não aguentava mais nenhuma emoção forte. Corri até o banheiro e fiquei escondida, observando quem entraria ali. Logo ouvi umas batidas na porta de vidro, revelando ser o último Príncipe que eu gostaria de ver. Saí do banheiro completamente cansada, não tinha coragem nem de brigar.
-Não podia usar a porta? - Perguntei, deixando-o entrar. Tentando evitar que ele percebesse que eu estava tremendo e tendo uma crise.
-Eu tentei e você não abriu – Deu de ombros indo em direção a porta, tirando do chão uma bandeja com comidas e suco. - Você não comeu nada, sua mãe me pediu ajuda.
-Príncipe errado – Me sentei na cama, vendo-o sorrir – E não estou com fome.
-Mas vai comer. Não fiz tudo isso pra você não comer – Bufou enfiando um pedaço do croissant na minha boca – E beba o suco de hortelã com acerola, sei que é o seu preferido. Eu queria lhe trazer um de maracujá, mas você ia atacar ele na minha cara... - A forma com que ele dizia aquilo, tão natural e colocando o líquido no copo me fez rir. Pela primeira vez. - Porém, sei que isso te deixaria feliz, por isso trouxe um copinho para você jogar em mim. - Me mostrou o copo pequeno - Então, se vai se sentir melhor, pode fazer.
-Não vou fazer isso.
-Vai sim, eu exijo – Sorri olhando para minhas mãos, onde eu tinha marcas da arma que havia me machucado - Eu não aceito você ficar brava ou triste por outra coisa que não seja eu – Segurou minhas mãos.
-O mundo não gira em torno de você, alteza. - Ele sorriu me fazendo encará-lo.
-É por isso que o mundo é tão chato.
-E você também. - Suspirei, tomando um gole do suco.
-Como você está? - Perguntou, comendo umas frutinhas que estavam ali.
-Não quero conversar sobre isso e também não quero conversar sobre isso com você - o rancor dos dias anteriores havia voltado, mas este era a minha menor preocupação.
-Esqueça aquilo com Marie, já acabou. - Ele bufou, me fazendo arquear a sobrancelha.
-Não acredito em você e acredite, isso é o que menos importa pra mim. Dane-se o que você faz ou deixa de fazer nesse castelo.
-Céus, você é tão teimosa e rancorosa – Revirou os olhos. - Isso ainda vai te destruir.
-Você não precisa se preocupar com isso, não estarei por perto para você se sentir culpado.
-Cale a boca – Ele sorriu sem mostrar os dentes - Não vai acontecer nada com você, jamais permitiria.
-Eu causei tudo isso, essa bagunça... - Falei sentindo os olhos arderem. - Dave está com a carreira em risco, minha mãe pode ser presa, eu posso ser mandada embora e de quebra perder o pouco que tenho... Meus irmãos... O que vai ser deles sem minha mãe ou a mim? - Comecei a me desesperar e uma lágrima teimosa insistia em escorrer, eu odiava chorar. - Eu arruinei tudo.
-Não fala isso – Ele se aproximou me abraçando, era visível o seu desespero. - O único culpado é Merck por querer causar tanto mal a você e sua família. E meu pai já perdoou vocês, estão protegidos.
-Sua mãe vai dar um jeito de me destruir.
-O Rei está ao seu lado – sorriu.
-Ben nunca mais vai falar comigo – suspirei completamente desolada.
-Você não tem culpa de nada – ele segurou meu rosto, falando firma aquelas palavras – Ele sabe disso, precisa de um tempo pra aprender a lidar, foi uma coisa que nos pegou de surpresa. - Suspirou.
-Imagine pra mim – balancei a cabeça.
-Devia ter contado pra um de nós, teria evitado toda essa bagunça. - O encarei, a sinceridade dele não me ajudava em nada naquele instante – Certo, desculpe.
-Sai do meu quarto – me soltei dele. O mesmo se levantou em silêncio, indo até a sacada. Era difícil lidar com ele. Fui surpreendida ao ver ele voltando com as mãos escondidas atrás das costas – , é pra você ir.
-Feche os olhos – Disse ele, todo sedutor.
-Não - Falei na defensiva.
-Feche!
-Não vou fechar.
-Feche logo, inferno! - Ele bufou, me fazendo revirar os olhos e fechar os olhos. Senti algo andando em minha cama, senti um nariz geladinho encostando em minha mão, abri os olhos imediatamente dando de cara com um filhotinho de cachorro. Não contive a emoção ao abraçar a bolinha de pelos.
-! - Disse totalmente surpresa.
-Ele ficará com você por uns dias, até você se sentir confortável de novo para sair e voltar ao convívio social...
-Mas... E sua mãe? - Perguntei, sentindo a língua do pequenino encostando em minha bochecha.
-Ela não vai saber e se descobrir, assumo a responsabilidade... Ser o filho rebelde tem suas vantagens.
-Você vai se encrencar por minha causa – Alertei.
-Não me importo com isso. - O mesmo se aproximou de mim me dando um longo beijo na testa - Tem ração aqui, um potinho com água também... Xixi e cocô... Bem, você terá que limpar.
-Eu sei cuidar de cachorro, idiota.
-Claro que sabe... - Sorriu – O nome dela é Hope.
-Hope? - Saiu um risinho, quanta surpresa! - Gostei.
-Que bom, venho visitá-la em breve, não mate minha cadelinha – Ele deu uma piscadela e foi indo em direção a porta. - A mãe dela é brava!

Capítulo 25

-Lembram de uma de nossas aulas sobre Avallon? - Robin perguntou me dando uma olhada feia assim que entrei no Salão onde ocorria uma de nossas aulas. Estava atrasada. - Avallon estava tentando um acordo com qual país?
-Agartha – Beth e Tess responderam juntas.
-Certo! - Robin sorriu – A monarquia Agarthana chegará no castelo semana que vem. - Olhei desconfiada para Robin, um acordo com Agartha seria extremamente importante para Avallon, tanto para a economia quanto para defesa contra Vantron.
-Mas semana que vem não íamos apresentar um projeto de intervenção de ação social? - Summer perguntou confusa
-Vocês farão isso. - Ela concordou com a cabeça, nos deixando um pouco aterrorizadas – E também vão organizar um fim de semana cheio de atividades e recepções para a monarquia de Agartha, além de um horário para a cerimônia do aniversário de seis meses de Tonny – Pude ouvir um “ownt” de todas, Tonni era o filho de Lorde Iver, o irmão do Rei Roger. Era um bebê lindo. - Ele, sua esposa Penny e seu filhinho mais velho Hayden também chegam semana que vem.
-Essa criança é a mais sortuda do mundo! - Todas nós rimos do comentário de Sam. Realmente, sobrinho do rei e afilhado.
-Robin, por qual motivo Agartha resolveu se abrir para uma tentativa de acordo depois de tantos anos de tentativa? - Perguntei depois que ela passou mais algumas informações
-O Rei Capaldi, faleceu diante um ataque de Vantron contra Agartha, ele ficou extremamente ferido, resistiu por alguns dias, mas não suportou. Eu te falei, - Eu não sabia disso. Resultado do furacão Merck em minha vida, depois de quatro semanas difíceis eu consegui finalmente me reerguer.
-Sinto muito, acho que me esqueci – Admiti com vergonha.
-Seu herdeiro assumiu a coroa – Robin continuou – Alan é o novo rei de Agartha.
-Oh, e diante dessas circunstâncias... Ele está aberto ao acordo pelo que aconteceu com o pai... - Completei o pensamento dela, que sorriu concordando
-Não é certo que conseguiremos o acordo, mas ele está aberto ao diálogo.
Após as instruções e grupos feitos para organizar as situações. Um dos grupos iria organizar a cerimônia de Tonny e a recepção de Agartha, o segundo estava destinado a organizar todas as festas que seriam dadas para Agartha, já que era um reino muito festivo e o terceiro ficou responsável por realizar as atividades para um final de semana cheio para a monarquia. Eu, Beth e Samantha ficamos designadas as atividades. Summer, Lizzie e Courtney com as festas, nada combinava tanto com elas, com certeza Avallon iria se sobressair no evento. Kim, Tess e Waine ficaram com a recepção e com a cerimônia de Tonny. Um time perfeito.
As meninas não haviam perdido o ar de competição, depois de Merck elas aliviaram um pouco pra mim e arranjaram outra pra implicar: Sam! Ela era a mais nova preferida de Avallon e de . Os dois não se desgrudavam e ele sempre vinha me contar detalhes de seus encontros, na esperança de me fazer ficar melhor e voltar ao que era. A garota que tirava sarro da breguice dele e que discutia com . Sam era uma garota legal, nunca havia implicado comigo, era na dela, assim como , mas quando nos dava abertura para conhecer, era uma palhaça. Lizzie tentava um diálogo comigo raramente, sem me atacar, depois que percebeu que eu não era mais uma vez, uma ameaça a ela e , agora ela atacava Sam. Summer continuava a megera com todo mundo. Tess saía saltitando toda vez que voltava de um encontro com , ele a beijava quase todas as vezes. Courtney saía as escondidas com e havia fofocas de que eles também se beijaram.
Ben havia pedido férias. Sim, ele não conseguia olhar para mim ou para Dave, que eu também não conseguia manter um diálogo, já que estava rejeitando todo e qualquer tipo de contato com qualquer pessoa, especialmente meu pai. Denver havia me mandado cartas, assustado com a situação toda, mas que estava ali se eu precisasse, era só ligar. Não o respondi.
, me mandava telas de tinta, partituras de músicas e até mesmo me fazer ficar com os animais. tentava todos os dias desde o ocorrido a tentar me animar de alguma forma, mas eu já não conseguia nem ao menos responder suas tentativas de provocação. foi o que não aguentou e me obrigou a ir para a psicóloga real. Descobri com isso que sofria de síndrome pós-traumática. Merck tentando abusar de mim e quase conseguindo abriu um gatilho de outras memórias de quando ele tentara. Ver e ouvir o mesmo agonizando era mais traumatizante ainda. Me sentia aliviada por ele ter morrido, mas as lembranças ainda continuavam ali.
-Hey, querem começar agora? - Beth, que estava comigo desde o ocorrido e não havia me deixado em paz um minuto perguntou
-, se você estiver disposta, podemos começar agora. - Sam segurou minha mão. Eu estava cansada daquela situação, ser tratada como criança e ter que lidar com a pena das pessoas me irritava. Eu já estava melhor.
-Vamos começar agora. - Prendi o cabelo em um coque e começando a anotar no meu caderno algumas coisas – Pensei em fazermos algumas competições, tipo hipismo, arco e flecha, entrar no labirinto e conseguir sair primeiro, várias outras.
-Eu gosto da ideia... - Beth pareceu pensar – Mas... Alan é o tipo de rei que se juntaria a isso?
-Não sei quem ele é... - Respondi coçando a cabeça - Vocês sabem alguma coisa desse cara? - Elas negaram com a cabeça - Bom... Sei que o Rei Roger e os meninos adorariam se envolver nessas brincadeiras e que Agartha também é chegada nessas brincadeiras.
-Posso falar com e convencê-lo a participar – Sam deu de ombros. - Podemos fazer a trilha até a praia também.
-Temos que pedir permissão para isso – Beth revirou os olhos. Malditos Vândalos e Vantronis – Mas gostei da ideia
-Vamos fazer uma pesquisa individual hoje sobre Agartha, amanhã podemos nos juntar e comentarmos o que é válido. - Propus e elas concordaram – Preciso continuar com o meu projeto.
-Você vai tirar de letra, já decidiu seu assunto? - Sam perguntou tomando seu chá.
-Já. É sobre uma coisa importante para mim.

~


Estava no jardim, com meus milhares de papéis e anotações, estudando sobre Agharta e sobre meu tema. Eu não era boba, sabia que isso eliminaria mais três selecionadas. Parte de mim queria a todo custo ficar na seleção, mas a outra insistia em ir embora. Era uma luta diária entre mim e eu.
-Quer fazer algo amanhã? - Escutei falando para alguém, me virei e vi que era Courtney.
-Ficarei muito feliz com isso – Ela sorriu e deu um beijinho no rosto dele. Aquilo embrulhou meu estômago.
Bufei e voltei a atenção para minhas atividades, ignorando o fato de ouvir flertando com alguém. Novamente tentei me esconder e passar despercebida quando senti ele se sentando ao meu lado. Mantive-me quieta sem olhar para ele, mas foi impossível quando ele tirou a caneta e o caderno de minha mão.
-Sério? - Perguntei sem paciência.
-Você não estava me dando atenção - Fez biquinho.
-É porque estou ocupada. - Passei as mãos no rosto - Vá conseguir atenção da Courtney.
-Não quero a Courtney – Ele olhou sugestivo pra mim, se deitando em meu colo. Abusado.
-E eu não quero você - Ele me olhou com a sobrancelha arqueada – aqui... - Suspirei e vi que ele não iria sair dali.
-Você tem certeza que vai falar sobre isso? - Perguntou após ler meu rascunho.
-É necessário - Dei de ombros - Só assim irei me libertar.
-Estarei lá, de qualquer forma – Sorriu, segurando minha mão. - Agora... Está estudando sobre Agartha?
-Estou responsável pela organização das atividades, preciso ter um arsenal bacana para agradar a monarquia – Ri mostrando o livro de Agartha.
-Agartha é festiva. - folheou o livro – As festas tem que cansar e deixar todos bêbados.
-Podemos fazer gincanas no domingo, pós festa do Baile de gala que as meninas vão fazer, já que deixaram claro que era a maior e mais importante festa que elas dariam. - Ele riu me fazendo rir junto.
-Você quer nos matar? Imagine todos nós de ressaca!
-Vocês estarão bêbados, eu estarei sóbria e pronta para derrotar todos.
-Isso é injusto de tantas formas... Você é organizadora, não pode competir – Ele se levantou inconformado.
-Posso sim, está com medo de perder? - Coloquei as mãos na cintura.
-Eu deixo você ganhar.
-Frouxo. - se jogou em cima de mim novamente, eu fiquei passando a mão em seus cabelos. Era um alívio ficar ali com ele.
-É bom ver você assim... Mais você.
-Eu sei que não fui fácil nessas últimas quatro semanas, me desculpe – Suspirei olhando para o outro lado. Estava sensível.
-O importante é você estar retornando ao que era. Gosto de ver você sendo debochada e sorrindo – Revirei os olhos. Cafona.
-Você é uma marica – Ele fingiu estar ofendido me fazendo rir.
-Só por falar os meus sentimentos? Que afronta! - Mostrei a língua e ele sorriu – Mil vezes ser uma marica do que ser fria igual a você.
-Certo, acho melhor pararmos por aqui. - Aquilo era verdade, mas não entendia o motivo de eu ter ficado tão ofendida.
-Você sabe que não foi minha intenção te ofender – Ele pareceu perceber o baque que aquilo foi pra mim.
-Eu sei. - Preferi não olhar pra ele e dar a entender que queria ficar sozinha. E ele me deixou, depois de um longo suspiro e passada de mão no rosto, totalmente abalado
Depois de tentar estudar e ser totalmente inútil, finalmente tomei a coragem de entrar de volta no castelo e ir para o meu quarto, já que lá era o lugar que eu mais ficava desde o ocorrido. Olivia, Taihne e Lauretta também não me deixaram sozinha lá nem comigo implorando. As ordens eram implícitas para que eu fosse vigiada 24 horas do meu dia, como se eu fosse uma louca. No começo relutei muito, mas por fim, admiti que era necessário esse cuidado. Eu precisava de alguém cuidando de mim e também de uma psicóloga. O Dr. Poirot logo mandou o melhor do reino para as minhas consultas, a Dra. Erikah fazia muito bem o seu papel e a cada quatro vezes por semana tinha um encontro com ela. Eu precisava ser liberada disso logo, queria voltar para a minha privacidade e para isso acontecer, eu precisava de seu atestado.
Fui até a sala da Dra. Erikah para mais uma consulta. Seu consultório ficava em uma ala mais afastada da onde a gente costumava ficar, a vista era para um monte de verde, onde ficava a floresta proibida, tinha esse nome por ser um local perigoso, boatos de quem entrava lá, não saía. Enquanto esperava observando a bela visão, pude ouvir algo que me chamou a atenção.
-Ben, você tem que ser mais tolerante – Era a voz de Dave.
-Puts... Tolerante em saber que você traiu a mamãe? - Ele riu irônico. Fui me aproximando aos poucos – E sinceramente, , você armou isso para eu encontrar com ele?
-Eu só quero que vocês se resolvam. - , sempre se envolvendo onde não devia.
-Não quero.
-Benjamin, este é o momento perfeito para você parar de agir como um cara mimado, você não é assim. - Dra. Erikah tomou a voz. Me fazendo ficar na porta, observando tudo. Ninguém havia me visto – Sei que não é fácil essa situação, mas não seja duro...
-Foi há muito tempo, Benjamin. - Dave se levantou. Sus expressão estava cansada.
-Há um fruto para lembrar disso – Ben se referiu a mim.
-Você sabe que a é a única pessoa que você não deve castigar, você pode ficar com raiva de mim, está no seu direito, mas não deve sofrer com o seu rancor – passou a mão no rosto, estava visivelmente abalado – Coisa que você faz há quatro semanas.
-Não consigo... Ela lembra como meu pai foi nojento com a minha mãe. Ela é uma lembrança ruim – Aquilo me atingiu de tantas formas, que eu não sabia o que dizer ou agir. Foi quando Ben decidiu se virar para sair da sala e deu de cara comigo, a expressão surpresa de todos era engraçada. - ...
-Bom te ver, soldado. - Não consegui olhar nos olhos dele, não queria que ele visse que eu estava abalada e não queria a pena de ninguém.
-Eu...
-Não precisa falar nada – Sorri, desta vez o encarando - Peço desculpas por ser uma lembrança ruim, só queria que você lembrasse que eu não tive culpa alguma disso e estou sofrendo de maneiras incontáveis. Não vou ficar mais no seu caminho, não quero te incomodar. - Ele estava chocado, sem conseguir olhar para mim, os olhos verdes estavam marejados, dei espaço para ele sair e sem me virar para vê-lo partir, falei – Se você ver o meu amigo, Benjamin Walker, avise a ele que estou precisando dele assim como ele precisa de mim. - Respirei fundo, olhando para o chão e me recompondo, dando um sorriso para todos da sala – Dra. Erika, Major Walker... Alteza – Fiz uma reverência.
-Desculpas, ... Ben está em fase de negação - Dave começou a falar, meio sem graça.
-Também acha que sou uma lembrança ruim? - Perguntei, sem me aguentar.
-, não se sinta dessa forma, Benjamin falou aquilo no calor do momento, ele não se sente assim de verdade. Você verá - Erikah me cortou, não dando espaço para resposta. - Peço que os cavalheiros se retirem, tenho que cuidar da minha selecionada.
-Posso ficar se você quiser – colocou as mãos em meus ombros. Era tentador, eu poderia alfinetá-lo e mostrar que estava bem novamente.
-Creio que não será necessário, mas se você quiser ficar, tudo bem – Sorri, colocando minha mão por cima da dele.
-Eu preciso voltar para o trabalho, Rei Roger quer fazer uma reunião... A qual você, mocinho, deveria estar presente – Dave deu alguns tapinhas nas costas de , que revirou os olhos, bufando – , precisamos conversar ainda... Eu quero muito esclarecer algumas questões e pra isso você deveria parar de fugir – O encarei com a sobrancelha arqueada, vendo Erikah arregalar os olhos – Quando estiver pronta, estarei a sua espera. - Antes da minha viagem para encontrar Lady Devimon.
-Certo, Dave... Eu tenho algumas coisas pra organizar para o meu projeto de intervenção, depois para a vinda de Agartha pra cá... - Tentei enrolar, ele pareceu entender, mesmo fazendo uma cara de decepcionado.
-Posso arrumar um espaço na lista de vocês para que isso dê certo. - se envolveu, eu queria matá-lo - Não será um problema pra mim.
-Eu iria ficar grato, alteza. - Dave sorriu.
-Eu também, alteza – Sorri sem mostrar os dentes.
-Maravilha! - Ele comemorou – Um dia inteiro só pra vocês. Tentarei trazer Ben e Danver, vai ser um momento familiar incrível.
-Momento família e eu – Revirei os olhos, aquilo era forçar a barra demais.
-Você é minha família agora, ! - Nunca havia visto Dave falando tão sério daquele jeito, havia até me assustado - Você é a minha filha e se eu soubesse disso antes, você nunca teria sofrido como sofreu com Merck. - Meus olhos ficaram marejados e eu me concentrei para não desabar ali mesmo. Concordei com a cabeça, dando um sorriso.
-Certo, a gente se encontra logo com a ajuda do príncipe.
-O quanto antes, meu bem. - Senti sua mão em minha cintura e o olhar de Dave para isso, foi cômico.
-Vamos, alteza, vamos! - Dave tossiu o puxando, fazendo eu e Erikah rirmos da situação.
-Mas... Mas...
-Nada de “mas”, vamos!

~


No jantar, com direito a sobremesa e muita risada na mesa das Selecionadas, graças a Kim que ficou bêbada com o vinho e ficava fazendo piada a todo instante junto com Beth e Tess. Foi um momento marcante, já que deixar a competição de lado era complicado e eram raros os momentos em que havia um diálogo sem provocações. Até mesmo Summer e Lizzie estavam fazendo piadas de “tio”. Era importante esquecer que estávamos ali, sendo observadas e cotadas para o trono, já que o Rei, a rainha e seus filhos tiraram a noite para ficarem a sós.
-, conta a coisa mais vergonhosa que já aconteceu com você em Southampton – Kim perguntou, bebendo mais um gole de seu vinho.
-Quando meu irmão saiu gritando pela rua que eu havia ficado menstruada... - Todas elas caíram na gargalhada – Gente, aquele garoto me ouviu gritando pra minha mãe que estava sangrando e ele saiu desesperado pedindo socorro... Não saí de casa por uns dias e quando saí, o pessoal ficava me dizendo “Parabéns, , agora já é uma mocinha”.
-Seu irmão é terrível! - Summer secou uma lágrima depois de rir tanto – A coisa mais vergonhosa que aconteceu comigo foi quando eu subi em uma árvore pra impressionar um garoto, me assustei quando uma criança fantasiada corria na nossa direção, caí da árvore. O garoto nunca mais olhou na minha cara.
-Você subindo em árvore? - Beth riu, fazendo todas concordarem com o pensamento e Summer beber um gole de sua bebida e dando de ombros “Pra vocês verem” - Meu pai uma vez me pegou no buraco do muro de casa observando um menino que eu gostava passar, e era sempre no mesmo horário... O pior de tudo, eu ficava em um buraco e meu cachorro ficava no outro, meu irmão viu, contou pro meu pai e até hoje eles tiram sarro de mim.
-É impressionante como a gente se submete a certos papelões, né? - Sam balançou a cabeça rindo.
-São histórias pra contar... Amo! - Tess bebeu sua bebida – Queria que fossemos descontraídas assim mais vezes, vocês são muito legais quando não estão focadas na competição.
-Não se esqueça que viemos aqui para isso. - Courtney alertou, fazendo um silêncio se instalar. Até que Lizzie resolveu mudar o assunto.
-Hey, o que vocês acham de colocarem na programação de vocês uma competição de dança e o prêmio seria a dança principal com os príncipes e claro, se eles permitirem, a dança principal com o Rei Alan no Baile de gala? - Perguntou ela para mim, que olhei pra Beth e Sam, que pareceram adorar a ideia, assim como as outras meninas.
-Mas alguém sabe como o Rei Alan é? A gente não sabe nada sobre ele – Waine comentou, fazendo todas ficarem pensativas.
-E se ele for velho? - Tess fez careta nos fazendo rir.
-Ele não tem uma rainha... Robin teria nos contado – Summer passou a mão no cabelo.
-Velho e nojento então - Kim fingiu vomitar, tirando novamente gargalhadas da gente.
-Então quem for a pior na competição da dança, vai dançar com o Rei Alan – Courtney arqueou a sobrancelha, rindo.
-Vocês querem me ferrar, né? - Falei inconformada, elas riram tanto que chegaram a colocar a mão na barriga. - Eu sou a pior dançarina dessa seleção.
-Aprende a dançar, , se não terá que dançar como velho e nojento. – Lizzie provocou me fazendo revirar os olhos.
-Parece incrível... Iremos estudar a ideia e entramos em contato com vocês amanhã pela tarde – Respondi, vendo Summer e Courtney concordarem com a cabeça. - Eles nos fazem acreditar que iremos trabalhar só com o nosso grupo, mas se vocês repararem, todos os nossos projetos se completam. A recepção junto com as festas e a programação geral...
-A gente acaba trabalhando todas juntas, no final das contas – Summer riu.
Depois de ficarmos bem alegres e terminarmos o jantar, decidimos irmos para os quartos, já que Robin e as outras governantas deram uma bela bronca na gente, por estarmos bêbadas e nos portando como “animais”. Perdemos toda a compostura, mas sei que elas gostaram de nos ver tão unidas.
“-Poderia ser pior, a gente poderia estar enfrentando uma guerra de comida. Estou feliz por ser apenas risadas altas” - Robin.
Já em meu quarto, completamente alterada pelo álcool, percebi que não havia ninguém. Até estranhei, já que as regras eram explícitas para não me deixarem sozinha, mas não reclamei, né? O que eu mais queria era ficar sozinha.

~Por ~


-Dave, você não pode me obrigar a ir em uma reunião! - Falei como se fosse óbvio - Cara, eu sou o príncipe!
-Por isso mesmo que você deveria ir para a reunião, é para tratar sobre Agartha. Você deve ao menos mostrar interesse – Ele respondeu ainda me puxando da ala psiquiátrica.
-Mas temos e por lá - Revirei os olhos – Eu seria muito mais prestativo com do que naquela reunião.
-Alisando-a? - Respondeu inconformado – tem dificuldade de se expressar e você acha que ela iria falar alguma coisa com você ali?
-É impressionante como a é boa para expressar certos ideais, mas quando se trata dela, ela se fecha... - Respondi pensativo, mas depois o encarei, sorrindo - Está com ciúmes da sua filha, papai?
-Ciúmes, garoto? - Ele ficou super sem graça, me fazendo gargalhar – Só estou preocupado, não me estresse.
-Fique tranquilo, eu e meus irmãos respeitamos muito aquela garota – Sorri admirando a paisagem que os corredores de vidro nos proporcionavam.
-Eu devo ter uma torcida? Qual de vocês querem a ? - Pergunta difícil...
-Olha, sendo bem sincero, se ela escolher terá quem ela quiser – Dei de ombros – Sua filha é incrível... - Falei sem graça e ele sorriu concordando – E é impossível eu te dizer quem está no nível dela, ela não demonstra absolutamente nada.
-Você também não é fácil, né, ? - Ele perguntou, se referindo a minha vida de galinha.
-Ei! Eu melhorei muito, ok?
-Você está saindo com Tess e Waine – Arqueei a sobrancelha, maldito Major. - Não estou preocupado só com , mas isso é perigoso para todas as garotas... Vocês brincam com os sentimentos de todas.
-Mas essa é a seleção... Precisamos conhecer todas. Inclusive, quando se declarou pra , ela o mandou conhecer e dar oportunidade as outras meninas – Me defendi e defendi meu irmão. - E eu sempre deixo claro para todas elas que eu estou conhecendo cada uma, nada é oficial.
-Só... Evite magoar as garotas – Ele suspirou – Saber que eu tenho uma filha... É uma coisa muito nova e eu estou abrindo a mente para situações diversas.
-Fique tranquilo, Dave... Eu jamais magoaria – Pelo menos era a minha intenção, mas não era válido se eu já havia magoado. Não saí da minha mente as duras palavras que ela me disse na Colheita “E eu fico triste por ter achado que você era diferente”.
-Você pode até ser o príncipe, mas se isso acontecer... Eu acabo com você sem pensar duas vezes – Sorri, eu permitiria que Dave fizesse isso se necessário.
Entramos na sala de reunião, que havia começado. Ninguém prestou atenção em mim ou em Dave, o que foi ótimo, não precisaria falar nada. Era importante o acordo com Agartha, confiava em meus representantes e isso bastava para eu não estar ali. Meu pai estava animado e feliz por finalmente trazer Agartha ao reino, tentávamos há anos isso, porém sem sucesso algum. O acordo seria a melhor coisa para Avallon. era o mais feliz de todos.
-As garotas vão dar um jeito de entreter o Rei Alan – Um dos membros da corte falou.
-Elas não são entretenimento do Rei Alan, nós nem ao menos sabemos como ele é e isso nem importa, elas não serão o “espetáculo”! - Respondi inconformado, velho promíscuo. - E que comentário mais vulgar.
-Não quis ofender, alteza – Ele respondeu abaixando a cabeça, revirei os olhos.
-, não sei se devo deixar você ou para conversar a sós com o Rei Alan, preciso de alguém mais persuasivo para me ajudar... - Catrik, o braço esquerdo de meu pai falou, me fazendo quase pedir socorro.
-Creio que o mais preparado para isso seja – Olhei para meu irmão que estava de cabeça baixa. Ele com total certeza, era perfeito para aquela missão - Nem está tão preparado quanto ele.
-Eu concordo totalmente – respondeu animado.
-Não acho que esteja apto para algo grande desse tipo – Catrik respondeu, assinando alguma coisa.
-Eu não quero conversar com Rei algum – Respondi, cruzando os braços. Parecer o filho mimado, nessas horas era essencial.
- é o mais preparado para isso e eu passo a responsabilidade pra ele de olhos fechados. - também cruzou os braços. Era importante pra ele deixar o no poder. Odiava a forma que ele era tratado, como se fosse o irresponsável. Nascemos no mesmo dia, apenas alguns minutos de diferença, aquilo era ridículo.
-Majestade, creio que essa rebelião não seja o certo, Agartha chega semana que vem e não é momento para seus filhos mimados – Meu pai, que antes estava quieto, o encarou e se levantou.
-Como Rei, não aprecio a atitude dos meus sucessores, mas como pai, eu admiro que meus filhos se juntem por algo importante. Colocar nessa missão é com total certeza, a melhor opção. - O rei piscou para nós, nos fazendo sorrir – Falo isso como Rei e não apenas pai, Aykroyd é o escolhido.
-Não vou decepcionar você - respondeu, se controlando para não sair saltitando.
-Atitude irresponsável, majestade – Um dos membros cochichou.
-Se não estiver satisfeito, peço que aproveite a oportunidade da vinda de Agartha pra cá e solicite um novo emprego – Olhei para meus irmãos, chocado com a atitude. Era muito difícil meu pai ser soberbo dessa forma, ele estava de saco cheio e eu sabia exatamente qual era a melhor maneira de deixá-lo mais relaxado. - Reunião encerrada.
Esperamos todos saírem da sala para finalmente comemorarmos a vitória de . Eu e meus irmãos começamos a pular um em cima do outro, era incrível a forma que a gente se portava como animais. Eu amava. Meu pai se juntou a nós, rindo da situação. Dave sorria no canto da sala, ele nos viu crescer, então cenas como essa o deixava animado.
-Não vou te decepcionar – abraçou meu pai, que sorriu.
-Eu sei que não, meu filho.
-Vamos fazer uma noite só nossa pra comemorar – falou animado – Nada melhor do que um momento em família - Meu pai pareceu que ia pestanejar - Você não tem outra opção, precisa relaxar.
- tem razão. Vamos cavalgar e depois jantar sob a luz do luar. - Sugeri e todos pareceram concordar – Vou pedir para avisarem a Rainha.
-Ela está resolvendo assuntos com Robin.
-Os assuntos esperam – Dei de ombros, sorrindo. Se não convidarmos ela, ela ficará uma fera e eu não estava afim de entrar em uma discussão sem fim com aquela mulher.
Ela havia melhorado muito depois da bronca que meu pai deu nela, pelas maldades que ela fez com . Sabia que minha mãe era uma pessoa difícil de lidar, mas não sabia como ela era cruel quando queria, meu pai ficou furioso e surtou, coisa que ele nunca havia feito, nunca havia gritado com ela, ainda mais na nossa frente, aquilo nos deixou completamente assustados.
“-Como você ousa tirar minha autoridade dessa forma, Roger? - Ela gritou, após , sua mãe e Dave saírem da sala junto com os outros guardas ali presentes.
-Como você ousa desobedecer a minhas ordens, Leigh-Anne? - Ele estava furioso – EU DEIXEI BEM CLARO PRA VOCÊ QUE ERA PARA AS CRIANÇAS FICAREM DE FORA E VOCÊ PROMETEU QUE IRIA FAZER ISSO!
-Você sabe muito bem que aquela garota precisa de limites, eu achei que era necessária essa atitude – Minha mãe se assustou com o grito de meu pai, mas manteve a compostura.
-Eu não entendo o seu ódio por , você foi cruel com crianças inocentes... - Ele esbravejou novamente, passando a mão no rosto, ficando longe o suficiente dela – Que líder horrível que você foi hoje e que você está se mostrando.
-Roger, você está defendendo aquela menina? - Ela perguntou inconformada – Todos vocês estão enfeitiçados por ela! Você é um péssimo líder que está encobrindo a atitude de civis, que desobedeceram a lei!
-Você quer que eu te recorde as vezes que encobri suas atitudes também? - Ele a encarou fazendo-a se calar. - Foi o que eu pensei. - E também não preciso te recordar de que Dave Walker salvou nossas vidas inúmeras vezes e inclusive, foi o doador de , ou você se esqueceu também de que foi ele que doou um pedaço do fígado para o seu filho? Você se lembra que quando precisou de transfusão de sangue em Vancrs, foi ele o único saudável para isso? Certo... E quando foi pego por um Selvagem? Dave arriscou sua vida pra salvar ele. Ah, claro... Gostaria de te relembrar também que foi ele que me convenceu de que...
-Eu entendi, Roger – Ela o cortou, falando entredentes – Dave merece ser livrado da lei, mas a garota e a mãe...
-A garota é a filha dele! - Ele respondeu irritado - É meu dever salvar quem é importante pra ele. PARE DE TENTAR MACHUCAR A !
-Estou apenas tentando fazer o certo, o que sua mãe faria se estivesse aqui?
-Com total certeza iria esquecer essa história e te lembraria da sua.
-Continue defendendo a garota... Ela vai arruinar esse reino
-Você fará isso antes.”
Não sabemos o que é a história do passado da Rainha Leigh-Anne, mas com certeza era um fato marcante para conseguir calar a voz dela. Meu pai nunca havia agido daquela forma, mas depois disso, ela nunca mais mexeu com a , obviamente pelo meu pai e por que ela não estava mais no radar. Essas últimas semanas decaiu muito, em vários sentidos, mas eu fazia o possível para ela retornar ao topo, como antes.
Fomos parar perto da praia, todos em seus devidos cavalos, rindo e brincando um com o outro, sem as neuras de sempre, apenas uma família normal, termo irônico, sendo nós a família real. Após muita zoeira, chegamos ao nosso destino e saboreamos o melhor jantar à luz das estrelas, coisa que não fazíamos a tempos. Fomos orientados por um guarda que era necessário o retorno, por segurança, assim fizemos.
Chegando ao castelo, dei de cara com Lauretta desesperada indo até mim, após meus irmãos e meus pais irem fazer seus afazeres
-Alteza, temos um problema – Ela disse, afobada, me deixando assustado. Pedi que ela falasse logo – Olivia está na enfermaria pois está com dores, achamos que é o bebê... Taihne está em sua noite de folga e não acho ela de jeito nenhum e eu tenho que visitar meu pai, que está muito doente, você sabe... Ele cuida dos cavalos. Olivia iria ficar com hoje, mas teve esse problema e eu não quis preocupá-la, ela já tem problemas demais e...
-Certo, calma – Parei pra pensar – Seu pai precisa de você, vá... Olivia está sendo bem cuidada na enfermaria, fez bem em não contar para , não precisamos deixá-la preocupada... Sabemos como ela é.
-Mas com quem ela ficará? - Perguntou, nervosa – Sua mãe fez questão de colocar Kendrick na porta dela, ela o odeia com todas as forças. Eu fico, ele vai entender...
-Vá ver seu pai, eu fico com ela essa noite – Cocei a cabeça. Ela me encarou com a sobrancelha arqueada – Ela nem vai me ver lá, irei entrar escondido e fico no sofá, os remédios a fazem apagar, não é?
-É arriscado...
-É o jeito – Sorri lhe dando um beijinho no rosto - Vá, querida, mande lembranças ao seu pai.
Eu sairia de lá com um olho roxo, iria me pegar no quarto escondido e eu iria morrer. Eu iria ter que melhorar o meu plano ou minha vida estaria em jogo. Fui até o quarto dela e estranhei por não ter nenhum guarda no corredor, já era para as meninas estarem nos quartos. Bati na porta e não obtive nenhuma resposta. Entrei e fiquei esperando a madame voltar para seus aposentos. Estava na sacada vendo as estrelas, quando ouvi a porta batendo e alguém muito estabanada entrando rindo e tropeçando nos próprios pés. Era cômico ver bêbada.
-Você está bêbada? - Perguntei de braços cruzados, na porta da sacada, fazendo-a dar um pulo de susto
-! Inferno! - Ela grunhiu, brava, me fazendo sorrir - Não estou bêbada, você está imaginando coisas.
-Você está bêbada sim, não me xingou e nem me expulsou do seu quarto ainda – Balancei a cabeça observando-a caminhar até o banheiro me ignorando e saindo de lá depois de alguns minutos com uma camisola longa azul bebê que era transparente em algumas partes como em sua barriga e pernas, dava para ver bem que sua calcinha era preta, me recusei a ficar olhando para ela.
-O que você está fazendo aqui, ? - Perguntou se sentando em frente ao seu espelho, retirando sua maquiagem.
-Vou ser sua babá hoje – Respondi olhando para cima.
-O que aconteceu com Olívia? - Perguntou confusa, falando enrolado.
-Precisou de folga – Respondi dando de ombros - Você não gosta do seu guarda, cá estou eu.
-É... Não sei quem é pior – Respondeu se levantando e me encarando, rindo – Kendrick, com certeza é o pior – Mantive meu olhar para cima e depois olhando para fora – O que foi, ? Posso saber porque você está estranho desse jeito?
-Estranho? Está maluca? - Ri nervoso. O que estava acontecendo comigo?
-Você não está me provocando ou olhando pra minha cara com esse seu jeito debochado - Tropeçou novamente em seu próprio pé me fazendo encará-la e desviando o olhar rapidamente.
-Você precisa dormir, bêbada. - Falei sentindo-a atrás de mim, me fazendo dar um pulo para trás - Está frio aqui fora pra você ficar com essa roupa, entre já e vá pra cama.
-Você não pode me obrigar – Ela sorriu, se aproximando mais de mim. Eu estava fugindo daquela mulher sensacional? Eu era um frouxo - Está nervoso, Aykroyd? Nunca esperei tanto para um momento como esse.
-Você precisa de muito mais pra me deixar nervoso – Menti, tentando ao máximo parecer normal, sendo prensado na mureta da sacada.
-Pois eu tenho certeza de que eu consegui fazer isso, tendo em vista você fugindo de mim – Ela sorriu. Inferno, maldita bebida
-Você está bêbada - A encarei, a mesma olhava dentro dos meus olhos, eu não podia estar tão na merda.
-Está me dando um fora, Aykroyd? - Perguntou ela, com a sobrancelha arqueada, após eu virar o rosto.
-Eu quero isso e você nem imagina – Respondi olhando pra ela e passando a mão em seu rosto delicado – Mas você tem que estar sóbria e querer também.
-Mas eu quero - Não vou negar, aquilo mexeu comigo.
-Podemos tentar isso amanhã, com você sóbria - Sorri sem mostrar os dentes, vendo-a fazer biquinho e suspirar indo para a cama. Parecia uma criança.
Sorri vendo-a deitar toda desengonçada e apagando logo em seguida. Aquilo era um delírio coletivo, bêbada era o maior delírio coletivo na terra, ela não bebia e não podia beber, era menor de idade, faltava algumas semanas para não ser, mas mesmo assim, era menor de idade.
Cobri ela e tomei a liberdade de me deitar no sofá, não tinha o mínimo sono então peguei uma de suas folhas e comecei a desenhar aquela garota, que dormia feito um anjinho, céus, eu não sabia que era capaz de nutrir um carinho tão grande por alguém. Quando menos percebi, peguei no sono, após terminar o meu desenho, mas foi questão de minutos até eu acordar novamente assustado com a gritaria de .
Ela gritava coisas como “NÃO”, “Me largue”, “Solte-o”, “fique longe”. Me levantei rapidamente correndo até ela, que ainda dormia e se debatia na cama.
-, acorde – Pedia enquanto ela chorava – , está tudo bem, está tudo bem.
-Merck, pare – Ela chorava e eu queria chorar junto com ela, eu odiava vê-la assim.
-! - Gritei a sacudindo, a mesma abriu os olhos, assustada e chorando, não fiz menos do que lhe abraçar e tentar fazê-la se acalmar – Vai ficar tudo bem, tá tudo bem – Me sentei na cama, ainda abraçado com ela. Quando ela finalmente se acalmou, levantei-me para voltar para o sofá, mas fui impedido quando ela segurou minha mão
-Fique aqui, por favor.
Não consegui negar. Foi a primeira vez que eu apenas dormi com uma mulher, sem qualquer tipo de malícia. A minha única intenção era deixar a bem.
Aquilo me assustava.

Capítulo 26


- Você se lembra dos selvagens que atacaram o castelo no dia que Merck nos atacou? - perguntou, enquanto cavalgávamos.
- Como esquecer esse dia fatídico? - Respondi, rindo.
- Eles disseram uma coisa estranha... Na verdade, a garotinha que estava com eles disse, – Ele estava tranquilo e distraído, adorava desse jeito – Ela disse que você era a salvação deles.
- O que? - Ora, essa agora, era o que me faltava para a rainha querer minha cabeça, estar na boca dos Selvagens.
- Eles vieram por você.
- Isso é loucura, – Anchor pareceu sentir minha agitação e começou a resmungar – Por qual motivo eles viriam por mim?
- Cheguei à conclusão de que vocês lutam pela mesma coisa... Igualdade, justiça... - Respirei fundo, era muita responsabilidade, os Selvagens matam, fazem bagunça e não querem uma conversa, eu podia ir contra o sistema, mas não dessa forma.
- Por que você está me contando isso agora? - Coloquei as mãos na cintura.
- Você merecia saber – Ele deu de ombros – Fique tranquila, se um dia você se sentir à vontade de conversar com a garotinha, me avise, ela está trabalhando na cozinha... Não quis que ela voltasse para as ruas.
- , você entende que isso era o que faltava pra sua mãe usar contra mim e me fazer ser expulsa daqui? - O encarei, nervosa – “ é associada aos Selvagens” - Imitei a Rainha tirando uma gargalhada gostosa do príncipe.
- Meu pai preferiu não contar esse detalhe para ela... ela não se interessa pelos Selvagens – Ele sorriu parando seu cavalo me fazendo parar com Anchor também.
- Por que paramos? - Perguntei confusa.
- prometeu ao seu pai um encontro e pediu para que eu te trouxesse – Eu mataria aquele ridículo ao extremo.
- Por que ele mesmo não fez isso? - Perguntei e logo me arrependi, já que deu um sorrisinho safado de canto.
- Ele tinha um encontro – Revirei os olhos e segurei para não bufar – Mas não se preocupe, o encontro é com a Sam... E ele não te trouxe porque você iria bater nele. Logo vocês poderão se xingar como sempre fizeram.
- Seu irmão está em um encontro com a sua Selecionada preferida e você está calmo desse jeito? - Provoquei, rindo.
- Engano seu, minha filha, eu estou com a minha Selecionada preferida – Me encarou me fazendo sorrir.
- É uma honra ainda ser sua selecionada favorita – Sabia que ele havia dito aquilo porque nossa relação não havia mais malícia alguma e o que nos restava era apenas uma amizade, o que eu amava. era a amizade mais improvável que eu havia feito – Você é meu príncipe mais velho preferido também.
- Engraçadinha - Ele riu, olhando para trás, onde vinha Dave e mais um guarda em seus cavalos. Eu queria sair gritando feito uma louca.
- Fica – Falei entredentes para que negou com a cabeça.
- Você precisa encarar seus medos logo, quanto mais rápido você fizer, mas rápido se libertará - respondeu me fazendo quase chorar. Não queria – Dave!!!!
- , obrigado por me ajudar nisso – Dave sorriu ao chegar perto da gente.
- Fique à vontade, vou voltar ao castelo... Aproveitem o dia! - Ele sorriu e logo saiu acompanhado do guarda que veio com Dave. Dave me encarou, sorrindo.
- Pronta para uma tarde constrangedora e bem estilo Walker? - Perguntou, me fazendo rir. Eu também era uma Walker agora, era engraçado pensar nisso.
- Não, mas vamos lá - Sorri, enquanto conversávamos o básico.
Fomos cavalgando até um lugar totalmente desconhecido pra mim, era uma clareira onde também havia um lago perfeito, as árvores faziam a paisagem ficar ainda mais perfeita.
- Que lugar lindo! - Falei apaixonada por lá.
- Esse é o lugar que eu venho me esconder, ninguém conhece além de mim e seus irmãos - Concordei com a cabeça - Agora é seu também.
- Obrigada por compartilhar comigo algo tão íntimo - Desci de Anchor para colocar os pés na água - Mas você não precisa fazer isso.
- Isso o que? - Perguntou com a sobrancelha arqueada.
- Se sentir na obrigação de se aproximar de mim... Dave, você viveu por dezessete anos sem saber que tinha uma filha, eu não te culpo por isso, não precisa tentar ser um pai agora.
- , espero que você nunca mais repita isso de forma alguma – Ele segurou minha mão - Eu nunca soube que Karin havia engravidado, Merck nos pegou e ela me fez prometer que nunca mais voltaria... Foi contra a minha vontade, mas eu aceitei.
- Você ainda estava casado com a mãe de Denver e Ben? - Perguntei olhando para a água.
- Não - Ele sorriu olhando para baixo - Havíamos brigado e resolvemos nos separar, os meninos eram muito novos e eu fui para a missão em Southampton. Conheço sua mãe desde pequeno, , reencontrá-la foi um misto de emoções que não soubemos como lidar.
- Por que Ben o culpa? - O encarei, e ele balançou a cabeça.
- Já contei a história, mas ele se nega a acreditar... Denver era maiorzinho na época e se lembra, mas com a missão dele com a Lady Devimon e a falta de atenção que Ben tem nos dado, fica difícil ele tentar ajudar.
- Como Dever ficou quando você contou para ele sobre mim?
- O que você acha? - Ele riu me encarando – Ele tirou sarro, é claro. No começo ficou em choque, mas logo veio com um comentário engraçadinho e pediu detalhes sobre isso. Ele está ansioso para te encontrar logo.
- Que bom que alguém ficou feliz com isso – Sorri sem mostrar os dentes, olhando novamente para a água.
- , eu já te disse antes e vou voltar a repetir quantas vezes forem necessárias - Novamente, ele segurou minhas mãos, me olhando nos olhos – Se eu soubesse de você, eu teria voltado. Eu nunca teria deixado você sozinha. Me desculpe por não ter sido o seu pai e não ter estado presente... Ter deixado que você amadurecesse e aprendesse como a vida é difícil na prática, mas eu estou aqui agora. - Meus olhos estavam marejados, eu queria chorar tanto - Você é minha filha! Eu estou orgulhoso por você ser essa menina incrível, sua mãe fez um ótimo trabalho. Eu estou aqui e isso nunca vai mudar. Confie em mim.
- Eu estou feliz por ter um pai tão legal – Falei secando uma lágrima enquanto ele sorriu e me puxou para um abraço.
Logo após, ele me orientou a subirmos de volta nos cavalos e irmos para o outro lado do lago onde tinha uma casinha, que me deixou surpresa por ser afastada do castelo, Dave começa a me contar e me mostrar essas coisas, o que me fazia ficar mais à vontade com a minha nova fase, era necessário voltar para a minha nova realidade. Eu tinha um pai. Um cara incrível e que faria de tudo por mim. No final das contas, Deus existia mesmo, me tirou uma pessoa ruim e me mandou uma que era justa e boa. A casinha era marrom e não muito grande, para não chamar a atenção caso alguém ousasse transitar por ali. As janelas eram escuras e não dava para ver o que tinha lá dentro.
- Vai sair a Branca de neve daí de dentro? - Brinquei, fazendo me chamar de “Engraçadinha” e ficando sério logo depois me mandando ficar quieta pois havia algo errado, meu coração só faltou sair de dentro de mim. Escutamos um barulho de pratos caindo lá dentro, Dave sacou sua arma e me mandou ficar atrás dele enquanto contava até três para entrar com tudo na casa. O mais cômico foi a cena.
- CARALHO PAI – Era Denver. Eu comecei a rir
- PUTA QUE PARIU – Era Ben.
- O QUE VOCÊS PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO? - Dave gritou, vendo as panelas no chão e os dois sujos de farinha.
- Uma surpresa, nos contou de sua ideia e falou para nos juntarmos – Denver sorriu, vindo em minha direção - Olá minha pequena Walker, seja bem vinda a família.
- Não imaginava que nos reencontraríamos dessa forma – O abracei, sorrindo.
- Cara, ainda bem que não crescemos juntos, você seria ainda mais marrenta do que já é - Denver olhou para Dave, que concordou com a cabeça - Eu deveria ter reconhecido o soco... O soco de um Walker é digno de quebrar alguma coisa mesmo...
- O seu nariz ficou bonito depois do meu soco – Respondi lhe dando um empurrãozinho vendo o mesmo sorrir me abraçando de lado. Foi quando olhamos para Ben, que estava olhando a cena toda - Não tem nada para dizer, Benjamin?
- Oi, – Sorri sem mostrar os dentes - Peço desculpas pela maneira que lidei com a situação, você não merecia ser tratada daquele jeito e precisava de mim mais do que nunca, eu fui um egoísta.
- Foi mesmo – Falei, com o rancor na voz – Eu entendo que foi algo devastador, mas eu sofri mais uma tentativa de estupro do meu padrasto, ele tentou matar você, e Dave... Ele foi morto na minha frente e eu tenho sequelas disso até hoje, descobri quem é o meu pai e de quebra, meus irmãos... a rainha quer me eliminar de qualquer forma, sou uma das selecionadas mais odiadas aqui e lá fora e tudo que eu mais precisava era do meu amigo que esteve comigo desde o começo. - Coloquei tudo pra fora, como Erikah havia mandado.
- Eu fui um péssimo amigo – Ele sorriu sem mostrar os dentes – E um péssimo irmão - Encarei ele, surpresa – Sinto muito. Espero que me perdoe. Eu estou aqui pra você - Recebi seu abraço com lágrimas nos olhos, novamente.
- Estamos aqui pra você, – Denver abraçou nós dois e logo depois senti Dave nos abraçando.
Foi ali que eu me senti pela primeira vez, em casa.
Foi uma tarde muito agradável com uma comida péssima, meus irmãos eram péssimos na cozinha e eu nunca mais iria permitir que eles fizessem a comida quando eu estivesse presente, a intoxicação alimentar vem fortíssima e eu não estava pronta pra mais uma noite com o Dr. Poirot. Ri muito com Dave, ele não era sério e bravo como demonstrava, muito pelo contrário, o nosso senso de humor amargo vinha diretamente dele, que era um palhaço. Ben finalmente havia voltado ao seu normal e eu estava mais do que feliz com isso. Denver era o cara mais incrível que eu podia ter na vida. Ganhei três homens incríveis e estava feliz demais para não comemorar.
A parte triste era não poder contar para ninguém esse segredo, afinal de contas, o Rei não cumpriu a lei de traição e deixou passar, caso isso caísse na boca do povo, iria ser horrível, cabeças iriam rolar. Os meninos haviam proibido qualquer notícia que se tratasse de mim ou de Dave, se acontecesse, era sinal de punição séria, como a demissão.
Teríamos que ser discretos e não havia lugar melhor para estar.
- E já está tudo pronto para receber Agartha? - Dave perguntou pra mim, enquanto tomávamos um gole do suco que Ben havia preparado.
- Eu preciso entregar os ajustes da programação hoje antes das nove da noite, afinal, amanhã Agartha já chega. - Eu nem acreditava que havia passado tão rápido essa semana e amanhã pelo período do almoço Agartha chegaria, já o lorde Iver iria chegar amanhã cedo e aconteceria a cerimônia de mais um batismo, o oficial. O castelo estava uma correria – Teremos um final de semana cheio.
- Vocês vão dar conta – Denver sorriu – Afinal, você está nas organizações da programação real, vai ser perfeito.
- Isso se eu não surtar antes – Ri passando a mão no cabelo – Ainda bem que Beth e Sam estão comigo e trabalhamos bem juntas. Elas têm me dado a maior força depois do que aconteceu...
- Eu queria ter ajudado – Benjamin fez uma cara triste, me fazendo lhe dar um peteleco na testa – Mas amanhã também tem a proposta de intervenção no Time Aykroyd, né?
- Isso me dá dor de barriga só de imaginar – Fingi que ia vomitar, fazendo eles rirem – Minha proposta está pronta, ou irei ser mais odiada ou irão me amar.
- Tenho certeza que sua proposta é algo que engloba a minoria, o povo vai te amar, já a rainha... - Denver fez uma cara de “Não” - Mas o importante são os príncipes que não querem deixar você ir. Ben, você tem noção que agora teremos que colocar aquelas maricas na parede para não magoarem a ? Estarei ameaçando a coroa, posso ser preso.
- Eu já ameacei – Dave deu uma piscadinha, me fazendo sorrir - Não que precise de defesa, ela se deu muito bem sem a gente.
- Eu coloco aqueles burguesinhas no devido lugar – Falei dando de ombros - Ninguém me faz de palhaça, meninos, entendam isso.
- Com certeza uma Walker – Denver e Ben falaram juntos, me fazendo rir.
Depois de algumas horas, Dave preferiu que voltássemos ao castelo, afinal, já estava escurecendo e era perigoso para nós, fora que eu precisava entregar os ajustes antes das nove, amanhã o dia seria intenso. Foi uma competição de corrida de cavalos até o castelo, com Dave nos xingando ao fundo para irmos devagar e principalmente por eu estar com Anchor, a égua dissimulada de .
Chegando ao castelo, foi muito triste ter que voltar novamente para minha realidade. Me despedi de Dave e de Denver, já que Ben iria voltar ao posto dele, eu iria ter meu amigo de volta. E aos poucos, tudo iria se acertar.
- Céus, você não imagina como foi horrível ter Kendrick na minha porta, eu tinha medo de que ele entrasse na madrugada e me matasse – Falei para ele, que ria do meu exagero.
- Mas eu fiquei sabendo que você não ficou desamparada – Me encarou com a sobrancelha arqueada – Todo dia uma visita diferente, como você pode dizer que não é mais a favorita?
- Você sabe que é a obrigação deles cuidar de uma selecionada.
- Não desse jeito – Ele revirou os olhos – dormiu no seu quarto, NA SUA CAMA.
- Pra quem não queria saber de mim, você até que sabe de muita coisa – Lhe dei um tapa.
- Eu queria saber das coisas importantes – Ele sorriu sem mostrar os dentes.
- está se mostrando um cara muito cuidadoso, ele tem sido muito presente e preocupado com a minha saúde mental – Suspirei enquanto entrávamos no castelo – Mas e também tem sido muito fofos comigo, só que ... É o mais interessado na minha recuperação cem por cento, e o pior, eu só o trato mal – Falei culpada e Ben balançou a cabeça, sorrindo.
- Ele sempre gostou mais do que ele não pode ter – Fiquei sem entender - Você é o desafio dele, como assim uma garota não caiu nos encantos de Aykroyd? Ele vai tentar de qualquer forma te conquistar.
- Difícil - Respondi, tentando ao máximo fingir que não me importava. Eu me importava.
Fui até o meu quarto onde tinha todas as listas das meninas em cima da minha cama e tratei logo de me apressar, não queria ser um empecilho. Depois de uma hora terminei tudo e fui atrás de Beth e Sam para irmos juntas até Robin para entregarmos o planejamento. Foram minutos tensos para nós, já que estávamos nervosas porquê tudo deveria sair perfeito nesses cinco dias em que eles ficariam aqui. Cinquenta por cento estava em nossas mãos. Robin parecia um pouco cansada quando chegamos em seu quarto, aquilo me deixou um pouco assustada, ela não parecia bem nas últimas semanas. Ela não me escaparia de uma conversa assim que tudo passasse. Ela ficou feliz com o resultado final e nos desejou boa sorte e pediu para descansarmos.
- Por onde você andou? - Beth perguntou depois que deixamos Robin.
- Tinha umas coisas pendentes – Falei olhando para baixo.
- A tarde inteira? - Sam perguntou sorrindo desconfiada – Eu sei que você saiu para cavalgar com , mas ele retornou sem você.
- Estava com a Dra. Erikah – Menti, torcendo para que ela parasse de falar.
- Sabe o que eu queria falar pra vocês? - Sam perguntou, sorrindo – Sair com é legal e tal, acho ele um fofo e super engraçado, fora que é um ogro daquele que a gente com certeza se apaixonaria de estivéssemos em um livro..., mas, ele só falou da o encontro todo.
- E você não falou de o encontro todo? - Beth perguntou, tirando sarro.
- Falei – Ela revirou os olhos – Mas o importante é que gosta da .
- Eu acho que serei uma das eliminadas depois que analisarem Agartha – Beth falou meio triste e me fez lhe dar um tapa em seu braço.
- Não fale isso nem de brincadeira! Você é uma das preferidas do público - Falei, inconformada.
- Mas não sou a dos príncipes - Ela riu me fazendo encarar Sam, que havia revirado os olhos – Veja, te adora, Sam. é louco pela , só ele e ela ainda não percebeu isso... , bem, estão atirando para todas as selecionadas e não mira em mim quase nunca, ele prefere a Courtney.
- Você está se precipitando, não gosta de mim – Comecei a falar vendo as duas caírem na gargalhada – está conhecendo todas e eu tenho certeza que ele, e acham você super interessante.
- Achar quem interessante? - Ben surgiu do nada atrás da gente, nos fazendo dar um pulo de susto.
- A Beth – Sam respondeu fazendo Beth amaldiçoá-la.
- Eu acho você interessante – Ben cafajeste, respondeu fazendo Beth corar e eu colocar a mão na cintura.
- Obrigada, Ben – Beth respondeu, sorrindo tímida.
Logo após isso, resolvemos ir jantar, eu fiz uma nota mental de matar Benjamin por ter dado em cima de uma selecionada na cara dura, aquilo era loucura. O jantar seguiu calmo com todas as garotas mais tensas e com a realeza bem a nossa frente, quietos e sem muito papo. Os meninos mais quietos que o normal.
me encarou e sorriu sem mostrar os dentes, tentando ver se estava tudo bem entre a gente e eu retribui, arqueei a sobrancelha como um sinal para conversarmos depois e ele fez que sim com a cabeça. Terminamos o jantar e fomos cada uma para seus devidos quartos.
Demorou algumas horas para finalmente aparecer, assim que ele entrou no quarto, se jogou na cama totalmente cansado, me fazendo rir dos grunhidos nervosos dele.
- O que houve? - Perguntei, me sentando na cama.
- Se você não tivesse brigado comigo, a gente teria conversado e você saberia que... - Encarei ele esperando que ele falasse logo – Vou convencer o Rei Alan a aceitar o acordo.
- – Falei animada abraçando-o - Céus, que felicidade! Parabéns, seu pai deve estar super feliz.
- Minha mãe quer a morte – Ele riu se virando pra mim – Meu pai confia em mim e claro, devo agradecer totalmente meus irmãos por abdicarem essa missão por mim.
- Concordamos que você é o mais apto para a Coroa – Sorri passando as mãos em seu cabelo – Estou orgulhosa.
- Eu vi a programação, vocês também estão muito bem – Ele sorriu.
- Estou nervosa, mas daremos conta... Beth é incrível.
- Bethany é muito legal – Ele comentou.
- Você tem que sair com ela mais vezes, ela se sente excluída - Falei como quem não quer nada.
- Damos atenção para todas vocês - Ele respondeu com uma expressão duvidosa – Mas vou dar mais atenção pra ela, acredito que não fui tão presente para ela.
- Seria muito bom – Me deitei ao lado dele olhando pra cima. Senti que ele estava me encarando e me virei pra ele, rindo – O que foi?
- É muito bom ver você bem de novo.
- É muito bom estar bem de novo – Sorri sem mostrar os dentes - Perdão por ter sido uma megera nesses últimos dias,
- Você tinha motivos... - Ele riu – E está tudo bem.
Passamos mais alguns minutos conversando e foi bom, ver que estávamos bem de novo. Até ficarmos em silêncio olhando um para a cara do outro e começar a se aproximar de mim. Seria bom relembrar a última vez... Fomos interrompidos por um barulho na sacada, olhei assustada e vi . Meu coração parou.
- Invade o quarto das selecionadas pela sacada, irmão? - perguntou se levantando da cama.
- E você as leva pra cama? - , com deboche, respondeu olhando pra ele.
- Você que faz isso – arqueou a sobrancelha – O que você está fazendo aqui?
- Isso não lhe interessa, meu querido irmãozinho, mas quando eu quiser te contar, lhe falarei – sorriu e depois me encarou – Mas, peço desculpas por ter atrapalhado.
- Você não... - Comecei a falar e parei assim que me encarou, bravo – Pra fora!
- O que? - Os dois perguntaram juntos
- Pra fora! Os dois! - Respondi apontando pra porta – Eu não sou obrigada a suportar toda essa masculinidade tóxica de vocês, façam isso longe de mim.
- ! - falou sem entender.
- Você me julgou tanto e olha só o que está fazendo... - , visivelmente chateado, falou, me deixando extremamente ofendida.
- , você não me compara com as suas atitudes nojentas – Falei entredentes, extremamente brava.
- Não fique ofendida, é normal pagarmos a língua - Ele sorriu, sarcástico.
- Você fala isso porque NUNCA vai mudar e se sente desconfortável quando sente na pele os seus atos.
- E você está amando isso tudo.
- SAIAM DAQUI AGORA! - Gritei, apontando pra porta. Rapidamente Denver e Ben entraram no quarto, não estava entendendo nada e estava vermelho.
- O que está acontecendo aqui? - Denver perguntou, completamente sem entender nada.
- Sua irmã, mostrando quem é - falou e saiu do quarto pela sacada, encarou o irmão saindo, olhou para mim decepcionado e saiu do quarto pela porta. Eu queria chorar de tanto ódio, conseguia me tirar do sério de uma maneira incrível.
- estava na minha cama, a gente quase se beijou e apareceu bem na hora – Expliquei enquanto andava de um lado para o outro – E surtou, é um babaca.
- Vocês estavam indo tão bem – Denver balançou a cabeça.
- Não tem como nos darmos bem, ele sempre vai ser o príncipe mimado. - Falei com certa tristeza na voz, aquilo me magoava mais do que eu imaginava.

Capítulo 27

- Em posição - Dave gritou e todos presentes se ajeitaram em seus devidos lugares. Os instrumentos começaram a fazer seus devidos sons e meu sorriso saiu assim que vi Lord Iver entrando com sua linda família. O pequeno Tony estava totalmente animado com a bagunça organizada toda, estava feliz por vê-los novamente. Os conheci em uma tarde que a família apareceu de surpresa no castelo e foram muito acolhedores comigo e até me deixaram ficar um pouco com Tony, que era difícil de ficar em colos diferentes.
A família Real recebeu Lord Iver que foi muito educado junto com a Lady Penny e seu filho mais velho, Hayden. Foram para uma das salas destinadas para eles enquanto nós nos mantivemos em posição já que logo Agartha chegaria. Meu coração só faltava sair pela boca.
- Você está perfeita, ! - Sam passou as mãos em meus ombros, observando meu vestido que era um pouco mais curto na frente e longo atrás, em um tom nude. As minhas damas arrasaram, mais uma vez.
- Você está linda também, Sam – Sorri admirando seu vestido verde longo, combinava com ela. - Estou ansiosa. Hoje vamos nos apresentar para o país todo e Agartha vai estar presente.
- , sei que você vai se sair bem. É impossível não gostar de você - Beth e eu a encaramos juntas com a sobrancelha arqueada – Certo... Há quem não goste, mas o importante é que você é incrível e pelo que li sobre Agartha, eles têm os mesmos pensamentos que você, pelo menos seguem uma de suas linhas.
- Fica nervosa pela competição de dança amanhã, imagina você ser a companheira de dança do Rei Alan e ele não querer mais o acordo com a gente porque se sentiu ofendido com uma pé de pato como você - Beth falou, me fazendo gargalhar e lhe dar um empurrãozinho. Com total certeza aquela deveria ser a minha maior preocupação. Se eu fosse a pior dançarina, com certeza eu teria que dançar com o Rei Alan, já que os Príncipes aceitaram essa proposta e esse seria terrível para mim. Imagine só, fazer Agartha desistir de Avallon? POR UNS PISÕES NO PÉ?
- EM POSIÇÃO - Dave gritou novamente, nos fazendo dar um pulinho e rapidamente a família Real junto com o Lorde Iver com sua família se juntaram com a gente. Os tambores rufaram. A porta se abriu e pudemos ver uma fila gigantesca de carros chegando ao castelo. Olhei sem querer para que assim como eu, bufou, revirou o olho e mudou o olhar, ambos estávamos bravos um com o outro, e não seria eu quem iria ceder. deu um sorrisinho sem mostrar os dentes e voltou sua atenção para Agartha. estava sério, nem sequer olhou para mim.
Olhei para a porta e lá estava um monte de guardas com os uniformes verde escuro misturado com amarelo, a cor da bandeira Agarthana, se misturava com o nosso preto, branco e vermelho. Logo atrás deles, vinha um bando de homens de terno, os quais deduzi que eram membros de sua corte junto com suas mulheres. Depois três homens cercando um homem alto, jovem, sério, forte, fardado de uma roupa dourada, várias medalhas juntamente com uma coroa extremamente elegante e extremamente bonito. Aquilo foi muito interessante, nossa imaginação sobre rei Alan era um velho barrigudo igual ao pai, mas na realidade ele era moreno dos olhos verdes com um sorriso de fazer tremer as pernas, foi essa minha conclusão após ele sorrir ao se curvar para a coroa Avallonesa.
E não era só eu que estava com esse pensamento, as outras selecionadas estavam ainda mais chocadas que eu. O olhar de Beth para mim comprovava aquilo. Nos curvamos para o Rei Alan quando ele se virou para nós, e logo ele se retirou junto com a família real, não pude evitar olhar para os meninos, eles não estavam muito contentes com a reação que tivemos.
Esperamos que o rei Alan junto com seus conselheiros se retirasse para irmos ao salão principal onde aconteceria a recepção de Agartha e cerimônia de Tony, aconteceria após a breve reunião que eles teriam. As mulheres dos membros do Conselho deles junto com outras pessoas, como Lordes, damas, marqueses, duques e afins...
- É uma honra recebê-los aqui. – Tess começou a dizer assim que tomou a atenção de todos para os que ficaram ali.
- Convidamos todos vocês para uma breve cerimônia para o afilhado do Rei Roger, o pequeno Tony completa mais um mês e iríamos ficar muito gratos se vocês participassem – Waine completou, sorrindo.
- Logo após a cerimônia, também organizamos uma recepção para vocês, no Salão principal, estamos muito contentes com a presença de cada um e faremos o máximo para deixarmos vocês a vontade – Kim sorriu, fazendo os convidados ficarem animados – Nos acompanhem, por favor.
As meninas trataram logo de conversar com algumas pessoas enquanto iam para o salão principal, mas foi o tempo que eu consegui fugir da situação toda e correr para o meu quarto para pegar um presentinho que eu mesma havia feito para Tony, um cachorrinho de pelúcia, com a ajuda de Olivia e um presente para Hayden, que eu havia comprado. Voltei correndo para a Catedral de Avallon e já estavam todos em posições, recebi um olhar de reprovação vindo de Robin, até mesmo Kim e Tess queriam me matar. Fui para o meu lugar e esperei o hino de Avallon começar a tocar e os príncipes entrarem junto com seus pais, logo atrás o Rei Alan que mantinha a expressão séria e muito me surpreendia que ele não tivesse alguém ao seu lado. A melhor parte era o pequeno Hayden entrando na frente segurando seu irmão, Tony, que sorria com a presença daquela gente toda, logo atrás Lady Penny vinha chorando junto com Lord Iver, que sorria olhando os filhos, ao chegarem até Rei Roger, que estava com os olhos marejados, pegou Tony nos braços e o levou até o Papa, que começou a cerimônia.
Foi emocionante e ao final de tudo, pude ver que a Rainha não era tão megera 100% do tempo, ela chorou a cerimônia toda e vi em seus olhos o amor que ela sentia por Tony, mas logo a expressão mudou e voltou para a elegante Leigh-Anne. O Papa terminou de abençoar o pequeno Tony e logo o Rei Roger o levantou-o e começamos a aplaudir. Não era o certo, mas algum membro da corte Agarthana começou e apenas acompanhamos.
As meninas voltaram a dar suas instruções e logo a Catedral foi se esvaziando, com todos os presentes indo para a Recepção, no Salão principal. Esperei que a galera se dissipasse para que eu, enfim, pudesse ter o mínimo de contato com lorde Iver e sua família, que conversavam com os três príncipes juntamente com Rei Alan. Não era apropriado que eu me aproximasse sem ser convidada, então tratei logo de ir para meu destino e depois entregaria os presentes, mas foi em vão, pois assim que Hayden me viu, correu para me abraçar, chamando a atenção de todos daquela rodinha para mim
- Hayden – Ri passando a mão em sua cabeça quase caindo com ele abraçando minhas pernas.
- , senti sua falta, sabia? - Ele disse, fazendo um biquinho – Você nem apareceu direito na tevê para eu ver você...
- Você cresceu bastante nesse tempo, né? - Sorri bagunçando o seu cabelo preto – Prometo não sumir das suas vistas. - Mostrei um pacotinho de presente pra ele, que continha um livro de histórias, ele amava ler, segundo – Espero que aceite meu pedido de desculpa.
- Você é demais, – Ele falou animado, me abraçando e se sentando no chão para começar a leitura de seu presente, olhei para frente e todos me encaravam, logo fiz minha reverencia, afinal, estava na frente de vários líderes. Lady Penny rapidamente, com sua elegância e beleza caminhou até mim sorrindo e me dando um abraço.
- Que bom finalmente te ver bem, – Ela falou assim que me soltou - Não posso nem imaginar o quanto você sofreu...
- Estou me recuperando – Falei, sem jeito – Mas fui muito bem cuidada graças ao Rei Roger e os meninos, eles não me deixaram em paz um minuto se quer – Ri os fazendo rirem comigo.
- E farei muito mais se necessário, você é muito querida por nós - Rei Roger sorriu, fazendo a mulher revirar os olhos.
- Não precisava ter feito essa gentileza – Lord Iver falou apontando para Hayden.
- Não se preocupe, Hayden lembra meu irmão... Incentivar a leitura para as crianças é muito importante – Todos ali concordaram comigo, Tony estava no colo da rainha, mas quando prestou atenção em mim começou a apontar e querer vir no meu colo, um escândalo infantil real, eu diria.
- Acho que ele quer você - Rei Alan falou, pela primeira vez, me fazendo gelar e olhar para os meninos, deu de ombros, se quer me encarava, eu também não queria a opinião dele e tratou logo de dizer “Pequeno Tony não perde a oportunidade de ir para o colo de mulheres bonitas”, o que tirou risada de todos.
- Leigh, acho melhor você entregar Tony para , antes que ele vá parar nas manchetes – Penny riu fazendo a rainha me fuzilar, mas fingir que estava tudo bem, dando uma risada falsa e logo me entregar a criança - Céus, eu não me conformo com a forma que Tony gosta tanto de , ele não vai no colo de ninguém.
- E eu não tenho jeito nenhum com crianças - Ri sem jeito, brincando com Tony, que puxava meu cabelo dando uma gargalhada.
- As crianças parecem gostar muito de você - Lord Iver abraçou a esposa, que sorria pegando a pelúcia de minhas mãos.
- , você que fez? - perguntou, sorrindo.
- Com a ajuda de Olivia, ela é um anjo na minha vida – Todos pareciam chocados com a pelúcia que havia feito e eu estava levemente ofendida por não acreditarem que eu usei uma agulha sem causar um acidente.
- Conseguiu ter tempo para isso em meio a tantas obrigações? - perguntou chocado e tratou logo de explicar para Rei Alan o tanto de coisa que as selecionadas tiveram que fazer nessas duas semanas.
- Inclusive, vocês deveriam estar na recepção pensada com muito cuidado e trabalho – Arqueei a sobrancelha e eles riram.
- Tem razão, senhorita...?
- – Sorri fazendo novamente uma reverencia e me virando para Lady Penny que observava a cena completamente atenta – Se quiser, posso levar os meninos comigo para o Salão principal e ficar com eles um pouco.
- Por que você sempre quer... - A rainha começou a falar, mas logo mudou o tom de voz quando todos encararam ela, inclusive o Rei Alan – Acho que seria ótimo para vocês dois ficarem sozinhos um pouco... Acredito que cuidará muito bem dos meninos.
- Magina, querida – Lady Penny passou a mão em meus cabelos - Agradeço por sua gentileza, mas isso servirá de ataque contra você perante suas concorrentes... Não gosto de imaginar você sendo atacada por estar sendo você.
- Eu estou acostumada com os ataques – Eles riram balançando a cabeça - Minha oferta ainda está de pé.
- Eu adoraria, os meninos te adoram – Lord Iver disse me fazendo sorrir – Mas também prefiro preservar a sua imagem, as garotas podem te atacar com isso. Lá na recepção você pode ficar com os meninos.
- Vou ficar muito feliz com isso – Entreguei Tony para Lord Iver e fiz minha reverencia – Tenham uma boa festa, foi tudo muito bem feito – Comecei a andar para fora da igreja e dei de cara com Ben me esperando com cara feia – Por que você sempre tem que ser a última? Deus, por que eu não posso ter uma selecionada normal?
- Cala a boca – Ri lhe dando um empurrãozinho - Hayden e Tony são tudo pra mim.
- Você... NÃO - Ben arregalou os olhos me fazendo sorrir culpada - VOCÊ ESTAVA ESSE TEMPO TODO NA REUNIÃOZINHA FAMILIAR COM OS AYKROYD?
- Hayden é o culpado – Meu irmão passou a mão no rosto, chocado.
- Você, definitivamente, é a pior selecionada de todos os tempos.

§


- Eu posso saber que showzinho foi aquele na frente do Rei Alan? - Obviamente, a Rainha tinha que vir me atacar em algum momento, muito me surpreendia que tivesse sido em público. Mas a elegância dela não demonstrava que aquilo era um ataque, eu não iria me rebaixar e fazer o que ela queria, que eu perdesse a pose.
- Majestade – Sorri tomando um gole do meu vinho – A senhora não está bebendo?
- Está cedo para beber e definitivamente você também não deveria – Ela tomou a taça de minha mão delicadamente bebendo do meu copo.
- Agradeço a sua preocupação - Falei, com sarcasmo na voz.
- Escute aqui, garota - Ela se virou para mim – Estou cansada de você e do seu showzinho, você com esse teatrinho barato pode enganar meus cunhados, meus filhos, o rei de Agartha e até mesmo o tolo de meu marido, mas não a mim.
- Majestade, não sei porque essa insistência em dizer que eu sou uma ameaça e que faço essa cena toda – Comecei a falar, despreocupada – Diante a tudo que fiz e a tudo que eu faço, eu já deveria estar fora daqui. Não faço nada que me ajude a ficar na Seleção. Seus filhos me querem aqui e quem tem que aprender a lidar com isso é você - Os olhos dela se encheram de ódio e eu mordi um salgadinho que um garçom ofereceu – Mas fico feliz por você achar que eu tenho talento o suficiente para atuar, sua indicação iria me abrir várias portas.
- Você é tão petulante – Ela disse entredentes quase perdendo seu charme de boazinha – O melhor de tudo é que você vai se destruir sozinha.
- Quando isso acontecer, sairei de cabeça erguida – Arrumei a postura – Por mais que você não acredite, eu gosto dos seus filhos.
- Você é apenas mais uma garota pobre do interior...
- Você não era uma também? - Ela se calou me fuzilando – Tenho muito orgulho de quem eu sou... Isso me torna uma pessoa completamente diferente de você, que é rude, mesquinha e má, peço todos os dias para não me tornar como você um dia.
- Certo... O que uma das mulheres mais incríveis desse salão fazem sozinhas? - chegou junto com o Rei Alan, ambos carregando uma taça de vinho .
- Conversando com sobre como foram os dias pós o trauma – Leigh-Anne falou, sorridente.
- Muito legal a preocupação de vocês com as Selecionadas – Alan falou, sorrindo e olhando em volta – Meus acompanhantes estão amando, todos aqui são muito educados e simpáticos.
- Que bom, espero que a estadia seja gratificante. - Leigh-Anne respondeu, simpática, me fazendo revirar os olhos. Megera – Vou ver se Kim ou Tess precisam de ajuda, fiquem à vontade – Me largando com os dois, com o Rei Alan eu sabia como me resolver, agora com , a minha vontade era de jogar aquele vinho todo na cara dele.
- O que? - Perguntei, com um tom de irritação na voz ao ver me encarando.
- Rei Alan, em seu país as garotas costumam ser tão grossas com você? - perguntou fazendo o mesmo rir balançando a cabeça e me encarando.
- Não, mas sinto falta de alguém me colocando no meu lugar – Sorri com deboche para , que revirou os olhos, rindo.
- Pelo menos um monarca sensato por aqui – Sorri novamente e revirei os olhos quando olhei para – Se Vossa Alteza me der licença, tenho que me retirar e...
- Espere, qual é a programação de hoje? - segurou delicadamente minha mão e eu o encarei sem entender, ele estava bravo e me tratando mal o dia todo e agora isso?
- Robin pode te responder isso e se me lembro bem, você recebeu sua lista – Arqueei a sobrancelha me soltando de suas mãos, só que vi que Alan ainda estava atento nos encarando - Terá o almoço e logo após um tempo para todos de Agartha se ajeitarem. Mais a noite o Time Aykroyd com as propostas de Intervenção, espero que tenha lhe ajudado, alteza. - Fiz uma reverência com a cabeça - Precisa de mais alguma coisa?
- Estou curioso para saber qual será sua proposta para a Intervenção, ... Estive estudando muito todas as Selecionadas e o castelo no geral, você é uma peça interessante por aqui – Rei Alan falou antes de eu me retirar e riu pelo nariz – Posso esperar uma apresentação de tirar o folego hoje?
- De tirar o folego e cair os cabelos da minha mãe - Ele respondeu por mim, me fazendo novamente fazer a reverencia e me retirar por completo. Aquilo só podia ser brincadeira, eu fui notada pela realeza Agathana e isso deveria ser completamente ruim. Eu queria correr para Dave e contar o que acabara de acontecer e pedir sua ajuda, mas não era possível, eu precisava lidar com aquilo sozinha. Eu iria continuar com a minha proposta e não me importo mais com o que iria acontecer depois daquilo, afinal, eu havia quebrado o protocolo respondendo a rainha e desrespeitando um herdeiro na frente do Rei de Agatha, eu não poderia evitar um desastre que já estava feito.
Como programado, me retirei e fui terminar meu projeto de intervenção e logo após parti para o almoço, que eu nunca tinha visto aquele salão tão cheio. Uma mesa gigante cheia de comida com mais de cinquenta pessoas e outra do mesmo jeito, Robin colocou nomes nos lugares das mesas e como consequência, fiquei separada de qualquer conhecido, assim como as meninas, que pareciam ter odiado aquilo tanto como eu.
Havia ficado entre um senhor, chamado Muscle e uma senhora chamada Suzie, eles eram de Agartha. Fiquei tão aliviada por ter tido a capacidade de conseguir ter um diálogo com eles, o mais engraçado era que ambos se odiavam, eu estava no meio de um fogo cruzado e estava amando.
- Meu filho é o Duque Mirre – Ele falou sorrindo, apontando para o filho, que estava mais distante da gente ao lado de sua esposa.
- A minha filha é a Duquesa Flora – Apontou para a mulher ao lado do Duque Mirre.
- Que legal, vocês praticamente são da mesma família - Falei admirada.
- Infelizmente, minha filha... Flora poderia ter escolhido um homem de outra família.
- Ei! - Muscle levantou o dedo – Eu não sei como a linda e educada Flora pode ser sua filha, tenho certeza que houve uma troca na maternidade.
- Mirre que teve a sorte de não puxar um drácula igual a você - Ela deu de ombros bebendo o vinho.
- Não acredito que terei que ficar numa mesa ao seu lado, mais de cem pessoas nesse salão e eu tive o azar de ficar aqui – Ele passou a mão no rosto, inconformado – Ainda bem que tenho essa bela moça para me distrair de você.
- Ora essa, velho, você acha mesmo que a sua presença insignificante irá estragar toda a minha estadia nesse castelo maravilhoso? - Suzie, toda elegante riu com a cabeça para trás - Infelizmente somos uma família e eu prezo por ela, como uma boa Agarthana, faça o mesmo, estamos ligados. Eu sou grata por você.
- Eu sou grato por você - Muscle respondeu, suspirando.
Eles me explicaram depois de um tempo o quão eles prezavam pela família e por parceria, se alguém fizesse algo por você, eles eram gratos pelo resto da vida. No caso de Suzie e Muscle, ambos eram gratos um pelo outro pelos filhos estarem felizes em um casamento, por mais que se odiassem. Assim então, formando essa estranha família que só brigava. Foi gratificante poder ter, em pouco tempo, ter aprendido algumas coisas como a gratidão, algo que definitivamente estava distante em Avallon.
- Agora vocês vão ser levados aos seus respectivos quartos, vão ter um tempinho para se acomodar e descansar um pouco, creio que as horas de viagem foram cansativas – Falei para as pessoas da minha parte da mesa assim que me levantei quando o almoço terminou – Qualquer dúvida, um guarda ou um funcionário poderá responder, ou até mesmo nós da Seleção. Mais para o começo da noite, irão levá-los para o estúdio do castelo, onde vocês poderão assistir ao Time Aykroyd e depois o jantar, essa é a programação de hoje
- Muito obrigada, meu bem – Suzie se levantou me dando um beijo no rosto, eu me assustei com aquela atitude, mas entendi que era comum entre eles.
Aos poucos, eles foram se retirando e formando uma aglomeração desnecessária na porta do salão, eu estava me retirando também, mas fiquei para ajudar algumas funcionárias que estavam desesperadas com tanta gente. Quando percebi o desespero deles resolvi tomar a voz
- Senhores – Falei sem muito sucesso, olhei para um lado onde Beth estava desesperada com a bagunça, olhei para uma taça de vinho na mesa e uma colher, ela entendeu o que eu queria fazer. Subi na cadeira e bati na taça junto com Beth, chamando a atenção de todos e recebendo o silêncio - Peço desculpas por essa bagunça, organizamos uma lista para os quartos também, no corredor de vocês terá sempre algum funcionário para ajudá-los, inclusive, o nome de cada um está em uma porta do quarto. As pessoas do lado esquerdo da primeira mesa, sigam o guarda Kendrick, isso mesmo, esse cara com rosto de poucos amigos – Apontei para Kendrick, tirando risada de todos os presentes e uma cara feia do guarda, que em alguns segundos foi se retirando com sua pequena grande multidão.
- As pessoas do lado direito da primeira mesa, sigam o guarda Benjamin, esse rapaz com cara de bobão - o mesmo aconteceu com ele, metade das pessoas haviam se retirado – Agora, meus companheiros da segunda mesa... Esse é o guarda Denver, a mesma coisa, pessoas que estavam do lado esquerdo da mesa, podem segui-lo. - Observei mais uma leva de pessoas se retirando.
- Agora vocês, que estavam do lado direito, podem seguir o guarda Folkes... Lembrem-se, qualquer dúvida pode chamar alguém. - Beth falou sorrindo.
Olhei para Beth que havia ficado chocada com a situação, éramos as únicas selecionadas ali, as outras saíram sem se quer esperarem, aquilo era trabalho de Kim, Tess e Waine, por sorte eu e Beth lidamos com a situação. Eu mataria as três. Beth me cutucou quando percebeu que a corte real ainda permanecia em sua mesa, todos nos encarando, pedi desculpas e desci da mesa saindo quase correndo do Salão, puxei Beth comigo. Sorte que Robin estava nas divisões dos quartos e não viu esse desastre. Eu, com certeza iria apanhar dela.
Fui para o meu quarto e me preparei para o Time Aykroyd, e a hora não passava, eu estava nervosa e irritada, precisava de distração e tocar me deixava calma, eu precisava de um piano imediatamente, era impossível eu conseguir um naquele momento. Pensei então, por que não o piano da sala de música? Todos estavam em seus quartos, ninguém iria para lá. Fugi de minhas damas enquanto elas terminavam meu vestido para aquela noite e fui fala o Salão musical. O piano era, de fato, o mais bonito dos sons, eu amava e agradecia a senhorinha que me ensinou francês a tocar também piano, não como uma profissional como ela, mas eu era grata por saber o que sabia. Comecei a brincar com as teclas até resolver tocar uma melodia que não saia de minha cabeça e cantarolar ela também.
- Não pare! - Ouvi uma voz pouco conhecida, era Rei Alan junto com , e - Céus, eu amo essa música e no piano ela fica ainda mais bonita.
- Majestades – Falei assustada assim que olhei para os quatro, completamente envergonhada. - Desculpa, eu achei que ninguém viria pra cá e...
- Estávamos apresentando o castelo para Alan – sorriu se aproximando de mim – Ouvimos o piano e alguém cantando, viemos bisbilhotar e é claro que tinha que ser você.
- É que...
- Música te acalma, eu sei – Ele passou a mão no meu cabelo e depois voltou a compostura.
- Sabia que você tocava, mas não sabia que era tão bem assim – falou, me deixando vermelha, eu estava com vergonha da noite passada e ele sabia disso.
- Você nunca se interessou por música - Ri me levantando.
- Eu sabia que a pessoa machucando o piano e cantando desafinada só podia ser você - , como sempre, tinha que estragar o meu humor.
- Engraçado... Me lembro de você implorando para eu tocar para você uma vez e você dizendo que amou – Arqueei a sobrancelha vendo os meninos rirem.
- Touché - Alan falou, animado – , por favor, me dê a honra de tocar com você em algum momento durante a minha estadia aqui, eu amo música.
- É claro, majestade – Sorri fazendo uma reverência - Será um pouco complicado devido nossa agenda e horários, mas eu adoraria.
- Daremos um jeito. - Pude notar os meninos se encarando, um pouco desconfortáveis, mas eu havia adorado a hipótese de tocar ao lado de um Monarca.
Resolvi que era necessário à minha retirada da Sala, os meninos precisavam ficar sozinhos e eu não me sentia à vontade, pelo menos não agora, para ficar com eles. Voltei para o meu quarto, mais relaxada e fui para o banho, só uma massagem fantástica de Olivia poderia me aliviar de qualquer coisa.
Após algumas horas, já maquiada e devidamente vestida com meu vestido azul de cetim, rodadinho com uma fenda nas pernas, junto com um cinto de brilhantes. No cabelo, um coque, que me deixava séria. O batom vermelho que eu não costumava usar. Estava nervosa. Ben foi me buscar no horário combinado e não deixou de fazer os comentários de sempre, eu queria matá-lo. Caminhei com ele brincando e zoando como sempre fizemos até chegarmos na sessão de fotos rotineira, já havia melhorado no quesito fotográfico, sorria na maioria das vezes e era o suficiente, já no Estúdio, eu queria sair correndo ao ver aquele lugar mais lotado do que eu podia contar, parecia um programa de TV de comédia, eu queria morrer. Fui até o meu lugar e fiquei lá até dar o horário da desgraça acontecer.
- Está começando mais um Time Aykroyd – Marie começou a falar, animada – Eu sou Marie D’emphine.
- E eu sou Jeremy Cooper e aqui estamos com mais uma semana cheia de emoções! - Ele falou sorrindo – Primeiramente eu quero saudar nossa coroa, obrigado Rei Roger. E temos visitas hoje! - Ele sorriu se virando para Rei Alan, que estava ao lado de Rei Roger – Uma presença ilustre, Agartha está com a gente. Obrigado por nos proporcionar isso.
- Eu sou grato por estar aqui hoje – Ele respondeu, todo fino e educado.
- Como está sendo a estadia no castelo? - Marie, sedutora perguntou.
- Todos são gentis e prestativos. Não tivemos problemas nenhum até agora... O único imprevisto, que sempre acontecem, devo ressaltar, foi resolvido por duas selecionadas hoje, durante o final do almoço, todos aqui estão preparados para resolver uma situação complicada com classe.
- Quem são as salvadoras da pátria? - Jeremy perguntou.
- e Bethany, eu e meus acompanhantes agradecemos pelo ato. - Alan sorriu para nós duas, eu quase desmaiei, devo admitir, esse homem era de mentira.
- Não há de que, majestade – Beth respondeu por nós.
- E vamos então para as notícias relevantes e logo após, para a apresentação dos projetos feitos por nossas selecionadas – Marie falou olhando para a câmera. - Lembrando que três projetos vão ser escolhidos para serem realizados na sociedade.
Rei Roger começou a anunciar algumas notícias, como a guerra civil na divisa de Avallon com Vantron, eles insistiam em atacar a gente e várias pessoas haviam morrido. Anunciou também um ataque dos vândalos em um estado rico de Avallon. Só desgraça atrás de desgraça. Rolou algumas brincadeiras entre Rei Roger com os filhos e até mesmo Alan havia entrado na brincadeira. Após isso, começou as apresentações. Beth começou sugerindo que as crianças pobres recebessem os materiais escolares de graça do governo, já que grande parte da população é analfabeta por não ter condições de comprar um material para estudar. Courtney propôs mais abrigos para os sem teto. Kimberly se embaralhou, mas no final, sugeriu novamente o fim das Condições. Lizzie falou em seu projeto sobre leis mais rígidas com consequências mais sérias contra a violência animal, contra idosos e mulheres. Havia chegado a minha vez.
-, querida... Sinto muito pelo que passou – Jeremy passou a mão em meus braços - Está radiante como sempre.
- Obrigada Jeremy. Sua gravata tá um arraso – Sorri caminhando até o palanque.
- O que fez durante essas quatro semanas desaparecida? - Marie me cutucou.
- Me reerguendo. E você? Atacando muitas pessoas por aí? - Pude ouvir várias risadinhas, inclusive de Jeremy.
- Sempre com o humor aguçado... - Respirei fundo e procurei alguém para me confortar, achei Dave que sorria animado para mim ao lado de Robin, que se mantinha séria, mas me apoiando, como sempre e depois olhei para os meus meninos, fez um jóinha com as mãos, sorriu e me incentivou a começar, me encarou, sério, mas deu uma piscadinha, era o suficiente. - Pode começar.
- Boa noite, Avallon. - Sorri olhando para a câmera - Nunca escondi a bandeira que eu levanto, que se trata sobre a igualdade, venho de uma família pobre que necessita de dinheiro para comprar um material escolar, se não fosse duas pessoas para que minha mãe trabalhava, eu jamais saberia ao menos ler. Também acredito que as pessoas sem teto precisam de abrigos, e acima de tudo, sou contra a violência, venero tudo que minhas colegas disseram – Respirei fundo – Como todos sabem, eu passei por um ato violento há três semanas, o homem que me criou, tentou abusar de mim a vida toda, sempre lutei como pude contra ele e se não fosse pelo príncipe , o soldado Walker e o Major Walker, só Deus sabe como eu estaria agora – Meus olhos estavam marejados, mas eu havia retomado ao controle – Por sorte eu tive essas pessoas maravilhosas no meu caminho antes e depois do ocorrido, tive a melhor psicóloga do país me ajudando com o meu trauma, mas eu penso nas mulheres que sofrem todo dia e não tem isso. Não tem um príncipe para salvá-las. Minha proposta de intervenção é que em toda província tenha aula de defesa pessoal para mulheres, todas as mulheres, até mesmo aqui no castelo, temos muitas mulheres aqui que precisam se defender sozinhas. Vocês não precisam viver com medo dos monstros que te cercam, você pode lutar contra eles – Escutei um som de surpresa vindo de todo mundo, afinal, as mulheres eram submissas, luta era coisa de homem. - E, digo mais, não tenham medo de falar sobre seus agressores, procure alguém, alguma assistência, no meu projeto de intervenção eu pretendo criar aulas de defesa pessoal juntamente com números de telefone contra a violência contra a mulher, vocês vão poder ligar a qualquer hora e alguém vai te ajudar. É uma proposta louca e intensa, não estão acostumados com a voz feminina, mas deverão. Meu nome é e eu cansei de sentir medo.
- Uau. - Jeremy falou, caminhando até mim me ajudando a descer do palanque, não consegui olhar na cara de ninguém, eu não queria saber como aquilo havia sido interpretado. Beth segurou minha mão enquanto ouvíamos o resto das propostas.
No final, esperei todos se retirarem e irem para o jantar, não queria contato com ninguém, quando vi que só tinha funcionários no estúdio, passei a mão no rosto e me levantei, a maioria das pessoas ali eram mulheres, que me aplaudiram, eu me assustei com aquilo.
- Fui abusada duas vezes, não desejo pra ninguém... - Uma mocinha ruiva falou assim que chegou perto de mim – Obrigada por isso, senhorita, eu cansei de sentir medo também.
- Vamos conseguir – Sorri lhe dando um abraço e indo até a porta, estranhei não ver Ben ali, ele sempre me esperava, mas quem estava li, era - Não deveria estar no jantar?
- Te pergunto o mesmo – Sorri aceitando seu braço enquanto caminhávamos - Você se abriu... Em rede nacional – Comentou.
- Foi necessário - Balancei a cabeça olhando para baixo – Meu discurso pode despertar várias pessoas.
- Com total certeza – Ele sorriu me olhando – Eu vou lutar pela sua proposta, é linda e justa.
- Eu ficarei grata em ver mulheres derrotando homens nojentos.
- Eu ficarei grato se continuar vendo você assim, desse seu jeitinho mais vezes – Ele parou e me segurou delicadamente, aquilo era um delírio coletivo. - ...
- ? - Perguntei, confusa, eu não esperava que ele fosse fazer qualquer coisa, mas também não conseguia recuar – O que você está fazendo?
- Eu... Eu não sei – Ele balançou a cabeça, admirando cada parte do meu rosto – Eu me segurei por tanto tempo... Eu de fato, achei que podia negar a vontade de tentar qualquer coisa com você, afinal, você tem dois Aykroyds lutando pelo seu coração, eu se quer tenho chance, mas... Eu preciso fazer isso antes que a coragem vá embora – Foi então que aconteceu o improvável. finalmente havia aberto seus sentimentos e simplesmente me beijou. Eu, por algum motivo não queria sair dali. Estava ferrada de tantas formas... Lizzie, Sam, e ..., mas não conseguia focar neles naquele instante, era apenas eu e Aykroyd tendo um momento totalmente não planejado.


Capítulo 28

Eu estava começando a ficar mais confusa que o normal, eu não estava sabendo lidar com a situação de ter beijado os três príncipes, e o pior, não ter noção alguma de quem eu gostava. havia acabado de confundir ainda mais meu coração, e eu odiava com todas as forças não saber lidar com as situações. Na verdade, fica ainda pior quando eu lembro que Lizzie e Sam ficarão magoadas quando souberem. Eu poderia deixar a culpa nos ombros de , mas eu retribuí o beijo, e eu gostei. Eu sou patética. Depois do jantar, eu corri para o meu quarto e tranquei a porta, e tranquei também a sacada, dessa vez ninguém iria entrar lá, eu não conseguiria olhar para sem querer cortar sua garganta pela inconstância do mesmo, e muito menos para , que sempre era bom comigo e eu sempre dava um jeito de magoá-lo.

No dia seguinte...

- Como vocês estão? - Beth perguntou, sorrindo e olhando para os convidados, ao meu lado e de Sam. – Espero que tenham se alimentado bem, pois hoje o dia está cheio! Vamos começar com a divisão de quatro grupos, afinal, somos muitos!
- Ontem no jantar passamos uma lista para quem quisesse participar da competição que vai acontecer entre hoje até domingo, vocês assinaram e hoje vou falar quem ficou em cada lista, vai dar as fitas de cada grupo. – Sam começou a falar os nomes, que eram menos do que a gente esperava, mas deu para aproveitar bem. Eu fui entregando as fitas coloridas para quem era chamado. - Às selecionadas, exceto eu e Sam, que estaremos na organização, vai participar da competição, mas não tem noção alguma de como estão os jogos, fiquem tranquilas. - ela começou a girar os nomes nos envelopes que estavam dentro de um tipo de bolinha. – Summer Mccanlies está no grupo azul, Lizzie Frost no grupo laranja, Courtney Cox no grupo amarelo, no grupo vermelho, Kimberly Woes no grupo azul, Tess Holds no grupo laranja, e Waine Hills no grupo amarelo.
- Agora, vamos para a realeza! - Beth sorriu, olhando para os príncipes ao lado do Rei Roger e do Rei Alan, que deram tchauzinho. – Fiquei muito feliz por ver o nome de vocês na lista. Não quer participar mesmo, vossa alteza? - ela perguntou para a rainha, que sorriu elegantemente, negando com a cabeça. – Então, vamos lá.
- Rei Roger vai ficar no grupo... - dessa vez, Sam foi tirando as cores ao invés dos nomes. – Vermelho! - ele me encarou, animado, e eu sorri animada de volta – vai para... Azul. entra no grupo laranja, , nosso querido ficará no grupo amarelo, e nosso amado Rei Alan ficará no grupo... Vermelho também. Olha só, dois grandes líderes no grupo vermelho.
- É porque o grupo vermelho é o melhor. – falei quando peguei no microfone, fazendo todo o meu grupo gritar, animados.
- Mesmo começando com esse roubo, irei ganhar de você. - resmungou, me fazendo arquear a sobrancelha.
- Vocês terão que ganhar de mim antes disso. – se gabou.
- Então, que os jogos comecem. – sorri.
- Teremos várias fases, tudo irá contar a partir de agora. – Beth olhou para todos nós. - Torcida, coisas feitas em festa, competições e jogos, teremos jurados convidados que serão imparciais. Pode entrar Jeremy Cooper. – o jornalista entrou, animado. – Nossa cantora, linda e simpática, Love Kodal. – eu não esperava, as meninas não me contaram que Love havia aceitado. – Lord Iver e Lady Penny, obrigada por aceitarem. E por último, Frederick Pain, o melhor amigo do Rei Alan. – Alan deu tchauzinho para o amigo. - A primeira prova será após o almoço, e depois, nós selecionadas, iremos mostrar a vergonha que é dançar, ao pisarmos no pé dos outros. Uma competição interna, as três melhores irão dançar a valsa principal com os príncipes. - Beth me encarou dando uma piscadinha, eu odiava aquele trato idiota de selecionadas bêbadas, quem fosse a pior, iria dançar com o Rei Alan, mas eles não sabiam disso. – Rei Alan também vai ganhar uma acompanhante de dança.
- Fico honrado. – ele sorriu, e eu tinha certeza de ouvir suspiros vindo das meninas.
Todo o meu grupo se juntou no jardim, havia pelo menos umas vinte pessoas ali, todas animadas e sorridentes, o povo Agarthano era realmente muito simpático. Depois de alguns minutos Rei Alan e Rei Roger se juntaram a mim, e todos fizeram uma reverência, a parte mais engraçada era que ninguém ali se sentia nervoso por estar na presença de dois reis, eles nos deixavam muito à vontade.
- Meus amigos, eu sou muito competitivo. – Rei Roger admitiu, nos fazendo rir. – Eu e meus filhos vivemos competindo, e é muito difícil me vencerem.
- Eu e meu povo também não costumamos perder uma competição boa. – Rei Alan sorriu.
- Eu não gosto de perder. – dei de ombros. – E ficou meio pessoal, já que os príncipes me desafiaram...
- Então não vamos perder isso. – uma mulher falou, sorrindo, fazendo meu grupo comemorar.
- Em todas as atividades vamos tentar dar a chance de todos participarem, é importante a participação de todo mundo. – falei, encarando a todos. – Quem for bom em atividades práticas como corridas, coisas que exijam força física, podem ficar em um lado. – Rei Alan começou a fila. – Quem for bom com atividades que exijam a inteligência como jogos de perguntas, podem formar uma fila ao lado. – Rei Roger liderou a segunda fila. – Quem é bom em atividades artísticas, formem outra fila. – E assim, formamos o nosso grupo.
- Você vai ficar em qual lugar, ? - um senhor perguntou.
- Com o seu dom de tocar piano e cantar, vai ficar com as atividades artísticas, né? - Alan perguntou, me fazendo fuzilá-lo.
- Vou ficar disponível em todas as filas, caso precisem de mim. – sorri. Assim que ficamos mais um tempo conversando, pude perceber que tomei a iniciativa de organizar tudo, sendo que tinha DOIS REIS no meu grupo, onde eu deveria deixá-los ordenar e organizar a seu modo. Quis me enfiar embaixo da terra. Alguns minutos após rirmos e nos conhecermos um pouco, chamei a atenção dos dois, quando ficamos sozinhos. - Céus, me perdoem.
- Pelo quê, minha filha? - Rei Roger, todo doce, perguntou enquanto caminhávamos de volta para o castelo.
- Por ter me afobado e organizado o grupo, devia ter deixado nas mãos de vocês e...
- , fique tranquila, eu adorei ver essa sua iniciativa. – Alan sorriu, me tranquilizando um pouco.
- Uma boa selecionada faz tudo, e você, foi muito bem dando ordens e organizando. - Rei Roger falou, colocando a mão em meu ombro. - Não se intimide com ninguém, assim que uma figura da Realeza deve fazer...
- Mas, eu...
- Você tem instinto de líder, , você é boa nisso, aceite que está tudo bem, e eu admiro isso. – ele sorriu, me deixando com o coração quentinho. – Minhas futuras noras são garotas incríveis, Alan.
- Não tenho como negar isso, Roger!

~


- BENJAMIN WALKER, EU VOU SER DETONADA NA FRENTE DE TODAS AS PESSOAS DESSE CASTELO, EU SOU UMA LÁSTIMA. - comecei a surtar no meu quarto, depois de pisar no pé dele mil vezes no nosso treino antes da competição de dança.
- Não está tão ruim... - Denver falou, sentado na minha cama comendo salgadinho.
- MEU PÉ PRECISA DE GELO, DENVER. – Ben gritou, me fazendo quase chorar. – Me desculpe, mas você é um perigo.
- , é só seguir o que as meninas fazem. – Robin falou, coçando a cabeça ao lado de Denver, aparentemente um pouco chocada com a situação. - Já ensaiamos isso, é uma dança tradicional.
- Eu não tenho coordenação para isso, para que dançar? - cruzei os braços, bem chateada por sinal.
- Você é a futura princesa de Avallon, no mínimo tem que saber o padrão. - Denver me encarou. – Dois para lá, dois para cá.
- A primeira competição eu já perdi, meu time está bem atrás... Que decepção, meu Deus.
- Denver, me acompanhe. , me imite. – Robin falou, se levantando.
- NÃO. - Ben falou alto, fazendo todo mundo encarar ele. – Deixa eu dançar com você, Denver vai com a agora.
- Benjamin, você é um frouxo. – apontei o dedo pra ele, enquanto ele corria pra trás de Robin.
- Preciso das suas pantufas. – Denver se levantou, enquanto eu o encarava com as mãos na cintura. – O quê? Como é que você quer que eu cuide da Lady Devimon com o pé podre?
- Frouxo.
E lá fomos nós para mais uma tentativa falha de dança, pelo menos, dessa vez, eu consegui acompanhar Robin, mas, mesmo assim foi complicado, pois eu tropeçava e os saltos sempre me atrapalhavam. No fim das contas, eu havia decorado a coreografia, mas não adiantava de nada, já que eu cairia no chão e ficaria de par com o pobre Rei Alan, que nunca mais voltaria ao castelo graças a brilhante ideia das selecionadas, de colocar a pior dançarina com ele.
- Eu odeio esse salto. – resmunguei, enquanto Olivia arrumava meu cabelo, após meus irmãos e Robin saírem do meu quarto.
- Você fica linda com eles. – Taihne riu, fechando o salto.
- Respire, você consegue se sair bem. – Lauretta disse, terminando de me maquiar.
- Eu sou a maior derrotada desse lugar. – choraminguei, enquanto elas riam.
- Não é de todo mal, você vai dançar com o gato do Rei Alan. – Olivia falou, depois que terminou meu cabelo e se sentou, a barriga estava enorme.
- Eu preferia ser invisível. – ri, vendo a cara de espantada de Olivia. – O que foi?
- Chutou. – ela disse, assustada. – Meu bebê está chutando. – fui até ela super animada, colocando a mão em sua barriga.
- Que coisa mais fofa. – falei, animada.
Eu ficava aliviada por participar da gestação de Olivia, de alguma forma eu me sentia perto de Kira com meu sobrinho, que também estava grávida e com o barrigão lindo igual Olivia. Quando terminamos, fiquei ali paparicando Olivia até Ben ir me buscar, ele era meu guarda oficial, e consequentemente seria meu par. Ele já chegou resmungando, Benjamin Walker é uma marica. Chegando no salão de danças ao ar livre, todas as pessoas estavam ali, eu quis morrer.
- O que é isso? fugindo de uma competição? - dei de cara com , após eu virar as costas, fugindo do salão com Ben atrás de mim, me xingando.
- Me tira disso, pelo amor de Deus. – implorei, abraçando-o, que riu meio desconfortável, mas retribuiu, quando me toquei do que havia feito, tratei logo de soltá-lo, totalmente envergonhada. – Desculpe.
- Tudo bem, eu não estou acostumado com toques assim, abertamente, mas gostei. – ele sorriu. - Não posso te livrar dessa, você terá que passar essa vergonha.
- Ainda bem que não pode livrar de dançar essa competição, eu nunca permitiria. – obviamente tinha que ser ele... , acompanhado de e Alan.
- Claro que não, você está louquinho para ser o meu parceiro na primeira dança de amanhã. - retruquei, fazendo os meninos rirem.
- Pensando bem, vai até ser bom pisando no pé do , ele merece um castigo assim. – brincou, mas eu queria chorar. Céus, só queria não passar vergonha.
- Podiam livrar o meu pé disso, né? - Ben disse, com cara feia. – Eu não sofri naquela Academia para servir de saco de pancada para a futura princesa. – dessa vez, quem ficou com cara feia fui eu, seguido de um pisão proposital. – !
- Cale a boca, ou o próximo vai na sua cara. – Pude ouvir a risada dos meninos, não tinha percebido que Rei Alan também estava ali rindo, eu só piorava minha situação perante a coroa. Mas, no estado em que eu me encontrava, eu estava nem aí para o que eles pensavam, eu não me importava com isso antes, então não seria agora.
- Selecionadas, em seus lugares. – Ouvi Marie falar. Meu coração gelou, dessa vez Robin brotou do meu lado, e eu nem percebi.
- Faça o que ensaiamos e dará tudo certo, você será uma das três. - ela sussurrou. - Não que ser a quarta seja um coisa ruim, Rei Alan é um ótimo companheiro. – ela sorriu, me fazendo arregalar os olhos. – Vá.
- Quebre a perna! - Ben desejou, me fazendo rir de nervoso. - Não leve no sentido literal, .
- Vou quebrar sua cara. - recebi uma careta e fiquei em posição. Minutos depois começou a música e eu comecei a fazer os passos como Robin havia pedido: “não dance só com os pés, use o conjunto todo, seja sensual e delicada ao mesmo tempo, olhe nos olhos do seu parceiro”.
O começo era apenas alguns passos calmos, sem encostar as mãos de frente um para o outro, depois ficávamos em fileira com os braços dados, andando calmamente. Quando chegou a parte difícil, a qual necessitava o uso do “conjunto todo”, que eu quis morrer. Me surpreendi ao não tropeçar, Ben me elogiava rindo, me fazendo ficar desacreditada naquilo, mas alguns segundos depois eu pisei em seu pé. A parte interessante é que ninguém teria percebido, se ele não tivesse feito careta.
Summer estava estranhamente dançando mal, assim como Tess, Beth, Kim e Waine, eu não estava acreditando naquilo, queria rir, elas não prestavam e eu estava amando. Não ser a pé de valsa ali era meu maior orgulho do dia, mesmo que de propósito, afinal, Rei Alan era um bom partido, quem não queria ser seu par na dança? Até eu estava tentada àquilo, mas meus dons dançantes não eram dos melhores para ficar à altura de um rei, até mesmo dos meus meninos eu não estava. Ninguém além de nós, selecionadas, sabia do combinado da “pior dançaria dançar com Alan”, então a piada interna eu mantinha para mim. SUMMER ERA A MELHOR DANÇARINA DE TODAS NÓS, E ESTAVA SENDO PÉSSIMA, ERA CÔMICO.
Ao trocarmos o par na dança, obrigatoriamente, eu fui com o guarda do lado, que era Denver, que estava chocado. Ele era par de Beth, que também era uma das melhores, ele reclamou e me elogiou, segundo ele, eu parecia profissional perto das outras, e ele havia sacado que tinha algo por trás.
Quando a dança acabou, fui para o meu lugar com Ben, que pedia gelo para Robin. Os dois saíram, me deixando com as meninas.
- O que rolou naquela pista? – perguntei, olhando para as meninas, que fizeram a sonsa.
- Estou com dor nos tornozelos. – Summer disse, me dando uma piscadinha.
- Eu não acredito que vocês fingiram ser más dançarinas só para serem par do Rei Alan, se os meninos descobrirem... Isso pode ser considerado traição, e... - Courtney começou a falar.
- Eu não acredito que você pôde fazer isso. – Lizzie cutucou Summer e sussurrou. – Agora tem chances de dançar com um dos meninos.
- É incrível o fato você me ver como uma ameaça, mesmo eu sendo a pior dançarina das selecionadas... - falei rindo, fazendo Beth e Sam rirem comigo. – Eu já estou de saco cheio de você. - falei sem paciência, vendo-a fazer cara feia. – Pegue sua rivalidade e enfie no seu...
- Hey, os modos. – Sam me cutucou, fazendo-me respirar fundo e sorrir falsamente.
- É isso que você entendeu. – falei pra Lizzie, me virando de costas para ela e lembrando que tinha que conversar com Sam. – Podemos conversar?
- Claro. – ela sorriu sem mostrar os dentes. Nos afastamos do resto do grupo, indo até a janela enorme que dava pra ver a bela paisagem do reino de Avallon.
- Sam, ontem aconteceu uma coisa... - comecei a falar, enquanto ela encarava a janela. – Eu... Eu nunca imaginei que isso fosse acontecer um dia e...
- , está tudo bem. – ela sorriu, segurando minha mão. - me contou tudo ontem, após o jantar. – aquilo foi um choque, eu queria ter contado antes. – Fico aliviada de você não ter escondido isso de mim e me contado assim que pôde, só comprovou quem você é.
- Eu sinto muito, eu sei o quanto você gosta dele, e eu não podia esconder isso de você. Poderia muito bem colocar a culpa nele e tentar sair ilesa, mas eu permiti e...
- ! - ela balançou meus ombros, rindo. - Você não é a primeira a beijar o . Estamos em uma Seleção, eu tenho que entender que isso iria acontecer com você, ou com a Beth, fique tranquila.
- Por que você não está chorando ou me xingando? – perguntei, rindo nervosa.
- Eu sei que você não o procurou, eu o vi indo atrás de você. - ela sorriu, olhando para baixo, meio triste. – Essa nossa cultura tóxica nos faz acusar sempre a mulher de algo, e eu cansei disso, sabe? A culpa não é sua. E ah, eu fui criada para manter o meu auto controle e sou muito bem resolvida comigo mesma.
- Eu fico muito aliviada com isso, e obrigada por não ficar brava comigo... Eu não sei se iria suportar a ideia de você não querer mais ser minha amiga, como... Como você sabe quem fez. - sorri e a abracei. - Você é incrível.
- Você é incrível. - ela sorriu, retribuindo o abraço. - Você é uma das poucas amigas sinceras que tive, não vou te perder por causa de um cara.
Alguns minutos de conversa, fomos chamadas a atenção pelo comitê escalado para votação e Jeremy apareceu para apresentar. Sam e eu fomos com nossos parceiros de dança e ficamos esperando-o começar a falar. Os meninos estavam rindo junto com Alan, enquanto Rei Roger conversava com a sua Rainha, ambos pareciam bem sérios.
- Minhas garotas. – Jeremy sorriu, galanteador. – Olha, eu não sei o que rolou aqui, mas usando minha sinceridade, vocês conseguiram ser péssimas numa dança clássica de Avallon. – todos riram, inclusive nós. - Mas temos nossas três “menos piores”, segundo nossos belíssimos jurados. - Samantha Kens é a primeira selecionada, e será parceira do nosso irmão mais velho, . - ela manteve a postura, sorrindo apenas. – Courtney Cox, com . Kimberley Woes, com . fará dupla com nossa majestade, Rei Alan.
Não sabia exatamente o que estava sentindo, mas não estava confortável com aquilo, eu sabia que na dança, eu iria ter um minuto com cada um dos meninos, mas não era a mesma coisa, eu queria ser a parceira deles, eu não sabia qual especificamente, mas eu queria. Olhei para Rei Alan, que sorriu e acenou com a cabeça, não era de todo o mal, o homem era perfeito.


Capítulo 29

- COMO VOCÊ OUSA? - perguntei irritadíssima para , estávamos no meio de uma competição e eu estava cheia de lama graças a ele, que tinha feito eu tropeçar e cair no meio do labirinto.
- Tem que dançar conforme a música, princesa. Você não pode ficar fugindo da sua escolha. – o sarcasmo em sua voz era irritante, eu joguei barro na cara dele sem piedade, isso me deu alguns segundos para correr para achar o final daquele lugar insuportável, e dar de cara com , meu outro concorrente que caiu na gargalhada quando me viu naquele estado.
- O que aconteceu com você? - perguntou com a mão na barriga após rir, me fazendo ficar com mais raiva e jogar barro nele também. - Não adianta negar o que sente!
- Vocês estão impedindo a minha vitória. - saí correndo pelos corredores verdes novamente, só que dessa vez dando de cara com , ajoelhado. – ?
- Você precisa decidir, . - eu queria cavar um buraco e morrer sufocada lá dentro.
- Eu não tenho que fazer nada, eu só tenho que ganhar essa competição e...
- Ninguém ganha aqui, você não percebeu? - apareceu do nada, me fazendo encher a mão de terra novamente, pronta para atacar. - Você não escolhendo, todo mundo perde.
- Eu não aguento mais viver com a incerteza do que você sente. – disse, também aparecendo do nada.
- Se você não me quer, me deixe ir. – segurou minha mão.
- Se você não me quer, me deixe ir. – disse, segurando minha outra mão.
- Se você não me quer, me deixe ir. – colocou a mão em meu ombro. Eu queria chorar, eu queria fugir, eu não queria passar por aquela situação, era difícil demais lidar com meus sentimentos. Corri dali o mais rápido que pude, dando de cara com uma linha de chegada, com várias mulheres, incluindo as meninas da seleção, todas esperando os meninos, que saíram do labirinto tempo depois, acompanhados de três garotas. de Sam, de Courtney, e de Summer. O que estava acontecendo?
- Eu fui a escolhida! - Sam dizia beijando , emocionada. Courtney fazia a festa para as amigas e Summer desfilava, se preparando para as fotos que eram tiradas.


- ! - me assustei com Olivia gritando comigo, assim que terminou de arrumar meu cabelo. - Você está com a cabeça onde?
- Perdão, não dormi muito bem essa noite. – balancei a cabeça, me concentrando.
- Hoje é o dia do Baile, você tem que estar perfeita. – Lauretta sorriu, colocando as botas no meu pé.
- Ainda acho uma péssima ideia usar calças e camiseta no dia de hoje. – Taihne balançou a cabeça, repreendendo a minha escolha do dia.
- Me recuso a fazer as competições de hoje, então, usarei calça! - dei um beijinho no rosto dela. – E eu amo ver a cara de desgosto da bruxa má Real. – elas riram, sabendo a quem eu estava me referindo. - E eu vou detonar os príncipes hoje.
- Em todos os sentidos, seu vestido da noite é o nosso melhor até hoje. – Olivia sorriu, me fazendo rir, elas não paravam de falar no vestido dourado que estavam fazendo. - Tudo bem que temos outros em andamento, mas até agora, esse dourado é nosso melhor trabalho, só perde para o vermelho.
- Vocês querem que eu seja expulsa usando esse vestido vermelho, né? - me levantei, rindo e indo até a porta - Torçam por mim.
- Sempre. – Lauretta sorriu enquanto eu saía e ia para o jardim, havia tomado café na cama depois do dia anterior longo que tive, então optei por isso e fui direto para as gincanas, afinal, eu tinha que ganhar algo. E esse sonho que tive não foi nada legal, eu sinceramente não precisava ser alfinetada por mim mesma dessa forma, eu não estava fazendo nada de errado, não estava iludindo ninguém, e precisava falar com alguém sobre aquilo. Eu parecia aquela megera? Eu precisava escolher? Céus, eles não são um vestido que posso escolher qual vou usar no dia.
- Você está usando as roupas que dei a você. - apareceu sorridente e com seus charmosos óculos de sol.
- Para mim e todas as meninas. – sorri e lhe cutuquei na cintura, observando as pessoas chegando aos poucos.
- Touché. - ele balançou a cabeça. - Não tivemos tempo de conversar depois daquele dia. – olhei para os lados, tentando criar coragem de falar sobre aquilo. – Sinto muito se arranjei problemas para você com Sam, Lizzie ou meus irmãos.
- Por incrível que pareça, seus irmãos não falaram absolutamente nada sobre isso, e Sam foi mais compreensível do que eu podia imaginar. – ri, sem graça. - Lizzie terá que lutar.
- Lutar? – perguntou, com a sobrancelha arqueada e um sorrisinho de canto. - É, a concorrência dela é inabalável. – falei, me referindo a Sam, e torcia para que fosse realmente só dela que eu estivesse falando, àquela altura da minha vida, eu havia perdido o controle fazia tempo.
- Você se refere a quem? - eu abri a boca para responder, mas graças ao , eu não precisei, já que fui interrompida. – Bom dia, irmão.
- Olá, irmão. Olá, mademoiselle. – ri da reverência que ele fez, era um palhaço. - O dia está lindo, não é?
- Por que não vai atazanar outra selecionada? - perguntou, na lata, me fazendo arregalar os olhos.
- Quer que eu saia, ? - ele me encarou.
- Realmente, irmão, o dia está perfeito. – apareceu. Era o que me faltava. – Bom dia, meus queridos... . – ele me cumprimentou, fazendo com que eu cruzasse os braços. - agora precisa de numeração para fila de quem vai conversar com ela?
- Sim, perfeito pra detonar vocês três na competição hoje. – coloquei meu óculos de sol e me preparei para me retirar, não sem antes admirar a beleza daqueles três. deu para ficar com a barba, e do nada estava mais charmoso que o normal. Estranhamente, estava com uma camisa xadrez, um boné pra trás e também com a barba, que era o forte dele nas últimas semanas. E ... Céus, o , a regata preta e a bermuda com os óculos escuros, faziam com que ele ficasse ainda mais charmoso, estava com a barba começando a crescer. – E antes que eu me esqueça, não precisa de horário pra falar comigo, mas se vocês continuarem agindo como animais, o que é uma ofensa a eles, diga-se de passagem, vocês vão precisar sim, mas não comigo... Com a terapeuta Real – revirei os olhos, bufando, e sai resmungando. – Onde já se viu? Parece que estão competindo entre si, e eu sou o alimento. Eu odeio isso, eu odeio essa competição, eu odeio os Aykroyds, eu odeio tudo isso, eu odeio essa masculinidade tóxica que eles forçam às vezes, eu...
- Falando sozinha, ? - Rei Alan apareceu, fazendo-me dar um pulo de susto.
- Majestade. – fiz a reverência. Ele estava sem a farda de Rei, usava uma camisa branca e uma calça preta, os cabelos escuros estavam levemente bagunçados e a barba por fazer eram um charme só, o que deu nesses homens de ficarem com essa maldita barba? - Apenas ansiosa para a prova do dia
- Sabe o que eu estava pensando? - o encarei. – Devemos nos apresentar mais tarde. Aquela música que você tocou esses dias.
- Sinto muito, eu não canto. – ri, sem graça.
- Não foi isso que eu vi, você tem uma voz incrível. - ele sorriu.
- Eu não canto em público tipo... Nunca. – falei, fazendo-o rir. – Tenho pânico de palco, de público, e tudo que eu puder fazer pra evitar os holofotes, eu faço.
- E está em uma Seleção? - a gargalhada gostosa dele me fez rir junto. – Sinto muito em dizer, querida, mas como futura princesa, você terá que lidar com isso.
- Não sou a futura princesa. – falei, na defensiva.
- Rainha, então? - o encarei com as mãos na cintura. – Certo, desculpe.
- Não posso cantar com você, eu morreria de vergonha, e as meninas me matariam. – balancei a cabeça, apontando discretamente para um grupo delas olhando, sem nem disfarçar, para nós dois. – Elas têm uma queda por homens bonitos.
- Só elas? - ele perguntou, fazendo biquinho.
- Eu tenho três problemas de uma vez, majestade, não posso procurar mais um. – respondi no mesmo tom de brincadeira que o dele. – Mas, se te conforta, você é muito bonito, só é... Ridículo eu não poder flertar com você ou qualquer outro cara por ser “propriedade real”. Enquanto, literalmente, os três meninos flertam, beijam e fazem o que quiserem com as selecionadas ou até mesmo alguém de fora. – falei, encarando que segurava a mão de Summer, todo galanteador, mas me referia a Marie, nessa última frase. – Por isso, para não termos problemas... É melhor evitarmos isso. – me referi à nossa brincadeira.
- Eu não concordo com Seleção, e acho arcaico esse modo. – Alan cruzou os braços e respirou fundo – Sinto muito você ter que passar por isso. Prometo que não farei nada para te prejudicar, você tem um novo amigo agora, gosto do jeito que você fala e pensa, estou aqui.
- É uma honra, Alan. – sorri e conversamos por mais um pouco tempo, até Beth chamar nossa atenção para as várias carruagens prontas para nos levar em algum lugar. Cada equipe entrou em uma, e os que só assistiriam foram em outras. A minha equipe era, de fato, a mais animada, eu nunca vi o Rei Roger com roupas leves e muito menos fazendo tanta piada, e até mesmo zoando o Rei Alan por alguma coisa. Era engraçado, e cada vez o meu amor por ele crescia, homem sábio, engraçado e justo. Além de tudo, Rei Roger pensou no nosso uniforme, e sairíamos da carruagem com camisas vermelhas. Primeiro ponto da equipe, check.

Um tempo depois, paramos em um lugar desconhecido, cheio de árvores. Fizemos uma trilha pequena e demos de cara com uma clareira, e logo depois um rio, um rio calmo e enorme. A competição era: uma pessoa de cada equipe entrar em um barco, atravessar o rio e voltar. Do outro lado, tinham pessoas observando, para não ocorrer roubos. Eu abriria mão daquela parte da prova, não era boa naquilo. Alan e os outros concordaram que Rei Roger era o melhor candidato para a prova, já que fazia isso sempre. Os príncipes quando viram o pai pronto, foram rapidamente para seus devidos barcos e, após a contagem regressiva, começamos a torcer e a gritar.
saiu na frente, com o pai logo atrás. não ficava muito atrás, e era o que estava por último, mas era por pouca coisa, estava acirrada aquela competição. O grupo azul foi muito além, e estavam fazendo danças para a torcida, ponto para eles. Depois de uns dez minutos, chegou primeiro do outro lado, mas Rei Roger chegou logo depois. Eles fizeram o contorno para retornar, mas jogou água propositalmente em , que revidou, tentou intervir, mas se irritou também e jogou água em . Rei Roger já estava na metade do caminho, mas parou para ver os filhos, fez uma cara de desgosto e gritou alguma coisa. Os três o encararam e voltaram a competir, como rei Roger estava na frente, só parou para ver eles retornando e continuou remando. Os meninos voltaram a brigar, bateu o barco dele no de , que ficou em pé e jogou o remo nele, foi então que pulou em cima de , e entrou no meio dos dois, mas também levou um empurrão de , e então os três caíram no lago. Ficamos atentos e nervosos com aquilo, a Rainha gritava para que Dave interferisse, enquanto Rei Roger chegava na linha de chegada como se não houvesse nada acontecendo. Ganhamos a primeira prova.
- Roger, o que está acontecendo com seus filhos? - Leigh gritou, nervosa, vendo que os meninos estavam brigando feio ali. – ELES VÃO SE MATAR, ROGER. – foi então que ele bufou, e retornou com Dave para o meio do lago, gritando. Os berros dele podiam ser ouvidos de longe, eu nunca vi o rei tão bravo.
- Se acalme, majestade, tome essa água. - a rainha me encarou feio, enquanto tomava a água. - O que será que houve?
- Sei exatamente o motivo disso. – ela disse, quase rosnando. Olhei de volta para onde os meninos estavam e vi subindo em seu barco, , subindo no barco dele e fazendo o mesmo, ambos com a cara fechada enquanto levavam esporro do Rei, e aparentemente, Dave também parecia surtando enquanto falava algumas vezes.
- Ora ora, eu queria fazer uma entrada triunfal, mas os meus netos roubaram a cena? - eu conhecia aquela voz, me virei ao mesmo tempo que todo mundo e a vi ali, a eterna Rainha Devimon. Todos pareciam surpresos, mas a cara de assustada de Leigh-Anne era impagável. - Minha querida nora.
- Devimon. – ela se curvou, sorrindo. – O que faz aqui? Não nos avisou.
- Eu quis fazer surpresa, você ficaria assustada se soubesse há quanto tempo estou naquele castelo sem que vocês soubessem, apenas descobrindo sobre tudo que acontece... Ah, Roger, sempre tendo que agir com o pulso firme... - ela cruzou os braços, era uma senhorinha elegante, toda arrumada, baixinha, com os cabelos brancos. – Mas nós sabemos o motivo disso, não é?
- Sabemos. – Leigh respondeu, olhando a cena.

Por,


Não gostava nem um pouco da situação em que me encontrava, mas me sentia libertado da sensação de fazer tudo para agradar os outros. Eu me declarei para , mas havia criado confusão com meus irmãos, aquilo me machucava muito, sempre fiz tudo por eles. Não sabia ao certo o que estava acontecendo entre eu e ela, afinal, ela era imprevisível, mas havia finalmente tirado do meu peito o que me deixava mal. Ela não sabe, mas foi ela quem me incentivou a fazer isso, sem ao menos saber que eu faria isso.
A parte difícil foi contar para Sam o que eu havia feito, beijar significava magoar muitas pessoas. E Sam é, com toda certeza, uma das mulheres mais incríveis que já passou na minha vida, e eu quero que ela continue aqui. Ela entendeu e disse que já sabia que aquilo ia acontecer em algum momento, mas que não iria desistir de “nós”. Eu não queria usá-la como segunda opção, ela não seria isso para mim.
não quis bater muito papo comigo quando contei, e pediu detalhes, coisa que não dei. Estávamos assim, e como eu já disse, me machucava ver eles chateados comigo. Quando cheguei na competição e fui falar com , ela parecia bem receptiva comigo, não tentou fugir de mim, como faria antigamente, mas ela odiava quando a intimidávamos.
- Por que não vai atazanar outra selecionada? – perguntei, olhando para .
- Quer que eu saia, ? - ele encarou .
- Realmente, irmão, o dia está perfeito. – apareceu. Era o que me faltava. – Bom dia, meus queridos... . – ele cumprimentou , fazendo com que a mesma cruzasse os braços. - agora precisa de numeração para fila de quem vai conversar com ela?
- Sim, perfeito para detonar vocês três na competição hoje. – ela, toda confiante, colocou os óculos de sol. – E antes que eu me esqueça, não precisa de horário pra falar comigo, mas se vocês continuarem agindo como animais, o que é uma ofensa a eles, diga-se de passagem, vocês vão precisar sim, mas não comigo... Com a terapeuta real. – ela saiu bufando, batendo o pé, e resmungando. Olhei para os meus irmãos, que estavam praticamente babando pela garota.
- Nós temos uma terapeuta real? - perguntou, debochando.
- Sim, você sempre faltou nas sessões. - retrucou. – Talvez seja por isso que você é assim.
- Tão... Perfeito? - sorriu. Céus, a autoestima de devia ser vendida.
- Tão ridículo. – respondi, vendo Sam chegar. – Com licença, vou falar com quem realmente vale a pena. – falou alguma coisa que não escutei, mas respondeu ele e saiu levemente incomodado.

Depois da explicação da prova, era a hora de escolhermos nosso representante, mas assim que vi meu pai indo para o barco, eu pedi para ir, seria incrível vencer dele. Quando percebi, e também estavam ali. Perfeito. A primeira competição em família.
- Que vença o melhor Aykroid - meu pai, sorridente, falou.
- Essa prova já é minha, velhote. – falou sorrindo, saindo na frente. Meu pai riu e foi logo atrás. Tentei acompanhar o ritmo, mas não estava tão concentrado. – Eu sou o melhor Aykroyd. – era uma questão de honra derrotar meu irmão.
Escutava as torcidas gritando animadas, e aquilo me deu um gás tão forte que ultrapassei os três e cheguei primeiro na primeira faixa, com meu pai em meu encalço. Rimos daquilo, os dois tentando fazer o contorno, totalmente desengonçados. Meu pai saiu na frente, quando senti uma jorrada de água em mim, olhei para trás e vi sorrindo, tentando me ultrapassar com suas provocações.
- Você realmente está trapaceando dessa forma? – falei, jogando água nele também.
- O que vocês estão fazendo? - interveio, assustado. - Vocês estão mesmo brigando?
- Quando foi que você ficou burro? - perguntou, bravo. – Tonto eu já sabia que você era, afinal, correr atrás da segunda mulher que eu me interesso é a maior tolice, você sabe que eu sempre venço. - aquilo me fez jogar água na cara dele também, e ele saiu do controle.
- Pelo menos eu não preciso machucar todas as mulheres que eu encosto para me sentir mais homem. – grunhiu. ia fazer algo, mas meu pai interrompeu.
- O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO? VOLTEM JÁ PARA A COMPETIÇÃO! - ouvi meu pai berrar. Nos encaramos e voltamos ao nosso posto, mas foi em vão. Quando ele não estava mais olhando, voltou a provocar, dessa vez batendo o seu barco no de , que pegou o seu remo e atacou no meu outro irmão, que ficou surpreso com o ato. Até eu fiquei.
- Eu não sou mais esse cara! - respondeu, se equilibrando em seu barco.
- Você sempre vai ser esse cara, não consegue ficar sem dormir com alguém. Veja só a Marie, a mulher mais iludida que já passou na sua mão. - fez o que eu imaginei, empurrou .
- E o que você fez? Foi lá, e ficou com ela também. Todas as mulheres que eu quero, você quer também. - os dois estavam bem exaltados, e eu resolvi intervir. - Não encosta em mim, você é o pior de todos, o mais traidor. Eu sabia que iria tentar me tirar a , eu só não sabia que você faria isso comigo também. - levei um empurrão. Eu não ia tolerar aquilo calado.
- Tirar de você? Você nunca a teve! – respondi, o encarando. – Nem você. - olhei pra , que respirava fundo com raiva. Naquele momento eu não vi mais nada, só em cima de mim e a água gelada me embalando. caiu junto com a gente, naquele instante era um tentando atacar o outro, levei um soco no braço de algum dos dois. Aquilo havia saído totalmente do controle.
- O que será que é pior? - perguntou, após me empurrar novamente dentro da água. - Você colocando a pobre Sam como segunda opção, ou pegando o castelo inteiro?
- Você que é invejoso! - atacou água na cara dele.
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? - Era meu pai, fazia tempo que eu não o via vermelho de raiva. – O QUE MEUS FILHOS ESTÃO FAZENDO? TENTANDO SE MATAR? QUE BELO FUTURO DA NAÇÃO VOCÊS SÃO! NA FRENTE DE AGARTHA. EU NÃO ACREDITO NO QUE ESTOU VENDO.
- Por que vocês estão brigando? - Dave perguntou, com as mãos na cintura.
- Eu sei o motivo disso, estão brigando por uma pessoa. – meu pai olhou para Dave, que entendeu na hora do que se tratava.
- Isso não estaria acontecendo se eles não tivessem se metido no meu caminho. – resmungou.
- Cale a boca! - meu pai falou, bravo. – Isso não é motivo para vocês brigarem dessa maneira, céus, vocês não podem fazer isso, vocês são irmãos!
- Mesmo ela sendo a minha filha, mulher nenhuma deve destruir a irmandade de vocês. - Dave também falou, sério. - Eu não vou tolerar isso, não suportaria ser a responsável por isso.
- Eu não quero magoar ela. – falou, retornando ao seu barco. – Sinto muito, meu pai. Sinto muito, Dave.
- Se controla, . - Dave o cutucou com o remo. - Você é um cara incrível, mas eu sei o quanto esse seu lado pode ser cruel com você e com as pessoas ao seu redor.
- Sinto muito.
- Espero que vocês sejam capazes de consertar essa merda toda, como é que Agartha vai querer um acordo com a gente contra a guerra com os Vantronis, se meus próprios filhos estão armando uma guerra civil? - meu pai dizia, passando a mão no rosto. – ARRUMEM ESSA MERDA! - subi no barco.
- Vou consertar isso, pai. – falei, olhando para a plateia nos encarando. Aquilo foi realmente horrível.

Por,


Atitudes como a que eu fiz hoje, atacando meus irmãos, aconteceram algumas vezes, quando eu era um jovem revoltado e fazia todas as coisas ruins que um jovem pode fazer. Eu tive que amadurecer muito, e ainda era todo dia um novo meio de amadurecimento e tentativa de ser melhor, mas me fazia ir de um cara bom e gentil, a um imbecil arrogante, e eu não sabia lidar com isso. Eu sabia que havia sido um completo babaca com meus irmãos, brigar com eles me machucava mais do que eu podia admitir, mas eu era orgulhoso demais para admitir isso para eles e para pedir desculpas, talvez eu nunca fosse ser o homem que as pessoas esperam que eu seja, talvez eu nunca vá ser alguém “melhor”, e estava fadado a ser esse imbecil eternamente.
Eu tentava ser alguém melhor para mim, mas agora, tinha alguém que me incentivava, inconscientemente, a ser alguém bom. E eu iria lutar por isso.

Por,


Havia sido uma surpresa para mim, brigar com meus irmãos dessa forma. Estava acostumado com as discussões rotineiras, mas sairmos no braço e tentarmos afogar um ao outro, era frustrante. Eu me sentia muito mal com o que disse e com o que ouvi, mas estava cansado de sempre ser o que pede desculpa. Podia ser orgulho da minha parte, mas eu não posso me desculpar por uma briga que não comecei. havia sido corajoso ao assumir seus pensamentos, parando para pensar, sempre o intimidamos, aquilo era uma libertação para ele, e me sentia mal por não estar comemorando com ele, finalmente a sua libertação de sempre tentar agradar. voltou aos velhos tempos, por uns minutos lembrei o inferno que foi quando ele resolveu pagar de rebelde. Eu não conseguia acreditar que ele teve essa recaída, faria o possível para ajudar o meu irmão a não ser mais aquele cara, nunca ficaria com ele se soubesse que tem esse lado adormecido, e eu jamais trapacearia desse jeito.


Capítulo 30

Os três herdeiros da coroa entraram no quarto do Rei Roger e da Rainha Leigh-Anne, quietos, apenas esperando o sermão pós-competição. Roger sequer conseguia ficar feliz por ter ganho a primeira prova, seus filhos estavam em guerra e aquilo era devastador para um pai. Os irmãos nem se olhavam, Leigh esperava o momento certo para ter o seu surto. Tirou seu salto, suas joias e pelo espelho encarou , mas antes que ela pudesse falar qualquer coisa, Lady Devimon entrou no quarto, para a tristeza da rainha.
- Céus, a última vez que entrei aqui, esse quarto tinha uma decoração muito melhor. – a senhora falou, tirando sorriso dos netos.
- É a última moda da nova América. - Leigh respondeu, revirando os olhos
- Última mesmo... Coisa mais brega. – ela fez cara de indignação.
- Vovó! - se levantou, indo abraçar a mesma. Ela sorriu, retribuindo.
- Meu neto mais amoroso, senti falta de você. - sorriu ao receber o carinho da querida avó. - , meu amor, você está perfeito. - abraçou o neto mais velho, que estava logo atrás do irmão, enquanto permanecia quieto, observando a paisagem da janela. – E, por fim, ... Meu indomável neto...
- Olá, vovó. - sorriu sem mostrar os dentes, e deu um abraço na avó.
- Mamãe, ainda nem acredito que você está em casa, depois de tantos anos. – Roger sorria, olhando para a mãe.
- Eu não perderia por nada a visita do Reino Agartha para cá. - a mulher caminhou até a cama e se sentou. – Seu pai nunca conseguiu, e nem eu, nos nossos quarenta e cinco anos de reinado. Sou muito orgulhosa por você, meu filho.
- É uma honra sempre poder te orgulhar, Lady Devimon. – era realmente uma honra para o homem, ser elogiado por ela era coisa grande.
- Agora, o que eu não entendo... É COMO FOI QUE VOCÊS PUDERAM FAZER ISSO COMIGO. – Leigh finalmente surtou, gritando com os filhos.
- Agora sim, finalmente. – sorriu com o grito. – Prossigam logo com o sermão, para eu poder ir para os meus aposentos.
- Você... - Leigh caminhou até o filho, coçando a mão para não bater na cara do mesmo. - VOCÊS SÃO UNIDOS, SEMPRE FORAM, COMO CONSEGUIRAM QUEBRAR ISSO POR UMA BESTEIRA?
- Não é besteira, mãe, são anos de rancor guardado. – respondeu, se sentando no chão.
- Hoje foi só o estopim. – o mais velho se pronunciou.
- É pela ? - Devimon perguntou, fazendo todos a encararem. – Eu sei de tudo desse castelo, afinal, eu sou a eterna Rainha, dona desse castelo, e de Avallon. Isso tudo, é meu.
- Eu adoro o jeito que você fala sobre isso. – deu uma piscadinha para a avó, que piscou de volta. Aquilo deixava sua mãe maluca.
- Eu... Eu fico extremamente chateado com isso. – Roger falou, se referindo a briga. - Vocês nunca fizeram algo tão cruel.
- Eu tenho a solução para isso. – Leigh se levantou. – Expulsem da Seleção.
- Ficou maluca? - perguntou, enquanto os irmãos riam.
- Ela vai ser a responsável pela destruição de vocês. - a rainha quase rosnou.
- Não quero a garota fora da seleção, mas concordo que ela é um perigo para vocês três. - Roger passou a mão no rosto.
- Ela tem que sair.
- Leigh-Anne, você está se aproveitando disso para tentar prejudicar a menina, coisa que não irei permitir. – Devimon se levantou, encarando todos do quarto. – Eu vou decidir se a garota fica ou vai embora.
- Você vai deixá-la aqui, só para me contrariar. – a outra mulher falou, rindo de nervoso, fazendo os meninos encararem a situação, como sempre faziam quando elas conversavam. Era sempre uma batalha.
- Me poupe, mulher, o mundo não gira em torno de você. - a senhora fez cara de deboche. – Eu vou fazer o que é melhor para os MEUS netos, o que é melhor para o MEU reino, o que claramente você não está fazendo, já que quer beneficiar a si mesma.
- Mamãe, por favor. – Roger interviu, entrando entre as duas.
- Me intriga o fato de você ver ameaça na garota... - ela continuou. - Preocupação com os meninos, um pouco, afinal, você é mãe e preserva seu patrimônio, mas... tem algo que te ameaça, te ofusca... Eu vou descobrir o que é. Estão liberados, meninos. Se arrumem para o baile.
Eles estavam prestes a sair, mas ela voltou a falar.
- Quero vocês fazendo as pazes, de verdade e com todo o coração. - os meninos se encararam, fazendo careta. – Se querem tanto que a garota fique, isso terá que acontecer. Não posso arriscar a irmandade dos meus netos.
- Mas... Vovó...
- Rapazes? Eu odeio essa briga de vocês! Existem outras garotas aqui, muito bonitas, inteligentes e legais, vocês estão fascinados e alguém vai ficar com ela, SE alguém ficar com ela, os outros dois vão viver com ódio? Eu nunca irei permitir isso.
- Concordo com a avó de vocês. - o pai falou, cruzando os braços.
- Então, façam as pazes, façam um acordo, deem um jeito... Ela fica apenas se eu quiser que fique, isso está em minhas mãos, e 85% da chance de acontecer, depende de vocês. Podem ir. - os três observavam os meninos saírem. – E EU SEI QUANDO VOCÊS ESTÃO MENTINDO. NUNCA VÃO ME ENGANAR.
- Isso é uma afronta, Devimon. – Leigh-Anne falou, indo para seu banheiro e batendo a porta com força.
- É, não entendo como ela pode julgar tanto a pobre , ela ainda tem a mesma essência que a garota...
- Mamãe. - Rei Roger chamou a atenção da mãe, que riu e se preparou para retirada triunfal.
£

- O que vamos fazer? - perguntou, afinal, acima de tudo, ele era amigo de e estava preocupado com ela, não só por benefício próprio.
- Eu vou para o meu quarto dormir, e acordar faltando cinco minutos para o Time Aykroyd. – , arrogante, respondeu.
- Você sabe que vamos eliminar três pessoas hoje. – segurou o irmão. - Se você gosta dela tanto quanto diz, pense nela agora, a vovó não brinca com as ameaças dela.
- Eu não quero ficar brigado com vocês. – após um longo tempo em silêncio, falou, deixando os irmãos surpresos com a atitude. – Só que eu não quero ficar sem ela.
- , você sabe que nenhum de nós temos ela, né? - respondeu, fazendo o irmão mais velho rir pelo nariz. – Ela que está comandando a gente, e o pior, ela nem faz de propósito.
- Eis o que vocês vão fazer. – novamente, Devimon apareceu, no corredor onde estavam. - Vão conversar onde as fofocas não se espalhem e, além de tudo, dar uma chance às outras meninas.

Por

- Vamos, está atrasada. – Robin bateu palminhas, me apressando. – Por sorte, marquei cabeleireiro para você assim que soube do baile, então, com esse bando de mulher querendo se arrumar, ao menos você ficará deslumbrante.
- Você está tão ansiosa para esse baile. – falei, estranhando.
- Deixe disso, hoje tem eliminatória, você sabe que três vão para casa, não que eu esteja com medo de que você saia, se depender dos meninos, você fica, mas...
- Mas? - coloquei as mãos na cintura.
- Mas... Eu não quero minha selecionada se arriscando à toa, vá para o banho, estamos atrasadas. – ela se encarou no espelho, passando a mão no rosto.
- Faltam cinco horas ainda.
- Você não entendeu que cada segundo é indispensável? - Olivia, que estava com seu enorme barrigão, falou, rindo. - Vá!
Fui para o meu banho, rindo daquela situação, não importava quanto tempo tivesse passado, eu ainda achava uma besteira demorar horas me arrumando daquela forma. Coloquei um roupão e fui direcionada ao salão real, onde não tinha ninguém, quase. Foram criadas cabines para separar as pessoas, o que achei ótimo, assim a privacidade reinava. Entrei na minha cabine e logo Stuart apareceu, com seu sorrisinho irritante.
- Ora ora, se não é a selecionada mais complicada dessa seleção. - ele falou, sorrindo, me fazendo rir. Até que senti falta dele.
- Se não é o cabeleireiro mais afrontoso desse castelo.
- A-M-O! – sorriu. – O que vamos fazer hoje?
- Deixo você me surpreender dessa vez, MAS, não quero que você mude nada em mim, e nem que me deixe irreconhecível. - ele bateu palminhas, mas depois fez careta. Tudo que ele mais queria desde que cheguei, era colocar as mãos no meu cabelo.

Durante a hidratação que ele fazia em mim, enquanto eu ficava relaxando no momento de espera, lendo, senti que alguém havia entrado na cabine e se sentado ao meu lado. Olhei e me surpreendi ao ver Lady Devimon ali, toda elegante e sorridente.
- Meu Deus. – falei, me levantando toda desastrada e me curvando. – Majestade!
- Olá, minha querida, espero não estar te incomodando. – neguei com a cabeça, me sentando. – Temos alguns minutos para uma conversinha?
- Claro, é uma honra. Desculpe, estou nervosa, você é uma mulher que sempre admirei. – falei, mostrando minhas mãos que tremiam. Desde que me entendo por gente, adorava Lady Devimon, para mim, ela sempre seria A Rainha. Lembro que uma vez, quando criança, assistia o Time Aykroyd pela TV dos italianos para quem minha mãe trabalhava, e não me esqueço da cena de Lady Devimon, totalmente delicada, dando um soco em um lorde, que por algum motivo, havia passado a mão em uma empregada que servia água para eles em uma entrevista, eu sempre a achei perfeita.
- Não fique, pelo que eu vi e escutei, você também é muito admirável para alguém tão nova, e fico feliz que você tenha se recuperado do seu trauma, sinto muito pelo seu padrasto nojento. – ela segurou minha mão.
- Eu acho que isso é uma coisa que a gente não se recupera cem por cento, trabalhamos a cabeça para entender que passou, mas o trauma sempre vai permanecer ali. – suspirei. - É por isso que eu vou lutar pelo meu projeto, independente de ficar na Seleção ou não.
- Eu te apoiarei nisso. – sorri com aquilo. - Por que diz “independente de ficar na seleção ou não”?
- É que eu sei que tem eliminatória hoje. – me expliquei, fazendo-a entender.
- Mas você sabe que é a última pessoa dessa seleção possível para ser eliminada, não é? - droga, que ela não seja igual a maluca da Leigh-Anne.
- Olha, eu não pedi por isso, majestade, eu não quero ser eliminada, mas também não quero que seus netos me beneficiem. Eu já implorei para prestar atenção em outras meninas, eu dei espaço para , na realidade, e eu vivemos em guerra, eu não faço nada para que ele queira ficar comigo, e céus, ... Eu nunca imaginei que ele tivesse esse surto de querer algo comigo, a senhora já viu a Sam? E a Lizzie, que mesmo sendo uma verdadeira cobra, é de longe, uma das mais bonitas dessa seleção. A Rainha Leigh-Anne quer minha cabeça de qualquer forma, por achar que quero fazer mal aos meninos, mas eu gosto tanto deles que jamais faria isso e...
- Você fala demais quando está nervosa. – ela riu, segurando minha mão. - Não sou a Leigh, eu não quero sua cabeça, eu quero ver meus netos felizes. - ela suspirou, parecendo analisar os fatos. - Você nem tenta, isso que é ridículo. - ela disse em voz alta, e depois me encarou. - Você não quer que eles se machuquem, mas eles já estão fazendo isso.
- O quê? - perguntei, sem entender.
- A briga de hoje, foi por sua causa. – eu não estava entendendo aquela situação, meu coração parecia que ia explodir. – A declaração de foi o estopim para isso, aparentemente é o mais abalado com tudo, ele tem problemas para lidar com sentimentos, e o passado dele... Bom, ele melhorou muito, mas é difícil competindo contra os dois irmãos perfeitos que ele tem.
- Eu... Eu jamais imaginaria que isso fosse capaz de acontecer. – falei, olhando para o chão, chocada.
- Eu sei, querida... Mulheres fortes atraem pessoas fortes. – ela passou a mão em meu rosto. – Mas estamos falando de uma irmandade em risco aqui, eu não quero que nada aconteça com meus netos.
- Eu... Entendo. – respondi, me segurando para não chorar.
- Bom, só achei que você deveria saber, é algo importante. – ela se levantou. – Obrigada pelo seu tempo. Aproveite a festa, o meu voto é para o seu projeto. Ah, estou sempre à disposição para você, quando quiser conversar.
Sorri, vendo-a sair da minha cabine. Eu estava desolada, triste e completamente chocada com o que acabara de ouvir. Lady Devimon veio até mim para dizer que os netos estão brigando por mim, aquilo era algo terrível, eu não poderia permitir algo tão ruim como isso.
Não sabia desse passado de , sabia que era rebelde e que havia melhorado, mas não do resto. Me preocupava alguém tão carinhoso como brigar com os próprios irmãos, e era alarmante o fato de chutar o pé da barraca por mim tendo ao seu lado Sam.
Esperei Stuart voltar para arrumar meu cabelo, estava aflita durante esse tempo todo, pensar naquilo me dava dor de cabeça. Deixei ele me maquiar de uma forma ousada, ele nunca havia feito uma maquiagem daquela, e o penteado estava super elegante, continha um certo volume no cumprimento que estava solto e com vários cachos, ele fez um topete no topo da minha cabeça e deixou a “franja” solta, meus lábios estavam bem marcados com o batom vermelho vivo.
- Uau, eu me superei. – ele sorriu, me olhando no espelho.
- Obrigada por isso, com total certeza, foi seu melhor trabalho até agora. – em mim, pensei. Diante a minha decisão, talvez até fosse o último.
- Boa festa, arrase! - saí do salão, caminhando pelos corredores com Ben ao meu lado, que falava igual uma maritaca enquanto eu permanecia quieta com os pensamentos longe. Eu queria chorar.
- Falta o seu vestido, aí vamos para as fotos e depois você vai para o Time Aykroyd, depois é baile! Estou tão ansioso. – ele falava animado. Eu queria rir, mas o nervosismo não permitia nem que isso eu fizesse.
Entrei em meu quarto, Taihne me esperava já com o vestido azul escuro, o qual combinava com a situação. Me vesti e calcei os saltos, me olhei no espelho e vi as minhas meninas me olhando, animadas e sorridentes, aquilo me partia o coração. Parecia que tudo que eu estava fazendo era errado, e que tudo aquilo estava sendo em vão, não podia me sentir bem destruindo pessoas que eu amo.
Fui acompanhada por Ben até as fotos, onde as meninas estavam reunidas, todas conversando animadas, mas não quis me aproximar. Me sentei e esperei minha vez, eu era uma das últimas, estava pensativa, imaginando meios de consertar aquilo.
Observava as meninas, todas lindas. Summer usava um vestido amarelo que lembrava o vestido de Bela, de a Bela e a Fera; Sam usava um lilás brilhoso; Courtney, um verde militar; Kim e Tess variavam o vestido, mas a cor marsala era divina; Waine vestia um prateado; Beth caminhava com um preto, que valorizava sua pele; e Lizzie, um laranja. Ela me olhava feio, mas aquele era o menor dos meus problemas.
Até ela se sentar ao meu lado.
- Belo vestido. – falou ela para mim, olhando de cima à baixo.
- Obrigada. – respondi sem paciência, não querendo dar brecha para provocações, e me levantei. – Com licença, eu sou a próxima.
- Uma pena ele estar rasgado. – olhei sem entender para ela, que na primeira oportunidade que teve, rasgou o meu vestido.
- ELIZABETH? - gritei, horrorizada, escondendo parte do meu quadril e bunda que ficaram totalmente à mostra.
- O quê? Ele estava rasgado. – ela falou sorrindo, e se levantou. – Uma pena, mas é a nova moda isso, para as... Promíscuas. Com licença, eu vou na sua frente para dar tempo de... Consertar isso...
Eu não acreditava no que havia acontecido, não tinha ninguém ali que pudesse ter visto a cena para denunciar aquela garota, e eu não podia fazer escândalo. Corri até o lado de fora e vi Ben que não entendeu absolutamente nada, mas me seguiu até o meu quarto, me defendendo de olhares dos guardas.
- O QUE ACONTECEU? - Lauretta perguntou, chocada.
- Lizzie. – falei, me segurando para não chorar de ódio. - Ela simplesmente rasgou meu vestido, eu não posso usar isso, pelo menos não hoje.
- Temos algum vestido antigo que serve. – Taihne se levantou para procurar em meu guarda roupa.
- Não podemos repetir roupa, a nossa competição ainda está acontecendo. – Lauretta disse, pensativa. Olívia se levantou e se arrastou até um manequim coberto no canto do quarto. – Por que não pensamos nisso antes?
- Pensaram no quê? - perguntei, angustiada.
- O vestido perfeito. – Olivia respondeu, tirando o manequim no canto do quarto e mostrando um vestido vermelho sangue rodado, cheio de brilho e todo aberto atrás, contendo apenas duas alças finas que prendiam a parte da frente colada nos seios, já que o decote da frente era devastador.
- Céus... Isso é a coisa mais ousada que já vesti em toda minha vida. – falei assim que elas me vestiram. O vestido valorizava meus seios e mostrava minhas costas.
- É a melhor coisa que você já vestiu. – Lauretta riu.
- Estávamos preparando-o para a final, mas com certeza pensaremos em algo melhor para isso. Agora vá, tire suas fotos e detone a vadia da Lizzie. – Taihne sorriu, enquanto me via sair sem coragem do quarto.
- UAU. – Ben falou assim que me viu. – Meu Deus.
- Vamos. – implorei para ele não fazer comentários, mas foi em vão. Cheguei na sessão de fotos e só tinha o fotógrafo, sorridente ao me ver. – Desculpe o atraso.
- Você está deslumbrante, , nunca te vi mais linda. – ele me fez sorrir. – Venha, faça uma pose bem bonita, vamos rápido, o programa já está para começar. - fui para onde deveria e fiz as poses que ele mandava. – Temos todas, vá. Boa sorte!
Agradeci e caminhei até a porta que dava acesso ao Time Aykroyd, para minha sorte, a música de abertura estava terminando. Assim que eu entrei, Marie começou a apresentar e Jeremy perdeu a concentração quando me viu, chamando a atenção de todos para mim. As meninas pareciam estar surpresas comigo, a Rainha havia odiado aquilo, os meninos travaram e Lizzie quase rosnou de ódio, pelo menos essa parte eu havia gostado.
Jeremy continuou o seu programa junto com Mary enquanto eu me sentava em meu lugar, ao lado de Lizzie e Beth. Não podia deixar de observar como os meninos estavam, os três estavam estonteantes como sempre, mas era visível para quem conhecia eles o bastante, que tinha algo errado. E eu não suportava o fato de eu ser a responsável. Meu coração não aguentaria aquilo.
- Amiga, você se superou dessa vez. – Beth falou, sorrindo. – Mas, o que houve com o azul? Você estava linda naquele também.
- Acho que foi tanta inveja que ele não aguentou. – respondi e Beth sacou à quem eu me referia.
- Devia ter ficado com o outro, estava menos vulgar. – Lizzie respondeu sorrindo, me fazendo sorrir de volta.
- A parte interessante é que não importa o que aconteça, eu sempre tenho um truque na manga. Tentou me derrubar rasgando o vestido? O meu reserva é ainda mais bonito e escandaloso, se queria que eu chamasse a atenção, parabéns, você fez isso com classe, não poderia ter escolhido um dia melhor. - me virei para prestar atenção enquanto ouvia a respiração forte dela, aquilo não tinha preço, eu havia amado.
- Vamos para o resultado da nossa intervenção. - Marie falou, tirando três envelopes dourados e entregando um para cada príncipe. - Esses envelopes estão sortidos, vocês serão “Padrinhos” do projeto que caiu para vocês. Alteza... – ela falou para .
- É com honra que apresento o projeto de Summer McCanlies. – Summer se levantou sorrindo e indo até ele. O projeto dela era realmente bom, Summer queria agasalhar e dar roupas para os necessitados, ela era doida por moda, mas eu achei legal ela ter usado algo que não fosse para benefício próprio. - Parabéns, Sum. - Jeremy não deixou de bajular Summer, que realmente estava linda, e depois incentivou a falar. Ele estava com a cara de poucos amigos, mas deu um leve sorriso antes de falar o nome.
- , eu lutarei com você e por vocês. - ele falou, olhando para as meninas e depois para a câmera, eu me tremi toda e caminhei até eles.
- , que arraso que você está hoje, parabéns pelo projeto e boa sorte. Meu querido príncipe , pode falar do terceiro projeto. – ele me encarou, deu um sorrisinho e uma piscadela e anunciou Beth, que ficou surpresa, mas eu acreditava que ajudar crianças com material escolar era imprescindível, mudaria a vida de muitos.
- Você está tentando matar alguém do coração usando essa roupa? - sussurrou em meu ouvido, me fazendo encará-lo, prestes a socá-lo, mas ele logo terminou a frase. – Desculpa pelo palavreado, mas... Puta que pariu, você está maravilhosa. – pronto, eu não sabia nem o que responder.
- É... Eu... – gaguejei, mas logo voltei para minha postura. - É estranho ver você me elogiando, o que você quer? - tratei logo de alfinetá-lo. - Até ontem você não olhava nem na minha cara.
- Eu sou um cavalheiro, elogio uma dama quando ela realmente está maravilhosa. – sorri, torcendo para que ninguém percebesse minha bochecha formigando.
- Nosso time de intervenção está montado, podem se sentar, meninas, obrigada. - Marie falou, me fazendo acordar para a vida e voltar para o meu lugar. Esperei o Time Aykroyd terminar, para falar o que eu precisava com Lady Devimon.
Aquilo partia meu coração mais do que eu imaginava, eu amava os meninos e não permitiria essa briga, aquela decisão que eu havia tomado era, com toda certeza, a mais difícil, mas era necessária. Esperei o salão se esvaziar, todos estavam ansiosos querendo o baile logo, então, quando Rei Roger, Rainha Leigh-Anne, Lady Devimon e meu pai estavam juntos, fui até eles.
- ? - Dave falou, achando estranho a minha postura de chegar sem ser convidada.
- O que você quer, garota? - Leigh Anne falou, ríspida. Respirei fundo e segurei as lágrimas.
- Quero aproveitar que vocês estão aqui, juntos, e anunciar que... Eu quero sair da Seleção.

Capítulo 31

Aquilo foi um espanto para os três, mas não para Lady Devimon, que só olhava com atenção aquilo tudo.
- , por que você vai fazer isso? - Rei Roger se aproximou de mim enquanto Dave ficara com os olhos avermelhados.
- Foi você, não é? Você ameaçou minha filha de novo, não foi? Céus, você é baixa. – Dave olhou para Leigh-Anne, que estava tão surpresa quanto qualquer pessoa.
- Escute aqui, seu... - ela tratou logo de responder, mas eu cortei os dois.
- Eu consigo lidar com ataques diários de selecionadas ciumentas. – comecei a falar, ainda segurando o choro. – Eu consigo lidar com comentários pesados da mídia, e não ligo nem um pouco para os ataques que venho sofrendo da rainha desde que cheguei. – olhei para ela, que cruzou os braços. - Mas, a única coisa que eu não consigo lidar, é ser responsável pela separação e briga de uma irmandade tão linda... - sequei uma lágrima teimosa que caiu. – Eu amo os três, não falo me referindo ao quesito romântico, eu falo no geral, eu amo tanto que não posso permitir isso. Assim como não suportei o fato dos meus pais serem ameaçados pela rainha, eu não suportaria a hipótese disso também.
- Traga o champagne. – Leigh sussurrou para uma criada que estava no canto da sala. – Que bom que você se tocou, , com certeza irei apoiar a sua saída.
- Eu fico feliz por você se preocupar desse jeito com eles, mas não precisa ser tão radical. – Roger respondeu, olhando para Dave, que não conseguia me encarar. – Uma boa conversa resolveria tudo.
- Eu sei que estar aqui me deixa próxima de você e dos meus irmãos, Dave, a gente podia recuperar todo o tempo perdido, mas... Eu não me reconheceria se me permitisse separar três irmãos. - segurei a mão dele, que nem me encarava.
- Eu sei...
- Vou arrumar minhas coisas e aviso aos meninos a minha saída logo após isso. – limpei o meu rosto e caminhei até a porta, vendo o champagne chegando. Era típico dela isso.
- – Devimon me chamou. - Não ouse falar para os meus netos que quer sair. – encarei ela, sem entender nada. - Você fica.
-O QUÊ? - Leigh Anne quase se engasgou com o líquido, Rei Roger queria matar a esposa, e Dave não entendia mais nada. Bom, eu também não.
- É isso mesmo, Leigh-Anne, a garota vai ficar. – ela sorriu e foi até mim. - Você fez exatamente o que eu queria que fizesse, minha querida... Veja, você ama os meus netos ao ponto de desistir de algo grande na semifinal, e ao ponto de desistir de ficar próxima da família que você acabou de descobrir que tem...
- Mas... Os meninos...
- Eu já me resolvi com eles, vai ficar tudo bem. - ela sorriu novamente, encarando a nora.
- Isso é uma afronta, você quer destruir meus filhos...
- Você fará isso, lambisgoia. – Devimon retrucou, tirando o champagne da mão da outra. – Você tem uma filha de ouro, Dave.
- Eu tenho. – ele sorriu, olhando para mim. Eu fui até ele e o abracei. – Vamos, vá para o seu baile e nunca mais faça isso que fez agora sem me consultar antes, eu poderia ter infartado. - ri daquilo, não conseguia entender ao certo o que havia acabado de acontecer, eu caí na pegadinha de Devimon, mas eu fiz algo que ela queria que eu fizesse, e, por isso, meu pedido de sair foi negado. Mesmo assim, ainda tinha medo e precisava conversar com os meninos sobre isso. Meu coração se sentia manipulado, e eu me sentia confusa.
Caminhei até o salão de baile, altamente arrumado e chique. Summer e suas ajudantes não economizaram esforços para fazer uma noite inesquecível. Algumas pessoas estavam chegando no castelo, afinal, seria um baile enorme, contando não só com Agartha, mas com os amigos poderosos dos Aykroyds, então podíamos contar com uma noite cheia de eventos. Fui até a recepção para ajudar as meninas, elas precisavam de gente dando apoio enquanto Ben ia cuidar da segurança Real junto com outros guardas.
- Ah, ainda bem que você veio nos ajudar, é muita gente para receber de uma vez, parece que vou endoidar. – Courtney falou assim que me viu, sorrindo para um convidado que passava. – Seja bem-vindo, curta a festa.
- Não deixaria vocês na mão, mesmo que algumas mereçam. – falei, suspirando, recebendo um olhar fuzilador de Lizzie.
- Parabéns pela intervenção, estava torcendo por você. - ela sorriu, meio nervosa.
- Achei que me odiasse. – falei, confusa, rindo.
- Não te odeio, a competição me força a sentir um pouco de ranço, mas no fundo eu admiro você e a sua coragem, queria ser um pouquinho só do que você é. - sorri sem mostrar os dentes, aquilo era estranho de ouvir. – E seu vestido é maravilhoso.
- Obrigada, Court... Não somos um objeto de bolso para os príncipes, devemos nos impor quando houver necessidade. – falei e sorri para um convidado, passando uma de minhas mãos carinhosamente nos ombros dela. – Seja você e queira ser uma versão cada vez melhor. Que felicidade encontrar com vocês novamente! – falei, assim que vi um casal de amigos que me ajudaram no meu primeiro baile.
- Nós é que ficamos felizes em ver você aqui, . – a mulher me abraçou. - Estamos torcendo por você, nem parece a garotinha assustada e arisca que estava aqui no primeiro baile.
- Melhorei muito. – ri, corando. Lembrar do caminho que percorri até aqui, era, de fato, cômico. Não imaginava que iria durar tanto tempo.
- Confesso que eu achava que você seria eliminada rápido, mas você é uma caixinha de surpresas, e que bom que conseguiu ficar aqui. – o homem falou, tirando gargalhadas minhas, não estava sozinha com esse pensamento então.
- Eu fiz um bom trabalho. – Robin apareceu, sorrindo. – Ren, Camina, que honra reencontrá-los. – ela abraçou os amigos.
- Estamos felizes em ver tão empoderada. – Camina falou, sorrindo, me fazendo sorrir de volta.
- Camina, eu não tenho nada a ver com isso, eu só a treinei para ser elegante e saber se portar em público, em seus pensamentos eu não precisei fazer nada, ela sempre foi assim. – Robin me abraçou de lado, ela estava muito estranha. Robin estava mais amorosa e mais “pegajosa” comigo, ela sempre fora fria e de poucas palavras, mas de um tempo para cá, ela não perdia a oportunidade de me bajular, abraçar e beijar. Sua aparência havia mudado também, parecia mais cansada.
- Robin, espero que esteja melhor, ficamos sabendo, lamentamos tanto... - Robin deu uma bela de uma encarada em Ren, que fechou a matraca assim que percebeu.
- Melhor? - perguntei, confusa, e Robin sorriu nervosa. – Robin?
- Não é nada, querida. – Robin mudou de assunto, mas eu segurei suas mãos enquanto Ren e Camina se afastavam. – ?
- Vai me dizer o que está acontecendo? Ou eu terei que partir para os fofoqueiros reais?
- Não está acontecendo nada. – ela respondeu, visivelmente abalada com aquela conversa.
- Eu sabia que tinha algo acontecendo, mas agora Ren confirmou isso. Robin, não me obrigue a descobrir sozinha. – eu estava realmente nervosa com aquilo, meu sexto sentido apitava alto.
- Não queria que ninguém soubesse, e não queria que você, especificamente, descobrisse. – ela começou a falar, enquanto caminhávamos em direção ao salão de festas.
- Descobrisse o quê? - quase gritei, sendo repreendida pelo olhar.
- Eu estou doente. – ela disse, calmamente, enquanto pegava duas taças de vinho de um garçom e me entregou uma. Eu estava digerindo o que acabara de ouvir. - Há uns meses descobri que tenho um tumor cerebral. – meu coração parou de bater por uns segundos e eu esqueci como respirar. – Estou fazendo quimioterapia, mas o meu caso não tem cura... Cirurgia é impossível.
- Robin. – meus olhos estavam marejados e ela tratou logo de não permitir que eu fizesse isso.
- Não ouse. Se recomponha, aqui não é o momento de chorar, lição 23, se lembra? - ela também havia ficado com os olhos marejados.
- Nunca chorar em público. - falei, me recompondo, mas não tirando da cabeça que aquela mulher boa pudesse estar com algo tão cruel. – Quanto tempo você tem?
- Não queria te falar nada, para evitar que você ficasse mal, você estava passando por tanta coisa, mais uma bomba seria difícil superar. – eu queria abraçá-la, chorar em seu colo, mas ela era tão forte. –Tenho tempo suficiente para ver você de noiva subindo no altar com um dos nossos meninos e sendo coroada. - não resisti e a abracei forte. Senti uma lágrima escorrer, era inevitável, a pior notícia que eu poderia receber, não suportaria perder aquela mulher. - Vá curtir sua noite, você merece isso. – ela sorriu ao me soltar, vi que estava emocionada, mas respeitei seu espaço. Me recuperei e saí de perto dela, indo até algum banheiro próximo, sentia que iria vomitar.
Aquela notícia me atingiu como um soco, eu estava tão abalada que sequer conseguia conversar com alguém, fui correndo até o banheiro, trombando com Summer no meio do caminho, que me viu entrando feito um furacão ali. Vomitei literalmente nada, apenas um líquido amargo que queimava minha garganta, e chorava. Céus, como eu chorava.
- ? - Summer entrou e ficou assustada com a cena. - Céus, o que aconteceu? - ela logo tratou de segurar meu cabelo e me abraçou, se sentando no chão. - Eu estou ficando assustada.
- Me desculpe. – sequei as lágrimas, aceitando o abraço da pessoa mais improvável do mundo. – Robin está doente. – segurei para não soluçar. - Ela tem pouco tempo, Sum.
- Oh, , eu sinto muito. – ela me abraçou novamente. - Não sei o que dizer, essa situação é uma merda...
- Eu não sei o que vou fazer sem ela. – falei, atordoada.
- Se ela te visse assim agora, tenho certeza de que você apanharia. – rimos. Com total certeza eu iria levar a maior surra. – Veja, não há nada que você possa fazer a não ser fazer de tudo para deixá-la feliz agora, aproveite isso, aproveite os momentos. – assenti com a cabeça, ela tinha razão. - Vem, se levante, se recomponha, sua maquiagem é bonita demais para você estragá-la com lágrimas, por sorte você só precisa de um retoque, eu tenho o pó dos milagres. – ri. Summer sempre tem tudo, aquilo era ótimo. Em segundos eu já estava bem de novo. - Vocês vão passar por isso, vai dar tudo certo.
- Obrigada, Summer. – abracei ela, e ela sorriu.
- Eu sou uma víbora, mas eu sei ser boa quando alguém precisa. – realmente, Summer era a definição de bipolaridade, ao mesmo tempo em que era má, ela me ajudava. Ela poderia ter me deixado morrer com minha falta de ar na colheita, poderia ter feito os fotógrafos tirarem uma foto minha e usarem de legenda algo constrangedor como “Selecionada bebe demais e passa mal”, ou “selecionada está grávida”, mas me ajudou.
Depois de alguns minutos, me retirei do banheiro, indo para a civilização. Conversei um pouco com Beth e Sam, que já estavam animadas pelo vinho, mas fui apresentada para a “cerveja”, bebida oficial dos Agarthanos. Eu havia amado. Olhei Robin, que estava rindo e dançando. Que bom que ela estava “bem”. Procurei os meninos, eles estavam com Alan, rindo e brincando. Do nada, parecia que haviam feito as pazes. Preferi deixá-los, assim era melhor. Alguns minutos depois, Alan surgiu pegando o microfone, chamando a atenção de todos.
- Boa noite, meus queridos companheiros. – ele sorriu, fazendo todos os convidados gritarem felizes. – Que noite incrível e agradável, hein? Avallon sabe como festejar. Em meu reino, nós dançamos muito e cantamos também, eu amo cantar. - Ok, eu não precisava daquilo, sabia o que viria a seguir. Caminhei despretensiosamente até a saída mais próxima, bebericando minha cervejinha, quando fui travada pelo meu príncipe mais novo, , que balançava a cabeça negativamente. – E eu conheci alguém com vários talentos nesse castelo, céus, a minha música favorita foi tocada no piano e cantarolada pela voz suave dessa mulher. – tentei dar uma volta, mas me impediu, ele havia aparecido do meu outro lado, também negava com a cabeça. - A selecionada, . - todo mundo olhava para mim naquele instante, eu dei alguns passos para trás, sentindo algo atrás de mim, também me impedindo, olhei pra cima e era , sorrindo. Eu não sabia o que fazer, estava cercada pelos homens mais bonitos daquele lugar. – Por favor, venha aqui e cante comigo.
- Vá, . – implorou, sorrindo, eu não conseguia nem rir.
- Você sabe que eu tenho pânico de palco. – quase grunhi.
- Você tem uma voz maravilhosa, Alan te admira, você ajudará Avallon com o acordo. – droga, . O encarei feio enquanto o mesmo sorria. Podia ouvir Sam e Beth gritando para que eu fosse logo.
- Vamos, você vai arrasar. – colocou as mãos em meus ombros, me dando um abraço pelas costas, me incentivando. O perfume dele era covardia com qualquer pessoa.
- Estarei ali, caso precise. – começou a me arrastar delicadamente até Alan.
- Pronto, minha cantorinha subiu aqui, finalmente. – Alan levantou a taça dele, fazendo todos comemorarem.
Coloque para tocar

- Céus, eu vou te matar. – falei, tirando uma risada dele, que fez um sinal para o pianista, que logo começou as notas. Olhei para Robin, que sorria animada. Aquilo me incentivou mesmo, deixá-la feliz e orgulhosa era a minha meta. Vi Dave ao lado de Ben e Denver, todos me encarando animados. - É uma ironia eu cantar isso, agora. – falei para ele, antes de segurar o meu microfone.
- Só sinta a música, não é como se fosse uma indireta. – o encarei com a sobrancelha arqueada, o mesmo sorriu e começou o seu show, respirei fundo e fiquei observando aquele homem maravilhosos se apresentando sem nem se abalar.
I can see you standing, honey
(Eu consigo ver você em pé, querida)
With his arms around your body
(Com os braços em volta do seu corpo)
Laughin', but the joke's not funny at all
(Rindo, mas a piada não é nada engraçada)
And it took you five whole minutes
(E você levou cinco minutos inteiros)
To pack us up and leave me with it
(Para arrumar nossas malas e me deixar com isso)
Holdin' all this love out here in the hall
(Segurando todo esse amor aqui fora do corredor)


Eu evitava qualquer contato visual com os meninos, mesmo sabendo que eles estavam ali.

I think I've seen this film before
(Eu acho que já vi esse filme antes)
And I didn't like the ending
(E eu não gostei do final)
You're not my homeland anymore
(Você não é mais minha terra natal)
So what am I defending now?
(Então, o que estou defendendo agora?)
You were my town, now I'm in exile, seein' you out
(Você era minha cidade, agora estou no exílio, vendo você partir)
I think I've seen this film before
(Eu acho que já vi esse filme antes)


Era irônico aquilo, enquanto Alan cantava, eu me sentia em uma comédia. Olhei para Alan, que me incentivou a cantar a próxima parte. Respirei fundo e me virei para o público, dando de cara com ali, bem perto com sua taça de champagne. estava próximo a janela, junto com uma garota que eu não conhecia, apreciando aquilo, me olhando. estava ao lado de Sam, ambos quietos e sem muita expressão.

I can see you starin', honey
(Eu consigo ver você olhando, querida)


Pude ouvir algumas pessoas elogiando assim que comecei a cantar.

Like he's just your understudy
(Como se eu fosse apenas seu substituto)


Sam encarou , e depois olhou para o chão. Merda.

Like you'd get your knuckles bloody for me
(Como se você tivesse suas juntas sangrando por mim)
Second, third, and hundredth chances
(Segunda, terceira e centésima chances)
Balancin' on breaking branches
(Se equilibrando em galhos quebrados)
Those eyes add insult to injury
(Aqueles olhos adicionam insulto à lesão)


bebeu um gole de seu copo, e não tirava os olhos de Alan e eu.
I think I've seen this film before
(Eu acho que já vi esse filme antes)
And I didn't like the ending
(E eu não gostei do final)


Olhei para , que sorriu triste para mim. Eu repetia para mim mesma que aquilo era apenas uma música.

I'm not your problem anymore
(Não sou mais seu problema)
So who am I offending now?
(Então, quem estou ofendendo agora?)
You were my crown, now I'm in exile, seein' you out
(Você era minha coroa, agora estou no exílio, vendo você partir)


Eu tremia tanto, que Alan colocou gentilmente a mão em minhas costas, me dando apoio, aquilo era demais para mim. Eu me sentia a pior pessoa do mundo.

I think I've seen this film before
(Eu acho que já vi esse filme antes)
So I'm leaving out the side door
(Então, eu vou sair pela porta lateral)
So step right out, there is no amount
(Então, vá logo, não há quantidade)


Alan se virou para mim enquanto eu cantava junto com ele essa parte da música.

Of crying I can do for you
(De lágrimas que eu possa chorar por você)
All this time
(Todo esse tempo)
We always walked a very thin line
(Nós sempre andamos em uma linha muito tênue)
You didn't even hear me out (you didn't even hear me out)
(Você nem me ouviu)
You never gave a warning sign
(Você nunca deu um sinal de aviso)
(I gave so many signs)
(Eu dei tantos sinais)


Cantei de olhos fechados, pois era covardia, eu não tinha dado absolutamente nada, e aquilo culminou uma briga horrível entre os irmãos que eu tinha aprendido a amar.

All this time
(Todo esse tempo)
I never learned to read your mind
(Eu nunca aprendi a ler sua mente)


me encarou com um sorrisinho nos lábios, eu entendia o motivo.

Never learned to read my mind
(Eu nunca aprendi a ler minha mente)


parecia desconfortável, Sam parecia animada ao me ver no palco, mas não parecia a vontade ao lado de .

I couldn't turn things around (you never turned things around)
(Eu não consegui mudar as coisas (Você nunca mudou as coisas))


, por algum motivo, estava saindo do salão ao lado da garota. Ótimo, eu devia estar péssima.

'Cause you never gave a warning sign (I gave so many signs)
(Você nunca deu um sinal de aviso)
So many signs, so many signs
(Tantos sinais, tantos sinais)
You didn't even see the signs
(Você nem viu os sinais)


Fiquei cara a cara com Alan, que sorria e cantava igual a um artista acostumado com o palco, era incrível.

I think I've seen this film before
And I didn't like the ending
You're not my homeland anymore
So what am I defending now?
You were my town, now I'm in exile, seein' you out
I think I've seen this film before
So I'm leavin' out the side door


Essa parte cantamos de mãos dadas, e nos voltamos para o público. Enquanto Alan saía do palco e caminhava pelo salão, eu permanecia no palco, me concentrando para não cair ou errar.

So step right out, there is no amount of crying I can do for you
All this time
We always walked a very thin line
You didn't even hear me out (didn't even hear me out)
You never gave a warning sign (I gave so many signs)
All this time
I never learned to read your mind (never learned to read my mind)
I couldn't turn things around (you never turned things around)
'Cause you never gave a warning sign (I gave so many signs)
You never gave a warning sign (all this time)
(So many signs) I never learned to read your mind
(So many signs) I couldn't turn things around (I couldn't turn things around)
'Cause you never gave a warning sign (you never gave a warning sign)
You never gave a warning sign

(Você nunca deu um sinal de aviso)


terminou o seu champagne e bateu palmas, aparentemente animado, qual era o problema dele? , mesmo que desconfortável, sorriu e bateu palma, e depois olhou para Sam, que me encarava feliz, mas assim que o encarou, saiu de perto. Procurei por , ele estava na porta principal, ainda com a garota, ignorando o fato de eu ter me apresentado. “Estarei ali caso você precise” uma ova, falso.
- Estou muito feliz por você ter aceitado se apresentar comigo. – Alan me abraçou e falou baixinho, enquanto todos aplaudiam e gritavam felizes.
- Como não cantar depois de praticamente ter sido forçada? – perguntei, rindo. Me soltei de seus braços. - É uma honra, majestade. Obrigada pelo convite.
- , você estava radiante. – Lady Devimon se aproximou de nós. – E, Alan, seu rostinho bonito não é apenas bonito, você é um líder magnífico e com ótimos dons... Cantor!
- É uma honra receber elogios de você, minha querida! - Alan, com seu charme, sorriu e beijou as mãos delicadas de Lady Devimon. - Confesso que nunca quis essa coroa, mas eu preciso reparar os erros do meu pai, creio que Agartha poderia estar mil passos à frente de Vantron e poderíamos ter evitado essa enorme guerra.
- Se tem uma coisa que eu aprendi, meu filho, é que os erros do passado foram feitos para não serem cometidos no futuro, talvez seja o nosso karma tentar consertar isso. – ela sorriu, eu senti que estava sobrando, então, tentei me retirar. – Onde vai? É importante você ouvir uma conversa de grandes reis e rainhas, tome nota.
- Não seja imprópria, Devimon, não precisa presenciar um diálogo como esse, ela sequer deve entender do que se trata. – era o que me faltava, aquela BRUXA não me dava um minuto de paz.
- Receio que aqui não seja o meu lugar, mas é sempre uma honra poder participar. – falei com deboche. – Mas, devo ressaltar que a história de Agartha se trata de traição, assim como Avallon, só que por questões distintas, como o Rei Alan disse. Agartha poderia ter evitado essa guerra, assim como Avallon, a diferença de vocês dois como monarcas é que você está preocupada com quem você vai humilhar no dia de hoje, e Alan se preocupa com o crescimento de seu país. - fiquei com medo de ser expulsa naquele instante, meu pai, que estava logo atrás de Leigh-Anne com Roger, apenas arregalou os olhos. Devimon tomou um gole de seu champagne com um sorrisinho nos lábios, e Alan estava surpreso com aquilo. – Mas o que me importa, é que tenho um monarca interessado com o crescimento de Avallon, e três herdeiros prontos para cuidar de tudo, especialmente um, o , que governaria não pelo título, e sim por amor à nação. Preste atenção nisso. – respirei fundo e arrumei minha postura, já havia cutucado mais uma vez a onça, o que me restava era sair de cabeça erguida. – Se me derem licença, irei fazer o meu papel, ser gentil e educada com os convidados, e me preparar para uma dança.
- Vá, vá com suas amigas, querida. – Lady Devimon, debochada, me incentivou, enquanto eu descia do palco, não deixando de ouvir o resto do diálogo,
- Vocês vão permitir isso? Ela me desacatou. – a mulher praticamente gritou.
- Você provocou a garota. – Devimon respondeu, rindo.
- Quem fala o que quer... - Roger começou a falar, mas se calou por algum motivo.
- Vocês sabem que precisam de uma líder assim, certo? - ouvi Alan falar. Naquele instante fui interrompida com se aproximando.
- Bela apresentação. - ele sorriu, me entregando uma taça de vinho.
- Obrigada. – sorri, bebendo o vinho. – Alan é bem persuasivo quando quer.
- Coisas de monarcas, é tipo um dom. – ele riu, olhando para o palco. Parecia que eles ainda estavam discutindo, e Alan tentava apaziguar as coisas. – O que rolou ali? O que você fez?
- Por que você acha que eu fiz algo? – perguntei, na defensiva.
- Minha mãe surtando daquele jeito? Só você consegue fazer isso. – revirei os olhos.
- Ela tentou me diminuir, de novo. - bufei e o encarei. - Não importa se ela é a rainha, ou se é a sua mãe, eu não vou aguentar humilhação de cabeça abaixada. E não quero tentar fazer amizade com aquela mulher.
- Com ela vai ser difícil mesmo, mas veja pelo lado bom, você tem o apoio da minha avó. - ele deu de ombros. – E pelas circunstâncias, era para ela te odiar.
- Se refere à briga de hoje? - coloquei as mãos na cintura, esperando uma resposta, já que ele havia ficado desconfortável e tentado se esquivar. – O que aconteceu?
- Brigas de irmãos, você não sabe como funciona? Um dia nos amamos e no outro nos odiamos.
- Não vocês. - balancei a cabeça. - Vocês podem até sentir ódio um pelo outro em algum dia, mas não a ponto disso, vocês podiam ter se machucado, imagine se vocês se afogam.
- Somos ótimos nadadores, princesa. – ele voltou com aquele sorrisinho irônico, ótimo.
- Ninguém é bom nadador levando soco, . – falei, séria. Ele revirou os olhos e arqueou a sobrancelha.
- Você poderia ter ido nos salvar, já que estava tão preocupada.
- Sou uma péssima nadadora, e eu jamais perderia meu tempo com três marmanjos brigando por coisas fúteis. - dei de ombros, me lembrando de melhorar meu discurso. Eu acabara de me auto xingar, e, novamente, voltar a mentir sobre meus sentimentos, estando na defensiva.
- Você estava preocupada até alguns minutos. – ele falou, com sarcasmo na voz, me fazendo o encarar com raiva. É, ele conseguia me deixar irritada com poucas palavras. – E não sabia que você se considerava fútil.
- Eu não quero discutir com você, não mais, e com certeza não aqui. – respondi, completamente abalada pela confirmação que eu precisava para terminar de destruir o meu coração. Saí do salão, atordoada. Eu sentia um misto de raiva e tristeza, era difícil viver esse drama. Senti alguém segurando meu braço e me puxando para atrás de uma pilastra, não fiquei surpresa ao ver ali. – Me solte.
- Você sabia o motivo, só queria que eu confirmasse. – ele falou, sem se abalar, parecia pleno com aquela conversa.
- Eu não entendo. – falei, rindo, nervosa. – Como vocês podem brigar por causa de uma qualquer como eu? Tendo essas mulheres lindas rodeando vocês, e com certeza, prontas para fazer vocês felizes.
- Aconteceu, . – ele falou, sério. - Eu não queria me apaixonar por você, eu não queria brigar com meus irmãos por isso, já que eles dizem estar encantados por você também, tudo isso virou uma bola de neve e brigamos para decidir quem era digno de te ter...
- Eu posso ser propriedade de vocês no papel, , mas na vida real, eu não pertenço a ninguém. - falei, bem próxima dele, ao interrompê-lo. - Não tem briga que me faça querer ficar com qualquer um, muito pelo contrário.
- Eu sei, você tem a alma livre. – ele sorriu, triste, olhando para cada parte do meu rosto. – Você vale a pena.
- Você sabe o quanto eu valorizo meus irmãos, e eles então acima de qualquer coisa. – comecei a falar, depois de uns segundos digerindo aquilo. - Eu não valho uma briga besta. – falei, passando a mão em seu rosto. – Eu não valho a quebra de uma irmandade tão linda. – sorri sem mostrar os dentes. – Você tem dois irmãos que te amam e entrariam na frente de uma bala por você.
- Você vale muito, . - ele segurou meu rosto. – Eu sei que não vai ser fácil, mas eu sei que eu e meus irmãos vamos nos entender, e...
- Você não entendeu que isso não deveria acontecer? - novamente eu ri de nervoso. - Você ter que decidir entre uma garota e seus irmãos?
- Não deveria acontecer, mas aconteceu. – , com aqueles olhos hipnotizantes, falou, sorrindo triste.
- Isso só facilita o que eu quero fazer. – o encarei, segurando as lágrimas, mas falei firme. – Eu quero sair da Seleção.
- O quê? - ele quase gritou. - Não! Eu negarei isso eternamente.
- Não dificulta as coisas, . – me aproximei dele, segurando novamente seu rosto. - Você precisa me deixar ir...
- Com licença, altezas... - uma criada apareceu, tímida. - Pediram para avisar sobre a primeira dança, começará em instantes.
- Obrigada. – sorri para ela, que ficou feliz e saiu andando rapidamente. Encarei , que passava a mão no rosto, encarando a janela, fazia uma noite linda lá fora. – Pense além, ...
- Essa conversa não acabou. – ele falou e saiu andando, me deixando sozinha com os meus demônios. Respirei fundo, tentei não pensar muito naquilo, havia pedido para sair, DE NOVO, e o pior: eu sabia que não me deixariam ir. Caminhei até o salão, mas dei de cara com a cena ridícula de no canto, terminando de beijar a garota de hoje mais cedo. Aquilo era a pior afronta do mundo, não por mim, mas pela Seleção. Passei por aquilo fazendo o maior barulho com meus saltos, e bufando, sem me importar se ele veria aquilo ou não, babaca.
Cheguei bufando no salão e fui para o lado de Alan, que estava conversando com algumas pessoas. Pude ver que estava rindo e conversando com algumas pessoas também, Sam estava com Beth, as duas estavam animadas conversando, até que fomos chamados a atenção por Summer.
Coloque para tocar

- Chegou a hora. – ela falou, elegantemente. – Cada um com seus pares, a melhor parte da noite está prestes a começar agora. – ri e olhei para meu parceiro, que galantemente ofereceu seu braço e fomos até o meio da pista, formando duas filas. De um lado estava Rei Roger e a megera, do outro, Lady Devimon com meu pai. Atrás do Rei Roger, seu filho mais velho com Sam, e atrás do meu pai, com Courtney. Atrás de , estava com Kim, que não parecia estar contente com o atraso do parceiro, e atrás de , estávamos eu e Alan. Atrás de nós, estavam Beth com seu guarda, e assim as duas filas se formavam, com uma enorme plateia em volta.
Respirei fundo e escutei os primeiros toques da música, indo pra frente ao lado de Alan. Conforme todos fizeram, nos viramos para frente, ficando de cara com a outra fila, o que me fazia ficar de cara com . Fizemos uma reverência e demos um passo para frente, passando para o outro lado. Foi difícil passar tão perto de sem querer socá-lo. Em alguns passos, Alan me rodopiou e começamos a parte em que eu poderia pisar em seu pé.
- Está indo bem, ainda não me pisou. – sorri, envergonhada. - Não adianta ficar com essa cara amarrada e tentar esconder, todos sabem que você está brava.
- Não estou. – dei de ombros, dando um passo para frente e girando junto com Alan, aquilo me dava enjoos. - Só uma noite cansativa.
- Sabia que você poderia evitar toda essa sua bola de neve se viesse comigo para Agartha? – encarei ele, rindo, ele era piadista também.
- O que eu faria em Agartha? Seria a Chata Real? - ele riu, balançando a cabeça.
- Podia ser uma bela rainha. – o encarei, chocada. Oi? Antes que eu pudesse responder, fizeram a troca de pares e eu fui diretamente para os braços de , que sorria sem mostrar os dentes.
- É meio óbvio, mas você está estonteante. – revirei os olhos, torcendo para fazer a troca novamente. Eu precisava sair de perto dele. – Estou sendo ignorado? Por quê?
- Não seja falso. – respondi, ríspida. - Você trocou de lugar com ? Agora você é o galinha, e ele é o fofo?
- O que importa? - ele deu de ombros. – Licah é uma amiga de infância.
- Vou beijar meus amigos de infância também. - lembrei de Eric, outro drácula. - Não me importo se você quer agir como um otário, você perdeu completamente o respeito pelas Selecionadas, eu achei que éramos amigos o bastante para você ir até a porra do palco me dar um abraço depois dessa apresentação que você fez eu participar. Eu só queria o meu amigo.
- O que te incomoda mais? Eu não estar no seu pé, ou eu entender que você não precisa de mim e te deixar ir? - o encarei, incrédula, eu não sabia que ele seria capaz disso. Não pude responder, já que havia ocorrido novamente a troca, dessa vez, eu estava com .
- Não tivemos tempo para conversar, mas queria deixar claro que você está belíssima. – sorri, ainda meio desconcertada.
- Você também, . – ele sorriu e olhou para Sam, que dançava com , os dois sorridentes. – O que está pegando?
- Sam está chateada por algo, ela não quer falar comigo direito. – ele suspirou enquanto dançávamos. - Creio que eu não esteja sendo um bom... Companheiro?
- Você é um bom companheiro, só está perdido. – sorri. – Sam é inteligente e saberá lidar com isso. – suspirei. – Me desculpa por ser a causadora disso, me contou... Eu não quero ser um problema.
- Você não é, nós somos, nós que não sabemos lidar com isso tudo. – falou, prontamente. - Não se culpe, vamos resolver isso.
- Eu vou resolver isso, . – o encarei. – Eu quero sair da Seleção. - ele se assustou com aquilo. Não teve tempo de resposta, fui diretamente para os braços de , e era o que eu precisava.
- Você não pode ficar bravo comigo. – falei, depois de ser ignorada. - É pelo bem de vocês.
- Você não sabe o que é melhor para gente, você só está preocupada em como vai conseguir dormir sem ter peso na consciência. - ele revirou os olhos, aquilo havia me machucado.
- Está sendo injusto. – respondi, séria. - Um dia você vai entender isso tudo. – suspirei e ele me encarou, ficando bem próximo do meu rosto.
- Se você quer sair porque não gosta da gente, tudo bem, mas se você quer fazer isso pensando apenas na gente, pense melhor, eu e meus irmãos somos maduros para resolvermos isso, não precisa ser tão radical. – ele suspirou e eu olhei para o chão. - Mas, independentemente da sua escolha, eu gosto de você o suficiente para te deixar ir. – meus olhos marejaram, eu não sabia mais o que estava fazendo. Não consegui responder e voltei para os braços de Alan, outro que eu tinha que me resolver.
- Alan, você ficou maluco? – perguntei, me referindo à sua proposta.
- , você é linda, é inteligente, tem a mente aberta e a visão de futuro é incrível. - ele sorriu ainda enquanto dançávamos. - Eu tenho em você uma amiga agora, sei que o que vou contar poderá abalar o que temos, mas farei. – o encarei sem entender. – Mesmo você sendo essa mulher maravilhosa, eu prefiro outra coisa...
- Você é...
- Gay. – ele sorriu, me fazendo ficar travada por alguns segundos. A dança acabou bem na hora, e antes que pudesse falar algo, estávamos envolvidos por aplausos e gritos. Estava surpresa com aquela revelação, a dinastia era cruel, e um rei gay não era exatamente o que traria paz entre os povos. Eu não tinha problema nenhum com aquilo, e estava feliz por ele ter confiado em mim. – Depois nos falamos. – ele sussurrou e saiu andando, me deixando sem entender aquela situação e aquele convite surreal.
Olhei para os lados e logo fui engolida por algumas pessoas que insistiam em me bajular, aquilo ainda era estranho para mim. Em Southampton as pessoas fingiam não me ver, talvez por eu ter sido aquela menina marrenta e brava, ainda existia esse lado dentro de mim, só havia achado uma forma de lidar com ela, afinal, Robin me fez virar outra pessoa. Me olhar no espelho e comparar a pessoa que eu era, e a pessoa que eu sou agora, me deixava com o coração quentinho. Avallon havia me ensinado muito mais do que eu imaginava. Sentiria falta daquilo.
Olhei para todos antes de me retirar do grande salão. Ver Sam e Beth rindo e dançando, felizes junto com as outras meninas, despreocupadas, me deixava bem. Meu pai rindo com rei Roger e seus companheiros era, de fato, bom. Ah, e o que dizer de Ben, que mesmo em seu horário de trabalho, não perdia a pose de super protetor, sempre em alerta. Denver não estava, mas eu sentiria falta do meu irmão mais velho mesmo assim. Olhei em volta e vi os três príncipes juntos, ao lado de Lady Devimon, os três riam um para o outro e a avó parecia estar feliz com aquilo. Quando olhei novamente, os três se abraçaram. Sorri com aquilo, talvez estivesse certo e eles fossem maduros para lidar com uma situação complicada daquelas. Vi também Robin arrasando em seus passos de dança, era importante aquilo para mim. Respirei fundo e saí de lá, caminhando pelos corredores, os quais eu tinha tantas memórias boas e ruins. Trombei com Marie pelo caminho, a mulher estava exuberante, como sempre, porém, megera.
- , já está indo? - elegantemente, ela levantou sua taça para mim.
- Foi um longo dia, preciso descansar. – respondi, não parando para conversar.
- Escutei umas fofocas, como boa jornalista não poderia deixar de perguntar. – ela chamou minha atenção, me parando com as mãos. - Você pediu para sair da Seleção?
- Não sei do que está falando. – falei, sorrindo. – Largue meu braço, não te dei essa liberdade.
- Não pude deixar de ouvir você pedindo para o Rei, e depois para . – ela me fez arquear a sobrancelha. - Você tem alguma coisa de especial, ... Nunca vi assim por ninguém.
- Eu não entendi uma coisa. – comecei a dizer. – O que nesse assunto lhe diz respeito?
- Nada. – ela riu, me fazendo querer voar no pescoço dela. – Se quer sair, saia, muita gente vai ficar feliz, inclusive eu. Eu só não tive o corpo de , você foi muito mais rápida que eu. – ela riu, vendo minha cara furiosa. - Mas, se quer um conselho... Tudo bem amar os dois, eu amei, no seu caso... Os três.
Caminhei em passos firmes até o meu quarto, furiosa com aquela situação. Marie conseguia fazer o que a Rainha fazia, me deixar brava ao ponto de querer explodir alguém. Fiquei extremamente chateada por ter dado folga para as meninas, justamente no dia que eu mais precisava de companhia, eu havia perdido elas. Liguei a água da banheira, o que eu mais precisava, além de companhia, era um banho quente, afinal, eu não teria aquele luxo. No dia seguinte eu me retrataria novamente à frente da família real, e assinaria, se assim os meninos permitissem, a minha saída. Quando a banheira se encheu, coloquei todos os sais de banho que eu amava e adentrei, permitindo que a água quente banhasse cada parte de meu corpo, conseguindo relaxar por alguns minutos. Por uns instantes achei que havia encontrado a paz, até sentir a presença de alguém ali, comigo. Me assustei ao não ver alguém, era bizarro sentir alguém observando, e na realidade, ninguém. Tentei não pensar naquilo.
- É muito difícil encontrar você sozinha. – me assustei ao ouvir uma voz masculina, mas não reconheci. Ele estava com um capacete, o que escondia o rosto, mas era um guarda. Meu coração gelou.
- Quem é você? – perguntei, assustada. – Saia já daqui.
- Um enviado para acabar com você de vez. – ele riu, só podia ser piada.
- Se retire imediatamente, antes que eu comece a gritar. – falei, me amaldiçoando por ter deixado a toalha longe da banheira.
- Ninguém vai te ouvir, , somos só nós dois... - em segundos ele estava com as mãos em meu pescoço, jogando na água algo que começou a borbulhar. Não sabia o que era, mas sabia que era algo tóxico, eu sentia minha pele queimando, e a fumaça me deixava zonza.
- Por que você está fazendo isso? - perguntei, lutando com a força que eu não tinha, para me livrar das mãos dele.
- Fui enviado aqui, você vale muito dinheiro. – havia entendido, ele foi enviado pra me matar. Não sabia diferenciar as lágrimas com a água, o tanto que eu me debati e gritei havia molhado praticamente meu banheiro inteiro. Ele estava ficando tonto também, aparentemente a substância que ele havia jogado não afetava apenas a mim. – Eu preciso de grana, e você não é bem-vinda. – ele falou bem próximo do meu ouvido, por trás de minha cabeça.
- SOCORRO. – gritei mais uma vez, não tão forte quanto eu gostaria, mas o suficiente para jogar com força minha cabeça contra o rosto dele. O mesmo afrouxou as mãos, mas não o suficiente para eu conseguir sair. - Céus, socorro. – implorei, chorando ao sentir tontura.
- Vadia insolente, bem que me avisou. – ouvi ele falando, antes de escorregar e ver apenas uma movimentação estranha e embaçada. Eu iria morrer?
- ! - escutei alguém me puxando, uma imagem bem distante e turva. – Droga. – senti o corpo me envolvendo, e logo depois a toalha. – , por favor, fica comigo. – abri os olhos e vi embaçado, ouvi também a voz de , ele parecia estar gritando com alguém e batendo também, já que ouvi grunhidos. – Fica acordada, eu já volto. – ele me sentou na cadeira, mas eu estava tonta demais. A visão estava embaçada e eu só me concentrava em não morrer, mais uma vez. estava em cima do cara que me atacou, tentava controlar o irmão, tentando tirar ele dali, mas era em vão. Vi saindo desesperado e voltando com dois guardas, Ben e outro que eu não reconhecia. Ben me encarou, e rapidamente segurou , com muita força, já que ele estava descontrolado. e o outro guarda seguravam o homem que me atacou, eu pude ver o rosto dele, foi naquele instante que eu senti meu corpo batendo no chão com força, e antes de tudo ficar escuro mais uma vez, vi o rosto de segurando minha cabeça para não bater no chão.

Essa é a dança, para quem quiser saber o que se passava na minha mente.



Fim!



Nota da autora: É isso, amadas. Chegamos ao final de uma etapa importante pra mim <3 A primeira e a segunda parte de Avallon foram postadas completas, depois de três anos! Eu tomei a decisão de continuar ela, com outro nome, o que significa a continuação e parte final de uma etapa tão linda para mim. Avallon, The Decision. Assim que a primeira parte for postada, irei disponibilizar, aqui mesmo na primeira parte, o link, e nos comentários também, fora o grupo no fb que está sempre sendo atualizado para vocês. Espero que gostem dessa novidade, que continuem comigo nessa reta final cheia de emoção.





Nota da beta: Não acredito que acabou assim, Miiiiiiiiiiii! Nossa, estou surtada! E eu confesso que cheguei aqui no final, mas já me apeguei nesses personagens. E quase nem deu tempo, mas me apaixonei pelo Thor, sério hahahahaah Estou muito honrada de ter assumido a betagem de Avallon, já estou ansiosa para próxima parte e espero que a gente se encontre novamente. Obrigada por essa história incrível <3

Qualquer erro nessa fanfic, ou reclamações somente no e-mail.


comments powered by Disqus