Última atualização: 01/09/2020

Capítulo 1

O dia estava nublado e cheio de nuvens cinzas aparentemente pesadas pela chuva que estava prevista para o resto da semana, mesmo estando no verão. A estação King's Cross se encontrava tomada por um mar de pessoas andando de um lado para o outro, apressadas e com expressões desgostosas em seus rostos, a maioria trouxas que precisavam chegar aos trabalhos, escolas, faculdades e afins.
No meio da multidão, um garotinho de 11 anos andava ansioso, esbarrando em algumas pessoas e pedindo desculpas após receber olhares atravessados. Os pais o acompanhavam logo atrás, ou pelo menos tentavam, carregando o carrinho com as malas do rapazinho, era difícil seguir o garoto que se enfiava em meio ao trânsito de pessoas da estação com uma gaiola onde dentro estava sua corujinha de estimação, Amora, em uma das mãos e as passagens com registros alto-relevados da plataforma 9¾.
Theodore Edwards Campbell era o nome do garotinho de cabelos e olhos castanhos claros, estatura não tão alta para sua idade – o que o fazia parecer uma pequena formiguinha ali–, alegre e entusiasmado em meio a toda a muvuca da estação, tal ansiedade dada ao fato de que oficialmente era um estudante de Hogwarts, a famosa escola de magia e bruxaria – bem, não tão famosa assim no mundo dos chamados "trouxas" –, e ali se iniciaria o seu primeiro dia do ano letivo.
O recebimento da carta convocado o pequeno rapaz para a família Campbell fora uma grande e inesperada surpresa, às vezes a mãe de Theodore, Luciene, se pegava pensando se era real mesmo, a entrada do filho em todo esse mundo novo e desconhecido para eles. Isso porque o garoto era vindo de uma família inteiramente de trouxas, pessoas não nascidas bruxas, era completamente surreal toda essa ideia.
Assim que chegou a plataforma, Theodore lançou olhares perdidos por todo o local, procurando ali onde seria o número indicado no bilhete que segurava, até que parou o olhar sobre uma das largas colunas de concreto entre os arcos que separavam os lados de "ida e volta" dos trens. O garoto se voltou para a mãe, fazendo uma careta, em seguida soltando uma risada que seria considerada um tanto alta se o local não estivesse cheio – Os amigos e conhecidos de Theo diziam que aquela era uma das características marcantes no mesmo, sua risada 'diferente porém fofa', era como descreviam.
— Seria cômico se não fosse completamente irreal atravessar uma parede de concreto assim, simples e rápido — Ele sorriu para os pais, que o olharam esperançosos, sorrindo de volta.
O olhos da Sra. Campbell teimaram em lacrimejar, seguido de algumas lágrimas que molharam as bochechas rosadas da mulher.
— Ora mãe, não chore! — O garoto foi até ela, a abraçando e afundando o rosto em seu suéter vinho, sentindo o cheiro de jasmim do perfume que usava desde que Theo se entendia por gente, tentava guardar a fragrância em sua memória até porque seriam 3 meses até que se encontrassem novamente, nunca havia passado tanto tempo assim longe dos pais, a ideia lhe parecia bem assustadora e libertadora de algum modo — Eu vou sentir muito a falta de vocês.
O garoto puxou o pai junto para um "abraço em família", como sempre costumavam fazer, seguidos de beijos na bochecha.
— Não se esqueça de escrever todos os dias para nós, contando tudo, absolutamente tudo — A mãe disse, olhando nos olhos do garoto e acariciando a bochecha do mesmo, puxando para o que seria um "último abraço" antes de ir — Se cuide lá
— Está bom, Lucy, ele sabe muito bem como sobreviver sem a gente, não é mesmo filho? — O sr. Campbell lhe lançou um sorriso, apoiando uma das mãos no ombro do garoto
— É… eu vou aprender — Theodore respondeu meio incerto — Eu amo vocês, até outra hora — Ele sorriu, vendo os pais indo embora dali.
O garoto tomou controle do carrinho com as malas e foi até a coluna de tijolos laminados, respirando fundo antes de atravessar a mesma, até que fora interrompido por uma família um tanto barulhenta atrás de si. Theo olhou para trás, avistando um bando de cabeleiras ruivas.
— Tem certeza que não esqueceu nada, não é, Ronald? — A mulher em meio a eles ali gritou, parecia ser a mãe — Fred e Jorge, olhem bem aqui, amenizem o tanto de reclamações que terei de receber! — Ela gritou para os gêmeos que riam da situação da mesma e responderam um "claro mamãe" em uníssono.
Theodore ficou ali observando a família atrapalhada, até que outro garotinho apareceu ao lado de Theo, parecendo tão perdido quanto ele, aparentando ter a mesma idade que a sua e do garotinho ruivo ao qual a mulher havia chamado de "Ronald".
— Hey, vai para Hogwarts também? — O Campbell mais novo perguntou ao garotinho ao seu lado, fazendo menção à coruja que ele também havia na gaiola com um aceno de cabeça
O garoto olhou para ele surpreso, em parte por ele ter puxado assunto e também por saber sobre a escola.
— Ah, sim… Eu sou Harry — Ele estendeu uma das mãos livres que antes estava segurando a barra do carrinho com suas bagagens.
Theo respondeu ao cumprimento e olhou para o garoto mais atentamente, tentando associar alguma coisa, até que resolveu perguntar.
— Potter?
O garoto de cabelos castanhos um pouco mais escuros que os dele e olhos azuis como o mar que vira quando foi à praia com os pais, franziu as sobrancelhas, mostrando um certo incômodo.
— É, sim… — Ele deu de ombros, trocando o peso do corpo que apoiava de um pé para o outro.
Theo sabia de toda a história com os Potter e aquele-que-não-deve-ser-nomeado, e mesmo sendo uma pessoa bem curiosa e tagarela, preferiu deixar que essa sua "característica" se sobressaísse quando já tivesse feito amigos. Um dos medos do garoto ao ir para uma escola totalmente nova e cheia de desconhecidos: Não fazer amigos e não gostarem de si.
Então apenas lançou um sorriso simpático e disse:
— Eu sou Theodore, mas me chame de Theo.
Ele viu Harry sorrir de volta e retornou sua atenção para a família que estava observando antes.
— Acho que eles também irão para Hogwarts — Harry supôs, alternando o olhar entre Theo e os ruivos reunidos.
— Percy querido, vá primeiro — A mulher disse para o mais velho dos irmãos, que atravessou a parede sem nenhum empecilho, sumindo dali em questão de segundos. — Agora você Fred, vá.
Um dos gêmeos deu um passo à frente e lançou um olhar indignado para a mãe.
— Eu não sou Fred, sou Jorge — Ele respondeu — Francamente, mulher, ainda se diz nossa mãe?
— Oh, desculpe Jorge, querido.
O garoto desatou a rir junto do irmão gêmeo.
— É brincadeira, eu sou o Fred — Ele disse correndo até a coluna, empurrando as malas no carrinho antes que a mãe pudesse responder alguma coisa.
Em seguida o outro irmão seguiu, desaparecendo ali como os outros antes dele.
Enfim a mãe dos garotos que orientava o último filho para atravessar a coluna de concreto percebeu os pequenos garotos parados ali, ambos apoiados no carrinho com malas e as corujinhas nas respectivas gaiolas nas mãos, prestando atenção na explicação corrida que a mesma dava.
— Olá queridos, vão para Hogwarts também? — Ela se aproximou deles dois, que trocaram um olhar não reconhecido — Qual o nome de vocês?
Theo fez que sim com a cabeça, meio tímido mas abrindo um sorriso em seguida.
— Eu me chamo Theodore Campbell, mas pode me chamar de Theo, senhora
— E eu me chamo Harry… — O garoto disse hesitante — Potter.
— Eu me chamo Molly Weasley, queridos, este é Rony — Ela puxou o garotinho ruivo pelo braço para mais perto — Também será o primeiro ano dele em Hogwarts — Molly disse sorridente — Oh, essa é Gina mas ela não irá ainda, não este ano.
Theo lançou um sorriso simpático ao menino e a garotinha, estendendo a mão para cumprimentá-los.
Enfim Molly deu um beijinho na bochecha de Rony que fez uma careta e apanhou suas bolsas no chão que haviam caído para pôr no carrinho.
— Já está na hora de irem queridos, se não irão perder o trem — Ela disse, abraçando Gina de lado e olhando os garotos irem.
Primeiro Rony atravessou, em seguida Harry e por último um receoso Theo...
Esperando um impacto gigantesco, ele correu com os olhos fechados, e os abriu em seguida se deparando com uma outra parte da estação, um tanto quanto diferente.
Havia mais pessoas como ele ali, crianças e adolescentes até a faixa dos 17 entrando no trem a vapor parado nos trilhos. Alguns estudantes já dentro do transporte se despediam dos pais e responsáveis pelas janelas, outros os abraçavam ali na plataforma mesmo antes de entrarem nos vagões.
Em um canto dali o agente de estação chamava a todos para subirem nos vagões e orientava as pessoas.
Theodore observava tudo encantado, até que foi puxado por Rony.
— Venha, vamos encontrar algum lugar para sentar — O ruivo disse, guiando ele e Potter por entre as pessoas, deixando as malas para serem levadas ao compartimento de bagagens e entrando no vagão em seguida.
Os garotos seguiram o corredor extenso, até que finalmente encontraram uma cabine vazia, adentrando ali e se aconchegando nos bancos. Harry se sentou na janela do lado esquerdo, Rony à frente do garoto e Theo ao lado de Harry, no meio do banco com 3 lugares.
Um última chamada para a partida do trem em direção à Hogwarts foi ouvida vinda do lado de fora, na plataforma, e em alguns minutos, às 11 horas em ponto o trem partiu, seguindo para a escola.
Em pouco tempo de viagem, uma mulher apareceu no corredor atrás da porta com a janelinha de vidro que dava vista para a cabine, empurrando um carrinho cheio de doces e dando umas batidinhas no vidro.
Theo abriu a porta, observando o carrinho colorido, curioso.
— Querem alguma coisa para comer, queridos? — A mulher sorridente perguntou.
O pequeno Campbell havia se alimentado muito bem antes de sair de casa, por conta de sua mãe que o fizera comer um pão torrado e dois ovos mexidos acompanhados de chá de morango, então o garotinho estava sem apetite algum, porém Harry e Rony compraram algumas guloseimas, deixando o espaço vago do bando do Wesley cheio delas.
A viagem se estendeu por um longo tempo, passando por campos verdes e diversas paisagens bonitas, deixando Theo admirado com todo o trajeto. Enquanto observava pela janela, um barulhinho no vidro da porta chamou a atenção dos três garotos, que olharam intrigados para o outros três meninos que apareceram na porta.
Dois dos garotos eram gordinhos e tinham cabelos castanhos quase pretos, as bochechas rosadas e não eram tão bem encarados, já o garoto do meio era loiro, com olhos verdes eletrizantes que acompanhavam uma expressão convencida em seu rosto. Theodore encarou todos eles confuso se perguntando o que queriam ali.
Pela cara dos três não parecia que queriam fazer amizade.
— Então os boatos são verdadeiros? — O garoto loiro disse com um tom sarcástico em sua voz, encarando os meninos com o nariz arrebitado — Harry Potter está aqui nessa cabine?
— Sim, sou eu — Harry disse, um tanto desconfiado, dava para ver que não ia tanto com a cara do garoto.
O loiro sorriu sem mostrar os dentes.
— Estes são Crabbe e Goyle — Ele apontou para os garotos, um a cada lado seu — E eu sou Draco — Ele estendeu a mão para cumprimentar Harry— Draco Malfoy.
Rony tossiu de leve, quebrando o silêncio que se instalou, parecia segurar uma risadinha, recebendo um olhar atravessado de Draco.
— Meu nome pareceu engraçado para você? Bem, eu nem preciso perguntar qual o seu não é? Pelas vestes de segunda mão, os cabelos ruivos e as sardas é possível identificá-lo como um Weasley — Malfoy cuspiu as palavras com um certo nojo em seu tom — Meu pai também me disse que está cheio de vocês por aí pois fazem filhos e mais filhos desenfreadamente sem nem poder sustentar — Ele riu.
Theodore encarava o garoto, chocado com o que havia acabado de ouvir, quem aquele menino achava que era?
Rony cerrou os punhos, pronto para partir para cima de Draco, quando Theo segurou sua mão.
— Deixe para lá, não vale a pena debater nem partir para agressão, apenas ignore.
Malfoy voltou seu olhar para o garotinho de menos de um metro e meio sentado à sua esquerda, o encarando perplexo.
— E quem é você? Aposto que deve ser mais um nascido trouxa que chegou para sujar a nossa imagem — Draco disparou para o menino, que ainda o encarava de volta.
— Bom, eu me chamo Theodore Campbell, e sim, sou nascido trouxa, não entendo qual o problema nisso — O moreno deu de ombros, esperando uma resposta do menino em pé na porta da cabine em que estavam.
O rosto de Draco ficou ligeiramente corado, possivelmente de raiva pelo garoto ter se atrevido a respondê-lo, estava acostumado com as pessoas apenas começando a chorar, até porque ele sempre mexia com os que não sabia se defender ou se importavam demais.
— E o que isso me importa? A questão é que Hogwarts é apenas para bruxos de verdade, Campbell — Malfoy pronunciou com ênfase o sobrenome do garoto, o encarando com um certo ar de superioridade
— Devo começar então pelo fato de que você quem perguntou quem eu era e sobre os bruxos de verdade, diga isso à carta que eu recebi confirmando minha entrada e matrícula na escola, eu acho que eles não enviam ela por engano sabe, caso eu não fosse um "bruxo de verdade" — Theo argumentou, seu tom de voz era calmo como quem estivesse conversando normalmente, terminando com um sorriso inocente no rosto, o que irritou Malfoy mais ainda.
Draco semi-cerrou os olhos, encarando o menino, e apontando seu dedo indicador na direção de seu rosto.
— Você está frito comigo, Campbell — Malfoy desviou o campo de visão para Harry que olhava tudo atentamente — Vejo que suas companhias não são das melhores, Potter — Disse olhando para Rony que ainda estava vermelho de raiva como se pudesse explodir ali mesmo — Se quiser amizades realmente boas, posso ajudá-lo nisso.
Harry se levantou, encarando o garoto.
— Eu acho que posso me virar sem a sua ajuda, Malfoy — Ele disse, cruzando os braços.
Draco rangeu os dentes, lançando um olhar raivoso para ele.
— Você vai se arrepender por isso, Potter.
— Dê o fora daqui, seu idiota — Rony se levantou também, fechando a porta na cara de Draco que marchou pelo corredor de volta a sua cabine na área "VIP" da locomotiva, acompanhado dos outros dois garotos — Se eu pudesse metia cinco murros na cara desse metido — O Weasley esbravejou.
Theo soltou uma risadinha, contagiando os outros dois, que seguiram a viagem conversando, se conhecendo, junto ali de uma outra menina que também surgiu na cabine um pouco depois, Hermione Granger, parecia ser sabidinha e de opinião forte, Theodore gostou dela.
Por incrível que parecia para ele, havia feito amizades ali, e esperava muito mais quando chegasse na escola e ao decorrer do ano letivo, mesmo com o furacão Malfoy que jurara tornar sua vida na escola um inferno. Muita coisa viria por aí...






Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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