Última atualização:06/02/2021

Capítulo Único


Uma das coisas que não tinha e ela sabia bem disso, era paciência. Principalmente quando marcava algo com alguém e esse alguém se atrasava.
Ela odiava.
Era tão pontual e achava isso o mínimo para qualquer que fosse o compromisso. Até porque, isso demonstrava interesse, certo? Bom, era o que ela pensava.
Já havia perdido as contas de quantas vezes olhou em seu pequeno relógio de pulso verificando a hora mais uma vez.
Meia hora de atraso. Até então era normal. Era?
Passou uma das mãos no rosto e olhou para baixo, ficando no balde de pipoca que segurava nos braços. Não conseguia disfarçar seu descontentamento com aquela situação e como uma criança, enfiou uma das mãos dentro do balde pegando um bocado de pipoca e comendo em seguida.
Droga. Aquilo era horrível.
Primeiro que ela não queria ir naquele encontro, não era tão fã de basquete, mas tinha cogitado a ideia de que talvez fosse interessante conhecer mais sobre o jogo e também, conhece alguém diferente. Tinha tanto tempo que não sabia com alguém, estava tão acomodada, mas quando viu a insistência brilhar nos olhos de sua melhor amiga, não teve outra escapatório. Acabou por se dar por vencida.
Talvez não fosse ser tão ruim...
Rolou os olhos. Ruim não. Péssimo!
Murmurou consigo mesma e balançou o corpo levemente, tentando se aquecer.
A noite estava gelada e a mulher podia sentir seu corpo estremecer a cada brisa de vento que passava por ela.
Se não fosse por estar se lamentando pelo atraso do seu até então, date, até poderia contemplar a beleza que Seul trazia em todas as noites estreladas e o que mais colaborava ali era a iluminação do lado externo do estádio.
Podia ouvir a voz animada que vinha dos torcedores passando por ela e entrando no local e por alguns segundos, quase soltou um meio sorriso sendo contagiada pela animação ao redor.
Ela não podia estar animada também?
Ergueu seu pulso pela milésima vez e fechou os olhos brevemente, se dando por vencida ao ver que a pessoa que iria encontrar agora, estava mais de uma hora atrasada.
Será que era pedir demais ela simplesmente pegar seu carro e ir embora? Droga, se sentia tão tola.
E antes que pudesse se lamentar ainda mais, sentiu o celular vibrar no bolso traseiro e o pegou com certa dificuldade, já que segurava o balde de pipoca nos braços.
Rapidamente pegou o aparelho e a pouca animação que a mulher tinha, sumiu completamente ao ler a curta frase que estava acesa no visor.

, sinto muito. Não poderei comparecer, mas espero que você aproveite o jogo. Até uma próxima.”


Até a próxima? Que droga de mensagem era aquela?

A mulher tentou respirar fundo por alguns minutos e soltou uma risadinha incrédula, olhando ao redor. Não acreditava naquilo. Haviam furado com ela? Ela tinha ficado na mão? Na porcaria de um encontro às cegas?
Era fato de que ela queria sair dali o mais rápido possível para poder xingar sua amiga de todos os nomes possíveis, mas não conseguia pensar nem em um palavrão direito naquele momento. Ela só sentia... Não sabia nem explicar. Era tão ruim sair com ela assim? Para a pessoa nem aparecer?
sabia que não era uma das melhores companhias. Era um pouco introvertida, sempre fazia piadinhas sem graça, mas ainda assim se achava uma pessoa interessante a seu ver.
Ou pelo menos achava que era.
Olhou ao redor sentindo uma pontada de decepção invadir seu peito e só então percebeu que o jogo estava prestes a começar. Poucas pessoas agora estavam ao lado de fora e algumas ainda tentavam comprar algum ingresso ou achar um perdido por aí.
A mulher pensou seriamente no que fazer. Até poderia ganhar uma grana boa vendendo o ingresso de última hora, ainda mais ali na entrada da quadra.
Pensou rapidamente sobre o que faria até ver algo próximo a si.
Não algo, mas alguém. E bem desesperado, por sinal.
Ela o observou por um tempo antes de tomar alguma decisão. Observou que o rapaz não parecia só desesperado, mas irritado por ter aparentemente chegado atrasado ao local. Ele tinha os cabelos negros escondidos pelo boné preto, mas sua pele clara contrastava com as cores escuras de suas peças de roupas também pretas e azuis. Notou o quanto ele também parecia estar com frio, já que o casaco grosso apertava seu corpo, assim como a leve fumava que saia da temperatura de sua boca.
Ele era bem atraente. Não pode deixar de notar.
Olhou para os ingressos em suas mãos e ergueu seu olhar para ele.
Será que deveria?
Com um pouco de hesitação, caminhou em direção a ele que tentava conversar algo em frente à bilheteria.
– Droga. Não acredito que isso está acontecendo.
O até então desconhecido passou às mãos pelos cabelos de forma nervosa antes de se virar e se deparar com a mulher, um pouco mais baixa, perto dele. Por um instante franziu o cenho, se perguntando se ela precisava de algo por olhá-lo daquela forma.
– Oi. Hm... Eu percebi que você não conseguiu algum ingresso é bom, eu ten-
– Não acredito! Quanto você quer? É um dos meus times preferidos, não sabia que ia chegar atrasado e achei mesmo que conseguiria comprar aqui. - o rapaz até parecia aliviado e percebeu a leveza com que ele falava. O sorriso de canto que ele havia acabado de dar chamou toda sua atenção. – Desculpe -me. Estou um pouco agitado.
– Tudo bem, mas... Eu não estou vendendo.
Ao pronunciar, percebeu a expressão do rapaz murchar no instante seguinte. E com isso, quase o achou fofo ao ver o bico que se formava em seus lábios, mesmo sem querer.
– Ah...
– Eu sei que vai parecer estranho, eu não conheço nada sobre basquete, mas queria assistir um jogo para saber como é. - ela deu de ombros, apontando de forma desajeitada para a entrada atrás de si. - E você me parece alguém que conhece bastante. Por acaso, se interessaria em me acompanhar?
piscou algumas vezes ao ouvir o convite da mulher a sua frente, pedindo até de uma forma engraçada. A havia achado curiosa ao se aproximar daquela forma, agora mais ainda ao pedir algo como aquilo.
Ela realmente não parecia alguém que gostava de esporte, ainda mais sendo o basquete, mas pôde notar que além da mulher querer saber mais sobre o jogo, tinha algo que a incomodava. Quem em sã consciência teria dois ingressos em mãos e estaria sozinho por ali?
O rapaz desviou os olhos da mulher para o estádio e pôde ouvir o som histérico dos torcedores gritando por seu time.
Sentiu o coração acelerar no mesmo instante.
Talvez não fosse tão ruim assim estar acompanhado, certo? E ela não parecia ser uma pessoa que incomodava.
Balançou a cabeça assentindo e novamente, deixou um sorriso tímido brotar em seus lábios antes de respondê-la.
E sentiu o coração palpitar diferente.
– Claro. Vai ser interessante.

***


O enorme ginásio Jangchung parecia pequeno demais naquele momento e podia concordar muito bem com aquilo. Se sentia espremida com as milhares de pessoas a seu redor gritando e gesticulando de forma eufórica e nem um pouco normal. Não para ela.
Não conseguia tirar os olhos da multidão e do seu balde de pipoca nos braços. O segurava como se a qualquer momento alguém pudesse tirá-lo dela e começava a pensar que a melhor opção antes de entrar ali era ir para casa.
Era tudo uma loucura. O que é que tinha passado em sua cabeça?
Respirou fundo, quase sentindo uma breve falta de ar e como em um vulto, observou as costas do rapaz que antes ela havia convidado, quase colocada em seu rosto.
– Está tudo bem aí? – virou o rosto e deu um breve sorriso ao ver o desespero estampado no rosto da mulher atrás de si.
– Claro! Tirando o fato de que nem sei seu nome e estou te acompanhando. – disse irônica, olhando ao redor. – Toda vez é isso?
– Se não pior, com certeza. – respondeu um pouco mais alto ao desviarem de algumas pessoas agora entrando na fila em que ficavam seus acentos. Ele, toda vez que andava um pouco, olhava para trás verificando se ela ainda estava perto de si. – , prazer!
– O quê?
perguntou novamente, sem entender muito bem pelo alvoroço ao redor. Com isso, ele se virou parando bruscamente ao encontrar o acento dos dois. A mulher não percebeu a parada do mesmo e levemente, trombou seu corpo no dele.
A mesma ergueu seu olhar e ele sorriu.
– Meu nome. É . E você, como se chama?
Por alguns instantes, se sentiu um pouco perdida com o olhar espontâneo do rapaz a sua frente e piscou algumas vezes, tentando desviar.
.
– Bom, , espero que você goste de um barulho. É o que mais vai ter por aqui. – piscou para ela, se sentando ao seu lado em seguida. Ela suspirou sem saber muito bem como responder, mas resolveu esquecer sobre aquilo por alguns instantes e tentar focar no jogo que havia acabado de começar. Precisava confessar que estava um pouco nervosa, não só por ter tanta gente em volta de si, mas também por estar com um desconhecido ao seu lado, lhe acompanhando. Só não percebeu que toda aquela sensação se dissipava aos poucos ao começarem a conversar aleatoriamente a partir do primeiro ponto feito pelo time do rapaz. A emoção brilhava nos olhos dele de forma surreal e começava a achar tão incrível em como ele conseguia demonstrar tamanha alegria sorrindo, erguendo os braços. estava animado demais.
Era contagiante, tanto que a mulher já gritava a plenos pulmões junto à ele.
– Vamos, KT SONICBOOM! – colocou as duas mãos ao redor da boca e gritou novamente, ouvindo a gargalhada do rapaz ao seu lado.
estava fascinado. Ela era mais incrível do que havia imaginado. A energia que ela estava demonstrando era fora do normal e ele só conseguia observar em como sua risada era gostosa e em como que ela gesticulava como ele.
– Eu não acredito que falta tão pouco agora para eles ganharem! – jogou os braços para cima, jogando seu corpo na cadeira ao lado de . Com isso, sorriu. – E acredito muito menos que estou me divertindo em um jogo assim.
Olhou para o rapaz e pôde ouvir sua risada nasalada. só conseguiu sorrir ainda mais.
– O basquete faz milagres. Fico feliz que tenha descoberto isso. – piscou para ela, enfiando uma das mãos no restante que tinha no balde de pipoca. Em seguida, colocou na boca. – Oh!
Aquele havia sido o grito agitado de ao ver o capitão do time, Yeong-hwan, marcar mais um ponto na cesta. Os olhos do rapaz estavam arregalados e algumas pipocas haviam voado para qualquer quer fosse o lugar.
só conseguia gargalhar ao ver a emoção do rapaz.
– Você viu isso?! – perguntou apontando.
– Eu vi! – ela se levantou no mesmo instante em que a plateia começava uma comemoração completamente desnotada e nem um pouco rítmica. – Yeong-hawn!
Gritou jogando os braços para cima e riu junto a ela. Era nítido o quanto os dois estavam se divertindo na presença um do outro e nenhum deles havia imaginado que naquela noite, se conheceriam. Ainda mais daquela forma.
há vinte minutos atrás não imaginava que conseguiria um ingresso bem na última hora e não imaginava mesmo que se divertiria em um jogo de basquete.
As coisas eram engraçadas.
– Eu preciso confessar que essa noite está sendo muito melhor do que imaginei. – comentou, olhando para ele. – E eu jurava que se demorasse um pouco mais, eu iria para casa.
– Ainda bem que você não foi. – o rapaz disse, de forma sincera, a olhando também. – E eu fico feliz que você tenha me convidado no último instante, mas admito que fiquei bem curioso.
– Com o que?
– Bom, você estava sozinha e tinha dois ingressos nas mãos. – soltou uma risadinha, empurrando-a com os ombros. – Alguém desmarcou com você?
– Eu tinha um encontro às cegas. Eu só não sabia que literalmente iria ser às cegas mesmo. – rolou os olhos, tentando não pensar muito naquilo, mas sorriu. – Foi melhor não ter acontecido.
– Eu concordo. Quem é que desmarca com uma pessoa tão encantadora como você? – disse baixo, fazendo com que olhasse rápido em sua direção.
– O qu-
– Olha! – o rapaz disse, apontando para frente. Ela continuou o olhando por alguns instantes antes de virar o rosto para onde ele apontada. – Parece que todos estão nos vendo.
Não acredito! – a mulher colocou as mãos na boca, segurando a risada ao ver sua imagem estampada no enorme telão ao lado de , ele dava pequenas risadinhas ao vê-los sendo apresentados a todos e principalmente ao ver a vergonha estampada no rosto da conhecida.
– Não fique acanhada. Ei, olhe. – estendeu suas mãos de encontro às da mulher ao seu lado, tentando tirá-las da frente do seu rosto. aos poucos foi cedendo e de forma tímida, deu um pequeno aceno em direção às câmeras.
Que casal mais encantador! Eu tenho certeza que todos vão adorar ver o momento mais esperado dessa noite. – o locutor dizia de forma serena, tirando algumas risadas da torcida que preenchia o ginásio. Com sua fala, o que mais podia se ouvir eram os gritos de incentivo que vinham dos torcedores ao redor. – Que momento?! – a mulher questionou, desviando o olhar do telão para ao seu lado. Ele apenas arqueou os ombros e antes que pudesse responder, ouviram a voz do locutor mais uma vez.
Vamos lá! Não fiquem tímidos. – ao dizer isso, o rapaz começou a sorrir. Era claro que ele sabia que o que poderia acontecer, mas com certeza não dependia só dele. Não que ele não quisesse. Ele queria. Mas será que queria o mesmo? – Se beijem!
E com isso os gritos inundaram o Jangchung misturados com risadas e gritos altos. só conseguia arregalar seus olhos com aquele pedido e como mágica, havia paralisado.
Como assim eles queriam que ela e se beijassem? Logo em frente às câmeras e sendo mostrados em um enorme telão? Tinha que confessar que a ideia era engraçada e que até estava gostando de tudo aquilo, mas sua vergonha falava mais alto.
era tudo o que ela não imaginava até aquele momento. Um rapaz educado, engraçado e agitado. Os dois se deram bem logo de cara e ela não havia pensado que aquilo aconteceria tão cedo com outra pessoa.
Vagarosamente virou seu olhar até encontrar o dele, ainda com os gritos vindo das arquibancadas próximas e piscou algumas vezes, sentindo seu coração à mil dentro do peito.
Será que vai rolar? – ouviu um dos torcedores atrás dos dois gritar, rindo em seguida com o restante e aquele pequeno ato fez sorrir um pouco. Que mal teria de fazer algo espontâneo assim? Ela quase não vivia para ela, por que não começar a mudar isso naquele momento?
– Só se você quiser. – disse lentamente, de forma em que a mulher só pudesse ver a prenuncia pelos lábios medianos e desenhados do rapaz.
– Eu quero.
E aquela havia sido a deixa para que ele se aproximasse, levando uma de suas mãos até a nuca da mulher, puxando-a para perto. Os dois deixaram um pequeno sorriso brotar nos lábios com a pequena proximidade que já se encontrava entre eles e como se não houvesse mais espaço, se beijaram.
não soube descrever ao certo o porquê seu coração batia de forma acelerada, da mesma forma que se sentia ansiosa por aquilo estar acontecendo.
Os dois não esperavam nada daquilo naquela noite, mas estava saindo muito melhor do que haviam planejado.
Podia-se ouvir a explosão de elogios, gritos e até mesmo vaias de forma engraçada, tudo pelo beijo dos dois e até o mesmo, eles só sabiam que não queriam parar nem um pouco.
Era claro que aquele beijo estava demorado, mas aquilo não era ruim. O problema era que tinham que parar em algum momento e momento esse o qual ouviram a voz do locutor mais uma vez, em um enorme elogio.
– Eu sabia que vocês eram um casal. Obrigado por participarem do nosso famoso Kiss Cam!
e se separaram em meio a risadas e com pequenos acenos se despedindo da câmera, para só então se observarem pela primeira vez depois daquele beijo surpreendente.
Ele manteve os olhos na mulher à sua frente, se perguntando como é que nunca haviam se esbarrado antes em qualquer lugar daquela cidade. Como é que não tinha a conhecido antes?
Tinha adorado a companhia de naquela noite.
A mulher pensava exatamente da mesma forma.
– O jogo está acabando. – ele comentou, ainda sem tirar os olhos de . A esse ponto ele não queria nem saber se seu time ganharia, contando que ela respondesse bem a sua pergunta. – Eu sei que vai parecer louco, mas eu queria muito terminar ou começar novamente o que fizemos agora.
– E o que você me propõe? – perguntou, olhando também. Os dois tinham um pequeno sorriso no rosto.
– Minha casa e uma pizza. O que acha?
– Perfeito. – piscou para ele, sorrindo. – Sua casa e uma pizza.
E com isso, se aproximaram para uma outra vez, selarem seus lábios. Eles realmente não faziam ideia de que se conheceriam daquela forma, mas tinham certeza que tudo aquilo só estavam começando.

Buzzer Beater - arremesso feito no estouro do cronômetro. O qual ninguém esperava, normalmente dando vitória à equipe.





Fim!



Nota da autora: Olha eu aqui de novo! Hahahah
Queria dizer que essa oneshot foi um surto meu ao ver uma foto do Eunwoo jogando basquete e eu decidi que precisava escrever nos últimos minutos para a entrega do especial. Esse enredo foi totalmente soft, só não pelo final que fica a critério da maginação de vocês hehehe Espero que vocês tenham gostado, de verdade. Beijão <3



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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