Finalizada em 25/12/2020

Capítulo 1

Não existia lugar no mundo no qual Serpens Fawley-Black gostaria de estar menos do que ali.

Largo Grimmauld Número 12.

Tinha implorado para Rosaleen Fawley deixá-la passar o feriado em Hogwarts mas, aparentemente, aquilo era impensável. O natal se passa com a família, foi o que a loira respondeu, já impaciente pela insistência da menina.

Família? Patético.

Tirando sua mãe, aquelas pessoas não eram sua família. Os cochichos, apontamentos e olhares maldosos não a deixavam esquecer que não era bem-vinda naquele lugar.

Extremamente irônico, se quer saber.

Afinal, como gostavam de relembrar o quadro de Walburga Black e, claro, o elfo doméstico Monstro, em meio aos gritos de Ralé! Escória! Filhos da sordidez e da maldade! Mestiços, mutantes, monstros, sumam desse lugar, Olivia era a única realmente bem-vinda ali.
Monstro só faltava beijar os seus pés sempre que a via. A garota, para ele, era o legado de seu mestre Régulo, o único herdeiro dos Black que valia a pena.

Claro que, ser uma legítima sangue puro, sonserina e, não podemos esquecer, namorada de Draco Lúcio Malfoy, sobrinho neto de sua amada senhora, contribuíam consideravelmente para a devoção do elfo para com a sua pessoa.
Contudo, o que para Monstro era motivo de orgulho, para os demais ocupantes do Largo essas características eram tidos como pressuposto de uma verdadeira traidora. O papel de Rosaleen como agente duplo também não contribuía muito com a suavização desse estigma.

A mulher namorou Régulo desde o quarto ano de Hogwarts, até o fatídico dia de sua morte, quando tinha apenas seis meses de vida.
Conhecia-o melhor de que ninguém, acompanhando desde as suas ambições, até o seu declínio, em um lago infestado de inferis.
Apesar disso, não entendia muito bem como o rapaz havia ido parar lá e lamentava, diariamente, por não ter conseguido resgatar ao menos seu corpo. Régulo nunca teve o funeral que merecia.

Ao contrário de Black, Rosaleen nunca havia sido propriamente iniciada como comensal.

Os Fawley, embora fossem puristas e desejassem uma limpeza do mundo bruxo, não concordavam com a ideia de seguir um mestiço para tal empreitada. Esperavam pela insurgência de algum bruxo realmente digno, tal como Gellert Grindewald que, para eles, foi infortunadamente derrotado por Dumbledore.
Felizmente ou não, o casal faleceu de varíola de dragão, antes mesmo do ascender de Lord Voldemort.

Portanto, tentando protegê-la, o Black mais novo nunca compartilhou de muitos detalhes sobre as suas missões, muito menos sobre suas descobertas. Achava que, com isso, tirava-a da mira do Lorde das Trevas, que cada vez mais procurava herdeiros de linhagens puras para segui-lo.
Hoje, talvez, ele se revirasse no túmulo ao saber que a mãe de sua filha havia se alistado de livre e espontânea vontade, poucos dias depois de sua morte. Mas, para Rosaleen, não havia nada mais digno do que fazer com que o sacrifício do seu amado não tivesse sido em vão. Todos os dias, tinha que lidar com a dor de perder o homem que amava desde que se entendia por gente.

Régulo era seu confidente, seu melhor amigo, aquele que estava sempre por perto quando ela precisava. Era o pai de sua filha. Rosa nunca permitiria que ele fosse esquecido e, por isso, queria entender os motivos que o levaram para a morte.

Claro que, antes de se jogar em meio a um plano suicida, Rosaleen foi conversar com Dumbledore. A Fawley explicou para o diretor que Régulo, provavelmente, havia descoberto algo e que as consequências disso o haviam matado. Ela queria descobrir o que era e dar continuidade ao plano do namorado, mesmo que isso custasse a sua própria vida.

O mais velho havia a alertado das complicações e falhas do plano da mulher, mas ela estava resoluta. Talvez isso custasse a sua presença no crescimento de , mas estava na hora de, pela primeira vez na vida, pensar em alguém que não fosse nela mesma. Queria conseguir um mundo melhor para a pequena criança que havia saído de si, situação esta que Rosa sabia ser o mesmo objetivo de Black.
Depois da conversa com o diretor, que concordou em ajudá-la e em assegurar a proteção e discrição da Ordem da Fênix, Rosaleen passou a treinar oclumência, dia após dia.

A mulher já era uma boa oclumente, mas para enfrentar Voldemort, ela necessitava ser no, mínimo, excelente. E conseguiu. Apesar de que, no processo de alistamento, o bruxo das trevas a torturou inúmeras vezes para ter certeza de que ela não sabia de nada do que havia levado Régulo à morte. Quando descobriu que, até certo ponto, ela não mentia e que parecia extremamente interessada em ser mais uma serva, o bruxo a marcou. E aquela havia sido uma das experiências mais traumáticas da vida de Fawley. Nenhum Crucio doeria mais do que aquela tatuagem marcada a fogo em seu antebraço. Era uma marca que a mulher levaria até a morte.

Todavia, para ela, aquilo valia a pena. E, se hoje, quinze anos depois, ela ainda precisava lidar com o julgamento dos outros membros da Ordem, que a observavam com relutância e óbvia desconfiança, que lidasse.
Contanto que sua filha continuasse salva, ela não dava a mínima.

não entendia muito bem o papel de sua mãe na guerra e nem queria muito, para ser sincera. Desde criança, foi instruída a perguntar o menor número de coisas possível. Quanto menos soubesse, mais segura estaria. A única instrução que Rosaleen obrigava a menina a seguir era não comentar nada absolutamente nada sobre o Largo para os Malfoy.

Nada. A menina não sabia os motivos da mãe de querer esconder uma parte tão significativa de sua vida daqueles que Rosaleen considerava tanto a ponto de ter os colocado como padrinhos de sua única filha, mas não ousou questionar.

Desde o Torneio Tribuxo, no ano anterior, e da morte de Cedrico Diggory, Rosaleen parecia cada vez mais cansada e determinada no objetivo de deixá-la no escuro. Quanto menos erros cometesse, mais improvável seria o Lorde querer convocar para o lado dos comensais. Além disso, a confiança dele em sua pessoa precisava aumentar cada vez mais, proporcionando um maior número de informações para a Ordem.

Ela não poderia falhar.

E, por isso, na noite de Natal, no Largo estavam e Rosaleen, compartilhando um tumultuado feriado.

Dias atrás, Arthur Weasley havia sido atacado por Nagini, cobra de Lord Voldemort, enquanto guardava o Departamento de Mistérios. O homem havia saído extremamente machucado, mas devido à uma visão de Harry Potter, estava conseguindo se recuperar. O ataque, por sua vez, aumentou a desconfiança para com as mulheres Fawley.

Existiam boatos, alimentados sobretudo por Sirius Black, que Rosaleen provavelmente sabia dos planos de seu mestre e que resolveu ignorar, deixando o Weasley a própria sorte. O ex-prisioneiro não suportava Fawley e a sobrinha, deixando claro para todos que, caso elas fossem minimamente parecidas com Régulo, não eram dignas de confiança.

não dava a mínima para a opinião do tio. Passou quase toda a sua vida sem o conhecer e não possuía o mínimo vínculo familiar com o homem. Para ela, ele era só uma desonra para família Black. Por culpa dele, teve que utilizar o sobrenome Fawley ao invés do paterno, que era uma das poucas coisas que tinha do pai, para não ser associada ao assassino louco de Azkaban.

Ela, realmente, não dava a mínima para ele. Para si, os seus tios eram Lúcio e Narcisa Malfoy, que além de seus padrinhos, eram pais do seu namorado.
Sirius? Puff, era só mais um indesejado dentro do Largo. Opinião fortemente compartilhada por Monstro.

Claro que, com as acusações de Black, a mulher não ficou calada. Fez questão de relembrar, inclusive, que a Ordem só havia uma sede porque ela havia cedido o local para Dumbledore. Sirius, por ter sido deserdado muitos anos antes, não era um legítimo herdeiro Black. Assim, a casa era de que, por ser menor de idade, era representada por Rosaleen.

Poético, não?! Era o que pensava . As mulheres estavam sendo insultadas debaixo de seu próprio teto.


Enquanto Fawley e Black discutiam aos berros, com nomes como Lupin e Shacklebolt tentando apartar a confusão, o quadro de Walburga Black dava coro às afirmações de Rosa, com seus inúmeros xingamentos.

Querendo ou não, os membros da Ordem deviam muito a ela.

Naquela noite, contudo, havia sido selado um trato mútuo de trégua entre todos os presentes no Largo. O senhor Weasley havia voltado para casa e necessitava de descanso, não podendo lidar com o estresse que inundava aquele lugar. Já bastava ter passado a manhã do feriado no St. Mungus.
Além disso, era Natal, uma festa de harmonia, paz e amor. Mesmo que para , aquele lugar estivesse sendo seu inferno pessoal.

Suspirando pesadamente, a adolescente chamou por Monstro, que num estampido apareceu ao seu lado. Exceto pelo trapo imundo amarrado como uma tanga nos quadris, ele estava completamente nu. Parecia muito velho. Sua pele dava a impressão de ser maior do que o corpo e, embora fosse careca, como todos os elfos domésticos, uma boa quantidade de pelos brancos saía de suas orelhas enormes como as de um morcego. Seus olhos injetados eram de um cinzento aquoso e seu nariz, bulboso, grande e meio trombudo* Mas, mesmo assim, a garota achava o elfo adorável. Ao vê-la, fez uma reverência exagerada, quase que encostando seu nariz no chão.

- Há algo que Monstro possa fazer, minha senhorita? - perguntou polidamente, arregalando seus olhos cinzas e esperando ansioso a resposta de sua mestre.

- Me diga, Monstro. É seguro eu sair daqui? - questionou enfezada, odiando estar trancada em um dos quartos, um dos poucos que Monstro fazia questão de limpar e livrar das pragas, por indisposição de encontrar pessoas indesejadas.

- A senhorita de Monstro não sabe como Monstro gostaria de tirar esses intrusos da imaculada casa dos Black. - disse o elfo com azedume - Minha senhorita deveria poder andar pela casa de seus antepassados sem ser insultada por aqueles traidores do sangue, mestiços e AH. - deu um grito esganiçado, parecendo enjoado - A sangue-ruim! O que diria a senhora de Monstro se ela soubesse que Monstro está deixando sangues-ruins na Mui Antiga e Nobre casa dos Black! - falou desesperado, querendo procurar alguma parede para bater a sua cabeça. Antes que pudesse fazer algo contra si, contudo, interviu, pedindo calma para o elfo.

- Desculpe por isso, senhorita. - limpou as mãos no trapo velho que vestia - Mas Monstro não entende como a digníssima companheira do meu senhor Régulo pôde ter deixado esses… esses… - cuspia as palavras com repugnância - esses impuros no teto de minha senhora! - Como Rosaleen não era, verdadeiramente, uma Black, Monstro não era obrigado a seguir as suas ordens e respeitá-la como senhora. O fazia, contudo, por respeito a Régulo e a . Mas, isso não o impedia do desgosto de ver pessoas que Walburga considerava como inferiores andando no Largo, como se fossem donos do local.

- Nem tente entender, Monstro. - abanou o ar com descaso, mesmo que, interiormente, concordasse com as lamúrias do elfo - Minha mãe está lá embaixo?

- Sim, senhorita Black. - afirmou o pequeno ser, fazendo a outra suspirar em desagrado.

- Então, finalmente, chegou a hora de dar um alô para os meus fãs. - disse resignada, levantando-se e indo em direção ao andar principal da casa.
XX


Chegando lá embaixo, a menina pôde observar decorações natalinas por todo o espaço. Aparentemente, a senhora Weasley tinha feito todos - excetuando ela - trabalharem para deixar o lugar agradável. Ao fundo, escutava uma voz que lembrava um latido entoando músicas natalinas, animado. Não que achasse ter algum motivo para comemorar, mas se tivesse presa, sozinha, no Largo Grimmauld há tanto tempo quanto Sirius estava, talvez também estivesse liberando certa felicidade ao ver que não passaria o feriado sozinha.

A garota quase sentiu compaixão do tio.

Olhando mais atentamente, percebeu que os lustres oxidados não tinham mais teias de aranha, mas guirlandas de azevinho e serpentinas douradas e prateadas; neve mágica brilhava em montes sobre os tapetes gastos; uma grande árvore de Natal obtida por Mundungo, um vigarista que encontrara poucas vezes - e decorada com fadinhas vivas, ocultava a árvore genealógica da família de , e até as cabeças empalhadas de elfos na parede do corredor usavam gorros e barbas de Papai Noel*. Black não queria admitir, mas o lugar estava realmente aconchegante.

A menina passou silenciosamente, tentando não acordar o quadro barulhento de sua avó. Olhava para os lados em busca de Rosaleen, mas a mulher parecia não estar em lugar nenhum.

No caminho, encontrou os gêmeos Weasley, que eram os únicos que não lhe lançavam olhares de desprezo, e acenou para eles rapidamente. Quase tropeçando no suporte de guarda-chuva de perna de Trasgo - como ela odiava aquilo - agradeceu a Merlin por encontrar os cabelos loiros da mãe.

O alívio, todavia, durou pouco ao perceber com quem a mulher conversava. Sentados em um sofá musgo envelhecido, estavam Rosaleen Fawley, Hermione Granger, Ronald e Weasley e, claro, Harry Potter.
Pensando se era uma boa ideia subir e fingir que ainda dormia, não percebeu que ao quase tropeçar no suporte, havia chamado atenção de todos do cômodo para si. Rosa, vendo a cara de desagrado da filha, somente acenou para ela, chamando-a para ficar ao seu lado. A menina negou com a cabeça, apontando para a escada e tentando explicar que ia voltar para o seu quarto, coisa que ou a mãe não entendeu, ou apenas ignorou.

Como eu queria ser legilimente, pensava irritada, seguindo a contragosto para o local que Fawley tinha indicado. Pensava que deveria ter seguido o plano de Draco e, simplesmente, fugido para passar o feriado na casa dos Malfoy. Certamente, seus padrinhos não se incomodariam. Ou ainda, queria ter viajado com Pansy para a França. A melhor amiga tinha mandado algumas cartas informando sobre como o local era incrível e como gostaria que a Black estivesse ali. Mas, não. Ela agora estava ali, seguindo para uma agradável conversa com três das pessoas que menos suportava no mundo.

Sentando no lugar que lhe foi indicado, a menina sorriu ironicamente para a mãe, ignorando a presença do trio de ouro, o que não foi bem recebido pela mais velha.

- , não vai falar com nossos convidados? - questionou em tom de repreensão, fazendo a outra revirar os olhos, entediada.

- Meus convidados, não. Não chamei nenhum deles. - falou em um misto de obviedade e azedume, deixando o ambiente mais desconfortável.

- ! - repreendeu mais uma vez, olhando para a filha com censura - Desculpem-me por ela, meninos. - olhou para os outros três - Ela está chateada por não passar o feriado com o namorado. - explicou em tom leve. Ao contrário do que Sirius queria fazer acreditar, Rosaleen Fawley tentava ser o mais agradável possível com todos os presentes na Ordem, principalmente com Harry Potter. Afinal, ele era a esperança do mundo bruxo. Não poderia dizer que o grupo gostava dela, mas não era tão reticente quanto os mais velhos. Situação que não se estendia à . De longe, dava para ver que os mais novos não se davam bem.

- Claro. Queria passar o Natal com o Malfoy. - Potter cuspiu o sobrenome, fazendo com que a Black arqueasse a sobrancelha em deboche.

- É, Potter, o Draco. - encarou-o em desafio - O loiro alto, bonito, inteligente e tudo aquilo que você nunca vai ser. - Estou até chorando com o fato de que nunca serei uma cria de comensal da morte. - alfinetou, o que acabou atingindo também Rosaleen, já que a mulher também tinha a marca.

- Cuidado com o que fala, Potter, - falou a menina, levantando-se e erguendo o dedo em riste para o moreno - Seria extremamente desagradável ter que te mandar de volta para os seus trouxas imundos. - provocou, fazendo o outro inflar as bochechas de raiva - Quem sabe, dessa vez, os dementadores têm mais sorte, huh? - disse maldosa, relembrando do ataque que quase o fez ser expulso de Hogwarts, antes do ano letivo, por usar magia na presença do seu primo trouxa. - Sinceramente, até torço por eles… - jogou o cabelo para trás em descaso, tomando um susto ao ver que Hermione, que até então se mantinha quieta, levantou em um rompante, ameaçando-a com um quase tapa. Quase, visto que foi segurada por Rony.

- Ui, Granger, não pode falar nada do namoradinho, é?! - após se recompor, aproximou-se da morena de cabelos espessos, que ainda era segurada por Weasley - este com uma cara tão amarga quanto os outros dois amigos - . - Sempre achei que você preferia ruivos… - olhou de modo displicente para Ronald, que ficou com as orelhas da cor de seus cabelos.

- Realmente, Fawley, você é uma pessoa detestável. - cuspiu a nascida trouxa, se desvencilhando do aperto do ruivo e seguindo para outro cômodo. Weasley fez menção de seguir a amiga, mas Potter o segurou pela camisa.

- Estressadinha ela, não?! - perguntou retoricamente para a mãe que, embora analisasse a cena em silêncio, tinha um olhar de decepção direcionado à mais nova.

Todavia, ao ver que a confusão iria se estender devido às provocações de e ao crescente mau humor dos dois garotos, Fawley finalmente interrompeu, pedindo para que os rapazes fossem atrás de Sirius - local que provavelmente fora o destino de Hermione, que parecia já estar bêbado, mesmo que não passasse das 9 horas da manhã. Harry ainda relutou, mas foi empurrado por Rony, que o guiou até o local em que ouviam uma cantoria desengonçada.

Enquanto isso, Rosaleen encarou resoluta.

- Você tem que parar de fazer isso, Serpens! - apontou para a filha, que somente deu de ombros, sem realmente se afetar - Estamos todos do mesmo lado, . Não se faça de sonsa.

- Mesmo lado? - cruzou os braços, descrente - Tem certeza, mamãe? - retrucou ácida, indo em direção à árvore de Natal em busca de seus presentes.

- Volte aqui, Mocinha! - mandou a mulher, levantando-se e seguindo a mais nova - Mesmo lado sim, um dia você vai entender isso. - afirmou, virando o corpo da filha para si e forçando-a encarar seus olhos. - Tudo o que seu pai e eu fizemos foi por você! - disse dura, fazendo a mais nova engolir em seco.

Azul piscina e cinza, ambos tentavam se fazer sobressair.

- Só espero que não seja com você caindo morta pelas mãos de algum dos seus aliados. Seria muito triste ficar sem mais um corpo para enterrar. - disse azeda, fingindo que não tinha se afetado com as palavras da mulher, desvencilhando-se do aperto da mãe e indo procurar na árvore o que era seu. Aparentemente, todos já haviam pego os seus presentes e só sobraram os da menina. - Agora, se me dá licença, tenho alguns presentes para abrir. - concluiu, sem encarar os olhos da mãe. Rosaleen ainda fez menção de falar alguma coisa, desistindo no caminho. Somente suspirou, balançando a cabeça em negação e seguindo para a cozinha.

, ao ver que estava sozinha, crispou os lábios em desagrado. Não gostava de discutir com a mãe, mas tinha medo por ela e esse era seu jeito de expressar. Sendo rude e desnecessária.

É, realmente digna de orgulho.

Balançando a cabeça para dispersar esses pensamentos, foi procurar o presente que sabia ser de Draco: duas caixa de tamanho médio nas cores da sonserina. O rapaz amava verde e dizia que não tinha nenhuma outra que a superasse. Antes de abrir a caixa, porém, viu a carta que veio acompanhando. Tratou logo de abrir e quando o fez, não conseguiu evitar o sorriso que escapou.

“Olá, minha cobrinha - Draco adorava fazer menção ao nome do meio de , Serpens, pertencente à uma constelação e escolhido em virtude da tradição dos Black.

Como você está? Espero que não esteja ainda chateada com sua mãe por não vir passar o Natal conosco. Teremos a vida toda para comemorar todos os feriados do mundo, você vai ver. Estou sentindo muito a sua falta, parece que os dias ficam mais frios e longos sem a sua risada para me aquecer.

sentiu os olhos marejarem. Sentia muita falta do garoto e parecia que aquela dor era quase que física.

Aqui em casa não estamos muito festivos. Papai está mais estressado do que nunca e não fala os motivos disso. Mamãe tenta compensar lendo para mim e contando histórias de infância, mas o clima continua pesado. Queria que você pudesse estar aqui. Ou eu com você.

Nesse momento, a garota sentiu uma lágrima teimosa escorrer pelas bochechas pálidas, sendo limpa rapidamente.

Ah, sobre o seu presente. Por favor, não abra a caixa menor na frente de outras pessoas. E se abrir, não me mate. Não esqueça que eu serei o pai dos seus filhos e eles precisam de mim como eu naturalmente sou, lindo e com o rosto perfeitamente intacto.
Feliz natal, meu amor! Eu amo muito você

Draco Lúcio Malfoy”


Com a última parte da carta, franziu o cenho em confusão. Sabia que Draco era um completo sem noção às vezes e temia o que poderia encontrar dentro da caixa. Percebendo as mãos levemente trêmulas, a menina segurou a caixa que o namorado havia indicado e rasgou o papel sem muita cerimônia. Quando descobriu o conteúdo dela, por sua vez, sentiu as bochechas corarem com intensidade.

Maldito, pensou envergonhada.

Dentro da caixa, havia uma lingerie nas cores verde e prata. O par de calcinha e sutiã parecia extremamente frágil, visto a presença de uma delicada renda. Ainda podia se ver uma cinta liga de mesma cor, que fazia parte do conjunto.

Draco realmente não tinha jeito.

Balançando a cabeça e olhando rapidamente ao redor para ver se alguém prestava atenção nela, abriu a caixa de tamanho semelhante da outra, mas levemente maior. Com hesitação, percebeu que ali dentro encontravam-se inúmeros doces da Dedos de Mel, como Acidinhas, Varinhas de Alcaçuz, bolos de caldeirão e os seus favoritos, sapinhos de chocolate. Por terem de tudo, Draco e não precisavam gastar horrores com presentes um para o outro. Coisas simples e simbólicas eram muito mais importantes para os dois. Escolher os doces favoritos de , para ela que adorava comer e era viciada em açúcar, era uma grande prova de amor.

Pegando outra caixa, dessa vez de cor rosa choque, viu que recebeu alguns livros de magia defensiva de Pansy junto com uma miniatura da Torre Eiffel, provavelmente comprada em Paris.

Já de Daphne Grengrass, ganhou uma escova mágica que poderia fazer, simplesmente, o penteado que ela quisesse. Indo de algo simples como um coque, até algo para uma festa.

De Blásio Zabini, por sua vez, a garota havia recebido um conjunto de pincéis, que era uma ótima pedida para a menina que adorava pintar. Por fim, Theodore Nott havia lhe presenteado com uma foto de todo o grupo, tirada alguns meses antes. Na imagem que se mexia, Draco tinha os braços passados ao redor do corpo de , que sorria abertamente. Ao seu lado, Pansy estava nas costas de Blásio, enquanto Theo e Daphne faziam caretas idênticas.

Era uma linda foto.

Depois de receber o presente de todos os seus amigos, viu que ainda tinham três embalagens no local.

A primeira, que era a maior, surpreendeu a sonserina.

Era um suéter na cor verde, com a letra B estampada nele.

O famoso suéter Weasley.

Nunca achou, realmente, que ganharia um desses. Não poderia dizer que era uma das pessoas favoritas dos Weasley. Mas, por alguma razão, Molly havia lembrando dela e ela estava realmente grata.

A segunda, apesar de mediana, tinha um peso considerável. Quando abriu, percebeu que era um kit mata aula dos gêmeos Weasley, com as famosas vomitilhas e os nugá sangra nariz. A menina tinha ouvido tempos antes, que eles ainda estavam procurando um antídoto para a primeira, então a menina esperava, sinceramente, que eles tivessem encontrado. Não queria ser uma das cobaias dos ruivos.

Dentro da caixa ainda tinha um bilhete escrito: Para a nossa serpente favorita. Use com sabedoria.
GW e FW

estava realmente grata com os presentes e, com isso, quase esqueceu do último.
Era uma caixa pequena e preta, que no meio daquela bagunça, quase que não era perceptível. Percebendo sua aparente delicadeza, a Black abriu a caixinha com cuidado, vendo que lá dentro tinha um medalhão prateado. Mas, não era um medalhão comum. Na sua extremidade, tinha um suporte que se abria, revelando a imagem de um casal extremamente jovem e feliz, com um bebê no colo do homem.
O homem tinha os olhos acizentados, iguais aos de , com os cabelos negros compridos e arrepiados. Já a mulher era loira e alta, com os cabelos chegando no patamar da cintura. Enquanto isso, o pequeno bebê aparentava gargalhar animado, enquanto o homem fazia caretas para distraí-lo.

Eram Régulo, Rosaleen e .

Sentindo o peito apertar pela saudade do homem que nunca havia realmente conhecido, a menina aproximou o amuleto do coração, tentando regular as batidas deste.
Não eram muitas as fotos que tinha do pai. O homem havia ido realmente cedo e não tinha muito o que lembrar dele. Por isso, qualquer coisa que remetesse à sua imagem era extremante importante para a Black.

Suspirando nervosamente, acomodou seus presentes à esquerda da árvore, tomando um cuidado especial com a caixa atrevida de Draco. Não queria ver a cara de sua mãe ao se deparar com o presente do genro, que também era afilhado. Quando finalmente conseguiu arrumá-los de forma minimamente decente, levantou, limpando a sujeira de suas vestes e indo procurar sua mãe.
Devia desculpas e um agradecimento à sua única família.




FIM



Nota da autora: E aí, Gal! Eu nunca participei de um especial, mas queria muito mandar alguma coisa pro natal, afinal, é o melhor feriado do mundo! O plano inicial era que isso aqui fosse uma long, mas o tempo corrido não permitiu elaborar um roteiro bonitinho e afins. Mas, quem sabe um dia?! O quinto ano é o começo do fim e a pp ainda vai quebrar muito a cara dela, principalmente com a missão do Draco. Enfim, comentem o que acharam e até a próxima!



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