Castel - Origens de Salém

Última atualização: 12/12/2021

Capítulo 01
The Dilemma

Em uma noite de inverno, o irmão estava ao telefone no andar de baixo, enquanto estava em seu quarto. Ela e moravam sozinhos em um bairro calmo e próximo do centro da cidade.
Em seu quarto escutava à uma de suas bandas favoritas, You Me At Six, a música que ela mais gosta, The Dilemma.
Em um momento raro, a garota canta e dança para o cão deitado em sua cama, ela sorri, canta e gesticula para ele de acordo com o que diz a música e Murramed nem ao menos olha para ela, mas alguém a observava.
O vizinho de sacada. O quarto dele era de frente para o dela. Ela não percebera a princípio, ele não procurava por aquilo, mas aquela garota era diferente de todas as garotas da cidade. Não procurava, mas olha o que ele achou. Se contasse para seus amigos, o que eles diriam? Com certeza que ela é esquisita.
Quando percebeu que estava sendo observada fechou as cortinas, brava pela invasão de privacidade por parte do menino.
Com sua audição de vampira ela ouviu o vizinho falar baixinho:
— Garota maluca!
Ao ouvir, ficou muito brava e respondeu abrindo as cortinas e as fechando rapidamente:
— Vai para o inferno, caipira! Quem você pensa que é?
abriu a porta do quarto da irmã rindo:
— Se continuar gritando com os vizinhos e se expondo assim, vão acabar descobrindo sobre a gente, maninha.
— Ele me chamou de garota maluca. — respondeu indignada.
— Você é uma garota e é maluca! — disse o irmão tirando sarro.
— O que você quer, ? Estou sem paciência. — alertou a garota. — Tenho coisas para fazer.
— Philip ligou. Quer que a gente faça um trabalho para ele.
— O que é dessa vez? — ela perguntou com tédio.
— Uma bruxa! De Salém’s Town. Parece que ela tem potencial.
— Ok! Qual o nome dela?
. Chamam ela de . — ele passou a foto de uma menina com um sorriso perfeito, cabelos ruivos e um lindo nariz arrebitado, salpicado por pequenas sardas. percebeu que não era só um caso de trabalho para o irmão. Era pessoal.
— O que ela tem de especial? — ela perguntou em duplo sentido.
Sem perceber a intenção na pergunta da irmã, ele responde:
— Bom, ela pode ser da linhagem original das Bruxas de Salém. Isso te diz alguma coisa?
— Interessante. — disse sem emoção, — Então, amanhã cedo vamos para Salém’s Town.
Ele saiu do quarto e do corredor sussurrou:
— Garota maluca!
— Cala essa boca, ! — gritou ainda mais irritada.
Dessa vez, até Murramed se incomodou com os gritos de e latiu.
— O que foi, Murramed? Quer passear? Temos uma viagem amanhã. Uma bruxa, dá para acreditar?
Ele levantou sacudindo o que restou de seu rabo cortado. saiu de casa com o cão na guia.
não viu, mas , seu vizinho de janela, a observava mais uma vez, agora da varanda da casa dele. Ele a via sorrir e brincar com o cachorro que só pelo tamanho o assustava. o assustava, mas mesmo assim o sorriso dela o fez sorrir.
“Ela é linda” — pensou ele, mas uma voz em sua cabeça dizia: “— Siga meu conselho e vá embora agora. Para alguém que se importe.”
De onde vinha aquilo? Era parte da música que ouvia mais cedo quando percebeu que ele a observava mais cedo, mas como veio parar em sua cabeça? Coincidência, com certeza — pensou ele.
Porém, não havia coincidência alguma, o influenciava da varanda da casa dos . Ou tentava... Ele simplesmente não conseguiu influenciar por completo, era muito estranho. O que aconteceu foi mais como uma telepatia do que influencia, ele tinha que comentar isso com Philip.

Quando voltou para casa, já estava em seu quarto deitado, mas ao ouvir movimentação no quarto vizinho, levantou e pela sombra das cortinas pode observar a menina fazendo algo no quarto. Além de falar com o cachorro ela cantarolava uma música.
chamava a atenção dele. Mais do que ela poderia saber, mais do que ele mesmo poderia imaginar.
Ela arrumava as malas para a viagem. Amanhã teria um dia longo. O primeiro contato com um sobrenatural sempre é difícil.


Capítulo 02
Welcome To My Life

A viagem para Salem’s Town foi longa, seriam mais ou menos doze horas de viagem, em contar as paradas. dirigiu por mais de seis horas e a irmã continuou a viagem até a pequena cidade, no endereço dado pelo patrão. Durante grande parte da viagem, analisou o arquivo da possível bruxa. percebera o interesse do irmão aumentando, mas não comentara nada. Ele negaria naquele momento. Murramed por sua vez, dormia no banco de trás. Uma vez ou outra ele colocava a cabeça para fora da janela aproveitando o vento.
A rua estava movimentada, com um clima pesado, os irmãos saíram do carro e andaram até a entrada da casa pintada de amarelo e branco. bateu quatro vezes na porta, uma mulher muito gorda os atendeu. Ela tinha o cabelo pintado de loiro e mau cuidado. e se identificaram como amigos de .
— Sou Janet, amiga da mãe dela. Estou ajudando com as coisas do enterro e me desculpem perguntar, mas se são amigos dela como podem não saber da tragédia que houve na vida da ?
— Tragédia? — perguntou sem entender.
— É. Como podem não saber? A cidade toda sabe.
— É que não moramos mais aqui. Na verdade, e eu estudamos juntas e estávamos brigadas quando me mudei. A culpa foi minha. — disse falsamente. — Então meu irmão me trouxe para que eu pudesse pedir desculpas. Acho que chegamos no momento certo.
— Bom... — a mulher os analisou. — está no cemitério.
— Senhora, pode ser rude da minha parte, mas quem morreu? — perguntou .
— A mãe dela.
— Como ela morreu?
— Aí é que está, — disse a mulher em tom de conspiração, — A pobrezinha encontrou a mãe morta no porão assim que chegou do colégio, ela deve estar em choque ainda. A vai gostar de ter amigos por perto nessa hora difícil. O cemitério é a duas quadras daqui, naquela direção. — disse apontando para a esquerda.
— Nós sabemos onde é. — mentiu . — Vamos de carro. A senhora quer uma carona? — ofereceu educadamente.
— Não, não, vou andando. Tentar clarear a mente. Em tempos como esse prefiro caminhar e pensar.
Eles sorriram para a mulher e entraram no carro. estava muito brava. — A droga de um enterro, ?
— Como Philip poderia saber?
— Ele sempre sabe e você sabe disso. — ele riu da pouca paciência da irmã e começou a dirigir.

No cemitério eles avistaram a garota e de longe a viram chorar a morte da mãe. Com o fim do enterro os irmãos seguiram o carro que levou para casa, no carro esperaram. Quando o último parente saiu, estavam prontos para agir.
teve um pressentimento:
— Não acho que seja a hora certa de conversar com a garota. Ela acabou de enterrar a mãe, . Isso é... Cruel.
— Cruel seria deixar ela sozinha e desprotegida.
— Achei que ela fosse uma bruxa poderosa... — disse acidamente.
— Que precisa ser treinada e nós ainda não sabemos se ela é poderosa. Por enquanto, só o que sabemos é que ela é uma adolescente orfã. Como nós fomos, de certa maneira. — diz já sem paciência.
— Se é o que você diz... — disse com desdém. Ela não gostava de tocar naquele assunto.
Sem muita vontade ela saiu do Impala 67 preto seguindo o irmão, que bateu na porta da casa. não demorou a abrir, provavelmente achando que era algum vizinho ou parente para lhe dar os pêsames. Mas ao abrir à porta viu dois garotos que pareciam ter a idade dela e um cachorro que apesar do tamanho, tinha olhos quase humanos. estranhou, pois além de não conhece-los, já era quase noite.
— Posso ajudar?
— Oi! Sou e essa é minha irmã . Gostaríamos de conversar com você.
— Sobre o que? — perguntou confusa.
— Será que podemos entrar? — pediu ele.
estava desconfiada, mas ela sentia que não tinha mais nada a perder.
— Claro. Entrem...
Ela os levou até a sala e serviu uma caneca de chá para cada um.
— Como posso ajudar? — perguntou a menina se sentando numa poltrona de couro envelhecido em tons de marrom e detalhes de madeira nos pés e no apoio dos braços.
— Bom vou direto ao assunto , — começou , — Trabalhamos para uma Organização. Um grupo, que mantém o equilíbrio entre esse mundo e o sobrenatural.
quase cuspiu o chá.
— Como é? — ela arregalou os olhos.
— Temos informações seguras de que você é uma descendente das bruxas de Salém.
— Bruxas? Salém?
— A sua cidade acobertou bruxas refugiadas de Salém. Por isso Salém’s Town. Sua cidade, certo? — perguntou irritada.
De fato, os irmãos não estavam errados. Salem’s Town fora o refúgio de muitas mulheres, bruxas ou não, da caçada as Bruxas de Salem em Massachusetts. A cidade foi fundada por essas mulheres que viviam secretamente em meio de humanos e por muitos anos foram caçadas por extremistas, ocultistas ou simples caçadores do mítico.
tentou consertar a grosseria da irmã:
— Escuta, sua mãe nunca comentou sobre lendas, histórias da sua família ou da cidade? — continuava calada. — Qualquer coisa que você lembre pode ajudar! — a menina o encarava atônita. — Bruxas de Salém são as mais poderosas do mundo e nossas fontes estão seguras de que você é da linhagem original e provavelmente é a última.
já estava sem paciência, levantou abruptamente e andou decidida em direção à menina.
— Olha, tem acontecido alguma coisa estranha ultimamente?
— Estranha? Acabei de perder minha mãe. — respondeu indignada.
— Não, não... Sinto muito sobre isso, aliás. — diz realmente sentido com a perda da menina, ele mesmo já perdera sua mãe e sabia o quanto doía. — O que minha irmã quer dizer são, vozes? Sonhos? Velas ou lâmpada se acendendo sozinhas? — perguntou com ar curioso.
parou por um tempo, como se estivesse em transe. Na verdade ela se lembrara de algo.
— O que vocês querem? — perguntou ela assustada.
— Só ajudar! — respondeu ele esperançoso de que ela aceitasse ajuda.
— Como? Como podem me ajudar? — ela se levantou visivelmente transtornada, mas a calma de repente a inundou e voltou a se sentar, a influenciava telepaticamente. — Minha mãe sempre fazia chá gelado de camomila para o almoço, — ela levou a mão ao rosto, enxugando as lagrimas, — e por dezesseis anos ela fez isso, mas naquele dia ao chegar em casa não havia cheiro de camomila. A porta do porão estava aberta e a gente nunca deixava aberta. Era lá onde guardávamos os segredos da família, eu nem sabia de todos os segredos, mas eu sabia que a porta tinha que permanecer fechada. Quando eu coloquei os pés dentro do porão, eu senti... A morte. Ela estava lá, caída, com uma pequena foice crava no peito, e só de olhar para ela, eu sabia que não podia fazer nada para ajuda-la. Eu entrei em um tipo de transe, eu acho. Só percebi quando uma prateleira de livros se chocou com a parede sem nem ao menos eu tocar nela.
— Se não nos deixar ajudar, vai piorar. — ele segurou a mão dela tentando confortar a menina, — Da próxima vez, pode não ser uma prateleira e sim um amigo seu.
— Eu... Eu... Eu não sei. — disse ela tirando as mãos das dele.
— Se não tomar cuidado com seus sentimentos, seus poderes podem sair do controle e você pode machucar alguém. Sei que não quer isso. — diz com um meio sorriso nos lábios.
— Escuta, vamos ficar na cidade por alguns dias, você vai ter algum tempo para pensar em tudo isso, nos ligue se tiver alguma dúvida. Esse é o meu celular. — diz passando um cartão de visitas para ela. No cartão branco dizia apenas, “” e um número de telefone. — Ligue assim que souber o que quer fazer ou se quiser conversar. A conversa é por parte do meu irmão.
e foram saindo.
— Espere! Vocês são bruxos? — perguntou inocentemente.
— Não, somos outra coisa. — disse segurando a risada.
— Coisa?
— Se decidir ir com a gente, vai saber. — sorriu e puxou com ela.

Eles se hospedaram em um hotel e enquanto conversavam sobre como seriam as estratégias para trazer para a Organização, simplesmente disse:
— Acho que ela vai aceitar. — a vampira teve um pressentimento.
— Não sei, ela está bem abatida.
— Podemos influenciar ela.
— Não, ! Ela tem que ir por conta própria. Regras da Organização.
— Você nunca ligou para isso antes.
— É diferente influenciar um segurança para nos deixar entrar em um museu para roubar alguma coisa e influenciar alguém para entrar para a Organização.
— Tanto faz! — respondeu a irmã com desdém.

•••

Duas noites após chegarem à cidade e conversarem com , os irmãos estavam no quarto do hotel pesquisando sobre a vida das bruxas da cidade e de . estava na cama com o notebook, Murramed em seus pés olhando montar uma espécie de quebra cabeça da vida da menina. Pouca coisa fazia sentido até aquele momento.
O celular de tocou, mas foi quem estava mais próximo do aparelho:
— É a ! — ele disse surpreso.
— Então, atende.
— Alô?
Oi , sou eu, .
— É. Eu sei. Como você está?
Quero conversar. Será que você pode passar aqui?
— Claro! Nós vamos, chegamos em 15 minutos.
Você não pode vir sozinho? — perguntou ela apreensiva.
— Oh! Claro. Tudo bem.
Obrigada.
— Sem problemas. Até logo.
— Então? O que ela queria? — perguntou curiosa.
— Conversar comigo. E sozinho.
— Ah! Ótimo. E o que eu faço enquanto isso? E com tudo isso? — perguntou ela apontando para o amontoado de papeis em uma mesa no canto do quarto que o irmão estava.
— Você vai procurar pistas.
— Pistas? — perguntou ela perplexa.
— É, pistas, provas de que ela é uma bruxa de Salém. Fora desse computador, isso não está nos levando a lugar nenhum, essas mulheres eram espertas, viviam fora do radar. Precisamos ter acesso a arquivos escolares dela e você pode ir à biblioteca da cidade procurar por algo.
— Está bem, eu vou para biblioteca. Se é que esse lugar tem uma, mas eu fico com o carro e você leva o Murramed.

deixou para bater na porta de quando , em seu Impala desaparecia no fim da rua. Ele olhou para Murramed, que o olhava de volta.
— Se comporte! — alertou ao cachorro.
O cão bufou entediado. Ele bateu na porta e segundos depois, atendeu. Ela usava um lindo vestido amarelo claro na altura do joelho.
— Obrigada por vir e trazer... O cão...
— O nome dele é Murramed. Ele é da minha irmã. Ela está indo na biblioteca e ele não pode entrar.
Ela os levou até a sala onde pode ver livros e potes de ervas por toda parte. Ele se sentou no sofá maior e o cachorro deitou nos pés dele. e se olharam e o silêncio pairou no ar.
— Então, o que quer saber? — quebrando o silencio.
— Sobre mim, essa Organização, você e a sua irmã, como me acharam. Tudo!
— Olha, ...
— Pode me chamar de . — ela o interrompeu sorrindo.
— Ok, ! Minha irmã está pesquisando sobre as antigas bruxas. Não temos informações concretas sobre você, só o que você pode nos dizer, mas acredite, só queremos ajudar.
— Bom, estou pronta para ouvir tudo. Desde essa tal Organização, até sobre, bem... Às bruxas.
começou a explicar sobre a Organização, sobre ele e .
— Vampiros? Achei que não existiam. — diz ela espantada.
— Nós existimos. Eu e minha irmã trabalhamos nessa Organização por que Philip, o dono, é quase um pai para nós. Ele nos transformou.
— Posso saber como foi? — perguntou com a voz baixinha.
— Resumidamente, e eu morávamos em uma floresta na Ucrânia. Aquela floresta era como o nosso quintal. Numa tarde de inverno saímos para brincar... — ele suspirou. — Éramos tão crianças, principalmente, mas naquele dia nos divertimos tanto que não vimos como ficou tão tarde e tão frio. Minha irmã, de repete, desmaiou, ela andava meio doente aquele mês. Eu a peguei no colo, e no nervosismo ao ver ela desmaiada, perdi o senso de direção da floresta que eu conhecia como a palma da minha mão. Caminhei com ela desmaiada nos meus braços por um tempo, horas talvez, e a neve não parava de cair. Até que achei uma cabana, parecia que era um milagre, nunca tínhamos visto aquela casa antes. O Philip abriu a porta e me mandou deita-la na cama, ele disse que era médico e a examinou, ao terminar ele disse que ela estava morrendo e que não havia nada a se fazer, mas ele falou que ele poderia resolver isso e que eu devia confiar nele, só pensando na vida da minha irmã eu aceitei, ele disse que ela seria transformada. Não havia muito tempo para pensar sobre aquilo ou outra decisão a ser tomada, relutei um pouco, mas ao ver ela gemendo na cama eu cedi e acabei pedindo que ele me transformasse também, eu nunca deixaria sozinha.
— Oh, meu Deus! — ele sussurra surpresa.
— O Philip achava que por ser vampiro não deveria ficar entre as pessoas ou exercer a profissão de médico que era muito prestigiada, naquela época. Então se isolou naquela cabana. — mais uma vez suspirou tristemente. quis mudar o rumo da conversa, ela percebia o quanto isso o afetava, mas ele continuou. — Ele só se isolou.
— Mas como ele mudou de um homem que morava no meio de uma floresta da Ucrânia, a um magnata sobrenatural?
— Philip é um empresário e investe em coisas normais. Ele foi crescendo e fazendo seus investimentos e no meio dessa jornada acabamos junto a ele. Nosso trabalho com ele é em grade parte de recrutamento de sobrenaturais, como você, mas às vezes roubamos coisas para ele, só quando é realmente preciso.
— Roubar? — perguntou assustada. Ela passou as mãos no rosto, e de repente, num folego só, disse: — Você parece ser bem legal, . Mas tenho que pensar sobre tudo isso.
— Tudo bem. Você tem nosso cartão, nos ligue quando quiser saber mais, ou se decidir alguma coisa. — disse se levantando para sair.

De volta ao hotel, contou as dúvidas de à irmã. Ela vai até o irmão e lhe entra uma cópia do que parecia ser um jornal muito antigo.
, sentou-se na cama e por alguns minutos ficou absorto na leitura, até que um artigo lhe chamou atenção.
— Cas, você precisa ver isso.

APÓS NOVE ANOS DE GUERRA GENOCIDIO CHEGA AO FIM, (será o fim das bruxas?)
por Joseph Reed

14 de agosto de 1679

Acaba hoje a Guerra dos Nove Anos com a assinatura do Tratado de Ryswick.
Durante a Guerra dos Nove Anos, também chamada de Guerra da Grande Aliança, travada entre a Europa e colônias americanas, durante 1688 e 1697, deixando vinte mortes por enforcamento e mais de duzentas prisões.
Na guerra travada por essas duas grandes potencias, os franceses com o objetivo de expansão territorial e os americanos de defender sua própria terra, gerou efeitos colaterais em diversas regiões entre os países.
A colônia mais prejudicada na América foi à pequena e antes pacata, Salem's Town. Pequenas cidades e vilarejos localizados ao redor de Salem foram destruídos durante toda a fase da guerra com famílias inteiras sendo separadas por soldados americanos e franceses nos últimos anos.
Por ser o lugar de refúgio de muitas pessoas, Salem começou a sofrer com problemas de superlotação, como a falta de comida e suplementos na cidade. Com isso, alguns sem muitas opções, se viram obrigados a roubar ou até mesmo virar mendigos. Com esse fato, e por interesse próprio, algumas pessoas começaram a ser acusadas de mexer com as artes ocultas.
Com os surgimentos dessas acusações, não se pôde negar que acontecimentos estranhos ocorreram em Salem, principalmente com as famílias antigas que viviam na região, boatos de todas as partes apareciam. Salem antes da guerra era um lugar pouco conhecido onde não se tinha muitas informações.
Após o anuncio da pose de Samuel Parris como Ministro Puritano de Salem, coisas estranhas começaram a acontecer com a sua família, se diz que foi criado um grupo de inquisidores, com a intenção de investigar esses casos e outros sobre as tais artes ocultas.
Por ordem desse grupo se sabe que muitas mulheres foram acusadas de bruxaria e enforcadas por suas acusações não confirmadas. A morte e prisão de muitas mulheres foram declaradas, sendo elas crianças, jovens, adultas ou idosas, esse período foi chamado de “caça às bruxas”. Eram usados muitos critérios para essas acusações, mas não se sabe se havia um fundamento.
Até os dias de hoje, boatos circulam sobre as tais “Bruxas de Salem”, mas a sua verdade nunca foi revelada, sem muitos detalhes e informações dos ocorridos, dizem que ainda há muitos documentos importantes em Salem’s Town, porém ninguém foi capaz de acha-los, ou ao menos chegar perto disso, o que se sabe, é que, só o fato de questionar sobre o assunto, poucas pessoas tinham coragem de falar sobre as coisas estranhas que aconteciam na cidade, os inquisidores poderiam levar qualquer um a forca.
Hoje, foi dada a declaração oficial do término dessa guerra após 9 anos, tendo vários fatos obscuros ocorridos, sendo esse sobre “As Bruxas de Salem’s Town”, um dos mais violentos e misteriosos, não só dessa guerra, mas de todos os tempos. Será que agora a famosa “caça às bruxas” finalmente terá um fim? Ou isso é apenas o começo?

— Sabe o que isso quer dizer, não é? — perguntou transtornado.
— Que ela talvez não tenha noção do perigo que está correndo? É, eu sei. Ela precisa de um empurrãozinho, . — disse com um sorriso maldoso no rosto.
— Não vamos influenciar ela, .
— Não, , não vamos... Vou só conversar com ela. Papo de garota. Fica tranquilo. — pegou a chave do carro e dirigiu até a casa de .

A vampira bateu na porta de forma decidida e poucos segundos depois abriu a porta com o rosto vermelho. Ela claramente havia chorado depois que saíra de lá. Percebendo isso, decidiu tomar outra postura em relação a possível bruxa.
— Oi, — disse ela solidaria. — Podemos conversa?
— Oh! , não é?
— É! Posso entrar? — perguntou a vampira já entrando.
— Claro! — respondeu sem alternativa.
Elas sentaram em um banco de madeira no jardim dos fundos. fez chá de camomila. A vampira olhou a caneca: “ótimo, mais chá”, pensou .
— Meu irmão já te atualizou de quase tudo, certo?
— O possível. E para ser sincera, bruxas, vampiros e a Organização é demais para mim. Perdi minha mãe, estou sozinha agora. Não estou com cabeça para essas coisas, tem muito acontecendo em tão pouco tempo, não sei mais do meu futuro, faculdade e trabalho, não sei como seguir daqui para frente.
, você não está sozinha. Eu sei que nós não nos conhecemos, mas estamos com você. E sinto muito, mas fui investigar seu passado, procurar mais informações sobre você, sua família e sobre as bruxas, algo que pudesse nos ajudar. Bom, não sei se consegui muitas informações valiosas, mas descobri que você não é muito popular, querida. O que acha que está perdendo aqui?
pareceu mais triste quando falou isso. A vampira se sentiu culpada e tentou consertar:
— Olha, eu sei que o que estamos pedindo é demais. Mudar de cidade, deixar o colégio, sua casa... Mas, Saint Paul’s Heart tem uma ótima escola e eu sei que sou péssima com as pessoas, mas sua mãe morreu, . Por que ficar? Você pode morar com a gente por um tempo ou pode alugar uma casa só para você, sair daqui um pouco vai ser bom e se decidir ficar com a gente, com o aluguel dessa casa, pode guardar dinheiro para a faculdade. Deixe o Philip cuidar disso para você.
— Você não entende. Nunca sai de Salem’s Town.
, você é uma bruxa original em potencial. Philip não nos mandaria aqui se não acreditasse em você. — pareceu parar para pensar, mas logo abriu a boca e falou:
— Vou te falar uma coisa que não falei para o seu irmão.
— O que é?
— Não sei se sou uma bruxa original, mas sim, sou uma bruxa.
— Uma bruxa mesmo? Você quer dizer que faz feitiços e magias?
fechou os olhos e viu as velas espalhadas pela sala se acenderem sozinhas.
— Exatamente! — sorriu surpresa. — Minha mãe gostava de velas. — comentou a garota, feliz com a agradável memória que tinha da mãe, mas ao mesmo tempo sentida ainda pela perda, então ela faz uma pergunta, surpreendendo .
— Já se sentiu assim? Eu sei que vocês tecnicamente morreram antes dos seus pais.
Assim como , suspirou, porém mais do que , a vampira não gostava de falar sobre aquilo, mas precisava ser convencida.
— Quando o Philip me transformou, eu não acreditava que o tinha feito aquilo comigo, com a gente. Eu tive que ver o enterro da minha mãe de longe e depois meu pai se acabar em tristeza. Ele não parou de procurar a gente até o dia em que morreu. Eu fiquei brava e deslocada durante muito tempo. Eu não sei quantos humanos eu transformei ou simplesmente matei, mas o estava lá por mim. Sempre um passo atrás do mim para consertar as merdas que eu fazia. Quando finalmente entendi por que ele havia tomado aquela decisão, eu pude ver que não importava o quanto perdida eu estava ou quanto errada eu estava, o estava lá para mim e o Philip também. O é bom nessas horas de perdas e escolhas. Deixe-o ficar por perto e você vai ver. — pediu a vampira.
suspirou profundamente.
— Ok! Isso foi bem sincero. Vou passar uns dias com vocês, mas não prometo ficar.
— É assim que se fala... — as duas sorriram já parceiras.
pressentiu que ali começava uma grande amizade e que iria para ficar. Na porta, já se despedindo disse:
— Obrigada por nos dar essa chance. O vai gostar de saber que fiz alguma coisa certa, só para variar.
— Nos vemos amanhã? Faço café da manhã para vocês. Vocês comem bacon e essas coisas, certo?
gargalhou.
— Sim. Não é nossa refeição favorita, mas sim, comemos. Por favor, não deixe faltar chá. — a vampira disse com sarcasmo, mas entendeu isso como um pedido sincero.
Já fora da casa, se virou para :
— Venho amanhã te ajudar a fazer as malas.
— Será ótimo. Obrigada!

Quando contou pra que aceitou, ele não acreditava.
— Você conseguiu convencer ela?
— Consegui.
— Como? Você não...
— Não, . Você disse para não influenciar ela e eu não a influenciei. Ela só não quer ficar sozinha, por isso ela vai ficar com a gente e bem, por sua causa.
— Minha causa? — perguntou ele sem entender.
— É. Eu disse que você e o Philip são bons nessa hora. Ai quando disse isso, ela aceitou.
— Por que acha que ela está indo por minha causa?
— Você contou nossa história para ela. Não contamos isso para ninguém, disse coisas que nem eu e você conversamos, e como você contou, acho que confia nela e espero que saiba o que está fazendo, já que percebi que você gosta dela.
— O que? — disse com falsa indignação.
— Admita, ! Desde que me mostrou a foto dela eu soube que não era só pela Organização, veio por que é pessoal. Eu só dei um empurrão.
— Obrigada, Cas. — ele disse a abraçado.
— Sem problema. Arrume as malas, vamos pra casa amanhã. Não aguento mais essa cidade.

•••

No dia seguinte parecia bem melhor. Enquanto a ajudava a fazer as malas, colocando apenas itens pessoais, procurava pela casa alguma coisa que relacionasse as bruxas do passado com . Ele colocava tudo o que achava ser importante em baús: livros de receitas, álbuns de família, diários e livros antigos. Um livro em particular chamou a atenção dele. Capa de coro marrom e em relevo o nome WILTSHIRE. Ele o abriu e para sua surpresa, era um livro de feitiço. Com certeza era de alguma ancestral de .
A sala estava quase vazia e era visível que alguém estava de mudança quando as duas meninas desceram as escadas com malas e caixas.
Enquanto os homens da empresa de mudança carregavam o caminhão , e ficaram na sala.
— Aqui está tudo o que conseguimos reunir sobre você e as bruxas originais. Você pode ser da linhagem. Tem aqui o nome de dez pessoas, conhece alguém?
Ela olhou o livro e viu nomes conhecidos e não conhecidos:

CONSTANCE
DARLA
MAGNOLIA
CRISTY
JESSALYN
NILA
ANNE MARIE
PATRICIA (TRISH)
MORGANA
ABIGAIL WILTSHIRE MCGUIRE — THOMAS MCGUIRE
MELISSA MCGUIRE
MCGUIRE

— Abigail Wiltshire, segundo nossos documentos, ela foi uma das últimas bruxas originais de Salem, falam que ela era a bruxa mais forte de sua época, aparentemente ela já trabalhou e morou em outras cidades, em uma dessas viagens começou um relacionamento, então eles vieram até Salem’s Town, ela se casou com Thomas McGuire, por isso seu sobrenome, ele não era um bruxo. Homens não são bruxos, como acreditam por aí. Ele era um simpatizante, digamos assim. — explicou . — Com o começo da guerra, Salem’s Town que era uma cidade comum, começava a receber refugiados, então, começou a ter problemas e acontecimentos estranhos e apareceram os boatos de bruxas por toda a população e criando assim os caçadores de bruxas, dando início à temporada caça causando mortes por enforcamentos e queimadas na fogueira, sendo elas possíveis bruxas, bom... acho que você já conhece essa história. — continua . — Mas de alguma forma, sua bisavó, não foi descoberta dando assim continuidade a sua linhagem. Mesmo após a guerra e o declaramento abdicando a caça às bruxas, dizem que ainda existem caçadores nos dias de hoje, caçando por todo o país, depois da guerra e esses esse ocorrido sobre as bruxas foram se espalhando e ganhando fama cada vez mais, atingindo outras cidades. Atualmente, as histórias estão mais para lendas para os humanos, mas ainda afeta a vida de muitos sobrenaturais, principalmente das bruxas, pois de alguma forma isso afetou o equilibro do nosso mundo.
— Uau! Isso é incrível! Sou mesmo da linhagem original de bruxas de Salem?
— Parece que sim. Mas vamos investigar melhor. — disse pegando o livro de volta e o colocando no baú.
Parecia que naquele ponto, começava a conhecer e entender quem era.


Capítulo 03
Stop Crying Your Heart Out

estava com Zacary Balle, seu melhor amigo na varanda de sua casa, quando viram os irmãos , o cão e uma nova garota chegarem em casa.
— Quem é aquela, Luke? — perguntou Zacary entusiasmado.
— Não sei, deve ser uma prima ou amiga, mas é nova na cidade com certeza.
— Será que é solteira? — disse o garoto rindo. não respondeu, ficou olhando , a vizinha. — Cara, se a Allison souber que você olha assim para essa esquisita da , ela te mata!
— Não estou olhando, do que você está falando? E você sabe que a Allison e eu demos um tempo.
— É, eu sei. Tente convencer a Allison disso. — Zac gargalhou, mas não parava de encarar . Zac tentou arrancar mais alguma coisa do amigo. — Qual é, ... Te conheço desde criança, cara. Você está afim da esquisita.
— Para, cara... Ela é muito gata e muito esquisita. Ela mora aqui há o que? Uns seis meses?
— Por aí... — concordou o amigo dando de ombros.
— Nunca nos falamos. Ela faz questão de não se misturar. O irmão dela é diferente, cumprimenta os outros vizinhos, já ajudou minha mãe uma vez, quando ela voltava do mercado e o carro quebrou na estrada Pirce, mas a irmã dele é doida, estou dizendo. Me chamou de caipira essa semana, aos berros...
— Olha o tamanho daquele cachorro. Qual é a daquela coisa? O irmão dela estuda em casa? Ele é grande, podia entrar para o time do colégio. — comentou Zacary.
— Não sei, mas posso falar com ele qualquer hora.

apresentou a casa para , enquanto descarregava o carro e supervisionava o trabalho dos homens do caminhão de mudança.
A começar pelo primeiro andar, onde o cômodo principal era a sala, que só não era tão grande quanto à cozinha, que era feita sob medida, com grandes armários de madeira maciça e um reluzente mármore preto sob eles. Ainda no andar de baixo, havia uma segunda porta, o porão. Era ali que ficariam as coisas de .
Elas subiram então a escada, quer levava ao segundo andar da casa, percorreram um longo corredor, onde haviam quatro portas. Cada uma com uma cor de diferente. Esses eram os quartos.
— E finalmente, esse é seu quarto. Aquele é o meu... — ela apontou para uma porta vermelha do outro lado do corredor. — E esse ao lado do seu é o do . — apontou para porta verde.
A vampira abriu a porta roxa e pode ver seu quarto. Era pequeno, mas muito aconchegante. Com uma cama de solteiro e cortinas e roupas de cama lilás.
— Esse quarto tem seu próprio banheiro, mas também tem um banheiro social, que é ultima porta no fim do corredor. E se precisar de alguma coisa é só chamar.
olhou para o topo das escadas e viu subindo com mais malas do que uma pessoa normal poderia carregar. Seria difícil para ela se acostumar com as habilidades dos novos amigos vampiros. Antes que ela percebesse já estava em seu quarto com Murramed logo atrás dela.

Inconscientemente, olhou para a sacada do quarto vizinho e seu olhar encontrou o de . Os olhares se encontraram e se fixaram por algum tempo. Ela sentiu algo esquisito, como se o coração de repente parasse de bater e voltasse a bater mais rápido do que nunca. Dando as costas para a janela e começou a mexer nas malas, mas ela podia sentir a observando e ouvir o coração dele batendo tão rápido quanto o dela naquele exato momento. fingiu não perceber nada daquela atmosfera diferente de tudo o que ela já havia sentido. Ela continuou desfazendo as malas.

No corredor e conversavam sobre a casa e da cidade. Ele a ajudou a por as malas para dentro do quarto.
— O quarto é pequeno... — comentou ele.
— Mas é temporário. — disse ela sem deixa-lo terminar.
— É, mas quem sabe você fique. Eu gostaria que você ficasse.
ficou surpresa.
— Por quê?
— Olha, sou um vampiro e dizem que nosso coração não bate, o que é mentira. — percebe que está começando a dar voltas e falar coisas que pareciam sem sentido. — o que eu quero dizer é que meu coração tem batido diferente desde que eu te conheci. Eu realmente gostaria muito que você ficasse. — diz ele olhando fixo a ela, sem nem ao menos piscar.
fica vermelha, envergonhada e muda de assunto:
— Estou cansada, a viagem foi um pouco longa, acho que vou tentar dormir.
— Eu também. Vou para o meu quarto. — vai indo em direção a porta e de repente vira. — Se precisar, é só chamar, ok?! — Ao falar isso, ele sai apressado e desajeitado.

Após arrumar suas coisas, sozinha no quarto, tudo tinha cara e cheiro de tristeza para . Ela pegou o radio que pertencera a mãe e sintonizou na única estação que pegava na cidade. O locutor, um cara chamado Brian, decidiu tocar Stop Crying Your Heart Out do Oasis e aquela música se encaixava exatamente no que ela passava, fez com que ela quisesse lutar, com que ela mudasse de humor, que criasse expectativas. Sua mãe não ia querer que ela chorasse, que ela tivesse medo do futuro, que ela se preocupasse. Ela iria querer que a filha seguisse seu caminho e que parece de chorar tanto. Então pensou a menina “Levante, você não nunca poderá mudar o que aconteceu!”.
Batidas na porta desviaram sua atenção da musica.
— Hey! Posso entrar? — era novamente.
— Pode! — ela disse enxugando as lágrimas. abre a porta totalmente para entrar.
— Eu sei que é difícil. — ele falou se aproximando.
— Eu estou bem, sério! Esse choro é uma despedida. O luto acabou. Eu sei que é cedo, mas ela não iria querer que eu sofresse. Então acabou a fase de choro e eu sei que vou ficar melhor do que pensei. — disse limpando as lagrimas do rosto.
Ela o abraçou, para surpresa dele.
— Obrigada ! Vocês estão tornando tudo mais fácil.
Poucas pessoas abraçavam vampiros principalmente sabendo o que eles são. Ele retribuiu o abraço.
— Que bom! Sempre conte comigo se precisar de alguém, estou aqui, .
Fez cafuné nos cabelos macios dela e logo ela caiu em um sono profundo nos braços dele. Ele a influenciou para que ela dormisse. Carinhosamente a colocou na cama e a cobriu. estava precisando desse descanso. Agora a vida dela seria diferente, com aulas de feitiço que começariam no dia seguinte e sem falar da cidade nova, colégio, amigos...

estava na sacada de seu quarto lendo um livro. Uma música leve e calma tocava em seu quarto diferente do que ela costumava a ouvir. De repente, um barulho nos arbustos a fez largar o livro e ficar em alerta. Ela estava sempre em alerta, era uma predadora. Mas quando viu o cachorro da vizinha sair das folhagens ela riu de si mesma.
— Cachorro idiota!
Quando se deu conta percebeu que a olhava de seu quarto. Ela se odiou por não perceber a olhando. Percebeu a porcaria do cachorro da vizinha, mas não o cara da sacada em frente à dela.
Ele saiu para a sacada, vestia um conjunto de moletom cinza, provavelmente pijama e tinha uma caneca nas mãos. Ela podia sentir o cheiro de chocolate quente e marshmallow. Ela fingiu voltar à atenção para o livro.
— Você nunca fica na sacada?
— O que? — ela não entendeu o comentário.
— Você mora há um bom tempo aqui, e quase nunca sai nessa sacada. Não sei se percebeu, mas é de frente para o minha. — ele brincou.
— Nós nunca nos falamos, mas acho que reparou nisso. — devolveu ela com sarcasmo.
— É difícil não reparar em você, . Você é meio... barulhenta. — disse ele rindo. — Não de um modo ruim. Você canta e dança muito bem. Tem um bom gosto para musicas, você escuta ótimas bandas na verdade. E escuta musica até tarde.
— Como sabe meu nome? — ela perguntou tirando a atenção do livro por um momento e o encarando cerrando os olhos.
— Cidade pequena. Você é diferente das pessoas de Saint Paul’s Heart.
— Não sou diferente! Só gosto de música e gostaria de esquecer que moro aqui. — disse a ultima frase bem baixo.
— Não gosta de Saint Paul’s Heart? — ele perguntou sentando no parapeito da sacada. Ela fez que não com a cabeça.
— Então... Por que veio morar aqui? — perguntou curioso.
— Meu irmão gosta de cidades pequenas. — ela mentiu. Ela odiava mentir mesmo que fosse para um caipira como .
— Mas você não. — insistiu .
— Perguntas demais, caipira. — diz ela colocando o marca pagina no livro, logo após o fecha e entra no quarto deixando sozinho em sua sacada.
Dentro do quarto ela lutava pra não gritar de raiva. Como ele se atrevia a falar com ela? Ela gastava grande parte do tempo tentando ignorar ele no quarto da frente. Por que ela odiava tanto ele? E o sorriso que ele sempre tinha no rosto, por que ele sorria tanto?

•••

De manhã e levaram para o único colégio da cidade para que ela se matriculasse. Assim que estacionou o Jeep, viu todos aqueles jovens entrando e saindo do prédio, era mais do que ela poderia aguentar. Muito amor jovem e inocente, corações batendo rápido pelas paixões adolescentes. Se pudesse dar um conselho para aquele bando de caipiras era, que 90% daqueles casais estariam separados antes do baile do terceiro ano.
— Tem certeza que quer estudar aqui, ? Você pode estudar em casa. Vampiros de mais de 200 anos sabem alguma coisa sobre matemática.
— Tenho. Posso ser uma bruxa...
— Talvez... Talvez você seja uma bruxa. — disse com o sarcasmo.
— Talvez eu seja uma bruxa. Mas quero ter uma vida normal. Pelo menos aos olhos das pessoas.
— Ela está certa, . — interrompeu, . — Ela está acostumada com pessoas. Não vamos priva-la disso.
— Tá bem! Só não vou entrar ai. Espero no carro com o Murramed.
Os outros dois entram. foi caso precisasse influenciar alguém. brincava com o cão até ouvir a voz que a fazia tremer de ódio dos pés a cabeça.
— Ora! Se não é minha vizinha de sacada que odeia minha cidade.
— Eca! Se não é meu vizinho caipira. — devolveu ela.
— E ela é briguenta, senhora e senhores. — disse ele fazendo uma careta.
— Você ainda não me viu numa briga, caipira da sacada.
— Por que o cão tão grande? Sempre anda com ele. — ele perguntou e comentou ao mesmo tempo se aproximando de Murramed e acariciando atrás da orelha do animal.
— É pra chato nenhum chegar perto. Não funcionou com você.
fez que entendeu fazendo um beicinho bonitinho e borboletas voaram no estomago de . Esquisito!

Ao sair do prédio viu e conversando. Ele se aproximou rapidamente conhecendo e mesmo sabendo que ela gosta de (e ela negaria isso), ela seria capaz de arrancar o coração dele se ele a irritasse demais.
— Hey, !
— Oi, ! Eu estava aqui conversando com a sua irmã e olha só, o cão parece gostar de caipiras de Saint Paul’s Heart.
suspirou sem paciência. não sabia o que estava acontecendo, porém, se tratando da irmã já imaginava. Mesmo que interessada em (e ela também negaria isso), ela trataria ele mal até o fim dos dias dele na cidade.
fingiu um sorriso.
essa é , uma amiga. Vai morar com a gente por um tempo.
— Oi, , sou . — ele se apresentou. — Posso te mostrar o colégio e provavelmente teremos aulas juntos.
— Seria ótimo! Não conhecer ninguém é assustador. — sorriu.
— Se quiserem, podem ir a Coffee House que eu trabalho. Você conhece a galera e não vai ficar tão perdida amanhã.
— Oh! Será ótimo! Nós com certeza vamos, não é, ? — perguntou animada, porém apreensiva.
— Claro. Agora temos que ir, você sabe, comprar livros para as aulas.
— Tudo bem. Nos vemos hoje a noite então. Quem sabe eu te veja também, . — disse sorrindo.
— Não conte com isso. Na verdade, tenho muitas coisas pra fazer nessa cidade... Você sabe, cheia de coisas pra fazer. — fala sarcástica.
Ao saírem do estacionamento do colégio quis saber como haviam sido as coisas na matrícula, estava tão animada com tudo, que respondeu: — Tudo bem! Estou matriculada, mas seu irmão teve que influenciar algumas pessoas. Foi divertido!

se recusou a ir, disse que preferia sair pra caminhar com Murramed. Já era noite quando e sairão para o bar em que trabalha, mas não voltaram para casa, ele dirigiu o Impala pelas ruas calmas da cidade e entrou no caminho de terra que dava para a floresta Wakefield. Um lugar onde poucos homens da cidade iam caçar, jovens iam lá para fazer trilha acampar e coisas do tipo. usou sua audição e visão pra se certificar de que não havia ninguém por perto.
— Está tudo certo. — disse esfregando as palmas das mãos uma na outra, — Podemos começar.
O vento de inverno uivava no ouvido de , enquanto ela descia do Impala.
— Começar? O que viemos fazer aqui? — perguntou ela.
Ele abriu a porta para que ela saísse.
— Viemos treinar. — respondeu ele sorrindo para ela. Não era um sorriso sincero, ela sabia. Ele não queria fazer aquilo.
— Como podemos treinar feitiços de ataque e proteção, sem um... Você sabe... Cara mal?
— Serei seu cara mal hoje. — disse batendo uma das mãos no peito largo.
— Oh, não, não, não, não... — começou ela ao voltar para o carro.
Ele a puxou pelo braço, — Vai ficar tudo bem. Eu prometo.
— Eu não sou como vocês. Eu não tenho garras, olhos brilhantes, eu tenho feitiços e um livro.
— Olha, — ele se aproximou dela, — Eu não tenho garras e os meus olhos não brilham. — as pontas dos dedos tocaram os dela, — Meu rosto é diferente... Quando eu sou o vampiro.
— Você... Me mostra?
fechou os olhos, segurou a mão dela e levou a seu rosto.
— Por favor, não fica com medo. — pediu ele.
— Não estou com medo. — sussurrou ela tocando o rosto que agora estava diferente. Ela não sabia explicar como, mas estava. Então ela soube, ele abriu os olhos e pode ver que no lugar dos azuis confiantes e ternos se tornaram totalmente pretos.
— Quando eles ficam pretos...
— Posso ver melhor, caçar o que quer que eu... Queira caçar.
— O que você caça?
Ele fechou os olhos mais uma vez e quando voltou a abrir estavam azuis de novo.
— Não caço nada há décadas. Eu e minha irmã temos um estoque de doadores que vem da Organização.
Sem jeito, tirou a mão do rosto dele, ele sorriu com a situação.
— Doadores?
— Sim. Bom, agora... Vamos voltar para o treinamento. Me ataque.
— Não vou atacar você.
— Sim, você vai sim. — ele a puxou pela mão a fazendo sem sentar na grama alta de frente para ele. — Escuta, se eu pudesse escolher entre fazer isso ou não fazer, sem dúvidas, minha resposta seria não, mas eu entendo que se você souber lutar ou ter as mínimas noções de defesa já é um avanço. — continuava sem falar nada, — Escuta, eu preciso te contar uma coisa.
— O que?
— Existem formas especificas de matar um vampiro e por feitiços só existe um.
— Qual?
— Não vou te dar dicas. — brincou ele. — O que eu quero dizer, é que precisamos treinar, precisamos que você esteja segura do que faz, para que fique segura em um campo de batalha. Você não vai me machucar mortalmente. Eu prometo.
...
, estou falando sério. Estamos aqui e vamos fazer isso. É isso ou vai ter que treinar com a minha irmã e ela não é tão legal quanto eu, garanto.
riu.
— Ok! Mas se eu machucar você, paramos na hora.
— Vou ficar bem. — ele levantou, foi até o carro, pegou o grimório dela no banco de trás. — Agora, me conta, o que você tem treinado.
— Um feitiço de paralização. Ele faz o “inimigo” sentir dor. O que me dá tempo de fugir ou me esconder, já que acho que não consigo realmente matar alguém.
— Ótimo. Você precisa de alguma coisa para ele?
— Não, só a intenção e as palavras do feitiço.
— Ok! Vou me afastar e correr na sua direção, como um agressor faria. Você vai apenas fazer o que sabe fazer,
— Está bem. — ela leu as frases de encantamento, enquanto se afastava.
Havia cerca de cinco metros entre eles e de repente ele começou a correr na direção dela. A princípio, ela riu, mas então ela percebeu pelo olhar de que ele não pararia.
Ela abriu a palma da mão direita e começou a falar o encantamento:
Gredayrio phohibere! Daygora Hostium! Goagrera praesidium! Riogreday inocentes! — ela repetia como um mantra e de repente caiu de joelhos no chão, ele gemia e se contorcia de dor.
— Pare! — gemeu ele e de repente ela parou. Ele se deixou cair para trás na grama, conseguindo finalmente voltar a respirar. O que não era necessário para um vampiro, mas sentiu alivio ao poder fazê-lo e riu disso.
— Está rindo do que? — perguntou irritada. — Achei que estava matando você.
— Acho que sou mais forte do que pensa que sou.
Ela se levantou e ofereceu a mão para ajudá-lo a se levantar, — Por favor, diga que acabamos por aqui.
— Ainda não. Dessa vez vou te atacar, mas não indo na sua direção.
— Como assim?
— Você vai entender. Quero que faça o possível para me impedir de chegar em você.
, não gosto disso.
— Acredite, nem eu, mas você precisa disso.
Ele voltou a se afastar dela, dessa vez o que pareceu dez metros. Ele estralou os olhos do pescoço em preparação. já conhecia as palavras do encantamento, mas ainda assim estava apreensiva e antes que pudesse proferir seu feitiço, ele já a segurava pelo braço e junto com ele, ela levantou no ar. A bruxa não pôde deixar de gritar.
— O que está fazendo?
— Te atacando.
— Isso é injusto. — ele a sacudiu de um lado para o outro no ar a tirando de sua concentração.
— Se concentre, . Você precisa manter o foco.
Ela respirou fundo por um momento, passou o braço livre pelo pescoço dele e sussurrou no ouvido dele o mesmo encantamento de antes.
Mais uma vez caiu no chão se contorcendo de dor. emanava uma aura laranja, quase da cor de seus cabelos. precisou se concentrar para que ao aterrissarem no chão, ele fosse o corpo de impacto e que ela não se machucasse.
Ela encostou os pés no chão e continuou a infligir dores na mente do vampiro.
— Desiste? — perguntou ela.
— Não. Desculpe por isso.
— O que?
Ele a segurou pelos braços, os punhos dela presos em uma mão dele, com a mão livre ele fez uma arma com os dedos e encostou na cabeça dela.
estava irritadíssima, mas esqueceu qualquer sinal de raiva quando mesmo sob efeito do feitiço de dor que ela colocava sob ele, ele a beijou na bochecha.
De repente a dor passou e a influência de também.
— Desculpe, eu tive que te segurar para, você sabe...
— Para mostrar que eles também podem me segurar e que preciso me defender caso eles me peguem.
— É. — disse sem jeito.


Capítulo 04
All Black

estava se adaptando bem ao novo colégio. Às vezes alguns amigos de sala iam para a casa dos passar à tarde. não estava acostumada com gente em casa, mas não ficava brava com por isso. Ela sabia como era forte a necessidade de ter pessoas por perto. E na verdade, aquelas pessoas não a incomodavam realmente, não como o vizinho.
Avery uma menina de cabelos castanhos claros, tão cumpridos que batiam em sua cintura. Emily de cabelos loiros e sempre mascava chiclete e havia Brandon, um garoto de estilo cowboy irresistível a Emily. Todos muito simpáticos, mas , preferia não se misturar. Era o que ela fazia de melhor, se excluir.
O pior era passar mais tempo no quarto, vendo , às vezes com a irmã, às vezes com algum amigo ou sozinho. O que nunca mudava, era que ele sempre a encarava e sempre estava sorrindo, aquele sorriso que ela não sabia explicar que sensação refletia nela e o porquê dessa sensação...
entendia , ela queria a amiga lá nos chás, nos jantares e nas vezes que iam a Coffee House, onde trabalhava. E sabendo da repulsa que ela sentia pelo vizinho, não falou nada sobre a noite em que ao terminar seu turno e pôde curtir os amigos, ele não parou de fazer perguntas sobre . Se contasse, só Deus sabia qual seria a reação da vampira, mas o interesse de em era claro.

Depois do Coffee House, , e os amigos foram para a casa dos , porém não fora. Disse que ficaria para ajudara fechar o Coffee House.
fazia o que estava acostumada a fazer. Estava em seu quarto, lendo um livro quando o telefone tocou. Ela nem ao menos se moveu para atender. bateu de leve na porta.
— Cas, desculpe incomodar, mas é para você, é o Philip.
— Vou atender daqui. Obrigada, ! — e a menina voltou para os amigos.
— Fala Philip! — atendeu curta e grossa.
— Vejo que estão cuidando muito bem dela.
— É, ela está bem. O que tem para essa semana?
— Um roubo. Não acho que seja perigoso, mas exige cautela. É um feitiço para treinar. Na verdade, é uma das páginas perdidas do livro de feitiços que analisamos da família dela. É um bom feitiço para ela aprender.
— Entendo. Mas não ando muito no clima de adrenalina, Philip.
, você é a melhor ladra que eu tenho. É só uma bruxa, velha e assustada. Tentamos negociar com ela, mas fomos mal sucedidos. Agora ela esconde o feitiço a sete chaves.
— Para o que é o feitiço? — perguntou ela sem interesse real.
— Ele aumenta a força e foco psíquico de uma bruxa. É um feitiço bem peculiar. Se for feito corretamente, ela poderia eliminar, quase todo inimigo que a ameaçar. O mais importante é que é uma página perdida do livro de feitiços de família dela.
— Quantas folhas faltam no livro dela?
— Pelo menos cinco, mas esse não é o ponto. A questão é que ele completa a segunda parte de um feitiço muito importante. Um feitiço que pode paralisar qualquer pessoa. Sobrenatural ou humana.
e eu podemos fazer isso.
— Porém, se feito com cautela também pode parar qualquer coisa sobrenatural em quilômetros. Depende da força que ela tiver.
— Então completamos dois feitiços com uma folha só?
— Sim. — o mais velho já estava perdendo a paciência.
— Se treinarmos e eu podemos fazer isso, Philip. Psiquicamente.
— Não, . É um feitiço para bruxas e precisa aprender os feitiços do livro de família dela e assim fazer o próprio livro de feitiços e tem mais, o feitiço de paralisação é temporário. Não dura mais que minutos, ela precisará de um de vocês dois com ela.
— Não me parece muito útil!
— Não me questione, . Se não quer fazer o trabalho, de as instruções que mandei para o seu e-mail para o .
— É o que eu vou fazer.
— Outra coisa, . Avise de que a casa dela foi alugada e que o dinheiro do aluguel está sendo depositado na conta dela para a faculdade, mas que se ela quiser pode procurar outra casa. A Organização pagará.
— Tudo bem ,Philip. Eu aviso.
desligou o telefone na cara de Philip. Ela estava de mau humor. Decidiu sair e dar uma volta.
Enquanto saia, viu sair de seu carro, provavelmente chegava do trabalho. Ela foi para o outro lado, não queria cruzar com ele.

caminhava com Murramed, o tempo estava mais frio que o normal e o cachorro cheirava o ar como se farejasse algo.
— O que foi, Murramed? — o cão rosnou e ficou em posição de ataque.
procurava, mas não conseguia encontrar nada, mesmo com a visão de vampira. O celular dela tocou fazendo-a levar um susto.
— Jesus! — disse ela num sussurro e pegou a aparelho no bolso da jaqueta de couro que usava, mas ainda prestava atenção para o lado em que o cão farejava.
— Alô?
— Sabe quanto tempo falta? — uma voz desconhecida perguntou.
— Quanto tempo falta para o que? Quem é? — ela olhava em volta, mas não encontrava ninguém.
— Apenas alguns dias.
— Alguns dias para que? — perguntou sem entender.
— Se não estiver preparada você vai perder mais que sua cidadezinha. Vai perder sua família, não vamos deixar pedra sob pedra. — e desligaram.
Ela soltou a guia de Murramed e correu o máximo que uma vampira podia correr. tomava uma caneca de chocolate quente na varanda e viu um vulto passar pelo jardim dos vizinhos.
entrou pela porta da cozinha e ficou surpresa ao ver tão próximo de . Definitivamente ela havia estragado um momento romântico ali, mas não dava tempo de ser educada, ela tinha que contar sobre a ligação e dos supostos dias de prazo. Ligaram para Philip que disse também não saber do que se tratava, mas prometeu verificar.
— O que vai acontecer em alguns dias? — perguntou pela segunda vez em menos de uma hora.
— Não sei, . Parece pior do que a gente pode imaginar. Se fosse uma ameaça a mim ou ao , seria normal, mas falaram da cidade. O que significa que não é nenhum inimigo da Organização.
— Quer dizer que é pessoal. — disse perguntando e afirmando ao mesmo tempo.
— Tenho quase certeza que sim. — estava preocupada de verdade, o que deixou preocupado. não era de se preocupar demais com problemas como ligações anônimas.
A campainha tocou e a vampira foi atender. Ela ficou surpresa em ver na porta.
— Oi, vizinha! Parece que ele fugiu. — ela olhou para baixo, era Murramed, com coleira, a guia ainda estava em sua mão. — Ou parece que você o esqueceu. — disse ele em um tom acusador e brincalhão.
revirou os olhos.
— Não o esqueci. Ele sabe voltar pra casa, foi treinado para isso e eu precisei fazer algumas coisas. — “tipo salvar sua cidadezinha chata” — pensou ela. — Mas obrigada por trazer ele de volta.
— Sem problema. Escuta meu aniver... — e fechou a porta na cara dele. Voltando a falar com o irmão e a amiga.

Sob o comando de , passaram horas pesquisando sobre possíveis datas com eventos místicos. Porém, sem nenhum resultado nas pesquisas em livros, eles desistiram e deixaram para tentar novamente no dia seguinte.
E também seria quando as últimas coisas da casa de chegariam, talvez algo fosse útil nessa busca.
Antes de ir para seu quarto e planejavam sair, ir na Coffee House que trabalha. No quarto, com Murramed, desabafava como se o cão pudesse entender.
— Ótimo! de novo. Qual é o problema com esse garoto? E por que o está tão amigo dele? Será que o não percebe o perigo que está correndo saindo de casa? Fomos ameaçados e ele continua agindo como se nada estivesse acontecendo! — ela não perguntaria nada a ou . O orgulho era muito maior que a curiosidade ou qualquer outro sentimento que aquele mortal poderia despertar nela e mesmo que não estivesse na Coffee House algo na aproximação deles a incomodava. Ela se deitou de costas para a janela onde ela sabia que se olhasse veria , logo ela dormia profundamente.

Ela caminhava pela cidade completamente vazia. Sem vendedores gritando suas promoções do dia, fofoqueiras em bancos da pequena praça ou crianças irritantes pelas ruas, mini mercados vazios, colégio, a loja de CDs e até a loja de bebidas estavam desertos. TUDO!
Ela virou uma esquina e ao ver um movimento se escondeu atrás de uma lixeira de metal. Ela pode ver uma pessoa, com certeza um homem. Vestia uma túnica marrom com capuz que cobria seu rosto, segurava uma garota pelo pescoço e dizia palavras para ela, palavras que pareciam feri-la fisicamente. Quando ela pareceu desmaiar ele cortou o pescoço da menina e andou em direção à escuridão saindo de sua de sua visão. A única coisa que ela tinha certeza, era de que a garota era .

acordou, com medo de que aquilo realmente acontecesse. Ceifadores. Se fosse um sonho premonitório isso iria acontecer em Saint Paul’s Heart. Ligou para o irmão que chegou logo com .
— Ceifadores ? Tem certeza? Isso é demais até para a gente. — estava assustado com o sonho da irmã.
— Olha, eu não sei. Pode ter sido só um sonho, mas também pode ser verdade.
— Escutem, vou no endereço que o Philip deu. Da tal senhora. Vou chegar lá a noite, ela é velha, bruxa ou não, deve dormir cedo. — disse saindo com uma mochila, com armas dentro. Ele saiu e sentou próxima a vampira. — Fiquem em casa e pesquisem o que puderem sobre os tais ceifadores, quando eu voltar, conversamos e decidimos o que fazer.
seguiu até a porta e a trancou assim que o vampiro passou por ela. riu da ingenuidade da adolescente.
— Escuta, , eu sei que se isso for verdade pode ser perigoso, mas lembra da Avery?
— Claro! O que tem ela? — perguntou a vampira sem tirar os olhos do notebook, ela procurava por ceifadores e suas datas místicas.
— Então, ela vai dar uma festa. Eu gostaria que vocês fossem. O já confirmou e queria saber se você quer ir. — é claro que não queria ir. — O perguntou se você vai. — ela parou de digitar e olhou para . definitivamente diria NÃO e percebendo isso, resolveu apelar.
— Por favor, Cas. Me sentiria melhor se você fosse. Eu sei que estou nas mesmas aulas que ele, mas com vocês lá eu me sentiria melhor.
— Se você já falou com o e ele confirmou que vai. Então também vou. — ela se odiou por pensar em naquele momento.
— Obrigada, ! — respondeu sorrindo. Ela percebeu o quanto estava cansada. — Você está bem?
— Tive um pesadelo, . Horrível! Não estou bem.
— Não quer falar sobre o sonho, não é? — fez que não com a cabeça. — Posso fazer mais uma pergunta?
— Só se eu puder tomar uma tequila antes. Suas perguntas estão acabando com o meu pouco bom humor.
— Tudo bem. — elas foram até a cozinha. abriu uma porta do armário com várias garrafas, pegou uma garrafa de tequila e dois copos, serviu um para ela e outra para .
— O que quer saber? — perguntou grosseiramente.
— Quero saber se tem alguém na sua vida. — a olhou estranhando o assunto.
— Alguém? Tipo um... — virou um shot de tequila.
— Tipo um namorado. Como está seu coração? — perguntou à amiga bregamente.
— Meu coração? — perguntou segurando a risada. — Não tem ninguém no meu coração. Que tipo de pergunta é essa?
, todo mundo precisa ter alguém. Você é tão linda e tão sozinha. Que garoto, vampiro ou não, não iria querer te ter por perto?
— Estou bem sozinha, . Vou subir e tentar voltar a dormir. Ve se descansa, seu treinamento amanhã é comigo. Boa noite!
— Boa noite, !
estava muito cansada. Entrou no quarto praticamente se arrastando, esses pesadelos a deixavam exausta.

•••

estava em uma sala escura, sentia-se acuada, como se não pudesse se mexer. Três ceifadores estavam em volta de uma mesa redonda. Um mapa estava sobre ela. Um deles cortou a palma da mão com uma faca e o sangue que pingava deixou cair sobre o mapa. O liquido vermelho vivo caiu no papel e abriu seu caminho pelo mapa, parando onde sabia ser Ohio.
— Ela está em uma cidadezinha chamada Saint Paul’s Heart e está com dois vampiros.
— Os vampiros não serão problema. Nenhuma bruxa de Salem irá sobreviver. — disse outro.
— Ela é a ultima da linhagem pura. Nossa missão está quase completa.

sentiu o corpo ficar mais pesado, ela sabia que estava acordando. Deu uma última lufada de ar.
Mas antes de acordar viu uma foto que havia visto na casa de em Salém’s Town. Em que a menina e a mãe estavam juntas sorrindo.
Ela acordou assustada. Já havia amanhecido, levantou da cama em um salto e andou por alguns segundos de um lado para o outro.
— Oh! Não! Não são ceifadores. São caçadores de bruxas e eles querem a . Querem ela com certeza.
Ela desceu para a sala e ficou pesquisando sobre caçadores de bruxas de Salém. Eram mais perigosos do que imaginou. Eles eram extremistas, poderiam acabar com uma cidade toda para matar uma única bruxa. chegou na sala tomando uma caneca com sangue.
— O que está pesquisando? — pergunta ele, se aproximando da irmã.
— Caçadores de bruxas.
— Parece que você não dormiu a noite toda. — disse enquanto analisava o rosto dela.
— Eu até dormi, mas voltei a ter pesadelos. Sonhei com caçadores. Caçadores sinistros e resolvi pesquisar. Enfim... Conseguiu roubar a página que faltava do feitiço?
— Consegui. Foi mais fácil que tirar doce de criança. — ele disse se gabando. — Esse é o caçador? — diz encarando a foto de um deles e fez que sim com a cabeça. — Parecem com ceifadores.
— Exatamente, mas só parecem. Eles são de Massachusetts, mas já descobriram onde a está. Mas EU não sei onde eles estão e pode piorar, posso estar errada, mas daqui seis dias será a última meia noite de inverno desse ano, conhecida como a Madrugada dos Vermes. É quando o gelo derrete e os vermes podem voltar do subsolo e ver o sol. É só uma lenda em Massachusetts, mas bate com os meus sonhos, olha!
A pesquisa dizia que a última noite de inverno de cada ano, a chamada Madrugada Dos Vermes era quando os caçadores de bruxas atacariam qualquer bruxa de Salém sem piedade.
mostrou tudo o que tinha descoberto.
— O que mais você descobriu? — perguntou .
— Quando eu saia do meu sonho, vi um retrato da com a mãe.
— Tem certeza?
— Quase. Acho que eles mataram a mãe dela.
— Então é mesmo a que eles querem... — confirmou com a cabeça.
— Mas o que vamos fazer? Não podemos ir para uma batalha desse porte e levar ela pra Salém’s Town, para casa de algum amigo, lá ela vai ficar muito vulnerável. — comentou.
— E se ficar aqui ela é isca fácil para eles. Temos que ligar para o Philip. Talvez o possa ficar com ela. — falava sem parar.
— Deixe o fora disso, . — se alterou. — Precisamos treinar ela.
— Ensinar ela a lutar? Como nós? Enlouqueceu? Ela não vai conseguir se preparar tão rápido. Precisamos trazer pessoas para cuidarem dela.
— Não vou fugir deles e não quero guarda costas. — descia as escadas com mais determinação do que já havia visto.
, esses caras não representam perigo para mim ou para . De acordou com o que ela reuniu na pesquisa... — ele não terminou.
— Você é o alvo. Se te pegarem vão te queimar em uma fogueira em Massachusetts. Pior que queimar em uma droga de fogueira é ser queimada naquele lugar, onde todos os seus antepassados foram mortos. A história da sua família, da sua espécie, acaba com você.
— Eles me querem e bom, se eles realmente me querem, vão ter que me deter primeiro, minhas aulas de feitiço andam fazendo efeito e a cada dia estou ficando melhor e mais forte. Quero aprender a lutar e ajudar vocês, são tudo que eu tenho, se acontecer qualquer coisa com vocês por minha causa não sei para onde ir ou o que fazer.
, NÃO! — disse inflexível.
— Faço o máximo de aulas e vocês podem me treinar e se acharem que eu puder e se eu não estiver pronta para ir com vocês eu faço o que vocês quiserem e falando nisso, o feitiço que o roubou, só vou precisar de uma erva pra fazer.
— Qual? — perguntou para amenizar o clima de tensão entre e .
— Na verdade, não é uma erva, são folhas de cravo.
— Posso conseguir. A vizinha tem no jardim dos fundos. — disse .
— Ótimo! Perfeito! Já fiz alguns feitiços que param o tempo. Sabe, para brincar com a minha mãe. A gente brincava de apagar luzes e de fechar livros que a outra lia...
percebeu que estava indo longe demais e parou de falar. suspirou ao mesmo tempo em que o fez.
— Está bem, mas se não estiver pronta, você vai ficar com o Philip.
— Está bem. — e mesmo contrariado concordou. levantou o queixo e abriu a porta do porão, se virou para os , — preciso do meu baú que está no meu quarto, das folhas de cravos e você vai sair e comprar uma roupa para a festa.
, não estamos em tempos de festas. — disse tentando por um pouco de juízo na cabeça da bruxa.
— Com caçadores ou sem caçadores. Sou uma garota de 16 anos, não vou ficar presa em casa. Nós vamos a essa festa. — ela desceu para o porão com a folha de feitiço que havia roubado. Os irmãos se entreolharam incrédulos.
— Quem foi que nomeou ela a líder? — perguntou irritada.
— Só vá comprar o vestido, eu vou buscar as folhas e o baú. Quem sabe dê certo.
Por alguma razão e aceitaram as ordens de . A vampira nunca obedecia ordens, só as de Philip, e olhe lá ainda.

Ela caminhou pelas ruas e tudo estava normal. estava animada para a festa sem nem ao menos saber o por que. Na verdade, ela não queria falar o por que. Talvez fosse um pressentimento como os que ela sempre teve desde que virou vampiram, mas para ela era difícil saber quando era só ansiedade ou premonições.
Caminhou por algumas pequenas lojas de roupas e achou o vestido perfeito (para uma festa em uma cidade grande), mas era perfeito. Ele era curto, de manguinhas, mas todo coberto por renda da mesma cor.
— Perfeito! Só preciso de sapatos agora. — disse para si mesma.
Ela olhou em volta e encontrou a prateleira de sapatos e escolheu um salto com fivelas prateadas e redondas dos lados de fora do sapato. PERFEITO!


Capítulo 05
Foolish

estava tendo grandes progressos nas aulas de bruxaria. Ela passava mais de seis horas no porão com uma bruxa da Organização. A bruxa preferia manter o próprio nome em segredo e todos a chamavam de Flor. Simples assim.
Enquanto tomava uma caneca de café na varanda, viu passar por ela com uma mala e coloca-la no banco de trás do Jipe.
Ela voltou pra dentro e se aproximou de , — Vai se trocar, nós vamos dar uma saidinha. Te espero em cinco minutos.
— Para onde vamos?
— Só vai e se veste. Deixei uma roupa em cima da sua cama pra você.

Minutos depois, ela desceu, devidamente vestida e com um casado emprestado de .
— Para onde vamos?
— Só entre no carro. Antes que eu me arrependa.
Assim que pegou a estrada para a floresta Wakifield, já sabia pra onde iam. A vampira checou o perímetro, ninguém estava por perto. Começou a falar:
— Meu irmão disse que você foi muito bem no treinamento anterior. Então hoje, vamos tentar uma outra forma de treinamento.
— Tipo o que?
— Meu preferido, o ataque.
foi até o carro, pegou a mala e colocou no capô, começou a tirar facas da bolsa e começou a se equipar de facas.
— Vai usar facas em mim?
— Facas são minhas armas preferidas, assim como a sua é magia, então certamente que vou, mas você não pode contar para o , pelo menos não hoje. Ele me mataria se você voltasse para casa com um arranhão.
— Acha mesmo que devemos fazer isso?
— Acho. Nas minhas visões, eles tem uma espécie de foice. Então você precisa de um fator de proteção para você e para quem estiver com você. — tirou do bolso da calça jeans um pedaço de papel e passou para a menina. — Esse é o feitiço que vai precisar, pode memorizar?
— Claro. — na verdade, mal conseguia ler, tamanha a pressão que sentia ao ver as facas. — Qual é o plano aqui?
— Vou atacar você. O que faço bem, diga-se de passagem. Eu não vou tentar não te machucar, , mas não vou tentar matar você. Então foque em trabalhar no feitiço e não em salvar a sua vida. Vou fazer o possível para chegar até você, você vai basicamente tentar me impedir.
olhou para o pequeno pedaço de papel em suas mãos mais uma vez.
— O feitiço vai me ajudar a me proteger e a quem estiver comigo?
— Vai e pode usar o que quiser e puder, ok? Você me machucaria...
— Mas não te mataria... É, eu sei.
se aproximou dela, — Sei que o que vou falar, é matéria básica para você, mas Terra, Ar, Agua e Fogo são elementos que você não só pode como deve usar. São a sua zona de conforto, aqui, você pode usar todos, porque estamos no meio da floresta e na cidade temos pelo menos um deles em cada lugar.
— Você vai mesmo me atacar?
— Vou, pense que minhas facas são de verdade e são certeiras, mas você também tem que confiar que eu não machucaria você, não de propósito, mas isso é um treinamento e farei com que seja o mais próximo do que eles podem fazer.
— E se uma de nós se machucar.
— Tenho uma carta na manga para isso. Não se preocupe. Vamos?
— Não.
— Ótimo! Vou te dar uma vantagem de vinte segundos, use tudo o que puder a seu favor.
começou a correr pela floresta, procurando um lugar que pudesse se esconder e poder pensar no que fazer, procurou uma grande árvore, talvez um arbusto, só precisava de tempo o bastante para pensar.
sabia rastrear, estava em seu instinto, mas foi só quando sentiu o cheiro de que sua ficha caiu. era o mais próximo de uma amiga que ela tinha naquele momento e se algo acontecesse com a menina, jamais a perdoaria. Ela não se perdoaria. Para a sua surpresa uma forte ventania que começou a lhe castigar, a levando próximo ao seu limite, a castigando e a desorientando, soltou uma risada com isso, pois o vento que não vinha apenas de uma direção, dificultava que mesmo uma vampira experiente em caça como ela, tivesse dificuldade em encontrar o cheiro de , dificultando ainda mais encontrar a sua localização, mas mesmo sob o uivo do vento escutou o sussurro de ao fazer o encantamento continuar.
pegou a faca em sua cintura, tudo o que ela precisa era chegar perto de . A ponta da faca encostou no braço de e sussurrou:
— Peguei você.
Mas não se abalou, ela tocou o chão e fez com que um buraco se abrisse sob os pés da vampira, dando brecha para que ela pudesse escapar e sumir da vista de .
— Pelo menos ela aprendeu alguma coisa. — resmungou , pegando impulso para sair do buraco que era mais fundo do que ela pensou ser, — Parece que ela vai ter uma chance no final das contas.
Ela voltou a rastrear a menina. Alguns metros para frente, ela começou a ouvir pássaros e ao olhar para cima viu sentada no galho mais grosso da árvore.
— Vai descer?
— Não.
— Então eu subo.
— Vai subir, sim... — de repente flutuava, contrariando todas as leis da gravidade. A íris de estava branca e sentiu uma força extrema sendo submetida em seu pescoço.
... — chamou com dificuldade, — , pare! , vai quebrar o meu pescoço.
— Pensou que eu fosse burra?
— Burra não, mas é mais malvada do que eu pensei.
tentou se concentrar em sua própria mente, tentando invadir a mente de . Ela gritou telepaticamente para que a bruxa parasse. Talvez o grito tivesse saído de sua garganta ou de sua mente, não sabia. Ela só soube que funcionara quando sentiu seu corpo bater no chão. Em questão de segundos, estava ao seu lado.
— Desculpe! Você está bem?
— Por favor, me diga que sabe como controlar isso.
— Talvez um pouco, sinto muito se te machuquei.
— Estou bem, só fiquei um pouco mais próxima da minha segunda morte.
— Sinto muito.
— Hey! Estou brincando, — disse se apoiando nos ombros para se levantar, ela tentou sentir todas as partes do seu corpo. Nenhum dano permanente. — Me diz uma coisa, — ela tirou as facas da cintura e começou a passar por entre os dedos, sentindo o metal frio em sua pele.
— Se alguém te atacar de perto. Corpo a corpo, o que vai fazer?
— Treinei combate corpo a corpo com o . Eu consigo fazer com que alguém sinta dor física sem nem que eu ao menos o toque.
— Acha que precisa treinar mais esse feitiço em especifico? — perguntou conseguindo se sentar.
— Não... Tudo bem. Eu já decorei o feitiço e já te causei dor o bastante por hoje.
, aprecio sua preocupação, mas os caras que querem a sua cabeça não vão parar para respirar até te terem em mãos. Obviamente vamos proteger você o máximo que pudermos, mas você precisa estar segura, forte e focada para essa batalha.
— Ok, vou procurar decorar todos os feitiços e não vou desapontar vocês, não vou falhar.
— Querida, você falhar, não nos desapontaria. Você se machucar nos desapontaria. Agora vem, precisamos de uma bebida.
Uma segurou o braço da outra se ajudando a levantar.
— São oito da manhã.
— São oito da noite em algum lugar, .
As duas seguiram para o Jipe.

Na casa dos , a vampira as serviu de um shot de tequila. A menina pensou em recusar, mas ela estava tensa do treinamento e o álcool ajudaria a relaxar um pouco.
— O que está achando de Saint Paul’s Heart? — perguntou sem interesse real.
— Estou gostando. Seu irmão tem facilitado muito as coisas.
— Eu disse que ele é bom nessas horas.
— Ele é mesmo. Muito paciente, forte e...
— E ele também gosta de você. — disse de repente.
— O que? Eu... Acha mesmo?
— Conheço o meu irmão. Tenho certeza. Só tenha paciência com ele, ele nasceu e foi criado em outra época. É um cavalheiro.
— Obrigada, Cas.
— Tudo bem. Bom, vou subir, se precisar de alguma coisa fale com o meu irmão, sei que ele vai ficar contente em ajudar. — ela se voltou para a bruxa, — Você foi muito bem hoje.
— Obrigada! — respondeu a menina sorrindo.

•••

E mesmo aula, treinamento e shots de tequila, dia de festa era dia de festa. Naquela tarde parou o treinamento mais cedo.
Ela e estavam no quarto da vampira se arrumando para a festa. Era a primeira vez em 216 anos que se arrumava para ir a uma festa com uma amiga e para sua surpresa se sentiu bem com isso.
viu entrar no quarto dele e sorrir para , que o ignorou.
— Como consegue ignorar ele assim? — perguntou.
— Quem? — perguntou passando a fita azul do vestido de pelos fechos do falso corselet.
. — disse óbvia.
— Não entendi a pergunta... — disse agora fingindo não entender.
— Você gosta dele, mas você o ignora. Qual o sentido nisso?
— O que? Não gosto dele. De onde tirou isso? — ficou visivelmente nervosa.
— Pelo modo como você o trata. Sempre o trata diferente. Sempre mal. No começo eu achava que você era má com todo mundo, mas você me trata tão bem, às vezes... Que cheguei à conclusão de que...
— Não gosto dele, ok? — quase gritava, os olhos dela estavam sombrios, perderam a luz do lindo verde e ficaram negros, apenas concordou com a cabeça. Porém, respirou fundo, focou em , na energia positiva que a bruxa passava e se tranquilizou.
não entendia por que era tão boa com as pessoas e por que era boa com todos, sem exceção.
Isso trouxe a fera novamente, mas ao ver a menina assustada, se recompôs, respirou fundo e começou a falar:
— Escuta, teve um garoto. O nome dele é . White. É, ele filho do Philip... — se adiantou antes que perguntasse, mas essa informação adiantada não diminuiu o choque da amiga, — Quando eu parei de tomar sangue das veias de humanos, estava lá, nunca mais matei ninguém por que , e Philip me ensinaram como e quando parar e principalmente por que parar. era um otimista. — sorriu com lagrimas nos olhos. — Mas eu acho que vampiros e humanos não deveriam ficar juntos, sem querer ofender, e o meu erro está comigo e com nos perseguindo para provar que humanos e vampiros juntos não dão certo. Quando você ama alguém, não tem escolhas, o amor nos tira escolhas. Acho que isso faz de mim uma pessimista, vampiros são criaturas sombrias. Não somos iguais aos humanos. Não servimos para trabalhar em lojas ou sermos babás.
Nesse ponto pareceu parar de entender o que a vampira dizia, percebeu e tentou simplificar.
— O que eu quero dizer, é que eu sou uma criatura da noite. Quero alguém que seja como eu e mesmo que eu gostasse do , o que não é verdade, ele é humano e nem que eu quisesse iria rolar. Não quero machucar ninguém.
— Você não é uma criatura da noite, .
— Qual é, ! Olhe a minha volta! Roupas, cachorro, não sou sociável, não sou convidada para festas. Eu costumava me relacionar com humanos, mas eu tenho 216 anos e vi as pessoas que eu amava morrendo e eu sempre ficando, quando isso acontece você meio que perde a vontade de estar por perto deles. Prefiro ter uma vida sombria a uma vida falsa.
— Desde quando você é assim?
— Assim como?
— Evita humanos. Se culpa por tudo.
— Desde tudo o que aconteceu com o .
— O que houve, ?
— Transformei ele. — disse com culpa.
— E quando foi isso?
— Há alguns meses, quase um ano. Foi uma das razões de virmos morar aqui. Na verdade, e eu nem chegamos a terminar eu só fugi.
, você pode ser sombria ou achar que é, mas acho que não é. Você deveria começar a deixar as pessoas entrarem na sua vida de novos. Calor humano faz bem, para humanos e vampiros. Se você e seu irmão não tivessem entrado na minha vida, eu juro, não sei o que seria de mim. Será que não pode fazer isso? Pelo seu irmão? Por mim? — a olhou fazendo cara de criança.
— Isso o que? — perguntou , mas já sabendo do que se tratava.
— Deixar pessoas entrarem na sua vida.
— Não, todos os humanos com quem eu tive contato morreram e...
— Ninguém vai morrer, ! — a interrompeu. — Não mais... Você sabe que está controlada, não precisa atacar ninguém porque se alimenta com frequência e sua raiva nunca foi dos humanos, então... Porque não tentar?
— São humanos, tão frágeis e você é humana. Perto de nós vampiros, vocês são nada. Não!
suspirou triste, mas não derrotada.
— Olha! Vamos tentar mudar isso? — pediu .
— Por que isso agora? — perguntou , ela já não entendia o rumo que aquela conversa estava tomando.
— Você é uma vampira, linda e antissocial e não pode afastar tanto as pessoas. Você merece ser feliz , e quem sabe ter o na sua vida seja um começo. Mesmo que você não goste dele como acho que ele gosta de você.
— Não vou fazer isso! — ela se recusou.
— Mas , olha o seu irmão. Ele é um vampiro e tem amigos, vai a festas. — não queria aquilo, mas ao ler a mente de pode ver suas reais intenções e com muita resistência aceitou.
— Está bem. Mas se começar a dar problema, eu paro.
— Combinado. Vamos a essa festa logo! — foi saindo do quarto, mas se voltou para a amiga: — Oh! ?
— O que é? — respondeu com sua famosa falta de paciência.
— Fui jogar o lixo lá fora noite passada e , o vizinho ignorado, perguntou por você e quando a gente vai na Coffee House também, toda vez... — ela deu ênfase na ultima frase.
— Ah! — ela estava surpresa. — Falo com ele qualquer hora.
— Por que não fala com ele na festa? Ele também foi convidado.
— Ok! Vejo ele lá então.
Quando fechou a porta, correu fechar as cortinas da sacada. Ela gritava em pensamentos: “Oh! Meu Deus! Não! Não pode ser! Isso é um erro. Um erro muito grande. Muito, muito grande. A aproximação de humanos e ainda enfrentar na festa”, ela não achava que conseguiria parar de pensar que aquilo era um erro.
Ela levou um susto quando ouviu batidas na porta.
— Hey, Sis! Estamos indo. — disse sorrido falsamente enquanto iam para a cozinha, — Posso só falar com a minha irmã antes de irmos? — pediu para .
— Claro, vou no porão dar uma olhada no meu grimório antes de irmos. Tchal, Cas.
A vampira acenou com a mão, já sabia do que se tratava.
— Você enlouqueceu? — perguntou entrando abruptamente na cozinha.
— Depende do que você define enlouquecer, ir a uma festa adolescente é enlouquecer pra você? Então sim, estamos nós dois há um passo da insanidade. — respondeu brincalhona ao se servir de café.
— Usar facas de verdade para treinar é uma das formas que eu defino loucura.
foram só alguns machucados, pequenos cortes na verdade, em minha defesa, apenas um deles foi feito pela minha faca.
— Isso não te defende de nada, .
— Ela não me deixou cura-la, mesmo eu dizendo que você não gostaria de vê-la assim. — entrou na cozinha com seu grimório em uma das mãos e pode ver um dos cortes no antebraço da menina. — Mas parece que vocês tiveram um momento bem intimo para que ela aceitasse você cura-la. — cochichou ela, — Irônico. De nada, irmãozão. — disse saindo da cozinha, — Até mais tarde, !
A bruxa sorriu. Na cozinha, o clima era tranquilo, quase romântico.
— Como está se sentindo? — perguntou ele.
— Estou bem. Obrigada!
— Café antes de irmos? — perguntou ele.
— Chá. — ela deixou o livro de bruxaria na mesa e foi até a chaleira para começar a preparar o chá. — Eu estava pensando, — começou ela.
— No que?
— Os caçadores atacam em grupo, certo?
— Certo.
— Acho que precisamos avançar o treinamento a nível de grupo.
— Ok! — começou como duvida, — Como assim?
— Talvez, se você e a treinassem comigo ao mesmo tempo, teríamos um resultado melhor no treinamento.
— Dois contra um? Não me parece justo.
— Você sabe que é a coisa certa a se fazer. — disse ela se aproximando dele. — E eu prometo que se algo acontecer, eu deixo você me curar, como ontem.
, não é porque eu posso curar pequenos ferimentos que quero que você se machuque, ou pior, vou machucar você.
, — ela se aproximou ainda mais dele, o deixando nervoso, — Você sabe, que é a coisa certa a se fazer, preciso treinar. Por favor.
— Está bem. É melhor você preparar um feitiço mais completo para aperfeiçoar o que já tem.
— Eu vou. — ela o abraçou, — Obrigada por fazer isso. Amanhã à noite?
— Amanhã à noite.
voltou para a cozinha deixar a caneca de café, se separou de rapidamente, — Cas, você vai com a gente?
— Não, vou de Jeep. Podem ir indo. Ah, pode ir comigo lá em cima antes de ir? — ele acompanhou a irmã até o quarto, tudo estava revirado. Parecia o quarto de uma adolescente, — Festa de adolescente, não é?
— Que eu não vou há mais de quarenta anos. — ela balançou as mãos no ar como se aquilo fosse capas de apagar o que estava no quarto, — Escuta, e eu estávamos falando de garotos hoje e quando ela falou seu nome, ouvi o coração dela bateu mais forte. — ele sorriu.
— Vou tentar ficar com ela hoje. — o abraçou e sorriu.
— Que bom que se encontraram, .
— É. Eu também acho e quando tudo isso acabar conto tudo a ela. — ele beijou a testa da irmã e saia quando se lembrou de falar: — Ela é mais forte do que pensávamos, conseguiu controlar o feitiço pelo tempo que quis enquanto treinava essa manhã.
quase gritou, — Sério? Isso é perfeito. Ela é... Não deixe ela fugir, . — ele sorriu,
— Não vou.

enrolou o máximo que pode para sair de casa. Ela estava ansiosa para ir, não conseguia parar de pensar em . “E por que eu não consigo parar de pensar nele?” ela se questionava sem parar.
Ela pensou em levar Murramed, mas a cidade toda já a achava esquisita, se levasse o cachorro não mudaria essa idéia das pessoas e a idéia era mudar. Não era? Pelo menos foi o que ela havia prometido para . Finalmente ela decidiu sair.
A festa era em uma casa mais afastada que a vizinhança de . O barulho não incomodaria vizinho algum e se acontecesse alguma coisa, tipo ceifadores/caçadores atacarem... Qualquer um na cidade estaria indefeso.

chegou em seu Jeep azul marinho e pode ver vários tipos de reação nas pessoas. Descrença por ela estar ali, olhares de garotos e garotas que a desprezavam por alguma razão e outros que a admiravam por ser tão diferente das pessoas daquela cidade, mas ali ninguém a conhecia de verdade, sua coragem, seus medos, sua historia real. Ninguém conhecia a verdadeira Savanah .
Assim que entrou na sala da casa viu gente dançando, bebendo e rindo, mas um casal em particular chamou a atenção dela, e estavam próximos a enorme lareira da casa, se beijando. havia conseguido. sorriu, ficou feliz por eles.
Quando a virão, se aproximaram, estava vermelha e ofereceu seu copo, que a irmã aceitou na hora e saiu pegar outra rodada. ouviu o coração da menina acelerado.
, você está bem? Se é pelo , está tudo bem. Gostei da ideia de vocês ficarem juntos e...
— Não, não, é por causa... Não é por causa do ...
— O que foi então? Fala! — continuou a gaguejar e não conseguia falar o que estava acontecendo.
, o que eu falei do ... Bom, preciso te contar uma coisa.
— Fala, ! — quase gritou. Sorrindo impaciente e sem entender até que seguiu o olhar da amiga e viu beijando uma garota.
A menina que ele beijava era do tamanho de . Usava uma saia jeans muito pequena e uma blusinha laranja de frente única. segurava um copo transparente com cerveja em uma mão e a outra mão segurava a cintura da menina.
Ao ver , ele desviou da garota e abriu à boca, ele parecia verdadeiramente surpreso e era como se quisesse falar com ela. “Como se não estivesse com a língua na garganta dessa vadia.”
saiu pela mesma porta que entrou. foi atrás dela, — , eu não sabia. Eu juro. Ele perguntou de você, mas eu não sabia que ele ia ficar com ela e nem sei quem é ela...
parou de andar, respirou fundo e se virou para .
, relaxa! Ele e eu não temos nada. Nunca tivemos. Foi o que eu falei se eu me interessar por alguém seria por um vampiro. Por alguém como eu. Como o .
— Mas ele gosta de você! E... eu... estava treinando um feitiço e como eu já estava curiosa e acabei lendo a mente dele e...
, me faça um favor, ok? Não faça mais nada! Eu te disse, . Vampiros e humanos não dão certo. Fico feliz por você e pelo meu irmão estarem se dando bem... — podia parecer grosseria de dizer essa ultima frase, mas era sincero, ela desejava tudo de bom para os dois. — Mas pra mim, isso não pode acontecer.
saiu da casa, subiu no Jeep, tirou os sapatos e arrancou tão rápido com o carro que fez subir poeira.
Ela dirigiu pela estrada deserta por quase trinta minutos. Até chegar ao lago Mars.

O lago era famoso na cidade. Em dias quentes era um ponto para se encontrar os amigos e no inverno, o lago estava congelado. Nessa época quase não havia pessoas por lá, mas em qualquer época do ano o Lago era cercado de lendas. Historias sobre pedras escuras que caíam misteriosamente do céu, estrelas cadentes e visões do que pareciam ser pessoas vagando por lá.
se sentou no banco de madeira que ficava próximo à água, seu pensamento ia e vinha com milhares de coisas. “Como pude achar que ele estava interessado em mim? É a velha historia que se repete.
Ele é capitão do time de basquete do colégio é claro que ele não ficaria com a esquisita da cidade! Como pude deixar a me convencer tão fácil? Argh! 216 anos e ingênua como uma criança.”
Ela ficou um tempo olhando a lua e por um impulso que ela não se deixava ter a meses, pegou o celular na pequena bolsa que carregava e ligou para .
— O que você quer? — ele atendeu aos berros.
— Quero saber como você está, ?
— Tentando me acostumar ao que você me fez. — uma lagrima desceu pelo rosto dela.
, eu sei que eu devia ter dito isso antes, mas eu sinto muito. Sinto muito mesmo. Se eu puder fazer qualquer coisa, eu faria. Eu faço!
— Ótimo! Você poderia tentar encontrar uma maneira de voltar no tempo e não me transformar em um maldito vampiro.
Ele desligou e ela já não conseguia segurar o choro. Ela não chorava daquela maneira desde que perdera a vida e se transformou.
Ela não esperava muito das pessoas, mas o que toda menina, garota, mulher, todo ser humano quer mais do que tudo? Ser amado. Mesmo que não fale isso em voz alta e não se sentia amada de maneira alguma naquele momento. fora a única pessoa que ela havia deixado entrar em sua vida.
Ele cuidou dela e ela dele por algum tempo, mas ai ela cometeu um grande erro. O pior erro.
gostava de e esperava que ele estivesse apaixonado por ela da mesma maneira durante o tempo que ficaram juntos e se não bastasse o que ela havia feito a ele agora tinha . O caipira que gosta de garotas com saias curtas.
Ela se deixou atrair por ele sem nem ao menos perceber, sem nem ao menos saber o que ele sentia. Ela devia ter lido a mente dele e na festa se atreveu a ter esperança e acabou a noite assim, não foi como ela pensava que seria, ela nem sabia exatamente o que esperava.
Ela levantou do velho banco do lago Mars e foi para casa.
Só Murramed estava lá. Ela abriu a cortina e a janela da sacada, precisava de ar, sentir a luz da lua tocar sua pele. Mais do que nunca ela se sentia uma criatura sombria da noite.
Ela puxou a poltrona de dentro do quarto para fora e ali ficou com o cão deitado em seus pés e antes de dormir ela pensou em como era tolice acreditar que alguém poderia se sentir como ela se sentia. Fosse , fosse .


Capítulo 06
You Learn

acordou e levou um susto ao ver a olhando sentado no parapeito da sacada dele. Quando seus olhos se acostumaram com a claridade viu que ele lhe oferecia uma caneca, ela também percebeu estar coberta por uma colcha que não era dela. Ela aceitou a caneca e sentiu o cheiro de café.
— Você sumiu da festa ontem. — ele disse sorrindo.
— Tive uma coisa mais importante pra fazer. — respondeu secamente.
— Que pena! Mas acho que nunca é tarde... Eu queria falar com você.
— Já está falando. O que você quer? — perguntou sem paciência.
— Eu... Eu... Ia te chamar pra sair da festa, na verdade. Dar uma caminhada, conversar. Te vejo tanto por essa sacada e você não me deixa chegar perto... — ele se enrolou e tentou fazer com que alguma coisa que saísse de sua boca não parecesse boba. — Enfim, você sumiu! O que foi fazer?
Nesse momento ao lembrar de beijando a garota de saia curta, se lembrou do por que de estar tão brava com ele.
— Fui falar com um ex-namorado.
— Ooh! — ele ficou sem graça. — E como foi?
— O que?
— Você não está saindo com ninguém... — percebeu que não foi uma pergunta.
— Isso não é da sua conta, . — ela levantou e entrou no quarto.
— Por que você sempre foge quando conversamos?
Ela voltou para a sacada.
— Você não é bom o bastante para me ter fugindo de você. — ela levantou a caneca como em um brinde. — Obrigada pelo café!
Quando apareceu na cozinha, a olhou com pena e odiava esse tipo de olhar.
— Oh! Querida eu estava levando um chá para você. De onde veio essa caneca? — perguntou surpresa.
— O caipira do me deu pela sacada. — respondeu simplesmente.
— A coberta também? — ela não havia percebido que ainda estava com a coberta do vizinho nos braços.
entrou na cozinha interrompendo a conversa, beijou a testa da irmã e deu um selinho em que ficou vermelha.
— Aonde vai com essa bola de basquete, ? Achei que tinha desistido, por que era muito ruim. — brincou .
— Vou jogar com o .
— Como é? — perguntou sem acreditar.
— Vamos jogar, faz um tempo que não jogo e ele tem que treinar para a final do colégio dele. A gente se vê meninas!
Sozinhas na cozinha as duas se entreolharam.
— Duas perguntas. — ergueu um dedo. — Primeira: O que foi que aconteceu naquela festa para esses dois ficarem tão amigos? — ergueu o segundo dedo. — E segunda: O de novo? Sério?
— Não contei para ele sobre você e e...
— Ok! Primeiro, não tem e eu. Segundo, o sabe que alguma coisa aconteceu. Ele é meu irmão, deve estar tramando alguma coisa. Só não sei o que é, mas quando esse ataque dos caçadores acabar eu vou ir atrás disso.
— Ele pode ter lido a sua mente. — disse tentando distrair .
— Não. e eu não lemos a mente um do outro.
— Você já leu a minha mente? — perguntou envergonhada pela possibilidade de ler seus segredos mais íntimos. Sobre por exemplo.
— Não. Não precisei.
— Como assim?
— Quando você fala do meu irmão seu coração te entrega. Ele bate mais rápido. Audição de vampira. — ficou vermelha.
— Já leu a mente do ? — dessa vez ficou sem graça, fez sinal negativo com a cabeça e falou um não quase sussurrando. — Pode ser por isso que e ... Você sabe...
— Se o estiver amigo dele só para me aproximar daquele caipira eu mato ele. Mato os dois.
— Não sei não, . Eles ficaram bem amigos na festa. Eu sei que você não está bem com o que aconteceu e...
— Pelo contrário. Estou ótima. Vou até fazer uma pequena viagem.
— Pra onde você vai?
— Visitar um velho amigo.
— Será que não dá para adiar por um tempo? Horas na verdade. É que como o seu irmão saiu, eu preciso de ajuda com o feitiço, pode me ajudar? — pediu a bruxa enquanto mostrava a folha solta de seu livro de feitiços de família.
— Claro. Contando que seja mesmo rápido.
Elas desceram para o porão.
— Posso perguntar para aonde você vai? — deu um saquinho de veludo vermelho para .
— Vou ver o ! Liguei para ele ontem. O que é isso? — perguntou analisando o saquinho.
— É um saco de bruxa, para proteção. As pessoas que estiverem um contato com os caçadores têm um pouco mais de proteção se estiverem com isso, mas fala como foi a ligação para o ex...
— Nada bem. Preciso me desculpar. — disse dando os ombros, fingindo não se importar.
— Está bem. Você não tem um ótimo argumento. Então tome cuidado.
— Eu estou bem, ! E pode deixar vou tomar cuidado.
fez ficar de frente para ela e seguraram as mãos uma da outra.
— O que eu tenho que fazer? — perguntou.
— Olhe a foto dele. — havia a foto de um caçador em uma mesa próxima a elas. Era só uma representação da internet, mas servia para o que precisava. — Pense no seu sonho com eles. Na presença que sentiu. Em qualquer coisa que atraia aquele sentimento de volta para você.
— Tudo bem e depois disso?
— Você tem que me trazer me volta do transe.
— Como assim?
— Eu desconfio que esse feitiço foi feito pra ser realizado por uma bruxa e um vampiro.
— Continuo sem entender?
— Olha, quando eu entro em transe não consigo sair sozinha. É uma característica do feitiço. Fico presa fisicamente nele. Vampiros tem a característica de por e tirar pessoas de um transe. Você precisa me puxar de volta, o feitiço continua funcionando, mas posso fugir e não fico tão vulnerável.
— Mas como te tiro do transe se eu estiver paralisada.
— Ai que está! Vampiros não são bloqueados pelo feitiço e os saquinhos de bruxa ajudam. Acho que é um feitiço de alto-preservação para bruxas ou coisa assim. Enfim! Eu entro em transe e você me busca psiquicamente. Já fez isso?
— Não, mas eu consigo. Confie em mim.
— Eu confio. Agora, vou fechar os olhos e quando eu abrir provavelmente o feitiço já estará funcionando. Entre na minha mente e chame por mim.
fechou os olhos e começou a sussurrar o feitiço repetidamente, como um mantra.
Jabruli ckenali praesidium! Nackelija pythonissam! Librujana venandi!
De repente a bruxa abriu os olhos, estavam totalmente brancos, não havia mais cor nos olhos dela.
entrou na mente da amiga, procurou . As memórias da bruxa passavam pelos olhos da vampira como se fossem dela. Mãe, amigos, primeiro beijo, . Ela começou a chamar , mas a menina não respondia.
! — ela gritava.
passava pela memória em que encontrou a mão caída no chão do porão e ver a cômoda se chocar com a parede, como ela havia contado, lembrou de não poder mais ver os pais quando foi transformada. A dor da bruxa tomou conta do coração dela, precisavam sair dali.
! — chamou novamente.
De repente a viu se aproximando.
— Oh, ! Tudo bem? Você me assustou. Demorou para aparecer.
— Sempre que estou presa aqui, me perco nessas memórias, mas eu estou bem. Só preciso que me tire do transe agora. Essas lembranças me matam.
a olhou nos olhos.
— Vamos sair das suas memórias e voltar para o porão da nossa casa.
As duas sentiram o corpo pesar e ao sair do transe, olhou o relógio na parede e estava parado.
— Deu certo, ! — a vampira correu para cima e viu da janela da sala uma vizinha que molhava as plantas do jardim da frente, a mulher e a água que saia da mangueira estavam paradas. — Não acredito! Deu certo mesmo!
— Mas espera! Porque não estou paralisada também?
— Só paraliso quem eu quero agora. Estou boa nisso e quem me põe ou me tira do transe não pode ser meu alvo, nunca.
— Isso é incrível! Pense em quantos caçadores pode paralisar.
— Não estava pensando nisso... Até agora... — ela disse se abraçando.
— Qual é? — disse segurando a mão da bruxa. — Quando estiver em perigo não vai pensar neles como gente e sim como assassinos. O que eles realmente são.
sorriu timidamente e disse:
— Você está liberada. Pode ir. Posso arrumar essa bagunça sozinha.
— Pode mesmo? Não precisa de uma vampira?
— Para tirar alguém que não seja eu do feitiço não. Vai! Pode ir!
abraçou a amiga, pegou as chaves do carro, a bolsa e saiu.

estava na estrada há três horas, estava ansiosa, logo veria e não teve nenhum pressentimento de como seria.
Ao ver entrar na mansão Philip se surpreendeu.
, não esperava te ver antes do fim do inverno.
— Eu vim ver o . Vai ser rápido.
, querida. Ele não está querendo ver ninguém.
— Posso tentar pelo menos?
— Não acho que seja uma boa idéia.
— Philip! Eu fiz isso com ele e nunca me desculpei por isso. Por favor! — ele suspirou derrotado.
— Você sabe onde é o quarto dele.
Ela o abraçou e subiu as escadas rapidamente. Na porta do quarto de ela hesitou, não sabia qual seria a reação dele ao vê-la. Bateu na porta fracamente.
— Entre! — ela ouviu de dentro do cômodo.
Quando viu , as pupilas de se dilataram.
— O que diabos você está fazendo aqui? — disse aos berros.
— Eu vim conversar com você. Tentar ajudar, .
— Não temos nada pra conversar e você não pode me ajudar.
— Eu vim te pedir desculpas, . Eu sinto muito mesmo.
— E deveria. Você me transformou nesse monstro. — disse ele apontando para si mesmo.
— Você não me chamava de monstro e o seu pai me transformou. Quando eu tomava o sangue que ele me dava, você estava lá comigo. Já tomei o seu sangue. — ela disse a ultima frase quase num sussurro choroso.
— E olhe só no que acabou...
— Escuta , naquela noite a gente quase... Enfim, eu estava fora de mim e eu sinto muito. Muito mesmo. Me deixe te ajudar, como você me ajudou. Lembra?
jogou uma cadeira na direção dela e gritou:
— NÃO PRECISO DA SUA AJUDA! — os olhos dele estavam negros. nunca imaginou vê-lo daquela maneira.
Ela foi puxada para fora do quarto por Philip.
— Querida, você tem que voltar para Saint Paul’s Heart e para guerra que temos de enfrentar.
começou a chorar.
— Me desculpe, Philip. Eu nunca quis transformar ele. Eu estava apaixonada por ele, foi um acidente.
— Eu sei, querida. Mas ele está na fase e em que todos os sentidos e sentimentos estão super aguçados raiva, amor, a sede. Você precisa se afastar, dar mais tempo para ele.
Ela confirmou com a cabeça e enxugando as lágrimas ao mesmo tempo. Eles desceram as escadas juntos.
, você sabe que é uma filha para mim. Mas nessa vida tudo acontece por uma razão, tudo pelo o que você passa você aprende algo e o esta aprendendo algumas coisas agora. Esta aprendendo a ser outra pessoa.
— Philip... — ela disse voltando a chorar.
— Me deixe terminar. Quando alguém passa por coisas fortes como vocês passaram, sempre se tira alguma coisa de aprendizado e o está passando por essa fase. Você precisa terminar seu trabalho e quando estiver pronto, tenho certeza de que ele vai te procurar. Você é muito importante para ele.
— Eu era. Ele nunca vai me perdoar. Tem tanto ódio nele. — disse ela tristemente.
— Você não odiava o seu irmão nessa fase? — Ele limpou uma lagrima que rolou no rosto dela, enquanto ela fazia que sim com sua cabeça, entendendo onde ele queria chegar, pois ela passara por isso uma vez também.
— Se cuide e cuide do e da . Preciso que fique forte até acabar tudo isso. Promete? — insistiu ele.
— Prometo! — e ela nunca descumpria uma promessa.
Ela deu a volta pelo grande salão da mansão e entrou no carro. Dirigiu para casa, na metade do tempo já estava de volta. Não tinha ninguém em casa e no quarto de , as luzes estavam apagadas. O que era bom, hoje não queria conversar com ninguém, nem mesmo ser grossa com .
Murramed deitou com ela e chorou baixinho com o cão nos seus pés até dormir.


Capítulo 07
This Ain't a Scene, It's an Arms Race

estava abraçada com ele quando acordou, ela olhou para os lados e teve a certeza de que estavam no lago Mars. Estavam deitados sob uma colcha escura e cobertos com um cobertor grosso, fofo e aconchegante. O cheiro da pele dele era como se sentir em casa. Era como as pessoas diziam, “Casa é onde o nosso coração está.” E ali ela estava no lugar certo, ele era casa para ela. Ele acariciou o rosto dela, o toque era quente e sentia tanto carinho e amor naquele simples gesto. Os lábios dele tocaram os dela e logo cochichavam em seu ouvido:
— Bom dia, esquentadinha!
Ela levantou o rosto e viu sorrindo. O rosto dele era lindo, sereno, quase celestial. Quando olhou para cima, o que ela pensava que era apenas a luz do sol, percebeu que era a luz que emanava das asas que surpreendentemente ele tinha. Ele tinha asas brancas como nuvens em um dia ensolarado. Era tão bonito, ela queria toca-lo, tocar as asas, nunca havia visto nada tão bonito.
Ela esticou as mãos e quando as pontas de seus dedos tocaram o rosto dele, ele simplesmente desapareceu.

não pensou muito depois que acordou, estava muito irritada, por sonhar com . Ela levantou, trocou de roupa e desceu com Murramed. Na cozinha e estavam cercados de armas e munição.
— O que estão fazendo? perguntou surpresa por ver tudo aquilo.
— Munição contra os caçadores. — respondeu analisando uma bala grande, provavelmente de um fuzil.
— Tudo isso? — perguntou ela perplexa com a quantidade de coisas.
acha que mesmo que você tenha visto só três caçadores podem vir mais. — explicou .
— Por que acha isso, ?
— Pesquisei mais sobre eles. Esses caras são extremistas, tipo uma seita. Uma seita nunca tem apenas três integrantes.
— Olhando por esse ponto de vista você pode estar certo... — ela disse pensando. — Bom! Vou indo, a gente se vê. — disse ela saindo da cozinha.
— Espera, ! Você está bem? — perguntou preocupada a seguindo.
— Estou bem! Só tive um pesadelo.
— Premonitório? — agora perguntava preocupado.
— Não, só muito assustador. — ela continuou a andar em direção a porta da casa seguida pelo cão já na coleira.
— Onde você vai? — perguntava demais às vezes.
— Correr um pouco, tirar esse sonho horrível da minha cabeça. Podemos ir treinar depois que eu voltar, ok?
Ela correu para sair de casa, antes que mais perguntas fossem feitas.

Na cozinha além de preocupada, estava curiosa.
— Com o que será que ela sonhou pra ficar tão irritada?
— Eu não costumo fazer isso e até odeio, mas vou dar uma olhada na cabeça dela. — fechou os olhos por alguns segundos e quando os abriu a resposta foi imediata. — . Ela sonhou com o .
— Eles fazem um casal bonitinho. — disse sentando no balcão da cozinha com uma caneca de chá quente nas mãos. — Se nos salvarmos dessa guerra, podemos tentar juntar os dois. — dizia ela tranquilamente, enquanto deixava as armas de lado e começava a abastecer uma caixa com potes de vidros com ervas que havia preparado.
— O é gente boa! Gosto dele. Pode ser que ela aceite já que ele não é humano. — disse simplesmente.
— Como é que é? — perguntou perplexa.
— Você não pode contar pra ninguém. — disse ele em tom de segredo.
— Nunca! Como não é humano? O que ele é? — pergunta um tanto ansiosa.
— O que eu sei é que ele gosta dela desde que viemos morar aqui. Uma noite dessas tentei influenciar ele para que a esquecesse, mas não consegui. Foi mais como se eu conversasse com ele por telepatia, mas não consegui influenciar. Acho que ele não é humano. Mas tenho que investigar, ainda não contei nem para o Philip por causa dessa situação com os caçadores, mas quando tudo isso acabar e antes de você querer dar uma de cupido, vou investigar ele.
— Acha que ele pode dar problemas para a gente ou para a cidade?
— Não. Ele é um cara legal, nem deve saber o que está acontecendo. Mesmo por que, sentiria.
— Ok! Ele parece perfeitamente normal pra mim, mas já que estamos confessando coisas. Quero te contar uma coisa que fiz. — disse medrosa. — Só prometa não ficar bravo comigo.
— O que você fez? — perguntou mais do que curioso, ansioso.
— Fiz um feitiço pra saber se o destino deles está ligado de alguma maneira e antes de eu dar uma de Sabrina, a Bruxa Adolescente, ele perguntou dela para mim uma noite dessas, mas ai, o vi beijando aquela garota na festa e a também viu e eu não pude...
— Que garota?
— Aquela tal de Alison. Vou te dizer hem! Que garota mais fácil. — disse vermelha de raiva.
— Alison beija qualquer um que use calças. Foco , o que o feitiço disse? — pergunta ainda mais ansioso.
— A linha da vida deles está traçada. Não sei se como amizade, protetor um do outro, então também não sei se é relacionado ao amor. E pior, eu a convenci a deixar as pessoas voltarem a entrar na vida dela e de primeira isso acontece. Me senti muito mal e ela não está no juízo perfeito dela, .
— Não fui culpa sua . A Alison é...
— Uma vadia! — disse derrotada.
riu do vocabulário que com certeza ela aprendera com a irmã, se aproximou dela, a beijou carinhosamente.
— Além do mais o é meio lento. — comentou com desgosto.
— Acho que ele só é ingênuo. Crescer aqui, não deixa um cara muito ligado nos sinais de uma garota e a minha irmã não é fácil. Vou falar com ele e você com ela depois que isso tudo acabar. Agora duas perguntas, como você traçou a vida da linha dos dois e o que são todos esses potes que você está me fazendo por nessa caixa?
— São para proteção. Contra qualquer coisa sobrenatural que possa entrar dentro de uma casa. Se um desses potes estiver dentro da casa quase nada pode entrar, como nossos amigos caçadores.
— Não gostei do “quase” mas, é melhor que nada. Pra onde vão?
— Um para a casa da Avery, um pra Emily, um para a casa do Brandon e uma para a casa do . Sobre a linha da vida dos dois, é um feitiço simples, preciso de algo que contenha o DNA dos dois e mistura-los com Camasiwe.
— O que é Camasiwe, ?
— É um pó das cinzas do vulcão de Santorini na Grécia. Um dia que fomos a Coffee House, peguei um copo que ele havia usado sem que ninguém visse, claro. Com isso, juntei com um fio de cabelo que peguei na escova de cabelo da , coloquei tudo em um recipiente e o Camasiwe em cima, foi preciso apenas uma faísca para que a fumaça tóxica subisse, eu aspirei aquilo e a imagem dos dois muito próximos apareceu diante dos meus olhos.
— Por que você respirou aquilo? E se tivesse te feito mal?
— Eu precisava saber, precisava saber o que está acontecendo entre os dois. Talvez pudéssemos ajudar.
, só vai ser ajudada quando ela quiser, mas pelo menos agora sabemos. — disse a beijando na testa.

correu até o lago, Murramed acompanhava o ritmo dela. Não era o plano de inicio ir para lá, mas quando se quer sair para pensar, em Saint Paul’s Heart não se tem muitas opções para onde ir.
Ela sentou no velho banco de madeira, o cão sentou perto dela. Ela via o gelo do lago derretendo com o fim do inverno. A voz em sua mente dizia: “Entre na água, pegue o que brilhar.” Ela se levantou, tirou as botas e a jaqueta de couro e as jogou no velho banco de madeira, caminhou de meias pelo pedregulho afiado até a beira da água e entrou. Um passo de cada vez ela entrava na água fria, desviando dos blocos de gelo que se desprendiam uns dos outros, até que viu uma pequena luz dentro da água. Ela mergulhou e pegou o pequeno objeto.
Ela saia da água com a mesma rapidez que entrou. Não olhou o que era, só o segurou com tanta força que as unhas quase furaram a palma da mão. Até que ouviu a voz que menos queria ouvir naquele momento.
— Hey! Você está bem?
Ela sabia de quem era a voz, seu pensamento gritava: “Sério?! Tinha que ser esse caipira?”
— Não é um bom dia pra nadar, sabia? Ainda é inverno, pode ter uma hipotermia.
— O que tá fazendo aqui, ? — ela perguntou colocando a jaqueta as botas e sem que ele percebesse colocou o pequeno objeto no bolso da calça molhada.
— Costumo correr por aqui quando entro mais tarde no trabalho.
— Legal! Até mais, ! Vamos, Murramed. — o cachorro a seguiu.
, escuta... — ela virou para ele claramente irritada.
— O que você quer? — ela gritou. Os olhares se encontraram e ficou paralisado. Ela tinha alguma coisa no olhar que precisava ser desvendado. — O que é, ? O que você quer?
— Só ia perguntar se quer companhia pra ir para casa ou minha blusa... — ofereceu o moleton cinza que nunca tirava.
— Eu tenho companhia, por isso eu trouxe o Murramed e não quero a sua blusa. E de você, eu quero distância.
Ela saiu caminhando e levando o cão na guia. passou por ela correndo. — A gente se vê, .
— Espero que não. — rebateu imediatamente ela.

De volta pra casa, viu sua sala tão equipada de armas, poções e feitiços que quase não reconheceu o lugar. Foi então que ela teve uma idéia. — , você consegue fazer um feitiço de ocultamento?
— Acho que deve ter um feitiço desse tipo no livro da minha avó. O que quer esconder?
— A casa.
— Como assim?
— Acho que se a casa estiver fora do radar deles, vai dificultar as coisas pra eles, certo? É onde a munição vai estar se precisarmos e podemos precisar nos esconder. Com o feitiço de ocultação não podem entrar aqui mesmo que achem a casa.
— Ela pode ter razão. — disse .
começou a folhar o grande livro da avó. Enquanto ia até a irmã. — Onde você estava? Estamos nos preparando para uma guerra e você sumiu por quase dois dias e agora sai para correr, qual é o seu problema?
— Depois eu explico. — disse ela indo para a cozinha para tomar um pouco de sangue.
— Você me deve uma, . — gritou ele da sala.
— Eu sei. Desculpa. — gritou ela de volta enquanto tomava o sangue fornecido por doadores anônimos que Philip arrumava. Ele entrou na cozinha com um pote de ervas que nenhum dos dois conseguiam identificar que ervas eram.
— Preciso por isso dentro da casa do e você vai me ajudar. — disse ele levantando o pote de ervas de . — É pra proteger a casa e a família dele.
— Está bem. O que quer que eu faça?
— Chame a atenção dele, de preferência na sacada. Os pais dele não estão, só voltam fim de semana que vem. A irmã dele saiu, mas ele está lá. Vou entrar pelas portas do fundo e esconder isso na cozinha da casa dele.
— Como vou chamar a atenção dele? — ela perguntou pondo as mãos na cintura.
— Sei lá, . O cara tá babando em você. Se vira!
Ela subiu as escadas pisando duro nos degraus e xingando o irmão. Entrou no quarto e estava no sacada com um caderno e alguns livros, provavelmente estudando. Ela foi até a sacada.
— Hey, caipira!
levantou e foi até ela. Eles ficaram tão próximos que ficou sem graça. Aquelas sacadas eram próximas de verdade.
— O que foi? O que eu fiz dessa vez, ? — ele parecia estar de saco cheio do mau humor dela.
— Na verdade, eu queria te pedir... Pedir desculpas pela maneira como venho te tratando. Nem te conheço e você e meu irmão se tornaram amigos e bom... O que eu quero dizer é que...
— Quer sair comigo? — perguntou ele de repente.
— O que? — estava perplexa.
— Sair comigo? Um café? Ir até o lago. Conversar...
— Como um encontro? Um encontro de verdade? — ela não estava mais na defensiva, estava surpresa pela ousadia repentina dele.
— Um encontro de verdade. — ele repetiu a fala dela sorrindo.
— Mas e a sua namorada? A da festa...
— Ela não é minha namorada. Te explico no nosso encontro. Te pego em casa e te trago até a meia noite, como a Cinderela. — brincou ele.
— Hey! Eu não aceitei! — disse ela apressadamente enquanto ele entrava no quarto.
— Mas também não disse não. Podemos combinar o dia outra hora? Estou indo trabalhar, tenho hora extra.
Ela ouviu a voz telepática de : “Pronto ”.
— A gente se vê, caipira.
Na cozinha contava para sobre o encontro de e . abraçou como se houvesse ganho um Oscar.
— Não vou sair com ele. Só fiz isso para esse pote de bruxas idiota entrar na casa dele. — ela saiu da cozinha e foi para o banheiro no andar de cima.
Ela tomou um longo banho de banheira, cheia de espuma com cheiro de rosas. Ela se pegou pensado em por que a voz em sua mente tinha dito pra ela pegar aquela peça dentro da água, e o que era aquilo?
Ela não teve tempo de olhar, quando saiu da banheira pegou a calça molhada e tirou a peça do bolso. Era um anel. Parecia de prata rústica feita à mão, não desses comprados em lojas. Com uma pedra azul marinho, quase preta, era como olhar para o céu de inverno de Saint Paul’s Heart numa pequena jóia.
Já no quarto (sua torre de marfim) ela não achou nada mais do que historias idiotas sobre significados de cores de pedras. Nenhuma pedra naquele tom quase negro. A impaciência a consumia e resolveu pesquisar sobre a peça no único lugar que poderia ter informações além dos improváveis sites Wiccas, o velho antiquário da cidade.
Lá, o dono, o Senhor Declan atendeu prontamente. Era um velho estranho, poucas pessoas frequentavam seu antiquário. Historias sobre ele eram contadas na cidade. Uma delas era de que ele mexia com magia negra e perdeu a mulher durante um ritual. Mas para ele era só um velho solitário.
— O que a mocinha faz aqui em dias tempestuosos?
“Ele sabe.” — pensou ela.
— Preciso de ajuda com uma coisa que achei.
Ela mostrou o anel e o homem olhou surpreso a peça.
— É uma pedra da meia noite com certeza! — disse analisando o anel. — Na verdade, elas tem vários nomes, pedra dos desejos, pedra dos anjos, pedra dos perdidos. — disse ele ainda mais surpreso ao ver que era autentico. — Faz um tempo que não vejo uma peça dessas.
— É um anel famoso?
— Tem uma lenda.
— Sou toda ouvidos. — ela sorriu falsamente.
— Digamos que, ela realiza desejos.
— Tipo o que? Amor, paz mundial? — disse com sarcasmo, que para surpresa dela não abalou o mais velho.
— Gosto do seu sarcasmo, menina . Dizem que a pedra faz o que você quer se tiver fé nela, Mas ela escolhe o dono. Muito exigente! — exclamou o velho. — Posso saber onde achou?
— Próximo ao lago Mars.
— Não é de se estranhar. O lago Mars foi lugar de fenômenos. Estrelas cadentes, luzes caído do céu. Sombra humanas, mas de ninguém que habite essa cidade. Nunca foram encontradas tais pessoas, só a visão das sombras.
— Quando foi isso? — perguntou ela curiosa.
— Muitos anos. Varias gerações... Essas histórias são contadas até hoje.
— O que o anel tem haver com o lago?
— Dizem que para cada luz que cai do céu, uma joia dessa é encontrada. Quanto ao lago, nunca se falou nada sobre ele especificamente. Acho que era um lugar aleatório para as quedas, como a Área 51 em Nevada.
— Tolice, com toda a certeza. — disse .
— Pode ser, mas dizia-se que quem o usava, tinha intenções puras. Por isso o anel escolhe o dono. Se ajusta a ele. Não importa se o escolhido for homem ou mulher.
— Claramente nem todo mundo pode ter só intenções puras o tempo todo. — rebateu ela.
— Não, com certeza não. Mas a lenda diz que um Poder Maior intercede através da pedra. Esse poder vê suas ações passadas, seu coração...
— Bem esquisito.
— Vai querer vender?
— Não, vou ficar com ele. Mas obrigada por todas as informações e pela atenção.
— Sem problemas. E lembre-se menina, se um desejo foi feito em noites tempestuosas, tenha certeza de que quem estiver usando tenha a intenção de acabar com o mal ou que tenha um coração puro, como o de um anjo.
— Não vou me esquecer. — ela sorriu encantada pelo charme do velho.
saiu do antiquário com mais duvidas do que quando entrou. Quem seria o dono do anel? Ou digno de usar? Certamente não seria ela, não com seu passado de assassinatos e seu presente de roubos e transformações de ex-namorados.
Quem teria um coração tão bom quanto o de um anjo? Mas uma coisa era certa o anel tinha energia própria, ela sentia passar do metal para seu corpo algo quente, sensível.
Em casa ela não falou nada sobre o anel. Estavam todos muito estressados pra se importarem com uma lenda de cidade pequena.
Amanhã a meia-noite a guerra começaria!

•••

se arrumar com suas facas, enquanto e conversavam próximos ao Impala, ele lhe passava instruções. A vampira sabia que nada daquilo era fácil para nenhum deles, ninguém estava com cabeça pra treinamentos. Ao se aproximar ela pode ouvir pedindo para que ficasse atenta o tempo todo.
tirou uma faca da cintura, a segurou para frente de seu corpo e em tom ameaçados começou:
— Vou contar até vinte e então vou te procurar. Não esquece que eu já conheço seus feitiços. — olhou com grandes olhos verdes arregalados. O cérebro de pedia pra abortar tudo o que acontecesse ali, mas ele também sabia que aquilo era necessário.
correu pela floresta e os dois vampiros puderam ouvir o coração da menina bater tão rápido que parecia que ia pular do peito.
— Você tinha que assustar ela desse jeito?
— Ela não vai aprender se eu ficar sorrindo pra ela como você faz... E eu odeio sorrir.
começou a correr pela floresta pelo lado direito, foi pelo lado esquerdo. Ambos farejavam . conhecia o cheiro dela a quilômetros, acha-la não seria difícil, mas tinha algo em sua vantagem, a raiva. Raiva do que ela havia feito com , raiva do beijo de na tal namorada beijoqueira. A raiva aguçava sua caçada, não tinha chances de fugir.
Ela correu por uma trilha de arvores frutíferas, mas não encontrou a bruxa. Ela subiu no galho de uma delas e pelo que pareceu um longo tempo, procurou pela menina. Não conseguia enxergar nada que não fosse arvores. O faro não a enganava, estava ali, mas não havia nenhum sinal visual da bruxa.

andou pela floresta a passos lentos, arma em uma das mãos, ele sentiu alivio ao lembrar que havia esvaziado o pente antes de começar a procurar . Nunca a machucaria.
Ele a viu agachar no chão, usar os dedos para desenhar um símbolo na terra e começar a sussurrar. Ele não ouviu o feitiço mas achou ser algo nórdico, pelo tom das palavras e pelo desenho no chão. E de repente ela simplesmente desapareceu.
! — sussurrou ele. Ele se aproximou de onde ela estava antes de desaparecer, — , por favor, me responde, — mas ele ouviu o barulho de folhas secas no chão e a risada da menina o fez sorrir também.
Ele começou a farejar a menina, não tinha como se enganar com aquele cheiro. Era parecido com camomila.

Com uma faca em uma das mãos, começou a seguir pra onde o cheiro a levava.
... — cantarolou ela, — Aqui garota, eu não vou te machucar. Só vou... Ah! — um raio a atingiu na barriga. — Filha da mãe! Ah! — de repente ela estava jogada no chão, com a mão na barriga, — Quer saber? Acho que ela já está preparada pra batalha. Quer dizer... Ah! — fez força para se levantar, — Jogar raio nas pessoas não é muito educado, . — gritou a última frase.
apareceu por dois segundos, soltou outro raio com as mãos em e voltou a desaparecer, mas dessa vez. ficou presa em uma espécie de estática. Não conseguia se mexer.
Talvez e, partes se sentindo segura, se deixou visível.
— Acho que já estou preparada para a batalha, não acha grande e má vampira velha? — tentava movimentar os músculos um por vez, mas era impossível, — Não vai dizer nada?
— Não pode continuar com a tortura? Não sou muito de conversar. — ironizou a vampira.
Em uma fração de segundos, se curvou, parecia com dor e então a estática que prendia a liberou. Ela se viu em um momento de vantagem e começou a avançar em direção a bruxa, mas não correu por muito tempo, a dor voltou a atingi-l
— Aí! — gritou irritada, — É isso... — a vampira reclamou baixo, — Ela te derrubou duas vezes. Qual é? Isso é ridículo... — ela levantou, limpou as mãos sujas de terra na calça jeans e em um movimento rápido atingiu com uma das facas na perna. gritou e o raio que saia de suas mãos, voltaram como energia de volta para ela. Em outro movimento rápido, correu em direção a menina levando a faca ao seu pescoço e quando a lamina começou a contar a pele fina do pescoço da bruxa, a puxou pelo ombro e jogou de encontro com a roda do Jipe. Os olhos dela estavam negros e assim que a chamou novamente, ela voltou a si.
? Oh meu Deus! — ela olhou para faca em sua mão e viu um fio de sangue em sua lamina, ela a jogou para longe e começou a se aproximar de , segurava a pele de em uma tentativa de estancar o sangue. — , eu sinto muito mesmo.
— Está tudo bem.
, você está bem? — parecia que nenhum dos dois vampiros a ouviam.
— Estou bem.
— Posso ver? — pediu . Ela concordou com a cabeça, ele afastou a mão era um corte pequeno, — É um corte pequeno, só está sangrando porque a pele é fina. Está tudo bem. — disse ele mais para acalmar do que para .
— Cas... — segurou uma das mãos de , — Eu estou bem. Seu irmão pode me curar, foi só um cortezinho. Foi um acidente. Como o do primeiro treinamento. Lembra?
Mas não tinha sido acidente. Ela tinha se descontrolado. Foi um segundo. Mas foi o que bastou pra machucar a amiga.
se levantou e começou e andar na direção do Jipe.
... — a chamou.
— Não. — disse ela.
. — gritou ele ao seguir ela.
, não.
Ele a segurou pela mão.
— Cas, está tudo bem. Foi só um machucado. Foi um acidente.
— Não foi um acidente.
— Como assim?
— Eu perdi o controle. Eu estou com raiva e deixei isso me dominar. Eu perdi o controle. Abandonei o prédio. Eu podia ter machucado ela de verdade só por que eu estou com raiva e adivinha... Eu tenho raiva o tempo todo. Eu não quero machucar mais ninguém.
, não foge por causa disso.
— Eu só preciso ficar sozinha. — ela o abraçou, — Cuide dela.
Ela subiu no Jipe e saiu.
andou até .
— Você está bem mesmo?
— Estou. — ela deu um sorriso. — Podemos ir pra casa?
— Podemos sim.

Já em casa, eles foram pra cozinha. se serviu de uma cerveja, ele ofereceu pra ela, que recusou.
O sangue escorria pela camiseta da menina e se mantia inalterável.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Claro.
— Você não sente vontade do meu sangue? — perguntou apontando para o próprio pescoço.
— O tempo todo. — admitiu com certo receio.
— É como nos filmes, que a sede é maluca e não consegue se segurar?
— Pra alguns é. Já foi pra mim, não é mais.
Ele foi até uma porta do armário da cozinha e pegou um kit de primeiros socorros. Colocou em cima da mesa, ofereceu uma mão, ela aceitou e ele a puxou para com gentileza para que ela se sentasse em uma cadeira próxima a ele.
— Como sabe que eu não ia querer que me curasse?
— Porque não é o momento ainda. — ela o olhou sem entender, — Não chegamos lá ainda. — ele sorriu, — É muito íntimo. — ela sorriu e levou a mão ao rosto dele.
— Obrigada!
Ele se inclinou e a beijou de leve.
— Isso também é muito íntimo. — brincou ela.
— Mas era o momento.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.

O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer.
Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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