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Última atualização: 08/06/2021

Prólogo

Lealdade. Apesar de considerá-la superestimada, essa sempre foi a palavra mais enaltecida e quem sabe, a favorita entre os Malfoy. Minha família.
O seu conceito sempre foi muito claro para mim.
Tive o privilégio de entender que lealdade não é uma condição, mas sim um comportamento característico, pessoal e particular. O único problema é que infelizmente, não somos uma família acostumada a conversar sobre até que ponto devemos ser leais, ou melhor dizendo, por quem devemos ser.
Talvez, a palavra correta para isso seja lealdade cega.
E desde de pequena, tornou-se evidente a mim que nós, Malfoys, somos uma família complicada e o sangue-puro sempre definiria o elo que tínhamos. Dessa forma, se alguma coisa era questionada ou contrariada — inclusive a lealdade – as respostas eram sempre as mesmas: “Não pense nisso...”, “Não questione...”, “Não fale para não atrair...”. As duas últimas, sempre pronunciadas por Abraxas. O patriarca Malfoy, ou, meu tão complicado avô.
Por esse motivo, sem se dar conta, um bruxo podia muito bem repetir as ações boas e as ruins de seus antepassados. Nossa família, vivia dentro desse looping ele não poderia ser questionado, por ninguém.
Isso não foi diferente para mim.
E agora, o ciclo de lealdade familiar e as diretrizes de meus antepassados, estarão sempre ligadas a mim.
Sou Eileen Malfoy. Filha de Severo Snape e Katrina Malfoy.
E, antes que me esqueça, uma comensal da morte.
ϟϟϟ

A mansão dos Malfoy estava movimentada naquela manhã quando desceu a cozinha em busca de algo que comer. Se contentou com uma fruta e refez o caminho até seu quarto. Enquanto caminhava olhares eram deixados sobre a jovem Malfoy que agora, semanas depois do ocorrido no torneio tribruxo, parecia mais impenetrável que jamais parecera.
Os olhares de agora eram duros para qualquer um que ousasse a olhar e todos tinham a breve impressão de que a qualquer momento a jovem poderia lançar uma maldição da morte em quem quer que fosse.
Como poderia uma garotinha colocar medo, mesmo que secretamente, em tantos outros comensais já de mais idade? Ninguém sabia explicar.
Quando alcançou o topo das escadas que davam ao corredor de seu quarto o primeiro olhar que pousou sobre si foi e de seu primo, Draco. A semanas ele tentava falar com , porém, suas tentativas eram todas vãs, já que a garota não parecia disposta a se abrir sobre o que ocorreu, apenas fingir que não havia acontecido nada.
Fato era que a jovem Malfoy sentia um misto de coisas que não sabia explicar. Desde que conseguia se lembrar fora ensinada que servir ao lorde das trevas sem questionar era o certo a se fazer, e havia feito isso por muito tempo, porém depois da morte de Diggory, se pegava em questionamentos sobre o bruxo a quem servia.
se questionava se era apenas uma peça manipulável em uma espécie de jogo de Voldemort, e ao mesmo tempo que tinha esse questionamento, o mandava embora porque sem lembrava da voz firme de Lúcio dizendo “O lorde das trevas sabe o que faz e não deve ser questionado, ”.
Sem dar chances a Draco de se aproximar, a garota seguiu para o quarto fechando a porta atrás de si e tomando espaço em sua cama.
se agitava na gaiola que mantivera fechada por dias e ao encarar a coruja por alguns instantes ela se levantou abrindo a porta de metal.
— Suma daqui. — ordenou se virando de costas e voltando a cama. A janela do quarto estava aberta, então a coruja poderia facilmente deixar o quarto, porém o que fez foi voar até a cabeceira da cama da garota a encarando de modo atento — O que foi? Eu não tenho biscoitos para você, pare de ser uma preguiçosa e vá caçar sua comida. — o tom mal humorado não espantou a coruja, apenas a vez alçar voo para então pousar ao lado de , a bicando por um momento com cuidado. não era o tipo de coruja de carinhos, porém depois de anos uma ao lado da outra, a ave sabia bem quando não estava em seus melhores dias. E aquela simples bicada a fez esboçar um mínimo sorriso — Pode ir caçar. — foi tudo que disse, agora em tom um pouco mais brando e com uma última olhada para ela, bateu as asas deixando o quarto em um voo elegante.


Capítulo I — Uma visita a Little Whinging

Agosto sempre havia sido o mês favorito de . Mas diferentemente dos outros anos, esse não havia motivo para celebrar. Era evidente de que muitas coisas haviam mudado na vida da garota e a comemoração de seu aniversário não lhe atraía como antes, pelo contrário, aquilo lhe parecia demasiadamente superestimado.
A mudança em seu comportamento havia sido nítida até para pessoas que não estavam mais tão presente em sua vida, como Krum, que mesmo longe sentia o alteração em sua personalidade quando se comunicavam.
Draco também havia percebido que “horas livres” já não existiam mais no calendário da prima, uma vez que todo seu tempo era dedicado ao Lord das trevas e aos outros comensais. Percebeu também que os companheiros do Lord ainda não se sentiam confortáveis com a presença da prima e até mesmo sua tia Bellatrix Lestrange “agora livre” tinha desafeto pela garota, mas ele tinha certeza que aquilo era recíproco. Pois na primeira vez em que Lestrange ousou provocá-la, não pensou duas vezes antes de usar a maldição Cruciatus nela.
Voldemort não interviu.
E o fato era que, já não era a mesma.
Naquela tarde, aproveitando a oportunidade de estarem sozinhos na mansão e a apenas algumas horas da garota completar mais um ano de vida, foi que Draco decidiu não ceder mais ao afastamento da prima e resolveu procurá-la para de uma vez por todas, conversarem. Afinal, logo voltariam para Hogwarts e teriam de conviver quer ela gostasse ou não e mesmo se ela não precisasse mais dele, ele precisava dela.
Antes que pudesse se pôr de pé, um grito ensurdecedor acompanhado de um estalo alto e ressonante soou do quarto ao lado. Agilmente Draco levantou-se e com a varinha em mãos, correu em direção ao quarto de .
— Mas o que diabos aconteceu aqui, ? — Draco parou subitamente ao chegar no outro cômodo. Olhou ao redor e encostou-se ofegante sobre o batente da porta do quarto. Devido a adrenalina da corrida até o local, mal se deu conta do clima gélido do lugar, além disso a cena em que via em sua frente era demasiadamente estranha.
— Não está óbvio? As malditas janelas velhas estouraram de vez. — respondeu sentada sobre sua cama. Draco olhou ao redor e viu fragmentos de vidro por todo o quarto. O vento gélido vinha de todas as direções e as grandes janelas perfeitas que davam visão ao jardim da mansão, agora se resumiam a estilhaços.
O que mais impressionava Draco era a expressão ainda impassível no rosto de , como se a explosão já fosse esperada.
Sem pedir permissão, ele caminhou com o vidro estalando debaixo de seus pés.
— Não chegue perto! — advertiu e Draco não deixou de notar o resquício, mesmo que mínimo, de preocupação seu tom.
— Está tudo bem. — Draco garantiu continuando a se aproximar e tomou o espaço ao lado da prima. Houve um silêncio que perdurou por longos minutos. Draco havia pensado tanto no quanto queria falar com a prima, mas sequer pensou no que dizer a ela e naquele momento ali, sentado a seu lado, imaginou que talvez dizer algo não fosse necessário. Encarou ela melhor e um mínimo sorriso lhe surgiu. Estava tão preocupado a princípio que sequer havia notado que os fios longos haviam dado lugar a fios curtos que emolduravam bem seu rosto — Cortou o cabelo. — comentou baixo batendo de leve em uma mecha e apesar de ela não dizer nada, havia uma leveza no clima entre eles, mesmo que pequena.
Porém, ao bater nos fios, pouco mais abaixo, Draco notou um líquido vermelho escorrer próximo a testa da garota. Os dedos quase que automaticamente se direcionaram até a área com certa cautela.
… — não houve tempo de terminar a lamentação, já que o barulho de uma discussão preencheu a casa. As vozes conhecidas eram de Lúcio e Snape. se colocou de pé seguindo pelo corredor até o alto das escadas, parando para ouvir o que acontecia. Draco a seguiu discretamente.
— Quantas vezes preciso lhe dizer que não deveria fazer parte desse mundo, Lúcio? — a voz do pai foi a primeira que ela ouviu, e de seu modo, parecia furioso — As minhas escolhas e de Katrina não são as dela. — no andar de baixo o sorriso irônico de Lúcio era claro.
— Está dizendo que servir ao Lorde das Trevas não é o que você quer para a sua filha? — o questionamento vinha como um tipo de desafio que sequer fez Snape vacilar — Porque eu sei que é o que minha irmã iria querer para ela. — a certeza em seu tom fez o sangue de Snape ferver. Frequentemente Lúcio falava de Katrina como se o que ela poderia querer para a filha fosse mais importante do que o que ele mesmo queria. Como se Lúcio tivesse esquecido o que a própria irmã fez. E Snape estava cansado de ceder.
— Você sabe muito bem o que Katrina iria querer para , porém existe algo que você não deve se esquecer... — o tom de Snape era preciso como poucas vezes qualquer um tivera escutado. Chegava a ser ameaçador — Eu sou o pai dela, e mais do que qualquer achismo seu sobre Katrina e suas vontades, o que eu julgo ser o melhor para ela é o que deve contar em primeiro lugar, Lúcio. — o nome do tio de sua filha deixou a boca de Snape como quem cita um inseto do qual se deve ter nojo. E de algum modo, era assim que Severo via o irmão de sua falecida esposa.
— Ora, seu...
— Já chega! — a voz de irrompeu pela sala antes que o tio pudesse dizer qualquer outra coisa e ambos se viraram para encarar a menina que terminava de descer as escadas de maneira determinada — Já está mais que claro que qualquer decisão tomada em relação a mim mesma, é minha e de mais ninguém. — o tom de se assemelhava ao do pai de tão preciso e certo, e a junção aos olhos negros que pareciam cruéis demais para alguém de sua idade, a fazia parecer completamente impassível — E honestamente espero não ter de ouvir tais discussões ridículas novamente. Sabemos que nenhum dos dois pode opinar sobre as decisões que tomo. — e dizendo aquilo puxou a varinha, sem dar tempo a protestos e aparatou para o primeiro lugar onde pensou que realmente queria ir naquele momento.
— Vocês precisam ver uma coisa. — foi a única coisa que Draco conseguiu pronunciar após o desaparecimento da prima.

ϟϟϟ

Era uma tarde calma na rua dos Alfeneiros. Pelo menos até o momento em que aparatou no meio de um quarto mal iluminado, não fosse pela luz do sol que entrava pela janela. Encarou o lugar que era muito menor que seu quarto na mansão dos Malfoy. Uma gaiola vazia repousava em um canto e imaginou que Potter tivesse libertado sua coruja. O malão estava ali, fechado e pronto, como se ele esperasse partir em breve. Mas antes que tomasse qualquer atitude, resolveu dar um jeito no corte feito pelo toque de estilhaço em sua testa.
Episkey — foi sussurrando o feitiço que pode ouvir meio que ao longe uma agitação e tratou de se apressar até a porta encontrando então a escada que dava acesso ao andar de baixo.
— Que diabos você está pretendendo com isso, moleque? — por um pequeno espaço na escada conseguiu ver na sala de estar, próximo a janela um homem corpulento que cobria por inteiro quem quer que estivesse a sua frente. A garota não era a simpatia em pessoa, mas aquele homem? Aquele homem havia ganhado seu desafeto em dois segundos
— Pretendo com o que? — a voz que o respondeu era conhecida. Era Potter e ela sabia. Não havia como negar. Se movendo um pouco conseguiu ver o resquício do cabelo escuro do garoto junto aos óculos redondos que sempre usava. Estava na casa certa afinal.
— Fazer um barulho desses como se fosse um tiro de partida do lado de fora da nossa…
— Não fui eu que fiz o barulho. — Harry se apressou em se defender e então notou uma mulher com a cara vermelha como um pimentão se juntar ao homem na janela.
Notou que a discussão iria além do que esperava ali e então se apressou em descer as escadas em silêncio e procurar uma forma de deixar a casa sem ser notada.
Porém, assim que tomou o corredor ouviu passos pesados vindos da cozinha e se apressou em abrir uma porta pequena embaixo da escada. Era um armário.
Os passos pesados passaram pela porta e a discussão se estendia, mesmo que agora não pudesse a ouvir com clareza.
Lumos. sussurrou e agitou a varinha fazendo com que um feixe de luz iluminasse seu campo de visão. Curiosa ela se virou meio encurvada analisando o lugar onde estava.
Não havia nada por ali além de algumas pastas velhas e casacos empoeirados. Quando se virou novamente, algo chamou a atenção da garota.
Junto a um tipo de calendário, gravado na madeira estavam as iniciais HP. sabia que eram as iniciais de Harry, mas o que faziam em um armário embaixo de uma escada?
Antes que pudesse pensar muito sobre aquilo a voz irritante do homem irrompeu em frente a porta fazendo agitar a varinha depressa sussurrando Nox bem baixinho e então tudo se tornou escuro de novo.
— Estou dizendo, Petúnia, deveríamos mandá-lo embora. Gente como ele deveria ser proibida de viver em nosso meio. — não sabia exatamente o que ele queria dizer, mas era capaz de sentir o sangue ferver de tanto que o homem a irritava.
— Deveríamos, Valter, mas e se aquele gigante barbudo aparecer de novo e fizer nascer um rabo de porco em Duda outra vez? — quis rir. Não fazia ideia de quem falavam, mas a ideia de um trouxa com um rabo de porco andando por aí, lhe soara como a melhor pegadinha de todos os tempos.
As vozes se afastaram e então, quando julgou seguro abriu a porta do armário analisando o lugar e se dirigindo a uma porta no fim do corredor que lhe deu visão para a rua.
Olhou para os lados e muitos metros à sua frente viu Potter caminhar apressado. Quando o rapaz se virou olhando para trás, quase não conseguiu se abaixar a tempo de se esconder.
Precisava falar com Potter, porém e se ele a visse e fugisse?
Decidiu então segui-lo por onde quer que ele fosse e assim que tivesse a oportunidade de falar com ele, sem que o amedrontasse, falaria. se esgueirava por entre carros e arbustos toda vez que Harry fazia menção de se virar, mas não demorou muito para que o garoto finalmente pulasse um portão fechado e então parasse, fazendo deduzir que havia chego no local que queria. Olhou ao redor e percebeu se tratar de um parque para crianças trouxas.
Sabia o que era pois havia se lembrado das vezes em que Narcisa levava ela e Draco durante as tardes quentes para brincar. Escondeu-se sobre um arbusto e viu Harry sentar sobre um balanço um tanto velho e enferrujado, por um instante até pensou que ele não suportaria o peso do bruxo, mas, percebeu estar errada. Ficou alguns minutos observando o garoto resmungar para si mesmo e aquilo era uma característica estranha que ela já havia visto Harry ter, mas aquilo não era importante agora já que aquele era o momento perfeito. pensou e sem demonstrar algum receio, saiu do esconderijo e foi em direção a Harry, que por estar de costas para ela e imerso em seus próprios pensamentos, mal percebeu quando sentou ao seu lado.
— Você é um tanto difícil de acompanhar, Potter — Harry assustou-se virando para o lado. Apenas naquele momento havia percebido a aproximação da garota, mas não era o fato de não ter notado alguém sentando ao seu lado que o surpreendera e sim de quem se tratava. Não via a garota há meses e dentre todas as pessoas, colegas e amigos de Hogwarts que gostaria de encontrar, jamais pensou que seria a primeira. Automaticamente, sentiu seu estômago embrulhar. Não tivera oportunidade de falar com a garota desde a morte do Diggory e vê-la ali, era de certa forma desconfortável, mas também, curioso.
Afinal, o que estava fazendo naquele lugar? Foi aí que notou o corte do cabelo, mas observando a postura e olhar da garota, tinha certeza que não era só aquilo que havia mudado nela.
— O que faz aqui? — tentou soar o mais calmo possível, mas , ainda assim, podia notar certa ansiedade em sua voz.
— Queria apenas começar dizendo que os trouxas com quem mora são bem desagradáveis. — não queria realmente falar sobre os Dursley, apenas deixar Harry ciente de que quem provocara o barulho em sua casa havia sido ela.
— O estampido, foi você... — Harry a olhou incrédulo e apenas balançou a cabeça em sinal de afirmação. — Aposto que uma visita a casa de trouxas, não é o que te trouxe aqui.
— Com certeza não. Teria escolhido trouxas mais agradáveis se fosse o caso. — riu sem humor e ajeitou-se sobre o banco tentando permanecer de frente a Harry. — Na verdade, gostaria de conversar com você sobre Cedrico. Não é bem uma conversa, para ser sincera, seria mais como um questionamento.
Ao ouvir as palavras proferidas pela a Malfoy, imagens da noite em que esteve no cemitério pairaram sobre a cabeça de Harry. E de certa forma, sabia que uma hora ou outra, ela viria até ele para saber o que de fato aconteceu com Cedrico.
Estava prestes a contar sobre a volta de Voldemort, sobre como Cedrico havia morrido sobre as mãos de Pettigrew e pelas ordens do Lord das Trevas, mas passos vindos em suas direções tomaram a atenção de Potter e a visão desagradável de Duda e seus amigos fizeram Harry respirar fundo. não precisou nem de um segundo para perceber a semelhança e reconhecer o garoto. As feições lembravam os trouxas na casa de Potter e podia apostar que era filho deles.
— Arrumou uma namorada, Potter? — encarou Harry e o viu ficar vermelho de vergonha por um momento — Me diga, ela sabe que você fica chorando a noite que nem um bebezão? Como era mesmo? “Vem me ajudar, papai! Mamãe, vem me ajudar! Ele matou Cedrico! Papai, me ajude! Ele vai…” Quem é Cedrico, afinal? Seu namorado da escola de esquisitos? Deve ser tão estranho quanto você. — sentiu a raiva lhe subir por todo o corpo. Quem aquele trouxa achava que era para falar daquele modo de Cedrico? Porém, antes que ela pudesse fazer algo, Harry se colocou de pé em um ímpeto e brandindo sua varinha, ele a apontou para o coração do garoto — Não aponte essa coisa para mim. — o tom que tentava ser corajoso, era na verdade trêmulo e assustado.
— Está com medo de um graveto, Duda? — um dos outros trouxas que o acompanhavam soltou em meio a um riso desacreditado.
— Sim, Duda, está com medo de um graveto? — foi quem questionou em pura zombaria sorrindo de modo desafiador para o garoto que arregalou os olhos.
— Ela é… Ela é… — foi tudo que ele disse parecendo não conseguir dizer a palavra bruxa.
— Nunca mais volte a falar nisso, – rosnou Harry, algo em seu jeito, a raiva que emanava de sua voz, pareceu extremamente familiar a – está me entendendo? — Harry apertava a varinha cada vez mais forte sobre o garoto gorducho e foi aí que percebeu, foi o olhar de Harry que denunciou. Ele estava agindo exatamente como ela.— VOCÊ ME ENTENDEU?
Antes que pudesse intervir, alguma coisa acontecerá à noite. O azul anil e estrelado do céu noturno de repente ficou negro e sem luz – as estrelas, a lua, os lampiões enevoados em cada extremo da travessa haviam desaparecido. O ronco distante dos carros e o murmúrio das árvores haviam desaparecido. A tepidez da noite de repente se transformou em um frio cortante. Eles se viram envolvidos por uma escuridão silenciosa, impenetrável e total.
Por uma fração de segundo pensou que Harry ou até mesmo ela involuntariamente que tivesse feito alguma magia, mas algo lhe dizia não se tratar daquilo. E de repente, um frio intenso tão familiar para Harry e se instalou no local, arrepiando todos os pelos do corpo dos dois bruxos. Havia alguma coisa na travessa além deles, alguma coisa que respirava em arquejos roucos e secos. Ao ouvir aquilo, os amigos trouxas de Duda, saíram correndo, deixando-o sozinho.
— Q-que é que vocês fizeram? — Duda perguntou amedrontado. E antes que pudesse responder foi que Harry os viu.
— Corram! — apesar de considerar impossível eles estarem ali em Little Whinging, Harry decidiu agir rápido. Segurou a mão de e empurrou Duda para sair do transe e correr.
As pernas de pareciam apenas seguir Potter, mesmo sem a garota saber ao certo o que estava ali.
— Potter, o que está…?
— Dementadores. — foi tudo que Potter disse sabendo que a teimosia da garota a faria parar caso não dissesse e sem parar foi que olhou sob o ombro brevemente vendo apenas o borrão negro no céu e Duda correndo atrás deles.
Harry puxou até chegarem próximo a um túnel e torcendo que fosse uma escapatória e Duda estava ao encalço dos dois. Ali houve um momento de silêncio no qual Harry acreditou terem escapado, fazendo que seu coração aliviasse no peito. Porém os dementadores eram tão ágeis quanto Potter se lembrará e rapidamente o que antes era um abrigo, se tornou uma armadilha. Estavam encurralados. Harry olhou para o lado do túnel em que entraram e lá estavam eles, dementadores em sua forma sombria.
Por instinto, se colocou em frente a e Duda que não parava de tremer.
, pegue a varinha, depressa! — exclamou Harry ansiosamente brandindo a sua em mãos. Mas, quando olhou para trás, impressionou-se ao ver a garota andar em direção aos dementadores, como se estivesse hipnotizada.
ouvia os murmúrios agonizantes das criaturas, porém diferente de Potter ou Duda, aquilo soava a ela muito mais familiar que assustador e por isso, seu corpo parecia ter a necessidade de seguir na direção das criaturas.
! — Harry a chamou notando a aproximação rápida dos dementadores. Porém o que menos esperava aconteceu. Um deles apenas passou direto pela garota. Quase como se ela sequer existisse. Harry se questionou se em meio a todos aqueles dias malucos e imerso em pensamentos sobre seus conhecidos, não havia apenas imaginado a jovem Malfoy ali, porém constatou que não porque Duda também a havia visto. Então, se não era um sonho, como era possível que não a afetassem?
Preso em seus pensamentos e perplexo demais para notar qualquer coisa que fosse, Harry não percebeu quando um dos dementadores estava perto demais para que pudesse empurrá-lo contra a parede do túnel e a sensação familiar de seu corpo sendo preenchido por medo o atingisse.
Viu Duda seguir correndo para a outra ponta do túnel e ser pego por um dementador antes que pudesse fugir de fato. ainda parecia imersa em seu transe e Harry se perguntou o que estava acontecendo com a garota afinal. Tentou alcançar sua varinha que repousava no chão onde Harry a havia deixado cair ao ser surpreendido pelo dementador, porém parecia muito mais longe do que de fato estava.
! — a chamou com a voz falha e ela sequer se moveu — ! — tornou a chamar a garota parecia presa em seja lá o que fosse aquele transe — ! — o apelido deixou a garganta de Harry quase como uma súplica.
Apenas uma pessoa a chamava assim até então, e foi aquilo que a fez acordar e se virar apenas para encontrar Potter, quase agonizando e pedindo por ajuda.
— A varinha. — ele apontou com os dedos o objeto no chão e a encarou ainda sem saber ao certo o que fazer. Levou alguns segundos, e um novo contato do dementador em Potter para que ela entendesse e seguisse até Harry pegando a varinha do garoto do chão.
Porém ao se colocar de pé com ela em mãos encarou a criatura com mais atenção.
O grito que ela soltou foi para como uma lembrança. Uma lembrança muito mais antiga que qualquer outra que a garota se recordava de ter. Não sabia se era real, ou um sonho que a muito tivera, mas não teve mais tempo de divagar sobre aquilo, pois Potter, em um momento de maior lucidez, conseguiu pegar sua varinha das mãos da garota.
Expecto patronum! — foi o feitiço que deixou os lábios de Potter de modo dificultoso e então um enorme veado de prata irrompeu da ponta de sua varinha. A galhada do animal atingiu o dementador na parte do corpo em que deveria estar o coração.
E no mesmo instante, sentiu o corpo fraquejar e uma dor excruciante lhe atingiu, pouco antes de sua visão se tornar escura e ela perder os sentidos.


Capítulo II — Uma surpresa do passado

Da fresta da janela daquele pequeno quarto, emanava o vento gélido que ia de encontro certeiro às maçãs do rosto da garota inconsciente. O sol crepuscular ganhava vida à medida que o dia ia aos pouco, perdendo o lugar para a noite e então, não demorou muito para o corpo da garota, voltasse a sentir os vestígios de vida. Quando finalmente começou a recobrar os sentidos, ainda tinha a sensação de que seu corpo inteiro estava paralisado, mas a dor que sentia antes, não era nem de longe a mesma de quando a escuridão tomou conta de si.
No lugar da dor, apenas a fragilidade havia ficado e então se sentiu imersa em um sonho, mas daqueles que se categoriza pesadelo pois naquele momento, seu corpo inteiro exalava a sensação de impotência e ainda de olhos fechado, era como se estivesse perdida, vagando sozinha entre a escuridão sem espaço para haver uma saída, era apenas o breu. E então, ela o ouviu. Harry
Mas por que teria que ser justamente Potter? Não seria mais correto que fosse era Diggory? Oh sim, Diggory. Era sobre ele. Ele era o real motivo de estar ali, fosse qual fosse o lugar que estivesse. Havia morrido? Seria o mais provável. Mas se houvesse morrido, não estava no paraíso. Não se permanecesse ali, sozinha, sem Cedrico.
No fim das contas, não saberia dizer onde esteve, porque a voz de Harry soou novamente em seus ouvidos, só que dessa vez, a voz estava mais distante. Imediatamente, sentiu seu corpo livre e começou a tentar movê-lo. Comece devagar, . Pensou e então permitiu-se abrir os olhos apenas para afirmar o que já sabia.
Estava deitada no quarto de Harry Potter.
A Malfoy percebeu que o quarto era certamente o menor cômodo da casa e ele de longe lhe trazia o aconchego que seu quarto na mansão Malfoy dava. Arriscou a dizer que, talvez, até seu aposento em Durmstrang era mais aconchegante que aquele e foi aí que se perguntou como Potter conseguia ficar tanto tempo ali daquela forma, como aguentava passar as férias trancado em um quarto daqueles? Ainda assim, algo lhe dizia que os trouxas da casa eram bem pior que o próprio quarto.
Quando percebeu que podia se movimentar, sentou-se sobre a cama e seus olhos foram atraídos para a gaiola sobre uma bancada próxima a janela semi aberta. Ela estava vazia mas ainda assim, não dificultou que a Malfoy soubesse exatamente quem vivia ali. Edwiges. Como se soubesse que a garota lhe procurava, a coruja adentrou no quarto pelo espaço aberto da janela ao mostrava que já escurecido, naquele mesmo instante, pousando sobre o ombro da garota.
— Quanto tempo, hein? — falou de forma fraca. — Desculpe, mas estou sem biscoitos hoje. Mas se te deixa melhor, não admitiria, mas tenho certeza que sente a sua falta. Ele anda mais mau humorado que o normal, sabe? Nesses últimos dias.
Edwiges piou e beliscou carinhosamente a orelha de que se sentia incrivelmente melhor do que antes. A dor havia passado, mas as perguntas que cercavam-a ainda estavam vívidas na mente da garota, pois afinal, o que havia acontecido para atingi-la daquela forma?
As respostas teriam que ficar para depois, já que deslizou-e para fora da cama ficando de pé assim que ouviu uma mistura confusa de vozes que transbordavam do andar de baixo. A garota apanhou uma varinha sobre a mesa de cabeceira, possivelmente a de Harry, já que não fazia ideia do paradeiro da sua. E escutando com máxima atenção, ficou de frente para a porta do quarto na esperança de esclarecer o que ouvia, mas prestes antes que pudesse abrir a porta, essa se abriu repentinamente e ela sobressaltou para trás.
— Por Merlim, Potter, eu podia tê-lo matado! — a garota exclamou baixando a varinha ao ver quem era.
— Desculpe, aquilo novamente? O Potter pensava? — Pensei que ainda estivesse desacordada. Como você se sente?
— Eu estou bem, Harry, mas precis... — queria perguntar quanto tempo estava ali, o que de fato aconteceu e o mais importante: perguntaria aquilo que a havia movido até ali, porém, foi interrompida antes disso.
inclinou a cabeça para verificar melhor as pessoas que ainda não haviam entrado ao quarto de Harry
— Por que estamos todos parados na porta, mesmo? — a voz que interrompeu era feminina. — E quem é você?
A Malfoy olhou de Harry para a outra bruxa e da bruxa para os outros atrás dela. Ela parecia a mais jovem do grupo; tinha um rosto pálido, olhos escuros e cintilantes e cabelos curtos e espetados, na cor roxo berrante. Atrás dela havia mais duas pessoas e uma delas, conhecia bem, ou pelo menos fingiu que sim.
— Professor Moody? – perguntou hesitante, tentando transparecer mais neutra o possível, como se aquela imagem não a fizesse lembrar da perda que ela achou que nunca superaria.
— Vocês realmente devem parar de me chamar assim. Nunca cheguei a ensinar muito tempo, não é mesmo? — a voz rouca deixou nauseada e mesmo que ela soubesse que não se tratava da mesma pessoa, ainda assim, se sentia mal. Sentiu as pernas fraquejarem e o equilíbrio falhar. Harry observou-a e agiu rápido, a segurando pela cintura no exato instante em que ela cambaleou.
— Você precisa ir com calma, — Harry advertiu ainda a segurando. Moody encarou-os por algum momento tentando imaginar porque Harry não havia contado sobre a garota na carta e nem como o ministério não sabia de sua existia. Mas, antes que pudesse decidir o que fazer, uma terceira voz, ligeiramente rouca, se fez presente no quarto.
— Harry, dê isso para ela — virou a cabeça em direção da voz com um pouco de dificuldade e viu Harry pegar um pedaço que ela julgou ser chocolate. — Fará bem a ela, pelo o que você contou, ela teve contato direto com os dementadores.
pegou o pedaço de chocolate da mão de Harry e mordiscou.
— Obrigada. — agradeceu sem deixar de demonstrar sua curiosidade em saber quem eram aquelas outras duas pessoas, ou melhor, o que todas elas faziam ali. — Eu sou Eileen Malfoy e vocês seriam?
Harry mordeu o lábio com a reação dos bruxos ao ouvirem o sobrenome da garota. Harry havia omitido quem era e mencionado apenas que precisavam buscá-la antes de irem. Até o momento, sabiam apenas que uma colega de Hogwarts estava se recuperando ali.
Soube que agira certo quando percebeu que Olho-tonto Moody observava , desconfiado, apertando os olhos díspares.
— A filha prodígio de Severo e Katrina? — Moody perguntou e Harry viu tanto Tonks quanto Lupin se surpreenderem ao concordar de cabeça da garota.
— Bem, não há dúvidas, não é? Ele é a cara da Katrina. — Lupin começou a analisar a garota. — Exceto pelos olhos. Os olhos são os mesmo que o do ranhoso.
gargalhou.
— Você é um maroto. — falou com desdém e Harry avermelhou-se ao lembrar da última vez que teve contato com um dos marotos. — E se meu pai me informou bem, deve ser o licantropo, correto? — correu seus olhos para as cicatrizes e aparência cansada de Lupin, voltando seu olhar para Harry. — Pensei que sua decadência se limitava apenas no pulguento do Black. Pelo menos esse aqui, me parece ser mais suportável.
— Harry, como ela sabe de Sírius? — Lupin perguntou demonstrando surpresa e evitando o comportamento da garota, mas antes que Harry pudesse responder, interrompeu.
— Se está deduzindo que somos amigos do tipo que um conta segredos para o outro, está deduzindo errado. Não somos amigos. — ao ouvir as palavras proferidas pela Malfoy, Harry franziu o cenho. Não era como se esperasse algum apreço de , ainda mais após a noite da morte de Cedrico. Mas ainda assim, as palavras o alfinetaram em cheio e instantemente ele se lembrou do olhar da garota, assim como de seu desespero. Ela não estava errada em não considerá-lo um amigo, na verdade, se ela nunca mais quisesse falar com ele, Harry entenderia, afinal, não conseguiu salvar Diggory. — O garoto aqui manteve o bico fechado. Na verdade, conheci o Sirius de uma forma nada convencional. Tivemos um encontro nada amigável no ano passado, quando ele me acusou de ter roubado o vestido que ganhei da minha madrinha. — rolou os olhos e se voltou para Harry. — Ah, Harry, a propósito, parece que sou tão da família quanto imaginamos, já que sua mãe é minha é minha misteriosa madrinha. Você sabia?
Harry congelou. Do que raios estava falando? Sua mãe era sua madrinha? Como era possível?
— Acho que os dementadores a pegaram de vez. — Harry respondeu. — Está delirando.
— Receio que não, Harry. — a voz de Lupin irrompeu. — Há uma vaga lembrança em minha cabeça de ouvir Lily e James discutindo sobre isso um certo dia.
O coração do garoto deu um salto. Agora Harry se encontrava tão tonto quanto .
— Admirável, não é? — provocou. — Bem, era isso que eu vinha conversar com você — mentiu. Harry a encarou e apesar de estar confuso com a descoberta repentina, ele soube o que o olhar da garota significava. Não queria que soubessem sobre Diggory. — Mas, bem, o sangue-sugas apareceram, não é?
— Isso é certamente insano, . Quero dizer, foi por isso que naquela noite, Sirius a confundiu com a minha mãe, você realmente estava usando o vestido dela. Mas como isso é possível?
— Eu também não sei, Harry. Meu pai teve a brilhante ideia de me poupar os detalhes. — respondeu dando de ombros. — Aliás, vejo que a minha esperança de que você soubesse mais sobre isso, está perdida também, não é?
, fui pego de surpresa tanto quanto você — Harry respondeu com sinceridade.
— Tanto faz, Harry. Só espero que não pense que devo algo a você por isso. — estava irritada com os olhares sobre si e mais irritada ainda por ter que tocar naquele assunto em específico para se livrar de outro.
— Eu não disse isso. — Harry retrucou. — Quem sabe devesse ter deixado você em naquele túnel gelado ao invés de tê-la trago pra casa e para a minha cama.
— Está falando daquele desconforto ali? — provocou apontado para cama de Harry. — Francamente Potter, é por isso que você anda todo desengonçado por Hogwarts. Até minha cama em Durmstrang era mais confortável do que essa.
— Perdoe-me se nem todos nasceram com o privilégio de morar em uma mansão, Malfoy.
— Cof cof — Moody fez-se presente. — Desculpem interromper o momento casal aí, mas acho que não temos muito tempo para isso, certo?
— Tempo para o que? — retrucou.
— Precisamos ir com eles, . — Harry respondeu e a Malfoy franziu o cenho.
— Obrigada, Harry, mas dispenso ir em qualquer lugar com pessoas que mal conheço — falou séria. Não temia por sua vida, tão pouco achava que aqueles bruxos a levariam para algum lugar perigoso, ainda assim, não era nem de longe ingênua e sabia que eles também não eram. Se ficasse muito tempo a mercê deles, desconfiariam de algo e logo tomariam ciência de sua real identidade: a de uma comensal da morte. — Além disso, Draco deve estar enlouquecendo meu pai e meu tio com o meu sumiço.
— Ainda assim, precisamos de você. — Lupin irrompeu.
— Devo perguntar por quê? — ironizou.
— Harry está sendo julgado por executar o feitiço do patrono. Foi expulso de Hogwarts. — agora foi a vez da bruxa de cabelos coloridos falar.
— Isso é ridículo. — enfureceu-se e Harry segurou a mão que continha sua varinha. Conhecia o temperamento da garota. — O que raios estavam pensando quando ordenaram isso? Harry nos salvou e tenho certeza que aquele gorducho simpático não aguentaria por tanto tempo se ele não tivesse feito!
exclamou incrédula e todos a olharam.
— Você está certa e é isso que queremos provar no ministério. — Moody respondeu. — Por esse motivo precisamos que venha conosco.
— Eu posso me comprometer em aparecer no Ministério. Mas eu preciso de verdade ir para casa agora. — respondeu tirando pela primeira vez, os braços de Harry em sua cintura. Não sabia como não havia se sentido desconfortável até aquele momento. — Harry, você sabe onde está minha varinha?
Como se alguma lembrança ruim tornasse a voltar na cabeça de Harry, ele coçou sua nuca e pôs a mão dentro do bolso da calça, recolhendo um objeto partido. arregalou quando reconheceu o que era.
, eu sinto muito. Acho que você deixou cair quando estávamos fugindo e pisou nela enquanto o dementador a pegava... — Harry explicou e o rosto de se contorceu como se ela houvesse comido algo azedo ou escolhido um feijãozinho com sabor de cera de ouvido.
— Que grandíssima merda. — foi apenas o que conseguiu responder. Aquela varinha não tinha uma utilidade tão grandiosa para a garota, na verdade, havia muito mais valor sentimental nela, afinal, era a varinha de sua mãe. — Parece que terei que ir até Wiltshire com os meios convencionais dos trouxas.
— Está maluca? — Harry disparou. — Você mal se recuperou, . Não pode estar pensando em sair por ai sozinha!
— Tudo bem, Harry. Eu posso levá-la até a mansão — Tonks respondeu e recebeu uma olhada surpresa de todos. Menos de , seu olhar demonstrava desconfiança. — Você já aparatou alguma vez?
— Mais do que imagina. — respondeu. — Podemos ir?
— Agora mesmo. — Tonks respondeu segurando o braço de . A Malfoy deu uma última olhada para Harry ao qual ele tinha certeza que dizia muitas coisas. — Vejo vocês em breve.
Dito isso, as duas desaparatam, deixando o restante de bruxos no quarto, certamente confusos.

ϟϟϟ


Apesar de terem parado ao portão de entrada, tinha certeza que o estalo poderia ser facilmente ouvido por alguém que estivesse dentro da mansão.
— Obrigada. — agradeceu a bruxa de cabelos coloridos enquanto ajeitava suas vestes. Ficou pensando por alguns segundos se teria problemas com a garota ali, mas agradeceu com a viu se ajeitar para ir embora e então, sem muitas palavras de despedida, começou a marchar até o portão.
— Sabe — a voz de Tonks irrompeu fazendo parar os passos e olhar para trás. — Apesar do que você falou mais cedo, sobre Harry e você não serem amigos... — ela começou e franziu o cenho. — Tive a impressão de que são mais parecidos do que pensam. Me parecem ser próximos e creio que um tem um grande apreço pelo outro, não é?
mordeu o lábio e apesar de saber que aquele pensamento era insano, algo na maneira convicta que a outra bruxa falava, a deixou desconfortável e odiava se sentir na defensiva;
— É apenas uma impressão. — respondeu e Tonks balançou a cabeça rindo. Algo na jovem Malfoy lembrava de si mesma. — Até mais.
A Malfoy sorriu e recebeu um aceno de cabeça em troca. Após ver Tonks desaparatar, adentrou a mansão que estava mais silenciosa do que o momento em que ela a havia deixado. Ela subiu as escadas se sentindo exausta e foi direto de encontro ao seu quarto e não se surpreendeu ao encontrá-lo intacto e com as janelas já concertadas.
Aquilo não havia nem de longe a surpreendido, tão pouco a pessoa presente em seu quarto.
— Fez um grande estrago nesse quarto, minha criança. — a voz que não havia perdido o aspecto sibilante vinha de Voldemort, que estava parado frente à janela olhando para os jardins do lado de fora.
não se sentiu amedrontada, na verdade, ultimamente a única coisa que a garota sentia era raiva crescer dentro de si e nem mesmo lorde das trevas escapava disso.
— Não tive a intenção — ela respondeu sem muito ânimo e se direcionou a sua cama, sentando-se na ponta desta, de frente para Voldemort. — Onde estão todos?
— Alguns em reunião e outros estão executando minhas ordens — Voldemort sorriu. — deveria aprender um pouco com eles.
sorriu irônica.
— É, eu deveria, mas descumpri-las me parece mais atrativo — falou com sinceridade e Voldemort gargalhou.
— Suponho que esse pensamento foi o motivo pelo qual saiu de sua casa sem avisar ninguém onde iria, estou certo? — concordou com a cabeça sem muito gosto. — De fato, surpreendente e um tanto quanto insolente, criança. Apenas me diga, quem lhe autorizou a ir até Harry Potter para perguntar sobre o garoto Diggory?
A forma como lorde das trevas se referia a Cedrico, a deixa irritada e ela tinha certeza que aquilo era proposital, só não sabia o motivo daquilo.
— Ninguém. E isso não faz diferença, não é mesmo? — provocou e viu lorde das trevas fixar seu olhar nela, como se esperasse algo a mais e de fato, ela tinha. — Eu posso fazer perguntas a quem eu quiser quando o que me dizem, são coisas sem sentido. — rebateu. — Não sou mais nenhuma criança, milorde.
— Receio que rabicho já tenha lhe explicou o que aconteceu de fato naquela noite, não é? — Voldemort questionou e voltou a se recordar das palavras do pettigrew, dizendo que por interferência de Harry, Diggory foi acertado por o que era para ser, uma maldição da morte lançada para Potter.
No início, escolheu acreditar naquilo.
Um pouco dessa escolha estava voltado a lembrança de ver Harry vivo sobre o corpo imóvel de Cedrico. Odiar Harry por ter salvo Cedrico, assim como culpá-lo, era muito mais fácil do que ir contra Voldemort ou culpar a si mesma por não ter sido forte o suficiente para salvá-lo. Mas, no fim das contas, com o passar do tempo e a falta de diálogo sobre aquilo, fez se questionar até que ponto havia veracidade naquele fato.
— Que seja. — respondeu com raiva. — Isso ainda não muda o fato de eu ter minhas dúvidas acerca de Rabicho e tudo o que ele fala.
— Criança, vê-la duvidar de seus colegas, me faz lembrar cada vez mais...
— Eu sei e não precisa continuar. Você não é a primeira pessoa que diz isso hoje, digo, que eu lembro minha mãe.
— Não me referia a Katrina. Na verdade, estava referindo-me a mim mesmo — franziu o cenho. O que era aquilo agora?— Sempre incapaz de seguir as regras que me eram impostas. Sempre em busca de minhas próprias respostas para tudo. — o sorriso que se formou no rosto de Voldemort fez sentir um arrepio lhe subir a espinha, como um presságio de que algo ruim estava por vir — Crucio. — e foi com aquele feitiço que ele se direcionou a jovem Malfoy. A dor se espalhando por todo o corpo de uma única vez a fez gemer em dor — Porém, deve se lembrar que eu sou não sou tão paciente quanto meus professores, e que não vou apenas te dizer que não pode fazer algo. — ele se aproximou devagar enquanto os gemidos de preenchiam o espaço — Se Rabicho lhe disse as circunstâncias acerca da morte do jovem lufano, é porque eu mandei que o fizesse. A história que lhe foi contada é a história que precisa saber e ponto final. Por acaso está duvidando de seu milorde, ? — a garota rangeu os dentes olhando o lorde das trevas com o que poderia ser descrito apenas como raiva. Uma raiva que ela controlava, porque sabia que não deveria questioná-lo. Não devia duvidar dele. A palavra de Voldemort era a que valia. Mas então porque não conseguia apenas acreditar nele? — Eu já te dei muitos avisos, criança. Mais do que a qualquer outro. E minha paciência está se esgotando. — os olhos fixos aos dela passavam exatamente o que era dito. Impaciência. Mas também havia mais algo ali. Receio. Receio que não estava desacostumada a ver nos olhos dele quando a torturava.
A varinha de Voldemort foi guardada ao passo que sentia seu corpo livre da dor que a pouco minutos parecia prestes a engolir a garota por inteiro. Mal conseguiu manter o corpo sobre as próprias pernas, cedendo a ir de encontro ao chão, apoiada sobre as próprias mãos enquanto puxava o ar com força tentando fazer com que os resquícios de dor se esvaissem. Sem sucesso.
— Sou um milorde misericordioso com quem merece, . — as palavras eram soltas até com um resquício de deboche e apenas sentiu seu peito se encher em ira.
Pensou em Cedrico. Em como o garoto gentil sorria ou parecia sempre disposto a ajudar. Em como sem questionar entregou sua lealdade a . Como foi leal a ela até o fim. Em como não conseguiu salvá-lo de um fim ao qual ele não merecia. Um fim injusto.
Misericórdia era uma palavra que não definia Voldemort, ela sabia. E foi com aquela certeza que percebeu.
Durante o período de tempo que esteve na presença do lorde das trevas viu servos serem mortos por muito menos. Comensais eram executados a mando dele por pequenos questionamentos. Eram torturados por apenas terem receio em seus olhares. Trouxas foram mortos ou torturados apenas por escutarem o que não deviam. Bruxos eram mortos por estarem no lugar errado e na hora errada. Então, se por tão pouco outros pagavam com suas vidas, porque com ela era diferente? Porque era sempre poupada por sua insolência e desobediencia?
Por que sempre que era castigada por Voldemort, havia resquícios de um receio sem explicações em seu olhar?
Voldemort não era misericordioso, quem dirá tinha algum apego emocional a ela. Não. Voldemort apenas protegia seus próprios interesses. E , assim como todos os outros que o serviam sabia bem, que ela era a mais protegida entre seus servos. Então, como se uma venda lhe fosse tirada ela percebeu com clareza.
Uma risada amarga nasceu e preencheu o cômodo, tomando a atenção de Voldemort, que a encarou apenas para vê-la ainda ao chão tomando forças para se colocar de pé. As pernas tremiam, mas isso não impediu de se apoiar a parede antes de encarar o bruxo das trevas à sua frente.
— O que há de tão engraçado, jovem Malfoy? — o lorde das trevas a questionou com o mesmo olhar impassível que sempre tinha. Morto.
— Você não vai me matar. — ela fazia questão de manter o sorriso sem humor nos lábios — Não vai, porque você precisa de mim. — o olhar de Voldemort vacilou por um instante. Um milésimo de segundo que podia muito bem passar despercebido. Mas não passou, não para ela.
Por minutos ambos apenas se mantiveram parados no cômodo, um a frente do outro. A respiração de dificultosa. Voldemort impassível como sempre era. Ali tudo parecia a ponto de uma explosão. Como se o tic tac de uma bomba soasse anunciando que a contagem estava próxima a um fim.
Quando o primeiro passo do lorde das trevas foi dado, apertou as mãos em punhos, cravando as unhas nas próprias palmas. Não tinha uma varinha. Não tinha como iniciar um duelo. E de que adiantaria? Ele a venceria, ela sabia. Podia ser habilidosa, mas não subestimava o bruxo a sua frente.
— Precisa se lembrar, . — foram as primeiras palavras que cortaram o ar como uma navalha bem afiada — Amor é uma fraqueza. Uma fraqueza a qual eu não tenho, mas você sim. — o corpo pálido parou em frente a garota, a olhando de cima, com superioridade no olhar — Seu pai, seus tios, o jovem senhor Krum, Draco. Até mesmo sua estúpida coruja. Todos seus pontos de fraqueza. — engoliu em seco e aquilo foi para Voldemort o que precisava: a certeza que a havia atingido — Existem muito mais formas de se torturar alguém do que já te ensinei, . Formas muito mais dolorosas. — um sorriso sádico tomou forma em seu rosto e apertou ainda mais suas mãos — Espero que eu não seja questionado outra vez. — e dizendo aquilo foi que Voldemort a deixou.
Agora sozinha respirou fundo algumas vezes para controlar a onda de sentimentos que a dominavam por inteiro. Raiva, medo, receio, alivio e curiosidade. Dentre todas elas a que mais lhe tomava espaço era a última. Porque agora sabia que sim, Voldemort precisava dela. Mas por quê?

Ϟϟϟ


Já faziam trinta minutos que ocupava o balcão da frente da Olivaras. A frente dela, caixas e mais caixas de varinha se encontravam, deixando clara a tentativa frustrada de encontrar uma nova varinha para si.
Senhor Olivaras era atencioso em procurar com cuidado entre suas caixas por uma varinha que atendesse a jovem Malfoy. Porém nem mesmo os anos de conhecimento do especialista pareciam suficientes naquele momento.
— Aqui, tente essa, senhorita. — uma nova caixa estava aberta. Ali uma varinha se encontrava — Madeira de Acácia com núcleo de coração de dragão, doze centímetros e meio, e bastante flexível. — explicou e a tomou em mãos. Balançou a mesma apenas para ver um feixe de luz a deixar de modo descontrolado batendo por todos os cantos da loja quase atingindo o senhor Olivaras em cheio.
— Desculpe. — pediu devolvendo a varinha a caixa e suspirando em frustração — Senhor Olivaras, acho que vou para casa e volto outro dia. Meu humor não está muito bom ultimamente e deve ser isso. — inventou uma desculpa qualquer porque estava frustrada e cansada de tanto procurar por uma nova varinha.
— Tudo bem, senhorita Malfoy. Caso encontre algo que ache que pode servir para você, mando uma coruja informando, sim? — sorriu agradecida. O homem realmente havia tentado ajudá-la.
— Obrigada, senhor. Tenha um bom dia. — e acenando foi que deixou a loja. Observou o beco que naquele dia parecia muito menos movimentado e decidida seguiu em direção a uma loja antiga de livros. Queria encontrar algo novo para ler e distrair a cabeça.
Porém, antes de alcançar a porta sentiu alguém puxar seu casaco e se virou apenas para encontrar um garotinho. Estava todo sujo e com roupas velhas, apesar disso ele sorria. Não devia ter mais que dez anos e os olhos eram grandes e curiosos.
— Pois não? — questionou no tom mais gentil que conseguia e o menino tirou do bolso um pergaminho.
— Você é Mal-foy? — as palavras deixavam sua boca com certa dificuldade e sorriu um pouco.
— Sim. — o menino estendeu o pergaminho a ela.
— Um moço pediu para te entregar. — franziu o cenho encarando o papel e então ao seu redor em busca de alguém que os observasse, mas não encontrou ninguém.
— Quem? — ela questionou já pegando o papel e ele apenas deu de ombros, indicando que não diria. Antes de abrir o papel, enfiou as mãos no bolsos pegando dali alguns galeos e o estendendo para o garoto — Toma. Compre algo para comer. — o menino arregalou os olhos para a moeda brilhante e sorriu para .
— Obrigado. — a sem esperar por resposta ele correu, deixando sozinha a porta da loja.
Ali ela abriu o papel e encontrou uma caligrafia relaxada, quase ilegível.

Me encontre na travessa do tranco. No número 3109.
— M.A.
— M.A.? — sussurrou para si mesma olhando de novo ao seu redor sem notar ninguém que parecia lhe dar atenção por ali. Por algum tempo pensou em quem pudesse ser. Vasculhou sua mente em busca de quem poderia assinar com aquelas iniciais e apenas um nome lhe veio a mente. Mas não poderia ser, afinal, estava longe dali. Muito longe. Mas então, quem mais seria?
Se entregando por completo a curiosidade ela deixou a loja de livros e seguiu o caminho até a travessa já conhecida. Conforme andava notava alguns bruxos mal encarados a observando, mas pouco se importava.
Quando parou em frente ao número indicado observou por um momento a porta de madeira escura e velha. Acima, percebeu haver uma janela que estava fechada por pedaços de madeira pregados de maneira irregular.
Era idiotice de sua parte bater ali, sem qualquer forma de se proteger, porém acreditava que pudesse ser realmente ele. E com aquela crença foi que bateu a porta deixando que o barulho ecoasse por todo o canto.
Não demorou a escutar passos dentro da construção para então ouvir o ranger da porta se abrir.
Apesar da pouca luz reconheceu o homem a sua frente e um sorriso se formou em seus lábios.
— Gostei do corte de cabelo, jovem Eileen — não podia acreditar em quem via, afinal, já fazia tanto tempo e por um instante, a Malfoy chegou a duvidar se o que estava vendo era uma real ou não.
— Professor Max — a garota venceu os passos entre eles e abraçou Maximillian Axel. Já fazia mais de um ano em que não o via e estar em sua presença, na presença de alguém que lhe acompanhou e protegeu durante três anos, fez o dia da garota melhorar — O que faz aqui?
— Cumprindo a promessa de protegê-la, não é óbvio? — ele respondeu quando desfizeram o abraço — Venha, entre. Tenho algo para você. — ele abriu espaço e adentrou o local pouco iluminado.
— Para mim? — esperou que ele indicasse o caminho e assim o fez. Subiram por uma escada até o andar de cima que era melhor iluminado. Ali havia uma mesa e alguns poucos móveis. Como se tivesse acabado de chegar ali — Não deveria estar em Durmstrang, professor? — Max sorriu.
— Eu estava. Porém meu tempo por lá se esgotou. — ele encarou brevemente, antes de seguir para o canto do cômodo para mexer em uma bolsa por alguns instantes antes de voltar e tomar um lugar a mesa indicando o outro a que a tomou — Você-sabe-quem está de volta. Sei que sabe disso. — franziu o cenho confusa.
— Sim, mas como você sabe? Até onde sei, essa não é uma informação divulgada. — Maximilliam sorriu deixando a pequena caixa em sua mão sob a mesa.
— Creio que meu meio de comunicação seja o mesmo que o seu, senhorita Eileen. — e declarando aquilo ele ergueu a manga de sua camisa mostrando no braço a marca negra já conhecida por . Porém a surpresa não deixou de se fazer presente, já que não era de conhecimento de que seu professor era um comensal.
— Você?... Mas… — sequer conseguiu completar a frase, já que estava realmente surpresa com a nova informação.
— Anos atrás, antes de você nascer eu lutei pelo lorde das trevas ao lado de seus pais. — iniciou — Snape sempre foi mais quieto, porém Katrina tinha mais facilidade em socializar. Acabamos indo em algumas missões juntos. Os três. — ele sorriu de modo nostálgico como quem tem uma lembrança — Em uma dessas missões seu pai acabou por salvar a minha vida e eu fiquei em dívida. — sorriu brevemente sentindo uma ponta de orgulho em seu peito.
— Ele te pediu para cuidar de mim em Durmstrang? — Maximilliam negou com a cabeça.
— Não. Seu pai nunca me pediu para pagar a dívida, na verdade. Porém quando você chegou, não precisei de muito para saber que era filha dele. Os olhos de Severo são bem característico e você os herdou por inteiro. — sorriu desviando o olhar para as próprias mãos — De todo modo me comprometi a cuidar da filha daquele que salvou minha vida. Só não esperava que Katrina e Snape tivesse gerado uma jovem bruxa tão cativante. — riu.
— Está dizendo isso para alguém que quase explodiu sua sala professor. — o mais velho riu de forma audível.
— Ah, eu sei bem. Me lembro com clareza do dia em questão. Você e o senhor Krum viviam aprontando juntos. — no mesmo instante sentiu uma pontada no peito. Sentia saudade de Krum. Da última vez que se viram ele estava deixando Hogwarts e sequer se lembrava do que havia feito a ele no labirinto.
— O que tem na caixa? — ela questionou observando o objeto e Axel sorriu.
— Um presente para você. — ele empurrou sobre a mesa a caixa de madeira onde runas antigas demais se encontravam.
Desenhos de cobras adornavam os cantos do objeto, junto a detalhes em verde e prateado. As cores de sua casa em Hogwarts. Por um momento sentiu um arrepio percorrer sua espinha antes de remover a tampa da mesma.
Ali dentro uma varinha se encontrava. Era de uma madeira escura e uma pequena cobra se enroscava em sua base. por um momento escutou como o sibilo de uma cobra e olhou ao redor em busca de alguma sem encontrar. Voltou seu olhar para a varinha concentrada no objeto.
— A madeira é um tipo desconhecido de colubrina, o núcleo é de fragmentos do chifre de basilisco, o cumprimento deve ser perfeito para que possa guardá-la em suas vestes de Hogwarts e está desativada até o momento, mas sua ofidioglossia deve resolver isso com facilidade. — Maximilliam explicou mesmo que não o olhasse. A varinha era linda e parecia de algum modo chamar por .
— De quem é essa varinha? — dessa vez ela encarou o professor que sorriu.
— Agora, é sua. — franziu o cenho.
— Minha? Como sabe que preciso de uma varinha?
— Eu tenho meus meios, jovem Eileen. — foi tudo que ele disse.
Os olhos de voltaram a varinha e por alguns instantes ela apenas observou os detalhes da mesma. Nunca havia visto nada como aquilo antes. Estava conservada, mas parecia antiga.
— Ela teve outro dono antes de mim. — anunciou sem ter qualquer dúvida e encarou Maximilliam.
— Como sempre muito inteligente. — o sorriso do professor era orgulhoso.
— De quem ela era, professor?
sabia que havia algo sobre o passado da varinha que tinha em mãos. Não era como as tantas que havia pego em seus mãos na loja do senhor Olivaras. Aquela parecia fazer parte dela de algum modo. De forma que nem sua antiga varinha pareceu fazer.
— Essa á uma varinha especial e creio que não é a primeira vez que você a vê. — Maximilliam se inclinou sobre a mesa, como quem está prestes a contar um segredo — Ela pertenceu a um grande bruxo. Essa é a varinha de Salazar Sonserina.


Capítulo III — Um julgamento e a volta a Hogwarts

encarava o pedaço de madeira em suas mãos com certa admiração. Já havia observado cada mínimo detalhe da peça, ao ponto até de conhecer cada arranhão ou gastura na madeira lustrosa.
Não era como uma novidade para si, Maximillian estava certo e recordava-se perfeitamente do dia em que a encontrou numa certa sala de Durmstrang, no seu último ano na escola.

Flashback on

“Após proferir a palavra, um estrondoso barulho de algo muito pesado se movendo tomou conta de todo o recinto e, em imediatos segundos, a porta, antes selada, abriu-se. conseguiu apenas visualizar o brilho que emanava da sala secreta antes de ser puxada pelas vestes pelo dragão a ordens do Krum.
— O que foi? Não é só você que sabe abrir portas — debochou, porém ao encarar o amigo, notou a expressão surpresa que não deixou o rosto de Viktor nem por um momento e por isso ela franziu o cenho. Aquilo não parecia parte da despedida de Krum — O que foi? — Dessa vez o questionamento veio com certa seriedade.
— Eileen… — Krum começou, fazendo uma nova pausa ao encarar a porta que agora se encontrava aberta. — Desde quando você faz isso? — Dessa vez os olhos do búlgaro estavam sobre a jovem Malfoy.
— Isso o quê? — A confusão de fazia parecer que ela sequer havia notado. E de fato não havia.
— Eileen, você… — Houve uma nova pausa. Viktor nunca havia conhecido alguém como ela, nem achou que conheceria algum dia. — Você fala a língua das cobras.

Flashback off


Muito diferente do que todos achavam, a varinha de Salazar Slytherin não estava mais enterrada em Ilvermorny. Na verdade, graças a um acordo entre os diretores para proteção do objeto, partiram-na em pedaços e seus fragmentos foram escondidos em Durmstrang décadas atrás, por detrás de uma grande porta de quartzo escuro, a qual a jovem Malfoy abriu com uma habilidade até então desconhecida por ela: a ofidioglossia.
No dia em que encontrou os fragmentos da varinha, se descobriu capaz de falar com as cobras e apesar de tê-la encontrado, foi pega, junto a Krum, pelos professores antes que pudesse admirá-la por muito mais tempo e, a partir daquele dia, Maximilian Axel, o subdiretor do Instituto e professor de alquimia, soube que um dia a garota precisaria usá-la. E com a ajuda de Alaric, o professor de artes das trevas do instituto, tornaram a decisão difícil preparar a varinha para a garota.
Vez ou outra, o sibilar de uma cobra era escutado e , agora que sabia quem era o antigo dono da peça, tinha certeza de que era dali que vinha. Ainda não havia tido coragem de ativar a varinha — sequer sabia ser possível — então se limitava a encará-la.
Ela pertence a você, .
Foram as exatas palavras de Max quando questionado sobre a razão para a estar entregando a Eileen. Porém, mesmo horas depois, já em seu quarto na mansão Malfoy, não compreendia a razão pela qual a varinha lhe pertencia.
A noite recaiu sobre a mansão tão rápido quanto se foi e, naquela noite, apesar dos pesadelos que ainda tinha com Cedrico clamando por um socorro que não podia lhe proporcionar, ela sentiu o corpo descansado — mesmo com a mente em puro caos.
Entretanto, não foi de modo natural que acordou. Sentiu um toque suave em seu braço, e como nos últimos tempos acordava com facilidade, abriu os olhos apenas para encontrar seu pai.
Snape tinha um daqueles sorrisos mínimos nos lábios, quase sempre imperceptíveis, e apesar de toda a sua brusquidão e grosseria rotineiras, naquele momento ele estava tranquilo. Com a filha era como se fosse outra pessoa. Uma pessoa que não podia ser cercada por alunos, professores e comensais da morte, mas que na presença da jovem garota se permitia ser, mesmo que por breves momentos.
era um refúgio para Snape. Uma espécie de lugar seguro onde não era nada além do pai de uma jovem bruxa inteligente demais para a sua idade.
— Desculpe, não queria te acordar. — A voz, apesar de grave, era baixa e suave.
— Está aí há muito tempo? — questionou pouco antes de se esticar, estalando o corpo e bocejando.
— Não tanto. — Foi a resposta limitada que ele deu. Os olhos do homem se atentaram então ao início de uma marca em tinta preta na pele da garota. Suspirou alto, desviando o olhar dali. Aquela não era a vida que havia imaginado para a filha.
— Eu gostaria muito de entender por que não aprova minha decisão de seguir os seus passos e da mamãe — , que notou o olhar do homem, comentou. — Mas eu sei que não vai me dizer. Sou sua filha há tempo suficiente para entender que existem coisas que nunca vou saber por intermédio de Severo Snape. — De maneira amarga, ele sorriu.
— Existe muito que ainda não posso te contar, Eileen. Mas um dia, quem sabe. — Apesar de aquilo a irritar profundamente, se limitou a sorrir, porque algo lhe dizia que havia razões para que ele não lhe dissesse.
— Por que estava aqui? — questionou sem dar muito mais atenção às respostas esquivas do pai.
— As reuniões desta manhã acabaram e eu apenas passei antes de precisar ir — justificou. — Tenho algumas coisas de Hogwarts a resolver hoje e queria saber se tudo estava bem. Você deixou um grande estrago por aqui antes de sumir atrás do Potter. — franziu o cenho, prestes a perguntar como ele sabia. — Você é minha filha, . Existe muito que eu sei, apesar de haver muito mais que eu não saiba. — Estava prestes a fazer uma piada, quando se lembrou de repente de algo.
Havia se comprometido a aparecer no julgamento de Harry, e Tonks — era esse o nome dela? — havia lhe dito que seria naquele dia. precisava ir ao ministério, afinal, havia dado sua palavra.
— Preciso ir ao ministério — anunciou, se colocando de pé então.
— Ao ministério? Por quê? — Snape não se moveu, esperava uma resposta.
— Eu e Potter fomos atacados por dementadores. Ele usou o feitiço do patrono na presença de um trouxa e eu prometi que compareceria para testemunhar — explicou depressa, já procurando por algo que pudesse vestir.
— Potter salvou você? — Snape parecia desacreditado.
— Sim. A mim e ao primo dele. Buba. Guga…
— Duda — Snape respondeu e o encarou curiosa.
— Isso. Como sabe? — Snape suspirou e esperou por alguma resposta que não poderia ter, porém surpreendentemente uma veio.
— A mãe dele, Petúnia, era irmã de Lilian. — arregalou os olhos, verdadeiramente surpresa.
— Os trouxas antipáticos eram parentes da minha madrinha? Puxa, não tinha um pessoal melhor para escolher não, Severo? — Snape riu sem muito humor e, se colocando de pé, foi que respondeu com o tom cheio de uma nostalgia dolorosa:
Ela era diferente. não deixou de notar o olhar longínquo do pai e como sempre que ele falava de Lilian o sofrimento parecia tomá-lo por inteiro. — Vou deixar que se vista. Seu tio sairá em breve para ir ao ministério, se apresse e vá com ele. Despistá-lo para ir ao julgamento não será um problema para você. — sorriu convencida. — Até mais, criança. — E assim se despediu.
— Até, Severo. — viu o pai rir antes de deixar o quarto.
Por que ele parece sofrer tanto sempre que fala de Lílian Potter?
Foi a pergunta que martelou em sua mente. Uma pergunta que teria de esperar para ter respostas, porque, por hora, tinha compromissos mais importantes. Como salvar a pele de Potter.


ϟϟϟ


seguia o tio pelos corredores do ministério. Lucio, como sempre, tinha sua postura superior presente, o que fazia com que algumas pessoas o cumprimentassem com certo receio em suas vozes.
A jovem Malfoy não sabia ao certo o que faziam ali, mas, pelo que havia entendido, estava relacionado à fuga de Bellatrix. Voldemort sabia da influência do Malfoy mais velho e do poder de persuasão dele, então era de se esperar que se havia algo a ser resolvido com o ministro, fosse ele o enviado.
— Ainda não compreendi a sua urgência em me acompanhar. — Enquanto caminhavam por um longo corredor de paredes escuras, foi que Lúcio outra vez deu voz à sua dúvida.
— Já disse. Não queria ficar em casa e como meu pai não podia me levar com ele, resolvi vir com você — a resposta veio em tom de tédio, típico de .
— Poderia ter saído para um passeio com Draco — o tio sugeriu.
— Sabe muito bem que eu e Draco estamos distantes no momento.
— E por qual motivo? — revirou os olhos sozinha.
— Ele faz perguntas demais. E eu odeio que fiquem me perguntando coisas demais. — Lucio parou por um instante, encarando a menina e riu ao notar que aquilo se aplicava a ele.
— Certo. Compreendi. — notou que haviam parado diante de uma porta então. — Vai querer entrar comigo para falar com o ministro? — Ela encarou a porta com certo desdém e então ao tio.
— E me submeter a bajulações estúpidas de um homem que não sabe cumprir com seus deveres políticos? Não, obrigada. — Lucio riu um pouco sozinho. Por Merlim, ela era realmente como Katrina. — Vou andar por aí. Ver o que ocupa esse pessoal. — Era uma mentirosa convincente, de fato.
— Tudo bem. Nos encontramos no saguão principal em uma hora, sim? — Ela apenas assentiu e esperou que Lúcio abrisse a porta e adentrasse a sala do ministro para então se virar e seguir seu caminho.
Descobrir onde seria o julgamento de Potter não seria uma missão simples, afinal, não era como se cedessem esse tipo de informação a qualquer um, mas sabia que poderia descobrir aquilo por si mesma. Estava no andar do “departamento de mistérios" como a voz irritante do elevador informara mais cedo e se tivesse um pouco mais de sorte, todos os outros andares seriam informados, mas antes, ela teria que saber por onde começar.
Depois de analisar com cuidado qual seria o melhor caminho, acabou decidindo retornar ao saguão principal e estava parada em frente ao elevador, quando duas pessoas se aproximaram. reconheceu de imediato o cabelo escuro bagunçado e os óculos redondos tortos no rosto do rapaz, que acompanhava um homem ruivo bem mais velho que ela.
? — Harry estava surpreso em ver a jovem Malfoy ali. Surpreso e um pouco nervoso. Porque, diferente de si, Malfoy parecia completamente confortável naquele lugar, como se ninguém ali a intimidasse.
E era claro que não intimidavam, ela não seria julgada em poucos minutos. Mas o que fazia ali, afinal?
— Potter — cumprimentou, tentando parecer indiferente com a presença do rapaz. — E esse é o Sr. Weasley, certo? — Encarou o homem ruivo que sorriu.
— Senhorita Malfoy, como vai? — cumprimentou.
— Muito bem, obrigada — a garota respondeu de forma rápida, pois, lá no fundo, a ansiedade estava quase falando mais alto e achava que quanto antes chegassem ao julgamento, mais rápido pagaria a dívida com Potter. — O que faz aqui, Potter? — fingiu não saber.
— É… Hoje… Bem… — Não conseguiu prosseguir e a garota pôde jurar que nunca havia visto Potter tão intimidado, nem mesmo quando ficou cara a cara com um dragão no ano passado.
— Temos que ir, Harry, o julgamento vai começar — Arthur alertou e, de certo modo, respondeu a .
— Julgamento? — Sem convite, os acompanhou de volta ao elevador. As portas tornaram-se a fechar com estrondo e o elevador subiu lentamente, mas, ao mesmo tempo, de forma amedrontadora.
— É. Você sabe. Aquela coisa com os dementadores — explicou Potter ainda sem saber ao certo como manter uma conversa com .
Fato era que todos os mistérios acerca da jovem Malfoy pareciam começar a se acumular e, dentre todos eles, o que atormentava Harry era o episódio de com os dementadores. Quando Lupin lhe ensinou sobre as criaturas, nunca havia mencionado que alguém pudesse ter qualquer reação semelhante a de . Ela parecia conhecê-los. Entendê-los. E aquilo ainda permeava os pensamentos de Harry vez ou outra, de forma sorrateira.
Estava ansioso para retornar a Hogwarts, e pela primeira vez, assim como Hermione, passar horas na biblioteca, procurando por respostas.
Mas não sabia se voltaria. Não mais. Tudo dependeria daquele julgamento.
— Posso acompanhar? — pediu como uma criança que pedia por um doce, como se não fosse nada e como se já não estivesse seguindo-os.
— Eu não sei se sua entrada será permitida, mas pode vir conosco — Arthur foi quem respondeu e Harry quis gritar contra aquilo. Sentia que queria encrencá-lo mais do que já estava encrencado.
— Isso não será problema. — E assim, com as portas se fechando, foi que todos souberam que a conversa estava terminada.
O caminho no elevador foi silencioso, sendo interrompido apenas vez ou outra quando um bruxo ou bruxa adentrava ou saía dali. Quando chegaram ao nível dois, desceram e seguiram senhor Weasley pelo corredor repleto de portas. Alguns bruxos tentaram falar com o homem, mas ele apenas repetia que estava com pressa.
— Aonde estamos indo? — questionou a Potter.
— À sala do senhor Weasley. — Foi tudo que Harry respondeu.
— Mas a sua audiência… — e não houve tempo que terminasse, já que a porta no fim do corredor se abriu e ali senhor Weasley adentrou enquanto discutia algo sobre armas de fogo com um homem.
Falavam sem parar sobre um monte de pergaminhos e discutiam sobre artefatos trouxas e Arthur parecia empolgado em falar sobre tudo com Harry, que parecia um amplo conhecedor de objetos trouxas. O ruivo parecia encantado com tudo que Potter dizia e só conseguia pensar que era tudo besteira.
— Ah, crianças, esse é o Perkins — anunciou o senhor Weasley ao avistar um velho bruxo, de postura encurvada, cabelos brancos e parecendo meio tímido.
— Ah, Arthur — o homem estava ofegante e aliviado ao mesmo tempo. — Que bom que está aqui. Acabei de mandar uma coruja para a sua casa. Chegou uma mensagem urgente há dez minutos.
— Já sei do vaso que regurgita. Harry me contou sobre pessoas que consertam, se chamam…
— Não. Não é sobre o vaso. É a audiência de Potter. Mudaram a data e o local. Agora começa às oito e vai ser no velho décimo tribunal…
— Mas me disseram… Pelas barbas de Merlim! Depressa, Harry, vamos! Deveríamos estar lá há cinco minutos! — E assim, como um furacão, senhor Weasley deixou a sala às pressas, com Harry e em seu encalço.
— O senhor não sabia? — questionou.
— Não! Não fazia a menor ideia. Ainda bem que chegamos cedo. Se Harry perdesse essa audiência, seria uma catástrofe.
, em silêncio, se perguntou como havia deixado para avisar a Potter sobre a mudança de sua audiência tão em cima da hora. Se Harry perdesse essa audiência, seria uma catástrofe.
Sob murmúrios do senhor Weasley sobre como aquilo era irresponsável da parte do ministério, foi que seguiram até o local que ficava andares abaixo de onde estavam. observou o Sr. Weasley parar em frente aos botões do elevador e apertou com impaciência o botão de descida.
– ANDA LOGO! — murmurou com tom de ansiedade e desaprovação. E quando o elevador finalmente começou a se movimentar. mordia o lábio inferior de forma tão ansiosa quanto Potter, que parecia mais pálido do que nunca. Afinal, como nas palavras do Sr.Weasley “se Potter perde-se aquela audiência, seria uma catastrofe”.
Desceram do elevador com rapidez e saíram em disparada para o que deduziu ser o décimo andar, já que Sr.Weasley pronunciava diversas coisas sem sentindo naquele momento, quando finalmente entraram por mais um corredor, com paredes de pedra bruta e tochas que lembrava a garota o caminho que levava à masmorra da sonserina.
Arthur parecia procurar de modo incerto por um lugar e apenas parou de modo brusco quando encontrou uma porta escura e encardida.
– Décimo... Tribunal... acho... estamos quase... sim — falou pausadamente, entre a respiração rápida. — Vá, Harry, entre aí depressa. — Apontou e Harry olhou o homem e então a .
— Mas e vocês? — Potter perguntou estranhamente, desejando não sair do lado de .
— Não posso entrar. Não é permitido. Nem a senhorita, Malfoy. — teve os olhos de ambos sobre si e então deu de ombros.
— Não me importo e eu vou entrar mesmo assim. — E sem esperar mais nada foi que abriu a porta, seguindo para dentro com Harry chamando seu nome em um modo de lhe repreender.
esperava encontrar duas ou três pessoas do ministério ali, mas haviam muito mais. Tantas mais que quase a fizeram recuar. Todos os olhos, de bruxos e bruxas, todos velhos demais, foram colocados sobre si, alguns com expressões bem austeras, outras, francamente curiosas.
— Não deveria estar aqui, mocinha — a voz estridente e deveras irritante veio de uma mulher de cabelos curtos e ajeitados em um penteado ridículo.
? — e no meio da multidão, a voz conhecida de Lúcio irrompeu. Mais surpreso do que por vezes se encontrava. — Perdoem a minha sobrinha, ela está perdida e…
— Não estou perdida — interrompeu a fala do tio, que, mesmo longe, pôde notar parecer pedir que ela se calasse. Como se não conhecesse a sobrinha que tinha.
— Senhorita Malfoy, essa é uma audiência e tenho certeza de que a senhorita não tem nada o que fazer aqui. — Pôde notar que as palavras foram proferidas por Fudge. O homem se esforçando mais que o necessário ou aconselhável a ser simpático.
— Tenho… — começou, mas foi interrompida.
— Na verdade, Cornélio… — a voz rouca conhecida se fez presente em todo local e, pouco depois, o corpo magro, de cabelos e barba longos e brancos, parou ao lado da jovem Malfoy. o encarou e um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Dumbledore. Era um sorriso cúmplice, como se ele esperasse que ela estivesse ali — A senhorita Snape foi solicitada por mim a estar aqui hoje. — o velho anunciou e o encarou, querendo protestar, mas não o fez.
— E por que razão, Dumbledore? — a pergunta veio de Fudge, mas a tensão de foi tomada por Harry.
— Que história é essa? — Potter sussurrou próximo ao ouvido de , a fazendo encará-lo mais perto do que Harry esperava. O garoto quase vacilou sob os próprios joelhos ao ter os olhos escuros da jovem Malfoy sobre si. tinha um olhar quase amedrontador, mas não porque causava medo em Harry. Era outra coisa. Outra coisa que ainda não sabia explicar.
, com um sorriso mínimo e ladino nos lábios, apenas deu de ombros, mas sem tirar os olhos de Harry. Havia notado o garoto engolindo em seco, completamente desconcertado sob seu olhar, e não que aquele fosse o momento, mas, para , foi divertido ver Potter daquele modo.
— A senhorita Snape era, na verdade, a única outra bruxa presente no local naquela tarde. Por isso, a convoquei como testemunha dos fatos. — então desviou os olhos de Harry, apenas para olhar Dumbledore, que ainda tinha aquele sorriso nos lábios e assim que a olhou piscou. — Fico feliz em saber que mesmo com a mudança repentina e sem qualquer motivação plausível dessa audiência, tenha conseguido comparecer no horário, senhorita Snape. Caso não conseguisse, Harry estaria em sérios problemas, todos sabemos. Não é ministro? — quis rir, gargalhar na verdade, da cara que o ministro da magia fez ao ser alfinetado por Dumbledore, mas se conteve.
— Vamos começar — foi tudo que Fudge disse. E assim pediu que os três ali de pé tomassem seus lugares. O de Harry, uma cadeira solitária ao centro de todos, Dumbledore, em um assento que parecia reservado para ele e , apenas para sanar a ponta de vontade de provocar, se sentou perto do tio, que ela sabia estar à beira de um ataque de nervos.
— Você tem muito a explicar — Lucio sussurrou e , sem sequer olhá-lo, respondeu:
— É ótimo quando não sabemos dos passos daqueles que achamos estarem ao nosso lado, não é, tio? — E, com aquilo, Lúcio se calou, sabendo exatamente ao que se referia e enlouquecendo por dentro ao saber que, de fato, a garota se parecia exatamente com Katrina.
Os minutos que se seguiram pareceram intermináveis. Fudge bombardeou inúmeras "acusações" em cima de Potter, mencionando não apenas que Harry havia “deliberadamente executado o feitiço do patrono na presença de um trouxa”, como também listando outras petulâncias que o garoto cometeu durante seus anos na escola de magia. segurou o riso quando foi mencionado o “balão humano” que Potter transformara a tia.
E foi logo após esse último relato que a desconfiança do ministro surgiu mais forte que nunca ao ouvir o motivo de Harry ter executado o feitiço. Naquele momento, soube que deveria agir.
— Se me permite, Sr. Ministro — levantou-se, recebendo um olhar reprovador de seu tio. — Potter não está mentindo, havia de fato dementadores.
— Dementadores em Little Whinging? — A voz veio diretamente da mulher com cabelos milimetricamente ajustados e com a voz mais irritante que a garota já ouviu. — Você não acha mesmo que iremos acreditar nisso, não é, senhorita?
— Bem, acreditando ou não, senhora, eu estive lá. — A garota levantou-se e ficou ereta de forma ameaçadora e, por um segundo, fez Harry sentir um calafrio percorrer seu corpo. Ele já havia visto aquele olhar ameaçador da garota antes e torceu para o que viesse a seguir não fosse nada comparado com ela irritada. — E volto a dizer, haviam dementadores no lugar, tantos que se não fosse a mania incontrolável de Potter em quebrar regras, estaríamos mortos. Eu, ele e aquele parente gordinho, Buba, Guga...
— Duda — Harry murmurou...
— Bem, estaríamos mortos e eu não vi nenhum de vocês por perto para fazer o que Potter fez.
— Muito bem, senhorita. Me diga, o que você estava fazendo com Potter em Little Whinging? — a mulher tornou a questionar deu de ombros.
— Eu estava em busca de respostas.
— Hum, respostas sobre o que, exatamente? — encarou Potter, então Lúcio que a repreendeu apenas com o olhar. Não diga nada sobre aquilo.
— Uma velha conhecida da minha família. Alguém que Harry conhecia. — A mulher de voz irritante a encarou, curiosa.
— Quem, senhorita Malfoy? — a encarou diretamente e então a Fudge.
— Isso não é de fato relevante a essa audiência. A pessoa a quem conhecia não tem qualquer relação com o ocorrido — garantiu.
— Ora, mas quem deve decidir isso é o ministro. Por que acha que pode garantir que essa pessoa é irrelevante ao ocorrido? — a mulher insistiu e quis, com todas as suas forças, lançar nela um feitiço que a fizesse sumir de sua vista.
— Porque a pessoa está morta — disse aquilo de forma direta. Deixando claro, no desconforto que pairou sobre o lugar, que não haveriam mais informações sobre aquilo.
— Acredito, senhor ministro… — e então a voz, sempre tão pacífica de Dumbledore, irrompeu outra vez no lugar — Que os motivos do senhor Potter para executar o feitiço do patrono tenham ficado bem claros aqui. Apesar de ter executado o feitiço diante de um trouxa, sinto que os ganhos relacionados a tais atos foram maiores que as perdas. Como a senhorita Snape deixou claro, não fosse pela imprudência de Harry, ambos os bruxos, bem como o menino trouxa, estariam mortos agora. E acredito, que explicar uma morte, pelo beijo do dementador, para o ministro trouxa, seria muito mais difícil que apenas insinuar que o garoto trouxa pudesse estar alucinando. — Os murmúrios que cresceram por todo o lugar se tornaram altos pouco a pouco, e sorriu sozinha. Dumbledore era um gênio.
— Não podemos apenas liberá-lo assim, Alvo. O senhor Potter tem uma lista extensa de imprudências as quais devemos tratar e…
— Até onde sei — interrompeu Dumbledore — Ainda não está em vigor lei alguma definindo que a tarefa nesta corte é punir Harry a cada ato de magia que ele já realiza…
— Mas as leis podem mudar! — Cornelio argumentou, contrariado.
— Vejo bem que pode. E vejo que está fazendo muitas mudanças, visto que nas últimas semanas, desde que fui convidado a deixar a suprema corte dos Bruxos, já se tornou comum promover julgamentos criminais para casos simples, como o de magia sendo executada por menores. — Dumbledore rebateu, mas finalizou. — Enquanto isso, vemos que os casos que deveriam de fato estar sendo discutidos aqui, não estão. Como o porquê de os dementadores estarem em uma cidade trouxa. — novamente os murmúrios foram ouvidos por todo lugar. Cornélio estava vermelho como uma pimenta. Completamente contrariado — Harry foi acusado de uma violação em específico e apresentou sua defesa. Tudo que podemos fazer agora é aguardar o veredicto — Dumbledore concluiu, voltando a se sentar de modo pacífico, como se não tivesse acabado de atear fogo à suprema corte, naquela audiência.
De modo resignado, foi que as palavras seguintes de Fudge foram proferidas:
— Os que são a favor de inocentar o acusado de todas as imputações? — E então as mãos dos presentes se levantaram por todo o lugar. Várias delas. Mais que a metade delas. A última a se levantar sequer contava como um voto, mas também se levantou brevemente. Era a de .
— E os que são a favor da condenação? — O próprio Fudge levantou a mão, junto a mais meia dúzia de bruxos, e isso incluía Lucio. Cornelio, suspirando alto e contrariado, então declarou: — Muito bem, muito bem... inocente de todas as imputações.
— Ótimo — a voz a declarar foi a de Dumbledore, que outra vez se colocou de pé. — Tenho que ir, se não se importam. Bom dia a todos. — E assim, deixando um último olhar para , junto a um curvar breve de sua cabeça, foi que o velho bruxo deixou o lugar com rapidez.
— Mas, afinal, o que acha que está fazendo? — Lucio perguntou. A voz sussurrada entregando sua raiva latente. encarou Harry, que lá de baixo a olhava diretamente, parecendo atingido por uma avalanche. Sorriu então lateralmente e viu Potter, outra vez desconsertado, desviar o olhar dela. Se virou para encarar o tio. Os olhos negros cravados às íris claras tão típicas da família, mas a única herança gênica a qual não carregava consigo.
— Pagando a única dívida que tinha com Potter.


ϟϟϟ


arrastava o seu malão pelos corredores lotados por trouxas na estação King’s Cross. Seus passos eram lentos e sua feição demonstrava claro aborrecimento durante o percurso enquanto remexia-se de forma agitada dentro da gaiola sobre seu malão. não podia culpá-la, assim como a bruxa, a coruja não gostava da ideia de viajar de trem.
Infelizmente, a Malfoy sabia que aquela viagem era inevitável, setembro havia chego e Dumbledore não permitiria que ela aparatasse para dentro de Hogwarts pela segunda vez, e também, começou a achar que o diretor já a havia acobertado deveras vezes no passado e a garota não queria abusar de sua sorte. Após alguns minutos, cessou os passos e olhou de forma curiosa para o bilhete em mãos, franzindo o cenho no instante seguinte em que comparou a numeração das placas com o pedaço de papel que indicava 9 ¾.
O grande problema era: não achava de forma alguma a placa com aquela numeração.
— De quem mesmo foi a brilhante ideia de me enviar sozinha para a King Cross? Ah, é mesmo, foi minha — resmungou descrente por ainda não ter conseguido achar a pista de embarque correta. Quando imaginou aquilo na mansão, não cogitou que seria uma tarefa difícil, mas devia confessar que teria sido muito mais fácil se antes tivesse se informado com o primo, se não o estivesse evitando.
Provavelmente não admitiria, mas sentia falta de conversar mais que três frases por dia com o primo, apenas queria poupá-lo de enxergar a tempestuosa vida que estava levando nos últimos meses. Mais que isso, prometeu a si mesma que não se aproximaria de outra pessoa e tinha certeza de que se perdesse Draco, não suportaria.
Por outro lado, para Draco, a mansão nunca lhe pareceu tão vazia, nem mesmo quando a prima se mudou. Parecia impossível, mas ter em casa e não poder conversar com ela era muito pior do que não a ter. Quando eram pequenos, todos reconheciam o apego que um tinha pelo outro, dividiam o mesmo quarto e, portanto, não era de se surpreender que os primos — que nessa época podiam facilmente ser considerados como irmãos —, durante noites de tempestades, aterrorizavam-se com trovões e por isso juntavam as duas camas para passarem a noite lado a lado, conversando em sussurros durante horas para que o medo passasse, e quando enfim dormiam, com frequência tinham os mesmos sonhos.
As crianças, afinal, eram primas e passavam o tempo juntos mais que qualquer outro naquela casa, mais que isso, Draco já havia perdido a conta de quantas vezes ele e entrelaçaram os dedos mindinhos e prometeram solenemente nunca contar seus segredos a ninguém. E eles guardavam bem os segredos um do outro.
Após mais duas tentativas miseravelmente falhas, encostou-se sobre uma parede, com os pertences próximo de si, chegando a cogitar pedir informação quando notou um trouxa esbelto uniformizado como funcionário da estação, mas desistiu, lembrando-se do quanto aquilo soava ridículo. Foi naquele momento que seu caminho novamente foi cruzado por Potter.
Havia visto Harry nos últimos dias muito mais que o usual em Hogwarts.
— Temos que parar de nos encontrar assim, Potter, você sabe, daqui a pouco vão achar que os alunos da sonserina e grifinória estão se dando bem — a garota proferiu, cruzando os braços ao ver Harry se aproximar. O garoto vinha acompanhado de uma mulher ruiva que deduziu ser um pouco mais velha que sua tia e da mesma bruxa de cabelos coloridos que ela conheceu na casa dos tios trouxas de Harry. Porém, mesmo olhando atentamente, não viu os pertences de Harry.
— Oi, — respondeu Potter com um aceno de cabeça e apesar de ter proferido poucas palavras, o tom de sua voz perdia-se entre ansiedade e curiosidade. Não havia tido a oportunidade de conversar com a garota ainda e desde a última vez em a viu, Potter estava sofrendo com uma constante e estranha obsessão em responder os mistérios que cercavam aquela garota e isso incluía o fato de sua mãe ser sua madrinha. Não conseguiria conter sua curiosidade por muito tempo, também não sabia como seria sua relação com a garota dali em diante e certamente não sabia organizar seus sentimentos por ela.
No fim, era uma Malfoy e Harry sabia muito bem o que isso significava.
— Ei, Snapezinha, como vai? — A voz animada vinda de Tonks fez Harry recobrar a atenção e involuntariamente seu olhar caiu sobre as duas bruxas, e, apesar de Tonks ser a mais velha, algo na forma de agir e muito mais no olhar de fazia-o questionar se aquilo realmente era verdade. — Eu soube o que fez por Harry. E, garota, entrar daquela forma sorrateira no tribunal para defendê-lo foi verdadeiramente insano e corajoso. Eu gostei.
— Tonks, você não deve encorajar as crianças a descumprirem regras — advertiu a outra mulher que acompanhava os dois bruxos e sorriu admirando a espontaneidade em suas palavras. — Olá, querida, eu sou Molly Weasley. Você precisa de ajuda ou está esperando alguém?
Foi apenas ao ouvir a mulher mencionar seu sobrenome que sorriu, percebendo a similaridade com um certo alguém instantaneamente.
— É um prazer conhecê-la, sra. Weasley, e olá novamente, Tonks — proferiu de forma cordial e notando apenas naquele momento uma figura estranhamente peculiar atrás dos três bruxos, que a olhava fixamente. Black. Ela tinha certeza de quem era, só não sabia o porquê do bruxo estar se arriscando tanto ao ficar perto de Potter. — Respondendo a sua pergunta, na verdade, essa é minha primeira vez no Expresso Hogwarts, mas, por uma infeliz obra do destino, não consegui achar o local de embarque correto.
— Ah, querida, isso nós podemos resolver facilmente. — A gentileza característica de Molly quase ofuscou a ansiedade que sentia por ainda não ter embarcado Harry. Depois dos últimos acontecimentos, as coisas não estavam mais seguras como antes e a bruxa temia que algo de ruim acontecesse. Foi por isso que cada um de seus filhos, assim como Harry e Hermione, foram escoltados por algum membro da ordem até a estação.
Segundos depois a explicação de Molly, eles pararam displicentemente ao lado da barreira entre as plataformas nove e dez até não haver ninguém à vista, depois, um a um, atravessaram para a plataforma e, apesar da descrença inicial de , logo após atravessar, lá estava o Expresso de Hogwarts juntamente a outras dezenas de alunos.
— Conseguimos. Espero que os outros cheguem a tempo — comentou a Sra. Weasley, ansiosa.
— Bem, é aqui que eu me despeço. Obrigada pela ajuda, foi ótimo conhecer e rever vocês — proferiu para o trio, mas a verdade era que a garota estava particularmente interessada em outro alguém. Por esse motivo, não tardou em semicerrar seus olhos para Black. — Aliás, Harry, bonito cão. — Piscou.
Foi dizendo aquelas últimas palavras, de forma provocativa, que a Malfoy se distanciou do grupo, entrando logo em seguida no trem.


ϟϟϟ


Fazia um pouco mais de meia hora desde que o Expresso havia partido, mas esta foi suficiente para a garota perder a paciência. Sentada onde estava, não conseguia parar de ouvir a voz incessante de Pansy mencionando o quanto seus colegas deveriam ser gratos por ela ter sido nomeada monitora junto a Draco, se bem que gostaria de saber como Parkinson chegou à monitoria.
Foi quando a colega começou a mencionar o quanto deveriam respeitá-la por ser uma autoridade agora que soube que era o momento ideal de sair dali, antes que azarasse a outra bruxa. No fim, a Malfoy quis veementemente que os dois nunca tivessem voltado da reunião no vagão especial dos monitores.
Com um suspirar, levantou-se sem responder os olhares questionadores sobre si e decididamente saiu da cabine que dividia com Draco, Pansy, Crabbe e Goyle. Aproveitou a oportunidade para pôr as vestes da escola e em frente ao espelho do banheiro, observou a marca escura em seu antebraço esquerdo, certificando-se de que ela estaria bem coberta e escondida de olhos curiosos, até que a poção que ganhara de seu tio funcionasse.
Andava a passos largos quando deixou o banheiro, estava decidida a encontrar uma cabine vaga para ficar, apesar de duvidar de que aquilo era possível. De qualquer maneira, voltar para a cabine em que estava e permanecer na companhia de Pansy e Draco seria mais uma experiência traumática em trens. Impulsivamente, ajustou as vestes para prevenir que amassassem e, por estar distraída e não olhar o caminho, sutilmente esbarrou seu ombro em alguém que vinha na direção contrária. Já havia perdido as contas de quantas vezes isso aconteceu consigo.
— Desculpe — respondeu , continuando a trilhar seu caminho, sem se preocupar em quem havia esbarrado.
— Pensei mesmo ter ouvido que a grandíssima Malfoy se rendeu ao Expresso de Hogwarts nesse ano e vejam só, era verdade. — não precisou ver quem havia proferido aquelas palavras para reconhecer de imediato a voz. A forma zombeteira e provocativa de como se expressava era característica de apenas uma pessoa, ou nesse caso, duas.
suspirou e virou-se para trás, dando de cara com um dos gêmeos de braços cruzados. Pelo olhar, algo lhe dizia se tratar daquele que ela mais detestava. Fred.
— Se esgueirando por aí sem olhar para frente e ainda por cima preocupado com a minha vida, Weasley, vou começar a achar que estava gostando de mim — provocou e Fred sequer escondeu o sorriso lateral que quase sempre tinha em seus lábios.
— Sempre a doce e completamente peculiar . — A jovem Malfoy revirou os olhos e tornou a caminhar, porém dessa vez ouviu os passos atrás de si. — Ah, me perdoe, senhorita Malfoy. Entenda, peculiar não era uma ofensa, se quer saber. — E outra vez os olhos escuros de reviraram. Poderia jurar que as orbes chegariam a encostar no cérebro se continuasse naquele ritmo.
— Por que não vai caçar o outro de você que existe por aí, hein? Estou surpresa em saber que não são colados. — Fred riu e apressou o passo de modo que tomou a frente de .
— Ora, ora, ora, vejam só quem tem senso de humor, afinal — o jovem ruivo debochou. Curvou levemente o corpo de modo que seu rosto alcançou a altura do de , ficando a poucos centímetros dela. — Eu estava indo encontrar o George para pregarmos uma peça nos alunos da sonserina, você sabe, mas o que posso fazer se no caminho encontrei alguém que me tomou atenção. — O sorriso ainda estava lá e estava irritando , que jurou poder acertar o punho fechado no nariz do rapaz — Cortou o cabelo...
— Não. Estou usando a capa de invisibilidade nele — a resposta veio de modo certeiro e fez o ruivo rir outra vez, porém quis rir junto. Não por causa dele, mas sim pela resposta ridícula de sua parte.
— Estou impressionado com o seu humor um tanto quanto peculiar dando as caras por aqui. — respirou fundo. — Mas, de todo modo, ia dizer que ficou bonito. Combina com você. Um ar meio Malfoy rebelde que arranja confusão com dementadores junto a Harry Potter e está doidinha para dar um soco em Fred Weasley — ele disse tudo rápido e , pela terceira vez, revirou os olhos.
— Não sei como uma mulher tão adorável quando Molly aguenta um paspalho tão insuportável quanto você. Sinceramente, ela merecia um prêmio do ministério pela paciência em te criar — e declarando aquilo, empurrou Fred pelo peito, abrindo caminho para continuar andando.
— Ora, então já conheceu minha mãe? Pediu minha mão a ela? Sou um cara das antigas, . Vai ter que pedir a benção dela. — A ar de brincadeira que nunca deixava Fred continuava ali, mas ao olhar sobre o ombro, viu o rapaz piscar para si.
— Continue sonhando, Fred. Continue sonhando.
— Boa viagem, senhorita Malfoy. Se precisar de algo, é só me gritar. Prometo ir correndo. — E se virando de uma vez, seguiu seu caminho pelo corredor até que chegasse a um novo, onde portas de cabines se encontravam.
Por mais estranho que parecesse, não foi difícil encontrar uma cabine com algum lugar disponível, o único problema é que, na maioria delas, os ocupantes a olhavam com medo, como se receassem que a qualquer momento ela fosse azará-los. não os culpava. Foi apenas quando estava quase se dando por vencida que encontrou a cabine ideal, bom, quase. Já que Potter era quem ocupava.
Não podia ser normal, Potter estava verdadeiramente se tornando seu carma particular.
— Olá! — despertou com o chamado de uma voz aguda e gentil. — Gostei do seu cabelo. Parece macio como os pelos de um semiviso. — encarou a garota de cabelos loiros, que lia um livro de ponta cabeça e usava óculos engraçados.
— Os pelos de um semiviso? — A pergunta era retórica. havia ouvido bem, porém isso não impediu a garota de prosseguir com a explicação.
— Sim. Ele se parece com um primata e é herbívoro. Acredito que a clorofila das plantas ajude os pelos a ficarem macios. Essa é uma teoria que estou testando na verdade. — A menina tinha um ar avoado e tranquilo, um brilho diferente, quase inocente nos olhos. Como se o mundo fosse um lugar incrível e cheio de belezas pouco notadas a se admirarem. E talvez fosse de fato, mas não conseguia ver. Tinha inveja da garota por conseguir. — Sou Luna, a propósito. Luna Lovegood. — Ela estendeu a mão e , sem muito pensar, colocou o restante do corpo para dentro da cabine, adentrando de vez o lugar e apertou a palma pálida, com unhas amareladas que entregavam que ela deveria mexer muito com terra.
Eileen Malfoy. — E a garota, Luna, sorriu radiante.
— Eileen é um nome bonito. — E nada mais a menina disse, apenas voltou a atenção para o livro. Gosto da peculiaridade dela. Foi o que a jovem Malfoy, pensou enquanto ria de modo contido, mas o sorriso sumiu assim que se lembrou de Fred dizendo algo semelhante a ela pouco mais cedo.
— Tudo bem se eu me juntar a vocês? — pediu, arqueando suas sobrancelhas. — Meu primo virou monitor e receio que seu convívio com Pansy está fazendo com que se torne mais sórdido e irritante que nunca. — rolou os olhos, lembrando-se do quanto Draco se tornava insuportavelmente irritante quando estava com certas companhias.
Com certa incerteza foi que Harry concordou com a cabeça, ajeitando os óculos tortos em seu rosto. Algo lhe dizia que por mais que protestasse àquele pedido, Luna aceitaria.
— Ficaríamos honrados, não é, Harry? — perguntou Luna com seus olhos esperançosos e brilhantes. Harry concordou com um sorriso sem jeito, afinal, não sabia como lidaria ficando a viagem perto da Malfoy. — Parece que hoje estou tendo um dia de sorte para conhecer novos alunos, deve ser por conta do trevo que encontrei no jardim essa manhã. Sabia que os trouxas acreditam que trevos de quatro folhas dão sorte? Li isso em algum lugar, mas não me lembro onde. — E com o mesmo ar meio avoado, Luna voltou ao livro.
abriu um sorriso discreto e novamente tornou a imaginar como seria ver o mundo da forma como a bruxa à sua frente via e então tomou seu lugar ao lado de Potter, já que o espaço ao lado de Luna estava ocupado por uma grande maleta de couro brilhante.
— Afinal, onde estão Ronald e Hermione? — proferiu de forma curiosa, lembrando-se que não os viu desde que chegou à estação. — Pensei que nunca andassem separados...
— Bem, isso quase sempre é verdade — protestou Harry, ajeitando-se sobre o banco. — Rony e Hermione tiveram de ir para o vagão dos monitores, já que foram nomeados esse ano.
abriu um largo sorriso com a descoberta. Era verdade que não eram próximos, mas para a garota aquilo era muito mais reconfortante do que Pansy e Draco. Ela amava o primo, mas às vezes ele a tirava do sério.
— Bom, diga que mandei parabéns para eles quando possível — respondeu e, repetindo o gesto de Potter, ajeitou-se sobre o banco para o melhor conforto.
Finalmente um lugar tranquilo. Silenciosamente, a garota pensou e se continuasse daquela forma, sabia que facilmente pegaria no sono, ainda mais que a noite passada havia sido, como de costume, conturbada. Não era de se impressionar que o Lorde das Trevas descobriria sobre a sua fuga para o ministério e, como forma de puni-la, fez com que Bella treinasse-a durante horas.
Porém ali, com o balanço do trem e o silêncio tranquilo que era interrompido apenas por murmúrios baixos de Luna sobre algo “impressionante” em seu livro, foi que o sono abraçou como um velho amigo que há muito não via. E quando foi levada, em vez de sonhos que a faziam acordar desesperada, o que a jovem Malfoy recebeu foi um único e pacífico sonho. Um sonho que lhe soou mais como uma memória boa de tempos onde tudo era muito mais simples. O sonho trouxe a imagem do pai. Em uma daquelas poucas vezes que Eileen se lembrava de tê-lo visto sorrir de modo aberto. Estavam em Cokeworth, chovia do lado de fora, mas pai e filha se encontravam na biblioteca. Snape ocupando a poltrona velha e de tom escuro, com um livro entre os pequenos dedos, sentada em seu colo enquanto lia para o homem uma história de um livro antigo. Snape sorria porque a dicção da garotinha, ainda tão infantil e sem muito treino com as palavras difíceis, a fazia se enrolar inteira para ler um único parágrafo. Snape sorria, não por ser um momento grandioso, mas sim por ser um momento em que, na simplicidade do dia-a-dia, não era comensal da morte ou agente duplo. Era apenas o pai de uma jovem bruxa.
Enquanto era abraçada e acolhida por suas lembranças em forma de sonho, na cabine do trem a porta se abriu, revelando então Rony, Hermione e a jovem de cabelos longos e escuros, Cho. Os três pararam a conversa pouco importante no momento que seus olhos recaíram sobre Luna e então foram para os outros dois ali.
A cena que encontraram foi a de Harry dormindo de modo pacífico, óculos tortos no rosto e cabeça repousada nos cabelos quase brancos de , que tinha seu rosto repousado no ombro de Potter em uma imagem incomum e surpreendente dos dois.
— Eles pegaram no sono há minutos. — A voz baixa de Luna foi a que trouxe algum esclarecimento sobre o que acontecia ali — Se aconchegaram e assim ficaram. São muito bonitinhos juntos, não acham? — O tom de Luna era como o de alguém que achava a cena à sua frente adorável, mas ela era a única a pensar aquilo dentro daquela cabine.
— Harry? — Quem chamou foi Rony, em um tom desconfiado, como se acreditasse que aquilo poderia ser uma miragem. Sem obter resposta, Rony estendeu o pé e cutucou o joelho do amigo com certa força. Potter, que tinha o sono leve, se moveu com brusquidão e assim despertou ao seu lado.
Potter encarou primeiro os três que o olhavam de volta. Demorou os olhos em Rony e Hermione, apenas até notar Cho ali, o encarando meio sem jeito. E então desviou os olhos para seu ombro, encontrando ainda despertando de modo lento. Potter sentiu seu rosto queimar de imediato, bem como sentiu o desespero e incerteza o tomar. Afinal, o que deveria fazer? Cho estava o encarando enquanto , tão próxima a si, despertava de um sono que sequer perceberam os levarem para tão perto um do outro.
Porém Harry sequer precisou fazer coisa alguma, pois quando notou onde descansava sua cabeça, a jovem se afastou de uma vez, virando os olhos para encontrar a plateia da cena patética na qual se encontrava há alguns segundos. A Malfoy que nunca se encontrou naquela situação, assim como Harry, sentiu as bochechas queimarem. Por Merlim, não é possível que isso esteja acontecendo.
— E-eu… — Cho foi a primeira a quebrar o silêncio. — Acho que vou indo. — E assim, sem muito esperar, se virou.
— Cho, espera. — Então, todo atrapalhado, tropeçando nos pés de , foi que Harry deixou a cabine.
Ali, Rony ainda parecia perplexo, enquanto Hermione prendia a risada de modo descarado.
— Se ficar mais vermelha, aposto que vai explodir, — e então foi que a jovem bruxa da Grifinória zombou, fazendo revirar os olhos.
— Ora, me deixe em paz, Granger — o tom mal-humorado tentava, de modo falho, disfarçar a vergonha, e isso não passou despercebido aos olhos de Hermione, que irrompeu em uma risada que não conseguiu segurar. — Por Merlim. Eu vou voltar a andar por aí, pelo menos assim tenho paz — protestou. A fala sempre tão segura e confiante, tento um quê pela falta de jeito. — Vou indo. Obrigada por me deixar ficar aqui, Luna. Espero te ver novamente em breve. — A jovem bruxa a encarou, sorrindo de orelha a orelha, então respondeu:
— Eu também espero, Eileen. Se encontrar um semiviso e conseguir, acaricie o pelo dele. Vai ver como é macio. — sorriu, negando com a cabeça. — E consuma clorofila também. — E assim Luna voltou a atenção ao livro que ainda estava de ponta cabeça.
— Vai ficar com essa cara o resto do dia, Ronald? — questionou, se colocando de pé e vendo o rapaz abrir e fechar a boca, como quem queria dizer algo, mas não disse. — Pode me dar licença pelo menos? — Rony apenas assentiu e abriu espaço, Hermione fez o mesmo, porém com os braços cruzados e o sorriso lateral nos lábios. — Tira esse sorriso da cara, Granger. — E logo já estava a porta, pronta para procurar um lugar, bem longe dali, para ir.
— Harry tem muito o que explicar. — Foi o que ouviu Rony dizer quando já estava a alguns passos da cabine.
— Explicar? Você é tão burro, Rony. Está na cara — Hermione respondeu, mas o tom entregava que era pura provocação por saber que ainda a ouvia. Poderia se sentir irritada, ir retrucar, arrumar uma confusão, mas o que fez, estranhamente, foi rir fraco enquanto continuava a se afastar.
Você me paga, Granger. Era tudo que pensava, com certa diversão.


Continua...



Nota da autora: Olá, bruxinhas de plantão! Sei que estivemos sumidas por um bom tempo, mas voltamos e espero de coração que tenham se divertido com esse capítulo tanto quanto nós. Não esqueçam de nos seguir nas redes sociais e, assim que as coisas na nossa vida pessoal normalizarem, prometemos que as ATTS serão mais frequentes. Não deixem de compartilhar seu amor conosco.
Vemos vocês em breve.
G&K ❤



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