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Última atualização: 29/04/2021

Prólogo

A sensação de que algo havia sido arrancado de seu peito fez com que voltasse abrir os olhos. O cheiro da morte era presente em cada canto daquele lugar.
Era possível captar cada alma sendo torturada ali, como se fizessem parte dela — ou melhor —, era como se a alimentassem. Ela olhou em volta e tentou procurar no fundo de sua mente uma resposta de onde poderia estar, o que era tudo aquilo e o porquê de ter aquelas percepções.
Seus pés se arrastaram pelo lugar e ela pôde notar o quente em sua pele, um calor que era capaz de arrancar-lhe, mas por alguma razão isso não estava acontecendo. Sua pele estava intacta, não sentia desconforto algum com o calor que emanava de cada lado daquele lugar, muito pelo contrário, lhe causava uma profunda satisfação.
Sabia exatamente onde estava, mas resistia em acreditar. Mesmo quando jovem, nunca conseguiu acreditar nas histórias de criação de mundo que lhe eram contadas. Terra, céu, inferno, anjos e demônios..., para ela, nada daquilo tinha sentido porque ao seu ver era só uma desculpa para culpar alguém. A única coisa que tinha certeza era de que o bem e o mal existiam e ela era capaz de sentir cada parte do segundo, desejá-lo e apreciá-lo.
Contudo, sabia onde estava... Mesmo sem acreditar, entendia que lugar era aquele.
Inferno. Foi o que reverberou em sua mente.
Ela fechou os olhos e os flashes que passaram diante deles não faziam sentido algum. Tudo o que via era sangue, pessoas sendo despedaçadas... Caos total. Ao voltar a abri-los, um sorriso se formou em seu rosto. Lá estava ele, com toda a sua forma majestosa, bem diante dela e tinha uma expressão de satisfação ao encará-la.
— Onde estou? — Perguntou, sua voz estava rouca.
Um sorriso — quase demoníaco —, se formou nos lábios dele, que levou uma das mãos ao rosto da mulher para acariciar sua bochecha.
— Você sabe onde está, meu bem... — Seus olhos tinham acabado de ficar vermelhos.
Sorriu mais uma vez.
Ele achou no mínimo estranho a reação dela, mas se manteve em silêncio.
Ela abriu a boca para responder, mas seus olhos e ouvidos não conseguiam deixar de captar nada, porque ainda tentava entender o que era tudo aquilo que estava sentindo... Acontecendo. Por isso, não se contraiu quando ele lhe agarrou a mão e começou a guiá-la por entre aquelas paredes sem vida, contendo apenas dor e sofrimento, duas coisas que, por alguma razão, lhe davam tanto prazer.
Constatou que o tempo ali dentro parecia estranhamente lento, como se tudo levasse horas para passar, mas não se importou com isso, porque algo lhe dizia que tinham toda a eternidade. Um sorriso involuntário se projetou em seus lábios pela milésima vez ao encarar a imensidão em chamas a sua frente... Tudo era lindo aos seus olhos.
— Inferno... — ela sussurrou, enquanto encarava as pobres almas agonizantes bem diante dela.
Ele franziu o cenho ao encará-la.
— Como se sente? — Ele perguntou, tentando tomar nota de cada comportamento da mulher ao seu lado.
Aquele estranho sorriso admirado ainda se fazia presente, um que ele não estava habituado a ver naquele lindo rosto.
— É como renascer nas chamas — respondeu sem olhá-lo, estava admirada demais por todas aquelas almas sofredoras.
Ele sentia que tinha algo errado, mas não se importou...
Levaria o inferno à terra.


Capítulo 1 — O Diabo

entrou bufando em seu departamento e àquela altura era capaz de varrer qualquer um da terra que cruzasse seu caminho. A mulher estava tomada por tanto ódio e frustração que qualquer um que a olhasse poderia jurar que sairia fogo dos olhos só por encará-la. Mais uma vez, a porra do Tenente havia escalado o homem mais detestável daquela delegacia para acompanhá-la em um caso, e aquilo, para ela, estava até começando a parecer um castigo ou perseguição por ter o acusado “injustamente”.
Bateu a porta de sua sala com tanta raiva que até ela se assustou com tal atitude, mas, naquele momento, o que mais poderia fazer? Sua vida toda era uma completa bagunça, seu trabalho — aquele que sempre tanto amou — encontrava-se uma merda e ela só queria que o dia acabasse o mais rápido possível para que pudesse voltar ao limbo que chamava de casa e se afundar em seus próprios demônios.
Sentiu os olhos queimarem porque naquele momento só queria chorar e ficou ainda mais irritada, então, em um rompante, sacou a arma que estava em cima da mesa, a colocando no coldre preso à sua cintura e saiu da sala da mesma forma que havia entrado, puta da vida. Deu algumas ordens sobre como seria na cena de crime e seguiu dando partida em sua viatura sem nem esperar por seu parceiro favorito, simplesmente por saber muito bem que ele tentaria melhorar o dia dela com alguma frase de impacto ou algum conselho estúpido que ela sabia ser necessário, mas estava cansada de ouvir.
O dia em Los Angeles estava quente como o inferno e isso foi a única coisa que fez a mulher sorrir enquanto dirigia até seu destino. Tinha crescido naquela cidade e o clima era uma das coisas que mais amava sobre ela, mesmo que às vezes pudesse dificultar um pouco seu dia de trabalho, não importava, o céu azul e sol raiando sobre a maravilhosa LA era tudo o que mais amava.
Quando chegou à cena, seu humor havia mudado quase por completo, porque por mais que tivesse que aturar o filho da puta escalado para acompanhá-la ali no comando do caso, amava demais seu trabalho — mesmo em meio ao caos — para deixar que seu humor o afetasse. E, mais do que isso, era uma pessoa comprometida. Não importava o quanto as coisas à sua volta estivessem afundando, daria cem por cento de si o tempo todo.
Passou pela multidão de curiosos com seu distintivo em mãos, pedindo que lhe dessem passagem, mas ao mesmo tempo sem ser simpática demais, e adentrou o local. O crime havia acontecido em uma boate famosa pela redondeza chamada Lux, tal qual o dono dela também era muito comentado, mas naquele momento ela simplesmente não conseguia lembrar seu nome e também não tinha importância, porque com certeza pegaria depoimentos por parte dele.
Passou os olhos pelo lugar sem se importar muito com a aparência, porque aquilo não tinha relevância nenhuma naquele momento e seus olhos recaíram sobre o perito que coletava fotos e parecia já estar tomando todos os detalhes sobre a vítima. Então os olhos de recaíram sobre o corpo de uma mulher deitado no chão em decúbito lateral e, naquele momento, sua feição se modificou totalmente, ficando muito mais neutra e até esboçando uma certa tristeza.
E quem conhecia bem , sabia que aquele era um dos poucos momentos em que poderiam vê-la daquela forma.
— Olha só quem apareceu — Hoffman soltou assim que a mulher se aproximou, mas sem olhá-la diretamente. E aquilo foi o suficiente para que ela desse uma puta revirada de olhos na direção do homem. — Eu sei que você estava queimando em ódio, mas poderia ter me esperado, Detetive .
Ela soltou uma risadinha diante daquilo, passou os olhos pelo velho amigo e se não fosse por ser tão comprometida com seu trabalho, talvez tivesse deixado o pensamento “Gostoso” tomar conta de sua mente, mas apenas manteve-se atenta ao que ele fazia, abaixado a uma certa distância do corpo da vítima, captando fotos de diversos ângulos.
— O que temos aqui, ? — Perguntou, chamando-o pelo primeiro nome, ignorando totalmente o que ele havia dito anteriormente, porque seu humor ainda estava levemente azedo para aquilo e provavelmente o mandaria para aquele lugar se alimentasse suas brincadeirinhas.
Deus, ela não tinha mesmo acordado no clima naquela manhã e aquilo até a irritava um pouco.
— Credo, você caiu da cama hoje? — O homem provocou, mas percebeu ter sido uma má ideia ao virar-se e ver a expressão da detetive. — Ta bom, ta bom. — Fez sinal de rendição com os braços. — Então, temos coisas bem interessantes aqui.
desviou o olhar para a vítima e esperou que ele continuasse o que tinha para dizer.
— Parece que o nosso assassino gosta de confundir o departamento de homicídios. — Ela franziu o cenho, tentando entender o que ele queria dizer com aquilo. — De primeira, eu achei que se tratava de um caso onde a vítima foi pisoteada, um acidente, porque ele fez parecer assim, mas o pescoço dela tem marcas, então eu diria que foi quebrado antes que o pisoteio acontecesse.
— E você concluiu tudo isso apenas observando? — A detetive provocou, porque sabia que odiava quando duvidavam dele.
— E com os mais de cinco anos de experiência que tenho como perito — rebateu ao levantar-se e se aproximou da mulher.
Ela riu, dando de ombros, afinal não podia negar ser um bom argumento, mas nunca que deixaria passar a insolência dele.
— Continue com essa insolência, que da próxima vez te coloco na equipe do estrume. — Riu fracamente. — O que mais? — Deu continuidade ao assunto anterior, tirando completamente a chance de Hoffman para respondê-la.
— Os exames vão dizer melhor, mas não encontrei nada nas unhas e não aparenta ter sinais de luta — o perito concluiu e seus olhos pararam na boca da parceira, que fingiu não notar aquilo, mas tinha captado tudo.
Ela assentiu e sacou o bloquinho de notas que sempre carregava consigo para fazer algumas observações, mesmo sabendo que tinha uma boa memória.
— Sabe, eu sinto falta de quando você era mais doce, . — Ele se aproximou, diminuindo ainda mais a distância entre eles, mas ela foi rápida o suficiente para levar uma mão até seu peito.
— E eu prefiro quando você não está tentando jogar charme para cima de mim com esse seu sotaque britânico irritante, Detetive Hoffman. — Abriu um sorriso brincalhão, porque sabia que tinham intimidade o suficiente como amigos para falarem daquela forma, mas ao mesmo tempo tomando nota de que tivesse algum fundo de verdade na forma em que sempre flertavam. — Então, por favor, termine esse relatório e, quem sabe, se você se comportar bem… eu não volto a ficar bem docinha, hum? — A última parte saiu baixa para que só ele pudesse ouvir e então a mulher se virou, saindo dali, sabendo que havia dito o suficiente para que o homem perdesse o ar. Mesmo que jamais admitisse.
E saiu de lá em direção ao seu próximo objetivo: pegar o depoimento do tal dono da Lux.
Seu humor ainda estava melhor, mas nada comparado ao que geralmente era, então enquanto caminhava até o local onde tinham dito a ela que estaria, desejou que o homem fosse do tipo fácil de fazer perguntas, já que não estava nem um pouco a fim de se estressar ainda mais.
Ignorou totalmente quando o motivo de seu ódio fez sinal para que ela fosse até ele e seguiu seu caminho se esforçando ao máximo para não espumar e deixar transparecer o quanto aquele homem a incomodava. E achou que fosse soltar um palavrão bem ali quando viu o homem que procurava tocando piano em sua cena de crime, obviamente contaminando o lugar, mais ainda do que já estava.
— Sr. ? — Chamou, esforçando-se para manter o profissionalismo.
Ele ignorou totalmente a presença da mulher e continuou com suas notas, então aproximou-se, entrando no campo de visão dele, que seguiu concentrado no que fazia.
? — Dessa vez, deixou de lado qualquer formalidade, porque estava a ponto de cuspir fogo com a insolência dele.
O homem então tocou uma última nota, ergueu o olhar até o rosto da mulher diante dele e abriu a boca como se fosse dizer algo, mas não sem antes levar uma de suas mãos até o copo de whisky que se encontrava sobre o piano e bebericar levemente o líquido. E a detetive apenas observava tudo aquilo sem acreditar na tamanha ousadia dele, que, para ela, só poderia ter uma total falta de noção.
— Você é? — Perguntou com desdém.
— Detetive respondeu, controlando-se para não perder a paciência. — Departamento de homicídios de Los Angeles. Eu estou aqui porque não sei se o senhor reparou, mas uma jovem foi assassinada em sua boate — completou de forma irônica, na intenção de demonstrar o descontentamento.
não conseguiu conter o sorriso e muito menos seu olhar, que passou por todo o corpo da mulher antes de voltar a encará-la nos olhos. E como se o que estivesse ali não fosse sequer importante, o homem virou novamente a atenção para seu piano e levou as mãos até os teclados. Mas aquilo foi a gota d’água para a detetive, que levou sua mão até a dele, fechando a tampa, que gerou um estrondo no ambiente, trazendo olhares para ela, o que ignorou sem se importar com julgamentos.
— Merda — soprou, ao se dar conta de que agora era ela quem havia contaminado a cena de crime, pois estava em luvas, o que arrancou um leve sorriso de .
— Pode ficar tranquila, detetive — disse, virando-se para ela. — Eu não conto para ninguém se você não contar. — Piscou e, em um impulso, levantou-se.
afastou-se do homem, sem entender o que ele estava fazendo. Porque em um momento parecia nem sequer se importar com o que acontecia à sua volta e no outro havia tomado uma postura completamente diferente.
— falou e esticou a mão para cumprimentá-la. E ela não pôde conter um risinho de escárnio antes de esticar a mão na direção do homem, que não podia negar ser muito charmoso.
Quando sua pele tocou a dele, foi como se uma chama tivesse transpassado cada parte de seu corpo, fazendo com que ela a soltasse com pressa e a esfregasse em sua calça. E ele pareceu ter sentido algo ao franzir o cenho quando a viu se afastar daquela forma em sobressalto, como se tivesse compartilhado do mesmo que ele havia acabado de captar.
— Sr. , está tudo bem? — perguntou de forma até gentil ao ver que seus olhos tinham escurecido de uma forma estranha.
virou-se abruptamente e levou as mãos até o rosto, precisando se esforçar muito para que sua forma humana pudesse conter sua verdadeira face diante daquele acontecimento. Tinha esperado tempo demais para encontrar algo que tanto precisava e quando a vida apenas deu-lhe de presente daquela forma, não poderia sequer esboçar com sua verdadeira essência o quanto estava satisfeito.
— A vítima era uma conhecida sua? — perguntou, esperando que ele se virasse para encará-la. — Me desculpe, mas eu preciso fazer algumas perguntas sobre…
— Eu estou à disposição, detetive. — virou-se com o melhor sorriso que tinha estampado em seu rosto. — E sim, Margott era uma velha amiga.
viu os olhos do homem correrem pelo local, como se procurasse pelo corpo da vítima para que pudesse dar uma última olhada e então depois o viu encará-la de novo. Algo naquele homem estranho e charmoso ao mesmo tempo lhe chamava atenção, mas ela não sabia explicar o que era e preferiu ignorar aquilo.
— O Sr. poderia me acompanhar até a delegacia? — Sugeriu. — Acredito que lá seja um ambiente mais apropriado para que eu consiga tomar seu depoimento.
— Será um prazer. — sorriu com uma certa malícia no olhar, mas ela apenas assentiu e fez sinal para que a seguisse.


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tinha passado ao menos quase metade de seu dia obcecado pela detetive , tentando entender como após árduos cinco anos de busca ela havia cruzado seu caminho de forma tão repentina. Tinha praticamente varrido a terra atrás daquela que era a prometida para ocupar o trono ao seu lado e não tinha conseguido sequer achar uma mísera pista de onde poderia encontrá-la. E como se a atmosfera clamasse pelos seus planos, ela simplesmente caiu bem em seus braços.
Não queria ser paranoico — ou melhor, mais do que já era —, contudo era difícil ignorar que o que tinha acontecido era um tanto quanto estranho e incomum. E encarando sua verdadeira face, na forma em que realmente gostava de ser visto, fechou seus olhos para que pudesse pensar de maneira mais clara sobre o que faria a seguir. Porém, a imagem daquela mulher voltava em sua mente a todo momento, fazendo-o sentir-se de um jeito esquisito que ele odiava, porque ela diferia de tudo que ele havia imaginado.
Você precisa colocar as ideias no lugar, . Uma voz que não era sua soou em sua mente, ele deixou um sorriso diabólico tomar conta dos seus lábios e respirou fundo ao saber o que viria a seguir. Então seu corpo projetou-se rapidamente e com sua mão agarrou a lança que foi jogada em sua direção.
— Abbadon — soprou ao ver a bela mulher escorada no batente do elevador. E viu um sorriso maldoso se formar na linda boca dela. — Senti sua falta — disse com sinceridade enquanto observava o novo brinquedinho que havia arrumado para a sua coleção.
Com certeza aquele poderia causar um bom estrago nele, mas sabia muito bem que ela jamais o machucaria. Porque era o oposto daquilo, Abbadon era encarregada de protegê-lo de qualquer perigo, mesmo que não precisasse na maioria das ocasiões.
— Vejo que algo te perturba — como boa observadora, disse ao passo que adentrou a gigantesca cobertura. — E, por alguma razão, não consigo compreender seus pensamentos. Devo me preocupar, ? — Indagou em tom de provocação ao usar aquele apelido que ele odiava e se jogou no confortável sofá que tinha ali.
— Sua função é se preocupar comigo, Abb — respondeu de forma arrogante e caminhou para próximo da mulher. — E não compartilhar meus pensamentos com você foi intencional — admitiu, sabendo que aquilo a irritaria para cacete, mas não se importou.
Ela não seria nem louca de confrontá-lo. Como seu demônio guarda costas — mais do que isso, um cavaleiro do inferno — , sua função era cumprir ordens, não fazer perguntas. Mas, mesmo assim, a viu fechar a cara diante de suas palavras.
— Eu tenho algumas coisas importantes para resolver, preciso que cuide da Lux — disse e terminou de colocar o terno preto que havia acabado de apanhar, já caminhando em direção ao elevador.
— Aquela detetive já está te atrapalhando? — Escutou a voz do demônio e por um momento seu sangue ferveu por dentro e teve a certeza de que seus olhos estavam vermelhos como fogo. — Desculpa, eu cutuquei uma ferida? — Abbadon provocou, e então virou-se para encará-la.
— Quero que fique fora disso, Abbadon! — Ordenou com um tom de voz ríspido o suficiente para que ela entendesse que não estava para brincadeiras, não sobre aquele assunto.
A mulher então levantou-se e caminhou para próximo de onde ele estava e o encarou bem nos olhos, demonstrando que não tinha medo algum dele.
— Achou que era só fechar seus pensamentos que eu não saberia? — Perguntou, demonstrando descontentamento em sua voz. — Sou apenas um demônio, mas não sou burra.
— Apenas cuide da Lux — disse por fim, porque tinha coisas mais importantes para resolver do que entrar em uma briga com Abbadon e então virou-se, seguindo até o elevador. — E você não é apenas um demônio — lembrou-a, antes que a porta se fechasse.
O objetivo do dia para seria obter o seu contrato de sangue, após tantos anos de espera. E ele condenaria ao inferno qualquer um que o tentasse impedir de atingir seu objetivo.

Ele sabia ser errado o que estava fazendo, mas não era como se isso o preocupasse ou sequer se importasse. Para atingir seus objetivos, o diabo seria capaz de fazer qualquer coisa que estivesse dentro ou fora de seu alcance, e foi pensando nos primeiros passos que ele encontrou o lugar da primeira pessoa que o daria as respostas para o assassinato de Margott.
Não estava nem aí para quem era o assassino, mas saber mais sobre o caso o ajudaria a se aproximar de uma pessoa em específico e isso, sim, ele não poderia deixar passar. era sua presa e ele iria caçá-la até o inferno — ironicamente — se fosse preciso, só para fazer valer a pena os cinco anos que havia passado à sua procura.
adentrou o restaurante de quinta em um bairro qualquer no Downtown de LA que ele se encontrava e escutou o barulho de sino que anunciava que alguém havia chegado. Passou os olhos através da espelunca e sorriu satisfeito ao perceber que era o único ali — talvez porque a placa indicava fechado — e tocou incessantemente um outro sininho que estava sobre o balcão.
Muitas vezes, ele sabia muito bem como beirar o insuportável. Na verdade, na maioria delas. E, em partes, até gostava.
— Finalmente — falou ao ver que um homem saía dos fundos. — Achei que teria que esperar para sempre, ou morrer de fome. — Sorriu irônico.
— Nós estamos fechados, não sei se você percebeu — o outro disse, mostrando que não estava nem um pouco feliz em vê-lo ali.
— Vejo que já se esqueceu de mim — afirmou e caminhou para próximo do balcão em que o homem se encontrava atrás. — Deve ser por isso que acabou nessa espelunca. E eu deveria castigá-lo por essa insolência, mas tenho assuntos muitos mais importantes para tratar.
De repente, o proprietário se deu conta de quem falava e seus olhos se arregalaram fazendo com que desse alguns passos para trás. E mesmo que tivessem um enorme balcão que os separavam, o medo era grande o suficiente para que ele quisesse ficar o mais longe da criatura diante de si. Porém, ela foi mais rápida do que o simples humano e foi parar bem ao seu lado, agarrando-o pelo colarinho do uniforme.
— Agora, talvez você se lembre que deve me respeitar — afirmou, ao soprar contra o homem o bafo quente que saía de sua boca. — Quero que me diga qual foi a última vez que teve contato com Margott Williams — pediu, mas sem soltar sua presa.
— Margott? — Perguntou, ao demonstrar uma reação de surpresa e tristeza ao mesmo tempo. — Ela retornou a Los Angeles?
estreitou os olhos, ponderando se aquilo era verdade ou apenas fingimento, constatando que aquele era um bom momento para que usasse os talentos fornecidos pelo seu querido pai.
— Me diga, Trevor — disse, encarando o homem bem no fundo dos olhos, feliz porque nunca esquecia o nome de suas vítimas. — O que você realmente deseja?
Trevor encarou aquele olhar maligno, mas que ao mesmo tempo continha um pouco de prazer e se perdeu em meio aos seus pensamentos, tomado por aquele poder que ele nem se dava conta de estar ali, mas que era capaz de fazê-lo revelar qualquer desejo realmente profundo. E , como sempre, esperou ansiosamente pela resposta.
— Me casar com Margott — afirmou prontamente, o que fez com que o diabo estreitasse o olhar mais uma vez. — E isso teria acontecido se ela não tivesse me traído e fugido com o maldito PJ.
, ao ouvir aquilo, afastou-se de imediato.
— PJ, o cantor? — Indagou, porque aquilo era um tanto quanto inesperado por ele, já que o homem não fazia nem um pouco o tipo de sua falecida amiga. — Isso é ridículo! — Deixou escapar uma gargalhada.
— Não é? — O homem riu, mas parou ao ver a forma como era encarado.
E sem dizer nada, caminhou em direção à saída do lugar, porque já tinha conseguido a primeira pista que poderia ajudá-lo de alguma forma a descobrir o que aconteceu com a amiga, deixando o amante sem ter ideia do que havia de fato acontecido com Margott.
E foi para o lugar onde conseguiria seguir com seu plano: a delegacia.


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encarou a pessoa insuportável à sua frente enquanto ele falava coisas que ela sabia serem necessárias escutar, mas não queria e trocou o peso do corpo entre as pernas, demonstrando o quanto estava impaciente e desconfortável com aquela situação. Só queria conseguir encontrar uma forma que provasse que não estava errada e que ele era o policial mais corrupto que o departamento de homicídios poderia ter, mas infelizmente parecia que o destino não estava disposto a ajudá-la.
Logo, não tinha outra opção a não ser permanecer ali, esforçando-se para que não socasse a cara do homem.
— Parece que você não escutou uma palavra do que eu disse, Detetive — a voz daquele homem insuportável soprou contra seu rosto e então ela se deu conta do quanto eles estavam próximos. — Devo me preocupar com isso? — Abriu um sorrisinho irônico.
mordeu os lábios e se afastou.
— Eu escutei, só não faço questão alguma de interagir com você, Preston. — Expressou sua melhor cara de desprezo. — Afinal, quem deveria se preocupar com algo aqui, sou eu. Mas, fala logo, o que mais você precisa?
O homem riu, porque não poderia deixar passar o quanto se divertia com o fato de a parceira nunca o ter desmascarado para toda a corporação.
— Não, . — Passou os olhos por todo o corpo da mulher, o que fez com que ela quase vomitasse na cara dele ali mesmo e então saiu satisfeito com o efeito que tinha causado.
Por mais que estivesse com o sangue fervendo de novo, ela preferiu ignorar aquilo e se voltou para os papéis que estava analisando antes que ele resolvesse fazer aquela “reunião” inconveniente só para provar que se encontrava no comando. Então começou lendo o relatório sobre a vítima Margott Williams e nem se deu conta de que era observada a uma certa distância pelo dono da boate onde havia estado mais cedo.
E o homem aproximou-se furtivamente, porque no pouco tempo que a tinha olhado tão perto, ele já tinha descoberto algo muito interessante sobre a detetive. Uma coisa muito importante para ter certeza de que ela era mesmo a escolhida para os seus planos.
não media esforços para castigar aqueles que mereciam.
— Vejo que aquele pedaço de desagrado consegue te irritar bastante — proferiu as palavras antes mesmo de se aproximar completamente da mulher, que ergueu o olhar até ele sem entender o que fazia ali. — É um prazer te encontrar de novo, detetive.
— Eu marquei algo e esqueci? — Perguntou confusa, afinal já tinha tomado o depoimento do homem. E apesar de ter desconfiado bastante dele no início, nada parecia suspeito até então.
— Não, detetive — fez questão de chamá-la da mesma forma, por alguma razão gostava daquilo. — A senhorita é bem atenta aos detalhes, mas gostaria de dizer que é seu dia de sorte.
Ela largou os papéis que segurava, colocando sobre a mesa que estava ao seu lado e se virou para ele de novo, cruzando os braços para encará-lo.
— Por que diz isso? — Indagou, porque de fato não estava entendendo o que ele queria dizer com aquilo.
— Tenho uma pista para o nosso caso — respondeu frisando o “nosso” e se aproximou dela, como se estivessem compartilhando algum tipo de segredo.
— Sr. , isso aqui é uma investigação séria e não uma brincadeira — o repreendeu, por mais que estivesse achando um pouco de graça no jeito deslocado do homem. — Pode deixar que a polícia sabe exatamente o que está fazendo.
— Não é o que parece, considerando que está aqui parada ao invés de ir atrás da sua melhor pista — disparou, porque sua intenção era provocá-la. E pela forma que o encarou, como se fosse matá-lo por aquela ousadia, ele soube que sua ação surtiu efeito. — Vamos lá, detetive! Não é parada aqui que vai prender esses corruptos, certo? — Falou um pouco mais alto e ela arregalou os olhos, porque olhares recaíram sobre eles.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, viu aquele homem maluco — mas muito charmoso — caminhar até as escadas que davam para a saída do lugar e, mesmo à contragosto, o seguiu, porque era melhor acompanhá-lo naquela loucura do que deixá-lo ir sozinho. Passou por ele com pressa, indicando que ela estava no comando e os dois saíram indo em direção à viatura que era dela.
entrou ao lado do motorista, esperou até que ele entrasse ao lado do passageiro e passou seu celular para que ele colocasse o endereço aonde iriam.
— Aliás, você pode me chamar de — ele disse, antes que ela pudesse falar o que se passava em seus pensamentos e acabou franzindo o cenho, porque aquele nome era um tanto quanto curioso. — O que foi? — Perguntou ao notar a expressão da mulher enquanto dava partida.
— Esse é mesmo seu nome? — Deixou o tom de curiosidade transparecer na sua voz, porque se tinha algo que a detetive não sabia disfarçar, era sua sinceridade.
— Bom, eu tive outro antes de cair — o diabo disse, achando um tanto quanto engraçado falar sobre aquilo com ela e a viu mudar a expressão, virando-se para olhá-lo por um momento, mas logo voltar a encarar o caminho. — Você sabe, do céu — explicou-se, mas agora seu tom de voz era um pouco carregado.
Odiava tocar naquele assunto e, bem, o diabo não podia mentir.
— Ah, muito engraçado. — Soltou uma risadinha irônica, o que fez com que ele arqueasse a sobrancelha. — Qual é! — A mulher soltou em indignação. — Todos nós sabemos que céu e inferno e só uma desculpa para culpar alguém, certo?
— É uma maneira cética de pensar, detetive — disse, sem ter intenção alguma de repreendê-la, mas porque achava realmente interessante sua colocação, além de que concordava de uma certa forma. — Mas é realmente um porre ser sempre culpado pelos erros mundanos.
estava achando aquilo engraçado, mas ao mesmo tempo não conseguia deixar de notar como fazia aquilo parecer uma conversa real e preferiu ficar em silêncio para não alimentar as loucuras do homem.
— Então, não quer falar sobre a pista que eu tenho? — Ele voltou a falar, conforme mexia nas coisas em sua viatura e ela revirou os olhos em irritação.
Por Deus, aquele homem não conseguia agir de forma normal? Parecia que não!
— Hm — soltou apenas um resmungo, não queria dar o braço a torcer para ele, porque já tinha sacado que ele era muito convencido.
— Tudo bem, então talvez você devesse me deixar aqui e procurar sozinha — provocou, arrancando uma revirada de olhos dela. — Desculpa, você está interessada, querida? — Cutucou mais um pouco e o apelido só melhorou tudo.
— Desembucha, logo — pediu irritada, sem se preocupar se não estava sendo profissional por falar com ele daquela forma. Mas, puta que pariu, ele sabia como ser muito irritante!
— Margott era uma boa amiga — começou a explicar, pegando-a um pouco de surpresa, já que não era aquilo que esperava ouvir. — Nos conhecemos há alguns anos e eu a ajudei a alavancar sua carreira como cantora.
Ajudar? Em que um homem como ele poderia ajudar alguém, sem ser algo ilegal? Foi o que se passou nos pensamentos de naquele momento, mesmo sabendo que talvez o estivesse julgando de forma errada, mas não se importou.
— Então ela teve um relacionamento com um outro homem — continuou, mas parou ao ver que a mulher tinha chegado ao destino que ele havia colocado no GPS. — Enfim, para resumir todo esse drama, por alguma razão ela…
— PJ, o cantor? — o cortou, ao se dar conta de onde estava e saiu do carro rapidamente. — Belo mal gosto.
não pôde conter a risada, porque achava um tanto quanto interessante que ele não fosse o tipo da mulher. E em partes, tinha gostado de escutar aquilo, afinal o cara era o pior tipo.
— Como eu ia dizendo — reforçou. — Ela escolheu esse estrume para ser seu amante.
Pela primeira vez, a mulher deixou escapar uma risada um tanto quanto alta, porque era engraçado vê-la usar um apelido que ela dava a todas as pessoas que achava detestável e seguiu o caminho até a porta, sendo acompanhada por ele. E assim que chegaram próximos, ela tocou a campainha e aproveitou o tempo que tinha para se virar para o homem.
, eu tenho regras que preciso seguir como detetive, por isso eu preciso que não faça nada que possa arruinar minha investigação, tudo bem? — Deu-lhe um aviso. — Não que eu já não esteja bem ferrada por ter te trazido comigo, mas isso eu deixo para me preocupar depois.
— Eu adoro uma mulher no comando, detetive. — A encarou com o olhar sugestivo, e ela teria respondido se não fosse a porta que tinha acabado de abrir.
Então tomou sua postura de policial e virou-se para encarar o mordomo que se encontrava ali.
— Polícia de Los Angeles — falou, encarando o homem. — Eu estou aqui porque preciso falar com o sr. PJ. Posso?
O outro homem a encarou por alguns instantes e então deu passagem para eles.
— Ele está em um evento, mas garanto que não se importará nem um pouco de receber a senhorita. — O mais velho passou os olhos por ela, que não tardou em perceber o que aquilo queria dizer e anotou a informação que lhe ocorreu no fundo de sua mente.
O tal de PJ morava em uma mansão bem exagerada e eles seguiram seu funcionário por alguns corredores, o que foi aumentando o volume da música que tocava. E ao chegar a uma sala enorme, concluiu que não era um evento que estava acontecendo ali e sim uma festa. E ver aquilo já era motivo suficiente para que ela desconfiasse do homem, afinal, sua amada tinha morrido e ele estava ali comemorando.
— Mais uma bela moça para nossa festa? — Um homem soltou ao ver que tinha adentrado o local.
recebeu aquele comentário de uma forma estranha e encarou-o com uma expressão nada amigável, fazendo com que ele desviasse o olhar. E, naquele momento, até ele se estranhou por ter reagido daquela maneira.
E daí que falassem com a detetive assim? Não era da sua conta.
Já a mulher, ignorou totalmente o comentário daquele cara, porque tinha uma ideia do porquê ele havia falado aquilo e seguiu em direção à pessoa de seu interesse. PJ encontrava-se em uma sacada, tomando um drinque e olhando a paisagem privilegiada que tinha de LA, totalmente despreocupado. E foi acompanhada por seu “parceiro”.
— Sr. PJ, sou — falou e estendeu a mão para o homem, que apenas assentiu sem retribuir o gesto. — Eu estou aqui para falar sobre o assassinato de Margott Williams. Sei que vocês tiveram um breve envolvimento e eu…
— Não quero falar sobre aquela puta — cuspiu as palavras, demonstrando o quanto tinha desprezo pela mulher.
E antes que ela pudesse tomar aquilo com a possibilidade de ele ser um suspeito, perdeu qualquer controle, que nem sequer tinha, e passou pela detetive, agarrando o homem pelo colarinho e o prensando contra a parede, fazendo com que ela ficasse boquiaberta com tal atitude.
— Sr. ! — Chamou a atenção dele, que se virou com os olhos em chamas para ela.
A mulher afastou-se, porque o que tinha acabado de ver ali só poderia ser um delírio de sua cabeça e por um momento achou que fosse perder a consciência, mas se manteve firme.
— Margott estava apaixonada por você e arriscou tudo para que pudessem ficar juntos — disse fervendo em raiva, enquanto erguia PJ do chão com uma só mão, fazendo todos à volta ficarem boquiabertos, principalmente .
E como se não pudesse ficar pior do que já estava, seus parceiros sacaram as armas e apontaram em direção a e aquele cara esquisito, o que arrancou da policial a reação de sacar a sua e apontar em direção a eles, não que tivesse alguma chance, mas nem fodendo que ficaria ali parada, olhando aquela cena sem fazer nada.
, por favor — pediu, enquanto tentava manter a calma.
O anjo caído ignorou totalmente o que a detetive havia dito e continuou segurando o homem.
— Amava? — Finalmente respondeu o que ele havia dito. — Ela me traiu com aquele empresariozinho de merda. — O remorso estava evidente em seus olhos.
E com total desapontamento no olhar, ele soltou o homem e caminhou para perto daquela que estava praticamente implorando para que ele parasse com aquilo.
— Pode abaixar a arma — falou, virando-se para olhá-la, que estreitou os olhos confusa, afinal os outros continuavam com as suas em punho. — Eles não vão fazer nada com você, detetive — afirmou, como se soubesse exatamente o que se passava na mente de todos ali.
E sem entender ao certo como poderia confiar naquele maluco — apesar do medo que a assolava depois do que viu —, a detetive abaixou a arma, levando-a ao coldre e viu os outros fazerem o mesmo. Então, aproximou-se de PJ para que pudesse terminar o que tinha ido fazer ali.
— A sua resposta só vai te colocar como suspeito número um, então eu espero que tenha um bom Álibi — disse firme e pegou o celular, apertando um botão para então voltar sua atenção a ele. — Então, o que tem para me dizer, PJ?
não poderia negar que estava mais que orgulhoso com a coragem da detetive, mas ao mesmo tempo tentava entender o que tinha dado nele para agir daquela forma e sentiu-se particularmente intrigado com aquilo e preferiu deixar que ela comandasse dali para frente.
— Eu estava em um evento na noite em que Margott morreu — o cantor admitiu e relaxou sua postura. Nós nos encontramos um dia antes, ela disse que estava recebendo ameaças e eu me comprometi a ajudá-la a rastrear de onde vinham. Afinal, eu estava puto da vida, mas não queria que nada do que aquelas coisas horríveis diziam acontecesse com ela. Saca? — apenas assentiu. — Então, quando liguei para ela no dia seguinte, o celular só caía na caixa postal e foi assim que fiquei sabendo de sua morte.
— Você tem alguma forma de provar que estava neste evento? — perguntou e correu o olhar para o celular, constatando que aquela era sua deixa.
— Eu diria que só consigo pensar em Trevor — ele respondeu prontamente e ergueu o olhar. — Todos sabem que ele a agredia e sempre foi um cara violento.
— Eu falei com ele e… — o diabo começou a dizer e a mulher virou-se para encará-lo com uma expressão nada amigável.
E se não fosse pelo estrondo que ecoou na casa, como se algo estivesse sendo quebrado, ela o teria repreendido da forma que queria.
— Que porra é essa? — PJ gritou ao ver os policiais que entravam em sua casa.
deixou escapar um sorrisinho, porque já tinha esperado tempo demais para prender aqueles filhos da puta e sacou as algemas.
— PJ, você e seus amiguinhos estão presos por porte ilegal de armas e ameaça a um policial — informou, já se aproximando para algemar o homem, que olhava tudo com raiva no olhar ao ver o mesmo acontecer com seus parceiros. — Você tem o direito de permanecer calado, tudo o que disser poderá ser usado contra você num tribunal — concluiu, porque aquilo fazia parte do que precisava ser dito e passou por .
— Eu nunca pensei que nossa parceria poderia ser tão excitante, detetive.
A mulher revirou os olhos, se perguntando por que ainda se surpreendia com a ousadia dele.
— Eu me resolvo com você já já — disse e apressou o passo, já indo em direção à saída e seguiu para uma viatura em que pudesse deixar o homem.
O colocou em uma delas e então voltou para dentro só para que pudesse terminar a ação que estava em seu comando e, quando terminou tudo, retornou para o lado de fora, próximo à sua viatura. O dono da boate — que havia tido a péssima ideia de trazer consigo — encontrava-se escorado ao carro, fumando um cigarro como se nada estivesse acontecendo ali e totalmente despreocupado com as consequências que suas atitudes poderiam lhe causar.
, o que você estava pensando? — Se controlou para não gritar, porque estava puta da vida e nem se deu conta de que já estava o chamando pelo primeiro nome, como se tivessem algum tipo de intimidade.
Achando que veria os olhos dele daquela forma de novo, manteve uma certa distância, o que fez com que ele franzisse o cenho e visse um tipo de medo por parte dela.
— Para quem não acredita em céu e inferno, você parece bem assustada. — Aproximou-se dela e viu a mulher recuar, podendo jurar que seu coração se encontrava acelerado. — Estou errado, detetive?
— Você é maluco. — Passou por ele com a intenção de abrir a porta de sua viatura para que cortasse qualquer contato visual com ele, porque os olhos vermelhos ainda reverberavam em sua mente, além de ele ter sido capaz de segurar PJ com uma só mão daquele jeito, mas foi impedida por ele, que a tocou. E, por mais que quisesse, não fez menção de se afastar.
— O diabo às vezes é detetive — disse e a viu franzir o cenho. — Infelizmente, não posso alimentar seu ceticismo — acrescentou como resposta ao seu jeito de olhá-lo.
Ela revirou os olhos, porque aquele papo a estava irritando.
, eu notei que para você é divertido sair por aí agindo como se fosse o diabo e tendo atitudes imprudentes — falou, demonstrando o quanto aquilo a deixava desconfortável. — Mas esse é o meu trabalho e eu não posso arriscar as coisas de novo como fiz antes. Por isso, qualquer parceria maluca que você acha que existiu entre a gente, acaba aqui.
Ele retirou a mão que impedia a mulher de entrar em seu carro e tomou uma postura mais séria.
— E eu juro, se você entrar no meu caminho mais uma vez, a ponto de quase arruinar minha investigação — disse, abrindo a porta, mas sem tirar os olhos daquele se intitulava como próprio diabo —, vou dar aos noticiários o prazer de anunciar que a polícia conseguiu prender o diabo em pessoa. — Para provar que não estava para brincadeiras, entrou em sua viatura, batendo a porta com força e saiu acelerando, esforçando-se muito para que não passasse por cima daquele homem insolente.
E por mais que ela tivesse feito aquilo para afetá-lo de alguma forma, foi totalmente o contrário, porque, para , só ficava claro que ele tinha cumprido com seu primeiro objetivo.
estava marcada pelo diabo.


Continua...



Nota da autora: Oi, amores, tudo bem?
MEU DEUS EU TO MUITO EMPOLGADA COM ESSA FANFIC! AHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Eu sei que demorei muito com a att, mas finalmente ela veio e eu até acabei deixando o capítulo terminar um pouco antes do que era planejado. Porém eu gostei bastante do resultado e espero que vocês gostem também.
Lúcifer é minha série preferida da vida e eu to muuuuito empolgada para escrever algo sobre ela hahaha.
Quero agradecer quem já leu e comentou. E, me digam, o que acharam desse cap? Eu já tô muito apaixonada por essa pp e esse que se divide entre ser mal e cumprir seu objetivo, mas também, no fundo, se importa.
Bom, é isso.
Até a próxima att.

Com amor,

Van! <3



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