Última atualização: 17/07/2021

1- Business ou Pleasure?

Nunca em sua vida tinha se sentido tão bem em uma segunda-feira. O clima em Munique estava fresco e ela havia deixado a janela do carro aberta, aproveitando aquela sensação dos raios de sol em seu rosto. A sensação de dever cumprido dominava todo o seu corpo e de sua mente e ela mal via a hora de voltar para casa e, quem sabe, receber a tão sonhada promoção na editora em que trabalhava.
Claro que a mudança para um cargo mais alto dependia também da resposta oficial da editora alemã, mas confiava no seu potencial e sabia que tinha desempenhado seu trabalho com sucesso.
- Senhorita, chegamos. - o taxista informou ao estacionar no aeroporto Franz Josef Strauss.
- Oh, muito obrigada! - agradeceu, voltando a realidade.
Entregou a ele o dinheiro da corrida avisando que ele podia ficar com o troco. Agradeceu novamente quando ele fez questão de tirar a bagagem dela do carro, mesmo sendo apenas uma mala pequena de rodinhas. Guardou os óculos de sol na bolsa e a ajeitou na mala para que puxasse um peso só. Desbloqueou o celular, conferindo em seu e-mail a passagem e então tomou um susto. Seu voo havia sido adiantado e ela estava prestes a perdê-lo.
Entrou andando o mais rápido que conseguia sem chamar a atenção e agradeceu aos céus quando encontrou um totem de autoatendimento da companhia aérea. tinha plena consciência de que já estavam fazendo a primeira chamada para embarque e rapidamente digitou o identificador da passagem na tela do totem, a passagem apareceu na tela sem demora, o único problema era que o nome dela estava errado, ou melhor, o sobrenome dela não era aquele.
Como estava viajando a trabalho, todas as reservas tanto de passagens como de hotel eram feitas pelo setor responsável da empresa. No entanto, alguém não havia prestado atenção o suficiente e agora ela sentia um leve desespero por medo de perder o voo ou até mesmo em ter que pagar uma nova passagem ou uma nova diária se tivesse que ficar na cidade até o dia seguinte.
- Estou enrolada! - reclamou voltando a puxar a mala em direção a fila para o atendimento pessoal.
A fila não estava muito longa e ela se permitiu criar esperanças de ainda ter tempo de consertar o erro da empresa, de dar tudo certo. Enquanto esperava as duas pessoas em sua frente serem atendidas, tentou ligar para a própria empresa, mas só quando não foi atendida é que lembrou que a empresa havia sido dedetizada e que não abriria pela manhã. Respirou fundo quando chegou a sua vez.
- Bom dia, em que posso ajudá-la? - a atendente era simpática, e sentiu que talvez pudesse convencê-la de que ela era a dona da passagem.
- Bom dia, eu queria fazer o check-in para o voo que sai para o Rio de Janeiro em dez minutos ou menos. - fez uma cara derrotada. Era praticamente impossível conseguir estar dentro do avião em 10 minutos.
- O voo das 15 horas?
- Isso.
- Me dê um documento, por favor. - entregou o passaporte que estava separado. - Você sabe o localizador? - mostrou o telefone desbloqueado para que ela visse o e-mail que a empresa havia enviado.
- Sim, mas acho que a empresa cadastrou meu nome errado. - suspirou. - Eu sou Ferrara e com esse código aparece Ferreira, veja. – apontou pra tela dela, tamanho era o seu desespero.
- Precisarei ver com meu superior, pois não podemos ter certeza de que essa passagem é realmente sua. – apenas assentiu, afinal era exatamente o que ela esperava que acontecesse.
A vontade dela era conseguir falar na empresa, era obrigação deles resolver a bagunça. No entanto, tudo o que ela poderia fazer era esperar e torcer para o melhor.

balançava a perna direita sem parar, estava ansioso para sair logo de Munique. Na verdade, estava ansioso para chegar logo ao Brasil, mesmo com plena consciência de que o voo demoraria cerca de catorze horas.
Conferiu novamente o relógio de pulso, pelo horário o avião já deveria ter decolado. Sabia que pequenos atrasos sempre aconteciam por vários motivos diferentes, só queria saber quanto tempo ainda demoraria, visto que os bagageiros já estavam fechados. Olhou para os lados discretamente e constatou que nenhum outro passageiro parecia ter a pressa que ele tinha.
Fechou os olhos e imaginou o que os amigos da seleção estariam fazendo. Provavelmente curtindo uma praia, aproveitando tranquilamente as horas vagas antes dos treinos finais e do início da Copa do Mundo.
Uma movimentação na frente do avião chamou a atenção de e ele mudou do assento da janela para o do corredor para tentar ver o que era. Uma mulher bastante ofegante procurava o seu lugar enquanto explicava alguma coisa para uma das comissárias. O lugar dela era cinco fileiras à frente do dele. Não a conhecia, mas julgou que fosse alguém importante para segurar a decolagem de um voo, ou tinha sido uma coincidência e tanto.
Sorriu aliviado assim que o avião começou a se mover. Seria uma longa viagem, mas ele estaria enfim no Brasil. Tentou se concentrar em algo, mas não podia negar que era muito estranho viajar sozinho. As viagens dos últimos dois anos tinham sido todas com os companheiros de time, e agora ele estava num voo comum de classe econômica, escondido por óculos escuros, boné e uma blusa de frio, sentado sozinho na fileira L.
Depois de uma hora e quarenta e cinco minutos pousaram em Paris, a única escala do voo. Alguns passageiros saíram e logo outros entraram. Aproveitou o tempo em solo para tirar o celular do modo avião. tinha mandado print de uma matéria publicada num jornal alemão dizendo que ele não tinha viajado com a seleção por causa de uma virose com risco de contaminação aos outros jogadores e que por isso iria depois.
Era uma desculpa ridícula que tinha inventado, mas quem era ele para negar? Parecia mais fácil assim. Recolocou o aparelho em modo avião, colocou os fones de ouvido e escolheu uma playlist. Já estavam voando novamente e pouco tempo depois acabou cochilando.

Se tinha dúvidas sobre ser mãe um dia, a experiência com esse voo a fazia ter certeza de que crianças dão muito trabalho! Ela sentia que o dia tinha tido um início promissor, mas desde que descera no aeroporto era como se ele estivesse do avesso e esse sentimento se intensificava a cada minuto que passava sentada ao lado de uma criança. Um garoto que não parava quieto um segundo. A mãe dele, juntamente com uma garotinha, aparentemente mais nova que o menino, estavam sentadas na mesma fila, porém do outro lado do corredor.
O incômodo era tanto que começou a se questionar se realmente gostava de crianças e quando começou a planejar formas de dar sonífero ao garoto sem que a mãe dele visse, percebeu que tinha atingido o limite de sua paciência. Para não fazer nada estúpido, levantou e foi ao banheiro, caminhando com a maior paciência do mundo.
Respirou fundo ao trancar a porta e sorriu. Nunca tinha dado tanto valor ao silêncio quanto naquele momento. Nada de conversas, cantorias ou gritinhos. Lavou o rosto demoradamente, se secou e ao sair, aproveitou para pedir uma água para a comissária de bordo, que prontamente a entregou um copo. Bebeu tudo ali, enrolando ao máximo para voltar ao assento. E então ela voltou e o ditado “nada é tão ruim que não possa piorar” ocupou sua mente no mesmo instante.
O garotinho inquieto havia derramado o seu suco de caixinha em todo o assento de e agora ele estava inutilizado. A fim de evitar mais dor de cabeça, optou por deixar a bagagem onde estava e foi procurar um outro local para se sentar. O lugar mais próximo estava algumas fileiras atrás, uma poltrona ao lado da janela. Mas havia um homem no assento do lado e era impossível que ela se sentasse sem o incomodar.
sentiu algo o cutucando e ao abrir os olhos percebeu que havia cochilado por algum tempo. Viu a mulher parada no corredor o encarando. A mulher que havia, na cabeça dele, atrasado o voo. E agora, a vendo de perto, ele percebeu que ela era muito bonita e que a beleza e os traços dela não eram de uma alemã.
- Er... Me desculpe, mas será que eu poderia me sentar ao seu lado. - Basitan a encarou mais um pouco e considerou a hipótese de ele não falar inglês.
Que ele era europeu estava óbvio para ela, se fosse para chutar, diria que ele era alemão. Estava prestes a repetir a pergunta em outra língua quando respondeu.
- Claro, prefere a janela ou o corredor? - sorriu simpático.
- A janela mesmo. - ele se levantou e deu passagem.
passou rapidamente pelos lugares, sentou-se e colocou o cinto e não percebeu quando fez um sinal com a cabeça para a comissária que apareceu com uma expressão de desespero. A equipe tinha sido instruída para que o lugar ao lado do jogador ficasse vazio durante todo o trajeto e eles não tinham impedido a aproximação dela. Mas ele não tinha a intenção de fazer nenhuma reclamação à companhia aérea, pois, para sua total surpresa ela não fazia a menor ideia de quem ele era.
recolocou o próprio cinto e não a encarava mais, mas no fundo tinha a sensação de que ele estava incomodado com alguma coisa. Só esperava que não fosse com a presença dela ali.
- Desculpe ocupar o seu lugar vazio. - olhou na direção dele, tinha adorado o sotaque dele e queria ouvir mais. - O garoto que estava sentado ao meu lado molhou todo o assento com um suco de caixinha.
- Já disse, sem problemas. - deu um breve sorriso e o silêncio novamente se instalou entre eles. Para a olhava intrigado, mas ela preferiu esperar que ele falasse algo.
- Você deve ser bem importante. - ele soltou após alguns minutos e ela o olhou sem entender. - Você é a garota que parou o avião, certo? - ela não conseguiu evitar o leve rubor que tomou conta do seu rosto e tudo o que ela pensava era que de fato alguém achava que ela tinha segurado o voo.
- É, sou a garota do atraso. Mas só para você saber, tiveram um outro problema, não atrasou por minha causa. - explicou. - E não sou famosa. - acrescentou. - A culpa disso foi toda da empresa onde eu trabalho que cadastrou a passagem no nome de outra pessoa e deu a maior confusão.
- Ah, sim. - assentiu enquanto ela falava. - Você não é europeia, certo?
- Certo. - percebeu que estava sorrindo de novo. Um sotaque europeu realmente mexia com ela. - Não é muito difícil perceber, não é mesmo? Aposto que meu sotaque me entrega, além do físico que já deixa bem claro. Bem diferente de você! - ele riu.
- , prazer! - ele estendeu a mão para ela.
- , e o prazer é meu. - retribuiu o cumprimento. - E eu sou brasileira.
- Hum… Que interessante. - o olhar dele estava fixo no rosto dela. - Essa é a primeira vez que vou ao Brasil.
- Sério? - ele assentiu. - Espero que você goste bastante.
- Acho bem difícil não gostar, todo mundo sempre fala muito bem de lá.
- É, mesmo com todos os problemas eu sou apaixonada pelo país.
- E o que a levou para a tão distante Alemanha? Diversão ou trabalho?
- Trabalho, infelizmente. - fez uma careta involuntária. - Foi a primeira vez que fui à Alemanha também, e fiquei tão pouco tempo que nem deu pra conhecer nada.
- Entendo. Mas talvez você tenha oportunidade de ir novamente como turista.
- Espero que sim. Amo viajar, mas sempre acabo passeando pela América do Sul mesmo.
- Qual o seu trabalho? Se não for invadir demais a sua privacidade. - sorriu discreta pela escolha de palavras dele.
não negaria que a cada frase ele se tornava mais interessante aos olhos dela, ele tinha um charme, sabia manter uma conversa, era simpático e educado, coisas que ela não vinha encontrando nos homens que conhecia.
- Não, tudo bem. - mais um sorriso tomou conta do rosto dela. - Eu sou editora de livros de uma grande editora do Rio de Janeiro. Estamos querendo os direitos de tradução e de publicação de alguns livros alemães famosos e nesse fim de semana tivemos uma espécie de reunião que foi na realidade uma disputa entre todas as editoras com interesse. Geralmente é o trabalho da minha chefe, mas desde que ela teve gêmeos ela tem me passado mais coisas e essa foi a primeira vez que fiquei responsável por um trabalho dessa importância.
- Você parece boa no que faz. - ele sorriu, e ela achou adorável como seus olhos dele quase fechavam. - Aposto que conseguiu convencê-los.
- Obrigada! Espero que tenha convencido mesmo e que escolham a nossa empresa.
- Ah, você não sabe ainda o resultado?
- Não. Eles demoram um tempo para decidir e mandar a resposta oficialmente. Agora só resta esperar. Se tudo der certo, além do reconhecimento eu talvez consiga uma promoção. - brincou.
- Entendi. Espero que consiga e tenha outra oportunidade de ir e conhecer a Alemanha. - reforçou.
- Eu também, mas agora é sua vez. - ele a olhou receoso, como se tivesse medo do que ela perguntaria, mas ela não se incomodou. - Brasil é o seu destino de férias?
- De certa forma, na verdade estou indo pela Copa do Mundo.
- Nossa, a Copa! Esqueci completamente! - ela riu, escondendo o rosto nas mãos.
- Esqueceu da Copa no seu país, acho que não gosta de futebol...
- Ah, é mais ou menos isso… - respirou fundo ganhando tempo para explicar. - Meu pai era completamente viciado no esporte, mas ele nunca teve o menor controle emocional para assistir. Era sempre uma situação tão chata em casa que eu e meu irmão não pegamos gosto.
- Que pena! - ela deu de ombros, não queria se estender naquele assunto.
- E você vai ficar no Rio mesmo? - sondou, não seria nada mal encontrá-lo por lá.
- Não, vamos ficar na Bahia. Acho que é assim que fala, ainda estou aprendendo.
- É assim mesmo. - confirmou, mas o que tinha chamado a atenção era o “vamos”.
se sentiu boba por presumir que ele estaria sozinho no país e também um pouco chateada ao constatar que queria que ele estivesse sozinho por lá e que quisesse a companhia dela em algum momento. Mais tarde culparia a sua carência por aqueles pensamentos.
- Que bom que vai com alguém. - seu tom não saiu como ela queria, mas não pareceu perceber.
- Na realidade meus amigos já estão lá. - e a palavra “amigos” trouxe um sorriso ainda maior para o rosto dela, ela não estava interessada em alguém que encontraria a namorada afinal. - Eles foram semana passada e eu fiquei por causa de uns... problemas de saúde. - optou pela mentira que estava sendo veiculada. - Não era nada grave, mas pediram que eu ficasse em casa em observação por mais uns dias. Sabe como são os médicos.
- Sei como é.
Não estava nos planos mentir mais do que o necessário, por isso tinha mantido a história sobre a virose, até porque não faria o menor sentido contar a verdade para uma recém-conhecida. A verdade é que tinha ficado mais um tempo em Munique para tentar resolver as coisas com a Sarah, sua ex-namorada.
e Sarah ficaram por muito tempo juntos, quase sete anos, e como ela é uma modelo famosa e bem sucedida na Alemanha, ele nunca havia cogitado a possibilidade de que ela estivesse com ele pelo reconhecimento que ele tinha. O fato foi que nos últimos meses ela passou a pressioná-lo novamente com a história de casamento e isso desgastou a relação ainda mais.
não tinha nada contra casamentos, esperava se casar normalmente em um ponto da vida. Mas ele era bem diferente de Müller, por exemplo, que casou com 19 anos. Ele estava com quase 30 e devia estar preocupado, mas não estava e mesmo com Sarah jogando diretas e indiretas, ele não sentia que era a coisa certa. Não havia dito isso a ela, disse apenas que não achava que era o momento certo para isso, mas ela havia interpretado de uma forma totalmente diferente e soltado uma avalanche de sentimentos e outras reclamações.
Sarah havia dito que não estava pensando nela, que ele fazia questão de enrolar, que sete anos era muito tempo, que ela não aguentava esperar mais do que isso e que ela nunca mais queria ser conhecida como a “companheira de ”. Era aceitá-la como esposa ou separar, e optou por seguir sua intuição, o que resultou em outro escândalo dela. Desde então ela quis voltar atrás e quis muitas coisas que tinha na casa que eles dividiam e era isso que ele havia tentado resolver, era por isso que tinha ficado para trás.
- E qual a sua história com futebol? - ele a olhou, confuso. - Digo, a história que faz um homem encarar catorze horas de voo para assistir futebol. - disse como se fosse algo absurdo.
- Ah, é algo tipo meta de vida, sabe? Aquelas coisas que você considera que não pode morrer sem fazer.
- Me conte mais sobre isso. - pediu.
- Você nem gosta de futebol.
- Pelas minhas contas nós ainda temos duas horas antes de algum filme bom começar a passar e talvez umas dez horas até a nossa aterrissagem, seria legal te ouvir. - ele gostava da forma como ela parecia estar genuinamente interessada e cedeu.
- Tudo bem, você venceu.
contou coisas que o ligavam ao futebol sem mencionar em momento algum que era um jogador da seleção. Durante toda a conversa que tinha tido até aquele momento ficou claro que ela não fazia mesmo ideia de quem ele era e para ele aquela sensação era ótima. Ele nem se lembrava da última vez que tinha conversado com alguém sendo ele mesmo, sem preocupação com imagens e afins. Foi conversando com que ele percebeu a quantidade de pessoas interesseiras que o cercava, em vários aspectos da vida.
Passaram de um assunto a outro com facilidade e quando ia começar a passar o primeiro filme que ela queria assistir, ela se empolgou já que ela nunca tinha visto O Turista. já tinha visto, mas por falta do que fazer, decidiu assistir novamente e poderia dizer que se divertiu muito com as reações dela, sempre muito espontânea.
O segundo filme que ela queria assistir, pois nunca tinha visto, era O Amigo Oculto. garantiu a ele que não tinha problema com filmes de suspense e que não se assustava fácil, mas ela se entregou quando deu um pulo no assento e agarrou o braço de com um pouco de força. Conversaram sobre o filme quando acabou, nenhum dos dois esperava aquele final e apesar de antigo era mesmo um filme muito bom.

acordou assustado de um sonho. Olhou para o lado viu que estava dormindo tranquilamente encostada em seu ombro. Passou a mão livre pelo rosto e conferiu as horas, ainda faltava um tempo até pousarem no Galeão. Evitou se mexer para não acordá-la. Riu fraco ao perceber que não era o tipo de preocupação que ele tinha com Sarah, pelo menos não nos últimos anos.
Se alguém perguntasse, não saberia dizer se era apenas curiosidade ou se realmente tinha surgido um interesse depois daquelas horas que passaram juntos na aeronave. Se questionou se era errado sentir qualquer tipo de interesse por ela, pois caso tivesse oportunidade, ele adoraria passar mais um tempo com ela. Algo nela havia mexido com ele.

- ... . Já estamos quase chegando. - a chamava baixinho.
Ela demorou um pouco a acordar e a se lembrar que estava no avião. Quando abriu os olhos viu que havia dormido apoiada no braço do e logo se ajeitou no assento.
- Ai, meu Deus! Me desculpe! - colocou as mãos no rosto lembrando que nem havia escovado os dentes, para conversar com ele tão de perto.
- Fique tranquila, não me atrapalhou. Percebi só quando acordei, mas não queria te acordar. - ficou um pouco sem graça, ele definitivamente era um homem pelo qual ela adoraria se apaixonar. - Agora que acordou, vou ao banheiro. - avisou e se levantou em seguida.
aproveitou para pegar sua necessaire e fazer o mesmo quando o outro banheiro ficou livre.
- O que vai querer? - ele sorriu abrindo um cardápio para que os dois pudessem ver.
- Acho que nada. - ele a olhou com a sobrancelha arqueada. - Já estamos chegando, vou preferir comer algo na cidade.
- Hum... E você já tem companhia para o seu café da manhã? - o tom dele era divertido, mas na verdade ele estava um pouco apreensivo, tinha dito por impulso.
- Adoraria que você me fizesse companhia. - respondeu segura, apesar do nervosismo que sentiu no estômago.
- Mas tem um problema.
- Qual?
- Eu não acho que vá ter tempo para sair do aeroporto por causa da proximidade com o voo para Salv... Bahia, ah, você entendeu. - ela confirmou com a cabeça.
- Nós pedimos algo no aeroporto então.
Já era possível ver a cidade pela janela e não demorou para que a voz do comandante desse o aviso de que estavam prestes a pousar. estava maravilhado com o que via, gostaria de poder conhecer o Rio antes de ir para Salvador, mas ele não podia perder mais nenhum dia com a seleção.

- E então? O que vai querer? - ela repetiu as palavras dele quando chegaram até a praça de alimentação.
- Acho que vou deixar você escolher o meu primeiro café da manhã brasileiro.
- Se você não gostar, não me culpe! - brincou deixando a bagagem ao lado da mesa. – Vai pelo menos me dizer se prefere café ou chocolate quente?
- Não. - segurou o sorriso e ela negou com a cabeça também sorrindo. Deu às costas a ele e seguiu para a cafeteria que mais gostava.
- É pedir muito um homem assim na minha vida? - murmurou sozinha enquanto esperava a sua vez de ser atendida.
Fez o pedido, pagou e aguardou mais um pouco em frente ao balcão. Quando pegou os pedidos percebeu que já se sentia o sentimento triste de despedida, mesmo que o conhecesse a menos de vinte e quatro horas. Talvez , sua melhor amiga, estivesse certa quando dizia que precisava de alguém para se divertir nem que fosse por uma semana, para que não sentisse sempre vontade de se apaixonar. Espantou os pensamentos enquanto caminhava com a bandeja para a mesa.
- O cheiro está muito bom. O que é isso? - ele apontou para a cestinha em cima da bandeja.
- Nosso famoso pão de queijo. Não é comida do Rio, mas eu sou apaixonada. Espero que goste. - ele pegou um e mordeu um pedaço.
esperou a sua reação, mas ele parecia enrolar de propósito, mastigando infinitamente e não demonstrando nada.
- Isso é muito gostoso.
- Até que enfim falou alguma coisa. - reclamou falsamente. - Não gosto de suspense.
- Ah, não?! Não foi o que você disse quando o filme começou ontem... - devolveu na lata.
abriu a boca duas vezes, mas não conseguiu dizer nada. Normalmente ela reclamaria, no entanto, aquela não era uma ocasião propícia.
- Hey, só estou brincando. - ele jogou uma bolinha de guardanapo nela.
- E que intimidade é essa? - tentou se fazer de séria. - Tome seu café e me deixe.
- Se decidiu pelo café então?
- Ué, você não disse o que queria… - deu de ombros. - Mas pedi o chocolate também. Pode escolher e eu fico com o outro.
- Gosto do café mesmo.
- Homens! - rolou os olhos.
Eles comeram num clima leve e não acreditava que ninguém o havia reconhecido ali. Sentia-se com sorte e esperava que essa sorte o acompanhasse durante todos os jogos também.
- Estava muito bom, obrigado. - olhou num painel próximo a eles. - Acho que vão começar a chamar para o embarque.
- É verdade. - conferiu as horas no celular e olhou de novo a tela dos próximos voos. - É melhor você ir.
levou a bandeja para um lixo próximo e os dois caminharam lado a lado até o portão 9. A fila preferencial já estava entrando e os dois se olharam um pouco sem jeito. Era aquilo. Havia chegado a hora de se despedirem mesmo que não estivesse preparada para nunca mais ver o alemão interessante e charmoso.
- Foi muito divertido o voo ao seu lado, obrigado! - sorriu simpático.
Se desejos jogados ao universo tinham mesmo a possibilidade de acontecer, ela desejou naquele momento que aquela não fosse a última vez que os dois se encontrassem.
- Imagina! Também gostei do voo. Ficou muito melhor ao seu lado do que entre aquelas crianças. - ela sempre se sentia péssima com qualquer tipo de despedida.
- Então é isso... - tinha a intenção de estender a mão, mas foi surpreendido por um abraço.
Achou estranhou, mas se lembrou que abraços era algo comum no Brasil. Depois de alguns segundos ele retribuiu o abraço, e agradeceu aos céus pela oportunidade de ser abraçada por um corpo daquele.
- A fama dos brasileiros é real então? – ele perguntou quando se afastaram.
- Qual fama?
- De que são extremamente calorosos e receptivos.
- Acho que sim... Aproveite seus dias no Brasil! Boa viagem! - desejou quando ele já estava mostrando o passaporte para a funcionária.
- Obrigado! Espero te encontrar novamente! Quem sabe eu não venha para o Rio depois... - ele piscou e seguiu para o avião sem olhar para trás.



2 – Deutschland, Deutschland



- Cara, até que enfim você chegou! Você precisa aproveitar isso aqui com a gente! - Podolski estava muito empolgado e disse assim que viu o amigo no aeroporto, o cumprimentando logo em seguida.
- Antes que você pergunte, sim, Poldi soltou a franga aqui! - disse e riu da expressão. - Se ele já é empolgado normalmente você precisa ver como ele está...
- E como seria isso? - não conseguia imaginar Podolski mais empolgado do que o normal.
- Mais extrovertido, mais hiperativo e intrometido também. - respondeu e Poldi parou de mexer no celular e os encarou.
- Eu sei que vocês me amam. - deu um sorriso convencido.
- Como não amar após dez anos juntos? - entrou na brincadeira e recebeu um abraço de Lukas.
- Eu sei que vocês tem uma linda e longa história de amor, mas o que acham de irmos logo embora do aeroporto?
- Poxa, , isso tudo é ciúme? – Podolski soltou-se de e foi abraçá-lo.
- Ah, sai para lá, Lukas. – fez cara de nojo e o empurrou.
- Vai se fazer de difícil para mim agora que o chegou, é? Você não estava fazendo isso antes… - falou ressentido e não conteve um riso. Ele tinha sentido saudade dos amigos.
- Vamos logo, Poldi, onde está o carro que me levará ao, segundo você, paraíso? - sentia-se cansado depois das horas de voo e queria muito tomar um banho e relaxar antes dos treinos.
O carro estava próximo no estacionamento e se surpreendeu ao ver no banco do motorista. Sabia que o goleiro amava dirigir, mas não imaginou que já teria pegado o jeito no Brasil também. Sentou-se no carona, antes que Podolski entrasse no carro, mas ele nem se importou. Sentou-se atrás sem deixar o celular um minuto sequer. Estavam no meio do trajeto para o complexo em que ficariam hospedados quando ele finalmente colocou o aparelho de lado e chegou o corpo para frente, ficando entre os dois.
- Ia perguntar como foi, mas pela sua cara deu tudo certo. - Lukas tinha um sorriso divertido no rosto de quem estava imaginando muitas possibilidades.
- Mais do que certo. - sorriu involuntariamente.
- Não sabia que queria se separar da Sarah tanto assim. – disse ao notar a expressão feliz dele e ele se espantou com as palavras.
- O quê? Do que você está falando? - expressou a sua confusão e os outros pareciam tão perdidos quanto ele.
- Da Sarah. - fez a cara de óbvio que ele amava. - Pelo seu sorriso idiota só deu para deduzir isso.
- Ah, eu não queria me separar dela, mas também não sentia que queria casar com ela, mesmo depois de tantos anos. - deu de ombros, já tinha dito isso aos meus amigos. - Achei que o Lukas estava perguntando sobre o meu voo. - explicou.
- Hum... E o que foi “mais do que certo” no seu voo? – Poldi perguntou repetindo as exatas palavras dele, arqueando as sobrancelhas sugestivamente.
- Deixa para lá. - balançou a cabeça negativamente, não sentia que era prudente falar nada do tipo naquele momento, mas sabia que nenhum dos dois deixaria aquilo passar por muito tempo.

Não havia mais ninguém ali além deles e Lukas não demorou a entregar a chave do quarto que ele tinha separado para . Levou tudo para o cômodo e seguiu para o banho, era o que ele mais precisava naquele momento. Sabia que o Brasil era um lugar quente, mas estava superando às expectativas facilmente e optou por roupas mais frescas ou precisaria de outro banho antes mesmo de alcançar a porta. estava ansioso, apesar do cansaço, para encontrar os outros jogadores.
- Ué, você quem está aqui? – estranhou Lukas estar ali, tinha certeza que ele teria algo para fazer e que o esperaria.
- Sim. - respondeu alternando o olhar entre o amigo e o celular, novamente em suas mãos. - foi atrás dos outros saber se alguém mais ia querer almoçar com a gente e qual o restaurante do dia. - assentiu. - Ele e o Müller se intitularam responsáveis pela nossa boa e diversificada alimentação. – disse num tom monótono. - Me recuso a ir embora sem experimentar as comidas que quero.
- Você vai ter bastante tempo para comer tudo depois que formos campeões. Vamos? – chamou numa forma discreta para ver se ele parava de mexer no celular, mas Lukas seguiu o caminho com o aparelho em mãos, da mesma forma de antes. – Não vai parar de mexer nisso? É sério? – já estava agoniado, mas Poldi riu.
- , ... Logo você vai compreender. – o meia o encarou com desconfiança. – Eu não quero perder um minuto da nossa estadia aqui e não quero perder nada nesse lugar perfeito. - disse como se fosse uma aula a ser aprendida.
- Acho que já perdi uma no Rio. – comentou baixo e riu sozinho, mas não baixo o suficiente, pois além de aparecer do nada ao lado dele ainda tinha ouvido.
- Perdeu o quê? – olhou curioso para os dois.
- Pelo visto uma mulher. – Poldi respondeu e percebeu a burrada que tinha acabado de fazer, a expressão em seu rosto terminou de entregar a verdade.
- Mas já?! – Müller tinha um sorriso no rosto enquanto o cumprimentava. – Como foi o voo?
- Foi tran... – começou a responder, mas foi cortado..
- Deve ter sido fantástico ao lado de alguma modelo gostosa. – Podolski deu um sorriso safado e negou com a cabeça.
- Não existe modelo gostosa. - Müller riu. - São todas magras e sem graça, sem ofensa.
- Mas com certeza era, é a segunda vez que ele a menciona em menos de um dia.
- Se ela fosse modelo ele não ficaria assim, a Sarah era modelo. – Müller continuou teorizando e não sabia se era mais engraçado assistir os dois ou a reação perplexa de .
- Já sei! entrou para o mile high club! Foi isso, não foi? - as sobrancelhas mexiam sugestivamente e nem mesmo segurou o riso.
- Seria seu sonho, Poldi, não o meu. Não aconteceu nada e agora já chega de falar da minha vida. Vamos comer alguma coisa porque estou com fome.



- Entra! – falou alto o suficiente para que quem tivesse batido na porta de sua sala entrasse e Louise, a nova assistente, entrou.
- Aqui estão os documentos que faltavam. – entregou uma pasta com diversos papéis separados por clipes. – E aqui estão os documentos para a reunião de amanhã.
- Reunião? Não me lembro de nenhuma reunião amanhã. - buscou a agenda na tela do computador, para conferir os compromissos.
- Era uma reunião de Vivienne. - Louise esclareceu. - Ela ligou há pouco e disse que não conseguirá vir nem para a reunião com possíveis clientes. – suspirou, imaginando como encaixaria tudo em sua agenda. Estava feliz por ver a chefe feliz com os gêmeos, mas a cada dia se tornava mais impossível dar conta de duas funções sendo uma pessoa só. – Está tudo na pasta.
- Obrigada, Louise. – pegou o primeiro grupo de folhas da pasta para verificar os documentos.
- Ahn... ? – a assistente chamou quase saindo da sala.
- Sim? – moveu os olhos dos papéis para ela.
- Fernandes ligou de novo e disse que se você não a retornar virá pessoalmente falar com você. – Louise não sabia quem era e pela ligação não entendeu se era uma ameaça real ou brincadeira, mas pelo sorriso de , ela deduziu que era alguém conhecida.
- Essa eu queria ver. – falou para si mesma, não aparecia na editora há meses. – Obrigada, Louise. Vou retornar.
Com um aceno Louise se retirou da sala, fechando a porta atrás de si e pegou o telefone ao lado do mouse, decidindo ligar logo para a melhor amiga e descobrir o que ela queria.
- Finalmente me ligou, sua… - tentou buscar algum palavrão leve.
- Não me xingue! Você me ama! – a impediu, conhecendo o péssimo hábito da amiga com palavrões. – Eu sei que sou irresistível, mas o que quer tanto assim comigo que me liga até no trabalho?
- Só queria saber se minha amiga estava viva, mal agradecida! E ligo na empresa porque no celular você não me atende, nem me retorna.
- Desculpa, . Mas você sabe que ando atolada de coisas desde que Vivienne tirou licença maternidade e cada dia parece que mais coisas estão nas minhas mãos para serem resolvidas. - apertou a têmpora com a mão livre.
- O que vai fazer amanhã? A gente podia almoçar. - sugeriu ignorando a fala anterior da amiga.
- Você não prestou atenção em nada que eu disse, mas eu repito. É impossível amanhã, acabei de saber que terei que substituir Vivienne em mais uma reunião.
- Não invente desculpas, Ferrara! Amanhã é sábado! Você não trabalha sábado.
- Juro que não estou inventando desculpas, ! Louise trouxe essa informação junto com o seu recado.
- Então vamos encontrar hoje!
- Hoje?! - não era fã de coisas inesperadas e decididas de última hora, mesmo que fosse encontrar a melhor amiga.
- É, , hoje tem jogo da Alemanha.
- Você e esse vício. - balançou a cabeça, mesmo que ela não pudesse ver.
- Por favor, ! - insistiu. - E você ainda nem me contou sobre o carinha do avião.
- Ai, esquece isso! – riu sem graça. - Foi só um delírio.
- Sem essa, ! Delírio ou não você vai me contar essa história. E além disso você precisa comer alguma coisa durante o dia, sabia? - ela continuou calada. - O jogo começa às 13h. Te espero no Outback, de preferência antes do jogo começar.
- Ok, ok. Darei um jeito. Te encontro lá. Beijo! - sabia que aceitar isso a deixaria trabalhando até mais tarde, mas reconhecia que estava em falta com a amiga e talvez fosse bom tirar um pouco o trabalho de sua cabeça, nem que fosse por noventa minutos de um jogo que ela não estava nem um pouco ansiosa para assistir.
Bloqueou o telefone e o deixou de volta na mesa, recuperando os documentos deixados por Louise e voltando a conferir um por um. Enviá-los com qualquer erro estava fora de cogitação e ela os leria trinta vezes se fosse necessário, para garantir que estavam corretos. Respondeu alguns e-mails e designou alguns dos novos pedidos de orçamento de publicação para as duas outras pessoas do departamento.
Conferindo as horas e a fome que sentia, trancou sua sala e seguiu para o restaurante combinado. Conhecia bem o suficiente para saber que se quisesse conversar, precisaria fazer isso antes ou depois do jogo, pois durante o mesmo ela não tinha atenção para mais nada. Sabia também que ela chegaria com uma antecedência considerável para se sentar em um lugar com uma boa vista da televisão.
Assim que entrou no Outback, avistou a bandeira da Alemanha em um dos assentos do bar e não precisava de muito esforço para saber que era . A tela maior por causa da copa fazia com que as pessoas pudessem acompanhar os jogos de qualquer um dos bancos, mesmo assim ela tinha se sentado exatamente no meio, de frente para o telão.
- Oi! - falou bem próximo ao ouvido dela e alto, fazendo-a se assustar por estar concentrada em outra coisa.
- Que susto, ! – se abraçaram. – E que saudade que eu estava de você!
- Nem me diga. – suspirou teatralmente. – Sempre desejei ter uma posição como a de Vivienne e agora que estou substituindo-a, minha vida está de cabeça para baixo.
- Ah, mas deve ser porque você está fazendo o seu serviço e o dela, não?
- É… Pode ser. – sorriu. – Não tinha pensado por esse lado. Mas aí? O que me conta?
- Hum, acho que nada. - deu um gole no seu suco. - Lá na revista continua tranquilo e minha vida está da mesma forma. Já não podemos dizer o mesmo de você. - segurou o copo de suco quando o garçom trouxe o de e as duas brindaram. - Você me deve uma história sobre uma viagem à Alemanha, e de preferência antes do jogo começar. – disse como se fosse uma simples sugestão, mas a conhecia bem demais para saber que não escaparia.
- E por que você acha que cheguei mais cedo? – soltou uma gargalhada e riu junto. – Mas antes de começar a gente podia fazer o pedido, o que acha?
- Por mim tudo bem.
Fizeram os pedidos e começou a contar detalhadamente a viagem. Falou sobre o pouco que viu de Munique, sobre as pessoas com quem teve contato, sobre a disputa com as outras editoras pelo direito de tradução e publicação e finalmente, para a felicidade de , sobre o problema com o voo e o desconhecido. Ela, por sua vez, ficou empolgada. Na maioria das vezes era assim com elas, uma ficava empolgada pela outra, querendo que desse certo, porque a vida amorosa delas nunca foram das melhores.
- Eu não acredito que você passou um voo inteiro ao lado de um autêntico alemão educado assim! – era a terceira vez que ela emitia um comentário desse tipo.
- Pois é, a parte triste é que a probabilidade de encontrá-lo de novo é praticamente nula.
- Nunca se sabe, . Vai que ele queira te encontrar e venha para o Rio. – ela falou pensando positivo. sempre era muito mais otimista do que . - Agora silêncio porque o jogo vai começar.
aproveitou para ir ao banheiro enquanto seleções seriam apresentadas, tocariam os hinos e tudo mais, pois implicaria com ela se ela tentasse sair no meio da partida, mesmo que não tivesse metade do interesse dela. Não fez questão de ser rápida e enquanto retornava para mesa viu que haviam lhe mandado várias mensagens do escritório. Sentou-se novamente e tratou de respondê-las logo. Entre uma resposta e outra, olhou de relance para a tv e ela simplesmente não conseguia acreditar no que seus olhos viam.
- AI, MEU DEUS! AI, MEU DEUS! – soltou o aparelho e levou as mãos à boca. Seus olhos estavam arregalados e prendeu a respiração por alguns instantes.
- O que foi, ? – a encarou e mirou o ponto em que ela olhava fixamente, ainda com a expressão de incredulidade. – Dá para me falar o que foi que você viu nesse telefone para causar esse espanto todo?
- É ele, ! É ele! – respondeu ainda duvidando do que seus olhos viam.
- O cara do avião te mandou uma mensagem? Te achou no Facebook? – começou a citar possibilidades.
- Não! Eu acho que o vi na tv! – disse e ao escutar as próprias palavras percebeu o quão absurdo aquilo ela, riu fraco e relaxou a postura. - Devo ter me enganado.
- Não! - tinha um sorriso enorme no rosto. - Não me diga que você o achou nessa arquibancada lotada! – ela se empolgou.
- Não, ! Ele está jogando! - repetiu quando a câmera focou mais de perto nos jogadores.
- O quê? – foi a vez de ela aumentar o tom.
- Esse jogador com o número sete aí! – apontou para o telão novamente. – Era ele quem estava sentado ao meu lado no voo!
- Puta que… - levou as mãos à boca, abafando o xingamento. - Não acredito, ! Não acredito que você estava ao lado de e nem pegou um autógrafo para mim.
- Ei, eu não sabia que ele era jogador. - se defendeu. - Ele não mencionou isso em nenhum momento e ninguém no voo estava em cima dele. - se lembrou então que todos os lugares na fileira dele estava desocupados até ela pedir para se sentar. – Eu conheci um alemão famoso! - disse entusiasmada balançando a amiga pelos ombros.
- Ei, dá para calar a boca? A gente quer ver o jogo. – um barbudo com cara de motoqueiro gritou mais do fundo e as duas ficaram em silêncio por um tempo. prestava atenção no jogo enquanto tentava ainda assimilar o fato de que o lindo e simpático alemão era mundialmente famoso e ela não fazia ideia.
O primeiro tempo acabou e ainda estava aérea, pensando no quanto era surreal a experiência. Sabia que a Alemanha estava ganhando da França por um a zero, mas ela nem tinha prestado atenção no gol ou no autor do gol. Só tinha lido o nome, Hummels, mas ela não fazia ideia de quem era.
Durante o intervalo não tinha poupado elogios ao goleiro, reforçando que tinha feito defesas espetaculares e que devia prestar mais atenção nele também, já que ele era muito bonito. E então pegou o celular para mostrar outras fotos que ela tinha de , uma que inclusive era seu fundo de tela durante a copa, mas percebeu que ela não estava de fato vendo as fotos.
- Não caiu a ficha ainda, né?
- Pior que não, . Nem sei se estou com vergonha de não saber quem ele era ou não. – ela riu.
- Larga de besteira, . Não tem nada a ver. Você mesma não contou para ele a história do seu desagrado de futebol? - lembrou.
- Contei, mas mesmo assim.
- Então, ele deve ter levado isso em conta. - assentiu. - Se bem que você podia ir atrás dele. - soltou no ar como quem não queria nada.
- Ficou louca?
- Claro que não, ! Vai atrás dele no Twitter, Instagram, sei lá. – ela deu de ombros.
- Tá, e falo o quê? “Oi, sou a menina do avião! Me desculpe não saber quem você era, mas agora eu sei e gostei de você!” ? Vou parecer apenas mais uma maria chuteira na fila dele. - negou com a cabeça.
- Mas, , eles estão aqui no Rio! Imagina só se ele também quer te ver!
- Vamos falar de outra coisa, por favor. - pediu de olhos fechados, estava se sentindo um pouco agoniada. - Não quero pensar nisso por enquanto, muita informação. – deu de ombros e suspirou concordando, contrariada.
- Você vai à festa do Arthur, né?
- Não sei. - voltou a abrir os olhos. - Sendo bem honesta, não estou muito a fim. Nós não somos amigos realmente como vocês são.
- Até parece que ele faz essas festas para os amigos. - riu, irônica. - Ele faz festa para dar ibope e você sabe. – assentiu. – Vamos, !
- Vou pensar, prometo. - quase nunca se sentia à vontade na presença de Arthur, mas entendia que gostava de ter os amigos sempre por perto.
- Adivinha. – falou encarando o celular.
- O quê?
- Sabe o restaurante novo e super concorrido? – concordou enquanto ela digitava uma mensagem. – Arthur conseguiu reservas para lá, sabe Deus quando, e disse que estou intimada. Isso não pode ser coisa boa.
- Se ele for pagar a conta, aproveita. – deu de ombros.
- Antes fosse isso. Aparentemente eu ando “muito solitária” na opinião dele e ele disse que esse jantar será um encontro duplo, ele, Josh, eu e alguém que ele ainda não escolheu. – contou totalmente descrente. – Por que as pessoas querem se meter tanto na nossa vida?
- Essa é uma excelente pergunta. Ando dando graças que minha mãe parou de me perguntar sobre isso. - sua expressão era de alívio. - Mas voltando ao se jantar, acho que deveria ir. Quem sabe dessa vez ele encontre alguém legal para você. - ponderou. - Pensamento positivo, não é o que você sempre diz?
- É verdade, mas depois eu penso nisso. O segundo tempo já vai começar.
- Entendi. Mais 45 minutos de silêncio. – disse com voz de derrota e mostrou a língua.



- , posso falar com você um minuto? – me chamou assim que saímos do treino que antecederia o jogo contra o Brasil.
- Claro. O que foi? – perguntou enquanto pegava suas coisas, seguindo para fora do vestiário ao lado dele.
- Algumas pessoas estão achando que você anda meio disperso, que estava disperso no treino. Pediram pro Joachim reconsiderar se você jogará o primeiro tempo amanhã.
- O quê? – tinha achado um absurdo a hipótese de ele não ser titular. – Cara, não tem nada de errado comigo, eu joguei normal, não errei passe nenhum.
- Eu sei, e foi exatamente a resposta que o Joachim deu, mas vamos concordar. – parou de andar e encarou o goleiro, queria que ele falasse logo o que sabia. – Você está diferente sim, anda muito calado, sai para caminhar na praia só com seu headphone. E os caras estão preocupados também, mas que você sabe que eles não falariam com você sobre isso. – concordou com a cabeça. Por mais que Lukas e Thomas fossem grandes amigos, eles não iriam falar com ele, esperariam que quisesse falar com eles.
- Eu entendi, mas realmente não está acontecendo nada, cara. Acho que só estou digerindo os acontecimentos recentes aos poucos. Parece que a realidade te atinge devagar. - voltaram a andar.
- Se arrependeu de terminar com a Sarah? – soltou um riso fraco.
- Não. Isso não, mas mesmo não estando arrependido, foram sete anos juntos, é uma mudança que eu ainda não me dei conta. E tem também essa loucura da copa! – o empurrou com o ombro.
- Pois é. Dá para acreditar que estamos na semifinal?.
- E que vamos jogar contra o Brasil?
- E que vamos ganhar do Brasil? – estava extremamente confiante de que esse ano o título seria alemão. Não só ele, como toda a seleção.
- Cara, ganhar deles na casa deles, é cruel.
- E como. – as lembranças de terem perdido em casa ocupou a mente de ambos.
- Só espero que a garota do avião não me odeie por isso! - brincou imaginando que ela não deveria ter acompanhado nenhum dos jogos.
- Ahá! Você chegou ao assunto que eu queria. – tinha um sorriso esperto e o olhou, desconfiado.
- Vai me zoar também?
- Não, por enquanto não. Mas confesse, você ficou mexido com esse voo. Confessa que essa garota é uma das razões de você estar com o pensamento longe a maior parte do tempo.
- Porra, , virou psicólogo agora foi? – riu.
- Queria te ajudar, cara. De verdade. Queria conhecer a garota que em um voo fez o que Sarah não conseguiu.
- Não fale assim da Sarah.
- Desculpe. Não era a intenção.
pensou um pouco sobre contar ou não, sabia que podia confiar em e que diferente de Lukas ou Thomas, permaneceria em segredo se ele quisesse.
- Você tem razão. - disse depois de alguns segundos. - Aquela garota tinha alguma coisa e parte de mim tinha esperança de encontrá-la no jogo passado.
- E por que não fez nada a respeito?
- Tipo o quê? – aguardou a brilhante ideia do amigo.
- Sei lá. Bom para esse tipo de coisa é o Poldi e não eu.
- Realmente, eu sei que sou bom em muitas coisas. - frisou o final. - Mas do que vocês estavam falando mesmo? – Poldi chegou passando um braço nos ombros de cada um deles enquanto entravam no hotel.
e se olharam. O goleiro esperava uma confirmação sobre contar a verdade ou não a Lukas e assentiu. Lukas saberia de um jeito ou de outro, era melhor que fosse por eles. E mesmo sem entender com clareza o que tinha feito para que ele ficasse tão interessado, não conseguia evitar de pensar nela. Ela ainda iria matá-lo, ou ele se mataria se não tentasse encontrá-la antes de ir embora.
não ficou para escutar, não queria responder perguntas e não se sentia pronto para se abrir sobre seus relacionamentos. era o único que realmente estava por dentro de tudo o que tinha se passado com a Sarah, os outros sabiam por alto e ele não estava com cabeça para as possíveis reações que viriam caso soubessem.
A intenção era descansar um pouco, mas acabou cochilando e quando acordou já era noite. Estava terminando de se trocar quando Müller, seguido de mais da metade da seleção invadiram o quarto.

- Mas que merda é essa? – perguntou ainda sonolento e assustado com a invasão.
- Eu que te pergunto! – Müller respondeu, mas tinha um sorriso debochado no rosto. - Que merda é essa? – virou a tela do celular para que congelou quando viu do que ele estava falando.
- Mas o quê?! Podolski, seu filho de uma puta! – gritou já saindo do quarto, procurando o único autor possível para aquilo, enquanto os outros davam gargalhadas vindo logo atrás.



“Nova mensagem:
“Ligação perdida:
“Nova mensagem:
“Nova mensagem:

normalmente ignoraria, mas a insistência a fez temer que algo sério tivesse acontecido. Tateou a mesinha de cabeceira em busca do aparelho e desbloqueou a tela, vendo que todas as notificações vinham de . Normalmente deixaria para o dia seguinte, mas a sua curiosidade foi maior e ela abriu as mensagens.

do céu! O tá te procurando!”
Ferrara, eu estou falando sério! CADÊ VOCÊ?”
“PQP, ! Fala comigo! Estou surtando!”



3 – Too Much for Me



sabia que a probabilidade de a amiga estar bêbada em plena segunda-feira à noite era quase nula, mas não estava com vontade de entrar em nenhum tipo de jogo com naquele momento. Sabia que teria um dia cheio no trabalho e precisava de uma boa noite de sono e de descanso. Mesmo não sendo fã de futebol, ela sabia que o país pararia naquela tarde com a semifinal e então ela precisaria render o dobro antes do jogo.

, não sei se você está tramando, mas eu realmente preciso dormir.
Amanhã nos falamos.
Beijo!”

Desligou o telefone assim que enviou a mensagem. Conhecia a amiga bem demais para saber que ela era bem insistente quando queria alguma coisa e que acabaria enviando várias outras mensagens até que se cansasse e respondesse.
Acordou cedo como de costume e com medo de quantas notificações teria e quanto tempo ela perderia lendo, preferiu ligar o telefone somente quando já estivesse a caminho do trabalho, assim não se atrasaria.
Se arrumou, tomou café da manhã, colocou seu material no carro e ao sair da garagem do prédio se assustou com parada quase em frente ao portão. balançou a cabeça, incrédula, ela era mesmo insistente quando queria. Abriu a janela do carro e se aproximou.
- É sério que você veio até a minha casa só porque eu desliguei o telefone e não falei com você? - destravou a porta do carro e sentou-se no banco do passageiro.
- Bom dia para você também. - foi irônica. - Não foi por isso, eu queria te chamar para assistirmos ao jogo, mas já vi que você está sem paciência logo cedo. - fez uma careta.
- Desculpa, . Todo esse trabalho me deixa estressada e eu sei que não deveria descontar em ninguém e nem em você.
- É, eu sei. E como eu sou uma amiga excelente, vim te levar para tomar café comigo.
- Já tomei. – sorriu, sem graça. – Mas podemos passar em algum lugar para você tomar café. - voltou a dar partida no carro que tinha estacionado logo à frente da saída da garagem.
- Se você não for me acompanhar, aceito uma carona até o meu trabalho mesmo. Como alguma coisa por lá. – ela deu de ombros.
- Agora pode falar a verdade. – lançou um olhar a como se a tivesse insultado. - Não foi só para tomar café comigo que você estava na porta do prédio, não é? Inclusive, você foi a pé mesmo?
- Claro que fui, você mora a duas quadras de mim! E o Arthur me leva de volta depois. - respondeu só a última parte.
- Certo. Mas então acabe logo com esse suspense e fale o que você quer falar, porque sei que você está se segurando desde que entrou no carro.
- Chata! – a olhou quando o silêncio durou tempo demais, voltando a olhar o trânsito logo em seguida. – Você vai pelo menos me escutar antes de surtar? - ela assentiu. - , o está mesmo te procurando! É sério! Ele está te procurando desde ontem.
- , eu sei que você ficou empolgada por mim, mas não precisa ficar vendo coisa onde não tem só para tentar me fazer empolgar também.
- Meu Deus, eu tinha esquecido do quão teimosa você pode ser quando quer! - reclamou. - , qual foi a última vez que você usou o seu Twitter?
- Não faço a menor ideia. - deu de ombros. - Eu te avisei que não ia usar quando você me forçou a criar uma conta. Você sabe que eu mal uso as outras redes.
- Exato! Se tivesse usado e seguisse as pessoas certas, veria que eu estou falando a verdade. Vários jogadores da seleção postaram mensagens ontem à tarde no Twitter procurando você. – ficou satisfeita por ter concluído sem nenhuma interrupção.
- Como é que é? - aproveitou a parada no semáforo para encarar a amiga, aquilo não podia ser real.
- É exatamente o que você escutou, . Todos querem achar você. - vendo que a amiga continuava com a expressão de incredulidade, continuou contando. - Começou com o Podolski, ele postou uma mensagem no Twitter, em português mesmo, dizendo que estava a procura da garota que voou ao lado de .
- Isso pode ser apenas uma gracinha desse Podolski. – deu de ombros, tentando mostrar que não se importava, mas no fundo sentia uma pontinha de vontade de que tudo fosse verdade.
- Eu também tinha pensado nisso, porque o Podolski é sempre muito engraçado e brincalhão, mas aí os outros começarem a postar também.
- Mais um motivo para ser só bagunça, não acha? Eles devem estar tirando uma com a cara do , isso sim.
- Não, ! Eu realmente não acho que seja zoeira. Até porque se eles estão postando isso é porque o falou de você para eles. - não tinha pensado nisso até aquele momento. - Eu acho, inclusive, que é só questão de tempo até o próprio postar algo do tipo também! – suspirou, sabia bem que quanto mais alto era o sonho, maior era a queda.
- E o que você quer que eu faça? – declarou, vencida.
- Eu?! Eu não quero que você faça nada, ! Você que tem que querer fazer alguma coisa. Eu só vim fazer meu papel de amiga e te contar o que você não sabia.
Apesar da pose, sabia que tinha conseguido exatamente o que queria. estava curiosa e mesmo que não demonstrasse, ela se importava. Era questão de tempo até que a amiga entrasse em contato voltando a tocar no assunto.
- Obrigada, eu acho. – não fazia ideia do que fazer com aquela informação, mas tinham chegado ao trabalho de , o que significava que ela não precisava pensar sobre isso naquele momento.
- , por favor, leve a sério! - pediu, já de fora do carro. - Prometa que vai, pelo menos, pensar a respeito!
- Pode deixar, vou pensar sim. – sorriu.
- Você realmente não quer assistir ao jogo hoje com a gente? - convidou antes que fosse embora.
- Acho que seria linchada do local, porque com certeza eu torceria para Alemanha. – brincou, pois realmente não tinha intenção de assistir ao jogo e riu.
- E você acha que vou torcer para quem? - abriu a bolsa, mostrando a pontinha da bandeira da Alemanha que estava lá dentro.
- Arthur vai te matar, sabia?
- E Arthur entende algo de futebol, ? Ele assiste só para ver aquele tanto de homem junto! – negou com a cabeça.
- Você não tem jeito mesmo! - olhou as horas no painel do carro, precisava ir ou chegaria atrasada. - Bom trabalho e bom jogo! Se eu não conseguir assistir, me mande notícias.
- Pode deixar. – mandou um beijo no ar.
Mesmo sem ser fã do esporte, naquele dia torceu para que o dia fosse tranquilo na editora para que ela conseguisse ver pelo menos algumas partes do jogo, e principalmente para que ela tivesse tempo de pensar sobre todas as coisas que havia lhe falado.
No entanto, a sorte não parecia estar ao lado dela. Com menos de dez minutos que estava em sua sala, Louise havia aparecido com uma lista enorme de pendências a serem resolvidas e outras anotações de problemas de Vivienne. Uma licença maternidade nunca parecera tão longa para ela.
Organizou os itens por prioridade e prazos, assim não correria o risco de atrasar nada importante. A manhã tinha passado muito depressa e pelo estado de espírito dos outros funcionários, era provável que ela fosse a única a ficar por ali. Tentando ganhar um pouco mais de tempo, fez o pedido de almoço para entregar no trabalho, assim ela não precisaria tirar o horário e nem perderia tempo com deslocamento.
Só desviou os olhos do trabalho quando a secretária entrou com sua refeição, foi também nesse momento que ela notou o quanto o andar já estava mais vazio e aproveitando que estava sozinha novamente, decidiu matar sua curiosidade e ver com seus olhos o que a amiga tinha dito.
Abriu uma guia anônima no navegador e abriu o próprio Twitter, tentando se lembrar da senha. Conseguiu na quarta tentativa e o primeiro nome que colocou na busca foi o de Podolski. Clicou no perfil e lá estava a comprovação de que era tudo verdade. Um tuíte em português procurando quem tinha viajado ao lado de , com um número imenso de curtidas e retuítes.
Buscou o nome de em seguida e outros tantos tuítes com mensagens parecidas apareceram na busca. Muitos realmente de outros jogadores, ou ela julgou que eram já que tinham o verificado ao lado do nome. Clicou no usuário de apenas como curiosidade e precisou reler o último post três vezes para acreditar no que seus olhos viam.

“Não era para ser assim, mas já que meus amigos começaram, me sinto no dever de dizer que é verdade. Gostaria muito de te ver novamente.”

O coração de batia depressa e ela sentia as mãos tremendo. , o alemão simpático e bonito, queria encontrá-la novamente. Sentiu o sorriso ocupando seu rosto e imaginou a cara de boba com que ela devia estar encarando a tela.

Notou então uma resposta dele ao próprio tuíte.

“Antes que pense que esqueci o seu nome, eu não esqueci, só achei que seria melhor não dizer.”
Além de estar procurando por ela, ele tinha sido atencioso o suficiente para não colocar o nome dela e ainda se explicar. Naquele momento ela não podia negar a felicidade que sentia por ver que tinha razão, mas ao ver a quantidade de respostas para cada uma das mensagens postadas por cada um dos jogadores, sua empolgação diminuiu.
Aparentemente pessoas de todos os lugares do mundo, inclusive homens, diziam que eram eles quem estava procurando e que queriam vê-lo novamente também. suspirou derrotada, com o clássico sentimento de que era bom demais para ser verdade. Afinal de contas, nada era tão simples assim na vida dela.
Nem se deu ao trabalho de responder a nenhum dos tuítes. Não acreditava que ele fosse ler todas aquelas respostas, e menos ainda que fosse encontrar a resposta dela e que fosse saber que seria a verdadeira. Balançou a cabeça, voltando à realidade e notando que a movimentação do escritório já estava aumentando. Antes de voltar à revisão que estava fazendo e fingir que nada daquilo tinha acontecido, pegou o celular e mandou uma mensagem para .

“Você estava certa! Até ele colocou que quer me ver de novo, mas adivinha...
Tem resposta de tanta gente em todas as mensagens que nem respondi, a chance de ele ler é mínima. :/ ”

precisou reler o mesmo parágrafo pela quarta vez para perceber que não estava conseguindo se concentrar no trabalho. Precisava admitir para si mesmo que todas aquelas informações tinham mexido com sua cabeça. Constatar que era tudo verdade, que de certa forma ela havia atraído a atenção dele era um pensamento que dava voltas em sua mente. Isso, definitivamente, não era o tipo de coisa que acontecia na vida de Ferrara. Foi trazida de volta de seus pensamentos com o som do celular, indicando uma nova mensagem.

“Você sabe que eu adoro estar certa, não é? Então nem vou gastar seu tempo falando que eu avisei... kkkk.
Se tiver um tempinho, dá uma olhada no seu e-mail. Mas esteja sentada antes, se não você pode cair!”

A mensagem tinha atiçado a curiosidade e se já estava difícil trabalhar antes, sabia que não conseguiria sem ver o que queria. Abriu seu e-mail pessoal, mas sentia que não era algo que gostaria de ver. Não tinha nada além de um link para um site de notícias, ou talvez de fofocas, de famosos. poderia ter pensado em mil matérias diferentes, mas nunca, em milhares de anos, pensaria o que ela leu.

“O longo romance de e Sarah Brandner chegou ao fim?
Parece que o relacionamento de longa data entre a estrela da seleção alemã (29) e a modelo Sarah Brandner chegou ao fim. Rumores já haviam sido levantados quando a companheira dele não foi vista no Brasil em nenhum dos jogos da copa e nem no tempo livre do jogador.
Além disso, o jogador não veio ao Brasil juntamente com sua seleção. Segundo notícias publicadas em jornais alemães, o jogador estava com problemas de saúde e havia chance de riscos para os outros jogadores, mas agora essas informações estão sendo questionadas e a imprensa acredita que se tratava na verdade de sua separação em silêncio com a modelo.
As especulações sobre o término ganharam força após mensagens que foram postadas no Twitter ontem por vários jogadores e pelo próprio dando a entender que buscam uma garota que estava no avião com ele. Claro que pode ser apenas uma brincadeira entre eles. De qualquer forma, milhares de fãs responderam às mensagens buscando um encontro com ele.
Nenhum dos dois, nem as respectivas assessorias, declararam nada a respeito.”

não estava brincando quando disse que ela deveria ler sentada. encarava a tela do computador um tanto surpresa. Ao que tudo indicava, ela era a comprovação da separação de um relacionamento de sete anos de duração.
Afundou na cadeira agradecendo mentalmente por não ter respondido a nenhuma mensagem e por ninguém, além de , saber que era ela naquele voo. Se antes já estava difícil concentrar e raciocinar, depois de todas aquelas informações seria praticamente impossível. Aproveitou que o expediente seria atípico pela semifinal da Copa e decidiu que iria para casa. Juntou os materiais mais urgentes, pegou sua bolsa e seu almoço ainda intocado e saiu do escritório, avisando a Louise que não estava me sentindo bem e que poderia ligar a qualquer momento se fosse preciso.



- Eu avisei que não ia dar certo. – provocou Lukas, checando seu celular pouco antes do início do jogo.
- Culpa desse seu pessimismo. – ele deu de ombros.
- Culpa dessa sua ideia sem noção! Será que não passou pela sua cabeça que milhares de pessoas iriam dizer que eram elas que viajaram comigo?
- Isso não é culpa dele, . - interferiu. – Você que não quis colocar o nome dela. Se tivesse colocado eliminaria muita gente.
- Mas eu não podia fazer isso com ela, vai que a vida dela vira um inferno por minha causa?
- Preciso ver essa garota para entender que raios ela tem para fazer você ficar assim por ela. – Lukas riu.
- Agora chega desse assunto. – finalizou sério. – Temos um jogo sério a ganhar daqui a pouco. Vamos nos concentrar nisso e depois nós damos um jeito na sua vida amorosa. – deu tapinhas nas costas de , que assentiu.
O tempo de concentração passou rápido. Entraram enfileirados no campo, se posicionando de frente ao público do Estádio Mineirão. O hino alemão foi o primeiro a ser tocado e aos primeiros acordes do hino brasileiro já dava para sentir a energia do público, que mesmo com o fim da música continuavam cantando. A pressão por jogar contra o time em sua casa era palpável, mesmo que o time brasileiro estivesse sem dois jogadores importantes.
Lahm cumprimentou o capitão David Luiz e os árbitros da partida, reunindo-se com seu time em seguida. Todos extremamente focados para atingir o objetivo de irem para a final e levarem a taça para a casa, nada além disso importava naquele momento e dar o seu melhor em campo era o foco de .
O juiz apitou, dando início a partida. Joachim tinha instruído a manter a mesma tática de todos os jogos anteriores, pois havia funcionado bem até ali. Ou seja, deixariam a bola com a seleção adversária para avaliarem em um curto período qual seria o estilo de jogo do adversário e então saberiam a melhor forma de jogar contra eles.
Antes do primeiro minuto de jogo, cortou um cruzamento entre dois jogadores brasileiros, sentia-se muito confiante ali e para ele era um bom sinal. O jogo estava tranquilo e equilibrado, ora a bola era do Brasil, ora da Alemanha. Marcelo foi o primeiro a finalizar, aos três minutos, Khedira finalizou aos sete, mas foi bloqueado pelo próprio companheiro Kroos. Mas aos onze minutos Müller fez o primeiro para a Alemanha, com um escanteio cobrado por Toni Kroos.
Nos minutos seguintes, a seleção brasileira tentou responder, mas não foram bem sucedidos. Aos vinte e três, após três tentativas seguidas de Klose, ele marcou um gol no rebote após seu primeiro chute ter sido defendido pelo goleiro Júlio César. Com aquele gol, Klose alcançava a marca de dezesseis gols em Copa do Mundo e dava a ele o título de maior artilheiro de todos os tempos, que até então era de Ronaldo.
, assim como seus companheiros estavam felizes, não era certeza de vitória, mas a seleção brasileira parecia completamente perdida em campo depois de levarem o segundo gol, estavam totalmente sem estrutura. Com mais dois minutos de jogo veio mais um gol alemão, dessa vez de Kroos, com bola recebida de Lahm, e no minuto seguinte um Fernandinho errou um passe, perdeu a bola e Kroos fez o seu segundo. Aos vinte e nove minutos, em falta de atenção do Brasil, Khedira roubou a bola no meio de campo, fez tabela com Özil e marcou o quinto gol.
Os jogadores brasileiros não tinham ação, não acertavam os passes e nem chegavam a finalizar. Próximo do final do primeiro tempo, Marcelo cobrou uma falta na área e cortou novamente, dessa vez de cabeça.
O primeiro tempo terminou em cinco a zero, e os jogadores alemães não conseguiam acreditar. Alguns torcedores estavam chorando, enquanto outros vaiavam e muitos deles estavam deixando o estádio. estava feliz por estar um passo mais perto do sonho do tetra, mas reconhecia a dor dos outros, sabia bem a dor que era perder em casa.
No segundo tempo a seleção alemã jogou mais tranquila, não estavam pressionados e era mais favorável terem jogadores em condições de jogar a final. Mas não deixaram de jogar com seriedade, consideravam isso falta de respeito com a seleção adversária, qualquer que fosse ela. Com as substituições feitas no intervalo, Brasil mostrou mais força no começo do segundo tempo e fez três defesas muito boas nas finalizações de Oscar, Paulinho e Fred.
Aos 15 minutos, fez um passe para Müller que bateu para fora. Müller chegou a chutar duas vezes no gol de Júlio César, que defendeu ambas as tentativas. Schürrle havia entrado em campo a pouco tempo e conseguindo se livrar da marcação, recebeu a bola de Lahm e marcou o sexto gol alemão. Dez minutos depois ele repetiu o feito, desta vez com cruzamento recebido de Müller, deu um chute forte na bola, que bateu no travessão e entrou. E foi um momento de choque, pois os torcedores que ainda estavam ali aplaudiram.
Özil chegou a ter uma oportunidade de marcar o oitavo, mas não conseguiu. Já aos quarenta e cinco do segundo tempo Oscar driblou Boateng e bateu, não conseguiu pegar, sendo esse o primeiro e único gol deles na partida. Os jogadores brasileiros não se demoraram em campo, saindo com lágrimas nos olhos e debaixo de vaias.
não saberia descrever o que sentia enquanto cumprimentava sua equipe e alguns jogadores do Brasil que ainda estavam por perto, era uma euforia sem tamanho, tinha sido uma vitória brilhante, que ficaria para a história e o mais importante, eles tinham conseguido chegar à final.
Ao deixarem o campo, alguns jogadores foram abordados para serem entrevistados rapidamente, antes da coletiva que teria mais tarde. Müller foi o primeiro, porque ele adorava essa atenção e também porque não havia quem não o conhecesse. também falou um pouco e se surpreendeu quando lhe chamaram para algumas palavras. Mesmo sabendo que tinha sido peça fundamental nesse jogo, ele raramente era chamado pelos repórteres. Respondeu a algumas rápidas perguntas que lhe foram feitas e quando a repórter agradeceu fez o inacreditável e jamais esperado por ninguém que lhe conhecia.
- Com licença. - pegou o microfone das mãos da mulher. - , se você assistiu a esse jogo e no momento não me odeia pelo que aconteceu, por favor, me encontre dois dias após a final da copa, pela manhã, em frente ao hotel que estaremos hospedados. Você saberá. – devolveu o microfone e seguiu para os vestiários como se não tivesse feito nada diferente do normal.
As pessoas o encaravam boquiabertas enquanto ele passava, mas ele estava feliz demais para se importar.



Mesmo com todo o trabalho que tinha para aquele dia, tinha assistido o jogo inteirinho. Estava espantada com a qualidade do time brasileiro naquela partida, mas não tinha se lamentado por nenhum gol feito pela Alemanha. Estava feliz por eles, claramente tinham feito por merecer irem para a final e ela desejou que eles realizassem o sonho de ganhar a Copa.
Estava prestes a desligar a televisão quando viu se aproximando para ser entrevistado. Sorriu para a tv, ele era mesmo muito bonito. Negou com a cabeça, rindo de seus próprios pensamentos, ficando séria no instante seguinte ao ouvir seu nome. Abriu a boca, espantada e levou as mãos ao rosto. tinha a convidado a se encontrar com ele em rede mundial. Aquilo era surreal demais.
Sentiu seu celular vibrar na mesa de centro e atendeu sem mesmo ver quem era.
- Alô. – os olhos estavam presos a tv.
- do céu, me fala que você viu o jogo, me fala que você ouviu o que o acabou de dizer. – estava tão empolgada que atropelava as palavras. - Você ouviu?
- Uhum. – respondeu ainda atônita.



4 – Another Surprise



- Você vai, não é? – perguntou, ansiosa e suspirou, sentia que era informação demais em um só dia e de uma só vez.
- Honestamente, não tive tempo de digerir nada ainda. – Foi sincera e as duas ficaram em silêncio por um tempo.
- Eu entendo, é só que eu estou tão empolgada por você! , ele quer te ver! - Ela enfatizou, extremamente animada.
- Não grita, por favor. Eu já não estou conseguindo pensar direito nem com você em silêncio. - Disse com uma voz exageradamente sofrida. - Pela manhã você me conta que a seleção está atrás de mim, quando estou quase me convencendo do que você me contou, você me manda uma notícia sobre a separação dele e só aí eu já me senti uma destruidora de lares.
- , para de besteira! - cortou o drama dela. - Você escutou o que você disse?
- Eu não terminei. - Ignorou a tentativa de interrupção da amiga. - Aí, obviamente estava ansiosa demais e não consegui ficar no trabalho, juntei minhas coisas e vim ver o jogo em casa e ele faz isso! – Concluiu, soltando o restante do ar presente em seus pulmões. – É simplesmente muita coisa. - Frisou.
- Olha, eu entendo o seu lado. De verdade. - Reforçou. - Mas é óbvio que você não teve nada a ver com separação nenhuma. Se eles realmente se separaram, foi antes da Copa porque ela não foi vista em nenhum jogo.
- Justamente, ainda tem chance de eles estarem juntos, . - fechou os olhos, desejando acalmar seus pensamentos. - Eu quero me esconder e só sair quando a copa acabar e eles voltarem para Alemanha.
- , se controle! – Falou, séria, fazendo-a abrir os olhos e escutá-la. - Não tem nenhuma foto da Sarah aqui no Brasil e olha que com a quantidade de posts no Instagram do Podolski, se ela estivesse aqui nós saberíamos. Além disso, eu realmente não acredito que ele falaria aquilo em rede mundial se estivesse namorando ainda.
- Não me diga que você ainda acredita em homens. - comentou e riu, as duas tinham experiências negativas o suficiente para fazê-las desacreditarem no sexo oposto.
- Não é acreditar em homens, eu só acho que o fato de nada ter sido publicado sobre a separação é porque os alemães são bastante reservados, . - Explicou seu ponto de vista. - Eu acho que isso é mais um motivo para você ir ao hotel e conversar com ele. Se quer te ver como está dando a entender, ele com certeza responderá suas perguntas.
As falas de faziam com que considerasse cada vez mais ir até o hotel. No fundo, ela sabia que ela queria ir e queria ter a chance de viver algo que ela não fazia ideia do que poderia ser, mas a realidade a puxava de volta e ela riu fraco.
- O que foi agora? - perguntou, conhecendo bem demais as reações de .
- Eu estava pensando aqui... Se no Twitter aquele tanto de gente respondeu, imagina quantas pessoas vão aparecer procurando por ele no hotel agora! – riu, imaginando o mar de gente no local.
- Isso é problema para ele resolver. Quem mandou ele anunciar aos quatro ventos. – Mesmo sem vê-la, sabia que ela tinha dado de ombros. – Veja pelo lado bom. - Tentou ser positiva, queria que a amiga se convencesse a ir ao encontro.
- E qual seria?
- Ele falou seu nome, já dá uma diminuída boa na quantidade de pessoas que devem aparecer. - Ponderou.
- Claro! Até parece que você não conhece as pessoas do seu país. - riu. - Eu aposto com você que o Rio de Janeiro inteiro vai parar lá em frente! – Falou, convencida.
- Eu só estava tentando ajudar! - Suspirou, pensando em outros argumentos. - Mas então veja pelo lado bom. - Repetiu.
- De novo?
- Sim. Pensa comigo. Já que você está convencida de que vai ter tanta gente assim, você pode ir e se der errado você finge que nunca foi lá e se der certo você estará lá. Agora você não tem mais desculpas para não ir. - sorriu satisfeita.
- Qual a probabilidade de isso dar certo? - estava dividida entre se permitir sonhar e ficar com os pés no chão.
- Não interessa! - Pelo tom de voz, sabia que a tinha convencido. - Você sabe que quer vê-lo de novo e se você não aparecer ele vai achar que você não está interessada e aí sim você pode dar adeus.
- Prometo que vou pensar. - assegurou.
- Pensar na roupa que você vai usar, isso sim. - As duas riram. - Ah! E só mais uma coisa. Você vai assistir à final comigo. E nem me venha com desculpas, porque é domingo a tarde!
- Tudo bem, eu assisto a final com você. - Disse como se fosse um sacrifício enorme.
Se provocaram um pouco antes de encerrarem a ligação. desligou a televisão e decidiu tomar um banho para aliviar a tensão que sentia e também para clarear os pensamentos.
Depois de comer, se concentrou em todo o trabalho que deveria entregar no dia seguinte. Não se importava em ter que virar a noite para fazê-lo e provavelmente precisaria mesmo trabalhar até mais tarde já que o assunto rondava sua mente de tempos em tempos. riu sozinha, se lembrando de todos os empecilhos criados em sua mente para não encontrar o jogador enquanto a maior vontade dela desde que ele havia dito “Espero te encontrar novamente.” ao se despedirem no aeroporto, era de que eles pudessem realmente se reencontrar.

***

- Você não está com uma cara muito boa, aconteceu alguma coisa? – Louise perguntou assim que passou em frente a recepção. Tinha chegado atrasada.
- Não dormi quase nada e perdi a hora. - Explicou, segurando o bocejo.
- Mas está se sentindo melhor?
- Sim, consigo trabalhar. Obrigada. – deu um breve sorriso na direção dela e seguiu para a própria sala.
- Vivienne ligou. - a secretária disse alto, fazendo se virar no corredor. - Disse que na próxima segunda ela já estará de volta.
- Isso sim são boas notícias! – Sorriu, aliviada e fechou a porta da sala atrás de si.

Saber da volta da chefe trouxe um alívio maior do que esperava sentir. Significava que a partir da semana seguinte tanto as ocupações quanto a carga horária dela voltariam ao normal, e a melhor parte, não precisaria marcar presença nas reuniões chatas. Pegou a agenda para incluir entre as tarefas a separação dos arquivos de cada uma delas e notou uma pasta nova em cima das dela. Sabia que era nova por ter um post-it com lembrete de uma reunião que não tinha marcado.
Abriu para ver do que se tratava e ao ler o nome no topo da primeira página a reação dela foi fechar a pasta e jogá-la no outro canto da mesa. Não tinha passado nem meia hora de uma notícia boa e uma ruim tinha vindo. até se considerava uma pessoa que lidava bem com surpresas vez ou outra, mas a cota da semana já tinha estourado. Respirou fundo, pegou a pasta novamente e foi até a mesa de Louise.
- O que isso está fazendo na minha mesa? – Perguntou, virando a pasta na direção dela.
Louise a encarou sem entender a reação exagerada. Pegou a pasta das mãos de apenas para conferir o conteúdo e voltou a olhá-la, respondendo o óbvio.
- Uma reunião foi marcada com esse autor. Ele quer publicar o livro dele e disse que o contato que ele tinha na empresa era o seu, que vocês já tinham se falado. – notou naquele instante o quanto a sua reação tinha sido desproporcional uma vez que Louise não fazia ideia de quem ele era.
- Me desculpe. – Pediu, sincera. - Eu devia ter imaginado que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. - Suspirou.
- Quer que eu desmarque a reunião? Eu digo que você ainda está doente ou qualquer outra coisa. Posso passar ele para um dos outros revisores de texto. - Louise disparou alternativas.
- Não precisa, não vai adiantar. Eu sei que ele não vai sossegar se não for eu. - Negou com a cabeça, imaginando o que teria que passar.
- Por quê? Quem é esse? – Louise abriu a pasta novamente para olhar o nome. – Miguel Bittencourt?
- Ex-namorado. Não pergunte. – estendeu a mão pedindo a pasta de volta e Louise sorriu solidária ao me entregar.
- Se precisar de alguma coisa… - Deixou no ar.
- Obrigada.
retornou à sala determinada. Qualquer que fosse o plano de Miguel, ela não cairia outra vez. A reunião seria em 30 minutos e ela usou todo esse tempo lendo o material, assim ele não a pegaria de surpresa.
Assim que Louise informou que Miguel tinha chegado, pediu que ela o acompanhasse até a sala de reunião B. Respirou fundo cinco vezes antes de pegar a pasta e outros pertences e se dirigir à mesma sala. Ao passar pela mesa de Louise, percebeu que ela desejou um “Boa sorte!” somente com os lábios, sem emitir som algum e sorriu, agradecida. até poderia ter levado a secretária para a reunião, mas conhecendo Miguel ele alegaria que ela estava com medo de ficar a sós com ele, porque ele era exatamente assim, convencido e inconveniente, principalmente nos últimos tempos. O que a fazia pensar constantemente como namoraram por quase três anos.

- Miguel. – estendeu a mão para cumprimentá-lo.
- ! – Ele respondeu ao cumprimento mais feliz do que ela gostaria.
Nunca tinha gostado tanto de se reunir com alguém em uma mesa tão larga. Da forma como estava, à frente dele, não dava brechas para que ele tentasse abraçá-la.
- Quanto tempo! Como você está? Parece mais bonita do que da última vez que a vi. - reprimiu a vontade de rolar os olhos.
- Corte o papo furado, você não precisa mais dele. - Cortou.
- Só estava sendo educado. – Miguel deu de ombros, mostrando que o comportamento arisco dela não o afetava e ela se limitou a erguer as sobrancelhas. – Ok. – Ela se sentou e ele fez o mesmo.
- O que te traz aqui? – Descansou as mãos sobre a mesa e o encarou.
- Bom, acredito que seja bem óbvio, não? - Sua expressão aparentava traços de ironia. - Se não estou enganado, os seus braços estão apoiados exatamente no meu livro a ser publicado.
- Eu vi o que deixou aqui.
- Então, quero que vocês publiquem. - Reforçou sua intenção.
- Depois de procurar a concorrência e ela negar você acha que vai nos conseguir fácil assim? – foi certeira e Miguel se mostrou surpreso por uma fração de segundo, se recompondo logo em seguida, como se soubesse que ela teria acesso a outras informações. - Achou que não seria fácil saber disso?
- Claro que não. Eu sei que você não tira os olhos de mim desde que nos separamos. – se limitou a coçar a nuca e respirar fundo para manter o controle, pois a vontade dela era acertar um tapa em seu rosto desde o fim do relacionamento.
- Já experimentou ser um pouco menos desagradável? – Ela sugeriu, deixando cada vez mais clara a insatisfação com aquele encontro.
- Você não pode recusar sem nem avaliar o material, ou se esqueceu de quantas noites eu vi você se matando para terminar leituras horríveis?
- Miguel, você pode, por favor, se concentrar no motivo pelo qual está aqui agora? Obrigada. – Ele sorriu satisfeito, sabia que a tinha tirado do sério de novo. Miguel não perderia a oportunidade de usar o relacionamento a favor dele e precisava jogar exatamente como ele.
- Como quiser, querida. - Deu de ombros. - Então quando você tiver lido meu livro, e estiver apaixonada e deslumbrada com a qualidade dele, eu aguardo seu retorno.
- Me convença de que seu livro vale a pena. - cruzou os braços, desafiadora. - Pelo que li não me convenceu, e como editora chefe eu posso sim recusá-lo. – Miguel piscou algumas vezes, mostrando-se surpreso por uma fração de segundo. – Ficou surpreso, querido? Não achou que eu fosse conseguir? – Ele permaneceu em silêncio. – Bom, quando tiver um bom argumento sobre eu publicá-lo, me procure que te digo o que achei disso. – Ela sorriu falsamente e, sem esperar por uma resposta, juntou suas coisas e se retirou, desejando que o expediente pudesse encerrar ali mesmo.



- , me conta de novo, o que te deu depois daquele jogo? – Müller começou, fazendo os outros rirem na sala do complexo.
- Vocês não vão esquecer isso? – estava cansado de ser o assunto das piadinhas do amigo.
- Claro que não! – Quase todos responderam ao mesmo tempo e ele negou com a cabeça.
- E se ela ainda te der o bolo, vai piorar um pouco. – Hummels zoou, mas não disse nada. Decidiu ir para a praia mesmo sabendo que seu sossego não duraria quase nada.
- Ei, a gente está só curtindo, relaxa aí! – Lukas o alcançou rapidamente e se sentou ao lado de na areia.
- Eu estou tranquilo, gosto de aproveitar isso que não temos na Alemanha. – , que tinha desviado o olhar para o amigo, voltou a encarar o oceano acompanhado pelo pôr-do-sol.
- Não quero nem pensar que já está acabando. Dá vontade de ficar aqui. – Lukas também passou a contemplar a vista.
- Se depender dos brasileiros, você fica. Eles adoram você com suas fotos, selfies e postagens em português. – Podolski riu e pegou o celular no bolso. – Nada disso, não quero foto com você agora. - empurrou a mão do amigo para longe.
- Mas é muito bom isso aqui. Já estou pensando em vir para cá em todas as férias. – Os dois riram. – Mas agora, falando sério, sem gracinhas. – voltou a olhá-lo, sabendo sobre qual assunto ele se referia. – O que deu em você naquele campo?
- Última vez? – Lukas assentiu. – Nem eu sei. Eu estava eufórico, ela não havia dito nada no Twitter, pelo que eu vi e nem sei se ela tem uma conta. E ainda saíram aquelas notícias que mais parecem fofoca sobre meu relacionamento com a Sarah, que eu também não tenho como saber se ela viu.
- Entendo.
- Ela também me contou durante o voo que não era muito chegada ao futebol, então pode ser que ela nem saiba que eu não contei a verdade sobre mim. Mas naquele momento eu só pensei que se houvesse uma mínima chance de ela ter assistido a algum jogo do país dela, essa era minha oportunidade de fazer alguma coisa. - Explicou com sinceridade. - Claro que no instante seguinte eu percebi que a probabilidade de dar errado era muito maior.
- Essa garota mexeu mesmo com você, hein? – sorriu sem perceber. – Você acha que pode chegar a gostar dela de verdade? – Franziu a testa sem entender aonde Lukas queria chegar.
- Sei lá! Que tipo de pergunta é essa? – Lukas deu de ombros e continuou esperando por uma resposta. – Eu não sei explicar, alguma coisa nela me chamou a atenção, desde que nos despedimos eu quis encontrá-la de novo. Acho que vocês gostariam dela.
- E você tem certeza que não gosta mais da Sarah?
- Fala a verdade! Você e o andam praticando psicologia e me fazendo de cobaia. – Riu do rumo que a conversa tomava a cada pergunta. – Não é questão de gostar ou não. Eu tenho um carinho enorme por ela, eu só não sentia que queria casar. Não sei se você entende, você casou cedo. – Lukas mostrou o dedo do meio. – Não era justo eu continuar adiando algo indeterminadamente sendo que é o sonho dela. - Ele assentiu. - Mas por que me perguntou isso?
- Monika encontrou Sarah no supermercado. – Percebendo que não falaria nada ele continuou. – Disse que Sarah estava muito estressada e não quis conversar muito, só mostrou o descontentamento sobre as histórias que surgiram aqui sobre você. – Ele respirou fundo e permaneceu em silêncio. – Monika disse algo como “Mal separou dela e já está com outra”.
- Não vou falar nada, porque não há o que falar. Vocês sabem os motivos e eu não preciso repetir. Conhecer a foi puro acaso, não foi algo premeditado e também não é como se eu estivesse me casando com ela. Se a Sarah se sente assim, infelizmente não posso fazer nada a respeito.
- Eu sei, só achei que valia a pena te contar. – Deu de ombros. - Monika me mata se souber que contei para você. – riu da situação.
- Ela sabe que você me contou, se ela não quisesse que eu soubesse nem teria te contado.
- E desde quando está tão entendido de mulheres, ? – Lukas mexeu as sobrancelhas querendo insinuar algo.
- Não sei delas, meu amigo. Mas eu e Monika conhecemos você muito bem. – Lukas proferiu um palavrão e riu, sabendo que era verdade. - Ela vem para a final?
- Sim, ela e Louis chegam amanhã. Ela disse que ele está muito empolgado, só fala disso.
- E não é para menos! Estamos a um passo do nosso sonho, imagina ele contando que o pai é campeão mundial.
- Estou contando as horas para enfrentarmos a Argentina. - Virou o celular, mostrando para que realmente tinha colocado um cronômetro e ele balançou a cabeça, incrédulo. - Vou voltar, vamos? – Podolski se levantou e limpando a areia da roupa.
- Agora não, acho que vou entrar na água.
- Cuidado com os tubarões! Precisamos de você na final! – Gritou já a certa distância.

***

A noite já tinha caído e quase todos os jogadores estavam reunidos em frente à televisão vendo um filme que não reconheceu de imediato quando sentou-se em um sofá. Podolski, como de costume, não largava o telefone um segundo sequer e balançava a perna sem parar, esperando o filme acabar, para fazer um comunicado. Desligou a tv e parou no meio da sala, se certificando em ser o centro das atenções. E esperou que todos estivessem em silêncio para falar.
- Definitivamente esse é o melhor país de todos. – Falou pausadamente e se sentou novamente, fazendo com que os outros se entreolhassem, tentando entender. pegou uma almofada próxima a ele e acertou a cabeça do amigo, que resmungou algo parecido com idiota.
- Era só isso? – Müller perguntou.
- Não posso nem dar uma descontraída no clima, vocês estão tensos demais. - Atraiu todos os olhares para si novamente. - Eu só queria dizer que esse é o melhor país de todos porque mais da metade dos brasileiros estão torcendo por nós, segundo esse site aqui. Em que país do mundo a seleção que tomou uma goleada da gente ainda torceria por nós na final?
- Isso é sério? – Müller foi para o lado dele, tentando ver a tela.
- A rivalidade entre Brasil e Argentina é bem conhecida, então eu acho que é compreensível. - ponderou.
- Imagine seu maior rival ganhando no seu país! - Hummels negava com a cabeça.
- Deve ser um inferno! - concluiu.
- Vocês estão sendo muito inocentes, sabiam? – Müller falou, devolvendo o celular para Podolski. – Mais da metade dos brasileiros estão torcendo por nós porque a maioria da população é feminina e elas me acham lindo! – Ele concluiu e as risadas preencheram o ambiente. Podolski pegou a almofada que tinha sido acertado e repetiu o gesto de com Müller.
- Você se superou agora! – se levantou, dando tapinhas nas costas dele.
- Vocês estão com inveja por não serem lindos como eu.
- Eu acho que passou a hora de irmos dormir porque para estarmos discutindo a beleza de Thomas é porque estamos delirando. - Hummels provocou.
- Não sei vocês, mas eu vou. – se levantou do sofá, assim como outros jogadores. – Quero acordar bem para os treinos finais. Essa copa vai ser nossa! – Disse já saindo da sala e os outros gritaram aprovando a fala.



demorou a entender que o barulho que a incomodava era o próprio celular tocando. Sentia que ainda não tinha dormido o suficiente e pela escuridão, ainda não tinha amanhecido. Tateou a mesinha de cabeceira até encontrar o aparelho, que tinha parado de tocar, e viu que eram pouco mais de duas horas da manhã de sábado. Cochilou com o aparelho em mãos quando tocou novamente, atendeu sem olhar quem era.
- Alô. – Murmurou para o telefone.
- ... – Uma voz estranha e arrastada a chamou e ela não reconheceu a princípio.
Sentou-se na cama, acendendo a luz do quarto e olhou a tela. Era um número desconhecido.
- Quem é? – Perguntou em estado de alerta.
- Eu já sei por que você deve publicar meu livro. – A frase saiu com dificuldade.
- Eu não acredito nisso, Miguel! Você me liga a essa hora da madrugada para falar de trabalho? – Aumentou o tom de voz. - Esqueça o meu número! - Pediu, quase gritando.
- Não! Não desliga! – Ele continuou com a voz enrolada.
- Miguel! Você está bêbado! Vá para sua casa, por favor. A gente conversa depois.
- , vamos almoçar juntos amanhã... – cogitou a possibilidade de estar em um pesadelo, ele não poderia estar sugerindo aquilo depois de tudo.
- Não, Miguel! Não vamos almoçar amanhã, nem nunca. Tchau.
- , me dá uma chance, por favor. – Ele ameaçou chorar e o asco que ela tinha por bêbados aumentou ainda mais.
- Você já teve sua chance, Miguel. E foi escolha sua jogá-la fora. Adeus. – Desligou o telefone antes que a conversa continuasse.
Deitou-se novamente e apagou a luz, mas tinha perdido o sono. Odiava como Miguel ainda conseguia acabar com o humor dela em questão de segundos. Mesmo estando tarde, digitou e enviou uma mensagem para . Ela a perdoaria quando soubesse do aparecimento do ex.

“Almoço amanhã, por favor!
É uma emergência!
Não se preocupe, estou bem!”



5 – Taking a Chance



tinha se arrumado e aguardava na portaria do prédio. Ela havia respondido a mensagem bem mais cedo do que esperava. tinha trabalho pela manhã, faria fotos de uma conhecida que estava grávida no parque, mas confirmou que assim que desocupasse passaria para buscá-la e iriam almoçar juntas. Ela havia, inclusive, sugerido um restaurante pequeno e tranquilo próximo à praia.
Era a primeira vez de ali, e o lugar era muito aconchegante. A garçonete as acompanhou até uma das mesas e entregou um cardápio para cada uma delas. contou dos pratos que já conhecia e quais eram os preferidos dela. Tendo gosto muito parecido para culinária, não demoraram a fazer seus pedidos e apesar de ter os olhos da fotógrafa fixamente em si, não disse nada.
- Já estamos aqui e já fizemos nossos pedidos, quando pretende me contar o que foi que aconteceu?
- Eu disse que não era nada grave. - amenizou.
- Para de fugir do assunto, . - Falou séria. - Você não mandaria uma mensagem daquelas àquela hora se não fosse algo sério. E se você não se lembra, depois do convite para o almoço você escreveu que era uma emergência.
- Miguel apareceu. - Disse de uma só vez, como se tirasse um band-aid e bebeu um pouco de água e arregalou os olhos.
- Não acredito que aquele cretino teve a coragem de dar as caras. - Sua feição era séria. - Como foi isso, ?
- Ele apareceu lá na editora ontem. - Começou a contar e nem piscava. - Marcou uma reunião sem que eu soubesse. Provavelmente se aproveitou de Louise não saber quem ele era, disse que era para discutir sobre a publicação de seu livro.
- Como ela não sabe quem ele é? Deveria ter um poster lá na editora com a cara dele e um aviso de proibido. - Ainda estava séria, mas riu. - Sério, depois dessa eu mandaria Louise embora.
- Juro que não entendo por que você não gosta dela.
- É ela que não vai com a minha cara. - se defendeu, sentia isso todas as vezes em que aparecia na editora e era recepcionada por ela.
- Ela é uma boa secretária, não vou demiti-la por não saber quem era o Miguel, ela até ofereceu ajuda depois que entendeu quem ele era.
- Como se ela pudesse fazer alguma coisa. - falou por pura implicância e negou com a cabeça.
- Continuando…
- Tem mais? - A interrompeu.
- Sim, ele me ligou ontem, um pouco antes de eu mandar a mensagem para você. - abriu a boca, mas se antecipou. - Eu não sei como ele conseguiu meu número. Ele estava bêbado e falou asneiras, na verdade ele revelou o que ele queria desde o momento em que apareceu na editora. O papo de publicar um livro era mais fachada para falar comigo do que qualquer outra coisa.
- E o que foi que ele te disse ao telefone? - Cruzou os braços, imaginando mil coisas que faria com Miguel caso ele se aproximasse de novamente.
- Que queria outra chance. – Respondeu, balançando o canudinho e misturando o suco trazido pela garçonete.
- Mas tem que ser muito desnecessário e burro mesmo para te pedir isso depois de tudo. - estava inconformada. - Lá na editora ele te disse algo?
- Não, só falou do livro dele e tentou me diminuir, mas não conseguiu. O peguei de surpresa mencionando o cargo de Editora Chefe que ele não sabia que eu tinha. Ele ficou de boca aberta, você precisava ter visto. Tudo bem que é um cargo temporário, principalmente porque Vivienne volta na próxima segunda.
- Até que enfim! - fingiu um suspiro aliviado e sorriu. - Só assim para sua vida voltar ao normal.
- Nem me lembre! Estou contando as horas.
- Precisaremos comemorar! - bebeu seu suco.
- Mas a reunião foi bem rápida e lá não aconteceu nada demais, além de ter que olhar para a cara dele.
- E na ligação ele só falou que quer outra chance? Mais nada? - concordou com a cabeça. - Falta é muita vergonha na cara dele mesmo. Se você tivesse me deixado agir quando vocês terminaram, ele não teria coragem de fazer isso agora.
- Lógico que eu não ia deixar você se meter nisso, correr o risco de ele ser violento com você. - negou com a cabeça.
- Tá, e como você está? O que você vai fazer?
- O que eu vou fazer? Ir ao hotel do na terça-feira.
- Como é? – falou com a voz mais alta, atraindo olhares de outras pessoas para a mesa delas. - Não sei se fico feliz por isso ou brava por você tentar mudar de assunto.
- Ué, foi você que perguntou e a única coisa que eu tenho certeza que vou fazer, no momento, é isso. - Deu de ombros, começando a comer.
- , eu estou tão empolgada por você! - riu alto. - Mas o que te fez decidir? Não foi o Miguel, né?
- Não! Claro que não! Eu só pensei que se ele quer me ver não custa nada eu ir. Não tenho nada melhor para fazer.
- Adorei e quero saber de todos os detalhes! - Reforçou o óbvio. - Mas sobre o Miguel, você já pensou em pedir uma ordem de restrição?
- Não tenho nada que possa acusá-lo agora. Tinha mais de sete meses que eu não tinha nem sinal dele. - Explicou.
- Entendi.
- Mas ele não se atreverá a encostar a mão em mim de novo. Não precisa se preocupar. - A tranquilizou.
- Não tem como não me preocupar, . Eu lembro como você estava quando cheguei ao seu apartamento.
- Eu sei, . Mas foi só aquela vez, não acredito que ele fará algo. Não pretendo ficar perto dele.
- , para mim ele é louco e de um louco você duvida de tudo. Vocês namoravam por quase dois anos, você achou que ele estava com outra, ou gostava de outra, e propôs um término amigável. - Contou o que sabia de cor. - E o que ele fez? Achou que era você que estava tendo um caso e partiu para cima de você! - O tom de revolta na voz dela era nítido e as lembranças invadiram a mente da editora, lembranças que precisaram de ajuda de terapia para conseguir superar.
As mãos de Miguel apertando os braços dela com tanta força que ela não conseguia se soltar. Ela conseguindo correr para longe depois de acertar um chute nele. Ele arremessando os três vasos de vidro que enfeitavam o aparador na direção dela, causando alguns cortes nas mãos e nos antebraços que ela usara para se defender.
- Desculpa! - pediu ao notar os olhos de marejados. Sentiu-se culpada por trazer aquilo à tona.
- Tudo bem. - tentou disfarçar com um sorriso e bebeu mais do seu suco. - Ele errou dois dos três vasos que jogou em mim.
- E você acha ter acertado um pouco? , eu tive que te levar ao hospital para dar ponto em alguns cortes.
- E você esquece que eu acertei um enfeite de ferro na cabeça dele que o fez desmaiar.
- , isso não faz o que ele fez menos errado.
- Eu sei! Principalmente porque ele realmente estava com outra. Teve a cara de pau de me dizer que estava com as duas porque não conseguia se decidir se ela era melhor do que eu.
- Pelo visto agora ele viu. - Respondeu, voltando a comer.
- Azar o dele. Eu nem vou pegar o tal livro para revisar, vou passar para outra pessoa lá na editora.
- Isso. E vai pedir a terça de folga para tratar de assuntos particulares! - Voltou a ficar animada.
- Vou mesmo, nem tem o que discutir.
- Mas falando em terça-feira... – fez uma cara de desgosto.
- O que foi? - perguntou, preocupada.
- Lembra que te contei que Arthur estava desesperado para ir ao restaurante?
- Lembro. E lembro também que você estava contrariada com essa ideia porque ele quer um namorado para você.
- Antes fosse um namorado. Ele acha que preciso de sexo. - Deu um sorriso forçado e riu.
- Mas cá entre nós, ele não está tão errado, né? – A editora a provocou e ela mostrou língua.
- Olha só quem está falando de mim! - Sorriu de lado, deixando a amiga envergonhada.
- Vamos mudar de assunto, por favor!
- Não vamos, porque não terminei de contar. Ele escolheu alguém. - Falou no maior tom de derrota que conseguiu.
- Você conhece? Ele é bonito? Charmoso? – Disparou perguntas sobre o possível pretendente.
- Calma! E sim, para todas as suas perguntas. Eu conheci quando tirei umas fotos dele para a revista. Ele é modelo fotográfico, então ser bonito é pré-requisito e é charmoso também.
- Então por que você não está animada? - Bebeu o restante do suco.
- Porque ele é convencido e metido. - resumiu e fez uma careta de desaprovação.
- Ele é esse aqui. – Entregou o seu celular para que a amiga visse uma foto do pretendente.
- Nada mal. – Ele era alto, branco, de cabelos e olhos aparentemente castanhos. – É pegável.
- Sim. – Ela concordou. – Mas não sei se quero...

O resto do sábado havia sido tranquilo. havia deixado no shopping, ela queria se distrair, mas queria ver a disputa do Brasil pelo terceiro lugar, então acabou passeando sozinha, mas não sem prometer que assistiria à final da Copa do Mundo na casa dela junto com alguns amigos que ela já tinha convidado.

não havia dormido muito bem, sentia-se nervosa e angustiada, talvez até um pouco ansiosa. Resolveu arrumar algumas coisas em casa para ver se o tempo passava mais depressa e, para sua surpresa havia funcionado.
Já era quase uma hora da tarde e ela não sentia fome para fazer almoço. Tomou um banho, se arrumou e logo já estava na rua. Decidiu que comeria algo antes de ir para a casa de e optou por um sanduíche, com coca-cola e batatas fritas. Quando escolheu o que iria comer tinha dado até água na boca, tinha tempo que não comia fast food, porém quando começou a comer seu estômago deu sinais de protesto.
Ela sabia que iria passar mal caso não comesse, muitas horas haviam se passado desde a sua última refeição e por isso se forçou um pouco. Nunca gostou de jogar comida fora, mas metade do lanche tinha sido até demais para estado de nervosismo em que ela se encontrava. Estava com as mãos suadas e as pernas inquietas. Não queria acreditar que era só pelo jogo de futebol, mas não conseguia pensar em outra explicação.

- ! Até que enfim! Já ia ligar para você. – a cumprimentou, animada, mas logo sua feição passou para preocupada. – , você está gelada! Está tudo bem?
- Comecei a me sentir mal quando sai de casa, quase não consegui comer. - Contou.
- Que estranho! – Concordou com um aceno.
- ! Como vai? – Josh a cumprimentou e depois Arthur.
Retribuiu aos cumprimentos e viu que o lugar vago, que deveria ser ocupado por ela, era ao lado de . Haviam bacias de pipoca e refrigerante e suco na mesinha de centro e todos eles estavam concentrados na TV.

Aos 15 primeiros minutos já tinha extrapolado o nervosismo, xingava e ela xingava também. Esperavam um jogo como a semifinal com o Brasil, queriam que a Alemanha ganhasse fácil da Argentina. Mas o que estava acontecendo era o oposto, Argentina estava em cima o tempo todo e o estômago da editora ameaçava devolver o pouco de almoço que ela havia ingerido.
Aos 20, a Argentina teve uma chance brilhante, Higuaín estava cara a cara com e errou. Respiraram aliviados. apertava uma almofada com força e respirava fundo, não se sentindo nem um pouco melhor. Aos 28 minutos ganhou um cartão amarelo e ficou mais desesperada ainda quando no minuto seguinte a bola argentina tocou a rede do gol de , mas estava impedido. Até o final do primeiro tempo Alemanha tinha perdido a chance de converter três gols e assim que o intervalo começou foi parar o banheiro.
Estava se sentindo extremamente fraca e quase não conseguiu se concentrar na segunda parte do jogo, pegava alguns pontos principais, cartões, chances de gols, defesas... O segundo tempo tinha acabado em zero a zero e ela começava a duvidar se continuaria assistindo, se sentia sufocada. Aparentemente Messi sofria do mesmo mal, dando ânsia de vômito durante o jogo.
A prorrogação começou e se esforçava ao máximo para acompanhar. Depois de tantos anos sem se importar com futebol, estava desejando esse título como se sua vida dependesse dele. Logo no início Alemanha teve uma chance, mas não conseguiu. A Argentina tinha o gol e jogou para fora. Todos estavam muito nervosos, mas parecia à beira de um ataque cardíaco.
Aos onze minutos da prorrogação ficou no chão e sentiu o coração congelar, o rosto dele sangrava. Ele estava jogando muito bem na opinião dela, mesmo que ela não tivesse assistido outros jogos dele para comparar, e ela achava que se ele saísse do jogo, a situação da Alemanha ficaria pior.
permaneceu no jogo e então aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação o Götze fez um gol. A gritaria no apartamento foi ensurdecedora, assim como nos arredores. A partir daí conseguiu relaxar um pouco, desejando apenas que os minutos passassem mais depressa e que o jogo chegasse ao fim logo, pois se tivessem pênaltis ela não daria conta de acompanhar.
Quando o juiz apitou, os quatro relaxaram os corpos no sofá. mostrou as mãos que tremiam e as de estavam da mesma forma. Na televisão, as reações dos jogadores eram diversas, obviamente muito felizes e emocionados. Mas foi ver chorando que a deixou emocionada. Vencer uma Copa do Mundo deveria ser muito recompensador.
- Não chora, ! – brincou com ela, que bateu a almofada na cara dela.



se sentiu aliviado quando o juiz apitou o final do jogo, mas com o alívio vários outros sentimentos surgiram, tristeza pelo fim da competição e uma felicidade imensa, ele e a seleção eram campeões do mundo! Ele tinha se machucado bastante e sentia alguns lugares do corpo, principalmente o rosto, mas cada segundo tinha valido a pena. Ele fazia parte da conquista do tetra e fazia parte da história do seu país.
Vestiram o uniforme novo por cima, a camisa com quatro estrelas e esperaram em fila para receber a medalha de ouro e em seguida o troféu. A felicidade estava estampada nos rostos deles e tinha certeza de que a comemoração duraria horas.
Um a um os jogadores levantaram a taça e, com a ela em mãos, refletiu sobre sua carreira enquanto jogador. No quanto ele havia crescido ao longo dos anos jogando na seleção. Sentia-se orgulhoso de si mesmo, de todo esforço e algumas lágrimas escorreram por seu rosto. Mas eram todas de felicidade.
Receber a medalha, levantar o troféu, todos os abraços, todas as palavras e todos os momentos estariam eternizados em sua memória. Não conseguiria expressar, não importa o quanto tentasse, o quanto aquilo significava e o quanto fazer parte daquilo significava para ele.
Foram horas ainda em campo comemorando e a comemoração que aconteceria a noite entraria também para a história!

tinha certeza que a espera pela Copa tinha parecido infinita até o primeiro jogo, mas desde que a competição acabara, sua ansiedade se concentrara no possível encontro com na terça-feira. Quanto mais ele tentava se lembrar da fisionomia dela, mais vaga era a imagem que se formava. Isso soava muito estranho para ele, afinal de contas não haviam passado mais de 24 horas juntos. A única coisa que ele sabia é que a possibilidade de revê-la e tê-la por perto novamente mexia com ele.
Estava tão inquieto na cama do hotel que decidiu se levantar, mesmo estando ciente de que eram pouco mais de quatro da manhã. Caminhou até a sacada e puxou de leve a cortina para olhar a rua e, para a sua infeliz constatação, já havia umas 20 pessoas no local, algumas pareciam que estavam lá há muito tempo.
- Mas que planinho de merda que eu fui arrumar! - Suspirou frustrado e bagunçou o cabelo.
Não havia nada que ele pudesse fazer a não ser esperar. Sabia que assim que amanhecesse seus amigos viriam para o seu quarto e fariam questão de não perder um minuto do desenrolar de sua grande ideia. Voltou para a cama e ficou encarando o teto, tentando se concentrar em algo que fizesse o tempo passar.
Acabou cochilando de novo e acordou com batidas na porta. O sol já clareava o quarto e depois de se espreguiçar, levantou para abrir. Como era esperado, todos os seus amigos estavam no corredor, com sorrisos enormes. Todos eles se acomodaram no sofá como se aguardassem um espetáculo, e foi tomar um banho. Se de fato aparecesse, ele queria estar em seu melhor.
- Puta que pariu! – Ouviu a voz de Müller assim que saiu do banheiro.
- Você a viu? – Poldi perguntou, entusiasmado.
- Claro que não! – Müller fez a cara mais óbvia que alguém podia ter e riu. – Como que eu a acharia se nenhum de nós faz ideia de como ela é?
- Ah, é mesmo. Não tenho culpa se vocês me acordaram cedo. – Lukas riu sem graça. – O que foi então que você viu?
- O tanto de gente que está aqui.
- Que muita gente ia aparecer era certeza. – falou o outro óbvio da situação. – A tristeza é acreditar que esse tanto de gente está aqui por causa do . - Provocou o amigo.
- Que engraçado! - foi sarcástico, mas ria.
- Nisso eu concordo! – Lukas voltou a falar.
- Vem aqui logo! – Thomas o chamou com a mão, ainda olhando pela janela. – Veja se acha ela para acabarmos logo com isso.
- Você não precisa ficar aqui, sabia? - estava um pouco nervoso e não precisava de ninguém piorando a situação.
- E perder esse momento? Jamais! - rolou os olhos e caminhou para perto da janela.
A quantidade de pessoas agora era realmente extraordinária. Os outros também se aproximaram e encararam as pessoas na rua do hotel.
- Conseguiu ver se ela está aí? – perguntou após alguns minutos em que todos estavam naquela posição.
- Não sei dizer, mas acho que ela não está aí.
- Olha de novo! Tem gente demais aqui. – Poldi me incentivou.
- Puta que pariu! - Müller xingou novamente.
- O que foi agora, Thomas? – questionou.
- Aquela ali não é a Sarah? – congelou e arregalou os olhos para Thomas. Aquilo não poderia ser verdade... – Olha ali! - Ele apontou para um lugar entre as pessoas e não teve dúvidas de que era a sua ex-namorada.
- Tem certeza? – parecia tão surpreso quanto e Lukas o olhava como quem dizia eu avisei.
- Absoluta. - Confirmou. - A reconheci durante sete anos em estádios com milhares de pessoas.
- E o que você vai fazer? – parecia ler seus pensamentos.
- Não faço nem ideia. – Suspirou, derrotado e se sentou no sofá.
- Não vai nem procurar mais a ? – Thomas voltou ao assunto que tinha momentaneamente esquecido.
- Não.
- Mas essa bagunça toda não é por ela?
- Sim, Thomas. Obrigado pela preocupação. - Respondeu de má vontade.
- O que foi que eu falei? – Ele olhou para os outros que, assim como , o haviam censurado.
- De que adianta eu procura-la agora? Com a Sarah aqui, isso só pode dar errado. Muito errado. – Passou as mãos pelo rosto, se sentindo frustrado.
- Só vejo uma saída. – Lukas disse atraindo os olhares para si. – Não sei se dará certo, mas acho que não temos muita escolha. Digo, você não tem. – Apontou diretamente para .
- Então diga! – Pediu, esperando que fosse uma boa ideia.
- Se você não vai mais procurar a sua garota lá fora, peça para alguém da nossa segurança trazer Sarah para dentro do hotel. Assim vocês podem conversar e você vê o que ela quer sem que isso cause problemas.
- E você aproveita e pede para darem o recado de que você não vai aparecer lá com aquele tanto de gente. – sugeriu.
- Acho bom vocês fazerem alguma coisa logo. – Thomas disse ainda encarando a multidão pela sacada.
- Por quê? – Os três perguntaram ao mesmo tempo.
- Porque está acontecendo alguma coisa lá. Sarah está tentando se aproximar da entrada do hotel e parece que algumas pessoas estão brigando.
- Merda! Vai ser isso mesmo então. Vou falar com alguém da segurança. - disse decidido, saindo do quarto.
- Vou com você. – Poldi disse já o seguindo para fora do quarto.



havia convencido Vivienne de que ela havia trabalhado demais durante a ausência dela e que precisava da terça-feira para cuidar de assuntos pessoais, o que foi concedido prontamente pela chefe. Vivienne estava extremamente satisfeita com o trabalho desempenhado por e que ela havia se surpreendido por não ter recebido reclamações e quase nenhum telefonema enquanto estava de licença. tinha contado a ela sobre Miguel e as duas conversariam mais sobre isso no final da semana.
Como não iria ao trabalho, escolheu uma roupa mais casual e foi ao hotel em que a seleção alemã estava hospedada. Como ela já imaginava, a rua e as calçadas estavam lotadas de gente. Preferiu ficar mais afastada, porque ela não tinha intenção de disputar com aquele tanto de gente desesperada que estava se empurrando toda hora. Havia um famoso café do outro lado da rua com algumas mesinhas do lado de fora, se sentou lá e pegou o cardápio.
- Bom dia, posso lhe trazer alguma coisa? – Um garçom simpático a atendeu.
- Bom dia, gostaria de um cappuccino, por favor. - Sorriu.
- Um momento. – Ele se retirou e ela ficou encarando a multidão.
Ela já desconfiava de que ele não apareceria ali fora com aquela quantidade de pessoas. Talvez não tivesse sido uma boa ideia aparecer, seria praticamente impossível se verem. Estava perdida em pensamentos quando o garçom retornou com seu pedido.
- Obrigada. – Sorriu simpática.
- Uma loucura isso, né? – Ele puxou assunto e ela o encarou, esperando que ele terminasse de falar. – Esse tanto de gente querendo ver os jogadores.
- Ah, sim.
- Algumas já estavam aí quando abrimos hoje.
- Sério? – Ela se surpreendeu.
- Sério. Bom, vou deixá-la apreciar o cappuccino. Com licença. – Ele se retirou e pensou o que acharia daquilo.
já havia terminado sua bebida há algum tempo, e não havia nenhum sinal de que alguém sairia daquele hotel tão cedo. Ela estava considerando ir embora quando notou um tumulto. Havia uma pessoa tentando passar pelas outras e se aproximar da entrada do hotel. As outras protestavam e começaram a se empurrar.
- Eu sou a namorada dele. – Ela escutou uma que tentava passar gritar para uma outra.
- E por que está aqui e não lá dentro? – Outra gritou de volta.
Um segurança apareceu na entrada do hotel com um megafone e o barulho cessou.
- Gostaria de pedir a todas que se afastassem para que a senhorita Sarah consiga chegar ao hotel. – As pessoas reclamaram e Sarah fez uma cara vitoriosa conseguindo caminhar entre as pessoas. – Peço que o restante se disperse. Os integrantes da seleção que ainda estão hospedados aqui não têm intenção de sair. Algumas pessoas começaram a se retirar e continuou observando de dentro do café. Sair dali agora seria um inferno.
- Mas falou que queria me ver depois do jogo contra o Brasil! – Uma mulher gritou alto o suficiente para que os restantes escutassem.
- Mentira! Sou eu que ele quer ver! – Uma outra mulher se aproximou e riu de incredulidade.
- Sinto muito. – O segurança falou. – Mas o que me foi passado é que a pessoa que está sendo procurada não estava presente.
Aquelas palavras a pegaram de surpresa. então havia procurado por ela, mas não a havia visto, provavelmente por estar do outro lado da rua. Não tentou argumentar e não se aproximou. Deixou o dinheiro da bebida em cima da mesa e deixou o local. Olhou para trás e a última coisa que viu foi Sarah entrando com o segurança no hotel.



6 - All Those Fairytales Are Full Of Shit



não entendia ao certo o motivo de ter ficado tão chateada, já que desde o começo ela sentia que não daria certo. E então a resposta logo pairou em sua mente. No fundo ela tinha acreditado que ele não estava em um compromisso, mas saber que Sarah estava ali e que tinha sido a única a entrar no hotel mudava os seus sentimentos. Foi andando sem rumo enquanto várias coisas passavam por sua mente e ela sabia que naquele momento precisava falar com .
— Atende, vai! — Falou sozinha esperando o sinal fechar para atravessar a rua.
— Pois não?
— Ahn... Arthur? — Perguntou, incerta.
— É claro, . Quem mais seria? — Respondeu num tom de obviedade que ela não gostava.
— Sei lá! Cadê a ?
— Eu estou muito bem, obrigado! E você? — Ele respondeu irônico e ela revirou os olhos. Ele atendia o telefone dos outros e ainda insinuava que ela era sem educação.
— Desculpa! Como você está? Eu estou bem. — Falou com a voz mais amável que conseguiu.
— Ah, eu também.
— Cadê a ? Eu preciso falar com ela. — Repetiu.
— Alguém tem que trabalhar nessa vida, né? — mordeu a língua para não dar uma má resposta. Arthur sabia ser um pé no saco quando queria e ela não entendia por que ele e eram tão amigos.
— Ela está na revista? Ou vocês estão em outro lugar.
— Na revista.
— Estou indo aí. Tchau. — Não esperou por uma resposta, sabia que Arthur continuaria enrolando. Entrou em um dos táxis na quadra seguinte e passou o endereço do edifício comercial.

— Uou! — disse assim que entrou em sua sala. — Quando Arthur me disse que você estava vindo para cá eu não acreditei. — Ela sorriu e se abraçaram.
— Pois deveria, eu nunca menti para você. — Arthur respondeu e só então percebeu que ele também estava na sala.
— Conte-me tudo. — Ela pediu. — E pela sua cara não é coisa boa. — fez uma careta e se sentou em uma das poltronas, deixando sua bolsa na outra.
— Bom, embora eu adore uma fofoca, deixarei vocês conversarem e vou resolver uns problemas. — Arthur desencostou da parede lateral e saiu da sala. — E nem pensem em tramar um plano para não ir ao restaurante. — Colocou a cabeça para dentro da sala e apontou o indicador para , saindo novamente da sala em seguida.
— Ele está me vigiando o dia todo para não me deixar fugir. — disse, desanimada.
— Ainda não quer ir?
— Não. — Respondeu de imediato. — Mas não adianta. — Deu de ombros.
— Nem sei o que dizer. — Se solidarizou com a fotógrafa.
— Mas você não veio aqui com um plano para mim. E pela sua cara o “encontro” com não deu certo. — Fez aspas com as mãos.
— Ele nem se deu ao trabalho de aparecer. — Falou de uma vez.
— Como assim?
— Tinha muita gente lá. — Começou a contar, relaxando a postura. — Acredita que duas mulheres falaram para um segurança que eram elas que procurava? — riu. — Na verdade uma disse e a outra a chamou de mentirosa.
— Brasileiro é sinônimo de barraco mesmo...
— Para você ver como foi interessante.
— Mas por que você desistiu e veio embora?
— Eu vim embora porque o segurança do hotel pediu para a multidão dispersar e disse que a informação passada foi de que a pessoa procurada não estava no local. — Deu um sorriso triste.
, você pelo menos chegou perto? — a encarou, suspeitando de que a amiga não tinha feito o menor esforço para ser vista.
— Não, eu te disse que estava lotado. Era impossível. — continuou encarando, com a expressão de incredulidade. Fiquei num café em frente.
— Quer me explicar por que você não chegou na cara desse segurança e falou a verdade?
— Porque Sarah estava lá.
— Como é que é?
— Exatamente isso que estou te contando. — Desviou o olhar e as duas ficaram em silêncio por um tempo. — Sabe, , algumas coisas são feitas para nunca darem certo mesmo. E essa era obviamente uma delas. Talvez a mais óbvia de todas.
— Já te mandei parar de falar assim! Ela estava lá com ele?
— Não, ela estava de fora com todas as outras pessoas. Inclusive acho que ela provocou o primeiro barraco.
— Então eles realmente não estão juntos, !
— Como não? Até onde eu sei foi ela que o segurança colocou para dentro do hotel e não eu.
— E até onde eu sei, você ficou escondida e não foi lá lutar pelo que você queria. — se calou. Sabia que estava certa. — E para você não se sentir como está agora, te digo que se ele ainda estivesse com a Sarah ela não estaria de fora do hotel e sim com ele lá dentro.
— Mas agora já era. — deu de ombros, aceitando o final da história. — Vou deixar você trabalhar. Bom jantar! Tomara que o Bernardo seja legal.
— Tomara! — repetiu, desejando que, por um milagre, ele não fosse um homem como todos os outros.



e Lukas estavam na sala de conferências do hotel. O segurança havia sido instruído a levar Sarah para lá e embora ele se considerasse uma pessoa calma e com bastante paciência, ele estava bem nervoso.
— Pare de andar de um lado para o outro, . — Lukas disse sentado em uma das cadeiras.
— Estou nervoso.
— Sério? — Devolveu com ironia. — Nem tinha percebido.
— Você não precisa ficar aqui, sabia? — Respondeu, parando de andar.
— Não pretendo. Só quero ter certeza de que você não vai voar no pescoço da Sarah assim que ela entrar nessa sala.
— Até parece que eu sou esse tipo de cara. — Rolou os olhos com o argumento ridículo do amigo.
— Eu sei que não, mas você está nervoso.
— Lukas, se coloca no meu lugar. — Sentou-se na cadeira ao lado da dele. — Aquela era minha chance de encontrar a . Eu já te disse que não sei por que eu quero tanto isso. E se ela tiver vindo aqui. E se ela estiver sendo mandada embora agora porque eu não procurei direito. — Lukas ficou pensativo, não tinha considerado nada disso. — Pior ainda será se ela tiver visto a Sarah entrando aqui. Ela deve me achar o maior cafajeste do mundo.
! Quer fazer o favor de parar de falar e me escutar? Não ia adiantar nada você colocar ela aqui e a Sarah também. Imagina o quão pior seria.
— Não tem como piorar.
Lukas estava prestes a continuar com seu discurso quando ouviram as batidas na porta. O segurança a abriu em seguida, revelando Sarah logo atrás de si. Se retirou e fechou a porta no instante seguinte e, puxando a cadeira em frente à Lukas, ela se sentou.
. Lukas. — Ela os cumprimentou e pela feição, ambos sabiam que ela estava irritada.
— Sarah. — Lukas respondeu ao cumprimento e se levantou para os deixar a sós. — Não faça nenhuma besteira. — Sibilou para e cruzou a porta.
e Sarah se encararam por um longo momento. Era como se nenhum deles ousasse quebrar o silêncio e a pergunta que pairava na mente dele era como haviam chegado a isso em questão de dois ou três meses.
— Vai me explicar essa palhaçada? — Desistiu do silêncio quando percebeu que não seria o primeiro a falar.
— Não sei do que você está falando. — Disse calmo. — Quer me explicar o que você está fazendo aqui?
— Nunca esperei esse tipo de atitude de você, . — A expressão dela mudara drasticamente e agora ela ameaçava começar a chorar.
— Você não está fazendo sentido, Sarah. Eu não fiz nada que vá contra algum princípio meu, até onde eu sei. Realmente não sei quais explicações devo a você.
— Como se atreve! — Ela levantou e apontou o dedo no rosto dele. — Mal passou dois meses que a gente se separou e você já está se encontrando com outra?
— Abaixa esse dedo, você nunca falou assim comigo e não será agora que irá começar. — Também se levantou. — Primeiro, foi você quem quis se separar, não eu. — Ela abriu a boca para protestar, mas ele continuou. — Segundo, não devo explicações para ninguém sobre com quem eu me encontro ou deixo de encontrar. E só para constar, eu não estou saindo com ninguém.
— A quem você quer enganar? Você falou para o mundo inteiro que você está procurando uma garota.
— Realmente, estou procurando uma pessoa. E a única chance que eu tinha era hoje e você estragou. E se eu estou procurando é porque obviamente não estou com ela. — Ela pareceu pensar sobre o que ele dizia e voltou a se sentar e ele a imitou.
— Eu não queria nada disso, . Não consigo me acostumar com isso, com não ter você. A gente tinha uma vida e...
— Eu também não queria isso, Sarah. Eu sinto falta também, foram sete anos. Ninguém esquece sete anos assim. — Ele podia não estar chorando ou reclamando, mas isso não queria dizer que ele não tinha sentido a separação e que não sentia falta dela e de momentos do relacionamento deles.
— Então você voltaria comigo? — Sarah perguntou e a esperança em sua voz era nítida.
Sem a perspectiva de encontrar outra vez, talvez Lukas estivesse certo e o mais apropriado a fazer fosse voltar com ela.
— Voltaria... — Respondeu sem ter a completa certeza de que era o que queria. Um sorriso brotou nos lábios dela.
— Ai, ! Fiquei com tanto medo dessa conversa, mas estou tão feliz por você ter aberto mão de ser tão cabeça-dura.
— Do que eu abri mão? — Perguntou, sentindo que tinha perdido parte da conversa.
— De não querer se casar.
— Como assim? Quem falou em se casar, Sarah?
— Você acabou de dizer que voltaria comigo.
— Exatamente, não me casaria. Eu não vou me casar agora. — Repetiu o que tanto já havia dito a ela.
— Mas você disse... Eu... eu achei que estava implícito que iríamos retomar nossa vida.
— Olha, Sarah, você é muito importante para mim e sempre será. Nós realmente tivemos uma vida juntos, mas chegamos a um ponto onde temos interesses diferentes. Eu não me sinto pronto para me casar, eu não me vejo num casamento. E qual o sentido de nos casarmos e acabarmos divorciando logo depois?
— Eu não entendo. Não faz sentido. Por que você não pode ser como os outros? Lukas se casou e é feliz, construiu uma família, tem um filho. Thomas casou e é bem mais novo que você, e também está feliz. Casamento não é um monstro como você vê. — suspirou, cansado, notando que estavam praticamente repetindo as conversas que haviam tido em Munique.
— Sarah, me escuta. Não vejo casamento nem família como algo ruim. Só não estou pronto para isso, não sinto isso. Me desculpe. De verdade. Me desculpe. Porque se foi isso que a trouxe aqui... — Ela enxugou uma lágrima que escorreu. E vê-la chorando lhe partia o coração. — Quero que saiba que não tem influência de ninguém nessa decisão.
— Eu entendo. Eu só... Eu precisava tentar. Minha vida perdeu o sentido, falta uma parte.
— Eu sinto muito. Queria ser o homem que você queria para a sua vida, e sinto muito por não ter percebido que isso te incomodava tanto.
não sabia o que mais podia dizer. Havia sido completamente sincero e estava consideravelmente pior do que antes de começar a conversa. Ele precisava sair daquela sala, precisava ficar sozinho.
— Mais uma vez, por favor, me desculpe pelo que causei em sua vida. — Se levantou e saiu sem olhar para trás.

, Podolski e Müller estavam sentados em um sofá próximo à recepção e mesmo tendo visto todos ali, passou direto e saiu sem rumo.
Milhares de coisas passavam por sua cabeça. Se sentia culpado por ver Sarah daquela forma. Se sentia idiota por jogar tudo fora acreditando que deveria se sentir diferente, se sentir preparado. Passou a se perguntar o que estava fazendo com a própria vida e se estava certo em tomar as atitudes que tinha tomando.
Ficou sentado na areia da praia admirando o horizonte e tentando esvaziar sua mente. Não fazia ideia de quantas horas tinham se passado, mas levantou-se e voltou para o hotel somente quando sentiu fome.
Não queria ter que falar nada nem explicar nada, então respirou aliviado quando notou que nenhum deles estava na recepção do hotel. Viu que o restaurante ainda estava aberto e decidiu entrar para almoçar. Se serviu e mal se sentara quando apareceu na sua frente, puxando a cadeira e se sentando.
abriu a boca para protestar, porém foi mais rápido e já tinha começado a falar.
— Eu não quero saber o que aconteceu nem o que conversaram. — concordou com a cabeça, por puro hábito. — Mas sei que isso está te afetando mesmo que você negue e não consigo fingir que não me preocupo com você.
— Eu sei. Obrigado.
— Como você está?
— Confuso responde bem. — Sorriu. — Mas no fundo sinto que fiz o que era certo. — concordou. — Onde estão os outros?
— Não iam ficar plantados te esperando, né? Eu sou o único idiota que ficou no quarto esperando uma ligação da recepção avisando que você tinha aparecido.
— Ainda bem. A última coisa que eu queria era um interrogatório.
— Imaginamos.
— E o que aconteceu com a Sarah? Ela ainda está aqui? — negou.
— Não sei ao certo, ela só quis falar com o Lukas. Mas acho que ela ia voltar para Alemanha. — assentiu mais uma vez.
— E o que dois alemães solteiros farão essa noite no Rio de Janeiro? — precisava de uma distração e sabia que teria algo em mente. Ele sempre tinha.
— A recepcionista conseguiu burlar a lista de espera de um restaurante novo daqui e fez uma reserva para mim. Pode ser?
— Poxa, , restaurante? — exagerou na reação propositalmente.
— Ei, é um restaurante muito bom. E pela lista de espera é bastante requisitado. — Se defendeu.
— Constatação de um fato, você já foi melhor nisso. — fez uma careta. — Eu esperava algo que incluísse bastante bebida. — Ele riu. — Ao invés disso vamos a um restaurante chique e pareceremos um casal. — Zoou.
— Idiota.
Como a reserva para o restaurante era só no início da noite, tinha recusado outros programas sugeridos por para aquela tarde para dormir. Parte de seu cérebro o recriminava por ir dormir quando estava em uma das cidades mais bonitas do mundo, mas outra parte só queria se desligar de tudo por um tempo. Tomou um banho gelado e se jogou na cama com o ar-condicionado ligado de modo que o quarto ficasse bem frio e depois de poucos minutos estava dormindo.
Acordou com batendo na porta sem parar e reclamando que não tinha atendido ao telefone, quando ele tinha deixado bem claro que as reservas tinham um horário e que ele não estava pronto. Mas não se afetou, não demorava para se arrumar e tinha certeza de que eles ainda chegariam ao lugar antes do horário da reserva.
Pelas roupas que vestia percebeu que o restaurante seria mais elegante do que ele imaginara, ele trajava uma calça e camisa social preta. Foi para o banheiro e logo estava pronto também, optando por uma camisa social branca, calça preta e um paletó.

— Que droga, Arthur! Você deveria ter me ouvido! — reclamou se levantando bruscamente da cadeira.
, espera aí. — Arthur se levantou também. — Eu já estou mandando mensagens para outros caras, aposto que logo algum deles responde.
— Você não existe, Arthur! — reclamou, se afastando da mesa, mas sem prestar atenção aonde ia, acabou trombando com um garçom no exato momento em que ele servia vinho em uma outra mesa. — Ah não! — Ela levou as mãos ao rosto, em choque, constatando o que acabara de fazer. — Me desculpe! Eu sinto muito! — Repetiu notando a mancha no paletó. — Eu pago pelo estrago.
— Está tudo bem. — respondeu com um sorriso, tirando o paletó. — Sério.
— Prazer, Arthur Luna. Amigo da desastrada aqui. — Ele esticou a mão para , que nem mesmo o tinha visto se aproximar, e o abraçou como se fossem íntimos.
estranhou, nunca havia reparado que homens também se cumprimentavam daquela forma no país. Arthur fez o mesmo com que olhou para o amigo tão surpreso quanto ele estivera segundos antes.
— Por que vocês não se sentam conosco e aqui começa a pagar a enorme dívida que tem com você de agora em diante? — Ele voltou a falar.
— Não precisa, de verdade. Não queremos incomodar vocês dois. — respondeu, o clima já não parecia dos melhores entre os dois.
— Hã... Nós não somos um casal! — falou e Arthur riu alto.
— Óbvio que não somos um casal. É impossível eu ser hétero com um sobrenome desses. — olhou para tentando ver se ele também estava achando aquela conversa bizarra e concluiu que sim. Mas Arthur não pareceu perceber nada e continuou falando. — Não será incômodo algum. Nós insistimos. — percebeu que tinha gostado da ideia, sabia que sua companhia não estava sendo a que o amigo esperava.
Concordaram então e os seguiram até uma mesa mais ao fundo. Arthur pediu uma cadeira a mais, pois só tinham quatro ali e fez questão que e se sentassem, sentando-se ao lado de Josh quando a outra cadeira foi colocada.
aproveitou para se apresentar e fez o mesmo, ambos achando um tanto estranho o fato de nenhum deles ter pedido foto ou autógrafo, já que vinha acontecendo com bastante frequência ultimamente, mas continuaram agindo normalmente.
— Eu sou Josh, prazer em conhecê-los.
— Só isso? Você só vai falar isso? — Arthur tinha uma expressão de descrença no rosto. — Cinco anos aqui e você ainda não aprendeu nada com os brasileiros, né?
Josh riu, não levava a sério os ataques de Arthur e encarou tentando entender se ele ainda achava aquilo uma boa ideia.
— Como eu disse, meu nome é Arthur e sou um dos maquiadores da Vogue daqui. E essa é , que também trabalha na Vogue, mas como fotógrafa.
— Prazer em conhecê-los. — falou e sorriu.
— Ah, parabéns por ganharem a Copa! No nosso país, hein. — Arthur sorriu e apesar de os dois terem ficado um pouco sem graça pela situação, sorriram e agradeceram.
— Obrigado. O Brasil se tornou um lugar muito especial para a nossa equipe.
— Não duvido disso. E vocês ficaram muito queridos por vários brasileiros. — falou e no mesmo momento a lembrança de ocupou os pensamentos de .
— Você que o diga, né?! — Arthur interrompeu a amiga. — Ela estava torcendo para vocês loucamente. Não perdeu um jogo! Pela televisão, óbvio. — Acrescentou.
balançou a cabeça, confirmando tudo o que o amigo estava contando e. olhou para ela e sorriu, adorava conhecer fãs de outros países.
— Vocês nem imaginam o quanto foi estressante assistir ao jogo que teve de vocês contra o Brasil! — Josh riu.
— É, aquele jogo foi... — começou a falar e foi interrompido.
— Cômico, no mínimo. Mas você nem se atreva a falar de mim, Arthur, seu patriota hipócrita. — falou para o amigo. — Você só assistiu aos jogos por causa do Hulk.
— E por causa do David Luiz! — Josh completou.
— Eu amo os cachinhos! Mas isso é um absurdo. Eu também amo futebol. — Arthur disse de um jeito nem um pouco convincente, o que fez todos rirem. — Inclusive, um dos meus sonhos de criança era jogar futebol.
— E por que não tentou seguir a carreira? — perguntou interessado e a vontade de de rir aumentou. Arthur não parecia levar jeito para nenhum esporte.
— Você ainda acredita nele?! — Josh riu, confirmando as suspeitas dele. — Arthur, se você jogasse futebol e estivesse em um campo rodeado de homens, não seria capaz nem de prestar atenção na bola. — Arthur ficou em silêncio por um segundo e sabia que nada de bom viria dali.
— Depende da bola que você está falando. — Respondeu e e riram com gosto.
— Viu só? Você não se controla. — Josh o censurou, acenando para um garçom.
— Quanto tempo ficarão no Brasil? — Arthur perguntou depois de todos terem feito os pedidos.
— Quatro semanas, no máximo. Teremos um tempinho de férias antes dos treinos do Bayern e alguns de nós resolveu ficar por aqui. — O goleiro respondeu e se limitou a concordar com um aceno.
— Pelo Rio ou querem conhecer o país? — perguntou olhando diretamente para .
— Pelo Rio mesmo. Queremos conhecer a cidade e, apesar de termos gostado muito da Bahia, sempre ouvimos falar muito bem daqui. — Ele respondeu.
— E vocês estão certos! O Rio tem que ser apreciado. — Arthur comentou e parou por um segundo. — Se não tiverem nada para fazer na sexta, o que eu acho muito difícil porque vocês devem ser bastante requisitados, eu vou dar uma festa na praia, à noite, perto do meu hotel. Estão convidados.
— Essa foi a ideia mais decente que você nos apresentou na noite. — Josh riu e Arthur revirou os olhos em brincadeira.
— Muito obrigado. Com certeza passaremos lá. — respondeu e o amigo o conhecia bem o suficiente para perceber empolgação na voz dele.
— Depois passo o endereço e levem quem vocês quiserem! Podem levar quem quiserem, não me importo. Só deixem as namoradas em casa, por favor. — Arthur piscou para , deixando-o sem graça e riu.
— Isso não será um problema. — O alemão respondeu com um sorriso, ignorando toda a situação daquela tarde. Sentiu o olhar do amigo em si, mas não disse mais nada.
— Ótimo! — Arthur bateu palmas, animado demais depois do quarto drink. — Falando em namoradas, papo sério agora. — Tentou fazer suspense. — Quem é o mau aqui?
— Mau? — perguntou confuso com aquela pergunta.
— É, o durão... — Os dois se entreolharam, ainda sem entender.
— Na cama! — Ele completou e interrompeu antes de qualquer reação deles.
— Arthur! — Ela estava visivelmente indignada.
Arthur era uma pessoa sem limites, isso tinha ficado claro para todos que estavam naquela mesa e começou a rir, tentando evitar que um clima ruim pairasse na mesa depois da bronca de .
— Eu não acredito que você fez isso. — Josh riu incrédulo para Arthur.
— Ué! Só quero saber se a aparência engana mesmo. Porque você tem cara de ser mau na hora, sabe? O canalha que as mulheres amam. E homens também. — Ele apontou para e depois para . — Já você parece ser mais romântico. É assim?
— Não se preocupem em responder, deixem a imaginação dele trabalhar! — Josh se pronunciou e riu.
Os pratos chegaram e durante a refeição os assuntos tinham sido mais leves e agradáveis para todos, mas assim que o garçom retirou o último talher, foi como se trouxesse o assunto de volta.
— De verdade, me desculpem se os deixei desconfortáveis ao fazer aquela pergunta mais cedo. — Arthur falou. — Não me arrependo de ter perguntado, no entanto.
— Não se preocupe, Arthur. — disse e balançou a cabeça.
— Mas é que as aparências enganam. Por exemplo, a minha linda amiga aqui... — Arthur apontou para e ela mordeu o lábio num sinal claro de receio do que viria a seguir.
— Arthur. — Ela tentou interrompê-lo.
— Hoje era para ter sido um encontro duplo. — Josh comentou, atraindo a atenção dos alemães.
— Josh, posso contar a história primeiro? — Arthur se virou para ele e voltou a falar. — Como eu estava dizendo, não é tão ligada em relacionamentos e tal.
— Você vai contar a história toda? — Ela o olhou descrente e ele negou.
— Só vou falar que você não liga para romance, mas que deveria! — Falou, sério na direção dela e voltou a olhar para os dois. — Enfim, tínhamos marcado um encontro duplo hoje. O cara fez uns trabalhos para a Vogue e eu achei que seria bom se se envolvesse com ele, apenas para tirar a tei... Tensão do trabalho, sabe?
— E o que aconteceu? — perguntou realmente interessado e sorriu de canto.
— Nós chegamos aqui e quarenta minutos depois ele não tinha aparecido nem dado sinal de vida. Eu estava indo lá para fora chamar um táxi, quando esbarrei no garçom que derramou vinho em você. — fez uma careta, mas acabou sorrindo.
— Ele te deixou esperando? — olhava fixamente para e ela concordou com a cabeça. — E nem se deu o trabalho de avisar que não viria? — Vendo-a confirmar novamente, desviou os olhos dela para Arthur. — Me desculpe, Arthur, mas precisa que você a apresente a homens, não a garotos. — Ele terminou de falar e estava surpreso, normalmente não se metia na vida das pessoas.
— Você é o meu mais novo ídolo! — Josh disse.
— Eu não preciso ser apresentada a ninguém! — disse, contrariada.
, quantos amigos homens você tem? Tirando eu e o Josh! — Arthur perguntou.
— André é meu amigo!
— Vou reformular. — Fingiu pensar um pouco. — Um amigo homem que não seja gay, que tenha menos de trinta anos e que, preferencialmente, queira ter sexo com você!
— Eu vou te matar. — falou, séria.
— Eu fui bem gentil. Você sabe que eu poderia ter falado de um jeito pior.
— Eu não vou discutir isso com você. Me nego a admitir que sou antissocial ou sei lá o quê.
— Você não é antissocial, só prefere ser uma loba solitária, é diferente. Enfim, esse é o meu ponto. As aparências enganam e não tem nada de errado nisso. A não ser que você não seja o mau na cama! Aí sim é errado! — Arthur voltou a se referir a , deixando-o também incomodado.
— Bom, o jantar foi ótimo. Melhor do que o esperado! — Josh concluiu, levemente envergonhado pelo comportamento do namorado.
— Concordo. Obrigado por terem nos convidado para nos sentarmos aqui. Foi uma noite divertida. — sorriu e Arthur chamou o garçom para trazer a conta. — Está tudo bem, nós pagamos. — Ele pegou o papel com a conta, mas tomou de sua mão no meio do caminho.
— Absolutamente não. Eu destruí o seu paletó e você nem me xingou. Por favor, eu insisto em pagar. — Disse olhando para , que não discutiu.
Se levantaram e caminharam juntos até a entrada do restaurante. Depois de pegarem os números de e de Arthur para serem informados sobre a festa, começaram a se despedir, esperando os táxis de ambos.
— Já pedi desculpas, mas novamente, sinto muito. — voltou a falar e balançou a cabeça, mostrando que não tinha sido nada demais.
— Como eu tinha dito, não tem problema. Estava querendo me livrar disso de qualquer jeito. — Brincou e recebeu um abraço, e, assim que se afastou, se aproximou.
, obrigado por ter derrubado vinho em e me salvado do tédio que seria encarar a cara dele por todas essas horas. — o olhou ofendido, mas começou a rir.
— Nesse caso, não há de quê! — Ela também o abraçou e seguiram para os respectivos carros, onde os motoristas já os aguardavam.



7 - People Fall in Love in Mysterious Ways



— Nunca, nunca em toda a minha vida eu conheci alguém como o Arthur. — Falou a caminho do hotel.
— Nem me diga. Ainda bem que você contornou todas as situações constrangedoras. — deu um tapinha no ombro do amigo.
— Agora o outro já era bem mais normal, bem estranho eles darem certo, não acha?
, pelo que sei o amor faz isso com as pessoas. — Riram.
— E desde quando você sabe sobre o amor? — perguntou com certa curiosidade, mas apenas deu de ombros. — Será que alguma moça presente em nossa mesa nessa noite teria despertado o lado romântico do meu amigo aqui? — Fingiu conversar sozinho.
— Nem começa, . — Ele respondeu, sério.
— Ah, porque eu acho que percebi uns olhares e sorrisinhos... — adorava provocar o amigo e queria ver até onde ele iria.
— Não viaja, por favor. — rolou os olhos.
— Sem falar, é claro, de “Me desculpe, mas ela precisa ser introduzida a homens e não a meninos.” — Repetiu a frase dele, imitando a entonação.
— Para quem estava chateado, seu humor mudou bastante, hein?
— Não vamos falar do meu humor, vamos?
— Não vamos falar de nada. A não ser, talvez, da tal festa. — Ele riu.
— Isso se formos realmente convidados. — ponderou.
— E você duvida? Aquele Arthur com certeza vai nos mandar mensagem. Aquilo é a empolgação em pessoa.
— E você quer mesmo ir a essa festa. — afirmou, olhando para o goleiro e segurando um sorriso.
— Boa noite, . — negou com a cabeça e entrou em sua suíte.
— Boa noite.



— Bom dia, .
— Bom dia. — Cumprimentou a secretária sem muito ânimo.
— Está tudo bem?
— Apenas resquícios de um dia ruim. — Sorriu fraco. — Eu sei que não é sua função, mas você poderia pedir um café para mim, por favor? Peça um para você também. — Pediu deixando as notas em cima da mesa e seguindo para a própria sala.
— Peço em um instante. — Louise sorriu e agradeceu com um sorriso.
Assim que ligou seu computador, notou a quantidade de e-mails que haviam se acumulado em um dia que ela tinha estado fora, levaria muito tempo responder tudo aquilo, mas não havia outra forma.
— Aqui está o seu café. — Louise colocou a embalagem em cima da mesa.
— Obrigada. Alguma coisa diferente no dia de hoje?
— Hmm... — Pensou um pouco. — Vivienne tem uma reunião com você, está se lembrando?
— Sim, mas é mais tarde, não?
— Daqui a uma hora. — Ela respondeu após consultar seu relógio.
— Ok, obrigada! — Deu um gole no café quente e voltou a focar na tela do computador.

Aproveitou a hora até a reunião com a sua chefe para aliviar a caixa de entrada. Começou pelos mais urgentes, não correria risco de ser repreendida na reunião por algo assim. Alguns dos clientes da editora eram extremamente impacientes e a falta de resposta no tempo que eles julgavam suficiente era motivo para entrarem em contato com Vivienne. Alguns bons profissionais já haviam sido repreendidos por isso, e definitivamente não queria ser um desses.
— Bom, marquei essa reunião para discutirmos dois assuntos. — prestava total atenção. — Você e Miguel.
— Não, nós não temos mais nada. — Apressou-se a dizer.
— Não, . Você não entendeu, são assuntos à parte, você e ele.
— Ok... — Aguardou ao invés de intervir novamente.
— Não me faça essa cara de velório porque são notícias boas. — Vivienne sorriu e fez o mesmo. — Bom, mesmo distante pude te acompanhar nas tarefas, não recebi nenhuma reclamação, nenhuma mesmo. — Ela sorriu, aliviada, tinha se matado nos últimos meses, mas ver que tinha valido a pena trazia um sentimento incrível de realização.
— Obrigada.
— Há muito tempo eu observo seu trabalho e potencial, por isso mesmo te passei o meu posto enquanto me ausentei. Acho que a missão mais difícil foi colocar alguém no meu lugar para ir à Alemanha e você foi a única que eu consegui confiar para isso. E acima de tudo, você não decepcionou.
— Você já recebeu a resposta? — Perguntou com expectativa, não tinha ouvido mais nada desde que voltara de viagem.
— Ainda não, mas recebi elogios referentes à sua atuação. — Sorriu novamente. — Continuando... Há algum tempo eu analiso a possibilidade de dividir o cargo de editora chefe. Como você deve ter percebido nesses dias, não é pouco serviço.
— Não mesmo. — Concordou exageradamente, fazendo Vivienne rir.
— E eu sei que você acumulou o meu serviço com outros seus que não poderiam ser passados para ninguém mais. Então essa reunião é, na verdade, para te fazer uma proposta. — Vivienne fez suspense e chegou a prender a respiração em expectativa. — Aceita dividir o cargo de editora chefe comigo?
piscou repetidas vezes, assimilando as palavras de Vivienne e um sorriso largo tomou conta de seu rosto.
— É claro que sim! — Respondeu, sentindo-se verdadeiramente feliz.
— Eu ainda terei maior poder de direção e mais algumas regalias em relação a você, mas com o tempo você chega lá.
— Tudo bem. — tinha consciência que precisava dar um passo de cada vez, e um aumento de salário e uma nova função marcada na porta de sua sala eram um bom começo.
— Agora vamos falar de Miguel. — Ouvir o nome do ex-namorado foi o suficiente para tirar o sorriso do rosto.
— O que tem ele? — Perguntou, séria.
— Fiquei sabendo que ele veio à editora por esses dias. — Confirmou com a cabeça. — Aconteceu algo que eu deva saber?
— Não, na verdade não era nem para você ficar sabendo. Quem te disse?
— Louise. Mas não chame a atenção dela, ela apenas achou necessário e fico feliz que ela tenha dito.
— Ele só quer publicar um livro, que a concorrência não quis.
— Louise mencionou o quanto só servia com você quando ele marcou a reunião.
— Ele é louco. Mas eu passarei para Jorge, conversei com ele e o cronograma dele anda bem tranquilo. Além do fato de que Miguel não vai fazer graça com ele.
— Faça isso mesmo. Não quero ele perto de você novamente. Não sabemos o que ele pode fazer.
— Agradeço a preocupação, mas está tudo bem. Foi realmente uma reunião civilizada.
— Então eram esses os assuntos. — Vivienne fechou sua pasta. — Bem-vinda, nova editora chefe! — Ela sorriu para e ela tinha certeza que seus olhos brilhavam de felicidade.
— Muito obrigada, Vivienne. Não vou te decepcionar. — Reforçou o que a chefe já sabia.
— Eu sei que não. — Apesar de respondê-la, Vivienne já estava fazendo uma ligação. estava prestes a deixar a sala quando ouviu seu nome ser chamado.
, quase me esqueci. — Ela a encarou sem entender. — Pelos seus serviços e pela promoção, acho que você merece pelo menos uma semana de descanso.
— Obrigada, eu estou bem. — Garantiu.
— Não estou te obrigando a tirar essa semana agora. Mas pense, e quando quiser é só me avisar.
— Obrigada. — Repetiu, mesmo que o foco de Vivienne já fosse a ligação telefônica.

Ferrara! — estava totalmente concentrada em uma revisão e se assustou com aparecendo na sua sala daquela forma.
— Que susto, ! O que foi que aconteceu? — Perguntou, alarmada.
— Precisamos conversar. — Ela se sentou na cadeira posicionada em minha frente à e a encarou. — Então… se lembra do dia que fomos almoçar no Outback?
— Sim, o que tem? — Perguntou, marcando no arquivo até onde havia revisado.
— Nada não. Sabe a festa do Arthur? — Ela mordeu o lábio.
— Sei. — Respondeu ainda sem dar muita importância.
— É nesta sexta. Você vai, né? Vai ser na praia de Copacabana, no posto 5. Em frente ao hotel em que ele está hospedado.
— Não sei, . Estou cheia de coisas para fazer, e tenho certeza que vou sair morta do trabalho.
, eu vou fazer com você o mesmo que Arthur fez comigo. — A fotógrafa a encarou séria.
— Coisa boa não é. — Murmurou e a ignorou.
— Há quanto tempo você não namora? — Antes que pudesse responder, ela continuou. — Há 7 meses.
— Como você sabe disso?
— Eu lembro. Mas a questão não é essa.
— Não?! — Perguntou, confusa.
— Há quanto tempo você não transa? — arregalou os olhos em choque.
— Eu não vou responder essa pergunta. — Negou veementemente com a cabeça.
— Não precisa, só fique com isso em mente.
— O que isso tem a ver com a festa de Arthur?! — Cruzou os braços, sentia que a amiga estava aprontando alguma coisa.
— Acho que você só vai descobrir se for. — Foi a única resposta que teve antes de ver a amiga indo em direção a porta. — É sério, você tem que ir. — Repetiu e a editora não conseguia acreditar que acabaria indo à festa apenas pela curiosidade.



O resto da semana tinha passado sem grandes acontecimentos. não havia tocado no assunto da festa, mas tinha certeza de que eles acabariam indo. Ele até já considerava uma boa ideia, Arthur tinha dito que podiam levar quem eles quisessem e então ele não correria risco de ficar sozinho quando o amigo fosse atrás de .
— Terra chamando . — Lukas balançou a mão em frente ao rosto dele.
— O que foi? — Perguntou, só então se dando conta de que ele nem tinha visto Lukas entrar em seu quarto.
disse que vocês foram convidados a uma festa hoje à noite na praia, você vai? — o encarou, esperando para ver onde ele queria chegar.
— Não sei, vocês vão? — Devolveu a pergunta sem demonstrar interesse.
— Acho que vamos sim, o Thomas topou na hora e os outros já tinham planos. Não estou a fim de ficar aqui no hotel à toa. — Ouviram batidas na porta e Lukas abriu para e Müller.
— E então, que horas é a festa mesmo? — Lukas voltou ao assunto e entendeu que uma festa brasileira era uma experiência que ele ainda não tinha tido no Brasil.
— Acho que podemos sair daqui em duas horas. — respondeu.
— Nos encontramos lá embaixo então, pode ser? — Müller deu a ideia e os outros assentiram.
— Anda, . Tira sua bunda desse sofá e vai se arrumar.
— Mas não é daqui a duas horas? — Conferiu as horas no celular, tinha tempo de sobra.
— Se você vai de qualquer jeito, o problema é seu. — Ele deu de ombros e seguiu para o próprio quarto.
— Ah é, você tem alguém para impressionar. — provocou e rolou os olhos, saindo do quarto e fechando a porta. riu, adorava ver o amigo irritado por insinuarem que ele estava de olho em alguém. Tinha sido assim desde que eram adolescentes.
— Acho que nos poupou alguns detalhes. — Lukas comentou, olhando para Thomas e para o goleiro enquanto andavam no corredor.
está só enchendo o meu saco. Ele teve a impressão de que a garota que sentou com a gente no restaurante chamou minha atenção, mas não é nada demais. — Ele sabia que estava mentindo para os amigos, mas falar a verdade não faria diferença. Os conhecia bem o suficiente para saber disso.
— Até mais tarde então. — Thomas foi em direção ao seu quarto e Lukas parou no meio do caminho. — Esqueci de ver algo com o . — Explicou fazendo o caminho inverso.
— Eu juro que vou pegar esse cartão de volta. — reclamou ao ver Lukas entrando no seu quarto novamente sem qualquer aviso.
Lukas não se importou, sabia que não faria aquilo de fato e sentou-se no sofá, ligando a TV. , que até então estava deitado na própria cama, se sentou e fingiu mexer no celular, esperando pelo momento que Lukas falaria o que o estava incomodando. Essa cena já tinha se repetido tantas vezes que era só questão de esperar.
— O que está vendo aí? — Ele perguntou e riu.
— Neste momento estou me perguntando por que você está aqui ainda mais com essa cara de dúvida. — Ele continuou olhando para que riu de novo. — Qual o problema?
— Que tipo de roupa se usa para uma festa na praia? — Lukas parecia realmente confuso e riu alto.
— Virei um guru da moda e nem percebi? — Uma almofada voou pelo quarto, mas Lukas não conseguiu acertá-lo. — Acho que normal. — Deu de ombros.
— Não é isso, babaca.
— E o que é então?
— Em uma festa na praia as pessoas entram na água? Elas vão bem-vestidas ou elas vão como se fosse apenas um passeio na praia? — Lukas realmente estava incomodado com aquilo.
— Bom, a se julgar pelo dono da festa, acho que é algo mais para o bem-vestido do que para entrar na água. Procura alguma coisa aí na internet. — Sugeriu e ele se calou, mexendo no celular.
, você é um gênio. — Ele o olhou ao ouvi-lo dizer isso e viu Lukas sair correndo do quarto, sem fechar a porta.
— Ele não faria isso. — falou para si mesmo e no instante seguinte Lukas estava de volta e com várias roupas na mão. não conseguiu segurar o riso.
— Você não pode estar falando sério! Eu não vou escolher sua roupa! — Se levantou indo ao banheiro e foi puxado.
— Preste atenção, por favor. — Se virou e o encarou. — Pelo que olhei na internet qualquer uma dessas estaria apropriada.
— Então escolhe qualquer uma. — Sua expressão era de obviedade.
— Me ajuda! Os brasileiros estão me amando aqui, não posso passar vergonha. — Batidas na porta novamente e Lukas abriu sem se importar em saber quem era.
— Por que achei que teria privacidade mesmo? — Perguntou para si mesmo, vendo ali.
— O que está acontecendo aqui? Por que não estão prontos ainda?
— Espera aí, você está pronto? — Lukas perguntou e conferiu as horas. Ainda faltava muito tempo.
— Sim. Por quê? — Foi a vez de Lukas rir e e se entreolharam sem entender.
— Nada não. — Tentou segurar o riso. — estava certo, posso escolher qualquer uma dessas que vou estar de boa. — Lançou um olhar às roupas de , que vestia uma camisa social branca e uma bermuda azul e saiu do quarto carregando as dele.
— Ele realmente trouxe as roupas dele para ouvir sua opinião? — perguntou, incrédulo e riu, concordando com a cabeça.
— Já que vai ser impossível ter algum sossego, vou tomar banho. — Avisou, prevendo que ficaria por ali.
tomou banho, arrumou seu cabelo, passou perfume e saiu do banheiro com a toalha na cintura, pois não tinha separado nenhuma roupa ainda.
— Achei que nos encontraríamos lá no saguão do hotel. — Comentou ao ver Thomas ao lado de . Ele estava de jeans, uma camiseta azul e uma camisa xadrez por cima, aberta.
abriu seu guarda-roupa e olhou as opções por um tempo. Pegou as peças e voltou ao banheiro para se trocar. Camisa social preta, jeans escuro e tênis branco. Pegou seu telefone e carteira, colocou seu relógio e se olhou uma última vez no espelho antes de seguir os outros para fora do quarto.
— Nada do Poldi ainda. — negou com a cabeça. — Isso porque avisei duas horas antes. — estava em dúvida se ele parecia mais nervoso ou ansioso.
— Ainda está cedo. — Lukas apareceu, deixando claro que tinha ouvido o que falaram dele. — E estou pronto para uma festa brasileira. — Estava satisfeito com a camisa jeans azul e uma calça bege.
— Então vamos. — se levantou rapidamente e seguiu para fora do hotel.



odiava se atrasar, odiava mais ainda quando se atrasava muito e era exatamente a situação. Nenhuma das roupas que ela tinha considerado usar tinham ficado como ela pretendia ao se olhar no espelho. Nem o vestido florido, que ela achou extremamente adolescente e nada a ver com a festa de Arthur, nem a saia que vestiu em seguida, ficaria preocupada com qualquer vento que batesse e ela não queria ter que se preocupar com isso. Tentou um short com uma blusa de mangas compridas e ao se olhar no espelho sentiu que ainda não era o que eu procurava. Só então que se lembrou de um vestido que havia ganhado de sua mãe de presente e que nunca havia usado. Era um vestido mais justo, acima dos joelhos e com alças. Ele era degradê, começava no branco, na parte superior e logo abaixo do busto ele começava um tom claro de azul, ficando mais escuro na barra inferior.
Ela queria estar bem vestida porque algo aconteceria nessa festa ou não teria ido ao trabalho dela naquele dia. Optou por uma rasteirinha bege que combinava com os brincos dourados que havia escolhido. Havia enrolado as pontas do seu cabelo para destacar e escolhido uma maquiagem com mais destaque para os olhos do que para a boca.
Já que tinha se rendido à festa, ela aproveitaria ao máximo e foi com esse pensamento que ela preferiu ir de táxi até a praia onde seria a festa. Logo já podia se ver a tenda principal da festa e ela estava até empolgada, mesmo não querendo admitir. Assim que pagou e saiu do carro, já avistou Arthur e Josh conversando com algumas pessoas que ela não reconheceu, provavelmente eram da revista.
No entanto, assim que ele a viu, se aproximou dela e ela o cumprimentou pela festa, pelo aniversário e entregou um presente. Cumprimentou Josh com um abraço também e os demais apenas com um aceno. Deu uma olhada geral e não encontrou , sabia que ela já estava lá porque ela havia enviado uma mensagem avisando quando chegou. Mas com o atraso, imaginou que ela estaria aproveitando a festa. Estava saindo de perto de Arthur para dar uma volta quando ele a puxou pelo braço.
— Ela foi dar uma volta na praia, foi por ali. — Indicou o caminho que havia tomado. — E é melhor andar logo porque ela está com o amor da sua vida, o amor da vida dela e mais algumas pessoas.
olhou para Arthur tentando entender o que ele queria dizer, mas lembrando que ele já deveria ter bebido alguns dos seus coloridos e muito conhecidos drinks, acabou ignorando a fala. Seguiu pelo caminho indicado admirando a praia e a lua, tinha tempo que não fazia isso.
Logo a frente avistou duas pessoas de costas para ela e conversando com eles. Ela não havia sido notada pela amiga ainda, mas se aproximou do pequeno grupo, não pareceria uma estranha parada esperando.
Acenou para e ia cumprimentar os três, mas ao ver quem estava ali era como se seu cérebro tivesse congelado. Não só ele como todo o seu corpo. Seus olhos estavam arregalados, ela não conseguia disfarçar a surpresa que era aquela cena.
Aquele era e ao vê-lo sorrir, ela abriu um sorriso verdadeiramente feliz, tentando controlar seus batimentos cardíacos que pareciam uma escola de samba em seu peito. Era estranho que ele causasse todos esses efeitos quando eles tinham passado tão pouco tempo juntos. Abandonou os pensamentos ao ouvir uma tosse forçada de . Estava claro que desde antes ela sabia que estaria lá e ela não havia falado nada. não sabia se queria matá-la ou abraçá-la.
, essa é minha amiga . , esse é o , goleiro da Alemanha e acho que não preciso apresentar você ao . — Ela sorriu satisfeita e deu uma piscadinha discreta.
? A garota do avião? — perguntou, sorrindo, não acreditando na situação. apenas assentiu confirmando suas suspeitas.
— Muito prazer, . — sorriu e retribuiu o aperto de mão.
Ficou sem saber como cumprimentar , já ele não pareceu ter problemas com isso e a abraçou. Embora não tenha durado muito, quando se separaram e não estavam mais lá.
Se encararam por um tempo em silêncio. estava com um sorriso, que tinha certeza que encantava grande parte da população, esperando que ela falasse algo. E ela, que havia internamente desejado tanto esse momento, não conseguia dizer nada. E o sorriso dele diminuiu.
— Você não queria me ver. — Seu sorriso agora era sem graça e ele coçou a nuca, desconfortável.
— Como é? — devolveu um tom mais alto, sem acreditar no que ele havia dito. Ele voltou a olhar para ela, mas não disse nada. — Você realmente acha que minha amiga teria armado isso se eu não quisesse te ver? — Ergui uma sobrancelha e sorriu de lado.
— Não faço a menor ideia. — Ele sorriu, dando de ombros.
— Inclusive, vocês me devem uma história. Ao que parece eu perdi alguns acontecimentos. — Ela começou a caminhar em direção a umas pedras próximas para que eles pudessem se sentar e ele a acompanhou.
— Depois você fica sabendo dessa história. — Ele comentou e assim que se sentaram o silêncio voltou a se instalar. — O que te faz estar tanto em silêncio? No voo você conversou bastante.
— Está dizendo que eu falei demais? — Fingiu um tom ultrajado, ela ainda se sentia um pouco nervosa pela situação.
— Não, estou dizendo que você falava... — Ele a empurrou de leve com o ombro.
— É só que... é muita coisa para mim. — tentou explicar sem soar rude. — Desde que te conheci, posso dizer que minha vida está de cabeça para baixo.
— Uou! Causei tanto estrago assim? — Ele perguntou, sério.
— Não! É um cabeça para baixo de forma positiva. É muita coisa porque primeiro, você nem me contou que era jogador.
— Eu posso explicar. — Sorriram um para o outro. — Segundo, aparece na minha porta para dizer que a seleção está me procurando. E eu não acreditei muito e então você falou ao vivo para o mundo inteiro. E tem também o fato de… — Fez uma careta, ela não pretendia tocar nesse assunto.
— Sarah, não é? — foi direto e concordou com a cabeça. — Só para deixar bem claro, ela é minha ex.
— Menos mal. — Ela riu, tentando aliviar o nervosismo. — E aí eu me convenci a te encontrar, mas...
— Espera! Você foi? — Ele a interrompeu.
— Sim, devia ser importante para você anunciar para o mundo inteiro. — Ela sorriu de novo. — E quando cheguei lá constatei o óbvio, todo mundo que queria uma chance de te ver estava lá, inclusive a Sarah. Eu nem acreditava que te veria novamente e você está aqui. — Se calou, percebendo que havia falado demais como sempre fazia quando ficava nervosa.
— Peço desculpas pelos transtornos causados. — Ele falou, fazendo uma cara séria, fazendo com que ambos rissem. — Só quero deixar registrado que a ideia do Twitter não foi minha e quando eu vi não tinha volta então eu tentei, mas aí você não respondeu e quando eu dei por mim tinha falado aquilo na TV. Óbvio que muitas pessoas apareceriam. — Ela concordou com a cabeça. — E quanto a Sarah, outra história longa, com certeza para outro momento. — concordou. — Sobre não ter te contado a verdade no avião, — ele começou — eu não tinha nenhuma intenção de esconder, mas quando vi que você não fazia a menor ideia de quem eu era e me tratou como uma pessoa qualquer, tinha tanto tempo que eu não era simplesmente que aproveitei.
— Entendi. — Levou sua mão até a dele. — As pessoas devem ver sempre o jogador e esquecem que você é uma pessoa.
— É por aí. — Ele parou de olhar para e encarava agora algo atrás dela. Ela se virou e viu que estava ali e estava visivelmente contrariado. Sentou-se do lado de e ele e se entreolharam em silêncio.
— Modelo fotográfico. — falou com desdém. — Grande coisa! — segurou o riso vendo a contrariedade do amigo e olhou na direção da qual ele tinha ido. Viu outro cara conversando com e deduziu que fosse o tal Bernardo. Algumas peças estavam faltando para completar isso e faria questão de que contasse tudo depois.
— Que tal voltarmos para as tendas e pegarmos algumas bebidas? — Ela sugeriu, tentando quebrar o clima recém-instalado. percebeu a intenção e logo se levantou dando início a caminhada inversa que haviam feito mais cedo.
— Bom que você conhece os outros. — comentou, fazendo-a olhar para ele.
— Outros quem? — Arqueou a sobrancelha.
— Jogadores da seleção, nossos amigos.
— Tem mais de vocês aqui? — Falou um pouco mais alto do que pretendia e riu.
— Sim, Thomas e Lukas estão por aí.
— Como Arthur conseguiu isso? — Perguntou, balançando a cabeça em incredulidade.
Chegaram à tenda e seguiram para o balcão de bebidas.
— O que vão querer? — perguntou enquanto eles olhavam o menu de drinks. Arthur não tinha economizado em absolutamente nada.
— Vou ficar na cerveja mesmo. — sorriu, colocando o menu de volta ao balcão.
— Vou te acompanhar. — disse.
— Ok. Duas cervejas e uma tequila sunrise, por favor. — Pediu ao barman, que não demorou a entregar. Agradeceu e seguiu até uma das mesas com eles.
— Então... — queria puxar algum assunto para evitar pensar em com o modelo. — Você também trabalha na revista? Com o Arthur e ?
— Não. — Negou com a cabeça. — Eu sou editora-chefe de uma editora aqui do Rio. Sou amiga da há muito tempo, conheci Arthur por causa dela. — Bebeu um pouco do drink.
— Bebendo sem a gente? — Ela ouviu alguém falar e se virou vendo duas pessoas que ela não conhecia e deduziu que fossem os outros jogadores.
, esses são Lukas Podolski e Thomas Müller. — os apresentou e ela se levantou para cumprimentá-los.
— É um prazer. — Indicou os outros assentos e eles se sentaram.
, igual a do avião? — Müller perguntou e ela desviou o olhar para baixo.
— Não! — Lukas disse com um grande sorriso. — Não acredito que é a do . — olhou para e riu fraco, sentindo o rosto esquentar.
— Ela não é "minha ". — Ele disse, rolando os olhos.
— Não sabia que estava tão famosa assim. — Ela entrou na brincadeira.
— Como isso aconteceu? — Lukas perguntou, tentando ligar os pontos.
— Ela é amiga da . — explicou.
— Essa sou eu! — apareceu de repente. — O que tem eu?
está contando para eles que somos amigas. Obviamente você me escondeu algumas coisas.
— Nem começa, você me ama!
— Amo.
— Vocês não vão beber nada? — Ela encarou os recém-chegados e bebeu do copo da amiga. — Não sei como você gosta disso, . — Fez uma careta.
— Você sempre fala isso, e sempre bebe. — Ela riu e acompanhou o Thomas e Lukas até o bar.



8 – Don’t Stop The Party

e seus amigos estavam bebendo e conversando com alguns convidados da festa que haviam se sentado na mesma mesa e, de onde ele estava, conseguia ver perfeitamente e dançando muito empolgadas na pista de dança, comprovando a teoria de que as brasileiras dançavam muito bem. Elas haviam virado algumas doses de tequila um pouco antes, e internamente ele desejava estar lá com ela e não ali falando de futebol. Mas a realidade era que era um bom jogador e um péssimo dançarino, então continuou sentado conversando.
. — Ouviu Lukas chamar e pela expressão no rosto dele, ele sabia no que ele estava prestando atenção.
— Oi. — Respondeu, só então notando que havia duas mulheres muito bonitas paradas ao lado da mesa.
— Essas são Mel e Luna, são modelos que já trabalharam com Arthur. — as cumprimentou e logo Thomas trazia duas cadeiras para elas sentarem com eles. — E esse é Bernardo, também é modelo. — Ele completou e pela cara ruim que tentou disfarçar, sabia que era esse o modelo que deveria ter encontrado no restaurante.
A carranca de era hilária, e se segurou para não rir, não queria ter que explicar o motivo e por mais que ele tentasse prestar atenção no novo assunto da mesa, seus olhos insistiam em focar nela, aonde quer que ela estivesse.
Uma das modelos, Luna, se aproximou de , tentando convencê-lo a dançar. Pela forma que ela o olhava, pelo sorriso e pela quantidade de vezes que passava as mãos como se fosse por acaso em seu braço, ele sabia bem o que ela queria. Mas se tinha uma pessoa naquela festa que ele estava interessado, com certeza não era a modelo.
Foi bastante simpático, lançou olhares para para que ele o ajudasse a sair dessa, mas o goleiro estava muito concentrado em conversar com a outra modelo. Procurou por ou para usar a desculpa de que alguma delas estava lhe chamando, mas elas estavam no bar, conversando e não olhavam na direção dele.
Sem uma desculpa realmente convincente, acabou sendo arrastado para a pista de dança por Luna e internamente se arrependia de não ter ido dançar quando a estava lá. A música era uma batida eletrônica constante e se movia o mínimo possível acompanhando o ritmo, apenas para não ficar parado. Mesmo com a modelo dançando sensualmente em sua frente, seus olhos estavam novamente encarando . Ela também o olhava, mas sua expressão estava fechada, quase como se ela estivesse com raiva.
Foi então que percebeu que não estava mais ao lado dela no bar, ela estava vindo com para a pista e ele tinha duas certezas naquele momento: que seu amigo se daria bem aquela noite e que pagaria o mico do século na pista, porque se dançava mal, era ainda pior.
Luna se aproximou dele e colocou os braços em volta de seu pescoço. levou as mãos até os braços dela, com a intenção de tirá-los e afastá-la um pouco. Mas antes que isso pudesse acontecer, passou por ele, acertando seu braço com o ombro com bastante força. Franziu a testa tentando entender o que havia acontecido e se aproximou, ainda dançando com , e fez um sinal com a cabeça indicando que ele deveria segui-la.
Pediu licença a Luna, que não pareceu se importar, e fez o caminho que havia feito antes. Ela não estava muito longe, estava de pé sentindo as ondas baterem e molharem os pés.
... — Chamou e ela virou o rosto em sua direção por alguns segundos, voltando a olhar o mar a sua frente.
Ela não disse nada, mas não tinha mais a expressão dura de antes.
, está tudo bem? — Perguntou, agora mais próximo.
— Claro. — Ela respondeu, sem emoção.
— O que foi que aconteceu? Você parecia estar se divertindo no bar com suas amigas.
— E você com a sua. — soltou visivelmente emburrada e teve vontade de rir. Ela ficava uma graça assim.
— A Luna? — Provocou. — Você está com ciúmes? — Segurou o riso.
— Ciúmes? — Ela repetiu com a voz mais aguda. — De jeito nenhum. — Era visível que aquele lado só estava à mostra por causa das doses de tequila e estava adorando.
— Eu acho que é sim. — Insistiu.
— Por que eu teria ciúmes de você? — A expressão dela era de quem tinha ouvido a coisa mais absurda. — Só porque você é bonito, encantador e um bom jogador? — Ela enumerou nos dedos e só então percebeu o que tinha dito, arregalando os olhos em seguida e levando as mãos à boca.
— Então você me acha um bom jogador? — Repetiu com um sorriso de canto, se aproximando mais dela.
— Eu... Eu não conheço muitos, então você deve ser bom. — tentou se esquivar, mas era tarde demais.
— Eu acho que não foi isso que ouvi, parece que alguém me acha bonito e encantador... — negou com a cabeça, com os rostos a milímetros de distância um do outro. — Que pena! Porque eu ouvi por aí que tem um jogador de futebol igualmente encantado por uma brasileira que ele conheceu no avião.
— Você está? — Perguntou, surpresa, mas com um sorriso discreto.
Era isso o que faltava para fazer o que tanto queria desde que havia colocado os seus olhos nela naquela noite. Beijá-la.
uniu seus lábios aos dela, mas não correspondeu. Abriu os olhos e começou a se afastar, mas o impediu, passando os braços em volta do pescoço dele e o puxando novamente para mais perto. As mãos dele foram para a cintura dela e as bocas se encontraram novamente. E dessa vez o beijo se intensificou.
sentia seu coração batendo forte. Ela tinha imaginado como seria beijá-lo, mas a realidade era muito melhor do que qualquer coisa que tinha se passado em sua mente. Era o primeiro cara que ela beijava depois de muito tempo, podia ser isso, ou o álcool, mas ela seria capaz de dizer que aquele tinha sido o melhor beijo da sua vida.
Para a situação não era tão diferente. Sabia que era apenas um beijo, mas era como se algo dentro dele se aquecesse ou voltasse a ter vida. Subiu uma de suas mãos pelas costas dela e intensificou o beijo com a mão agora em sua nuca. Se afastaram para recuperar o fôlego e ele mordeu de leve o lábio inferior dela, o que a fez rir.
sentia que um sorriso enorme tomaria conta de seu rosto se ela não se controlasse. também sorria e embora ela adorasse o sorriso dele, ela só conseguia lembrar da sensação de minutos atrás. Sem pensar demais, puxou o rosto dele e deu início a um novo beijo, que se dependesse dela, duraria a noite toda.

Não faziam ideia de quanto tempo tinha se passado entre pequenas conversas, alguns risos e muitos beijos. Decidiram voltar para onde a festa acontecia e o calor fazia desejar outra bebida. Ela sabia que todos os olhares estariam nela e ficou receosa por um momento. Olhou para o lado, mas parecia tranquilo.
— Se eu estava sendo zoado antes, não quero nem imaginar o que vão dizer agora. — disse, sorrindo.
— Te zoaram? Por minha causa?
— Não, por mim mesmo. Mas é só ignorar. — Ele deu de ombros, totalmente despreocupado.
— Nem vamos precisar, acho que eles não estão mais aqui. — comentou ao ver a mesa que eles ocupavam totalmente vazia.
— Eles foram para uma boate com as modelos. — Se viraram ao mesmo tempo em que ouviram a voz de . estava ao lado dela.
— Ainda bem que vocês voltaram, não aguentava mais dançar. — Ele fez uma careta e o empurrou, rindo.
, vamos pegar mais bebidas? — a chamou, já seguindo para o bar. — E aí, vocês se beijaram? — Ela perguntou um pouco mais alto.
— Fala baixo! — A tentativa de era parecer brava, mas foi em vão, pois começou a rir.
— Estou falando em português, eles não entenderam. — continuou em silêncio, torturando a amiga. — Anda, ! Beijou ou não beijou?
— Você estava me vigiando, não estava? — estreitou os olhos.
— Claro que não! Se você não percebeu eu estava com uma companhia muito interessante e não perdi tempo te vigiando. — deu um gole no drink que o barman tinha colocado a frente dela. — Mas eu notei traços de batom na boca do e se não for seu, sinto muito, amiga, ele pegou outra. — Ela falou com naturalidade e riu.
, não dá para acreditar... E você armou isso tudo e escondeu de mim! — Reclamou.
— Valeu ou não valeu a pena? Então pronto. Essa é uma conversa que podemos ter depois, então vamos aproveitar nossos alemães porque diferente de você eu ainda não beijei.
— Vamos dançar. — estendeu a mão e se deixou guiar até a pista de dança, que já estava bem vazia.
— Achei que você tinha dito que não levava jeito para dançar. — Repetiu o que ele mesmo tinha dito mais cedo.
— E não levo mesmo, você já vai constatar isso. Mas meu amigo ainda está no zero a zero com sua amiga e não sou eu quem vai atrapalhar.
— Ah, então os meninos também fofocam... — Ela brincou e ele rolou os olhos.
— Vem cá, vem. — a puxou pela cintura e trocaram um beijo rápido.
Estilos variados de música tocaram e não havia mentido, ele realmente não levava jeito para a dança, mas ainda assim tinha sido bem divertido e só diminuíram o ritmo quando apareceu avisando que Arthur e Josh já estavam muito bêbados e que com a ajuda de ela os levaria de volta para o hotel. Aquela provavelmente seria a oportunidade de algo acontecer entre ela e o goleiro e por isso não ofereceu ajuda.
— Acho que preciso ir para casa. — disse depois de duas músicas.
Estava com a cabeça apoiada no ombro dele e sentia seus pés doerem.
— Eu queria te mostrar uma coisa antes. — Ele disse, consultando o relógio. — Posso?
— Claro. — Concordou sendo pega de surpresa quando ele entrelaçou os dedos aos dela no caminho até o táxi.
As ruas não estavam muito vazias, mesmo assim em poucos minutos estavam na entrada do hotel. O mesmo hotel que tinha ido na terça-feira, mas a situação era completamente diferente. O grande relógio atrás da recepção do hotel chamou a atenção dela e ela se assustou com as horas.
— Vamos rápido ou vamos perder o que quero te mostrar. — Entraram em um dos elevadores. apertou o botão, mas ficou na frente para que ela não visse.
— O que você está aprontando, ?
— Feche os olhos, é uma surpresa. — sentiu uma ansiedade crescente em seu peito e um pouco relutante, fechou os olhos.
— Posso acabar dormindo a qualquer momento. — Confessou quando um bocejo escapou e ele riu.
Só então passou pela cabeça dela de que poderiam estar indo ao quarto dele e essa ideia a deixou um tanto apreensiva. No entanto, assim que o elevador parou e as portas se abriram, ela sentiu o vento em seu corpo, deduzindo que estavam numa área aberta.
— Pronto. — disse atrás dela, depois de guiá-la.
estava certa, eles estavam no terraço do hotel e a vista era incrível. Como ela amava aquela cidade.
O céu já estava bem mais claro e acinzentado, logo o sol surgiria. Caminharam em silêncio até um dos sofás próprios para terraços e se sentaram. passou o braço em volta dos ombros dela, a deixando ainda mais perto dele e ela se permitiu aproveitar o momento. Encostou a cabeça no ombro dele e deu um beijo rápido e não planejado em seu pescoço.
— Você deve ter visto isso milhares de vezes. — Ele comentou quando os raios de sol já surgiam timidamente entre as nuvens.
— Para falar a verdade, não.
— Não?
— Geralmente eu estou dormindo quando o sol nasce. Eu sou péssima para ficar acordada até tarde ou acordar muito cedo. — Confessou. — O pôr do sol é mais fácil de ser apreciado, mas às vezes ainda me surpreendo.
— É a primeira vez que venho aqui, mas realmente é um dos lugares mais bonitos que já conheci.
— Pois é. O Rio é lindo, mas a gente acaba vivendo tão preso na rotina lá embaixo que às vezes nem lembra do quanto uma vista assim é reconfortante.
Voltaram a encarar o nascer do sol e estava se sentindo como a pessoa mais sortuda da Terra naquele momento. E então ela dormiu, exatamente onde estava, encostada nele.
— Vem, . — Abriu os olhos brevemente.
— Aqui está bom, vou dormir só mais um pouquinho. — Falou, se aconchegando novamente.
— Vamos para o quarto, . — Abriu seus olhos de uma vez, aquela frase era perigosa.
— Eu preciso ir para casa. — Se levantou e seguiu ao lado dele até o elevador.
, você está caindo de sono, vai acabar dormindo dentro do carro no caminho.
— Você está provavelmente certo.



— Você o quê? — gritou do outro lado do telefone.
— Pare de gritar, . — riu do exagero da amiga. — É isso mesmo que você ouviu, eu dormi no terraço e ele me convenceu a dormir no quarto dele.
— E vocês...? — Ela deixou no ar.
— É claro que não! É de mim que estamos falando.
, eu não sei o que mais me espanta. Se é você ter aceitado dormir no quarto dele ou você não ter efetivamente dormido com ele. — parecia realmente desapontada.
— Para falar a verdade eu só pensei que era uma oportunidade única e que eu não deveria desperdiçar.
— E não devia mesmo. Se você tivesse recusado eu ia até aí bater em você.
— Aham... — A provocou. — Mas me conta do resto da sua noite com o .
, você dormiu no quarto do e acha mesmo que vamos falar se ? — Ela deu uma risada forçada.
— Não gosto de ser o centro das atenções.
— Mas você é, então trate de me contar o que aconteceu em detalhes ou farei você me contar pessoalmente e aí sim vai ser constrangedor. — bufou, odiava quando a amiga fazia esse tipo de chantagem.
— Ok, o que mais você quer saber?
— Tudo! Aonde você dormiu? Vocês dormiram juntos? Se beijaram mais?
— Dormi na cama dele e, sim, dormimos juntos. Ele percebeu que eu não estava muito confortável com a ideia e até se ofereceu para dormir no sofá, mas achei que era muita maldade fazer alguém dormir naquele sofá minúsculo perto de uma cama enorme daquelas.
— Não rolou nadinha? — Ela tinha um tom decepcionado na voz.
— Nos beijamos no terraço algumas vezes, nada além disso. Mas preciso contar uma coisa.
— E está esperando o quê?
— Ele dorme só de calça e acho que ele percebeu quando eu o sequei descaradamente. — falou baixo como se confessasse um crime.
— Ai, ... Isso eu queria ter visto!
— Ele quase sem roupa ou minha cara de retardada?
— As duas coisas. — Ela voltou a rir. — E posso saber como a senhorita dormiu? Se me disser que foi só de lingerie eu juro que não te reconheço mais.
— Não, ele deixou uma camiseta dele para mim no banheiro quando saiu.
— Sabe que só tenho um medo nisso tudo, né? Tenta não se apegar muito.
— Pode deixar. — Falou, tentando se convencer realmente daquilo.
— E quando acordaram, como foi?
— Eu acordei e ele ainda estava dormindo, só me troquei, pedi um café da manhã e deixei um bilhete ao lado antes de sair. Agora acabou, me conta logo de você e . — respirou fundo antes de começar.
— Bom, Josh já estava apagado e foi mais fácil, Arthur deu mais trabalho e quando finalmente consegui que ele ficasse quieto, estava encostado no parapeito da sacada do apartamento observando o sol nascer.
— Alemães não são muito criativos...
— Eu fiquei ao lado dele, ele falou umas coisas bonitas e nos beijamos.
— Ainda bem! Se não se beijassem acho que o não ia deixá-lo em paz.
— Ele também falou muito do , são tão amigos quanto nós duas.
— Eu só não me conformei com a sua falta de detalhes, sabe.
— Não tem detalhes, a gente só se beijou mesmo por um tempo, e depois cada um pegou um táxi para um lado. Ele disse que tinha que ir para o hotel porque vai para Arraial do Cabo com os outros e eu vim para casa.
comentou mesmo sobre o passeio do final de semana.
— Bem que podíamos arrumar algo para fazer também.
— Se pensar em alguma coisa me avisa. — Se despediram e desligaram um tempo depois.



— Eu vi... — Foi a primeira coisa que ouviu ao sair do quarto com a mochila nas costas. Se virou, dando de cara com Podolski.
— Viu o quê? — Perguntou, cauteloso. Não sabia onde ele e Thomas tinham ido depois da festa e talvez o melhor fosse não saber.
. Saindo por essa mesma porta mais cedo. — relaxou os ombros.
— Isso faz com que pelo menos um de nós tenha visto. — Disse sem vontade de continuar o assunto naquele momento. Doce ilusão, Lukas jamais deixaria isso passar.
— Como assim? Ela fugiu depois do sexo? — Lukas fez uma cara de espanto exagerada enquanto esperavam pelo elevador.
— Não viaja, cara. Não teve nada disso.
— Teve pegação sim que eu vi. — Fez uma cara safada e riu com ele. Entraram no elevador e agradeceu mentalmente por estar vazio, pois a presença de outras pessoas não o faria encerrar o assunto.
— Estávamos no terraço e ela acabou dormindo, era mais simples ela dormir aqui do que voltar para casa dela. — Deu de ombros, como se não fosse tão importante assim.
— Então vocês dormiram juntos sem sexo? — Lukas repetiu, totalmente incrédulo.
— Cala a boca que ninguém precisa ficar sabendo. — Deu um tapa na cabeça dele quando saíram do elevador.
Thomas e já estavam na recepção com as suas respectivas mochilas e a chave do carro alugado. Guardaram as coisas no porta malas e logo deu partida no carro, entre os quatro ele era realmente a melhor escolha de motorista para que chegassem bem Segundo o GPS instalado no carro, a viagem duraria entre duas horas e meia e três horas.
— Vai dormir? — Thomas perguntou bem mais alto do que o necessário, assim que ele fechou os olhos.
— Se você não gritar... — Foi sua resposta imediata e percebeu que estava de mau humor.
— Parece que a noite de alguém não terminou tão boa assim... — Thomas provocou e o olhou pelo retrovisor.
— A minha noite foi ótima. — Começou a responder e foi interrompido por Lukas.
— Tirando que não rolou sexo e ela foi embora antes de ele acordar. — Ele falou rápido e o carro ficou em silêncio por um segundo antes de explodirem em gargalhadas.
— Rá, rá. — ironizou e voltou a fechar os olhos.
— Conta mais. — Müller pediu.
— Não sei de nada, cara. Só coincidiu de eu estar entrando no meu quarto e vê-la saindo do quarto dele. — Lukas disse tudo num tom inocente que em nada combinava com ele.
— Poxa, vou ter que imaginar então o que aconteceu. — Müller estava extremamente agitado e voltou a abrir os olhos.
— Podolski está mentindo, eu contei para ele o que aconteceu.
— E o que aconteceu? — finalmente se pronunciou.
— Fomos para o terraço do hotel e ela acabou dormindo, achei que seria melhor ela dormir no hotel do que voltar para casa dela. Só isso. — Repetiu a mesma coisa mais uma vez. Tentou deixar claro que não era nada demais, mesmo que no fundo ele estivesse um pouco chateado.
Quando insistiu para que ela dormisse ali ao invés de voltar para casa, ele não tinha outras intenções, tanto que estava disposto a dormir no sofá do quarto, por mais desconfortável que fosse. Quando o chamou um tanto tímida, já deitada e embrulhada até o pescoço e disse que era para ele dormir ali com ela ao invés de dormir no sofá, ele sentiu que ela confiava nele e de certa forma foi reconfortante.
Claro que tê-la ao seu lado mesmo que dormindo não foi o suficiente para evitar que outros pensamentos surgissem e acabou demorando um pouco para enfim pegar no sono.
Não havia passado muito tempo entre ter conseguido dormir e acordar, ainda sentia sono e quando se mexeu na cama notou que não estava lá. Por um momento pensou que ela estivesse no banheiro, já que a porta estava fechada, mas percebeu que estava sozinho quando viu a camiseta que havia emprestado para ela dormir em cima do braço do sofá. Se levantou e viu na mesinha uma bandeja com café da manhã. Mais atentamente viu um papel ao lado da xícara.

Obrigada por tudo!
Aproveitem o passeio!
.

Por um momento achou atencioso da parte dela ter pedido o café e deixado um bilhete, mas parte dele estava frustrado por ela ter ido embora enquanto ele dormia. Não conseguia lembrar de ter feito algo enquanto dormia e uma vozinha martelava em sua cabeça dizendo que talvez ela simplesmente podia ter chegado à conclusão de que ele não era tão interessante assim.
— Mas o que aconteceu com você e a , hein ? — Mudou o foco da conversa assim que encontrou oportunidade. — Vocês foram levar Arthur e Josh para o apartamento e nunca voltaram. Eu e a cansamos de esperar por vocês.
— Teremos aqui uma história mais interessante do que a de , senhoras e senhores? — Lukas fez voz de locutor, levando todos ao riso novamente.
— Não aconteceu nada. — disse simplesmente.
— Nem um beijo? — Thomas colocou a cara entre os bancos da frente e o rosto de ficou um pouco vermelho.
— Alguém está com vergonha. — Lukas disse o óbvio e segurou o riso.
— Tá, tá, a gente se beijou, mas foi só isso. Eu disse que precisava voltar para o hotel porque íamos viajar hoje e ela foi para o apartamento dela.
— Meu Deus, é um pior do que o outro. — Müller constatou com tristeza na voz.
— Lukas, como esses solteiros não sabem aproveitar a vida de solteiros deles?
— A Lisa é que te conheceu bem o suficiente para saber que se não casasse rápido logo viraria ex. — disse e o assunto mudou.

Chegaram a Arraial do Cabo perto das três horas da tarde, mas antes de irem para o hotel, decidiu dar uma volta pelo lugar. Podolski fazia parar o carro de tempos em tempos para tirar fotos. não tinha palavras para descrever a vista de lá. Estava completamente encantado, todas as praias pareciam incríveis e ele mal podia esperar para entrar naquela água limpinha.
Nem desfizeram as malas quando chegaram ao hotel. Müller fazia questão de repetir a cada 2 segundos que não podiam perder aquele dia de praia. Lukas estava no mesmo nível de animação dele, mas estava com fome e adiou os planos. Antes que Thomas pudesse reclamar mais da falta de companheirismo do amigo, disse que também precisava comer alguma coisa.
Acompanharam os dois até a praia e seguiram para um restaurante que indicaram no hotel. O restaurante estava praticamente vazio a não ser por um casal que ocupava uma mesa e uma família grande em outra. e fizeram os pedidos sem demora e o goleiro estranhou o silêncio do amigo.
— O que exatamente aconteceu? — Ele perguntou assim que bloqueou a tela do telefone.
— Quando? — Tentou fugir do assunto mesmo sabendo que era bem difícil conseguir.
— Ontem. No hotel. Você e a . — Foi direto.
— Exatamente o que eu contei no carro.
— Então o que te incomoda? Por que você encara tanto esse celular?
— Honestamente, não sei. — riu fraco, se sentindo um pouco idiota ao dizer aquilo em voz alta. — Se eu pensar, não tem nada errado, mas ainda assim sinto como se algo não estivesse certo.
— Em outras palavras, você achou ruim ela ter ido embora sem que você visse e está esperando que ela mande uma mensagem ou te ligue, mas não quer assumir que é isso. — concluiu o desafiando a dizer o contrário.
— Tá, você está certo, não precisa ficar me olhando com essa cara de sabe-tudo. — O garçom chegou com os pratos e a conversa ficou mais leve.
— Por que você não manda uma mensagem? — sugeriu após um tempo em silêncio.
— Qual parte do “ela foi embora sem falar comigo” você não entendeu?
— Quantos anos você tem? Dezessete? Porque esse foi o pior argumento de todos.
— Se ela quisesse falar comigo, ela teria falado comigo. É simples, quem quer vai atrás.
— Você escutou o que você acabou de falar? “Quem quer vai atrás”. — o imitou. — Por acaso passou pela sua cabeça que ela pode estar pensando a mesma coisa? E antes que você repita esse argumento patético, você já pensou que ela só saiu sem falar com você porque ela não quis te acordar? Ou porque ela queria evitar que os jornais ou revistas a flagrassem ali ou porque ela não sabia como reagir por ter passado a noite com você?
— Ok, eu admito que não tinha pensado pelo lado dela. — Confessou, terminando de comer.
— Eu diria que você não está pensando desde que a conheceu, mas não vou fazer isso, vou considerar que sua atitude de adolescente apaixonado se deve ao fato de ter ficado tanto tempo em um relacionamento que se esqueceu como adultos se relacionam.
— Eu não estou apaixonado. — negou automaticamente.
— Não, eu que estou. — Embora o tom de transbordasse ironia, o amigo não resistiu em provocá-lo.
— Está mesmo, ficou até vermelho no carro só porque beijou a ! Depois eu é que sou um adolescente apaixonado de dezessete anos.
— Não muda de assunto que o foco é você, para de pensar demais, . Daqui uns dias nós vamos embora então faça o favor de aproveitar essas benditas férias. Se quiser falar com ela, fale com ela. — Concordou com a cabeça e se lembrou de outro assunto que precisava falar com ele.
— Pensarei a respeito, mas falando em ir embora, Lukas e Thomas querem ir essa semana, parece que a Monika não está muito feliz por não fazer parte das férias dele e Müller disse que vai junto, você vai?
— Acho que não, não tenho nada tão interessante lá. — Ele deu de ombros. — Acho que prefiro terminar minhas férias aqui mesmo, conhecer outros lugares talvez...
— Também estava pensando em ficar, mas acho que ia ser estranho se só um de nós ficasse.

Podolski

Quando e voltaram para a praia, o humor deles estava consideravelmente melhor e foi assim no dia seguinte também. Tinham acordado cedo para ver o sol nascer, e tinha sido realmente um espetáculo. Tinham caminhado a noite nas praias também, pois o clima estava muito agradável e até visitaram algumas feirinhas locais.
Ver bem o deixava bem. e ele tinham toda uma história juntos, realizaram os seus sonhos juntos enquanto jogadores de futebol. Lukas gostava de brincar que na verdade os dois eram feitos um para o outro, mas infelizmente os dois gostavam de mulher e só por isso não eram um casal perfeito.
Apesar de estar curtindo aquele final de semana, Lukas percebeu que não deixava de verificar o celular de tempos em tempos e não precisava ser muito inteligente para saber que ele esperava uma mensagem ou ligação de . Lukas ainda não entendia o que ela tinha para que meu amigo estivesse tão interessado. Ela era bonita e divertida, mas talvez a verdade fosse que não sabia como ser solteiro.
Independentemente do que fosse, se ele estivesse feliz Lukas o apoiaria completamente, e foi por isso que acabou fazendo algo que nunca havia imaginado. Ele, Lukas Podolski, aos 29 anos, bancaria o cupido. Já era tarde e ele esperou que fosse a vez de no videogame para pegar o celular dele sem que ele percebesse. Rapidamente encontrou o número de e salvou no seu, colocando o celular de volta antes que ele desse falta. Era hora de entrar em ação.


Online

Olá, garota do .



estava online, visualizou e não disse nada. Lukas imaginou que não falaria com ele sem saber quem era.


Online

Olá, garota do .

Sou o Lukas, da seleção.

Amigo do .

Ah! Oi! Como está?

Estão gostando do passeio?😊

Tudo bem aqui, o lugar é maravilhoso.

Peguei seu número escondido, por favor, não conte ao .😁

Hahaha. Ok, consigo guardar esse segredo.

Queria falar comigo?

Sim.

Voltamos para o Rio na terça e vamos embora na quarta.

Acho que você deveria fazer um jantar pra gente.

Espera, vocês já vão embora?



Lukas riu alto enquanto se decidia se deixava ela acreditar que também ia embora ou não e os três o olharam como se ele fosse retardado.
— É uma besteira no Instagram. — Disse e voltaram a jogar.


Online

Eu e Thomas sim.

e vão ficar mais, já que não tem mulher esperando em casa.

😂😂

Ah... Mesmo assim, não acho que seria uma boa ideia eu fazer o jantar.

Sabe como é, odiaria ser a responsável por uma infecção alimentar.

Duvido que isso aconteça e, de qualquer forma, você nem tem muita escolha.

Aposto que não quer sair nos jornais como a garota que foi vista saindo do quarto de .

Você me viu? 🙈

Espera aí, você está me chantageando?

Claro que não!

Só quero que você nos convide para jantar na sua casa na nossa última noite no Brasil.

Ok... Acho que posso fazer isso.

Só mais uma coisa…

Eu sei que você deve estar falando com o enquanto fala comigo, mas adoraria se ele achasse que a ideia foi sua.


Lukas sabia que estava sendo muito cara de pau, mas ele precisava fazer o trabalho bem feito, e o que seria melhor do que convidando para jantar na casa dela? Na cabeça dele, nada! Além do mais, ele apostaria um rim que ela estava, naquele momento, sem graça por não estar falando com ele desde a festa.


Online

Tá bom. Mais alguma coisa?

Por hoje não... 😜

Boa noite, garota do .

Boa noite.

E eu não sou a garota do .

Claro que é!

E eu sou o garoto dele.😉

Agora preciso ir porque é minha vez no videogame. 😘



Bloqueou o celular e expulsou do sofá. Se o seu plano desse certo, como ele sabia que daria, em pouco tempo seu amigo receberia uma mensagem dela.





Continua...



Nota da autora: Olá, estou de volta com um capítulo um pouco maior do que normalmente posto.
Eu espero que vocês tenham gostado e que a espera tenha valido a pena! Eu, particularmente, amo essa cena do Poldi! Hahaha
É isso, até a próxima atualização!

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Nota da beta: Com certeza a espera valeu a penaaa, que capítulo incrível, primeiro de tudo, que beijaço, que química, que casal, Brasiiiil! Sério, já estou shipando loucamente! e entregaram tudo também hhaah! E essa cena final foi tudo, Poldi entregando tudo, sendo cúpido desde sempre kkk! Ansiosa pelo próximo!

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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