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Última atualização: 06/10/2021

Prólogo

Mesmo seu braço esquerdo estando latejando numa proporção muito maior do que pudesse imaginar, e uma de suas coxas sangrando, ela não parou de correr. Não podia simplesmente se dar ao luxo de parar. Pelos sons das botas batendo fortemente no chão, ela diria que estavam a menos de três metros de distância.
E aquilo não era o suficiente.
Seguiu direto pelo corredor e quando encontrara a primeira porta, entrou sem qualquer cerimônia. Jogou seu corpo sem qualquer delicadeza no chão e respirou fundo ao perceber que os soldados haviam passado direto daquela direção. Ainda não tinham a encontrado. Mas ela sabia que era apenas uma questão de tempo.
一 Agente Evanoff? 一 Quase gemeu de felicidade ao ouvir uma voz feminina lhe chamar pelo comunicador ao seu ouvido. 一 Extração prevista em vinte minutos. – Vinte minutos seria muito tempo, e ela não estava em condição nenhuma de um combate, mas sabia que não adiantava dizer aquilo ao piloto da nave.
一 Qual o ponto de encontro?
一 Procedimento padrão, agente. Ponto de encontro no telhado.
一 Droga! 一 Murmurou. 一 Vocês não podem simplesmente facilitar a minha vida? 一 Praguejou baixo. 一 Eu estou sozinha e na porra do subsolo. 一 Eram quase 20 andares pra cima, ela tinha certeza de que havia pelo menos 10 agentes em cada andar. Não iria conseguir. 一 Abortar extração. 一 Depois do que pareciam horas parada, decidiu. E teve que repetir a frase duas vezes, para que o piloto e o co-piloto entendessem o que aquilo significava. 一 Não dá para subir, estou ferida.
一 Evanoff, se você ficar aí, vão te matar. 一 Teve noção de que aquela voz não pertencia a nenhum dos homens na nave, mas sim do próprio Nick Fury na linha direta ao seu comunicador. Mas é claro que tinham relatado isso a ele.
一 Se eu tentar subir, também vou acabar sendo morta, senhor. 一 Fechou os olhos com força, ciente de que dali em diante nada iria melhorar. 一 Estou mandando todo material encontrado para a base, senhor! Começando o escaneamento agora.
Evanoff, isso é uma ordem! 一 Fury esbravejou, cansado. Estava sentado, mas sua postura não era uma das melhores, e em frente a sua mesa, Natasha Romanoff o encarava receoso. A ruiva sabia que aquela não era uma missão para ser feita sozinha, e mesmo tentando avisar isso a Nicholas Fury, o diretor da SHIELD não pareceu lhe dar ouvidos. 一 Suba agora, os reforços estão chegando! 一 Sentindo o coração bater quase numa velocidade recorde, Evanoff rasgou toda a manga de seu traje, o dividindo em dois e os amarrando em cada um de seus ferimentos. Havia perdido muito sangue e sabia que aquilo não era um bom sinal. Ela melhor do que ninguém sabia disso. Respirou fundo mais uma vez naquele pouco espaço de tempo e após ter a certeza de que todos os arquivos foram enviados à base da SHIELD, ela levantou-se. Poderia ser pega e morta, mas não desistiria.
一 Agente Evanoff para quinjet. Estão ouvindo?
一 Em perfeito e bom som, agente.
一 Estou subindo. 一 Murmurou com um sorriso malicioso no rosto. – Diretor, se ainda estiver na linha, saiba que se eu chegar viva aí, o senhor está me devendo um laboratório novo.
一 Quando você chegar, agente. 一 Nick Fury não conseguiu esconder um meio sorriso a frase da sua subordinada.
Já de pé, a mulher tirou uma das pistolas do seu cinto, e olhou para baixo, só tinha duas armas: uma em sua mão e outra armazenada em seu coldre, na parte interna de sua coxa. Checou quantas balas tinha: não o suficiente.
Porém se negou a pensar muito no assunto, pois sabia que se isso voltasse a acontecer, acabaria tirando a própria vida .
Abriu a porta devagar e colocou apenas uma parte do rosto para fora, sabia que não tinha ninguém naquele andar, mas nenhum mal faria se fosse sorrateira e cuidadosa.
E assim seguiu subindo andar por andar, o mais discreta possível e vez ou outra entrando em um combate simples, corpo a corpo. Não poderia perder munições, não sabia o que viria a seguir.
Suas pernas quase fraquejaram ao ver um grupo de oito soldados andando em sua direção naquele largo corredor, e a primeira coisa que a agente fez foi entrar na porta ao seu lado.
Olhou em volta, não tinha ninguém. Era um laboratório. Ótimo!
一 Estamos em posição. 一 O piloto falou ao seu ouvido.
一 Cuidando disso.
Desajeitadamente a mulher pegou um dos jalecos, prendeu o cabelo o mais alto possível e foi em direção a pia, lavando o rosto na intenção de tirar qualquer indício de sangue ou sujeira. Tinha que se misturar. Ao voltar para a porta, notara uma pasta com o símbolo da Hidra e também uns óculos de grau. Era tudo o que precisava. Colocou o objeto no rosto e abraçou a pasta em suas mãos, sairia dali da mesma forma que entrou: despercebida e em disfarce.
Abriu a porta e caminhou até o elevador mais próximo, a cabeça sempre abaixada e quando notou dois soldados em sua direção, rapidamente fingiu estar lendo algo no papel a sua frente, murmurando baixo um “boa tarde”, seguido de “Hail Hidra”. Seus pelos eriçaram apenas com aquela menção.
Ao chegar no vigésimo andar, as coisas não estavam tão calmas quanto nos andares abaixo e a mulher precisou de toda a calma que ela não tinha. Passou por mais dois soldados, até que um deles esbarrara acidentalmente na mulher, fazendo com que a agente perdesse o equilíbrio e caísse no chão. Rapidamente grunhiu de dor e ao olhar para baixo, viu o quanto o jaleco estava sujo de sangue.
Com mais pressa do que alguém que não tinha nada a esconder, a mulher olhou para cima, encontrando os olhos confusos do soldado, para segundos depois, sentir o mesmo pisando brutalmente em seu ferimento.
O grito que saíra de sua garganta fora estrondoso.
一 Evanoff, o que está acontecendo? 一 Fury novamente se fez presente naquela situação.
一 Fui descoberta. 一 Ofegou a mulher que em um pulo se levantou e chutou o soldado a sua frente que estava desprevenido. 一 Estou no vigésimo andar, preciso de reforços.
Indo! 一 Ouviu quando uma voz masculina disse. Estava perto demais do quinjet para simplesmente se entregar.
O soldado cambaleou para trás, mas não antes de tirar uma arma de suas costas. Evanoff agilmente também tirou a sua e começara a atirar nos soldados a sua frente. Mas não tinha balas o suficiente, e quando sua munição acabou, a mulher correu em direção do homem à sua frente e lhe dera uma rasteira para logo depois socar fortemente o seu pescoço, lhe deixando automaticamente inconsciente. Mais soldados estavam aparecendo e ela sabia que não conseguiria segurar todos, por isso correu em direção às escadas de emergência.
Mas não conseguira realizar tal ação, uma vez que uma pressão dolorosa tomou conta de seu corpo, exatamente em suas costelas.
Havia sido baleada.
Seu corpo caiu em frente à porta e sua respiração estava ofegante.
一 Abortar extração. Fui atingida. Tem muitos soldados aqui. – Murmurou.
一 EVANOFF! 一 Fury gritou em seu comunicador.
一 Sinto muito, diretor, mas acho que o senhor ficará me devendo aquele laboratório. – O som melancólico em sua voz fizera com que os seus reforços se apressassem ainda mais. Porém não era uma tarefa tão simples, eles mal conseguiram pousar o quinjet, estavam sendo atacados. Três homens pularam de qualquer jeito no chão um pouco abaixo, já atirando para todos os lados, quando perceberam que não estavam sozinhos.
Aguente firme, Evanoff. Estamos descendo. 一 Mas a resposta da mulher não fora ouvida. O único som captado pelo comunicador era da respiração cortada da mulher, seguida de resmungos de dor.
Evanoff? 一 Nicholas Fury a chamou novamente.
一 HAIL HIDRA. 一 A voz grossa emanou nos ouvidos de todos os agentes da SHIELD, acompanhada de um único barulho de tiro.



Capítulo 01

O avião estava indo a toda velocidade em direção a uma parte do oceano Índico que Steve Rogers não tinha prestado atenção, mas sabia que tanto a latitude quanto a longitude estariam descritas na tela a sua frente. Ele só optou por não ser o centro de sua atenção, uma vez que a explicação de Rumlow tomava todo aquele posto, que informava a todos ali presentes que o navio que eles estavam prestes a pegar de volta era uma plataforma móvel de lançamento de satélite, chamada Estrela da Lemúria.
一 Iam lançar o último carregamento quando piratas a levaram, há 93 minutos. 一 Continuou o moreno, chamando a atenção de Steve.
一 Alguma exigência? 一 O capitão perguntou.
一 1 bilhão e meio... Porque é da SHIELD. 一 Mais uma vez o líder da STRIKE respondera ao supersoldado. Steve olhou do homem para a tela do computador, tentando entender e raciocinar o que aquilo significava para ele e para toda aquela missão que lhe foi designada.
一 Não está só fora de curso. – Deduziu um pouco impaciente. 一 Está invadindo. 一 Finalizou, enquanto olhava de relance a ruiva ao seu lado. 一 Eu estou cansado de ser o faxineiro do Fury. 一 Reclamou ao escutar a resposta defensiva de Natasha Romanoff para os planos de Fury. 一 Quantos piratas? – Voltou a questionar Rumlow, pois sabia que aquela discussão com a ruiva seria uma causa perdida.
一 Vinte e cinco piratas. Mercenários liderados por esse cara. 一 Tocando na tela, Rumlow ampliou a imagem do homem. 一 George Batroc. Ex-DGSE da Divisão de Ação. Ele está no topo da lista vermelha da INTERPOL. Quando os franceses o aposentaram, ele tinha 36 assassinatos nas mãos. É responsável por muitas perdas. 一 Concluiu a fala inspirando um pouco de ar para prosseguir sanando a mais nova dúvida do loiro a sua frente. Agora sobre os reféns. 一 Quase todos são técnicos. Mas há um oficial. 一 Olhou de relance para um dos agentes da STRIKE enquanto ampliava a foto do homem citado. 一 Jasper Sitwell. Estão todos na cozinha.
一 O que o Sitwell fazia nesse navio? 一 Rogers questionou, desconfiado. Talvez se não tivesse tão alheio a movimentação ao seu redor, Steve pudesse ter escutado o engolir seco e o palpitar um pouco mais forte do coração de Rumlow, que estava a pouco menos de 1 metro de distância dele ao perceber a desconfiança crescendo sob os olhos do loiro. Contudo, o capitão estava concentrado demais pensando em todas as informações que lhe foram dadas e em como tirar todos os reféns do navio sem que se machucassem. E após articular todo o plano, o loiro delegou a cada um ali presente uma tarefa, abrindo o compartimento de carga do quinjet e pulando dele em direção ao oceano logo em seguida.

•••••



Steve viu a oportunidade de atacar quando Batroc parou para conversar com seu cúmplice em frente a uma grande janela do convés superior do navio. E não perdendo mais tempo, o supersoldado lançou com força o seu escudo em direção a Batroc, que de alguma forma percebeu o ataque chegando e agilmente se abaixou, desviando rapidamente da investida do loiro. Rogers pegou impulso em seus pés e pulou para a parte da janela que estava quebrada e ao meio corpo entrou totalmente naquele ambiente, para ser chutado no tronco logo em seguida. O impacto o levou um pouco para trás, o suficiente para afastá-lo minimamente de Batroc, que aproveitou a chance e saiu correndo para o hangar inferior. Steve correu em direção ao seu escudo e o pegou, não perdendo tempo e a passos largos indo em direção de Bartoc.
一 Natasha, Batroc está fugindo. 一 O loiro informou a mulher pelo comunicador, enquanto fazia uma pequena varredura por onde andava. 一 Vá até Rumlow e proteja os reféns. 一 Sua respiração estava pesada, e não era para menos, dos vinte e cinco piratas, Rogers tinha lutado com pelo menos quinze deles. E mesmo aquele número sendo um pouco abaixo do que estava acostumado a enfrentar, o capitão teve que derrubar todos os piratas com maior discrição e silêncio possível. Não poderia acabar com o elemento surpresa do resgate assim que colocasse os pés no navio. Precisava seguir o plano. 一 Natasha? Natasha? 一 Steve estranhou o sumiço da mulher, e quando estava prestes a chamar por Rumlow no comunicador, Batroc surgiu o chutando. Era para o golpe acertar seu rosto, mas como o loiro tinha agilidade, rapidamente seu escudo fez o que foi criado para fazer: proteger o Capitão de possíveis colisões em seu corpo.
Porém a batida tinha sido forte demais, fazendo com o que o supersoldado perdesse o equilíbrio e caísse para trás. Tomando um impulso, Steve fez com que seu corpo girasse mais uma vez, ficando de pé agora, de frente para Batroc que tentou mais uma vez investir um chute em seu tronco. Sendo a investida bloqueada pelo escudo do Capitão que agora caíra sentado no chão.
Batroc se aproximou e pegou impulso para jogar seu corpo na direção do Capitão, mas ao tentar acertar seu pé no loiro, Rogers impulsionou seu corpo para o lado, se esquivando da tentativa. Eles se olharam durante menos de um segundo, para logo depois levantarem o mais rápido que conseguiram. Batroc, mais uma vez, chutou o tronco do loiro e jogou todo o seu corpo para atacá-lo, girando no ar na tentativa da força ser maior.
Steve usou o chão como seu apoio e se agachou, levantando quando percebeu o francês novamente com os pés apoiados na superfície. Batroc se aproximou e tentou desferir um soco, sendo totalmente impedido pelo escudo do loiro, e outras séries de golpes foram investidas automaticamente na mesma medida em que Rogers se defendia de todas elas, como se já tivesse decorado a maioria dos movimentos deferidos pelo francês. Até que cansado de toda a proximidade, Steve colocou as duas mãos dentro do apoio do escudo e o empurrou para frente, fazendo com que o corpo de Batroc fosse jogado há metros de distância de onde estava originalmente. Rogers respirou fundo, observando o mercenário encostar todo o tronco no chão com as mãos em cada lado de sua cabeça, e levantando as duas pernas para cima, as arremessando para frente logo em seguida, ficando de pé milésimos depois. Não teve tempo para espera, não teve tempo para nenhum se preparar, Batroc só queria atacar o Capitão e de alguma forma, derrubá-lo. Mais uma vez sua perna foi ao ar para logo depois tentar chutar o supersoldado, tendo Steve bloqueando à tentativa logo que ela veio em sua direção. Rogers tinha percebido que o forte do francês estava em suas pernas, deixando assim um ponto cego em seus braços. Por isso se tornou até mais fácil para o homem se esquivar e bloquear os ataques do pirata, uma vez que ele já tinha decorado todos aqueles movimentos. Por isso deixou que o francês pensasse que estava o encurralando, deixando que ele chegasse cada vez mais perto de seu corpo, apenas para quando a oportunidade chegasse, Steve o segurasse pelos ombros, forçasse o corpo do francês para frente e começasse a desferir incontáveis chutes com seu joelho em direção ao estômago de seu oponente, que foi jogado logo em seguida. Steve não tinha a intenção de machucar nenhum órgão interno do mercenário, mas sabia que o faria se o homem não parasse por bem.
Bartoc utilizou da força que o Capitão teve para jogar seu corpo para trás e antes de cair no chão, colocou suas mãos para segurar o impacto, jogando as próprias pernas para trás, movimentando o corpo perfeitamente em uma acrobacia. Era quase como se estivesse esperando aquela atitude vinda do loiro.
一 Achei que você fosse mais do que só um escudo. 一 Provocou o mercenário, na sua língua natal enquanto abria um sorriso sarcástico para Rogers. Steve respirava fundo, tendo que admitir que o homem à sua frente até tinha uma ótima resistência para a luta, mas o que francês não esperava era que, todo esse tempo Rogers estava medindo seus golpes, indo apenas na defensiva naquela luta. E o Capitão estava cansado de se conter.
Saindo da posição de ataque, Steve pegou seu escudo e o posicionou na trava em suas costas, prendendo o objeto ali, e em seguida, soltou a trava que prendia seu capacete, tirando-o do rosto.
一 Vamos ver. 一 Rogers respondeu também em francês e jogou seu capacete no chão logo em seguida.
O sorriso de Batroc aumentou quando percebeu que o homem à sua frente, havia, de forma silenciosa, aceitado seu desafio.
Aquela seria uma boa disputa, afinal.
Batroc investiu um chute no joelho de Steve que automaticamente segurou o pé do francês com sua mão e a jogou para trás, e na mesma hora o loiro tentou socar o lado direito do rosto do pirata, que bloqueara aquela tentativa com maestria. Foi quase como uma dança sendo iniciada ali, mas ao invés de passos inofensivos, eles concediam os mais rápidos e perigosos golpes e chutes um contra o outro. Steve mal podia pensar, tendo seu raciocínio de luta trabalhando rapidamente naquela situação, uma hora na defensiva para que na seguinte partisse para a ofensiva. O loiro chutou o joelho de Batroc, fazendo o mercenário gritar de dor e perder o equilíbrio, e ali Rogers saltou para trás e deu um giro de 360º, para antes de chegar ao chão, esticar a perna e atingir fortemente o francês na cabeça, que automaticamente caiu desorientado, tamanha o impacto da força do Capitão. Batroc ainda levantou, todavia não estava consciente o suficiente para retomar aquela luta, Steve correu em direção ao homem e jogou seu corpo contra o dele, o arremessando em direção à porta da sala de comunicação do navio. A porta foi completamente arrombada com o impacto do corpo do francês junto com o do Capitão, que socou o rosto do mercenário logo em seguida, como uma forma de garantir que ele não fosse mais um problema.
一 Que constrangedor. 一 A voz de Natasha chamou sua atenção, enquanto ofegava. A ruiva estava em pé, parada em frente a um computador, quando soltou um sorriso malicioso para o capitão.
一 O que está fazendo? 一 Mesmo ofegante o loiro não teve dificuldade de levantar e ir em direção à mulher.
一 Apenas copiando o disco rígido. 一 Deu de ombros. 一 É um hábito que eu tenho.
一 Rumlow precisa de você. O que está fazendo aqui? 一 Steve falou, frisando novamente a pergunta para a ruiva. No grande monitor à sua frente, ele pôde ver que o download do que Natasha fazia estava em 80%. 一 Está recuperando dados da SHIELD. 一 Deduziu.
一 O máximo que eu conseguir. 一 Respondeu, o fitando entre os ombros. Sua atenção estava totalmente no computador à sua frente.
一 Nossa missão era resgatar os reféns. 一 Rogers esbravejou.
一 Não, Capitão, essa era a sua missão. 一 Natasha afirmou em contrapartida. Em seguida o computador fez um bipe, sinalizando que a cópia de dados havia sido concluída e ligeiramente a mulher tirou o pen drive da máquina, o guardando em seguida. 一 E a executou lindamente. 一 Sorriu de forma doce para o loiro, como quem parabeniza uma criança por desenhar uma pessoa em forma de palitinhos. Rogers a segurou pelo braço, impedindo que passasse por ele, exausto demais de todas as mentiras que eram contadas a ele, por Fury ou Natasha.
一 Colocou em risco toda essa operação.
一 Olha, eu acho que você está exagerando.
Contudo, antes que mais qualquer coisa fosse dita, um barulho de metal caindo no chão chamou a atenção dos dois, que olharam na mesma hora em direção a Batroc que não estava mais inconsciente. Muito pelo contrário, o francês agora levantou rapidamente e destravou uma granada, correndo em direção à porta por onde minutos atrás fora arremessado pelo Capitão América, e jogou de lá, na direção de Natasha e Rogers a granada já destravada. Steve na mesma hora acertou a bomba com o seu escudo, jogando-a para o lado contrário de onde eles estavam, entretanto não havia tempo para correr para fora daquela sala, a granada iria explodir a qualquer momento.
Steve virou em direção a Natasha e a pegou pela cintura enquanto corria, a mulher como que entendido o recado, enroscou a perna ao redor do corpo do loiro e quando a bomba explodiu, Steve se arremessou para uma pequena salinha que tinha ali dentro mesmo, na tentativa de causar menos ferimentos possíveis na espiã.
O coração do homem estava acelerado, seu rosto sujo de poeira, sua respiração ofegante, e seu ouvido tentando apaziguar o zumbido inconstante que captava. Se arrastaram com certa dificuldade até a parede mais próxima, encostando logo em seguida, procurando um apoio para seus corpos agora doloridos pelo impacto, e cansados pela adrenalina que se esvaia e dava espaço para os espasmos.
Steve colocou uma parte do rosto para cima, tentando ver se Batroc ainda estava no local ou se tentaria outro ataque contra suas vidas, e um alívio percorreu todo o corpo do soldado ao constatar de que aquela havia sido a cartada final para distrair os dois vingadores e o francês conseguir fugir.
一 Tá bem... 一 A voz cansada de Natasha voltou a soar. 一 Eu dei mole.
一 Pode ter certeza disso. 一 Murmurou o Capitão, fervendo em raiva. Steve tomou impulso para se levantar e sair dali o mais rápido possível, mas ao chegar próximo à porta, parou subitamente.
一 Sabia que não iria sem me ajudar. 一 A russa tentou brincar. Mas Rogers continuou parado de costas para ela, apenas respirando fundo. 一 Steve? 一 Natasha o chamou preocupado, levantando-se com certa dificuldade logo em seguida. 一 O que aconteceu? 一 Perguntou, tentando não parecer preocupada ao chegar ao lado do loiro.
Tem mais alguém aqui. 一 O Capitão sussurrou para a russa que, ao ouvir aquilo rapidamente puxou a pistola do seu coldre e se colocou a postos de ataque. Confusa, Natasha olhou mais uma vez para o Capitão quando não conseguiu ver mais ninguém ali, estava tudo vazio. Além deles, a única coisa ali era poeira e fogo.
一 Acho que você se eng... 一 A ruiva começou a falar, mas parou assim que o Capitão levou seu dedo indicador até a própria boca, fazendo um sinal para que a mulher não falasse nada. E ao obedecer ao comando do loiro, Steve tirou o comunicador de seu ouvido, pois até a voz de Rumlow estava o atrapalhando. E assim ele fechou os olhos e respirou fundo, se concentrando no silêncio presente entre eles.
A primeira coisa que Rogers conseguiu ouvir foram as batidas do próprio coração, que agora se acalmava. A segunda, foram às batidas do coração de Natasha, que estava acelerado, assim como a mulher estava, tamanha a sua inquietude. E a última coisa que Steve conseguiu ouvir foi uma terceira batida, dessa vez bem mais ritmada que a dos dois ali, junto com o barulho de pequenas gotas caindo em direção a um vácuo.
Steve abriu os olhos na mesma hora, olhando ao redor de toda a sala e andando até o meio dela. Ao chegar perto de um gabinete, Rogers percebeu um corte no tapete, formando um quadrado perfeito e muito grande no chão. Sem muito esforço, o capitão puxou o gabinete para o lado e viu que aquele corte terminava no fim da parede de onde estavam.
Era uma sala no subsolo.
Steve olhou para Natasha que inclinou o queixo em direção a nova descoberta, incentivando o Capitão a abri-la. E assim Steve fez, abaixou um pouco e achou uma pequena maçaneta a puxando para cima no mesmo segundo. A escotilha rangeu um pouco e abriu logo em seguida, dando aos dois, uma visão de uma escadaria. Steve destravou o escudo de suas costas, o pondo em frente ao seu troco ao mesmo tempo em que descia as escadas, Natasha por sua vez segurou com ainda mais força a sua arma e seguiu o loiro.
O local não estava escuro, ao contrário, havia muita luz ali. Rogers continuou descendo e quando chegou ao fim, viu uns diários jogados na mesa perto da escadaria, mas isso não foi o que lhe chamou a atenção. O que havia prendido toda a sua concentração foi à imagem da mulher no meio daquela sala. Automaticamente o escudo relaxou em seus braços e ele andou a passos largos em direção ao meio da sala.
一 Steve. 一 Natasha o chamou. 一 Cuidado, não sabemos o que vamos encontrar aq... 一 A mulher perdeu a voz após seguir o homem até o centro daquela sala secreta. 一 Meu Deus! 一 Arregalou os olhos assim que eles focaram na figura abaixo.
Tinha uma fina maca de aço, que era sustentada pelo chão, e havia uma mulher presa ali. A maca era do exato tamanho do corpo da mulher, tanto em largura quanto em altura. Seu rosto estava cortado, os braços cheios de hematomas roxos e marca de perfuração de agulhas. Ela vestia uma regata branca que já estava suja e toda desgastada, e em sua parte inferior apenas uma calcinha-short preta cobria aquela área. As pernas da mulher estavam muito juntas uma à outra, e uma grossa barra de ferro estava envolta de seus tornozelos. Em contrapartida, os braços estavam abertos, as barras envolta de cada pulso, cotovelos e antebraços. Seu pescoço e testa também apresentavam a mesma situação. Quem quer que tenha feito aquilo, não tinha dado espaço para em algum cenário a garota fugir.
Rogers olhou da mulher desconhecida para Natasha que agora parecia ter perdido todos os sentidos. O soldado chamou pela ruiva que não respondeu, surpresa demais com o que via.
Ao lado direito da mulher, havia um soro amarelo alaranjado pendurado no teto enquanto o líquido descia pelo tubo e ia direto para a suas veias. Rogers andou em direção ao soro e delicadamente puxou a agulha do braço da mulher. Ao chegar perto dela, foi capaz de ouvir os sussurros que ela, mesmo inconsciente, repetia. O Capitão então abaixou a cabeça e direcionou um dos ouvidos a boca da garota.
一 ...agente 09, deixada para trás em combate, número de registro da SHIELD 008679. Meu nome é...
. 一 Natasha falou alto o nome da mulher, chamando atenção de Steve que agora tinha se levantado e a encarava procurando por respostas.



Capítulo 02

TRISKELION
QUARTEL GENERAL DA S.H.I.E.L.D
Lat 38N 53’ 33.78 Long 77s 3’ 38.91

Assim que o quinjet aterrissou, médicos e enfermeiros da SHIELD já estavam à espera do retorno da equipe. Natasha não tinha dito uma palavra sequer desde que encontraram aquela mulher na escotilha do navio, e por mais que Rogers tentasse iniciar uma conversa, a russa não dava abertura para que o loiro prosseguisse, continuando muda e dispersa todo o caminho até o quartel general. Steve viu quando os membros da STRIKE foram os primeiros a descer, seguido de Jasper Sitwell (que negou o atendimento médico, alegando estar bem e não ter sofrido nenhum dano), para logo depois os membros da equipe técnica descer um a um, sobrando assim ele, Natasha e a garota que continuava apagada.
Rogers viu quando Romanoff levantou do chão assim que ouviu a voz de Fury no ambiente e correu até ele lhe puxando para um canto mais afastado, sumindo do seu campo de vista. Respirou fundo e andou em direção ao corpo desacordado da mulher e a pegou nos braços saindo do quinjet e a colocando em uma maca que estava a sua espera. Olhou ao seu redor, enquanto fazia isso e percebeu Natasha vidrada naquela cena, bem como Fury, que encarava aquilo com certo espanto. Não conseguiu ouvir o que eles estavam conversando, pois sua concentração fora cortada pela equipe médica que agora lhe perguntava qual o estado que encontrou a garota e o que era aquele soro que ele mencionou. Steve respondeu algumas perguntas e correu em direção ao interior do quinjet, voltando de lá com a bolsa de soro que havia pegado do navio junto com a garota, e entregou aos enfermeiros, que agradeceram em seguida pela precaução do homem em guardar aquela bolsa.
Decidindo de que aquele não era um bom local para indagar o diretor da SHIELD, Rogers seguiu seu caminho até onde estavam suas coisas, mas não tinha intenção de tomar banho. Sua cabeça estava confusa, mil e um pensamentos pairando pelo ar e ele não conseguia controlar a vontade de sair daquele lugar e nunca mais voltar. Não suportava a ideia de ser enganado por Fury, ou pela equipe que de certa forma ele confiava sua vida. Não tinha como liderar uma equipe assim. Era impossível as coisas darem certo daquele jeito.
Impaciente e com o corpo cheio de adrenalina, o capitão constatou que muitos minutos haviam passado desde que voltaram, fechando seu armário e andando a passos largos e duros em direção à sala de Fury. Não dava mais para esperar por aquela conversa, toda aquela situação estava o incomodando ao extremo.

一 Você não consegue deixar de mentir, não é? 一 Começou falando assim que abriu a porta, sem sequer deixar que alguém lhe anunciasse a Nicholas Fury. O diretor, contudo, já esperava aquela reação do capitão, estava esperando apenas que ele chegasse, o que tinha demorado cinco minutos a mais do previsto.
一 Eu não menti. 一 Rebateu. 一 A agente Romanoff tinha uma missão diferente da sua. 一 Deu de ombros como se fosse a coisa mais óbvia a ser constatada.
一 E você não se sentiu obrigado a compartilhar? 一 Retrucou.
一 Eu não sou obrigado a fazer nada. 一 Fury rebateu ainda de costas para o capitão. A mente do diretor da SHIELD vagava entre o relatório de missão de Natasha, para Jasper Sitwell estar naquele navio quando ele supostamente estava em Nova Iorque, e logo depois corria diretamente para a mulher resgatada.
一 Eles seriam assassinados, Fury. 一 Mais uma vez a voz do soldado soou ao seu redor, lhe tirando de seus devaneios e fazendo com que o diretor perdesse parcialmente o pouco de sua paciência.
一 Eu enviei para essa missão o melhor soldado da história para que salvasse meus homens! 一 Exprimiu, tentando continuar calmo, virando-se para fitar os olhos do loiro.
一 Soldados confiam uns nos outros. É o que faz deles um exército. Soldados não são apenas um bando de caras correndo com armas! 一 Rogers rebateu com convicção.
一 Da última vez que eu confiei em alguém eu perdi um olho. 一 Internamente Fury se debatia em raiva a oposição do capitão com sua forma de direcionar a SHIELD, o diretor já tinha muita coisa para se preocupar ali dentro, e estar sendo confrontado por Steve Rogers naquele momento não lhe ajudava em nada. 一 Olha, eu não queria que você fizesse nada que te deixasse desconfortável. A agente Romanoff fica confortável fazendo qualquer coisa. 一 Justificou sua atitude.
一 Eu não posso liderar uma missão em que as pessoas que eu lidero tenha missões individuais. 一 Aquele era o ponto que o capitão queria que Fury enxergasse. Como ele iria se dedicar inteiramente ao trabalho se poderia ter a possibilidade de um de seus aliados estar em outra missão que acabasse prejudicando toda a operação pelo qual liderava?
一 Isso se chama compartimentalização. 一 Esclareceu, entediado. 一 Ninguém revela todos os segredos, até porque ninguém sabe de todos eles.
一 Mas você é à exceção disso tudo, não é? 一 Rogers abriu um sorriso sarcástico ao expor aquela pergunta retórica.
一 Está errado ao meu respeito, capitão. 一 Assegurou o diretor. 一 Eu compartilho. Eu sou um cara muito legal. 一 Fury viu que aquele sorriso sarcástico continuava intacto no rosto do soldado, o que fez com que ele perdesse completamente a paciência.
一 Quem era aquela mulher? 一 Finalmente o soldado colocou para a fora a dúvida que crescia em seu interior desde o momento que colocara os olhos na mulher.
一 Como eu sou um cara muito legal, e eu sei compartilhar... 一 Fury voltou a falar dando a volta em sua mesa e parando ao lado do loiro. 一 Peço que me siga.
Os dois saíram lado a lado daquela sala e ao entrarem no elevador mais próximo, Fury logo anunciou a inteligência artificial de que queria ir à ala especial de contenção. A inteligência verbalizou que Steve Rogers não tinha acesso àquele setor, uma vez que era nível 8 na hierarquia da SHIELD. Rogers olhou pelo canto dos olhos, enquanto Fury murmurava um comando de voz que anulava temporariamente aquela ordem e lhe dava acesso livre para circular ali. Desceram em silêncio até o andar destinado e saíram em uma ala médica um pouco diferente da que estava acostumado a se tratar quando voltava machucado de alguma missão. Deixou que o diretor lhe guiasse, visto que nunca tinha estado naquele setor e não sabia por qual direção seguir. Rogers notou quando Fury parou a pouco mais de um metro de distância de um quarto. Toda a divisão entre o quarto e o corredor era feita de um grosso vidro transparente, que lhe dava total visão de seu interior. E de onde estavam, ele era capaz de ver nitidamente a mulher.
一 Essa é Evanoff. 一 Fury relatou depois de dar mais alguns passos e parar agora frente a frente com o vidro que lhes separavam. 一 Mais conhecida como Agente 09. 一 Rogers continuava absorvendo todos os detalhes daquele quarto, os equipamentos em volta do corpo da garota, os dois finos tubos de oxigênio que entravam sutilmente por suas narinas, os sensores presos a sua artéria computando os batimentos cardíacos. 一 Ela saiu em uma missão um pouco parecida com a de Romanoff. 一 A voz do homem cortou a linha de pensamentos do capitão, lhe fazendo prestar atenção no que o diretor narrava. 一 Era pra ser algo simples: copiar o disco rígido da base, extraindo e salvando todos os arquivos possíveis da SHIELD. Ninguém sabia dessa missão, exceto Romanoff e eu. 一 Nicholas Fury agora virou seu corpo em direção ao do loiro e o encarou o mais sério que conseguiu. 一 E sabe o que é mais engraçado nisso, capitão? Eles estavam lá... Esperando por ela. 一 Respondeu de imediato, abrindo um sorriso macabro.
一 Eles quem? 一 Steve perguntou, confuso. Fury tirou seu telefone da parte interna do sobretudo digitando uma sequência numérica logo após, e o som que o aparelho emitiu em seguida deixara o loiro em total alerta.

“一 Sinto muito, diretor, mas acho que o senhor ficará me devendo aquele laboratório.” 一 Steve deduziu que aquela voz deveria pertencer à mulher inconsciente naquele quarto. A voz dela estava ofegante e entrecortada, e ela murmurava coisas desconexas. Parecia estar se despedindo.
“一 Aguente firme, Evanoff. Estamos descendo.” 一 Uma voz grossa soou um pouco desesperada. E Rogers esperou pacientemente pela resposta da garota, mas ela não veio. A única coisa que continuava ouvindo era o som alto da respiração um pouco mais falha da mulher.
“一 Evanoff?” 一
Rogers levantou o olhar para Fury, ao identificar a aflição presente na voz do diretor.
“一 HAIL HIDRA.” 一 Ao ouvir aquela frase, imediatamente o capitão desceu o olhar novamente para o aparelho que Fury segurava, e segundos depois ouviu um tiro, com a mensagem automática de “conexão perdida” sendo dita pela voz da inteligência artificial logo em seguida.
一 Hidra? Isso é impossível! Quando isso aconteceu? 一 O soldado falou em disparada, procurando por respostas na feição de Fury.
一 Isso aconteceu um ano atrás. 一 Disse por fim, voltando a sua pose inicial fitando a mulher.
一 E qual foi a ordem para busca? Qual o relatório? 一 Questionou.
一 Não teve ordem, Capitão. 一 Fury confessou. 一 Você ouviu a gravação. Não mandei ninguém ir atrás dela. 一 Suspirou. 一 Achávamos que ela estava morta.
一 Nós acabamos com a Hidra, Fury. Eu acabei com a Hidra! Quem quer que esteja por trás disso, eu posso lhe garantir, não é ela! 一 Esbravejou, nervoso. Havia sacrificado tudo há setenta anos, não conseguia sequer imaginar a possibilidade de tudo ter sido em vão: perder sua vida, seu melhor amigo, seus amigos... Peggy. Era demais.
一 Depois desse incidente, não houve menção a Hidra outra vez. Então achamos que foi um caso isolado, e isso serviu de combustível para que eu agilizasse as coisas aqui dentro. 一 Steve continuava olhando para o corpo inconsciente de , e agora, sem aquelas grossas barras de metal que envolviam o corpo da garota, ele foi capaz de ver mais vergões em sua pele pálida. Não conseguia imaginar o que ela havia passado. 一 Fizeram alguma coisa com ela, Capitão. 一 A voz preocupada de Fury chamou sua atenção. 一 Digo, além dessas marcas e machucados. O cabelo dela não era dessa cor. Era curto, na altura do pescoço. Mas sabemos que o cabelo pode crescer. 一 Acrescentou. 一 Porém me diga, Capitão, qual a necessidade de pintar o cabelo de uma mulher que está sendo feita de prisioneira? 一 Steve parou para pensar naquelas informações soltas e sem sentidos que Fury agora havia dito, e o soldado não achava nenhuma conexão entre elas. Se havia sobrevivido, então quem quer que tenha lhe sequestrado, estava com ela todo esse tempo. Pois se a garota tivesse fugido, já teria procurado ajuda da SHIELD meses atrás. O que quer dizer que estavam a mantendo presa, provavelmente tentando tirar informação da organização. Isso poderia facilmente explicar os vergões. Tortura. Ela provavelmente havia sido torturada. Isso era o óbvio para qualquer um ali, então porque ele tinha a sensação que Fury insinuava outra coisa? A confusão no olhar do loiro se tornou quase que automaticamente em aflição. Se a mulher tinha mudado a sua aparência, como o diretor fez questão de frisar, aquilo só poderia significar uma coisa: disfarce.
Ao chegar à linha de raciocínio que Fury apresentava, o soldado o encarou.
一 Fizeram alguma coisa com ela. 一 Repetiu preocupado encarando com ainda mais intensidade a imagem de deitada naquela cama. Quase parecendo estar num sono tranquilo.
一 E é por não saber de onde vem o perigo que eu gostaria de compartilhar com você uma segunda coisa nesse dia. 一 Caminhou novamente para o elevador. 一 Mas só porque eu sou um cara muito legal. 一 Finalizou com um sorriso sarcástico antes de falar “Plataforma do Insight” para a inteligência artificial.

•••••

Horas mais tarde, depois da despedida mal educada do capitão e de averiguar mais de perto alguns detalhes do Projeto Insight, o diretor da SHIELD voltou para sua sala. Fechou a porta atrás de si e andou em direção a grande janela, observando a cidade um pouco mais distante. Aquele era um bom lugar para pensar, e Fury tinha muitos pensamentos para colocar em ordem naquele momento.
Agora com uma dúvida nascendo atrás de sua orelha. Tinha procurado Jasper Sitwell por toda a base não o encontrando, e coincidentemente, ao tentar entrar em contato, o homem não atendia suas ligações.
E ninguém colocava Nicholas Fury na caixa postal.
Desde que retornaram, Fury sentia que de alguma forma, o careca o evitava descaradamente. Saiu escoltado pela STRIKE assim que colocou os pés na base geral; seu relatório de missão tinha sido feito por um agente que não foi designado por Fury, e sim por Alexander Pierce; e agora ignorava as ligações do diretor.
Tinha alguma coisa errada ali. E Fury não chegou a essa conclusão por conta disso, o motivo do mais velho ter suas suspeitas estava única e exclusivamente ligada à misteriosa presença do oficial naquele navio. Sitwell não deveria estar ali.
一 Isolar escritório. 一 Pronunciou para a inteligência artificial, que automaticamente obedeceu ao seu comando. O diretor da SHIELD encontrava-se no escuro com aqueles acontecimentos, e não gostava nada disso. Nada poderia acontecer na SHIELD sem que ele soubesse. Com a janela agora completamente isolada, o homem deu meia volta e caminhou para a sua mesa, abrindo uma gaveta e revelando um fundo falso. Pegou o pendrive que mais cedo a agente Romanoff lhe entregara e o conectou na base. 一 Abrir arquivo do lançamento do satélite da Estrela da Lemúria. 一 Observou a grande tela acender e a I.A obedecer ao seu comando.
Acesso negado. 一 A voz robótica a I.A soou segundos depois ao ser bloqueada.
一 Decodificar. 一 Disse estranhando. A tela a sua frente, que ia quase que de uma parede a outra, mostrava vários arquivos presentes no pendrive, todos da SHIELD, porém, como o navio foi atribuído diretamente ao projeto da Estrela da Lemúria, era exatamente sobre isso que Fury gostaria de ver.
Falha na decodificação.
一 Comando do diretor. Fury, Nicholas J. 一 Aquele comando, seguido do reconhecimento de sua voz, deveria ser o suficiente para lhe dar acesso a qualquer coisa na SHIELD, uma vez que, além de diretor, ele estava no alto da hierarquia da sua companhia. Dentro da SHIELD ninguém estava acima de Fury, mas Fury estava acima de todos. Bom, pelo menos era o que ele pensava.
Comando negado. Todos os arquivos protegidos.
一 Quem foi que ordenou isso? 一 Desconfiado, ele perguntou.
Fury, Nicholas J. 一 A voz robótica e fria da I.A soou, somando a sua desconfiança. Fury não tinha dado aquela ordem, não tinha chegado a abrir qualquer arquivo desde que a equipe liderada pelo capitão havia retornado. Então como era possível ele ter dado aquela ordem, se ele não tinha aberto os arquivos ainda? E o pior, como ele teria feito para negar seu próprio acesso caso quisesse olhar os arquivos depois?
一 Relatório de missão: Sitwell, Jasper. Navio da Estrela de Lamúria. 一 O diretor se apressou em falar, agora com um incômodo muito maior crescendo. E esse não estava atrás de sua orelha. Fury sentia como se tivesse crescendo por todo seu corpo.
Não há nenhum relatório presente.
­
一 Decodificar. 一 Isso era impossível, o diretor viu quando um dos agentes levava Sitwell para uma sala de interrogatório.
­一 Acesso negado.
一 Quem ordenou isso? 一 Sua mão foi em direção ao seu olho bom e pressionou o local, na falha tentativa de clarear sua visão... E quem sabe a mente.
Fury, Nicholas J.
一 Abrir arquivos de Sitwell, Jasper. 一 Não fazia sentido. Ele estava confuso. Nenhuma daquelas ordens tinham partido dele.
Acesso negado.
一 Quem deu a ordem?! 一 Quase gritou.
Fury, Nicholas J.
Mesmo não querendo dar ouvidos às suas paranoias, a explicação, contudo, era muito clara. Não estava nos planos de ninguém que aquele navio fosse raptado por piratas. Logo, se tudo corresse como o programado, iria ser uma viagem de um ponto a outro, e ele não precisaria se preocupar. Consequentemente, ignorando todos os detalhes fúteis. Como por exemplo: o que Sitwell estava fazendo ali? Por que não conseguia ter acesso aos arquivos do seu próprio projeto? E o mais importante... O que estava fazendo ali?
Aquela era uma missão da SHIELD. Era um navio da SHIELD.
A menos que não fosse.
Precisava se manter calmo, pois o que estava deduzindo era bem mais obscuro e perigoso agora.

一 Onde Alexander Pierce está? 一 Perguntou, um pouco atordoado. Seu colega de trabalho poderia ouvir suas preocupações e dar um fim àquela desconfiança. Tinha certeza de que Pierce seria capaz de lhe explicar o que era aquilo e que não passava de um mal entendido. No entanto, porque sentia que estava certo sobre aquilo? Aquilo não era uma paranoia, seus instintos gritavam por isso. E Fury sempre confiava em seus instintos.
Está em sua sala, senhor. No setor do Conselho Mundial de Segurança. Em uma reunião.
Entretanto, antes de conseguir seguir seu plano para ir de encontro ao homem, mais uma vez a voz da I.A o chamou. 一 A doutora Hastings está na linha direta, e deseja falar com o senhor.
一 Me passe a ligação. Isolação total. 一 Murmurou, cansado.
Diretor? 一 Chamou, um pouco incerta.
一 Alguma atualização?
Preciso que o senhor venha aqui.
一 Tenho uma reunião para atrapalhar agora.
Senhor, preciso que venha aqui... Agora.

Estranhando o pedido urgente da médica, Fury rumou até a ala especial de contenção. Aquela conversa com Alexander Pierce poderia ser feita em outro momento, seria até melhor para o diretor. Lhe daria tempo para acalmar seus ânimos e colocar aquelas informações no lugar.
Ao passar pela porta do elevador, todos os pensamentos relacionados à Pierce e Sitwell ficaram para trás, pois uma nova onda de questionamentos se formava em sua cabeça. E todos eles o levavam até . Claro que se percebesse que existia qualquer chance de a agente continuar viva, ele iria buscá-la. Mas o que ouviu em seu comunicador naquele dia, há um ano, não deixava brecha para a hipótese da mulher continuar viva.
era sua melhor agente, já tinha lutado inúmeras batalhas pela SHIELD. E quando precisou, a organização lhe virou as costas.
Entretanto, Nicholas Fury sabia que toda aquela angústia ao pensar na agente, era porque ele se via um pouco ligado ao caso. Além de ser sua melhor agente, para o diretor, em quesito de confiar a sua vida, ela estava em segundo lugar, logo abaixo de Maria Hill. O que já dizia muito sobre como aliviado, espantado e preocupado ele se sentiu após Natasha lhe contar quem havia resgatado.
一 O que aconteceu? 一 Sua voz alta soou no fim do corredor, chamando a atenção da doutora e alguns enfermeiros que estavam ali.
一 O senhor precisa ver isso. 一 Hastings assegurou ao alcançar os passos largos do homem, andando lado a lado com ele. Entraram no quarto, continuava inconsciente, mas agora Fury era capaz de ouvir o batimento forte do coração da mulher. Estava se recuperando. 一 Retiramos um fio de cabelo dela para análise e o resultado acabou de chegar.
一 Você pode, por favor, mostrar um ponto nisso tudo? 一 Pediu, impaciente.
一 Como estava dizendo... 一 Continuou a médica sem se abalar pela impaciência do homem. 一 A análise chegou agora, então eu solicitei a antiga ficha médica dela para poder comparar. Não achei nada de diferente, nem no seu sangue ou na sua estrutura de DNA. Estava tudo igual. Mas... 一 A mulher agora levantou a mão em direção a Fury, que novamente iria lhe interromper. 一 Eu só olhei para a ficha, não para a foto da agente. 一 Finalizou, esperando que aquela ênfase tivesse sido o suficiente para o homem perceber sozinho. E quando aquilo não aconteceu, ela respirou fundo, não era tão difícil assim de perceber. 一 A cor do cabelo dela está diferente.
一 Isso é óbvio! 一 Esbravejou. 一 Você me chamou aqui para me fazer perder tempo?
一 Diretor... 一 Tinha um certo tom de repreensão na voz da mulher quando ela fechou apertado seus olhos. Fury nunca estava em um dia bom para esperar uma conclusão. 一 Qual a cor natural do cabelo da agente Evanoff?
一 Sei lá... Preto? 一 Respondeu, impaciente. 一 Aonde você quer chegar com isso, Hastings?
一 Bom, de acordo com a análise feita há minutos atrás, essa... 一 Apontou com a caneta para o cabelo da mulher. 一 É a cor natural do cabelo dela.
一 Mas o quê? 一 Fury olhava espantado da médica para . Ele não entendia muito de cor de cabelo, mas sabia que o cabelo da mulher era escuro, quase um preto. E agora ele estava... Loiro. Um dourado, quase âmbar. Com algumas mechas grossas mais claras ainda, chegando em um tom perolado. Aquilo não era possível.
一 E não para por aí! 一 Hastigns pousou o tablet que carregava ao lado dos pés de Evanoff, e se aproximou ainda mais. 一 Venha ver. 一 Convidou gentilmente o homem a se aproximar. Um pouco incerto, Fury seguiu o caminho até as duas mulheres, e notou quando Hastings tirou uma pequena lanterna de um dos bolsos do jaleco, acendeu o objeto e o posicionou perto da pálpebra fechada de . 一 Eu não sei o que tinha naquele soro, mas estamos esperando a análise chegar para criarmos teorias sobre isso... 一 Não terminou de concluir a fala, pois no segundo seguinte, levou seu dedo delicadamente até uma das pálpebras da mulher e a abriu com cuidado, revelando assim seu olho e íris. Naquele momento Fury gostaria de esbravejar um palavrão, e ele estava na ponta de sua língua, porém havia perdido momentaneamente a habilidade da fala. Seu olhar estava perdido no rosto da agente inconsciente. estava exatamente do mesmo jeito que ele vira da última vez. Bem, exceto por aqueles dois detalhes. Mas ela não estava mais magra, o que lhe dava a certeza de que estava sendo alimentada. Seus músculos, que antes eram mais definidos, agora perdiam um pouco de definição, lhe mostrando que em algum momento ela parou de treinar, porém, não em todo aquele espaço de tempo. 一 Não que esteja um pouco na cara... 一 A voz da médica lhe chamou de volta para a realidade. 一 Mas também imaginamos que essa não é a cor natural dos olhos dela. Na verdade... Não é a cor natural dos olhos de ninguém. 一 Assim como os cabelos, a cor dos olhos da mulher estava diferente. Antes tinha os olhos azuis esverdeados, numa cor tão profunda e intensa, que era quase como se tivesse um oceano dentro de sua íris. E agora os olhos da mulher estavam num amarelo, puxado para o âmbar.
一 Ninguém mais pode saber disso até eu dar uma segunda ordem. 一 Fury se prontificou em dizer. Sua cabeça trabalhava rápido, formulando medidas protetivas e sigilosas para tratar aquela situação. 一 Redobre os cuidados nesse setor, a partir de agora apenas níveis 9 podem ter acesso aqui. Quero que você monte uma pequena equipe de confiança para tratar esse caso. Ninguém pode saber disso. 一 A mulher o encarava assustada e desconfiada. 一 O que aconteceu agora?
一 Minutos atrás, os agentes Rumlow e Sitwell estavam aqui.
一 Sitwell esteve aqui? 一 a médica balançou a cabeça afirmando. 一 E o que ele queria?
一 Veio ver o estado da agente, perguntou o que descobrimos. E eu expliquei tudo para ele da mesma forma que estou explicando para o senhor agora.
一 Ele viu isso?
一 Sim. E… 一 Continuou receosa. 一 Ele… 一 Pigarreou. Agora percebendo que acatar aquela ordem não havia sido a escolha mais inteligente. Na verdade, havia sido uma ordem estranha, mas ela aprendera desde cedo a não fazer perguntas. 一 Ele quis ficar sozinho com ela no quarto. Rumlow quase me tirou a força. Ficou parado na porta sem deixar ninguém entrar. Mas uns cinco minutos depois saiu rapidamente e escoltado por Rumlow. Achei que estávamos com problemas, foi então que solicitei sua presença. 一 Explicou.
一 Dispensada, Hastings. 一 Fury murmurou e a médica saiu logo em seguida, o deixando sozinho com Evanoff.
A dor que Fury estava sentindo latejar em sua cabeça não poderia ser normal e ele tinha certeza disso. Como o bom estrategista que era, estava sempre se concentrando em encontrar a melhor solução para os problemas que a SHIELD trazia. Apesar disso, naquele momento, ele não estava conseguindo formular nada. Olhou ao redor rapidamente e viu que não tinha ninguém ali, Hastings deveria ter esvaziado o local, e mentalmente agradeceu por isso.
Sentou-se na poltrona que estava ao lado da cama que se encontrava ainda inconsciente, e fechou o olho. Se concentrando no silêncio que emanava ali. Buscando internamente a resposta de como agir naquela situação.
Se Sitwell tinha ido até ali, então ele estava na base enquanto Fury o procurava, e ele estava fugindo a todo custo de encontrar com o diretor. Sitwell e Rumlow. Sua desconfiança estava certa afinal. Não poderia confiar em ninguém.
Levantou-se de supetão da poltrona e varreu o quarto com o olho, procurando um pedaço de papel. Não tinha. As fichas da SHIELD agora acompanhavam a tecnologia do século: digital. E Fury sabia que tudo digital poderia ser potencialmente invadido e alterado. Contudo, o diretor também sabia que havia coisas que não poderiam ser substituídas.
Concluindo aquela linha de raciocínio, o diretor andou em direção ao banheiro do quarto, e parando em frente a pia, puxou um papel toalha que estava suspenso e preso na parede. Tirou uma caneta do bolso e apoiando de qualquer jeito o papel contra a parede, escreveu um recado para sua antiga protegida. estava com os braços estirados e repousados na cama, um cobertor seguia dos seus pés até o meio de sua cintura, deixando os braços e mãos de fora.
Fury se aproximou da mulher, amassou o pedaço de papel e o depositou em sua mão, fechando a palma da mulher logo em seguida, na tentativa de esconder a mensagem.
Não confiava em ninguém, aquilo era um fato. Porém, aquela regra não era aplicada a Hill e .
Bom, ele esperava que aquilo ainda valesse para a mulher. Era um movimento arriscado, um ano tinha se passado. O rosto poderia continuar sendo o mesmo, mas ele não sabia quem iria acordar.
Contudo, a lista de pessoas que ele confiava estava ficando cada vez menor e não gostava nem um pouco disso.
Mas valia a tentativa.
Se quem acordasse fosse a Agente 09, ela entenderia o recado. Caso contrário, apenas alertaria que Fury estava ciente de tudo.
No papel amassado, as letras trêmulas diziam apenas sete palavras.

•••••


O barulho do bipe repetitivo latejava em sua cabeça, chamando sua consciência de volta à realidade. Mas aquela imensidão vazia e escura que estava imersa, lhe parecia muito mais convidativa. Não queria abrir os olhos. Até tentou, porém suas pálpebras pareciam que pesavam uma tonelada. Gostaria de continuar dormindo por mais algumas horas. Sua cabeça estava pesada, girando, confusa. E ao tentar levantar um dos braços, notou o quão dolorido seu corpo estava. Tudo doía, tudo estava machucado.
“Ela está acordando” 一 Uma voz feminina soou minutos depois. abriu os olhos sem muita vontade, para só então encarar o quarto vazio. Ela estava sozinha. Então quem havia falado? Olhou em volta e automaticamente reconheceu o quarto médico que estava, já havia passado por aquele setor algumas vezes. Porém nunca estivera ali como uma paciente, e isso a deixava angustiada, aos poucos lembrando o que tinha acontecido.
“Ela parece estar confusa. Acho que vou chamar a doutora Hastings.”
Assustou-se quando ouviu novamente a mesma voz. Em seu campo de visão, continuava sozinha. Com mais esforço do que previu, a loira levantou seu tronco, ajeitando-se naquela maca até que ficasse sentada, e quando estava prestes a chamar alguém, uma mulher alta, esbelta, morena e que aparentava ter seus quarentas anos, entrou em seu campo de visão.
一 Como está se sentindo, querida? 一 Emma Hastings perguntou, cautelosa.
一 Como se eu tivesse sido atropelada. 一 murmurou ácida, arrancando um sorriso frouxo da mais velha. 一 Por favor, me diga que estou na SHIELD. 一 Pediu, esperançosa.
一 É exatamente onde você está, querida. 一 Um alívio imediato percorreu por todo o corpo da mulher ao escutar aquilo. Estava salva, finalmente. Entretanto, embora estivesse sentido aquele alívio enorme, agora parecia que aquela sensação estava sendo drenada, e a medida em que ela era expulsa, uma nova emoção era imposta em seu corpo. Aflição. De onde vinha aquele medo? encarou os olhos da mulher e percebeu ali um receio. Aquele sentimento não era seu, era da mulher ao seu lado.
一 O que aconteceu? 一 Questionou sem rodeios. A médica a encarou um pouco espantada, já tinha ouvido boatos que a agente 09 era bastante perspicaz com o que acontecia ao seu redor, mas aquele raciocínio rápido era quase impossível. A loira tinha acabado de acordar, como era possível perceber que tinha algo errado?
一 Temos muito que conversar, mas por que primeiro você não vai tomar um banho? 一 Desconversou, sentindo a necessidade de adiar aquela conversa pelo menos por agora. Sabia que o momento chegaria, mas não imaginava ser nos primeiros minutos lúcida da agente, e pelo menos aquilo lhe daria tempo para pensar no que dizer a loira. 一 Tem uma muda de roupas dentro do banheiro, estarei te esperando aqui.
nada disse. Mesmo sabendo que tinha algo errado, que algo muito estranho tinha acontecido, ela também sabia que precisava de um banho. Quanto tempo que não tomava um? Não lembrava, nem gostaria de forçar sua memória para recordar aquele fato inútil.
Emma retirou o pequeno lençol de suas pernas e o choque térmico fez com que seus pés e mãos se encolhessem sobre o lençol.
Foi ali que ela sentiu. Seu olhar instintivamente se direcionou até a mão esquerda, onde sentiu o pedaço de papel amassado. Desconfiou, contudo não sabia se poderia confiar na médica ao seu lado para questionar aquilo. Por isso fechou com ainda mais força a mão, na tentativa de esconder qualquer detalhe do pedaço de papel. Viu quando Emma estendeu sua mão para lhe ajudar a levantar, e balançou a cabeça negativamente. Poderia se levantar sozinha. Sem muita delicadeza, girou seus quadris para o lado da cama, deixando agora suas pernas suspensas. Puxou o ar com mais força, e se pôs de pé. Estava praticamente colada à cama, os braços faziam força, como uma resposta automática de seu cérebro que tinha medo de cair. Encarou o chão por alguns minutos e quando se sentiu confiante o suficiente, deu o primeiro passo, e depois mais outro, e outro. Nada parecia estar errado.
Olhou para a mais velha, que encarava aquilo um pouco abismada, porém com um sorriso no rosto, e não sabia como, mas sentia a hesitação que vinha da médica.
Mais alguns passos à frente e a espiã já estava dentro do banheiro, fechando a porta e a trancando logo em seguida. Seu olhar virou em direção onde se encontrava, analisando todo o ambiente: logo ao seu lado direito, um espelho pendurado na parede e abaixo dele uma pequena pia. A sua frente, um pequeno box com chuveiro. E ao lado da pia, um pouco mais distante, um vaso sanitário, com a tampa fechada, e em cima, uma muda de roupas.
Respirou fundo ao notar estar segura ali, deu um passo para trás se encostando à porta que agora lhe servia de apoio e abriu o pequeno papel que estava escondido em sua mão.

Acho que minha esposa está me traindo.

Respirou fundo. Uma, duas, até mesmo quatro vezes. Reconheceria aquela letra mesmo depois de 100 anos sem vê-la. E a forma como a escrita estava apressada e falha, só lhe mostrava a urgência que a pessoa teve ao escrever e deixar aquele bilhete para trás com ela.
Fury não tinha esposa, e só tinha uma coisa que ele mencionava em algumas brincadeiras “ser casado”: a SHIELD.
Nicholas Fury dizia não ter tempo para romances porque estava casado com o trabalho.
Seu trabalho era na SHIELD. Era a SHIELD.
Então, Fury havia deixado uma mensagem secreta para ela, a alertando que a organização estava comprometida? Toda a organização?
Amassou ainda mais o bilhete em sua mão, andou em direção ao vaso sanitário, abriu a tampa, jogou o pedaço de papel e deu descarga.
Havia um motivo para aquilo estar escondido e ela já tinha percebido.
Fury não queria que ninguém descobrisse.
Tirou as roupas de seu corpo rápido e de qualquer jeito e entrou no box logo em seguida. A água quente tocando em sua pele, enviando estímulos relaxantes por todo seu corpo, quase sendo capaz de fazê-la esquecer do que tinha acabado de ler. Precisava pensar em algum plano. Precisava falar com Fury.
Manteve os olhos fechados quase que o tempo todo, aproveitando minimamente seus poucos segundos de paz. Até que colocou a cabeça debaixo do chuveiro, e quando a água molhou todo seu cabelo, desfazendo o coque que o prendia, ela notou o quão grande ele estava. Ele não era daquele tamanho. Pegou uma mexa e arregalou os olhos, se espantando com o tom mais claro que observava. Fechou o registro imediatamente e saiu do box às pressas indo em direção ao espelho embaçado. Passou a mão no vidro na tentativa de limpar a camada de vapor e desfoque que tinha se formado e assustada, deu um pulo para trás ao encontrar seu reflexo.
Suas mãos trêmulas imediatamente subiram em direção ao seu rosto, tocando ao redor dos olhos, logo abaixo da pálpebra inferior enquanto observava, com mais cautela e intensidade, a cor dos seus olhos sendo refletidos a sua frente. Desviou minimamente o olhar, reparando que aquilo não era a única coisa diferente ali… Seu cabelo estava muito longo, um pouco depois de sua cintura, e… Loiro. Em dois tons: dourado e perolado.
Quando isso tinha acontecido? Ou melhor, o que aconteceu com ela?
A única ordem que seu cérebro enviava ao resto do corpo era a paralisação. Por um minuto, todo seu corpo travou. E a única coisa que era capaz de produzir agora, eram aquelas dúvidas. Baixou a cabeça e fitou seus pés descalços, sentindo-se incapaz de continuar encarando aquele reflexo que um dia pareceu ser seu. Fechou fortemente os olhos e se forçou a lembrar qualquer coisa. Recordava-se fielmente da sua última missão. Do alerta de invasão a uma antiga e inativa base da SHIELD. De se disfarçar para entrar na base. Perceber que aquele local não estava inativo e tão pouco tinha sido invadido… Quer dizer, em algum momento houve uma invasão, porém, ao notar como o lugar estava desenvolvido, aquela invasão não tinha acontecido nos últimos trinta minutos. Lembrava-se também de conseguir salvar os dados da SHIELD. De tentar fugir. De levar um tiro. E então… Acordar minutos atrás.
Quanto tempo tinha passado desde aquela memória?
Seus olhos agora amedrontados voltaram ao espelho, mirando profundamente em seu rosto. Pálido, mais magro, cansado e machucado.
“Quanto tempo?” pensou. Contudo, ao julgar pelo tamanho de seu cabelo, constatou ter sido muito. Decidida a não ficar se remoendo em dúvidas, puxou a toalha e enxugou seu corpo rapidamente. Andou em direção a muda de roupas que viu e pôs-se a vestir. Não era um uniforme de combate, muito menos um moletom da SHIELD. Era uma roupa de civil. Calça jeans de lavagem clara, uma camiseta cinza e um tênis branco. Não era a melhor combinação da sua vida, porém também estava longe de ser a pior. Qualquer coisa era melhor que aquela camisola de hospital. Enrolou a toalha na cabeça, na intenção de secar um pouco seus cabelos e vestiu-se com pressa. Estava passando a blusa por sua cabeça quando ouviu a voz da médica sair contida e pávida do outro lado da porta. Ao escutar seu nome, Evanoff olhou em direção ao som, e se esforçou para ouvir aquela conversa.
一 Ela acabou de acordar, agente Rumlow. escutou a voz abafada e nervosa de Emma. Escutou também quando passos pesados se aproximavam cada vez mais em direção à porta. Evanoff passou rapidamente a camiseta por sua cabeça, terminando de se vestir e velozmente ficou de frente a porta, segurando a maçaneta como se sua vida dependesse daquilo. Não entendia de onde todo aquele nervosismo e medo estava vindo, nunca tinha ficado tão aflita em toda sua carreira, e o pior… Por nada. Já havia trabalhado com Rumlow outras vezes, não tinha motivo algum para temer o homem. 一 Não ouse abrir a porta, agente. Ela é minha paciente e só será liberada quando eu disser que ela está liberada. 一 Percebeu a tentativa da mais velha em ser autoritária e exigente, contudo, como havia dito, conhecia Rumlow. E aquilo definitivamente não seria o suficiente. Ainda assim, ao identificar os passos do homem ficando cada vez mais distantes e abafados, suspirou em alívio.
Você tem vinte minutos. E então eu vou voltar aqui e a levarei. 一 O alívio, contudo, se esvaiu completamente quando o timbre grosso daquela voz entrou em contato com seus ouvidos. Sua cabeça doeu. Latejou. Tinha alguma coisa diferente na voz dele que fez com que sua estrutura fraquejasse por um momento. Mas não era só a voz dele. Era ele. O que a deixava confusa, porque já trabalhara com o agente por anos, e o homem já tinha a salvado tantas vezes que até tinha perdido a conta, então… Por qual razão seus batimentos aceleraram e seu estômago revirou?
Contudo, antes de pensar em uma explicação, arfou ao sentir uma pontada muito forte em sua cabeça e uma de suas mãos foram de encontro ao local que agora palpitava em dor, sua visão ficou totalmente ofuscada e sua mente a levou para outro lugar.

Suas pernas vacilavam à medida que as forçava a correr ainda mais. Tinha noção de que alguém estava correndo atrás dela, mas não ousou olhar para trás em nenhum momento, sendo barulho dos passos fortes o suficiente para que soubesse que estavam próximos. Aquele lugar era como um labirinto, entrava em um corredor que levava para uma sala e nessa sala, uma porta que a levava a outro corredor longo, vazio, sem vida. Era um ciclo sem fim. Estava perdida. Uma fraca luz irradiava ao fim daquele imenso vazio, era uma placa, que dizia em perfeito russo “Saída”. Seu coração por um momento quase parou de bater, sem acreditar que finalmente iria conseguir escapar daquele lugar. Apertou os passos, e prendeu um sorriso de alívio que teimava sair, agora mais determinada a dar um fim àquele longo e terrível pesadelo. Estava quase no meio do caminho quando sentiu uma rasteira em seus pés, fazendo com que todo seu corpo fosse bruscamente de encontro ao chão. Seus reflexos, por mais que estivessem um pouco cansados, não a abandonaram, fazendo com que instintivamente, com suas mãos, empurrasse o corpo para cima levantando-se. Encarou o homem que lhe aplicara o golpe, e ele carregava um sorriso sarcástico. Não a atacou de novo, ao contrário, estava esperando que levantasse para que lutasse contra ele.
Não era a primeira vez que o via ali, ele estava presente em todos os momentos desde que ela chegara aquela base. Ele havia atirado nela em sua última missão a SHIELD. Ele que havia delegado que a torturassem, por pura diversão, para tentar fazê-la abrir a boca e contar o que sabia sobre Fury. Ele que, quase uma vida atrás, Evanoff confiaria sua vida de olhos fechados.
一 Rumlow. 一 Pronunciou o nome dele com nojo escancarado em sua voz.
一 Para onde está indo, agente? 一 Aquele sorriso sarcástico triplicou de tamanho. A última palavra quase fazendo cócegas na língua do homem.
一 Estava te procurando. 一 Apontou para ele dando de ombros. 一 Tenho que te dar uma surra grande antes de voltar para casa. 一 Mesmo após sabe-se lá quanto tempo ali, e tendo passado por inúmeras torturas, sendo elas psicológicas ou físicas, não havia perdido a confiança e a prepotência em sua voz. Por dentro estava se debatendo em medo, mas diferente das outras pessoas, o medo não a fazia correr. O medo era o combustível para que ela atacasse. Sem esperar uma resposta do homem e o pegando desprevenido, fechou o punho e com toda força que tinha, acertou a traqueia de Rumlow. As mãos do moreno foram em direção ao local atingido quase que automaticamente, já sentindo a falta de ar que aquele golpe produzia. Evanoff girou o corpo em uma cambalhota e com as pernas no ar, atingiu-lhe o peito, fazendo-o cambalear para trás e cair logo em seguida. Rumlow não a tinha atacado, pois queria a menosprezar um pouco antes disso, pensava que a mulher estava fraca demais para entrar em combate. Talvez aquele tenha sido o seu maior erro. Subestimá-la. Havia um motivo para ser conhecida como Agente 09 na SHIELD. Pois, quanto menor o número de identificação de um agente, maior era o perigo que ele representava. No mesmo momento em que seu corpo se retraía em desgaste, ele forçou-se a levantar, a encarando com ódio. 一 Pretendo levar para Fury, sua cabeça imunda e traidora em uma bandeja. 一 A mulher debochou.
一 Vamos ver. 一 Passou as costas da mão por sua boca, limpando um resquício de saliva que encontrou por ali. Rumlow se colocou em posição de ataque e correu em direção ao seu alvo. As tentativas de socos e golpes que ele concedia contra o corpo da mulher eram facilmente desviados por ela. era uma ótima estrategista em ataque, primeiro estudando os movimentos do oponente, para depois atacar. Naquele caso, não seria diferente. Mesmo já conhecendo o estilo de luta de Rumlow, a mulher se viu na necessidade de observar como ele estava a atacando, visto que, não se sentia forte o bastante naquele momento. Sua única opção era usar o peso do corpo do homem à sua frente como vantagem. Quando sentiu-se completamente segura, segurou a mão de Rumlow que veio em punho fechado para lhe acertar o rosto. Com força, torceu a mão dele e aproveitando o apoio do peso do mais velho, Evanoff impulsionou suas pernas para cima, ficando de ponta cabeça e passando cada uma de suas pernas ao redor da cabeça do seu adversário. Seu apoio agora, além daquele corpo, era a mão do seu oponente, que torcia fortemente. Treinou aquele golpe tantas vezes com Natasha, que agora seu corpo o reproduzia naturalmente. Agora com as pernas envolta a cabeça do homem, mais especificamente em torno do pescoço, forçou seu corpo para trás, fazendo com que o peso em suas pernas o desequilibrasse completamente, que girou antes de cair batendo fortemente suas costas no chão. Rumlow ainda tentou se debater, mas a mulher segurava seu braço com vigor, uma mão em seu pulso, ainda o torcendo, e a outra em seu antebraço, forçando no sentido oposto. Os pés de Evanoff se entrelaçaram, e ela flexionou os joelhos, intensificando ainda mais aquela pressão. Não demorou cerca de trinta segundos naquele golpe, e o homem desmaiou.
levantou-se rapidamente, e antes de dar as costas e fugir, chutou o estômago do seu oponente com toda força que ainda lhe restava.
一 Cuzão. 一 Juntou o máximo de saliva que conseguiu e cuspiu o rosto dele. Girou-se no sentido contrário a aquele corpo desmaiado e novamente pôs-se a correr em direção aonde acreditava ser a saída. Seu coração batia descompensado, estava ofegante e sentia a expectativa crescendo forte em seu peito. Iria conseguir. Estava tão perto. Tão perto.

O som dos dois toques na porta foram o bastante para quebrar sua concentração, a trazendo de volta a realidade num lampejo. Não precisava de um espelho para perceber que seu rosto estava contorcido em uma careta, ou que sua nuca estava molhada em suor, ou que continuava segurando aquela maçaneta com tanta força, que seria capaz de arrancá-la da porta a qualquer instante. Sua cabeça doía, agora bem mais que minutos atrás, porém não como uma pontada forte e violenta. Ela sentia uma dor latejante, uma dor que pesava e emanava por todas suas terminações nervosas. Não tinha dúvida de que aquilo se tratava de uma lembrança, e em resposta ao estímulo de minutos atrás, seus pelos eriçaram completamente. Fury estava certo, afinal de contas. Sua esposa estava mesmo o traindo. Mesmo tendo acordado minutos atrás, aquela lembrança não parecia uma alucinação. Evanoff sentia que sua mente estava nos eixos. Rumlow era o traidor que Fury mencionava? Mas, a mensagem contida naquele bilhete mencionava toda a SHIELD. Então, toda a organização estava comprometida? Eram muitas perguntas sem respostas, e aquela situação a deixava estática, beirando ao desconforto. Soltou a maçaneta e levou suas mãos até a altura de seu peito, notando ali o quão trêmulas elas estavam. Precisava se acalmar antes de qualquer coisa, ansiedade e nervosismo não lhe ajudariam em nada a partir dali. Passou os dedos por seus (agora) longos cabelos na tentativa de deixá-los mais arrumados e abriu a porta, encontrando Emma Hastings sentada na poltrona ao lado da cama, batucando as pernas e com o dedo na boca. Estava nervosa, deduziu a agente.
一 Não temos muito tempo… 一 Foi a primeira coisa que Hastings disse ao ver a silhueta da garota entrar novamente naquele ambiente. parou de andar no momento em que recebeu aquela informação. 一 Ele vai voltar a qualquer momento. Adiei o máximo que consegui, eles queriam que eu te induzisse a acordar, e eu disse que você teria que fazer isso sozinha. 一 A morena levantou e caminhou até ficar frente a frente com Evanoff, a segurando pelos ombros. 一 Mas você acordou, e não demorou muito para que os boatos corressem…
一 O que está acontecendo? 一 Sua voz saiu como um sussurro, com medo de que alguém pudesse estar escutando aquela conversa.
一 Não confie em ninguém. 一 Hastings tirou um óculos escuro do bolso do jaleco e entregou para . 一 Não deixe que desconfiem de você. 一 Ao pegar aquele objeto, a loira captou a mensagem que Emma lhe passou, colocando-o no rosto no mesmo momento. As lentes escuras do óculos impediam que vissem a cor dos seus olhos.
一 O que está acontecendo? 一 Voltou a perguntar, muito mais desconfiada agora do que antes. Algo crescia dentro dela, e não saberia dizer em que momento todo aquele medo passou a correr por suas veias. Aquilo não vinha dela. 一 O que aconteceu comigo?
一 Eu queria poder explicar… 一 A mais velha soou frustrada. 一 Mas infelizmente não tenho essa resposta. 一 abriu a boca para falar mais alguma coisa, porém não sabia o que dizer, por isso a abriu e fechou várias vezes. Estava muda, perdida em pensamentos. As duas mulheres se encaravam, os olhos das duas transmitindo coisas diferentes, que ao mesmo tempo, eram tão iguais: dúvida e apreensão. Toda a desconfiança que a agente nutria pela médica, se esvaiu no momento em que a mulher lhe tocara nos ombros. sentia que ela estava sendo sincera. E aquele sentimento não fora deduzido logicamente, como aprendera em um de seus treinamentos. Claro que a agente tinha observado cada aspecto da doutora. Os olhos dela estavam fixos aos seus, não quebrando o contato em momento algum. Sua voz estava contida, mas sem fraquejar. E sua expressão era de preocupação. Hastings não estava mentindo. Contudo, o que fez com que a espiã acreditasse na morena foi a sensação que teve. E era forte, gritante.
一 O que faremos agora? 一 Tentou soar o mais profissional e neutra, mesmo que a agonia tomasse conta de todo o seu interior. No entanto, antes mesmo que a médica tivesse a oportunidade de falar alguma coisa, o sentiu. O arrepio forte e doloroso tomou conta de toda sua pele. A raiva e o ódio criando vida dentro de si. Ele estava ali. Virou a cabeça lentamente em direção a saída do quarto e sua visão encontrou o homem que a encarava sério. Rumlow estava com os braços cruzados na altura do peito e encostado na lateral da porta. Espontaneamente seu braço esquerdo levemente empurrou a doutora para o lado e seu corpo tomou a frente do dela. Criando com seu corpo, uma barreira de proteção para a médica. Como dito, o medo não a fazia correr. A deixava em alerta, pronta para o ataque. Por longos segundos o silêncio reinou, apenas o som da respiração dos três era possível de se ouvir. sentia o medo da médica ao seu encalço e a hesitação do homem à sua frente. Mas ela continuava parada, esperando alguma reação do líder da STRIKE.

“Ela não se lembra de nada.”

Era a voz de Rumlow que dizia aquilo, mas os lábios não se mexeram. franziu o cenho ao perceber aquilo. Como era possível escutar a voz de alguém que não havia falado?

一 Você deixa sua parceira fazer uma missão sozinha e ela quase morre. 一 Meio hesitante, falou. 一 Tcs. Tcs. 一 Sua língua prendeu no céu da boca, emitindo um som de negação. 一 Desse jeito nunca mais vamos poder te dar missões individuais. 一 Completou em um tom brincalhão. continuava parada, em posição de ataque, encarando seriamente o semblante risonho do traidor. 一 ? 一 A chamou, desconfiado, agora sua postura ficando séria. Seus braços, antes cruzados, rompeu o entrelaçar e sua mão desceu lentamente, ficando bem próxima a arma presa em seu coldre. De repente, a hesitação crescia novamente em seu interior.

“Não deixe que desconfiem de você”

Era o que dizia a voz de Emma sussurrando ao pé de seu ouvido, quase que dentro da sua mente. Sem tempo para questionar o motivo de escutar todas aquelas vozes em sua cabeça, decidiu seguir o que a única voz de confiança daquele quarto, a orientava.
一 Eu sei que você estava morrendo de preocupação. 一 Relaxou sua postura e formou o maior sorriso maldoso que conseguia.
一 Nunca mais faça isso comigo! 一 A loira notou quando o pensamento do moreno comemorou por estar certo. não sabia de nada. 一 Desculpe ser grosso mais cedo, doutora. 一 Se desculpou, olhando para a mulher que continuava atrás da agente. 一 Perdi a cabeça quando soube que você tinha acordado e precisava te ver. 一 Voltou a falar olhando para Evanoff.
一 Cuidado, Rumlow. Falando assim vou pensar que está apaixonado. 一 Calculando friamente sua entonação, a mulher falou. O tom poderia até ter saído divertido, mas sua mente estava atenta a cada movimento.
一 E esses óculos? 一 O moreno perguntou com curiosidade. teve que segurar a resposta malcriada na ponta da língua. De acordo com a lembrança que teve minutos atrás, o líder da STRIKE estava presente em todos os momentos do seu sequestro, então era mais do que claro que ele sabia o que ela escondia por trás da lente escura.
一 Os olhos dela estão sensíveis. 一 Foi a vez de Hastings se pronunciar.
一 Está tudo bem? 一 Rumlow a perguntou, a entonação abalada em sua voz. Quase fazendo com que acreditasse que estava preocupado. Quase. balançou a cabeça em afirmação, não prolongando muito aquele assunto.
一 Então, veio aqui para ver se me beijando eu iria acordar?
一 Sempre cheia de piadas. 一 Rolou os olhos. 一 Estou aqui para te levar até o Secretário Pierce. 一 Foi direto ao assunto. 一 Todos ficamos muito felizes quando soubemos que você acordou, e o Secretário quer falar com você.
一 Poderia me adiantar o assunto? 一 O que o conselheiro mundial de segurança iria querer com ela? Suas suspeitas só aumentavam, entretanto, sabia que se negasse ir de encontro ao secretário, iriam desconfiar de sua conduta. Afinal, qualquer agente ficaria honrado em ser reconhecido por membros tão altos da SHIELD.
一 Não diga que eu te disse, mas tem a ver com um pedido de desculpas. 一 Rumlow falou baixo, como se fosse um segredo.
一 Isso eu pago para ver. 一 Riu, descrente daquela possibilidade. 一 Até mais doutora. 一 Virou-se para a mulher e tocou suas mãos, tentando de alguma forma lhe dizer que estava tudo bem, que ela tinha entendido o recado. Haviam muitas perguntas, mas infelizmente não teria tempo de descobrir as respostas junto da médica, o melhor a se fazer para a segurança das duas era seguir Rumlow e agir como se não soubesse de nada. O líder da STRIKE internamente comemorava a amnésia da espiã, e era nisso que ela iria se segurar. Se ele estava esperando que ela acordasse sem memória, era exatamente isso que faria. Encarando a mais velha por dois segundos enquanto sua mente repetia aquilo, desejando que de alguma forma, ela pudesse ler seus pensamentos também. Viu quando a médica franziu o cenho, mudando sua feição para desconfiada ao mesmo tempo que balançava a cabeça, concordando. interrompeu o toque, e foi em direção a porta, sendo acompanhada por Rumlow que vez ou outra fazia alguma brincadeira com ela. Enquanto isso, Emma Hastings continuava parada, observando aquela cena, até os dois entrarem no elevador e sumirem de sua visão ao fechar das portas. Emma ficou naquela posição por longos minutos, e se perguntava como era capaz de ela ter ouvido com tanta nitidez, a voz calma e segura da agente, lhe dizendo que iria ficar tudo bem e que havia entendido o recado.



Capítulo 03

O elevador logo abriu no andar solicitado pelo líder da STRIKE, não tiveram mais tempo de conversarem depois de ter saído da ala de contenção e agradecia mentalmente por aquilo. Todos os seus esforços no momento estavam direcionados a continuar no personagem que Rumlow pensava. E oh, ele pensava bastante.
Ao saírem do elevador, Alexander Pierce os estava esperando em sua porta. O mais velho acenou com a cabeça para Rumlow que imediatamente parou, deixando que apenas prosseguisse até seu encontro.
一 Agente 09. 一 Ele a cumprimentou, sorrindo, segurando sua mão em seguida. 一 Sou Alexander Pierce. 一 Apresentou-se. o sentia calmo, sereno. Não hesitava sua presença, ao contrário, emanava um pouco de felicidade ao vê-la ali. E pelos minutos seguintes, a loira decidiu confiar nele.
一 Senhor, é uma honra. 一 Retribuiu o aperto de mão com confiança. Pierce estava vestindo um terno cinza escuro, uma camisa social preta, e a gravata ao redor do seu pescoço imitava a cor da camisa. O homem esticou a mão para dentro da sala, indicando para que a mulher entrasse. A sala era grande e com poucos móveis, dando um ar mais sofisticado ao local. A grande mesa estava posicionada próxima à porta que acabaram de passar, e ficava de frente a grande janela, lhe dando a visão da cidade inteira a sua frente. O dia estava bonito, o céu azul em contraste com aquela sala em tons cinza fazia com que seus olhos doessem um pouco.
一 Sinto muito pelo que tenha passado, agente Evanoff. 一 Pierce chamou sua atenção. Agora ele estava próximo a um aparador, destampando a garrafa de uísque e se servindo em seguida.
一 Obrigada, senhor. 一 Murmurou.
一 Me diga, agente… 一 Continuou, agora andando em direção a sua mesa e indicando para a mulher sentar na poltrona à sua frente. 一 O que houve com seus olhos? 一 Até aquele momento, a mulher não havia tirado os óculos de seu rosto, e praguejou baixo ao perceber isso. Porém, as palavras de Emma ainda ecoavam em sua cabeça. Poderia confiar em Pierce? Soltou um risinho nervoso e passou o olhar por toda a sala, encontrando ali, em cima do aparador, ao lado de algumas garrafas de uísques, uma foto de Pierce com Fury. Eles pareciam bem mais novos na foto, estavam frente a frente, e pelo que notou, faziam um juramento, pois a mão direita dos dois estava erguida. Ao fundo era possível ver a bandeira dos Estados Unidos, junto com o símbolo da SHIELD esculpido na parede. voltou a encarar o secretário, e o olhar que ele sustentava enquanto aguardava sua resposta, a deixou desconfortável. Abaixou a cabeça, mirando seus pés protegidos pelo tênis branco, Fury confiava naquele homem, e sabia que trabalharam juntos quase que a vida toda. Fechou os olhos com força e sua mão se direcionou até os óculos escuros os tirando. Levantou a cabeça e abriu os olhos, sustentando agora o olhar do secretário. Alexander Pierce admirou aquela íris amarelo âmbar, internamente estava orgulhoso do que sua organização foi capaz de fazer. 一 O que aconteceu com você?
一 Eu não sei. Não consigo lembrar. 一 Mentiu. Estava prestes a confidenciar ao mais velho o que tinha lembrado, quando novamente uma onda de sentimentos lhe atingira. E ela sentia que o homem à sua frente estava orgulhoso do que estava vendo. Em partes, realmente não conseguia lembrar o que tinha de fato acontecido com ela para que estivesse daquele jeito, mas se lembrava o suficiente para compreender que Rumlow era um traidor. Sua mente, mais uma vez entrou em um curto, porém, agora durou apenas 1 segundo. Um segundo e ela lembrou-se da última coisa que escutou antes de apagar. Hail Hidra. 一 Lembro da minha missão. 一 Continuou. 一 Tinha que recuperar arquivos da SHIELD, tentei fugir e levei um tiro. Depois disso, a minha última lembrança foi acordar aqui. 一 Pessoas normais mostravam certa relutância em mentir, apresentando, mesmo que inconscientemente, um padrão de nervosismo. Como não conseguir olhar nos olhos da pessoa. Ou sempre desviar o olhar para a direita antes de falar. Ou batucar os pés. Segurar as mãos... Mas não apresentava nada. Para ela mentir era tão fácil quanto respirar.
一 Vou pedir que você vá ao laboratório e faça alguma tomografia do seu crânio. 一 Alexander disse, cordial. 一 Mas não se preocupe, Emma disse que você não aparenta ter problema algum. Vamos só tentar encontrar a causa dessa amnésia e quem sabe descobrir quem fez isso com você. Adoraria prendê-lo com minhas próprias mãos.
一 Obrigada, senhor. 一 Hesitou, pensando em como tocar no próximo assunto. 一 Senhor… 一 O chamou. 一 Gostaria de falar com o Diretor Fury. Não o vi desde que acordei.
estava pronta para se levantar, quando viu Pierce tomar um grande gole do seu uísque respirando fundo em seguida. Fitou seus olhos, e eles queriam transparecer tristeza, mas estava vazio. O olhar de Pierce era oco. Um incômodo grande começou a se formar dentro do corpo da garota, que ansiava pela resposta do secretário que parecia fazer uma pausa dramática antes de lhe dizer algo ruim.
一 Eu sinto muito, . 一 Escutou quando seu primeiro nome saiu da boca do mais velho, na tentativa de enfatizar o quão sério era aquilo. 一 Fury está morto. 一 Por um momento sentiu seu coração parar de bater, uma dor avassaladora tomando conta de seu peito, o impedindo de bombear sangue. Não notou quando tinha prendido a respiração, mas a queimação de seus pulmões em busca de oxigênio foi o suficiente para lembrar que precisava respirar. Levantou-se da cadeira no mesmo segundo em que assimilava as últimas palavras do secretário. Fury estava morto.
Acho que minha esposa está me traindo.
Fury morreu.
Acho que minha esposa está me traindo.
Fury morreu pelas mãos da SHIELD.
Acho que minha esposa está me traindo.
Fury morreu e antes disso acontecer, deixou com ela um bilhete.
Iria vingá-lo.
Sentiu quando a mão gélida do secretário Pierce tocou seu ombro, na tentativa de chamar sua atenção, pois tinha certeza que se perdera mais uma vez em pensamentos. Felizmente, ou infelizmente, o toque do homem contra sua pele, mesmo que protegida pelo tecido da camiseta cinza, não a protegeu de reconhecer todos os sentimentos que o mais velho emanava. Dois em questão, a deixaram em alerta. Pierce estava feliz e aliviado ao falar em voz alta que Fury estava morto. Aquela realidade onde Fury não existia mais para atrapalhar seus planos, o agradava.
一 Quando isso aconteceu? 一 Sua vista estava embaçada pelas lágrimas que tentava a todo custo não deixar cair. Não daria o gostinho de chorar pela morte do seu chefe à pessoa que provavelmente encomendou sua morte.
一 Dois dias atrás. 一 Pierce disse, tentando soar ameno. 一 Mas não se preocupe, criança. 一 Afagou sua cabeça. 一 Já estamos cuidando disso, temos um suspeito.
一 Quem? 一 Queria fugir dos toques que Alexander estava oferecendo, sentindo um nojo crescendo na boca do seu estômago, a ânsia de vômito subindo para a sua boca.
一 O Capitão América foi a última pessoa que viu Fury vivo. 一 Pierce controlava cada movimento que exercia. 一 Fury morreu no apartamento do Capitão. 一 Sua linguagem corporal se tornou tensa, esforçando-se para mostrar desconforto ao lhe dizer aquilo, na tentativa de manipulá-la a acreditar que Steve Rogers tinha alguma coisa a ver com o assassinato de Nicholas Fury. E foi ali que sentiu pela segunda vez. A mesma hesitação que Rumlow emanou ao vê-la, estava vindo agora do Conselheiro Mundial de Segurança.
一 Eu preciso de ar. 一 Sussurrou. 一 Obrigada por me receber, senhor. 一 Tentou parecer grata por aquela conversa.
一 Estarei aqui caso precise conversar sobre Fury. 一 Alexander parou em frente a mulher, mantendo o olhar triste. 一 Sei o quanto Fury confiava em você e fico feliz que esteja de volta a organização. 一 Estendeu a mão para a mulher. 一 Sinto muito por ter lhe dado a notícia assim. 一 apertou a mão do homem antes de sair da sala, mas desde o momento em que conseguiu ter acesso a tudo o que ele sentia, sua mente gritava, o chamando de traidor e mentiroso. Naquele momento não fora diferente.
一 Obrigada, senhor. 一 Alexander esboçava um pequeno sorriso, e ao apertar com firmeza a mão da mulher, algo lhe chamou atenção.
O secretário cerrou os olhos em desconfiança, porém manteve o sorriso todo tempo ao seu lado. soltou suas mãos e saiu da sala sem esperar por qualquer liberação. Sentia aquela enorme sala diminuir mais e mais, chegando ao ponto de sentir-se em um cubículo, com Pierce sussurrando a sua nuca. Rumlow não estava mais do lado de fora a esperando e agradeceu aos céus por isso, agora mais do que nunca não iria saber lidar com mais um traidor. Aquilo ia mais fundo do que poderia imaginar, e sentiu apenas a ponta do iceberg ao entrar em contato com os sentimentos de Pierce.
Entrou rapidamente no elevador e a I.A a reconheceu, pronunciando seu nome e mostrando na tela a sua frente o nível de hierarquia que se posicionava na SHIELD. Nível 9. Uma das poucas agentes com maior escalão ali. Nem o Capitão América estava naquele nível. Em agentes de campo, como espiões, ele pertencia a apenas 3 pessoas: Ela, Hill e Natasha. Respirou fundo, notando que agora tinha mais perguntas para tentar responder e ninguém para ajudá-la com isso. Comunicou à I.A que a levasse para a central de armamento, precisava sair daquele lugar e procurar por ajuda. Hill e Natasha. Eram os nomes que ecoavam em sua mente. E se as duas também tivessem virado as costas para Fury, era o fim para a SHIELD.

•••••


De volta a sala do conselheiro, Alexander Pierce estava conduzindo até que bem aquela conversa com Evanoff, porém, em algum momento ele sentiu que a mulher ficou mais tensa. Não quis criar alarde com isso, o secretário imaginava que a notícia da morte de Fury fosse mexer com os ânimos da agente. Contudo, com todo toque de sutileza e o mais calmo que pudesse transparecer, algo mudou quando deu a entender que o Capitão América havia matado o antigo companheiro de trabalho.
Quando levantou-se para ir embora e Pierce tocou sua mão a dela, se esforçou para continuar sorrindo, mas estreitou os olhos e observou a mulher sair de sua sala como um furacão, sem ao menos esperar ser dispensada. Caminhou lentamente até o aparador e se serviu de mais uma dose de uísque, virou todo o líquido do copo de uma vez, sentindo o queimor descer até encontrar seu estômago. Praguejou baixo, frustrado. Os cientistas disseram que os experimentos feitos em Evanoff não tiveram nenhum resultado bom. Que eles só alteraram a cor dos seus olhos e cabelo, e a deixou resistente à lavagem cerebral, mas que já tinham dado um jeito nessa parte. Tecnicamente, Evanoff não deveria se lembrar de nada. Então porque, antes da mulher sair da sua sala, ao tocar suas mãos, ele conseguiu ouvir claramente a voz firme dela em sua cabeça?

“Traidor”
“Mentiroso”

As palavras ecoaram. Era a mesma voz da mulher que apertava sua mão e o saudava como superior. E ela estava mentindo olhando nos seus olhos. E o pior, até aquele segundo, ele estava acreditando.
Não muito contente, puxou o telefone do bolso da calça e digitou os números que já sabia de cor, tantas foram as vezes que o chamou para realizar seus trabalhos sujos.
Ou como ele gostava de pensar, a limpeza para um mundo melhor.
Sim? 一 Rumlow atendeu em expectativa.
一 Mande o soldado. 一 Murmurou. 一 Ela sabe.



Capítulo 04

Não foi muito difícil sair da base geral da SHIELD. Todos os agentes estavam ocupados demais procurando pelo Capitão América e pela Viúva Negra. E saber que sua ex-treinadora também estava sendo procurada, de alguma forma alegrou seu coração. Assim como ela, Romanoff sentia-se no vermelho com a sociedade, e estava na SHIELD justamente para balancear aquela dívida, por isso, a Agente 09 sabia que a russa não estava envolvida com a morte de Fury e com a traição da SHIELD.
Não perdeu a oportunidade de arrombar o armário da antiga treinadora e pegar as peças de roupas que estavam disponíveis ali. Bom, se tinha que andar com os civis, pelo menos o estilo de Romanoff era melhor do que aquele que a SHIELD lhe ofereceu. Sem se importar que alguém chegasse no vestuário e a visse nua, Evanoff se despiu e começou a vestir-se com as roupas deixadas por Natasha. Uma calça jeans preta colada ao corpo com um cinto da mesma cor, botas coturnos de salto, uma blusa preta de alcinhas e solta, e por cima, uma jaqueta de couro bege claro. Deixou os cabelos soltos, agora começando a gostar daquele comprimento. Rumou para a garagem principal da base e não teve dificuldade em pegar um carro, visto que todas as chaves ficavam perto da ignição. Carregava consigo apenas duas armas, um uniforme que deu sorte de roubar de alguma agente ali, e um celular. Não poderia sair com mais coisas sem que chamasse a atenção de algum agente ou superior.
Estacionou o carro na primeira cafeteria que encontrou, colocou novamente o par de óculos escuros sob seus olhos, escondendo a mais nova cor de sua íris, posicionou as duas pistolas na parte de trás de sua calça, sendo escondida pela jaqueta, e saiu do carro, sentando-se em uma mesinha do lado de fora do estabelecimento. Tirou o celular do bolso prestes a ligar para Romanoff quando notou a data que a tela do aparelho mostrava. Por alguns minutos só conseguiu encarar aquilo, absorvendo aos poucos a verdade de que passou um ano nas mãos da Hidra e não se lembrava.
Ela demorou um ano para ser resgatada por Fury. Eles tiveram um ano para brincarem de cientistas malucos com seu corpo e sua mente. automaticamente desceu sua mão até uma de suas coxas, passando os dedos por cima do jeans grosso, ela podia sentir, mesmo por debaixo daquele tecido, a cicatriz. Uma das, na verdade. Na base, enquanto vestia as roupas de Romanoff, observou que seu corpo tinha algumas marcas de tortura que antes não existiam. Pensar na ideia de ter sido torturada e feita de brinquedo nas mãos da Hidra, fez seus pêlos eriçarem e um arrepio gelado subir por sua espinha. Suas mãos um pouco trêmulas agora, digitava o número que ela lembrava-se ser de Natasha, torcendo internamente para que a ruiva não tivesse o trocado.
O número chamou sem parar até que caísse na caixa postal, bufou em frustração, sentindo-se por um momento idiota ao ligar para o número pessoal da mulher. Se a SHIELD estava atrás dela, era óbvio que estavam rastreando aquele número. Expirou cansada, se dando ao menos um minuto de folga. Eram muitas coisas para assimilar em um período tão curto de tempo. Primeiro, acordar naquela ala da SHIELD com o bilhete de Fury; Segundo, as bruscas mudanças em seu cabelo e olhos, e alguma coisa ali a fazia pensar de que aquela cor em seus cabelos não era resultado de tinta; Terceiro, a lembrança da luta que teve contra Brock Rumlow para escapar daquela base inimiga, bem como a memória do homem atirando em suas costelas em sua última missão da SHIELD; Quarto, descobrir que Alexander Pierce estava de alguma forma conectado a isso; e por último e extremamente doloroso, descobrir que Fury estava morto.
Se tinha mais coisas deixadas de lado, a garota não percebera. Aquelas cinco informações eram as únicas que rondavam seus pensamentos, quase a deixando tonta e enjoada. Passou a mão por seu cabelo, parando o movimento assim que observou, mais uma vez, aquela cor clara. Suspirou, só agora parando para pensar também que, em algum momento, as vozes de Hastings e Rumlow ecoaram dentro de sua mente, assim como foi capaz de sentir também a aura deles, junto com a de Alexander Pierce. Ela não tinha aquelas… Habilidades antes de ser capturada pelo inimigo. Antes disso, ela era só uma agente. Não qualquer agente. Uma das melhores. Mas ainda assim, apenas uma agente, com aptidão e capacidade de um ser humano qualquer. Logo, não era tão difícil assim descobrir quem eram os culpados. Difícil mesmo seria saber o que fizeram.
Depositou o telefone em cima da mesa e observou o garçom atendendo outros clientes naquele espaço, bom, se foi capaz de ouvir a mente das pessoas na SHIELD, era capaz de ouvir a mente de todos. Na teoria ela deduziu ser aquilo, na prática, ela não tinha ideia de como fazer para acontecer de novo. Cravou seu olhar no garçom que limpava uma mesa agora vazia, cerrou os olhos e se concentrou na imagem do rapaz. Ficou assim por quase 2 minutos e nada aconteceu. Praguejou frustrada, não deveria ser complicado, quer dizer… Ela tinha feito isso, o quê… três vezes? Sim. Três vezes desde que acordara.
Respirou fundo novamente, tentando limpar a mente de todas as preocupações que lhe rodeavam. Se conseguiu fazer sem querer, conseguiria naquele momento. Fechou os olhos e se concentrou em ouvir os pensamentos do garçom. Abriu um grande sorriso e quase pulou de alegria ao escutar a primeira palavra ecoar dentro de sua cabeça.

“миссия”

Voltou a abrir os olhos, achando aquele pensamento confuso. A voz pronunciava em um russo perfeito a palavra “missão”. O sorriso aberto em seu rosto perdeu força, fazendo sua boca fechar em uma linha reta e seu rosto expressar uma careta. Subitamente toda a aura de conforto e calmaria que aquela pequena cafeteria emanava para a mulher, fora bruscamente arrancada do seu peito. De repente seu interior estava gritando em agonia e ódio. Olhou ao redor do estabelecimento e tudo parecia normal, as pessoas continuavam conversando e comendo, os garçons continuavam servindo as mesas, alguns pedestres continuavam passando por aquela calçada. Tudo continuava normal.
Mas de onde estava vindo todo aquele ódio que esmagava seu peito e fazia seu interior tremer? Por um momento se amaldiçoou por tentar usar aquela habilidade.
Não havia espaço para felicidade, amor, alegria, paz…
Não havia espaço para questionamentos.
A única coisa presente era o vazio, a angústia e a missão.

“миссия”
“миссия”

Colocou a mão na cabeça ao ouvir mais alto aquela voz, impedindo-a de ter seus próprios pensamentos. Estava se aproximando, ela sentia cada vez mais forte e perto. Sua face estava comprimida em uma careta de dor com a pontada fina e intensa que sentia em suas têmporas. Levou seus olhos até a rua, não percebendo até aquele momento que a rua antes movimentada, estava parada, não passava nenhum veículo no local. Desconfiou daquilo assim que seu cérebro notou a falta dos carros transitando por ali.
Grunhiu em dor, levando os dois braços ao seu peito quando, dessa vez, a solidão lhe atingiu. E então a raiva. A aversão. Hostilidade. Violência. Aquelas emoções faziam seu corpo arder. Queimar. Todas elas lhe atingindo com intensidade e ao mesmo tempo. Viu quando o garçom parou preocupado ao seu lado, lhe perguntando se estava tudo bem, mas antes de conseguir responder, ouviu de novo.

“миссия”
“Убить девушку”

Matar a garota. 一 Sussurrou, repetindo a última frase que ecoaram em sua mente.

Ignorando o homem ao seu lado, Evanoff lentamente girou sua cabeça, de forma que conseguisse olhar para trás, e ainda sentada, mirando seus olhos para o fim da avenida parada, ela o viu. Ele andava devagar e com destreza até seu encontro. Calçava uma bota militar de coturno, que ia até metade de sua canela, e mais acima, joelheiras de proteção. Vestia uma calça preta, com alguns bolsos espalhados por ela, mas notou que em um dos bolsos perto de sua coxa esquerda, era possível ver o cabo de um canivete, enquanto sua coxa direita possuía um coldre com uma pistola.
Ao redor de sua cintura, um cinto grosso com alguns compartimentos de cada lado. Seu tronco era coberto por um colete preto de couro com algumas amarrações ao redor, era de mangas compridas, mas que só cobria seu braço direito, já que o braço esquerdo estava amostra. O rosto do homem estava protegido por uma máscara que partia do seu pescoço, vindo de dentro do colete, e ia até seu nariz. Ele carregava uma metralhadora modificada, com a ponta da arma sendo a de um fuzil, estava apontada para cima, e caminhava lentamente em sua direção, o vento balançando os cabelos que batiam em seus olhos, cobrindo parcialmente o que restava do rosto em amostra.
Já tinha ouvido as histórias, mas a maioria dos grupos de espionagem não acreditava em sua existência. era uma das que achavam que ele era um mito, uma lenda… Um fantasma. Naquele momento, lembrou-se de uma conversa que teve com Natasha Romanoff, em que a ruiva lhe contara que em uma missão, ao escoltar um engenheiro nuclear para fora do Irã, alguém atirou no engenheiro através dela. arfou ao se dar conta de quem era. Do que era. O braço biônico de metal não deixava espaço para dúvidas.

Soldado Invernal. 一 Arfou.

Assim que reconheceu seu opositor, não restavam dúvidas para de que ela era o alvo. Todo seu corpo estremecia em ansiedade, medo e violência, e a mulher não sabia em qual dessas sensações se concentrar. Decidiu por fim que o medo seria um ótimo combustível para que fizesse de tudo para sair viva dali.
Sua mente trabalhou rápido tentando formular um plano de fuga com maior probabilidade de sucesso. Sim, fuga. sabia que a opção mais segura ali seria fugir. Evitaria uma luta corpo a corpo com o homem a qualquer custo. Não deixaria que ele chegasse muito perto, estava apenas com duas pistolas, sem colete a prova de balas e não teria tempo de trocar a roupa de civil pelo uniforme da SHIELD. Se bem que a mulher tinha a leve impressão que nem o uniforme mais confortável e rígido a faria ganhar uma luta corpo a corpo com o soldado.
Desconfiada e esforçando-se para não parecer que estava prestes a atacar, puxou lentamente o celular da mesa, guardando-o no seu bolso, pegou a chave do carro e segurou fortemente com uma das mãos, a outra se direcionou até a pistola escondida em suas costas, quando sentiu sua mão encaixar perfeitamente a arma, num movimento rápido tirou a pistola a segurando com as duas mãos, os dois braços esticados de frente ao seu peito, saiu da cadeira agachada e girou de frente para a direção do soldado. Seu joelho direito estava encostado no chão, lhe dando mais apoio e segurança na hora que apertou o gatilho pela primeira vez.
O impulso fez com que seu corpo forçasse um pouco para trás e a chave presa em sua mão gerou um atrito com o metal da arma. Não poderia esperar que ele a atacasse primeiro, naquele cenário, sua melhor vantagem era pegá-lo de surpresa e aproveitar a distância que tinham um do outro. Ele ainda estava longe, mas não o bastante. Escutou quando as pessoas que estavam ali saíram correndo ao vê-la disparando a arma, mas não se importou, na verdade até ficou grata.
Quanto menos pessoas estivessem ali, menos civis seriam machucados. O tiro infelizmente acertou no braço de metal do soldado. viu quando a força do impacto da bala fez com que o ombro esquerdo do homem tombasse um pouco para trás, fazendo-o parar de andar por um momento. Ele voltou a sua postura ereta quase que no mesmo instante, como se o tiro de uma pistola não fosse o suficiente para lhe causar algum dano. O soldado maneou a cabeça, à procura de onde o ataque partira, e ao localizar seu alvo agachado com uma pistola apontada em sua direção, puxou o ar com muito mais força para dentro de seus pulmões. O ódio dominava todo seu corpo, sua visão estava focada nela. Era sua missão. Tinha que matá-la. Destravou o pino de sua metralhadora colocando a munição e soltando o encaixe, mirou onde a loira estava, apertando o gatilho logo em seguida. Era o corpo de uma metralhadora, acoplado com um fuzil.
Lógico que um disparo daquela arma causaria um estrago enorme. Ao ver os movimentos do homem, correu em direção ao meio da rua, tendo seu corpo jogado um pouco para frente quando a explosão atingiu a pequena cafeteria que estava. Embolou em uma cambalhota e se posicionou entre um carro estacionado, tirou a outra pistola de suas costas e agora atirava as duas ao mesmo tempo, uma em cada mão. Passou rapidamente o olhar pelo ambiente à procura do veículo da SHIELD que estava e o encontrou a poucos metros de distância. Quando a munição das duas pistolas acabaram, a mulher se levantou e correu apressadamente e sem olhar para trás, até chegar ao carro da SHIELD. Um pouco afobada, abriu a porta e entrou no veículo. Acionou a chave na ignição e partiu assim que o ronco do motor soou.
Os passos do soldado que antes eram contidos mudaram bruscamente para largos e apressados, esforçando-se o máximo para romper a distância entre eles. Ao notar que a mulher agora estava em um carro, parou bruscamente de andar e mirou a arma em direção a ele, recarregando-a com a munição e atirando em seguida.
estava tentando colocar o cinto de segurança ao mesmo tempo em que olhava para a avenida e tentava ligar a inteligência artificial que estava vinculada ao veículo para pedir por reforços. Contudo, antes de virar a esquina, olhou pelo retrovisor buscando pelo soldado. Não teve muito tempo para tomar qualquer atitude a partir disso. Ela olhou pelo retrovisor e encontrou o homem parado no meio da rua, perto do estabelecimento que havia atacado, e a arma dele agora apontava para frente. No segundo em que percebeu que ele iria atirar, atacou urgentemente o cinto e segurou vigorosamente o volante.
O grande impacto veio em menos de dois segundos. O carro voou e ao cair no chão capotou três vezes, parando no meio da esquina. estava de cabeça para baixo quando tomou de volta a consciência. Respirava com certa dificuldade devido ao aperto daquela fita de couro em seu tórax e pescoço, um zumbido alto e constante se fazia presente aos seus ouvidos. Tossiu ao se engasgar com a própria saliva e franziu a testa sentindo quando uma fina e quente linha de sangue escorria do seu nariz e ia direto até a raiz de seu cabelo.
O cinto a prendia no banco do motorista e ela chegou a pensar que se não tivesse o colocado a tempo, provavelmente agora estaria morta. Com muita dificuldade e sentindo todo seu corpo doer com o movimento, ela se forçou a olhar para trás. Ele estava vindo. Tentou tirar o cinto, mas a trava de segurança estava emperrada. Apertou de novo, não obtendo o resultado que desejava.
Conseguia sentir o choro preso em sua garganta crescendo ao mesmo tempo que sua visão embaçava com as lágrimas. Olhou novamente para trás. Ele estava perto. O sangue fazia o caminho contrário ao seu corpo devido a posição que se encontrava, iniciando uma pressão em sua cabeça que a deixava tonta. Passou os olhos ao redor de onde estava, a lataria do carro estava toda amassada. O parabrisa estava um pouco quebrado e os vidros das portas estavam rachados. Fechou os olhos com força. Estava ficando difícil pensar. Pendeu seus braços, pesados e doloridos, para cima, tocando agora o que seria o teto do veículo, e esperou. Não tinha mais o que fazer. A pressão cada vez mais intensa e latejante ao redor de sua cabeça dificultava seu raciocínio.
Esperou até que o soldado viesse ao seu encontro e acabasse logo com aquilo. Continuou com os olhos fechados e gemeu em um espasmo de dor que fez sua mão tremer, no segundo seguinte seus dedos tocaram em algo pontudo e que lhe tirou um fiapo de sangue. Com muita dificuldade olhou para cima, encontrando ali um pedaço do vidro do parabrisa. Se não estivesse tão tonta, machucada e cansada, poderia até ter aberto um sorriso aliviado, mas o tempo estava passando e cada segundo perdido lhe dava gradativamente a certeza de sua morte.
Envolveu o pedaço de vidro em suas mãos, não se importando com o corte que ele provavelmente lhe causaria, forçou suas pernas para cima e as apoiou também no teto do carro. Com esforço, voltou sua mão para o cinto e agora começou a serrar com força o pedaço de couro. Quando sentiu o aperto em seu tórax afrouxar, a agente largou o objeto e sustentou com dificuldade o peso do seu corpo enquanto suas pernas a impulsionaram para frente, atingindo em cheio o parabrisa. O impacto fez com que o vidro minimamente saísse do lugar, mas a brecha ainda era pequena demais para que conseguisse passar. Escutou quando os passos do soldado agora bateram forte no chão e juntando toda a força que lhe restava, chutou mais uma vez o vidro, agora o lançando para a rua.
Todo o parabrisa caiu, e o barulho do impacto só fora abafado pelo som estridente do Soldado Invernal tentando arrancar a porta com seu braço biônico. Jamais desejaria continuar ali para ver o que aconteceria depois que o moreno arrancasse aquela porta. Por isso, ao notar novamente o esforço do homem, se esganiçou pelo parabrisa e saiu correndo, virando a esquina. Ao olhar para trás, antes de perder a visão daquela cena, ela viu quando o soldado invernal puxou a porta do veículo e a jogou do outro lado da rua, como se fosse feita de papel. Não esperou para que ele a procurasse ou percebesse que já não se encontrava mais ali.
Correu freneticamente até parar em uma rua movimentada. Seu nariz sangrava. Sua mão sangrava. Seu rosto estava sujo de poeira e sangue seco. Seu cabelo estava emaranhado e bagunçado. Sua roupa, antes preta, agora estava rasgada e suja. Tinha um corte na lateral do seu antebraço que estava coberto pela jaqueta de couro, mas isso não impedia que o líquido quente e vermelho escorresse e fosse pingando em direção ao chão. Assustou-se quando um carro buzinou as suas costas e virou em um pulo.
A senhora que dirigia o veículo a observou e preocupada com a situação da loira, saiu do carro para socorrê-la. Assim que viu a oportunidade, tirou a única pistola que continuou atrás da calça e apontou em direção a mulher. Estava sem munições, mas pelo olhar assustado da mulher a sua frente, aquela ameaça muda havia surtido efeito. A mulher colocou as mãos para cima, em sinal de rendição. se dirigiu até ela e apalpou seus bolsos encontrando um celular. Puxou o aparelho para si e murmurando um “eu sinto muito por isso”, atingiu a nuca da senhora com a lateral da pistola. A mulher caiu desacordada no mesmo segundo. Evanoff suspirou cansada, tombando o próprio corpo para dentro do carro, o acelerando logo em seguida. Não se importava com os cortes abertos em seu corpo. Estava viva. Havia sobrevivido há um ataque do Soldado Invernal, era tudo o que importava.
Quando sentiu que sua cabeça estava ficando cada vez mais zonza, a impossibilitando de continuar dirigindo. Se viu obrigada a parar. Assim como cada parte do seu corpo, a cabeça doía. O ar entrava de maneira rarefeita para seus pulmões. Sentia que iria desmaiar a qualquer momento. Forçou o tronco para o lado e pegou o aparelho celular o observando, digitou uma sequência de números muito antiga, quase não tendo esperança de continuar ativa, porém, era tudo o que tinha naquele momento.
Esperou pacientemente até o último toque e ao cair na caixa postal levou o celular rente ao vidro e começou a batucar os dedos ali, fazendo com que o contato de seus dedos trêmulos com o vidro produzisse uma sequência específica de som. O destinatário da mensagem iria entendê-la. Bom, ao menos era isso que esperava. Desligou a ligação e deixou o aparelho grudado ao seu tronco. Suspirou exausta e aos poucos foi sentindo seus olhos pesarem. Tombou a cabeça para trás, obrigando-se a continuar em alerta. Se tudo saísse como planejado, aquele celular tocaria nos próximos minutos. Mas estava tão difícil se manter acordada.

•••••


Romanoff estava no quarto de hóspedes da casa de Sam Wilson. Perdida em pensamentos após a conversa que acabara de ter com Steve Rogers, a ruiva continuava sentada na ponta da cama, fingindo enxugar seus cabelos com mais concentração que o necessário. Estava adiando o resto da conversa, não saber de quem eram as mentiras que contava a deixava incomodada.
O loiro continuava ali, sentado de frente para a russa a encarando, o que queria dizer que aquela conversa ainda não tinha acabado. Quando Steve abriu a boca para continuar consolando a amiga, um toque de celular, porém, o fez parar. Olhou confuso para Romanoff que arregalou os olhos, parecendo ter visto um fantasma. A ruiva levantou-se da cama em supetão e procurou o aparelho pela bagunça que estava o emaranhado de suas roupas sujas. Franziu o cenho quando o pequeno celular em flip apareceu em seu campo de visão. Era uma mensagem na caixa postal, como combinado. Apenas duas pessoas tinham aquele número, e a ruiva sabia que Barton evitaria contato com ela no momento, preservando sua esposa e filhos da ira da SHIELD.

一 Quem é? 一 A voz branda de Steve soou lhe chamando a atenção. Os olhos da mulher deslizaram do aparelho até a íris azul do soldado. 一 Natasha?
一 Eu fiz o café da manhã. 一 Sam disse parando na entrada do quarto, observando os dois. Notando o ambiente silencioso e incômodo, se pronunciou. 一 Aconteceu alguma coisa?
一 Apenas duas pessoas têm esse número. 一 Começou se explicando enquanto balançava o aparelho em frente ao tronco. Não se importava de Wilson escutar aquela conversa. As únicas pessoas que a mulher confiaria sua vida naquele momento, estavam ali. 一 E uma delas não me ligaria agora, não com tudo o que está acontecendo. 一 Sentou-se novamente na beirada da cama, abriu o aparelho e apertou para ouvir a caixa postal no viva voz.
一 O que é isso? 一 Steve perguntou curioso ao primeiro som da batida. 一 Código Morse? 一 Chutou olhando para Wilson, que negou veemente.
一 Não. 一 Romanoff murmurou concentrada na mensagem por trás daquele código. 一 É o código que aprendemos na Sala Vermelha. Está em russo. 一 Quando a mensagem chegou ao fim, Natasha pediu a Sam um papel e uma caneta, colocou novamente a mensagem para ser reproduzida começou a escrever. Teve que repetir o processo mais duas vezes, já que em alguns momentos, o som da batida ficava fraco e confuso aos seus ouvidos, sendo necessário Steve reproduzir o batuque com seus dedos, pois apenas sua audição de supersoldado conseguira ser o suficiente para entender. Assim que largou o lápis em cima da cama, a ruiva observou o peso que significavam as palavras à sua frente, agora já traduzidas para o inglês.
一 Não faz sentido. 一 Sam parou ao seu lado, observando também a mensagem.
一 Quem mandou isso pra você, Nat? 一 Steve voltou a sua frente, questionando. 一 Até onde nós sabemos isso pode ser a Hidra.
一 Isso não é da Hidra. 一 Ignorando a dúvida do loiro, a russa começou a pronunciar a mensagem em voz alta. Sabia quem era o remetente, só precisava saber se era uma mensagem confiável. 一 “Natasha, é a . Estamos em perigo. Fury me disse que a esposa está o traindo. O soldado invernal acaba de tentar me matar. Acho que Pierce está por trás disso tudo. Precisamos conversar, eu não confio em mais ninguém.”
一 Agora sim isso parece muito com uma armadilha. 一 O tom brincalhão de Sam contradizia sua expressão séria.
一 Não é uma armadilha. 一 Rogers se pronunciou pela primeira vez. Claro que estava em conflito desde que ouvira aquela mensagem misteriosa, mas depois da decodificação da ruiva, Steve identificou outro código aliado a mensagem. E esse por sua vez, apenas ele sabia. 一 Diga de novo, por favor. 一 Pediu a sua amiga. 一 Aqui. 一 A interrompeu. 一 Quando Fury foi ao meu apartamento no dia que foi assassinado, ele me disse uma coisa parecida. 一 Fechou os olhos enquanto repassava a breve conversa que havia tido com o diretor. 一 “Minha esposa me expulsou de casa.” 一 A voz do homem soou pensativa e baixa ao recordar as exatas palavras ditas por Fury. 一 E quando eu disse que não sabia que ele era casado, ele me disse que a SHIELD estava comprometida.
一 Claro que ele disse isso. 一 Romanoff riu sarcástica. Agora que o loiro tocara no assunto, a lembrança de algumas brincadeiras sem graça do ex-diretor descrevendo aquilo, começavam a passar por sua cabeça. 一 A “esposa” era a SHIELD.
一 É uma metáfora muito errada? 一 Wilson perguntou retoricamente observando Steve. 一 Qual o protocolo entre vocês? 一 Questionou novamente depois de longos minutos em que o silêncio se fez presente entre os três.
一 Agora eu tenho que retornar. 一 Natasha explicou, desviando seu olhar de Wilson para Rogers.
一 Faça isso. No viva voz. 一 Steve pediu. Tentou não parecer tão incomodado ao notar que seu pedido saira mais como uma ordem.
一 Cuidado Capitão, desse jeito vou achar que não confia em mim. 一 Natasha debochou enquanto retornava para o número gravado em sua caixa postal.
一 Eu confio, agora. 一 Rogers frisou a última palavra olhando para a mulher pelo canto do olho. Natasha entendia os motivos do loiro e não negava que tinha sido um começo difícil para os dois.
一 Então... agora confiamos na garota da mensagem? 一 Sam sentou-se no chão, encostando as costas na parede, uma perna esticada e a outra dobrada. Ouviu quando os toques soaram e antes de conseguir obter uma resposta, a ligação foi atendida.

一 Oi Tasha. 一 A voz rouca e fraca de preencheu o ambiente daquele quarto. Steve encarou Natasha, incentivando que ela respondesse.
一 Bom saber que está acordada. 一 Natasha não poderia negar o tamanho do alívio que percorria seu corpo ao escutar a voz de Evanoff. Fazia um ano que a tinham dado como morta, e de repente, ela voltou para sua vida. A respiração falha e entrecortada da mulher do outro lado da linha a deixou inquieta. 一 Quando você acordou?
Romanoff… 一 Steve captou o exato momento que a ligação chiou baixo pela tosse da mulher. 一 Eu adoraria te contar todas as aventuras que passei nessas últimas duas horas desde que acordei, mas eu não te liguei para fofocar.
一 O que você quer, Evanoff? 一 A russa, identificando a urgência na voz abafada de , perguntou.
Quero saber se posso confiar em você. 一 já tinha sua resposta, mesmo tendo acabado de responder grosseiramente a ruiva. Ela confiava em Natasha, caso contrário não teria ligado para a mulher.
一 Engraçado… Eu iria te fazer a mesma pergunta. 一 Desdenhou.
一 Nat, quando eu acordei, Fury tinha deixado um bilhete pra mim. 一 Mesmo sentindo tudo a sua volta girar e o ar entrar com dificuldades no seu pulmão, a agente 09 despejou de uma vez aquela informação. 一 E a mensagem dizia “acho que minha esposa está me traindo.”. Então eu ac… 一 Tossiu um pouco engasgada. Sua cabeça estava tombada para cima, na falha tentativa de conter a náusea que crescia subindo pelo seu estômago 一 Eu descobri que Fury tinha sido assassinado e tentaram me fazer acreditar que o Capitão América tinha o matado. 一 Romanoff observou quando os músculos de Rogers ficaram rígidos ao ouvir aquilo.
E você acredita nisso? 一 Claro que com toda a Hidra atrás deles, a melhor forma de convencer os poucos agentes da SHIELD dentro da base geral era fazendo-os acreditarem que Steve tinha matado Nicholas Fury. Assim todos se uniriam em busca do Capitão. Romanoff continuava encarando o loiro no momento em que a agente do outro lado da linha respondera sem hesitar, fazendo automaticamente o homem respirar em alívio.
Mais é claro que não! Respondeu convicta, como se aquela dúvida fosse até um insulto. 一 Natasha, você não sabe se pode confiar em mim, mas eu sei que posso confiar em você. 一 Cansada de todo aquele joguinho de gato e rato, a agente suspirou. Era verdade, ela em momento algum havia desconfiado da russa, não tinha motivos para começar a fazer isso agora. 一 Você não está envolvida nisso, muito menos o Capitão América. Eu preciso que você me ajude, o Soldado Invernal acabou de tentar me matar. Eu não sei onde estou, parei de dirigir quando me senti tonta demais, mas sei que é uma rodovia. 一 Olhou para os lados tentando encontrar alguma placa que pudesse lhe dizer onde estava. Não encontrou. 一 Estou em um carro vermelho. Vou deixar a ligação ativa para que você possa me rastrear. 一 Ponderou um pouco antes de continuar. Mordeu o lábio com força antes de confessar sua real situação à espiã do outro lado da linha. Era um risco. Porém não tinha o que temer. Natasha não a machucaria. Sugou o ar o máximo que pôde e confiando nos seus instintos, falou. 一 Eu estou desarmada. 一 Abaixou minimamente o olhar até a pistola repousada no banco do passageiro. Não tinha mais munições. 一 Machucada 一 Pendeu a cabeça para o lado, vendo o sangue escorrer pelo interior do seu antebraço. 一 E quase inconsciente nesse exato momento. 一 Não tinha ideia de como estava continuando aquela conversa, apesar de estar parada, a cabeça de continuava girando. Seus ouvidos continuavam zumbindo. 一 Se você vir, vou saber que confia em mim. 一 O ar saiu pesado por sua boca. O oxigênio agora parecia não adentrar em seus pulmões, e aos poucos foi perdendo a consciência. Sendo seu nome a última coisa que escutou antes que tudo fosse substituído por um vazio enorme e escuro.

A ruiva ainda chamou por sua pupila mais duas vezes ao escutar o exato momento em que o celular parecia ter caído de sua mão. Não esperou pelas ordens de Steve ou pelos comentários de Sam. Levantou-se da cama e correu em direção a cozinha daquela casa, onde tinha visto o notebook de Wilson. Teve noção de que os dois homens estavam na sua cola e que Rogers chamava por seu nome. Não importava. estava ferida e estava confiando sua vida a ela. estava disposta a correr o risco de ser morta, pois confiava plenamente que a russa não estava envolvida com aquilo. O coração da espiã batia rapidamente a repreendendo por um momento desconfiar da garota. Evanoff era tão fã da SHIELD e seus ideais, quanto Coulson fora um dia.

一 O que você está fazendo? 一 Wilson verbalizou de forma mais alta, passando um pouco mais rápido pela silhueta de Rogers e tentando pegar o notebook antes da russa.
一 Salvando minha amiga. 一 Natasha murmurou. Pegou o cabo do celular e conectou a primeira entrada do notebook. Seu olhar encontrou com o do Capitão, e num pedido mudo, ela pediu para que ele acreditasse nela mais uma vez. Steve colocou a mão no ombro de Wilson, fazendo-o parar. 一 Vocês não precisam acreditar nela ou vir comigo. 一 Acrescentou digitando freneticamente a sequência de letras e números que daria acesso à localização da garota. 一 Mas eu vou lá. já morreu uma vez, e eu definitivamente não vou deixá-la morrer de novo.
一 Espera aí. Ela já morreu uma vez? 一 A confusão no olhar do moreno se espalhou ao tentar entender o que a mulher disse.
一 Ela foi dada como morta. Acharam que ela tinha morrido. 一 Steve explicou calmamente dando duas batidinhas no ombro do amigo e soltando um riso nasalado.
一 Então confiamos na garota? 一 Wilson repetiu a pergunta de minutos atrás, mas dessa vez ele não olhava para Natasha, seu olhar estava direcionado a Steve. Ele estava esperando a decisão de Rogers para saber se poderia ou não confiar no que Romanoff dizia. Assim que entendeu a pergunta, Natasha parou de digitar e também olhou para o loiro. Era um tiro no escuro. Porém, mesmo que eles não fossem com ela, iria sozinha, já havia decidido.
一 Confiamos na garota. 一 Rogers murmurou afirmando, depois de analisar a situação por alguns minutos. No cenário atual, ele sabia que a russa não tomaria nenhuma decisão que os prejudicasse. Mesmo estando com um pé atrás disso, Steve lembrava-se perfeitamente da conversa que teve com Fury ainda na base. Quando Evanoff ainda estava desacordada. Rogers viu o quão aliviado e ao mesmo tempo preocupado o diretor da SHIELD estava. Poucas eram as pessoas que possuíam a genuína preocupação do homem. Se para Fury era importante, Rogers iria seguir os passos do diretor.
一 Ótimo, porque eu acabei de encontrá-la. 一 Virando o aparelho na direção dos dois homens, Natasha mostrou a exata localização onde estava.


Capítulo 05


Steve batucava os dedos energicamente no painel do carro. Aquilo era uma forma discreta para conter sua ansiedade. Mesmo estando em diversos campos de batalhas, ainda sentia-se ansioso para o que lhe aguardava no próximo desafio. Entretanto, não estava indo para um. Bom, ele torcia para que não, já que Natasha não o deixou levar o escudo, alegando que o objeto chamava muita atenção, e a ruiva também não deixou de frisar várias vezes que não estava mentindo, e que se a garota dizia estar machucada, o estado dela provavelmente era grave, já que, segundo Romanoff, a mulher era dura na queda. Mas também não era para menos, Steve era capaz de ouvir a respiração falha e entrecortada que a garota evidenciava, mesmo por trás de uma ligação. Se o Soldado Invernal tinha mesmo tentado a matar, e ela havia sobrevivido ao ataque, isso queria dizer que a mulher estava bastante machucada. Steve poderia nunca ter lutado contra o homem, ou ouvido falar sobre ele, porém, o temor presente no tom de voz de Romanoff sempre que o mencionava era nítido, e Steve sabia que a ruiva não se amedrontava por qualquer coisa.
Os dois estavam calados durante aquele trajeto, Rogers deixou que a russa dirigisse, enquanto o GPS mostrava o exato ponto em que Evanoff se encontrava. Steve achou melhor que Sam ficasse em casa e que apenas ele e Natasha fossem ao encontro da mulher. De todas as pessoas da SHIELD, Romanoff não demonstrava ter nenhuma afeição, e o olhar preocupado da ruiva com aquela ligação fez Rogers entender que era importante para ela. Natasha não confiava em quase ninguém, e Steve chegou a pensar que em algum momento também não fazia parte daquela lista. Mas tudo mudou quando ele salvou a vida dela. Então apostava que também teria feito isso.

一 Ela era sua parceira? 一 Quebrou o silêncio que já estava começando a incomodá-lo. Pelo GPS, ainda tinham mais trinta minutos de estrada. A ruiva desviou a atenção da rodovia por dois segundos e o encarou.
一 Durante um ano. Antes eu só a treinava 一 Sibilou voltando a atenção para a estrada. 一, porém Fury dizia que dávamos muito trabalho juntas. 一 Um sorriso nostálgico e meio malicioso se formou no canto do rosto da mulher, Rogers riu daquilo, sendo contagiado com a ideia de Fury ficar sem saber o que fazer com as duas agentes. 一 é… 一 Parou, pensando em uma palavra que definisse a amiga. 一 Complicado. 一 De todas, aquela seria a melhor que se encaixava nela.
一 Temos tempo… 一 O loiro a incentivou a continuar. Queria saber mais sobre aquela mulher que havia adquirido tanto o afeto de Nicholas Fury, quanto de Natasha Romanoff. Era inédito, as duas pessoas que aparentavam ser as mais frias da SHIELD, tinham um apego emocional à mesma agente. Gostaria de saber o que tão especial ela tinha.
一 Você vai ter que conhecê-la para tomar suas próprias conclusões, Steve. 一 Romanoff sabia que existia uma grande chance de que, no primeiro momento, o loiro não gostasse de Evanoff. Afinal, ela era igual a Natasha: cheia de segredos, e treinada para mentir. Por isso, optou em não estender aquele assunto, de uma forma ou de outra, Rogers a conheceria e seria capaz de formar uma opinião sobre ela, a russa esperava apenas que a conclusão fosse boa.

O silêncio novamente pairou sobre eles. Steve, agora curioso para poder conhecer a pupila da mulher ao seu lado, e entender o porquê ela ser tão querida. E Natasha continuava focando na estrada à sua frente. Não queria se permitir pensar. A voz fraca e tensa de ainda soava em seus ouvidos e a informação de que o Soldado Invernal havia tentado a matar não saia de seus pensamentos. Quando o Invernal tinha um alvo, ele não parava até que a missão fosse concluída. E pensar que tinha sido o alvo dele e conseguira escapar com vida, a fazia temer pelo estado que encontraria a agente. Contava em sua cabeça até dez, sempre que pensava na possibilidade de encontrar morta. Eram amigas. Por mais que Romanoff negasse isso até a morte, considerava como uma amiga. Nunca diria isso em voz alta, mas era a verdade. Natasha tinha sido a treinadora da agente quando ela entrou para a SHIELD. Mesmo sendo recrutada muito nova, já mostrava grande habilidade com luta corporal, era uma ótima estrategista e manipuladora. Claro que essas três habilidades chamaram a atenção de Fury e Coulson, que fizeram de tudo para garantir a segurança da mulher e assegurar que ninguém descobrisse seu passado. Moldaram uma nova vida para na SHIELD e dentro dos Estados Unidos, e ninguém além dos três sabiam a verdade por trás disso. Natasha suspirou, levando em consideração que dos três que fizeram de tudo para ocultar o passado de Evanoff, apenas ela continuava viva. Coulson e Fury estavam mortos. Afundou o pé no acelerador, avançando em uma velocidade muito acima do aconselhável e fechou as mãos com mais força ao redor do volante. Olhou de soslaio e viu quando Steve a encarou levemente assustado, segurando com um pouco de mais força a porta do carro. Coulson e Fury estavam mortos. não poderia estar. Não de novo. Não com todos que Natasha conhecia e confiava, estando mortos também.
Não muito tempo depois, Romanoff e Rogers puderam avistar um carro vermelho parado no acostamento da rodovia, e antes que pudessem falar alguma coisa, a voz robótica do GPS avisou que haviam chegado ao seu destino, não dando uma precisão exata de onde. Não seria necessário, eles já sabiam. Natasha adentrou o acostamento e freou o veículo bruscamente, fazendo com que seu corpo e de Steve fossem levados para a frente com a força do impulso. Natasha desligou o automóvel e tirou o cinto de segurança, Steve fez o mesmo. Abriram a porta e apressadamente correram em direção ao carro vermelho, Romanoff parou subitamente quando alcançou a porta do motorista. O vidro estava fechado, contudo, conseguia ver claramente o interior do veículo, e o que viu fez seu coração errar as batidas por um instante. Prendeu a respiração ao notar sentada no banco do motorista, a cabeça da mulher estava inclinada para o lado, e os longos cabelos loiros agora cobriam parte do seu rosto. Romanoff deu um passo para trás, incapaz de raciocinar o que fazer a seguir. Via sangue seco na jaqueta bege claro, as roupas rasgadas e os ferimentos à mostra. Temeu ter chegado tarde demais.
Steve viu a hesitação da ruiva e não esperou para tomar a frente da situação. Vagamente tocou a maçaneta da porta e apertou. Não estava travada, a porta abriu ao primeiro toque. Inclinou o tronco para dentro do carro, observando mais de perto o verdadeiro estado da mulher. Delicadamente sua mão foi de encontro ao rosto dela, o segurando e tirando a maior parte dos fios loiros. O rosto da agente estava machucado e com muitas marcas de sangue seco. Baixou os olhos em direção a mão esquerda dela, que segurava o antebraço direito. Tanto a jaqueta, quanto a mão da mulher estavam sujas de sangue.

一 Ela está… ? 一 Natasha não conseguiria terminar a pergunta. O que via estava sendo o suficiente para tomar conclusões precipitadas. Rogers se inclinou mais uma vez, colocando os dois dedos, indicador e do meio, em direção à lateral do pescoço da loira, procurando por um ponto de pressão. Não era necessário, ele conseguia ouvir os batimentos dela, mas talvez Natasha não se desse conta disso agora.
一 Viva. Ela está viva. 一 O loiro a tranquilizou. Steve destravou o cinto de segurança da loira, passou um braço entre a nuca e o outro por baixo da perna, e com cuidado a tirou do carro. A cabeça de pendia para os lados, totalmente mole e entregue ao desmaio. Natasha andou de volta até o automóvel que estava dirigindo e quando fez menção de ir para o banco de trás, Steve a interrompeu. 一 Não. Você dirige. Eu cuido dela.

Romanoff balançou a cabeça concordando e se sentou no banco do motorista, ligando o carro e esperando sua deixa para irem embora. Ainda estavam sendo procurados, não poderiam se dar ao luxo de passar tanto tempo à vista. A sorte foi que parou em uma estrada deserta, nenhum carro havia passado por ali ou estava próximo de passar.
Rogers depositou com delicadeza o corpo desacordado da loira no banco de trás, com cuidado, inclinou o tronco da mulher e tirou a jaqueta de couro. Precisava ver de onde estava vindo o sangue para poder estancá-lo. Após isso, observou que o antebraço da garota tinha um corte grande e profundo, talvez ela precisasse de pontos. Deu a volta no veículo, entrando pela outra porta e ficou lado a lado com .
Natasha deu partida, e com o primeiro movimento, o corpo de Evanoff pendeu para frente. Rogers, atencioso e preocupado como sempre, destravou o cinto de segurança da loira e deitou o corpo dela no banco, tendo agora a cabeça da agente encostada em sua coxa. Curvou o corpo para o lado e rasgou um pedaço da blusa que ela usava, deixando amostra uma parte da sua barriga. Com o pano rasgado em suas mãos, ele o direcionou até o antebraço da garota, passando-o em volta do lugar e o amarrando para que o sangramento estancasse.

一 Ela não parece estar muito machucada. 一 Rogers comentou. Seus olhos cravados ao rosto da mulher. Vez ou outra, a cabeça dela balançava um pouco mais forte por conta do movimento do carro, e ele repousava uma das mãos na bochecha dela, tentando ao máximo amenizar aquele atrito.
一 Não sabemos disso ainda. 一 Natasha estava no piloto automático, dirigia, mas nem notava que estava o fazendo. Seus pensamentos vagavam, sua mente estava vazia e ao mesmo tempo repleta de coisas. E olhar para o retrovisor e se deparar com a face desacordada de , não estava ajudando.
一 Nat. 一 Steve chamou sua atenção. A ruiva agora o encarava pelo pequeno espelho. 一 Ela vai ficar bem. 一 Cauteloso, Rogers buscava uma maneira de tranquilizar a russa. 一 Vamos cuidar dela. 一 Natasha não tinha superaudição, talvez fosse por isso que ver a mulher apagada a afligia tanto, entretanto, Steve era capaz de ouvir os batimentos cardíacos dela. E eles estavam fortes. havia apenas desmaiado, seu corpo tinha apenas alguns machucados. Nada grave. Ela ficaria bem. Só precisavam estancar aquele corte em seu antebraço.

•••••


Estava tão perto. Tão perto. Que até conseguia imaginar como seria sentir de novo a brisa do vento bater em seu rosto. não sabia há quanto tempo estava ali. Que dia era. Se era dia ou noite. Aquela base que estava não possuía janelas, por isso a mulher acreditava ser em um subsolo. Mas não havia tempo para suposições. Seu único desejo era poder fugir dali, encontrar Fury e dizer que Brock Rumlow era um traidor. Escutou mais uma vez passos pesados atrás de si e revirou os olhos pensando em como Rumlow era teimoso. Mal apanhara e já estava a procurando para levar outra surra de novo.
Pega de surpresa, seu corpo foi brutalmente parado pela mão rígida que lhe segurou pelo cabelo. grunhiu em dor pelos fios puxados sem delicadeza alguma. Girou a perna para trás e tentou chutar o peito do homem que a prendia. Sua perna foi pega no ar pela outra mão do homem. Ele a arremessou para o lado, como se seu peso não fosse nada comparado a força dele. Bateu rudemente o corpo contra o concreto. Caiu estática no chão, uma dor descomunal se formando em suas costelas e ombro. Atordoada, levantou a cabeça até seu adversário que andava em sua direção. Para seu espanto, aquele não era Rumlow. Quando o homem estava mais próximo, forçou seu corpo para o lado, aplicando uma rasteira perfeita que o fez cair no chão. Levantou se sentido um pouco zonza e quando estava pronta para correr, a mão dele segurou seu tornozelo e o puxou para trás, com força. O baque do seu corpo caindo de frente para o chão a estremeceu em dor. Virou o corpo, ficando de barriga para cima, ainda sentindo a mão pesada e gelada prendendo seu tornozelo. Olhou para o rosto dele, os olhos azuis eram frios e vazios, não expressavam nenhuma emoção. A feição era séria, rígida. Tentou puxar a perna, ele a forçou ainda mais. então chutou o rosto dele com seu pé livre, deixando-o atordoado por segundos. Se afastou, arrastando seu corpo para longe dele. As mãos e os cotovelos apoiados no chão, deixando suas costas inclinadas, se arrastavam pela superfície. O Soldado tirou o canivete de um dos bolsos e esticou o braço, o cravando com força em sua coxa.
Um grito agonizante saiu de sua boca, seus braços cederam, seu tronco foi de encontro ao chão, suas mãos imediatamente pressionaram aquele pedaço de carne ferida. Sua perna inteira palpitava em uma dor excruciante. O canivete era longo e afiado, rasgando sua carne com violência e precisão. Sentiu quando o sangue começou a escorrer pelo canto do canivete. Seus olhos estavam vidrados naquela cena. Estavam petrificados, tamanha era a dor que estava sentindo. Por isso não viu quando o homem levantou-se em um pulo e andou em sua direção, parando bem em cima dela. As pernas dele estavam abertas, seu corpo estando no meio dele. O Soldado se ajoelhou, ficando quase sentado ao tronco da mulher. A mão de metal foi de encontro ao pescoço dela e subiu até perto de seu maxilar, pressionando todos os dedos. Os olhos de Evanoff agora estavam cravados nos do Soldado. O pavor reluzia por seus olhos, enquanto os dele emanavam ódio. Arregalou os olhos quando sentiu que agora o Soldado estava puxando sua cabeça para cima, ficando cada vez mais próxima ao rosto dele. Quando seus rostos estavam a centímetros de distância um do outro, o homem empurrou sua cabeça com rapidez e força de encontro ao chão.
Na primeira vez que o impacto a atingiu, sentiu uma forte pressão se formar em seu crânio.
Na segunda vez, seus olhos se fecharam automaticamente e pequenos fiapos de lágrimas formaram-se ao redor, não tendo forças o suficiente para continuar encarando o Soldado. A dor que emanava em sua coxa agora se dirigia à sua cabeça.
Na terceira vez, seus sentidos ficaram dispersos e perdera a consciência.

Sentia dificuldade em respirar, e mesmo que esse procedimento fosse feito de forma automática pelo ser humano, o puxar e o soltar de oxigênio agora parecia um trabalho difícil e doloroso demais para que continuasse o fazendo. Seu corpo queria parar, sua mente se negava a trabalhar. Os espasmos que seu sistema nervoso lançava, fazia com que sua carne tremesse contra sua vontade. Era conduzida pela dor. E parecia que seu corpo inteiro era apenas isso… Dor. Sua cabeça palpitava vigorosamente, gerando um desconforto inimaginável. Seu ombro parecia estar deslocado, uma vez que a tensão envolta daquela região pressionava um osso no outro, criando um atrito agonizante. Tinha pelo menos duas costelas quebradas. A pressão expelida daquele local, a impedindo de respirar direito, apenas comprovava isso. E então tinha sua coxa. Era agoniante como aquela parte exalava uma dor penetrante. Arranhando todas as suas veias e se arrastando por todo o corpo.
Suspirou. Porém se arrependeu no mesmo segundo. Uma fisgada apoderou-se do seu tronco. Como um aviso cruel de que estava machucada. Mas afinal, o que não estava ferido ali?
Levantou a cabeça devagar, sentindo que agora a mesma estava uma tonelada mais pesada. Seus cabelos estavam grudados em seu rosto. Sua pele estava coberta de suor. Sentia-se pegajosa e suja. Sem muita pressa, forçou seus olhos a abrirem, mesmo que a falta de visão lhe fosse convidativa, precisava saber onde estava. Sua memória não lhe permitia lembranças compridas, tendo que se contentar apenas com alguns flashes de memórias que iam e vinham, mas que, ao mesmo tempo, não lhe deixavam chegar a nenhuma conclusão.
Foi então que ouviu uma risada baixa e cruel à sua frente, mirou o olhar naquela direção. Um calafrio subiu por sua espinha. Era Rumlow. Ele estava com o lábio inferior inchado e cortado, e mesmo estando sorrindo, ainda era capaz de expressar em seus olhos a frieza. tentou se mexer, dando-se conta naquele momento, que estava presa.
Estava sentada em uma cadeira de metal, com um pequeno acolchoado de espumas, mas não o bastante para parecer confortável. Na verdade, nem todo estofado do mundo seria o suficiente para tornar aquele assento agradável. Notou que seus braços estavam envolvidos em grossas e grandes barras de metal, a impedindo de mover seu tronco. Suas pernas estavam separadas uma das outras, já que outra barra de metal rodeava cada um de seus tornozelos. Um pouco atrás de onde estava, pôde ver de relance uma máquina que vinha do chão e ia até um metro acima da sua altura. A máquina tinha uma estrutura circular e ao meio dela, um capacete. Tinham monitores dos seus dois lados, uns com o desenho de um corpo, outro pegando apenas a imagem do seu crânio. deduziu que aquela cena ilustrava seu corpo. Aqueles monitores estavam a acompanhando internamente.
Quando se deu conta de onde estava, memórias invadiram sua mente sem piedade. Todos os últimos acontecimentos passavam por sua cabeça sem tempo para assimilação.
Estava na HIDRA. Estava sendo feita de cobaia para experimentos. Conseguiu fugir. Lutou contra Rumlow. Quando estava escapando, foi capturada novamente. Manejou a cabeça para o lado cravando os olhos no homem em pé atrás de Brock Rumlow. Ele parecia uma estátua. Rente a parede, observando o nada, como se estivesse perdido em pensamentos. O olhar do Soldado estava longe, envoltos numa neblina que era incapaz de esvair-se. o observava e não via nada. Um corpo vazio sem personalidade ou perspectiva. Uma marionete pronta para puxar as cordas. Ela sabia quem ele era, Natasha já o havia contado algumas histórias sobre aquele homem, mas nunca tinha acreditado sequer na possibilidade dele realmente existir. Se enganou. Afinal, lá estava o Soldado Invernal quase escorado naquela parede de concreto.

一 Você achou mesmo que iria conseguir sair daqui? 一 Rumlow disse se aproximando da mulher. continuou com a cabeça virada na direção do Soldado, mas, contradizendo todas as reações que o líder da STRIKE esperava, a mulher abriu um sorriso malicioso e virou apenas o olhar para o moreno.
一 Bom, se dependesse da sua incrível habilidade em luta, eu teria conseguido. 一 Afirmou debochada. 一 Que vergonha de você, Brock. 一 o encarou, completando a fala com um falso biquinho em seus lábios. 一 Achei que o líder da STRIKE fosse um dos agentes mais fodas da SHIELD. Ah não… 一 Evanoff simulou uma cara de surpresa antes de finalizar. 一 Esse cargo é apenas meu. 一 O sorrisinho convencido que brotou no rosto, agora, pálido e ferido da mulher contribuiu para que uma onda de ódio consumisse o homem à sua frente. E era um ódio que o estimulava a impor a aquela garota audaciosa, que ele estava no comando. Brock Rumlow queria que temesse por sua vida, já que ela dependia exclusivamente dele.
一 Você não achava isso quando se jogava em cima de mim para que eu te comesse… 一 Insinuou aquelas palavras sujas ao mesmo tempo em que se aproximava da mulher. Rumlow inclinou o tronco na direção de Evanoff, sua mão foi em direção a virilha da agente e apertou o local, sorrindo malicioso logo em seguida. 一 Se bem me lembro, você sempre dizia que eu era foda. 一 Se um olhar fosse capaz de matar uma pessoa, aquele seria o exato momento em que o homem seria morto. o encarava com fúria nos olhos. Poderia dizer que era ódio, mas o que sentia ia muito além disso. Todavia, não deixaria que ele saísse por cima naquela situação. Ninguém ali estava colocando em pauta a vida sexual da mulher, porém, Brock sendo a própria personificação da arrogância, tentara ali, lhe rebaixar por um dia, ter transado com ele. Estava querendo insinuar que a mulher não poderia ser uma boa agente por não ter reconhecido que ele era um traidor. Só que o que o moreno esquecera, era que, quando se tratava de Evanoff, ela nunca perdia. Nunca era rebaixada. Assim como sua destreza em derrubar um inimigo através de uma luta, as palavras da mulher tinham quase o mesmo efeito. Se não fosse pior.
一 Brocky, querido. 一 Murmurou o apelido dele e fingiu timidez. 一 Não me envergonhe na frente do Soldado Invernal. 一 Após dizer isso, Evanoff inclinou seu tronco o máximo que conseguiu e jogou sua cabeça com violência em direção a do homem. Era óbvio que aquele golpe era uma via de mão dupla. O atrito causado entre o golpe fez o líder da STRIKE cambalear para trás, sentindo seu nariz latejar e o sangue escorrer por ele. A desgraçada havia quebrado seu nariz. por sua vez sentiu-se um pouco mais tonta após a batida. Se sua cabeça doía antes, agora não seria capaz de relatar o nível que aquele golpe havia elevado seu mal-estar. Contudo, não deixaria o homem sair por cima. Balançou fortemente a cabeça para os dois lados, na inútil tentativa de atrair de volta sua concentração 一 Não acredite em tudo o que ele disser sobre mim. 一 Curvou-se de lado, agora tentando olhar novamente para o Soldado. 一 Às vezes o tesão acumulado nos faz prestar um papel vergonhoso. Aconteceria com qualquer um na verdade, eu só escolhi o mais próximo e o mais manipulável. 一 A agente encostou-se de novo na cadeira, tendo agora a visão perfeita entre o Soldado e o líder da STRIKE. Por isso, preferiu completar aquela linha de pensamentos alternando o olhar do Soldado para o traidor. 一 Ele nem era tão bom de cama assim. 一 Rumlow limpou o sangue que escorria de seu nariz com as costas da mão e chegou próximo a agente. Ele estava irado. A indignação de ter ouvido aquilo era tão grande, que a única coisa que foi capaz de fazer naquele momento, fora levantar a palma da mão e estalar-lhe violentamente contra o rosto da mulher. A rigidez do tapa fora tão forte que automaticamente aquela região havia ficado vermelha e cálida. fora pega desprevenida. A mulher achava que de todas as reações, aquela seria a última. Sentiu o gosto de ferrugem tomar conta de suas papilas gustativas e passou a língua entre os lábios.
一 Prepare a máquina. 一 Os próximos segundos seguiram em silêncio, mas foram quebrados assim que dois homens entraram na sala. observou que eles eram mais velhos, pareciam estar entre seus 50 a 60 anos, e por cima de suas roupas, vestiam um jaleco branco. Os homens o olharam em confusão.
一 Mas o senhor Strucker nos disse para esperar.
一 E eu… 一 Brock tirou a pistola do coldre apontando para os dois. 一 Estou mandando preparar a máquina. 一 não sabia o que aquela máquina fazia, mas ela tinha a leve impressão de que estava prestes a descobrir.

Os cientistas ficaram com receio e começaram a ligar a máquina. Rumlow abriu um sorriso macabro e andou em direção ao Soldado murmurando algo para que apenas eles fossem capazes de ouvir. O Soldado piscou lentamente ao assimilar as palavras do líder da STRIKE e de repente, sua mente que antes parecia estar mergulhada em uma névoa, agora tinha clareza, um propósito. O Invernal mirou seus olhos no da mulher, e pela segunda vez desde que conseguira ser capaz de absorver a gravidade daquela ameaça, viu ódio nele, enquanto ela transmitia receio. O Invernal puxou o canivete do seu bolso e Evanoff foi capaz de ver ali seu sangue agora seco na lâmina. Ele puxou o canivete e andou em direção a ela. Quando seus corpos estavam a menos de dois passos de distância, o Invernal afundou mais uma vez aquele canivete em sua coxa. Na mesma coxa. Quase que no mesmo local. Mas isso não poderia ser um erro, afinal, o Soldado Invernal havia sido criado para ser perfeito para a HIDRA. E assim foi. Dessa vez, negou-se a gritar, ao sentir a maçante dor ser provocada novamente, ela mordeu os lábios com força e cravou seu olhar na íris azul e vazia do homem que a torturava. Todavia, não sendo a reação que o Invernal esperava da agente, e tendo em vista de que ele errou propositalmente o local da sua primeira investida contra a carne da loira, seu braço de metal foi de encontro a base do canivete e subitamente e com força, girou a lâmina da faca dentro da carne da agente. arregalou os olhos e gritou. Gritou o mais alto que sua voz conseguira ser capaz de expressar a dor descomunal que aquilo lhe causava. Ela arregalou os olhos, porém não deixou de encará-lo. Ela queria gravar cada detalhe do rosto daquele homem. Guardava minuciosamente cada parte do rosto dele. E seu subconsciente cansado repetia baixinho que o mataria, mas que antes disso o faria sofrer do mesmo jeito. Era uma promessa. E sempre cumpria suas promessas.

一 Apaguem a memória dela. Strucker disse que dessa vez daria certo. 一 Rumlow na ponta da porta pronunciou chamando a atenção dos cientistas.
一 Sim senhor. 一 ofegava, não conseguia controlar as reações do seu corpo a aquele espasmo repentino e cruciante de dor. Inspirava o ar com força e o expelia na mesma proporção. Lágrimas pesadas caiam de seus olhos sem sua permissão. Não queria que Rumlow a visse naquele estado, mas, sentia-se fraca demais para continuar com o teatrinho. Viu quando um dos cientistas passou para o Soldado uma seringa com um líquido amarelo alaranjado. O Invernal soltou a base do canivete, e com a mão de metal segurou indelicadamente o cabelo da agente e o forçou para o lado, inclinando sua cabeça, dando-lhe uma ampla visão da lateral do pescoço e suas veias. Posicionou a agulha em um local e sem cerimônias, injetou.
一 Hail Hidra. 一 O Invernal murmurou a encarando, com sua voz dura e cruel antes de remover a agulha e puxar seu canivete.

abriu os olhos de supetão, sua primeira ação foi levantar o corpo e sua mão tocar o pescoço onde a agulha fora inserida. A voz do Invernal estava ecoando vividamente em seus ouvidos. Mais uma vez, aquilo não tinha sido um sonho. Aquela era uma memória. Então isso queria dizer que, já havia encontrado com o Soldado antes, já havia lutado contra ele, sido torturada, e agora, quase morta por ele. Talvez tenha sido pela lembrança repentina, ou até mesmo pelo acidente de carro, mas em nenhum momento a loira percebeu que não estava mais no meio da estrada. Bom, até agora. Depois de alguns segundos presa em seus próprios pensamentos, que vagavam do Soldado Invernal, até Rumlow, se deu conta de que não fazia ideia de onde estava. Levantou o olhar assustada. Observou todos os cantos da sala. Estava deitada em um sofá e vestia outras roupas. Estava descalça e havia um curativo na palma da sua mão e no seu antebraço. A última coisa que se lembrava foi de ter ligado para Natasha. Porém, nunca havia estado naquele lugar, e em nenhum momento lembrava-se de Romanoff ter citado ele. Usava agora uma regata preta justa ao seu tronco e uma calça jeans de lavagem escura. Seus braços automaticamente se abraçaram ao notar que por debaixo da blusa, estava sem sutiã. Respirou fundo tentando se concentrar, sua nudez não a envergonhava ou incomodava. Contato que isso fosse feito com seu total consentimento. Tinha uma bota de cano alto ao lado do sofá que agora estava sentada, mas não ousou calçá-lo. A sua frente, observou uma mesinha de centro e sobre ela, alguns materiais de primeiro socorros, e aquela tesoura de ponta fina brilhou em seus olhos, lhe chamando a atenção. Pegou o objeto e o segurou como se sua vida dependesse daquilo. A ponta da tesoura estava na mesma direção de seus dedos. Levantou-se o mais sutil que conseguiu e devagar, explorou aquela área. Era uma sala pequena, mas aparentava ser confortável. Tinha uma pequena escada que levava ao andar superior, contudo, antes de checar o andar de cima, primeiro Evanoff faria uma varredura no andar de baixo. De soslaio foi em direção ao corredor, e antes de chegar na porta da cozinha, viu um homem parado de costas para ela. Ele usava uma camisa cinza e uma bermuda preta, parecia que estava indo correr. Ele era uns bons centímetros mais alto que , e provavelmente pesava bem mais que ela também. Tentou buscar em sua pouca memória a imagem dele em algum lugar da SHIELD, mas não encontrou. Ela nunca tinha o visto. Baixou novamente o olhar até seu busto e uma súbita raiva tomou conta de seu peito. Se não o conhecia, ele era um inimigo. Posicionou a tesoura rente a sua mão, fechando o punho entre o apoio de onde ficariam os dedos no objeto, e a passos largos, cessou a distância dela e do seu oponente. Era sempre assim, não esperava ficar desprevenida. Não esperava ser atacada, ela era o ataque. E usava todas as vantagens a seu favor, e naquele momento, sua vantagem era atacá-lo de surpresa. Assim que chegou próximo ao homem, ele pareceu sentir sua presença, contudo, tarde demais. Antes mesmo que Sam Wilson pudesse virar para encarar a mulher, chutou a parte de trás da perna do moreno, puxou um dos braços dele, forçando-o contra as costas, e com a mão livre, posicionou a ponta da tesoura no meio de sua jugular.

一 Eu só vou perguntar uma vez… 一 A voz baixa e ameaçadora dela soou rente ao seu ouvido, pressionando ainda mais o braço do homem. Wilson gemeu de dor, sentindo que se a mulher continuasse assim, seu braço seria quebrado. 一 Quem é você? 一 Wilson ainda tentou se soltar, porém, a ponta da tesoura sendo pressionada com mais força em sua jugular o parou, ela não estava blefando. 一 Resposta errada. 一 Quando estava prestes a levantar o braço e enfiar a tesoura no pescoço do moreno, o barulho da porta dos fundos da cozinha sendo aberta, chamou sua atenção. Outro homem estava entrando ali. Alto, forte, loiro e de olhos azuis. Assim que percebeu a ameaça, Steve tensionou os músculos, contudo, não era preciso. No momento em que Evanoff o reconheceu, automaticamente soltou o braço do seu amigo e se afastou dele. 一 Onde está Natasha?
一 Eu sou quase assassinado enquanto ele só recebe uma pergunta? 一 Sam questionou indignado enquanto se levantava e encarava a mulher que segundos atrás estava perto de lhe matar. 一 Em que momento você deduziu que eu era uma ameaça e ele não?
一 No momento em que eu vi que ele é o Capitão América. 一 Apontou na direção do loiro. 一 Ele não é uma ameaça. Você… 一 Desta vez apontou para o moreno. 一 Eu não te conheço. Você é uma ameaça para mim.
一 Quero “desconvidá-la” da minha casa. 一 Wilson disse diretamente para o loiro. Steve teve que prender o sorrisinho que se formava no canto da sua boca ao ouvir a queixa do amigo. 一 Essa é a garota que você disse que podemos confiar? 一 Perguntou retoricamente sinalizando para .

Porém, a resposta do loiro não veio, Rogers estava a mirando de cima a baixo, um pouco extasiado quando finalmente se deu conta do acontecido. Eles nunca haviam se visto, nunca sequer se esbarraram pelos corredores da SHIELD, por isso, estava um pouco surpreso em como a loira parecia ter certeza de que poderia confiar nele. Não acreditou quando o acusaram pelo assassinato de Fury, e agora, assim que o viu, largou o objeto que fazia de arma e relaxou os ombros.

一 Steve? 一 Wilson o chamou. Rogers piscou algumas vezes, notando só agora que a mulher o encarava de volta, com uma das sobrancelhas arqueadas e um meio sorriso.
一 Natasha disse que podemos confiar nela, Sam. 一 Sua voz branda e calma soou.
一 Falando em Natasha, onde ela está? 一 Evanoff relaxou a postura e colocou a tesoura na bancada da cozinha, fazendo um sinal de rendição com os braços para Wilson, que a encarou de volta desconfiado, semicerrando os olhos e guardando aquele objeto.
一 Ela deve estar no banho. 一 Sam disse.
一 Que ótimo que tocaram nesse assunto, cavalheiros. 一 A loira sentou-se na mesa e encarou os homens que a observavam curiosos. 一 Eu não estava usando essas roupas antes, e eu definitivamente estava muito suja. Então… Qual dos dois me viu nua? 一 Sam ficou minimamente pálido e Steve com as bochechas vermelhas.
一 Nenhum de nós a viu nua, senhorita Evanoff. 一 O Capitão apressou-se em dizer. O tom respeitoso em sua voz a fez querer rir. Era engraçado e ao mesmo tempo fofo o modo como ele estava envergonhado e nervoso com aquele assunto. Às vezes esquecia que ele era de outra época.
一 Poxa, que pena então. 一 Expressou mostrando-se decepcionada e fez um biquinho. 一 Isso seria divertido. 一 Rogers não conseguia controlar o rubor que crescia em sua face tendo que desviar o olhar para o chão. Ouviu Sam soltar um riso nasalado em resposta a confissão da mulher. 一 Bom, então marcamos para uma próxima, que tal? 一 Perguntou retoricamente. 一 Agora eu preciso falar com a Natasha, algum dos dois está disposto a me mostrar o caminho?
一 Você mal chegou e já está flertando com os meus colegas. 一 A voz de Romanoff surgiu maliciosa naquele ambiente.
一 Você sabe como eu sou… 一 virou em direção a ruiva. 一 Não perco a oportunidade. Ainda mais com esses dois aqui do lado. Você viu o moreno? 一 A loira estava sorrindo verdadeiramente ao dar de cara com sua antiga treinadora.
一 O moreno que você quase tentou matar? 一 Sam perguntou fingindo continuar indignado. A verdade era que não estava. No lugar de , teria feito a mesma coisa. Claro que de forma mais sutil e menos agressiva.
一 Pequenos detalhes. 一 A loira lhe respondeu enquanto balançava a mão no ar, não dando nenhuma importância ao caso. e Natasha continuaram se encarando por mais alguns segundos. Estavam aliviadas de se verem ali. por confirmar que Natasha não era uma ameaça, e Romanoff por ver que a mulher estava bem.
一 E você, Steve… 一 Romanoff o chamou na conversa. Até agora o homem só observava aquilo e tentava controlar o rubor em suas bochechas. 一 Aposto que está bastante desconfortável com isso. 一 A frase cheia de significados não passou despercebida ao homem. A lembrança dos dois se beijando no shopping passou por sua cabeça e ele cruzou os braços, ficando ainda mais vermelho.
一 Acho que estamos perdendo tempo com bobagens. 一 Murmurou.
一 Eu odeio ter que concordar com ele, até porque meu flerte estava ótimo. 一 começou, piscando para Sam, que revirou os olhos e sorriu. 一 Mas o Capitão tem razão.
一 O que aconteceu com você? 一 Dessa vez, não havia mais malícia ou brincadeira na voz da ruiva. Romanoff estava séria enquanto encarava . 一 Seus olhos…
一 Eu não sei o que aconteceu comigo. 一 A postura adotada pela mulher foi a de alerta e cansaço. Levou as mãos em direção ao cabelo para prendê-lo, quando novamente viu a mecha bem mais clara. 一 Eu acordei na SHIELD e isso tinha acontecido comigo. 一 Disse apontando para seu cabelo e seus olhos.
一 Você parece uma coruja. 一 Wilson murmurou mais para si do que para os outros, porém eles estavam perto demais, conseguiram ouvi-lo. 一 Qual é… Corujas tem olhos amarelos.
一 Eu vou ignorar esse comentário. 一 Evanoff disse irritada, prendendo os fios de uma vez. 一 Mas… 一 Suspirou incerta. 一 Isso não é nem de perto o mais estranho.

A mulher mais uma vez sentou-se na bancada, enquanto Steve e Natasha sentaram-se à mesa, Wilson estava em pé, ao lado da loira, e quando todos estavam devidamente confortáveis, começou a contar o que estava acontecendo. Não deixou nenhum detalhe de fora. Literalmente, começou do princípio. Que em sua última missão da SHIELD a pessoa que atirou nela tinha sido Brock Rumlow; Que quando acordou tinha uma mensagem de Fury para ela. Falou sobre a Doutora Hastings temer por sua vida. As novas habilidades. O encontro com Alexander Pierce. O atentado do Invernal contra sua vida. E as lembranças do tempo que passou desaparecida que estava, aos poucos, voltando.
Natasha, Steve e Sam escutavam tudo calados, absorvendo ao máximo o que a mais nova dizia. Eram informações demais. Mas que, naquela altura do campeonato, algumas coisas já estavam mais esclarecidas. Eles já sabiam que a HIDRA estava por trás disso. Quando Evanoff mencionou seu encontro com o Secretário Pierce, que as coisas mudaram um pouco. Romanoff e Rogers se encararam, surpresos com aquela revelação.

一 Então quer dizer que você lê pensamentos? 一 Wilson demonstrava desconfiança. Porém, não da mulher, e sim daquela informação.
一 Sim? 一 afirmou incerta, olhando acanhada para os três. 一 Eu não sei como funciona ainda. Das vezes que consegui eu nem estava tentando, e quando tentei, foi quando senti o Invernal chegando.
一 Então, me diga o que estou pensando, olhos de coruja. 一 O moreno verbalizou brincalhão e semicerrou os olhos em desafio.
一 Eu não sei controlar isso. 一 Bufou.
一 Uma hora você terá que aprender. 一 Steve murmurou pensativo, pela primeira vez naquele meio tempo.

O rapaz veio de outra época. Esse era basicamente um novo mundo para descobrir e se acostumar. Tinha lutado contra o Caveira Vermelha. Contra alienígenas em Nova Iorque. Precisava acompanhar os avanços tecnológicos daquele tempo. E agora, isso. Poderes. E a última descoberta apenas aumentou em seu interior aquela sensação de não pertencer. O incômodo no pé de seu estômago crescia repetidamente, ele não pertencia a àquele tempo, fora jogado nele contra sua vontade e era obrigado a ficar ali.

一 Você está se sentindo mais uma vez deslocado nesse mundo. 一 soou terna e absorta nos sentimentos do Capitão. O olhar da mulher estava perdido em algum ponto daquela cozinha. Não precisava focar em nenhum dos três para entender a quem pertencia àquela aura. 一 Por vezes, sente-se sozinho ao se lembrar de onde veio e como chegou até aqui.
一 Errou feio. 一 Wilson disse sorrindo vitorioso ao erro da mulher em seus pensamentos, imitou o som de um programa de televisão, produzindo um tinido em resposta errada.
一 Eu não estava falando de você. 一 Seus olhos agora encaravam o de Rogers, que fazia o mesmo. O homem parecia surpreso e desconfortável com aquela exposição. Sentiu-se violado. Seus pensamentos eram dele. Suas emoções e aflições também.
一 É melhor você sair da minha cabeça. 一 Sam e Natasha continuaram em silêncio frente a declaração de sobre o que Rogers sentia. Tanto o moreno, quanto a ruiva, entendiam que Steve sentia falta da sua antiga vida. Porém, o que os dois não sabiam, era o que Evanoff tinha acabado de expor.
一 Eu já disse, Capitão. Eu não consigo controlar isso 一 Se defendeu, sorrindo sarcástica. Não era como se gostasse daquilo. Sempre que acontecia, seu corpo era tomado por sentimentos que não eram seus, e na maioria das vezes, não conseguia se livrar deles depois. Restando sempre um pedaço deles dentro de si. Ainda era capaz de vivenciar o alívio de Pierce sobre a morte de Fury, e sempre que seu coração voltava a aquele episódio, um calafrio subia por sua espinha. 一, mas eu tenho uma teoria. 一 Levantou um dedo no ar ao evidenciar seu pensamento. Notando que nenhum dos três iria se opor, ela prosseguiu. 一 Eu sinto a aura das pessoas. Sei que Natasha está aliviada em me ver viva e bem. 一 Começou, direcionando o olhar para a ruiva que, sentiu-se automaticamente envergonhada com a exposição repentina. 一 Sam está tentando não gostar de mim, mas eu já sei que ganhei o coração dele. 一 Piscou brincalhona para Wilson que cruzou os braços e resmungou um “eu te odeio”. 一 Agora, isso é diferente do que eu absolvi de você, Capitão. Sua aura é forte, esse sentimento que vêm de você é forte e toma conta do meu corpo. Assim como o ódio e a violência que eu senti quando me encontrei com o Invernal. Essas emoções mais intensas não saem de mim, é como se eu as absorvesse. 一 Nenhuma outra voz foi ouvida durante vários minutos. por não ter nada a mais para dizer, e os demais por tentarem entender a habilidade da loira.
一 Não podemos perder tempo agora com perguntas que não temos as respostas. 一 Começou Romanoff. 一 Então, aqui vai uma que podemos responder graças a você. 一 Natasha olhou para e explicou que antes dela e Steve chegarem à casa de Sam e antes mesmo de irem resgatá-la, os dois foram atacados. 一 Quem dá SHIELD atacaria o país com um míssil? 一 Sam estava de pé, preparando seu café da manhã. Steve e sentados à mesa.
一 Pierce. 一 Rogers respondeu, lembrando-se da declaração de Evanoff sobre o secretário.
一 Que está sentado no topo do prédio mais seguro do mundo. 一 Constatou o óbvio. Quem mais teria poder e segurança para fazer aquilo?
一 Mas ele não está trabalhando sozinho. 一 Rogers sempre um passo à frente, deduziu. Não tinha como Alexander Pierce fazer tudo ao mesmo tempo dentro da SHIELD. Era claro para todos ali a presença da HIDRA, porém, ela não estava composta de apenas um membro do alto escalão da SHIELD. 一 O algoritmo do Zola estava na Estrela da Lemúria. 一 De repente, Steve e Natasha se encararam. O loiro estava com essa pulga atrás da orelha desde o dia do resgate. O que um membro oficial estava fazendo presente em um navio repleto de trabalhadores? Não fazia sentido. Os dois voltaram a olhar para . A loira estava mastigando algo enquanto bebia um pouco de suco, e ao perceber que estava sendo observada, parou tudo o que estava fazendo.
一 O quê? 一 Perguntou confusa, sua voz saindo abafada por estar com a boca cheia. Porém não se importava, estava com fome. Mal lembrava-se a última vez que comeu. Que mastigou.
一 Assim como Jasper Sitwell. 一 A russa disse.
一 Eu não estou entendendo onde vocês querem chegar com isso. 一 Reclamou a mais nova.
一 Leia os pensamentos deles, coruja. Se fizer isso, com certeza entenderá. 一 Wilson ironizou sarcástico.
一 Ok, precisamos conversar sobre você não me chamar mais assim. 一 Evanoff apontou para Sam com uma fatia de pão em sua mão, a jogando contra o moreno logo após.
一 Sitwell estava no navio quando eu te encontrei. Só havia ele de oficial. O resto eram operários. 一 O Capitão explicou resumidamente o que havia acontecido.
Você me resgatou? 一 Até aquele momento, a agente tinha plena convicção de que Fury tinha a encontrado. Quanta inocência. deveria saber que Nicholas Fury não sujava as mãos, ele ordenava que outros sujassem por ele. 一 E como vocês sabiam que eu estava lá?
一 Não sabíamos. A missão estava concluída. 一 Natasha começou, todavia, o murmúrio indignado de Steve a parou. 一 A missão estava concluída em partes. Batroc tinha fugido e quando íamos embora, Steve te ouviu.
一 Me ouviu?
一 Você estava presa. 一 O loiro agora tinha tomado a dianteira da conversa. 一 Estava deitada em uma maca. Presa com várias barras de ferro em volta da sua testa, pescoço, braços e pernas. 一 A cena ainda estava vívida em seus pensamentos. Não fazia tanto tempo assim desde que tinha encontrado a garota, e a imagem dela aprisionada como um animal perigoso, de certa forma, ainda o atormentava. Aqueles olhos amarelos âmbar, também. 一 Sussurrava informações que eu acredito que sejam suas. Seu nome. Identificação da SHIELD. Você estava semi-inconsciente, e tomava um soro amarelo.
一 Soro amarelo? 一 Sua voz saiu falha. A memória do líquido amarelo âmbar que o Soldado Invernal tinha aplicado em seu pescoço passou diante de seus olhos. Sua mão, mais uma vez, fez o trajeto até onde ela sentia ter sido injetada. Aquilo não podia ser coincidência. 一 Vocês sabem o que era? 一 Todo aquele relato a deixou aflita, não conseguia visualizar a forma como fora encontrada por Steve e Natasha. Parecia surreal demais que alguém a prendesse daquela forma.
一 Fomos considerados traidores antes do resultado. 一 Romanoff abriu um meio sorriso, já estava acostumada a trabalhar como agente dupla.
一 Sitwell estava no navio com ela? 一 Wilson perguntou, já sabia no que aquilo iria dar, e a ideia que passou por sua cabeça desde que Rogers e Natasha foram resgatar , agora ficava cada vez mais forte.
一 Precisamos falar com ele. 一 murmurou pensativa.
一 Então a pergunta é… 一 O Capitão iniciou, voltando para o assunto principal de toda aquela confusão em que estavam metidos. 一 Como as três pessoas mais procuradas de Washington sequestram um oficial da SHIELD em plena luz do dia? 一 Esperava que uma das duas agentes lhe respondesse, porém, fora surpreendido pela iniciativa de Wilson.
一 A resposta é, não sequestra. 一 O moreno deixou seu café da manhã, pegou uma pasta de documentos no balcão, deu a volta na cozinha e parou em frente aos três.
一 O que é isso? 一 Steve questionou ao ver Wilson colocar uma foto no centro da mesa, para que todos pudessem ver.
一 Pode chamar de currículo. 一 Steve e se levantaram para ter uma melhor visão, enquanto Natasha o pegou. Wilson continuava os encarando, orgulhoso demais por seu timing ser tão perfeito.
一 Isso é Bakhmala? A Missão Khalid Khandil, foi com você? 一 A russa já tinha ouvido falar daquela missão. Uma pessoa não sobreviveu. Era um programa especial do exército e que apenas membros selecionados a dedo poderiam participar. 一 Você não me disse que ele era do Resgate Aéreo. 一 Dessa vez, perguntou a Rogers.
一 É o Riley? 一 viu a foto de Sam e de outro homem. O papel estava nas mãos do Capitão, e por estar ao lado dele, a garota se inclinou para ver, já que agora Rogers havia baixado parcialmente a fotografia. Uma pequena tensão se formou ali, que apenas Rogers e Wilson sabiam o significado. sentiu o pesar na voz de Steve e o luto vindo de Sam. A garota olhou para o moreno que balançou a cabeça afirmando.
一 Soube que não puderam usar helicópteros por causa dos mísseis. 一 Vendo a confusão no olhar de , já que quando as notícias sobre aquela missão circulavam pelas organizações do governo, a loira estava sob domínio da HIDRA.
一 E o que você usou? Paraquedas camuflado? 一 Pegando agora a fotografia da mão do loiro, ela viu o equipamento preso no tronco do moreno. Mas a foto havia sido tirada de frente. Não dando para ver o equipamento usado pelo moreno, contudo, só podia ter sido um paraquedas.
一 Não. 一 Sam Wilson se aproximou dos três. Entregando ao Capitão uma pasta. 一 Usei isto. 一 Rogers pegou o documento e abriu, lendo em seguida. sendo alguns centímetros mais baixa que o homem, subiu na cadeira ao lado e encarou o papel. Sua respiração quente batia levemente na lateral do pescoço do loiro e ela percebeu que vez ou outra os pelos ali se arrepiavam. Prendeu um sorriso malicioso, fazendo uma nota mental de comentar sobre aquilo em um momento mais oportuno. Não queria voltar ao estado de deixar o Capitão envergonhado, pelo menos não ali.
一 Achei que tinha dito que era piloto. 一 Proximidade com mulheres o deixava desconfortável, pois não sabia como agir perto delas. E aquela mulher parada um pouco atrás de si, com as mãos em seu ombro e a respiração quente batendo em seu pescoço, não estava o ajudando a se concentrar. Aquele não era o momento para pensar naquilo, contudo, Steve não conseguia controlar as reações que seu corpo tomava.
一 Eu nunca disse a palavra piloto. 一 Wilson brincou ao perceber o desconforto do loiro.
一 Não posso pedir que faça isso, Sam. Você saiu por um bom motivo. 一 Steve não queria colocar mais ninguém naquela bagunça, e Wilson tinha saído do exército há muito tempo.
一 O Capitão América precisa da minha ajuda. Não tem motivo melhor para eu voltar. 一 Era engraçado a entonação que as pessoas usavam ao se referir a Rogers como o Capitão América, o loiro sentia-se apenas como um garoto do Brooklyn.
一 Ele tem um ponto. 一 Evanoff evidenciou. Não podia discordar de Wilson. Aquele era de fato, o homem pelo qual Coulson vivia falando. Das histórias da década de 40 que ouvia repetidamente. Qualquer um que trabalhasse ao lado dele, seria uma pessoa honrosa.
一 Onde arrumamos uma dessas coisas? 一 Ao colocar a pasta fechada novamente em cima da mesa, viu o nome do projeto que Sam Wilson havia participado. Em letras gritantes, o papel reluzia: EX0-7: FALCÃO. CONFIDENCIAL.
一 A última está no Fort Meade. Atrás de três portões protegidos e uma grossa parede de aço. 一 Era nítida que a intenção de Wilson com aquelas informações, era intimidar os três. Entretanto, o que o ex-militar não sabia, era que para Romanoff e , os desafios não as intimidavam.
一 Invadir uma base do governo? Só preciso de uma pistola. 一 Trocando olhares com Natasha, percebeu que a russa havia pensado a mesma coisa. Sorriram maliciosas. Talvez, não fosse necessário nem a pistola, formavam uma ótima dupla. Uma solução incrível para a SHIELD, e um problema irreparável para os oponentes. 一 Mas você sabe que agora eu tenho um bom motivo para te dar um apelidinho, não é? Me sinto bastante tentada. 一 Desconversou para o moreno que prendeu o riso.
一 Não será problema. 一 Steve finalizou a conversa percebendo que as duas mulheres ao seu lado concordaram.

Natasha foi a primeira a dar as costas, indo em direção ao quarto. Quando o loiro fez a mesma coisa, sentiu novamente as mãos quentes de Evanoff sob sua camisa. A mulher segurou nos dois ombros do homem, pressionando os dedos ali com mais intensidade que o necessário, friccionando o polegar em sua nuca, e impulsionou seu corpo, pulando em seguida. Era estranho. Steve era recluso, e a garota parecia não reparar nisso. E se reparava, não ligava. Evanoff virou para ele e antes de passar pela porta da cozinha, levantou uma sobrancelha e sorriu de lado, piscando um olho. E como um adolescente tímido perto da garota popular, outra vez, ele sentiu o rubor em suas bochechas.



Capítulo 06

estava sentada no banco de trás do carro de Sam Wilson, digitava freneticamente algo no teclado do notebook do moreno, enquanto Natasha e Steve estavam do lado de fora, escorados na lataria do automóvel. Estavam calados, vigiando o perímetro e esperando pela autorização da loira para seguir adiante, já Sam estava ao seu lado, aguardando que a garota lhe devolvesse o aparelho celular que estava decodificando. Invadir o Fort Meade não havia sido complicado, porém o termo “fácil” também não se enquadrava a situação. Quando Wilson disse que as asas eram protegidas a sete chaves, ele não estava brincando. Todavia, o trabalho de pegar o equipamento se tornou simples com um supersoldado e duas agentes de alto escalão ao lado. A segurança do Forte era alta, mas infelizmente era feita apenas com homens comuns e de armas. Só isso era o suficiente para e Romanoff tomarem conta de toda a situação, entretanto, eram muitos soldados, e elas não possuíam super força ou velocidade. A presença de Rogers naquele cenário foi crucial. Invadiram o local, roubaram uma propriedade do governo e saíram como se nada tivesse acontecido. Se antes já eram procurados por traição, depois disso, não era necessário pensar no que eram considerados. Todo o governo estaria atrás dos quatro. Sam fazia parte disso agora, tanto quanto .
一 Você ainda vai demorar muito? 一 A voz abafada de Natasha soou do lado de fora do carro. não respondeu, ignorando-a. Romanoff já tinha trabalhado tempo demais com ela para saber que se estava demorando, era porque a loira estava assegurando que nada desse errado. 一 ! 一 Bateu os dedos contra o vidro da porta, chamando sua atenção.
一 Você sabe que faz um ano que eu não faço isso, não é? 一 A loira tirou os olhos da tela e encarou a russa, revirando os olhos. Seu lábio inferior estava ferido graças a uma das lutas que travou horas atrás na busca pelas asas do projeto Falcão. 一 Só fique quieta e espere, Tasha. 一 Bufou. 一 Além de decodificar o celular, eu estou rastreando a localização exata de Sitwell. 一 voltou sua atenção ao notebook e rapidamente a sequência de números e letras que digitava. 一 Você fez um ótimo trabalho em achá-lo... Em um raio de 1 quilômetro. 一 Debochou da ruiva, frisando a última parte. 一, Mas infelizmente não temos tempo para procurá-lo. 一 Natasha respirou fundo e se controlou para não dar uma resposta grosseira ao sarcasmo de . 一 Por isso eu estou fazendo o meu trabalho e o seu. 一 Sam segurou uma risada ao notar o olhar impaciente da russa com a mais nova. Prendeu ainda mais o sorriso ao perceber que a ruiva não respondeu de volta. havia a deixado sem palavras.
一 Só faça logo. 一 Murmurou descontente. Encontrar a localização de pessoas sempre fora o foco de , e ela até ensinou algo a Natasha, porém a ruiva parou de tentar aprender quando as coisas começaram a ficar complicadas demais. Não precisava de uma localização precisa, o que aprendera com a loira era o suficiente para que ela pudesse começar a trabalhar. Contudo, naquele momento, agradeceu por estar ali. A habilidade da agente em hackear sistemas e aparelhos ajudaram muito e lhe poupou um tempo enorme.
Sam observava a garota atentamente, tinha a respiração calma e o semblante concentrado. Evanoff estava com as pernas cruzadas, em posição de índio, com o notebook no meio do colo. Wilson, discretamente a fitou de cima a baixo, ela parecia ser nova. A mais nova dos quatro. Chutava que ela não passava dos vinte e cinco anos. E o que uma pessoa com a vida inteira pela frente fazia presa em uma organização? Sam pensava que a SHIELD era diferente do Governo pelo qual dedicara sua vida. Porém, o que o ex-militar não sabia era que, colocando as duas organizações na balança, o peso das mentiras, segredos e sujeiras, eram iguais. Então, como ele poderia sequer questionar a decisão da mulher, se anos atrás tinha feito a mesma coisa? Se não fosse pela morte de Riley, ele ainda estaria trabalhando para o governo. Se seu parceiro não tivesse morrido e ele carregasse um sentimento de culpa, ele estaria no lugar de Evanoff, não para a SHIELD, e sim pelos Estados Unidos.
一 Você realmente vai ficar me encarando assim como se não fosse estranho ou vai parar? 一 sentia o olhar dele sobre si, e ao notar que o moreno não pretendia desviar o olhar, ela se pronunciou.
一 Desculpe. 一 Envergonhado, como se tivesse sido pego fazendo algo errado, Sam desculpou-se. 一 Tenho que me acostumar com a ideia de que você lê pensamentos.
一 Eu não estava lendo seus pensamentos. 一 O encarou, um sorriso malicioso se formando no canto dos seus lábios. 一 Por quê? 一 Questionou curiosa. Digitou algo rapidamente no celular do moreno e voltou a falar. 一 Estava tendo algum pensamento indecente?
一 Você sempre encontra um pretexto para insinuações sexuais? 一 Respondeu com outra pergunta, sorrindo da forma como a mulher direcionava as conversas.
一 Só quando estou perto de pessoas gostosas. 一 Sam gargalhou com a explicação de . Ela falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, e ainda assim, conseguiu flertar com ele. O moreno balançou a cabeça em negação ainda com os lábios abertos em um grande riso. 一 Aqui. 一 A loira lhe entregou o celular. 一 Está pronto. 一 Fechou o notebook e abriu a porta do carro se deparando com uma Natasha e um Steve curiosos e ansiosos. 一 Ele está no Ocidental. 一 Da mesma forma em que parecia ser uma mulher cheia de flertes e respostas com duplo sentido, disposta a brincar com a situação; ela tomava uma postura incrivelmente séria quando necessário. Se Rogers não tivesse ouvido a conversa da agente segundos atrás com seu amigo, ele não diria que ela estava flertando com ele. 一 Vamos repassar o plano. 一 Arrumou a postura e se escorou no carro, esperando que Rogers tomasse sua deixa.
vai ficar no carro. 一 Steve repetiu mais uma vez. Sitwell estaria sozinho, não havia motivos para um plano mais complexo. 一 Esperaremos até que ele esteja só. E então, você liga para ele. 一 Apontou para Sam.
一 Eu codifiquei seu celular, a chamada vai parecer vinda da SHIELD. Sitwell pensará que Alexander Pierce está ligando. 一 Evanoff apontou para o aparelho que Wilson segurava.
一 Você pode fazer isso? 一 Perguntou surpreso com a explicação da garota.
一 Eu posso fazer tantas coisas que você não tem ideia. Pergunte a Natasha… 一 Apontou com o queixo em direção a ruiva que revirou os olhos. Natasha achou graça, porque a forma como falava e insinuava as coisas, parecia que elas já tinham tido algo. Mas a russa sabia que na verdade a mais nova estava referindo-se apenas às habilidades tecnológicas. Só que nunca perderia a oportunidade de deixar Rogers e Wilson confusos com o que ela estava dando a entender.
一 Evanoff, o que os rapazes pensarão de mim… Ou de você? 一 Romanoff, que até então apenas escutava os três falarem, cruzou os braços abaixo do busto e abriu um meio sorriso.
一 Que eu sou uma ótima e competente agente? Certo, Capitão? 一 sentia o desconforto que causava em Rogers. Mas ao contrário do imaginado, isso não a chateava. Porque além do incômodo, ela via também uma atração. Steve a achava bonita e não sabia agir perto dela quando ela começava a flertar com ele ou Wilson. Era mais fácil para ele quando ela estava sendo profissional. Que azar, pensou a garota. Ela não sabia ser cem por cento do tempo assim.
一 Eu… Acho melhor continuarmos a repassar o plano… 一 Murmurou sem jeito.
一 O que você quiser, Cap… O que você quiser. 一 Passando delicadamente os dedos no bíceps do loiro, Evanoff virou-se e andou em direção ao volante do carro. Não tinham o que esperar. O plano era agora.
一 Sam, você liga para Sitwell e manda ele ir para o carro. 一 Tentando controlar o rubor em suas bochechas, Rogers voltou a falar.
一 De lá, voltamos até o encontro de vocês. 一 Não precisava ser um perito em “Steve Rogers”, Sam poderia perceber a quilômetros de distância o quão constrangido e sem jeito o loiro ficava quando falava algo. E para ajudar o amigo, Wilson sempre tentava levar o fio da conversa de volta ao profissional. Steve poderia ser um ótimo Capitão. Mas quando se tratava de mulheres, ele era um péssimo soldado. Steve e Natasha balançaram a cabeça em acordo com o que o moreno disse e atravessaram a rua, ficando em frente há um grande edifício, os esperando. Sam Wilson abriu a porta e sentou-se ao lado de , que girou a chave de ignição assim que o viu. 一 Você vai acabar matando-o de vergonha. 一 Não era necessário mencionar nomes. Não era necessário ao menos entrar na cabeça dele para saber de quem estava falando. 一 Eu não sei como eram as coisas naquela época pra ele, mas Steve é um cara tímido. 一 O carro foi ligado e agora dirigia até o restaurante onde Jasper Sitwell se encontrava.
一 Ele é um supersoldado, Sam. Acho que é preciso um pouco mais para matá-lo. Outra coisa… 一 A loira tentou prender um sorrisinho sacana, mas não conseguiu. 一 Tímidos são meu tipo. 一 E assim, finalizou a conversa balançando os ombros. Sam maneou a cabeça negativamente, gargalhando da resposta da mulher. “Pobre Steve”, Wilson pensou.



•••••




Depois que Sam saiu do carro e foi para seu posto, a loira finalmente pôde se sentir à vontade para colocar seus pensamentos em ordem. Não conseguia tirar da cabeça tudo o que ouviu de Natasha e Steve horas atrás. A forma como o Capitão relatou seu resgate. Como estava aprisionada e desacordada. O soro amarelo que injetaram em seu corpo.
Era muita coisa. Precisava processar aquilo o mais rápido possível, estava indo para uma provável batalha contra a agência que a criou. Mas não era da SHIELD que Evanoff pensava. A HIDRA estava em sua mente. Ela havia sido resgatada pela SHIELD, e depois dos poderes, criada pela HIDRA. Naquele momento, de cabelos loiros, olhos amarelos âmbar e tendo poder para ler pensamentos e acessar a aura das pessoas, se referia a HIDRA. O que era antes disso já não importava mais. Haviam feito experimentos nela. Em seu corpo e mente.
Seu corpo estava mais acelerado do que lembrava, e com certeza mais forte. Não tão forte como Steve Rogers, mas ainda assim, o suficiente. A corrente elétrica que passava por suas veias expelia adrenalina, agilidade e força.
Inspirou o máximo de oxigênio que seus pulmões permitiram e expeliu o ar no segundo seguinte. Agora, sozinha naquele carro, o medo e a angústia finalmente tomavam conta de seu coração. Aflição era pouco para o que crescia ali. Os batimentos antes normais, agora aceleravam à medida que mais suposições passavam por sua cabeça. Precisava saber o que tinha acontecido. O que tinham feito.
Um ano havia passado desde que tudo acontecera, todavia, sua mente não conseguia assimilar isso. Para , eram apenas semanas. Claro que mesmo agora, poderia dizer com plena certeza de que não era mais a mesma. Afinal, não se sentia mais assim. Era como se tivesse uma nova pessoa controlando um antigo corpo. No entanto, a aparência também era outra. A HIDRA não deixava pontas soltas. Tudo tinha um propósito, e só o fato dela estar operando por debaixo dos panos da SHIELD, e sabe-se lá mais onde, fazia um arrepio subir pela espinha da loira.
desejou mais do que tudo entender qual o seu propósito dentro daquele xadrez doentio.
HIDRA não fazia nada por acaso. Não fazia nada sem um objetivo.
Porém, diante de todos aqueles conflitos, uma única certeza rodeava seus pensamentos: ela era uma arma.
Uma arma criada pela HIDRA.
Fabricada em um laboratório, e com a provável serventia de causar morte.
Assim como o Invernal.
Passou as mãos pelo cabelo e decidiu sair do carro, de repente, sentiu-se claustrofóbica ali dentro, cada batida do seu coração parecia machucar seu peito. Tornando cada vez mais difícil que o ar entrasse em seus pulmões. Esperaria por Wilson e Sitwell do lado de fora. De todas as coisas que passou até agora, de tudo que lembrou desde que acordou, o peso da solidão era o mais difícil de ser carregado. Sentia-se só. Ninguém sabia o que tinha acontecido com ela. Ninguém tinha passado por nada parecido, logo, não havia ninguém para lhe acalmar. Teria que fazer isso sozinha.
E mais uma vez, aquela palavra piscou em um letreiro neon em sua mente.
Sozinha.
Avistou de longe Jasper Sitwell andando em sua direção, e se o homem estava assustado, depois que seus olhos se encontraram, ele parecia ter ficado apavorado. Quando o homem ameaçou correr, a mulher puxou a pistola da parte de trás de sua calça e apontou diretamente em sua cabeça. Jasper levantou as duas mãos em sinal de rendição e apressadamente foi até o carro, entrando de qualquer jeito no banco de trás.
Porém, não foi capaz de ver isso. Sua visão se tornara turva e embaçada quando a arma foi dirigida até o mais velho. Estava trêmula e não segurava a pistola com precisão, e Sam Wilson que caminhava logo atrás de Sitwell foi capaz de perceber aquilo. A loira estava com o olhar perdido e desfocado. Os braços esticados, segurando desajeitadamente a arma que tremia sob suas mãos. Aquilo, contudo, durou apenas um segundo. Assim como pareceu entrar naquele transe, Evanoff saiu. Confusa e um pouco desnorteada, mas saiu.

一 Você está bem? 一 Era nítida a preocupação presente na voz do moreno, assim como sua feição, ou linguagem corporal. Sam Wilson tocou no ombro da mulher e a encarou. Aquilo foi o suficiente para um alarme ecoar pela mente de .
一 Se eu disser que não… Você cuida de mim? 一 Forçou um meio sorriso e abriu a porta do carro, quando estava prestes a entrar mais uma vez, finalizou. 一 Mais tarde você pode fazer isso do jeito que quiser. 一 Soltou uma piscadinha. 一 Vamos, senhor Sitwell. Tenho pessoas que estão muito interessadas em ter uma conversinha com você.
Sam deu a volta e entrou no interior do veículo, ficando lado a lado com a mulher. Jasper Sitwell parecia alarmado e amedrontado no banco de trás e aquilo só intensificou quando entregou a pistola na mão de Wilson, murmurando um “caso ele não se comporte”.
Aquela encenação que Evanoff fazia agora, de volta a garota segura e prepotente, não era o suficiente para enganar o homem. Na verdade, não havia nem chegado perto. O moreno viu como as pupilas da loira estavam dilatadas, como ela parecia puxar o ar com mais força, como apertava as mãos sob o volante, criando-nos nas pontas dos dedos, e como sua postura estava tensa.
Sam percebeu. E depois que ele percebia esse tipo de coisa, dificilmente deixaria passar batido. De certa forma, entendia a reação da mulher diante de todo estresse que estavam passando. Wilson, por ser líder de um grupo de terapia para ex-soldados, percebia o trauma que vivenciou e tentava esconder. Aquilo não a levaria a lugar algum. Esconder aqueles sentimentos e jogá-los para um canto, não os faria sumir. Se continuasse assim, apenas cresceria.
Mas, por hora, o homem decidiu esperar pela iniciativa da mais nova. Levaria um pouco de tempo para expressar seus receios, e pressioná-la não ajudaria em nada. Sam daria esse espaço à mulher. Afinal, depois de tudo o que ouviu que ela passou, primeiro teria que entender o que acontecia em seu interior, para depois exteriorizá-los.
Ao estacionar o veículo e a imagem de Steve Rogers e Natasha Romanoff entrarem no campo de visão de todos, Evanoff espiou pelo retrovisor o momento em que Jasper Sitwell prendeu a respiração. Ela reparou como ele parecia incomodado e amedrontado, mas, acima de tudo, sentia como ele estava nervoso e em como se esforçava para esconder algo. Algo dela. O homem mau a olhava. Parecia temer sua vida caso seus olhos se encontrassem. E aquilo a deixou inquieta. Sitwell parecia saber o que tinha acontecido com ela, caso contrário, o homem não estaria tão desconfiado.
Virou a cabeça em direção a Wilson, seus olhos se encontraram, e o moreno assentiu, num acordo mudo de que poderia sair com o membro da SHIELD e ele ficaria no carro. Tirou o cinto de segurança e colocou seu corpo para fora. Abriu a porta de trás e com certa violência, puxou Sitwell também para fora do veículo. O segurava pelo colarinho do terno, deixando que ele andasse um pouco mais a sua frente. o empurrava pela nuca, com força e rigidez. Era mais baixa que o homem, mas isso não a impedia de ser bem mais ameaçadora. Atravessaram a rua e ao chegar próximo de Natasha e Rogers, a loira empurrou o oficial da SHIELD com força em direção aos outros dois. Jasper tropeçou nos próprios pés e por um momento quase foi ao chão, tamanha a brutalidade que a menor colocou na ação. Rogers segurou o homem pelos ombros e depois imitou o gesto de Evanoff, carregando o agente edifício adentro pela nuca.
Jasper esbarrava em todos os lugares por onde passava, ora por ser atrapalhado demais pela pressão que sentia ao encarar aquelas três pessoas ao seu encalço; ora pelos próprios empurrões nada gentis que Steve lhe dava.
Entraram no elevador e Natasha apertou o botão que os levariam até a cobertura do prédio, Rogers encarava Jasper como se a qualquer momento o agente fosse capaz de fugir dali. Ele não conseguiria nem se tentasse. Tinha um supersoldado a sua escolta, lhe impedindo de sequer dar um passo em falso, e duas das maiores e perigosas agentes em cada lado. olhava despretensiosamente para as unhas, fingindo estar entediada com a situação e Natasha apenas encarava a porta daquele cubículo, à espera de que finalmente estivesse aberta.
一 Eu deveria ficar amedrontado com todo esse silêncio? 一 Jasper ousou quebrar o silêncio ao perceber que nenhum dos três não estavam falando nada por todo aquele trajeto. 一 Achei que tinha dito que queriam conversar comigo, Agente 09. 一 O cinismo em cada entonação da voz do homem fazia o estômago de revirar. Aquela arrogância também. Evanoff sentia Sitwell, e, ele achava que por eles serem agentes da SHIELD e servir ao país, a ameaça contra sua vida não era preocupante. Contudo, o homem esqueceu que assim como Natasha, nem sempre serviu a SHIELD. Inquieta com a crescente raiva em seu peito, a loira tocou o ombro do Capitão que parou de andar ao sentir a mão quente da mulher. Evanoff passou por ele calmamente, ficando frente a frente com Sitwell e abriu um sorriso maldoso.
一 Nós ainda nem começamos. 一 Respondeu sarcástica. Avistou a porta a menos de um metro de distância e antes mesmo de continuarem a andar, golpeou o oficial com sua cabeça. Era uma pancada que de certa forma doía mutuamente, mas estava tão acostumada em deferi-la, que até tinha se familiarizado com a tontura momentânea que era provocada. 一 Ele é todo seu. 一 Com um passo para trás, a mulher devolveu a Rogers a visão de Sitwell e da porta logo a frente. O Capitão viu quando um fiapo de sangue desceu pelo nariz de Jasper e prendeu a vontade de abrir um sorriso. Não seria adequado rir de uma pessoa naquela situação, e por mais que o homem merecesse, acima de tudo, Steve era justo.
Bom, rir não era adequado, porém ninguém tinha falado nada sobre força bruta.
Rogers olhou de soslaio para e Natasha, confirmando se aquela seria a melhor forma de tirar informações do homem, e a falta de oposição vinda das mulheres, de certa forma, era uma permissão muda. Todos três sabiam que Jasper não falaria por vontade própria. Oficiais da SHIELD, muita das vezes, eram homens que sentiam o poder em mãos, mas não possuíam determinação e coragem para manuseá-los. E assim era Sitwell, tendo um grande poder aquisitivo dentro da SHIELD, mas, sem aquele escritório, sem as quatro paredes da sua sala o protegendo, ele era só mais um covarde.
O Capitão vincou os dedos nos braços do mais velho e liberando todo o poder que o soro lhe proporcionava, ele jogou o corpo de Jasper Sitwell em direção a porta. Steve não tinha medido forças, e a prova disso foi tanta que, Sitwell foi arremessado, o peso dele junto com a força do loiro, arrombou a porta, e ainda assim, ele voou metros de distância, já na cobertura do prédio, ralando todo o tronco ao cair no chão.
一 Me fala do algoritmo do Zola. 一 Ordenou Rogers andando em sua direção. e Natasha vinham logo atrás, observando os dois homens à sua frente. Steve autoritário, e Jasper receoso enquanto se levantava para encarar de pé os três.
一 Nunca ouvi falar disso. 一 Mentiu, mas sua linguagem corporal o entregava. Assim como .
一 Mentiroso. 一 Cantarolou Evanoff ao sentir a aura do homem.
一 O que estava fazendo na Estrela da Lemúria? 一 Steve continuou a questioná-lo como se a primeira pergunta houvesse de fato, sido respondida. Sitwell dava largos passos para trás, na tentativa de manter o máximo de distância entre ele e os outros.
一 Estava vomitando. Eu fico enjoado no mar. 一 Sitwell respondeu rápido. Todavia, o que o homem não esperava era chegar no parapeito da cobertura. Um passo a mais e despencaria a no mínimo cem metros do chão. E foi isso o que aconteceu, ao tentar mais um passo, seu calcanhar bateu na base de segurança e por milésimos de segundos, sentiu seu peso pender para o ar. A única coisa que o impedira de cair naquele momento, foram as mãos de Rogers que o puxou de volta e o segurou.
一 O que fizeram com ela? 一 Rogers manejou a cabeça para o lado, apontando para . Ainda que quisesse descobrir o que estava acontecendo dentro da SHIELD, Steve sabia que Evanoff queria e precisava de respostas. E como a mulher estava o ajudando desde que recobrou a consciência, ele tomou as dúvidas dela para si. Se havia comprado sua briga, ele faria o mesmo por ela. Evanoff foi pega um pouco de surpresa ao ouvir Rogers perguntar aquilo ao outro homem, estava tão acostumada a lutar suas batalhas sozinha, que perceber que outra pessoa também se preocupava com o que tinha acontecido, trazia um pouco de conforto ao seu coração.
一 Essa encenação é para insinuar que você vai me jogar desse telhado? 一 Jasper sorriu cínico ao sentir as mãos de Rogers fechar em punhos em seu terno, pendendo seu corpo um pouco para trás, ameaçando o jogar. 一 Porque eu sei que esse não é nem um pouco o seu estilo, Rogers.
一 Tem razão. Não é... 一 Com o olhar duro e o maxilar travado, Steve soltou o homem, arrumando desajeitadamente o terno que agora estava amassado. Uma ideia um tanto malvada quanto imoral passou por sua mente. Jasper até poderia contestar seus princípios, porém, o loiro sabia que isso não poderia ser feito com as duas mulheres ao seu lado. Com um meio sorriso e esperando que Evanoff e Natasha entendessem o recado, ele completou. 一 São delas. 一 Para demonstrar que a ameaça era real e que o homem tinha que temer a vida, o Capitão saiu da frente do oficial da SHIELD, deixando-o cara a cara com as duas mulheres. Natasha e se entreolharam e abriram um sorriso maldoso antes de, finalmente, chutarem o tronco de Sitwell, o fazendo despencar pelo prédio.
一 Tchauzinho, otário. 一 Indo até a barra de proteção e inclinando o corpo, levantou a mão e acenou tranquilamente para Sitwell que continuava caindo a toda velocidade.
一 E aquela garota da contabilidade… 一 A russa voltou ao assunto que estava tendo com Rogers antes de chegar. Ainda era possível ouvir o grito de Jasper que continuava caindo. 一 O nome dela é Laura…
一 Lilian. 一 Corrigiu Steve, descansando as mãos nos bolsos. 一 Tem piercing no lábio, não é? 一 A imagem da mulher passou pela mente do loiro e logo se desfez. Definitivamente ela não fazia seu tipo.
一 É, ela é bonitinha. 一 Romanoff até tentava animar o homem para um encontro, e depois que a mais nova revelou o sentimento de solidão do homem, encontrar alguém que ao menos o distraísse tinha se tornado sua missão pessoal, no entanto, sabia que aquela era uma batalha perdida.
一 Espera, o que está acontecendo aqui? 一 Confusa, se intrometeu no meio da conversa, ficando de frente para os dois.
一 Estou tentando arrumar uma namorada para ele. 一 Explicou como se fosse óbvio. E era. Mas escutar as palavras saírem da boca da russa tornava ainda melhor.
一 Você está procurando uma namorada? 一 Virou a cabeça para o loiro, o encarando curiosa e até um pouco incrédula. 一 Onde eu posso me candidatar? 一 Steve riu baixinho com o que disse, não acreditando que mais uma vez a garota flertava com ele. E de novo, não tinha uma resposta à altura. O incômodo no pé de sua barriga ainda estava presente, contudo, um leve calor também emanava dali toda vez que ela lhe dirigia a palavra. Rogers, aos poucos, estava simpatizando com a garota.
, você não nasceu tipo, em 1992? 一 Descrente, Romanoff questionou. Na primeira vez que a mais nova flertou com Steve até tinha sido engraçado. Mas agora, depois de tantas outras investidas, Natasha… Continuava achando hilário. Aquele seria um casal um tanto icônico. Pagaria para ver aquilo acontecer.
一 Sim, e daí? 一 Desdenhou. 一 Eu seria tipo, a Miss América. 一 Caminhou em direção ao loiro e parou ao seu lado, fazendo uma pose um tanto quanto exagerada.
一 Eu não sou um pouco velho para você? 一 A voz baixa e abafada de Rogers soou. Ele estava olhando de lado, tentando prender uma risada ao observar a postura da mulher.
一 Steve, querido, se formos levar em consideração o ano que você nasceu, você é mais velho que todo mundo. E eu sempre gostei mais dos velhos. 一 Deu de ombros, evidenciando.
一 Ela tem um ponto. 一 A russa arqueou as sobrancelhas com um sorriso malicioso nascendo em seu rosto, enquanto apontava com o queixo para a mulher.
一 É… 一 Steve concordou, por falta do que fazer. 一, Mas eu ainda não estou pronto para isso. 一 Finalizou, esperando, que de uma vez por todas, aquele assunto se encerrasse.
一 Quando tiver, por favor, me avise primeiro. 一 Evanoff declarou por fim, olhando sacana para o homem e soltando uma piscadinha para ele.
De repente, os gritos antes cessados de Jasper, voltaram a ser ouvidos pelos três. O homem não estava mais caindo, agora a visão de Sam com sua mochila encaixada sob o tronco e asas mecânicas nas costas apareceu voando para mais alto, segurando o mais velho que continuava a gritar. Wilson usava a mochila a jato do projeto Falcão, que horas mais cedo, roubaram do Fort Meade.
levantou a cabeça para acompanhar o trajeto do moreno, o sol intenso dificultava um pouco sua visão, tendo que colocar a mão sob a testa. Prendeu um sorriso ao se deparar com aquela cena, com uma euforia crescente em seu peito ao observar o homem usando aquela tecnologia. Sam subiu um pouco mais alto e sem pestanejar, jogou o oficial da SHIELD de volta ao telhado. O pouso do Falcão foi perfeito e Evanoff teve certeza ali de que o moreno nascera pra isso. Não teria a coragem necessária para colocar sua vida em risco ao voar numa coisas daquelas.
Se aproximaram mais uma vez de Sitwell que agora tinha o olhar perdido e a feição apavorada com a experiência de segundos atrás. Levantou as mãos em rendição e medo, não poderia correr o risco de receber outra advertência como aquela. Uma já havia sido o suficiente para entender o recado que Rogers queria passar: tinha que cooperar, caso contrário, o Capitão o entregaria nas mãos das duas mulheres ali.
Sitwell concluiu que estaria mais seguro e a salvo enquanto estivesse sob os cuidados do loiro.
Se é que poderia chamar aquilo de cuidados.
一 O algoritmo de Zola é um programa… 一 Exprimiu, a voz quase falha de tanto que berrou por sua vida. Suas pernas estavam fracas e trêmulas. O homem nem tentou se levantar, sabia que depois daquela experiência nada agradável, não teria forças para aquela simples ação. 一 Pra escolher… 一 Ofegou, recuperando o ar em seus pulmões que teimava em escapar. 一 Os alvos do Insight.
一 Que alvos? 一 Perguntou o Capitão, satisfeito com a eficácia do plano de interrogatório que Natasha programou.
Vocês! 一 Respondeu com obviedade. 一 Uma repórter de TV no Cairo, o subsecretário da Defesa, uma estudante de Iowa… 一 Começou a listar, buscando em sua mente a explicação que Pierce lhe deu semanas atrás. 一 Bruce Banner, Stephen Strange, Florence Lamarck¹… Quem quer que seja uma ameaça… 一 Arfou. 一 Pra HIDRA. Agora, ou no futuro.
一 No futuro? 一 Natasha um pouco perplexa com o revelado, procurou no rosto do loiro algum sinal de entendimento, mas a face de Rogers estava tão confusa quanto a sua. 一 O algoritmo teria acesso a isso? 一 Sitwell riu ao escutar a indagação ingênua do loiro.
一 O que você acha, Rogers? 一 A retórica se fez presente e sarcástica. 一 O século 21 é um livro digital. 一 Por vezes, as pessoas esqueciam que no tempo do Capitão, a tecnologia e o acesso a ela, era bastante limitada. 一 E Zola ensinou a HIDRA a lê-lo. Registros bancários, históricos médicos, padrões de votação, e-mails, ligações… O algoritmo de Zola avalia o passado das pessoas para prever o futuro.
一 E o que acontece depois? 一 Agora, mais preocupado do que antes, Rogers forçou-se a perguntar. No entanto, sabia que a resposta não lhe agradaria nenhum pouco.
一 Depois os aero porta-aviões do Insight riscam as pessoas da lista. De uma única vez, milhões morrerão. 一 , que estava calada até o presente momento, saiu do lado de Sam e encarou Sitwell, a forma intensa como ela o observava, sem sequer piscar, deu a Steve a certeza de que a loira estava tentando entrar na mente do mais velho.
一 Por que você tem tanto medo de mim? 一 A confirmação de Rogers veio assim que escutou a frase da mulher. havia conseguido acesso a mente de Sitwell, e os pensamentos do oficial naquele momento exalavam medo com a proximidade dela. 一 O que vocês fizeram comigo? 一 Jasper mal conseguia olhar nos olhos de , pois sempre que seus olhos se cruzavam ao âmbar do dela, um pavor crescia em seu peito, irradiando até a boca do seu estômago.
一 É melhor você responder à pergunta dela. 一 Autoritário e impaciente, Rogers verbalizou.
一 Eu não sei. 一 Aquele jogo de gato e rato estava tirando toda a paciência de Evanoff, ela sentia que o homem escondia algo dela. E se ele pensava que poderia se safar disso, estava muito enganado
一 Corta essa! Você estava no mesmo navio que ela. 一 Wilson segurou o homem pela nuca ao percebê-lo recuar dois passos ao mesmo tempo em que avançava na direção dele. A íris da mulher transmitia ódio e Sam viu.
一 E se acha que vamos acreditar que foi uma terrível coincidência… 一 Murmurou Natasha. 一 Eu vou ter que te jogar de novo desse prédio.
一 O que vocês fizeram comigo? 一 Pausadamente, e mais ameaçadora do que planejara, a agente repetiu a pergunta. Sua voz saiu baixa e grave. Evidenciando a falha tentativa de controlar suas ações e levar seus pensamentos para outro lugar, mas a aflição crescente e o frio na barriga de Jasper a instigava a pressioná-lo ainda mais.
一 Oh meu Deus… 一 Jasper arfou amedrontado, se sentindo em um beco sem saída. 一 Pierce vai me matar se eu contar. 一 Não era justo o que estavam fazendo com o oficial no momento. Todo o trauma de cair de um prédio, junto com aquele interrogatório sem protocolos para saber a verdade. A agente sabia que estavam brincando entre uma linha tênue com todas as ameaças feitas a Jasper, todavia, o que passou também não foi um mar de rosas. E ela passou por coisas bem piores na base da HIDRA. Então, se ela sobreviveu, Jasper Sitwell também sobreviveria.
一 Se você não falar... eu te mato. 一 Steve não sabia até onde a mulher iria para conseguir informações, mas ao julgar pela feição repleta de ódio dela, o loiro chegou à conclusão de que ela estava disposta a ir longe demais. E, mesmo não a conhecendo da mesma maneira que Natasha, o Capitão tinha a ligeira impressão de que isso a faria mais mal do que bem. Portanto, ali outra promessa silenciosa fora feita por Rogers. Assim como o loiro comprara a briga de , ele prometeu também cuidar para que ela não saísse da linha. Não permitiria que a mulher perdesse a cabeça por vingança. 一 E acredite em mim quando eu digo isso, Sitwell… 一 A mesma corrente elétrica de antes, voltava a passar por suas veias agora. podia sentir o sangue ser substituído por ódio. E de onde vinha tanto ódio? Por mais que estivesse no escuro, não achou que precisava tanto assim saber o que aconteceu. Toda aquela raiva no seu peito não parecia ser sua. Como um piscar de uma lâmpada, ela entendeu. Estava tendo acesso a violência que absorveu do Invernal quando ele o tentara matar. sabia que um pedaço das emoções absorvidas continuava dentro de seu peito, porém, até aquele momento, ela não sabia que podia potencializar elas para seu próprio benefício. O ódio consumido pelo Invernal ainda estava lá, e ela se aproveitou disso para intensificar ainda mais sua ameaça. 一 Eu farei ser bem doloroso. Agora… 一 Respirou fundo retomando o controle de suas emoções e se afastando do homem amedrontado. Sitwell não fora o único abalado com aquelas palavras duras. Sam, Steve e Natasha também estavam receosos. Por um momento, ao repassar tudo o que havia dito e a forma como disse, a garota também se assustara um pouco, contudo, não poderia recuar ou mostrar fraqueza na frente de Sitwell. Ou de ninguém. 一 Responda a porra da pergunta!




Capítulo 7

O sol brilhava quente e radiante, envolvendo todos com sua sensação térmica. O céu azul e sem nuvens mostrava seu infinito imenso. Era um dia lindo. O ar fresco batendo em seus rostos, trazendo consigo um vento gostoso que combatia o calor exorbitante que também fazia. Era uma tarde linda. Se fossem pessoas normais, estariam agora aproveitando aquele momento e aquela perspectiva para algum lazer ou descanso.
Mas, infelizmente, não eram.
Estavam ligados a SHIELD e a qualquer outra bagunça que envolvesse salvar outras pessoas de um perigo iminente.
Prometeram defender os desprotegidos e vingá-los quando necessário.
Bom, e Wilson não prometeram a última parte. Não ainda.
Não havia mais o que ser dito ali naquele telhado. Jasper continuava afirmando a que não sabia o que tinha acontecido com ela, e, em um certo momento, após se acalmar e aquela névoa de raiva e violência se extinguir de seu cérebro, a loira conseguiu pensar com clareza e sentir que o que o oficial dizia era verdade. Contudo, Sitwell garantiu tanto a Evanoff quanto a Rogers que as respostas que procuravam estavam na base geral da SHIELD. Tudo o que precisavam saber sobre o Projeto Insight e sobre o desaparecimento de estavam protegidos na sala de Alexander Pierce.
Então, ao invés de aproveitar a tarde como qualquer outra pessoa normal, lá estava , junto de Natasha, Steve e Sam, descendo mais uma vez aquele elevador, com Sitwell ao encalço.
Iriam voltar para TRISKELION.
Se todas as perguntas se resolviam lá, não havia outro lugar para irem.
Mais uma vez entraram no carro, agora com Sam no volante, sendo acompanhado por Rogers ao seu lado, e no banco de trás, estava entre Natasha e Sitwell.
Wilson deu partida e todo o caminho dentro da cidade, eles estavam em silêncio. Absortos demais nas informações recebidas. No entanto, não via necessidade para perder tempo com isso, poderia lidar com as descobertas do Projeto Insight depois, agora ela tinha em mente entrar no sistema da SHIELD para saber onde Pierce estava e quando o lançamento do Insight aconteceria. A mulher não era ingênua para pensar que no meio dos arquivos da agência, iria encontrar algo relacionado ao seu tempo na HIDRA. Aquele tipo de informação em especial, estava guardado apenas ao disco rígido de Alexander, segundo Sitwell. Logo, para acessá-los, ela teria que ir diretamente à sala dele.

一 O que você está fazendo? 一 Sitwell ousou perguntar ao ver pelo canto dos olhos que a mulher hackeava o sistema da SHIELD.
一 O que você acha que eu estou fazendo? 一 O encarou com desdém. 一 Estou entrando em casa... Pela porta dos fundos. 一 Um sorrisinho ferino passou por seus lábios, ao lembrar-se das primeiras vezes em que hackeou a agência. Nunca em toda sua vida imaginou que um dia iria se referir a SHIELD como sua casa.
一 Você não vai conseguir. A SHIELD não pode ser hackeada. Temos milhões de protocolos de segurança para combater as tentativas.
一 E quem você acha que criou a maioria deles? 一 Natasha jogou a retórica para o mais velho, com orgulho e arrogância na voz. 一 Não há nada que ela não possa hackear.
一 Pois é Sitwell… Para sua decepção, eu não sou apenas um rostinho, ou um corpinho bonito. 一 suspirou dramaticamente. Por fora, uma encenação de insatisfação. Por dentro, uma felicidade ao ouvir sua ex-treinadora confiar tanto em seu potencial. 一 E já que você não quer nos dar a informação sobre o lançamento do Insight, eu vou tirá-la à força.
一 Então por que precisam de mim se ela já está no sistema da SHIELD? 一 Questionou confuso olhando para Rogers e Romanoff.
一 Porque você vai nos ajudar a entrar na sala do Secretário Pierce. 一 Respondeu Rogers. E ao se dar conta do que isso significava, Jasper arregalou os olhos. O único barulho do ambiente eram as teclas sendo apertadas rapidamente pelos dedos ágeis de que não tirava os olhos da tela do notebook.
一 A HIDRA não gosta de vazamentos. 一 Jasper voltou a se pronunciar. Agora, um pouco mais longe dos prédios e estabelecimentos, eles estavam em uma avenida tripla de carros. A base geral da SHIELD ficava uns bons quilômetros distante do centro da cidade, para evitar qualquer exposição desnecessária dos civis a algum perigo.
一 Então por que você não tenta enfiar uma rolha nisso? 一 Uma risada disfarçada com tossidas preencheu todo o ambiente. não conseguiu segurar o riso ao escutar a metáfora de Sam, e adorou o modo como o moreno conduziu aquela resposta infeliz de Sitwell.
一 Nat. 一 murmurou chamando a russa, o sorriso se desfazendo imediatamente assim que se deu conta do material que conseguiu. Como esperado, tinha entrado no sistema da SHIELD naquele meio tempo. E ao acessar todas as pesquisas relacionadas ao Insight, encontrou a data de lançamento do programa. Virou a tela do notebook em direção ao rosto da ruiva, que rapidamente leu a informação e assim como , constatou que não tinham muito tempo para interromper o lançamento.
一 O lançamento do Insight é em dezesseis horas. 一 A russa expôs em voz alta o que acabara de ler. 一 Não temos muito tempo. 一 Finalizou, tentando de alguma forma expressar que deveriam se apressar. Evanoff mais uma vez fechou a tela do notebook e o guardou no compartimento da parte traseira do banco à sua frente. Estava apertado demais ali para continuar usando a máquina, optou então por terminar o serviço quando chegassem à base.
一 Eu sei. 一 O loiro murmurou.

tinha noção de que Steve continuava falando algo, entretanto, seu corpo se retraiu ao perceber uma coisa estranha pairando no ar. Porém, por que ela era a única a sentir aquilo? Todos os outros pareciam estar normais. Um arrepio atravessou sua espinha, seus pelos eriçaram e ela sentiu um embrulho no estômago. Estava incapaz de ouvir uma só palavra vinda das pessoas naquele carro, a única coisa que escutava eram as batidas rápidas e fortes do seu coração, que parecia estar em seus ouvidos. Uma pontada forte se apossou do seu tronco e, abraçando o próprio corpo em uma inútil tentativa de proteção, ela gemeu de dor. Nenhum ataque físico tinha acontecido, então como era possível sentir como se alguém lhe enfiasse uma faca pelas costas?
Notou quando Natasha tocou seu ombro e a chamou preocupada, mas seus olhos estavam fortemente fechados. Rogers, agora apreensivo pela feição da garota que parecia estar em agonia, imitou a ação da russa, porém não conseguia raciocinar. Não conseguia encontrar palavras para descrever o que estava sentindo.
E então, a familiar rajada de ódio e violência lhe atingiu. Aquela sensação de estar dentro dos sentimentos de outra pessoa tomou conta do seu interior, só que agora, com muito mais rancor do que lembrava-se.
Ao se dar conta do que se tratava aquilo, e de quem realmente era, a voz dele entrou em sua cabeça. Grave e com determinação, sussurrando em um russo perfeito.

“Missão”

Ele está aqui. 一 Abriu os olhos ao mesmo tempo em que juntou todas as peças. Seu olhar encontrou com Steve que a encarava preocupado e confuso. Mas não houve tempo para explicações. Na verdade, não houve tempo para nada. Assim que terminou de falar, a atenção de todos foi para o barulho de algo pousando rudemente no teto do carro ainda em movimento. Algo não… Alguém.

Antes mesmo que Sitwell rebatesse sua fala indignada, o vidro ao lado do homem fora violentamente quebrado por uma mão de metal, que o agarrou e o jogou para fora do carro. O arremesso foi tão forte e ávido, que Jasper atravessou a rodovia ainda no ar, e antes mesmo de cair no chão, um caminhão que vinha em alta velocidade não conseguiu frear a tempo de impedir a colisão, passando por cima de seu corpo.
Natasha e olharam assustadas para o local que antes o oficial da SHIELD estava, os estilhaços do vidro quebrado agora por todo assento e colo de . Arregalaram os olhos ao perceber o Soldado Invernal puxar uma arma e ir novamente para o teto do veículo. Romanoff empurrou o tronco da loira para frente, que, entendendo o recado, foi em direção ao colo de Sam, que foi pego de surpresa, e por milésimos de segundos perdeu a direção do carro. Já Natasha pulou no colo de Rogers, e assim que ambas estavam mais à frente, os tiros do Invernal começaram a ser disparados na parte traseira do veículo, onde estavam anteriormente. Foi uma confusão de pernas e pés entre e Natasha naquele pequeno espaço entre os quatro. Rogers puxou o freio de mão do veículo e imediatamente os pneus foram travados.
O brusco impacto do carro sendo freado levou todos para frente, e Evanoff gemeu ao sentir uma imensa falta de ar ao ter suas costelas pressionadas vigorosamente contra o volante do automóvel. Sam tentou de todas as formas não piorar a situação, tentando não prensar ainda mais a mulher contra o peso do seu tronco, mas fora impossível. Ela tossiu forte ao sentir o impacto, expelindo todo o oxigênio em seus pulmões. O moreno automaticamente abriu os braços e a puxou contra o seu peito, a segurando forte.
Assim como o impacto os levou para frente, o mesmo aconteceu com o Soldado Invernal, que, por não ter apoio algum no teto do carro, teve seu corpo completamente jogado para frente, voando ao chão.
Os quatro viram quando o homem bateu a coluna no asfalto e, ainda sendo arrastado pela força, empurrou o tronco para frente, girando e vincando a mão biônica no chão. Era como se aquela queda não significasse nada para seu metabolismo e saúde. Precisaria de muito mais para derrubá-lo.
Quando o Invernal conseguiu parar e se levantar, encarando o carro de Wilson, Romanoff e Evanoff tiraram as armas da cintura, e antes mesmo de conseguir atirar, uma colisão ainda maior e violenta atingiu o carro. Um Jeep em alta velocidade havia batido no veículo, e ao contrário do esperado, ele não parou, continuou acelerando sob um Sam que pisava fortemente no freio. As pistolas caíram ao chão, e se Sam não tivesse continuado com uma mão ao redor da cintura de , ela provavelmente estaria muito mais machucada agora. Podia sentir sua carne latejar mais uma vez diante da pancada.
O carro de Wilson estava sendo empurrado à força pelo jeep que acelerava, e eles estavam chegando cada vez mais perto do Soldado. se remexeu um pouco no colo do homem e abaixou o tronco procurando por sua arma, e antes mesmo de esboçar qualquer comemoração por ter a encontrado, o Soldado Invernal socou o vidro do para-brisa com seu braço biônico e arrancou o volante das mãos de Sam que gritou pelo seu nome, a puxando de qualquer jeito. Evanoff posicionou a pistola na mão e assim como Natasha, começaram a disparar contra o teto do carro, na tentativa de atingir o Soldado.
O veículo que estavam, agora totalmente fora de controle pela falta de um volante, corria em alta velocidade batendo por todos os carros que encontrava por aquela rodovia, precisavam sair dali o mais rápido possível, no entanto, o Invernal continuava os perseguindo, agora grudado a lataria do capô do jeep.
Outra colisão foi deferida contra o carro dos quatro. Dessa vez, os puxando para fora da estrada, bateram na banqueta de proteção e o impacto fez com que eles capotassem.

一 Segurem firme! 一 Rogers gritou enquanto forçava seu escudo contra a porta, tentando arrombá-la. Um braço do capitão estava segurando o escudo enquanto o outro puxava o corpo de Natasha o mais rente possível ao seu. Aquele pequeno objeto de vibranium teria que ser o suficiente para proteger os quatro daquela situação. Quando Natasha se posicionou entre o escudo e Steve, o loiro aproveitou que Wilson já estava abraçado a Evanoff e o puxou também para perto.
A porta foi arremessada no ar junto com os quatro que caíram a tempo de ver o automóvel capotar por inúmeras vezes.
A porta, junto com o escudo do Capitão serviram como uma ótima proteção contra o baque, porém, não fora o suficiente para amortecer a queda.
Evanoff sentiu uma fisgada forte em seu antebraço direito, os pontos que tinham feito em seu corte naquela manhã tinham estourado. E não era para menos, Wilson saiu rolando para um lado e a loira para o outro, com certeza o peso do seu corpo sendo jogado para todos os lados tinha sido o responsável por aquilo. Ainda assim, a mulher levantou-se e, ignorando a dor latente, correu em direção a Natasha e Rogers, apontando sua pistola contra os agentes da HIDRA e atirando. Quando por fim, chegou próximo a dupla, o Capitão viu o exato momento em que o Invernal pegou um lançador de granadas e apontou para eles. , por estar na ponta, correu na direção oposta, enquanto Natasha fora empurrada por Steve. A granada atingiu o escudo do loiro, que bateu na lataria de um carro e fora arremessado metros de distância de onde as mulheres estavam, caindo na parte inferior da rodovia.
e Natasha continuaram correndo, agora sendo alvejadas por tiros. Encontraram com Sam escondido atrás de um dos automóveis e resolveram se separar, contudo, vendo o sangue escorrer novamente pelo braço de sua pupila, Romanoff a seguiu. Uma nova troca de tiros se iniciou, com as duas agentes disparando contra também, porém, aquilo era perda de tempo. Eles eram muitos e estavam carregados de metralhadoras. gritou para que Sam corresse, pois aquela falha cobertura que estavam dando não iria durar muito tempo. A loira disse a mesma coisa à russa, mas Natasha não iria deixá-la sozinha.
Quando novamente viram o Invernal atirar uma granada contra elas, Romanoff empurrou para a barricada que dividia as rodovias e ambas pularam pouco segundos antes da explosão acontecer. Daquele lado da avenida, o tráfego seguia normalmente seu curso, desta forma, quando seus corpos atingiram o chão, rapidamente tiveram que se levantar para desviar dos carros que circulavam por ali.
Evanoff sentiu-se um pouco zonza com tudo o que estava acontecendo ao mesmo tempo. Seu braço palpitava, estava perdendo sangue mais uma vez, e o barulho incessável de tiros a impedia de pensar com clareza. A única coisa que fazia era seguir Natasha e imitar tudo o que a russa fazia. Desviando de mais alguns tiros, as duas correram até a lateral de um veículo cinza, e ao mesmo tempo em que Romanoff recarregava as munições, atirava, lhe dando cobertura. A loira arregalou os olhos quando observou mais uma vez o Invernal com o lança granadas em mãos apontando para si. Contudo, estavam preparadas. Tinham que estar, foram treinadas para isso. Quando a segunda explosão atingiu o outro carro, a loira gritou por Natasha e as duas pularam passarela abaixo. Era uma queda de no mínimo vinte metros. Romanoff tirou um lança-arpo de sua jaqueta e disparou no concreto do viaduto, o prendendo. fez o mesmo, e assim, ao invés de irem diretamente ao chão, seguraram a arma e se dirigiram ao asfalto sem grandes ferimentos. A força que a agente 09 teve que fazer para segurar seu corpo com seu braço ferido, a deixou desnorteada, e antes de chegar ao chão, não conseguiu mais se segurar. Caiu embolando no asfalto, mas logo se levantou, mordendo os lábios com força para prender um gemido de dor. Olhou pelo canto dos olhos e viu Natasha correndo para lhe alcançar, mas não a esperou e correu também. Pela zoada dos carros batendo minutos antes, quando Rogers fora lançado, ele estava por perto e tinha que encontrá-lo. Apressadas, foram em direção à rua à procura de Steve, contudo, antes de sequer saírem de debaixo do viaduto, notou, pelo ângulo que estavam, a sombra do Invernal apontando de cima, uma arma para baixo.
Ele estava esperando por elas.
Sem parar de correr, tocou sua mão ao braço da russa, e quando a ruiva a olhou pedindo por respostas, apontou com o queixo para o chão mais à frente. parou de correr e assim que Romanoff entendeu onde a mais nova queria chegar, também parou.
Ofegante, Evanoff tirou a jaqueta que vestia e a jogou, dando a Natasha a completa visão de como a faixa enrolada em seu antebraço estava encharcada de sangue.

一 Eu estou bem. 一 Arfou ao seguir a íris, agora preocupada, da mais velha. 一 Vamos, temos que encontrar o Capitão.

Andaram a passos largos até a ponta do viaduto. Romanoff tirou mais uma arma pequena da cintura e entregou a loira. Se encararam e balançaram a cabeça afirmando. E como nos velhos tempos, começaram uma contagem muda para que pudessem atacar.
De repente, a voz de Natasha ecoou na mente de . Mas não como acontecia com frequência agora. Não era um pensamento, era uma lembrança.

“Ao entender o sinal, conte sempre até três e atire. Não atire no dois, nem no quatro. Sempre no três.”

Contradizendo toda a situação que estavam metidas, um sorriso nostálgico foi aberto em seu rosto. Aquela tinha sido a primeira lição que Natasha tinha a ensinado. E de certa forma, havia levado para a vida.
Após encarar a mulher, voltou seu olhar para cima e, como ensinada, contou até três.
Em sincronia, como se tivessem ensaiado o ataque a anos, Natasha e começaram a atirar contra o Invernal ao mesmo tempo. A mira perfeita das duas, atingiram juntas uma parte do óculos de proteção que o Soldado usava. Se entreolharam, e sem esperar por um contra-ataque, as duas correram novamente. Se esconderam no escombro de um ônibus que estava virado, se escorou em uma parte, pressionando fortemente sua mão no corte aberto em seu braço. Ao escutar o gemido sôfrego de sua pupila, Natasha tomou a frente e mais uma vez apontou a pistola em direção ao Invernal, iniciando mais uma troca de tiros.
tinha a cabeça pendida para cima, com os olhos fortemente fechados. Tentava acalmar sua respiração e batimentos cardíacos, nunca havia sido tão difícil para a mulher controlar suas emoções. Era isso que a fazia uma ótima agente. A facilidade em manipular seus próprios sentimentos. O problema era que ali, ela não tinha apenas que lidar com os seus. Todas as pessoas que estavam naquela rua, espantadas com o tiroteio que acontecia, todas elas, todos aqueles sentimentos… Toda a aflição a atingia.
Lidar com a aura de Pierce, ou de Sitwell.. Ou até mesmo do Invernal. Havia sido diferente. Ela estava absorvendo um de cada vez, no entanto, naquele cenário, sentia como se absorvesse a aura de pessoas a quilômetros de distância.
E se sentia exausta.
Era exaustivo lidar com tantas emoções ao mesmo tempo.
Respirou fundo uma, duas, três vezes, e quando notou que a ruiva novamente a encarava aflita, assentiu com a cabeça.
Não queria preocupar ainda mais Romanoff, porém, a loira não estava bem e não seria arrogante o bastante para mentir sobre isso. sabia seus momentos de fraqueza e como a russa já havia sido sua parceira em um determinado ponto, Natasha também sabia.
E aquele era o motivo especial de se ter uma parceira: poder contar com ela para salvar sua vida. E vice-versa.
Entendendo o recado, Natasha deixou que corresse à sua frente, pelo menos se os tiros atingissem alguém, seriam nela e não a loira. Foram apressadas para o outro lado da rua, criando o máximo de distância entre o Invernal. Mas temiam que mesmo se corressem quilômetros, ainda não seria o suficiente para saírem do radar dele.

Cessando os tiros da metralhadora ao constatar que seus alvos estavam demasiadamente longe, o Soldado parou, às seguindo apenas com o olhar.
A sensação de fracasso lhe era nova e não estava gostando nenhum pouco disso. Reconhecia a garota de cabelos loiros e olhos âmbares de outra missão que lhe fora delegado. E que havia sido também a primeira missão que havia fracassado.
Nunca, desde que sua mente falha lhe permitia lembrar, havia falhado em uma missão. E ter que dar o relatório dela ao seu superior, informando que não havia conseguido assassinar a mulher, fez crescer em seu peito algo ainda pior que todo o ódio existente ali. O olhar de reprovação que recebeu junto de um castigo humilhante, passou por sua mente, o lembrando do que teve que passar por conta dela.
Aquilo tinha ficado pessoal.
Não que soubesse o que isso significava. Não tinha noção alguma dos sentimentos em seu corpo, porém, seu cérebro agitado e confuso gritava por conclusão.
Precisava concluir a missão.
E sua missão era matar a garota.

一 Encontrem ele. 一 Ordenou aos comparsas que ao receberem as novas instruções, pararam de atirar. Não era necessário perguntar a quem se referia, sua segunda missão do dia era matar o homem loiro com o escudo. No entanto, eliminaria primeiro aquela mulher, obtendo assim um maior êxito. Completando duas tarefas em uma. Segurando a metralhadora com uma mão, o Soldado impulsionou com o braço biônico todo o seu corpo para fora da rodovia. A queda de vinte metros não lhe atingiu em nada, ao contrário, seu corpo foi de encontro a lataria de um carro que ficou destruído pelo impacto do seu peso. Seu olhar estava cravado no caminho que as mulheres haviam feito e sem perder tempo, caminhou com destreza até elas. No final do dia, riscaria dois nomes, e de brinde, ainda escreveria mais um, a sua lista de execuções. 一 Elas são minhas!




Capítulo 08

Encostaram-se afobadas na lataria de um carro, quase trinta metros distantes de onde todo o conflito se concentrava. encarou a russa, que segundos depois, fez o mesmo.
A loira não queria admitir, mas agora, um leve temor a atingia. Pelas suas contas, aquela era a terceira vez que estava na mira daquele homem. Escapar três vezes era muita sorte. E não acreditava que conseguiria sair viva de novo.
Novamente, sendo nocauteada pela aura de ódio e violência do Invernal, a loira se contraiu, avisando a Natasha de que ele estava se aproximando delas. E agora, mais do que nunca, podia identificar a determinação que ele carregava.
Ele estava determinado a matá-la de uma vez por todas.
Parecendo entender a linha de pensamentos da loira, Natasha endureceu o olhar, tentando a todo custo passar confiança à mais nova. Evanoff era uma mulher dura na queda, no entanto, Romanoff viu ali um brilho temeroso tomar conta de seus olhos.

一 Ei, nós vamos conseguir sair dessa. 一 Afirmou em voz alta. , não muito crente nas palavras da ruiva, balançou a cabeça afirmando. 一 Vai ser como em Budapeste. 一 Concluiu, contendo um sorriso ao perceber a indignação tomar conta do temor da agente.
一 Por favor, não me lembre desse dia… 一 Sendo contagiada pela referência, revirou os olhos e abriu um sorriso nostálgico e sincero. Em poucos segundos e com apenas cinco palavras, Romanoff havia conseguido reacender sua confiança.
一 Eu tenho uma ideia. 一 Disse a ruiva após obter a atenção da loira. 一 Mas vai ser uma distração… Para você sair daqui.
一 Para eu sair? 一 Questionou confusa. 一 E você?
一 Eu vou segurá-lo. 一 Vociferou. Abaixou o olhar rapidamente para o braço da loira e comprovou seu receio: aquele ferimento continuava aberto. 一 Você já perdeu muito sangue, precisa sair daqui o quanto antes.
一 Eu não vou sair daqui sem você, Nat. 一 Afirmou com convicção. 一 Ou fugimos juntas ou lutamos juntas. Não existe uma terceira opção. 一 Finalizou, não deixando espaços para que a mais velha sequer contrariasse aquela decisão.
一 Eu realmente não lembrava o quão teimosa você era. Disso eu não senti falta. 一 Romanoff tirou o celular do bolso para começar a explicar o plano a , mas ela a interrompeu.
一 Qualquer que seja a sua ideia... Ela tem que ser agora! 一 Exclamou, a voz agora beirando a urgência. O olhar estava novamente perdido, focando em algo além de Natasha. Mas não via um palmo à sua frente. Tudo estava embaçado. 一 Ele está chegando. 一 Anunciou. Sua face retraindo-se em agonia. 一 Eu consigo sentir toda a fúria vinda dele. 一 A mão seguiu para o peito, pressionando o local com destreza. 一 E parece que vai me sufocar a qualquer momento. 一 Ficando cada vez mais difícil se concentrar nas próprias emoções, e sendo afogada pelas do Invernal, Evanoff tentou explicar a Natasha em palavras o que sentia, uma vez que o olhar que a ruiva lhe lançava era de confusão e preocupação.

Depois de escutar o que a mais nova disse, e observando a rua ao seu redor, Natasha assentiu. Com o telefone em mãos, ela gravou uma mensagem de voz. Era simples, como se tivesse falando no telefone com outra pessoa, pedindo por reforços. Após isso, sinalizou para que corresse na direção oposta, e no momento em que atravessaram novamente a rua, escutaram a explosão. O Soldado Invernal tinha atirado uma granada em um carro de polícia que vinha em sua direção. Nada poderia impedi-lo de concluir aquela missão. E ninguém seria capaz de pará-lo.
Colocando apenas uma parte da cabeça à vista, Romanoff e espiaram quando o Invernal chegou perto do lugar em que estavam escondidas segundos atrás, se agachando e rolando uma bomba. As mulheres entreolharam-se e assentiram.
Não era necessário uma palavra sequer para entender o plano da russa.
Em um acordo silencioso, chegaram à conclusão que atacariam quando aquela bomba explodisse. O barulho da explosão seria o suficiente para abafar o som dos seus pés batendo no chão, assim, pegariam o Soldado de surpresa. E assim foi feito. Quando o forte e estrondoso barulho tomou conta de todo o ambiente e viram que o homem abaixou o lança granada para observar seu feito, correram por entre os veículos e ao chegarem perto do inimigo, usaram todo o peso de seus corpos para tentar derrubá-lo. Assim como o tiroteio parecia ter sido ensaiado horas a fio pelas duas, aquele ataque em conjunto e perfeita sincronia, também. Enquanto Natasha usava as pernas para chutar o tronco do homem, corria e se jogava no chão, desferindo um chute na canela do soldado. Ele caiu, mas tão rápido se levantou e quando isso aconteceu, a russa pulou nas costas dele e tentou estrangulá-lo com um fio que puxou de suas mãos. No entanto, antes mesmo de chegar ao pescoço dele, a mão forte e ágil do Soldado segurou o fio, disputando força contra a mulher que continuava tentando lhe estrangular. pegou impulso e pulou, jogando todo o peso na perna levantada, que atingiu o peito do homem. O Soldado cambaleou com os ataques em conjunto e bateu as costas num carro. O barulho da lataria colidindo contra suas costas e a lateral do corpo de Natasha que seguia pendurada em seus ombros, o irritou.
Usando toda a força que tinha no braço de metal, ele agarrou a ruiva pela roupa e a jogou. O corpo de Natasha voou e ao cair, colidiu fortemente em um automóvel. arfou ao presenciar aquela cena. Romanoff estava caída no asfalto, um pouco desnorteada, e o Invernal abaixou-se para pegar sua arma. Ele iria matá-la.
E não poderia deixar isso acontecer.
Se concentrando em toda a raiva que o homem emanava, e na lembrança que queria vingança, correu em direção a ele.
Não poderia deixar que ele chegasse perto de Natasha antes mesmo da mulher se levantar. A pancada que a ruiva levou tinha sido forte e seu corpo ainda desnorteado estava caído. A única coisa que estava agora entre a mulher e a mira do Soldado, era .
Quando a loira percebeu que a mão do Invernal tinha se ajustado ao gatilho e que ele se preparava para levantar, ela pulou em seu pescoço, prendendo as duas coxas ao redor da cabeça do homem e o socou. Quatro socos foram deferidos um atrás do outro. A mão de metal segurou em sua nuca e puxou seus cabelos na direção oposta. mordeu os lábios ao ouvir e sentir o baque do próprio corpo na superfície. Aspirou o máximo de ar que conseguiu e sentiu um gosto metálico dominar sua boca. Limpou um fiapo de sangue que escorria por seus lábios, obrigando suas pernas mais uma vez a ficarem de pé, entretanto, antes mesmo de ficar ereta, sentiu o golpe forte e seco em seu estômago. O Invernal tinha acabado de lhe chutar no pé da barriga, fazendo seu tronco tombar para trás. Suas costas bateram rudemente no asfalto e por alguns segundos a loira se desesperou ao não conseguir respirar, teve que tossir algumas vezes antes de finalmente ser capaz de puxar ar para seus pulmões. Contudo, sequer teve tempo de se erguer por conta própria, pois o homem envolveu seu pescoço com a mão de metal e estava apertando cada vez mais. Ela estava completamente suspensa, seus pés quase trinta centímetros distantes da superfície, e a única coisa que a mantinha pendurada, era aquele braço biônico. Sua íris estava cravada aqueles olhos ocos e frígidos, quando finalmente, fora perdendo os sentidos. O olhar vazio e ao mesmo tempo enraivecido que o soldado lhe lançava, a fazia acreditar que morreria ali. Fechou os olhos, aceitando seu destino. Não iria lutar contra, só resistiria o suficiente para que Natasha conseguisse levantar e fugir. Morreria tentando proteger sua amiga. E talvez esse tipo de morte fosse o suficiente para . Nunca havia se importado com ninguém, sempre fora sozinha. Nunca a vida de alguém estava acima da sua, mas ali, ao se dar conta de que trocaria sua vida pela da mulher que tinha a salvado mais vezes do que seria capaz de lembrar… Suspirou se sentindo em paz. Parecia um bom jeito de morrer.
Percebendo que a loira estava prestes a desmaiar, o Soldado arremessou o corpo semi-inconsciente dela, que bateu em um carro e tombou ao chão. O homem foi novamente em direção a sua arma e a pegou.
O baque do corpo da loira, combinado com ser enforcada, a deixou completamente desorientada. Tentava enviar comandos às suas articulações, mas parecia que seu cérebro se negava a entender, e seu torso recusava qualquer tentativa de se pôr de pé. Seu rosto arranhado e sujo estava sob o asfalto, e quando abriu os olhos para observar tudo uma última vez, seus olhos cravaram em Natasha que estava levantando-se. respirou fundo, sentindo o ar entrar com dificuldade em seus pulmões, olhou para o outro lado e notou o seu oponente caminhar de volta até onde ela estava. Estava na hora.
Tinha acordado a apenas algumas horas, porém, desde que isso acontecera, não se sentia mais a mesma. E perceber que agora, com Sitwell morto, não teria suas respostas, um incômodo muito maior cresceu em seu peito. Não queria viver com aqueles novos dons. Pior ainda, não queria ter que viver com a incerteza do que fizeram com ela.
Estava cansada. Exausta. E só queria que tudo acabasse de uma vez por todas.
Seus pensamentos foram cortados quando escutou a russa gritar por seu nome, gritar para que ela se levantasse. Seus olhos se cruzaram mais uma vez e Romanoff conseguiu ler os lábios da mais nova que se mexeram formando um “corra” e logo após abriu um sorriso triste.
“Será um bom jeito de morrer”, pensou novamente e fechou os olhos.
Natasha, no entanto, não pensava do mesmo jeito. Ao contrário, assistir aquela cena partiu seu coração. Não era necessário para a russa possuir as novas habilidades da mais nova, para saber o que se passava em sua cabeça. Romanoff sabia, porque havia pensado igual. Ela e eram tão diferentes e iguais na mesma proporção que chegava a ser desafiador saber qual passo cada uma iria dar.
Todavia, Natasha já estava esperando por isso, pois, minutos atrás, tinha tido o mesmo instinto.
Colocaria sua vida na reta para que Evanoff pudesse fugir.
E lá estava sua pupila fazendo o mesmo por ela.
Respirando fundo e disposta a não deixar que mais nada acontecesse a loira, Natasha levantou e jogou um display eletromagnético em direção ao braço biônico do soldado. O choque liberado por aquela tecnologia travou completamente o metal do braço, freando qualquer movimento que ele tentasse fazer. Esse pulso eletromagnético teria que ser o suficiente para atrasar as ações do homem e para que Natasha pudesse pegar .
Ao perceber que tinha dado certo e que o soldado por segundos perdera os movimentos daquele membro, a ruiva se pôs de pé e correu até .

一 Você está bem? 一 Perguntou com urgência. Evanoff, um pouco zonza com todos os acontecimentos, abriu os olhos e balançou a cabeça concordando. 一 Nunca mais tente dar uma de mártir comigo! 一 Murmurou dando sua mão para que a loira segurasse. Envolta do pescoço de , era possível ver os vergões vermelhos dos dedos do Invernal, e em algumas horas, o vermelho seria substituído por tons de roxo e verde.
Natasha ajudou a mulher a se levantar e assim que se colocaram de pé, correram mais uma vez. Não tinham para onde ir ou como detê-lo, a única coisa mais sensata e viável, seria voltar para o centro onde todo o combate e confusão se iniciaram. Precisavam de um supersoldado para deter outro. Precisavam de Steve.
一 Saiam daqui! 一 Vociferou para os civis que corriam assustados pela rua. 一 Saiam daqui! 一 Enquanto corria mais a frente, mandando as pessoas saírem daquela zona do conflito, um pouco mais atrás, Evanoff tentava acompanhar os passos da russa, mas seu corpo cansado e dolorido não estava a ajudando muito. Contudo toda a indisposição e cansaço foram trocados por determinação e rapidez, ao olhar para trás e ver o Invernal apontando a arma em direção a ruiva.
一 TASHA! 一 gritou por aquele apelido que só ela a chamava. Apertou o passo e ao chegar perto da mulher, a empurrou para o lado. O tiro, que deveria ter acertado Romanoff, atingiu a perna de , que caiu assim que a familiar pressão e fisgada lhe alcançou. Um pouco desorientada, a russa olhou para trás escutando o gemido de dor de . Estava ficando cada vez mais difícil fugir das investidas do Soldado, e se continuasse daquele jeito, acabariam mortas antes mesmo de encontrar Steve. , com muito esforço levantou-se, escorando o corpo no ônibus ao seu lado, respirou fundo e quando Natasha estava prestes a se aproximar, a loira escutou outro disparo vindo em sua direção. Por reflexo, o tronco de Evanoff se retraiu e ela fechou os olhos, o barulho tinha sido tão perto que desconfiou não sentir nenhuma outra pontada latente. O tiro não havia a acertado. 一 Natasha! 一 A chamou ao dar de cara com a imagem da mulher ajoelhando-se no chão com a mão no ombro. A bala tinha passado direto pela carne da russa. Um arfar sôfrego e contido saiu da boca da mulher antes de escorar seu tronco, incapaz de aguentar o próprio peso.

Estavam a poucos metros de distância, porém, não conseguiu chegar até a ruiva. A imagem do Invernal se projetou ao lado da loira que sequer teve tempo para raciocinar a sua defesa. Tão rápido como chegou, o homem desferiu uma rasteira na mulher. Por debaixo da máscara que ele usava, seria capaz de ver um pequeno sorriso vitorioso nascer. Na teoria, ele era incapaz de sentir qualquer emoção, no entanto, conseguiu captar o exato momento em que ele se sentiu satisfeito por completar sua missão. Notando o Soldado trocar a arma de braço e cerrar sua mão biônica em punho, Evanoff prendeu a respiração e fechou fortemente os olhos, seus braços foram em direção a sua cabeça, fazendo um escudo para proteger aquela área.
Ela sabia o que viria a seguir.
Quando estava prestes a finalizar sua missão, acabando de uma vez por todas com a vida daquela garota, o plano do Invernal fora bruscamente interrompido por Steve Rogers que veio correndo e usou o peso do seu corpo junto da velocidade para empurrar com seu escudo, o Soldado Invernal, que fora arremessado metros a frente.

一 Você está bem? 一 Era uma pergunta meio idiota de ser feita aquela altura do campeonato, mas o lado protetor e preocupado de Steve sempre falava mais alto. E ao notar como a respiração da mulher estava falha e entrecortada, o quanto seu rosto estava machucado, pálido e arranhado; e o quanto de sangue tinha em sua perna e seu antebraço; um alarme vermelho soou na mente no loiro.
一 Já estive melhor, Cap. 一 Declarou cansada, tentando abrir um meio sorriso para o homem.
一 Eu preciso te tirar daqui. 一 Rogers delicadamente a puxou, com cuidado, passou um dos braços da mulher ao redor do seu pescoço e quando estava prestes a segura-lá, a mão fria e urgente da agente lhe parou.
一 Não. 一 O homem a olhou confuso. 一 Você precisa ir atrás dele. Eu vou ficar bem. 一 Girando a cabeça com certa dificuldade, foi capaz de ver o exato momento em que o Invernal estava se aproximando novamente de Romanoff. 一 Steve, você é o único capaz de pará-lo e se não for agora, ele vai matar a Natasha. 一 completou, frisando que a vida da russa estava em perigo, pois, se não o fizesse, provavelmente o Capitão ignoraria aquele pedido.

Steve, o mais delicado que conseguiu, encostou a mulher na calçada e a encarou, seus olhos beirando aflição por ter que escolher entre ajudar Natasha ou ela. Era difícil para ele priorizar quem estava precisando mais de sua ajuda, levando em consideração que as duas mulheres aparentavam estar bastante machucadas com aquele conflito. No entanto, para a sorte do loiro, já havia decidido. Com um sorriso encorajador, a mulher concordou com a cabeça, incentivando-o a ir. E, entendendo o recado, e um pouco a contragosto, Rogers levantou-se e foi em direção ao seu escudo, porém, antes de seguir para socorrer a ruiva, olhou para trás, encarando uma última vez a loira que revirou os olhos e balançou a mão, o mandando ir embora de uma vez, Rogers abriu um pequeno sorriso e negou com a cabeça, se preparando para correr em direção a Natasha.
Aproveitando que agora o Invernal estava ocupado lutando com um adversário a sua altura em nível de força e resistência, , com certo esforço e sentindo todo o corpo latejar em dor, levantou-se e a passos lentos e cansados foi até Romanoff que continuava escorada a lataria do automóvel.

一 Seja sincera... 一 Romanoff começou séria e pensativa, tentando conter o sorrisinho que nascia no canto de sua boca. 一 Isso está ou não cada vez mais parecido com Budapeste? 一 quis rir, se estivessem em qualquer outro tipo de situação, com certeza iria rir daquela comparação totalmente sem cabimento. Mas agora, seus olhos estavam cheios de lágrimas e ela sentia o bolo se formar em sua garganta, então tudo o que conseguiu expressar fora um grunhido estranho. Em todos os anos trabalhando para a SHIELD e antes de entrar para a agência, Evanoff nunca tinha ficado daquele jeito em uma batalha. Poderia culpar o cansaço, a perda de sangue ou o fato de ficar desaparecida durante um ano inteiro (fato esse que ela não conseguia tirar da cabeça, aquilo sempre estava lá lhe incomodando desde que despertara). Mas a verdade era que aquelas novas habilidades haviam tornado mais sensível e suscetível a emoções. Se ela tinha empatia por alguém, aquilo era aumentado. O receio de perder, se tornou devastador. A raiva, se tornou ódio. E o medo, se tornou pavor.
Essa confusão toda de sentimentos e sensações, somada também a administrar o que era seu e o que não era, beirava a insanidade. Estava complicado conseguir distinguir quais emoções eram suas.
一 Eu preciso muito saber sua perspectiva sobre esse dia. 一 Enquanto Romanoff pressionava um lado do próprio ferimento, as mãos um pouco trêmulas de foram até a outra parte. Diferente do tiro que atingiu a loira, que a bala continuava presa em sua perna, o de Natasha havia passado, a bala não estava alojada em seu ombro. Ao contrário, aquela investida do Invernal havia deixado literalmente um furo de um canto a outro no corpo da mulher. 一 Estamos péssimas. 一 Confessou baixinho, olhando o estado em que se encontravam.
一 Fale por você. Eu estou no meu melhor momento. 一 Sarcástica como sempre, a ruiva respondeu. E para provar seu ponto, fez pressão na ferida da mulher, que teve sua fala traída pelo próprio corpo que se reprimiu ao sentir a tensão no local.
一 Seu melhor momento, uh? 一 Ralhou divertida, limpando algumas lágrimas teimosas que caíram sem sua permissão. Natasha revirou os olhos e resmungou da audácia da garota.
一 O que foi agora? 一 Questionou ao perceber o olhar da garota ficar mais uma vez perdido e nublado.

Subitamente, todo o burburinho dentro da loira parou. Tudo ficou quieto. Toda a aura de ódio que pulsava em seu peito, sumiu. Todo o pavor que emanava das pessoas a quilômetros de distância, desapareceu. Por um milésimo de segundo, se sentiu normal. Sem emoções aumentadas, sem sentir nada além dos próprios sentimentos. Por um momento, ela achou que aqueles poderes tinham prazo de validade e que ali, eles haviam chegado ao fim. Quase suspirou aliviada. Quase.

一 Tem alguma coisa acontecendo. 一 Desconfiada, procurou por Steve. Ao bater seu olhar na figura ereta e alerta do homem, a loira fora tomada pela aura do Capitão. Como um baque surdo, todo o emaranhado de sentimentos e emoções, lhe nocauteou. Diferente de tudo o que estava absorvendo antes, agora só conseguia sentir a aflição e o espanto do loiro. A mente de Rogers estava trabalhando muito rápido e era difícil acompanhar a linha de raciocínio dos pensamentos do homem, no entanto, um nome gritava em sua cabeça. 一 Bucky… ? 一 Repetiu o que escutou dos pensamentos de Rogers. Aquele nome não significava nada para ela, contudo, o olhar de Natasha dizia o contrário. Significava algo sim, para alguém. Steve. 一 Natasha, quem é Buc… ?

Não chegou a sequer terminar sua frase. A dor latente e fina em sua cabeça não lhe permitiu. Um gemido alto e sôfrego escapou de sua boca, suas mãos que antes estavam pressionando o ferimento da ruiva, agora foram em direção às têmporas, não se importando se iria se sujar de sangue. Nada parecia ter mais relevância. A magnitude da agonia que se instaurou em sua mente era muito maior do que palavra alguma fosse capaz de explicar. De repente, tudo o que ouvia era aquele nome, e somado a angústia crescente em Steve Rogers, Evanoff foi atingida também pela aura do Soldado Invernal. O Soldado, que antes emanava ódio e violência, agora exalava dúvida, hesitação e confusão. Ouvir aquele nome havia o desestabilizado e foi capaz de perceber isso.
Como dito em sua teoria, sentimentos fortes demais acabavam se destacando para seus poderes. E ali estavam eles. Nunca tinha sentido algo tão forte quanto a aura daquelas duas pessoas. Sentia o peito sendo esmagado, quase sendo impossível de respirar. Outro gemido ecoou de sua garganta ao ser levada a outra rajada em sua mente. Mas dessa vez, não de pensamentos ou emoções.
Eram memórias.
Uma estava nítida, e a outra embaçada. Mas nas duas, dois homens estavam presentes. Um loiro, cabisbaixo e magricela; um moreno, alto e sorridente.
tentava focar em apenas uma, mas como se fosse uma televisão quebrada, a sintonia das duas lembranças mudavam constantemente.

? 一 Romanoff a chamava com urgência, sacudindo um pouco o tronco da mulher. A ruiva não sabia o que fazer naquela situação, entretanto, Natasha sabia que ficar encarando a loira não ajudaria em nada. 一 Me fala o que está acontecendo.
一 Eu… Eu acho que estou dentro da cabeça dos dois. 一 Concluiu, ao ter acesso a mais fragmentos da mente deles. 一 Eles se conhecem! Eu consigo ver o Soldado Invernal em uma memória do Steve. 一 Com os olhos bruscamente cerrados, focava apenas nas imagens que mais faziam sentido. Essas, ela deduziu serem de Rogers, uma vez que via o Invernal com carinho, irmandade e companheirismo pelos olhos do Capitão. 一 Eles lutaram juntos. Sargento...
Bucky Barnes. 一 Natasha sussurrou. Olhou para onde segundos atrás os dois homens estavam lutando e agora a única coisa que viu foi como eles se encaravam procurando por respostas. O Soldado, era o que mais parecia atordoado. 一 , seja lá o que você estiver fazendo… Continue! 一 Mesmo tendo a sensação de que sua cabeça explodiria a qualquer momento, a loira assentiu e fechou os olhos, procurando continuar vendo as duas memórias. A que estava nítida, começou, aos poucos, a se completar com a lembrança que estava embaçada em uma névoa. E mesmo sem saber o que era aquilo, a garota focou em todos os sentimentos de Steve Rogers e os intensificou para o Soldado Invernal.
Os pensamentos do Invernal, que antes repetiam, sem parar, a palavra “missão”, ficaram mudos. Lentamente, ele passou a se perguntar quem era o homem loiro da ponte. Quem era aquele alvo e por quê agora ele sentia como se fosse incapaz de matá-lo? O que eram aquelas imagens dentro da sua mente? Eram vislumbres do passado ou alguém estava implantando aquilo para lhe perturbar?
一 Vamos! 一 Abrindo os olhos repentinamente, falou. Não tinha ideia do que tinha feito, entretanto, já não captava mais a determinação do Soldado em matá-los.

A dor de cabeça ainda latejava fortemente ali e lhe dava a impressão que a qualquer momento desmaiaria, porém, render-se a ela não estava em seus planos. Um queimor forte irradiava de suas têmporas e todo seu rosto estava cálido. No ápice de seu cansaço mental, sentiu um fiapo fino e quente escorrer de uma de suas narinas. Passou as costas da mão pelo local e viu que sangue tinha manchado sua pele. Para não preocupar ainda mais a russa, decidiu ignorar aquilo. Culparia o acidente de carro. Aquele esgotamento psíquico nada tinha a ver com seus poderes. A negação sempre se fez forte na vida da mulher, e lá estava ela, negando todos os indícios que sua mente alertava, para fazer o que Natasha pediu. Não via necessidade de preocupar a russa ou a si mesma. No fim das contas, tinha valido a pena. Aceitaria de bom grado qualquer efeito colateral, mesmo que este lhe deteriorasse um pouco.
Havia conseguido deixar o Soldado Invernal atormentado e instável, e para ela, apenas isso importava.
Então, sem esperar por qualquer resposta vinda da ruiva, levantou e tentou correr, escorando-se entre os carros para não ter seu corpo jogado ao chão.
Mesmo estando atordoado, o Soldado Invernal tirou uma arma do coldre em sua perna e mirou em Rogers, todavia, Sam Wilson chegou no momento exato, voando com sua mochila a jato e asas de metal, e o chutou para o lado.
foi até o lança-granadas do Invernal e viu quando ele levantou da investida de Wilson e apontou novamente a pistola em direção a Rogers. Pegando a arma com um pouco de dificuldade e se apoiando na lataria de um veículo ao seu lado, Evanoff disparou.
A pressão que aquela arma fez ao ser disparada, empurrou, com certa violência, a mais nova para o lado, que, caso seu corpo não estivesse apoiado em um carro, cairia ali mesmo. Se não se sentisse tão cansada e tonta, teria acertado de primeira seu inimigo. Porém, não estava em um de seus melhores momentos, e Rogers teve que se inclinar um pouco para não ser atingido no processo.
Diante da fumaça que a explosão causou, o Soldado Invernal sumiu diante dos olhos do quarteto. Ao fundo de toda aquela gritaria e estrondos, sirenes são ouvidas ficando cada vez mais altas, e de súbito, toda a rua foi cercada por carros da SHIELD. Porém, eles sabiam quem estava por trás daquela operação, e ver aqueles agentes serem liderados por Brock Rumlow, confirmou tudo. Os soldados saíram correndo dos carros e apontaram as armas para eles. Estavam cercados e qualquer movimento em falso, seriam alvejados.

一 Largue o escudo, Cap! 一 Ordenou o líder da STRIKE. 一 De joelhos! Fique de joelhos! 一 Repetiu rudemente chutando a perna de Steve que não se opôs e se ajoelhou em seguida. 一 Não se mexa. 一 Se não fosse pelo helicóptero de uma emissora sobrevoando a área e transmitindo em tempo real toda aquela confusão, aquele seria o fim para os quatros. Rollins, um subordinado de Rumlow estava apontando uma arma sobre a cabeça de Rogers, e o líder da STRIKE ficou incomodando em como isso repercutiria. 一 Abaixe a arma. Aqui não. 一 Entendendo o recado e onde o homem queria chegar, Rollins abaixou a arma, mas aquela demonstração de força e poder não era necessária, Steve estava bastante abalado com o fantasma do que um dia foi seu melhor amigo.
一 Você é surda, garota? 一 Uma voz grossa e rude cortou os pensamentos do Capitão que o seguiu com o olhar. Um agente apontava uma metralhadora em direção a que continuava escorada no carro, tentando se ajoelhar. 一 Eu já mandei se ajoelhar! 一 Natasha e Sam já estavam algemados e sendo empurrados até a van, no entanto, estava apenas algemada.
一 Brocky, querido. 一 Sarcástica, Evanoff chamou por Rumlow usando aquele apelido que fazia seu estômago embrulhar. 一 Acho que seus agentes estão cegos! 一 Gritou. 一 Esse aqui, por exemplo, não está vendo que eu estou machucada. 一 A mulher até apontou para a perna ferida, entretanto, Rumlow não se comoveu. Se aproximou do agente que apontava uma arma para a nuca da mulher e quando chegou próximo a ela, chutou exatamente onde havia levado um tiro. gritou ao identificar a familiar fisgada latente intensificar naquela região. Incapaz de aguentar o próprio peso, o corpo da garota pendeu para frente e ela caiu com tudo de joelhos no chão. Ao ver aquela cena, Steve fez menção de levantar para ajudar a mulher e não deixar que ninguém mais a machucasse, e a voz da loira saiu tão carregada de agonia, que aquele sentimento aumentou em seu peito.
一 Eu não posso te matar aqui, Capitão. 一 Percebendo a movimentação do loiro, Brock sacou sua arma. 一 Mas minhas ordens não mencionaram nada sobre ela. 一 Encostando rudemente, no cano da pistola, a têmpora da mulher que respirava fundo tentando conter os gemidos sôfregos, ele continuou. 一 Então, sugiro que você não tente nada. 一 O líder da STRIKE destravou o gatilho e pressionou mais forte e violentamente a boca da arma na pele fina da testa de , que mordia os lábios com força e olhava para o chão tentando, em vão, administrar a dor que sentia. 一 Pelo bem dela.



Continua...




Nota da autora: MEU DEUS! Esse capítulo de longe é um dos meus favoritos, porque se vocês perceberem com BASTANTE atenção, eu já dou indícios do futuro dos personagens. Preciso confessar que eu amo a interação da Raven com a Natasha, é minha parte favorita de escrever, sendo bem sincera. Amei que uma sempre tenta salvar a outra e até se colocam em perigo por isso. Aos poucos vou relevando mais coisas do passado das duas e explicando como se tornaram amigas a ponto de morrerem uma pela outra.
O QUE FALAR DE BUDAPESTE? Eu me recuso a comentar qualquer outra coisa sobre essa menção honrosa desse acontecimento, pois desde o prólogo que eu solto pequenos detalhes sobre quem é nossa principal e eu não quero estragar a surpresa de vocês!
O Steve todo preocupadinho com a é tudo pra mim sim, pelo amor de Deus!
Estou aceitando apostas sobre teorias, sobre o poder da principal, a causa dele… TUDO!
Nos vemos na próxima atualização, um beijão!

Nota da scripter: Queria ter forças para comentar esse capítulo, mas irei resguardar minhas energias para matar a Aline por ter finalizado assim!

Florence Lamarck¹: é a personagem da minha fanfic favorita do MCU, Project Neriine, e eu, sendo eu, não poderia arrumar uma forma de citá-la em DMP sempre que possível. Então se preparem que esses “minis” crossovers estão só começando e se vocês ainda não conhecem essa história maravilhosa e super bem escrita, recomendo a leitura!





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