Enviada em: 23/08/2021

Capítulo Único

Brasil, 2019

— Espera, isso é um engano! — tentou dizer enquanto os seguranças do hotel a escoltavam até a recepção. — Eu nem conheço as duas! — Insistiu, mas nenhum deles parecia disposto a ouvi-la.
— Isso é o que qualquer um diria. — cruzou os braços.
— Dá para me soltar? — Olhou feio para um dos seguranças que a puxava pelo braço para fora do elevador. — Você ainda vai me pedir desculpas por isso. — Apontou o dedo na direção dele antes de o elevador fechar as portas.

No dia anterior...

— Toda vez eu acho que vou ter mais tempo para conhecer de fato o Brasil, e nunca conheço praticamente nada. — comentou já no carro, enquanto Pyry seguia o GPS os guiando de Interlagos para o hotel em que estavam hospedados.
— Esse ano acho realmente muito difícil conhecer algo. Talvez domingo depois da corrida, se não estiver muito cansado. — O preparador físico sabia toda a agenda do piloto para aquela semana.
— É, vou falar com o Charles. Se ele for só na segunda, podemos ir a um restaurante domingo.

ligou o rádio e passou quase o caminho todo tentando sintonizar estações diferentes. Tinha achado divertido a quantidade delas que tocavam músicas em inglês e sempre que encontrava alguma em português que ele gostava ele iniciava o Shazam para descobrir o nome e o cantor e talvez incluí-la em sua playlist depois. Segundo o GPS, deveriam chegar ao Hotel em quase quarenta minutos, mas o trânsito estava pesado, como parecia ser sempre na cidade e gastaram cinquenta para chegar. Foram diretamente para a entrada dos fundos do hotel, mas a grande movimentação na entrada chamou a atenção dos dois.

— Pelo visto já descobriram que alguns pilotos estão hospedados aqui. — Pyry riu. — Acho que você teve literalmente um dia de descanso.
— Com certeza vieram pelo Charles. — comentou entrando no Instagram para ver se o amigo tinha postado algo.
— Não sei, parece que vi uma bandeira da França ali. — o olhou com desconfiança. — É sério. As pessoas sabem quem você é. É o seu terceiro ano aqui pela Fórmula 1.
— Então vamos lá falar com eles. — O piloto disse com um sorriso ao saírem do carro.
— Vai precisar de um guarda-costas? — Pyry brincou e assentiu, fazendo-o rir.

Os dois se surpreenderam com a quantidade de pessoas na entrada do hotel, mas se surpreendeu ainda mais com a quantidade de pessoas que de fato não só sabiam quem ele era, mas que tinham camisetas e bonés, alguns até com itens oficiais de sua loja.
O piloto sempre gostava dessa interação com fãs, de público nas arquibancadas. Cada país tinha sua característica e com o Brasil não era diferente. A forma de torcer deles era única, o comportamento era o mais caloroso que ele já tinha visto. Algumas pessoas apenas pediram autógrafos, outras aproveitaram para tirar fotos e tinha as que abraçavam como se fossem velhos amigos. Essa parte ainda era um pouco estranha para ele.
Depois de meia hora ali, se despediu, agradecendo pelo apoio e prometendo fazer uma boa corrida para eles no domingo. E foi então que notou duas fãs entrando no hotel ao mesmo tempo que ele.

— Hum… Eu acho que vocês não podem entrar. — disse sem soar grosseiro.
— Ah, nós estamos hospedadas aqui. — Uma delas respondeu com um sorriso enorme.
— Mas vocês não disseram que moravam aqui? — Ele se lembrava da resposta delas.
— Sim. Mas gostamos da experiência completa. — A outra completou e deu de ombros como se fosse algo normal.

olhou para Pyry achando aquilo muito estranho e o preparador segurou um riso. Apertou o botão do elevador e assim que as portas se abriram, indicou que elas poderiam subir.

— Não, vocês podem ir primeiro. Você deve estar cansado.
— Eu insisto. — forçou um sorriso de forma que elas não puderam recusar.

As portas se fecharam novamente e quando o mostrador indicou que o elevador já estava no segundo andar, Pyry riu alto.

— Por essa eu não esperava. — Disse entre o riso.
— Cara, quem paga diária em hotel na cidade que mora? Isso não faz sentido. — negou com a cabeça e logo o outro elevador tinha chegado ao térreo.
— Pelo menos você conseguiu fazer elas subirem antes, espero que não descubram nosso andar ou nossos quartos.
— Não existia a menor chance de nós subirmos antes.
— Talvez seja melhor falar com a recepção ou a segurança do hotel… — Pyry sugeriu.
— E falar o quê? Elas não fizeram nada.
— Não sei, elas pareceram um pouco… intensas. Elas estão pagando para se hospedar no mesmo lugar que você. Algo me diz que elas vão te seguir a cada passo.
— Eu sei, Pyry. Mas se elas pagaram pela estadia, elas têm direito de andar por aqui assim como nós. E talvez isso nem aconteça. — pensou positivo, talvez tudo não passasse de uma primeira impressão errada.

***

— Ei, você sumiu ontem. — cumprimentou Charles na saída do paddock, depois dos treinos livres de sexta-feira.
— É… eu dei uma escapada. — Charles confessou com um sorriso discreto.
— Bem que eu queria. Seria melhor do que ficar no hotel.
— Por quê? Aconteceu alguma coisa? — O monegasco tinha gostado bastante do hotel.
— Ah, duas fãs se hospedaram lá e se continuarem me seguindo eu vou pedir para tomarem alguma providência.
— Te seguindo mesmo? — confirmou com a cabeça.
— Ontem à noite fomos para a academia treinar um pouco e elas ficaram o tempo todo do lado de fora olhando para o Pyry e pra mim pelo vidro. Depois fomos para a piscina e elas apareceram por lá pouco tempo depois.
— Nossa, então pede mesmo. Eles devem ter uma política para casos assim. — Charles nunca tinha passado por uma situação parecida, mas tentou ajudar.
— E depois estavam lá no restaurante quando fomos jantar e hoje de manhã no café da manhã.
— Meu Deus, elas realmente estão te vigiando.
— Pois é. Certeza que vão estar lá na recepção antes mesmo de eu chegar. Já devem ter até descoberto o andar em que eu estou. — Reclamou um pouco frustrado, vendo Pyry terminar de guardar as coisas no porta-malas.
— Mais tarde você me atualiza sobre isso aí. — Charles pediu, entrando no próprio carro.
— Não vai para o hotel?
— Mais tarde. — negou ao ver o sorriso do amigo, ele estava aprontando alguma.

***

tinha tirado um tempo do trabalho para correr ao ar livre e sair um pouco do hotel. Seu tio, o dono do hotel, queria passar a administração da rede para ela, no Brasil. Mas ele se atrasaria para voltar para São Paulo, já que a negociação da rede de hotéis na Argentina estava demorando mais do que ele previra.
Pausou a música quando entrou no elevador e tirou os fones do ouvido. Tinha guardado o cartão magnético na capa do celular e, parada em frente ao seu quarto para tirá-lo e destravar a porta, ouviu vozes e risos femininos no quarto ao lado. Ela achou estranho e voltou alguns passos, ouvindo os risos ainda mais altos.
Sabia que quem estava hospedado ali era um homem, eles tinham descido juntos no elevador quando ela foi para o café da manhã. A porta estava semi-aberta e ela parou para escutar.

— Sente o cheiro desse travesseiro! — Ouviu uma das vozes num tom empolgado. — Que cheiroso que ele é. — Suspirou forçadamente.
— Ahá! Te falei que ele com certeza usava cuecas brancas. — Ouviu uma voz diferente da primeira, seguida de mais risos.

Estava claro para que elas tinham invadido o quarto do rapaz e ela podia apostar que eram as mesmas que fizeram barulho no corredor na noite anterior e que a fizeram ligar para a recepção para reclamar.
Sem pensar demais ela abriu a porta e entrou, flagrando o exato momento em que elas abriram o zíper de uma das malas ali.

— Ei! — Chamou a atenção das duas que não tinham notado . — Esse quarto não é de vocês.
— E nem seu. — A loira a olhou de cima a baixo.
— Olha, tem cuecas pretas também. — A morena olhou para a amiga com um sorriso divertido. — Eu daria tudo para vê-lo só com elas.
— Acho que ele ficaria mais gostoso com a branca. — A loira voltou a falar, mexendo ainda nas roupas na mala.
— Parem com isso! — falou mais alto, pegando no braço das duas, tentando afastá-las de lá.
— Sai você daqui! — A morena a empurrou com força, fazendo com que se desequilibrasse e caísse na cama.
— Preciso de reforços no quarto andar. — Um segurança disse no rádio e as três olharam na direção da voz. — Eu sinto muito, senhor . Isso nunca aconteceu no nosso hotel antes. — O segurança voltou a falar.
— O que houve? — Outros dois seguranças entraram pela porta.
— Essas loucas invadiram meu quarto. — apontou para as três e cada segurança foi responsável por tirar uma das mulheres.
, não foi isso. — A loira começou com um sorriso sedutor.
— Ah, foi sim. — se meteu. — Eu estava passando no corredor quando ouvi as vozes. Entrei lá justamente porque sabia que não era o quarto delas e que algo estava errado.
— Bela tentativa, moça. Mas você também estava num quarto que não era o seu. — O segurança falou sem a menor emoção na voz.
— Eles te viram na cama do . — A morena falou num ar de superioridade.
— Porque você me empurrou! — rebateu com raiva e a morena rolou os olhos.
— Andem, todas no elevador. — O outro segurança falou quando as portas se abriram.
— Espera, isso é um engano! — tentou dizer enquanto os seguranças do hotel a escoltavam até a recepção. — Eu nem conheço as duas! — Insistiu, mas nenhum deles parecia disposto a ouvi-la.
— Isso é o que qualquer um diria. — cruzou os braços.
— Dá para me soltar? — Olhou feio para um dos seguranças que a puxava pelo braço para fora do elevador. — Você ainda vai me pedir desculpas por isso. — Apontou o dedo na direção dele antes de o elevador fechar as portas.
— Senhor , pedimos desculpas por esse inconveniente e as medidas serão tomadas. O senhor pode verificar se algo foi subtraído do quarto? — A recepcionista falou em um tom ameno.
— Vou verificar agora mesmo. — O piloto deu as costas enquanto as três eram levadas para a sala de reunião.
— Precisamos do nome completo de vocês e do número do quarto que estão hospedadas. — Um deles voltou a falar.
— Dos quartos. — o corrigiu. — Eu não estou com elas. Como eu disse antes, eu não conheço nenhuma delas. Nunca as vi antes.
— Nome e número do quarto. — Ele repetiu sem paciência.
. Quarto 406. — Respondeu de má vontade, ela estava sendo tratada de forma injusta e deixaria claro para seu tio que ela só aceitaria o cargo se pudesse fazer mudanças.
? — Ele devolveu em descrença. — Como o nome do hotel?
— Exatamente. — As duas fãs começaram a rir.
— Meu Deus, só falta falar agora que é parente do dono. — A loira provocou e a morena gargalhou.
— Sou sobrinha. — Respondeu em tom superior e, tendo atraído a atenção de um dos homens que ainda estava ali ela continuou. — Vocês podem até não ter ouvido falar de mim, mas meu tio quer deixar a rede de hotéis do Brasil comigo enquanto assume na Argentina.
— Não ouvi mesmo de você. — O homem respondeu.
— Pois vá em frente e procure, pergunte para meu tio ou para o seu gerente. Me reviste se acha que eu realmente peguei algo do quarto do rapaz. Vocês podem conferir o quanto quiserem, não tem nada que me ligue a elas. — Insistiu.
! — Frederico, o gerente, apareceu na sala assim que ela se sentou. — Sinto muito pelo mal entendido.
— Está tudo bem. — O tranquilizou. — Mas poderíamos ter resolvido antes, aliás, nem precisaríamos de toda essa cena se eles tivessem me escutado. — Alfinetou antes de sair da sala.
— Eles só tentaram priorizar o piloto. Eles realmente não sabiam quem você era. — Ele voltou a falar.
— Ah, então é isso que ele é? Fiquei pensando se era algum cantor ou ator famoso para justificar a loucura das duas. — Comentou dando de cara com o piloto na recepção.
— Ela já vai ser liberada? — perguntou perplexo.
— Como eu tentei te dizer várias vezes, eu não tenho nada a ver com isso, não conheço elas nem você. — Repetiu dando as costas para ele, só queria tomar um banho e relaxar.
— Está faltando um boné nas minhas coisas. — falou mais alto para que ela escutasse.
— E onde exatamente eu estaria escondendo? — Respondeu também mais alto, dando uma voltinha. Ela tinha apenas o celular em mãos e vestia uma roupa de ginástica. — Sabe, eu só estava tentando te ajudar tirando as intrusas do seu quarto. Você realmente deveria se desculpar.
— Talvez quando eu achar meu boné. — Implicou por pirraça, no fundo ele sabia que ela não tinha ligação com as fãs. Não a tinha visto no dia anterior e nem na presença delas.
— Espero que ache junto os seus modos. — E sem dar qualquer chance para ele, entrou no elevador.

***

ficou sabendo que as duas fãs tiveram que se retirar do hotel, isso o deixava mais tranquilo para aproveitar o sábado. Tinha sido uma boa classificação, largaria em P7 no dia seguinte e tudo o que ele queria era relaxar e curtir o clima que a cidade emanava.
Mais uma vez tinha sido abandonado pelo seu preparador físico e por seu amigo. Se ele soubesse que os dois tinham tantos planos assim, teria ficado em outro hotel, ou teria feito planos para si mesmo. Tinha passado um tempo na piscina e quando sentiu fome, procurou no mapa os lugares próximos para comer.
Dentre todas as opções, tinha gostado de um café. Tinha conferido o local no Instagram e pelas fotos tudo parecia realmente delicioso, mas por não ser tão próximo, ele precisaria pedir um uber ou um táxi.

O café em si não era muito grande, mas era aconchegante e não estava muito cheio. O cardápio do local tinha mais opções do que ele havia conseguido consultar na internet e demorou alguns minutos para se decidir e fazer o pedido.
Se levantou e foi até o balcão quando o pager vibrou em cima da mesa. Um copo grande de café e uma waffle de mirtilo estavam na bandeja. Entregou o pager e quando se virou para pegar guardanapos, notou as mesmas fãs do lado de fora do café pelo vidro.
Sem pensar muito, recolocou a bandeja no balcão e se virou de uma vez para a saída dos fundos, apenas com o copo e o prato descartável em mãos. Mas ao fazer isso, havia esbarrado em alguém e derramado parte do seu café. Arregalou os olhos ao ver quem estava em sua frente.

— Você só pode estar de sacanagem! — reclamou balançando o vestido que grudara em sua perna ao perceber que o tal piloto estava estragando o seu dia mais uma vez.
— Desculpa. — Ele disse um pouco mais alto, mas seguiu para os fundos sem olhar para trás.

Sem ele em sua frente, reconheceu as duas garotas do dia anterior e entendeu o que tinha acabado de acontecer. Pegando sua própria caixa no balcão, correu para os fundos também. Apesar da vantagem, as duas com certeza chegariam àquele estacionamento em breve.
olhou para os lados, procurando por ele e o encontrou escondido atrás de um pilar.

— Anda! Entra! — Ela gritou para ele, destravando o carro que estava mais perto dele do que dela.

ficou em dúvida se entrava ou não. Ela deveria estar odiando ele duplamente e ele se perguntou se ela não o entregaria de bandeja para as duas.

— Anda logo! — disse pelo vidro, tinha manobrado o carro até onde ele estava, já que ele não se movera um milímetro.
— Ok, ok. — Se deu por vencido e entrou no carro quando as duas com mais quatro garotas surgiram no estacionamento. — Você não vai me entregar para elas, vai? — Perguntou num tom quase infantil que a fez rir.
— Você não pode realmente achar isso. — Ela devolveu, saindo do estacionamento e deixando-as para trás.
— Bom, você estava no meu quarto ontem, agora estava no café… Você diz que não, mas parece que você está me perseguindo. — disse como se fosse a coisa mais sensata do mundo.
— Primeiro, eu estava no seu quarto tentando tirá-las de lá, mas pelo visto devia ter deixado que elas mexessem em todas as suas cuecas. — Ele fez uma careta. — Segundo, você pode não ter me visto, mas eu já estava no café quando você chegou, então se alguém está perseguindo alguém, é você.
— Você me olhou tão furiosa pelo café no seu vestido, achei que me entregaria na primeira oportunidade. — Confessou, bebendo o resto do café que tinha no copo.
— Você bem que merecia. Mas elas me tiraram muito do sério ontem, não merecem ter o que elas mais querem. — Disse, parando num semáforo e olhando para ele. — Pode comer. — Pegou a caixa de donuts no banco de trás e entregou para ele.
— Por que está me ajudando? — Ele perguntou, extremamente desconfiado ao abrir a caixa.
— Você podia ser agradecido uma vez na vida, sabia? — Suspirou percebendo que ele continuava encarando-a. — Eu vi que a sua waffle caiu no caminho e você derramou quase todo o seu café em mim. Você deve estar com fome.
— Aonde estamos indo? Esse não é o caminho para o hotel. — Disse desconfiado e ela riu.
— É a primeira vez que você é perseguido por fãs, não é? — assentiu. — Elas com certeza voltaram para o hotel assim que saímos do café e devem estar plantadas lá. Então vamos dar uma volta e dar tempo para elas cansarem de te esperar.
— Mas você ainda não me disse porque está me ajudando. — Repetiu depois de comer um donut.
— Porque eu não sou a pessoa maléfica que você imagina que eu seja. — ligou o rádio dando fim àquela conversa.
— Baixei essa música ontem. — Ele comentou reconhecendo a batida.
— Gosta de música brasileira?
— Gosto de conhecer outras coisas. — Ela assentiu. — Você realmente não sabia quem eu era? — Perguntou num tom quase ofendido.
— Não. Nunca fui ligada a esportes. Pensei que fosse um cantor famoso para justificar o tempo que ficaram na porta do hotel, no corredor e, bem, invadir o seu quarto.
— E elas realmente mexeram nas minhas cuecas? — Perguntou num tom sofrido que a fez rir com gosto.
— Conheceu alguma coisa aqui? — Ele negou com a cabeça. — Ótimo.
— Para onde estamos indo?
— Daqui a pouco você descobre.

sabia que não a conhecia e que não tinha a menor forma de garantir que ele não estava se metendo em uma enrrascada. Sabia que São Paulo não era tão perigoso quanto o Rio de Janeiro, mas que ainda era perigoso. Chegou a abrir o contato de Pyry, pensando em compartilhar a sua localização. Mas mudou de ideia, ele saberia se virar. E além disso, parecia uma boa pessoa.

— Nós vamos andar? — Ele perguntou um pouco incerto ao vê-la descer do carro.
— Estamos perto, relaxa.
— Você por acaso não teria um boné, teria? — olhou no banco de trás procurando algo que o ajudasse a se camuflar.
— Não. — riu. — Eu sei que você acha que você é uma celebridade, mas você consegue passar despercebido. Sem ofensas. — Acrescentou ao ver a expressão no rosto dele. — Além do que eu tenho uma mancha enorme de café no meu vestido, aposto que vou chamar mais atenção. — Deu de ombros e atravessou a rua, sendo seguida por ele.
— Já que tocou no assunto, coloque na minha conta quando mandar para lavar.
— Mas é claro. — Concordou e ele soube que ela pretendia fazer de qualquer forma. — Chegamos.
— Você me trouxe num prédio? — perguntou em tom duvidoso, olhando a construção.
— Não é um prédio. — Ela imitou a forma como ele disse. — Esse é o Farol Santander. É um ponto turístico.

mostrou os ingressos no celular e os dois entraram no prédio.

— Esse lugar foi inspirado pelo Empire State. — Ela contou enquanto esperavam o elevador subir.
— Por que estamos indo direto para o vigésimo-sexto andar?
— Porque você não tem cara de quem gostaria de ver exposições. — abriu a boca, mas não disse nada. — Mas se gostar, podemos ver na descida.

O elevador apitou, indicando que tinham chegado ao andar e não precisou perguntar novamente o que tinha lá. Com poucos passos eles estavam no mirante e aquela era uma bela vista da cidade de São Paulo.

— Dá para ver a cidade toda daqui? — perguntou vendo as indicações nos vidros indicando outros prédios importantes da cidade.
— Não toda, mas para você que não conheceu nada aqui, agora pode falar que viu muitos lugares da cidade.
— Esperta.
— Apenas uma de minhas qualidades. — disse com um sorriso.
— Modéstia com certeza não está nessa lista. — Ele rebateu e ela riu irônica.
— Olha só quem está falando.
— Ok, você tem razão. Não causei uma boa impressão.
— Finalmente caiu em si. — disse baixo para provocá-lo. — Vamos até os binóculos. — Ela apontou para o lugar mais alto do andar. — De lá você consegue ver até trinta vezes mais longe, se não estou enganada.
— Que interessante. — Ela concordou.
— E caso ainda queira tomar café, o daqui é realmente um café de São Paulo. — Contou.
— Você é daqui? — perguntou, estando próximo de um binóculo.
— Não, mas vim bastante. Eu amo essa cidade e é por isso que meu tio me ofereceu os hotéis daqui.

não disse mais nada, ficou um bom tempo vendo a cidade dali. Era algo interessante e que ele jamais pensaria em fazer estando na cidade. Deram mais uma volta, e respondeu a cada uma das perguntas que ele tinha feito.

— Me dê seu celular? — pediu e ele levou a mão ao bolso.
— Pra quê? — Perguntou desconfiado.
— Para com isso. — Ela reclamou. — Acha que vou fazer o quê? Jogar seu aparelho lá embaixo. — Rolou os olhos.
— Vai saber. — Deu de ombros.
— Para o seu conhecimento, eu já vim tantas vezes aqui que sei exatamente os melhores ângulos para as melhores fotos. — Passou o dedo na tela, indo para a câmera. — Você pode me agradecer depois. — fez uma careta, apenas por implicância. definitivamente estava sendo legal com ele, mais do que ele merecia.

Desceram quase uma hora depois, tinha recebido uma mensagem de Pyry, ele precisava voltar logo para o hotel, ainda tinha uma corrida no dia seguinte e, por mais estranho que fosse, ele estava com um bom pressentimento.

— Uau, você não mentiu quando disse sobre as fotos. — comentou ao passar uma a uma no rolo da câmera.
— Eu não minto. — Ela revidou quase instantâneamente. — E ser uma boa fotógrafa é apenas uma das minhas qualidades.
— Das suas qualidades. — Ele disse o final da frase ao mesmo tempo num tom de deboche.
— Sabe, eu deveria te deixar aqui e voltar para o hotel sozinha.
— Você não faria isso.
— Tem razão.

O caminho de volta até o hotel tinha sido mais divertido do que ambos esperavam. Além de se divertirem com as músicas, tinham descoberto algumas coisas em comum, já que ambos tinham viajado muito e para vários países diferentes.

— Obrigado por ter me salvado. — disse sincero ao descer do carro dela no estacionamento.
— Você, de fato, não merecia. Por nada. — Sorriu.
— Eu estava pensando… — Ele começou a dizer e coçou a nuca.
— Em…
— Eu acho que volto para casa só na segunda, nós poderíamos jantar amanhã em um dos restaurantes com vista que você mencionou. — sugeriu.
— Por quê? — estava confusa.
— Para mudar a impressão que você deve ter sobre mim e também para te recompensar por ter me salvado das fãs. — não disse nada. — E então?
— Acho melhor não. — Ela respondeu e por um breve momento ele pareceu desapontado. — Imagina se elas te virem comigo num restaurante. Eu nunca mais terei sossego na vida.
— Podemos jantar aqui então. — deu uma nova sugestão.
— As paredes do restaurante são todas de vidro, . Eu realmente não acho que seja uma boa ideia. — Ele deu um sorriso fraco. — Acho melhor até você ir na minha frente e subir antes.
— Tem razão. Até mais. — se despediu com um aceno e seguiu.

***

— Senhorita . — O recepcionista a chamou quando ela voltava do restaurante. — Deixaram essa correspondência para você. — Ele estendeu o envelope a ela.
— Obrigada. — Pegou e o abriu a caminho do seu quarto.

não conhecia a caligrafia nem no envelope nem na nota que tinha dentro.

, Você estava certa e eu te devo desculpas. Pensei que poderia fazer isso se fossemos jantar. Mas você recusou duas vezes. Sei que não se interessa por corridas, mas esse passe é para você, caso queira fazer algo diferente hoje.
.”


Pegou o passe e sorriu. As pessoas deveriam pagar caríssimo para entrar no evento com um passe exclusivo daqueles. Imaginou se não era isso que as duas procuravam no quarto dele desde o começo. Mas sendo fãs, elas provavelmente tinham comprado ingressos. releu a nota e não entendia porque ele parecia tanto querer a companhia dela para alguma coisa. Ele tinha outras pessoas ali, tinha amigos, diferente dela que estava ali há uma semana esperando por seu tio que tinha acabado de adiar novamente a sua volta para São Paulo.
Deitada na cama, mudava os canais da tv sem parar, mas nada parecia convidativo o suficiente. Pegou o celular e pesquisou na internet que horas começava a corrida, conferindo as horas em seguida. Tinha tempo de sobra para chegar em Interlagos.

— Olhar toda hora pela janela não vai fazê-la chegar. — Pyry comentou depois de presenciar olhando para fora do motorhome pela quinta vez em menos de dez minutos. — Por que você quer tanto que ela venha?
— Porque… ela tem alguma coisa diferente.
— Diferente? — Pyry arqueou as sobrancelhas.
— É, desde o começo eu sabia que ela não estava com as fãs no hotel, mas algo me fez continuar provocando.
— Isso é loucura.
— Eu também acho. Depois que derramei meu café nela, achei que ela me atropelaria na primeira oportunidade, ao invés disso fizemos um passeio.
— E mesmo sem gostar de Fórmula 1 você espera que ela apareça aqui e que você a encontre no meio de toda essa gente? — Perguntou descrente.
— Eu sei que não faz muito sentido, mas ontem… Deixa pra lá, devo estar imaginando coisas. — preferiu encerrar o assunto e Pyry avisou que esperaria por ele na garagem da Toro Rosso.

O piloto sabia que soava estranho se dissesse em voz alta, mas ele tinha certeza de que ele e tinham compartilhado alguns momentos no dia anterior. Por exemplo, quando ele a elogiou por saber tanto sobre a cidade e os pontos turísticos. Tinha sido um elogio sincero e ela ficou realmente surpresa com aquilo, ele percebeu pela expressão e pelo sorriso satisfeito e tímido que aparecera no rosto dela quando ela agradeceu. E ele tinha adorado aquele sorriso. Tanto que ele mesmo estava sorrindo por lembrar.
Balançou a cabeça, afastando os pensamentos. Tinha uma corrida em pouco tempo e precisava se concentrar e preparar. Pyry estava certo, mesmo que aparecesse ali, as chances de encontrá-la eram muito pequenas.
É claro que tudo seria mais fácil se ele tivesse pelo menos pegado o número dela ou se ela tivesse seguido ele no Instagram, assim ele poderia seguí-la de volta, mas não era o caso. Enquanto caminhava para a garagem, abriu o aplicativo, afinal não deveriam existir tantos perfis com .

entrou no autódromo sem problemas e ao notarem que ela estava sozinha, um grupo de amigos a convidou para ficar com eles. Já acomodada, ela pegou seu celular e riu sozinha ao ver que tinha pedido para seguí-la. Aceitou e o seguiu, aproveitando para ver os stories e publicações recentes dele. Ele já estava pronto para a corrida e largaria do sexto lugar, mas ela não fazia a menor ideia de como as pessoas acompanhavam os carros naquela velocidade.
Já estavam na volta vinte e dois e pouca coisa tinha mudado nos primeiros carros, continuava mais ou menos na mesma posição e para trás os carros disputavam mais. tinha se assustado mais de uma vez, uma delas quando um carro amarelo e um preto se tocaram e um deles rodou, mas em quase toda ultrapassagem ela sentia como se os carros fossem bater.
Quando ouviu os espectadores gritando, olhou para baixo tentando entender o que tinha acontecido e viu o replay pela tela. Um dos carros tinha saído dos boxes praticamente em cima do carro que vinha atrás. O carro que estava em último tinha atrapalhado o carro que brigava pela liderança e para isso era uma grande injustiça. As pessoas vibraram bastante quando o carro prejudicado ultrapassou Hamilton e ela ficou confusa, conhecia dois nome só, Hamilton e Vettel, e aparentemente as pessoas estavam felizes com um outro piloto que ela nem sabia quem era.
Um carro acabou parando por problemas, não sabia quem era, mas era um carro como o de Hamilton. Viu as bandeiras amarelas serem agitadas e um outro carro entrar na pista. Faltavam menos da metade das voltas da prova e estava novamente na posição do começo.
Na volta sessenta, o piloto novato, na cabeça de , ultrapassou Hamilton novamente e a vibração dos espectadores tomou conta do local mais uma vez. E seis voltas depois a câmera focava nos dois carros vermelhos, praticamente lado a lado. Não precisava ser fã para saber que eram os carros da Ferrari e que um deles era o carro de Vettel.
De repente ela viu todas as faíscas na pista. Os dois carros tinham se tocado. Ouviu o coro de frustração das pessoas à sua volta. Um dos carros tinha perdido o pneu e o outro tinha um pneu furado. Era fim de corrida para os dois pilotos e isso colocava em quarto lugar.
estava surpresa por ele estar tão perto do pódio. Como nunca tinha ouvido falar dele, imaginava que ele costumava ficar sempre no final. Riu sozinha com esses pensamentos.
Era a penúltima volta, e sentia uma ansiedade e nervosismo que não esperava sentir. Estava em pé, assim como todas as pessoas à sua volta. Outro piloto que ela também não conhecia tinha conseguido passar Hamilton e no instante seguinte tinha sido tocado por ele. O toque fez com que o carro do outro rodasse e por algo que ela não saberia explicar, tinha passado pelos dois e agora ocupava a segunda posição. estava em choque. Sentia seu coração batendo super rápido em seu peito. Só faltava uma volta e ele conseguiria um troféu.
Hamilton não parava de atacar, e nem percebeu que ao apertar as mãos, as próprias unhas estavam machucando e que tinha prendido a respiração. A bandeira quadriculada já estava sendo agitada e a estava apenas com meio carro ou menos a frente dele, mas havia sido o suficiente, ele tinha terminado a corrida em segundo lugar e ela soltou o ar e respirou aliviada.

— Meu Deus… — Murmurou para si, se sentando em seguida. — Eu só posso estar louca.

não só tinha ido a uma corrida real em Interlagos, como tinha torcido bastante nas voltas finais por um bom resultado do piloto que a acusara e provocara desde o primeiro momento. Aquilo era estranho, mesmo assim ela estava feliz pelo resultado dele.
Acompanhou a cerimônia de premiação de longe, e ele realmente parecia em êxtase. Tudo fez ainda mais sentido quando ouviu, atrás de si, um homem comentando que aquele era o primeiro pódio dele.

***

estava terminando de se arrumar para descer para o restaurante quando ouviu batidas na sua porta. Estranhou, já que não havia pedido nada do serviço de quarto. Terminou de pentear o cabelo, destrancou a porta e riu ao ver parado ali, com seu vestido em uma das mãos e uma garrafa de vinho em outra.

— Olha, eu vou ter que chamar o segurança deste hotel. — Ela disse num tom exausto e ele quase acreditou. — Primeiro me acusa de estar mexendo em suas coisas, depois me segue até o meu café preferido da cidade, agora está me perturbando e ainda por cima roubou meu vestido da lavanderia. — Terminou com um sorriso e ele riu alto.
— Falando assim soa bem pior do que eu imaginava. — riu também. — Em todo caso, eu trouxe o vinho e você pode derramar na minha roupa. Assim estaremos quites. — Ele concluiu e ela pegou a garrafa das mãos dele.
— Até parece que eu desperdiçaria um Merlot assim. — Ela abriu a porta e deixou que ele entrasse em seu quarto.
— Imaginei. — pegou o cabide das mãos dele.
— Obrigada por ter trazido o vestido. — O colocou no armário.
— Eu fui conferir se você tinha realmente colocado na minha conta e ele estava pronto, me ofereci para trazer.
— E como sabia que eu iria te receber no meu quarto? — Perguntou pegando duas taças no frigobar enquanto ele abria a garrafa.
— Você foi para a corrida. E postou foto do meu pódio. — Ela o olhou com divertimento, não esperava que ele tivesse olhado os stories dela. — Além disso, você recusou jantar em restaurantes, mas não disse nada sobre jantar em seu quarto.
— Você é do tipo que não aceita um não como resposta, né?
— Quando eu quero muito uma coisa, não. — riu com a própria honestidade.
— Então parabéns pelo seu pódio! — levantou a taça e ele imitou o gesto. — É verdade que foi o primeiro? — Perguntou depois de brindarem e bebeu um gole.
— Sim. E depois de tudo que aconteceu esse ano, é um alívio. — Ele confessou enquanto os dois seguiam para a sacada do quarto.
— Está feliz que tenha sido no Brasil? — Perguntou por curiosidade.
— Bastante. Ayrton Senna é meu piloto favorito de todos os tempos, mesmo que eu nunca tenha visto uma corrida dele ao vivo.
— Uau, não esperava por isso. — sorriu. — E o que aconteceu esse ano?
— De forma resumida, fui rebaixado e tive que voltar para a minha antiga equipe e perdi um dos meus melhores amigos. — piscou algumas vezes. — Eu sinto muito. — Falou depois de um tempo.
— Está tudo bem. Tenho aprendido a lidar com isso. E o resultado de hoje fez tudo valer a pena.
— E por que você está aqui ao invés de estar comemorando com seus amigos?
— Quantas perguntas! — riu. — Estou em desvantagem aqui, você não me falou nada sobre você.
— Você não me perguntou nada. — respondeu na defensiva.
— Não é como se eu tivesse tido oportunidades. — Ele devolveu e ela rolou os olhos.
— Jogo das dez perguntas? — Sugeriu, bebendo mais um gole de sua taça.
— Pode ser. Assim temos algo para fazer até o jantar chegar.
— Você realmente já pediu?
— Sim. — Confirmou com a cabeça. — Agora você só tem nove perguntas.
— Ei! Isso não vale! — reclamou e o sorriso dele se alargou.
— Não fui eu que inventei as regras e você quem sugeriu o jogo. — Disse num tom vitorioso e por mais que ela quisesse parecer brava, ela riu.
— Você é ridículo.
— Minha vez. Se eu te pedir um beijo, conta como uma pergunta?
— Conta. — Respondeu de imediato, querendo se vingar por ter roubado uma pergunta dela antes.
— E qual a resposta?

Ao contrário do que ela esperava, não tinha mais o sorriso divertido no rosto e dava a entender que ele estava falando sério. Pela primeira vez naquela noite ela estava prestando atenção no rosto dele. Os olhos tão intensos e os lábios tão convidativos… Talvez ela devesse beber mais devagar.

— Até o final da noite eu deixo você saber. — Respondeu finalmente e não se opôs.
— Ok, sua vez. — Ele bebeu mais um gole.
— Por que você está aqui comigo ao invés de estar comemorando com seus amigos? — Repetiu a pergunta de antes.
— Porque eu comemorei com eles logo depois da corrida e queria te ver mais uma vez antes de ir embora.
— Sincero. Gostei disso.
— Deixa eu adivinhar, essa é apenas mais uma de suas qualidades. — a zoou.
— Anda, é a sua vez.
— Por que o hotel tem o seu sobrenome? — Ela riu.
— Vai gastar uma pergunta com isso? E não, isso não conta como pergunta! — Acrescentou quando ele fez menção de falar.
— Conta sim. E sim, vou gastar minhas perguntas da forma que eu quiser. Agora minha resposta.
— Porque o meu tio é o dono daqui. Mas você já sabia disso…
— E por que você está sozinha aqui por tantos dias? — Emendou.
— Por que você está gastando suas perguntas com coisas que você já sabe as respostas?
— Eu não sei as respostas. — Respondeu notando o estado defensivo dela. — Por que você acha que eu sei as respostas?
— Porque no dia que você me acusou injustamente o hotel todo ficou sabendo. — Ela explicou.
— Talvez os funcionários, mas eu não sabia.
— Ah… — Ela se calou, percebendo que o jogo tinha saído de controle.
— Mas não precisa responder se- — o interrompeu.
— Como você disse, eu que sugeri o jogo e as regras são regras. — Ela desviou o olhar e, por um breve instante, ele se arrependeu de ter feito tal pergunta. — Eu só tenho meu tio e ele quer se mudar de vez para a Argentina agora que está fechando a negociação de uma rede de hotéis de lá. Estou sozinha aqui porque acabei de voltar de um intercâmbio nos Estados Unidos e estou esperando por ele para assinar os papéis e ficar com os hotéis do Brasil.
— O que aconteceu com a sua família? — não conseguiu se segurar.
— Perdi meus pais num acidente de carro quando tinha seis anos. Meu tio foi responsável por mim desde então. — respondeu.
— Eu sinto muito.
— Eu também.
— Sua vez, você ainda tem seis perguntas. — Ele lembrou.
— Você ainda está contando?
— Agora você tem cinco.
— Você é trapaceiro demais. — sorriu de lado.
— Essa é apenas uma de minhas qualidades. — Ele imitou a forma como ela falava.
— Ok, já tenho a próxima pergunta. Por que você me adicionou no Instagram?
— Porque eu não tinha o seu número e queria ver se você estava lá no circuito.
— Você queria que eu estivesse lá? — perguntou dando um passo na direção dele.
— Sim.
— Por quê? — Ela praticamente sussurrou, olhando fixamente nos olhos dele.
— Porque você não saiu da minha cabeça desde ontem. — Dessa vez ele deu um passo.

Agora os dois estavam bem próximos e sustentavam o olhar um do outro.

— Que tal encurtarmos o jogo e você responder a minha primeira pergunta? — sugeriu, colocando as mãos na cintura dela.
— Até parece que você está esperando alguma resposta. — riu e ele sabia a resposta.
— Depois você vai me acusar de te beijar sem a sua permissão.
— Quem acusa as pessoas por aqui é você. — Ela rebateu e acabou de vez com a distância entre as bocas.

se surpreendeu, o beijo dele era melhor do que ela esperava. Ela levou as mãos para a nuca dele e quando começou a aprofundar o beijo ouviram batidas na porta.

— Eu não acredito. — reclamou, rompendo o beijo. — É só ignorar que eles vão embora.

continuava com os braços em volta dele, mantendo-o ali e fez exatamente o que ela acabara de dizer. Ignorou as batidas do serviço de quarto e voltou a beijá-la. E se dependesse dele, continuariam assim o restante da noite.


FIM


Nota da autora: Oi, oi! Confesso que quando a ideia surgiu na minha mente eu não imaginei que ao final teria uma história tão divertida e tão diferente do que eu costumo escrever!
Com essa história eu termino a minha participação no Projeto Drive to Survive e eu agradeço à Gabi por ter me ajudado a reestruturar a minha ideia inicial, à Dhanka com a ajuda sobre o passeio em São Paulo e a sugestão do Farol Santander e às minhas amigas que leram antes e me deram feedbacks e confiança para continuar.
Espero que tenham gostado! E não deixem de comentar!

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Nota da Scripter: Essa história faz parte do projeto Drive To Survive, um união entre várias autoras que escrevem sobre Fórmula 1. Clicando aqui, você irá para a página onde todas as histórias estarão hospedadas permanentemente.
Essa fanfic é de total responsabilidade da autora, apenas faço o script. Qualquer erro, somente no e-mail.


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