Fake Christmas Dating

Fanfic Finalizada

Capítulo Único

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Eu já balançava minha perna nervosamente naquela sala de reuniões. Connor falava sobre sua estratégia para as vendas fracassadas da linha de beleza, que havíamos lançado para o Natal, e não chegavam nem perto do mínimo que queríamos alcançar. Desde o início eu havia dito que era um risco, mas Connor ainda sim preferiu escutar , que era Gerente de Marketing, enquanto eu, era a Diretora de Comunicação. Claro que ele entendia mais do que eu.
? — ouvi meu nome ecoar pela sala, e fechei os olhos por alguns segundos antes de olhar de onde vinha — O que você sugere? — Connor perguntou, e eu abri um sorriso irônico, que levou a revirar os olhos. Eu ia mata-lo a qualquer segundo.
— Agora vocês querem a minha opinião? — intercalei o olhar entre os dois homens, e Connor apenas fechou os olhos, e respirou fundo, provavelmente para não me demitir. Até porque, ele sabia que não acharia alguém para colocar no meu lugar — Eu sempre falei do risco desse lançamento, mas vocês escolheram seguir em frente. — dei ombros, enquanto brincava com a caneta em minha frente.
— Todo mundo aqui já entendeu que você não concordava com o lançamento, e agora é tarde para você vir ser a bruxa narcisista que você costuma ser nesses casos. — rebateu já cansado daquilo, enquanto me encarava.
— Em primeiro lugar, bruxa narcisista é a p... — antes que eu pudesse continuar, Connor pigarreou me fazendo parar a frase ali mesmo — Em segundo lugar, eu sou a sua chefe, então meça suas palavras para falar comigo. — segurei a caneta firmemente em minha mão, e por alguns segundos, eu quis enfiá-la em .
— Vocês dois, ajam como adultos, não estou lidando com adolescentes recém chegados no colegial. — Connor falou com o tom de voz uma oitava acima do normal — , está certa de falar que ela foi contra, porque ela realmente nos deu todos os pontos negativos dessa campanha, antes mesmo de ela acontecer. — ele falou para , que concordou contra sua vontade, enquanto um sorrisinho brincava em meus lábios. Não havia uma sensação melhor do que ter a certeza de que eu estava certa, além de ver a cara de , ao ter que concordar com isto — E ... — Connor me olhou, e na mesma hora meu sorriso murchou. Ia sobrar pra mim — Eu aprovei a ideia do , apesar de você ser a Diretora de Comunicação, ele tem tanta competência quanto você, então pode muito bem dar ideias de sucesso. — dessa vez quem abriu um sorrisinho presunçoso, e por mais gato que ele fosse, um soco naquele rostinho, seria prazeroso.
— Não foi esse o caso. — rebati, e mais uma vez revirou os olhos naquela reunião, enquanto Connor se mantinha negando com a cabeça.
— Você tem alguma ideia ou vai ficar aqui só rendendo a reunião para mostrar que você estava certa? — já estava sem paciência, e eu adorava saber daquilo, ainda mais quando eu era o motivo.
— Obviamente, eu tenho uma ideia. — dei um sorrisinho forçado em sua direção, e ele se ajeitou na cadeira, pronto para ouvir a minha ideia, como Connor havia feito — É um lançamento de Natal, o que significa que não faz sentido a gente prorrogar essas vendas por muito tempo. Então, podemos mudar o foco da campanha. — expliquei, enquanto abria a pasta em minha frente, onde eu já havia anotado algumas ideias.
— Como faremos isso se todos os produtos possuem designs ligados ao Natal? — Connor perguntou, se mostrando realmente interessado no que eu tinha a dizer.
— Por enquanto a gente mantém o design atual dos produtos, mas depois das festas de fim de ano, eles precisarão ser ressignificados. O que eu estou pensando é em manter esses produtos por alguns meses, talvez até o meio de abril, que é quando começamos a focar em vendas para o dia das mães. — falei, enquanto refletia sobre as datas que eu pensava para manter as vendas.
— Não faz o menor sentido a gente manter um produto temático de Natal até o mês de abril. — falou simplesmente, mas ainda parecendo impaciente comigo e com a reunião.
tem razão. — Connor concordou — A gente mal conseguiu manter as vendas altas do início de novembro até aqui, como vamos mantê-las por mais três meses e meio? — ele me olhou, e eu empurrei na direção deles a pasta que eu havia montado.
— De acordo com as minhas pesquisas, os norte-americanos são os que mais amam o Natal e tudo o que a data representa. Pelo menos 60% da população ama a comemoração do feriado, mas principalmente o significado dela. — falei, enquanto eles analisavam os papéis — Eu, particularmente, amo o Natal. É o meu feriado favorito do ano por vários motivos. E para mim essa data tem uma importância o ano inteiro, apesar de acontecer apenas no fim do ano. E eu imagino que para outras pessoas que gostam, também seja assim. — intercalei o meu olhar entre os dois, mas eles pareciam focados na minha pesquisa, se mostrava até um pouco frustrado, e eu já imaginava o porquê. — Enfim, o que eu quero dizer é que se mudarmos a campanha, a gente pode aumentar as vendas, principalmente se mostrarmos às pessoas que elas podem ter o Natal em qualquer época do ano. A gente precisa trazer a elas a sensação de que os nossos produtos podem dar a elas a "magia do Natal" em qualquer dia do ano. — terminei de explicar a minha ideia, e a sala ficou em silêncio. Eles seguiam analisando os papéis, enquanto eu esperava por uma resposta.
Foram quase cinco minutos de silêncio ali, e eu já estava ficando nervosa com aquela demora. Homens realmente tinham uma dificuldade maior em fazer duas coisas ao mesmo tempo, porque era possível ler os papéis e prestar atenção no que eu falava ao mesmo tempo, mas nenhum dos dois conseguiu.
— Eu acho que isso pode dar certo. — confessou, deixando os papéis sobre a mesa e olhou para Connor, que balançou a cabeça em concordância — Mas para isso a gente precisa criar toda a campanha do zero, formular prazos e pensar nos designs. — ele continuou e eu me limitei a concordar — Como você planeja fazer isso, se estamos a três dias do Natal? — ele questionou, enquanto virava sua cadeira e se escorava de lado na mesa.
— É uma boa pergunta. — Connor me olhou — Tudo isso vai precisar de trabalho de alguns dias para sair como o planejado.
— Eu acho que a gente não deve mudar a campanha por enquanto. Podemos apostar em promoções, por exemplo, na compra de dois produtos da linha, o terceiro sai pela metade do preço. Ou, na compra acima de tal valor, ganhe um produto. — expliquei e Connor concordou, anotando tudo em um papel.
— Quanto ao resto da campanha, podemos lançá-la até o dia dois de janeiro, porque precisamos começar o ano com tudo pronto. — falou, e eu me vi obrigada a concordar com ele, até porque, era o que eu tinha pensado.
— Vocês dois trabalham bem quando não estão tentando se matar. — Connor falou bem humorado, e eu e reviramos os olhos sincronizadamente — Então, todo o planejamento da campanha está por conta de vocês dois. Precisamos de tudo pronto no dia dois de janeiro. — ele se levantou.
— Connor, eu não posso ficar responsável por isso, eu tenho uma viagem marcada para daqui dois dias. — falei, e soltou uma risada nasalada, enquanto Connor me olhou.
— A ideia foi sua, você precisa desenvolvê-la. — ele rebateu e abriu um sorrisinho debochado.
— Tudo bem, eu posso fazer isso sozinha, então. — comecei a juntar as minhas pastas. — Os produtos foram criação do , ele precisa estar envolvido em tudo que tem relação isso. — ele rebateu mais uma vez — Ele pode viajar com você. — deu ombros.
— NÃO MESMO! — nós dois falamos em uníssono, enquanto nos levantávamos da mesa.
— Nenhum de vocês dois têm escolha. — ele nos olhou — Eu não quero saber se ele vai viajar com você, ou se você vai ficar com ele, a única coisa que eu quero é aumentarmos nossas vendas dessa linha. Caso contrário, vocês dois estão na rua. — ele falou seriamente, e eu bufei, e acabou por fazer o mesmo.
— Connor, não faz sentido isso. pode tomar conta disso sozinha, eu realmente não me importo de ceder isso para ela. — falou, tentando parecer dócil, e eu quase caí na risada. Era um falso mesmo.
— Mas eu me importo. — Connor o olhou — Se você não tivesse criado uma estratégia tão ruim como foi, e se ela não fosse tão dona da razão e tivesse ajudado desde o início, nada disso teria acontecido. Então agora, vocês trabalhem juntos e façam isso dar certo. — ele voltou a intercalar o olhar entre nós dois, e concordou — Além do mais, vocês dois passam tanto tempo discutindo, a tensão entre vocês é tão grande, que eu tenho certeza que vocês dariam um ótimo casal. — ele falou debochado e deu as costas saindo da sala.
Eu encarei e me limitei a fazer uma careta enojada. Connor só podia estar de brincadeira com a minha cara.
— Eu não sei quais são os seus planos, mas desmarque-os, você vai viajar comigo. — falei, enquanto pegava minhas coisas e saía da sala.
— E quem disse que é você quem decide? — ele estava ao meu encalço e eu me virei para ele com um sorrisinho no rosto.
— Como você gosta de dizer... — fiz uma pausa e soltei uma risada nasalada antes de falar — A "bruxa narcisista" aqui é a sua chefe. E isso não foi um pedido, foi uma ordem. — dei uma piscadela para ele, e dei as costas indo em direção a minha sala.
Eu tinha certeza que se ele tivesse raios lasers nos olhos, havia um buraco em minhas costas naquele momento, mas eu não ligava. Ele havia nos colocado nessa, então o mínimo que ele podia fazer era viajar comigo. E talvez, mas só talvez, eu era mesmo uma bruxa narcisista.

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Eu estava puto, era a única forma de definir o que eu sentia naquele momento. causava isso em mim a todo momento. Ela podia até ser a minha chefe, mas ela me tirava do sério como ninguém.
— Nossos planos para o Natal estão pé? Bettany já convidou a Chelsea para ficar com a gente, e ela está animada para te reencontrar. — Benjamin falou, assim que eu passei pela porta da minha sala, onde ele me esperava sentado em minha cadeira.
— Meus planos acabaram de ser cancelados. — coloquei as pastas em cima da mesa e bufei alto. A minha vontade era de ir lá falar umas boas verdades para aquela arrogante — Vou passar o meu Natal com a . — afrouxei a gravata e tirei o blazer, o deixando sobre a mesa.
— Espera... O que eu perdi? — ele me olhou confuso — Você e a estão tendo algo? — seu tom se tornou malicioso, e eu soltei uma risada amarga.
— Nem nos meus piores pesadelos. — balancei a cabeça, e me sentei na poltrona que havia ali na minha sala, e que odiava quando entrava ali. Ela sempre a descrevia como uma mobília antiquada e de mal gosto. — Connor obrigou a gente a trabalhar juntos para recuperar as vendas da linha de Natal. teve uma ideia para a nova campanha e precisamos desenvolvê-la, mas ela vai viajar no Natal, e está me obrigando a ir com ela. — expliquei, enquanto deitava a cabeça no encosto da poltrona e encarava o teto branco.
— E você está puto porque vai viajar com a gostosa da sua chefe? — Ben falou com deboche, e eu me limitei a encará-lo — Vai falar que nunca pensou na hipótese de dar uns pegas nela? — ele arqueou a sobrancelha, e um sorriso malicioso brincava em seus lábios. Se eu falasse que não havia pensado naquilo em algum momento, eu estaria mentindo.
— Tudo o que ela tem de gostosa, ela tem dez vezes mais de insuportável. — soltei uma risada sem humor, e o pigarrear vindo da minha porta, tomou a minha atenção. Ela havia mesmo escutado a minha conversa com Benjamin? — Posso te ajudar? — falei impaciente, enquanto a encarava escorada em minha porta, com um sorrisinho debochado nos lábios.
— Eu preciso que você faça um planejamento com todas as estratégias e datas em que cada uma delas precisa estar pronta. — ela falou sem mudar a feição convencida de seu rosto — Quero isso pronto até amanhã no fim do dia, preciso organizar minha agenda de viagem com base nisso. — "agenda de viagem" ela precisava mesmo planejar tudo na vida dela? Ela realmente precisava ter controle de tudo?
— Quando a gente viaja? E para onde a gente vai? — questionei. Eu realmente precisava me preparar para aquela viagem, não seria fácil aguentar aquela mulher durante dez dias, justamente nas festas de final de ano.
— Viajamos no dia 23, às dez da manhã. E nós vamos para a Carolina do Norte. — foi notável, pelo menos para mim, que ela segurou um suspiro, o que me deixou um pouco curioso em saber o que se passava na cabeça dela — Não se preocupe que eu já pedi a Beverly para comprar sua passagem no mesmo horário que a minha. — ela forçou um sorriso, mostrando que estava tão "feliz" quanto eu, e eu apenas assenti.
— Mais alguma coisa? — falei, quando ela se manteve parada ali na minha porta.
— Quando você quiser falar sobre mim, fale diretamente para mim, principalmente quando quiser falar sobre eu ser insuportável... Ou gostosa. — ela falou com ironia na voz e deu as costas, saiu da minha sala pisando firme, como ela sempre fazia. era certamente uma mulher que fazia todo mundo suspirar por onde ela passava, ou era de vontade de matá-la, ou era admiração. Não dava para negar que a filha da mãe tinha uma personalidade notável.
— Cara, você está ferrado. — Benjamin falou entre risos, me tirando dos meus pensamentos, e eu me limitei a concordar. Aquilo realmente poderia dar muito errado.

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Eu estava exausta. Depois daquela bendita reunião com Connor e , tudo o que eu queria era chegar em casa e me jogar na cama com Loki e Afrodite, meus cachorros.
Assim que abri a porta do meu apartamento, a bolinha de pêlos branca, pulou em minhas pernas, enquanto latia e abanava o rabinho. Afrodite veio logo depois, com sua bela pelagem dourada, e seus lacinhos cor de rosa balançando em suas orelhas.
— Oi bebês, a mamãe estava morrendo de saudades de vocês. — fechei a porta, e me abaixei, pegando Loki no meu colo, já que o poodle era bem menor e mais leve que a golden — Vocês não fazem ideia do quanto a mamãe queria chegar em casa logo só para estar com vocês. — abracei Afrodite, depositando um beijo na cabeça de cada um deles.
Loki e Afrodite eram os amores da minha vida. Eram os seres que provavelmente mais me amavam e me compreendiam acima de tudo, dez vezes mais do que a minha família. E eles não me julgavam, independente de quantos erros eu cometesse.
Enquanto me livrava dos sapatos e das minhas roupas, com os dois cachorros brincando sobre a minha cama, que naquela altura já estava mais bagunçada do que a minha vida, ouvi meu celular tocar dentro da bolsa e a minha maior vontade era ignorar, mas eu não fiz. Peguei o celular, e logo que li o nome na tela, foi impossível não rolar os olhos. Era Brianna, minha prima.
— Brianna? Acontece alguma coisa? — atendi, já querendo saber do que se tratava, porque ela não me ligava à toa.
— Nossa priminha, que mau humor é esse? — ela perguntou com um tom um tanto sarcástico na voz, e foi impossível eu não revirar os olhos novamente.
— É cansaço! Eu acabei de chegar do trabalho, estava indo tomar um banho e descansar. — falei, enquanto andava até o banheiro e colocava a minha banheira para encher. Só assim eu conseguiria relaxar depois de tanto estresse por um dia.
— Como sempre, você vive trabalhando. Isso ainda vai matar você. — seu tom entediado, me fez querer vomitar. Se o trabalho não me matasse, minha família mataria de alguma forma. Minha saúde mental que o diga. — Enfim, eu só liguei para te perguntar se tudo bem Colin passar as festas de final de ano com a gente? Será o nosso primeiro Natal juntos em Beaufort, e eu não queria que fosse desconfortável para você. — e eu tinha certeza de que ela me ligou para tornar tudo ainda mais desconfortável, era o que ela fazia.
— Por que eu ficaria desconfortável? Vocês já estão juntos há dois anos, não é? — fiz uma pequena pausa, enquanto encarava minha feição desgostosa no espelho — Eu realmente não me importo. — falei, sentindo o amargo daquelas palavras na minha boca. Não por ainda ter algum sentimento por Colin, mas pela forma que eles ficaram juntos.
— Eu sabia que você superaria rápido. — ela falou bem humorada, e eu forcei uma risada — E além do mais, Abigail disse que esse ano você levaria alguém. Estou empolgada para conhecer seu namorado. — ela falou com certa empolgação, e naquele momento eu quis morrer.
No Natal anterior, eu havia comentado com Abigail que estava saindo com alguém, e que havia chance de virar algo sério. Então ela sugeriu que no próximo Natal, ou seja, neste ano, eu levasse o meu "namorado", e eu concordei. E como a gente raramente conversava durante todo ano, eu não havia contado para ela que logo depois que eu voltei para Nova York no início do ano, meu pretendente já estava comprometido, e não era comigo. E dois meses antes daquele Natal, eu posso ter insinuado que estava com alguém, mas apenas para me deixar em paz.
— Oh, é verdade. Eu disse para ela que eu levaria alguém, mas não sei se ele vai poder ir. — fingi uma falsa decepção e suspirei pesadamente. Ela precisava acreditar em mim.
— Ou, você mentiu sobre estar saindo com alguém, apenas não ser a vergonha da família mais uma vez. — ela falou com tom de humor, mas aquilo me parecia bem mais um julgamento disfarçado de piada. Era típico da Brianna. — Você não precisa mentir para mim, priminha, eu sei que depois de Colin, você não entrou em mais nenhum relacionamento. É muito para você ter que lidar. Você tem um medo enorme de rejeição. — ela soltou uma risada nasalada, e eu fechei os olhos. Brianna sabia como me tirar do sério sem precisar de muito.
— Eu queria dizer que você está certa, apenas para te agradar. Mas, como sempre, você está muito errada ao meu respeito. — soltei uma risada forçada, tentando manter o tom bem humorado, apenas para não gritar com ela — Ele vai estar comigo em Beaufort, pode ter certeza que eu farei o possível para ele conseguir ir. — falei com toda a certeza do meu coração, mesmo sabendo que não seria possível.
— Se você chegar em Beaufort sem ele, eu terei a certeza que você mentiu apenas para sair por cima. — ela riu do outro lado, e eu apenas mordi a língua para não gritar.
— Não se preocupe, eu não preciso mentir para estar por cima. — falei com certa ironia, e ela provavelmente sabia do que eu falava, porque a sua risada parou na mesma hora.
— Nos vemos em dois dias, priminha. — ela falou com aquele seu tom insuportável, e desligou.
Quase que no mesmo instante, o grito que eu segurava saiu com toda a força vinda dos meus pulmões.
Brianna me tirava do sério. Minha família me tirava do sério. Eu amava o Natal, mas eu odiava ter que viajar até a Carolina do Norte para aturar minha família. Se não fosse pelo meu pai, provavelmente eu nem voltaria mais naquela cidade.
E agora, eu estava ainda mais ferrada. Eu precisava levar alguém comigo, ou Brianna venceria aquela merda, e me faria de palhaça, mais uma vez.
Sem contar que eu ainda teria que aturar dez dias com atrás de mim. Se até o início de 2022 eu não surtasse, provavelmente eu não surtaria nunca mais.
Família. . E namorado inexistente. Era tudo o que se passava na minha cabeça naquele momento. E tudo o que eu queria, era me afogar na minha banheira.

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Naquela manhã eu já acordei meio mal humorado. Nos dois dias anteriores, simplesmente parecia mais insuportável do que o normal. Ela havia passado os dois dias com um mau humor tão grande, que havia me contaminado.
Me levantei da cama, contra a minha vontade, e fui direto para o banheiro. Eu tinha uma hora para me encontrar com no aeroporto, e ela deixou bem claro quando disse "Sem atrasos, ".
Tomei um banho um pouco mais longo que o normal, deixando que a água caísse em meu corpo, tentando melhorar o mínimo possível do meu humor. Qualquer coisa que ajudasse já seria válida.
Quando saí do banho, eu me vesti, passei um pouco de perfume e arrumei a pequena necessaire que colocaria na mala com alguns produtos que ia precisar durante a viagem. Joguei na mala, e a fechei, deixando-a sobre a cama. Eu já estava um pouco atrasado, então precisava correr para chegar no aeroporto no horário marcado com .
Escovei os dentes e peguei meu celular e minha carteira, então eu logo saí do apartamento, deixando tudo devidamente trancado.
Já no térreo, eu chamei um táxi que passava pela rua, e essa era a parte boa de morar no centro de Manhattan, tinha táxis em todo canto. Entrei no carro e o motorista logo deu a partida, seguindo para o aeroporto.
— Viagem de final de ano? Era tudo o que eu queria, mas infelizmente eu preciso trabalhar. — o motorista falou, e soltou uma risada fraca.
— Na verdade, é viagem de trabalho. — repeti a sua risada e balancei a cabeça negativamente — Meu chefe me obrigou a entrar nessa.
— E para onde você está indo? — ele me olhou pelo retrovisor, enquanto entrava na pista de acesso para o aeroporto.
— Carolina do Norte. — respondi, enquanto observava a mulher parada logo em frente a entrada do aeroporto, acompanhada de dois cachorros, um poodle e um golden retriever — Pode parar perto daquela moça com cara de vilã de Hollywood. — apontei para o motorista e ele acabou rindo.
— É uma bela mulher, o senhor está de parabéns. — ele parou o carro, e logo desceu, então eu fiz o mesmo.
— Ela é a minha chefe. — soltei uma risada nasalada, e observei o homem olhar de cima a baixo. Tenho certeza de que ela o mataria se não estivesse distraída com o celular — Obrigado! — paguei a corrida, após pegar em minha mala, e andei em frente a .
Quando me aproximei, os dois cachorros vieram na minha direção, o pequeno latiu algumas vezes, parecendo desconfiado, enquanto a maior, se limitou a me encarar, até que eu a fizesse carinho. Eles eram incrivelmente fofos, e dóceis. Era até engraçado pensar que eram de .
Logo que parei de brincar com os cachorros, eu parei em sua frente. Ela vestia uma calça jeans, um sobretudo vermelho e calçava um uma bota de saltos finos. Seu cabelo estava preso em no alto da cabeça, e ela usava seu usual óculos de grau, que eu havia a visto sem pouquíssimas vezes.
Em sua frente havia um carrinho com três malas enormes e ainda sua bolsa, não era possível que ela precisasse tanto. Ela digitava com uma mão no celular, enquanto na outra ela segurava um copo térmico descartável.
— Bom dia. — falei logo que me aproximei, chamando sua atenção e ela levantou seu olhar para mim.
— Bom dia. — ela respondeu, enquanto bloqueava seu celular, mas o manteve em sua mão — Comprei para você. — estendeu o copo de café em minha direção e eu fiz uma careta.
— Não, obrigado. — falei e ela arqueou a sobrancelha — Provavelmente você colocou veneno aí dentro. — soltei uma risada nasalada, e ela revirou os olhos.
— No máximo que eu colocaria era um laxante, mas eu não quero ser constrangida durante o voo. — ela rebateu com o mesmo deboche de sempre, e acabou me arrancando uma risada.
— Só vou aceitar porque não tive tempo de tomar café da manhã. — peguei o copo e ela balançou negativamente a cabeça — Mas por que você me compraria um café? — questionei, eu estava realmente confuso. Ela não era de fazer aquele tipo de gentileza para mim.
— Levando em consideração que você chega todos os dias na empresa, e Beverly quem compra seu café, eu tenho a certeza que você acorda sempre no limite da hora, e não tem tempo de tomar café em casa. — ela fez uma careta e deu ombros. Quando ela havia reparado tanto na minha vida?
— E desde quando você está tão interessada na minha vida? — falei, e ela soltou uma risada sem humor.
— Desde quando seu café atrasa o trabalho da minha secretária. — ela rebateu e eu ri sem humor dessa vez. Essa era a que eu conhecia.
Entramos no aeroporto e fomos fazer o check in. Depois de despachar nossas malas, e os cachorros serem direcionados para a sala onde os levariam para o avião, já que eles não poderiam viajar com a gente, fomos nos sentar na sala de embarque, e ela parecia bastante inquieta. O que eu já havia reparado sobre , em dois anos trabalhando para ela, é que ela tinha ansiedade, e quando ficava agitada demais, é porque algo a incomodava.
— Droga, não acredito que vou fazer isso. — ela sussurrou para si mesma, enquanto lia algo em seu celular, e eu a observei de soslaio.
— Está tudo bem? — perguntei como quem não estava prestando atenção em seu desespero.
— Eu preciso te pedir um favor. — ela falou simplesmente, e eu sabia que o café não era de graça. Mas só por ela usar a palavra favor, já parecia algo sério.
— Eu não sei se me preocupo por você estar me pedindo um favor, ou por saber usar essa palavra. — falei e ela revirou os olhos enfurecida.
— Tudo bem, deixa para lá. Eu me resolvo sem você. — ela balançou a cabeça e se levantou, indo para perto da janela da sala de embarque. Ela encarava o celular, e andava de um lado para o outro, parecendo que entraria em colapso a qualquer momento.
— Ei, eu estava brincando. Pode falar. — me levantei e fui até ela, enquanto jogava o copo de café, já vazio, na lixeira.
— Eu preciso que você finja ser o meu namorado nos próximos dez dias. — ela falou simplesmente, e eu me limitei a arregalar os olhos.
— O quê? — falei entre risadas e ela bufou — Mas que merda é essa, ? Você não me suporta, eu não suporto você, como você pensou nessa possibilidade? — eu realmente não conseguia controlar o riso, mas eu estava rindo de nervoso. Aquilo era tão confuso.
— Minha família mora na Carolina do Norte, e todos os anos eu viajo para lá nas festas de fim de ano, mas eu havia dito que esse ano eu levaria o meu namorado. E eu tinha esquecido disso, até a infeliz da minha prima, me lembrar há três dias atrás. — ela explicou, e revirou os olhos. Sua voz beirava o nervosismo. Eu nunca havia a visto daquela forma.
— Por que você falou para a sua família que levaria alguém sendo que você não tinha ninguém para levar? — perguntei perplexo e ela voltou para a poltrona onde estava antes.
— É uma longa história, e eu prefiro não falar sobre isso. — ela soltou uma risada sem humor, e só pela sua feição, aquilo a incomodava.
— O que eu ganho com isso? — me sentei novamente ao seu lado e ela riu amarga, como se já soubesse que eu falaria aquilo.
— Eu sei que você está de olho na Diretoria de Comunicação em Sydney, eu tenho influência na empresa, posso conseguir isso para você. — ela falou sugestivamente, e balancei a cabeça. Eu realmente tinha interesse naquela vaga, só precisava de uma oportunidade.
— Você anda mesmo interessada na minha vida dentro da empresa. — falei com certo deboche, e pela milésima vez naquela manhã, revirou os olhos — Eu aceito. — falei simplesmente e ela me olhou a procura de algum sinal de que eu estava brincando. — O que são dez dias fingindo que eu gosto de você, sabendo que depois eu não precisarei te suportar mais? — dei um sorrisinho e ela soltou uma risada nasalada.
— Pode assumir que você nunca teve uma chefe como eu. — ela falou com um sorrisinho debochado, e se levantou pegando sua bolsa, quando nosso vôo foi chamado.
— Insuportável, mandona e narcisista? — questionei, a seguindo para embarcarmos no avião e ela riu, se virando para mim.
— Você esqueceu de falar uma coisa... — ela levantou o indicador e eu arqueei a sobrancelha — Gostosa. — ela deu uma piscadela e deu as costas, e logo foi praticamente desfilando em minha frente.
A filha da mãe tinha um ponto. E eu já havia falado aquilo, ela provavelmente ia usar o tempo todo contra mim.
Embarcamos no avião e ficou sentada na janela, enquanto eu fiquei sentado na fila do meio do avião. Ela digitou algo em seu celular, e o desligou, o colocando dentro da bolsa.
— Oi, tudo bem com a senhora? — falei para a senhora sentada ao lado da minha chefe. apenas me encarou encabulada.
— Melhor agora com um rapaz tão bonito falando comigo. — a senhora falou de uma maneira completamente educada e eu sorri — O que eu posso ajudá-lo? — sorriu amorosamente.
— Essa moça sentada ao seu lado, é a minha namorada. E ela fica meio mal humorada quando viaja de avião, na verdade, com praticamente tudo, se eu não estou por perto. — fiz uma careta, e só a cara de poderia me matar a qualquer segundo — Você se importaria de trocar de lugar comigo para que eu possa viajar ao lado dela? — fiz a minha melhor cara de cão que caiu da mudança.
— Oh, meu querido, é claro que eu troco de lugar com você. — ela falou amigavelmente e eu sorri — E vocês dois formam um lindo casal. Está na cara dela que ela é apaixonada por você. — ela deu dois tapinhas na mão de , e eu fui obrigado a segurar o riso.
— Com certeza ela é. — falei, a ajudando a se levantar e ela logo foi para o meu antigo lugar, me deixando sentar ao lado da minha chefe, ou melhor, namorada de Natal.
— Você sabe que eu posso te demitir quando eu quiser, não é? — ela me olhou enquanto eu me ajeitava na poltrona.
— Você não fez isso até hoje, porque você não quer. — dei ombros e ela se encostou na poltrona, rindo fracamente — Como vamos fazer isso? — ela me olhou confusa — O nosso namoro de mentira. — falei com obviedade e ela pareceu se lembrar do pedido que me fez na sala de embarque.
— Teremos regras. — ela falou, mandona como sempre, e levantou três dedos — A primeira: você não pode flertar, beijar ou transar com ninguém, enquanto estivermos lá. Eu sei que é um sacrifício, mas a minha família não pode desconfiar de nada. — ela pontuou abaixando um dedo, e eu bufei.
— Dez dias presos a você, e eu sequer posso me divertir com alguém? — falei incrédulo e ela concordou com a cabeça.
— É uma cidade pequena, qualquer deslize pode atrapalhar tudo. — deu ombros — A segunda regra: se alguém te perguntar qualquer coisa sobre mim e sobre nosso relacionamento, pode mentir tranquilamente. Além do meu pai, ninguém da família se importa realmente para saber que é mentira. — ela falou, e desviou o olhar para a janela, soltando uma risada sem humor. Algo a incomodava muito naquela viagem, e eu não conseguia dizer o que era. Mas eu iria descobrir. — E aí é que está o problema, meu pai. Ele provavelmente vai ficar desconfiado, mas deixa que eu cuido disso. — ela voltou a me olhar e eu assenti, então ela abaixou o segundo dedo.
— E a terceira regra? — perguntei já curioso por aquele desfecho.
— Nada de beijos. Em hipótese alguma, você deve me beijar. — ela falou, fazendo uma careta enojada e eu repeti — Vamos fingir que não gostamos de demonstrações de afeto em público. — ela deu um sorrisinho, sem mostrar os dentes, e eu ri a fazendo me encarar confusa.
— Essa é de longe a regra mais fácil das três. Se tem uma coisa que eu não pretendo fazer nunca, é beijar você. — falei tranquilamente e ela balançou a cabeça negativamente com um sorriso debochado.
— Isso me lembrou de mais uma regra. — ela falou, levantando o indicador para pontuar novamente, e eu acenei com a cabeça para ela continuar — Não se apaixone por mim. — ela abriu um sorrisinho convencido e eu revirei os olhos, enquanto ria.
Não tinha como eu me apaixonar por ela...

As quase cinco horas de voo se passaram rápido. foi durante todo o caminho organizando coisas de trabalho, e eu já estava começando a ficar preocupado com o tanto que ela trabalhava fora de hora. Até questionei isso para ela.
— Trabalhar é uma das poucas coisas que não me fazem entrar em colapso, perdendo só para a companhia dos meus cachorros. — foi o que ela respondeu, sem ao menos me olhar. Ela era viciada em trabalho, simplesmente porque preferia evitar pensar.
Quando saímos do avião, a primeira coisa que fez foi ir buscar seus cachorros, e não só ela, mas eles também ficaram felizes com aquele encontro. Era até engraçado ver ela naquele momento, parecia uma completamente diferente. Até o brilho no seu olhar era diferente com a presença dos dois bichinhos.
basicamente me obrigou a empurrar o carrinho de malas dela, enquanto ela puxava a minha pelo aeroporto, e levava os cachorros pela guia. Eu ainda estava tentando entender o que ela fazia com três malas enormes para apenas 10 dias de viagem.
— Precisamos alugar um carro para terminarmos o restante da viagem. — ela me olhou, enquanto arrumava seu óculos, eu apenas assenti.
— Você quer que eu faça isso? — a olhei e ela concordou com a cabeça, mexendo em sua bolsa. Logo ela tirou a sua carteira, e me entregou o seu cartão.
— Pode pegar um carro grande. Temos quatro malas e dois cachorros bem espaçosos. — ela fez uma careta e eu ri.
A deixei ali na saída do aeroporto e fui até a locadora bem ao lado, para alugar um carro. Optei por pegar um Honda CR-V, que além de ser grande, como havia pedido, ele era a cara dela.
Fiz o pagamento do aluguel com o cartão dela, e depois de uns dez minutos, eu estava de volta, estacionando na saída do aeroporto. Desci do carro e coloquei as malas no porta-malas, enquanto colocava seus cachorros no banco de trás. Ela entrou ao lado do passageiro, e eu fiquei responsável por dirigir.
— Tem certeza que você não quer dirigir? — a olhei, enquanto entrava ao lado do motorista.
— Absoluta, meus pés estão doendo e eu prefiro não dirigir com essas botas. — ela apontou para os pés e fez uma careta. Ela ligou o GPS do carro, e colocou o endereço lá, depois começou a mexer no celular. A cada segundo que eu passava com ela, ela parecia cada vez mais ansiosa.
— Você já pensou em como vai manter essa mentira depois desses dez dias? — a olhei de soslaio, enquanto prestava atenção na estrada.
— Vamos ficar juntos por mais um mês, e mais ou menos no início de fevereiro o namoro vai acabar. — ela deu ombros, e deitou o seu banco um pouco para trás.
— E como vai ser esse fim? — a olhei rapidamente e ela deu um sorrisinho maldoso.
— Você vai dirigir loucamente pelas ruas de Nova York, e vai bater em um poste. Você não vai sobreviver ao acidente, e eu vou ficar desolada sem o amor da minha vida. — falou com uma falsa tristeza, mas gargalhou sozinha em seguida. Ela era louca, e aquilo eu não tinha dúvidas.
— Ou, eu posso receber uma proposta de trabalho na Austrália, e nós decidimos que não queremos um relacionamento à distância. — sugeri, e sua risada cessou, então seu olhar queimou em meu rosto.
— Eu prefiro a minha ideia. — ela falou, e pelo canto do olho, eu consegui vê-la dar ombros, foi impossível não rir.
— E como você pretende manter essa mentira caso algum dia alguém da sua família me encontre em algum lugar, por algum motivo? — questionei, e a olhei a tempo de vê-la fazer uma careta.
— Eu digo que você forjou um acidente, e enquanto eu sofria, você fugia para outro país. — ela dramatizou tudo e eu fui obrigado a gargalhar. tinha sérios problemas.
— Tudo bem, você decide isso depois. — dei ombros, enquanto o meu riso cessou — Depois de irmos ver a sua família, você pode me levar a algum hotel da cidade para eu reservar um quarto? — a olhei rapidamente, e ela assentiu.
— Reservamos dois quartos, e ficamos no hotel. Assim teremos onde trabalhar em paz, e não precisamos fingir o tempo todo. — ela falou e eu me limitei a concordar — E depois de conhecer a minha família, eu tenho certeza que você vai querer se esconder em um hotel. Isso se não quiser voltar para NY. — ela soltou uma risada sem humor, e eu não falei nada.
Depois daquela conversa, colocou seus fones de ouvido e foi durante o restante do caminho em silêncio. Só falou algo quando me pediu para parar, para que seus cachorros fizessem as necessidades, mas a verdade, era que ela precisava respirar. Ela estava no meio de uma crise de ansiedade, e eu notei durante o caminho, porque a cada segundo que passava ela apertava cada vez mais as mãos.
Eu até tentei ajudar, mas ela disse para eu não me meter na vida dela, que ela conseguia muito bem lidar com seus problemas sozinha. E a do dia a dia estava ali, mal humorada e impaciente. E eu só queria voltar para a casa, mas aquela seria uma longa viagem.
Gastamos por volta de duas horas na estrada, isso por causa da longa pausa que fizemos para se recuperar de seu surto. Ela ficou o resto do caminho se fazendo de sonsa, e fingindo que nada havia acontecido, e eu, tentava fingir o mesmo. Tudo o que eu precisava fazer naquela viagem, além de planejar o nosso trabalho, era fingir que era o namorado dela. E de quebra, eu começaria 2022 indo embora para a Austrália.
A cidade de Beaufort era a típica cidade de filmes. Uma cidade pequena, de mais ou menos, 12 mil habitantes. Tudo me lembrava muito cidades de filmes natalinos, ainda mais por conta das decorações espalhadas por ali.
Estacionei o carro em frente a enorme casa amarela, e tudo parecia perfeito demais. O gramado estava bem cortado, e meio úmido, devido a neblina. As decorações natalinas estavam espalhadas por ali, como um Papai Noel mediano no meio da grama, e as luzes em volta da casa.
desceu do carro com sua bolsa, e logo guardou seu celular. Abriu a porta de trás do carro, e logo seus cachorros desceram e começaram a brincar na grama, o que fez minha parceira de viagem sorrir.
Desci do carro, e logo dei a volta por ele, andando até a minha chefe. Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, agarrou a minha mão, e entrelaçou a sua, que tremia, e eu não sabia dizer se era pelo frio, ou pela ansiedade. E logo não demorou para que a porta da casa abrisse, mostrando o timing perfeito para o gesto dela.
— Pessoal, a chegou. — uma mulher, que aparentava ter mais ou menos a idade de , gritou, mas ninguém apareceu ali — E ela trouxe o namorado. — foi o que precisou para brotar pessoas até do chão naquela porta.
— Eu realmente duvidei que você traria alguém. — uma mulher, um pouco mais velha, talvez mãe ou tia de , falou.
— Todo mundo tinha certeza que você estava mentindo. — a garota falou novamente, e eu pude ver rolar os olhos.
— Não vai apresentar à sua mãe? — uma outra mulher, que aparentava ter a mesma idade da outra, falou se aproximando.
— Esse é o , meu namorado. — finalmente se pronunciou, e eu não pude deixar de notar a voz trêmula, que sequer parecia da mulher durona que era minha chefe — , essa é a minha família. — ela me olhou, e seus olhos brilhavam, devido as lágrimas que se formavam ali. Pelo que eu conhecia dela, ela não choraria, mesmo que quisesse.
— É um prazer conhecer vocês. — desviei o olhar da mulher ao meu lado para as pessoas em nossa frente, e pude notar que todos ali me analisavam.
— Até que você deu sorte, priminha. — a garota voltou a falar, e me olhava de cima a baixo sem