Contador:
Última atualização: 16/11/2021

Prólogo

Estados Unidos. O lugar mais desenvolvido da América, o país mais poderoso do mundo. Com mais de 328,2 milhões de pessoas, praticamente 63 mil dólares de PIB per capita e considerado um líder mundial, mas conhecido também como O País Onde os Seus Sonhos Virarão Realidade. Walt Disney World, Orlando e Las Vegas. Lugares onde você pode se divertir até cansar e ver o sol nascer. Era para esta terra que estava indo para seguir a próxima fase de sua vida.
Imagine uma lista em que há um plano. Um plano que está dividido em etapas e, a cada etapa vencida, mais perto de vencer. estava no meio destas etapas e tinha passado para a próxima e provavelmente mais difícil. Por algum motivo, seu instinto dizia que ela conseguiria vencer mais esta etapa de sua lista naquele país, colonizado por gente de sua nação há séculos. Aquilo, com toda a certeza, seria mais difícil se ela estivesse sozinha, mas, por sorte, seus melhores amigos foram convencidos a acompanhá-la. O problema era que aquela missão era muito mais difícil do que ela imaginava.
já estava ali há semanas, procurando emprego e tentando concluir o item do plano de vida que ela fez para si mesma quando tinha doze anos. Pensava que teria passado desta fase na faculdade, sempre lhe disseram que ela iria encontrar isso somente quando estivesse em uma universidade, em um lugar mais sério, mas absolutamente todos não eram quem ela procurava. Ela, sua amiga, Nicole Wright, e seu amigo, Matthew Thomas, dividiam uma casa que pertencia aos tios de Matt, Daniel e Katy, atuais responsáveis por ele, depois do acidente que matou seus pais. Daniel e Katy eram os únicos parentes vivos de Matt que moravam no país das maravilhas, lugar onde estavam seguindo o precioso plano. Ambos foram muito solidários em aceitá-los em sua casa, ainda mais três semi-adultos recém-formados no curso superior, sem casa e nem emprego para pagarem as despesas que eles proporcionavam. Então ao menos eles tinham um bom lugar para dormir.
Mas você se pergunta: onde, exatamente, eles estavam nos Estados Unidos? Bem, em uma cidade tão pequena, mas tão pequena, que nem ao menos ela existe no mapa: Callumville, no interior da Virgínia. Originalmente, a cidade levava o nome de Thomasville, em homenagem ao terceiro presidente da nação e participante da Declaração da Independência, mas passou a se chamar Colomville. Colomville era outra homenagem ao descobridor desta terra, Cristóvão Colombo, mas resolveram que Callumville era o melhor nome que poderia se dar para aquela cidade. Não se tinha muito o que fazer em Callumville, mas era um ótimo lugar para turismo, principalmente por levar uma lenda sobre a lua e o sol nas costas. Atraindo turistas, você encontraria mais pessoas concentradas em um só lugar. Eram pessoas de todos os cantos do mundo: asiáticos, africanos, europeus e sul-americanos. Pessoas de todos os costumes, gostos, culturas e características variadas. Aquele era o lugar perfeito para se cumprir o próximo item.
Então o que a impedia de achá-lo logo? Algo ou alguém? Diria que era alguém. Um alguém que demorava em chegar. dizia sempre que, quando ela o visse, saberia na hora que era ele. Mas o problema era: quando isso iria acontecer?

Aquela parecia uma quinta-feira normal. Matt iria tentar algum emprego (talvez na prefeitura ou na delegacia da cidade), Katy tiraria o dia para fazer as compras da semana, Daniel ia para a empresa para trabalhar e e Nic iam caminhar pelas ruas de Callumville até ao Tito’s, um café que ficava perto da casa em que eles estavam hospedados. As duas caminhavam pela calçada da rua, observando as vitrines e olhando para os estrangeiros novos da cidade.
— E aquele? — Nic perguntou. nem chegou a ver realmente, estava distraída com uma cesta de jornais ao lado do café.
— Não, aquele não.
— Mas você nem ao menos olhou para ele, .
— Não é preciso olhar. Eu sei que não é. — Ela pegou um dos jornais e entregou à amiga. — Já passou da hora de nós encontrarmos um emprego.
Nic olhou para o jornal em seus braços e depois para , que já tinha entrado no Tito’s.
— Espera, como assim “nós”? — Nicole perguntou, fazendo aspas no ar com os dedos.
— Eu, você. Pronome pessoal representando a primeira pessoa no plural, referindo-se a mim e mais alguém. No caso, você. — Ela se sentou em uma das cadeiras do balcão e fez um sinal para o garçom. Nic caminhou até o banco ao seu lado e se sentou.
— Mas... Então iremos ficar aqui... Para sempre?
— Não, até eu terminar o que eu tenho de fazer aqui. — sorriu para Nicole.
— Droga. Isso significa para sempre.
— Ah, qual é. Também não é assim — e se virou para o balcão. — Eu quero panquecas com mel, uma xícara de chocolate quente e ovos. Ela vai querer o mesmo também, obrigada.
O homem anotou tudo em um bloquinho e se retirou dali. Nicole havia aberto o jornal e tinha começado a lê-lo.
— É claro que é. Estamos aqui há semanas, . E, até agora, nenhum se qualifica para o cargo.
— A paciência é um dos principais fatores para o sucesso. — O garçom havia voltado com os pedidos e os colocou em frente às duas garotas. roubou um pouco dos ovos e começou a comer seu café da manhã.
— Claro, claro. É o que você sempre diz. — Nic estava distraída com o jornal, mesmo assim fez a sua típica expressão de desacreditada. — Você acha que o Matt vai conseguir, desta vez, um emprego na prefeitura?
— Não tenho tanta certeza assim. — Ela disse, de boca cheia, e limpou os cantos da boca com seu guardanapo.
— Hum. É, talvez ele consiga na delegacia mesmo. Poxa, essas histórias inúteis que eles colocam aqui. Escuta essa: a mulher que salvou um gatinho de se suicidar. Cara, como assim? — Nicole riu e trouxe o jornal para mais perto do rosto. estava tomando seu chocolate quente, quando se virou para ela e viu apenas a folha do jornal cobrindo a amiga. O curioso foi a primeira imagem que ela viu. Era de um possível jogador de basquete. A próxima foi de uma casa depois de um incêndio e a última foi...
começou a engasgar com seu chocolate quente. Nicole abaixou o jornal e socorreu a amiga, dando tapas em suas costas.
— Meu Deus, ! O que está acontecendo, o que foi que você viu? — tossia e tossia, até que conseguiu respirar e roubar o jornal de Nic. — Ei!
— É... — Ela correu os olhos pela folha — Ele!
— Ele?
— Ele, Nic! — apontou para a foto do jornal. Nicole se aproximou da folha para enxergar e se espantou.
— O... Filho do prefeito? ?
sorriu enquanto olhava para a imagem daquele homem. Finalmente tinha o encontrado.
— Sim. É ele com ele que devo me casar. — disse, e Nic estava chocada. bateu palmas animadas e voltou a tomar o seu café, entregando de volta o jornal a ela.


1

(Coloque essa música para tocar agora, por favor: Royals)


— Espera, deixe-me ver se eu entendi. Você vai correr atrás do filho do Prefeito ?
tinha saído decidida do café com um sorriso confiante no rosto e Nicole estava a seguindo.
— Eu não vou “correr atrás”, sabe — ela se virou para Nicole, mas continuou a andar de costas. — Eu vou tentar conquistar o que estava destinado a mim desde que eu nasci.
, você sabe que isso não é verdade. Vocês não têm um contrato em que os obrigará a se casarem ou qualquer outra coisa maluca da sua cabeça — Nicole girou seu dedo indicador ao lado da cabeça, fazendo um gesto que significava que estava ficando louca... De novo.
— Quem falou em obrigar alguém a se casar? — Ela piscou um dos olhos para a amiga, fazendo Nic rolar os olhos. — Escute, eu só vou tentar conquistá-lo. Que mal tem nisso?
— Mas... E se ele já for comprometido? E se ele for gay? Oláaa!
— Só há um meio de se descobrir isso, Nic! — Ela riu animada, e ainda continuava a andar de costas.
— O.K., eu desisto — ela suspirou. Nicole dobrou seus braços e apoiou suas mãos na sua cintura. — Muito bem, qual é o seu plano maluco?
— No jornal, estava dizendo que a cidade irá inaugurar um museu esta noite e terá uma festa para comemorar. O prefeito, o conselho e sua família — ela destacou a palavra “família”, elevando a voz. — Estarão lá para receber os cidadãos de Callumville. Eu preciso pensar em exatamente como eu irei trançar o caminho dele com o meu. — Ela mordeu o lábio e olhou para todos os lados da cidade, procurando uma resposta. — Bom, vemos que vou ter que deixar isso para mais tarde.
se virou para andar de frente e acabou esbarrando em um corpo, batendo de frente a este corpo. Ela olhou para o homem, que olhava dela para Nicole.
— E aí?
— E aí, o quê?
— Conseguiu o emprego ou não, Matt? — Nicole perguntou. Matt continuou a olhar de uma para a outra e sorriu.
— A cidade estava precisando de um sub-xerife novo, então... — ele deu de ombros e sorriu.
— Isso é ótimo, Matt! — ela o agarrou e lhe deu um grande abraço. — Ao menos um de nós conseguiu um emprego.
Ela o soltou e Matt estava sorrindo ainda mais.
— Isso é maravilhoso, Matthew. — Nicole sorriu e bagunçou os cabelos dele. Matt olhou sério para ela. — Desculpe. Sub-xerife Thomas.
Matt sorriu.
— Mas, ei. Sobre o que vocês estavam falando? — ele perguntou.
— Nós estávamos falando? — elas se olharam como se não soubessem de nada.
— É. Você disse que tinha que deixar isso para mais tarde. O que é?
— Ah. Isso... Bom, fomos tomar café da manhã hoje e... — estava olhando desinteressada para suas unhas até agora e levantou os olhos para Matt. Ela sorriu de lado, subiu e desceu suas sobrancelhas. — Eu o encontrei.
— Você... O encontrou? — Matt perguntou, começando a sorrir. — E quem é o cara?
.
?
— ela assentiu.
— Você enlouqueceu de vez.
— Obrigada! Alguém com sanidade aqui — Nicole abriu os braços, agradecendo.
— E qual é o problema? Este tal de é perfeito para...
— Você está equivocada, . Não pode ser ele que vai te ajudar a cumprir o PV-sei-lá-o-quê.
PVFP. — Ela completou as siglas, que significavam Plano de Vida Fantástica e Perfeita. — Ele é só um cara normal, pessoal. Não deve ser difícil conquistar um cara normal.
— Você não entende. Ele... — Matt colocou suas mãos nos bolsos da calça e olhou para Nicole antes de continuar. — É filho do prefeito, . Ele não é um cara normal e você não vai conseguir conquistá-lo como pensa. Além do mais, estão apostando nele para o próximo prefeito, quando seu pai se aposentar.
— Ele deve ser um tédio — Nicole disse.
— Um completo mauricinho arrogante — Matt completou.
— Eu não ligo. E tenho certeza de que ele não é assim. Eu sei, gente, ele não é assim. Eu posso sentir isso. E, de qualquer jeito, só há uma maneira de descobrir isso, como eu disse antes. — Ela sorriu e passou um dos seus braços pelo buraco que o braço de Matt fazia com seu corpo, se agarrando nele. — Vamos comemorar que você conseguiu um emprego e mais tarde eu penso em como eu vou fazer isso.
— Mas... A festa já é hoje à noite. Você não vai conseguir pensar em uma coisa... — Nicole disse, e suspirou. Ela olhou para os dois amigos.
— Qual é o verdadeiro motivo?
— Como assim?
— Por que vocês não querem que eu tente conquistá-lo?
Nic soltou o ar de seus pulmões.
— Nós só não queremos que você... Se meta com alguém como ele.
— Como ele? Vocês não o conhecem — ela disse, gentilmente. — Por favor, se eu conseguir passar desta fase, vocês estarão livres disso tudo e eu continuo o resto sozinha daqui para frente.
— De jeito nenhum. Queremos te ajudar.
— Então me ajudem a conquistá-lo. — Ela sorriu e olhou para Matt, que olhava distraído para a calçada. deu um empurrãozinho com seu ombro no dele e Matt deu um leve sorriso.
— Vamos comemorar, por favor — ele disse, e riu.
— Mas nada de comida. Eu acho que vou vomitar — Nicole respondeu.
— Ei. Hoje teremos um novo museu aqui, em Callumville. É um dia especial — sorriu. — Vamos a um lugar que íamos na época da faculdade.
— O Georgio?
— O Georgio. — Ela sorriu e Nicole bateu palmas animadas.
— Mas... Você acha que ele existe aqui? — Matt questionou, e eles três começaram a caminhar.
— Não só acho, como tenho certeza. Aquela mulher está carregando uma sacola de lá, vejam — ela apontou para uma mulher de cabelos castanhos curtos. Nicole deu um grito de comemoração.
Georgio, lá vamos nós!

Do outro lado da cidade, deu outro soco no saco de pancadas e parou, depois de uma série de golpes contra o objeto. Segurou o saco e respirou fundo, ainda lembrando do que seu pai tinha dito.
, você viu hoje? — seu pai perguntou, após bebericar seu café. tinha acabado de entrar na cozinha, estava de bom humor naquele dia. Deu um beijo em sua mãe, que lia um livro enquanto tomava seu café da manhã, e se sentou em frente a ela, ao lado de seu pai. O homem balançou a cabeça negativamente, enquanto colocava o guardanapo no colo.
— Ele teve mais uma de suas noitadas? — o irmão mais velho perguntou, e seu pai suspirou, afirmando com a cabeça. — Caramba.
— Ele não cresce. — Christian soltou e sua esposa, Jessica, logo o respondeu com um barulho de reprovação feito com a boca. O que eles não sabiam era que estava ouvindo tudo do corredor — ele estava indo para a cozinha quando parou ao ouvir seu nome ser pronunciado por seu pai. Queria ouvir o que ele tinha para dizer sobre seu comportamento, o que dizia quando não estava por perto.
era um cara que sabia o que queria e, quando se decidia sobre, lutava até o final por aquilo. Ele não ligava muito para política, como seu pai e seu irmão. Ele sabia muito sobre, mas não queria se envolver de maneira alguma.
Ele aproveitava todos os dias que podia para se desligar daquele mundo e, quando chamava seus amigos para participar, era ainda melhor.
Sim, ele teve mais uma de suas noitadas, mas estas serviam como um remédio para ele, só não sabia se esse remédio fazia bem ou mal.
se assustou quando viu uma das empregadas entrar em seu quarto com uma pilha de toalhas nas mãos e soltou o saco. Ele estava com fones de ouvido e tirou um dos lados para ouvi-la se assustar também e pedir desculpas por entrar assim em seu quarto. soltou um risinho.
— Não precisa se desculpar, Addie. — Ele disse, retirando as luvas de box. — Você sabe que pode entrar sempre que quiser no meu quarto.
— Shhh, ! Eles podem escutar, seu pai está em casa. — Ela respondeu, e ele se aproximava cada vez mais dela, até que a segurou pela cintura num movimento rápido, fazendo com que ela soltasse as toalhas e estas caíssem no chão. — Você não tem jeito mesmo, não é?
— Vai dizer que você não gosta? — ele disse, e ela riu baixo. — Vamos, uma rapidinha...
— Pare com isso agora, eu tenho que trabalhar, homem! — Ela se soltou dele e se agachou para pegar as toalhas no chão. Adelaide se levantou e sorriu para . — Mas quem sabe depois...
soltou uma risada que fez com que ela se arrepiasse toda. Eles nunca fizeram nada demais, o máximo foi se atracar em um dos closets, trocando carícias, mas nada muito sério.
! — eles escutaram o prefeito o chamar de um dos outros cômodos e piscou para Addie enquanto saía do quarto, em busca de seu pai.
— Estou aqui, meu velho. — Ele disse, batendo continência para Christian. Seu pai estava sentado em seu gabinete, lendo alguns arquivos e notícias do jornal.
— Quero que você vá hoje à abertura do novo museu. — Ele disse, direto, e desmanchou sua continência e soltou seus ombros, desanimado.
— Sério? Eu tenho mesmo que ir a isso?
— Você tem que apoiar , queira você sim ou não. Ele é seu irmão, . Você deve isso a ele. — Christian olhava para .
— Mas, pai, o senhor sabe que eu não quero fazer parte de nada disso... — Ele começou, porém seu pai o interrompeu, levantando a mão. assentiu. — Tudo bem. Já entendi. Mas tem certeza que quer que eu vá? Eu não sou aquele que nunca vai crescer e trará uma imagem ruim para ?
— Essa é sua chance de mudar, irmão. — apareceu, de repente, chamando sua atenção.
— Eu estava falando com papai. — disse, e riu.
— Vamos, pense pelo lado bom: quantas pessoas estarão lá para você se divertir com elas?
Christian soltou uma risada e pareceu considerar a ideia.
— Tudo bem, mas eu já disse que não farei parte de nada, só os acompanharei. — Ele disse, e junto ao seu pai assentiu.

***


Algumas horas depois, lá estavam todos se preparando para a abertura do museu. arrumou sua gravata no pescoço e alisou seu próprio terno, observando a si mesmo no espelho. Hoje era o dia.
O dia em que ele anunciaria sua candidatura para a prefeitura de Callumville.
Se estava nervoso? Isso era óbvio que não. Pelo menos não aparentemente. Ele e o mundo da política eram quase a mesma coisa: se fundiam perfeitamente, ele conhecia aquilo com a palma da mão. O que estava o deixando nervoso era o fato de que Effie o deixou de manhã para viver em Paris.
Effie era sua namorada e sua parceira. Eles tinham se conhecido na faculdade de Ciências Políticas, ela resolveu sair para fazer Direito, mas mantiveram o contato, até que ela o pediu em namoro. Os dois eram o casal perfeito, principalmente para a mídia. Mas ela decidiu voltar para Paris, onde sua mãe morava, para seguir sua vida.
Effie disse que eles poderiam manter o namoro a distância, que isso seria temporário e que logo mais eles estariam juntos de novo. Mas ele nunca foi a um evento social sozinho, sem sua fiel companheira, e isso estava quase o matando por dentro. Era certo que ele iria em algum momento ter que estar sozinho durante a campanha de candidatura, entretanto, não esperava que teria de fazer isso logo no início de tudo.
— Estamos te esperando, cara. — apareceu em seu quarto e o olhou pelo espelho, logo acenando com a cabeça.
— Tudo bem, já estou pronto.

— Você acha que esses canapés estão bons? Eu estou morrendo de fome — Nic disse, olhando para uma bandeja cheia deles, em cima de uma mesa colocada estrategicamente no centro do pátio em frente ao novo museu da cidade.
estava balançando seu martini com uma das mãos, olhando em volta em busca de seu futuro marido. Eles chegaram havia algumas dezenas de minutos, mas ela ainda não encontrou .
Matt estalou os dedos em frente ao seu rosto, chamando sua atenção.
— O que foi que eu perdi? — ela perguntou, ingenuamente, e Matthew riu.
— Só a Nicole indo em direção à mesa de aperitivos com uma vontade que eu nunca vi antes. — Ele disse, olhando para a amiga comendo alguns canapés. Então Matt se virou para com um sorriso calmo nos lábios. — Já pensou direito sobre ?
— Claro que sim! Eu vou colocar meu plano em prática hoje mesmo! — Ela disse, empolgada, o que preocupou Matt.
...
— Matt, não adianta, o que você disser não mudará nada. Eu estou decidida e você sabe que quando eu estou decidida sobre algo nada o tira da minha cabeça. — Ela disse, e ele assentiu, respirando fundo. Nic voltou com a barriga cheia de canapés e um sorriso satisfeito no rosto.
— Agora estou pronta para a noite. — Ela disse, firme, e Matt sorriu de lado. Ele estava empolgado, assim como suas amigas, com a vida que eles estavam levando no momento, ainda mais quando ele conseguiu um emprego. Seu trabalho começava no dia seguinte mesmo, mas se sentia totalmente preparado. Matthew fez Direito e trabalhou como policial em Londres, mas quando chegou a Callumville, recebido de braços abertos pela comunidade, se sentiu inicialmente realizado.
continuou sua busca com os olhos, até que reparou que tinha bebido todo seu martini. Ela olhou impacientemente para sua taça vazia e disse que iria buscar mais bebida. A verdade era que ela estava indo procurar por seu mais novo pretendente, mas não queria ouvir as contestações de seus amigos.
começou a caminhar e encontrou no meio da multidão um garçom com uma bandeja vazia e uma única taça de champanhe. Ela trocou sua bebida e olhou de volta para onde veio para verificar se Matt e Nic estavam olhando para ela — e não estavam, estavam absortos em uma conversa que ela não fazia ideia de qual era. Deu graças a Deus, pois poderia continuar sua busca tranquilamente.
Ela se virou bruscamente para seguir seu caminho, mas trombou com um corpo e ouviu um praguejar desse.
— Ah, desculpe! — Ela disse, e o homem estava olhando para seu terno e sua camisa preta, agora molhados.
— Você poderia olhar para onde anda, que tal? — Ele levantou os olhos até ela e não continuou a falar. achou engraçado o desespero no rosto da mulher, que agora estava relutante em provavelmente o ajudar a limpar o estrago que ela mesma proporcionou. mudou sua expressão para uma espantada e balançou a cabeça negativamente.
— Tudo bem, notei que alguém aqui está de mal humor — ela disse, e ele não conseguiu conter um sorriso.
— E notei que alguém aqui não nota as pessoas ao redor — ele completou, o que fez ela rolar os olhos.
— Olha, não quero perder meu tempo, se for para grosserias. Sua mãe não te deu educação, não, garoto?
— Garoto? — ele achou engraçada a maneira que ela tinha falado. Notou o sotaque britânico da mulher, o que estranhamente estava o atraindo. Óbvio que não era só isso que estava o atraindo nela, mas enfim. — A vovó aí precisa de ajuda para...?
— Vovó? — Ela disse, incrédula. A diferença de idade entre eles não era tanta, devia ser no máximo de uns oito anos, ela para mais. — Olha, com licença, eu tenho que ir.
— Ok, desculpe, acho que eu estou sendo muito grosso com a senhora. — Ele disse, entre risos, e ela não achou graça nenhuma.
— Ok, chegou meu momento de ir embora, com licença — ela disse, tentando passar por ele, que demorou para dar passagem, aproveitando para olhar mais uma vez para aquele rosto tão lindo. pensou em como ele era bonito e como isso era um desperdício por ele ser tão arrogante e idiota como era. Só notou que estava o observando por tempo demais quando ele sorriu e disse:
— Gosta do que vê?
— Felizmente, não. — Ela disse, sorrindo, e ele desmanchou o seu. saiu de lá se perguntando que porra foi aquela, mas seguiu plena. Não sabia que tinha pessoas daquele jeito na cidade, estava convicta que era uma cidade pequena, com pessoas normais e não babacas. Mas acabou provando do contrário.
ficou atônito por alguns segundos e levantou o rosto, a procura de seu irmão; seu pai tinha dito para que ele continuasse sempre perto de e assim não faria nada de errado. Porém conseguiu fugir um pouco para tomar um drink e acabou esbarrando com aquela mulher. E que mulher, ele pensou. Esquentadinha, mas linda.
estava conversando com alguns amigos de seu pai, concorrentes na campanha passada em que Christian venceu. Inclusive alguns componentes do conselho estavam na rodinha, até que surgiu, com um sorriso estampado. notou isso, pensou em o que ele provavelmente devia ter feito e com certeza não era coisa boa.
— Com licença, cavalheiros — disse, e puxou seu irmão para um canto. — O que você fez?
— Como assim, irmão? — questionou, mas apenas meneou a cabeça.
— Por favor, fique longe de encrenca ao menos essa... — Ele começou, mas parou ao observar uma mulher que o lembrava muito Effie. não entendeu a situação e olhou para onde seu irmão estava direcionando o olhar.
— O que foi? — ele perguntou, mas a mulher tinha passado despercebida na multidão. não a encontrou mais.
— Pensei ter visto Effie...
— Qual é, , você tem que superar ela. Effie te deixou, cara — disse essa última parte mais baixo, entretanto, o repreendeu por estar trazendo à tona aquele assunto que tinha se tornado proibido naquele dia mesmo.
O barulho da taça de seu pai sendo tocada por uma colher chamou a atenção de ambos os rapazes.
— Quero a atenção de todos, por favor — Chris disse, alto, e aos poucos o silêncio foi se instalando no espaço em que estavam. Todos passaram a ouvi-lo com muita atenção. — Hoje é uma noite importante para a cidade de Callumville. Nosso mais novo museu, o Callum- Art Museum está prontíssimo para ser inaugurado!
As pessoas vibraram a essa frase. Ele sorriu e pediu silêncio novamente.
— E nada como uma noite especial para anunciar que meu filho, , está se candidatando à próxima corrida para prefeito!
O homem mais velho se virou em direção ao seu filho, que sorria e que levantou a taça em direção ao seu pai. observava tudo de longe, atenta ao que poderia acontecer a seguir e qual seria a brecha para ela falar com ele.
passou a discursar. Ele disse muito sobre como tinha orgulho da cidade que morava e que teve uma excelente gestão enquanto seu pai era o prefeito.
— E não posso deixar de lado como a família é importantíssima nessa nova trajetória que eu traçarei... Por isso, convido o meu irmão, , a ser meu chefe de campanha!
As pessoas em volta ficam abismadas pela ousadia de , uma vez que seu irmão não parecia ser o mais indicado para esse cargo tão crucial. , que estava observando tudo com as mãos nos bolsos da calça, se surpreendeu também e, ao mesmo tempo, ficou irritado. Ele disse com todas as letras mais cedo que não queria fazer parte de nada disso e agora estava sendo praticamente intimado a participar.
se questionou como alguém como , um homem charmoso que parecia ser super educado e correto, tinha como irmão alguém como , o garoto em quem ela esbarrou minutos antes.
, após os aplausos, perguntou ao seu irmão o que ele achava da ideia, na frente de todos. Seu pai interveio, antes mesmo que ele respondesse algo, já dizendo que ele obviamente aceitaria, trazendo de volta a onda de aplausos pela multidão. estava em choque, não sabia o que dizer. Decidiu naquele momento que não falaria nada, não iria expor sua família à comunidade. Mas ficou se perguntando como não viu aquilo vindo.


2

estava andando pela cidade de Callumville com um sorriso no rosto. Ela retirou uma mecha de cabelo que estava em sua boca, cabelo contra o vento, pensando em como aquilo calhou de acontecer na hora certa.
Ela sentiu seu estômago borbulhar e se lembrou que tinha que comer. Toda a adrenalina ainda estava percorrendo seu corpo, mas ela tinha que se acalmar. Não queria almoçar sozinha e, ao pensar direito, esticou a mão rapidamente em direção à sua bolsa, pegando de dentro dela seu celular. Foi aos contatos e após achar aquele que ela queria, clicou neste. Começou a chamar.
— Espero que você tenha conseguido comprar o leite e o pão para o meu café da manhã — a voz do outro lado do telefone disse de uma maneira preguiçosa. ainda sorrindo:
— Melhor do que isso. Eu consegui um emprego — ela disse, parando na calçada após o semáforo para pedestres fechar. Ela escutou um gritinho de Nic.
— Não brinca! Meu Deus, , isso é incrível! Vai trabalhar no jornal da cidade? — ela disse já animada. deu uma risada satisfeita.
— Assessora de comunicação, advinha onde? — perguntou, e Nic demorou para responder até que disse:
— Não...! Você não fez isso!
— Você está falando com a mais nova assessora de comunicação da campanha de — ela disse orgulhosa.

estava indo para a prefeitura naquela manhã para falar com seu pai sobre Effie. Eles não se encontraram antes e ele tinha recebido uma mensagem logo que acordou dela.
Effie soube que ele escolheu seu irmão para chefe de campanha e isso a fez se distanciar dele, já que ela escreveu que não concordava com essa decisão. tentou se explicar, ligando para ela, porém ela não antedeu e ele se encheu, resolvendo ir para a prefeitura conversar com seu pai.
O homem chegou cedo lá, seu pai estava em uma reunião, portanto, teve que esperar fora de seu gabinete. Não demorou muito e alguns homens e mulheres saíram da sala. Eles cumprimentaram , que sorriu e acenou, como se nada estivesse acontecendo.
Então ele adentrou o gabinete de seu pai, que se encontrava sentado atrás da mesa principal, lendo alguns papéis e com a mão no telefone. Chris olhou por cima de seus óculos para seu filho e soltou o telefone.
— O que foi, ? Parece meio estranho — ele disse calmamente. fechou a porta atrás de si e respirou fundo.
— Pai. Effie me mandou uma mensagem... — ele começou, e seu pai o interrompeu, dizendo que ela já era passado. Não devia ouvir o que Effie tinha para dizer, pois ela já não fazia mais parte da vida dele. — Pai, isso não é verdade, não terminamos, só nos separ...
— Filho, você sabe que isso é uma inverdade. Ela te deixou e você tem que deixá-la ir. Simples assim. — Christian deu de ombros e encolheu o seus, desanimado.
O prefeito continuou a conversa, dizendo como era importante para eles conseguirem fechar a comissão de campanha e que aos poucos ele estava conseguindo algumas pessoas. Eles tinham poucas semanas até o começo da campanha eleitoral e, até lá, tinha que se concentrar na estratégia deles. seria uma peça importantíssima, uma vez que ele era família e assim mostraria para a população de Callumville como a família era importante para . Esse foi um dos fatores que fez com que seu pai fosse eleito, logo, também ajudaria o filho.
— Família é um tema importante na nossa cidade, . Nunca se esqueça disso. Se quiser conquistar eleitores, conquiste pelo coração — Christian disse, e soltou os papéis, se encostando na cadeira. — Por falar em coração, consegui já uma assessora para a campanha.
— Ah... — ele disse. queria muito estar ali, enquanto seu pai discursava sobre essa mais nova assessora, porém tudo o que ele conseguia pensar era em Effie, em seu sorriso, seu toque, suas palavras...
Ele tinha que dar um jeito de mostrar a ela que ele era capaz de conseguir vencer a eleição, mesmo sem ela.


acordou no meio do dia, em uma cama que não conhecia.
Ele abriu os olhos com o sol no rosto e logo em seguida os fechou, não querendo acordar, mas ele se remexeu na cama assim que notou que não era seu quarto. Ele se espreguiçou e se sentou lentamente, percebendo que estava nu. olhou para seu lado na cama King Size e não havia ninguém, apenas o lençol dobrado em um triângulo, como se a pessoa ao seu lado tivesse saído mais cedo e jogado o pano para o lado de qualquer jeito.
O barulho de água escorrendo de um chuveiro próximo era tudo o que se ouvia. Ele se levantou e olhou para as fotos que estavam em um quadro na parede. sorriu ao finalmente descobrir de quem era o quarto.
— Você vai ficar aí, ou vai me acompanhar no banho?
A voz feminina disse, e ele se virou em sua direção. Lá estava Anastasia Harris, a mulher mais inteligente que já conhecera. Eles fizeram faculdade juntos, ao menos algumas matérias, e ela voltou para a cidade alguns anos depois. Harvard era um lugar muito pequeno para ela, sempre achou isso. Talvez ela fosse seguir como presidente do país algum dia, mas isso era uma certeza que ele poderia pensar depois. Naquele momento, ele iria tomar uma ducha com aquela mulher sensacional.
— Depende. Você quer que eu a acompanhe? — ele disse em um tom provocativo e ela riu, uma risada gostosa, fazendo com que sorrisse. Ela olhou para baixo em uma direção que ele sabia que ela gostava e subiu o olhar devagar até seus olhos. Anastasia se encostou no batente da porta. Estava nua igual a ele.
— Continua engraçado, — ela respondeu e ele riu, se aproximando dela. Ele parou a alguns centímetros de Annie, que sorria também. deixou a tensão no ar por alguns segundos, até que ela revirou os olhos e virou de costas para ele. — Você quem sabe. Saio daqui alguns minutos, podemos almoçar juntos, se você quiser.
Ele não estava esperando que ela fechasse a porta na sua cara, mas foi o que ela fez. soltou uma risadinha incrédula.


— Calma, conta mais devagar — Nicole disse para a amiga enquanto dirigia. tinha voltado para casa para tomar banho e as duas pegaram o carro para ir até o restaurante no centro da cidade.
Nic virou na próxima rua à direita e antes que pudesse respirar e dizer tudo de novo, de uma maneira mais calma, um Porsche saiu de uma vaga, quase batendo no carro delas.
— Ei! — gritou e apertou a buzina por Nic, que tomou um susto.
— Qual é, olha por onde anda! — o homem gritou, de volta, com seu vidro abaixado. olhou para ele e soltou um som de desgosto com a boca. Quando notou quem era, deu um risinho. — Ah, tinha que ser a doida de ontem!
— Oi? Doido era só você, que ficou me chamando de velha — ela respondeu, balançando a cabeça negativamente e Nicole não estava entendendo nada.
— Por que você está falando com o filho mais novo do prefeito desse jeito? — Nicole perguntou, mas nem escutou, pois estava concentrada demais respondendo algo que ele tinha dito.
, só vamos embora, não precisa se desgastar com essa mulher. Olha o carro dela e olha o seu — Anastasia disse, já voltando a mexer no seu celular. Mas ele também a ignorou.
— O que foi que ela disse? — disse brava e algumas buzinas atrás dos carros deles soavam.
— Ah, ótimo, lá vamos nós... — Nic disse. — Tchau para vocês!
Ela acelerou o carro e elas foram embora, deixando o Porsche atrás.
— Nicole! — disse irritada, se virando para a amiga, mas Nic riu.
, estávamos perdendo tempo ali, não percebe? — ela disse e pareceu demorar para concordar, mas o fez.
— Ok, tudo bem, você tem razão. Mas não é porque ele vai ser o chefe de campanha do que eu preciso aceitar toda a grosseria dele — ela afirmou e Nicole assentiu.
— Agora me conta a história mais calmamente, tudo bem? — a amiga de disse, fazendo com que ela respirasse fundo para ir para a sua narrativa.


9:56 da manhã, Redação do Jornal Gazeta de Callumville.

esperava por sua vez para conversar com o Redator sênior do jornal Gazeta de Callumville. Ela estava sentada em um sofá ao lado da porta de vidro que dava para a sala de Richard Kelsey, batucando nos seus joelhos, enquanto aguardava ansiosa.
A mulher precisava continuar seu plano, porém precisava de um emprego para poder se estabilizar na cidade. Então lá estava , com o coração acelerado, tentando manter a calma.
— O senhor Kelsey irá atendê-la agora — a secretária de Kelsey disse para , que assentiu e se levantou, seguindo-a. Ela abriu a porta e adentrou a sala, encontrando um homem não muito mais velho que ela sentado atrás de uma mesa enquanto falava no telefone. Ele desligou depois de alguns segundos, se despedindo da pessoa do outro lado, e sorriu para ela.
— Olá, senhorita...
! — ela disse animada e ele meneou a cabeça. pigarreou e ele apontou para a cadeira em frente à sua mesa. caminhou até lá e se sentou, batendo sem querer com a bolsa em um retrato em cima da mesa de Richard. — Ah, me desculpe!
— Imagine — ele disse simplesmente, arrumando o que ela tinha feito. Richard entrelaçou suas mãos e disse: — Então, imagino que você esteja aqui para a entrevista de emprego, certo?
— Sim! Eu sou nova na cidade e...
— Onde ele está?
Uma voz a interrompeu bruscamente, vinda de fora da sala. Poucos segundos depois, a porta se abriu e lá estava o prefeito , vermelho no rosto todo.
— Ah, não... — Richard disse baixinho, mas conseguiu escutar.
— Como você pôde? — o prefeito disse, já em frente de Kelsey. — Colocar assim o meu filho... Tudo bem, eu entendo você não pegar leve com o mais novo, mas com ?
— Eu já disse ao senhor, prefeito , que aqui trabalhamos com...
— ... A verdade, você disse. Porém acusar que isso é uma estratégia de manipulação e vergonha para a cidade, ah, não tem cabimento! — ele esbravejou. se manteve quieta, ouvindo tudo. Richard olhou para o teto, como se pedisse ajuda para Deus, e massageou uma das têmporas.
— Escute, Christian, eu estou no meio de uma entrevista...
— Que se dane sua entrevista, Richard! Eu exijo que você mude agora essa manchete sensacionalista!
— Com licença — não conseguiu se manter quieta por mais tempo, chamando a atenção dos dois homens ali presentes. — Mas o senhor não acha que vir impor qualquer coisa a um jornal não seria visto como uma certa censura?
— O quê? Claro que isso não é uma censura! É um pedido de bom senso, ora essa! — ele disse, confuso e irritado. Richard achou interessante o que ela tinha dito.
— Não. Por favor, senhorita , prossiga — ele disse, esticando a mão em sinal para que ela continuasse. e Christian o olharam, ela com receio, ele com ódio.
— Bem... Eu só acho que não seria uma estratégia inteligente fazer isso. Talvez aceitar o que a imprensa fale e provar o contrário com atitudes seja melhor do que simplesmente “exigir” que retirem o que disseram. Não sei... — Ela deu de ombros. — Quem sabe fazer um evento para mostrar isso, com seus dois filhos, possa...
— Qual é o seu nome mesmo? — O prefeito notou que Richard estava se interessando por ela, no sentido profissional. Em um pensamento rápido de que talvez a melhor vingança seria roubá-la dele, mas concordando que a mulher era inteligente, disse, após ela responder o nome dela: — Já pensou em ser assessora de comunicação na campanha de ?
— O quê...? — Ela olhou confusa dele para Richard Kelsey, que estava igualmente confuso. Então ela entendeu e pensou por um instante se aceitava ou não.
— Da onde veio isso, Christian? — Richard perguntou entediado.
— Então, o que me diz? — ele ignorou completamente Kelsey e olhou para . Ela demorou, mas assentiu. — Perfeito.


Agora, Restaurante Jersey’s.

— Você está me dizendo que ele te contratou assim, do nada? — Nic disse desacreditada, segurando o garfo próximo à sua boca, nele espetado um pedaço de tofu. Elas tinham chegado ao destino e agora já almoçavam juntas.
— Eu também não achei totalmente normal, talvez ele tenha uma rixa com Richard Kelsey, mas, apesar de eu me intrometer, me mantive longe disso. — levou aos lábios a taça com água e bebericou da bebida.
Nicole riu.
— Ok, se você acha que dizer para o prefeito que ele estava sendo um ditador é se manter longe disso... — ela disse, olhando para seu lado com um sorriso na boca. soltou um barulho com a boca de desgosto.
— E ainda tive o desprazer de encontrar o filho dele hoje... Ah, ele é péssimo! — ela disse, dando outros goles da água. Nicole observou a amiga voltar a comer e pensou direito na pergunta que faria, a fazendo em seguida.
— Sobre isso... O que foi aquilo?
— Aquilo o quê? — a amiga respondeu distraída.
Nicole colocou na boca um pouco de comida e engoliu a salada que estava em sua boca, continuando.
— O jeito que você o tratou.
— Ele quem?
— ela disse seca e a mulher então se lembrou de quem estavam falando.
— Ah, o garoto. Tudo bem, eu sei que ele não é mais um garoto, mas você viu como ele age igual a um! — ela disse protestando e Nic achou ainda tudo muito estranho.
— Tudo bem, mas você o tratou como se já tivessem se visto antes. Quando foi isso? Eu mantive os olhos em você o tempo todo ontem na festa... Espere! — ela disse alto essa última palavra, pregando um susto em . — Oh, meu Deus, foi quando você foi pegar a bebida e eu...
Nicole parou de falar no mesmo instante. Foi a vez de achar o comportamento dela estranho.
— Você o quê? — ela perguntou e Nicole abanou a mão como se dissesse para esquecer o que ela estava falando.
— Nada demais, eu só estava ajudando Matt com sua gravata — ela concluiu e voltou para sua divagação. — Você não fuja de minhas palavras, senhora ! Quero que me conte tudo sobre agora mesmo!
revirou os olhos.
— Olha, não há nada a contar, ele só foi terrivelmente rude comigo e eu o deixei falando sozinho. Simples assim.
— Você disse rude? Tem certeza disso? — a amiga perguntou e ela assentiu.
— Não sei aonde você quer chegar, Nic.
— Você está interessada nele? — ela fez outra pergunta, que acabou ofendendo a amiga.
— O que, claro que não! Qual parte do “ele foi rude comigo” que você não entendeu? Além do mais, eu me interesso por , não por um brutamontes — ela encerrou o assunto e as amigas riram, voltando-se para uma nova conversa engraçada sobre qualquer outro tema.


Bon Jour! Aqui é a Effie, espere o sinal se realmente precisar de mim e eu responderei assim que possível! Tchau!
— Effie? Acho que é a décima vez que eu te ligo. Por favor, me responda assim que ouvir essa mensagem — disse e desligou. Ele soltou o ar de dentro de si, passando as mãos por seus cabelos, pensando o que faria em relação à sua namorada.
Eram ainda namorados? Essa pergunta estava ecoando em sua cabeça desde hoje de manhã... Ou melhor, desde ontem. Talvez todos estejam certos, ele deva mesmo a esquecer, mas como faria isso? Estavam juntos há tanto tempo que nem se lembrava mais como era sair com alguém que não fosse Effie.
Então sua cabeça foi parar em seu irmão, pensando em como ele poderia o ajudar nesse quesito. Deveria mesmo ir atrás de ? Não seria ele um grande fazedor de problemas quando o assunto era mulheres?
Antes de poder pensar direito, já estava discando o número do irmão e logo ele o atendeu.
— Fala, meu querido ! — disse animado, do outro lado da linha. — A que devo a honra?
, eu estava pensando... Você sabe algo sobre encontros às escuras?
— Encontro às escuras? Qual é, , você é o futuro prefeito da cidade, não pode sair por aí com alguém que não sabe quem é... Que tal eu te arranjar alguém, serve? Podemos marcar um encontro duplo!
estremeceu com essa possibilidade.
— Acho que isso seria um proble...
— Ah, irmão, que bom que concorda comigo! Vou pensar em alguém e logo mais resolveremos a questão “namorada perfeita”, tudo bem? Agora preciso ir, até mais, colega!
E assim desligou antes que pudesse protestar. Talvez essa ideia não tenha sido a mais inteligente, mas ele não ligaria de novo para Effie, não mesmo.


desligou e se voltou para Anastasia. Ela estava sentada, mexendo no celular, como estava desde que eles saíram do Porsche dele.
tentou fazer carinho no cabelo de Annie, mas ela se esquivou. Ele então suspirou e se encostou na cadeira. Estavam no restaurante mais caro da cidade, o Carlayle’s, e a comida estava perfeita, mas parecia que a companhia não estava agradando muito a ela.
— Você vai continuar a me ignorar assim?
— Não sei do que você está falando — ela respondeu e riu pelo nariz.
— Por que está assim? Estava tudo bem algum tempo atrás e agora não diz nenhuma palavra. Sempre gostei de te ouvir falar e agora...
— Conta outra, vai — ela deu risada e ele ficou a observando. Anastasia sorriu de lado e bloqueou o telefone. — Tudo bem. Não tem nada a ver com você, . Eu só estou resolvendo algumas coisas do trabalho.
— E como anda os negócios da família? — ele perguntou sem nem estar realmente interessado. Ela sorriu para ele novamente e se aproximou para dar um selinho em sua boca. Logo esse selinho se estendeu para um beijo profundo, até que Annie se afastou novamente.
— Me diga você sobre os negócios da família. Como se sentiu com a proposta de ontem? — ela passou a fazer carinho nos cabelos dele. sentiu um arrepio bom percorrer por seu corpo e coçou a barba, tentando voltar para a realidade.
— O que eu posso dizer, fazemos tudo pela família, não é? — ele disse e ela riu.
— Com certeza, meu caro — ela retrucou e ele sorriu tímido.
então passou a pensar na conversa que acabara de ter com seu irmão e ficou se perguntando como acharia alguém para ele. não era um cara fácil, mesmo sendo extremamente carismático. No entanto, era como acabara de dizer: faz-se tudo pela família. E ele estava disposto a fazer realmente tudo por .


3

Plano de Vida Fantástica e Perfeita.

O nome soava até engraçado. A sigla PVFP era ainda mais interessante. Era tudo isso que a pequena pensava quando sua mãe dizia o nome.
— Você precisa de um plano, , para sua vida ser fantástica, querida — ela disse, passando a mão pelo cabelo ruivo da filha.
Agatha estava deitada na cama do hospital, esperando para fazer mais uma das inúmeras cirurgias que ela fez naquele ano. Tirava-se o tumor, mas ele insistia em crescer novamente. Com a benção de Deus, o tumor seria sempre passível de ser retirado se sempre tiver que crescer em seu corpo.
— Tudo bem, mãe. Eu já tenho pensado em alguns pontos para colocar na lista — ela respondeu com o caderno nas mãos e abriu em uma das páginas. — Veja, depois de terminar o colégio, eu devo entrar na Universidade em Jornalismo. Só não sei o que fazer depois de terminar a faculdade...
Ela disse, pensativa. A mãe riu um pouco do que a filha disse e o médico entrou no quarto dela. Agatha olhou para a e pediu para que ela fosse pegar algum salgadinho na máquina de comida no corredor. A menina assentiu e obedeceu a mãe, saindo do quarto.
— Pode falar, doutor — ela disse finalmente. Ele respirou fundo e ela já sabia. — Ah, não.
— Sinto muito, mas a cirurgia seria inútil, Agatha. A metástase já está avançando — ele disse com pesar na voz. Ela olhou pela janela que dava no corredor a filha colocar o dinheiro na máquina de comida.
— Quanto tempo eu tenho?
— Mais ou menos? Uns sete meses.
Oh, que palavras dolorosas foram essas para depois.


E os sete meses seguintes foram incríveis, tinha certeza disso. Quando sua mãe faleceu, tudo o que restou dela foi o Plano de Vida Fantástica e Perfeita. Ela só tinha doze anos quando Agatha morreu e passou sua guarda para seus avós. Viver sob a custódia deles era bom, porém nada comparado à sua melhor amiga, que era sua mãe.
Queria que ela se orgulhasse de de qualquer jeito, esteja onde estiver. Portanto levaria o plano adiante e faria de tudo para vencer o tempo.
Lembra-se até hoje do que disse à sua mãe durante os primeiros meses, últimos de sua vida:
— Vou completar tudo até ter a sua idade, mamãe, e aí teremos a mesma vida fantástica e perfeita.
Seria ela capaz de vencer o tempo?
Era o que ela se perguntava todo dia desde que terminou o colegial. O relógio continuava a marcar as horas, mas estava avançando lentamente no Esquema. Ela sabia que a parte de viver a faculdade era uma das que mais demoraria, porém queria passar logo para a parte divertida, que seria viajar ao mundo com seu futuro marido.
Esse sempre foi o sonho de Agatha: viajar ao mundo. E compartilhava do mesmo sonho, além de querer formar uma família.
Mas precisava conseguir encontrar um marido bom o suficiente e também um bom emprego que fizesse com que ela ganhasse bastante em pouco tempo, para assim conseguir realizar o que tanto desejava.
Já tinha se passado uma semana desde que conseguiu o emprego, mas não avançou nada na segunda parte do plano. Não fazia ideia de como falar com , já que seu verdadeiro contato com ele só seria no trabalho.
Porém o trabalho só começaria dali a duas semanas, então, até lá, ela não deveria fazer nada demais.
Foi aí que resolveu passar seu tempo fazendo algo que gostava também: voluntariado.
O orfanato Saint Patrick era o destino de seus pensamentos e, quando reparou, estava já em um salão repleto de crianças correndo e brincando, enquanto conversava com Justine, a diretora.
— As atividades das meninas são totalmente diferenciadas dos meninos, são só nesses momentos de pausa que eles se encontram — ela disse, observando os pequenos que por ali corriam e riam à beça. Então se voltou para e notou os olhos brilhando da mulher, em seguida riu. — Acho que você vai se dar muito bem aqui, senhorita .
estava distraída com um menino que segurava uma flor nas mãos. Ele a olhava com uma espécie de receio, até que tomou coragem e seguiu andando até uma outra menina, que estava sentada lendo um livro infantil. O garoto a cutucou, fazendo com que ela levantasse o olhar até ele. Ele esticou a mão com a flor e a entregou, depois saiu correndo. A menina ficou sem saber o que fazer e observou a flor em suas mãos.
ficou pensando como um amor desses era tão puro e inspirador, deixando seu coração aquecido.
— Concordo, senhora Parker — ela disse finalmente para a diretora, mas esta sorriu e respondeu:
— É Justine, por favor.
— Claro... Justine. — sorriu.
— Bom, vamos seguir pelo prédio, tudo bem?
Elas passaram a caminhar para fora do salão, seguindo para a cozinha, onde encontrou várias mulheres e homens que estavam preparando o almoço das crianças.
— Aqui é onde as refeições são preparadas por estas pessoas maravilhosas e ali — ela apontou com a cabeça para outro salão cheio de mesas e cadeiras — é onde as crianças comem. A senhorita irá fazer as refeições junto delas. Sei que você já disse que terá de diminuir a carga horária daqui a duas semanas, porém todos comem juntos nesse salão.
— Ah, perfeito — ela disse.
— Além de você, temos mais duas pessoas voluntárias... Uma delas é Mahina Parker, minha filha — Justine disse feliz.
— E a outra? — perguntou curiosa.
— Sobre essa pessoa, você precisa ir até o meu escritório, por favor — Justine disse e assentiu, a acompanhando até a sala.
A diretora fechou a porta atrás de si, seguindo até a sua mesa e se sentando na cadeira. repetiu o gesto, se sentando na cadeira em frente à mesa.
— Então, como eu estava dizendo, a terceira pessoa é...
Alguém bateu à porta, a interrompendo. As duas se viraram naquela direção.
O coração de parou no instante em que botou os olhos na pessoa que estava prontamente ali de pé.


(Coloque essa música para tocar agora, por favor: Crazy Love — Van Morrison)


— Com licença, Justine? — disse, colocando a cabeça para dentro da sala. Justine sorriu ao ver o homem e meneou a cabeça em sinal positivo para que ele continuasse. — Eu soube que você queria falar comigo...?
— Queria... Quero! Por favor, sente-se, . — Ela apontou para a outra cadeira que estava ao lado de . Esta se virou rapidamente para frente, sem saber como reagir a esta situação.
se sentou então e sorria para a diretora do orfanato Saint Patrick, que juntou as mãos em cima da mesa.
— Eu gostaria que Mahina estivesse aqui também, mas ela levou algumas de nossas crianças para o parque. Enfim, , quero te apresentar , um de nossos voluntários aqui no Saint Patrick — ela disse, apontando a mão para ele.
se virou para o rapaz que deveria ser um pouco mais velho do que ela e aproveitou para observar aquele sorriso magnífico dele. Os olhos penetrantes dele a deixavam vidrada, aquele cabelo perfeitamente imperfeito alinhado e todo o resto deixavam aquele homem incrivelmente atraente. Tudo bem, talvez seja pelo fato dela já o querer antes mesmo de o conhecer, porém ela não podia negar que seu coração estava agora aceleradíssimo.
— Oi — ele disse calmo e ela sorriu em resposta. O que ele não esperava era sentir seu coração também acelerar com aquele sorriso. Estranho, foi o que ele pensou, sinto que conheço essa garota de algum lugar. — Prazer em te conhecer, .
ergueu a mão na direção da mulher, que agarrou a mão dele suavemente, deixando que um arrepio percorresse no corpo dos dois, como se estivessem realmente conectados.
— O prazer é todo meu, — ela respondeu e ele sorriu ainda mais. Soltaram as mãos assim que Justine voltou a falar.
— Que bom que aparentemente vocês se deram bem! — ela disse empolgada. — Vocês trabalharão juntos a partir de agora, então é essencial que se entendam e que dê tudo certo entre vocês.
Justine continuou a falar, mas não conseguia tirar a atenção de seus pensamentos de . Ela finalmente o conheceu, caramba! E como ele é cheiroso, Jesus!, ela pensou.
— Eu acho ótimo! — ele disse, de repente, a despertando de seus pensamentos. — E você, ?
, por favor, me chame de — ela disse, olhando para , que assentiu, mas que aguardava a resposta dela.
— Tudo bem, . — Como o apelido dela soava tão deliciosamente bem na boca dele... Ele continuou a falar, mas ela só se concentrou nos lábios de , que se mexiam ainda a cada palavra pronunciada. — E então?
— Hã? Ah, acho ótimo também — ela respondeu sem saber o que era. sorriu abertamente e Justine riu.
— Então você acha ótimo se fantasiar para as crianças de vez em quando e promover teatros aqui na nossa casa? — a diretora disse e não estava esperando por essa. Ela tremeu o sorriso, mas aceitou mesmo assim.
— Por que não? As crianças precisam desse tipo de cultura e entretenimento, não é? — ela disse, tentando convencer a si mesma. Não era uma má ideia até, ela pensou.
riu ternamente e assentiu em seguida, olhando para Justine.
— Eu super concordo! Aliás, eu posso tocar essa função também! — ele disse e sentiu uma cambalhota dentro do seu estômago. Oh, meu Deus, ele estava se voluntariando para fazer isso comigo!
Justine Parker balançou a cabeça positivamente.
— Ótimo! Mahina pode ser uma das que se fantasiam também! , acho que você poderia ler para as crianças, como um narrador, entende? O que acha?
— Acho genial! — ele disse empolgado.
— Bom, então acho que era isso o que eu tinha para falar, — ela se virou para a ruiva. assentiu sorridente e assim a diretora se despediu dos dois, que se levantaram, a cumprimentaram e foram embora da sala.
Assim que fechou a porta atrás de si, estava pronta para ir cuidar das crianças e começou a caminhar em direção ao final do corredor, que dava naquele salão onde havia todas elas correndo. Ele a observou por um pequeno segundo e, pigarreando, chamou-a.
! — ele disse e ela parou de andar na hora, se virando para ele.
— Oi, ! — Ela estava com uma expressão tranquila no rosto, mas por dentro estava enlouquecendo de tanta felicidade.
Tudo bem, ela iria conhecê-lo de qualquer jeito, afinal, trabalharia para ele, mas o conhecer dessa maneira era mil vezes melhor.
colocou as mãos nos bolsos da calça e caminhou até encurtar a distância entre eles.
— Achei muito legal da sua parte aceitar a ideia de se fantasiar! — ele disse e falou a segunda parte com um tom bem mais baixo, sorrindo: — Mesmo sabendo que você não ouviu a proposta inteira quando eu perguntei...
Automaticamente, as bochechas de se tornaram vermelhas com esse comentário.
— Ah... — Ela tentou pensar em algo a dizer, foi desarmada totalmente por .
— Mas fique tranquila, eu também dei uma viajada enquanto a Justine falava... — ele segredou, fazendo com que os dois rissem. Que risada contagiante!, ele pensou.
— Bom, ela parece ser uma mulher bastante exigente e incrível — ela divagou, pensando em como Justine Parker conseguia comandar o orfanato inteiro. Ele assentiu com um sorriso nos lábios. — Acho que temos muito a fazer agora, não?
— Ah, claro... Temos sim — ele respondeu e os dois voltaram a caminhar em direção ao salão. — Você já sabe o que tem que fazer?
— Na verdade, sei sim! Ela disse para eu cuidar das meninas que queriam ir para a brinquedoteca enquanto outras iriam para a escola. Essas crianças eram menores, as da brinquedoteca. Ainda não tinham idade para estudar — ela respirou por um segundo —, apesar de que aprender não se resume a escola.
— Eu concordo plenamente! — disse. — Bem, e eu vou ajudar o pessoal da cozinha a preparar o almoço. Acho que nos vemos depois, então?
— Ah, sim. Até mais tarde então, — ela disse e ele sorriu.
Em seguida, se aproximou para dar um abraço e esticou a mão como cumprimento. Os dois trocaram de gestos e deram risada. ousou em abraçá-la de vez, se perdendo por alguns milésimos de segundos no cheiro dos cabelos dela. E assim, se separaram.


estava malhando na academia Let’s Do It, a única na cidade. Ele estava ouvindo música, pensando em coisas aleatórias, mas sempre que ele tentava se esquivar do assunto, com a sua mais nova solteirice voltava para seus pensamentos. Ele não podia simplesmente arranjar alguém para seu irmão, tinha que ser muito bem pensado.
Ainda estava de tarde, mas a hora do jantar se aproximava e ele estava convicto que tinha que resolver isso ainda hoje. Seu despertador no celular apitou, interrompendo a música que tocava. Ele desceu da esteira e pegou sua toalha, a colocando em volta do pescoço.
puxou de um lado e depois de outro o pano, enxugando o suor de seu pescoço, enquanto andava. Ele desviou o olhar para uma das mulheres que malhava e sorriu para ela, dando uma piscadinha em seguida, mas foi interrompido ao trombar com o seu corpo em alguém.
— Ei! — ele disse em reflexo, mas assim que botou os olhos na mulher na sua frente, os estreitou em seguida. — Eu conheço você.
— E você é o filho do prefeito — ela respondeu e depositou o peso de seu corpo em um dos pés, enquanto batia com o outro insistentemente, numa tentativa falha de liberar a ansiedade presente nela. — .
— Esse sou eu. — Ele sorriu de lado e então se lembrou quem era aquela mulher. — Espere, você estava com aquela chata da abertura do museu, não é? No carro, quando vocês quase bateram com ele no meu.
— Ok, nós não quase batemos no seu, foi você que quase bateu no nosso — ela disse e puxou o rabo de cavalo, o tornando mais apertado. Por algum motivo estranho, isso deixou desconfortável. — Nicole Wright.
Ela esticou a mão para ele, que a pegou e a apertou com a sua, em um cumprimento.
— Então, Nicole Wright... você e sua amiga são novas na cidade, certo? — disse, franzindo a testa e olhando distante dali.
— Sim! Temos mais um amigo, ele se chama Matthew Thomas e é o novo sub-xerife da cidade. Os dois conseguiram empregos, agora só falta eu...
Ela começou a tagarelar, mas só conseguia se lembrar da cena em que elas quase bateram no seu carro. Ele riu pelo nariz quando lembrou da mais velha o chamando de “doido”.
— Desculpa, eu disse alguma coisa engraçada?
Ele acordou de seus devaneios, voltando a olhá-la nos olhos.
— Ah, não, é que eu lembrei de uma piada. Então você ainda não tem emprego? No que você é formada?
— Administração. Por quê? Você sabe de algum lugar que estão contratando?
— Na verdade, não. — Ele sorriu amarelo e ela murchou completamente. — Mas boa sorte.
— Obrigada... — ela disse embotada.
saiu do campo de visão de Nic e começou a caminhar na direção do vestiário, mas ela se virou rapidamente para ele, chamando-o e o impedindo que continuasse. se virou para Nicole.
— Sim?
— Nada. — Ela desistiu de provocá-lo, como uma vingancinha infantil. Sorriu para o homem que sorriu de volta e se virou para ir embora.
, ficou preso no pensamento de com quem ele iria juntar seu irmão. Tinha que ser alguém com um currículo perfeito e uma personalidade marcante. Mas quem?
Ele estava já dirigindo para casa, quando parou no farol e seu celular tocou pelo alto-falante do carro. atendeu apertando um botão no volante.
— Ei, fala, ! — ele disse animado.
— E aí, ? Tudo bem? — seu irmão disse tranquilo, do outro lado do telefone, e pelo soar de sua voz, tinha certeza de que ele estava sorrindo.
— Tudo, claro! Mas por acaso aconteceu algo de bom?
riu do outro lado da linha.
— Acho que encontrei uma candidata para o seu plano de me arranjar alguém.


O almoço tinha ficado pronto e estava ainda com os pensamentos no sorriso de . Ele não entendia o que tinha acontecido agora mais cedo, mas não conseguia parar de pensar no pequeno encontro que teve com . Seria algum tipo de insegurança sua que o estava deixando nervoso? Qual é, ele era , o futuro prefeito daquela cidade — ou pelo menos era nisso que ele acreditava.
Seu irmão devia estar cuidando da empresa deles naquele momento, trabalhando duro, então muito provavelmente ele não estava pensando em arranjar uma mulher para ser sua futura namorada. Mas ele não conseguia não pensar na possibilidade de ser uma candidata.
— Ei, senhor , já vamos servir a comida, o senhor pode pegar um prato depois das crianças, junto a e Mahina, tudo bem? — o senhor chamado Ford disse, pegando uma panela enorme de arroz e a colocando na bancada em que estavam as outras comidas.
Ele assentiu para o senhor e disse que estava já indo para o salão de almoço. colocou o pano que estava utilizando para limpar a bancada que cortaram a carne na pia e jogou água nele, mas foi impedido por Marge, uma das cozinheiras, ela disse que era hora do almoço e que depois ele deveria continuar com seus afazeres. riu envergonhado e disse que já estava indo.
Ele lavou as mãos e tirou a touca, a jogando no lixo mais próximo. Estava sem seu paletó, tinha o deixado em uma cadeira na cozinha, e estava com as mangas arregaçadas até o cotovelo. colocou as mãos nos bolsos da calça e começou a caminhar na direção do salão, mas foi impedido por um garotinho que estava correndo e que bateu contra seu corpo com o franzino dele.
— Ah, me desculpe, senhor — o menino disse e arrumou a blusa, que tinha amassado totalmente e sabia que Mahina iria ralhar com ele caso o visse desse jeito.
sorriu para o garoto.
— Não precisa se desculpar, Roger — respondeu e o menino assentiu, correndo em direção ao salão.
Ele achou graça disso, adorava aquelas crianças, sempre quisera construir uma família, mas ainda estava adiando isso. Ele acreditava que com Effie encontraria essa paz da família, mas, pelo visto, isso não seria possível, o que fez com que ele voltasse seus pensamentos para .
— Pensando em alguém?
Ele se virou na direção da voz e encontrou uma sorridente e de braços dados com uma garotinha. Ele sorriu de volta.
— Como adivinhou? — ele disse e ela deu de ombros, ainda com o sorriso no rosto.
notou que na outra mão da criança tinha uma flor. disse a ela para que fosse na frente, deixando a mulher sozinha com ele.
— Então, como foi até agora? — ela perguntou quando começaram a caminhar lado a lado.
— Ah, tudo certo. Ficar com os mais velhos traz sabedoria, paciência e deixa-nos confortáveis. Você?
— O mesmo, só que com os mais novos — ela respondeu e ele riu junto a ela. — Eles enchem meu coração de alegria, não sabia que precisava disso até começar hoje.
escutou o que ela dizia sobre adorar voluntariado, o que deixou seu coração acalentado. Ele também sempre adorou se doar para o próximo, sua mãe sempre dizia que a felicidade estava nos detalhes, mas também na abnegação.
Eles se sentaram à mesa reservada aos ajudantes e ficaram conversando sobre esse mundo, que os fascinava de uma maneira inexplicável. Mahina logo se juntou a eles, depois de chegar com algumas crianças suadas do parque e mandar todos lavarem as mãos.
— Então, , está animado? Duas semanas para o início da campanha, hein? — Mahina disse, coçando seu rosto. Sentiu os olhos de sobre ele.
— Ah, estou sim, Mahina. Na verdade, estou um pouco nervoso, ainda estamos montando a minha equipe de campanha, mas tenho certeza de que dará tudo certo. — Ele sorriu para a mulher à sua frente, enquanto pegava o recipiente de palitos de dente e começava a chacoalhá-lo.
— Com certeza vai, — ela disse e desviou o olhar para as crianças, que já terminavam de pegar a comida.
Mahina encorajou os outros dois a pegarem a comida com ela e lá se foram em direção às bancadas. Depois de pegar tudo, voltaram-se para a mesa em que estavam e logo mais os cozinheiros vieram se juntar a eles.
passou a reter toda e qualquer informação sobre que a própria soltava, como o fato de que ela estava com mais dois amigos, uma mulher e um homem, morando na casa dos tios do homem aqui na cidade; o fato de ela ser nova por estas bandas e também que era jornalista. Ele estava encantado com tudo o que ela falava, mas ao mesmo tempo não conseguia parar de pensar em Effie e compará-las de alguma forma. Pare com isso, , seu idiota, ele disse a si mesmo.
— Olhe lá, eu estive acompanhando essa história de amor desde cedo — disse e ele se virou para ela, confuso.
apontou discretamente com o dedo na direção da mesma garotinha com a flor na mão de antes, que estava sentada sozinha, comendo. Ele não entendeu de primeira, mas avistou logo em seguida o garoto que tinha trombado com ele olhando sem parar para a mesa da garota. O menino estava acompanhado de outras crianças, mas ela, não.
— Ele não parece estar realmente encorajado a continuar com essa história — disse para , que ergueu uma das sobrancelhas.
— Claro que está, ele não para de olhar para a mesa dela! — ela retrucou. Mahina estava distraída conversando com os outros presentes na mesa, então era como se só tivesse os dois ali.
— Ok, essa é uma verdade. Mas ela não parece devolver a sua atenção — disse e o observou.
— O garoto só precisa de um incentivo, tenho certeza de que ela irá recebê-lo muito bem — ela replicou e ele voltou seu olhar para . Estava tentando ler seus pensamentos, até que entendeu o que ela queria: que ele fosse falar com o garotinho.
— Você acha isso uma boa ideia? — ele perguntou por fim e sorriu.
— Só há um meio de descobrir.
descobriu uma nova fraqueza dele: o sorriso de . Ele suspirou olhando para o garoto e se levantou da cadeira. abriu seu sorriso ainda mais e ele conteve um grunhido; realmente, aquilo com certeza era um calcanhar de Aquiles.
passou a caminhar na direção do menino, as crianças na mesa dele olharam para , mas o ignoraram e continuaram a comer, conversando animadamente e às vezes brincando com a comida. Ele chegou próximo o suficiente do garoto, que ainda olhava para a mesa da menina e por isso não o viu chegando.
— Pensando em alguém, Roger? — ele perguntou, chamando a atenção dele. Roger levantou os olhos para o mais velho e corou, demorando para assentir. tirou a ideia dessa frase de e seu coração deu um pequeno pulo ao lembrar dela. Como se eu fosse capaz de esquecê-la nem que seja por um segundo, pensou ele.
— Sabe, garotas são um mistério até mesmo na minha idade — ele disse e se agachou ao lado do menino. Ele apoiou um dos braços na mesa e o garotinho deu de ombros, suspirando pesado. — Mas nada o impede de ir lá falar com ela.
— E como eu faria isso? Imagino que você não tenha uma estratégia, já que até na sua idade você não sabe como lidar com garotas — o menino retrucou e se surpreendeu com ele.
— Você já conversou com ela antes?
— Já tentei... Ela não ligou muito. Hoje de manhã eu a entreguei a flor, mas ela não disse nada em resposta.
observou a menina com a flor ao lado na mesa enquanto ela comia. Então sorriu.
— Mas ela parece ter gostado muito da flor, não acha? — ele disse e o garotinho olhou para ela, dando um sorriso tímido em seguida. — Pergunte que livro é aquele ao lado dela na mesa, embaixo da flor.
O menino estava ainda olhando para ela, até que fez que sim e respirou fundo, se levantando. segurou o bracinho dele por um instante, fazendo com que o menino se virasse para ele.
— E lembre-se: se a flor está em cima do livro, isso é um bom sinal. — piscou para o garoto que sorriu. Soltou seu braço e o menino seguiu o caminho destinado a ele.
sorriu consigo mesmo e se levantou, virando-se para , que deu palminhas discretas em seu lugar. Ele achou graça e fez uma reverência, riu. voltou para seu lugar, se sentando ao lado dela e com o movimento do ar, sentiu o perfume da mulher preencher suas narinas.
— Estou impressionada, han — ela disse, apoiando uma das mãos na cintura. Ele abaixou a cabeça, rindo, e levantou a mão em sua direção. Ela riu e deu um tapinha na mão dele, o surpreendendo. O homem ficou a observando falar sobre como ela sentia falta desse amor inocente que as crianças estavam começando a passar por, ainda pensando no toque de suas mãos. Era que estava se sentindo uma criança naquele momento.
O dia se seguiu muito bem, cada um com seus afazeres, mas no fim eles se juntaram no estacionamento, encontrando Mahina, que disse que daria uma carona para a casa deles se eles quisessem. Os dois toparam e entraram no carro dela, na frente, no banco de trás.
Mahina ficou tagarelando sobre como Marge tinha feito um ótimo trabalho com o purê hoje e de como as crianças estavam felizes por terem ido ao parque. ria de algumas coisas, pois a maneira como ela contava era engraçado, e às vezes encontrava com seu olhar o de pelo espelho retrovisor. Ele estava realmente pensando em convidá-la para sair, mas estava na dúvida se ainda era muito cedo e ainda: se era apropriado.
foi a primeira a ser deixada em casa, desistiu da ideia e pensou em consultar seu irmão primeiro. Assim que ela saiu do carro e entrou na casa, Mahina trocou a marcha e saiu com o carro dali.
— Então... Você não tirou os olhos de , hein — ela disse, de repente, e virou a cabeça para ela, quase que pulando de susto.
— Ficou muito na cara?
Mahina riu.


4

O dia estava estonteante de tão maravilhoso. Já era o final da semana, sexta-feira finalme1nte tinha chegado, e ele estava pronto para o encontro duplo com seu irmão, Annie e a mulher misteriosa que tinha convidado para sair. fez o trabalho de sozinho: encontrou alguém para se esquecer daquela outra, Effie. Ele estava se perguntando como ele tinha feito isso em quase duas semanas, desde que ligou para dizendo que tinha uma candidata para ajudá-lo a superar a que quebrou o seu coração em pedaços, mas a verdade era que não ligava para quem era ou como ele tinha conseguido esse feito. Tudo o que importava era ver o sorriso de voltar a aparecer.
Ele já tinha chegado em casa, tomado banho e estava agora passando perfume em todo o seu corpo. Estava vestido só do quadril para baixo, ainda estava escolhendo a camisa que ele usaria esta noite. Adelaide tinha o encontrado mais cedo, mas ele disse que não tinha tempo para ela, pois tinha um encontro duplo com seu irmão.
— Ah, é? estava precisando mesmo, ele andava muito calado e triste desde que Eff...
— Shhh, não diga o nome dela em voz alta, pode trazer má sorte — disse enquanto tirava o casaco e o jogava no cabideiro. Ela assentiu.
— Tudo bem, me desculpe. Desde que ela foi embora.
— Você não sabe como, Addie — ele respondeu por fim.
estava agora já colocando sua camisa de botão e algodão azul marinho. Ele estava arrumando a gola dela, a puxando para baixo e passando a abotoá-la. apareceu na sua porta, batendo no batente com os nós dos dedos e um sorriso no rosto.
— Tudo bem por aqui? — O mais velho perguntou. sorriu e se virou para o irmão.
— Merda, você parece estar de muito bom humor mesmo para hoje — ele disse. riu, olhando para o chão.
— É... — foi o que ele respondeu. — Bom, eu vou na frente buscar a , tudo bem? Nos encontramos no Carlayle’s?
— Claro, irmão! Nos encontramos lá!
E assim o deixou sozinho em seu quarto. Não demorou muito e saiu de lá, em direção ao seu Porsche.
Ele chegou à casa de Anastasia e ela já estava o esperando no lado de fora, mexendo em seu celular. Annie tinha seu próprio apartamento, mas seus pais eram donos de uma mansão enorme mais afastada da cidade. Porém, ela preferia ter sua própria casa, como sinal de autonomia e independência.
E lá estava ela, linda, como sempre.
parou em frente dela, que sorriu para ele e entrou no carro. Eles se cumprimentaram com um selinho e ele perguntou como foi o dia dela. Sua resposta foi um riso.
— Estamos brincando de namorados?
— Outch — ele respondeu e sentiu os olhos dela em cima dele. a olhou de soslaio e confirmou sua suspeita.
— Qual é, . Nós nunca seremos algo do tipo, você sabe — ela disse, voltando sua atenção para o celular mais uma vez. Ele sorriu ternamente, assentindo, mas ele pensava que seria legal tê-la como namorada. Porém, se não era isso o que ela queria, o mínimo que ele poderia fazer era respeitá-la.
Chegaram ao restaurante e deixou as chaves com o manobrista, indo ao lado de Anastasia para dentro do estabelecimento. Ele disse que já estava em uma mesa no nome . A gerente o levou até próximo à mesa, em que já estavam e a mulher misteriosa sentada na sua frente. Ele a olhou de costas e pensou que já tinha visto em algum lugar aqueles cabelos, mas também não poderia ter certeza, já que naquela cidade passavam milhares de turistas todos os dias. No entanto, ele tinha certeza: ela não era dali.
Os dois se aproximaram da mesa, atrás da mulher, e levantou os olhos para o irmão, sorrindo.
— Ah, pessoal, quero apresentá-los — ele disse, se levantando e a mulher se levantou também, se virando para os dois. Assim que botou os olhos nela, se sentiu paralisado.
Você? e disseram em uníssono.
— Vocês já se conheciam? — perguntou surpreso.
— É... — disse e ela se virou para .
— Você não disse que era o seu irmão mais novo que vinha — ela respondeu e se sentiu bem ao saber que ela também estava surpresa com aquele encontro.


(Coloque essa música para tocar agora, por favor: Come and Get Your Love — Redbone)


Dois dias antes.

Então era quarta-feira.
não poderia estar mais contente. Sua semana estava indo muito bem, ela acordava feliz e dormia feliz. Saber que tudo estava indo conforme o plano a deixava com a certeza de que conseguiria concluí-lo antes mesmo do prazo que ela tinha estipulado.
estava sendo um sonho para ela: era melhor ainda do que imaginava. Ele estava sendo atencioso, engraçado, extremamente charmoso e incrível, como nem mesmo seus sonhos puderam prever. Estar ao lado dele era inimaginavelmente maravilhoso. Pelo menos era o que ela estava sentindo até agora.
Ontem mesmo eles ficaram horas conversando depois do turno deles, sentados no grande salão de almoço. Eles estavam tomando sorvete que tinha sobrado de mais cedo, enquanto falavam sobre os sabores que mais gostavam quando eram crianças.
— O meu era de limão siciliano — disse após a fala de , em que ele dizia “O meu sabor favorito até hoje é morango”.
olhou para ela de modo engraçado, o que a fez perguntar o que ela tinha no rosto.
— Nada! É só que... Não tinha um sabor mais comum onde você morava? — Ele segurava o riso. Ela riu.
, é bem normal esse sabor, ok?
— Claro, claro, como quiser... — ele disse por fim e ela riu novamente, empurrando a mão dele para cima e o sujando com o sorvete dele mesmo. Ele abriu a boca, espantado e sorriu. — Você não fez isso.
— Acho que eu fiz, hein — ela respondeu e ele esticou o braço, sujando a ponta do nariz dela com o seu sorvete.
— Ah! — Ela disse rindo e ele a acompanhou.
Agora você tem algo no rosto — ele concluiu e ela revirou os olhos, com um sorriso nos lábios.
— Comediante, você — ela disse e os dois tomaram um susto quando a porta do salão foi aberta, Marge apareceu.
— Ah, não sabia que vocês estavam tendo um encontro — a mais velha disse e eles se olharam rapidamente e disseram:
— Ah, nós não...
— Eu e não... — disse entre a fala de .
Ela protestou mentalmente, pensando em quão adolescente ela parecia naquele momento, escondendo o que poderia estar acontecendo sim — ou que ao menos ela gostaria que estivesse. Marge apenas riu e abanou o ar com a mão.
— Fiquem tranquilos. Eu só vim buscar meu casaco que deixei naquela mesa. Já estou saindo — ela disse e pegou seu casaco, se virando para ir embora.
— Não, não precisa! — disse, se levantando, o que deixou meio desapontada. Precisava, sim, ela pensou.
— Ah, não sejam bobos, por favor — Marge afirmou e fechou a porta atrás de si em seguida, indo finalmente para longe dali.
olhou para e se sentou. Os dois deram um sorriso constrangido e desviaram o olhar para outro ponto daquele salão, ambos pensando no momento estranho que tinha se instalado ali.
Esse foi o único momento em que não sentiu ternura e felicidade enquanto estava com . Ela achou muito esquisito a maneira que ele tinha se comportado naquela noite, um pouco diferente das pistas que ele estava dando de interesse por ela.
Mas o dia seguinte chegou e, com ele, novas expectativas.
Quarta-feira não costumava ser um dia bom, na verdade ele era um dia bastante normal para , mas aquela quarta-feira mudou seu olhar para esse dia da semana.
estava penteando o cabelo daquela garotinha que recebera a flor de Roger, ela se chamava Angel e estava no orfanato desde que ela se conhecia por gente. Ela era uma menina muito aplicada, gostava muito de ler e estava começando a ler Harry Potter. Elas estavam conversando sobre o primeiro livro, quando se lembrou de Roger — o garoto se parecia muito com o próprio Harry Potter — e resolveu puxar o assunto.
perguntou como estava aquela flor que ela recebera dias atrás. Angel respondeu que tinha deixado ela na água nos primeiros dias, mas que tirou do copo e a deixou morrer.
— Por que você fez isso, Angel? — perguntou um pouco receosa da resposta.
— Porque eu não acredito nisso de amor. Se o amor existisse, minha mãe ainda estaria comigo e não teria me dado embora.
não soube o que responder. Ela pensou em milhares de coisas, mas ela sabia também como era não ter mãe — ao menos por grande parte de sua vida. A diferença era que a mãe de tinha ido embora não por opção, pois ela tinha certeza de que se fosse por Agatha, elas ainda estariam juntas e estariam até a eternidade. No entanto, ela também não poderia deduzir que a mãe de Angel a deixou por opção. Tudo isso se passou pela cabeça de , mas quando ela fora responder, alguém bateu na porta do quarto. disse à pequena que atenderia e que já voltava para terminar o serviço. Angel achou engraçada a palavra “serviço” e segurou o riso, enquanto a mulher se levantava e caminhava em direção à porta.
— Ah, oi, Mahina — disse ao avistá-la do outro lado. — Tudo bem?
— Sim, sim, é que Justine está chamando a mim, você e para conversamos sobre o dia do mês em que faríamos a leitura para as crianças — Mahina disse, olhando para dentro do quarto e pousando os olhos sob a pequena Angel, que estava balançando as pernas pelo ar, sentada na cadeira em frente à penteadeira. As outras crianças que dividiam o quarto com ela estavam todas lá embaixo, correndo e brincando. Angel queria silêncio naquele instante e por isso pediu a que fossem pentear o cabelo dela no quarto.
— Tem de ser agora? Eu estava terminado de pentear o cabelo de Angel... — começou, porém foi interrompida pela própria criança.
— Não, pode ir, senhorita . Eu estou cansada, quero descansar — a pequena disse, chamando a atenção das duas outras mulheres que estavam ali.
— Certeza? Eu posso ficar mais...
— Tenho. Pode ir, veja — ela bocejou e esticou os braços atrás do corpo, arrancando um sorriso de —, já estou quase dormindo sentada.
assentiu e concordou em deixar Angel sozinha, mas gostaria de pensar em uma resposta para a afirmação dela sobre o amor.
No momento, estava pensando que talvez o amor não existisse e que a sensação de que estava se interessando nela foi apenas uma sensação e não uma verdade. Mas não iria se abrir com a criança dessa maneira, não agora.
Mahina e ela desceram as escadas e foram para o escritório de Justine. se lembrou de como Mahina chamou a própria mãe pelo nome e se perguntou o motivo disso.
As duas entraram na sala após Mahina bater à porta. estava lá, já conversando com Justine, e os dois estavam rindo de algo que ele tinha dito, provavelmente.

— Olá, meninas! — Justine as cumprimentou e apontou para as cadeiras à frente de sua mesa. — Por favor.
— Mahina disse que você gostaria de discutir conosco sobre... — começou, mas fora interrompida pela própria Justine.
— Isso mesmo, eu estava conversando com sobre o dia do mês que seria mais apropriado para ele fazer a leitura e pensamos na última quinta-feira do mês. O que acham?
olhou para Mahina, que concordou e então ela, sem saber direito o que responder, disse que tudo bem. Justine bateu palmas, animada, e os dispensou. Os três saíram de seu escritório e Mahina foi na frente, deixando os dois restantes mais atrás.
— Foi mais rápido do que eu imaginei — disse com ar brincalhão e apenas assentiu. Ele achou estranho essa postura dela, mas continuou com a brincadeira. — Acho que eu tenho mais influência do que vocês, hein.
— Do que você está falando?
— Bem, eu sugeri quinta-feira e vocês apenas aceitaram sem pestanejar. Com isso, eu concluo que minha influência não é só em cima de Justine, mas em vocês duas tamb...
— Ah, entendi — ela o cortou e deu uma risada que para parecia seca, quase falsa, se ele não tivesse entendido que ela estava estranha.
Eles caminhavam em silêncio após a interrupção, o que fez com que acabasse com o silêncio após alguns minutos torturantes nele.
, está tudo bem?
— Hã? Ah, claro, está tudo bem, sim. Só estou um pouco cansada — ela disse e ele se perguntou se ela estava mentindo. — Não devia ter ficado tanto tempo acordada ontem.
Ontem.
Ontem fora o dia que eles conversaram bastante após o horário de término de seu turno. entendeu isso como um sinal: estava arrependida de ter ficado conversando com ele.

— Ah... — ele disse decepcionado e notou que tinha sido dura demais com o pobre homem. Ela só queria chacoalhá-lo, com a intenção de que ele entendesse que ela não estaria ali babando por ele, mas acabou passando a ideia de que não gostara de passar aquele tempo com ele. O tiro saiu pela culatra.
— Mas eu amei saber que seu sabor de sorvete favorito é morango. Quer dizer, você criticou o meu, mas morango é um sabor tão difícil de se conseguir...
a observava e sorriu abertamente com a provocação dela.
— Ah, mas limão siciliano... — ele começou e ela riu, o cutucando com o cotovelo.
— Você sabe que eu estou certa e por isso apelou! — Ela disse e os dois riram.

adorou ouvir o som da risada de . Por um segundo, achou que ela estivesse desinteressada, mas acabou de comprovar o contrário: ela ria de suas piadas e ainda as respondia com outras!
Ele já não conseguia suportar mais a ideia de que ele e ela não passariam de amigos e resolveu dizer a ela algo que estava em sua mente há uma semana.
, eu estive pensando e... Você não gostaria de tomar um sorvete um dia desses?
— Ah, claro, acho que sobrou sorvete de ontem...
— Não, não aqui. Eu digo... Em um encontro — ele disse sorrindo e ela o fitou com brilho nos olhos.
— Um encontro?
— Isso. Um encontro, você gostaria?
sorriu.
— Só se você me pagar um jantar antes — ela respondeu e sorriu ainda mais. Então se lembrou de já ter combinado com o irmão o encontro duplo e perguntou a ela se tudo bem convidar mais dois amigos para o jantar. tremeu o sorriso, mas respondeu que estava tudo bem.
E ele pulou internamente de alegria.


Agora, sexta-feira.

sabia que deveria ter perguntado quem seria o outro casal que tinha convidado para jantar e agora se arrependia amargamente de não ter o feito. Agora ela olhava para , segurando o escárnio, enquanto ele devolvia o olhar, mas de uma forma que ela desconhecia.
coçou a nuca.
— Bem, eu não sabia que era um problema... — ele começou.
— Ah, imagine, não é problema algum! É só que eu... fiquei um pouco surpresa. Não estava esperando por isso — concluiu. ainda a olhava.
— Sim, eu não fazia ideia de que fosse a mulher que... — tentou dizer, mas ela o fuzilou com o olhar. — Eu quase bati no carro um dia desses.
fechou os olhos momentaneamente e se virou para ela.
quase bateu no seu carro? — Ele perguntou e abriu os olhos rapidamente.
— Ah, não foi nada demais. E no fim não aconteceu nada, então, tudo certo! — A mulher disse e notou que — agora não esqueceria seu nome — não queria que soubesse que os dois tiveram um desencontro e que após isso não iam muito com a cara um do outro. se limitou a segurar o sorriso que refletiria a ideia e percebeu que poderia usar isso para se divertir.
Anastasia suspirou alto ao seu lado, chamando sua atenção.
— Então vamos comer? — Ela disse sorrindo e sorriu junto.
— Por favor. — apontou para as cadeiras vazias da mesa e logo o casal, que não se considerava um casal, se acomodou.
A conversa começou a fluir, ainda bem. Eles pediram a comida e voltaram a falar. Entretanto, ainda estava preocupada com o que poderia soltar. Não que ela tivesse algo a esconder, mas tinha uma visão errada dela e não queria que ele fizesse a cabeça de , não agora que ela estava colocando o plano em prática. Não sabia exatamente o quanto os dois eram próximos, porém tinha uma ideia de que era bastante, já que ele o convidara para ser o chefe de sua campanha, mesmo com a fama que tinha.
— Vocês não compreendem. Aquele dia que vestiu a roupa do Woody de Toy Story e fez uma apresentação para nós foi simplesmente hilário! Ele só tinha cinco anos, mas já estava se acostumando com a ideia de nossas fazendas — disse animado e soltou uma risada, enquanto Annie se limitou a dar um sorriso.
— E como andam os preparativos para a campanha, ? Eu soube que terá oponentes fortes — Anastasia alegou e riu anasalado.
, diga a Annie como está a campanha — disse e o observou por alguns segundos, tentando entender qual era o jogo dele.
— Está tudo bem. Estamos montando a equipe e acredito que os meus oponentes são fortes, mas que temos uma grande chance. — sorriu e sorriu junto.
— Ah, claro. É que ter como chefe de campanha é realmente algo que ninguém esperava — Anastasia concluiu. — E quem é seu assessor de comunicação?
pensou rápido e disse:
— Acho que falar sobre a campanha em um jantar casual não é exatamente...
— Que nada, . Posso responder essa numa boa — assegurou. — Então, Annie, é uma mulher. Mas prefiro deixar em segredo ainda.
Anastasia levantou as sobrancelhas.
— Interessante essa decisão. Não deixou em segredo o chefe de campanha, mas a assessora...
, com o que você trabalha? — soltou de repente. Os olhos de todos os presentes na mesa se viraram para ela e ela sentiu a pressão.
— Er, eu fiz jornalismo — ela disse apenas e bebericou de sua água. — E você, ?
— Ah, eu cuido dos negócios da família.
— Sério? E que negócios seriam?
— Os têm fazendas de tabaco e algodão por toda a Virgínia — Annie disse com aparente tédio, pelo o que pôde observar. Ela só não sabia se o tédio era por conta dela.
— E os Harris, Annie? — perguntou e a mulher sorriu.
— Somos donos de Minas — ela respondeu.
— Acho que estava certa, trabalho não é um assunto exatamente legal para se conversar em um jantar casual — colocou e os demais aceitaram sua decisão de mudar de assunto.
A noite se estendeu por algumas horas e assim ficaram, nessa mudança constante de conversas. Assim que terminaram a sobremesa, resolveram caminhar um pouco a esmo pela cidade.
A conversa continuou, até que Annie caminhou um pouco mais à frente e entrelaçou seu braço no de , começando a falar com ele sobre política. ficou alguns passos atrás e logo a alcançou, ficando ao seu lado.
— Então... Quer dizer que você fez jornalismo — disse e colocou as mãos dentro dos bolsos do casaco. olhou para ele por um instante e voltou sua atenção para uma pedrinha qualquer no chão.
— Sim, eu fiz.
— Na Inglaterra?
— Isso mesmo.
semicerrou os olhos por um momento e resolveu perguntar o que ele queria desde o começo da noite.
— E o que te traz para uma cidadezinha no meio da Virgínia? — Ele indagou, deixando sem palavras. Após o silêncio momentâneo, ele continuou. — Quero dizer, você morava em um ótimo país e até se formou por lá. Por que vir para a América?
demorou para responder, como se ponderasse as próprias palavras. Talvez não queria revelar o verdadeiro motivo que estava em Callumville.
— Sempre gostei dos Estados Unidos. E escolhi essa cidadezinha no meio da Virgínia porque eu soube que muitos turistas passavam por aqui, então poderia me trazer mais emoção.
meneou a cabeça, mas soltou um barulho pela boca.
— Veio ao lugar errado se você procura emoção — ele revelou.
— Ah, para, vai dizer que aquela abertura do museu não teve emoção? — notou o tom sombrio que tomou conta de e resolveu dizer algo para tornar tudo mais leve.
suspirou.
— É, bem, não é o tipo de emoção que eu procuro — ele disse. Então sorriu de lado. — Mas devo admitir que o nosso encontro foi algo divertido.
corou.
— O quê? Aquilo? Qual é, acha que chamar os outros de velhos é algo divertido? — Ela rebateu e ele riu.
— Ainda pensando nisso? Eu não sabia que estava nos seus pensamentos, será que devo contar a ?
o observou e eles pararam de andar.
— Se fizer isso, eu vou te mostrar quem é a velha — ela respondeu apenas e ele entendeu aquilo como um aviso, o que só deixou tudo mais divertido.
— Wow, caramba! Me desculpe, não queria acordar a fera — disse e respirou fundo, voltando a andar.
— Você é mesmo impossível, — ela disse, abraçando o próprio corpo contra o vento. Ele riu consigo mesmo e a seguiu.


5

(Coloquem essa música para tocar agora, por favor: Landslide — Fleetwood Mac)


observava a paisagem da cidade, as gotas da chuva escorrendo pelo vidro da janela, enquanto o ônibus seguia o caminho pelas ruas de Callumville. Ela estava de fones de ouvido e escutava Fleetwood Mac, uma banda que a lembrava sua mãe. Agatha os amava e sempre que sua filha ficava triste, ela colocava Fleetwood Mac no toca-discos bem alto, para que e ela sentissem a música e pudessem descarregar aquele sentimento infortúnio e indesejado. Naquele momento, ela desejava que sua mãe estivesse ali com ela, e era quase como se ela a visse no reflexo do vidro do ônibus no seu lugar. Sentia-se deprimida neste dia, o dia em que sua mãe fazia aniversário e que não poderia passar com ela. Ao menos, ouvir a banda favorita dela trazia um certo conforto.
Hoje estava sendo um dia difícil, com toda a certeza, e por motivos diversos.
Começou com acordando atrasada no primeiro dia de trabalho. A noite anterior ela tinha passado em claro. Estava, de toda maneira, tentando dormir, mas o dia seguinte prometia ser bastante pesado e isso a afligia. Quando finalmente conseguiu pegar no sono, perdeu o horário. Ela se levantou correndo e se trocou, pelo menos tinha separado a roupa ontem. Desceu as escadas e só encontrou Nic tomando seu café da manhã tranquilamente, Matt já tinha partido. A amiga a cumprimentou, pegou uma fruta e saiu às pressas da casa, indo para o ponto de ônibus. Assim que chegou ao local do trabalho, um dos poucos prédios da cidade, apertou o botão do terceiro andar do elevador, rezando para que as pessoas não tivessem notado que a assessora de comunicação da campanha de não estava presente até agora. Quando as portas estavam se fechando, uma mão apareceu entre elas, fazendo com que as portas se abrissem.
Ela olhou para a pessoa com um sorriso amigável, mas desmanchou a expressão no segundo em que notou que estava na sua frente. Ele a encarou com dúvida, sem entender o que ela fazia ali.
? O que você faz aqui? — Ele entrou, ficando ao seu lado, e as portas finalmente se fecharam.
— O mesmo que você, — ela respondeu, olhando para frente, mas ela pôde ver de canto de olho que ele estava sorrindo. Maldito, ela pensou, sorrindo arrogantemente a essa hora da manhã.
— Quer dizer que você também é chefe de campanha de um dos candidatos à prefeito da cidade de Callumville?
O elevador parou.
— Não, mas você já vai descobrir — ela respondeu e esperou as portas se abrirem, mas isso não aconteceu. aguardou mais alguns minutos, imaginou que aquele elevador fosse antigo e demorasse para abrir, mas, novamente, ele não o fez. — O que está acontecendo?
Olhou para os botões e tentou encontrar um que abrisse as portas, mas não tinha. Passou a procurar um que falasse com a recepção, mas estava muito ansiosa já e não queria passar mais alguns minutos ao lado daquele garoto insolente. Resmungou um “onde está o botão para ligar para a recepção?” e passeava os olhos pelo painel.
— Acho que não vou descobrir tão cedo, pelo visto — ele disse.
— O quê? — Ela lançou um olhar para ele e devolveu, observando-a.
— Você disse que eu iria descobrir logo mais o que você fazia aqui, mas eu estou dizendo que isso não vai acontecer tão ced...
— Ah. — Ela o ignorou e voltou a procurar o botão. — Não tem o botão, não?
— Que botão?
— Para ligar para a recepção, ora essa! Temos que sair daqui o quanto antes, temos coisas a fazer...
riu, fechando os olhos.
, eu não queria te falar assim, mas... — Ele abriu os olhos.
— O quê? — Ela se virou para ele. deixou a cabeça cair um pouco, se aproximando dela.
— Você se lembra de ver alguma recepção nesse prédio?
Oh, não.
— Como assim? Eu...
— Não tem recepção, só temos um porteiro.
— Que tipo de prédio comercial não tem recepção, ? Que absurdo, como isso é possível...?
, fique calma, estamos em uma cidade pequena, há quase nenhum prédio assim por aqui...
— Mas isso não pode estar certo! Se algo assim acontece, como prosseguimos?
, escuta...
— Não te dei a liberdade para me chamar assim, ! — ela disse um tanto desesperada e ele se calou. Ela soltou o ar de dentro dela e percebeu que tinha sido muito grosseira. Eles ficaram em silêncio por alguns segundos.
— Respira fundo, . Vamos sair daqui logo mais. Eu tinha me esquecido, mas esse elevador estava para ter manutenção há algumas semanas — disse e ela se encostou na parede da caixa de metal.
— Como vamos avisar que estamos presos aqui, ? — ela disse baixo e ele deu de ombros, se sentando.
— Vamos esperar. Eles vão notar que não estamos presentes, e, além do mais, mais alguém vai querer usar o elevador, então vão perceber o quanto antes.
Ela o observou e resolveu se sentar também, os dois estavam em cada canto do elevador, diametralmente opostos. Ele tinha razão, afinal. Não tinham o que fazer, não havia sinal dentro dali, portanto, a solução seria esperar, e logo mais perceberiam que o chefe de campanha e a assessora de comunicação não estariam presentes na primeira reunião.


O dia de estava terrível.
Ele dormira na casa de Anastasia e acordou sem ela ao seu lado, apenas um bilhete na cômoda ao lado da cama representava que ela esteve lá e que já fora para o trabalho. Ele suspeitava que ela acordou mais cedo para não ter que encontrá-lo, uma vez que brigaram na noite anterior a respeito do que ele descobriu sobre ela.
Enquanto Annie tomava seu banho, preparava o jantar para os dois. Ela tinha deixado o celular em cima da bancada e não parava de receber mensagens. Obviamente que não olharia para a tela do aparelho em nenhum momento, não por querer, mas quando foi pegar as taças para colocar o vinho, uma mensagem peculiar iluminou o smartphone.

“Tudo certo para arruinarmos os planos dos


achou que estava delirando quando viu, mas clicou no botão para iluminar a tela novamente e a mensagem estava lá, de um número que ele não reconhecia. O nome do indivíduo era “Eric” e já o detestava.
Ele ficou pensando nisso durante o jantar inteiro, sem dizer muitas palavras, e, claro, Anastasia reparou no silêncio de seu querido amigo. Quando ela resolveu conversar sobre isso, não quis revelar muito, se manteve na dele, até que ela disse algo proibido entre eles.
— Você está bravo porque eu não quero algo mais sério, não é? — ela perguntou e ele se manteve calado. — Vamos, . Você sabe que não daríamos certo...
— Quem é Eric? — ele soltou e ela o olhou com dúvida.
— Como assim?
— Não finja, querida. — Ela ficou no silêncio, o que o fez rir de escárnio e virar de costas para ela. — E, como se não bastasse, vocês estão planejando ficar contra a minha família! — Ele se virou para ela, os dois estavam de pé na cozinha. — Diga que não é verdade, Annie. Diga que eu entendi tudo errado. Vamos!
Então Anastasia riu.
— Você entendeu tudo errado, — ela disse e ele não acreditou nessas palavras. — Se você olhou meu celular, então talvez eu tenha motivos para ficar contra você, mas, não, não estou planejando nada contra a sua família e muito menos sei quem é Eric. Deve ter sido um engano.
Eles ficaram se observando, o peito de subia e descia rapidamente. Ela fez aquela expressão que Anastasia sempre fazia quando ficava decepcionada com algo, e então entendeu que estava fazendo tudo errado.
— Annie...
— Não sei, . Talvez devêssemos parar com isso entre nós. — Ela abraçou o próprio corpo e olhou para longe dele, para um ponto no futuro, onde eles não estariam mais nessa bagunça casual.
O coração de parou por um segundo. Não poderia perdê-la, não Annie, sua melhor amiga desde a faculdade. Mas o que ele poderia fazer? Não poderia obrigá-la a entender o lado dele, uma mensagem dessas era estranha, ainda mais que continha o nome da família dele envolvido. Está certo, sua família era famosa em Callumville, mas aquilo foi uma ameaça muito séria, e, mesmo tendo sido um engano, alguém planejava acabar com os e ele precisava descobrir quem era.
Porém, naquele momento, tudo o que importava era Annie e suas palavras geladas e cortantes.
— Annie, me desculpe. Passei dos limites e entendo se você não quiser mais me ver — ele disse e ela voltou seu olhar para . Anastasia umedeceu o lábio inferior com sua língua. notou um sorriso tímido no rosto dela, que foi crescendo até se tornar uma risada. — O que foi?
— Você acha mesmo que eu consigo ficar longe de você, ? — Ela se aproximou e beijou a boca dele. Logo o beijo se tornou intenso e ele desceu as mãos para as pernas dela, empurrando-as para cima. Ele carregou Anastasia até o quarto, onde fizeram sexo de reconciliação.
Mas ele sabia que algo daquilo não estava certo, ele sentia que tinha problemas à vista, mas não fazia ideia de quais eram.
Quando acordou e percebeu que ela não estava mais lá, se perguntou se ela estava escondendo algo, mas logo seus pensamentos o disseram que ela só tinha ido embora mais cedo por ter muito trabalho para fazer e não pelo motivo de ela estar o evitando. não era burro, então ele sabia que algo estava, sim, errado, mas como ele não tinha provas e nem pistas, no momento, ele não poderia fazer nada.
Então tomou uma ducha no chuveiro de Annie e saiu do banheiro convicto de que faria de tudo para descobrir a verdade. Ele ligou para Anton Jackson, o detetive da família, e conversou rapidamente com ele, dizendo, em resumo, para ele descobrir como andam os negócios da família Harris. Combinou um horário com ele nesse mesmo dia para falarem sobre as descobertas, em uma das fazendas dos , não muito longe de Callumville.
Anton era o melhor detetive da Virgínia, logo, ele descobriria alguma coisa que tivesse de ser descoberta. Portanto, sabia que teria um dia cheio pela frente.
Trancou a porta do apartamento quando saiu, deixando as chaves debaixo da caixa que guardava a mangueira do extintor de incêndio — o lugar onde Annie disse, no bilhete deixado na cômoda ao lado da cama, que era para deixar — e seguiu para o seu carro. O espaço em que a central da campanha de estava não era muito longe dali — aliás, nada era muito longe naquela cidadezinha. Mas o caminho serviu para pensar também em e no que ele tinha se metido ao concordar em ser chefe de campanha eleitoral do irmão mais velho. Estava preocupado também com o irmão ao lembrar o que ele tinha dito a respeito de sua ex-namorada, Effie, dois dias atrás — alegou que se esqueceria da mulher mais rápido ainda se as coisas com dessem certo. ficou com receio dessa afirmação por saber que usar alguém para esquecer outra pessoa não era o caminho, e que talvez não estivesse pronto para entrar em um relacionamento. No início, o incentivou a sair com outras mulheres e se esquecer da-que-não-pode-ser-mencionada, mas quando descobriu que era , por algum motivo, ele mudou de ideia.
Não que ela fosse a pessoa mais legal e gentil de todas, mas ela parecia ter muitos problemas já, não precisaria de um coração partido para completar.
Ele deixou a chave do carro com o manobrista do prédio comercial e entrou, seguindo para o elevador, que estava quase se fechando. conseguiu impedir que o elevador se fosse, e quando as portas se abriram, ele avistou a dona de seus pensamentos anteriores.
se sentiu estranhamente em casa ao vê-la, como se encontrar significasse algo. Mas ela já começou com as grosserias e ele não se sentiu preparado aquele dia para responder a altura. Sendo assim, se manteve na dele, sentando-se no chão do elevador que tinha quebrado e esperando alguém notar que ele não tinha chegado. já estava atrasado, mas agora os outros integrantes da chapa com toda a certeza estranhariam esse atraso longo.
Eles estavam olhando cada um para um lado daquele cubículo, no silêncio amargado e desconfortável. Ele não parava de pensar no que tinha ocorrido na noite anterior, mas tentou se controlar, mudar o rumo de seus pensamentos e vencer a ansiedade que lhe ocorria agora.
— Não acredito que esse dia está começando assim — disse baixo e ele levantou o olhar até a mulher sentada na sua frente. Ela soltou uma risada anasalada e continuou. — Eu fico pensando... o que minha mãe deve estar achando disso agora?
a observou fechar os olhos.
— Ela deve estar bem, . Não exagere, é só um elevador quebrado — o filho mais novo da família respondeu. soltou outra risada sem humor. — Sério, não precisa fazer disso algo tão importante.
— É... — ela soltou. continuou a olhar para a ruiva.
— Sua mãe não veio com você para cá, certo? Onde ela está agora?
abriu os olhos e olhou para o chão.
— Morta.
sentiu o choque atingir seu corpo. Ele não sabia mais o que falar, não depois dessa revelação tão drástica.
— Merda — ele deixou escapar e ela se manteve quieta. Após alguns minutos, ele resolveu voltar a falar. — Eu sinto muito.
— Tudo bem. Ela não sente mais dor, então ao menos isso é bom. — deu de ombros e olhou para suas mãos em cima de suas próprias pernas. Ele notou que ela estava lutando para dizer algo em voz alta, mas que talvez ele não devesse ouvir. — Minha mãe... Ela queria que eu tivesse uma vida esplêndida. — pausou e ele percebeu que a voz dela estava embargada. Então ela continuou. — Hoje é aniversário dela e eu nem sei se... Se onde ela está, se existe vida após tudo isso, ela sabe quem eu sou.
se surpreendeu com as palavras da mulher. soltou um suspiro trêmulo e deixou uma lágrima rolar por sua face.
— Ela sabe quem você é, . É impossível esquecer você — disse e subiu o olhar até ele. Os dois ficaram se encarando, sem saber o que dizer, mas querendo dizer muito.
— Obrigada, — ela disse e sorriu, limpando as lágrimas do rosto. — Mas talvez devêssemos mudar de assunto.
— Jesus, esse elevador tem algum poder de nos fazer revelar alguns segredos, não é? Também concordo em parar por aqui — ele disse e riu.

não esperava por aquilo. Não mesmo.
Quem diria que pudesse dizer algo que não fosse ofensivo? Na verdade, foi justamente o contrário desse termo: ele tinha sido gentil com ela. Bem, talvez ele tenha sentido pena dela, após o que ela revelou a respeito de sua mãe. Uma notícia dessas não é fácil de dizer da maneira que ela disse, mas ela não conseguiu ficar calada. A pressão do PVFP na vida dela sempre foi presente, mas, naquele momento, parecia que tudo ruiria, e ela não queria que isso acontecesse, não no aniversário da sua melhor amiga.
Sim, tinha razão. Sua mãe nunca se esqueceria dela, assim como nunca se esqueceria dela. Mas, caramba, que difícil manter as aparências!
Eles ficaram conversando sobre algumas brincadeiras de criança que cada um tinha no seu país, esperando alguém notar que eles sumiram. Assim, eles puderam mudar de assunto para algo mais leve e divertido.
E o tempo foi passando. Talvez uma hora depois, o elevador fez um barulho estrondoso e pareceu voltar a funcionar. e se levantaram e a porta se abriu, finalmente. Do outro lado, estava e algumas pessoas, dentre elas, técnicos para consertarem o elevador. pareceu meio chocado quando viu ali, mas ela sorriu para ele.
— Oi — ela disse e sorriu de volta.
— Oi, . Veio me ver? — ele perguntou, a ajudando a sair do elevador, deixando para trás.
Os dois estavam caminhando para uma sala em específico, e aguardava a resposta dela.
— Na verdade... — ela começou, mas avistou o prefeito na sala destinada. Christian a notou também e abriu os braços, animado.
— Senhorita ! Que bom que conseguiu sair do elevador — ele disse e olhou para o pai. — , essa é a sua mais nova assessora de comunicação!

Tudo bem, por essa não esperava. Seu dia podia se tornar pior?
Quando chegou ao local de trabalho, ele esperava encontrar seu irmão, sua equipe e sua nova assessora, que seu pai tanto elogiava, mas que queria manter em segredo. Mas, em vez disso, encontrou seu pai, e não seu irmão, nem a nova integrante da equipe.
Christian começou a dizer que precisavam correr contra o tempo, uma vez que os outros candidatos se revelariam no dia seguinte oficialmente, devido ao prazo final. não conseguia se concentrar muito no que seu pai estava dizendo, os dois estavam a sós em uma das saletas, enquanto a equipe se preparava no salão maior. Tudo o que pensava era no que contou ao seu irmão dois dias antes a respeito de — os dois já saíram mais duas vezes juntos desde seu primeiro encontro com e Anastasia. Ele falou sério quando disse que as coisas com ela poderiam dar certo e que logo ele se esqueceria de Effie. era maravilhosa e ele mal podia esperar para eles darem um próximo passo: passarem uma noite inteira juntos. disse que eles estavam indo rápido demais, que deveria desacelerar e tentar entender os sentimentos dele antes de ele querer dar qualquer outro passo, mas não queria saber. Ele nunca foi o cara que agia e depois pensava, mas com era diferente. Era como se os seus sentimentos o guiassem completamente, e não a razão.
E quando deveria estar trabalhando, estava ouvindo seu pai comentar estratégias de campanha, mas não o escutando de fato, e sim, pensando na mulher que caiu de paraquedas na sua vida.
Quando percebeu, já estava no horário da reunião inicial entre ele e sua equipe. Seu pai resolveu ficar para a reunião e os dois se foram para a sala onde esta ocorreria. Eles esperaram todos chegarem, porém não havia nem dado sinal de vida. Então esperaram e esperaram, até que um dos funcionários de apoio perguntou se eles queriam café e que ele iria buscar na cafeteria em frente ao prédio. Eles aceitaram, mas depois esse mesmo funcionário voltou dizendo que o elevador não estava funcionando. Christian disse para ele resolver esse problema, ligando na empresa dos técnicos e pediu para o funcionário ver nas câmeras se tinha alguém preso no elevador.
O funcionário voltou correndo, dizendo que estava lá, junto de uma mulher. Então eles esperaram a equipe de técnicos chegar, e quando esta chegou, eles se organizaram para começar a reunião mais tarde. caminhou de um lado para o outro ao lado de alguns membros da equipe de técnicos, enquanto eles faziam de tudo para fazer com que o elevador voltasse. Quando isso finalmente aconteceu, ele não acreditou quando viu, atrás das portas, junto de .
Ela disse um “oi” para ele, e os dois caminharam para a sala que ele estava no começo do dia. queria saber o que ela estava fazendo ali e ficou um pouco nervoso, quando começou a suspeitar nesse meio segundo a motivação dela estar lá.
, essa é a sua mais nova assessora de comunicação! — seu pai disse e até as batidas do coração dele foram erradas.
— Espera... o quê? — falou pausadamente.
, este é o nosso candidato, ! — Christian disse animado. Porém, não podia se dizer o mesmo de . Na verdade, o candidato a prefeito estava demasiadamente em choque.
será... minha assessora de comunicação? — ele perguntou, mais para ele mesmo, e Christian pareceu se irritar.
— Oras, filho, você está bem? Eu já disse que sim! Venha, querida, vou mostrar a equipe a você — Christian chamou com a mão e saiu da sala. olhou para , que ainda estava abalado, e seguiu o prefeito.
Ele não sabia como agir, não depois dessa descoberta. A verdade é que ele estava com medo, pela primeira vez, de as coisas não darem certo entre ele e ela, e isso afetar a campanha e o bom convívio entre todos. Ele teria que repensar totalmente o seu plano de esquecer de Effie e de se envolver mais com . Meu deus, ele era uma explosão de sentimentos naquele instante em que ele escutava seu pai falar na frente da sua equipe na reunião que acontecia finalmente. Ele olhava para , se perguntando o motivo de ela não ter falado nada sobre esse cargo novo que ela adquiriu na sua campanha. Será que ela tinha sentimentos concretos por ele e por isso ficou com medo de estragar tudo? Ou será totalmente o contrário e mal se importava com ? Ele não aguentaria mais um coração partido em tão pouco tempo.
Após a reunião, seu pai disse que estava indo para a prefeitura e todos se dispersaram para seus lugares e tarefas. Mas, antes de Christian ir, o chamou para conversar.
— Pai... — ele começou, depois de fechar a porta da sala em que estavam eles dois. — Por que você manteve segredo tanto tempo de quem era a minha assessora de comunicação?
— Do que você está falando, filho? Você já a conhecia? — ele perguntou e suspirou.
— Bem, eu...
— Que bom que conhecia, então você sabe como ela é ótima! Escute, , precisamos de alguém de fora da cidade para compor um cargo desses. Alguém com uma visão diferenciada e competência, e acredito que essa pessoa seja a Senhorita — ele afirmou, se aproximando de . Colocou a sua mão por sob o ombro de seu filho e terminou: — Vamos conseguir.
E deixou o filho mais novo dos sozinho na sala. Ele ficou pensando por alguns minutos e foi atrás de . O encontrou conversando com o responsável pela agenda de como candidato a prefeito. interrompeu a conversa e perguntou a se podiam conversar à sós. O irmão mais novo assentiu e foi junto de até sua sala.
— Diga, irmão — disse e se encostou na mesa de , apoiando os braços atrás do corpo na bancada.
respirou fundo.
— Você não achou estranho que não disse nada sobre ser nossa assessora? — Ele foi direto ao assunto. franziu o cenho por um segundo e depois sorriu.
— Qual é, , você não acha que teve medo de falar?
não sabia o que dizer, mas começou com:
— Medo? Eu acho que ela não se importa o suficiente comigo, pois quem esconde isso...
riu, calando , que o olhou com indignação.
, você está exagerando. Fique tranquilo, está bem? Vai dar tudo certo e — ele continuou, antes mesmo de dizer algo — se você quiser manter em segredo que você está saindo com alguém do trabalho, eu não vejo motivos para me opor.
olhou o relógio do pulso e se aproximou do irmão em seguida, dando tapinhas de leve no ombro dele. estava de saída, quando se virou para ele e disse:
, você acha que ...?
— Até mais, irmão — se despediu e deixou ali, com suas dúvidas e receios.
Provavelmente estava certo: estava exagerando. Porém, ele ficou pensando muito sobre o que seu irmão disse a respeito de esconder que estava saindo com . Seria essa a melhor solução?
foi até a porta da sala e olhou para , de pé em frente a uma mesa, conversando com outro integrante da campanha. Ela sorria animada e balançava a cabeça positivamente, até que desviou o olhar por segundos para e, continuando a sorrir, se voltou para a sua conversa. O coração dele deu um salto e ele não soube dizer se foi de uma ansiedade boa ou se foi medo pelo que estava por vir.


O dia tinha sido muito corrido, de fato. Ficar aquela hora junto de conversando sobre coisas banais foi um momento e tanto para , ele nem imaginava que ela poderia ser alguém que não o xingasse o tempo inteiro. Mas tudo foi estragado quando ele viu a expressão no rosto do irmão. Quando viu que estava lá — com ele — e depois descobriu que ela faria parte da campanha, tinha certeza de que iria desistir da ideia maluca de ficar com para esquecer da outra. E ficou com medo de seu irmão achar que e tinham alguma conexão que ele e ela não tinham. Por algum motivo, quando o irmão perguntou a ele se havia achado esquisito o fato de não ter revelado que seria a assessora de comunicação da campanha, ele raciocinou rapidamente, passando de pensamentos que demonstravam por A + B que a ideia de dispensar de seu novo cargo seria um tiro pela culatra, visto que não encontrariam alguém até o dia seguinte. E, além do mais, chegou à conclusão de que talvez fosse melhor manter em segredo o relacionamento de com , apenas para não criar tumultos na mídia. Então, de uma maneira sutil, ele disse tudo isso ao irmão. Agora restava torcer para que seu irmão mordesse a isca.
dirigia agora seu carro importado pelas ruas de Callumville, em direção ao Carlayle’s para conversar com Anton. O detetive já o esperava no restaurante quando chegou e os dois se cumprimentaram, se sentando um na frente do outro. Um garçom preencheu a taça de vidro de com água e os deixou a sós. Anton bebericou do líquido e começou a falar.
— Anton, você descobriu o que eu te pedi?
O homem assentiu e colocou uma pasta sobre a mesa.
— Visto o que eu consegui, a senhorita Anastasia não tem feito nada de diferente nos últimos tempos. Ela vai para o prédio dos Harris de manhã e à tarde volta para o seu apartamento. Eu a segui, para ter certeza disso. Porém, ela passou um tempo conversando com esse indivíduo aqui.
olhou para a foto que Anton apontava dentro da pasta. Ele viu Annie conversando com uma pessoa de capuz, cuja silhueta era definitivamente feminina. As fotos seguintes mostravam as duas mulheres entrando em um estabelecimento e se sentando em seguida, a pessoa misteriosa usava óculos de sol. Então Annie disse algo a essa mulher, que retirou os óculos de sol, ajudando a finalmente identificar o rosto da moça. Ele olhou mais de perto e...

Por que, você sabe de algum lugar que estão contratando?


A voz dela dizendo exatamente aquelas palavras lhe veio à mente.
— Não acredito... O que você faz aí? — ele disse baixo, ainda olhando para a foto.


(Coloquem esta música para tocar agora, por favor: Righteous Brothers — Unchained Melody)


A música de terminou finalmente, passando para uma mais antiga, e, com a saída de Fleetwood Mac de seus fones, seu ponto chegou. desceu do ônibus e caminhou o resto do caminho até a sua casa. Ela sabia que seus amigos não estariam lá, Matt ainda estava no trabalho, enquanto Nic disse que estaria procurando emprego e fazendo algumas entrevistas. Passou o dia todo perto de , e ficou se perguntando se foi a decisão certa não contar a ele que ela faria parte da sua equipe de campanha eleitoral. A maneira como ele agiu não estava nem um pouco natural e isso lhe causava medo. Ela estava conseguindo progredir no plano, sabia que era uma decisão arriscada, mas não queria que esta colocasse tudo a perder.
A ruiva chegou em frente à sua casa, tirou os fones e pegou as chaves de dentro da bolsa. Ela destrancou a porta e, após adentrar, trancou a porta atrás de si. Daniel estava na cozinha e Katy deitada no sofá, ela deu um “oi” aos dois tios de Matt, que responderam alegremente de volta. retirou as botas e subiu as escadas, em direção ao seu quarto.
Chegou ao recinto, tirou o casaco, jogando-o no chão, e colocou a bandeja de plástico em cima da mesa de cabeceira. procurou a vela que ela sempre usava nesta data e a retirou a tampa de cima da bandeja, colocando a vela no bolo de cereja. Em seguida, pegou o isqueiro esquecido em uma das gavetas da mesa e acendeu a vela, jogando o outro objeto em cima da cama e pegando novamente o bolo, sentando-se no chão com ele em cima de seu colo.
fechou os olhos, cansada, por um instante, e fez seu pedido no lugar de sua mãe.
— Ah, mãe... Se você estivesse aqui agora — ela sussurrou e assoprou a vela. respirou fundo e abriu os olhos, direcionando-os para o chão de carpete.
— Mas eu estou, .


Continua...



Nota da autora: Olá, meus bens! O que acharam desse capítulo? Gostaram? Desculpem a demora para atualizar, eu precisei me organizar antes de planejar os próximos capítulos e agora eu tenho um rumo mais concreto, ainda bem! Rsrs.
Digam: vocês esperavam por essa? Comentem muito para eu saber o que acharam e se vocês entenderam a referência da última música na cena! É issoooo, beijos de luz a todes, e digam se querem que eu continue!! :*

Ass: Giulia M.



Outras Fanfics:
Como Sobreviver na Faculdade [Restritas — Cantores/Harry Styles — Em Andamento]
Devil's Backbone [Restritas — LGBTQIA+ — Em Andamento] — Parceria com Stephanie Pacheco e Vanessa Vasconcellos
Faz parte do Esquema [Restritas — Originais — Em Andamento]
Hopnung [Especial Vida de Princesa — Em Andamento] — Parceria com Vanessa Vasconcellos
Novacaine [Restritas — LGBTQIA+ — Em Andamento] — Parceria com Vanessa Vasconcellos
Os Diários [Harry Styles — Finalizada]
15. You Wish You Knew [Ficstape Zayn — Icarus Fall]
A culpa não é das estrelas [Especial Extraordinário]
Aprendendo a falar a língua da matemática [Challenge 012]

Nota da beta: Eu tô tão feliz por betar mais um capítulo dessa fic que nem cabe em mim!
O que foi essa cena de Lize e Jake no elevador? Achei fofos, mas ainda sou team Peter, não vou negar hahaha.
Eu amo a fluidez da sua escrita. Sempre devoro os capítulos num piscar de olhos e me divirto muito. Você é maravilhosa, Giu! ♥

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


CAIXINHA DE COMENTÁRIOS

O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.


comments powered by Disqus