Última atualização: 03/12/2021

Prólogo
O que aconteceu com nós?


— Quando foi que você virou isso? Você não era assim! — Tom exclamou, sentindo seu peito gelar por completo.
— Não, meu querido Tom! Eu sempre fui assim! Você me conheceu exatamente como eu sou! — gritou de volta, furiosa.
— Não, não! A que eu conheci jamais teria feito algo desse nível — protestou ele, agora nervoso. — Por Merlin, o que aconteceu com você?
— Nada! Não aconteceu nada! — gritou novamente, sem qualquer resquício de paciência.

Tom passou a mão pelo rosto, seguindo para os cabelos. É nítido que os dois estão nervosos, suas respirações ofegam e seus corpos parecem tremer com a raiva que sentem no momento. está com os cabelos bagunçados, causados pelos movimentos frenéticos da jovem em andar por todos os lados. Suas roupas estão um pouco abarrotadas, nada muito visível. Seu rosto, entretanto, está vermelho. Seus olhos faíscam em puro ódio e, naquele momento, ela está totalmente incapaz de responder por conta própria.
— Eu... eu não sei se posso — Tom prosseguiu, soltando um suspiro. o analisou, vendo-o sentar em um canto, sobre uma caixa velha. — Está acabando com...
— Acabando com o quê, Riddle? — questiona ela, amarga.
— Acabando com... eu não posso...
— DIGA, RIDDLE — gritou de novo, totalmente impaciente.
— ESTÁ ACABANDO COM A GENTE! ERA ISSO O QUE QUERIA OUVIR? — gritou ele de volta, fazendo recuar e se desarmar por completo.

A jovem ficou tão surpresa pelo comentário que simplesmente desarmou. Ela não havia respostas, não havia cartas na manga e nenhuma ideia mirabolante para contradizer Tom. A verdade é que, com aquele comentário, ele havia feito se despedaçar. A expressão chocada da garota com certeza bastou para finalizar a discussão e um pouco de paz era tudo o que Riddle queria naquele momento.
, não sei em que ponto você se perdeu de mim... mas eu nunca quis isso — confessou, com a voz um pouco rouca pelo fato de ter gritado. — Nós dois não éramos isso.
— Fale por você, Riddle — murmurou ela, voltando a expressão de raiva.
— Não, Blossom. Eu estou falando por nós — ele a rebateu, sério.
— Quando você vai entender que nós dois não somos NADA? — perguntou ela, gesticulando com os braços.
— Não somos nada, ? — levantou, indo até a jovem. A respiração de ambos voltou a ofegar. — Você realmente tem certeza de que é isso que quer?
— Me diga você, Tom — provocou, olhando fundo nos olhos do rapaz alto e sedutor. — Prove para mim o que temos e eu direi o que quero.

Riddle prensou fortemente contra a parede do banheiro, com os olhos afervorados. A tensão aumenta e os milímetros que os separavam foram cortados com a união dos lábios necessitados de Tom pelos da jovem . As mãos do rapaz deslizam pelas vestes tradicionais da moça, enquanto as mãos dela afundam nos cabelos perfeitamente ajeitados dele.

Naquele momento, sabia que estava entregue a ele.


Capítulo 1
Um trio diferente


nem conseguia acreditar nas palavras do Chapéu Seletor quando ele a colocou na . Olhou com um certo olhar de desdém para os demais alunos, preenchido por uma arrogância absoluta. Ela levantou, com um sorriso nada amigável no rosto, e se uniu aos demais colegas na mesa. Aquela cerimônia realmente não lhe interessava, muito menos as palavras calorosas do diretor, Armando Dippet.
Na verdade, realmente não liga para ninguém ali. Seu olhar é realmente de poucos amigos, mas toda essa aversão é justificável. Ela está ansiosa. Desde criança era obrigada a ouvir sua família falar sobre Hogwarts; a felicidade de seus pais quando seu irmão mais velho, Noah, recebeu a carta foi totalmente indescritível. O garoto havia sido selecionado para a Corvinal, então havia sido uma tremenda surpresa ela ter ido parar naquela casa. A decisão do Chapéu Seletor havia sido inusitada, afinal, passaria os próximos anos de sua vida ali.
— Ei, Blossom! — uma garota a chamou. olhou em sua direção, observando os cabelos escuros, os olhos claros e um sorriso amigável, além das sardas completando sua aparência. — Sou a Harris, mas você pode me chamar de .
— Olá, acenou, educada. — Prazer em conhecê-la.
— Seu irmão é muito amigo do meu irmão. Passaram o verão falando de você — diz, sentando ao lado da mesma.
— Noah anda falando de mim? Estou surpresa — afirma ela, cruzando os braços sobre a mesa.
— Mas por quê? Ah, não se preocupe, falaram bem — sorriu a morena, tentando consertar a fala. deu de ombro.
— Noah é estranho. Não sei como conseguiu virar capitão da Corvinal, mas não me importa muito. Eu acho inclusive que ele está na casa errada — afirmou, fazendo dar risada.
— Seu irmão é muito popular por aqui, sabia? As garotas caem matando — disse a mesma, risonha.
— A popularidade é irrelevante — respondeu, apoiando a cabeça na mão. — Noah é bonito, não posso mentir... mas às vezes é idiota. Eu não me deixaria levar pelo charme, .
— Você é tão ácida... — afirmou a menina, chocada. — Gostei de você.
— Idem — sorriu a moça, entusiasmada.

As duas ficaram em silêncio para ouvir o restante da seleção. Uma garota um pouco mais magra, franzina e de pele bronzeada, de cabelos curtos e uma franja bem picotada foi chamada. James é o nome dela. Foi selecionada para a mesma casa que e , sendo chamada para sentar próxima das duas. Ela é muito tímida, mal deu para ouvir sua voz.
— Amiga, relaxa — diz, animada. — Vai ser divertido!
— Suponho que sim — afirma. — Está nervosa, não está?
— Um pouco — comentou a menina, timidamente.
— Vai ficar tudo bem. Não há nada com o que se preocupar aqui! — insiste, abraçando a mesma.
— Vamos começar com o básico. Meu nome é Blossom, sou de Inverness, Escócia.
— Meu nome é Harris, sou de Londres, Inglaterra!
— Sou a James, de Cardiff, País de Gales.

Em questão de alguns minutos, a jovem já estava a vontade. A atenção de transitou do assunto em que estavam conversando animadamente para o rapaz franzino, de cabelos perfeitamente arrumados e roupas impecáveis. Tom Riddle é seu nome. Ele sentou sobre o banco e o Chapéu Seletor mal encostou em seu cabelo quando anunciou alto e em bom tom: Sonserina!
— Aquele garoto... tem alguma coisa nele — sussurrou, próxima das garotas que não disfarçaram em nada ao olhar para ele.
— Você fareja absurdos agora? — provoca, rindo.
— Não exatamente, mas garanto que sou muito intuitiva. É de família — explicou a jovem, dando de ombro.
— O seu irmão é o Capitão do time da Corvinal? — perguntou. estranhou, porque aparentemente todo mundo ali sabia disso. Foi então que ela recordou do que disse um pouco antes.
— É, sim — confirmou a moça, desinteressada.

Os momentos de felicidade da moça duraram pouco, porque Noah apareceu no Salão Principal, conversando animadamente com algumas garotas que estavam com ele. Ao ver a sua irmã mais nova na mesa, ele pareceu se animar mais, indo na direção da mesma.
— Ei, ! Droga, perdi a cerimônia — comentou o garoto, sentando ao lado da irmã.
— Eu nem notei — rolou os olhos, servindo seu prato com a comida que apareceu diante de seus olhos.
— Credo, que mau humor todo é esse? — Noah perguntou, curioso. deixou os talheres de lado, olhando para o irmão com um pouco de raiva.
— Estou aqui há 30 minutos e você só resolve dar o ar da graça agora. Adorei os amáveis comentários sobre você, meu amor — disse ela, no tom mais falso que conseguiu sair. — Pelo visto se tornar o Capitão do Quadribol trouxe bem mais do que a popularidade, não acha?
— Minha nossa, sua pequena naja — exclamou o garoto, em choque. — Limpa esse veneno que está escorrendo das presas.
— Noah, você e eu sabemos bem o motivo do meu mau humor — o acusou, deixando os demais espectadores interessados na discussão. — Você azarou o meu gato de novo!
— Aquela praga que você tem de mascote? Foi merecido! — devolveu o irmão, pouco interessado.
— É melhor você sumir da minha vista antes que eu azare você, peste bubônica — a jovem Blossom alterou a voz moderadamente.
— Ela está blefando — se intromete, notando que os dois se encaram como se fosse sair faísca de seus olhos.
— Não, não está — Noah recuou. e se entreolharam. — Espero que seu ano seja interessante, maninha.
— Some — respondeu ela ríspida, com os lábios semicerrados.

Assim que o garoto se afastou, as duas novas amigas de a olharam atentas e curiosas. Ela tornou a comer, como se o que tivesse acontecido ali não tivesse significado absolutamente nada ou até mesmo acontecido. sempre levou seu gato, Sabbath, muito a sério. Ela ama o gato como fosse a única coisa boa da sua vida e o protege com a sua vida. Ao descobrir que Noah havia maltratado o seu bichano, ela simplesmente enlouqueceu.
— Então... hã... azarar? Nós acabamos de entrar no castelo... — comenta, um pouco receosa.
— Achei um livro em casa sobre azarações — explicou. — Na biblioteca do meu pai. Estudei por uns meses antes de vir para Hogwarts.
— Esse tipo de coisa é raridade hoje em dia — afirma, de forma muito sábia.
— Eu sei. Por isso atraiu a minha atenção — sorriu. — Meus pais tem um certo fascínio por artes ocultas e afins.
— Ah, isso parece ser legal — deu de ombro, cortando a carne de seu prato.
— Você não faz ideia — afirmou, com duplas intenções.

Na mesa, o garoto Riddle havia prestado atenção no que ela havia dito. Achou curioso o comentário sobre artes ocultas, já que aquilo era realmente um assunto um tanto quanto delicado. Não há muitos bruxos praticantes dessa arte, e os que existem raramente são mencionados. Digamos que a maioria evita qualquer tipo de problema, uma vez que as artes ocultas são perigosas. Isso deu a entender muita coisa sobre a família Blossom.
— Ele está olhando para cá — murmura. disfarçou antes de olhar na direção mencionada pela colega.
— Estou dizendo... esse garoto é estranho — afirma, ajeitando os cabelos .
— Seus pais fazem o quê, ? — mudou totalmente o assunto.
— Meu pai trabalha no Ministério da Magia, mas é mais para não ficar no tédio — Blossom explica, indiferente. — Minha família é muito bem estruturada financeiramente, eu poderia me formar em Hogwarts e não me preocupar com dinheiro. Minha mãe prefere alquimia, então passa o tempo inventando coisas. E vocês?
— Papai é Auror — diz. — Mamãe trabalha no Ministério na Execução de Leis Mágicas.
— Mamãe trabalha n’O Profeta Diário — comenta, empolgada. — Papai é um historiador bruxo, está sempre por aí.
— Interessante. Uma variedade de profissões — sorriu, levantando da mesa.

As três seguiram entusiasmadas para o dormitório. desfez a mala com muita preguiça, deixando seu uniforme preparado para o primeiro dia de aulas. Sabbath, o seu gato preto de lindos e intensos olhos verdes, estava deitado sobre sua cama, lambendo as patas. A jovem o colocou debaixo da coberta ao pé da cama, então deitou, virando para .
— Como acha que será? — questiona ela, demonstrando um interesse repentino.
— Acho que vai ser legal — afirma a garota, ainda animada. — Está com o seu horário?
— Primeira aula é Transfiguração — responde a mesma, bocejando.
— Perfeito! Vai ser um bom dia, sem sombra de dúvidas! — exclama ela, deitando enfim.
— Se você estiver errada, nós vamos brigar — afirmou a jovem Blossom, rindo.
— Prepare sua varinha, Blossom — provoca a garota, risonha.
— Boa noite, . Boa noite, — disse ela, bocejando novamente.
— Boa noite, — as duas responderam uníssonas.

fechou a cortina ao redor da cama, ouvindo Sabbath ronronar. Ela acariciou a cabeça do animal, deitando em seguida. Por incrível que pareça, o olhar de Tom Riddle ficou impregnado na sua cabeça e ela com certeza sabe que há algo a mais por trás da aparência ingênua que este transmite.

[...]


— Bom dia, alunos — o homem alto e de barba e cabelos escuros cumprimentou os jovens. — Meu nome é Alvo Dumbledore e eu serei o professor de Transfiguração de vocês.
O professor possui tanta presença que é impossível desviar a atenção dele. Foi exatamente o que pensou na sua primeira aula. Dumbledore é um professor que não mede esforços para ensinar e fazer tudo parecer magnífico. A jovem Blossom ficou tão encantada e entusiasmada que nada naquele momento podia quebrar sua concentração.
— Estou certo em dizer que podemos esperar grandes coisas de vocês — prossegue o professor, com os olhos cintilantes. — Dentro destas paredes vocês irão aprender a arte da transfiguração e além. Portanto, guardem as minhas palavras, elas lhes serão úteis no futuro.
Dumbledore havia fama de ser um excelente bruxo. Um dos maiores de seu tempo, como dizem por aí. A verdade é que a fama realmente faz jus ao seu dono; Dumbledore é um professor muito habilidoso e talentoso. Talvez os seus métodos de ensino sejam a razão pela qual se sente tão confortável e ansiosa para aprender. Ela não pretende desperdiçar um segundo sequer. Ao final da aula, quando a sineta tocou, ela recolheu seus livros e saiu acompanhada de e . As três já se tornaram inseparáveis.

— Não acharam interessante? Eu estou ansiosa demais para a próxima aula com Dumbledore — diz, suspirando de felicidade.
— Eu quero descobrir como será com o Professor Slughorn, se quer saber — afirma, compartilhando da mesma excitação que .
— E você, ? Qual é a aula que tem mais interesse em conhecer? — indaga, passando a andar entre as duas.
— Herbologia, Feitiços e algumas outras — responde a garota, não tão entusiasmada assim.
— O que foi? Você está bem? — questiona, preocupada. — Se for algo sério, vamos até a enfermaria.
— Não, não... estou legal — afirmou a menina, sorrindo forçada. — Acho que o café da manhã não me caiu muito bem.
— Está ansiosa de novo — observou, minuciosa. A pequena concordou. — Podíamos aprender alguma poção para isso, um calmante...
— Credo, vai dopá-la? — gargalhou alto, fazendo esboçar um sorriso tímido.
— Por falar em poção calmante, nós vamos nos atrasar para a classe do Slug! — exclama, olhando o seu horário.
— Santo Merlin, vamos! — as puxou com pressa em direção às masmorras.

As três saíram apressadas pelos corredores, tentando alcançar os demais alunos. Elas entraram por último na sala, precariamente iluminada e cercada por estantes, caldeirões e frascos, além dos ingredientes usados de forma tradicional. Elas se aproximaram do grupo formado na frente da sala, aguardando pelo professor.
A porta abriu e uma figura não muito alta, de cabelos castanhos e roupas a rigor entrou na sala. Seu rosto é bondoso, como quem anseia para compartilhar seu conhecimento com os demais. Ele tomou a frente da turma, colocando as mãos para trás de seu corpo e dando uma boa olhada nos jovens bruxos presentes.
— Bom dia a todos. Sou o professor Horácio Slughorn e estamos aqui para aprender a arte de confeccionar poções. Não temam em falhar, pois saibam que a perfeição requer prática — diz ele, calorosamente. — Hoje nós iremos fabricar uma poção antídotos para venenos comuns. Por gentileza, peguem seus livros e eu irei separá-los em duplas.
Slughorn chamou os alunos pelo sobrenome, embora tenha confundido alguns, para o divertimento de . Aos poucos, alguns alunos sobraram. A jovem Blossom permaneceu calma, mas ficou aliviada em saber que suas duas amigas tinham acabado juntas. Por fim, havia sobrado ela e mais uma garota, além de dois rapazes. Um deles é Tom Riddle.
— Blossom e Riddle, a mesa do canto — Horácio diz, observando os dois se entreolharem com uma certa desconfiança.
A garota deu de ombro, seguindo para a mesa com o garoto. Sentaram lado a lado, permanecendo em silêncio. Horácio estipulou o tempo para o preparo da poção, então abriu o livro na página da poção, lendo o passo a passo da mesma. Ela colocou o bezoar na argamassa, fazendo um pó finíssimo no pilão. Tom colocou 4 medidas do bezoar esmagado no caldeirão, enquanto colocou 2 medidas de ingrediente padrão ao mesmo.
Enquanto aguardaram o caldeirão aquecer a uma temperatura média, passaram cinco segundos e Tom mexeu a sua varinha sobre o caldeirão, então ambos deixaram fermentar. Seria necessário 40 minutos no caldeirão de estanho até que estivesse no ponto ideal, então, neste intervalo, eles prepararam os demais ingredientes.
— Vou pegar o caldeirão de latão — diz, enfim se comunicando. O garoto assentiu e ela levantou, indo buscar o objeto. Assim que o pegou, retornou à mesa e os dois depositaram o líquido no segundo caldeirão, devolvendo-o ao fogo por mais 34 minutos precisamente.
— O próximo é o caldeirão de cobre — Tom diz, pela primeira vez desde o início da aula. — 30 minutos.
— Quer pegar os chifres de unicórnio enquanto eu cuido das bagas de visco? — indaga, vendo o garoto concordar. — Excelente.

Os 34 minutos passaram, então outra vez trocaram o caldeirão para o de cobre. Mais trinta minutos de espera passaram. Tom adicionou 1 pitada de chifre de unicórnio, enquanto mexeu o caldeirão no sentido horário duas vezes, acrescentando enfim 2 bagas de visco. mexeu o caldeirão novamente no sentido anti-horário duas vezes, então finalizou a poção com um movimento da varinha. O líquido possui a cor azul-petróleo e, a julgar pela consistência, está no ponto ideal.
— Pelas barbas de Merlin! Não vejo uma boa poção assim há anos! — exclama Slughorn, encantado. olhou para Tom com um sorriso de vitória no rosto. — Excelente, meus jovens pupilos, excelente!
— Obrigado, senhor — Tom agradece, sorrindo.

Slughorn avaliou as demais poções e a única igualada a de Tom e foi a de e . As restantes não foram tão boas, mas foram boas o bastante. Ao final da classe, quando a sineta tocou novamente, levantou, guardando o seu material, analisando de forma curiosa o garoto Tom escrever algo em um livro de capa preta.
— Até, Riddle.
— Blossom.

Ela juntou-se com e , saindo da masmorra. O clima pareceu um tanto quanto suspeito, mas ela optou por não dizer nada, até porque seus pensamentos iriam para o túmulo com ela. Depois do terceiro período, elas foram direto ao Salão Principal para o almoço. As três se reuniram na mesa da casa, notando os demais colegas.
— Qual a sua primeira impressão do Riddle? — questiona, entusiasmada.
— Nada demais. Ele é quieto, mas parece ser muito inteligente — Blossom responde, dando de ombro.
— Tímido, talvez? — sugere, fazendo com que as duas amigas pensassem.
— Possivelmente — afirmou, servindo o prato com um purê de batatas. — Mas tem algo a mais nisso.
— Ah, fiquei sabendo que ele é órfão — diz, cujo tom de voz baixo é proposital para que ninguém além das duas ouça. — Isso explica muito, não?
— Órfão? — quase exclama alto, surpresa.
— É... aquela garota, Walburga Black, é insuportável, mas é muito fofoqueira. Ouvi ela comentar com o primo dela, Orion — explicou, risonha. — Depois disso, começou a falar sobre a supremacia dos puro sangues e blá blá blá.
— Ah, muito comum — deu de ombro, mastigando em seguida. — Principalmente porque ela pertence a uma das 28 Famílias Sagradas.
— Eu acho bem... idiota — murmurou, concentrada no seu prato. — Mas enfim, saber que ele é órfão explica muita coisa mesmo.
— Você está com uma cara de quem vai aprontar — afirmou, olhando fundo nos olhos de .
— Isso é coisa da sua cabeça, — desconversou Blossom, entediada. — Não tenho interesse em Riddle.
— Acredito em você — sorriu.

sorriu de soslaio. Ela só não flagrou os olhos de Tom sobre ela, voltando a sua atenção para o diário próximo do prato, anotando algo e o fechando em seguida.


Capítulo 2
A Seção Restrita


Durante a noite, sedenta de curiosidade, entrou na biblioteca pouco antes do horário esgotar. Se algum monitor lhe pegasse ali, certamente estaria em problemas, por isso tomou todo o cuidado do mundo para não ser descoberta. Esgueirou-se do seu pequeno esconderijo, indo em direção às seções reservadas que claramente não lhe são permitidas. Um barulho fez com que ela percebesse que não estava só.
— Riddle? O que faz aqui?
— Me diga você, Blossom — respondeu o garoto, de forma defensiva.
— Insônia. Gosto de ler quando não consigo pegar no sono — devolveu ela, revirando os olhos. — Sua vez.
— Estava estudando — responde, convincente. balançou a cabeça, pouco convencida da resposta.
— Nesta seção? Você é corajoso — sorriu, sentando ao lado do menino, fazendo-o recuar.
— E você é bisbilhoteira demais — murmurou, voltando sua atenção ao livro. o analisou melhor, notando certas manchas em seu pescoço.
— De onde você vem, Riddle? — questiona, atraindo a atenção dele outra vez. Blossom se divertiu com o desconforto do garoto.
— Não é da sua conta — devolveu, impaciente.
— Meu palpite é que veio daquele orfanato. Aquele de Londres. Eu vi você uma vez — afirmou ela, deixando o menino constrangido e surpreso. — Eles são durões, não são? Batem, abusam...
— E com que direito você fala assim?
— Conheço alguém de lá — deu de ombro, encostando-se na cadeira. — Meus pais me trouxeram para Londres, por causa do Ministério. Um dia eu estava passeando com uma tia, então vi você na janela. Infeliz, solitário, triste.
Riddle disfarçou o máximo que pôde, mas não por tanto tempo. está totalmente certa. O orfanato lhe deu uma pré educação bem rígida, onde o poder prevalece. Tom cresceu endurecido, desconfiado e sozinho. Ele aprendeu a não confiar nas pessoas e sempre manter as coisas para si. Mas pareceu desvendá-lo em questão de segundos e isso, infelizmente, é uma habilidade impressionante.
— Eu posso ver nos seus olhos que a sua chegada aqui não foi tão acolhedora — prosseguiu, se aproximando do mesmo. — E eu entendo você, ah, como eu entendo.
— O que você sabe sobre solidão, Blossom? Você cresceu em uma família visivelmente amorosa, cercada de coisas boas — Tom cuspiu as palavras, para o divertimento da garota.
— Eu sei, e eu certamente não tenho muito o que falar, mas acredite em mim quando digo que isso tudo é irrelevante — diz, calmamente. O garoto estranhou, recuando. — Nenhuma fortuna do mundo pode preencher o vazio que eu sinto. E você sabe como é. Você sabe porque você sente.
— Tudo teria sido diferente se ela estivesse viva — Tom murmurou, cheio de raiva.
— Sua mãe? — questiona, com a sobrancelha arqueada. O garoto assentiu. — A minha mãe também não é lá essas coisas...
— Como ela é? — pergunta, curioso. sorriu.
— Uma mulher aristocrata, que só liga para as unhas e as suas experiências idiotas — responde ela, com desdém e nojo. — Meu pai? Só liga para o cargo e a fortuna. Meu irmão? A popularidade lhe cegou. Todos eles são meras moscas que se cegam diante dos problemas abaixo dos seus narizes arrebitados.
— Então você realmente sabe como é — Riddle cruzou os braços, encostando-se na cadeira.
Algo em seus olhos deixou claro que ele estava confortável com a presença e a companhia da garota. Satisfeita por ter penetrado a “primeira casca” do rapaz, certamente não iria parar por ali. Ela quer mais. Tom, por outro lado, pela primeira vez ao longo dos seus onze anos, sentiu que aquela garota era digna da sua confiança. Ela lhe provou que entende como ele se sente e é a primeira vez que alguém não lhe trata com tamanha indiferença. É a primeira vez que alguém lhe é amigável.
— O que você quer de mim, Blossom? — Tom questiona, completamente desconfiado.
— Nada. Você só me é curioso, Riddle. Gosto de enigmas ambulantes — a garota sorriu novamente, deixando o garoto surpreso. — Acho que podemos formar uma amizade bem improvável, não?
— Ao que parece... você já é bisbilhoteira por natureza. Se eu não permitir, não vai parar — argumentou ele, voltando a ler o livro sobre magia oculta.
— Aliás, este livro é interessante, mas eu não recomendaria ele — provocou, levantando. Ao olhar para a corda que separa a Seção Reservada, ela rolou os olhos. — Muito eficaz.
— Não imaginei que tinha um certo desprezo pelas regras, Blossom.
— Se você não gostasse de quebrar os regulamentos, não estaria aqui — devolveu ela, piscando.
A audácia da garota é realmente algo que lhe atrai, sem sombra de dúvidas. Mas assim como sentia algo a mais no garoto, Tom também pôde perceber que ela, assim como ele, vive de aparências e é certo que Blossom esconde algo. O problema da questão é que ele não é tão bom em desvendar as pessoas, seu único caminho é a persuasão, mas ele percebeu na hora que persuadir levará tempo. Ela não é tão fácil assim, muito menos manipulável. A garota dos cabelos atravessou a corda, abrindo o armário dos livros velhos e lendo as lombadas, retirando outro livro sobre artes das trevas.
— Este aqui é muito mais informativo — disse, entregando o mesmo ao rapaz. Ele a encarou desconfiado, algo que ela certamente flagrou.
— Interessante — murmurou, lendo o título do livro entregue por ela.
— Achei que passamos da fase da desconfiança, Riddle — sorriu-lhe, deixando o garoto um pouco ansioso. — Enfim, se está interessado nas Artes das Trevas, eu conheço muitos livros bastante informativos. Me procure qualquer hora dessas, adoraria conversar sobre esse assunto.
Dito isso, sorriu travessa antes de deixar o garoto sozinho, retornando ao dormitório da . Ela entrou de forma tão sorrateira que sequer notaram sua ausência. Blossom retirou Sabbath de baixo da sua coberta, acariciando o animal que ronronou e então deitou, sentindo-se satisfeita por ter conseguido permanecer em uma conversa decente com Riddle por mais de dez minutos. Enquanto navegava submersa em seus pensamentos, ela sequer notou que ainda estava acordada e estava atenta a cada movimento seu, curiosa como sempre.
— Onde esteve? — questiona a garota, puxando a cortina para o lado, assustando Blossom.
— Na biblioteca — respondeu, se recompondo depressa, para o divertimento da amiga. — Estava sem sono, resolvi ir ler alguma coisa para me distrair.
— Como é que você entra nos lugares sem ser descoberta? Inveja! — exclama ela, baixo. sorriu com isso.
— Quando você cresce numa casa imensa como a minha, você aprende a se esgueirar sem chamar atenção — explicou, deitando. — Tom Riddle estava lá.
— Santo Merlin, e aí? — senta na cama, cruzando as pernas.
— Conversamos muito pouco — responde, omitindo certos detalhes. — Mas até que é simpático.
— Ele é órfão mesmo? — pergunta, curiosa. viu os olhos da amiga brilharem de pura excitação.
— É — respondeu, balançando a cabeça. — Disse a ele que o vi no orfanato enquanto estava em Londres.
— Espera, isso é verdade? — questiona, agora confusa.
— Não — sorriu. — Eu só joguei uma isca e ele mordeu, mas confirmou o que eu já suspeitava.
, você é má! — ouviram exclamar, dando risada.
— A questão é que ele é um garoto solitário e cheio de ódio. Isso pode ser muito bem aproveitado se você souber como utilizar — disse Blossom, enigmática. As duas meninas novamente se entreolharam, um pouco assustadas com a fala da amiga.
— Às vezes você é um pouco macabra, já te disseram isso antes? — indaga, sentando na cama.
— Você não tem ideia — respondeu, deitando-se. — Enfim, boa noite, garotas. Durmam bem.

Naquela noite, dormiu feito bebê. Nunca tinha dormido tão perfeitamente como dessa vez, por isso odiou ter que levantar na manhã seguinte e se esgueirar para dentro do seu uniforme, preparando-se mentalmente para enfrentar o horário do dia.
A primeira aula seria Herbologia, com o professor Herbert Beery, é particularmente insuportável. Suas aulas são monótonas e entediantes, pelo menos é o que Noah diz. Hoje ela tirará a prova limpa. Depois de vestir o uniforme e arrancar suas amigas da cama, as três desceram para o Salão Principal, sentando na mesa da e servindo-se com os pães, bolos e as outras delícias fornecidas pela cozinha de Hogwarts.
— Vai à biblioteca hoje à noite? — questiona, empolgada. a encarou, como se o seu olhar fosse capaz de transformar a amiga em pó. A garota percebeu que havia falado alto demais, sentindo as bochechas pegarem fogo. — Ok, desculpe-me.
— Possivelmente — Blossom respondeu, bebendo o chocolate quente da sua caneca. — Digamos que eu encontrei uma seção interessante, pretendo procurar algo mais tarde.
— Credo, você é um pouco estranha às vezes — comentou, risonha. sorriu muito satisfeita.
— Eu sei que sim, obrigada — devolveu ela, sorridente.
— Mas então, não vai nos dizer o que você tanto procura na biblioteca? — questiona, curiosa.
— Não. Ainda não — responde a moça, despreocupada com a curiosidade das amigas. — Se eu encontrar, talvez. Até lá, bico calado, por gentileza.
As meninas assentiram, em partes um pouco nervosas. pareceu tranquila, como se nada naquele dia pudesse atrapalhar seu bom humor. A garota dos cabelos chamativos levantou, disposta a ter uma boa manhã e muito produtiva. A primeira aula do seu dia é Herbologia, então a jovem Blossom seguiu acompanhada das amigas até à estufa, em completo silêncio, absorvida em pensamentos.
— Bom dia, meus queridos — o homem apareceu, animado. — Sou o professor Herbert Beery e nós iremos aprender sobre uma plantinha muito fascinante conhecida por suas amplas propriedades mágicas. Alguém tem um palpite do que é?
— Com licença, senhor Beery — levantou a mão, chamando atenção dos colegas e do professor. — Esta não seria a planta Ditamno? Ela é conhecida por ser um item indispensável na fabricação da ‘Essência de Ditamno’ e na Poção Wiggenweld.
— Excelente, minha cara. Cinco pontos para a ! Prestem atenção com a planta, ela também é conhecida por liberar vapores inflamáveis — Beery sorriu, entusiasmado.
Todo mundo olhou para o pequeno exemplar que o professor Beery tinha em mãos. aproveitou para fazer um esboço da planta no livro, anotando instruções simplificadas de como utilizar as principais partes da mesma, além de informações adicionais de como preparar a essência de ditamno para curar ferimentos moderados e graves.
— Portanto, se você possuir algum corte superficial, ingerir uma folha de Ditamno cru é uma opção, pois a propriedade curativa da planta irá agir — afirmou o professor, mostrando aos alunos algumas das folhas da planta.
— Interessante, você não acha? — sussurrou, fazendo as suas anotações.
— Demais. Isso é realmente muito útil — Blossom respondeu, terminando de anotar as informações passadas pelo professor. — Professor, é realmente verdade que é possível fabricar uma varinha cujo núcleo é composto de Ditamno?
— Uma pergunta muito interessante, Srta. Blossom — o professor respondeu, levemente surpreso pela questão levantada pela estudante. — E sim, é possível e um tanto quanto raro. As propriedades deste tipo de varinha são desconhecidas.
— Mas supondo que sejam compostas deste núcleo, é possível que a varinha seja inclinada e mais favorável para praticantes de medicina, correto? — insiste ela, olhando diretamente nos olhos do professor.
— Exato. As varinhas deste núcleo são inclináveis para praticantes de medicina, uma vez que são influenciadas pelas propriedades medicinais da planta — responde o homem, ainda entusiasmado.
A sineta tocou, indicando o fim da aula. As meninas juntaram os livros, indo para fora da estufa em direção à sala onde iriam ter Defesa Contra As Artes das Trevas. Foi naquela manhã que, pela primeira vez desde o encontro na biblioteca, encontrou com Tom. Os dois se entreolharam, então a garota levantou e sentou atrás do menino.
— Ansioso, Riddle? — pergunta ela, inclinando-se sobre a mesa.
— Ansioso para quê? — devolve ele, intrigado. Ele obviamente não enganou a garota.
— Eu gosto da forma como você tenta me persuadir, mas precisa melhorar — devolve , sorrindo. — Vai à biblioteca hoje à noite?
— Talvez. Por quê? — murmurou Riddle, um pouco irritado.
— Te vejo mais tarde — afirmou a garota, retornando ao assento.
Tom não sabia com exatidão o que sentia naquele momento. Ele certamente acha interessante a presença da garota ao seu redor, a sua falta de ingenuidade também é atraente. Apenas o seu modo de falar sobre dezenas de assuntos diferentes lhe dá a certeza de que é muito mais inteligente do que aparenta ser, o que lhe deixa um pouco incomodado.
No orfanato ele era obrigado a lidar com valentões, então quando começou a descobrir suas habilidades, mesmo sem saber que era um bruxo, Tom atormentou um por um, incluindo uma garota chamada Amy Benson e um garoto chamado Dennis Bishop, os levando até uma caverna e os atormentando ao ponto de deixá-los traumatizados. Além daquela façanha, ele usou seus poderes para pendurar o coelho de outro órfão nas vigas do orfanato.
Mas claro que todo esse comportamento tinha um motivo. Tom era constantemente abusado pelos colegas, não tinha um amigo e muito menos alguém a quem recorrer em momentos difíceis. Nem mesmo os funcionários de lá eram gentis. O pequeno Riddle teve uma pré infância dura, crescendo com o medo iminente de ser bombardeado devido à guerra, além do tormento que sofria diariamente. A vida no orfanato era um completo pesadelo.
Quando Alvo Dumbledore surgiu, o pequeno havia imaginado que o homem era um médico ou psiquiatra, mas sentiu uma certa compreensão quando este lhe revelou a verdade por trás das suas habilidades. Tom saiu sozinho do orfanato em direção ao Beco Diagonal, recebendo recursos de Hogwarts para comprar seu material; algumas vestes de segunda mão, os livros e a varinha. Sozinho.
entendia perfeitamente como ele se sentia, porque, como a própria havia dito, dinheiro nenhum podia preencher o buraco do seu peito. Ela estava completamente amarga, dominada por um rancor imensurável e cheia de determinação de provar seu valor, independente do custo. Ela enxergou em Tom Riddle a oportunidade perfeita para se vingar. só queria apenas uma única coisa.
Ela queria sentir.

[...]

— Não achei que fosse vir — a voz de Tom atraiu a atenção da garota.
— Eu nunca descumpro com a minha palavra, Riddle — devolveu ela, sorridente. Tom esboçou um sorriso tímido, embora a garota não tivesse flagrado o gesto.
— Eu tenho um pedido — o garoto levanta, indo até ela.
— Diga.
— Pode me ajudar? — questiona ele, pegando-a de surpresa. ponderou por instantes, imaginando o que iria dizer.
— Depende — devolveu a garota. — Quer ajuda com o quê?
— Eu preciso descobrir quem são os meus pais, meu pai, mais precisamente — responde Riddle, um pouco incerto da sua decisão. — Não quero voltar àquele maldito orfanato. Fico enjoado somente de recordar do lugar.
— E por que diabos quer que eu o ajude? — devolve, cruzando os braços. Tom suspirou, notando que deveria dizer tudo ao invés de tentar enganar a garota.
— Você é muito inteligente, . Mais do que eu gostaria de admitir, inclusive — responde, entre outro suspiro. — Não imagino que 1/3 dos estudantes sejam tão espertos assim.
— Gosto do meu ego inflado, mas vá direto ao ponto, Riddle — a garota o corta, impaciente.
— Eu não quero voltar para lá. Eu quero saber quem eu sou, a quem pertenço — confessa o garoto, um pouco trêmulo. — Aquele lugar é horrível. Eu preciso da sua ajuda, .
— Certo — responde ela, levantando da mesa onde estava sentada, andando em direção a ele. — E o que eu ganho com isso?
— Vou ficar te devendo um favor — Riddle afirma, odiando a ideia ao todo.
— O que eu quiser? — provoca, se divertindo com as reações do mesmo.
— Sim.
— Temos um acordo — afirmou a moça, sorrindo novamente.
Riddle se permitiu sorrir, se sentindo feliz por ter encontrado alguém que poderia confiar. Ou talvez seja o caminho que o rapaz deseja seguir. Não sabia o porquê, mas entendia que aquela era a única pessoa que poderia se abrir. Talvez pudesse até mesmo demonstrar suas inseguranças, por mais que odiasse senti-las. A verdade é que Tom não gosta de se abrir, mas, com , ele sabe que é involuntário.
— Você é diferente — murmurou Riddle, atraindo a atenção da garota outra vez. — Não tem nada de comum como os outros.
— O que é comum na sua concepção? — questiona, curiosa. Os olhos cintilam.
— É extraordinária, em todos os sentidos — afirma o menino. — Eu a observei nestes primeiros dias e eu devo admitir, estou impressionado.
— É mesmo, Riddle? — ela o provoca, em um tom sarcástico. — Meu mundo faz mais sentido agora que conquistei a sua atenção.
— Ácida como limão — devolve ele, também em um tom sarcástico. sorriu. — Gosto disso.
— Eu ficaria constrangida, mas como eu não estou aberta a me permitir estar me importando, eu deixo passar — deu de ombro, fazendo Tom sorrir novamente.
— Você tem tanto potencial. Pode fazer coisas absurdamente grandes — afirma ele, demonstrando uma certa intimidade.
— Eu digo o mesmo de você, Riddle — diz, calmamente como sempre. — Aliás, eu gosto dessa imagem de menino frágil. É convincente.
— Como você consegue? — questiona, curioso.
— Os olhos não mentem, Riddle. Eles são a janela da alma, você pode ver o que quiser através dos olhos de alguém... basta apenas interpretar os sinais.
sabia bem como jogar o jogo dele, mas nem por isso iria se deixar levar pela imagem propositalmente criada como parte de algo maior. Tom tinha muito medo da morte, isso é fato. Este medo aumentou quando Dumbledore lhe revelou o destino da sua mãe; se ela era bruxa, não deveria ter morrido. Era o que o garoto pensava. Seu pai? Bem, Tom torcia para que fosse um bruxo importante, por isso precisava de . Duas cabeças certamente pensam melhor que uma, e, no caso dele, a inteligência altíssima da menina pode lhe fornecer muita coisa. Blossom tem mais recursos e, portanto, é uma excelente aliada.
— Sobre o orfanato, eu creio que possamos fazer algo a respeito — anunciou ela, deixando o garoto surpreso.
— O que tem em mente, Blossom? — pergunta Tom, interessado no assunto.
— Eu conheço alguns feitiços, só preciso da varinha de alguém — responde, um tanto quanto misteriosa. — Você sabe o que acontece caso façamos magia fora da escola?
— Dumbledore me disse quando foi me ver no orfanato — respondeu.
— Ótimo. Isso é bom — balançou a cabeça. — Eu tenho algo em mente, mas é muito complexo... preciso ler e praticar, mas até às férias, posso fazer.
— Não vai me dizer o que é? — Tom questiona, curioso.
permaneceu em silêncio, se perguntando se deveria revelar seus planos tão cedo, sem ter a certeza absoluta de que teria a habilidade para executá-lo, mas, tendo em vista que precisa conquistar a confiança de Riddle, ela não hesitou.
— Nós vamos alterar as memórias dos meus pais, meu irmão e a mulher do orfanato. Vamos fazê-los acreditar que você foi adotado.


Capítulo 3
Um Plano Ousado


passou dias vasculhando livros para aperfeiçoar a parte teórica do feitiço, mas não sabia como aplicar a parte prática. Ela compreendia que se tentasse usar em alguém poderia se meter em problemas maiores, as consequências certamente seriam catastróficas. Apenas Riddle sabia do plano absurdamente audacioso da garota, mas, vendo que era a única solução para não voltar ao orfanato, ele topou. As outras duas pessoas disponíveis eram e , mas Blossom não estava disposta a arriscar a vida das duas garotas.

— Você está estranha — afirmou, pegando no meio da refeição. — Está aprontando, não está?
— Estudando — respondeu, desviando o assunto. — Estou passando algum tempo na biblioteca.
— À noite? — foi a vez de dizer algo.
— Digamos que é um horário excelente para ler alguns livros da seção reservada — respondeu Blossom, sorrindo maldosa.
— Então é isso o que tem feito? Entrando na seção reservada? Você é muito maluca — afirmou, totalmente perplexa.
— É apenas por estudos, garanto — mentiu, mas de forma muito convincente.
— Mas você vai nos contar ou pretende nos manter no escuro? — insiste, determinada a arrancar algo da amiga.
— Se eu contar, não vão gostar das consequências — afirma Blossom, um tanto quanto impaciente.
As meninas queriam indagar mais coisas, porém um aglomerado e gritos frenéticos atraíram a atenção de todos do Salão Principal. São os jogadores dos times de Quadribol, os da Grifinória e os da Corvinal. Amanhã terá a primeira partida do ano, então todos os alunos estão ansiosos e nervosos, o que é de se esperar. Isso, contudo, pareceu a oportunidade perfeita para praticar o feitiço.
— Se vocês me dão licença, eu preciso ir — levantou, saindo do Salão antes que pudessem entupi-la com mais questionamentos.
! — exclamou, vendo a amiga ir para longe.
A garota esbarrou com o irmão, mas o ignorou por completo e seguiu em direção à sala de aula de Feitiços. Por sorte, conseguiu encontrar a Professora Fortinbras antes que a própria fosse em direção à sala dos professores, uma vez que a aula dela já havia acabado.
— Com licença, professora — a chamou educadamente, atraindo a atenção da mulher. — Eu estou com uma dúvida.
— No que posso ajudar, senhorita Blossom? — a professora responde, disposta a ajudar uma de suas melhores alunas.
— Eu estive há pouco tempo estudando alguns feitiços avançados, apenas por mera curiosidade, então me deparei com o feitiço da memória — começou usando suas palavras delicadas para persuadir a professora. — Eu gostaria de saber se os meus sentimentos aumentam a intensidade do feitiço.
— Uma boa pergunta, . A resposta é muito variada, não somente o seu sentimento deve ser levado em conta, mas também deve considerar o que você pensa no momento em que pretende executá-lo — responde a professora, calma. — Por exemplo, se você realmente estiver irada e quiser causar danos, então seu feitiço será muito poderoso e os danos causados serão severos. Entretanto, se você apenas quiser alterar uma memória, considerando que não está na intenção de causar danos permanentes, então o feitiço será mais sutil. Você poderá revertê-lo, se for apenas uma alteração, é claro.
— Isso difere do feitiço Obliviate? — indaga, indo mais fundo.
— Sim. O feitiço obliviate tem a função de fazer alguém esquecer algo, portanto a sua complexidade aumenta. Ele não é facilmente reversível, arrisco a dizer que somente outro feitiço poderoso que cause uma dor imensurável pode quebrar o encanto — a professora responde, ingenuamente. — O feitiço de alteração da memória, porém, pode ser facilmente quebrado. Como ele apenas cria memórias falsas, não causa danos mentais. Não exige o uso da dor, seu nível não é tão complexo, mas, neste caso, ambos devem levar sentimentos e pensamentos em consideração.
— Eu entendi. Muito obrigada, professora — a garota agradeceu, sorrindo.
— Espero que seja apenas para fins acadêmicos, senhorita Blossom. Não quero vê-la metida em problemas, entendido?
— É claro, professora — sorriu novamente. — Apenas para fins acadêmicos.

Com as informações necessárias, já tinha absolutamente tudo o que precisava. Ao descer as escadas, indo em direção ao banheiro feminino do segundo andar, ela ouviu algumas conversas das meninas, lideradas por Walburga Black. As garotas conversam animadamente sobre a lenda do castelo, envolvendo algo sobre uma Câmara escondida em seu interior, algo que teria sido feito por Salazar Slytherin. Aquilo certamente lhe causou curiosidade.
— Mas ninguém realmente sabe onde ela está. Não passa de uma mera lenda — Walburga comentou com as amigas, entre risadas. — Dizem que só o Herdeiro de Salazar poderia abri-la.
— Mas você não acha que, se realmente houvesse uma câmara, ela já não teria sido encontrada? — uma das garotas responde, em dúvida.
— Talvez? A questão é que, se Salazar realmente a criou, ela estaria muito bem escondida — Black deu de ombro, ajeitando os cabelos na frente do espelho.
— Isso é fato — a outra garota afirma, ajeitando suas vestes. — Bom, acho melhor irmos, quero ver se encontro Abraxas Malfoy.
escondeu-se em uma das cabines antes que as três a vissem, então esperou que saíssem para que deixasse o local que estava. Ao se certificar de que o banheiro estava vazio, ela aproximou-se das pias, lavando as mãos e o rosto. A ideia é muito arriscada, mas ela está convicta de que consegue executar o feitiço com precisão. Depois de se secar, a jovem Blossom saiu do banheiro, esbarrando acidentalmente com um garoto alto, de cabelos loiros muito claros e um rosto de traços finos, com um queixo levemente pontiagudo.
— Não é muito comum derrubar os outros no chão — murmurou, levantando.
— Mas foi você quem saiu apressada sem nem olhar por onde anda — devolveu o garoto, ajudando a menina. — Sou tão bonito assim para fisgar a sua atenção?
— Sim. Você é o centro do meu universo, sem você nada faria sentido — respondeu ela sarcasticamente, rolando os olhos.
— Ah, então é você a talentosa Blossom — afirmou, sorrindo maldoso. — Ouvi muito de você nos últimos dias, bruxinha.
— E você é Abraxas Malfoy — afirmou, cruzando os braços. — Também tenho ouvido muito de você.
— Me pergunto o que anda fazendo até tarde da noite na biblioteca com Riddle — provocou o loiro, vendo a expressão no rosto da garota mudar.
— E de onde tirou essa conclusão? — devolve, curiosa.
— Meu amigo Nott e eu estávamos andando pelo castelo quando vimos você deixar a biblioteca, seguida por Tom. Ficamos curiosos, então vimos a cena repetir nos dias seguintes... — explicou Malfoy, sorrindo.
— Sabe, Abraxas, a biblioteca pode ser muito útil para quem quer fazer as tarefas escolares sem qualquer interrupção — afirmou, desmanchando o sorriso da cara do garoto. — Se estiver interessado, pode se juntar a nós qualquer dia. É interessante ter companhia para estudos.
— Quem sabe, bruxinha. Quem sabe — Abraxas sorriu galanteador.
— Abraxas! Você está aí! — ouviram outro garoto o chamar. Ele é alto, magro, de cabelos escuros e intensos olhos azuis. — Estive te procurando em todos os cantos!
— Acalme-se, meu amor — Abraxas respondeu, para o desprazer do garoto. — Que modos péssimos são esses, Nott? Não vai cumprimentar minha amiga?
Blossom — o garoto a encarou, com uma leve arrogância no olhar, o qual a menina gostou de sentir.
— Nott — a garota sorriu, tão arrogante quanto ele.
— É impressão minha ou a tensão sexual cresceu depressa? — Abraxas provocou outra vez, risonho.
— Cale a boca — Nott rolou os olhos, para o divertimento de Malfoy. — Vamos indo? Temos compromisso.
— Ah, é — Malfoy suspira, como se tivesse esquecido de algo muito importante. — Tinha me fugido da memória. Até mais, .
— Malfoy — a garota acena com a cabeça. — Nott.
organizou melhor as suas roupas, abarrotadas pela colisão entre ela e Malfoy, então tratou de andar apressada até a biblioteca. Aquele local certamente virou o ponto de encontro entre Blossom e Riddle, mas ela havia se surpreendido ao não o encontrar lá. avistou de longe algo escondido próximo da mesa da seção reservada, onde ela e Tom costumavam ficar durante a noite. A garota se aproximou discreta e pegou o pequeno pedaço de pergaminho, abrindo-o.

“Pátio da Torre do Relógio, no almoço.
Não se atrase, Blossom.
Riddle.”


A garota guardou o pergaminho no bolso, então saiu. Este lugar geralmente não fica muito cheio, o que é perfeito para mais um encontro. desceu as escadas com urgência, encontrando o garoto em um canto, isolado dos demais alunos, acompanhado apenas de um livro, como sempre. Ela se aproximou do menino como se não quisesse nada, então tomou um lugar ao lado dele.
— Descobri — anunciou ela, em tom baixo. — Acho que podemos tentar.
— Você tem certeza? — indaga ele, levemente receoso. deu de ombro.
— Se tudo der certo, meus pais não vão sofrer consequências... aliás, se funcionar com eles, eu posso fazer o mesmo com a Sra. Cole — responde, sentindo excitação. Estava ansiosa para descobrir o quão talentosa ela é — O fundamental é fazer meus pais acreditarem que te adotaram, em seguida, faremos a Sra. Cole acreditar na mesma coisa. Nós iremos para a minha casa, você se livra do orfanato e poderemos descobrir quem é a sua família.
— Você realmente vai fazer isso com os seus pais? — Tom pergunta, demonstrando estar incrédulo.
— Vou. Além do mais, é apenas uma mentira inofensiva. Estamos fazendo isso para um bem maior — a garota deu de ombro, indiferente.
Tom encarou como se estivesse diante de uma criatura magnífica. A garota não estava esboçando nenhum tipo de receio diante do seu plano, e a convicção em seus olhos deixaram claro que ela não hesitaria em fazer conforme o planejado. Riddle ainda não entendia qual o interesse a Blossom mais nova tinha sobre ele, mas, naquele momento, não importava. Ele só não queria ter de voltar ao orfanato durante as férias e, se dependesse da sua mais nova amiga, isso não iria acontecer.
— Amanhã terá uma partida de Quadribol, meu irmão vai jogar. É a melhor oportunidade que temos para testar o quão boa eu sou com feitiços — diz ela, passando longe da humildade. Tom sorriu. — Porém falta alguém que seja idiota demais para aceitar.
— Uma cobaia? Por que não tenta com Abraxas? Vi vocês dois no corredor... ou até mesmo Nott — Riddle responde, sugerindo seus dois “amigos”. — Inclusive acho que posso arranjar isso para você.
— Acho que Malfoy é esperto demais. Tentaremos o Nott primeiro, caso contrário, Abraxas será a segunda opção — concorda, dando de ombro. Ela ponderou mais alguns minutos, imaginando como melhorar o plano. — Mas eu tenho uma ideia melhor.
— E seria? — Riddle questiona.
— Leve o Nott até a entrada da Floresta Proibida. Ele não precisa saber o que faremos, eu estarei esperando vocês por lá — responde, sentando de frente para o menino. — Assim que estiverem lá, eu farei o feitiço. Tudo o que precisamos fazer em seguida é perguntar, ele nem vai imaginar o que aconteceu.
— Excelente ideia — Tom balançou a cabeça, concordando com a menina. — Ninguém notará nossa ausência, então é muito bem pensado.
— Eu vou indo, me avise se der certo — Blossom levantou, se despedido do menino.
A garota saiu rapidamente do pátio, indo direto à sala comunal da . Ela encontrou Sabbath no chão, lambendo as patas, então acariciou o animal, retirando da cômoda um pequeno diário. anotou algumas coisas depressa, guardando-o novamente na gaveta. Ela trocou de roupa, pegou alguns livros e saiu do local, esbarrando novamente com suas amigas. Ela havia agido de forma muito estranha nos dias que passaram, levantando suspeitas de suas duas fiéis seguidoras.
— Garota, por Merlim, o que é que você está fazendo? Está agindo feito uma maluca desconfiada há dias! — exclama, impaciente.
— Você pode, por favor, não chegar sorrateira assim? — pediu, abaixando a varinha. — Eu tenho meus motivos, agradeceria se não ficasse me entupindo de perguntas o tempo inteiro.
, se você está fazendo alguma coisa, que mal há em nos contar? Não confia em nós? — questiona, cruzando os braços. Blossom ficou tentada em responder um nada sutil “não”.
— O problema não é esse — responde ela, impaciente. — Não envolve somente a mim. É algo que envolve mais pessoas do que o necessário.
— Falando assim até parece que está tramando um complô contra o mundo mágico — rolou os olhos, não notando que isso já havia passado pela cabeça da menina.
— Não é nada. Eu disse que estava estudando, e ainda estou, mas não posso fornecer detalhes — Blossom afirma, tentando manter a calma. Ela odiava ser questionada o tempo inteiro. — Porque é como eu disse, não sou a única envolvida.
— Parece que não confia em nós — sussurrou, um pouco triste. respirou fundo diante do comentário.
— Eu vou contar quando eu ter certeza de que funcionou. Satisfeita? — devolveu a garota, suspirando.
— Bem melhor — sorriu, tão satisfeita quanto a garota. — Mas qual é! Não vai nos dar uma pistazinha sequer?
viu que não tinha escapatória, ela precisou ceder às insistências das meninas. Respirou fundo outra vez, olhando para o teto. Blossom olhou para as garotas, notando a ansiedade das mesmas para ouvir o que quer que fosse, então ela percebeu que não precisava necessariamente contar do feitiço.
— Eu estive ocupada esses dias porque... não queria admitir que estava com dificuldade em Defesa Contra As Artes das Trevas — diz, olhando nos olhos das duas garotas. — Então pedi ajuda a Tom. Ele é bom na matéria, então topou me ajudar e por isso estávamos nos encontrando tão tarde. Não queria que ninguém soubesse.
— E por que não nos contou? Podíamos ter ajudado! — exclama, surpresa.
— Exatamente por isso eu não pedi — afirmou a menina, calma. — Não gosto de admitir que sou ruim em algo.
— Ah, ! — deu risada. — Era isso? Todo o mistério porque estava com dificuldades?
— Riddle me ensinou a matéria, então quero ver se a técnica dele vai dar certo — disse, um pouco aliviada por tudo ter funcionado.
— Oh, menos mal — as duas disseram uníssonas.
— Bom, devemos ir, não? Imagine chegar atrasada na aula do Binns — diz, começando a andar pelo corredor.

A aula de História da Magia foi insuportável. não sabia se pegava no sono ou se tentava lançar algum feitiço de azaração nas suas amigas apenas para se divertir, mas o fato é que ela realmente não conseguiu prestar atenção em nada do que o homem estava dizendo. Quando a sineta tocou, indicando o fim da aula, a garota agradeceu imensamente a Merlin, juntando todo o seu material para deixar a sala o mais depressa possível. A cabeça de estava fervorosa diante dos pensamentos e da excitação com a proximidade do grande dia.
O jantar para ela foi rápido. ainda iria até a biblioteca procurar mais alguns feitiços ou qualquer informação útil. Ela viu Tom e desviou o olhar, voltando sua atenção para o seu prato. O Professor Dumbledore também encara ambos com curiosidade, imaginando quais pensamentos passavam por suas cabeças e no que suas ações resultariam. A mente humana é realmente fascinante, mas nada se compara à motivação que o ódio causa.
A família de é poderosa e influente, há muitos anos eles contribuem indiretamente dentro do Ministério, mantendo sempre discrição e uma identidade anônima, o que não impediu alguns bruxos de se envolverem com as artes das trevas. Os pais de e Noah Blossom são adeptos da prática, mas sempre mantendo tudo em segredo. O pai dos irmãos, Harold, é um homem influente e persuasivo, ditando que “não há nada que não seja para o bem maior”, frase que a própria levaria para a vida.
A verdade é que os parentes distantes da garota haviam simpatizado fortemente com os ideais de Gellert Grindelwald. Os próprios pais dos irmãos haviam comparecido a uma das reuniões feitas por Grindelwald, na América. Noah não compartilha dos mesmos ideais de sua família, a prova disso foi ter entrado para a Corvinal, algo que não é muito usual, mas mesmo assim seus pais se orgulham muito do homem que ele está se tornando.
Pensando nas infinitas possibilidades, se retirou e foi direto ao dormitório sem sequer esperar suas amigas. Ela estava com pressa naquela noite, mas, além disso, estava ansiosa. Sua preocupação não é com o erro, porque ela sabe que é boa demais para cometer erros. Na verdade, está com receio de que não exceda as suas expectativas.

Depois de dar o horário, a garota enfim decidiu encontrar com Riddle na biblioteca. Ela levantou, olhando para ver se era a única acordada e, ao se certificar do fato, a Blossom levantou. Enrolou-se no robe preto que havia trago, então deixou o dormitório e a sala comunal, caminhando em passos silenciosos para a biblioteca. Ela realmente não gostaria de encontrar com ninguém, mas o feitiço saiu pela culatra quando deu de cara com Abraxas e Nott, ambos bisbilhotando a entrada da Biblioteca.
— Em que posso ajudá-los, meninos? — questiona, assustando os dois garotos. Abraxas gritou alto com o susto, sendo calado por Nott. — Viu um fantasma. Malfoy?
— Você ficou maluca? Que ideia foi essa de sair assustando os outros por aí? Minha nossa, será que eu fiquei feio com isso? — o garoto se desesperou, para o prazer da menina. Nott rolou os olhos, entediado.
— Eu é quem pergunto de quem foi a incrível ideia de bisbilhotar a biblioteca. Esperam encontrar quem? — Blossom cruza os braços, sorrindo.
— Não é nada — Nott respondeu, entediado. ergueu uma sobrancelha, não convencida.
— Se não é nada, não há motivo para estarem aqui — afirmou ela, ainda sorrindo sarcástica.
— Mas e você, queridinha? Está fazendo o que aqui? — Malfoy questiona, semicerrando os olhos com desconfiança.
— Costumo vir ler quando não consigo dormir. É bom o bastante para você, Malfoy? — cruzou os braços, com o tom de voz sarcástico o bastante para atrair a atenção de Nott outra vez.
— É justo, se quer saber — o menino deu de ombro, convencido pela resposta dada. — Riddle está aí?
— Não sei, estou aqui e não lá — Blossom revirou os olhos, secamente.
— Credo — Abraxas riu, pouco incomodado com a resposta. — Está de mau humor?
— Só quando idiotas me incomodam — respondeu, sorrindo ironicamente.
Abraxas ponderou por instantes para que pudesse formular alguma resposta à altura, mas se calou quando percebeu a quem estava referindo o “idiota”. Os três ouviram barulhos no corredor e perceberam que o grito que Malfoy havia deixado escapar também fora ouvido por mais alguém. Com medo de serem descobertos, os dois rapazes e a menina se esconderam na biblioteca, atrás das últimas estantes, pedindo a Deus que ninguém os encontrasse ali.
— Que tal não gritar feito uma cabra quando estiver espionando alguém, Malfoy? — ouviram a voz rouca de Tom cortar o silêncio, saindo de onde estava.
— Outro que gosta de brincar de fantasma — Abraxas murmurou, rolando os olhos. — Vem cá, Gasparzinho, não te disseram que é feio matar os outros do coração?
— E não te disseram que também é feio bisbilhotar os outros? — Riddle devolveu, sério. Nott respirou fundo, notando que ninguém ali iria admitir de fato o que estavam fazendo fora do dormitório. — Deveriam voltar. Vão pegar vocês aqui, ainda mais agora que provavelmente ouviram Abraxas gritar.
— Tom tem razão — afirmou, entre um suspiro parcialmente desanimado. — Vejo vocês mais tarde.
Ela não queria admitir a ninguém que tinha odiado a interrupção causada por Nott e Abraxas, mas infelizmente não tinha muito o que fazer naquele momento, então achou melhor retornar ao dormitório antes que fosse descoberta por algum monitor ou algum professor. Certamente sua intenção não é atrair a atenção de ninguém, até porque ela odiaria ser o centro das fofocas das garotas. É tudo o que ela não precisa no momento.


Capítulo 4
Um Golpe de Sorte


Os planos de e Tom mudaram drasticamente quando perceberam que não deveriam arriscar com Nott e Abraxas, portanto, decidiram agir de imediato com os pais da menina. O final do primeiro ano letivo havia sido normal, sem maiores problemas, com exceção de algumas confusões causadas pelas admiradoras de Noah, para o constante aborrecimento da Blossom mais nova.

— Posso saber o motivo dessa ansiedade toda? — Noah questiona a irmã, ignorando os gritos das meninas eufóricas. — Você está agindo estranhamente, diria que até mais que o normal.
— Não é nada. Só quero ir para casa — desconversou, pegando Sabbath no colo.
— Olha, , se eu não te conhecesse bem eu diria que está tramando algo — Noah sorriu maldosamente.
— Por que você não vai se ocupar com Quadribol ou as suas seguidoras ridículas e para de me encher um pouco, sim? — devolveu, impaciente. Noah recuou um pouco, levemente intimidado pelo tom usado.

Os dois desembarcaram na Estação King’s Cross, onde a menina pôde ver Riddle. Seu olhar melancólico encontrou o dela e soube na hora que ele só queria ter outro lugar para ir. Ela respirou fundo, indo até o menino agoniado e um pouco desconcertado, enfim o tocando no ombro. Tom a encarou com urgência, talvez porque estivesse preocupado demais com o seu destino dali em diante, mas algo em lhe transmitiu um pouco de conforto.
— Vai ficar tudo bem — disse ela, tranquilamente.
— Odeio ter que voltar para lá — confessou o garoto, desanimado. olhou na direção dos pais, imaginando se poderia adiantar o seu plano.
— Me espere aqui, Riddle — o ignorou por completo, indo em direção ao seu pai, a quem ela sempre fora mais próxima. — Pai, meu amigo, Tom, ele pode ficar com a gente durante as férias? O orfanato é ruim, as pessoas são cruéis com ele lá... são trouxas.
— Quem é o seu amigo, ? — o pai da garota questionou, curioso. A Blossom mais nova apontou na direção do menino, então lhe lançou uma piscadela rápida e discreta. — Muito bem, traga-o aqui.
nem sabia como reagir, mas obedeceu ao pai, indo até Riddle e o levando até o homem. Os pais da garota analisaram o menino com intriga no olhar; não entendiam o porquê de a filha mais nova haver feito amizade com um simples menino órfão. Na verdade, eles estavam até surpresos de ter feito amizades. A garota é tão reclusa quanto uma concha e dificilmente se abria com eles, então avaliaram a situação com cautela. Havia algo de estranho no ar, mas não iriam deixá-la aborrecida.
— Como se chama, rapaz? — a mãe de questiona, ajeitando os cabelos de Tom.
— Tom Riddle, senhora — respondeu, tímido.
— E você tem onde ficar, Tom? — foi a vez do pai dos irmãos questionar, ao qual o menino respondeu balançando a cabeça. — Pois bem, nos pediu para que deixássemos você ficar conosco durante as férias. Se não houver maiores problemas, poderá ficar.
— A Sra. Cole do Orfanato está me esperando — Riddle responde, chateado. — Ela é um pouco cruel comigo, não sabe que sou bruxo.
— Podemos resolver o problema, venha — o homem estendeu a mão sobre o ombro de Tom.
Os dois se entreolharam, com um sorriso maldoso surgindo nos lábios da menina. Os pais de e Noah conversaram com a mulher do orfanato, dizendo que levariam o jovem Riddle com eles. Os quatro seguiram para a mansão dos Blossom; para e Noah, a imensidão da casa não tinha nenhuma novidade, mas para Tom, aquilo ali era quase como um castelo.
O casarão da família Blossom possui cerca de 15 quartos e 17 banheiros. No andar inferior há duas imensas salas do lado direito, sendo as de jantar e estar, a cozinha, uma biblioteca com prateleiras embutidas nas paredes, sofás e poltronas vitorianos, além de uma lareira de mármore na parede.
Do lado esquerdo do hall de entrada há uma sala de música, com um belíssimo piano preto, uma mesa e namoradeiras também da época vitoriana. O hall de entrada da casa possui um belíssimo tapete branco no chão, lustres de cristal no teto e uma lareira próxima da escada que leva ao andar superior. Além disso, há algumas poltronas pequenas e uma mesa redonda, decorada por um jarro de flores. Todas as janelas possuem cortinas escuras em contraste com os tons da decoração da casa e todas elas estão abertas, mesmo com as lareiras acesas.
— Calcifer! — Agatha, a mãe dos irmãos chamou em alto e em bom tom. Um elfo miúdo e de olhos âmbar surgiu assim que chamado, parando diante de seus donos, atraindo o olhar curioso do pequeno Tom.
— Prepare um dos quartos, o menino Riddle passará as férias conosco.
— Sim, minha senhora — o elfo respondeu, chamando a atenção do garoto que fora seguido por .
Eles subiram as escadas em silêncio, mas, ao chegar ao segundo andar, o silêncio fora rompido pelas perguntas curiosas de Calcifer sobre o primeiro ano da menina em Hogwarts. Naquele momento, Tom compreendeu que não era tão reclusa como ele achava que ela era e, muito diferente da sua mãe, ela trata a criaturinha com muito respeito.
— Calcifer, deixa que eu cuido daqui — sorriu, parando de frente para o elfo e o menino. — Eu gostaria muito de tomar chocolate quente agora e tenho certeza que Tom também. Traga dois para nós, por favor.
— Como quiser, — o elfo disse, antes de estalar os dedos e desaparecer, deixando os dois sozinhos. — Ele é um pouco tagarela se você der corda demais... enfim, esse quarto é ao lado do meu, legal, não? — questionou, abrindo a porta do mesmo para que Tom pudesse ver, o qual ele ficou admirado pelo tamanho. — Gostou?
— É imenso — disse ele, ainda surpreso. Tom deixou suas coisas de lado, indo sentar na cama ao lado da menina. — Bem maior que o meu quarto do orfanato.
— Agora precisamos convencer os meus pais a te adotarem. Vai ser fácil, papai é bem mais fácil de tentar conseguir algo — afirmou, balançando as pernas no ar. — Noah é mais próximo da minha mãe, então eu prefiro não pedir nada a ela, sabe?
— Agora eu entendi quando disse que fortuna é irrelevante — Tom diz, esboçando uma risada tímida. — E também entendi como você consegue estar nos lugares sem ser notada.
— Acho que nós vamos ter umas férias interessantes, você não acha? — muda de assunto, ignorando o que Tom dissera. — Podemos ir à biblioteca ou começar as buscas pela sua família...
— De fato — Riddle balançou a cabeça, afirmando — O que tem lá?
— O jardim, a estufa onde minha mãe pratica alquimia, um chafariz, os hectares e depois disso é só floresta, mas pertence a nós — respondeu a garota, indiferente. — Quer ir conhecer?
— Depois do chocolate, por gentileza — ouviram Calcifer entrar no cômodo com a bandeja cujas canecas mostram vapor do líquido quente.
— Obrigada, Cal — os dois agradeceram, pegando as canecas de porcelana. — Noah saiu?
— Não, senhorita — o elfo respondeu, abaixando a bandeja. — Está com a sua mãe na estufa.
— Ah, sim. Compreendo — balançou a cabeça. — Nós iremos tomar os chocolates e então iremos passear no jardim, talvez iremos demorar para o chá da tarde, então avise a mamãe por mim.
— Como quiser — Calcifer sorriu, antes de desaparecer novamente.
— Chá da tarde? —Tom indaga, curioso.
— É tradição. Todos os dias meus pais tomam chá, é a hora em que costumamos conversar sobre o dia — explicou, soando bastante entediada. — Isso quando meus avós não aparecem por aqui... eles são um tanto quanto rígidos, chega a ser insuportável... mas gosto muito do vovô.
— Nós chegamos na sua casa tem quase 20 minutos e você sequer disse o nome dos seus pais — Tom observou, bebendo o chocolate novamente.
— Harold e Agatha Blossom — respondeu a menina, olhando para o líquido marrom da caneca. — Meu pai trabalha no ministério, mas somente por lazer, mamãe gosta de praticar alquimia, como eu disse, e Noah... bom, ele gosta de ser o centro das atenções ocasionalmente.
—Mas e você, Blossom? — ele questiona novamente, interessado.
— O que tem eu, Tom Riddle? — devolve a pergunta.
— Eu quero saber quem é a verdadeira e não aquela imagem de fachada que eu conheci em Hogwarts — afirmou o menino, olhando direto nos olhos da garota.
— Não há nada de mim para conhecer, Riddle — disse ela, seca. — Eu sou exatamente o que você está vendo, sem mais e sem menos.
Tom assentiu, mas não convencido por completo. Ele sabe que há algo a mais e, mesmo que tente descobrir o que é, não pretende falar nada. O que quer que seja, ela provavelmente vai morrer se dizer uma palavra sequer. A verdade é que Blossom é um mistério completo e, por mais tentador que seja, Tom sabe que nunca vai conseguir entender quem ela realmente é. Apesar de ela ter sido tão amigável, ele ainda não consegue entender o que a motiva a fazer isso. Claro que ela planeja algo, mas tudo permanece um completo desconhecido.

As duas crianças finalizaram então os seus chocolates quentes, indo enfim passear no jardim externo. Não é muito frio, mas o clima está nublado e cinza, exatamente como o humor de . A menina encarou Tom, imaginando que tipo de coisa passa em sua cabeça, o que ele tem medo e o que irrita. Ela sabe que ele é reservado, mas também sabe que pode tirar o que quiser dele se for muito persuasiva. não se importa se é um joguinho absurdo onde o vencedor é aquele que descobrir algo primeiro, não... ela quer muito mais que isso. Ela enxerga muito potencial em Tom, além de uma inteligência absurda digna de um prodígio.
— Aquele dia, na classe do Slughorn — Tom cortou o silêncio. — Quando ele nos colocou de dupla...
— O que tem? — questiona, olhando atentamente para Riddle.
— Você já me observava há dias — afirmou ele, encarando a garota ao seu lado. — Ouvi você comentar com as suas amigas sobre sua família.
— E o que tem de mais nisso? — arqueou a sobrancelha, intrigada.
— Você me escolheu, não? Está planejando alguma coisa e algo em mim atraiu a sua atenção... não é acaso e eu não sou idiota.
— Olhe ao seu redor, Tom. Quantas pessoas não foram cruéis com você apenas por você ser diferente delas? Quantas pessoas não te deixaram de lado por medo do que você faria? — devolve, impaciente. — Sabe esse casarão bem atrás de nós? Ele cheira a mentiras, traição e sabe-se mais o que! Ele não abriga uma família feliz como as pinturas retratam, não... é muito mais que isso. Essa casa foi construída à base de podridão e tudo nela é tóxico, corrosivo feito ácido e sortudo seja quem sair dela sem um mero arranhão!
Tom nunca havia visto perder a paciência como ela perdeu naquele momento. estava furiosa e fora de si, longe de estar usando seu juízo perfeito para raciocinar perfeitamente. Foi então que o garoto notou algo; havia motivos para ela ser reclusa e tão misteriosa e talvez não fossem claros no início, mas, naquele momento, ficou tão nítido quanto cristal. Os pais de certamente haviam feito algo de ruim para ela. Aquele ódio todo tinha uma justificativa.
— O que aconteceu com você? — Riddle questionou, colocando a mão no ombro da garota, chamando sua atenção. — O que eles fizeram?
— Eles, assim como o resto dessa porcaria de humanidade, só pensam em si próprios. Pessoas são cruéis, sedentas por controle e demonstração de força... não ligam se vão pisar em alguém, principalmente aqueles... malditos trouxas cuspiu as palavras, com nojo. — Ninguém se importa com ninguém, Tom. Você quer saber o que fizeram comigo? Eu vou te contar...
“Um dia, numa tarde qualquer, eu estava brincando do lado de fora da casa dos meus avós. Minha mãe havia viajado, bom, isso é o que ela diz. Meu pai estava em uma convenção de bruxos e Noah estava junto dele, já que é o primogênito e filho homem. Eu não tinha interesse naquela baboseira, então fiquei com o vovô. Sempre gostei muito dele, sabe? Sempre me senti muito protegida e acolhida por ele, muito mais do que com os meus próprios pais... enfim, neste dia em particular, como já disse, estava brincando na rua e vi então a mamãe passar...
“E achei estranho, porque ela havia dito que viajaria a negócios. Portanto, eu achei que seria interessante se fosse descobrir o que ela estava fazendo, então eu a segui. Andei algumas quadras até que ela chegasse em uma casa comum, era de um nascido trouxa. Foi então que eu entendi qual era o tipo de negócio que ela estava fazendo. Minha querida mãe estava traindo o meu pai. Claro que eu queria contar a ele, mas sabia que ela faria com que ele não acreditasse. Mesmo assim, eu tentei. Meu pai teve um ataque de fúria, eles brigaram naquela noite e então, ela me puniu severamente. Meu pai parecia sentir um profundo desgosto por mim, e eu estava triste. Eventualmente, ele descobriu o que aconteceu e não tenho ideia do que ele tenha feito com aquele maldito trouxa.
“O casamento dos meus pais está bem diferente, eles sequer se suportam e minha mãe parece me odiar, só estão juntos porque, de alguma forma, meu pai exerce um certo controle sobre ela e sei que a Sra. Agatha Blossom é vaidosa demais para viver sem seus mimos. Eu passei dias e dias remoendo aquele acontecido e entendi que as pessoas são ruins porque querem ser ruins. E elas são egoístas.”
— O que aconteceu com você depois disso? — Tom questiona.
— Minha mãe é devota a Noah e somente a ele, como se minha existência fosse insignificante para ela, o que me é muito útil. Eu a desprezo de todas as formas possíveis e parece que é algo recíproco — ela respondeu, amarga. — Depois que papai descobriu do caso, eu cai em boas graças novamente e, desde então, ele me protege dela.
— É por isso que você tem tanto ódio das pessoas? — indaga, retoricamente.
— Os trouxas precisam pagar por tudo de ruim que fazem conosco, Riddle.
ficou em silêncio por breves instantes.
— Por isso eu escolhi você, Tom. Você é parte da minha nobre causa.

[...]

Tom Riddle não é um menino ruim, claro que não. Ele só é um garoto desconfiado e amargurado, talvez com medo de que seja machucado como aconteceu no orfanato inúmeras vezes, mas algo na jovem lhe transmite uma sensação de segurança que ele nunca havia sentido antes. Ele ainda não sabe dizer se é o excesso de confiança que a garota possui, ou se é a sua presunção e o seu ar de superioridade, mas ela certamente fornece a ele tudo o que ele nunca sentiu antes. E ele gosta.
No orfanato ele não sabia o que era ser acolhido, muito menos tratado de forma amigável. Naquele lugar ruim ele só conhecia os horrores que as pessoas podiam proporcionar. A sua vida era triste e deprimida, até que aconteceu. Seu jeito amigável e sorrateiro foi conquistando Tom aos poucos, se instalando em seu peito e criando raízes. Só haviam três pessoas que conheciam daquela forma, que tiveram a “sorte” de fazer parte do seu círculo social. Tom Riddle é uma dessas pessoas, talvez a mais próxima e íntima da garota.
O primeiro ano havia sido extraordinário, mas algo de inesperado aconteceu. Graças a Noah, a menina havia começado a ganhar uma popularidade particularmente irritante. Ela odiava ser o centro das atenções de Hogwarts e sabia que seu irmão mais velho havia feito aquilo propositalmente apenas para irritá-la, e ele conseguiu.
Em um dia, era apenas uma estudante qualquer, quase invisível entre os corredores do castelo e, no outro, todo mundo queria estar andando com ela. No começo, era constrangedor ter tanta gente prestando atenção em cada movimento seu, mas, com o passar do tempo, aquilo começou a irritá-la. Em um dia, tentando fugir dos outros alunos, se viu forçada a entrar fundo na Floresta Proibida, onde sabia que teria um pouco de paz. Os seguidores ficaram com medo, mas muito encantados com a coragem da menina, e não a seguiram.
Entretanto, naquele instante, a garota percebeu algo que não percebera antes. Aquelas pessoas podiam muito bem ser úteis quando achasse necessário; talvez algumas delas podiam servir os seus propósitos. Ela só precisaria escolher as pessoas certas, mas já tinha algumas em mente. Neste momento entraria Tom Riddle.

— No que tanto pensa, ? — o menino questiona, com o seu olhar curioso.
— Do que você tem medo, Tom? — questiona ela, mudando o assunto.
— Dumbledore me disse que minha mãe morreu, mesmo ela sendo bruxa... se ela era mágica, poderia ter evitado, não? — Riddle responde, com outra pergunta.
— Você tem medo de morrer — afirmou ela, olhando fundo nos olhos do garoto.
— E você, ? Tem medo de quê? — indaga, notando a feição da menina mudar.
— Não sei ainda — respondeu, dando de ombro. — Pretendo descobrir e te conto quando souber.
— Não tem medo de morrer? — Tom insiste, na expectativa de conseguir arrancar algo da menina.
— A morte é um alívio para as almas condenadas. Não deve ser temida, deve ser aceita como parte da jornada que é a vida — respondeu ela, calmamente. — Não tenho medo de morrer, Tom. Tenho medo de viver e ser rejeitada, ou até mesmo esquecida.
— Nós podemos mudar isso, — diz ele, levantando de onde estavam sentados. — Você disse que eu sou parte da sua causa... e eu quero que você seja parte da minha.
— O que você tem em mente, Tom Riddle? — indaga ela, tentada e curiosa.
— Nós dois vamos fazer história, Blossom — o garoto sorriu, maldoso.

Naquela tarde, horas antes do chá com os pais da garota, os dois entraram na biblioteca do pai da menina em busca dos livros sobre Artes das Trevas. retirou um livro volumoso de couro e preto, numa cor já desbotada pelo tempo. O título é Segredos das Artes Mais Negras e é um livro que instrui sobre criações das trevas, como os Inferi. Apenas um bruxo muito talentoso em necromancia seria capaz de criar um Inferius e controlá-lo. Aquilo certamente atraiu a atenção da garota.
— Estive pensando... quem você iria querer para ser seu seguidor? — questiona Tom, abaixando o livro que estava lendo.
— Seguidores em que nível? — Tom devolve.
— Se você fosse o bruxo mais poderoso existente, quem você iria querer para estar ao seu lado e por quê? — repete a menina, calma.
— Abraxas e Nott. São tontos demais para pensarem por conta própria e parecem precisar desesperadamente de um líder — Riddle responde, imaginando como as coisas seriam. — E você.
— Por que eu, Tom? — questiona outra vez, arqueando a sobrancelha.
— Porque...
Antes que Riddle pudesse responder à pergunta, os dois foram chamados por Agatha. Eles deixaram a biblioteca, indo em direção à sala de estar para o chá da tarde. Tom e entraram, notando que Noah, Harold e Agatha estavam os aguardando. Os dois sentaram um ao lado do outro, sendo servidos por Calcifer.
— Então, Tom, Orfanato Wool’s? — Agatha questiona, bebendo delicadamente o líquido da sua xícara.
— Sim, senhora — respondeu ele, imitando o gesto da mulher. — Minha mãe faleceu pouco depois que eu nasci. Disseram que ela trabalhava em um circo, mas o professor Dumbledore me disse que ela era uma bruxa.
— E o seu pai, garoto? — Harold questionou, sério.
— Não sei quem ele é — respondeu, envergonhado.
— Aquele orfanato é horrível, a minha querida amiga, Margaret, mencionou que o tratamento que dão às crianças é péssimo — Agatha comenta com o marido, comendo uma das bolachinhas servidas. — Certamente que possamos fazer algo, não é, querido?
— Adoção? Não faz muito o seu estilo — Noah comentou, recebendo um olhar nada agradável da irmã.
— Está com medo de perder a sua preciosa atenção, Noahzinho? — provoca, com desdém.
— Cale a boca, — murmurou o garoto, irritado.
— Bem, Agatha, você sempre disse que queria ter mais um filho... não vejo por que não — o homem deu de ombro, soando levemente frio.
Tom e se entreolharam como se tudo tivesse dado certo sem nem que ao menos precisassem intervir. Poderia ser o acaso ou apenas sorte, mas eles haviam conseguido exatamente o que queriam. Depois do chá, os dois voltaram para a biblioteca, mesmo sabendo que e Noah iriam descer para as aulas de música. Tom decidiu que ficaria no quarto estudando e lendo os livros que a menina o havia entregado.
Agatha chamou os irmãos cerca de dez minutos depois e, muito a contragosto, a menina desceu as escadas. entrou na sala sendo recebida por olhares nada agradáveis de Noah, olhares que ela ignorou por completo. Seu irmão estava acostumado a ter tudo de mão beijada, mas, no momento em que idealizou o que ela queria, era apenas questão de Noah ser o primeiro da sua lista.


Capítulo 5
Tom Riddle Snr.


1940.

Três anos passaram rápido aos olhos de e Tom Riddle, este que caiu nas graças dos pais da menina e havia sido adotado por eles. Desde o momento em que passou a viver na imensa mansão dos Blossom, a vida do garoto tinha mudado completamente. Ele havia se livrado do orfanato, como prometido pela garota, e agora também lhe devia um favor, coisa que o deixava intrigado. Não sabia quando iria cobrar, muito menos o que seria, mas não estava cheirando muito bem.
No trem de volta a Hogwarts, Tom e estavam sentados no mesmo vagão, acompanhados de e , as companhias inseparáveis da jovem Blossom. Contudo, aquele momento de silêncio da cabine fora interrompido pela chegada brusca de Nott e Abraxas Malfoy, acompanhados de Rosier, Avery e Lestrange.
— Riddle — Abraxas sorriu maldosamente na direção de . — Estávamos te procurando.
, nós vemos você no castelo — murmurou, puxando junto de si, saindo do compartimento, deixando os rapazes entrarem.
— O que foi que deu nelas? — Malfoy questiona, em um tom engraçadinho.
— Talvez porque aqui de repente ficou muito cheio? — devolveu, focada no livro que estava lendo. Avery e Lestrange deram risadinhas da cara de tacho de Abraxas.
— O que querem? — Tom perguntou, cujo semblante é inexpressível.
— Se o colírio dos meus olhos nos der licença... — Abraxas provocou novamente, sentando ao lado da garota, que rolou os olhos, com desdém. — Queria apresentar meus três novos amigos... Lestrange, Avery e Rosier.
— Olá — Riddle os cumprimenta, analisando-os cautelosamente.
e o menino Riddle se entreolharam sugestivos; os cinco meninos encaixavam perfeitamente nos planos idealizados pela menina, complementados pelas ideias mirabolantes do garoto órfão. Ninguém além de , Noah, e sabiam do segredo de Tom e os rumores espalhados por Walburga Black não surtiram tanto efeito, logo fora esquecido. Riddle estava ocupado demais em construir uma imagem perfeita de bom garoto, uma que conquistasse todos os professores de Hogwarts. Segundo , seria muito útil futuramente.
— Querem se juntar a nós? — sugere, deixando o livro de lado para observar bem os meninos. A princípio, os garotos estranharam o convite, mas aceitaram quando Tom dissera que Blossom era confiável.
— O que vocês andaram aprontando? — Nott questiona, desconfiado.
— Deixe de tolice, Nott — Tom desconversou, ainda inexpressivo, porém de uma forma muito convincente. — Está enxergando coisas onde não há.
— Estive pensando... — diz, atraindo a atenção de todos. — Vocês são todos bruxos puro-sangue, certo?
— Acha que eu seria amigo de algum sangue ruim, Blossom? — Nott questiona, com nojo.
— Sangues ruins não merecem os poderes que tem — Avery afirmou, desdenhoso. — Não merecem pisar naquele castelo.
— Somos a raça superior, meu docinho — Abraxas sorri, para o desgosto de Tom. — Não há nada acima de nós.
— Interessante — murmurou a garota, novamente olhando sugestivamente para Riddle. — E se eu dissesse a vocês que Tom e eu temos uma causa?
— Conte-nos mais — Nott e Abraxas disseram juntos, interessados nas palavras da menina.

[...]


Naquele mesmo dia, percebeu que não era necessário um monólogo para convencer o pequeno grupo. Na verdade, o que aqueles garotos precisavam era de alguém que os guiasse na direção certa. Aqueles garotos precisavam de um líder. Nos dias seguintes ela observara o pequeno grupo em torno de Tom, percebendo que diante do menino eles pareciam o bajular, como uma figura imponente. Ela sabia perfeitamente que onde quer que Riddle fosse, os rapazes iriam junto.
— Ansiosa para ir a Hogsmeade? — indaga, agarrando pelo braço e entrelaçando ao dela.
— Talvez — respondeu ela, não tão entusiasmada quanto a amiga.
— Vai nos contar o que tanto faz com Riddle e seus amiguinhos? — questiona, provocativa.
— Nada demais — respondeu, utilizando a mesma feição inexpressiva de Tom.
— É estranho saber que convivemos juntas há três anos e não sabemos absolutamente nada sobre você, afirma, um pouco incomodada. — O que tanto esconde?
— Já disse inúmeras vezes, não há nada que precisam saber sobre mim — desconversou ela. — Vamos, eu pago cervejas amanteigadas.
As duas meninas seguiram tagarelando no ouvido de durante o trajeto inteiro até Hogsmeade. A Blossom mais jovem estava entretida com seus próprios pensamentos, imaginando quais seriam os próximos passos do seu plano. Quando conheceu Tom Riddle, ela já sabia perfeitamente que ele era a peça que faltava e tudo o que havia planejado antes agora tinha a chance de se concretizar. Ela só precisava colocar Tom na direção certa.
, você está aí? — ouviu a chamar, estalando os dedos em frente aos olhos da menina.
— Fisicamente, sim. Mentalmente é discutível — respondeu ela, inexpressivamente, como estava fazendo nos últimos dias.
— Às vezes você é realmente estranha, Blossom — murmurou, rolando os olhos.
—É, tenho ouvido muito disso ultimamente — deu de ombro, indiferente.
A razão pela qual evita em se abrir com as meninas é justamente para que ninguém saiba dos seus planos. Tudo faz parte da imagem que ela construiu de forma tão meticulosa durante os anos que passaram. A verdade é que não quer que ninguém conheça a sua verdadeira face. Não ainda.
As três meninas entraram no famoso Três Vassouras, procurando por uma mesa não muito cheia. Como é a primeira vez que visitam Hogsmeade, ainda não elaboraram com exatidão um tour pelos lugares que querem conhecer, mas sabiam que beber cerveja amanteigada é quase como uma obrigação durante a visita. sentou em um canto que lhe desse vista ampla do salão principal, ao lado de e ; ela ainda estava distante com suas dezenas de pensamentos diferentes, não dando atenção às duas garotas ao seu redor, que não paravam de tagarelar sobre outros estudantes.
Ela viu Noah adentrar o Três Vassouras, acompanhado de várias meninas de faixas etárias diferentes; a Blossom mais nova ainda não entendia como seu irmão mais velho conseguia ser tão seguido, ainda mais por ser um tremendo babaca em suas palavras. o analisou de forma tão cuidadosa que poderia tê-lo incendiado vivo apenas com o olhar faiscante de ódio. sempre detestara o irmão mais velho e odiara toda a atenção que ele recebia sem nem ao menos lutar por ela. Noah Blossom sempre teve tudo o que quis, e isso enfurecia por completo.
Apenas por diversão, murmurou algo e, de repente, na pele pálida de Noah, começaram a surgir vários furúnculos que eram cada vez mais grotescos e nojentos, assustando as garotas, que correram para longe. sorriu maldosa, satisfeita com o trabalho e muito mais ainda quando viu o irmão correr às pressas para longe. e presenciaram o sorriso maldoso de vitória da menina, ficando um pouco sérias em seguida.
— Por que fez isso com o Noah? — questiona, um pouco irritada com a amiga.
— Quem disse que eu fiz algo com ele? — devolveu calmamente.
— É bem óbvio que isso foi coisa sua, Blossom — insiste. sorrira novamente.
— Eu acredito que para realizar um feitiço sem o uso de varinha tem que ser um bruxo excepcional, certo? — diz a menina, soando ingênua. — Para a sorte de Noah, ainda não sei fazer o uso de magia não verbal.
— Se não foi você, quem foi então? — questiona novamente, convencida por .
— Não sei. Talvez alguém que tenha se frustrado com a última partida de Quadribol — responde, bebendo a sua cerveja.

O trio seguiu a sua visita por Hogsmeade, mesmo não estando tão entusiasmada como suas amigas. A verdade é que nem mesmo os furúnculos de Noah foram capazes de satisfazê-la. Ela queria que o ano acabasse o mais rápido possível porque, assim, ela e Tom poderiam ir atrás do pai dele, uma vez que eles já tinham uma boa pista.
Eles vasculharam todo o acervo da escola atrás de algo que os levasse ao pai de Riddle, já que ele não acreditava muito que sua mãe era bruxa. Tom estava ocupando sua mente com as pesquisas, enquanto continuava desvendando livros sobre Artes das Trevas, em busca de mais. Naquele dia, ao voltar para o Castelo, fora chamada para a enfermaria porque, aparentemente, os furúnculos de Noah pioraram ao ponto de romperem em pequenas explosões.
— O que está acontecendo? — questionou, inocentemente. Ela observou a presença do diretor Dippet e do Prof. Slughorn.
— Seu irmão, Noah... ao que parece, alguém o atingiu com a maldição furnunculus — o professor Slughorn diz, olhando para o garoto enfaixado sobre a cama da ala hospitalar.
— E quem faria tal coisa? — ela encara o homem, com a expressão mais inocente que poderia esboçar no momento.
— Esta é a questão, senhorita Blossom — o professor Dippet a responde, calmamente, entre um suspiro. — Ainda não temos ideia de quem está por trás deste infeliz incidente.
— Meus pais já foram alertados? — cruzou os braços, fingindo estar preocupada com o irmão.
— Sim. O diretor despachou uma coruja endereçada aos seus pais no instante em que Noah dera entrada na enfermaria — Slughorn afirmou, tão calmo quanto Dippet.
— Senhor, creio que seria um momento apropriado para usarmos a poção para curar furúnculos. Riddle e eu a fizemos na aula passada, recorda? — encarou o professor, sugestiva. Isso iluminou o rosto do mesmo.
— A melhor poção de cura já feita. Meus dois melhores alunos sempre me surpreendendo! — exclama ele, entusiasmado. — Dê-me um instante, irei chamar por Riddle.
Slughorn deixou a ala hospitalar depressa. O nome de Tom foi chamado e requisitado na mesma ala; o garoto surgiu, acompanhado do professor de poções, embora sem entender o motivo. O homem estava com o frasco da poção em mãos, composta de um líquido verde-claro. Os dois entraram na sala e, assim que o garoto pôs seus olhos sobre e o menino deitado na cama, ele se esforçou ao máximo para não rir.
— E a criação encontra-se com os criadores — Slughorn anuncia, aproximando-se da cama ao lado de Tom.
— Perdoe-me, senhor, mas por que fui chamado? O que aconteceu? — Riddle pergunta, levemente intrigado.
— O irmão da senhorita Blossom foi atacado mais cedo em Hogsmeade. Alguém o atingiu com a maldição furnunculus, mas a situação agravou porque os mesmos furúnculos começaram a se romper — a Madame respondeu, pegando o frasco das mãos de Slughorn. — E graças a poção que fizeram, talvez o menino Noah esteja bem até o fim da semana.
— Entendo — Tom olhou para , com o seu duplo sentido. — Esperamos que a poção seja muito útil.
— E será! — a senhora responde, analisando o conteúdo do frasco. — É realmente uma das melhores poções de cura que já vi.
— Pelo excelente preparo da poção de cura, concedo a vocês dois cinco pontos — Dippet diz, sorrindo. — Estão dispensados.

Ao saírem da ala hospitalar, eles se afastaram o bastante para terem um breve momento de privacidade, onde pudessem conversar a sós. Eles pararam no pátio da torre do relógio e sentaram aos fundos, ouvindo o barulho da fonte.
— Foi você, não? É a sua cara lançar maldições no seu irmão — Tom riu, vendo a menina confirmar.
— Sim, foi — confirmou, rindo. — Mas confesso que não esperava que explodissem.
— Talvez tenha lançado com raiva — deu de ombro.
— É bem possível, mas foi gratificante ver Noah daquela forma. Ele mereceu — afirma, indiferente.
— Escute, estive pensando... não achamos nada do meu pai aqui em Hogwarts... será que vamos encontrá-lo? — Riddle questiona, um tanto quanto inseguro.
— Claro que iremos — garantiu, com um ar determinado. — Nem que passemos as férias de verão inteiras atrás dele!
— Gosto da sua determinação — afirmou ele, sorrindo. — Mas é melhor irmos, vou me encontrar com Nott e Abraxas.
— Ótimo. Irei para a biblioteca — Blossom levantou, se despedindo do menino.

Os dias passaram lentamente, Noah se recuperou bem, mas somente a menção de furúnculos lhe causava pânico; por dias o menino ficou aterrorizado e quase desmaiou quando viu uma planta que também causava furúnculos com o veneno. Na reta final das aulas, a ansiedade dos alunos apenas crescia. e faziam planos de passarem alguns dias juntas e elas queriam incluir nos planos, mas, para o azar das garotas, a menina já tinha seus planos. E suas amigas não estavam inclusas neles.
— O que acha? É perfeito. Meus pais podem falar com os seus — diz, ajeitando suas roupas em seu malão.
— Parece uma boa ideia — afirmou, balançando a cabeça.
— Então estamos combinadas — a menina sorriu, animada. Elas entraram no dormitório, ainda programando suas férias, mas pararam ao ver que estava de saída. — Onde vai?
— Problemas familiares — responde ela, indiferente.
— Escuta, nós estamos planejando passar as férias juntas. Por que não vem conosco? — indaga, barrando a amiga de sair do dormitório.
— Improvável. Tenho que ir visitar meus parentes na França — respondeu ela, um pouco impaciente. — Posso ir agora?
As meninas se entreolharam, deixando passar. A menina foi depressa para a biblioteca, olhando para trás ocasionalmente para verificar se não estava sendo seguida. Alguns dos alunos lhe encaravam como se ela fosse algum tipo de aberração, cochichando entre si e outrora dando risadinhas maldosas. A menina nem ligou, achando todas as provocações irrelevantes.
Ao entrar no local, olhou para todos os lados, procurando por alguém específico. Tom Riddle estava aos fundos, afastado dos demais alunos e ocupado com livros e pergaminhos. Ele estava estudando. A Blossom mais nova chegou de surpresa, dando um leve susto no garoto.
— Já não lhe disseram que é falta de educação chegar assim? — Riddle perguntou, de mau humor.
— Você não é o primeiro — sorriu. — O que está fazendo?
— Pesquisa — responde ele, deixando os livros de lado para encarar a menina. — O que foi? Qual a urgência?
— Estive vasculhando alguns registros estudantis — disse a garota, mais próxima de Tom. — E encontrei algo bastante interessante sobre os Gaunt.
— E? — Tom arqueou a sobrancelha.
— São descendentes diretos de Salazar Slytherin — diz, baixo. — Os últimos membros da família Gaunt são Morfin, Merope e... Marvolo.
— Marvolo? — Tom questionou, surpreso. assentiu.
— Se o que eu suspeito for verdade, você é o descendente do próprio Salazar! — quase exclamou, animada. — O professor Dippet me disse que moram em Little Hangleton. Podemos ir visitá-los depois de irmos atrás do seu pai.
— Você perguntou ao Dippet? Ele não desconfiou?
— Não. Disse a ele que meus pais conhecem os Gaunt mas perderam contato e queriam saber onde moram — deu de ombro, rindo.
— Você é terrivelmente incrível, Blossom.
— Eu sei que sim, Tom Riddle.

O último dia de aula chegou e logo todos os alunos estavam se despedindo na Estação King’s Cross. , Tom e Noah foram direto para casa, mas, diferente dos anos anteriores, Agatha e Harold não estavam ali para acompanhá-los e recebê-los; na verdade, o casal ainda estava de férias pela Europa e só voltariam dentro de uma semana. e Tom ficaram muito satisfeitos com a notícia, isso lhes daria tempo o suficiente para procurar pelo pai do garoto.
— Calcifer — o chamou em um tom de voz alto. O elfo apareceu instantes depois. — Preciso de um favor.
— O que quiser, senhorita.
— Tom e eu estamos procurando por um homem, Riddle é o sobrenome dele — disse. — Quero que vá a Londres e o encontre para nós. Procure perto de Little Hangleton, suponho que será mais fácil.
— Como desejar.
O elfo estalou os dedos e desapareceu. As horas começaram a passar lentamente e cada segundo deixava Tom angustiado e nervoso. Várias perguntas lhe perturbavam naquele momento e todas elas começavam com “e se?”. Não conseguia negar que a ideia estava lhe deixando aterrorizado da cabeça aos pés; tinha medo de que não fosse conforme esperava. Suas expectativas estavam muito altas.
Calcifer retornara por volta das três da tarde e trazia boas notícias consigo. Antes que pudesse descobrir se ele havia encontrado o pai de Tom, Noah requisitou o elfo para algumas coisas que precisava fazer, o que levou mais uma hora e meia. Enquanto esperavam, achou algo muito interessante em um dos livros de seu pai.
— Sabia que existem três maldições imperdoáveis no mundo mágico? Foram classificadas como “imperdoáveis” em 1717, são ferramentas das Artes das Trevas — diz, virando a página do livro.
— Quais são? — Tom perguntou, curioso.
— Avada Kedavra, a maldição da morte; Cruciatus, maldição da tortura; e a Imperius, que controla a vítima e a obriga a fazer o que quiser — Blossom respondeu, lendo sobre azarações. — Dizem que, para lançar a Cruciatus, você precisa desejar causar dor no seu oponente.
— Seus pais realmente gostam disso, não? — Tom perguntou, rindo.
— De fato — afirmou, olhando para ele. A conversa fora interrompida por Calcifer, que entrou na biblioteca pouco depois. — E então, Cal?
— Eu o encontrei, senhorita Blossom — responde o elfo, para a surpresa dos dois, principalmente Tom. — Mora próximo da Família Gaunt, em uma belíssima mansão.
— Nos leve até lá, Cal — pediu, levantando da namoradeira.

Ninguém conseguia descrever a ansiedade que Tom estava sentindo naquele momento. O coração do garoto batia tão forte em seu peito que parecia que iria rasgar e saltar para fora a qualquer instante. De longe os três viram o pai de Tom andar a cavalo acompanhado de outra moça; os dois desfrutavam de uma conversa prazerosa, já que conseguiam ouvir suas risadas. Foi naquele momento que ficou completamente em choque.
— Por Merlin, você se parece demais com ele — sussurrou a menina, surpresa. — O que acha?
— Acho que não estou pronto para isso — murmurou, nervoso.
— Olha, eu vou estar com você o tempo inteiro. Não vou te deixar sozinho, Riddles — diz, chamando-o pelo apelido carinhoso que lhe dera.
— Ok. Acho que podemos fazer isso — levantou, respirando fundo. — Você vem?
— Sempre ao seu lado, Riddle — sorriu a garota, estendendo a mão para ele.
Riddle segurou a mão de com uma segurança que ele ainda não tinha experimentado antes. Sim, ele estava nervoso e não tinha a menor noção de como aquele encontro seria. Os dois caminharam até alcançarem o portão, então acenaram. O homem acenou de volta, descendo do cavalo e indo ao encontro de e Tom.
— Boa tarde. Em que posso ajudá-los? — perguntou, educadamente.
— O senhor é o Riddle? — questionou.
— Tom Riddle — respondeu o homem, olhando para o menino. — E vocês?
— Não acho que seja apropriado manter duas crianças para o lado de fora. Não queremos nada, só precisamos conversar — diz ela, impaciente. O pai de Tom sorriu, abrindo o portão. — Meu nome é Blossom. Este aqui é meu amigo, Tom.
— Prazer. Agora me respondam, o que querem falar? — pergunta o homem, agora um pouco rude.
— Não enxerga a semelhança? Obviamente estamos aqui porque você é o pai dele — respondeu, ríspida. — Coragem a sua deixar seu filho crescer em um orfanato por treze anos e nem sequer saber o que acontece com ele.
— Quem você pensa que é, garotinha? — questiona, irritado. Por instantes, os dois acharam que o pai de Riddle fosse bater em .
— Nem ouse encostar um dedo nela — o menino se pronunciou, audacioso. — E sim, o senhor é o meu pai.
— Tolice. Prestem atenção, não sei quem são vocês dois e, se querem saber, a minha adorável esposa morreu junto da criança. Por favor, saiam.
O jovem Riddle odiou aquele momento com todas as suas forças, por isso não hesitou em soltar a mão da menina e sair andando para longe. Estava furioso e decepcionado; a rejeição nunca havia sido tão dolorosa assim antes. estava tão irritada quanto o garoto, então lançou um olhar furioso na direção do homem, se controlando ao máximo para não o amaldiçoar naquele instante.
— O senhor é um cretino! — gritou, furiosa. — E terá o que merece. Guarde minhas palavras, seu trouxa nojento.
Se o homem soubesse o peso que aquelas palavras causariam em seu futuro, ele jamais teria destratado e o garoto. Ela voltou para junto de Calcifer e do jovem Riddle, que mantinha sua cabeça baixa para evitar que ela visse as lágrimas escorrerem. Blossom não disse nada, na verdade, ela apenas abraçou Tom em silêncio.
— Vai ficar tudo bem, Tom — sussurrou ela, próxima de sua orelha. — Ele vai se arrepender disso.
— Eu vou me tornar o maior bruxo de todos os tempos, . Eu vou me tornar tão poderoso e tão temido que todos irão morrer de medo ao dizer o meu nome — responde o garoto, furioso. — Eu vou me tornar imortal e cada bruxo vai se ajoelhar perante o meu poder. Ninguém vai ousar me desafiar e ninguém será capaz de me derrotar. E quanto a este trouxa nojento? Ele vai ter o que merece.
— Isso, Tom. Deixe a raiva falar por você, sinta-a. Deixe que ela preencha cada parte do seu corpo — o incentiva, encantada. — Use-a, Tom.
— Eu quero você ao meu lado, — ele a encarou, dominado pelo ódio. — Eu quero você comigo, quando nós nos tornarmos os bruxos mais poderosos da história.
— Eu sempre vou estar ao seu lado, Riddle.


Capítulo 6
A Sala Precisa


1942.

O quinto ano de Blossom e Tom Riddle começara com uma belíssima surpresa. O garoto havia sido escolhido como monitor da Slytherin, enquanto havia sido escolhida como a monitora da . Noah está no seu último ano em Hogwarts, o que deixa a garota feliz, já que não vai mais ser obrigada a conviver com ele.
Desde o encontro que os dois tiveram com o pai do menino, as coisas pareceram tomar um rumo interessante na vida deles.
— Lord Voldemort? — Abraxas questionou, vendo Riddle assentir.
— É um bom nome — Nott observou, o que fez esboçar um sorriso nos lábios.
— O que significa? — Avery indaga, levemente confuso.
— É um anagrama do meu nome — respondeu Riddle, usando um tom de voz agradável. — me ajudou a confeccioná-lo.
— Pois eu acho que é um tremendo absurdo você passar mais tempo com do que eu! — Malfoy exclama, como se a coisa toda fosse inaceitável.
— Por que você não vai brincar com Grindylows e não aproveita para se afogar? — Blossom sugere, impaciente. — O que fazemos não é da sua conta, Malfoy.
— A moça se irritou, senhores — provocou ele, para o desprazer de Tom.
— E a moça vai fazer bem mais que ameaças — afirmou ela, rangendo os dentes.
— Se vocês já pararam com essa briguinha desnecessária, podemos ir enfim aos negócios? — Tom os interrompe, rolando os olhos. — Nós estamos aqui hoje porque pretendo falar o propósito deste grupo. Vamos limpar os corredores de Hogwarts da imundície dos sangues-ruins.
Os garotos não tinham ideia de como Riddle faria aquilo, mas topavam qualquer coisa que ele dissesse porque, para eles, Tom era um líder. Mas ele certamente não estava só; com ao seu lado, aqueles garotos tão sonhadores e ambiciosos pela fama e poder sabiam que iriam longe. Eles só não sabiam que os dois já trabalhavam naquilo há meses.
Como o encontro com o pai de Tom havia sido um tremendo fracasso, descobriu que podia usar toda a raiva do garoto para o seu próprio benefício. Ela foi tão cautelosa em manipular os sentimentos de Riddle que não se deu conta de que ele também estava a manipulando. Com a inteligência dela, Tom podia enfim descobrir os segredos da imortalidade. Aquela era uma faca de dois gumes e ambos precisavam se equilibrar sobre ela, a fim de manter estabilidade. Entretanto, eles não se deram conta de que havia algo a mais naquilo ali.
— Como vocês sabem, e eu descobrimos que sou descendente direto de Salazar Slytherin — Tom diz, olhando para a menina.
— Então sabe a respeito da Câmara Secreta — Abraxas diz, entusiasmado, ao passo em que Riddle assentiu.
— Estamos trabalhando nisso — Blossom confirmou, ajeitando os cabelos .
— Não vou falar muito sobre o assunto, vocês podem ir. Nos falamos mais tarde — Riddle os dispensou, sem sequer olhar para eles.

Assim que saíram da sala, restaram apenas Tom e . O distintivo brilhava nas vestes do garoto, bem como nas da Blossom mais nova. Os anos foram muito gentis com ele; havia crescido e se tornado um garoto charmoso e atraente, deixando várias meninas encantadas com a sua beleza. não estava tão atrás, já que muitos meninos também passaram a olhar para ela com um certo desejo.
Mas, para o desprazer de muitos alunos, e Tom eram inseparáveis. Passavam boa parte do tempo juntos, o que afetou muito a amizade da garota com e , que sentiam que haviam sido jogadas de escanteio. Não entendiam por que ela havia se afastado tanto, e, todas as vezes que tentavam se aproximar, apenas se esquivava. Se Blossom já era fechada quando se conheceram, agora ela estava pior. Ninguém era capaz de decifrar . E ninguém iria tentar.

— Nós sentimos sua falta, disse em tom baixo, muito magoada.
— Eu sempre estive aqui — afirmou ela, indiferente. — Só estive ocupada.
, faz cinco anos desde que você nos deixou de lado por causa do Riddle! Não nos conta nada, não passa mais tempo conosco! O que foi que aconteceu com você? — perguntou, nervosa.
— Querem saber? Sentem-se, eu vou contar — respondeu , suspirando.
As meninas se entreolharam como se estivessem prestes a encontrar alguma relíquia muito valiosa, então sentaram sobre a cama de , atentas a cada passo dado pela amiga. Blossom se sentou na cama da frente, cruzando suas pernas e novamente respirando fundo.
— No primeiro ano, no final, na verdade... na King’s Cross, meus pais estavam me esperando. Eu contei a eles sobre Tom e meu pai se interessou, ainda mais quando eu disse que ele era órfão e os trouxas eram ruins — contou a menina, ajeitando os cabelos . — Meus pais adoraram Tom no instante em que o viram, então resolveram adotá-lo.
— COMO É? — gritou, em choque.
— É. Meus pais adotaram o Tom e desde então ele tem morado conosco. Por isso eu não quis que fossem até a minha casa, ninguém sabe disso e a intenção é que permaneça desta forma — diz, séria. — E é também por isso que passamos tanto tempo juntos.
— Merlin do céu, murmurou, pasma. — É por isso que está tão distante?
— Sim, é — confirmou a garota, soando bem convincente. — Então peço que não contem a ninguém.
— Não iremos, mas você precisa passar mais tempo conosco — pediu, quase que suplicando. cedeu, balançando a cabeça. As duas meninas balançaram a cabeça, satisfeitas.
— Agora preciso ir, tenho algo a fazer — disse, se despedindo.
deixou o dormitório rapidamente, sem dar uma janela de tempo para que as garotas fizessem outros questionamentos. Perambulando pelos corredores, perdida em pensamentos aleatórios, ela estava desesperada por algum lugar onde pudesse ficar sozinha e não pudesse ser encontrada. Foi quando algo aconteceu. Uma porta surgiu magicamente na parede do corredor esquerdo do sétimo andar.
entrou naquela sala, imaginando quais segredos lhe habitavam e ficou surpresa quando encontrou um local calmo, exatamente como ela queria. Tinha alguns livros e uma poltrona. deu de ombro e se aconchegou, pegando alguns livros e deixando sobre a mesa ao seu lado. A garota só queria um tempo para raciocinar e, naquela sala, percebeu que teria todo o tempo do mundo.
Blossom passou horas ali, sem se importar se estava perdendo aulas ou não. Somente durante o jantar que decidiu deixar a sala, memorizando exatamente onde estava. Desceu para o Salão Principal sem muitas expectativas de encontrar Tom, já imaginava que ele estaria muito ocupado com a tarefa de encontrar a Câmara Secreta. No caminho, contudo, ela flagrou uma cena curiosa. Olive Hornby, da Corvinal, estava fazendo outra vítima.
— Mas o que pensa que está fazendo, Hornby? — a questionou, autoritária.
— Ah, — a garota parou para encará-la, rindo.
— Não me venha com “Ah, ” — Blossom diz, secamente. Sua atenção se desviou para a menina atrás de Olive, encolhida. — Myrtle Warren, certo?
— S-sim — gaguejou, levantando do chão com a ajuda da monitora.
— Pode ir — prosseguiu, ao que a menina obedeceu na hora. — Se eu pegá-la caçoando da garota de novo, vão ter consequências mais sérias do que uma simples detenção e alguns pontos a menos. Fui clara o bastante?
— Como quiser, monitora — balançou a cabeça, um tanto quanto receosa.
— Suma da minha vista antes que eu perca a paciência — mandou, em um tom de voz assustador.
Olive desapareceu em questão de segundos, para o prazer de . A garota não tinha o costume de intervir em briguinhas de estudantes, mas estava farta do bullying que Hornby estava causando nos últimos dias. Por mais que tivesse seus planos, mesmo sendo perigosos e ardilosos, odiava qualquer tipo de injustiça; talvez fosse pela sua própria experiência na infância, mas tinha um certo “fraco” por pessoas indefesas.
— O que foi isso que acabo de presenciar, Blossom? — Tom perguntou, levemente seco.
— Depende de qual acontecimento estamos falando, Riddle — responde ela, simples. O garoto rolou os olhos, entediado.
— Você estava defendendo uma trouxa — diz, com nojo. sorriu.
— Estava apenas cumprindo meu dever como monitora, meu bem — assegurou ela, para o desprazer dele. — Vivemos de fachadas, não? Permita que eu prossiga com a minha, sim?
Antes que prosseguisse, ela sentiu Tom a puxar pelo braço em direção de uma sala vazia. Eles entraram e a garota se soltou do aperto com uma certa brutalidade. Desde que as coisas aconteceram rapidamente, Tom havia mudado. Na época do primeiro ano, ele não era tão alto, apenas alguns centímetros a mais que , mas agora, o jovem havia crescido mais, beirando seus 1,80cm; sua pele era pálida e seus olhos azuis brilhavam de ódio. Seus cabelos escuros sempre estavam perfeitamente ajeitados, dando a Riddle um ar impecável. A beleza do rapaz era tanta que arrancava suspiros apaixonados das várias estudantes de Hogwarts.
, o que foi? Você está estranha nos últimos dias — o garoto diz, preocupado.
— Estou pensando no futuro, Riddle — respondeu, séria.
— Ah, não... tem algo a mais — murmurou, olhando-a fundo nos olhos . — Faremos o seguinte, hoje à noite, você e eu iremos fazer uma patrulha juntos.
— O que te faz pensar que eu aceitaria? — devolveu, cruzando os braços.
— Minha querida — Riddle se aproximou, tocando o rosto da garota ao esboçar um sorriso de segundas intenções. — Você não vai querer perder a patrulha.
E para a surpresa da jovem, Riddle a beijou na testa, deixando a sala em silêncio. Embora ele detestasse admitir até para si próprio, Blossom era a única pessoa com quem ele se preocupava. A resposta daquilo não era difícil de ser encontrada; tinha sido a primeira e única pessoa que havia lhe mostrado afeto. Se não fosse pelos seus gestos doces e amigáveis, Tom teria crescido como um completo ignorante no quesito do comportamento humano.
foi a responsável por fazê-lo sentir coisas que nunca tivera sentido antes. Ele aprendeu e conheceu as emoções porque ela o ensinou, somente as vivenciou porque a garota lhe permitiu isso. Ela lhe ensinou a compaixão, empatia, alegria, gratidão e a felicidade. Assim como lhe mostrou os sentimentos positivos, ela também lhe ensinou sobre os negativos. A raiva, o ódio, medo, insegurança, frustração, falha e até mesmo o ciúme.
Agora Tom Riddle sabia o que era sentir frustração e sabia como era falhar, mas também sabia o que era sentir alegria e gratidão. Só tinha um porém, ele não demonstrava isso para os demais seguidores. Somente e exclusivamente para . O jovem Riddle sentia que somente ela era digna de tais demonstrações, uma vez que a própria o tinha aberto os caminhos de sua jornada para se tornar o bruxo mais poderoso de todos os tempos.
E sim, ele era capaz de sentir que tinha algo de errado com . Os dois bruxos criaram uma conexão tão poderosa que agora eram capazes de sentir as emoções um do outro. No início, para Riddle, era assustador sentir tantas coisas ao mesmo tempo e, mais uma vez, estava lá para canalizar as emoções dele.

— Por que demorou? — Abraxas questionou, curioso.
— Estou aqui, não estou? — respondeu, secamente.
— Ei, gracinha! — Malfoy gritou na direção da Blossom, que havia recém entrado no Salão Principal, ignorando o comentário sarcástico de Riddle.
— Me erra, Malfoy — respondeu a moça, o ignorando. Nott e Lestrange riram.
— Se eu terminar o ano sem ter beijado , meu nome não é Malfoy — diz ele, com um ar confiante.
iria preferir beijar um trasgo, Abraxas — Riddle se pronunciou, desdenhoso.
— E como tem tanta certeza do que diz, Tomzinho? — Malfoy o provoca, sorrindo de orelha a orelha.
— Acredite, eu a conheço bem mais do que imagina — afirmou, com o seu famoso ar misterioso. — E, por isso, eu gostaria de vê-lo tentar apenas para ter o prazer de assistir sua queda, meu querido amigo.
O comentário feito por Riddle certamente instigou Abraxas e o garoto de repente tinha um ar determinado, como se os dois tivessem feito uma aposta. Ele certamente iria tentar conseguir alguma coisa com até o fim do ano letivo, a todo custo. O garoto lançou olhares sugestivos na direção da menina, que prosseguiu sem se importar muito. Tom observava a cena intrigado; ainda não entendia como o “amor” funcionava e isso lhe deixava um pouco irritado. Sim, ele tinha curiosidade de saber como funciona, mas o fato de não ser capaz de senti-lo é estranho.

No final do jantar, Tom permaneceu sentado, contemplando o teto e pensando em dezenas de coisas diferentes, que, indiretamente, o levavam a uma certa garota de cabelos e olhos vívidos. A maioria dos alunos já havia se retirado, mas, por ser monitor, ele tinha os seus privilégios e podia permanecer ali por quanto tempo achasse necessário.
O professor Dumbledore analisava Tom com uma certa curiosidade. Desde o primeiro encontro dos dois no orfanato, onde as coisas não deram muito certo, ele achava que o rapaz precisava ser vigiado. Alvo nunca esqueceu o comportamento suspeito do rapaz, o que foi o suficiente para que o professor apertasse o botão do alerta.
— Boa noite, Tom — Dumbledore se aproximou do garoto, lhe tirando dos pensamentos variados. — Não vá ficar aqui até tarde.
— Estou esperando por , professor — respondeu, cruzando os braços sobre a mesa. — Iremos fazer uma patrulha juntos.
— Entendo — o professor balançou a cabeça. — Boa sorte com os corredores, Tom.
— Obrigado — sorriu o menino, gentil. — E boa noite, professor.
Assim que Dumbledore deixou o Salão Principal, Tom voltou a contemplar o teto encantado, deixando que vários pensamentos aleatórios lhe inundassem naquele instante. Estava inseguro com a hipótese de que não fosse aparecer. Nem ele entendia direito o que estava acontecendo com a garota, e gostaria muito de entender.
— Riddle — ouviu a voz suave de o chamar. Ele baixou o olhar, encarando a garota e permitindo que um sorriso surgisse. — Vamos ou não?
— Por que a pressa? Temos o tempo que quisermos — disse, levantando da mesa. apenas cruzou os braços, soando bastante entediada.
— Eu não estou com muita paciência para os seus joguinhos. O que é que você quer? — questiona, andando ao lado do rapaz.
— Você está, definitivamente, muito estranha, — afirmou, a chamando pelo nome, coisa que não acontecia com frequência.
— Não estou — insistiu, impaciente. — Por que é que vocês insistem nisso? Você, e , todos pareceram entrar em um acordo para implicar comigo!
— Aquelas duas eu não sei, mas é nítido que há algo acontecendo. Por que não me conta?
— Já disse, Riddle! — exclamou, zangada. — Não há nada!
Os dois entraram no banheiro feminino do segundo andar, que certamente estava vazio. se aproximou das pias, próxima da única torneira que não funcionava, então abriu a outra, lavando o rosto. Tom a observou com atenção, como se estivesse diante de algo extremamente único. Blossom, entretanto, notou algo de diferente na torneira.
— Salazar conseguia falar a língua das cobras, não? — perguntou, com os olhos vidrados na torneira.
— Sim. Por quê?
— Você também consegue, certo? — questionou a garota, sem encará-lo.
— Sabe a resposta, — disse, com um certo ar impaciente.
— Diga algo em parseltongue — ordenou a garota, o encarando.
— Por exemplo? — questiona, se aproximando.
— “Abra” — respondeu ela, encarando-o fixamente.
Ainda sem entender aonde ela queria chegar, Riddle apenas assentiu, repetindo a mesma palavra, porém na linguagem das cobras. O banheiro de repente começou a se abrir e um buraco imenso apareceu no chão. Os dois se entreolharam, como se estivessem diante de uma mina de ouro.
— Acho que não é a única surpresa do dia, Riddle — afirmou a garota, encarando-o.
— Do que está falando? — ele questiona, curioso.
— Encontrei uma sala secreta mais cedo, passei a tarde lá — respondeu, olhando para o imenso buraco no meio do banheiro.
— Então foi por isso que não vi você hoje, Blossom — concluiu ele, pensativo. apenas deu de ombro.
— De fato — disse, indiferente. — O que vamos fazer a respeito disso, Riddle?
— Precisamos descobrir o que há lá dentro — afirmou, olhando na direção da entrada. — Contudo, não acho que seja apropriado fazer isso hoje. Podemos fazer quando tiver uma visita a Hogsmeade. A escola ficará vazia. O que acha?
— Excelente opção — concordou, balançando a cabeça.
— Devemos ir — prosseguiu Riddle, pensativo. — Você pode me mostrar o que encontrou.
concordou, então o garoto fechou a entrada da Câmara Secreta e os dois deixaram o banheiro, em silêncio. A garota conseguia ser mais misteriosa do que ele, então já estava acostumado a passar horas com ela ao seu lado sem que ninguém dissesse nada. Além disso, ela claramente se perdia em pensamentos, assim como ele. Os últimos anos foram estranhos; ele tinha a constante sensação de que a garota havia se afastado até mesmo dele e isso não era algo legal. Ele detestava sentir que ela estava distante.

— Se pudesse escolher qualquer coisa agora... o que seria? — cortou o silêncio com a pergunta.
— Depende. Isso se aplica a que, exatamente?
— Lugares, coisas... o que quiser — respondeu, subindo as escadas para o sétimo andar.
— Deixe-me pensar...
— Ok, não me fale o que é. Me surpreenda, Riddle.
Os dois enfim chegaram ao sétimo andar, onde guiou o menino para o corredor. Eles chegaram no local desejado, onde não havia nada além da tapeçaria que descreve a tentativa de Barnabás, o Barmy, de ensinar balé aos trolls. foi para trás de Tom, ficando na ponta dos pés, onde sua respiração batia lentamente na nuca do garoto, deixando-o arrepiado por completo.
— Imagine o que você anseia desesperadamente... três vezes — sussurrou ela, sensualmente. — Uma sala... uma casa... um quarto ou um bosque... o que você precisa urgente.
O corpo inteiro de Tom pareceu arrepiar naquele instante. Levemente desconcertado pela proximidade dos lábios rubros da garota com o seu pescoço, Riddle tentou ao máximo manter o foco. De repente, ele já sabia o que ele queria e seguiu as instruções da garota; as portas mágicas surgiram e, assim que os dois abriram as mesmas, eles se depararam com um lugar verde. A sala inteira havia se transfigurado em um pequeno bosque.
— Que lugar é esse? — questionou, quase em um sussurro.
— Quando eu estava no orfanato... — Tom murmurou, um pouco desconcertado. — Gostava de fugir e ir para um bosque, para ter um pouco de paz, sabe?
— Era aqui? — indagou novamente, vendo-o assentir. olhou ao redor, como se estivesse no lugar mais calmo do mundo e onde nada poderia atrapalhá-los. — Não imaginava isso de você, Riddle.
— Tem tanta coisa que ninguém sabe sobre mim, — ele riu de soslaio, tocando um dos troncos das árvores.
— Eles não sabem, mas eu sei — disse a garota, se aproximando de Tom.
tinha um jeito muito sedutor no olhar e talvez essa nem fosse a pior parte. Ela não precisava fazer esforço para atrair atenção e conseguir quem ela queria. A garota Blossom era invejada pelas demais estudantes; todas queriam ser ela e tudo isso porque a mesma era extremamente próxima de Riddle, que era bastante desejado pelas garotas. A maioria ali seria capaz de matar para ter a atenção do garoto, algo que ela conseguia sem esforço algum.
— Conveniente, não acha? — sussurrou ela, atrás do garoto, passando seus dedos de forma suave pela nuca do mesmo. — Nós dois. Completamente sozinhos aqui... em um bosque.
— Foi você quem nos trouxe aqui, Blossom — respondeu, com a respiração levemente alterada. Sim, Riddle estava nervoso com a aproximação dela.
— Eu o trouxe até a Sala Precisa, Riddle — sussurrou novamente, agora próxima da orelha dele. — Mas foi você quem nos trouxe aqui.
Tom virou-se para encarar os olhos de , completamente perdido dentro da imensidão deles. Mas havia algo de diferente naquele olhar, algo que ele não conseguiu identificar inicialmente. Era algo a mais que aquela raiva de antes. Era algo muito parecido com desejo e, se não fosse parecido, com certeza era aquilo mesmo.
— Olhe só para nós dois, Tom. Dois adolescentes com desejos reprimidos e necessidades que vão além da compreensão mágica... nós dois somos frutos de algo muito maior, destinados a sermos únicos — sibilou a garota, próxima do rosto dele. — Nós somos o que eles sonham em ser. Nós somos um erro humano, o sofrimento fatal, o cromossomo independente. Nós somos a loucura total e absoluta, Riddle. Nós somos o medo.


Capítulo 7
A noite na enfermaria


As palavras de ficaram impregnadas na cabeça de Tom durante semanas. Todas as noites, quando estava distante em seus pensamentos, as palavras dela vinham com força e, de repente, o garoto se via intrigado. Ele entendia perfeitamente o que ela queria dizer com o comentário, mas não tinha certeza de que queria o mesmo.
Ele ficou tão atormentado pelas palavras ácidas de que esqueceu por completo do fato de que tinha encontrado a Câmara Secreta. Riddle tinha até mesmo suspendido as reuniões secretas com os seus fiéis seguidores, que a Blossom mais nova apelidou de “Os Cavaleiros de Walpurgis”. Segundo a garota, o nome teria sido retirado de uma comemoração pagã, onde os mesmos comemoravam o início da primavera. Entretanto, havia uma lenda mais antiga dizendo que, no dia 30 de abril, bruxas e demônios se reúnem, e por isso ela achou que seria o nome ideal para o grupo.
ainda estava pensando em um nome mais forte para os seguidores, algo que deixasse claro que eles eram poderosos e que transmitem medo. Ela tinha algumas opções, porém ainda não tinha mostrado a Tom. Sua opção favorita, dentre todas as outras, era “Comensais da Morte”. Riddle também achava o nome interessante, mas ainda não tinham certeza se era assim que iriam chamar o grupo, portanto Cavaleiros de Walpurgis soava mais razoável.
Naquela terça-feira comum, Tom estava andando pelos corredores e distraído, ainda pensando naquelas palavras tão significativas e pesadas. Blossom tinha razão; eles realmente eram algo único, destinados a serem os maiores. Todavia, ele sabia que estava querendo muito mais do que a grandeza e o poder. Naquele dia, na Sala Precisa, ele viu algo no olhar da menina que exalava o macabro e, naquele momento, quando ele percebeu o que pretendia, já era tarde.
— Tom! — Slughorn exclama, sorridente. — Que bom vê-lo, meu caro.
— Olá, professor — o garoto sorriu, educado. — Posso ajudá-lo com algo?
— Já que mencionou o assunto, há algo que quero lhe falar — Horácio diz, colocando sua mão nas costas do rapaz. — Há algum tempo eu realizo reuniões secretas, apenas com os melhores de Hogwarts, é claro. Digamos que ambas as partes são beneficiadas.
— Acho que mencionou algo similar — diz o rapaz, olhando para o chão brevemente.
— Sim, os pais dela eram ótimos alunos — o professor afirma. — Já que conhece a natureza do Clube, eu gostaria de convidá-lo para uma reunião hoje à noite. O que me diz?
— É claro que irei, senhor — Riddle respondeu, sutil.
Slughorn sorrira satisfeito antes de deixar o garoto sozinho. havia desaparecido misteriosamente naquele dia; nem ele ou as garotas sabiam onde ela estava, muito menos Noah. E não, ela não estava na Sala Precisa, sendo que ele havia ido lá verificar. Outro fato curioso que mudou muito foi a relação entre o irmão mais velho de e Tom. Os dois não se davam muito bem, uma vez que Noah sempre desconfiara de Riddle. Os pais da garota, contudo, não davam muita bola para as implicâncias do filho mais velho.
— Riddle — Noah o chamou, com um semblante de deboche.
— Sim? — responde ele, calmo e inexpressivo.
— Por acaso viu a ? Preciso falar com ela — diz o rapaz, como se não quisesse estar ali.
— Não. Inclusive ia justamente perguntar o mesmo — sorriu, desdenhoso.
— O que é que você tanto faz com a minha irmã? Não se desgrudam mais! — exclama Noah, levemente irritado. — Andam dizendo por aí que vocês dois estão juntos, o que eu acho um absurdo, ela nunca iria ficar com alguém como você.
— E o que te faz pensar que nós temos algo? — Tom sorriu novamente, deixando o garoto mais nervoso. — Não pode presumir algo por alguém, Noah. É feio.
— Se afaste da minha irmã, Riddle — o Blossom mais velho cuspiu as palavras, com a varinha em mãos.
— Ou o quê? — Tom questionou, se aproximando consideravelmente do garoto.
Noah deveria ter pensado direito em suas decisões, mas não o fez. Em um instante, Tom Riddle estava de frente para ele, calmo, mas com um sorriso de segundas intenções no rosto, e, no outro, o garoto estava estuporado no chão, inconsciente, com um filete de sangue surgindo no chão. O jovem Noah ficou tão perplexo diante do que tinha feito que permaneceu parado, em choque. Os alunos começaram a tumultuar o corredor, fazendo várias e várias fofocas. Walburga Black era uma dos demais presentes, seguindo de e . As garotas olharam horrorizadas para Noah, ao exato instante em que Slughorn aparecera, acompanhado da Professora Galatea Merrythought.
— O que foi que você fez, Noah? — perguntou, o puxando do aglomerado.
— Ele... ele estava... — respondeu o mesmo, ainda atordoado.
— Pelas barbas de Merlin! — ouviram Slughorn exclamar, estupefato. — O que foi que aconteceu aqui?
— Precisamos achar a afirmou, olhando para a amiga, que concordou.
Blossom é definitivamente um enigma. Os últimos dias pareciam totalmente estressantes e o único modo da garota espairecer era ficando sozinha. O quinto ano reservava uma surpresa; ao final do ano letivo, os estudantes realizariam os NOM’s, por isso a garota dos cabelos estava tão zangada. Tinha muita matéria para estudar e não tinha tempo para gastar com bobagens.
Então, para isso, ela fugia secretamente para a área mais densa da Floresta Proibida. Ninguém era corajoso o bastante para entrar lá sozinho, mas tinha uma necessidade de sentir alguma coisa; estava cansada de não sentir nada o tempo inteiro.
— Onde vamos achá-la? — questiona, preocupada.
— Não é difícil. Se você fosse a e quisesse um lugar onde ninguém mais iria estar, onde escolheria? — devolve, andando em passos urgentes.
— Louca do jeito que ela é, só poderia estar na Floresta Proibida — diz a garota.
O olhar que lançou a resumiu perfeitamente tudo o que ela queria dizer naquele momento. As garotas desceram, passando pela cabana de Ogg, o Guardião das Chaves e Terrenos da escola, indo em direção à Floresta Proibida. Quando entraram lá dentro, as coisas se tornaram bem diferentes.
e não eram tão corajosas quanto a Blossom, mas faziam esforço. Na verdade, elas tinham pavor das ideias absurdas da amiga, mas, com ela, sentiam que precisavam provar estar à sua altura, mesmo que a moça não exigisse nada delas. Em fato, não se importava com os “defeitos” das garotas, afinal, isso era humano.
! — gritou, com a varinha em mãos, pronta para atacar.
— Não grite, ! — exclamou, tropeçando em um galho retorcido ao chão.
, eu te amo demais, mas agora não é a hora ideal para ficar com medo — respondeu a garota, firme. — Precisamos achar a .
— Bem que feitiços convocatórios poderiam funcionar com humanos — lamentou , suspirando.
— Não... mas tem um que funciona sim — diz , encarando a amiga, como se isso fosse absurdo. — Mas, se o fizermos, é bem capaz de machucarmos ela no processo.
— Já sei — sorriu. — Homenum revelio.
Encontraram algo mais adiante, contudo ficaram incertas se era realmente ou outra coisa. As duas meninas se deram as mãos e caminharam na direção do que encontraram. De longe, galhos foram quebrados e as duas pararam, com cada parte de si arrepiada. Os passos passaram a ser ouvidos e cada vez mais próximos, deixando as meninas apavoradas até a alma.
— Saiba que foi muito bom te conhecer, diz, segurando com força a mão da amiga.
— O que é que vocês estão fazendo aqui? Não sabem que essa parte da floresta é perigosa? — ouviram questionar, atrás delas.
— É urgente — a responde, um pouco receosa. — Você precisa vir agora.
— Falando assim até parece que alguém andou sendo atacado — sorriu, como se a possibilidade fosse impossível, mas mudou sua expressão quando percebeu que era exatamente o que tinha acontecido. — O que aconteceu?
— Noah e Tom estavam discutindo no corredor... — começou a falar, notando a expressão da garota Blossom enraivecer. — E aí Noah estuporou o Tom.
— Como é que é? — ela questionou, perplexa.
— Vamos, ! — a puxou.

As três meninas correram com pressa de volta ao castelo, indo em direção à enfermaria. No caminho, viu Noah ser acompanhado pelo Professor Slughorn em direção à sala do diretor Dippet, então ela acertaria as contas com ele depois. Alguns alunos ainda faziam comentários sobre o ocorrido, contudo optou por não dar ouvidos. Ela enfim chegou à enfermaria, notando que e haviam parado.
— Não vão entrar? — questionou as duas, olhando para elas.
— Não somos tão próximas do Riddle quanto você é, a responde, com um sorriso singelo no rosto. — E sabemos que ele é reservado, portanto é melhor que você vá.
— Vejo vocês mais tarde — disse a garota, abrindo a porta.
Assim que entrou na enfermaria, ela sentiu um leve desconforto. Riddle estava ocupando uma das últimas camas do lugar, estava deitado e tinha um curativo na sua cabeça. Parecia estar tendo um sonho agradável, pois até mesmo dormindo a sua expressão é calma.
— Olá, senhorita Blossom — a madame surgiu, cumprimentando a garota.
— Olá, Madame Enola — respondeu ela, indo até Tom. — Como ele está?
— Está bem, não foi nada muito sério — diz a senhora. — Estou esperando que acorde para saber se não terá alguns efeitos colaterais.
— A senhora se incomoda se eu ficar aqui? — questionou novamente, vendo a mulher concordar.
se sentou ao lado do menino, olhando para ele com atenção. Os cabelos de Tom caiam levemente em ondas em sua testa, então a garota esticou o braço e jogou as pequenas mechas para o lado, deixando o rosto do garoto mais visível. De repente, como um gesto lento e fraco, a mão de Riddle tocou os dedos da garota, entrelaçando-se a eles.
— Blossom — Riddle sussurrou, ainda de olhos fechados.
— Riddle — disse, acariciando a mão do mesmo com o polegar. — Pode me explicar o que foi que aconteceu?
— Acho que não... eu não consigo lembrar — disse, com a voz arrastada.
— Tudo bem — sorriu ela, doce. — Não vou te encher com isso agora.
se preparou para levantar, mas Tom a impediu, segurando sua mão. A princípio, ela havia estranhado o gesto, já que Riddle não era muito de pedir por algo; ele apreciava a sua própria companhia.
— Fique — pediu ele, olhando-a nos olhos. — Por favor.
assentiu, notando algo no olhar do rapaz. Talvez fosse um misto de cansaço, tristeza, receio e... raiva. Ele não sabia explicar o porquê estava com raiva, já que não era capaz de recordar o motivo de estar ali, mas tinha certeza de algo: sua cabeça ainda doía um pouco. Foi então que reparou em algo a mais desde o momento em que entrara na enfermaria. O braço esquerdo de Tom estava enfaixado, a princípio estava debaixo da manta, mas agora ele havia deixado por cima.
A Madame Enola retornou, vendo que o rapaz já estava consciente de novo para enfim dar a ele algum remédio líquido. A feição que surgiu em seu rosto deixou claro que havia sido a pior experiência de sua vida e certamente a pior bebida que já havia tomado. A mulher então deixou o remédio na mesa ao lado, saindo pouco depois.
— Escute, eu preciso ir resolver uma coisa agora... mas eu volto, okay? — diz ela, levantando. Riddle ponderou alguns instantes.
— Tudo bem — assentiu, balançando levemente a cabeça.
— Ótimo — sorriu a garota, dando-lhe um beijo no topo da cabeça antes de sair.
Assim que deixou a enfermaria, a expressão doce desapareceu de seu rosto, dando lugar ao ódio. Com passos firmes e decididos, ela caminhava para fora do castelo, sabendo perfeitamente onde Noah estaria. Os alunos que encontraram durante o trajeto não ousaram se opor diante dela, parecendo amedrontados ao extremo pelo olhar vingativo da mesma.
desceu pelos campos do castelo até chegar no campo de Quadribol, onde encontrou seu irmão e os demais jogadores da Corvinal juntos, sentados no gramado e conversando. Pelas expressões dos rapazes, não estava sendo uma conversa amigável. Aquilo fez o sangue da garota Blossom ferver.
— VOCÊ, SEU GÁRGULA MALDITO — gritou ela, sacando a varinha e lançando uma azaração em Noah, que mal teve tempo de pensar. O garoto ficou imóvel no chão, apavorado.
... — gaguejou, nervoso e ofegante. Os meninos sequer se moveram, estavam demasiados assustados com a garota. — P-por favor...
— Achou que eu não ficaria sabendo do que fez? — questiona ela, ignorando as súplicas do irmão. Os olhos do garoto marejaram no instante seguinte. — ACHOU QUE EU NÃO IRIA SABER? — alterou a voz, furiosa.
— F-foi u-um acidente... eu... eu juro — suplicou novamente, incapaz de se mover.
Serpensortia — gritou ela, furiosa. Uma cobra saltou de sua varinha, parando no colo de seu irmão, que ficara mais aterrorizado ainda. — Se você OUSAR chegar perto dele de novo, ou sequer OLHAR para ele, você morre, Noah.
— o garoto soluçou, com os olhos fixos na cobra em seu colo. Noah tinha pavor de ofídios e sabia que estava cara a cara com uma cobra Taipan, considerada uma das mais letais do mundo. — Por favor... eu juro...
— Você está avisado, Noah Blossom — disse ela, seca e rispidamente. — Não ouse cruzar o meu caminho novamente. Vipera evanesca — murmurou, desintegrando a serpente. Ela olhou para os garotos, sentindo-se satisfeita por ter causado tanto medo. — Quanto a vocês, se abrirem a boca para falar do que aconteceu aqui, as consequências serão piores.
Dito isso, ela sorriu de uma forma assustadora, quase psicótica, então saiu andando sem desfazer a azaração que tinha lançado em Noah. Os cabelos de eram balançados pelo vento agitado daquela noite, mas ela não estava com frio. Na verdade, a raiva fez cada parte de si aquecer e ela poderia muito bem tomar um banho gelado para se acalmar. Mas, ao contrário disso, ela retornou à enfermaria.
Riddle estava lá, deitado. Seus olhos estavam fechados e seu peito subia e descia levemente, sua expressão estava calma, como sempre. Seus cabelos não estavam perfeitamente arrumados como de costume, mas isso não era um detalhe tão relevante. se sentou ao lado do garoto e, de repente, ele despertou. Seu sono era leve e a menina se praguejou internamente por tê-lo acordado.
— Oi — disse ele, com a voz levemente rouca.
— Oi — respondeu , ajeitando os cabelos, jogando-os para trás. — Está se sentindo melhor?
— Um pouco — respondeu, soltando um suspiro. — O que foi fazer?
— Ter uma conversinha com Noah — explicou a menina, sorrindo maldosamente. Tom balançou a cabeça, compreendendo.
— Estou me sentindo estranho... cansado — disse, fechando os olhos. Parecia que suas pálpebras pesavam.
— Então durma um pouco. Não vou a lugar algum — diz, sorrindo.
Tom concordou novamente, virando sua cabeça para o lado e se permitindo adormecer novamente. Antes que pudesse de fato dormir, ele novamente entrelaçou seus dedos na mão da jovem Blossom. O relógio da mesinha indicava 22h15 da noite e a monitora da não estava com sono, tampouco cansada. Havia alguns resquícios de uma noite mal dormida, talvez fosse o estresse que estava sofrendo nos últimos dias, mas nada tão alarmante.
A porta da enfermaria foi aberta, mas a garota não se importou em olhar para trás e saber quem estava ali, ela estava distraída pelos vários pensamentos que vagavam soltos em sua cabeça. Uma mão tocou seu ombro de forma gentil, fazendo-a se assustar, então olhou para cima apenas para encontrar os olhinhos cintilantes e tão curiosos de Dumbledore.
— Boa noite, senhorita Blossom — disse o professor, educadamente.
— Boa noite, professor Dumbledore — ela o cumprimentou, sorrindo educada.
— Imaginei que estivesse aqui — afirmou ele, contornando a cama de Tom. — Como ele está?
— Bem, eu suponho — respondeu, olhando para o homem. — Na verdade, acabou de dormir.
— Creio que já sabe o que ocorreu — afirmou, olhando para o menino adormecido.
— Não em detalhes, senhor — afirmou, ainda encarando o homem.
— Seu irmão, Noah, o atacou no corredor. Alguns alunos disseram que foi causado por uma discussão — Dumbledore responde, agora olhando para a monitora.
e disseram que Noah havia atacado Riddle — disse a menina.
— Sabe, senhorita Blossom, eu costumo dizer que as consequências dos nossos atos são sempre tão complexas e tão diversas... mas o problema é que nós, seres humanos, temos o condão de escolher exatamente aquilo que é pior para nós — diz ele, com um ar sonhador.
— Noah tem que pagar pelo que fez, professor — afirmou a garota, levemente seca.
— Vejo que está bastante ressentida pelo acontecido — ele a analisou, curioso. — E, se me permite um conselho, não se deixe levar pelo ódio, afinal de contas, sábias decisões não são feitas a partir de sentimentos negativos. Procure descansar, . A Floresta Proibida pode mexer com a sua cabeça.
concordou, então o professor lhe desejou boa noite antes de sair da enfermaria. Ela olhou para Tom novamente, antes de sentir seu estômago roncar. Foi então que percebeu que ainda não havia comido nada e que isso também poderia ser a origem da sua dor de cabeça. A monitora levantou, saindo da enfermaria para ir em direção à cozinha, próxima da entrada da Sala Comunal da Lufa-Lufa. fez cócegas em uma Pêra, no qual a fruta se contorceu e transformou-se em uma maçaneta.
— Boa noite — ela cumprimentou os elfos, educada como sempre.
— Olá, senhorita — um dos elfos a cumprimentou entusiasmado. — Podemos ajudar?
— Sim, claro — sorriu, aproximando-se das criaturinhas. — Eu gostaria de dois chocolates quentes e alguns lanches, por favor.
Os elfos nunca pareceram tão contentes por atenderem um pedido. A garota sentou-se em uma das mesas, apoiando a cabeça em sua mão, deixando-se levar pelas lembranças do dia. Nunca tinha visto Riddle tão “frágil” e dependente como ele estava. Até parecia estranho vê-lo numa forma tão debilitada e sequer entendia o que tinha acontecido, ou por que ele e Noah brigaram. Contudo, ela supôs que, para seu irmão ter estuporado Tom de uma forma tão violenta, o motivo era sério.
— Pode mandar isso para a enfermaria? — questiona, notando que os elfos já haviam finalizado seu pedido.
— Tudo bem — respondeu a criaturinha, estalando os dedos e fazendo tudo sumir.
— Obrigada.
A monitora deixou a cozinha e retornou à enfermaria, vendo que os chocolates quentes e os lanches estavam próximos de Riddle. Ela caminhou até o rapaz, pegando uma das canecas e a bandeja com os lanches, deixando tudo sobre a mesa prata ao pé da cama. Em seguida, puxou para perto de Tom, o acordando gentilmente.
? O que foi? — questiona ele, levemente sonolento.
— Você não comeu nada o dia inteiro, não é bom ficar tomando remédio de estômago vazio — diz ela, pegando a sua caneca de chocolate quente. — Trouxe algumas besteiras da cozinha. Coma.
— Não estou com fome — murmurou ele, fechando os olhos.
— É porque não comeu, Tom — afirmou ela, bebendo o conteúdo da caneca. — Beba pelo menos o chocolate antes que esfrie.
O garoto concordou, então ela levantou e ajeitou os travesseiros para que ele pudesse ao menos se sentar. Muito a contragosto, Riddle começou a comer e os dois puderam ouvir perfeitamente o estômago do mesmo roncar alto. Eles se entreolharam e deram risada.
— Ok, admito... acho que o sono me enganou um pouco — disse ele, limpando os lábios.
— Jamais tente me enganar, Riddle — sorriu a menina, embora tenha saído de forma sarcástica. — Eu sempre sei.
— E o que eu ganharia tentando lhe enganar, ? — perguntou, repousando o braço enfaixado sobre sua barriga.
— Não imagino, mas afirmo que não seria uma escolha prudente — deu de ombro, sorrindo novamente. — Afinal de contas, eu sempre descubro o que eu quero.
— Eu sei — afirmou, sorrindo. Aquele olhar de Tom era muito sugestivo, e ela sabia que ele estava tentando algo.
— Então, por gentileza, tente não invadir meus pensamentos. Não vai conseguir — diz, olhando seriamente para ele. — Sou ótima em Oclumência, e você deveria saber disso.
Tom a encarou por instantes, como se estivesse avaliando-a de forma minuciosa. Tentado pela curiosidade, levado por pensamentos diversos e que parecem ser apropriados. Sim, ele queria invadir a mente de e descobrir no que ela tanto pensa, e se ele é uma presença constante no meio daquela imensidão inexpressiva e misteriosa de Blossom.
E ele sabia que ela tinha razão. desenvolveu a sua habilidade em Oclumência de uma forma tão eficaz que ninguém era capaz de invadir sua mente. Nem mesmo Riddle, por mais talentoso que fosse com Legilimência.
— Acho melhor dormirmos... amanhã será um longo dia.
— É, você tem razão — Riddle assentiu. — Deite ali, se dormir nessa cadeira vai acordar com dores.
— Sim, senhor — sorriu, levantando e indo deitar na cama ao lado.


Capítulo 8
A Detenção de Noah Blossom


Obviamente o incidente envolvendo o aluno da Corvinal e o monitor da Sonserina não passou despercebido pelos professores e a direção de Hogwarts. No dia seguinte, depois do final das aulas, Noah foi chamado pelo professor Slughorn até as masmorras, onde iria receber a sua detenção. Era a primeira detenção que havia sofrido e estava nervoso, não sabia o que aconteceria.
Todavia, aquela detenção não havia sido a única consequência que havia recebido. Noah fora suspenso temporariamente do time de quadribol, portanto, não iria competir pela Taça de Quadribol. Os pais de Noah, Harold e Agatha, haviam recebido uma carta do Diretor Dippet, informando o ocorrido aos responsáveis do garoto e claro, eles não ficaram satisfeitos com aquilo. Com isso, o garoto sabia que estaria com bastante problemas em casa quando retornasse para as férias.
— Professor? — o garoto chamou o mais velho, entrando na sala.
— Olá, Noah — respondeu a voz de Slughorn, aparecendo em seguida.
— Vim cumprir a minha detenção — disse, um pouco desanimado.
— Ah, é claro — Slug diz, colocando os braços para trás. — Bem, presumo que o diretor Dippet já tenha lhe avisado que é um mês de detenção, correto?
— É, avisou — suspirou, aproximando do professor.
— Pois bem... houveram algumas mudanças de última hora — afirmou o professor. A porta atrás deles abrira novamente, mas o menino não olhou para ver quem entrou na sala.
— Noah — a voz fria e cortante de penetrou o cômodo.
O garoto gelou da cabeça aos pés. Desde a noite em que ela foi confrontá-lo no campo de Quadribol, algo havia acontecido entre os dois irmãos. Eles nunca foram próximos, o máximo que faziam era se tolerar diante de seus pais, contudo, desde que Tom Riddle passou a conviver entre eles, a relação entre Noah e apenas deteriorou.
Noah tinha medo de e do que ela faria com ele. Isso ficou mais claro ainda naquela noite, onde ela simplesmente conjurou uma cobra em seu colo e o deixou imóvel, como se fosse pedra. Ele nunca tinha visto tanto ódio estampado no rosto da irmã.
— É com a que vou passar a detenção — concluiu ele, pálido como um pergaminho branco. A sua irmã sorriu de forma diabólica.
— Oh, não, infelizmente — lamentou em um tom falso. — Vim entregar as atividades de Tom, já que ele não pôde comparecer na aula por razões bem óbvias.
— Mas sim, irá acompanhá-lo até o local da sua detenção e irá dizer o que deve fazer — Slughorn diz, para o prazer da garota. Antes que os irmãos Blossom saíssem da sala, ele recolheu a atividade de Tom, então os dois saíram em silêncio.
A garota andava em passos acelerados, fazendo com que seu irmão precisasse ser mais rápido caso quisesse acompanhá-la. já tinha em mente o que ela faria com seu irmão, e, mesmo não sendo muita coisa, já era o bastante para lhe causar uma sensação vitoriosa. Devido ao horário, a garota sabia perfeitamente onde a sala estaria. Chegaram no terceiro andar, seguindo pelo corredor, onde a porta estava destrancada, como sempre.
— Você vai começar a sua detenção aqui — disse, abrindo a porta. — Hoje a noite irá limpar as armaduras e fazer com que parem de ranger. Amanhã, as placas e escudos, assim por diante.
— Mas isto é um absurdo! — exclamou o garoto, indignado. sorriu de uma forma estranha, causando arrepios no irmão.
— E você acha que eu me importo com isso? Eu não estou nem aí para a sua opinião — disse ela, de um jeito assustador. — Essa é a sua punição por ter feito o que fez e eu acho bom você obedecer; caso contrário, eu pioro a sua situação. Eu sou monitora, tenho autoridade para tal coisa.
— Mas qual é o seu problema, ? — Noah questionou, ofendido. — Eu não fiz nada para você!
— Você não entendeu ainda? Pobre Noah — ela respondeu com uma risada gélida e desdenhosa. — Não se trata de mim. Agradeça aos céus por eu estar aqui e não Tom. Sua sorte é que ele não se lembra do que aconteceu... ainda. E sejamos honestos aqui, é bom que ele não se recorde; caso contrário, o que ele fará com você será pior do que limpar uma sala inteira.
Noah engoliu em seco o comentário, olhando fundo nos olhos de .
— E antes que eu me esqueça, você está proibido de limpar a sala através de magia, portanto, arrume um balde e um pano com Apollyon Pringle — sorriu desdenhosa. — Vai precisar.
— E como tem certeza de que eu não usarei mágica? — perguntou, esboçando um sorriso sarcástico. se virou para ele, esboçando uma expressão de vitória.
— Se você tentar conjurar algum feitiço nesta sala, as suas mãos queimarão ao ponto de bolhas surgirem — explicou ela, calma. — E é claro que eu não tentaria, se fosse você. Boa sorte, Noah.
— Você azarou a sala, não foi? — perguntou, irritado.
— Talvez? — devolve ela, soltando uma risadinha irônica. — Se você vai cumprir a detenção, então será do meu jeito. Certamente eu não iria facilitar, iria?
— Você é perversa, — disse o menino, enfurecido. — E cedo ou tarde, essa sua máscara de porcelana vai cair e quebrar! Todos saberão quem você é!
— Eu sei, e estou contando com isso — afirmou a jovem, indo em direção à porta.
— Eu vou dizer a todos sobre você! — garantiu Noah, com um ar de coragem e determinação.
parou, soltando uma gargalhada que novamente arrepiou Noah por completo, da cabeça até o último fio de cabelo.
— Depois de ter atacado Tom sem nenhum motivo, acha que vão pensar o que de você, hein? — questiona, se voltando para ele. — Digamos que vários rumores andaram se espalhando por aí e você já não é mais tão bem visto assim. Agora vamos lá... os alunos já dizem que você é um louco varrido que ataca colegas sem necessidade. De um lado, temos você, que está em detenção por atacar um aluno no corredor e do outro, eu. Monitora exemplar, uma das melhores estudantes de Hogwarts e com uma reputação inquestionável. Quem se sairá melhor caso você resolva falar de mim por aí? Quem terá mais credibilidade?
O garoto abriu a boca, mas nenhum som foi emitido. Ele não sabia o que responder e, por mais que odiasse admitir, estava certa. Muitos alunos estavam com medo de Noah desde que atacara Riddle no corredor, o que abalara consideravelmente a sua popularidade. Alguns cochichavam apavorados, porque, no dia da discussão, ninguém sabia exatamente as razões que o levaram a estuporar o monitor da Sonserina. Apenas o viram durante o ato; para piorar mais a sua situação, o garoto Riddle era muito admirado dentro da escola, portanto, para os alunos, Noah o atacou por inveja ou simplesmente porque queria.
— Viu? Eu sempre ganho no final, Noah — sorriu, debochada. — E nada do que disser ou falar mudará isso. Você apenas será o garoto maluco e ainda por cima, mentiroso.
Dito isso, a Monitora da deixou a Sala dos Troféus com um sorriso maléfico nos lábios. E como sempre, ela tinha razão ao dizer que seu não-tão-querido-irmão tivera sorte de não ter sido o próprio Riddle a lhe aplicar a punição. E ele tivera mais sorte ainda pelo fato de o Monitor não ser capaz de recordar do acontecido.
caminhou tranquilamente pelos corredores, como se nada tivesse ocorrido nos últimos 3 minutos. Alguns alunos andavam para lá e para cá, rindo de conversas aleatórias ou apressados demais para encontrar com alguém. Passando próximo do pátio da torre do relógio, ela viu Abraxas Malfoy rodeado de alunas. Contudo, assim que ele colocou seus olhos sobre a Blossom, ele levantou e caminhou até ela.
! Como está o Riddle? — perguntou o garoto, passando a acompanhá-la.
— Bem. Estou surpresa de não ter ido visitá-lo — comentou, olhando para ele.
— Eu ia, mas quando fui à enfermaria, Madame Enola já havia o liberado e desde então eu não tenho o visto — explicou o loiro, parecendo ansioso.
— Ele está no quarto, Abraxas — disse a moça, rolando os olhos. — Não achou que estava bem o bastante para retornar.
— Pode ir comigo? Você é monitora, afinal... — insinuou Malfoy, sorrindo.
o encarou, desconfiada, mas assentiu em um gesto com a cabeça. Os monitores possuem um privilégio único de terem seus próprios dormitórios, já que suas tarefas diferem dos demais estudantes. A ideia havia sido introduzida pelo diretor anterior a Dippet, então os monitores podiam usufruir de um local mais silencioso.
O dormitório de Riddle era decorado particularmente com objetos relacionados à Sonserina. Tinha uma cômoda no canto, uma poltrona e a lareira, indicando a pequena sala comunal do dormitório. Do lado direito tinha uma porta, que revelava uma estante repleta de livros dos mais variados assuntos, uma pequena escrivaninha, uma mesa de cabeceira escura e, por fim, a cama.
Tom Riddle estava sentado, ainda com o braço enfaixado, lendo um livro sobre artes das trevas, quando alguém bateu na porta. Ele murmurou algo, guardou o livro e caminhou para abri-la, revelando o rapaz loiro, alto e com um semblante travesso do mesmo uniforme de Tom, acompanhado da garota de cabelos .
— Malfoy — Riddle diz, educado.
— Oi, Tomzinho — sorriu o menino, um tanto quanto nervoso. — Como você está?
— Melhor — responde, voltando a se sentar na cama.
Abraxas nunca havia entrado no quarto de Tom antes, então tratou de olhar tudo com atenção. Ninguém do grupo havia permissão para isso, somente . Foi justamente essa a razão que fez com que Malfoy sentisse um desconforto surgir ao notar uma fotografia sobre a mesa de cabeceira. Naquela imagem estavam Riddle e Blossom, estavam abraçados e rindo de algo que ele havia dito a ela em seu ouvido. Qualquer um que visse aquilo poderia supor que os dois estavam apaixonados.
— Bonita foto — elogiou ele, em tom irônico. Riddle olhou na direção da foto e deu de ombro.
— Foi durante as férias. Contei a sobre uma briga de duendes que tinha visto e ela começou a rir — disse o jovem Tom, fazendo sorrir novamente.
— Vocês estavam juntos nas férias? O que foi que eu perdi? — indagou o garoto, confuso.
— Sim. Qual o problema? — devolve, cruzando os braços. — Está com ciúmes, Malfoy?
— De modo algum — sorriu, embora tenha sido uma expressão falsa.
— Bom, suponho que não tenha vindo aqui apenas para ver o que há no meu quarto — Riddle comentou, atraindo a atenção do rapaz novamente.
— Vim ver como estava, é claro — responde Malfoy, colocando os braços para trás das costas.
— Como pode ver, estou bem — balançou a cabeça, indiferente. — Mais alguma coisa?
— Não, era só isso — sorriu novamente. — Ah, trate de voltar logo. Você faz falta, Tomzinho.
— No momento ideal — disse o rapaz, calmamente.
Dito isso, Malfoy se despediu e deixou o dormitório do monitor da Sonserina. Desta maneira, sobrou apenas a companhia da jovem Blossom. Tom estava farto de ficar em repouso, mas não queria contrariar as ordens da Madame Enola, caso contrário, permaneceria de repouso por mais tempo ainda. Já havia sido uma tremenda conquista deixar a enfermaria.
— Como está o seu braço? — questionou ela, sentando aos pés da cama.
— Melhorando — respondeu, sentando mais próximo da garota.
— Já consegue lembrar do que aconteceu? — prossegue, curiosa.
— Não — suspirou. — E talvez seja melhor assim. Na verdade, eu só lembro de andar pelo corredor e Noah vir falar comigo... depois disso, é tudo um borrão.
— Bem, foi ele quem te atacou — revelou, dando de ombro. — E é por isso que está em detenção.
— Por que ele iria me estuporar? — questiona, confuso. A expressão óbvia de lhe respondeu. — Oh, entendo...
— Vocês discutiram, então ele te estuporou e deu no que deu — prossegue a garota, notando a expressão de raiva surgir no rosto do rapaz. — Mas não se preocupe, já resolvi tudo.
— Onde ele está? — perguntou, um pouco irritado.
— Eu o coloquei para limpar a Sala dos Troféus. Azarei a sala para obrigá-lo a não usar magia — responde, com um sorriso maldoso.
— E suponho que vá me pedir para que não faça nada com ele — murmurou, ironicamente.
— Por que eu faria isso? — devolve ela, cruzando os braços. — Eu não vou lhe impedir de nada. Mas aconselho a não o fazer, seja lá o que estiver pensando.
Tom ponderou por instantes e, no fundo, sabia que tinha razão. Ele não poderia atacar Noah de volta, já que isso iria expor o seu lado que ninguém conhecia. Portanto, ele só tinha uma coisa a fazer: fingir-se de desmemoriado.
— Posso ver? — questionou, olhando para o braço de Tom. Ele assentiu, permitindo que ela se aproximasse e retirasse a faixa colocada por Madame Enola. Havia os últimos resquícios de um corte, já não estava tão inchado assim e os pontos dados já haviam sido retirados. — Deveria ter estado lá.
— Não é culpa sua — afirmou, puxando o braço desenfaixado para si.
— Indiretamente, sim — suspirou a garota. — Noah é minha responsabilidade, portanto, é culpa minha.
— Não é — insistiu ele, segurando a mão da jovem Blossom. — Eu não tinha ideia do que ele queria comigo, ainda não tenho e nem pretendo saber... e garanto, você é a que menos tem culpa do que ocorreu.
O polegar de Riddle tocou gentilmente a bochecha de Blossom e, com isso, ela sorriu. Os dois se despediram e a jovem monitora deixou o cômodo. Certamente voltaria mais tarde, contudo, estava trabalhando em algo impossível. Depois de ter adormecido na enfermaria ao lado de Tom, ela acordou na manhã seguinte e o deixou só. Naquele dia, ela levantou, beijou Riddle na testa e partiu, indo falar com Slughorn.
Há muitos verões atrás, Riddle e descobriram mais ainda a respeito da família do rapaz. Mérope Gaunt, a mãe do jovem Tom, havia o concebido através da Poção do Amor e por isso ele era incapaz de sentir coisas.
Mas descobriu que havia um jeito de reverter os efeitos daquela poção e estava trabalhando nela há meses em segredo, sem que Tom soubesse. Era uma poção complicada e de difícil fabricação, demorava meses para ser feita e não era muito usual no Reino Unido. A jovem bruxa havia conseguido aquela receita de um velho conhecido da família, Nicolas Flamel, durante uma de suas visitas à França.
Antes que fosse para a Sala Precisa continuar o trabalho da poção, ela passou pela Sala dos Troféus para verificar o andamento da detenção de Noah e sentiu-se muito satisfeita ao ver as armaduras reluzirem e sequer rangerem. Noah estava finalizando a última armadura quando notou a presença da irmã.
— Excelente trabalho — disse, passando o dedo sobre uma das armaduras.
— O que quer agora? — questionou, jogando o pano dentro do balde.
— Vim inspecionar, não é óbvio? — sorriu amarelo. — Termine isso aí e por hoje está liberado.
Então deixou a sala novamente, indo em direção ao sétimo andar. Ela parou de frente para a parede e pensou três vezes sobre o que queria, vendo a porta surgir diante de seus olhos. Com isso, adentrou a sala e caminhou até o caldeirão sobre o fogo aceso, sentando sobre seus joelhos e pegando o pergaminho do livro onde guardara.
Ela retirou um Ovo de Cinzal congelado da bolsa, o depositando dentro do caldeirão, seguido de pelos de unicórnio. Por fim, ela retirou uma adaga prateada, feita de aço damasco cujo cabo possuía esmeraldas. Era de seu bisavô paterno, a qual ele havia usado para mutilar dezenas de criaturinhas mágicas em seus experimentos.
Acima do caldeirão, ela cortou a palma de sua mão e deixou que o seu sangue caísse e se juntasse ao líquido do recipiente. A poção adquiriu uma cor violeta, mudando para um vermelho vinho e, então, um cheiro doce pôde ser sentido. Ela estava pronta. colocou tudo em um frasco, se livrando do resto. Guardou o frasquinho nas roupas, deixando a Sala Precisa em seguida.
e estavam no Salão Principal, conversando enquanto saboreavam o almoço. surgiu pouco depois, mas não permaneceu tanto assim. Ela comentou algo com Nott, Avery e Lestrange antes de sair novamente, antes que pudessem questionar algo a ela. Noah surgiu pouco depois, visivelmente exausto. Juntou-se à mesa da Corvinal, sentido cada osso de sua mão doer.
— Que cara é essa, Blossom? — Olive Hornby questionou, sentando ao lado do garoto.
— Estive na detenção — respondeu, cansado. — Limpando as armaduras.
— Achei que estaria com o Slughorn — comentou, se servindo.
— É, mas isso foi antes da intervir e aplicar o meu castigo — explicou ele, se servindo.
— Como isso aconteceu?
— Não faço ideia, Olive — lamentou, cortando a carne. — Mas é com ela que terei a detenção pelo resto do mês.
— E se nós déssemos um troco nela? — sugeriu Olive, maldosa.
— Do que diabos está falando? — questionou, exasperado. Nunca tinha pensado naquilo e a ideia de se vingar de certamente lhe deixava apavorado até a alma. — Você ficou louca?
— Escute, não precisa fazer nada... só a leve para o Lago Negro e eu farei o resto, sim?
Noah estava tão frustrado e zangado que, novamente, não pensou nas consequências de seus atos. Levado pela raiva, ele não recusou o plano de Olive Hornby. Não seria difícil, afinal de contas. Eles iriam pregar um susto na Monitora usando as criaturas que habitam o Lago Negro, principalmente os demônios aquáticos conhecidos como Grindylows. São pálidos-verdes e com chifres, classificados pelo Ministério como Criatura das Trevas.
Alguns outros alunos que tinham raiva de estavam de acordo com o plano de Olive, então iriam se unir à garota para se vingar da monitora. Seria na sexta à noite, Noah iria levá-la ao Lago Negro e iriam simular algo forte o bastante para que a garota entrasse nas águas. A partir dali ela estaria à mercê dos demônios d’água.
Eles só não imaginavam que Tom também tinha planos para aquela sexta-feira.
A quinta-feira chegou rápido e, enquanto Noah cumpria mais um dia de detenção na Sala dos Troféus, Olive Hornby tramava a sua vingança de forma audaciosa e fria. Ela estava com raiva desde quando a colocou de detenção por continuar fazendo bullying com Myrtle Warren. A jovem Blossom, embora tivesse uma incrível reputação e esta fosse inquestionável, também tinha seguidores que a odiavam.
— Tenho uma leve impressão de que está atraindo muita atenção negativa — diz, ajeitando seus livros.
— O que quer dizer? — indaga, arqueando a sobrancelha.
— Olive Hornby a odeia desde a detenção, Ignatius Prewett tem uma desavença desde que ela o rejeitou — responde, sugestiva. — Druella Rosier também...
— E por que isso seria preocupante, afinal de contas? — devolve a moça, confusa.
— Noah atacou Tom Riddle sem motivos aparentes. Imagine o que não fariam com ela, sim? — diz, virando o corredor.
— Bem, desde que ela passou a dormir no próprio dormitório, ela anda estranha... some do nada e aparece como se jamais tivesse ido — suspira a outra, balançando a cabeça. — Eu cansei de tentar entendê-la.
— Sabe, eu sou capaz de jurar que está tramando algo tão grandioso que quando chegar o momento adequado nós não seremos alertados — afirmou, pensativa. — Será rápido e chocante, como se quisesse nos pegar desprevenidos.
— Falando desta forma, parece muito com ela — riu, imitando a face inexpressiva da amiga.
— Mudando de assunto, soube do castigo do Noah?
— Fiquei sabendo que a o colocou para limpar a Sala dos Troféus — comenta. — E dizem rumores que ela azarou a sala para que ele não pudesse usar magia.
— Acha que ela fez em retaliação ao que ele aprontou? — indaga, novamente pensativa.
— Muito provável... mas não sei, suponho que nesta altura Riddle já saiba que foi Noah quem o atacou — diz a moça.
— Considero improvável — afirmou. — Por Merlin, ele foi estuporado e abriu a cabeça no chão. Acho difícil que ele consiga recordar de alguma coisa da briga.
— Se este for o caso, sorte do Noah — disse , dando de ombro.
As duas meninas seguiram para a quarta aula do dia, Trato de Criaturas Mágicas, com o professor Silvanus Kettleburn. Como o usual, nem ou Tom deram as caras, o que já havia se tornado algo costumeiro. Nem mesmo o professor pareceu ter dado importância ao fato de que dois de seus alunos mais prodígios não compareceram na aula. Na verdade, os dois tinham seus próprios planos.
Riddle estava sentado no banco da sua janela, lendo um livro e com uma manta sobre suas pernas, já que naquele dia fazia frio. A lareira estava acesa e, mesmo assim, o cômodo parecia frio. entrou de supetão, assustando o monitor. Ela fazia isso com frequência, mas Tom nunca sabia quando, então, sempre que ela chegava repentinamente, ele se assustava.
— Eu odeio quando você simplesmente chega sem se anunciar — reclamou, deixando o livro de lado.
— Eu sei — sorriu ela, vendo-o rolar os olhos. — O que está fazendo?
— Lendo — respondeu, dando de ombro. — E você?
— Trouxe algo para você — disse, se aproximando. Ela retirou o frasco com o conteúdo vermelho cintilante do bolso, deixando o garoto desconfiado.
— O que é?
— Beba — ordenou ela, entregando-lhe o frasco. Tom abriu o frasco, sentindo um aroma gostoso. Deu de ombro, bebendo-o inteiro em seguida.
Assim que finalizou, Riddle começou a sentir algo estranho florescer em seu peito. Era esquisito e inusitado, nunca havia sentido antes. Não era nada comparado ao que tinha descrevido, era diferente de tudo o que ela lhe ensinou antes. Seu coração acelerou, sua respiração começou a ofegar e, de repente, tudo o que ele não havia sentido durante quinze anos estava sentindo agora.
— O que foi que você me deu? — perguntou, tossindo.
— Uma poção que reverte os efeitos da poção do amor — respondeu, se ajoelhando no chão, próxima de Riddle. — É como se estivesse revertendo tudo o que Mérope fez... como se você tivesse sido concebido sem ela.
— Por quê? — questiona, olhando para ela.
— Para que você possa sentir, Tom — explicou, colocando suas mãos no rosto do menino.
De repente, ele não sentia mais o formigamento no peito. Olhou mais uma vez para os olhos da garota e, então, algo floresceu em seu peito. O que era, afinal? Ele estava nervoso, parecia sentir um frio na barriga e... ele queria . Sim! Ele a desejava naquele momento.
Foi por isso que ele não pensou direito antes de unir seus lábios aos dela, sentindo-a pela primeira vez. Aqueles lábios tão convidativos pareciam viciá-lo, sentindo que era quase que impossível separar-se deles. Tudo ao redor parecia irrelevante para o momento; as mãos de bagunçavam os cabelos de Riddle, enquanto as mãos do rapaz desciam pela cintura da mesma, em direção à barra da saia.
Ele a deitou sobre o tapete, ficando por cima, encaixando-se perfeitamente entre as pernas da moça. Ela tirou-lhe o casaco, jogando-o para longe. As mãos de Tom subiam pela coxa da menina, por debaixo da saia cinza, tocando-lhe sobre as suas partes íntimas.
Sim, ele queria aquilo tanto quanto ela. E não, não sabiam como parar, nem queriam.
Algumas coisas eram feitas para serem segredos, não para serem ouvidas. Por isso que ninguém ouviu os gemidos de dor da garota, indicando que a sua primeira vez não lhe dera prazer, mas estava satisfeita por estar fazendo aquilo com Tom. As costas nuas do rapaz estavam levemente avermelhadas pelos arranhões da jovem.
Ele se movia lenta e gentilmente, tentando ao máximo não fazer com que a experiência fosse péssima para a moça. Bem, se aquelas paredes pudessem falar, elas descreveriam aquela tarde calorosa entre os dois, além de, claro, algumas obscenidades. Ao final do ato, Riddle deitou ao lado de , entrelaçando a sua mão à dela, com os seus cabelos suados e suas respirações ofegantes.
— Qual é o nome dessa sensação de que tudo está onde deveria estar? — perguntou ele, olhando para ela. — E por que parece que meu peito vai se romper toda vez que te vejo?
— Suponho, meu caro senhor, que o nome disso seja amor.

Capítulo 09
O Acidente no Lago Negro

A sexta-feira chegou depressa, justamente o dia escolhido por Olive Hornby para se vingar de Blossom. O plano da garota era simples: usaria Noah para atraí-la ao Lago Negro, onde a largariam dentro da água para que os Grindylows dessem jeito na monitora. Contudo, eles não imaginavam uma única coisa: Riddle realmente tinha planos para ele e .
Ela acordou na cama dele, então colocou a primeira camisa que viu, não notando que era do rapaz, e foi ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. Felizmente, ninguém notou a sua ausência, de forma que ela passara despercebida pelos demais alunos. prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, então aproveitou para tomar banho. Certas partes doíam e era um tanto quanto desconfortável se sentar, mas conseguia lidar com isso.
Tom acordara minutos depois, onde permaneceu deitado, encarando o teto. Ouviu o chuveiro ser desligado e então viu retornar, enrolada na toalha. Ele a encarou com aqueles olhos intensos e misteriosos, então um sorriso surgiu em seus lábios. Ele estava feliz.
— Bom dia — disse, com a sua voz arrastada e rouca. — Bom dia — respondeu a garota, pegando suas roupas do chão. — Vai para a aula hoje? — Vou. Meus dias de descanso acabaram, estou me sentindo bem melhor — afirmou, levantando. — Bem, acredito que o primeiro passo é se vestir, certo? — diz ela, olhando de forma maliciosa para o corpo nu do rapaz, jogando as roupas íntimas dele em seguida.
se vestiu, então deixou o dormitório de Riddle para que ninguém suspeitasse de que passaram a noite juntos. Ela prendeu os cabelos em um coque, porque o rabo de cavalo não estava ajudando e porque ela não havia os lavado. Desceu para o Salão Principal para o café da manhã, sentando na mesa da . Tom apareceu minutos depois, já com os cabelos ajeitados e as roupas do uniforme, para a surpresa de vários alunos que não esperavam vê-lo ali.
— Ele parece bem o bastante, você não acha? — Walburga cochichou com Druella, o olhando de cima à baixo. — Ele é tão... Sexy — disse a garota, mordendo o lábio inferior.
Tom estava com cara de poucos amigos naquela manhã, embora a noite anterior tivesse sido a melhor de sua vida. Na verdade, ele não queria deixar claro que, em fato, realmente estava se sentindo feliz. Olhou para e lançou a ela uma piscadela rápida, indo em sua direção. Ao se aproximar, abaixou-se ao ponto de ficar próximo de sua orelha, então sussurrou com a sua voz fria e suave.
— Encontre-me no Lago Negro depois da última aula — disse, se afastando logo depois.
Por ser sexta-feira, os alunos do quinto ano possuíam o último período livre, portanto, as aulas acabavam 17h00. A última aula daquele dia fora Herbologia. O professor Beery parecia particularmente entusiasmado para falar sobre Mandrágoras. Todos os estudantes colocaram os abafadores, repetindo os passos fornecidos pelo homem. Mesmo que estivesse presente ali de forma física, a cabeça da jovem Blossom estava bem longe naquele momento. Estava ansiosa para descobrir o que Tom queria e porque em outubro, mais especificamente no Halloween, seria seu aniversário.
Blossom havia nascido no dia 31 de outubro de 1926, em Inverness, Escócia. Segundo a sua professora de Astronomia, ela havia nascido sobre o signo de escorpião, onde sua personalidade está em peixes. Ela achava divertida a influência dos astros em sua vida, mas não acreditava nisso fielmente. acreditava que todos eram responsáveis por seus atos e que planetas não nos influenciavam em nossas decisões.
— O que ele queria com você? — perguntou, sentando de frente para a garota, aproveitando sua presença, algo que se tornara raro. — Veio me lembrar que temos patrulha hoje à noite — respondeu, indiferente. — Ah, sim — murmurou, não tão convencida. — Será que tem tempo para nós hoje? — Não — as encarou, inexpressível. — Lamento, mas meus deveres como monitora são prioridades. — Você passa dias sem aparecer e quando resolve, é quase que por uma fração de segundo e desaparece! — explodiu, com raiva. — Se não confia em mim, então não podemos ser amigas — afirmou a monitora, calma, mas levemente fria. — Ótimo! — a garota levantou e saiu andando, furiosa. — E você, ? — questionou, direcionando o seu olhar para a outra. — Vai ficar ou vai ir? — Me desculpe, — suspirou, triste. — Mas ela está certa. — Tudo bem — balançou a cabeça. Não estava se sentindo triste. — Pode ir.
Dito isso, a garota levantou e partiu, deixando sozinha novamente. A Blossom não se importou, pelo contrário, até pareceu sentir-se satisfeita. E talvez assim fosse melhor para as duas garotas; indiretamente ou não, a jovem Blossom se importava com elas e considerava mais seguro se as duas estivessem longe. Ela não era um monstro insensível, afinal de contas.
Após o café da manhã, subiu para a sala onde teria Feitiços. A professora Fortinbras, também sendo a diretora da Corvinal, parecia um pouco abatida, mas isso não a impediu de dar uma excelente revisão dos feitiços do quarto ano, principalmente pelo fato dos NOM‘s serem aplicados ao fim do ano letivo. Ao final da aula, quando a sineta tocou, ela deixou a sala, ainda avoada em pensamentos.
! — ouviu Lestrange a chamar. — Sim? — a garota o encarou, arqueando a sobrancelha. — Escute, Riddle está nos chamando, sabe? Aquela coisa lá — respondeu o garoto, baixo. — Imaginei — disse a menina, indiferente. — Vamos indo? Sabe que ele não tolera atrasos.
Os dois alunos seguiram pelos corredores em direção a uma das salas vazias do castelo. Era lá que Riddle, , Avery, Nott, Lestrange, Mulciber e Rosier se encontravam com frequência. Na verdade, os encontros haviam sido suspensos desde o incidente com Noah, também porque Riddle não permitia visitas no dormitório; como imaginava, ele apreciava a própria companhia.
— Já que estamos todos aqui, podemos ir direto aos negócios — Tom disse, com a sua voz penetrante e fria. — Como sabem, eu precisei me ausentar nos últimos dias, mas já estou melhor, antes que me perguntem algo. Eu não os procurei porque precisava pensar nos meus propósitos. — E então? — Abraxas questionou, curioso. — Antes que possamos agir de fato, preciso averiguar o que há na Câmara Secreta — disse, sério. — Inclusive, como controlar a criatura, embora eu já tenha uma ideia. — E quanto a nós, o que faremos? — Avery indaga, entusiasmado. — , por favor — o rapaz a olhou, com seus olhos repletos de segundas intenções. Ela saltou da mesa onde estava sentada, ficando ao lado de Riddle. — Cada um de vocês tem algo específico para fazer, mas, no momento, precisamos de discrição. Não se preocupem, nada do que acontecerá será ligado a nós — garantiu a moça, calmamente.
Os meninos se entreolharam com um brilho sinistro em seus olhos. Estavam ansiosos para testemunhar a abertura da Câmara Secreta e enfim presenciar as grandes mudanças dentro das paredes do castelo. Tom os dispensou, então cada um deixou a sala da mesma forma que entrou: discretamente.
— Incrível como eles acham que você os tem como amigos — riu, cruzando os braços. — Alguém precisa fazer as minhas vontades, não? — Riddle sorriu. — Somente as suas? — questiona ela, se aproximando do rapaz. — As nossas vontades — corrigiu, sorrindo novamente. — Assim está melhor — disse, sensualmente.
se aproximou o bastante para que pudesse sentir a respiração de Tom bater em seu rosto. Os olhos da garota penetraram os de Riddle de forma tão intensa que ele se viu incapaz de quebrar o contato. Algo naquela imensidão do olhar dela lhe causava uma sensação estranha em seu peito. Ele pensou que algo aconteceria naquele momento, e estava esperando por isso, mas ficou completamente confuso quando tudo o que aconteceu foi um sorriso surgir nos lábios de Blossom e ela o deixar sozinho na sala.
Sim, ela se divertia com a confusão nítida no rosto do rapaz. Sabia que aquilo lhe causaria um efeito e sabia que uma hora ou outra, ele iria reagir. Riddle ainda não era capaz de compreender com clareza quais eram as intenções de , mas não podia negar que gostava de como ela brincava com ele. Certamente ela era a única que não o temia.
As horas passaram depressa e quando os monitores notaram, as aulas daquele dia enfim chegaram ao fim. Enquanto alguns se dirigiam ao Salão Principal ou ficavam conversando pelos corredores, a jovem monitora da seguia em direção ao Lago Negro para encontrar-se com Tom. Ela viu e , a segunda virou o rosto para ela, ainda inconformada com a discussão de horas antes. sorriu, continuando seu caminho.
Noah e Olive estavam logo atrás da monitora, porém, considerando a ação muito suspeita, e decidiram segui-los. Em uma distância segura, as meninas seguiram os três e quando perceberam que iam em direção ao Lago, um certo calafrio percorreu o corpo de . Ela sabia que tinha algo de errado.
— Riddle — Blossom disse, cortando o silêncio. O garoto olhou para ela e sorriu, levantando. — Olá, Blossom — devolve o rapaz, indo de encontro a mesma. — Tarde encantadora, não acha? — De fato — a monitora balançou a cabeça. — Por que estamos aqui? — Precisava de um lugar afastado para conversar. Nem mesmo o meu quarto é seguro — explicou ele, sentando no gramado. — Achei que aqui seria mais adequado. — E qual seria o assunto? — prosseguiu a menina, sentando ao lado do rapaz. — Descobri o segredo da imortalidade — disse ele, direto. A surpresa no rosto da garota fez com que ele esboçasse um sorriso sugestivo nos lábios. — E estou muito próximo de descobrir como fabricar a minha primeira Horcrux. — Arte das Trevas? — questionou novamente, cruzando os braços. Riddle assentiu. — Isso é perigoso. — E este é o caminho correto a seguir — afirmou o rapaz, calmamente.
Mas antes que pudessem continuar a conversa, um grito horroroso atraiu a atenção dos dois. Eles se entreolharam, levantaram e correram às pressas até o outro lado do Lago, encontrando Olive Hornby e Harris no chão. Próximo a elas, estava a varinha de James.
— O que foi que aconteceu aqui? ! — gritou o nome da garota, andando ao redor. — Parece que estavam brigando — Tom disse, analisando a cena em si. — Não a encontro em lugar algum — disse, com certa urgência, voltando para perto de Tom. Antes que ele pudesse dizer algo, ouviram outro barulho, desta vez, originado de dentro do Lago. — Grindylows.
Tom nem teve tempo de pensar direito quando viu mergulhar no Lago, procurando por . Uma luz roxa pôde ser vista no escuro, então a jovem Blossom surgiu na superfície novamente. Riddle se aproximou dela conforme ela saía da água em passos pesados, notando que a garota trazia algo consigo. Ou melhor, alguém.
— E então? — Tom questionou, retirando a sua capa preta para colocar sobre as vestes molhadas da menina. — Cheguei tarde demais — respondeu, soluçando. — Ela morreu.

[...]


A manhã seguinte foi uma das piores já vividas por . Os salões estavam preenchidos por bandeiras pretas, o silêncio predominou e, pela primeira vez em anos, aquele castelo não estava nem um pouco animado. Não tinha conversas e risadas nos corredores, não tinha alunos entusiasmados. Não tinha nada. Exceto o clima melancólico.
não queria ser vista por ninguém, não queria sair do quarto e muito menos queria existir. Ela não permitiu sequer a entrada de Riddle em seu dormitório; sua única companhia era Sabbath, o seu gato. Até mesmo o clima do lado de fora estava prestando um certo luto. Estava cinza escuro, as chances de chuva eram bem altas.
O rosto da monitora estava inchado e haviam olheiras profundas abaixo dos olhos . Seus cabelos estavam presos no topo de sua cabeça, mas alguns fios teimosos haviam se soltado e permaneceram ali. A garota estava sentada em sua cama, abraçando suas pernas e olhando através da janela, vivenciando as cenas da noite anterior de novo, e de novo, e de novo. estava morta e não havia nada que ela pudesse fazer para impedir aquilo.
— ouviu Riddle a chamar pela décima vez. — Não me faça abrir essa porta. — Vá embora — gritou ela, com a voz rouca. Sabbath veio ronronando dos pés da cama, se esfregando na dona, pedindo por carinho. — Ok, eu cansei disso — ouviu Tom resmungar, impaciente. Ele murmurou algo e então a porta da garota se abrira. O rapaz entrou e a trancou novamente, indo até a cama da menina, observando a aparência dela. — Não vou perguntar como você está porque é bem óbvio. — Ela morreu e eu não pude fazer nada para evitar — sussurrou com pesar, ainda olhando para além da janela. — ... Não foi culpa sua — afirmou ele, sentando-se ao lado dela. — Não tinha o que fazer... — E se eu usasse um Vira-Tempo? — perguntou de repente, olhando para ele com expectativa. — Poderia trazê-la de volta! — Sabe que não é possível — Riddle disse, baixo. Os olhos da garota umedeceram novamente e ela olhou para baixo, balançando a cabeça. Ele se aproximou um pouco mais, a envolvendo em um abraço solidário. tornou a chorar, molhando todo o ombro de Tom, que sequer se incomodou com aquilo. Sabia que a jovem Blossom precisava de um ombro amigo, ainda mais do dele. Ela chorou por minutos, até que se sentisse cansada outra vez. Riddle a deitou na cama, notando que pouco a pouco as pálpebras inchadas da menina começaram a se fechar sozinhas.
— Fica comigo, Tom — pediu ela, sonolenta. — Não vai. — E para onde eu iria, Blossom? — sorriu ele ao questionar, acariciando a bochecha dela. — Não sei — sussurrou, agora de olhos fechados. — Mas não vá para longe de mim.
Riddle assentiu, deitando-se com ela. A garota permaneceu deitada sobre seu peito, protegida pelo abraço do rapaz e acolhida pela compreensão dele. Ela já estava distante da realidade, adormecida de forma profunda, incapaz de alcançar a realidade. Os dedos de Tom brincavam com suas madeixas ruivas, enquanto seu peito subia e descia levemente. Os olhos intensos dele a analisavam com cautela, como se estivesse zelando pelo sono da moça.
Nem ele foi capaz de dizer quanto tempo ela dormiu, mas pareceu ser o necessário. O dia passou lentamente, e quando o rapaz notou, já era noite. Estava frio e, com um gesto da varinha, ele acendeu a lareira. Bem que tentou se mexer, já que não estava sentindo seu braço onde ela estava deitada, mas, com isso, a garota despertou.
— Desculpe — disse, envergonhado. — Você estava dormindo tão profundamente e eu não quis acordá-la. — Está tudo bem — murmurou, esfregando o rosto com as mãos. — Estou com fome, na verdade. — Vou buscar algo então — afirmou, levantando. — O que quer comer? — Qualquer coisa — respondeu, dando de ombro. — O que trouxer será o bastante.
Riddle assentiu em silêncio, deixando o cômodo. sentou-se sobre a cama novamente, esticando a mão até que alcançasse a mesa de cabeceira, onde abriu a gaveta e retirou um porta-retrato. Aquela foto havia sido tirada com e em Hogsmeade, durante uma das visitas no quarto ano. As meninas estavam felizes, inclusive, naquele dia, haviam feito uma guerra de bolas de neve. havia vencido.
A foto havia sido tirada pouco depois. Suas roupas e seus cabelos estavam cheios de neve, mas é claro que aquilo não as impedia de nada. Elas estavam sentadas juntas, estava no meio, como sempre, com à sua direita fazendo chifrinhos com seus dedos por trás de sua cabeça, enquanto fazia caretas. As três tinham a mesma foto e guardavam com carinho. Agora só restava aquilo para jamais se esquecer da garota.
— Isso não é bom — a voz de Tom penetrara o cômodo. — Ficar revendo essa foto. — Não quero esquecer dela — afirmou, com a voz arrastada e chorosa. — Não vai — assegurou ele, sentando aos pés da cama. — vai viver enquanto você mantê-la viva na memória, . — Sabe o que é pior, Tom? — questiona, o encarando. Ele balançou a cabeça, negando. — Ontem de manhã nós discutimos, eu disse a ela que se não confiava em mim, não poderíamos ser amigas... E agora ela morreu e eu não consertei as coisas. — , pare — Riddle ordenou, sério. — Pare de remoer isso como pretexto para se afundar mais. se foi, os Grindylows a mataram e não havia como impedir. Chegamos tarde. — É este o problema, Riddle! — exclamou, um pouco irritada. — Chegamos tarde demais!
Talvez ela estivesse fragilizada demais diante do que tinha acontecido, mas Tom sabia que aquela discussão era insustentável. Ela estava se negando a aceitar que não tinha o que fazer e que ela jamais poderia ter salvo a amiga; o máximo que conseguiria fazer naquele momento era concordar e fazer com que comesse alguma coisa.
— Aliás, trouxe alguns lanches e chocolate quente — disse, sorrindo gentilmente. — Lembro de algo bastante similar com a noite em que passei na enfermaria. — Não estou com fome — murmurou, vestindo um robe preto cujo tecido parecia muito com cetim. — É porque não comeu, — repetiu as falas dela, olhando-a nos olhos. — Não pretendo ir a lugar algum até que você coma alguma coisa. — Por que diabos está fazendo isso? — questionou a moça, o encarando. — Porque eu me importo com você, — respondeu Tom, entregando a ela a caneca de chocolate quente. — E porque você fez o mesmo por mim. Estou retribuindo.
Aquele era um dos poucos momentos em que Tom Riddle, o garoto frio e inexpressivo, mostrava o seu lado gentil e doce para com Blossom. Bem, ela era a única que sabia disso e era a única que tinha o privilégio de desfrutar daquilo, embora, às vezes, ela gostasse de brincar com os sentimentos dele, o que é claro, ele também achava divertido. Após muito insistir, ele finalmente conseguiu convencê-la a comer algo, permanecendo ao seu lado até que estivesse satisfeito.
— Ótimo — sorriu novamente, limpando a boca da moça com um guardanapo. — Agora, um banho. — Não pretendo deixar esta cama tão cedo, Riddle — respondeu, mal-humorada. — Pretende ficar nela até que sua pele fique suja e ensebada ao ponto de acabar se fundindo com os lençóis e você termine se tornando o mais célebre fantasma de Hogwarts? — pergunta, fazendo-a rir. — Viu? A ideia não é tão ruim. — Seria legal virar um fantasma de Hogwarts, iria assombrá-lo para sempre — disse, esboçando um sorriso fraco nos lábios. — Mas e se te prendessem aqui? Não poderia viajar comigo — disse, segurando a mão dela. — Venha, você está em um estado deplorável.
assentiu, levantando da cama com custo. Parecia que suas pernas não funcionavam direito, mas sabia que era apenas o efeito colateral de ter permanecido tanto tempo deitada. O rapaz a acompanhou até o banheiro, abriu a torneira da banheira e deixou que a água quente a enchesse. Ela retirou o robe preto, a saia e a camiseta branca do uniforme, permanecendo apenas de roupas íntimas. Tom virou-se de costas, deixando que ela retirasse as roupas íntimas e entrasse na banheira.
— Me faça esquecer, Tom — pediu ela, abraçando as pernas novamente, o encarando. — Me faça esquecer o que eu vi. — Sabe que eu não posso, — suspirou ele, sentando na borda da banheira. — O castelo inteiro falará sobre isso, não acho certo. — Olive e disseram algo? — perguntou, ignorando a fala do rapaz. — Não — respondeu, direto. — Na verdade, disseram que não lembram do que aconteceu. Sua amiga, , ficou em choque quando contaram a ela o que houve com a . — Aquela maldita sangue ruim murmurou, com nojo e raiva. — Era para eu ter morrido no lugar de . Tenho certeza de que aquela nojenta armou tudo. — Olive? Bem, isso explica o porquê ela estava onde estava — Tom supôs, pensativo. — Mas o que eu não entendo... Como foi parar no Lago enquanto e Olive brigavam. — Tinha mais alguém — concluiu a jovem. — Deve ter sumido pouco depois da cair no Lago. — Escute, eu preciso ir fazer uma coisa agora, mas volto assim que acabar — Riddle levantou, com um ar determinado. — Termine seu banho.
Ele não esperou que ela respondesse, pois já estava andando para fora do quarto. Com passos urgentes, ele andou até a enfermaria, onde sabia que Olive estaria. A Madame Enola certamente já teria se recolhido, o que significava que a garota estaria praticamente só. Riddle entrou de forma silenciosa, caminhando até a cama da garota, a encontrando acordada.
—Boa noite, Hornby — a cumprimentou, educado, porém frio. — Melhor? — O que quer aqui, Riddle? —perguntou a menina, um pouco assustada. — Tenho algumas perguntas a fazer — disse ele, se aproximando da cama dela. — E tenho certeza de que você vai fornecer o que preciso. — Eu não me lembro de ontem — Olive afirmou, impaciente. — Você vai me dar as respostas que procuro — Tom avançou contra ela bruscamente, a assustando. — Ou eu garanto, você vai desejar jamais ter cruzado o meu caminho. Posso começar? — S-sim — gaguejou, ao passo em que Tom sorriu e se afastou, voltando a sua expressão calma. — Quem era o alvo? — , é claro — respondeu a menina, apavorada. — E por que? — Queria dar a ela um troco por ser tão arrogante e cheia de si — explicou, com desdém. Riddle sorriu, mas foi tão frio e sádico que arrepiou o corpo da jovem Hornby. — O que aconteceu no momento em que e apareceram? — Discutimos, então ouviu algo e foi em direção ao Lago. e eu brigamos, lembro de as varinhas brilharem e então, acordei aqui. — Vamos esclarecer algumas coisas aqui, Hornby — Riddle disse, colocando as mãos para trás e contornando a cama da menina, parando de frente para ela. — Se eu souber que planeja algo contra , ou até mesmo vê-la perto, bom... Acidentes são imprevisíveis. Odiaria ter que chamar os professores para socorrê-la de algo bem grave. — Isso é uma ameaça, Tom? — questionou, assustada. Ele sorriu de forma fria novamente. — Considere como um aviso amigável — afirmou, se aproximando dela outra vez. — Atravesse o meu caminho ou o de mais uma vez e vai desejar nunca ter posto os pés neste castelo.
Olive se encolheu sobre a cama, dando um terrível gosto de satisfação em Tom.
— Veja, isso sim foi uma ameaça — disse ele. — E se abrir a boca para alguém sobre a nossa conversinha particular, bom, suponho que não preciso dizer as consequências. Bons sonhos, Olive.

Capítulo 10
O Clube do Slug

só fora vista na quarta-feira depois de três semanas seguintes ao acidente. As olheiras abaixo de seus olhos se tornaram mais escuras e ela parecia definitivamente muito mais pálida e magra do que o normal. Ela não vira na Sala Comunal da , muito menos nas aulas ou na biblioteca, ou até mesmo no Salão Principal. A monitora não sabia se deveria falar com ela ou permanecer na sua; a morte de ainda estava pesando em sua consciência.
Foi ela quem encontrou o corpo... Talvez tenha sido ela própria quem causou a morte daquela menina — um aluno da Lufa-Lufa sussurrou, olhando atravessado para .
Certamente ela estava distante. Ainda não conseguia parar de pensar na noite de sexta-feira. Ela levantou e saiu andando sem dizer a Slughorn onde iria, contudo, devido aos recentes eventos, ele certamente não se incomodou em ver sua melhor aluna deixar a classe, mas claro que não permitiu que ela fosse só.
— Tom, por favor, vá ver se a Srta. Blossom está bem — pediu o professor, vendo o rapaz assentir e levantar, deixando a sala.
Era tarde demais, ela já havia sumido. Riddle bufou, impaciente. Não gostava muito de ser babá, mas supôs que só havia um único lugar onde estaria. Se agarrando na pequena possibilidade, seguiu até o banheiro feminino do segundo andar e abriu a Câmara Secreta, seguindo para dentro dela. Murmurou “Lumus” e então, sua varinha iluminou-se, permitindo-o prosseguir.
E sim, ela estava lá.
Sentada ao chão, encarando a estátua de Salazar , estava em silêncio. Tom havia a ensinado como falar algumas palavras em parseltongue, o que significava que a garota podia abrir a Câmara tanto quanto ele, mas claro que aquilo só funcionava para a entrada, já que ela jamais poderia controlar uma cobra como ele conseguia.
— Imaginei que estaria aqui — disse, com a sua voz ecoando por todo o espaço. — Não quero estar lá... não quero ver ninguém — respondeu ela, ainda contemplando a estátua de Salazar. — Só quero sumir. — ... — suspirou o rapaz, sentando ao lado dela. — Não vai poder continuar fugindo disso para sempre. — Eu não consigo, Tom! — exclamou, com os olhos marejados. — Eu não consigo ignorar isso, não sou como você! — E eu não quero que seja — afirmou Riddle, segurando a mão dela. — Então me permita dizer... foi uma trouxa quem matou a sua amiga. — E qual a relevância disto agora? — , pense comigo, se uma única trouxa foi capaz de matar a sua melhor amiga, imagine o que não fariam com bruxos como nós — disse Tom, colocando suas mãos no rosto da jovem. — É exatamente por isso que precisamos eliminar a escória dos sangues ruins!
Ela ficou em silêncio, pensando nas palavras do rapaz.
— Não quero ouvir isso agora — afirmou , respirando fundo.
— E por que não? Você sabe que estou certo! Sabe que a culpa da sua amiga estar morta é daquela trouxa! — Tom exclamou, incitando o ódio de .
— Cale a boca — ela gritou, sua voz rouca ecoando em cada parte da imensa Câmara. Riddle obedeceu e então, soluços baixos puderam ser ouvidos. estava chorando outra vez. — Ela se foi, Tom. Será que nem isso é capaz de fazer você entender que eu preciso de um tempo?
... — suspirou outra vez, aproximando-se dela. — Você e eu sabemos o que deve ser feito.
— E se eu não quiser mais, Tom? — Blossom o encarou com seus olhos marejados.
— Então a morte de jamais será vingada — afirmou Riddle, limpando as lágrimas da jovem. — Nós vamos fazer a escória trouxa pagar por isso, meu amor.
— Você vai fazê-la sofrer — disse ela, com o ódio nítido no olhar. — Quero que ela sofra cada segundo, quero que agonize até não poder mais e quando este momento chegar, ela deverá morrer de forma lenta e dolorosa.
— Eu farei com prazer — sorriu Riddle, sórdido.

Blossom era definitivamente outra pessoa. A morte de não só havia causado um peso em sua consciência, mas também havia sido responsável por uma imensa alteração em seu comportamento. Ela estava muito mais arisca e levemente violenta.
Alguns alunos da Grifinória estavam fazendo piadas sobre a morte de , eles só não imaginavam que a monitora da havia ouvido. Obviamente eles se arrependeram amargamente, porque a atitude dela fora muito brusca. agarrou um dos alunos pelas vestes, jogando-o contra a parede e o ameaçando. Naquele instante, estava claro que a mente da garota já não era mais a mesma.
— E é claro que medidas protetivas serão necessárias devido aos recentes eventos envolvendo a morte de uma das nossas alunas — Dippet disse naquela noite, antes do jantar.
, podemos conversar? — apareceu de surpresa. A monitora a encarou, ponderando.
— Me encontre na Torre de Astronomia após o jantar — respondeu, gélida.

não era a única com um comportamento peculiar. Desde o incidente envolvendo , Olive e Noah andavam muito estranhos, o que despertou um olhar curioso da monitora sobre eles, mais especificamente o seu irmão. Tom Riddle agora se ocupava com duas coisas: a Câmara Secreta e suas horcruxes. E ainda assim, ele encontrava um tempo em sua agenda cheia para a garota, embora fossem encontros muito raros. Ao final do jantar, como combinado, a esperou na Torre de Astronomia, paciente. A garota, entretanto, não demorou.
— O que quer falar? — questionou.
— Naquela noite... Disseram que você e Riddle foram até lá — disse a menina com a voz rouca. — Mas nós estávamos seguindo vocês dois.
— Por que faria isso? — Blossom franziu o cenho.
— Porque Noah e Olive também estavam atrás de vocês — revelou , com pesar. endureceu de repente. — Não sabíamos o que eles queriam, mas achávamos suspeito... e eu fomos atrás dos dois, então algo aconteceu e foi ver o que era... Olive e eu discutimos e então, acordei na enfermaria.
— E por que diabos levou três semanas para falar disso? Tem ideia do que eu poderia ter feito?
— Foi exatamente por isso que não contei, — disse com a voz embargada. — Você mudou! dizia que tinha medo do que você faria...
— E você está com medo agora, ? — indagou , sorrindo.
— Eu não sei... Mas... Eu sinto falta dela — sussurrou, chorando. — Sinto falta de quem éramos.
— Eles precisam pagar por tirarem de nós, — sibilou a outra, se aproximando de . — Por terem a tirado de você... Eu e Tom podemos fazer essa dor passar... Podemos amenizá-la para você...
encarou a garota em sua frente, os olhos cintilaram. sabia o que fazer, sabia o que falar. Ela sabia como chegar em e sabia exatamente o que fazer para que a jovem virasse para o seu lado.
— Juntas podemos vingá-la, . Jamais deixar que a sua lembrança seja esquecida — prosseguiu , sussurrando ao ouvido da amiga. — Você sabe que estou certa, sabe também do que precisa fazer...
— Eu a amava, — soluçou ela, olhando para o chão.
— E ela foi tirada de você injustamente — disse a outra, instigando . — Mas eu tenho uma solução para isso... Só preciso de você...
Como um ato final, sua última jogada, beijou suavemente nos lábios. Ela tinha certeza de que era exatamente isso o que faltava para convencer a outra. A jovem estava fragilizada com a perda de e esta havia sido a janela que Blossom precisava para trazê-la para o seu lado outra vez.
O beijo fora rápido, mas decisivo. Ainda com lágrimas em seus olhos e seu coração partido em pedaços, fizera sua decisão final.
— Eu quero que eles paguem por isso, .
— E eles irão, — sorriu Blossom, vitoriosa.

[...]


Era tudo uma questão de uma filosofia obscura, talvez até mesmo deturpada. Riddle tinha um nojo de trouxas, mas não sabia o porquê. Aquela lacuna estava vazia. Bom, tinha uma razão para aquele ódio não justificado. Há um ano, durante seu quarto ano, aprendera o feitiço obliviate. Ela sabia que os acontecimentos com o pai do menino haviam sido traumáticos, portanto, ela tomou a liberdade de apagar aquele encontro da memória de Tom. Ele sequer imaginava que ela havia feito isso.
Os meninos faziam tudo o que ele ordenava sem reclamar ou contradizer, porque, como dissera uma vez, eles enxergavam Tom como seu líder e como seu amigo; bom, ele de fato era um líder, mas amigo era a última coisa que seria daqueles rapazes. Só eram úteis para que o casal das trevas atingisse seu objetivo.
é nossa mais nova aliada — anunciou a menina, em um tom de vitória.
— Pode me dizer como conseguiu esta proeza? — Riddle questionou, deixando seu diário de lado.
— Tive um excelente professor de persuasão, sabe? Ouso dizer que aperfeiçoei a técnica — sorriu ao responder, sentando ao lado dele.
— Isto é bom, muito bom — disse, sorrindo. — Tenho uma tarefa para você.
— O que precisa, Lord Voldemort?
— Gosto tanto de como meu nome soa em sua boca — provocou ele, soando sensual. — Preciso que fale com Slughorn.
— Sobre o quê? — questionou ela, arqueando a sobrancelha.
— Ele costuma arrumar oportunidades muito interessantes para os melhores alunos. Se entrar no Clube dele, diga sobre o seu desejo de conseguir um cargo alto no Ministério da Magia — disse Tom, calmamente. — Ele certamente ficará de olho e, como somos os melhores alunos da classe, é claro que ele tratará de mexer alguns pauzinhos.
— E por que faríamos isso? Temos dinheiro para 10 gerações inteiras — riu, mas Riddle permaneceu sério e calmo.
— Porque nós vamos dominar o mundo bruxo e eu preciso de alguém de confiança no Ministério, — explicou ele, sereno. — Não posso colocar qualquer idiota lá dentro e esperar ganhar o controle de imediato. Preciso de alguém eficaz e sei que você é esta pessoa.
— Considere feito, Lorde das Trevas — sorriu ela, macabra.

Os dias seguintes foram calmos. estava agindo de uma forma muito fria, algo que já havia se tornado normal entre o seu círculo social. Nem mesmo Abraxas Malfoy estava fazendo suas gracinhas de sempre; ele sentia que tinha algo de errado com ela. Sabia também que Tom pudesse ser o responsável, mas não tinha certeza. Sobretudo, ele considerava Riddle como o seu melhor amigo. Ou pensava que era isso.
Naquela segunda-feira, e Tom estavam preparando uma Solução Fortalecedora, cujo nível de dificuldade poderia ser considerado como avançado. Claro que, para os melhores alunos de Slughorn, aquilo jamais seria um problema. O professor os observava com curiosidade; a forma como eles funcionavam em dupla era assustadora. Parecia que Blossom e Riddle se completavam.
— Muito bem, caros alunos — Slughorn chamara a atenção dos demais. — Notavelmente e Tom produziram a melhor Solução Fortalecedora. Concedo dez pontos cada.
Alguns alunos cochicharam baixo, olhando curiosos para a dupla favorita do professor. Ele andou de mesa em mesa analisando as demais soluções, mas nada tão bom quanto a produzida pelos seus dois pupilos destaques. Ao final da classe, ele dispensou a todos, com exceção da própria . Antes de ficar a sós com o professor, Riddle piscou para ela, então partiu.
— Sabe, professor Slughorn... Meus pais me questionaram sobre o meu futuro... — disse ela, ajudando o homem a organizar a sala. — Sobre o que quero fazer assim que finalizar a escola...
— Acho que tem um imenso futuro pela frente, senhorita Blossom — afirmou Slug, bondoso.
— Estive pensando e... Ora, acredito que eu poderia me sair muito bem no Ministério da Magia — afirmou, doce.
— Você é uma das minhas alunas mais talentosas, devo dizer. Não sei por que não fiz o convite antes, eu e a minha memória — riu, nasalmente. — Gostaria que se juntasse a mim e mais alguns estudantes em meu clube.
— Seria uma honra, professor — sorriu .
— Hoje teremos um jantar e espero que compareça.
— Estarei lá, é claro — afirmou, esboçando outro sorriso no rosto.
Finalizando a fala, deixou a classe de Slug com passos apressados e urgentes. Ignorou o restante das aulas porque passou o dia no dormitório, imaginando qual roupa usaria naquele jantar. No final das contas, escolheu um vestido preto, cujas alças caiam como leve ondas em seus ombros; seus cabelos ganharam uma trança lateral frouxa, com alguns fios caídos em seu rosto. Seus olhos ganharam o realce da maquiagem e suas bochechas adquiriram um toque rosado do blush. A garota estava impecável, exalando o mesmo ar aristocrata da família.
Perto das 20h30, saiu do dormitório, jogando um xale preto sobre seus ombros. Parado ao final do corredor, trajando roupas elegantes e pretas, estava Tom Riddle. Estava encostado em um dos imensos pilares, com as mãos nos bolsos da calça, aguardando de forma paciente por . Assim que seus olhos caíram sobre a jovem, tudo parecia surreal. Ela era a visão mais linda que seus olhos tiveram o prazer de desfrutar.
— O que foi, Riddle? — questionou ela, se aproximando.
— Estou feliz por ser o primeiro a vê-la nesta noite, Blossom — respondeu, sorrindo. — Está belíssima.
— Fico grata pelo elogio — devolveu a garota, sorrindo. — Vamos?
Tom estendeu o braço, o qual entrelaçou o seu, então os jovens passaram a andar até que chegassem ao local marcado por Slughorn. Assim que chegaram, todos os demais participantes pareceram fisgados pela presença imponente da dupla. Riddle puxou a cadeira, permitindo que sentasse, então tomou lugar ao lado dela.
— Ah, minha dupla predileta! Bem-vindos, bem-vindos! — Slughorn os saudou, educado. — Suponho que vocês já conhecem, é claro, Blossom e Tom Riddle.
— Allyzinha é uma ótima aluna — Abraxas sorriu largamente, tomando algo da sua taça. Riddle pareceu não gostar do comentário.
— Já que vocês já estão familiarizados uns com os outros, que tal batermos um papo antes do jantar? Creio que coisas boas surgirão — Slughorn sugere, sorrindo. — Dahlia, querida, como vão seus pais? Soube que sua mãe desempenha um excelente papel no Ministério.
— De fato, professor — respondeu a menina, calma. — Recentemente, ela subiu no cargo. Agora é a chefe do Departamento de Mistérios.
— Esplêndido, minha cara — sorriu ele, agora dirigindo seu olhar a . — A nossa jovem convidada, , tem uma incrível aptidão para alquimia. Jamais vi uma bruxa tão talentosa... Se daria muito bem em algum cargo alto no Ministério.
— Eu adoraria, professor Slughorn — respondeu, casual.
— Mas diga-me, já tem algo em mente? — indagou ele, curioso. podia sentir o olhar de Tom arder em seu rosto.
— Almejo um cargo à minha altura, professor. Não aceitaria menos do que mereço — afirmou, deixando o homem impressionado.
Ele pareceu satisfeito com a resposta. Seu olhar seguiu para um jovem de cabelos e intensos olhos . Ele sustentava um olhar irônico, mas atento. Não havia falado nada desde o instante em que aquela reunião começara, porém a sua presença era tão imponente quanto a de e Tom.
, meu caro, seu tio andou trabalhando em mais alguma poção?
— Ele trabalha sob sigilo, professor — disse, de forma firme e divertida. — Mas garanto, logo, logo ele surgirá com algo inusitado.
— Não deixe de me avisar, é claro — pediu o professor, empolgado.
Slughorn prosseguiu com a conversa, questionando aluno por aluno, com a exceção de Riddle. Claro que o jovem monitor da não passaria isento das perguntas curiosas do homem. Quando questionou o último aluno, ele dirigiu seu olhar a Tom, que estava ocupado demais com o conteúdo da sua taça.
— E você, Tom? O que nos dirá?
— Eu sou órfão, professor — respondeu de forma direta. — Não há parentes para impressionar.
— Oh... Entendo — murmurou ele, desconcertado. — E quanto ao seu futuro, o que pretende?
— Tenho alguns planos, mas nada certo — devolveu calmamente.
Notando que o monitor não pretendia revelar mais coisas, o professor se deu por satisfeito e então decretou que estava na hora do jantar. Os pratos eram compostos das mais finas regalias, coisa que muitos ali jamais veriam outra vez. O prato de entrada escolhido fora camarão marinado.
e Tom já eram muito familiarizados com a iguaria, uma vez que os pais da garota gostavam de pratos daquele nível. Abraxas Malfoy também não estava atrás, já que sua família também gostava daquela refeição. Era simples e delicioso.
Mas havia algo de estranho naquele ambiente. O rapaz não parava de encará-la com curiosidade e aquilo já estava começando a incomodar . Ao final da entrada, Slughorn começou a falar sobre os favores que recebia de seus antigos alunos privilegiados; os pais da jovem Blossom estavam na lista, principalmente seu pai.
— Não sei você, mas estou começando a me sentir completamente desconfortável — murmurou ela para Riddle. — Aquele rapaz, à sua esquerda, está me encarando como se eu fosse um troféu.
— Suponho que o motivo seja o seu esplendor — sorriu Riddle, tomando um gole do líquido em sua taça.
— Eu não estou gostando, Tom — enfatizou , séria.
— Muito bem — disse, limpando os lábios. — Lidarei com ele mais tarde.
— Excelente — devolveu, satisfeita.
então pareceu vagar por pensamentos aleatórios, não dando importância à conversa alheia. Nem ela sabia o que estava fazendo ali, mas certamente não estava com cabeça para aquela farsa. Odiava festas felizes, odiava as pessoas animadas, apenas odiava aquele clima no geral.

As horas passaram e quando a jovem monitora percebeu, aquele pequeno encontro havia terminado. Nada foi capaz de descrever o alívio que ela sentiu por não ser mais obrigada a permanecer naquele ambiente. Levantou, acompanhada de Riddle, então despediu-se de todos, deixando o recinto. O garoto com quem trocara olhares durante o jantar fez o mesmo, saindo pouco depois de Riddle e Blossom.
disse que Noah estava com Olive naquela noite. Era ele a terceira pessoa — disse a garota, ainda vagando em pensamentos aleatórios.
— E o que pretende quanto a isso? — questionou com a sua voz carregada em sotaque.
— Por enquanto, vou deixar que pense que está seguro... Que não sei de nada — respondeu ela, encarando o rapaz ao seu lado. — Mas eu encontrarei um jeito de fazê-lo pagar por isso.
— Se me permite uma sugestão... — Riddle sussurrou, com aquele seu ar sensual e misterioso. — Acho que posso fornecer uma solução.
— É mesmo? — questionou, cruzando os braços com um sorriso irônico nos lábios.
— Você sabe que sim — Riddle afirmou com um sorriso.
— Aceito a sugestão, mas devo acrescentar algo antes.
— E o que seria, Blossom? — perguntou Tom, parando de frente para a garota.
— Você não irá tocar em Noah — disse ela, visivelmente determinada. — Esta vingança é minha. Somente minha.
O monitor ponderou, encarando aqueles olhos tão profundos e misteriosos. Respirou fundo, notando que não havia nada que pudesse fazer mudar de ideia. Bem, Noah havia tirado dela, então seria mais do que justo se tirasse algo dele também.
— Está bem — concordou, por fim. — Ele é todo seu.

Capítulo 11
O Garoto do Jantar

Depois daquela noite, se pegou pensando naquele rapaz curioso que estava presente na mesa. Ela nunca havia o notado antes, então sabia que precisava entender qual era a dele e se ele representava uma ameaça ou se poderia ser útil aos seus propósitos. O final de semana foi preenchido por deveres das aulas e pouco tempo para seus amigos. e Tom estavam ocupados demais com outras coisas além das obrigações como monitores.
No entanto, no sábado, tivera uma surpresa um tanto quanto inesperada. A monitora estava na Sala Comunal do seu próprio dormitório quando alguém bateu na porta. Pelos toques intermináveis e pela falta de intervalo entre eles, a garota notou que era algo urgente.
— Mas o que é isso? — questionou, abrindo a porta para descobrir o motivo do barulho.
— Então é aqui que se esconde — o garoto disse com um sorriso galanteador nos lábios.
— Não me escondo, só procuro evitar companhias desnecessárias.
— Faria o mesmo se tivesse um dormitório somente meu. — deu de ombros como quem não se deixava abalar pelo comentário da jovem.
— Escute, eu tenho muitos deveres a fazer e não tenho tempo para tolices — disse, cruzando os braços. — Portanto, diga o que quer e me dê licença. — Ora, ... Estou aqui para um convite formal — sorriu outra vez e a garota estranhou. — Que tipo de convite formal seria? — indagou a garota, curiosa. — Devo dizer que fiquei intrigado naquele jantar... A sua presença me é... Bom, não importa — afirmou, encostando-se no batente da porta, cruzando os braços. — Estive tentado nos últimos dias, confesso... — Vá ao ponto, meu caro — pediu ela, impaciente. — O convite formal que pretendo fazer é simples, Srta. Blossom — aproximou-se dela e ela sequer se moveu. — O que acha de sairmos? Hogsmeade não possui muitos entretenimentos, é verdade... Mas posso prometer algo divertido. — Pensarei no convite, mas não prometo nada — respondeu ela, indiferente. — Como deu para ver, eu sou bem ocupada. — É claro — disse, parecendo bem satisfeito. — Até mais, Blossom. — Até, Barnes.

A garota fechou a porta, voltando a se sentar na mesa, onde havia pilhas e mais pilhas de livros e pergaminhos. Ela encarou a lareira por breves instantes, submersa em seus pensamentos. Bem, aqueles deveres poderiam ser finalizados no domingo, já que tinha assuntos mais importantes a tratar. Desta forma, a monitora levantou, deixando o cômodo em seguida. Caminhou com passos calmos até o dormitório de Riddle, sabendo que ele estaria lá. Já que tinha aquela maneira incômoda de chegar sem se anunciar, não foi surpresa nenhuma simplesmente adentrar a Sala Comunal dele. Tom, pego de surpresa, bufou.
— Quantas vezes mais eu tenho que dizer que odeio isso? — perguntou, virando para ela. — Amo vê-lo irritado, você sabe — sorriu, se aproximando do rapaz. Ele rolou os olhos, entediado. — Enfim, aquele garoto do jantar... Me convidou para sair. — E o que pretende? — Tom questionou, curioso. — Pretendo aceitar e descobrir se nos é útil ou descartável — deu de ombros, sentando no sofá. — Perfeito — assentiu, aproximando-se da lareira, encarando as chamas. — Aliás, diga aos nossos aliados para que não estejam no castelo nos próximos dias... — Por quê? — ela questionou, mordendo o lábio inferior. — Porque eu irei dar início ao nosso plano — ele a encarou, macabro. — O Basilisco estará livre e eu não quero que seja uma vítima dele. — Como quiser — Blossom sorriu, sedutora. — Estarei longe do castelo, a salvo do enorme vilão. — Isso não é um jogo, ! — Tom a encarou, sério. — Todo o nosso futuro depende dos próximos acontecimentos e eu não quero arriscar a sua vida. — Ora, ora, ora — ela levantou, pegando um copo da mesa, servindo-se de algo minimamente suspeito. — É impressão minha ou o Lorde das Trevas está preocupado com a minha segurança? — Não seja tola, sabe que me importo com você — disse Riddle, soando um pouco indiferente. — Sabe que é a única. — Eu sei que sim — riu, divertida. Tom esboçou algo bem próximo a isso. — Irei dizer a ele que aceito o convite. — Antes que o faça... — Tom a encarou, voltando a seriedade de sempre. — Saiba que se ele tocar em um fio de cabelo seu, ele é um homem morto.
A jovem garota sorriu outra vez, de uma forma arrogante, o que sempre deixava Tom desconcertado. Antes que fosse embora, ela se virou para ele, ainda com aquele sorriso nos lábios.
— Como se eu não soubesse disso.
tinha consciência total do efeito que causava em Tom Riddle, por isso gostava de tirar proveito da situação ao máximo que pudesse; sabia também que qualquer um que a tocasse estaria em sérios problemas, uma vez que o Lorde das Trevas a tinha como sua favorita.
Ela vagou outra vez pelos corredores, chegando ao pátio da Torre do Relógio. Como era sábado, havia alguns alunos de puro lazer, que incluia ficar zanzando pelos corredores. Se optasse, haviam visitas permitidas em Hogsmeade mais tarde. Bem, a jovem monitora estava procurando por alguém em específico. — — ela o chamou, notando que ele sorria. — Pensou no meu convite, presumo — disse ele, exalando uma confiança imensa. — Terá a minha companhia, mas saiba que não me surpreendo fácil — respondeu, ainda que inexpressiva. — Você precisará ser muito bom. — Pensarei em algo até lá — disse, levantando do banco de pedra.
— Ótimo — sorriu ela, satisfeita. — Me encontre aqui mais tarde. Iremos à Hogsmeade. — Estarei esperando — concordou, balançando a cabeça. Então ela voltou a andar, agora pensativa. Claro que aquilo tinha uma imensa probabilidade de acabar errado, mas era necessário arriscar vez ou outra diante dos planos que Lorde Voldemort tinha em mente. Sabia que era algo grandioso, então precisava seguir conforme o desejado.
— Ei, Blossom — ouviu Lestrange a chamar. Ela virou na direção da voz, vendo o rapaz alto, de cabelos escuros e ondulados, e olhos da mesma cor, caminhar em sua direção. — O que fazia conversando com aquele sujeitinho? — Oras, Rabastan... Conversar é um modo civilizado de fazer amizades... Suponho que seja familiarizado com o método — respondeu, cruzando os braços e rolando os olhos em deboche. — Não sou tão brutamontes como pensa — assegurou ele, passando a mão pelos cabelos escuros. — O Lorde sabe sobre isso? — Mas é claro... Acha que eu faria algo sem que o Lorde Voldemort soubesse? — devolveu ela, o chamando pelo nome correto. — Devo adivinhar... Ele disse que se o rapaz lhe tocar é um rapaz morto, estou certo? — Rabastan sorriu, com satisfação. — Digamos que o Lorde se preocupa comigo — afirmou a jovem, esboçando um sorriso irônico. — E isto me lembra de que deveria lhe avisar... Fique longe do castelo. Ele pretende agir. — Avisarei aos demais — o rapaz assentiu. No entanto, antes que ela partisse, ele a segurou pelo braço, obrigando-a lhe encarar. — Tem algo a dizer? — indagou, séria. — Apenas... — Rabastan hesitou, o que não passou despercebido pela monitora. — Tome cuidado. Dito isso, ele se afastou, a deixando sozinha. Foi um momento confuso, mas ela ignorou como se não fosse nada de relevante.

Por volta das três da tarde, ela estava aguardando pacientemente por na saída, junto com os demais alunos para a visita à Hogsmeade. O jovem não demorou, apareceu cerca de minutos depois, trajando roupas casuais.
— Espero não ter demorado — disse ele, atraindo a atenção dela.
— De modo algum— respondeu a monitora, calma. — Vamos?
— Estou logo atrás de você.
esboçou um sorriso sem mostrar os dentes, então caminhou. Foram até a estação de trem para desembarcar em Hogsmeade. O clima era agradável, não havia sol visível, mas não era frio. O vento era razoável e as nuvens ao céu eram cinzas. Os dois adolescentes estavam sentados na cabine, um de frente para o outro, mas o olhar de estava perdido na paisagem do lado de fora, enquanto o de estava sobre ela.
— Permita-me uma pergunta — disse ele, cortando o silêncio. A garota o encarou, desconfiada. — O que existe entre você e Tom Riddle?
— Gosto de dizer que somos bons amigos — respondeu, ainda exalando aquela calma de sempre. — Próximos.
— Acho que sabe o que dizem a respeito de vocês dois nos corredores... Principalmente as garotas — sorriu, encostando-se no assento.
— Se me conhecesse bem, saberia que a opinião alheia me é totalmente irrelevante — devolveu Blossom, um pouco irônica. Ele riu outra vez.
— Eu sei, eu venho a analisando há tempos — prosseguiu ele, deixando a moça surpresa, uma reação que não era muito frequente. — Por que acha que estamos aqui?
— Vá direto ao ponto, odeio enrolações — pediu ela, esboçando a sua famosa carranca.
— Bem... Eu sei o que você e Riddle tanto tramam por aí, deveriam ser mais cautelosos... Ou qualquer um vai saber a respeito do Basilisco — disse, cruzando os dedos sobre seu joelho, sorrindo.
— Está me ameaçando? — indagou, se aproximando do rapaz.
— De modo algum — afirmou, calmo. — Eu não sou insano para desafiar Tom Riddle, ainda mais sabendo do que ele é capaz.
— Não é ele que você deveria temer, meu caro — ela sibilou, para a surpresa do rapaz à sua frente. — Sou eu.

[...]


— Ele sabe — entrou de surpresa no quarto de Tom, outra vez o assustando, e ela estava furiosa. — Aquele gárgulazinho sabe!
— Do que está falando? — Tom questionou, encarando a garota. — Quem sabe o quê?
— Por Merlin, você já teve um raciocínio mais rápido! — exclamou ela, mais irritada. — Ele sabe sobre nós!
Tom não esboçou reação alguma. Ele permaneceu parado, ponderando. A julgar pela expressão de , entendia que tinham um problema sério. O jovem monitor a encarou, de certo modo desprovido de preocupação. O gesto, entretanto, serviu para deixá-la mais enfurecida.
— O que sugere que eu faça? Não posso sair por aí jogando feitiços sem automaticamente nos denunciar — Tom enfim disse algo.
— E em algum momento eu pedi a você que tomasse conta da situação? — devolveu, ácida. Riddle apenas arqueou a sobrancelha, indo sentar diante da lareira, pensativo.
— Por que não você? É ótima com feitiços, ainda mais os de memória — disse, agora a encarando. — Apague o que ele sabe, traga para mim.
— Já cogitou a ideia de ele ter dito para mais alguém?
— Mas é óbvio — deu de ombro, ainda despreocupado. — Se for o caso, sugiro que implante a ideia de que não passa de um boato sem nexo.
cogitou a ideia, avaliando com cautela.
— Você é a minha melhor opção. Sei que não falhará — Riddle a encarou, agora sorrindo.
— É uma espécie de teste? — indagou, desconfiada.
— Não precisa me provar o seu potencial, sabe disso — afirmou ele, respirando fundo. — Você é a única pessoa que confio, .
— Considere o serviço feito, Tom Riddle.
Bem, ela realmente não tinha o que provar, já que Tom conhecia bem as amplas capacidades mágicas da Blossom mais nova. Isto era o bastante para preocupá-lo um pouco, porque se deixava influenciar pelos sentimentos e agia por impulso em certas situações, o que queria dizer que ela era um perigo constante. Sua mágica era muito poderosa e, se não controlada, podia causar uma catástrofe.
De volta aos corredores, a jovem procurou se acalmar um pouco. Não podia perder o controle daquela maneira, já havia lidado com coisas piores antes. Ela encarou o reflexo no espelho do banheiro, não se reconhecendo mais. Aquela que estava diante do espelho era uma versão dela totalmente diferente e desequilibrada. E ela gostava disso.
— Eu estava te procurando — ouviu Myrtle entrar no banheiro com a sua voz trêmula.
— Precisa de alguma coisa? — questionou a monitora, virando-se para encarar a menina.
— Eu queria dizer que... Às vezes eu queria ser você, — suspirou, desanimada. Blossom ficou sem entender o comentário, franzindo o cenho. — Não se deixa abalar pelos outros. Você é tão... Forte.
— É assim que me vê? — devolveu, retórica. — As aparências enganam muito... Nem tudo o que vê é verdade.
— Ninguém fica pelos corredores te caçoando... É respeitada — Myrtle a encarou com os olhos marejados.
— E é isso o que quer ser? Para que possam te respeitar? Oras, nunca vai conseguir isso se continuar se rebaixando. Tem que se impor — disse, se aproximando da menina. — Ninguém nunca fará isso por você, Myrtle. No final, é sempre você por você.
A garotinha engoliu o choro, abraçando as palavras da monitora com a sua vida.
— Se quer ser respeitada, então enfrente quem te faz tanto mal. Mostre que você é tão humana quanto eles são... Não deixe que te rebaixem ao nada. Você é muito mais importante do que isso — disse, sorrindo de uma forma gentil.
— Obrigada — a garotinha abraçou , pegando a mesma de surpresa. ficou levemente constrangida com a reação da menina, mas retribuiu o abraço. Era estranho ser abraçada, ela não era muito habituada a demonstrações de afeto, uma vez que seus pais eram tão rígidos quanto a sua criação. O que Myrtle Warren fez lhe causou um imenso espanto; algo nela floresceu. Algo bom.
— E-eu preciso ir agora — suspirou, rompendo aquele contato físico com a mais nova. — Lembre-se, estou aqui sempre que precisar de mim. A monitora não esperou que a garotinha respondesse, porque instantes depois, já estava bem longe daquele banheiro. Atordoada pelas palavras doces e tão meigas de Myrtle, ela não tinha muitas opções... Correu ao dormitório da , ansiosa para encontrar , na expectativa de que ela pudesse a ouvir. , mais uma vez, teve sorte.
— O que foi? — Harris questionou, notando a ansiedade da monitora à sua frente. — Aconteceu alguma coisa? — Podemos conversar? — devolveu, vendo a amiga assentir com um gesto da cabeça. sentou-se diante da morena, tensa. — Tem algo de estranho acontecendo comigo... Eu não me reconheço mais. — Convenhamos, , você sempre foi um pouco estranha — riu nasalmente, deixando o livro sobre o móvel de cabeceira. — Mas o que aconteceu? Teve uma epifania? — Algo similar a isso — murmurou a outra, cruzando os braços. — Aquela garota, aquela que a Olive gosta de encher o saco... Ela me abraçou agora há pouco. — E o que tem de errado nisso? — riu. — É uma coisa... Comum. — Para mim não é comum, é estranho — justificou a menina, assustada. — Sabe que não sou acostumada com isso! — Ah, é... Verdade. — Harris riu outra vez. — Sempre esqueço que você não é habituada a demonstrações de afeto. — , ela me pegou desprevenida! Não esperava que isso fosse acontecer, parecia que estava orgulhosa de mim, da forma como eu me imponho perante os outros — disse a monitora. — Mas ela não faz a menor ideia do que esteja acontecendo, das coisas que eu tenho feito... — Espera, você está mais humanizada? Você está se importando com alguma coisa ou é apenas impressão minha? — arqueou a sobrancelha, confusa. — Eu não sei! — exclamou , levantando da cama. — A princípio eu achava que seria indiferente, mas não... — Ela tocou a sua alma congelada, foi só isso — deu de ombro, ainda risonha. — Amiga, não precisa se desesperar por algo tão humano... É normal sentir coisas. — , eu não sei o que é sentir... — confessou a monitora, pegando a outra de surpresa. — Mas se você não é capaz de sentir, como pôde ensinar tudo ao Tom? — indagou, curiosa. — Eu disse a ele o que é cada um e como são úteis, mas não necessariamente que eu saiba o que é — explicou, passando a mão pelos cabelos . — Entendo... Quer dizer então que emoções te assustam — disse, cruzando os braços. balançou a cabeça, afirmando. — São horríveis — disse, baixinho. encarou , desconfiada. Sempre soube que a amiga era um pouco estranha, mas não sabia que era tanto. Só havia uma única explicação para isso, mas seria impossível. Noah teria de ser exatamente igual, mas ele era bem o oposto da irmã; o rapaz era muito sensível. — ... Você já cogitou a ideia do porquê você é assim? — perguntou a morena, arqueando a sobrancelha. A reação da monitora confirmou o que ela precisava saber. — Eu sei o motivo, — respondeu, misteriosa. — Mas não é o momento apropriado para dizer. Dito isso, ela saiu do dormitório, apressada. A verdade é que ela havia mantido aquele segredo por 15 longos anos, mas não estava preparada para revivê-lo, não naquela altura do campeonato, com os eventos em andamento. Ela estava decidida a fazer algo quanto aquilo, e era bom que ficasse esperto, ele era o alvo.
— Rabastan... Eu preciso de você — disse ela ao encontrar o rapaz que estava na biblioteca. — Do que precisa? — indagou ele, levantando do assento, falando baixo. — Venha comigo — pediu a monitora sem dar muitos detalhes. O rapaz assentiu, a acompanhando para fora da biblioteca. Eles permaneceram em silêncio por parte do caminho, até que chegassem aos terrenos externos do castelo. Descendo pela pequena colina, chegaram até a Floresta Proibida, onde era o local mais seguro para falar. Adentraram o bastante para que só houvesse os dois.
— O que foi? Você parece tensa... — Rabastan disse, preocupado. — Lorde Voldemort me deu uma tarefa, mas sei que não poderia fazer tal coisa sozinha — explicou ela, encarando o rapaz. — Precisa de ajuda? — perguntou, retórico. — Alguém sabe sobre nós... O nosso grupo — revelou, agora exalando uma calma assustadora. — E preciso retirar a memória do que ele sabe. — E onde é que eu entro nisso? — indagou o rapaz, cruzando seus braços. — Bem... Você é maior e mais forte — sorriu com um certo charme na voz. — Eu só preciso de um apoio, caso tudo vá para os ares. — Ok... Posso te ajudar com isso — deu de ombro, sem hesitar. — Obrigada, Rab... Você é o melhor — ela o abraçou. — Me encontre aqui hoje à noite, eu o trarei e faremos o que precisamos. Rabastan sorriu de soslaio, com seus olhos escuros cintilantes. Ele era um membro respeitável da família Lestrange, orgulhosos da linhagem puro-sangue e de uma fortuna inestimável, eles eram muito bem-vistos pela sociedade. A família de Puro-Sangue era conhecida por abominar a ideia de qualquer relacionamento entre bruxos e trouxas. Como parte dos Sagrados 28 - famílias mágicas que alegavam não terem antecedentes trouxas -, os Lestrange casaram com outras famílias Puro-Sangue, como os Black, os Malfoy ou os Bulstrode, continuando a linhagem pura. Rabastan era um desses bruxos que pensava assim.

procurou por durante uma hora, até que o encontrou no campo de Quadribol. A desculpa usada pela jovem é de que precisava falar com ele sobre o assunto de mais cedo, então ele apenas sorriu e a seguiu em direção a Floresta Proibida. O pobre coitado sequer sabia o que o esperava lá.
— Qual era o motivo? — questionou o rapaz, intrigado. — O que é que você sabe sobre nós? — devolveu com outra pergunta. — O bastante para colocar vocês em apuros — deu de ombro de uma forma presunçosa que tirou a jovem do sério. — Mais especificamente o seu namorado. — E quem te disse que Riddle é meu namorado? — ela riu, em desdém. — Deveria tomar cuidado com o que diz, afinal de contas. — Por quê? — questionou, desafiando a monitora. — Porque você não faz ideia de quem está ao seu lado... — respondeu, dando espaço a um sorriso macabro. — E como eu disse mais cedo, não é o Tom que você deve temer, meu caro... Rabastan surgiu atrás o rapaz, o subjugando para que ele não gritasse ou tentasse fugir. se aproximou com um semblante macabro no rosto. Ela usou a varinha, passando-a no rosto do menino. Sua expressão era de pavor, como se estivesse cara a cara com a própria morte. — Eu vou lhe ensinar a não se meter nos assuntos dos outros — disse, com uma voz fria. — E certamente a não chantagear.
Dito isso, Rabastan segurou o rapaz com mais força, o impedindo de sair dali. o encarou, não havia nenhum resquício de misericórdia em seu rosto; sua expressão era de puro ódio, e, naquele instante, ela tinha voltado a ser a Blossom de antes, inalterável, aquela que existia muito antes da morte de James.
— Diga adeus a tudo o que sabe — disse ela, apontando a varinha para ele. As lágrimas escorriam no seu rosto. — Obliviate!
A luz emanou da varinha e a última coisa que o garoto vira naquela noite fora o rosto enfurecido da monitora.



Continua...



Nota da autora: (11/02/2021) a última linha da frase da personagem no capítulo 6 foi retirada do livro O Corvo, do incrível e maravilhoso James O’Barr. Por ser justamente a minha obra favorita de toda a literatura dark, seguindo de Drácula, Frankenstein e O Médico e o Monstro, haverá várias referências durante os capítulos da história!
Nota da autora²: No universo de Harry Potter é muito comum famílias bruxas homenagear seus antepassados dando o nome do homenageado aos filhos e assim por diante (como é o caso do Sirius Black, que é a terceira geração do nome), e no caso do Rabastan, é a mesma coisa. O marido da Bellatrix, em Fidelius, é filho do Rabastan que aparece nos capítulos que, anteriormente, era chamado apenas de Lestrange, e portanto, Rabastan II.
Nota da autora³: Criei uma conta no Instagram (@gabswise) onde publico curiosidades, meus projetos e informações a respeito dos personagens. Se quiser descobrir mais a respeito e saber quando tiver atualização, é só seguir o perfil, vou deixar aqui embaixo o link!



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