Última atualização: 15/06/2022

Prólogo
O que aconteceu com nós?


— Quando foi que você virou isso? Você não era assim! — Tom exclamou, sentindo seu peito gelar por completo.
— Não, meu querido Tom! Eu sempre fui assim! Você me conheceu exatamente como eu sou! — gritou de volta, furiosa.
— Não, não! A que eu conheci jamais teria feito algo desse nível — protestou ele, agora nervoso. — Por Merlin, o que aconteceu com você?
— Nada! Não aconteceu nada! — gritou novamente, sem qualquer resquício de paciência.

Tom passou a mão pelo rosto, seguindo para os cabelos. É nítido que os dois estão nervosos, suas respirações ofegam e seus corpos parecem tremer com a raiva que sentem no momento. está com os cabelos bagunçados, causados pelos movimentos frenéticos da jovem em andar por todos os lados. Suas roupas estão um pouco abarrotadas, nada muito visível. Seu rosto, entretanto, está vermelho. Seus olhos faíscam em puro ódio e, naquele momento, ela está totalmente incapaz de responder por conta própria.
— Eu... eu não sei se posso — Tom prosseguiu, soltando um suspiro. o analisou, vendo-o sentar em um canto, sobre uma caixa velha. — Está acabando com...
— Acabando com o quê, Riddle? — questiona ela, amarga.
— Acabando com... eu não posso...
— DIGA, RIDDLE — gritou de novo, totalmente impaciente.
— ESTÁ ACABANDO COM A GENTE! ERA ISSO O QUE QUERIA OUVIR? — gritou ele de volta, fazendo recuar e se desarmar por completo.

A jovem ficou tão surpresa pelo comentário que simplesmente desarmou. Ela não havia respostas, não havia cartas na manga e nenhuma ideia mirabolante para contradizer Tom. A verdade é que, com aquele comentário, ele havia feito se despedaçar. A expressão chocada da garota com certeza bastou para finalizar a discussão e um pouco de paz era tudo o que Riddle queria naquele momento.
, não sei em que ponto você se perdeu de mim... mas eu nunca quis isso — confessou, com a voz um pouco rouca pelo fato de ter gritado. — Nós dois não éramos isso.
— Fale por você, Riddle — murmurou ela, voltando a expressão de raiva.
— Não, Blossom. Eu estou falando por nós — ele a rebateu, sério.
— Quando você vai entender que nós dois não somos NADA? — perguntou ela, gesticulando com os braços.
— Não somos nada, ? — levantou, indo até a jovem. A respiração de ambos voltou a ofegar. — Você realmente tem certeza de que é isso que quer?
— Me diga você, Tom — provocou, olhando fundo nos olhos do rapaz alto e sedutor. — Prove para mim o que temos e eu direi o que quero.

Riddle prensou fortemente contra a parede do banheiro, com os olhos afervorados. A tensão aumenta e os milímetros que os separavam foram cortados com a união dos lábios necessitados de Tom pelos da jovem . As mãos do rapaz deslizam pelas vestes tradicionais da moça, enquanto as mãos dela afundam nos cabelos perfeitamente ajeitados dele.

Naquele momento, sabia que estava entregue a ele.


Capítulo 1
Um trio diferente


nem conseguia acreditar nas palavras do Chapéu Seletor quando ele a colocou na . Olhou com um certo olhar de desdém para os demais alunos, preenchido por uma arrogância absoluta. Ela levantou, com um sorriso nada amigável no rosto, e se uniu aos demais colegas na mesa. Aquela cerimônia realmente não lhe interessava, muito menos as palavras calorosas do diretor, Armando Dippet.
Na verdade, realmente não liga para ninguém ali. Seu olhar é realmente de poucos amigos, mas toda essa aversão é justificável. Ela está ansiosa. Desde criança era obrigada a ouvir sua família falar sobre Hogwarts; a felicidade de seus pais quando seu irmão mais velho, Noah, recebeu a carta foi totalmente indescritível. O garoto havia sido selecionado para a Corvinal, então havia sido uma tremenda surpresa ela ter ido parar naquela casa. A decisão do Chapéu Seletor havia sido inusitada, afinal, passaria os próximos anos de sua vida ali.
— Ei, Blossom! — uma garota a chamou. olhou em sua direção, observando os cabelos escuros, os olhos claros e um sorriso amigável, além das sardas completando sua aparência. — Sou a Harris, mas você pode me chamar de .
— Olá, acenou, educada. — Prazer em conhecê-la.
— Seu irmão é muito amigo do meu irmão. Passaram o verão falando de você — diz, sentando ao lado da mesma.
— Noah anda falando de mim? Estou surpresa — afirma ela, cruzando os braços sobre a mesa.
— Mas por quê? Ah, não se preocupe, falaram bem — sorriu a morena, tentando consertar a fala. deu de ombro.
— Noah é estranho. Não sei como conseguiu virar capitão da Corvinal, mas não me importa muito. Eu acho inclusive que ele está na casa errada — afirmou, fazendo dar risada.
— Seu irmão é muito popular por aqui, sabia? As garotas caem matando — disse a mesma, risonha.
— A popularidade é irrelevante — respondeu, apoiando a cabeça na mão. — Noah é bonito, não posso mentir... mas às vezes é idiota. Eu não me deixaria levar pelo charme, .
— Você é tão ácida... — afirmou a menina, chocada. — Gostei de você.
— Idem — sorriu a moça, entusiasmada.

As duas ficaram em silêncio para ouvir o restante da seleção. Uma garota um pouco mais magra, franzina e de pele bronzeada, de cabelos curtos e uma franja bem picotada foi chamada. James é o nome dela. Foi selecionada para a mesma casa que e , sendo chamada para sentar próxima das duas. Ela é muito tímida, mal deu para ouvir sua voz.
— Amiga, relaxa — diz, animada. — Vai ser divertido!
— Suponho que sim — afirma. — Está nervosa, não está?
— Um pouco — comentou a menina, timidamente.
— Vai ficar tudo bem. Não há nada com o que se preocupar aqui! — insiste, abraçando a mesma.
— Vamos começar com o básico. Meu nome é Blossom, sou de Inverness, Escócia.
— Meu nome é Harris, sou de Londres, Inglaterra!
— Sou a James, de Cardiff, País de Gales.

Em questão de alguns minutos, a jovem já estava a vontade. A atenção de transitou do assunto em que estavam conversando animadamente para o rapaz franzino, de cabelos perfeitamente arrumados e roupas impecáveis. Tom Riddle é seu nome. Ele sentou sobre o banco e o Chapéu Seletor mal encostou em seu cabelo quando anunciou alto e em bom tom: Sonserina!
— Aquele garoto... tem alguma coisa nele — sussurrou, próxima das garotas que não disfarçaram em nada ao olhar para ele.
— Você fareja absurdos agora? — provoca, rindo.
— Não exatamente, mas garanto que sou muito intuitiva. É de família — explicou a jovem, dando de ombro.
— O seu irmão é o Capitão do time da Corvinal? — perguntou. estranhou, porque aparentemente todo mundo ali sabia disso. Foi então que ela recordou do que disse um pouco antes.
— É, sim — confirmou a moça, desinteressada.

Os momentos de felicidade da moça duraram pouco, porque Noah apareceu no Salão Principal, conversando animadamente com algumas garotas que estavam com ele. Ao ver a sua irmã mais nova na mesa, ele pareceu se animar mais, indo na direção da mesma.
— Ei, ! Droga, perdi a cerimônia — comentou o garoto, sentando ao lado da irmã.
— Eu nem notei — rolou os olhos, servindo seu prato com a comida que apareceu diante de seus olhos.
— Credo, que mau humor todo é esse? — Noah perguntou, curioso. deixou os talheres de lado, olhando para o irmão com um pouco de raiva.
— Estou aqui há 30 minutos e você só resolve dar o ar da graça agora. Adorei os amáveis comentários sobre você, meu amor — disse ela, no tom mais falso que conseguiu sair. — Pelo visto se tornar o Capitão do Quadribol trouxe bem mais do que a popularidade, não acha?
— Minha nossa, sua pequena naja — exclamou o garoto, em choque. — Limpa esse veneno que está escorrendo das presas.
— Noah, você e eu sabemos bem o motivo do meu mau humor — o acusou, deixando os demais espectadores interessados na discussão. — Você azarou o meu gato de novo!
— Aquela praga que você tem de mascote? Foi merecido! — devolveu o irmão, pouco interessado.
— É melhor você sumir da minha vista antes que eu azare você, peste bubônica — a jovem Blossom alterou a voz moderadamente.
— Ela está blefando — se intromete, notando que os dois se encaram como se fosse sair faísca de seus olhos.
— Não, não está — Noah recuou. e se entreolharam. — Espero que seu ano seja interessante, maninha.
— Some — respondeu ela ríspida, com os lábios semicerrados.

Assim que o garoto se afastou, as duas novas amigas de a olharam atentas e curiosas. Ela tornou a comer, como se o que tivesse acontecido ali não tivesse significado absolutamente nada ou até mesmo acontecido. sempre levou seu gato, Sabbath, muito a sério. Ela ama o gato como fosse a única coisa boa da sua vida e o protege com a sua vida. Ao descobrir que Noah havia maltratado o seu bichano, ela simplesmente enlouqueceu.
— Então... hã... azarar? Nós acabamos de entrar no castelo... — comenta, um pouco receosa.
— Achei um livro em casa sobre azarações — explicou. — Na biblioteca do meu pai. Estudei por uns meses antes de vir para Hogwarts.
— Esse tipo de coisa é raridade hoje em dia — afirma, de forma muito sábia.
— Eu sei. Por isso atraiu a minha atenção — sorriu. — Meus pais tem um certo fascínio por artes ocultas e afins.
— Ah, isso parece ser legal — deu de ombro, cortando a carne de seu prato.
— Você não faz ideia — afirmou, com duplas intenções.

Na mesa, o garoto Riddle havia prestado atenção no que ela havia dito. Achou curioso o comentário sobre artes ocultas, já que aquilo era realmente um assunto um tanto quanto delicado. Não há muitos bruxos praticantes dessa arte, e os que existem raramente são mencionados. Digamos que a maioria evita qualquer tipo de problema, uma vez que as artes ocultas são perigosas. Isso deu a entender muita coisa sobre a família Blossom.
— Ele está olhando para cá — murmura. disfarçou antes de olhar na direção mencionada pela colega.
— Estou dizendo... esse garoto é estranho — afirma, ajeitando os cabelos .
— Seus pais fazem o quê, ? — mudou totalmente o assunto.
— Meu pai trabalha no Ministério da Magia, mas é mais para não ficar no tédio — Blossom explica, indiferente. — Minha família é muito bem estruturada financeiramente, eu poderia me formar em Hogwarts e não me preocupar com dinheiro. Minha mãe prefere alquimia, então passa o tempo inventando coisas. E vocês?
— Papai é Auror — diz. — Mamãe trabalha no Ministério na Execução de Leis Mágicas.
— Mamãe trabalha n’O Profeta Diário — comenta, empolgada. — Papai é um historiador bruxo, está sempre por aí.
— Interessante. Uma variedade de profissões — sorriu, levantando da mesa.

As três seguiram entusiasmadas para o dormitório. desfez a mala com muita preguiça, deixando seu uniforme preparado para o primeiro dia de aulas. Sabbath, o seu gato preto de lindos e intensos olhos verdes, estava deitado sobre sua cama, lambendo as patas. A jovem o colocou debaixo da coberta ao pé da cama, então deitou, virando para .
— Como acha que será? — questiona ela, demonstrando um interesse repentino.
— Acho que vai ser legal — afirma a garota, ainda animada. — Está com o seu horário?
— Primeira aula é Transfiguração — responde a mesma, bocejando.
— Perfeito! Vai ser um bom dia, sem sombra de dúvidas! — exclama ela, deitando enfim.
— Se você estiver errada, nós vamos brigar — afirmou a jovem Blossom, rindo.
— Prepare sua varinha, Blossom — provoca a garota, risonha.
— Boa noite, . Boa noite, — disse ela, bocejando novamente.
— Boa noite, — as duas responderam uníssonas.

fechou a cortina ao redor da cama, ouvindo Sabbath ronronar. Ela acariciou a cabeça do animal, deitando em seguida. Por incrível que pareça, o olhar de Tom Riddle ficou impregnado na sua cabeça e ela com certeza sabe que há algo a mais