Flor de Ferro

Última atualização: 14/07/2021

Capítulo 1


POV

Se me perguntassem se era ali que eu imaginava estar no auge dos 32 anos, eu jamais acreditaria ser engenheira sempre foi um sonho, mais eu imaginava nos meus 35 anos estar cuidando dos meus futuros robôs, em alguma empresa que trabalhasse com aquilo e me envolvesse com tudo que envolviam eles de certa forma.
- Senhora ? – Ouvi alguém me chamar enquanto olhava para aquela exposição de carros antigos, que com toda certeza me chegavam a brilhar os olhos quando olhei para trás encarando um homem já de idade com uma prancheta as mãos.
- Só , por favor – Pedi e pude observar o sorriso em seus lábios.
- Tudo bem , sou James, queria lhe informar que estão solicitando a presença de todos no salão principal para início das apresentações – Assim que ele terminou de falar, me fez observar que eu era a única no salão observando os carros, dei um leve sorriso e o observei fazer o mesmo – A senhora – E eu fechei o sorriso na hora e ele percebeu abrindo ainda mais o dele – Percebi que você estava muito entretida olhando os modelos, acabei deixando para avisa-la por último.
- Muito obrigada James – Respondi erguendo o vestido longo que estava usando, que segundo Claudia seria essencial, consenti em forma de agradecimento e segui em direção à sala para onde ele havia apontando, com passos mais rápidos a fim de não querer me atrasar, percebi que o segurança permanecia com a porta aberta para que eu enfim passasse e entrasse na sala com uma quantidade de pessoas que eu não imaginava, obvio que a maioria dentro daquela sala era homens, homens muito bem vestidos e bem cheirosos inclusive.
A reunião foi breve, era um resumo dos que viria pela frente, datas, locais, previas das apresentações dos carros, não ficamos naquele auditório em forma de sala por mais de uma hora e eu agradeci demais por aquilo, já que havia chegado de viagem no dia e ido praticamente direto ao evento e teríamos uma semana longa pela frente, tinha compromisso todos os dias da semana, alguns até que eu precisaria estar mais chique do que aquele básico vestido preto básica com a maquiagem feita ainda no avião.
O taxi me deixou em frente ao hotel, a sorte, que naquele saguão ninguém me conhecia, reconheci alguns rostos do salão de eventos e alguns de dentro do auditório, provavelmente o hotel hospedava todos que vieram de fora e eu no meio deles era uma total desconhecida e nunca agradeci tanto por isso, eu só precisava chegar no meu quarto, deitar e dormir, pois na manhã seguinte eu tinha encontro com alguns engenheiros em visita técnica, que era o que de verdade o que eu mais estava ansiosa de fazer. Cheguei no quarto basicamente com o salto alto em mãos que foram abandonados nos três primeiros passos dados dentro do quarto, a bolsa apoiei encima de uma poltrona, retirei apenas o celular e mais alguns passos e me joguei na cama, que eu tenho a sensação de ter me abraçado de tão confortável que era.
Peguei o telefone e pelo horário ainda conseguiria conversar com Carol, que era minha irmã mais nova, apesar desse zelo, ela tinha 28 anos, totalmente independente e dona de si, mais tínhamos só nos duas uma pela outra, tínhamos perdido nossos pais cedo, então eu segui para engenharia e ela seguiu para tudo que ela mais amava, que era investir nos desenhos e abrir o estúdio de tatuagem dela, mas mesmo assim, como irmã mais velha na qual ainda dividia apartamento, estávamos sempre perto uma da outra.
- Olá minha engenheira preferida – Carol atendeu telefone toda empolgada – Tudo certo aí em Barcelona?
- Maravilhosamente bem – Respondi colocando telefone no viva voz – Me acompanha no banho? Ou está ocupada?
- Tenho tempo todo seu – Ela respondeu completando – Terminei de jantar agora, me conta tudo de como foi.
- Eu cheguei, parei no hotel, coloquei a roupa que graças a deus já tinha sido separada junto com você, tinha me maquiado no avião, peguei taxi, fui para um museu – Havia feito uma pausa para pensar – Acho que um museu, porque tinham vários carros expostos, a coisa mais linda os carros antigos e em seguida uma reunião básica sem muito envolvimento com alguns donos, fim.
- Está para nascer bicho mais sem graça nesse mundo – Carol respondeu com tom de deboche.
- Pior que foi exatamente assim, tirando os fatos dos homens lindos e cheirosos de terno e todos provavelmente com dinheiro para comprar aqueles carros expostos à vista se tivessem vontade – Respondi rindo apoiando o celular a pia do banheiro enquanto tirava aquele vestido – Amanhã são as reuniões mais ‘’intimas’’ – Falei fazendo aspa para mim mesma de frente ao espelho – Amanhã terei que me apresentar, enfim irão saber quem sou, porque hoje, eu parecia uma infiltrada só – Respondi rindo a ouvindo rir do outro lado da linha, aproveitei para tomar banho fofocando com ela ao telefone, assim que sai desligamos, me troquei pedi comida no quarto, que eu comi numa velocidade absurda para poder dormir, porque o dia seguinte seria agitado, na forma como eu amava que fosse.
A manhã seguinte foi como todas da minha vida, a briga eterna com despertador que tocava umas trinta vezes antes do horário correto de ter que levantar, eu achava que isso ia amadurecer conforme fosse envelhecendo, engano meu, troquei de roupa apenas para não descer de pijama para o restaurante e depois voltaria para me arrumar para a primeira reunião da vez, essa um pouco mais reservada, eram poucos nomes e se me perguntar o que acontece nessas reuniões, responderia que não faço a menor ideia, eram reunião com investidores e em seguida daríamos sequência a visita onde aconteceria o circuito da Catalunha, que era onde aconteciam o GP da Espanha, acho que essa era a reunião, atiçar os compradores, fazerem investir dinheiro, enquanto descia pelo elevador ria sozinha pensando o que faria caso me falassem algo sobre investir dinheiro e o pensamento foi quebrado quando vi, nada mais nada menos que Andy Cowell entrar no elevador assim que a porta se abriu.
- Bom dia – Ele sorriu se virando em minha direção logo após que percebeu que elevador ia para mesmo andar que ele provavelmente.
- Bom dia – Respondi tentando controlar o sorriso, o cara era diretor executivo de nada mais nada menos que Mercedes, o elevador fez barulho abrindo as portas indicando que havíamos chegado ao andar, quando o mesmo deu espaço para eu ir a frente – Obrigada Andy.
- Eu me apresentei a você? – Ele perguntou saindo logo atrás de mim.
- Não é como se alguém que esteja nesse prédio não soubesse quem é você – Respondi o vendo rir do meu lado.
- Seu nome? – Ele perguntou ainda andando ao meu lado.
- – Respondi o encarando sorrindo – Mas pode ser só .
- – Ele repetiu meu nome – Prazer em conhecê-la – Ele estendeu a mão para me cumprimentar e eu retribui na mesma hora – Nunca havia te visto por aqui.
- É a primeira vez que estou vindo mesmo, estou vindo representar a Claudia Rohonyi que não pode vir – Sorri passando pela porta do restaurante.
- Brasileira então? – Ele perguntou e eu assenti com a cabeça – Seja muito bem vinda por aqui, aproveite.
- Obrigada – Respondi o vendo ir para uma direção oposta à minha, eu estava indo pegar comida, enquanto ele tomou sentido à mesa com o que eu acredito serem outros diretores, não fiquei encarando, poderia parecer uma psicopata maluca encarando-os. Peguei algumas frutas e uns frios que estavam para comer, junto com uma xícara bem generosa de café.
Não demorei a comer e voltar ao quarto para tomar um banho e conseguir me arrumar para o dia, que foi totalmente diferente da noite anterior, durante o dia, era tudo mais esportivo, calça, uma camiseta polo que eles disponibilizaram tênis, totalmente mais à vontade, do que os eventos que tinham na parte da noite, que era todo mundo vestido de gala. Passei o dia em salas de reunião, literalmente, era de uma sala para outra, entre elas alguns comes e bebes e mais reuniões, até que liberaram perto das quatro da tarde, para o tal evento de inauguração que teria de apresentação de alguns carros na noite, eu precisava voltar para hotel, me arrumei por vídeo chamada com a minha irmã, que foi me ajudando com a maquiagem pelo fato deu saber o mínimo do mínimo, eu sabia o suficiente para não sair com o rosto parecendo que passei farinha, mas não o suficiente para o tamanho do evento daquela noite. O vestido era preto, a mesma cor da noite anterior, mas nada comparado, ele tinha o formado do meu corpo, uma maquiagem mil vezes melhor da noite anterior, o batom vermelho perfeitamente combinando com tudo, inclusive com formato da boca, era incrível como tudo combinava, parecia que um estilista tinha feito aquilo, mas era só eu e minha irmã como nosso pouco conhecimento.
Desci para o saguão do hotel, aonde logo na entrada, tinham poucas pessoas aguardando, me juntei a elas, nem todos se conheciam, mas para tudo fluir mais rápido, várias pessoas dividiam o taxi para chegar mais rápido ao local, dividi o carro com mais três outros caras, fomos conversando, na verdade, quase um interrogatório de como uma mulher estava indo para inauguração, se eu realmente entendia de Fórmula 1.
- Mais algo que vocês querem saber? – Perguntei sentada no banco da frente, os encarei olhando por cima do ombro.
- Se eu fosse vocês – Olhei encarando o motorista que ria olhando pelo retrovisor – Eu ficava quietinho e aceitava que ela não só entende como entende mais do que vocês – Foi então que ele me encarou rindo e os três no banco de trás ficaram em completo silencio enquanto eu e motorista riamos.
Chegando a frente do museu da noite anterior, totalmente diferente, com tapete vermelho e tudo a frente dele, um dos caras me ofereceu ajuda ao sair do carro, aceitei pois era uma escadaria enorme e eu, apesar de estar acostumada com salto alto, não envolvia sempre um vestido longo e escadaria, então preferi não passar vergonha, chegando logo a entrada, precisávamos apresentar documento para assim então entrar ao museu, que logo na entrada tinha identificação de três equipes, Toro Rosso, Renault e Hass, imaginei que fossem os três carro que seriam apresentados naquela noite e acertei, não demorou muito para chamar atenção dos ali presente, para a frente do palco. Segui para uma das cadeiras que havia em frente do primeiro palco, a Toro Rosso foi à primeira, apresentou o carro e em seguida os pilotos da temporada, que eram Daniel Kvyat e Alexander Albon. Em seguida, foi à vez da Renault que agora tinha como piloto o Daniel Ricciardo, que seria o novo parceiro de Nico Hulkenberg. E por último da noite, foi a Hass, o carro estava lindo, totalmente diferente, com cores no preto e dourado, os pilotos que correriam pela equipe seriam Romain Grosjean e Kevin Magnussen.
Pós-apresentação, foram servidos alguns drinks, estava conversando com umas pessoas, das quais eu nem fazia ideia quem seria quando Rob Taylor, projetista chefe da Hass que era amigo da Claudia e eu conhecia me viu e acenou, retribui o aceno que em seguida fez movimento com as mãos para me aproximar e não tinha saída, continuei a noite conversando com eles, enquanto elogiam não só a beleza, mais parece que se impressionavam com o fato de uma mulher conseguir conversar de como a Renault tinha evoluído no motor da temporada passada para essa.
- O detalhe da logo da Hass em branco é lindo, pena que nem todos irão reparar nisso pelo fato da maioria do carro ser preto, mas a asa traseira branca ficou incrível – Respondi enquanto eles ficavam de boca aberta e eu ria vendo a cena, ficamos mais algumas horas conversando, sem que eu percebesse o horário e como tudo em volta estava já ficando vazio, afinal, a noite seguinte teriam outras apresentações – Pessoal, obrigada pela noite, pela conversa – Sorri ao me despedir do mesmo.
- Obrigado pela incrível companhia – Rob agradeceu – E você, deveria estar trabalhando no centro disso tudo.
- Eu concordo – Gene Rass concordou – Você é um desperdiço a Fórmula 1 não atuando como deve.
- Eu realmente fico muito feliz de ouvir isso, ainda mais de quem – Sorri encarando Rass, que era nada mais que o diretor da equipe, me despedi de todos e segui para o taxi voltando ao hotel.
As demais noites foram iguais, na segunda noite, tiveram apresentação de mais três carros, Williams, pilotos apresentados foram Robert Kubica e George Russell, McLaren com os pilotos Carlos Sains e Lando Norris, e Alfa Romeu que foi a última e apresentou Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi, a segunda noite preferi pós apresentação ir para hotel descansar, já que havia mais uma noite pela frente e seria tão intensa quanto as outras, já que deixaram as três equipes que prometiam algo por último.
Cheguei ao hotel me despindo de toda aquela roupa formal, me acoplando a cama que parecia me abraçar, enquanto pelo horário ainda conseguia trocar algumas mensagens com minha irmã, que apesar de não entender, amava ouvir tudo que tinha para falar e vice e versa e ficamos conversando até uma das duas pegarem no sono.
Acordei totalmente perdida no tempo, palpei a cama tentando encontrar o celular que estava longe de onde eu havia lembrado ter deixado na noite anterior pouco antes de pegar ao sono conversando com Carol.
- Perdi o café da manhã – Respondi espreguiçando na cama ao ver que na tela do celular marcava pouco mais de meio dia, mandei mensagem de bom dia àquela hora a única pessoa que ainda dava satisfação que era Carol e deixei mensagem para assim que ela acordasse me retornasse para ajudar a me arrumar para evento que seria a terceira noite de apresentações. Me levantei para ir até banheiro e apoiei as mãos na pia me encarando no espelho – Conotação mental de não esquecer de retirar a maquiagem para dormir – Fiquei me encarando rindo sozinha observando toda maquiagem borrada em torno dos olhos, batom apesar da cor nude mais envolta da boca do que nela em si.
Por precaução solicitei almoço no quarto, assim teria um tempo para tomar banho e poder tirar a maquiagem que havia tomado posse de todo rosto e foi o que foi feito, pós almoço aquele banho de relaxar a alma, que foi seguido por secar os cabelos e ficar de roupão na cama aguardando ligação da Carol.
- Está bom desse jeito? – Respondi aproximando o celular do rosto para que ela pudesse ver melhor.
- Está maravilhosa bebê – Ela respondeu aplaudindo do outro lado da câmera enquanto me fazia rir e realmente eu tinha que concordar com ela, tinha conseguido a marca de melhor maquiagem da vida naquela noite.
- Um minutinho – Disse levando celular comigo enquanto apagava as luzes do banheiro – Fique apoiada aqui que irei me trocar – Apoiei ela encima de uma cômoda que havia no quarto, todos os meus vestidos eu levei para passar no hotel, pois haviam sido dobrados e ficaram marcados dentro da mala, o vestido daquela noite não era preto, Carol insistia para que eu fosse com um vermelho, mais eu havia decidido usar um azul marinho, do qual havia ficado perfeito no corpo, ele era simples, não havia brilho, mais as alças eram caídas no ombro e havia uma fenda em uma das pernas, o sapato era o mesmo de todas as noite, pois eram confortáveis e ninguém os via – Que tal? – Perguntei voltando à frente do celular.
- Arruma um francês? Ou um italiano? Tem italianos por aí? Conquista ele e faz ele de gato e sapato pois a senhora está destruidora – Carol falava sério enquanto eu apenas conseguia rir, eu e ela ficamos parte da tarde até final da noite em vídeo chamada, segurei o telefone novamente, em passos breves andando em direção até a saída do quarto, peguei uma bolsa de mão que estava por ali que combinava e ela foi me acompanhando pelo elevador, saguão, apenas me despedindo para entrar no carro – Não esquece do francês, australiano, húngaro.
- Húngaro? – A interrompi rindo.
- Não sei a nacionalidade de quem frequenta esses eventos, deve ter um húngaro, mas n a verdade, nenhum chega a seus pés, apenas seduz ele – Carol pedia ainda entre risos.
- Beijos meu amor, fica bem – Me despedi da mesma mandando beijos e ela fazia o mesmo, desliguei o telefone ainda entre risos e lá estava, indo a caminho da terceira noite.
O local era o mesmo, porém a apresentação começaram mais cedo, era os três grandes nomes e estava todos ansiosos pela noite e não era para menos, a noite começou com apresentação da Mercedes, com Valtteri Bottas e Lewis Hamilton, seguidos pela Ferrari com Sebastian Vettel e Charles Leclerc, e por último, não menos importante por isso, Red Bull com Alexander Albo e Max Verstappen, além de ser as três maiores equipes, não se pelo momento, mais pelo renome, ainda tiveram entrevista com os pilotos, que foram super simpáticos com os jornalistas que ali estavam.
O último dia esvaziou muito mais rápido, possibilitando que quem ficasse ali, pudesse ter o convite de se aproximar dos carros que estavam todos posicionados na garagem do museu, passamos por todos, normalmente ficávamos nos box vendo os carros, com trajes totalmente diferente daquele que usávamos, eu era a única mulher por hora, de vestido longo entre tantos homens de termo totalmente alinhados, provavelmente todos ali deviam ser investidores.
- Então por tudo, pela pressão de estar no topo, pelas novas regras da aerodinâmica – Toto Wolff apresentava o carro da Mercedes, quando eu simplesmente completei a frase sem querer.
- Precisou ser feito um carro do zero – Respondi sem pretensão alguma e quando me dei conta, todos olhavam para mim e eu apenas encarei Toto a minha frente– Me desculpa – Pedi sorrindo.
- Sem problema algum – Ele sorriu de volta e voltou a tomar o assunto de onde eu havia o interrompido, obvio que ele falava da Mercedes com mais paixão e nos dava mais detalhes também, afinal era a equipe dele, assim que terminou, havíamos visto todos os carros, quando nos despedimos e me afastei junto com os investidores, estava na hora de ir embora, afinal, na manhã seguinte acabava a saga quando ouvi me chamarem e parei para prestar atenção e vi Toto Wolff vindo em minha direção – Seu nome é isso?
- Isso – Respondi ainda sem entender e sem nem saber de onde ele havia descoberto meu nome.
- Acho que me conhece – Ele respondeu dando a mão para cumprimentar – Ouvi sobre você a noite toda de algumas pessoas, não me leva a mal, mas não é sempre que vemos uma mulher, que entenda sobre os carros, menos ainda.
- Eu que peço desculpa em me intrometer daquela forma, mas eu não aguentei – Soltei um riso um pouco mais fácil, estávamos ali conversando de igual para igual e o assunto rendeu de forma, que não conseguimos para de conversar.
- Amanhã você já irá embora? – Ele perguntou e eu sinalizei que sim com a cabeça – Se não for atrapalhar seus horários, voo, compromissos, temos uma simulação amanhã, para ver se nossas previsões se materializam em pista, seria um prazer se pudesse assistir.
E sim, eu cheguei ao evento totalmente despretensiosa e estava saindo com nada mais nada menos, convite do chefe de equipe da Mercedes para participar da simulação do dia seguinte, se eu neguei? Eu posso ser maluca, mais ainda não rasgo oportunidades como aquela que tinham acabado de ser oferecida.


Capítulo 2


POV


Estar naquele lugar era como pisar no céu, estava na entrada de onde dava acesso as garagens com os carros, a verdade, era que eu tinha sido convidada pela Mercedes para acompanhar a simulação deles, mais teria simulação de todos os carros. O jeito despojado que eu estava vestida, totalmente diferente da noite anterior, confortável com a calça jeans, tênis e uma camiseta preta básica, com cabelos soltos, sem maquiagem e um óculos de sol para esconder as olheiras da semana corrida que havia tido, aquele sim era o item essencial do dia, não só por esconder, mas pelo sol que fazia naquela manhã e o fato de estar próxima a pista, deixava tudo extremamente mais claro.
- É sempre bom ter mulheres por aqui – Ouvi uma voz feminina e reparei estar falando ao meu lado, eu havia parado de andar com motivo de tentar me localizar ali dentro, as corridas que aconteciam no Brasil, eu conhecia a pista de cabo a rabo, tudo, agora fora, era a primeira oportunidade – Prazer Milena.
- – Respondi com um sorriso.
- Você é a engenheira brasileira que veio ao lugar da Claudia, certo? – Ela perguntou me fazendo erguer a sobrancelha.
- Eu mesma – Respondi entre sorrisos.
- Primeiro, sou brasileira também e acho tão importante ter mulheres presentes no circuito, não só aqui, como na competição.
- Tenho o mesmo pensamento que você – Respondi cruzando os braços, naquele momento, nada importava mais do que aquela conversa, para ambas, ter com quem conversar sobre formula 1, já era difícil, encontrar um mulher, no circuito da Catalunha que fosse brasileira como eu, era extremamente impossível, mas parece que haviam me permitido ter aquele momento de qualidade com a pessoa que sabia conversar, de igual para igual, sem que, precisássemos provar ou desmerecer o conhecimento de ambas – E você? – Perguntei depois de alguns bons minutos de conversa.
- Sou noiva do Sainz, engenheira também, sempre fui fã, fui sorteada para conhecer e acompanhar o GP do ano retrasado tive oportunidade de entrevistar quem eu quisesse e por incrível que pareça não foi o Carlos na época, não ficamos, nada aconteceu, mais ele disse que foi amor à primeira vista, conseguiu meu número, entrou em contato, conversamos por um ano, achei que fosse história de piloto, igual ouvimos com jogadores de futebol – Ela olhou para lado rindo, encarando o Sainz que vinha a nossa direção – Mas quando vi, estava apaixonada nesse homem – E nos duas rimos – Hoje tenho alguns projetos de fazer meninas crescerem no kart, investir em formula 1 para meninas, se quiser conhecer, é ótimo ter outra engenheira.
- Eu adoraria – Disse sorrindo vendo Sainz a abraçar de lado – De verdade, eu amaria e se puder de alguma forma ajudar, faço com maior prazer do mundo, acho mesmo, que se as oportunidades fossem as mesmas, hoje teria muito mulher envolvida com tudo isso – Disse apontando com os dedos girando em círculos indicando ao local que estávamos e ela concordou imediatamente.
- Amor, essa é – Milena me apresentou abraçada ao Sainz – Quase uma cópia minha em relação aos pensamentos que envolvem mundo feminino na Fórmula 1.
- Sempre bom ter mulheres por aqui – Sainz respondeu estendendo a mão para cumprimentar – Veio acompanhar a simulação?
- Sim – Respondi voltando à mão que havia o cumprimentado a colocando no bolso de trás da calça.
- Engenheira também? – Ele perguntou e eu apenas concordei – Vamos dar um pulo na garagem da McLaren, será um prazer para mim e acredito que irá adorar ouvir sobre tudo que os engenheiros têm a conversar – Olhei em volta e percebi que o convite era para acompanhar a simulação, se eu tinha oportunidade de estar na garagem de todas as equipes, que culpa eu tinha? Segui conversando com os dois, principalmente sobre o carro do Sainz, motor, aerodinâmica do carro, novo visual, afinal, não tinha sido um bom ano o ano anterior para McLaren, então eles apostaram tudo no carro para ter um totalmente diferente do passado – É amor à primeira vista, cuidado – Sainz avisou rindo ao entramos na garagem e darmos de cara com MCL34, que era como o carro era chamado e estava lindo, nas cores laranja e azul, pelo apresentado, um motor bem menos trabalhado aerodinamicamente comparado ao que eu sabia das outras equipes.
Conversamos mais um pouco até pedirem para todos se retiraram para preparação dos pilotos, me despedi do Sainz e da Milena, ainda sim trocando telefone com ela, estava realmente animada em poder ajudar de alguma forma no projeto dela e não deixaria que aquilo passasse em branco, segui para garagem da Mercedes, não achei que fosse conseguir entrar, então fiquei do lado de fora, totalmente afastada observando a preparação de todos, pilotos com seus engenheiros, mecânicos em alta concentração, o lugar pulsava tamanha energia e agitação, dentro de cada garagem havia quase cem pessoas e absurdamente incrível a forma como ninguém se esbarrava, a sintonia perfeita, capaz de caber todos naquele espaço pequeno, onde cada um tivesse sua função, mas fui tirada do transe que eu estava apenas eu e meus pensamentos ao ouvir distante meu nome, ou o que eu jurava poder sido meu nome. Olhei em volta e achei que pudesse ser algum engano, quando voltei aos meus pensamentos e a voz mais perto, quando resolvi encarar novamente os lados e até atrás de mim para tentar identificar ou encontrar de onde estava vindo o chamado. Até que voltei à visão para frente e encontrei alguém acenando para mim, apontei para mim mesma e a pessoa devolveu um joia com a mão e riu se aproximando e eu andei na direção do mesmo e quando fui chegando perto percebi quem era.
- Você veio - Toto Wolff abriu os braços para me abraçar e eu retribui o abraço – Achei que não viria, estou feliz de estar aqui.
- Eu não perderia a oportunidade – Respondi encarando a mulher que estava ao lado dele.
- Prazer, Susie – Ela respondeu sorrindo.
- Prazer, – Respondi de volta sorrindo tão educada quanto.
- Quero que entre junto conosco e vejo tudo de perto – Toto deu espaço para que eu entrasse na garagem, ele era ex-piloto, agora proprietário de uma porcentagem da Mercedes e diretor executivo da equipe, os pilotos estavam entrando no carro para entrarem na pista de volta, após um ano do fim da temporada, observei Hamilton de longe, bem sorridente, cumprimentando a todos e vi logo em seguida Bottas despedir de sua esposa e depois cumprimentar o parceiro de equipe, ambos se abraçaram e entraram em seus carros.
A simulação foi de encher os olhos, era a sensação de todos de estarem de volta, com todo melhor que tinham para colocar em pista, todos com sensação de dever cumprido, o brilho nos olhos de cada uma ali, de cada participação, cada inspeção, aquilo fazia o coração bater mais rápido, adrenalina que chegava a doer o peito e eu nem tinha motivos para estar daquela forma, talvez, eu amasse estar com Claudia, mas aquilo ali era de emocionar, o chão tremia de forma diferente, o cheiro era outro, a energia do lugar, talvez ali fosse meu lugar no mundo e eu não conseguia tirar isso da cabeça.
- Gostou? – Ouvi alguém me perguntar sem me atentar a quem fosse, enquanto eu observava o painel com todas as informações que eram passadas dos técnicos aos engenheiros chefes.
- É incrível assim sempre? – Perguntei sem ainda encarar a pessoa que estava ao meu lado, pelo tempo, os pilotos já haviam dado umas cinquenta voltas na pista, sem se preocupar com nada.
- Para quem gosta sim – O homem respondeu rindo e eu o encarei – Prazer, Peter Bonnington, mais pode me chamar de Bonno.
- Prazer Bonno, sou – Foi o tempo deu ser interrompida pelo menos.
- , engenheira no Brasil – Ele respondeu apertando minha mão no cumprimento e balançando enquanto ria o encarando – Surpresa?
- Não são todos que sabem quem sou eu, apenas por isso – Ri soltando nossas mãos – Esse meu título, engenheira do Brasil? – Perguntei rindo.
- Não, realmente nem todos aqui sabem de você – Ele respondeu rindo – Uma pena inclusive.
Seguimos conversando sobre o carro, sobre as novas exigências, não só do veículo, mais com os pilotos, entramos em todo tipo de assunto, desde os aerofólios maiores e mais simples, os freios, defletores laterais, peso dos pilotos.
- E teve aumento da massa de gasolina nos carros né? – Questionei de braços cruzados quando o encarei o vendo concordar.
- Quantidade? – Ele perguntou.
- De 105 para 110 quilos – Respondi junto com uma voz que me fez dar um breve susto e quando olhei, ela Hamilton ao meu lado tirando o capacete e passando a minha frente para cumprimentar Bonno e ficar ao lado dele me encarando.
- E sobre ultrapassagem? –Bonno perguntou ignorou totalmente a presença de Hamilton ao seu lado e voltou ao nosso assunto como se ele não estivesse ali.
- A desestabilidade do carro de trás? Responde por si só, os projetistas tiveram um trabalho e tanto, por isso refizeram o carro por inteiro, precisa de uma nova dinâmica de fluxo de ar, tanto dentro como sobre os modelos – Respondi ainda de braços cruzados, dessa vez enquanto encarava Bonno – Mais aerofólio está maior por isso não?
- Largura de 180 cm para 200 e mais alto também, de 2 cm para 2,5 cm – E foi a minha vez de interromper.
- Gera mais pressão e perde menos quando o carro estiver próximo ao da frente – Apontei a tela que ainda mostravam dados da corrida – Respondi ficando em silencio logo em seguida e percebendo que os dois ao lado ficaram no mesmo silencio quando os resolvi encarar.
- É isso, preciso dizer mais nada, quer que fale o que? – Bonno perguntou rindo – Você sabe, não preciso te dizer isso.
- O carro está mais pesado, ao mesmo tempo mais fácil – Foi então quando olhei para lado e vi Bottas entrar na conversa.
- Quer responder? – Bonno perguntou rindo.
- Sete quilos a mais, pelo tanque combustível, em algumas pistas o motor não podia ser exigido por completo, como Montreal, por exemplo, pelo peso do combustível, levando tudo em consideração, deve dar mais de 6 litros para essa potência – Respondi encarando Bonno que sorria, um sorriso leve e eu apenas retribui e o silencio tomou conta do local e eu graças a Deus fui salva pelo Toto Wolff.
- Acompanhou? – Ele perguntou e eu sorri concordando com a cabeça.
- Obrigada pela oportunidade, foi definitivamente incrível – Respondi o vendo sorrir de volta.
- Isso não é seu costume? – Bonno perguntou.
- Não, trabalho com a Claudia, diretora executiva da empresa do GP Brasil, estou mais nos bastidores que a mão na massa normalmente dita – Respondi sorrindo – Mas entendo a adrenalina disso tudo e sou extremamente apaixonada, a oportunidade foi incrível, o carro está sensacional, parabéns aos envolvidos – Observei meu punho o relógio e eu precisava ir, consegui adiar o voo para mais tarde, não tanto quanto eu queria, mas necessário para aproveitar a experiência – Eu preciso ir, de verdade, não poderia deixar a oportunidade, mais não consegui adiar por muito tempo, os compromissos de lá precisam de uma engenheira também – Respondi rindo, me despedi de todos ali e segui em direção a saída, totalmente grata e feliz de ter vivido aquilo, de tamanha grandeza e aprendizado.

POV Bonno

Despedimo-nos de , Hamilton e eu seguimos para uma sala para conversar, assim como, Bottas seguiu com o engenheiro de confiança dele, Riccardo Musconi, o Ricci, que antes trabalhava com Hamilton, mas o engenheiro que trabalhava com Bottas saiu e passaram Ricci para ele e eu entrei para trabalhar com Hamilton, todos sabiam que essa troca favorecia Bottas, todo engenheiro conhece seu piloto, suas estratégias, então Hamilton e eu tínhamos um longo ano pela frente.
- Agora preciso colocar na minha cabeça, que, o mesmo que sei, Bottas vai saber e daí tem que vir a mudança – Hamilton se sentou ao meu lado com macacão da corrida aberto, onde havia tirado apenas a parte de cima, deixando pendurado no quadril.
- Isso vai tornar tudo mais desafiador e você sabe – Respondi o vendo concordar – Precisa refinar isso e fazer um passo a passo, de onde pode ter alteração que melhore para você.
- Isso que irei fazer – Ele respondeu abrindo os braços e apoiando a cabeça no encosto do sofá – Mais é foda achar um novo coringa para isso tudo e não vai depender só de mim, depende do que ele usar na pista, então vou ter que além de tudo, observar para tentar achar o escape que eu chegue mais próximo aos 100% de aproveitamento do que ele.
- Concordo – Respondi ouvindo alguém bater à porta.
- Pode entrar – Hamilton respondeu ainda totalmente despojado no sofá que havia ali, enquanto me levei para pegar uma água no frigobar que tinha na sala.
- Então como foi? – A voz do Wolff tomou conta da sala e ele entrou fechando a porta e indo em direção ao Hamilton o cumprimentar.
- Está tudo incrível por enquanto – Hamilton respondeu, Wolff sentou-se à mesa de frente com o sofá – Será incrível a temporada.
- Disso não tenho dúvidas – Wolff respondeu me encarando.
- Talvez – Comecei a falar ainda pensando no que estava conversando com Hamilton antes do Wolff entrar – Eu saiba onde adaptar um coringa – Estava tentando lembrar que tudo que havia conversado com Ana mais cedo, tinha sido enriquecedor ouvir alguém de fora, alguém que entendesse e não precisava bater no peito para se dizer melhor, alguém para conversar a altura, que era capaz de enxergar o mesmo.
- E como? Sabe que não podemos modificar o carro – Hamilton respondeu.
- Não mexeremos no carro – Respondi encarando os dois – Wolff você tem o número da ?
- Sério? – Hamilton perguntou – A brasileira?
- Qual preconceito? Se você parasse para conversar tecnicamente sobre o carro com ela, ela sabe responder pelo do que você – Respondi rindo.
- Infelizmente não tenho e o Bonno tem razão, conversei com ela no evento, ela sabe o que fale, tem propriedade no assunto – Wolff respondeu.
- E por que não trabalha com isso se ela é foda? – Hamilton perguntou apoiando os cotovelos a perna nos questionando.
- Com que frequência você vê mulheres andando por aqui? Não vale as esposas, mães, amigas, mulheres que têm a oportunidade de trabalhar aqui? – Perguntei e ele ficou em silencio – Pois então.
- Eu a vi conversar com a mulher do Sainz – Wolff começou a falar – Mas ela disse que trabalha com a Claudia certo? Só entrar em contato com a mesma Bonno, se acha que ela pode ajudar.
- Eu não só acho, tenho certeza de que ela pode ajudar – Respondi cruzando os braços encarando a cara fechada de Hamilton – Que cara é essa?
- Ela é capaz de deixar meu carro rosa – Hamilton respondeu no tom de deboche, que fez Wolff rir na hora – Se bem que, Racing point deveria estar bem feminina – E ambos riram enquanto eu não conseguia achar a menor graça na forma que eles levavam aquela conversa, era por aquilo que a F1 era um lugar considerado masculino, eles não acreditavam que uma mulher seria capaz de fazer o que um homem faz, inclusive correr, muitos ali dentro dizem que o carro é muito pesado para uma mulher pilotar e isso você poderia ouvir de vários ali dentro.
- Se ela deixar teu carro rosa e fazer de você o campeão da temporada, eu não me importo – Respondi e ambos pararam de rir na mesma hora – Inclusive se ela te pintar de pantera cor de rosa eu estou foda-se, se isso te fizer campeão, para mim é o que importa, acredito que é o que deveria importar para você também – Respondi em seguida dando o ultimo gole de água da garrafa os vendo continuar em silencio que foi quebrado com alguns diretos e executivos que entrar na sala para desejar boa sorte ao Hamilton, não demorou muito para seguirmos ao hotel, onde não voltamos a conversar mais sobre o assunto, mas que eu entraria em contato com , eu entraria.

Capítulo 3


POV


Fazia uma semana que eu havia voltado de viagem, a vida continuava a loucura de sempre, que eu amava, era mais um final de semana que eu e Carol ficaríamos em casa, ela tinha comprado bebida e eu chegava com as compras do mercado, quando não tínhamos compromisso, apenas sentávamos no sofá da sala e falávamos sobre tudo, literalmente e assunto tinha, sempre tinha, acho que desde que ela aprendeu a falar, nunca passamos um dia sem nos falar.
- Trouxe salame, queijo, salgadinho e amendoim que você gosta. – Respondi enquanto tirava as coisas da sacola, ela pegou o salame para ir fatiando, enquanto fui fazendo o mesmo com queijo, ela foi contando sobre os clientes dela e sobre o estúdio que ela estava de mudança, ela estava aumentando o espaço que estava, era a segunda mudança que ela faria, a primeira foi de um estúdio minúsculo que ela começou, mal cabia ela e o cliente, depois foi para o que ela está, mas graças ao sucesso dela, ficou pequeno e agora ela estava comprando o próprio espaço em uma galeria, dois andares e sempre conversávamos sobre decoração, apesar de que nisso, a gente divergia muito de opinião, cada uma tinha um gosto totalmente diferente.
- Desse jeito não fica bom, . – Carol falava apontando o espaço que eu mostrava no celular.
- Fica bom sim senhora, é que você não gosta. – Respondi dando um gole na cerveja enquanto passava a imagem para lado quando o celular começou a tocar.
- Que número é esse? – Carol perguntou e na hora balancei os ombros como sinal de que não fazia ideia, deixei o celular tocar até desligar, mas em menos de cinco segundos tocou novamente. – Deve ser alguém falando que sequestrou tua irmã. – Comecei a rir enquanto ela levantava do sofá indo em direção a cozinha e resolvi atender, se não fosse sério, ninguém ligaria naquela urgência ou poderia até mesmo ser engano.
- Alô? – Respondi despretensiosa.
- ?
- Isso mesmo, quem fala? – Perguntei.
- Oi , é o Bonno. – Eu acredito que Carol levou um susto voltando da cozinha conforme eu arregalei os olhos ao ouvir quem era do outro lado da linha.
- Oi Bonno, não tinha seu número por isso não atendi a primeira vez. – O fato de eu responder em outra língua fez com que Carol sentasse totalmente em silêncio ao meu lado, eu pedi silêncio com dedo indicador e coloquei o telefone no viva voz.
- Eu nem esperava que atendesse rápido assim, imaginei que a forma que aparece o número. – Bonno respondeu rindo – Tudo bem com você?
- Tudo sim e você?
- Tudo também, vou direto ao assunto, porque deve estar sem entender porque estou te ligando. – Bonno falava e completou logo em seguida. – Eu preciso da sua ajuda.
- Minha ajuda? – Afastei a garrafa que levava até a boca sorrindo para Carol, que sorria de orelha a orelha.
- Isso, você sabe que eu não era engenheiro do Hamilton antes, né? Era o Riccardo e ele passou a ser do Bottas e eu entrei para ajudar Hamilton, por essa troca de engenheiro mesmo, sabemos que o Riccardo não ficará na dele em relação a tudo que sabe. – Bonno ficou em silencio por alguns segundos antes de retornar a falar. – E em um tópico das nossas conversas, falamos sobre os pneus e desde então fiquei com isso na cabeça e queria conversar melhor com você.
- Claro, pode perguntar o que quiser. – Respondi cruzando as pernas encima do sofá.
- Está ai a questão, eu queria que viesse a Barcelona de novo, não quero apenas conversar com você, quero que participe de uns testes que quero fazer. – Bonno falou e ficou em completo silêncio.
- E – Eu simplesmente travei, não conseguia responder nada.
- Claro se não for atrapalhar, sei que tem seu serviço por ai, eu preciso de um final de semana , apenas para teste, estamos no final de fevereiro, na primeira quinzena de março temos a primeira corrida no GP da Austrália. – Bonno completou após meu completo silêncio.
- Qual final de semana? – Perguntei rindo de nervoso sem total reação.
- Esse? – Ele devolveu a pergunta rindo.
- Tá bom. – Respondi e achei que Carol fosse cuspir a cerveja na minha cara. – A gente vai se falando por mensagem, pode ser?
- Claro. – Ele respondeu e pelo tom de voz, extremamente aliviado. – Obrigado , boa noite, desculpa o horário.
- Imagina, boa noite, Bonno. – Respondi desligando o telefone e encarando Carol que começou a pular pela sala.
- Minha irmã é foda para um caralho. – Ela pulava com a garrafa de cerveja na mão gritando para quem quisesse ouvir. – Um engenheiro fodido de bom quer sua opinião, sabe que isso significa? – Ela disse parando de pular e apontando o dedo para mim. – Que você é fodida de boa.
- Carolina. – Respondi rindo. – Isso foi real?
- Real? Minha filha, eu pegaria o primeiro voo hoje e ia resolver isso, a gente vai beber o dobro hoje, bebe esse restinho que pego outra garrafa. – Ela respondeu rindo e saiu saltitando da sala enquanto eu virara o último gole, apoiei a garrafa na mesa de centro da sala e ela me entregou outra cheia. – Um brinde.
- Um brinde. – Respondi batendo nossas garrafas, o resto da noite foi todo voltado a eu explicar a ela o que eu havia conversado com ele no final de semana passado, detalhes que eu havia poupado, já que ela entendia, mas não da forma técnica, então ela quis explicação de tudo, ela perguntava a cada virgula que não entendia e eu tentava explicar da forma mais leiga para que ela entendesse sem desistir do assunto.

***


Pós-final de semana, precisei avisar Claudia que sairia sexta mais cedo por conta do voo, já que eu tinha que estar lá no sábado de manhã cedinho e avisar que voltaria na segunda só pós almoço pelas opções dos voos de volta, ela entendeu e me apoiou, disse que era um pedido importante até para minha carreira. Passada a semana, Carol me ajudou com a pequena mala do final de semana, totalmente diferente da mala da primeira viagem, nada de vestidos longos chiquérrimos e salto quinze, apenas o que eu usava. Carol me levou de carro até o aeroporto, cheguei próximo ao horário de embarque, pois não precisava despachar mala pelo tamanho da que eu levava comigo, o voo foi inteiro comigo dormindo, sem nada de surpresas.

***


Chegando a Barcelona, peguei um táxi e fui direto para o hotel que havia ficado da última vez, em troca de mensagens com Bonno, eu iria para mesmo endereço da simulação, o fato de ter dormido quase dez horas de voo tinha feito com que eu não dormisse tão bem a noite e a ansiedade, acredito até que ela era a maior responsável por aquele sentimento. O despertador da manhã seguinte não precisou tocar um milhão de vezes, no primeiro toque o salto da cama que me fez ir direto tomar um banho, me arrumar e descer em seguida para tomar café da manhã, já desci de bolsa, pois de lá, seguiria direto para encontrar Bonno. O café foi simples, tanto quanto da outra vez, segui para frente do hotel e segui para pista, que não ficava longe, inclusive motivo de querer ficar no mesmo hotel, a disposição dos locais que frequentaria o final de semana serem perto, me poupava tempo.
Chegando à pista, a entrada era totalmente diferente de duas semanas atrás que estava totalmente cheia, não havia ninguém, então de longe consegui reconhecer duas pessoas, Bonno e Toto Wolff, que sorriram a me ver descer do táxi.
- Bom dia. – Respondi ao ver os dois se aproximarem de mim.
- Feliz em te ter aqui. – Bonno respondeu. – Achei que acharia loucura a minha ligação e até não aceitaria.
- Ele insiste que pode ajudar. – Toto Wolff respondeu sorrindo.
- Eu espero que sim. – Respondi enquanto os dois apontaram para direção que íamos e seguimos andando até entrada.
O dia foi completamente tomado por eu e Bonno fazendo teste com as rodas, motor, tudo que estava ao nosso alcance ali sem um piloto, fizemos, observamos números, disposição, aerodinâmica, nada, absolutamente nada passou despercebido, íamos dando check em cada análise que fazíamos, Wolff tinha desisto de nós dois na primeira hora de conversa, quando Bonno e eu demos conta, escurecia, ficamos ali comendo alguns beliscos que ficavam à disposição, já que não tinha nenhum evento e a cozinha não funcionava.
- É nisso aqui que ele vai apostar. – Respondi circulando uma das informações no quadro branco que tínhamos, onde tudo que fazíamos era anotado e revisado, tampei o canetão, me virando de frente para Bonno que, com as mãos na cintura, olhava orgulhoso para quadro.
- Isso é incrível – Bonno e eu tomamos um susto da voz que vinha da porta que estavam parados Wolff e Andy.
- Estão ai há muito tempo? – Bonno perguntou rindo.
- O suficiente. – Andy respondeu sorrindo, depositei o canetão de volta à lousa e fiquei em pé ao lado de Bonno, que encarava os dois na porta assim como eu.
- Acho que está tarde já. – Respondi encarando Bonno que concordou na mesma hora – Estamos aqui desde cedo e acredito que Bonno achou a solução que queria.
- Eu não achei nada, nós achamos, – Bonno respondeu sorrindo. – Nada disso aí. – Ele apontou para quadro. – Nada seria possível só comigo, muito obrigado pela ajuda.
- Imagina, foi um prazer e espero que ajude.
- , minha querida. – Wolff chamou minha atenção. – O que acha que trabalhar conosco?
- O que? – Perguntei rindo.
- Isso mesmo, precisamos de um engenheiro que seja a confiança do Bonno, não conversamos com ele sobre, mas o fato de você estar aqui, acredito eu que não preciso nem perguntar. – Andy respondeu.
- Não precisa mesmo. – Bonno respondeu de braços cruzados e eu podia perceber ele me encarar pelo canto dos olhos. – Eu acharia incrível.
- Eu não imaginava isso. – Respondi incrédula os encarando.
- Imaginava o que? O convite? Quer sair, jantamos e fazemos algo mais formal? – Wolff perguntou me fazendo rir.
- Não, eu não imaginava o convite, seja de qualquer forma que fosse. – Respondi ainda entre risada. – Isso é loucura.
- Não, . – Senti Bonno depositar a mão em meu ombro. – Isso é talento, nem sei se o que você tem pode ser chamado só de esforço, o que você fez hoje comigo aqui, nessas análises, isso é muito mais que alguém que só se dedica. – Eu o encarava sorrindo. – Desde a nossa primeira conversa, você demonstra amar o que sabe, então não surpreende a forma com que você faz.
- Bonno, não me faça chorar. – Respondi colocando a mão ao rosto. – Eu preciso conversar com Claudia e tudo que tenho de compromisso no Brasil.
- Precisa mesmo, porque se for para começar, quero você conosco na primeira corrida, dia 15 de março no GP da Austrália. – Andy respondeu saindo da sala acompanhado de Wolff.
- O que foi isso? – Perguntei apontando em direção a porta.
- A oportunidade que era obrigação deles te darem diante tamanho talento. – Bonno apontava para mim como se me apresentasse e nós começamos a rir. – Aceita?
- Eu aceito, mas preciso saber. - Fiz uma pausa. – Eu preciso me organizar, porque, dia 15 de março são daqui exatos 18 dias e eu, – Acabei fazendo outra pausa e começando a rir – eu estou perdida Bonno.
- Vá para hotel, descanse e, se quiser, amanhã sentamos para conversar com calma, converso com eles, realmente preciso de alguém, não posso trabalhar sozinho e se for para te ter como minha parceira, nem quero trabalhar sozinho. – Ele respondeu rindo. – Quero que saiba que não quero um braço direito tá? Porque eu tenho os dois. – E não aguentei a piadinha dele, me fazendo rir imediatamente. – Eu preciso de alguém que seja corpo completo e sei que você é, só pelas duas conversas que tive com você ao longo de duas semanas, imagina passar oito meses com você?
- Conversamos amanhã então. – Respondi passando as mãos no rosto ainda sorrindo de tamanha felicidade.
- Combinado, tem como ir embora? – Bonno perguntou. – Vou direto para casa que aluguei onde minha esposa e filhos estão me esperando, mas posso te deixar no hotel se precisar.
- Imagina, pego o táxi em poucos minutos estou no hotel, é próximo daqui – Respondi apoiando minha mão em seu ombro. – Obrigada, por tudo.
- Eu que devo agradecimento, você veio do Brasil para cá para me ajudar. – Bonno respondeu sorrindo. – Eu estava esperando uma resposta totalmente diferente do que ter você aqui para me ajudar e cá está você. – Nós fomos conversando até a saída do autódromo, nos despedimos e ficamos de nos encontrar no dia seguinte para conversar sobre a proposta que haviam acabado de me fazer, me pegando totalmente de surpresa, mas que era, ao menos na minha cabeça, um convite.

Capítulo 4


POV Hamilton


- É sério isso? – Perguntei vendo Bonno em frente daquele quadro cheio de anotações.
- Muito sério. – Ele respondeu segurando a caneta entre os dedos. – Conseguiu entender?
- Eu acho que sim, Bonno, mas isso não faz sentido algum. – Respondi me levantando ficando em frente à lousa.
- Como não faz sentido? Então não entendeu foi nada. – Ele respondeu rindo tampando a caneta. – Isso está claro como um mais um é dois.
- Isso aqui foi o que a engenheira brasileira colocou na sua cabeça que vai dar certo? – Perguntei apontando para o quadro.
- Ela não colocou nada na minha cabeça, ela me provou que é isso que vai dar certo. – Bonno respondeu. – Inclusive ela deve estar para chegar.
- Agora a teremos por aqui né? Ela aceitou o trabalho pelo jeito. – Respondi quase que imediatamente ao termino da frase dele.
- E deveria negar? – Bonno respondeu rindo com outra pergunta. – Ela é muito boa no que faz, deveria dar uma chance.
- Ainda acho que ela vai deixar meu carro rosa. – Respondi percebendo alguém entrar na sala e havíamos deixado a porta aberta, já que era cedo demais e chegavam pessoas aos poucos, era o primeiro treino do GP da Austrália.
- Se te deixar mais rápido, qual problema? – respondeu parando na entrada da sala com os cabelos castanhos compridos soltos, alinhados junto ao uniforme da equipe – Não vejo nenhum problema de carro rosa, desde que tenha eficiência. – Ela respondeu então indo em direção ao Bonno que lhe deu um abraço.
- Bom dia, . – Bonno ainda respondeu entre risos após a resposta da mesma.
- Bom dia, Bonno. – Ela respondeu saindo do abraço. – Bom dia, Hamilton.
- Bom dia. – Respondi seco, não havia gostado da tirada logo de manhã, a meu ver, tinha acabado de chegar e já estava com nariz em pé daquela forma.
- Mostrei e ele sobre o que conversamos durante esses dias e acho que ele não entendeu. – Bonno respondeu entregando a caneta a .
- Quer que eu explique? – Ela perguntou de frente para mim.
- Eu entendi sim, senhor Bonno, eu só não acho que dará certo. – Respondi sorrindo sarcástico para .
- Você acha? – Ela perguntou batendo a caneta de forma leve na palma de uma das mãos.
- Acho sim. – Me levantei, ficando de frente com ela, estava vestindo o macacão da corrida, mais ainda não havia fechado a parte de cima, deixando-o pendurado na altura da cintura. – Não acho que seja nisso que Bottas vai apostar se o Ricci contar tudo que sabe a ele. – Respondi arrumando meu boné.
- Então. – Ela me ofereceu a caneta – Me mostra aonde vai dar errado.
- Eu?
- Não foi você que disse que acha que não vai dar certo? Quero que me mostre aonde e o que acha que ele vai usar contra você. – Ela respondeu ainda segurando a caneta, ela tinha um sorriso debochado no rosto, olhei para lado e Bonno ria da situação. – Não vai me mostrar?
- Não preciso te provar nada. – Respondi tirado a caneta das mãos dela. – Eu sei das minhas técnicas, eu sei o que conversei com Ricci e sei o que ele sabe então primeiro eu vou estudar o Bottas e se necessário solicito sua opinião. – Então cheguei próximo a ela apoiando a caneta ao suporte que havia no quadro, me afastei em seguida a encarando, olhei Bonno e saí da sala, sendo seguido pelos dois.
O treino começaria em breve, o fato de ela entender de Fórmula 1 não dava direito de palpitar daquela forma, eu era o piloto, meu engenheiro ainda estava ali, o caminho até o box, Bonno e conversaram com Wolff, os dois engenheiros seguiram para o lugar deles e fiquei ali me preparando, vendo Wolff se despedir do Bottas o desejando boa sorte, que em seguida veio até mim fazer o mesmo, me despedi do Bottas, vendo-o seguir em direção à esposa dele enquanto Wolff vinha na minha.
- Gostando? – Wolff apontou para , que estava sentada, terminando de colocar seu fone próxima ao Bonno.
- Intrometida, eu diria. – Respondi o cumprimentando.
- Hamilton, deixa de implicância com a mulher. – Wolff respondeu rindo.
- Não é implicância não, ela é intrometida mesmo. – Respondi fechando o macacão e entreguei meu boné a ele.
- Então está ótimo, ela é sua engenheira, tem que ser intrometida mesmo. – Wolff respondeu me acompanhando até entrar no carro.
Graças aos treinos de sexta e sábado, havia conseguido pole position para corrida do domingo, normalmente o sábado pós-corrida de classificação era destinado aos pilotos se concentrarem, encontrar a família se alguém viesse acompanhar a corrida, minha família só ia quando era o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, fora isso, eu conversava com eles por vídeo chamada, aproveitava para de certa forma estar perto, já que teria meses sem vê-los por conta do cronograma das viagens. Naquele sábado, ao invés de pedir jantar no quarto, decidi descer para comer no restaurante, os hotéis que ficávamos normalmente ficavam fechados para todas as equipes, tirando as que tinham família, que faziam o mesmo que eu quando estava na minha cidade, ficava em casa. Desci com a calça e moletom que eu estava, tinha ficado o dia todo no quarto pós a pole, seria a primeira corrida da temporada, era importante para todos, coloquei os fones de ouvido, coloquei a música no aleatório. Pelo horário, estaria no final do jantar, o que era bom, apesar de amar conversar com equipe, aquele horário de menos de vinte e quatro horas para corrida era meu tempo de concentração, eu preferia o silêncio, a concentração. Ao entrar no restaurante, sorri para alguns funcionários, alguns já conseguia reconhecer pelas vezes que já havíamos ficado no hotel, fiz um prato onde havia mais salada do que qualquer outra coisa, investir em uma alimentação leve e nada que fosse desconhecido na noite anterior a corrida era importante também.
O restaurante, assim como eu imaginava, estava quase vazio, tinham alguns pilotos e alguns mecânicos e, assim que sentei a mesa, observei a mesa lado, onde estavam e a esposa do Sainz, não sabia o que elas conversavam, estavam conversando em português, mas extremamente animadas pela entonação da voz. Não demorou muito para a mulher do Sainz sair da mesa e permanecer ali sozinha enquanto comia alguma sobremesa, não vou dizer que ela era uma mulher feia, muito pelo contrário, mas ela não era o que todos chamavam de padrão, apesar de tudo, ela tinha a alma leve, aquele tipo de pessoa que entra no local e traz a sensação boa, não tinha nenhum problema com ela fora do Box, ela era o tipo de pessoa que dá vontade de sentar e conversar, das vezes que a encontrei conversando com Bonno, até nos momentos sérios, tinha o riso leve, era essa a definição dela, além do título engenheira brasileira, ela era leve, em tão pouco tempo, tinha ganhado Bonno, Wolff e Andy, e também se dava tão bem com o restante da equipe, que parecia estar ali há anos, a encarei de volta por cima do ombro e a vi levantando totalmente concentrada ao celular, a roupa dela não era diferente da minha, vestia um conjunto de moletom preto e um all star nos pés, o cabelo dela estava exatamente da mesma forma que estava no dia anterior no primeiro treino. E ela chamava atenção, se eu tinha dúvida daquilo, havia sido sanada naquela noite, ao levantar, ela chamou totalmente atenção de quem ainda estava no restaurante e ela não percebeu aquilo em momento algum, seguiu encarando o celular, enquanto os olhos acompanhavam ela pelo restante do restaurante até seguir caminho ao elevador, assim que terminei de comer, segui o mesmo caminho feito por ela há alguns minutos, seguindo para meu quarto, tirei aquela roupa e me deitei na cama extremamente confortável, pegando no sono rapidamente.

***


Ao acordar cedo no domingo, a ansiedade tomava conta, não adiantava, as pessoas achavam que os pilotos não sentiam frio na barriga e era impossível não sentir, tomei um banho, coloquei uniforme da equipe e desci para irmos de ônibus até o autódromo, o café da manhã e almoço pós corrida quando acontecia na parte da manhã, costumava ser feito lá, com todos pilotos, mecânicos, engenheiros, todo pessoal envolvido de todas as equipes, era um momento de descontração maior, chegando ao ônibus, percebi que ainda não havia nem amanhecido, sentei em qualquer lugar como de costume e pude ver Bonno sentar ao meu lado.
- Bom dia, Bonno. – O cumprimentei ao sentar.
- Bom dia. – Ele respondeu. – Empolgado?
- O suficiente para não surtar. – Respondi rindo, voltei a encarar o lado de fora da janela.
- Bom dia, bom dia. – Ouvi alguém passar no corredor, apenas respondendo sem pretensão alguma.
- Oi oi, bom dia gente. – Foi quando a voz diferente, a voz feminina tomada dentro do ônibus que não estávamos acostumados, guiada pelo cheiro de um perfume extremamente cheiroso, o cheiro ficava conforme ela andava dentro do ônibus, certeza, parecia que havia ficado impregnado, como se ela tivesse se esfregado em mim.
- Bom dia, . – Ouvi alguns dos mecânicos responderem da parte de trás do ônibus.
- Bom dia, bonitinho. – respondeu rindo.
- Desempolga, Charlie. – Wolff respondeu logo atrás de , que ria e logo todos no ônibus riram, ela se sentou algumas poltronas atrás de mim e eu tinha certeza que ela estava ao meu lado pelo cheiro, se não fosse pela vista do Bonno, que não era tão agradável quanto, ri conforme aqueles pensamentos tomavam a cabeça. Seguido do Wolff, entrou Suzie a esposa dele, em seguida entrou Bottas com Ricci, que sentaram no banco da frente, o ônibus logo foi tomado por toda equipe e em poucos minutos seguimos para autódromo, tínhamos alguns minutos pela frente.
Na chegada, seguimos todos para refeitório, depois disso, todos entravam em concentração total, engenheiros, mecânicos, pilotos e até as famílias dos mesmos, tínhamos entrevista para dar, última analisada no carro, tudo isso tomava o tempo de antes da corrida, a maioria ficava com fones de ouvido até o momento necessário para todos se conectarem e fazer aquilo tudo funcionar, não dependia de mim ou do Bottas, tinha toda uma grande equipe. Saí do refeitório e segui para a sala que ficava reservada para cada piloto, quando me aproximei, ouvi a voz da de dentro da sala, falando com alguém, bati a porta para informar que estaria entrando.
- Beijos, depois te ligo, pode deixar. – Ela respondeu de pé encostada à parede com um dos braços como base para o outro que segurava na orelha.
- Atrapalho? – Perguntei, vendo-a desligar o telefone.
- Imagina, já estava de saída. – Ela respondeu sorrindo, colocando o celular no bolso da calça.
- Pais? – Perguntei, sentando ao sofá que ficava de frente com ela.
- Irmã. – Ela respondeu, seguindo o caminho que eu havia feito para entrar, mas ela para sair.
- Pode ficar se quiser, eu fico aqui com Bonno normalmente, ele deve estar para chegar. – Respondi vendo ela próxima à porta, que foi aberta no exato momento em que terminei a frase.
- Por acaso está por – Bonno começou a pergunta, mas a viu ao lado da porta – Aqui? – Ele completou rindo, encarando-a.
- Serve? – Ela perguntou apontando para si mesma e ele concordou.
- Preciso de você um minuto. – Ele pediu e ela concordou. – Já voltamos, Lewis. – Então ambos saíram pela porta, fechando-a, resolvi então entrar em contato com meus pais, que atenderam logo após primeiro toque, conversei com eles alguns minutos antes de Bonno e entrarem na sala novamente, me despedi deles, eles continuaram conversando até o momento que entrarmos no carro para enfim fazer reconhecimento da pista e podermos nos posicionar para começa a corrida.
O GP da Austrália era realizado no Melbourne Grand Prix Circuit, era um total de 58 voltas, cumprimentei todos ao entrar no carro, aquele era o momento de voltar, estar de volta, não só com pés na pista, era corpo e alma, a adrenalina, o sentimento, era incontrolável, ao se posicionar em primeiro lugar, mas logo na largada perdi a ponta para Bottas, que forçou toda corrida, quase que impossível de eu conseguir ultrapassá-lo, a maioria da corrida permaneci em segundo lugar, pedi troca de pneu antes que ele para tentar ultrapassá-lo enquanto ele desgastava o pneu dele, já que ambos seguiam com pneus médios, apesar de tentar, sem sucesso, então tentei a troca mais para o final da corrida para tentar ganhar ponto de volta mais rápida encima dele, que não estava muito longe, eu o acompanhei toda corrida, estava perto, mas impossível de conseguir ultrapassá-lo, troquei faltando pouco mais de dez voltas, colocando os pneus médios, assim como ele havia feito na segunda troca, dez voltas antes de mim, todo esforço foi em vão, ele ainda conseguiu a volta mais rápida e o primeiro lugar do GP, terminei em segundo, acompanhando em terceiro pelo Max Verstappen, paramos os carros para exposição dos vencedores e subimos para recebermos os prêmios, o hino finlandês tocava, recebemos os troféus e em seguida a famosa chuva de champagne, apesar dele ter ficado em primeiro lugar, a dobradinha da Mercedes era algo incrivelmente bom para a equipe, já que ambos pontuavam e era um bom início de temporada, seguimos pós recepção dos troféus para dentro das garagens, Wolff quis falar um pouco com toda equipe, parabenizar pelo trabalho feito, em seguida cada um seguiu para seu canto, entrei na sala somente com Bonno.
- Eu percebi onde Bottas vai forçar Bonno. – Respondi baixando o zíper do macacão, Bonno fez um sim com a cabeça para eu continuar a falar tudo que havia observado da corrida dele, não foi de todo mal ter ficado em segundo lugar, eu consegui o acompanhar, observar as cursas, aceleração, tudo que havia observado rendeu uma conversa de algumas horas com Bonno, que em nenhum minuto foi interrompida.
- Seria importante ouvir isso. – Bonno respondeu assim que terminei de dar todas as informações que eu havia conseguido.
- ? Eu acabo de te contar tudo que descobri e só isso que conseguiu pensar? – Respondi batendo as duas mãos no sofá.
- Ela não está aqui à toa, Lewis. – Bonno respondeu – Ela é engenheira também.
- Da próxima eu a chamo para conversar. – Respondi me largando no sofá.
- Seria uma boa mesmo, não me importo. – Bonno respondeu sentando do meu lado. – Meu ego não fere por isso não.
- Nem o meu. – Respondi o encarando.
- Aham, eu acredito. – Respondeu rindo e ouvimos alguém batendo a porta para entrar, Wolff enfiou o rosto dentro da sala e entrou, continuamos a conversar sobre a corrida, demos algumas entrevistas, seguimos para almoço que era um clima totalmente diferente do café da manhã, todos interagiam descontraídos, demorou um tempo até seguirem para seus ônibus, voltando ao hotel, na volta nem todos iam juntos, pois começava a arrumação dos equipamentos para próxima parada que era o Grande Prêmio do Bahrein.

Capítulo 5


POV Hamilton


A temporada havia começado em março, com a primeira corrida na Austrália, alguns meses já haviam se passado, estávamos no 10° GP e no dos meus preferidos, em casa, era como correr no quintal, ficar em casa, comer comida da mãe, ter a família por perto. A corrida da pole position já havia acontecido, Bottas havia ficado em primeiro, mais nada me impedia, esse era a 10° corrida, eu havia ganhado 7, eu estava aprendendo a ler Bottas, onde Ricci havia ensinado os pontos que eles dariam o melhor e realmente, estava sendo muito mais disputado que o normal.
Aquele GP era o único sábado antes da corrida do qual eu não ficava isolado, à tarde era a hora do café da tarde com reunião em família, já que não podia ser jantar, tendo em vista que minha família reunida não tinha limites. Despedi-me dos meus tios e avós que foram embora, ficando apenas com meus pais e minha irmã, que apesar de ter sua casa própria, ficava com eles quando eu estava, como nos velhos tempos.
Quase não pegava no celular com eles, era o pouco tempo que tínhamos para matar a saudade, então quando voltei ao quarto, percebi algumas ligações perdidas do Bonno, quando resolvi retornar, me joguei na cama quando ouvi a ligação chamar, mas sem sucesso dele atender, pelo horário, nos falaríamos direto na manhã seguinte.
Acordei cedo como de costume, tomei banho e sai do quarto encontrando minha irmã no corredor, abri os braços para abraçá-la.
- Bom dia. - Falei envolvendo os braços em torno do pescoço dela enquanto dava um beijo em sua testa.
- Bom dia, Lew. - Ela desejou, envolvendo os braços em minha cintura. - Dormiu bem?
- Estou em casa, né? Não tem como não dormir bem. - Respondi a soltando de um lado, permanecendo ainda com um braço apoiado em seus ombros e seguimos em direção à sala de jantar, de onde já vinha um cheiro maravilhoso. Meus pais faziam o café, apesar de saberem que eu teria café autódromo com a equipe, mas eles saiam cedo comigo e eu não reclamava, tê-los comigo era sempre minha prioridade.
Tomamos café da manhã juntos e saímos todos no carro dos meus pais, tínhamos uns trinta minutos de estrada até chegar onde ocorria o GP, que era no Circuito de Silverstone, troquei algumas mensagens com Bonno referente ao motivo da ligação, mas o mesmo preferiu deixar para conversar comigo direto no autódromo.
A rotina era a mesma, chegava e por não precisar tomar café, fui direto ao espaço que ficava reservado para cada piloto com seus engenheiros, quando cheguei à minha sala, e Bonno já estavam lá, não achava que estariam me esperando, pelo horário ambos deviam estar no refeitório.
- Bom dia aos dois. – Falei assim que fechei a porta atrás de mim. – Aconteceu algo? Os dois estão aqui cedo demais.
- e eu conversamos bastante ontem, Hamilton – Bonno começou a falar sentado no sofá ao lado da . – Achamos que está na hora de mudar a estratégia, Bottas está te lendo muito bem.
- Tanto que ficou em primeiro na classificatória de ontem – completou o Bonno. – Sei que você tem lido perfeitamente as corridas dele, mas ele também tem feito o mesmo com você.
- Acha que eu não sei? – Respondi me sentando no sofá que ficava de frente com eles – Mas acho que time que está ganhando não se mexe.
- Acho que precisamos mudar um pouco, Hamilton – se levantou e colocou as mãos no bolso do casaco. – Você e eu sabemos que vem conseguindo ótimo resultados, eu só não espero que isso garanta a temporada.
- Por acaso está me gorando? – Perguntei cruzando os braços.
- Eu sou engenheira, Hamilton, eu não preciso te gorar, eu te mostro os resultados e então você decide se prefere fazer algo ou se ferrar na competição – respondeu então, tirando as mãos do bolso do casaco e batendo na lateral das pernas e seguindo para saída da sala.
- Onde vai, ? – Bonno perguntou.
- Tomar o meu café que eu nunca deveria ter deixado de tomar para vir levar desaforo, uma vez vai, duas até aguento, mais não ficarei para a terceira do dia e simplesmente de graça – sorria totalmente irônica e eu sorri de volta. – Se precisar de algo, é só me avisar, Bonno, estarei totalmente à disposição de te ajudar.
- Consequentemente me ajuda. – Respondi no lugar do Bonno, eu podia sentir ela me metralhar com o olhar, me encarou daquela forma por alguns longos segundos e se retirou da sala, fechando a porta com mais força do que era necessário.
- Isso chega a ser ridículo da sua parte – Bonno levantou tomando mesmo caminho que havia feito em poucos segundos.
- Ela é uma mulher grandinha já, Bonno, ela entende. – Respondi balançando os ombros.
- E você deveria ser um homem grandinho – Bonno respondia fazendo aspas com as mãos no momento em que havia dito grandinho. – Mas não está parecendo não.
- Onde você vai?
- Tomar o café da mesma forma que ela foi, afinal, nós passamos o dia ontem achando a melhor forma de te fazer ser melhor, na verdade se isso te consola ou machuca teu ego, quem descobriu foi ela, mas você acha que consegue seguir sem as instruções da mesma. – Foi a vez de ele responder balançando os ombros, ele havia parado próximo a porta quando ouvimos alguém bater e autorizei a entrada, quando avistei os olhos calmos da minha mãe pela porta.
- Atrapalhamos? – Ela perguntou colocando a cabeça para dentro.
- De forma alguma, Sra. Hamilton – Bonno respondeu a cumprimentando. – Eu já estava de saída mesmo – Bonno terminou quando meu pai e minha irmã apareceram logo na sequência, Bonno cumprimentou os outros dois e se despediu de mim com um aceno de cabeça apenas.
- Aquela mulher que saiu um pouco puta da sua sala é sua nova engenheira? – Minha irmã perguntou se jogando ao meu lado no sofá.
- A própria. – Respondi rindo.
- Ela é linda. – Minha mãe respondeu, sentando no lugar que ocupava a minutos atrás.
- É inteligente também? – Meu pai perguntou ficando em pé ao lado do sofá cruzando os braços.
- Até demais, eu diria. – Respondi rindo lembrando da forma como ela havia saído da sala e lembrando do que Bonno havia me dito pouco antes de sair, fiquei conversando com eles ali na sala até ter que me despedir para me vestir, realizar pesagem enquanto eles me aguardavam no box para despedir realmente antes da corrida, eles foram para área vip onde sempre ficavam os familiares, cumprimentei todos que estavam ali, mecânicos, técnicos, restante da equipe no geral.
Entrei no carro para a volta de apresentação, conhecia Silverstone como a palma da minha mão, a quantidade de fãs que se encontravam nas arquibancadas, as bandeiras, tudo, no final da volta nos posicionamos para então começar a corrida, naquele momento eu tinha um único objetivo, ultrapassar Bottas e não me importava o que a equipe me dissesse, eu não perderia em casa.

POV Bonno


- Get in there, Lewi.s – Era o que eu sempre dizia a ele ao ganhar uma corrida.
- Bonno, conseguimos. – Era possível ouvir Hamilton gritar pelo rádio, e realmente havia conseguido, ele ultrapassou Bottas e tomou frente do restante da corrida, ninguém conseguiu alcança-lo e ainda por cima pontuou mais por fazer a volta mais rápida, naquela corrida, ele foi realmente imbatível.
- Incrível, surpreendente incrível – Wollf chegou batendo em meus ombros.
- Foi uma ótima corrida, não? – Respondi ainda tentando entender em meio a gritos de felicidade o que Hamilton falava ao rádio. – Sua família está no local de sempre, Lew, pegue a bandeira com eles, nos encontramos no pódio. – Tirei o fone deixando a mesa onde ficava com outros engenheiros, a equipe como sempre seguiu para frente do pódio, Hamilton tinha ganhado em casa, mas teríamos dobradinha da Mercedes no pódio, Bottas havia conseguido segundo lugar, Wollf à minha frente cumprimentou Ricci pela ótima corrida de Bottas e eu também o cumprimentei, afinal, ambos ali sabiam que os dois pontuavam para a equipe e apesar da rivalidade na pista, não passava daquilo, Bottas e Hamilton se respeitavam muito, sabiam que não passava de uma disputa na pista. Procurei à minha volta tentando encontrar , que nas últimas voltas foi conversar com técnicos e mecânicos sobre a troca de pneus, na verdade, ela foi verificar os pneus que tinham, porque pela distância que Hamilton estava do Bottas, deu tempo de ele entrar em uma das penúltimas voltas, trocar de pneu e então fazer um ponto a mais garantindo a volta mais rápida, desde então não havia a visto, como tradição, o engenheiro do piloto sobe ao pódio com ele, segui para cumprimentar Hamilton, sabia como era importante aquela corrida para ele, seguimos ao pódio, tocaram os hinos e em seguida a chuva de champagne que era inevitável, guardei um pouco do champagne na garrafa após a festa, desci e encontrei no BOX conversando com um dos técnicos da equipe.
- Um brinde, engenheira. – Entreguei à a garrafa de champagne a fazendo rir.
- Não acredito, Bonno. – Ela segurou a garrafa. – Estou aqui para te ajudar, mas mérito seu. – Ela disse, me devolvendo a garrafa.
- Mérito nosso. – Empurrei a garrafa para ela, que bebeu um gole.
- Pronto. – Ela me devolveu. – Toda sua.
- Divide com o pessoal, por favor. – Passei por tocando o ombro dela e seguindo para dentro onde ficavam as salas, óbvio que não passaria despercebido por , já que a ouvi falando algo e em seguida ouvi passos logo atrás de mim, suspeitando ser ela, entrei na sala e deixei a porta entre aberta, pois sabia que a mesma entraria.
- Ainda sente dor? – Ela perguntou fechando a porta logo em seguida.
- Infelizmente sim. – Respondi me sentando em um dos sofás.
- Bonno, nada do resultado do seu exame? Não pode ficar assim – perguntou ficando em pé ao meu lado. – Sua esposa está sabendo? – Ela fez outra pergunta e permaneci em silêncio. – Bonno, vou ligar para ela e te dedurar.
- , por favor, acha que isso funciona? – Perguntei a encarando que ficou em silêncio e começamos a rir. – Ok, você sabe que funciona – , além de ser minha companheira ali, era alguns anos mais velha que minha filha, ela tinha se tornada mais que só a engenheira assistente, havia virado uma pessoa da família, minha esposa a adorava, minha filha e ela se davam maravilhosamente bem, então sim, eu sabia que funcionaria se ela ligasse.
- Por favor, a sinceridade, Senhor Peter Bonnington – começou a falar e eu ainda ria do olhar mortal que ela depositava sobre mim. – Sim, nome inteiro, me prometa que amanhã irá voltar para sua casa, pegar o resultado do exame e contar a sua esposa?
- Prometo, senhorita. – Respondi batendo continência, a fazendo soltar um riso fraco. – Estou com medo de ser algo grave, se for realmente, eu preciso que segure as pontas por aqui.
- Primeiro não será nada grave porque não pode me deixar aqui sozinha – respondeu sentando-se no braço do sofá. – Ele não me escuta, apenas escuta você.
- Pois ele terá que aprender. – Respondi a cortando imediatamente. – Seja incisiva, não preciso dizer duas vezes.
- Se fosse só isso, mas não vem ao caso, mais alguém daqui sabe? – Ela perguntou e eu neguei. – Não ia conversar com ele sobre?
- Não quis dizer antes da corrida, sabia que o deixaria preocupado e... – Antes que terminasse fui interrompido por Lewis que entrou na sala ensopado.
- O que me deixaria preocupado?
- O Bonno está mal – respondeu e eu a tentei interromper. – Não, Bonno, desde a Áustria você não está bem – apontou para mim como quem dava uma bronca em uma criança e voltou a encarar o Lew. - Ele vem sentindo dores na região abdominal, achei que pudesse ser vesícula, eu praticamente o obriguei a procurar um médico, agora o bonito está enrolando para buscar os exames, então por favor se puder colocar algo na cabeça dele, caso contrário, acionarei quem consegue – respondeu andando em direção a porta onde Hamilton se encontrava, ele a segurou firme pelo braço percebendo que ela estava andando para se retirar da sala.
- Não vai ficar? – Percebi que na hora me encarou quase que imediatamente e Hamilton apenas a olhava firme quando ela finalmente resolveu encará-lo.
- Não, eu preciso ajudar lá fora com algumas coisas – respondeu sorrindo e Hamilton a soltou sem pressa. – Parabéns pela corrida.
- Obrigado, – Lewis então a soltou completamente com um sorriso no rosto e ela me encarou.
- Bonno, – ela falou colocando o dedo indicador e médio nos olhos em seguida apontando para mim – estou de olho em você.
- Intimidador. – Respondi rindo a vendo sair da sala.
- Porque não me contou antes, Bonno? – Hamilton perguntava abrindo o macacão vindo em minha direção.
- De onde veio esse “não vai ficar”? – Perguntei rindo.
- Não mude de assunto – Hamilton pediu e eu concordei, contei a ele desde quando as dores começaram e foi que suspeitou do que pudesse ser e então o encaminhou a um especialista correto.
- E por fim, ontem te liguei por isso, passei mal durante a tarde nas avaliações que fiz com e durante a noite foi pior, venho tendo dores há algumas semanas, porém não busquei resultado dos exames ainda. – Respondi.
- Então por favor, prometa-me resolver isso essa semana – Hamilton me fez prometer assim como .
- Agora, de onde veio esse “não vai ficar”? – Voltei à pergunta do começo da conversa rindo, vendo Hamilton levantar bufando.
- Pois ela não é minha engenheira também? – Hamilton perguntou e eu concordei rindo debochado e ele entendia aquilo. – Ok, deu por hoje, preciso sair para as entrevistas, vamos comigo? Vou querer que o engenheiro encarregado da vitória esteja junto.
- Se for assim, procure a engenheira e a leve com você. – Respondi o vendo dar alguns passos para trás para me encarar. – Procure a ouvir mais, só isso que te peço, acostume-se com a voz feminina ao rádio, acostume-se porque hoje, hoje você deve isso mais a ela do que a mim. – O observei me encarando. – Deve ser difícil acreditar né? Pois se quiser, nossos autofalantes sempre ficam disponíveis pós-corrida e... – Foi então que ele me interrompeu.
- O senhor Bonnington poderia me acompanhar apenas como amigo então? – Hamilton perguntou com expressão séria e me levantei saindo da sala, ele precisaria começar a ouvi-la, cedo ou tarde, no amor ou na dor, ele precisaria e aprenderia.
POV


As noites pós-corrida do domingo eram sempre liberadas para fazer o que quiser, era o dia de aproveitar família, amigos, normalmente eu ficava comendo besteiras e vendo vídeo com minha irmã e amigas. Só que ali na Inglaterra seria diferente, três amigas minhas tentaram abrir um bar, era uma porta pequena de início, muita gente acreditou que não daria em absolutamente em nada, nos afastamos de algumas pessoas pelo simples fato de não as apoiarem no que elas queriam e ainda bem que elas não deram ouvido, pois eu estava ali, bem a frente ao bar delas, que havia se tornado uma referência aos brasileiros e era totalmente diferente do que havia na cidade.
- Você ganhou a aposta, certo? - Eu perguntei rindo, indo em direção aos braços da Adriana que estavam completamente abertos me esperando para um abraço, elas haviam mudado para um espaço maior, o que cada uma decidia, era sempre por sorteio e pela fachada do bar, Adriana havia ganhado.
- E quando achou que eu perderia? - Adriana respondeu rindo, a soltei para abraçar Cathy que estava ao lado dela.
- A gente tentou, a gente jura que tentou, - Cathy respondia rindo - mas não deu, a fachada do bar ficou por conta da Adriana mesmo - Cathy me soltou e pude a ver revirando os olhos.
- Revira os olhos não, paixão, o sucesso desse lugar todo é pelo charme que cada uma traz - Adriana respondeu colocando as mãos na cintura, encarei Cathy que olhava Adriana que ria, em seguida me encaixei ao abraço da Nicolle.
- Que bom te ter por aqui, vai aproveitar a noite como nunca - Nic falava ainda abraçada a mim.
- Eu não tenho dúvida. - A soltei encarando o bar, era incrivelmente bem decorado, elas tinham bom gosto, o ar brasileiro que trazia, não era à toa que estava lotado e acredito que a noite mal havia começado, e não era de se surpreender, em meio a tantos pubs, aquilo era diferente, aquilo sim chamava atenção de quem passasse por ali.
- Vem, você tem uma noitada inteira para aproveitar - Cathy segurou minha mão e ainda abraçada a Nic, entrei no bar acompanhada pelas três proprietárias do estabelecimento, elas cumprimentaram algumas pessoas, seguimos direto para o bar, onde brindamos com caipirinha e que saudade eu sentia daquela bebida, a música que eu estava totalmente familiarizada, o ambiente cheio de gente, se eles falassem português, eu acharia realmente que estaria em casa, mas com elas, era como ter aquele sentimento.
- Oi, engenheira do Lewis, certo? – Ouvi uma pergunta que me chamou nitidamente a atenção apesar do barulho em volta, olhei por cima do ombro direito e não encontrei ninguém, apoiei uma das mãos ao balcão e virei o banco que estava sentada em frente ao bar e encarei uma mulher extremamente linda me encarando quando repetiu a pergunta. – Você. – Ela apontou e chegou mais próxima a mim. – Engenheira do Lewis, certo?
- Sou. – Respondi franzindo a sobrancelha.
- Prazer, sou irmã dele. – Então me dei conta que quem estava na minha frente era Samantha.
- Por favor, não quero que a gente se conheça pelo simples fato deu ser engenheira do Lewis e nem você como irmã dele. – Respondi estendendo minha mão. – Prazer, .
- Prazer, Samantha, mas pode me chamar de Sam. – Ela respondeu apertando minha mão e ambas balançaram sorrindo.
- É um prazer, Sam. – Respondi soltando minha mão da dela, quando ouvi Cathy atrás de mim.
- Sam, que bom que veio, vitória linda em casa, não? – Cathy perguntou abraçando Samantha de lado.
- E tinha outro lugar que poderíamos pensar em comemorar? – Samantha respondeu pegando o copo de bebida que aparentemente ela nem precisou falar qual queria – está conosco no camarote? – Samantha perguntou no exato momento em que bebia um gole da caipirinha que estava em minhas mãos, por breves segundos eu não engasgo ali mesmo.
- Camarote? – Perguntei a encarando.
- Pós vitórias em casa, a comemoração da família Hamilton é aqui – Nic disse ao meu ouvido, olhei por cima do ombro e a encarei apoiada com dois braços no balcão do bar.
- Acho que não somos tão íntimos assim. – Respondi sorrindo.
- Pois deveriam – Samantha respondeu soltando de Cathy. – Beijos meninas, nos encontramos pela noite, foi um prazer.
- Estaremos aqui caso precise. – Ouvi a voz da Adriana tomar espaço, permaneci sorrindo até que Samantha parasse de nos olhar, quando virei a cadeira de frente para Nic e Adriana que estavam escoradas ao balcão.
– Vocês me esqueceram de contar algo?
- Ah claro, , a família Hamilton e outros pilotos veem a nosso bar comemorar vitórias ou chorar derrotas após a corrida de Silverstone, espero ter ajudado – Cathy me abraçou de lado dando tapinhas ao meu ombro enquanto as outras duas riam a nossa frente.
- Poxa amigas, obrigada, só fizeram isso atrasadas. – Respondi com sorriso sarcástico ao rosto.
- Já te conheceram bêbada? – Adriana perguntou enquanto abria uma garrafa de tequila, Nicolle arruma quatro copos na bancada com limão e sal.
- Claro que não, eu bebo, mas não a gasolina dos carros. – Respondi apoiando as duas mãos no balcão.
- Então daremos assunto ao próximo GP de F1 – Nicolle respondeu piscando para mim, Adriana serviu os quatro copos, brindamos e bebemos, e bebemos muito aquela noite, claro que não foi primeiro copo e nem o último eu diria, entre samba, músicas animadas, abertura de karaokê, encontrei Leclerc, brinquei com uns técnicos da Ferrari, alguns da McLaren, brindei algumas vezes com Verstappen até encontrar um rosto conhecido, desde a hora que tinha visto Samantha, ainda não havia trombado com Lewis, por motivos meio óbvios dele não precisar sair do camarote dele acredito eu, até aquele momento em que ele me observou indo em direção ao bar, mas o olhar dele não foi único conhecido até encontrar Bonno ao lado dele, que no exato momento me fez abrir a boca indignado e Bonno riu na hora, o movimento de eu estar de olho nele mais cedo, foi a vez dele repetir para mim, eu apenas ri, retirei mais uma bebida no balcão, fingi um brinde ao ar com ele e voltei a dançar ao ritmo da música para pista de dança, sabendo, com toda certeza, que ainda tinha os olhares de Lewis sobre mim.
Após algumas músicas e muitas risadas, voltei ao bar, por algum motivo olhei ao mesmo lugar que antes havia encontrado Lewis com Bonno, ele estava extremamente bem vestido, a camiseta polo preta deixava ele extremamente sexy, não mais que o macacão da corrida, balancei a cabeça para tirar aqueles pensamentos que não faziam o mínimo sentido.
- Algo não alcoólico senhora? – Um barman me perguntou.
- Não, pode ser alcoólico mesmo, está calor, o álcool está evaporando rápido. – Respondi rindo me apoiando ao balcão, quando retornei o olhar ao mezanino do bar, encontrei Bonno, que me chamou com os dedos para subir, não neguei o pedido, afinal, era Bonno.
- Água que é bom... – Bonno falava de braços abertos quando em acheguei ao abraço dele.
- Me vigiando? – Perguntei saindo um pouco do abraço dele franzindo a testa.
- Nem um pouco. – Ele riu. – Estou indo embora, mas quis me despedir, vim apenas para não quebrar a tradição, não bebi nada, eu juro.
- Eu acredito em você. – Respondi o soltando do abraço.
- Pai, mãe, essa é a . – Ouvi então uma voz conhecida me apresentar, olhei para o lado e Samantha apontava para mim.
- Olá, . – Ouvi a mãe do Hamilton e ela veio me abraçar. – Prazer em conhecê-la.
- Olá, Senhora Hamilton, o prazer é todo meu. – Sorri a abraçando, em seguida cumprimentei o pai dele, quando olhei para lado, vi Hamilton parado com as mãos no bolso da calça, quando o transe foi tirado pela mãe do mesmo. – Por que não está comemorando conosco?
- Acredito que não somos íntimos o suficiente ainda. – Respondi sorrindo, encarando Hamilton de canto de olho.
- Mas os engenheiros, técnicos, toda equipe sempre comemora junto. – Foi vez do pai de Hamilton chamar a minha atenção.
- Quem sabe quando ele me convidar, não é mesmo? – Respondi observando a cara deles a minha frente, encarei totalmente Hamilton, que não sabia onde enfiar a cara – Quem sabe da próxima vez, venho com maior prazer. – Sorri vendo Toto acenar de trás do Hamilton e vir na minha direção me abraçar, conversamos um pouco, disse como era bom ver eles em um bar brasileiro e quando tivesse a oportunidade os levaria para um no Brasil, apesar de toda conversa, Hamilton permaneceu em total silêncio, olhei de cima do mezanino e vi minhas amigas no bar, resolvi me despedir para conseguir aproveitá-las.
- Obrigada pela conversa pessoal, a vocês – disse me virando de frente a família do Hamilton - foi um prazer conhecê-los, a vocês – Olhei para Toto e Hamilton - vejo essa semana, e você – apontei para Bonno – Quero notícias amanhã cedinho. – Falei depositando um beijo na bochecha do Bonno. - Boa noite, pessoal. – Mandei beijo no ar para todos me virei na direção das escadas, quando me dei conta, o bar não estava tão cheio como antes, pelo relógio na parede do bar, era próximo das três da manhã, quando cheguei à escada, descendo e indo em direção ao bar.
Fiquei no bar com as meninas até praticamente bar esvaziar, ainda entre algumas músicas, Adriana pegou meu celular a meu pedido e era próximo das seis da manhã, as vi saindo para começar a pagar os funcionários extras da noite, para começar então a fechar as portas, aproveitei para ir até o banheiro, quando senti alguém me puxar pelo braço, devido ao meu andar rápido, balancei mais que normal, por conta do teor alcoólico que corria no sangue também, quando me virei e me deparei com aqueles olhos castanhos que me acompanharam de cima abaixo.
- Hamilton? – Perguntei tentando fazê-lo focar em meus olhos, coisa que fez imediatamente que chamei seu nome. – Aconteceu algo?
- Tem como ir embora? – Ele perguntou em um tom sério.
- Se eu cheguei, tenho como ir. – Respondi piscando ao mesmo.
- Estou falando sério , você veio dirigindo? – Ele perguntou incisivo.
- Não, não vim dirigindo. – Respondi puxando meu braço, fazendo com que me soltasse imediatamente. – Qual problema?
- Algo por aqui? – Ouvi a voz do Toto surgir ao nosso lado, mas nenhum de nós dois o olhamos, permanecemos vidrados um ao outro.
- Não entendi também. – Respondi cruzando os braços.
- Ela bebeu e só isso, queria saber se tinha como ir embora, afinal, minha engenheira, não quero caída por aqui – Hamilton respondeu cruzando os braços.
- Pelo amor de Deus, Hamilton. – Fui tomada por uma risada, seguida do Toto que gargalhou. – Eu sou sua engenheira só quando não me quer caída? Para sua festa de equipe não? Ai Lewis, me poupe. – Respondi batendo a palma na minha mão em seu peito. – Me poupe. – Sai da frente dele seguindo ao banheiro, quando ouvi uma conversa atrás de mim, onde Toto tirava sarro de Hamilton, que insistia que precisava da engenheira dele completa.
- Lew, a ressaca dela com toda certeza absoluta será curada em 14 dias. – Ouvi Toto responder Hamilton e não pude deixar de rir entrando ao banheiro, pelo silêncio do salão, eu conseguia ouvir a conversa dos dois, quando sai do banheiro, apesar do silêncio, Lewis estava parado no mesmo lugar me encarando.
- O que foi, Hamilton? Me erra vai. – Falei andando em direção a ele. – Quer o que? Apalpar para ver se tem chave?
- Não me oferece duas vezes – Hamilton respondeu mordendo os lábios e eu apenas sorri porque definitivamente não era a resposta que eu imaginava que viria dele.
- Te encontro a caminho da Alemanha, Hamilton. – Respondi mandando um beijo no ar para ele, que se virou conforme meu movimento de passar ao lado dele, e da mesma forma que mais cedo, o senti me acompanhar com olhar. Encontrei as minhas amigas, que terminaram de fechar o bar, se despediram da família Hamilton, o vi sair do bar, extremamente incomodado com o fato de eu continuar ali, mas ele não tinha nada a ver comigo, mal me ouvia como profissional, não tinha o direto algum de querer me ouvir na vida particular.

Capítulo 6

POV Bonno

A corrida da vez era na Alemanha, que era o circuito de Hockenheimring, depois do fim animado do GP da Grã-Bretanha, fui para casa, conversei com minha esposa e então ela me acompanhou no médico e as notícias não eram tão boas quanto eu queria que fosse, não antecipei nada a Hamilton nem a , queria conversar com eles pessoalmente, não conseguiria esperar como no último GP, então preferi conversar com Hamilton após ele conseguir um Pole Position incrível, quase que faz o tempo extra oficial de melhor volta, que naquela pista era do Vettel.
- Fomos muito bem, não? – Hamilton perguntou entrando animado na sala, se jogando em seguida ao sofá que em todos os GP era arrumado de uma forma diferente devido ao espaço que tinha para todos os pilotos.
- Incrivelmente bem, Lew. – Respondi fechando a porta atrás de mim.
- E por que não acho você tão animado com a notícia? – Lew me perguntou e eu apoiei as mãos na cadeira que tinha sala o encarando.
- Eu estou feliz, só preciso conversar com você. – Respondi tentando manter um sorriso no rosto.
- Seus exames, certo? - Ele perguntou e eu concordei com a cabeça permanecendo em silêncio. – Vamos Bonno, não faça isso comigo.
- Eu vou precisar me ausentar por algumas corridas. – Respondi o encarando.
- Algumas quantas?
- Talvez eu volte na dos EUA. – Respondi o vendo arregalar os olhos.
- Então não me contou tudo sobre seus exames, né Bonno? Se você estive bom como havia me dito a duas semanas atrás, ninguém que está bem precisa ficar sete corridas afastado. – Lew respondeu apoiando os cotovelos as pernas. – Minha preocupação não é a corrida, é você, por que não me contou?
- Iria te preocupar à toa e eu não queria... – E fui interrompido pelo mesmo.
- E não imaginou que estaria me preocupando de qualquer forma? O que está acontecendo, Bonno? – Lewis perguntou.
- Primeiro, antes de qualquer coisa, ficará no meu lugar, eu preciso que a escute, ela é a engenheira aqui Lewis, está entendido? – Pedi.
- Eu consigo contorná-la fácil, Bonno, desculpa, mas não consigo confiar e você sabe. – E foi a minha vez de interrompê-lo.
- Se você disser por ser mulher, sabe que não admito isso. – Respondi apontando um dos dedos em direção a ele.
- Mas ela é mulher, Bonno e eu consigo a contornar mesmo, não confio nela por chegar há pouco tempo e querer sentar na janela, deixa que eu a coloco no lugar dela – Hamilton respondeu e antes que eu pudesse falar algo, ouvi pedir licença, entrando na sala, Hamilton e eu ficamos a encarando, pois estávamos falando dela segundos antes da mesma abrir a porta.
- Me chamou? – Ela perguntou com a mão segurando a porta, ainda não tinha entrado na sala, o rosto sério dela nos encarando entregou que talvez ela tivesse ouvido a conversa anterior.
- Chamei, por favor. – Pedi e foi então quando ela entrou e fechou a porta atrás dela, andou na minha direção, se posicionou ao meu lado e cruzou os braços, ela encarou Hamilton e voltou a me encarar.
– Por que estou achando que não é notícia boa? – perguntou erguendo as sobrancelhas.
- Eu vou precisar me afastar, , volto no GP dos EUA. – Falei de uma vez, não tinha como dar uma notícia ruim de outra forma.
- Mas você não estava bem? – Ela perguntou me encarando. – Por que fez isso?
- Para não preocupar. – Foi a vez do Hamilton responder e o encarou.
- Não adiantou muito, o que foi? Vesícula mesmo? – perguntou e eu concordei. – Vai ter que operar? – Ela perguntou e eu voltei a concordar. – Bonno, não faz isso, a sua tentativa de não deixar a gente preocupado não adiantou.
- Era mais pela pole de hoje, eu tenho que voltar para casa hoje, não ficarei para a corrida de amanhã, já vou me afastar. – Respondi a encarando. – Não queria estragar a classificatória.
- Bom, já classificou. – respondeu ainda séria me encarando. – Agora a gente te acompanha até a saída.
- Eu vou mesmo, preciso começar a fazer uma preparação antes da cirurgia, já vai ser semana que vem. – Respondi olhando , mas percebendo de canto de olho Hamilton levantar do sofá e vir até a minha direção.
- Quero que se cuide, iremos nos falar todos os dias – Hamilton disse dando alguns passos até chegar a mim, onde me abraçou de lado. – O que precisar, estarei aqui e não importa o dia, classificatória, treino, corrida oficial, apenas converse comigo.
- Só pedimos notícias, por aqui tudo vai continuar dando certo e já estou ansiosa para sua volta. – respondeu colocando a mão em meu ombro contrário ao lado que Hamilton estava abraçado. – Acredito que o pensamento dele é a mesma coisa. – Completei apontando com a cabeça para Hamilton. – Só queremos que se cuide.
- Ela tem razão – Hamilton concordou sorrindo e então o abracei, senti retirar a mão do meu ombro enquanto o abraçava, ter que deixar a F1 mesmo que fosse por apenas algumas corridas era difícil para mim, aquilo era meu mundo há alguns bons tantos de anos e estar fora por problemas de saúde que me fizeram parar tão rápido daquela forma, nunca foi o jeito que esperei me afastar, mas eu precisava me cuidar. Conversei com eles mais um pouco e Hamilton precisou sair para conceder algumas entrevistas, deixando e eu dentro da sala.
- Você ouviu algo do que ele falou antes de você entrar? – Perguntei para com ela ainda de costas para mim, estávamos indo a caminho de nos sentarmos no sofá.
- Infelizmente sim e ele se engana se eu vou cair na graça dele só por ele ser bonito – respondeu mais trocou de assunto rápido. – Quero só saber de você, como vai ser, o que vai precisar fazer, quero que saiba que estarei aqui para tudo.
- Só preciso que cuide daqui enquanto esteja fora e isso sei que você consegue. – Respondi segurando uma das mãos dela – e consegue com maestria.
- Por mim seria fácil, ele que não ajuda muito, mas eu estarei aqui, pode deixar – respondeu batendo a outra mão em cima da mão que eu segurava a dela.
Dali em sequência, precisei recolher minha bolsa, já que não voltaria e eles não ficariam carregando coisas básicas minhas, pegaria um voo para casa ainda naquela tarde, saí para me despedir temporariamente de toda equipe, os técnicos, demais engenheiros, Toto me acompanhou o período todo, junto com , me despedi do Bottas, conversei com alguns deles que não faziam ideia do que estava acontecendo, eu sairia direto do autódromo para aeroporto. Hamilton após as entrevistas voltou para me acompanhar até a saída, antes da conversa com ele, tive que ir para sala de imprensa informar o desligamento temporário por conta de problema de saúde e nomear a como responsável no momento.
Eu pegaria um táxi ou até mesmo um UBER até o aeroporto, porém a Mercedes concedeu um carro para me levar até o aeroporto, Toto foi dirigindo, acompanhado do Hamilton ao banco da frente, eu fiquei com no banco de trás, conversamos mais algumas coisas sobre a corrida da manhã seguinte.
- Você sabe que vou te ligar, né? – perguntou rindo.
- E eu ficarei extremamente feliz em te ajudar. – Respondi sorrindo de volta vendo Toto sorrir e nos observar pelo retrovisor.
- Não é ajudar, você mesmo diz isso – respondeu retrucando com o que eu mesmo falava a ela, ela não me ajudava, ela me dava a solução, não era uma simples ajuda, ela sabia disso, nós dois realizávamos uma troca intensa para decidir o melhor ao Hamilton em pista, apesar de ter anos naquilo e ela apenas alguns meses, ela me ensinava muito mais que eu ensinava a ela, porque aquilo tudo não era sobre só apenas F1, o jeito leve dela, o riso fácil, a malícia certa, eu só pedia para ela, apesar de tudo aquilo, se impor mais, principalmente com Hamilton, ela conseguia bater de frente com todo mundo ali, ela tinha inteligência para aquilo, mas Hamilton a tirava do centro e ela precisava sim, bater o pé com ele.
Chegamos ao aeroporto, me despedi de todos que fizeram prometer mandar notícias absolutamente todos os dias, esperei um tempo na sala de embarque e segui para casa, não havia mala para despachar, já que eu havia viajado apenas para dar a notícia pessoalmente, a minha intenção mesmo não era ficar. A chegada em casa foi tranquila, jantei com a família e quis descansar para na manhã seguinte acompanhar o Hamilton em tudo que eu conseguisse pelos canais de transmissão.
Ele havia conseguido uma pole position incrível, um tempo excelente, mas a corrida, era impossível acreditar no que assistia, choveu, coisa que estava prevista desde o começo da semana, recebi mensagens da , onde ela contava da situação da chuva e mais cedo me contou que não assumiria o posto ainda essa semana, ou seja, Hamilton ficaria sem engenheiro essa corrida, quem passaria algumas instruções seriam os técnicos e juro que se não dependesse de algumas horas para estar lá eu voltaria para não deixá-lo na mão, não podia assumir por alguma das milhões das regras que a FIA colocava em cima das equipes.
A corrida foi insana, os erros do Hamilton na pista não era algo comum, devia estar surtando sozinha, era inacreditável o que acontecia, Hamilton estava com pneus de pista seca quando começou a chuva novamente, ele rodou com o carro e bateu o bico na barreira de proteção, então ele fez o que deve ter feito surtar de lá e eu de casa, ele cortou caminho ao entrar no pit para troca do bico, foi pela faixa gramada e foi aos boxes, perdeu muito tempo e o incidente foi colocado sob investigação e obvio que ele foi punido, incluíram cinco segundos no tempo dele, fora a chuva, tiveram quatro safety-car, em um deles, Hamilton entrou novamente em investigação por ter andado muito mais lento que o normal atrás do safety-car, teve batidas de Leclerc da Ferrari com o Bottas, e até Stroll liderando uma parte da corrida em primeiro lugar, a corrida em si, tinha sido totalmente de pernas para ar, para Mercedes, um péssimo final de semana, Bottas nem pontuou, ficando em 15º lugar e Hamilton do 1º lugar da pole terminou em 9º. Verstappen quem ganhou, teve uma brilhante corrida, mas o dia foi do Vettel, que saiu de último lugar de largada para terminar a corrida em 2º, de casa eu não conseguia fazer absolutamente nada, tentava entrar em contato com sem sucesso, com Hamilton eu nem tentaria no momento, seria em vão, o clima lá, deveria ser um dos piores naquele momento.

POV Hamilton


A corrida da Alemanha tinha sido uma bosta, era esse meu sentimento mesmo depois de quinze dias e eu saía com o mesmo sentimento depois da qualificação para o GP da Hungria por ter ficado em terceiro lugar.
- Posso entrar? – Vi rosto da dentro da sala na qual eu havia entrado há alguns minutos.
- Por quê? – Perguntei a encarando.
- Precisamos mudar algumas coisas para corrida de amanhã, Hamilton – disse entrando da mesma forma na sala e fechando a porta.
- Não parece que você é engenheira, parece que não sabe que não pode fazer alteração no carro depois da classificatória. – Respondi descendo meu corpo pela cadeira, ficando totalmente curvado, enquanto cruzei os braços a encarando, que vinha andando e parando bem na minha frente.
- Engraçado, eu não me lembrava de ter falado que precisamos mudar algo no carro. – Ela deu ênfase à palavra carro. – Por acaso você ouviu? – Ela perguntou apontando para mim, que tive que engolir seco aquela pergunta. – Pois bem, o que tem que mudar é esse seu comportamento, o fato de como você está agindo, e não é comigo não, porque eu definitivamente me acostumei com suas patadas, mas sim com a sua equipe e com você mesmo. – Então ela cruzou os braços.
- Quem é você para falar de comportamento? – Perguntei descruzando os meus e apoiando no braço da cadeira, pegando impulso para me levantar quando ela deu um passo para trás para não ficarmos tão próximos.
- Você tem o que? Quinze anos nas costas e vai ficar putinho com cagada que a equipe não tem nada a ver porque você fez merda? Desde a semana retrasada não fala com a equipe direito, não respondo o Toto, mal fala com os técnicos, então só trate todo mundo bem, porque quando a culpa é da equipe geral, todo mundo assume a bronca aqui dentro, não vem com crise de estrelismo não, porque ninguém aqui vai passar a mão na sua cabeça. – Ela respondeu dando mais um passo para trás. – Então, por favor, e seja homem e... – Foi a hora que eu a interrompi.
- Quem você pensa que é para entrar aqui e falar desse jeito? – Perguntei dando um passo em direção a ela. – Eu não sou criança correndo não, eu sei da minha responsabilidade.
- Para mim isso é ótimo – disse batendo uma palma na outra. – Então você vai lá para fora e conversa com quem faz isso tudo funcionar porque não é só você e vê, por favor, se seja profissional mesmo, é tudo isso que estou te pedindo, não precisa ser simpático nem educado se você não quiser, eu realmente não preciso do seu bom dia, tarde ou noite para fazer o que vim fazer aqui, quero que seja apenas profissional, consegue? – Ela perguntou e ouvimos Toto abrir a porta.
- Atrapalho? – Ele perguntou.
- Não – respondeu. – Eu vim chamá-lo para as entrevistas, já estamos saindo – respondeu tomando minha frente antes que eu falasse algo, que definitivamente havia ficado engasgado. Tive as entrevistas e depois segui para hotel sem conversar com muitas pessoas e fiquei lá até a manhã seguinte, pedi para entregarem a janta no quarto, só sai de lá para a corrida.
Era o circuito de Hungaroring, a pista não tinha muitas surpresas e eu estava totalmente concentrado em fazer uma corrida melhor, o tal do sermão que havia me dado no dia anterior havia me deixado extremamente puto, então eu precisava responder à altura, cheguei e não tomei o café com todo mundo como de costume, preferi tomar no hotel antes de sair, a sala que sempre era tomada por conversas entre Bonno e naquele dia era tomada pelo extremo silêncio e eu agradecia de não ter que vê-la e nem ouvi-la, pelo menos não antes da corrida. Quando fui chamado para começar a me posicionar, retirei meus fones que me traziam a paz necessária para aquele momento, o macacão já estava vestido há algum tempo, segui para o BOX cumprimentando todos da equipe, uma das coisas que ela tinha dito ela tinha razão, eles não tinham culpa, mas ela não precisava ter me dito, eu sabia daquilo, então quando entrei no carro, a vi sentada no posto dela à minha frente e ela não me acompanhou até a beira da pista como sempre fazia para a volta de apresentação, ela permaneceu ali e foi isso que me fez tomar a atitude de também não cumprimentá-la.
Durante boa parte da corrida eu fiquei atrás do Verstappen que estava em primeiro, logo no início eu tinha conseguido ultrapassar Bottas, do qual tomei a posição de segundo lugar, segui o Verstappen, estava próximo dele o tempo todo, então seria questão de pressionar, eu mal ouvia pelo rádio, nem queria, eu sabia o que fazer, eu sabia que decisão tomar e minha equipe estaria ali para aquilo, pela Mercedes. Faltando algumas voltas para terminar, pedi a troca de pneus tendo em vista que não seria mais pressionado pelo Bottas, nessa hora eu não olhava quem estava atrás, eu queria o que estava a minha frente. Pós uma troca perfeita de pneus, eu segui ataque diminuindo pouco a pouco os segundos dele à minha frente e os pneus dele não aguentaram, consegui ultrapassar Verstappen e completei a corrida chegando em primeiro lugar, pouco antes da linha de chegada eu conseguia ver os técnicos, mecânicos empilhados na grade, gritando, balançando as mãos, comemorando a vitória daquele dia, coloquei o carro em frente ao pódio e corri a abraçá-los, pós toda comemoração segui direto para entrevistas naquele dia, ao fim das entrevistas vi passar por trás de um dos jornalistas e ficar parada me encarando.
- E é isso, sinto-me grato por esse dia e pelo time ter acreditado e continuado a explorar os limites, assumir um risco, apostar em mim. Estamos juntos há sete anos, não há nada novo nem ninguém que mude isso para mim, isso sempre se parece com uma nova vitória. – Respondi a encarando dando um leve sorriso, a vi balançar a cabeça negando e virar as costas, saindo imediatamente e o sorriso alargou-se em meu rosto, definitivamente ela havia entendido que ali ninguém trabalhava com criança.

Capítulo 7

POV


- Como foi de viagem? – Ouvi minha irmã perguntar assim que atendeu a vídeo chamada, eu havia acabado de chegar em Ardenas, na Bélgica, onde seria o GP nos próximos dias.
- Foi tudo bem, você ia amar esse lugar – Respondi virando a câmera e mostrando a minha vista pela janela do quarto, que era em uma região que havia muitas montanhas, o clima frio naquela época do ano tornava tudo mais encantador ainda.
- É lindo mesmo – Carol respondeu e no momento seguinte voltei a câmera para mim.
- Acha que iremos conseguir nos encontrar na Itália em setembro? – Perguntei jogando-me na cama.
- Eu acredito que sim, vou aproveitar para ver isso agora – Carol respondeu apoiando o rosto em uma das mãos.
- Então veja logo, eu chego por volta do dia primeiro, mas vou ficar até dia onze por lá. – Respondia enquanto a via mexer em outra coisa, provavelmente notebook, Carol teria uma convenção de tatuagem e por sorte do destino seria na Itália e no começo do mês, ela ficaria de ver se conseguiria participar e melhor ainda, conseguiria um dia para ficarmos juntas, pois já fazia meses que eu não a via pessoalmente.
- Vai dar certinho. – Ela respondeu. - O dia principal da tatto experience vai ser dia oito, no domingo.
- No dia da corrida. – Respondi e a vi concordar encarando o calendário que estava em suas mãos, ela tinha apoiado o celular na mesa.
- Depois consigo ficar a semana na Itália – Ela respondeu.
- Eu vou embora na quarta, dia onze é quarta, certo? – Perguntei e a vi concordar – Três dias com você é o suficiente para mim. – Continuamos conversando, vendo alguns hotéis para ela, sendo que eu ficaria com a equipe, ela tentou alugar um hotel mais próximo ao local de onde seria o evento por conta dos equipamentos, para ela ficaria mais fácil, eu disse que iria aonde fosse que ela estivesse, não me importaria, desligamos o telefone quando recebi uma chamada do Toto ao meu telefone, a pedido dele e da equipe, precisávamos ir até ao autódromo naquela tarde. Desde a corrida em que Hamilton havia batido, o carro ainda não estava nas melhores condições, precisavam calibrar algumas coisas e verificar novamente todos os dispositivos e a tarde daquele dia foi tomada por todos os procedimentos, validar todo o carro até chegarmos ao perfeito estado que ele estava antes da batida.
Na manhã seguinte foi treino seguido da classificatória, Hamilton ficou em terceiro lugar, segundo e primeiro lugar tinham sido ocupados pelos dois pilotos da Ferrari. Vi Hamilton voltar ao box acompanhado do Bottas que havia ficado em quarto lugar, Hamilton desceu e veio a minha direção imediatamente.
- O carro está pesado, o que aconteceu? – Ele perguntou tirando o capacete.
- Não aconteceu nada, carro está em perfeito estado. – Respondi cruzando os braços retirando os fones que estava usando para terminar as análises do carro.
- Impossível ele estar em perfeito estado. – Ele respondeu apoiando o capacete ao quadril.
- Olhe com os próprios olhos. – Apontei ao painel. – Tudo em perfeito estado, a diferença sua para Vettel em segundo foi de 0.748, você virou em 1’43 todas as voltas, você, Vettel, Bottas e Max. – Apontei ao resultado dos demais. – Quem realmente fez a diferença foi o Leclerc, que virou em 1’42.
- Torcendo para Ferrari? – Ele perguntou com um sorriso sarcástico no rosto.
- Entendeu o porquê de o carro estsr em perfeito estado? – Respondi sorrindo. – Espero ter ajudado – Sai da frente dele dando um tapinha em seu ombro, eu preferi ir ajudar os mecânicos e técnicos a colarem a capa no carro a ficar encarando aquela cara debochada na minha frente. Naquela tarde voltei ao hotel com Toto e sua esposa, ficamos na parte da tarde jogando conversa fora, em seguida me encontrei com Milena para conversar do projeto que ela fazia e demos sequência a alguns planos, ficamos no restaurante do hotel até perdemos noção da hora e perceber que era noite, quando dei conta de que o restaurante já havia enchido e esvaziado, ficando apenas alguns pilotos por ali, encarei relógio e resolvi subir para tomar um banho e dormir para manhã seguinte, chamei o elevador com o hall de entrada do hotel praticamente vazio, pela informação do visor do elevador, o mesmo vinha do sub solo, quando as portas se abriram dei de cara com ele, com uniforme da Mercedes e o típico boné branco.
- Boa noite, – Hamilton disse sorrindo me encarando entrar no elevador.
- Boa noite, Hamilton. – Respondi o ouvindo barulho do elevador fechar as portas atrás de mim, quando fui apertar o painel, percebi que o mesmo já havia apertado o décimo andar, fiquei o tempo inteiro de costas para ele, o silêncio do elevador fazia com que eu ouvisse a respiração do mesmo.
- Ansiosa para amanhã? – Para minha surpresa, a decisão de quebrar o silencio veio dele.
- Não, acredito que tudo está os conformes. – Respondi ainda sem o olhar, o elevador parecia ter ficado mais devagar.
- É que não parece, você está freneticamente estralando os dedos e nem reparou que já estralou todos os dedos. – Ele respondeu e eu encarei minhas mãos vendo eu fazer o movimento repetido diversas vezes sem ao menos perceber e foi quando me virei para o encarar, ele sorria.
- Reparando demais, não acha? – Perguntei.
- Só porque eu faço igual, consigo decifrar quem sofre do mesmo. – Ele respondeu apoiando um dos braços no suporte do elevador, na outra mão dele estava carteira, com celular e cartão do quarto.
- Vou fingir acreditar. – Respondi piscando para ele voltando a ficar de costas para o mesmo.
- Está achando o que, ? Que vou me apaixonar por você? – Ele perguntou e eu comecei a rir, voltando a encara-lo.
- Quem está dizendo isso sou eu ou você? – Perguntei colocando as mãos no bolso do casaco da Mercedes quando ouvi barulho da porta do elevador abrir – Desculpa decepciona-lo. – Comecei a rir, dando um passo para trás na intenção de sair do elevador enquanto ele dava um passo à frente indo na mesma direção, quando ele segurou a porta do elevador com a mão que estava livre, pois estava prestes a fechar e com a mão que estava ocupada ele me envolveu pela cintura na intenção da porta não fechar em mim e me puxou em direção ao ele, quase que em um choque nossos peitos se colaram e, no impulso, envolvi meus braços por suas costas quase que em um abraço.
- As portas dessa época têm sensores, não fecham nas pessoas como no século 18 não. – O nosso transe foi tirado com a voz da Milena, reconheci pelo português entre a risada da mesma, ela deve ter vindo pelo outro elevador, eu não sei quanto tempo fiquei encarando Lewis depois do susto que havia tomado, definitivamente ele sabia que o elevador não fecharia em mim, eu o soltei primeiro e então o encarei e ele tirou o braço que envolvia minha cintura, a respiração não era normal devido ao susto, apenas dei mais dois passos para trás, saindo totalmente do elevador e ele andou em minha direção parando ao meu lado e ambos ficaram vendo o elevador se fechar, pós isso o encarei e ele olhava fixo para o elevador.
- Boa noite, . – Ele respondeu sem me olhar de volta.
- O que foi isso, Hamilton? – Perguntei o encarando, sem ter esse retorno dele.
- Apenas boa noite, . – Ele respondeu e saiu andando para o lado do corredor que aparentemente ficava o quarto dele, eu fiquei o observando tomar rumo dele, por alguns segundos eu tive vontade de tomar rumo do quarto dele e estar com ele.
- Estou ficando maluca, só pode. – Respondi para mim mesma, virei às costas tomando rumo ao meu quarto que ficava em direção oposta ao dele, entrei ao quarto e fui tirando os sapatos. – Eu não ia gostar da pessoa que mais me destrata dessa equipe toda né? – Me perguntei me encarando no espelho que ficava no quarto, tirei a calça jeans que usava e por baixo dela eu estava com uma legging por conta do frio e só troquei de blusa, colocando um moletom para me deitar quando ouvi alguém bater a minha porta, eu apenas calcei as pantufas disponibilizadas pelo hotel, segui até a porta sem acreditar que ele bateria à mesma, abri a porta e dei de cara com um funcionário estendendo uma das mãos e era meu celular, agradeci, devo ter esquecido na mesa enquanto conversava com Milena, fechei a porta rindo, eu não acredito que achei que era ele na porta do meu quarto. - Eu preciso do Bonno de volta, eu estou ficando maluca. – Respondi rindo comigo mesma indo em direção à cama.
A manhã seguinte tiveram os mesmos rituais de sempre, tirando o fato de estar muito frio, roupa tinha em dobro, seguimos para autódromo com a equipe, o café da manhã envolto de muita coisa quente para ver se esquentava, Hamilton precisou dar algumas entrevistas na parte da manhã antes da corrida, depois deixei ele sozinho na sala dele, tive contato com o mesmo apenas na hora da corrida, como na última corrida, não o acompanhei até a volta da apresentação, preferi ficar acompanhando o carro, Hamilton falou uma vez no rádio comigo, as pausas no pit foram quase programadas tendo em vista que Leclerc havia corrido muito bem na qualificação e foi isso a corrida toda, Leclerc segurou muito o primeiro lugar, Hamilton fez uma pausa quando estava na vigésima segunda volta, conseguindo passar Vettel e assumir a segunda colocação, mais foi impossível para Leclerc, Bottas tomou frente do Vettel, baixando ele de segundo para quarto lugar, sendo assim Mercedes conseguindo pódio em segundo e terceiro lugar. Tinha sido uma boa corrida apesar de tudo, ele foi bem, ambos foram bem, mas Leclerc havia sido melhor e mérito dele, havia sido o primeiro pódio dele e totalmente merecedor daquilo.


POV Hamilton



Eu não estava feliz com os últimos resultados, desde que Bonno saiu, tudo parece ter virado de cabeça para baixo, claro que a culpa não era dele e eu nem podia culpá-lo, estávamos saindo do avião chegando na Itália, onde ia acontecer o 14º GP do ano, chegamos na Itália um pouco mais tarde do que chegávamos nas outras competições, era quinta-feira e o treino já seria na sexta, isso tudo se deu por algumas participações de entrevistas em conjunto de todas as equipes como tinham todos os anos, então eu precisava apenas chegar ao hotel, comer algo e descansar para treino do outro dia. E foi o feito, apesar da cabeça estar longe, os pés deviam estar no chão, acordei sexta pronto para o treino que foi excelente tendo em vista como as coisas estavam acontecendo. Itália era a casa da Ferrari, nunca era fácil correr, a pressão que eles sofriam era imposta em cima das outras equipes, obvio que eles jamais queriam perder em casa, então Bottas e eu sabíamos a pressão que passaríamos e sofreríamos.
No treino classificatório do sábado, o ritmo foi imposto por Leclerc que vinha fazendo o melhor tempo, a cada volta, ele batia o próprio tempo e ao final de tudo não deu outra, a pole da Itália era dele, seguida por mim em segundo e Bottas em terceiro, o meu tempo para o dele era uma diferença de 0.039 segundos e do Bottas para mim era 0.047, então estávamos conseguindo fazer o que queríamos, pressionando o tempo dele, não era impossível que um de nós dois passássemos ele, apesar de saber que ali, naquele GP seria difícil. O que sempre era concentração total das corridas, naquela era pior, a pressão envolvia os bastidores.
A manhã da corrida era tensa, o café da manhã era silencioso o suficiente para todos entenderem a importância daquele dia, era questão de importância e respeito a todos, a semana foi agitada para todos os corredores que não descansaram como gostariam e aquilo era visível em todas as equipes. Conversar com a minha família foi essencial naquele dia, saber que estavam torcendo como sempre, até que ouvi as batidas na porta e me atentei ao horário.
- Vamos? – Era a que estava na porta, ela não entrou, apenas ficou me esperando na porta, me despedi dos meu pais, deixei celular em cima da mesa e segui em direção a ela, ainda no meio do caminho, ela foi andando a frente e eu segui conversando com Bottas, abracei a equipe, Bottas e eu nos desejamos boa sorte e seguimos para pista, o barulho da arquibancada era de tremer o autódromo, era tomada pela cor vermelha, o que era de se esperar, a volta de apresentação foi para tirar a tensão e acostumar com a torcida ali presente.
A largada foi limpa, Leclerc tomou a frente imediatamente e fechando, fazendo com que ninguém o passasse de início, apesar de ele estar na frente, o ponto de volta mais rápida variava entre Bottas, Leclerc e eu.
- Hamilton, por favor, economiza seus pneus, em breve Leclerc deve parar e ai sim você acelera, está tendo um desgaste muito grande – pedia no rádio, eu sentia o carro tremer mais que o necessário e isso se deu pelas bolhas nos pneus de eu forçar chegar ao Leclerc, tirei um pouco o pé do acelerador para tentar manter, mas em vão, precisei parar na 22º volta para a troca dos pneus e pelo Bottas não precisar me pressionar de início, a troca dele veio mais tarde, assim ele conseguiu manter o segundo lugar, Leclerc voou na frente, ninguém o alcançaria, apenas solicitei pit para troca de pneus na última volta para garantir a volta mais rápida, Ricciardo da Renault estava atrás de mim, mas com uma distância da qual consegui fazer a troca e voltar em terceiro lugar, garantir lugar no pódio e ainda a volta mais rápida.
Pós linha de chegada, era possível observar a arquibancada toda em êxtase com a vitória do Leclerc e não por menos, ele era uma das promessas dos novos nomes e era sempre um prazer competir com a galera mais jovem, seguimos para pódio, a festa estava feita, apesar de estar no pódio, eu não estava satisfeito, desci logo que autorizado para o box, encontrando conversando com Toto.
- Da próxima vez não peça para reduzir. – Disse parando ao lado dela.
- O que? – Ela questionou sem entender.
- Você está tentando me ajudar ou me sabotar? – Perguntei.
- O que está havendo, Hamilton? – Percebi um dos mecânicos chegarem ao meu lado.
- O que é, Charlie? Qual é pergunto eu, vem mandar eu reduzir, eu sei o que eu estou fazendo porra – Respondi encarando Toto que não entendia.
- Hamilton, acho que deu por hoje – Toto respondeu.
- Eu só quero dizer que sei quando parar. – Respondi apontando para .
- O seu pneu ia estourar naquele ritmo, Hamilton – respondeu andando na minha direção.
- Estourar? Acha que eu sou amador aqui, ? Acha que não sei sentir um carro? – Perguntei vendo Toto dar um passo junto com e ficar ao lado dela.
- O pneu estava fino demais, cara – Charlie então concordou com o que havia dito.
- E vocês estão aqui para trocar, mas eu sei o que faço, dava para dar mais algumas voltas com aquele pneu, sim. – Respondi dando um passo em direção a que não esquivou, ela olhava nos meus olhos.
- Eu não acredito nisso. – Ela segurava os fones que utilizava para me orientar na corrida e ria. – Licença vocês. – Ela deu o fone na mão do Toto e baixou a cabeça, passando entre mim e Charlie.
- Que porra é essa, Hamilton? – Toto perguntou abrindo os braços.
- Sério, não dá para acreditar mesmo – Charlie respondeu e deu as costas junto com Toto, que saiu andando com o fone dela em mãos, observei que alguns repórteres continuavam por ali, segui para dentro sem querer dar entrevistas, não participei de nenhuma naquele dia, fiquei na minha sala quase que dia todo.
Sai da sala quase que no fim da tarde, segui em direção ao box para ver como estavam as coisas e não a encontrei, ela sempre desmontava o equipamento que usava, guardava e ajudava a equipe.
- está por aqui? – Perguntei a um dos técnicos.
- Nem deveria. – A resposta foi dada por Charlie que apareceu por trás de mim, interrompendo o técnico. – Eu desmontei as coisas dela, depois do seu piti ela seguiu direto para hotel, se bem que isso nem deveria ser do seu interesse.
Então Charlie seguiu para terminar de desmontar as mesas, eu apenas segui pela saída do autódromo, alguns carros ficavam à nossa disposição e seguido dali fui direto ao hotel, definitivamente precisava colocar a cabeça no lugar, antes que perdesse tudo.

Capítulo 8

POV


O fato de ter o colo dela na Itália foi o que ajudou pós final de semana, ter ela por telefone, era uma coisa, mas ter ela ali, foi essencial. Passamos três dias juntas, não fizemos nada, apenas saímos do quarto do hotel para buscar comida, tínhamos programado passear alguns dias a noite, mais ficamos apenas por ali, entre comidas, vinhos e cerveja, aproveitamos nossa companhia, que era o que precisávamos, principalmente eu. Havia avisado Toto e Bonno, apesar de longe, que sumiria durante os dias e pedi apenas que ligassem caso alguém morresse, foram exatamente essas minhas palavras. Carol tinha ido comigo até o aeroporto, eu precisava embarcar para Singapura.
Chegando ao aeroporto, encontrei uma parte da equipe já que embarcávamos todos juntos, infelizmente Lewis estava por ali também, a única pessoa que não gostaria de ver, de encontrar, estava ali e parece que como imã, nossos olhares se cruzaram apesar dos óculos escuros do mesmo, eu sabia que ele me observava, tentei o encarar o mínimo já que as palavras dele na última corrida ainda ecoavam em minha cabeça, segui para balcão para poder fazer check-in. Após isso, preferi ir tomar um café com Carol, estava tentando abstrair tudo e qualquer pensamento que só a figura dele havia me trazido.
- Ele não para de te encarar. – Carol falou segurando o café e sentando na mesa de frente comigo.
- Não alucina, meu amor. – Pedi sentando e apoiando o café na mesa.
- Eu tentaria se ele não estivesse olhando para cá o tempo todo – Carol apontou com a cabeça e eu não me virei para olhá-lo, estava de costas e assim continuaria.
- Eu definitivamente quero que ele exploda. – Respondi dando um sorriso, segurando a xícara e levando em direção a boca.
- Ele é mais gato pessoalmente, – Carol falou e eu virei os olhos, ele era gato, era cheiroso e tinha um sorriso lindo, sorri com esse pensamento a ser cortada por ela. – Está vendo, você cheia de risos porque falei que ele é lindo.
- Carol, eu posso ser louca, mais óbvio que ele é gato, lindo ou o que quiser chamar. – Respondi rindo. – Isso eu infelizmente não posso negar, mas ele tem uma personalidade difícil.
- Falou a santa facilidade – Carol falou erguendo as sobrancelhas em tom de deboche e eu apenas a encarei serrando os olhos e nós duas rimos, trocamos rapidamente de assunto, tínhamos pouco tempo e saindo da cafeteria nos despedimos, entre muitas lágrimas, sorrisos e abraços bem apertados. Despedir-me dela nunca era fácil e nunca seria, eu poderia pagá-la apenas para me acompanhar e eu agradeceria tanto, mais aquilo soava tão egoísta, era meu sonho, na verdade, aquilo havia se tornado meu sonho e no caso ela sempre me apoiou.
- Eu vou sentir saud...... – Carol tentou completar segurando minha mão e eu a abracei.
- Não termina frase não, por favor. – Pedi ainda abraçada a ela como um bicho preguiça se agarra a um tronco sem querer soltar.
- , você vai me entortar – Carol pedia tentando descontrair, forma dela de não sofrer, ela tinha o ponto limite da emoção para não sofrer, canceriana né, diferente, totalmente diferente de uma pisciana emotiva, que no momento não conseguia mais controlar as lágrimas, estava totalmente entregue ao sentimento do momento, nos soltamos e seguramos as mãos de novo e apenas nos olhamos, o olhar profundo, o olhar de troca, de cumplicidade, que eu tinha apenas com ela. – A gente se vê no GP do Brasil, certo? – Ela perguntava e em meio a lágrimas só foi possível concordar com a cabeça, não conseguia mais falar, a abracei mais uma vez, ouvi chamar para o embarque, eu a soltei e tínhamos um combinado, nunca, em hipótese alguma depois de uma despedida entre nos duas olharíamos para trás. Nenhuma das duas estava indo embora, ou se despedindo, estávamos apenas dando um até breve para realização dos nossos próprios sonhos, então ela seguiu para saída do aeroporto, eu abri a bolsa para pegar meus óculos escuros, respirei fundo limpando o rosto que estava molhado pelas lágrimas e acredito que vermelho pelo choro. Segui andando para onde estava Toto e a esposa, eles conversavam com alguns mecânicos e técnicos, Lew não estava mais do lado dele como visto da primeira vez.
- Despedidas são ruins não? - Toto perguntou abrindo os braços e me recebendo em um abraço.
- Sempre. – Respondi correspondendo o abraço, o que me fez derramar mais algumas lágrimas, a voz embargada de choro era impossível de esconder.
- Quer mais um dia com ela? Te dou de presente – Toto respondeu me afastando pelos ombros e eu sorri.
- Ela tem os compromissos dela e eu os meus. – Respondi vendo-o me abraçar de lado de volta. Em poucos minutos, vi Ricci chegar a nosso lado, acompanhado de Bottas e Hamilton, o painel chamou de novo e seguimos todos para embarque. A equipe, como sempre, brincava, era divertida, naquele dia, eu não estava mesmo no clima, então preferi apenas acompanhar um pouquinho mais de longe e eles respeitaram. Senti um braço passar pelo meu ombro e quando encarei de lado era Charlie, que depositou um beijo em minha cabeça, apenas passei meu braço pela cintura dele e encostei minha cabeça em seu ombro e seguimos andando, apesar de não me envolver na bagunça, era impossível não rir das besteiras deles, nossa viagem era divertida por isso, todos ali, adultos, bem resolvidos, porém, quando juntos, pareciam crianças que viajavam pela primeira vez.
A viagem era longa, mais de dezesseis horas e com escala, por isso estávamos indo mais cedo, pelo desgaste da viagem, já tínhamos passado da metade do GP, estavam todos desgastados, pilotos, técnicos, engenheiros, mecânicos, todos, todos estavam desgastados, então para conseguir mudar tudo, precisávamos ir antes, para descansar antes de conseguir dar conta de tudo e todo GP combinávamos que faríamos aquele ser o melhor, como se fosse o primeiro e, para isso, era necessário uma boa noite de sono, então quando chegamos em Singapura era madrugada, seguimos quase que em silêncio para o hotel, fomos de vans, que sempre esperavam as equipes nos aeroportos, o check-in de entrada foi rápido, cada um subiu para seu respectivo quarto. Passei o cartão na porta de entrada, larguei absolutamente tudo na entrada do quarto, mala, bolsa, casaco, tirei sapatos, apenas com celular em mãos, mandei áudio para Carol avisando que havia chego e me joguei a cama de casal tão grande que cabia ao menos umas três pessoas ali comigo e dormi, me entreguei totalmente ao cansaço que sentia aquele momento.
O final de semana foi corrido, entre algumas soluções para veículo, muitos telefonemas ao Bonno, eu sabia o que fazia, mas a opinião dele para mim, naquele momento, era a fonte de alívio.
- Só mais uma coisa? – Perguntei assim que ele atendeu o telefone.
- , eu não vou mais te atender – Bonno ria do outro lado da linha. – E não, você não vai me perguntar a mesma coisa que já me mandou mensagem.
- Bonno, última vez, te prometo. – Pedi no telefone, enquanto ria do fato de ele não ter nem falado alô ao atender.
- Eu não vou responder a sua última mensagem , está avisada – Bonno respondia ainda entre risos.
- Ok, não precisa então, aproveito a ligação para saber como você está. – Perguntei apoiando os cotovelos na bancada enquanto ainda observava o painel com todas as telas.
- Estou bem, a recuperação está sendo boa, sem nenhuma complicação – Bonno respondia com a voz tranquila.
- Se cuida para estar aqui de volta logo. – Pedi. – Você está fazendo falta.
- Por que está tão insegura assim? – Bonno perguntou e percebi que mesmo longe, tínhamos uma sintonia e tanto.
- Tem acontecido tanta coisa por aqui. – Respondi, me virando na cadeira que estava sentada, olhando o painel, encarei a entrada do box que continha os números e nomes do Hamilton e Bottas, me levantei andando em direção a entrada, aquele lugar era mágico, cheio ou vazio como estava naquele momento, o silêncio tomava conta do autódromo. – Apenas por isso.
- Você é perfeita no que faz, – Bonno respondia enquanto o sorriso tomou conta do meu rosto, conversamos sobre coisas aleatórias enquanto entrava para pegar minha bolsa no armário, me despedi de Bonno, seguindo para a saída, com o crachá liberei a saída, ainda encontrei com engenheiros de outras equipes, mecânicos e poucos pilotos que estavam por ali, aproveitei um carro que estava ali com outros mecânicos para voltar ao hotel, a conversa era sempre descontraída, quando saímos do autódromo, a não ser que tivéssemos com a equipe, o assunto era sobre tudo para descontrair e não ficarmos apenas presos no assunto F1.
Chegando ao hotel, segui para meu quarto, tomei meu banho e apenas permaneci por ali, não estava com fome naquele dia, conversei com minha irmã e minhas amigas no pouco tempo que deu, pois cada uma vivia em um fuso horário diferente, coloquei qualquer filme que encontrei e apenas deixei rolando para poder pegar no sono e poder descansar, afinal teríamos uma semana muito agitada pela frente.

POV Hamilton


A semana havia sido intensa, não tinha um dia que eu não havia ido ao autódromo, entre visitas de investidores, entrevistas com os outros pilotos, tudo isso tornava o meio mais descontraído naquele momento. E tudo tinha dado certo na semana e a prova disso, se dava com o resultado do Q3, a Ferrari se encontrava em um momento incrível, depois da classificação fiquei em segundo lugar e estava com o carro prestes a voltar ao box, o resultado era bom, tínhamos uma boa pontuação, Bottas havia ficado em quinto, por isso pós Q3 entramos em reunião com Toto, Ricci e , principalmente pela Ferrari ter conseguido pole com Leclerc e Vettel estava em terceiro lugar, a reunião foi breve, praticamente só Toto falou, as perspectivas, desenvolvimento da equipe, tudo, , Ricci, Bottas e eu apenas concordamos e em menos de uma hora saímos da sala, onde Bottas e Ricci entraram para olharem algo no carro dele, seguia a minha frente, sem olhar para trás, a observava ir em direção ao meu carro, conversei com alguns mecânicos e técnicos, mas minha atenção era nela, incrivelmente como ela me desconcentrava e eu não conseguia explicar o porquê daquele sentimento, apesar de achá-la intrometida demais, a segurança com a qual ela falava, com a qual ela dominava tudo o que a envolvia, mas ela não chegaria ali, em menos de uma temporada, mudado a forma como eu teria que pilotar o carro que eu pilotava há alguns anos.
- Precisam de mais algo? – Observei, virando o rosto enquanto perguntava algo aos técnicos, eu ainda tentava me concentrar em algo que Toto conversava ali perto de mim.
- Por aqui está tudo bem. – Ouvi um deles a responder, não reconheci pela voz e não conseguia ver quem era, já que ele estava atrás de mim.
- Estou indo então, qualquer coisa pode me ligar. - disse, então me encarou e veio a minha direção – Hamilton, algo mais?
- Eu que te pergunto, algo mais? – Refiz a pergunta para ela, percebi Toto nos encarar imediatamente, cortando o assunto que ele falava.
-Toto, por aqui está tudo certo, não ficarei até o final hoje se não tiver problemas – respondeu com um sorriso sincero. – Qualquer coisa que precisar, pode me ligar, tá?
- Fique tranquila, ficarei até o final de tudo hoje, deixa por minha conta, pode descansar – Toto respondia com mão ao ombro dela.
- Combinado – respondeu, eu continuava a encarando, ela por sua vez não me olhou de novo, apenas virou as costas e seguiu em direção a saída dos boxes.
- TPM? – Perguntei para Toto.
- Não, Hamilton, cansaço. Ela, assim como você, trabalhou a semana inteira por aqui. – Olhei para trás e vi John, um dos técnicos que respondeu batendo uma das mãos em meus ombros.
- Nossa, ela tem vários defensores por aqui. – Respondi cruzando os braços.
- Apesar de ela não precisar. – Toto respondeu. – Mas é exatamente isso, ela ficou responsável a semana toda, normalmente divide comigo pela ausência do Bonno, mais precisei encontrar com investidores então ela cuidou de tudo, sabe que ela sempre fica, faz questão de cuidar de tudo, mas hoje pedi para que ela deixasse eu fazer isso como forma de agradecimento.
- Entendi. – Respondi seco, tentei de certa forma olhar para trás e tentar acompanhar a saída dela sem sucesso, já que a montagem dos espaços era diferente a cada GP e aquele não custava ter o corredor reto para saída? Então não consegui encontrá-la por ali, segui por ali por mais um tempo e fui para hotel para descansar para o dia seguinte, eu queria, queria demais conseguir terminar aquela corrida em primeiro lugar, eu havia estado na parte mais alta do pódio da última vez na Hungria. As duas seguintes foram dominadas por Leclerc, era maravilhoso, pois tornava a disputa mais emocionante, tanto para quem assistia e mais ainda para nós que corríamos.
A manhã seguinte foi tomada pelo frio na barriga, o dia estava ensolarado, relativamente quente, não estávamos em época de chuva, o que ajudava bastante na corrida, era um calor moderado. Saímos cedo do hotel, as brincadeiras e descontrações que tinham dentro da van e até no café da manhã foram tomados pelo silêncio de uma equipe que sabia da responsabilidade de dar um bom resultado aquele final de semana. Não tinha conseguido ficar na sala de descanso parado, preferi ficar ali no box, mesmo com fone de ouvidos e em silêncio, tanto meu quanto da equipe, que os únicos barulhos e conversas eram relacionados ao carro. Dei a volta ali por dentro, segui para pegar meu capacete, estava na hora de retirar o carro da garagem e seguir para posicionamento da volta de reconhecimento, cumprimentei todos ali em minha volta, encarei já sentada em frente aos painéis com fone de ouvido dela, Toto que estava ao seu lado, por sua vez, encarou relógio e se levantou vindo a minha direção, me cumprimentou e fez o mesmo com Bottas.
Pós cumprimento, baixei a viseira do capacete, os técnicos me ajudaram a encaixar a Hans, sempre que eu a colocava, eu lembrava o motivo de ela existir, ela servia como um dispositivo de segurança, tem o formato de U, que se encaixava sobre minha nuca e meus ombros, a função dela era caso sofresse algum acidente, não sentisse tanto o impacto e o fato dela ter sido criada foi pela infelicidade da morte da pessoa que mais me motivava nesse esporte, Ayrton Senna, e sempre que eu o colocava, eu lembrava do porque estava ali, do porque sempre dava o meu melhor, ele era meu ídolo, era nele que eu me espelhava. Entrei no carro, me posicionei, me entregaram o volante, encaixei, passei a mão sobre ele, que era o ritual que sempre fazia e sim, dali estava pronto, equipado e bem preparado para o melhor.
Segui para a pista, me despedi dali com toque de mão dos técnicos e mecânicos que me acompanharam e havia começado a volta de reconhecimento, eu estudava muito sobre as pistas e sobre aquela não seria diferente, aquele era o Circuito Urbano de Marina Bay, a pista tinha exatas vinte e três curvas, em 2015 a pista teve alterações, as curvas 11, 12 e 13 eram as melhores para conseguir realizar ultrapassagem e tinha sessenta e uma oportunidades de conseguir ultrapassar Lecler, já que recorde extra oficial era meu mesmo, na pole de 2018. Depois da volta, seguimos alinhando os carros, ao sinal, acelerei, prestei atenção apenas na minha frente e conseguimos até a primeira volta e Leclerc tomar a ponta, comecei a me preocupar com o retrovisor, Vettel me pressionava e se eu não segurasse, perderia o segundo lugar.
- Hamiton? Safety car na pista, pneu do Sainz furado, foi acertado pelo Hulkenberg – me comunicou pelo rádio. – Cuidado na pista.
Após saída do safety car, Leclerc continuou puxando frente, eu tinha conseguido me aproximar mais do que antes do safety car, estava com menos de um segundo dele, mais o ritmo dele não era dos mais rápido, ele mostrava que tentava sim poupar o máximo do pneu, tendo em vista que sempre que eu chegava o mais próximo, ele ainda conseguia abrir uma distância. Estávamos na volta 19, a situação dos pneus não era boa, eu sentia pela vibração do carro.
- Hamilton, os pneus estão muito gastos, preciso que venha para o box – solicitou pelo rádio.
- Leclerc está na mesma condição, ele não parou ainda. – Respondi quase que imediatamente.
- E vai esperar o carro dele dar problema para fazer igual? O seu pneu está muito desgastado, ele está na frente, ele tá ditando ritmo, você está desgastando mais, ainda mais estando próximo – respondia com tom de voz tão ríspido quanto ao meu.
- Os pneus ainda aguentam, . – Respondi interrompendo aquela conversa por ali, ela não precisaria me ensinar sobre o que estava acontecendo. E feito, Leclerc parou na volta seguinte, a abertura total da pista por não ter ele a frente e o fato de estar menos que um segundo atrás, me trouxe o primeiro lugar, estava sendo seguido por Giovinazzi que ainda não havia parado, por isso assumiu a posição de quem parava para troca de pneus. Bottas foi chamado para box, a troca dos pneus macios para duro, estávamos na volta 22, fui abrindo espaço e tempo em tudo que conseguia, Vettel seguia firme me pressionando, já que havia trocado os pneus uma volta antes do Leclerc.
- Hamilton, box – solicitava mais um pedido, assim que Bottas tivesse saído, simplesmente a ignorei naquele momento, seguia firma na primeira posição, até ser acionado novamente – Hamilton, box, agora. – Eu sentia a força que ela colocava no agora, mas não, eu não pararia, estava na volta 25, tentaria chegar ao menos às 30 voltas, que seria quase metade da prova quando ela acionou novamente pelo rádio. – Está disposto a acabar com o motor de um carro a me ouvir?
- Eu aguento até a volta 30. – Respondi ao rádio.
- Não aguenta, estamos na volta 26, preciso que você para imediatamente, a equipe está pronta para a troca – respondeu e permaneci em silêncio – Hamilton, consegue entender o significado de imediatamente? – Ela perguntou e novamente permaneci em silêncio. Comecei a volta 27, o carro tremia mais que o normal, já era difícil manter ele na pista, a tração dos pneus não era boa, Giovinazzi seguia me acompanhando, mas aquilo estava começando a prejudicar o carro, eu sentia que além do pneu fino, as bolhas que começavam a causar, aquilo não seria perigoso apenas para mim.
- Box. – Apenas pedi por rádio, conseguindo ouvir a respiração da pelo mesmo. Naquela mesma volta, parei no box que foi feita a troca perfeita, mais para minha infelicidade, fui passado por Vettel, Leclerc e Verstappen, consegui ainda sim voltar à frente do Bottas, mais assumi a quarta colocação, já que Giovinazzi pressionou assim como eu, parar para troca dos pneus.
Estávamos na volta 36, quando fomos avisados sobre safety car novamente, precisando reduzir velocidade, Grosjean tentou ultrapassagem e acabou encostando pneu e bateu no murro, o safety car saiu da pista na volta 41, dando toda a emoção pela proximidade dos carros, fazendo com que novamente tentássemos a ultrapassagem que não aconteceu, os três permaneciam a minha frente. Vettel começou a abrir vantagem em relação ao companheiro de equipe Leclerc, que permanecia em segundo, completando o pódio com Verstappen, que tinha conseguido abrir mais de três segundos à minha frente, que terminei em quarto lugar. Não era daquela forma que eu pretendia terminar o GP, não havia conseguido subir ao pódio, nem ao mínimo terceiro lugar. Segui com carro direto para box, acompanhado pelo Bottas, que terminou em quinto lugar. Vi Bottas parar o carro e descer, fazendo com que os mecânicos colocassem o carro para dentro, eu desci seguido dele, vi Bottas andando na frente para conversar com Ricci, estava com os cotovelos apoiados na bancada e com as duas mãos apoiadas ao rosto, percebia pela posição curvada da mesma, ainda tinha os fones que nos comunicávamos na orelha.
- Escuta aqui. – Cheguei perto dela, virando a cadeira dela e fazendo com que ficasse de frente para mim. – O que foi tudo isso que aconteceu? Não é você a engenheira? A foda? Não estou naquele pódio por quê? – Tirei meu capacete, apoiando-o no banco ao lado dela. – Porque é sempre muito lindo bater a mão no peito, é lindo a representatividade feminina, é lindo tudo que você prega aqui quando não tem a maturidade, quando não tem capacidade, ou melhor, não tem competência de estar onde acha que merece estar. – Percebi ela retirar o fone dos ouvidos com pressa e colocando no banco ao lado onde estava meu capacete e a vi se levantar, ficando de frente comigo.
- Primeira coisa, você vai calar sua boca para falar sobre competência. – Ela disse em um tom no qual eu nunca a tinha ouvido falar desde que chegou aqui. – Quer conversar sobre competência realmente? Tivesse parado quando eu mandei na volta 19 ou 20, do qual seu carro já apresentava sinais que estava sim sentindo todo desgaste, você quer conversar sobre competência, Hamilton? Eu preciso de mais mãos para contar quantas vezes fui ignorada aos rádios nessas últimas corridas que assumi lugar do Bonno, só hoje então? Eu perdi as contas. Quer conversar sobre competência? – A cada competência que saía de sua boca, aumentava seu tom de voz e pareceu que ali tudo foi tomado pelo silêncio e o som da voz dela seria capaz de ser ouvida pelos quatro cantos do autódromo, além do aumento no tom de voz, a cada competência que saía, era uma batida do dedo indicador ao meu peito. – Competência não é entrar na pista e só fazer seu melhor como você acha que é, competência é também respeitar quem está por trás, competência é trabalhar em equipe, competência é baixar o nariz e reconhecer que errou, isso é competência. – Ela deu uma pausa e mesmo achando que não era possível, o tom de voz dela aumentou e ela deu mais um passo a minha direção sanando o pouco de distância que havia entre nós. – Acha o que? Que estou aqui porque transei com alguém? Porque dei para alguém da equipe? Ou acha que é porque paguei? Quer perguntar? Vamos perguntar para equipe. – Ela olhou em volta e apontou para um técnico. – Dormi com você? – E vi ele negar. – E você? Eu paguei para estar aqui? – Ela apontou para Toto que permaneceu em silêncio, em seguida ela me encarou. – Acha que dormi com ele para estar aqui? Que fui boa de cama? Ou acha que dei dinheiro suficiente para estar aqui dentro?
- , melhor se acalmar. – Toto falava se aproximando da mesma tentando a puxar pela cintura.
- Não Toto, eu cansei. – Ela disse dando um passo para lado oposto ao dele, não permitindo ser retirada dali, a mão dela estava espalmada no peito dele, o empurrando na direção contrária. – Eu cansei de ser subestimada, cansei de ser testada, cansei de permanecer em silêncio pelo simples fato de ele – e ela apontou para mim – achar que não tenho capacidade ou competência de estar aqui, apesar de todos falarem ao contrário e além de falar, do fato de eu mesma provar o contrário, você – e ela me olhava nos olhos. – Já me perguntou se tentei te sabotar, você já disse que seria fácil de lidar comigo, acha o que? O simples fato de ser rico, cobiçado por tantas, isso seria fácil? Eu estou aqui para trabalhar e a forma como me tratou desde início disso tudo aqui, apesar de sempre procurar te ajudar. – Foi quando a primeira lágrima caiu dos olhos delas que eram tomados pela raiva, naquele instante, eu fui tomado pelo sentimento de querer abraçá-la, ainda que sabendo que era o responsável por ter causado todo aquele sentimento nela e foi a primeira lágrima tomar frente para as demais não serem seguradas.
- , por favor – Toto pedia, a puxando pelo braço e ela se movimentou para soltar e voltou a ficar com peito colado ao meu.
- Você sabe que daqui eu fiz o que pude. – A voz embargada entre as lágrimas. – Você sabe e esse é pior, eu não tinha o que fazer daqui, só que você, mas é um prepotente do caralho, um mesquinho, egoísta, você sabe e esse é o pior, Hamilton, você não é leigo, você não é burro, você não é novato nisso aqui, você só é incapaz de se permitir ser ajudado por um mulher, apesar de eu ser novata na fórmula 1, eu não sou novata na minha área, eu estudei para estar aqui, por mérito meu, capacidade minha, esforço meu. – Ela dizia batendo a mão no próprio peito. – Se você acha de verdade, que estou aqui porque não tenho capacidade ou se estou aqui porque transei com um deles.
- Eu não disse isso. – A interrompi.
- Cala sua boca. – Ela me respondeu em um berro quase que imediatamente. – Você acha que consegue fazer isso sozinho? Aqui está, todo seu. – Ela virou de costas mostrando os painéis que ela cuidava. – Você senta aqui. – Ela batia no banco em que estava sentada há minutos atrás com tamanha força, dava espalmadas no banco. – E se vira sozinho, porque eu fiz meu trabalho, eu dei meu melhor, na verdade é o que eu faço desde que cheguei aqui, trabalho e dou o meu melhor pela equipe .– Ela disse abrindo os braços voltando a ficar de frente comigo. - Eu só tenho minhas dúvidas se você está aqui dando o seu melhor. – E ela apontou para mim, dando mais um passo a minha direção afundando o dedo completamente ao meu peito com as lágrimas totalmente descontroladas escorrendo pelo rosto. – Se você realmente consegue dar o seu melhor por tudo isso aqui. – Ela fez uma pausa me encarando nos olhos, a mão que estava livre, ela levou em direção aos cabelos jogando-os para trás, no intuito de que eles não grudassem nas lágrimas que escorriam pelo seu rosto e foi quando ela completou. – Apesar de que você não consegue dar o seu melhor nem para você mesmo. - A última frase saiu da boca dela quase que em um sussurro.
- – Toto a segurou pelo braço, ela tirou o dedo do meu peito ainda me olhando com tamanha profundidade. – Venha comigo. – Toto pedia em um tom de voz calmo, enquanto ela apenas me observava e não se movia, ela apenas chorava, um choro de dor, de mágoa, ela estava machucada.
- Hamilton. – Eu ouvia Bottas me chamar, me tirar completando do transe enquanto continuava ali na minha frente, a postura dela parecia desmanchar, a pose de durona dela estava desfeita quando a vi permitir ser puxada por Toto encontrando conforto em seu peito, onde o choro ganhou mais potência, mais intensidade, as pernas delas pareciam não aguentar o peso do sentimento que ela carregava, quando vi Toto me encarar tão sério, com peso nos olhos, apenas vi que uma das mãos dele estava segurando ela pelo braço, enquanto a outra segurava ela pelo meios das costas, ele virou o corpo, a carregando no mesmo movimento e me virei vendo eles andando juntos, dei um passo à frente tentando ir em direção a eles, sendo barrado pelo Bottas. – Vamos para dentro, por favor. – Ele pedia quando observei a equipe inteira ali fora, Toto e entraram pelo portão do Bottas e Bottas seguiu comigo pela minha entrada, o silêncio que antes era consumido pela voz dela tornou-se novamente o silêncio ensurdecedor.

POV


Minhas pernas não aguentariam permanecer mais firmes depois de ter vomitado todas aquelas palavras em cima dele, eu não tinha mais força, nem física nem mental, eu não tinha coragem de continuar encarando-o, senti Toto segurar meu braço, o encarando com canto dos olhos e pude ver seus lábios mexerem, não ouvia o que ele dizia, o autódromo foi tomado pelo vazio, pela tristeza, o lugar que antes pulsava energia, sentimento, vibrava, se tornou frio em pouco minutos, minhas pernas tremiam, o choro subiu quase como uma barreira que se rompe, sem pedir licença, chegou apenas derrubando tudo, chegou me derrubando, o sentimento de saber que era competente, mas não, minha saúde não valia, meus sonhos eram lindos, mas para conseguir realizá-los eu precisava estar aqui, firme, coisa que no momento eu não conseguia, ao permitir que Toto me puxasse, senti uma das suas mãos apoiar em minhas costas como um suporte para eu não cair, já a outra mão segurava firme meu braço no mesmo intuito, me acomodei, me acolhi naquele colo que parecia colo de pai, de quem acolhe, de quem ouve, aconchega. Senti meus joelhos fraquejarem assim que encostei o rosto em seu peito, ele me segurou com mais força, os passos dele eram calmos, totalmente diferente de como meu peito pulsava por dentro, a cada passo que dava, sabia que estava distante, distante de tudo que tinha conseguido ter e conquistado naqueles meses, distante o suficiente para não conseguir alcançar ou talvez não querer mais alcançar, minhas pernas pareciam bambear a cada passo, me neguei a olhar para frente, segui de olhos fechados, acreditando e acertando que ele me levaria dali, me levaria daquele lugar que me tornou o que eu menos gostava de ser, vulnerável. Ouvi barulho de porta e me dei conta de que de passos calmos dados por ele, havíamos chego a uma sala, vazia, sem roupas, sem capacetes, sem sofás, apenas uma cadeira e uma mesa, uma sala branca, fria que tinha apenas uma cadeira no canto da sala, ele me colocou sentada nela, imediatamente apoiei os cotovelos no joelho fazendo com que pudesse apoiar o rosto em minhas mãos, a cabeça pesava, pulsava, os olhos doíam, o corpo parecia que me sabotaria a qualquer momento.
- , você quer água? – Ouvi a voz de Toto calma quando resolvi erguer a cabeça e encontrar os olhos dele na altura dos meus, ele se encontrava agachado na minha frente.
- Obrigada. – Respondi o encarando e negando com a cabeça. - Ele não tinha direto. – Ao começar a falar os olhos enchiam de lágrimas novamente. – Ele não tinha, Toto. – Ele apoiou uma das mãos em um dos meus joelhos.
- Não , ele não tinha – Toto repetiu a mesma frase que eu anteriormente, ergui meu tronco ficando reta na cadeira, as minhas mãos tomaram o trabalho de começar a secar as lágrimas. O silêncio tomou conta da sala, quando decidi me levantar da cadeira e andei pelo pequeno quadrado que era a sala que estávamos. A fala dele ao me chamar de incompetente, o olhar de soberba que encontrei quando ele virou minha cadeira, a forma prepotente, o tom de voz agressivo, tudo voltava como looping na minha mente.
- Eu não acredito nisso. – Eu falei no tom mais alto, vendo Toto me observar e a primeira que vi ao meu lado foi uma mesa de madeira, onde fechei a mão e dei um único soco, encarei Toto que ainda me observava.
- Eu vou te tirar daqui. – Toto respondeu indo a minha direção. – Eu vou te levar para o hotel, eu volto depois para as entrevistas, peço para esperarem, vem. – Percebi Toto me puxar pelo ombro, ao abrir a porta, percebi que não fazia ideia de onde eu estava, parecia ser fora do box da Mercedes, fora da estrutura montada para abrigar a equipe e conforme Toto me levava no sentido do estacionamento e tinha muitos carros, olhei em volta e consegui identificar a entrada das equipes, que tinham as catracas de acesso, onde só poderia sair ou entrar com crachá.
- Toto, me dê seu crachá e eu vou embora. – Pedi, parando de andar e o senti me soltar e me encarar imediatamente.
- Não vou deixar você ir embora sozinha, ainda mais desse estado, não vou enfiar você dentro de um uber ou táxi e tchau – Toto respondia.
- Não seu crachá de saída, eu quero um carro, me dê o carro e eu vou embora – Pedi estendendo a mão para ele.
- Desse estado? Você irá fazer besteira – Toto respondeu negando com a cabeça.
- Toto, eu jamais faria algo pelo bosta do Hamilton. – Respondi ainda com a mão espalmada. – Por favor.
- Se você não me der notícias, eu mando a polícia atrás de você até no Brasil se for necessário. – Ele respondeu tirando as mãos do bolso dando uma chave de um dos carros da Mercedes – Por favor, não é pelo carro, é por você. – E ele me entregou a chave e a credencial de autorização para sair com um dos veículos dali de dentro, virei as costas para ele, andando em direção ao carro, peguei meu celular no bolso apenas para verificar que realmente tinha minha carteira de motorista salva no aplicativo online, caso precisasse conseguiria comprovar. Fazia meses que não dirigia, eu amava dirigir, não pela fórmula 1, mas pela independência que ela me dava, dirigi desde os 18 anos, era livre, libertador, era dependente apenas de mim mesma, fazia o que bem entendesse, a hora que quisesse, pelo simples fato de não precisar de ninguém para me locomover, acrescentar velocidade ao carro era o que tornava tudo mais emocionante e perigoso.
Sai do autódromo e não era para hotel que queria ir, o tanque cheio do carro me permitiu dirigir pela cidade, o GPS ajudava a não me perder, afinal, era tudo muito diferente, fiquei pouco mais de uma hora andando, ainda que algumas lágrimas teimassem em descer, agora eu podia, podia sentir, me deixar levar, eu estava me autorizando a sofrer, a deixar doer, apesar que depois de tudo, aquilo passaria, porque doía antes e doía em silêncio. Entrei no hotel e deixei carro na entrada solicitando me levassem para garagem, minha bolsa com todos os documentos tinha deixado no autódromo, consegui entrar no meu quarto porque reconheceram e expliquei que era de extrema urgência. Subi de escada, em passos lentos e leves, calma, tranquilidade que eu havia conseguido adquirir nessa pouco mais de uma hora sozinha, no silêncio, apenas com minha companhia, subi alguns andares, parava, respirava, chorava e o trajeto iniciava novamente, andar, parar, respirar e chorar até chegar ao meu andar e conseguir entrar no meu quarto. Peguei o telefone e liguei para única pessoa do qual eu precisaria na hora, ela atendeu o telefone após o primeiro toque, já que ela não esperava que eu ligasse aquele horário, tendo em visto que lá seria madrugada.
- Oi meu am... – A frase dela com o rosto todo sorridente foi tomado pelo semblante sério no imediato momento em que encontrou meu rosto avermelhado na câmera. – o que houve? – O tom de voz feliz, tinha sido tomado pelo tom sério, o tom de quem sabia que eu estava mal, as lágrimas rolaram com ela, as falas eram mais curtas, o choro chegou ao fim, como se as lágrimas tivessem secado em meio a tanto soluço, eu me aconcheguei à poltrona que ficava no canto da sala e a apoiei no móvel ao lado da cama para que pudesse me ver, ela ouviu tudo, sem interromper, sem questionar, ela só ouviu e me abraçou de longe, do jeito dela. – Eu não imaginava , ter que gastar agora.
- Gastar? – Perguntei ainda sem entender o que a resposta tinha a ver com tudo que eu havia contado.
- É, eu não esperava que teria que gastar meu dinheiro comprando uma passagem para Rússia. – Ela sorria do outro lado da câmera, fazendo com que, pela primeira vez depois de tudo eu sorrisse também. – Eu vou ter que ir para próximo GP socar a cara de quem te olhar torto, isso mesmo? – Ela falava fazendo movimentos de luta na câmera. – Eu treinei você esqueceu? Eu pego esse povo na porrada, , sobra ninguém. – O riso mesmo que fraco apareceu e deu espaço em meio às lágrimas que duraram horas, ela tem aquele poder, ela tinha aquela sabedoria, mas aos poucos e foi ficando tarde, escurecendo do lado de fora, não só para mim, mas para ela também, já estava totalmente fora do horário, ainda assim me ouviu, me acolheu e eu resolvi me despedir dela, ainda precisava do meu tempo, meu espaço, prometi que a daria notícias, o celular apitava a cada mensagem do Toto querendo saber onde estava e sentia que não teria paz ou sossego, mas sabia que era por preocupação. Enchi a banheira que tinha no quarto do hotel e imergi nela, ficando por ali algumas horas, apenas de olhos fechados tentando me concentrar no nada, no vazio, o dia tinha me causado tantas coisas, me levado ao meu limite, minha mão doía do soco dano da mesa, não sei de onde eu havia tirado tanta força, tanta raiva, o corpo doía junto com a cabeça devido ao choro, saí do banho, coloquei apenas um conjunto de pijama e me deitei na cama, no silêncio e escuro, sem pressa, sem nada que acelerasse, apenas deitei e fiquei encarando teto, o celular eu havia desligado, não daria mais notícias, precisava me concentrar em mim e só seria possível daquela forma.
Acordei na manhã seguinte, ou pelo menos o que achava ser manhã, encarei pela janela na tentativa falha de ter uma dedução de horário, mas sem sucesso, precisaria ligar o celular para que aquilo acontecesse. Ao ligar telefone precisei esperar a quantidade de mensagens e ligações perdidas e o nome dos contatos havia me lembrado da pessoa que eu havia esquecido de dar notícias e àquela altura devia estar surtando, Bonno. Assim que foi possível, desbloqueei o celular e retornei ligação ao Bonno, algumas ligações ainda eram do Toto, mas ele parou no momento em que deve ter descoberto que eu estava ao hotel. O telefone chamou uma vez, tempo suficiente deu saber que Bonno devia estar com telefone pendurado ao lado dele.
- Ao menos de uma eu tenho notícias, o que aconteceu ? – Bonno perguntava com voz um pouco desesperada, eu consegui suspirar e permaneci ainda em silêncio – ? O que aconteceu?
- Está tudo bem, Bonno. – Respondi
- Não me convence, sabe que já sei o que aconteceu, mas quero saber de você. – Ele pediu com a voz mais calma.
- Eu só não aguentei mais. – Respondi encarnado o teto do quarto. – Foi isso que aconteceu e Bonno, não sei se quero mais isso para mim.
- Sabe que lhe apoio no que decidir – Bonno respondeu e eu sentia conforto na voz dele.
- Quero que saiba que eu fiz o que pude, o que estava ao meu alcance. – Comecei a responder e percebendo o total silêncio dele para me permitir desabafar. – Eu não posso continuar dessa forma, dando soco em ponta de faca, só me machuca e na verdade, eu não preciso ter que provar mais nada para ninguém. – Respirei fundo, depois de um banho e uma noite bem dormida eu tinha conseguido adquirir um pouco mais de tranquilidade para conversar sobre o assunto. – Eu preciso conversar com Andy ou Toto e ver como faremos, se vão me mandar embora.
- Está maluca? Você pode não querer ser mais engenheira específica do Hamilton e te apoio porque eu seria egoísta suficiente de pedir para você ficando sabendo de tudo que você tem passado, mas eu jamais vou permitir você deixar de ser engenheira da Mercedes – Bonno respondeu e completou. – Eu entendo, te entendendo e já disse e repito, você tem meu apoio em tudo, mais sair dali, só se for para você crescer. O que é isso, vai largar tudo? De forma alguma, preciso pegar um voo para Singapura agora, é? – Ele perguntou e pelo tom da voz ao final da frase ele sorria, o que me permitiu abrir um leve sorriso, ainda encarando o teto. Conversei com Bonno por mais algum tempo, mas o que não saia da minha cabeça era a primeira frase dele, ao menos de uma eu tenho notícias e foi desligar o telefone e entrar nas redes sociais que tudo fez sentido, as milhares de manchetes sobre a noitada de Lewis Hamilton, não abri nenhuma matéria, me pouparia de toda aquela raiva que não havia passado, era o misto de sentimentos presente e aflorados o suficiente para continuar a alimentá-los.

POV Toto


Eu sabia que estava no hotel, por noticiais que pedi dela logo que cheguei, tinha tentado contato na noite anterior sem sucesso, na manhã seguinte também, telefone desligado, até que logo pós almoço recebi uma mensagem dela mesma dizendo estar bem, o que eu duvidava, Hamilton não havia dado notícias, vi ele nas entrevistas pós corrida, coisa rápida, depois não o encontrei mais sem ser o rosto dele estampado em todos os noticiários. Ligava e telefone totalmente desligado, ele era adulto o suficiente para saber que teríamos que viajar na terça, iriamos para Sochi na Rússia e tínhamos trinta horas de viagem e duas escalas pela frente. Naquele dia, não trombei nem no café da tarde, muito menos no jantar, Hamilton sem sinal algum, depois do jantar, subi para o quarto e, quando estou prestes a dormir, escuto alguém batendo a porta, estranhei já que Susie não estava comigo aquele final de semana. Ouvi as batidas se intensificarem na porta.
- Já estou chegando. – Disse ainda tentando fechar o cinto do roupão que havia pego quase que em um impulso da cadeira, abri a porta e dei de cara com Hamilton.
- Acabou a bateria. – Ele dizia erguendo o celular com a tela totalmente apagada.
- Vinte e quatro horas de festa. – Respondi encarando meu relógio imaginário. – Parabéns, uma sábia forma de lidar com suas frustações.
- Não estou frustrado. – Hamilton respondeu balançando os ombros como se não se importasse.
- Vá descansar, amanhã temos uma longa da viagem. – Respondi encostando-me ao batente da porta. – Feliz em saber que está vivo.
- Estou, vim dar justificativa do celular porque sei que deve ter ligado. – Hamilton respondeu levando as duas mãos aos bolsos da frente.
- Não só eu, depois comunique ao Bonno, por favor. – Respondi desencostando da porta e dando um passo para trás, segurando a maçaneta por dentro.
- Está tudo bem? – Hamilton perguntou encarando o chão.
- Estou. – Respondi e continuei o encarando, segurando a porta. – Por que?
- Não era exatamente de você que eu queria saber. – Ele respondeu colocando uma pausa e uma respirada funda.
- Não tenho notícias. – Menti, naquela altura nada ajudaria, Hamilton aproveita festas normalmente, com família, amigos, mas aquela festa, ainda mais depois de uma derrota que ele havia sofrido por ele mesmo, não iriamos ajudar nada com nenhuma informação.
- Ao menos ela está aqui? Soube que saiu de lá de carro. – Hamilton resolveu então me encarar e eu permaneci em silêncio. – Qual foi, Toto, só isso, ao menos ela está aqui no hotel?
- No que isso vai te ajuda Hamilton? Vamos descansar. – Pedi fechando uns centímetros da porta para que ele entendesse e ele imediatamente retirou uma das mãos do bolso e segurou a porta.
- Toto, ao menos ela está aqui? – Ele perguntou franzindo a testa e eu continuei em silêncio. - Wow, tudo bem, eu posso procurá-la sozinho. - Eu permaneci segurando a maçaneta e ele com a mão espalmada na porta.
- Não acha que já temos problemas o suficiente causados nesse final de semana, Lewis? Por favor, vamos nos poupar, então apenas me escute e vá para seu quarto. – Respondi e ele permaneceu intacto a minha frente, ele ria de nervoso, um riso sínico que ele era capaz de ter.
- Toto. - Ele começou a falar e eu o interrompi imediatamente.
- Hamilton, quarto, agora, não me faça parecer que estou trabalhando com uma criança de sete anos de idade que é incapaz de levar um não, por favor, amanhã temos viagem, todos estão desgastados, cansados, esgotados, todos, te incluo nessa, então por favor, estou pedindo isso apenas, nos poupe de mais uma discussão ou briga que isso possa causar. - Então o vi tirar a mão da porta e colocar para cima como se estivesse rendido, ele não causaria mais nada aquela noite, seguido disso voltou a colocar as mãos no bolso.
- Ok. – Foi a única coisa que ele respondeu e se virou, saindo pelo corredor e pude vê-lo entrando em seu quarto, esperei alguns minutos ainda, para ver se sairia, mas acredito que depois da farra e do porre, tudo que ele precisaria era uma boa noite de descanso.

***


A manhã seguinte foi como todas as outras de hotel, arrumamos malas pois sairíamos do hotel a uma da tarde. Todos precisavam fazer check out para não entrarmos em nova diária e irmos para aeroporto, eram diferentes alguns horários, pelo que conversei no saguão do hotel, nós da Mercedes tínhamos ficado no mesmo voo da Ferrari e Renault, então vi Hamilton e Bottas conversando com Leclerc e Vettel próximo a nós, a equipe da Ferrari se encontrava ali embaixo, como a equipe da Renault, apenas os pilotos que não, então imaginei que eles já pudessem ter ido para aeroporto, não estava por ali também, naquela altura não sabia se ela já estava no aeroporto ou se ainda estaria no hotel, mandei mensagem para mesma na noite anterior perguntando se ela estaria bem e ainda sem sucesso de resposta. Faltava menos de dez minutos para sairmos do hotel quando vi Nico e Daniel, os dois pilotos da Renault saírem pelo elevador acompanhados de , eles deram espaço para ela sair primeiro e a primeira coisa que fiz imediatamente foi encarar Lewis, que conversava com os caras, ainda não havia percebido ela ali.
- Você precisa nos ensinar português. – Daniel pedia e soltava um riso.
- Prometo que um dia eu ensino vocês – respondeu arrumando a mochila dela nas costas e Nico carregava a bolsa de rodinhas dela, os três seguiram para check out e tiveram uma breve despedida com abraços no balcão e ela seguiu na minha direção, ela tirou do bolso da calça jeans algo e veio com aquilo em mãos, ela parou na minha frente e abriu as mãos, permitindo que visse que eram as chaves emprestadas no domingo. – Obrigada. – Ela dizia com um sorriso no rosto.
- Como você está? – Perguntei pegando a chave.
- Bem. – Ela respondeu pegando os óculos escuros que estavam presos na gola da camiseta e colocar ao rosto ainda dentro do saguão, o rosto cansado, as olheiras profundas eram perceptíveis e ali, eu e ela sabíamos o motivo, mas não entraríamos em mérito.
- Quer uns dias de descanso? – Perguntei.
- Eu passei um final de semana descansando, diferente de um piloto que não pensa nada além do seu próprio umbigo. – respondeu tombando a cabeça para lado dando um sorriso debochado, eu apenas ri e ela completou. – Eu não quero mais falar aos rádios, nem estar presente nas corridas, mas do restante, o carro ainda é minha responsabilidade enquanto Bonno não voltar, ok?
- Ok. – Respondi ainda com sorriso no rosto, ela estava de volta, encarei Lewis, que a olhava sem ela ver já que estava de costas para ele. Fomos caminhando para fora do hotel conversando sobre assuntos particulares ou qualquer bobeira que nos distraísse, entramos no UBER e fomos para aeroporto.
O clima no aeroporto foi melhor que imaginado, e Lewis não trocaram uma palavra, da parte dela não trocaram nem olhares, entramos no voo que daria escala em Abu Dhabi, teríamos as primeiras sete horas de voo, o voo foi fretado para as equipes apenas, então todos se conheciam, a conversa era mais íntima, tudo era mais tranquilo com voos daquela forma, vi sentar com Charlie e mais um técnico, eu havia ficado no assento com Bottas e Hamilton, conversamos sobre coisas descontraídas.
Após as sete horas, chegamos à primeira parada, teríamos um chá de cadeira naquele aeroporto, alguns voos atrasaram e a tentativa falha de fretar um particular para levar todos para o destino foi em vão, sorte que ninguém se estressou e em pouco mais de três horas os problemas tinham sido resolvidos, tínhamos mais cinco horas de Abu Dhabi para Domodedovo na Rússia, de lá pegaríamos mais um voo de duas horas para Sochi, onde a maioria dos pilotos tinham casa, apartamentos, então nem todos ficavam no hotel, ficou decidido que a equipe da Mercedes de Domodedovo pegaria um voo particular e seguiria para Sochi. E foi como dito, após mais cinco horas de viagem, nos despedimos de todos e seguimos para o voo particular, , eu, Lewis, Bottas e alguns técnicos e mecânicos, não passavam de vinte pessoas, os demais ficariam com a família ou amigos, teriam que estar em Sochi na segunda feira.
- Duas horas e fim? – Ricci se jogava em uma das poltronas.
- Duas e fim – sentava em uma poltrona logo atrás dele. – Não tem energético que me deixe mais em pé. – Ela encostou a cabeça no encosto da poltrona com a almofada de pescoço em volta tombando em seguida a cabeça para lado.
- Essa viagem estraga a gente demais – Bottas falou, sentando ao lado da . – Ela tem que ser uma das primeiras, não deixar para as últimas.
- Eu concordo. – Foi da vez de Lewis. – No começo todo mundo está animado com essas viagens e não sei porque, justamente essa viagem mais longa não temos direito ao voo particular.
- Na verdade sabemos, né? Valor. – Bottas respondia fazendo símbolo de dinheiro com as mãos e comecei a rir deles.
- Parem de reclamar. – Sentei ao lado do Ricci. – Só mais duas horas para vocês. – Por duas horas, o avião estava em completo silêncio, ninguém aguentava mais, a viagem era realmente desgastante, dependia muito de todos, a sorte era o final de semana de descanso que todos teriam depois, todos livres por um final de semana, Suzie me esperava no apartamento que tínhamos em Sochi e aquele final de semana eu queria estar totalmente desligado do ambiente de f1 depois da semana que tinha tido.



Continua...



Nota da autora: Olá pessoal!!
Tudo bem?
Espero que gostem do início da história, acreditem em mim, tem muita coisa a acontecer pela frente, feliz demais em trazer um dos meus esportes preferidos (se não for o preferido real rs) para vocês conhecerem e se sentirem um pouco dentro do mundo enorme que é a F1 <3''


Lihh, desde já. obrigadíssima!!

Beijos,

Ana




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