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Finalizada em: 14/09/2020

Prólogo

John ajeitou a gravata mais uma vez, sentindo-se incomodado com o aperto no pescoço. A verdade é que o homem era acostumado com a vestimenta, mas naquele dia ele estava ansioso pelo que viria a seguir, e por isso a roupa o incomodava.
Ouviu o secretário de segurança terminar o seu discurso em cima do palanque, e se preparou para levantar.
— … Uma salva de palmas para John , cidadão honorário de Nova Iorque.
As pessoas começaram a bater palmas e a assoviar, algumas até mesmo se levantaram dos seus lugares.
John caminhou até o centro e apertou a mão do secretário da segurança. Posaram para uma foto e lhe foi entregue a medalha de honraria e o certificado de cidadão honorário.
E então tudo aconteceu rápido demais.
Em um momento John estava posando para mais uma foto ao lado do secretário de segurança sob aplausos e gritos de felicitações, e no instante seguinte os gritos mudaram. Em vez de comemorar o evento, as pessoas gritavam e corriam sob sons de tiros.
Mas o atirador tinha um só alvo e ele estava em cima do palanque.
John se jogou no chão junto do secretário de segurança. Pelo menos meia dúzia deles correu em direção aos homens para protegê-los, mas os tiros continuaram vindo, indicando que o alvo era outra pessoa.
viu uma bala acertar o chão a menos de meio metro dela. A garota se jogou também no chão. Enquanto sua mãe foi imediatamente protegida por um segurança, se rastejou até onde o pai tinha caído, segundos antes, e buscou pela arma dele, mas outro segurança apareceu do seu lado, jogando o corpo na frente do dela.
— Não se preocupe, senhorita, tudo vai ficar bem. — o segurança falou para ela.
Mas não estava preocupada, estava em alerta e pronta para se defender, ainda que fosse preciso atacar quem estava atacando a sua família.
E tão rápido quanto começou, o tiroteio parou. Não porque os atiradores foram pegos, mas porque fugiram exatamente para não serem encontrados.
No final do dia, enquanto se recuperavam do susto, seu pai esbravejava sobre a parca segurança do evento. O secretário de segurança pediu desculpas várias vezes e garantiu que os responsáveis seriam encontrados e devidamente punidos.
— Eu garanto a você, John, que o serviço secreto já está a par da situação. Nós não vamos descansar até pegar estes desgraçados.
— É o mínimo que eu espero, Bill. — John disse já um pouco mais calmo. — Quero ficar a par das investigações, se possível.
— Claro. Com certeza.
estava mais afastada, sentada junto da mãe que ainda estava muitíssimo abalada. Cada vez que seu marido saía para trabalhar como agente do serviço secreto, a mulher sentia medo de não vê-lo voltar para casa no final do dia. Quando o homem se aposentou, Odete pensou que finalmente conseguiria dormir em paz.
Aquela cerimônia era para ter sido apenas um evento para honrar os trabalhos prestados por John durante toda a sua carreira no serviço secreto, mas quase acabou em tragédia, confirmando todos os medos que Odete sentia.
recusou o copo de água e o calmante que lhe foram servidos. Ela não estava nervosa, estava enérgica, com todos os sentidos à flor da pele. Sua audição nunca esteve tão apurada e seus olhos enxergavam tudo ao seu redor, como se procurassem por alguma coisa, qualquer pista deixada pelos atiradores. Ela não queria descansar, queria encontrar aqueles malditos por terem estragado o seu dia e, pior, o seu vestido novo que ela nem mesmo havia terminado de pagar.

Parte 1

chegou em casa por volta das nove horas da noite, muito além do "toque de recolher" imposto pelo seu pai após o incidente ocorrido no dia da honraria. Pensou que a casa estivesse vazia já que os cômodos estavam todos apagados, mas logo descobriu que estava enganada. Seu pai não só estava lá, como também estava a esperando com uma cara de poucos amigos.
— Posso saber onde você estava?
John nunca tinha sido um homem controlador com a agenda da filha, pelo contrário. Sabia que era uma garota responsável e que jamais se colocaria em situações perigosas, especialmente sabendo que o pai poderia colocar o serviço secreto do país todo atrás dela caso desconfiasse que a filha estivesse fazendo algo que não deveria.
Mas eles não estavam em uma situação normal, pelo contrário. Estavam vivendo sob ameaças anônimas vindas de pessoas que nem os melhores agentes do serviço secreto haviam conseguido alcançar ainda. E por isso, John criou algumas regras provisórias dentro de casa. A primeira: nunca chegar em casa depois das seis da tarde, quando o sol se punha.
— Estava tirando fotos para o meu trabalho da faculdade. — ela respondeu.
não mentia. Aprendeu desde cedo que não tinha porque fazer isso, pelo menos não para o pai, que tinha um faro excelente para descobrir mentiras de quem quer que fosse.
— E onde está o Sr. Peter?
— Ah… Ele… Ele voltou mais cedo para casa.
Na verdade até tentava mentir, mas nunca conseguia enganar o pai.
A menina suspirou.
— Eu o despistei. — ela disse, dando de ombros. — Mas se quer saber minha opinião, se o Sr. Peter não consegue manter os olhos em uma garota universitária, ele não deveria ser considerado um bom segurança.
John soltou o ar com força.
— Se eu não conhecesse você, , e suas técnicas de se esconder, eu acreditaria na sua história. — Eu não preciso de um segurança, pai. Sei me defender.
E aquilo era bem verdade. aprendera a se defender quando tinha doze anos e frequentou aulas de tiro ao alvo assim que atingiu a maioridade. John queria garantir que sua filha não dependesse de ninguém para se sentir segura.
Mas a situação em que estavam vivendo era bem diferente. Quer dizer, as técnicas de autodefesa ensinadas a não seriam suficientes para protegê-la de alguns lunáticos que já haviam declarado, por meio de cartas anônimas, buscar vingança contra a família .
John foi um bom agente do serviço secreto, mas isso teve um preço: os inimigos que fizera ao longo da sua carreira.
— Você não faz ideia de com quem estamos lidando, .


✦✦✦


desceu para o café da manhã na casa dos . Sua mãe fazia questão de reunir a família para as principais refeições do dia, mas por conta da profissão do seu pai — antes como agente do serviço secreto, e agora como consultor em um grande escritório de advocacia — a única refeição para qual Odete realmente conseguia reunir a família em volta da mesa era o café da manhã.
Por isso, ficou surpresa quando encontrou um membro a mais na sala de jantar.
— Quem é esse? — ela perguntou ao pai.
Mais afastado, um rapaz de terno e gravata com a expressão séria, deu um passo à frente.
— Este é o seu novo guarda-costas. — John respondeu.
— Muito prazer, senhorita. Meu nome é .
O guarda-costas curvou ligeiramente o corpo em sinal de cumprimento e voltou a encostar-se à parede.
deixou o queixo cair.
— Tenho uma babá agora?
não pareceu gostar do apelido, tampouco John.
— Você tem um segurança agora. Um que não vai te perder de vista como o anterior.
A garota analisou a situação. Poderia sair correndo, mas isso seria infantil demais da parte dela. Poderia se rebelar e fazer um escândalo, mas não fazia essas coisas. Ela também não era do tipo que aceitava fácil ser podada e vigiada. Quer dizer, não era uma criança, muito pelo contrário. Não só já era uma mulher adulta como também sabia muito bem como se defender sozinha.
Então, deixando todos os planos de lado, a garota apenas sentou-se à mesa e tomou seu café da manhã ao lado do pai e da mãe, ambos conversando sobre um assunto que ela não quis se inteirar.
pediu licença e foi para fora, dizendo que a esperaria no carro e estaria pronto para levá-la à faculdade assim que ela se encontrasse pronta para ir.
agradeceu o gesto, mas quando terminou de tomar o café da manhã e buscou a bolsa em seu quarto, a garota não procurou pela sua babá. Em vez disso saiu pela porta dos fundos e foi até o ponto de ônibus mais próximo, sabendo que o ônibus que iria para sua faculdade passaria dali alguns instantes.
Olhou para trás algumas vezes apenas para confirmar o que já suspeitava: que o novo guarda-costas era tão ruim quanto o antigo, pois nem mesmo havia percebido que a garota tinha saído.
— Vai precisar se esforçar muito mais se quiser me acompanhar. — ela comentou para si mesma, rindo orgulhosa.
Mas ao descer no ponto da faculdade, o encontro com uma pessoa fez com que a garota tirasse o sorriso do rosto.
— Eu ficaria feliz em lhe oferecer uma carona, senhorita .
mal pôde controlar o queixo caído.
— O que você está fazendo aqui?
, sua nova babá, estava na sua frente com as mãos cruzadas em frente ao corpo.
O rapaz deu um sorrisinho de lado, contido.
— A senhorita vai ter que se esforçar mais se quiser realmente me deixar para trás.
ignorou a fala dele, rolando os olhos. Aquela fala era dela e a garota não deixaria que ele a roubasse. Além disso, que história era aquela de chamá-la de senhorita?
— Se quiser me seguir por aí e dar uma de espião, vai precisar se disfarçar um pouquinho melhor. — ela disse, apontando para as roupas dele. — Use umas roupas mais normais, pelo amor de Deus. Não estamos em um baile de gala.
deu mais um sorrisinho misterioso, daqueles de lado que não sabia o que significava, mas não respondeu nada. Continuou seguindo a garota, dessa vez bem mais de perto, sentando próximo a ela nas aulas e, inclusive, ao seu lado na hora do almoço.
A garota nem precisou olhar para o lado para saber quem havia puxado a cadeira. A roupa do rapaz deixava claro quem ele era e o que estava fazendo ali, chamando a atenção de qualquer pessoa normal que passasse por eles.
rolou os olhos e bufou alto.
— Ora, ora, se não é o meu stalker.
, contudo, não respondeu nada. Estava mais preocupado em olhar em volta à procura de ameaças.
— Você vai realmente ficar me seguindo para cima e para baixo usando essas roupas?
Novamente, nenhuma resposta.
— Sabe, acho que seria menos insuportável se você ao menos tentasse ser educado e respondesse às minhas perguntas.
Nesse momento, , que ainda tinha a atenção dividida entre os muitos estudantes que passavam pela praça de alimentação, voltou os olhos para ela.
— O que a senhorita gostaria de saber?
rolou os olhos e bufou de novo, desistindo de tentar manter qualquer conversa normal com ele. Ela não precisava de um segurança e, definitivamente, não precisava de um segurança chato como .
As amigas da garota chegaram naquele momento e se sentaram com ela, questionando quem era o rapaz de terno ao lado de .
— Ah, ele é meu primo. Mora no estrangeiro desde que nasceu então não sabe falar o nosso idioma, coitadinho. — ela respondeu com uma falsa cara de pena.
Enquanto as amigas fizeram expressões de compreensão, tombou a cabeça para o lado, precisando se segurar para não responder àquilo. Esforçou-se a se lembrar de que estava ali a trabalho e que sua missão era, unicamente, assegurar o bem-estar de . Ele não tinha obrigação de ser simpático com ela.
Assim que o horário da próxima aula se aproximou, se despediu das amigas e foi em direção ao prédio em que estudava. estava ao seu encalço quando se surpreendeu ao virarem para o lado oposto da entrada do prédio onde teria aula pela próxima hora.
— Por aqui, stalker. — ela o chamou.
ergueu uma sobrancelha, insatisfeito com o apelido que recebera, mas, novamente, não fez nenhum comentário. Seguiu até o portão da faculdade para, só então, expressar uma reação de surpresa.
— Por essa você não esperava, não é? — ela comentou, rindo.
De fato, o segurança não esperava que fosse cabular aula, ainda mais o tendo em sua cola, sabendo que ele poderia dedurá-la ao seu pai a qualquer momento. Por outro lado, não se surpreendeu com a atitude da garota, afinal de contas, ela era uma garota mimada de uma família rica e nada além disso.
E prova disso era o fato dela ir até uma praça no meio da manhã, ignorando o valor absurdo que o seu pai devia pagar de mensalidade, para tirar fotos. Fotos de pessoas passando. Fotos de crianças correndo. Fotos de animais brincando com seus donos. Era assim que passava suas manhãs? Brincando de tirar fotos?
A garota se sentiu observada pelo segurança. Não observada no sentido de estar sendo monitorada, mas no sentido de estar sendo julgada. Deu de ombros, não se importando com isso — não era como se a opinião dele valesse muito para ela.
Mas o que a incomodava realmente era o silêncio. Quer dizer, gostava do silêncio, pois normalmente eram apenas ela e sua câmera, então apenas se concentrava nos sons que o ambiente lhe proporcionava. Mas ela não estava sozinha ali, ah não. Estava sendo seguida de perto e mais, julgada por um homem que conhecera naquela manhã e não fazia ideia de quem ela era realmente. E isso a incomodava.
subiu em um banco, mas ainda não estava alta o bastante. Caminhou até uma árvore próxima e então se virou para o seu segurança.
— Me ajude a subir aqui.
Ele suspirou, mas não negou o apoio. A garota se sentou em um galho baixo e então passou a tirar mais algumas fotos. E ainda que soubesse que não era seu trabalho questionar, o rapaz não conseguiu se conter:
— Qual o propósito disso?
sorriu por trás da câmera.
— Além de ter boas fotos para o meu portfólio? Fazer você falar alguma coisa.
E, aparentemente, a garota havia tido sucesso na sua missão.
suspirou de novo, inquieto e desconfortável, mas não falou mais nada. Inclusive, manteve o seu propósito de continuar em silêncio e invisível durante toda a primeira tarde em que passou ao lado de . Apesar de achar uma atividade completamente desnecessária ir a lugares ermos e "peculiares", como a garota chamou um dos becos em que foram no final da tarde, o segurança apenas se manteve ao lado dela, sempre atento a qualquer possível ameaça.
— Está escurecendo, precisamos ir. — ele disse, após algumas horas de silêncio.
— Uau, então ele não perdeu a voz? — ela comentou, como se falasse consigo mesma, ainda que tivesse feito questão de manter o tom de voz alto.
Ignorando completamente a orientação dele, a garota continuou seguindo para o caminho oposto ao de onde o carro estava estacionado. Ela ainda não estava pronta para ir embora, já que tinha mais um lugar que queria ir.
— Onde pensa que está indo?
Dessa vez a garota não se surpreendeu com a pergunta dele, já que imaginava que ela viria.
Eles adentraram em um bairro mais afastado da cidade e infinitamente mais pobre que a região em que ela morava. Ali os postes públicos não funcionavam como deveriam e as ruas pareciam não serem limpas há anos. Havia poucas pessoas nas ruas e as que estavam passando por lá não pareceram gostar de ver intrusos.
— Não estou gostando disso. — ele comentou de novo.
O lugar já era hostil por si próprio, e somado ao fato de que a garota estava sob ameaça, teve certeza de que eles não deveriam estar ali àquela hora. Mas não era só isso… O segurança estava com um mau pressentimento.
— Não acho seguro adentrarmos mais neste bairro.
Mas, novamente, o ignorou. Trocou a lente da câmera, despreocupada com os olhares aflitos que seu guarda-costas lançava para os lados.
— Acho que podemos estar sendo seguidos. — ele falou, mas dessa vez baixinho.
sentiu o corpo todo entrar em alerta imediatamente. Aguçou a audição e a visão, tentando escanear toda a região à procura de ameaças. A garota sentiu os pelos dos braços arrepiarem mesmo que estivessem em plena primavera.
— Nós não deveríamos estar aqui. — ele comentou, levando a mão à cintura, onde o coldre da arma estava. — Isso não é lugar para você, ainda mais nesse horário.
E por mais que estivesse atenta à movimentação, não pôde deixar de se incomodar com a fala dele. — Eu não deveria estar aqui por que sou mulher ou por que não sei me defender?
— Se você não fosse tão cabeça dura…
— Ah, então você não só sabe falar como também sabe manter uma conversa? — ela provocou, irritada. Não gostava de ser contrariada, tampouco gostava de se sentir acuada. E estava se sentindo exatamente assim naquele momento.
Mas eles não puderam continuar a discussão.
Um carro, vindo de algum lugar que não conseguiu ver, passou acelerado por eles. O pior era que o carro subiu na calçada, quase atropelando o segurança. Se o rapaz não tivesse se jogado no chão a tempo, poderia ter se machucado gravemente, ao mesmo tempo em que se jogou contra a parede para se proteger do possível impacto.
O perigo, contudo, não tinha acabado ainda.
De dentro do carro, duas pessoas começaram a atirar. não teve tempo de sacar a sua arma e revidar, sua maior preocupação era com a segurança de e, por este motivo, jogou-se em cima dela apenas para que pudessem se esconder atrás de algumas latas de lixo. Ele ainda se levantou e atirou algumas vezes em direção ao carro, que deu a volta na rua e passou a correr na direção deles de novo, mas quando um dos tiros de acertou dentro do automóvel, eles mudaram de direção e se afastaram.
Quando saíram do esconderijo atrás dos latões de lixo encontraram alguns moradores do bairro fora de suas casas, olhando, curiosos para a rua sem parecerem surpresos, como se estivessem acostumados a ver cenas como aquelas todos os dias.
— Os deixamos escapar. — falou sozinha, frustrada.
— Não se preocupe, você está segura e é isto que importa. — ele respondeu. — Além disso, consegui dar uma boa olhada na placa do carro. — ele estava ofegante, como se tivesse corrido uma maratona. — Também acho que acertei um deles, então vou emitir um alerta a todos os hospitais caso alguém baleado apareça.
respirou fundo, como se também tivesse passado a última hora fazendo exercícios.
— Não acho que eles iriam a um hospital para tratar do ferimento.
concordava com ela, mas preferiu guardar sua opinião para si.
Naquele momento, tudo o que ele queria era ir embora com sua protegida e passar a investigar o carro que quase os matou.

Parte 2

estava sentada em frente ao seu computador, passando as fotos do cartão de memórias para o HD. Arriscara-se demais para conseguir aquelas imagens e não iria correr o risco de perdê-las.
Foi interrompida com uma batida na porta do quarto.
Tinha acabado de tomar banho e ainda estava com a toalha enrolada nos cabelos, vestia pijama e estava descalça, mas por estar em casa não se importou em abrir a porta vestida daquela forma.
Surpreendeu-se, contudo, ao encontrar seu guarda-costas do outro lado, segurando duas xícaras com chá.
— Não preciso disso para me acalmar, sabe? Eu estou bem. — ela falou, mas não recusou a xícara oferecida por ele.
O rapaz ergueu a sobrancelha e colocou a mão livre no bolso da calça do terno.
— Você é durona, eu já entendi. — ele respondeu. — O chá, na verdade, é para te aquecer.
não tinha reparado até o momento, mas estava tremendo, o que era um fato interessante, já que não estava frio lá fora, muito menos lá dentro. Por mais durona que ela fosse, assim como acabara de dizer, havia ficado abalada com o novo atentado e prova disso era que não conseguia controlar os tremores das suas mãos.
A garota deu um sorriso sem graça e agradeceu pelo chá, levando a xícara aos lábios. Estava bom, muito bom.
Ela, então, percebeu que estava sendo analisada pelo seu segurança. Só que, diferente de mais cedo, o homem não tinha um olhar julgador, mas curioso.
— Por que você se arrisca tanto?
Ela demorou alguns segundos para entender a pergunta.
— Porque eu quero capturar a essência da cidade, cada aspecto dela.
— Você mora em uma cobertura, tem a cidade toda aos seus pés. — ele argumentou.
deu um sorriso fechado, estava acostumada a ouvir aquele tipo de comentário.
— Você acha mesmo que essa é a cidade em que vivemos? — ela respondeu a ele. — Não, isso que eu vejo da cobertura da minha casa é apenas uma parte pequena que tenta esconder a parte grande de onde moramos.
se surpreendeu com a resposta dela.
Pela primeira vez, passou a enxergar não como uma garota mimada que tem o mundo aos seus pés e precisa de babá para tomar conta da sua segurança… Aquela mulher, como ela mesma já havia dito, não precisava de proteção, pois sabia se proteger muito bem sozinha. Mais do que isso, ela conhecia seus limites e até onde poderia ir e não tinha medo de encarar qualquer adversidade que não fizesse parte da sua zona de conforto.
O rapaz se pegou a admirando.
Tomado por um impulso que não soube de onde veio, ele se aproximou dela. não se afastou, mas também não fez nenhum movimento de aproximação. E por ficar perdida nos lábios dele, a garota se esqueceu do que segurava. Foi apenas um instante de distração e o conteúdo da sua xícara tinha ido parar na camisa do seu segurança que, naquele momento, estava mais próximo que o recomendado.
— Ah! Ai, ai, ai! — ele reclamou.
A garota começou a pular no lugar, nervosa com a reclamação dele.
— Quente… Está quente!
Meu Deus, ela tinha queimado o seu segurança no primeiro dia?
A garota correu as mãos no terno dele e o jogou para trás. entendeu o recado. Enquanto ela afrouxava a gravata dele, o rapaz tratou de desabotoar a camisa e jogá-la no chão com força.
Sua barriga estava vermelha, mas não era para isso que parou para olhar. Porque, na frente dela, estava um sem camisa, com o peitoral tensionado por conta do calor e um abdome trincado. até mesmo passou a língua pelos lábios, perguntando-se como era possível um tanquinho como aquele ser real e não apenas photoshop de comerciais de academia.
— Vou… Hm…
Ele olhava para ela com as sobrancelhas erguidas.
— Pegar uma toalha para você.
— Acho que preciso de água fria. — ele comentou.
— Eu também.
— O quê?
balançou a cabeça e piscou os olhos com força, tentando voltar à realidade e pensar com clareza.
— Eu também acho que você precisa de água fria. — ela respondeu. — Ali, pode tomar banho no banheiro do corredor antes que a queimadura fique mais grave.
A garota, então, correu para buscar uma toalha sua e entregar para ele, junto com uma camiseta que costumava usar para dormir, a qual era, no mínimo, três números maior que o necessário.
E quando o rapaz fechou a porta do banheiro e ouviu o som do chuveiro ligado, pensou que talvez não fosse má ideia tomar um segundo banho naquela noite, ainda que fosse num chuveiro separado do de .


✦✦✦


Os dias se passaram sem grandes incidentes. não conseguiu nenhuma pista realmente boa com a placa do carro que os atacou e, como imaginado, não houve notícias de que alguém ferido por arma de fogo tenha procurado cuidados médicos.
já não achava tão ruim a ideia de acompanhar para cima e para baixo, tampouco se sentia mal com o trabalho de "babá" dado a ele. O rapaz também já não reclamava do fato de ter que acompanhar a garota a lugares inusitados e ter que ajudá-la a subir em algum lugar perigoso para conseguir tirar fotos que "capturassem a verdadeira essência da cidade" — nas palavras de .
Para a garota, por outro lado, também não estava sendo nada desagradável ter na sua cola, especialmente porque ele começou a ser mais comunicativo, tendo até mesmo contado a sua história de vida e do período que serviu ao exército para, logo depois, entrar para o serviço secreto.
— Pretende voltar para as missões de campo? — ela perguntou, curiosa.
— Eu estou em uma missão de campo. — ele respondeu.
Estavam caminhando lado a lado depois de irem embora da faculdade com o final das aulas. O segurança tinha as mãos nos bolsos da calça e, apesar de parecer relaxado ao lado de , tinha todos os sentidos bastante alertas a qualquer sinal de ameaça.
— Você entendeu o que eu quis dizer. — ela disse. — Digo ser mandado para alguma missão longe, de espionagem mesmo. Do tipo que você fazia antes.
Ele deu de ombros.
— Se precisarem de mim, sim. Por quê? Vai sentir minha falta quando eu for embora?
soltou uma risadinha. Não sabia quando tinham adquirido a intimidade de fazerem piadinhas um com o outro, mas ela agradecia por isso. Se eles tinham que passar o dia todo juntos, era muito mais fácil que fosse assim, dando risadas e fazendo provocações.
— Olha só ele já dando uma de abusado para cima de mim… — ela provocou. — Não vou, pois gosto de tirar férias das pessoas.
Isso era bem verdade. sempre fora o tipo de pessoa que se saía muito bem passando longos dias sozinha. Não tinha problemas em ficar algum período sem se encontrar com as amigas desde que estivesse em paz consigo mesma.
— Meu pai às vezes ficava fora por semanas. — ela comentou. — Minha mãe acabava fazendo mil e uma atividades diferentes para manter a mente ocupada e não pensar no que ele estava fazendo ou para qual tipo de missão ele havia sido enviado.
— Ah… — ele ergueu as sobrancelhas. — Então você vai sentir saudades, mas não vai pensar muito nisso, pois sabe que iremos nos encontrar novamente.
deixou o queixo cair de surpresa. O que tinha acontecido com o segurança chato e quieto que ela conhecera dias atrás?
— Ok, controle o seu ego, por favor… — ela respondeu, notando que ele tinha um sorriso de lado, mostrando que estava se divertindo com o papo. — Além disso, por que nós nos encontraríamos de novo?
Ele deu de ombros.
— Assim que o serviço secreto capturar as pessoas que estão ameaçando você e a sua família, eu não precisarei mais trabalhar na sua segurança.
— Oh…
Sim, entendeu onde ele queria chegar.
A aproximação de e não havia apenas lhes proporcionado boas conversas ao longo do dia, mas também alguns interesses que iam muito além do profissional.
nunca negou que era extremamente gato e ela sabia que ele não chamava atenção na sua faculdade apenas pelas roupas que usava. O segurança, por outro lado, tentava manter a pose muitíssimo profissional, mas não era como se o rapaz pudesse evitar reparar na beleza de sua protegida.
Eles tinham interesses mútuos, interesses estes que não tinham qualquer relação com o fato dele estar trabalhando para ela, mas ambos sabiam que não podiam dar o segundo passo, pelo menos não enquanto o trabalho não estivesse concluído.
— Oh… Eu sei como tudo isso funciona. — ela falou. — Sou um tipo de mulher proibida para você já que sou o seu trabalho, coisa e tal.
Foi a vez dele abrir a boca, surpreso.
— Quem está com o ego inflado agora?
Eles começaram a rir, mas pararam ao mesmo tempo, ao ouvir passos atrás deles.
não fez menção de se esconder, mas ficou alerta a qualquer coisa que pudesse colocá-la em perigo. imediatamente se colocou à frente de e já estava com a arma em punho, preparado para não ser pego de surpresa como da última vez, quando um grupo de crianças virou a esquina, rindo, enquanto corriam.
O casal relaxou. Quase como se estivessem sincronizados, respirou fundo e guardou a arma no coldre. O rapaz virou-se para checar se ela estava bem, mas perdeu o fio dos pensamentos ao vê-la arrumando os cabelos bagunçados pelo vento.
Era bem verdade que eles adquiriram o hábito de flertar um com o outro. Também era verdade que, exatamente por saberem que aqueles flertes nunca dariam em nada, eles continuavam com a brincadeira.
Mas vê-la ali, tão vulnerável e ao mesmo tempo tão forte e segura de si, fez com que ele se esquecesse do motivo pelo qual nenhum dos dois possuía coragem de cruzar a linha que os separava.
, então, deu o único passo que os separava, levou uma mão aos cabelos dela e outra à cintura, empurrando-a até a parede. não deixou que a surpresa lhe paralisasse — se nem mesmo uma ameaça à sua vida a deixava paralisada, quem dirá um beijo do seu segurança pessoal. E foi por isso que a garota não perdeu tempo em colar os corpos, puxá-lo para mais perto de si, emaranhar seus dedos nos cabelos dele e suspirar de satisfação quando o beijo, que ela tanto queria, finalmente aconteceu.

Parte 3

— Ainda acho isso uma péssima ideia.
— Por quê? Só por que meu pai não quer que eu vá?
virou-se de frente para o espelho a fim de olhar a barra de trás do vestido. Ajeitou o cabelo atrás da orelha apenas para, logo em seguida, voltar a mecha ao normal. Não tinha passado a tarde toda arrumando os cachos apenas para escondê-los.
Pegou o batom em cima da penteadeira e reforçou a cor nos lábios.
— Perfeito. — disse, sorrindo.
estava atrás dela, vendo-a se arrumar. Internamente, ele travava uma luta: de fato, a mulher estava perfeitamente linda — e nem precisava se esforçar para isso — por outro lado, o segurança não estava gostando do fato de estar se arrumando para ir a um evento público, a céu aberto, promovido pelo prefeito da cidade, onde estaria completamente a mercê de qualquer atentado à sua vida.
virou-se, pronta para a festa, mas deu de cara com um parado na porta com as mãos cruzadas na frente do corpo.
— Com licença. — ela pediu.
O rapaz suspirou e revirou os olhos, mas deu um passo para o lado, permitindo que passasse.
— Obrigada. — ela disse. Levou as mãos até a gravata dele e a arrumou, apenas para segurá-lo pela lapela do terno e ficar nas pontas dos pés. deu um beijo rápido nos lábios do rapaz, deixando-o alarmado de que alguém pudesse vê-los, mas a garota apenas riu da reação dele. — Você precisa relaxar. Apesar de achá-lo um gato assim, todo tenso e sério, também gosto quando você fica mais relaxado e conversador.
… Não é seguro.
— Sair na rua não é seguro, , pelo menos não para mim. Estou com um alvo nas costas e não faço ideia de onde o tiro pode vir. O que devo fazer? Ficar presa dentro de casa até que esse cara seja detido?
— Sim.
A garota torceu os lábios.
— Não vai rolar.
E sem esperar por uma resposta do guarda-costas, a garota desceu as escadas de casa. Seu pai já havia ido ao evento com sua mãe mais cedo, certo de que passaria o sábado todo trancada dentro de casa.
Quer dizer, a garota sabia que a situação havia piorado um pouco para o lado dela. Também sabia que as ameaças mais recentes tinham ficado mais agressivas e que o serviço secreto estava trabalhando dia e noite para rastrear o dono das ameaças — tinham descartado a ideia de ser um grupo de pessoas e chegado à conclusão de que as ameaças vinham de uma só fonte. Que a vida dela nunca esteve tanto em risco e que, de fato, o mais seguro no momento seria ficar dentro de casa, onde as paredes a protegeriam e as câmeras de vigilância captariam qualquer movimento de pessoas não autorizadas.
Mas nunca foi do tipo de se esconder no conforto da sua casa.
Tampouco era a garota frágil que seus pais e acreditavam que ela fosse.
estava mil vezes mais tenso que o de costume. O rapaz não deixou que ela descesse do carro antes de dar ao menos duas voltas no quarteirão em busca de possíveis ameaças, e garantir que o serviço secreto estaria mandando agentes extras como reforço para o caso de algo acontecer naquela tarde.
O segurança abriu a porta para ela e se posicionou logo atrás da garota, de modo que conseguisse até mesmo ouvir a respiração pesada dele.
— Cuidado com a barra do meu vestido. — ela reclamou quando pisou, sem querer, devido à aproximação.
— Desculpe. — ele respondeu. Mantinha os olhos em todos os lugares ao mesmo tempo, analisando cada rosto e cada ponto que poderia servir de esconderijo.
— Pai! — ela gritou, levantando a mão no ar.
, ao ver o pai conversando com o prefeito a alguns metros, correu em direção a ele. correu atrás da garota, xingando-a internamente por ser tão rebelde e cabeça-dura.
— Desculpe, senhor, não consegui impedi-la. — ele disse a John.
O pai de suspirou.
— Não se preocupe, rapaz, eu sei como ela é difícil.
Para a surpresa de — e também medo — o evento parecia estar ocorrendo de forma muito normal. As pessoas conversavam e riam de piadas infames e ninguém parecia se lembrar do ataque contra John e sua família, em um evento público, três meses atrás. Aquilo era ao mesmo tempo reconfortante e incômodo, porque o ataque poderia vir a qualquer momento e sem aviso prévio.
— Quer? — ofereceu a ele o que tomava.
Ele fez uma careta.
— Você sabe que não posso beber em serviço.
torceu os lábios.
— Que serviço chato o seu.
soltou uma risadinha, sendo acompanhado por .
Um homem na casa dos seus cinquenta anos aproximou-se deles com um sorriso alegre, falando com a voz já meio embriagada:
? — ele perguntou. — Uau… Olha como você cresceu! — ele comentou, rindo.
riu com ele. E para , falou baixinho:
— Ele é vereador e colega do meu pai desde a faculdade.
— Ah, sim.
— Oh, e esse rapaz bonito do seu lado, hein? — deu um tapinha no braço de . — Por acaso ele é seu namorado?
O segurança deu um sorriso de lado, envergonhado, mas tinha um sorriso muitíssimo satisfeito com a pergunta.
— Bem que ele queria que isso fosse verdade, Paul.
Paul, o vereador, começou a rir da resposta dela como se tivesse ouvido a piada mais engraçada de todas.
— Vejo que ainda tem o bom-humor que o seu pai nunca teve. — ele riu de novo.
Por sorte Paul foi chamado para uma conversa longe de e , e então o casal pôde ficar sozinho de novo.
virou o líquido que tinha no copo e virou o corpo para . Ele mordia o lábio e olhava em volta como quem procura por alguém. suspirou. Deixou o copo em cima de uma mesa e segurou a mão dele.
— Vem, vamos caminhar um pouco.
A garota o puxou para longe da multidão e então passaram a caminhar pela praça da cidade, onde não tinha movimento àquela hora.
— Você está bem? — ela perguntou.
Como resposta, recebeu apenas um aceno.
não gostou daquilo.
— Você anda muito calado hoje. Na verdade, está calado demais a semana toda. O que aconteceu?
desviou o olhar para ela. O rapaz tinha várias respostas para a pergunta dela, já que possuía muitos pensamentos rondando sua mente há dias. Mas em vez de falar sobre sua preocupação com a segurança dela, ou até mesmo a respeito do destino deles — afinal, eles não poderiam continuar se pegando escondidos, já que isso não era nada profissional da parte do rapaz — o segurança preferiu simplesmente falar:
— Você está linda hoje.
sorriu.
— Só hoje?
Ele riu.
— Você é impossível.
— Nunca neguei. — ela deu de ombros.
Por um momento, relaxou. Com um sorriso de lado tombou a cabeça para baixo, rindo do jeito leve e despreocupado de .
Um momento. Um segundo. Foi esse o tempo que deixou sua guarda baixa.
E foi o suficiente para que ele não visse o ataque vindo.
E mais do que simplesmente inesperado, o ataque veio da forma mais improvável possível. Porque o atirador não estava escondido, muito pelo contrário, estava na frente deles, em plena luz do dia e com os olhos em puro ódio e loucura.
Os tiros saíram da arma, vários deles. se jogou para um lado e para outro. A garota, em vez de apenas se esconder atrás do banco da praça, procurou por qualquer coisa que pudesse usar para se defender. , por outro lado, se jogou contra o atirador, segurando as pernas dele de modo que ambos caíssem.
, ainda se recuperando do susto, arrastou-se para cima de modo que pudesse atacar o atirador, mas este apenas chutou o corpo do segurança, usando o joelho para chutar o rosto de .
Com uma mão no nariz para estancar o sangramento, buscou sua própria arma com a outra mão e estava pronto para atirar quando apareceu e, com a mão em punho, deu um soco no homem. Desequilibrado, puxou o braço dele, que segurava a arma, e o torceu para trás de modo que ela pudesse desarmá-lo facilmente.
ainda estava caído no chão com a arma em punho apontada para cima, mas o homem que ameaçava a vida de pelos últimos meses estava completamente rendido por ela, que usava a arma do próprio atirador contra ele.
— De joelhos. — ela ordenou.
Tomado por um ódio cego e ignorando que tinha duas armas apontadas para ele, o homem ainda tentou atacar a garota, mas mal conseguiu dar dois passos antes que o disparo fosse dado. acertou a perna dele e isso foi o bastante para fazê-lo cair.
O segurança correu até onde estava. Apesar da garota estar armada e aparentemente bem considerando o que acabara de ocorrer, ela também tremia.
— Acabou. — ele garantiu.
E, para comprovar o que disse, buscou as algemas dentro do terno e prendeu os braços do homem para trás. O atirador estava tomado pela raiva e parecia até mesmo estar fora de suas razões. Ele gritava e tinha os olhos arregalados, remexendo-se no chão e tentando chutar quem estivesse perto dele.
olhou em volta, para onde as poucas pessoas que estavam no parque olhavam para eles, assustadas. Apontavam para o homem no chão e filmavam o ocorrido enquanto crianças choravam e adultos estavam em choque.
— Você está bem? — ele perguntou, preocupado.
engoliu em seco e respirou fundo.
— Sim, sim. Eu estou bem. — ela garantiu. — E você?
tinha o celular na mão, pronto para chamar por reforços.
— Hm, eu? O que quer dizer?
esperou que ele terminasse de chamar o serviço secreto para responder à pergunta. Mas esperou desligar o celular antes de falar.
— Quero dizer que você foi atingido. Está machucado?
— Ah… Não, não. Estou bem. — ele respondeu, meio envergonhado.
Foi até e estendeu a mão, pedindo pela arma que a garota ainda segurava. Ela o viu desmontar a arma, tirando o pente de balas para, em seguida, guardar a própria arma de volta no coldre.
— Eu disse que não era uma mulher frágil. — ela comentou, orgulhosa, com o queixo erguido.
respirou fundo, balançando a cabeça em sinal de concordância.
— Me pergunto o que estava fazendo esse tempo todo ao seu lado, então.
riu.
— Sendo meu stalker, é claro.
— Ah, é claro. — ele riu.
O rapaz olhou para o relógio no punho, bufando com a demora do serviço secreto.
— Está com pressa para ir a algum lugar?
— Na verdade, sim. — ele respondeu. E como não falou nada, apenas ergueu uma sobrancelha, ele continuou. — O meu serviço aqui terminou. Não sou mais seu segurança.
A garota tombou a cabeça para o lado, ainda não entendendo onde ele queria chegar.
— Preciso conversar com certo ex-agente secreto para dizer que, uma vez que meus serviços já não são mais necessários, o único relacionamento que vou ter com a filha dele, daqui para frente, é o amoroso.
levou a mão à boca, segurando a risada.
— Muito cafona? — ele perguntou.
— Demais. — ela respondeu, rindo. — Mas eu gostei.
De longe, viu seus colegas do serviço secreto correndo indo em direção à onde eles estavam. O assunto, acerca do novo relacionamento deles, teria que ficar para mais tarde, já que tinham um assunto mais sério para tratar no momento. Mas eles não se importavam com isso, afinal, estavam ansiosos para colocar fim ao relacionamento de segurança e protegida que nutriram nos últimos meses para, finalmente, poderem se dedicar somente a eles e aos seus sentimentos dali para frente.


FIM



Nota da autora: A ideia dessa fanfic é antiga e eu tinha ela escrita em um caderno que eu já nem lembrava mais, haha Reli a ideia da fic, escrevi e gostei muito do resultado, hihi Espero que tenham gostado também! Deixem um comentário cheio de amor e indiquem a fanfic para as amigas.

Beijos de luz
Angel





Outras Fanfics:
Finalizada:
Ainda Lembro de Você

Em andamento:
It's Always Been You

Shortfics:
21 MonthsAccidentally in Love IAccidentally in Love IIAinda Lembro de NósAnother SpellmanBabá TemporáriaBecause of the WarCafé com ChocolateCall for YouCompletely in LoveElementalGive Love a TryLittle SecretMessage to YouMidnight WindMy Co-StarO Amor da Minha VidaO Conto da SereiaO Garoto do MetrôReencontro de NatalRefrigerante de CerejaRumorShe Was PrettySorry SorrySuddenly Love ISuddenly Love IIWelcome to a new wordWhen We Met

Série 7 First Dates:
Terrace NightHot ChocolateSurprise DateShow TimeMovie Night

Ficstapes:
02. Cool 05. The Man Who Never Lied 06. Every Road 06. Love Somebody 07. Face 09. Who'd Have Known ● <10. Sol Que Faltava 10. What If I11. Woke Up in Japan 12. Epilogue: Young Forever 15. Does Your Mother Know

MVs:
MV: Change MV: Run & Run MV: Hola Hola

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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