Última atualização: 27/05/2020

Avisos

• Está fanfic está sendo reescrita, e trata-se da continuação dela mesma.
• A fanfic foi escrita com Shawn Mendes, mas pode ser lida com qualquer outro fandom.
• Às fãs de Mendes, eu já me desculpo aqui, se por acaso houver cruzamento errado de informações, eu só usei a figura do cantor mesmo.
• Você terá que escolher entre ser a noiva ou a melhor amiga dele. As duas se relacionam com ele.
• A fanfic tem playlist no SPOTIFY link, no final.

Prólogo - Um Vernissage de um Zé das Telas

O que uma quase canadense, naturalmente brasileira, maluca, pseudo apaixonada por k-pop tem em comum com um quase músico canadense, romântico e extremamente certinho?
Praticamente nada, a não ser pelo fato de que os dois são apaixonados por viagens e se conheceram graças a um vernissage, onde ela entrou de “penetra” e ele, foi contratado para tocar. era completamente apaixonada por artes plásticas, mas como ela mesma dizia “eu gosto de arte, até arte de criança pintando o sete”. Talvez, porque seu coração guardava um espírito livre e louco, ávido por aventuras. Nascida no Brasil, mas filha de mãe Canadense, a garota era uma explosão cultural. E preguiçosa. Coisa que , ao conhecer melhor a garota, sempre reclamava. O rapaz dizia que era um desperdício que ela amasse conhecer tantas culturas diferentes, se não gostava de falar sobre. Sempre que uma roda de amigos se reunia, os papos mais intelectuais eram cortados por com um revirar de olhos, seguido de um “Meu Pai, como vocês são chatos”. E dizia que era um total egoísmo da parte dela.

— Quando foi que você saiu do Canadá, Little Mile? – ela perguntou a ele, no dia em que teve que arrastar a amiga para uma palestra de História das Civilizações Americana.
— O que isso tem a ver ?
— Você diz que eu sou egoísta por guardar todo o meu lindo e vasto conhecimento, que, convenhamos, me torna ainda mais interessante... – revirou os olhos enquanto a amiga sussurrava para não ser ouvida no grande auditório — Mas, você não quer ir atrás da fonte do conhecimento.
— Não é questão de não querer, é só que...
— Sua mãe sempre foi muito apegada e você tem que se concentrar na música.
— É. E cala a boca, os palestrantes estão olhando feio para nós.
— Ninguém mandou sentarmos na terceira fila. E olha aqui... – ela pegou o rosto dele amassando de modo a fazer um biquinho de peixe e virou para si sendo categórica: — A partir de hoje, nós vamos viajar juntos!
— Convença minha mãe.
— Ah Little Mile... Você não conhece o meu poder de persuasão.

Isso aconteceu três anos depois, de ter vindo morar no Canadá com sua tia. Ela não queria fazer faculdade, mas por muita insistência de sua mãe, a garota acabou fazendo Turismo. Era a desculpa perfeita para ela que sonhava em mochilar sem fim, e para seus pais que lhe exigiam aquele “pedaço de papel indiferente”, palavras dela.
Depois de dois anos de faculdade, foi ao vernissage que Laysa, sua melhor amiga brasileira que conheceu (e foi a primeira) no Canadá, insistiu muito. O problema era que Laysa não se lembrou de comprar os ingressos, e quando chegou no dia, que estava arrumada até os dentes para o evento jurou que elas entrariam. Não era a primeira vez que ia até aquela galeria, e conhecia uma passagem alternativa e também uma pessoa.

— Vamos torcer para que o Bill esteja trabalhando hoje, Laysa covarde.
— Eu não sou covarde! Eu só acho errado que entremos de penetras !
— Tá, tá... – a amiga puxou uma carteira da mochila e se aproximou da entrada lateral já avistando o homem barbudo e gordo — Hey Bill! Tá legal lá dentro?
— Está lindo , mas não vou facilitar para você hoje.
— Por quê? É um artista novo, as obras dele ainda não chegaram a valer nem mesmo euros. – falou com desdém.
— Está com o documento? – o segurança perguntou.
— Eu nunca ando sem ele. – ela mostrou uma carteirinha de estudante especial.


Ela soube que a universidade tinha um projeto, onde os alunos de determinados cursos poderiam se cadastrar para uma espécie de “carteirinha” cultural que lhes daria a chance de entrar em alguns eventos pagando meia-entrada ou garantindo a gratuidade. Naquele o dia, o caso não se aplicava, mas não via problemas com a ilegalidade uma vez que fosse por bons motivos. Era na verdade uma maluca encrenqueira. Bill pegou o documento e o guardou em seu bolso, e deixou a garota entrar com sua amiga. era a jovem penetra mais confiável que Bill já tinha visto, sabia entrar e sair dos lugares sem ser notada e sabia que enquanto estivesse com o documento dela apreendido, estaria tudo bem caso ela se metesse em confusões.

— O que foi aquilo? – Laysa perguntou baixinho após as duas entrarem tranquilas.
— Isso minha filha, se chama sagacidade, networking, malandragem, ou... Você pode chamar de PCAC.
— PCAC? – Laysa perguntou surpresa.
— Programa Canadense de Apoio Cultural. Como você pode estar cursando Belas Artes e não saber do Programa da universidade?
— Eu geralmente não tenho tempo para “apoio cultural”, já que eu passo praticamente o semestre todo em atividades culturais obrigatórias.
— Tá, tá... Vamos ver quem é o novo Zé das Telas.
, você é insuportável.
— É, mas te coloquei pra dentro da sua, tão querida, vernissage.

A amiga se calou com um risinho grato e sacana, e depois de algum tempo entre telas e esculturas, tirava algumas fotografias para levar à agência. Há um ano, a garota trabalhava em uma agência de viagens. Já estavam se preparando para ir embora, quando Laysa percebeu o cantor que tocava e cantava uma bossa-nova num palco discreto.

— Detesto essa bossa. – falou buscando o som.
— Tá doida? Isso é João Gilberto sua maluca! Clássico! E estou encantada pelo bonitinho ali cantando tão bem... Em inglês, mas ok. – Laysa sorria se aproximando aos poucos.
— Bonitinho? Ele é alto pra caramba... Melhor chamá-lo de Little Mile.
— Pequena milha?
— Ah não faz essa cara, foi super original.

As duas pararam próximo para ouvi-lo cantar e o rapaz não as notou, até Laysa se adiantar mais e ir falar com ele. ficou extremamente sem graça, mas achou a garota muito simpática. Eles conversaram por algum tempo até que ele falou que precisava voltar a cantar. Mas Laysa estava tão encantada e curiosa pelo rapaz alto de olhos doces, que não se importou em combinar de esperá-lo por mais uma horinha. O vernissage estava no fim, e elas iriam o aguardar num pub qualquer.
E assim, Laysa conheceu . conheceu . E os três se tornaram amigos desde então.


Capítulo 01 - Sem perder o avião

— Amiga, eu não posso falar agora. Estou mega atrasada para a viagem!
— Que horas é o voo? – Laysa perguntou-me ao telefone com a sua voz entediada.
— Às vinte e uma.
— E com quem você vai? Você não me falou nada dessa viagem, sua pamonha sem queijo!
— Caramba Laysa! Me poupe! Sai deste mundo de unicórnios! Eu te falei quinhentos milhões de vezes que eu estou indo para Havana com o .
Aff! Chata! Você me perturba e eu não falo nada!
— Tá bom, amiga, agora eu preciso mesmo desligar. Você sabe que eu não consigo fazer muitas coisas ao mesmo tempo, e eu ainda nem fui atrás da fantasia.
— Fantasia? Que tipo de viagem você e o vão fazer?
— Aquele retardado inventou que temos de ir numa festa à fantasia lá.
— Bem a cara do
— T-C-H-A-U Laysa!

desligou a chamada sem aguardar resposta. Laysa certamente lotaria o whatsapp dela de mensagens irritantes, mas logo chegaria e mais uma vez, havia deixado tudo pra última hora. Ela sabia que seria obrigada a desligar a caixa de som, porque ao som de Bang, Bang, Bang ela não conseguiria terminar o que fazia. Entretanto lá estava ela, fazendo uma dança muito louca e movendo os braços de um jeito meio robótico. Pegou o celular para procurar uma coreografia no Youtube e continuar “dançando”.
— Já estou atrasada mesmo! – ela sussurrou movimentando a bunda em rebolados nada sensuais.
— Se eu não te conhecesse… – disse tomando o telefone das mãos dela.
O garoto poderia ser um amigo de infância de , tamanha era a intimidade que aqueles quatro anos de amizade trouxera. E a intimidade entre eles era tanta, que ela havia dado uma cópia da chave da sua casa para ele, dois anos depois que se conheceram.

...

— Para quê eu vou precisar de uma cópia da chave, ?
— Vai que eu preciso de ajuda?
— Você precisa de ajuda todos os dias…
— Devolve minha chave!
— Não!

Ele esticou o braço para que ela não alcançasse, mas a garota se jogou nas costas dele e o agarrou pelo pescoço. Os dois caíram no chão e depois de muitas reclamações de e gargalhadas de , ela se rendeu aos risos também.


...

Eles vinham planejando outra viagem internacional há meses, e mesmo sabendo de tudo com muita antecedência, não conseguia organizar suas tarefas entre: estudos, trabalho, um mundo de fanfics para ler, sair com os amigos, passear por aí tirando fotos inusitadas e simplesmente arrumar a bagagem para a viagem futura.
a conhecia muito bem, e sabendo daquilo, ele passara informações falsas do voo para ela. Havia acabado de chegar a casa dela assobiando, quando ouviu o som alto vindo do quarto.
— Eu não estou acreditando que ela está ouvindo banda coreana de novo! - ele sussurrou revirando os olhos: — Ela nem curte tanto essa banda!
Ele deixou as bagagens dele num canto, e foi adentrando devagar pela casa. Parou na porta do quarto dela e a viu dançando como se estivesse tendo um ataque epilético, não pode deixar de rir.
— Já estou atrasada mesmo! – ela falou sozinha mexendo em seu telefone.
Certamente ela iria colocar em alguma coreografia. negou com a cabeça, e sorriu sarcástico. Foi até a garota e puxou o aparelho de sua mão, surpreendendo-a.
— Se eu não te conhecesse…
! Que susto! Como você entra assim? Já falei para bater na porta.
— Não nem aí, não mandei me dar chave alguma…
— Nossa... Dá um beijo, mas não dá confiança.
— Não reclama ! Poxa! Olha só – ele apontou para a mala aberta: — Você nem terminou de aprontar sua mala! Se a gente perder o voo, sabe em quanto vai ser nosso prejuízo?
— Não vai ser, porque você está aqui. E mesmo assim, quem arrumou esse pacote incrível na agência, foi quem? Isso mesmo, a lindona aqui que usou seu desconto de funcionária.
Ela sorriu e piscou para o amigo. Ainda que tivessem algum prejuízo, daria um jeito. Ela sempre dava. Afinal, demorou um tempo para descobrir como fazer viajar sem se atrasar, mas no início foram muitas passagens perdidas, e ele sempre dizia que “para uma agente de viagem você é uma ótima cantora, e um prejuízo anão”.
Os dois puseram-se a terminar de arrumar as bagagens. Quando o relógio marcou vinte horas, já estava desesperada. Falava coisas desconexas e corria de um lado para o outro. ria silencioso de tudo aquilo, e fechava a última bagagem da amiga e a levava para a sala.
— Meu Deus do céu, ! Que merda! Por que você me deixou procrastinar até a última hora? A GENTE VAI PERDER O VOO!
— Fica quieta.
— A culpa é sua!
Ele parou observando a garota correr da lavanderia do apartamento para dentro do banheiro do quarto e voltar para a sala, atordoada, umas três vezes. Enquanto isso, ele foi à cozinha e pegou um Ice Tea na geladeira e se jogou no sofá da sala. Ligou a televisão e iniciou uma série no Netflix. que passava de um lado ao outro, atentou-se minimamente na calmaria de .
— Você…
E então ele a olhou, indiferente.
— Está muito calmo… – ela olhou desconfiada para a expressão de falsa seriedade dele.
— O que você ia fazer?
— Tomar banho.
— Então anda logo.
— Não estamos atrasados, não é mesmo?
— Não.
— Droga ! Que merda! Eu sempre caio nessa! – ela respirou profundamente soltando a tensão dos próprios ombros.
— E sempre precisa que eu faça isso. Agora vai logo, que você ainda tem chances de nos atrasar.
— Eu vou rever as minhas malas, já que temos tempo e…
— Não, não. – se levantou, pegou a garota e a jogou em seus ombros.
— Me solta, idiota!
! – ele bronqueou colocando-a no chão: — Vai para o chuveiro! O que está na mala, está na mala!
A garota fechou a cara para ele e foi se aprontar. E ele riu e voltou à sala, aguardando até a hora em que ela estava pronta. Confessou que o voo deles sairia às duas horas da madrugada.
ficou extremamente irritada com o amigo, afinal, não havia necessidade de desesperá-la daquela maneira. Às vinte e três horas, os dois já estavam saindo a caminho do aeroporto. Durante o percurso, não conversava com e ele nem se importava. Conhecia o gênio da melhor amiga. E ela foi ler as inúmeras mensagens de Laysa:

Laysassaura
20:00 pm
“Sabe que eu estou chateada com você, né?”
“Poxa, já é a terceira vez que você faz uma viagem internacional com o e nem me chama…”.

20:30 pm
“Aliás, vocês nunca me chamam para nada quando estão juntos!”
“Eu me sinto super mal com isso!”

21:00 pm
“Tá vendo? Olha aí, você nem está me respondendo!”
“Aposto que ele está aí fazendo as malas com você!”

21:25 pm
“Nossa eu te odeio, sério.”
“Eu. Te. Odeio. Muito.”
“E odeio ainda mais ele, por tirar você de mim!”
“Ai que ódio de vocês!”

22:00 pm
? Tá aí?”
“Que inferno garota! Não me ignora!”

22:10 pm
? Você e o estão namorando?”


Ao ler a última mensagem, gargalhou alto dentro do carro. a olhou desconfiado, e em seguida encarou de modo furtivo, o celular na mão dela. Mas, não conseguiu ler nada.
— O que foi?
— A Laysa! É uma boba!
— Ela está com muito ódio de nós?
Aham.
— Por que a gente nunca a chama?
— Sei lá. A gente só decide preparar uma viagem e depois esquecemos, só vamos lembrar quando está perto…
— Nossa, fica parecendo mesmo que a gente não quer levar ela.
— Se você reclama que eu sou desorganizada pré-viagem, então daria graças a Deus depois de ver a Laysa.
— Eu sei... Acho que paramos de viajar com ela, depois daquela vez que a minha ex-namorada nos convidou para ir às bodas dos avós dela, a gente perdeu o voo e quando chegamos a avó dela estava internada. Lembra-se disso? – ele perguntou se sentindo péssimo por querer rir.
— Claro que lembro! Foi ali que você perdeu a namorada. Ela dizia que éramos péssimas companhias para você, mas na verdade ela nunca gostou mesmo de mim.
— É...
desconversou, porque não gostava de pensar nos motivos apresentados e no término, onde ouviu tanta coisa sobre sendo dita por Stacy que de certa forma o machucavam.
— E o que a Laysa disse?
— Você não sabe… Não, não… Você não vai acreditar no que ela está pensando!
Hm?
— Ela acha que estamos namorando!
Os dois olharam um para o outro e começaram a gargalhar. Não era a primeira vez que ou ouviam algo do tipo. As pessoas sempre estavam fazendo piadas ou levantando hipóteses sobre os dois.

Laysassaura
23:35 pm

“Eu estou vendo que você visualizou as mensagens, garota!”
“Nossa, como você é ridícula, !”


— Me deixe responder ela, antes que ela apareça no aeroporto com aquela faquinha de cozinha que mal abre um pão.
se concentrou em responder sua amiga. , em chegar tranquilo ao aeroporto, enquanto cantava um esboço de uma nova composição que há três dias permeava a sua mente.


23:36 pm

“Maluca, calma?”
“Primeiro: tira esse ódio do coração. Isso faz mal, é sério.
Tem pesquisas que indicam.”
“Segundo: não é que nós não queremos que você esteja, é só que
são dois retardados juntos planejando uma viagem, o com essa cabeça oca dele que se esquece de tudo,
e eu sempre me lembro de fazer as malas um dia antes.”

23:37 pm
“Então, é que a gente literalmente se esquece das viagens que planejamos.”
“Terceiro: PELO AMOR DE DEUS, DE ONDE TIROU ESSA IDEIA ESTAPAFÚRDIA?”.


Laysassaura
23:38 pm

“Estapafúrdia é a minha mão na sua cara, .
Vou te dar um gelo. Tá merecendo com esse seu discursinho tosco…”


23:39 pm

“Amiga, eu te amo, mas, a merdolândia te concede entrada gratuita, tá? Beijos.”


Capítulo 02 - Entre voos e check-ins

— Ué, já desligou o telefone?
perguntou sorrindo ao notar que as amigas “brigaram”.
— Nossa, a Laysa merece o Nobel do drama.
— Oscar.
— Não me corrija, Little Mile.
fechou os olhos e abaixou um pouco o volume da música, que havia posto para tocar no carro. Ele tinha certeza que ela dormiria até o aeroporto. E dormiu. Enquanto esperava o embarque, escrevia em seu bloco de notas, mais algumas letras e acordes e um pouco antes de chamarem os passageiros do voo no alto falante, ele foi comprar em uma máquina de doces perto de onde estavam, os pacotes de bala preferidos de . Ela ficaria triste por ter esquecido e geralmente não encontrava aquela marca específica, em outras máquinas por aí.

Já fazia uma hora que os dois haviam embarcado. estava eufórica e segurava a mão de , tão forte, mas tão forte que o anel que ele tinha no dedo, o machucava.
Ele afivelou o seu cinto e colocou a almofada cervical com apenas uma mão, e com isso encarou a outra mão que segurava a ponto dele sentir dor. direcionou a ela um olhar incrédulo, e debochado. Ela sempre, não importava o tempo de voo, fazia aquilo.
E ele pensou o que ela faria quando fosse finalmente para a sua viagem de intercâmbio à Ásia. Aquele era um sonho de alguns anos, e ela estava se preparando para aquilo. Mas, por mais que não acreditasse ou levasse fé que um dia ela iria realmente, eram em momentos como aquele que ele se perguntava se ela sairia agarrando a mão do primeiro estranho que sentasse ao seu lado, num voo tão longo como aquele.
— Eu já disse que não tenho medo, eu só não me sinto confortável. – ela respondeu àquele olhar debochado dele.
— Quer que eu peça outra água?
— Não! Vai me dar vontade de ir ao banheiro e, eu não quero me soltar dessa poltrona. E eu já falei que não é medo. Caladinho, tá?
— São nove horas de voo, . Você vai ao banheiro nem que eu tenha que te forçar, não chegarei a Cuba, puro urina de .
— Nossa , você é tão tosco!
— Mas, você me ama do jeitinho que eu sou. – ele beijou o rosto pálido dela — E se manca garota, você é muito mais tosca do que eu! – ele gargalhava.
Shiiiiiu! – ela tampou a boca dele o repreendendo: — Tem gente dormindo, respeita!
olhou em volta e sorriu travesso para ela.
— Parece criança. – ela falou enquanto iniciava um exercício de respiração calma.
— Claro, porque sou eu que faço xixi nas calças.
— Ai nossa, eu nunca mais viajo de avião com você !
, certas coisas não devem ser esquecidas.
— Tipo você cantando, bêbado na janela da casa da Lilith levando um balde de água na cabeça e correndo do namorado dela, né?
— Nossa… Jogo sujo . Jogo sujo. – ele a encarou com os olhos semicerrados, e a amiga riu baixo — Vamos dormir.
— Por quê? Agora que a brincadeira estava ficando boa?
Ela deu um beijo estalado na bochecha dele, e desceu a touca do cabelo até cobrir os olhos. puxou sua venda também e ajeitou-se para dormir. soltara a mão dela, para cruzar os braços, mas a garota puxou-a de volta.
— Chata. – ele sussurrou.

Havana, oh na, na…

A chegada foi tranquila e os amigos já estavam a caminho do Hotel Saratoga. E dentro do táxi, não parava quieta, curiosa com tudo e todos. Eles sorriam e apontavam os lugares que gostariam de visitar. O taxista que estava acostumado, não pode deixar de sorrir ao perceber como aqueles dois se divertiam juntos.
Ao chegarem eles realizaram o check-in e subiram para o quarto. Deixaram as bagagens de qualquer jeito, e após o banho e o café da manhã partiram para conhecer a cidade.
Havana oh na, na... Half of my heart is in Havana, ooh na, na!
cantava alto andando pelas ruas da capital e se concentrava nos melhores ângulos para fotografar a urbanidade cubana.
? – a chamou de repente fazendo-a ser pega, numa fotografia flagrante, ele viu que havia ficado bom e sorriu para ela: — Você canta mal pra cacete.
Deu as costas a ela e saiu procurando outros ângulos para fotografar.
— Vamos ao Paseo del Prado. Você vai tirar fotos ótimas lá.
Ela disse caminhando silenciosa ao lado dele. Mal se dera conta de que havia parado de cantar após reclamar. Ele notou, e sorriu daquilo.
De um modo inconsciente, ele conseguia exercer alguns domínios sobre que até o faziam pensar, se era inconsciente de fato.
Foram ao Paseo del Prado, e tiraram fotos em frente ao Grande Teatro, na Praça e também em frente ao Cinema Payret. Decidiram que precisavam assistir a um filme que estava em cartaz no cinema.
— Pronto . Já vimos os pontos turísticos, você já tem suas fotos. Agora vamos comer.
— Nossa senhora hein?
— Ah filho, você vive de luz, né?
— Poxa, mas nós acabamos de tomar café da manhã, !
— A gente andou milhas, cara! Fala sério, eu estou com fome! Você tem essas pernas grandes de vantagem, eu não.
— Anãzinha.
a encarou assustado com a fome dela e pegou a sua mão puxando-a. Enquanto caminhavam em busca de uma lanchonete ou restaurante, os dois foram abordados por um nativo. Ele dizia “vamos, está acontecendo um festival de dança típico, e é só por hoje”, mas negou com irritada por não ter ido. Noutro momento, outro cubano surgiu oferecendo charutos a eles:
— Queremos comida, você sabe onde podemos comer?
perguntava na língua espanhola e quando o nativo tentou puxá-los para levar os dois a algum lugar, interviu:
— Gracias, gracias por lá atención, pero necesitamos ir.
! – brigou com ele, logo que saíram.
— Acorda ! Eu andei me informando e isso é golpe! Eles te abordam como se fossem levar a algum lugar, oferecem coisas típicas e aí pá!
— Pá?
— Pá! Você realmente fez faculdade de turismo e trabalha em uma agência, e já visitou nove países?
— Eu sou ingênua, é só isso... – ela falou num tom de falsa inocência contrapondo à pequena irritação de .
encarou a expressão do amigo que de irritação suaviza-se num sorriso de descrença. era a rainha da “cara não queima”, como Laysa dizia.
Ela virou-se para ver o estranho que não estava mais lá, e aproximou-se mais de abraçando-o. Ele sorriu e a abraçou de volta.
Avistaram um pequeno restaurante e que tocava uma música animada, e alguns casais de dançarinos se apresentavam ali e os dois decidiram se aproximar.

Tocar: Fiebre - Ricky Martin

Eles ficaram tirando fotos e curtindo aquela música. Então um rapaz tirou para dançar, e tirou várias fotos. Até que uma moça surgiu o convidando a dançar também.
Os amigos divertiam-se com aquilo e quando acabaram de “bailar”, deram-se as mãos e adentraram ao estabelecimento. Fizeram os pedidos, já estava próxima a hora do almoço e, sentaram-se numa mesa com vista para a rua.
Eles conversavam animados sobre as coisas bonitas que estavam vendo ali em Habana Vieja.
— Você avisou a Laysa que chegamos?
— Não... Eu esqueci.
pegou seu celular e iniciou uma chamada de vídeo para Laysa.

— Nossa, lembrou que tem amiga? – a garota atendeu.
— Deixa de ser chata ou eu vou desligar.
— Cadê seu namorado?
— Tá aqui, ó chata!
– ela respondeu mostrando pela câmera. E ele acenou de volta.
— Hm... Pelo menos não negou.
— Você precisa sair um pouco sabe, cheirar todas aquelas tintas por tanto tempo está fazendo mal para a sua cabeça!
implicou.
— E aí, estão se divertindo ou brigando, casal?
— Um pouco dos dois, o é perfeito para você. Tão chato quanto.
— Aham…
– Laysa revirou os olhos — Pena que ele é o seu boyzinho né?
— Tá falando tanto, Laysa, que eu vou começar a achar que você é a fim dele…


Antes que a outra pudesse rebater, sentou-se ao lado de dizendo para Laysa:
— Vocês não conseguem ficar sem brigar por minha causa? Estamos em Cuba! Que tal agirem como amigas normais?
— Não se mete na nossa intriga,
. – Laysa respondeu dando língua.

Ele levantou-se e foi ao banheiro. e Laysa riam cúmplices e continuaram conversando até que a refeição fosse posta à mesa.


Capítulo 03 - Tequilas, tequilas!

Ohh sunshine, I've waited a long Long, long, long, night for you...

Tocar: Cat Delers – Sunshine

e foram para o hotel, um pouco antes do escurecer. Mais ou menos por volta das três horas da tarde. Estavam cansados da viagem e precisavam dormir direito, até porque planejaram sair para uma festa de rua à noite.
Fecharam as cortinas do quarto naquela tarde, e cada um se colocou do seu lado da cama, de costas um para o outro e dormiram pesadamente até serem acordados pelo despertador.
Pediram o jantar pelo serviço de quarto, enquanto se arrumavam para sair.
— Será que tem muitos turistas lá?
perguntou enquanto estavam a caminho do festival, que era organizado pelo mesmo bar e restaurante que estiveram de manhã. Os próprios dançarinos os convidaram quando estavam saindo do estabelecimento.
— Com certeza, estamos no foco do turismo.
— Queria conhecer melhor os cubanos…
— O que quer dizer com isso? – o amigo a olhou sugestivamente.
— Você não quer conhecer melhor as nativas?
Os dois riram divertidos e foram atraídos pela música alta, as luzes, o falatório, as danças e a grande quantidade de pessoas no local. Eles dançaram a noite toda, ora um com o outro, com estranhos, com turistas, ora com outros brasileiros perdidos por ali, cujo fizeram amizade rápida graças ao falatório incessante de .
A garota só não bebeu mais do que o necessário porque não deixou. E discutiram por causa daquilo também:
— Você não pode me impedir !
, é só o nosso primeiro dia! Não vou deixar você perder a viagem por ressaca.
— Cara, para! Você não é meu pai.
— Amanhã ainda vamos a Varadero, . Se controle!
— Você não é nada meu! – ela falava alto apontando o dedo ao peito dele.
— Você já está suficientemente bêbada. – e ele respondeu olhando-a com a expressão de irritação.
— Para!
— Chega ! Não tem necessidade disso, vamos embora.
— Eu não vou!
sempre se irritava fácil quando, de alguma forma, era descuidada consigo. O garoto sabendo que a amiga já estava um pouco fora de si, e que ficariam naquela discussão infinitamente, pegou pela cintura e a colocou em seus ombros como sempre fazia quando era impossível falar:
— Eu já te disse que eu não gosto que faça isso ! Eu não sou sua mulher das cavernas! Eu não sou sua mulher! – ela se debatia e batia nas costas dele.
— Fica quieta!
Ele pediu colocando-a no chão e abrindo a porta do táxi disponível, no ponto onde estavam mais próximos, para que ela entrasse.
— Eu não vou!
, já pagou mico o suficiente. Se eu fosse você entrava nesse táxi e nem pisava mais aqui.
Ela olhou ao redor e algumas pessoas os encaravam. Ela entrou no carro e entrou em seguida dando as coordenadas ao taxista.
— A pessoa sai do Canadá para dar vexame em plena Havana…
— Cala a boca, , não quero mais papo com você.
Dentro do quarto do hotel, a garota continuava sua ladainha de palavrões ao amigo. E reclamou até a hora de dormir pelo comportamento dele.
. Chega. Vamos dormir.
— Dá pra parar de mandar em mim? Quem você pensa que é?
— Alguém que quer dormir? – ele disse calmo, segurando o limite da sua irritação por toda a cena da garota.
Ela emburrou a cara e se preparou para dormir sem ao menos desejar-lhe boa noite. E ele bufou pesadamente e fechou os olhos.

No dia seguinte o primeiro a acordar fora ele. Arrumou-se e desceu para tomar café. Quando retornou ao quarto, estava espreguiçando-se. Ela olhou para ele como se nada tivesse acontecido.
— Bom diaaaaa! – ela falou.
— Bom dia.
Ele respondeu seco e foi para o banheiro escovar os dentes. sabia que o amigo estava com raiva. Aguardou ele voltar, e correu até ele o abraçando.
— Desculpa?
Ela perguntou ao que seria “ao pé do ouvido dele”, se ele não fosse tão mais alto, o que fazia a cena, ser cômica.
… Vê se não perde o controle, tá? Eu só estava cuidando de você, e fui dormir puto contigo!
— Eu sei. Peguei pesado. Mas, eu não queria mesmo ir embora! E você…
— Não vamos falar mais disso, certo? Se arrume e toma café, temos que ir a Varadero. Seria bom irmos logo de manhã, dar entrada da diária, aproveitar o dia… E terá um luau à noite e eu quero ir.
— Você tomou café sem mim?
— Sim.
— Não podia! – ela falou chateada.
— Você não é minha mulher.
Ele respondeu e deitou-se na cama ligando a televisão. recordou-se do que havia dito na noite anterior e que provavelmente teria o deixado naquele péssimo humor.
— É. Não sou mesmo. – ela falou convencida e foi se arrumar para descer.


Capítulo 04 - Varadero

Depois que subiu para o quarto novamente, eles prepararam uma mochila de praia e partiram para o albergue de Varadero, onde deram entrada na hospedagem de um dia. Em seguida foram à praia.
vivia uma fase de amor e ódio pelo cenário: apaixonada com o mar, mas com certa preguiça de areia. Sem falar no calor que a incomodava, felicitou-se por ter o evento como desculpa para andar com poucas roupas.
havia reservado um passeio de lancha para os dois, e adorou. Estaria bem longe da areia, próxima ao mar, fariam mergulho, tirariam várias fotos e conheceriam a costa de Varadero.
Ao retornarem para a praia, após o almoço, ainda inventou de fazerem uma trilha pela mata da ilha, com direito à uma tirolesa nas cachoeiras escondidas.
Não passaram muito mais tempo em passeios, pois, desejavam estar dispostos para o luau.
À noite, os dois estavam muito animados para o luau e fora a vez de armar para : ele não sabia, mas, ela havia o inscrito numa “apresentação de talentos”. E estavam os dois em volta de um palco improvisado, batendo palmas e observando as dançarinas nativas. Uma aparelhagem de som, daquelas bem improvisadas tocava um reggaeton que convidava às pessoas a curtirem.
Quando as dançarinas saíram do palquinho, o dono da pousada subiu anunciando o nome de . Ele não entendia nada e olhou para que ria:
— Considere meu pedido de desculpas por ontem, e meu agradecimento pelos passeios incríveis de hoje!
— Eu vou te matar.
— Vai nada! Vai lá e toca aquela que eu gosto!

Tocar: Never Be Alone

havia escrito e composto aquela música há alguns meses. Ele começou a tocar os primeiros acordes e todos se atentaram a ele. sorria orgulhosa observando as pessoas assobiando junto com ele, na primeira parte da música, batendo palmas calmas e sorrindo entre si. fazia aquilo tão naturalmente que ela mal podia entender como ele conseguia.
E o sorriso de era tão largo que ele, lá do palco, não entendia como ela podia sorrir daquele jeito. Desde que escrevera aquela música ele não entendia o motivo, mas lembrava-se de ao cantar. E agora estava ali, cantando mais uma vez na presença dela e para ela. Mas, será que ela se dava conta disso?
Todos aplaudiram quando ele terminou de cantar. do palco agradeceu, deixou o violão ao lado do banquinho, recebeu os cumprimentos do dono da pousada e desceu apressado até . Ela levantou-se da canga, aplaudindo-o e se abraçaram:
— Maluca! – sussurrou ao ouvido dela causando arrepios que ele não percebeu, mas ela sim.
— Viu como não me matou?
— Deveria…
— Não, não. Todos adoraram! Você realmente nasceu para isso, Little Mile.
Eles riam, e então uma mulher se aproximou dos dois. Outras atrações aconteciam no palco, e eles não haviam notado. Estavam surpresos com a aproximação da mulher.
— Olá.
— Olá. – responderam.
Brasileños?
. – respondeu sorridente.
— Eu também sou do Brasil! – a mulher disse sorrindo igualmente, e tornou-se a : — Eu queria te parabenizar. Você canta muito bem, e a música é linda!
— Obrigado. – respondeu sentindo o rosto enrubescer um pouco.
— E seu inglês é ótimo! – a própria garota abaixou a cabeça envergonhada pela total falta de jeito em iniciar o diálogo.
percebeu que havia um interesse dela em . Não pôde evitar, semicerrou os olhos para aquela estranha e os revirou após escutar a triste fala dela. E sem que notasse, saiu de fininho de perto deles.
— É que eu não sou brasileiro… Na verdade, eu só fui algumas vezes... Quem é brasileira mesmo é a ...
Depois daquela justificativa eles ficaram conversando mais um pouco, e quando a garota ia se despedir, desculpando-se por “alugar o tempo dele”, foi gentil:
— Imagina! Você está sozinha?
Ahn, é… Eu viajei sozinha sim.
— Então, fica com a gente! – ele olhou para trás e não viu : — Ué?
— A sua namorada saiu logo que eu cheguei, desculpe, acho que eu causei algum problema…
— Ah não, não. Não somos namorados.
— Mesmo assim, acho que ela não curtiu muito…
— Não, relaxa. A deve ter encontrado o tal “cubano” que estava querendo conhecer.
Eles riram e continuaram conversando. Sentaram-se na canga estendida na areia e um pouco depois ofereceu à garota – cujo conversava e nem ao menos havia perguntado o nome – uma bebida. Ela aceitou e ele levantou-se para ir até a mesa de drinques.
Não demoraram muito mais por ali, ela logo disse que precisava ir dormir, pois retornaria no dia seguinte. Eles trocaram os números de telefone. Ele havia gostado dela, era uma pessoa agradável, e tinham uma afinidade na conversa. Mesmo a companhia sendo agradável, não parava de procurar pelo local. Do lugar que estava varria a praia com os olhos. Estava preocupado, mas não seria indelicado. Então quando a moça despediu-se, ele se aliviou, pois poderia buscar a amiga.
Percorreu a praia e não a encontrou. Pensou que ela estivesse no quarto da pousada e decidiu ir embora. Entretanto, ao chegar lá, ela não estava.
Puxou o celular telefonando a ela, mas a garota havia o deixado sobre a cômoda do quarto.
— Droga , onde você se meteu? – ele perguntou para si.
Deitou no pequeno sofá, um pouco antigo, mas conservado que havia no quarto. Acendeu o abajur e pegou o livro que deixara na cabeceira. Voltou a lê-lo. Não conseguiria dormir até chegar, mal conseguia se concentrar na leitura.
O relógio marcava uma da manhã, e o vozerio de pessoas na pequena vila de praia não havia diminuído, até porque, era noite de luau. respirou fundo e olhou para a porta. Nada. Retornou seus olhos à leitura, mas a sua mente decidia se era prudente sair para procurar .
Não foi necessário pensar mais do que cinco minutos, a porta do quarto se abriu e ele imediatamente olhou-a. Ainda mantinha-se deitado com o livro em mãos, mas os olhos curiosos analisavam a expressão e figura da amiga. Ela estava encostada na porta recém-fechada, e seu rosto denunciava uma breve alteração de sanidade. estava bêbada, de novo.
— Cara! O que você está aprontando, ? – perguntou sério e a menina riu — Sabe como eu fiquei preocupado?
— Ah tá! Com aquela garota lá? Se oferecendo toda pra você?
— Onde você estava?
— Cadê ela? Já acabou? Rápido assim?
, deixa de ser surtada? Não aconteceu nada, nós ficamos conversando e quando percebemos você havia desaparecido. Ela foi embora e eu fiquei igual a um retardado te procurando! – sentou-se no sofá enquanto dava o sermão na amiga.
— Ah… Desculpa! – ela gritou e veio andando até ele com as mãos em súplica: — Desculpinha, desculpinha!
— Onde você estava?
— Na praia.
— Eu andei a praia toda e não te achei.
— Toda não! Eu estava perto das pedras com uns amigos.
— Que amigos?
— Um pessoal que estava no luau.
— Você fumou?
Ela riu divertida e negou silenciosa.
— Certeza?
Ela acenou afirmativa e silenciosa. acreditou não era de mentiras e não tinha motivos para isso. Ele sentou-se novamente no sofá velho que estava antes, deitado a tentar ler.
— Não fumou... ok. Mas, bebeu até passar da conta, né? Você tem noção do que tá rolando aqui?
— Tenho babaca!
— Quantos dedos têm aqui? – ele indicou o número três com a mão e bateu na mão dele.
— Três! E para de agir como se fosse meu pai!
, não quero que você fique fora de si, longe de mim.
— Por quê?
— Porque perto eu posso cuidar de você. A gente está em outro país, rodeados de estranhos. Se no Canadá já é…
— Tá, , tá! Eu não sou uma inconsequente, poxa! Você fala como se eu fosse uma criança.
— Sumir sem me dizer pra onde ia, não foi inconsequência?
— Você está parecendo àqueles namorados possessivos.
Ela disse sentando-se no colo de e o abraçando pelo pescoço. Ele pôde notar que o corpo da amiga não estava tão firme como deveria, e suspirou fundo. Ela estava um pouco consciente, mas não estava menos bêbada do que ele esperava. Aquelas malditas tequilas cubanas que a garota não sabia controlar…
— Possessivo não. Cuidadoso.
— Pra isso aqui beirar o relacionamento abusivo, só falta você escolher minhas roupas. – ela disse se aproximando do rosto dele e o encarando de um jeito provocante.
levantou-se com em seu colo e ela não reclamou, apenas ria alegre e divertida.
— Tá rindo do quê ? – disse sério carregando-a no colo para o banheiro.
— Nossa! Quem é você? O senhor Wilson?
— Quem?
— O vizinho rabugento, do Denis.
, sai do mundo dos unicórnios e… – ele colocou-a no chão dentro do box e a encarou preocupado: — Volta pra realidade.
Ele abriu o chuveiro, e a água morna batia na cabeça de , e a garota só sabia insultá-lo.
— Ei! Eu estou vestida! – ela reclamou rabugenta e demonstrando sua alteração alcoólica.
— É claro que está! Você vai esperar eu sair pra ficar pelada!
— Que diferença vai fazer? Eu estou sem sutiã de blusa branca...
E então, deixou de encarar a face dela e olhou para a blusa branca, que estava transparente. Ele colocou a mão na testa e riu. Riu de incredulidade. o surpreendia cada vez mais. De camisa branca, sem sutiã, num luau. Encarou novamente a amiga que olhava para ele irritada, com a sobrancelha arqueada.
— São apenas peitos. – ele disse e ela continuou o olhando irritada: — Espera aqui, vou trazer roupas e a sua toalha.
— Pega uma calcinha, não esquece, você sempre esquece.
— Tá, tá.
saiu do banheiro e enquanto pegava as roupas para a amiga se deu conta, pela primeira vez, naqueles anos todos, em quanta intimidade eles adquiriram. E também pela primeira vez, aquilo lhe soava errado. Observou a peça íntima em sua mão, e pensou: “o que eu estou fazendo?”.
Ele retornou ao banheiro e a amiga se contorcia para tirar o short levinho que vestia. Ele ajudou-a a tirar o short e deixou as roupas sobre a pia.
— Cuidado pra não… – ele a olhou e ela estava tirando a blusa, deixando os seios nus.
virou o rosto para não olhar. E até mesmo estranhou aquela reação.
— Escorregar e cair. – ele concluiu sua fala e saiu.
Aguardava sair do banho, já deitado na cama. E refletia sobre os últimos pensamentos em sua cabeça, alguns eram perturbadoramente impuros. Quando a garota ressurgiu, ela parecia um pouco melhor, mas com muita fome.
— Tem algo no frigobar? – ela abriu a portinha vasculhando.
, tu viu a quantidade de comida lá fora, na festa?
— Verdade. Vou lá, quer alguma coisa?
— Não. Deita aqui e descansa. Deixa que eu pego pra você.
Ela sorriu como uma criança dengosa, e ele, foi buscar comidas na mesa da festa que continuava acontecendo.
Ao voltar, ela estava deitada dormindo. suspirou fundo e deixou os lanches na geladeira e seguiu para tomar o seu banho. No chuveiro, deixava a água escorrer por suas costas, enquanto estava apoiado à parede. Numa cena bem clichê de comédia romântica. E sua cabeça pairava tanto em dúvidas, que mal escutou a porta se abrindo.
— Nossa ...
estava em frente a pia do banheiro pegando sua escova de dente e encarava o corpo nu do amigo no box, de uma maneira bem saliente e incomum em todo aquele tempo, pelo menos, ao que ele se lembrava.
— Porra ! Sai daqui cara!
— Estava escondendo isso tudo de mim, não é?
, quem mesmo exige que eu bata antes de entrar?
— Achei que você estava lá fora ainda, e eu me esqueci de escovar os dentes.
Ele fechou o chuveiro e saiu nu do box, a amiga terminava de escovar os dentes sem dar muita importância ao fato de que estava ali, pela primeira vez, vendo o corpo inteiramente nu do seu melhor amigo. E ela gostava do que via.
puxou a toalha e a enrolou no corpo quando saiu pela porta ainda encarando a face rubra do amigo, e lhe disse de modo provocante e debochado:
— Te espero na cama.
— Vai dormir garota, e não tira o meu sono.
— Estamos quites agora. – ela piscou e saiu.
trancou a porta assim que saiu e trocou de roupa. Escovou os dentes e foi para o quarto torcendo para que ela dormisse logo.
Assim que ele chegou ao cômodo, estava de olhos fechados sob as cobertas. Deitou-se ao lado dela, e logo que se cobriu sentiu a amiga aproximar-se dele o abraçando.
Antes que ele pudesse raciocinar se aquilo era um ataque bêbado de , ou apenas o costumeiro abraço que eles davam ao dormir juntos, ela sussurrou contra o peito dele:
— Obrigada por cuidar de mim, você é a melhor pessoa.
abraçou-a de volta sorrindo, e beijou a cabeça dela. Fechou os olhos e dormiu sorrindo.


Capítulo 05 - Em busca da fantasia perfeita.

Na manhã seguinte os dois retornaram para o hotel em Havana. Seguiram-se dois dias e fizeram outros passeios turísticos, visitas a monumentos, participaram de manifestações artísticas e lá estavam, em seu último dia, fazendo as malas para a viagem na manhã seguinte e também, procurando a fantasia de .
— Eu não acredito que você deixou para alugar a fantasia aqui!
, vamos combinar né? Maior ideia de jerico, essa sua né?
Ele nunca entenderia alguns dos dialetos de e Laysa, as brasileiras mais loucas que já havia conhecido.
, eu te avisei que participaríamos da festa no lounge do hotel. Cara! É uma festa à fantasia no Hotel Saratoga! Sabe quantas pessoas vão poder dizer que vieram à Havana e fizeram isso?
— Ai, ok… Aqui ó – ela indicou na lista que folheava no guichê de recepção do hotel: — Achei outra loja, mas também é um pouquinho distante de Paseo.
— Beleza. Agora vamos.
Ele a puxou pela mão, devolvendo a lista para a recepcionista e a agradecendo. Apenas na última loja conseguiram comprar a fantasia. Queriam apenas alugar, mas nenhuma das lojas de aluguel continha a fantasia exata, segundo , para que usasse. Ela queria vestir-se de pirata ou cigana, mas o rapaz não deixou:
— Não, não. Você não pode ir assim, vai estragar o nosso encaixe.
— Que encaixe? Eu nem sei que porra de fantasia você vai colocar.
— Vamos à última loja, ok? Se não tiver lá, então… A gente resolve.
E assim seguiram, com emburrada. E para sorte de e irritação de , lá tinha a fantasia. Entretanto, a loja não a alugava. Era uma fantasia original e muito bonita, e na verdade para os cubanos não era respectivamente uma fantasia.
Um longo vestido de espanhola, com fendas e babados. olhou para de maneira incrédula, afinal, poderia ter comprado qualquer roupa típica em lojas locais. Mas, o rapaz optou por aquele trabalho todo. Ele colou a fantasia nas mãos dela e disse para ela experimentar. E caiu como uma luva. Realçando as partes certas de . Ela olhava-se no espelho e sorria, comemorando e sentindo-se maravilhosa naquelas roupas. Não admitiria aquilo para nem que a pagassem, mas no fundo, adorou.
Ela saiu do provador com a peça em seus braços. E fez sinal de desentendido com as mãos.
— Agora também, depois de me fazer surtar com isso, você só vai ver na festa.
Ela passou por ele fingindo irritação, e pelas costas riu. negou com a cabeça e respirou fundo pelo temperamento implicante da amiga. Pagaram a roupa e seguiram para o hotel.
No horário da festa, ele estava pronto. E ela não. Ainda faltava se maquiar.
— Zorro? Tá de sacanagem, não é ? – ela perguntou ao sair do banheiro enrolada em seu roupão e vê-lo pronto.
— Por que não saiu vestida logo? … Nossa última noite aqui, cara! Temos que aproveitar.
— Porque eu tenho que me maquiar. Agora tchau, vai à frente que eu chego lá.
— O intuito era chegarmos juntos, combinando.
— Você já viu os filmes do Zorro? Ele não anda com mulher a tira colo, não! Ele seduz as mulheres aonde ele chega, e depois some.
— Sou um Zorro diferente. Eu não vou embora ao dia seguinte.
— T-c-h-a-u .
Ele se adiantou para a festa, enquanto terminou de arrumar. E quando surgiu no lounge do Hotel, imediatamente, a viu. Ele se aproximou dela sorrindo. E bateu palmas para ela, a garota sorriu provocante para ele e agradeceu.

Tocar: Wild Thoughts - DJ Khaled

O salão estava cheio de hóspedes, e talvez alguns convidados. e dançavam alegres já havia um tempo longo de festa, e eles continuavam a beber como se tudo fosse acabar no dia seguinte. E realmente iria.
Em um determinado momento, os dois se distanciaram. Ela falou que queria dar uma volta pelo salão, e o rapaz concordou e saiu pelo salão também.
estava a caminho do bar do lounge, e uma mulher vestida de deusa grega estava de costas ao bar. Ele não pôde deixar de reparar nela, aquele vestido realçava as curvas perfeitas do corpo dela... Ela não era muito alta também, era quase da altura de , mas era um pouco mais... Sinuosa.
não era o tipo de homem que olhava para a bunda antes de olhar aos olhos, e nem iria cantá-la com intenções de apenas usá-la por uma noite, mas era inevitável que não se faria de rogado se ela fosse aquele tipo de mulher ousada.
Parou ao lado dela, e pediu a sua bebida. A mulher o olhou de esguelha bebericando seu drinque, quando o reconheceu.
— Cantor do Varadero?
E ele olhou-a de volta e, surpreso sorriu.
— Oras! Que surpresa, a moça da praia.
Cumprimentaram-se e sorriram.
Ele perguntou o que ela fazia ali, e ela afirmou ser o último dia dela em Havana. Estavam hospedados no mesmo hotel e mal sabiam. Eles conversaram novamente por algum tempo, e logo a chamou para dançar. Ele sabia que ela estava viajando sozinha.
Não levou tanto tempo para descobrir mais sobre ela, porque a conversa entre eles fluía muito bem. descobriu que ela era oceanógrafa e estava ali a trabalho também. Descobriu algumas coisas como: o drinque favorito dela, que para sua surpresa era uísque com água de coco, o melhor lugar que conheceu em Cuba, e nisso concordavam que foi Varadero, e que ela residia e trabalhava em Fernando de Noronha. Mas, não descobriu o nome dela. Os dois conversavam de maneira tão natural, que não se atentaram ao fato de não saberem seus nomes.
que havia saído um pouco antes deu as costas ao e andava pelo salão e dançava. Algumas pessoas abriam passagem ao vê-la se aproximar e sorriam, elogiavam e alguns cortejavam. Outras pessoas menos atentas à presença dela, apenas esbarravam nela. Ela seguiu até a piscina do hotel, estava a fim de observar sua última noite estrelada em Cuba.
Quando chegou à piscina não havia ninguém. Na verdade, havia um homem de costas a ela, apoiado na grade que rodeava a varanda da área aquática. Ele vestia-se normalmente, com camisa de linho, branca e florida, e calça igualmente de linho branca. Sandálias nos pés, mas embora vestido de forma simples era extremamente elegante.
se aproximou dele e encostou-se a grade, com cerca de dois metros de distância dele. Ele a notou e sorriu, e ela sorriu de volta. O homem pôs-se a estudá-la vestida daquela maneira e recostou-se lateralmente na grade, para observá-la diretamente de frente a ela.
tinha os olhos fechados, inalando profunda a brisa da noite cubana, e sorria.
— Estava na festa do lounge? – o homem a perguntou, em inglês, sem importar-se se a mulher o entenderia.
Ela o olhou, e após um breve sorriso o respondeu.
— Sim. E você?
— Apenas passando.
E dali para uma longa conversa não faltou muito. Eles descobriram onde moravam, o que faziam, o nome um do outro, quando iriam embora e o que acharam da viagem. o convidou para ir de volta ao lounge, e embora ele não estivesse em clima de festa, decidiu seguir ela.
Quando eles chegaram ao salão se colocaram a dançar, ele de uma maneira contida. Pegou uma máscara de um dos garçons do hotel, e agradeceu. Entrou no clima da festa, e era impossível não se sentir festeiro, ao lado de .
e a moça da praia dançavam animados, e íntimos quando ele avistou com o estranho. Imediatamente, concentrou-se naquela cena: quem era o estranho que tocava o corpo dela com tanta intimidade? Ela não viu ali, e ele decidiu concentrar-se na moça com quem estava passando a noite.

Tocar: Felices los 4 - Maluma.

Eles estavam se divertindo e bebendo juntos, com uma conversa tão gostosa e leve, e sem dúvida, estava bem, pois saberia se não estivesse apenas em olhar.
e a garota comemoraram quando escutaram os acordes latinos da música que se iniciava.
— Posso te ensinar o que eu aprendi em Varadero? – ela falou ao ouvido dele e ele sorriu.
— Só se eu também puder. – ele respondeu já a guiando num merengue cubano.
Eles acabaram chamando a atenção de alguns no salão. E riam divertindo-se. também teve sua atenção tomada por eles. E o homem ao seu lado, falou em seu ouvido enquanto observava aos dois dançarinos, para ele, desconhecidos:
— Desculpe, mas eu não posso dançar daquele jeito com você.
— Por que não? – ela perguntou entrando ainda mais no flerte daquele asiático misterioso.
— Porque eu simplesmente não sei.
Ela riu para ele, divertida.
— Me mostre outra coisa que você saiba fazer então.
Ele sorriu e puxou-a de maneira delicada e educada pela cintura. Beijou o rosto dela, e com a mão puxou-lhe o queixo em direção à sua boca. Iniciaram um beijo quente.
No centro do espaço que fora aberto pelos participantes daquela festa, estavam e sua parceira. Todos aplaudiam e cantavam. Até que soltou-a e puxou outra dama qualquer para dançar. Ele simplesmente havia amado o ritmo e festança de Cuba. E ela também foi tirada por outro homem para dançar.
Depois que todos estavam dançando, e curtindo a festa, a roda em torno deles havia sido desfeita, e foi então que eles retornaram um para os braços do outro. Felizes e risonhos se abraçaram.
— É a primeira vez que vejo uma deusa grega, dançando um reggaeton!
— Eu também! – gargalhavam de mãos dadas: — Eu quero agradecer, obrigada pela noite.
Ele olhava-a tímido e gentil, beijou a mão dela de maneira educada. E ela agradeceu novamente, e olhando-o profundamente disse:
— Você é a melhor pessoa que eu conheci nesses últimos dias.
E ao ouvi-la, lembrou-se da noite anterior com , antes de dormirem. Seus olhos percorreram o rosto daquela mulher, e concentraram-se na boca. Parecia-lhe tão convidativa e, ou ele estava delirando, ou aqueles lábios eram tão chamativos como os de . Diria até iguais…
De repente , puxou o corpo da mulher para si tomando-a num beijo. Ao se separarem, ela olhou nos olhos dele de forma surpresa. Sorriu, se desculpou e disse que precisava ir. Ele olhou para o relógio gigante no alto do salão e concordou que também deveria descansar. Ambos pegariam voo na manhã seguinte. a acompanhou até a porta do quarto dela, e antes que ela dissesse algo ele se desculpou pelo beijo.
— Não, não se desculpe. Foi ótimo.
— Então, eu poderia beijá-la de novo?
— Eu não sei se você deveria… Não por mim, mas por você.
— O que quer dizer com isso?
— Nada. Esquece... – ela disse após o olhar de modo curioso, e sorriu: — Acho que não fará mal nos despedirmos, não é?
Ele concordou e escorou o corpo dela na parede do corredor. Beijou-a novamente, e por mais que soubesse que ela não era , beijava-a com um desejo – para ele novo – de fazer o mesmo com . Ele não imaginava no lugar dela, ou algo do tipo. sabia bem o que estava fazendo, mas enquanto explorava a boca dela, ele imaginava como seria beijar a amiga daquela forma.
Depois de sentirem que o beijo estava se tornando mais intenso, e começava a apertar mais o seu corpo contra o da mulher na parede, eles se separaram ofegantes. E depois de recostar suas testas ele pediu a ela, que lhe passasse algum contato. Trocaram os números de telefone e cada um seguiu ao próprio quarto.
já havia saído do salão desde que o homem sedutor a beijara. Eles estavam novamente numa área escondida da piscina. As mãos dele, numa mescla de invasão e respeito exploravam a perna dela, exposta pela fenda e erguida ao lado das pernas dele. E certamente queria passar daquela fase, mas o homem estava se comedindo muito. Ela pensou em avançar por conta própria, porém não conseguia… Havia algo nele que a dominava de uma maneira quase hipnótica.
Ele soltou-se do corpo dela, fez-lhe um carinho no rosto e disse que precisava ir. Frustrada, concordou e o seguiu. Antes de chegar ao seu andar, ele saiu do elevador e ela o seguiu. Estava tão distraída, que mal notara que ele não estava a acompanhando até o seu quarto. Ele virou-se para ela sorrindo e perguntou:
— Está hospedada neste andar?
— Na verdade não, eu nem estava prestando atenção no elevador mesmo.
— Quer que eu a acompanhe?
— De forma alguma, obrigada. Não precisa disso. – ela sorriu um pouco sem graça.
— Por que não me passa seu telefone? – ele perguntou.
— Só se você me der o seu número também.
Ele sorriu sem jeito, e depois de hesitar um pouco também passou o próprio número. Disse a ela que ligaria, e pediu que ela aguardasse-o telefonar, para dizer que havia chegado a seu país. Ela concordou, e se despediu dele num cumprimento. Ele beijou novamente os lábios dela, e a garota perdeu o ar. Observou-o caminhar um pouco mais à frente, e antes que ele entrasse, a porta do quarto em que estava se abriu.
Ele entrou rápido, mas uma mulher o expulsava do quarto iniciando uma discussão, da qual nada entendia. A mulher no corredor olhou na direção de ao notar alguém no corredor. arregalou os olhos e saiu em direção ao elevador.


Capítulo 06 - Colorindo a amizade

Tocar: Portugal the Man - Feel It Still


— Maldito! Ele é casado! – ela bradava dentro do elevador, com muita raiva.
Caminhou a passos pesados até o quarto, e abriu a porta de súbito. estava deitado apenas de boxer na cama, e já dormia. pegou a garrafa de vodca no barzinho do quarto e virou-a direto na boca. Começou a arrancar suas roupas e foi em direção ao banheiro soltar os inúmeros grampos no cabelo. Ela já estava bêbada o suficiente, não precisava de mais álcool, entretanto, sua raiva era tanta por cair na lábia daquele maldito… Ela continuou virando a vodca debaixo do chuveiro, e logo ela teve efeito rápido misturado ao álcool que já corria em seu sangue.
Ela fechou o chuveiro, virando a garrafa que já estava na metade. Colocou-a sobre a pia, e ao puxar a toalha que ali estava se enxugou. Soltou a toalha no banheiro e saiu pelo quarto, mal se importando se estava nua ou não. Viu deitado na cama, respirando pesadamente. Desde quando ele dormia de cueca quando estavam juntos? Observou-o confusa e imediatamente a cena do corpo de , nu, no banho em Varadero tomou sua mente, mais do que a revolta recente.
arrastou seus passos cuidados até ele. Subiu na cama e ao lado dele, nua, ela o observava seminu. Estava com tanto tesão após ter ficado com aquele cara, que nem se importou com . Não se importou em ser o seu melhor amigo de infância ali. Ele não se importaria, não é? Se importasse, não estaria ali com tão pouca roupa e com uma excitação que ela podia jurar, ser culpa de algum sonho sujo do amigo.
Ela subiu imediatamente sobre o corpo dele, e com voracidade beijou-o. acordou num susto, mas sonolento retribuiu ao beijo. Levou a mão à cintura de , e pode sentir por uma cicatriz que ela tinha próximo à costela, de quem se tratava. Ele arregalou os olhos e deu um pulo jogando-a de modo desajeitado para trás. Ele já estava excitado sob a boxer.
!? – gritou encarando-a.
Ela revirou os olhos, e voltando a montá-lo ela apenas disse:
— Me fode.
Ele não podia lutar contra aquilo, afinal, ele também queria. E de uma maneira desajeitada como se fosse à primeira vez dos dois, eles beijavam-se eufóricos. lambeu e distribuiu pequenos chupões ao tronco de o encarando provocante ao chegar mais próxima, ao cós de sua roupa íntima. Os dois não tiveram muito pudor para uma primeira vez, que deveria soar estranha. Diziam coisas obscenas que jamais imaginaram dizer um ao outro, e transaram até adormecerem.
No dia seguinte acordaram obrigados pelo despertador. E o rastro da embriaguez de no quarto, fora posta no lugar por : ele recolheu as roupas dela no dia anterior, colocou a garrafa de vodca no lugar e reclamou, pois teriam de pagar quase uma garrafa inteira bebida pela louca da melhor amiga.
A correria para não perder o voo, não lhes dera tempo de falar sobre a noite passada. Entretanto dentro do avião, mal se acomodaram e já lhe agarrou a mão e disparou a continuar a história que iniciou após lhe perguntar quem era o homem com ela na festa.
— Eu estava me agarrando com um homem casado! Eu com tanto ódio dele, Little Mile! Porque eu estava gostando daquilo, sabe?
— Esse tipo de coisa você não deveria falar com a Laysa?
— E a mulher dele me viu! – ela respondeu ignorando a pergunta dele.
Naquele momento, encarou ao corredor de maneira surpresa e percebeu. O amigo sorriu sem graça para o ponto fixo que olhava e ela parou de falar pelos cotovelos, atentando-se ao que ele via.
— Ah… Vocês dançaram muito bem ontem. – ela falou para ele ao vê-lo calado encarando a mulher que reagia igualmente a ele.
A deusa grega da festa, o cumprimentou e também à , e seguiu ao seu assento no avião.
— Não acredito que estávamos no mesmo voo e não sabíamos. – sussurrou com um sorriso confuso em sua face.
— O que rolou entre vocês ontem? – perguntou com um sorriso curioso.
— Nada. – ele mentiu.
— Qual o nome dela?
— Eu não sei.
— Como não sabe? Vocês se viram o tempo todo nessa viagem!
— E o nome do seu cara, você sabe por acaso? – ele perguntou como se não saber o nome dela fosse justificável, mas o quebrou:
— Jung Hook. Ele é coreano e estava passeando em Cuba, aparentemente com a família.
bufou depois de falar, e esfregou as têmporas com raiva recordando-se da noite anterior. após ouvi-la falar o nome do estranho, baixou a cabeça em silêncio e olhou para trás pelo corredor do avião. Ela estava poucas poltronas atrás, e sozinha.
— Vai lá falar com ela. – o encorajou.
— Não, o avião já vai decolar.
— Isso, certo! Depois da decolagem você pode soltar minha mão e ir lá.
— Alguém deve se sentar ao lado dela.
— Ela não disse pra você que estava viajando sozinha?
— E daí? A companhia vai deixar de vender uma passagem por causa disso?
— Se você quiser… Eu troco de lugar.
fez silêncio e negou com a cabeça. Ele não sabia, mas a mulher estava observando o local onde a poltrona dele estava. E mesmo ambos curiosos em se aproximar de novo, não o fizeram.

Um mês havia se passado, e e já estavam novamente integrados às suas vidas e rotinas. Mas, havia algo novo: a amizade deles tornara-se colorida. Não retomaram conversa alguma que falasse da noite que passaram juntos em Cuba. Apenas, estavam deixando-se levarem. Aconteceu de novo, semanas após retornarem da viagem. estava na casa dele, e os dois deitados no sofá aberto e assistindo Netflix, quando de repente virou-se para ele dizendo:

— Vamos transar?
Ele olhou para ela assustado e passou um minuto em silêncio pensando no que dizer.
— Responde . Vamos transar?
— Tá doida, ?
— Ah qual é? A gente já fez isso. Nem vem falar que não lembra.
— É, mas foi uma circunstância atípica.
— Você está se negando a foder com uma mulher?
— Termo chulo, .
— Você está se negando a foder comigo? Qual o seu problema?
— Qual o seu problema?!
— O que é que tem? Eu estou à toa, você está aí, uma mão lava a outra e as duas se masturbam.
— Porra .
— Porra, isso.
— Você sabe que está propondo colorir a nossa amizade, né? Porque se a gente começar…
— Cala a boca e me beija! – ela disse revirando os olhos e beijando-o novamente
.

E pela segunda vez transaram.
E como se fizesse daquilo um ritual, toda vez era a mesma coisa: tinha que colocar uma maldita música k-pop, que odiava por sinal, para tocar enquanto transava com . Ele não entendia aquilo, mas os dois se divertiam muito com aquela trilha sonora inusitada. Estavam naquela há um mês. E a coisa tornava-se cada vez mais estranha: de repente eles atacavam um ao outro sem aviso prévio, ou combinação, e depois seguiam suas vidas como se nada tivesse acontecido. Até que um dia depois de transarem, num sábado, às oito da manhã, acordou antes dela. Ele já vinha negando há muito tempo, desde a viagem a Cuba, que sentia algo novo pela melhor amiga. E ter começado uma amizade colorida não ajudou em nada. Só piorou.
O que ele não sabia, é que e Jung Hook vinham conversando há algum tempo também. Ele telefonara como disse que faria, e ela atendeu. Pediu desculpas e ela deu um gelo nele por um tempo. Hook explicou que havia brigado com a esposa naquela noite, que a viagem era uma tentativa de salvar o casamento, mas não deu certo. O divórcio foi certeiro. E agora ele estava reestruturando a vida dele, mas queria manter contato com ela. De princípio, foi impassível, não deu chance, não deu brechas. Mas com o tempo, ela se apegava cada vez mais a Jung Hook.
E talvez esta fosse a sua salvação para toda a loucura que era se envolver com o melhor amigo, em relações casuais que não a fizeram se apaixonar por ele. Infelizmente, não podia dizer a mesma coisa. Ele já estava enfeitiçado pela melhor amiga, muito antes do que poderia saber.
Naquela manhã, ele esfregou o rosto com estupidez. Odiava-se por não conseguir cortar aquele hábito tóxico, que era dormir com . Levantou-se da cama, e pegando suas coisas de qualquer jeito ia sair, quando a ouviu dizer:
— Você disse que não era o tipo que vai embora ao dia seguinte. O que aconteceu com aquele Zorro?
Ela mencionou a fala dele do dia da festa em Havana.
Não que ela estivesse chateada ou cobrando algo, na verdade, estava surpresa e preocupada. Em dois meses dormindo juntos, nunca fizera aquilo. Ela achou que algo havia acontecido.
Espreguiçou-se enquanto o encarava de costas para ela. Quando ele virou-se para olhá-la, suspirava pesado. Tinha o semblante triste, preocupado, passava a língua pelos lábios de um modo que só fazia quando estava nervoso. E colocando a mão sobre a cintura, a outra apertando a nuca, ele encarou dizendo:
. Eu estou apaixonado por você.
— Quê?

Tocar: Friends – Anne Marie ft. Marshmello

You say you love me, I say you're crazy
(Você diz que me ama, eu digo que você é louco)
We're nothing more than friends
(Não somos nada além de amigos)
You're not my lover, more like a brother
(Você não é meu amante, é mais como um irmão)
I know you since we were like ten, yeah…
(Conheço você desde que nós tínhamos dez anos, sim...)


— O que você esperava disso? – ele falou suspirando e apontando para eles.
se levantou brava da cama, como se o que ele estivesse fazendo fosse um absurdo. Ela pegou a calcinha e sutiã jogados pelo quarto e os vestiu, e apenas mantinha a cabeça baixa, pensativo.
Assim que se vestiu ela partiu para cima dele, batendo nele. Não estava sendo violenta de fato, mas o empurrava e o sacudia como se ele estivesse fora de si:
— Você endoidou!? O que você tá dizendo cara!?
— Para com isso, ! – ele segurou-a pelos punhos: — Eu não posso fazer nada, desculpa se eu deixei a gente foder com tudo!
— Você é como meu irmão, !
— Irmãos não fodem, !
Ele gritou e ela piscou ainda desacreditada. soltou-a, e pegou suas coisas que haviam caído no chão.
— A culpa é minha. Eu não devia ter deixado isso começar. Eu devia ter te impedido aquela noite em Havana. – ele assumiu deixando evidente sua frustração.
— Não, isso não tem nada a ver. O que você deveria ter impedido é este sentimento tolo, agora.
— Eu já estava apaixonado por você naquela época. Eu só negava.
— NÃO! Para de falar merda ! Não fode com a gente… – ela insistia pesarosa: — E aquela garota? A moça da praia?
— Não viaja … Foi só uma mulher que conheci numa viagem.
— Vocês… Não se falam?
— Qual é ?! Você também tem culpa nisso! Você também assumiu os riscos! Agora vai ficar pagando de maluca dizendo que eu devia estar com outra enquanto dormia com você?
não disse nada. Mordeu o lábio com força e sacudiu os cabelos. Ela estava com raiva, e sabia que a raiva dela era por ele, e não por ela mesma. Ele pôde ler nos gestos dela que ela o culpava isentando-se de toda culpa. Ela jogou-se na cama e bufou sarcástico e saiu do quarto.
Eles passaram uma semana sem se ver, ou falar.
Até que não aguentava mais aquele clima entre eles, e foi até a casa dele num horário em que ele geralmente estaria. atendeu a porta surpreso e ela foi entrando. Foi direto à cozinha e pegou um copo de suco na geladeira.
— Não tem comida? – ela falou vasculhando a geladeira.
, tá fazendo o quê aqui?
— Eu vim te ver, você sumiu.
— E por que só agora?
— A gente precisa conversar também, você sabe né?
Ele assentiu silencioso e direcionou-se ao armário. mexia em todas as panelas na geladeira e fazia cara feia para tudo, porque ele conhecia bem o gosto culinário dela: e ela odiava frutos do mar. E aquilo era o que mais gostava. Então ele pegou um pacote de salgadinhos no armário. Sempre comprava para o caso de aparecer num dia como aquele: em que a comida não a agradava. E eram da , porque o próprio não comia nada daquilo.
pegou as guloseimas de e a entregou. Ela abriu um sorriso largo e correu para sala. Ele serviu-se de suco também, suspirou fundo e foi sentar-se com ela na sala.

Don't mess it up, talking that shit
(Não complica falando essa merda)
Only gonna push me away, that's it!
(Só vai me afastar, é isso)
When you say you love me, that make me crazy
(Quando você diz que me ama, isso me deixa louca)
Here we go again
(Lá vamos nós de novo)


— E aí , o que você quer falar?
— Já está melhor?
— Eu estava doente?
— Não, mas estava confuso.
— Eu não estava confuso, . Eu realmente te amo.
— AH! Para de sacanagem, ! Eu não gosto disso.
— Não posso fazer nada por você, então.
— Você a Laysa inventaram isso, né? Você contou para ela que a gente estava dormindo juntos, e ela quer me pregar uma peça e você aceitou. É isso não é?
— Como você é babaca, . Eu te amo, porra.
— Eu odeio quando você diz isso… Eu já falei que… – a interrompeu:
— Problema é seu! Eu não posso fazer nada quanto a isso, eu só posso me afastar e se você odeia tanto que o cara que passou cinco anos da sua vida contigo, que sabe cada trejeito seu, cada mania, que te conhece melhor que você mesma… – ele suspirou — Se odeia tanto que eu te ame, então é melhor você se afastar também.

Don't go look at me with that look in your eye
(Não vem olhar para mim com esse olhar)
You really ain't going away without a fight
(Você realmente não vai embora sem uma discussão)
You can't be reasoned with, I'm done being polite
(Você não se convence, e eu estou cansada de ser educada)
I've told you one, two, three, four, five, six thousand times
(Eu já te disse uma, duas, três, quatro, cinco, seis mil vezes)
Haven't I made it obvious?
(Já não deixei óbvio?)
Haven't I made it clear?
(Já não deixei claro?)
Want me to spell it out for you?
(Quer que eu soletre para você?)
F-R-I-E-N-D-S
(A-M-I-G-O-S)


, eu não quero me afastar. Eu só quero que a gente volte a ser como antes, tá legal?
— Não dá … Se um dia acontecer, é possível, mas… Eu vou precisar me afastar.
— Por que não liga para outra garota? Se você estivesse com alguém…
— Para de falar merda. , por que essa garota não pode ser você?
— Porque eu não te amo. Não assim.
sentia-se um idiota por ter sido o único a sair daquele jeito. Ela observou a seriedade na face dele, e entendeu o silêncio dele como uma derrota. Decidiu fazer o que achava certo, para salvar a amizade:
— Se você tivesse uma pessoa…
! – ele gritou com raiva — Para!
— Não , eu falo sério! Eu sei que eu só não me envolvi mais contigo, porque eu já estou envolvida com outra pessoa!
— O quê? – ele a olhou inacreditável.
— A gente é só amigo, , você não entendeu?
— Você estava dormindo comigo e saindo com outro cara?
— Saindo não, mas a gente está planejando se ver de novo, e como… – ela o olhou receosa — Como ficar juntos.
— Quem é o cara?
— Isso não importa.
— QUEM É LETÍCIA? – ele falou mais alto e categórico.
— Primeiro! – ela apontou para ele decidida: — Não grita. Segundo: é o Jung Hook.
— O cara de Havana?
— Sim.
— O cara casado de Havana?
— Ele não é casado, e isso também não é da sua conta.
… Como você queria manter nossa amizade, se o primordial entre a gente, que era o de contar tudo um pro outro, você não manteve?
— Eu sabia que você não ia concordar ! Principalmente, porque eu prestes a ir embora e…
— O QUÊ?
— Aquele intercâmbio… – ela baixou a cabeça envergonhada.
— Você decidiu tudo da sua vida e me escondeu.
— Não é bem assim… Eu só queria ter certeza…
— PARA! Você escondeu que vai embora ! Só porque a gente estava transando! Você sabia o que eu sentia. Você só deu um jeito de se defender de cair na mesma armadilha que eu!
— Não foi isso! Eu só não tinha como contar pra você que… – ele a interrompeu novamente, bruscamente:
— VOCÊ PODIA TER PARADO COM ISSO! Você…
Ele levantou-se e andava de um lado para o outro na sala:
— Você podia ter dito. A gente ia parar. E eu nunca ia confessar, saberia que deveria te esquecer logo, e… Manter o que restasse da amizade… Você só pensou em você, .
Ele despejou com cansaço e decepção em sua voz. Sentia-se um verdadeiro otário.
... Tá, eu podia ter contado. Talvez, evitado, mas agora não dá pra voltar atrás. Eu vim aqui justamente pra resgatar o que sobrou da nossa amizade e…
— Não sobrou nada, . Não vou jogar tudo nas suas costas, mas juntos nós conseguimos quebrar a lealdade. A única coisa que juramos ser um para o outro: leais acima de qualquer outra coisa.
— Desculpa
— Não. Eu quem devo pedir desculpa. Se eu não me apaixonasse nada disso teria sido perdido.
— Você não tem que se desculpar. – ela falou olhando os próprios pés.
caminhou devagar até a porta da sala, e o observou com os olhos marejados. Ela não acreditava que ele estava colocando-a para fora.
… Por favor, me deixa a sós, tudo bem?
— Tá… Quando… Quando você quiser falar, me manda uma mensagem.
Ele assentiu silencioso.


Capítulo 07 - Piedade

Três meses se passaram depois daquela conversa, e nenhum deles havia se falado mais. Laysa convenceu de que ela havia errado, mas também disse que deveria ter falado a ela sobre seus sentimentos antes de se envolver naquilo tudo. E estava há semanas de partir. Ela e Jung Hook falavam-se diariamente. E conversar com ele, se apaixonar por ele e ser correspondida deixava-a péssima por .
Os dois preparavam-se para se ver depois de tanto tempo: o intercâmbio de dois anos seria na Coreia, e embora parecesse uma loucura o que estava fazendo – escolhendo intercambiar para um destino totalmente diferente do inicial por causa de um homem que só viu uma vez – ela também sabia ser a coisa certa. Ou achava que era, afinal, era maluca. Maluquinha, mochileira e amava se jogar numa aventura. A empresa havia dado a ela muitas opções. Lamentava-se por ainda não ter conseguido se acertar com .
estava bastante atarefado com o trabalho, e embora no amor sua vida estivesse desastrosa, na carreira de músico as coisas começavam a melhorar. Agradecia a cada nova letra que escrevia naqueles meses. Ele conseguiu um contrato com uma gravadora, e tinha boas impressões de que tudo daria certo daquela vez. Estava no estúdio gravando, e pegou seu telefone para mandar uma mensagem, e observou um nome gravado: “Moça de Varadero”. Sorriu ao recordar-se da moça da praia, e de como foi idiota em não perguntar seu nome, e nem de sentar ao lado dela naquele voo de volta. Pensava se deveria mandar uma mensagem ou telefonar a ela, quando seu celular denunciou uma mensagem:


12:30 pm

“Ei … Eu sei que faz tempo desde a última vez que nos falamos. Mas, eu estou indo embora. E eu queria muito te ver, me despedir, pedir perdão e dizer que… Eu te amo, . E sempre vou te amar, não como você merece ser correspondido, mas… Como alguém que cresceu ao seu lado quando chegou ao Canadá e te encontrou... Como alguém que teve os melhores momentos da vida contigo. E os piores também. Eu só não quero romper isso, sabe? Eu não quero não participar mais da sua vida, ou você da minha… Então, se um dia, você puder me perdoar. Voltar pra nós, ou se melhor ainda, você puder fazer isso agora… Eu embarco às 15:45pm no aeroporto. E não estou mentindo só pra dar tempo de fazer as malas, dessa vez, eu não tinha você. E a Laysa não sabe fazer as coisas direito, então… Eu realmente estou dentro do horário hoje… Eu vou te esperar, até quando der, com saudade, carinho e amor: … Seja feliz Little Mile.”


leu aquilo e deixou um bolo em sua garganta, embargar o choro. Olhou para o relógio e voltou a concentrar-se na gravação da música.
estava chorosa, com sua família e amigos, Laysa também chorava muito. Não de tristeza por dessa vez, a amiga estar viajando pra longe por muito mais tempo que antes, mas de felicidade, pois dessa vez ela também iria embora de intercâmbio. Ficaria bem menos tempo que , mas estava partindo junto com ela. olhava para o relógio em seu punho, e olhava em volta…
— Querida, eu acho que você deve ir logo… – a tia dela indicava na desesperança de que não apareceria.
— Não tia, só mais um pouco… Dá tempo.
Ela mexia uma mão na outra, ansiosa. Estava prestes a ir embora, a voar por muito mais que nove horas, e sem ele dessa vez. Segurava o choro. Laysa tocou em seu ombro e suspirou segurando lágrimas, e então pode escutar o seu nome ser chamado por um alto-falante. Uma mulher estava com um megafone, caminhando pelo aeroporto:

? ? Onde você está? Eu preciso te falar algumas coisas…

Elas observaram a mulher passar apressada pelo aeroporto, lendo um pedaço de papel e observando os portões de embarque.
— Aqui! Aqui! aqui!
Laysa gritou e a família e amigos de também, a fim de que a mulher os visse. A própria não conseguia falar nada, ou entender. A mulher se aproximou apressada e leu para :

“Eu preciso te falar algumas coisas… Eu te amo. Ainda te amo do jeito errado e do jeito certo. E pra sempre vou te amar, uma hora só como devo. Eu sei que vou superar… Mas, eu não posso aceitar não me despedir. Não desejar que você seja feliz. Não posso não participar da sua vida, ou não deixar você participar da minha. Não há nada a ser perdoado. Só agradecido. Porque você nem sabe, mas você esteve comigo nesses últimos meses, todos os dias e noites. E graças a você as coisas estão dando certo. E não vejo melhor maneira de te dizer algumas coisas, do que…”

A mulher parou de falar, sorriu para e a abraçou. Em seguida saiu correndo.
— Ei! Volta aqui! – gritou limpando as lágrimas, e indignada: — Tá maluca dona!? Vem cá! Dizer o que? Quem foi que…
corria na direção que a mulher tinha ido, gritando atrás dela e parou de repente quando o viu.

Tocar: Mercy - Shawn Mendes

Ele surgiu com seu violão e uma aparelhagem portátil de som. Ela não pode não chorar. E ele olhava para ela, como fazia todas as vezes que cantava para ela, com ela, e por ela. Como na vez que se apresentou em Havana. E havia amor naquele olhar. Um amor não correspondido sim, mas apenas não correspondido da mesma maneira…

You've got a hold on me
Você me tem nas mãos
Don't even know your power
Nem sabe o tamanho do seu poder
I stand a hundred feet
Eu estou a cem pés de distância
But I fall when I'm around ya
Mas eu caio quando estou perto de você
Show me an open door
Você me mostra uma porta aberta
And you go and slam it on me
Depois fecha ela na minha cara
I can't take anymore
Eu não aguento mais

I'm saying
Estou pedindo
Baby, please have mercy on me
Amor, por favor, tenha piedade de mim
Take it easy on my heart
Pegue leve com meu coração
Even though you don't mean to hurt me
Mesmo que não seja sua intenção me machucar
You keep tearing me apart
Você continua acabando comigo
Would you please have mercy, mercy on my heart?
Você poderia, por favor, ter piedade, piedade do meu coração?

I'd drive through the night
Eu dirigiria a noite toda
Just to be near you, baby
Só para ficar perto de você, amor
Heart open, testify
De coração aberto, veja
Tell me that I'm not crazy
Me diga que não estou louco
I'm not asking for a lot
Não estou pedindo muito
Just that you're honest with me
Só que você seja honesta comigo
And my pride is all I got
Meu orgulho é tudo o que tenho

I'm saying
Estou pedindo
Baby, please have mercy on me
Amor, por favor, tenha piedade de mim
Take it easy on my heart
Pegue leve com meu coração
Even though you don't mean to hurt me
Mesmo que não seja sua intenção me machucar
You keep tearing me apart
Você continua acabando comigo

Would you please have mercy on me?
Você poderia, por favor, ter piedade de mim?
I'm a puppet on your strings
Sou uma marionete em suas cordas
And even though you got good intentions
E mesmo que você tenha boas intenções
I need you to set me free
Eu preciso que você me liberte

Would you please have mercy, mercy on my heart?
Você poderia, por favor, ter piedade, piedade do meu coração?


chorava como se tivesse perdido alguém para sempre. largou o instrumento e também chorando, a abraçou apertado.
— Eu não queria jogar nada na sua cara, com essa letra. Eu só precisava te dizer tudo… Tudo o que eu senti e não foi dito...
… Desculpe, eu não sou a pessoa que merece o seu amor.
— A questão não é essa. Você está indo embora, eu sei, mas eu preciso saber…
— Não ... – ela chorava ainda mais — Eu não te amo assim, e eu me odeio por fazer você sofrer desse jeito. Eu odeio, mas… Que droga … – ela suspirou baixando a cabeça deixando as lágrimas rolarem grossas.
— Obrigado. – ele puxou o rosto dela para que ela o olhasse, com um sorriso sereno lhe disse: — Obrigado por falar.
Então ele começou a cantarolar animado, fazendo-a rir da piada interna sob aquela música de Anne Marie:

Don't go look at me with that look in your eye
Não vem olhar para mim com esse olhar
You really ain't going away without a fight
Você realmente não vai embora sem uma discussão


Eles sorriram cúmplices, e disse ao perceber Laysa se aproximando para levá-la:
— Então, seremos só amigos.
— F-R-I-E-N-D-S? – ela perguntou brincalhona.
— Para todo sempre. – ele a abraçou mais apertado se despedindo.
Em seguida abraçou a Laysa, e as duas deram as costas saindo. olhou para trás e gritou:
— Eu vou te ligar! E é bom você me atender!
— Não vai se livrar assim fácil! – ele gritou de volta.
sorriu acenando e dando-lhe as costas. E antes de entrar no portão de embarque, ela se virou para ele e gritou de novo:
! – e ele sorriu ao ver a expressão tranquila dela — Esta música vai ser um sucesso!
Ele riu jogando a cabeça para trás, e quando ela não podia mais ver, ele limpou as lágrimas. Estava parado no mesmo lugar observando o caminho feito pela amiga que não estava mais lá.
— Eu sempre soube que você era apaixonado por ela…
Ouviu aquela voz e se virou, sendo surpreendido.
— Moça de Varadero?
— Olá, . Finalmente descobri o seu nome.
— Como… Como?
Ele indagava-se confuso e olhando profundamente nos olhos dela. Ele queria saber, como ela poderia estar ali naquele momento. Ela ergueu o próprio telefone para ele, a fim de explicar o que ele buscava entender. pegou o aparelho em seu bolso e ao desbloquear a tela encontrou duas chamadas perdidas da “Moça de Varadero”. E havia uma mensagem dela, piscando no visor:

Moça de Varadero
15:00pm
“Olá cantor da praia. Não sei se ainda tem meu número gravado aí, mas se tiver, saberá que é a moça de Varadero falando… Eu sei que faz muito tempo, mas eu decidi ligar. Não aguento mais de curiosidade em saber o seu nome, e estou chegando agora no Canadá… Será que nós podíamos tomar um café, e finalmente descobrir nossos nomes?”.


Ele a encarou sorrindo, e não podia acreditar no que estava acontecendo. Ela abaixou a cabeça sorrindo também, e depois disse:
— Juro que foi pura coincidência… Eu estava atravessando o portão de desembarque, quando vi a mulher com o megafone, e em seguida ouvi o cantor da praia… E olha só! Descobri a única coisa que faltava: o nome dele.
sorria, e do sorriso foi ao riso. E seu riso foi acompanhado pelo riso dela.
— Então eu estou em desvantagem, porque ainda não sei o seu.
— Ainda está de pé o convite de um café com nome… – ela colocou as mãos na cintura e olhou para os lados de uma maneira convencida.
— Eu aceito. Mas, eu vou ter mesmo que esperar o café para descobrir?
Ele ajeitou o seu violão atravessado em suas costas e ela o encarou. Sorriu tão bela, com um sorriso amplo, e os seus olhos diminuíram com o sorriso. Era um ato contagioso, ele não pôde apenas observar ela sorrir fazendo hora para romper o mistério, ele sorriu também.
.
Ela disse calma, e ele sorriu ainda mais.
… – ele repetiu baixinho o nome dela, ainda se acostumando à pronúncia e com as mãos na cintura.
Coçou a cabeça e pegou a mala dela, que estava parada ao seu lado.
— Não, . Pode deixar, obrigada… – ela tentou impedi-lo de pegar a mala.
— Imagine se eu não vou fazer uma gentileza, pra moça de Varadero!
Eles sorriram e saíram caminhando calmamente do aeroporto.
— Café expresso? – ele perguntou olhando-a de lado e puxando a mala dela pela saída.
— Descafeinado. – ela respondeu.


Continua...



Nota da autora: Oi gente! Eu adorei escrever essa fic, quando a postei tempos atrás, mas como algumas pessoas queriam continuação, eu voltei a lê-la e senti a necessidade de mudar um pouco o enredo. Por isso, estou postando ela reescrita, e acredito que está melhor do que antes. Espero que estejam gostando! Usei o Shawn Mendes mesmo, porque contra fatos não há argumentos: o boy é um gostoso fofo! E eu já queria fazer algo com as músicas dele também. Não esqueçam de comentar, hein? Estou louquinha pra saber o que vocês acharam!

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Essa fanfic é de total responsabilidade da autora. Eu não a escrevo e não a corrijo, apenas faço o script.
Qualquer erro no layoult ou no script dessa fanfic, somente no e-mail. Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


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