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Última atualização: 02/05/2021

Capítulo 1


Fevereiro, 2019


Sabemos que fazer intercâmbio é um pouco difícil para algumas pessoas, assim como para . Ela tinha 23 anos, era de Recife, Pernambuco, e sempre teve o sonho de estudar fora. Mesmo vivendo muito bem financeiramente, nunca teve condições para bancar um intercâmbio. Ou talvez nunca tivesse parado para se organizar financeiramente, até porque não trabalhava, e, por isso, não tinha seu próprio dinheiro. Ela já havia visitado os EUA aos 16 anos numa viagem com sua turma de colégio, que foi paga no sufoco aos 45 do segundo tempo. Sempre estava nas melhores festas, morava num bom e espaçoso apartamento com sua família, mas nada se comparava com o preço de um intercâmbio, que envolvia muitas coisas como hospedagem, alimentação, passagem, compras extras… Enfim. Quando colocava tudo aquilo na ponta do lápis, acabava virando um sonho fora de alcance até então. Mas, enquanto ela ia crescendo, esse sonho nunca deixava seu coração.
fazia faculdade de Nutrição, mas sabia que, no fundo, não era isso que queria para si. No meio tempo durante a graduação, havia se tornado maquiadora. Investiu em vários cursos, produtos, e começou a ganhar seu próprio dinheiro. Já estava no ramo há três anos, mas ainda não era muito reconhecida no que fazia.
sempre foi muito tímida para as redes sociais. Sempre achou que nada estava bom o suficiente e que as pessoas tirariam sarro de qualquer coisa que ela fizesse, e tudo consequência de dramas passados. Mas tinha suas clientes fixas e sempre corria atrás de novas. Aquelas que passavam por suas mãos a enchiam de elogios sobre seu trabalho. Era onde a garota se sentia feliz e realizada. Não havia nada mais gratificante para ela do que ver, ao final de uma produção, os olhinhos de suas clientes brilhando de felicidade ao se olharem no espelho. Fazia com que todos os finais de semanas abdicados, todas as dores nas costas e todos os perrengues valessem a pena.
Quando contou para seu irmão que estava juntando dinheiro para fazer um intercâmbio, ele foi seu maior apoiador. Ao contrário de sua mãe, que não gostou muito da ideia. Mas, ao ver que a filha estava decidida a realizar aquele sonho, não se opôs a ajudá-la. Sua família era muito apegada, principalmente à sua mãe. Por isso, ela precisava desse tempo longe para se tornar independente e conhecer a si mesma. Mesmo sabendo da saudade que sentiria, aquilo faria muito bem para ela.
A partir do momento que colocou o destino da viagem na cabeça, ele nunca saiu de seus pensamentos. Ninguém conseguiria fazê-la mudar de ideia sobre ir para Los Angeles, Califórnia. sempre foi apaixonada por aquele lugar. No fundo, sentia que pertencia àquela cidade de alguma forma. Ela preferia se arrepender de ir para onde sempre quis conhecer a ficar se perguntando como poderia ter sido sua vida em L.A.
Sua pretensão era passar os próximos dois meses estudando lá, até porque era o tempo que conseguiria pagar com a ajuda da sua família. Sabendo disso, seu irmão deu a ideia de fazer um Work and Travel, um intercâmbio no qual a pessoa, além de ter toda a experiência de morar fora, poderia trabalhar e, ainda, ficar mais dois meses. Ou seja, ela ganharia um salário e residiria em Los Angeles por quatro meses. Assim, ficaria mais fácil se manter por lá, visto que L.A. era uma das cidades mais caras dos Estados Unidos.
Assim que recebeu a lista de empregadores que sua agente de intercâmbio lhe enviou, ela observou que havia pouquíssimas vagas para Los Angeles. Então, tratou de fazer a entrevista via Skype com os empregadores e acabou passando em uma delas, que, por sinal, era a que mais almejava. Apesar de não ser na função que queria, a localização era ótima. Ela iria trabalhar lavando louça em um café chamado Beachwood, a uns dois quilômetros da calçada da fama de Hollywood.
Em pouco mais de um mês que estava em L.A., se tornou amiga da colega de trabalho Emma Jones, que, em pouco tempo, se tornou sua colega de apartamento. Elas dividiam um apartamento em West Hollywood, próximo de onde trabalhavam.
Nascida em Savannah, Georgia, Emma estava tentando a vida assim como a amiga na tão famosa Cidade dos Anjos. A única diferença era que só teria mais alguns meses pela frente. Depois, teria que se despedir da amiga. Quando saiu do Brasil, sabia que lidar com a saudade da família seria um dos grandes desafios de morar fora, mas era engraçado saber que, em tão pouco tempo, ela podia chamar Emma de irmã. Uma menina-mulher, baladeira, extremamente extrovertida e animada. E uma das qualidades que mais admirava nela era a independência e confiança. Emma simplesmente não ligava para o que os outros falavam dela, porque era muito segura de si.
Claro que as duas não eram irmãs por conta das suas características físicas – Emma era a típica americana de olhos azuis –, mas podia-se dizer que eram irmãs de alma. Ela havia se tornado uma parte muito importante da vida de e, por isso, era extremamente grata por tê-la encontrado. Seria triste deixá-la ao final do intercâmbio, mas preferia evitar pensar naquilo e ocupar a mente com outras coisas, como aproveitar o tempo que ainda tinha na cidade antes de ficar pensando na saudade que sentiria daquele lugar e de sua amiga...
— Acorda, — Emma chamou sua atenção. — Estou falando com você.
— Quê?
— Faz uma hora que tô falando com você sobre hoje à noite, e você aí, toda avoada.
— Desculpa, mas você sabe que sou assim. Meus pensamentos fogem do meu controle às vezes, mas do que você tava falando mesmo?
— Ai, , só você mesmo, viu... Mas então, tava falando do rolê desse final de semana. Pensei em ficarmos lá no apartamento hoje, tomarmos um vinho e, quem sabe, pedirmos uma pizza. Amanhã podemos sair pra alguma balada ou dar uma festinha na casa do Jake, já que temos o sábado e o domingo de folga.
— Aaaah, santo Jake. Ele ser filho da dona nunca foi tão conveniente. Topo, vai ser divertido.
— Vai sim. Mas agora anda logo que nosso horário de almoço tá acabando e não quero abusar da boa vontade da Sra. Miller.
— Calma, garota. Ainda faltam quinze minutos — disse , que estava tomando sua Cherry Coke. — Você vai comigo na agência pra alugar o carro, né? Não sei lidar com aquelas burocracias.
— Claro que sim, amiga!
As horas se passaram e, por volta das 6:00 p.m., o final do expediente chegou. As garotas chamaram um Uber e foram até a locadora de carro como haviam combinado.
— Caralho, EMMA!!! Olha só esse carro, EU AMO ESSE PAÍS!
havia juntado todas as gorjetas do trabalho, economizado o dinheiro que levou por um mês inteiro – na esperança de conseguir alugar pelo menos um carro popular, daqueles econômicos –, para que conseguisse se locomover pela cidade. Em Los Angeles, tudo era longe e o transporte público não era lá dos melhores. Ao chegarem na agência, deram de cara com um antigo amigo de Emma, que deu à um upgrade no carro. E que carro, diga-se de passagem. A garota havia alugado um carro popular e saído de lá com uma Mercedes conversível.
— Meu Deus, amiga! Estou em choque! — exclamou Emy. — Que sorte ter encontrado o Mark aqui. Que mundo pequeno.
— Nossa, eu nunca nem sonhei com um carro desse. Mesmo não sendo meu, nunca pensei que poderia dirigir um carro desse porte. Olha só o tanto de botão, nem sei mexer nisso.
— Imagino. Mas você sabe que vai ter que me emprestar esse carrão algum dia desses, né?
— Até parece que vou te emprestar meu bebê, garota.
— O quê, ? Se não fosse eu, você nem tinha conseguido esse carrão aqui.
— Se não fosse o crush que o Mark tem em você, você quis dizer, né?
— Cala a boca, !
— Tá vendo? Você sabe que é verdade. Ele claramente só deu o upgrade pra te impressionar. Mas vamos embora, estou louca pra dirigir esse lindinho aqui.


...


Ao chegarem em casa, foram logo abrindo uma garrafa de vinho...
— Então, o que fazemos agora? — perguntou Emma, se jogando no sofá e segurando sua taça de vinho.
— Cuidado com o sofá, garota!
— Nossa, tá parecendo a minha mãe falando assim.
— Há, há. Alguma notícia do Jake?
— Não, e você?
— Também não...
— Você tá a fim dele, né? Pode falar. Eu te conheço, — Emma jogou verde.
— O QUÊ? NÃO, claro que não! Quer dizer, ele é bonito e tudo mais, mas somos apenas amigos.
— Fala sério, , tá sua na cara que você tá gostando dele.
— E mesmo que isso fosse verdade, Emma?! Olha só pra mim, olha só pro Jake. Ele pode ter a garota que quiser…
ia continuar, mas Emma logo a interrompeu:
— Tá vendo? É disso que eu falo sempre. Você se diminui a todo custo, seja no seu trabalho, seja em relação ao seu corpo ou qualquer outra coisa. Você tem que parar com isso. Você é uma mulher incrível — disse Emy em tom de sermão, pois a amiga precisava escutar sempre aquele tipo de coisa. Ela tinha que aprender a se amar, se respeitar e entender o mulherão da porra que era.
— Amiga, é fácil pra você fal–
Emma a interrompeu novamente:
, não me venha com essa de que é “fácil” pra mim, porque sou magra e blá-blá-blá e toda essa conversa que você sempre fala. Eu nasci assim, você nasceu assim e não tem como a gente mudar isso. Temos que aprender a nos amarmos da forma que somos. Se nós mesmas não nos aceitarmos, quem mais vai? Agora, vamos mudar de assunto, porque tô cansada de dar sermão na senhora, porém darei sempre que for preciso, ok? Ok! Continuando, vai lá buscar aquelas máscaras de skin care pra gente colocar na geladeira enquanto eu peço uma pizza.
Emma acabou sendo interrompida pelo celular da amiga que apitou.

Jake
Hey 7:56 p.m.
O que você tá fazendo? 7:56 p.m.



Nada de mais 7:56 p.m.
Estou com a Emma em casa tomando vinho e vamos pedir pizza 7:56 p.m.


Jake
Como assim vocês não me chamaram? 7:57 p.m.



E desde de quando você precisa de convite, garoto? 7:58 p.m.


Jake
Justo 7:58 p.m.


Agora anda logo e traz a pizza pra não termos que pagar entrega 7:59 p.m.


Jake
Mas eu nem disse que iria 8:00 p.m.



Até parece que precisa, né, JJ. A gente te conhece 8:02 p.m.
Anda logo que estamos com fome 8:02 p.m.


Por volta das 9:10 p.m., Jake chegou com a pizza e tocou a campainha.
— Nossa, que demora, garoto — disse Emma, abrindo a porta.
— Como vocês são folgadas. Nem me convidam, pedem pra eu trazer a pizza e ainda reclamam.
— Tá, tá. Me dá logo isso — se apressou a dizer, pegando a pizza das mãos de Jake e colocando-a na mesa de centro junto com o vinho que tomavam. Ela pegou um pedaço e se jogou no sofá.
— Hey, também quero vinho — disse ele, se jogando ao lado da garota, também com um pedaço de pizza em mãos.
— As taças estão no lugar de sempre, como você já sabe — piscou para Jake.
— Poxa, eu trago pizza pra vocês e nem pra me darem uma taça — ele fez bico.
— EMMA, traz uma taça pra esse garoto parar de me aperrear.
— Toma aqui e para de encher o saco — Emma brincou e lhe entregou uma taça vazia, enquanto ele colocava a mão no peito teatralmente pela birra das duas amigas.


...


— Ei, mudando de assunto… E a festa amanhã na minha casa? — perguntou Jake. — Ainda está de pé ou preferem ir pra balada?
— Por mim, pode ser na sua casa. Mas e seus pais? — Emma perguntou.
— Eles viajaram agora mais cedo. Quando mandei mensagem pra , tinha acabado de deixá-los no aeroporto.
— Oh, sim, verdade — comentou. — Lembro da sua mãe comentando um dia desses no trabalho.
— Então, o que me dizem? — perguntou o garoto, esperançoso.
— Eu já topei, só falta a — a loira disse.
— Eu topo, mas com uma condição — falou e os dois a olharam atentamente. — O JJ vai ter que fazer skin care com a gente.
— Ah, não, . Skin care não — Jake protestou em tom manhoso.
— Ah, sim. Deixa de coisa, você vai amar. Até preparei uma máscara especial pra você quando soube que viria — disse, rindo da cara que Jake fazia. Depois, se levantou para buscar o que precisava. — Deita aqui no sofá pra ficar mais fácil de passar.
— O que eu não faço por você, hein, ?
Ele, que estava sentado no sofá, se inclinou para deitar. Deixou apenas o tronco levantado e esperou a menina se sentar para deitar em seu colo.
— Quando quiser, viu, JJ. No seu tempo — brincou ela, em pé, esperando o amigo se deitar.
— Você não acha que eu vou deitar a cabeça nesse encosto duro, acha?! — o garoto falou como se fosse óbvio, fazendo a menina revirar os olhos e se sentar no sofá, para que ele deitasse a cabeça em seu colo.
— Que troço preto é esse, ? Você não vai passar isso na minha cara — Jake tentou se levantar, mas sem sucesso. A menina o prendeu com os braços.
— Fica quieto, garoto! — disse e começou a passar o produto no rosto dele com toda a delicadeza.
Ele não tirava os olhos dela, que estava concentrada no que fazia. Jake estava simplesmente vidrado na garota, observando cada detalhe de seu rosto, cada sarda, cada sinal. Observou o formato de seus lábios e como eram carnudos e convidativos, e o quanto aquela menina era linda. Se pelo menos ela soubesse o que se passava na cabeça dele, o quanto a admirava...
Emma percebeu o clima e foi se retirando do local sem que ninguém percebesse. Foi em direção ao seu quarto para que os dois ficassem a sós.
— Até que não é tão ruim, é geladinho — Jake quebrou o silêncio.
— Tá vendo? Falei que você ia gostar. Falando nisso, mas sem ter nada a ver com o assunto, cadê a Emma?
— Não sei, acho que foi dormir.
— Mas já? Ela não costuma dormir a essa hora nem em dia de trabalho — disse, confusa. — Deixa eu ir lá no quarto dela ver o que houve.
— Não, fica aqui. Ela deve estar cansada ou falando com o Josh — ele se levantou do colo da garota e ficou sentado ao seu lado no sofá.
— Tudo bem...
— Tá, mas agora me conta. Como você tá? — JJ perguntou, se virando para se sentar de lado e ficando de frente para . — Faz tempo que não paramos pra conversar assim, só a gente.
Ele prestava atenção em cada palavra que saía de sua boca, porque essa era a coisa mais admirável nele. Jake era aquele tipo de pessoa que olhava nos olhos ao escutar uma conversa. Era cuidadoso e atencioso com quem quer que fosse, e essa era uma das qualidades que mais admirava em um homem. Talvez por isso eles se dessem tão bem.
Com muitas risadas regadas de vinho, a noite foi passando. Uma típica noite de Jake e , na qual eles se perdiam em seu próprio universo. O garoto parecia cada dia mais encantado pela amiga. Mas não era um encanto apenas de uma boa amizade, e sim no sentido real da coisa. Ela era uma mulher admirável e ele conseguia enxergar isso mais do que ela mesma podia. Mas Jake sempre foi muito cuidadoso, com medo de estragar a amizade que tinham. era uma daquelas amigas que ele levaria para a vida, mesmo que, em alguns meses, a garota tivesse que ir embora. Ele aproveitaria o tempo que lhe restava com ela.


...


acordou com um pouco de ressaca devido a algumas taças de vinho da noite passada. Caminhou até o banheiro e analisou o próprio rosto antes de jogar uma água nele para despertar. Deu passos lentos até a cozinha para tomar o café da manhã e deu de cara com Emma sentada, terminando de comer.
— O que aconteceu com você ontem? — perguntou.
— Bom dia pra você também.
— Oh, desculpa, bom dia! Agora, responda a minha pergunta — ela forçou um sorriso.
— Então, eu vi que tava rolando um clima entre você e o Jake e saí de fininho pra te deixar à vontade.
— O quê? Agora você viajou real.
, o JJ não tirava os olhos de você em nenhum momento. Era como se eu nem estivesse lá.
— Claro que ele estava olhando pra mim, eu estava praticamente em cima dele passando a máscara. Pra onde mais ele olharia? — tentou convencer mais a si mesma do que à amiga.
— Ele poderia ficar de olhos fechados, olhar pra qualquer lugar do apartamento... Mas não. Ele estava vidrado em você de um jeito que nunca vi o Jake te olhar antes.
— Meu Deus, Emma, para! Tá viajando — a garota começou a ficar nervosa.
— Tá vendo como você se sabota? Tá na cara que o Jake sente algo por você e você fica aí, tentando se enganar. Você sempre faz isso, . Sempre que um cara tá a fim de você, você se sabota. Por quê?
— Por que, Jones? Vou te dizer o porquê. Caras como o Jake não namoram garotas como eu. Caras como o Jake namoram garotas como você, garotas que eles vão mostrar como uma conquista aos amigos. Comigo eles só querem ficar às escondidas, e eu prometi a mim mesma que não me submeteria a isso nunca mais — ela falou tudo o que tinha preso dentro de si. E, com lágrimas nos olhos, continuou: — Tá satisfeita? Era isso que queria? — finalizou, com os braços abertos.
— Você sabe que o Jake não é assim. Ele jamais faria isso com você, — Emma dizia cuidadosamente.
— Eu sei, mas tenho medo. Gosto muito da amizade que tenho com ele e não quero perder isso. Prefiro que as coisas continuem do jeito que estão — falou tristemente e foi em direção ao quarto.
— Hey, não vai tomar café?
— Perdi a fome — a garota respondeu, batendo a porta.
Era sempre assim que se sentia, reprimida por suas vontades. Porque ela tinha sim desejos. Sentia atração por pessoas que não a olhavam com o tesão que ela gostaria. Esse mundo era cheio de internalização de padrões de beleza que, a cada dia mais, era impossível de alcançar. E ela se sentia mal. se sentia, muitas vezes, sem forças para poder empoderar-se. Mesmo sentindo-se linda, mesmo tendo o cabelo liso, mesmo tendo um rostinho lindo, as pessoas ainda assim não olhavam para ela como olhavam para meninas magras. Talvez estivesse gostando de Jake, mas não poderia demonstrar e correr o risco de ser rejeitada mais uma vez.


...


— Anda logo, Jones. O Jake já mandou umas vinte mensagens — disse , impaciente.
— Tô pronta, tô pronta. Calma.
— Vai logo, ele já tá me infernizando de novo — empurrou a amiga porta afora e fechou o apartamento.
— Cadê aquela playlist de músicas brasileiras? — perguntou a loira.
— Aqui, ó. Só não sei conectar aí nesse troço — respondeu, entregando o celular a Emma.
— Deixa eu ver aqui se consigo — ela pegou o celular da mão de e começou a mexer na tela touch do painel do carro. Rapidinho o conectou e, ao som de um funk qualquer, chegaram até a casa de Jake.
O pai e a mãe dele – que também era a chefe de – haviam viajado para aproveitar o feriado que se aproximava. A garota não conhecia muito bem o Sr. Miller, pois ele vivia sempre muito ocupado cuidando dos negócios da galeria de fotos bem conceituada que tinha.
Como gostava de irritar JJ, começou a tocar a campainha sem parar, até que o garoto abrisse a porta agoniado.
— Tá louca, ? Só podia ser você. Não tô surdo, não — ele fingiu estar bravo.
— Não, eu sou — ela disse simplesmente, deu um beijo na bochecha dele e foi entrando, seguida por Emma.
— Só se for louca por mim, né — Jake brincou, retribuindo o beijo.
— Nos seus sonhos, garoto.
— Cadê a bebida desse lugar? — perguntou Emma.
— Aqui, me sigam — ele foi indo até a cozinha.
— Tá, mas cadê todo mundo?
— Ainda não chegaram. Devem chegar umas dez horas, por aí.
— EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FICOU ME INFERNIZANDO ESSE TEMPO TODO, SENDO QUE NINGUÉM CHEGOU E AINDA VÃO DEMORAR A CHEGAR — gritou, indignada.
— Mas é que eu não queria ficar sozinho — ele se aproximou de para abraçá-la, e ela apenas revirou os olhos.
— Garoto, eu devia te matar — Emma também estava indignada. — Nem sequei meu cabelo direito, porque a ficou me apressando.
— Foi mal, gente. Mas já que estamos aqui, vamos tomar logo uma dose de tequila. E eu não quero ninguém pedindo arrego hoje, viu, ? — ele riu e olhou para ela.
— HÁ, HÁ, palhaço! Cadê? Me dá logo esse shot aí e para de graça — respondeu, também rindo.
Era uma festa minimalista, porque Jake não havia convidado muitas pessoas, apenas alguns amigos mais chegados. Além de e Emy, chegaram depois mais cinco pessoas: Ashley, Emily, Amelie, Ethan e Ryan. Já era de madrugada e os amigos já estavam no famigerado brilho, até que um deles teve a brilhante ideia de jogar beer pong.
— Por que a gente não joga beer pong? — Ethan sugeriu.
— Por mim tudo bem, estou entediada mesmo — Amelie levantou os ombros.
O restante do grupo não se opôs, exceto :
— Eu até toparia, mas não gosto de cerveja.
— A gente pode fazer assim — Ashley sugeriu —, quem não quiser beber cerveja, bebe um shot de tequila.
— Justo — concordou.
Após algum tempo de jogo, já havia bebido alguns shots de tequila. Só percebeu que estava bêbada quando, na mesa, os amigos diziam que só havia um copo, mas ela insistia que tinham dois. Então, decidiu dar um tempo e tomar um ar no jardim da casa.
Party In The U.S.A tocava alto, o que não deixava ninguém no tédio. A garota não entendia por que aquela música fazia tanto sucesso, a ponto de ouvi-la tocar pelo menos umas três vezes em qualquer bar, balada ou festa. E eles cantavam com um amor à pátria que era admirável, mas, de fato, não importava o tempo que passasse, achava a música boa e nostálgica.
Todos estavam embriagados, principalmente depois de várias rodadas de beer pong. Alguns se reuniram na pista de dança para extravasar o álcool e Jake passou o olho pela sala, dando falta da amiga.
— Cadê a ? — perguntou, preocupado.
— Não sei, faz um tempinho que ela saiu — Emma respondeu.
— Eu vi ela indo em direção ao jardim — disse Emily.
— Vai lá ver se ela está bem, é a minha vez de jogar — Emma foi pegar a bola para sua jogada.
Jake foi chegando no jardim e encontrou encostada na parede, segurando um cigarro, olhando para o nada e perdida em seus pensamentos; mas como se estivesse pensando em tudo. A garota não era muito de fumar, apenas o fazia quando sua cabeça estava cheia de pensamentos e ela tentava colocá-los no lugar.
— Um centavo pelos seus pensamentos…? — perguntou o garoto, ansioso pela resposta.
— Hey... Não estou pensando em nada específico. Só admirando o céu.
— Você está bem? — perguntou, dando um gole em seu copo.
— Estou sim, bêbada, porém bem.
— Eu também, estou bem bêbado — ele riu e se encostou na parede ao lado dela.
— Aceita? — ofereceu ela, lhe mostrando uma carteira de cigarro.
Jake apenas assentiu, pegando um pra si. Ficaram em silêncio por um tempo.
— Preciso fazer algo que tem estado na minha cabeça há algum tempo e, se eu não fizer agora, talvez não tenha coragem de fazer nunca mais. Provavelmente, você não vai se lembrar disso amanhã e, talvez, eu também não. Mas preciso e espero que isso não mude nada — ele falou, olhando nos olhos dela, que também o encarava. Jake deixou seu copo em um batente próximo e voltou sua atenção para a garota.
— O quê? — perguntou, confusa, não tirando os olhos dele.
— Isso — ele disse, pegando delicadamente em sua cintura e a puxando para um beijo.
demorou para assimilar o que estava acontecendo, sendo pega de surpresa. Mas logo se rendeu ao momento que, mesmo negando para si mesma, desejava tê-lo. Colocou as mãos ao redor do pescoço dele, aprofundando o beijo, enquanto sentia cada parte do seu corpo arrepiar-se. As mãos de Jake passeavam pelas suas costas e desciam para sua bunda, apalpando-a. Demoravam-se porque sabiam que, no dia seguinte, talvez ninguém se lembraria daquilo.
Ela prolongava o fim do beijo porque não queria lidar com aquela situação. Estava nervosa demais e temia o que poderia vir a seguir. Ele prolongava o fim do beijo porque tinha medo de ser rejeitado por ela, mas mal sabiam eles que seus medos eram bobos comparados ao sentimento que cresceria a partir dali.
Ao separarem os lábios, se entreolharam por muitos minutos em silêncio, porque não havia nada a ser dito naquele momento. Naqueles olhares, eles souberam que seria difícil ignorar o que sentiram hoje. Eles se conheciam o suficiente para saber que seria difícil seguir a vida sem repetir aquilo.


...


Era por volta de 11:00 p.m. quando acordou. Ela tentou se levantar um pouco e colocou a mão na cabeça, sentindo aquela dor de ressaca. Resolveu se deitar de novo e tateou a cama para encontrar seu celular. Observou uma mensagem em específico no grupo que tinha com Emma e Jake; na verdade, não era uma mensagem, e sim uma foto. Era ela beijando Jake.
arregalou os olhos enquanto tentava se lembrar daquele momento, mas não recordava. Momento perfeito para ter uma amnésia pós-cachaça, quando tudo o que ela queria era se lembrar daquele beijo por muito tempo.
levantou-se às pressas. A primeira coisa que fez foi sair em disparada do quarto para procurar sua amiga e perguntar o que tinha acontecido.
— EMMA!!! — a garota gritou, fazendo a amiga aparecer desesperada na porta de seu quarto.
— O que houve? — perguntou Emy, ofegante.
— QUE MERDA É ESSA?
— Oh, você viu a foto. Nada de mais, ué. Só uma foto pra te provar que eu estava certa o tempo todo, como sempre. Mais um motivo pra você ouvir meus sermões — disse com tom de deboche.
— CARALHO, eu não lembro disso de jeito nenhum, Emma.
— O QUÊ? COMO ASSIM VOCÊ NÃO SE LEMBRA?
— Eu não me lembro, simplesmente não me lembro. Estava bêbada e não me lembro... Será que o Jake se lembra? Meu Deus! O Jake! O que ele deve tá pensando? Ele nem sequer respondeu a foto e aqui tá visualizado — ia falando sem parar, até a amiga interrompê-la.
— Calma, , não é pra tanto. Foi só um beijo. Todo mundo se beija, ok?
— Ok, vou me acalmar... Meu Deus, com que cara vou olhar pro Jake hoje quando ele vier trazer o carro? — se preocupou. As garotas tinham vindo de Uber pois beberam e deixaram o carro na casa dele.
— Com a mesma cara de sempre, ué. Deixa de besteira, .


...


Jake
Hey, tudo bem? 3:50 p.m.



Tudo bem sim, com um pouco de ressaca :) 3:50 p.m.


Jake
Imagino, a senhora bebeu todas e mais um pouco ontem hahaha 3:52 p.m.
Vocês estão em casa? Queria saber se posso levar o carro agora, provavelmente você vai precisar mais tarde, não sei… 3:52 p.m.



Pode sim, por favor :) 3:55 p.m.


Jake
Chego aí em 20min se o trânsito colaborar, até daqui a pouco 3:56 p.m.



Algum tempo depois, Jake chegou ao prédio que as garotas moravam e tocou a campainha...
— Oi — surpresa, abriu a porta para que o garoto entrasse. — Pensei que ia ligar pra eu descer e pegar a chave com você.
— Eu também, mas acho que a gente precisa conversar sobre a foto…
ficou em silêncio. Ela queria fugir a qualquer custo daquela conversa.
Percebendo que a amiga não iria responder, Jake perguntou:
— Cadê a Emma?
— Ela saiu, acho que foi fazer as unhas ou algo do tipo. Vai sair com o Josh — explicou, tentando não parecer nervosa.
— Ótimo, então podemos conversar a sós–
— Jake — a garota o interrompeu —, a gente pode conversar sobre isso outra hora? Estou ocupada agora e logo mais vou ter que sair — foi em direção à porta e a abriu para que o garoto saísse.
— Tudo bem, eu acho... — ele aceitou a contragosto e saiu, vendo a porta se fechar logo atrás de si.

não poderia lidar com aquilo agora. Não quando mal tinha dado tempo para pensar no que aquilo tudo significava. Não quando ela não se lembrava do que tinha acontecido e até mesmo da sensação de beijá-lo.
Jake estava desesperado para falar, porque, na cabeça da garota, ele provavelmente falaria que o que aconteceu foi apenas a bebida falando, por pura carência. E ela não conseguiria ouvir aquilo da boca dele naquele momento. Seria demais.


...


— Hey, como foi com o Jake? — Emma perguntou, cautelosa, aparecendo na porta do quarto da amiga.
— Tudo bem, eu acho. Ele queria conversar sobre... Você sabe...
— O beijo — Emy revirou os olhos. — Mas e aí? Vocês resolveram?
— Eu meio que mandei ele ir embora.
— O QUÊ? COMO ASSIM? — ela se aproximou e se sentou ao lado da garota na cama.
— Eu disse que a gente conversaria uma outra hora, porque estava ocupada e teria que sair — deu um sorriso amarelo.
— E por qual razão isso, ?
— Não tô acostumada com isso, Emma. Prometo que a gente vai conversar, só não hoje. Agora a gente pode, por favor, mudar o assunto?
— Tá, tá, ok — respondeu simplesmente, revirando os olhos. — A propósito, pensou sobre hoje à noite?
— Amiga, já falei que não quero sair com um cara que nunca vi na vida — a garota odiava encontros às cegas, achava muito constrangedor.
— Mas , não é como se ele fosse um completo estranho. Ele é amigo do Josh, e o Josh disse que mostrou seu Instagram e ele te achou linda. E outra, o JJ iria ficar morrendo de ciúmes.
— EMMA!
— OK, OK, tudo bem! Não está mais aqui quem falou e também vou fingir que isso tudo não é por causa do Jake.
— Cala a boca, Emma!
— Mas você vai ficar sozinha? É seu primeiro Valentine’s Day, não queria te ver presa nesse apartamento sozinha.
— Não é porque não tenho um encontro que tenho que ficar em casa, Emy.
— Justo! Então quais seus planos pra hoje, gatinha?
— Nada de mais, Emy. Vou passear pela cidade de carro, ver as ruas e, quando cansar, vou no drive-thru do In-N-Out. Vou comprar toda a comida que tenho direito, voltar pra casa e maratonar Camp Rock no Disney+ — falou, como se aquele fosse o melhor programa para se fazer num sábado.
— Ai, , você é tão sem graça... Mas ok, respeito esse seu jeitinho de ser — Emma riu. — Já que você não tem hora, levanta esse rabão daí, vem me ajudar com minha roupa e fazer um milagre nesse rostinho lindo aqui, ó — ela colocou a mão embaixo do queixo e fez biquinho.
— Ah, não! Tô de folga hoje.
— Nem vem com essa, . Você prometeu que faria minha maquiagem hoje. E outra, você nunca terá folga de mim, sua palhaça! Mesmo no Brasil, a senhora trate de me responder e me ligar.
fingiu estar dormindo enquanto Emy falava, então ela deu uma travesseirada na cara da amiga, que tomou um susto, fazendo com que as duas caíssem na gargalhada.


...


— Wow, ! Você não é Deus, mas faz milagre, garota! — Emma falou, pasma, olhando para o espelho. — Não sabia que eu podia ficar ainda mais bonita.
— HÁ, HÁ, Jones. Você é hilária.
— Mas falando sério, , você é muito boa no que faz.
— Obrigada, Emy!
ficava muito feliz quando recebia elogios pelo seu trabalho. Era muito gratificante para ela, sabia que estava no caminho certo.
— PQP, ! Como você ainda não é famosa?
— Obrigada de verdade, amiga, mas você é suspeita — ela agradeceu novamente, rindo.
Antes que a amiga pudesse mandar calar a boca e parar de falar besteira, o celular de Emy vibrou e indicou uma mensagem de Josh, avisando que havia chegado. Emma catou as coisas, colocou-as na bolsa e se despediu de , avisando que não tinha hora para chegar. Então, foi embora.
Era sábado à noite, Valentine's Day. então tomou seu banho, colocou uma roupa confortável, pegou suas chaves e sua bolsa e saiu para dar uma volta em seu carro alugado. Apesar de ainda estar se familiarizando com as ruas e o trânsito de L.A., ela queria apreciar o movimento na rua, os casais apaixonados e aproveitar para passar no drive-thru do In-N-Out que tanto amava.
estava vestindo uma legging preta, um moletom preto escrito “C'est La Vie” e seu Vans branco. Ela sempre gostou muito dos feriados americanos e era a primeira vez que estava presenciando o famoso Dia dos Namorados. Apesar de sua vida amorosa ser uma “desgraça” como ela gostava sempre de brincar, estava amando ver as ruas, restaurantes, lojas e tudo decorado.
Passeando pela cidade, acabou se perdendo e indo parar em um bairro que não conhecia; aparentemente um bairro de nobre, com muitas mansões. Ao andar mais um pouco, parou em um semáforo ao lado de um parque. A rua era um pouco escura e estava deserta. Aproveitou para colocar no Google Maps o caminho para o In-N-Out, que ficava próximo ao aeroporto. Amava ver os aviões que passavam bem próximos.
Estava distraída mexendo no celular e ouvindo Only Angel, até que um vulto passou pela sua frente e entrou no carro, gritando desesperadamente:
— ACELERA! ACELERA!!!


Capítulo 2


estava de folga naquele domingo. Apesar de ser Valentine’s Day, ele não tinha planos. Kendall havia o convidado para uma festa que Kylie daria aquela noite, e, depois, poderiam seguir para casa dela e comemorar a data do jeito que mais gostavam. Mas ele preferiu aproveitar aquela folga e tirar um tempo para si. Ultimamente, estava exausto de tanto trabalho e não queria gastar sua noite de folga dando sorrisos falsos e conversando sobre qualquer assunto superficial com aquelas pessoas que Kendall insistia em chamar de amigos. Então, resolveu dar uma volta em um parque próximo à sua casa, em Hollywood Hills, para espairecer as ideias.
Quando estava para ir embora, notou que estava sendo seguido por um grupo de caras. Na tentativa de despistá-los, atravessou a rua, mas, assim que o fez, o grupo também atravessou. Até que o abordaram:
— Ei, cara, cê fuma maconha? — um deles perguntou com uma voz mal-encarada, chegando perto.
— Não — respondeu ele, tentando não se mostrar nervoso.
— Cê quer maconha? — outro deles indagou.
— Não.
— O que cê tem aí? — o maior deles perguntou, fazendo com que os outros cercassem o cantor.
— Nada, cara. Não tenho nada! — assustado, levantou as mãos e mostrou que não tinha nada com ele. Porém, um deles acabou vendo seu celular e o pegou.
— Desbloqueia a porra do celular agora! — continuou o maior deles, levantando a blusa e mostrando uma faca na cintura.
Naquele momento, entrou em desespero. Não podia desbloquear o celular. Praticamente tudo seu estava ali dentro; trabalho, contatos importantes, e-mails, agenda pessoal, fotos, notas... Enfim, tudo. Pensou em jogá-lo em um lago ali no parque, assim, nem ele nem os assaltantes ficariam com o celular. Afinal de contas, o problema não era o aparelho em si, e sim o que tinha dentro dele. Mas preferiu não irritá-los, afinal, eles estavam armados com facas e não queria que aquilo acabasse em tragédia.
Ele viu um carro parar no semáforo, tomou coragem e saiu correndo em direção a ele. Por sorte, a porta estava destrancada. Assim que entrou, gritou descompensado e com a adrenalina a mil:
— ACELERA! ACELERA!




Assustada, ela pisou no acelerador, passando pelo sinal ainda vermelho. Até então, estava com tanto medo que não teve coragem de sequer olhar para o lado. Apenas manteve seu olhar fixo na pista, sem nem prestar atenção no caminho que estava seguindo.
Até que começou a ouvir risadas baixas. Então, ela finalmente resolveu olhar para o lado para entender o que estava acontecendo.
Puta que pariu, caralho! — disse ela, baixo e em português. Estava tão chocada que não conseguia tirar os olhos de , e acabou perdendo um pouco o controle do carro.
, que estava rindo, não sabia se era de nervoso pelo ocorrido anteriormente ou se era pelo fato de sua música estar tocando naquele momento, tornando-o icônico, se assim poderia dizer.
Ele parou de rir e gritou novamente, aflito, com medo que acontecesse um acidente com os dois:
— PARA O CARRO! PARA O CARRO!
freou o carro de vez, no susto. Por sorte, a rua estava deserta e não havia nenhum carro atrás. respirou fundo e, com toda sua calma, falou:
— Encosta o carro ali — apontou para a calçada.
Sem nem raciocinar, ela apenas o fez.
Passaram alguns segundos em silêncio e olhando para frente; estava em choque e não soltava o volante por nada. Até que tentou iniciar um diálogo com ela.
— Hey, você está bem?
CA-RA-LHO falou pausadamente em português, chocada, ainda tentando compreender aquela situação bizarra.
— Não entendi. Você fala inglês?
Ela estava em transe olhando para ele, até que se tocou da pergunta e acabou por soltar o volante.
— Meu Deus, me desculpa, falo sim! É só que... — ela estava se dando conta do que de fato estava acontecendo e não encontrou palavras para conseguir se expressar. Aquilo só poderia ser um sonho ou uma pegadinha, ela tinha certeza. Não era possível.
— Me desculpa se te assustei, quer dizer... Obviamente eu te assustei, mas perdão por ter entrado no seu carro assim, do nada, gritado com você. Eu estava sendo assaltado. Inclusive, você deveria trancar as portas do carro para que estranhos como eu não entrem. Poderia ter sido alguém mal-intencionado. Mas fico feliz que não tenha trancado hoje, salvou minha vida.
— Tá tudo bem — estava pasma. Respirou fundo para cair em si e continuou: — Você quase me matou do coração, mas está tudo bem! — brincou. — Tipo, não sei bem mexer nesse carro ainda. Ele é alugado e tem esse monte de botão, então ainda não me acostumei.
— Oh, entendi. A propósito, sou — ele sorriu e estendeu a mão para a garota ao seu lado.
— Eu sei — a garota estava com um sorriso bobo no rosto, admirada pelo fato de supor que ela não sabia quem ele era. Também estendeu a mão para que selassem o aperto de mão.
— Me chamo , mas pode me chamar de .
— É um nome muito bonito. E devo dizer, você tem bom gosto. A trilha sonora não poderia ser melhor — ele riu.
— MEU DEUS, QUE VERGONHA! — ao se dar conta da música que estava tocando, rapidamente desligou o som e colocou as duas mão no rosto.
— O quê? Por que vergonha? — ele ria do desespero dela.
— Porque você deve estar achando que sou uma daquelas fãs malucas.
— Mas você não é? — brincou.
— NÃO! Quer dizer, talvez... Mas não era pra você saber, pelo menos não assim! — falou, indignada, em tom de desistência.
deu uma gargalhada gostosa, achando toda aquela situação hilária e contagiando , fazendo-a gargalhar também. E ficaram os dois ali rindo, por alguns minutos...
— Tá com fome?
— Quê? — achou que não tinha ouvido direito.
— Perguntei se você tá com fome.
— Sim, por quê? — ela perguntou de volta, desconfiada. Não era possível que estava a convidando para jantar.
— Porque vou te levar para comer, ué. Quer dizer, você quem está dirigindo, mas entendeu o que quis dizer — falou, rindo graciosamente.
— Desculpa perguntar, não quero parecer rude ou coisa do tipo, mas você não tem nada melhor pra fazer? Tipo, não me entenda mal, seria um sonho sair pra jantar com você, conversar e tudo mais, mas é Valentine’s Day. Você provavelmente deve ter algum date ou alguma festa pra ir, e não quero te incomodar. Odeio a sensação de estar incomodando alguém — não parava de falar; agia assim quando ficava nervosa.
Ela imaginou diversas vezes a fanfic em sua cabeça: conheceria , o chamaria para um café onde ela faria questão de pagar, e conversariam sobre coisas da vida. Tudo aquilo parecia fácil demais, afinal de contas, na imaginação, seguia seu roteiro. Mas aquilo era vida real. estava de fato vivendo sua fanfic e, só em pensar que poderia ficar algumas horas a sós com ele, seu coração batia tão forte que parecia querer sair do peito. E se ela não soubesse o que falar? E se ela falasse alguma besteira? Ou pior, e se não gostasse dela? Então, sem perceber, ela havia começado a se sabotar novamente.
— Hey, deixa de besteira. Eu estou te convidando, não estou?
— Sim, mas... — ia falar algo, mas foi interrompida.
— Sem “mas”. Você é meu date hoje, — ele a olhava intensamente.
Por um momento, ela se perdeu no verde dos olhos dele. Vendo que a garota não sabia o que responder, continuou falando:
, é o mínimo que posso fazer depois de tudo que o aconteceu hoje. E eu estou com fome também — um sorriso iluminava seu rosto. — E então, o que me diz?
— Eu perdi tudo no “” — disse ela, divertida e boba, olhando para ele. — Mas posso te pedir uma coisa antes?
— Claro, qualquer coisa!
— Você pode ir dirigindo? — perguntou timidamente. — Se não for incomodar, claro. Eu ainda estou um pouco em choque e nervosa com tudo isso.
— Você quem manda hoje! O que quer comer? — ele tirou o cinto e abriu a porta para trocar de lugar com ela.
fez o mesmo e, assim que ele abriu a porta para que ela saísse do carro, respondeu:
— Eu não sei… Qualquer lugar com você vai ser perfeito!
Durante o caminho, ficou calada, ainda sem acreditar que estava no carro com a caminho de um jantar no Dias dos Namorados depois de ter salvado-o de um assalto. Na sua cabeça, aquilo era um sonho do qual ela iria acordar a qualquer momento.
, ao perceber que a garota estava tão calada, resolveu iniciar um diálogo novamente.
— Então... Você também não deveria estar em um encontro?
— Não necessariamente — ela riu, após receber um olhar rápido e curioso de , que estava dirigindo. — Às vezes, curtir a própria companhia é a melhor opção. Não queria estragar meu primeiro Valentine’s Day com o constrangimento de conhecer alguém às cegas. Eu odeio esse tipo de coisa — levantou os ombros.
— Você tem razão.
— De qualquer forma, se eu estivesse em algum encontro, quem teria te salvado?
— É verdade. E ainda bem que não trancou a porta do carro — brincou. — Você disse “primeiro Valentine’s Day?” Como assim?
— Eu não sou daqui. Você deve ter percebido pelo meu sotaque ou pelo meu nome.
— De onde você é?
— Brasil.
— Caramba, como não percebi antes? Eu amo o Brasil! Tenho até uma tatuagem.
— Eu sei — ela riu ao se lembrar de abaixando as calças para mostrar a tatuagem em um dos shows do 1D que viu em algum vídeo aleatório no TikTok.
— Mas espera aí, como assim é o seu primeiro Valentine’s Day? No Brasil não tem?
— Então... A gente não comemora o Valentine’s Day, mas a gente tem o Dia dos Namorados, que é em junho. Mas eu nunca namorei, então...
percebeu que ela tinha ficado sem graça ao falar que nunca tinha namorado, então resolveu não prolongar o assunto. Pelo menos não naquele momento. Não entendia como uma garota como , tão bonita, engraçada e, aparentemente, tão cheia de qualidades nunca tivesse namorado. Então foi logo falando, entusiasmado:
— Pois vamos mudar isso agora. Seu primeiro Valentine’s Day tem que ser muito especial. Já sei exatamente onde te levar.
— Onde? — ela perguntou, sem acreditar que estava indo jantar com no Valentine’s Day.
— Surpresa, mas você vai amar! — disse sorrindo, olhando para ela.
, se você me levar para comer no Pink’s, eu vou amar — brincou.
—Heyyy, eu adoro o Pink’s, ok?! — ele fingiu estar ofendido.
— Em minha defesa, eu também! O que quero dizer é só que não importa o lugar que você me leve, eu nunca vou me esquecer desse dia. Já tá sendo muito especial — explicou com um sorriso no rosto. — A propósito, achei que não comesse carne.
— E não como... Quer dizer, não mais. Quando estava em turnê com a banda, eu e os garotos sempre pedíamos para alguém da produção comprar comida pra gente, para que comêssemos no hotel após o show.
seguiu seu caminho até o restaurante em questão, que era um pouco distante de onde estavam.
— Você tá me sequestrando? Quero dizer, se você estiver, por mim tudo bem, não tenho objeções quanto a isso. Só me dê uns minutos pra me despedir da minha família — a garota disse, tentando se manter séria, mas sem sucesso.
Ele deu uma gargalhada.
— Engraçadinha. Estamos quase chegando.
— Você bem que poderia me falar onde está me levando... Espera aí, aquela placa ali diz que já estamos em Malibu.
— Sim.
— Agora tenho certeza que está me sequestrando.
O resto do caminho foi inteiramente de risadas. já estava um pouco mais acostumada com a presença intimidadora do cantor, o que fez com que ela se soltasse mais e mostrasse seu lado que a fazia ser tão querida por todos.
Após algum tempo, chegaram ao tão famoso Nobu Malibu. O lugar era simplesmente lindo, sofisticado e simples; nada de exageros cafonas, era chique e ponto. Além disso, ficava de frente para o mar de Malibu, ou seja, o lugar perfeito para um jantar de Valentine’s Day.
— Chegamos — foi se soltando do cinto de segurança, prestes a descer do carro e a entregar a chave para o manobrista.
, esse restaurante é muito caro. E outra, eu não estou nem vestida para entrar nesse lugar — ela se chocou ao olhar para a entrada, vendo todas aquelas pessoas chiques e arrumadas entrando e saindo do restaurante.
, hoje o jantar é por minha conta. Você não tem que se preocupar com nada. Além do mais, você está mais arrumada que eu. Olha só pra mim. Estou de moletom, short e tênis.
— Mas você é fucking ! Você pode vestir o que quiser e, se bobear, ainda vira moda — para ela, aquilo era a coisa mais óbvia.
— E daí? Ninguém deveria te dizer o que vestir. Você pode vestir o que quiser, onde quiser e na hora que quiser. E ai de alguém se te falar o contrário! — ele olhou nos olhos dela. — Agora deixa de besteira e vamos curtir esse jantar, porque eu estou morrendo de fome.
— Ok, ok, você tem razão! Mas , nenhum de nós fez reserva. Como vamos conseguir entrar? Olha o tamanho da fila de espera! Assim só vamos conseguir comer no próximo ano.
— Deixa comigo, que isso eu resolvo.
Então ele desceu do carro, abriu a porta para que a garota descesse também e estendeu a mão para ajudá-la.
Restaurantes famosos como o Nobu Malibu sempre deixavam algumas mesas vagas para casos como o de , celebridades ou pessoas importantes de última hora aparecerem para jantar. Então, ele falou com a hostess do restaurante e ela logo disponibilizou uma das melhores mesas com vista para a praia.
Assim que se acomodaram, não tirou os olhos de – a luz da lua batia em seu rosto, o vento balançava levemente seus lindos cabelos castanhos. Ela parecia abismada com tamanha beleza da paisagem. Ele respeitou seu momento, até que ela finalmente falou:
— Uau, ! Esse lugar é lindo. Nossa, olha essa vista!
— É linda mesmo. Fico feliz que tenha gostado — ele sorria graciosamente.
— Eu amei!
Até que um garçom os interrompeu:
— Olá, sejam bem-vindos. Espero que estejam bem acomodados — disse, simpático.
— Obrigado, estamos sim — estendeu a mão para ele, que a apertou prontamente.
— Que bom, fico feliz. Posso pegar os pedidos de vocês ou gostariam de aguardar mais um pouco?
— Qual seu nome? — perguntou normalmente e recebeu olhares curiosos de e do próprio garçom, que não estava acostumado com pessoas perguntando seu nome. E, quando o faziam, coisa boa não era.
— Me chamo James, senhorita — ele a respondeu com receio, e apenas observava a cena calado. — Algum problema?
— Não, James, pode ficar tranquilo. Adoraríamos que você pegasse nossos pedidos, estamos famintos — sorriu para ele e pôde observar sua expressão de alívio.
sempre gostou de tratar as pessoas pelo nome. Isso fazia com que elas se sentissem mais queridas e se aproximassem mais, e ela gostava disso.
— Claro, senhorita. O que vão querer? — disse ele, muito simpático e aliviado.
— Agora que você perguntou, eu não sei. Vou deixar ele escolher — ela riu e acordou dos pensamentos.
— Oh, ok. Deixe-me ver — ele olhou para o cardápio. — Alguma sugestão?
— Nosso Tempurá de Camarão e Lagosta Spicy com Molho de Trufa é uma de nossas entradas mais famosas — respondeu James.
— Você gosta de camarão e lagosta? — perguntou, olhando para .
— Gosto sim, muito.
— Então, James, de entrada você pode trazer um prato desse e uma porção sortida de Sashimi Tacos de atum, lagosta e camarão. Tenho certeza que ela vai amar, são os meus favoritos daqui — sorriu e olhou para ela.
— Certo, senhor. E quanto ao prato principal, já querem fazer o pedido ou esperar as entradas?
— Vamos fazer o pedido logo. Melhor, né? — perguntou a ela, que assentiu. — Pode ser que demore, está muito lotado hoje. Do que você gosta?
— Eu achava que entendia de sushi até ver esse cardápio.
— Deixa eu te ajudar. Quais peixes você gosta?
— Ah, eu gosto de salmão. Até como os outros peixes, mas gosto mesmo de salmão — respondeu ela, timidamente.
— James, você pode pedir para o chef montar um combinado de quarenta peças para nós com a maioria das peças de salmão, por favor?
— Claro, é pra já. Querem algo para beber?
— Eu vou querer uma Cherry Coke — disse.
— Vou querer uma soda italiana de maçã verde.
— É pra já! Fiquem à vontade.
— Obrigada, James! — disse agradecida e ele assentiu, sorrindo e se retirando do local, deixando-os a sós.
e voltaram a atenção um para o outro e ficaram se observando por alguns instantes, até ele iniciar um dialogo novamente.
— Então... Me fala mais sobre você.
— Não tenho muito para contar. O que quer saber? — ela estava perdida no verde daqueles olhos iluminados pela luz da lua.
— Quero saber tudo!
— Olha lá o que você tá pedindo, hein? Sou geminiana. Quando começo a falar, não paro mais. Você vai se arrepender.
— Tenho certeza que não.
— Ok, depois não diz que eu não avisei... — ela riu e levantou os ombros. Então, continuou: — Bem, por onde começo a falar dessa minha vida muito agitada…? — pensou alto por um momento. — Certo, vamos lá, eu sou de uma cidade chamada Recife, que fica em Pernambuco, no Nordeste do Brasil. Provavelmente, você nunca ouviu falar, mas deveria. É uma cidade muito cultural e temos o melhor carnaval do mundo. É meu feriado favorito do ano, diga-se de passagem — ela se gabou, tentando se manter séria, como se estivesse dando um sermão em por não conhecer sua cidade. Ele segurava o riso e a ouvia atentamente. — Tenho vinte e três anos e faço faculdade de Nutrição, mas não pretendo seguir a carreira. Sou maquiadora há uns quatro anos e sou apaixonada pela minha profissão. Apesar de não ser bem sucedida ou ter o reconhecimento que gostaria, sou muito realizada com ela. Tenho um irmão mais velho e, inclusive, acho que você iria gostar dele. Meus pais são separados... Não sei mais o que te falar.
— Você é feliz? Quero dizer, com o seu trabalho.
— Sim!
— Sabe... Uma vez, um amigo me disse que, se você está feliz fazendo o que faz, então ninguém pode te falar que você não é bem sucedida — ele olhava diretamente em seus olhos.
— Eu acho que precisava ouvir isso. Obrigada! — a garota agradeceu e ele assentiu.
— Qual o nome do seu irmão?
— Felipe. Ele tem trinta anos.
— Oh, a mesma idade da minha irmã.
— Sim, tenho certeza que você iria adorá-lo. Todo mundo adora.
— E você?
— Eu o quê?
— Eu não vou te adorar?
— Você até pode, mas, provavelmente, iria gostar mais do meu irmão.
— E por que diz isso?
— Às vezes eu posso ter um temperamento difícil. Nem todo mundo me aguenta por muito tempo — ela soltou um riso meio triste, tentando disfarçar.
— Eu duvido.




havia ficado intrigado com a fala da garota. Ela parecia tão divertida... Não conseguia imaginá-la com um temperamento diferente daquele. Obviamente, todos tinham seus momentos mais escuros, mas tinha certeza que não era nada a ponto de afastar as pessoas ao seu redor.
— Mas me conta, há quanto tempo você mora aqui?
Quando ela ia responder, foi interrompida pelo garçom trazendo suas bebidas.
— Aqui está. Suas entradas já estão em preparo — disse James, servindo o refrigerante no copo de vidro depois de colocar a bebida de na mesa.
— Obrigada, James — ela agradeceu.
— Não há de quê! — ele sorriu e se retirou do local.
— Como você tem coragem de beber isso? — perguntou ao ver a garota tomar um gole de sua bebida.
— O quê? Cherry Coke?
— Sim!
— É muito bom!
— É meio nojento.
— Para! Você já provou?
— Não...
— Tá vendo? Como você fala que algo é nojento sem provar?
— Porque é! Coca já é boa, não precisa adicionar mais nada.
— Prova.
— Não.
, por favor! Você disse que hoje eu que mando.
— Não acredito que você tá usando minha própria fala contra mim — ele riu.
— Vai ter que provar agora — ela também ria.
— Tá, vai. Vou provar — ele desistiu, bebendo um gole do copo da garota.
— E então?
— Não acredito que vou dizer isso, mas é estranhamente bom — falou ele, divertido.
—Tá vendo? Eu te disse! Agora devolve aqui meu copo.
— Não, não. Agora é meu!
! Então vou tomar sua soda.
— Por mim tudo bem... — ele deu de ombros.


...


— Então, voltando ao assunto… Já faz um mês que estou morando aqui, mas volto para o Brasil no final de abril.
— Mas já? Por quê?
— Eu vim pra cá no intuito de melhorar meu inglês. E queria muito vir para Los Angeles, que, infelizmente, é uma cidade bem cara, então não conseguiria me manter aqui por mais tempo — ela tentava não mostrar que ficava triste ao falar sobre aquilo. — De qualquer forma, o programa que escolhi só permite que o intercambista fique até quatro meses.
— Oh, entendi. Mas você está gostando?
— Na real, estou amando. Por mais que eu sinta saudade de casa, vou sentir muita falta desse lugar e das pessoas incríveis que conheci aqui — algumas lágrimas invadiram seus olhos, mas ela não as deixou que caíssem. — Ai, meu Deus, como eu sou boba. Choro por tudo.
— Você não é boba, você é real.
— Mas já falei muito de mim, agora é sua vez — disse, passando as costas das mãos nos olhos.
— Você provavelmente já sabe tudo sobre mim.
— Não o quanto eu gostaria, você é bem reservado.
— Isso é verdade.
— Então pode começar.
— O que quer saber?
— Hmm, deixa eu pensar — a garota disse, pensativa, cerrando os olhos em direção a ele.
— Achei que já tivesse alguma pergunta em mente — ele falou, achando graça.
— São tantas perguntas… Além do mais, estou nervosa, você tem que me dar um desconto.
— Ainda está nervosa? Achei que já tivéssemos passado dessa fase.
— Mas é claro que estou nervosa. Até horas atrás eu nunca tive sequer a oportunidade de ver um show seu, e agora estou em Malibu, no Valentine’s Day com você. Como eu não estaria nervosa?
— Ok, talvez você tenha razão. Mas você tem que ir ao meu show e como minha convidada.
— Eu iria amar. Quando a turnê vai voltar?
— Em maio.
— Poxa, eu já vou ter voltado para o Brasil — a menina ficou visivelmente triste.
— Você não pode adiar sua passagem? Qual é, é o meu show — ele se gabou divertidamente.
— Talvez. Acho que só vou saber quando estiver mais perto.
— Entendo.
— Já sei o que quero te perguntar.
— Manda.
— Você teve medo de lançar esse álbum?
— Sim, sim, tive medo. Afinal de contas, é algo novo, meu primeiro álbum solo. Não sabia como as pessoas iriam reagir. É um material bem diferente do que eu fazia no 1D.
— Mas você ficou na sua zona de conforto?
— Assim, quando eu ouço o álbum, sonora e liricamente falando, percebo que estava indo com cuidado e com medo de errar, entende? Mas eu amo tanto esse álbum. Ele representa um grande momento da minha vida.
— Obrigada por me contar.
Ele apenas assentiu.
— Posso fazer outra pergunta?
— Claro.
— Queria saber como você faz para lidar com toda a pressão da mídia. Quero dizer, deve ser muito difícil. Eu não sou famosa nem nada, mas tenho problemas de ansiedade e tudo mais.
— Eu acabei desenvolvendo ansiedade na época da banda. Quanto mais o tempo passava, mais ficávamos conhecidos. E a rotina que tínhamos era muito pesada. Exigiam demais da gente e a mídia só intensificava isso. Quando a banda entrou em hiato, essa coisa da mídia social ficava cada vez mais forte e mais tóxica, por isso tomei a decisão de não ser muito presente. Por mais que existissem pessoas maravilhosas lá, a toxicidade de algumas delas acabava pesando mais. Então, para o bem da minha saúde mental, resolvi me manter afastado e aparecer esporadicamente por lá. Acho que isso responde sua pergunta.
— Sim, obrigada por compartilhar isso comigo!
— Por nada. Essa foi uma pergunta muito boa, na verdade. As pessoas não costumam me perguntar sobre esse tipo de coisa. Quando perguntam em alguma entrevista, eu respondo de uma forma genérica, porque, na real, elas não se importam de verdade.
e se divertiram muito naquele jantar, sequer haviam visto a hora passar. Nem pensaram em pegar o celular, apenas aproveitaram o momento. Pareciam amigos de longa data. Quem os visse de fora, julgaria que até pareciam um casal.
Ela era real e ele sentia falta de pessoas assim em sua vida, pois sempre estava rodeado de pessoas que queriam algo dele. era simples, tinha o riso fácil, era engraçada, tratava as pessoas com gentileza e isso era algo que ele admirava muito. Há muito tempo não se sentia assim. Na verdade, ele não se sentia assim desde sua última visita à casa de sua mãe em Holmes Chapel, onde ele se esquecia da fama e da pressão que ela trazia como bagagem. podia finalmente ser ele mesmo e era assim que estava se sentindo naquele momento.


...


No caminho de volta, estavam numa parte da estrada onde um dos lados era a praia, o que fez com que abrisse o vidro, encostasse a cabeça no banco do carro e fechasse seus olhos, sentindo o vento alisar sua pele e fazendo seus cabelos se movimentarem de forma graciosa. a observava de soslaio e sentia o perfume dela trazido pelo vento, invadindo seu nariz. Ele tinha que admitir, estava encantado pela garota.
? — ela o chamou, ainda com os olhos fechados.
— Sim?
— Posso te pedir algo? — perguntou, abrindo os olhos e encarando o perfil dele.
— Pode, qualquer coisa — ele desviou a atenção rapidamente para ela.
— Você pode cantar para mim?
Provavelmente, depois daquele dia, ela nunca mais veria . Então, queria aproveitar ao máximo os últimos momentos com ele.
— Claro, o que quer que eu cante?
— Kiwi — a garota pediu, divertida. — Você se incomoda se abrirmos a capota do carro?
— Achei que nunca fosse pedir — ele diminuiu a velocidade do carro para que a capota fosse guardada. — Agora, coloca aí a música de fundo para eu não esquecer a letra.
Ela prontamente colocou a música e começou a cantar, tirando, às vezes, os olhos da pista e olhando para ela, que também o olhava com a maior cara de apaixonada. Afinal de contas, seu ídolo estava cantando uma de suas canções favoritas só para ela. Aquele, de fato, era o melhor dia de sua vida.

Sugiro que coloque Kiwi para tocar

She worked her way through a cheap pack of cigarettes
Hard liquor mixed with a bit of intellect
And all the boys, they were saying they were into it
Such a pretty face on a pretty neck

Ele cantava se divertindo, fazendo caras e bocas enquanto dançava, divido entre a pista e ela.

She's driving me crazy, but I'm into it, but I'm into it
I'm kinda into it
It's getting crazy, I think I'm losing it, I think I'm losing it

— Canta comigo! — pediu ele, sorrindo.

Oh, I think she said

E, assim, aumentou o volume do carro e começou a cantar o refrão com ele.

I'm having your baby
It's none of your business
I'm having your baby
It's none of your business
(It's none of your, it's none of your)
I'm having your baby (hey!)
It's none of your business (oh)
I'm having your baby (hey!)
It's none of your, it's none of your

A garota havia se empolgado, então se sentou no banco de forma que ficasse virada para ele e usou o celular como microfone, voltando a cantar. Ela não cantava bem, mas quem estava ligando? Certamente não . Muito pelo contrário, ele estava apreciando aquele momento tão espontâneo e verdadeiro.

It's New York, baby, always jacked up
Holland Tunnel for a nose, it's always backed up
When she's alone, she goes home to a cactus
In a black dress, she's such an actress

Driving me crazy, but I'm into it, but I'm into it
I'm kinda into it
It's getting crazy, I think I'm losing it, I think I'm losing it
Oh, I think she said

Ao começar o refrão, virou para frente, encostou a cabeça no banco do carro, fechou os olhos e levantou os braços, sentindo a força do vento. Até que abriu os olhos e encontrou os de a encarando, admirado. Durou apenas alguns segundos, pois ele voltou sua atenção a estrada.

I'm having your baby (hey!)
It's none of your business (oh)
I'm having your baby (hey!)
It's none of your business
(It's none of your, it's none of your)
I'm having your baby (hey!)
It's none of your business (oh)
I'm having your baby (hey!)
It's none of your, it's none of your

Eles continuaram cantando alto com a capota aberta. Não se preocuparam se alguém estava olhando, apenas se divertiram e se esqueceram do resto do mundo. Naquele momento, só existia eles.
A música havia acabado, mas as risadas jamais. E foram assim até estacionar o carro em frente à sua casa. Ficaram um tempo em silêncio. Naquele momento, nenhum dos dois queria se despedir, mas ele o fez.
, queria te agradecer por tudo novamente. Eu amei te conhecer, de verdade. De certa forma, o assalto serviu para que a gente se conhecesse e, de alguma maneira, sou grato por isso — disse, sincero, olhando para ela.
— Eu que não sei nem como te agradecer por esse dia. Sério, foi muito especial e jamais vou me esquecer.
Ela estava sentindo um aperto no coração. Odiava despedidas e sabia que, provavelmente, não o veria nunca mais.
Se soltaram do cinto de segurança e desceram do carro para que ela fosse para o banco de motorista. Porém, antes disso, ainda na calçada da casa do cantor, ele a abraçou, passando os braços pelo pescoço dela e dando um beijo terno em sua testa. Ela o abraçou pela barriga, pois era muito alto ao seu lado. Ele esperou que ela partisse o abraço, mas a verdade era que ele também não queria que aquele momento acabasse. Então, ao se separarem, passou a mão pelo cabelo dela, que estava em seu rosto devido ao vento.
— Já está bem para dirigir? — perguntou ele, preocupado, e ela assentiu.
Então, levou-a até o carro e abriu a porta para ela, que entrou e colocou o cinto.
— Vê se dessa vez trava essa porta — ele falou divertido, fazendo dar uma gargalhada.
— Adeus, — e deu a partida.




Era por volta de uma e meia da manhã quando ela estacionou o carro em sua garagem e começou a reviver toda aquela noite maravilhosa que acabara de ter com . Ele era exatamente do jeito que ela imaginou, sem tirar nem pôr. Quer dizer, ele era muito mais bonito pessoalmente e muito mais alto do que imaginava. Também era gentil com todo mundo e o cara mais doce que havia conhecido.
estava muito feliz. Na verdade, não tinha palavras para descrever o que aquela noite havia significado para ela. Mas, no fundo, se sentia angustiada. Era como se ele estivesse perto e, ao mesmo tempo, longe. Sabia que não o veria novamente, a não ser por alguma tela ou, no máximo, um show. Sabia que nunca mais sentiria o que sentiu quando estava com .
Ficou ali no carro por um tempo e chorou para aliviar a angústia que estava sentido. Enxugou as lágrimas e subiu para o seu apartamento. Tomou um banho, colocou seu pijama favorito e foi se deitar na tentativa frustrada de dormir. Sabia que não conseguiria.




Esperou que desse partida no carro para entrar em casa. Assim que o fez, se jogou no sofá enorme de sua sala, e um filme de tudo o que tinha acontecido naquele dia começou a passar em sua mente. De certa forma, por mais que aquilo parecesse estranho, estava grato por tudo o que havia acontecido mais cedo, pois havia saído ileso do assalto e, de alguma maneira, o acontecido fez com que entrasse em sua vida, mesmo que por algumas horas. Mas horas suficientes para que percebesse a falta que ela já estava fazendo. A garota havia o feito se sentir tão leve em tão pouco tempo… Poucas pessoas ao seu redor o faziam se sentir assim, e foi naquele momento que ele percebeu que a queria perto de si de alguma forma.
estava preocupado. Queria saber se ela havia chegado bem em casa. A menina parecia distante na despedida, então pegou seu celular para mandar uma mensagem, saber se estava tudo certo e pedir que ela avisasse quando chegasse em casa. Mas, naquele momento, se deu conta que não havia pegado o seu número.
Num ato de desespero, resolveu tentar encontrá-la no Instagram, mas sem sucesso. A garota não havia lhe dito seu sobrenome. Certamente ele se lembraria se tivesse. Além do mais, havia milhares de s na rede social. No fundo, ele sabia que era uma missão quase impossível e pensou que, talvez, não fosse para ser.
O cantor estava caindo de sono, então subiu para tomar um banho relaxante e dormir.




Às três e pouca da manhã, ouviu um barulho da porta se abrindo e já sabia que era Emma voltando de seu encontro com Josh. Então, levantou-se e foi até a porta de seu quarto.
— Boa noite! Ou devo dizer bom dia? Pelo visto, a noite foi boa.
— Bom dia, baby! Olha que foi sensacional — a garota fez uma cara safada.
— Nossa, Emma, você é podre — deu uma gargalhada que contagiou a amiga.
— Cala a boca, , você quem começou. Mas me conta aí, como foi sua noite? Paquerou muito os Jonas pela TV?
— Há, há, palhaça! Se eu te contar, você não acredita.
— O quê? Anda, , desembucha. Fala logo — Emma foi empurrando a amiga para dentro do quarto e sentou-se com ela na cama.
— Mas você não vai acreditar...
— ANDA, , FALA LOGO. NÃO TÔ BRINCANDO.
— Tá bem, tá bem! Então, eu meio que me perdi no caminho e acabei indo parar em Hollywood Hills e... — ela contou tudo o que havia acontecido. — E foi isso — concluiu. olhava para Emy que, até então, não esboçava nenhuma reação, como se estivesse assimilando o que a amiga tinha acabado de contar. Até que...
— AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA — Emma caiu na gargalha. Achou que a amiga estivesse ficando louca.
— Tá vendo? Eu disse que você não acreditaria.
— Amiga, desculpa, mas acho que você está lendo muita fanfic.
— É sério, Emy. A troco de quê eu inventaria isso? — estava frustrada.
— Ok, vamos supor que seja verdade… Cadê a foto pra provar?
— Err… Essa é uma história engraçada. Eu esqueci de tirar, então não tem foto.
— Ah, , como você espera que eu acredite nisso? Você me fala que salvou a vida de um dos seus ídolos, saiu para jantar com ele e tudo mais e nem ao menos tirou uma foto?
— Sim? — ela mostrou um sorriso amarelo no rosto.
— Eu vou é tomar banho e cair na cama, porque, daqui a pouco, a gente tem que trabalhar.




acordou com o celular apitando; havia esquecido de colocar o aparelho no silencioso. Pensou em ignorar e continuar dormindo, mas o celular não parava. Então, resolveu ver o que era. Poderia ser importante.

Kendall
*Print Screen*

é visto saindo de famoso restaurante em Malibu com garota desconhecida
Fontes afirmam que os dois estavam em clima de romance e pareciam ter se divertido bastante no jantar. Fãs especulam novo affair de .
09:15 a.m.
Que merda é essa, ? 09:15 a.m.


Capítulo 3



Não é nada disso, Kenny 9:20 a.m.
É uma longa história 9:20 a.m.

Kendall
Eu sei que não é o que estou pensando, ela não faz seu tipo 9:21 a.m.


O que quer dizer com isso? 9:22 a.m.

Kendall
Nada, 9:22 a.m.
Mas e aí? Vai me falar o que houve ou não? 9:22 a.m.


Resumindo, eu estava correndo no parque e fui assaltado 9:24 a.m.
A acabou salvando minha vida, porque os caras estavam armados 9:24 a.m.
E eu a levei para jantar como forma de agradecimento, Kendall, foi isso 9:24 a.m.

Kendall
Ok, tanto faz 9:26 a.m.
O que vai fazer hoje? 9:26 a.m.


Trabalhar 9:29 a.m.
Tenho uma reunião com Jeff mais tarde 9:29 a.m.


Para a sorte de , Kendall parou de responder. Ele já estava sem paciência para os dramas da garota. Já havia perdido o sono, então foi até a cozinha tomar o café da manhã. Passou alguns segundos olhando para a geladeira aberta, até que despertou de seus pensamentos e finalmente decidiu o que iria comer. Retirou uma metade de avocado que estava aberto da manhã passada, alguns tomates cerejas e um limão siciliano. Colocou tudo na bancada, passou manteiga nos pães e os colocou na torradeira enquanto terminava de preparar o restante dos ingredientes. Em alguns minutos, sua tão adorada avocado toast estava pronta.
Após organizar a cozinha, o rapaz seguiu para o terraço de sua casa com um violão em mãos. Ele começou a dedilhar algumas notas aleatórias e se lembrou da divertida noite passada, se xingando mentalmente por não ter pego o contato da garota. Até que voltou sua atenção ao celular e, ao se dar conta da hora, subiu para tomar banho. Havia combinado de almoçar na casa de Jeff para resolver algumas pendências de trabalho e participações que faria para divulgação da turnê pelos Estados Unidos e alguns outros países, visto que a turnê pela Europa já havia sido finalizada.




A garota não havia pregado o olho a noite toda. Ainda estava desacreditada da noite que acabara de ter com . Não sabia como conseguiria trabalhar naquele dia. Estava morta de cansaço, mas feliz, afinal de contas, não era todo dia que você conhecia seu ídolo. Estava com tanta ansiedade por tudo que havia acontecido que decidiu se levantar antes de seu horário normal e preparar um belo café da manhã para ela e Emma – que, provavelmente, estaria de ressaca – para que aguentassem bem o dia de trabalho que estava por vir.
— Bom dia, sunshine disse assim que viu a amiga, colocando sobre a mesa uma travessa com alguns ovos mexidos.
— Bom dia só se for pra você, estou morrendo de dor de cabeça — Emma falou com a voz rouca de quem tinha acabado de acordar. Seus olhos estavam cerrados por conta da claridade.
— Iiih, gente, mas já chega assim gratuitamente?
— Desculpa. Bom dia pra você também, baby — ela, então, abraçou a amiga por trás, que estava de frente para a mesa repleta de comida. — Nossa, e esse banquete? Acordou de bom humor hoje, hein? — a garota se desvencilhou da amiga, pegando uma torrada e mordendo-a.
— Tem suco de laranja na geladeira.
— Da fruta?
— Sim.
— Nossa, , você faz tudo! — Emma deu um beijo estalado na bochecha da amiga e foi em direção à geladeira para pegar a jarra de suco.
— Eu sei!


...


As garotas se apressaram para que não se atrasassem para o trabalho. Durante o caminho, foram conversando.
— Hoje, depois do trabalho, vou naquele outlet que comentei com você outro dia. Você vai comigo? — Emma perguntou.
— Por mais que eu queira muito ir, hoje não posso.
— Por quê? O que você tem pra fazer de tão importante pra negar a fazer compras?
— Nada de mais. Prometi a mim mesma que ligaria pro JJ hoje. Não posso ficar adiando essa conversa, tá atacando a minha ansiedade.
— Estou orgulhosa de você, amiga! Mas você não pode ligar mais tarde? Eu... — a garota estava sem jeito de falar e foi interrompida.
— Relaxa, Emma. Eu te dou carona. Mas na volta você vai ter que pegar um Uber, porque devo me encontrar com o Jake para conversar e não sei que horas chego em casa.
— Huuuuuuuuum — ela se expressou maliciosamente.
— Haha, Jones, você é hilária — revirou os olhos.
— Mas eu não disse nada! E, a propósito, obrigada pela carona.
— E precisa, sua palhaça?
As duas caíram na gargalhada, e foi assim o restante do caminho.




Ao estacionar seu Audi R8 na área externa da casa de Jeff, o cantor se dirigiu até a grande porta onde estava sendo aguardado por seu empresário.
— E aí, como você tá? — perguntou Jeffrey, dando um abraço apertado em .
— Estou bem, e você?
— Também. Vem, entre e fique à vontade.
Os dois seguiram para o deque da casa. Enquanto aguardavam o almoço, eles se sentaram nos grandes sofás, um de frente para outro, separados apenas por uma mesinha de centro.
— Fim de semana agitado, hein? — brincou Jeff.
— Mas eu nem te contei nada ainda.
— E precisa? Está em todos os sites de fofocas possíveis — ele mostrou a tela do celular, aberta em uma manchete sensacionalista sobre seu encontro misterioso da noite passada. — Cara, o Twitter está uma loucura. Não se fala em outra coisa a não ser isso.
— Que merda isso. Não posso sair com nenhuma garota que já estou namorando com ela — respondeu, incomodado. Aquele era um dos motivos de manter sua vida pessoal tão discreta e afastada da mídia. — Isso não é nem metade do que aconteceu ontem...
— Achei que estivesse saindo com a Kendall.
— E estou, mas não estamos namorando.
— Mas então, o que aconteceu finalmente?
— A Kenny tinha me convidado pra ir na festa da Kylie, mas preferi ficar em casa. Não estava no mood pra toda aquela superficialidade. À noite, decidi dar uma volta naquele parque perto de casa. Foi quando acabei sofrendo uma tentativa de assalto e...
— O QUÊ? — Jeff o interrompeu com um grito. — Como você me conta isso assim, tão calmo?
— Calma, tá tudo bem, não aconteceu nada — ele tentou acalmar o amigo.
— Eu já te disse pra não sair à noite sozinho sem o seu segurança. Agora não é mais uma recomendação, , é uma ordem!
— Tudo bem! Você tem toda razão.
— Agora, termine de contar.
— Então… — ele contou o restante do ocorrido.
— Como você é irresponsável, garoto! Você tem noção que reagiu a um assalto à mão armada, entrou no carro de uma estranha, levou-a pra jantar e ainda deixou que ela te levasse em casa? E agora ela sabe onde você mora!
— É... Realmente, quando você expõe tudo assim, eu fui um pouco irresponsável sim — o garoto fazia uma cara pensativa, mas, no fundo, estava achando tudo aquilo engraçado.
— Estou tão chocado com essa história que nem sei como te dar uma bronca, juro — ele olhou para o cantor, balançando a cabeça negativamente.
— Mas o que importa é que está tudo bem. E a é minha fã. Inclusive, nosso jantar foi muito divertido. Não me arrependo de nada que fiz, a não ser não ter pego o contato dela.
— Claro que você não se arrepende — Jeff disse, sarcástico. — Você tem que parar de ser tão ingênuo, ! Acho que você ainda não entendeu o perigo em que se meteu... Mas por que não pegou o contato dela?
— Nos divertimos tanto que só quando cheguei em casa me dei conta disso.
— O que sabe sobre ela?
— O nome dela é . Ela é brasileira e... hmm, maquiadora, e até me falou sobre sua cidade, mas não me recordo o nome agora.
— Vou ver o que posso fazer por você. Se lembrar de mais alguma coisa, me avise.
Os dois continuaram a conversar por mais alguns instantes. Até que Glenne, noiva de Jeff, apareceu na porta.
— Hey, ! Como vai?
— Glenne! Tudo ótimo, e você? — disse ele, se levantando e indo dar um abraço na mulher.
— Tudo ótimo também. Eu vim avisar vocês que o almoço está servido.
— Obrigado, amor. Você não sabe o que esse garoto aprontou, Glenne.
— Mais uma de — ela comentou, recebendo uma gargalhada gostosa de . — Mal posso esperar.
Jeff se juntou a Glenne e e foram em direção aonde o almoço estava servido. A mesa estava farta e muito bem organizada, nem parecia que só almoçariam eles três. Cada detalhe dos pratos, talheres e guardanapos de pano… Era tudo muito bonito. Durante o almoço, Jeffrey contou sobre a “pequena” aventura de para Glenne, que, a princípio, ficou um pouco chocada. Mas, logo depois, caiu na gargalhada e ficou do lado do cantor apenas para contrariar o empresário, que estava indignado.
Estavam se divertindo tanto que perderam a noção do tempo. Era sempre assim quando se juntavam, pois, além da relação de trabalho, tinham uma bela amizade.
Assim que se deram conta da hora, se dirigiram ao escritório do empresário para que realizassem as últimas decisões em relação à turnê e participações em programas de TV e premiações.
— Então, vamos por partes. Primeiro, as participações nos programas de TV.
— Achei que tudo isso já estivesse acertado — falou, um pouco confuso.
— E está, até abril. Mas, durante a tour, sei como é cansativo e como você prefere ficar mais na sua. Por isso, quero saber de você, se vai aceitar participar. Surgiu um convite para você ser host por um dia do The Late Late Show do James Corden.
— Para ser host? O James vai ter outro filho e não me contou? — brincou ele.
— Não, ele apenas vai entrar de férias.
— Ah, entendi. Aceito sim.
— Tudo bem. Quando eu acertar a data e os detalhes com eles, te deixo ciente — Jeff avisou e anotou algumas coisas. — Quase ia me esquecendo. A Kendall é umas das convidadas.
— Tudo bem.
— Em relação às premiações, trago boas notícias. Temos o MTV VMAs em agosto, o qual você está concorrendo com Sign Of The Times em duas categorias. Melhor Clipe Pop e Melhores Efeitos Visuais.
— Meu Deus, jura?
— Sim, e tem mais. Você foi convidado a se apresentar. E aí, o que me diz?
— Nossa, claro que aceito!
— Tá vendo? Valeu a pena ficar pendurado naquele helicóptero.
— Nossa, nem me fale! Ainda não sei como aceitei fazer aquilo, mas ainda bem que aceitei.
A reunião se estendeu por mais algum tempo, pois ainda havia mais algumas pendências a serem resolvidas e alguns contratos a serem assinados por ele. Ao final dela, o garoto se despediu dos amigos e seguiu rumo à sua casa.




Assim que a garota chegou em casa, se jogou no sofá com o celular em mãos. Ela fitava o teto, pensativa: “será que ter aquela conversa com Jake naquele momento era uma boa ideia?”
“Será que estou preparada pra essa conversa?”
“Será que o Jake tá com raiva de mim?”
Eram essas algumas das muitas perguntas que se passavam em sua cabeça. Toda aquela situação estava atacando sua ansiedade e, por isso, ela precisava acabar com aquele tormento que estava tirando sua paz. Foi assim que, então, tomou coragem para fazer a tão adiada ligação.
Alô?
— Alô, Jake?
Sim, sou eu.
— Sou eu, .
Eu sei, tenho seu número salvo.
— Como você está?
Bem... Só estou surpreso com a ligação. Não estava esperando. Achei que não quisesse falar comigo.
— Não, de forma alguma! Mas é por isso que te liguei. Acho que a gente precisa conversar. Você está ocupado agora?
Estou na galeria dos meus pais, terminando de resolver algumas coisas. Mas, daqui mais ou menos umas duas horas, estou livre.
— Ótimo, é o tempo que me arrumo. Está de carro?
Não.
— Então passo aí para te buscar, tudo bem?
Claro. Até sei um lugar pra gente ir, mas é surpresa. Até mais tarde, .
— Até.
se levantou do sofá e foi em direção ao banheiro, na intenção de tomar um banho relaxante para tentar diminuir toda a ansiedade que estava sentindo. Se é que seria possível. Ela não estava acostumada a lidar com situações como aquela. Era muito difícil para a menina se colocar em situações que fugissem de sua zona de conforto. Mas tinha em mente que a intenção daquele intercâmbio fosse justamente essa: sair de sua zona de conforto e tornar-se mais independente e madura. E era isso que ela estava fazendo. Obviamente, não era algo fácil e que aconteceria da noite para o dia, mas ela estava ciente disso. E esse era um grande passo para o crescimento pessoal que tanto almejava. Independente do rumo que aquela conversa teria, estava orgulhosa de si.
Correu para terminar de se arrumar, caso contrário, se atrasaria. Afinal de contas, estamos falando de Los Angeles, onde tudo é distante e o trânsito é sempre caótico. Colocou sua playlist favorita na intenção falha de se distrair, mas nada naquele momento parecia funcionar e, quando percebeu, já estava em frente à The Miller’s Photography Gallery. Respirou fundo e pegou o celular para avisar que já estava esperando por Jake. Parou em frente ao lugar que tinha uma fachada totalmente branca, exceto pelo nome preto com uma fonte muito bonita, mas que não saberia dizer o nome. Parecia única. Ali também havia uma porta de vidro com uma espécie de revestimento branco nas laterais. A galeria se destacava no local que era tão colorido.
avistou o garoto saindo pela porta, e seu coração acelerou como nunca antes. Agora não tinha escapatória. Ele vestia uma calça, camisa branca e óculos de sol. Em seu pescoço, tinha uma de suas inseparáveis câmeras. “Jake está lindo como sempre”, pensava a garota.
Ele veio em sua direção e, para sua surpresa, deu dois toques no vidro para que ela o abrisse.
— O que houve? Algum problema? — ela perguntou, preocupada.
— Não. É só pra pedir que você estacione o carro aqui mesmo. O lugar que vamos é aqui pertinho, e você sabe como é difícil estacionar aqui em L.A.
— Oh, tudo bem! Você quer entrar no carro ou prefere me esperar aqui fora?
— Te espero aqui.
— Certo.
fechou o vidro e estacionou na vaga que havia em frente à galeria. Desligou o carro, pegou suas coisas, respirou fundo mais uma vez e, com toda sua coragem, desceu do carro, indo em direção ao garoto que a esperava na porta.
— Nossa, esse lugar é incrível — falou, observando a fachada da galeria, na tentativa de fazer aquela situação o menos constrangedora possível.
Ela se sentia patética por se sentir assim. Parecia uma garotinha de quinze anos no primeiro encontro, sem saber o que falar.
— Err... Eu amo esse lugar — Jake respondeu, sem muito entusiasmo. Ele estava magoado com a reação da garota sobre o beijo. Estava se preparando para o pior, mas o que mais doía em seu coração era a possibilidade de ter estragado uma amizade tão especial por um impulso. — Então... Vamos?
— Aonde iremos?
— Surpresa.
— Ah, qual é? Você sabe como fico ansiosa com surpresas.
— E você sabe que não adianta insistir, porque eu não vou contar. Você aguenta. É aqui pertinho, em dez minutos chegamos lá.
Ela apenas bufou. Sabia que Jake não contaria; ele levava a sério essa coisa de surpresas. O caminho foi um total silêncio. Nenhum dos dois sabia exatamente o que falar, então preferiram se manter em silêncio, pelo menos por agora.
— Chegamos — ele quebrou o silêncio. — Bem-vinda à Venice Canals.
— Uau! Que lugar mais lindo — estava encantada.
— Sabia que iria gostar. Você tem que ver o pôr do sol, chega a ser imoral de tão bonito.
— Você me conhece bem... — ela disse sem pensar e, ao se dar conta do que havia dito, ficou sem graça. Então, logo desconversou. — Como eu não sabia da existência desse lugar?
— Boa pergunta, até porque ele é bem conhecido — ele respondeu, divertido. — Vem, vou te levar ao meu lugar favorito aqui.
Jake pegou nas mãos da garota instintivamente e, ao se dar conta do que havia feito, fez menção em soltá-las, mas não deixou. Ele a encarou um pouco confuso, mas não disse nada. Assim, seguiram a caminhada de mãos dadas.
Não muito distante dali, se aproximaram de uma ponte que dava acesso ao outro lado do canal. Mas, antes de chegarem até ela, o garoto a puxou para se sentarem em um banco.
— Então... Esse é seu lugar favorito? — ela tentou quebrar o gelo.
— Um dos… — ele respondeu em poucas palavras e, assim, aquele silêncio ensurdecedor foi reestabelecido, exceto pelo barulho da água. Os dois se mantiveram assim por alguns minutos, até ele tomar coragem e iniciar aquela conversa. — O que aconteceu com a gente?
— O que quer dizer?
— Nós éramos inseparáveis, . Eu me aproximei mais de você em um mês do que de Emma, que conheço há tempos. E, agora, parecemos completos estranhos.
— Eu sei, me desculpa...
— Você passou o domingo me evitando, me expulsou da sua casa e está aí, toda estranha comigo
— Eu sei disso, ok?! É só que...
— Só porque eu te beijei? O que tem de mais nisso?
— Por quê?
— Por que o quê?
— Por que você me beijou?
— Porque eu gosto de você, isso não é óbvio? — ele riu sem humor.
— Estou falando sério, Jake. Isso não tem a menor graça.
— Eu também estou. Por que eu brincaria com isso? Você é uma das pessoas mais importantes para mim. Eu jamais brincaria com seus sentimentos dessa forma.
— Mas isso não faz o menor sentido, olha só pra você! Você pode ter a garota que quiser.
— Pelo visto, não. Porque a garota que eu quero é muito cabeça dura.
— Eu não sei o que te responder. Não estava esperando por isso — ela desviou o olhar para as mãos, pensativa. Para , aquilo não fazia o menor sentido.
— Qual o problema? Você não gosta de mim, é isso?
— Claro que não, Jake! Olha só pra você, tem como não gostar?
— Não sei, me diz você. Porque é o que está parecendo — ele estava indignado. Não entendia como ela poderia se colocar tão para baixo assim.
— Eu seria louca se não gostasse de você.
— Então qual o problema se a gente se gosta?
— O problema sou eu, Jake. Eu sou fodida de inseguranças, já passei por muita merda, e é por isso que não entra na minha cabeça que alguém como você poderia se interessar por alguém como eu.
— Como não? Por Deus, , olha para você. Você é linda, engraçada, gentil… Já disse linda? Eu poderia passar o dia recitando suas qualidades e você sabe disso.
— Mas eu não sou magra — ela afirmou, num tom de voz quase inaudível. Seu olhar estava perdido no canal à sua frente, mas Jake tinha ouvido tudo.
— E daí, ? Eu não ligo pra isso — ele falava cuidadosamente. Sabia que aquele era um assunto delicado para ela.
— Mas as pessoas ligam. E elas vão comentar, Jake, você sabe que vão — ela dizia tristemente.
— Que elas se fodam! — ele falou, indignado. Mas ela se manteve calada. Jake, então, respirou fundo e continuou: — I don't care what people say when we're together… — ele recitou a letra da música para ela. — Não é isso que aquela bandinha que você gosta diz?
— Não acredito que você tá recitando One Direction pra mim. Logo você, que odeia boybands — a garota segurou o riso.
— Já estou arrependido.
— Para, eu adorei! Não sabia que você prestava atenção a essas coisas...
— Eu presto atenção em tudo relacionado a você.
— Eu não mereço você — ela olhou para baixo, negando com a cabeça.
— Ei, olha para mim — o garoto tocou seu queixo, fazendo-a olhar para ele. — Deixa eu te fazer uma pergunta. Quando você se interessa por alguém, e essa pessoa é simpática, engraçada, enfim... tem todas as qualidades que você admira, você liga para o peso dela?
— Não... — ela respondeu, olhando para ele. Estava confusa, tentando entender aonde ele queria chegar com aquilo.
— Então o que te faz pensar que eu ligaria para o seu? Você é maravilhosa. Eu gostei de você por quem você é, e foda-se se você é magra, gorda, isso não define ninguém. Eu sinto muito que algum idiota tenha te diminuído e te feito se sentir assim, mas eu não sou desse jeito e não quero que me julgue dessa forma — ele disse com uma voz serena.
tinha um sorriso bobo no rosto. As lágrimas, que antes deixavam antes seus olhos marejados, caíram sem pudor algum em seu rosto. Aquelas eram, definitivamente, lágrimas de felicidade.
— Olha, eu sei que é tudo muito novo, se assim posso dizer, mas a gente pode ir com calma. Não quero te pressionar a nada — ele falou, limpando algumas gotas que caíam pelo rosto dela.
— É melhor mesmo, até porque, daqui uns meses, eu não vou estar mais aqui.
— Ei, não vamos pensar nisso agora. E nem pense que será um adeus, será apenas um até logo. Agora vem cá, me dá um abraço — o garoto puxou-a para um abraço apertado, deu um beijo no topo de sua cabeça, e os dois ficaram ali por algum tempo.


...


— Vem, está quase na hora do pôr do sol. Vou aproveitar para tirar algumas fotos — Jake pegou a mão de e eles foram caminhando de mão dadas até o local.
Ele tirou algumas fotos, e, logo depois, seguiram para onde veriam o pôr do sol, não muito distante da parte que estavam antes. Era um local lindo. A melhor vista do pôr do sol em Venice Canals era ali, onde tinham uma visão mais ampla. Eles estavam sobre o deque de uma das residências que ficavam ao redor, com um pequeno barco e um pedalinho, tornando o ambiente ainda mais romântico. Os dois ficaram ali o tempo todo abraçados. Estavam felizes demais, parecia que finalmente tudo estava se acertando.
— O que acha de comermos algo antes de voltarmos para casa? — ele sugeriu.
— Por favor, estou morrendo de fome!
— O que quer comer?
— Não sei...
— Já sei. Na orla de Venice, está rolando um festival de food trucks com os mais variados tipos de comida. A gente pode dar uma passada lá, às vezes tem música ao vivo. É bem legal e bem pertinho daqui.
— Boa ideia, vamos!


...


— Nossa, são muitas opções. Dá vontade de comer tudo!
— Podemos fazer pedidos e dividimos, assim provamos mais de um prato. O que acha?
— Ótimo! Podemos ir naquele primeiro?
— Claro.
De cara, foram em um food truck chamado Angel’s Tijuana Tacos. Ele era bastante famoso pela comida mexicana, um tipo de culinária bem presente na Califórnia, pelo fato do México fazer fronteira com cidades como San Diego. puxou assunto com o dono do truck, que descobriu se chamar Esteban, um mexicano nativo de Tijuana que havia se mudado para L.A. alguns anos atrás para tentar a vida na concorrida cidade dos anjos. Como as coisas estavam difíceis, resolveu usar os ensinamentos de sua querida avó e vender alguns tacos e tortilhas para ganhar uma grana. A comida fez tanto sucesso que, hoje em dia, além do food truck, ele possuía seu próprio restaurante. O rapaz gostou tanto do casal de amigos que, além dos tacos, adicionou ao pedido um prato de nachos, daqueles bem caprichados, por conta da casa. Esteban disse ser uma das especialidades do truck. Ficaram muito agradecidos e prometeram ao homem que voltariam em breve.
Como já estavam mais que satisfeitos, optaram por deixar para conhecer o restante dos food trucks um outro dia, mas claro que a sobremesa não poderia faltar. Jake a levou em uma sorveteria bem famosa, uma de suas preferidas, que se chamava Afters Ice Cream. Ela era famosa por seus sorvetes coloridos e estava sempre presente em eventos como o Coachella.
— Caralho, isso aqui é muito bom!
— Eu te disse!
— Como nunca me trouxe aqui?
— Não sei... — ele respondeu, achando graça da garota que estava com um donut tradicional de glacê, recheado com um sorvete azul cheio de cookies.
— Me deixa provar o seu? — pediu ela.
— Só se me der uma mordida do seu...
— Aaah, não. Só se for pequena!
— Então, não dou.
— Tá bem! Toma aqui o meu e me dá logo o seu.
— O seu é bem melhor que o meu.
— Claro, você foi logo escolher o preto. Quem em sã consciência toma sorvete preto?!
— Mas eu nunca tinha provado, queria provar — Jake falou, indignado.
— Tá, tá. Agora devolve o meu aqui, anda.
— E se eu não devolver?
— Jake, não brinca comigo...
— O que você vai fazer a respeito? — mal terminou de falar e foi interrompido pela garota, que fez cosquinhas nele.
— Devolve logo, garoto! Senão não vou parar.
— Tá bem, tá bem! — falou, sem fôlego de tanto rir.
— Não brinca com minha comida, JJ — brincou ela, rindo da cara dele.
— Vai ter volta, me aguarde — ele ameaçou, brincando.


...


— Está entregue!
— Obrigada.
— Eu amei nosso dia hoje. Amei conhecer um pouco mais de Venice.
— Sabia que você ia gostar. Prometo te levar na galeria qualquer dia desses, vamos combinar.
— Eu já disse, mas vou repetir. Você me conhece bem... — olhou nos olhos dele.
— Porra, , não me olha assim — ele disse com o olhar fixo no dela, balançando a cabeça negativamente.
— Assim como? — a garota perguntou num tom cínico.
— Assim, caralho! Você sabe exatamente o que tá fazendo.
— E por que não?
— Porque senão eu vou te beijar agora mesmo.
— Então me beija logo, garoto. Passei o dia todo esperando você tomar a atitude de me beijar!
— Achei que quisesse ir deva... — Jake foi interrompido por ela, que o beijou.
Sem pensar duas vezes, se inclinou, o puxou pelo pescoço e selou seus lábios nos dele. O garoto, que foi pego de surpresa, deu passagem para que o beijo se aprofundasse e colocou uma das mãos no rosto dela, fazendo carinho com o polegar, enquanto a outra fazia carinho em suas coxas desnudas, que estava de saia.
passeava as mãos pelo pescoço dele e colocava seu cabelo entre os dedos, acariciando-o, enquanto ia aprofundando mais o beijo. Ele desceu os beijos pelo pescoço dela, deixando um clima cada vez mais quente no carro, logo quando ela soltou um gemido baixo. Os amassos foram parcialmente interrompidos quando o celular de apitou e a garota abriu os olhos, desnorteada, mas Jake continuava a beijar seu pescoço. A garota jogou o pescoço para trás, fazendo com que ele tivesse maior acesso, e, então, a notificação foi automaticamente ignorada.
Jake tentava trazer mais para perto, porém o espaço no carro era limitado. Então, foi subindo a mão até o seio da garota, que puxou o cabelo dele e os dois voltaram a se beijar. Até que começaram a chegar várias notificações em sequência e, com muito esforço, separou o beijo, recebendo um gemido de negação de Jake.
— Deve ser a Emma, pode ser importante.
— Tudo bem, fica à vontade — ele disse, recebendo um selinho da garota.
Em seguida, ela foi logo pegando seu celular.
— É a Emma perguntando se vou demorar para chegar em casa... Acho melhor eu ir. Já tá tarde.
— Aaah, fica mais um pouco — ele pediu, manhoso.
— Tenho que trabalhar amanhã, e você conhece a Emma. Daqui a pouco, ela vai começar a mandar mensagens de novo.
— Tudo bem, você tem razão. Quando nos veremos novamente?
— Vamos nos falando. Mas você sabe que tem passe livre lá em casa.
— Certo. Me avisa quando chegar em casa.
— Claro.
— Não esquece, hein?
— Tá bom, garoto, agora desce do meu carro — ela rolou os olhos, em tom de brincadeira.
— Não acredito que você já está me expulsando do seu carro assim — ele abriu a boca, fingindo estar ofendido. — Achei que tivéssemos evoluído.
— Claro que não. Seremos sempre Jake e . Não vou mudar o jeito que sempre te tratei, a diferença é que agora eu vou te dar uns beijos...
— Só beijos? — perguntou, malicioso.
— Para de safadeza, garoto! — ela deu um tapa leve nele, rindo.
— Linda — Jake falou, olhando bobo para ela. rolou os olhos com um sorriso no rosto. — Tá, tá, já tô indo — ele deu um selinho nela e abriu a porta do carro, se despedindo.
Assim que chegou em casa, sentou-se no sofá e mandou mensagem para Jake, avisando que havia chegado. Levantou-se, foi até a cozinha e abriu a geladeira, pensativa, relembrando o dia incrível que tivera com o amigo. Só se despertou dos pensamentos quando a geladeira apitou, indicando que estava aberta há mais tempo do que deveria. Então, se lembrou do que realmente tinha ido fazer ali. Procurou a garrafa de frappucino pronto de Caramel da Starbucks, mas havia acabado. Então, se contentou com o de Vanilla. Postou uma foto nos stories e foi em direção ao seu quarto.
estranhou o fato de a casa estar extremamente silenciosa, mas não disse nada. Estava planejando dar um susto em Emy. Abriu a porta de seu quarto, e quem teve a surpresa foi ela.
— AAAAAH! — a garota gritou, assustada ao entrar, derrubando a garrafa no chão.


Capítulo 4


Puta merda, que susto! falou em português, colocando a mão no peito e com a respiração ofegante.
— O QUE HOUVE? VOCÊ ESTÁ BEM? — Emma foi correndo até o quarto.
— “O QUE HOUVE?” Eu vou te matar, Emma. Que susto você me deu!
— Oh, você está falando do meu presentinho. Achei que ia gostar.
— Eu gostei, mas custava avisar? Olha o susto que tomei, olha como está o meu quarto! Tem café pra todo lado!
— Só queria fazer uma surpresa, não achei que fosse tomar um susto — a garota prendia o riso.
— Ah, claro. Imagina você chegar no seu quarto tarde da noite e encontrar uma pessoa parada no meio dele. Eu só pensei, “pronto, é agora que vou morrer e aparecer em um documentário de serial killer na Netflix”. Até eu perceber que era um de papelão, a merda já estava feita — quando terminou de falar, olhou para Emma, que já estava morrendo de rir. — Para de rir, garota! — tentou repreendê-la, mas também segurava o riso.
— Desculpa, mas essa situação está muito engraçada.
— Está mesmo — agora, elas riam juntas. — A propósito, onde você arrumou isso?
— Lá no outlet. Eles iam jogar fora, e obviamente eu tinha que trazer para você, né. Ainda mais depois de toda aquela história que você inventou.
— Para, Emma, eu não inventei nada — retrucou, já ficando chateada.
— Tudo bem, tudo bem! É só que... você sabe, essa história é muito louca e não tem nenhuma foto pra provar e…
Emma ia continuar falando, mas foi interrompida pela amiga:
— Ah, você quer prova? Então olha aqui! — mostrou a foto de um tabloide que estava circulando por toda a internet. — Agora acredita em mim?
— Amiga, vou te dar o benefício da dúvida, como estava te dando antes, mas não por causa dessa foto. Nem dá pra te ver.
— Mas olha essa aqui, é meu moletom! — ela mostrou outra foto em que aparecia com o moletom “C’est La Vie”, porém seu rosto não era visível. Na verdade, nenhum paparazzi havia conseguido capturá-lo.
— Amiga, muita gente deve ter esse moletom.
— Ai, desisto, Emma. Eu sei o que vivi. Você acredite se quiser, mas como minha amiga, e por eu nunca ter te dado motivos para desconfiar da minha palavra, você deveria acreditar em mim.
— Ei, calma! Você tem toda razão, eu acredito em você — ela abraçou a amiga, que estava relutante. sabia que, no fundo, Emma não acreditava nela, mas mesmo assim a abraçou. Se amavam demais para ficarem brigadas. — Agora vai tomar um banho pra limpar todo esse café que respingou em você, que eu vou limpar seu quarto. Mas só dessa vez, hein?!
— Obrigada! — disse e seguiu para o banho.


...


Era quinta-feira, e como as duas haviam combinado com Jake no dia anterior, ele passaria para buscá-las após o expediente para que conhecessem seu novo apartamento, para onde o garoto estaria se mudando sozinho em algumas semanas. Por isso, elas optaram ir para o trabalho de Uber.
— Bom dia, Sra. Miller! — disseram juntas.
— Bom dia, meninas! Como vão?
— Tudo ótimo, e a senhora? — Emma perguntou.
— Tudo ótimo também! Soube que meu filho vai levá-las para conhecer o apartamento novo dele. Vocês vão adorar.
— Sim, isso mesmo. Vamos após o expediente, por isso atrasamos um pouco hoje, porque viemos de Uber — explicou. — Inclusive, gostaríamos de pedir desculpas por isso.
— Oh, querida, não se preocupe. Foram apenas dez minutos, e o movimento não está grande ainda.
— Que bom! Então, vamos ao vestiário colocar os uniformes e já vamos ao trabalho.
— Ótimo, meninas! , quase ia me esquecendo. Preciso de você no salão hoje. Estamos com uma das funcionárias de folga, tudo bem para você?
— Claro, eu adoro atender no salão!
Durante a manhã, o movimento era mais tranquilo no salão, pois a maioria dos clientes que passavam por Beachwood naquele horário sempre fazia pedidos para irem tomando ou comendo no caminho para o trabalho. Então, ficou com Emma no balcão, ajudando-a a preparar alguns dos pedidos.
— Emma, como prepara esse London Fog?
— Não tem muito mistério, mas é mais chatinho de fazer.
— Pode me ensinar como faz?
— Claro, vem cá — elas se dirigiram para o balcão, onde havia uma máquina de expresso. — Primeiro, você vai precisar fazer um chá de Earl Grey, mas tem que ser feito na hora para não perder as propriedades nem o aroma. Como a máquina produz água fervente, o processo fica bem mais rápido. Depois, preparamos um shot de café expresso, adicionamos ao chá, completamos a caneca com leite integral vaporizado e... voilà — disse ela ao finalizar a bebida.
— Tem algum lugar onde eu possa ver as quantidades, para manter um padrão?
— Sim, claro! Aqui do lado da máquina tem um papel com as quantidades de cada drink que fazemos.
— Obrigada, amiga!
colocou o drink em um copo biodegradável descartável para viagem, um muffin de blueberry em um saquinho de papel e entregou o pedido para a cliente.


...


Eram 3:00 p.m. quando as amigas finalmente foram almoçar. O movimento do lugar já havia diminuído e, provavelmente, só iria aumentar a partir das 6:00 p.m. Sempre almoçavam na mesma mesa, que ficava ao lado de uma das grandes janelas do recinto, dando-lhes uma bela visão do lindo dia que estava fazendo na ensolarada Los Angeles.
— Não entendo como você come essas comidas no almoço — Emma falou, olhando para o prato da amiga que continha macarrão, purê e bife, todos preparados por , e batata frita que ela havia pegado na cozinha.
— Não entendo como você consegue almoçar sempre alguma besteira — ela respondeu, indignada ao ver a amiga com um sanduíche que pediu para o pessoal da cozinha preparar.
costumava preparar seu almoço em casa na maioria das vezes, não pelo fato de o restaurante não oferecer alimentação para os funcionários, mas a brasileira sentia falta de “comida de verdade”, como costumava falar. Tudo isso porque, nos Estados Unidos, a principal refeição era o jantar. Então, no almoço, eles costumavam comer junk food.
Whatever… — Emma respondeu.
— Mas, mudando de assunto, como vão as coisas com o Josh?
— Pra ser sincera, as coisas não estão muito boas — ela respondeu, preocupada.
— Jura? O que houve?
— Não sei, ele está estranho.
— Acho que vocês deviam conversar.
— Verdade, vou chamá-lo pra conversar depois. Mas agora quem vai mudar de assunto sou eu. Ansiosa pra conhecer o novo AP do seu namorado?
— O Jake não é meu namorado!
— Ainda. Mas você não respondeu a minha pergunta.
— Sim, claro que estou. O Jake é nosso amigo, e estou feliz e animada pela conquista dele, assim como você ou qualquer amiga normal estaria.
— Huuuum, agora vão poder dar uns amassos sozinhos no apartamento dele, né, sua safada? — Emma zoava a amiga.
— Emma, não enche! Você é insuportável! — revirou os olhos.
— E você me ama! — ela fez um coração com a mão e soltou um beijo para a amiga.

Por volta das 7:30 p.m., Jake chegou ao Café para buscá-las. Assim que entrou no lugar, foi direto cumprimentar sua mãe, que estava no caixa.
— Oi, mãe! — ele lhe deu um beijo na cabeça.
— Oi, filho! Como está?
— Tudo bem, e a senhora?
— Tudo bem, meu amor. Como foi o trabalho?
— Tranquilo.
— Seu pai continua estressado?
— Ele está um pouco. Aquele fotógrafo francês que está negociando a exposição lá na galeria é bastante exigente, mas acredito que conseguiremos entrar em um consenso para fecharmos o contrato.
— Tenho certeza que sim, filho.
— A propósito, onde estão as garotas?
A Sra. Miller ia responder, mas as garotas foram mais rápidas:
— Estamos aqui! — falaram juntas.
— Até que enfim! Então, vamos?
— Sim, estou ansiosa pra conhecer seu novo apartamento — disse, saindo de trás do balcão e sendo seguida por Emma.
— Eu também, JJ! — a garota comentou. — Tchau, Sra. Miller! Até amanhã
— Tchau, Sra. Miller! — também se despediu, soltando beijos no ar.
— Tchau, meninas, divirtam-se! E já falei que podem me chamar de Elizabeth ou Beth.
— Tchau, mãe! Te amo.
Eles entraram no carro de Jake – um Jeep Wrangler que tinha um tom de cinza grafite escuro muito bonito – e seguiram caminho até seu novo apartamento, que também ficava em West Hollywood. Mas as garotas estranharam, pois ele estava fazendo exatamente o trajeto da casa delas.
— Nossa, mas é tão perto assim? — questionou Emma.
— Vocês nem imaginam.
Jake dirigiu mais alguns minutos, entrou na garagem de um apartamento no quarteirão seguinte ao delas e estacionou em uma das vagas.
— Meu Deus, é muito perto! — falou, surpresa. — Dá pra vir a pé.
— Sim, eu até tentei fechar o contrato daquele apartamento que vagou no prédio de vocês, mas parece que já foi alugado — Jake explicou.
— Ele não consegue ficar longe da gente, amiga.
— Eu não consigo ficar longe da , você infelizmente veio no bolo — Jake brincou, recebendo de Emma um tapa no braço em resposta. — Ouch!
— Você que começou, agora aguenta!
— Insuportável!
— Engraçado que vocês são iguaizinhos até na hora de me xingar — a garota disse ao lembrar de a xingando mais cedo no almoço.
— Será que dá para as crianças pararem a brincadeira? — interrompeu a briguinha fake que já era comum deles. — Agora eu quero conhecer o apartamento.
— Claro, vamos! Mas não criem tantas expectativas. Apesar de estar mobiliado, faltam as minhas coisas. Só me mudo de fato em algumas semanas.
— Tá bem, tá bem! Vamos logo — Emma falou ao saltar do carro, fazendo os amigos rirem.
O apartamento de Jake era em tons de preto, branco e cinza, o que dava um ar moderno ao lugar. A porta de entrada dava direto na sala, que possuía um grande sofá cinza com algumas almofadas, uma mesa de centro e uma enorme TV – umas das poucas coisas que o rapaz já havia comprado e levado para seu lar. Andando mais um pouco, havia uma mesa de jantar redonda e branca, com os pés cinzas e cadeiras pretas, tudo sobre um tapete branco. Ao lado da mesa de jantar, havia uma cozinha americana branca com detalhes pretos, deixando tudo ainda mais bonito.
O quarto de Jake ficava em uma das portas próxima à cozinha. Tinha uma grande cama de casal e um banheiro, sempre mantendo os tons padrões do local. O apartamento não era enorme nem extremamente luxuoso, mas era moderno e tinha seu charme. Afinal de contas, um apartamento como aquele, mobiliado e em um bairro como West Hollywood, não era nada barato.
— WOW — Emma disse, olhando para todo o lugar.
— Ainda falta trazer a maioria das minhas coisas, então ainda não está 100%.
— Vai ficar ainda mais sua cara quando trouxer o restante das suas coisas — comentou.
— Sim, é muito bonito — Emma concordou com a amiga.
— Obrigado, meninas! Fiquem à vontade. O AP também é de vocês.
Eles se acomodaram no grande sofá cinza e ficaram conversando até umas 9:00 p.m.
— Estou com fome — Emma se pronunciou.
— Claro que está! Quando você não está? — disse, rindo com Jake.
— O que querem comer? — ele perguntou. — Temos que pedir algo, não comprei nada de comida ainda.
— A gente pode pedir pizza?
— Você não enjoa, garota? — provocou.
— Não. Eu amo!
— Por mim tudo bem. E você, ?
— Pode ser — ela respondeu. — Mas só se vocês prometerem que, na próxima vez, a gente vai pedir hambúrguer.
— Claro — Jake confirmou.
— Aaah, quase ia me esquecendo. Quando pedir a pizza, também quero batata frita — pediu Emma.
— Eu também quero!
— Tudo bem.


...


Era começo de março e duas semanas haviam se passado desde o jantar na casa de Jake; finalmente havia chegado o dia de o garoto se mudar definitivamente. Ele pediu a que o ajudasse com algumas coisas da mudança, visto que seus pais não poderiam ajudá-lo. Seu pai, que finalmente havia fechado o contrato com o fotógrafo francês Gérard Rancinan, tinha uma importante reunião para acertar alguns detalhes da exposição. E sua mãe, nas terças e quintas, precisava estar no restaurante para supervisionar o recebimento de estoque com a nutricionista. Então, como tinha carro, pediu a ela que lhe desse folga para que ajudasse Jake e não precisasse dar mais de uma volta, já que a casa de seus pais era em um bairro residencial mais distante.
— Bom dia, sunshine! sorriu para a amiga.
— Só se for pra você, né, que tá folgando hoje.
— Nossa, amo a sua positividade de manhã.
— Ai, amiga, me desculpa! Não leva para o pessoal, só estou um pouco estressada. Eu e Josh brigamos ontem.
— Já me acostumei com seu jeitinho e não posso reclamar. No Brasil, eu acordava assim na maioria das vezes, mas estou tão feliz de estar aqui que não tenho tempo para ficar de mau humor. Se quiser, podemos conversar mais tarde.
— Claro. Mais tarde conversamos e podemos beber um vinho, o que acha?
— Acho ótimo. Combinado, então!
— Que horas você vai na casa dos pais do JJ?
— Daqui a pouco, assim que terminar de comer.
— Tem tanta caixa assim que ele precisa de dois carros?
— Não que meu carro tenha muito espaço, mas sim.
— Tudo bem, então. Eu já vou indo, não quero me atrasar — Emma se despediu da amiga com beijo estalado na bochecha e, antes de sair pela porta, não perdeu a oportunidade de zoar com ela. — Huuuum, toda cheirosa para encontrar o namorado — e fechou a porta ao ver que ameaçou tacar algo nela.
— AAAAAH, GAROTA INSUPORTÁVEL! — gritou, rindo e fingindo estar brava.




acordou cedo com o despertador tocando. Abriu os olhos e sentiu um dos braços dormentes, logo se lembrando que não estava sozinho. Se apressou para que o aparelho parasse de tocar e não acordasse a mulher. Tomou rapidamente um banho, colocou uma roupa esportiva que consistia em uma blusa de algodão cinza, uma bermuda preta e seu tênis branco Ultraboost da Adidas. Ao descer para a cozinha, preparou uma vitamina de banana com frutas vermelhas congeladas, para que não se exercitasse em jejum.
Assim que entrou em seu carro, mandou uma mensagem para Kendall – que ainda dormia em sua cama –, avisando que iria sair para andar de bicicleta no Griffith Park, mas que voltava já.
O local ficava a uma distância de quinze minutos de sua casa em Hollywood Hills, mas, com o trânsito de L.A., quinze minutos nunca eram apenas quinze minutos. Como de costume, selecionou uma de suas playlists favoritas no Spotify e colocou na opção de rádio. Essa era uma das formas que gostava de fazer para conhecer artistas e músicas que se pareciam com seu gosto musical. Deu partida no carro e seguiu seu caminho.
Algumas canções depois, a melodia de Don’t Look Back In Anger de Oasis começou a soar no carro. A música não era nova para , tampouco a banda.

Slip inside the eye of your mind
(Deslize os olhos para dentro da sua mente)
Don't you know you might find
(Você não sabe que pode encontrar)
A better place to play?
(Um lugar melhor para estar?)

Ao ouvir aquele trecho, acabou se lembrando da garota que havia conhecido algumas semanas atrás e não conseguiu prestar atenção no restante da letra. não soube identificar ao certo o que estava sentindo, nem o porquê da lembrança. Ao seu olhar, não conseguia ver algum possível significado para ter se lembrado de , mas a lembrança dela estava muito viva em seu pensamento naquele momento. Aproveitou para fazer uma nota mental sobre perguntar se Jeffrey obteve algum sucesso na busca pela garota. Mal sabia ele que, em um futuro não tão distante, ele entenderia o real significado daquela frase.
Sem perceber, havia chegado ao destino. Estacionou e tirou sua bicicleta que havia colocado na mala de sua Range Rover preta. O estacionamento do local não estava lotado, mas ainda sim havia algumas pessoas. Afinal de contas, o Griffith Park era um ponto turístico da cidade muito famoso. Tentou se manter discreto para que não fosse reconhecido, mas não obteve sucesso. Duas garotas que voltavam de uma corrida matinal reconheceram o cantor e logo o abordaram.
— Meu Deus, ! Hi! — uma delas falou.
— Oh, hello! Como vocês estão?
— Estamos bem! Pode tirar uma foto com a gente?
— Claro! — ele tirou uma foto fazendo um “legal”, e a outra, fazendo um sinal de “V” com os dedos.
— Muito obrigada! — as garotas agradeceram, já se despedindo.
assentiu e disse:
— Dirijam com cuidado!
Ele seguiu seu caminho até uma das trilhas, que era muito conhecida por ele, mas nem tanto pelo público. O lugar era cheio de natureza e boas energias. amava ir até lá para pensar e se reconectar consigo mesmo, e foi exatamente o que ele fez. Pedalou por pouco mais de uma hora e, nesse meio tempo, preferiu deixar a mente vazia e focar na paisagem que passava ao seu redor. Parou quando chegou em um de seus spots favoritos. Era uma espécie de mirante, que tinha uma das vistas mais bonitas e impressionantes de L.A. e pouco visitada por nativos, principalmente por turistas que preferiam seguir as trilhas que davam para a vista do famoso letreiro de Hollywood.
Sentou-se no único banco que havia lá para descansar e admirar a vista, aproveitando para refletir. Pensou nos últimos acontecimentos de sua vida e em como ela havia mudado desde que a banda entrou em hiato. Pensou na turnê que voltaria em alguns meses, e logo também pensou na saudade que sentia de sua mãe e irmã, o que o fez criar mais uma nota mental para que fosse visitá-las antes de a turnê voltar.
Algum tempo depois, resolveu voltar. Afinal, havia coisas a serem feitas e compromissos a serem cumpridos. Ao entrar no carro, notou duas chamadas perdidas de Jeffrey, então colocou a chamada no bluetooth do carro enquanto dirigia.
— Bom dia! — saudou .
Onde você se meteu, garoto? Te liguei a manhã toda.
— Acabei de sair do Griffith Park, estava pedalando.
Eu já devia ter imaginado.
— Você me conhece. Mas aconteceu algo?
Não. Eu só preciso confirmar com você algumas coisas, mas podemos fazer isso depois. Me liga quando chegar em casa?
— Claro! Oh, Jeff, quase ia esquecendo… Alguma novidade sobre ?
Quem?
— A menina que pedi pra você tentar encontrar.
Oh, sim! Infelizmente, ainda não. Sorry, .
— Tudo bem, te ligo depois, então. Até mais.
Até.
A fome apertou, afinal, depois de tanto exercício físico, uma vitamina não iria dar conta. resolveu parar no Beachwood Café, local que tinha visto um tempo atrás no TripAdvisor com uma boa avaliação e sempre teve vontade conhecer. Então, resolveu dar uma chance. Pretendia levar comida para ele e Kendall, então enviou uma mensagem perguntando o que ela gostaria de comer e seguiu para dentro do lugar, indo direto ao balcão fazer o pedido.
— Bom dia! — ele cumprimentou a atendente.
— Bom dia, como posso aju... — Emma ficou pasma ao se dar conta de quem estava ali, parado em sua frente. Por mais que não fosse fã do rapaz, o destino estava pregando uma boa peça nela.
— Você está bem?
— Sim, estou! Me desculpe, posso anotar seu pedido?
— Sim, mas poderia me mostrar o cardápio antes?
— Oh, claro! Que cabeça a minha.
— Tem certeza que está tudo bem? Quer que eu peça para alguém te trazer água? Você me parece nervosa.
— Obrigada, está sim. É só que essa situação é meio engraçada.
— Engraçada? Por que diz isso?
— Sim, porque minha amiga é muito sua fã, e agora você está aqui.
— Sério? E cadê ela?
— Por ironia do destino, ela está de folga hoje. Mas você precisava conhecê-la. A não para de falar de... — Emma ia continuar, mas foi interrompida por .
— Desculpe interrompê-la, mas qual o nome dela mesmo?
.
“Não pode ser, é só uma grande coincidência”, era só o que pensou ao ouvir o nome da garota. A garota que tanto vagou em seus pensamentos.
— Você poderia me mostrar alguma foto dela, por favor? — ele pediu.
— Claro — Emma pegou o celular em seu bolso e mostrou a foto ao cantor, mesmo achando tudo aquilo um pouco estranho. — Aqui, olha!
— Não pode ser!
— Você a conhece?
— Sim! Estive procurando por ela nas últimas semanas, mas sem sucesso.
— Então ela não estava mentindo... — a menina falou para si mesma.
— O que disse?
— A , ela não estava mentindo. Ela disse que saiu pra jantar com você, e eu não acreditei porque não tinha provas, nem uma foto sequer. Eu sou uma péssima amiga! — Emma falava tristemente.
— Tenho certeza que ela vai te perdoar se você me passar o contato dela — disse, divertido, e jogando um verde para conseguir o contato da maquiadora.
— Sim, claro! — a garota anotou em um guardanapo o contato da amiga e o entregou para .
— Muito obrigado, nem sei como te agradecer!
— Eu que agradeço. Mas agora já posso anotar seu pedido?
— Meu Deus, sim! Já tinha esquecido o que vim fazer aqui — ele deu mais uma olhada no cardápio e fez os pedidos.




— Nossa, estou exausta! — falou, se jogando no grande sofá do apartamento de Jake.
— Nem me fala, eu também — Jake deitou-se de lado no colo dela.
— Como pode sair tanta coisa de dentro daquelas caixas, meu Deus? Parecia que não ia acabar nunca — ela riu ao terminar a fala.
— Verdade — o garoto também riu. — Mas obrigado por ter ficado pra me ajudar. Se não fosse você, teriam caixas aqui até o Natal.
— Como você sobrevivia antes de me conhecer?
— Me pergunto isso todos os dias — ele disse, divertido, virando o rosto para olhá-la. — Que horas são? Estou morrendo de fome.
— Nossa, já vai dar quatro da tarde. O tempo passou voando.
— Vou pedir algo pra comermos. O que quer? Hambúrguer?
— Eu sou tão previsível assim?
— Não, eu só te conheço bem — Jake se levantou do colo da amiga.
— Justo.
— Vou pegar meu celular no quarto pra fazer o pedido — ele pegou o aparelho que estava jogando em cima da cama e voltou, parando na porta de seu quarto. — Podemos assistir um daqueles filmes franceses que você é obcecada.
— Sim! — ela exclamou, pegando o controle da TV e entrando na Netflix.
— Falando em franceses, meu pai fechou contrato com aquele famoso fotógrafo que você gosta.
— O Gérard? Jura?
— Sim. E como você queria muito conhecer a galeria, vai rolar um coquetel de estreia da exposição. Queria saber se você gostaria de ir comigo...
— Você ainda pergunta? É claro que sim! — ela levantou-se do sofá e correu até Jake para dar-lhe um abraço.
Ficaram ali por um tempo, até que olhou para cima, apoiando o queixo no peito do rapaz. Os dois ficaram se olhando.
— Posso te beijar? — ele perguntou, e apenas assentiu.
Jake desceu uma das mãos que estava na cintura da mulher para sua bunda, enquanto a outra acariciava seu rosto com o polegar. passou os braços ao redor do pescoço do amigo, fazendo carinho em seu cabelo. O beijo começou a se intensificar, e o clima a esquentar entre os dois. O batente da porta do quarto de Jake serviu de apoio para as costas de , que foi prensada contra a madeira, enquanto o beijo ficava cada vez mais quente. A mão dele subiu de sua cintura e começou a acariciar suas costas, passando para lateral do seio. Com a outra mão, desencostou a garota do batente da porta e foi guiando-a pelo quarto, que estava com as luzes apagadas, até a cama. Sem quebrar o beijo, enquanto Jake deitava seu corpo no colchão, procurou a barra da camisa dele para que pudesse tirá-la. Mas, antes disso, o fotógrafo impediu o movimento.
, você tem certeza?
— Tenho — em um fio de voz, ela deu a confirmação para que continuassem.
, então, retirou a camisa de Jake e voltou a beijá-lo. As mãos dele passeavam pelo corpo da mulher, deixando-a ainda mais excitada com a situação. Ela se arrepiou ao sentir o toque das mãos do rapaz em sua pele por baixo da blusa. Ao ver que Jake fez menção de retirá-la, ela enrijeceu o corpo, sentindo-se tensa e nervosa com possibilidade de ficar nua em frente ao fotógrafo.
— Você está bem? Tem algo errado?
— Não! — ela respondeu prontamente. — Eu só… — disse, fechando os olhos, em um fio de voz.
— A gente não precisa fazer nada se você não quiser. Fica tranquila. Mas quero que saiba que você não precisa ter vergonha de mim — ele falou em um tom calmo, acariciando o rosto dela.
Então, tomou coragem e retirou a própria blusa, ficando apenas de sutiã. Aquele ato surpreendeu não só a Jake, que a olhava com admiração, mas também a si mesma. Ela puxou o rapaz para um beijo intenso e molhado. Sem fôlego e com os corações acelerados, ele foi descendo os beijos até o colo dela, olhando para a garota como se pedisse permissão para o que faria a seguir. Ao receber o que precisava, finalmente tirou o sutiã que ela usava e a admirou por alguns segundos.
You’re so beautiful — ele falou, retomando o olhar ao dela.
Jake deu-lhe um selinho e voltou sua atenção aos seios despidos de . Tomou um deles em sua mão e o outro em sua boca, fazendo-a arfar com o toque quente de seus lábios e suas mãos ágeis que o acariciavam, alternando entre chupões e lambidas. Os beijos foram trilhando o caminho até as coxas da garota, que observava atentamente cada passo dado por ele, se sentindo cada vez mais molhada e pronta para o que aconteceria logo em seguida.
Jake retirou as peças que faltavam, olhou nos olhos da mulher desnuda em sua frente e voltou sua atenção para o que ia fazer. Com cuidado, dobrou as pernas dela para ter a visão de sua intimidade e deu beijos por toda parte interna de sua coxa. Ela já estava ficando louca de tanto tesão. Assim que sentiu a língua quente do rapaz a invadir, gemeu alto, fazendo-o admira-lá, sem parar o que estava fazendo. O fotógrafo, então, introduziu dois dedos na mulher enquanto a chupava. , naquele ponto, já não conseguia mais raciocinar.
Ao perceber que ela estava prestes a gozar, ele intensificou os movimentos, fazendo-a chegar em seu ápice. o puxou pela cabeça e o beijou com vontade, sentido seu gosto nos lábios do rapaz.
Tomada pelo desejo de retribuir o que havia recebido, empurrou Jake, ficando por cima dele. Em seguida, foi distribuindo beijos por todo seu peitoral e abdômen, até chegar no jeans que ele usava. Olhou nos olhos do rapaz, que estava amando ver aquela faceta da garota, já não tão inibida como antes. apertou o membro ereto por cima da calça apertada que ele usava, fazendo-o arfar e desejá-la ainda mais. Ela desabotoou a peça e retirou-a com um pouco de dificuldade, o que fez com que os dois rissem juntos da situação. Ainda por cima da cueca, a mulher beijou a ereção dele e foi retirando lentamente a última peça que havia restado. Tomou o membro com uma das mãos e foi se aproximando cada vez mais do pau dele. Começou com lambidas e, ao ver que Jake já arfava de desejo por ela, abocanhou o membro do homem, que gemeu de prazer.
Sem aguentar segurar por mais tempo, Jake puxou a garota para um beijo para que não gozasse ali. Ele, então, abriu a gaveta da mesa de cabeceira e tateou até achar um preservativo, enquanto o aguardava deitada, nua em sua cama. Quando finalmente penetrou a intimidade da garota, os dois se sentiram um só. Além do prazer que tomava conta dos dois corpos, ali se sentiram completos.
Ao deitar ao lado da menina, ainda ofegante, Jake notou que ela o observava, ainda nua, com um sorriso no rosto tão bobo quanto o dele.


...


Jake e haviam terminado de comer e estavam na cama assistindo um filme qualquer na Netflix. estava deitada com a cabeça sobre o peito dele, até que ouviram um celular apitar. O homem tateou a cabeceira até encontrar o aparelho.
— Não é o meu.
— Deve ser a Emma, então. Havíamos combinado de tomar vinho quando ela voltasse do trabalho. Ela quer conversar sobre o Josh — a garota se levantou, sentando-se na cama e checando o celular, que havia uma mensagem de um número desconhecido.

“Hello, aqui é o . Peguei seu número com a sua amiga Emma, espero que não se importe.”

A mulher ficou pasma, sem acreditar no que estava lendo. Mas logo a ficha caiu. Só poderia ser a Emma pregando uma peça nela, já que estava atrasada para encontrá-la em casa.
— É ela? Aconteceu algo? — Jake perguntou, preocupado.
— Sim, é a Emma sendo a Emma. Mas é melhor eu ir pra casa antes que ela venha bater aqui.
— Mas já? Queria que você dormisse aqui comigo — ele falou, manhoso, abraçando o colo da menina que estava sentada na cama.
— Como “já”? Passamos o dia juntos — ela riu, fazendo carinho no cabelo dele. — Mas prometo que durmo aqui na próxima vez.
— Tudo bem, dessa vez passa — ele se sentou na cama de frente para ela, passou as mãos por entre os cabelos da mulher e iniciou um beijo, que foi se intensificando, mas foi interrompido.
— Jake, assim não vou embora nunca!
— Então eu vou continuar.
— JAKE!
— Tá bem, tá bem! Quer que eu te leve em casa?
— Não precisa, em cinco minutos eu chego.
— Vem, te levo até a porta, então. Avisa quando chegar, pra eu saber que chegou bem.
— Tudo bem.
Deram um último selinho, e foi para casa.


...


Assim que chegou, deu de cara com Emma sentada no sofá da sala, mexendo no celular.
! Você não vai acreditar no que... — ela foi falando assim que viu a amiga entrar em casa, mas foi logo interrompida.
— Emma, eu não gostei nada da brincadeira. Tudo bem você não acreditar, mas vir tirar sarro da minha cara eu não admito!
— Brincadeira? Mas do que você está falando?
— Agora você vai se fazer de desentendida?
— Não estou me fazendo. Eu realmente não sei do que está falando.
abriu o celular e mostrou a mensagem:
— Vai me dizer agora que não foi você?
— Oh, você está falando disso. Realmente não fui eu.
— Como não? Você é a única que sabe dessa história.
— Porque não fui eu.
— E quem foi?
— O .
— PARA! Eu estou ficando com raiva de você!
— Mas eu estou te falando a verdade! Se você ao menos tivesse me deixado contar o que eu estava contando quando chegou, quem sabe você acreditaria?
— Desembucha!
Emma contou tudo o que havia acontecido na manhã em que esteve de folga.
— Você só está inventando isso porque acha que eu inventei toda aquela história do Valentine’s Day.
— Se você não acredita, por que não responde a mensagem?
This is bullshit! Qualquer pessoa pode responder, inclusive você.
— Então por que não liga?
— Eu já disse, this is bullshit!
— Confia em mim!
— Da mesma forma que você confiou em mim?
— Não, seja uma amiga melhor do que eu fui e confie em mim, apenas dessa vez — suplicou Emma.
— Tudo bem.
pegou o celular e iniciou a ligação.
— Está chamando! — Emma disse, e apenas revirou os olhos.
— Tá vendo, ninguém aten... — ela foi interrompida quando alguém atendeu a ligação, que já estava prestes a ser finalizada.
Alô?


Continua...



Nota da autora: Olá meninas, primeiramente queria pedir desculpas pela demora, mas aqui está o capitulo e espero que gostem. Segundamente, queria pedir para que vocês tirassem 3 minutinhos do tempo de vocês e deixassem um comentário, pois isso é muuuuito importante para nós e nos dar um gás enorme para escrever. As vezes estamos com bloqueio e vemos os comentários e a inspiração vem. Terceiramente venho agradecer aos mais de 1000 views em 2 semanas, não imaginava mesmo que minha fic tinha tanta visualização (sei que muitas outras fics possuem bem mais visualizações que isso, mas pra mim é muito).
Quase ia esquecendo, eu e Ka C. estamos escrevendo uma fic chamada Beautiful Mistakes, com Harry e Zayn de PP. Ela ta bem legal, restrita com temática 1D, 1D solo, Victoria secrets, produção de clipes, Nick Jonas e muito mais.
É isso meninas, beijoooos!



Outras Fanfics:
Beautiful Mistakes [One Direction – Harry e Zayn]

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