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Finalizada em: 12/10/2020

Capítulo Único

subia as escadas do prédio de bombeiro determinada a fazer de tudo para ter a vaga de emprego que queria.
– Eu posso falar com o tenente, por favor? – Eu disse na recepção depois de ser identificada pela recepcionista.
– Pode entrar. Ele está lhe esperando.
Quando passei pela porta avistei um homem bem vestido que estava olhando pela janela de vidro com suas costas largas viradas pra mim, seu perfume amadeirado estava no ar. Eu, que tinha imaginado fazer um barraco, senti-me uma fera mansa. Ele então se virou e pediu para eu me sentar. Obedeci calmamente, mas por dentro estava gritando "What the hell?". Ele não era o tenente que tinha me mandado servir como guarda vidas na praia mais deserta da baixada... era o , o garoto que eu tinha conhecido no ano da pré-escola.
Vou fazer de conta que não o reconheço, afinal não sei se ele se lembra de mim.
– Em que posso ajudar, ? – ele disse me tratando informalmente, o que me pegou de surpresa. Eu tinha certeza que ele se lembrava de mim, mas seguiria meu plano e iria fingir não conhecê-lo. Comecei a contar meu caso e disse a ele que eu era novata na área, mas tinha certeza que faria um bom trabalho em uma praia mais movimentada, afinal, tinha concluído o treinamento. Ele procurou meu histórico no sistema do computador e perguntou: – Por que você acha que eu mudaria o mandato de outro tenente? – Ele perguntou com um sorrisinho presunçoso nos lábios.
– Porque você é outro tenente. – eu respondi simplesmente, mas depois pensei que poderia ter respondido melhor.
– Hummm. – Ele coçou a cabeça suavemente enquanto olhava para o computador novamente, depois se virou pra mim, cruzou as mãos sobre a mesa e concluiu. – Eu não consigo mudar...
– Sabe, eu fico pensando o que teria acontecido se você não tivesse ido embora... – Eu disse, interrompendo o que ele dizia. – Como será que a gente estaria hoje? – E com isso consegui transformar aquele homem confiante e presunçoso em um homem pensativo e calado. Ele me encarou.
– Eu sabia que você tinha me reconhecido assim que chegou. Por que fingiu não me conhecer? – Ele estava mais sério agora.
– Porque se alguém souber que eu te conheço e que você fez esse favor por mim, vão pensar coisa errada – eu disse e ele me admirou com um sorriso maroto. – Mas como você não consegue fazer nada por mim do mesmo jeito… eu já vou indo. – Forcei um sorriso e me levantei. A verdade é que seu sorriso era encantador demais para eu ficar só olhando. – Até outro dia. – Disse antes de caminhar com as pernas bambas até a porta e, antes que eu pudesse colocar a mão na maçaneta, lhe ouvi dizer:
– Talvez a gente tivesse casado. – Meus pés se fincaram no chão e eu fiquei parada, estática, olhando a porta. – Talvez, tivéssemos filhos. – Me virei e ele se levantou lentamente. – Eu me pergunto: por que penso em você todos esses anos se éramos crianças quando nos conhecemos? Por que eu ficava imaginando como você estaria? – ele dizia com uma voz rouca enquanto se aproximava devagar. – Mas hoje me pergunto por que ainda sinto vontade de te beijar? – Ele colocou a mão na porta, atrás de mim, e encarou meus olhos antes de olhar para minha boca. Minha respiração estava pesada e o coração parecia que ia explodir. Fechei os olhos e senti seus lábios quentes encostarem-se aos meus carinhosamente, nos levando a um beijo molhado. Sua mão quente no meu pescoço fez meu corpo arrepiar. Quando separamos nossos lábios ficou um tempo com os olhos fechados e, ainda próximo a mim, sussurrou: – É por isso que eu não posso te mandar para outra praia. – Eu lhe olhei sem entender nada. Já de olho aberto, ele disse. – Porque eu quero ficar perto de você dessa vez. – Foi quando percebi o quanto ainda gostava dele. Abracei-lhe e, enquanto sentia seu perfume, ele completou. – E também porque vou estar supervisionando praia. – Sorri me sentindo protegida em seus braços e disse confiante:
– Então podemos continuar de onde paramos. – Ele segurou meus ombros e olhou em meus olhos.
– É claro, namorada. – Sorriu abertamente. – Mas ninguém precisa saber até que você queira. – Foi minha vez de sorrir. Ele segurou minhas mãos enquanto nos olhávamos, sorridentes.


FIM!





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