Última atualização: 17/04/2018

Capítulo Único


Parecia que o tempo estava mais rápido que o normal. Ele podia sentir que aquele momento, que ele queria que durasse o maior tempo possível, escapava de suas mãos e se aproximava de um fim. O fim de uma bela história, ele poderia dizer. Afinal, não era comum um jogador permanecer mais de vinte anos jogando por um mesmo clube. Mas ele teve apenas olhos e amor por uma camisa, por um clube, e dinheiro nenhum o fez mudar de ideia. Porém, a idade chega e, para um jogador de futebol, ela castigava muito – embora ainda estivesse em uma boa forma física para um homem de quase trinta e cinco anos.
Embora tivesse sido difícil decidir que era hora de parar, ele tinha tomado aquela decisão e olhava com bons olhos tudo o que viria depois. Mal podia esperar para poder viajar de férias com sua e as crianças. Ah, as crianças... Ter falado para León, o filho mais velho e que mais havia vivido os momentos de glória de seu clube, que iria se aposentar havia sido difícil. Luca havia entendido melhor e ficado feliz com a chance de ter mais o pai em casa, sem viagens ou concentrações. Já Theo, era pequeno demais para entender o que tudo aquilo significava, mas ele ficava feliz de saber que estaria mais próximo e presente no crescimento dele.
O juiz parou o jogo, apontando para lateral do campo e pôde ver seu número da placa de substituição. Deu um leve sorriso, porque Zidane já havia o avisado que faria aquilo: substituí-lo no último minuto de jogo para que ele pudesse sentir todo o agradecimento da torcida do , todo o amor que o Santiago Bérnabeu possuía por ele. Acenou para os fãs, enquanto caminhava até Asensio, o mais novo jogador do . Ele sabia que aquilo também significava que os antigos se vão para que novas estrelas possam surgir, afinal, Asensio era uma das crias da casa e dono de um grande talento, diga-se de passagem.
Deu um rápido abraço no jovem e caminhou em direção ao banco de reservas, depois de dar um abraço no técnico. Já podia sentir as lágrimas se formando em seus olhos, porque aquele momento era algo que, por mais que ele tivesse pensado muito, não conseguiria imaginar como seria. Soltou o ar, cumprimentando um a um dos presentes no banco de reservas até chegar ao lugar vazio para poder sentar-se.
Pôde comemorar mais um gol, o último gol que assistia e comemorava como um jogador do , e sentiu seu coração apertar. Sentiria saudade daquela atmosfera de ficar tão próximo ao campo, apesar de saber que a atmosfera das arquibancadas seria muito boa também. Definitivamente viria ao Bérnabeu na condição de torcedor para poder apoiar aquele clube e levaria os filhos, da exata maneira que seu pai havia feito com ele e seu irmão.
O juiz apitou o final do jogo. Ele se levantou, assim como todos os companheiros, e tirou um breve momento para encarar todos os torcedores que estavam nas arquibancadas. Haviam diversas faixas, cartazes e camisas com seu número, sua foto e com mensagens de agradecimento que ele não fazia a menor ideia de como responder. Seu coração estava tão apertado que ele não sabia como reagir a tudo aquilo. Era o fim de uma das histórias mais bonitas que o futebol podia ter contado e ele fazia parte daquela história, era o personagem principal.
Sua atenção foi chamada por Vicente, o mestre de cerimônias de todas as comemorações que aconteciam no estádio. Todos os jogadores já estavam no gramado e havia uma enorme bandeira em formato e cores da camisa do com seu número, 10, e seu nome escrito atrás, no centro do gramado. Os companheiros estavam enfileirados, o observando e observando toda aquela festa que tinha sido feita para ele. Ele não pôde deixar de caminhar até os amigos e cumprimentar um por um, agradecendo pelo sucesso da temporada e por tudo que haviam feito por ele pelo tempo que jogaram juntos.
Após cumprimentar Zidane novamente, observou que duas moças seguravam um enorme quadro com uma camisa dele dentro. Sorriu e já pôde imaginar aquele quadro pendurado na sala de sua casa, com a lembrança de seu último jogo com aquela camisa. Pegou o quadro das mãos das moças e o ergueu, girando um pouco para que todos os presentes pudessem vê-lo. Sibilou um obrigado, que foi registrado por todas as câmeras da imprensa e do estádio, agradecendo a todos por aquele carinho. Devolveu o quadro para as moças e pôde ver, ao fundo, sua família saindo do vestiário e colocando os pés no gramado.
León e Luca vinham na frente, enquanto tentava fazer com que Theo caminhasse sozinho. Ele caminhou rapidamente na direção deles, sendo logo envolvido em um abraço e deixando que o choro, que ele havia segurado por todo aquele momento, se tornasse realidade. Os meninos lhe diziam o quanto estavam orgulhosos dele e que lhe amavam, fazendo apenas com o volume de lágrimas aumentasse. Soltou-se dos filhos, dando um beijo na testa de cada um, antes de abraçar a esposa, que também estava emocionada com a cena que via a sua frente. Juntou-se a ela em um longo e apertado abraço, podendo sentir a respiração descompassada e o leve choro dela em seu ouvido.
– Me orgulho tanto de você! – disse em meio ao choro e suspirou, apertando-o mais contra seu corpo. – Seguiremos juntos nessa nova vida e prontos para o que vier. Seus anos por aqui foram incríveis. – suspirou mais uma vez, tentando conter suas lágrimas, e os dois se afastaram – Eu amo você. – ela sibilou antes de selar os lábios nos dele rapidamente.
sorriu e se abaixou para pegar Theo em seus braços. O mais novo parecia assustado com o tanto de gritos vindo das arquibancadas e ele sorriu, lembrando-se de como tinha sido as primeiras vezes que trouxera León e Luca ao Bérnabeu: choravam no início, mas se acostumaram com o barulho da torcida.
Ele caminhou com a família até o centro do campo, onde Vicente entregou o microfone e lhe deu um abraço, parabenizando e o agradecendo por todos aqueles anos no . Havia chegado o momento de ele falar algo para os fãs que o agradeciam e o idolatravam tanto e, assim que teve o microfone em mãos, todo o discurso que havia preparado e treinado em casa durante toda a semana fugiu de sua mente. Ele não tinha palavras para agradecer todo aquele amor e aquele carinho que recebeu durante os vinte anos de .
– Olá a todos. – começou, nervoso e caminhando de um lado para o outro, olhando para todos os cantos possíveis do estádio. Tinha vontade de manter contato visual com todos que estavam presentes ali. – Eu tinha ensaiado um discurso durante toda essa semana, mas, nesse momento, ele fugiu. – riu. – Eu estou, de verdade, sem palavras para agradecer a todo carinho, apoio e amor que vocês dedicaram a mim em todos esses anos de . Nesses anos todos, eu aprendi que não é fácil permanecer tanto tempo em um clube de futebol... Conheci, convivi e aprendi muito com muitas pessoas que ficaram uma, duas ou no máximo três temporadas por aqui; ganhei títulos que eu sonhava em ganhar desde que era um menino e meu pai me trazia para as arquibancadas do Bernabéu para assistir aos jogos; vivi momentos únicos que eu não esperava viver. Agradeço à minha família, ao meu pai por me ensinar a paixão por esse clube, a minha mãe, minha esposa e meus filhos, que puderam viver meus momentos mais importantes e também os mais dolorosos neste clube. Mas que também aprenderam sobre o amor. – sorriu, encarando León e Luca, que assistiam ao seu discurso sem piscar, e , que depositava leves beijos no rosto de Théo, que brincava com o cordão que a mulher usava. Eles eram sua base. – Eu não tenho palavras para descrever o tamanho do meu agradecimento a todos deste clube! Desde o porteiro até o presidente, passando por cada pessoa de cada setor interno, cada jogador e membro desta comissão técnica. – sorriu, apontando para os amigos que ainda estavam no mesmo lugar, observando e aplaudindo seu discurso. – E a todos vocês, torcedores, que ajudaram a tornar esse estádio, não só o meu lugar favorito para estar, mas também a minha segunda casa. – A partir de hoje, eu serei como vocês: ficarei na torcida por esse clube! – ele deu uma leve risada com os gritos e os aplausos naquele momento. – Hoje é o último capítulo de uma história muito importante e que eu tive o prazer de viver. Obrigado. – sorriu mais uma vez e pôde sentir suas lágrimas voltando. Era isso, aquele era seu momento final. – !

x


Um ano. Havia exato um ano desde que ele havia encerrado sua carreira e agora ele se dedicava apenas para sua família. Depois de sua despedida, teve a festa de despedida em um dos maiores restaurantes de Madrid, seguida por uma madrugada inteira em uma das maiores boates da cidade. Seus amigos, companheiros e alguns ex-companheiros marcaram presença.
Logo após as comemorações, viajou. Viajou com a família para a Disney e para Formentera. Quando as aulas dos meninos começaram, voltaram para Madrid para que pudessem deixá-los com os avós e viajou apenas com sua esposa. Foi para Maldivas, Dubai e Ibiza; passaram cerca de um mês viajando apenas os dois até que retornassem à casa e ele pudesse começar a sentir o que sua nova função seria dali para frente.
trabalhava em uma das maiores revistas de moda da cidade e as crianças estudavam, faziam atividades extracurriculares – apenas Theo ficava em casa com ele, por ainda ser muito novo para ir para a escola – e ele se encarregava de cuidar do filho, mesmo tendo Meli, a babá das crianças, para ajudá-lo. Além disso, também acompanhava os jogos de León e Luca. Os dois estavam nas categorias de base do e, diferente de quando ele jogava, agora ele ia assistir no centro de treinamento, todos os jogos dos meninos. Sentia-se o técnico dos dois, já que sempre anotava e falava no que precisavam melhorar – ainda mais Luca, que seguia os passos do pai e usava a camisa 10, enquanto León estava muito feliz sendo goleiro. Mal podia esperar para saber qual seria a posição que Theo iria gostar quando ficasse maior.
No momento, sua vida estava resumida àquilo e, embora estivesse gostando de estar mais tempo com a família, sentia-se constantemente entediado. Tinha alguns hobbies como correr, jogar videogame e assistir filme, mas não eram o suficiente. Parecia que uma parte dele estava faltando, e realmente estava: a adrenalina do futebol não estava mais presente em sua vida. A rotina de treinos, jogos, dieta, La Liga, Champions League não fazia mais parte de sua vida. Estava monótono.
O clima com a esposa também não estava dos melhores. As discussões entre eles estavam se tornando cada vez mais comuns e por coisas cada vez mais banais. Já tinham discutido por ele ter adotado um gato para Luca, embora a esposa fosse alérgica; por algo sobre a educação das crianças; por ele querer mais um filho e ela estar satisfeita com três... Era algo constante.
– JÁ CHEGA! – ela elevou seu tom de voz para que o marido parasse de reclamar. – É sério, , não é de um filho que nós estamos precisando neste momento. O que precisamos é que você volte a fazer alguma coisa! – ela suspirou. – Que tal aceitar o cargo que o Perez te ofereceu?
– Não tenho saco para ser diretor de futebol. – bufou irritado e cruzou os braços feito uma criança emburrada, antes de lançar seu corpo sobre o sofá. – E eu só acho que ter um quarto filho seria muito bom. Podemos finalmente ter uma menina!
Não. – respondeu, autoritária. Por ela, teriam parado em Luca, mas a desculpa de tentar ter uma menina, coisa rara na família , já que Christopher e Ethan também só tinham filhos homens. – Por que não tenta o curso de técnicos da UEFA? Me parece um bom negócio.
– Técnico? – ele riu, desacreditado. – Qual é, amor, eu não levo o menor jeito para ser técnico.
– Claro que leva, ! Pelo amor de Deus! – foi a vez de ela rir. – Você acompanha todos os jogos dos meninos! Você anota tudo o que eles fazem de certo e de errado em campo, depois passa para eles para que eles busquem melhorar. – ela listou nos dedos enquanto o encarava, como se estivesse dando uma simples solução – Sem contar que, naquele jantar com Raúl e o , você falava todo alegre sobre as táticas negativas que o Zidane vêm usando.
– Uma coisa é falar com os amigos, outra é colocar em prática. – ele deu os ombros e rolou os olhos, antes de sentar-se ao lado do marido no sofá. – E ninguém ia me querer como técnico, .
Claro que iam, meu amor! – ela riu. – O próprio Perez brincou no dia que você se aposentou que seria legal que você retornasse em outra função e–
– Como diretor de futebol, ele já me convidou. – a interrompeu. – Ele não falou nada de comissão técnica.
– Talvez fosse só o primeiro passo. – ela deu os ombros. – De qualquer forma, o que eu quero dizer é que você tem capacidade para se tornar técnico, pode se tornar técnico do e ser uma lenda na linha de campo, assim como foi dentro dele. – ela finalizou, depositando um beijo nos lábios do marido que sorriu em resposta.
– Você sabe que eu poderia precisar pegar experiência em outros clubes, certo? – questionou, arqueando a sobrancelha e a esposa concordou. – E isso significa se mudar para outro país, coisa que fizemos pouco quando eu jogava.
– Quando nos casamos, eu disse que era na alegria e na tristeza; na saúde e na doença; na riqueza e na probreza; e em qualquer lugar que o futebol nos levasse, se você estivesse feliz. – ela sorriu, dando mais um beijo nele, e se levantou. – Pense nisso. – piscou, antes de começar a subir a escada para checar se os meninos já estavam dormindo.
– Ei! – a chamou, fazendo com que ela parasse no meio da escada. – Você não disse essa frase no nosso casamento! – reclamou, vendo lhe mostrar a língua enquanto voltava a subir a escada e lhe deixava com aquela ideia em mente. A mulher sabia direitinho como lhe deixar pensativo sobre um assunto.

x


O tinha passado por más temporadas. Foram cinco temporadas que o clube passava em branco, sem ganhar o campeonato espanhol e sendo eliminado precocemente na Copa do Rei e na Champions League. Após mais essa temporada sem sucesso, Perez decidiu que era hora de trazer uma cara nova para o clube e não havia nada melhor do que trazer alguém que tinha honrado e amado tanto aquele clube como . A lenda.
tinha concluído seu curso na Uefa e o primeiro clube a abrir as portas para ele como técnico tinha sido o Sevilla. Alcançou a semifinal da Copa do Rei e ficou em sétimo no campeonato espanhol, logo na primeira temporada, mas não alcançou nenhum título nas três temporadas no clube. Depois, foi para o Manchester United por duas temporadas; conquistou a Copa da Inglaterra e a Uefa League, seus dois primeiros títulos como técnico.
, León, Luca e Theo estiveram presentes tanto em Sevilla quanto em Londres, como ela havia prometido. Os meninos ficaram tristes em ter que sair das categorias de base, mas felizes com a oportunidade que o pai estava tendo – além de os explicar sobre como seria bom para eles aprender a cultura de outros lugares. Estavam adorando viver em Londres, apesar de sentirem falta de Madrid, mas aquilo não seria empecilho para a renovação de contrato com o United.
A ligação de Florentino Perez seria.
sentiu vontade de largar tudo em Londres e correr de volta para Madrid, mas sabia que não seria justo. Escutou a proposta do presidente, seu pedido para que ele aceitasse sua proposta e prometeu que entraria em contato em breve para respondê-lo. Terminou o treino mais cedo naquele dia e deu uma coletiva rápida, antes de correr para casa para poder contar à esposa sobre a ligação que havia recebido.
Assim que soube, apenas gritou "eu sabia" e abraçou o marido enquanto pulava contente pela sala do apartamento da família em Londres. Ele teve que rir com a cena, mas sabia que ela sempre dizia que as temporadas do clube estavam sendo péssimas e que "era questão de tempo para Florentino o chamar". Tinha acontecido do jeito que ela tinha dito e ele já sabia exatamente qual resposta iria dar. Conversou com , que havia se tornado seu assistente técnico. Os dois, que sempre foram tão amigos, decidiram fazer o curso juntos e passaram a auxiliar um ao outro durante o programa, até convidá-lo para ser seu auxiliar de verdade quando surgiu a proposta do Sevilla.

Agora, lá estava ele: terminando sua primeira temporada como técnico do . Tinha ganho a Copa do Rei. Tinha ganho o campeonato espanhol, com duas rodadas de antecedência. E estava prestes a disputar uma final da Champions League podendo dar o vigésimo título ao clube, que estava aguardando aquele momento como louco.
Afrouxou um pouco a gravata de seu terno, que a Hugo Boss havia feito sob medida para todos os jogadores e membros da comissão técnica no início da temporada, e sentou-se em um dos bancos do vestiário. Faltavam uma hora e meia para o início do jogo e todos os jogadores estavam no gramado se aquecendo. Havia ficado no vestiário para que pudesse fazer sua oração, como sempre fazia antes de cada jogo, antes de subir para acompanhar o aquecimento e checar as condições físicas de cada jogador, afinal, aquele era o último jogo da temporada.
O barulho da porta do vestiário sendo aberta o despertou de sua oração e ele se virou, imaginando que daria de cara com – já que havia pedido que o auxiliar acompanhasse o aquecimento dos jogadores para ter certeza que todos os titulares estavam bem e prontos para jogar. Mas, na verdade, se deparou com sua esposa parada a alguns metros dele. usava uma camisa antiga do , a que tinha o número e o nome dele, o que trouxe um sorriso para seus lábios.
– Veio me desejar boa sorte? – perguntou, com um sorriso maroto entre os lábios e ela balançou a cabeça, caminhando até ele.
– Vim trazer um presente para o meu campeão. – ela sorriu, tirando as mãos de trás de seu corpo e erguendo uma caixa que segurava.
Ainda não sou campeão... – ele riu fraco e ela rolou os olhos.
– Para mim, você sempre será campeão. – respondeu, unido os lábios dos dois em um beijo que ele tentou aprofundar, mas ela se esquivou de maneira rápida. – O presente, querido. – riu, colocando a caixa no colo dele. Ele podia sentir que ela estava nervosa, mas preferiu não questionar e apenas abrir a caixa que tinha em mãos.
Abriu a caixa de maneira curiosa e se deparou com uma camisa, também antiga, do . Era da mesma temporada que a da esposa, só que em um tamanho menor, parecendo ser tamanho infantil e ele estava prestes a questionar quando observou um post it amarelo colado próximo ao escudo do clube: "dê uma olhada na parte de trás". Teve vontade de perguntar que brincadeira era aquela, mas sabia que ficaria muito chateada se ele estragasse a brincadeira.
Tirou a camisa da caixa e virou para checar a parte de trás. Sentiu todo o ar que tinha em seus pulmões lhe faltar quando reparou a palavra papai escrita no verso, onde deveria ficar seu nome. Já podia sentir as lágrimas tomando conta de seus olhos quando levantou o olhar para encarar sua esposa, que tinha um sorriso doce nos lábios e o mesmo olhar emocionado que ele.
– É uma menina. – revelou quase em um sussurro e ele pôde sentir as lágrimas descerem por seu rosto.
Menina.
O desejo deles tinha se tornado realidade e eles iriam ser pais de uma menina! A vontade de gritar aquilo tomou conta de sua garganta, mas tudo que ele fez foi jogar a caixa longe e correr para abraçar sua esposa.
– Como descobriu? Por que não me contou? Já foi ao médico? Quantas semanas? – disparou as perguntas, causando risos à esposa, enquanto colocava a mão na barriga dela, já na expectativa de sentir algo da pequena.
– Acalme-se. – ela riu – Descobri no dia anterior à semifinal contra o Atléti. Você estava tão nervoso e preocupado com a sua primeira final como técnico, que eu preferi esperar um pouco para te contar e decidi fazer essa surpresa. – sorriu, selando os lábios dos dois – Já fui ao médico e estou perto dos três meses. Satisfeito?
– Eu amo você. – respondeu, juntado os lábios aos delas.
levou suas mãos à nuca dele enquanto , colocava uma em sua cintura e a outra em seus cabelos, já aprofundando o beijo. Era a mesma sensação do início de namoro: as borboletas ainda apareciam quando eles se beijavam daquela forma.
O silêncio do vestiário foi substituído por muitas vozes que falavam de coisas aleatórias e, de repente, assobios e aplausos, fazendo com que os dois se separassem rapidamente. podia sentir suas bochechas queimando de vergonha ao encarar todo o time do parado na entrada do vestiário com sorrisos maliciosos para o técnico. Pareciam dois adolescentes que tinham sido pegos no primeiro amasso.
– Por isso que você pediu que eu acompanhasse o aquecimento? – questionou, de maneira divertida, fazendo com que risadas tomassem conta do vestiário. apenas deu os ombros e se despediu da esposa enquanto todos foram se arrumar para o jogo. lhe desejou boa sorte e depois saiu para voltar para a arquibancada para acompanhar o jogo. Estava sentindo-se mais leve por ter, finalmente, contado ao marido a notícia da gravidez. Agora era só contar aos meninos que, com certeza, ficariam animados com a novidade.
Todos já tinham se trocado e o capitão tinha dado sua fala motivacional para os demais. pediu a palavra, como sempre fazia em jogos importantes, e deu um leve sorriso para os jogadores. Pediu para que todos focassem nos noventas minutos, que não se deixassem abater e que tentassem sempre a melhor jogada.
– Esse pode ser o primeiro título da minha filha, então, conquistem! – anunciou, recebendo aplausos e assobios em comemoração. sorriu animado, dando dois tapas nas costas do amigo. O conhecia há tanto tempo que sabia do desejo dele em ser pai de uma menina, chegava a considerar engraçado.
Quando o fim do jogo foi anunciado, ele viu tudo em câmera lenta. Tinham vencido por 3x2. Ele tinha conquistado sua primeira Champions League como técnico, a vigésima do . Sorriu animado, dando um pulo, e foi prontamente abraçado por e depois pelos demais jogadores.
Procurou sua família pelas arquibancadas e pôde ver os seguranças do clube ajudando León, Luca e Theo a entrar no gramado. Os três correram na direção do pai para abraçá-lo e deixou as lágrimas tomarem conta. Felicidade era o único sentimento naquele momento. Felicidade dupla.
Após a cerimônia de receber as medalhas e o Orelhuda – como havia sido apelidada a taça da Champions League –, ele fez questão de posar para fotos ao lado da família. Colocou a taça no gramado e se posicionou atrás da mesma com a esposa ao seu lado e os filhos do lado. Naquele momento, ele pôde se sentir completamente realizado. Tinha conquistado títulos importantes em sua vida, esse era mais um desses, mas o mais importante ele tinha ao seu lado naquele momento: sua família.
A lenda mais importante de Madrid.




Fim.



Nota da autora: Oiiii! Eu tenho essa short na gaveta desde a despedida do Totti da Roma e esse projeto me deixou segura o suficiente para publicá-la! Espero que tenham gostado. Me digam o que acharam nos comentários! E se quiser conversar mais, pode entrar no meu grupo do Facebook!





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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