Magia Real

Última atualização: 01/09/2021

Capítulo 1

23 de Agosto de 1980
Londres

— Você precisa me dizer o que está sentindo, querida. Eu não consigo te ajudar de outro modo. — Frances falou desesperada enquanto amparava a filha que mal conseguia se manter em pé. A jovem se contorcia e se dobrava pra frente enquanto sentia fortes dores na barriga.
— Mãe, eu preciso ir para o hospital. — Diana implorou mesmo trêmula — Eu acho que vou morrer aqui.
— Charles já mandou um médico, filha. Aguenta mais um pouquinho. Tem tantos jornalistas aqui na porta que não conseguiríamos sair sem virar notícia.
— Que se danem os jornalistas! — ela gritou exasperada no mesmo momento em que batiam desesperadamente na porta. Frances ajudou a loira a se deitar na cama e viu que sua outra filha Sarah abria a porta e deixava Charles passar junto a um médico e uma enfermeira carregando uma grande mala.
— O que está acontecendo? — Charles quis saber vendo que a jovem já estava empapada de suor — Vejam logo o que houve. — ele ordenou e rapidamente Diana começou a ser assistida.
— Vamos precisar que vocês deixem o quarto, por favor. — o médico pediu, mas houve protestos de todos ali. Sarah se aproximou da cama e Diana logo procurou sua mão. Ela não sairia dali — Precisamos examiná-la com mais privacidade e essa multidão só está piorando a situação. — ele apontou para a loira que fazia caras e bocas tentando conter os gritos de dor sem muito sucesso.
— Por favor, fica. — Diana implorou para a irmã mais velha que assentiu sem nem olhar para a equipe médica. Era uma batalha perdida.
— Até o fim da linha, Di. — a outra confirmou e ficou um pouco mais distante para que pudessem verificar tudo nela.
Frances e Charles deixaram o quarto extremamente irritados, mas não hesitaram em ficar junto a porta para qualquer barulho fora dos gritos de Diana. O homem andava de um lado para o outro e só faltava furar o chão de tão impaciente que estava.
Os minutos de espera se transformaram em uma hora que não tardou a virar duas. A voz de Diana implorando para que a dor acabasse se sobrepunha a qualquer outro ruído, então eles não sabiam muito do que acontecia no quarto. Charles já tinha desistido e se jogado na primeira poltrona que encontrara. Frances lhe ofereceu um whisky que foi aceito de muito bom grado.
Quando a porta se abriu e a enfermeira colocou a cabeça para fora do quarto, Charles se levantou num pulo. Ele sequer esperou ela falar alguma coisa e já foi logo entrando. Qual não foi a sua surpresa quando se deparou com Diana aos prantos na cama ninando um embrulho que chorava. O mundo dele virou de cabeça para baixo só com aquela cena.
Por sorte, o homem estava próximo da parede e ali se manteve. O choro do bebê ficou mais alto, quase como se demandasse atenção de todos os presentes. Charles manteve os dedos pressionados às têmporas e os olhos fechados com força. Ele torcia para nada disso ser real.
Até que imagens do final do ano passado vieram a sua cabeça e uma noite específica com Diana se fez presente. O que ele tinha feito?! Sua mãe ia matá-lo pela irresponsabilidade. Não, sua mãe não, a rainha da Inglaterra. Nessas horas ela sabia muito bem separar as coisas.
— É uma menina, Charles. — ele ouviu a voz de Diana ao longe e se obrigou a sair do estado de torpor em que se encontrava — Nossa pequena Grace. — o homem olhou para a jovem que contemplava o bebê em seus braços como quem via uma obra de arte.
— E-eu p-preciso ir. — ele gaguejou enquanto levantava desajeitado e corria para fora do quarto e do apartamento. Charles precisava de uma dose de coragem antes de enfrentar a rainha.
Aquela foi a primeira vez que Grace foi abandonada pelo pai. Não seria a última.

15 de Setembro de 1980
Palácio de Buckingham


— Você perdeu o juízo, Charles? — a rainha Elizabeth disse com a voz baixa e cortante para o primogênito que se encolhia na cadeira — Sabe o que significa um filho fora do casamento nas circunstâncias atuais?
— Eu sei, eu sei, é só que—
— Não, você não sabe. — ela interrompeu o choramingo do filho — Se tivesse sido sincero quando seu pai perguntou se já tinha se deitado com a garota, nada disso estaria acontecendo. Sabe em que situação nos colocou?
— Diana não sabia que estava grávida. — ele retrucou baixo, mas a mulher ouviu e lhe deu atenção — Não teve barriga, enjoo, nada. Só descobrimos na hora do parto, ninguém sabe o que aconteceu.
— Você tem certeza de que essa criança é sua filha, Charles? — Elizabeth encarou profundamente o filho e o viu fechar os olhos por alguns segundos enquanto assentia.
— Diana era virgem, mãe. — ele tomou coragem pra dizer — E ela não teve contato com nenhum homem depois de mim.
— Como ela está?
— Ela, a mãe e a irmã não têm saído de casa para nada, então não existem fotografias. — ele suspirou — É uma menina, mãe.
— Uma menina? — Elizabeth repetiu para si mesma — Já tem um nome?
Grace.
— Bonito nome. — ela deu um mínimo sorriso e Charles soltou a respiração que nem sabia que segurava — Não vamos mudar nossos planos nem de noivado nem de casamento. Diana deve ficar longe dos holofotes junto com a criança e só depois veremos o que poderá ser feito.
— Como quiser. — o filho acatou e se levantou para deixar o escritório, mas não sem antes fazer uma leve reverência. Elizabeth lhe chamou mais uma vez antes de ir.
— Controle-se a partir de agora, Charles. — ela foi severa — Principalmente no que diz respeito a Camila. Não queremos lidar com outro escândalo a um ano do seu casamento.
— Não se preocupe, Vossa Majestade. — ele meneou a cabeça antes de sair de vez do escritório e dar de cara com o pai esperando por ele. Charles suspirou cansado e seguiu Philip para que pudessem conversar. O dia seria longo.

25 de Novembro de 1981
Palácio de Kensington

Diana e Charles tinham se casado há poucos meses e a notícia da suposta gravidez de risco da Princesa de Gales já corria na imprensa. De acordo com os tabloides, a mulher estava completando seu quarto mês de gravidez e por recomendações médicas não podia deixar a cama ou fazer muitos esforços. Tudo para explicar o nascimento de que agora tinha pouco mais de um ano.
Por isso, a rainha Elizabeth tinha ido até a nova residência dos recém-casados com a desculpa de visitar a nora convalescente. Depois de uma reverência e o anúncio de sua presença, o mordomo do palácio abriu as portas para que a rainha entrasse no quarto da princesa Diana. A jovem acariciava as mãozinhas da filha deitada no berço.
— Majestade — Diana fez uma breve reverência sem tirar os olhos da filha e fez questão de completar com a voz ácida — lembrou que tem uma neta? Depois de um ano é que vem nos visitar.
— Não seja tola, Diana — a rainha desdenhou ignorando o tom da nora — Sabemos que você é melhor que isso. Minhas visitas não poderiam acontecer, não com a imprensa nos portões do palácio noite e dia. Não com tudo o que está acontecendo na nossa política. — Elizabeth ouviu a nora bufar e revirou os olhos. Charles tinha escolhido uma esposa de gênio forte, por Deus.
— Claro, política e aparências. São as únicas coisas importantes para Vossa Majestade. — a loira alfinetou sem segurar a língua.
— Eu vim para ver a minha neta. Não é isso que lhe importa, Diana? — a rainha retrucou impaciente e se aproximou do berço — , certo?
Diana assentiu e se afastou um pouco do berço para que a outra mulher se aproximasse. A menina que cochilava estava inteiramente vestida de rosa e Elizabeth não conseguiu controlar o pequeno suspiro de satisfação. Ela era linda, quase uma boneca. A rainha não se conteve e tocou levemente a bochecha da criança que quase instantaneamente acordou.
A pequena levou meio segundo para focalizar a avó e mesmo sem conhecê-la pessoalmente, abriu um sorriso de poucos dentinhos. Elizabeth correspondeu ao sorriso e segurou na mãozinha da neta. Diana, que apenas observava, precisou morder a língua para controlar a emoção do momento, ela não queria nem respirar alto demais para não estragar tudo.
Mas a beleza do momento durou menos do que dois minutos. Logo pequenos flocos de neve começaram a cair nas duas mulheres enquanto a pequena ria animada da situação. Diana tinha seus olhos confusos e olhava para todas as partes do teto, querendo entender de onde vinha aquela neve. Elizabeth, por outro lado, se afastou rapidamente da neta e passou a olhar para ela como se uma outra cabeça tivesse brotado ali. Isso não podia estar acontecendo! Não em sua família!
— Você gerou uma aberração! — a rainha acusou Diana com os olhos inflamados de raiva mesmo que a princesa não entendesse o que acontecia. A neve tinha parado de cair, mas agora estava tensa, quase como se pudesse sentir a atmosfera do quarto — Como pode? Você quer nos destruir!
— O quê? — Diana rebateu ao mesmo tempo que pegava no colo e tentava acalmar a menina que agora chorava — Minha filha não é uma aberração! Eu não sei do que você está falando! — a loira estava começando a se irritar e não se preocupou em manter a cortesia para com a rainha. Ninguém ofenderia sua filha.
— No mundo existe magia, Diana. — Elizabeth resolveu se acalmar para explicar. Diana arregalou os olhos e estava pronta para interromper, mas a rainha levantou uma mão indicando que não tinha terminado — Essa neve não foi uma coisa normal, ela fez isso. Bruxos são perigosos, Diana. E essa criança é mais uma deles.
Essa criança como chama é sua neta. É minha filha. — Diana estreitou mais o abraço na menina — Não me importa o que ela é, me importa que eu a amo e vou sempre amá-la.
— Como você espera que as pessoas reajam a essa situação? Uma bruxa na família real! — a rainha riu sem humor — Era o que me faltava!
— Não me importo com o que a Vossa Majestade pensa em fazer. Grace é minha filha e é comigo que ela vai ficar. E se a senhora não quiser um escândalo, eu acho muito bom aceitar a sua neta. — ela ameaçou, os olhos fixos no da rainha.
— E o que uma simples pessoa poderia fazer contra mim? — Elizabeth desafiou — Que nunca esqueça, eu sou a rainha da Inglaterra!
— Eu não entendo nada sobre bruxaria ou qualquer coisa desse mundo, mas acredite que eu iria até o inferno por ela. Não acho que essas pessoas iriam gostar de ter uma delas ameaçada. — Diana jogou verde e viu a rainha retroceder uns dois passos. Tinha dito certo.
— Quando essa menina for para o mundo bruxo, não irá voltar, Diana! Escute o que eu digo! — Elizabeth bradou já quase saindo do quarto.
— Essa será uma decisão apenas dela, Majestade. — Diana retrucou antes que a rainha se fosse — Até lá, eu espero que aprenda a aceitar a sua neta.

05 de Maio de 1991
Palácio de Kensington

Depois de alguns confundus aqui e ali, Minerva McGonagall agora esperava para encontrar a Princesa Diana e o Príncipe Charles em uma das salas do palácio real. Ela podia ouvir ao longe os gritos infantis que ela acreditava virem de , William e Harry. Apenas aqueles barulhos das crianças davam um ar de lar para aquela residência. McGonagall se perguntava se até os habitantes dali se sentiam assim.
— Senhora McGonagall? — Diana chegou acompanhada do esposo e Minerva se assustou levemente por não estar prestando atenção. A professora se levantou e fez uma breve reverência ao casal como mandava a etiqueta — A senhora nos perdoe pela demora, mas não esperávamos visitas hoje, muito menos sem hora marcada.
— Claro! — a mulher concordou e se sentou quando o casal o fez — Eu apenas tinha um assunto sério para tratar com os senhores, não poderíamos esperar mais.
— Eu sei quem a senhora é. — Charles disse com a voz baixa e Minerva lhe estudou com o olhar — Já lhe vi no gabinete do Primeiro Ministro.
— Bem, se sabe quem eu sou, presumo que tenha alguma ideia do porquê estou aqui. — Charles apenas deu de ombros ficando tenso — A sua filha possui uma vaga em Hogwarts desde o dia que nasceu.
— Hogwarts? O que é isso? — Diana quis saber desconfiada e a mais velha se direcionou a ela.
— Veja bem: eu sou professora e vice-diretora da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Grace tem dons que transpassam as compreensões dos não-mágicos ou como chamamos, trouxas.
— Só pode ser uma piada! Minha filha não vai fazer parte desse show de aberrações, podemos curá-la. — Charles se alterou.
— Me fale mais sobre Hogwarts. — Diana pediu ignorando o marido e ele soltou um “Você não pode estar falando sério sobre isso!” que não mudou nenhuma das mulheres.
— Como eu disse, é uma escola para jovens bruxos. Lá eles aprenderão a se controlar e saberão mais sobre o mundo bruxo. É uma oportunidade maravilhosa para a . — Minerva se limitou a dizer e retirou de sua bolsa uma carta — Gostaria de entregar a correspondência a ela, se for possível.
— Claro! — Diana disse ao mesmo tempo em que Charles bradava um “Óbvio que não!”, mas um olhar da esposa foi o suficiente para que se calasse e saísse da sala tempestivamente — Vou chamá-la, um minuto. — a loira forçou um sorriso para McGonagall e se levantou seguindo o mesmo caminho das vozes das crianças. Não demorou mais de cinco minutos para voltar acompanhada de uma garotinha ruiva que olhava para Minerva com curiosidade.
— Olá, senhora McGonagall! — segurou as barras do vestido que usava e fez uma leve reverência a Minerva. A mais velha não pode deixar de sorrir pela educação da pequena — Mamãe disse que gostaria de falar comigo.
— Tenho uma carta aqui para você. — a professora entregou e teve o prazer de ver os olhinhos da garota saltarem quando leu o destinatário. Minerva provavelmente nunca se cansaria de ver isso quando falasse com alunos nascidos-trouxas.
— “Para a Senhorita Grace, terceiro quarto à direita no segundo andar, Palácio de Kensington, Distrito real de Kensington e Chelsea, Londres, Inglaterra” — a garota leu meio trêmula e olhou para a mãe que estava igualmente chocada, mas lhe instigava a continuar. abriu a carta e seu coração começou a bater ainda mais forte. Ela engoliu em seco — Isso é algum tipo de brincadeira? — ela se atreveu a dizer e Minerva se limitou a negar com a cabeça.
— Continue a leitura, querida. — a mulher instruiu e a ruiva olhou novamente para a mãe como se pedindo permissão. Diana assentiu e viu a filha respirar fundo antes de voltar os olhos para a correspondência.

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS
Diretor: Alvo Dumbledore (Ordem de Merlim, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)
Prezada Srta. Grace,
Temos o prazer de informar que V. Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários. O ano letivo começa em 1º de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.

Atenciosamente,
Minerva McGonagall
Diretora Substituta

— E-eu sou uma bruxa? — a menina perguntou meio incerta e viu a mais velha assentir. logo olhou para a mãe, Diana estava com um sorriso contido nos lábios e parecia segurar algumas lágrimas — Você está bem, mamãe?
— Claro, meu amor. — Diana suspirou e estendeu a mão para a filha que segurou — Você será a melhor bruxa que puder ser, querida.
— Mas eu nem sei como fazer as coisas, mãe. Bruxas não são más? — ela perguntou baixo e ouviu uma risadinha vinda de Minerva.
— Querida, esqueça tudo o que você aprendeu sobre bruxas. Hogwarts irá lhe apresentar um mundo novo e a realidade sobre o que é ser um bruxo. Claro, se você quiser estudar conosco.
— Mãe? — se virou para a mãe ainda meio sem saber o que fazer, mas o olhar de Diana lhe encorajando foi o suficiente para encarar o desconhecido — Estarei lá no dia 1º de setembro! — ela respondeu com uma certeza até incomum para uma criança de dez anos.
— Esperaremos por você, querida. — Minerva sorriu e viu a garota assentir — Como você fará aniversário próximo ao início das aulas, mandaremos alguém do Ministério para que venha lhe acompanhar um pouco antes para que possa comprar as coisas necessárias. Já que essa é uma situação extraordinária, permitiremos a sua ida como acompanhante, Alteza. Sabemos a importância da família real até mesmo no nosso mundo.
— Agradeço pela compreensão e estaremos prontas para isso. — Diana assentiu mais aliviada
Pelos próximos minutos, as três ficaram conversando sobre a situação e McGonagall fez questão de esclarecer todas as dúvidas que pudessem surgir. parecia mais animada a cada palavra. A garota não parava de repetir a palavra “especial” e o fazia com tanta emoção que arrancou risadas das duas mulheres. Diana já sentia seu coração apertar de saudades da filha, mas estava feliz que, pela primeira vez em muito tempo, sua menina se sentisse única e especial, como ela mesma dizia. Nada diferente do que qualquer mãe deseja.


Capítulo 2

1º de Setembro de 1991

estava acordada desde que o sol tinha despontado no céu. Ela não conseguira dormir, tinha se debatido de um lado ao outro na cama, mas nada fazia o tempo passar mais rápido. Nem mesmo o cansaço por brincar com seus irmãos, Harry e William, foi o suficiente para apagá-la por mais de 2 horas.
— Mamãe, tem certeza de que está tudo certo para hoje? — a garotinha ruiva perguntou assim que Diana entrou no quarto, lá pelas 8h da manhã. A mulher riu do entusiasmo da filha, mesmo que nem um bom dia tivesse recebido.
— Bom dia, princesa. — a loira se pôs a abrir as cortinas do quarto, mas percebeu a garota inquieta — Fique tranquila, todos os seus materiais estão no tal malão que compramos junto a senhorita Jones compraram no dia do Beco Diagonal. Respire, querida. — ela comentou sentando na cama e aconchegando a pequena nos braços.
— Mas o bilhete fala sobre plataforma 9 ¾, mãe. Isso é estranho demais, não deveria ser 9 ou 10? — questionou confusa, mas a mãe soltou uma risadinha.
— Eu sei tanto quanto você, filha. Mas fique tranquila, a professora McGonagall pareceu bem séria e a senhorita Jones disse que voltaria hoje para lhe acompanhar no embarque.
— Acho que isso é só nervosismo de estreia, né? — suspirou e apertou o abraço na mãe antes de se soltar — Vou me aprontar, tudo bem?
— Ainda temos algumas horas, apressadinha. — Diana sorriu — Se vista e vamos tomar café.
— Papai está em casa? — perguntou insegura e a mulher percebeu. Seu coração doía com esse distanciamento entre pai e filha, mas Charles parecia querer assim.
— Não, . Seremos apenas nós duas e seus irmãos, não se preocupe. — ela disse e viu a garota assentir antes de se encaminhar para o banheiro do quarto. Dizem que a distância aumenta o amor. Diana esperava que, por passar o ano fora, Charles se desse conta do erro que cometia em afastar a garota.
Em pouco tempo, os quatro estavam devidamente instalados na mesa para o café da manhã. Harry dizia a todo momento o quanto sentiria saudades da irmã e perguntava se não podia ir junto para o colégio interno. De acordo com ele, tinha medo de ratos e se algum aparecesse, ela precisaria de alguém para defendê-la.
William, por ser um pouco mais velho que o irmão, estava tentando encarar as coisas da melhor forma possível. Claro que sentiria falta de e tinha dito a ela, mas não precisava dizer a todo momento. Ele era mais fechado, mas era a sua fortaleza. Os olhares que os dois trocavam em silêncio diziam muito mais do que qualquer declaração.
— Me promete que vai escrever sempre que puder, querida? Não sei muito como funciona o mundo bruxo, mas quero notícias assim que conseguir. — Diana comentou apreensiva quando já estava sozinha com a garota. Os irmãos já tinham se despedido e William e Harry tinham ido para a escola deixando as duas para trás.
— Pelo que a senhorita Jones nos explicou, as corujas fazem esse trabalho de correspondência, mamãe. Eu deixei no quarto alguns petiscos para que você dê ao Snow quando ele vier te entregar uma carta minha.
— Espero que com o tempo essa coruja aprenda a gostar de mim. — Diana disse contrariada — Levei umas duas bicadas da última vez que tentei fazer carinho. — ela revirou os olhos fazendo a filha rir.
— Vai ficar tudo bem, mãe! Eu estou indo ser uma bruxa, isso é legal. Não é?
— Claro, meu amor. É perfeito.
Diana tentava acalmar os nervos de assim como os seus próprios. Se a garotinha estava ansiosa, a mulher quase surtava, mesmo sem deixar transparecer. Sua menina estava indo para um mundo completamente novo, sem sua supervisão ou qualquer parente por perto. Em alguns momentos isso parecia ser tudo o que precisava para desabrochar, mas isso não tranquilizava tanto assim seu coração de mãe. Não quando a felicidade de sua estava em jogo.
— Alteza, a senhorita Jones espera pelas duas no saguão. — um dos empregados veio avisar tirando mãe e filha de seus próprios devaneios.
— Claro, estaremos prontas em um minuto. — Diana disse dispensando o homem e se voltou para a garota que agora tinha um sorriso nervoso nos lábios — Querida, se lembra de tudo o que combinamos?
Grace Spencer — ela recitou sabendo do que se tratava. Diana tinha pedido que seu sobrenome de solteira fosse usado para identificar a filha e que nenhuma palavra sobre a família real fosse dita se fosse evitável — Eu vou ficar bem, mãe e estarei de volta para o natal.
— Eu sei, meu amor. Vamos? — ela convidou e entrelaçou seus dedos aos da mais nova. As duas caminharam ao encontro de Hestia Jones que trajava um sobretudo preto e cachecol vermelho para além de suas botas pretas adequadas ao frio que fazia.
— É sempre um prazer revê-la, Vossa Alteza. — Hestia fez uma reverência e Diana assentiu com um sorriso — Senhorita , está pronta?
— Estou, mas não sei como vamos conseguir carregar tudo isso sem parecermos suspeitas. — comentou apontando para a gaiola de Snow e seu grande malão. Hestia sorriu.
— Vim com um carro do Ministério da Magia, não se preocupe. Há aurores lá fora para fazer a segurança de , assim como confundir qualquer trouxa que acabe olhando para nós por engano.
— Senhorita Jones, podemos ter uma palavrinha por um momento? — Diana perguntou e se voltou para a filha — Por que não vai começando a levar a gaiola lá para fora? Logo irei me despedir. — olhou estranho para a mãe, mas não ousou recusar o pedido. Pegando sua coruja, a garota foi para o lado de fora do palácio deixando as duas mulheres a sós — Senhorita Jones, eu —
— Hestia, por favor. — a mulher interrompeu, mas Diana não se incomodou — Estarei cuidando da sua filha, pode me chamar pelo primeiro nome.
— Muito bem, Hestia, então. — elas sorriram — Você parece ser uma mulher muito dedicada ao trabalho, por isso gostaria de pedir para manter um olho em minha filha. Imagino que não fique pelo colégio, mas, com certeza, é mais bem informada do que eu serei.
— Fique tranquila, Alteza. Hogwarts é um dos lugares mais seguros do mundo, principalmente com Dumbledore no comando. Ele jamais deixaria alguma coisa acontecer com um de seus alunos. — Jones manteve o sorriso tranquilo — De todo modo, eu tenho amigos no corpo docente, pedirei que fiquem atentos a qualquer problema com ela.
— Muito obrigada, Hestia. De verdade. — o coração de Diana estava um pouco mais leve com isso — Vamos, vocês não podem se atrasar.
As mulheres foram para o lado de fora do palácio, Hestia puxava o malão de como se não fosse grande esforço e, depois da varinha apontada para a bagagem, Diana duvidava que fosse. estava conversando com o motorista do tal carro do Ministério e a mãe sorriu. Sua filha não ligava para posições sociais e isso era um mérito dela. Uma criança dentro da família real pode crescer da pior forma. Por sorte, não era o caso de seus filhos.
, querida. — Diana chamou e a ruiva veio correndo ao seu encontro abraçando fortemente a mãe — Se cuide e faça amigos, sim? Eu vou ficar por aqui morrendo de saudades de você.
— Prometo que vou te escrever, mãe. Assim que chegarmos lá ou logo quando puder. — a garota prometeu e Diana assentiu abaixando um pouco para olhar a filha nos olhos.
— Mostre ao mundo bruxo a garota incrível que você é. Sem títulos reais, sem reverências. Apenas a minha linda e brilhante Grace. — a mulher disse e deu um beijo cheio de amor na testa da filha — Amo você.
— Também amo você.
O caminho até a estação de King's Cross demorou tempo o suficiente para que enchesse Hestia de perguntas tentando confirmar o que lera em Hogwarts: uma história. A auror ria da animação da princesinha e tentava responder a tudo em uma velocidade semelhante. Menos sobre a seleção das casas. “Essa você vai precisar pagar para ver”, Hestia disse enigmática deixando a garota ainda mais curiosa.
— Chegamos. Vamos? — Hestia avisou assim que o carro parou na frente da estação de trem. olhava para todos os lados, nunca tinha estado ali, não tão livremente e com tantas pessoas desconhecidas ao redor.
As duas pegaram um carrinho e colocaram a bagagem da menina junto a gaiola de sua coruja. De perto, elas eram seguidas pelos dois aurores que completavam a escolta da princesa. Ainda meio distraída, vai olhando para todos os lados extasiada, apenas seguindo os passos de Hestia na direção da plataforma, mas a mulher se interrompe entre as plataformas 9 e 10 e fica olhando atenta para a parede que separa os dois números.
— Senhorita Jones, está tudo bem? — pergunta confusa enquanto vê a mulher abrir um sorriso para ela — Vamos acabar nos atrasando, não? Daqui a pouco dá 11 horas.
— Estamos no lugar certo, você só precisa atravessar aquela parede ali. — Hestia orienta, mas encara a adulta como se ela fosse maluca.
— Uma parede? Eu tenho que atravessar uma parede? Isso é uma brincadeira?
— Não se preocupe. — Hestia sorriu — Vamos juntas, tudo bem? Sua passagem dizia 9 ¾, certo?
— Isso é sério? — agora estava nervosa, mas algo no olhar de Jones lhe diz que a mulher não está brincando — No três? — ela diz com medo e a mulher assentiu animada. As duas seguram com força o carrinho e a gaiola e assim que Hestia conta até três, elas correm na direção da parede. Os olhos da garota estão fechados com força e ela fica esperando por um baque que não vem.
— Pode abrir os olhos. — Hestia fala rindo e a menina não consegue segurar o susto ou a expressão de surpresa quando se depara com uma grande locomotiva vermelha — Seja bem-vinda ao Expresso de Hogwarts. Quando embarcar, sua vida no mundo bruxo começará oficialmente.
— É sério mesmo. — deixa escapar e Jones sorri para a princesa — Eu não vou acordar, né?
— Não, querida. Hogwarts existe e seu futuro está apenas começando.
— Muito obrigada. — disse e se apressou para abraçar a bruxa que foi pega de surpresa, mas logo retribuiu — Obrigada por tudo, não sei como agradecer.
— Sendo a melhor bruxa que puder ser. — Hestia disse quando as duas se separaram — Agora vamos encontrar uma cabine para você.
As duas entraram no trem e embarcaram a bagagem. Não era tão simples encontrar uma cabine vazia, mas elas acharam mais para o final do trem. depois de acomodar a gaiola e a mala, fez questão de acompanhar Hestia até o lado de fora para que pudesse dar um segundo abraço na mulher. A garota não parava de agradecer.
Quando voltou para o Expresso, se preocupou em fazer o mesmo caminho, mas dessa vez desviando de alguns outros alunos correndo e aviões de papel voando sozinhos. Ela tinha muito para aprender e riu sozinha com a cena.
No entanto, quando foi entrar na cabine que já tinha estado antes, alguma coisa bloqueou seu caminho, ou melhor, alguém. Um garoto loiro, pouca coisa mais alta que ela, com a pele extremamente pálida e olhos cinzentos tinha o braço impedindo que a garota desse um passo para dentro da cabine em que todas as suas coisas estavam. Ele lhe encarava de cima a baixo com um olhar prepotente e precisou morder a língua para não dar uma resposta atravessada.
— Essa cabine está ocupada. — ele disse altivo e a garota ergueu uma sobrancelha.
— Claro que está, minhas coisas estão todas aí dentro. — ela cruzou os braços e apontou para Snow que agora piava contente por ter aparecido — Se me dá licença? — a garota tentou forçar a entrada, mas o menino não parecia que se moveria.
— Eu já disse que está ocupada, e você sendo ruiva assim deve ser uma Weasley ou uma trouxa. Não melhora nada em nenhum dos casos, mas será que vocês trouxas são tão burros que não conseguem entender nada? — o garoto retrucou começando a se alterar e deu um passo pra trás com a arrogância. Ela já tinha ouvido aquela palavra, sabia o que significava. Mas ela estava em Hogwarts, teoricamente no trem para lá, então era tão bruxa quanto qualquer um ali. Depois ela descobria o que queria dizer ser uma Weasley.
— Por que não vai procurar os seus amiguinhos e me deixa em paz? Talvez você seja extremamente limitado, mas eu estou dizendo que as minhas coisas estão aí e eu vou entrar. — a ruiva disse irritada apertando as mãos e o loiro riu debochado.
— A ralé está sempre tentando entrar, não é possível.
— Eu não queria sujar as minhas mãos, mas se você não me der licença em três segundos, vai se arrepender. — disse tentando conter a raiva por aquele garoto irritante e metido. Ela já tinha que lidar com muita gente assim sendo membro da família real. Jurava que estaria longe deles em Hogwarts.
— Me tente. — ele ameaçou e cruzou os braços. o encarou nos olhos enquanto contava lentamente até três, mas o loiro não deu sinais de que se moveria. No três, pegando ele de surpresa, ela pisou em seu pé com toda a força que tinha e o garoto agachou gemendo de dor. A ruiva aproveitou para entrar correndo na cabine e empurrar a mala dele para fora, se trancando por dentro. O garoto ainda se contorcia de dor pelo que ela conseguiu ver pelo vidro, mas decidida a ignorar aquele ser irritante, ela fechou a cortina e ficou observando a paisagem enquanto o trem partia.
Do lado de fora, conseguiu ouvir os resmungos do garoto enquanto ele arrastava com dificuldade o malão para longe. Ela não conseguiu não rir e ficou pensando o que sua mãe diria se soubesse. Ok, primeira coisa para deixar de fora de futuras cartas.
Algum tempo tinha passado, e a garota ouviu umas batidas na porta. Segurando a própria varinha com força, ela encontrou uma menina que parecia ter a mesma idade do lado de fora. Mesmo desconfiada, abriu a porta e ela entrou sem precisar de convite.
— Ah, finalmente encontrei um lugar melhor. — ela bufou se jogando em um dos bancos e deixando a mochila em outro — Acabei meio perdida depois de aguentar sonserinos e ajudar um garotinho chamado Neville a encontrar seu sapo. Por falar nisso, você não viu um sapo por aí, né? — se limitou a negar com a cabeça, ela ainda estava meio em choque com toda aquela conversa — Uma pena, mas eu fiz meu melhor. Nem me apresentei, né? Lya Olivaras, ao seu dispor.
— Olivaras, como — e a garota interrompeu.
— Sim, como o vendedor de varinhas. Ele é meu avô, mas não nos parecemos muito. — Lya deu de ombros e concordou sem saber muito o que dizer. Realmente a garota não tinha muito do senhor que lhe vendera sua varinha, os cabelos cacheados e a bonita pele negra eram bem diferentes do senhor Olivaras — E qual o seu nome?
Spencer, mas pode me chamar de . — a ruiva sorriu meio incerta se sentando de frente para a outra e Lya assentiu.
— Você tem alguma ideia da casa pra qual vai?
— Eu não tenho a menor ideia, não acho que me encaixo em nenhuma delas direito. Parece sempre faltar alguma coisa.
— Que nada! Aposto que vai conseguir entrar em alguma. — ela sorriu encorajando — Minha mãe era Sonserina e o meu pai e toda a família dele foram da Corvinal. Pra mim, qualquer lugar servia antes de eu ficar meia hora no vagão da Sonserina. Agora eu aceito qualquer coisa, menos lá.
— Espero que a gente consiga ficar na mesma casa. — comentou e viu o sorriso de Lya aumentar.
— Mesmo se não ficarmos, vou adorar ser sua amiga.
A viagem até Hogwarts demorou mais algumas horas e as duas meninas conseguiram se entender muito bem no caminho. Elas comeram alguns sapos de chocolate e Lya explicou um pouco sobre sua própria família e a feitura de varinhas. Mesmo que a garota não tivesse o mínimo interesse em seguir os passos do avô.
— Alunos do primeiro ano! Alunos do primeiro ano, me sigam! — um homem extremamente alto bradava enquanto os alunos desembarcavam na plataforma de Hogsmeade. Por um momento, sentiu receio, mas a animação do quase gigante era contagiante e ela foi ao lado de Lya pelo caminho íngreme e estreito que ele guiava. — Vocês vão se acomodar em quatro. Apenas quatro por barco, crianças! — ele instruiu antes de se posicionar em seu próprio barquinho que parecia minúsculo agora.
não precisou olhar para saber que Lya vinha sentando no mesmo barco que ela. Outra garota negra e de cabelos cacheados tinha pedido permissão pra lhes acompanhar e um garoto esguio se juntou a elas logo depois.
— Todos acomodados? — o gigante que descobriu se chamar Hagrid perguntou — Então, vamos!
Os barquinhos começaram a navegar em conjunto e de forma tranquila pelo lago. Hagrid os instruiu a baixar a cabeça quando necessário e as crianças logo tiveram a visão do castelo de Hogwarts. estava acostumada com castelos, mas nada tinha lhe preparado para isso. Nem os contos de fadas que sua mãe lia antes de dormir. Magia é mesmo real, ela pensou extasiada enquanto ostentava um sorriso crescente no rosto.
Os alunos já tinham desembarcado e agora esperavam pela professora McGonagall, como Hagrid tinha pedido. Eles estavam na parte baixa do castelo, de frente com portas que iam do chão ao teto e só conseguia pensar em como estava tão perto de conhecer tudo o que lera em Hogwarts, uma história.
– Bem-vindos a Hogwarts – disse a professora Minerva e ficou animada por encontrar um rosto conhecido. Claro que agora ela sabia que magia era real, mas sempre batia um medo de ser tudo uma grande furada – O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, vocês serão selecionados por casas. A Seleção é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Vocês assistirão a aulas com o restante dos alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa e passarão o tempo livre na sala comunal.
“As quatro casas chamam-se Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua história honrosa e cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a taça da casa, uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de orgulho para a casa à qual vier a pertencer.
“A Cerimônia de Seleção vai se realizar dentro de alguns minutos na presença de toda a escola. Sugiro que vocês se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam.”
A mulher demorou seu olhar em alguns alunos que estavam mais para frente antes de voltar ao salão, mas não se importou. Olhou para o lado e viu Lya ainda bem nervosa, assim como Lavínia que lhes acompanhou no barco.
— Como será que eles selecionam a gente? — a princesinha sussurrou para as duas garotas e nenhuma das duas soube responder.
— Ouvi algo no trem sobre eles aplicarem uns testes, mas não estudei pra isso. — Lavínia lamentou e apenas assentiu. Se fosse realmente esse o caso, ela tinha estudado. Pelo menos, os livros pedidos para aquele ano tinham sido devorados com uma rapidez impressionante.
— Será que vai ser uma prova de feitiços? — Lya sugeriu, mas logo descartou a ideia.
— Se não podemos fazer magia fora da escola, como esperam que a gente saiba como fazer alguma coisa?
As três ficaram debatendo as possibilidades meio alheias ao que acontecia ao redor, mas captaram o que acontecia a algumas cabeças de distância.
— Então, é verdade o que disseram no trem? Harry Potter veio para Hogwarts … — um garotinho loiro comentou superior e subiu nas pontas dos pés para ver quem era. A ruiva revirou os olhos quando reconheceu o idiota do trem, mas todos os alunos pareciam mais preocupados com outra coisa. Harry Potter? — Esses são Crabbe e Goyle e eu sou Malfoy. Draco Malfoy. — ele disse e ouviu uma risada baixa — Acha meu nome engraçado, não é? Eu não preciso nem perguntar o seu. Cabelos vermelhos e vestes de segunda mão. Você só pode ser um Weasley. — ele disse com nojo e que agora prestava atenção ficou confusa. O que era ser um Weasley, afinal? — Logo você vai descobrir que algumas famílias são melhores que outras — o loiro disse se virando para o suposto Harry Potter — e eu posso te ajudar nisso, você não vai querer ser amigo da pessoa errada.
— Eu posso ver sozinho quem é a pessoa errada. — Harry retrucou e precisou controlar uma risada alta ao ver a cara de derrota de Draco. Ah, isso era muito bom! Antes mesmo que a ruiva pudesse falar algo, McGonagall voltou para perto dos alunos.
— Estamos prontos para vocês! — a professora disse enquanto abria a grande porta e deixava que os pequenos observassem o enorme salão principal. As crianças estavam tão entusiasmadas que foram se agrupando e andando sem se dar conta de que se distanciavam dos novos amigos. até quis olhar para o lado e comentar com Lya e Lavínia sobre o teto maravilhoso, mas as duas não estavam por perto. Ao contrário, ela sentiu um cutucão no braço e se deparou com uma garota castanha de cabelos armados.
— Sabe, esse teto não é de verdade, — a garota comentou meio superior e resolveu só assentir — eu li em —
— Em Hogwarts, uma história. — a ruiva lhe cortou antes que ela dissesse algo mais — é só um feitiço para espelhar o teto de fora.
— Sou Hermione Granger. — a garota se apresentou.
Spencer. — e ela ia dizer mais alguma coisa, mas a voz da professora Minerva lhe impediu.
— Antes de começarmos, o diretor Dumbledore gostaria de dar alguns avisos de início de ano. — a mulher explicou enquanto posicionava um banquinho de três pernas junto com um chapéu pontudo.
— Sejam bem-vindos, alunos. — o professor saudou e sentiu uma grande onda de carinho vinda daquele homem. Seus olhinhos azuis, no entanto, pareciam analisar a todos, ainda que estivessem por trás de oclinhos meia lua — Alunos novos saibam que a Floresta Negra é terminantemente proibida a todos os estudantes e, claro, nosso zelador Filch pediu para lembrá-los de que o corredor do terceiro andar do lado direito está proibido a todos aqueles que não quiserem ter uma morte lenta e dolorosa. Obrigado. — ele sorriu, mas os rostos dos alunos de 11 anos não passavam nada além de pânico. O silêncio era sepulcral por onde antes os cochichos eram ouvidos. Ele voltou a se sentar e, assim que o fez, o chapéu que antes estava intacto, abriu um rasgo enorme junto a aba, de uma ponta a outra, como se fosse uma boca e começou a cantar:
Ah, vocês podem me achar pouco atraente
Mas não me julguem só pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
Suas cartolas altas de cetim brilhoso
Porque sou o Chapéu Seletor de Hogwarts
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.
Não há nada escondido em sua cabeça
Que o Chapéu Seletor não consiga ver,
Por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
Em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue-frio e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais;
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor;
Ou será a velha e sábia Corvinal,
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais;
Ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos,
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não devem temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
Porque sou único, sou um Chapéu Pensador!
O salão explodiu em palmas quando ele terminou e assim que elas cessaram, a professora McGonagall desenrolou um pergaminho na frente dos alunos.
— Assim que eu chamar seus nomes, vocês devem se sentar no banquinho e colocar o chapéu para a seleção. Ana Abbott!
— Lufa-Lufa! — bradou o chapéu seletor e a mesa à direita mais próxima dos primeiranistas ficou eufórica. viu um fantasma gordinho sorrir e acenar para a nova lufana e a ruiva se pegou sorrindo. Todos pareciam tão mais amigáveis. Ela estava se encantando mais e mais por Hogwarts.
A cada minuto que passava, a garota ficava mais nervosa. A chamada da professora estava indo por sobrenomes e suas recém companheiras já tinham sido selecionadas. Lavínia para Grifinória e Lya para Corvinal. Até mesmo o tal menino implicante já tinha ganhado seu espaço na Sonserina sem que o chapéu tivesse encostado direito em sua cabeça. O loiro parecia nas nuvens com isso, mas ela tinha mais com o que se preocupar.
“Nessa casa eu espero não ficar”, ela estava pensando concentrada quando ouviu a professora McGonagall chamar seu nome. Até mesmo o famoso Harry Potter já tinha sido selecionado, mas não parecia atenta. Só depois de um empurrãozinho leve de outro menino ruivo, ela seguiu a voz da mulher.
Spencer. — Minerva chamou enérgica e suspirou quando viu que a princesinha caminhava meio incerta até o Chapéu Seletor. Quando a garotinha sentou no banco de três pernas, o chapéu lhe tampou uma parte da visão.
“Ah, a realeza chegou em Hogwarts”, o Chapéu falou baixinho em seus ouvidos, quase como se estivesse em sua mente. Ela sentia que estava. “Não se assuste, princesa. Não há nada que esteja em sua cabeça que esse velho chapéu não saiba”, ele riu esperto e enigmático. “Vejo que além da nobreza que carrega em seu sangue, sua coragem e vontade de ser capaz são enormes. Muito inteligente, claro. Grande sede de saber. Grifinória, talvez?” ele divagava e enquanto isso a garota olhava para a mesa mais afastada de si. Lavínia lhe encarava em expectativa. “Ah, não, sua mente me diz que será perfeita na …”, ele fez uma pausa dramática e o coração da ruiva acelerou “CORVINAL!”, gritou para todo o salão e a mesa à sua esquerda vibrou animada.
saiu animada do banquinho assim que McGonagall tirou o chapéu de sua cabeça e foi apressada para o lugar que Lya tinha guardado ao seu lado. Olivaras já tinha engatado uma boa conversa com Miguel Corner e Antônio Goldstein e fez questão de apresentá-los.
Enquanto esperava pelos últimos alunos e por outro discurso curto de Dumbledore, não podia estar mais feliz. Ela estava onde deveria estar. E sabia que aquele ano seria incrível. Mal podia esperar para escrever para sua mãe.


Continua...



Nota da autora: Estamos embarcando em uma nova aventura e esperamos que vocês gostem da história tanto quanto a gente. Esse é apenas o começo da nossa princesinha. Nos diga nos comentários o que estão achando :)

A fanfic se passa na Era Potter do universo que compreende as fanfics (In)desejada, Stars above us e Nas garras do lobo, então talvez você encontre alguns spoilers aqui e ali. Quer conhecer mais as outras fanfics?

Nota da beta: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.



Outras Fanfics:
Quem quiser ler mais fanfics nesse universo, leia:

(In)desejada
Stars Above Us
Nas Garras do Lobo, por LOLA

Universo Alternativo:

A Nobre Casa dos Black

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus