Make 'em Laugh
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Última atualização: 23/09/2021

Prólogo

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Os prazos estavam diminuindo e os jornalistas pareciam não ter tanto interesse nas editoras iniciantes, ainda que a quantidade de originais recebidos por e-mail aumentasse todos os dias. Trabalhar com assessoria de imprensa não fora sempre o sonho de , mas acabou se apresentando a ela quando finalizou a faculdade de Jornalismo na UFRJ há três anos. Ela precisava pagar as contas, a empresa tinha um bom salário. Casamento perfeito. Agora ela era a porta voz da Expecto, uma editora que lançava livros de pessoas comuns e que vinha crescendo no mercado, mesmo que a passos de bebê. Por isso mesmo a semana não estava sendo nada fácil para a mulher.
Ainda era quinta-feira e tinha deixado tudo pronto para o lançamento de um livro no dia seguinte. Por ser uma empresa menor, ela lidava tanto com a imprensa quanto com a preparação do evento em si. Ligara para um pequeno buffet, convidara alguns jornalistas e falara com influenciadores. Ela estava exausta, assim como sua estagiária Bianca também deveria estar, mas no final tudo daria certo. Sempre dava!
Mas, mesmo com o sentimento de que deveria se embolar em sua cama, no seu pequeno apartamento, sabia que faltava alguma coisa. Há pouco mais de 3 meses terminara seu relacionamento com Victória e criara alguns padrões em sua rotina para compensar a falta da ex-namorada. Ela sempre chegava em casa, tomava um bom banho e, antes de comer uma das marmitas que tinha deixado pronta no final de semana, ligava a televisão para ver os vídeos de algum canal de comédia no YouTube. Victória tinha apresentado a ela o Make 'em Laugh e desde então, a assessora passava algumas de suas noites relaxando com os esquetes em inglês e ria com as mesmas piadas idiotas. É, talvez a sua rotina precisasse de uma repaginada, mas por enquanto estava satisfeita.
Por isso, ela deu de ombros e depois de se aconchegar em seu pijama, amarrou o prendedor de qualquer modo no cabelo, pegou a marmita já quente e se jogou no sofá, dando play em mais um vídeo do canal. era o criador e o garoto parecia ter um dom natural tanto para atuar, quanto para a comédia. Ela não duvidava que em alguns anos ele estivesse com algum espetáculo stand-up, que ela torcia ter grana para conseguir ir ao EUA assistir. torcia por ele, mesmo sem conhecê-lo e decidiu enviar uma mensagem de apoio ao menino. Sabia que ele provavelmente não responderia e que ela estava parecendo uma tiete, ainda que já tivesse passado da idade.
Abriu seu Instagram e, antes que se arrependesse, mandou uma mensagem para . Gastando todo o seu inglês de cursinho lhe disse o quanto curtia seu conteúdo e que ele deveria continuar nesse bom caminho. Pietra e Camilo, seus melhores amigos, provavelmente ririam da sua cara, dizendo o quão carente ela estava por mandar mensagem até para um famosinho da internet, mas ela não dava a mínima naquele momento. Sua mãe lhe ensinou que quando vemos algo bom, devemos parabenizar a pessoa por trás daquilo. estava apenas seguindo o que aprendera.
Alguns minutos depois, sua marmita finalizada estava esquecida na mesinha de centro e estava adormecida. O YouTube continuava rodando algum vídeo do Make 'em Laugh, mas por sorte a mulher tinha programado a televisão para desligar em algumas horas. Seu celular jazia esquecido no chão enquanto carregava e, para além das mensagens que ela tinha decidido ignorar, um ícone novo de resposta piscava em suas notificações.


Capítulo 1

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A sexta-feira começou com o despertador de berrando em seus ouvidos, fazendo com que ela acordasse estressada. O dia de hoje seria uma correria sem fim e ela ainda tinha dormido no sofá, fazendo com que sua coluna doesse. Ou seja, seu humor estava péssimo. Mas, ela achou melhor levantar logo e se arrumar para mais uma maratona antes que se atrasasse. Seu banho foi rápido, mas ela aproveitou para tentar relaxar por cinco minutos, já que o restante do tempo ficou repassando em sua cabeça todas as tarefas que precisava concluir antes do evento de lançamento. Não tinha muito para onde correr.
se aprontou o mais depressa que pode, já pensando no evento que teria que participar durante a noite. Deu graças aos céus pelo seu cabelo estar tendo um bom day after e apenas arrumou seus cachos para que eles sustentassem o dia corrido que teria. Vestiu uma blusa vermelha de meia manga e uma saia preta, calçou sua bota de salto e deixou seu apartamento apressada enquanto fechava sua inseparável mochila. O caminho do Catete, onde morava, até o Centro do Rio não era muito longo, mas considerando que precisava parar para tomar um café, tinha que andar rápido.
O metrô estava cheio como sempre, mas não se importou. Ela estava mais preocupada em checar seus e-mails e responder as mensagens de Bianca, que já estava quase chegando a editora. Sua estagiária estava surtando e empolgada ao mesmo tempo, porque seria o seu primeiro evento de lançamento. Ela só esperava que o evento correspondesse a altura das expectativas da menina.
O caminho da estação até o trabalho foi rápido, tendo sido interrompido apenas para que ela pudesse comprar um café com pães de queijo e continuar andando. Quando entrou no escritório da Expecto tudo parecia um caos. O pessoal do marketing estava enlouquecido com o telefone que seguia tocando sem parar e todos, até mesmo os funcionários do financeiro, ajudavam a preparar os brindes que seriam distribuídos no evento da noite. Editora pequena faz assim, coloca todo mundo para ajudar.
- Ainda bem que você chegou, ! – Bianca apareceu quase pulando na mulher enquanto ela colocava sua mochila e comida em cima da mesa – Estamos surtando por aqui!
- Fica calma, Bia. Vai dar tudo certo. – Prometeu, tanto para a estagiária quanto para si, enquanto se organizava e via o que precisava ser feito – Vamos dividir as tarefas e, se Deus quiser, vamos conseguir finalizar o máximo antes do almoço.
Ela prendeu os cabelos como sempre fazia quando estava nervosa e se pôs a trabalhar com o pessoal. Uma editora pequena em dia de lançamento não tinha tanto para fazer, ela sabia. Mas isso mudava completamente de figura quando o lançamento era de um influenciador. Diogo Andrade era conhecido por seu trabalho como cantor e influenciador fitness, que agora se aventurava no mundo da escrita. Com mais de 5 milhões de seguidores no Instagram, era comum que imprensa estivesse interessada e se questionando o motivo dele publicar com uma editora iniciante e pouco conhecida no mercado. Claro que isso se devia ao fato da dona da Expecto ser amiga de longa data de Diogo, mas não era essa a história que sairia nos jornais.
e Bianca conseguiram, com a ajuda de todas as pessoas da editora – que não passavam de 35, mas eram bem ágeis -, terminar de montar os 100 kits para levar para a imprensa e os possíveis fãs de Diogo que aparecessem. A manhã tinha sido longa, mas tudo fora resolvido lá pelas 15 horas, quando elas finalmente conseguiram parar para almoçar. tinha dispensado a menina e fora a primeira hamburgueria que encontrou. Ela podia se dar ao luxo de sair da dieta hoje, principalmente com tanta pressão em seus ombros.
Depois de estar, finalmente, com um hambúrguer enorme e muita batata frita em sua frente, ela conseguiu dar atenção às notificações que ignorava desde ontem. Respondeu ao grupo que tinha com Pietra e Camilo, levando broncas automáticas dos dois por ter sumido durante a noite, além da promessa de que eles estariam no lançamento com ela. Pietra queria mais apoiar a amiga, Camilo, como ele mesmo tinha dito, estava mais interessado em tentar flertar com Diogo Andrade. Mas quem poderia culpá-lo se o cara era um gato?
Deu retorno, também, as mensagens de sua mãe e de algumas outras amigas da época de faculdade, para depois focar no Instagram enquanto comia. Foi só tomar um gole de seu chá quando quase colocou tudo para fora ao ver a nova notificação de resposta em sua rede. tinha lhe respondido e ela estava em êxtase antes mesmo de ver o que estava escrito. A fã dentro de surtava enquanto ela ligava para Pietra e torcia para que a amiga atendesse.
- Não tenho dinheiro, . Nem adianta pedir. – Pietra atendeu falando sem deixar que a mulher formulasse um simples oi.
- Não quero nada disso, sua idiota! – avisou rindo da amiga que lhe acompanhou – Mas eu estou surtando aqui e não quero fazer isso sozinha! – disse tentando não aumentar o tom de voz.
- O que aconteceu? Está me assustando agora. – Ficou preocupada.
- O me respondeu! – comentou animada antes de voltar a comer – E eu estou surtando com isso!
- quem?
- , Pietra! Acorda, eu vivo mandando vídeo dele pra vocês no grupo.
- Ah, aquele garoto lá de comédia? – disse e revirou os olhos com o descaso – É que eu ignoro alguns vídeos que você manda.
- Como você se atreve? – respondeu indignada e Pietra riu.
- Camilo também ignora, mas ele não tem coragem de te falar – ela riu mais ainda e acabou acompanhando – Mas, fala aí. O que esse menino te respondeu?
- Eu ainda não abri. – E ouviu a amiga resmungar do outro lado da linha – 'Tá, espera que eu vou ver. Fica aí.
Respirando fundo, abriu o aplicativo e foi direto na conversa com . A mensagem era bem simples e genérica, nada absurdo. Apenas agradecendo pelo carinho e perguntando para ela como tinha conhecido o canal, já que pelo nome do usuário ela não parecia americana. Mas, ele estava continuando a conversa e isso foi o bastante para que ela ficasse mais animada e mandasse um print para a amiga.
- Sério que você 'tá surtando por isso, ? – Pietra perguntou depois de ter visto a foto da conversa.
- Talvez! – disse rindo e terminando seu almoço – Eu sei, eu sei. É idiota, mas eu senti uma vibe tão boa com essa resposta dele.
- Amiga, a resposta dele é super comum e não tem nem cinco linhas. Não surta! – Pietra alertou realmente preocupada com a sanidade de .
- É que desde a Victória eu não sinto algo assim. – suspirou e levantou para jogar fora seu lixo antes de se encaminhar para fora do restaurante.
- Mas você 'tá interessada nele?
- Não, não. É que ele me faz rir na maior parte das noites com seus vídeos, sabe. Parece até que conheço o e que somos amigos, entende?
- Você sabe que eu e o Camilo estamos sempre aqui para você, né? – Pietra agora parecia preocupada em fazer a amiga entender que não estava sozinha e ouviu uma confirmação de – Ótimo! Eu preciso voltar para o trabalho, mas você pode me ligar a qualquer momento. Nos vemos de noite. – Se despediram e voltou a empresa pensando no que diria na resposta para . Quase do outro lado da cidade, Pietra mandava uma mensagem para Camilo alertando ao amigo sobre sua preocupação com a mulher. Ela sabia que após o término do relacionamento as coisas estavam mais difíceis para a amiga, mas agora estava preocupada.

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O táxi ia lentamente pelas ruas do Centro em direção a livraria no Flamengo, onde aconteceria o lançamento. Bianca estava repassando nervosa se tudo o que tinham feito estava certo e, surtava em silêncio enquanto apagava a quinta mensagem que escrevera para sem enviar. Ela nem entendia o motivo de toda aquela euforia, era apenas um carinha famoso fazendo uma pergunta simples. Não tinha motivos para tanto alvoroço, repetiu para si mesma o que disse a Camilo e Pietra naquela tarde, depois de ter inteirado o amigo no assunto.
Por isso, ela respirou fundo e resolveu responder direto na conversa, já que antes estava fazendo rascunhos no bloco de notas. Disse que era brasileira e comentou que tinha conhecido o canal por uma ex, sem entrar em muitos detalhes, e elogiou novamente o canal de . Sabia que não haveria mais contato entre os dois, talvez um emoji de coraçãozinho da parte dele e só. Ela não estava plenamente satisfeita com a resposta ou com isso, mas resolveu acalmar seu coração por hora e focar sua ansiedade na noite louca que enfrentaria.
Quando o motorista do táxi disse que eles tinham chegado, olhou para Bianca que parecia pronta para ter um surto e apertou sua mão gentilmente, dizendo sem palavras que estava ali com ela. A estagiária era apenas poucos anos mais nova que ela, tinha 19 enquanto a mulher tinha 25, mas se sentia responsável pela menina. Seu instinto "materno" para cuidar dos amigos era enorme e ela considerava Bia uma amiga.
- Respira e fica tranquila, meu bem! Vai dar tudo certo! – lhe disse antes de saírem do carro que já estava pago pela editora. Elas entraram na livraria e tudo parecia pronto. Os livros de Diogo Andrade ocupavam bastante espaço e alguns jornalistas já tinham chegado ao local, assim como o escritor e seu próprio assessor de imprensa. O lançamento começaria em uma hora, mas era o tempo preciso para que tudo saísse nos conformes.
Os fãs de Diogo chegaram ao lugar e uma meia dúzia de influenciadores apareceu para prestigiar o amigo. O livro pareceu bem aceito e as fotos do evento sairiam nas colunas do dia seguinte. A noite fora ótima, graças a todos os deuses.
Antes do final do evento, tinha dispensado Bianca para que voltasse para casa e, ela finalmente podia respirar ao lado dos amigos. Camilo e Pietra ficaram até o fim de tudo com a mulher e os três saíram de lá direto para o bar mais próximo. Nada melhor que uma cerveja para desestressar depois de hoje, pediu que foi logo atendida pelos companheiros.


Capítulo 2

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Os dias que sucederam o evento foram mais tranquilos do que gostava de admitir. Os demais lançamentos seriam responsabilidade dos outros assessores de imprensa que trabalhavam remotamente para a Expecto nos outros estados, então ela podia dar uma relaxada maior. Só precisava se preocupar em manter o livro na imprensa carioca e em tentar dar visibilidade aos outros títulos do catálogo.
Por isso, se deixou ficar mais tranquila quando deitou em sua cama naquele dia. Era seu dia de home office, seu horário já tinha terminado e ela tomava uma cerveja geladíssima enquanto via os stories de seus amigos e de alguns famosos. Ela apenas trocava de pessoa para pessoa quando chegou ao perfil de e estancou. Ele fazia um chamado aos fãs, pedia currículos de colaboradores para seu canal. Em um primeiro momento ela achou que apenas pessoas que morassem nos EUA poderiam participar, mas no próximo stories ele deixou claro que qualquer pessoa com um computador e comprometimento poderia fazer parte do time do Make 'em Laugh. E ela pensou: por que não?
Talvez fosse a quantidade de álcool no sangue (aquela era sua quarta ou quinta latinha de cerveja do dia!), mas ela achou melhor agir antes que mudasse de ideia. Ligou novamente o computador e traduziu seu currículo para inglês, já anotando o e-mail que deixara no Instagram. Colocou a inscrição para a vaga de editora de vídeo, já que tinha bastante conhecimento na área e de vez em quando pegava alguns freelas para dar uma melhorada na renda. Adicionou também seu portfólio que estava um pouco desatualizado, mas ajudava a ter uma noção do que ela poderia fazer. Releu umas 20 vezes o texto do e-mail e o currículo para ter certeza de que não havia cometido nenhum errinho e apertou o enviar antes que ficasse maluca.
Ela achou melhor não comentar nada com Pietra ou Camilo sobre isso. Sabia que os amigos diriam que ela estava se mostrando muito interessada no canal de um menino que tinha pouco mais de 800 mil seguidores. Sim, um menino, porque tinha 20 anos de idade. Quase um neném, ela pensava.
Mas, esse neném fora importante para ela durante o período em que teve que superar o término com Victória. Ainda se lembrava das noites sem dormir que passou logo depois que a namorada de 3 anos virara ex por uma vontade que não fora dela. tinha levado um fora sem mais nem menos e quase entrado em um estado de depressão. Não adiantou sua mãe ir passar alguns dias com a filha ou seus amigos praticamente armarem acampamento em sua sala. Tudo o que a mulher fazia era ir do trabalho para a cama e da cama para o trabalho. Era a única coisa em que focava, sem mais.
E, fora nesse período que passeando pelo YouTube chegou ao canal de . Victória tinha lhe mostrado alguns vídeos do menino, que na época era ainda mais novo, e se pôs a ver o conteúdo. Fora a primeira vez em semanas que conseguiu soltar uma gargalhada. Aquele dia também fora o primeiro que o sono tinha lhe abraçado e ela dormira sem sonhos ruins. Por isso o Make 'em Laugh era importante para ela, assim como o também era. Ele tinha feito muito por ela, mesmo que não se conhecessem.

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estava finalizando uma planilha com os próximos eventos do mês ao lado de Bia quando seu telefone começou a tocar. Um número desconhecido, com numeração diferente aparecia em sua tela e seu coração parou por um momento. Será que era quem ela estava pensando?
A mulher se desculpou com a estagiária e saiu por um minuto da sala para atender a ligação em uma das salas de reunião da editora que estava vazia. Sentou na cadeira antes e agradeceu por ter feito isso, já que quase caiu para trás quando ouviu uma voz que conhecia bastante da internet.
- Olá, bom dia! Eu poderia falar com a senhorita , por favor? – a voz masculina perguntou em inglês, enrolando a língua como um espanhol ao falar o sobrenome da mulher e ela teve que morder a língua para não gritar com isso.
- Hã, claro. Sou eu, quem gostaria? – perguntou também em inglês apenas para confirmar o que já imaginava.
- Ah, olá, senhorita ! – cumprimentou animado – Aqui quem fala é o do canal Make 'em Laugh. Você mandou seu currículo para o nosso e-mail. Podemos conversar agora?
- Mandei sim! Mas, pode me chamar de , não precisa de tanta formalidade. – ela riu e lhe acompanhou - Será que podemos conversar mais tarde? É que você acabou me ligando no meio do meu horário de trabalho. – ela se desculpou.
- , claro. – e a mulher sentiu um leve arrepio com aquela voz falando seu nome, mas resolveu ignorar – Desculpe por atrapalhar, tentei fazer as contas com o fuso horário, mas não deu muito certo.
- Sem problemas! Se não for ruim para você, pode me telefonar às 19h. Se eu estiver certa, vai ser umas 15h por aí.
- Está marcado, vou te enviar por e-mail um link para a nossa vídeo-chamada, pode ser? - e quase engasgou com a própria saliva: eles iam se ver?! Tipo ao vivo? Ok, era por computador, mas ainda era o mais perto de conhecer alguém que ela tinha em meses - mas era apenas uma entrevista de emprego, ela buscava se focar - Hm, ? Continua aí? - questionou incerto.
- Claro, claro. - ela pigarreou, tentando recuperar o foco - Ficarei esperando pelo link.
- Nos falamos mais tarde então! - e tudo que ela conseguiu foi concordar e se despedir. Suas mãos estavam suando quando desligou o telefone, porque pensar em algo assim parecia inimaginável. Ela estava mesmo sendo cotada para uma vaga no canal que mais gostava atualmente? já não sabia se estava nervosa por fazer parte da equipe do Make 'em Laugh ou por, finalmente, conhecer . Mas, enquanto ela não descobria, tinha muito trabalho para terminar.

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O Make 'em Laugh tinha pouco mais de 2 anos e podia se considerar muito sortudo com o retorno que tinha conseguido. Em um tempo relativamente pequeno tinha conseguido mais de 100 currículos para as três vagas que oferecera: redator, auxiliar de filmagem e editor de vídeo. Quando que ele ia imaginar que uma ideia para divertir os amigos, que surgira depois de alguns/muitos goles de cerveja, ia tomar essa proporção? Ele tinha 20 anos, pouco mais de 800 mil seguidores no Instagram e mais de 500 mil no YouTube. Era um sonho que estava virando realidade, pensava sempre que estava mais pra baixo.
E hoje ele estava relativamente exausto. Beatrice e George tinham saído de sua casa há poucos minutos, depois de filmarem, no dia anterior, uma bateria de vídeos que precisavam ser editados antes de irem ao ar. O canal estava crescendo e ele não conseguia mais dar conta de ajudar a criar o roteiro, atuar e editar os vídeos. Por isso tinha criado a chamada para captar ajuda.
Só que agora, para além de receber os currículos, precisava entrevistar as pessoas. Ele não tinha como delegar essa tarefa a outros, porque esse era um projeto seu. Quase um filho. E a responsabilidade de fazer isso era sua, afinal os recursos sairiam do seu bolso de youtuber, que não era tão cheio, considerando que ainda precisava se sustentar sem a ajuda dos pais.
Por isso ele deixou os amigos saírem, tomou um banho rápido e começou a separar os candidatos que achou mais legais. A maioria deles era dos EUA, mas como tinha dito em seus stories que não faria distinção de país para funções que não fossem ao vivo, procurou ter a mesma atenção aos candidatos de fora do país.
E até que estava curtindo a ideia de conhecer tanta gente. Claro que não conseguiria finalizar 25 (tinha diminuído bastante a quantidade de pessoas) entrevistas em um único dia, mas hoje ele pretendia conversar com, pelo menos, 5 pessoas. Era um bom número, considerando que esperava fechar o time final durante essa semana. Sua sorte era que só faltavam duas entrevistas para finalizar o dia e ele poderia, finalmente, cair na cama.

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tinha acabado de desligar com Scott Jones, um cara de 27 anos que sonhava em ser produtor de filmes. Por ironia do destino, Scott morava a uns 40 minutos de sua casa e tinha bastante experiência com filmes amadores, o que seria uma boa adição ao Make 'em Laugh. Além disso, podia colocar Scott para atuar algumas vezes, já que ele era bem engraçado, fazendo comentários inteligentes. Ele certamente estava na lista das seis vagas que pensara em abrir.
Agora a última candidata do dia era uma brasileira que tinha se interessado para o posto de editora de vídeo. . Seu sobrenome era bem difícil de pronunciar de maneira certa, principalmente porque tinha um i no meio e no espanhol essa grafia não acontecia. Ele apenas torcia para que entendesse e fosse uma pessoa legal. Beatrice, que tinha namorado um brasileiro e conhecido sua família, comentara que os brasileiros eram muito hospitaleiros e super calorosos. queria esse tipo de pessoa na família Make 'em Laugh.
Então, um pouco antes de dar o horário que ele tinha combinado com , enviou para ela o link da chamada de vídeo e se pôs a esperar pela mulher. Aproveitou o tempo antes dela chegar para rever o que perguntaria a ela, já que era a segunda pessoa para a vaga de edição que entrevistava. Por sorte, não levou mais de meia hora para que se juntasse aparecesse na tela e só conseguia pensar em como ela era linda.
A brasileira tinha os cabelos cacheados com algumas luzes loiras e um sorriso, mesmo tímido, que passava uma confiança, que ele nem sabia que poderia sentir, pelo menos não de apenas olhar para alguém. Ela estava com uma blusa branca e parecia bem confortável para a entrevista, ainda que seus olhos transparecessem expectativa. Ele poderia ficar olhando para ela por bastante tempo.
- Hã, olá! - começou em inglês, mas um pouco incerta já que parecia meio paralisado.
- Olá, olá! Me desculpe, estava um pouco aéreo. - ele pigarreou e resolveu focar na entrevista com a mulher - Eu marquei essa conversa por vídeo para que pudéssemos nos conhecer pessoalmente, nem que seja assim, né? - eles sorriram um para o outro.
- Claro, é importante que a gente se conheça bem antes de qualquer coisa. Afinal, o Make 'em Laugh parece ser como um filho pra você, né?
- Acho que você traduziu da melhor forma possível. - concordou - Então, me conta um pouco mais sobre você.
- ‘Tá, pior parte das entrevistas - riu nervosa e ele adorou a carinha que ela fez - Você já viu muito no meu currículo, mas eu sou a , tenho 25 anos e trabalho há alguns anos com o que eu mais amo na vida: livros.
- Então por que quis entrar na vaga de editora de vídeos?
- Porque o audiovisual também me encanta, eu gosto de estar na frente das câmeras e atrás. É aquele básico “tanto faz”, sabe? - sorriu e ele não conseguiu deixar de pensar em como ela ficava ainda mais bonita.
- Curte atuar então? - questionou surpreso.
- Na realidade, eu prefiro modelar. - ela deu de ombros - Já servi de modelo pro meu melhor amigo algumas/muitas vezes.
E não se surpreendeu nem um pouco com isso, afinal a brasileira era linda. A conversa entre os dois fluía fácil, mesmo que fosse uma entrevista. Ele sentia uma vibe tão positiva vinda de , como se eles tivessem muito mais em comum. E ele queria descobrir mais sobre a mulher, que tinha um currículo impecável, cheia de cursos de edição e alguns de fotografia.
Realmente era uma pena que ela morasse tão distante dele, porque seria uma parceria muito interessante entre os dois. Mas, ele gostaria de ter a mulher em seu time, não importava o jeito que fosse e se só tinha como ser online, assim seria.
A conversa entre os dois durou muito mais que a meia hora que ele tinha programado para as entrevistas. já tinha perguntado a ela tudo o que queria saber sobre a -profissional e eles estavam conversando sobre gostos em comum, ainda que tivessem uma diferença de cinco anos de idade. Apenas o telefone de tocando conseguiu fazer com que eles parassem de conversar.
- Desculpe! - disse quando viu que era a sua mãe no telefone - Eu preciso atender ou a minha mãe vem pessoalmente descobrir o que aconteceu.
- Tudo bem, minha mãe faria o mesmo! - comentou rindo para ele.
- Bem … - ele não sabia ou queria finalizar a conversa - Acho que precisamos desligar, devo ter abusado muito do seu tempo - disse vendo que estavam se falando há uma hora e meia.
- Não foi nenhum abuso, adorei conhecer você … - ela engasgou levemente - Digo, conhecer mais sobre o projeto do Make 'em Laugh e ter a oportunidade de tentar fazer parte dessa equipe. - concluiu envergonhada e agradecendo a Deus por não ficar vermelha com isso.
- Claro, claro! - pareceu adorar e abriu mais o sorriso para ela - Eu te passo a resposta final até segunda-feira, tudo bem? - apenas concordou com a cabeça - Foi um prazer te conhecer, ! De verdade.
- Foi um prazer te conhecer, ! - ela disse e eles desligaram.
se sentiu um pouco estranho com isso, ainda que não soubesse bem o motivo. Só esperava que trabalhar com fosse tão bom como tinha sido essa conversa. Mas, por enquanto, ele precisava retornar para a mãe que ligava pela terceira vez seguida.



Capítulo 3

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O youtuber estava acordado há mais de vinte e quatro horas com Beatrice e George, seus amigos e parceiros no canal, para montarem o melhor time possível. Bea estava quase dormindo no sofá, enquanto os meninos disputavam o último pedaço de pizza, que a essa hora já estava bem gelado.
- A gente podia terminar essa reunião logo, né? - Bea resmungou torcendo para que um dos dois lhe desse ouvidos.
- Eu também apoio isso, viu! - George concordou e comemorou com uma dancinha ao conseguir pegar o pedaço de pizza e enfiou logo na boca - Nós temos basicamente todos os nomes escolhidos, o que mais você quer resolver, ? - disse de boca cheia.
- É que eu quero ter certeza de que vocês estão de acordo com essas pessoas para trabalhar com a gente. Vocês fazem parte do Make ‘em Laugh tanto quanto eu e ele não acontece sem vocês. - deu de ombros e Bea fez questão de levantar para se jogar em cima do amigo para abraçá-lo.
- Awwwn, que fofura! - disse beijando a bochecha do amigo que estava mais vermelho que seu cabelo enquanto George só ria da situação - Mas a gente concorda com tudo, né?
- Claro, ! Estamos loucos pra conhecer essa galera e para começar a trabalhar com eles - concordou o amigo.
- Então, eu vou mandar os e-mails pros aprovados, ok? - os dois assentiram e reuniu os e-mails dos seis selecionados para enviar o que tinha planejado e começou a redigir.
Beatrice e George não esperaram falar mais nada e já foram para o quarto do ruivo para deitar. Eles estavam exaustos e precisavam dormir o mais rápido possível. , por outro lado, continuava pilhado e digitava sem parar. Ele tinha que admitir que também estava ansioso para adicionar mais pessoas ao time do canal, porque tinha curtido todas as seis pessoas. Ainda que uma mais que as outras.

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- Vocês conseguem acreditar que eu fui chamada para participar do canal?! - a assessora gritava e pulava ao mesmo tempo, na sala do seu apartamento, enquanto Camilo e Pietra olhavam espantados para ela e riam da felicidade repentina da amiga.
- , meu anjo, se acalma. Você vai acabar se machucando assim. - disse Camilo tentando controlar a amiga e, como se fosse vidente, tinha batido o pé na mesinha de centro e agora estava no chão reclamando de dor no dedo mindinho.
- Te odeio, Camilo! - gritou do chão enquanto jogava uma almofada no rosto do amigo ao mesmo tempo que Pietra dizia “Que boca enorme, jesus!” e continuava rindo da situação toda. Então, fez questão de jogar uma almofada nela também pegando-a de surpresa - Fica quieta você também, Pietra!
- Ok, ok - Pietra tentava se recompor - Conta pra gente como rolou essa situação toda de entrevista, porque eu ainda estou meio perdida. - Camilo assentiu concordando.
- Certo - sentou direito - Ele é um garoto incrível, gente. De verdade, eu tinha medo de que ele fosse mais um youtuber metido ao vivo, mas não. Humilde pra caramba.
- Seus olhos estão brilhando, amiga. - Pietra analisou - Tem alguma coisa que quer contar pra gente?
- Não viaja, cara! - contestou sem graça - Ele é muito novo pra mim e eu disse pra vocês que não iria me envolver com ninguém por um bom tempo. - suspirou.
- Você precisa deixar a Victória no passado, - aconselhou Camilo - O relacionamento de vocês não era saudável e você sabe disso.
- Ela está no passado!
- Então você sabe que nem todo mundo é como ela, né? - Pietra tentou - E que esse menino aí pode ser completamente diferente dela.
- O é meu chefe agora, gente! Não existe “ser diferente dela” porque não estamos em uma relação. - a assessora revirou os olhos - É apenas profissional.
- Você tem certeza disso? - Camilo questionou.
- Claro. - e dizendo isso se jogou no sofá ao lado dos amigos para pegar o controle da televisão, encerrando o assunto por ali. Pietra e Camilo se entreolharam como se dissessem em pensamento que não estavam tão certos de que aquilo era “completamente profissional”. Pelo menos não do lado da amiga. Só o que lhes faltava era torcer para que se sentisse do mesmo modo que sua nova “funcionária”.

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- É hoje que vamos conhecer os selecionados, ? - George perguntou enquanto carregava as duas pizzas e a caixa de cerveja para dentro do apartamento do amigo. Beatrice já tinha chegado há algum tempo e estava esparramada no sofá procurando alguma coisa para assistir na Netflix.
- Sim, eu marquei uma reunião de vídeo com todos eles para daqui a uma meia hora. - ele deu de ombros e foi fechar a porta.
- Então só temos meia hora pra comer e beber? - Bea ficou chocada e logo levantou do sofá - Temos que começar o trabalho, rapazes! - comandou já pegando um pedaço de pizza e abrindo uma latinha de cerveja - E aí, , dentro dos selecionados você tem um preferido?
, que já estava mastigando, acabou se engasgando com a pergunta direta da amiga. Ele sabia que sua bochechas estavam ficando vermelhas e ele podia sentir suas orelhas mais quentes também.
- Meu Deus, ! Foi apenas uma pergunta! - Bea dava alguns tapinhas nas costas do ruivo que, aos poucos, voltava a respirar normalmente.
- Isso quer dizer que ele tem algum favorito. - George observou o desconforto do amigo - É bonita? - quis saber.
- Vocês estão pirando. - retrucou quando conseguiu se estabilizar - Não tem essa de favoritismo.
- Então pra que esse show todo, ? - observou Bea - Era só ter dito que não. Esse seu engasgo aí quer dizer que tem culpa no cartório. Você não contratou nenhuma amiga de ex não, né?
- O quê?! Claro que não!
- Ok, melhor assim. - ela deu dois tapinhas aprovatórios na cabeça dele e se levantou para ir ao banheiro.
- Agora que ela saiu, me conta. A garota é gata? - George perguntou em voz baixa fazendo revirar os olhos, mas concordar com a cabeça derrotado - Ah, eu sabia! - comemorou baixinho.
- Ela parece ser incrível também, não é só um rostinho bonito. - ele se lembrou da conversa que tivera com .
- Você pode chamar ela pra sair, se quiser. Não é como se houvesse uma cláusula sobre relação entre colegas de trabalho. - George deu de ombros e pareceu ainda mais desanimado.
- Ela não sairia comigo, cara.
- Por que não?! Você até que é simpático. - disse dando um tapinha na cabeça do ruivo.
- Ela é mais velha, cara. E, ainda por cima, mora muito longe daqui. - lamentou - E eu nem conheço ela direito.
- A gente nunca sabe do futuro, ! Deixa as coisas rolarem.
- É? Que nem você com a Bea?
- Fica quieto que ela já ‘tá voltando! - George pediu desesperado e como se ouvisse, Beatrice caminhava para a sala e se sentava junto aos amigos.
- E aí, vamos começar a chamada com o povo? - questionou a garota olhando para os amigos que tinham um comportamento meio suspeito - Vocês estão estranhos, aconteceu alguma coisa? - ela alternava o olhar entre os dois.
- Não, nada! Vamos começar logo! - abriu o notebook e logou no programa para iniciar o chat, agradecendo aos céus pelos seis já estarem online e ele poder se esquivar de qualquer pergunta que Beatrice fosse fazer - E aí, pessoal! Como estão? - cumprimentou quando todos já estavam aparecendo na tela.
A conversa em grupo fora bem proveitosa e os seis novos participantes do Make 'em Laugh puderam se conhecer. Além de Scott e , como auxiliar de filmagem e editora de vídeo, também tinha escolhido Tanya Wood e Harry Anderson para dividir as tarefas com eles, além de Tina Stone e Mary Palazio como redatoras. Mary, assim como , também era estrangeira, diretamente da Cidade do México. aproveitou a entrevista para treinar mais o seu espanhol, que ficava enferrujado com tanto tempo nos Estados Unidos.
Bea e George curtiram bastante as novas pessoas e logo os nove estavam fazendo piadas e brincando de forca para que pudessem se entrosar melhor. As idades não eram tão diferentes entre eles. Scott e Mary eram os mais velhos com 27 anos, mas os demais estavam equiparados na casa dos vinte e poucos. George só ficara curioso para descobrir de quem o amigo falava, já que as únicas que moravam tão distante assim eram Mary e , ainda que a brasileira estivesse a uma distância maior que a mexicana. Mas as duas eram mais velhas, o que também dificultou a descoberta.
- Acho que seria interessante montarmos um grupo de e-mails para estarmos sempre conversando. - sugeriu.
- Não era melhor um grupo no Whatsapp? - questionou e Mary foi a única a concordar enquanto os americanos tinham uma interrogação no rosto - Vocês não sabem o que é o Whatsapp? - perguntou em choque e fez uma careta exagerada arrancando risos dos demais.
- Eles não sabem o que estão perdendo, ! - Mary riu para o grupo e tratou de explicar - É um aplicativo de mensagens, gente! Super útil.
- Mas não é mais fácil criar um grupo no Telegram, então? - George perguntou.
- Vocês seriam massacrados no Brasil se falassem isso! - comentou e achou uma graça a forma como ela arrumava os óculos - É sério, galera. Baixem o aplicativo e venham ser felizes no que a gente chama, carinhosamente, de “zapzap”. - fez graça.
- Agora que eu lembro, a família do meu ex vivia falando esse nome aí! - Bea apontou - Pelo visto é uma febre no Brasil.
- Tenha certeza disso! - completou a nova editora de vídeo - Vocês topam entrar no grupo do Whatsapp, então? - quando todos concordaram ela continuou - Então eu vou criar um grupo aqui e deixar o link no chat. Depois que vocês baixarem, é só entrar.
A conversa durou mais algumas horas, mas pelo fuso horário, a brasileira teve que ser a primeira a se despedir. tentou se manter animado com todo o pessoal, mas seus risos pareciam mais forçados. George notou isso e parecia ter uma ideia do interesse do amigo.


Capítulo 4

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Os dias de estavam sendo resumidos em editar os vídeos do Make 'em Laugh logo depois de passar por períodos estressantes na editora. Ela dividia as edições dos vídeos com Harry e os dois até estavam se entendendo bem. Já trabalhavam juntos há duas semanas e eles conseguiam equilibrar as demandas, para que não ficasse pesado de nenhum lado, já que o americano também tinha outro trabalho por fora: era contador.
também tinha se conectado bastante com Mary. Ela não sabia se isso se devia ao fato das duas serem as únicas estrangeiras do grupo ou sobre terem tanto em comum. Mary, assim como , também era formada em jornalismo e não curtia muito o lado factual da profissão. Ela preferia trabalhar como revisora e escritora, então a vaga de redatora lhe caíra super bem.
Outra pessoa que mantinha um contato constante com a carioca era . O ruivo fazia questão de estar presente tanto no grupo que criaram no Whatsapp, quanto no privado. Gostava e queria conhecer melhor o time que tinha ao seu lado. Com alguns ele tinha menos assunto, com outros, como , ele acabava extrapolando o tempo que tinha estipulado para cada pessoa. As conversas entre os dois duravam boas horas, quando eles tinham chance e o fuso horário colaborava.
- Eu não acredito que você já mandou! - falou ao iniciar sua conversa por vídeo com naquele dia.
- O que eu mandei? - ele se fez de desentendido enquanto aumentava o sorriso ao ver a mulher tão animada.
- A camisa do Make 'em Laugh! - disse quase esfregando o pano na tela do notebook para mostrar para ele.
- E você vai vestir agora? Sabe como é, ver se deu certinho e mostrar pro chefe. - o homem questionou em tom de brincadeira - Eu posso fechar os olhos se quiser vestir! - completou colocando as mãos sobre os olhos, mas mantendo o sorriso.
- Fica quieto, ! - ela bronqueou risonha - Não vou vestir nada agora! Quero tirar uma foto bonitinha pra colocar nas internets da vida.
- Tem certeza de que não quer ser influencer?
- Eu tenho, ia falar sobre o que? Como ficar na cama sem fazer nada enquanto a Netflix pergunta se ainda tem alguém assistindo? - revirou os olhos e não pode deixar de admirá-la - Dispenso!
E eles continuaram a brincadeira e a conversa por mais alguns minutos, até o telefone de começar a tocar ao seu lado na cama, fazendo com que a mulher se assustasse. Por mais que o contato não estivesse nomeado, a carioca reconheceria aquele número em qualquer lugar. Pelos últimos anos tinha se tornado sua principal chamada. Victória ligava e não sabia o que fazer.

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- Você prefere desligar a chamada? - o ruivo questionou quando viu olhando compenetrada para o celular em sua mão que voltava a tocar. Já era a terceira vez - ?
- Hã, oi! Não, não. Não é nada. - a brasileira parece despertar de um mini transe e responde com a voz fraca. aperta o fone em seu ouvido para poder entender o que ela fala - É só uma pessoa que não me liga há um tempo.
- Tem certeza de que não é nada? - ele resolveu insistir porque estava bem preocupado com a mulher - Você estava meio em choque e não soltou o celular ainda. - ele observou - E com a força que parece estar segurando, ele vai acabar quebrando. - deu uma risadinha e ficou um pouco mais aliviado quando abriu um pequeno sorriso, deixando o aparelho ao seu lado na cama.
- Eu posso mesmo desabafar com você? - questionou hesitante.
- Por que não poderia?
- Você é meu chefe, ! Não quero que as coisas fiquem ruins entre nós. - ela se explicou, mas se arrependeu no momento em que viu o sorriso dele morrer. Ela não o considerava nem um amigo?!
- Eu entendo.
- Digo, nós nos conhecemos há pouco tempo. Não é certo já te encher com os meus problemas. - tentou contornar
- Tudo bem, você não precisa me contar nada, . Fica tranquila. - ele lhe dispensou um sorriso forçado e suspirou - Eu preciso desligar agora, ok? Tenho que ver uns amigos para convidar para os vídeos dessa semana. Nos vemos!
desligou sem que pudesse responder algo. Fechou o notebook com mais força do que o necessário e se xingou mentalmente por isso. Agora mesmo que ela vai te achar um pirralho sem noção, ele se crucificava batendo de leve na própria cabeça. Mas não conseguia evitar, porque pensava estar realmente se tornando amigo da brasileira. Eles tinham gostos em comum, pensamentos parecidos. Só que ela ainda o via como chefe. Apenas isso.

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A carioca ficou três dias pensando no que tinha acontecido naquela conversa com . O telefonema de Victória, que ela não tinha retornado e a ex não deu sinal de vida até o momento, estava meio esquecido na sua lista de prioridades. Ela só devia estar bêbada, torcia enquanto almoçava.
Mas, a atitude do ruivo ainda lhe incomodava. Ela tinha visto seus olhos decepcionados quando o chamara de chefe, mas o que ela podia fazer? Ele realmente era seu chefe, lhe pagava por demandas e tudo mais. E, não queria que ele soubesse do desastre de vida amorosa que ela tinha, ainda parecia ter um pouco de admiração por ela e a mulher queria manter assim.
- ‘Tá meio óbvio que ele não curtiu ser visto apenas como seu chefe, garota! - Camilo brigava com ela ao telefone depois que a amiga tinha contado o que acontecera - Vocês estavam conversando bastante nas últimas semanas e joga um balde de água fria assim?!
- Será que ele ficou muito bravo comigo? - suspirou mordendo suas unhas, tentando não cortá-las com o dente de nervosismo.
- Você só vai saber se falar com ele, ! Não posso te responder. - concluiu o amigo e se despediu para voltar ao trabalho.
ainda estava no restaurante, mas tinha pelo menos mais 40 minutos do seu horário de almoço, então resolveu se arriscar. Pegou o fone da bolsa, conectou ao celular e torceu para que lhe atendesse a chamada de vídeo, já que ela não tinha tentado nenhum contato desde aquele dia.
Um. Dois. Três toques depois e a cara de sono de entrava na tela. O ruivo estava sem camisa, com o rosto amassado e o coração de não teve como se controlar e disparou levemente.
- ? - ele questionou com a voz rouca e a brasileira engoliu em seco - ‘Tá tudo bem? - sentou direito na cama, tentando parecer mais desperto quando viu que mulher lhe encarava sem dizer nada.
- Te acordei, né? - perguntou a primeira coisa que pensou e se chutou mentalmente depois porque estava bem óbvio. arqueou a sobrancelha ironicamente, mas logo um sorrisinho surgir em seu rosto, deixando mais aliviada - Claro que acordei, desculpe!
- Não se preocupe! Está tudo bem? Por que me ligou a essa hora?
- Sabe que são exatamente meio dia e dez, né? - comentou olhando pro relógio.
- E você sabe que aqui são apenas 8 horas da manhã, né? - respondeu no mesmo tom e a viu arregalar os olhos em culpa.
- Desculpa, desculpa! Eu esqueci do fuso horário!
- Tudo bem, tudo bem! - aceitou rindo e ela notou que tinha sentido falta disso. As risadas dele faziam com que ela sorrisse - Mas vai me dizer por que me ligou?
- Quero me desculpar com você, . - deu de ombros - É claro que somos amigos. Se ainda quiser, claro! - finalizou rápido e olhou para a tela, sem perder o sorriso de que crescia a cada palavra dela.
- Você não acha que devemos ter apenas uma relação profissional? - ele perguntou meio incerto.
- Seria um desperdício pra você, porque eu sou maravilhosa. - deu uma piscadela e gargalhou alto do outro lado - Você também é um bom cara, então tudo certo.
- Eu posso conviver com isso! Mas se você me desculpar também pela atitude infantil que tive naquele dia, - admitiu - eu não deveria ter desligado daquela forma.
- Nada que já não esteja esquecido, ! Amigos, então?
- Amigos!
Eles selaram uma amizade ali e se sentiu mais leve com essa situação. Pelo menos para si mesma ela podia admitir que sentira falta de conversar com durante os três últimos dias. Em sua cabeça, ela podia dizer que o sorrisinho de lado que ele lhe dava era charmoso demais para o seu próprio bem. Mas, algo que ela não estava pronta pra reconhecer era que estava começando a querer mais do que uma simples amizade.


Capítulo 5




, jura pra mim que não mandou mensagem ou atendeu nenhuma das ligações dela? — Camilo implorava enquanto os três amigos estavam sentados em um barzinho da Lapa — Eu te pago uma caipirinha inteira se você não mentir pra gente!
— A caipirinha custa 5 reais, garoto! — ficou indignada — Pra não mentir, eu deveria ganhar pelo menos uns 10 copos.
— Você já fica bêbada com metade de uma, ! — Pietra debochou — Se ele te pagar uma caipirinha, você fica no lucro. — comentou rindo enquanto cruzava os braços como uma criancinha.
— A gente só se preocupa com você, . — Camilo disse abraçando a amiga de lado — Não queremos te ver da forma como ficou depois da embuste da Victória. — ele sentiu a forma como a mulher estremeceu ao ouvir o nome da ex, mas nada comentou.
— Então, temos que parar de falar dela! — deu de ombros, se afastando delicadamente de Camilo e sinalizando para o garçom que queria mais uma cerveja na mesa — Vai que ela aparece.
— Ela não é tipo o Lord Voldemort, — Pietra achou graça.
— Eu se fosse você também não falava o nome dele por aí, nunca se sabe. — ela se pôs a encher os copos dos três e os chamou para um brinde — Vamos apenas brindar pelo carnaval que está chegando e tá tudo certo! Dona Pietra, vai ter festinha da empresa, né? — questionou inquisidora.
— Os ingressos de vocês já estão separados lá em casa! Esse ano o povo resolveu americanizar um pouco e quiseram misturar o Carnaval com o Halloween, vai entender — comentou. As festas da empresa de Pietra, um escritório bem chique de advocacia na Barra da Tijuca, eram lendárias. A seriedade eles guardavam apenas pras audiências.
— Gosto assim! — os outros dois amigos disseram ao mesmo tempo e os três brindaram.
Faltava uma semana para o carnaval, mas eles já estavam com toda a programação no esquema: a festa da empresa, um bloquinho e praia nos outros dias. Isso quando cada um não fosse para um canto desfrutar a própria companhia. Não tinha como nada dar errado.
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Algumas horas depois, chegava em casa um pouco tonta, mas ainda consciente de que precisava de um banho urgente pra poder cair na cama. Ela foi direto pro banheiro, mas ficou alguns minutos se encarando no espelho. Seu cabelo já estava um pouco mais cheio do que quando ela saíra de casa pela manhã, o que indicavam vários nós nos cachos que ela arrumava quase todo santo dia. A blusinha branca que usava já tinha umas manchinhas de cerveja, das vezes que ela derramara em si mesma.
Mas, focava em seu rosto. Passava a mão no seu nariz, se certificando de que ele estava lá. Mesmo que ela estivesse vendo com seus próprios olhos, tinha que tocar para acreditar. Coisa de gente bêbada, vai entender.
Quando se deu por satisfeita, prendeu o cabelo, tirou a roupa e foi direto pro chuveiro. A água quentinha ajudava a deixar a mulher mais sonolenta ainda, fazendo com que ela apressasse o banho para deitar logo. Nesse meio tempo, ouviu seu celular tocar irritantemente, mas ignorou. Estava tarde demais para que alguém ligasse, além de que Pietra e Camilo tinham lhe deixado em casa, portanto sabiam onde ela estava.
A mulher resolveu sair do banho, se enrolou numa toalha e pegou para vestir a primeira camisola que encontrou na gaveta. Ela estava quase dormindo quando seu celular começou a tocar de novo em sua mesinha de cabeceira, fazendo com que ela pegasse para atender sem nem olhar quem era.
— Alô? — disse com a voz arrastada misturando o álcool ao sono que sentia.
? — a pessoa do outro lado da linha falou e espantou o sono que tinha, olhando incrédula o número no visor para ver se não estava sonhando — , podemos conversar? — a mulher pediu hesitante.
— V-Victória?! — ela gaguejou ainda sem acreditar — Por que está me ligando?
— Porque eu não aguento mais ficar longe de você, ! — a ex-namorada disse com a voz embargada — Eu sei que errei, mas você não me deu escolhas e sabe disso.
— Você me coloca um chifre e eu não te dei escolhas?!! — a mulher questionou sarcástica — Não é como se eu tivesse colocado uma arma na sua cabeça pra te fazer transar com outra mulher.
— Mas você sabe o quanto estava distante e como eu precisava de você, . Você me colocou em segundo plano na sua vida por conta dos seus amigos. — suspirou — Foi um erro que acabou acontecendo, leãozinho. — fez menção ao apelido carinhoso pelo qual chamava durante o relacionamento das duas.
— Não se atreva a me chamar assim, Victória! — retrucou entredentes — Eu deveria ter terminado com você há tempos, mas precisei te pegar com outra pra finalmente acordar pra vida.
— Você sabe que não vai conseguir ser feliz sem mim, ! Por que está fazendo isso com a gente? — Victória agora gritava ao telefone — Quem mais vai aturar as suas birras idiotas por conta dessas séries ridículas que você gosta? Quem vai ter paciência pros seus amigos ou pros assuntos fúteis que você fica falando durante a noite? Ou então pra sua irritante mania de achar que tem talento pra ser modelo ou pra editar vídeos e tirar fotos? Hein, ? Me diz!
As lágrimas já rolavam soltas pelo rosto da assessora que não teve forças pra responder a nenhuma daquelas perguntas. Victória ainda falava, instigando a discussão, mas só conseguiu desligar o telefone e esconder o rosto em seu travesseiro. As palavras da ex-namorada ainda ecoavam em sua cabeça e ela estava sentindo como se o mundo estivesse montado em suas costas.
Ela pensou em ligar para os amigos, mas sabia que, pela hora, Pietra e Camilo já deveriam estar dormindo, mais alcoolizados do que ela. não sabia se deveria, mas ligou para pelo Whatsapp, torcendo para que ele atendesse de primeira.


O homem estava finalizando o roteiro do próximo episódio do Make ‘em Laugh quando seu telefone começou a tocar em cima da cama. Ele pensou seriamente em não atender, mas quem ia ligar a essa hora? Assim que pegou o aparelho nas mãos, viu o nome de e não pensou duas vezes antes de saber o que ela queria.
? — perguntou baixinho, mas não ouvia nada do outro lado, além de uma respiração alterada — , você está aí? — questionou ficando preocupado.
— M- — ela gaguejou com voz de choro e o homem sentiu o coração apertar. Como ele queria estar perto dela agora! — Desculpa te ligar assim, eu te acordei? — ela falava tão baixinho que ele precisou pressionar o celular contra o ouvido para entender melhor.
— Não, não. Eu estava terminando um roteiro pro canal, mas isso pode esperar. O que aconteceu, ? — ele suspirou e a mulher ficou em silêncio. Parecia estar tomando coragem. Mas só torcia pra que não fosse nenhuma fatalidade.
— Eu não sei se temos intimidade pra isso, você é meu chefe. Mas acho que podemos nos considerar amigos, não sei — disse meio incerta e apenas murmurou em concordância, lhe instigando a continuar — Eu tive uma namorada pelos últimos dois anos. — quando não falou nada, a mulher resolveu perguntar — Isso não te incomoda?
— O quê?
— Não sei, talvez saber que eu namorei uma mulher. — completou tímida.
— E por que isso me incomodaria? — perguntou como se fosse o maior dos absurdos. Pra ele realmente era, mas ela devia ter motivos pra ter medo da reação dele.
— Desculpa, é que eu tô meio acostumada aos julgamentos. — ela suspirou e continuou — Bem, ok. Como eu ia dizendo. A gente namorou por dois anos e, no começo, era um mar de rosas. Todo início de namoro é. — soltou uma risada sem humor — As coisas eram tão fáceis entre a gente. Nos encontrávamos depois do expediente, víamos filmes, saíamos juntas. Aquela coisa normal. — ela fungou e soube que a mulher continuava chorando.
— Você tem certeza de que quer mesmo me contar isso agora? — ele interrompeu preocupado com o rumo daquela conversa.
— Acho que eu preciso disso, talvez assim seja mais fácil de lidar.
— Então, continua! — lhe deu forças
— Há mais ou menos um ano, as coisas começaram a piorar entre a gente. — ela seguiu — Victória começar a reclamar sobre tudo: meus hobbies, minhas roupas, até os meus amigos. Eu sabia que ela tinha implicância com eles, mas sempre achei que fosse só essa coisa de não ir com a cara, sabe? — e ele apenas fez um som que desse a entender que estava prestando atenção — Mas não era. Ela fazia chantagem quando a Pietra ou Camilo me chamavam para sair. Reclamava quando eu saía sem ela pra me divertir, com quem quer que fosse. — o choro da mulher agora parecia mais sofrido. Suas palavras em inglês saindo sem a pronúncia correta de sempre. Por isso ela se interrompeu por alguns segundos, retomando o controle da própria respiração. apenas esperou.
— Dizia que eu devia parar de sonhar com isso de ser modelo e que não tinha talento pra fotografar — recomeçou — e começar a focar só naquilo que me desse dinheiro, mesmo sabendo que eu fazia esses bicos pra ajudar na minha renda. Ela me diminuía por trabalhar numa editora pequena, dizia que eu estava num barco pronto para fundar e só eu não via. Além disso, sempre que brigávamos, ela dava um jeito de dizer que a culpa tinha sido minha e eu acabava pedindo desculpas. Dizia que com meu o gênio, ela fazia um esforço muito grande pra me aguentar. — ela pausou mais uma vez e ouviu alguns barulhos indistintos do outro lado.
— Uma vez, tivemos outra briga, foi por coisa boba, na minha opinião. Eu demorei um tempo a mais para chegar num compromisso por conta do trânsito e porque o pneu do carro onde eu estava furou no meio do caminho. — ela suspirou — Quando eu cheguei lá, ela estava tão irritada e silenciosa. Ficou de cara amarrada o evento inteiro. Eu tentei explicar para ela o que tinha acontecido, disse que compensaria, que isso não ia mais rolar, porque eu sabia como ela detesta atrasos. Ainda que ela me deixasse esperando com frequência. — respirou fundo e ficou angustiado pelo que viria.
— Quando a gente chegou na minha casa, ela começou a gritar comigo. Disse que eu fazia de propósito, que eu estava testando a sua paciência. Até que ela devia ter escutado os amigos, quando eles disseram que ela não deveria ter começado a me namorar eu tive que escutar. Naquele dia, ela segurou meu braço com toda a força, não só apertou, como rasgou a minha pele. As marcas das unhas dela ficaram por uma semana. Eu usei blusas com mangas até que voltasse ao normal. Dois dias depois, ela veio me pedir desculpas e chorou nos meus braços. Disse que não ia fazer mais, que me amava, que não existia vida sem mim e eu perdoei. — ela fungou — Mas, essa foi só a primeira vez que isso aconteceu. Situações assim foram comuns por vários meses e eu me afastei de muita gente por isso. Não respondia mais o Camilo e a Pietra, quase não falava com a minha mãe ou meu primo. Ia de casa para o trabalho, só saía com os amigos dela, isso quando a gente saía!
“Depois de um tempo eu já estava ficando cansada das brigas e resolvi que era hora da gente se entender. Então, fui fazer uma surpresa no apartamento dela, já que tinha chave e o porteiro me conhecia. Quando eu entrei na casa, ela estava escura, mas ouvi barulho vindo do quarto dela. Entrei e ela estava transando com a colega de quarto. Elas não me viram, porque não fiz barulho. Nem pra brigar eu tive forças. Só consegui fechar a porta, sair do apartamento e deixar de atender as ligações dela. No momento que terminamos de fato, ela me disse que eu não teria sucesso por pensar muito pequeno.
Que eu nunca encontraria alguém melhor do que ela disse, alguém que fizesse sacrifícios por mim como ela fez e que eu estava jogando fora tudo que a gente tinha construído. Nesse meio tempo, a minha mãe veio ficar comigo aqui em casa, porque eu entrei em depressão. Pietra e Camilo se revezavam pra ficar comigo e me acolheram de novo. E ela não tinha incomodado mais, até hoje.”
— Ela te ligou?! — finalmente falou, fazendo seu melhor pra controlar a raiva em seu tom de voz.
— Sim e eu senti como se tivesse voltado no tempo. Ouvir a voz dela me fez lembrar de coisas tão ruins e eu só consegui desligar. — ela seguia chorando, mas parecia mais leve depois de falar tanto.
— O que você tá pensando agora? — o homem questionou sem saber muito o que falar pra remediar o que ela sentia.
— Muita coisa. — ela soltou um risinho — A primeira é que eu nunca me abri assim com alguém que eu conheço há tão pouco tempo. — enumerou e não conseguiu evitar o sorriso. Ela confiava nele — A segunda é que a Victória ainda me afeta e a terceira é que você é um ótimo ouvinte. Obrigada!
— Não precisa agradecer. Eu estarei sempre aqui! — lhe certificou.
Eles continuaram conversando até que se acalmasse por completo. não fez mais perguntas sobre Victória e não tocou no nome dela de novo. O ruivo estava preocupado, mas tudo que podia fazer era tentar distrair a brasileira para que ela conseguisse dormir. Ele não sabia está dando certo, mas ela não voltou a chorar.
— Eu não quis ligar pra Pietra ou pro Camilo. — ela comentou depois de alguns instantes quieta — Eles iam querer vir aqui se me ouvissem assim.
— E quem disse que eu não quero ir aí? Pegar o primeiro avião pra poder te abraçar agora e dizer que mesmo a gente se conhecendo há tão pouco tempo, você é uma das mulheres mais incríveis que já vi. — ele disse num fôlego só, com toda a coragem que nem sabia que tinha. A mulher, por outro lado, continuava em silêncio. Talvez absorvendo o que tinha acabado de ouvir — ? — ele lhe chamou pela primeira vez pelo apelido e se sentiu confortável.
— Então vem. — ela disse simplesmente e sentiu o coração querer sair do peito.
— 'Tá falando sério? — ele quis confirmar.
— Eu não sei o que está rolando, se é que 'tá rolando algo, . — ela suspirou — Eu tô confusa, as coisas com Victória são muito recentes ainda. Não sei o que pensar, nem sei se tô pronta para qualquer outra coisa.
— Eu não quero te pressionar, ok? — ele tentou ser racional — E e eu não vou para o Brasil agora, não se preocupe
— Acho que ia gostar daqui do Rio. Provavelmente teríamos que comprar um pote enorme de protetor solar só pra você — disse rindo pela primeira vez naquela conversa.
— Eu não me importo de andar todo coberto pra fugir do sol. Seria incrível conhecer o Brasil e finalmente te conhecer pessoalmente. Mas eu só vou fazer isso quando nós dois estivermos prontos.
— Não sei se um dia eu vou estar pronta — ela suspirou — Mas eu gostaria de estar por você. — disse sem saber que do outro lado da linha abria um sorriso maior que o rosto.
— Eu posso esperar não é como se eu quisesse outra coisa agora. Não tenho pressa.
— Achei que queria me conhecer pessoalmente logo — ela disse meio ofendida, mas brincando com ele, ainda que sua voz estivesse fraca.
— Eu quero! — afirmou — Mas eu ainda quero te conhecer melhor e imagino que você também queira.
— Você tem razão. — bocejou
— Vou te deixar dormir, ok?
— S-será que você podia ficar comigo até que eu dormisse? — perguntou baixinho — Não queria ficar sozinha agora. — ela ouviu um som de concordância e fechou os olhos deixando o celular próximo à orelha — Boa noite, .
— Boa noite, . — ele saudou e ficou em silêncio, assim como a mulher.
Ele ouviu quando a respiração dela ficou mais ritmada e, alguns minutos depois, quando chamou pelo nome dela, não teve resposta. Só então desligou e ficou olhando pro celular pensando em tudo o que eu tinha escutado.
Ele não sabia o que estava sentindo, assim como ela. Agora, sabendo o que sabia, tinha medo de machucar ainda mais a brasileira, mas também tinha medo de não tentar nada.
Tudo estava uma confusão enorme, pensou enquanto fechava o notebook e foi deitar na cama. Qualquer coisa que tivesse que acontecer, ia depender do tempo e nada seria resolvido naqueles minutos. Então, ele tentou dormir, deixando o dia de hoje para trás.

Capítulo betado por Dih


Capítulo 6



O sábado amanheceu e estava com uma pequena ressaca, além de uma leve amnésia do que acontecera no dia anterior. Mas isso durou pouco tempo, já que uma mensagem de se destacava em suas notificações:
Eu estou aqui pra você, 💜
A brasileira sentiu o coração bater mais forte e sua cabeça latejar levemente. Uma enxurrada de lembranças inundou a sua mente e ela recordou o desabafo da noite anterior, assim como da ligação de Victória. Era muito pra digerir em pouco tempo. Ela não sabia bem o que respondeu, então achou melhor deixar só um obrigada a ele. A vergonha crescia a cada segundo dentro dela.
Então, ela levantou e foi tomar um banho rápido, logo procurando algo para comer na geladeira. Já passava das 11h da manhã e iria almoçar na casa da mãe, então tinha que se aprontar. Resolveu colocar a camisa do Make 'em Laugh que mandara junto de sua jardineira amarela. Era uma boa forma de mostrar para a mãe e ao primo sobre o projeto que andava participando. Aproveitou para tomar também uma aspirina antes de sair de casa pra não sofrer com uma dor de cabeça mais tarde.
Sua mãe, dona Renata, morava no Méier, na zona norte carioca, o que era bem afastado do Catete. podia pegar o metrô e o trem pra ir mais rápido, mas a preguiça era tanta que chamou um Uber. No mês que vem ela se resolvia com o cartão de crédito.
O carro não demorou pra chegar e já estava a caminho da casa da mãe. Estava com saudade da comida de dona Renata e das implicâncias de Miguel, seu primo que mais parecia um irmão, por terem sido criados juntos. Os 40 minutos seguintes serviram para que ela colocasse a conversa em dia com Pietra e Camilo, mandasse uma mensagem para mãe dizendo que chegaria em breve, além de descobrir um pouco sobre a vida de seu Antônio, o motorista do Uber que tinha desandado a falar das netas.
Mais rápido do que ela esperava, o carro de seu Antônio estava estacionando em frente ao prédio de sua mãe. tinha passado quase toda adolescência ali junto a ela e ao primo, depois que seus pais se separaram quando ela tinha 10 anos e a mãe de Miguel, sua tia Vanda, falecera. A relação com pai não era dos melhores, ele tinha arrumado outra família e quase não lhe procurava. No começo, essa situação machucava. Depois de 15 anos, ela tinha aprendido a conviver com a mágoa.
Foi pensando nisso que a mulher se despediu do motorista, entrou no prédio e deu boa tarde ao porteiro de sempre. Seu Carlos trabalhava no condomínio desde que a família de tinha se mudado e ele sempre foi um amor de pessoa, ajudando nas brincadeiras e encobrindo travessuras dos pais das crianças.
- Leninha, minha filha! - disse seu Carlos se levantando pra dar um abraço saudoso na mulher que logo foi retribuído - Você ‘tá tão bonita, querida!
- Ah, seu Carlos! São seus olhos! - ela riu enquanto jogava os cabelos brincando - O senhor 'tá bem? Como anda a dona Sônia? - questionou sobre a esposa do homem que vivia entregando quentinhas aos moradores.
- Eu tô bem e ela mais ainda. A minha mais velha, Jaqueline, teve neném, mas precisa trabalhar e terminar a pós-graduação, aí deixa a Alice com ela. Tem que ver, Soninha 'tá toda boba agora que é avó. - comentou com carinho sobre a família - Vem cá ver a minha netinha! - chamou já tirando o celular do bolso e mostrando para a garotinha risonha que parecia ter menos de um ano. Não era só a esposa que babava pela criança, ele também estava enfeitiçado. Também, com todas aquelas dobrinhas e aquele sorriso, impossível não amar. Até estava se apaixonando pela bebê.
Por mais que quisesse continuar ali vendo vídeos de Alice, logo se despediu de seu Carlos e subiu para o apartamento da mãe. Sabia que quanto mais demorasse para chegar, mais a mãe reclamaria e ela teria que lidar com Miguel dizendo que iria comer mais sobremesa do que ela por ter aparecido mais cedo.
- Tia Rê estava quase colocando a polícia atrás de você! - Miguel disse sem cerimônia ao invés de cumprimentar a prima - Você demorou uma vida, ! - ele reclamou.
- Ela não te deixou comer nada antes que eu chegasse, né? - questionou desconfiada e segurou o riso ao olhar pro primo que tinha uma expressão culpada no rosto.
- Talvez! - ele sorriu enquanto puxava a mulher pra um abraço - Eu estava com saudades, mas vamos logo porque é risoto. - Miguel empurrou delicadamente pra que ela entrasse logo na casa e ele pudesse fechar a porta.
Os primos foram rindo e implicando até a cozinha onde dona Renata lhes esperava com os braços abertos. logo que viu a mãe, saiu correndo para dentro de seu abraço. Elas se falavam quase todos os dias pelo telefone, mas não era sempre que conseguiam se ver. A saudade doía.
- Você está tão linda, meu bebê! - disse a mais velha enquanto beijava repetidas vezes o rosto da filha - Tem comido direito ou continua pedindo porcaria pra entregar? Porque você não cozinha lá essas coisas - perguntou rindo quando se soltaram.
- Tem uma coisa chamada YouTube, mãe! - ela retrucou, lhe mostrando a língua como uma criança, enquanto se sentavam à mesa - Eles ensinam a fazer receita e eu tenho comido muito bem, tá!
- Já perdeu o medo da panela de pressão? - o primo zoou.
- Você já parou de fazer arroz empapado? - rebateu e Miguel ficou quieto - É, achei que não! - se fez de superior e os três riram.
O almoço correu muito bem entre brincadeiras e carinhos. Nada superava o risoto de dona Renata, que, para a sorte de , já tinha feito uma quentinha generosa para a filha e pro sobrinho. Pelo menos com a comida de segunda-feira ela não precisaria se preocupar.
- Você está feliz, querida? - a mãe lhe perguntou minutos depois de ter contado a eles sobre seu novo trabalho no Make ‘em Laugh e sobre , ostentando animada a camisa do projeto.
- Muito, mãe. - ela respondeu com um sorriso orgulhoso no rosto - Trabalhar com tem sido ótimo e eu tenho aprendido muito sobre audiovisual, sabe.
- , uh? - Miguel implicou com a prima - Tem alguma coisa rolando entre vocês dois?
- Ele é meu chefe, garoto! - retrucou - Não pira! Somos apenas amigos!
- Tem certeza disso, ? - a mãe questionou - Você falou dele com tanta animação.
- Ele é apenas um bom amigo, gente. Eu não estou pronta pra nada do tipo tão cedo. - ela estremeceu levemente, lembrando da noite anterior e do telefonema da ex - Não é como se eu fosse cair nessa de novo.
- Você sabe que nem todos são iguais, né? - Miguel ponderou ao segurar a mão da prima.
- Eu já ouvi isso antes, primo! Eu só não sei o quanto eu acredito! - a jornalista suspirou e tentou mudar de assunto - Mas, e não vamos conhecer a sua nova namorada, Miguelito?
- Você sabe tirar o foco de si mesma e ser uma pessoa terrível, . - o primo acusou fazendo com que as duas mulheres começassem a rir e ele fosse obrigado a comentar sobre a garota com quem estava saindo há algumas semanas.


- Tá tudo bem, ? - Beatrice perguntou do banco do carona enquanto dirigia o carro. Os dois estavam indo buscar George para que os três pudessem ir até a casa de Scott, o novo auxiliar de filmagem. Eles iriam gravar um esquete sobre tipos de fãs e Scott ia ser de grande ajuda.
- Por que não estaria? - ele questionou parando no sinal e checando o celular para ver se alguma nova mensagem tinha aparecido.
- Será que é por ser a décima vez que você olha pra esse celular só hoje? - ela revirou os olhos irônica - O que tá acontecendo? Tá esperando alguma resposta de alguém?
- Não é nada, só coisa da minha cabeça. - ele suspirou vendo que não tinha mandado nada depois daquele “obrigada” simples. Deixou o aparelho de lado e voltou a se concentrar no trânsito - Como você sabe que uma mulher está afim de você? - ele perguntou do nada e a amiga quase engasgou com a água que estava tomando.
- De quem você está a fim, ?! - Bea quase gritou depois que de se recuperar do susto, mas ainda olhando pro amigo como se ele tivesse criado uma segunda cabeça.
- Não é que eu esteja a fim de alguém. - o ruivo tentou justificar, olhando rapidamente pra amiga que o encarava em deboche - Ok, talvez eu esteja. Mas eu não sei se ela também gosta de mim e não quero me precipitar ou perder a amizade.
- Você não está a fim de mim não, né? - ela arriscou e deu uma brecada leve com o carro pela surpresa.
- Claro que não! Você é uma irmã pra mim, criatura! - disse como se fosse um absurdo. E realmente era. Bea era linda, mas como ela podia cogitar isso? Ele nunca furaria o olho de George dessa forma!
- Só estava checando. - ela deu de ombros quando ele voltou a dirigir normalmente - Eu sou maravilhosa, não é como se isso fosse algum tipo de loucura.
- Cuidado, Bea! Vamos morrer os três sufocados aqui dentro!
- Que três?!
- Eu, você e o seu ego gigante, garota! - ele disse e a amiga lhe deu um tapa estalado no braço - Como você consegue ser tão metida assim? - questionou brincando.
- Inveja é uma coisa muito feia, . - ela comentou arrumando o cabelo - Mas, não muda de assunto não: de quem você estava falando então?
- Alguém que eu conheci, apenas isso.
- É alguma das meninas novas do canal, né? - ela arriscou.
- Como você sabe? - se entregou corando um pouco enquanto estacionava na frente da casa de George e aproveitava para mandar uma mensagem ao amigo, avisando da chegada deles.
- Você sabe ser bem transparente algumas vezes, . - ela apenas riu - De todo modo, apenas deixe as coisas irem caminhando. Não tente apressar nada.
- Então, nenhum conselho mágico que possa me ajudar agora?
- Só seja você e as coisas vão acontecer da melhor forma possível. Mas, deixe claro de alguma forma que você sente algo por ela. Essa coisa de amizade nem sempre dá certo quando um dos dois tem sentimentos a mais. - concluiu suspirando no mesmo momento em que viu George saindo do prédio. acompanhou o olhar da amiga e soube que ela falava mais pra si mesma do que pros problemas dele.
- Vocês dois são um caso perdido, viu! - ele revirou os olhos e a amiga deu de ombros enquanto George entrava no carro e eles mudavam de assunto.
Os amigos continuaram a conversa até a casa de Scott e quando chegaram começaram a filmar. Os quatro estavam bem entrosados, aproveitando para fazer alguns vídeos de making of para as redes sociais.
- ? - Scott estava ao telefone com a brasileira e ficou repentinamente curioso com o motivo da ligação entre os dois. Isso não passou batido por Bea e George - Como está a melhor brasileira do mundo? - questionou brincando, mas não pode ouvir o que ela respondera - Eu não estou sendo falso, garota! - o ruivo não podia mentir e dizer que não estava levemente incomodado com a aproximação dos dois.
- Tudo bem, irmão? - George deu um tapinha nas costas de , fazendo com que ele perdesse a conversa que Scott mantinha ao telefone - Se você olhar mais pro Jones é capaz dele sumir.
- Não estava olhando pra ele. - disse terminando de juntar os cabos da filmadora dentro da mochila.
- Você pode continuar fingindo que não quer saber o que ele está falando com a sua brasileira.
- Ela não é minha brasileira, George. Deixa de ser idiota! - brigou - E anda logo que eu tenho que ir pra casa. - finalizou fechando a mochila e começando a levar os equipamentos pro carro.
- Ciúmes? - Bea perguntou ao se aproximar de George que se assustou levemente com a chegada da mulher.
- Quando descobriu? - George questionou olhando pra ela e sentindo seu pulso acelerar um pouco por estarem tão perto um do outro.
- Como se ele fosse um poço de discrição, né?! - ela riu e George não pode deixar de achá-la mais bonita ainda - Ele me perguntou sobre mulheres mais cedo, só isso - Bea deu de ombros - Queria saber como descobrir se uma mulher está afim de algo a mais.
- E você teve resposta pra isso, Bea? - George questionou olhando nos olhos da mulher e viu que ela estava ficando nervosa - Você sabe dizer quando alguém está afim de algo mais? - arriscou se aproximando aos poucos de Beatrice sem nunca tirar os olhos dela.
- E-eu, … - ela gaguejou revezando o olhar entre os lábios do amigo e seus olhos.
- Você? - ele sussurrou.
Eles estavam a ponto de se beijar, os dois escondiam há um bom tempo que os sentimentos entre eles já tinham ultrapassado o nível de amizade. No entanto, e Scott resolveram voltar pro local no mesmo momento, fazendo com que os eles se afastassem rápido demais, torcendo pra que nenhum dos amigos tivesse notado qualquer coisa.
- A tá me esperando enviar o conteúdo do cartão de memória pra começar a editar, pessoal! - avisou Scott pros outros sem ter percebido nada de estranho na sala.
- Vou mandar o roteiro pra ela quando chegar em casa, então! - confirmou animado pois teria uma desculpa pra falar com a mulher - Vamos andando, gente? - perguntou pra Bea e George, notando que os amigos estavam estranhos se entreolhando.
Os quatro se despediram e foi levando o carro com os outros dois muito calados. Ninguém falou nada durante o trajeto, só a música soava no carro. O ruivo tinha medo até de respirar mais alto, o clima não parecia dos melhores. Nem quando George saiu do carro, depois de estacionar na porta do amigo, o clima melhorou. Bea permaneceu quieta até que o amigo parasse na casa dela.
- Aconteceu algo que queira me contar, Bea? - ele arriscou antes dela sair do carro.
- Nada que valha a pena dividir, . - suspirou e deu um abraço no amigo - Nos vemos depois. - se despediu e bateu a porta, entrando no prédio sem olhar pra trás. não era idiota, sabia que algo tinha rolado entre os dois. E ele ia acabar descobrindo, uma hora ou outra. Mas, por agora ele só queria chegar em casa, então ligou o carro e tomou o próprio rumo.

A mulher tinha chegado em casa há pouco mais de uma hora, já estava de banho tomado e feliz assistindo a mais um episódio de Doctor Who quando seu celular começou a apitar com novas mensagens. Ela já imaginava quem era, tinha evitado mandar sinal de vida o dia inteiro, mas depois da ligação de Scott avisando sobre o material de vídeo, sabia que não ia poder fugir muito mais.
S.
Ei, . Como vai? Espero não estar te atrapalhando ou acordando, ainda sou novo nisso de fuso horário.
Mas, Scott disse que vai te mandar o material e queria te avisar que mandei o roteiro pro seu e-mail também.


Oi, ! Tá tudo bem por aqui, você também está?
Pode deixar, amanhã quando eu tiver um tempinho na editora, começo a editar.

S.
Eu estou bem! Que bom que consegui te pegar acordada, achei que estivesse fugindo de mim 👀

Eu estava…
Ontem as coisas ficaram muito pessoais e pesadas.
Não queria deixar o clima ruim entre nós de novo, sabe?

S.
Você só vai deixar as coisas estranhas entre nós se ficar nessa de me ignorar, . Eu só quero ajudar e que você me veja como alguém que possa confiar.


Talvez eu tenha problemas de confiança, você deve imaginar o motivo.
Mas, eu gosto de dividir as coisas com você. Me faz bem.
Me fez bem ontem.

S.
Eu sei que ainda vai demorar pra você confiar em mim de verdade.
E nem eu sei bem o porquê dessa minha vontade de te fazer confiar mesmo em mim, mas eu sei que não quero te magoar. Mas, se você quiser que eu me afaste, por favor, me avisa.

As coisas estão confusas na minha cabeça, .
Só que eu não quero que você se afaste.
Gosto de te ter por perto, mesmo que seja dessa forma online.

S.
Então, vou me manter o mais perto que você quiser.

Isso é bom 💜

Os dois continuaram a conversa por mais um tempo até que se despedisse dizendo que precisava dormir. O coração da brasileira estava mais leve depois de ter conversado com . No fundo, por mais que teimasse dizendo que tudo o que tinham eram uma amizade por conta do trabalho, ela sabia que estava entrando em um campo perigoso. Talvez ainda mais perigoso do que vivera com Victória, já que morava em outro país. só esperava não sair muito machucada dessa.

Capítulo betado por Dih


Capítulo 7

Por sorte e graças aos deuses da folia, o feriado de carnaval tinha finalmente começado. Como a Expecto era no Centro do Rio, os funcionários foram liberados do trabalho já na quarta-feira para evitar qualquer tipo de problema no deslocamento. A quinta tinha sido inteira em home office, o que deu a a possibilidade de, entre releases dos novos lançamentos e contatos com a imprensa, finalizar o vídeo que o pessoal do Make ‘em Laugh tinha enviado naquela semana.
- Você vai sair hoje com a gente, né? - Pietra perguntou na chamada de vídeo que elas faziam junto a Camilo. - Sabe que o melhor jeito de começar o carnaval é enchendo a cara e balançando a bunda numa festinha!
- Mas amanhã tem a festa do seu trabalho e eu preciso estar inteira para ela, sem contar que a maquiadora vem de tarde. - justificou.
- Sério que você contratou até maquiadora, criatura? - Camilo riu, incrédulo.
- É que a Bianca precisava de uma graninha extra e a garota tem talento. - deu de ombros. - Uni o útil ao agradável. E essa história de Carnaval com Halloween ferrou com tudo. Eu estava pronta para usar a minha fantasia do ano passado de anjinha, vamos ter que improvisar agora.
- Você tá abusando da sua estagiária, que absurdo! - Pietra comentou e os amigos riram. - Mas, ok. Se você é velha, eu não vou discutir. Esteja aqui em casa às 20h amanhã, hein. Você também, Camilo! Sem atrasos os dois.
- Pìetra, a gente mora a 30 minutos de distância, garota! - revirou os olhos. - Bom álcool para vocês e levem camisinha para rua.
- Sempre, meu bem! - Camilo disse animado e os três se despediram.
terminou de guardar as coisas de trabalho e, depois de pedir uma pizza, se sentou com a Netflix para, finalmente, assistir aos últimos episódios de Lúcifer. Estava atrasada, mas nada como um bom feriado para colocar as séries em dia.
Ela já estava imersa na série quando o porteiro interfonou avisando que a entrega estava esperando e não levou mais de quinze minutos para que estivesse confortável no sofá enquanto comia. Mas, ela sentia que algo estava faltando pro dia ficar completo e, por mais que não quisesse admitir, sabia que queria falar com . Os dois não conversavam desde a manhã quando a brasileira avisou que o vídeo estava editado e finalizado com as mudanças que ele pedira.
e ela já tinham estabelecido que seriam amigos e, já tinha rolado até uma espécie de clima entre eles. Mais de uma vez. E isso era algo a se pensar, ainda que a mulher relutasse com a ideia de ter um envolvimento romântico com alguém. Principalmente com essa pessoa morando em outro país. Loucura e fanfic demais.
Mas, contrariando a sua cabeça dizendo que ela deveria só assistir aos seus episódios em paz, pegou o celular e abriu a câmera. Focalizou na televisão e tirou uma foto da hora em que Tom Ellis apareceu na tela. ainda ponderou por alguns segundos, mas logo abriu a conversa de no WhatsApp e enviou para ele a foto, escrevendo junto “Se você ainda não viu Lúcifer, não sabe como o diabo pode ser incrível 😈”. Ele agora tinha se adaptado ao aplicativo de mensagens, principalmente para poder falar melhor com a brasileira.
A mulher não precisou esperar muito e, ao invés de uma resposta digitada, como ela esperava, começou uma chamada de vídeo e não entendeu nada. O espaço estava completamente barulhento, algumas luzes apareciam na tela e ela soube que ele estava em uma boate.
- , você tinha que estar aqui! - gritou para ela e se colocou em foco para que a mulher lhe visse. Seu cabelo ruivo estava extremamente bagunçado - Tá me ouvindo?! - questionou ainda gritando e a mulher teve que se controlar para não rir.
- O que está fazendo numa festa tão cedo? - fez as contas rapidamente. Se no Brasil não passava das 23h30, em Los Angeles ainda eram 21h30. - Você não é novo demais para beber? - fez graça notando que ele carregava um copo vermelho na mão.

- O quê?! - ele se esforçava tentando entender, mas não ouvia uma palavra do que a brasileira dizia. - Espera! - o ruivo desistiu de ouvir a mulher e desligou a chamada por alguns minutos enquanto procurava um lugar menos movimentado na festa. Subiu escadas e, quando encontrou uma espécie de terraço, voltou a fazer uma chamada de vídeo para que atendeu sem controlar o sorriso. - Agora sim você pode me ouvir! - a música do outro andar chegava ali, mas estava bem abafada.
- Você estava berrando, ! Claro que eu estava te ouvindo muito bem! - ela não segurou a risada quando viu o homem corando, envergonhado - Eu e os meus vizinhos!
- Desculpa, não fiz por mal. - ele estava constrangido e o achou adorável. - Mas, por que me ligou? - quis saber.
- Você me ligou, . - ele estava definitivamente alcoolizado. - Eu só te mandei uma mensagem, porque achei que você estivesse em casa. Se eu soubesse que você estava na rua, não teria…
- Mas eu queria que você falasse comigo - o homem interrompeu o pensamento dela e fixou seus olhos na tela, - eu sempre vou querer que você fale. - disse baixo, mas escutou e não conseguiu evitar que seu pulso acelerasse com a pequena declaração.
- A bebida já fez efeito, ? - a brasileira tentou fazer graça, mesmo que estivesse envergonhada.
- Você não entende, né? - ele disse ficando um pouco nervoso - Eu ‘tô sempre tentando não falar nada que não devo, ser seu amigo, mas eu não quero só isso.
- O-o que você quer dizer com isso? - ela gaguejou e engoliu em seco. sabia a resposta, só não sabia se estava pronta para isso.
- Que eu acho que gosto de você mais do que uma amiga, . Será que você ainda não conseguiu perceber isso?
- Nós nos conhecemos há tão pouco tempo, . Não tem como gostar de alguém assim da noite pro dia! - ela parecia meio desesperada e ele, mesmo que alcoolizado, notou.
- Eu não estou dizendo que te amo, . - ele suavizou a voz e tentou entender o lado dela. - Só disse que você me interessa e eu não quero mais esconder isso, principalmente de ti.
- Mas nós moramos tão longe um do outro, . Você vai acabar se magoando assim.
- Me magoando por que você não sente o mesmo ou pela distância?
- Eu não sei o que te dizer.
- Lembra que eu não estou te pedindo em casamento, só dizendo que quero um passo para além de amizade com você. - ele suspirou. - Estou colocando as minhas cartas na mesa, é a sua vez de jogar. - e desligou a chamada antes que ela respondesse. tinha, finalmente, admitido para mulher que queria algo a mais. Ele estava orgulhoso, mesmo sem saber bem o que responderia. Mas, agora era a vez dela de pensar sobre o assunto.

A mulher encarava o celular sem acreditar muito no que havia acontecido. tinha realmente se declarado para ela?! Claro que pensar assim deixava as coisas muito mais infantis, mas ele falara com todas as letras que tinha algum interesse nela. Isso era bom, certo? Deveria ser, mas uma vozinha insistente e, bem parecida com a de Victória, sussurrava que ela seria só mais uma iludida. Afinal, desde quando relacionamentos à distância funcionam? Desde quando relacionamentos com ela funcionam?! Sim, essa parte com certeza tinha vindo do resquício da ex que ainda habitava nela.
A pizza tinha sido esquecida na mesa de centro, a Netflix já perguntava se ainda tinha alguém assistindo e sequer podia ligar para os amigos, já que Pietra e Camilo estavam se divertindo. Na verdade, ela sabia que praticamente todos que conhecia estavam aproveitando a sexta de carnaval. E era exatamente o que ela queria fazer.
Sem pensar muito, mandou uma mensagem para o grupo que tinha com os amigos para saber onde eles estavam e foi correndo para o banheiro tomar um banho. Ela não demorou, sabia que se parasse para analisar o que fazia, ia acabar desistindo. Camilo respondeu que eles estavam curtindo uma festa aberta perto da Zona Portuária do Rio e logo mandou o endereço e a localização. Ela sabia que se ele estava sóbrio ainda, queria dizer que Pietra já estava bem louca. Eles sempre se revezavam para que, pelo menos um dos dois, estivesse razoavelmente bem para arrastar o outro para casa.
A mulher, então, aproveitou o calor absurdo que fazia e pegou um cropped rendado preto junto a um short jeans mais claro e aproveitou que seus cachos estavam em um bom dia para deixar os cabelos soltos. Fez uma maquiagem leve e chamou um uber antes que desistisse de sair de casa. O relógio marcava quase uma da manhã e ela tentava espantar a vontade que crescia de se enrolar em sua cama e pensar no que falara.
Levou uns bons 30 minutos até que estivesse na porta da festa enquanto tentava escutar Camilo que falava com ela por telefone. O homem arrastava uma Pietra já bem alcoolizada para encontrar a jornalista que estava meio perdida, próxima a algumas barraquinhas. Quando viu os amigos, se apressou até eles e abraçou Camilo enquanto Pietra olhava sem entender muito o que acontecia.
- Eu não tenho maturidade para ficar sozinha em casa em uma sexta de carnaval sem fazer merda. - disse enquanto cumprimentava Pietra e aceitava a latinha de cerveja que tinha sido oferecida.
- O que você fez, ? - Camilo perguntou, preocupado e viu a amiga suspirar enquanto matava a bebida.
- Eu vim aqui justamente para esquecer a merda que fiz, podemos não falar sobre?
- Vamos beber então! - decretou Pietra agarrando os dois pelos pulsos em direção ao bar para que pudessem comprar um balde de cervejas.
Alguns minutos depois, os três já estavam dançando com o balde das bebidas entre eles. Pietra já tinha dispersado algumas vezes para beijar algumas bocas, mas evitava se afastar muito dos outros dois. Camilo aproveitava quando Pietra voltava para dar umas andadas pela festa e não deixar sozinha, mesmo que ela não estivesse se importando muito.
A mulher dançava de olhos fechados, rebolando ao som do funk que saía dos alto falantes e tentando esquecer o que tinha escutado de . Mas, quando abriu os olhos, ela notou que talvez estivesse chamando mais atenção do que queria. Uma ruiva sensacional media dos pés à cabeça e a jornalista engoliu em seco. Tinha que ser ruiva, Deus?! Parecia um lembrete!
Quando viu que tinha aberto os olhos e lhe encarava, a ruiva abriu um sorriso tímido e lhe enviou uma piscadinha, fazendo com que a jornalista desse um passo para frente involuntário. Observando os lados e encontrando Camilo a pouca distância, ela indicou com a cabeça para onde estava indo e o amigo logo soltou uma gargalhada animada. , por mais que não parecesse, sempre gostou de tomar a atitude nas festinhas. E, ele gostava de ver a amiga voltando a velhas práticas.
O caminho até a ruiva não levou muito tempo. Quando chegou perto, viu que as amigas da mulher também tinham se afastado um pouco para lhes dar privacidade.
- Estava curtindo o show? - perguntou quando chegou perto o suficiente da mulher para que pudessem se ouvir sem precisar gritar.
- Estava maravilhoso! - a ruiva riu e corou. Mesmo a luz sendo pouca no lugar, percebeu que ela tinha olhos verdes e que eles estavam indo vez ou outra para a sua boca. - Qual o seu nome?
- e o seu?
- Laura.
- Então, Laura... quer dançar comigo? - convidou se aproximando da ruiva e vendo a mulher abrir um sorriso maior ainda, colando os corpos e as duas começaram a se mexer no ritmo da música que tocava.
As mãos de logo foram para cintura de Laura e as duas estavam tão próximas que já não conseguiam distinguir mais de quem era o perfume de cada uma. Seus olhos se encontravam e se desencontravam, passeavam pelo rosto uma da outra e o momento que os lábios se tocaram pareceu ensaiado.
pediu passagem e logo elas estavam se beijando com mais fogo, aumentando a intensidade e o calor que já estava bem considerável. Laura passava as unhas levemente na nuca da mulher que deixava alguns gemidos baixos de satisfação escaparem enquanto apertava a cintura da ruiva e a trazia para mais perto, se fosse possível.
As duas se afastaram um pouco quando o fôlego ficou escasso e se olharam sem conter o sorriso. A ruiva segurou na mão de e a levou para um canto mais afastado da festa e não se fez de rogada quando Laura lhe atacou os lábios. Elas não precisavam falar nada. Seus corpos já diziam o suficiente. E, pelo menos por aqueles momentos, foi o bastante para que não pensasse em outro certo ruivo.

tinha acordado, mas certamente não recomendava. Sua cabeça parecia dentro de uma bateria de tanto que latejava. Ele tinha exagerado um pouco para comemorar a entrada de Beatrice na Faculdade de Direito de Stanford. Bea tinha aproveitado a influência dos pais e fechara uma boate para os amigos, sem importar muito quem era menor de idade. Para ainda faltavam alguns meses para que ele pudesse beber legalmente, mas isso não impediu a ressaca e a boca seca.
As memórias da noite anterior voltavam a sua cabeça e ele se recordava do que tinha conversado com , sentindo que seu coração acelerava a medida que as palavras que dissera a ela vinham a mente. Pegou o celular rapidamente e foi logo na conversa da brasileira, encontrando dois áudios da mulher que pareciam ter sido enviados na madrugada, mas ele não tinha percebido.
“Hey, . Eu acho que você deve estar dormindo, mas eu não consegui ficar em casa depois do que você me disse” ela começou com a voz meio alterada, parecia ter bebido um pouco “eu tive que sair, talvez não consiga lidar com isso da maneira como eu queria. Se você tivesse aqui, eu provavelmente teria batido na sua porta, mas tive que me virar de outra forma”, ela riu e respondeu alguma coisa para outra pessoa em português, já que não entendeu. “Eu deveria ter tido mais coragem para dizer que você também me interessa, mas que eu ‘tô com medo”, ela suspirou e o áudio finalizou. Ele logo correu para o segundo.
“Esse negócio de você estar em outro país é uma merda, porque não consigo nem sofrer cara a cara por essas coisas”, ela riu novamente e sua voz pareceu ainda mais próxima, “eu tentei trocar a vontade de te beijar por beijar outra pessoa, mas não deu muito certo. A ruiva que eu beijei era maravilhosa, mas não era o ruivo que eu quero”, o áudio finalizou e resolveu escutar tudo mais uma vez - ou dez - para ter certeza do que estava acontecendo.
Ele tentou nem se importar muito com o fato dela ter ficado com outra. O importante era que tinha admitido estar interessada nele tanto quanto ele nela.



Capítulo 8

- Me diz que você já está chegando? - Pietra quase gritou ao telefone e teve que tirar o celular do ouvido e respirar fundo para não se estressar com ela também.
- Eu ‘tô apenas cinco minutos atrasada, mulher! Se controla que eu ‘tô entrando na sua rua!
- Ótimo, estamos descendo para te encontrar. – concluiu, finalizando a ligação e antes de dar tempo da amiga dizer alguma coisa.
Não demorou muito até que os três amigos estivessem no Uber indo para a festa de carnaval + halloween da empresa em que Pietra trabalhava e já estavam fazendo planos de quem seria responsável por chamar o transporte na hora da volta. Eles sempre se revezavam na bebida. Camilo, para própria tristeza, perdeu o zerinho ou um e foi o escolhido para maneirar.
- Você conversou com o ? - Camilo jogou no ar sem conseguir conter a curiosidade e Pietra teve que morder o lábio para esconder o riso com a cara de pau do amigo.
- Nós temos mesmo que falar sobre isso agora? - se esquivou, mas sentiu o celular pesar bastante na bolsinha que carregava por dentro da saia.
- Considerando que você dispensou uma ruiva fenomenal na sua cama ontem, temos sim! - Camilo recriminou e o motorista do Uber deu uma risada com a conversa. - Isso mesmo, moço, ri porque eu até agora estou sem entender! - o homem deu força.
- Eu odeio você, Camilo! - suspirou , recostando a cabeça no ombro de Pietra. - Mas, não. Ainda não conversei com ele, principalmente depois daquele bendito áudio.
- Que áudio?! - os dois perguntaram chocados, não sabiam de nada.
- Eu estava tão bêbada ontem que, na volta para casa, acabei mandando um áudio constrangedor para ele. Quando fui apagar hoje, ele já tinha escutado, então não deu tempo de nada.
- Por que você não admite que sente algo por ele, ? - Pietra perguntou, genuinamente preocupada. - Não precisa casar com ele, pode só dar uns pegas.
- E como você espera que eu dê uns pegas nele, gênia?! Ele mora em Los Angeles e eu trabalho para ele, cara. Não é como se essa relação fosse para frente.
- Quem falou em relação, garota? - Camilo riu. - Não é como se você não pudesse viajar para lá ou ele vir até aqui. Não acho que a editora esteja te pagando tão mal assim, né!
- Eu ainda não tinha pensado em ir até ele, mas ele já soltou alguma coisa sobre vir até o Rio. - comentou em voz baixa e os amigos bateram palmas, animados.
- Então, pronto. Vocês podem viver uma amizade com benefícios, que seja. Mas não devia deixar o ruivo escapar. - Pietra aconselhou e a conversa foi encerrada. Logo Camilo estava puxando outro papo e agradeceu internamente.

- Finalmente vocês dois resolveram parar de ser idiotas! - comemorou olhando para Beatrice e George que estavam abraçados no sofá. A festa tinha sido boa para os dois que agora estavam numa espécie de relação.
- Não precisa agir como se você soubesse o tempo todo o que estava acontecendo, né? - Bea reclamou e se encolheu nos braços de George que só riu, feliz.
- Todo mundo sabia que vocês se gostam, Bea. Só vocês eram tapados o bastante para não investir nisso aí. - implicou, mas estava muito satisfeito pelos amigos.
- Só falta você com a sua brasileira agora, cara. - George alfinetou. - Já se falaram depois da festa?
- Acho que ela está me evitando depois daqueles áudios, mas não sei. Ela é muito difícil de ler. – suspirou. - Quando eu acho que ela vai fazer zig, faz zag e eu fico perdido.
- Você disse que ela teve um relacionamento ruim com a ex-namorada. É compreensível que esteja com o pé atrás, né? - Bea tentou amenizar. - E vocês também não moram nem no mesmo país, amigo. Entende o lado dela.
- Eu entendo, Bea. Deus sabe como eu entendo o lado dela, mas preciso que ela comece a entender o meu também, né?
- No áudio ela não disse que também tinha interesse em você? - assentiu. - Então, fica tranquilo que logo vocês vão se falar e conversar melhor sobre isso. - George tentou animar e Bea concordou. Os dois torciam pela felicidade do ruivo e, se estava nela, que fosse.
Os três começaram a assistir televisão, mas logo dispersou e pegou o celular, entrando no Instagram. Estava vendo os stories aleatoriamente e, não pode deixar de ofegar quando chegou a conta de . A brasileira estava fantasiada de anjo, de forma bem simples, com um sutiã e saia brancos, além das asas e da auréola. Mas, metade de sua boca estava maquiada como se ela fosse uma caveira. Seus cabelos cacheados estavam soltos e cheios. Ela estava tão linda que o ruivo não conseguiu controlar o sorriso, que logo foi notado pelos amigos que se aproximaram para ver o que ele via.
- Uau, ela tá maravilhosa! - Bea elogiou enquanto passava pelos outros stories de , vendo ela ao lado de uma outra mulher vestida de diabo, além de um cara fantasiado de Dr. Facilier de A Princesa e o Sapo. - Que festa será essa?
- Ela comentou algo sobre esse final de semana ser Carnaval, então acredito que seja por isso. - o ruivo deu de ombros, sem tirar os olhos da imagem no celular
- Será que não tem umas festas assim por aqui? Não é possível que os brasileiros de Los Angeles não comemorem, né? - George comentou procurando na internet para ver se achava algo.
Os amigos estavam buscando festas para poderem curtir, quando o celular de anunciou um pedido de chamada de vídeo. Era . Eles se entreolharam, Bea e George riram da cara do ruivo, enquanto ele levantava meio bobo e se trancava no quarto. Não precisava de plateia para conversar com a mulher.
Quando o homem atendeu a chamada teve que se recuperar um segundo. Claro que ele tinha visto a foto, mas estava ainda mais bonita. Ele engoliu em seco.
- Hey, . Espero não estar atrapalhando a sua noite, não estou muito ligada no fuso hoje. - ela disse sorrindo para tela e o ruivo podia ver que ela estava se movimentando. Talvez procurando um lugar menos barulhento, já que ele ouvia a música bem alta do lugar.
- , você tá linda! - elogiou e o sorriso da mulher alargou. - Sabe que nunca me atrapalha!
- Bem, eu não deveria estar te ligando de uma festa, mas Pietra e Camilo ficaram me irritando até que eu te ligasse.
- Você pode falar, sou todo ouvidos. - ele riu e ficou atento a todos os movimentos da brasileira. Ela parecia desconfortável, mas sorria de lado. As mãos de estavam levemente suadas.
- Ok - ela suspirou e focou no rosto do homem, - eu sei que a gente se conhece há pouco tempo, mas eu gosto de você. Mais do que um amigo e, definitivamente, mais do que um chefe. - riu sem graça e percebeu que estava prendendo a respiração. - Mas, você não pode levar isso como um acontecimento enorme.
- Certo - ele disse meio desconfiado, mas não conseguiu não ficar feliz, - quer dizer que as coisas vão mudar entre nós ou não?
- Não acho que esse seja o melhor lugar para termos essa conversa, né? - ela disse olhando ao redor e ele concordou. - Infelizmente ainda moramos em países diferentes. Não é como se isso tivesse mudado. - deu de ombros e fez uma careta. Detestava o fato dela ter razão nisso.
- Você não pode me dar um doce e logo depois tirar da minha boca assim, . - ele reclamou e ela riu. - Mas, posso nos considerar mais do que amigos?
- , você é insistente! Eu não disse que não era um bom lugar para conversarmos?
- Disse, mas eu também sei que você está em uma festa e que eu vou ter que ficar de vela por aqui, sabendo que a senhorita pode estar beijando todo mundo por aí. - comentou em tom de brincadeira, mas seu estômago revirava de um jeito ruim só de pensar na possibilidade dela beijando outra pessoa.
- Bea e George finalmente se acertaram? - confirmou e deu um gritinho de felicidade, fazendo o ruivo achar graça. - Você deveria era estar feliz, porque eu só me toquei que gostava de você quando beijei a ruiva de ontem. - ela riu e viu revirar os olhos. - Que tal uma amizade com benefícios? Pelo menos por hoje.
- O que isso significa?
- Quer dizer que eu posso ficar com quem quiser, assim como você também pode dar uns beijos por aí. Mas, que eu preferia mil vezes que você estivesse aqui comigo, ao invés de outras bocas.
- Como você espera que eu beije outra garota depois de te ouvir falar que preferia me beijar? - ele riu, incrédulo.
- Aí é contigo, eu não tenho culpa de as coisas serem diferentes nos Estados Unidos e não rolar muito beijo nas festinhas.
- Esse não é o problema, . Rola muito beijo nas festinhas. - ele piscou para mulher e ela ficou envergonhada. - O problema é que a boca que eu quero tá bem longe.
- Você sempre pode pegar um avião para cá.
- Não me tente, garota! - ele avisou e os dois não conseguiram segurar os sorrisos bobos. Era aquela alegria de todo começo de relacionamento, mesmo que este fosse à distância.
Eles continuaram a conversa por mais alguns minutos, mas o ruivo, ainda que a contragosto, disse para a mulher desligar. estava linda demais para não fazer todas as pessoas daquela festa babarem por ela enquanto dançava, foi o argumento que usou. Ela não conseguiu retrucar sem rir e os dois se despediram com os corações muito mais leves por estarem começando a se entender.

Quando desligou o celular, não conseguia tirar o sorriso do rosto. Ela não sabia muito bem como a situação com ia se desenrolar, mas estava ansiosa para descobrir.
- E aí? Podemos beber para comemorar o casório? - Camilo perguntou, animado, quando viu a amiga voltar toda felizinha. só riu e lhe mostrou o dedo do meio, fazendo com que Pietra e Camilo fizessem um hi-5.
- Você pode ir à merda, Camilo! - ela riu. - Você também, Pietra. Se puderem ir para bem longe, vou ficar super feliz.
- Já foi bem menos mentirosa, . - Pietra comentou negando com a cabeça - Agora para de se fazer de sonsa e conta para gente o que aconteceu. Disse pro ruivo que tá de quatro por ele?
- Quem disse que eu ‘tô de quatro por ele? – perguntou, indignada.
- Amor, você tá de quatro, por cima, de costas, no banheiro, no carro e onde ele quiser. - Camilo disse, enquanto dava um gole em sua cerveja. - só precisa pedir.
- Você já foi menos tarado, amigo. - julgou, mas não conseguiu segurar o riso. - Mas, tudo bem. Eu disse que gosto dele, satisfeitos?
- Finalmente, senhoras e senhores! - Pietra comemorou e Camilo pegou no colo, dando uns pulos com a amiga e chamando a atenção de algumas pessoas ao redor enquanto a mulher apenas pedia para ele parar. Quem precisa de inimigos quando seus amigos já te matam de vergonha, meu Deus?
- Chega, Camilo. Se controla! - a mulher ralhou quando o amigo lhe pôs no chão novamente, mas ele sabia que ela não estava realmente brava. - Eu não conto mais nada para vocês.
- Tu não sobrevives uma semana sem a gente, garota! Não mete essa! - Pietra zoou e abraçou a amiga de lado. - Mas estamos muito felizes por você, . De verdade! - ela deixou um beijo na bochecha da mulher, que suspirou contente. Ela sabia.
O trio continuou conversando sobre o ruivo, Camilo e Pietra fazendo diversos planos de viagem para facilitar a vida sexual do casal. só conseguia rir da maluquice dos amigos, mas tinha seu coração mais leve enquanto bebia o quarto ou quinto drink da noite, ela não estava mais contando.
Ela tinha levado a bebida à boca, o canudo ainda pendia entre seus lábios quando sentiu uma mão cutucando seu ombro e ela se virou para ver quem era. agradeceu por não estar bebendo exatamente naquele momento, porque teria se engasgado.
- Ei, podemos conversar? - vestida como o gato de Cheshire, Victória lhe encarava em expectativa.



Capítulo 9

Pietra e Camilo se entreolharam e não sabiam bem como agir. tinha paralisado e encarava Victória como se visse um fantasma e, bem, não estava de todo errada. Pietra olhava para os lados tentando encontrar algum companheiro de trabalho que explicasse a presença da mulher na festa.
- O que você está fazendo aqui? - Camilo fez coro aos pensamentos de Pietra e agradeceu ao amigo mentalmente por dar voz a sua dúvida. Ela estava hiperventilando só pela presença da ex namorada.
- Uma amiga minha trabalha no financeiro. - ela deu de ombros sem dar muita importância ou tirar os olhos de . - Podemos? - voltou a convidar.
- , você não precisa ir se não quiser. - Pietra segurou a mão da amiga antes que ela tomasse uma atitude. suspirou e assentiu sem nem se virar e apertou de leve a mão de Pietra antes de sair andando com Victória em seu encalço. Logo as duas estavam sentadas em um sofá mais distante da pista de dança, próximas a saída. fez questão de se manter à vista do bar para que, se fosse necessário, pudesse sinalizar para Camilo e Pietra. Ela sabia que os amigos não tiravam os olhos das duas.
- O que você quer? - estranhou a própria voz e manteve seus olhos presos aos movimentos de Victória. A mulher parecia desconfortável, ainda que não tivesse perdido a altivez.
- Você não costumava me tratar assim, leãozinho. - Victória comentou e aproximou a mão de que não esboçou reação ao apelido antigo ou a tentativa de toque.
- O que você quer, Victória? - perguntou mais uma vez e se afastou da mulher. - Estou perdendo a paciência aqui.
- Já foi menos arisca, .
- Já foi menos inconveniente, Vic. - devolveu ácida e a ex riu, enquanto assentia.
- Fiquei bem chateada quando desligou o telefone na minha cara. Estávamos conversando.
- Conversando? - foi sarcástica. - Você estava me ofendendo, tem noção disso?
- Eu estava apenas sendo sincera, leãozinho. - a mulher deu de ombros e sorriu inocente. - Seu temperamento é muito difícil de lidar e sabe disso. Ninguém ia te aturar como eu fiz.
- Era isso que queria? - perguntou firme já se levantando e Victória imitou seus movimentos, aproximando seu corpo do da mulher e prestando atenção a todos os detalhes do rosto da outra. podia sentir as mãos suarem, mas não sabia se era pela proximidade ou pela vontade de bater na ex.
- Você sabe bem o que eu quero, . - Victória disse baixinho e aproximou a boca do ouvido da mulher. - Sabe que não adianta correr, você vai acabar nos meus braços, leãozinho. - sussurrou e se afastou minimamente, deixando um beijo no canto dos lábios de antes de dar as costas e sair para encontrar a amiga.
ficou uns minutos parada observando o caminho que Victória tinha tomado e sentiu o rosto esquentar enquanto limpava discretamente uma lágrima que tinha teimado em lhe escapar. Como Victória tivera a coragem de aparecer mais uma vez? Pior: por que continuava deixando que a ex namorada lhe afetasse dessa maneira?
Respirando fundo, ela voltou aos amigos que lhe encaravam aflitos. Quando Pietra ia se preparar para perguntar se tudo estava bem, apenas negou com a cabeça e a amiga entendeu que não falariam sobre o assunto naquele momento. Camilo ainda questionou se ela queria continuar na festa ou ir embora, mas a mulher apenas deu de ombros e tomou a bebida das mãos do amigo. Ela não deixaria Victória acabar com aquela noite também.

- E como estão as gravações do vlog? Elas têm dado certo? - questionou durante uma das chamadas de vídeos dos dois. Um mês tinha se passado desde o momento de declaração e eles agora estavam ainda mais próximos.
- Com Scott ajudando tem ficado mais fácil, já que Bea e George estão vivendo uma lua de mel eterna. - o ruivo revirou os olhos e a brasileira riu. Ela sabia que ele estava feliz pelos amigos.
- Você deveria parar de ser exagerado, sabe.
- Se você passasse dois minutos com eles, ficaria tão enjoada quanto eu.
- Isso se chama inveja. - ela brincou e ele sorriu para a imagem dela.
- Claro que é inveja, eu queria que você estivesse aqui comigo para sermos tão irritantes quanto eles. - ele concordou e sentiu vontade de atravessar a tela para lhe abraçar.
- Você não tem ideia de quanto é adorável, ruivinho. - chamou em português e viu o homem ficar envergonhado do outro lado. - E fica mais ainda vermelhinho. - sorriu e ele deu de ombros, fazendo pouco caso.
- Não está me xingando com esse nome, está? Eu posso procurar no Google Tradutor e você vai estar em péssimos lençóis se for besteira. - ameaçou e viu a mulher dar uma risada alta enquanto negava com a cabeça.
- Tem apenas a ver com o fato de você ser ruivo, seu bobo. - ela lhe mostrou a língua e ele assentiu. Pediu que lhe chamasse assim mais uma vez e a brasileira atendeu. tinha gostado do apelido em português.
- Vou comprar um dicionário pro caso de você inventar novos apelidos para mim.
- Achei que tinha dito que podia se virar com o Google Tradutor. - ela zoou.
- Nunca se sabe quando a internet pode mentir.
- Claro, claro. - ela comentou e logo se lembrou. - Eu ia esquecendo: minhas férias na Expecto estão chegando e eu vou ter mais tempo para me dedicar ao Make ‘em Laugh.
- Só ao Make ‘em Laugh? - ele quis saber e viu a brasileira morder os lábios para conter um sorriso. - Quanto tempo de férias você tem?
- Um mês a partir de 5 de junho.
- E você já tem planos para o que quer fazer?
- Ainda não sei bem. - ela deu de ombros. - Nos últimos anos eu tinha conciliado as minhas férias com as da Victória, então… - deixou a frase morrer, mas tinha entendido.
- Bem, se você quiser, eu posso ser seu companheiro durante essas férias. - ele ofereceu. - Posso ir até o Brasil e você me mostra um pouco do Rio.
- E o canal, ? Vai deixar o Make ‘em Laugh parado durante um mês agora que está crescendo tanto?
- Eu sempre posso fazer conteúdos aí no Brasil. A fanbase não é tão grande, mas pode crescer. Mas, você também pode vir para cá se achar melhor. – convidou, esperançoso.
- Los Angeles, uh? Não sei, eu só viajei pela América do Sul.
- Eu posso te mostrar vários pontos turísticos e podemos fazer aquelas fotos elaboradas que eu sei que você gosta.
- Está tentando me comprar com uma câmera e umas poses, ? - ela perguntou, incrédula, tentando segurar o riso e o ruivo lhe dedicou o melhor sorriso.
- Está funcionando?
- Talvez, ruivinho. Talvez. - ela ponderou e ficou pelos minutos seguintes lhe contando todos os programas que poderiam fazer se ela realmente fosse até Los Angeles para as suas férias. esperava que ela estivesse mesmo considerando a ideia.

- E por que você não fez suas malas ainda, garota? - Miguel questionou a prima por telefone e a mulher só conseguiu rir. tinha ligado para ele durante seu horário de almoço e comentado sobre o convite de para passar as férias em Los Angeles.
- Você já viu o valor do dólar? Vai pagar pela minha viagem, Miguelito? – perguntou, irônica e ouviu o primo bufar do outro lado da linha.
- , deixa de ser idiota. O dólar não está nem R$4 e você tem como pagar pela sua viagem, não surta. - ele brigou. - Você vai demorar quanto tempo mais para conhecer esse menino? Daqui a pouco 2019 acaba e vocês ainda não se viram pessoalmente.
- Mas a gente se conhece há pouco tempo. E deixa de ser exagerado, estamos apenas no começo de maio.
- E daí? - ele ignorou o restante da frase e focou no que queria. - Ele provavelmente sabe mais de você e da sua vida do que eu ou a tia Rê. Você já tem um visto e um passaporte, precisa mais de quê?
- Eu não devia ter falado com você, tu queres me empurrar para um avião.
- Qual o problema, ? - perguntou com a voz suave e ouviu a mulher suspirar. Sabia que tinha algo errado.
- O que acontece se eu for e quebrar a cara como antes? - perguntou baixinho e Miguel conseguiu entender.
- Meu amorzinho, ele não é a Victória. Você sabe disso, não é?
- Eu sei disso, mas ainda tenho medo de me machucar.
- Se você se machucar, estaremos todos aqui para te ajudar a juntar os caquinhos. Sempre. - assegurou e disse um “obrigada” baixinho. - Agora me conta mais sobre as últimas tretas da empresa. Sabe que eu adoro uma fofoca nova. - Miguel trocou de assunto e ouviu a prima rir fraco enquanto embarcava no papo. Ela era muito grata por ter os amigos que tinha.
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Algumas horas depois, estava sentada ao lado de Bianca discutindo com ela sobre os próximos releases e abordagens com a imprensa. As duas estavam tão imersas que não viram Míriam, chefe de , se aproximar e pigarrear chamando a atenção delas.
- , podemos conversar rapidinho? - Míriam perguntou e logo as duas mulheres estavam se encaminhando para a sala da mais velha. entrou por último e fechou a porta atrás de si, dando de cara com a feição desanimada da chefe.
- ‘Tá tudo bem, Míriam? - quis saber se sentando na cadeira que era oferecida.
- Você sabe que o mercado editorial anda complicado, né? - a mulher começou e sentiu suas mãos tremerem levemente, mas manteve a pose e assentiu. - Mesmo com o seu ótimo trabalho de assessoria, as divulgações não andam trazendo o retorno necessário, . - ela suspirou.
- Há algo que eu possa fazer para melhorar essa situação? Podemos pensar junto ao marketing em um projeto mais agressivo para chegar aos leitores.
- Acho que essa é uma boa ideia, porque precisamos atirar para todos os lados agora. A Expecto ainda é muito pequena no mercado e com as livrarias fechando, tudo fica mais complicado para nós.
- Vou conversar com o pessoal e faremos o melhor para que a Expecto consiga se manter e atravessar essa crise! - prometeu e Míriam deu um sorriso contido. Ela confiava no trabalho de .
- Eu sei que sim e espero que a gente consiga, porque de outro modo, só nos restará fechar as portas.
- Não vamos deixar isso acontecer! - disse firme e ficou mais uns minutos conversando com Míriam sobre as melhores estratégias que poderiam bolar.
No restante do expediente, a mulher teve que se preocupar com mais algumas reuniões e marcou conversas com a equipe que trabalhava junto a ela. Quanto mais cabeças pensando sobre o assunto, melhores chances de ideias boas surgirem.
Ainda que estivesse fervilhando de ideias - e anotasse tudo em seu caderno para evitar esquecer, como geralmente acontecia -, ainda sentia que estava carregando um peso grande nos ombros. Sabia que seu emprego estava em jogo, assim como o estágio de Bianca e isso lhe deixava ansiosa. Pensando nisso, mandou uma mensagem para a mãe e perguntou se podia ficar por lá aquela noite. Dona Renata logo confirmou e tomou um rumo diferente assim que o expediente terminou.
Ela levou quarenta minutos a mais do que normalmente levava até a própria casa, mas não se importou muito. Quando viu a mãe, lhe apertou em um abraço que deixou Renata extremamente confusa, ainda que tivesse correspondido na mesma intensidade.
- O que houve, meu bem? - Renata questionou depois que a filha já estava de banho tomado e as duas tinham se sentado para jantar. Ela conhecia bem demais para saber que algo estava errado, então fez questão de pedir uma pizza para as duas. A filha gostava de comer um bom pedaço enquanto reclamava. Sempre tinha sido assim.
- As coisas não vão muito bem na Expecto, mãe. - ela começou chorosa e contou para mãe sobre o que tinha ouvido da chefe. Explicou sobre a crise no mercado editorial com o fechamento de algumas das principais livrarias e que estava se sentindo sobrecarregada. - Como eu vou virar para Bianca e dizer para ela que o estágio que ela tanto ama pode acabar em um estalar de dedos? O que eu vou fazer se a Expecto fechar, mãe? - algumas lágrimas já rolavam e Renata tinha se aproximado da filha, fechando os braços ao redor dela enquanto via sua menina tremer levemente.
- Calma, . Calma. - embalava a mais nova e se acalmava aos poucos no colo da mãe. - Você não pode entregar a toalha sem ter tentado o que puder.
- Mas e se não for o bastante?
- Aí você agradece pelo tempo de aprendizado e parte para próxima aventura, meu bem. - aconselhou a mãe e dedicou um sorriso a mais nova que parecia tão perdida no momento. - Você sempre pode conseguir outro emprego, sabe disso.
- Eu não quero outro emprego, mãe. - rebateu como uma criança e logo revirou os olhos ouvindo o que tinha dito. - Eu sei, eu sei. Preciso ter outras opções.
- Seria bom você começar a mandar alguns currículos, mas o jogo só termina no apito final.
- E você acha que eu vou conseguir outro bom emprego?
- Claro que vai, você é qualificada, minha filha. Precisa acreditar mais no seu potencial, ! - ralhou como se a mais nova fosse uma criança e as duas riram. - Talvez isso seja exatamente o que você precisa.
- O que quer dizer?
- Um passarinho me disse que você tem possibilidades de ir para os Estados Unidos. - Renata comentou displicente e deixou o garfo cair no chão com a fala da mãe.
- Eu vou matar o fofoqueiro do Miguel! - bufou e a mais velha riu da birra da filha. - Acha mesmo que eu deveria mandar currículo de trabalho para lá?
- Claro que sim! Você é uma excelente profissional, filha. Além do mais vai ajudar e muito o seu romance com o garoto youtuber. - Renata piscou esperta e viu a filha ficar envergonhada.
- E se a oportunidade vier? Eu vou embora sem mais nem menos? - perguntou ainda meio assustada e Renata segurou as suas mãos, fixando o olhar no da filha e tentando lhe passar toda a segurança do mundo.
- Querida, se vier uma oportunidade fora do país e for boa o bastante, você vai pegar sua melhor mala e embarcar no primeiro avião antes que eu te faça ir nadando até lá. - disse calma e assentiu sem falar mais nada. Sabia que a mãe estava brincando até certo ponto, mas não duvidava muito que a mãe lhe obrigasse a nadar até os Estados Unidos se fosse o caso.



Capítulo 10

- Você tem alguma dica para mim, Scott? - a brasileira questionou na conversa de vídeo que estava tendo com o homem alguns dias depois da conversa com Míriam. Ele estava no mercado audiovisual há mais tempo que ela.
- Tem certeza de que quer se manter como editora de vídeo? - ele quis saber enquanto pesquisava em outra aba do computador. Procurava entre os seus contatos alguém que talvez pudesse ajudar a mulher, já que os dois tinham se tornados bons amigos.
- Na verdade, eu estou pensando em atirar para todos os lados. - ela riu. - Sou jornalista e sei fazer de tudo um pouco. Pensei em voltar aos meus bicos de fotógrafa e modelo, mas não foram muito para frente na época. - deu de ombros.
- Eu posso tentar falar com o pessoal do meu último emprego. Era fotógrafo lá, mas talvez eles tenham alguma vaga ou indicação, não sei.
- E onde você trabalhou? Não me leve a mal, nessa incerteza eu estou aceitando indicações para todo lugar, mas preciso me preparar, né?
- No LA Times, conhece?
- Você trabalhou no Los Angeles -fucking- Times?! - não conseguiu segurar a voz e Scott riu da reação da brasileira. - ‘Tá de brincadeira comigo, Jones?!
- Eu não sabia que os brasileiros conheciam. - ele se desculpou e riu mais ainda com a cara de indignada de .
- Como jornalista é meio impossível desconhecer o LA Times, né? - revirou os olhos, mas logo se recompôs. - E você acha que eu posso te mandar o meu currículo?
- Claro, . Eu vou falar com o redator chefe e ver se ele consegue uma entrevista para você.
- Obrigada, Scott. Vai me ajudar bastante a ter um plano B caso a situação da Expecto piore. - os dois sorriram e lembrou de pedir. - Ah, será que poderia manter isso entre nós? Não quero que saiba sobre esse assunto agora.
- Tem certeza de que vai esconder isso dele? - perguntou sabendo por alto da relação que os dois mantinham.
- Não é questão de esconder, sabe? Eu só não quero criar uma expectativa desnecessária nele, considerando que posso ir até Los Angeles passar o próximo mês.
- Entendi! Bem, vai ser do jeito que quiser, então. - Scott se comprometeu e ela agradeceu mais uma vez. Eles ficaram conversando por mais um tempo sobre a situação da editora em que trabalhava, mas logo focaram nos detalhes que precisavam acertar para que a brasileira finalizasse a edição do último vídeo do Make ‘em Laugh.

- Como andam as negociações com a produtora, filho? - Francisco perguntou a durante o jantar familiar dos e Amélia, sua esposa, lhe lançou um olhar atravessado.
- A gente podia não falar sobre trabalho enquanto come, né? - Amélia olhou para o filho antes que ele pudesse dizer alguma coisa e Louise riu da cara do irmão.
- Mas não é só trabalho, Ames. - Francisco ainda tentou. - Tem a ver com a vida do e eu sei que você está louca para saber como ele está se virando longe da barra da sua saia.
- Eu estou, mas posso me controlar por alguns minutos para que a gente termine de comer. - disse dando fim ao assunto e todos voltaram aos próprios pratos. Francisco tinha feito bolo de carne naquela noite para a família. - Ok, ok! Fala sobre o canal, . Eu estou curiosa. - Amélia se rendeu e os filhos gargalharam junto ao pai.
- As coisas vão bem, mãe. Um pessoal da ABC entrou em contato comigo sobre a produção de uma sitcom, mas nada certo ainda.
- Lembra que qualquer coisa muito grande, você precisa falar com o pai da Bea. Ele cuida dos seus contratos, não tenta passar por entendido. - Francisco aconselhou e a esposa concordou. apenas assentiu para os pais, ele sabia disso.
- E quando você vai contar para gente sobre a sua namorada? - Louise perguntou como quem não queria nada enquanto brincava distraída com a comida. engasgou levemente e a irmã soube que tinha atingido o ponto certo. - Bea e George estão mais informados do que a sua própria família, que feio. - disse falsamente com um sorriso largo no rosto, vendo que os pais olhavam para querendo saber o que acontecia.
- Não vai contar nada para gente, filhão? - Francisco perguntou, curioso. - A gente vai querer conhecer a moça.
- Claro que sim, podemos marcar um almoço no próximo domingo e se você me disser o que ela gosta, posso fazer algo mais especial. - a mãe disse já planejando.
- Vai ser ótimo, já que domingo que vem tem jogo e essa temporada está maravilhosa. Ela gosta de basquete? Se ela ...
- Gente! - interrompeu os pais antes que eles continuassem a surtar com um jantar que nem aconteceria. Pelo menos, não tão cedo. - Uma coisa por vez, ok? - ele se virou para a irmã. - Primeiro de tudo: eu não tenho namorada, Lou. Não temos um relacionamento sério, por enquanto. E não, ela não vai vir aqui.
- Por quê? Tem medo que a gente envergonhe você mostrando aquelas fotos no troninho? - Louise zoou e jogou um pãozinho na irmã. Amélia repreendeu os dois.
- Por que ela não viria até aqui, ? - Amélia quis saber e o ruivo suspirou, meio desanimado.
- Ela é brasileira, mãe. Mora no Rio de Janeiro. - ele deu de ombros e viu os olhos do pai se arregalarem pela surpresa, ainda que ele parecesse animado pela novidade.
- Mas como vocês se conheceram? - Francisco perguntou e a feição de mudou da água para o vinho. Agora ele tinha um sorriso no canto dos lábios que só aumentava ao falar de .
- Bem, a - esse é o nome dela - se inscreveu em uma das vagas para trabalhar no Make ‘em Laugh e foi uma das melhores coisas que me aconteceu. Ela é incrível, muito talentosa com a edição, é linda, mais velha, tem um coração enorme e -
- E você está completamente apaixonado por ela. - Louise riu e Amélia concordou com a filha deixando vermelho de vergonha.
- Não é isso, é só que… - ele tentou justificar, mas abaixou a cabeça derrotado. - Ok, talvez eu realmente esteja apaixonado por ela.
- Mas isso é bom, não? - Amélia ficou preocupada. - Ela gosta de você também?
- Gosta, mas eu não sei se estamos sentindo a mesma coisa e na mesma intensidade. - ele deu de ombros. - Só assumimos que nos gostamos e estamos deixando as coisas acontecerem aos poucos.
Um barulho de notificação interrompeu a conversa e se desculpou enquanto tirava o celular do bolso, já que estava esperando um e-mail dos produtores da ABC. No entanto, quando ligou o celular se deparou com uma mensagem de e não conseguiu controlar o sorriso que brotou em seu rosto. Enquanto ele tratava de responder, Louise trocava olhares significativos com os pais, já imaginando com quem o irmão falava.
- ? - chamou Lou depois de uns minutos e o ruivo levantou o olhar do celular, meio confuso. - Ela seria louca se não gostasse de você. - comentou e piscou pro irmão que esticou a mão para segurar a dela agradecendo.
- Louise sendo legal por livre e espontânea vontade? O que está acontecendo, senhoras e senhores? - Francisco brincou com a filha, mas estava tocado com o momento entre suas crianças.
Logo os quatro estavam se alfinetando e o clima leve durou a noite inteira. amava esses momentos com a família, principalmente porque podia ver nos olhos de cada um deles o apoio que precisava para seguir em frente. Junto dos pais e da irmã, esqueceu o celular por uma noite e só veria no dia seguinte a mensagem que lhe deixaria pulando pela casa ao mesmo tempo em que queria se esconder.

“Ei, . Eu vou passar as minhas férias em Los Angeles e espero realmente que você me dê abrigo, porque eu já comprei as passagens. O dólar ‘tá quase R$4 e eu não estou afim de virar uma sem teto por aí, então colabora. Ah, já ia esquecendo: minha mãe quer te conhecer antes que eu vá. Algo sobre você poder ser um sequestrador em potencial ou coisa assim, mas só coisas boas. Ela vai te amar. Eu espero. Nos falamos mais tarde, ok? ❤ ”

- O que a sua mãe quer saber sobre mim? - perguntou na primeira chance que os dois tiveram de fazer uma videochamada, o que demorou quase uma semana, já que estava atribulada com a editora.
- ‘Tá achando que eu vou te entregar o ouro assim, ? - brincou deitando no sofá e posicionando o notebook na mesinha de centro enquanto via a carinha de pidão que ele fazia. - Apenas seja você mesmo, ruivinho, e vai dar tudo certo. - disse com a voz suave e ficou ainda mais feliz quando viu o homem sorrir com o apelido.
- Ela não se importou com o fato de eu ser mais novo que você? - quis saber e negou com a cabeça. - Ou com eu viver de vídeos na internet?
- Isso é pelo que ela deveria não gostar de você ou do que você não gosta em si mesmo? - riu para aliviar o nervosismo do outro. - Acho que ela só ia reclamar se você fosse menor de idade, coisa que aqui no Brasil você não é. - completou rápido antes que ele falasse dos Estados Unidos - E você faz 21 em poucos meses, então não é tão problemático assim.
- Acho que eu só vou relaxar depois que isso tudo acabar. Tem certeza de que não quer que eu a conheça quando você chegar aqui? – sugeriu, pidão e a brasileira discordou.
- Ela me pediu para ser antes da viagem e eu achei bem razoável, . Sem contar que ela tem alguma dificuldade com inglês e eu prometi estar do lado dela para traduzir a conversa, se fosse necessário.
- Então você pode me fazer parecer legal para sua mãe mesmo que eu pise na bola e fale algo que não deveria? – perguntou, esperançoso e achou uma graça.
- Eu disse que ia traduzir, não mentir para ela. - a mulher riu e negou com a cabeça. - Falar com a minha mãe online não vai ser tão preocupante quanto a probabilidade de encontrar seus pais ao vivo, né?
- Você vai querer conhecê-los?
- Não sei, você não acha que as coisas entre nós estão indo rápido demais?
- , você sabe que nós nos gostamos. O que está te prendendo?
- Um medo idiota de me magoar nisso tudo e de acabar perdendo alguém especial como você. - ela deu de ombros e desviou o olhar para longe do computador. - Talvez eu goste mais de você do que queira admitir. - disse com a voz baixa e sorriu largamente.
- Eu também gosto de você mais do que quero admitir, . - ele disse suavemente - Você só precisa nos dar um voto de confiança.
- Acha que isso vai dar certo? Você sabe que não adianta depositar todas as suas expectativas em um relacionamento à distância, né? - questionou olhando fixamente para o homem na tela do computador. Era o máximo que eles tinham naquelas condições.
- Eu não estou depositando expectativas. - retrucou. – ‘Tô depositando o meu coração aqui. Você pega ou larga?
- Espero que a gente não se arrependa disso, porque eu pego, . - a mulher suspirou, mas abriu um sorriso que foi logo imitado pelo ruivo. - Quer namorar comigo? - perguntou em um ímpeto antes que desistisse.
- O-o quê? - ele gaguejou e riu.
- Eu não quero mais isso de sem compromisso, não com você. - ela deu de ombros e ouviu a campainha do apartamento tocar atrás de si. - Foi salvo pelo gongo, hein? - ela brincou se levantando e indo até a porta enquanto só observava os movimentos da brasileira pelo computador.

O ruivo ainda estava meio atônito com o pedido. Não que quisesse recusar, mas não esperava que fosse tomar a iniciativa e que isso aconteceria enquanto eles ainda estivessem em países diferentes.
Agora, ele via a mulher conversar algo em português com um homem e receber um buquê de girassóis. Ela ainda estava de costas pro computador e seguia sem entender uma palavra do que era dito, mas ela soava nervosa. Ou talvez fosse coisa da cabeça dele.
viu quando fechou a porta meio atordoada e se sentou no sofá, meio que esquecendo que ele ainda estava lá. Ele até considerou desligar e dar um espaço a brasileira, mas quando ela começou a ler o cartão, viu que seus olhos marejaram um pouco e que talvez precisasse dele.
- ? - ele chamou baixinho e a mulher balançou a cabeça voltando a dar atenção à tela do computador. - Você ‘tá bem? Quer conversar?
- Eu encontrei com a Victória. - ela disse rápido e ofegou pela surpresa. Aquelas flores vinham da ex namorada então?
- O que isso quer dizer? - ele perguntou ainda que temesse a resposta.
- Ela estava na festa de carnaval que eu fui com os meus amigos - ela deu de ombros - e deixou bem claro que me quer de volta.
- Foi o que ela escreveu nesse cartão?
- Basicamente. - ela suspirou e resolveu deixar as flores e o cartão de lado, chegando mais perto do computador. - Eu sei que ela ainda me afeta, mas não é de um jeito bom. Não há uma volta para nós duas. Ela me fez muito mal e não quero passar por isso de novo.
- Girassóis? - ele apontou paras flores ao lado dela e a brasileira soltou uma risadinha sem humor.
- Minhas flores preferidas que ela nunca lembrou. - revirou os olhos. - Mais clichê impossível.
- E por que não me contou que se encontraram? Digo, sabe que somos amigos antes de qualquer coisa, certo?
- Achei que ia criar uma situação chata entre nós a toa e quis evitar. Não estava pensando muito naquele momento.
- Foi por isso que você disse que gostava de mim naquele dia? Por ter encontrado com ela? - quis saber desconfiado e logo negou com a cabeça.
- Claro que não, ! - se apressou. - O que eu disse para você naquele dia foi apenas por sua causa. Por nossa causa. Eu encontrei com ela depois de ter desligado o telefone com você.
- Você tem certeza do que me perguntou antes de atender à porta? - retomou o assunto e pareceu ligeiramente mais feliz que ele tivesse voltado ao tema.
- Eu sei que tenho inúmeros problemas, todo mundo tem. Mas, eu tenho certeza de que se eu não me abrir o máximo que posso para você, vou me arrepender lá na frente. - ela suspirou. - Então, , eu refaço a pergunta: você quer namorar comigo?
- Como vou saber se você beija bem o bastante para eu namorar com você? - ele brincou e a mulher sorriu.
- Eu estou indo para Los Angeles com o dólar em alta e você ainda está preocupado com o meu beijo? - ela rebateu, indignada, mas os dois riram e se olharam profundamente, mesmo que pela tela do computador.
- Eu preciso dizer sim? - ele questionou baixinho e a brasileira assentiu. - Mil vezes sim, .
- É bom você beijar bem, ! - ela bronqueou e o ruivo riu contente.
- Você não tinha dito que eu não podia me preocupar com o seu beijo?
- Disse e isso vale para você. Eu estou me deslocando para outro país e contando com o seu abrigo, ruivinho. Se você beijar mal, eu fico sem teto nos Estados Unidos. Acho que estou arriscando muito mais que você, não? - ela zoou e riu alto enquanto concordava.



Capítulo 11

- Finalmente, ! - Pietra comemorou e Camilo concordou com a amiga enquanto brindavam. - Já estava mais do que na hora desse namoro sair, garota!
- Não sei do que você está falando. - se fez de desentendida e os amigos lhe jogaram almofadas. - Tá, tá! Talvez eu tenha demorado um pouco para aceitar que eu gosto mesmo dele.
- Troque ‘um pouco’ por ‘muito’ e a gente pode começar a conversar, ok. - Camilo brincou, mas abraçou a amiga de lado. - Estamos muito felizes por você e vamos querer saber o que vai acontecer quando vocês se encontrarem ao vivo. Até os detalhes sórdidos.
- Principalmente os detalhes sórdidos, amiga. - Pietra corrigiu e negou com a cabeça. Os amigos não tinham noção nenhuma, meu Deus.
- Agora só falta ele conhecer a minha mãe oficialmente. - ela comentou, nervosa. - Eu já contei sobre o namoro e espero que ela não me faça passar vergonha com isso.
- O Miguel vai estar presente? - Camilo questionou e viu revirar os olhos, concordando. - Boa sorte, então. - ele riu e Pietra desejou também. Se eles eram emocionados, Miguel conseguia ser pior.

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- Vocês prometem se comportar? - questionou a mãe e Miguel antes de começar a chamada de vídeo com . Dona Renata revirou os olhos pra filha e lhe beliscou de leve. - Ai, mãe. Eu só queria me certificar. - reclamou antes de ligar para o ruivo pelo computador. Quando ele apareceu na tela, a jornalista quis rir, mas se segurou. O cabelo dele estava perfeitamente alinhado com o que parecia ser gel, além da blusa quase social que ele vestia. - Falar com a minha mãe não é participar de entrevista de emprego, . - soltou, fazendo a mãe e o primo rirem contidos enquanto ficava vermelho do outro lado. - Fica tranquilo, meu bem. Não precisa de nervosismo. - ela o viu assentir e suspirar, tentando ficar mais controlado.
- , não é? Como vai? - dona Renata arriscou em inglês e a filha sorriu lhe incentivando. - me falou muito sobre você.
- Olá, senhora . Eu estou bem e a senhora? - ele sorriu trêmulo e Renata achou o garoto adorável. Tinha sentido esse mesmo nervosismo na adolescência com os pais de uma namorada mais séria. - Olá também, Miguel. comentou bastante sobre você comigo. - cumprimentou o primo que deu um tchauzinho, mas se manteve em silêncio observando toda a interação. - Espero que ela tenha falado bem de mim para vocês.
- Claro que eu falei, acha que vou queimar seu filme quando você vai me abrigar fora do país? - a jornalista riu e revirou os olhos, relaxando um pouco mais.
- Não precisa me chamar de “senhora”, querido. Renata é o suficiente! - ela sorriu e ficou mais animada. - Por que não me conta um pouco sobre o que gosta de fazer?
E pelos próximos minutos, viu e a mãe conversarem como se ela nem estivesse presente. Dona Renata apenas se lembrava dela quando esquecia alguma palavra ou não entendia algo que o ruivo dizia. Nada além. A mãe estava até levando muito bem um papo em inglês e , pelo que a mulher percebia, tentava falar de forma mais pausada e sem tantas gírias pra facilitar o entendimento.
No entanto, estava preocupada com Miguel. O primo estava calado desde que a chamada começara, o que era bem estranho já que ele também estava ansioso para conhecer .
A conversa durou mais algum tempo e logo eles estavam desligando. Renata tinha gostado bastante de e estava nas nuvens por isso. Em um momento em que a filha levantara para ir ao banheiro, a mulher fez questão de pedir ao garoto que cuidasse bem do coração de sua menina, ao que ele prontamente concordou. Ela sabia que já era uma mulher crescida e que era dona de suas atitudes, mas o que pudesse fazer para que sua filha não se magoasse mais, ela faria.
- O que aconteceu lá? - questionou o primo quando os três se sentaram para jantar.
- Do que você ‘tá falando?
- Miguel, você entrou mudo e saiu calado na chamada com o , meu filho - Renata comentou e o homem deu de ombros. - Não gostou dele, é isso?
- Ele parece gente boa, não é esse o problema.
- Então, qual é o problema? Até ontem você estava quase me empurrando para o primeiro avião pra Los Angeles. O que mudou?
- É só que com a outra lá eu fui com a cara no momento em que a conheci e deu no que deu. Eu só quero tomar mais tempo para conhecer o antes de dar meu veredicto sobre ele.
- Mas você mesmo fica me dizendo que ele não é ela. - disse baixo e o primo assentiu.
- E não é. Ele parece realmente gostar de você e se preocupar em construir algo saudável do seu lado. O ponto não é esse. - ele suspirou. - Eu me preocupo com você, prima. - disse entrelaçando os dedos aos da mulher. - Só quero te ver feliz. Mas, não quero me apegar a esse ruivo sem ter absoluta certeza de que ele é o cara certo para você.
- Nem eu sei se ele é, Miguel. - riu e o primo sorriu de lado.
- Por isso vamos levar todos essa relação com calma e construir laços aos poucos. Eu não preciso amar ele de cara, priminha. Você é quem precisa estar afim de tornar seus sentimentos por ele realidade.
- Eu sei, obrigada por isso. - a mulher agradeceu e lhe puxou para um abraço apertado. Renata sorriu para a interação de suas crianças e logo se levantou abraçando os dois com os olhos marejados. Os primos riram quando a mais velha apertou suas bochechas como fazia quando eram pequenos. os abraçou ainda mais forte. Ela não trocaria esse aconchego por nada.

- Como foi conhecer a sogrinha? - George perguntou, deixando o ruivo vermelho. Ele, Bea, Scott e estavam sentados comendo uma pizza entre um filme e outro. Os três tinham acolhido Scott no grupo e agora as relações entre eles iam pra além dos negócios - Ficou com medo e começou a gaguejar? - ele sugeriu e Bea lhe deu um beliscão em reprovação. Deve ter sido bem dolorido, já que ele logo reclamou e se calou.
- Ela é maravilhosa, uma mulher muito simpática. Bem parecida com a fisicamente, mas com aquele ar de mãe carinhosa, sabe. Gostei dela. - ele comentou e os três sorriram.
- Como você acha que vai ser quando a vier para cá? - Bea quis saber. - Eu sei que ela vai ficar aqui, mas você já tem algum plano?
- Pensei em levar ela para conhecer os pontos turísticos e, depois, planejarmos alguma coisa juntos. Sei que ela está vindo cheia de expectativas: é a primeira viagem para fora da América do Sul.
- Só ela está cheia de expectativa, né? - Scott zoou e lhe jogou uma almofada. - Vai ser bom ter a por aqui, só sinto que vou ficar em uma eterna vela. - ele deu de ombros bem humorado.
- Você deve estar louco para dar uns beijos nela, né? - Bea brincou, mas concordou enfaticamente.
- Acho que nunca me senti assim. Essa coisa de gostar sem nunca ter tocado é tão estranha, mas ao mesmo tempo parece ser tão certa com ela.
- Mais apaixonado que esse garoto, impossível. - George brincou e riu contente. Sim, ele estava apaixonado por . Cada dia mais. Como eles se prepararam para ver outro filme, o ruivo foi rápido e procurou a conversa com . A brasileira ainda devia estar trabalhando, ultimamente ela estava atarefada demais na editora, tinha até pedido alguns dias de folga do Make ‘em Laugh para que pudesse se dedicar apenas ao trabalho. Eles não se falavam desde o dia anterior quando ela deixou uma mensagem rápida comentando do cansaço.
Ele estava com saudades, por isso deixou uma mensagem para ela antes de voltar a dar atenção aos amigos.
“Estou torcendo para que as coisas estejam funcionando melhor na Expecto e que você tenha conseguido descansar. Você comeu hoje? Caso não tenha feito, se alimenta antes de dormir. Não esquece ❤”

- Quantas malas você está trazendo? - perguntou chocado com a quantidade de roupas espalhadas pela cama de . A brasileira viajaria em uma semana e já tinha começado a se aprontar. - Achei que você tinha dito que queria fazer compras por aqui.
- E eu quero, meu bem. Mas vou passar um mês com você, não dá para levar só o básico, né? – explicou, dobrando seu moletom de estimação da faculdade e colocando no fundo da mala. - Estou agradecendo por não precisar levar meu computador, já vai ser menos uma coisa para declarar.
- Se você quiser, pode deixar a câmera em casa também. Eu tenho mais de uma por aqui.
- Não vai se importar de deixar ela comigo pela viagem inteira?
- Claro que não, . Pode trazer só seus cartões de memória, porque os meus estão em falta. - ela comemorou ao ouvir isso e o homem sorriu com a felicidade dela. - Como estão as coisas na Expecto? - ele quis saber e ela parou de dobrar uma blusa para olhar para ele meio desanimada.
- Nada bem. - bufou e fechou os olhos por uns segundos antes de abrir. Aquele assunto era difícil. - A gente está tentando uma abordagem mais agressiva para divulgar os nossos livros para a imprensa, mas não está dando um bom retorno de venda. São muitos funcionários e eu realmente não sei por quanto tempo a editora vai se manter.
- E o que eles vão fazer nesse seu mês de férias?
- Minha chefe comentou que eles vão se dividir no marketing para cuidar da assessoria. A minha estagiária não pode ficar sozinha nesse meio tempo, né? Eu criei com o pessoal uma estratégia de divulgação dos últimos lançamentos, mas não sei. Não tenho boas expectativas. - ela secou uma lágrima que nem tinha reparado escorrer. Ver a situação atual da Expecto era bem doloroso, já que aquele lugar era quase uma casa para a mulher.
- Eu queria muito estar aí para poder te abraçar, baby. - ele disse tão naturalmente, mas a mulher estancou e abriu um sorriso. - O que foi?
- Eu só gostei de ter sido chamada assim. - ela deu de ombros, a felicidade ainda estampada no rosto e o ruivo ficou até um pouco envergonhado do outro lado. - Você é lindo, ruivinho. - ela mandou um beijo e o homem riu meio sem graça.
- Sinto que você adora isso. - ele reclamou e a mulher assentiu.
- Ver você vermelho é um dos meus prazeres, já que estamos longe. - ela comentou, despreocupada. - Quando estivermos perto, a conversa será outra. - ela piscou e viu se remexer levemente na cadeira.
- Você pensa nisso? - ele quis saber e a mulher mordeu a língua para conter a brincadeira. Ele parecia genuinamente curioso e as zoações podiam esperar. - Digo, nós dois e - ela interrompeu.
- , nós somos adultos em um relacionamento à distância. Não é porque não falamos o tempo inteiro sobre sexo que não é algo passível de acontecer. Digo, se nós dois estivermos confortáveis com a situação, claro. Não se trata só de mim.
- É só que eu não quero te decepcionar, entende? Não tive muitas experiências e eu sou mais novo que você, sei lá. - ele deu de ombros.
- Sexo não é questão só de saber onde tocar ou beijar, . Para mim é questão de entrega e eu estou completamente entregue a você. Mesmo sem beijar você, o que é um feito e tanto, . - ela brincou e o homem riu fraco do outro lado da tela.
- Eu também estou entregue a você, . - ele confirmou e a mulher sentiu o estômago remexer de uma forma boa. - É bom você beijar bem, . - repetiu o que ela tinha dito há semanas atrás e a mulher soltou uma gargalhada alta.
- Depois que você provar, nunca mais vai querer saber de outra mulher na sua vida, . - ela comentou esnobe, balançando os cabelos que estavam soltos.
- Estou contando com isso. - ele piscou e a mulher mordeu o lábio inferior. Como ela queria beijá-lo agora. Faltava tão pouco!

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Os dias tinham passado numa correria grande para na Expecto. A mulher dera os últimos retoques com a equipe para que ela pudesse sair de férias mais tranquila e dito a Bianca que estaria a uma chamada de distância se houvesse qualquer problema. Entre as duas, tinha instruído a garota a dar o melhor de si, mas também a mandar currículo para outras vagas de estágio. Ela tinha até mandado o currículo da estagiária para alguns amigos de faculdade para tentar ajudar. Elas precisavam se preparar para qualquer cenário.
A quarta-feira de 5 de junho de 2019 tinha amanhecido ligeiramente mais fria, mas não se importou. Suas férias começavam e em pouco tempo ela estaria embarcando para as suas muitas horas até Los Angeles. Ela faria duas escalas: uma em São Paulo, no Aeroporto de Guarulhos e outra em Houston, no Aeroporto Intercontinental George Bush, para só então chegar a Los Angeles. já tinha conferido sua bolsinha de remédios várias vezes, porque ela pretendia dormir boa parte do segundo voo que ia de São Paulo a Houston, esse levaria mais tempo.
Sua mãe e seu primo tinham se comprometido a buscá-la de carro para que pudessem ir para o aeroporto. Pietra e Camilo iam direto e ela tinha pouco mais de uma hora para se arrumar. Suas duas malas já estavam paradas estrategicamente ao lado da porta, junto a sua mochila com toda a documentação. tomou um café rápido e mandou uma mensagem a que, provavelmente, ainda estava dormindo graças ao fuso.
A mulher foi tomar um banho, já que ia demorar para fazer isso de novo, e aproveitou para lavar os cabelos e secá-los do jeito que gostava, com direito a finalização elaborada em seus cachos e tudo. Ela colocou um jeans de lavagem clara e uma blusa simples, mas vestiu seu moletom azul da Corvinal para espantar o friozinho que sentia. Colocou seu converse branco e estava perfeita para enfrentar as mais de 20h de viagem. Ela cansava só de pensar, mas valia a pena.
Quando ela estava terminando de lavar a pouca louça que usara para o café, sua campainha tocou. estranhou, já que a mãe tinha acabado de ligar dizendo que eles demorariam mais uns 15 minutos para chegar. Ela secou a mão em um pano de prato e abriu a porta sem olhar pelo olho mágico achando que era o porteiro, mas se enganou. Victória estava parada e lhe encarava timidamente.
- O que você faz aqui? - perguntou sem nem cumprimentar a ex e a mulher deu um passo para trás impactada pela frieza. - Como te deixaram subir sem me avisar?
- Acho que o porteiro de hoje ainda lembra de mim e não sabe que terminamos. - ela deu de ombros. - Posso entrar? – perguntou, incerta e viu se afastar minimamente lhe dando espaço e fechando a porta quando ela passou. Não queria possíveis escândalos no corredor. Victória entrou no apartamento e, observando o espaço, viu que algumas coisas tinham mudado. A decoração parecia mais leve e todas as fotos das duas que viviam espalhadas pelo lugar já não existiam mais. Quando ela se virou de volta, seus olhos bateram nas malas próximas a porta e ela engoliu em seco. - Você vai embora?
- Não é como se fosse da sua conta, Victória. - foi seca e cruzou os braços. - O que você faz aqui? - repetiu a pergunta.
- Você não respondeu às minhas flores, leãozinho. - Victoria se sentou no sofá como se estivesse em casa e teve que se movimentar para conseguir olhar para seu rosto. - Não sabia que falta de educação estava na lista dos seus defeitos, amor.
- Como soube que eu estaria aqui a essa hora? - quis saber sem se afetar com a cara de pau da outra. Victória soltou uma risadinha culpada.
- Talvez eu tenha ligado para Míriam me passando por uma jornalista que queria uma entrevista com um dos seus autores. - ela deu de ombros. - Ops.
- Você mentiu para minha chefe, muito bem. Nada surpreendente, agora o que você quer comigo?
- Já disse, você não respondeu às minhas flores. Não gostou? - a mulher se levantou e se aproximou perigosamente da ex. engoliu em seco. - Você sempre amou girassóis. - soprou próxima a boca da jornalista que se afastou no mesmo momento. Victória era tóxica até em seus toques, não traziam mais coisas boas.
- Você teve bastante tempo para usar essa informação e não fez, Vic. - foi irônica e viu a ex levantar as mãos em rendição. - Eu não respondi às suas flores porque não quis. Isso foi uma resposta. Não há uma volta para nós duas. - ela foi firme.
- Essa é a sua última palavra? - Victória cerrou as mãos com força tentando controlar a raiva.
- Minha última palavra foi quando terminamos. - se distanciou em direção a porta e abriu. - Essa sou eu repetindo que não vamos voltar para ver se entra na sua cabeça e você entende, Vic. - ela apontou com a cabeça para fora e viu a mulher assentir. Ela não disse mais nada, só saiu do apartamento sem olhar para trás. só esperava que fosse para sempre.
Depois de fechar a porta, se encostou e deixou os olhos cerrados por alguns segundos. Ela sentia que podia começar a chorar a qualquer minuto. Não esperava encontrar Victória justo hoje quando em pouco tempo estaria nos braços de . Sua respiração se descompassou aos poucos, seu coração batia mais forte e ela teve que procurar a cadeira mais próxima para se sentar. Pressionou levemente as têmporas e tentou se concentrar em qualquer coisa que não fosse o que tinha acontecido.
. Seus olhos castanhos claros. Suas sardas, sua voz. Ela logo estaria com ele, não precisava se preocupar com nada. Ainda estava tentando se acalmar quando seu celular começou a tocar em cima da mesa. correu para atender e suspirou quando viu o número da mãe na tela.
- Querida, estamos aqui embaixo. O Miguel está subindo para te ajudar com as malas. - ela falou rápido e logo desligou. foi rapidamente ao banheiro e jogou um pouco de água no rosto tentando se recompor antes de encontrar o primo. A campainha tocou quando ela já tinha se secado e Miguel notou que algo estava errado assim colocou os olhos na prima.
- O que aconteceu? Nervosismo pré-viagem? - ele puxou a mulher para se sentar no sofá e segurou firme em sua mão. Ela tremia um pouco.
- Victória esteve aqui.
- Quando?
- Ela saiu um pouquinho antes de você chegar. - ela deu de ombros e fechou os olhos com força abraçando o primo de lado. Miguel aconchegou por uns minutos em silêncio antes de ouvir o próprio celular tocar no bolso. - Minha mãe, né?
- Você sabe que a tia Rê detesta esperar. - ele comentou e a prima deu um risinho, assentindo. - Quer conversar sobre isso?
- Não há o que conversar, Miguel. Eu tive que dar mais um ponto final nessa história com ela e, espero que dessa vez ela tenha entendido. - finalizou o assunto se levantando e pegando a mochila para arrumá-la nas costas. - Vamos?
O homem soube que ela não voltaria a falar sobre e que não deveria comentar o acontecido. Os dois conferiram as luzes e as tomadas uma última vez e saíram do apartamento puxando as malas de carrinho de . Ela estava decidida a ter a melhor viagem que pudesse.
O caminho para o aeroporto foi bem tranquilo, tentou se divertir com a mãe e o primo para amenizar a saudade que sentiria naquele mês. Logo depois de despachar a bagagem e fazer o check-in, os três sentaram em um café próximo ao começo do embarque para comer alguma coisa enquanto esperavam Pietra e Camilo.
Não demorou muito e os cinco estavam reunidos passando o tempo até que os passageiros começassem a ser chamados. O primeiro voo seria curto até São Paulo, mas era basicamente a primeira vez que viajava completamente sozinha para tão longe. Ela abraçou os amigos e prometeu alguns presentinhos e muitas fotos da viagem. Miguel veio em seguida e apertou a mulher com força e só lhe deixou ir depois de sussurrar um “Se alguma coisa der errada, você me avisa que eu pego o primeiro avião para quebrar a cara desse ruivo” ao que ela riu assentindo meio incerta.
Dona Renata ficou por último e já estava meio chorosa quando abraçou a filha que não se conteve e soltou algumas lágrimas também. A mãe fazia várias recomendações, como se já não as tivesse feito antes, e segurou o rosto da mais nova ao se separarem.
- Eu volto em um mês, mãe. Não seja boba. - ela sorriu e dona Renata secou algumas lágrimas que teimavam em rolar.
- Sinto que essa é só a primeira separação, querida. Você tem um futuro enorme pela frente para que eu queira te prender na barra da minha saia pro resto da vida. - disse antes de deixar mais um beijo em sua testa e lhe dar um segundo abraço para que pudesse entrar para embarcar.
Ela foi andando de costas e acenou para as quatro pessoas. Eles estavam todos de mãos dadas, parecia até que ela ia ficar para sempre em Los Angeles. Tão dramáticos, mas ela já morria de saudades.
Foi só quando já estava devidamente acomodada na poltrona do avião que tirou uma selfie fazendo careta e enviou para . Ela não o esperou responder, logo a aeromoça vinha passando pedindo para que desligassem os celulares ou os colocassem em modo avião. Desligando, então, o aparelho, pegou seu fiel exemplar de Ordem da Fênix na mochila e começou a ler para espantar o tédio da primeira parte da sua viagem. Los Angeles estava a muitas horas de distância.



Capítulo 12

Se dissesse lembrar de suas horas de viagem, ela estaria mentindo e muito. Foram tantas escalas e horas aguardando no aeroporto, sem contar o tempo de viagem em si, que a mulher já nem precisava mais de remédio para dormir. Pelo contrário, ela teve que se entupir de café para se manter acordada quando precisou.
Por sorte, ela já estava na última parte da viagem e, de acordo com a aeromoça, em 30 minutos eles pousariam no Aeroporto Internacional de Los Angeles. tinha ligado para durante o tempo de espera no aeroporto de Houston avisando, mais ou menos, que horas chegaria e o ruivo tinha confirmado que a esperaria no portão de desembarque.
Aproveitando o pouco tempo que ainda tinha, a brasileira foi rapidamente ao banheiro da aeronave jogar uma água no rosto e conferir o estrago que mais de 20h de viagem tinham feito. Se olhando no espelho, ela molhou um pouco os cabelos e os prendeu em um coque alto e despojado. podia até tentar dar um jeito nas olheiras que já se formavam, mas estava tão cansada. Só deu um reforço no desodorante e trocou a camisa que levava pela do Make ‘em Laugh que estava em sua mochila. Escovou os dentes depressa e voltou para a sua poltrona no mesmo instante que avisaram sobre o começo do pouso. Faltava tão pouco para eles.

Uma pilha de nervos. não podia se definir de outra maneira. Ele já não tinha conseguido dormir direito na noite anterior e, agora que estava cada vez mais próxima, muito menos. O ruivo tinha dispensado a companhia dos amigos para buscar a namorada - é, ainda parecia muito estranho pensar nela dessa forma, ao mesmo tempo em que ele abria um sorriso enorme por isso - e agora estava parado na frente do portão de desembarque.
Ele até tinha considerado comprar flores para a mulher - Beatrice tinha encorajado o ato romântico -, mas eles não eram assim. Ao invés disso, ele estava com um cartaz branco com o nome dela escrito em vermelho e uma frase em português, para que ela pudesse identificar com mais facilidade. só torcia para que o Google Tradutor não tivesse sacaneado a sua surpresa pseudo-romântica.
Já passava das 4 horas da manhã, mas ele não estava com o mínimo sono. De acordo com o painel de voos - que ele checava de minuto em minuto -, já tinha desembarcado. Agora ela provavelmente estava enfrentando uma enorme fila de bagagens e passando pela imigração com uma carta escrita por . Era tanta burocracia que lhe deixava tonto.
O ruivo esperou por mais uns 40 minutos observando a movimentação do desembarque para que, por fim, avistasse a mulher que tão bem conhecia por vídeo chamada. Ela era notoriamente mais baixa do que parecia, mas não deixava de ser linda. Principalmente com aquela carinha de cansada e com a blusa do Make ‘em Laugh que ela vestia.
Ele deixou que ela saísse da aglomeração de pessoas empurrando seu carrinho com as duas malas grandes e uma mochila para erguer o cartaz que tinha preparado. soltou uma gargalhada que preencheu o ambiente quando seus olhos leram o que estava escrito e, quando ela percebeu que chamara atenção demais, andou a passos apressados até .
- Você é muito mais alto do que parecia - ela riu meio sem graça, mas abriu os braços para ela que logo cobriu a distância entre eles e se aconchegou ali. Era uma sensação tão nova estar pertinho.
- Ter você aqui não chega nem perto do que eu imaginei. - ele suspirou enquanto absorvia o perfume de e apertava o abraço sentindo a mulher fazer o mesmo em sua cintura.
A brasileira se afastou minimamente e ficou na ponta dos pés para encarar o rosto de com mais facilidade. Não é como se os dois não soubessem o que estava acontecendo, eles só foram aproximando os rostos até o momento em que suas bocas se chocaram. tentou até aprofundar o beijo, mas estranhou, uma confusão estampada em todo o seu rosto.
- Eu esqueço que aqui vocês não têm esse costume de colocar a língua nos beijos - ela sussurrou sem conseguir evitar a risada e voltou a beijá-la, dessa vez sendo ele a aprofundar o contato. só conseguiu rir com a empolgação e beijá-lo de volta. Definitivamente aquele ruivo sabia como usar a língua.
O casal estava tão entretido que não reparou quando uma senhorinha começou a observá-los com um sorriso no rosto, apenas quando ela começou a bater palmas que os dois se deram conta de sua presença e se separaram, envergonhados. estava quase tão vermelho quanto seus cabelos e achou melhor que eles fossem embora.
O caminho até a casa de foi bem tranquilo e, razoavelmente rápido, ao que agradeceu. Ela só queria um bom banho e cama. Quando o ruivo estacionou em frente a uma casa, logo saiu observando tudo ao redor antes de ajudá-lo com as malas.
percebeu o quanto a mulher parecia exausta, então fez tudo o que podia da forma mais rápida possível.
- Por quanto tempo mais você consegue se manter acordada? - o ruivo quis saber antes de abrir a porta da casa e ouviu a namorada rir.
- O tempo de tomar um banho e cair na cama - ela deu de ombros. - Tem alguma surpresa que eu não deveria ver?
- Acho que é melhor você ir até o quarto de olhos fechados. - ele sugeriu e ela sorriu, assentindo. Suas surpresas podiam esperar até o dia seguinte quando ela lembraria de tudo com mais facilidade.
Seguindo o pedido de , fechou os olhos com força e foi se deixando guiar pela mão dele firmemente junto da sua. Os dois subiram alguns degraus com certa dificuldade graças às malas, mas não demorou muito até que estivesse no banheiro tomando banho.
O homem aproveitou o tempo para tomar um banho no outro banheiro e voltar rápido para o quarto. Eles não demoraram muito para se aconchegar na cama de , o ar condicionado ligado, os dois envoltos por cobertas. Era notório o sono de , então o homem se limitou a mantê-la próxima ao seu corpo para que ela pudesse descansar das horas de viagem.
- ? - ela chamou baixinho depois de um tempo e ele até estranhou. Não esperava que ela seguisse acordada. Ele murmurou em sinal de que estava ouvindo - Estava à altura da sua frase?
- Com certeza, muito melhor eu diria. - ele riu de leve e abraçou mais o corpo da namorada. Ela virou o rosto minimamente para lhe deixar um beijo no rosto.
- ? - chamou de novo, mas não esperou o ruivo responder. - Quando você for ao Brasil, também vou te fazer passar vergonha no meio de várias pessoas que sabem o que está escrito em um cartaz. - ela ameaçou, mas não conseguiu esconder o sorriso. soltou uma risada antes de encher a bochecha de de beijos. Ele tinha lhe recebido com um cartaz que dizia “Estou louco para saber se você beija bem” e ia pagar por isso. Mas tinha valido muito a pena.

O dia não demorou a começar para que quase jogou o celular longe com o despertador gritando em seu ouvido. Ela já tinha acertado o fuso horário e, pelo que conseguiu enxergar, já passava das 11 horas da manhã. Ela coçou os olhos e se sentou na cama, aproveitando para se espreguiçar e acabou reparando que estava sozinha no quarto. Provavelmente já tinha levantado há horas e estava trabalhando em alguma edição para o canal.
A mulher aproveitou para ir até uma de suas malas nos pés da cama e pegar uma roupa para trocar. Pela janela, Los Angeles parecia bem quente, então nada melhor do que um short e uma regata. Look mais carioca, impossível. Ela não demorou muito mais do que 30 minutos para se aprontar e resolveu descer para tentar encontrar pela casa. Quando chegou na sala, encontrou a parede principal decorada com bandeirinhas do Brasil e dos Estados Unidos. Um grande “Seja bem-vinda ao nosso lar” estava colado em inglês em cima de uma mesa de café da manhã completa com várias coisas, desde panquecas e bacon até café, leite e pães. Tinha até uma latinha perdida de Nescau que não tinha ideia de como aparecera ali. E, foi a primeira coisa que ela pegou para checar. Abriu e realmente era achocolatado. Como tinha conseguido isso?
- Pietra me disse que você ama tomar isso de manhã. - ela ouviu uma voz às suas costas e quando virou, olhava para ela em completa alegria - Achei que fosse gostar.
- Onde você encontrou? - ela quis saber ainda admirada.
- Talvez eu tenha dirigido até o mercado brasileiro do outro lado da cidade. - ele deu de ombros e ela negou com a cabeça enquanto aumentava o sorriso. - Nada que você não mereça.
- Você é maravilhoso, ruivinho. - ela se aproximou e se esticou para que pudesse passar os braços pelo pescoço do homem que lhe pegou pela cintura e, levantando um pouco do chão, acabou com a distância entre eles com um beijo.
Era uma sensação tão gostosa estar ali, entre os braços de , que se agarrou mais a ele, cruzando suas pernas na cintura do homem pra lhe dar mais apoio. Eles estavam tão empolgados que os beijos já não eram suficientes, bagunçava os cabelos ruivos de e arranhava levemente seu pescoço com as unhas curtas causando nele arrepios que ela conseguia sentir. O homem apertava com força sua cintura e, quando chegou em sua bunda, não se fez de rogado e apertou com gosto ali. gemeu próxima a boca dele sem conseguir se conter.

- ? - ela chamou baixo, seus lábios roçando nos dele e ele nunca tinha escutado algo tão sexy na vida. Não sabia se se concentrava nela ou se colava ainda mais seus corpos. Como se fosse possível. - ? - ela chamou com a voz um pouco mais forte e ele fixou seus olhos nos dela. - Acho que a gente precisa tomar café, né? - ela sugeriu, incerta. Ela queria café? Realmente queria parar o que tinham começado ali?
- Você quer mesmo parar? - ele fez eco aos próprios pensamentos meio descoordenados e viu hesitar.
- Eu não sei se consigo saber o que eu quero com você me olhando desse jeito. - ela retrucou, rindo e passou os dedos pelo rosto do namorado. Desenhou suas sardas delicadamente.
- Como eu estou te olhando? - ele deixou um selinho em e ela lhe encarou bem séria.
- Com fome.
- Você está com fome? - ele quis saber enquanto firmava uma de suas mãos na cintura da mulher e com a outra tirava do rosto a parte do cabelo que cismava em lhe cair sobre a testa.
- Faminta. - afirmou baixo e perdeu todo o autocontrole que estava segurando e lhe atacou os lábios. Os gemidos dos dois preencheram a sala aos poucos, assim como o ambiente se tornou bem mais quente.
foi andando às cegas com a mulher no colo até que pudesse chegar até o sofá e se agachou para colocá-la ali com cuidado. Olhando para ela, se certificando de que realmente queria, ele seguiu os beijos pelo pescoço da brasileira e sentiu ela se contorcer embaixo de seu corpo.
- Você vai me falar se quiser parar, não é? - perguntou ao mesmo tempo em que lhe ajudava a tirar a camisa. Ela olhou para o homem e espalmou suas mãos em seu corpo fazendo com que ele se afastasse para trás e se sentasse no sofá ainda meio confuso pela distância. Ela aproveitou e tirou a própria blusa sob o olhar atento de , ficando apenas de sutiã e se sentou no colo do ruivo, uma perna de cada lado.
- Eu não tenho a menor intenção de parar, ruivinho. - ela soprou nos lábios dele com a voz baixa e era o que precisava para continuar e lhe beijar novamente. A respiração dos dois foi ficando mais acelerada, as roupas foram indo para o chão. Ali naquele sofá, e se conheceram e se amaram até a exaustão.

- O café da manhã virou quase um lanche da tarde, né? - ela comentou depois de vários minutos em silêncio. tinha coberto os dois com o cobertor que sempre deixava em cima do sofá e eles estavam aproveitando a companhia um do outro.
- O café deve estar gelado, com certeza. - ele riu e ela se aconchegou mais em seu peito. - Se você quiser, eu posso fazer outro para você.
- Acho que a gente pode almoçar direto e deixamos o café para outro dia.
- Você está com medo do meu café não estar dentro do seu padrão de qualidade? - zoou e cutucou a cintura da namorada que se encolheu rindo pela sensibilidade.
- Eu já vi suas cápsulas de café nas videochamadas, amor. Seu café está no meu padrão de qualidade, porque as marcas são boas. - ela brincou e riu quando viu a cara de ultraje do ruivo. - Fica tranquilo, eu te ensino a fazer um verdadeiro café algum dia.
- Você vai se arrepender disso quando provar o meu café.
- Já disse, as cápsulas são boas. Eu aprovo. - ela lhe mostrou a língua e se levantou, rindo bastante e ouvindo resmungar. Ela caçou a primeira peça de roupa que encontrou e, se fosse mais clichê, chegou na blusa de , vestindo e se virando para ele que seguia deitado no chão, mas agora lhe encarava em silêncio. - Gostosa como as protagonistas dos filmes? - ela perguntou, indicando a blusa que vestia e ele sorriu de lado vendo a namorada fazer poses exageradas.
- Ainda mais gostosa do que qualquer protagonista de filme, . - ele piscou e a mulher ficou satisfeita - Agora vamos almoçar, você vai acabar caindo se não comer.
- Eu acabei de me alimentar. - soltou contendo um sorrisinho de canto de boca e lhe atirou uma almofada ficando vermelho. - Vem, levanta e vamos! - ela riu e lhe ofereceu a mão, que foi logo aceita, para que ele pudesse se levantar. Antes mesmo que ele pudesse se vestir, fez questão de secar o corpo do namorado de cima a baixo.
- Você não consegue ser mais discreta, ? - ele disse o sobrenome dela com a língua enrolada e toda a compostura que ela já não tinha, foi embora. logo se abraçou a .
- Você é a criatura mais adorável do mundo, ! - ela disse enquanto deixava vários beijinhos no peitoral dele e onde conseguia alcançar - Agora se veste porque eu ‘tô com fome e louca para conhecer Los Angeles. - ela mandou de brincadeira enquanto se afastava e corria para o quarto, para encontrar alguma roupa que pudesse vestir. não conseguiu ver o sorrisinho satisfeito que deixara no rosto do namorado.
Eles demoraram um pouco mais de uma hora para se aprontar e logo estavam no carro de se dirigindo a um restaurante que, de acordo com o ruivo, precisava conhecer.
- Atende para mim? - ele pediu quando ouviu o telefone tocando e a mulher, depois de avisar que era uma chamada de vídeo de Beatrice, atendeu e foi surpreendida com um grito do outro lado.
- Não acredito que você veio mesmo! - Bea comemorou e apareceu junto a George na tela. - Estávamos quase achando que o estava mentindo para conseguir alguns dias de folga do Make ‘em Laugh. - ela comentou e o ruivo resmungou que era mentira.
- Eu estou muito ansiosa para conhecer vocês pessoalmente, online não é a mesma coisa. - comentou sorrindo e o casal do outro lado concordou.
- Mas o mandou a gente só aparecer na segunda, então vamos ter que esperar mais alguns dias. - George entregou e olhou desconfiada para o namorado que estava ainda mais concentrado na estrada do que antes. só assentiu para os dois e eles conversaram por mais alguns minutos até que Bea precisou desligar.
O caminho até o restaurante não demorou muito e eles logo estavam sentados no Calle Tacos.
- Restaurante mexicano? - questionou, enquanto eles olhavam o cardápio. Nada muito diferente do que ela já conhecia e amava.
- Bem, você disse que amava RBD, então, como ainda não podemos ir ao México, resolvi trazer um pouco dele até você, já que agora você está mais pertinho do que estava. - ele deu de ombros e ela se derreteu com toda a atenção que lhe dedicava.
- Obrigada, meu bem. - ela segurou em sua mão por cima da mesa e eles entrelaçaram os dedos. Era impossível não sentir toda a atmosfera romântica que cercava os dois. - Você vai me dizer o porquê de ter proibido seus amigos de aparecerem até segunda? - perguntou alguns minutos depois dos nachos pedidos terem sido postos na mesa pelo garçom.
- Não é exatamente uma proibição. - ele se defendeu, mas seu rosto ficou ligeiramente mais vermelho. - É só que foram semanas de relacionamento à distância. Eu queria poder conhecer mais de você a sós, sem toda aquela apresentação que vai acabar rolando.
- Por conhecer mais, você quer dizer mais sexo? - brincou, mas engasgou com a mínima sugestão e a mulher não conteve a gargalhada. - Amor, você está bem? - ela lhe ofereceu um copo d’ água que foi bem aceita enquanto o ruivo tentava se controlar pela vergonha. - Nesses momentos eu me sinto uma vilã tomando a sua virtude.
- Eu só não estava esperando. - se justificou com a voz meio fraca pelo engasgo, mas sua respiração estava voltando ao normal. - Eu posso ter querido dizer mais sexo, sua pervertida.
- Ah, . Você ainda não viu nada. - ela piscou esperta para o namorado, enquanto voltava a comer como se nada tivesse acontecido. O ruivo só conseguiu negar com a cabeça e manter o sorriso para a mulher.
Algum tempo depois, já bem alimentados, levou uma munida de câmera e tudo para conhecer a Calçada da Fama. Era o seu momento, ela deixou claro para ele enquanto o arrastava para encontrar a estrela de Carmen Miranda e tirar uma foto. Que tipo de brasileira ela seria se fizesse diferente?
Christina Aguilera, Halle Berry, Stevie Wonder e tantas outras estrelas de artistas depois, se deu por satisfeita. Comprou alguns chaveiros e eles partiram para o Teatro Chinês para assistir a um filme ao estilo de Los Angeles.
- Estou me sentindo uma americana de verdade! - riu enquanto comprava a décima bugiganga para levar de recordação. apenas confirmou com a cabeça. Ela estava longe de parecer uma nativa com tantas bolsas e paradas para fotos.



Capítulo 13

- Eu posso trocar a música? - eles estavam no carro e a brasileira fazia vários stories para postar nas redes sociais. só assentiu enquanto a namorada buscava entre suas playlists e conectava o celular no rádio. “Something About the Sunshine” começou a tocar enquanto cantava a plenos pulmões e o ruivo só ria.
- Essa música é da Disney, né? - ele chutou e a mulher o encarou, indignada.
- Como assim você não reconhece a trilha sonora de Starstruck? Você é mais novo do que eu!
- Eu nunca me liguei muito nos filmes da Disney além das animações. - ele deu de ombros enquanto continuava focando no trânsito. Os dois estavam indo até a praia. queria conhecer o mar de Los Angeles.
- Nós vamos fazer uma imersão nos filmes adolescentes e clichês durante esses dias em que eu estiver aqui. Aí você vai entender a importância de estar ouvindo essa música em um carro em Los Angeles.
- Eu tenho escapatória?
- Definitivamente não. - lhe mostrou a língua como uma criança e voltou a cantarolar junto com a música. se deu por vencido, pelo menos pelo momento.
Eles não levaram mais de meia hora para chegar na praia de Santa Mônica. estava animada com o dia de sol e não queria perder nada, até tinha se disposto a ensinar a andar de bicicleta para que eles pudessem curtir um pouco do dia, já que a praia era um pouco diferente do Rio.
- Se estivéssemos no Rio, você entenderia o que é realmente ir à praia. - comentou enquanto saíam do carro e caminhavam de mãos dadas até um quiosque de aluguel de bikes.
- O que tem de tão diferente assim?
- O primeiro de tudo é o horário. - ela riu. - A gente costuma chegar lá pelas 7 ou 8 da manhã para aproveitar o dia. E trazemos isopor com vários lanchinhos e comidas para não precisar gastar uma fortuna na praia. Sem contar que vocês preferem ficar de roupa por aqui - revirou os olhos e riu.
- Vamos caçar uma bicicleta para alugar, peladinha. - ele zoou e arrastou a namorada para um quiosque em que puderam pegar as bikes - Ok, como eu começo?
O casal já estava um pouco mais afastado das outras pessoas e decidiu deixar sua bicicleta meio de lado para que pudesse ensinar ao ruivo.
- A ideia é você subir, manter o equilíbrio e pedalar. - ela disse séria e lhe encarou descrente.
- Sério mesmo? - ele riu e a namorada deu de ombros - Eu sei disso há anos, mulher!
- Ué, não tá pedalando porque não quer então. - mostrou a língua, mas se aproximou do ruivo - Vamos, eu te mostro como se equilibrar, sobe aí!
E pelos próximos minutos, a brasileira foi segurando a bicicleta enquanto ganhava confiança. Não demorou muito para que ele estivesse pedalando, mesmo que tremesse um pouco. Depois de ensinar o que sabia, os dois estavam percorrendo juntos a orla da praia num ritmo mais lento. algumas vezes tirava as mãos do guidão e se divertia com as broncas do ruivo que lhe diziam para ter cuidado.
- Acho que nada do que eu imaginei chega aos pés disso. - a brasileira disse depois que eles pararam um pouco para descansar - Nada mais clichê do que ver o pôr do sol em Los Angeles em uma praia.
- Para quem trabalha em uma editora, você é muito cética. - o ruivo beliscou de leve a cintura da mulher que se encolheu em seu abraço - Não foi você que disse que ia me apresentar os clichês adolescentes da Disney? Deveria querer viver um.
- Não acha que estamos vivendo? - ela se encostou mais nele. - Pensa só: nos conhecemos online, nos apaixonamos e eu saí do meu país para te encontrar. Com certeza deve ter uma porção de filmes e livros sobre isso. Sem contar que eu trabalho para você, estamos quase zerando o bingo dos romances água com açúcar.
- Eu fico feliz por estar vivendo essa comédia romântica com você então. - ele suspirou e deixou um beijo na testa de . - Principalmente porque com você aqui podemos aumentar a classificação indicativa do filme - ele sussurrou e viu estremecer enquanto fechava os olhos.
- Libertei um monstro, meu Deus! - ela riu e negou com a cabeça. - Nós já podíamos ter aumentado isso online, mas não teria tanta graça. Ao vivo eu posso te fazer gemer estando aqui para resolver a situação. - a mulher olhou profundamente nos olhos do ruivo que engoliu em seco e pigarreou.
- Já podemos voltar para casa? - ele se levantou rápido e estendeu uma mão para que gargalhou antes de aceitar.
- De santo você só tem a cara, . - ela brincou enquanto via o ruivo guiar apressado as duas bicicletas de volta para o quiosque.

- Nos falamos depois, pode ser? - falou baixo ao telefone para não acordar desnecessariamente. Já era tarde, mas George tinha ligado perguntando sobre o canal e ele tivera que atender.
- Tem certeza, cara? - o amigo suspirou do outro lado da linha. - Essa participação pode ser muito importante pro crescimento do Make ‘em Laugh. Você deveria parar para ler essa proposta agora.
- Eu sei, você tá certo. - se deu por vencido e levantou da cama devagar pegando seu notebook na mesa e indo até a sala. - Manda pro meu e-mail que eu vou dar uma lida e te respondo hoje mesmo.
- Já está lá! Me avisa assim que você tiver uma resposta definitiva. - George disse se despedindo e se acomodou no sofá e logo ligou o computador. Ele já estava em contato direto com a equipe da ABC, mas agora surgira a oportunidade de uma palestra para outros criadores de conteúdo organizada pelo YouTube. O canal tinha crescido tanto nos últimos meses que virara uma referência na produção de esquetes de humor. Era tão bom ver seu esforço e trabalho sendo reconhecidos.
O ruivo leu e releu o e-mail diversas vezes. Um garoto de 20 anos dando uma palestra para centenas de pessoas. Que surreal! estava tão absorto que não percebeu chegando na sala. A brasileira tinha acordado e quando viu que estava sozinha na cama, foi procurá-lo pela casa.
- Aconteceu alguma coisa, amor? – perguntou, sentando ao lado do namorado que se assustou um pouco pela presença. - Já passa das três da manhã.
- Eu fui chamado para dar uma palestra para outros criadores de conteúdo no YouTube. - ele soltou de uma vez e deu um gritinho animado antes de se jogar em cima do ruivo bastante animada.
- Isso é magnífico, ! - ela beijou todas as partes do rosto dele que conseguiu alcançar. - Eu estou tão orgulhosa de você, é incrível.
- É.
- Você não parece muito animado, o que ‘tá rolando? - ela se afastou um pouco para olhar melhor para o homem e viu que ele estava com uma expressão preocupada. - ‘Tá pensando em recusar o convite, é isso?
- Não, não. É só que eu fico pensando: por que eu? Tem tantos criadores de conteúdo espalhados pela plataforma e eu só tenho 20 anos. É muito para processar. - ele passou as mãos entre os cabelos e suspirou pesadamente. definitivamente não estava gostando desse sentimento ruim que tinha na boca do estômago.
- ? - chamou e esperou o tempo que o namorado levou para lhe encarar. - É normal sentir medo do novo, mas você não pode deixar que esse medo te tire boas oportunidades.
- E se eles perceberem que foi uma péssima ideia chamar um pirralho para isso? Eu não quero fazer papel de idiota na frente de tanta gente, . Não posso.
- Ruivinho, se acalma. - ela se agachou na frente dele e segurou seu rosto delicadamente entre as mãos. - Eu não posso te garantir o que vai acontecer, mas você não foi chamado por nada. O Make ‘em Laugh chegou a um milhão de inscritos e em pouquíssimo tempo. Você só precisa observar seus próprios números de crescimento para saber o motivo de terem te chamado. E sobre a sua idade, isso só torna tudo ainda mais impressionante. Não usa como uma coisa ruim.
- Você acha?
- Com certeza! - deixou um beijo na bochecha do ruivo. - Essa oportunidade é maravilhosa, mas depende de você, ok? Seja qual for a sua decisão, eu vou estar aqui para te apoiar.
- Obrigado, amor. - sorriu pequeno e a brasileira assentiu. - Vou mandar um áudio pro George aceitando.
- Então, se possível, estarei na primeira fila te escutando. - ela sorriu e assentiu enquanto se afastava um pouco para responder ao amigo. Ele não levou mais do que alguns minutos para estar de volta. - Tudo pronto?
- Eu ainda estou uma pilha de nervos - ele negou com a cabeça. - Mas agora preciso ter uma data. Eles só falaram que seria no final do ano.
- Até lá você já vai ter 21 anos e ser maior de idade. - deu de ombros. - Seu argumento de “pirralho” caiu por terra.
- Eu só tenho medo dos julgamentos. - suspirou enquanto sentava novamente no sofá e se deixava aconchegar nos braços da brasileira. - A minha família me apoia, mas sempre me bate aquele sentimento de que eu poderia não ter largado a faculdade.
- Gosto de pensar que existem várias linhas do tempo. - ela comentou ao mesmo tempo em que fazia cafuné no ruivo e o viu fechar os olhos. - Nessa você deixou a faculdade e se aventurou no mundo da internet. Mas isso não é imutável.
- O que quer dizer? - perguntou ainda de olhos fechados e aproveitando o carinho.
- Agora sim eu quero dizer que você só tem 20 anos e que, se acordar amanhã e resolver que quer algo diferente, você pode. Ter parado a faculdade não te fechou a porta eternamente. O futuro não está impresso em pedra para não poder mudar.
- E você vai estar comigo se eu fizer isso?
- Amor, enquanto nós dois quisermos e formos saudáveis um para a vida do outro, eu vou estar ao seu lado. Não precisa se preocupar com isso. - ela beijou a testa de e o abraçou forte. Eles ficaram em silêncio apenas aproveitando a companhia um do outro.
Eu acho que amo você, pensou ao mesmo tempo em que sentia o cheiro do creme de cabelo de preencher o ambiente. O ruivo não disse em voz alta, porque não sabia se era a hora, mas não podia evitar sentir seu coração bater mais forte.

- Que cheiro é esse? - perguntou quando chegou em casa e encontrou terminando de colocar a mesa. O ruivo tinha saído por algumas horas para uma reunião rápida com o pai de Bea sobre as questões legais referentes à palestra do YouTube.
- Eu aproveitei que você saiu um pouco e resolvi cozinhar. - ela deu de ombros. - Posso ter, ou não, feito uma chamada de vídeo com a minha mãe para aprender a fazer o arroz perfeito.
- Você não existe, . - ele sorriu e puxou a mulher para um abraço apertado. - E espera um pouco. – disse, se afastando e girando a brasileira em seu próprio eixo para ver melhor a roupa que ela tinha escolhido. - Que mulher é essa, meu Deus!
- Idiota. - ela desconversou, mas estava contente. Tinha se arrumado rápido enquanto esperava a carne ficar pronta, mas gostara do resultado. Um vestido justo preto junto aos saltos que lhe deixavam quase da altura de e seus cabelos soltos e armados como gostava. Nos lábios um batom marrom claro e os olhos delineados completavam o look.
- Está linda, amor. De verdade. - ele elogiou e a namorada agradeceu juntando seus lábios demoradamente em um selinho. - O que temos pro jantar, senhorita?
- Bem, eu não consegui pedir tanta coisa pelo aplicativo, mas deu para fazer uma carne de forno ao molho madeira com um arroz à piamontese.
- Piamontese? - ele tentou falar, mas o sotaque era perceptível e achou adorável.
- Você vai provar e depois eu te digo do que se trata, ok? Vamos?
- Depois de você. - sorriu galante e a brasileira riu, mas aceitou quando ele puxou uma cadeira para que ela se sentasse antes dele mesmo o fazer.
Os dois se serviram e jantaram numa bolha de carinhos e olhares. estava visivelmente mais animado, pôde perceber e isso fazia seu coração bater com muito mais tranquilidade. O namorado precisava disso.
- Vai me contar o que estamos comendo? Esse arroz parece bem diferente do que eu já provei. - quis saber, dando mais uma garfada e se aprumou na cadeira.
- É basicamente um arroz com queijo. Para quem sobrevive metade do tempo a base de mac and cheese, você não ‘tá sabendo nada de gastronomia.
- Eu notei o queijo, engraçadinha. - o ruivo jogou uma bolinha de guardanapo nela que desviou e sorriu convencida. - Eu só queria saber os outros ingredientes.
- Ah, tem cogumelo, um pouco de noz-moscada e alguma outra coisa que a minha mãe falou, mas eu não lembro. - ela sorriu amarelo e deu de ombros. - Mas você pode sempre ligar para ela para descobrir a receita. - comentou, pegando a taça de vinho para beber um pouco.
- E você pode conhecer a minha mãe? - perguntou de supetão e a brasileira engasgou com o líquido, tossindo um pouco. - Respira. - ele se levantou apressado e foi acudir a namorada. - ‘Tá tudo bem? - perguntou depois que recuperou o fôlego. O ruivo tinha se agachado na frente dela e agora se apoiava na mulher para se equilibrar na posição.
- C-conhecer seus pais? - ela quis se bater por ter gaguejado. Não era tão surpreendente assim que ele pedisse isso. - Claro. - concordou em um fiapo de voz e viu lhe encarar, descrente. - Desculpa, é idiotice ficar nervosa, mas não consigo evitar. Você conheceu a minha mãe por videochamada.
- Mas isso não me impediu de ficar suando como um porco antes e depois de falar com ela. - ele riu e entrelaçou os dedos nos dela. - Meus pais vão adorar te conhecer, . Assim como a minha irmã.
- Eu vou poder ter a Bea e o George de apoio moral no dia?
- Acho que você precisa pensar melhor sobre isso. - revirou os olhos. - Capaz deles nos envergonharem ainda mais.
- Aborta a missão então. - suspirou, desanimada e aproveitou para deixar um beijo na testa da namorada antes de se levantar para ir na cozinha. - É bom você fazer valer a pena esse nervoso que eu estou passando, !
- Eu faço valer a pena várias vezes por dia, . - gritou da cozinha e soltou uma gargalhada alta enquanto negava com a cabeça.
- Cada dia que passa, mais safado. - ela disse, sorrindo enquanto dava mais um gole no vinho. era perfeito para .

- Eu estou tão feliz por te encontrar pessoalmente! - Bea mal deixou a brasileira falar e foi logo abraçando a mulher. - Se estiver sendo um chato com você, pisque três vezes que damos um jeito de te resgatar durante a noite. - ela falou baixo, mas o ruivo conseguiu ouvir e revirou os olhos para a amiga.
- Ele está me tratando maravilhosamente bem, Bea. - riu e direcionou uma piscadela a outra.
- Viu, George. Mais duas piscadas, você a pega pela cintura e a gente corre. - Beatrice avisou enquanto o namorado negava com a cabeça e abria espaço para abraçar a brasileira.
- Não liga para ela, anda vendo muita série policial esses dias. - George comentou. - Mas me conta, o que está achando de Los Angeles? - perguntou enquanto direcionava para o sofá ainda em um meio abraço. e Beatrice ficaram olhando os dois interagindo como velhos amigos e só sorriram cúmplices.
- me levou para alguns pontos turísticos e eu comprei tanta coisa. - a mulher tinha os olhos brilhando. - Acho que consegui fotos até a próxima encarnação.
- Mas o pirralho não te levou para nenhuma boate, né? - o amigo jogou uma almofada no ruivo que devolveu. - Ei! É verdade. Para sua sorte, você tem a mim e a Bea se quiser ir para um lugar assim. Não vamos esquecer, claro, o Scott. Ele é sempre muito bem-vindo.
- Por falar nele, por que não veio? - quis saber e George deu de ombros.
- Ele disse que tinha um freela para fazer, mas que vinha te ver amanhã, se estiver tudo bem. Mas, vamos voltar a falar sobre boates. Tem uns clubes aqui que são maravilhosos. Vão deixar o Brasil comendo poeira.
- Primeiro: eu duvido. - riu. - Open bar brasileiro, mais do que isso, carioca é uma das melhores invenções do mundo. Sem contar que vocês não têm funk aqui, o que dificulta ainda mais a sua situação. E, eu não vou fazer isso com o . Posso esperar mais alguns meses para que ele possa ir conosco pros bares. - ela estendeu a mão pro namorado que logo segurou e lhe mandou um beijo no ar.
- Vocês são tão grudentos. - Bea comentou em uma voz forçadamente fofa. - Nós podemos encontrar festas que todos possam ir, então. Aí o casal melado não se separa. - ela mostrou a língua como criança.
- Quem diria que você ia pagar todos os seus pecados sobre grude quando a chegasse? - zoou e Bea revirou os olhos indo sentar perto da brasileira.
- Vai, me conta mais sobre como é trabalhar em uma editora. Eu sempre quis saber sobre os bastidores dos livros.
Pelas próximas horas, contou vários detalhes do que conhecera através da Expecto e Bea parecia estar nas nuvens. Elas ainda fizeram um jogo sobre traduções de nomes de personagens de Harry Potter e aproveitaram para enfiar álcool no meio. George ia dirigir, então não era tão preocupante assim.
- Ela é incrível, cara. - George comentou enquanto ajudava a pegar uma garrafa de vinho para as mulheres na sala. - Você parece gamado nela.
- Eu já estava, mas ter a aqui é muito diferente. - o ruivo suspirou. - Ela é tão independente e fala o que pensa, sabe. Ao mesmo tempo em que me sinto um pirralho algumas vezes, ela também me faz sentir o cara mais inteligente do mundo.
- Isso acontece quando a gente ‘tá apaixonado. - George ponderou. - Você se sente confiante e inseguro ao mesmo tempo.
- Eu só espero não fazer nada idiota a ponto de perder essa mulher.
- Então não faça. O tempo que você gasta pensando no que pode fazer de errado, é o tempo que você usa sendo feliz ao lado dela e isso é infinitamente melhor.
- Nunca te vi tão filosófico, cara. - riu do amigo e George bagunçou os cabelos, nervoso.
- É que eu ando querendo dizer para Bea que a amo. - ele sussurrou e só sorriu, compreensivo. Ele entendia bastante sobre o assunto.
- Fico surpreso de você já não ter dito. Acho que está bem óbvio.
- Em alguns momentos eu também acho, mas fico com medo do que ela pode dizer.
- Não acho que ela vá dizer nada diferente disso, mas você sabe a sua hora de se abrir para alguém. Só vai na sua, George. - aconselhou, mas antes que o amigo pudesse responder, a voz alta de preencheu a cozinha gritando e pedindo pelo vinho. Beatrice incentivava. - Melhor a gente ir logo antes que essas duas quebrem a minha casa.
- Vocês ficam bem juntos, cara. - George deu um tapinha nas costas do amigo que sorriu. - Mas falamos sério sobre resgatá-la se você for um chato.
- Claro que falaram. - riu sem humor e logo empurrou alguns biscoitos para as mãos desocupadas do amigo. - Agora anda e me ajuda.
- Me trata tão mal, . - George fez drama, mas saiu da cozinha logo antes que o ruivo lhe mandasse carregar mais coisas.
- Eu mereço. - suspirou enquanto seguia o mesmo caminho do amigo. Quando chegou na sala, viu que lhe encarava com um sorriso bobo de orelha a orelha que foi prontamente retribuído. Ele se sentia tão sortudo por ter a mulher ali.



Capítulo 14

- Se controla, amiga. Vai dar tudo certo. - Pietra dizia para a mulher via videochamada. - Você já cansou de conhecer pai de namorado e de namorada. Então, qual o problema?
- Verdade, . Você vive zoando a gente e agora ‘tá preocupada com o quê? - Camilo alfinetou e viu a mulher suspirar, cansada.
- Eu fico com medo deles acharem que eu sou uma aproveitadora - ela baixou o tom de voz, mesmo que não soubesse quase nada de português. - Aquela velha história de conseguir um marido gringo pra ganhar um green card e vir morar aqui. Sem contar que aqui a diferença de idade não é muito comum, né?
- Você está aí para conseguir um green card casando com o ? - Camilo perguntou e revirou os olhos pela pergunta. - Então não precisa se preocupar. Você tem o seu trabalho te esperando aqui e se banca desde o final da faculdade. Mais argumento que isso, não existe.
- Esse é realmente o único problema, ? - Pietra quis saber e viu a amiga hesitar por uns segundos.
- Estar aqui com o transforma as coisas em algo mais sério. Não que não fosse antes, mas deixa tudo extremamente real. Fico com medo de apressar as coisas com ele.
- Qual o seu medo? - Camilo instigou e se viu sem saída.
- Dizer “eu te amo” para ele. - a mulher soltou e fechou os olhos para não ver as expressões dos amigos.
- Você ama? - Pietra perguntou um tempo depois e , ainda sem olhar para os dois, assentiu com a cabeça. - Ele parece te amar também. Para mandar mensagem para gente pelo Instagram querendo saber como te agradar, é algo sério.
- Ele me surpreende todos os dias, até mesmo nas coisas pequenas. - declarou e encarou o telefone. - Conhecer os pais dele é mais um passo para dentro dessa relação.
- E vai dar tudo certo. - Pietra encorajou e tirou um sorrisinho da amiga.
- E se não der, vamos estar com você como sempre. - Camilo garantiu. - Agora mostra para gente as suas opções de roupa para conhecer os sogrinhos, vai. Você precisa mostrar que as brasileiras tem muito mais do que samba no pé.
- Vocês acham que eu poderia fazer alguma coisa para levar? Nos filmes as pessoas nunca aparecem de mãos vazias, né?
- Podia fazer aquele pudim maravilhoso - Pietra deu a ideia. - Se você não tiver comido tudo, eu lembro de ter dito ao que você ama leite condensado. Ele deve ter comprado, não?
- É uma excelente ideia. Fica pronto rapidinho. Vou fazer amanhã, mas as minhas opções de roupa são essas aqui.
A mulher ficou a próxima hora conversando com os amigos e fazendo um pequeno desfile para os dois. Seria apenas um almoço de domingo, mas o nervosismo não lhe abandonava. Queria tanto que eles gostassem dela, só esperava não se perder e meter o pé pelas mãos.

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No dia seguinte, acordou bem cedo e aproveitou que ainda dormia para colocar em prática tudo o que precisava para a hora do almoço. Ela tomou um banho para despertar e já deixou sua roupa separada e passada: um vestidinho vermelho estilo ciganinha e seu inseparável all star branco. Bonita e confortável.
Depois, a mulher se pôs a fazer o pudim de leite que tão bem sabia. Receita de dona Renata e que ela adorava fazer. Geralmente, o doce terminava em uma só refeição. Enquanto arrumava os ingredientes, aproveitou para passar um café, já que preferia assim do que usar uma das cápsulas do ruivo. surgiu com uma carinha de sono e confusão na cozinha.
- Você realmente acorda pelo estômago, garoto. - comentou quando o namorado lhe abraçou por trás e fez um carinho no braço dele antes de se soltar para poder voltar a fazer as coisas.
- O que você ‘tá fazendo? - ele perguntou coçando os olhos ao mesmo tempo em que se servia do café também e sentava para observar.
- Eu vi filmes o bastante para saber que não devemos ir na casa dos sogros sem levar nada.
- Babe, você não precisa fazer nada. Deixa disso. - ele negou com a cabeça e tentou puxar a namorada pela mão, mas escapou no último momento.
- Nada disso! Minha mãe também aprovou a ideia, disse que fazia a mesma coisa. Então, se a dona Renata disse que eu posso, não vou discordar mesmo em outro continente, né?
- Você não existe, . - o ruivo negou com a cabeça e se levantou, parando atrás da mulher. - O que estamos fazendo então? - ele soprou no ouvido dela e engoliu em seco com a proximidade.
- , - ela ronronou e o ruivo riu colando mais os corpos e levantou a blusa do pijama que ela ainda usava. Os carinhos em sua cintura estavam tirando aos poucos o foco da brasileira - eu preciso terminar tudo o que planejei.
- E eu não posso te ajudar? - ele virou a mulher rapidamente e os dois ficaram se encarando com fome. - Você só precisa me dizer o que quer. - ele sussurrou enquanto lambia o pescoço da namorada e sentia ela segurar seu cabelo com força.
- Filho da puta! - ela xingou em português e viu o ruivo lhe encarar engraçado. Ele sabia o que aquilo significava. - Nós temos 30 minutos e nada mais do que isso, . - disse ameaçadora e namorado não se preocupou em rir, ao invés disso lhe atacou os lábios e deu início ao beijo que os dois tanto queriam.
Num movimento rápido, já tinha as pernas entrelaçadas na cintura do ruivo que não se fez de rogado e foi andando o mais rápido possível para o andar de cima. Se eles tinham 30 minutos, era bom que aproveitassem o máximo possível. Ah, e como aproveitaram.

- Qual o nome disso mesmo? - o ruivo perguntou enquanto dirigia para a casa dos pais. estava segurando um refratário redondo no colo e tinha pedido para ele não fazer curvas muito bruscas.
- Pudim de leite, meu bem. Você não precisa saber falar, - ela o viu repetindo algumas vezes - só precisa comer e gostar. Pelo menos eu espero que vocês gostem, né?
- Relaxa, vai dar tudo certo. Você não precisava disso, eles vão te adorar.
- Estou contando com isso, mas é uma forma de agradar ainda mais. Admito que estou nervosa com conhecê-los. É importante para mim.
- Para nós, babe. - tirou uma das mãos do volante para apertar de leve a coxa da brasileira e fez uma curva, parando na frente da casa dos pais. - Chegamos. Pronta?
- Nem um pouco. - a mulher riu. - Mas vamos que eu preciso colocar isso na geladeira. - ela comentou apontando o doce e ele saiu do carro, aproveitando para abrir a porta para .
Os dois foram andando calmamente até a porta e resolveu usar a própria chave ao invés de tocar a campainha numa tentativa de deixar menos nervosa. Ele abriu a porta e lhe deu passagem enquanto gritava um “estamos aqui, gente” e encaminhava a namorada para a cozinha. Louise surgiu antes que eles chegassem lá e tinha um sorriso de orelha a orelha.
- Finalmente o te trouxe, . - a garota saudou a nova cunhada e antes que pudesse lhe dar um abraço de boas-vindas, viu o refratário em suas mãos. - O que é isso?
- Um doce brasileiro, espero que vocês gostem. - contou e sorriu. - Só preciso colocar na geladeira, porque está muito quente hoje.
- Claro, claro - Lou chamou com a mão. - Me segue, mamãe deve estar terminando de fazer a macarronada. Você gosta, né?
- Eu adoro! - ela soltou, sincera, e olhou para , desconfiada. Ele só deu de ombros. Talvez tivesse perguntado à dona Renata sobre alguns pratos que a namorada gostava. Só talvez.
Antes que o ruivo pudesse seguir as duas, uma mão no seu ombro lhe fez parar. Francisco tinha aparecido por ali e os dois se abraçaram para depois se juntarem às mulheres. Assim que entraram na cozinha, viram sentada em um dos bancos altos da ilha enquanto cortava uns tomates e respondia às perguntas de Amélia.
- Quando eu e o Paco viemos para os Estados Unidos pela primeira vez, também sentimos essa diferença. Os americanos são mais autocentrados mesmo. Tentamos passar para os garotos um pouco da nossa cultura latina também. - Amélia falou enquanto tirava o macarrão da água e sorria para a nora.
- Não sei se vocês já foram ao Brasil, - a mais velha negou com a cabeça - mas acho que não existe povo mais caloroso. Vou adorar fazer um tour completo pelo Rio com vocês, até mesmo para lugares fora do cartão postal.
- E como é trabalhar com livros? - Louise quis saber. - No verão passado eu trabalhei meio período em uma livraria no centro, mas aposto que é bem diferente.
- Ah, com certeza. Existem muitas pontas da produção até a venda do livro. Eu fico mais nos bastidores, divulgando pros meios de comunicação e pensando em como fazer esse livro chegar a um número maior de pessoas.
- Isso é incrível, . - Francisco se meteu no assunto enquanto cumprimentava a mulher com um meio abraço e ia procurar o que fazer para poder ajudar. se sentou ao lado da namorada e começou a picar as cebolas fazendo caras e bocas pelo ardor. - É engraçado pensar que livros e músicas andam de forma tão paralela.
- Papai trabalha em uma gravadora e também cuida da carreira de alguns artistas de forma mais independente. - explicou e sorriu, empolgada.
- Alguém que eu conheça? - a brasileira quis saber e o pai do ruivo deu de ombros.
- O meu artista mais antigo é o Jason Mraz, acho. Estou com ele há uns 10 anos já.
- Adoro as músicas dele, acho que chorei por um bom tempo cada vez que ouvia a 93 Million Miles. - confessou e Francisco riu, concordando.
O ambiente estava bem tranquilo. podia ver se soltando aos poucos com os pais e a irmã. Ficava mais fácil quando eles falavam sobre o Brasil e Amélia se mostrou ansiosa para conhecer dona Renata.
Quando foi a hora de provarem a sobremesa feita pela brasileira, quase rolou briga entre Francisco e Louise pelo que parecia o último pedaço. precisou mediar e dizer que faria mais em uma outra oportunidade.
- Como vocês brigam por comida, gente? - Amélia ralhou. - O que a vai pensar de nós?
- É bom que ela já se acostuma com a família, afinal está fazendo parte dela agora. - Lou replicou e foi logo apoiada pelo pai. abriu um sorriso enorme e o coração de deu um salto. Eles tinham gostado dela. Tudo estava certo.
- Espero muito que vocês deem certo, querido. - Amélia sussurrou para o primogênito enquanto dava nele um abraço de despedida. - Gostei bastante dela e desse sorriso que aparece no seu rosto.
- Obrigada, mãe. - deu um beijo no rosto da mulher e viu a namorada se despedir do pai e da irmã. - Vamos?
- Claro! Amélia, Francisco, Lou, muito obrigada por me receberem. De verdade, eu não esperava me sentir tão em casa quanto hoje.
- Já sabe pra onde fugir caso o seja um idiota, pelo menos mais que o normal - Louise alfinetou e ganhou um beliscão de Amélia. - Ai, mãe. Foi brincadeira.
O casal logo terminou de se despedir e foi para o carro. A viagem de volta não era longa, mas eles queriam um tempinho a sós.
- E então? - quis saber assim que eles entraram no carro e soltou uma risada.
- Eu falei a verdade sobre me sentir em casa, ruivinho. Sua família é maravilhosa e fico muito feliz por estar me deixando fazer parte da sua vida assim.
- Espero que algum dia você faça parte de forma mais oficial. - ele acabou falando e apoiou uma das mãos na coxa do namorado e aproveitou para se esticar e lhe deixar um beijo na bochecha.
- Vou adorar fazer disso uma realidade daqui a alguns anos. - ela disse ainda próxima e sentiu o coração bater mais acelerado. Suas mãos suavam agora e ele apertou com força o volante.
- Daqui a alguns anos. - ele repetiu confiante e viu a brasileira ligar a rádio e começar a cantarolar junto com a música que tocava. Ele não se deu ao trabalho de tentar reconhecer a letra. Sua cabeça estava a mil pelas emoções do dia.

- Fico tão feliz por estar finalmente te conhecendo, Scott. - a brasileira sorriu enquanto abraçava o homem que tinha acabado de chegar. Os dois tinham desenvolvido uma boa parceria online durante os meses anteriores.
- Você parecia mais alta no vídeo. - o outro disse brincando e levou um beliscão da mulher, mesmo que ela estivesse rindo. Scott, Bea e George foram para a casa de para que os cinco pudessem fazer uma reunião sobre o Make ‘em Laugh para depois comunicar aos outros membros da equipe. Scott foi o primeiro a chegar já que precisara sair para buscar o casal de amigos. - Que bom que estamos sozinhos, porque eu precisava falar contigo.
- Aconteceu alguma coisa? - ela o encaminhou para o sofá e os dois se sentaram. agora estava preocupada. Sabia que tinha a ver com o currículo que pedira para o amigo distribuir para conhecidos.
- Não é nada muito preocupante, mas já que você não quis que eu falasse com o sobre o assunto, é melhor estarmos a sós. - ele baixou o tom mesmo sem ninguém em casa. - Eu não sei exatamente qual a sua editoria preferida, mas como não tinha nenhuma vaga aberta no LA Times, uma amiga minha enviou o seu currículo para uma colega da EW e tem uma vaga por lá em uma das equipes. Não foi o que te propus inicialmente, mas se você curtir esse mundo dos famosos, pode ser uma boa.
- Entertainment Weekly? Jura?! - ela riu meio desacreditada. - Mas o escritório deles não é em Nova York?
- Eles têm uma redação aqui em Los Angeles, perto da parte central. - Scott deu de ombros. - Se você topar, tem uma entrevista daqui a três dias.
- TRÊS DIAS?! - gritou meio esganiçada e Scott teve que rir do pequeno surto enquanto assentia.
- Isso, eu posso te levar até lá e pedir para a minha amiga algumas dicas de como se portar, essas coisas.
- Scottie, você tem noção do que está fazendo por mim? - a brasileira sorriu, emocionada, e segurou as mãos do amigo em gratidão. - Eu sei que é apenas uma entrevista e que eu ainda tenho meu emprego no Brasil, mas estou tão feliz por essa oportunidade. Eu não sei nem como te agradecer, sério.
- Agradecer pelo quê? - apareceu do nada na sala e estranhou toda a situação. George e Beatrice que lhe acompanhavam também estavam curiosos.
- estava me agradecendo as dicas de edição que eu estava dando a ela. - Scott respondeu rápido e a brasileira assentiu rapidamente estampando um sorriso mais contido no rosto enquanto deixava o amigo no sofá e ia até o namorado para lhe cumprimentar com um beijinho antes de abraçar Bea e George.
- Dicas de edição? - perguntou ainda meio desconfiado. parecia muito animada para uma coisa simples como essa.
- É, você sabe como é difícil para mim usar essas coisas da Apple, então, precisei de uma mãozinha do Scott. - ela sorriu e tentou desconversar. - Vamos assistir ao filme agora? Aposto que a pizza logo, logo chega.
A brasileira agarrou as mãos dos amigos e os arrastou até o sofá sem olhar muito para o ruivo que não teve outro remédio a não ser se juntar aos outros. O filme foi rapidamente iniciado e fez o possível para tirar da própria cabeça que tinha ficado desconfiado. Ela não queria compartilhar com ele essa entrevista, não agora. A ideia de começar a trabalhar nos Estados Unidos ainda era uma opção remota e a mulher não queria criar expectativas à toa. Sem contar que ela ainda trabalhava para e entregar para ele a possibilidade de ficar sem emprego no Brasil era muito para a sua cabeça. Só esperava estar indo pelo caminho certo.

- Está tudo bem, ? - o ruivo perguntou dois dias depois do encontro com os amigos. A mulher parecia ansiosa, mesmo quando sentava para editar os vídeos do Make ‘em Laugh. Ele tinha ouvido ela conversar com Camilo, mas como eles falavam em português e muito baixo, nada foi compreendido.
- Claro, ruivinho. Por quê? - ela disse sem tirar os olhos do computador enquanto trabalhava e suspirou pesadamente.
- Você parece nervosa ultimamente. - Principalmente depois de conversar com Scott pessoalmente e vive falando com ele por telefone, ele completou em seus pensamentos, mas preferiu não dizer em voz alta. Até ele podia admitir que soaria invasivo e ciumento.
- Só ando preocupada com a Expecto, amor. - ela deixou o trabalho um pouco de lado e olhou cansada para o namorado. - Bianca me mandou uma mensagem no outro dia, disse que fez algumas entrevistas e está esperando a resposta. Parece que as coisas não andam muito bem na editora. - não controlou o desabafo.
- Acha que as coisas vão melhorar quando você voltar de férias? - ele puxou uma cadeira para que pudesse se sentar próximo.
- Eu sinceramente não sei, mas vou ter que esperar chegar no Brasil para descobrir - ela fez uma careta e apertou a mão do ruivo antes de voltar sua atenção ao computador. - Eu vou terminar essa edição aqui e depois te mostro. - comentou claramente dando uma dispensada no ruivo que compreendeu e deixou um beijo em sua testa antes de ir procurar alguma coisa para fazer em seu próprio computador.
sabia que era mais fechada quanto a certos assuntos, mas achava que eles já tinham passado dessa fase. Agora estavam namorando, não era para estarem juntos nos bons e maus momentos?



Capítulo 15

No primeiro toque do despertador, já estava de pé e tinha corrido para o banheiro com a roupa que separou na noite anterior. Ainda era cedo, não passava das 7h30 da manhã, mas a brasileira tinha que se arrumar para estar com tudo no esquema para quando Scott chegasse. O amigo tinha lhe prometido uma carona até o escritório da EW.
O banho tomado foi rápido e logo seus cabelos estavam sendo devidamente arrumados em um coque abacaxi, assim ela não teria que se preocupar com a bagunça causada pelo vento. No rosto, preferiu fazer uma maquiagem leve e que inspirasse profissionalismo: um batom mais claro nos lábios e olhos pouco marcados em conjunto com uma pele bem preparada. Em algum lugar ela tinha lido que aquilo passava uma boa impressão numa entrevista. Se estava certo, ela nunca saberia.
A mulher se olhou no espelho e aprovou o conjunto da obra: uma calça jeans de lavagem bem escura junto ao blazer e a blusa branca davam um ar despojado e sério ao mesmo tempo. Em seus pés, o par de scarpin preto completava o look. suspirou antes de sair do banheiro sem fazer muito barulho. Não queria ter que acordar .
Mas a sorte não estava muito ao seu lado. Scott já tinha enviado uma mensagem dizendo que estava a poucas quadras de distância e a brasileira agradeceu por ter tomado café rapidamente para escovar os dentes e retocar o batom. Ela achou melhor esperar pelo amigo do lado de fora, tinha deixado um bilhete para na geladeira dizendo que já voltava. Só que não foi rápida o suficiente.
- ? - o ruivo chamou, meio sonolento, enquanto descia as escadas e via a mulher completamente arrumada quase saindo de casa - Para onde você ‘tá indo?
- Ah, oi, amor. - ela sorriu amarelo. Não queria mentir, mas ao mesmo tempo não queria contar e criar expectativas. Achou melhor ser evasiva - Eu vou dar uma saidinha e volto logo. - sentiu o celular vibrar no bolso de trás e pegou apenas para confirmar o que já sabia. Scott estava esperando por ela lá fora no carro.
- Mas com quem? - ele estranhou e reparou mais na roupa dela - Você ‘tá bonita. - o ruivo elogiou ainda desconfiado e a brasileira agradeceu baixo. O telefone de começou a tocar em sua mão e ela agora parecia incerta, olhando de um para o outro.
- O Scott está me esperando lá fora, ruivinho. - a mulher soltou, apressada e pegou a bolsa que deixara no sofá - A gente conversa quando eu voltar, tudo bem? Beijos! - se despediu correndo e saiu de casa sem dar muito tempo para que pudesse raciocinar. Isso não lhe impediu de ver o namorado com o rosto grudado na janela da casa, enquanto o carro do amigo partia na direção da EW.
- Você está bem, ? - Scott perguntou, enquanto parava na frente do escritório da revista - Ficou calada durante todo o caminho.
- O acordou antes que eu pudesse sair de casa. - a brasileira suspirou, infeliz - Eu não queria que ele tivesse me visto antes da entrevista.
- Você ainda não contou para ele, né? - ele perguntou e a mulher negou - Esconder talvez não seja o melhor caminho, vocês estão juntos.
- Mas ele ainda é meu chefe e eu não quero criar expectativas nele sobre esse emprego aqui.
- Você não quer criar expectativas nele ou em si mesma?
- Os dois. - ela mordeu o lábio inferior e passou a mão nos cabelos, arrumando qualquer fio fora de lugar - Mas eu não posso pensar nisso agora. Preciso me concentrar da melhor maneira possível.
- Vou estar aqui fora te esperando, vai nessa! - Scott encorajou a amiga - Break a leg!
- Obrigada por tudo, Scottie! - abraçou o amigo e respirou fundo umas duas vezes antes de sair do carro e entrar de uma vez no escritório da EW. Ela foi diretamente até a recepcionista e deu seu nome e identificação. Em alguns poucos minutos, a mulher já estava sendo acompanhada até um dos andares da redação e era cumprimentada por uma mulher negra com lindos cabelos armados e bons centímetros mais alta que ela.
- Olá, . É um prazer conhecer você, eu sou a Cristina Malta. - a outra estendeu a mão que logo foi aceita e indicou uma porta para que pudessem entrar e conversar - Fiquei muito surpresa e feliz quando soube que você é brasileira - ela começou a falar em português e estranhou - Sou carioca da zona oeste. Estou em Los Angeles há pouco mais de 2 anos.
- Nossa, eu nunca ia imaginar que você é brasileira. Não com esse inglês perfeito! - comentou e logo riu um pouco - Juro que não estou puxando o saco, mas quase não consigo notar o sotaque de fora.
- Ah, é que eu estou acostumada a ficar com nativos todos os dias e tenho que ensinar as minhas filhas também. Então tento me aprimorar sempre. - Cristina sorriu, agradecida - Mas vamos falar sobre o seu currículo. Me deram a oportunidade de montar uma equipe fixa e eu estou procurando as melhores pessoas pro cargo.
- Claro, o que você gostaria de saber? - assumiu uma postura mais atenta e a conversa entre as brasileiras fluiu da melhor forma possível.

- Como assim ela saiu com o Scott do nada? - George perguntou na chamada de vídeo que estava fazendo com o amigo - Do que você está falando?
- Eu acordei e ela estava pronta para sair, mas parecia nervosa, ficou sendo vaga. - suspirou, derrotado - Eles saíram há umas três horas. Eu tentei ligar pros dois, mas nenhum deles me atendeu. Eu não quero pensar o que estou pensando.
- O que você ‘tá pensando?
- Que eles estavam cheios de segredos quando se conheceram e a ficou falando com os amigos em português super baixo. Sempre que eu chegava, ela dava um jeito de encerrar a ligação.
- Você só pode estar de brincadeira se acha que eles estão tendo alguma coisa. - George riu, desacreditado.
- Quando você fala em voz alta parece idiota, mas eu não consigo descartar essa possibilidade. - o ruivo bufou e bagunçou os cabelos, nervoso - Eu não quero soar paranoico ou ciumento, mas se coloca no meu lugar.
- Estou me colocando, cara. Realmente é muito estranha essa situação, mas o melhor a fazer é esperar ela voltar para casa. Já que eles não te atendem, você vai precisar perguntar ao vivo.
- Eu vou tentar me distrair por aqui. Vou acabar ficando maluco se continuar pensando nisso.
- Só tenta não ligar de novo para eles. Sei que é quase impossível, mas acho que 15 chamadas para cada um foi o suficiente. - George soltou uma risadinha e lhe mostrou o dedo do meio antes de desligar na cara do amigo. Depois eles conversavam melhor e o ruivo pedia desculpas. Por hora, ele só queria pensar em qualquer outra coisa.


- De verdade, Cristina, muito obrigada pela oportunidade da entrevista. - sorriu para a outra mulher e logo foi correspondida. Malta fez questão de se despedir dela com dois beijinhos como faziam no Brasil.
- Que nada, o seu currículo é muito bom e, mesmo que esteja trabalhando há algum tempo apenas com assessoria de imprensa, seu portfólio me impressionou. Mas é aquilo que eu comentei: ainda tenho outros candidatos para entrevistar. O processo seletivo dura o mês todo, então, respostas só em julho.
- Sem problemas, eu te agradeço por ter feito a entrevista comigo mesmo sendo indicação.
- Boas indicações valem a pena, . - Cristina sorriu - Ficamos em contato, sim?
- Claro! - e elas se despediram definitivamente e voltou para o elevador. Assim que chegou no térreo encontrou Scott lendo uma revista qualquer na recepção enquanto esperava. Ela se aproximou do amigo que levantou a vista com um sorriso no rosto - E então?
- Ela é brasileira, acredita? - mordeu o lábio inferior, feliz - Foi uma boa entrevista, mas resultados só no próximo mês. - os dois começaram a sair do prédio.
- Está mais calma agora que já fez a entrevista? - ele passou o braço pelos ombros da amiga direcionando-a pelo caminho certo até o carro.
- Claro que não, né. - ela riu e suspirou - Mas vamos, porque eu preciso contar a verdade para o . Eu não sei você, mas eu tenho mais de dez chamadas dele no celular.
- Sinto muito, mas você não é especial. - Scott riu. - Eu achei melhor não atender e deixar você lidar com isso da melhor forma possível.
- Obrigada, Scottie.

pulou no sofá assim que ouviu o barulho de chaves na porta e pegou o celular para fingir que estava apenas se distraindo ao invés de andando de um lado ao outro como passou a última meia hora. O ruivo só abriu na primeira série que encontrou e deixou rodando como se estivesse bem entretido. se aproximou devagar, seus passos pareciam em câmera lenta. Quando ela - finalmente, de acordo com um apressado - apareceu em seu campo de visão, a mulher ostentava um sorriso meio sem graça.
- O que você está vendo? - ela ainda tentou, mas a expressão no rosto de foi o suficiente para lhe fazer suspirar a se jogar dramaticamente no sofá. - Nós podemos passar por cima disso?
- Isso depende do que você tem para me dizer, porque os cenários que eu tenho na minha cabeça não são os mais animadores. - ele respondeu meio impaciente e viu a namorada arrumar a postura.
- Você realmente acha que eu te trairia, ? - riu sem humor - Acredite, se fosse para te trair, eu teria feito no Brasil em que você estava a milhares de quilômetros de distância. - ela acrescentou ácida.
- Vai me contar o que você estava fazendo e por que todo esse mistério?
- Eu fui a uma entrevista de emprego. - ela deu de ombros - Scott me levou até lá pela manhã.
Ok, essa possibilidade não estava entre nenhuma das que tinha pensado e isso era uma surpresa. Entrevista de emprego? pensava em se mudar oficialmente para Los Angeles? Eles não teriam apenas um relacionamento à distância? A cabeça de fervilhava com várias perguntas que gostaria de fazer a ela naquele mesmo instante. Mas ele resolveu reorganizar o pensamento e focar em uma.
- Por que não me contou?
- Eu tenho uma boa justificativa, mas você provavelmente vai achar idiota. - ela olhou diretamente nos olhos dele. - Acho que não queria criar expectativas em você mais do que as que eu já tinha. Sem contar que eu ainda trabalho para você no Make ‘em Laugh, não sei como as coisas funcionariam se eu tivesse um trabalho mais rígido de horário.
- Não me importo se você tiver que deixar a equipe do canal, . Há um tempo que a nossa relação é bem mais do que profissional, sabe. - ele comentou claramente magoado e a mulher se aproximou pegando em sua mão.
- Eu sei que são só justificativas bobas, mas elas faziam sentido na minha cabeça. Nós namoramos há pouco tempo, como eu posso chegar para você e falar que estou tentando emprego no seu país? Não quero forçar as coisas entre nós e isso não é um pedido de casamento ou de green card.
- Parece que você me conhece tão pouco. - soltou a mão dos dois - Eu espero que você tenha ido bem na sua entrevista.
- , por favor. Scott foi quem conseguiu a entrevista, ele falou com alguns amigos e por isso ele me levou até lá.
- Como se isso tornasse as coisas mais simples. - ele revirou os olhos - Meu problema não é você ter pedido algo a ele, mas você não confiar em mim ou no relacionamento que temos para me contar algo grande assim. Eu sei que você está com problemas na editora, mas não tinha ideia de que estava querendo vir para cá.
- Eu confio em você, ruivinho. Não diz isso. Só não quis criar uma ansiedade em você, já tenho que lidar com a minha. E eu ia te contar. Claro que ia.
- Não me chama assim. - ele disse em voz baixa e se levantou. foi atrás e conseguiu interceptá-lo antes que fosse para a cozinha. - Um relacionamento é feito de companheirismo, . Eu estou sempre te dizendo que pode contar comigo, que somos um time, mas parece que falo pro vento.
- Não faz assim, por favor. - mordeu o lábio inferior, querendo controlar o choro que parecia estar vindo - Eu fui idiota por não ter te contado, eu só achei que seria melhor assim.
- Eu não posso te obrigar a me contar as coisas ou dividir problemas comigo, mas saber que você preferiu me esconder é ruim. E ainda ia sair escondida daqui se eu não tivesse acordado. - ele soltou uma risada irritada. - Dizer que saiu para encontrar uma amiga que estava na cidade é uma mentira péssima, se quer saber. Até mentir num bilhete você fez.
- Me desculpa? - ela pediu, deixando algumas lágrimas escapar e secando o rosto no mesmo instante. fraquejou por um segundo quando viu a namorada chorando, mas engoliu em seco. Podia ser uma baita cena essa que estava fazendo, mas ele estava magoado.
- Eu vou pro escritório, ok? Depois a gente conversa. - o ruivo desconversou e deixou a brasileira sozinha indo se trancar em outro cômodo. Ele ainda conseguiu ouvir a namorada xingando em português antes de fechar a porta.



Capítulo 16

- Eu acho que nunca me senti tão idiota na vida. - a mulher desabafou com Camilo e Pietra em uma chamada de vídeo - Ele está há uns dois dias sem falar comigo direito, saindo do escritório só para pegar algo na geladeira para comer e o restante do tempo, a porta fica trancada. - ela suspirou pesadamente e viu os amigos se entreolharem, já que eles estavam juntos na casa de Camilo.
- Você tentou falar com ele nesse meio tempo? - Pietra perguntou meio sem saber o que fazer para ajudar.
- Eu bato na porta, chamo o nome dele e mando mensagens que ele vê, mas não responde. Eu estou me sentindo uma intrusa aqui dentro já, não quero essa situação. Sei que errei, mas será que era para tanto?
- , amiga, você tem duas opções. - Camilo comentou vendo que parecia extremamente abatida com esse gelo de - Ou você vai embora sem olhar para trás e arruma um hotel para tentar remarcar a passagem para o Brasil. Ou você tenta uma última vez e, se não der certo, parte para primeira opção.
- Não quero desistir de nós dois na primeira briga que temos, Camilo. - bufou. - Existe um meio termo entre essas opções que me deu?
- Você não disse que ele lê as suas mensagens? - Pietra que estava pensativa questionou e viu a amiga assentir - Talvez dê para usar isso como uma armadilha. Quem sabe ele não sai do quarto?
- Como? - ficou interessada e Pietra começou a falar sua ideia. Talvez fosse um pouco boba, mas era uma forma de tentar tirar do quarto e estava disposta a entrar nessa.

Se tinha dormido umas cinco horas nos últimos dois dias tinha sido muito. Depois de se acostumar a dormir com o corpo de próximo ao seu, as duas noites que passou trancado no escritório foram as piores. E a frustração por ouvir os passos da namorada pela casa e não ter a coragem de se manifestar deixavam um sentimento de covardia enorme.
Claro que tinha lido todas as mensagens que a mulher enviara. Ele também ia, pé ante pé, depois de ter a certeza de que ela estava dormindo, ver se estava bem. Qual não foi a surpresa dele quando percebeu que ela não dormia no quarto, mas sim na sala e tinha levado o travesseiro dele junto. Seu coração tinha ficado pequenininho quando percebeu a carinha dela cansada. Mas ele estava se sentindo tão envergonhado. Não queria ter agido como uma criança birrenta.
Ele estava tentando se distrair fazendo algumas edições para o Make ‘em Laugh quando seu celular acendeu com uma nova notificação e mesmo que tentasse controlar a curiosidade, ele pegou o aparelho e foi na mensagem que chegara de . No mesmo instante ele preferiu não ter feito nada disso.
“Você não precisa mais ficar no quarto, eu estou indo embora. Eu entendo que esteja chateado, mas não consigo mais. Não acho que precise disso tudo e eu não mereço. Então, é isso. Foi bom conhecer você, .
Antes mesmo de terminar de ler, já correu até a porta e saiu desesperado do quarto. Ele olhava por todos os cantos e quase saiu de casa quando ouviu um pigarro vindo do sofá. estava sentada e relaxada com um sorrisinho cínico no canto dos lábios, enquanto via toda a pressa do namorado.
- Você não está indo embora, está? - ele resolveu confirmar enquanto acalmava a respiração e viu dar de ombros - Por que fez isso?
- Para ver se você ainda se importava comigo e também porque me disseram que isso talvez te deixasse com cara de bobo. Quis testar, sabe como é, eu tenho sido bem idiota nos últimos dias.
- Eu exagerei com isso tudo. - admitiu e deixou os ombros caírem cansados, enquanto ia se sentar ao lado dela no sofá - Não gostei da sensação de ter sido deixado de lado nessa parte da sua vida e depois, quando eu já tinha entrado nessa de ficar trancado no escritório, não consegui ter a coragem para vir aqui fora me desculpar. Fiquei com medo de você me achar uma criança fazendo isso.
- E eu achei. - confidenciou e ele sentiu como se fosse um tapa - Não vou mentir para você dizendo que não foi infantil, . Mas foi a nossa primeira briga, se bem que nem tivemos direito uma briga, não deu nem tempo.
- Me desculpa, eu não agi certo com você. - ofereceu a mão para a namorada e ela entrelaçou os dedos nos dele - Eu amo você, não deveria ter feito isso, foi estúpido da minha parte. A ideia era aproveitar esse mês contigo e ‘tá tudo bem se existem coisas que você não quer me contar na hora e - interrompeu o monólogo com os olhos em choque.
- Você disse que o quê? - ela perguntou, ainda meio desnorteada.
- Que foi errado me trancar no quarto e te deixar sozinha, ué. - respondeu confuso e sem entender, mas a brasileira negou com a cabeça.
- Antes, você disse que me ama, . - ela foi direto ao ponto e o ruivo coçou a nuca, meio sem graça - Fala sério quanto a isso?
- Eu não falaria essas coisas se não fosse sério, né? - ele olhou bem nos olhos dela. - Isso está bem para você?
- C-claro, está sim. - ela gaguejou um pouco e sorriu. Sabia que a mulher tinha sido pega de surpresa. Na realidade, ele também, porque tudo saiu tão naturalmente que ele não tinha se dado conta. Nem esperava que ela fosse parar para prestar atenção.
- Você não precisa me falar nada, tudo bem? - disse depois de alguns minutos que os dois passaram em silêncio. , pelo que ele podia reparar, estava quase travando uma batalha interna - Só vamos deixar acontecer.
- Como você sai da imaturidade para o cara mais centrado da sala, ? - ela resolveu brincar para dissipar o momento constrangedor e deu certo, porque ele riu e puxou a mulher para mais perto. Os dois se aconchegaram e viram o quanto sentiam falta.
- É um dom, amor. Apenas um dom. - ele manteve o tom leve e se deixou levar pela sensação de ter a mulher em seus braços.

- Tem certeza de que esse ângulo ‘tá bom, Bea? - perguntou, enquanto arrumava o cabelo para que pudessem gravar mais uma tomada. Eles estavam gravando um esquete sobre coisas típicas de brasileiros e a mulher tinha sido solicitada a participar. Ok, obrigada a fazer. Eles estavam gravando desde às 7h30 da manhã, não passava das 9h agora.
- ‘Tá ótimo, . A gente só precisa que você ande mais uma vez até a marca para pegarmos melhor o chinelo com a meia. - a amiga riu contente e bateu palmas e fez o que estava sendo pedido. Scott foi seguindo seus passos com a câmera e não demorou muito para eles voltarem.
- Acho que falta a gente montar uma mesinha de bar aqui na entrada da casa, isso pode dar muito certo. - sugeriu e os americanos presentes estranharam - Eu esqueço que vocês não aproveitam o dia com um churrasco e cervejinha gelada. Essa coisa de cerveja na temperatura ambiente é uma droga, hein.
- Critica, mas não se preocupou em fazer um churrasco para gente até agora. - alfinetou a namorada depois que já tinha trocado de roupa.
- Querido, se você quer um churrasco brasileiro, você precisa conseguir um lugar com, no mínimo, uma piscina e uma churrasqueira de verdade. Nada desses carrinhos estranhos que vocês usam para grelhar esses hambúrgueres sem molho de vocês.
- Podemos fazer lá em casa, . O que acha? - Bea sugeriu e foi apoiada pelos homens - O dia hoje ‘tá lindo e ainda ‘tá bem cedo. Você só precisa fazer uma lista do que precisa e vamos comprar.
- Já terminamos por aqui, pessoal? - perguntou e Scott assentiu, enquanto George dava um ok checando no computador as cenas que tinham conseguido - Então, eu mando para vocês uma lista antiga de ano novo, ok?
- Lista de ano novo, amor? - ficou confuso e a brasileira riu, assentindo.
- Passei o ano novo passado com a Pietra, Camilo e o Miguel em uma casa. Fizemos uns churrascos alguns dias antes da virada do ano, então eu ainda tenho essa lista no celular. Bea e George, vocês compram as coisas? Podemos dividir depois.
- Querida, o churrasco é por sua conta, você não paga um centavo, só tem que nos alimentar. - George brincou e os outros entraram na onda. Mande para gente a lista que nos viramos.
- Vou precisar de carvão, hein. Sua churrasqueira é desse tipo, Bea? - quis saber e a outra negou - Eu vou com vocês então, qualquer coisa, a churrasqueira nova fica na casa do . Só preciso passar lá primeiro para trocar de roupa e pegar um biquíni.
Tudo aprontado, se arrumou rápido e fez uma pequena mochila para passar a tarde na piscina e eventualmente a noite na casa de Beatrice. Ela se despediu de e Scott e partiu com Bea e George para o primeiro grande supermercado que encontraram. De acordo com o site, eles ainda precisariam dirigir um pouco mais para chegar ao mercado brasileiro para encontrar o carvão, mas era um preço a se pagar.
Eles não demoraram mais de duas horas para voltar com toda a lista de que continha bastante álcool, carne, pão de alho cortesia do mercado brasileiro e até bananas para serem assadas na churrasqueira nova. fez questão de colocar para tocar sua playlist de pagode para que os amigos já começassem a entrar no clima. De vez em quando ela tinha que pular algumas músicas já que os pagodes de sofrência acabavam aparecendo.
Scott e já estavam na casa de Bea, visto que era um velho amigo, e os dois aproveitavam a piscina sem nem esperar os outros. Os cinco, liderados por , estavam separando as tarefas. Entre colocar a cerveja brasileira para gelar - a mulher não podia deixar sua favorita Antártica de fora - e preparar as carnes, foi acender a churrasqueira depois de trocar de roupa por um biquíni e um short jeans.
- Essa fumaça toda é normal, amor? - perguntou, enquanto abraçava a namorada por trás depois de ter temperado as carnes da forma como ela pediu.
- Claro, você esperava queimar carvão e ficar por isso mesmo? - ela riu, enquanto abanava o carvão com um pedaço de isopor que Bea tinha achado de um trabalho antigo - Agora liga o meu celular na caixinha de som, vai. Tenho umas playlists ótimas que vão completar o dia, são as únicas nos favoritos. Tem até Anitta cantando em inglês para vocês poderem entender alguma coisa. - deixou um selinho rápido nos lábios do ruivo que negou com a cabeça, mas manteve o sorriso indo fazer o que ela tinha pedido.
- Amiga, que batida é essa? - Bea comentou enquanto tocava Coisa Boa da Gloria Groove e se movimentava de um lado para o outro.
- Quando vocês forem ao Brasil, vou levar todo mundo para um show da Gloria Groove. Ela é perfeita, ícone brasileiro.
- Se os shows de funk forem todos com essas batidas, você pode me levar para todos eles. Não quero outra coisa.
- Espera só até você provar esse churrasco também, vai ver o quanto perdeu com salsichas no quintal. - zoou e deu um gole na cerveja - Sabe, gente, dizem que o copo do churrasqueiro nunca pode ficar vazio. - ela soltou para todo mundo de forma inocente e logo tratou de pegar uma das latinhas que já tinha gelado para servir a namorada. Ele não estava bebendo por enquanto, mesmo considerando que Bea tinha oferecido a casa para que todos passassem a noite - Esse é o meu homem! - ela elogiou o namorado que saiu vermelho, enquanto os outros riam.
- Vamos lá, vou te ajudar com o churrasco porque quero que você me ensine a dançar essas músicas! - Bea pediu e os outros se animaram com a ajuda porque queriam provar logo as carnes. Quando, depois de uns 20 minutos, os primeiros pães de alho começaram a ficar prontos, os quatro americanos só sabiam elogiar a brasileira que se deliciava e não conseguia se manter humilde. “Churrasco brasileiro é o melhor de todos”, ela dizia sem nenhuma falsa modéstia.

- , se você terminar com o , é comigo que você vai casar, ouviu bem. - Beatrice avisou depois que todos provaram a picanha que estava de lamber os beiços e a brasileira apenas riu, enquanto era abraçada mais forte pelo ruivo.
- Não tenho nenhuma pretensão de terminar com ela, vai garantir sua boca livre com outro brasileiro, Beatrice. - resmungou, enquanto mantinha a namorada perto de si - Ou o George pode aprender a cozinhar, ué.
- É mais fácil ela caçar um brasileiro, cara. Ela sempre reclama das minhas comidas. - George brincou e deu de ombros.
- Posso te passar o contato de alguns brasileiros, amiga. Tenho ótimas referências e tem para todos os gostos. - comentou e até mesmo Scott se animou com a ideia dizendo que queria.
- Pode ter referências, mas foi encontrar o amor da sua vida em Los Angeles. - soltou irônico e viu dar de ombros como se não pudesse discordar - Mas estava tudo uma delícia, amor. - ele elogiou e os outros concordaram enchendo a mulher de pontos positivos.
- Fico tão feliz que vocês tenham gostado - estava com um sorriso enorme. - Será que conseguem dar conta do resto por um tempinho? Prometi para Bea que ia ensinar umas dancinhas a ela.
- Ah, eu quero aprender também. - Scott comentou e eles riram. e George ficaram perto da churrasqueira vendo os outros três irem para perto da caixa de som e trocar a música. Nenhum deles reconheceu, mas o ritmo era um pouco mais lento do que o batidão que saia antes.
A brasileira estava explicando algumas coisas para Scott e Bea e, pelo que podia entender à distância, ela pedia que eles repetissem seus movimentos. No momento em que começou a rebolar a cintura e requebrar com a mão nos joelhos sem se importar muito com a plateia, percebeu como tinha ficado difícil engolir a bebida que levava à boca vez ou outra.
O ruivo não entendia uma palavra da letra, mas a bunda de seguia as batidas como se a música fosse feita para ela. Se o funk acelerava, a cintura seguia o mesmo caminho e os olhos de não abandonavam a mulher. Estava ficando quente mesmo que o dia estivesse fresco.
- Você vai acabar afogando a gente na sua baba, cara. - George zoou o amigo que estava compenetrado no rebolado da namorada - Até parece que nunca viu ela dançando.
- Ela dança em casa quando a gente brinca, mas nunca foi assim. - disse com a voz afetada ainda sem desgrudar os olhos dela - Será que fica muito feio eu ir lá dançar com ela?
- parece estar te chamando mesmo, então acho bom você seguir o que ela pede. - o amigo riu e levantou rapidamente para ir até a brasileira. Beatrice e Scott tinham se afastado um pouco da mulher.
- Veio bem na hora do “Vai Malandra”. - saudou o namorado e segurou na mão dele para que pudesse balançá-lo numa dança meio dois para lá, dois para cá.
- Ok, essa tem inglês dá para entender. - ele riu e percebeu que a namorada se soltou e virou de costas para ele para que pudesse voltar a rebolar. quebrava o quadril de um lado para o outro seguindo a batida, a bunda empinada e não conseguiu não se aproximar e colar o quadril no dela que riu, enquanto ficava de pé direito e só rebolava.
- Você demorou muito para vir. Achei que não estava gostando do show. - soltou e ouviu a risada abafada de que tinha o rosto escondido entre seus cachos.
- Eu estava esperando para saber se consigo levar esse show para cama mais tarde. - ele disse baixinho e segurou com força a cintura dela, sentindo a mulher estremecer nos seus braços. Ela não tinha deixado de rebolar acompanhando o ritmo e isso só instigava a se manter o mais colado possível a ela.
- Se você continuar a falar assim, é capaz da gente precisar encerrar o churrasco aqui e agora. - ela riu, mas estava visivelmente afetada.
- Tem certeza que não rola fazer isso? Eles não vão morrer de fome se formos embora. - ele virou a mulher rapidamente de frente e agora eles se encaravam. Não era preciso se aproximar muito do casal para sentir a tensão no ambiente, mas os amigos não podiam estar menos interessados nos dois.
- Podemos deixar para mais tarde e você me mostra o que imaginou da minha dança, o que acha? - sugeriu antes de atacar os lábios do ruivo sem deixar espaço para que ele respondesse. Ah, a noite seria longa. Uma pena que eles não poderiam fazer tanto barulho por estarem fora de casa. Mas, tudo bem, ainda tinha alguns dias em Los Angeles, eles podiam compensar essa parte em outro momento.



Capítulo 17

- Ruivinho, eu preciso editar o vídeo. - a brasileira comentou, manhosa, enquanto apertava mais o abraço dos dois e negava com a cabeça.
- Mas eu quero ficar sem fazer nada com você.
- Ué, você pode ficar sem fazer nada comigo depois que eu terminar de editar. - pontuou, enquanto tentava fazer o namorado se ocupar com outra coisa - Dá para você assistir um filme e eu nem vou reclamar da escolha. Quer coisa melhor?
- É que logo você vai embora e eu vou morrer de saudades. Sabe-se lá quando vou conseguir te ver de novo? - suspirou pesadamente e sentiu o coração apertar. Em poucos dias ela estava voltando para o Brasil e agora eles só poderiam se encontrar no final do ano, considerando que tinha se comprometido com passar o ano novo no Rio de Janeiro, mais precisamente em uma casa de praia com , Pietra, Camilo e Miguel em que poderiam fugir um pouco da muvuca.
- Amor, quanto mais rápido eu for, mais rápido volto, ok? - disse de modo mais firme e, vendo que era uma batalha perdida, deixou que a namorada saísse dos seus braços, mas não sem antes lhe roubar um beijo que a mulher retribuiu de bom grado.
foi se acomodar na frente do computador de e começou a editar os vídeos que estavam atrasados, principalmente o que teria sua participação, já que seria o próximo a ser lançado nas redes de acordo com a programação que tinham. Ela estava tão absorta que os minutos se transformaram em horas e a brasileira vira e mexe ligava para Scott pedindo alguma ajuda mais específica.
Quanto mais tempo no computador ela passava, mais sua barriga roncava de fome. Ela tinha escutado ao longe falando algo sobre encomendar comida, mas estava tão focada que apenas deixou para ele essa tarefa. Sem contar que os fones abafavam boa parte do som.
Foi apenas quando a campainha começou a tocar insistentemente que ela notou que talvez não estivesse em casa, o que era bem estranho, já que ele não tinha dito nada. Correndo para pegar a própria carteira, a mulher abriu a porta meio esbaforida pela pressa e não conseguiu segurar o sorriso ou a cara de boba apaixonada quando se deparou com a cena.
Todo vestido de azul, com direito a boné e tudo, estava do lado de fora equilibrando duas caixas de pizza com a tampa da de cima aberta e escrito “Will you be my Valentine’s date or is this too cheesy?” (Você seria meu encontro do dia dos namorados ou isso seria muito brega?).
- Eu sei que estou um pouco, na verdade, muito atrasado com o dia dos namorados no Brasil, mas adoraria que você fosse meu par neste dia improvisado. - ele comentou, enquanto a namorada lhe deixava entrar. foi logo deixar as pizzas na mesa e aproveitou que suas mãos estavam desocupadas para pular em cima dele e entrelaçar as pernas em sua cintura - Isso é um sim? - ele riu, enquanto firmava o corpo da mulher no colo.
- É óbvio que isso é um sim, seu bobo. - ela sorriu e tratou de deixar vários beijinhos por todo o rosto do ruivo - Eu vou sentir sua falta, principalmente na hora de dormir.
- Fala a realidade: você vai sentir falta do sexo. - disse com o nariz empinado e soltou uma gargalhada, enquanto concordava, contente.
- Com certeza, mas você até que é legal também. - a mulher sorriu, esperta e negou com a cabeça - Mas já que a gente tocou no assunto sobre comer, poderíamos fazer isso, né? - comentou, sugestiva e logo ficou animado.
- Ah é? E você prefere aqui na sala ou lá no quarto?
- Amor, em qualquer lugar, eu só preciso comer essa pizza. - a brasileira saiu do colo de e não conseguiu não rir com a cara de tacho enquanto observava ela começar a comer - Se você não vier, eu vou matar essa pizza sozinha.
- Você não se atreveria, mulher!
- Não me tente, . Eu sou um poço sem fundo.

- Vamos adorar ter você conosco novamente na época da palestra do , . - Amélia abraçou a nora, enquanto as duas se despediam. O casal tinha ido jantar junto aos pais do ruivo para que pudesse embarcar no dia seguinte - E, claro, adoraríamos ir juntos te levar ao aeroporto.
- Eu vou dispensar vocês dessa, como fiz com a Bea, George e Scott. - deu de ombros e exibia um sorriso nada culpado para a mãe - Em outra oportunidade, vocês a levam ao aeroporto, dessa vez, seremos só nós dois.
- Ele me alimentou, sogrinha. Não posso dizer não para esse pedido. - riu e Amélia concordou, enquanto Francisco dava um soquinho no ombro do filho.
- Você será sempre bem-vinda, . - Paco abraçou a nora. - Espero que a gente consiga conhecer a sua mãe em breve.
- Quando vocês forem ao Rio, vamos fazer um baita churrasco para apresentar vocês a toda a família. Vai ser incrível. - a brasileira sorriu e segurou as mãos dos sogros. - Muito obrigada por todo o carinho, gente. De verdade.
As despedidas duraram mais alguns minutos, com Amélia dizendo que estariam sempre em contato por Instagram e Francisco rindo contente das tentativas da esposa de se manter jovem e conectada. Logo e já estavam no carro com o ruivo dirigindo para que eles pudessem fazer uma última parada antes de ir para casa.
percebeu que a namorada estava muito quieta e aproveitou o sinal vermelho para pousar a mão em sua coxa numa tentativa de chamar a sua atenção.
- ‘Tá tudo bem? - ele questionou vendo que a brasileira respondia com um sorriso meio forçado.
- É só que eu realmente gostei dos seus pais e me senti acolhida. - ela deu de ombros - Vou sentir falta deles.
- Sabe que você pode vir sempre que quiser, né? - ele sorriu antes de voltar a dar atenção à estrada e à direção - Minhas portas sempre estarão abertas para você, amor.
- Eu sei disso, mas é uma das coisas ruins de um relacionamento à distância. - suspirou - Eu me apeguei a sua família e aos seus amigos, vai ser chato não poder sair com todos vocês a qualquer momento. Ou apresentar todo mundo.
- Acho que nossas mães se dariam bem. - supôs - Dona Renata pode treinar tanto o espanhol quanto o inglês com a minha mãe.
- Ah, ela vai adorar isso. Mamãe é versada em novelas mexicanas, vai ser um sonho virando realidade - a mulher riu e recostou a cabeça na janela - Você se arrepende de ter começado um relacionamento com alguém que mora tão longe?
- Você se arrepende? - devolveu a pergunta sem tirar os olhos do caminho. Agora ele segurava o volante com um pouco mais de força.
- Não exatamente. - ela ponderou. - Quer dizer, é um saco não poder estar com você em um piscar de olhos, mas gosto demais de ti para perder a oportunidade de tentar. E você?
- Eu não teria descrito de forma melhor. - ele sorriu e sentiu a mão de apertando sua coxa como se aprovasse a resposta. - E eu tenho uma última surpresinha antes de amanhã.
- Não estamos indo para casa?
- Nop, achei que você gostaria de observar a cidade de cima. - parou de frente para um caminho meio deserto e saiu do carro, sem deixar alternativas para a não ser segui-lo.
- Você não vai me matar e esconder meu corpo nessa terra seca, né? - ela questionou depois de um tempo de caminhada em que apenas as lanternas dos celulares mostravam o caminho.
- Como é exagerada, meu Deus - riu enquanto trazia o corpo da namorada para mais perto. - Já estamos quase chegando, mais uns 10 minutinhos e tudo certo.
Os 10 minutos se transformaram em 20 e, só então, o casal chegou ao tal lugar que falava com tanta animação.
- Onde estamos? - quis saber olhando ao redor sem mais a luz das lanternas. Ela só via milhares de pequenas luzinhas bem distantes.
- Tem certeza de que você não tem a menor ideia? - ele questionou fazendo um suspense, mas ela negou com a cabeça - Estamos no letreiro de Hollywood, amor.
- NÓS O QUÊ? - ela gritou surpresa e tampou a boca dela rapidamente - Como você conseguiu isso? Eu não posso ser presa, . - ela disse com dificuldade por conta da mão que ele não tinha tirado do caminho.
- Eu falei com algumas pessoas, ok? Nada ilegal. - ele deu de ombros e abaixou a mão. - Achei que você fosse gostar de viver mais um pouquinho do clichê e nada melhor do que te trazer aqui.
- Vai me dizer que esse é o seu lugar secreto e que você nunca trouxe nenhuma outra garota aqui? - quis saber, esperta e o homem assentiu, enquanto enlaçava a cintura da namorada e a puxava para perto.
- Você é a única com quem eu queria compartilhar essa vista. - ele disse baixinho antes de colar os lábios aos dela e ouviu suspirar antes de corresponder ao beijo com vontade.
Depois que o ar começou a lhes faltar, os dois ficaram de carícias enquanto observavam a paisagem. tirou da mochila uma toalha grande o bastante para que eles pudessem se sentar e apreciar as luzes da cidade enquanto se abraçavam. Nada nunca pareceu tão certo do que estar juntos, com conversas aleatórias e percebendo o anoitecer de Los Angeles.


- Amor, vamos, eu não posso me atrasar pro check-in. - gritou da porta de casa para apressar que estava esquecendo o celular.
- Você não fez online? - ele estranhou, enquanto alcançava a namorada e os dois iam para o carro já devidamente cheio com a bagagem da mulher.
- Eu te disse que preferia fazer isso na hora, sem contar que preciso pesar a minha bagagem, né? Mesmo que você me envie algumas coisas depois, não rola pagar mais por excesso.
- É por isso que nós estamos saindo quase três horas antes do voo? - ele quis saber, indignado e a brasileira lhe direcionou um sorriso culpado - Você tem sorte por eu te amar, . - ele riu resignado e recebeu um beijo na bochecha.
- A atmosfera do aeroporto é legal, não seja chato. - ela comentou, pensativa - Aquela vibe de encontros e separações, com drama, romance e um quê de novas aventuras.
- Achei que você tinha deixado o clichê no dia de ontem. - ele riu da viagem da namorada e suspirou.
- Não sei se te agradeci o bastante ontem, foi incrível. - ela resolveu ignorar a brincadeira e focar no que sentia - Nunca tinham feito algo assim por mim.
- Acho que eu nunca tinha feito isso por ninguém também, mas os seus agradecimentos foram maravilhosos. - ele sorriu, sacana e beliscou de leve sua perna - Ei, achei que era o momento de “vamos ser legais com o ”.
- Esse momento acabou ontem, você pode sobreviver sem ele, . - revirou os olhos, mas manteve o sorriso - Obrigada por tudo o que você fez por mim nessa viagem.
- Eu ainda vou com você até o aeroporto, né? - ele resolveu checar - Do jeito que está falando, parece que eu vou te dar uma carona até o estacionamento e nunca mais vamos nos ver.
- Claro que vou te fazer ficar horas esperando comigo pelo horário do voo. Eu só queria falar essas coisas sem plateia, ainda lembro da senhorinha aplaudindo. - eles riram, lembrando do dia em que se conheceram pessoalmente.
- Então, já que estamos falando coisas sem plateia, ter você comigo por esse mês só me fez ver que fiz muito certo em investir nessa relação. Claro que vai ser ruim estarmos distantes, mas nós valemos a pena.
- Nós valemos muito a pena, ruivinho. Muito. - ela concordou e se deixou observar o caminho até o aeroporto em silêncio. apenas acompanhou.
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- Tem certeza de que não quer trocar a sua passagem e ficar aqui pro resto da vida? - tentou pela segunda vez, enquanto via no telefone que estava quase na hora de entrar para embarcar, as malas já tinham sido despachadas. A brasileira riu e beijou o namorado antes que ele falasse novamente.
- Nós vamos nos ver logo, amor. Isso aqui é só um até logo, você sabe.
- Eu vou sentir falta de dormir com você nos meus braços, sentir o cheirinho do seu shampoo e das suas reclamações sobre não bagunçar o seu cabelo. - ele riu e ela fungou para espantar possíveis lágrimas. Podia fazer isso quando estivesse no avião.
- Eu vou te ligar todas as noites que conseguir só para ouvir sua voz de sono no meu ouvido. - fez carinho no rosto do homem que fechou os olhos por alguns segundos. Ele se abaixou um pouco e encostou a testa na dela e eles ficaram abraçados só aproveitando a companhia um do outro - Eu te amo, ruivinho. - ela sussurrou a frase em português e abriu os olhos lentamente com um brilho diferente.
- Essa frase significa o que eu acho que significa? - ele resolveu checar e soltou uma risadinha, mas assentiu - Por que você me diz isso só na hora em que está indo embora, mulher? - ele perguntou, sofrido e a namorada gargalhou, enquanto se aconchegava mais no abraço do ruivo.
- Eu só senti que não podia ir embora sem dizer pessoalmente isso. - ela disse meio abafado pela proximidade - Agora você sabe que eu sinto o mesmo por você.
- Te amo, . - ele declarou e ouviu um “eu sei” vindo dela e só negou com a cabeça sem tirar o sorriso do rosto.
Alguns minutos depois, o painel dos voos piscava sobre o embarque de com as conexões que seriam feitas. Ela não estava preparada para tanto tempo de avião de novo. Disso ela não sentiria falta nenhuma.
- Me avisa em todas as paradas? - pediu e a mulher concordou beijando-o pela última vez - Vou sentir muito a sua falta.
- Estou te esperando no Brasil daqui a alguns meses.
- Você vem para a palestra, né?
- Claro, é só me avisar a data assim que souber que eu compro a passagem para te assistir. - comentou, feliz e deu um abraço forte no namorado que foi retribuído - Nos vemos por aí, ruivinho. - ela disse depois de se soltar dele.
ainda mandou alguns beijinhos no ar para que sorria para ela mesmo à distância. A brasileira suspirou e se virou para seguir a gama de pessoas que ia para o embarque quando se lembrou de algo, tirando um papel apressado do bolso e gritando o nome do namorado que lhe encarava, confuso. Quando mostrou o papel, quis se esconder no primeiro buraco, mas não controlou a gargalhada quando terminou de ler. Bem, não só ele, como as pessoas ao redor também.
sorriu pela reação e lhe dedicou uma piscadela antes de mover os lábios no que ele entendeu ser um “eu te amo” para se virar e ir definitivamente para a parte do embarque.
Já no avião, a mulher sentiu o celular vibrar com uma mensagem do ruivo e não conseguia não lembrar da carinha de envergonhado dele.
“Agora estamos quites, . Ou não, porque eu ainda posso te fazer morrer de vergonha no Brasil”, ele escreveu e ela só mandou um emoji de anjinho sem responder outra coisa. Tinha sido uma jogada de mestre se despedir com um pequeno cartaz que dizia em inglês “Até que você beija bem e faz outras coisas bem também. Zero decepções”. Agora sim ela podia viajar tranquilamente.



Capítulo 18

As horas de viagem até o Rio de Janeiro foram passadas em um sono quase profundo. Mesmo com o peito apertado de saudades de , respirou contente o ar de sua cidade maravilhosa quando passou pelo portão de desembarque. Um sorriso surgiu em seu rosto quando viu a mãe, Miguel, Camilo e Pietra esperando por ela com um grande cartaz de boas-vindas. Ela logo correu até os quatro.
- Eu estava morrendo de saudades de vocês. - a mulher disse, emocionada, enquanto era esmagada em um abraço coletivo.
- A gente também estava sentindo a sua falta, amiga. - Pietra disse depois de se distanciar um pouco para pegar o carrinho com as malas de que tinha ficado meio esquecido - Quero saber tudo o que aconteceu nesse mês, mesmo que você já tenha me contado por telefone.
- A gente vai querer saber tudo, mas primeiro vamos comer, né? Meu bebê precisa se alimentar. - dona Renata decretou e os jovens concordaram - Eu podia chamar vocês para jantar lá em casa, mas estou com preguiça, então vamos arrumar algum restaurante, o que acham?
- Mãe mais sensata que a sua está para nascer, . - Camilo abraçou a mulher de lado e riu da cena.
- Eu senti saudades de um rodízio de pizza, podemos?
- Seu desejo é uma ordem, prima. - Miguel disse e os cinco foram para o estacionamento onde o carro de Renata lhes esperava. A bagagem foi acomodada no porta-malas e eles partiram para um rodízio de pizza pela zona norte mesmo, já que ficaria com o carro para voltar para casa depois.
- Como foi conhecer a família dele, querida? - Renata fez questão de perguntar para a filha quando todos já estavam acomodados no restaurante.
- Admito que eu fiquei assustada com o que eles pudessem pensar, mas eles foram uns amores comigo. Me senti, definitivamente, como se fosse da família. Amélia está ansiosa para te conhecer, disse que vai adorar te ensinar espanhol já que você não quis aprender comigo.
- Opa, gosto quando tenho vantagens, hein. - dona Renata brincou, arrancando risadas dos mais novos - E como foi a entrevista que comentou? Não contou mais nada para ninguém.
- Quem me entrevistou foi uma jornalista brasileira, acreditam? Cristina Malta. - suspirou - Ela disse que a resposta só será dada agora em julho, mas eu estou confiante. Gostei da ideia de ir para o outro lado do balcão e não ficar apenas em assessoria.
- Gata? - Miguel perguntou, interessado, e revirou os olhos para o primo.
- Com certeza, mas ela parece ser comprometida. Um mulherão daqueles sem ninguém? Meio impossível. - ela riu - Sem contar que eu já vi alguns boatos na mídia sobre ela e o Shawn Mendes, mas não quis parecer fofoqueira e comentar.
- Foi com ela que você fez a entrevista?! - Pietra perguntou, chocada e viu a amiga assentir - Eu já vi fotos dela e, sinceramente, não sei quem é mais sortudo. Eu chuto o Shawn, porque ela é linda.
- Aff, vocês sabem destruir as chances de um cara, viu. - Miguel revirou os olhos e ganhou um soquinho de apoio vindo de Camilo.
- Você não estava namorando, Miguelito? - estranhou e o primo apenas deu de ombros.
- Estava do verbo não estou mais. Esse corpinho maravilhoso nasceu para ser solteiro e aproveitar vários outros corpinhos maravilhosos. - o homem riu e os outros não se aguentaram também.
- Vamos morrer todos sufocados pelo seu ego gigante, Miguel. - Camilo brincou e a noite estava apenas começando para eles.
Algumas horas tinham se passado e já estava em casa de banho tomado e com seu pijaminha. Ela tinha recebido uma mensagem de Bianca respondendo aos seus stories, animada, com o retorno da chefe. A estagiária, ou ex-estagiária, tinha aproveitado para contar que conseguira outro trabalho. As duas conversaram um pouco sobre a situação da Expecto e não estava nada contente com a recepção que poderia ter na segunda-feira. Bianca chegou a comentar sobre algumas demissões que rolaram nos últimos dias e isso embrulhava o estômago da assessora.
No entanto, não tinha muito o que podia fazer. já estava devidamente avisado de que a brasileira estava em casa, mas eles estavam se dando algum tipo de espaço para que pudessem se organizar. já começava a arquitetar o que poderia fazer caso não conseguisse manter o trabalho da editora.
O Make ‘em Laugh pagava em dólar, o que já facilitava bastante quando se tratava da conversão. Além disso, ela tinha uma reserva considerável, que tinha sofrido um pouco nesse mês de Estados Unidos, para sobreviver por alguns meses caso o salário faltasse. A mulher tentava pensar objetivamente mesmo com o apego que tinha à editora. Só poderia esperar pela segunda-feira.
E ela chegou mais rápido do que poderia imaginar. ainda estava com o carro da mãe, então aproveitou o tempo extra que tinha para se acalmar e entrar nos eixos. Ela foi do elevador do estacionamento até o andar da Expecto controlando a respiração e secando as mãos que cismavam em suar.
Antes mesmo que chegasse até a sua mesa, Míriam apareceu em seu campo de visão com um sorriso abatido. A mulher lhe abriu os braços e ofereceu a um abraço de boas-vindas que foi muito bem recebido. “Ficamos felizes em te ter de volta, ”, Míriam disse enquanto estavam próximas, mas a mais nova sentiu que não existia tanto motivo para felicidade.
- Vamos para a minha sala rapidinho? - Míriam convidou e só assentiu, sem saber bem o que dizer. As duas seguiram o curto caminho em silêncio e, apenas quando já estavam devidamente acomodadas, a chefe tomou coragem para encarar a mais nova - Algumas coisas mudaram durante as suas férias. Você já deve saber sobre a Bianca, né?
- Ela entrou em contato comigo, comentou sobre ter conseguido um novo estágio enquanto eu estava fora. - sorriu pequeno e viu a chefe assentir - Estagiários são assim, né? Eles vêm e vão.
- Claro, ela precisa fazer o que for melhor para a carreira dela. É uma pena que a Expecto tenha perdido uma estagiária tão boa. - Míriam lamentou - Mas gostaria de alinhar algumas coisas com você. Realmente esse último mês não foi dos melhores para nós e parece que a editora está implodindo.
- Isso quer dizer o que eu acho que quer? - apertava os dedos fora das vistas da chefe, o nervosismo não lhe abandonava.
- Vamos ter que fazer alguns cortes na equipe, . Na verdade, muitos já foram feitos. Mas, o maior corte é sobre o espaço. O conselho resolveu entregar o andar, trabalharemos todos de casa a partir de agora. Pelo menos, vamos tentar salvar o pouco que temos assim.
- Espera, isso não é uma conversa de demissão?
- Por enquanto não, mas eu não posso te garantir que vai se manter assim. Com a redução de pessoal e a saída de Bianca, você como assessora acumula muita coisa para fazer e eu não consigo contratar alguém para te ajudar. Podemos reorganizar o setor de marketing, mas apenas isso.
- Isso é temporário, certo?
- Eu quero muito te dizer que sim e espero que essa situação melhore com os cortes. Aumento de função, mas não de salário. Você acha que dá conta?
- Eu posso tentar, quero ajudar a salvar a Expecto de alguma forma. Vamos realmente precisar reorganizar o marketing, mas podemos dar um jeito.
- Obrigada, . Não vamos esquecer dessa ajuda. De fato, hoje é o último dia de trabalho presencial, então as reuniões serão feitas durante toda a manhã e tarde, ok?
E assim foi. nunca imaginou que sua volta traria um dia repleto de informações jogadas, mas ela estava grata por não ter perdido o emprego de uma hora para outra. Suas economias agradeciam, mesmo que sua saúde mental gritasse.
A semana passou de forma caótica, ela tinha que admitir. Trabalhar de casa era bom, mas a quantidade de horas que passou a mais engajada nos projetos da editora só reforçaram seu cansaço. percebeu enquanto o casal conversava por chamada de vídeo no sábado.
- Babe, você tem dormido ou se alimentado direito? - o homem perguntou, reparando bem nas olheiras da brasileira. Uma semana tinha sido o bastante para deixar a mulher mais abatida.
- Dormir eu vou ficar devendo, mas comer eu tenho feito até demais. Acho que tenho umas três caixas de fast food no lixo.
- Como estão as coisas na editora?
- Complicadas - ela suspirou, cansada -, eu estou fazendo o trabalho de uma equipe de três pessoas e tendo que cuidar de todos os títulos que lançamos até o momento. Não sei por quanto tempo aguento.
- Teve alguma resposta da EW?
- Não até o momento, talvez essa demora seja uma resposta. Vai saber.
- Você sabe que pode dar um tempo do Make ‘em Laugh, certo? Já está parecendo muito sobrecarregada.
- Eu preciso aprender a lidar com as coisas, amor. Se, em algum momento, eu sentir que preciso dar um tempo, vou fazer.
- Por que eu sinto que isso não vai acontecer? - perguntou mais para si mesmo e sorriu, culpada. Ela sabia que demorava a pedir ajuda ou a compartilhar certas coisas - Eu te amo, ok? Só preciso que você se cuide e me conte se as coisas estiverem sendo mais do que você pode aguentar.
- Vai ficar tudo bem, ruivinho. - tentou tranquilizá-lo - Também amo você.
Os dois tentaram ir para assuntos mais leves e foram assistir um filme para liberar o estresse, mesmo que tenha acabado adormecida com menos de meia hora. Por alguns minutos, ficou observando a mulher e pensando em maneiras de ajudá-la com as responsabilidades. Com o Make 'em Laugh, ele só podia passar menos trabalho para ela. Pouco tempo depois, desligou a chamada, mas não sem antes mandar uma mensagem no celular de avisando sobre e desejando uma boa noite. Ele ainda tinha algumas horas da noite para aproveitar.
Cinco dias depois, durante sua parada para o almoço, foi surpreendida por alguém tocando sua campainha. Por mais feliz que a mulher estivesse em ver a mãe, ainda achou estranho que dona Renata aparecesse sem avisar. Ela não costumava fazer isso.
- conversou comigo, querida. - a mãe delatou logo depois de abraçar a filha e revirou os olhos. Até mesmo em outro país, conseguia ser fofoqueiro - Estamos todos preocupados com você. Desde que voltou, você só faz trabalhar e quase não conversa com ninguém.
- A Expecto está passando por um momento delicado, mãe. - deu de ombros, enquanto as duas tomavam o café que ela tinha feito - Não estamos bem das pernas, os veículos não nos dão espaço, temos mais originais do que dinheiro em caixa. Eu não-
- Querida, você sabe que não vai solucionar os problemas de uma empresa que nem é sua sozinha, né? - Renata interrompeu e viu a filha assentir, mesmo que a contragosto - Será que não é tempo de você pedir suas contas?
- Eu não gosto de me demitir, mãe. Você sabe disso, eu não sei fazer isso. Sem contar que, com o que eu vou trabalhar? Como vou manter o aluguel e as contas daqui?
- Sabe que seu quarto está pronto lá em casa no momento em que quiser. - a mulher comentou, mas soltou um riso fraco.
- E eu te amo por isso, mas voltar para sua casa seria regredir. Eu tenho que fazer isso por mim.
- Você não precisa se afogar só para provar que sabe nadar, filha. Eu não vou ter menos orgulho de você por isso.
- Eu sei, mãe. Eu sei. - a mais nova fechou os olhos por alguns segundos, tentando se manter centrada - Vou ficar bem.
- Sei que vai e isso vai ser apenas uma fase. - Renata segurou as mãos de sua menina e sorriu. O máximo que podia oferecer era isso: conforto. era cabeça dura demais para outras coisas.

- Teve alguma notícia sobre a tal entrevista? não me diz nada, não sei até que ponto ela está tentando não me desapontar e até que ponto ela quer se proteger. - comentou, enquanto arrumava alguns roteiros ao lado de Scott. Os dois tinham feito uma reunião na última hora para decidir alguns pontos das próximas edições. Principalmente sobre passar menos demandas para , ainda que ela não soubesse sobre.
- Talvez receba uma resposta nos próximos dias, não sei. Acho que eles ainda estão resolvendo. - Scott deu de ombros e viu assentir, meio desanimado - Você já pensou no que acontece se ela realmente vier morar aqui?
- Como assim?
Scott suspirou, pensando se começava o assunto ou não, mas ele gostava de . Nos últimos meses, ele tinha se aproximado bastante de , George e Beatrice, mas não sabia se seria bem recebido em uma conversa sobre esse ponto. No entanto, ele realmente se importava com , então precisava ver se era um bom terreno. Ele devia isso à amizade dos dois.
- Se conseguir o emprego, ela vem para um país diferente, sem conhecer ninguém além de nós. Provavelmente ela vai depender de você mais do que vocês estão prontos para pouco tempo de relacionamento. Já pensou nisso?
- Ah, bem. Para ser bem sincero, eu estou pensando em perguntar se ela quer morar comigo. Caso consiga o emprego, é claro. - se remexeu meio incomodado na cadeira - Mas não sei o que ela pensaria sobre isso, temos pouco tempo de relacionamento, ela não tem um bom histórico com a ex. Não quero apressar as coisas.
- Talvez seja melhor deixar rolar. - Scott sugeriu e lhe encarou, curioso - Já vivi um pouco mais que você, entendo isso de não querer colocar os carros na frente dos bois, mas muitas vezes, o melhor é apenas deixar acontecer. Se for para vocês morarem juntos, vai rolar. Se não, também acontecerá. Entende?
- Talvez eu só precise relaxar. - riu - Essa situação toda anda me deixando ansioso. Ainda tem a data da palestra, eles não me - e ele se interrompeu com o celular tocando com a chamada de um número desconhecido - Espera um minuto. - o ruivo se desculpou e levantou para atender.
Enquanto conversava com a pessoa do outro lado da linha, ele se remexia inquieto pela cozinha. De onde Scott conseguiu enxergar, o amigo secou o mesmo copo pelo menos sete vezes antes de desligar o aparelho e respirar fundo alguns segundos. Quando ele voltou para o lugar onde eles estavam trabalhando, tinha uma cara meio assustada.
- Você ‘tá bem, cara? - Scott perguntou, meio incerto, quando viu que não diria nada sozinho - Aconteceu algo?
- Eles adiantaram a palestra para outubro. - disse, ainda meio absorto. - Minha fala vai ser uma das que vai abrir o evento, pelo menos nesse dia.
- Cara, isso é o máximo! - Scott lhe deu um soquinho amigo, mas continuava perdido - Medo da estreia? - o homem sugeriu e viu o ruivo rir, sem graça - Relaxa, você vai se dar muito bem. Estaremos lá para te apoiar.
- Isso ajuda, mas ainda não tira todo o receio do que pode acontecer. - suspirou, mas logo tratou de se focar - Vamos terminar isso aqui, antes que eu surte mais ainda.
- Você que manda, chefe!

- Amor, outubro é logo ali. - comentou, animada, depois que lhe contou sobre a palestra em chamada de vídeo - Admito que isso me pegou um pouco de surpresa, porque estava esperando algo para novembro ou dezembro.
- Você acha que consegue vir?
- Bem, as minhas economias sofreram um pouco com a viagem e a situação da Expecto me deixa numa sinuca de bico financeira.
- Sabe que eu posso arcar com a sua passagem, né? Não quero causar um rombo na sua poupança só para que você possa me acompanhar.
- Eu sei disso, mas não quero abusar. - a mulher comentou, meio desconfortável - Apenas em último caso, preciso me organizar com o dinheiro.
- Como estão as coisas?
- Sinceramente? Péssimas. - riu, cansada e ficou preocupado do outro lado da câmera - Trabalhar de casa é exaustivo, eu não sei por quanto tempo a editora vai se sustentar e muito menos sei por quanto tempo consigo manter as contas em dia. Minha mãe até sugeriu que eu voltasse a morar com ela.
- Você não quer nem considerar essa ideia?
- Voltar para minha mãe, nessa situação, é andar para trás. Já sou grandinha, tenho que resolver as coisas sozinha.
- Tem falado com a sua terapeuta? - lembrou e sorriu, culpada - Você disse que ia conversar com ela.
- Eu sei, eu sei. Talvez tenha me faltado tempo.
- Você tem que se cuidar, babe. Como disse antes, já está grandinha para isso.
- Odeio quando você usa o que eu disse contra mim.
- É exatamente por isso que faço. - abriu um sorriso largo e, se estava tentando manter a pose, isso lhe desmontou. Ela sorriu de volta - Vou precisar de ajuda com o discurso.
- Vamos nessa, você está falando com uma excelente assessora de imprensa. Não quero meu cliente passando vergonha publicamente. - ela brincou e o ruivo entrou na onda.
- Sou seu cliente agora? - ele perguntou esperto e a mulher riu, concordando - Como funciona o seu pagamento?
- Ah, meu querido. Vai ter que suar a camisa para pagar o preço do meu trabalho. Por falar em camisa, você pode começar tirando ela, é um bom adiantamento. - sugeriu e riu antes de fazer o que ela tinha pedido.
- Feliz?
- Você não faz ideia do quanto. - ela observou o físico do ruivo e tirou a própria blusa ficando apenas de sutiã - Vamos ao seu discurso.
- ! - ele reclamou, sofrido, com a visão e ela apenas sorriu, marota.
- Estou apenas te ensinando a trabalhar sob pressão. - a mulher piscou e resolveu compartilhar a tela com o namorado - Agora vamos começar!





Continua...



Nota da autora: Sem nota.





Outras Fanfics:
Like a Virgin
Amor em Dobro
Blood, love and Death
(In)desejada
I'm not your fan
Nas garras do lobo
Entre sonhos
Pura Magia


Nota da beta: Meu Deeus, a pp vai pirar daqui a pouco, que pressão, coitada. Amo como o Max se preocupa com ela, cara, ele é muito fofinho, e gargalhei aqui com esse final! Como sempre, May, impecáveeel, ansiosa pela continuação, porque eu amo um casal!💙

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