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Última atualização: 20/07/2021

Prólogo

Vamos começar do começo, me chamo , mas me chamem de , tenho 21 anos, sou formada em fotografia em uma universidade no sul do Brasil e lá fui notada por um fotógrafo que veio nos dar um pequeno Workshop sobre fotografia de moda, o que a gente não sabia é que estávamos sendo avaliados o tempo todo e eu me minha dupla infalível a nos destacamos por ter resultados muito bons com o que estávamos aprendendo naquele dia, uns 2 semestres depois nos formamos, e quando eu estava em meu quarto pesquisando pra qual destino decidiria morar, a campainha tocou e desci as escadas a fim de ver quem estava esperando do lado de fora da porta, ao abrir a carteira que entregava correspondências no nosso bairro sorriu largamente me cumprimentando e me entregou algumas correspondências, após me despedir da mesma, fui checar o que havia chegado, tinham algumas contas, e uma carta em especial que era destinada a mim, e pasmem parecia aquelas cartas de Hogwarts, estava selada com cera e tudo com um remetente no qual eu conhecia, afinal lembram do workshop? Era o renomadíssimo fotógrafo Alexander Miller, super conceituado nesse mundo de moda e famosos e nela estava escrito:

Senhorita


Gostaria de lhe parabenizar pela recente formatura, e pela láurea acadêmica, fiquei muito impressionado com o desempenho da senhorita e de sua colega a senhorita , no dia do Workshop que ministrei na sua universidade estavamos avaliando não apenas com o intuito de notas acadêmicas, mas para um futuro contrato em meu estúdio fotográfico a Choose Photo concept, hoje estamos localizados em dois países e planos de expansão para mais alguns, pesquisamos também a fluência e as referências das senhoritas com os professores e na vida profissional de vocês até então, e ficamos ainda mais animados em saber que o perfil de vocês é o que procuramos para ter em nossa empresa, por isso além de uma carta com meus cumprimentos pela formatura gostaria de ter a senhorita como a nova contratada da Choose Photo Concept em Nova York, caso a resposta seja positiva por favor entre em contato conosco pelo e-mail no rodapé dessa carta para que possamos agilizar tudo que seja necessário para a sua vinda!

Aguardo ansioso pela sua resposta

Atenciosamente,

Alexander Miller.


A oferta simplesmente trazia o que eu queria, tudo de uma única vez, resolvi ligar pra e ver se ela tinha recebido a carta também

— Amiga! Você também recebeu a carta?— me apressei em dizer sem nem ao menos saudar minha amiga do outro lado da linha
— Recebi! E eu tô tão animada pra dizer sim, estava mesmo te ligando agora pra saber o mesmo— e então um suspiro com excitação do outro lado da linha surgiu e ela continuou – Você vai?
—Então, essa proposta de emprego cai do céu pro meu propósito de me formar e viver da minha profissão em outro pais, não era exatamente pra onde eu pensava em ir, confesso que tô com um medinho do desconhecido, porque não sei nada sobre New York, mas eu tô muito tentada em dizer sim, arrumar a mala e ir agora pra lá! – respondi mais empolgada do que eu mesmo achei que estaria.
— Eu tô na mesma que você, tirando a parte de que estar no Brasil não é um problema pra mim, porém eu não sei se vai rolar amiga, eu tenho a agenda de ensaios que já foram pagos pra pelo menos 6 meses. – pude sentir o pesar vindo de .
— Vamos fazer assim, pelo que a gente viu lá no Workshop o Alexander parece ser uma pessoa super acessível, e se ele quer tanto assim que a gente trabalhe pra ele, com toda certeza do mundo ele vai esperar, não é todo mundo que pode jogar a vida pro alto e simplesmente e sair amanhã pra ir trabalhar com ele.
—Você tem toda razão, vou entrar em contato via e-mail e vou explicar a situação, que eu tenho interesse em ir pra vaga que foi oferecida pra nós, mas vou precisar de um tempo pra cumprir minha agenda pessoal primeiro, e vamos ver o que acontece.

Após o primeiro e-mail confirmando o interesse em fazer parte da equipe de fotógrafos da Choose Photo Concept, foram marcadas inúmeras reuniões por chamada de vídeo com o Alexander, e com o passar delas, a gente viu que formalidades não eram muito o forte de Alex, pois as reuniões iam pros assuntos mais aleatórios, e acabamos vendo que tínhamos ganhado mais de que um chefe extremamente bonito, com seus olhos verdes, cabelo praticamente raspado preto e a pele levemente bronzeada. Tínhamos ganhado um amigo pra vida, que poderíamos contar a qualquer hora. Depois de definidos todos os detalhes de como as coisas aconteceriam quando chegássemos lá, como aonde moraríamos, quando iríamos ir pra lá e todas essas burocracias de mudar de país, as chamadas eram literalmente pra jogar conversa fora e conhecer ainda melhor com quem iriamos trabalhar.

Depois de um mês exato do dia que respondi a carta por e-mail, lá estava eu no aeroporto internacional de Guarulhos, com toda minha vida resumida em quatro malas esperando pra embarcar para realizar o sonho da minha vida, viver do que eu amo em outro país. Nem de longe foi uma tarefa fácil desapegar de muita coisa que tinha batalhado anos pra conseguir, mas era o certo a se fazer, um sonho vale muito mais do que bens materiais e era isso que me sustentaria pro resto da minha vida, e eu sentia que jamais me arrependeria de qualquer coisa que tive que fazer pra chegar até aqui. Não eram nem de longe minha primeira opção ir pra New York, na realidade nem era uma opção pra ser franca, mas Itália e Inglaterra teriam que esperar.

Senhores passageiros do voo 9574 com destino a Nova Iorque, Estados Unidos da América, o embarque no portão 7 foi liberado.
Depois de me despedir da minha mãe, e alguns amigos que estavam ali, fui em direção do check-in, entrei na sala de embarque, despachei minhas malas e decidi fazer um último lanche em solo brasileiro.
Após seguir já sentindo a nostalgia e o aperto no peito de estar indo embora, segui calmamente pela passarela que me daria acesso ao avião, localizei minha poltrona me acomodei na mesma, coloquei meus fones de ouvido, e logo após o avião decolar eu me permiti fechar os olhos e sonhar.


Capítulo 1 — New York

Longas 10 horas dentro do avião e lá estava a cidade que seria minha nova casa, uma sensação de ansiedade junto com uma de que tinha coisa boa vindo por ai tomaram conta do meu peito, eu não fazia a menor das ideias do que viria a acontecer comigo, mas eu tinha certeza que essa cidade me traria todos os sentimentos e experiências que eu não conhecia.

Recolhi minhas malas na esteira, não estava lotada de malas, mas levou um certo tempo para que eu achasse as quarto, geralmente em esteiras assim logo após o voo eram completamente lotadas de pessoas tentando achar suas respectivas malas, mas hoje estávamos apenas eu e um homem ligeiramente mais alto que eu, cabelos pretos e com os antebracos descobertos pela camisa de manga longa amontoada no cotovelo cheios de tatuagens, ele usava um óculos de sol preto, assim como eu, não que eu tivesse reparado muito no mesmo, já que a tarefa de achar minhas malas estava tomando conta do meu foco, mas pude notar certa inquietação do mesmo que por sinal era muito bonito, depois de deixar meus devaneios de lado por sorte eu tinha conseguido colocar todas elas em um carrinho sem passar qualquer mico , porque essa era minha especialidade, ser completamente desastrada.

Coloquem essa música para tocar

Segui para fora do aeroporto em busca de um táxi que me levaria até a casa de Alex, já que começaria a trabalhar no dia seguinte mesmo, e a querida New York começava a anoitecer e a sua beleza ficar diferente, a beleza dos arranhacéus de vidros que mais pareciam espelhos e a divesidade cultural das pessoas na rua dava lugar as luzes e os telões tiravam que eram fôlego, eu estava ansiosa pra poder chegar na minha nova minha casa, mas por hoje iria pra casa do Alex para então dentro de alguns dias ter um apartamento só pra mim, quando chegamos em frente a casa que era enorme por sinal, desci do famoso táxi nova iorquino amarelo e então parei contemplando tudo aquilo, a casa era branca e super moderna.

Estou aqui na frente!

Me de três minutos e já abro pra você! Alex


O Alex além de um amor de pessoa, era muito bonito, era mais alto que eu, devia ter 1,80 tranquilamente, era malhado, olhos verdes e cabelo preto praticamente raspado e a pele levente bronzeada.

— Oi tampinha!— Alex me recepcionou com um abraço.
— Se eu sou tampinha a é o que? Anã? – retribui o abraço e ri com a minha própria colocação.
— Não tinha pensado nisso , mas pra mim você sempre será tampinha, por ser mais nova que eu, e por se parecer muito com a minha irmã mais nova, aliás gostei muito desse cabelo viu? Cabelos coloridos combinam com você, principalmente o roxo. Oh menina cheia de estilo.
— Você tem uma irmã? Não sabia disso – o moreno apenas assentiu com um sorriso no rosto – ah, e sobre o cabelo, obrigada! – falei e corei, nunca sabia o que dizer então eu sempre agradecia e morria de vergonha.

Entramos na sua casa aonde a lareira estava acesa e deixava o ambiente bem mais aconchegante, a sala era bem clean e o design bem minimalista, depois de me mostrar aonde o quarto de visitas e me ajudar com as malas, pude tomar banho quentinho e relaxante e trocar de roupa, e devido a casa toda estar quentinha consegui colocar uma blusa canelada de gola V preta mais fina, uma legging também preta, minha ametista que não saia do meu pescoço e uma bota rosa fúcsia da Melissa completavam meu look pra poder voltar ao primeiro andar da casa,me sentia leve, como se o banho tivesse tirado todo aquele peso da minha antiga vida.

Terminei de secar o cabelo e então quando cheguei ao andar de baixo fui surpreendida por um enorme cachorro preto com o peito e o focinho branco, arriscaria a dizer que era um boiadeiro bernes, latindo e pulando em cima de mim.

—AAAAAH!
—Bold! Sai daí cara! Não assusta as visitas assim! – veio em desespero quando viu seu “pequeno” cachorro quase me derrubar.
— Tudo bem Alex, só levei um assusto porque não tinha visto ele quando cheguei e ele pulou em mim – me abaixei perto do cachorro que agora estava ao lado do dono sentado me abaixei e fiz carinho naquele que só tinha tamanho, porque era uma doçura em cão, ja estava com a lingua pra fora e parecia sorrir enquanto recebia o carinho.
— Ele gostou de você , ele não costuma dar muita moral pra ninguém, ele gosta de ignorar as pessoas – disse enquanto nós sentávamos no sofá na frente da Tv — O que você acha da sua tia nova? Gostou dela Bold? – falou com vozinha típica de quem fala com pets.
— Fico aliviada, imagina um bichão desses não gostar de mim? – soltei uma risada nasalada.

Ficamos conversando um pouco na sala sobre como tinha sido a viajem e como eu estava me sentindo, falar com Alex era como se eu falasse com uma pessoa que eu conhecesse a muito tempo, falou um pouco de como seria o dia seguinte no estúdio e sobre vida amorosa, ja que me contou que logo em seguida sua amada chegaria ali, e que me levaria a muitas festas como um bom irmão mais velho, então a campainha tocou, e quando Alex foi em direção da mesma voltou do hall de entrada da casa com uma mulher loira linda chegou com uma pilha de Pizzas em mãos, vi Alex dando um selinho nela e deduzi que ela era sua namorada, a mesma veio com um sorriso lindo nos rosto em minha direção após colocar as pizzas na bancada da cozinha que fazia a divisão com a sala e então veio até mim se apresentando.

— Então você que é a que o Alex tanto fala? Prazer sou Camile a namorada do Alex!
— Acho que sim, prazer em conhecer você Camile! Você é realmente muito linda! Alex não exagerou nadinha quando descreveu você! – fiz um elogio sincero, juro que nunca imaginei ser tão bem recebida pela namorada do meu chefe.

As pizzas eram com toda certeza bem diferentes das brasileiras, não tinham tanto recheio e podiam ser comidas com a mão mesmo, já que a massa era mais sequinha, enquanto conversávamos descobri que Cami era britânica e viajava muito por ser modelo, coisa que Alex também faria muito,e consequentemente faria o mesmo se precisasse, o que nos acompanhava junto das pizzas era um bom vinho chileno, contei como era no Brasil, mais especificamente no sul, Alex era Brasileiro e fala português super bem,porém morava nos EUA desde muito pequeno, depois de mais muita conversa sobre os mais variados assuntos e algumas taças de vinho, decidimos que era hora de dormir, ajudei a recolher toda a bagunça da janta e me despedi do casal e rumei ao quarto aonde eu passaria alguns dias, me despi, e coloquei o pijama quentinho que já tinha deixado separado antes de descer pra sala,quando apoiei minha cabeça no travesseiro apenas mandei uma mensagem pra , contanto um pouco do que tinha acontecido e uma para minha mãe dizendo que havia chegado bem e mais alguns detalhes do que tinha feito até então, programei o despertador, já que no dia seguinte teríamos uma reunião com alguns clientes que trabalharíamos na semana seguinte, quando bloqueei meu celular, senti meus olhos pesarem e adormeci rápido, talvez fosse a viagem....


New York, 28 de Janeiro de 2019


8:20 a.m


Quando ouvi meu despertador tocando, acordei em um pulo, como de já estivesse meio acordada,como se eu estivesse em um limbo nem dormindo nem acordada, isso acontecia muito quando eu tinha aquele tipo de sonho, no qual partes dele alguma coisa tinha sido muito real, geralmente eram beijos, toques, eu sentia como se realmente tivessem acontecido , o toque de uma pessoa na qual eu ainda não tinha descoberto de quem se tratava era uma coisa que me deixava boba, geralmente era sempre o mesmo cara, barba por fazer mas ainda sim definida, cabelo preto, ligeiramente mais alto que eu, no sonho estávamos sempre juntos como um casal, e certas coisas nesses sonhos me marcavam de mais, e quando digo isso, falo de detalhes, no de hoje hoje era uma camiseta xadrez vermelha e um beijo no rosto, a sensação de encostar na pele e sentir a barba por fazer em contato com os meus lábios. A sensação ficava se repetindo na minha mente, me deixando arrepiada sempre que minha mente me levava devolta naquela memória. Tentei afastar essas lembranças da minha cabeça, levantei e rumei ao banheiro do meu quarto, fiz minha higiene matinal, e não deixei a maquiagem básica de lado, não tinha nascido com a melhor pele, então dava um up no visual com alguns poucos produtos, finalizei com um liptint e me vesti confortável, já que provavelmente iríamos trabalhar com alguém já hoje, coloquei um moletom rosa, branco e cinza em “faixas” horizontais uma legging preta, e um coturno também preto nos pés, desci as escadas lentamente para o andar de baixo, percorri o corredor que dava acesso a sala e já encontrando por Alex me esperando.

— Bom dia tampinha! – Saudou com um bom humor invejável.
— Bom dia Alex, vamos direto pro seu estúdio? – vendo que o mesmo já pegava as chaves do carro
— Sim! Temos uma reunião às 9:30, o cliente adiantou o horário, então depois a Samantha pega nosso café da manhã na padaria.
— Você que manda, boss!— eu já estava achando o máximo toda essa correria, era exatamente o que eu precisava na minha vida...

No caminho até a garagem Bold pulou em mim como um cumprimento com uma bolinha na boca, fiz um carinho nele e logo segui Alex até a garagem. O caminho até o estúdio não durou mais de quinze minutos e ali eu pude contemplar mais da cidade que agora era meu lar, o Central Park com as pessoas se exercitanto, os famosos arranhacéus de New York e a atmosfera que só quem mora ali pode sentir. Assim que Alex estacionou ao lado do prédio pude admirar o prédio aonde o estudio ficava,como a casa aquilo também era monumental, um prédio de uns três andares com uma parede de vidros espelhados completavam a fachada, o nome do estúdio estava em uma placa prata em frente na grama antes do prédio Chose – Photo concept em letras perfeitamente desenhadas.

Bom dia Sr Alexander! Bom dia senhorita ! – fomos recepcionados por uma moça com os cabelos vermelhos escuros, aparentava ter minha idade, talvez um pouco mais, respondi o bom dia e em seguida fomos apresentadas.

, essa é a Samantha, nossa recepcionista e secretária, ela irá cuidar da sua agenda e reuniões, tudo que precisar é só conversar com ela!
— Prazer Samantha! Será um prazer trabalhar com você!
— Digo o mesmo Senhorita! Sr Alexander, o senhor Liam espera por vocês na sala de reunião black. – informou ao chefe para onde deveríamos seguir.
— Muito obrigada Samantha! Agradeceu a secretária e foi caminhando até as escadas – aqui as salas todas têm nomes, as de reunião são cores, e os estúdios por números, e os escritórios de cada um por deuses do Olimpo, parece muita coisa, mas você se acostuma! — Apenas assenti com a cabeça e sorri como confirmação. As portas literalmente tinham a cor do nome de cada sala, aquilo era pensado nos mínimos detalhes.

Seguimos para o segundo andar e paramos na porta preta a esquerda no corredor, em silêncio, quando a porta foi aberta por Alex ele saudou nosso primeiro cliente.

— Olha...olha! Se não é meu amigo Liam Payne! – E nesse momento eu congelei ali mesmo, não por causa do frio que fazia em New York nessa manhã, mas ali na minha frente estava um ex-integrante de uma boyband mundial, sempre acompanhei a carreira desses caras, mas conhecer pessoalmente me parecia uma realidade muito longe.
— Bom dia! —Ele disse tímido ao ver que mais uma pessoa estava ali – prazer sou Liam – o mesmo se apresentou me estendendo a mão
— Bom dia! O prazer é meu! Me chamo , mas pode me chamar de ! – respondi saindo do meu estado congelado pra realidade sorrindo estendendo minha mão para o cumprimentar.

A reunião ocorreu tranquila, faríamos algumas fotos de Liam para divulgação pessoal em seu Instagram na mesma semana, pontuamos o que precisariamos para o ensaio e em que estilo seriam feitas as fotos, a minha conexão com Alex era incrivel a gente se entendia e conseguia pensar em tudo, formávamos uma ótima dupla e também marcamos para fazer toda parte fotográfica de um clipe que seria filmado em final de agosto em uma praia. O mais engraçado era que como Alex era amigo de longa data de Liam a reunião foi tudo menos séria, até um convite pra uma festa que aconteceria dali a duas semanas recebemos, trabalhar com Alex não estava sendo nada mal...


*******


Alguns modelos de uma campanha publicitária da Levis chegaram no estúdio 05 aonde Alex e eu estávamos arrumando toda a iluminação para o shoot que faríamos para a marca, enquanto a equipe de visagismo terminava o cenário que apesar de ser branco era necessário ser montado, a vibe de estar em um ensaio de uma marca tão conhecida era algo de outro mundo, sentir na pele o que era um ensaio publicitário e que não era nem de longe como minha mente imaginava era algo surreal, ver seu sonho de vida acontecendo diante dos seus olhos é uma das melhores sensações do universo, estava como segunda câmera e como dupla de Alex que me mostrava como deveriam ser todas as coisas dentro do estúdio para esse tipo de campanha, e tentei ao máximo fazer o meu melhor, peguei os melhores angulos que pude, mesmo que todas aquelas poses desconfortáveis me causassem algum desconforto muscular depois, uma das figurinistas trouxe uma camiseta xadrez vermelha pra compor um dos looks, igual ao sonho dessa noite, e tudo veio a tona, e aquilo passou a me incomodar pelo resto do shoot a lembrança daquele sonho que estava mexendo comigo...

O dia passou relativamente rápido, terminamos toda a agenda do dia sem deixar nem um compromisso de fora, fomos até o mercado e compramos coisas para a janta, hoje fariamos uma comida tipicamente Brasileira, a famosa Feijoada, enquanto cozinhava, Alex me informou que o apartamento aonde eu iria morar demoraria mais alguns dias pra ficar pronto, estavam terminando a pequena reforma para que ficasse mais confortável e mais a nossa cara, já que mais tarde dividiria ele com a , durante o tempo que cortava os ingredientes para temperar o feijão, viajei nos meus próprios pensamentos, tudo estava sendo muito melhor do que pensei em ser, e eu estava grata e aproveitando ao máximo todas as experiências que o destino estava me dando.


Capítulo 2 — Destiny, keep surprising me

New York, 09 de Fevereiro de 2019


07:45 A.M



Era o segundo dia no apartamento novo e eu estava completamente apaixonada na minha casa nova, o apartamento era na rua de trás do Central Park, a vista da janela da sala era o próprio parque, em toda sua majestosa imensidão, o andar era o 13º mas aquele prédio com certeza tinha uns 20 andares e eu amava altura, o apartamento era enorme pra duas pessoas, mas muito bem decorado, era a minha cara e da em todos os sentidos, o sofá preto de canto na sala com a mesa de centro em um estilo rústico de madeira retangular deixava o ambiente mais aconchegante ainda, e com certeza esse seria um dos meus lugares favoritos, a cozinha e a sala eram no mesmo ambiente, num conceito mais aberto, a cozinha era separada por um arco de tijolos à vista, acompanhava toda a parede da cozinha com o mesmo revestimento, os móveis eram todos pretos e prateados deixando ela com um estilo industrial lindo de viver, e próximo a enorme janela da sala de jantar com aquela vista que mais parecia um quadro tinha as cadeiras e a mesa cinza claro que acompanhavam os mesmos tons das paredes e do piso. Eu estava literalmente na minha casa dos sonhos e no emprego dos sonhos, o que mais eu poderia querer?

**************


Hoje pra ser mais precisa era sábado, e como as nossas agendas estavam bem corridas no estúdio eu estava terminado de editar umas fotos em casa, mais tarde eu precisaria levar as mesmas até a casa do Alex, já que o cliente iria lançar as mesmas em sua campanha na segunda de manhã e por segurança nada era enviado por meios on-line para que não ocorresse nenhum vazamento de fotos antes da aprovação dos clientes, esse mundo aonde trabalhávamos dificilmente parava, mas tentávamos ao máximo deixar o final de semana livre quando era possível. Eu estava bastante contente com a minha evolução nas últimas duas semanas, trabalhar com Alex era simplesmente fantástico, era um constante aprendizado, meu apartamento era super perto da casa do meu adorado chefe, facilitando pra que mais tarde fosse até lá para entregar as mesmas. Após finalizar as fotos, fui tomar um café da manhã, o que eu mais amava em morar em um lugar diferente de onde eu me criei, era a diversidade de coisas novas pra comer, era coisa pra provar que não acabava mais, e pra não ganhar uns quilos extras mais tarde precisaria me exercitar e assim não teria também uma vida tão sedentária como a que eu venho tento nos últimos meses, quando tomava mais um gole do meu cappuccino meu celular começou a apitar incessantemente em cima do sofá, me levantei calmamente e fui olhar o que acontecia no mesmo, e Alex me mandava mensagem desesperadamente.


! – 09:43
Tá aí?— 09:45
, telefone serve pra que mesmo? — 09:46
preciso falar contigo URGENTE! 09:47


Bom dia pra você também Boss!
Nossa que pressa toda é essa homem? Tá indo tirar o pai da forca?
O que você precisa Alex? Ah e não me chama pelo nome completo, parece que tá me xingando!


Ah sim! Bom dia tampinha!
É que eu preciso muito das fotos, você já terminou né?
Um amigo meu tá vindo pra cá e vai passar aí em exatos 3 minutos, entrega o pendrive pra ele por favor?


Você manda Boss! Mais tarde posso pegar o bold e levar ele pra passear? Vou correr e queria uma companhia!



Meu interfone nunca foi tão pontual, achei que seria exagero de Alex sobre o tempo, não achei que americanos seriam tão pontuais quando britânicos.
— Senhorita , o amigo do Senhor Miller está aqui, posso liberar a entrada?– o porteiro anunciou
— Claro que pode senhor Flemings! Muito obrigada – desliguei o interfone e fui até o meu escritório buscar o pendrive das fotos, uma coisa que não faltava na minha casa era música, eu era movida a música, e elas geralmente tocavam quando eu precisava as ouvir, como se me ajudassem a tomar uma decisão ou me consolassem de alguma situação, e sabe quando a gente tem uma música na qual não tem explicação ou um porque, mas é a nossa música? Wonderwall do Oasis tocava na caixinha de som na sala, e quando a campainha tocou me dirigi até a porta, mas antes que eu chegasse até ela, a campainha tocou de novo — Tô chegando!

(N.A. Coloque a música para tocar)


Because maybe
(porque talvez)
You're gonna be the one that saves me
(Você será aquele que me salva)
And after all
(E depois de tudo)
You're my wonderwall
(Você é meu protetor)


Quando eu abri a porta eu me amaldiçoei até o fim dos tempos por não estar ao menos com uma roupa descente e não um pijama.

— Oi! Prazer sou Zayn! – anunciou o moreno
— O-Oi! Sou a prazer!
— Gostei da música!— deu um pausa voltando a si— Ah! Sim, não vou tomar seu tempo, vim buscar as fotos do Alex – falou com certa urgência.
— Amo ela! – me referi a música — Claro! Está aqui! – quando estendi o pendrive e a mão de Zayn veio ao meu encontro para pegar o pendrive e roçou levante nos meus dedos, todo meu corpo se arrepiou e aquela sensação maravilhosa de coisas boas desconhecidas tomou conta do meu corpo, a mesma sensação que tive quando cheguei em NY e pra minha infelicidade isso não passou despercebido.
— Muito obrigada , pelo jeito você não tá acostumada com o frio daqui — falou e apontou pro meu braço que ainda estava todo arrepiado
—Pode me chamar de , é pelo jeito não... e acredito que o tempo esfriou ainda mais lá fora e aqui dentro tá tão quentinho – falei um pouco sem graça mas tentando disfarçar o motivo do meu arrepio
— Então tá até algum dia – disse passando seu olhar por toda a extensão do meu corpo e levando à mão até a nuca em sinal de timidez talvez?
— Até Zayn— disse simplesmente e fechei a porta atrás de mim.

Tá certo, eu mataria Alex mais tarde pelo mico de mandar nada mais nada menos que Zayn Malik na minha porta e eu estar de pijama. Eu ainda tinha a sensação do arrepio e aquela sensação boa percorrendo toda a extensão do meu corpo, fui até a bancada da cozinha, peguei minha xícara de cappuccino e fui pro sofá da sala aonde agarrei uma almofada e coloquei em meu colo, e peguei meu celular mandando uma mensagem para Alex:

Seu silêncio consente a tutela do seu lindo cão mais tarde para minha pessoa!
E antes que eu me esqueça, obrigada por mandar um ex One direction na minha porta em um sábado de manhã, enquanto eu ainda estava de pijama!!


Ah para tampinha! Você vem dizer pra mim que não tá gostando das minhas amizades? E pelo que o Zayn disse, você não estava nada mal de pijama ahahahaha
Sim por favor leve esse The Mônio com você
!

Alexander Miller! Aonde eu me escondo agora? Me lembre de ficar doente quando ele estiver no estúdio com você!! Em meia hora passo pra pegar seu anjo em forma de dog! XX



Afastei qualquer pensamento do que havia acontecido porque toda vez que a cena passava pela minha cabeça eu sentia vergonha de novo, e fui em direção ao armário no meu quarto procurar uma roupa quentinha que pudesse me acompanhar na minha corrida, um moletom verde tiffany nas mangas, e cinza chumbo no meio da Nike foi o escolhido pra me acompanhar na corrida, além de uma calça justa de moletom do mesmo cinza, lembram do lance da música? Claro que não poderiam faltar meus fones de ouvido, prendi o cabelo, peguei as chaves do apartamento e chamei o elevador, o caminho até a casa de Alex durou menos de dez minutos caminhando, era literalmente muito perto, e em todo caminho minha mente se permitiu viajar, mas não pra algum lugar específico, mas sim em todas as coisas boas que NY realmente estava me trazendo, quando cheguei na frente da casa de Alex, Olívia a governanta já me esperava com Bold na coleira, conversei brevemente com a mesma, peguei o cão e fui pra minha corrida pelo Central Park.


************


Zayn pov’s on

Tá ai uma coisa que não acontecia a um bom tempo na minha vida, eu ficar sem jeito na frente de alguém, eu sempre fui muito quieto, mais na minha mesmo, mas dessa vez eu tive a impressão de que conhecia ela de algum lugar, apesar de ser a primeira vez que a via na minha frente, porque ela era a nova fotógrafa do estúdio do Alex, não tinha chance de eu conhecer ela, ou será que tinha? Tenho que confessar que ela era muito bonita e tinha um corpo de tirar o fôlego de qualquer homem, mas afinal porque eu ainda tô pensando nisso mesmo? Quando me dei por conta estava estacionando na frente da casa do Alex e então fui matar a saudades do meu amigo.


Pov’s on

Os dias na Choose estavam voando, muito trabalho e muitos editoriais para marcas importantes, mas dessa vez sem nenhum famoso aparecendo na porta da minha casa, ou até mesmo no estúdio.

— Com licença, — adentrou o estúdio aonde eu terminava umas fotos de produtos para uma loja de joias local.
— Hey Sam! No que posso te ajudar?
— Sr. Alexander quer conversar com você em sua sala, o nome da sala dele é a Zeus, assim que você terminar ele a espera lá.
— Obrigada Samantha em dez minutos estou lá! — Finalizei a última fotos da loja de joias, e fui em direção a sala de Alex.

TOC..TOC..

— Pode entrar! – ouvi a voz do meu chefe
— Oi Boss, queria falar comigo?
— Queria sim, sente-se! – apesar da tranquilidade na voz de Alex eu estava aflita, isso nunca tinha acontecido até então, nunca fomos do tipo formais um com o outro.
— Fiz alguma coisa de errado? – ouvi uma gargalhada do meu chefe e então toda a tensão que tomava conta de mim foi por água abaixo.
— Nah! – falou ainda rindo – Ao contrário, você vem se destacando muito aqui na Choose, ainda mais do que eu esperava, confesso, não me arrependo nem por um momento em ter escolhido você lá no workshop, o tempo que precisei esperar pra você se formar valeu totalmente a pena, além de uma fotógrafa sensacional eu ganhei mais que uma amiga, outra irmã mais nova!
— Err... obrigada Alex— já disse que não sei lidar com elogios né? E então ele continuou.
— Além disso, apesar de ser uma das minhas duplas preferidas, a partir de hoje pra conseguirmos atender a nossa demanda mais rápido, vamos nos dividir e você será a câmera principal, liderará e fará ensaios sozinha também, e tem mais, você vai ter sua própria sala no final desse corredor que será a sala Afrodite ao lado do estúdio 13, que será o seu estúdio também, mas isso não impede de usar os outros se precisar...
— Uaau! Não sei nem o que dizer, muito obrigada Alex, por acreditar em mim e no meu trabalho!
— Não precisa agradecer tampinha! Você fez por merecer! Ah! Checa sua agenda que já tem agendamentos a partir de amanhã, e juro que não tem dedo meu tá? — o olhei de canto de olho – O que você aprontou Alex? – disse desconfiada mas já dando risada
— Vai conferir tua agenda vai! Depois eu te aponto o culpado se precisar, só me avisa se quando alguém for buscar fotos pra mim na sua casa, se você ainda está de pijama ok? – disse já rindo
—Poxa Alex, era um sábado de manhã, as nove e pouco da manhã e você queria que eu tivesse como? Arrumada pra um Grammy? – e então nós dois rimos, enquanto eu me virava pra sair dali
– Ah! Você vai pra festa do Liam hoje a noite? – perguntou com uma animação extra na voz.
— Não tenho certeza Alex, não conheço ninguém além de você e o próprio Liam...
— A Cami chega hoje de meio dia, se quiser pode ir conosco, passo pra pegar você as 21:00h.
— Combinado então, espero vocês as 21:00h.

Rumei até minha nova sala, e o bom gosto de Alex era indescritível a decoração era perfeita, uma mesa estilo industrial preta com os a parte de metal dourada envelhecida um macbook em cima da mesa e uma cadeira mega confortável e bem executiva preta, atrás de mim um estante de madeira escura com portas de correr de vidro cheia de livros de fotografia, no qual eu devoraria cada um, em um dos lados da sala um painel ripado de madeiras da mesma cor da madeira da estante, que formava uma espécie de hall de entrada para a minha sala o lustre era no mesmo estilo industrial e a mesa era virada para a enorme janela com a vista do pátio de atrás da Choose, na lateral da sala uma porta que dava para o estúdio. A sala não era grande, era do tamanho ideal pra que eu não me sentisse perdida ali. Sentei na minha nova mesa e puxei o telefone ligando para recepção.

— Samantha, sou eu a , preciso saber como acesso a minha agenda, pelo que Alex me disse já tenho compromisso pra amanhã...
— Oi ! Sim, no seu computador tem um programa que usamos pra sincronizar a agenda de todos, assim se um precisa de ajuda o outro sabe quando o colega está livre.. – Samantha me explicou mais algumas coisas e após isso resolvi abrir a mesma, algo estava me deixando extremamente nervosa, talvez pelo comentário de Alex...

E lá estavam os agendamentos, eu não podia esta mais feliz e caramba minha agenda estava lotada pelos próximos vinte dias, e no meio dessa loucura toda tinham nomes como Adam FUCKING Levine e Harry Styles para uma campanha de caridade, Ian Somerhalder e Daniel Gillies para Armani, e eu já estava pirando, os meus ídolos iriam ser fotografados por mim, teria que me preparar psicologicamente pra não parecer uma louca tietando eles, e a lista não parava por ai, Kendall Jenner para Chanel, novamente Harry Styles, mas nesse ensaio tinha uma viagem para Escócia marcada para uma campanha da Gucci e aproveitando a viagem para Europa uma sessão de fotos na costa amalfitana de Zayn Malik e ao ler o último nome da lista um arrepio e uma pontada de vergonha tomou conta do meu corpo, teria que lidar com a vergonha para que não atrapalhasse nada nesse shoot, afastei esses pensamentos e uma alegria tão grande tomou conta do meu ser, outro sonho meu estava se realizando conhecer o mundo fazendo o que eu mais amo, e era tanta responsabilidade que eu teria nesses próximos dias que eu morreria de ansiedade ali mesmo.
Passei o restante do dia tentando não pensar nisso e me concentrar nas fotos que tinha que terminar de editar, amanhã eu teria uma sessão de fotos no Central Park com algumas modelos para a Tommy Hilfiger, algumas eu já tinha ouvido o nome, mas nada que tivesse chamado minha atenção.
Assim que o expediente terminou, fui pra casa, tomei um banho e fui procurar uma roupa que pudesse ficar arrumada independente de como as pessoas fossem, porque não tem nada pior do que se sentir deslocada por não estar com o “estilo” de roupa igual aos outros, por exemplo, estar arrumada de mais ou de menos e chamar a atenção por causa disso. Resolvi que uma calça skynni preta e um cropped também preto rendado serviria para ocasião, uma sandália nude de salto pra completar o look e então parti para o cabelo e maquiagem, ter o cabelo colorido era uma vantagem de poder mudar sempre que quisesse, durante essa semana eu tinha ido até o cabeleireiro e meu cabelo estava castanho com californianas rosa, quase fúcsia nas pontas desciam até a metade das minhas costas, resolvi fazer ondas nos mesmos, e a maquiagem era simples, batom rosa combinando com o cabelo, delineado gatinho e uma pele mais contornada dando um ar mais “carregado” na maquiagem para a noite.

Alex era sempre muito pontual, quando chegou me mandou uma mensagem e me esperava em frente ao prédio em um de seus carros, o caminho foi um pouco mais longo já que a casa de Liam era mais afastada do centro, assim que chegamos a chave foi deixada com um manobrista e seguimos pelo caminho de pedras em meio a grama que dava acesso a porta da frente que já estava aberta

(N.A. Coloque a música para tocar)


E quando Liam nos viu chegando como um bom anfitrião veio em nossa direção cantando a música que ecoava pela casa.

—Eai cara! Que bom que vocês conseguiram vir! – disse dando um meio abraço em Alex, cumprimentou Cami com um beijo no rosto e veio em minha direção que estava logo atrás

I swear you’re giving me a heart attack, Troublemaker! – cantou a frase da música em meio a uma dancinha e veio me cumprimentar com um beijo no rosto— Que bom que você veio !
— Ta me chamando de encrenqueira é Liam? – brinquei com o mesmo
— To dizendo que você vai me dar um Heart Attack linda desse jeito! – soltou uma chavecada rindo. – Mas me conta, será que tem espaço na tua agenda pra mais umas fotos minhas?
— Já tá me trocando, Payne? — Alex brincou ao ouvir enquanto me esperava.
— Espera ai gente! Como você – apontei pro Liam – sabe que minha agenda tá cheia? – quando terminei a sentença. – Foi você! Eu devia ter desconfiado! – falei como se tivesse descoberto algo fantástico sozinha.
— Na verdade , foi o seu trabalho que encantou todas aquelas pessoas, eu só indiquei o seu trabalho, merecimento seu!

A festa estava sensacional, pessoas felizes dançando e conversando deixavam a atmosfera do ambiente leve, conheci pessoas maravilhosas ali, a cada pouco eu era apresentada a alguém novo, Alex e Cami pareciam conhecer quase todos ali, e não deixaram que em momento algum eu me sentisse deslocada por ser “nova” e apesar de quase todos serem famosos ali eu conheci quem eles realmente eram por trás de toda a fama, eu adorava fazer novas amizades, então não foi difícil as horas ali passarem voando, estávamos em uma roda conversando animadamente com algumas pessoas, quando Liam me chamou para me apresentar uma pessoa, eu já disse quando ele era uma pessoa sensacional? Ele era gentil, e tinha um carisma incrível, sabe o que uma garota nos seus dezesseis anos imagina de um cantor pop teen? Ele era exatamente tudo aquilo.

, eu queria na verdade te apresentar uma pessoa que vai ser seu cliente daqui uns dias. – foi me dirigindo até a bancada do bar que tinha sido instalado na sala de sua casa
—Preparado pra conhecer a melhor fotógrafa desse continente Harry? – disse chegando no ombro do amigo que estava de costas pra onde tínhamos vindo. E sim era Harry Styles em toda sua majestosidade ali.
— Olá ! Que bom conhecer você antes de fazer as fotos, estava mesmo curioso pra saber quem era a preciosidade que o Alex tanto fala! – me cumprimentou saudoso e super animado.
— Oi Harry! Não é pra tanto, ainda tenho muita coisa pra aprender! Fiquei bem feliz em saber que me escolheram como fotógrafa pra essa campanha, estou bem animada!
— Não seja modesta , as fotos que fez de mim ficaram sensacionais, todo mundo gostou! – disse Liam animado.

Ficamos mais um tempo conversando sobre trabalho, e depois sobre os mais diversos assuntos, era extremamente divertido ficar na companhia dos meninos, e era tão bom conversar com homens sem que houvesse segundas intenções, sempre tive mais facilidade em fazer amizade com homens, e claramente não havia ali qualquer segunda intenção, eu me sentia de volta ao colegial aonde a maioria dos meus amigos eram homens, e eu adorava a espontaneidade das conversas, até que o assunto foi parar no Brasil, e como Harry e Liam só haviam conhecido o Rio e São Paulo quando foram, ficaram bem interessados em saber mais sobre o Sul, como estávamos no bar bebemos alguns vários drinks, eu não estava bêbada porque era uma coisa bem difícil de acontecer, mas já estava bem mais alegre, eu já estava no estágio de estar com sono e pro sono ir embora só bebendo mais porém eu tinha fotos amanhã e eu precisava estar bem pra que tudo saísse como devia. Depois de mais algum tempo me despedi dos meninos e fui de encontro Alex e avisei que iria de táxi pra casa e então me dirigi até a porta de saída, no dia seguinte teria fotos pra fazer e precisava estar bem.
Depois de sair do táxi, estava me preparando para atravessar a rua quando uma caminhonete preta parou para que eu atravessasse, quando levantei a cabeça para agradecer o motorista pela cordialidade de me deixar atravessar pude ver um sorriso de canto e uma mão abanando para me cumprimentar, e então que eu reconheci quem era o motorista, e um novo arrepio tomou conta do meu corpo, era Zayn.


Capítulo 3 — Dreams start to come true

As semanas seguintes foram corridas e cheias de fotos fantásticas. Ser fotógrafa, apesar da técnica que tinha aprendido com o meu avô e todo o aprendizado que vinha da faculdade, além das experiências de vida, de repente eram como se sumissem. Na hora de fotografar, todo o conhecimento era como se não existisse, as coisas fluíam sem eu me lembrar de uma técnica sequer. Era como se eu e a câmera fossemos uma só. E por mais engraçado que fosse, todo início de shoot era sempre o mesmo frio na barriga. A insegurança de não saber como direcionar os modelos depois parecia uma besteira, mas até ficar à vontade com o modelo isso acabava me travando um pouco, porém depois tudo fluía muito natural. Mas, é claro, como sempre ouvia do meu sábio avô, é você que manda, nunca deixe que as pessoas percebam que você não está pronta.


Estava indo para o aeroporto, a caminho da Escócia, para as fotos com Harry. Quando parei em um semáforo, avistei uma menina bem pequeninha com uma câmera fotográfica de brinquedo e pude me lembrar de quando eu me dei por conta de que eu já amava fotografia.

Flashback on

— Kuki, vem cá! — Ouvi a voz de meu avô grossa e levemente rouca chamar pelo meu nome, já que brincava com minhas panelinhas cor de rosa um pouco afastada de onde ele estava.
— Oi, vovô! — Caminhei rapidamente em sua direção para ver o motivo que ele me chamava.
Pra variar, ele tinha uma câmera em mãos — uma de várias que ele tinha —, essa era uma Olympus trip 35, uma câmera considerada amadora, mas ainda assim era linda. Me lembro como se fosse hoje. Ele estava sentado em um banco de madeira na calçada, antes do gramado de casa, observando os beija-flores que ele tanto amava e passava horas esperando só para ter o prazer de fotografá-los indo de encontro às flores.
— O vovô quer te mostrar uma coisa! — Colocou uma mão em meu ombro, assim que me aproximei. — Fecha um olho — me mostrou que deveria segurar um fechado e outro aberto — e olha nesse buraquinho aqui. — Apontou para o visor da câmera e então acabou ajustando a câmera na direção certa para que eu visse a andorinha que estava pousada no fio de luz que vinha de encontro até minha casa.
— Um passarinho, vovô! Ele é lindinho, todo pretinho com a barriguinha branca! E ele é bem gordinho! — A animação tomou conta de mim, um misto de paixão tomou conta do meu coração e acredito que nem daqui a muitas vidas eu possa esquecer como me senti no dia que eu olhei pelo visor daquela câmera. Ali nasceram duas paixões: por fotografia e por andorinhas.

Flashback off


Uma lágrima teimosa escorreu do meu olho. Eu tinha saudades enormes dele, que já tinha partido dessa vida há pelo menos dez anos, mas tudo que aprendi com ele jamais seria esquecido. Me peguei pensando em como a frase que eu ouvi há muitos anos dele e era totalmente verdadeira: “Nunca tenha somente um grande sonho na sua vida, tenha vários pequenos sonhos. A vida não tem graça sem um sonho pra realizar.” E realmente, mesmo que sem querer, eu tinha vários pequenos (talvez não tão pequenos assim) sonhos pra realizar. Um deles eu estava vivendo, ser uma fotógrafa e ser reconhecida pelo meu trabalho. Um outro sonho era conhecer o mundo, o que já estava começando a se tornar real.
Depois de estacionar meu carro no estacionamento do aeroporto e rumar para o seu interior e ficar igual uma tonta tentando achar pra que lado ir — porque, sim, eu era uma negação em me localizar em lugares novos —, fiz o check-in, despachei minha mala e entrei na sala de embarque. Prontamente, procurei uma cafeteria para tomar um capuccino, tinha ficado tão ansiosa para essa viagem que mal dormi à noite. Enquanto isso, lembrei de mandar uma mensagem para Harry, avisando que embarcaria em seguida. Depois da festa de Liam, havíamos nos falado muito. Os assuntos? Os mais variados, desde lugares que desejo para viajar até sobre comidas.

Hey, Harry! Embarco daqui a pouquinho. Nos vemos mais tarde em Inverness! Xx
Bom dia, . Estou bem animado para as fotos mais tarde. Eu embarco daqui a umas três horas, estou em Londres. Até mais tarde xx H
Logo depois de saborear aquele capuccino maravilhoso de chocolate, resolvi entrar no avião e me acomodar com calma. Minha poltrona era perto da janela e costumeiramente coloquei meus fones de ouvido. Caí em um sono profundo antes mesmo de o avião decolar, teria algumas horas pela frente, então aproveitei pra colocar meu sono em dia. Quando eu fui acordada pela aeromoça, eu acabava de ter outro daqueles sonhos...
E lá estava mais uma vez a tal camiseta xadrez vermelha com azul, o homem ligeiramente mais alto que eu, barba rala, mas bem definida, e mais uma vez éramos um casal. Estávamos passeando por uma decoração natalina em uma praça, a cidade parecia toda em estilo germânico, estávamos em uma decida e uma casa em particular me chamou muito a atenção. Era toda em madeira, escurecida com um verniz, deixando o marrom da madeira mais escuro. Foi quando paramos e tiramos uma selfie em frente a tal casa. A felicidade tomava conta do meu ser, a emoção que tinha era algo nítido, como se eu realmente estivesse vivendo a situação. Na selfie seguinte, o mesmo toque do beijo que dei em sua bochecha, a sensação da barba rala em meus lábios e o toque do seu braço ao envolver minha cintura, aquilo era real demais pra ser só mais um sonho e assim eu despertei, com aquela sensação de que de novo eu não estava dormindo e sentindo aquele toque que me deixava desconcertada por dias, porque toda vez que eu lembrava do sonho, eu conseguia lembrar da sensação...
Logo que voltei à realidade, diga-se de passagem uns 15 minutos depois, desliguei meus fones que ainda tocavam alguma música que não fiz questão de prestar a atenção em qual era, esperei o avião taxear na pista e demorar um pouco mais que o normal ao estacionar para desembarcar. Peguei a bolsa e pus em meu ombro e então segui pelo corredor que dava acesso da aeronave até o aeroporto. Quando cheguei ao saguão do aeroporto, vi uma placa com meu nome, bem cena de filme. Ri em seguida com esse meu pensamento. A placa estava nas mãos de um homem alto e forte, todo de preto. Supus que seria quem me levaria de Inverness até a ilha de Skye, onde seriam feitas as fotos de Harry. Fui direcionada até uma van preta bem executiva no estacionamento do aeroporto e quando a porta dela abriu, além de toda equipe, meu modelo de cabelos cacheados também me esperava com um sorriso lindo.
— Olha a melhor fotógrafa desse mundo todo, pontual como um bom britânico deve ser!
— Agradeça ao avião e não a mim, Harry — disse brincalhona. — Foi ele que não atrasou desta vez! E sou italiana, não Britânica, então isso não se aplica a mim. Mas e como você tá, curly boy? — Brinquei com a referência de nacionalidade.
— Gostei do apelido. Estou ótimo e bem animado, mas a viagem até Skye é meio longa, acredito que umas duas horas...
— Não tem problema, Harry, estou bem animada também. Sempre quis conhecer a Escócia!
— Assim a gente pode conversar mais. Gostei de você, você não me trata como se eu fosse quebrar. Eu ainda sou um cara normal, fora que você é uma pessoa tão fácil de conversar.
— De normal sua vida não tem nada, né, Harry, você já fez parte da maior boyband que superou a beatle mania, tem uma carreia solo fantástica, é o motivo pra muita mulher desmaiar só com um olhar... — e tudo saiu com uma naturalidade absurda, porque era o que eu realmente pensava sobre o assunto.
— Ainda bem que você não é uma dessas mulheres, assim a gente consegue conversar normal. Eu sinto falta de uma amiga assim, que não esteja nem aí pra quem eu sou e não pense no que vai falar comigo...
— Ah! Pode deixar que eu prometo não desmaiar, até porque senão eu tinha desmaiado lá na festa do Liam! — Disse brincalhona.
, como você descobriu que fotografia era a sua paixão? — Me questionou com uma empolgação e interesse.
— Então — respirei fundo —, a fotografia vem de família, mas eu descobri que amava quando meu avô me mostrou uma andorinha pelo visor da câmera. — A nostalgia me arrebatou por retomar a lembrança de mais cedo. — E foi aquele amor arrebatador, sem explicação. Fotografar é pra mim é algo que alimenta minha alma, não consigo viver sem — finalizei com orgulho do que falava.
— Uau — impressionou-se. — Dá pra ver que a foto não faz parte da sua vida — deu uma pausa breve —, a fotografia é literalmente sua vida.

O caminho até Skye passou mais rápido do que pensei. Em momento algum ficamos sem assunto, éramos tão parecidos que chegava até a assustar e eu tinha só uma pessoa que era exatamente assim quando conversávamos, ! E como eu já estava sentindo falta daquela garota!

***


O lugar tinha uma beleza singular, jamais tinha visto algo parecido. A cor que tomava uma imensidão absurda e aonde meus olhos conseguissem chegar se via que o verde da grama era tão intenso que parecia até de mentira, mas as cenas de abertura de Outlander conseguiam mostrar com maestria a beleza dali. Os castelos que tinha em alguns pontos do caminho pareciam estar prontos para receber alguém da realeza. Apesar de estarem com certo desgaste pelo tempo, era possível deixar a mente viajar e imaginar quantas pessoas se apaixonaram ao redor dele, ou quantas concentrações para pequenas expedições para cobrança anual dos moradores das terras para o senhorio do castelo em nome do clã que ali vivia... Ali era possível deixar a imaginação te levar de volta àquela época e sonhar acordada com tudo que ali acontecia e tanto me fascinava.

A escolha de onde seriam feitas as fotos naquela imensidão de grama era por conta de Harry e os comentários dele eram divertidos demais do porquê tal lugar não poderia ser ou porque naquele ponto a grama era pouco verde. Pra mim, a grama era toda igual, mas Harry era quem mandava e enquanto ele não achava o lugar, eu me divertia. Por fim, achamos o local “unicamente perfeito”, como ele mesmo disse, e começamos a organizar tudo que era necessário: figurinos, flashes e vários outros detalhes, então pudemos começar as fotos. Rir era uma tarefa impossível de não se fazer, Harry conseguia ser muito espontâneo e engraçado.

— Harry, você se importa se eu colocar música pra ficar mais descontraído? — Disse, já arrumando todo o equipamento no local em que começaríamos a fazer as fotos.
— Fica à vontade, . Você que manda, garota! — Foi então que coloquei em uma playlist aleatória e começamos as fotos.

Cantamos muitas músicas no modo aleatório que ambos gostavam, como se fôssemos dois adolescentes, e as fotos fluíam como se não existisse uma câmera apontada pra Harry. Sabe aquela coisa de travar no início do ensaio? Com Harry isso não existiu. O fato de nos conhecermos antes ajudou muito nesse ponto e as músicas deixavam tudo ainda mais natural, como se estivéssemos tendo uma conversa entre amigos, com uma música fazendo o fundo de tudo. Percebi que uma música começou a tocar e de repente Harry travou e não se sentia muito à vontade com ela. Foi só então que percebi que Taylor Swift a cantava.
— Desculpa, Harry, estava no aleatório. Não foi minha intenção deixar rodar uma música dela...
— O problema não é a Taylor, o problema é ele — falou com certo desgosto na voz.
— Mas vocês não eram colegas de banda, Harry? — Falei na maior inocência. Eu conhecia sim a banda, mas não estava por dentro de tudo há muitos anos.
— Sim. — E então soltou um longo suspiro. — Acontece que ele deixou de lado não só a banda, mas a nossa amizade também, e me magoou profundamente com o que disse em uma entrevista. Não foi nem uma revista onde a gente pode dizer que alguém inventou, eu vi e ouvi... — terminou, por fim, ficando extremamente sério. Enquanto tudo isso acontecia, eu aproveitava pra pegar qualquer momento que eu conseguisse e pra que tudo ficasse o mais natural possível. Não que eu não tivesse sensibilidade com o assunto, mas, enquanto conversávamos, ambos fazíamos o nosso trabalho.
— Talvez não caiba a mim dar uma opinião sobre o assunto. — E então baixei a câmera e olhei diretamente para o homem à minha frente. — E muito menos conheço Zayn e sei dos motivos dele. Mas se a amizade dele era tão importante pra você, será que não vale a pena dar uma chance de ela recomeçar? Alguns anos se passaram e talvez o motivo para aquilo tudo seja insignificante hoje pra amizade que vocês tinham lá no passado. Porque se isso ainda te machuca como dá pra ver que machuca, talvez valha a pena tentar resgatar toda aquela amizade. Quando eu era directioner, era a minha amizade favorita.
— Posso te dar um abraço? — E quando balancei minha cabeça afirmando, Harry me deu um abraço com tanto significado que o que eu tinha falado talvez fosse servir pra alguma coisa em um futuro próximo.
— Talvez eu precisasse de um choque de realidade, . Obrigada por isso! De verdade, onde você estava todo esse tempo? Sinto que quero sua amizade pra sempre!
— Não precisa agradecer, Harry. Isso aconteceu comigo também. E pro que você precisar eu vou estar aqui! Talvez pelo celular porque moramos em cidades diferentes, mas pode contar comigo sempre! — Descontraí pra tudo não ficar sentimental demais e algum de nós, que provavelmente seria eu, começar a chorar ali mesmo.
— Peraí, você era Directioner? Não é mais? — Falou e fez um bico super fofo.
— Não. Eu acho que, pra ser considerado um fã de verdade, a gente tem que continuar a acompanhar tudo, e digo desde músicas até procurar por novidades de vocês. Infelizmente, depois que eu comecei a trabalhar, isso se tornou impossível, mas eu continuo achando a música de vocês, tanto as últimas como boyband como as solo, sensacionais. Inclusive, estão em algumas das minhas playlists favoritas! Mas poder ter essa honra de trabalhar com você, Liam e Zayn é algo único! Meu eu adolescente não acreditaria nisso naquela época...
— Poxa, . Cada vez que conversamos eu fico mais encantado com a pessoa que você é, a verdade com que você fala as coisas. Hoje em dia, no mundo que eu vivo, é meio raro. As pessoas querem agradar o tempo todo, mas eu tento ter por perto pessoas assim, verdadeiras.
— Assim eu fico sem graça, Harry — falei, ficando corada ao extremo. — Mas obrigada! — Disse ainda bem tímida.


***


No caminho de volta pra Inverness, passei todas as fotos para o notebook. A minha curiosidade e animação pra ver o resultado estavam me matando. Harry e eu conferimos todas e elas superaram a minha própria expectativa. A equipe que nos acompanhava também se impressionou com o resultado assim que as apresentamos cruas, direto da câmera para tela do computador, sem edição nenhuma. Pra mim aquilo era o mais importante, quem havia confiado no meu trabalho estar satisfeito com tudo.
À noite, quando chegamos a Inverness, fomos até um hotel onde ficaríamos até o dia seguinte. Só teria que ir para a Itália no final da tarde, então poderia conhecer alguma coisa da cidade no dia seguinte. Após subir, tomar um banho e novamente aquele sonho tomar conta dos meus pensamentos e me deixar mexida mais uma vez, coloquei uma roupa quentinha e seca, já que o tempo em Skye estava meio garoando e estávamos todos molhados. No exato momento que me sentei na cama, recebi uma mensagem de Harry me convidando para jantar no restaurante do hotel. Passei uma maquiagem básica para esconder a cara de cansaço daquele dia e desci para o térreo do hotel. Assim que cheguei ao restaurante, logo encontrei apenas ele em uma mesa perto da janela.

— Hey, curly boy! — Cumprimentei ele, que estava distraído mexendo no celular.
— Hey, ! Que bom que você veio! Preciso de agradecer de novo, você estava certa. — Já fui me sentando, enquanto ouvia o agradecimento de Harry, sem entender ao certo do que se tratava.
— De nada, eu acho? — Disse incerta ainda sobre o que se tratava.
— Conversei com o badboy de Bradford antes de descer, por mensagem, e foi melhor do que eu imaginava.
— AH! Você estava se referindo à nossa conversa mais cedo... Desculpa, às vezes eu sou meio lerda. — E uma risada foi arrancada tanto minha quanto dele, não pelo que tinha dito, mas pelo contexto de eu ainda não ter entendido do que se tratava.
Depois da maravilhosa janta em que provei a melhor torta de carne da vida, que foi servida com vagem, cenourinhas e batatinha frita, decidimos por tomar um sorvete como sobremesa.

— Você vai pra Itália amanhã, né? — Disse, depois de receber nossa sobremesa na mesa.
— Amanhã, no final do dia, sim! Tenho um shoot com o Zayn na costa Amalfitana, mas é só no sábado. Antes eu vou passar em Milão pra dar um oizinho pra minha mãe...
— Mas sua mãe não é brasileira? — Perguntou super curioso.
— Minha mãe, sim, e meu pai também, mas se conheceram lá na Itália.
— Tá, mas e aí eles foram pro Brasil e você nasceu lá?
— Nops — respondi e vi a cara de surpresa de Harry.
— Tá, mas então tu nasceu onde, mulher? — A surpresa era nítida em sua voz.
— Nasci na Itália, ué, mas fui pro Brasil muito pequena e agora recentemente minha mãe se mudou novamente pra lá também.
— Então tu fala 3 línguas? Que máximo! — Constatou, como se fosse a maior descoberta do mundo.
— Tipo isso, Harry. Na verdade, no total, são 4 línguas. Sei falar espanhol também, porém quase ninguém sabe.
— Mas as pessoas deviam saber. Você é super carismática, talentosa, poliglota, sem falar em linda, além de ser uma ótima amiga e uma companhia melhor ainda...
— Ai, Harry! Para com isso! Não sei lidar com elogios. Tô extremamente envergonhada agora — disse, sentindo minha bochecha esquentar e vi um sorriso ainda mais bonito brotar no rosto de Harry.
— Tá, prometo que não vou mais deixar você sem graça. Mas que o cara que ganhar seu coração vai ser um cara sortudo, oh, se vai!
— Mudando de assunto e deixando meu lado curiosa aparecer, por que você queria saber se eu ia pra Itália? — Perguntei, mudando o rumo da conversa.
— Ah sim, porque eu também estava pensando em ir, se você não se importar, né... Assim eu aproveito uma guia turística personalizada por lá...
— Con piacere Ragazzo! — Respondi em italiano e causei uma careta em Harry, que não entendeu nada que tinha dito.
— Como? Não fala grego, ! — Disse, rindo.
— Grego eu ainda não falo. — Ri, achando graça da referência. — Quem sabe um dia. Disse que será um prazer.

Depois de perder a noção de tempo de tanto que conversamos, nos despedimos e cada um foi para o seu respectivo quarto. Fui até o banheiro, tirei toda a maquiagem do rosto, fiz tudo de uma rotina de skin care pra ver se eu salvava minha cara pra manhã seguinte e então coloquei um pijama quentinho e liguei a TV. Ppassava Avengers a Era de Ulton na televisão, eu era completamente apaixonada pela Marvel, mas acabei adormecendo em alguma parte do filme. E naquela noite eu tinha certeza de que sonhei, mas não era um daqueles meus sonhos.
Na manhã seguinte, devido ao fuso um pouco diferente acabei acordando perto das dez horas da manhã.
Pulei da cama e fui em direção ao banheiro com a sensação de que eu tinha me fundido com a cama, mas estava totalmente descansada. Fiz minha higiene matinal e, como sempre, fui acompanhada pela rotineira maquiagem básica, que consistia em base, corretivo, pó, blush, delineador, rímel e um lip tint nos lábios pra passar uma aparência saudável que a base escondia junto a algumas pequenas manchinhas na pele, porque nem tudo pode ser perfeito, não é mesmo? Desci até o térreo e me dirigi ao café da manhã, onde aproveitei a minha própria companhia e comi apenas coisas leves. Levantei da mesa e como já tinha me arrumado para sair, fui explorar um pouco da cidade que me encantava tanto. Me sentia de volta ao tempo e estar ali me causava um quentinho no coração. Eu com certeza vivi em alguma vida passada nessa época, porque o passado me fascinava. Claro que, como uma fã de Outlander, eu queria visitar os locais onde a série fora gravada, porém a ilha de Skye foi o único ponto aonde conseguimos ir e eu pude me sentir a própria Claire. Porém, só de estar em Inverness, caminhando por todas aquelas ruas lindas, com as construções, em sua maioria cinza, de tijolos de pedra ou então tijolinhos de argila mesmo, pude apreciar cada característica do século passado e já era mais do que o suficiente. Ainda assim, teria que fazer um caderno de lugares pra vir conhecer sendo turista e não a trabalho pra conhecer cada cantinho daquele paraíso. O dia foi chegando ao fim e o horário de ir para o aeroporto chegando. Voltei para o hotel, subi até meu quarto, arrumei a mala e ao descer encontrei Harry e toda a equipe se preparando para partir no horário que havíamos combinado.


***


Eu, Harry e seu segurança particular, Thomas, embarcamos rumo à capital europeia da moda e o restante da equipe iria voltar para Londres. Como não compramos passagens juntos, os assentos não eram nem ao menos próximos. Combinamos de nos encontrarmos quando o avião pousasse. Fui para a poltrona indicada pela aeromoça e então lá, como de costume, coloquei meus fones de ouvido e peguei no sono logo que o avião decolou. Acordei um pouco antes do pouso e então mandei uma mensagem pra minha mãe, avisando que logo estaria na casa dela e que eu trazia uma companhia que ela amaria conhecer pessoalmente, já que por foto ela já o conhecia.

— Pronto pra conhecer a dona Lúcia? — Já comecei a rir quando vi a reação de Harry.
— Credo, . Tá falando como se eu fosse conhecer minha sogra — disse, fazendo graça.
— Ela te acha uma graça, Harry. Vai ficar apaixonada em te conhecer pessoalmente. — E então vi a cara de espanto de Harry e uma sobrancelha arquear, como se eu fosse uma louca. — Antes que você me chame de louca, eu explico. Lembra quando eu disse que era directioner? Então, dona Lúcia sempre te achou uma gracinha
— Já gosto da dona Lúcia, ! Mas, me conta, já que eu era o preferido da sua mãe, quem era o seu? — Se empolgou ao constatar o favoritismo da minha mãe por ele.
— Ah! Isso eu não conto. Imagina se você souber quem é, eu vou ficar extremamente envergonhada toda vez que você e ele estiverem juntos! Eu já fui uma adolescente iludida, sabia?
— Então não sou eu — fez um bico. — Mas você não vai contar pra mim mesmo? — E enquanto caminhávamos em direção à saída do aeroporto, Harry me olhava com cara de pidão.
— Fica tranquilo, Hazza — enfatizei o apelido que o pessoal usava muito e só quem já foi do fandom saberia. — Você sempre foi o meu segundo favorito!
— Que feio, . Justo eu, com esses olhos verdes lindos, esse estilo único, essa covinha irresistível e eu era sua segunda opção? — Enquanto fazia uma cara de pseudo indignado, ria ao mesmo tempo.
— Ja disseram que tu é muito convencido? Apesar de ser a segunda opção, você realmente não é de se jogar fora, Styles! — E apesar de eu estar envergonhada por falar isso em voz alta, ainda ri com a reação de Harry, um sorriso malicioso, vitorioso e lindo surgiu em seus lábios.
— Tá me cantando, ?
— Eu? — Fiz voz afetada, não contendo meu riso. — Só estou constatando uma verdade e uma unanimidade entre as mulheres. Se você considera isso uma cantada, então sinta-se cantado pela sua amiga. — E então comecei a gargalhar da constatação de Harry.

Depois de algum tempo dentro do táxi que nos levaria até a casa da minha mãe, Dona Lúcia nos recebeu, os apresentei e eles até que engataram uma conversa bacana comigo sempre sendo a tradutora, já que era uma coisa bem complicada, porque minha mãe não falava inglês e Harry não falava em italiano, mas no final acabou sendo super engraçado. Minha mãe tinha ficado encantada com o garoto e até perguntou se éramos namorados, mas dona Lúcia sabia muito bem que eu fazia amizade muito mais fácil com homens do que com mulheres, então quando neguei, ela entendeu, mas ficou feliz por eu estar trabalhando com meus ídolos da adolescência. Prometi que mais tarde voltaria e passaria até o dia seguinte com ela, então fui ser guia do Sr. Styles por um dia.
Não tinha nascido em Milão, mas como já tinha ido inúmeras vezes pra lá, pude apresentar os pontos turísticos que eu mais amava da cidade. Não que desse pra conhecer tudo, mas algumas coisas Harry também já tinha conhecido quando passou em turnês por lá, então focamos no que ele ainda não conhecia.

***


— Falei pra ti, que apesar de incomum, o cemitério monumental de Milão é um passeio muito bom. Aqui tem muita história e também beleza, mesmo sendo um lugar triste por ser um cemitério. Eu amo vir aqui, cada vez eu vejo alguma coisa diferente — constatei ao sair dos portões do sepulcrário.
— Caraca, é muita coisa diferente mesmo. As esculturas que têm ali, algumas são macabras e outras tem uma sensibilidade incrível. Passeios diferentes em Milão, contratem a — refletiu e tirou onda comigo ao mesmo tempo.
— Você conhece o terraço da Duomo de Milão? — Questionei, enquanto caminhávamos em direção à piazza da grande catedral da cidade.
— Já entrei na igreja, mas nem sabia que dava pra acessar um terraço dela...
— Então, curly boy, hoje você pode riscar mais isso de lugares não conhecidos por aqui!

Depois de admirar a vista de lá de cima, fomos até uma típica gelateria verdadeiramente italiana na Galleria Vittorio Emanuele, pedimos os nossos sabores favoritos de gelato e conversamos mais um pouco. Apesar de ser totalmente divertido turistar com Harry, eu precisava voltar pra casa da minha mãe e ficar um tempinho com ela.
— Então é isso, Styles. Vou voltar lá pra casa da minha mãe. Pena que não tivemos muito tempo, mas quem sabe numa próxima? Foi bem bacana ser sua guia turística por aqui!
— Se um dia a fotografia não te der mais dinheiro, você já pode ser guia turística! Obrigado pelo passeio, , eu adorei mesmo! Me diverti muito e a parceria que você tem é algo ímpar. Quando você vier passear em L.A. ou em Londres, me liga, assim posso ser seu guia por um dia também! E quando precisar pra qualquer coisa, eu tô aqui, viu? Você ganhou um amigo!
— Eu digo o mesmo, curly boy. Se precisar de mais conselhos e uma amiga pra desabafar, você sabe onde me encontrar! — Nos despedimos com um abraço, que era tão gostoso — acho que o abraço do Harry a partir de agora seria o meu preferido —, e mais um beijo na bochecha. Cada um seguiu seu caminho. Na manhã seguinte, eu precisava acordar cedo e pegar o primeiro trem pra costa amalfitana.

Já no trem, meu celular apitou e um novo e-mail apareceu nas notificações. Era a empresária de Zayn me avisando que o local tinha sido alterado e o lago de Braies era o novo local. A pontada de nervosismo tomou conta de mim, afinal, eu sempre “estudava” o local antes de ir para ter ideias do que fazer.


Capítulo 4 — The Braies Lake will never be forgotten

Zayn’s Pov on

Hoje eu teria que voar para a Itália para alguns compromissos, mas aquele sonho não saía da minha cabeça. Eu ainda estava deitado e de olhos fechados, mas já estava acordado. Ao me virar pro lado, vi que minha namorada não estava mais lá, provavelmente tinha algum compromisso e resolveu não me acordar. Apesar de nos entendermos muito bem, desde o início dos meus sonhos, eu já me sentia confuso em relação ao que eu sentia. Eu e Gigi já estávamos juntos há quase 4 anos, mas ela não era nem de longe o amor da minha vida. Claro, eu a amava, mas sabe aquele amor arrebatador? Eu ainda não tinha sentido isso com ninguém, mas eu sentia uma pontada de esperança toda vez que eu sonhava com ela. Acordar com aquela sensação de que o amor da sua vida tá ali, mas você não sabe quem ela é, estava me matando. E toda a vez que eu sonhava com ela, eu ficava estranho por dias. Os sonhos pareciam mais reais do que nunca, o toque dela na minha pele era como se realmente tivesse acontecido. Era real demais e só de pensar eu me arrepiava inteiro, parecia o melhor toque que eu já provara na vida e eu sempre acordava com a sensação de que eu não estava dormindo. No sonho dessa vez eu estava em uma balada, sozinho, bebendo e sentado no bar. Ela estava dançando na pista de uma forma que chamou minha atenção, mas não por ser vulgar. O jeito que ela se mexia me deixava fascinado. Depois de um tempo, ela veio até o bar e se sentou ao meu lado sem notar minha presença. Quando saiu, seu braço roçou no meu e eu me arrepiei inteiro, então sua mão tocou meu braço e um pedido de desculpas foi proferido por ela pelo toque causado sem intenção. Então o seu colar de pedra tomou toda a minha atenção. Era uma pedra lilás com um cordão preto que ela tinha em seu pescoço, a pedra tinha o formado de um obelisco e o cordão era todo trançado, com toda certeza era um trabalho artesanal. Eu não consegui ver seu rosto, porém ela com certeza era ligeiramente mais baixa que eu e tinha um corpo perfeito.

***


Eu estava indo até o local onde seriam feitas as fotos e que tinha sido alterado ontem à noite e não seria mais no sul e sim no norte da Itália, em um lago muito bonito. De repente, eu estava nervoso, ansioso, não sei dizer. A sensação era a mesma de quando fazíamos os ensaios quando eu ainda estava na banda com os caras, lá no início do One Direction, como se fosse a primeira vez. Inquieto, talvez seria a palavra certa, ou talvez ansioso mesmo, tenho que parar com essas loucuras da minha cabeça...
Lago de Braies nas Dolomitas foi o cenário escolhido. Sabe o que falei em ser bonito? Era de perder o fôlego. A paisagem era linda demais pra parecer real, mas era! No fim do “mini píer” estava a e ela nem sequer percebeu quando cheguei, mas a moça de cabelos rosa nas pontas e com seu casaco cor cáqui, calça jeans e tênis parecia combinar muito bem com a paisagem toda. Foi então que eu acabei reparando mais nela do que a vez em que a vi de pijama em sua casa. Ela realmente era linda, mais do que eu realmente tinha notado. Resolvi tirar uma foto do momento enquanto ela estava distraída, admirando toda aquela paisagem. Guardei meu celular e pensei em como ela combinava com lugares fantásticos assim... Voltei dos desvaneios da minha cabeça e fui até ela para que pudéssemos começar a fazer as fotos de hoje.
— Esse lugar é fantástico, né? — Admirando a paisagem, falei, então sendo notado pela morena do meu lado.
— É um dos lugares mais lindos que eu já estive aqui na Itália. Parece até um sonho. O lugar é tão bonito que eu já estou aqui há uns 20 minutos admirando — completou com um brilho nos olhos que me contagiou. — Vamos começar, Zayn? — Virou-se com um sorriso lindo no rosto.
— Você que manda, ! Só me diz o que eu preciso fazer. — A energia que exalava daquela mulher era algo que me deixava eufórico e ao mesmo tempo super à vontade.

’s Pov On

Aquele lugar era sensacional. O homem que eu estava fotografando parecia desenhado, eu tinha literalmente meu shoot perfeito e como sempre não medi esforços pra que todo o meu talento pudesse ser visto através daquelas fotos.
— Zayn — chamei o moreno à minha frente, que parecia anestesiado com a paisagem. — Quero fazer uma foto, mas não sei se você vai topar... — meio incerta, chamei sua atenção.
— Zayn Malik ao dispor. — Fez uma reverência, me fazendo rir com a cena.
— Foi você que topou e nem escutou a minha proposta, então não pode reclamar, tá? — Brinquei com o moreno, que sorriu ainda mais largo, e, caralho, que sorriso.
— Quero fazer umas fotos suas deitado na ponta do píer, depois pegamos um desses barcos — apontei para os que ficavam na extensão do píer — e vamos fazer umas fotos lá no meio.

Depois de explicar como queria que ele ficasse em cada pose para as fotos, me deitei ao lado dele pra conseguir o ângulo perfeito, ande pegaria Zayn deitado e toda a paisagem no fundo. Na seguinte, me pus em pé pra fazer fotos de cima com o fundo da madeira abaixo do corpo do homem. Ser fotógrafa não é o trabalho com as poses mais bonitas, pelo menos não pra quem está com a câmera na mão. Tive que passar uma de minhas pernas do outro lado do corpo de Zayn para que conseguisse fazer a foto do jeito que não fizesse sombra em seu rosto, já que eu queria aproveitar a luz que a bola flamejante que resolveu dar sua graça me proporcionava.

— AAAAH! — Senti duas mãos agarrarem meus tornozelos. — Você vai me matar de susto, Zayn! — Coloquei uma das mãos no peito, enquanto a outra segurava a câmera, que por sorte ou costume estava com a alça de segurança em meu pescoço.
— Ah! Para, ! Foi até que engraçado. Você tava super concentrada, fazendo as fotos, eu não podia perder a oportunidade. Sua cara de pavor foi a melhor de todas! — Ainda fazia graça com o meu susto e ria de mim. Estendi a mão para que ele pudesse se levantar do chão e me rendi às risadas. A cena deveria ter sido hilária mesmo.
Depois de mais algumas fotos no barco, resolvemos fazer o resto do passeio por aquele lago e assim mais uma vez eu me perdi na beleza do lugar.
— Sabe... Uns anos atrás, se me falassem que eu estaria aqui hoje, eu não acreditaria. Não digo exatamente aqui no lago, mas fazendo ensaios fotográficos com grandes músicos da atualidade, até mesmo meus ídolos. Passear de barco com Zayn Malik também não era uma coisa que eu imaginei que fosse fazer um dia... — Dei uma risada nasalada pela minha constatação e terminei pensativa. Aquilo saiu mais como uma autorreflexão em voz alta do que um compartilhamento com o moreno na minha frente.
— Eu acredito muito em destino, , era destinado a ser.... E você é uma ótima companhia e uma ótima fotógrafa. Em momento nenhum me senti desconfortável com uma câmera apontada pra mim. — Nesse momento, meu corpo todo se arrepiou mais uma vez. Meant to be (Destinado a ser) era a tatuagem que eu tinha feito antes de sair do Brasil na minha clavícula direita, então pousei minha mão no local coberto pela roupa, logo encontrando meu colar por ali. Agarrei como um ato involuntário, já que estava pra fora da blusa de frio que usava. Esse colar nunca deixava meu pescoço, minha proteção, minha ametista em formato de obelisco.
— Também acredito em destino, Zayn, e realmente tudo está destinado a ser como e quando o destino definiu...
— Lindo o seu colar. Tenho a impressão de ter visto ele em algum lugar — falou, pensativo.
— Jura? Ele é meu amuleto, não sai do meu pescoço, talvez você o tenha visto aquele dia que foi buscar o pendrive pro Alex lá em casa...
— Pode ser que sim — finalizou, sem parecer estar convencido de onde tinha visto meu colar.

***




Destino sempre foi uma coisa que eu acreditei muito, mas quando as coisas parecem se encaixar igual a um quebra-cabeça na sua vida, você começa a pensar em como o destino é algo incrível e parece surreal. Não parece nem de longe verdade, porque as coisas são tão inexplicáveis que você se pergunta como é que pode isso acontecer com você e uma pessoa que você praticamente não conhece e fechar certinho com aquilo que tem tanto significado pra você? Eu ainda estava abismada sobre a frase que Zayn falou naquele dia no barco. Meant to be, apesar de ser uma constatação comum, era muita coincidência que tocássemos nesse assunto, apesar de termos conversado muito poucas vezes pra ele saber algo desse tipo sobre mi e a frase que tinha tanto significado ter sido dita por ele, mas foi de uma maneira como se fosse um lema de vida, igualzinho como era pra mim.

Zayn’s Pov on

A imagem daquele colar do meu sonho não saía da minha cabeça. Ele era igualzinho ao que usava no shoot, então todo o sonho de algumas noites antes pareceu não querer ser esquecido. O que estava acontecendo comigo? A sensação de inquietude de mais cedo voltava sempre que minha cabeça insistia em pensar de novo no colar que tinha visto mais cedo e então no meu sonho. Eu só podia estar cansado demais e minha mente estava me pregando algum tipo de peça, eu precisava dormir.
Como se não fosse o bastante, eu tive outro daqueles sonhos, mas dessa vez uma tatuagem estava aparente, Meant to bedela, o que me trazia todas aquelas sensações únicas, como no meu último sonho. Dessa vez, ela estava com uma regata preta de alças finas, onde eu pude visualizar com clareza a tatuagem... Se não bastasse isso, eu consegui identificar mais traços dela, seu sorriso, e que sorriso, mas era como se o tal sorriso fosse meu velho conhecido, inclusive constatei que era o meu favorito. E como se o sonho não pudesse melhorar, minha mão foi de encontro à tal tatuagem e meu dedo fez contato com a sua pele macia, percorrendo toda a extensão da pequena e delicada tatuagem. Então acordei, dessa vez todo arrepiado, e de novo eu sentia como se não estivesse dormido.



***


Já eram quase nove horas da noite e ainda estava na Choose editando as fotos. Eu estava tão apaixonada pelo resultado daquele shoot que não queria parar, queria ver todas prontas. As fotos de Zayn tinham ficado com uma paleta de cores sensacional, além de toda a estética do ensaio ter ficado com um toque de mistério que me deixava totalmente boba. Quando ouvi alguém bater na minha porta, eu voltei de um realidade paralela que nem eu sabia que eu estava imersa.

— Tá tudo bem aí, ? — Alex apareceu na porta com um semblante surpreso e um tanto preocupado.
— Tá sim, Alex. Só estou terminando de editar as fotos do Zayn — falei terna — e surpresa como ficou totalmente perfeito esse ensaio — disse em um tom orgulhoso, como uma mãe fala da nota máxima do filho no boletim.
— A modéstia mandou um oi — falou, rindo e veio em direção ao computador onde eu editava as fotos.
Abri as fotos que tinha terminado de editar e deixei que Alex as passasse uma a uma. A cada foto, a expressão dele se tornava mais evidente. Por mais que ele tentasse ficar sério para fazer suspense, ele estava tão impressionado quanto eu.
, essas fotos não estão boas.— Fez uma pausa dramática, me fazendo querer pular nele. Aquilo estava fantástico e não era uma dúvida quando eu dizia aquilo, era uma certeza, então ele continuou. — Elas estão surreais! O seu trabalho está sem defeito nenhum. A edição, os clicks, os ângulos, tudo está onde deveria e vai além, esse ensaio precisa de uma exposição e uma vernissage. O mundo precisa ver esse trabalho. Amanhã mesmo eu vou ligar pro Zayn e vou marcar uma reunião com ele pra ver se ele autoriza o uso das imagens também pra esse fim e, menina, você vai longe. O céu infinito desse universo é o teu limite.
— Ai, Alex, assim você deixa meu coração a ponto de explodir de felicidade — disse, tentando conter minhas lágrimas de alegria. — Você não tem ideia de como tua aprovação nos meus trabalhos é importante e o quanto seu apoio pra que meu nome se torne conhecido é a coisa mais valiosa que alguém já fez por mim até hoje... — E então as lágrimas teimosas, que insistiam em cair, rolaram livremente, minha alma estava leve e dançando de felicidade. E então continuei. — Me lembre de matar você mais tarde por me fazer achar que você não tinha gostado.



New York, 22 de Fevereiro de 2019 — 02:45pm

Hoje em especial seria um dia muito importante. Teríamos a reunião com Zayn para apresentar as fotos do ensaio no Lago de Braies e ver como seria a aceitação para o uso das fotos para a exposição e vernissage. É claro que tudo poderia ir para o caminho bom como ele poderia não aceitar, já que Zayn era um cara que depois de sua saída da banda tentava ficar fora dos holofotes o mais que pudesse, caso isso fosse algo fora de suas músicas. Então lá no fundinho meu coração estava apertado porque o mundo precisava ver aquelas fotos. Não porque eu as tinha feito, mas porque a beleza que vinha delas não poderia ser escondida de ninguém.

— Oi, ! O senhor Miller e o Senhor Malik já estão esperando por você na sala de reuniões Purple.
— Boa tarde, Sam! Ai meu deus, eu tô muito nervosa pra essa reunião. Eu não to com cara de louca, né? — Disparei e então Samantha, que me olhava segurando o riso, disse:
— Calma, , vai dar tudo certo. Você é uma fotógrafa incrível, o mundo está aos seus pés, garota. Vai lá e arrasa. E, respondendo sua pergunta, não. Você está linda e pronta pra fazer alguém babar e não te negar nada — me incentivou e ainda conseguiu me deixar corada de vergonha por causa do elogio.
— Muito obrigada, Sam! Vou lá, não quero me atrasar.

Enquanto pegava o elevador para o terceiro andar, porque subir as escadas com as pernas bambas não era uma opção, eu repassava tudo que deveria falar para tornar minha ideia convincente para que tudo saísse como deveria. Quando o elevador chegou até o terceiro andar, levei alguns segundos para me mover enquanto encarava a porta ao final do corredor de cor roxa, onde, atrás dela, um passo importante na minha carreira me aguardava pra ser decidido.


Capítulo 5 — Meant to be

Uma tontura tomou conta de mim, deixando minha visão embaralhada e toda escura. Depois de recobrar minha consciência, encarei meus pés e não reconheci o calçado que usava, também não eram os mesmos que eu tinha colocado antes de sair de casa, eram antigos e de um tom de marrom estranho, empoeirado talvez. Para onde eu olhasse, eu via areia, muita areia. A cor marfim daqueles mínusculos grãos tomavam a imensidão de onde meus olhos podiam alcançar e o calor era tanto que sentia como se fosse derreter, era um calor tão intenso que parecia sufocar. Zayn estava ali e sorria da forma mais linda que já tinha visto, sorria pra mim.
— Khalil! — E um fio da minha voz se esvaiu, quase um sussurro, e tive a sensação de ser puxada de volta pra realidade ou talvez empurrada. Senti a sensação de quase cair me arrebatando de imediato, mas pra ser sincera eu mal fazia ideia de onde eu estava, quem dirá sair desse mesmo lugar. Quando comecei a voltar aos meus sentidos por completo, o que deve ter demorado algum tempo, me senti perdida no meu próprio corpo, como se nada mais me pertencesse. Minhas pernas, mãos. Me sentia perdida literalmente e no meu próprio corpo. Quando pude me situar onde eu realmente estava, encontrei Zayn e Alex me olhando preocupados, um de cada lado da cadeira que agora eu me encontrava sentada, olhando atentos a qualquer sinal meu.
, como você tá se sentindo ? — Ouvi Alex me perguntando, mas eu ainda não conseguia proferir uma palavra sequer, tudo ainda girava um pouco.
— Você quer que a gente te leve para o hospital, ? — Zayn disse com um tom muito preocupado. Mais uma vez tentei falar alguma coisa e, depois de muito esforço, a voz pareceu voltar ao meu domínio.
— N-não pre-precisa. Eu já vou ficar bem, eu prometo — falei lentamente, já que até minha voz parecia não me pertencer. — E, por favor, Zayn, me chame de . Só minha mãe me chama de e chama assim quando está bem furiosa comigo — me esforcei o máximo que consegui para falar.
— Você não existe mesmo, né, tampinha? Dá um susto desses na gente e já sai dizendo pra não te chamarem pelo nome todo.
Após me recompor mais um pouco, aceitei de bom grado o copo de água que Alex extendeu até minha mão. Água. Parecia que fazia anos que eu não tomava uma gota sequer. Depois de mais alguns minutos, pudemos começar a reunião, que por insistência minha não foi cancelada.
— Tem certeza de que não quer fazer essa reunião outro dia, ? — Hesitou, lembrando do meu protesto anterior. — Quer dizer, ... — apressou-se em corrigir e um sorriso surgiu dos meus lábios sem eu ao menos perceber.
— Tenho sim, Zayn. Agora tá tudo bem comigo — respirei fundo. — Pra falar a verdade, isso não acontecia comigo há uns bons anos — fingi normalidade, mas na verdade isso tinha acontecido apenas uma outra vez, quando fiquei em coma. — Mas juro que tá tudo sobre controle — falei terna e feliz por ver a preocupação dos dois.
A reunião sobre a apresentação das fotos foi um milhão de vezes menos tensa do que eu mesma imaginei na minha cabeça pensante. A expressão de surpresa de Zayn ao passar cada uma das fotos foi a coisa que mais deixou meu coração quentinho. A cada foto, meu coração parecia que ia parar esperando uma opinião. A aprovação do cliente sempre era o mais importante pra mim. Uma felicidade absurda tomou conta de mim, nem eu sabia por que estava acontecendo, mas eu estava muito feliz, talvez até demais, e minha cabeça me forçava a tentar entender por que tamanha animação. Talvez seja só um pouco de ansiedade junto pelo que vinha a seguir, já que parte que mais me deixava tensa na reunião estava chegando.

Zayn’s Pov on

Eu estava ainda em êxtase em ver todas aquelas fotos que a tinha feito de mim. As fotos seriam usadas para os extras de um álbum que eu lançaria futuramente e que inclusive eu já tinha algumas músicas escritas, mas eu queria usar elas em todos os lugares possíveis o mais rápido possível. Eu elogiei as fotos demais. Fiquei com medo de estar parecendo exagerado e pensarem qualquer coisa com outro significado, mas minha animação era tamanha porque eram simplesmente fantásticas, me traziam uma paz interior e ótimas recordações daquele dia. Passar um tempo com a era uma coisa que qualquer ser humano na terra deveria ter a honra fazer. Ela deixava a atmosfera leve, sabia conversar sobre tudo, não deixando o assunto faltar em momento nenhum, e exalava uma energia que contagiava e eu não vi a tarde passar.

Flashback on

— Vou confessar uma coisa — disse com certo receio, enquanto passeávamos pelo lago naquele pequeno barco. — Eu não sei nadar. To morrendo de medo desse barco virar. — Dei um riso nasalado, já que o medo ainda tomava conta de mim.
— Qualquer coisa eu te salvo, Zayn. Eu sei nadar — disse na maior simplicidade. — Mas você vai ficar me devendo uma câmera nova — riu diverdida —, porque ou eu salvo minha câmera, ou você — terminou brincalhona.
— Senhoras e senhores, estou em uma competição para ser salvo com uma câmera fotográfica. Essa foi boa, . — Ri da comparação, divertido. — Mas me sinto lisongeado em ter essa opção — brinquei mais uma vez.
— Fica tranquilo, Zayn, nada vai nos acontecer — me acalmou. — Quero fazer uma foto sua aqui. — Apontou para a parte frontal do barco. — Mas pra essa sua cara de pânico não ficar aparente, tenho uma técnica que sempre me ajuda quando sinto medo — explicou-se de uma forma séria.
— Confio em você, . — O medo ainda tomava conta de mim, mas ninguém falou que fotografar com seria algo fácil. — O que eu preciso fazer...?
— Fecha seus olhos — ordenou e assim o fiz. — Agora você vai imaginar que estamos em terra firme e que você está num gramado bem verdinho, seguro e confortável. Esse som de água é bem ao fundo e não te atrapalha mais porque você está sentado em um banco na grama. — E conforme ela ia falando, o medo e o desespero iam se dissipando com a voz calma, que tinha conseguido me acalmar. — Agora você vai abrir os olhos e olhar pra mim.

Flashback off


As memórias daquele dia permaneciam fresquinhas na minha cabeça. Era incomum porque, afinal, eu já tinha feito incontáveis shoots na minha vida, mas esse parecia especial. Ela era uma garota especial, não poderia esperar menos. Fui tirado dos meus devaneios quando vi Alex e me olhando, esperando uma resposta minha.
— E então, Zayn, você topa, cara? — Alex arqueou a sobrancelha e esperou uma resposta minha, mas a realidade é que eu tinha viajado nos meus pensamentos e nas fotos que passavam no telão e não prestei atenção em nada.
— Er... Se eu falar que eu tava admirando as fotos e não prestei atenção no assunto, vocês vão ficar muito bravos comigo? — Não era uma total mentira, já que eu estava me lembrando sobre o dia das fotos.
— Só não vou ficar brava com você, porque você elogiou minhas fotos de novo e isso deixa meu coração quentinho de felicidade. — Vi uma alargar o sorriso quando constatou que eu falava a verdade. E, caramba, que sorriso.
— Então, Zayn, como a gente tinha falado antes, queríamos muito fazer uma exposição dessas fotos aqui na Choose, porque elas estão simplesmente fantásticas e acho que a merece muito, mas como todas as questões burocráticas envolvem sua permissão para tal, queríamos saber se você topa fazer isso conosco. Vamos convidar as grandes revistas e pessoas da imprensa, tudo estritamente selecionado, é claro. Quem sabe não vira uma capa pra Vogue?
— Cara, você leu meus pensamentos. Eu queria fazer algo com essas fotos que não passasse em branco — externei meus sentimentos —, porque não é todo dia que a gente é fotografado por uma pessoa, muito talentosa por sinal — frisei o talentosa com a voz —, que parece mostrar nossa alma em uma foto. Isso é raro demais e, sim, eu aceito, sim! — Alarguei meu sorriso o máximo que podia.
— Beleza, cara! Você é demais! — A empolgação de Alex estava me contagiando ainda mais. — Vamos planejar tudo! Inclusive, se você tiver tempo e quiser nos ajudar... Com toda certeza a ajuda será super bem-vinda! — Disparou a falar muito feliz. — Mas temos que escolher um nome pra nossa exposição, que será um sucesso.
— Meant to be — eu e dissemos ao mesmo tempo, o que gerou um arrepio por todo o meu corpo e uma sensação muito boa.

’s Pov on

Meant to be, essa era uma das frases que definiam minha vida e achei digna de ser colocada na minha primeira exposição de fotos. O que estava me deixando extremamente ansiosa e intrigada era essa conexão que sentia com Zayn, e não era alguma coisa da minha cabeça, já que o nome da exposição saiu da nossa boca ao mesmo tempo, sem nem ao menos termos conversado sobre isso alguma vez depois do ensaio no lago ou sequer combinado alguma coisa. Minha ansiedade tinha um motivo e eu não estava gostando do rumo que estava tomando. Eu não podia sentir nada por ele, ele tinha namorada e uma conexão boba não era motivo para que eu alimentasse qualquer ideia besta na minha cabeça. Eu não podia me iludir com algo que só existia na minha cabeça ou então permitir que meu coração tomasse as rédeas e fosse inconsequente em relação a isso. Mas como eu ainda tinha que ir à casa do Alex, porque faríamos uma janta e depois assistiríamos alguns filmes, resolvi deixar essa besteira da minha cabeça de lado. Isso só estava acontecendo porque com toda certeza ele era muito atraente e totalmente meu tipo preferido de homem.
Uma regata preta de alças finas, um moletom com estampa vintage do capitão américa cinza chumbo por cima e uma calça jeans clarinha foram as escolhas pra ir até a casa do Alex, minha bota ugg preta foi o que peguei no armário de calçados — já que o frio lá de fora queria começar a castigar mais do que a previsão anunciou mais cedo —, duas tranças baixas para que não precisasse me preocupar com o meu cabelo pelo resto da noite e minha maquiagem básica de sempre também foi a escolhida. Quando terminei de me arrumar, desci até a garagem, destravei o carro e ao colocar a chave na ignição e girar para ligá-lo, o carro não dava nem sinal de vida. Tentei mais uma vez e nada aconteceu. Verifiquei de onde poderia ser o problema e me dei por conta de que havia deixado o farol aceso e estava sem bateria.

Aleeeeeeeex! Você não vai acreditar no que aconteceu!
Eita! Tá tudo bem com você?
Comigo tá tudo ótimo. Inclusive estou toda linda e gata pra ir à sua casa e o carro tá sem bateria, porque eu esqueci o farol ligado!
Eu li linda e gata? Pera, deixa eu dizer pra Camile não vir então ahahaha.
Sério que você só leu essa parte, Alexander? HAHAHA você não existe. Enfim, to avisando que vou me atrasar. Não me mate, xx.
Que bravinha... Fica tranquila. O pessoal todo já chegou, peço pra alguém buscar você. Espera aí na frente que em 10 minutos alguém chega aí! XX.
Não posso em hipótese alguma ficar sem a minha cozinheira dessa noite!
O Alex não prestava mesmo, mas eu amava meu irmão que a vida me deu plus meu boss. Subi de escadas até o térreo e fiquei no hall de entrada esperando alguém, que eu não fazia a menor ideia de quem seria, vir me buscar.
O soar de uma buzina de carro tirou minha atenção do celular, onde eu zapeava os stories no instagram, pra prestar a atenção à Range Rover preta do outro lado da rua. Os vidros eram muito pretos pra saber de quem se tratava, mas, como eu tinha certeza de que era a minha carona, fui em direção ao carro. Quando eu estava bem perto, a janela foi se abrindo e revelou um ser de cachinhos o qual eu confeço que estava com saudades.
— CURLY BOY! É você! Melhor coisa do dia! — Me animei ao constatar que era mesmo o meu amigo.
! Siiim! Harry Styles em pessoa! E essa edição exclusiva conta com lindos cachos — segurou o riso —, olhos verdes e uma covinha arrasadora! — E como sempre o bom humor e as brincadeiras bobas que me faziam rir mais ainda foram ditas por Harry. Ao entrar no carro, pude ver que no banco de trás tinha mais uma pessoa. Quando me virei prontamente para cumprimentar, devo ter ficado com uma cara muito surpresa, já que Harry, enquanto dirigia, dava um sorriso sem mostrar os dentes.
— Oi, ! Como você tá? — Zayn pareceu se divertir com a cena e me cumprimentou como se eu não tivesse levado um susto com a presença de mais uma pessoa no carro.
— Oi, Zayn! Um pouco surpresa, não imaginava que os dois iriam à janta também, mas, afinal, por que vieram em dois me buscar?
— A gente sempre faz jantas na casa do Alex, se acostume. Viemos em dois porque temos que passar no mercado com você e o Harry é muito enrolado no mercado, então vim junto pra agilizar as compras, até porque eu ja tô ficando com fome...

Eu estava feliz de ver os dois juntos como amigos de novo, fiz uma nota mental para perguntar sobre isso mais tarde a Harry. O caminho até o mercado foi muito divertido, cantamos cada música que tocava na Playlist do meu amigo e quando nos demos por conta, estávamos no mercado.
— Tá e que comida vocês querem comer hoje? — disse pensativa.
— Ah, , algo do Brasil? Ou algo italiano? — Sugeriu Harry incerto, já que as opções eram bastante diversas.
— Algo da minha terra então. Pasta carbonara ou risoto?
— Sua terra? Isso não são pratos italianos, ? — A curiosidade de Zayn se fez presente quando notou que falava de pratos que não eram brasileiros.
— Yeah, babe! Eu não sou brasileira. Apesar de ter morado muitos anos da minha vida lá, io sono una ragazza italiana.
— Já disse pra não falar grego, ! — Harry pareceu bravo de início, mas não aguentou a pose de falsa indignação e riu, achando graça, já que não era a primeira vez que falava “grego” em sua frente.
— Um dia eu chego lá, Styles, por enquanto é só italiano mesmo. Mas voltando ao assunto e traduzindo, eu acabei de dizer que eu sou uma garota italiana — causei uma cara de surpresa em Zayn —, então decido. Vou fazer a famosa Pasta Carbonara pra todos. Só não se apaixonem por mim, porque eu sou muito dificil... — brinquei com os meninos. Era muito engraçado passar um tempo com eles. Eu me sentia bem, leve e sabia que com eles podia ser eu mesma.
Pensei em tudo que iríamos precisar pra fazer a massa, então nos separamos no imenso mercado pra que pudéssemos fazer mais rápido e alimentar a fera que morava no estômago de Zayn, já que tinha ouvido ele reclamar pelo menos umas três vezes desde minha casa. Fiquei responsável pelo bacon e pela bebida, e nada melhor do que um bom vinho para acompanhar essa comida. Quando nos encontramos, pude ver uma careta de Zayn e então Harry disparou.
, eu não lembrava que a massa que você vai fazer ia bacon, mas o Malik não come porco, e agora?
— Fazemos outro prato, ué. Ou então podemos fazer duas massas diferentes, sem problemas — constatei, pensando em uma saída.
— Nah! Eu tiro o bacon da comida, . Não precisa fazer outra massa por minha causa! — Após ouvir o apelido que Zayn acabara de me chamar sorri, achando muito fofo.
— Claro que precisa, Zayn! Pasta a carbonara vai bacon, ovo e queijo, não tem graça sem bacon. Vamos fazer assim, vou pegar um molho pesto pronto, mussarela de búfala e uns tomatinhos e fazemos dois tipos de massa!
— Você é sensacional, ! Muito obrigada! — E então estalou um beijo na minha bochecha , fazendo a temperatura dela aumentar.
— Eu sei que a MINHA é sensacional, mas ela é minha amiga e eu não divido, tá? — Harry me agarrou, iniciando uma ceninha fake de ciúmes para o amigo, então os dois começaram a discutir de quem eu deveria ser mais amiga e eu apenas segui escutando a discussão com risadas dos dois caras que estavam comigo e que pareciam duas crianças, me contagiando ainda mais.

O caminho de volta foi igual ao de ida até o mercado. Me sentia no próprio Carpool, só faltava James Corden, e eu estava achando tudo aquilo o máximo. Ver dois dos meus grandes ídolos da adolescência conversando de novo e ainda por cima sendo meus amigos. Me diverti cada segundo. Aquela noite com toda certeza ficaria na memória. Eu estava vivendo tudo que um dia sonhei e julguei ser o mais impossível de acontecer, realmente acontecendo.

— Vocês foram fabricar o mercado, é, tampinha? — Me recepcionou Alex com um abraço e ria do que tinha acabado de falar.
— Tipo isso. Seus amigos ficaram me disputando no mercado e ainda tivemos que decidir o que eu faria, mas aqui estamos! — Dei de ombro e logo retribuí o abraço de urso de Alex.
Me dirigi até a bancada da cozinha, onde os meninos tinham deixado todas as compras e comecei a preparar a janta, enquanto todo o pessoal ficava ali por perto conversando. Estávamos eu, Alex, Camile, Zayn, Harry e Ruth, que era uma amiga modelo de Camile.
Um costume que eu tinha adquirido enquanto cozinhava coisas assim mais elaboradas era tomar uma taça de vinho. Enquanto bebia um gole do meu vinho e fritava o bacon pra massa, duas mãos masculinas taparam meus olhos, então um arrepio percorreu toda extensão do meu corpo, um perfume o qual eu era apaixonada adentrou pelas minhas narinas e eu tinha total certeza de quem estava ali...
— Eu conheço seu perfume, Zayn, e sei que é você — falei entre risos, tocando a mão que ainda cobria meus olhos, me causando outro daqueles arrepios.
— Poxa, ! Assim não vale. Decorou meu perfume tão rápido assim? — Arqueou uma sobrancelha. — Mas vim até aqui ver se você precisa de ajuda com alguma coisa...
— Você pode me alcançar o pacote de massa? — E então apoiei a taça na bancada e levantei a tampa da panela para ver se a água já estava fervendo.
— Tá aqui ... — Então um ruído de vidro se quebrando chamou a atenção de todos na sala e meu moletom se encharcou de vinho. — , desculpa! Não foi minha intenção. Eu manchei seu moletom, como eu sou atrapalhado!
— Relaxa, Malik! Foi só vinho, nada que um produto pra tirar manchas não resolva tudo isso. — E então tirei meu moletom e vi Zayn ficar vidrado e surpreso ao mesmo tempo.
— Todo mundo ileso? Só uma taça? — Alex chegou à cozinha e ria da situação.
— Só tivemos uma baixa, senhor capitão. — Bati continência. — Meu moletom amado, mas isso a minha máquina de lavar resolve depois. — Ri da besteira que tinha acabo de falar e então percebi que Zayn continuava parado, me encarando imóvel.
— Eu sou tão feia assim, Zayn? — Perguntei, tirando onda da situação, mas a verdade era que eu estava um pouco envergonhada.
— N-Não! Eu só não sabia que você tinha tatuagens. Tava reparando nelas.
— Ah, sim! Eu tenho várias, mas todas elas ficam escondidas no inverno. A que mais aparece é a do meu pulso esquerdo...

Zayn’s Pov On

Eu não fazia ideia do porquê ficar perto da me deixava desse jeito. Eu não respondia pelas minhas ações e acabava passando vergonha. Essa mulher estava mexendo com o meu psicológico e aquela tatuagem era a mesma do meu sonho. Eu só podia estar delirando, mas a realidade era que ela estava lá, Meant to be escrita em letras delicadas na clavícula direita.

— Eu sou tão feia assim, Zayn? — Ouvi me questionando, rindo e me tirando do meu raciocínio.
— N-Não! Eu só não sabia que você tinha tatuagens. Tava reparando nelas — respondi superficialmente, apesar de não ser uma total mentira.
— Ah, sim! Eu tenho várias, mas todas elas ficam escondidas no inverno — falou naturalmente. — A que mais aparece é a do meu pulso esquerdo... — Analisou a tatuagem à qual se referia.

se lembrou do bacon que fritava e foi conferi-lo, me deixando ali, mas acabei ficando meio sem graça, coçei minha nuca, saí disfarçadamente e fui para fora, onde já não fazia tanto frio. Tirei um cigarro da minha carteira, coloquei entre meus lábios, que por algum motivo estavam trêmulos, e o acendi, tragando toda a fumaça que podia, a soltando aos poucos e sentindo a nicotina me deixar um tanto mais calmo.
— Ta acontecendo alguma coisa, cara? — Harry se aproximou de mim alguns minutos depois, me causando um leve susto. Se colocou ao meu lado e eu lhe ofereci um cigarro, o qual aceitou e então esperou que eu dissesse algo.
— Pra falar a verdade, eu não sei. Eu ando ficando ansioso por algum motivo que nem eu sei e aí eu acabo me distraindo e acontecem coisas como agora que eu quebrei a taça e sujei a toda.
— Tem certeza de que essa sua distração não tem nome, sobrenome, um endereço fixo e faz fotos incríveis?
— Quê? A ? Tá louco, Harry? — Fiquei surpreso com o que havia ouvido e acabei me exaltando um pouco. — Óbvio que não! Tá certo que eu e a Gigi estamos cada vez mais distantes, mas, definitivamente, não. — Refleti logo que falei.
— Meninos, a janta ficou pronta. Vamos entrar? — Camile apareceu na porta nos avisando e então seguimos para o interior da casa.
Sentamos todos à mesa e preciso dizer que a levava muito jeito pra cozinhar, era com toda certeza a melhor massa que eu já tinha provado. O resto da janta foi regado a muita risada e histórias engraçadas que cada um já tinha passado na vida. Depois de eu e Camile ficarmos responsáveis por arrumar a cozinha e deixar a louça arrumada em cima da pia para que Olivia lavasse amanhã, nos juntamos na sala com todos que ainda discutiam que filme seria o escolhido.
— Tá, mas agora espera. A atenção de todos pra uma coisa bem importante — Harry chamou a atenção de todos. — Hoje mais cedo no mercado, essa moça me disse que eu não podia me apaixonar por ela porque ela é dificil, mas preciso dizer, , e o Zayn pode te dizer a mesma coisa. — Então Harry me chamou para entrar na brincadeira, me ajoelhando e pegando a outra mão de . — Você cozinha muito bem e já nos apaixonamos. — Ela já ria e balançava a cabeça em sinal negativo e eu e Harry mal podíamos segurar as risadas.
— Vocês são dois aproveitadores da minha irmãzinha — Alex entrou na brincadeira, tirando a dali, a pegando no colo e colocando no sofá. — Agora, falando sério, vamos escolher um filme — disse, enquanto recuperávamos o fôlego de tanto rir. O filme escolhido foi Animais Fantásticos e Onde Habitam. se levantou, indo pra cozinha e pude notar outra tatuagem dela na parte de trás no braço, uma lâmpada mágica, com uma frase que mais uma vez naquela noite me deixou perplexo de como o destino era sacana comigo. Era a frase da música que eu tinha gravado há poucos dias com a Zhavia para o filme Alladin em live action, que estreiava em alguns meses. “I can’t go back to where i used to be”. Reparar nas tatuagens que ela tinha era como ver sua alma, todas elas mostravam um pouco da que eu estava conhecendo. E mais uma vez fui tirado dos meus devaneios com a dona deles se sentando ao meu lado, com um balde de pipocas e se encostando no meu ombro pra assistir o filme.

New York, 29 de Março de 2019, 05:45 P.M.

’s Pov On

O dia da exposição das minhas fotos tinha chegado e eu não poderia estar mais ansiosa e empolgada ao mesmo tempo. Camile estava comigo no salão que escolhemos para nos arrumar para o grande dia. Meu vestido era de um tecido leve, laranja, de um ombro só, com uma faixa que marcava minha cintura, longo e com uma fenda da perna direita que vinha um pouco mais que a metade da minha coxa. Usava uma sandália nude bem minimalista nos pés e a maquiagem que a maquiadora fez em mim me deixou ainda mais feliz. Eu parecia uma nova mulher sendo ainda eu mesma.
A porta já estava cheia de seguranças e paparazzis e eu com toda certeza não estava nem um pouco acostumada a passar por isso. Já Cami, parecia não se importar. Chegando ao salão nobre da Choose, onde tudo aconteceria, logo vi Alex no fundo do salão e todos as fotos expostas em quadros com paspatur branco e moldura média preta em cavaletes também pretos. Passei admirando cada uma mais uma vez, aquele com toda certeza era meu shoot favorito.
— UAAAAAU! Como essa minha irmã tá gata! — Disse Alex, quando me aproximei, pegando uma de minhas mãos e me girando em torno de mim mesma para terminar de me ver.
— Ela tá linda, não tá, amor? — Cami disse terna, dando um selinho e ficando abraçada de lado no namorado. Como aquele casal era perfeito.

O local aos poucos foi enchendo mais e mais. Os garçons passavam a todo tempo com bandejas de canapés e espumante. Fui chegando mais perto da porta de entrada, onde o nome da exposição e uma breve descrição estava em outro quadro igual aos demais. Aquilo era a realização de um sonho pelo qual eu batalhei cada dia desde que decidi que essa seria a minha profissão.

Meant to be

Essas fotos transmitem muito mais do que beleza. Elas vão além do que a simples técnica pode mostrar, elas mostram o mais intímo de alguém. A câmera nunca será só um instrumento que capta a luz e a transforma em belezas como esta sem a sensibilidade e a experiência de um fotógrafo, que trouxe para algumas fotos toda uma história de vida e que consegue mostrar que tudo está destinado a ser.

Aproveite a exposição

Com carinho,
— Choose Photo Concept

Curadoria por e Zayn Malik
Modelo Zayn Malik


Ao me virar e ver tudo aquilo acontecendo no salão, eu pude notar o quão sortuda eu era. Tinha feito grandes amigos, trabalhava em um lugar incrível que me proporcionava crescimento profissional e pessoal como nem um outro, e eu estava vivendo meu sonho, eu estava vivendo do que eu amava.

***


Zayn’s Pov On

Depois de conferir mais uma vez se o topete estava como eu queria, me sentei no sofá da sala, esperando Gigi ficar pronta. Enquanto zapeava o instagram, pude ver uma foto de Alex e já na exposição e como se não fosse possível ficar mais bonita, lá estava ela, vestida com seu melhor sorriso e mais linda do que nunca. Aquela mulher sabia como deixar qualquer homem bobo. conseguia ficar explêndida em qualquer situação.
Os paparazzi já lotavam a entrada da Choose, mas, por sorte, os seguranças já estavam ali e nos auxiliaram a chegar até a porta de entrada. O local já estava cheio. Ao chegarmos, uma fotógrafa de Alex fez algumas fotos nossas e seguimos de mãos dadas até a placa que abria a exposição e, ao ler tudo aquilo, pude ver todas as cenas do shoot na minha cabeça. E como ver tudo aquilo acontecer me enchia de alegria. merecia demais cada reconhecimento pelo seu talento.
Fomos recepcionados com taças de espumante e seguimos olhando as fotos e conversando com o pessoal que me cumprimentava e parabenizava pela exposição que de certa forma também era minha. Depois de muito conversar com todos ao nosso redor, eu a vi e então tudo pareceu não importar mais. Ela estava ainda mais linda ao vivo, mas, cara, o que eu tô pensando? Não era certo. Se concentra, cara, você tá com a sua namorada do lado.
Caminhamos em direção a para parabenizar pela exposição. A mulher conversava animadamente com Ian, que parecia flertar com ela, o que, confesso, me incomodou um pouco. Harry logo chegou antes que nos aproximássemos e me deixou bem mais tranquilo, afinal, eu sabia que Harry cuidava de nossa amiga assim como eu. Eu tinha que parar de ser tão protetor assim, ela era minha amiga, não minha propriedade.
! Você está linda! Parabéns pela exposição! — Sorri e a cumprimentei com um beijo na bochecha. Enquanto eu a abraçava como sinal de parabenização, ela soltou um susurro em meu ouvido, o que me fez ter mais um daqueles arrepios.
— Parabéns pra nós, Z.
, essa é a minha namorada a Gigi. Acredito que vocês não se conheciam ainda — apresentei minha companheira.
— Parabéns pela exposição, ! Você está realmente muito bonita!

’s Pov On

Muitos de meus clientes e pessoas que conheci trabalhando esse tempo na Choose estavam ali. Liam, Harry, Adam Levine (e, sim, eu ia pular nesse homem, socorro), Ian Somerhalder e Daniel Gillies haviam chegado há pouco. Eu estava ainda mais extasiada com tudo, era como se tudo estivesse acontecendo rápido demais, constantemente eram me apresentadas novas pessoas e as que já me conheciam vinham ao meu encontro para uma breve cumprimento e comentar algo sobre a exposição. Conversava com Ian enquanto Harry se prontificou em buscar outra taça de espumante pra mim e o assunto fluía muito, até porque eu sempre fui muito fã desse cara, minha adolescência foi inteirinha assistindo The Vampire Diaries.
— Então, , queria marcar um ensaio nesse estilo com você. Só vou arrumar um espaço na agenda e a gente faz.
— Por favor, Ian, me chame de ! E claro, vai ser uma honra fazer fotos suas. Eu jamais imaginei que um dia isso pudesse acontecer, mas cá estou eu!
— Faz tempo que você está na Choose, ? — Eu podia começar a notar segundas intenções vindas de Ian, mas eu não estava me importando nem um pouquinho.
— Na realidade, faze só três meses, mas me sinto como se NY fosse lar. O Alex me acolheu muito bem e fiz amigos que parece que conheço há anos. Vou te confessar que NY nunca foi minha primeira opção pra morar, mas é uma cidade que tem seus encantos.
— Nossa! É super pouco tempo e que talento, garota, você vai longe. Essas fotos que fez do Malik estão fantásticas.
— Obrigada, Ian! É muito gratificante saber que você gostou — agradeci o elogio e corei. Eu nunca saberia como reagir a um elogio e muito menos como lidar com caras bonitos demais.
! — Harry chegou com uma taça de espumante brut rosê.
— Hazza! Pra que amigo melhor que você, hein? — Agradeci a gentileza e apertei suas bochechas. Quando me virei, o vi, mais lindo do que nunca, em um terno cinza claro e o cabelo espetado, formando um topete desarumado.

! Você está linda! Parabéns pela exposição! — Zayn me saudou e quando seus lábios encostaram em minha bochecha, o tão conhecido arrepio tomou conta do meu corpo. Enquanto me abraçava, prolongando o arrepio gostoso por mais um tempo, pude o parabenizar também.
— Parabéns pra nós Z.
, essa é a minha namorada, a Gigi. Acredito que vocês não se conheciam ainda — apresentou uma loira linda, alta, com olhos azuis perfeitos e lábios carnudos. Por mais que me desse uma pontadinha de tristeza admitir, eles formavam um belo casal.
— Parabéns pela exposição, ! Você está realmente muito bonita! — Corei e novamente agradeci, ficando sem graça.
— Você está radiante também, Gigi! É um prazer finalmente conhecer você! Espero que tenha gostado das fotos. — Fiz um elogio sincero, não existiam defeitos em uma mulher como ela.
Logo a fotógrafa que ficou responsável pelas fotos do dia pediu para fazer fotos nossas e então fiz fotos com Zayn e com Gigi e Zayn. Logo Alex me chamou e pediu que eu falasse algo para todos e em seguida Zayn também falaria.
— Boa noite! Hoje é um dia muito importante aqui na Choose Photo Concept. A chegou e ganhou o coração de todos. Além de ser super carismática, é uma profissional com um talento incontestável. Com vocês, — Alex introduziu minha fala e eu quase chorei pelo carinho.
— Boa noite! Como o Alexander mesmo disse, hoje é um dia muito importante, tanto pra mim, quanto para a Choose Photo Concept. Sem dúvidas, eu serei eternamente grata ao Alexander pela oportunidade, ao Zayn por acreditar no meu trabalho e me permitir fazer um shoot com tanta sensibilidade e entrega e eu agradeço de coração a cada um de vocês por estarem aqui prestigiando essa exposição esta noite! Mais uma vez, obrigada por todo o carinho!
E como após o discurso de Alex uma salva de palmas foi ouvida pelo salão, desci do palco e passei o microfone para Zayn, que estendeu sua mão para que terminasse de descer do palco.
— Então, não vou dar boa noite de novo porque vocês iriam achar chato demais, mas enfim. Quero agradecer muito pela amizade do Alexander de longa data, por me apresentar e incentivar a fazer ensaio com a fotógrafa que tinha vindo de fora, que tinha começado aqui na Choose e que me surpreendeu demais. Ela é uma pessoa que contagia quem está perto, conduz tudo com tanta maestria que eu nem sequer me incomodei em estar fazendo as poses mais loucas que ela pediu. O resultado sensacional vocês podem conferir em cada foto e agradecer à , ops, , como ela prefere ser chamada, por se tornar também uma grande amiga. Obrigado por essas fotos e obrigado por mostrar pro mundo um pouco de mim também. A exposição está oficialmente aberta a todos!
Esperei Zayn descer do palco e meus olhos estavam marejados pelas suas palavras. O abracei da forma mais verdadeira possível.

Zayn’s Pov On

Eu ainda apreciava minhas fotos pela exposição enquanto Gigi conversava com alguns conhecidos por ali.
— Não sabia que você era tão bom com as palavras — finalizou, ainda olhando a mesma foto que eu.
— Ajuda quando estou falando o óbvio — disse e vi se virar pra mim e sorrir timidamente. Uma mecha de seu cabelo caiu em seus olhos, tirei a mecha, que insistiu em ficar no rosto dela, colocando atrás da orelha e pude me perder em seus lindos olhos, que me fitavam da mesma maneira que eu. Com intensidade.
— Zayn, amor, vamos? — Gigi apareceu, me tirando do transe, e vi que também ficou visivelmente desconfortável.
— Claro, amor. Vamos sim! Tchau, , nos falamos! Até mais. — Dei um leve aceno de mão e Gigi fez o mesmo.

New York, 15 de Junho de 2019, 06:22 A.M.

Aquela sensação não me arrebatava fazia alguns dias — na verdade, eu acredito que mais de um mês —, mas lá estava eu de novo com aquela mesma sensação de não estar dormindo.
Dessa vez, lá estava eu, sentada em um sofá preto de couro muito confortável, com uma vista incrível como east river tomando conta da vista e a ponte de Manhattan ao fundo. E de repente ele estava lá. O braço e as mãos todas tatuadas me chamaram a atenção dessa vez. Eu conhecia aquelas tatuagens, mas não conseguia me lembrar onde já tinha as visto. Uma xícara azul clara foi estendida até minha mão e então pude finalmente encarar ele nos olhos quando se sentou ao meu lado e admirar aquelas íris castanhas claras como mel, que eram as mais bonitas que eu tinha visto. Ousaria dizer pelo tempo que as observei que tinham um toque mínimo de verde misturado a elas. Mas eu ainda não o reconhecia. A boca era algo muito familiar pra mim, como se já tivesse passado horas observando. Sua mão tocou minha face e mais uma vez aquele toque angelical foi sentido e um arrepio tomou conta do meu corpo. Tudo me parecia conhecido, o lugar, a pessoa e mesmo assim quem era ele ? Por que ele tomava conta dos meus sonhos? E por que eu tinha a impressão de que eu o conhecia?
Depois de me revirar mais umas vezes na cama, me dei por vencida e me levantei, indo direto pro banheiro tomar um banho e tentar acalmar a mente para poder começar o dia de hoje mais tranquila. Hoje minha amiga chegaria e a nossa festa de boas-vindas seria comemorada em uma boate. Eu ainda tinha que comprar uma roupa para a tão aguardada festa.
Depois de um bom banho, a sensação ainda me perseguia, o toque não saía da minha cabeça. Eu estava ficando viciada naquele toque, mas eu já conseguia encarar o dia tranquilamente. O que me deixava ainda mais preocupada era que Zayn estaria lá e depois daquela troca de olhares no dia da exposição, nos vimos brevemente na Choose, mas eu estava de saída para um shoot, então um breve cumprimento foi o que aconteceu e, sinceramente, depois daquilo, fiquei mais confusa do que nunca. Sabia que eu estava com toda certeza deixando meu coração tomar o controle de tudo. Eu não sabia definir o que sentia, mas eu sabia com toda a minha sanidade que não era certo. Eu sempre fui muito segura quanto a deixar me levar ou não. Eu sabia que conseguia mandar no meu coração, ou pelo menos minha consciência não deixaria que meu coração se perdesse e não deixaria isso ir em frente de forma alguma, nem na minha cabeça e nem que Zayn desse mais qualquer indício de que pensava da mesma forma em relação a mim. Teria que encarar ele essa noite, mas a meta de hoje era aproveitar a festa e curtir muito com a minha amiga, a qual eu tinha uma saudade gigantesca, e esquecer um pouco que Zayn Malik existia.

***


Eu e Alex já esperávamos no aeroporto. Quanto mais esperávamos, mais inquieta eu ficava, mais minha ansiedade me tomava. Vi minha amiga linda vindo em nossa direção com um sorriso enorme no rosto. tinha o cabelo loiro médio até a altura dos seios, naquele estilo meio wave, olhos verdes claros maravilhosos, e um sorriso que deixava qualquer homem bobo. Tinha que confessar que eu tinha uma amiga linda pra caralho.
— Eu senti tanto sua falta, ! — Disse, abraçando minha amiga que não via há pelo menos seis meses e minhas lágrimas começaram a rolar...
— Eu também senti sua falta, ! Muito! — Após um longo abraço, minha amiga me olhou de cima a baixo e continuou. — Deixa eu te dizer, amiga, NY fez um bem danado pra ti. Tá muito gata! — Como sempre, eu corei e agradeci, acho que definitivamente estava com saudades.
— Alexander Miller, você achou que eu ia esquecer de você? — Então abraçou nosso chefe e depois de uma breve conversa ali mesmo, Alex seguiu seu caminho para casa, eu e deixamos as bagagens dela na nossa e logo sem nem ter tempo de mostrar o apartamento, saímos à procura de roupas para mais tarde.
New York era uma loucura total de pessoas andando para todos os lados, mas, estranhamente, hoje estava mais calmo. Conseguimos olhar todas as lojas que gostávamos com calma, desde a mais luxuosa até as mais simples, mas eu ainda não tinha conseguido achar o vestido perfeito pra hoje. Na última loja, porque eu já estava cansada de procurar e pronta pra desistir, eu o achei. Era perfeito pra ocasião e perfeito pra mim.
Nossa próxima parada foi um Mc Donalds pra matar a fome, já que se passavam das quatro e trinta da tarde. Logo teríamos que ir nos arrumar para a festa e pedir algo pra janta, já que sei que quando me juntava com a demoraríamos horas pra nos arrumar, mas o resultado seria de outro mundo. , além de ótima fotógrafa, era uma exímia maquiadora e tinha um senso pra moda como ninguém, então a produção pra festa de hoje seria por conta dela. E por me lembrar que o horário da festa se aproximava, um frio tomou conta do meu estômago e percebi que minha ansiedade de mais cedo não tinha sumido.
, tem certeza de que não tem ninguém? Nenhum boy por quem você esteja interessada? Não te vejo assim desde, bem, você sabe, o Gustavo... — tocou no nome do meu ex, me causando repulsa.
— Tenho, , não tem ninguém. Eu só tenho trabalhado esses últimos meses, o máximo que fiz foi ir na casa do Alex com alguns amigos dele.
— Tá, mas e não tem nenhum amigo gato do Alex? — Insistiu na questão que deveria ter alguém para eu estar “tão bem” como ela mesmo disse.
— Alex tem muitos amigos gatos, inclusive agora eu tenho amigos gatos também, mas Harry é literalmente um amigo, tenho ele quase como um irmão, e Zayn também é um grande amigo e tem namorada...
— Pera aí, amiga, você tá falando de Harry Styles e Zayn Malik, que eram do One Direction?
— Sim? — Respondi à pergunta como se fosse óbvio. — Inclusive posso te apresentar eles, , eles vão estar lá na festa hoje — falei sem fazer muita diferença, afinal, nem morta contaria pra sobre o que assombrava meus pensamentos. — Mas voltando ao assunto de cara gato, eu já vi e fotografei vários, mas todos famosos e eu mera mortal bem mais ou menos que não ia chamar a atenção deles, né?
— Morta estou. — E num ato exagerado se atirou na minha cama com uma mão na testa e então continuou. — Amiga, pode parar com essa besteira, você é um mulherão do caramba, deixa qualquer gringo babando, mas se você me diz que não tem ninguém, eu prometo não insistir mais — pareceu se dar por vencida. — Mas só sei de uma coisa, hoje a noite promete. Quero me acabar dançando naquela boate. Finalmente eu tô em NY e agora nada mais me segura — animou-se e me contagiou também.

***


Tinha que confessar que minha amiga operava milagres, porque eu estava me sentindo muito gata com aquela maquiagem e o vestido que eu tinha escolhido. Parecia feito sob medida, me deixando satisfeita com o resultado. Não podia se esperar menos, estava com uma maquiagem perfeita e um vestido que parecia vestir feito uma luva no corpo dela.
Já que era uma verdade que iríamos beber, fomos de táxi até a boate. Minhas pernas tremiam de um nervosismo que vinha me acompanhando desde hoje de manhã e aquela sensação de que algo novo me esperava ali dentro tomou conta. Ao entrarmos na boate, On the floor começou a tocar, fazendo com que entrássemos na vibe da boate na mesma hora, indo diretamente pra pista de dança principal “inaugurar” nossa noite. Assim que a próxima música começou e finalmente demos por aberta nossa noite, eu e nos dirigimos até o bar, que ficava mais ao fundo do pub. Uma dose de tequila pra cada uma foi por onde começamos e eu agradecia mentalmente por ser assim, tudo seria mais fácil não estando completamente sóbria. Após isso, uma longneck de cerveja me acompanhou até o andar superior, onde Alex me disse que estariam na mensagem que trocamos assim que cheguei. Sei que hoje prometi não me importar, mas meu corpo não respondia mais meu cérebro, droga! Será o álcool que ao invés de me ajudar estava fazendo justamente o oposto? Lá estava ele todo de preto, calça skinny rasgada no joelho, coturnos e a famosa jaqueta de couro preta, o típico bad boy, sentado nas poltronas que percorriam toda a grade da área vip, que estava reservada para nós e nossos amigos, com seu copo de whisky e uma das pernas apoiada em seu joelho. Passei o olho no resto do ambiente e pude ver Gigi e Cami conversando animadamente ao lado, Alex, que conversava algo com Samantha, e mais um grupo de pessoas que eu não conhecia mais ao fundo.
Como a era nova ali, era meu dever apresentar ela a todo mundo, já que todos tinham me ouvido falar muito dela. Fui apresentando minha amiga pra cada um: Sam, Cami, Harry, que me deu uma olhada cúmplice e quando o abracei disse em meu ouvido que precisava falar comigo, e a tão temida parte tinha chegado.
— Gente! Essa é a ! Então, , esse é o Zayn e essa é a Gigi, a namorada dele — terminei de apresentar os dois e quando fui cumprimentá-los também, enquanto conversava com Gigi, ele me abraçou como forma de cumprimento.
— Por que você faz isso comigo, ? — Disse com dor na voz e ao ouvir isso meu corpo inteiro gelou e logo parecia pegar fogo. Eu com toda certeza não sabia o que responder, apenas dei um sorriso de lado e saí dali.

Zayn’s Pov On

Não podia negar que eu estava um pouco incomodado com o jeito que a tinha vindo pra essa festa. Não que eu tivesse algum domínio sobre ela, mas eu ainda me preocupava com a minha amiga. Os caras iam cair matando em cima dela linda daquele jeito, mas ela não era mais uma criança, certo? Certo, eu tinha que parar de reparar tanto nela. Eu não era muito de dançar, mas gostava da vibe de música eletrônica e ver as pessoas dançando era uma coisa que eu curtia fazer. Mas, em particular, hoje, ela estava tirando toda a minha atenção de qualquer outro lugar. A dona daquele corpo cheio de curvas, que estava com um vestido bordô perigosamente curto e provocante, dançando como se não houvesse amanhã. A garrafa de cerveja na sua mão esquerda deixava tudo ainda mais provocante, o jeito com que ela se movia me prendia totalmente, não por ser vulgar, mas o jeito que ela se mexia me deixava fascinado. Ela curtia totalmente cada momento da festa, eu não conseguia tirar o olho dela e aquilo estava começando a me dar tesão. Pera, eu só posso estar ficando louco, eu preciso de mais uma bebida. Então levantei e fui em direção ao bar, na intenção de refrescar os pensamentos e beber mais alguma coisa pra esquecer tudo aquilo que tinha passado pela minha cabeça, quando o que eu queria tirar da minha cabeça sentou do meu lado e pareceu não notar minha presença ali.
— Duas cervejas, por favor! — Pediu, enquanto esperava sentada no banco ao meu lado. Ao pegar seu pedido e se virar pra sair, acabou esbarrando em mim, foi quando me notou. Então aquele colar veio à minha memória e descobri de onde eu o conhecia.

Flashback on

"No sonho dessa vez eu estava em uma balada sozinho, bebendo e sentado no bar. Ela estava dançando na pista de uma forma que chamou minha atenção, mas não por ser vulgar, o jeito que ela se mexia me deixava fascinado. Depois de um tempo, ela veio até o bar e sentou ao meu lado sem notar minha presença. Quando saiu, seu braço roçou no meu e eu me arrepiei inteiro, então sua mão tocou meu braço e um pedido de desculpas foi proferido por ela, pelo toque causado sem intenção. Então o seu colar de pedra tomou toda a minha atenção. Era uma pedra lilás, com um cordão preto que ela tinha em seu pescoço. A pedra tinha o formato de um obelisco e o cordão era todo trançado. Com toda certeza era um trabalho artesanal. Eu não consegui ver seu rosto, mas ela com certeza era ligeiramente mais baixa que eu e tinha um corpo perfeito."

Flashback off


— Desculpa! Ah, Zayn! É você, desculpa de novo — pareceu surpresa ao me ver. — Não tinha visto você. — E então ela me tirou do meu transe.
— Foi nada, . — Eu ainda estava atônito com minha possível conclusão. — E aí, tá curtindo a festa? — Tentei desviar a atenção do meu devaneio de segundos atrás, que com toda certeza tinha sido perceptível.
— Fazia muito tempo que eu não me divertia tanto! — A animação na voz era perceptível. — Percebi que você não é muito de dançar... — Será que ela tinha me visto a encarando segundos atrás?
— É, eu gosto de curtir a vibe mesmo. Sou uma negação dançando... — Uma risada gostosa foi ouvida vindo dela.
— Tá bom, se você diz... — tentou acabar o assunto o mais rápido possível. — Vou indo lá. A gente se vê... — E então ela saiu antes mesmo que eu pudesse dizer mais alguma coisa.
Eu não conseguia disfarçar, eu tinha chegado a talvez a resposta do que mais vinha me intrigando nos últimos meses, mas não podia ser, eu devia estar alcoolizado demais e pensando merda. Depois de uns dois copos de uísque, voltei aonde eu tinha passado boa parte da festa, para aquele mesmo banco com a mesma vista. Harry logo que sentei foi até as meninas, ficou dançando junto a elas por um tempo e parecia se divertir horrores. Queria poder e ter essa mesma audácia, mas minha situação era diferente. Espera aí, olha o álcool tomando conta do resto da minha consciência de novo. Tenho que colocar uma nota mental de não beber mais tanto. Assim que começou a próxima música, eu incrivelmente comecei a realmente prestar atenção no que ela dizia e não só apreciar a melodia dela.

Killed the demons of my mind
(Matei os demônios da minha mente)
Ever since you came around
(Desde que você apareceu)
We're a river, running wild
(Nós somos um rio, correndo soltos)
How could I have been so blind?
(Como eu pude ser tão cego?)


E como eu pude ser tão cego e não ver esse tempo que quem vinha aparecendo nos meus sonhos era ela? Ela dançava no ritmo da música como se fosse feita pra ela e, do meu ponto de vista, estava começando a achar que sim.

I just live a fast life
(Eu apenas vivo uma vida rápida)
Forget about the past time
(Esqueça o tempo passado)
I'm numb out to escape my feels
(Eu estou entorpecido para escapar dos meus sentimentos)


Como eu me deixei levar até aqui? Ela tomou conta dos meus pensamentos bem debaixo do meu nariz. Meu lado racional, que ainda estava ali, são queria fugir disso, mas será que eu devia? Ou melhor, será que eu conseguia fugir?

And friendships only pass by
(E as amizades só passam)
Show up, gone, like strobe lights
(Apareça, como luzes estroboscópicas)
But with you I feel something real
(Mas com você eu sinto algo real)


A cada estrofe da música, mais eu pensava em tudo que tinha acontecido enquanto estava perto daquela garota e, caramba, eu me sentia nas nuvens. E o jeito que tudo acontecia, de uma forma assustadoramente natural.

And I'd walk a million miles just to see your smile
(E eu andaria um milhão de milhas apenas para ver o seu sorriso)
Till the day I die
(Até o dia de minha morte)
Oh, I need you by my side, we get high on life
(Oh, eu preciso de você ao meu lado, nós ficamos no alto da vida)
Till the day we die
(Até o dia em que morrermos)
High on life till the day we die
(No alto da vida até o dia em que morrermos)
High on life till the day we die
(No alto da vida até o dia em que morrermos)


— Zayn, eu não tô me sentindo muito bem, vou pra casa. — Fui interrompido dos meus pensamentos, vendo minha namorada com uma cara de quem não estava bem. — Mas fica aí, se diverte e depois a gente se fala, pode ser? — Falou, deixando claro que não estava bem.
— Ué? Mas o que você tem, amor? — E nessa hora eu me senti um pouco sujo ao chamar ela assim depois de tudo que se passou na minha cabeça antes.
— Nada demais. — Tentou parecer um pouco melhor e sorriu sem mostrar os dentes. — É só uma dor de cabeça, só. Se cuida, tá? — Me respondeu, por fim me deu um selinho e foi em direção à saída do camarote.
Era muita coisa na minha cabeça. Resolvi chamar o Harry e ir novamente até o bar beber mais um pouco. Talvez assim eu conseguisse espantar um pouco da bagunça que minha cabeça estava. Eu ia enlouquecer se pensasse um pouco mais nisso e sabia que a bebida ia me fazer esquecer tudo isso. Depois de jogar bastante papo fora sobre como andava nossas vidas, vi a passando atrás de nós, sozinha e, em um momento de insanidade, eu resolvi ir atrás dela, que seguia pelo caminho do banheiro. Eu ia cometer uma loucura, mas eu lidaria com as consequências disso amanhã. Avisei Harry que iria ao banheiro e rumei na mesma direção que a morena com as pontas dos cabelos rosas foi segundos atrás.
— Ah, Tiago, você sabe que sempre esteve no meu coração, eu jamais vou esquecer você. — Os dois estavam um de frente pro outro, de mãos dadas. Aquela proximidade estava me incomodando.
— Você não existe, pequena. Eu senti tanto sua falta. — E então vi algo que eu não queria ver. Na verdade, eu não queria acreditar que estava vendo. Não consegui ouvir mais nada da conversa pelo barulho da música alta e o que não poderia fica pior, ficou, eles iam se beijar. Antes que eu pudesse de fato presenciar qualquer coisa, saí dali.
Meu sangue fervia, eu estava com muita raiva. Tinha me deixado levar. Como fui pensar que poderia ter algo com a , que ela se interessava por mim também? E essas merdas todas de sonho por quê? Pra sofrer por nada? E por que eu tive essa ideia de ir atrás dela? Eu estava me sentindo despedaçado. Como ela tinha tomado o controle do meu coração sem que a razão percebesse? O álcool foi o responsável de me fazer tomar essa atitude e vai ser o responsável por me fazer esquecer dela. Vou voltar pro bar e beber até esquecer de qualquer coisa dessa noite. É isso que eu preciso por hoje, esquecer dela, esquecer de .


Capítulo 6 — It was always you

Zayn’s Pov On

A ressaca do dia anterior era nítida. Assim que abri os olhos, minha cabeça parecia que iria explodir. Eu não lembrava muito do que tinha acontecido, já que bebi além do que eu deveria, só lembro do Harry me deixando no hall de entrada do prédio e de ter subido, tirado toda a roupa, jogado no chão e deitado pra dormir. Gigi não estava na cama quando eu cheguei, mas apaguei assim que encostei minha cabeça no travesseiro. Tudo sobre a noite passada era um borrão na minha cabeça. Levantei com certa lentidão, fui até o banheiro, escovei os dentes e fui pra cozinha em busca de remédio pra melhorar essa dor de cabeça. Quando cheguei à cozinha, Gigi preparava algo que tinha um cheiro ótimo, mas a dor de cabeça não me deixava achar aquele cheiro apetitoso de maneira alguma.
— Bom dia, amor... — me fiz presente no cômodo, já que ainda não tinha sido notado pela minha namorada.
— Bom dia, Zayn — seu tom era triste, mas julguei ser pelo estado que cheguei ontem, já que ela nunca gostou de me ver assim. Fui em sua direção e a abracei por trás, apoiando meu queixo em seu ombro e bruscamente vi ela sair do contato comigo e colocar o que cozinhava em um prato na bancada, definitivamente ela estava muito brava comigo.
— Olha, Zayn, não vou fingir que está tudo bem, porque não está, mas primeiro você precisa melhorar dessa ressaca direito e depois a gente precisa muito conversar. — Então eu, instintivamente, senti meu corpo gelar, e minhas mão começarem a suar, o que será que eu tinha feito de tão grave? O que eu precisava era fazer essa ressaca passar e resolver logo isso
— Tudo bem, Gigi, vou pegar um remédio, vou tomar um banho e já volto — disse por fim e me dirigi ao armário, tomei o tal remédio que teria que fazer com que aquela dor de cabeça sumisse e fui tomar um banho.
Aquele foi tudo menos um banho tranquilo, minha mente viajava nas mais infinitas possibilidades do que eu poderia ter feito. Tudo ainda era de certa forma um borrão, mas eu começava a me lembrar de ter conhecido , a amiga da ... e, sim, a , que estava com um vestido bordô e extremamente linda. Viajei na minha memória dela naquele vestido brilhante, que era perigosamente sexy, quando me dei por conta, estava ficando excitado só de lembrar, mas logo lembrei que precisava ter uma conversa com Gigi e então terminei meu banho, vesti uma roupa confortável e fui acalmando meus ânimos. Depois de pronto, fui em direção à sala. No caminho, como uma bomba, todos os acontecimentos na noite anterior vieram à minha cabeça e eu acho que já sabia o rumo dessa conversa. Ao chegar à sala, vi Gigi sentada, assistindo TV. Sem falar nada, cheguei ao sofá e deitei minha cabeça na almofada que estava em seu colo. Instantes depois, comecei a receber um cafuné que logo me fez adormecer ali mesmo. Quando acordei, ela ainda estava lá, olhando para um ponto fixo na parede.


(N.a.: Coloque essa música pra tocar)


— Não sei quando o nosso amor se tornou ilusório e chegou até esse ponto, eu só sei que não consigo mais entrar nas suas barreiras, Zayn — disse, ainda sem realmente me olhar, apesar de ela ter visto que não dormia mais.
— Gigi, eu não queria... — lamentei, porque sabia exatamente o rumo dessa conversa e ao que ela se referia. Uma dor no fundo do peito se tornou presente assim que admiti o que eu mais temia admitir e externar.
— Eu sei que não. Mas eu mereço mais do que isso. Nós merecemos mais do que isso. Ela também. Um amor pela metade não é mais amor.
— O que você tá tentando dizer com isso, Gigi?
— Eu estou tentando dizer que quero que você seja feliz, Zayn, mesmo que isso seja sem mim. Mesmo que quem te faça feliz não seja mais eu, que a pessoa que vai acordar ao seu lado e receber todo esse amor já não seja mais eu. Eu amo você, Zayn, mas eu te amo tanto que eu consigo ver que você não me pertence mais — suspirou, deixando uma lágrima solitária escorrer daqueles lindos olhos azuis e então continuou. — Eu também mereço mais, Zayn, mereço ter um amor inteiro, que me deixe exatamente do jeito que você olha pra ela.
— Como assim do jeito que eu olho pra ela?
— Zayn, qualquer pessoa consegue ver. Os únicos que ainda não perceberam foram vocês dois, mas eu estava ali assistindo tudo isso de camarote, porque eu achei que talvez fosse admiração. Mas eu não posso mais fingir que não vi nada. O amor por uma pessoa é igual a um passarinho em uma gaiola, devemos deixar a porta sempre aberta, se um dia ele sair e não voltar, é porque nunca foi nosso.
— Mas, Gigi, eu também te amo. Não diz uma coisa dessas pra mim.
— Não, Zayn, o seu amor não é mais o mesmo de antes. Você ainda pode ter um sentimento e um apego em mim, mas você ama outra pessoa, e essa pessoa é ela. Mas tá tudo bem, eu não tenho que prender você. Se um dia a gente se encontrar e der certo, tudo bem, mas, independente, conte comigo pra tudo, não serei um empecilho na vida de vocês. — Nos abraçamos de uma forma tão intensa que tudo que tinha restado para ser dito se fez nesse abraço. Limpei sua lágrima que ainda escorria enquanto ainda nos olhávamos profundamente um pro outro. Dei um beijo em sua bochecha, então me levantei dali sem mais nada dizer e saí pra esfriar a cabeça, dirigindo pelas ruas de NY.


***


Depois da minha conversa com a Gigi, eu comecei a pensar em tudo que me cercava, tudo que havia acontecido depois que a tinha chegado à minha vida. Agora tudo na minha cabeça parecia mais claro e mais confuso ao mesmo tempo. Eu tinha certeza de que ela mexia demais comigo e que coisas pareciam se encaixar como quebra-cabeças na minha vida, principalmente quando ela estava perto. Pensar em tudo estava me deixando maluco. Logo precisei pensar em algum lugar pra ficar, eu ainda estava meio atordoado na noite anterior, precisava descansar. Depois de achar um bom hotel pra passar até amanhã, tomei outro banho e caí na cama. Eu apaguei, mas nem nos meus sonhos ela não deixava de estar.

’s Pov on

A festa tinha sido perfeita, dancei muito, me diverti e cumpri minha promessa de não me importar (tanto). Fazia eras que eu não conseguia me divertir e me soltar sem me importar com o que qualquer pessoa ao meu redor pudesse pensar.
O que tinha me deixado ainda mais desconcertada essa semana era a frequência daqueles sonhos, que vinham sendo diários. A cada um, eu descobria mais quem era ele e cada dia eu me convencia ainda mais de que se tratava de Zayn. E apesar de tudo que os sonhos me mostravam, eu lutava fortemente contra tudo isso e tentava afastar da cabeça essa ideia estúpida. Era errado com a Gigi e com ele também, mas ainda assim era como se a vida quisesse me mostrar que era ele na minha vida.
O meu dia tinha sido basicamente fazer vários nadas e assistir muitos filmes e séries, só chegava amanhã de um shoot na Irlanda e eu estava de folga hoje. Depois de assistir de novo quase duas temporadas de The Vampire Diaries, resolvi comer alguma coisa descente, já que passei o dia todo comendo pipoca e chocolate, depois tomar um bom banho bem quentinho e demorado pra finalizar meu dia nada produtivo. Fui me deitar relativamente cedo, eram dez e trinta da noite. Lembrei que amanhã teríamos janta aqui em casa, já tinha virado um costume nos juntarmos pra uma janta e filmes depois. Eu, , Alex e Cami, Zayn e Gigi e até mesmo Harry quando estava por NY vinha também, e amanhã seria mais um dia desses. A casa da vez era a nossa, eu estava pensando no que precisaria fazer e comprar pra janta e lembrando o que cada um não comia e me peguei inevitávelmente pensando em Zayn, já que lembrava que ele não comia nada de carne de porco, então minha mente voou àquele dia da festa e no que havia me dito sobre por que eu estar fazendo aquilo com ele. Isso aconteceu alguns dias atrás e de certa forma, mesmo que eu tentasse negar, depois que ele disse aquilo eu ainda assim me diverti muito na festa, como tinha prometido a mim mesma e à própria , mas aquilo ainda me deixava confusa. Tentei deixar aquilo longe da minha mente por mais tempo possível, mas depois daquele dia minha mente voltava constantemente àquele momento e àquela frase “Por que você faz isso comigo, ?”. Sempre que isso acontecia, meu coração ficava descompassado e no fundo eu sempre soube. Acabei deixando meu coração tomar as rédeas da minha vida e eu podia dizer que ele tinha me levado pro caminho que eu lutei tanto pra não ir, mas o destino gosta de brincar com os corações desavisados e eu era um desses que estava no caminho. Eu sabia que tinha que seguir em frente, eu só não sabia como, e ainda pensando nisso, acabei pegando no sono perto das onze e cinquenta. E para completar a semana, tive outro daqueles sonhos e novamente parecia que eu não estava dormindo.

Zayn’s Pov on

Todos os dias dessa semana eu tive sonhos, mas, sim, eram aqueles sonhos. Eu estava com minha mente inquieta, tudo que eu fazia ou pensava acabava sempre indo pro mesmo lado, para a mesma pessoa. Hoje era um dia mais tranquilo, já que essa semana eu tinha corrido atrás de um lugar para morar, escolhido um apartamento nem tão pequeno, mas também não gigante, ido a lojas de móveis e decoração comprar as coisas e a lojas de tinta escolher as cores da minha nova casa. Mas confesso que arrumar uma casa tão rápido assim sem a ajuda de niguém não era a coisa mais simples do mundo. Resolvi fazer isso rápido porque nem minha mãe e nem minha família sabiam ainda do término, na realidade quase ninguém sabia, e eu queria manter assim o máximo que conseguisse, a imprensa sabia ser muito invasiva quando queria, principalmente uma notícia como essa. Sentei no sofá preto de couro com um cheiro de novo para finalmente descansar um pouco e apreciar a vista da janela que era incrível, o East River tomando conta da maior parte da vista e a ponte de Manhattan ao fundo, e apesar de ser a primeira noite ali, depois da maioria das coisas no lugar, mesmo faltando alguns detalhes, eu tinha a sensação de lar. Meu corpo pedia por um descanso, por fim pedi algo pra comer, enquanto tomei um banho quente. Deixei a água escorrer pelo meu corpo, fazendo cada parte do meu corpo mais relaxada. Assim que o hambúrguer que encomendei chegou, comi rapidamente porque a fome pareceu esmagar meu estômago depois do banho, deixei o prato e os talheres na pia, rumei ao meu banheiro, escovei meus dentes e deitei cedo, mas minha mente viajou pra casa de uma pessoa em específico. Eu tinha passado bastante tempo pensado em tudo e eu acabava ficando mais confuso ainda, não sabia o que devia ou não fazer e sempre decidia por fim não fazer nada ainda. Amanhã teríamos uma janta na casa dela e e talvez eu resolvesse o que fazer. Então mais uma vez adormeci pensando nela, acredito que tenha pegado no sono dez pra meia noite.

Eu estava em uma praia? Eu vestia um calção preto e estava de pés descalços, sem camisa. O som das ondas chamou minha atenção para a água, que era de um verde esmeralda para passar o dia inteiro admirando, as ondas, apesar de existentes, eram calmas e a areia abaixo dos meus pés fofinha e bem clarinha. Comecei a olhar ao redor, na tentativa de me localizar, até que cheguei à conclusão de que estava em um sonho e completamente consciente disso. Na minha diagonal, pude ver uma mulher com os cabelos soltos e as mechas que seriam inconfudíveis por mim em qualquer lugar que eu as visse. Ela estava sentada na areia, de biquíni rosa, olhando o horizonte. Fiquei parado algum tempo a admirando, um misto de ansiedade tomou conta de mim, então senti uma vontade enorme de me aproximar e sentar ao seu lado. Na maioria dos meus sonhos, ela nunca me reconhecia, ou vice-versa. Decidi por fazê-lo mesmo assim, mas dessa vez era ela mesma, eu conseguia reconhecer aqueles traços, que eu já conhecia de cor e salteado de tanto ficar vidrado nela. Depois de admirar um pouco mais, fiz o mesmo que ela e permaneci olhando a imensidão do mar à minha frente.
— Sempre tive a sensação de estar procurando algo e nunca achar, alguém talvez. Algo sempre faltou, mas nunca soube o que era. — A ouvi falar docemente, sua voz soava como melodia aos meus ouvidos. A olhei curioso, mas ela permanecia olhando para o horizonte.
— Era você, esse tempo todo foi você, e agora eu tenho mais certeza de tudo isso.


Acordei com um ruído que depois de alguns segundos reconheci sendo uma ligação, mas não atendi, nem tive tempo para que meu corpo reagisse a isso. Quando acordei de fato, me sentei na cama, eu estava todo suado e tinha “voltado” de outro daqueles sonhos e mais uma vez tive a sensação que novamente tinha se tornado minha conhecida, a sensação de não estar dormindo. O número do celular que me ligava era desconhecido, não conseguia imaginar quem poderia ser. Deixei o celular de lado, abri o armário, peguei uma cueca e meias e rumei para o banheiro. Um banho sempre ajudava depois de acordar assim, depois de mais um sonho igual àquele, mas ainda assim era só um sonho, ou será que não? Um sinal talvez? Será que eu deveria ir atrás dela? Resolvi que uma volta de carro seria o ideal para esfriar a cabeça, dirigir pela cidade sempre foi uma das minhas válvulas de escape, admirar a arquitetura dos arranhacéus e as pessoas sempre apressadas nas ruas de NY tinha um efeito calmante sobre minha mente e corpo. Me arrumei consideravelmente, com uma calça jeans escura e uma camiseta branca, então peguei as chaves na mesa ao lado da porta e uma jaqueta de couro preta do cabideiro e rumei até a garagem no subsolo, destravei meu Dodge Challenger srt Hellcat preto, o qual eu tinha como um carro de estimação — além de ser uma edição especial, era um dos meus preferidos que tive até hoje. Fazia algum tempo que eu não o usava, naquele carro já tive inúmeras inspirações de músicas. Ultimamente a minha mente estava vazia e ao mesmo tempo cheia, mas nenhuma canção saiu dali. Entrei e apoiei a testa no volante, eu ainda não acreditava que tudo aquilo tinha acontecido comigo, na realidade jamais pensei em passar por algo parecido um dia, e aquele sonho estava mais presente na minha mente ainda. Depois de passar por algumas ruas da cidade curtindo uma rádio qualquer, uma música parecia falar comigo e prendeu minha total atenção pra ela.

Woke up sweating from a dream
(Acordei suando de um sonho)
With a different kind of feeling
(Com um tipo de sensação diferente)
All day long my heart was beating
(O dia todo o meu coração estava batendo)
Searching for the meaning
(Procurando pelo sentido)


A música parecia ser escrita para o que eu acabara de viver alguns minutos atrás. Eu já não me surpreendia com mais nada, era como se Adam Levine contasse minha história naquelas estrofes da música...

Hazel eyes, I was so color blind
(Olhos cor de avelã, eu estava daltônico)
We were just wasting time
(Estávamos apenas perdendo tempo)
For my whole life we’ve never crossed the line
(A vida toda vida nunca cruzamos a linha)
Only friends in my mind
(Apenas amigos na minha cabeça)
But now I realize
(Mas agora eu percebi)

It was always you
(Que sempre foi você)
Can’t believe I could not see it all this time, all this time
(Não acredito que não pude ver isso todo esse tempo, todo esse tempo)
It was always you
(Que sempre foi você)

Now I know why my heart wasn’t satisfied, satisfied
(Agora sei que meu coração não estava satisfeito, satisfeito)
It was always you, you
(Sempre foi você, você)
Now I’m guessing who
(Agora estou tentando adivinhar quem)
Looking by now I know it was always you, always you
(Vejo que agora eu sei que sempre foi você, sempre foi você)


Meu corpo já estava me levando aonde a minha mente sabia que deveria ir e aquela música que continuava a tocar na rádio parecia me dizer pra acordar e ver que ela era minha mulher. sempre foi ela, antes mesmo de eu conhecê-la, ela já habitava nos meus sonhos.

All my hidden desires finally came alive
(Todos os meus desejos ocultos finalmente ganharam vida)
Know I never told a lie to you so why would I start tonight?
(Não, nunca te disse mentiras, então por que começar essa noite?)


E quando a música acabou, por um sinal do meu querido destino, eu estacionava na frente do prédio onde morava. Num sopro de coragem e talvez insanidade, eu decidi subir e talvez cometer a maior loucura da minha vida.

’s Pov on

Eu tinha acordado há pouco tempo e mais uma vez a costumeira sensação de não estar dormindo, mas não estar acordada ao mesmo tempo tinha me visitado mais uma vez naquela noite, me deixando mais uma vez com o coração um pouco mais doído. Me arrastei pra cozinha a fim de tomar um capuccino de chocolate, como de costume, pra ver se espantava a dor de cabeça que acompanhou meu “quase” despertar naquela manhã. Deixei a música tocando baixinho, enquanto fui preparar algumas torradas para colocar comida no estômago, afinal o dia seria cheio de tarefas a fim de preparar tudo para a noite.

Flashback on

— Sempre tive a sensação de estar procurando algo e nunca achar, alguém talvez. Algo sempre faltou, mas nunca soube o que era — proferi, mas ainda assim não conseguia criar coragem pra encará-lo, aquele que tinha todo meu coração e alma sem nem ao menos pedir.
— Era você, esse tempo todo foi você, e agora eu tenho mais certeza de tudo isso.


Então eu fui tirada desse sonho pelo toque do meu celular, o qual eu não fiz questão de atender, já que se tratava de um número desconhecido, fazendo com que eu perdesse o sono e levantasse de uma vez.


***


Eu estava absorta em meus pensamentos e escutando música como sempre, mas a vida parecia querer me consolar já que Trying not to love you ecoava pelo apartamento, enquanto continuava a preparar meu café. A música parecia dizer tudo que meu coração sentia e novamente lá estava ele nos meus pensamentos.

You call to me, and I fall at your feet
(Você me chama, e eu caio aos seus pés)
How could anyone ask for more?
(Como alguém poderia pedir por mais?)
And our time apart's like knives in my heart
(E o tempo que passamos separados são como facas em meu coração)
How could anyone ask for more?
(Como alguém poderia pedir por mais?)


? Você tá ai? — Ouvi a voz de Zayn abafada por cima da música. — A porta estava aberta e eu entrei.... — Eu tinha realmente que aprender a trancar, não que Zayn fosse um problema, mas e se fosse outra pessoa?

But if there's a pill to help me forget
(Mas se existe uma pílula para me ajudar a esquecer)
God knows I haven't found it yet
(Deus sabe que eu ainda não a encontrei)
But I'm dying to, God I'm trying to
(Mas eu estou morrendo de vontade, Deus eu estou tentando)


Eu absorvia cada palavra como se eu precisasse externar isso e cantava junto com a música e deixar isso tudo menos doloroso. Eu tinha deixado meu coração tomar as rédeas e ali estava eu, mais uma vez apaixonada pelo cara que tinha virado meu amigo.

Trying not to love you, only goes so far
(Tentar não te amar é o máximo que consigo fazer)
Trying not to need you, is tearing me apart
(Tentar não precisar de você está acabando comigo)
Can't see the silver lining, down here on the floor
(Não consigo ver o lado bom daqui no chão)
And I just keep on trying, but I don't know what for
(E eu só continuo tentando, mas eu não sei para quê)
'Cause trying not to love you
(Porque tentar não te amar)
Only makes me love you more
(Só me faz te amar mais)
Only makes me love you more
(Só me faz te amar mais)


Como de costume, Zayn veio me cumprimentar com um abraço e acabou enterrando seu rosto em meu pescoço, mas dessa vez pôs suas mãos na minha cintura e me guiou até me prensar na parede da cozinha, uma de suas mãos permaneceu na minha cintura, enquanto a outra estava acima da minha cabeça. Fechei meus olhos, absorvendo nossas respirações se tornando uma só.
— Z, não podemos... — Um rompante de coragem e sanidade me fez despertar dali e então o fitei e me perdi naqueles olhos castanhos que eu tanto gostava.
— Faz muito tempo que não ligo pro que posso ou não posso fazer. — Nossas testas se tocaram, senti a dor da minha luta interna para resistir e desejo fluindo por Zayn. — É só falar que me quer, , uma palavra e eu largo tudo por você. — Não tinha nada que eu quisesse mais do que ficar com Zayn.
— Não posso fazer isso com a Gigi — disse, afastando Zayn com minhas mãos em seu peito. — Desculpa, mas eu não me perdoaria.

And this kind of pain, only time takes away
(E esse tipo de dor apenas o tempo leva embora)
That's why it's harder to let you go
(Por isso é tão difícil deixar você ir)
And nothing I can do, without thinking of you
(E não posso fazer nada sem pensar em você)
That's why it's harder to let you go
(Por isso é tão difícil deixar você ir)

But if there's a pill to help me forget
(Mas se existe uma pílula para me ajudar a esquecer)
God knows I haven't found it yet
(Deus sabe que eu ainda não a encontrei)
But I'm dying to, God I'm trying to
(Mas eu estou morrendo de vontade, Deus eu estou tentando)


! Esquece a Gigi, não existe mais eu e ela. Esquece o mundo, só não faz isso comigo, não me afasta da tua vida. Eu fui um idiota e não percebi o tempo todo que era você. — Me prensou novamente contra a parede e colou ainda mais nossos corpos, eu já me sentia anestesiada com o toque dele, sua mão na minha cintura descoberta pelo cropped que usava parecia pegar fogo e meu coração palpitava como se fosse sair da minha boca a qualquer segundo.

Trying not to love you, only goes so far
(Tentar não te amar é o máximo que consigo fazer)
Trying not to need you, is tearing me apart
(Tentar não precisar de você está acabando comigo)
Can't see the silver lining, down here on the floor
(Não consigo ver o lado bom daqui no chão)
And I just keep on trying, but I don't know what for
(E eu continuo tentando, mas eu não sei para quê)
'Cause trying not to love you
(Porque tentar não te amar)
Only makes me love you more
(Só me faz te amar mais)


— Será que a vida não te deu sinais o suficiente? — Prosseguiu, já que eu não havia conseguido dizer nada. — Que tudo estava destinado a ser nós dois? Que é o nosso destino? — A única coisa que eu conseguia fazer era o olhar e ali, com meu corpo colado ao seu, absorver tudo que acontecia. Olhando no fundo dos seus olhos, conseguia ver sua verdade e como todas aquelas palavras vinham da sua alma.

— Por que eu? Logo eu, que não tenho nada a ver com o seu tipo de mulher. Olha só pra mim, Zayn! Eu não sou loira, pelo contrário, eu tenho cabelo escuro e ainda pinto de colorido. Eu sou cheia de tatuagens, nem olho claro eu tenho! Ou você esqueceu que eu conheço você? — Lágrimas já escorriam pelo meu rosto livremente, sentia meu coração quebrando em pedaços.
— Você até pode não ser igual a todas as mulheres com quem eu namorei, mas quem disse que elas são meu tipo de mulher? E pra ser sincero, , a gente descobre que no fundo o nosso tipo é aquele totalmente ao contrário de tudo que sempre achamos, é aquela mulher que toma conta dos nossos sonhos, aquela de cabelo colorido, cheia de tatuagens, aquela mulher que não tem medo de falar o que pensa, aquela que tem os olhos castanhos mais lindos que qualquer azul que eu já vi, aquela que não precisa de homem nenhum pra ser suficiente pra ela mesma e aquele mulherão da porra que por onde passa deixa qualquer homem babando nela! Sabe por quê? Porque ela esbanja confiança e carisma e isso torna ela a mulher mais linda do mundo. — Pude sentir o toque macio de sua mão no meu rosto, enquanto seu polegar limpava as lágrimas que estavam escorrendo e fazia carinho. O toque fez com que eu fechasse meus olhos e apreciasse cada segundo.
Senti mais uma vez a respiração de Zayn se misturar com a minha e então seus lábios quentes e macios tocaram os meus em um selinho demorado.
— Eu prometo que não vou te forçar a nada, mas se algum dia você estiver pronta pra ser minha, eu estarei esperando. — Virou-se de costas e, sem dizer mais nenhuma palavra, saiu do meu apartamento, me deixando ali paralisada, digerindo tudo que eu acabara de ouvir.


Capítulo 7 — She got it and she know she got it

Hoje era um dia bem importante na Choose, pelo menos pra mim, iríamos receber uma equipe para as fotos da nova campanha de Calças Jeans da Diesel, tudo ainda era um grande sigilo, já que a marca era conhecida pelas melhores campanhas publicitárias nesse ramo, então surpreender era questão de honra pra marca. Depois de mal conseguir dormir ansiosa para esse dia, tomei um banho e afastei qualquer sinal de cansaço do corpo e um bom café da manhã iria me acompanhar antes de ir para o estúdio. Eu ainda andava com um carro da empresa, mas como já tinha conseguido economizar um dinheiro, estava pensando em comprar meu próprio, mas eu ainda precisava escolher qual. Pensando nisso ao som de uma música qualquer do rádio, logo eu estava estacionando no pátio da Choose e um tão conhecido friozinho na barriga tomou conta de mim. O que será que me esperava?
Depois de deixar minhas coisas na minha sala, fui em direção ao maior estúdio, que era o número dois, e aquilo já estava caótico, eram araras pra um lado, maquiadores pro outro, pessoal com cabos pra todos os lados, cenários sendo montados, modelos extremamente gostosos passeando sem camisa, e se o destino gosta de brincar comigo, como eu tenho certeza de que gosta, Sour Diesel do Zayn tocava nos alto falantes do ambiente. Depois daquele dia, não tínhamos mais conversado, ele inventou alguma desculpa e nem ele e muito menos Gigi tinham aparecido na janta que aconteceu a noite naquele dia. Eu tentava ao máximo não pensar em tudo aquilo, mas quando você chega para trabalhar e a música dessa pessoa está tocando, não há como não trazer tudo aquilo à tona...
Nesse shoot iríamos trabalhar em equipe — eu, Alex e pra ser mais exatos. Eu ainda não tinha visto a hoje, bem, depois que ela começou a sair com um cara, eu não tenho a visto muito. Hoje em especial ela ia vir trabalhar direto da casa dele. Ela só deixou um bilhetinho em cima da mesa ontem à noite, bem à moda antiga mesmo, e não nos falamos mais desde então, acredito que ela deveria estar chegando em breve. Fui até a sala onde todos os equipamentos ficavam para pegar a câmera e já ir ajustando tudo que precisava para mais tarde. Outra coisa que eu amava fazer era o Behind de scenes, então minhas fotos começavam bem antes do shoot começar, e não era algo que os clientes pediam, mas era sempre algo que agradava e eu me divertia horrores, já que na maioria das vezes ninguém esperava por alguém fazendo fotos dos bastidores, até se soltavam mais e rolava até caretas e muitas risadas nessas fotos. Inclusive, já vi até algumas serem usadas em alguns extras nas campanhas. No caminho, encontrei Alex, que me abraçou carinhosamente.
— E aí tampinha, o que você me conta de novo? — disse, enquanto caminhávamos até o estúdio.
— Eu nada em especial. Só estou pensando em comprar um carro, você me ajuda a escolher um? — O olhei, esperando uma reação. — Mas só se não for te atrapalhar — suspirei por fim.
— Ajudo sim, tampinha, estava com saudades suas. A gente não tem se visto muito. — Pareceu se lembrar de alguma coisa e então um sorriso maroto surgiu nos lábios.
— Isso é um fato, estou com saudades. — Então a curiosidade tomou conta de mim. — Mas agora, me conta, e esse sorrisinho bobo aí? Viu um passarinho verde, é ? — disse, já rindo.
— Na realidade, ele era azul, tampinha. — Alargou ainda mais o sorriso. — Eu e a Cami estamos cada vez mais apaixonados. — E suspirou igual ao um bobo completamente apaixonado.
— AAAAAWN, mas que coisa mais lindinha — disse, apressando um ou dois passos à sua frente pra poder apertar suas bochechas já que andávamos lado a lado. — Agora tá explicado por que você tem viajado bastante. Você tá de quatro por essa mulher — falei, voltando à fala normal. — Mas não julgo, ela é linda mesmo. — Voltei ao meu tom normal como se falasse uma banalidade do dia a dia, me referindo à beleza dela que era uma verdade absoluta.
— Você não existe, . É por isso que eu não me arrependo nenhum segundo de ter investido em você. Além de tudo, eu ganhei uma irmã e uma fotógrafa incrível.
— EI! — Nos olhamos e instantaneamente viramos pra trás pra ver de onde vinha a voz. — Pode parar de babar ovo nessa aí que eu também sou SENSACIONAL no que faço — frisou e nos fez cair na gargalhada. É claro que era , que se juntou a nós e seguimos pelo corredor até o estúdio para começar a trabalhar.
Quando chegamos, a mesma música ainda ecoava ali e me incomodou um pouco mais, afinal, tudo que eu queria naquela hora era esquecer de Zayn e me concentrar nas fotos. Alex seguiu para o lado contrário dentro do estúdio e eu e seguimos para onde faríamos as fotos logo mais e assim pudemos pôr o papo em dia, já que ultimamente ou minha amiga viajava ou estava na casa do novo peguete dela. Depois de todos da equipe responsável pelo comercial chegarem, nos reunimos em uma roda no centro do estúdio, cada um de nós se apresentou e nos foi passado como tudo ocorreria no ensaio. Foi então que descobri que o motivo da música não parar de tocar, era para que os modelos entrassem no clima da campanha, já que essa seria a música tema dela e que seria gravada e fotografada hoje, então sinto muito para mim mesma, mas a voz de Zayn ficaria ecoando na minha cabeça interminavelmente no dia de hoje e inevitavelmente me fazer lembrar ainda mais dele.


*****


— Isso, Jay! Agora você vai se virar pra mim bem devagar, preciso que você use a melhor cara de galanteador. Pensa em uma menina bem linda que você gostaria de conquistar com uma só olhada e olha bem pra câmera, tá bom?
— Vale pensar na fotógrafa? — disse me xavecando na cara dura. Apesar de ser um cara lindo, com o porte atlético, cabelos curtos quase raspados e olhos verdes que completavam a obra de arte na minha frente, eu precisava manter o profissionalismo e sair de saias justas assim....
— Nessa não vale, Jay! Vai, concentra... — disse divertida.

Zayn’s Pov On

Ultimamente, minha agenda estava mais agitada do que o habitual. Minha empresária resolveu que eu devia aparecer mais na mídia, ainda mais depois do meu término com Gigi vir a público. Os fãs tinham ido à loucura, eles nunca imaginaram que um dia isso pudesse acabar. Éramos um dos casais mais amados pelos fãs e pela mídia, mas infelizmente depois de toda conversa com Gigi, eu percebi que ela tinha razão. Se tudo isso continuasse, iríamos sair muito mais machucados do que poderíamos imaginar... Um fato era que eu precisava ocupar minha cabeça com outra coisa que não fosse a , e me ocupar com trabalho me parecia uma alternativa boa. Ao estacionar no pátio da Choose, uma ansiedade boba tomou conta de mim, talvez aquela sensação que me arrebatava quando ela estava por perto. Foi então que olhei ao redor, em busca de algum carro conhecido, talvez o dela, e percebi que as únicas coisas que eu sabia sobre a era onde ela morava e algumas coisas que compartilhamos em alguns jantares, o jeito dela num todo tinha me ganhado da maneira mais intensa possível, mas não sabia nem qual era seu carro, e mesmo com tão pouco eu já estava encantado pela mulher dos meus sonhos. Enquanto adentrava o prédio e era guiado pelos corredores até o camarim, jurei que ouvir a voz dela, mas com toda certeza ela não estaria nesse comercial, eu estava ficando maluco, era muita coincidência.
Depois de algum tempo e devidamente arrumado, fui até o estúdio que a maquiadora indicou e lá estava ela, linda como sempre, e afinal eu não estava tão louco assim, a sensação de quando cheguei não estava errada. Estava chegando à conclusão de que éramos como imãs. Ver o sorriso que ela tinha no rosto enquanto fazia o que amava me fazia querer ser um desses motivos. Me aproximei mais para poder acompanhar o restante da campanha mais de perto até que minha vez de fazer as fotos chegasse e Sour Diesel tocava repetidamente nos auto falantes enquanto a dirigia com maestria o modelo.
— Isso, Jay! Agora você vai se virar pra mim bem devagar. — Enquanto isso, ela ficava ao seu lado, mostrando que movimento que precisava ser feito. — Preciso que você use a melhor cara de galanteador. Pensa em uma menina bem linda que você gostaria de conquistar com uma só olhada e olha bem pra câmera, tá bom? — Ver ela falando aquilo pra um cara que claramente a olhava com desejo a todo momento começou a me incomodar de uma forma gigantesca. A atmosfera que minha música dava ao ambiente deixava toda a tensão sexual no ar. É, aquilo definitivamente estava me incomodando muito.
— Vale pensar na fotógrafa? — disse o tal de Jay, cantando ela. Esse cara não podia falar assim com a MINHA , quem ele achava que era?
— Nessa não vale, Jay! Vai, concentra... — disse, tentando se livrar do cara inconveniente e então, sem pensar, eu agi. Me aproximei dela enquanto ela conferia a foto, enlacei meu braço em sua cintura e olhei com cara de poucos amigos para o modelo descamisado e malhado na minha frente.
— É, Jay, concentra — exalei uma confiança que não fazia ideia de onde tinha saído. O modelo na hora não sabia o que falar, apenas assentiu e deu um sorrisinho meio sem graça. ainda me olhava perplexa com a minha atitude, me aproximei de sua orelha, beijei discretamente seu pescoço e pude sentir ela se arrepiar inteira. — Depois quero conversar com você — disse baixo para que só ela ouvisse, então deixei que ela continuasse o seu trabalho, saindo como se nada tivesse acontecido. Os olhares em mim já estavam curiosos...
Resolvi me sentar em um sofá mais afastado e colocar as ideias no lugar. Cantarolava baixinho a música que eu conhecia tão bem e me peguei lembrando de quando eu a escrevi e como a maioria das minhas músicas se encaixavam perfeitamente para . Era como se inconscientemente eu as tivesse escrito pra ela. E tão subitamente me peguei pensando no que acabara de acontecer. Ele simplesmente estava cantando ela sem pudor nenhum. Só de pensar nisso, eu tinha vontade de perder todo o autocontrole que tinha e xingar ele muito, esmurrá-lo até aprender como se deve tratar uma mulher. E o que talvez já teria acontecido antes de eu chegar? Eu borbulhava de raiva, mas ao mesmo tempo não podia chamar de minha ainda. Eu estava perdendo o meu controle totalmente. Olhava um ponto fixo ao fundo e acabei não prestando atenção quando um intervalo das fotos começou. Dei por falta de algumas pessoas e outras estavam mais dispersas ali e também não a vi ali no estúdio. Saí de fininho para não darem falta de mim, para resolver meus conflitos internos e saber de uma vez por todas se ela sentia o mesmo que eu. Quase teria conseguido se não fosse Agatha, a produtora da Diesel, me parar na porta.
— Zayn, logo depois do intervalo vamos começar com você. Temos mais quinze minutos — disse breve as informações que eu precisava saber.
— Claro, Agatha! Só vou até o banheiro e já retorno — menti e então saí de lá com uma pressa absurda atrás dela, eu precisava conversar com ela.
Onde ela tinha se metido? Tudo bem que a Choose de pequena não tinha nada, mas ela não estava em lugar nenhum. Comecei a olhar pelas salas com as portas fechadas e cada uma tinha um nome de deuses do Olimpo nesse corredor. Olhei ao redor e vi a sala de Alex no outro extremo do corredor, essas deveriam ser as salas de cada fotógrafo. Balancei a cabeça, achando um pouco engraçado em função dos nomes, mas era típico de Alex essa criatividade toda. A sala tinha o nome Afrodite ao lado da porta em uma placa transparente e resolvi entrar nela. Quando entrei, não tive dúvidas que era a sala de , eu nunca tinha entrado ali, mas o perfume dela que me deixava hipnotizado estava presente no ambiente. Sua mesa era extremamente organizada. Ao dar a volta nela, pude ver um porta retrato transparente e uma foto dela com uma mulher que supus que fosse sua mãe, já que tinham vários traços em comum, as duas sorriam e se abraçavam, e ao fundo pude identificar a Duomo de Milão e algumas pombas. Olhei ao redor e pude ver uma câmera antiga na estante atrás de sua mesa, então minha atenção se prendeu ali. Eu estava fascinado por aquela câmera fotográfica, era simples, nunca tinha pegado uma dessas na mão, mas senti uma sensação de conhecimento e de carinho sobre aquele objeto, como se me lembrasse de algo de muito tempo atrás, e buscando em minha memória não consegui identificar de onde. Voltei dos meus devaneios depois de permanecer mais um tempo ali admirando-a e tentando buscar sem sucesso na minha memória de onde aquela sensação vinha e resolvi voltar para o estúdio, a conversa teria que ficar para mais tarde.
— Se perdeu no banheiro, cara? — Alex me questionou brincalhão, quando me viu entrando sem graça de volta no estúdio.
— Recebi uma ligação da minha mãe, acabei me perdendo no tempo e demorei mais do que devia — menti, mas foi a primeira coisa que pude inventar na minha mente.
— Ah, entendi — disse meio receoso se acreditava na minha desculpa ou não. — Tudo bem, Z, vai lá que a tá esperando pra fazer as suas fotos.
— Claro, obrigadp, Alex — agradeci e rumei aonde tinha sido indicado, que era mais ao lado do que ela fotografava antes. Ela estava sentada em um quadrado de madeira pintado de preto, que supus que servia para apoiar as coisas e até mesmo como cenário para uma foto ou outra. Ela estava de fones de ouvido e cantava uma música que deveria ser em português, já que não pude entender nada.

Exagerado
Jogado aos teus pés, eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
E por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais
Exagerado
Jogado aos teus pés, eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Jogado aos teus pés com mil rosas roubadas
Exagerado


Toquei em seu ombro, causando um susto nela, que logo colocou a mão em seu peito e tirou os grandes fones nos quais ouvia música.
— Que susto, Zayn! Não vi você chegar, desculpe, estava distraída — disse, ainda tentando trazer sua respiração de ofegante a normal de novo. Como ela conseguia agir como se nada tivesse acontecido?
— Eu que peço desculpas, me atrasei. Enjoou de ouvir minha voz? — questionei divertido.
— Vou sonhar com Sour Diesel a noite toda, já decorei toda a letra... — riu divertida.
— E com o dono da voz não? — me atrevi.

’s Pov On

Apesar de todo o lance que estava meio confuso entre mim e Zayn, quando ele estava perto, era algo natural, era leve e dávamos boas risadas, mas hoje ele veio decidido a me encurralar com perguntas e atitudes que nem eu estava esperando.
— Vou sonhar com Sour Diesel a noite toda, já decorei toda a letra... — disse, achando graça, já que deveria ter ouvido a música pelo menos umas cento e cinquenta vezes durante o dia.
— E com o dono da voz não? — falou na maior cara de pau. Não que eu não estivesse acostumada a sair dessas saias justas como aconteceu mais cedo, mas quando eu estava perto de Zayn, eu não sabia exatamente como reagir...
— Eu deveria? Não sei pra onde meus sonhos podem me levar essa noite... Mas quem sabe? — respondi provocativa, queria ver até onde tudo poderia chegar. Não sei de onde a coragem saiu, mas ultimamente, quando se tratava dele, meu corpo não respondia por mim. Sei também que não devia, mas só de pensar em algo acontecer meu coração acelerava, do mesmo jeito como naquela manhã que Zayn chegou de surpresa lá em casa.
— Eu acho que sim, quem sabe assim você me daria uma chance... — disse como se aquilo estivesse o corroendo por dentro e ele finalmente tivesse dividido sua angústia nessa dúvida ao falar aquilo, então seguiu para o centro do cenário, onde faríamos as fotos. Eu me sentia da mesma forma, quem sabe eu devesse realmente dar uma chance e ver aonde tudo me levaria, mas primeiro eu precisava conhecer quem era realmente Zayn Malik, afinal ele povoava meus sonhos, mas esse era realmente ele ao vivo e em cores? Ou só uma reprodução do homem literalmente dos meus sonhos?
— Papo pra outra hora, Malik. Vamos fazer essas fotos? — Desviei meus pensamentos mais profundos e decidi me concentrar no trabalho
Fotografar Zayn hoje estava sendo literalmente uma tarefa impossível. Ele estava sem camisa, com todas aquelas tatuagens à mostra e aquele olhar penetrante que podia fazer qualquer garota cair desmaiada ali mesmo. Zayn era várias coisas além de um excelente cantor, mas o que me deixava mexida era seu olhar, era ali que eu podia ver a mais pura das suas belezas, era ali que eu podia me sentir entregue a qualquer um dos seus encantos, era ali que eu me perdia. Quando eu o fotografava, eu conseguia ver sua alma, o que me causava constantes arrepios durante todo o shoot e me fazia lutar com todo o autocontrole que eu tinha.
, me conta uma coisa, que música era aquela que você estava cantando quando eu cheguei? — soltou, depois de algumas poses que tinha pedido pra ele fazer.
— Ah! Se chama Exagerado, de um cantor brasileiro chamado Cazuza.
— E ela fala sobre o quê? — demonstrou interesse em saber mais sobre.
— Preciso que você vire de frente pra mim, coloque a mão direita na nuca e incline levemente seu corpo pra esquerda — desviei o assunto, o posicionando novamente para outro click. — Então, a música fala dos exageros de um cara apaixonado e o que ele faria pela amada. — Finalizei mais alguns clicks enquanto falava.
— Você gosta de músicas sobre amor? — Senti uma pontada de curiosidade vinda do moreno tatuado à minha frente.
— São as minhas favoritas — respondi com um sorriso verdadeiro no rosto.
— Obrigado, ! Posso te chamar assim, né?
— Pode sim, mas agora preciso que você faça a troca do figurino pra gente continuar. — Vi Zayn assentir. — Eu só preciso falar rápido com Ágatha sobre algumas coisas e te encontro aqui, pode ser? — E mais uma vez vi o moreno balançar a cabeça em concordância e passar o próprio dedão abaixo dos lábios. Ou eu estava ficando louca, ou Zayn estava mesmo usando todas suas armas de sedução contra mim.

********


— Com licença — disse incerta, já que não lembrava o nome da moça com quem eu estava indo falar.
— Sim? , certo? — Confirmei com a cabeça e esbocei um sorriso simpático. — Posso te ajudar?
— Pode sim. Preciso falar com a Ágatha, você a viu?
— Sim, acredito que ela deva estar em um dos camarins, passando as informações das meninas que farão algumas fotos depois.
— Perfeito! Muito obrigada! — E então segui a direção aos camarins a fim de falar com Ágatha.
Literalmente tinha decorado a música e enquanto andava pelos corredores da Choose, nos quais eu sempre me perdia, tamanha era a imensidão daquilo, cantarolava.

Like sour diesel
I can't stop the feelin'
Can't stop your feet, no
Feels like I'm dreaming


TOC,TOC.
Dei uma batidinha na porta e logo em seguida a abri sem esperar a resposta, então chamei por Ágatha e não obtive resposta, ao contrário, ouvi uma risada contida e masculina.
— Desculpe, camarim errado. — A vergonha me tomava. Era de praxe eu cometer alguma gafe, senão eu não me chamaria .
— Não precisa pedir desculpa, . Não sou a Ágatha, mas posso ser útil. — Zayn era um desgraçado mesmo, não perdia a oportunidade.
— Ah, é você, Zayn? — falei brincalhona, enquanto ele saía de trás da cortina de um vestiário que tinha no camarim que estava.
— Você pode me ajudar a fechar esses botões? — Veio em minha direção com os botões dos punhos abertos e uma parte da camisa desarrumada, me possibilitando ver a barra da cueca preta também da Diesel. E mesmo que não quisesse, minha mente viajou.
— Vem cá. — Fiz sinal com as mãos, já estendendo os braços para arrumá-la. — Elas pediram pra você colocar como? Com os punhos dobrados ou social?
— Acho que de qualquer jeito, como você achar melhor. — E eu podia sentir os olhos dele cravados em mim. Apesar da pouca diferença de altura, eu me sentia pequena perto dele. — Admite, você ama colocar as mãos em mim.

Zayn’s Pov On

— Você que deveria admitir que ama quando toco em você. — Dessa vez ela tinha me deixado surpreso com a resposta e eu resolvi provocar mais um pouco.
— Eu nunca neguei isso. — Tentei passar o máximo de desejo possível em minha voz.
Ouvimos uma risada um pouco mais alta e uma senhora que aparentava ter uns setenta e cinco anos ficou no nosso campo de visão, ela estava com um uniforme de quem trabalha na área da limpeza.
— Desculpe minha intromissão, achei que o camarim não estava mais sendo usado — disse terna e por um momento lembrei de minha avó, então a senhorinha continuou. — Não pude deixar de reparar o belo casal que vocês são. Olhando pra vocês, lembro de mim e meu amado Edgar.
— Não somos um casal, senhora. — tentou ser o mais delicada possível, mas sua voz era baixa, diferente do normal, ela parecia estar envergonhada.
— Na verdade, nós somos, só ela que ainda não aceitou isso — disse em um rompante de coragem pra tentar quebrar ainda mais o gelo que ela mesma formou entre nós mais uma vez.
Instantaneamente, me deu uma leve empurrada no peito e saiu porta afora, com um misto de vergonha e, ouso dizer, raiva. Então ficamos só eu e a senhorinha, que descobri se chamar Dorothy pelo delicado crachá que usava no uniforme.
— Vá com calma, filho, não se conquista nada com pressa. Mulheres não gostam de ser colocadas em saia justa em frente a estranhos e muito menos de serem muito pressionadas. Foi assim que o meu Edgar me conquistou sem pressão, com calma e foi mágico — disse sonhadora e pareceu se recordar do amado, já que um sorriso apaixonado brotou em seu rosto.
— A senhora é casada? — resolvi continuar a conversa, eu realmente tinha simpatizado com aquela senhora.
— Há 45 anos. Uma hora ela irá aceitar. E quando isso acontecer, será magnífico, jovem, só vá com calma, aceite esse conselho de uma velha senhora desconhecida.
Então Dorothy pegou seu carrinho de limpeza que até então tinha sido despercebido por mim e seguiu porta afora, me deixando com um sorriso bobo nos lábios.

********


’s Pov On

— E... Acabamos! Foi um ótimo trabalho! Obrigada, Zayn. — Então rumei à minha sala o mais rápido possível para não ter que conversar mais com Zayn naquele momento e também para que pudesse descarregar as fotos, depois falaria com Alex para acertar alguns detalhes dos trabalhos seguintes, mas, mesmo assim, meu pensamento voou de volta para dentro do estúdio, mais especificamente nele.

Quando me dei por conta, eu estava imersa no meu próprio mundo, literalmente sem pensar em nada. Eu amava o que fazia, então isso sempre acontecia. Estava apenas editando cada foto tirada hoje, simplesmente não via o tempo passar. Quando me dei por conta, tinha ficado mais umas duas horas ali, voltei correndo até o estúdio e Alex não estava mais lá. Encontrei duas moças da equipe da Diesel e o pessoal começando a desmontar os cenários e vi uma mulher muito bonita, que deveria ser alguma das modelos com toda certeza, dando em cima de Zayn. Eu não queria me importar, eu não deveria, mas infelizmente eu me importava e muito. Procurei mais uma vez com os olhos por Alex pelo estúdio e saí dali com uma raiva absurda me consumindo.
— Hey, ! Espera! , espera! — Ouvi a voz cada vez mais alta de quem eu menos queria ouvir no momento. Quando vi que ele tinha me alcançado, resolvi afastá-lo o quanto antes.
— Me deixe em paz, Zayn...
— Me deixe explicar, por favor! — A raiva não me deixava querer ouvir qualquer coisa.
— Não tem o que explicar, Zayn. — Eu estava sendo mais ríspida e amarga que eu mesma achei que pudesse ser.
— Como não, está na cara que você está brava!
— Não estou brava com você, seu idiota. Estou brava comigo mesma! — me alterei e praticamente gritei.
— Por que, ? Não estou entendendo! — A confusão tinha ficado nítida em sua voz e o medo também era algo nítido em Zayn.
— Porque mesmo indo contra toda a minha sanidade, mesmo indo contra tudo que eu tenho por ser certo, mesmo sendo extremamente errado, EU GOSTO DE VOCÊ! — Vi o moreno em minha frente ficar mudo. Pronto, agora a besta aqui tinha contado o segredo mais profundo e ele só queria curtir comigo, porque ele jamais trocaria alguém linda como ela pra ficar comigo. Eu certamente era só uma distração.
— Fala alguma coisa, Zayn. Eu sei que eu sou uma besta em ter te falado isso...
— Você gosta de mim? — interrompeu minha fala com um misto de felicidade e incerteza.
Apenas acenei com a cabeça em concordância. Eu ainda estava atônita pelo que eu tinha falado, isso nunca deveria ter saído da minha boca, mas a raiva me deixou cega e pelo jeito besta. Então, em um movimento muito rápido, Zayn me puxou pra um beijo que, confesso, eu jamais estaria esperando. O beijo me deixou eletrificada, meu coração palpitava em um ritmo completamente desconhecido e as mãos macias de Zayn primeiro seguraram meu rosto para que eu não tivesse chance de recuar. Confesso que mesmo que tivesse a chance, não o faria. Logo em seguida, colou nossos corpos, mantendo-as em minha cintura. O beijo não era só um beijo, podia ser coisa da minha cabeça, mas eu tinha um sentimento de pertencimento absurdo, como se minha boca pertencesse unicamente a ele, tudo se encaixava e preciso confessar que nunca tinha beijado alguém e gostado tanto. Mas peraí, isso não era certo. Zayn quis calar minha boca e só estava me beijando por pena, precisava ir embora.
— Não dá, Zayn. Isso não vai dar certo. — Saí disparada pra minha sala, peguei minha bolsa e saí dali pelo lado contrário para não encontrar Zayn na saída.

********


Chegar em casa nunca me pareceu tão acolhedor. Eu precisava chorar tudo que eu ainda não havia conseguido. Sempre achei que manter minha boca fechada em relação a qualquer sentimento como esse era o essencial para não me machucar, como sempre, mas mais uma vez eu fui mais emoção do que razão e tinha que assumir as consequências de sofrer mais uma vez por um amor unilateral. Nunca fui de deixar que ninguém percebesse qualquer fraqueza minha, já que me virar sozinha sempre pediu por alguém forte. Ao entrar pela porta do apartamento, mais uma vez eu estava somente na minha companhia, com toda certeza estava com seu homem. Deixei a bolsa no meu sofá, rumei ao chuveiro e ali, com a água acalmando cada célula do meu corpo, meus olhos transbordaram, deixando com que toda dor fosse levada ralo abaixo. Minha cabeça pesava uns cinquenta quilos, meu nariz estava vermelho e eu estava arrasada, eu me sentia uma criança indefesa precisando de colo. Coloquei um conjunto de moletom bem confortável e ainda com a toalha na cabeça, fui para cozinha preparar alguma coisa pra comer, e o resto da noite seria eu, alguns doces e filmes.
Adormeci no sofá e acordei com meu celular tocando, era Alex, e meu deus! Eu estava muito atrasada. Não ouvi meu celular tocando as outras vezes e estava umas duas horas atrasada.
— Alex, mil desculpas, eu simplesmente apaguei e me perdi no horário, o que houve? Vi suas ligações, tá tudo bem? Além de, claro, eu estar muito atrasada.
, tá tudo certo. Hoje é sábado — disse um pouco triste. — Preciso de você aqui em casa, o Bold não tá bem. Você pode me ajudar?
— Meu deus, Alex, o que tá acontecendo? — Pulei do sofá. — Já estou indo!
— Quando você chegar aqui, eu te explico... — disse com a voz mais baixa.
— Em dez minutos estou aí — disse apressada e logo desliguei o telefone.
Eu me apegava demais a pets. Só de pensar em acontecer algo com ele, eu já ficava nervosa e era óbvio que qualquer coisa que acontecesse com qualquer pessoa que eu me importava eu ficaria assim, além de tudo, eles eram minha família também. O caminho parecia ser três vezes maior do que sempre era e tudo parecia passar em câmera lenta, quando por fim cheguei até a frente da casa de Alex e tudo parecia relativamente normal.
Ao entrar na casa, que estava com o portão somente encostado e a porta entreaberta, pude ver Bold normal, deitado próximo à escada.
— Alex? — chamei incerta, já que não o via no meu campo de visão.
— Aqui em cima! — Ouvi a voz de Alex vinda do andar superior. Ao chegar lá, a porta da sala de cinema estava entreaberta e as luzes acesas. Caminhei pelo corredor até lá e bati ao entrar.
— Pode entrar... — Opa, aquela não era a voz de Alex, era uma voz que eu conhecia bem, mas eu só podia estar ainda meio dormindo e estava confundindo.
— Oi, — disse meio cabisbaixo, me deixando confusa talvez? — Tá tudo bem com você? Parece meio assustada...
— Oi, Zayn. Tirando que Alex me acordou pedindo ajuda porque o Bold não estava bem e eu cheguei aqui e o cão está melhor do que eu.... — disse num rompante. — Acho que está tudo certo... — Cocei a nuca, lembrando do dia anterior. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa a mais, Alex apareceu com uma cara de indignação e disse:
— É o seguinte, vocês dois estão me deixando louco! Já que vocês não vão se acertar por vontade própria, vai ser na marra mesmo. Eu vou sair e levar o Bold, então vocês se acertem. Eu fui claro? — Alex fechou a porta e um silêncio ensurdecedor se formou entre nós, que mal tínhamos coragem de olhar um para o outro.

— Engraçado que Alex me falou exatamente a mesma coisa — soltou no ar, mais pra si próprio do que pra mim, que estava ali, começando a ficar incomodada e irritada com o silêncio entre nós.
— É claro que ele falou... — externei o óbvio. Ele tinha calculado aquele planinho dele nos mínimos detalhes.
— Você está me chamando de mentiroso?
— São palavras suas e não minhas...
— Como ousa me chamar de mentiroso, ? — A irritação começava a tomar conta do tom de voz de Zayn.
— Eu não chamei você de mentiroso, mas, se o chapéu lhe serviu, alguma coisa você deve ter mentido...
— Eu... eu..
— Sobre o Alex, era óbvio que ele armou. Bold está ótimo...
— EU NÃO ESTOU OUVINDO VOCÊS CONVERSAREM! — Deu batidas na porta, me fazendo pular do braço da cadeira da sala de cinema e quase cair no chão, arrancando uma leve risada de Zayn.
— JÁ DISSERAM PRA VOCÊ QUE OUVIR CONVERSA ATRÁS DA PORTA É FEIO, ALEXANDER? — gritei com as mãos em formato de concha ao redor da boca pra minha voz se intensificar pela sala e consequentemente para detrás da porta.
— Enfim, , se você está se referindo a eu mentir algo pra você, saiba que tudo que falei é o que sinto. Não sei por que você não acredita em mim...
— Zayn, vamos aos fatos? — falei determinada a fazê-lo entender. — Você é um cantor super famoso, tem milhares de mulheres aos seus pés e até alguns dias atrás namorava uma supermodelo linda de viver. — Tomei fôlego e então continuei. — Eu sou apenas uma fotógrafa que veio de outro continente para seguir um sonho e viver do que a fotografia pudesse me dar. Essa conta não fecha.
— Caramba, , será que é tão difícil de ver que é exatamente por esse motivo que eu estou cada dia mais apaixonado por você? Que você povoa meus sonhos há mais tempo do que eu te conheço e isso já tinha me deixado maluco? — E aquilo tinha sido um balde de água do ártico em cima de mim.
— So... sonhando comigo?
— SIM! Você até pode não acreditar em mim, mas era você em todos eles, e aos poucos eu fui percebendo que não existia como não ser você. — Meu coração parecia querer sair pela boca, eu apenas o olhava, não sabia como exatamente reagir, já que também acontecia comigo.
— Zayn, desde que eu cheguei aqui a NY, minha vida literalmente virou do avesso. Eu conheci pessoas muito especiais e você é uma delas, mas eu tenho várias cicatrizes e não consigo simplesmente me entregar. — Vi a expressão corporal de esperança do moreno à minha frente se esvair e o brilho daqueles olhos castanhos que eu tanto gostava ficarem opacos. — Mas… Hey. — Me aproximei dele, que já não me encarava mais e levemente toquei seu queixo, levantando-o em minha direção e fazendo meu corpo todo estremecer em um arrepio gostoso. — Se você quiser, a gente pode tentar esse lance de eu e você, mas sem pressa...
O brilho naqueles orbes castanhas voltou ao final da minha frase, como uma chama que se acende nos mais belos tons quentes, e desejei nunca mais vê-los sem aquele brilho. Me sentei ao seu lado no grande sofá creme quando bateu a mão ao seu lado no estofado para que me juntasse a ele. Encostei meu rosto em seu ombro e ficamos ali por algum tempo apenas sentindo nossas respirações em um silêncio onde nada era dito e ao mesmo tempo significava tudo. Meu coração batia em um ritmo novo e talvez aquele fosse o efeito de estar ao lado de Zayn Malik.

— Posso te pedir uma coisa?
— Claro. — Então senti um beijo no topo da minha cabeça.
— Vamos assistir um filme aqui?
— Não sei se teria coragem de sair daqui tão cedo, a sensação de poder ficar tão perto de você é minha nova coisa favorita.
— Leu meus pensamentos…


Continua...



Nota da autora: Eu ouvi um amém pro nosso casal? MDAR tá sendo tão gostosa de escrever que quando a inspiração dela bate eu escrevo horrores e nem percebo. Mas me contem tudo que acharam até agora, deixem um elogio, uma crítica construtiva, um achismo sobre o rumo dessa história. Comentem, por favor, vocês deixam uma autora pra lá de feliz e dá um gás pra continuar! No mais, é isso, sonhadoras, continuem se cuidando e até a próxima att que promete!
PS: Lembrando que spoilers sempre saem no instagram da nossa PP, sigam lá!
Super beijo!



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