Fanfic Finalizada

Parte I - Sobre o show

Ela sabe que está atrasada, mesmo assim dá uma pausa em sua caminhada para comprar seu café com leite, o de sempre, subindo correndo as escadas do prédio até o quinto andar em seguida. Não quis esperar o elevador que está lá no décimo sétimo andar. Dez minutos de atraso. Pode parecer pouco, mas para ela poderia lhe custar o freelancer* que ela precisa.
*um trabalho temporário

Afobada e suando, a moça chega até a sala de reunião, que já havia começado. Os olhares de todos caem sobre a moça que cora o rosto envergonhada, se desculpa e senta-se na cadeira vazia próxima ao seu melhor amigo.
— Guardei seu lugar — sussurra Felipe, amigo da moça, recolhendo sua mochila que antes guardava o lugar da moça.
ajeita os cachos para conseguir enxergar direito. Seus cachos são bem volumosos e bonitos, rodeando sua cabeça.
— Obrigada, Lipe — ela sussurra de volta e volta a prestar atenção no chefe que fala animado.
— … E como também sabem, precisamos de uma equipe de três fotógrafos para frente de palco. Este evento de Cultura Japonesa que acontecerá em duas semanas é de extrema importância para nossa agência, portanto não serão admitidos erros, entendido? — Ouve-se um sonoro "sim" vindo dos presentes — Ótimo! Bom, agora vamos ver quem serão os fotógrafos de frente de palco. Como temos seis disponíveis, resolvi fazer um sorteio.
Nessa parte é surpresa para todos, que imediatamente começam a cochichar entre si.
Shiiiiu! Silêncio! — Reclama André Mendes, o gerente da agência — Vamos ao sorteio… — coloca a mão dentro de um recipiente escuro e pequeno e puxa um papel dobrado de dentro, desdobra-o e lê. — Hm, nosso primeiro fotógrafo será o Mário. Parabéns, Mário! — Revela André e todos aplaudem. Ele repete o processo mais uma vez. — Hmmm, o segundo fotógrafo será nosso mais brincalhão: Felipe! Parabéns, Felipe!
Lipe vibra de alegria, ele queria muito participar diretamente da filmagem e fotografia do evento. André repete pela última vez o processo e retira mais um papel do recipiente.
— Olha só, quem temos aqui, — diz ele, fazendo suspense — sem dúvidas, uma bela pessoa. Nossa única mulher da equipe: ! Parabéns, !
Mori, esse é seu nome, a baiana com mãe brasileira e pai japonês grita de alegria. Realmente ela precisa desse freelance.
— Ahhhhhhh, finalmente! Obrigada, chefe! Obrigada! — diz , como é chamada pelos amigos, enquanto abraçava Lipe ao seu lado.
— Vai poder ver o , ! — Lipe sussurra em seu ouvido. A moça cora e sorri feliz.
Ela finalmente irá conhecer ele.
é fã de uma das bandas que tocará no Festival de Cultura Japonesa que a agência de publicidade onde trabalha está promovendo em Salvador.
Flow. Composta por: Keigo, Iwasaki, Take, Gots e .
Ah, o , este é o nome do homem que habitava os pensamentos da moça por anos, desde que conheceu a banda, anos atrás. Por serem de um país oriental, é difícil a banda fazer um show no Brasil. Quando tem, o ingresso é muito caro, normalmente em grandes festivais. Caro para os padrões de uma pessoa assalariada. Na época do último show deles, estava doente, em outro show ela estava sem dinheiro e em outro ela estava viajando para outra cidade para concluir sua faculdade de Publicidade. Essa seria a primeira vez que veria os caras tocando ao vivo. Ela estava bem emocionada com isso. Mal via a hora de conhecer os homens que fazem parte de sua vida.

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Duas semanas depois…

está cansado da viagem que fez com a banda até a Alemanha para mais um show. De lá, eles estão embarcando para o Brasil. Dormiu metade da viagem e a outra metade lutou contra o próprio cansaço para não dormir novamente. O louco fuso das viagens deixa o corpo e a mente do rapaz cansados.
Ao desembarcarem, todos foram diretamente para o hotel. O show aconteceria naquela noite. Ainda eram seis horas da manhã quando eles chegaram. Descansaram por duas horas e logo foram para a van novamente. Destino? Passeio pela cidade.
está usando óculos escuros para disfarçar seu cansaço, mas é mais que evidente este fato, passa todo o passeio até aqui calado e observando os dois fotógrafos que os acompanham. Os dois parecem estar discutindo enquanto andam e verificam as fotos tiradas nas câmeras de ambos. chega mais próximo a eles. Mesmo não entendendo bem português, o rapaz se arrisca a tentar entender a conversa dos dois.
— … ele está tão calado. Deve achar que sou idiota por estar calada também! — lamenta-se enquanto apaga algumas fotos borradas. De repente, vê uma que lhe agrada. — Olha só, Lipe, que lindo! Mesmo emburrado continua lindo, impressionante — até então, não havia entendido nenhuma palavra.
— Interage com ele que aí ele vai falar — Lipe responde sendo óbvio.
— Meu japonês não é tão bom assim, meu pai briga comigo direto por causa disso, mas não me sinto segura em falar com o
— Vai falar com o em inglês mesmo, ele sabe falar inglês. Ou você fala com ele ou eu vou te empurrar para cima dele!
entende seu nome, sabe que estão falando dele e apura os ouvidos para tentar entender mais alguma coisa que não fosse o próprio nome.
— Você sabe que estou falando no sentido literal, não sabe? — Completa Lipe, encara o amigo com um olhar assustado.
— Com o não, Lipe! — Suplica ela com as mãos unidas.
Por mais que ele se esforce, o máximo que consegue entender é quando falam seu nome. O rapaz nunca quis tanto saber falar português. Quis também que eles falassem em inglês, pelo menos entenderia quase tudo.
— Olá, fotógrafos! — Take, que é irmão de , fala jogando os braços nos ombros dos dois, que sorriem ao ver o ídolo. Take fala em inglês com eles.
— Olá, Take-san! — Ambos dizem juntos.
— Apenas Take, por favor.
O sorriso de Take, pessoalmente, é uma visão ainda mais linda e está visivelmente encantada por ele. logo nota o brilho no olhar dela e volta a fechar a cara, suspirando irritado.
A irritação de se dá pela aproximação do irmão com os fotógrafos, principalmente com a , que ele já havia memorizado o nome. Nem sabe ao certo o motivo de sua irritação, só sabe o que está sentindo. Take sempre foi bem comunicativo com os fãs. Já é mais reservado.
Só dessa vez, quis ser igual ao irmão.
O passeio continua e, de longe, observa seu irmão interagir com os fotógrafos. gargalha com as coisas ditas por Take e quis afogar o irmão no mar por onde passam nesse momento.
Já no hotel, o mais velho vai até o quarto que o irmão divide com Keigo.
— Vai derrubar a porta?! — diz Take ao abrir a porta e sentir somente o perfume forte que o irmão usa ao passar por ele.
— O que foi aquilo hoje mais cedo? — questiona para o irmão ao parar no meio do quarto. Keigo levanta o olhar de seu celular para encarar a discussão.
— Aquilo o quê? — Take sabe perfeitamente do que o irmão fala, mas se finge de desentendido.
— Sua aproximação excessiva com os fotógrafos.
— Ah, isso… — diz Take, displicente — Estava apenas sendo gentil e conversando com eles. Aliás, eles são bem legais — Take caminha até sua cama e senta-se na ponta dela.
— Hm, e precisava ser tão gentil assim? Principalmente com a ...
— Vem cá, , você está com inveja ou ciúme? — Take tem um sorriso travesso no rosto. — Seja qual for, é bem mesquinho de sua parte, irmão — comenta Take.
Em seu interior, não sabe com certeza o que está fazendo e muito menos o que está sentindo. Atração física? Talvez. Inveja do irmão pela aproximação fácil dele com a ? É uma certeza que ele tem no momento.
— Não gosto dessa sua intimidade...
— Por que não posso ser íntimo dela?
— Porque não.
— Tem que me dar um bom motivo, .
— Porque é estranho você ter intimidade com ela tão rápido assim.
— Esse não é o motivo real — insiste Take sabendo que o irmão esconde algo — Você me disse, quando passeamos pela cidade, que tá afim dela…
— Eu não disse isso… — desmente .
Disse sim — fala Keigo e recebe o olhar raivoso de e as risadas de Take.
— Cala a boca, Keigo!
— Keigo está de prova! — Comemora Take — Só me afasto dela se você admitir estar atraído pela baiana.
— Take!
— Admite?!
— Não vou admitir algo inexistente — diz sem muita certeza do que diz.
— Se quer assim… — responde Take num tom desafiador.
não diz mais nada, apenas sai dali, volta para seu quarto e deita na cama apertando os olhos de raiva. Ele não entende os sentimentos conflitantes que o fazem agir daquela forma. Por que ele teria ciúme de uma mulher que acabou de conhecer?
O rapaz pensa nas palavras do irmão. Já as ouviu em momentos diferentes de sua vida, e em todos terminou desapontado consigo mesmo. Sempre que gostava de uma moça, deixava escapar tal sentimento através de um olhar, gesto corporal, palavras singelas, mas sempre era percebido por seu irmão Take que ainda tem o péssimo hábito de "incentivar" o irmão a contar o que sente de maneira incisiva. Indo nesse caminho, Take dá a entender que está interessado na mesma moça que o irmão, com o intuito de fazer se declarar de uma vez. Fato que nunca aconteceu, por falta de coragem de . As moças, sem saber que o real interessado era , ou ficavam com Take ou se afastavam dos dois.
A "boa intenção" do irmão foi logo notada por , mas dessa vez algo dentro dele diz que ele precisa falar o que sente. Uma onda forte percorre seu corpo assim como quando ele está no palco cantando.
Por falar nisso, ele precisa se arrumar, logo chegará a hora do show.

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já está pronto para o show que começará em instantes. Ele ajeita o ponto eletrônico no ouvido e ouve o barulho feito pelos fãs. Ele tem certeza de que será um show incrível.
registra a primeira imagem do show e sua pele se arrepia com a vibração emitida pela Flow logo nos primeiros acordes da primeira música. É o primeiro show dela e a primeira - e talvez a última - oportunidade de fotografar seus ídolos. está muito feliz e a cada música tocada, ela canta e vibra junto, não se esquecendo de registrar o show, é claro.
Inesperadamente, começam a ser tocados os acordes da música que mexe profundamente com . Essa música não faz parte do setlist da Flow há muito tempo. Melody começa. A moça não consegue segurar a emoção e leva as mãos ao rosto, deixando os olhos fixados nele enquanto ele canta lindamente. Do palco, canta olhando para que está visivelmente emocionada. Ela passou o show inteiro dançando, vibrando e cantando junto com eles, mas agora está tão fragilizada e chorosa. sente a melodia percorrer seu corpo de maneira diferente do habitual.
A letra dessa música, que ele mesmo escreveu com a ajuda de Take ainda adolescentes, fala de um amor incerto. se lembra, enquanto canta, que era apaixonado por uma amiga do colégio que também correspondia aos seus sentimentos, mas ambos tinham medo de se machucar. Mesmo com medo, tentou convencer a garota de que eles deveriam ao menos tentar algo juntos e, se não desse certo, deveriam seguir a vida, assim como qualquer pessoa civilizada faria. lembrou-se de ter chorado após ela o rejeitar.
Ao fim da música, ele nota que está sendo amparada pelo Lipe, o outro fotógrafo e amigo dela. Duas músicas depois, volta a fotografar o show, ela aparenta estar mais calma agora.
O show em Salvador foi muito melhor do que pôde imaginar. Ele não esperava que a Flow tivesse fãs tão animados e fiéis como eles. A Flow deixou o palco com o sentimento de dever cumprido.
— Uhhh!! — Grita Take assim que entra no camarim, seguido pelos outros. — Que show!
— Podemos voltar para o palco?! Quero outro show desse! — Comenta Keigo, empolgado.
— Foi muito melhor do que imaginei, nossa, que show incrível! Que energia, né? — diz ao se jogar no sofá após pegar uma garrafinha de água para beber.
Nesse momento, os fotógrafos entram no camarim.
— Olha quem está aqui! — diz Take animado e vai abraçar os dois.
— Que show maravilhoso, caras, parabéns! — fala Lipe ao sair do abraço de Take.
— Obrigado, mas se não fosse pela energia do público não serviria de nada — devolve Take, sorridente. — -chan! Você tirou muitas fotos nossas? Fiz poses só para você — Ele diz ao passar o braço pelos ombros dela.
— Tirei muitas fotos sim, Take. Quer ver? — diz a moça, também sorridente.
— Só se me mostrar ali no cantinho, vem comigo — ele a conduz para o canto mais afastado dos outros.
está fuzilando o irmão com o olhar agora.
De longe, ele observa muito contrariado a conversa entre e Take, ela gargalha a cada frase dita pelo irmão mais novo e o homem deseja que o irmão suma e deixe em paz. Que sentimento é esse que cresce no peito de e o faz desejar coisas assim ao próprio irmão? Agora ele pode dizer que: sim, ele está com ciúmes.
— Então quer dizer que você gosta do meu irmão? — diz Take para com um tom de surpresa. Ela fica tímida e assente com a cabeça.
— Sei que seria difícil ele se interessar por mim...
— Ih, , relaxe, meu irmão já está interessado em você — diz o homem dando de ombros.
— Como assim? Ele te falou algo? — questiona , confusa.
— Enquanto passeávamos pela cidade, mas nem precisava ele dizer nada. Olha só como ele está nos olhando...
Disfarçando, vira o rosto para trás e cruza com o olhar fulminante de , assustando-se, e volta a olhar para Take.
— Nossa, que careta feita — espanta-se ela fazendo Take rir.
— Ele está com ciúmes de você — diz ele, simplesmente.
— De mim?
— De mim é que não é, — ele volta a rir e completa: — Olha só, vamos fazer um teste...
Take diz e, de repente, passa a mão no rosto de , encarando o irmão, e sobe ela até os cabelos da moça, em seguida ele grita para :
— Olha, , o cabelo dela é tão fofo. Veja! — Ele puxa uma mecha dos cabelos de , o cabelo de mola vai e volta na cabeça da moça, Take sorri e diz em seu idioma natal – Fofo!
O corpo de arrepia-se ao simples toque do homem. Furioso, grita de volta.
— Eu admito, Take! — O mais novo encara o irmão de longe.
— Não entendi... — Take diz, fazendo-se de desentendido.
— Admito aquilo! Eu admito, está bem! — grita , irritado.
Take ri vitorioso.
— Sabia!!! Tudo bem, vou parar, ok?
— Do que estão falando? — questiona , confusa.
— Coisa de irmão, -chan — ele diz e aperta a bochecha de levemente.
— Take! — grita e Take ri.
— Ok! Calma, cara!
Divertindo-se com o ciúme do irmão, Take finalmente para de dar em cima de e volta a sentar-se no sofá ao lado de Ayumi, produtora deles, e engata uma conversa com ela. se aproxima de Lipe e Keigo que conversam, ela fica curiosa com a atitude de e quer perguntar o que houve, mas não tem coragem. O encara o irmão com raiva e pensa sobre o que acabou de admitir. Os sentimentos incertos que insistem em aflorar ainda mais quando está por perto o levam a quase loucura. Ele só quer que isso pare. Isso lhe parece tanto uma paixão...
Mas é loucura, ele não pode estar apaixonado já que só a conhece, literalmente, há um dia. Não, não pode ser, mas a certeza que ele tem é que está atraído por ela. Muito atraído. E essa atração ele não consegue controlar, ele quer tanto tocar os próprios lábios nos lábios dela. Ele quer tanto tocar sua pele, quer tanto sentir seu cheiro, seu calor, quer tanto tê-la em seus braços, em sua cama...
O som da risada de Keigo desperta de seu delírio momentâneo e o traz de volta à realidade onde está longe dele, apesar de estarem no mesmo ambiente, ainda no camarim. Amanhã ele ainda estará em Salvador, mas e depois? Será que ele deve contar a ela o que está sentindo? Ou apenas deixar para lá? Há a possibilidade de conseguir conviver com essa atração não concretizada?
Provavelmente não.


Parte II - Sobre o show cover

No dia seguinte, a Flow não tem compromissos oficiais. Na verdade, era para eles estarem em um avião a caminho de casa, porém, a convite do produtor do evento, eles ficaram para um outro evento que logo irá começar. O show que começará em instantes é total surpresa para e os outros que estão em um camarote que fica na parte alta de uma casa de show da cidade. A plateia está lotada de pessoas ansiosas para a apresentação.
— Sobre o que é esse show? — pergunta Take, curioso.
— Logo vocês irão saber e certamente irão gostar — responde o produtor simplesmente com um sorriso no rosto.
Assim que ele encerra o comentário, as luzes do lugar se apagam e somente as do palco se mantém acesas. Nesse momento, ouve-se os gritos de incentivo do público, uma música de abertura começa a tocar e uma contagem regressiva inicia. Ao chegar no zero, os integrantes da banda começam a entrar no palco, a começar pela baterista que senta em seu banquinho à frente da bateria; depois entra no palco o baixista e a guitarrista cumprimentando o público e posicionando-se em seus lugares; por último entram os vocalistas, um deles logo é reconhecida por .
! — diz ele, surpreso.
O público grita enlouquecido com a entrada da banda de e, quando os primeiros acordes da música são executados, todos percebem o óbvio.
— Ela tem uma banda cover nossa? — Indaga Take risonho e de maneira retórica, pois está mais que óbvio que tem uma banda cover da Flow.
Incrível! — diz , em seu idioma, com o olhar fixo em .
Ela começa a cantar e a voz dela invade a alma de de maneira arrebatadora. Que voz é essa? Que melodia é essa? está arrepiado e não consegue parar de olhar para aquela mulher que canta tão lindamente no palco. Ela faz a parte dos vocais que cabem a e está vestida com uma roupa parecida com a que ele vestia no show de ontem, usa anéis nos mesmos dedos que ele usa, canta com o microfone na mão esquerda igual a ele — mesmo ela sendo destra e isso a confundindo em alguns momentos —, ela faz inclusive os tics de , os trejeitos durante as músicas e durante a apresentação. Tudo meticulosamente executado.
— Cara, ela tem todos os seus trejeitos esquisitos. Será que ela é sua stalker, irmão? — Comenta Take, no meio do show, e completa: — Pergunta para ela, por favor!
— Cala a boca, Take! Não vou perguntar isso — diz envergonhado com o comentário do irmão, mas ele não pode negar que ela tem sim os trejeitos exatos dele no palco e que ela tem uma voz maravilhosa que encanta ainda mais o homem.
— Ele está hipnotizado olhando para ela, olha só... — diz Take baixinho, sussurrando para Keigo.
— Muito — Keigo sussurra de volta. — Não sei por qual motivo ele ainda insiste em dizer que não está completamente atraído por ela — completa Keigo.
nada diz e apenas encara interagindo com o público que está bastante animado com o show da banda, como se realmente fosse a Flow. Ele fica impressionado com o fôlego dela durante a apresentação, que é bastante cansativa e cheia de saltos assim como as da Flow, mesmo assim ela continua cantando afinadamente. Ele mal vê a hora de encontrá-la no camarim.

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Li está exausta do show que acabou agora há pouco e vai direto para o camarim destinado à sua banda. Seus amigos se espalham pelo local, enquanto ela se deita no sofá com as costas doloridas. Sempre que há show cover da Flow ela fica dessa forma, isso porque a apresentação do , membro da banda que ela representa, é sempre cheia de saltos e performances que exigem bastante elasticidade e molejo dela. Para esse show, ela vinha ensaiando há três semanas tudo isso para sair perfeito, mesmo sabendo que a possibilidade do ou algum outro membro da Flow ver fosse pequena, já que eles, uma hora dessas, já devem estar a caminho de casa.
OH MY GOSH! — Grita Ana, a baterista da banda.
— Mentira, mano! Que surpresa agradável, puta que pariu! — exclama Ton, o baixista da banda.
Curiosa, ergue o corpo do sofá e abre os olhos para ver o que está acontecendo e então toma um susto.
Flow?! — Espanta-se ela ao ver os rapazes da banda entrando no camarim e cumprimentando a todos. Rapidamente ela senta-se no sofá e depois se levanta para falar com eles.
— Então você escondeu esse outro talento da gente, né? — Zomba Keigo divertido. O rosto de esquenta de vergonha.
— Ah, me perdoem, achei que vocês não pudessem ver o show, por isso nem comentei — explica ela, sem jeito.
— Tudo bem, -chan. Você foi incrível no palco, aliás, todos vocês foram! — diz Take, animado.
— Obrigado! — Todos da banda agradecem em desordem.
Ao fundo do grupo de pessoas formado próximo ao sofá, pode ver que a observa dali com o rosto tímido, ela gostaria muito de saber o que ele está pensando agora. Às vezes, o ar de mistério do rapaz a deixa intrigada e muito curiosa, não saber o que ele pensa torna-se angustiante para a moça.
A conversa entra a banda de e a Flow já passa das duas horas de duração, eles estão bebendo e conversando sobre assuntos diversos, muito animados. , durante todo esse tempo, só deu parabéns pelo show e não falou mais nada diretamente para . Porém, tomado pela coragem do álcool que corre em seu sangue agora, ele levanta-se de seu lugar e vai até onde ela está, agachando ao lado dela.
— Podemos conversar um minuto? — sussurra ele em inglês, idioma que ele sabe que ela fala melhor que japonês, e arrepia-se com a voz grave de percorrendo seus tímpanos.
— Si-Sim — ela gagueja e se irrita por isso, mas sorri disfarçando.
Cavalheiro, estende a mão para ela e ergue o próprio corpo para se levantar. Tímida, põe a mão sobre a do rapaz que logo a segura, puxando levemente o corpo dela para que se levante, ele a leva para o outro lado do camarim, longe dos outros que apenas os observam se afastar.
— Sobre o que quer conversar, ? — Indaga , sentindo o corpo todo tremer por estar a sós com ele. O perfume dele é tão bom...
— Você tem uma voz muito bonita, — diz ele com um sorriso fofo no rosto.
— Obrigada, — ela diz e completa: — Espero que não tenha ficado ofendido por ser eu te representando na banda...
— Não! Claro que não me ofendi — apressa-se ele a dizer — Aliás, eu gostei de que é você quem me representa. Obrigado — ele agradece em japonês e curva o corpo para ela.
— Que bom que gostou, . Nossa, se eu soubesse que vocês estavam vendo, não sei se conseguiria cantar — confessa ela, rindo.
— Eu estaria lá para te dar uma força — o sorriso de é algo realmente inexplicável na visão dela: tão inocente e sensual ao mesmo tempo.
— Agradeço pelo apoio. É muito importante para mim — ela também sorri para ele.
Ambos ficam conversando por um tempo. Durante esse período, percebe que quer lhe falar algo, mas parece não ter a coragem suficiente para externar.
, posso te fazer uma pergunta? — Ela diz no meio da conversa.
— Claro — responde ele.
— Por que você disse aquilo para o Take ontem?
— Sobre?
— Que você admitia algo... o que você admitiu? — Pressiona ela. arregala os olhos, surpreso com a pergunta.
— Bem, eu... bom...
, se tem algo para me dizer, diga. É melhor do que ficar guardando. Diz...
Ela sorri para ele, transmitindo força. Tomado por essa coragem, revela:
— Eu quero te beijar, , mas não farei isso se você não se sentir confortável. Está bem? — Por esse tipo de revelação ela realmente não esperava, seus olhos arregalados são uma prova disso.
... — ela diz num sussurro — Eu também... Eu também quero te beijar — essa revelação não é esperada por , que infla o peito de surpresa e alegria — Na verdade, eu... Eu gosto de você, — completa , trêmula. Vendo o nervosismo dela, sentindo o mesmo, ele segura nas mãos da moça, apertando-as de leve.
— Eu sinto isso. Sinto que é de verdade.
A troca de olhares entre e se dá de uma forma bastante intensa. Os dedos dele acariciam as mãos dela suavemente, carinhoso assim como ela imaginava que ele seria. Fechando os olhos e curtindo o toque dele, pensa nos sentimentos que a fizeram ser fã do homem e, naturalmente, se apaixonar por ele mesmo que a possibilidade de ele saber disso fosse quase nula. Nutrir o sentimento por ele foi difícil para , ainda é, mas ela não desistiu ou ao menos deixou que esse amor acabasse nem sequer diminuísse.
se aproxima um pouco mais do corpo dela e , com o calor dele emanando mais perto, abre os olhos encarando o castanho do olhar dele penetrando em seu olhar. Ele ia beijá-la, mas a moça diz que tem gente demais observando esse momento, ela não está confortável.
— Vem comigo — a puxa até a parte de trás da arara de roupas que há ali ao fundo do camarim. — Aqui não podem nos ver — diz ele referindo-se à altura da arara que cobre a altura de ambos.
... — diz ela, sem graça e com um sorriso no rosto. a abraça de repente.
— Está nervosa? — Ela apenas assente aspirando o perfume intenso que sai do homem e olha para o peito dele; encostando a mão no rosto da moça, a faz estremecer. — Está tudo bem se você não quiser — ele diz baixinho, afastando um pouco os cachos da moça, para encaixar seus dedos no rosto dela com mais comodidade.
— Eu amo você, — revela ela, tímida.
não sabe o que dizer, apenas beija a moça com carinho, um selinho rápido, mas cheio de sentimento. Ao se afastar, as mãos dela estão na cintura do rapaz, desenhando formas incertas nas costas dele que sente arrepios a cada toque.
— Eu espero retribuir esse amor que sente por mim. Eu sinto ser de verdade e eu estou muito honrado por recebê-lo de você — ele diz com um sorriso nos lábios.
O sorriso que se forma no rosto dele, tímido, até se iluminar e fazer com que ele mostre seus dentes também, o sorriso mais lindo que ela já viu até hoje. Tão meigo. Ele está realmente feliz por tê-la beijado e ver a felicidade dela estampada em sua face o alegra ainda mais. O rapaz queria poder acolher aquela moça em seus braços para sempre. É o seu maior desejo no momento.
— Eu queria que isso fosse um sonho — diz, quebrando o silêncio.
— Por que?
— Porque assim eu superaria a ilusão mais facilmente — ela solta uma risada abafada.
— E por que precisa ser uma ilusão?
— Você volta amanhã para o Japão...
— Eu posso ficar, se quiser — ele diz num impulso.
— Não diga isso, não tem como. E a agenda de shows e compromissos na TV e rádio que vocês têm? — Indaga ela, a voz trêmula.
— Eu quero que dê certo entre nós...
— Será que há essa possibilidade?
— Você quer que dê certo? — Questiona ele e completa: — Seu olhar me diz que sim.
— Ele não está mentindo.
Mais uma vez, o sentimento de atração que só cresce em o move para perto de e ele a beija, dessa vez com mais intensidade e dessa vez são as mãos dele que percorrem as costas da moça, apertando o local com firmeza.
— Meu Deus, por que seu beijo tem que ser tão bom? — Reclama após beijar fazendo ele rir.
— Te digo o mesmo — diz ele, ofegante, e ri — Eu posso te fazer uma pergunta?
— Todas que quiser, — diz ela e ele suspende ambas as sobrancelhas — Posso te chamar assim?
— Pode... — ele diz meio abobado com o apelido carinhoso dado por ela.
— Pergunta, — lembra ela.
— Você já namorou muitos homens? — Questiona , curioso.
sorri.
— Alguns, mas os relacionamentos não duraram muito. Os homens são sempre tão iguais: conquistam com sua lábia e depois começam a sumir, dizem que estão sem tempo ou cabeça para relacionamento até que finalmente desaparecem por completo. E quando você vai ver, depois de um tempo, o bendito aparece namorando outra pessoa — ela diz com amargura. Ele engole em seco. — Se o problema era comigo desde o início, bastava falar. Mentir é muito pior e mais doloroso... Para quem é enganado, é claro.
— Eu não sou qualquer homem, — ele diz com um nó na garganta e aperta as costas dela. — Eu não vou sumir, não vou mentir para você e muito menos vou aparecer namorando outra pessoa que não seja você. — Essa última afirmação a fez olhar para ele com mais intensidade, ele fez o mesmo. — Isso, claro, se for do seu consentimento — reforça ele. — Eu não quero te forçar a nada. Não fui criado desta forma, eu sei esperar e, se você não estiver disposta a ficar comigo agora, eu irei entender e respeitar isso — completa .
De onde este homem saiu? É a pergunta que ela se faz internamente. Diretamente do Japão para os braços dela. Essa é a resposta. Ela não sabe quem está mais rendido ao outro: se é ele que está ao seu dispor ou se ela que havia se rendido totalmente ao coração do japonês, que não tira os olhos dela.
— Não vou sumir, você sabe onde me achar.

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e se beijam mais algumas vezes, ainda atrás da arara de roupas, perdem a noção do tempo que estão ali, não se desgrudaram um minuto trocando carícias carinhosas. Durante a conversa, fica tímido com o pensamento que passa pela mente dele naquele instante.
— O que houve, ? — pergunta já percebendo que ele queria dizer algo.
— Eu também posso mexer no seu cabelo? — Pede ele, muito tímido.
— Quer mexer nos meus cachos? Igual ao Take fez?
— Sim — ele fala e olha para os lados, evitando encarar ela. Ela sorri.
— Claro que pode, bobinho.
Erguendo uma das mãos, retirando-a das costas de , ele puxa um dos cachos da frente da cabeça da moça, a mecha vai e volta. Ele sorri com o movimento e repete mais algumas vezes.
— Seu cheiro é tão bom, ... Eu poderia ficar fazendo isso o dia todo... — ele diz, anestesiado.
— E você pode, tem minha permissão, — normalmente, não gosta que mexam nos cachos dela, mas curiosamente não está entre as pessoas proibidas de fazer isso.
— Ah, que sentimento forte estou sentindo agora. Me dá medo — ele fecha os olhos, ainda enrolando os dedos nos cachos dela.
— Medo de quê?
— De acabar... — sussurra , sentindo a garganta dar um nó.
— Não precisa realmente acabar aqui. A gente pode... A gente pode continuar se vendo, se quiser, é claro — ele abre os olhos rapidamente.
— É o que eu mais quero, . De verdade, eu realmente quero que dê certo entre nós dois.
Ela não sabe explicar, mas acredita nas palavras de , acredita que realmente ele quer que a relação repentina deles dê certo. Apegada a isso e ao amor que dedica a ele, se enche de esperanças e forças para seguir nessa relação e eles combinam uma maneira viável de voltarem a se ver, seja ele vindo ao Brasil ou ela indo ao Japão. O importante é que eles voltem a se beijar, a se tocar, a sentir o calor um do outro, a sentir o sentimento um do outro.


Parte III - Sobre a proposta

Meses depois...

Após a volta da Flow para o Japão, manteve contato com os rapazes, principalmente com . Porém, nas últimas semanas, após ter dito a que iria ao país dele em breve para um trabalho fotográfico, o homem havia parado de responder suas mensagens e isso chateia a moça. Sem ao menos dar uma explicação, ele não a responde mais, apenas Keigo e Take respondem pelo direct do Instagram. As mensagens para chegam, porém não são visualizadas por ele, ela sabe que ele não está sem celular, pois continua postando normalmente no seu feed e porque os outros avisaram a ela que está tudo bem, provavelmente ele havia esquecido de responder, qualquer desculpa assim. Sempre vagas. Obviamente, não se convence de nada disso e está muito chateada com . Ela planejava ir visitá-lo quando fosse ao Japão, dentro de duas semanas, mas desistiu após o vácuo que levou dele.

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tenta mandar pela enésima vez uma mensagem para , mas parece que ela não está querendo respondê-lo. Ele precisa muito falar com ela, algo muito importante que ele tem certeza de que ela ficará feliz em saber. Chateado e frustrado, o homem suspira encarando o aparelho enquanto olha a foto de na tela de seu celular, ele está no camarim para mais um show na capital do país quando Keigo se aproxima dele.
— Que cara é essa, ? — Questiona ele e senta-se ao lado do amigo.
não me responde no Instagram faz algumas semanas, estou preocupado — diz ainda encarando a tela do aparelho em suas mãos.
— Estranho, me disse que faz semanas que tenta falar com você e não tem nenhuma resposta sua — revela Keigo fazendo o amigo o encarar confuso.
— Sério?
— Sim, ela falou até com o Take.
— Ele não me disse nada... se bem que ele está tão ocupado com a Aimi — namorada de Take — que não o culpo por não ter dito nada.
— Manda uma mensagem para ela pelo meu celular. Espera... — Keigo pega o aparelho no bolso do paletó e entrega a — Manda.
Enquanto digita uma mensagem para através do celular de Keigo, o rapaz mexe no celular do amigo para sanar uma suspeita interna.
! — Espanta-se Keigo, assustando que o encara com as sobrancelhas suspensas. — Você bloqueou a ?! Por quê?
— Eu? Eu não fiz isso! — Defende-se ele.
— Então alguém fez — diz Keigo já sabendo em uma pessoa que poderia ter feito isso.
— Quem? — Indaga , confuso.
— Não consegue pensar em ninguém que não te quer namorando? — Keigo diz, óbvio.
— Eu não acredito! Harumi! — sente o corpo tremer de raiva.
— A própria — Keigo entrega o celular de volta para — Pronto, tá desbloqueada no teu Instagram, agora vai falar com ela e explica o que houve. Ela deve te achar um cretino por não ter falado mais com ela — sorri.
— Farei isso. Obrigado, Keigo! Você é incrível, cara!
ainda tem um tempo antes do show começar, então resolve ligar em videochamada pelo Instagram para . A princípio ela não o atende, insistindo, continua ligando até que, na quinta tentativa, ela finalmente atende.
Resolveu aparecer agora? — questiona assim que atende a chama de , com a voz irritada.
— Oi, ... — ele está muito envergonhado.
“Oi, ”? Só isso que tem para me dizer, ? — ela diz em deboche e completa: — Se é só isso, vou desligar, estou ocupada...
— Espera, ! — Apressa-se ele — Eu, eu, por favor me perdoe, ... alguém bloqueou você no meu Instagram e...
Alguém me bloqueou no seu Instagram? Que história é essa, ? — A expressão na face de é a de quem não acredita na frase dita por ele.
— Uma pessoa do staff da banda, ela que bloqueou você no meu Instagram — explica ele.
E por que diabos ela faria isso?
— Porque ela gosta de mim.
Hã?
— É, ela gosta de mim e não quer me ver tendo contato com nenhuma mulher. Ela está me perseguindo há algum tempo. — O olhar de parece sincero aos olhos de , que logo amolece e desmancha sua defesa, voltando a falar com carinho com ele.
Que absurdo, ... como que ela mexe no celular dos outros assim e sai bloqueando quem ela quer? — diz , indignada.
— Vou falar com ela de novo sobre eu não querer nada com ela. Me perdoe, , eu queria muito que isso não tivesse acontecido. — Ele faz um biquinho singelo com os lábios.
Não se preocupe, , está tudo bem. — Ela sorri para ele.
— Estou envergonhado... eu ia te contar uma grande novidade e acabou que essa situação estragou um pouco o clima.
Qual novidade?
— Está preparada para ouvir?
Diz logo, , para de enrolar... — eles riem.
— Lá vai então: a gravadora quer que você seja nossa fotógrafa oficial!
O QUÊ?! — Ela dá um grito e arregala os olhos — Desculpa!
— Tudo bem, — ele diz, rindo. — O que me diz? Aceita?
Ai, meu Deus, . Eu não esperava por isso... eu vou ao Japão fazer um trabalho, mas...
— E você acha que esse trabalho é para quê? — diz sugestivamente e finalmente entende tudo.
Seu malandrinho! ! Foram vocês que me contrataram, então?
— Sim! — Eles riem novamente. — O que me diz, Mori? Quer ser nossa fotógrafa?
Claro que quero! Ai... meu Deus, morar no Japão, esqueci desse detalhe...
— Não se preocupe, a gravadora pagará sua moradia aqui e te ajudará inicialmente com as contas. E eu vou te ajudar no idioma. Você é esperta, aprenderá rápido — diz num tom orgulhoso que faz corar.
Bobo... obrigada pelo apoio, . — Ela fica tímida e quis estar perto dela só para apertar suas bochechas.
— Sempre irei te apoiar. — Ele sorri e pensa se deve fazer a outra pergunta, mas resolve esperar para dizer pessoalmente.
O horário do show chega e se despede de . Mais aliviado por conseguir esclarecer as coisas com ela, o homem faz sua melhor apresentação no palco até então. Mas ele mal vê a hora de encontrar e lhe fazer a outra pergunta que guarda em seu coração.

[📷]

já foi à várias viagens pelo mundo, consequentemente já passou por diversos aeroportos espalhados pelos países que visitou com a banda em turnê ou por vontade própria. Porém, especificamente hoje ele está bastante desconfortável em estar ali. Bom, desconfortável não seria bem a palavra para descrever o que ele sente, mas sim ansioso. Tal ansiedade o deixa desconfortável o suficiente para conferir de minuto em minuto quanto tempo falta para o avião de pousar. O fato dele ter chegado há quatro horas ajuda no aumento de sua agonia por esperar pela chegada de . O homem já passou por todos os cantos do local, perguntou à recepcionista da companhia aérea se o horário do voo estava certo e se não havia tido nenhum imprevisto, uma tempestade de neve que fosse para atrapalhar o pouso. Após as negativas de desastres naturais e não-naturais, volta a esperar no saguão principal, ansioso, angustiado e louco para beijar sua brasileira novamente.
Já no avião, após senti-lo pousar com firmeza, se prepara para deixar a aeronave e encontrar com a pessoa da gravadora que irá buscá-la. Ela apenas sabe que haverá alguém lá à sua espera, só não sabe quem é. Logo essa curiosidade cessa quando seu olhar enxerga a figura não tão alta de parado na porta do desembarque de seu voo, com o sorriso enorme estampado no rosto e um cartaz na mão. Nele está escrito em inglês, japonês e em português:

, você quer ser minha namorada? <3”

Muitos corações enfeitam o cartaz e a emoção toma conta da mulher que corre para abraçar e beijá-lo, logo após isso veio a resposta positiva ao pedido.
— Lógico que eu aceito, !
— Prometo honrar o seu amor — ele diz, carinhoso.
Eles voltam a se beijar ali mesmo na frente de todos que vêm e vão pelo aeroporto e não se importam de serem observados. A saudade que sentiram após meses sem se ver, apenas se comunicando por telefone, é maior que qualquer vergonha que possam sentir. Após o beijo, pega a mala dela e conduz até o táxi para irem até o apartamento cedido pela gravadora. Hoje não terá nenhum compromisso, porém amanhã já começará a rotina intensa de ensaios fotográficos e registros de absolutamente tudo que está acontecendo com a banda durante o processo de gravação do novo CD — que também virará um DVD ao vivo, sendo gravado em um dos shows já marcados.
O apartamento novo de é tipicamente japonês, muito bem compactado com somente um quarto, porém bastante espaçoso contendo uma cama de casal nele. Como de costume, todo o apartamento tem um sistema de ar condicionado para os dias quentes que faz no Japão e também de aquecimento para os dias frios. A cozinha é pequena, mas contém o suficiente para se fazer boas refeições, há também uma lavadora e secadora de roupas e um pequeno banheiro com banheira e sistema de aquecimento para secagem das roupas e para os dias de inverno rigoroso.
— Espero que o apartamento esteja do seu gosto, — diz parando no meio do quarto e observando percorrer o olhar por todo o local, admirada.
— Está perfeito, ! Perfeito! — Ela sorri agradecida e senta-se na ponta da cama. — Obrigada por me trazer até aqui.
— Não por isso, fiz questão de ser eu quem te buscaria no aeroporto e te traria para cá.
— Por causa da surpresa? — diz ela referindo-se ao cartaz.
— Sim. — Ele sorri, tímido.
— Bom, sinta-se à vontade aqui, está bem? Sei que não é costume namorados ficarem no mesmo ambiente à sós, mas saiba que eu não me importo se você quiser ficar — diz e volta seu olhar para que ainda está parado no meio do cômodo.
— Posso mesmo? — indaga ele, sem jeito.
— Claro que pode, .
O mesmo arrepio bom que percorre o corpo de toda vez que sorri para ela percorre neste momento o corpo dele, fazendo-o se arrepiar inteiro. O sorriso de é realmente iluminado e o faz sentir-se bem em estar vivo.
— Está com fome? — pergunta olhando para os lados.
— Sim. Será que tem algo na geladeira que possamos usar para cozinhar? — diz e levanta-se.
— Ayumi disse que teria — responde com o olhar distante e pensativo.
— Ayumi é uma fofa, vou agradecer a ela também pela ajuda — diz e caminha até a cozinha, o perfume dela hipnotiza o homem que demora alguns segundos para voltar a si e seguir até o outro cômodo.
— Hm, tem algo bom aí? — Ele para perto da porta da geladeira que está aberta e observa olhando-a com uma expressão pensativa.
— Tem legumes, um filé de peixe que acho que dá para descongelar e um de frango que é puro gelo — comenta ela fazendo rir com o tom cômico que ela usou.
— Boba — ele diz e o encara.
— Só porque me chamou de boba, você será o cozinheiro, abre a boca num “o” quase perfeito.
— Não é justo, Mori — ele faz um beicinho com os lábios e a faz rir.
— Bobo! Eu vou te ajudar, não seja tão manhoso assim.
Eles riem e ele ajuda a separar os ingredientes para preparar a comida, pega no armário em cima da pia um pacote de macarrão e mais alguns temperos para usar no molho. Após tudo picado, temperado e cozido, eles saboreiam a refeição e descansam um pouco, conversando sobre assuntos diversos. Agora que estão namorando, assuntos como “antigos relacionamentos” vêm à tona.
— E vocês chegaram a ter algum tipo de relacionamento amoroso? — Questiona no meio da conversa ao comentarem sobre a Harumi.
— Nunca, apesar de ela sempre demonstrar interesse em mim — responde .
Ambos estão sentados no chão, em cima do tapete que há embaixo da mesinha de centro que foi posta ali para eles apoiarem os pratos, encostados na cama. — Ainda me sinto envergonhado pelo que ela fez, conversei com ela sobre isso — completa ele.
— E ela disse o que? — diz , curiosa.
— Aparentemente ela está conformada com nosso relacionamento de amizade apenas.
— Hm, ela sabe sobre nós? — A pergunta que a princípio não quis fazer, mas que acaba saindo de sua boca inevitavelmente. a encara.
— Sabe, todos sabem. Eu não quis e nem quero esconder isso de ninguém, . — Ele rola a cabeça para o lado, encarando a moça, que sente um arrepio passar por ela.
Tomado por uma grande e forte atração, senta mais perto dela de maneira que seus rostos fiquem muito próximos. Inevitavelmente, as respirações de ambos começam a acelerar pela proximidade de seus corpos. Por ter sido criado em uma cultura diferente, o foi ensinado a sempre respeitar a todos, em especial àquela por quem ele nutre um sentimento além da amizade, que é o caso de . Foi ensinado a respeitar os limites de cada um e a interpretar sinais dados pela pessoa. Mesmo tendo convivido muito pouco tempo pessoalmente com , as conversas que tiveram por videochamada já revelavam sinais nas expressões dela que ele já sabe identificar. Quando ela está triste, feliz, irritada, com fome, com medo, apaixonada... tudo isso ele já sabe ver na face dela sem ela precisar dizer uma só palavra. A expressão que estampa o rosto dela nesse exato momento, em que o corpo de se debruça sobre o dela no carpete, é um mix de surpresa e amor com uma pitada de ânsia pelo que virá a seguir. E o que veio a seguir foi o beijo mais quente que deu em alguém em toda sua vida, ele sente-se mais pervertido só por esse beijo.
o encara com o rosto vermelho pelo calor produzido após o beijo.
, eu jamais esperaria isso de você — ela diz ofegante demais e puxando o ar pelos pulmões com certa dificuldade. — Você sempre me pareceu tão...
— Inocente? Sereno? Tranquilo? Quase casto? — Ele completa o pensamento dela.
— É... — sorri de canto e dá um selinho nela.
— Isso te deixa incomodada? Podemos...
— De maneira alguma, . Eu gostei muito de saber que você tem esse lado.
O brilho castanho do olhar de invade o olhar de , que também brilha no mesmo tom. Erguendo o corpo para se levantar, puxa pelas mãos ajudando-a a se levantar também. Eles se deitam na enorme cama e põe as cabeças sobre os travesseiros macios; a abraça e a beija com suavidade, suas mãos apertando as costas dela e as dela repousadas sobre o peito dele, apertando sua camisa. Aos poucos, ainda tímidos, um vai tirando uma peça de roupa do outro, intercalando com beijos carinhosos. Enquanto tira a calça de , percebe que ele tem um sinal na canela esquerda que ela julga ser fofo e uma marca registrada do homem.
— Eu estou nervosa — diz , ambos apenas com roupas íntimas e abraçados na cama.
— Eu também estou — concorda e mostra uma de suas mãos trêmulas.
— Suas mãos estão tão firmes em mim, nem percebi que estão tremendo — comenta ela.
— É que eu não quero decepcionar você, estou me controlando para não te decepcionar — a encara e ela sorri serenamente.
— Você não vai decepcionar, .
é tomada por uma vontade forte de cantar para ele, então ela cantarola próximo ao ouvido de :

“Tonight, boy, it’s only you and me (essa noite, garoto, somos só você e eu)”
Here without you, 3 Doors Down

Sorrindo abobado, o homem é surpreendido pelo beijo dado por ela; o gosto doce dos lábios de tocando os dele o deixa relaxado e as carícias que a mão dela faz em seus cabelos o deixam excitado, fazendo-o soltar gemidos baixinhos durante o beijo.
— Você gosta quando puxo seu cabelo? — Indaga após descolar seus lábios dos carnudos lábios de .
— É gostoso e sexy... — ele diz num quase sussurro ainda de olhos fechados.
— Você estava gemendo baixinho... — ela sorri e ele abre os olhos, encarando-a com vergonha.
— Não consegui controlar, desculpa — ele diz, muito tímido.
— Não peça desculpas, bobo. Se quiser, pode gemer enquanto... bom, você pode gemer, está bem?
Ela acaricia a nuca dele fazendo-o fechar os olhos novamente e assentir com a cabeça. Emocionado, ele diz rapidamente uma frase em japonês que nunca tinha ouvido dita daquela forma. Ela apenas entende que tem a palavra “amor” ali, mas não entende o contexto.
, fala mais devagar, por favor. Meu japonês não é tão bom — ele abre os olhos novamente e sorri.
— Quer que eu fale mais devagar?
— Sim, por favor.
— Ok — ele chegar mais perto do ouvido dela e sussurra: — ai... shi... te... kure... te... ta — “eu te amo”.
afasta o rosto para trás e encara os olhos emocionados de que sussurra a mesma frase para ele. Voltando a se beijar, o casal intensifica as carícias trocadas ali. Essa transa está apenas começando.

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— Ai, !
O grito abafado dado por assusta , que para o movimento que fazia com seus lábios. Por segundos ele acha que ela sentiu dor, mas logo que sente gemer de prazer e lhe puxar os cabelos, ele percebe que a moça está gostando, e muito, do toque de seus lábios nos seios expostos dela. Ele volta a sugar o local, os jeitosos seios de que cabem perfeitamente nas mãos mediadas do homem que os aperta levemente enquanto os chupa. Mesmo fazendo algo tão libertino e luxurioso, procura ser o mais respeitoso e carinhoso possível. Não é a primeira vez dele com uma mulher, mas é a primeira vez dele com uma ocidental e isso faz com que todo esse ato se torne mais intenso e preocupante para ele; o medo de não conseguir satisfazer é enorme. Contradizendo o medo dele, os gemidos e puxões de cabelo que dá em só comprovam que ele está sim satisfazendo os prazeres dela e com louvor.
Descendo um pouco sua boca até a barriga dela, aperta as coxas da mulher, que solta gemidos cada vez mais intensos, porém controlados. Ele está cada vez mais excitado e sente que irá explodir a qualquer instante. De qualquer forma, ele está muito feliz por estar com ela em seus braços.

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Os corpos de e repousam tranquilamente um sobre o outro sobre a cama, abraçados. Ao abrir os olhos, o homem solta um suspiro cansado e sorri ao sentir que está deitada colada a ele, a cabeça repousada em seu ombro. Ele a encara dormir serenamente, a respiração tranquila; não resistindo ao impulso, o homem ergue sua mão livre, afasta os cachos que estão sobre os olhos dela, pondo-os para trás de sua cabeça, e faz cafuné nos cabelos da moça. Aos poucos ela acorda e se mexe, aninhando-se no peito de .
Fofa — ele diz, em japonês, e sorri abrindo os olhos.
— Oi... — sussurra ela com a voz rouca.
começa a beijar o rosto dela, beijos molhados e carinhosos, mas cheios de tesão envolvido. Percebendo o que ele pretendia com aquilo, pergunta a :
— Você quer de novo, ?
Tímido, ele apenas confirma com a cabeça, muito sem jeito por pedir algo assim para alguém, ainda mais para . Expor suas vontades mundanas assim é algo que nunca fez antes. Sorrindo, ela dá um beijo leve nele que logo se intensifica tão fortemente que ele a puxa para cima dele com força, então, sente o membro ereto de super rígido.
— Nossa, que rápido, — comenta ela, após o beijo. Ele sorri com timidez.
— Toda vez que eu te beijo isso acontece — explica ele.
— Seu tarado. Gosto disso! — ela diz e ri. — Vem comigo.
Sorrindo maliciosamente, puxa para fora da cama e o conduz até a parede mais próxima, atrás da cama, encostando o corpo dele ali. Como se ensinasse a ele o que fazer, ela encosta sua mão quente no membro ainda mais quente dele e começa a fazer movimentos que fazem soltar gemidinhos de prazer. Ainda encarando o homem, o beija sem parar o movimento de sua mão, a outra mão da mulher apertando a nuca dele, enquanto as mãos de estão envolvidas na cintura dela também apertando com força. Está tão gostoso, ele está sentindo tanto prazer com isso que ele acha que vai gozar, mas, antes disso, ele sente a intimidade de encostar em seu membro e abre os olhos surpreso. encaixa o membro rígido de em sua intimidade e repousa suas mãos nos ombros dele, já sentindo um prazer enorme só nesse simples gesto. Ele nunca havia experimentado fazer naquela posição, nunca lhe passou pela mente antes; sentir esse prazer estando ali em pé com encaixada em seu membro e rebolando suavemente sobre ele faz sentir-se extremamente grato por ter cruzado o caminho dela que lhe ensina coisas novas, que lhe faz sentir coisas novas, a cada dia mais.
está muito excitado em penetrar em pé e não consegue se controlar. Aumentando os movimentos com seu quadril, ele intensifica as estocadas nela e sente-se amolecido com o prazer produzido com tais movimentos. Ele quase deixa seu corpo vacilar.
— Está tudo bem? — Indaga , parando um pouco com a rapidez do ato.
— Sim... — ele sussurra com a voz rouca.
Ela puxa a cabeça dele para o seu ombro, tranquilizando-o; as mãos suaves de afagando seus cabelos fazem amansar seus movimentos com o quadril; ele queria morar ali, viver para sempre penetrando sua amada ocidental e sendo afagado por ela. O prazer intenso que ele sente a seguir veio acompanhado de um puxão dado por que faz a cabeça dele pender para trás e um beijo cheio de luxúria e amor. Muito amor.

[📷]

— Vamos nos atrasar, — diz pela terceira vez a um muito manhoso que está deitado sobre ela, o rosto enfiado em seu busto.
— Vamos... — ele diz com a voz abafada.
— Não podemos, vem, levanta! Já amanheceu, seu bobo. — Ela ri e pensa: “Como ele pode ser tão manhoso assim?” e ri ainda mais com o pensamento.
— Aqui está muito bom, não estraga o momento, amor — ele ergue o rosto e apoia o queixo entre os seios dela.
— Por falar nisso...
— Eu quero contar pra todo mundo que estamos namorando!
— Acha que é uma boa ideia? — questiona ela, receosa.
— É o meu único objetivo, amor. Além, claro, de ser feliz ao seu lado como estou sendo agora.
Ela sorri com a fala dele e dá um beijo em cada seio de antes de erguer o corpo um pouco para beijar os lábios dela com todo seu amor e desejo. Mas, ao contrário do que pretendia, é interrompido por ela que diz novamente que eles podem se atrasar e não é de bom tom chegar atrasada no primeiro dia de trabalho. Concordando, após ser subornado com muitos beijos, se levanta e vai ao banheiro puxando consigo.
Ele quis experimentar uma coisa que ele sempre teve curiosidade, a única fantasia sexual que ele teve na vida, enquanto toma banho. O mais perfeito para ele é que esse ato será realizado com e não haveria ninguém melhor para isso.


Parte IV - Sobre a vida no exterior

Alguns meses depois...

já está totalmente adaptada à nova rotina como fotógrafa da Flow, seja em gravações em estúdio ou até mesmo em shows, apresentações em programas de TV e rádio. Tudo que diz respeito à banda, ela registra. O namoro com também anda muito bem, a cada dia que passa eles estão mais conectados e apaixonados um pelo outro. Ele está ensinando a moça a falar seu idioma e vice versa; para a felicidade do pai de , a moça finalmente está falando e escrevendo em japonês do jeito que ele sempre tentou ensiná-la, mas nunca conseguiu.
Durante esses meses em que está no Japão, Mori ficou bastante amiga de Ayumi, produtora da Flow, ela foi uma das primeiras pessoas para quem e contaram que estavam namorando e uma das que mais apoiam o relacionamento dos dois. Porém, há alguns boatos que correm por entre os staffs da banda de que não gosta de verdade de , de que ela só fingiu para poder conseguir morar em outro país.
Em um dia de show, e os outros se concentram no camarim enquanto aguardam sua vez de subirem ao palco.
Enquanto isso, uma conversa quente se inicia.
— É estranho demais! — Comenta um dos staffs enquanto conversa com outro — A cor dela...
— O que tem a cor dela? — Questiona , se aproximando de repente e com uma expressão séria no rosto.
-san! — Espanta-se o rapaz.
— Estão falando da , não é? — Ele pergunta o óbvio.
-san... você não...
— É melhor não perguntar... — alerta o outro rapaz, porém a curiosidade do outro é grande.
— A pele dela ser escura... Isso não te incomoda?
o encara com completo desdém.
Isso não me incomoda. Aliás, não deveria incomodar ninguém — ele diz com firmeza. — Não seja preconceituoso, seu babaca! E vê lá como fala da minha namorada na minha presença — alerta , começando a ficar irritado.
— Calma, meu irmão — diz Take ao se aproximar do princípio de confusão.
— Calma, -san! — Defende-se Ren, o autor da fala que irritou . — Só disse isso porque as pessoas falam, a diferença é gritante da sua cor para a dela.
Irritado, parte para cima de Ren, porém é segurado por Take.
— Para de falar besteira, cara! Ou da próxima vez eu não vou segurar o meu irmão. Vou deixar ele bater em você — ameaça Take e completa: — Aliás, eu mesmo farei isso se você insistir.
— É melhor você sair daqui — diz Keigo com tranquilidade também se aproximando.
— Não se pode mais falar... — inicia Ren, mas é cortado por .
— Não! Não pode, não pode falar se você é um babaca preconceituoso! E lave sua boca imunda para falar da ! — Brada . — Me solta, Take! Eu não vou bater nele...
Take solta o irmão, que ajeita a camisa no corpo e respira fundo tentando se acalmar, mas logo sente seu sangue voltar a ferver quando ouve a seguinte frase:
— Ok, fica com ela então. Soube de umas histórias... — diz Ren dando de ombros. — Vai se arrepender se ficar com ela, será mais um famoso enganado.
Dessa vez Take não segura o irmão que parte com tudo para cima de Ren, socando-lhe a face, logo escorre sangue de seu nariz. Keigo segura o amigo puxando-o para trás.
— Não vale a pena, ! Deixa ele! — diz Keigo enquanto tenta acalmar o amigo que está muito irritado.
— Sai daqui, seu desgraçado! Me solta, Keigo!
— Sai daqui, Ren! — Dispara Take.
nunca havia ficado tão irritado na vida, seu sangue borbulha em suas veias e sua cabeça fervilha em pensamentos diversos. Como as pessoas podem ter pensamentos tão idiotas a respeito de alguém assim? Por causa da cor? Pessoas de etnias diferentes não podem se relacionar? É isso? Não, para isso não faz o menor sentido e, para a maioria das pessoas inteligentes e civilizadas, também não. Porém, a minoria preconceituosa e ignorante, nesse sentido, parece dominar os pensamentos da humanidade. queria ter o poder de mudar isso.
Ren deixa o camarim e anda de um lado para o outro tentando respirar e se acalmar. Em menos de cinco minutos, aparece no camarim percebendo o clima pesado que está no ar.
— Aconteceu algo, rapazes? — diz ela com o olhar suspenso. Ela segura sua câmera nas mãos e carrega sua mochila em um dos ombros.
— Nada, -chan, não se preocupe. Está tudo bem — diz Keigo sorrindo carinhoso.
ainda está muito irritado, mas tenta não transparecer isso na frente dela que se aproxima e lhe dá um beijo rápido. O que ele não sabe é que a moça havia ouvido toda a discussão, bem no momento em que ela ia entrar no camarim, ela ouviu as vozes exaltadas de todos e entendeu do que se tratava. Não era a primeira vez que ela ouvia tais falas racistas direcionadas a ela, sempre lidou bem com isso e não deixou que afetasse seu bem-estar psicológico. Porém, particularmente depois que se mudou para o Japão, ela vem ouvindo alguns comentários do mesmo nível que esse que ouviu de Ren, histórias de que ela só está com por interesse, histórias de que ela não serve para ele por ser preta, histórias de que ela teoricamente "roubou" o homem da Harumi, histórias... todas elas têm afetado a moça, que não contou nada ao namorado, sabe que ele vai tentar defendê-la e ela não quer que ele se envolva nisso, é assunto dela e ela quer resolver.
Por outro lado, fica pensativo, mesmo durante o show que acontece agora, sobre o que Ren disse sobre . Enganar mais um famoso, como assim? Esse pensamento vai e volta na mente dele, quase o levando à loucura.
Ele sente uma forte dor de cabeça e desmaia no palco.

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Antes de abrir os olhos, ouve vozes conhecidas ao redor dele, sente o calor conhecido das mãos de em seu rosto e tórax e sorri involuntariamente.
? — Indaga ao ver o sorriso dele, que logo abre os olhos. — Ah, que alívio, ...
— Oi... — sussurra ele e dá um beijo na mão de que está repousada em seu rosto. — Me desculpe pelo incômodo — ele diz em japonês.
Tudo bem — ela responde também em japonês e sorri.
— Aprendeu direitinho...
— Tive o melhor professor — responde abobada. — Fiquei preocupada, . O que houve?
suspira pesadamente.
— Tive uma dor de cabeça forte e acabei desmaiando — ele diz simplesmente, sem revelar o motivo de sua dor de cabeça.
— Precisa se cuidar mais, ... — ela faz carinho no rosto dele que lhe sorri de canto.
— Obrigado por estar comigo e me amar — ele diz e fecha os olhos por alguns instantes.
A vontade de é de chorar, ele sente os olhos arderem e a vontade de derramar lágrimas de seus olhos crescendo mais, porém ele controla sua emoção. Não saberia o que dizer para para explicar seu choro, não queria contar para ela sobre o que Ren havia dito. Ao mesmo tempo que ele quer preservá-la, ele se questiona se ela sabe desses boatos contra ela e, se ela sabe, por que não lhe disse nada a respeito?
Pensando demais nessas coisas, volta a sentir pontadas em sua cabeça e leva uma das mãos à testa.
— Voltou a doer, não é? — Indaga , preocupada.
— Já vai passar...
Visivelmente preocupada com o namorado, avisa ao cunhado que não está bem para voltar para o show, que havia parado quase na metade. Também preocupado com a saúde dele, Take avisa ao produtor do festival em que se apresentavam que o irmão não tem condições de prosseguir com o show, sendo assim, por respeito a ele, a Flow não fará o restante da apresentação.
Chateado com o cancelamento do show, volta para seu apartamento totalmente contrariado e acompanhado de sua namorada. insistiu em levá-lo para casa para ficar de olho nele, sabendo que ele certamente não iria se cuidar direito.

Algumas horas depois...

O calor do corpo de é algo que acalma , ela se sente extremamente tranquila e protegida quando está próxima a ele como está agora. Deitada em seu peito, a moça desfruta da presença forte do namorado que dorme tranquilamente. Somente agora ela consegue cochilar um pouco, mas logo é acordada com o movimento de uma das mãos de que vai diretamente para a intimidade de . Imediatamente, ela abre seus olhos e encara o rosto de , que sorri pervertido também a encarando.
... — diz ela com a voz falha, sentindo um enorme calor transcorrer pelo seu corpo e concentrar-se em sua intimidade, que se umedece com o toque do homem. — , você...
— O que, ? — diz ele com a voz sensual, sussurrante e baixinha.
— Ah, ...
não consegue concluir seu pensamento, pois agora tem sua mão por dentro da calcinha dela com os dedos introduzidos em sua intimidade, fazendo movimentos coordenados para o prazer dela. Virando o corpo mais lateralmente, ela põe sua perna direita sobre as pernas dele e começa a rebolar levemente. O braço livre de abraça o corpo de e aperta sua cintura com força, os movimentos são tão prazerosos para ele quanto são para ela. Num movimento brusco, sobe no corpo de e começa a rebolar mais intensamente, como se estivesse sendo penetrada pelo membro do namorado. A expressão de tesão estampada em seu rosto enquanto encara ele só demonstra o quanto ela está gostando e o quão rápido chegará ao seu ápice. E realmente não demora para que isso aconteça.
Cheia de tesão, agora é a vez de ela querer retribuir o prazer que ele lhe deu.

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No dia seguinte, e chegam cedo ao estúdio onde hoje serão gravadas mais algumas músicas para o novo CD.
O dia é longo, já são 4:14PM e faz uma breve pausa para ir ao banheiro lavar o rosto, está muito quente em Tóquio e, mesmo acostumada com o calor de Salvador, a moça sofre com a quentura que faz na capital japonesa. No caminho do banheiro, ela passa por duas mulheres do staff que claramente estão cochichando uma com a outra em japonês na intenção de que não entenda.
— ... tenho certeza que sim, ela está com ele por interesse — comenta uma delas sem imaginar que consegue entender perfeitamente. As aulas com têm tido frutos promissores.
— Oh, que horror! Pobre -san que está preso a ela — diz a outra, horrorizada.
Ao passarem por , elas param de falar e encaram a moça que procura não levantar o olhar para elas, mantendo-o para frente e erguido.
— Manipuladora!
Ambas dizem e sente seu sangue ferver de vontade de responder a elas, porém, sua única reação foi apertar o próprio pulso com muita força e correr para o banheiro. Já lá dentro, ela começa a chorar compulsivamente e continua apertando seu pulso com força. As unhas fincadas em sua pele estão lhe machucando, mas seu intensão é fazer com que a dor da ofensa passe. Tudo isso sem sucesso.
-chan? — A voz abafada de Ayumi vem de dentro de um dos boxes do banheiro. tenta se controlar.
— Ayumi? — Indaga ela de volta, enxugando as lágrimas. Ayumi sai do box de onde está e vê a amiga chorando, tentando esconder as mãos.
— O que houve, ? — Questiona ela preocupada e se aproxima da amiga.
— Nada...
, eu sei que aconteceu algo! Foi alguém do staff de novo, não foi? — Insiste Ayumi.
— Não foi nada demais... Eu já... já vou ficar bem — responde , rendendo-se enquanto segura firme seu pulso, escondendo a vermelhidão que certamente está no local.
! Você precisa contar para...
— Ayumi, não conta pros rapazes, por favor — pede .
, eles precisam saber. O precisa saber — enfatiza Ayumi que já sabia dos boatos e coisas mesquinhas que dizem sobre .
— Não conta pra ele sobre isso...
— Ele ficará sabendo de alguma forma, .
— Basta você não contar, por favor, Ayumi!
— Eu não vou contar. Está bem, não vou contar — diz Ayumi, tranquilizando .
Prometendo não contar nada a ninguém sobre o ocorrido ali, Ayumi acompanha de volta ao estúdio. Os rapazes estão finalizando mais uma gravação e volta a tomar posse de sua câmera para registrar mais alguns momentos desse processo. As mulheres que acusaram a observam de longe, em um dos cantos da sala de controle de som, onde ela está agora tirando fotos de que está dentro da sala de gravação cantando. tenta ignorar os olhares acusatórios sobre ela e se concentra nas fotos que tira de .
Ao fim da gravação, exausto, o homem deixa a sala, dando lugar a Keigo que vai gravar a sua parte na música, e vai para onde está, sentando-se ao lado dela no sofá.
— Oi, amor — diz com um sorriso fofo no rosto.
— Oi, meu bem — responde também sorrindo.
— Posso ver? — Ele se refere às fotos que a telinha da câmera exibe.
— Claro.
estica o braço, mostrando a câmera para ele, mas acaba revelando seu pulso que agora está levemente roxo.
— Amor, o que houve com seu pulso? — Questiona segurando o pulso dela com cuidado.
— É... eu acabei machucando — ela diz sem muita certeza enquanto tenta pensar em uma desculpa melhor para dar a ele.
— Como? — É difícil mentir para quando ele olha para com seu olhar preocupado, os olhos brilhantes a encarando.
— No banheiro... — responde baixinho.
-chan! Conta para ele! — diz Ayumi, de repente, se intrometendo na conversa.
— Ayumi! — diz em desespero.
— Contar o que, ? — Indaga , preocupado.
— Ela fez isso porque estava nervosa com algumas acusações idiotas que fizeram a ela, — revela Ayumi.
— Ahhh, Ayumi!!! — Brada , nervosa.
— Não me olhe assim, , ele merece saber — defende-se a moça.
— Amor, que acusações são essas? — Questiona com confusão.
... deixa isso para lá.
— Eu quero saber... por acaso, são boatos de que você me usa, que na verdade não me ama?
arregala os olhos, surpresa.
— Você sabe disso? — Indaga ela, assustada.
— Eu te disse que ele possivelmente sabia, — diz Ayumi.
— Soube de alguns boatos, mas eu não acredito em nenhum deles — afirma . — Amor, por que não me contou?
— Sei me defender sozinha, — diz ela com a voz embargada.
... quem foi?
, por favor...
— Quem foi? — Insiste ele, nervoso.
Sem esperar pela resposta da namorada, levanta-se do sofá e começa a falar alto para que todos ouçam.
— Atenção aqui, por favor! — grita ele, chamando a atenção de todos que o encaram — Eu soube que há alguns boatos a respeito da , nossa fotógrafa e minha namorada. Boatos mesquinhos e infundados que foram inventados por pessoas que claramente não têm o que fazer. Soube também que alguém a intimidou hoje mais cedo — as mulheres que fizeram isso se encolheram em seus corpos com medo de serem descobertas por . — Fizeram isso para se sentirem superiores a ela? Pois saibam que não são! Agir dessa forma só lhes fazem pessoas sem coração, sem alma, podres por dentro e totalmente mesquinhas! — Brada ele, muito irritado.
... — sussurra , tentando controlar seu choro.
a puxa pelo outro pulso, fazendo com que ela se levante, e a conduz até a saída do estúdio sem dizer mais nada. Ela acaba deixando a câmera no sofá, mas Ayumi guarda para que não perca nada. Ao chegarem ao estacionamento, eles entram no carro de e ele dá a partida a caminho do hospital para que cuidem do hematoma que está no pulso de . Após receitarem uma pomada para a pequena ferida que se abriu e gelo para diminuir o roxo em sua pele, e voltam para casa, para o apartamento dele.
Já no apartamento de , ela vai direto para o quarto e se joga na cama dele com o rosto enfiado no travesseiro, cheia de vergonha. No fundo, ela sabe que não deve sentir vergonha por ter sido atacada, sabe que não fez nada errado, sabe também que seus sentimentos por são os mais verdadeiros possíveis, ela o ama de verdade e ele também sabe disso. De qualquer forma, não consegue não se sentir mal com toda a situação e chora baixinho ainda com o rosto no travesseiro.
para na porta e observa a namorada deitada na cama, encolhida e chorando. Sente-se impotente por não poder fazer essa dor passar, ele nunca quis que ela passasse por isso, ele mal imaginava que isso poderia ocorrer com ela. A última coisa que ele quis é vê-la chorando dessa forma, ainda mais por causa de pessoas que não sabem o que dizem, pessoas preconceituosas e idiotas, na visão dele.
Ele se aproxima da cama e deixa seu chapéu e óculos em cima da escrivaninha, deitando-se na cama e abraçando pelas costas, eles dão as mãos. deposita um beijo no pescoço dela.
— Por que não me contou? — sussurra após um tempo calado.
— Achei que conseguiria contornar a situação — responde Li baixinho.
— Por favor, não passe por isso sozinha — ele diz com um nó na garganta.
— Eu sei me defender, .
— Eu sei disso, mas eu quero te ajudar. Não posso ver você sofrendo esse tipo de agressão e não fazer nada, — diz ele e vira-se para encarar o namorado. acaricia o rosto dela. — Eu te amo, meu amor — ele diz em japonês e sorri.
Eu te amo, — responde ela de volta e encosta a testa no peito dele.
— Eu gosto do jeito de como você agita o meu coração e também de como o acalma — sorri de leve e ela não consegue se conter, voltando a chorar.
envolve em seu abraço, acolhendo a moça com todo carinho que sente por ela; transmitindo seu amor, ele tenta amenizar a dor que ela sente pelo preconceito que sofreu. Situações como essas já foram vividas por de maneira diferente, no caso, ele sofreu de xenofobia que é um tipo de preconceito tão infundado quanto o racismo. Não foi fácil para ele, nunca é, mas ele tenta se apegar a coisas que o deixam bem, a coisas que o fazem prosseguir e combater tais ataques que possivelmente ele sofra. Ele tenta ser para , nesse momento, uma dessas coisas que ele mesmo se abriga quando precisa. E ele é. consegue sentir que o amor de a deixa mais forte, por mais que ela fosse suficientemente feliz sozinha, ao lado do homem ela descobriu um novo significado de amor; uma nova forma de união de corpos e almas iguais; sim, iguais em sua essência.
e são incrivelmente idênticos quando se trata em demonstrar sentimentos. Mesmo com as adversidades da vida, seguem juntos guiados pela melodia que o sentimento que têm um pelo outro produz. A música que só é tocada por eles, que só eles conseguem compreender. A melodia que os faz seguirem de pé, fortes e firmes para prosseguir com a vida maravilhosa que o destino reservou para ambos.
Juntos numa só melodia.
“O tom que você toca se junta com a minha voz.
Se isso se transformar em uma música,
poderemos atravessar o céu.
Ligados a este sentimento,
Vamos seguir em frente...”

Melody, FLOW


FIM



Nota da autora: MELODY é um projeto antigo, de janeiro de 2021, porém, desde fevereiro que ele está parado porque eu não conseguia um final para a história. Na verdade, eu só tinha a primeira parte dela idealizada e estou travada nela desde então. Mas, com uma bela ajuda do Kohshi, muso dessa história, eu consegui planejar e concluir a fic do jeito que imaginei.
Agradeço a ele por isso, obrigada Koh <3
Obrigada a todos que leram também e me contem o que acharam, respondo a todos <3
Beijinhos!
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MV: Night Parade
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Niji No Sora
Hikari
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New FBI

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