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Última atualização: 24/07/2021

Parte I

Eu não conseguia acreditar que ela havia me enganado. É claro que ela estava planejando algo pelas nossas costas e nos mandou para longe apenas para conseguir sair com os vampiros. Eu a conhecia bem demais, sabia que algo estava errado e deixei isso passar. Quando voltamos para a casa, sem sucesso algum, não estava mais lá. Me senti o cara mais idiota do mundo, burro demais para o meu próprio bem. Jamais deveria tê-la deixado sozinha, como pude confiar que ela não faria nada? não era de ficar parada, esperando as coisas acontecerem. Ela dizia que a luta era dela, e deixou bem claro que queria matá-lo com as próprias mãos.

— Como eu pude ser tão idiota? — gritei, assustando quem estava em volta.

Meu corpo todo tremia de raiva e minha respiração estava longe de se regular. Todos ficaram igualmente surpresos e irritados quando chegamos à casa de Sam e não encontramos o carro de Alice estacionado e ela, e Edward não estavam ali. Carlisle e Emmett tentaram falar com eles, mas não tiveram sucesso. Foi aí que Emmett recebeu um telefonema dizendo que Bella não estava em casa e Carlisle finalmente conseguiu falar com Alice, e sua feição assustada nos deixou aflitos.

— Eu sei onde estão — ele falou simplesmente e, sem perder tempo, corremos para a van de Emily, nos esforçando para aguentar o cheiro de Tate e agora o dos vampiros.

Durante todo o caminho, eu não conseguia me acalmar. Parecia que meu corpo todo sabia que algo estava muito errado com e queria reagir à isso de alguma forma. Sam parecia sentir exatamente a mesma coisa e eu insistia para que ele fosse mais rápido, mas aquela lata velha não colaborava.
Então, depois de longos trinta minutos, finalmente chegamos onde o Dr. Cullen nos disse ser o esconderijo de Tate e Victoria. De longe se viam as chamas enormes engolindo uma construção velha de madeira e, desesperado, senti meu coração se apertar. Todos estavam no jardim da frente: Bella, Esme, Alice, Jasper e Emily. Foi quando eu a vi, se desvencilhando dos braços de Emi, que eu soube que algo realmente estava errado. Ela se virou e, junto de Alice, caminhou apressada até o Volvo rídiculo de Edward. Antes que Sam pudesse parar totalmente a van, eu abri a porta e saltei do veículo, correndo em sua direção. me viu e a dor em seus olhos me destruiu por dentro. Porém, ela não parou. Sam e os outros se juntaram aos que estavam no jardim, mas eu continuei correndo até ela.

! —eu berrei quando a vi entrar no carro. Bati no vidro, mas ela não abaixou aquela merda blindada. — , que merda está fazendo?

Percebi que ela chorava, mas continuou me ignorando enquanto Edward dava a partida e disparava com o carro pela estrada. Continuei gritando seu nome enquanto corria atrás deles, mas era inútil. Cai de joelhos no asfalto duro, ofegante e desesperado enquanto observava o carro veloz virar um ponto preto minúsculo. Eu não conseguia entender que merda estava acontecendo, por que eles foram embora sem dizer nada? Eles iam voltar? Eles tinham que voltar. Ela tinha que voltar.

— Jake… — ouvi Jared chamar, se aproximando. Eu não conseguia desviar os olhos do ponto onde o carro sumiu. — Jake, ela não vai voltar.
— É claro que vai! — exclamei com raiva, ainda sem desviar os olhos.
— Jasper disse que Alice, Bella e Edward vão voltar, mas não. Vamos, eu já te explico tudo, mas vamos até os outros.

Eu não queria me mexer, só queria ficar ali esperando por eles. Mas Jared me levantou à força e me puxou na direção contrária. Me desvencilhei dos braços dele com raiva e caminhei de volta para a casa em chamas por conta própria. Todos se preparavam para ir embora quando chegamos, e eu não poderia estar mais perdido. Emily se separou de Sam assim que me viu e veio mancando em minha direção.

— Ah, Jake, querido! — Ela me abraçou forte, soluçando com desespero.
— Por que ela foi embora? Para onde estão levando a ? — eu a questionei com raiva na voz.

Soltei Emily com o máximo de delicadeza que a minha raiva permitiu e avancei para os vampiros, sendo contido por Sam, Embry e Jared antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Quil e Seth foram para perto de Emily e Paul parecia querer avançar neles tanto quanto eu, mas claramente tinha mais controle. Eu rosnava para o grupo de vampiros que sobrara, mas eles apenas permaneceram imóveis, como se esperassem que eu me acalmasse ou os atacasse; ambos não aconteceriam tão cedo.
Quem falou primeiro foi Carlisle, sua voz grave e irritante estava carregada de compreensão e culpa, como se estivesse se responsabilizando pelo que os filhos estavam fazendo.

— Era tudo um plano, Jacob. pediu para que Edward e Alice a trouxessem aqui para pegar Tate, ela ia se entregar e matar ele, mas…
— Ele fugiu — completou Jasper, olhando para a casa ainda em chamas. — Conseguimos matar Victoria, mas ele conseguiu escapar.
— O que isso tem a ver com eles irem embora? — exclamei, sem entender nada. — Para onde eles foram?
— Não sabemos para onde foram — continuou Carlisle, cruzando os braços. — Mas foi ela quem pediu para ir embora, Jacob. Ela não quer colocar vocês em perigo.

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ouvimos o som das sirenes dos bombeiros ao longe, o que indicava que era hora de irmos embora. Os vampiros se enfiaram todos no carro de Rosalie e os lobos, na van de Emily.
Me obriguei a me acalmar enquanto voltávamos para a casa de Sam, mas não contive as lágrimas que caiam sem controle pelo rosto. Todos pareciam estar com a mesma tristeza e mesma raiva que eu sentia, mas é claro que parecia mil vezes mais forte para mim, cada milímetro do meu corpo doía como se queimasse em brasa acesa. Eu não queria acreditar que não ia voltar, ela precisava voltar! Ela é meu maldito imprinting, é contra a natureza que fiquemos separados.
Ninguém queria falar nada, e eu percebi que nem ao menos perguntei como Emily estava, então quebrei o silêncio. Limpei a garganta, mas ainda sentia fraqueza na hora de falar.

— Como você está, Emily?

Ela pareceu surpresa ao me ver falando, parecia igualmente arrasada enquanto segurava firme o braço de Sam que mantinha os olhos fixos na estrada, a mandíbula travada e tensa normalmente me dava calafrios, mas hoje era totalmente compreensivo que ele estivesse assim.

— Estou bem, Jake. Minha perna já não dói tanto.
— Deixarei eles em casa e vamos correr para o hospital — falou Sam com a voz dura.
— Sam, os meninos precisam da gente…
— Sem discussão. — A firmeza com que ele falou isso deixou claro que o assunto estava encerrado.

Sam ia deixar cada um em sua respectiva casa, mas os meninos insistiram para que fossem todos para o mesmo lugar. Então ele nos deixou na minha casa e correu para o hospital. Entrei com passos vacilantes, olhando em volta como se eu fosse um estranho tentando reconhecer o lugar em que nasci e cresci. Mas assim que Paul fechou a porta, eu surtei.
Comecei a gritar com toda a força que ainda restava em mim e a quebrar tudo. Rasguei as almofadas, derrubei vasos, quebrei cadeiras e quase destruí a televisão se não fosse por Embry que me segurou e me empurrou para longe.

— Já chega, Jacob! — ele exclamou, mas eu o ignorei e parti para o meu quarto.

Arranquei e rasguei os posters colados na parede, arremessei a televisão para longe, destruí o armário, continuei berrando até minha voz sumir. Nada disso era suficiente para me manter calmo, eu sentia que estava prestes a explodir. Então eu saí do quarto e parti para fora, rasgando minha camiseta enquanto a chuva começava a cair forte do céu.

— Jacob, se acalme! — Jared gritou por cima do som alto da chuva. — Estamos todos putos da vida, mas temos que ficar juntos! Destruir tudo não vai trazer a de volta!
— Vocês estão putos!? — eu exclamei ofegante, voltando alguns passos e encarando Jared. Todos os meninos estavam atrás, observando a cena debaixo da proteção da varanda. — A é meu imprinting e ela simplesmente foi embora! Sem explicação nenhuma! Vocês acham que vocês estão putos? Imagina como eu estou me sentindo, caralho! Estou destruído, Jared, destruído!

Todos ficaram em silêncio, e eu apenas dei meia volta e corri para a floresta, dando um salto alto e sentindo meu corpo inteiro se transformar. Pensei que essa sensação me traria um alívio, mas ele não veio. Corri o mais rápido que podia, a terra molhada me fazia escorregar e por várias vezes eu caía e saía rolando, mas me levantava em seguida e continuava correndo sem rumo algum. Corri o que pareceram horas e parei apenas quando a exaustão começava a dar sinais. Comecei a uivar alto, como se a chamasse em desespero, torcendo para que ela me ouvisse. É claro que não deu certo. Então me transformei de novo em humano e me sentei no chão, encostando em uma árvore alta, cansado demais para fazer qualquer outra coisa.
Jared estava certo, isso tudo não adiantava nada e não iria trazer de volta. Esse pensamento fez meu coração doer tanto que chorar não parecia mais ser o suficiente. Eu a tive por tão pouco tempo, ela tinha acabado de ter o imprinting e suas memórias de volta. parecia tão assustada ao lembrar de Tate, por que raios ela foi se entregar para ele?
Eu perdi a noção de quanto tempo eu estava ali; mas percebi que não estava mais sozinho. Cinco garotos de bermuda jeans se aproximaram de mim, um deles com uma troca de roupas em mãos.

— Acabou, Jake? — a voz de Quil ressoou acima de mim. Levantei os olhos e peguei as roupas e a toalha que ele estendia na minha direção. — Vamos pra casa.

A caminhada de volta foi em silêncio absoluto e assim que chegamos, a van de Emily já estava ali, nos esperando. Imaginei que Sam e Billy surtariam comigo e falariam um monte quando encontrassem a casa naquele estado, mas os dois não falaram nada quando entrei. Emily também estava lá, com a coxa enfaixada e a perna levantada no sofá. A sala estava levemente mais arrumada, mas a espuma das almofadas ainda estavam um pouco espalhadas pelo chão e ainda dava para ver alguns pedaços de madeira na cozinha. Eu me sentei no chão ao lado de Emily que logo começou a fazer carinho em meus cabelos molhados, suas mãos fazendo a mágica de sempre e me acalmando um pouco.

— Você deveria estar em casa, Em — Seth murmurou, levantando a perna dela com cuidado e se sentando, voltando a apoiá-la agora em suas pernas.
— E deixar o Jake sozinho? Nem pensar.

Tentei dar um sorriso triste para ela, mas isso só fez com que as lágrimas voltassem a cair. Meu pai e Sam, que estava na cozinha, se aproximaram da gente e eu imediatamente pedi desculpas pelo que fiz.

— Prometo que vou juntar um dinheiro e comprar tudo novo, pai — murmurei, sentindo Emily apertar meu ombro em apoio.
— Não se preocupe com isso agora, filho — ele respondeu, sorrindo com compreensão. — Acho que teria feito o mesmo em seu lugar.
— Mas sair correndo pela floresta enquanto um lobo psicopata está à solta não foi a melhor ideia, Jacob — começou Sam, mas não tão duro quanto pensei que fosse ser. — Temos que redobrar os cuidados. Victoria se foi, mas Tate…
— Não fale o nome desse cara, Sam — falei com rispidez, sentindo ânsia em ouvir aquele nome.
— Não podemos fingir que ele não existe, Jacob. Ele ainda está por perto e vai querer se vingar! — ele exclamou, quase impaciente.

Eu me levantei, me aproximando dele.

— Mas quer fingir que não foi embora? Vai fingir que ela nunca existiu?
— Eu não disse isso, Black — Sam respirou fundo, parecendo impaciente.
— Então por que não estamos indo atrás dela, hein!? — Eu já estava gritando de novo, sentindo a raiva voltar com força. — O quê estamos fazendo aqui?
— Ela quis ir, Jake! — Paul exclamou, se aproximando. — Ela nunca foi nossa e você sabia disso!
— Do quê está falando!? Ela é minha! Que merda é essa de imprinting que não a fez ficar?
— Será que ela realmente estava dizendo a verdade? Ela pode ter mentido sobre tudo e não sentiu porra nenhuma por você! — ele questionou, e eu teria voado em seu pescoço se Sam e Quil não tivessem me segurado.
— Acho que não adianta nada tentarmos conversar agora! — exclamou Billy, fazendo todos ficarem quietos. — Sam, leve os meninos e Jacob, vá para o seu quarto.
— Ficarei com ele se me permitirem, Billy e Sam — Embry falou e ambos assentiram.

Me soltei de Sam e marchei até meu quarto, batendo a porta com força. Fui direto tomar um banho que falhou na tarefa de me acalmar e tive que arrumar algumas coisas antes de me jogar na cama, tentando controlar meu choro e minha respiração. O cheiro de estava por toda parte, mas eu não tinha forças nem vontade de trocar a roupa de cama. Dobrada de forma impecável em cima da cômoda, a camiseta que ela usou naquela noite estava ali, puxando um turbilhão de memórias que faziam meu corpo doer tanto que, em um impulso, me levantei e peguei a maldita camisa, deitando com ela em meus braços.
Embry deu três batidas na porta antes de entrar receoso. Já anoitecia e o quarto era um breu, mas a luz da lua entrava pela janela e iluminava levemente algumas partes, como o seu rosto preocupado. Em silêncio, Embry ajeitou o colchão ao lado da minha cama e se deitou no mesmo, encarando o teto.

— Amanhã bem cedo iremos até a casa dos Cullen, beleza? — ele falou.
— Não precisa ir comigo — retruquei, me virando para a parede e lhe dando as costas, apertando mais a camiseta contra meu peito.
— Somos uma alcateia, Jake. Não vamos deixar ninguém para trás; nem você, nem a .

No dia seguinte, eu e Embry saímos o mais cedo possível, antes mesmo de meu pai acordar. Eu sabia bem que Billy não nos deixaria ir, então se ele não soubesse, não nos impediria. Quando saímos no quintal, todos os meninos nos esperavam ao lado da caminhonete do meu pai, menos Sam. Sabíamos que ele também não concordaria em irmos para a casa dos vampiros sem conversar sobre isso antes, e também sabíamos que provavelmente ele tinha razão, porque estávamos putos demais para confiar que não faríamos nenhuma merda. Entretanto, ninguém levava embora um de nós sem ao menos explicar o por quê ou dizer para onde.
Ao chegar na casa dos Cullen, os tremores em meu corpo pioraram. Já era difícil demais ficar ao lado deles sem poder matá-los por causa do maldito pacto. Além disso, e Bella eram o elo que nos mantinha em paz, pois se não fosse pelas duas, com certeza já teríamos feito alguma besteira com eles ou eles com a gente. Mas agora eles fizeram, levaram embora parte deste elo, talvez a parte mais importante. nos mudou desde o seu primeiro dia em La Push, ela nos mantinha centrados e calmos, talvez mais descontraídos. Ela mantinha nossos pés no chão, algo que Sam tentava há anos e não tinha muito sucesso, nem com ele mesmo. Lembrar que ela não estava mais ali com a gente me deixou com mais raiva ainda.
Edward e Carlisle já nos esperavam na porta quando saímos do carro. Saltei do veículo e parti na direção deles, que nos receberam com a feição calma, como se já soubessem o que estava por vir. O soco que dei no rosto de Edward foi tão satisfatório que minha vontade era continuar socando aquele rosto até que ele deixasse de ser perfeito e irritantemente simétrico. Achei estranho ele me deixar socá-lo, ele poderia desviar facilmente, mas era como se ele quisesse que eu o socasse. Infelizmente não pude fazer mais nada pois os meninos me seguraram e os vampiros se posicionaram atrás de Edward, prontos para atacarem ao mínimo movimento que a gente fizesse.

— Jake, você pirou!? — quem exclamou isso foi Bella, que se posicionou em frente ao amado.
— Está tudo bem, ele precisava fazer isso — Edward falou, passando a mão onde eu havia dado o soco.
— É, eu pirei sim! — respondi furioso. — Para onde vocês levaram a ? Por que fizeram isso?
— Ela quem pediu, Jacob — Edward falou com calma, enfiando as mãos no bolso. — Esse era o "plano B" dela caso o "plano A" não funcionasse.
— Não tinha nem que ter o "plano A"! — Embry gritou, igualmente furioso. — Vocês não deveriam ter embarcado na ideia dela!
— Eu vi o que iria acontecer — Alice falou com sua voz dura. — As coisas não acabariam bem se não fizéssemos o que ela pediu. O plano era bom, só não contávamos que Tate conseguiria escapar.
— Então além de serem uns idiotas em seguir o tal plano, ainda deixaram o cara escapar!? — Paul exclamou, soltando uma risada irônica. — Muito conveniente, não é? Já que eliminaram Victoria, ele não é mais problema de vocês!
— Peço mais respeito ao falar, garotos — Carlisle se meteu entre os lobos e os vampiros, sua calma era irritante. — Estamos tentando ajudar vocês.
— Nos ajude dizendo onde ela está! — gritei, tentando regular a respiração.
— Ah, isso não vai rolar, cachorrinhos — Alice respondeu, nos fazendo rosnar em sua direção.
— Como assim "não vai rolar"? Só nos fale logo para podermos sair daqui! — Seth se meteu, claramente perdendo a paciência.
— Escute aqui, filhote — ela continuou, parecendo irritada. — Nós a levamos para um lugar onde já foi bem arriscado pois algumas pessoas de lá não gostam de chamar a atenção. Se dois vampiros e uma loba já chamaram atenção, imagine um bando de cães enfurecidos?
— E ela foi bem clara para não dizermos onde ela está — Bella continuou com um tom de voz mais tranquilo que o nosso. — Pode nos culpar o quanto quiser, Jake, mas isso tudo foi ideia da . Você a conhece bem demais para saber que se a gente não a levasse para um lugar seguro, ela daria um jeito de fugir e, provavelmente, estaria correndo perigo agora.
— O que garante que ela está bem? — Quil questionou, sua voz era dura, mas calma.
— Podemos te garantir que a deixamos em ótimas mãos — Alice respondeu. — Vocês podem não acreditar, mas é igualmente importante para nós. Não iremos largá-la em qualquer lugar.

Bufei com impaciência, falhando em tentar me acalmar.

— Eu vou descobrir para onde ela foi! — exclamei, apontando o dedo para eles. — Com ou sem a ajuda de vocês!
— Se você a ama, Jake, e eu sei que ama… Deixe-a em paz — Alice murmurou, parecendo cansada da discussão. — É isso o que ela quer.

Sai da casa sem esperar pelos meninos, me fechando dentro do carro e gritando o que ainda restava de forças e de voz dentro de mim. Estava ficando cada vez mais difícil controlar a transformação, mas depois de fazer estrago na minha casa, não seria muito legal destruir o carro de Billy. Com esse pensamento, comecei a controlar a respiração enquanto os meninos voltavam para o carro.

— Sinto muito, Jake — Jared foi o primeiro a se pronunciar. — Realmente pensei que eles falariam, mas a loirinha acabou de dizer que poderíamos matar eles e mesmo assim, não diriam nada.
— Não importa. De qualquer jeito eu vou descobrir onde ela está — respondi rangendo os dentes.
— Jacob, não seja idiota — Quil falou, se inclinando para frente e enfiando a cabeça entre meu banco e o banco onde Jared estava sentado. — Você ouviu eles! Ela não quer que a gente a encontre. Talvez seja melhor a gente…
— Nem termine essa frase, Quil. Se querem desistir, para mim tanto faz. Eu vou encontrá-la e ponto final.

Quil voltou para o seu lugar e ninguém falou mais nada. Depois de longos minutos em silêncio enquanto eu dirigia em alta velocidade em direção à minha casa, Seth quebrou o silêncio e perguntou:

— Jake,  qual foi a sensação de socar um vampiro?

Todos começaram a gargalhar, e até mesmo eu comecei a rir, porque a lembrança do soco e a sensação realmente foram ótimas e eles ficaram satisfeitos em saber disso. Olhei para eles pelo retrovisor, o clima levemente mais descontraído, e me perguntei o que eu faria sem esses caras? E o que eu vou fazer sem a ?


Parte II

A floresta nunca esteve tão fria e escura. Por algum motivo que eu não sabia dizer qual, eu não conseguia parar de adentrar cada vez mais nela. Não estava transformado em lobo, nem conseguia fazer tal coisa. Mas eu não sentia necessidade. Não havia mal algum naquela floresta, pelo contrário. Uma voz melodiosa me chamava baixo e, quanto mais eu entrava na floresta, mais alto ficava.

— Meu Jake — ela dizia. — Me encontre.

Parei de andar e olhei em volta, a voz parecia estar do meu lado. E eu sabia quem era, eu precisava ver seu rosto. Contudo, minha voz não saía quando eu chamava seu nome.

— Meu Jake — ela repetiu. — Eu preciso de você.

Eu continuei andando, começando a pensar que eu estava ficando louco, quando eu vi um vulto. Corri na direção em que a pessoa também correu, confiante de que finalmente iria vê-la. Quando a alcancei, outra pessoa se meteu na nossa frente. Um brilho forte que saía da pessoa embaçou a minha vista, mas eu sabia exatamente quem era. Edward Cullen sorriu e apareceu atrás dele com o mesmo sorriso afetado.

— Ela é minha agora.

Meu rosnado não o assustou, então corri em sua direção, pronto para atacá-lo e descumprir o maldito acordo que tínhamos entre os lobos e os vampiros.

Acordei assustado e ofegante, meu travesseiro e meu lençol estavam molhados como se uma chuva forte tivesse invadido meu quarto. Passei a mão no rosto com frustração; havia sido mais um pesadelo.
Já se passaram cinco meses desde que fugiu para sabe-se lá onde. Cinco malditos meses em que eu permaneci miserável com o único objetivo de encontrá-la, mas ela claramente não queria ser encontrada. Não adiantou de nada insistir com os Cullen — os poucos deles que sabiam onde ela estava permaneceram cúmplices e calados. Todo dia depois da aula eu pegava o carro e andava por todas as estradas que interligam Fork e La Push com outros condados e cidades; pesquisei casas abandonadas ou para alugar que fossem o mais isoladas possíveis; visitei cidades fantasmas que não apareciam nos mapas. Ela não estava em lugar algum.
Era insuportável, mais que isso, era indescritível o sentimento que eu senti todos os dias nas últimas semanas. Eu não sentia mais fome (algo bizarro para um lobo); não sentia vontade de sair do quarto, nem mesmo para ver os meninos; e minha barba estava relativamente grande; eu não a deixei crescer por anos, mas nem isso fazia mais sentido. Era isso que eu pensava enquanto me olhava no espelho do banheiro, como se aquilo no reflexo fosse apenas o que um dia considerei ser meu corpo. As marcas roxas embaixo dos olhos denunciavam as noites sem dormir direito, acordando com o mesmo pesadelo de sempre: partindo e eu não conseguindo alcançá-la.
O que raios estava acontecendo comigo? Por que ninguém me contou que o imprinting também vinha com essa maldita dor insuportável e que não era simplesmente sermos felizes para sempre? É estranho pensar que as coisas eram fáceis quando ainda não tinha sua memória e não havia sentido o imprinting. Uma noite. Tudo durou só uma noite.
Eu começava a pensar que talvez ela não estivesse no país, então meu plano teria que ser a longo prazo. Para viajar eu precisaria de dinheiro (além dos itens que faltavam consertar em minha casa), então eu precisava arranjar um emprego e começaria a procura hoje. Isso seria ótimo, pois poderia me distrair, manter minha mente longe dela, manter a dor um pouco adormecida. Respirei fundo. Quem eu queria enganar? Esse cara barbudo e muito mais magro no espelho não conseguia passar um segundo sem pensar nela. Esfreguei o peito, tentando inutilmente aliviar a pontada que sentia constantemente. Depois peguei a espuma de barbear e a lâmina; eu precisava me livrar daquele cara.

— Bom dia, filho. — Meu pai tentou não parecer surpreso ao me ver acordar tão cedo e ir até a cozinha para comer algo. Mas seus olhos se arregalaram ao me ver sem barba.
— Bom dia — murmurei de volta enquanto pegava uma caixa de cereal e uma tigela para em seguida acrescentar o leite.

Sentei na mesa e encarei a tigela. Eu não sentia vontade alguma de comer, minha verdadeira vontade era tacar aquilo longe. Não o fiz, é claro, precisava de forças para andar e queria tirar um pouco da preocupação no rosto do meu velho.

— É bom ver seu rosto de novo — ele falou, comendo suas torradas. Dei de ombros, mexendo no cereal. — Vai fazer o que hoje?
— Pensei em ir procurar emprego — falei, olhando seu rosto à procura de algum sinal de reprovação.
— Acho ótimo, meu filho — ele respondeu com calma, tomando um gole de seu café. — Só não deixe isso atrapalhar os estudos, está bem?
— Vou procurar algo que seja meio turno — resmunguei, ainda enrolando para comer. — Talvez em Forks.
— Ótimo — ele falou com um sorriso sincero no rosto. — Vai te fazer bem, sabe? Ocupar a mente, não vai ficar pensando na…
— É, vai ser bom — o interrompi, levando a tigela intocável para a pia. — Estou indo, você vai ficar bem?
— Não se preocupe comigo, filho. Se cuide e mande notícias! — ele exclamou quando cheguei perto da porta. — Vai no Sam hoje?
— Talvez — respondi, pensando no fato de que faziam alguns dias que não o via e algumas semanas que não via os meninos. — Eu te aviso.

Eu realmente saí para procurar emprego, andei pelo pequeno centro da reserva de La Push, depois andei por Forks e fui parar em Port Angeles, deixando meu fraco e ridículo currículo em todas as lojas que encontrei pelo caminho, em algumas oficinas mecânicas também, até no único cinema da cidade. Não havia um comércio que não tivesse visto meu rosto até o final do dia.
Me sentei exausto no banco do carro, esperando um tempo para recuperar as forças. Eu sabia que ficar sem comer direito e se exercitar há semanas não me faria bem, não tinha força de lobo que aguentasse esse maltrato ao corpo. Mas eu não podia ir para casa agora, eu não conseguiria dormir sem ao menos tentar encontrá-la novamente. A verdade é que mesmo tentando, eu não conseguia dormir, de qualquer jeito. Era visível a preocupação no rosto de todos os donos ou gerentes a quem entreguei os currículos hoje, eu deveria estar péssimo.
Peguei o velho mapa no porta-luvas e a caneta, abrindo-o em cima do volante. Suspirei frustrado. Não tinha mais onde procurar perto, a não ser que eu começasse todo o caminho de novo. O mapa estava todo rabiscado, quase não era possível ler os nomes dos condados e cidades por onde passei. Porém, um nome no canto me chamou a atenção, um nome que eu estava ignorando há algum tempo, pois não achava possível ela ter voltado para o lugar de onde fugiu. Mas também seria genial, pois ninguém pensaria em procurá-la ali.
Com esse pensamento, liguei o carro e o arranquei apressado, pegando a estrada que meses atrás havíamos feito com a kombi de Emily. Era uma ideia idiota, ainda mais já tendo escurecido e o cansaço estar tomando meu corpo, mas eu estava um tanto desesperado. Algo dentro de mim me impedia de parar, eu sentia que, se parasse de procurá-la, eu poderia morrer. Isso já havia passado pela minha cabeça, apenas acabar de vez com a minha dor. Mas eu não podia deixá-la e, principalmente, deixar o meu pai e os meninos. Então o jeito era encontrá-la, nem que eu levasse toda a minha vida.
Clallam County era tão pequena quanto Forks, mas muito mais moderna e clara. Havia um pequeno centro comercial com alguns prédios, mas as casas em geral ficavam afastadas do centro, como a casa onde Tate a mantinha presa. Não tive coragem de chegar tão longe, então dei a volta antes de chegar àquela rua. Não fazia muito sentido procurá-la em Clallam, pois como eu faria isso? Bateria de porta em porta? Perguntaria sobre ela no comércio? Aquilo era ridículo e eu me senti um idiota, o que vinha sendo bem comum.
Estacionei meu carro no centro e parei para pensar no que fazer, uma ansiedade crescia dentro de mim ao não saber o que fazer. Comecei a bater com as mãos no volante, cada vez mais forte, para assim, talvez, a dor física substituir a que eu estava sentindo, mas não adiantou. O carro estava ficando pequeno demais, abafado demais, e o meu cérebro não parava um segundo, atormentando-me de tal forma que era insuportável.
Abri a porta do carro e me joguei para fora, tentando recuperar o ar que, até então, não percebi que estava faltando. O que foi isso? Nunca havia me sentindo tão mal assim antes. Coloquei a mão no peito apenas para sentir meu coração acelerado como nunca antes. O que estava acontecendo comigo? Respirando fundo algumas vezes, decidi ir até o bar que parecia ser um dos poucos comércios abertos àquela hora. O lugar não estava nada lotado, apenas com alguns poucos homens que tentavam fugir de suas realidades com uma alta dose de álcool no sangue. Que sorte a deles. Meu maldito metabolismo mais acelerado que o normal não me permitia tal coisa. Álcool não tinha efeito nenhum em mim, não importava o quanto eu consumisse.
Contudo, quando me aproximei do bar, um cheiro forte e agridoce invadiu minhas narinas. Olhei em volta, analisando cada pessoa no local. Nenhum deles parecia realmente ser um vampiro, até porque eles também não conseguiriam ficar bêbados.

— Como posso te ajudar? — Uma atendente se aproximou no mesmo instante em que me sentei no balcão.

O cheiro vinha dela, sem dúvidas. Analisei sua expressão e seus olhos, uma raiva que eu não tinha muito controle crescia dentro de mim. Mas se eu não podia caçar vampiros no meu próprio condado, com certeza não seria bom fazer no condado alheio. Me remexi desconfortável no banco, tentando não deixar na cara como o cheiro dela me incomodava. Se ela fosse mesmo uma vampira, bom, ela já deve ter percebido o que eu era.

— Ei, garoto! — Ela estalou os dedos na frente do meu rosto, me despertando dos meus pensamentos. — Vai pedir alguma coisa?

Pisquei algumas vezes, atônito. Seu rosto me remetia a alguém que fazia meu coração apertar em agonia. Seus olhos grandes, sua boca um tanto carnuda com o arco do cupido desenhado com delicadeza e perfeição. Eu conhecia aqueles traços, eram dela. Mas eu só podia estar louco. Era isso, eu estava completamente louco de tanta saudade.

— Você… — eu comecei a falar, ainda observando-a com atenção. — Você é…
— Sim e eu sei o que você é, mas aqui — ela apontou em volta. —, você é um cliente e eu sou a atendente, apenas. Então peça logo o que quer.
— Água — falei, um tanto acanhado.
— Água!? — A mulher, que parecia estar na casa dos 30 anos, me questionou. — Vem a um bar para pedir água, tinha que ser um lobo mesmo, sempre certinhos.
— Shh! — Eu olhei apavorado para os lados, mas ninguém parecia prestar atenção na gente.
— Ah, relaxa — ela riu, abrindo uma garrafa de água e derramando seu conteúdo em um copo. — Esses nojentos não estão ouvindo, eles já estão bebendo há horas!

Olhei novamente em volta, confirmando o que ela disse. Minhas mãos ainda estavam trêmulas quando segurei o copo e trouxe aos meus lábios, sentindo um certo alívio em beber uma simples água. A mulher não se afastou, também, não parecia ter muito o que fazer naquele lugar. Mas a curiosidade era evidente nela e em mim também. Como podia uma vampira trabalhar em um bar? E por que ela parecia tanto com ela?

— Você não é daqui, não é? — ela perguntou, passando um pano no balcão. Eu apenas neguei.
— Como sabe?
— Cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo. — Então ela começou a apontar para os homens caídos em suas mesas. — Aqueles ali são George e Carlos, naquela mesa ao fundo é o Senhor Marinho. Já esse aqui no balcão é o Stewart. Eles estão sempre aqui e se quiser que eu nomeie os familiares, também consigo. Além do mais — ela se inclinou para mais perto, sorrindo. — Não temos lobos aqui há um bom tempo.
— E você mora aqui há muito tempo?

A mulher sorriu, parecendo um tanto nostálgica.

— Toda a minha vida, podemos dizer assim — ela respondeu e, em seguida, esticou a mão. — Sou Miranda. Miranda Macawi. E você?
— Jacob Black — respondi, apertando sua mão gelada. Se meus ancestrais me vissem agora, fazendo amizade com mais um vampiro… — Sou de La Push.

Algo na minha resposta a fez endireitar a postura e me observar com mais atenção. Seus olhos percorreram todo o meu rosto como fiz com ela há pouco. Miranda se aproximou, me olhando como se não estivesse acreditando no que estava vendo.

— Você disse Black? — ela falou.
— Sim — respondi, finalizando minha água e mexendo em minha carteira. — Algum problema?
— Não — negou, ainda me observando. — Meu marido conhecia uma pessoa… Tinha esse sobrenome, mas duvido que… Seria muita coincidência se…

Ela não conseguiu terminar a frase e aquilo estava me deixando cada vez mais incomodado. Entreguei a ela o valor da água e me levantei, sentindo-me bem melhor do que quando entrei.

— Me desculpe por vir aqui, não sabia que moravam vampiros em Clallam County e minha alcateia respeita muito os territórios de vocês — falei com cordialidade.
— Sem problemas — respondeu, dando de ombros.

Eu estava pronto para me despedir e ir embora, mas uma coisa me ocorreu de repente, me fazendo voltar alguns passos.

— Por acaso você conhece os Cullen? — perguntei. Miranda inclinou a cabeça, pensativa, mas negou em resposta. — Eu imaginei.

Dessa vez eu realmente me despedi e saí do bar. Mas durante todo o percurso até a casa de Sam Uley, eu não pude deixar de pensar naquela mulher. Ela me intrigava, algo dentro de mim me dizia que Miranda não era uma completa estranha, mesmo que houvesse sido a primeira vez que a vi.
Parei em frente a casa de Sam, mas não tive coragem de sair do carro. Há algum tempo eu comecei a tomar certa distância dele e dos meninos. Minha energia não era das melhores e meu estresse era bastante insuportável. Eu não podia culpá-los por toda a merda que aconteceu, é claro, mas também não podia obrigá-los a conviverem comigo dessa forma. Contudo, eu sentia falta. Sentia saudades de cada um dos meninos, sentia falta de me transformar apenas para correr pela floresta. A saudade de não era a única que me causava dor.
Eles me esperavam do lado de fora, na mesa em que sempre fazíamos pic-nic e reuniões. Sempre sentávamos nos mesmos lugares, e passou a sentar ao meu lado todas as vezes, entre eu e Embry. Quando me sentei, senti o vazio me atingir como um vento congelante.

— Quem é vivo sempre aparece! — brincou Quill com a boca cheia de cachorro quente.
— Não enche, Quill, ou ele vai sumir de novo — bronqueou Paul, me olhando com receio. — Como você está, Jake?
— Bem, eu acho — falei, me servindo de um cachorro quente.
— Está muito magro, querido — Emily depositou um beijo em meus cabelos e apertou os meus ombros. Seu carinho materno era algo que fazia muita falta em meus dias. — Farei mais lanches, você vai precisar.
— Ei, também vou precisar! — Sam falou ao se aproximar da mesa, dando um beijo apaixonado em Emily como sempre fazia. Desviei os olhos, perdendo um pouco o apetite. — É bom te ver aqui, Jacob. O que tem feito?
— Nada demais — respondi antes de cumprimentar Jared e Seth que se juntaram a nós e já começavam a devorar a comida. — Fui procurar emprego hoje.
— Isso é ótimo! — Jared comemorou, sorridente. — Isso significa que você não vai mais procurar a…
— Claro que vou — retruquei com mau humor. Todo mundo me observou com atenção. — Hoje eu fui em Clallam County.
— Por quê? — Paul questionou.
— Ela não seria louca de voltar lá — disse Quill, deixando seu cachorro-quente de lado. — Seria?
— Ninguém iria imaginar que ela voltaria para lá, é um ótimo esconderijo, pois é óbvio demais — pontuou Jared, apontando para mim. — Jake, é claro, é o único que pensaria nisso.
— Foi por falta de opção — suspirei, tirando o mapa e o abrindo na mesa. — Já fui em todos os lugares próximos daqui.
— Talvez ela tenha saído do estado ou até do país… — disse Quill com tristeza na voz.
— É por isso que quero trabalhar — falei, fechando o mapa. — Preciso de dinheiro para procurá-la fora daqui.
— Jake, isso é loucura — disse Sam, balançando a cabeça.
— Não seria mais fácil esperá-la voltar? — Paul falou e todos assentiram em concordância.
— Ah, claro — resmunguei irritado. — Esperar aquele desgraçado, que pode tê-la encontrado a essa altura! E se ele… — retorci meu rosto, como se sentisse uma dor física e era o que parecia. — Se tiver…
— Ele não a matou — Sam falou com firmeza. — Acredite, você saberia.

Todos ficaram em silêncio enquanto eu tentava segurar as lágrimas. Era comum a gente tentar evitar esse assunto quando nos reuníamos, exatamente para não acontecer isso: esse sentimento de que eu estava louco e todos estavam contra mim. Mas essa noite era diferente, eu precisava falar daquilo. Não podia mais me esconder ou esconder o que se passava em minha cabeça.

— Você sabia que tem vampiros em Clallam? — perguntei à Sam, sem encará-lo.
— Não. — Ele deu de ombros, pegando um cachorro-quente que Emily trouxera. — Já é demais ter que lidar com os que temos aqui, eu não procuro outros. Mas por que está falando isso? Como descobriu?
— Conheci uma em um bar — falei distraído, observando a reação de Sam. Como esperado, ele não gostou.
— Não quero mais que volte lá, Jacob! — Ele bronqueou irritado. — Eu não me importo em você insistir em procurá-la, mas olha o risco que você correu!

Abaixei a cabeça. Eu não podia negar a nada que Sam Uley pedisse, então não insisti no assunto. Pensaria em uma forma de ir sem que ele soubesse, mas eu precisava saber mais sobre Miranda. Talvez eu pudesse levar ele ou um dos meninos comigo da próxima vez, talvez pudesse perguntar aos Cullen. Duvido muito que eles queiram me ajudar depois de tudo o que aconteceu, mas não custava tentar, afinal, eu ainda tinha a Bella ao meu lado.
Olhei para os meninos que continuavam devorando os lanches enquanto conversavam sobre outros assuntos. Só então percebi que faltava alguém.

— Cadê o Embry? — perguntei para Sam e Emily que trocaram um olhar antes de a mulher me responder.
— Ele foi fazer uma viagem com o pai, mas deve chegar a qualquer minuto.
— Viagem? Para onde? — questionei.

Contudo, antes que alguém pudesse responder, Embry Call apareceu sorridente de dentro da casa. Quando se aproximou, todos o saudaram animados, menos eu. Seu sorriso vacilou quando me viu e ele sabia exatamente o porquê de eu não estar tão animado quanto os outros. Seu cheiro estava diferente. Ele estava com o cheiro dela por todo o corpo e estava forte. Como aquilo era possível?
Me levantei com raiva e agarrei o moletom dele, quase levantando-o no ar. O pavor em seu rosto entregava a culpa e me fazia querer socá-lo mais ainda. Os meninos se juntaram em volta e Sam, é claro, veio intervir com toda a sua autoridade. O cheiro dela estava forte demais para ele negar.

— Que merda, Jake, me solta!
— Por que você está com o cheiro dela? — gritei, apertando mais a sua roupa. Ele nem tentava se soltar, apenas agarrou meus braços e me olhou apavorado.
— E-eu não sei! E-ela deve ter usado e-esse moletom!
— Mentira! — gritei novamente ao soltá-lo com raiva no chão. Antes que o mesmo pudesse se levantar, me joguei em cima dele e agarrei seu pescoço. — Onde ela está?
— Jacob, pare com isso! — Jared colocou a mão no meu ombro, mas o olhar que lhe lancei o fez recuar.
— Deixe-os, Jared — Sam falou, cruzando os braços. — Também estou sentindo, Embry, onde você estava?
— Viajando, eu já disse!

Não aguentei ao ouvir mais uma mentira. Desferi um soco em seu rosto e tentei respirar fundo para controlar minha raiva e não me transformar. Embry nem ao menos tentou revidar, era evidente a culpa em seus olhos.

— Jake, não exagera! — Pediu Seth com certo desespero.
— Ela está aqui!? — perguntei a Embry, ainda gritando. Levantei o punho mais uma vez, pronto para acertá-lo caso mentisse. — Me diz, ela está aqui?
— Não, ela não quis voltar! — ele finalmente confessou, seu rosto se retorceu esperando que o soco o acertasse, mas não o fiz.

O choque em saber que Embry realmente estava com ela me atingiu em cheio. Saí de cima dele, ofegante, e me joguei no chão ao seu lado. Me afastei o máximo possível para não fazer nenhuma besteira, pois eu estava com muita raiva, frustrado e confuso. Como que Embry a achou? Por que ele foi vê-la e não me disse nada? Por que ela não voltou?

— Explique-se, Embry — Sam falou, cruzando os braços depois de alguns segundos em que tentávamos recuperar o fôlego. Ninguém ousou se aproximar muito.
— Está bem — Embry respondeu, me olhando com medo. — Eu a encontrei.
— Como? — Paul perguntou, o único com coragem o suficiente para se aproximar. — E por que não disse nada?
— Porque vocês não gostavam de tocar no assunto e eu queria ter certeza que ela estava lá!
— Onde? — Sam perguntou.
— Não posso falar — Embry respondeu, voltando a me olhar com receio. Eu apenas bufei, me levantando. — Eu conheci um cara da prefeitura e ele conseguiu rastrear o carro do Edward! Eu fui até o destino…
— Que é…? — Seth questionou.
— Eu não. Posso. FALAR! — ele retrucou irritado. — me fez prometer…
— Eu estou há MESES procurando-a, Embry! — gritei irritado, me aproximando dele. O garoto deu alguns passos para trás, com as mãos levantadas. — Ela é MEU IMPRINTING! Você não tem o direito de esconder isso de mim!
— Eu prometi a ela, Jake! — ele gritou de volta. — Eu não posso dizer!
— Sam, faz alguma coisa! — gritei para meu alfa que, até então, apenas observava de longe. — Faça-o confessar!
— Jacob — Sam suspirou, apertando o osso de seu nariz. — Eu não posso intervir nas vontades da , você sabe…

Fechei minhas mãos em punhos apertados, irritado demais para retrucar de forma coerente. Então me voltei ao Embry, me aproximando dele.

— O que aconteceu lá? — perguntei, vendo-o levantar aflito. — Ela está bem?
— Ela está bem, não foi nada demais, só conversamos — ele falou com pressa, as palavras saindo atropeladas de sua boca.
— Não minta, Embry — Sam interviu. — No mínimo você precisa falar a verdade. O que realmente aconteceu? Por que ela não veio?

Embry Call apertou as mãos e encarou os pés, pensativo e envergonhado.

— Jake, por favor, me desculpe.
— Por quê? — perguntei, cruzando os braços. A feição em seu rosto entregou o porquê de ele parecer tão culpado, mas eu não queria acreditar. — Embry, o que você fez?
— Eu não… — Embry mordeu os lábios, se afastando alguns passos.
— Embry Call — Sam falou com mais firmeza, olhando fixamente para o mais novo. — Fale.
— Nós nos beijamos.

Eu acredito que os outros meninos tentaram sim me segurar, contudo, eu fiquei cego. Cego de ódio. Eu nem ao menos percebi que me transformei, apenas senti minha cabeça acertar Embry e jogá-lo para longe, destruindo a mesa onde antes estávamos sentados. Meu rosnado ecoava pela minha cabeça ao mesmo tempo que Sam também me pedia para parar, mas sua voz parecia tão distante que foi fácil ignorá-lo e ir para cima de Embry. Bati com minha pata em seu rosto apavorado, ouvindo-o urrar de dor. Meu rosto estava próximo do dele e minha vontade era arrancar sua cabeça com uma dentada só.

— Eu não vou me transformar, Jake! — Embry falou ofegante. — Pode me matar, eu mereço!

Rosnei alto, minha vontade era realmente essa. Mas eu não podia fazer isso com meu melhor amigo, por mais que ele realmente merecesse. Saí de cima dele, observando os garotos em volta, prontos para intervir se necessário. Minha cabeça estava girando, o cheiro dela ainda incomodava meu nariz, me lembrando porque eu o estava sentindo. Então olhei para Sam, meus olhos suplicavam por ajuda. Ele apenas assentiu, autorizando em silêncio que eu saísse dali antes que fizesse besteira. E assim fiz. Corri para a floresta e os deixei para trás cuidando de Embry.



Continua...



Nota da autora:Aí, essa doeu! Dor e sofrimento pro Jakezinho, né? O menino não tem paz! O que vocês fariam no lugar dele? Eu acho que surtaria e sairia correndo também, pro bem dos outros... Hahaha! Quero agradecer as Fanfiqueiras da Pati por nunca esquecerem dessa história e a Luísa Rosier por ter me ajudado na revisão desse capítulo! Vocês são tudo ♥️

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