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Última atualização: 27/02/2022

Capítulo 1

estava sentada à janela, o sol se pondo, enquanto adiava o máximo possível o inevitável: arrumar suas coisas. Os dias de verão estavam se aproximando do fim e, com eles, as férias também, o que significava que devia arrumar o seu malão o mais rápido possível para voltar à escola. Não é que não gostasse de lá, mas não podia negar o quão trabalhoso era fazer isso.
Além disso, naquele ano estava acontecendo, na Grã-Betanha, a Copa Mundial de Quadribol e todos os seus amigos bruxos estavam lá. Por ser nascida trouxa, seus pais não se importaram de a levar e não confiaram nos pais de seus amigos. Embora eles aceitassem a filha, não significava que eles eram muito favoráveis a essa história de magia. Ainda tinham a esperança de que ela se decidisse por uma carreira trouxa quando terminasse a escola, como uma engenharia da vida ou medicina. Mas eles não compreendiam que, para isso, ela teria que abdicar de uma parte de si. E, por isso, apesar de evitar discutir com eles, a perspectiva da vida que eles tinham para estava bem longe do que ela queria. A carta em cima da bancada era mais uma comprovação disso.

RESULTADOS NOS NÍVEIS ORDINÁRIOS DE MAGIA

Notas de aprovação:
Ótimo (O)
Excede Expectativas (E)
Aceitável (A)

Notas de reprovação:
Péssimo (P)
Deplorável (D)
Trasgo (T)

RESULTADOS OBTIDOS POR

Estudo dos Trouxas - O
Aritmancia - E
Astronomia - A
Defesa Contra as Artes das Trevas - O
Feitiços - O
Herbologia - E
História da Magia - A
Poções - O
Transfiguração - O
Trato das Criaturas Mágicas - E

A espera dos seus N.O.M.s tornara cada chegada de uma coruja uma tortura e, pior ainda, não poder demonstrar tanto interesse em frente a seus pais, já que aquilo era importante para seu futuro no mundo bruxo. Mas abrir aquela carta valera completamente a pena. Não esperava resultados impecáveis e, com isso, tinha um motivo para desistir de História da Magia e Astronomia, que sempre a deixavam entediada.
Respirou fundo, sabendo que não podia mais adiar. Faltava uma semana para as aulas e ela tinha que arrumar o malão para deixá-lo pronto para receber apenas os novos livros que compraria na próxima semana no Beco Diagonal. Ah, e seu traje a rigor que, estranhamente, estava na sua lista de materiais.
Naquele momento, sua coruja Estrela entrou, trazendo o Profeta Diário, o jornal dos bruxos, e mais algumas cartas.
— Estava com saudades já. Fez boa viagem? — falou, enquanto ela pousava ao seu lado, bicando carinhosamente o seu dedo enquanto lhe dava biscoitos.
Estava receosa de ler o jornal e ver várias notícias da Copa, então foi acender a luz para ler as cartas dos amigos:

, você não vai acreditar! Os lugares secretos que mamãe conseguiu eram ao lado do camarote!
Mas fique tranquila que nós ainda iremos juntas para uma Copa Mundial de Quadribol – nem que seja do outro lado do planeta!
Papai me deu um dinheiro para a viagem e pretendo comprar um presente para você.
Espero que os búlgaros ganhem com aquele lindo Vítor Krum! Quem diria que eu vou estar no mesmo ambiente que ele...
Mal posso esperar para te encontrar logo! Mas já te aviso: não passei mesmo no N.O.M.s de Transfiguração. Pelo menos eu vou largar Adivinhação e espero que você largue alguma coisa para termos um tempo livre juntas.
Até dia primeiro!


era a melhor amiga de desde o momento que elas foram colocadas na mesma casa e começaram a compartilhar o dormitório. Foi que, sem praticamente conhecer , a visitou na enfermaria depois de poucos dias de aula, quando ela desmaiara na aula de voo. Depois disso, viraram melhores amigas.
Mesmo falando da Copa, sempre conseguia animá-la. Então, assim, passou para a segunda carta:

Querida ,
Espero que suas férias de verão estejam sendo esplêndidas!
Hoje eu fui ao Beco Diagonal (eu sei que ainda falta uma semana...) e comprei tudo. Estou tão animada! Mesmo não tendo tirado um Ótimo no N.O.M. de Poções — e eu sei que o Snape não vai permitir que eu continue na turma... —, pelo menos passei em todos os outros, embora esteja pensando se vou continuar com Transfiguração. Falo isso sem preocupações para você porque tenho certeza de que foi ainda melhor que eu.
Esses dias, eu passei em uma loja trouxa e vi o que vocês chamam de “tevevisão” (escrevi certo?) e estava passando umas imagens engraçadas e coloridas. Os trouxas são tão interessantes! Vocês, por acaso, têm uma dessas em casa?
Estou ansiosa para te encontrar na estação. Falta tão pouco!
Beijos,
P.S.: Rob te mandou oi!

Apesar de sempre ter sido da Grifinória e elas dividirem o dormitório, as duas nunca se falaram muito até o ano anterior, quando se sentou com ela e em uma aula de feitiços. Diferente de , que era pura energia e espontaneidade, era um pouco mais tímida, formando quase dois opostos, mas elas se davam muito bem. Robert era o irmão de , um ano mais novo e que estava na Corvinal, e, de vez em quando, saía com elas por insistência da irmã.
tivera o tato de não comentar sobre a Copa Mundial, apesar de provavelmente estar igualmente animada com o evento. E assim, sem poder mais evitar, pegou o Profeta, derrubando-o instantaneamente.
Não era possível.
Muito diferente da capa com o resultado da partida final, como ela esperava, uma grande caveira com uma serpente projetada no céu estava nas manchetes. O título da reportagem não ajudava a acalmar: CENAS DE TERROR NA COPA MUNDIAL DE QUADRIBOL. Apesar de ser nascida trouxa, sabia muito bem o que aquilo significava. Arrepios subiram por seus braços.
Aquela era a marca de Você-Sabe-Quem. A Marca Negra.
E se seus amigos estivessem feridos? Ou... pior?
Ela leu rapidamente as páginas, até encontrar que não houveram mortos, apenas alguns trouxas assustados. Seu coração começou a voltar ao ritmo normal.
Os gritos de seus pais no andar de baixo a despertaram daquele horror.
— Hugo, você sabe que as aulas começam semana que vem! Não podemos mais evitar, temos que levá-la àquele lugar horrível! — Era a voz estridente da mãe, mais uma vez, brigando com o pai. Sabia que estavam discutindo sua ida ao Beco Diagonal.
Não ia deixar mais nenhuma coruja, carta, preguiça e, até mesmo, notícias chocantes, de impedi-la de arrumar suas coisas. Era melhor que seus pais não tivessem uma desculpa para mantê-la afastada de Hogwarts.

⭐⭐⭐

A caminho da estação King’s' Cross, encostara a cabeça na janela do carro enquanto refletia sobre a última semana.
Hugo, seu pai, estava a levando para a estação, de modo que Janice, sua mãe, a tinha levado ao Beco Diagonal. Seu lado mágico parecia ser um fardo tão grande, que eles precisavam dividir as obrigações.
Apesar de a sua visita ter sido apressada, como sempre, por sua mãe, ficou apreciando ao máximo que podia tudo ao redor. Aproveitou também para tentar sondar informações sobre as preocupações gerais, mas ouviu apenas comentários como:
— Esses repórteres estão ficando cada dia mais criativos!
— Foi uma pegadinha ridícula! Só para apavorar os torcedores.
— Não sei como o Ministério não capturou ninguém, será que tem dedo do ministro nisso?
Cada comentário era mais fantasioso que o outro, mas de uma coisa ela tinha certeza: ninguém estava levando isso a sério.
Embora estivesse muito preocupada com todos os seus amigos que estiveram na Copa, não pôde negar que tivera esperança de a Marca Negra abafar um pouco os gloriosos tempos de jogo. Talvez um pouco egoísta da sua parte, mas não podia negar a inveja de todos que tinham frequentado o evento, especialmente agora que sabia que o perigo não parecia ter sido real.
Comprando seu vestido para cumprir a categoria de vestes a rigor, só pôde ouvir pais e alunos comentando:
— Mas que grande jogada do Krum!
— Não acredito que a Bulgária perdeu por tão pouco!
— Perdi 10 galeões para aquele Bagman. Apostei que o jogo duraria uma semana! Ah, aquele apanhador Búlgaro não deixa para ninguém!
— Não tinha dúvidas que a Irlanda ganharia, foi pa! da goles e pum!, balaço para longe e ah! Era um golaço!
Alguns comentários a faziam rir e até era bom para ficar por dentro do assunto quando encontrasse seus amigos. Mas, ah, tudo parecia um enorme lembrete do evento que não pudera ir!
Seu pai puxou o freio de mão e Estrela começou a piar, de modo que acordou de seu devaneio. Ajeitaram suas coisas em um carrinho e foram em direção às plataformas 9 e 10. Ali, de vez em quando, sem nenhum trouxa passar, um bruxo atravessava para a plataforma 9 ¾, onde esperava o expresso para Hogwarts.
Quanto mais perto chegavam da barreira, mais nervoso seu pai ficava. sabia o quão nervoso ele ficava com magia e, por isso, viu o alívio palpável quando ela avistou .
!
!
As duas amigas foram se abraçar, quase derrubando os carrinhos e fazendo uma grande confusão. Antes mesmo que terminassem de se cumprimentar, Hugo falou:
— Bom dia, Sr. e Sra. . Olá, . Olha a hora. Melhor vocês irem andando e eu também. O trânsito vai ficar muito ruim. Você fica bem com eles, certo, filha?
O pai estava quase suplicando e nem deixou responder para sumir em um piscar de olhos.
— Oi, Sr. . Como vai, Sra. ? — cumprimentou . Ela adorava o pouco que conhecia dos pais de e sonhava que, ao se tornar maior de idade no mundo trouxa (um ano depois do mundo bruxo), ela ganhasse maior liberdade para visitar a amiga e seus pais.
— Olá, ! — disse a Sra. . — Vamos, apenas 15 minutos para o trem partir e temos muitos malões para deslocar.
Para não chamar atenção dos trouxas, e foram à frente e atravessaram a barreira. O casal apareceu logo depois. e foram achar uma cabine para colocar seus malões, achando uma mais para o início, mas também não tanto à frente.
— Ficar à frente é coisa de alucinado — sempre dizia.
Depois, elas voltaram para se despedir. Os pais de sempre trataram como outra filha, mesmo eles se encontrando poucas vezes. A melhor delas fora quando passou o Natal com eles no terceiro ano. Esse ano, ia passar o Natal em casa, como todos os outros, à exceção desse, foram.
Estavam já voltando para o trem, quando ouviram alguém chamar:
, , esperem!
Elas olharam para trás e lá estava , chegando toda elegante com sua coruja e seu malão. Ao seu lado, estava um garoto alto que demorou muito para perceber que era Robert. Puxa, como ele mudara!
Os quatro se cumprimentaram, todos vestidos de trouxas.
— Ei, adivinhem! — Rob comentou, animado. — Virei monitor!
— Papai e mamãe ficaram muito orgulhosos — falou, embora uma pontada de ressentimento passasse por seus olhos.
— Parabéns, Rob! Sabe, você daria uma excelente monitora também, tentou falar, delicadamente. Era difícil dizer isso quando ela mesma era monitora.
ficou constrangida ao perceber o quanto estava sendo transparente.
— Claro que não — ela rapidamente colocou. — Eu não teria coragem para brigar com os alunos.
— Quem olha para a carinha de anjo da também acha que não, mas pobres os alunos que respiram perto dela naqueles dias — provocou, fazendo a olhar furiosa.
Ajudaram a colocar suas coisas dentro da cabine, agora Estrela na companhia de Relâmpago, o gato agitado e cinzento de , e Manhoso, a coruja gentil e malhada de . Ouviram o apito do trem e se despediram de Robert, que ia receber as instruções de monitor, e , que tinha que instruir os monitores mais novos e depois patrulhar os corredores por um tempo.
, uma outra amiga das meninas, chegou e cumprimentou todos, perguntando se podia ficar naquele compartimento. Apesar de não serem tão próximas, e gostavam dela, de modo que a porta fechou com as três conversando.
Ela e Robert seguiram pelo corredor, passando pela família Weasley, em que o filho mais novo, Ronald, se ela não se enganara, gritava:
— Mamãe! O que é que vocês três sabem que nós não sabemos?
Passaram rápido por ali e chegaram ao carro dos monitores, que era maior que o normal para poder receber todos.
— Ah, Sr. , Srta. , vocês chegaram! — o monitor da Lufa-Lufa do mesmo ano que ela, Cedrico Diggory, os cumprimentou. Ele era o exemplo de bom aluno, bom monitor, bom amigo, bom tudo. Às vezes, dava até nervoso o quão perfeito ele era, mas, nesses momentos, abstraía o resto e observava um pouco sua beleza. Não que fosse tããão frequente. Mas fazer o quê, se o garoto realmente era bom em tudo, até na aparência?
Levaram quase uma hora para todas as funções dos monitores serem apresentadas aos mais novos, relembrada aos mais antigos, somado à apresentação dos monitores chefes de cada casa, além de terem relembrado algumas das regras mais importantes. Depois de todo esse discurso, eles finalmente foram liberados. começou patrulhando com Joanne Miller, a nova monitora do quinto ano da Grifinória e, depois, inverteria com Kyle, o monitor do seu ano e seu amigo, e Jonathan, o novato.
A nova monitora era uma menina tímida, mas determinada, sempre atenta, o que fez com que tivesse que segurar a risada várias vezes, como quando Joanne espiava dentro de uma cabine e logo depois voltava a conferir, como se tivesse pegando os colegas de surpresa. Depois de um tempo que elas consideraram suficientemente bom, elas trocaram com os meninos, se despediram e cada uma foi para sua cabine.
se acomodou do lado de e de frente para e , que comiam sapos de chocolate. Droga, ela tinha perdido o carrinho de guloseimas.
Sabendo o que estava pensando, lhe ofereceu um dos seus sapos de chocolate.
— Dividimos uns extras para você — ela disse, como se não fosse nada.
Ela sorriu, agradecida, para as meninas e começou a comer, agradecida pelo doce na boca. Conferiu a figurinha e viu que tirou Salazar Slytherin.
— Alguém ainda não tem? Eu tenho 3 desse.
— Ah, acho que é o último fundador das casas que falta para Rob! — falou e a amiga lhe entregou a figurinha. — Inclusive, quem são os monitores chefes desse ano, ?
— Ah, os esperados — ela falou meio embolado, ainda mastigando. Engoliu o chocolate e continuou. — Reed da Grifinória, Devens da Lufa-Lufa, Boot da Corvinal e Plínio da Sonserina.
— Que papo chato, . AH, , OS SEUS PRESENTES! — se lembrou, saltando da cadeira, imediatamente, para alcançar o malão, assustando o gato de , Froz, que pulou na cara de .
— Ah, me desculpa! — disse, tentando tirar o gato, que só fixou as garras na cara de sua vítima. Quando finalmente Froz foi retirado, uma descabelada, arranhada e assustada estava, agora, no assento.
— Me desculpa — choramingou de novo, mas, agora, pegando a varinha e murmurando alguns feitiços de cura que, apesar de não estarem no nível de Madame Pomfrey, foram muito bons.
— Uau, , seus feitiços estão melhorando muito! — elogiou a colega.
— Ah, só os de cura. Estou pensando em ser uma Curandeira do st. Mungus um dia, então andei treinando. Mas muito obrigada — , que estava ainda mais envergonhada agora, afirmou timidamente.
— Enfim, aqui estão! — disse, colocando alguns objetos em suas mãos.
analisou a miniatura de um jogador de vermelho que voava na sua mini vassoura.
— Ah, esse é o Vítor Krum! – comentou, parecendo perder a timidez. — Me arrependi tanto de não comprar a miniatura dele! Ah, o jeito que ele capturou aquele pomo.
— Ele fez uma Finta de Wronski e tudo. Ah, ele é sinistro em campo! Tinha acabado de levar um balaço, estava na desvantagem e, mesmo assim, capturou o pomo. Bom, eles perderam, mas que captura!
começou a pular nos bancos e tentava imitar as manobras enquanto elas se desviavam de todos os braços e pernas que vinham sem aviso em suas direções. nem teve tempo de sentir inveja de não ter visto ao vivo, só medo de ser atingida.
— Poxa, nem contei para vocês! — disse, se sentando, subitamente séria.
— O quê? — disse, sem poder conter o interesse.
— Decidi tentar me inscrever no time de quadribol novamente!
, isso é ótimo! — falou, realmente feliz pela amiga.
Quando estava no segundo ano, fez o teste para artilheira e rapidamente entrou no time, pois era realmente muito boa, mas, no dia da final, ela ficou tão chateada que perdeu, que bateu com a vassoura na cara de um lufano que estava provocando. Madame Hooch deu falta e tirou 20 pontos da Grifinória, mandando aprender a controlar seu comportamento, senão seria proibida de jogar. Mas a menina, no entanto, respondeu:
— Não precisam me proibir de nada, eu saio por conta própria, seus panacas! — E saiu mostrando o dedo feio, o que lhe gerou uma semana de detenção.
No ano seguinte, ela foi substituída por Katie Bell, uma menina um ano mais nova, e jurou que não voltaria para o time e que eles iriam muito mal sem ela. Bom, isso realmente estava acontecendo, até que, finalmente, no ano passado, a Grifinória ganhou e, ao que parecia, isso fizera baixar a bola.
— Eu pensei melhor e eu era imatura — continuou. — Assistir a Copa Mundial me fez perceber que eu não quero desistir do Quadribol e que me controlar para jogar até que vai valer a pena.
As meninas brindaram com suco de abóbora na cabine pela volta de e conversaram sobre todas as possibilidades de vitória da Grifinória, que agora estava sem Olívio Wood, o goleiro.
— Quem sabe a artilheira que sair vai para o gol — disse, presunçosa.
— Isso é horrível de se dizer! — disse, embora torcesse para a amiga jogar como queria.
— É apenas inevitável — replicou, dando de ombros.
— Só tente não dizer coisas “inevitáveis" perto de Angelina e Alicia — falou, se referindo às outras duas sextanistas. — Não as quer te evitando de novo, certo?
Quando saiu do time, as duas meninas, também artilheiras novas, ficaram um mês sem falar com ela, o que foi bem desconfortável, já que dividiam o mesmo dormitório.
Naquele momento, a escuridão começou a adentrar na cabine.
— Puxa vida, já estamos chegando! Vamos trocar de roupa logo, eu tenho que ajudar os alunos novos a desembarcarem do trem!
— Ai, , desde o ano passado perdemos você para os pirralhos! — falou, dramática.
— Ei, meu irmão está entre eles! — protestou, rindo.
— Então você concorda que são pirralhos — colocou.
— Em nome do meu irmão, eu diria pestes — ela falou, maliciosa, fazendo todas rirem, até , que protegia a tudo e a todos.
— Bom, eu vou lá com as minhas pestes.
saiu com suas coisas pelo corredor, onde algumas poucas pessoas já se espreitavam para fora, também ansiosas.
“Caramba, como é bom estar de volta!”, ela pensou.

Capítulo 2

Quando o trem finalmente parou, uma enorme tempestade caía em todos ali. conduziu os alunos de primeiro ano junto com os outros monitores até o professor Hagrid, o que não foi difícil, visto que ele era duas vezes maior do que qualquer um ali presente – e não só de altura.
— Boa noite, prof. Hagrid! — ela gritou por cima das trovoadas.
— Ah, , boa noite! — ele gritou de volta, apressando os alunos novos, encharcados, para dentro dos barcos.
Ao ver que eles já estavam instalados, correu para pegar uma das carruagens sem cavalos, pisando em várias poças no caminho, já sem se preocupar em não se molhar, pois sabia que até suas roupas íntimas já estavam encharcadas com a tempestade. Esperava pegar uma carruagem sozinha, mas encontrou as meninas esperando por ela, segurando Estrela, que tremia de frio.
— Malucas, o que estão fazendo aqui?! — Apesar de tentar soar irritada, se sentia extremamente grata. Viu outra carruagem atrás sendo formada por Joanne, Jonathan e Kyle.
Elas seguiram pelo caminho escuro até o castelo. Se já não estava enxergando nada, ela imaginava o que estava passando, pois além de encharcada, ela usava óculos.
Quando a carruagem parou, elas subiram correndo os degraus de pedra para poderem entrar no castelo, sofrendo empurrões e dando alguns também.
Acharam que tudo estava finalmente tranquilo, porém, naquele momento, viram apenas um grande borrão vermelho e um grito:
— ARRE!
Todos olharam para cima e lá estava Pirraça, o poltergeist, lançando balões de água nos alunos pingando e tremendo de frio. A grande massa começou a se debater para tentar sair de sua mira e , sabendo que, talvez, aquele fosse seu momento para se provar uma monitora digna, manter a compostura e instaurar a ordem, somente conseguia pensar em fugir desesperadamente do ataque.
— PIRRAÇA! — Ela ouviu uma voz autoritária berrar. — Pirraça, desça já daí, AGORA!
se arrepiou ao ouvir a bronca da Professora McGonagall, mesmo não sendo para ela, e a viu saindo para a escadaria principal, onde eles estavam, no entanto, ela escorregou no caminho e agarrou uma aluna para evitar cair.
— Ai... desculpe, Srta. Granger...
— Tudo bem, professora!
— Pirraça, desça aqui AGORA!
— Não estou fazendo nada! — o poltergeist disse, gargalhando, e jogando mais uma bomba d’água, agora em um grupo de garotas do quinto ano que saíram correndo e gritando. — Já molharam as calças, foi? Que inconvenientes! Ihhhhhhh! — E mais um borrão vermelho caiu em um pobre grupo de alunos do segundo ano que acabara de chegar.
— Vou chamar o diretor! — a Professora continuou, firme. — Estou lhe avisando, Pirraça...
Pirraça, então, finalmente se retirou, mas claro que não sem antes jogar a última bomba d’água para o alto que caiu, com um baque frio, nas costas de , que não conseguiu fugir a tempo.
— Ai... — Fora tudo que ela tivera forças para murmurar, simplesmente derrotada. Por enquanto, estava frio demais para sentir a pancada, mas sabia que ia doer no dia seguinte.
— Bom, vamos andando, então! — disse a professora, autoritária, para os alunos. — Para o Salão Principal!
O Salão estava tão quente, em contraste com a tempestade gelada, que parecia ainda mais mágico aquela noite. As taças de ouro espalhadas pelas longas mesas brilhavam sob as velas penduradas no teto. O céu encantado nunca deixava de tirar o fôlego de : e não só porque era nascida trouxa. Diversos alunos, mesmo puro sangue, nunca haviam visto uma magia como essa em qualquer outro lugar.
As quatro garotas se sentaram em uma das mesas que ficavam nos cantos: a mesa da Grifinória. Se ajeitaram perto dos outros 6 alunos do sexto ano: Kyle Ackerley, o monitor, Lino Jordan, que era locutor dos jogos de quadribol da escola, Jorge e Fred Weasley, os gêmeos ruivos que estavam sempre aprontando, Tyler Madley, o melhor amigo de Kyle, Angelina Johnson, artilheira do time de quadribol, e Alicia Spinnet, sua melhor amiga e também artilheira da Grifinória.
— Puxa vida, ainda temos que esperar a musiquinha do Chapéu Seletor e a seleção de todas as crianças! — murmurou.
— Ah, mas é tão bonitinho! — acrescentou.
— É, mas ser bonitinho não vai matar a minha fome! — disse, ao mesmo tempo em que seu estômago roncava alto.
não teve nem forças para concordar, parecendo quase uma inferi naquele momento, devido a sua imobilidade e falta de reação, frutos de sua fome.
— Ah, eu já não aguento mais! — disse enquanto, ao seu lado, batucava na barriga como se ela fosse um tambor.
A frase acabara de ser dita e as grandes portas do Salão Principal se abriram, silenciando as quatro mesas imediatamente. A Professora McGonagall entrou, seguida de uma fila de alunos que pareciam ter acabado de tomar banho vestidos. A cena ficava ainda mais estranha com a adição de um dos menores alunos que estava quase invisível sob o casaco de Hagrid. Ele olhou para alguém da mesa da Grifinória e ergueu os polegares.
— Caí no lago! — ele exclamou, tão animado, que parecia estar contando sobre seus presentes de Natal.
— Estão vendo o menino loiro de óculos? É meu irmão! — falou.
O tradicional banquinho de três pernas era colocado em frente a todos e, sobre ele, um chapéu tão velho e esfarrapado, que era difícil de acreditar que era tão mágico. Todos observaram quando um rasgo apareceu como uma boca e o Chapéu Seletor começou a cantar.
Foi uma ótima canção sobre a fundação da escola, das casas, os fundadores e de sua própria criação. Quando ele terminou, diversos aplausos inundaram o salão principal, embora suspeitasse que nem metade tivesse escutado, ainda molhados e com fome.
Os aplausos cessaram e a Professora McGonagall desenrolou um longo pergaminho.
— Quando eu chamar o seu nome — ela começou, se dirigindo aos novos alunos —, ponha o chapéu e se sente no banquinho. Quando o chapéu anunciar sua casa, vá se sentar à mesa correspondente — e leu o primeiro nome. — Ackerley, Stuart!
— É meu primo! — Kyle falou, carinhoso, para ninguém em especial.
— Corvinal! — o chapéu anunciou.
— Tudo bem, ficou com a segunda casa mais legal — o monitor disse.
concordou mentalmente com ele. Ela e Kyle se davam muito bem por concordarem em muita coisa. A cerimônia seguiu normal como sempre: dava pena dos alunos nervosos e eles também eram tão fofinhos! Mas ela parecia particularmente demorada quando se estava morrendo de fome e encharcada.
O único momento em que elas prestaram atenção foi na seleção do irmãozinho de , que acabou na Grifinória, radiante com a escolha.
Finalmente, “Whitby, Kevin!” foi selecionado para Lufa-Lufa e a seleção se encerrou.
O diretor Dumbledore, então, se levantou e os olhares famintos e ansiosos o acompanharam.
— Só tenho duas palavras para lhes dizer. — A sua voz ecoando pelo Salão. — Bom apetite!
As travessas se encheram magicamente em frente a todos, fazendo pegar uma grande colherada de purê de batata e se atirar ferozmente sobre o frango. Até , toda educada, estava com os olhos ávidos enchendo um prato do tamanho de sua cabeça.
— Ah, eu amo o jantar, simplesmente amo! — falava, ainda mastigando e lambendo partículas de comida que escapavam de sua boca para seu queixo.
— Nada no mundo deve ser melhor do que comer — concordava, sentindo cada sabor perfeito descer por sua garganta.
— Com toda certeza! — exclamou, antes de colocar mais um bolinho de carne na boca.
A boca de só abria para colocar mais comida para dentro, então ela só sacudiu a cabeça em concordância.
Depois de vários pratos, as travessas se esvaziaram e tornaram a se encher de doces.
— Isso está ficando cada vez melhor! — disse, um pouco tonta de tanto comer.
— Ah, torta de caramelo! — exclamou. — Bolo de chocolate recheado! Qual comer primeiro?
— Por que não os dois? — exclamou, antes de colocar um de cada, inteiros, na boca.
— Isso sim que é magia! — comentou com , assombrada.
Quando as travessas de doces novamente foram devoradas, Dumbledore se levantou para falar, cessando todas as conversas.
— Então! — ele exclamou, sorrindo convidativo para todos. — Agora que já comemos e molhamos também a garganta, preciso, mais uma vez, pedir sua atenção para alguns avisos. O Sr. Filch, o zelador, me pediu para avisá-los que a lista de objetos proibidos no interior do castelo esse ano cresceu, passando a incluir Ioiôs-berrantes, Frisbees-dentados e Bumerangues-de-repetição. A lista inteira tem uns quatrocentos e trinta e sete itens, creio eu, e pode ser examinada na sala do sr. Filch, se alguém quiser lê-la.
— Quatrocentos e trinta e sete possíveis presentes de natal — Fred Weasley comentou para seu irmão Jorge e Lino Jordan, que agora riam baixinho.
— Silêncio! — sussurrou, cumprindo seu trabalho de monitora, recebendo olhares zombeteiros dos três e corando ligeiramente por ser motivo de piada. Tinha uma implicância e trauma antigo com os gêmeos, um que sempre a deixava nervosa quando era tratada assim por eles.
— Como sempre — Dumbledore continuou —, gostaria de lembrar a todos que a floresta que faz parte de nossa propriedade é proibida a todos os alunos e o povoado de Hogsmeade, àqueles que não chegaram a terceira série. Tenho ainda o doloroso dever de informar que este ano não realizaremos a Copa de Quadribol entre as casas.
— O QUÊ?! — gritou, se levantando com um pulo. Se sentou depois, nada constrangida, apenas irritada. Por sorte, muitos estavam tão chocados quanto para reparar em sua cena.
— Como o velhote ousa?! — Jorge Weasley sussurrou entredentes.
— Não pode fazer isso, simplesmente não pode! — Angelina Johnson exclamou.
— Quadribol é a única coisa respeitável nessa escola além da cozinha! — Fred Weasley esbravejou.
— É assassinato do espírito esportivo! — Alicia Spinnet completou, revoltada.
Silêncio... — tentou repreender, mas o seu choque fez sua voz sumir. Ano passado, dementadores estavam na escola e os jogos não pararam. O que faria o quadribol parar?
Dumbledore continuou:
— Isso se deve a um evento que começará em outubro e irá prosseguir durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores, mas eu tenho certeza que vocês irão apreciá-lo imensamente. Tenho o prazer de anunciar que este ano em Hogwarts...
Mas o diretor fora interrompido por uma trovoada ensurdecedora, seguida pela abertura brusca das portas do salão
Um homem de capa preta e coberto de cicatrizes atravessou o salão, parando ao lado de Dumbledore, estendendo a mão para ele, que a apertou. Ele, então, se sentou e percebeu que um de seus olhos era pequeno e normal. Já o outro, era grande, completamente redondo, não piscava e se revirava para todos os lados, até dentro da cabeça, em dissincronia com o olho normal. O delicioso jantar se revirou no estômago da menina.
— Gostaria de apresentar o nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas — Dumbledore continuou. — Professor Moody.
Todos estavam muito chocados para aplaudirem o estranho e suposto professor.
Olho-Tonto Moody? O auror? — indagou, completamente em choque.
— Como eu ia dizendo — Dumbledore continuou —, teremos a honra de sediar um evento muito excitante nos próximos meses, um evento que não é realizado há um século. Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, realizaremos um Torneio Tribruxo em Hogwarts.
— O senhor está BRINCANDO! — exclamou Fred Weasley em voz alta.
O choque da chegada de Moody se desfez imediatamente em uma grande gargalhada geral. ria tanto a ponto de roncar. chegou a derrubar um talher que ainda estava na mesa. estava com as bochechas doendo de rir.
Não estou brincando, sr. Weasley — Dumbledore continuou, ainda com traços de sua própria risadinha —, embora, agora que o senhor menciona, tenha ouvido uma excelente piada durante o verão sobre um trasgo, uma bruxa má e um leprechaun que entram em um bar...
A Professora Minerva pigarreou alto.
— Hum... mas talvez não seja a hora... não... Onde é mesmo que eu estava? Ah, sim, no Torneio Tribruxo... bom, alguns de vocês talvez não saibam o que é esse torneio, de modo que espero que aqueles que saibam me perdoem por dar uma breve explicação e deixem sua atenção vagar livremente. O Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos, como uma competição amistosa entre as três maiores escolas europeias de bruxaria — Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Um campeão foi eleito para representar cada escola e os três campeões competiram em três tarefas mágicas. As escolas se revezaram para sediar o torneio a cada cinco anos e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades — até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido.
se sobressaltou com o choque. Eles iriam fazer um jogo com alta taxa de mortalidade? parecia igualmente mortificada. Já , estava tão excitada que pouco se importava com aquilo.
— Durante séculos, houve várias tentativas de reiniciar o torneio — continuou Dumbledore —, nenhuma das quais foi bem-sucedida. No entanto, os nossos Departamentos de Cooperação Internacional em Magia e de Jogos e Esportes Mágicos decidiram que já era hora de fazer uma nova tentativa. Trabalhamos muito durante o verão para garantir que, desta vez, nenhum campeão seja exposto a um perigo mortal. Os diretores de Beauxbatons e Durmstrang chegarão com a lista final de competidores de suas escolas em outubro e a seleção dos três campeões será realizada no Dia das Bruxas. Um julgamento imparcial decidirá que alunos terão mérito para disputar a Taça Tribruxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões.
— Estou nessa! — Fred Weasley falou, tão entusiasmado, que seu rosto brilhava. E não só o dele. parecia estar segurando um troféu imaginário. Muitos e muitos alunos ali estavam entusiasmados com a ideia. Quem queria enganar? Ela mesma estava se vendo com 1000 galeões e sendo aplaudida pela escola inteira, uma bruxa excepcional que teria vencido todos os desafios e enigmas com sua capacidade incrível...
— Ansiosos como eu sei que estão para ganhar a Taça para Hogwarts — o diretor continuou —, os diretores das escolas participantes, bem como o Ministério da Magia, concordaram em impor este ano uma restrição à idade dos competidores. Somente os alunos que forem maiores, isto é, tiverem mais de dezessete anos, terão permissão de apresentar seus nomes à seleção...
— O QUÊ?! — Exclamaram uns 30 alunos de uma vez. Diversas contestações seguiram pelo Salão.
— ISSO É RIDÍCULO! — gritou para todos.
— UM ABSURDO! — Lino Jordan fez coro.
— REGRA IMBECIL! — Jorge Weasley colocou em concordância.
— VÃO SE FERRAR! — Fred Weasley se sobressaltou.
ia reclamar que era injusto, mas então se lembrou das taxas de mortalidade. É, parecia uma regra justa.
— Isto — Dumbledore continuou, erguendo a voz para tentar calar as indignações — é uma medida que julgamos necessária, pois as tarefas do torneio continuarão a ser difíceis e perigosas, por mais precauções que tomemos, e é muito pouco provável que os alunos abaixo da sexta e sétima série sejam capazes de dar conta delas.
— Nós estamos na sexta série — Fred replicou baixo e furiosamente.
O diretor continuou.
— Cuidarei pessoalmente para que nenhum aluno menor de idade engane o nosso juiz imparcial e seja escolhido campeão de Hogwarts. — Seus olhos azuis penetrantes fixaram os gêmeos Weasley um pouco mais do que o necessário, para frisar o comentário. — Portanto, peço que não percam tempo apresentando suas candidaturas, se ainda não tiverem completado dezessete anos.
— Ele fala e todos vão tomar como um desafio — contestou. — E tenho certeza de que vai ficar rindo das tentativas.
— Pois ele que ria quando eu me inscrever — Jorge Weasley falou e o irmão fez coro.
— As delegações de Beauxbatons e de Durmstrang chegarão em outubro e permanecerão conosco a maior parte deste ano letivo — Dumbledore retomou a palavra. — Sei que estenderão suas boas maneiras aos nossos visitantes estrangeiros enquanto estiverem conosco e que darão o seu generoso apoio ao campeão de Hogwarts quando ele for escolhido. E agora já está ficando tarde e sei como é importante estarem acordados e descansados para começarem as aulas amanhã de manhã. Hora de dormir! Vamos andando!
As conversas e os sons de cadeiras se arrastando preencheram novamente o ambiente com excitação e irritação.
— Não podem fazer isso com a gente! — ouviu Jorge Weasley exclamar, emburrado, ainda parado olhando pra Dumbledore enquanto todos os outros estavam se retirando do salão. — Vamos fazer dezessete em abril, por que não podemos tentar?
— Não vão me impedir de me inscrever. — Agora era Fred Weasley quem falava, de cara amarrada e teimoso. — Os campeões vão fazer todo o tipo de coisa que normalmente nunca podemos fazer. E mil galeões de prêmio!
— Fico imaginando como eles iam enfrentar esses desafios, soltando bombas de bosta? — comentou, irônica, para , quando já estavam longe dos outros, e as duas riram.
— Essa era a minha chance! — exclamou, a cara tão emburrada quanto os gêmeos. — Sem quadribol e sem torneio. Acabou meu ano!
— Pelo menos poderemos assistir! Vai ser legal ter tantas coisas diferentes e pessoas diferentes — falou, sempre tão positiva.
de repente parou.
, você vai ser maior de idade em outubro. , você vai poder participar do torneio! E, talvez, se eu te acompanhar, eles nem percebam! Nenhum juiz pode ser 100% imparcial. Você tem que se inscrever!
— Eu?! — guinchou. — , pessoas morreram. Eu não quero participar!
— Mas você pode! — insistiu.
— Mas eu não quero! — o rosto de começou a ficar vermelho de uma forma que nunca vira.
— Bom, sabemos que o pessoal do sétimo ano deve se inscrever — ela comentou rapidamente, tentando desviar o assunto.
— Ia ser legal se Paul Reed fosse o campeão de Hogwarts. Ia ser maneiro esfregar na cara do pessoal da Sonserina que o competidor é da Grifinória — comentou, animando-as um pouco mais.
— Mas seria melhor ainda se fosse eu — estava decididamente emburrada e elas sabiam que isso não iria mudar até o dia seguinte.
— O que vocês fariam com o prêmio? — perguntou.
— Fácil, compraria uma casa nova, como uma mansão — comentou.
— Que brega! — falou, zoando a amiga. — Eu compraria uma vassoura muito rápida, como a Firebolt, ou, quem sabe, gastaria tudo na Zonko's. Ou... JÁ SEI! Usaria para entrar em um time de Quadribol!
— Isso não seria trapaça? — indagou.
— Não comprar a minha entrada! Mas muitos lugares têm taxas para poder se inscrever. E, quanto maior o time, maiores as taxas.
— Isso parece elitista — comentou.
— É elitista. Mas, ao mesmo tempo, até todo o dinheiro do mundo perde para o verdadeiro talento.
— Eu acho que pagaria uma viagem! — disse, animada. — Só não sei para onde... tem a praia, as montanhas, os lagos... e com certeza compraria algumas coisas para mim, como livros novos...
Chegaram em frente à grande pintura da mulher gorda, na Torre da Grifinória.
— Ih, qual a senha? — disse e todas se viraram para .
Asnice.
— Bom — disse , entrando na sala comunal —, eu acho que compraria algum terreno para começar a cuidar de vários animais e também todos os recursos necessários. Seria incrível poder financiar tudo isso e começar a já ganhar experiência. — Seus olhos brilhavam de excitação, pois o seu maior sonho era se tornar uma magizoologista.
— Viu, mais um motivo para você considerar participar do Torneio e... — parou de falar ao ver a expressão dura no rosto de . — Bom, eu vou me deitar.
E correu para o dormitório das meninas.
e riram e revirou os olhos, mas logo todas elas subiram para o dormitório, onde fingia muito mal que estava dormindo. Pouco tempo depois, Alicia e Angelina também chegaram.
Os malões de cada uma estavam aos pés de suas camas correspondentes e, já cansadas, conversaram pouco enquanto colocavam os pijamas e se deitaram para dormir. Em dois minutos, os roncos de se tornaram reais.

Capítulo 3

As quatro meninas desceram para o café da manhã, todas um pouco mais calmas depois de uma boa noite de sono. Claro que, se o assunto fosse tocado, a carranca de voltava, mas, por enquanto, estava tudo bem.
Os gêmeos Weasley e Lino Jordan continuavam discutindo várias maneiras de se tornarem mais velhos, como a Poção para Envelhecer, causando em Alicia e Angelina, que tinham descido mais cedo, acessos de riso, o que fez com que elas tivessem que se sentar em outro extremo da mesa, longe deles, para evitar que entrasse naquela onda.
— Eu só disse que a ideia deles era criativa, ora! — resmungou, colocando uma torrada inteira na boca.
Poucos minutos depois, diversas corujas entraram pelas janelas do salão, trazendo o correio matinal. olhou, procurando Estrela, mesmo sabendo que ela não estaria ali. e também não receberam nada, mas a coruja da família de pousou em sua frente com um grande pacote.
— Droga — ela disse, ainda comendo, fazendo, assim, várias migalhas voarem para o pacote. — Achei que meus pais não encontrariam no esconderijo do terceiro degrau. Preciso inovar.
— O que é isso, ? – indagou.
— Isso? Aquele ridículo traje a rigor. Meus pais me forçaram a comprar, mas eu não queria usar. Tentei esconder e depois daria a desculpa de ter esquecido, mas eles encontraram.
— O que será, afinal, esse evento que exige trajes a rigor? — perguntou, entusiasmada.
— Eu não sei, mas espero que seja opcional — reclamou, com cara de quem não iria, se fosse.
— Será que tem algo a ver com alguma prova do torneio? — especulou.
— Será que vamos viajar? — ofegou com a ideia.
— Não seja boba, eles teriam pedido autorização dos responsáveis, se fosse viagem. Sem contar que não faria sentido recebermos visitantes que viajaram até aqui para, então, viajarmos para longe deles — rebateu.
— Ah, é.
— E se tivermos que usar isso para recebê-los? Pela cara dos professores, eles querem causar impressões impecáveis — comentou.
— Independentemente da situação, isso — apontou para o pacote — vai para o fundo do armário e, quando for seguro, para uma lareira. Tenho certeza que papai colocou algum feitiço de alarme ou proteção prevendo isso. Terei que ser mais esperta.
Logo depois de terminarem o café, todos os demais alunos se retiraram, ficando apenas os do sexto ano de cada casa. Os onze alunos da Grifinória se juntaram quando a professora McGonagall desceu da mesa. A distribuição dos novos horários era um pouco diferente naquele ano. Primeiro, eles iriam escolher todas as matérias. Segundo, tinham que ter obtido nota necessária nos N.O.M.s para seguir nas aulas de nível dos N.I.E.M.s.
Fred e Jorge Weasley foram casos rápidos de se tratar, visto que cada um tinha conseguido três N.O.M.s.
— Três?! — Lino Jordan exclamou. — Vocês são uma vergonha. Desse jeito vão acabar no ministério. Eu só me aprovei em dois N.O.M.s — ele falou, orgulhoso de si mesmo.
— Um N.I.E.M. a mais não vai nos fazer ter menos sucesso na nossa futura loja de Logros! — Jorge falou, desafiando Lino.
— E, também, mamãe nos obrigou a fazer — Fred disse, dando de ombros.
McGonagall ficou extremamente chocada diante daquela conversa. Distribuiu rapidamente os horários para os meninos, de modo que Tyler e Kyle se apressaram para sua aula de Runas naquele horário e Fred, Jorge e Lino saíram para seu tempo livre.
A Professora McGonagall, então, se dirigiu a Angelina e Alicia, que saíram conversando animadas, em seguida, para um tempo livre. Então, se dirigiu para as quatro restantes.
— Srta. , excelentes notas em todas as matérias que escolheu, mas realmente o Professor Snape só aceita alunos que tenham tirado Ótimo em seus N.O.M.s.
— Não custava tentar — respondeu com um sorriso, resignada, pegando seu horário novo e correndo também para as aulas de Runas.
— Srta. , a senhorita conseguiu quatro N.O.M.s que te permitem seguir as suas matérias escolhidas. Está com um foco diferente?
— Não, minha mãe me obrigou — falou com naturalidade. — Quero ser uma Jogadora de Quadribol, mas ela insiste que eu tenha uns N.O.M.s “para depois de velha”.
— Certo — McGonagall disse, entregando seu horário.
— Isso, dois horários livres agora!
— Srta. , excelentes notas, especialmente em Poções e Herbologia, poderá cursar todas as matérias que escolheu — a Professora concluiu, lhe entregando o horário.
— Srta. — ela disse, por fim. — Com toda certeza, aprovada para todas as matérias que escolheu. E, devo dizer, estou muito orgulhosa do seu resultado em Transfiguração. — Um sorriso breve se estendeu por seu rosto. — Você está no caminho certo para ser uma Desfazedora de Feitiços.
— Muito obrigada, Professora! — exclamou, pegando seu novo horário. Ótimo, também tinha dois períodos livres antes da primeira aula do dia. Olhando bem, tinha vários períodos livres. Seu sorriso se estendeu.
A professora se retirou do salão e elas, lentamente, começaram a segui-la.
— Ah! Temos que nos apressar, afinal, temos aula daqui a... — fingiu checar um relógio imaginário — duas horas — e abriu um sorriso preguiçoso.
— Para mim, a folga é só de um tempo — falou, encarando seu horário. — Ah, mas o tempo depois do intervalo é livre!
— Não para mim — suspirou. Tinha Artimancia que, de todas as matérias que ia fazer, era a que menos gostava, mas, se queria ser uma Desfazedora de Feitiços, era o preço a se pagar.
Depois que descobrira que viajar o mundo, lidar com mistérios, enigmas e feitiços e, possivelmente, encontrar tesouros era considerado uma profissão, nada mais foi capaz de encantar . Eram todas as coisas que mais gostava, juntas.
As três passaram o primeiro tempo sentadas perto do Lago Negro, conversando mais sobre as férias e, de vez em quando, viam algum dos outros alunos mais velhos passando por ali também. No segundo tempo, teve que ir para a aula de Adivinhação, então elas entraram para o Castelo e seguiram uma parte do caminho com a amiga, se separando perto da sala comunal, onde encontraram Lino e os gêmeos Weasley em um canto e, do outro lado, , com uma pilha enorme de papéis.
— Olhem só todo esse dever de casa do primeiro dia de aula de Runas — ela falou com um muxoxo. — Os meninos foram todos para a biblioteca começar a fazer. Todo o meu tempo livre será arruinado com tantos pergaminhos a serem escritos.
— Mas tenho certeza que ainda sobrará um tempo livr... Ai! — exclamou.
— O que foi? — perguntou.
— Mordi a língua — ela disse, colocando o dedo no machucado, que ficou manchado levemente de sangue.
— Viu? É um sinal! — exclamou, se erguendo da cadeira.
— Sinal de que, garota? — perguntou, os pés em cima da mesa, próximos demais dos pergaminhos novos.
— De que esse ano será arruinado pelos deveres de casa!
e se entreolharam, caindo na gargalhada logo em seguida.
, se você continuar falando assim de sinais, teremos que correr atrás de McGonagall e acrescentar Adivinhação no seu horário — zombou.
— Tenho certeza que Trewlaney terá um livro pronto só para o que “morder a língua” significa. Vocês podem virar melhores amigas com essa interação!
— Ah, calem a boca — falou, emburrada.
No entanto, tinha razão. A primeira aula de Feitiços fora extremamente exaustiva e o Professor Flitwick passara dever de casa equivalente para a semana toda: e elas já teriam aula no dia seguinte! Pelo menos, era uma aula em que todas estavam e que era conhecida por sua facilidade de se manter conversas. Porém, junto com Transfiguração, era a aula preferida de . , por outro lado, nem tentava mais disfarçar o bocejo.
As meninas desceram para o intervalo, já exaustas, contudo, foi a única que teve que enfrentar a ardilosa aula de Aritmancia em seguida. Kyle, Tyler e Peter também estavam presentes. Pelo que sabia, os três queriam trabalhar no ministério e N.I.E.M.s em matérias como aquela formavam uma boa imagem.
Se na aula de Feitiços ela já recebera dever de casa, a pilha de Aritmancia prometia um longo final de semana na biblioteca.
Durante o almoço, estava muito ansiosa só de lembrar dos seus deveres de casa e sabia que não era a única. Ela e as meninas tiveram que abrir mão de seu primeiro horário livre depois do almoço para começar a adiantar tudo. Mal acabara a primeira parte da pilha e outro tempo já estava para começar: aula de Poções. e correram para não se atrasarem, não precisando dar mais motivos para Snape ser cruel.
Chegaram às masmorras a tempo, o que fora um alívio.
— Ah, olha, Kyle e Alicia também estão nessa matéria — ela apontou.
Alicia estava junto com uma amiga sua da Corvinal, em um canto da sala. Dois alunos da Lufa-Lufa estavam juntos em uma mesa. Três alunos da Sonserina olhavam com superioridade e desgosto para os outros ao redor. Kyle estava sozinho, concentrado em um livro.
— Vamos sentar com ele — disse.
E bem na hora, pois, logo em seguida, Snape entrou na sala, mal humorado como sempre, guardando sua rara simpatia para os alunos da Sonserina.
— Devo dizer que não esperava metade de vocês aqui nessa sala — e ele fuzilou alguns alunos no caminho, inclusive , o que fez se sentir ofendida pela amiga. — Mas, se tiveram sorte com os N.O.M.s, não contem com ela para os N.I.E.M.s. Está na hora de vocês realmente levarem a sério essa matéria. Vamos começar olhando essa poção que está aqui na mesa...
Depois de uma hora, mais pilhas de dever de casa e um grande desgosto pela voz do Professor Snape, a sineta finalmente tocou e os alunos foram liberados para a próxima aula.
— Achei que essa aula seria infinita — comentou.
estava tonta de tantas informações.
— Eu também e olha que eu gosto de Poções.
, e Alicia, então, foram para a última aula do dia, de Defesa Contra as Artes das Trevas. Todo primeiro dia era uma surpresa assistir a aula, já que diziam que o cargo estava amaldiçoado: nenhum professor durava mais do que um ano ali.
Ao entrarem, encontraram todos os alunos da Grifinória ali e Alicia se despediu delas, indo se sentar com Angelina.
Elas se sentaram próximas de onde e estavam sentadas. A sala estava consideravelmente cheia para uma sala de N.I.E.M.s, mas era de se esperar: muitos alunos se interessavam por essa matéria, até mesmo .
— Como você acha que a aula vai ser? — perguntou.
— Eu não sei, mas vocês viram as cicatrizes? — falou.
— É impossível não ver — constatou.
Pouco depois, todos os murmúrios cessaram com a chegada do Professor Moody. A turma inteira parecia estar imersa em uma grande expectativa e apreensão.
— Podem guardar esses livros — ele rosnou ao olhar para as carteiras. — Não vão precisar deles.
Os alunos devolveram os livros para as mochilas, cada segundo tornando a ansiedade quase palpável na sala.
Logo em seguida, ele fez a chamada, fixando seu olho mágico em cada um que respondia presença. não achou que ia se acostumar com isso facilmente.
— Muito bem — ele continuou depois de terminar a chamada, a voz em um rosnado —, como todos que estão aqui passaram nos N.O.M.s com, no mínimo, Excede Expectativas, vocês parecem ter um bom embasamento do que precisaram até aqui, o que corresponde à carta do Professor Lupin sobre essa turma. Maldições e contra maldições devem ter sido ensinadas nessa turma, se o cronograma estiver certo. No entanto, vocês só estudam maldições ilegais no sexto ano, o que eu acho uma proteção desnecessária, mas aqui estamos no sexto ano e mais do que na hora de aprender.”
Cada palavra parecia um rosnado, como se estivesse sempre tendo que ameaçar alguém.
— Vocês precisam conhecer cada uma dessas maldições e estarem prontos para o mundo que existe lá fora, saber que não vão perguntar sua idade antes de te lançarem uma dessas, não vão ser educados e, se você não souber o que está por vir, a sua chance de defesa é nula. Vocês precisam estar preparados e alertas. Precisam conhecer o que o inimigo vai fazer. Pensar como ele, para, então, poderem se esquivar.
A turma inteira estava absorta em cada palavra. Mesmo sendo a última aula do dia, todo o cansaço foi substituído por imensa curiosidade e fascínio.
— Então, alguém sabe como são chamadas as maldições mais severamente punidas pelo ministério?
Algumas três mãos, incluindo a de , se levantaram. Moody apontou para um aluno da Corvinal.
— Maldições imperdoáveis, senhor.
— Muito bem. E alguém poderia me dizer quantas são?
Dessa vez, também levantou a mão, pois associara o nome a quantas e quais eram. O Professor apontou para Mary Sharlin, uma menina da Sonserina.
— Três, senhor.
— Certo, certo. E algum de vocês saberia me dizer uma delas?
Algumas mãos se ergueram hesitantes e as acompanhou, mas a pessoa que Moody escolheu surpreendeu a todos.
— A Maldição Imperius, senhor — respondeu Fred Weasley. — Ou algo parecido — ele murmurou, em dúvida.
— Muito bem. Weasley, certo? Conheço seu pai. Ele teve um grande problema com essa maldição, assim como todo o Ministério.
Então, ele abriu a sua gaveta e tirou um frasco com três aranhas dentro. Pegou uma delas e a segurou na mão para todos verem enquanto apontava sua varinha para ela.
Imperius.
A aranha começou a se balançar, como se fosse uma marionete. Depois, começou a girar, dar cambalhotas e se pendurou em uma teia como se fosse um cipó.
A turma toda ria do espetáculo.
— Engraçado, não é? E se eu fizesse isso com vocês em seguida? — Moody rosnou.
A risada morreu em instantes
— Controle total. Eu poderia fazê-la saltar pela janela, se afogar, se asfixiar... — Moody falou baixo, de um modo assustador. — Há alguns anos, haviam muitos bruxos e bruxas controlados pela Maldição Imperius. Foi uma trabalheira para o Ministério separar quem estava sendo forçado a agir de quem estava agindo por vontade própria.
— A época de Você-Sabe-Quem — sussurrou para seu grupo.
— A Maldição Imperius pode ser neutralizada e eu vou lhes mostrar como, mas é preciso força de caráter real e nem todos a possuem. Por isso, é melhor evitar ser amaldiçoado com ela, se puderem. VIGILÂNCIA CONSTANTE — ele berrou, fazendo todos se sobressaltarem. Uma aluna da Lufa-Lufa deu um gritinho. Mais alguém conhece outra maldição?
Cedrico Diggory levantou a mão.
— A... a Maldição Cruciatus.
— Bom. Não há muito o que explicar nessa. Vou lhes dar uma ideia. — Pegou outra aranha do frasco. — Engorgio! — A aranha cresceu para ficar quase do tamanho da mão que a segurava. — Crucio!
A aranha começou a se contorcer de uma forma sobrenatural, as pernas se dobrando, o corpo estremecendo e se debatendo. estava em estado de choque. parecia a beira de lágrimas.
— Pare! — implorou para o Professor.
Moody ergueu a varinha e a aranha parou de se debater, mas ainda se contorcia.
Reducio! — A aranha voltou a encolher e ele a colocou no frasco.
— Dor. Não se precisa de qualquer outra arma para torturar alguém quando se sabe essa Maldição... ela também já foi muito popular. Muito bem, alguém saberia nomear a última?
A turma ainda estava em choque. ergueu lentamente a mão, ainda nervosa demais.
— Sim?
— A Maldição... da Morte.
— Ah, a Maldição da Morte. A última e a pior de todas.
Ele pegou a última aranha e a colocou na mão. A turma prendeu a respiração.
Avada Kedavra! – o professor berrou.
Um lampejo verde atingiu a aranha, que se virou e caiu morta, mas sem nenhuma marca visível. estava soluçando. tremia. e estavam simplesmente paradas, sem saber como reagir.
— Nada agradável, certo? E não existe contra maldição. Não se dá para bloqueá-la. Se alguém decide lançá-la, é questão de apenas acertar a mira. Somente uma pessoa no mundo sobreviveu a essa maldição e ela estuda nessa escola. Mas creio que não vale a pena importunar esse aluno com isso, correto? — ele rosnou. — A questão de todas essas Maldições é que elas não funcionam se você não desejar usá-las e exige uma magia muito poderosa. Nenhum de vocês nessa sala seria capaz de lançar qualquer uma e não é um desafio, mas, sim, um fato. Isso é magia negra. Mas, se não há como escapar, por que lhes mostrar essa última? Porque vocês precisam conhecê-la. Vocês têm que reconhecer o pior. Pensar nos riscos de uma situação antes de entrar nela. Entender o que alguns são capazes de fazer. VIGILÂNCIA CONSTANTE! — ele berrou e o medo se transformou em susto.
Pelo menos, parara de chorar.
— Essas maldições são chamadas imperdoáveis porque o uso de qualquer uma delas é suficiente para se ganhar uma passagem só de ida para Azkaban. É isso que vocês vão enfrentar. É isso que preciso ensiná-los a combater. Mas, acima de tudo, precisam praticar sua vigilância constante, permanente. Apanhem as penas... anotem o que vou ditar...
O resto da aula foi seguida de anotações sobre as Maldições Imperdoáveis. Nenhum murmúrio foi dito durante a cópia e tal atenção teria causado inveja em vários professores. A sineta tocou e os alunos se retiraram, voltando para a sala comunal para deixarem seus materiais, antes de descerem para o jantar. Já na fila, comentava excitada sobre Moody, escutava apavorada e , muito intrigada. estava um pouco fora do ar ainda. No entanto, algumas pessoas começaram a cochichar sobre algo e isso chamou sua atenção e ela logo ouviu uma voz bem alta e irritante:
— Seu pai está no jornal, Weasley! Escuta só isso!
tentou procurar a fonte daquela voz que estava causando a confusão, mas muitas pessoas estavam em sua frente. Finalmente, viu uma cabeça pálida com cabelos tão claros quanto, que já estava acostumada a ver causando problemas:
— E tem uma foto, Weasley! Uma foto de seus pais à porta de casa, se é que se pode chamar isso de casa! Sua mãe bem que podia perder uns quilinhos, não acha?
Ela viu que o alvo era o menino Weasley mais novo, Ronald. Todos da fila tinham parado para observar a cena e ela percebia que o menino ruivo estava tremendo de raiva. Era melhor interferir antes que algo acontecesse.
— Já volto — ela murmurou para , que parecia ser a única do grupo que não estava alheia ao resto, e tentou se aproximar, mas as pessoas não estavam colaborando.
Quando conseguiu chegar mais perto, aquele que, agora, podia ver que era Draco Malfoy estava discutindo, agora, com Harry Potter, que lhe virou as costas. Então, ela percebeu que Malfoy ia atacá-lo, mas não tinha como avisá-lo, era tarde demais...
BANGUE!
Várias pessoas gritaram e precisou olhar duas vezes para ter certeza do que acabara de ver. Onde antes estava Draco Malfoy, agora estava uma doninha branca agarrada ao rosto de Harry Potter. Ele pareceu tentar se defender, mas, antes de sequer se mover, outro feitiço voou da direção da escadaria, de onde também veio um berro:
— AH, NÃO VAI NÃO, GAROTO!
Era o Professor Moody. Um Professor acabara de transformar um aluno em uma doninha. E, melhor, um dos alunos mais irritantes da escola. podia listar várias situações em que ele a xingara sem nenhum motivo aparente, como fazia com todos.
Todos pareciam estar processando o mesmo choque que ela. Cada aluno congelou onde estava, todos aterrorizados demais até para respirar. nem percebera que estava prendendo a respiração, mas não saberia dizer se de apreensão ou excitação.
O professor se virou para Harry Potter:
— Ele o mordeu? — falou, quase em um rosnado.
— Não, por pouco.
— DEIXE-O! — o professor gritou novamente.
— Deixe... o quê? — o menino perguntou, parecendo espantado.
— Não você, ele! — e apontou para onde um dos guarda costas, quer dizer, colegas de Malfoy estavam prestes a recolher a doninha. O mais apavorante é que ele estivera olhando para Potter durante todo o momento. Seria aquele olho mágico? sentiu o estômago revirar e agradeceu por ainda não ter jantado.
O Professor Moody começou a andar em direção aos dois grandalhões e à doninha, que guinchou e começou a fugir.
— Acho que não! — e começou a fazer a doninha quicar para cima e para baixo. — Não gosto de gente que ataca um adversário pelas costas. — A doninha guinchava de dor, ainda voando e descendo, e, mesmo sabendo que na verdade era um menino terrível, ficou apavorada por ele. — Um ato nojento, covarde, reles... nunca... mais... torne... a... fazer... isso.
E cada palavra foi enfatizada por uma batida no piso.
— Professor Moody!
Todos se viraram e encontraram uma Professora McGonagall chocada descendo a escadaria com vários livros.
— Olá, Professora McGonagall — o professor cumprimentou calmamente, ainda fazendo a doninha quicar.
— O que... o que é que o senhor está fazendo?
— Ensinando.
— Ensinan... Moody, isso é um aluno? — a professora gritou, derrubando vários livros.
— É.
— Não! — ela correu escada abaixo e puxou a própria varinha, apontando par a doninha que, em instantes, voltou a ser Draco Malfoy, completamente desalinhado e vermelho.
— Moody, nunca usamos transformação em castigos! Certamente o Professor Dumbledore deve ter-lhe dito isso? — McGonagall continuou.
— É, talvez ele tenha mencionado, mas achei que um bom choque...
— Damos detenções, Moody! Ou falamos com o diretor da casa do faltoso!
— Vou fazer isso, então — Moody disse, encarando Draco Malfoy com desagrado, que ainda estava humilhado e atrapalhado no chão, mas ele ergueu os olhos maldosamente e encarou o professor:
— Quando meu pai souber disso... — ele falou, tão baixo, que quase não ouviu.
— Ah, é? — Moody disse, abaixando a voz, e se aproximou instintivamente. — Bom, conheço seu pai de outras eras, moleque.... diga a ele que Moody está de olho no filho dele... diga-lhe isso por mim... agora, imagino que o diretor da sua casa seja o Snape, não?
— É — o garoto respondeu, ódio escorrendo de suas palavras, que fez toda a pena que a garota pudesse estar sentindo evaporar. Aquele ainda era o garoto mimado e idiota de sempre.
— Outro velho amigo — Moody rosnou. — Estou querendo mesmo conversar com o velho Snape... vamos, seu... — E saiu arrastando Malfoy pelo braço.
, ainda em choque, voltou correndo para onde as meninas estavam, sem ficar surpresa por já estarem à mesa do jantar. Correu para alcançá-las e nem recuperou o fôlego antes de começar a contar tudo o que assistira, completamente elétrica.
— Moody é, oficialmente, meu novo professor favorito! — falou, animada.
— E aquele Malfoy bem que mereceu! — disse, satisfeita.
— Ah, acho que foi um pouco extremo... — comentou, baixinho.
— Extremo? Talvez. Mas o que aquele garoto Malfoy faz também é. Ele sempre está quebrando as regras por aí e, sempre que eu vou repreendê-lo, ele me chama de Sangue Ruim ou até tenta mandar os amiguinhos para cima de mim. Na hora eu também fiquei assustada, mas aquele Malfoy é um pirralho mimado que merecia! — completou.
— Acho que nunca te vi falar assim de alguém! — arregalou os olhos. — Acho que estou sendo uma boa influência.
As meninas riram.
— Mas aquela aula de hoje foi completamente sinistra! — comentou.
— Eu só queria que ele não tivesse usado as aranhas — falou, chateada.
— Ele precisava colocar um efeito na coisa. Para a gente ter noção, sabe? — a consolou.
— É, eu nunca liguei tanto para essas Maldições até vê-las acontecendo. E aí eu imaginei tudo o que já podem ter passado por causa delas... — colocou de maneira assombrosa.
— Espero que essa matéria acabe logo, senão eu vou acabar tendo um treco de tanto susto! — comentou.
— Será que ele participou de algum dos fatos que ele nos mandou anotar hoje em aula? — indagou.
— Se eu fosse chutar, diria que de todos — comentou. — Fico imaginando se ele vai nos ensinar a nos proteger, tipo, em um Clube de Duelos.
— Desde que seja um de verdade e não como aquele que Lockhart tentou montar a dois anos atrás, acho irado! — colocou.
Elas só pararam de falar quando o jantar foi substituído pela sobremesa e elas perceberam que estavam comendo muito menos do que deveriam estar.

Capítulo 4

No dia seguinte, as meninas se levantaram e se arrumaram para descer para o café. O dia anterior fora uma exceção às manhãs de porque ela estava animada para ver seu novo horário. Seu estado natural era de agir como um zumbi até entrar forçada numa sala de aula ou ter, pelo menos, uma hora de olhos abertos para realmente acordar.
— Estou tão ansiosa para as aulas de DCAT de hoje! — falou, animada.
— Hm — falou, um dos olhos fechando sem querer.
— E hoje teremos Trato de Criaturas Mágicas — disse, maravilhada.
— Eu gosto bastante de Herbologia, mas só penso no dever de casa que temos que fazer — comentou.
— Hm — Foi, novamente, a resposta da garota.
— Parece que hoje teremos que lidar com o zumbi provocou. A menina abriu os olhos e fez careta, o que já era uma baita reação naquele horário.
Pouco depois, foi para a sala comunal com Fred, Lino e Tyler enquanto suas amigas, Kyle, Jorge, Angelina e Alicia iam para a aula de Herbologia.
— Acho que seria uma cena engraçada ver Jorge na primeira aula dele sem Fred e sem Lino — Tyler comentou enquanto caminhavam.
— Ele chorou ontem à noite enquanto dormia — Fred disse, com falsa preocupação. — Sabemos que é um momento delicado da vida dele ter que se separar do irmão que nasceu com as melhores qualidades.
— E de mim também, os elogios vocês acrescentem — Lino falou, falsamente comovido.
Todos riram e até chegou a sorrir, mesmo toda sonâmbula.
— Achei que você fosse fazer a aula, . Com certeza tinha o N.O.M. para isso.
demorou vários segundos para processar a pergunta.
— Não estava com in... in... teresse — ela falou, bocejando.
— Parece que temos um Inferi entre nós — Lino zombou dela, que conseguiu se recuperar para mostrar o dedo feio. — Oh, a monitora fazendo isso? Que decepção! — ele disse, rindo.
— Ei, , já que você está com sono, você topa... hã... testar uma... coisa... que eu e Jorge estamos fazendo? — Fred Weasley comentou, de repente muito animado. — É uma bala de café, mas que fizemos crescer sob circunstancias... hã... diferentes. Eu e Jorge já tomamos, é seguro. E aí, quer testar?
estava tão cansada que não raciocinou o perigo daquilo e só conseguiu murmurar um “Hm", que Fred interpretou como um sim e ele jogou a bala dentro de sua boca.
Poucos segundos depois, os olhos de conseguiram se abrir. Na verdade, não só se abriram, como estavam duas vezes mais abertos que o normal. Observavam tudo. Estava se arrastando antes para acompanhar o grupo, mas, agora, chegara antes de todos e os esperava impacientemente. Já dentro da sala comunal, arrumou algumas mesas e sentou em uma delas para começar a fazer seus deveres, concluindo metade antes de a sineta tocar, indicando o fim da primeira aula. Em um piscar de olhos, já estava avançando para a aula de Feitiços.
— Ei, espera! — Era Fred Weasley, correndo para alcançá-la.
— Oquequefoi? — ela perguntou, irritada que as palavras não pareciam acompanhar o ritmo de seu cérebro.
— Acho... — ele arfou enquanto a acompanhava — acho que você deveria ver Madame Pomfrey. Ou me deixar tentar reverter. Não era para ser assim. Eu e Jorge ficamos acelerados, mas não como um foguete.
— Maseuestouótima! — falou, se frustrando com a lerdeza do garoto.
— Não está não! Ei, escuta...
— Chegamos! AuladeFeitiços! — E foi correndo encontrar , e .
— O que está acontecendo? — comentou, chocada.
— Nada, por quê? — se esforçou para falar um pouco mais devagar e se mostrar normal, mas sua perna não parava de balançar embaixo da mesa.
— Você está com uma cara de alucinada! — respondeu.
— Ésóumabalinhaparaacordar — ela não se conteve e atrapalhou as palavras de novo.
Antes que as amigas, chocadas, pudessem comentar mais qualquer coisa, o Professor Flitwick chegara para a aula.
Não fora um extremo sucesso. queria progredir rápido no feitiço novo, aguamenti, de modo que começou a ficar irritada quando não conseguiu e começou a falar o feitiço rápido demais, se embolando. Pouco depois, ela colocou fogo na própria carteira. Sorte que, na hora, o Professor Flitwick saíra para buscar um livro.
Aguamenti! apagou o fogo. — , você precisa focar! O que está acontecendo? Você adora essa aula! É a melhor de nós quatro.
— ÉsóabaladoFredWeasley — ela falou, irritada e acelerada.
— Fred Weasley, é? — se levantou na mesma hora e foi correndo para a mesa deles. não se importou para acompanhar, murmurando o feitiço até finalmente acertar, fazendo seu corpo ficar duas vezes mais acelerado.
— AI!
Um grito chamou a atenção da turma toda. Fred estava com a mão na barriga enquanto sacudia o punho.
— E nunca mais teste coisas na minha amiga!
— Eu achei que era seguro! Não sabia que outras pessoas reagiam diferente — ele falou, a voz trazendo um pouco de dor.
não aguentou e correu para lá, ainda movida por toda aquela cafeína.
— Comoassimnãosabiaqueagiadiferente? Aylanãobatenele!
— Olha o que você fez! — continuou, com raiva.
— Foi sem querer! — Fred retrucou.
— Você não pode sair por aí batendo nas pessoas! — Jorge passou a defender o irmão.
— Você não pode sair por aí testando produtos doidos nelas!
— Pelo menos, sua amiga começou a reagir. Fizemos um favor a ela!
Naquele momento, começou a sentir a perna parar de tremer de ansiedade. Na verdade, todo o seu corpo voltara a relaxar. Poderia até dizer que se sentia cansada. Mais cansada, até, do que antes do café da manhã.
... — ela chamou a amiga.
— Não, , não vou parar! Eles estão precisando ouvir umas verdades! — retrucou, ainda olhando para os gêmeos de cara feia, que respondiam com a mesma expressão.
— Não... ... acho que...
Mas, antes que pudesse concluir, tudo ficou preto.
Ela acordou na ala hospitalar. Estava praticamente vazia. Só se encontrava Madame Pomfrey, um aluno em uma cama distante e ela mesma.
— Ah, muito bem, vejo que acordou! Tome um chocolate! — Madame Pomfrey disse, já quase colocando ele dentro de sua boca. Por que as pessoas estavam com mania disso ultimamente?
Isso a fez lembrar das últimas coisas que aconteceram na aula de Feitiços.
— Madame Pomfrey, o que aconteceu?
— Ora, sua irresponsabilidade aconteceu! Aceitando coisa daqueles meninos Weasley... aquela suposta bala de café que eles te deram estava com cafeína fora da validade e, por Merlin, com substâncias muito duvidosas e isso fez com que toda a sua energia fosse usada em uma tacada só. Agora, seu corpo está recuperando de ter cedido toda aquela energia de uma vez.
— Isso explica muita coisa... — murmurou.
— Ande, agora tome essa Poção Wiggenweld — e lhe entregou um frasco verde.
— Nossa, me sinto muito melhor!
— E é para se sentir mesmo. Da próxima vez que se sentir cansada, me procure para tomar essa poção e não saia confiando em métodos tão... tão... — e ela saiu resmungando para cuidar do próximo menino.
perdera todos os seus tempos livres na ala hospitalar e, já na hora do almoço, conseguiu convencer a enfermeira de que estava bem, embora tenha escutado vários conselhos e broncas antes de sair de lá.
Chegando ao Salão Principal, ela avistou as amigas na mesa da Grifinória. Fred e Jorge Weasley não estavam lá. Lino Jordan sorriu para ela quando passou, mas ela percebeu que ele ainda olhava feio para .
! Você está bem? — foi a primeira a vê-la.
— Sim, estou sim! Ai, , pode abraçar um pouco mais fraco!
— Desculpa, fiquei tão preocupada! — podia não ser a melhor com demonstrações de carinho, mas era extremamente leal a ela.
— E cadê os gêmeos? — perguntou, morta de curiosidade e ansiedade.
— Na sala da McGonagall — respondeu.
— Você os dedurou? — indagou para .
— Nem precisei. Depois que você desmaiou, Flitwick chegou e mandou que você fosse mandada para a Enfermaria. Mas Madame Pomfrey precisava saber o que tinha acontecido, então Fred Weasley confessou tudo. Apesar de ter sido ele que te deu a bala, Jorge ajudou a fazer, então também foi chamado. Ah, eles estão encrencados, com certeza!
sentiu um pouco de dó dos gêmeos, embora fosse ficar especialmente atenta em relação a eles agora. Podiam acabar testando um desses produtos perigosos em um dos alunos menores, que poderiam reagir ainda pior do que ela.
O almoço terminou e ela foi para a aula de Transfiguração, se despedindo das amigas. Porém, a última pessoa que esperava encontrar lá era o próprio Fred Weasley.
Como ele já a tinha visto, tentou dizer algo para estabelecer uma conversa.
— Esperando McGonagall? — “para o resto da detenção?” ela completou mentalmente.
— Não — ele respondeu, parecendo entender o que ela queria dizer. – Eu faço essa aula.
— Ah — ela disse. E, então, percebeu que ele tinha um longo pergaminho na mão, provavelmente a agenda de todas as suas próximas detenções.
— Obrigada por contar a Madame Pomfrey. Sabe, sobre a bala. Você se meteu em grande encrenca com isso.
— Encrenca? Isso aqui é brincadeira de criança – ele disse, abrindo um sorriso. — Além disso, foi bom ter um teste com a bala fora da validade, pelo que Madame Pomfrey descobriu. Assim, poderemos testá-la dentro da validade com os outros. Isso, se minha mãe não me matar antes, claro! — Ele riu.
ficou petrificada. Ela tinha ido parar na Enfermaria por causa daquilo e ele achava tudo uma piada e uma oportunidade?
— Calma — ele disse percebendo o olhar dela. — Você está bem, não está? Então tudo resolvido!
— Vê se toma jeito, Weasley! — ela falou, antes de seguir em direção a Kyle e Tyler, que tinham chegado para a aula. Eles perguntaram como ela estava e ela acabou sentando-se perto deles.
A Professora McGonagall entrou em sala logo em seguida.
— Bom dia, turma. Antes de começarmos, peço que sentem em dupla. Vou fazer a chamada — ela olhou em volta e viu que todos estavam quase organizados de forma certa. – Ora, muito bem, vamos fazer só uma pequena mudança.
“Ah, não” pensou ao olhar em volta e perceber o que a professora iria fazer.
— Srta. , sente-se com o senhor Weasley para podermos começar.
Fred sorriu do seu lugar, acenando e piscando para ela, enfurecendo-a.
Aquela seria uma longa aula.

Capítulo 5

As semanas foram passando de modo muito parecido. Em praticamente todas as aulas, eles tiveram que começar a aprender feitiços mudos. As Maldições estavam cada vez mais interessantes em Defesa Contra as Artes das Trevas e Moody contava várias histórias reais as envolvendo. Em Poções, era questão de perder ponto por qualquer erro, mas ser ignorada quando acertava tudo, como sempre fora. Aritmancia era a mesma de sempre com a Professora Vector: uma aula séria e cheia de deveres de casa. Feitiços era sua matéria preferida, mas já não estava tendo o resultado impecável que normalmente tinha, o que acabara frustrando-a um pouco. E, em Transfiguração, ela seguia tentando dar o seu melhor, mas frequentemente era atrapalhada por sua dupla, Fred Weasley.
Uma das piores partes eram os deveres de casa que preenchiam vários horários livres e fins de semana. Tentavam adiantar tudo para sempre deixar, pelo menos, um dia do fim de semana completamente livre, embora fosse muito comum que as acompanhasse mesmo sem ter terminado tudo.
— Eu faço depois — ela dizia e, com isso, na realidade queria dizer que ia tentar copiar de alguma delas.
— Ora, a culpa não é minha que eles passem deveres de casa iguais, chatos para mim e possíveis para vocês!
— Eles são chatos para todas — reclamava. Apesar de saber que tinha muito mais afinidade com as matérias do que , não gostava quando a amiga só desistia e começava a se aproveitar dos esforços das outras. Sempre tentava incentivá-la e até ajudá-la, mas se recusava que ela colasse, por mais que ela suspeitasse que invadisse sua mochila em casos extremos. Pelo menos, só faziam duas matérias juntas, o que tornava e responsáveis pelas outras matérias.
Naquele ritmo, setembro e outubro foram passando, o dia mais especial tendo sido o aniversário de dezessete anos de , em que elas conseguiram que os gêmeos Weasley roubassem um bolo da cozinha em troca de alguns sicles, que , e dividiram. Passado isso, a perspectiva do grande evento se aproximava. Então, um dia, na hora do intervalo, os alunos encontraram um grande aviso no saguão de entrada, ao pé da escadaria de mármore:
— VENHAM LOGO! — gritou para as amigas, que tinham parado para conversar com a professora Sprout sobre o último dever de casa. , que estava parada por educação, correu em direção à assim que ela chamou. e demoraram mais, o que deixou muito ansiosa.
— Pronto, chegamos, calma, não precisa fazer essa cara! — falou e as quatro se viraram para o aviso.

TORNEIO TRIBRUXO


As delegações de Beauxbatons e Durmstrang chegarão às seis horas, sexta feira, 30 de outubro. As aulas terminarão uma hora antes...

— Ufa, uma hora a menos de Transfiguração! — exclamou. Apesar de amar a matéria, estava precisando de um descanso dos deveres: e de Fred Weasley.
— Poxa, podia ter sido de alguma aula que a gente assiste, para nós isso vai ser em horário livre! — resmungou.

Os alunos deverão guardar as mochilas e os livros em seus dormitórios e se reunir na entrada do castelo para receber os hóspedes antes da Festa de Boas-Vindas.

— É semana que vem! — arfou de emoção.
— Como será que esses alunos são? Ouvi dizer que eles ensinam magia negra em Durmstrang. Se isso for verdade, será que o campeão de lá vai trapacear com isso? — especulou.
— Acho que Dumbledore deve ter uma medida de segurança contra isso — especulou.
— Acho que ele é muito bonzinho pra pensar nessa possibilidade — disse.
— Bonzinho, talvez, mas não idiota. Devem ter pensado em tudo! — concluiu.
Aquela semana transcorreu com um efeito de animação entre os alunos e um grande nervosismo entre os funcionários. Em todo canto, o torneiro era discutido por todos, com várias especulações, principalmente de quem ia ser o campeão de Hogwarts. , às vezes, insinuava que deveria tentar participar ou, ao menos, subornar o juiz por ela, mas ficava muito irritada ouvindo essas especulações.
O castelo também estava parecendo muito mais limpo que o normal. Retratos, antes encardidos, agora reluziam nos corredores, o que gerou muitas reclamações dos personagens retratados da pintura, que tentavam se encolher perto da moldura ou fugir para um quadro alheio. As armaduras brilhavam. Mas nada surpreendia mais do que a atitude de Filch, que provavelmente escutara vários sermões sobre a limpeza e, agora, assustava qualquer aluno que não estivesse brilhando como o chão encerado. Um dia, teve que consolar uma menina do primeiro ano que entrou na sala comunal chorando porque encontrara Filch com as vestes levemente amassadas.
Muitos professores estavam tão nervosos quanto, especialmente quando os alunos começaram a questionar cada vez mais sobre esse tal juiz imparcial que escolhia os campeões. Alguns professores mandaram alguns alunos insistentes demais calarem a boca ou até para fora de sala.
O dia 30 de outubro finalmente chegou e, ao descerem para o café da manhã, encontraram o Salão Principal todo decorado, com bandeiras de todas as casas em cima de suas respectivas mesas e uma grande bandeira de Hogwarts atrás da mesa dos professores.
e suas amigas repararam que Fred e Jorge andavam meio esquisitos, se isolando dos demais nos tempos livres e muito... quietos. Mas não seria que reclamaria disso. Tentava sempre afirmar às amigas que, talvez, as detenções tivessem dado um jeito neles. Ou pior: estavam planejando algo tão grande que, pela primeira vez, estavam sérios. Tentava firmemente pensar na primeira opção.
As aulas seguintes foram grandes enrolações, pois ninguém realmente prestou atenção nelas, ansiosos demais para aquela noite. Até os professores estavam nervosos demais, alguns dando broncas excessivas, outros nem se dando ao trabalho.
Quando a sineta tocou mais cedo do que o normal na aula de Transfiguração, e Fred Weasley voltaram correndo para a sala comunal, enquanto Tyler e Kyle ficaram para tirar algumas dúvidas.
— Com toda essa expectativa, não sei como eles conseguem — comentou, agora quase correndo de volta. Estava muito ansiosa.
Ao entrar na sala comunal, viu Alicia e Angelina saindo do dormitório, cumprimentando os dois ao passarem. Eles se despediram e se separaram.
Chegando ao dormitório das meninas, ela encontrou todas elas prontas, vestindo capas, como foram instruídas. Bom, prontas do seu jeito particular. estava elegante como sempre. Os cabelos brilhantes e macios pareciam ainda mais brilhantes e macios, ela colocara uma presilha de pérolas discreta e um batom claro. prendera o cabelo em duas tranças embutidas complicadas, trocara os óculos por lentes e passara uma boa quantidade de maquiagem. não se dera ao trabalho. Seus cabelos estavam ainda mais arrepiados do que nunca.
, você chegou! — exclamou, animada. — Rápido, se ajeite.
— Me ajeitar colocando as vestes ou me ajeitar para uma festa? — ela comentou, apontando a discrepância entre as três meninas.
— Ora, você tem ideia de que vários meninos estrangeiros mais velhos estão vindo? Temos que passar uma boa impressão! — disse , pegando um espelhinho e conferindo mais uma vez cada detalhe.
— Ou estrangeiros babacas que você deve evitar o máximo possível — completou , revirando os olhos.
— Acho que entendi os recados — riu.
Colocou as vestes e penteou os cabelos e se deu por pronta. Então, decidiu passar um pouco de rímel de última hora. não estava completamente errada.
As quatro meninas desceram muito animadas e encontraram os diretores das casas separando seus alunos em filas. McGonagall parecia extremamente nervosa e tentava corrigir tudo a sua vista.
— Weasley, endireite o chapéu. Srta. Patil, tire essa coisa ridícula dos cabelos.
Então, o seu olhar encontrou e ela arquejou. Apontou a varinha para ela e, de repente, seus cabelos sempre arrepiados e espetados estavam perfeitamente penteados, como que por um gel mágico, e presos em uma faixa. Nem parecia ela mesma.
se olhou no reflexo de uma das armaduras brilhantes e deu um gritinho, bagunçando os cabelos que sempre voltavam ao lugar, cada vez mais alinhados.
— Nem tente, Srta. , isso vai durar até o final da noite — McGonagall falou para ela, que agora estava com uma cara horrorizada.
— Srta. ! — ela agora olhava para . — Por favor, estamos em uma escola e não em uma festa! — e acenou a varinha novamente, agora fazendo mais da metade da maquiagem de sumir, deixando-a mais parecida com o dia a dia. Ela soltou um muxoxo.
— Sigam-me, por favor — mandou a professora, conferindo todos com o olhar uma última vez. — Alunos da primeira série à frente... sem empurrar...
Eles desceram os degraus da entrada e pararam diante do castelo, enfileirados. O sol já tinha se posto e começava a escurecer e a esfriar. Elas estavam na penúltima fileira por serem da sexta série, junto com os garotos.
— São quase seis horas. Eles devem chegar a qualquer segundo — comentou Kyle, também ansioso. — Fico imaginando quantos alunos são e, se forem muitos, como chegarão até aqui. Todos são maiores de idade, será que aparatarão em uma vila próxima e virão andando?
— Eles têm nomes muito pomposos que me fazem pensar que não andariam nem um metro sequer — comentou.
Os jardins escureciam cada vez mais e as teorias corriam soltas. Todos estavam extremamente ansiosos...
— Aha! A não ser que eu me engane, a delegação de Beauxbatons está chegando! — Dumbledore exclamou, da última fileira, onde ele esperava com os outros professores.
Muitos soltaram arquejos, procurando em vão ao redor.
— Onde? — perguntaram vários alunos.
Ali! — Tyler Madley gritou, apontando para o céu.
Uma forma muito grande voava em alta velocidade em direção aos alunos.
— É um dragão! — gritou uma aluna da primeira série, apavorada.
— Deixa de ser burra... é uma casa voadora! — respondeu outro dos menores.
Então, eles viram uma enorme carruagem azul clara do tamanho de um casarão sendo puxada por cavalos alados do tamanho de elefantes. Vários alunos arquejaram, de surpresa ou admiração.
Quando a carruagem começou a pousar, as primeiras fileiras começaram a recuar, assustadas, espremendo os demais alunos.
— Ai! — Jorge Weasley exclamou quando recuou, pisando em seu pé.
tentou recuar, mas tropeçou no pé de Kyle e quase caiu, sendo salva por este no último segundo.
— Opa, cuidado aí!
Ela corou ao sentir uma das mãos dele em sua cintura.
— Obrigada — ela acrescentou e tentou ficar completamente parada, mas esqueceu toda a situação no momento que pousou os olhos na carruagem.
A porta com um brasão se abriu e um garoto de vestes da cor da carruagem mexeu em alguma coisa no chão, abrindo uma escadinha de ouro em seguida. Então, o maior pé que já vira se apoiou na escada e o resto do corpo de uma mulher enorme se revelou. Ela poderia facilmente ter o dobro do seu tamanho. Só conhecia outra pessoa assim: o Professor Hagrid.
Várias pessoas exclamaram muito surpresas, então Dumbledore puxou aplausos para a mulher. Todos os estudantes seguiram o exemplo e aplaudiram, muitos se esgueirando para tentar vê-la melhor. Usava um coque tão bem preso, que imaginou que fosse uma pessoa muito rígida.
Dumbledore beijou a mão enorme da mulher e disse:
— Minha cara Madame Maxime. Bem-vinda a Hogwarts!
— Dumbly-dorr — ela respondeu. — Esperro encontrrá-lo de boa saúde.
— Excelente, obrigada.
— Meus alunos — ela falou, apontando para cerca de uma dúzia de garotos e garotas com vestes azul clara de seda, tremendo de frio e olhando apreensivamente para o castelo. — Karrkarroff já chegou?
— Deve estar aqui a qualquer momento — o diretor respondeu. — Gostaria de esperar aqui para recebê-lo ou prefere entrar para se aquecer um pouco?
— Me aquecerr, acho. Mas os cavalos...
— O nosso professor de Trato de Criaturas Mágicas ficará encantado de cuidar deles, assim que terminar de resolver um probleminha que ocorreu com alguns de seus outros... protegidos.
— Ah, será que se eu pedir, Hagrid deixa eu ajudar? — sussurrou para as amigas, olhando maravilhada para os cavalos.
— Meus corrcéis ecsigem... hum... um trratador forrte — Madame Maxime disse, parecendo não saber se o Professor que Dumbledore apontava seria capaz de cuidar deles. — Eles son muito forrtes...
— Posso lhe assegurar que Hagrid poderá cuidar da tarefa — o diretor disse, sorrindo.
— Ótimo, por favorrr inforrrme a esse Agrid que os cavalos só bebem uísque de um malte.
— Farei isso.
— Venham — Madame Maxime ordenou e todos os seus alunos a seguiram muito disciplinados, os alunos de Hogwarts abrindo o caminho para eles passarem.
— Será que o pessoal de Durmstrang vai demorar? — indagou, embora ainda parecesse avaliar os alunos da Beauxbatons.
— Será que eles também vão vir de carruagem? Não sei se tem espaço para pousar — Tyler Madley comentou.
— Seria incrível! — ainda estava animada com os cavalos.
— Qual será o tamanho da bosta desses bichos? — Jorge jogou a pergunta.
— Que nojo! — Alicia reclamou.
— É uma realidade que alguém vai ter que enfrentar, se vamos passear pelo pátio — Fred disse, dando de ombros.
— Não significa que seja uma realidade que você tem que comentar — replicou Kyle.
— Se você pisar em um algum dia, você vai desejar que tivéssemos comentado mais — Lino falou e os três amigos caíram na risada.
Eles continuaram parados, esperando, vários tremendo com o frio que veio com a noite. A maioria olhava para o céu. se perguntava quando a próxima carruagem ia chegar. Mas então, um barulho alto e estranho começou e a garota não via nada no céu, não conseguia identificar de onde vinha o som...
— O lago! — Lino Jordan berrou ao seu lado, apontando. — Olhem para o lago!
Todos os alunos se viraram para o Lago Negro, vendo sua superfície escura e lisa. Se bem que ela não estava mais lisa. Grandes bolhas se formavam e ondas grandes se quebravam nas margens da terra. E, então, bem no meio do lago, apareceu um redemoinho gigante.
Lentamente, um navio começou a emergir, balançando nas ondas que formou e deslizando até a margem. Pouco depois, uma âncora foi atirada na água e um pranchão foi baixado.
Então, um grupo de garotos grandalhões desembarcaram. Eles chegaram mais perto e olhou melhor. Eles pareciam grandalhões por causa dos casacos que usavam. Um homem de cabelos prateados os conduzia.
— Dumbledore! — o homem cumprimentou, cordialmente, todo sorrisos. — Como vai, meu caro, como vai?
— Otimamente, obrigado, Professor Karkaroff.
— Minha velha e querida Hogwarts — o homem continuou.
— Nunca vi mais falso — sussurrou ao seu lado e percebeu que ela tinha razão: o sorriso não chegava nos olhos e era completamente forçado.
— Como é bom estar aqui, como é bom... — o Professor Karkaroff continuou. — Vítor, venha, venha para o calor... você não se importa, Dumbledore? Vítor está com um ligeiro resfriado.
Um dos estudantes avançou e todos os seus amigos se espantaram.
reconheceu aquele estudante porque, por acaso, tinha uma miniatura dele em seu quarto.
É o Krum! sussurrou, tentando conter sua excitação.
— Por Merlin, Vítor Krum está em Hogwarts! — falou baixinho, os olhos brilhando em sua direção. Com certeza, era seu estudante estrangeiro preferido até o momento.
— Alicia! Olha ali! É Vítor Krum! — Angelina falou excitada, cutucando a amiga.
— Eu não acredito! Vítor Krum! — Fred Weasley exclamou, espantado e excitado ao ver aquela figura.
Lino Jordan estava pulando nas pontas dos pés para tentar enxergá-lo melhor. , e apalpavam o bolso.
, você trouxe uma caneta? Eu quero um autógrafo! — exclamou.
Os alunos começaram a voltar para o Salão Principal, seguindo os alunos da Durmstrang, embora todos estivessem focados em Vítor Krum. Cada casa se sentou à sua mesa, ainda organizados por série. Os alunos de Beauxbatons estavam sentados à mesa da Corvinal, tremendo de frio.
— Ah, por favor! — falou, revirando os olhos. — O Salão é encantado para ter uma temperatura agradável.
— Eu os entendo — comentou. Ela era a mais friorenta do grupo, uma vez, inclusive, assistiu uma aula em plena primavera de cachecol e luvas. O dia era de sol.
— Onde será que Durmstrang vai se sentar? — começou a se esticar para enxergá-los. — Bosta.
se virou para enxergar o problema e viu que o grupo havia se sentado à mesa da Sonserina. Draco Malfoy tentava puxar o saco de Krum. Olhou para frente, então, e viu Filch arrumar as cadeiras perto de Dumbledore, adicionando quatro.
— Ué — comentou, confusa. — Olhem ali. Só são duas pessoas a mais. Por que o Filch está colocando quatro cadeiras?
— Aquele velho é caduco. Você ainda se questiona? — disse e elas observaram o zelador ralhar com um garoto da Lufa-Lufa que bocejou.
Depois de todos os estudantes se acomodarem, os professores entraram no Salão Principal em fila. Os últimos da fila eram os três diretores. Quando Madame Maxime entrou, todos os alunos de Beauxbatons se levantaram imediatamente. Alguns alunos de Hogwarts riram, mas os convidados não ficaram constrangidos, só se sentando quando Madame Maxime se acomodou ao lado de Dumbledore. O diretor, porém, continuou em pé e todos se silenciaram.
— Boa noite, senhoras e senhores, fantasmas e, muito especialmente, hóspedes —Dumbledore falou, sorrindo para os convidados. — Tenho o prazer de dar boas-vindas a todos. Espero e confio que sua estada aqui seja confortável e prazerosa.
Uma das garotas de Beauxbatons riu, claramente zombando. e reviraram os olhos ao mesmo tempo.
— O torneio será oficialmente aberto ao fim do banquete — Dumbledore continuou. — Agora, convido todos a comer, beber e se fazer em casa!

Capítulo 6

As travessas se encheram de comida, no entanto, com uma diferença peculiar. Diversos pratos pareciam estrangeiros, pois nunca vira na vida.
— Ah, acho que esse prato é francês! — apontou para um prato esquisito. — Vovó Lorraine vive fazendo um bem parecido lá em casa.
provou alguns daqueles pratos, muito curiosa, e alguns eram simplesmente maravilhosos, enquanto outros ela esperava nunca mais ver na vida.
Em algum momento, a menina loira que havia feito a risada zombeteira se dirigiu para a mesa da Grifinória e começou a falar com o Weasley mais novo. Vários olhares, especialmente masculinos, acompanhavam aquela movimentação.
— Garoto, você vai acabar babando no meu prato, fecha a boca! — falou para Tyler Madley, que estava ao seu lado e se inclinando em sua direção, quer dizer, em direção à estrangeira.
— Olhem, parece que o Filch não estava caduco, afinal — apontou, onde dois homens desconhecidos ocupavam as duas cadeiras extras.
— Ei, eu os conheço! — falou. — Eles estavam na Copa Mundial de Quadribol! Aquele de bigode é o sr. Crouch e o outro, que está sorrindo, é Ludo Bagman.
Ao ouvir aqueles nomes, os gêmeos Weasley viraram instantaneamente para a mesa do diretor, trocando, depois, olhares significativos entre si.
“Esquisitos”, pensou.
As travessas, então, se encheram das deliciosas sobremesas de sempre, mas, agora, com algumas bem diferentes também. ficou encantada com um manjar branco e comeu metade dos que estavam na travessa mais próxima.
Os pratos e travessas, então, foram limpos e uma grande expectativa pairou no ar. estava muito ansiosa para o que aconteceria agora. roía as unhas de tão tensa. Fred e Jorge Weasley se inclinaram para frente e fixaram Dumbledore intensamente.
— Chegou o momento — o diretor disse, sorrindo, e todos reagiram, ficando ainda mais tensos. — O Torneio Tribruxo vai começar. Eu gostaria de dizer algumas palavras de explicação antes de mandar trazer o escrínio, apenas para esclarecer as regras que vigorarão esse ano. Mas, primeiramente, gostaria de apresentar àqueles que ainda não os conhecem o Sr. Bartolomeu Crouch, Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia — todos aplaudiram, embora fossem aplausos fracos e educados — e o Sr. Ludo Bagman, Chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos. — Agora os aplausos foram ruidosos e animados, algumas pessoas até assobiaram e gritaram. — Nos últimos meses, o Sr. Bagman e o Sr. Crouch trabalharam incansavelmente na organização do Torneio Tribruxo e se juntarão a mim, ao Professor Karkaroff e à Madame Maxime na banca que julgará os esforços dos campeões. — Dumbledore percebeu que todos estavam extremamente atentos. — O escrínio, então, por favor, Sr. Filch.
Filch levou uma arca antiga até Dumbledore, cheia de pedras preciosas. Não se ouvia nem o barulho das respirações, todos muito ansiosos e atentos para o que ia acontecer. Um primeiranista subiu em uma das mesas para tentar enxergar, mas nenhum monitor estava dando a mínima.
— As instruções para as tarefas que os campeões deverão enfrentar este ano já foram examinadas pelos Srs. Crouch e Bagman — Dumbledore disse enquanto a arca era colocada na mesa em sua frente — e eles tomaram as providências necessárias para cada desafio. Haverá três tarefas, espaçadas durante o ano letivo, que servirão para testar os campeões de diferentes maneiras... sua perícia em magia, sua coragem, seus poderes de dedução e, naturalmente, sua capacidade de enfrentar o perigo. Como todos sabem, três campeões competem no torneio, um de cada escola. Eles receberão notas por seu desempenho em cada uma das tarefas do torneio e, aquele que tiver obtido o maior resultado final da tarefa, ganhará a Taça Tribruxo. Os campeões serão escolhidos por um juiz imparcial... o Cálice de Fogo.
Dumbledore puxou sua varinha e deu três pancadas leves na tampa da arca, que se abriu lentamente. O diretor, então, tirou dela um grande cálice cheio até a borda com chamas branco-azuladas que se mexiam, hipnotizantes.
— Quem quiser se candidatar a campeão deve escrever seu nome e escola claramente em um pedaço de pergaminho e depositá-lo no cálice. Os candidatos terão vinte e quatro horas para apresentar seus nomes. Amanhã à noite, Festa das Bruxas, o cálice devolverá o nome dos três que ele julgou mais dignos de representar suas escolas. O cálice será colocado no saguão de entrada hoje à noite, onde estará perfeitamente acessível a todos que queiram competir. Para garantir que nenhum aluno menor de idade ceda à tentação, traçarei uma linha etária em volta do Cálice de Fogo depois que ele for colocado no saguão. Ninguém com menos de dezessete anos conseguirá atravessar a linha.
— É o que veremos — sussurrou Jorge Weasley, olhando para Fred, que estava quase em sua frente, ambos com brilho nos olhos.
— E, finalmente — continuou Dumbledore —, gostaria de incutir nos que querem competir que ninguém deve se inscrever nesse torneio levianamente. Uma vez escolhido pelo Cálice de Fogo, o campeão ficará obrigado a prosseguir até o final do torneio. Colocar o nome no cálice é um ato contratual mágico. Não pode haver mudança de ideia, uma vez que a pessoa se torne campeã. Portanto, procurem se certificar de que estão preparados de corpo e alma para competir, antes de depositar seu nome no cálice. Agora, acho que está na hora de irmos nos deitar. Boa noite a todos.
— Uma linha etária! — Fred Weasley disse, antes de sair correndo com o irmão para a entrada.
— Deve ser possível de enganar — bocejou.
— Uma linha etária normal, talvez. Mas uma projetada pelo próprio Dumbledore? Sei não — disse.
— Muito bem, temos que ir dormir porque amanhã teremos muito trabalho a fazer. tem que ir para a biblioteca procurar métodos para contornar esse pequeno obstáculo — continuou.
— E por que você não vai para a biblioteca? — questionou, surpresa.
— Porque eu tenho que preparar meus pergaminhos de teste. E você se negou a se inscrever ou a, pelo menos, tentar me inscrever. Você podia colaborar para o sonho da sua amiga. A não ser que você prefira a ideia de colocar meu nome por mim. Não parece difícil, hein. E você não teria que ficar na biblioteca — Ela continuou, tentando persuadir a amiga.
O dia seguinte chegou rapidamente e todos acordaram extremamente entusiasmados: era Halloween e dia da escolha dos campeões.
— Sabe — disse enquanto elas se arrumavam para descer para o café —, às vezes eu sinto falta do Dia das Bruxas dos trouxas. Nunca cheguei a usar minha fantasia especial de pirata porque a carta de Hogwarts chegou antes. Até trouxe a fantasia, mas depois descobri que ninguém usava.
— Acho que não faz sentido ser uma bruxa e se fantasiar de bruxas — comentou.
— Não seria engraçado se tivéssemos um Dia dos Trouxas para nos vestirmos de trouxas? — exclamou.
— Nós sempre fazemos isso para ir para a estação — replicou.
— Ah, é.
— E não faz sentido termos um dia para comemorar aqueles que nos perseguiram por anos e de quem temos que nos esconder — continuou.
— Mas alguns bruxos também perseguem trouxas e eles continuam comemorando — argumentou.
— Isso porque os trouxas não sabem que bruxos existem e colocam a culpa na natureza — explicou. — Não sei se eles ficariam felizes comemorando o Dia das Bruxas sabendo que realmente existem bruxas.
ficou imaginando se os pais comemoravam o Halloween como antigamente e sentiu que nem precisava pensar muito no assunto para ter certeza que não.
Elas, então, desceram para o saguão bem cedo, onde estava o Cálice de Fogo, cercado pela linha etária. Poucos segundos depois, todos os alunos de Durmstrang entraram em fila e depositaram seus nomes, liderados por Vítor Krum.
— Ah, Vítor Krum é maravilhoso, eu não me importaria se ele ganhasse — falou, com ar apaixonado.
— Garota, você tem que torcer pela sua escola! — brigou com ela.
— Mesmo? — falou, meio aérea.
— Ele nem é tão impressionante ou bonito. Parece meio carrancudo demais — comentou, curiosa.
Depois que eles se retiraram, as meninas foram para o Salão Principal tomar café, que já estava todo decorado de morcegos e abóboras para mais tarde, e depois correram de volta para o saguão, observando se mais alguém iria se inscrever, mas a maioria só olhava o Cálice.
Em algum momento, Fred, Jorge e Lino chegaram correndo, muito excitados. Conversaram um pouco com o irmão mais novo dos Weasley e seus amigos e depois foram em direção ao Cálice, parando no limite da linha etária. Várias pessoas olhavam curiosas, inclusive as quatro meninas.
— Pronto? — Fred Weasley disse, sem conter a excitação em sua voz. — Vamos, então, eu vou primeiro...
E tirou um papel escrito seu nome do bolso.
— Não é possível... ele não vai... — murmurou, os olhos arregalados de medo e excitação.
E, então, respirando fundo, ele cruzou a linha.
Jorge soltou um berro de triunfo e correu atrás de Fred, cruzando a linha também. No entanto, segundos depois, ouviu-se um chiado e os gêmeos foram arremessados para fora do círculo formado pela linha etária. Eles voaram 10 metros longe e, quando aterrissaram, um forte estalo ecoou pelo salão e duas barbas brancas, longas e idênticas cresceram nos dois.
se engasgou com a própria saliva de tanto rir. O saguão explodiu em gargalhadas. Até Fred e Jorge riram quando olharam para a barba um do outro.
— Eu avisei a vocês — disse uma voz grave e risonha e, quando se virou, viu o próprio Dumbledore observando tudo. — Sugiro que os dois procurem Madame Pomfrey. Ela já está cuidando da Srta. Fawcett da Corvinal e do sr. Summers da Lufa-Lufa, que também resolveram envelhecer um pouquinho. Embora eu deva dizer que as barbas deles não são tão bonitas quanto as suas.
Os dois garotos seguiram para a ala hospitalar, com Lino Jordan seguindo atrás, que não parava de rir. Aos poucos, muitos alunos se retiraram do local para tomar café.
— Espero que isso te faça desistir da pesquisa de como cruzar a linha — falou, sorrindo, para , que logo ficou emburrada.
— Talvez. Mas... — o sorriso voltou a seu rosto — você ainda pode me inscrever.
— E correr o risco de acabar na ala hospitalar também? Não, muito obrigada, tentadora a oferta, mas terei que passar.
— Vamos, ! Dumbledore não falou nada sobre um aluno mais velho inscrever outro mais novo! Acho que ele imaginou que nenhum aluno mais velho iria deixar de se inscrever e não ia querer nova concorrência.
— Até que faz sentido — concordou. — Não que eu apoie — ela se apressou a dizer.
— Vamos, , qual a chance de o Cálice escolher , de qualquer jeito? — falou.
— Mas e se escolher? Então, Dumbledore vai perguntar como ela conseguiu e a culpa vai parar em mim. — A menina parecia assustada.
— Eu digo que consegui colocar sem cruzar o círculo, com... com... com um galho muito comprido!
— É a mentira mais idiota que eu já vi — admitiu. — Fale que usou uma poção nela que a fez obedecer!
— Com que talento em Poções? — colocou, só constatando um fato.
— Eu sei fazer uma boa poção quando eu quero! — falou, orgulhosa. — O problema é que Snape nunca me fez querer.
— Então, mentira contada — falou. — Vamos, , é quase impossível o Cálice a escolher mesmo — ela completou, sussurrando.
— E a monitora promete não nos dedurar, certo? — olhou para , esperançosa.
suspirou.
— Ela promete. Vai logo. Deixa ela tentar.
tirou um pedaço de pergaminho do bolso escrito " - Hogwarts".
— Você já sabia que eu ia aceitar? — perguntou, irritada.
— Desejava muito — disse, suplicante.
E, em um piscar de olhos, antes que perdesse a coragem, quando todos tinham se retirado do saguão, cruzou a linha, jogou o papel e voltou correndo e gritando.
Poucos segundos depois, três estudantes mais novos entraram para conferir como andava tudo.
— Essa foi por pouco — falou.
— É! ISSO! — saiu gritando e correndo, sem nem esperar por elas.
parecia a ponto de chorar.
— Ouvi dizer que Cedrico Diggory, do nosso ano, vai se inscrever. Entre vários outros dos mais velhos. O Cálice não escolheria . E, se der ruim, vamos testemunhar que ela te ameaçou — tentou tranquilizar a amiga. — Você sabe que ela ia acabar ameaçando.
— Isso é inaceitável. Ela pode querer correr o risco sozinha, mas sem se importar de eu correr também? — estava muito chateada e entendeu o lado dela.
— Vamos, vamos encontrá-la — disse. — E vamos falar sobre isso. Já fizemos o que ela queria. Agora, ela tem que nos ouvir.
— Desculpa por pressionar você — disse. — Às vezes, eu perco a noção com essa garota.
— Eu sei — disse, sorrindo triste. — A culpa é minha de ter aceitado.
— A culpa é de de ter pedido — falou, muito conclusiva. — E nossa, de ter incentivado. Agora que passou o momento de emoção, eu me sinto péssima por você.
— Eu também — disse. — tem razão. Está na hora de entender algumas coisas.

⭐⭐⭐


— ... e é por isso que achamos que você deve desculpas à concluiu para .
As meninas a encontraram perto do Lago Negro, ainda toda sorridente. Agora, uma grande carranca se estendia por seu rosto.
— Vocês concordaram — falou.
— Sim, fomos na onda e fizemos tão mal quanto. Já pedimos nossas desculpas e percebemos nosso erro — falou.
— Bom, mas o que está feito, já está feito — disse, desafiadora.
— Você tem razão — respondeu. — A sua inscrição já está feita. Mas você foi uma péssima amiga hoje. Nós ela corrigiu — fomos péssimas amigas hoje. E temos que prometer não tentar impor nossa vontade acima das demais, especialmente se vamos colocar alguém em risco. Se quiser correr risco, corra sozinha, sem envolver ninguém, como os gêmeos Weasley, por exemplo. Não envolva mais nenhuma de nós ou nenhuma outra pessoa em qualquer plano maluco que a pessoa não concordar por vontade própria. Fechado?
ficou longos minutos encarando cada uma, com uma grande interrogação na cara. A amiga sempre fora completamente transparente, mesmo sem querer, e, por isso, depois da grande espera e tensão, ela soltou um suspiro e falou:
— Fechado.
Apesar de todas acreditarem que ela iria entender, não podiam negar o alívio que foi ouvirem aquela palavra. Depois disso, o dia voltou a ser animado.
— Eu ouvi que Warrington, aquele grandalhão da Sonserina, se inscreveu no torneio — comentou.
— Credo, aquele garoto não sabe nem a diferença entre um graveto e uma varinha normal — comentou.
— E o campeão não pode ser da Sonserina! — reclamou.
— Muita gente da Lufa-Lufa está falando do Diggory, não seria mau, não é? — falou, sonhadora.
— Achei que você gostasse do Krum — provocou .
— E o que uma coisa tem a ver com a outra? — ela respondeu, dando de ombros.
— Eu ouvi que a Angelina se inscreveu também! — disse.
— Nossa, seria muito legal! Uma mulher da Grifinória e nossa colega de quarto! — comentou.
A tarde foi repleta de comentários e, frequentemente, encontravam colegas tão excitados quanto. Cedrico Diggory estava completamente cercado por alunos da Lufa-Lufa de todas as idades, principalmente meninas. Ele sorria para todas, sem parecer pomposo e nem chateado. Realmente, o menino de ouro de Hogwarts. E, ninguém podia negar, era uma visão e tanto.
Em dois momentos, teve um colapso e chorou, morrendo de medo de se encrencar. Elas demoraram muito para poder acalmar a amiga.
Até encontraram Angelina, que confirmou que tinha se inscrito.
— Boa sorte, Angelina! — disse. — Espero que seja você!
Todas as meninas ali presentes confirmaram e Angelina abriu um sorrisão, agradecendo.
A noite finalmente chegou e todos desceram para o Salão Principal para a Festa das Bruxas, embora, pela primeira vez, estava desejando imensamente que fosse mais curta. Todo o grupo do sexto ano sentou perto, novamente, e todos pareciam estar torcendo para Angelina. Os outros dois maiores de idade, Kyle e , não quiseram se inscrever. Fred, Jorge e Lino já estavam completamente recuperados e aceitavam bem sua derrota, mostrando seu apoio a ela também. Até , que secretamente ainda tinha chance, não pôde deixar de se comover e torcer pela colega.
Depois do que pareceu uma eternidade, o jantar terminou, o que gerou uma intensa movimentação que cessou imediatamente quando Dumbledore se levantou. Todos estavam imóveis, a expectativa pairando no ar...
— Bom, o Cálice de Fogo está quase pronto para se decidir. Estimo que só precise de mais um minuto. Agora, quando o nome dos campeões forem chamados, eu pediria que eles viessem até esse lado do salão, passassem diante da mesa dos professores e entrassem na câmara ao lado, onde receberão as primeiras instruções.
observou que os olhos de Angelina brilhavam, como se já estivesse imaginando o caminho. Dumbledore puxou a varinha e fez um gesto que apagou todas as velas, exceto as que estavam dentro das abóboras recortadas, deixando o salão muito escuro, o brilho do Cálice se destacando ainda mais intenso. E todos aguardavam. parecia prestes a chorar de novo. fechou os olhos e parecia estar falando sozinha. estava com os olhos completamente arregalados, que mal piscavam. estava tonta com tanta expectativa...
— A qualquer segundo agora — sussurrou Lino Jordan, conferindo seu relógio.
De repente, as chamas do Cálice se avermelharam e começaram a soltar faíscas, pouco depois expelindo um pedaço de pergaminho chamuscado. Dumbledore pegou o pergaminho para ler. Todos prenderam a respiração...
— O campeão de Durmstrang será Vítor Krum.
O salão inteiro prorrompeu em aplausos e assobios.
— ISSO! — gritava tão alto, que alguns alunos se viraram assustados. Mas ela não era a única que chamava a atenção com seus comentários.
— Bravo, Vítor! — dizia o Professor Karkaroff, tão alto que se sobressaía dos aplausos. — Eu sabia que você era capaz!
— Tenho a impressão de que se não fosse pegar mal, ele teria trazido só Krum para não ter chance de ele perder a vaga — comentou com , que concordou, rindo, horrorizada.
Quando o campeão entrou na câmara, todos se calaram e fixaram o olhar no Cálice novamente, que logo voltou a ficar vermelho e expeliu um segundo pedaço chamuscado de pergaminho.
— O campeão de Beauxbatons é Fleur Delacour! — Dumbledore anunciou.
Novamente, o salão voltou a aplaudir e a menina loira, que chamava atenção desde que chegara, se dirigiu para a câmara também.
— Acho que os alunos não gostaram muito dessa escolha — apontou para a mesa da Corvinal, onde alguns alunos de Beauxbatons choravam e se revoltavam.
— Mimados. — Foi o que disse, antes de se voltar, compenetrada, para o Cálice. Não demorou muito para que todos no salão estivessem da mesma forma. Só faltava o campeão de Hogwarts.
Alicia apertava a mão de Angelina, ambas torcendo muito para que a segunda fosse a campeã.
O Cáice de Fogo ficou vermelho, novamente, e expeliu mais um pergaminho. O tempo pareceu estar se arrastando até Dumbledore pegá-lo.
— O campeão de Hogwarts é Cedrico Diggory.
— NÃO! — Os companheiros da Grifinória exclamaram, decepcionados por Angelina, mas não se ouviu nada, abafados completamente pelas comemorações da mesa da Lufa-Lufa. Só aplaudia também, encantada com o garoto.
— O que foi? — ela disse, quando recebeu um olhar feio de Alicia. — Ele é bonito!
parecia extremamente mais calma, como se todo o peso de ter aceitado inscrever tivesse ido embora. Essa, por sua vez, estava aborrecida, mas viu que ela sorriu ao ver relaxada.
Quando finalmente os aplausos, que foram os mais demorados, cessaram, Dumbledore voltou a falar.
— Excelente! Muito bem, agora temos os nossos três campeões. Estou certo de que posso contar com todos, inclusive com os demais alunos de Beauxbatons e Durmstrang, para oferecer aos nossos campeões todo o apoio que puderem. Torcendo pelos seus campeões, vocês contribuirão de maneira muito real...
Mas Dumbledore parou inesperadamente, pois, naquele momento, o Cálice de Fogo se avermelhava novamente, soltando faíscas e expelindo um quarto pedaço de pergaminho.
Dumbledore pegou o pergaminho e o leu. Ele pareceu muito surpreso e ficou ali, relendo. Todos esperavam, mirando Dumbledore fixamente. Então, ele pigarreou e disse:
Harry Potter!
se virou em choque para o garoto de apenas 14 anos, como todos no Salão. Ele parecia em choque e assustado. Será que se inscrevera de brincadeira e achou que nada poderia acontecer?
Fred Weasley, que estava ao seu lado, em choque, derrubou uma das taças douradas no chão. Ainda boquiaberta, automaticamente se abaixou para pegar a taça, mas o garoto tentou esticar o braço para pegar quando ela já estava inclinada embaixo da mesa, o que resultou em uma cotovelada forte no seu supercílio. Ela gemeu de dor ao se levantar e depositar a taça ao seu lado, mas o garoto não percebeu nada. Só olhava em choque para Potter.
— Harry Potter! — Dumbledore tornou a chamar. — Harry! Aqui, se me faz o favor!
O garoto, todo desajeitado, seguiu até a câmara, sob os olhares atentos de todos. Assim que ele entrou, a Professora McGonagall exclamou:
— Todos de volta a seus dormitórios!
E saiu em disparada junto com Dumbledore, Sr. Crouch, Ludo Bagman, Madame Maxime, Karkaroff e Snape. Os demais professores ajudaram a dispensar os alunos.
— Bom, acho que tenho que ajudar a conduzir os alunos — disse, se levantando, a dor incomodando em cima de seu olho esquerdo.
, você está sangrando! — exclamou.
— Ah, é? — ela falou e colocou a mão no supercílio. Quando a retirou, uma mancha de sangue veio junto. Ela ficou levemente tonta. Odiava ver sangue.
— Como que isso aconteceu? — indagou, analisando. — Acho que não é muito sério, é uma região que machuca fácil, mas é melhor ver Madame Pomfrey.
— Então, preciso da ajuda de vocês — disse. — Ajudem a conduzir os alunos mais novos. Eles sempre se perdem em momentos animados.
— Mas...
— Podem ir! — ela exclamou, se levantando com as amigas.
— Isso aí não teria sido fruto de uma cotovelada ou algo parecido, teria? — Ela virou para trás ao ver Fred Weasley falando com ela e passando a mão no cotovelo direito.
— Na verdade, tem exatamente a ver com isso — ela disse, se virando novamente.
— Ih, foi mal, não vi na hora. Mas isso aí você resolve rapidinho com Madame Pomfrey. Ou, se quiser testar um produto que eu e...
— Olha aqui, você já está me mandando para a ala hospitalar pela segunda vez nesse mês. É melhor não interferir mais.
— Relaxa, estressadinha. Só estava brincando! — ele disse, fingindo estar ofendido, fazendo-a revirar os olhos.
— Ei, Fred! — Era Jorge chamando-o. — Vem, temos que passar na cozinha e buscar a comida! Se chegarmos cedo, podemos, talvez, até conseguir alguma cerveja amanteigada.
— É para já! — E saiu correndo, deixando a garota ali, plantada e sangrando. O machucado podia não ser nada demais, mas ele precisava ser tão... tão... argh!

Capítulo 7

— Pode ir agora, pelo menos dessa vez não foi nada demais.
— Obrigada, Madame Pomfrey!
agradeceu e saiu, apressada, já estressada por ter tido que passar na ala hospitalar. Só conseguia imaginar o seu dormitório e poder conversar com as meninas...
A menina chegou à Torre da Grifinória e parou diante do quadro da Mulher Gorda.
— Boa noite. Asnice.
— Boa noite para você também, querida — a mulher piscou, abrindo a passagem.
Uma grande gritaria começou e algumas pessoas agarraram seus braços.
— Peraí! Não é ele! — Jorge Weasley gritou.
— Ah, é só a ! — Lino disse, decepcionado, deixando ofendida, que logo se desvencilhou de todos com cara feia e foi até as amigas enquanto a gritaria virava apenas conversas.
— Ah, , que bom que você está bem! – comentou, alegre.
— Ora, para de cara feia, é só porque estamos todos ansiosos para quando o garoto Potter chegar — disse, compreendendo a carranca da amiga.
— Vai ser uma festa! Afinal, por Merlin, um campeão da Grifinória! Embora, coitado, tão jovem... — falou.
— Não tenha pena de quem pode ficar rico! — rebateu.
— Mas correndo um risco mortal com apenas quatorze anos! — replicou, assustada.
deixou as três e foi para o dormitório tirar a capa, ficando apenas de saia e blusa. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo e se jogou na cama, pensando se deveria realmente descer.
Alguns minutos depois, a cama se afundou ao seu lado.
— Sabia que você ia estar aqui assim disse.
suspirou.
— É só que eu estou meio cansada e irritada. Não sei se quero descer.
sorriu.
— Justamente por estar cansada, você deveria descer e aproveitar. Tem cerveja amanteigada, salgadinhos, amendoim... os gêmeos podem ser irritantes, mas certamente sabem dar uma festa. E Lino Jordan tem um rádio enfeitiçado e ele prometeu tocar umas músicas boas. Você está no sexto ano, menina! O que você fez, até agora, além de estudar?
— Fui para a ala hospitalar duas vezes.
— Mas só uma foi interessante — disse, dispensando o comentário. — Olha, não quero ser chata e insistente, mas pensa uma última vez pelo menos. Podemos realmente nos divertir!
Como se fosse uma deixa, a sala comunal se encheu de berros e assobios e soube que Harry Potter havia chegado. Ela olhou para , que parecia ansiosíssima para descer e, ao outro lado, sua pilha de livros, e tomou uma decisão.
— Vamos logo antes que eu desista!
deu um gritinho e abraçou a amiga e já iam descer, quando voltou para reaplicar o batom que a Professora McGonagall retirara com mágica.
Já lá embaixo, Harry Potter estava enrolado em uma bandeira da Grifinória e todos já estavam comendo, bebendo e dançando.
e estavam em um canto, batucando os pés no ritmo da música enquanto conversavam algo, animadas.
— ... aí eu e Rob gritamos tanto que algumas pessoas começaram a encarar e então: eles nos encararam!
— O que vocês estão falando? — questionou.
estava me contando quando ela foi com Rob no show das Esquisitonas — disse.
— AH, MEU MERLIN! VOCÊ VIU TODOS ELES PESSOALMENTE? — deu um gritinho.
— Sim! Papai me deu de presente adiantado quando eu fiz dezesseis anos, então fomos toda a família.
— E ela viu o Kirley pessoalmente — suspirou.
— Que Kirley o que! Estou bem mais animada pelo Myron! — rebateu.
— Eu sempre preferi o Orsino e aquele jeitão misterioso — acrescentou, olhando para o nada.
— ESTÁ TOCANDO THIS IS THE NIGHT! — exclamou. — É MINHA PREFERIDA DELES! POR FAVOR, NÓS TEMOS QUE DANÇAR!
, inspirada por toda a energia de todos ao redor, ajudou a amiga a arrastar e para mais perto de onde um grupo dançava, gerando uma cara feia nas duas, que logo se desfez e todas se divertiram.
A noite seguiu com música, comidas e, em algum momento, alguém desenhou Cedrico Diggory e prendeu o desenho à parede, onde alguns se revezavam para rasgar e amassar o papel ou até mesmo acertar facas. Criaram várias músicas de torcida, colocaram Harry Potter no meio de tudo para que todos pudessem congratulá-lo ou indagar como ele conseguira se inscrever, o que ele negava firmemente não ter feito.
— É culpa da ! — disse. — Ele nunca ia falar a verdade em frente à monitora.
— Ei, quando você fala assim, parece que eu sou dedo duro!
— Você segue as regras, é diferente.
— Mas não sou dedo duro. — Ela fez bico. Odiava quando as pessoas a tomavam como certinha só por causa de um distintivo.
— Acho que ele convenceu um aluno mais velho também — disse, mudando o foco da conversa.
— Mas deve ter sido mais que isso! Ele conseguiu fazer com que o cálice escolhesse dois campeões de Hogwarts — comentou.
— E eu nunca dei muito por esse garoto. Anda com essa cara de inocente, mas se deu melhor que a gente! — disse.
— Inocente? Ele não estava envolvido nos últimos acontecimentos bizarros da escola? — lembrou.
— A gente realmente tem que ficar discutindo sobre um adolescente magrelo? — reclamou.
— Hm, por que, , é dos mais velhos que você gosta de discutir? — provocou.
— Eu... eu nunca... nunca falei... como você ousa! — estava vermelha a esse ponto.
— É um completo desastre que nós sejamos quase maiores de idade, quer dizer, algumas já são, e nenhuma de nós namorou até hoje — apontou.
— Eu namorei! — rebateu.
— Namorar um garoto por menos de vinte e quatro horas no Dia dos Namorados não conta — rebateu.
— Claro que conta!
— Garota, se você realmente insiste que isso conta, você está em decadência — disse.
— Pelo menos, estou melhor que vocês...
— Bom, eu nunca quis namorar mesmo, tenho outras prioridades — deu de ombros.
— Realmente, ainda tenho pena daquele menino que te chamou para ir a Hogsmeade com ele no quarto ano. Quem foi mesmo? Davies? — completou.
— Não importa. E também já teve seus pretendentes. Não sei por que vive recusando. Até Cedrico Diggory chegou a te notar! — continuou.
— Tenho outras prioridades — rebateu, sarcástica, fazendo-as rir.
— Bom, pelo menos eu não me sinto ofendida de ter uma vida amorosa ruim perto da de vocês — comentou, dando de ombros e rindo.
— Ah, como se a gente fosse esquecer os seus memoráveis beijos com Truman... não, nossa memória é muito maligna e eficiente para deixar isso passar — provocou.
— Vai começar a me lembrar daquele desastre?
— Ah, querida , só porque ele te beijou, de repente, em frente a todos no Três Vassouras, inclusive dos professores, e depois você saiu chorando porque não sabia como beijar, não significa que foi um desastre — falou.
— Você literalmente listou todos os motivos para ser um desastre — rebateu, já ficando de mau humor.
— Enfim, mais cerveja amanteigada? — logo ofereceu.
O resto da noite e início da madrugada decorreram com conversas, risadas, danças e cantorias, até que, quase uma da manhã, estava insistindo para elas irem dormir e já estava sentindo o cansaço pesar nela, agradecendo muito que o dia seguinte fosse domingo. Afastou fortemente a lembrança dos deveres de casa e fingiu que seria um dia de descanso. Elas finalmente subiram para o dormitório, como metade dos alunos, especialmente os mais novos, porém alguns como Fred, Jorge e Lino, os organizadores da festa, continuaram.
Nos próximos dias, a escola inteira se voltou contra a Grifinória como uma forma de apoiar Cedrico Diggory: o verdadeiro campeão, como eles estavam chamando. tinha perdido a conta de quantos distintivos escritos “POTTER FEDE" teve que tirar dos alunos e quantas vezes ela teve que impedir os irmãos Creevey de explodirem alguma coisa ao tentar mudar o distintivo.
Se não bastassem os deveres de casa e essas confusões, os gêmeos Weasley estavam cada vez mais tentando vender produtos ilegais. O tempo todo ela tinha que levantar para confiscar um produto ou levar alguma criança à ala hospitalar. Aquilo começou a virar uma guerra pessoal.
Então, certa noite, quando ela estava patrulhando os corredores depois do toque de recolher, ela ouviu algumas vozes vindas da escada e identificou como um par muito irritante já conhecido, se escondeu atrás de uma pilastra e aguardou a chegada deles.
— ... temos que pressioná-lo mais.
— Boa noite, Weasleys — disse, dramaticamente, ao sair detrás da pilastra.
O choque no rosto deles começou a compensar cada tarde em que ela ficara completamente nervosa com eles.
— Vamos, o que estão esperando? Filch vai ficar muito feliz de rever vocês na sala dele.
— Sinto muito, , mas nós temos mais o que fazer essa noite do que encontrar um velho rabugento — Jorge pontuou.
— Sabe como é, ele nem tem mais produtos interessantes na sala dele. Já pegamos todos para nós. Então, vamos ter que dispensar — Fred disse, andando.
— Mais um passo e eu convoco Madame Nor-r-ra para cá — ameaçou, mas nem sabia se conseguia conjurar um ser vivo.
— Então, não temos escolha — Jorge rebateu.
E, ao mesmo tempo, Fred e gritaram:
Petrificus Totalus!
Protego!
O feitiço da menina foi suficiente para ela sair ilesa.
Mas, então, ela ouviu alguém atrás dela.
— Ei, vocês acham que cinco tortinhas para cada um está bom?
O segundo que perdeu olhando para Lino Jordan, que surgira no corredor, foi decisivo.
Levicorpus! — Jorge Weasley gritou e uma luz verde saiu de sua varinha. Quando deu por si, estava pendurada de cabeça para baixo no meio do corredor.
Tentou pegar sua varinha, mas, na mesma hora, sua saia virou. Os garotos riam e corriam para longe enquanto ela tentava esconder suas roupas íntimas.
— VOCÊS VÃO PAGAR POR ISSO! — gritou, frustrada.

⭐⭐⭐


— Que horror! Eles fizeram isso mesmo? — perguntou para .
A noite anterior fora traumática. Atraído pelos gritos dos feitiços, Pirraça apareceu e começou a zombar dela. Teve que soltar a própria saia e deixar a calcinha a mostra para poder lançar nele o feitiço Travalíngua e lançar o contra feitiço que a libertou. Deixou o fantasma para trás com a língua colada no céu na boca (inclusive, foi muito útil saber que funcionava com fantasmas também), mas as palavras “calçolas de velhota coroca" ainda ressoavam em seus ouvidos.
Agora, contava para suas amigas sua trágica história. Não bastasse toda a humilhação passada, seus olhos estavam cheios de olheiras pela ansiedade que não a deixou dormir. Pelo menos, pela primeira vez, Filch não aparecera.
— Então, como você vai se vingar? — indagou, a raiva queimando nos olhos. Era uma amiga muito leal.
— Vou contar para McGonagall sobre o acontecido — disse, decidida.
— E depois? — parecia muito ansiosa.
— Depois, eles vão levar uma bela de uma detenção.
— Só isso? Eles te humilham no meio da noite e é isso que você vai fazer? Contar para um professor? — bufou.
— E o que mais ela faria? — retrucou, apoiando a decisão de .
— Bom, ela, com certeza, poderia pensar em algo mais criativo, eles merecem algo pra nunca se esquecerem com quem estão lidando. Detenção eles recebem todo dia — argumentou, enérgica.
— O que você tem em mente? — perguntou, curiosa. Nunca tinha feito algo daquele tipo.
— Bom, não sei. Talvez descer para o nível deles. Uma pegadinha — pensou.
— Ou humilhação pública — completou.
— Não sei fazer nada disso e nem sei se conseguiria — rebateu.
— Você tem que se impor! Eles estão zombando da sua autoridade — disse.
— Ai, não sei se isso é certo... — advertiu, a cabeça balançando em negação.
— Talvez elas tenham razão, . Talvez seja hora de deixar de ser a monitora certinha — falou para a amiga, sentindo a raiva aumentar sua coragem.
— Olha, eu tenho um estoque novinho em folha de bombas de bosta lá em cima, só para casos urgentes, então posso te emprestar — disse seriamente, como se estivesse falando em um empréstimo de diamantes.
— Não sei, acho que tem que ser algo que os surpreenda completamente — pensou alto.
— Acho que eu tenho uma ideia que talvez funcione muito bem — sorriu, maldosamente.
Cinco horas depois, com o plano bem estruturado, estava batendo à porta da sala da Professora McGonagall.
— Entre. — Ela ouviu a mais velha chamar.
— Boa tarde, professora. Desculpa te incomodar em um domingo. Mas eu estava tendo uma ideia e fiquei muito empolgada para praticá-la! — disse, com entusiasmo, na medida certa.
— Não tem problema, srta. . Sente-se. — A professora sorriu de leve, pois tinha apreço pela menina tão dedicada de sua casa.
— Obrigada, professora. Então, estávamos no salão comunal justamente conversando sobre os N.I.E.M.s do ano que vem e veio o nervosismo... sabe, alguns alunos estavam comentando que sentiam que estavam perdidos e não estavam dando conta. E me veio uma ideia brilhante de criar um grupo de estudos!
— Que interessante — Minerva a olhava, curiosa.
— E, por mais que eu saiba que a organização desses grupos é independente e eu não preciso pedir permissão, eu gostaria de saber sua opinião. E... também trazer um outro assunto.
— Com certeza, acho uma atitude muito nobre, srta. . Mas me diga. O que mais você deseja discutir?
— Bom... eu não sei se deveria falar isso — fingiu certo nervosismo. Era só falar exatamente como treinara com as meninas. — Mas, enquanto estávamos na sala comunal, eu ouvi... ah, professora, não quero fazer fofoca, mas eu fiquei tão preocupada!
— O que houve?
— Eu ouvi Fred Weasley, Jorge Weasley e Lino Jordan falarem preocupados que estão se sentindo muito pressionados e perdidos, mas não tinham coragem de pedir ajuda. Deu para sentir que eles estavam sendo sinceros, sabe? E por isso fiquei tão determinada com esse projeto! Como posso ver colegas meus desistirem assim? Apesar de não sermos próximos, crescemos juntos e eu, inevitavelmente, criei um carinho por todos. Não quero mais vê-los nesse estado — nem precisou fingir que estava mal. O peso na consciência de estar mentindo para uma professora já a deixava assim. Mas valeria a pena.
— Entendo, é um sentimento normal estar assim, do mesmo modo que é esperada certa resistência vinda deles. Então, você veio aqui porque queria minha ajuda com isso, certo? E como, exatamente? — a professora falou, a observando por cima de seus óculos quadrados.
— Acho que eles não vão deixar eu me aproximar. Vão ser orgulhosos demais para isso. Estava pensando se você poderia mandá-los para a sala que eu quero fazer esses estudos, sem avisar o motivo, para fazê-los assistirem uma aula que seja. Tentar mudar a cabeça deles. Talvez, se entenderem que todos estão precisando de ajuda, não se sintam incomodados para as próximas vezes!
— Não é uma ideia ruim, srta. , mas também não é a das mais éticas. Essa questão de não revelar o propósito que vai enviá-los para a sala...
— Tem razão, professora McGonagall — suspirou. — Foi meio idiota. Acho que me empolguei querendo ajudar a todos, mas nem sempre podemos. Melhor deixar isso para lá. Eu só fiquei tão preocupada...
A professora a olhou de forma indecifrável, parecendo refletir sobre tudo. Apoiou os braços na mesa à sua frente e, por fim, suspirou.
— Acho que vale a pena tentar uma vez. Eles realmente estão precisando de motivação extra. Espere um segundo. — A professora conjurou com a varinha diversos papéis e os analisou rapidamente. — Vejo que vocês todos têm um horário livre amanhã nos primeiros tempos da manhã. Vou deixar a sala de História da Magia aberta para vocês, já que o professor Binns não trabalha nesse horário. Lhe darei 15 minutos para organizar tudo na frente e, depois, os avisarei para seguirem até lá. É sua única chance e espero que seja bem sucedida.
— Obrigada, professora McGonagall! — exclamou, genuinamente feliz. — Espero que eles não fiquem bravos, eu só quero tanto poder ajudá-los.
— Fique tranquila ao fazer sua parte e, se não der certo, não se culpe. Não podemos tomar decisões pelos outros.
— Pode deixar, professora. E darei o meu máximo para dar certo.
— Tenho certeza disso. Um dia, você será uma bruxa excepcional, srta. .
— Obrigada, professora — disse, o sorriso forçado. Lá estava a professora a elogiando enquanto ela traía sua confiança. Que legal.
Mas não importava. Aquilo ia ser merecido. E talvez fizesse aqueles garotos finalmente aprenderem uma lição que não tinha nada a ver com a matéria da escola.
Naquela noite, as quatro meninas ficaram muito ansiosas no dormitório e não paravam de falar e repensar partes do plano, recebendo vários olhares curiosos de Angelina e Alicia.
No dia seguinte, elas tomaram café e foi apressadamente para a sala de História da Magia. Deixou tudo pronto. Três cadeiras para eles se sentarem e se posicionou atrás da porta com um feitiço de desilusão para encobri-la. A cada segundo, seu coração batia tão forte que ela jurava que escutariam do outro lado do castelo. Mas nada se comparou a ansiedade de quando eles cruzaram o portal.
No segundo em que eles se sentaram, a varinha de foi rápida.
Incarcerous!
Cordas grossas prenderam os três nas suas respectivas cadeiras e os calaram. Os gêmeos e Lino olhavam ao redor tentando entender o que estava acontecendo, ou melhor, quem estava fazendo isso. Seus olhos encontraram enquanto ela fechava a porta. Eles murmuravam coisas incompreensíveis por conta da corda enquanto a menina se sentava em frente a eles.
— Muito bem. Não há motivos para ficarem nervosos. Por favor, fiquem à vontade! Afinal, ninguém vai escutá-los.
O prazer de se sentir no poder era maior do que o nervosismo por fazê-lo. Sabia que ia se arrepender em algum futuro, porém, naquele momento, sentia-se muito poderosa.
— Pois bem, não acharam que aquela gracinha ia ficar assim, acharam mesmo? Não, está na hora de vocês entenderem o que acontece quando se mexe com alguém do seu tamanho. Agora, o professor Binns está chegando e vai ficar contentíssimo de dar mais uma aula de História da Magia. Honestamente, nem vai reparar em vocês.
— E o que a faz achar que vamos ficar calados? McGonagall vai passar a te odiar depois que você fizer isso — Jorge, que tinha se livrado das amarras, falava, a raiva clara em seus olhos.
— Ah, Weasley, honestamente, é a palavra de vocês contra a minha. Em quem você acha que vão acreditar? Nos encrenqueiros que não levam nada a sério ou na monitora exemplar? Vocês se meteram com a garota errada e agora vão entender o porquê — a garota disse, antes de reforçar o feitiço das cordas e deixar todos bem presos e calados. — Bom, agora eu vou indo. Boa aula para todos! Tenho certeza que será um longo aprendizado.
Os olhos de Jorge e Lino refletiam o puro ódio que sentiam dela naquele momento, mas os olhos de Fred não traziam apenas raiva. Traziam o que parecia curiosidade. Aquilo deixou desconcertada, mas ela apenas sorriu maldosamente e os abandonou naquela sala, antes do professor Binns chegar.
Agora, eles iriam pensar várias vezes antes de se meterem com de novo.

Capítulo 8

Fred Weasley nunca se sentira tão irritado, desafiado e... intrigado.
Era de conhecimento de todos que ninguém na escola estava à altura dos gêmeos, ele não podia negar a fama que eles conquistaram com ardor (e muitas bombas de bosta). Nunca haviam sido desafiados desse jeito e nunca haviam saído por baixo.
Especialmente enfrentando alguém tão patética quanto .
Ela era literalmente o oposto deles. Ou, ao menos, ele achava que sim. Não esperava que, depois de deixá-la pendurada no corredor com a calcinha à mostra, ela fosse ficar tão irritada para dar o troco.
Como a garota mais sem graça de todas se tornara, de repente, tão corajosa e sarcástica?
Bom, certamente o Chapéu Seletor havia deixado a menina na Grifinória por uma razão, mas ele nunca se imaginara descobrindo a razão disso amarrado à cadeira, sendo forçado a ouvir o Binns (aula da qual ele havia finalmente se livrado nesse ano).
Pensando bem, nunca pensara muito a respeito de no geral.
Só possuía duas lembranças marcantes dela antes daquele ano.
A primeira, havia sido quando Fred e Jorge subiram no Expresso de Hogwarts pela primeira vez. Iam iniciar seu primeiro ano e estavam empolgadíssimos. E mais empolgados ainda para testar seus novos produtos. Assim que os acenos chorosos da mãe sumiram na curva, seu irmão Carlinhos, que estava no último ano, foi se sentar com os amigos e Percy, o irmão mais irritante e mandão, mesmo sendo só dois anos mais velho, se fechou em um vagão para ler. Enfim a sós, os dois desembrulharam chumbinhos fedorentos e bombas de bosta que estavam escondidas estrategicamente. Escolheram uma particularmente fedorenta e estavam pensando no que fazer, quando uma menina baixinha e séria apareceu no corredor. Provavelmente era uma primeiranista. Com os olhos curiosos, ela relanceou todos aqueles produtos e olhou para os dois rostos quase idênticos:
— O que é isso? — ela perguntou, com a voz fraquinha.
Os gêmeos se entreolharam e partilharam um sorriso discreto que só poderia significar uma única coisa: o plano já estava em ação.
— Isso aqui? — Jorge perguntou, zeloso. — Nunca viu produtos mágicos?
A menina balançou a cabeça em negação, os olhos ainda mais curiosos.
Os Weasley se entreolharam de novo. A vítima perfeita.
— Esse aqui faz parte de um jogo muito divertido — Fred disse, com um sorriso inocente no rosto, segurando a bomba de bosta. — Quer saber? Temos vários. Pega esse pra você.
A menina, provavelmente nascida trouxa, sorriu.
— De verdade? — questionou, um pouco em dúvida.
— Mas é claro! Você também é do primeiro ano, não é? Então nós somos colegas! — Jorge enfatizou.
— É, e colegas devem ser legais um com os outros.
Os gêmeos sorriam inocentes como dois anjos ruivos e a menina só pôde aceitar.
— Tudo bem, obrigada!
— Aqui, pega! — Fred disse, jogando a bomba para a criança e, imediatamente, ele e Jorge entraram em uma cabine.
Os dois só escutaram o barulho da explosão nojenta e incrível, seguida por um grito meio chorado. Quando abriram a porta, a menina estava imunda, com os olhos cheios de lágrimas, e várias pessoas abriam as portas para ver o que estava acontecendo. As risadas começaram a preencher o corredor e a garota simplesmente desapareceu.
Mais tarde naquele dia, a menina continuava fedida, mesmo com a roupa trocada, e diversas lágrimas se acumulavam em seu rosto. Fred descobriu que seu nome era e que ela também fora para a Grifinória.
Sentada na mesa, todos se afastavam dela, não achando o cheiro dela particularmente agradável para um jantar.
— Vocês viram a menina no corredor completamente suja? — Lino Jordan, a quem os gêmeos ainda não conheciam, falou.
— Não pudemos ver muito. Estávamos nos escondendo antes que explodisse — Fred replicou, pegando mais um bolo de carne.
— Espera. Vocês explodiram?! — o garoto novo questionou em total admiração. — Ah, vocês são meus heróis! Meu nome é Lino Jordan.
— Eu sou Fred. Fred Weasley.
— E eu sou Jorge Weasley.
— E os dois vêm comigo. — Uma voz severa disse atrás deles e, quando se viraram, viram seu irmão, Carlinhos.
— Carlinhos! Como vai o jantar? — Fred perguntou em sua voz infantil, mas que o irmão já sabia enxergar a capacidade de causar problemas naqueles pequenos projetos de gente.
— Estava bom até que a professora McGonagall me pediu para chamar vocês.
— Viu, Fred? Já somos celebridades. É melhor pegar as penas. — Jorge se espreguiçou.
— Vamos. Agora. — O Weasley mais velho pegou os dois pelas orelhas.
— ‘Tá bom, ‘tá bom!
No resto da noite, eles ouviram a fedorenta chorar, viram a professora McGonagall ajudá-la, receberam sua primeira detenção e a primeira carta de decepção da mãe.
Mas foi também graças a isso que foram parar na sala do Filch e encontraram o Mapa do Maroto. Ah, aquilo certamente valera a pena.
A segunda lembrança que Fred Weasley tinha era do Halloween do ano passado. Aquele desafio ridículo de entrarem na floresta proibida havia ficado mais na cabeça de Fred do que ele admitira. Quando Jorge e Lino o questionaram sobre detalhes, ele debochou da garota e seu medo de dementadores, mas não admitiu os pensamentos horríveis que passaram pela sua cabeça. E, muito menos, a preocupação que ele sentira por .
Depois disso, aconteceu algo curioso. Fred e nunca mais se falaram propriamente, mas ele começou a perceber a presença da garota. Ele nunca percebera o quanto ela estava sempre tão próxima, o tempo todo perto, nas mesmas aulas, nos mesmos ambientes. E aquilo o incomodava mais do que ele podia admitir.
E, então, ele oferecera uma bala de café para ela. Não iria mentir e dizer que não se sentira culpado. Pela primeira vez em toda a sua história, ele se arrependeu de uma pegadinha. Desde quando ele, Fred Weasley, se arrependia de algo? Mas passou a semana um pouco aterrorizado com o corpo dela pálido e caído no chão. Claro que, em frente a todos, inclusive dela, ele ria daquilo abertamente e falava como era uma experiência incrível para aperfeiçoar a bala.
E, depois, ela se tornara sua parceira de Transfiguração. Embora ele tivesse certeza que ela o ignorava em todas as aulas, com sucesso, Fred não podia deixar de observá-la e irritá-la. Havia algo fascinante em ver a monitora que representava a compostura ser tirada do sério.
Ele só nunca imaginava que fosse tão tirada do sério a ponto de obrigá-lo a assistir uma aula extra do Binns.
Um arrepio subia por sua espinha só de lembrar do assunto.
— Nós precisamos pensar na nossa vingança — Jorge falou, sem mais delongas.
Os gêmeos e Lino estavam na cozinha, roubando alguns petiscos para diminuir o mau humor, e planejando o que fariam em relação à tortura que sofreram no dia anterior.
— Bom, poderíamos fazer uma viagem no tempo e relembrá-la do saudoso cheiro de Bombas de Bosta — Lino falou, malicioso.
— Hogwarts pode não lembrar mais tanto do acontecimento, mas duvido que ela tenha esquecido — Fred replicou e os três riram baixinho.
— Mais uma tortinha de abóbora, senhor? — Um elfo doméstico se aproximou deles, os olhos ansiosos para servi-los.
Jorge refletiu por um segundo.
— Nos veja mais cinco. Para cada um.
A pequena criatura fez uma reverência entusiasmada e correu para dentro da cozinha.
— Mas não sei. Talvez ela pense que nossa criatividade acabou. Não gosto de não ser original — Jorge sacudiu a cabeça.
— Mas ela não é tão especial a ponto de merecer algo muito novo — Lino retrucou e todos concordaram.
Era quase possível escutar as engrenagens girando em suas cabeças. Com um clique, Fred olhou para os outros.
— Talvez... talvez a melhor vingança seja não fazer nada — ele comentou.
Os outros dois rostos viraram para ele, perplexos.
— Você está maluco?! — Jorge gritou.
— Ouve! Não é não fazer nada para sempre. É não fazer nada por um tempo. Ela vai ficar com medo do que estaremos planejando. Não conseguirá dormir sem antes conferir se não existe algo ali. A ausência da vingança a deixará uma pilha de nervos.
Lino e George refletiram.
— E não só isso — ele correu em explicar, as ideias borbulhando em sua cabeça. — Em um jogo de quadribol, como se consegue uma boa chance de fazer um gol?
— Acertando um balaço na cabeça do goleiro — o gêmeo falou prontamente.
— E que forma melhor de mirar o balaço do que estando no campo adversário sem parecer uma ameaça?
— Não agir e se aproximar? — Lino considerou.
— Mantenha os seus amigos perto e os inimigos mais perto ainda — Jorge começou a sorrir de maneira idêntica ao irmão, a cabeça pensando nas possibilidades.
— Não parece nada mal — Jordan retrucou.
— Mas haverá uma vingança, certo? — O outro Weasley logo tentou se assegurar.
Fred sorriu para o irmão e para o amigo, algumas ideias surgindo à sua cabeça.
— Ah, nós vamos fazer nossa vingança. E ela será inesquecível.

⭐⭐⭐


caminhava pelo corredor, atrasada para a aula. Em toda a sua vida, nunca estivera atrasada, especialmente para a aula de Poções.
Mas não andava sendo ela mesma naquela semana. Entre os olhares que recebia dos gêmeos Weasley e de Jordan, só sentia o medo e o arrependimento crescerem em si. Não deveria ter comprado essa briga, era o que repetia para si mesma. Só desejava se esconder o máximo possível.
Sabia que eles estavam com aquele rosto de quem estava prestes a surgir diante de si com uma surpresa. Uma surpresa nada agradável para o surpreendido.
não conseguia evitar. Verificava todos os dias na sua cama se havia algo. Ou dentro do seu malão. Nunca entrava no banheiro sozinha. Lançava feitiços de revelação antes de fazer qualquer coisa. E, à noite, tinha pesadelos horríveis, nos quais ficava coberta de bombas de bosta em frente à escola inteira. Ela ainda lembrava do cheiro e da textura muito mais do que gostaria. E acordava tremendo, sem se permitir chorar, embora o quisesse.
Nunca agira de forma tão irracional e temerosa antes, porém ainda se lembrava da humilhação que havia passado quando entrara pela primeira vez no Salão Principal, espetacular e maravilhoso, e só conseguia sentir os olhos encherem d’água com todos torcendo o nariz para si.
Ficou uma semana conhecida como a “menina-bosta". Foi um pesadelo virando realidade. Ela cortou o cabelo logo em seguida e começou a se tornar cada vez mais invisível, até todos se esquecerem dela.
Por sorte, poucos eram os estudantes que ainda estudavam em Hogwarts que estiveram presentes no incidente e nenhum deles lembrava da identidade da “menina-bosta”.
E ela esperava que continuasse assim.
Com o pânico somado às noites mal dormidas, se encontrava cansada, com olheiras, assustada e em uma crise de nervos e foi nesse estado, somado ao atraso, que ela entrou na aula de Poções.
E todos se viraram para encará-la, inclusive o professor Snape.
— Ora, ora, srta. , parece que minhas aulas não são tão importantes para que você se digne a aparecer na hora, não é mesmo?
Ela abaixou a cabeça, completamente envergonhada. Aquilo, com certeza, era um pesadelo virando realidade. Todos aqueles olhos julgadores sobre si... até que encontrou um olhar preocupado de e se sentiu um pouco mais tranquila.
— Me desculpe, professor Snape, eu...
— Não quero ouvir desculpas esfarrapadas, , eu quero é que pare de atrapalhar minha aula. Sente-se imediatamente. E menos 30 pontos para a Grifinória.
, Kyle e arquejaram, em choque.
correu para se sentar ao lado dos dois na bancada, o rosto corado com os risinhos das outras casas que a acompanhavam até a bancada.
— O que houve? — perguntou baixinho.
— Eu... eu... — ficava cada vez mais vermelha com o motivo do seu atraso. Como podia estar sendo tão idiota de estragar sua vida por uma “ameaça” que não lhe fizera nada?
— Sabe, você anda bem tensa nesses últimos dias. Mas, depois de amanhã, vamos ter o passeio para Hogsmeade e a primeira tarefa do Torneio terça... você deveria relaxar, sabe? Podemos passar no Três Vassouras ou você pode levar algo para ler em algum lugar tranquilo...
Kyle, que assistia tudo quieto, acenava com a cabeça, encorajando. suspirou. Bom, de nada adiantaria viver com medo eterno, não é?
— Acho que você tem razão, , eu...
— Srta. , já percebi que tirou o dia de hoje para me desrespeitar.. — A voz do professor Snape a interrompeu. — É anseio de conhecer a detenção?
O coração de parou. E, depois, começou a bater muito rápido.
— Não, senhor! — Sua voz saiu esganiçada. Por Deus, um de seus orgulhos era, em seis anos de escola, nunca ter se metido em problemas.
— Menos 10 pontos para você e para a senhorita . Da próxima vez não serei generoso.
Agora, todos a encaravam de novo. Por Deus, ela simplesmente odiava isso.
Alguma espécie de muxoxo saiu de sua boca enquanto ela se encolhia na bancada. Por sorte, Snape começara a aula e todos tiveram que prestar atenção para fazerem a Poção Azul-Hidratante.
O trabalho mecânico foi uma bênção, já que aquele estava sendo um dos piores dias que já tivera (e o dia mal começara). Perdera quarenta pontos para a casa, quase ganhara uma detenção e tudo culpa do maldito trio que a deixava completamente confusa. Por que eles não revidaram?
Talvez a tivessem perdoado. Talvez...
— Coloquem suas Poções em um frasco e coloquem na minha mesa. Irei avaliar cada uma pelos padrões N.I.E.M.s. — A voz irritante do professor se espalhou pelo ambiente.
Kyle, e se encaminharam para a fila, os frascos em mãos. colocou a sua poção verde clara, que ela sabia que deveria estar azul turquesa, em cima da mesa, porém, antes de sair, ouviu a voz do professor Snape:
, fique. Quero falar com você.
O medo cresceu em sua garganta, mas ela apenas assentiu e fez um sinal para que fosse à frente.
Depois de uma espera tortuosa até que todos os alunos entregassem suas Poções, se viu sozinha com o professor. O mesmo, carrancudo como sempre, pegou o frasco da menina em suas mãos.
— Me diga, srta. , de que cor deveria ficar uma poção Azul-Hidratante?
se encolheu.
— Azul, senhor.
— E que cor é essa? — Snape estendeu o frasco.
queria chorar.
— Verde, senhor.
— E por que sua poção está verde e não azul?
A garota sentia suas mãos tremerem.
— Eu... eu não sei, senhor.
O professor colocou o frasco de volta com os outros e sua cara, antes fechada, parecia ainda pior agora.
— Você... não sabe — Snape pontuou. — Vou te dizer o que eu sei, srta. . Sei que você se atrasou para a minha aula, usou esse tempo para conversar e ainda espremeu babosa demais na poção, sem nem sequer se dignar a prestar atenção no que fazia. — O olhar dele se estreitou ainda mais. — Você sabe o que isso significa?
Diversas coisas passaram pela cabeça de . Detenção. Sala do diretor. Até mesmo expulsão, por mais que soubesse que era exagero. Mas ela apenas se manteve quieta, esperando o professor terminar.
— Significa que na próxima aula você me entregará um pergaminho de 80 centímetros sobre as influências de cada medida dos ingredientes da Poção Azul-Hidratante em seu efeito. E visite Madame Pomfrey e lhe peça um pouco de Poção Estimulante. Sua cara está horrível, .
ergueu os olhos, completamente em choque. Uma redação? E passar na enfermaria? Essa era sua punição?
— Obrigada, professor Snape — falou baixinho, mas com um sorriso no rosto.
— Já terminamos. Vá embora antes que pegue uma detenção. E, caso se atrase de novo, eu a entregarei ao diretor Dumbledore pessoalmente — ele disse, a amargura extrema de volta à sua voz.
— Sim, senhor — disse, correndo para fora da sala.
Aquilo realmente acabara de acontecer? A garota saíra em total espanto que nem percebera uma pessoa a sua espera no corredor das masmorras.
— Kyle! O que você está fazendo aqui?
— Eu queria falar com você, então fiquei te esperando — ele sorriu.
— Não precisava, de verdade.
— Ah, não se preocupe! Estamos em intervalo mesmo, então não me atrapalhou em nada.
— Obrigada — ela respondeu, pois parecia uma resposta necessária. — Sobre o que queria falar?
Arckeley coçou a cabeça, pensando.
— Bom, primeiro, queria saber como você está. Sabe, com tudo isso que aconteceu.
— Ah! É... está tudo bem. Só não tive uma boa noite de sono — respondeu, surpreendida por aquele gesto.
— E o Snape... não te deu suspensão nem nada assim?
— Na verdade... ele me passou um pergaminho e me mandou visitar Madame Pomfrey — ela falou, ainda sem acreditar.
— Snape sendo gentil?! Você tem certeza de que não entendeu errado?
— Acredite, se eu estivesse lá, eu também não acreditaria.
Os dois começaram a subir as escadas e logo alcançaram o pátio, que estava lotado de alunos aproveitando o intervalo.
— Apesar de isso ser muito estranho, fico feliz que não tenha sido suspensa nem tenha ganhado uma detenção. Porque eu gostaria que você fosse comigo para Hogsmeade no sábado.
estava em completo choque. Que maldito dia esquisito era aquele, no qual ela se atrasava, Snape era gentil e ela era convidada para um encontro?!
Espera, era um encontro, certo?
— Tipo, só nós dois? Juntos? — se propôs a perguntar. Não entre em pânico.
— Acho que essa era a ideia — Kyle riu fraquinho.
— E... seria um encontro?
Kyle coçou a cabeça no mesmo gesto pensativo de antes. O estômago de parecia corroer todo o resto de seu corpo em uma maldita ansiedade. No entanto, o garoto olhou para ela com olhos castanhos brilhantes e calorosos e sorriu. Um sorriso verdadeiro que a fez tremer de leve.
— Sim, é um encontro.
Hipnotizada, antes que pudesse raciocinar direito, apenas se escutou dizendo:
— Tudo bem.
O sorriso de Kyle triplicou de tamanho e ele segurou sua mão brevemente.
— Fico muito feliz. Te vejo no sábado.
E com um beijo na sua mão, ele a deixou ali, completamente boquiaberta.

⭐⭐⭐


Fred não pretendia ter escutado o tal monitor Arckeley falando com , mas foi um acidente. E, quando o escutou, aquilo o deixou encucado. Simplesmente não parecia certo para o resto do plano que ele se intrometesse chamando para sair.
Weasley havia planejado tudo. Começaria a ser mais gentil nas aulas de Transfiguração. Ele já conseguia perceber que ela estava afetada, mas um pouco demais. Ela não relaxava por um segundo estando ao seu lado. Não era burra, afinal. Mas, para a ideia de a vingança funcionar, ela precisava se abrir para a aproximação.
E o tal Kyle só estava atrapalhando tudo.
Claro que ele estava irritado apenas por não conseguir realizar a pegadinha como queria por interferência deste e nada mais, porém, se havia alguém capaz de mudar aquilo, era Fred.
Ou, ao menos, sua autoconfiança acreditava que sim.
Mais tarde naquele dia, a oportunidade surgiu na aula de Transfiguração. As olheiras da garota estavam horríveis, ele não podia negar, e ela continuava totalmente arisca, à espera de algo ruim. Quando McGonagall passou para a aula prática, Fred soube que era hora de começar.
— Me conta. Se você e o Arckeley ficarem juntos, vocês conseguem aproveitar o banheiro dos monitores?
A cabeça de girou assustadoramente rápido, encarando-o em choque.
— Eu... Nós... Eu nem falo com você! — ela disse, a voz mais aguda que o normal.
Fred sorriu maliciosamente.
— E você também não negou.
O rosto da garota adquiriu um tom de vermelho tão intenso quanto suas vestes.
— Olha, eu... eu não sei que tipo de pegadinha você quer tirar com isso, mas eu só quero dizer que tanto faz — ela replicou e, embora gaguejasse, Fred achou admirável.
— Pegadinha? Não dessa vez. Você já deu o troco, estamos quites. Embora tenha sido um golpe baixo. — Fred sentiu sua voz carregada com um pouco de raiva e se lembrou que devia se controlar para que tudo desse certo.
Ele percebeu o duelo interno que se passava em sua cabeça, sendo refletido por seu corpo tenso. Ela deveria encerrar o assunto ali. Mas, para sorte do plano de Weasley, ela não encerrou.
— Então por que você está falando isso?
— Porque eu escutei ele te convidando para sair.
— Você estava me espionando?! — ela replicou, mais alto do que devia, e olhou temerosa para McGonagall.
— Não estava espionando. Estava passando pelo pátio. Se ele não quisesse que todos soubessem, deveria ter sido mais discreto e, de preferência, ter feito isso em um local privado — Fred desdenhou. — Mas, sabe, meu ponto é que você não devia ir.
— Ah, é? E por quê, hein? — ela replicou, sentindo seu corpo sair do sério a cada vez que escutava o timbre da voz de Fred Weasley.
— Porque você é boa demais para ele.
, que estava tentando transfigurar sua coruja em um binóculo, levou um susto tão grande que transformou a pobre coitada em um óculos berrante. A sala inteira ouviu os pios agudos saindo daquelas lentes estranhas.
Até que, de repente, eles voltaram a ser uma coruja tranquila.
— Srta. , Sr. Weasley. Foco na aula. Os dois estão precisando — a professora disse, com um olhar severo, de frente para a bancada deles.
Se antes Celina havia ficado corada, nada se comparava com agora.
— Me desculpa, professora.
— Foi mal — Fred sorriu para ela.
— Aproveitando que ambos estão aqui, gostaria de saber como foi a sessão de estudos na segunda de manhã.
Sessão de estudos? Segunda de manhã? Fred estava completamente confuso. Então, olhou de relance para . Ela estava ainda mais vermelha, encolhida e... culpada? Aquilo parecia culpa?
A luz se fez na cabeça do garoto. É claro. Ela precisava de uma desculpa para McGonagall enviá-los para lá.
Ah, ele podia desmascarar tudo. Dizer que, na verdade, ela havia abusado do poder. Contar que ela infringira as regras. Que a monitora perfeita, na verdade, era uma mentirosa.
Mas, então, ele a viu sorrir para McGonagall, inocente.
— Acho que os meninos não gostaram tanto. Mas eu já esperava.
Aquela desgraçada. Estava mentindo na cara dura. De novo. Agora, mais do que nunca, queria revelar tudo.
Mas, então, ele se lembrou do que ela dissera aos três. Quem acreditaria na palavra de encrenqueiros contra a monitora perfeita?
Além disso, se mentisse, podia conquistar sua confiança. Para a vingança perfeita. Uma que valeria muito mais a pena do que desmascará-la em frente a McGonagall.
Por isso, ele sorriu.
— Existem coisas bem mais interessantes que estudar.
Minerva acenou com a cabeça, como se ele fosse um caso perdido, mas sorria com carinho. Então, ela se retirou. olhava para ele, assombrada.
— Por que... por que você fez isso?
Ele deu de ombros, engolindo o orgulho ferido.
— Como eu disse, já estamos quites.
Ele olhou para ela e percebeu a mudança nos seus olhos. Ainda continuavam desconfiados, mas existia algo novo ali.
Dúvida.
— Mas, como eu disse, você não devia sair com o Arckeley.
bufou, voltando ao seu normal.
— Não sei de onde você está tirando essas coisas. Boa demais pra ele, hmpf. Não foi você que disse que eu pareço a Minerva de coroa?
Fred encarou a garota, completamente confuso.
— Eu disse isso? Bom, parece algo que eu diria. Mas eu disse? Peraí. — Uma cena voltou à sua cabeça. — Está de sacanagem, não é? Só por que eu caçoei da sua fantasia a mais de um ano atrás? E como você guarda tudo isso?
Ela deu de ombros, constrangida.
— Eu só lembro.
Ele colocou a mão no queixo, fingindo pensar profundamente.
— Entendi, não sabia que você era do tipo rancorosa.
— Eu não sou rancorosa! — ela rebateu, completamente ofendida. — Eu só arquivo fatos.
— Claro. E Moody é só um professor. Me lembre de nunca mais falar nada sério com você. Vai que você usa contra mim daqui a anos?
Ela fez uma expressão de indignação completa.
— Sabe, , você não é de todo ruim quando não está enfiada em livros e regras. Até que você foi bem falante hoje.
— Eu só estava mantendo uma conversa civilizada — ela replicou, embora parecesse envergonhada.
Ambos permaneceram em um silêncio confortável até o fim da aula. , como sempre, foi a única aluna a conseguir transfigurar a coruja em binóculos. Fred conseguiu algo parecido com um óculos com muitas penas. Ele imaginou que, talvez, a Trewlaney gostasse.
Quando estavam recolhendo tudo para sair, Fred se virou rapidamente para .
— Sabe, se o encontro com o bocó ficar insuportável, pode me procurar no Três Vassouras para mais conversas civilizadas. — E, logo em seguida, saiu andando.
— Ele não é um bocó — replicou alto para que ele escutasse.
Só que, dessa vez, ela sorria.

Capítulo 9

— É isso, eu não vou — disse, se jogando na cama.
As outras três garotas no dormitório, cercadas de peças de roupas, encararam a amiga.
— Como assim? É claro que vai! — exclamou.
— Você me torturou com umas cinco combinações de roupas diferentes. Agora você vai sim! — concordou com .
— O que houve, , você não estava ansiosa para ir? — se aproximou dela com sua voz doce.
realmente tinha estado ansiosa a semana inteira. Sonhava com aquele momento desde o dia em que Kyle a convidara para passear em Hogsmeade. Tinha até conseguido se distrair do medo de ser surpreendida por uma pegadinha dos Weasley e de Lino Jordan. Mas, agora que finalmente era sábado, todas as suas roupas pareciam ridículas e sentia que Kyle deveria estar em seu quarto completamente arrependido por ter convidado alguém como ela.
“Você é boa demais para ele”.
afastou a voz de Fred Weasley que ressoava em sua cabeça. Ele era uma boa parte do problema daquele dia. Honestamente, estava ansiosa para ter seu encontro com Kyle, mas uma parte estranha dela secretamente torcia para que tudo desse errado e ela fugisse para o Três Vassouras e passasse a tarde com o ruivo. O que era completamente ilógico, já que ele era infantil, idiota, responsável por seu trauma de adolescência e nada coerente.
Mas, certamente, ele a intrigava. E, por Merlim, ele até a fizera rir.
— Eu não sei, gente — a garota falou, enfim, tentando focar no presente. — Nada está ficando bom. E se ele desistiu da ideia? E se ele se tocou que foi impulsivo?
— Ele vai mudar de ideia, se você não levantar essa bunda da cama e aparecer no encontro— bufou. — Veste qualquer coisa, não é como se alguém notasse mesmo.
! — a repreendeu.
— Mas é verdade! No fundo, está todo mundo tão preocupado com si mesmo e com o que os outros vão achar que nem conseguem reparar nos demais — a garota completou.
— De uma maneira extremamente grosseira, ela tem razão — concordou, para a surpresa das amigas. — Mas isso não significa que você não pode se vestir para ficar bonita para você mesma. Aqui, essa saia tinha ficado linda — a amiga estendeu para uma saia rosa florida e rodada que ia até seus joelhos.
— E está começando a esfriar, mas ainda não é inverno, então acho que essa blusa aqui vai ficar boa — estendeu uma blusa de manga comprida fina do mesmo tom.
— Viu? Uma roupa decente — disse, o mais próximo de um elogio que ela poderia fazer em relação à moda.
se levantou, olhando as duas peças e as vestiu, sem nenhuma expectativa. Percebeu, então, que até que haviam ficado bem bonitas.
— Viram? É por isso que eu preciso de vocês! — exclamou, se sentindo um pouco mais animada. O que Kyle acharia dela naquela roupa? O que Fred acharia?
Não, ela precisava manter o foco. O encontro era com Kyle. Kyle!
— Venha, vou te maquiar rápido para você encontrar seu namorado logo — falou.
— Ele não é meu namorado! — replicou, completamente vermelha, enquanto as amigas riam.
— Ah, para, vocês são perfeitos um para o outro! — falou em tom de deboche, mas todas as outras concordaram. — Vocês são os alunos mais exemplares, certinhos, inteligentes e estudiosos da Grifinória. E os dois são bregas.
— Ei!
— Vai, , você sabe que vocês combinam demais! Ele é tão seu tipo — acrescentou.
Aquilo deixou incomodada de novo. Seu tipo? Ela nem sabia qual era seu tipo. As amigas não podiam assumir aquilo por ela.
Tudo bem, se fosse racional, ela realmente parecia se dar melhor com pessoas responsáveis como Kyle. Mas, por exemplo, sua melhor amiga era totalmente seu oposto. Assim como o outro ser que rondava seus pensamentos.
— Acho que vou agora — a garota disse subitamente. Ela precisava seriamente se distrair dos próprios pensamentos e preferia não definir nada sobre qual tipo seria o seu.
— Aproveitem muito! — falou, delicadamente.
— Depois conta se ele beija bem! — gritou, enquanto saía.
— Eca! — completou e todas riram. Então, fechou a porta do dormitório e foi tomada por um silêncio assustador.
engoliu em seco e desceu as escadarias. Àquela altura, os alunos já deveriam estar todos em Hogsmeade.
À exceção do garoto loiro que a esperava com uma linda margarida na mão e que sorriu quando a viu.
se sentiu feliz. Era, literalmente, a realização de um sonho. Um garoto bonito esperando por ela, que sorria quando a via e a trazia flores de maneira linda e simples. Era um momento que ela lera sempre em livros românticos e torcera para viver.
Mas ela não sabia se estava totalmente confortável com aquela situação. E, muito menos, com o que ela implicava.
— Você está linda — Kyle disse, o sorriso se ampliando.
corou de leve. Nunca na vida tinha escutado isso de um garoto e a sensação era boa, ela tinha que admitir.
— Você está muito bem — ela replicou, gentil, e era verdade. A blusa abotoada e os cabelos bem penteados combinavam com ele.
Kyle estendeu sua mão para a garota. Por um segundo, pareceu sofrer uma espécie de paralisia. O que ela tinha que fazer?
Bom, logicamente, tinha que colocar sua mão ali.
E isso ela fez, a expectativa correndo em suas veias.
Foi estranho. Bom, talvez, mas esquisito. Ela realmente não sabia viver situações como aquela e parecia não estar se saindo muito bem, mas, então, olhou para Kyle.
Depois de , Kyle foi seu segundo amigo. Eles acabavam se esbarrando na biblioteca direto, já que ambos eram muito estudiosos e acabaram fazendo muitos trabalhos juntos. gostava de conversar com ele, eles eram parecidos, pensavam parecido e não tinha que se esforçar para interagir com ele. Era só o Kyle e ela não precisava ficar nervosa.
Era seu amigo e ela confiava nele.
manteve todo esse pensamento até saírem de Hogwarts com permissão da McGonagall e alcançarem a aldeia bruxa. O dia estava nublado e frio, então Kyle a puxou para mais perto para aquecê-la. Apesar do calor físico que foi acrescentado, se sentiu um pouco sufocada com aquela aproximação e, o desconforto que ela tinha afastado, retornou. Droga, ela queria não se sentir tão esquisita. Era só seu amigo, ela relembrou.
— Aonde você quer ir? — Kyle a indagou, quebrando o silêncio.
— Ah, você quem sabe — ela falou, acanhada. O menino pareceu um pouco decepcionado com a resposta curta, então ela tentou de novo. — Geralmente, eu vou com a na Zonko’s e na Dedos de Mel. também gosta de lá e sempre pede um final de tarde no Três Vassouras.
Kyle sorriu, parecendo contente com algum conteúdo naquela conversa, enfim.
— Então, você citou todos os lugares que suas amigas adoram ir. Mas e você?
sentiu o rosto esquentar. Ela não tinha reparado naquilo e não se sentiu nem um pouco confortável com aquela constatação, por mais certa que estivesse. O que ela gostava?
— E o que você gosta de fazer? — devolveu, tentando tirar o foco de si.
— Espertinha — ele comentou, rindo. — Geralmente eu venho com Tyler e vamos sempre para a Dedos de Mel, mas, quando eu estou sozinho, gosto de ir lá também — ele enfatizou, nada sutil.
sorriu amarelo.
— Devemos ir à Dedos de Mel, então, já que nós dois gostamos.
— Mas você não acha que muita gente gosta de lá? Podemos acabar encontrando nossos amigos — Kyle acrescentou, apertando sua mão mais firme.
— E o que tem? — perguntou, pensando que talvez encontrar não fosse uma má ideia.
— Não me entenda mal. Eu adoro suas amigas — Kyle tratou de logo falar. — E gosto muito do Tyler também. Mas, quando te convidei para vir comigo... queria experimentar algo diferente. Algo só nós dois. Lembra? Um encontro.
Kyle sorriu e se sentiu uma idiota. Ele estava ali se esforçando para fazer aquilo dar certo e ela fugindo das coisas. É claro que era um encontro, ela mesma tinha perguntado, e encontros não vinham com amigos.
— Só para deixar claro, eu não gosto da Casa de Chá Madame Puddifoot. Tentei ir uma vez com e foi um total desastre — contou, tentando deixar o clima mais leve.
O que funcionou, já que Kyle riu.
— Bom, não vou me opor a isso. Alguma outra opção, senhorita odiadora de chás?
— Ei, eu não odeio chás! Eu odeio esse lugar — o corrigiu, rindo. — E, na verdade, eu tive uma ideia.

⭐⭐⭐


estava feliz de ter se lembrado do Empório Musical do Maestro. A pequena loja era raramente visitada, mas ela achava o local encantador. Aquela era a segunda vez que vinha ali, a primeira tendo sido quando comprou o álbum das Esquisitonas de presente de aniversário para Robert, mas ficara encantada com a loja e acabou pesquisando várias curiosidades sobre os instrumentos bruxos e a música bruxa, inclusive tinha sido quando conhecera a banda.
A música favorita de da cantora Celestina Warbeck ressoava no ambiente de forma instrumental, vinda de uma vitrola encantada e não pôde deixar de sorrir ao pensar nas amigas.
— Parece que achamos um lugar que você gosta. É bom te ver sorrir — Kyle disse, deixando-a constrangida. Como diria que, novamente, estava pensando nas amigas? Por isso, só concordou.
— É um local agradável, não é? — Ele sorriu.
— Eu gosto da música — concordou. Depois, se sentiu uma idiota. Havia coisa mais óbvia do que aquela para se dizer numa loja de música?
Por sorte, Kyle sabia como conduzir um assunto.
— Gosta só de ouvir ou de tocar também?
— Ah, com certeza só ouvir, pelo bem de qualquer ser que tenha audição. — replicou, rindo sozinha.
— Ah, você não deve ser tão ruim assim — ele insistiu.
— Habilidades instrumentais? Zero. E os trouxas têm uma expressão que definem bem o resto: “voz de gralha”.
— Ah, vai, canta só um verso rapidinho.
— No meu leito de morte, talvez — replicou e, quando olhou para a cara do amigo, não pôde deixar de rir, sendo logo seguida pelo outro.
Até que eles estavam se divertindo. O medo de , aos poucos, ia embora e ela voltava a ter com ele a mesma relação de amizade de sempre. É, ela podia fazer aquilo.
Quer dizer, até que Kyle colocou a mão em sua cintura e a puxou para mais perto. Todo o conforto que ela estava sentindo evaporou em um segundo com aquela atitude e seu corpo se retesou completamente. O garoto se afastou de leve.
— Desculpa. Eu não queria te deixar desconfortável.
A voz dele transbordava mágoa. Pronto. E lá estava ela estragando tudo. De novo.
estava em seu primeiro encontro há uma hora e já era capaz de escrever um manual “O que não fazer em um primeiro encontro”. É, talvez ela até ficasse rica com isso.
— Me desculpa, Kyle — ela disse, pegando de leve sua mão. Aquele contato ela havia se acostumado. — Olha, eu sei que eu não estou sendo uma pessoa muito legal. É que... — ela respirou fundo. Meu Deus, aquilo era muito difícil. Tudo o que ela mais queria era estar em uma biblioteca, com um livro bem grosso, longe daquela situação e daquela realidade. Era muito mais fácil ler sobre qualquer coisa do que vivê-la em si. — Eu nunca... isso tudo... é novidade... — suas mãos começaram a tremer de leve e ela se afastou do garoto, constrangida o suficiente. — Kyle, você é um ótimo amigo e eu realmente fiquei muito empolgada em estar aqui. Mas...
— Você não precisa falar, se não estiver confortável — ele replicou, sem parecer bravo.
respirou, aliviada. Ela não precisava falar e isso era muito tranquilizador, mas... ao mesmo tempo, era errado. Ele merecia entender a situação.
— Não, está tudo bem. — Não estava nada bem. — Eu quero te contar. — Ela não queria. — Eu nunca... me envolvi com ninguém. Nunca saí em um encontro ou... você sabe. Eu só não estou acostumada. Não é culpa sua.
— Isso está parecendo um clássico “não é você, sou eu” — Kyle disse, de forma humorada.
— Mas meio que é! — nunca se sentira tão constrangida na vida. Se aquilo era ter um encontro, namorar deveria ser muito pior. Ela tinha certeza de que infartaria no dia em que isso acontecesse. Se acontecesse. — É sério — continuou. — Você é um cara ótimo. Eu realmente não sei o que está acontecendo.
Ele a observou seriamente, as mãos da garota começaram a ficar geladas e suadas e tudo o que ela conseguia estupidamente pensar era “então esse é um efeito forte do hormônio adrenalina”.
Então, Kyle sorriu de leve, confundindo-a.
— Se você precisa de calma e tempo para se acostumar, não tem problema. Obrigado por falar comigo e esclarecer as coisas. Sei que isso não é fácil.
— Nem um pouco — gemeu em resposta e o garoto acabou soltando uma risadinha. Aos poucos, suas mãos foram ficando menos frias. Estavam voltando ao seu normal de amizade e aquilo era mais fácil de lidar.
Naquele momento, um velho entrou na loja e os encarou, impaciente.
— Vocês vão ou não comprar alguma coisa?
Os dois se entreolharam, sem saber como responder àquilo, as risadas nervosas se formando na garganta.
— Ahn, acho que é melhor a gente ir — Kyle disse, saindo apressado, com se escondendo atrás dele. O velho senhor os encarou seriamente até que eles já estivessem na rua a uma quadra de distância.
Quando os dois estavam a salvo, a primeira coisa que fizeram, espontaneamente, foi rir sem parar. Os alunos os encaravam, sem entender nada, mas aquilo só fazia seus risos aumentarem. Quando, enfim, conseguiram parar de rir, segurou sua barriga, que já estava sofrendo os efeitos doloridos da gargalhada.
Então, percebeu que Kyle lhe encarava e seu estômago se revirou.
— Sabe — o garoto começou a dizer —, você fica muito bonita rindo.
se sentia uma bandeira da Grifinória de tão vermelha que deveria estar, já que sentia a pele fervendo em seu rosto.
— Eu não sei se é audácia minha assumir isso, mas acho que nós dois nos divertimos hoje — Kyle disse, sorrindo de canto.
Ainda se recuperando do elogio inesperado, sorriu de leve. Pensou em todos os momentos daquela hora tão esquisita, mas, no fim, concluiu que havia sido um bom momento.
— Você tem razão, foi divertido. Que pena que nós nunca havíamos saído antes como amigos, hoje foi bom. — comentou, sincera, mas pensou ter dito algo errado quando o viu levantar as sobrancelhas na menção da palavra “amigos”.
— Acho que podíamos repetir isso um dia — ele arriscou.
se perdeu um pouco em pensamentos. Aquele havia sido um dos dias mais desconfortáveis de sua vida, tendo passado por sentimentos que desejava nunca mais sentir. Porém, ainda contagiada por aquela última risada e por um desejo oculto de fazer com que seus dias não fossem sempre iguais, ela se viu dizendo:
— É uma boa ideia.
Ele sorriu e, antes que ela pudesse entender o que estava acontecendo, se inclinou para depositar um beijo em sua bochecha. A garota entrou em estado de choque, seu corpo sem conseguir reagir a sua mente, que, naquele momento, estava preenchida por pensamentos incoerentes. Quando o menino se afastou, ela pôde pensar um pouco mais claramente.
— Acho que você vai gostar de encontrar suas amigas um pouco, não? Nos atrasamos, mas ainda temos algumas horas de passeio. Você devia aproveitar.
achou aquilo muito considerativo da parte do menino e não conseguiu conter seu sorriso.
— Obrigada, Kyle. E obrigada por hoje. Você... — “é um ótimo amigo”, ela quase falou, mas aquela palavra parecia estar sempre estragando tudo. Por isso, ela optou por mudar sua resposta — é um cara muito bacana.
Ele sorriu e se afastou, descendo a rua em direção à loja Dedos de Mel. Quando ele estava longe o suficiente, a garota, confusa, seguiu para a direção oposta.
Havia uma coisa que ela não contara a Kyle. Um lugar que ela gostava muito de ir, mas, por algum motivo, não se sentira pronta para compartilhá-lo, embora fosse o primeiro local que todos os alunos conheciam.
alcançou a estação vazia de trem e se sentou em um banco afastado, raramente vendo uma ou outra pessoa passar por si. Uma vez, se perdera de no passeio e, acidentalmente, viera parar na estação. Desde então, aquele era um ponto secreto que, às vezes, ela gostava de ir. O barulho do trem e a invisibilidade que ganhava ao se misturar ao cenário eram ótimos para organizar seus pensamentos.
E ela precisava pensar.
Kyle tinha sido extremamente atencioso com ela o dia todo. Quisera saber mais sobre ela, lhe escutara com cuidado, lhe oferecera a oportunidade de escolher para onde eles iriam e a elogiara várias vezes. Ela não podia negar, quando o desconforto a abandonava, aproveitava, e muito. Rira de uma forma que apenas suas amigas conheciam e ela não podia negar que gostara da companhia dele.
Mas, sempre que aquilo passava a parecer um encontro, ela se sentia nervosa, suas barreiras se erguiam e ela estragava tudo. Por Deus, se juntasse todo o tempo que passaram juntos, ela teria no máximo uma hora e meia e, por mais inexperiente que fosse, não era burra para não saber que encontros costumavam ser mais longos.
Ela gostava de Kyle, mas não daquela forma.
Porém, ao mesmo tempo, e se fosse apenas falta de tentativa? As amigas disseram que eles eram perfeitos juntos e eles realmente se davam bem. E se o problema fosse com ? E se ela simplesmente não soubesse como sentir as coisas daquela maneira?
E se tivesse algo de errado com ela?
Não que fosse errado. sempre escutara de pessoas que simplesmente não sentir atrações por outras ou não ter interesse romântico nenhum era tão comum quanto o contrário. O problema é que ela sentia que não era bem assim com ela. Mas, se não funcionara com Kyle, o garoto perfeito, de que outra forma iria funcionar?
— Por que as personagens fazem tudo parecer tão fácil? — ela murmurou para si própria.
— Caramba, , dá para ver seu cérebro prestes a explodir daqui.
se sobressaltou de tal forma, que quase escorregou do banco. Aquela voz... por Deus, agora ela estava alucinando?
No entanto, quando levantou a cabeça e viu Fred Weasley parado em sua frente, ela soube que nem a magia era capaz de criar uma cópia imaginária tão fiel.
Em seu estado de choque, ela demorou vários segundos (que pareceram uma eternidade), para simplesmente formular:
— O que você tá fazendo aqui, Weasley?
Ela queria demonstrar indiferença, raiva, incômodo, qualquer coisa, porém só conseguiu se sentar igual a uma pateta e encará-lo, seu corpo tão sem reação quanto quando ela recebera aquele beijo na bochecha.
— Nossa, , eu sei que minha presença causa certas reações nas pessoas, mas eu não sabia que podia ser tão forte. Caramba, é difícil ser tão incrível e intimidador...
E, com aquela única frase, Fred Weasley conseguiu tirar de seu torpor, fazendo-a bufar e revirar os olhos, como sempre, embora agora tentasse conter um sorriso nos lábios. E tudo estava de volta ao normal.
— É sério, Weasley — ela falou, agora mais confiante e incisiva. — Esse é meu espaço.
— Você comprou esse banco? — ele indagou, a voz em um tom exagerado de admiração.
— Ahn... não, mas...
— Ah, então não é seu mesmo. Eu posso me sentar.
E ele se sentou. Bem ao seu lado. Por Merlim, teria uma jovem bruxa vivenciado tanta ansiedade em um período tão curto de tempo antes?
Agora que o olhava direito, no entanto, não sabia se estava realmente incomodada com sua presença. Sua blusa social combinava com seu cabelo despenteado e suas sardas, que pareciam ainda mais evidentes hoje, como se também tivessem ganhado liberdade por estarem fora da escola. Seus bolsos pareciam suspeitamente cheios e seus olhos... refletiam aquele brilho de agitação de sempre que tanto a intrigava.
Por mais que odiasse admitir, ele estava muito bonito daquele jeito.
E, por algum motivo estranho, segurava uma caneca de cerveja amanteigada na mão.
— O que é isso? — se repreendeu mentalmente na hora em que deixou a pergunta escapar. Desde quando ela puxava assunto com ele?
Mas tudo o que ele fez foi olhar para a própria mão, surpreso, como se tivesse esquecido o que trazia consigo.
— Puxa, que bom que você se lembrou. Na verdade, isso é para você.
E o garoto simplesmente deixou o copo em sua mão. Se antes estava intrigada, agora ela era um poço de confusão.
— Para... mim?
— Eu te disse para passar no Três Vassouras qualquer coisa, mas você não apareceu. Deve ter sido um bom encontro.
— Isso não explica a bebida — replicou, desviando do assunto, já sentindo suas bochechas quentes. Por algum motivo, Fred era a última pessoa com quem ela queria falar sobre isso.
— Ah, eu te vi passando nessa direção e decidi te oferecer a bebida em um gesto de paz. Você realmente parecia estar precisando.
Um gesto de paz? Agora estava intrigada.
— O que você colocou nisso aqui, Weasley?! Pó de arroto? Veneno?
— Se eu tivesse colocado, eu não te contaria, não é? Não faria sentido — ele replicou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, mas se sentiu ainda mais atacada. — É uma brincadeira! Você leva tudo muito a sério.
— E você não leva nada a sério.
— E qual seria a graça disso? — ele perguntou, de forma tão genuína, que a deixou sem palavras.
— Bom, minha missão está cumprida. Te vejo segunda nas aulas, , ou antes, se você tiver sorte. Só tente não desmaiar.
— Ah, vai se ferrar! — ela respondeu, constrangida, mas tudo o que tirou dele foi um belo sorriso.
E então ele se foi.
Tentando não pensar no silêncio e no vazio que a ausência do garoto parecia trazer, olhou para sua bebida completamente desconfiada.
Aproximou-a de seu rosto e cheirou, sem sentir nada além do doce cheiro de uma boa e quente cerveja amanteigada. Ela olhou em volta, garantindo que estava mesmo sozinha.
— Bom, se algo constrangedor acontecer, pelo menos ninguém vai ver.
Com medo, tomou um gole de leve na bebida e se assustou completamente. Porque, mais estranho do que seria uma bebida envenenada, era constatar que a cerveja amanteigada estava intacta e deliciosa.
Por que diabos Fred Weasley havia lhe oferecido aquilo?
E por que razão ela parecia ter gostado tanto do gesto e daqueles poucos minutos em sua companhia?
Com um choque, ela percebeu que Fred estivera bem próximo a ela quando estavam sentados no mesmo banco e ela não se incomodara nem um pouco. Pelo contrário, parecia... certo.
Mas aquilo era, com certeza, a coisa mais errada que podia sentir.

Capítulo 10

Após o estranho sábado em Hogsmeade, as coisas ocorreram de forma mais tranquila. Por algum motivo, não contou para as amigas sobre a interação com Fred Weasley, pois algo inexplicável a deixava nervosa ao tocar naquele assunto e a fazia querer guardar aquilo para si. Mas decidiu deixar aquilo de lado, pois tinha problemas bem mais urgentes: os N.I.E.M.s.
Faltavam ainda dois anos para a prova e já se sentia sobrecarregada. Moody os ensinava sobre os melhores métodos de proteção (o bisbilhoscópio enlouqueceu perto de Fred, Jorge e seus produtos suspeitos, o que deixou bem apreensiva), Snape andava ainda mais cruel e sempre colocando todos os alunos para baixo (embora ela não se esquecesse de sua inesperada simpatia), Flitwick conseguira, pela primeira vez, dificultar feitiços (que antes era a aula de lazer) e Aritmancia estava com o triplo de dever de casa.
Mas o pior eram as aulas de Transfiguração.
Nunca houve um momento em que Fred conseguiu ficar quieto e assistir qualquer aula, mas, naquele dia, com a primeira prova do Torneio, ele estava no ápice de sua agitação. Sua perna balançava sem parar, ele murmurava palavras incompreensíveis, o sorriso maroto não desgrudava de seu rosto e ele, frequentemente, acabava mexendo nas coisas de ou a atrapalhando.
Fred Weasley era um furacão de euforia e ela estava em seu caminho. Não demorou nem cinco minutos para que ele a perguntasse:
— Vai torcer para quem? Potter ou o idiota do Diggory?
Ela se sentia estranha conversando com ele. Desde o dia do passeio, seu estômago parecia vivenciar uma sensação engraçada quando ele falava com ela ou sorria para ela. Mesmo assim, ela se esforçou para responder o mais naturalmente possível.
— Não acho Diggory um idiota. Ele é um exemplo de aluno e zombar dele é desrespeitoso.
— Ah, qual é, ninguém pode ser assim tão perfeitinho. O último senhor perfeito que tivemos acabou como um maluco — o ruivo disse.
estremeceu só de lembrar de Gilderoy Lockhart.
— Enfim, não é essa a questão. Para quem você está torcendo?
— Para quem você está torcendo? — ela rebateu.
— Ora, essa é óbvia. Fleur e Krum são rivais, Diggory é um cabeça oca, eu fico com o grifinório. O Harry tem um talento para sair de confusões muito bem.
— Bom, fico feliz que você tenha fé na sua casa, porque Potter é o menos preparado. De qualquer forma, não importa quem vai ganhar e, sim, podermos assistir as diferenças de pensamentos entre os alunos e suas execuções de feitiços que evidenciam as peculiaridades das escolas — disse, rapidamente, empolgada.
Fred, por sua vez, fez uma careta.
— Às vezes, você fala tão difícil, que eu me sinto em uma aula do Binns.
O rosto de se fechou na hora e ela se voltou para o canário em sua frente. Por que perdera tanto tempo com ele? Imbecil, imbecil, imbecil! Prometeu a si mesma que nunca mais se dignaria a falar com ele.
Claro que o plano ruiu cinco segundos depois.
— Calma, , foi brincadeira. Acho legal a sua forma de pensar, mas você precisa olhar tudo com mais simplicidade. Se divertir no caos, pelo caos. Aproveitar o Torneio pelo que ele é: uma competição para as pessoas torcerem e agirem como idiotas. E, pra começar bem a experiência, você tem que fazer uma coisa essencial.
É claro que aquilo chamou a atenção de e o canário foi novamente esquecido.
— O quê?
Fred sorriu, radiante.
— Uma aposta.
ficou sobressaltada.
— Uma aposta?! Quantos anos você tem, oito?
— O dobro disso — ele a corrigiu. — E todo mundo faz.
— Geralmente, eu só vejo homens burros fazendo — replicou.
— Ei, eu faço apostas! — o ruivo exclamou, baixo.
— Exatamente — ela murmurou em resposta.
Fred bufou, mas ainda exibia o brilho nos olhos. acreditou que o assunto havia se dado por encerrado e, por isso, voltou-se para a aula.
E pensar que achara que pudesse estar... sentindo alguma coisa por esse garoto. Ainda bem que havia retomado o juízo.
Juízo que perdeu em um segundo quando a perna agitada do menino encostou na sua. Imediatamente, sentiu suas bochechas corarem. Por algum motivo, aquele contato era... estranho. Seu estômago reagia de forma esquisita a tudo aquilo e o calor trocado pelo contato era surpreendentemente agradável.
se afastou, rapidamente, e nunca se esforçou tanto em sua vida para manter o foco. Se continuasse se distraindo daquele jeito, terminaria reprovada! Aquelas sensações poderiam parecer boas, mas eram também assustadoras. Juntando esse medo com o pânico de ser uma futura bruxa desempregada (risco que não poderia correr, se não quisesse seus pais a jogando em uma faculdade de direito), teria que se dedicar.
Depois de ter lançado um Abaffiato discreto em Fred Weasley (e se sentir bem culpada com isso), ela pôde, enfim, analisar o canário com calma, respirar fundo e pronunciar as palavras com precisão:
Avis!
No instante seguinte, outros três canários idênticos ao original piavam e voavam pela sala, chamando a atenção de uma McGonagall orgulhosa.
— Muito bem, !
A garota sentiu seu peito inflar de orgulho. Era assim que queria cumprir cada aula, com sucesso e perfeição. Ela percebia também o quanto o silêncio de Fred Weasley ajudava a atingir esse objetivo, mas, com medo de levar bronca e até sentindo uma leve pena do garoto, desfez o feitiço em que parava de o escutar.
— ... Krum vai ser desclassificado, se usar o que aprende na escola, porque dizem que lá só ensinam magia negra...
O garoto continuou tagarelando a aula inteira, a perna inquieta, e só pôde suspirar e dar o seu melhor para ignorá-lo até o final da aula.

⭐⭐⭐


Finalmente, as aulas tiveram fim e os alunos ansiosos foram liberados para assistir a prova.
, , e estavam eufóricas, cada uma a sua maneira. convencera as meninas a pintarem pelo menos parte do rosto com as cores da Grifinória e encontrou bandeiras para todas (embora parte delas fossem com o rosto de Krum, sendo estas descartadas pelas amigas).
Quando alcançaram as arquibancadas do campo, ficaram abismadas com a transformação. O local parecia ter sido ampliado para receber os convidados extras e os aros do campo de quadribol haviam sumido. No centro, ao invés da costumeira grama verde, diversas pedras cinzentas se espalhavam pelo chão e, no que parecia ser um ninho gigante, um grande ovo dourado se estendia.
— Uau, eles capricharam para valer — disse, encantada.
— Vamos encontrar algum lugar para sentar — disse, prática.
Enquanto subiam pelas arquibancadas cheias de barulhos, gritos e agitação, um grito chamou a atenção do grupo:
— Ei, ! Garotas! Tem lugar aqui!
As quatro meninas se viraram e não encontraram nada mais, nada menos, do que Fred Weasley acenando animado para elas, acompanhado de todo o resto do sexto ano da Grifinória. O grupo se entreolhou e , e encararam de forma suspeita.
— Por que o Weasley está chamando a gente? — perguntou diretamente para .
— Ahn... — a menina não sabia como sair daquela situação sem entregar suas confusas borboletas no estômago — ele comentou na aula de Transfiguração que... todo mundo do nosso ano ia sentar junto e chamou a gente — inventou uma mentira. Ela era uma péssima mentirosa, suas amigas logo iam perceber o que estava acontecendo e aquilo só a deixou mais nervosa.
A testa de só se franzia, cada vez mais.
— Mas eles não te fizeram mal? Com aquela história da bala de café e depois com a humilhação no corredor? — a questionou, parecendo mais confusa do que irritada.
se sentiu mal ao reviver as lembranças na sua cabeça. Ela realmente ficara muito irritada, assustada e fora de si. Porém, foi só lembrar da cerveja amanteigada e dos elogios recebidos, que sentiu seu rosto ficar corado.
— Nós estamos... fazendo as pazes — a menina desconversou. — Vamos, já está tudo lotado, é nossa melhor opção.
As meninas acabaram concordando, embora continuasse encarando de uma forma bem desconfortável. As quatro cumprimentaram seus colegas e se sentiu arrependida quando viu que Kyle estava naquele meio. Estivera fugindo dele desde sábado porque não sabia como reagir. E se ele tentasse beijá-la de novo? Ela não se sentia bem com a imagem e seu estômago se revirava de um jeito ruim.
De repente, percebeu um puxão no seu braço.
— Foi mal pela companhia do idiota. — A voz de Fred estava bem próxima de seu ouvido. — Ele estava do lado de Alicia e Angelina quando as convidamos.
Agora, seu estômago estava se revirando, mas daquele jeito bom. Ficou um pouco perdida antes de, finalmente, conseguir responder:
— Ele não é idiota. É meu amigo — mesmo tendo dito isso, no entanto, se sentou na cadeira mais distante de Arckeley.
O garoto arqueou a sobrancelha e não falou mais nada. As meninas se ajeitaram e se sentaram, ajeitando suas bandeiras. Fred desviou sua atenção para .
! Quanto tempo. Não que minha barriga esteja sentindo saudade — provocou.
— Se comporte e aí não teremos um reencontro do meu punho com o seu estômago — ameaçou, mas Fred apenas gargalhou.
— E aí, qual serão as apostas? — Jorge se meteu, já erguendo uma caixa cheia de moedas.
— Isso é tudo de apostas? — questionou, incrédula.
— Você tinha que ver como os primeiranistas são fáceis de extorquir — Spinnet disse, rindo.
— Não sabia que você estava envolvida nesse esquema, Alicia — Kyle brincou.
— Não estou envolvida. Mas, já que está acontecendo, não vou deixar de olhar e rir.
— Parem de nos enrolar, queremos mais números e palpites — Lino Jordan se colocou no assunto, já apontando para .
, você não vai... — Antes que terminasse, a amiga já tinha gritado.
— TRÊS GALEÕES NO POTTER!
! — brigou, mas ela nem escutava, fazendo as trocas necessárias com Lino enquanto Jorge anotava. — Vocês não se odiavam?
— Menos, , é só uma aposta — a amiga brigou.
— Sua vez, loirinha — Fred apontou para , que levou tanto susto com a atenção que derrubou os próprios óculos.
— E... eu? — ela perguntou, depois de ajustar o acessório. Era engraçado pensar que era a mesma garota solta e tagarela quando estava apenas entre as amigas.
— Vai, , quem vai ser?
— Ela não vai fazer isso — disse, em um tom de alerta. Não sabia mais se estava contra as apostas ou simplesmente contra uma ideia de Fred.
— Pode apostar em mais de uma pessoa? — a amiga questionou, fazendo suspirar, derrotada.
— Não faz muito sentido, mas pode – Jorge disse, dando de ombros.
— Então eu aposto dez sicles no Cedrico e dez no Krum — ela disse, baixinho, entregando as moedas.
— Ah, apostou no bobão do Diggory? — Tyler Madley, melhor amigo de Kyle, disse e fez cara de vômito.
— Já percebeu como só os garotos reclamam dele? Talvez se sintam ameaçados pela presença de uma pessoa decente — falou baixinho, fazendo rir.
— Esses frouxos são invejosos, — a amiga replicou, ainda rindo.
— E você, ? Vai apostar em quem? — Angelina perguntou para .
— Ah, eu não sei...
— Vocês podem ter conseguido com e , mas é do time dos sensatos, certo? — falou com a amiga, sabendo que aquela batalha ela havia ganhado. Até e pareciam saber disso.
— Ah, vai, , é só uma aposta! — Jordan disse e Alicia riu, concordando.
Imediatamente, ficou vermelha de uma forma que nunca havia ficado antes e apenas estendeu uma moeda dourada para Lino.
— Na Fleur. Fleur Delacour. — E se calou logo em seguida.
As amigas se entreolharam. Será que estava gostando de Lino Jordan? Ela nunca havia reagido dessa forma com nenhum outro garoto. Mas aquele assunto teria que ficar para depois, pois a voz de Lino Bagman se propagou por todo o campo.
— Boa tarde, Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang! Sejam todos bem-vindos à nossa primeira tarefa! Estão preparados para essa emoção?
A plateia berrou em resposta, as torcidas e cores se misturando, a mais presente sendo a torcida para Hogwarts e, especialmente, para Cedrico Diggory. Bagman continuou seu discurso.
— Antes de descobrirmos sobre a prova, gostaria de receber nossos ilustres juízes. — Em seguida, os três diretores e o senhor Crouch entraram e se sentaram em um local especial das arquibancadas. — Muito bem! Agora chega de mistério! A primeira tarefa perigosíssima e excitante que nossos campeões enfrentarão será... DRAGÕES!
Como se combinado, naquele momento, um enorme Focinho-curto sueco cinzento apareceu entre as pedras, segurado por diversos bruxos, e rugiu alto. A arquibancada gritou em resposta, parte assustada, parte agitada.
— Ei, é o Carlinhos! — Jorge disse, dando uma cotovelada no irmão.
— Por isso o idiota já sabia de tudo! – Fred o respondeu.
— Cada campeão enfrentará um dragão sorteado aleatoriamente — Ludo continuou. — O que todos têm em comum? São fêmeas muitíssimo dispostas a proteger seu ninho, ninho este que os campeões devem invadir para capturar o ovo de ouro! — Um arquejo geral foi escutado. — Não se preocupem, ninguém irá morrer, se estiverem prontos para a tarefa! Estou brincando, estou brincando... — ele adicionou depois dos gritos da plateia.
— Ele é tão idiota — Fred bufou, revirando os olhos, recebendo uma cotovelada de Jorge, que deixou curiosa.
— Então, nosso primeiro campeão, diretamente de Hogwarts, será o senhor Cedrico Diggory! Boa prova para todos!
Um apito ressoou e Cedrico entrou no campo, sendo ovacionado, inclusive por , que parecia ter perdido a timidez. ficou atenta a cada movimento do campeão, que recebia diversos gritos da plateia e uma narração especial feita por Ludo. Depois de ter sido incendiado, para o terror de todos, transfigurou uma pedra em um cachorro, deixando todos confusos, porém, de alguma forma funcionou.
No momento em que o garoto ergueu o ovo de ouro, a plateia gritou e foi ao delírio completo. Tirando alguns machucados, ele parecia relativamente bem.
— Que maldade com os dragões — sussurrou para enquanto o dragão cinzento era tirado à força e um Verde-galês entrava no campo.
— Tenho certeza de que eles são muito resistentes — a consolou. — Vão ficar muito bem, já já vão voltar para casa... Olha, agora é a Fleur, vamos torcer pela sua aposta, certo?
A amiga se acalmou um pouco, relanceando de leve para observar os dragões, embora, às vezes, seu olhar fosse até Lino Jordan. estava super curiosa com aquilo, mas ficou quieta. Delacour entrou na arena e os gritos recomeçaram, mesmo que menos intensos.
— Ela é linda, não é? — escutou Fred falar. Se sentiu meio esquisita com a reação do próprio corpo àquele comentário, então apenas deu de ombros.
— Não vejo nada demais.
Fred sorriu.
— Olha quem está com inveja agora. Ou, quem sabe, ciúmes.
— Pff, nos seus sonhos, Weasley — ela disse, antes de se voltar para a tarefa. Já tinha perdido boa parte da tarefa.
Ok, Fleur era muito bonita e aquilo era fácil de se admitir, por que, então, ela havia se sentido incomodada e agido de forma tão infantil?
Quando voltou a prestar atenção na prova, a saia de Fleur estava em chamas. Por Deus, agora ela se sentia realmente culpada. A estudante de Beauxbatons estava correndo perigo de vida e estava se preocupando com a aparência da garota. Pouco depois, pelo menos, a garota conseguiu finalmente capturar o ovo de ouro do dragão que parecia sonolento. A plateia foi à loucura, mesmo os rivais. Naquele momento, todos apenas queriam algo legal para assistir.
As notas foram anunciadas e Fleur foi bem, porém ficou abaixo de Cedrico.
— É, , sinto muito, mas perdeu o seu galeão — Fred disse.
— Bom para nós. É sempre bem-vinda para apostar conosco — Jorge completou.
— Foi um bom palpite, pelo menos — Alicia disse, sorrindo.
O apito tocou de novo e agora Krum estava em campo. A plateia agora estava realmente desesperada, afinal, o cara era um astro do quadribol, mesmo que o achasse engraçadinho fora da vassoura, como se não soubesse andar e interagir direito.
Em pouco tempo, Krum lançou um feitiço que acertou os olhos do dragão, deixando-o desnorteado e tirando vários “oh” e “ah” das arquibancadas. Ninguém mais estava sentado, querendo acompanhar tudo, pareciam prestes a pular no meio de tudo. No entanto, o dragão esmagou parte da ninhada real, fazendo começar a chorar.
— Os dragões! Os pequenos dragõeszinhos!
tentou acalmá-la de novo, mas agora não deu certo. Ela estava realmente devastada, era muito sensível quando se tratava de animais. Alicia parecia realmente angustiada de vê-la daquele jeito, porque logo se levantou e a segurou delicadamente pelo braço.
— Vem, vamos beber uma água e, quem sabe, uma poção calmante.
— Obrigada, de verdade — sussurrou para Alicia e balançou a cabeça, reiterando o agradecimento. Alicia apenas fez como se não fosse nada e, depois, saiu acompanhada de .
— Coitada, espero que fique bem — Lino disse, os olhos arregalados.
Naquele momento, no entanto, foram abafados pela multidão enlouquecida. Krum havia pegado o ovo de ouro e recebia agora sua nota dos juízes. Na vez de Karkaroff, recebeu um injusto 10.
— Esse cara não podia ser juiz, é uma fraude! Ele tirou pontos sem motivo da Delacour e do Diggory também — exclamou, irritada.
— Agora, o Krum está em primeiro, injusto! — Angelina, que havia apostado no Diggory, reclamou.
As reclamações apenas cessaram quando o apito soou pela quarta e última vez, anunciando a entrada do minúsculo Harry Potter. O dragão que ele iria enfrentar parecia muito pior do que todos os outros três juntos. Aqueles espinhos malignos fizeram se arrepiar.
— Com medo, ? Se algo acontecer, eu vou estar aqui para te salvar — Fred debochou dela.
— Minha vida? Dependendo de você para ser salva? Então eu vou ser morta mesmo — ela devolveu, embora seu tom também demonstrasse brincadeira. Lino se borrou de rir da carranca de Fred e apenas encarou de forma mais estranha, não parecendo gostar daquela proximidade.
Todos, no entanto, ficaram vidrados quando Harry convocou a sua Firebolt e nem mesmo pôde deixar de gritar loucamente. Talvez a Grifinória tivesse chance real de vencer! A garota não entendia muito de quadribol, mas não podia deixar de notar o óbvio domínio da vassoura que o garoto possuía, tendo ganhado muito mais confiança no ar do que no chão.
Ele, então, foi provocando o dragão, até que este se erguesse do chão, dando a Potter a oportunidade de pegar o ovo de ouro. A arquibancada gritou mais do que nunca e não conseguiu nem acreditar. Harry Potter, mesmo tendo se machucado levemente, fora o melhor e o mais rápido!
As notas apenas confirmaram isso. Mesmo com a clara nota injusta de Karkaroff, Harry ficou em primeiro no placar.
— RÁ! GANHEI A APOSTA! — exclamou, tão animada, que parecia ter sido ela a capturar o ovo de ouro. Na verdade, sua perna ficou tremendo em ansiedade desde o momento da aparição da vassoura. Ela, com certeza, estava com saudade do quadribol.
— Pode deixar que te pagaremos, . Não somos como outras pessoas por aí... ai! — Jorge foi interrompido por uma cotovelada de Fred. Esses dois eram, certamente, muito estranhos.
— É bom me pagarem mesmo, se não meu punho terá três estômagos para socar — disse, bem-humorada.
Se a festa no salão comunal na Grifinória tinha sido grande quando Harry fora escolhido pelo cálice, o evento de comemoração de vitória nem se comparava. Até os desacreditados, como , vibravam loucamente com aquela vitória da casa. Potter foi erguido no ar diversas vezes e todos pareciam felizes como se tivessem acabado de ganhar a taça das casas e a taça de quadribol ao mesmo tempo. Cerveja amanteigada claramente ilegal era distribuída pelos ruivos e cada grifinório ali presente se sentia orgulhoso de pertencer àquela casa.
havia se recuperado muito bem e estava junto com elas, exibindo um sorriso muito feliz enquanto se enchia de bolo, pedia alguns Fogos Fabulosos do Dr. Filibusteiro Sem Fumaça Nem Calor para Lino e conversava com sobre os melhores momentos do dia.
Harry, então, a pedido de todos, abriu o incrível ovo dourado: e fez com que todos tampassem os ouvidos, horrorizados. nunca escutara um som tão aterrorizante em sua vida e tinha certeza de que aquilo afetaria seu ouvido para todo sempre (e seus pesadelos também).
— Fecha isso! — Fred berrou e nunca o achara tão sensato na vida.
— O que é isso? — um quartanista, Simas Finnigan, perguntou. – Parecia um espírito agourento... quem sabe você vai ter que passar por um deles da próxima vez, Harry!
— Era alguém sendo torturado! — o esquecido Neville Longbottom disse. — Você vai ter que enfrentar a Maldição Cruciatus!
— Deixa de ser babaca, Neville, isso é ilegal — Jorge disse e sentiu pena do pequeno, ele parecia realmente assustado. — Não usariam a Maldição Cruciatus contra os campeões. Achei que lembrava um pouco o Percy cantando... quem sabe você vai ter que ataca-lo quando estiver debaixo do chuveiro, Harry.
lembrava-se de Percy Weasley, que parecia uma pessoa muito sensata, até se mostrar um arrogante. Nunca agradeceu tanto por nunca o ter encontrado no Banheiro dos Monitores.
— Quer uma tortinha, Mione? — Fred ofereceu para a menina, que o olhou com um olhar desconfiado.
— Menina esperta — ela murmurou perto dele, segurando o riso. Estava com um ótimo bom humor.
— Ah, parem. Podem se servir. Não fiz nada com elas. É com os cremes de caramelo que vocês têm que se cuidar...
Neville, que havia acabado de se encher de creme de caramelo, se engasgou imediatamente.
— É só uma brincadeirinha, Neville... — O ruivo, então, pegou outra tortinha e, dessa vez, estendeu para . — Quer? Prometo que não coloquei nenhuma bala de café.
riu e revirou os olhos, aceitando a tortinha, se lembrando quando também ficara desconfiada com a cerveja amanteigada. Quem diria que ele poderia ser uma pessoa tão gentil.
— Para o “menos preparado”, até que Harry foi bem — Fred repetiu suas palavras de mais cedo. A garota não pôde deixar de rir.
— Está bom, eu admito, eu estava errada.
O queixo do garoto caiu genuinamente.
admitiu que estava errada? Eu ouvi certo?
— Ouviu, e é melhor aproveitar, porque não vai ouvir de novo — brincou.
Os dois riram e o garoto saiu para conversar com o irmão. Por algum motivo, ela ficou triste com aquela saída. Logo, no entanto, o lugar foi ocupado por Kyle Arckeley. A garota imediatamente ficou tensa.
— Ei, você está aqui! Já estava achando que você estava me evitando — ele disse, rindo, e ela se forçou a rir, porque era exatamente isso que ela estava fazendo.
— Boa festa, não é? — disse, tentando não ser tão estranha.
— Quem diria que o Potter ia vencer, não é? Ele seria minha última aposta.
— Exato, porque ele teve menos tempo de formação...
— ... e aprendeu menos feitiços. Pois é! Mas é bom ter um campeão grifinório. E poder assistir às outras escolas também. É interessante ver como se comportam, não é? Não conhecia o feitiço que Krum usou.
observava Kyle falar com o coração pesando dentro de si. Seria tão fácil ter se apaixonado por ele: eles pensavam igual, tinham objetivos similares e eram amigos. Por que, por Merlin, não poderia sentir uma mínima agitação no estômago que fosse?
percebeu que Arckeley estava perto dela e, sem explicação, se sentiu mal e ansiosa. E se ele tentasse algo e, de novo, ela não conseguisse corresponder? Quando deu conta, havia se levantado em um pulo.
— Eu, ahn... vou buscar mais tortinhas.
E fugiu, antes que ele a abordasse de novo. Apenas quando estava longe, pôde respirar fundo, aliviada. Porém, a sensação não durou muito, já que apareceu de supetão em sua frente, com a cara bem fechada.
— Ah, oi, ! — tentou dizer, normalmente, mas a voz falhou. Estava morrendo de medo de encarar a amiga e ter que responder perguntas que não estava preparada para responder nem para si mesma.
— Por que você está tão amiguinha de Fred Weasley e fugindo de Kyle? O que está acontecendo? Isso não tem nada a ver com você! — a amiga despejou em cima dela de uma vez, a assustando.
, fala mais baixo.
, fala mais baixo — a amiga respondeu, debochando.
— Olha, eu sei que você está irritada, mas quer parar de fazer cena? Vamos conversar como dois seres humanos normais, por favor?! — quase gritou. Odiava, simplesmente odiava, quando começava com aquela voz.
— Ah, então agora você quer conversar? Porque acho que você está me escondendo coisa há muito tempo! — ela exclamou. — Da última vez que eu soube, os gêmeos eram nossos inimigos mortais e você gostava de Kyle.
— Eu nunca disse que gostava de Kyle. Eu só saí com ele!
— E disse que gostou!
— Não foi... péssimo — olhou para o lado e suspirou. — Eu só estava cansada de você e as meninas ficarem me empurrando para cima dele! Vocês dizem que somos perfeitos um para o outro e, eu não sei, eu não consigo sentir nada. Você sabe como é assustador? Não sentir nada nem por uma pessoa perfeita para você? — ela, enfim, desabafou o que vinha sentindo pesar no seu peito desde sábado.
ficou em silêncio em sua frente, o que era um ato raro. Parecia analisá-la dos pés à cabeça, até que também soltou um suspiro.
— Vocês pareciam mesmo perfeitinhos, mas acho que perfeição nunca foi seu tipo, não é? Quer dizer, eu sou sua melhor amiga — afirmou. — Se você não gosta dele, está tudo bem, mas, caramba, , por favor, não deixa de me contar nada, ok?
— Eu... só estava confusa.
— E eu podia ajudar a sumir com a confusão, não é? Tipo agora. Você sabe que não é obrigada a gostar dele, não sabe? Só não pode iludir o coitado. E aí? Não é mais fácil conversar?
— Quem diria que eu estaria recebendo broncas suas — brincou, embora se sentisse aliviada. Estava morrendo de medo de brigar com a melhor amiga.
— Viu como eu também sou sábia? — disse e a amiga riu.
— Obrigada, . Você me perdoa por te deixar de fora?
A garota fingiu pensar.
— Como eu sou solidária e sei que você não vive sem mim, eu te perdoo. Mas com três condições: você nunca mais vai me esconder nada, vai conversar com o Kyle e vai admitir que eu sou a melhor.
As duas riram e abraçou a amiga, falando:
— Pode deixar. E você é a melhor.
— Eu sei — revirou os olhos, convencida. — Ah, mais uma coisa.
— O que é? — perguntou, mais leve.
De repente, ficou mais séria.
— Cuidado com esse seu gosto com pessoas problemas. Não quero que você se machuque — ela relanceou, sem dúvidas, o ruivo que pegara os fogos de artifícios de Lino. — Nem todas são boas como eu.

Capítulo 11

Os alunos tinham que se contentar com as aulas até o próximo evento do Torneio, que seria apenas em fevereiro. Duas semanas se passaram da prova do dia 25 de novembro e a expectativa cerceava os estudantes. Era realmente difícil se concentrar em qualquer coisa com um evento legendário acontecendo.
— Muito bem, não se esqueçam do dever para amanhã: um pergaminho de um metro sobre conjuração de pequenos mamíferos — a professora McGonagall anunciou para a turma, que já se preparava para sair. — Agora, um aviso para todos antes de a aula acabar.
Fred Weasley, que já estava de pé, bufou. Queria sair da sala o mais rápido possível, mas, então, ganhou um leve cutucão de no braço, uma silenciosa mensagem para que ele ficasse quieto. Ele se jogou novamente na cadeira, de cara feia, mas esperando.
— O Baile de Inverno está próximo — a professora continuou —, é uma tradição do Torneio Tribruxo e uma oportunidade para convivermos socialmente com nossos hóspedes estrangeiros. Agora, o baile só será franqueado aos alunos do quarto ano em diante, embora vocês possam convidar um aluno mais novo, se quiserem. O traje é a rigor e o baile, no Salão Principal, começará às oito horas e terminará à meia noite, no dia de Natal.
Muito cedo, pensou Fred, mas sua careta já se transformara em um sorriso. Era uma ótima oportunidade. Tinha que conversar com Jorge: precisavam arrumar uma boa bebida para batizar o ponche, mas, principalmente, preparar a festa pós baile. Os professores estariam concentrados no Salão, o que daria uma ótima oportunidade de encontrarem uma boa sala vazia e afastada para encantarem e...
— O Baile de Inverno, naturalmente, é uma oportunidade para todos nós... hm... para nos soltarmos — McGonagall disse, não parecendo muito feliz com aquilo, o que só aumentou o sorriso do ruivo. — Mas isto não significa que vamos relaxar os padrões de comportamento que se esperam dos alunos de Hogwarts — ela olhou para Fred com as sobrancelhas franzidas — e ficarei extremamente aborrecida se um aluno, principalmente da Grifinória, envergonhar a escola.
A sineta tocou e agora o garoto não pôde ser impedido de sair da sala, correndo, agora ainda mais empolgado do que nunca. Quando estava fora do local, no entanto, esperou até sair.
— Um Baile de Inverno. Parece que esse ano o Natal em Hogwarts será bem movimentado — o garoto comentou, acompanhando-a, enquanto se dirigiam ao pátio no tempo livre antes da aula de Defesa Contra as Artes das Trevas.
— Mal posso esperar. Um baile a rigor! Vai ser como um baile mágico de “Adoráveis Mulheres”. Ou melhor, como Andie entrando na festa acompanhada de Blane em “A Garota de Rosa-Shocking”.
— Quê?
— Ah, são filmes trouxas — desconversou, subitamente constrangida por ter deixado tantas informações escaparem. — Mas vai ser legal, não? Todos arrumados por uma noite, as comidas, a música... Imagine a decoração! O Salão Principal já é lindo em seus dias comuns. O que será que o Flitwick vai pensar para essa festa?
— Vou ter que pegar umas dicas com ele para nossa festa pós baile — Fred riu.
— Festa pós baile?
— Ora, não achou que deixaríamos que a noite acabasse meia noite, quando o Natal estiver apenas começando? Não se preocupe, , quando tudo estiver definido, você será convidada. Se prometer não nos dedurar.
revirou os olhos.
— Eu prometo — falou, com deboche.
— Não estou sentindo muita firmeza nessa promessa.
— Então vai ter que confiar em seus instintos. — A menina acenou para ele no ponto em que se separariam para encontrar seus respectivos amigos. — Tchau, Weasley.
— Sempre um prazer, .
Fred observou a garota caminhar para longe, os cabelos balançando enquanto ela se afastava. Naquele último mês, Weasley se surpreendeu ao perceber que realmente estava gostando de se aproximar de . Toda a vontade de se vingar da menina sumia a cada semana que conviviam, tudo aquilo perdendo o sentido. Ela era, realmente, muito diferente dele, mas aquilo só aumentava uma vontade irresistível de provocá-la. Adorava vê-la revirar os olhos e, principalmente, quando reunia coragem para retrucar.
Sabia, então, que precisava falar com Jorge e Lino, não só para combinarem a festa pós baile, mas, também, para esclarecer que eles não poderiam planejar nada contra , que o melhor era deixar aquilo em paz.
Com sorte, o tempo passado desde o incidente faria os dois escutá-lo.
Acenou para ambos enquanto se aproximava deles, que exibiam sorrisos radiantes no rosto.
— Ouvimos de Tyler que teremos um baile aqui na escola — Lino comentou.
— E que termina meia noite, o que exige uma comemoração depois — Jorge continuou.
Os dois continuaram verbalizando todos os pensamentos que passaram pela cabeça de Fred naquela manhã e ele não conteve o sorriso gigante. É claro que rapidamente seus pensamentos foram afastados de para focalizar em todas as ideias que passavam em sua cabeça que poderiam colaborar para a melhor noite de Natal da história.

⭐⭐⭐


Na aula seguinte, Defesa Contra as Artes das Trevas, que muitos sextanistas faziam (todos os grifinórios inclusos), ninguém prestava atenção ao professor, ansiosos demais para comentar apenas sobre o baile. Moody, depois de gritar umas duas vezes, acabou recostando-se à cadeira e dormindo.
— Ele realmente é meu professor preferido! — exclamou por cima das conversas paralelas ao escutar um ronco profundo vindo da mesa do professor.
— Então era para isso que tivemos que comprar os vestidos — pontuou. — Ainda bem que não deixei minha mãe separar um vestido dela da adolescência e juntei dinheiro para comprar um próprio.
— Eu ainda não vou usar o meu — bufou.
— Podemos tentar encomendar algo na Trapobelo Moda Mágica aqui de Hogsmeade.
— Boa, ! E, por favor, deixem eu fazer a maquiagem de vocês — pediu com um beicinho.
— Por Merlin, só não exagera! — , que era o maior alvo do pedido, aceitou, resignada.
— Quem diria que ela aceitaria tão fácil, cadê a verdadeira ? — debochou, rindo.
— Rá, rá, hilária. — A garota mostrou a língua. — Até eu sei que serei expulsa pela McGonagall, se não estiver dentro dos padrões.
— E temos que estar lindas. Já pensaram se um dos lindos meninos de Beauxbatons nos chamam para dançar? — suspirou.
— Você só pensa em garotos — comentou, rindo baixinho.
Desde a primeira prova do Torneio Tribruxo, a amiga andava mais feliz, sorria por tudo e se alegrava com qualquer assunto que elas comentavam. tinha certeza de que era graças à sua nova quedinha, Lino Jordan. Estava feliz por ver a amiga se abrir para novas experiências e pessoas.
— E, falando de garotos, já pensaram em seus pares? — questionou, um sorriso gigante se abrindo em seu rosto. tinha certeza de que ela já tinha pensado em uns treze pares diferentes.
— Acho que vou curtir sozinha, obrigada — pontuou.
— Eu espero que vários meninos bonitos me convidem para eu poder escolher entre eles. Fazê-los sofrer um pouco, como protesto ao feminismo — exclamou.
As garotas não se seguraram e logo estavam gargalhando pela sala. Ainda bem que o professor ainda roncava.
— Espero que uma pessoa especial me convide — falou, baixinho, olhando rapidamente para trás.
As outras três amigas riram baixinho, provocando-a.
— Olha só a , toda apaixonadinha!
— Ah, ! Me deixa! — a amiga falou, rindo. — E você? Pensa em alguém especial para ir ao baile?
parou e se imaginou um pouco na mágica noite de Natal. Todos os filmes trouxas clichês que havia assistido com sua mãe na infância tinham a clássica cena da menina entrando no baile e fazendo o mocinho suspirar. Por um segundo, se imaginou no meio do Salão Principal em seu vestido, rodopiando com um menino ruivo...
Suas bochechas coraram quando ela percebeu no que estivera pensando. Suas amigas a observavam, atentas, à espera de uma resposta, então pigarreou:
— Acho que estou mais com a nessa, podemos aproveitar a noite entre nós no baile! E, provavelmente, em uma festa depois — ela comentou, se lembrando dos comentários de Fred Weasley na aula de Transfiguração.
— Mas e o Kyle? Você não iria com ele? — perguntou.
O olhar de foi atraído pelo de , um olhar que a repreendia. A promessa que havia feito a ela queimava no fundo da sua cabeça. suspirou ao se virar para e .
— Acho que percebi que só gosto dele como amigo. Só não sei o que dizer a ele, não quero magoá-lo!
— Ah, suspirou, puxando-a para um abraço.
— Diga a verdade — disse. — Sempre vai doer, mas é melhor do que uma ilusão que vai machucar muito mais depois.
— Exatamente o que eu disse! — exclamou. — E é melhor resolver isso antes que ele te convide para esse baile.
suspirou. Sabia que as amigas estavam certas, mas não se sentia preparada para enfrentá-lo. Parecia mais fácil arranjar um par e dispensar Kyle por não estar disponível.
E, por mais que negasse com todas as suas forças, sabia quem seu coração desejava que a convidasse.

⭐⭐⭐


Já era a última semana do trimestre e Fred, Jorge e Lino não podiam estar mais envolvidos no baile e na festa pós baile como estavam no momento. Deixaram de prestar atenção nas aulas (não que fizessem isso antes), planejaram o que levariam para o baile, onde fariam a outra festa, música, comida, bebida, convidados...
Mas um problema antigo se fez presente novamente: na hora de arcarem com a parte financeira, Fred e Jorge estavam mais apertados que o normal e a culpa era de apenas um homem: Ludo Bagman.
Antes de as aulas começarem, os gêmeos fizeram uma aposta generosa na Copa Mundial de Quadribol com o homem: e obviamente ganharam. Porém, depois de serem pagos, descobriram que tinha sido ouro de leprechaun, que desaparecia depois de um tempo. Os dois tentaram contatar Bagman, acreditando ter sido um erro do mesmo, mas, depois de serem ignorados algumas vezes, continuaram insistindo com as cartas. Tentaram até falar com ele em Hogwarts, mas só foram ignorados. Agora, estavam tentando contatar pessoas que eles descobriram também terem sido enganadas, como o pai de Lino.
Naquela noite, iam passar no corujal para enviar a última carta antes do Natal e, para isso, precisavam de um favor: Pichitinho, a coruja de Rony.
Entraram no salão comunal da Grifinória, procurando-o, e o avistaram justamente quando as cartas de snaps explosivos chamuscaram suas sobrancelhas ao explodirem na sua cara.
— Ficou legal, Rony... vai combinar bem com suas vestes a rigor, ah, isso vai — Fred falou e Jorge começou a rir da cara do irmão. Eles se sentaram à mesa com Rony, Harry e Hermione.
— Rony, podemos pedir Pichitinho emprestado? — Jorge perguntou.
— Não, ele está fora entregando uma carta. Por quê?
— Porque Jorge quer convidar sua coruja para o baile — Fred falou, com um sorriso sarcástico. Como seu irmão era lento às vezes.
— Porque nós gostaríamos de enviar uma carta, seu panacão — Jorge respondeu o óbvio.
— Para quem é que vocês tanto escrevem, hein? — Rony perguntou.
— Não mete o nariz, Rony, ou vai queimá-lo também — Fred falou, sacando a varinha como uma ameaça. Tudo o que menos precisava era do irmão fuxicando seus assuntos particulares. — Então... vocês já arranjaram pares para o baile?
O ruivo questionou isso para os mais novos de forma descontraída, embora sua mente entrasse em um turbilhão sempre que pensava no assunto. Olhou em volta pelo salão e encontrou o motivo de sua confusão sentado em frente à lareira, lendo um livro com uma cara concentrada e adorável.
Por algum motivo, imaginar com um vestido de baile, o acompanhando, estava mexendo bastante com Fred nos últimos dias, o que o deixava bem preocupado. Tudo bem que havia a aceitado como amiga, mas aqueles pensamentos estavam constantes demais em sua cabeça. Poderia convidá-la, mas algo o fazia ter medo de sua recusa também. Sabia que bastava convidar alguém para tirá-la da cabeça e acabar com aqueles pensamentos estúpidos, mas, de alguma forma, ainda não tinha conseguido se propor a fazer isso.
— Não — Rony respondeu, despertando o gêmeo de seu conflito interno.
— Então é melhor andarem depressa, companheiros, ou todas as garotas legais vão estar ocupadas — Fred continuou.
Naquele momento, talvez por mera coincidência, talvez por uma pegadinha do destino, levantou seus olhos do livro, suspirou e olhou em volta. Ela avistou Fred e seu olhar se prendeu ali. Ela sorriu.
O estômago dele fez algo muito esquisito que ele odiou.
Fred desviou o olhar, nervoso, para o outro canto, onde Angelina e Alícia conversavam. Ali era um lugar mais tranquilo de olhar.
— Com quem é que vocês vão, então? — Rony perguntou, um pouco na defensiva.
— Angelina — Fred disse, prontamente, sem nem perceber o que falava. Quando entendeu o que havia dito, percebeu que estava ferrado. Agora, tinha que cumprir com aquilo, se não quisesse ser zoado pelos irmãos.
— Quê? — Rony perguntou, espantado. — Você já a convidou?
— Bem lembrado. — Fred engoliu em seco e pensou que aquela não seria a pior das possibilidades: Angelina era linda, legal e ele tinha a impressão de que ela gostava dele. Por isso, gritou para onde ela estava: — Oi! Angelina!
— Que foi? — ela perguntou ao se virar.
— Quer ir ao baile comigo?
Angelina lhe lançou um olhar como se o avaliasse de cima a baixo.
— Tudo bem — ela respondeu, enfim, voltando-se para Alícia com um sorriso no rosto.
— Pronto, moleza — falou para Harry e Rony. Então, se levantou, espreguiçando-se. —É melhor usarmos uma coruja da escola, então, Jorge, vamos...
Quando se preparava para sair, Fred não se conteve e olhou novamente em direção à lareira. No entanto, não estava mais ali.

⭐⭐⭐


Dois dias se passaram desde que Fred convidara Angelina para ser seu par no baile, mas continuava chateada. Sabia que não tinha direito e era bobagem, mas, por algum motivo, presenciar aquele convite a magoou mais do que gostaria. Angelina era linda e a tranquilidade com a qual Fred a convidou, como se já soubesse que ela aceitaria, assustou (por mais que ela já soubesse da quedinha que Angelina tinha por ele). Por um mísero momento, ela havia achado que, talvez, eles pudessem ir juntos (sim, uma loucura fantasiosa), mas todos os seus pensamentos malucos ruíram por terra.
Talvez fosse melhor assim: que tivesse voltado à realidade antes que se machucasse de verdade. Mesmo assim, estava muito grata pelo fim das aulas e início do recesso. O que menos desejava era encarar Fred Weasley naquele momento.
O início do recesso, porém, a deixava preocupada: faltavam três dias para o baile e ela ainda não tinha par.
havia sido convidada por um dos meninos de Beauxbatons, Jean, para o baile. realmente mantinha inabalável sua posição de que queria ir sozinha. , por outro lado, vivia sorrindo e dizia ter um par: as meninas tinham certeza de que Lino a havia convidado.
Mas não tinha ninguém. Tudo bem que podia ir com Kyle (vinha fugindo dele na última semana de forma extraordinária), mas não era o que ela desejava, uma noite tensa com o que ele poderia fazer. Poderia também decidir ir sozinha, como . Talvez a poupasse de problemas. Por mais que não fosse o ideal, era o mais provável de acontecer.
No entanto, sua chateação com o convite de Fred talvez a tivesse deixado descuidada. Naquela tarde, indo para a biblioteca escolher sua nova leitura do feriado, não se tocou da aproximação de Kyle. Quando o viu, já era tarde demais.
— Kyle! — o cumprimentou com a voz esganiçada. Por Merlin, o que faria agora?
— OI! — O menino parecia aliviado por vê-la. — Venho tentando falar com você há dias!
— Jura? Não percebi — riu, sem graça. — Sabe como é, final de ano antes do recesso. Colocar tudo em dia para não acumular nada para o ano que vem!
— Entendo perfeitamente. — Ela sabia que ele entendia.
Um silêncio se instaurou, até que os dois chegaram à porta da biblioteca. Antes que eles entrassem, no entanto, o grifinório pigarreou.
, escuta... Eu venho me perguntando se, por acaso, você já tem um par para o Baile de Inverno.
A menina congelou. Sabia. Sabia que pagaria pelo deslize de ter se distraído com aquele ruivo idiota.
— E por que você tem se perguntado isso? — ela tentou questionar de forma alegre, se fazendo de desentendida, tentando aliviar o clima.
Mas ele sorriu de uma forma que fez o estômago de gelar. Ah, ela odiava confrontar as pessoas, odiava mesmo, e sabia que teria que fazer isso com ele! As temidas palavras logo saíram da boca do menino:
— Porque, se estiver desacompanhada, eu gostaria muito que fosse o meu par.
Kyle era um menino encantador. Era bonito, não podia negar, fofo, engraçado, gentil e a entendia bastante, pensava muito como ela. Mas não gostava dele desse jeito. Lembrou-se de alertando-a para contar a verdade a ele. Ela sabia que era o correto. Sabia mesmo.
Mas o que saiu de sua boca foi:
— Poxa, Kyle, eu agradeço muito o convite, mas infelizmente eu já tenho um par. Quem sabe não nos vemos no baile?
E entrou correndo na biblioteca, fugindo do confronto. Quando estava atrás de uma estante bem escondida, suspirou, aliviada. Que tipo de grifinória covarde ela era? Sentia vergonha de si mesma. Mas o que mais poderia ter feito?
E o pior: agora, com toda certeza, precisava achar um par.
Depois de meia hora (dez minutos até ter certeza de que Kyle havia saído da biblioteca e mais vinte para escolher sua nova leitura), foi da biblioteca para o corujal, agora tendo muito mais precaução em seus movimentos. Precisava, urgentemente, pensar numa solução. Não sabia nem por que estava indo para o corujal especificamente, só parecia um lugar que dificilmente encontraria Kyle – ou qualquer outra pessoa.
Mas, surpreendentemente, não estava vazio.
— Rob! — ela exclamou.
O irmão de se assustou ao escutá-la, mas, quando viu quem era, logo abriu um sorriso, tranquilo.
, quanto tempo!
— Pois é, nem parece que estudamos na mesma escola — ela zombou. — O que está fazendo aqui?
— Enviando uma carta para meus pais. Eles me pediram para dizer como a veste para o baile ficou em mim. Era do meu pai, sabe.
— E sua mãe queria vestir com as antigas vestes formais dela.
— Eles adoram tradições — Robert revirou os olhos, mas tinha muito carinho em seu rosto. — Já tem um par para o baile?
— Não — ela respondeu, suspirando. — É parte do motivo que estou aqui. Meio que disse para alguém que eu tinha um par só para não aceitar um convite?
— E por que só não recusou?
— Porque fiquei com medo de magoá-lo — respondeu, sorrindo amarelo.
Rob riu da cara dela e começou a acompanhá-la para fora do local.
— Vem, não vale a pena se esconder em um lugar com cheiro de caca de coruja. Ai, , é tão sua cara se envolver em uma situação dessas por sua extrema gentileza.
— Obrigada por chamar minha covardia de gentileza. E você? Já tem um par? — ela perguntou, desconfortável, querendo mudar de assunto.
Ele sacudiu a cabeça negativamente.
— Infelizmente, a única pessoa que eu queria convidar parece estar bem o suficiente sem o meu convite.
— Sinto muito, Rob.
Então, uma ideia maluca se formou na cabeça de . Talvez mais maluca do que ter mentido para Kyle. Na verdade, estava mais para uma consequência disso e era bem agradável. Esteve tão preocupada em achar um par, mas não se tocou que poderia simplesmente ir acompanhada de um amigo em quem confiasse!
— Rob! — agarrou o braço dele, sacudindo-o. — Rob, tive uma ideia!
— Eu percebi! — ele afastou o braço dela, o rosto incrédulo.
— Vai ao baile comigo, por favor! Eu preciso de um par, você não tem nenhum, somos bons amigos. Que mal tem nisso? Melhor eu que uma terceiranista desesperada para ser convidada, não é?
— Ei, eu não fui convidado só por terceiranistas!
— Tanto faz — ela abanou o ar com a mão, como se afastasse o assunto. — O que importa é que eu sou genial! Vamos juntos! Vai, por favor, aceita!
Rob suspirou e olhou para os lados, como se pensasse na ideia. Então, deu de ombros.
— Mal não faz, não é?
— Quanta empolgação em aceitar meu convite — debochou.
— Não reclama que eu pelo menos aceitei.
Os dois riram e abraçou Robert, agradecida, antes de se despedir e correr para o salão comunal da Grifinória. Um peso havia saído de seu peito. Agora, quando entrasse no baile com Rob, tecnicamente não teria mentido para Kyle. E Rob era divertido, além de, com certeza, não a ver como nada além da amizade. A noite mágica que ela tanto havia sonhado parecia ganhar cores de esperança novamente.
Depois de passar pelo quadro da mulher gorda, olhou rapidamente pelo salão comunal e encontrou as amigas conversando em um canto. Jogou-se na poltrona em frente à elas, assustando-as.
— Tenho um par para o baile!
As meninas arquejaram juntas, surpresas, quase como se fosse uma cena de filme. quase não conseguiu segurar o riso.
— Com quem?! — logo perguntou.
— Com Rob!
certamente não esperava a reação que se seguiu. franziu as sobrancelhas, quase se engasgou de tanto rir e ficou chocada.
— Meu irmão?!
— Relaxa, combinamos de ir como amigos. Digamos que foi uma troca de interesses.
— Interesses? — questionou.
— Digamos que eu ainda não consegui ser sincera com Kyle — desviou o olhar — e que Rob estava sem par. Parece que a garota que ele queria ir negou o convite ou algo assim. Bom, melhor com um amigo do que sozinha!
— Ainda bem que é só amigo. Desculpa, seria só tão estranho pensar em você beijando-o!
— Para mim também, acredite — certificou à amiga, sorrindo. — Agora, seremos sete. Nós quatro, Rob, o tal Jean e Lino!
franziu as sobrancelhas.
— Lino? Eu não vou com o Lino.
a encarou, confusa. O que a amiga estava dizendo?
— Como assim? Você anda toda sorridente desde a prova, quando vocês começaram a conversar!
O rosto de ficou vermelho, mas não de vergonha. Era raiva. nunca vira a amiga tão irritada.
— É claro que você pensou que era por causa dele! Todas vocês, não é? — estava claramente chateada e sua voz saía irritada, o que era estranho de ouvir, já que ela era sempre muito doce. — Nunca pararam para pensar por que eu nunca quis sair com nenhum dos garotos que já me convidaram?
As meninas fizeram silêncio, se encarando. Estavam perplexas demais para responder. suspirou.
— Acontece — ela começou, em um sussurro — que eu não gosto de meninos.
Agora, o seu rosto estava vermelho de vergonha e seus olhos se enchiam de lágrimas.
— Eu gosto de meninas — ela admitiu, a voz tão fraca que mal era audível. — E Alícia me chamou para o Baile de Inverno.
parou, chocada, para absorver a informação. É claro, Alícia, quem havia a levado para a enfermaria. Quem estava ao lado de Lino todas as vezes em que achou que a amiga o olhava. Que estava nas aulas de Herbologia com . Via, às vezes, as duas trocando sorrisos no dormitório, também. Como pôde ser tão cega?
, desculpa — começou.
— Não precisa. ‘Tá tudo bem — suspirou, se recompondo. — Desculpa ter reagido dessa forma, sei que vocês não pensaram nisso por mal, só foi o que todos estão acostumados a pensar. Se uma menina está apaixonada, a causa deve ser um garoto. É o normal.
— Gostar de garotas também é normal — logo afirmou. — Nós deveríamos ter percebido.
— Desculpa não ter contado para vocês antes. Fiquei com tanto medo que me enxergassem diferente, que me tratassem de forma distante, com medo de eu ter interesse em vocês. Acho que preferi só deixar tudo ir acontecendo, achei que vocês já tinham entendido sem eu precisar falar, mas eu devia ter falado. — estava à beira das lágrimas.
— Você não tem que se desculpar. Você tinha que contar quando estivesse pronta — falou.
— E é claro que a gente não vai te tratar diferente. Você sempre será a mesma para nós — afirmou.
— A gente só quer que você seja feliz — acrescentou.
— Obrigada, meninas. De verdade. Eu amo vocês.
— A gente também te ama, ! — disse, puxando as outras três para um abraço em grupo tão desajeitado, que logo todas estavam rindo.
As meninas logo pediram para a amiga contar mais detalhes da aproximação de Alícia e ficou pensando em como era burra: estava estampado na cara de o quanto ela estava apaixonadinha pela menina. E ficava feliz por perceber reciprocidade no que a amiga contava.
Estavam rindo sobre a desastrosa tentativa de primeiro beijo das duas, quando sentiu um cutucão em seu braço. Ela se virou, junto com as três amigas, e encontrou Fred Weasley parado ali. Seu coração, por um motivo desconhecido, errou uma batida dentro do peito.
Foi susto, só isso, ela pensou.
— Oi, meninas — Fred sorriu e, sem pensar, sorriu também. — Só queria chamar vocês para a festa pós baile. É claro que a gente não ia deixar as comemorações acabarem quando o Natal começar, não é? Mesmo esquema de sempre: só seguirem do baile para a sala, estaremos lá a partir de meia-noite e pedimos que venham aos poucos para não levantarmos suspeitas. Será no salão dos artefatos perdidos no terceiro andar. Basta bater à porta três vezes e falar “meias fedidas”.
— Que senha mais original — bufou, mas Fred a ignorou.
— Por quanto tempo você decorou essa fala em frente ao espelho? — não se aguentou e o provocou. O sorriso do menino cresceu diante do que ela disse.
— Duas horas e meia. Preciso passar confiança para convencer meus convidados, não? — Ele piscou e acenou. — Espero vocês lá.
E, por mais que ele dissesse aquilo para todas, uma parte de fingia que ele estava falando aquilo apenas para ela. Ignorou que ele havia convidado Angelina, que não estava interessado nela e que ela dizia não estar interessada nele. Por um segundo, só imaginou que ele queria a presença dela.
Ela sorriu. Por algum motivo, isso parecia bom.


Continua...



Nota da autora: A atualização veio aí! Amo escrever essa história, me dá um conforto tão grande, os próprios personagens vão guiando o que vai acontecer, eu só preciso parar e escrever (e parece que, às vezes, não sou nem eu que escrevo e, sim, eles! Hahahahaha)
Infelizmente, a vida de universitária e a loucura de embarcar em várias fics em andamento me impedem de fazer atualizações tão frequentes, então queria agradecer por vocês não desistirem de mim kkkkkk obrigada por todo o apoio e por continuarem lendo, espero de verdade que gostem do novo capítulo!
Queria deixar um recadinho especial para a Luísa, a nova beta de MTWY, que foi a primeira leitora e se tornou uma amiga maravilhosa. É uma honra ter você agora também cuidando da (sua) história!
Me sigam no instagram @elena.n.stuff para acompanhar as notícias sobre as atualizações e minhas outras fics.
Beijos! <3




Nota da beta: EU AMO TANTO ESSA FIC, ESTÁ SENDO INCRÍVEL PODER SER BETA E TE AJUDAR EM MAIS ESSA, OBRIGADA NOVAMENTE 🥺❤️
Celine é a perfeita protagonista de comédia romântica, o grito que eu dei quando ela inventou que já tinha um par HAHAHAHAHA sorte que arranjou logo alguém legal e não se meteu em mais confusão, já bastou ficar fugindo do Kyle. E estou completamente rendida por esses dois que, a cada dia que passa, vão mudando a percepção que têm, só provando que são perfeitos um para o outro SIM hahahahaha a ansiedade está lá no alto para o cap do baile ❤️



Outras Fanfics:

Anne With An E:
➽ Depois De Anne (Longfic - Em andamento)

Harry Potter:
➽ A Night To Remember - The Snake (Shortfic - Finalizada)
➽ A Very Black Christmas (Longfic - Finalizada)
➽ Beggin' (Longfic - Em andamento)
➽ In Occulto (Longfic - Em andamento)
➽ Last Chance To Win (Shortfic - Finalizada)
➽ Magically Haunted With You (Shortfic - Spin-off de "Magically Troubled With You")
➽ Observatório Potter (Shortfic - Finalizada)
➽ One More Chance To Win (Shortfic - Continuação de "Last Chance To Win")
➽ The Black's Decision (Shortfic - Finalizada)
➽ Todos Os Defeitos (Shortfic - Finalizada)
➽ Todos Os Efeitos (Que Você Tem Sobre Mim) (Shortfic - Continuação de "Todos Os Defeitos")
➽ Trapping The Wolf (Longfic - Em andamento)
➽ Um Motivo Para Ficar (Shortfic - Spin-off de "Magically Troubled With You")

Originais:
➽ 07. Te Assumi Pro Brasil (Shortfic - Finalizada)
➽ 13. How To Be A Heartbreaker (Shortfic - Finalizada)
➽ Correio Do Amor (Shortfic - Finalizada)
➽ MV: Give Me Love (Shortfic - Finalizada)


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.

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