Última atualização: 30/08/2021

Capítulo 1 - A Proposta

- Sim mãe, sim, eu já entendi – revirei os olhos – eu vou levá-la comigo. Também amo você.
Guardei o celular no bolso e passei a mão nos cabelos pensando no tamanho da confusão em que eu havia me metido.
- E ai cara, qual é a boa? – , meu melhor amigo, apareceu ao meu lado me dando dois tapinhas nas costas.
- Minha mãe quer que eu vá passar o feriado em casa. E quer leve a minha namorada – falei sugestivamente. me olhou boquiaberto.
Prazer, meu nome é , tenho 18 anos, estou no último ano do colegial e sou capitão do time de futebol do colégio. Há um ano meus pais se mudaram para a Austrália e, depois de muitas discussões, concordaram em me deixar ficar morando com o meu melhor amigo de infância, Parker, pelo menos até terminar o colegial.
Bem, há alguns meses, minha mãe começou a pegar no meu pé falando que eu precisava arrumar uma namorada séria “Chega dessa história de ficar com uma menina diferente a cada semana – ela disse”, então eu acabei falando que já havia arrumado uma e agora ela queria conhecer a garota que havia roubado meu coração.
O problema?
Ela não existe.
- Você não fez isso!
- Eu não achei que ela fosse querer conhecer a garota – disse como se fosse óbvio.
- Você é muito burro – me empurrou fazendo com que eu quase derrubasse alguém que passava pelo corredor.
- Que merda , olha por onde anda – eu conhecia aquela voz – eu podia ter caído.
- Desculpa princesa – dei meu melhor sorriso – da próxima vez eu me esforço para que você caia de verdade - de uma piscadela em sua direção antes de me afastar.
- Vocês ainda vão acabar se pegando – comentou assim que eu o alcancei me fazendo soltar uma risada alta.
- Eu e a ? – falei entre risos – Nem se ela fosse a última mulher do mundo todo!
, nos conhecemos aos 5 anos e nos odiamos desde os 3. Ela é a pessoa mais insuportável do mundo, sem exageros, e eu já tive a grande sorte de chamá-la de vizinha.
Há uns três anos ela e resolveram namorar, durou cerca de uns dois meses e foram os piores meses da minha vida. O a levava junto pra todo lugar que a gente ia, e ela sempre levava sua cota extrema de chatisse o que na maioria das vezes resultava em várias brigas diárias entre nós dois. Pra falar a verdade, eu nem lembro o porque a gente se odeia tanto, eu só sei que a gente não se suporta.
Acontece que, há cerca de um ano, decidiu que nosso ódio contínuo é uma paixão reprimida, e desde então não me deixa em paz.
- Cara escreve o que eu digo, vocês ainda vão ficar juntos, mas voltando ao seu problema com a sua mãe, por que não leva a Lisa? – se referiu a minha atual ficante.
- Ta louco? Ela já acha que a gente ta namorando porque estamos ficando há duas semanas, se eu a levar para conhecer minha família vai achar que estamos noivos. Essa é uma ideia fora de cogitação.
- Ok. Leva outra garota então. O que mais tem aqui são garotas querendo sair com você - indicou um pequeno grupo de meninas que sorriam abertamente na minha direção, sorri de volta.
- É exatamente esse o problema, se eu levar qualquer uma delas – apontei para o grupinho – ela nunca vai me deixar em paz.
- Tudo bem, então qual é o seu plano?
- Achar uma garota que seja imune a mim, e convencê-la a ser minha namorada durante o feriado.
- E você não pode simplesmente dizer a sua mãe que ela não pode ir?
- Você conhece minha mãe Parker, ela não vai me deixar em paz durante todo o feriado.
- Então é bom você se apressar , porque seu prazo termina em menos de 24 horas – afirmou conferindo o relógio.
- Onde eu vou encontrar alguém que não vá me encher o saco no final disso tudo? – sua resposta foi interrompida pelo sinal anunciando o início das aulas. – A gente se fala depois cara - entrei em uma sala a minha direita me sentando em meu lugar de costume na última carteira.
Instantes depois, entrou na sala ofegante pela breve corrida, sendo seguida pelo nosso professor de biologia, Sr. Andrews. A garota passou os olhos pela sala à procura de uma carteira vazia para se sentar e sua expressão mudou totalmente ao constatar que a única vazia era na minha frente. Se jogou na cadeira bufando alto a fim de demonstrar toda sua irritação e eu sorri internamente imaginando o quão divertidas aquelas duas aulas seriam.
- Abram seus livros na página 63, quero todas as questões respondidas até o final da aula valendo dois pontos - Sr. Andrews anunciou.

Faltavam menos de 20 minutos para bater o sinal do fim da aula quando eu decidi que estava entediado demais; peguei um lápis qualquer e comecei a enrolá-lo nos cabelos da garota a minha frente. Nas primeiras vezes ela apenas puxou o cabelo para o lado e sussurrou para que eu parasse, na terceira vez ela surtou.
- Porra será que dá pra você parar com essa merda e me deixar em paz – gritou.
- Srta. , Sr. - Sr. Andrews nos chamou – fora - indicou a porta.
- Mas eu não fiz nada, foi ele... - protestou.
- Não quero saber de quem é a culpa Srta., quero os dois fora da minha sala agora mesmo. E seus trabalhos não serão aceitos.
- Isso não é justo - dessa vez fui eu quem tentou argumentar.
- Se vocês não saírem agora, tirarei mais dois pontos de suas médias.
Peguei minhas coisas e sai da sala atrás de uma , igualmente irritada. Quando já estávamos a uns dez passos de distância da sala, ela parou no meio do corredor e se virou para mim começando a distribuir tapas e socos por meus braços e peitoral.
- Porra , qual o seu problema? - segurei seus pulsos impedindo que ela continuasse a me bater. A garota se debateu tentando se soltar, mas como eu era mais forte seu esforço foi inútil.
- O meu problema , é que eu acabei de perder dois pontos por sua causa - a empurrei para trás e a encurralei entre a parede e o meu corpo.
- Minha culpa? Foi você que deu uma de histérica e começou a gritar.
- Porque você não me deixava em paz!
- Foda-se - soltei seus pulsos antes de lhe virar as costas.
- Aonde você vai? - perguntou irritada.
- Para qualquer lugar longe de você - respondi quando já estava longe e pude ouvir ela reclamar.
Entrei em um corredor que eu sabia que daria para os fundos da escola. Faltava mais de dez minutos para acabar a aula então resolvi ir até lá e esperar. Havia acabado de me sentar em um dos bancos quando senti meu celular vibrar.

"Acho que sei como resolver o sei problema com a sua mãe, mas você não vai gostar da ideia." era uma mensagem de .

"Fala de uma vez Parker."

"Você precisa de uma garota que você possa apresentar a sua mãe, mas que não haja feito uma lunática atrás de você depois disso."

"Você vai ficar constatando o óbvio ou vai levar essa conversa a algum lugar?"
respondi começando a ficar irritado.

"Alguém acordou do lado errado da cama hoje"

Estava prestes a mandá-lo se foder quando uma segunda mensagem chegou:

"Eu conheço uma garota que, com toda certeza, não irá se apaixonar por você no final disso e que vai deixá-lo em paz. Mas não vai ser nada fácil convencê-la a te ajudar."

"Fala sério Parker, nenhuma garota diz não pra mim. Me diz logo quem é, que antes mesmo da hora do almoço eu a convenço."

" "



- Não. Você só pode ter batido a cabeça ou coisa assim - falei assim que saiu da sala.
- Ta fazendo o que aqui? Sua sala é do outro lado do prédio.
- Fui expulso da aula por causa da , mas esse não é o assunto – comecei a andar pelo corredor em direção aos nossos armários.
- Eu falei que você não ia gostar da ideia – repetiu.
- Eu não achei que fosse ser uma ideia ridícula como essa.
- Ridícula por que ? Você precisa de uma namorada falsa pra amanhã - falou calmamente guardando os livros em seu armário e pegando outro – a não vai ficar no seu pé depois da viagem, nem achar que vocês estão namorando de verdade. Ela é a garota perfeita.
- Não!
- O que você tem a perder ? – fechou o armário com força e se virou para mim - Se ela disser não você vai continuar tendo um problema. Se ela disser sim você vai ter alguém pra apresentar a sua mãe. Sem contar que ela é uma gata.
- Não - falei novamente e fui ao meu armário trocando os livros.
- você tem menos de 24 horas e, a menos que uma garota que concorde passar o feriado com a sua família sem compromisso caia do céu, ela é a sua melhor opção.
- Ela nunca vai aceitar - falei após pensar no que ele havia dito.
- Não custa tentar.
- Eu preciso pensar beleza? Se até o intervalo eu não tiver nenhuma ideia melhor falo com a .
Entrei na aula de física assim que bateu o sinal pensando na ideia absurda de .
Passei todo o tempo da aula pensando em várias formas de resolver meu problema sem a ajuda de . As melhores ideias foram: inventar alguma coisa para não ir, falar que terminei o meu namoro inventado ou levar a Lisa. Nenhuma dessas ideias acabavam sem algum outro tipo de problema para mim. Quando o sinal para o almoço bateu, fui um dos últimos a sair da sala e encontrei me esperando em frente ao meu armário.
- E aí, o que decidiu? – perguntei quando me aproximava.
- Vou falar com ela - afirmei enquanto guardava as coisas no meu armário novamente.
Dei uma volta completa no refeitório atrás de z, mas ela não estava lá. Estava decidido a desistir quando vi correndo em minha direção.
- Ela tá lá fora - falou ofegante. Sai do refeitório e rapidamente a localizei sentada no mesmo banco que eu havia me sentado há algumas horas. Respirei fundo repassando minhas outras opções mentalmente e caminhei a passos lentos até onde ela estava com seus amigos.
- - chamei e cinco pares de olhos me encararam curiosos, ignorei os outros e me foquei em apenas um par castanho a minha frente - posso falar com você? Em particular.
me analisou e pareceu ponderar o motivo de eu querer falar com ela, aparentemente sua curiosidade falou mais alto, já que concordou com a cabeça e se levantou do banco vindo em minha direção. Fui até uma árvore afastada onde sabia que ninguém poderia nos ouvir e a garota me seguiu sem falar nada.
- E então , o que você quer? - perguntou impaciente.
- Olha eu sei que a gente não se suporta - comecei por fim e a vi erguer a sobrancelha curiosa – e eu jamais pediria isso se não fosse realmente importante.
- Do que você esta falando?
- Minha mãe quer que eu vá passar o feriado com ela na Austrália – comecei hesitante - e quer que eu leve minha namorada junto – analisei sua reação pensando em como continuar.
- Ok, e o que eu tenho haver com isso?
- O fato é que eu não tenho uma namorada , e aparentemente você é a única que pode me ajudar com isso.
- Como assim?
- Quero que você viaje comigo , e finja ser minha namorada para minha família durante o feriado - soltei de uma vez e sua reação deixou claro que ela ficou surpresa.
- Certo , qual é a pegadinha? - perguntou quando saiu do seu transe.
- Não tem pegadinha nenhuma.
- E por que eu? Quer dizer, você sempre tem uma ficante diferente por mês, chama a da vez – deu de ombros como se fosse óbvio.
- Preciso de alguém que não vá achar que estamos namorando depois. Alguém que me deixe em paz depois. E você é a pessoa perfeita para isso – repeti o que havia me dito na esperança de que isso a convencesse.
- Não - falou decidida e começou a andar de volta para sua mesa, a segurei pelo braço fazendo com que me encarasse novamente.
- Qual é ? Você não tem nada a perder.
- Tenho. Meu feriado.
- Você passa todos os feriados em casa, assistindo filme e lendo - constatei fazendo com que sua expressão de raiva piorasse. - Estou te convidando para ir para outro país , ver pessoas de verdade, praias de verdade. E a única coisa que você precisa fazer é dizer pra minha família que é minha namorada.
- Não.
- Deixa de ser teimosa, porra - gritei perdendo completamente a paciência chamando a atenção de todos em volta, passeei as mãos pelos cabelos respirando fundo antes de continuar - não estou pedindo para você pular de um penhasco , estou apenas pedindo para você passar um feriado em um lugar incrível sem precisar se preocupar com nada e, prometo não te irritar durante toda a viagem. Será que da pra você ao menos pensar um pouco antes de simplesmente falar não?
Ela olhou para todos os lados e ficou quieta por um tempo parecendo pensar no assunto e um pingo de esperança brotou dentro de mim quando ela parou seu olhar em mim com um sorriso no rosto.
- Não. - respondeu ainda sorrindo e soltou seu braço do meu aperto voltando para a mesa.
Respirei fundo me controlando para não soltar todos os xingamentos que se passavam pela minha cabeça e fui para onde estava perto da porta que levaria ao refeitório.
- Como foi? - perguntou assim que me aproximei. Ignorei sua pergunta e entrei no prédio seguindo a passos duros até o meu armário.

’s POV

- E então você vai me falar o que o queria com você ou eu vou ter que ir lá perguntar diretamente a ele? - , minha melhor amiga, apareceu na minha frente fechando a porta do meu armário com força. Depois que eu havia conversado com , todos na mesa começaram a me perguntar sobre o que ele queria conversar, mas sempre mudava de assunto ou falava que não era nada demais. O único problema era que era persistente e não desistiria enquanto eu não lhe contasse em detalhes o que queria comigo.
- Já falei que não era nada demais - falei novamente começando a caminhar em direção a sala de química.
- Certo, entendi - olhou ao seu redor e eu parei no meio do caminho tentando entender o que ela estava fazendo. Seu olhar se fixou em algum ponto metros a frente; olhei para a mesma direção finalmente entendendo o que ela pretendia fazer.
estava parado alguns metros a nossa frente conversando com Parker e seu grupinho de amigos.
- Nem pense nisso - falei um pouco tarde demais já que quando terminei ela já estava na metade do caminho.
- , será que a gente podia conversar? - parou na frente dele sorrindo cinicamente.
- Não - respondi por ele e a puxei pelo braço até o banheiro feminino. – O que você pensa que está fazendo ?
- Eu disse que se você não me falasse ia perguntar a ele - deu de ombros e eu quis lhe dar um tapa. Fechei os olhos e contei até 10 antes de voltar a falar.
- Certo, eu conto – abri a boca para responder, mas fui interrompida pelo sinal - Merda. Fica com o celular na mão – gritei já fora do banheiro correndo para a minha sala.
Consegui entrar na sala antes do professor chegar, completamente ofegante por ter corrido. Me sentei no único lugar vazio que tinha, ao lado de Parker, e peguei meu celular.

"Ele queria que eu fingisse que a gente namora pra família dele durante o feriado" digitei rapidamente e enviei para recebendo a resposta menos de um minuto depois.

"Tipo uma namorada temporária?"

"Sim, ele disse que precisa de alguém que não vá ficar enchendo o saco depois"

"E o que você disse?"

"Eu disse não"
revirei os olhos como se fosse óbvio.

"VOCÊ TÁ LOUCA? QUAL O SEU PROBLEMA?" respondeu em apenas alguns segundos e eu não entendi a sua reação.

" eu não vou fingir que sou apaixonada pelo . Eu não aguento ficar na mesma sala que ele por mais de 5 minutos sem discutir, imagina o feriado todo."

"Tá eu sei. Mas você pode tirar alguma vantagem com isso"
eu precisava admitir, sua última mensagem havia me deixado curiosa.

"Como assim?"

"Pensa comigo , se ele te pediu isso é porque ele está claramente desesperado. Pede alguma coisa em troca"

"Tipo...?"

"Sei lá. Você é criativa , com certeza vai pensar em alguma coisa"
antes que eu pudesse respondê-la, meu celular vibrou novamente indicando outra mensagem.

“Por que não aceitou a proposta do ?" era uma mensagem de . Olhei para ele distraído ao meu lado antes de responder.

"Porque isso claramente não vai dar certo. Ninguém nunca acreditaria que a gente namora. Sem contar que, passar mais de 2 horas com ele sem dúvidas resultaria em um assassinato."

"Vocês podem dar uma trégua, ué. Ele realmente precisa da sua ajuda e você sabe disso. O pode agir como um idiota na maior parte do tempo, mas ele é um cara legal e eu tenho certeza de que vocês se dariam bem, se conseguissem parar de brigar"

"Eu e o somos de mundos completamente diferentes , e você sabe disso melhor que qualquer pessoa.”

“Por favor, por mim”
olhei para irritada, aquilo era golpe baixo e ele sabia perfeitamente disso. Pensei no que havia dito e respirei fundo antes de procurar um contato que eu nunca soube ao certo porque estava ali.

“Me encontra no estacionamento na hora da saída.”



“Não me diga que mudou de ideia.”
respondeu prontamente, era possível sentir sua ironia naquela frase.

“Isso você só vai descobrir às três.”

Guardei o celular no bolso novamente e voltei a prestar atenção na aula me preparando mentalmente para a conversa que teria com mais tarde.

O sinal tocou as três horas em ponto. Guardei minhas coisas de qualquer jeito na mochila e segui a passos largos até o estacionamento do colégio. estava encostado no capô do seu carro mexendo em alguma coisa no celular. Assim que me viu, guardou o celular no bolso e cruzou os braços me olhando com um sorriso sedutor no rosto.
- Ta atrasada - falou assim que me aproximei.
- São três horas agora, , você que está adiantado.
- Que seja. O que você quer conversar?
- Andei pensando sobre o que você me pediu na hora do almoço e, eu decidi que vou te ajudar com seus pais, mas tenho uma condição – o breve sorriso que havia começado a se formar em seu rosto sumiu.
- Fale.
- Você vai ter que fazer tudo o que eu quiser durante um mês, sem questionar.
- Fala sério , eu não vou ficar bancando o seu empregado particular - negou veemente com a cabeça.
- Você precisa da minha ajuda , e eu estou disposta a te ajudar. Só estou pedindo uma coisa em troca.
- Não - negou novamente.
- Certo – dei de ombros me afastando – É melhor você se apressar, você tem menos de 12 horas pra arrumar uma namorada – lhe dei as costas e comecei a caminhar para o portão de saída.
- Espera – havia dado pouco mais de cinco passos quando sua voz me fez parar – Eu topo.



Capítulo 2 - Se conhecendo

Marquei de encontrar na casa de em duas horas e segui para minha casa com tagarelando ao meu lado sobre como esse acordo seria vantajoso.
Bom, meu nome é , tenho 17 anos, estudo no Kingston College e sou líder de torcida. Graças a isso e a minha rixa com , sou considerada uma das meninas mais populares do colégio, o que as vezes acaba sendo extremamente irritante. Meus pais são brasileiros, moram em Londres há 20 anos o que me torna uma cidadã britânica, mas sou fluente em português e sempre que podemos, passamos as férias no Brasil com meus avós.
- Pensa só , o fazendo tudo o que você quiser, ele realmente devia estar desesperado para concordar com isso – falou assim que entramos na minha casa. era minha melhor amiga desde o ensino fundamental e mais do que ninguém ela tinha total conhecimento do meu problema com . – Você já sabe o que vai falar para sua mãe?
- Ainda não.
- Pelo menos ela adora o , acho que é um ponto positivo – comentou abrindo a geladeira. Eu não tinha pensado nisso ainda, foi meu vizinho por anos, é claro que nossos pais se conhecem. – E pelo que eu me lembre – continuou – a mãe do também adora você.
- ? É você? – ouvi a voz da minha mãe vindo da sala.
- Oi mãe – dei um beijo em sua bochecha quando ela entrou na cozinha.
- Como foi a aula hoje? – minha mãe me perguntava isso todos os dias quando eu voltava do colégio, eu achava fofo.
- Tranquilo mãe – achei melhor omitir a parte em que fui expulsa da sala. – Quero falar com você sobre uma coisa.
- Diga.
- me chamou para viajar com ele nesse feriado. Ele vai pra Austrália ver a família.
- ? Como ele está? – sua empolgação era palpável – Faz tanto tempo que não vejo o pequeno . Bom, mande um beijo para Emily e todos. E mande vir me visitar.
- Então isso é um sim?
- Eu conheço a Emily, sei que você vai ser bem cuidada. E seu pai vai trabalhar nesse feriado então não teria muita coisa para você fazer por aqui – deu de ombros. – Só me prometa, que vai ligar todos os dias.
- É claro que sim mamãe – respondi e fui até ela lhe abraçando.
- E você , vai fazer o que no feriado? – minha mãe perguntou a minha amiga que estava sentada na bancada da cozinha com um copo de água em mãos.
- Minha tia vem nos visitar, minha mãe está preparando um verdadeiro banquete de bolos e tortas para ela.
- Vou fazer minhas malas – falei me dirigindo as escadas. me seguiu.
Faziam 20 minutos que eu estava parada em frente ao meu guarda roupas e eu não fazia ideia do que levar.
- De acordo com o Google – estava deitada na minha cama com o celular em mãos – na Austrália está calor, muito calor. E pelo que eu sei, a família do mora perto da praia então acho que você pode levar alguns biquínis e roupas frescas. Nesse momento, meu celular apitou em cima da cama – É o informou me alcançando o aparelho.

“Leve roupas curtas”

Revirei os olhos ao ler a mensagem e joguei o celular na cama novamente. leu a mensagem e se levantou da cama em um pulo.
- Ok, vou te ajudar com isso porque eu já não aguento mais ver você andando pra lá e pra cá na frente desse guarda roupas e não escolher nada.
tirou uma grande mala que havia na parte de baixo do meu armário e a abriu em cima da cama; começou a abri as gavetas e portas e logo a mala começou a ser feita.
- Onde ficam os biquínis? – perguntou abrindo outra gaveta.
- Na sua esquerda – eu estava dobrando as roupas que ela havia jogado de qualquer jeito em cima da cama e as arrumando cuidadosamente dentro da mala. Mais algumas peças de roupas voaram em minha direção, arrumei os biquínis em um dos bolsos da mala e me levantei para ajudá-la a separar os vestidos.
Quase meia hora depois, minhas malas estavam arrumadas atrás da porta esperando o horário em que eu sairia. Desci as escadas novamente para almoçar e logo em seguida fui tomar banho para ficar pronta no horário. Eu odiava atrasos.

’s POV

- Alô - atendi o celular sem olhar quem era antes.
- Oi amor.
- Ah oi Lisa - falei em tom um pouco entediado ao reconhecer a voz.
- Por quê você não passa aqui em casa agora? Eu tô sozinha.
Olhei no relógio, era um pouco mais de três horas da tarde e eu ainda precisava arrumar minha mala antes de chegar.
- Não posso eu estou ocupado agora.
- Bem então por que você não vem mais tarde? Vou ficar sozinha o dia todo hoje e eu estou tendo sérios problemas com o botão do meu short - falou com a voz manhosa e um sorriso malicioso se formou em meus lábios.
- Eu posso resolver isso.
- Então você vem?
- Me de dez minutos.
Lisa podia ser extremamente chata e grudenta, mas eu precisava admitir que ela sabia exatamente o que fazer na cama. Procurei as chaves do carro e sai em direção a sua casa.
Fui recebido por um grande emaranhado loiro vestindo um mini short e uma blusinha regata. Não me preocupei em cumprimentar Lisa, apenas enrosquei minha mão em seus cabelos a puxando para um beijo enquanto a empurrava para dentro da casa puxando sua blusa para fora do corpo.

- Meus pais vão ficar fora durante todo o feriado – Lisa falou enquanto colocava sua blusa – por que você não fica aqui?
- Não posso, vou visitar meus pais no feriado – respondi sem olhar em sua direção enquanto procurava minha camiseta pelo chão do quarto.
- Tudo bem, me dá vinte minutos que eu arrumo minha mala – se direcionou ao closet, mas a interrompi no meio do caminho.
- Você não vai.
- O que?
- Você me ouviu.
- eu sou a sua namorada, nada mais comum que...
- Você não é minha namorada.
- Nós estamos juntos há semanas , isso é namoro – seu tom de voz indicava que ela estava ficando furiosa.
- Não Lisa, isso é sexo casual, achei que você tivesse entendido – falei abotoando minha calça novamente. Aquele mini piti que ela estava dando estava começando a me irritar. – Eu preciso ir, a gente se fala outra hora beleza? – peguei minha carteira que estava jogada ao lado da cama e a guardei no bolso da calça saindo do quarto.
- nós ainda não terminamos essa conversa – Lisa gritou atrás de mim. Revirei os olhos e desci as escadas rapidamente a ignorando – volta aqui – gritou novamente.
Abri a porta da frente e fui direto para o meu carro dando partida rapidamente enquanto ainda ouvia sua voz gritando meu nome.

Levei pouco mais de dez minutos de volta para casa e fui direto para o meu quarto tomar um banho. Quando sai, estava sentado na minha cama com meu celular em mãos.
- A Lisa está louca querendo falar com você.
- É eu sei.
- Achei que vocês já tivessem ido.
- O voo é mais tarde, e eu nem arrumei minha mala ainda.
- É melhor você se apressar – foi interrompido pela campainha. Olhei no relógio, eram cinco horas. – Deve ser a , vou lá atender.
Assim que saiu do quarto, entrei no closet procurando minha mala e comecei a jogar algumas peças de roupas dentro dela.
- me coloca no chão – ouvi a voz de e instantes depois entrou no quarto com a garota jogada em seus ombros.
- Parker será que você pode deixar a gente a sós um pouquinho, não sou fã de transar em público – falei saindo do closet. Os olhos de se arregalaram e a garota começou a gaguejar.
E então eu comecei a rir.
Gargalhar. me acompanhando.
- Você precisava ter visto a sua cara , foi hilária. – falei controlando o riso - Relaxa, eu não transaria com você nem que você fosse a última mulher da terra e minhas mãos não pudessem mais me ajudar.
- Saiba que o sentimento é recíproco – respondeu entre dentes. – Uau, não é como eu esperava – comentou quando olhando a redor do quarto.
À sua frente, havia um grande cama de casal, com um criado mudo em cada lado. Na parede uma grande estante de madeira com TV, DVD, jogos e várias outras coisas. À sua direita tinha uma mesa com um notebook e outras coisas do gênero em cima e à esquerda, duas portas brancas que levavam ao banheiro e closet.
- E o que você esperava?
- Ah você sabe. Alguns pôsteres de mulheres peladas pela parede, camisinhas por todo lado, uma pilha da playboy ao lado da cama ou uma coleção de pornôs perto da TV - fez uma pausa - Talvez um alvo com uma foto minha atrás da porta.
- Sabe que não é uma má ideia. Sorria – peguei meu celular e o som da câmera me denunciou.
- Você é realmente um idiota . Por que me chamou aqui afinal?
- Preciso convencer meus pais de que estamos juntos, pra isso precisamos realmente nos conhecer um pouco.
- Certo, e por onde começamos?
- Sei lá, eu nunca fiz isso antes – dei de ombros.
- Jura que nunca sentou para conversar com a sua namorada falsa? – perguntou ironicamente.
- Muito engraçada . Hilária. Vamos fazer isso logo porque eu ainda tenho que arrumar minha mala.
- Ok. E se a frente fizesse um jogo de perguntas? – sugeriu – Você me faz uma pergunta e eu te faço outra em seguida.
- É pode ser – me joguei na cama –Eu sei que você não tem irmãos, e que mora na mesma casa desde que era pequena. Seus pais são brasileiros e graças a isso você é fluente em português também.
- Fez a lição de casa – me olhou surpresa.
- Meu melhor amigo é seu ex-namorado, é claro que eu sei mais do que gostaria sobre você.
- Justo. Bom, o que eu sei, você tem dois irmãos...
- Max e Jess.
- Isso. Sua mãe me adora, e você é um babaca – completou com um sorriso.
- Você é insuportável garota – revirei os olhos – se eu não precisasse tanto da sua ajuda.
- Certo , vamos continuar. Quando é o seu aniversário?
- 12 de março. E o seu?
- 22 de março.
- Parece que temos alguma coisa em comum afinal . Comida favorita?
- Não tenho preferência, como qualquer coisa. A sua?
- A macarronada da minha mãe sem dúvidas.
- Banda favorita?
- Beatles. Você?
- Parece que temos outra coisa em comum – disse sorrindo.
- Quantos anos você tem?
- Estamos no mesmo ano , temos a mesma idade - revirei os olhos como se fosse óbvio. E realmente era. – Filme favorito?
- De volta para o futuro. Óbvio. O seu?
- Harry Potter.
- Até que você não tem um gosto tão ruim assim para filmes.
- Obrigada.
- Já ficou bêbada?
- O que? – a garota me olhou confusa.
- Quero saber se você já ficou bêbada?
- Por que isso é importante?
- Sei lá, mas fiquei curioso.
- Já – respondi depois de um tempo – Não que seja da sua conta. Como começamos a namorar?
- O que?
- Se a sua família perguntar, não vai pegar bem se cada um de nós contar uma história diferente.
- Certo. Bem nós estudamos juntos e sei lá, alguns amigos em comum, começamos a conversar e aconteceu.
- Só isso?
- Tem uma ideia melhor ? - levantei a sobrancelha em desafio.
- Eu não sei, mas podia ser uma história um pouco mais... Romântica.
- Eu não faço o estilo romântico .
- Eu sei . Você faz o estilo canalha e acho que é e exatamente por isso que inventou essa história ridícula para sua mãe.
- Você é boa com deduções, entendi. E então, qual o seu plano então?
- Não pensei em nada ainda, só acho que essa história de amigos em comum me parece profundamente falsa. Até porque seus pais sabem que não nos damos bem.
- Certo – concordei com a cabeça. Não tinha pensado nisso antes. Quando concordei com em pedir para me acompanhar nessa viajem tinha esquecido completamente que meus pais a conheciam. Agora que lembrei disso, consigo lembrar do quanto minha mãe adorava ela. – Minha mãe adorava você, isso já é ótimo. Que tal isso: eu precisava de ajuda com algumas matérias e os professores obrigaram você...
- Mais falso que os amigos em comum. Você é o maior galinha do colégio , se quer convencer sua mãe de que você mudou, precisa de uma história melhor que essa.
- Ok então princesa. Qual o plano?
- Homens são imaturos, então a gente pode falar que você o Matt e o Josh fizeram uma aposta para ver qual dos três pegaria a ex do Parker antes. Você relutou muito a participar dessa aposta mas no final o prêmio compensava e então, puff – fez uns movimentos estranhos com os dedos – cá estamos.
- Até que é uma boa história – admiti depois de pensar por um instante.
- De nada.
- Certo então temos uma história, sabemos mais do que o nome um do outro – fui numerando com os dedos – temos uma trégua de não irritar um ao outro durante a viagem, só precisamos de mais uma coisa: intimidade.
- Eu falei sério quando disse que não ia transar com você .
- Não estou falando disso garota, para de pensar que eu quero transar com você – rolei os olhos – estou falando que, namorados de verdade, não tem problema em se abraçar ou qualquer outra dessas coisas melosas. Sua cara descreve exatamente o que eu estou sentindo , pode ter certeza.

’s POV

Tudo aquilo parecia uma loucura, eu estava no quarto de , e em algumas horas estaria viajando com ele para a Austrália para me passar por sua namorada. Quando aceitei o pedido de de ajudá-lo eu estava pensando no que havia me dito, em nenhum momento se passou pela minha cabeça que, como namorada do , eu teria que me submeter a abraços, andar de mãos dadas, chamar ele de apelidos fofos e até mesmo um beijo ou outro.
- Não sei se consigo ficar tão perto assim de você sem vomitar.
- Ah amor – falou a palavra com tom de deboche – depois que você experimentar, não vai querer parar.
Eu queria vomitar.
Respirei fundo perante aquele pensamento e visualizei uma mala de viagem de tamanho médio jogada em um canto no chão do quarto. Totalmente vazia.
- , me diz que aquela mala vazia não é a mala que você vai levar para a viagem.
- Eu disse que ainda precisava arrumá-la.
- Eu achei que precisasse terminar, não começar a arrumar – exclamei.
- Na verdade eu estava esperando você chegar para me ajudar com isso – coçou a nuca de forma desajeitada.
- O que? Fala sério .
- Estou falando. Todas as vezes que eu vou pra lá minha mãe reclama que eu nunca sei o que levar, que eu preciso de uma “visão feminina” para fazer a mala então ela sempre manda uma lista do que eu devo levar. Só que dessa vez eu tenho minha linda namorada para me ajudar com isso então não preciso da ajuda dela. Sendo assim, ela não me mandou lista alguma. – deu de ombros.
- Meu Deus você é uma criança completamente dependente – revirei os olhos – vamos logo com isso.
- O meu closet é logo ali – apontou para uma das portas e ligou a TV procurando o que assistir.
- Eu não vou arrumar a sua mala – tirei o controle de sua mão e desliguei o aparelho – Você arruma e eu digo se falta alguma coisa. bufou antes de pegar a mala e seguir para o closet.
Menos de cinco minutos depois, ele voltou para o quarto com uma pilha de três camisetas, uma bermuda, algumas cuecas e meias e um moletom.
- Você tá brincando né? – perguntei apontando para as roupas.
- Qual o problema? – as colocou em cima da cama e me encarou confuso.
- Você vai ficar uma semana lá não dois dias – levantei apressadamente entrando no closet com ele logo atrás. Demorei um pouco para perceber como as roupas eram organizadas, mas assim que me localizei comecei a pegar mais roupas e jogar em sua direção.
- O que você está fazendo?
- Você queria uma visão feminina e agora está tendo. Não pode sair de casa com três camisetas e uma bermuda se pretende passar uma semana fora.
- Claro que posso, é só você ver.
- Beleza, então você leva só aquilo e explica para sua mãe como sua namorada te deixou levar só aquilo de roupa – lancei lhe um olhar desafiador.
- Você venceu – falou depois de uns instantes. Sorri vitoriosa e continuei a mexer em seu closet a procura de roupas.
Quando terminamos estava com outras quatro camisetas na mão, três bermudas, uma calça, uma camisa social e uma jaqueta de couro preta.
- Isso tudo é um exagero – reclamou pela décima vez enquanto guardava as roupas na mala.
- Apenas pare de reclamar e guarde as roupas okay?
O garoto revirou os olhos, mas guardou as roupas sem mais nenhuma objeção. Seguiu para o banheiro pegando mais algumas coisas para guardar na mala. Quando terminou, olhou as horas no celular e começou a andar apressado pelo quarto terminando de se arrumar.
- Está na hora de irmos, amor – falou e eu revirei os olhos.
O segui para fora do quarto e encontramos na sala assistindo algum programa de TV. Assim que nos viu o garoto levantou vindo em nossa direção.
- Estão prontos? – perguntou pegando as chaves do carro. Concordamos com a cabeça e seguimos em direção a garagem da casa.
- Por que estamos indo para o aeroporto tão cedo? Achei que o voo fosse só de noite.
- O voo é só de noite, mas a gente precisa comprar sua passagem e... – parou de falar subitamente analisando minha reação. – Não me diga que você tem medo de voar.
- Um pouco – admiti envergonhada.
- Mas você vive viajando com seus pais – falou exasperado enquanto guardava as malas no porta malas. Dei de ombros.
- Relaxa , a gente resolve isso quando chegar à hora, você pode dormir ou ler um livro e nem vai perceber que está voando – falou. Concordei com a cabeça e entrei no carro.

Pouco mais de quinze minutos depois, estávamos finalmente no aeroporto. Fui a uma livraria comprar um livro pra ler durante o voo enquanto e foram despachar nossas bagagens e comprar a minha passagem. Comprei um romance conhecido “P.S. Eu te amo” e encontrei os dois novamente perto do nosso portão de embarque.
- Por favor, por favor, não se matem nessa viagem – falou enquanto me envolvia em um abraço.
- Não prometo nada – eu e falamos ao mesmo tempo e ele riu.
- Se cuidem – deu um abraço em e então seguiu para fora do aeroporto nos deixando sozinhos lá.
- Nosso voo sai em uma hora – avisou checando as horas no relógio – Austrália ai vamos nós.



Capítulo 3 – Dia 1

Depois de quase 20 horas de voo, um livro lido, algumas horas de sono e muita reclamação por parte da , havíamos finalmente chegado à Austrália. Meus pais estavam nos esperando do lado de fora do aeroporto enquanto esperávamos nossas malas.
- Tudo bem, , está na hora de começarmos com o teatro. Vamos sair daqui de mãos dadas como um genuíno casal apaixonado. – falei pegando a minha mala e a dela.
- Ótimo, um sonho realizado. – falou ironicamente rolando os olhos.
O dia estava ensolarado e muito quente e eu tenho certeza de que, se eu não estivesse tão cansado da viagem, com certeza daria um jeito de passar o dia em alguma piscina. Passei meu braço pelos ombros de e a puxei para mais perto de mim enquanto caminhávamos até a saída.
- Achei que tivesse dito mãos dadas. – reclamou em tom baixo.
- É, mas achei que assim fosse ser mais realista. – respondi perto de sua orelha, sorrindo. Quem visse a cena com certeza acharia que éramos um casal meloso.
Meus pais discutiam sobre alguma coisa quando nos aproximamos, mas pararam assim que perceberam nossa presença. Minha mãe abriu um grande sorriso ao ver ao meu lado e logo tratou de se aproximar me envolvendo em um grande abraço.
- Senti tanto a sua falta, querido. – falou apertando os braços ao meu redor.
- Também senti sua falta, mãe. – retribui o abraço com a mesma intensidade.
- Essa é pequena ? Meu Deus, como você cresceu. – sorriu timidamente quando minha mãe a envolveu em um abraço. – Sempre soube que vocês ficariam juntos.
- Mandou bem. – meu pai falou em tom baixo, me abraçando. Tive que segurar a grande risada que queria escapar de meus lábios e me limitar a apenas balançar a cabeça concordando. Quando ele me soltou, se dirigiu a a abraçando também enquanto minha mãe recitava o quão bonita ela estava. Meus pais precisam urgentemente de óculos.
- Vocês devem estar cansados, vamos logo para casa para que vocês possam descansar. – meu pai falou já pegando nossas malas e as colocando no porta malas do carro.
se sentou no banco de trás tentando manter certa distância de mim. Deslizei no banco até encostar nossas pernas e passei o braço pelos seus ombros novamente a fazendo descansar a cabeça no meu ombro. Eu sabia que ela não havia gostado nada disso quando vi que ela havia fechado suas mãos em punho, mas o sorriso doce que se formou no rosto da minha mãe com certeza compensou.
O caminho do aeroporto até a casa dos meus pais era curto fazendo com que levássemos menos de vinte minutos para chegarmos lá. Minha irmã nos esperava na varanda enquanto brincava com Boris, o golden retrivier dos meus pais. Assim que ela viu o carro se aproximando, levantou-se rapidamente e correu em nossa direção pulando em cima de mim assim que desci do carro.
- Você não faz ideia do quanto eu sinto falta de discutir com você, seu idiota. – falou contra o meu peito ainda me abraçando.
- Você também faz falta, pirralha. – retribui o abraço.
- Tá, agora me deixa conhecer minha cunhada de uma vez. – me empurrou para o lado se aproximando de . – AI MEU DEUS.
- Oi, Jess. – sorriu para minha irmã e as duas logo se abraçaram como se fossem grandes amigas que não se veem há tempo. Certo, eu precisava admitir, minha família a adorava, eu havia me esquecido totalmente disso. Meus pais não paravam de babar em desde a hora que a viu e Jess nunca havia ficado tão animada em conhecer uma namorada minha como estava agora.
Jess é dois anos mais nova que eu e a , por serem vizinhas e não ter muitas outras crianças morando na nossa rua, as duas eram meio amigas na infância, viviam brincando de bonecas e armando alguma pegadinha para cima de Max, meu irmão mais velho. Quando entrou para o colegial, acabaram se separando devido a diferença de idade. Como foi que eu pude esquecer disso?
- Eu ainda não acredito que você está namorando o idiota do meu irmão. Vem, a gente tem muito o que conversar. – Jess falou a puxando pelo braço. me olhou em um claro pedido de ajuda e a única coisa que eu podia fazer era rir.
Ajudei meus pais a tirarem as malas do carro - a mala de devia pesar uns dez quilos - enquanto os ouvia falar que eu tinha feito uma ótima escolha namorando com ela blá, blá, blá. Perdi a conta de quantas vezes tive que me controlar para não começar a revirar os olhos com todos aqueles comentários. Quando entramos em casa, Jess e estavam sentadas na sala, conversando animadamente, com Boris sentado nos pés delas dormindo. Max estava jogado no outro sofá dormindo.
- Vocês devem estar cansados e com fome. – minha mãe falou perto da escada. – Venham, vou levá-los até seu quarto e vocês podem tomar um banho enquanto eu faço alguma coisa para vocês comerem.
se aproximou para pegar sua mala e subimos atrás de minha mãe até a porta de onde seria o meu quarto. Joguei minha mala na grande cama de casal enquanto esperava na porta do quarto minha mãe lhe mostrar onde ela ficaria.
- Er... Eu não tive tempo de arrumar o quarto de hóspedes então vocês vão ter que dividir o quarto. – minha mãe falou um pouco envergonhada.
- O quê? – e eu perguntamos ao mesmo tempo.
- Bem, vocês estão juntos há algum tempo já, eu achei que não tivesse problema. – minha mãe me lançou um olhar confuso.
- Você está certa, mãe. – dei meu melhor sorriso falso. – Só ficamos surpresos por vocês terem nos deixado ficar juntos, não é, amor? – olhei sugestivamente para torcendo para que ela seguisse com o plano.
- É, claro. – a garota respondeu com um sorriso tão falso quanto o meu e eu respirei aliviado. Minha mãe abriu um grande sorriso em nossa direção antes de sair do quarto nos deixando sozinhos. – Eu não vou dormir na mesma cama que você. – falou pouco tempo depois de a porta ter batido. Peguei seu braço e a puxei até o banheiro.
- Você tá louca, garota, quer que alguém te ouça? – liguei o chuveiro para abafar o som de nossas vozes.
- Eu não estou nem aí se alguém vai ouvir ou não. Eu não vou dividir uma cama com você, .
- Ótimo. Pois então durma no sofá. – respondi irritado.
- O quê?
- Essa é a minha casa, , minha cama, você que se vire.
- Cadê o cavalheirismo, ?
- Ah, amor – enrolei uma mecha de seu cabelo nos dedos – pra você não existe. – pisquei em sua direção e sai do banheiro. Pude ouvi-la bufando atrás de mim antes de fechar a porta com um pouco de força.
Quase meia hora depois, saiu do banheiro enrolada em uma toalha e com os cabelos molhados pingando nas costas. Perdi alguns segundos olhando para suas pernas, que não estavam cobertas pela toalha, antes de passar por ela e entrar no banheiro. Certo, eu precisava admitir, ela tinha um belo par de pernas. Sacudi a cabeça mudando os pensamentos e entrei no chuveiro.
Levei cerca de quinze minutos no banho e mais cinco minutos para colocar uma roupa e arrumar o cabelo. Quando sai do banheiro, estava deitada na cama toda torta dormindo.
- Só pode ser brincadeira. – resmunguei ao me deparar com a cena.
Suas pernas estavam descobertas, comecei a subir meu olhar pelo seu corpo a leve curva que o lençol fazia em sua bunda chamou minha atenção. Estava me decidindo se a acordava ou não quando fracas batidas na porta me acordaram do meu transe.
- Sua mãe mandou vocês descerem para... – meu pai parou no meio da frase ao ver na cama. – Tadinha, estava tão cansada, deixe-a dormir e desça você. Sua mãe está te esperando.
Decidi deixar dormindo e segui meu pai até a cozinha onde minha mãe havia feito um grande banquete de café da manhã na bancada. Max havia finalmente acordado e estava sentado em uma das cadeiras comendo.
- Achei que fosse trazer sua namorada, cara – falou de boca cheia assim que me viu.
- Ela está dormindo. – respondi me aproximando e lhe dando um abraço desajeitado.
- Você realmente está namorando com a ? – perguntou erguendo uma sobrancelha para mim, concordei com a cabeça. – Vocês dois se odiavam.
- Era amor reprimido. – Jess passou por nós em direção a geladeira. – Sempre tem disse isso.
Sentei-me em uma cadeira ao lado de meu irmão e rapidamente comecei a comer um dos muitos sanduíches que minha mãe havia feito. Eu sabia que provavelmente passaria boa parte da tarde dormindo, então resolvi tomar um café reforçado enquanto Jess divagava sobre seus planos para a semana. Eu sentia falta daquilo, Jessamine falando o tempo todo, minha mãe sempre preocupada se nós estávamos comendo direito, meu pai e Max conversando sobre algum assunto aleatório que ninguém mais entendia. Fazia menos de um ano que eles haviam se mudado, mas as vezes parecia muito mais tempo. Tentei participar da conversa, mas depois de uns minutos passei a apenas concordar com a cabeça mesmo sem prestar total atenção devido ao sono. Depois de alguns sanduíches e pedaços de bolo, subi as escadas quase me arrastando até meu quarto e cai na cama ao lado de pegando no sono imediatamente.

’s POV

Acordei sentindo um peso na minha barriga e abri os olhos lentamente constatando que se tratava de um braço; olhei para o lado rapidamente vendo dormindo de boca aberta ao meu lado na cama. Afastei seu braço lentamente e levantei da cama indo direto para o banheiro lavar o rosto. Senti meu estômago roncar e me lembrei de que não havia comido absolutamente nada além da comida horrível do avião há mais de seis horas. Sai do quarto e fui direto para a cozinha da casa encontrando Jessamine conversando animadamente com Emily e Richard .
- , finalmente você acordou. Eu deixei alguns sanduíches separados para você, espero que goste. – Emily falou indicando um prato com três grandes sanduíches na bancada.
- Muito obrigada, tia Emily. - agradeci enquanto pegava o primeiro sanduíche. Era estranho chamar a mãe do de tia agora que ela era minha falsa sogra, mas eu não sabia como deveria chamá-la.
- , lembra do Max, nosso irmão mais velho. - Jessamine indicou o rapaz sentado ao seu lado que sorria em minha direção. - É um prazer finalmente revê-la, pequena . – Max falou, ainda sorrindo.
- É um prazer finalmente vê-lo acordado. – falei em deboche fazendo com que todos rissem. Minha risada parou instantaneamente ao sentir um par de braços envolvendo minha cintura.
- Por que não me chamou quando acordou, amor? – ouvi a voz de perto do meu ouvido. Sua cabeça estava aninhada no meu pescoço e eu podia sentir sua barba rala me arranhando. Abri um sorriso falso e me virei em seus braços ficado de frente para ele.
- Você estava tão bonitinho dormindo que eu fiquei com dó de te acordar. - falei entre dentes olhando com raiva para seus braços ao meu redor.
- Ela é ou não é um amor? - perguntou encarando algum ponto atrás de mim antes de grudar seus lábios nos meus em um rápido selinho. Senti meu rosto esquentar sem saber se era raiva ou vergonha.
- Por que os pombinhos não vão tomar um banho para acalmar todo esse hormônio ai? - Jessamine perguntou em tom zombeteiro atraindo a atenção de todos na cozinha. Senti minhas bochechas esquentarem mais ainda enquanto ria.
- É uma ótima ideia. - concordei e puxei pelo braço até o quarto. - Que porra você estava pensando, ?
- Ah, amor, eu sei que você gostou, não precisa fingir que está bravinha. - falou rindo enquanto tentava me segurar pela cintura.
- Nunca mais faça isso. – falei, irritada.
- Qual é, , você sabia perfeitamente que teríamos que nos beijar vez ou outra durante essa semana e ainda assim aceitou vir comigo. Você não pode dar um ataque desses toda vez que eu encostar em você ou minha família vai desconfiar. Já foi um milagre eles acreditarem que estamos juntos depois de todas as nossas brigas quando éramos vizinhos. - falou se jogando na cama. Suspirei em derrota e entrei no banheiro determinada a tomar um belo banho relaxante. Estava terminando de me ensaboar quando ouvi a porta do banheiro abrir; me cobri rapidamente com as mãos e virei de costas para o vidro do box enquanto ouvia passos pelo ambiente.
- Que merda você tá fazendo aqui, ?
- Eu precisava usar o banheiro e você não saía nunca.
- E você não podia simplesmente ir a outro banheiro?
- Não, esse aqui era o mais próximo. E era uma ótima oportunidade para te ver pelada.
- Você é realmente um idiota.
- Ok, amor, agora fale algo que eu não esteja acostumado a ouvir. A propósito, bela bunda. - ouvi a porta do banheiro fechar anunciando que eu finalmente poderia me virar.
Consegui finalizar meu banho sem mais nenhuma invasão no banheiro. Me enrolei na grande toalha branca que havia ali e deixei meus cabelos escorrendo nas costas antes de sair.
- Finalmente, achei que fosse morrer ali dentro. - entrou no banheiro assim que saí.
Esperei ouvir o barulho do chuveiro antes de me trocar. Escolhi um short curto de tecido confortável e uma regata branca. Estava terminando de arrumar meus cabelos quando saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura. Meus olhos se prenderam em seu peitoral nu incrivelmente definido enquanto eu, inconscientemente, mordia meu lábio inferior.
- Quer tocar, amor? - perguntou em tom provocador se aproximando.
- Vá se foder, . – resmunguei irritada e peguei meu secador seguindo para o banheiro.
- Aqui, veste isso. – me jogou um embrulho preto assim que sai do banheiro.
- O que é isso? – perguntei confusa, esticando o pano.
- Uma camiseta, , o que mais parece?
- Tá, mas por quê?
- Garotas adoram usar as roupas de seus namorados, achei que fosse parecer um pouco mais real se minha família te visse com ela. – deu de ombros. Eu precisava admitir, por mais ridícula que fosse a explicação, ela tinha total lógica. Me virei de costas para ele e tirei a blusa que eu usava colocando sua camiseta rapidamente, eu poderia usar aquela camiseta como um vestido se eu quisesse, quando me virei novamente mordia os lábios quase que inconscientemente enquanto olhava em minha direção.
- O que foi? – perguntei procurando alguma coisa de errado.
- Nada. – respondeu balançando a cabeça. - Vamos, minha mãe está nos esperando para uma grande noite de jogos.
- Noite de jogos? Vocês ainda fazem isso? – perguntei, sorrindo, enquanto me lembrava das vezes em que Jess me contava dos jogos que eles faziam.
- Sim. Jessamine não abre mão desses jogos idiotas todas as vezes que eu venho para cá – torceu o nariz ao explicar a última parte, - mas é divertido.
- Ok. E quais são os tipos de jogos que vocês jogam?
- O normal, , quem sou eu, banco imobiliário, cartas e qualquer outra coisa que a Jess goste. Agora vamos descer logo que a comida está pronta e eu estou com fome.
O jantar foi o mais normal possível devido às circunstâncias em que eu me encontrava; Jess passou o tempo todo fazendo perguntas para e para mim sobre como havíamos começado a namorar e coisas do tipo, nunca agradeci tanto ter ficado um tempo conversando com o . Emily aproveitou para contar algumas histórias engraçadas sobre a infância de que eu ainda não conhecia.
Quando todos acabaram de comer, eu e ficamos encarregadas da louça, enquanto os outros arrumavam a sala com os jogos.
- E então, acha que consegue sobreviver mais alguns dias? - perguntou quando estávamos sozinhos.
- Sua família continua sendo incrível, , eu sempre gostei deles. Tem certeza de que não é adotado? - perguntei arrancando uma careta sua em resposta.
Terminamos de lavar a louça rapidamente e quando entramos na sala, a TV estava ligada no menu de Just Dance enquanto haviam outros jogos na mesa.
- Você disse jogos de tabuleiro. - sussurrei para .
- Deve ser mais uma invenção da Jess, espero que seja boa dançando, .
Os primeiros a jogarem foram e Max que dançaram Blurred Lines, por incrível que pareça, os dois dançavam incrivelmente bem ficando quase empatados no fim, mas Max acabou ganhando por dois pontos. Emily e Richard foram os próximos que, por escolha de Jess, dançaram Sexy and I Know It, eles eram extremamente ruins, mas o jeito desengonçado como rebolavam e se mexiam, junto com a letra da música, causaram ataque de riso em todos. Jess e eu fomos as últimas a dançar, ela me deixou escolher a música então acabamos dançando Moves Like Jagger. Ao contrário do imaginado, eu acabei não me saindo tão mal e quase ganhei se não tivesse me atrapalhado em um dos últimos passos e caído com tudo no chão. Jess ainda ria quando a música acabou e se jogou no sofá ao lado dos irmãos.
- Eu cansei disso, qual a próxima opção, pequena Jess? - perguntou quando conseguiu parar de rir do meu tombo.
- Está cansado só porque perdeu, né, idiota. - Max o provocou.
- Vai se ferrar. - deu um tapa na cabeça do mais velho em resposta.
Jess se jogou entre os dois, apartando a briga com uma grande caixa vermelha em mãos.
- Vamos jogar quem sou eu. Você sabe jogar, ?
- Sim, minhas primas adoravam jogar isso.
- Ótimo. Max, você começa. - tirou uma faixa preta da caixa e entregou ao irmão enquanto escrevia alguma coisa em um papel colorido. Levou alguns segundos para colar o papel na faixa e, quando terminou, sentou-se novamente sorrindo satisfeita. No papel amarelo, lia-se em letras grandes, Chris Evans.
- Tudo bem. - começou Max. - Eu sou uma pessoa?
- É. - dei de ombros.
- Estou vivo?
- Yep. - respondeu balançando a cabeça.
- Sou homem?
- Com toda certeza. - respondi fazendo os outros rirem.
- Sou um ator?
- Sim.
- Chris Evans? - perguntou com cara de entediado.
- Por que você sempre acerta quando é ele? - Jess perguntou emburrada tirando a faixa da cabeça de Max e a entregando a mãe.
- Porque você sempre coloca o Chris Evans. - respondeu em tom óbvio arrancando as folhas da mão dela e escrevendo alguma coisa. Quando colou o papel na cabeça de Emily, Sandra Bullock estava escrito em rabiscos quase incompreensíveis.
- Sou uma pessoa?
- Sim. - Richard respondeu.
- Eu estou viva?
- Sim, mãe. - Jess falou.
- Sou mulher?
- Sim.
- Aham. - Max e responderam juntos.
- Sou bonita?
- Demais. - Max.
- Pra caralho. - fez uma cara pervertida ao responder.
- Sou uma cantora?
- Não. - Max.
- Atriz?
- Isso. - Jess comemorou.
- Emma Watson?
- Não, querida. - Richard respondeu sorrindo.
- Você tem mais uma chance, mãe. - Jess avisou.
- Certo. Sou morena?
- Sim.
- Sandra Bullock?
- Acertou. – falei, sorrindo.
- , sua vez. - Jess anunciou. Emily tirou a faixa da cabeça e a entregou a . Peguei as folhas que estavam no sofá e escrevi Jensen Ackles antes de colar na faixa.
- Eu sou uma pessoa viva?
- Sim.
- Aham.
- E que pessoa. – Emily, Jess e eu respondemos respectivamente.
- Sou homem? - acenei com a cabeça, confirmando. - Sou gostoso? - perguntou rindo.
- Com toda certeza. - respondi de impulso.
- , eu estava falando do papel. - um sorriso de deboche surgiu em seu rosto enquanto eu sentia minhas bochechas esquentarem.
- Deixa de ser idiota, . - Max falou rindo, dando um tapa no irmão.
- Tá, tá. Sou um ator?
- Sim. – Jess.
- Jensen Ackles. - falou convicto.
- Eu odeio jogar isso com vocês. - Jess resmungou para os irmãos.
- A culpa não é nossa se somos melhores que você, maninha. - Max bagunçou os cabelos dela.
- Seus...
- Não briguem, crianças. - Richard interrompeu Jess. - Eu e a mãe de vocês estamos indo dormir. Mantenham-se vivos.
- Boa noite, queridos. - Emily falou se colocando em pé e seguindo o marido pelas escadas.
- O que a gente vai fazer agora? - perguntei.
- Ver filme. - propôs com o controle da TV já em mãos.
- Ta, mas eu escolho o que vamos assistir. - Jess avisou tirando o controle dele.
- Ninguém aqui quer assistir romance, Jessamine. - Max falou tentando tirar o controle das mãos dela.
- E ninguém aqui quer ver filme de guerra. - retrucou.
- Ótimo, então eu escolho. - falou.
- Não. A vai escolher. - Jess falou me entregando o controle. Fiquei esperando por alguma objeção, mas, como Max e ficaram calados, liguei a TV passando os canais até achar alguma coisa que agradasse a todos. Acabei parando em Velozes e Furiosos causando um sorriso em Max e .
- Por favor, me diga que você é fã desse filme. - Max falou.
- Seu dia de sorte. - respondi rindo. Me sentei no sofá ao lado de e fiquei tensa por alguns instantes quando ele passou seu braço pelos meus ombros. Depois de alguns instantes relaxei e me permiti encostar a cabeça no ombro dele me aninhando mais perto.

Quando o filme acabou, e eu subimos para o quarto morrendo de sono. Arrumei a cama rapidamente enquanto estava no banheiro e deitei sorrindo vitoriosa.
- Não, mas não mesmo, sai. - falou assim que saiu do banheiro.
- Eu cheguei primeiro, , mas não se preocupe, eu arrumei um canto para você. - apontei para a pilha de cobertores e travesseiros que eu havia feito no canto do quarto.
- Meu quarto, minha cama, seu chão.
- Mas que merda, será que custa você ser um pouco educado ao menos uma vez na sua vida? - perguntei irritada, me sentando na cama.
- Estou sendo educado em não te arrancar logo dessa cama e te obrigar a dividir a casinha com o Boris.
- Pois eu não vou sair. - cruzei os braços, determinada.
- Não me teste, . – respirou fundo, passando as mãos pelo rosto.
Ficamos nos encarando por vários minutos até que eu suspirei já cansada desistindo daquilo.
- Tudo bem, , vou te propor uma coisa. Nós dois ficamos com a cama e ninguém dorme no chão.
- Eu não vou transar com você, .
- E eu fico extremamente feliz por isso. - revirei os olhos. – Se alguém entrar aqui amanhã de manhã, vai ser difícil explicar por que estamos dormindo separados. Vamos evitar problemas.
- Okay, , você venceu, agora chega para lá. E mantenha sua bunda longe de mim. - deitou no espaço livre da cama de costas para mim. - O quê? – perguntei, confusa.
- Eu sou homem, , e por mais insuportável que você seja, sua bunda não deixa de ser gostosa.
- Você realmente consegue se superar, . – bufei, enquanto puxava as cobertas e me deitava virada de costas para ele. Adormeci poucos instantes depois.



Capítulo 4 – Dia 2

- Bom dia, casal. – acordei com uma voz feminina gritando ao fundo. Abri os olhos lentamente e vi Jess de joelhos na ponta da cama pulando. resmungou alguma coisa ao meu lado voltando a esconder o rosto no travesseiro.
- Que porra você pensa que está fazendo, Jessamine? – perguntei, ainda grogue.
- Já é quase meio-dia, seu idiota, a mamãe me pediu para acordar vocês para almoçarem. - peguei meu celular ao lado da cama e olhei o relógio constatando que já eram onze e quarenta.
- A gente já vai descer. - resmunguei.
- Não me faça voltar aqui. - ameaçou ao sair do quarto.
- , acorda. - empurrei seu braço, a fazendo resmungar em resposta. - Está na hora do almoço, acorda logo. - levantei da cama indo para o banheiro tomar um banho rápido para despertar. Quando sai já estava de pé ao lado da cama só de sutiã procurando alguma coisa em sua mala. - M-me d-desculpa. – eu estava gaguejando? Que porra era aquela? – Foi mal, . – falei depois de limpar a garganta. Um sorriso perverso surgiu em seus lábios ao perceber que meus olhos estavam presos em seus seios cobertos apenas pelo sutiã rendado.
- Quer tocar, amor? – repetiu a frase que eu havia lhe dito na noite passada e eu me xinguei internamente por não ter uma resposta. Sua gargalhada encheu o quarto antes dela entrar no banheiro com uma blusinha branca na mão. Saiu instantes depois com um sorriso debochado no rosto. – Vamos, , antes que sua irmã volte.
- Bom dia, família – falei sorrindo assim que entrei na cozinha. Minha mãe e Jess estavam arrumando a mesa, Max estava quase dormindo sentado em uma das cadeiras e meu pai estava mexendo em alguma coisa na geladeira.
- Bom dia, querido. – minha mãe sorriu em minha direção. – Richard, já falei para deixar essa torta ai!
- Desculpe, querida. – falou fechando a geladeira e se sentando ao lado de Max.
- Bom dia, cara. – Max saudou, sonolento. – Cadê sua garota?
- Bom dia. – entrou na cozinha instantes depois com Boris se enroscando em suas pernas.
- Jessamine, já não falei para você colocar esse cachorro fedorento lá para fora? – meu pai perguntou, um pouco irritado.
- Desculpa, pai, vou dar um banho nele hoje, prometo. – Jess pegou Boris pela coleira e o puxou até a porta.
- É bom mesmo, ninguém mais aguenta esse cheiro.
- Ei, já que vocês não têm nada para fazer durante a tarde por que não me ajudam com o Boris? – Jess olhou para onde eu e estávamos.
- Fala sério, pirralha.
- Estou falando. Por favor, , o Boris é enorme.
- A gente ajuda sim. – respondeu por mim. – Vai ser divertido. – falou animada.
- Defina diversão, . – pedi, a olhando de canto de olho.
- Qual é, , está calor e o Boris é um amor. Você não vai morrer de dar banho nele uma vez na vida. – sorriu meiga. Eu precisava admitir, ela era uma ótima atriz, por um instante até eu acreditei que ela era minha namorada.
- Tudo bem. – falei em desistência.
- Agora que vocês já resolveram isso – minha mãe falou colocando uma travessa na mesa –vamos comer antes que a lasanha esfrie. - me aproximei da mesa com ao meu lado e me preparei para fazer meu prato antes de Max se enfiar na minha frente.
- Porra, Max, não está me vendo aqui não?
- Eu estou com fome.
- E eu estou de visita tenho privilégios. – resmunguei. Max me imitou fazendo uma voz debochada arrancando uma risada de todos na mesa.
- Parem vocês dois. – minha mãe interferiu. – querida, pode fazer seu prato antes que esses dois trogloditas comam tudo.
- Mas… - protestamos juntos.
- Sem “mas”, pode ir, querida. – minha mãe falou entregando um prato para .
- Vocês parecem duas crianças. - falou ao passar por nós torcendo o nariz.
- Anda logo, amor. - respondi entre dentes. riu e se serviu em poucos instantes livrando o espaço para Max e eu. Sentei-me ao lado da garota e comecei a comer silenciosamente. Quando todos terminaram de comer, minha mãe trouxe uma grande torta de maça para a mesa. – Mãe, a senhora ainda faz a melhor torta de maçã que eu já comi na vida. - falei com a boca cheia.
- Eu estou comendo, seu idiota, fecha essa boca. - Jess me deu um tapa.
- E lá vamos nós de novo. - falou, rindo.

Depois do almoço, eu e fomos para a sala assistir um filme na Netflix. Depois de muitos minutos de discussão, me dei por vencido e a deixei escolher o filme, um romance obviamente. Depois de rodar quase o catálogo todo de romance duas vezes, ela escolheu um filme sobre uma barraca do beijo que eu não fiz questão de prestar atenção. Deitei no sofá, apoiando a cabeça sobre as pernas da garota e recebi um olhar matador em retribuição. Faltavam poucos minutos para acabar o filme quando Jess apareceu na sala super animada com uma mangueira e baldes nas mãos.
- Para que tudo isso? – perguntei quando ela parou em frente a TV.
- Vocês falaram que iriam me ajudar com o Boris.
- Ta, mas precisa ser agora?
- Sim, , precisa, levanta logo daí.
- Você continua a mesma insuportável de sempre garota, é incrível. – levantei a contragosto e segui Jess até o quintal da casa. – Boris, hora do banho. – gritei e logo o cão apareceu pulando ao meu lado.
- Eu vou pegar o resto das coisas. – Jess anunciou ao me entregar a mangueira. Quando voltou, estava com um vidro de shampoo canino em mãos, uma toalha enorme, uma escovinha e um perfume para cachorros.
- Aqui, , enche esse balde. , me ajuda aqui. – fui até onde Jess estava e a ajudei a segurar Boris enquanto ela o molhava e despejava uma grande quantidade de shampoo em seu pelo. Ela se ajoelhou ao lado dele e, assim que começou a espalhar o líquido azul pelo cachorro, ele começou a correr pelo quintal atrás de uma borboleta. – Boris, volta aqui, você nunca vai conseguir pegar essa borboleta. – saiu correndo atrás do cachorro.
, que estava ao meu lado, se contorcia de rir enquanto assistia Jess correr e escorregar algumas vezes na grama atrás de Boris. Aproveitei sua distração e apontei a mangueira em sua direção molhando suas pernas e parte de sua barriga.
- Você não fez isso. – lançou um olhar ameaçador para mim, mas o que quer que planejasse fazer, foi impedida quando Jess nos alcançou carregando Boris desajeitadamente.
- Certo, sua grande bola de pelo – falou colocando o cachorro no chão – fique quieto para que eu possa te esfregar.
- Para que você precisa do balde mesmo? – perguntou.
- Tenta tirar toda a espuma desse cachorro só com essa mangueirinha. – respondi e Jess confirmou com a cabeça indicando que eu estava certo.
- , me ajuda aqui. Preciso que você o segure para que ele não corra novamente, okay?
- Tudo bem. – se ajoelhou ao lado de Boris e o cachorro logo percebeu sua presença começando a pular nela e lamber seu rosto.
- , me alcança o shampoo, por favor. – procurei pelo grande vidro azul até encontrá-lo perto da cerca.
- Tenta não fazer isso ir parar na casa do vizinho. – falei ao entregá-lo para minha irmã.
- Ele não ficaria surpreso, acredite. – continuou a esfregar o cachorro que não parava de se mexer molhando ela e . Quando se deu por satisfeita, pegou um dos baldes e começou a tirar a espuma dele com certa dificuldade. – , me ajuda aqui, por favor. – pediu fazendo com que minha namorada começasse a passar as mãos através do pelo de Boris tirando a espuma. Quando o cachorro já estava completamente livre de qualquer resquício de sabão, Jess foi até a cozinha e saiu de lá com dois secadores em mãos.
- Onde você pretende ligar isso? – perguntei ao perceber que ela não estava com nenhuma extensão em mãos.
- Na sua bunda. – respondeu mal humorada. Poucos instantes depois, Max apareceu com duas extensões em mãos e lhe entregou ligando os secadores. – Aqui, – lhe entregou um dos objetos – você vai ter que me ajudar com isso.
- Sem problemas.
Em poucos instantes, ambas estavam posicionadas, cada uma em um lado do corpo de Boris, fazendo seu melhor para conseguir secar o cachorro e deixá-lo parado ao mesmo tempo. Max e eu havíamos puxado duas cadeiras de perto da piscina e observávamos a cena fazendo pequenos comentários vez ou outra que faziam com que uma das duas nos desse uma resposta não muito educada.
Depois de quase meia hora de trabalho, Boris estava completamente seco e Jess e estavam deitadas na grama com expressões de derrota.
- Eu esperava um pouco mais de disposição de vocês duas. – falei, rindo. Duas mãos se levantaram, estirando seus dedos do meio em resposta. Max apenas ria.
- Vamos levantar logo, , ainda precisamos arrumar isso aqui e nos preparar para sair. – Jess levantou com certa dificuldade e esticou o braço para ajudar .
- Sair? – perguntou, confusa.
- Sim, vamos jantar em um restaurante que tem aqui perto, nossos pais fizeram a reserva há umas duas semanas, quando o disse que estava namorando. Eles têm a melhor costela da Austrália. – falou animada.
Os acontecimentos seguintes foram tão rápidos que eu mal tive tempo de processá-los.
Jess levou os secadores e extensões para dentro de casa enquanto ficou encarregada de arrumar a mangueira e os baldes. Ela estava se preparando para guardar o último balde que ainda estava cheio de água, quando Boris passou correndo por ela se enroscando em suas pernas fazendo com que ela caísse na grama virando toda a água do balde em si mesma. Max estava quase caindo da cadeira de tanto rir e Jess, que estava na porta da cozinha, não sabia se ria ou corria até para ajudá-la. Eu com certeza também estaria rindo, se alguns pequenos pontos naquela cena não a tornasse tão...sexy.
A questão é que, quando virou a água sobre si, a blusa branca de havia ficado completamente transparente em seu corpo e, puta que pariu, ela havia tirado aquela porcaria de sutiã rendado e a transparência recém adquirida de sua blusa deixava os bicos de seus seios completamente destacados sobre o pano.
- Pare de ficar olhando para garota com essa cara de pervertido e vai lá ajudá-la, . – Max me deu um cutucão. Balancei a cabeça e me levantei indo até onde estava sentada no chão e a ajudei a levantar.
- Obrigada. – agradeceu tímida enquanto usava os braços para tapar os seios.
- Vai lá para cima tomar um banho – murmurei – eu termino aqui. – ela acenou com a cabeça e sumiu pela porta da cozinha apressada.

’s POV

Subi as escadas pulando dois ou três degraus por vez e me enfiei de vez em baixo do chuveiro deixando a água quente escorrer por todo o meu corpo de uma forma relaxante. Fiquei pouco mais de meia hora no banheiro e, quando sai, estava deitado na cama mexendo em seu celular.
- Finalmente. – resmungou, pegando suas coisas e entrando no banheiro.
Tirei todas as roupas da minha mala procurando alguma coisa para vestir. Eu não fazia ideia de como era o restaurante em que nós iríamos, por isso, depois de ver e rever todas as peças, decidi por uma calça legging flare preta e uma blusa branca. Vesti as roupas rapidamente, peguei meu sapato de salto preto e procurei um blazer branco mais comprido para completar o look. Estava terminando de fazer minha maquiagem quando saiu do banheiro indicando com a cabeça para que eu fosse para lá para que ele pudesse se trocar. Bufei e peguei minhas maquiagens passando pela grande porta branca a batendo atrás de mim. Passei uma maquiagem mais clara, dando um pouco mais de atenção aos olhos com um delineado bem puxado e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo alto, com alguns fios soltos na frente.
- Sete e meia, , a Jess vai vir nos chamar daqui a pouco. – falou, entrando no banheiro.
- Estou pronta.
- Sabe, , se eu não te conhecesse, eu até te pegaria hoje. – falou, me analisando de cima a baixo. Ele também já estava pronto com uma calça jeans escura, uma camiseta preta e tênis.
- Isso foi um elogio, ? – arqueei as sobrancelhas em descrença.
- Talvez. – deu de ombros e saiu do quarto.
O restaurante escolhido pela família ficava no centro da cidade, fomos em dois carros para que todos pudéssemos ir confortavelmente. Emily, Richard e Max foram em um carro, , eu e Jess os seguimos com o carro de Max. Jess foi animada cantarolando algumas músicas no banco de trás enquanto eu e permanecíamos em silêncio.
Quando chegamos ao restaurante, fomos recebidos com um grande sorriso pela atendente, que claramente já conhecia toda a família . Sorri timidamente quando Emily me apresentou a ela e seguimos para uma grande mesa redonda em um dos cantos do restaurante. Me sentei ao lado de e Jess, com Emily a minha frente. O restaurante estava um pouco cheio, por isso demoramos um pouco para sermos atendidos, mas isso não pareceu ser problema para nenhum dos que conversavam animadamente.
- , o que você quer beber? – perguntou ao lado da mesa enquanto fazia os pedidos para um garçom. Estava tão distraída com meus pensamentos que não percebi quando o garçom se aproximou anotando nossos pedidos.
- Hum, pode ser o mesmo que o seu. – dei de ombros torcendo para que ele não tivesse pedido nada alcoólico. Respirei aliviado quando o ouvir dizer “duas cocas” para o garçom. O rapaz terminou de anotar mais algumas coisas e saiu se perdendo em meio as várias mesas.
Continuei analisando o restaurante discretamente enquanto conversava com Jesssamine. Aquele com certeza podia ser classificado como um dos vários restaurantes luxuosos da Austrália. O restaurante se localizava em um dos últimos andares de um prédio bem alto no centro da cidade, as paredes ao redor eram todas de vidro, o que proporcionava uma vista incrível da cidade. No interior, várias mesas redondas eram distribuídas pelo ambiente, todas preenchidas no momento, grandes lustres eram espaçados cuidadosamente deixando o ambiente bem iluminado.
Em meio aos meus pensamentos, finalmente me dei conta de uma coisa. Me aproximei de , que conversava com Max sobre algum jogo, cheguei perto de seu ouvido sentindo o forte cheiro de seu perfume me dominar e pude ver alguns pelos de sua nuca arrepiarem quando sussurrei.
- , eu não trouxe minha carteira, você ficou me apressando e eu esqueci minha bolsa em casa, será que você pode me levar em casa para eu pegá-la? – pedi torcendo para que ninguém mais na mesa estivesse me ouvindo. virou levemente a cabeça, encostando seu nariz no meu, e dessa vez pude sentir um arrepio na minha nuca.
- Para que você precisa da carteira, ? – perguntou no mesmo tom, me olhando, confuso.
- Para pagar a minha conta. – respondi como se fosse óbvio. pousou sua mão na minha coxa, dando uma leve risada e pude sentir a irritação começar a tomar conta de mim. Aparentemente ele também percebeu já que no instante em que abri minha boca para respondê-lo, senti uma pressão de seus dedos na minha perna e ele se aproximou, sussurrando no meu ouvido.
- , se eu deixar você pagar qualquer coisa nessa viagem a minha mãe me mata. Só relaxa e aproveita. – falou e voltou a conversar com Max. Ao contrário do que eu esperava, sua mão permaneceu na minha perna aquecendo o local; ignorei a sensação que aquilo estava me causando e voltei a conversar com Jess.
Estávamos no meio da sobremesa quando um casal se aproximou da nossa mesa. A mulher era muito bonita, loira, alta de olhos claros; foi diretamente até Emily cumprimentá-la, enquanto o homem, alto, moreno e tão bonito quanto a esposa, foi conversar com Richard. Há alguns passos atrás do casal, estava uma menina, ela parecia ter a minha idade, tinha os cabelos morenos do pai e os olhos claros da mãe, tão bonita quanto o casal. Ela não parecia nem um pouco interessada em participar da conversa, até que avistou ao meu lado, com a cara fechada.
- . – falou em tom animado, se aproximando da mesa. Senti ficar tenso ao meu lado. – Quanto tempo, como você está? – levantou o olhar para ela com a expressão fechada e respondeu da forma mais seca que conseguiu.
- Estou bem, Ashley – sua mão deslizou até a minha a apertando para chamar minha atenção. – Amor, vamos lá fora? Preciso tomar um ar. – eu podia ver em seus olhos que ele realmente precisava sair dali. Concordei com a cabeça e me levantei ainda segurando sua mão. Mal tive tempo de pegar meu celular e blazer quando já saiu andando me puxando atrás de si.
- Quer me contar por que precisamos sair correndo do restaurante? – perguntei assim que as portas do elevador se fecharam atrás de nós.
- Eu precisava tomar um ar. – deu de ombros. Revirei os olhos em resposta e permaneci quieta até chegarmos ao térreo.
O térreo do prédio era incrível, parecia uma grande praça luxuosa. Haviam alguns bancos espalhados pelo ambiente, cercados por pequenas árvores e diferentes tipos de flores. Soltei minha mão da dele e sai andando pelo local.
- Esse lugar é lindo. – falei depois de alguns minutos andando. – Pena que eu estou aqui com você. – finalizei me encostando em uma parede de flores que havia ali. se aproximou, apoiando um braço na parede ao meu lado e ficou parado na minha frente sorrindo.
- Não está gostando do passeio, amor?
- A viagem está sendo incrível. – dei de ombros e vi um sorriso convencido se formar em seus lábios. – O problema mesmo é a companhia. – completei e o sorriso desapareceu. ficou um tempo parado, me olhando fixamente, antes de se aproximar colocando sua outra mão na minha cintura.
- Ah, amor, o sentimento é totalmente recíproco, pode ter certeza. – falou em um tom baixo. Ele estava tão perto que eu podia sentir seu hálito quente na minha bochecha e seu nariz passar de leve pelo local.
- O que você está fazendo, ? – perguntei com a voz fraca. Aquela proximidade toda estava me deixando desnorteada. Seu perfume tão perto estava me deixando um pouco tonta e a proximidade dos nossos corpos estava prestes a me fazer perder os sentidos a ponto de eu precisar forçar minhas pernas no chão para permanecer em pé. claramente tinha percebido isso também já que soltou uma risadinha fraca no meu ouvido.
- O que foi, amor? –perguntou com a voz rouca, um arrepio subiu pela minha espinha enquanto sua boca passava pela minha bochecha.
- . – coloquei minha mão em seu braço e apertei um pouco a região tentando afastá-lo. Ao perceber minha intenção ele apertou um pouco mais sua mão na minha cintura e juntou ainda mais nossos corpos me fazendo suspirar.
Eu não conseguia entender o que estava acontecendo comigo naquele momento. Fala sério, , esse é o , o cara mais insuportável da face da Terra, você o odeia.
Mas naquele momento eu não conseguia me lembrar de nada daquilo; nossos corpos estavam tão próximos, o cheiro do seu perfume estava me deixando anestesiada e cada centímetro do meu rosto por onde seus lábios passaram parecia começar a ferver.
Eu queria beijar . E me odiava internamente por isso.
Fechei meus olhos e respirei fundo esperando o momento em que nossos lábios se chocariam, mas isso não aconteceu. Seu corpo se afastou do meu, sua mão soltou minha cintura e eu pude ouvir rindo. Rindo não, gargalhando. Abri meus olhos já sentindo a raiva me dominar e o vi parado há alguns centímetros na minha frente com as mãos apoiadas nos joelhos ainda rindo.
- Você precisava ver sua cara, . – falou entre risos. – Infelizmente, para você, claro, vou ficar te devendo esse beijo, amor. Mas foi divertido.
Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa ele saiu andando novamente em direção ao elevador. Minha vontade naquele momento era sair correndo de onde eu estava e enfiar o salto do meu sapato na cara dele, mas eu me controlei, respirei fundo e caminhei lentamente atrás dele o alcançando no elevador. Ao contrário do que eu imaginei não voltamos para o restaurante, descemos para o estacionamento encontrando seus pais e irmãos parados perto dos carros. Entrei no carro junto com e Jess e segui completamente em silêncio até a casa dos .
Quando chegamos cada um seguiu para o seu quarto se preparar para dormir. estava no banheiro trocando de roupa enquanto eu estava sentada na cama procurando um pijama para colocar, eu anda podia ouvir leves risadas vindas do banheiro, foi ai que eu tive uma ideia.

’s POV

Eu estava terminando de escovar meus dentes quando entrou no banheiro como um furacão. Ela ainda não havia tirado completamente a maquiagem, apenas o batom, seus cabelos estavam soltos caindo em cascatas pelos ombros, ainda estava com os sapatos pretos de salto e vestia uma pequena lingerie preta rendada.
Apenas a lingerie.
Seus sapatos tilintavam no azulejo do banheiro enquanto ela andava lentamente em minha direção com os olhos fixos no meu. Eu não conseguia desviar o olhar. Na real eu não tinha certeza se queria. era sem dúvidas a pessoa mais insuportável do mundo e eu diria isso sem medo de estar errado, mas eu não podia negar o fato de que ela era muito bonita.
E gostosa pra caralho.
E agora ela estava aqui, na minha frente, seminua, me olhando com o olhar mais sensual que eu já havia visto na vida.
Eu não sabia o que fazer. Apenas permaneci parado no mesmo lugar analisando seu corpo enquanto ela se aproximava. Quando se aproximou o suficiente, apoiou as duas mãos no meu peitoral nu e me empurrou para trás fazendo com que eu caísse sentado na tampa fechada do vaso sanitário. Eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo. Eu estava no banheiro da casa dos meus pais, com a pessoa mais irritante no mundo sentada no meu colo passando as mão pelo meu peitoral. Eu jamais teria imaginado uma cena dessas, nem nos meus piores pesadelos. Se bem que, no momento, não parecia um pesadelo. Longe disso.
Pousei minhas mãos nas suas coxas, cada uma de um lado do meu corpo e deixei um alto suspiro escapar quando ela puxou meu cabelo e arranhou minha nuca grudando ainda mais nossos corpos. Eu queria beijá-la. Eu precisava beijá-la. Inclinei meu corpo para frente na tentativa de grudar nossos lábios, mas desviou. Suas duas mãos fizeram um caminho do meu pescoço até a barra da minha calça arranhando levemente a área enquanto sua boca se aproximava do meu ouvido.
Eu já não conseguia mais pensar direito. O calor entre nossos corpos, a proximidade, seu perfume me deixando quase tonto; eu queria muito conseguir pensar direito e parar com aquilo, mas era quase impossível. Da mesma forma que um lado meu queria tirá-la de cima de mim e sair dali, um outro lado queria que ela continuasse. Deslizei minhas mãos pelo seu corpo até chegar a sua cintura e a puxei para mais perto apertando um pouco a região. Fechei os olhos ao sentir seu hálito quente bater no meu pescoço antes dela sussurrar.
- Eu também sei jogar, . – falou antes de levar suas mãos até as minhas as tirando de sua cintura e levantar do meu colo. Pude ver um grande sorriso de satisfação estampado em seu rosto antes de se virar e sair do banheiro rebolando. Levei uns instantes para compreender o que ela queria dizer com aquilo.
- Porra. – falei alto, jogando minha cabeça para trás quando tudo fez sentido para mim. Aquilo foi o troco pelo que aconteceu no jardim do restaurante. Não dava para negar, se aquilo era um jogo, ela com certeza tinha ganhado esse ponto. Levantei do vaso, pronto para sair do banheiro, quando senti um aperto incomodo na minha calça.
Só podia ser brincadeira.
Eu estava excitado. Sem nem ao menos ter a beijado. Bufei, irritado e tirei o resto das minhas roupas me preparando para tomar um banho gelado e voltar ao normal. Deixei a água gelada escorrer pelo meu corpo, ignorando o frio que estava sentindo, e pensei comigo mesmo pela quinta vez nos últimos minutos.
Eu realmente odiava aquela garota.



Capítulo 5 – Dia 3

No dia seguinte, as provocações continuaram. fazia questão de andar pelo quarto apenas com uma lingerie ou com seu pijama extremamente curto que me possibilitava ver uma parte de sua bunda e sua barriga. E o calor que estava fazendo com certeza não colaborava em nada com a situação.
Eram pouco mais de duas da tarde e eu estava no quarto trocando de roupa para entrar na piscina recém adquirida dos meus pais quando entrou no quarto vestindo um vestido florido roxo. O vestido era um pouco mais comprido que o short do seu pijama cobrindo até metade das suas coxas, agradeci a Deus por isso. A garota foi direto para o banheiro, levando alguns segundos lá dentro e, quando saiu, estava apenas com a lingerie verde água e o vestido em mãos.
- Será que dá para colocar uma roupa? – perguntei, irritado.
- Não está gostando do que vê, amor? – perguntou em tom desafiador. Ela sabia que eu gostava, gostava muito.
- Nem um pouco. – menti.
- Que pena, né, meu anjo. – Passou por mim, esbarrando no meu braço e foi até o grande armário que havia no quarto. Depois de mais de dois dias de viagem, havíamos finalmente desfeito as malas e arrumado as roupas nos armários.
- Eu vou descer. – anunciei e sai do quarto indo diretamente para o jardim com a piscina. Max e Jess já estavam lá, Max estava na piscina totalmente submerso e Jess estava deitada em uma grande boia, com um copo de milk-shake na mão, tomando sol. Peguei impulso e sai correndo pulando na piscina perto de onde ela estava fazendo com que a água espirrasse nela.
- ! – gritou, irritada. Soltei uma risada e nadei até onde Max estava.
- E ai, cara. – falou quando me aproximei. Antes que eu pudesse respondê-lo, apareceu na borda da piscina vestindo um biquíni rosa e branco e trazendo alguns acessórios em mãos.
- – chamou – seu celular – apontou para o pequeno aparelho que tocava em sua mão. Nadei até onde ela estava e sai da piscina e peguei o celular de sua mão me afastando para atendê-lo.
- E ai, cara, como estão as coisas na Austrália? – falou assim que atendi ao telefone.
- Sua amiga está me deixando louco, Parker. – falei sem rodeios. Era ótimo poder falar isso com alguém.
- Vocês prometeram que não iriam se matar.
- Não é isso, cara, quer dizer, ela é extremamente insuportável, mas não é isso que está me enlouquecendo.
- O que foi então? – perguntou em tom confuso. Respirei fundo ponderando se falava a verdade ou não. Suspirei em derrota antes de continuar.
- Eu não me lembrava da ser tão... – procurei as palavras certas.
- Bonita? Gostosa? – completou do outro lado, rindo.
- É. – murmurei e pude ouvi-lo gargalhar do outro lado do telefone. – Eu vou desligar. – avisei.
- Desculpa, cara. – falou controlando a risada. – Mas fala ai, o que aconteceu? – contei para ele o ocorrido da noite passada, tanto no restaurante, quanto no banheiro.
- Você está muito fodido. – falou rindo novamente.
- Obrigado. – falei em tom irônico.
- É sério, posso sentir sua tensão sexual daqui.
- Vai se foder, Parker.
- Relaxa, cara, eu sei exatamente o que você está passando. Logo acaba o feriado e vocês não vão mais precisar manter contato. A não ser que queiram muito.
- Não vejo a hora de não precisar mais fingir que não quero afogá-la na piscina todos os dias. – falei fazendo com que ele soltasse uma gargalhada do outro lado do telefone. – Vou desligar, cara, minha linda namorada precisa que eu passe protetor nas costas dela. – estava sentada em uma cadeira na beira da piscina gritando meu nome e apontando para o protetor solar que tinha em mãos.
- Boa sorte, , manda um beijo para . – falou antes de desligar o telefone. Suspirei novamente antes de me aproximar da piscina.
- Está com medo de molhar o cabelo, ? – falei me aproximando da garota e pegando o frasco de protetor da sua mão.
- Não sou a maior fã de água, – deu de ombros e virou-se para que eu passasse o produto em suas costas. Dei de ombros com sua resposta e voltei para a piscina.

’s POV

Perto das cinco da tarde, Jess começou a apressar todos nós para que entrássemos e fôssemos nos arrumar para sairmos mais tarde. e Max compraram uma discussão com ela dizendo que não iriam fazer nada sem comer antes então, depois de muita discussão e um lanche, eu estava me arrumando para sair enquanto tomava banho. Como não sabia para onde iríamos, escolhi um shorts preto de couro, um body de paetê também preto de mangas compridas bem decotado e um tênis casual. Estava terminando de fazer minha maquiagem quando meu celular vibrou em cima da penteadeira.

“Como estão as coisas ai do outro lado?” era uma mensagem da minha mãe.

“Está tudo bem. Já estou com saudades” respondi prontamente. A Austrália era incrível, mas eu realmente já estava com saudades de casa.

“Também estamos com saudades. Se comporte e aproveite. Amo você.”

“Também amo você.”
Respondi e voltei a me arrumar. Eu havia falado com meus pais mais cedo naquele mesmo dia, se eu não ligasse para eles, um deles com certeza me ligaria no meio da tarde.

Terminei minha maquiagem e arrumei meu cabelo fazendo um rabo de cavalo alto. Estava escolhendo qual batom passar quando saiu do banho com a toalha enrolada na cintura indicando para que eu entrasse no banheiro para ele poder se arrumar. Quando sai do banheiro estava vestido com uma calça de sarja preta, uma camiseta verde militar, tênis branco e uma jaqueta de couro também preta.
- Vamos? – perguntou assim que me viu. Acenei com a cabeça e o segui até a sala onde encontramos Max e Jess nos esperando.
- Finalmente, achei que nunca mais fossem descer. – falou Jess assim que nos viu ao pé da escada.
- Você, mocinha – Emily saiu da cozinha nos pegando de surpresa – se comporte. – falou para Jess. – Vocês dois – se virou para e Max – cuidem dela e você, – virou-se em minha direção – cuide deles – finalizou e eu ri concordando com a cabeça.

O pub onde havíamos ido não era muito longe da casa dos , o que fez com que fôssemos andando até ele. Jess foi animada cantarolando algumas músicas durante todo o caminho enquanto Max e iam conversando sobre algumas coisas aleatórias. Eu e andávamos de mãos dadas, como um típico casal. Sua mão era no mínimo umas duas vezes maior que a minha.
Quando chegamos ao pub, Jess logo escolheu uma mesa perto do palco para que pudesse ver melhor as apresentações.
- , o que você quer beber? – perguntou ao lado da mesa, Max já estava no bar pedido bebidas para ele e Jess.
- Qualquer coisa forte. – respondi. acenou com a cabeça indo em direção ao bar. Poucos instantes depois, uma taça de Apple Martini foi colocada na minha frente.
- Achei que eu tivesse dito alguma coisa forte, . – falei em tom baixo para que apenas ele ouvisse. Um sorriso sacana surgiu em seus lábios.
- Vai com calma, , não quero ter que carregar ninguém para casa hoje. – suspirei derrotada antes de dar um gole na minha bebida.
Fazia quase duas horas que estávamos no pub, Max já havia saído para se agarrar com duas garotas diferentes, Jess havia se perdido nos fundos do pub na pista de dança, dançando e cantando animadamente, eu já tinha espantado cerca de três garotas que haviam aparecido para chamar para uma “conversa” enquanto ele afastou dois caras de mim apenas lhes lançando um olhar nada amigável. Max, que estava na mesa na maioria das vezes que isso aconteceu, teve um grande ataque de risos dizendo que éramos o casal mais ciumento que ele conhecia. Eu já havia bebido cerca de cinco ou seis drinks diferentes e estava começando a me sentir um pouco mais animada que o normal quando Jess voltou para a mesa com um grande sorriso no rosto.
- Eles vão abrir o karaokê para o público, vamos comigo, cunhadinha? – levei um tempo para perceber que ela estava falando comigo e nem tive tempo de formular uma desculpa antes de falar.
- Vai lá, , faz tempo que eu não te ouço cantar. – falou em tom debochado. nunca havia me ouvido cantar e eu estava completamente disposta a não mudar isso antes de Max se juntar a eles e os três começarem a me incentivar.
- Está bem, eu vou. – falei depois de muito ouvi-los falar. Jess e Max comemoraram enquanto me lançava um sorriso de puro deboche. Jess me puxou pala mão até o palco e foi falar com o DJ para escolher a música. Logo que o toque conhecido da música começou, deixei que todo o álcool dos drinks que eu havia bebido tomassem conta de mim e me deixei levar pelo toque da música.

Don't need permission
Made my decision to test my limits
'Cause it's my business, God as my witness
Start what I finished

’s POV

Don't need no hold up
Taking control of this kind of moment
I'm locked and loaded, completely focused
My mind is open


A filha da mãe sabia cantar. E cantava bem pra caralho.
Assim que sua voz soou pelo microfone, gritos e aplausos ecoaram pelo local atraindo a atenção de todos que estavam na pista de dança e até mesmo de algumas pessoas que estavam do lado de fora do estabelecimento.
- Cara, ela manda bem. – Max comentou ao meu lado.
- É, ela é muito boa. – comentei prestando total atenção no palco.

All that you got, skin to skin
Oh, my God, don't you stop, boy


Quando o refrão começou, os gritos no pub aumentaram descontroladamente. Jess cantava e andava por todo o palco, mas quem realmente chamava a atenção era . Além de cantar incrivelmente bem, ela havia começado a dançar de uma fora extremamente sensual, seguindo o ritmo da música. Isso acabou atraindo a atenção principalmente da população masculina que havia ali.

Something 'bout you
Makes me feel like a dangerous woman
Something 'bout, something 'bout
Something 'bout you
Makes me wanna do things that I shouldn't
Something 'bout, something 'bout
Something 'bout


Seus quadris se moviam lentamente de um lado para o outro enquanto suas mãos passeavam pelo seu corpo distraidamente se perdendo em seus cabelos. Eu sabia que ela não estava completamente sóbria naquele momento, caso contrário ela jamais faria algo parecido.
Ao final do primeiro refrão, parou de “dançar” e começou a andar pelo palco interagindo com a plateia, agachando de vez em quando. Jess já não era mais percebida ali sendo completamente ofuscada pelo belo par de pernas que exibia de um lado para o outro.

Nothing to prove, and I'm bulletproof
And know what I'm doing
The way we're moving
Like introducing us to a new thing
I wanna savor, save it for later
The taste, the flavor, 'cause I'm a taker
'Cause I'm a giver, it's only nature
I live for danger


Foi no segundo refrão que eu me senti completamente atordoado. Meus dentes prendiam meu lábio inferior, meu olhos não conseguiam desgrudar da garota dançando no palco e eu podia sentir outra parte do meu corpo querendo ganhar vida com uma rapidez incrível. E então eu fiquei assustado.
Eu nunca imaginei que isso aconteceria comigo.
Em todos os cenários que eu imaginei nessa viagem, esse com certeza era um que eu nem havia cogitado.
Eu estava ficando excitado em ver dançar.

All girls wanna be like that
Bad girls underneath like that
You know how I'm feeling inside

(Yeah, you know how I'm feeling inside, baby)
Something 'bout, something 'bout
All girls wanna be like that
Bad girls underneath like that
You know how I'm feeling inside
Something 'bout, something 'bout


Aquela porcaria de quadril se movendo de um lado para o outro, as coxas descobertas dando um ar ainda mais sensual a sua dança, o grande decote extremamente sensual, os cabelos se soltando do rabo de cavalo, a bunda apertada e completamente delineada com aquele short. Tudo aquilo estava fazendo imagens nada santas com se passarem pela minha cabeça.
Eu não devia ter bebido tanto.

Yeah, there's something 'bout you, boy
Yeah, there's something 'bout you, boy
Yeah, there's something 'bout you, boy
Something 'bout, something 'bout, something 'bout you


estava completamente entregue a música. Seus olhos estavam fechados, a boca se movimentava de uma forma sexy proferindo a letra da canção, suas mãos apertavam o microfone com certa força.

Yeah, there's something 'bout you, boy
Yeah, there's something 'bout you, boy
Yeah, there's something 'bout you, boy
Something 'bout, something 'bout, something 'bout you


Nos últimos segundos da música, seus olhos encontraram os meus e senti um arrepio estranho por todo meu corpo quando a garota pronunciou as últimas palavras sem desviar o olhar. Quando a música acabou, aplausos e assobios se fizeram presentes enquanto as meninas agradeciam. Elas se abraçaram animadamente antes de devolverem seus microfones e descerem do palco. atraiu uma quantidade completamente exagerada de olhares durante o caminho do palco até onde estávamos sentados, sentou-se ao meu lado e tomou um gole do copo de água que havia na mesa. Meus olhos automaticamente foram atraídos para o busto dela que subia e descia enquanto ela ria. Desviei os olhos rapidamente e vi dois caras, que eu havia visto próximos ao palco se aproximando com os olhos fixos em ; antes que pudesse raciocinar melhor, deixei o álcool tomar conta do meu corpo e puxei pela nuca grudando nossos lábios.
Ao contrário do que eu esperava, ela não me empurrou, nem recusou o beijo, muito pelo contrário, seus lábios se separaram imediatamente dando espaço para que minha língua pudesse deslizar para dentro de sua boca de encontro com a sua travando uma batalha incrivelmente deliciosa. Seus dedos se enroscaram em meus cabelos me puxando para mais perto enquanto minhas mãos apertavam sua cintura descontando todo o desejo que eu estava sentindo ali.
Eu não sabia explicar o que eu estava sentindo naquele momento. Aquele era, ao mesmo tempo, o melhor e mais inusitado beijo da minha vida. Seus lábios eram macios, mas travavam uma briga intensa com os meus sem nenhum pudor. Suas mãos não paravam de percorrer o espaço entre meus cabelos e meu pescoço dando leves arranhões; a essa altura seu corpo já estava quase grudado no meu, me deixando ainda mais entorpecido. Naquele momento, eu já havia esquecido completamente Max e Jess na mesa e os caras que se aproximavam, minha atenção estava completamente entregue aquele beijo.
Por que ela tinha que beijar tão bem porra?
P.S.: Eu realmente precisava parar de beber.



Capítulo 6 – Dia 4

O dia havia amanhecido incrivelmente ensolarado naquele dia, estava tão quente que era simplesmente impossível permanecer dentro de casa. Todos acordaram incrivelmente cedo devido ao calor e, quando entrei na cozinha para tomar café, minha mãe estava falando animadamente com alguém no telefone.
- Certo, tudo bem. Encontramos vocês lá. – se despediu e desligou o telefone.
- Quem era? – Jess perguntou, enquanto bebia um copo de suco.
- Sua tia, vamos encontrá-los na praia hoje para o almoço, terminem de comer e se arrumem rápido. – falou, terminando de colocar as comidas na mesa. Meu pai estava sentado ao lado de Jess lendo um jornal e Max estava mexendo na geladeira atrás de alguma coisa. Sentei-me na cadeira em frente à Jessamine e me servi com um grande copo de suco enquanto respondia algumas mensagens do meu celular.
“E ai cara, sobrevivendo?” era o que dizia a mensagem de . Eu precisava dar um jeito de ligar para ele mais tarde e contar o que aconteceu na noite anterior.
“A gente precisa conversar, , me liga.” essa era uma mensagem de Lisa. Eu com certeza iria ignorar essa.
“Quando você volta, ? Precisamos sair para beber antes das aulas voltarem.” um dos meus amigos do time de futebol.
Respondi as mensagens rapidamente, menos a de Lisa, e comecei a comer no instante em que entrou na cozinha.
- Bom dia. – murmurou, se sentando ao meu lado.
- Achei que ainda estivesse dormindo. – Jess comentou com a boca cheia.
- Estava tentando falar com uma amiga, mas acho que esqueci o fuso horário. – deu de ombros e se serviu.
Terminamos de tomar café e fomos nos arrumar para sairmos enquanto minha mãe e Jess arrumavam as coisas na cozinha. Coloquei um calção de praia, uma camiseta azul e meus óculos escuros. saiu do banheiro alguns minutos depois com um vestido branco com algumas flores rosa desenhadas, e sandálias rasteiras. Era possível ver as alças pretas do biquíni por baixo.

- Quando a tia Emily disse que você estava namorando, , acho que ela se esqueceu de comentar que a garota era a maior gostosa. – Oliver, meu primo, falou ao meu lado, enquanto encarava deitada na areia poucos metros à nossa frente. Havíamos encontrado meus tios há pouco mais de uma hora, eu já havia reparado o olhar de Oliver para , mas ainda não havia ficado a sós com ele para que ele fizesse algum comentário a respeito da garota. Meus outros primos, Jordan e Brian, estavam nadando com Jess, mas também já haviam lançado alguns olhares para .
- É, eu sei, pena que ela já tem namorado. – sorri, vitorioso.
- Fala sério, cara, você não é do tipo ciumento, nem que se prende em uma única garota. O que ela tem de especial?
- Eu gosto dela. – dei de ombros.
- Fala sério, , ela é boa de cama? – ergueu as sobrancelhas com um olhar sugestivo.
- Dá um tempo. – respondi já sem paciência. Levantei de onde estava e caminhei até onde estava deitada.
- Você está tapando o sol. – resmungou.
- Sinto muito por interromper sua sessão de bronzeamento, princesa. – falei em falso tom de desculpa. – Vem comigo. – estiquei o braço lhe oferecendo ajuda para levantar.
- Onde? – perguntou em tom duvidoso.
- Dar uma volta, sei lá, eu só não aguento mais meu primo. – dei de ombros. Sua mão alcançou a minha e eu a ajudei a levantar entrelaçando nossos dedos enquanto a puxava .
- E qual é o problema com o seu primo? – perguntou, quando já estávamos afastados.
- Ele fica me enchendo querendo saber porque eu estou com você. – omiti a parte em que ele ficava falando que ela era gostosa o tempo todo.
- É normal. Ele está acostumado com um primo galinha, qualquer um no lugar dele teria a mesma reação.
- Muito engraçada, , muito engraçada. Mas ainda assim irrita.
- Já estamos longe o suficiente. – comentou antes de soltar sua mão da minha.
- Existem outras pessoas nessa praia que me conhecem, – segurei sua mão novamente – não quero que eles contem a minha mãe que viram o filho dela e a namorada dele andando a metros de distância.
- Se eu pudesse eu ficaria a quilômetros de distância de você, . – deu um sorriso cínico. Era incrível a facilidade que essa garota tinha de acabar com toda a minha paciência.
- Será que você consegue ficar ao menos um dia sem encher o saco?
- Depende. Você consegue ficar um dia sem respirar? – respirei fundo algumas vezes tentando me controlar para não começar uma discussão ali mesmo.
- Vamos voltar, , antes que eu enterre você em algum lugar por aqui e esqueça onde te deixei. – falei, controlando minha voz para não parecer tão irritado. Estávamos a poucos metros de onde estavam minha família quando Oliver nos viu e começou a se aproximar animadamente.
- Droga. – murmurei baixinho.
- E ai, gente, onde vocês estavam? – perguntou, quando nos alcançou.
- Andando por ai. – foi quem respondeu. Oliver acenou com a cabeça antes de se virar para mim. - Ei, cara, será que eu posso dar uma palavrinha com você?
- Desculpa, cara, a quer comprar sorvete, só vim pegar minha carteira. – menti, fazendo a melhor cara de “me desculpe” que pude e peguei minha carteira com Jess seguindo para o outro lado da praia com ao meu lado.
- Eu não quero sorvete. – falou, segurando a risada.
- Se você preferir a gente pode voltar para lá com os meus primos.
- Tudo bem. – deu de ombros e fez a volta ameaçando voltar para onde minha família estava. Antes que ela pudesse dar dois passos a puxei pelo braço e a joguei por cima do meu ombro seguindo em direção a uma sorveteria que eu sabia que tinha ali perto.
- Sorvete então né, amor? – falei ao ouvir seus gritos.
- , me coloca no chão. – gritou pela terceira vez. Quando vi que estávamos a uma boa distância a coloquei no chão rindo. – Você é um idiota.
- Para, amor, assim eu vou ficar vermelho. – falei em tom debochado e ambos rimos.

Quase uma hora depois voltamos para a praia encontrando com todos ainda no mesmo local. Jordan e Brian haviam saído do mar e estavam ocupando o local onde antes eu estava sentado. Olhei em volta procurando outro lugar para sentar que não fosse na areia e me deparei apenas com a canga rosa em que estava deitada.
- Chega para lá. – falei em pé ao seu lado.
- O quê?
- Eu preciso sentar em algum lugar, .
levantou o corpo olhando em volta e, ao constatar que não havia outra toalha livre, bufou, irritada me dando espaço ao seu lado. Me sentei e agradeci eternamente por estar usando óculos de sol já que meus olhos imediatamente percorreram todo o seu corpo parando no contorno de sua bunda. Tentei atrair minha atenção para outro local da praia, mas, quando ela se virou, desisti me deitando ao seu lado tentando fielmente ignorar seus seios a pouca distância de mim.
- Seus primos não param de me encarar. – falou em tom baixo ao meu lado, atraindo minha atenção – isso está me irritando – completou. Olhei para onde ela havia indicado e me deparei com três pares de olhos presos em seu corpo com expressões nem um pouco puras.
- E o que você quer que eu faça? – perguntei, entediado.
- Você é meu namorado, – fez aspas com os dedos – qualquer pessoa inteligente no seu lugar faria alguma coisa para parar com isso – falou, irritada.
- Posso resolver isso, mas você não vai gostar. – falei, quando uma ideia surgiu na minha cabeça.
- O que você tem em mente, ? – perguntou, desconfiada. Dei de ombros em resposta e fechei os olhos aproveitando o sol. – Ok, faço qualquer coisa para tirar os olhos deles de mim.
- Você quem pediu. – respondi. Me apoiei em um braço ficando deitado de lado e a beijei repentinamente. tentou me afastar, mas acabou desistindo e, alguns instantes depois, abriu sua boca para dar passagem para minha língua. Eu quis me bater por ter gostando tanto daquela porra de beijo. Eu precisava admitir: podia ser a garota mais irritante do mundo, mas ela beijava bem para caralho.
Diferente do beijo da noite passada, a falta de roupa entre nossos corpos estava me deixando cada vez mais animado, me fazendo aprofundar o beijo cada vez mais.
- Vocês são nojentos. – ouvi a voz de Jess gritar.
- Isso é uma praia, se controlem. – minha mãe gritou.
Eu apenas ignorei as duas. Minhas mãos apertavam cada vez mais sua cintura, e foi ai que eu parei. Não porque eu quis. Mas porque uma grande quantidade de água foi jogada em nossas cabeças, nos fazendo parar com o beijo. Olhei para cima encontrando Max com uma garrafa de água vazia em mãos e um sorriso debochado no rosto.
- Esperem a gente chegar em casa, ninguém é obrigado a ver isso. – falou, antes de voltar para onde estava sentado. Olhei para onde meus primos estavam e os três estavam concentrados em alguma coisa em seus respectivos celulares.
- Que merda foi essa? – perguntou sussurrando em tom irritado.
- Eu disse que você não ia gostar – dei de ombros.
- Não comentou que eu ia querer vomitar depois.
- Tem um banheiro logo ali, princesa, fique à vontade. – falei, irritado.
- Você já pode sair de cima de mim, . – comentou, me empurrando.
- Está ficando excitada, amor?
- ‘Tô com medo de ser contaminada pela sua babaquice. – respondeu, cínica, antes de se virar novamente.
- Você é um saco, garota.
- Vindo de você isso é um elogio.

’s POV

Já havíamos voltado para a casa dos há algumas horas, depois de muita conversa e pizza, os tios de haviam ido embora, deixando seus adoráveis filhos para passar a noite aqui. Jess convenceu todo mundo a ir jogar pôquer no quarto de Max. Eu precisava de um tempo longe dos primos dos por isso decidi ir tomar um longo banho antes de ir me encontrar com eles. Quando sai do banheiro, vi meu celular tocando em cima da cama.
- Como você está? – era a voz de . – Tem milhões de ligações perdidas suas aqui, o que aconteceu?
- Eu beijei o . – falei sem enrolações.
- Vocês estão fingindo um namoro, , é normal que isso aconteça.
- Não é esse o problema, . – contei para ela tudo o que havia acontecido nos últimos dias, desde o beijo até as provocações e pude ouvi-la rindo do outro lado. – Por que você ta rindo tanto, ? – perguntei, levemente irritada.
- Porque é engraçado.
- Eu não ‘tô vendo graça nenhuma.
- Ah, mas eu ‘tô. – falou e gargalhou novamente. – Vocês estão passando muito tempo juntos, , é normal que você fique excitada. O é um babaca, mas é um gato, é normal que seus sentimentos fiquem confusos.
- Não existe sentimento, .
- Existe sim, , não tente me enganar, nem que seja tesão, mas existe. Em menos de uma semana vocês voltam para casa e isso passa. Só aproveita, ta bom?!

’s POV

- E ai , sua garota tem uma irmã? – Brian perguntou.
- Gêmea de preferência. – Oliver completou, arrancando risadas de todos.
Estávamos na minha casa novamente, meus irmãos, meus primos e eu estávamos no quarto de Max bebendo e jogando pôquer. havia decidido tomar um longo banho e não havia voltado até agora.
- Não, cara, ela é filha única. – dei de ombros como se lamentasse. Antes que Brian pudesse abrir a boca novamente, entrou no quarto com um vestido florido de alcinha que não dava nem na metade de suas coxas. Caminhou lentamente até onde eu estava sentado e, ao perceber que não haviam mais lugares vagos, se sentou no meu colo cruzando as pernas.
O quarto era do tamanho do meu, e possuía os mesmos móveis que o meu, mas Max também havia colocado um grande sofá de couro preto na parede, onde eu estava sentado agora.
- O que você está fazendo? – perguntei em tom baixo perto de seu ouvido para que apenas ela pudesse ouvir.
- Não tem mais lugares para sentar, , e...
- Não estou falando disso. – apontei sugestivamente para suas pernas e ela pareceu entender.
- Qual o problema? – perguntou, confusa. Indiquei meus primos com a cabeça, eles estavam sentados no chão a nossa frente e não paravam de encarar as pernas dela. – Você me mandou trazer roupas curtas, , e está calor, não posso fazer nada quanto a isso.
- Oh, casal, será que dá para vocês pararem de cochichar pornografias um para o outro e prestar um pouco de atenção no jogo. – Jess gritou, jogando uma pipoca em mim e .
- Desculpa, cunhadinha, mas eu nem sei jogar, então estou fora. – se defendeu.
- Vou jogar na próxima rodada. – respondi. Ouvi bufar, irritada, antes de enterrar seu rosto no meu pescoço.
- O que você está fazendo? – sussurrei novamente, quando senti beijos serem depositados no local.
- Seus primos não param de olhar para gente. – respondeu no mesmo tom antes de continuar com os beijos. Olhei na direção em que Brian, Jordan e Oliver estavam sentados, os três pareciam constrangidos olhando ocasionalmente em nossa direção.
- Eles ainda estão olhando, . – avisei.
- Eles são piores que você, . – falou e puxou minha mão, com a sua, até sua coxa.
- O que...?
- Há estudos que dizem que as pessoas ficam constrangidas ao presenciar momentos íntimos das outras. – seus dentes resolveram participar da festa arranhando superficialmente a pele do meu pescoço e eu apertei sua cintura em um sinal de aprovação. Sua mão puxou meu cabelo levemente e eu apertei sua coxa arrancando um suspiro de .
- Então você não vai gostar nada de saber que eles estão quase desistindo do jogo para poder nos encarar.
- Você precisava mesmo ter primos fãs de voyeurismo, ? – reclamou. Sua boca se aproximou da minha orelha fazendo uma trilha de beijos, pude sentir a região ficar arrepiada com o contato. – Tudo bem então nós vamos levantar, você vai dizer que o dia foi cheio e nós estamos cansados por isso vamos dormir, mas antes... – Fiquei esperando ela terminar a frase, mas isso não aconteceu. No momento seguinte seus lábios estavam colados nos meus em um beijo quase selvagem. Apertei sua cintura novamente retribuindo o beijo a altura.
Eu odiava gostar tanto daquilo, a forma como sua boca se encaixava perfeitamente na minha, a briga deliciosa que nossas línguas travavam. Infelizmente, para mim, tão rápido quanto deu inicio ao beijos, interrompeu-o e me encarou esperando alguma atitude.
- Dormir. – sussurrou entre dentes. Confirmei com a cabeça e me espreguicei falsamente dando dois tapinhas leves na base das costas de indicando para que ela levantasse.
- A conversa está ótima, mas o dia foi cheio hoje então nós vamos dormir. – murmurei já de pé ao lado de . Entrelacei nossos dedos e comecei a puxá-la para fora do quarto.
- Boa noite, casal. – Jess gritou entre risos.
- Descansem bem. – Oliver gritou.
- Usem camisinha. – Max gritou, fazendo todos rirem.
Assim que entramos no quarto, ficou alguns segundos me encarando antes de soltar alguns suspiros altos. Pulou na cama fazendo um barulho alto.
- Hm, . – gemeu, me fazendo arregalar os olhos.
- O que você está fazendo? – sussurrei, ao me aproximar da cama.
- O que parece? Todo mundo no quarto ao lado acha que a gente veio pro quarto transar, . Estou apenas lhes dando o que esperam – respondeu no mesmo tom. Piscou um olho na minha direção antes de voltar com sua atuação. – Isso. – falou/gemeu novamente.
- Eu não vou participar disso. – avisei. deu de ombros como se não se importasse e pulou na cama fazendo com que a mesma rangesse. Continuou fingindo gemidos e, se eu não estivesse dentro daquele quarto, pensaria que realmente havia alguém fazendo sexo ali.
- , mais rápido. – seus gemidos estavam começando a causar um efeito totalmente inapropriado sobre mim e eu precisei fechar meus olhos fortemente e contar até dez antes de fazer uma besteira. Estava no meio da minha contagem quando uma frase me despertou totalmente. – Mas já, amor? Você precisa ver isso, não está durando quase nada. – falou em falso tom de decepção. Tapei sua boca com minha mão e a prendi na cama com o corpo. Eu podia ver o deboche estampado em suas expressões. Gargalhadas vindas do quarto ao lado foram ouvidas me deixando ainda mais irritado.
- Que merda foi essa, ? – sussurrei, tentando controlar a raiva na minha voz, mas foi quase impossível.
- Não sabe brincar, amor? – perguntou, irônica.
- Quer uma viagra ai, ? – Jordan gritou, entre risadas do outro lado da porta.
- Usa os dedos, cara. – Brian também gritou.
- Você vai me pagar por essa, . – falei, irritado e sai de cima dela, deixando-a na cama rindo sem parar com a cara enfiada nos travesseiros.



Capítulo 7 – Dia 5

- E aí, cara, fiquei sabendo dos seus problemas na noite passada. Sinto muito. – eu estava aguentando aquelas provocações desde que havia acordado. Graças a brincadeira ridícula da na noite passada, meus primos não me deixavam em paz e ficavam fazendo piadas e trocadilhos sobre "o acontecimento".
- Vai se ferrar, Jason. – levantei do sofá sem a menor paciência e segui até o quarto dando de cara com o começo da minha dor de cabeça. – Espero que você esteja feliz, meus primos não me deixaram em paz por um minuto hoje.
- Desculpa, amor. – falou em tom falso, segurando a risada.
- Vai ter volta, , me aguarde. – bati a porta do banheiro com força. Decidi tomar um banho rápido para relaxar, então tirei a roupa e entrei debaixo do chuveiro sentindo a água escorrer pelo meu corpo.
Não faço ideia de quando tempo fiquei debaixo do chuveiro, mas quando sons de gemendo na noite passada começaram a se misturar com imagens dela de biquíni na minha cabeça, decidi que era mais do que hora de sair daquele banheiro. Enrolei uma toalha na cintura e peguei uma outra toalha qualquer a passando pelos meus cabelos. Assim que abri a porta me deparei com de biquíni sentada na ponta da cama mexendo em sua bolsa.
O universo claramente conspirava contra mim.
- O que você está fazendo?
- Sua irmã conseguiu convencer a família toda a ir em uma praia que ela conheceu com uns amigos, estão nos esperando lá em baixo. – falou, rapidamente sem dirigir o olhar para mim.
- Eu não vou. – disse simplesmente, enquanto começava a me vestir.
- Deixa de ser idiota, , estávamos esperando você.
- Bem, então perderam tempo porque eu não vou. – eu não estava a fim de sair, principalmente com os meus primos.
- E aí, vocês vão demorar muito? – Oliver apareceu na porta do quarto com o celular em mãos.
- Eu não vou. – falei pela terceira vez.
- Vai ser divertido, , para de viadagem. – falou, ainda sem desviar o olhar do celular.
- Eu não ‘tô a fim de ir, só isso. – dei de ombros. Seus olhos se desprenderam da tela do celular, para olhar em minha direção, mas seu olhar ficou preso em outra coisa no caminho: de biquíni.
- Tudo bem, cara – falou, ainda encarando minha "namorada" – a gente vai cuidar bem da sua garota. – o tom malicioso em sua voz era claramente perceptível. – Vamos, ? – concordou com a cabeça, dando um falso sorriso e Oliver saiu do quarto.
- Você não pode me deixar ir sozinha com eles, , por favor. – pediu com olhos suplicantes.
- Boa sorte, . – falei, me jogando na cama de olhos fechados. Pude ouvi-la bufar antes de sair batendo a porta do quarto atrás de si. Ouvi seus passos pelo corredor e escadas e, antes que mudasse de ideia, peguei uma camiseta qualquer e uma bermuda e os segui.
- Achei que tivesse dito que não ia. – Oliver comentou assim que me viu.
- Mudei de ideia.

O caminho até a tal praia foi tudo menos silencioso. Jess colocou um CD de alguma de suas bandas favoritas, que incrivelmente era a banda favorita de também, e as duas passaram o caminho todo cantando animadamente ao meu lado.
- Finalmente eu não vou mais precisar ouvir essa cantoria. – Max resmungou assim que o carro foi estacionado.
- Experimente sentar do lado delas na volta. – retruquei ao descer do carro.
O lugar era realmente bonito e combinava incrivelmente bem com o calor que fazia na cidade. Meus pais e Jess foram rapidamente arrumando as coisas em um lugar qualquer perto da água enquanto meus primos e Max discutiam alguma coisa perto do carro.
- Acha que seus primos vão parar de me encarar como se quisessem me devorar em algum momento? – me perguntou.
- Sinceramente, acho difícil. – falei e a vi concordar com a cabeça como se esperasse pela resposta.
- Obrigada por ter vindo. – Abri a boca para responder, mas fui interrompido por um grito de Max.
- Ei, casal, nós vamos subir para ver a vista. – apontou para uma grande pedra que tinha ali perto. – Querem ir?
- Claro. – respondi imediatamente e puxei pela mão junto comigo.
A pedra era bastante escorregadia, então tive que ajudar a subir puxando-a pela mão. Quando finalmente terminamos a escalada, nos sentamos todos no chão para apreciar a vista. Fiz se sentar entre minhas pernas, contra a vontade dela, e fiquei apreciando o cheiro adocicado que saia de seus cabelos.
A vista era realmente incrível, de onde estávamos sentados dava para ver perfeitamente as rochas do outro lado da praia onde as ondas se quebravam no horizonte, era possível ver a divisa em tons de azul entre mar e céu. A Jess realmente tinha se superado dessa vez.
- Estou ficando entediado. – Brian falou, deitado ao meu lado. Ele realmente estava com uma clara expressão de tédio enquanto brincava com uma pedrinha.
- Por que a gente não faz alguma coisa interessante? – Jess sugeriu, se colocando de pé.
- O casal ali adora fazer coisas interessantes na praia. – Max apontou para onde eu e estávamos e ela lhe mostrou o dedo do meio em resposta.
- Não, idiota! – Jess lhe deu um tapa na cabeça. – Estou falando de algo um pouco mais radical.
- Tipo? – perguntei.
- Tipo saltar de uma grande rocha diretamente ao mar. – virou de costas para todos encarando o mar à sua frente. A pedra devia ter uns 15 metros de distância do mar, o que poderia ser considerado incrivelmente perigoso.
- Tudo bem – Oliver levantou, animado – quem vai primeiro?
- Eu. – Jason levantou. Andou calmamente até a ponta da pedra, se alongou e então pulou como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
Nos levantamos rapidamente e fomos até a ponta da pedra, a princípio não conseguimos ver nada, mas instantes depois, Jason apareceu acenando enquanto nadava.
- Minha vez. – Brian anunciou. Deu uns passos de distância da ponta e então correu dando um salto enquanto gritava. – GERONIMO.
- Max, o que acha de pular comigo nas costas? – Jess perguntou, animada.
- Eu acho que a gente vai morrer, mas só se vive uma vez, sobe ai – meu irmão concordou. Jess deu um salto e prendeu suas pernas na cintura de Max.
- Foi um prazer conhecer vocês. – falei, brincando. Jess me mandou à merda antes de Max pular a fazendo gritar, empolgada.
- Vejo vocês lá em baixo. – Oliver falou e saltou logo em seguida.
- Certo. Eu vou descer, te encontro lá embaixo. – falou.
- Você não vai pular?
- Não.
- Deixe de ser medrosa, . – me aproximei de onde ela estava.
- Não estou com medo, – seus olhos entregavam que ela estava mentindo – só não estou a fim de pular. – deu de ombros.
- Fala sério, , é só água.
- Eu não vou pular, caramba! – falou determinada. Nos encaramos por alguns instantes e achei aquele o momento perfeito para me vingar da noite passada.
- Vamos, amor, não precisa ter medo – falei, enquanto me aproximava – são só alguns metros. – envolvi sua cintura com meus braços e comecei a andar até a ponta da pedra.
- Não, , por favor. – sua voz estava apelativa.
- Não sabe brincar, amor? - repeti as palavras que ela havia me dito na noite passada.
- , você não tá entendendo...
- Eu disse que teria volta. – respondi, rindo.
- me escuta, eu não... – antes que ela pudesse terminar a frase a empurrei com força para frente, fazendo com que ela caísse da pedra.
Precisei de alguns minutos para recuperar o fôlego e parar de rir e então finalmente pulei. Olhei ao meu redor e não encontrei ninguém na água além de mim então resolvi sair também.
Assim que coloquei meus pés na areia senti tapas e socos serem distribuídos pelo meu abdômen.
- Seu idiota, cabeça dura. – Jess gritava, enquanto continuava a me bater. Segurei seus braços com força e a encarei.
- O que foi, porra? – perguntei, irritado.
- Você é realmente um babaca, .
- O que foi que eu fiz? – certo, eu estava sendo agredido física e verbalmente e não fazia ideia do porquê.
- Custava você deixar essa merda desse seu ego de lado e ter escutado o que a tinha para te dizer antes de simplesmente empurrá-la? – comecei a rir.
- Qual o problema? O medinho dela comoveu você? – fiz voz de deboche e senti um chute na minha canela.
- Ela não sabe nadar, seu idiota! – gritou. – Jason e Brian estavam quase na areia quando viram ela se debatendo e foram ajudar.
- Cadê ela? – perguntei, preocupado.
- Com a mamãe, mas eu não acho que ela vá querer falar com você agora. – passei os olhos pela praia rapidamente, localizando meus pais e caminhei o mais rápido possível até lá.
- Sai da minha frente. – falei quando Max e Brian surgiram na minha frente bloqueando a passagem.
- Cara, deixa ela se acalmar um pouco. – Max falou. Bufei e o empurrei para o lado, abrindo caminho.
estava enrolada em uma toalha tremendo e chorando enquanto minha mãe tentava acalmá-la. Eu estava me sentindo muito culpado, e estava realmente preocupado com a garota. Tentei me aproximar, mas assim que percebeu minha aproximação se encolheu ainda mais.
- Fica longe de mim. – sua voz saiu fraca entre o choro.
- ...
- Não.
- Eu disse. – Jess passou por mim e se sentou ao lado da garota, a abraçando.
- Vamos embora. – meu pai falou, enquanto começava a arrumar as coisas.
- Max, ajuda a . – Jess falou enquanto se levantava. Max se aproximou calmamente e pegou no colo a levando até o carro.
- Mandou bem, idiota. – Oliver falou ao passar por mim. Eu já estava de saco cheio daquilo, daquele dia, o puxei pelo braço e dei um soco no seu rosto.
- , já chega. – minha mãe gritou aparecendo do meu lado. – Eu vou no carro com a , você pode ir com seus primos, vai ser bom para você esfriar um pouco a cabeça. Em casa a gente conversa. – Quis protestar, mas o olhar da minha mãe deixou claro que se eu discordasse ia me arrepender. Concordei com a cabeça e fui até o jeep preto de Jason.
- Desculpe pelo soco. – falei para Oliver quando já estávamos no caminho.
- Tudo bem, cara, não esquenta. – respondeu.
Ninguém falou nada durante o resto do caminho, deixando o clima ainda mais pesado. Na metade do caminho, Jason parou em um mercado há poucas quadras da minha casa e eu o olhei, confuso.
- Seu irmão pediu para comprar algumas coisas. – explicou me mostrando a mensagem de Max. – Eu já volto. – falou, desceu do carro e entrou no pequeno mercado.
Já faziam quase 20 minutos que Jason havia descido do carro e eu estava começando a ficar impaciente. Oliver e Brian estavam em silêncio desde que entraram no carro, soltando risadas ocasionais sobre alguma coisa que haviam visto em seus celulares. Estava prestes a descer do carro e terminar o caminho a pé quando Jason finalmente voltou.
- Achei que tivesse morrido lá dentro. – comentei.
- Relaxa, , não é como se a sua garota fosse querer falar com você assim que você chegasse – respondeu, fazendo seus irmãos rirem.

Poucos minutos depois eu estava finalmente em frente a casa dos meus pais. Passei pela sala em absoluto silêncio – ignorando as chamadas de minha mãe – e subi as escadas correndo apenas para encontrar a porta do meu quarto trancada.
- , abre a porta. – pedi. – ... – tentei novamente, sem obter resultados. – , por favor.
- Vai se ferrar, . – gritou.
Suspirei em derrota e desci as escadas novamente. Quando cheguei no último degrau, dei de cara com minha mãe me esperando com um olhar furioso. Ignorei seu olhar e fui para os fundos da casa, pegando uma grande escada e posicionando-a na minha janela. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes fiz isso no último verão. Subi a escada e entrei pela janela do quarto.
- Só pode ser brincadeira. – falou assim que me viu.
- Você está bem?
- Ótima. Devia ter me perguntando há algumas horas quando eu quase morri afogada. – falou ironicamente.
- Estou falando sério, .
- Eu também. Quase morrer é meu passatempo favorito, não sabia? – eu sentia que podia ser agredido a qualquer momento.
- Você deve ter esquecido de comentar no "questionário de falso namoro." – fiz aspas com os dedos. me fuzilou com os olhos. – Olha, , eu sei que eu fui um idiota, mas eu realmente fiquei preocupado e eu realmente sinto muito.
- se importando com alguém além dele mesmo? Isso é realmente um momento único. – revirou os olhos.
- Tenho tido várias reações estranhas nos últimos dias, , achei que já tivesse percebido. – retruquei. acenou com a cabeça e permaneceu em silêncio por algum tempo.
- Eu ‘tô bem. – soltou. – Apesar do susto, seus primos se mostraram úteis pela primeira vez.
- Que bom. Eu sinto muito, mesmo. – falei, sincero. – Se eu puder fazer alguma coisa, sei lá...
- Acho que tem uma coisa sim.
- O quê?
- Mais tarde você descobre. – falou, sorrindo e entrou no banheiro.
Destranquei a porta do quarto e dei de cara com Max se preparando para bater.
- E então, como ela está? – perguntou.
- Bem, querendo voar no meu pescoço, mas bem.
- Ótimo, então você não vai se importar de me contar sobre esse "questionário de falso namoro." – falou e eu prendi a respiração, nervoso. Abri a boca tentando encontrar o que falar, mas eu conhecia o meu irmão e sabia que não conseguiria enganá-lo. Respirei fundo em derrota e me sentei na ponta da cama.
- Acho melhor você sentar. - falei.

- Cara, não acredito que você fez isso! – Max falou quando eu terminei de lhe contar toda a história do falso namoro. – A mamãe vai te matar se ela descobrir isso.
- É por isso que eu conto com o meu querido irmão para ficar de boca fechada. – sorri amarelo.
- Relaxa, , eu não vou falar nada. – me tranquilizou. – Mas então, agora que vocês não são mesmo um casal, será que eu posso...
- Nem pense nisso.
- Achei que não a suportasse.
- E não suporto, mas essa garota está me enlouquecendo nos últimos dias. – antes que eu pudesse terminar a frase, saiu do banheiro vestindo apenas um conjunto de lingerie vermelho. – Tá vendo. – sussurrei para Max.
- Ai, meu Deus. – gritou, assustada ao ver Max no quarto e puxou a minha toalha de cima da cama se cobrindo. – Você podia ter me avisado que tinha gente aqui, amor.
- Ele já sabe, .
- Ótimo, não preciso fingir que gosto de ficar perto de você pelo menos. – respondeu, emburrada e entrou no banheiro novamente com um vestido azul em mãos.
- Cara, você tá muito ferrado. – meu irmão comentou me dando dois tapas nas costas antes de sair do quarto.
- Achei que ninguém pudesse ficar sabendo. – comentou, saindo do banheiro novamente, agora vestida.
- E não podem.
- Então por que você contou pro Max?
- Aparentemente ele ouviu a gente comentando atrás da porta. Achei melhor contar do que inventar alguma história ridícula que só o faria me encher de perguntas.
- E o que a gente faz agora?
- Nada, ele não vai contar nada para ninguém.
- Ótimo. – bufou e se jogou na cama ao meu lado de bruços. Seu vestido subiu um pouco com o movimento deixando um pouco de suas nádegas à mostra. Antes que eu pudesse perceber, meu lábio inferior estava preso nos meus dentes e imagens distorcidas de nua se passavam pela minha cabeça. Levantei em um pulo antes que perdesse completamente a sanidade e me tranquei no banheiro para tomar um banho frio.

's POV

Estava quase pegando no sono quando ouvi algumas batidas na porta. Murmurei um "entra" e logo Jess apareceu na porta.
- Oi, cunhadinha, vim ver como você está. – falou, se sentando ao meu lado.
- Bem, eu acho. – dei de ombros.
- Cadê o ? – perguntou, receosa. Apontei para o banheiro com a cabeça. – Olha, , eu sei que você provavelmente está com raiva dele, e tem toda razão para isso, mas ele realmente sente muito.
- Como você tem tanta certeza?
- Quando eu disse para ele o que havia acontecido, ele realmente ficou preocupado. Dava para ver nos olhos dele. Ele se importa com você, , de verdade. – completou. Me deu um beijo na bochecha e saiu do quarto me deixando sozinha novamente. Suas palavras ficaram ecoando na minha cabeça pelos próximos minutos, fazendo algumas cenas dos últimos dias serem relembradas.
? Preocupado comigo? Só podia ser brincadeira!
- Ei, . – estalou os dedos na minha frente me tirando de meus pensamentos. Pisquei algumas vezes antes de lhe encarar. – Quem estava ai?
- Sua irmã, veio ver como eu estava. – respondi automaticamente. acenou com a cabeça e continuou a se arrumar.
- Vamos. – estendeu a mão para mim.
- Onde? – perguntei, confusa, aceitando sua mão. Seus dedos se entrelaçaram nos meus e me puxou para fora do quarto.
- Quero descer e comer alguma coisa, mas sei se que se eu for sozinho minha mãe vai me dar um enorme sermão sobre o que aconteceu na praia e eu não estou muito a fim de ouvi-lo agora. – esclareceu.
- , querida, como está se sentindo? – Emily veio em minha direção assim que colocamos os pés na cozinha. soltou minha mão e foi em direção à geladeira, vasculhando atrás de comida.
- Estou bem, Emily, não precisa se preocupar. – sorri, agradecida.
- Espero que esteja com fome, fiz uma torta de chocolate para você.
- Cadê? – perguntou.
- O quê?
- A torta, mãe, eu estou com fome.
- Fiz a torta para , não para você.
- Ela não se importa em dividir, não é, amor? – me olhou indicando que era para eu concordar. Balancei a cabeça em afirmação, rindo da pequena discussão que havia presenciado.
- Sentem-se, vou pegar a torta. – Emily avisou, indicando dois bancos para nós. se encarregou de pegar pratos e talheres, enquanto eu me arrumava no banco.
Assim que a torta foi colocada na nossa frente, imediatamente cortou um pedaço relativamente grande e começou a devorá-lo.
- Vai com calma, grandão. – Max falou passando por nós para pegar alguma coisa na geladeira, logo voltando para a sala.
- Certo, , você disse que me falaria depois o que eu preciso fazer para me redimir. – falou ao terminar seu pedaço de torta. Eu mal havia começado o meu. – Agora é depois.
- A gente vai ver um filme.
- Por favor não me diga que você vai me obrigar a ver um romance de mulherzinha. – implorou.
- Tudo bem, eu não digo. – segurei a risada.
- Isso é mesmo necessário? – perguntou, fazendo cara de coitado.
- Sim.
- Tudo bem então, acho que posso sobreviver duas horas. – falou em desistência.
Terminamos de comer a torta e fomos para a sala encontrando Max, Jess e os primos de sentados no sofá vasculhando o que assistir na TV. Ótimo, pelo menos eu teria reforços.
- E aí, casal, querem fazer o quê? – Brian perguntou, quando nos aproximamos.
- Vamos assistir um filme. – respondeu.
- Tudo bem, qual?
- Algum romance meloso que a quer assistir.
- Sabe o quê, cara? Acho que a gente vai lá para cima. - Max falou sendo apoiado por seus primos. – Amanhã a gente se fala. – completou e os quatro subiram as escadas.
- Traidores. – gritou, segurando o riso.
- Olha, eu ia adorar ver o filme com vocês – Jess se pronunciou -, mas eu preciso terminar alguns trabalhos antes que o feriado acabe. – encolheu os ombros em desculpa e foi para o seu quarto.
- Certo, , vamos esclarecer uma coisa, eu vou assistir esse filme com você hoje porque a porcaria da minha consciência tá me enlouquecendo, mas não pense que eu vou começar a ser legal com você por causa disso, porque eu não vou. Você continua sendo a insuportável de sempre...
- E você o idiota de sempre. – o interrompi, começando a ficar irritada com seu discurso.
- Touché.
O empurrei no sofá fazendo com que se sentasse e peguei o controle da TV começando a vasculhar a Netflix. Quando o achei coloquei play e me sentei ao seu lado no sofá.
- Que filme você vai me obrigar a assistir? – perguntou quando os créditos iniciais começaram.
- Para todos os garotos que já amei.
- O nome já me dá vontade de vomitar.
- Você me dá vontade de vomitar. Agora cale a boca e assista ao filme. – decretei assim que o filme havia realmente começado.

's POV

Eu não aguentava mais aquele filme meloso. Tudo bem, o filme até que não era tão chato assim, e a história até que era aceitável, mas os suspiros melosos e citações junto com o filme que fazia estavam me enlouquecendo.
Eu não sei em que momento aconteceu nem quem deu a iniciativa, mas meu braço estava sobre os ombros de a abraçando enquanto sua mão estava apoiada na minha perna. Quem visse de fora acharia uma típica cena de um casal apaixonado.
Perdendo toda a paciência de assistir ao filme, levei uma mão até seu queixo a fazendo inclinar a cabeça em minha direção e grudei minha boca na sua, iniciando um beijo. Eu não fazia ideia de onde aquela vontade havia aparecido, mas podia sentir todas as células do meu corpo aprovando o ato.
Eu queria odiar aquilo. Fala sério, aquela era , a garota mais insuportável do mundo e a pessoa que eu mais odiava no planeta. Mas a única coisa que eu queria era mais. Sua boca abriu dando passagem para minha língua, me deixando aprofundar o beijo e aquilo continuava não sendo o suficiente. Minhas mãos desceram pelo seu tronco apertando sua cintura fortemente, arrancando um gemido de sua parte. Continuei descendo em direção às suas coxas até que sua mão me parou.
- Está me fazendo perder o filme, . – falou, interrompendo o beijo.
- Foda-se o filme. – respondi, procurando sua boca novamente, mas virou o rosto.
- Eu quero terminar de ver o filme, . – falou, birrenta e se ajeitou no sofá, voltando a prestar total atenção na TV. Bufei frustrado e me obriguei a prestar atenção no resto daquela porcaria de filme.
Quando o filme finalmente acabou, o que pareceu durar cinco horas, descobri que havia terminado de assisti-lo praticamente sozinho. dormia tranquilamente, encolhida no sofá com a cabeça apoiada em meu ombro. Levantei com cuidado para não acordá-la e desliguei os aparelhos do cômodo. Pensei em acordá-la para que subisse para o quarto, mas sua expressão tranquila acabou me fazendo desistir. Me aproximei e a peguei no colo com cuidado, subindo as escadas calmamente para que a garota não acordasse. A coloquei deitada na cama e peguei um edredom que estava guardado jogando em cima dela. Senti meu estômago roncar e decidi descer até a cozinha em busca de algo para comer.
- Achei que não a suportasse. – Max surgiu na cozinha, me assustando.
- E não suporto. – dei de ombros.
- Não é o que demonstram suas atitudes. – provocou.
- O plano é que acreditem que é real, precisamos nos beijar quando alguém está por perto. E eu fiquei com medo de acordá-la e ter que passar o resto da noite aguentando pitis. – disse a primeira desculpa que apareceu na minha mente.
- Não tinha ninguém na sala há uma hora.
- Onde quer chegar com essa conversa? – perguntei, perdendo a paciência.
- Você está diferente, . Só o vi agir assim uma vez na vida...
- Eu não quero falar disso, beleza? – o interrompi, irritado. – Eu não suporto a , isso é só um teatro que vai acabar em alguns dias. Acabou.
- Não está mentindo apenas para a mamãe, . Está mentindo para você mesmo. – Max falou por fim e saiu da cozinha, me deixando sozinho novamente com vários pensamentos rondando minha cabeça.



Capítulo 8 – Dia 6

Acordei no dia seguinte com os latidos de Boris ecoando na minha cabeça. Abri os olhos lentamente e me assustei ao perceber que estava no quarto de , franzi a testa tentando me lembrar como havia ido parar lá. Levantei e caminhei a passos lentos até o banheiro, fazendo minha higiene matinal. Coloquei um macaquinho azul e desci as escadas indo para a cozinha.
- Bom dia, querida. – Emily falou ao me ver. Ela e Richard estavam andando de um lado para o outro no cômodo preparando o almoço. – As crianças estão lá fora. – acrescentou. Respondi seu cumprimento e fui em direção ao jardim nos fundos da casa enquanto comia uma maçã.
Jess estava sentada em uma espreguiçadeira lendo uma revista sobre moda enquanto Max e brincavam com Boris. Me aproximei de onde Jess estava e sentei na espreguiçadeira ao seu lado, atraindo sua atenção.
- Bom dia, cunhadinha. – cumprimentou com um sorriso.
- Bom dia. Onde estão seus primos? – perguntei, olhando em volta.
- Foram para casa. – deu de ombros. – Vamos nos encontrar de noite. – completou.
- Bom dia, amor. – se inclinou na espreguiçadeira me dando um selinho demorado.
- Bom dia.
- Dormiu bem? – perguntou, me deixando surpresa.
- Hm... Sim. Que horas me chamou para ir pro quarto?
- Não chamei. – falou, me deixando sem palavras ao deduzir que ele havia me levado.
- Se não é o meu casal preferido de todos os tempos. – Max falou ao se aproximar com Boris logo atrás. A ironia em sua voz foi quase imperceptível.
- Oi, Max. – respondi. Boris pulou na espreguiçadeira em que eu estava, me enchendo de lambidas. – Oi, garoto. – falei entre risos, fazendo carinho em sua cabeça.
- Boris, vem! – chamou correndo pelo jardim com uma bolinha, que eu julguei ser do cachorro, em mãos. Boris correu em sua direção com Max logo atrás e os dois começaram a jogar a bola um para o outro, fazendo Boris latir.
Pouco mais de uma hora se passou até que Emily aparecesse na porta avisando que o almoço estava pronto.
Estava ajudando Jess com a louça quando apareceu na cozinha com meu celular em mãos. O encarei, confusa, e ele logo começou a se explicar.
- Estava tocando. Achei que talvez quisesse atender ou ligar de volta.
- Claro. – falei meio sem reação ao pegar o celular de sua mão. Olhei a tela e vi que haviam três ligações perdidas de . – Eu preciso retornar, já volto. – subi as escadas e fui para o quarto de para ter um pouco mais de privacidade.
- Finalmente, já estava achando que seria convidada para o seu enterro. despejou assim que atendeu ao telefone.
- Não precisa exagerar, , eu só não ouvi o celular tocar. E a gente se falou tem dois dias. – revirei os olhos ao seu drama.
- Tanto faz. Então, como estão as coisas?
- Bem, eu acho. – respondi, meio incerta.
- Ainda não matou o ?
- Na verdade, foi ele que quase me matou. – falei me arrependendo no instante em que as palavras saíram da minha boca.
- Ele o quê? – minha amiga gritou, me fazendo afastar um pouco o celular. Suspirei, querendo me socar por ter falado demais e comecei a explicar o incidente na praia do dia anterior. – Eu vou matar aquele idiota quando eu o vir! falou pela terceira vez. – Quem esse idiota pensa que é para simplesmente empurrar a minha melhor amiga no mar? E se alguma coisa tivesse acontecido? E se...
- , para! – falei, cansada de ouvir aquilo. – Ele não sabia que eu não sabia nadar, foi um acidente.
- Meu Deus, você está o defendendo. – falou com a voz carregada de surpresa.
- O quê? Não! – falei imediatamente. – É só que... Ele se desculpou e até aceitou assistir um filme sem reclamar. – omiti a parte do beijo.
- Quem é você e o que fez com a minha amiga?
- Para de besteira, .
- Não é besteira, a que eu conheço jamais perdoaria o fácil assim.
- Ele está diferente nos últimos dias. – dei de ombros mesmo sabendo que ela não veria.
- Aparentemente, você também. – não respondi. Não sabia o que responder, eu realmente me sentia diferente nesses dias aqui na Austrália, eu só não sabia o que isso queria dizer. – Você está apaixonada por ele! – falou após alguns segundos de silêncio total.
- O quê? Você só pode estar ficando louca, ?
- Não! Você fica defendendo-o, e a forma como você fala... Você está apaixonada.
- Não estou. - neguei.
- Negação é a pior parte, . – falou com a voz serena.
- Eu não estou negando nada, . – falei com a voz um pouco trêmula, torcendo para que ela não percebesse. – Eu não estou apaixonada. Não posso estar. Quer dizer, é o , isso é impossível.
- Eu sei, mas qual o problema, ?
- Todos. Eu preciso desligar. – falei na tentativa de me livrar daquela conversa. – Mais tarde a gente se fala.
Desliguei a ligação e logo senti meu celular vibrar na minha mão indicando uma nova mensagem.

"Pare de se enganar.
Amo você.
Xx "


Deitei na cama e fechei os olhos com força repassando a conversa com na cabeça. Eu não estava apaixonada, não podia estar. Fala sério, é o , o mesmo que cortou os cabelos de todas as minhas Barbies quando eu tinha 7 anos; o mesmo que grudou chicletes na minha carteira quando eu fui sentar aos 10 anos. Não era possível que eu estivesse apaixonada por ele.
Algum tempo depois, resolvi descer antes que Jess resolvesse ir me procurar. Chegando a sala, encontrei sentado no sofá assistindo alguma série na TV.
- Cadê os outros? – perguntei, atraindo sua atenção.
- Foram passear com o Boris. – respondeu sem tirar os olhos da TV – Imaginei que fosse querer descansar depois de ontem, então disse que iríamos ficar.
- Tudo bem. – caminhei até o sofá que ele estava e me sentei na ponta oposta.
Ficamos um tempo assistindo "Supernatural" na TV – quer dizer, ele estava assistindo, eu estava só sentada lá com os olhos vidrados na TV, mas o pensamento em outro mundo – até que começou a olhar no relógio e se mexer inquieto.
- O que foi? – perguntei começando a perder a paciência com sua inquietação.
- Você não acha que deveria se sentar um pouco mais perto?
- O quê?
- Bem, você está sentada do outro lado do sofá como se quisesse manter distância de mim. Daqui a pouco meus pais vão voltar e precisamos ser um pouco mais convincentes, não acha? – deu de ombros. Fiquei o encarando até um plano surgir na minha cabeça.
- Quer ser convincente? – perguntei ao me levantar do sofá, ficando parada na frente dele. – Então seremos convincentes.

's POV

Sua reação à minha pergunta me pegou completamente desprevenido. Assim que as palavras saíram de sua boca, levou as mãos até as laterais de seu vestido, o fazendo voar pelo cômodo ficando apenas de lingerie na minha frente. Antes que eu pudesse ter qualquer reação, seu corpo estava sob o meu e seus lábios já estavam grudados nos meus.
Não encontrei coragem, e muito menos vontade, de pará-la, apenas retribuí o beijo com a mesma intensidade. Suas mãos puxavam meus cabelos, provocando gemidos de aprovação contra sua boca. Quando recuperei um resquício da minha sanidade, levei minhas mãos às suas coxas, apertando a pele descoberta, e fui subindo até parar em sua cintura, apertei o local e deslizei minhas mãos para suas costas subindo meus dedos por ali e a puxei para mais perto. Mordi seu lábio inferior e desci meus beijos para seu pescoço a ouvindo suspirar. Seus dedos agora brincavam com a barra da minha camiseta enquanto os meus ainda deslizavam pelo seu corpo. Estava prestes a abrir o fecho de seu sutiã quando o barulho da porta e um gritinho agudo nos forçaram a nos afastar.
- Eu tenho certeza de que não custava nada vocês dois terem ido para o quarto e fazer isso lá dentro. – Jess falou ainda parada na entrada da casa. Meus pais estavam atrás dela, meu pai segurando a risada por ver minha cara de espanto, e minha mãe me olhando com um misto de irritação e divertimento. Max estava logo atrás segurando a coleira de Boris, e mantinha um sorriso debochado no rosto. adquiriu um tom completamente avermelhado enquanto se levantava e caçava seu vestido pela sala. Eu quis pedir para que ela esperasse mais um instante antes de se vestir, me deixando apreciar a vista, mas mordi o lábio permanecendo calado.
- Me desculpem, Sr. e Sra. . Eu nem sei o que dizer. – falou um pouco embolada antes de passar correndo por mim e de subir as escadas.
- Mandaram bem. – Max sussurrou ao se sentar ao meu lado. Meus pais haviam ido para a cozinha e Jess levou Boris para o jardim. – Se eu não soubesse da verdade, acharia que vocês realmente estavam prestes a transar aqui.
Sorri sozinho ao finalmente me dar conta do plano de e puxei uma almofada para o meu colo na intenção de esconder minha ereção. Respirei fundo algumas vezes antes de seguir a garota para o quarto. estava deitada na cama, ainda sem vestir a roupa, com os olhos fechados.
- Você realmente me surpreendeu agora, pequena . – falei encostado na porta e a garota se assustou puxando o vestido para cima de seu corpo na tentativa de se cobrir.
- Você queria uma cena convincente, eu te dei essa cena. – sua voz saiu falha, como se ela ainda estivesse tentando recuperar o fôlego, e foi então que eu entendi. estava sendo afetada por suas provocações da mesma forma que eu estava. Me sentei ao seu lado na cama e me inclinei sobre seu corpo, ficando a centímetros de seu rosto.
- Realmente, você é uma ótima atriz, . – assim que finalizei a frase, sua boca estava grudada na minha em um beijo desesperado. Suas mãos percorriam meus braços e costas aranhando a região enquanto as minhas passeavam por toda extensão de seu copo apertando cada centímetro de pele descoberto. Me inclinei mais sobre a garota, grudando ainda mais nossos corpos e pude sentir suas pernas se enroscarem na minha cintura, pressionei nossos quadris e um suspiro de aprovação escapou de seus lábios.
- Meu Deus, vocês parecem dois coelhos. – a voz de Max ecoou no quarto fazendo com que nos afastássemos novamente. Meu irmão estava parado na porta do quarto com um sorriso extremamente debochado no rosto. aproveitou a interrupção e se desvencilhou de mim correndo para o banheiro e se trancando lá dentro; odiei meu irmão por isso. – Cara, vocês são realmente ótimos atores, tenho certeza de que os quadros não desconfiam de nada. Não está conseguindo manter suas mãos longe da garota ?
- Ela está me deixando louco, Max. – falei em um tom baixo para que não ouvisse. – Não estou conseguindo me manter longe dela.
- Pare de mentir para você mesmo e não vai precisar. Enfim, vamos sair, se arrumem. – falou e saiu do quarto.

- Anda logo, , você vai nos atrasar. – Jess gritou pela terceira vez batendo na porta do banheiro.
Já era noite e eu estava me arrumando para irmos encontrar meus primos em uma balada. Jess já havia perdido a paciência e estava quase derrubando a porta do banheiro de tanto bater. Dei uma última olhada no espelho e abri a porta quase levando um soco.
- Finalmente. – Jess resmungou. – Já tá todo mundo esperando lá em baixo, vamos.
Peguei meu celular e a segui até a sala; e Max estavam sentados no sofá conversando enquanto nos esperavam. Assim que perceberam nossa presença se levantaram murmurando um "até que enfim" enquanto pegavam suas coisas. Analisei de cima a baixo e mordi meu lábio inferior arrancando alguns comentários de Jess. Ela usava um vestido preto, colado ao corpo, que destacava incrivelmente bem suas curvas enquanto sua cintura estava de fora devido ao corte do vestido. Me aproximei, colocando uma mão em sua cintura e a puxei contra mim.
- Você está uma delícia hoje, pequena . – sussurrei em seu ouvido. Depositei um beijo atrás de sua orelha e vi os pelos de sua nuca arrepiarem, me fazendo sorrir.
- Vamos logo, casal – Jess gritou já na porta atraindo nossa atenção.
Depois de muito insistir, Max deixou que eu fosse dirigindo durante o caminho. Jess e foram cantando o caminho todo em um "aquecimento" que mais parecia uma tortura. O pub não era muito longe, portanto em menos de quinze minutos já estávamos lá. Oliver, Brian e Jason estavam na porta nos esperando com as entradas em mãos.
- Achei que tivessem se perdido no caminho. – Oliver falou assim que nos viu.
- A Cinderela demorou para se arrumar. – Jess falou apontando para mim. Revirei os olhos.
- Vamos logo. – falei.
Jason entregou nossas entradas para o segurança e nossa entrada foi liberada prontamente. O pub estava lotado complicando um pouco nossa passagem até a mesa que havíamos reservado. Jess, Brian e Jason se "perderam" no caminho deixando eu, , Max e Oliver sozinhos. Pedi uma rodada de tequila para começar a noite.
Pouco mais de meia hora depois, – e muitas doses de tequila – Max e Oliver também se enfiaram na multidão dançando com alguma garota aleatória que encontraram. Assim como na nossa primeira noite na Austrália, fui obrigado a afastar alguns caras de bancando o namorado ciumento.
- Não tem ninguém por perto, , não precisa me impedir de me divertir um pouco.
- Não estou te impedindo de nada, amor, só que muitas pessoas aqui conhecem meus primos e meus irmãos. Não quero que saiam por aí espalhando que eu deixo minha namorada se agarrar com outros na balada. – falei incrivelmente próximo ao seu rosto. bufou antes de se virar para o bar pedindo mais uma rodada para o garçom.
Eu com certeza era a pessoa mais sóbria por ali. Eu já havia perdido as contas de quantas doses havia tomado, o que havia deixado a garota muito animada. Seu corpo se mexia ao som da música que tocava, ao meu lado, nunca largando seu copo.
- Acho que você já bebeu demais, . – comentei.
- Não o suficiente. – respondeu, sorrindo.
- Estou falando sério, , não quero ter que carregar você para casa.
- Você é um saco, . – bufou. Uma música conhecida começou a tocar e eu vi seu sorriso aumentar. – Acho que eu vou me divertir um pouco. – falou antes de caminhar até a pista de dança.

Put your hands all over
Put your hands all over me
Put your hands all over
Put your hands all over me


Assim que encontrou um bom lugar na pista, deixou seu corpo ser completamente conduzido pela música atraindo a atenção de algumas pessoas.

I can't seem to find the pretty little face I left behind
Wandered out on the open road
Looking for a better place to call home
Gave her a place to stay
But she got up and ran away
And now I've had enough
That pretty little face has torn me up


Suas mãos passeavam pelo seu corpo, atendendo ao pedido da música, deixando a cena incrivelmente sensual para qualquer um que estivesse assistindo.

Put your hands all over me
Please, talk to me, talk to me
Tell me everything is gonna be alright
Put your hands all over me
Please, walk with me, walk with me (now)
Love is a game, you say
Play me and put me away
Put your hands all over me


Seus olhos estavam fechados curtindo a música, enquanto uma de suas mãos bagunçava seus cabelos a fazendo rir. Ela com certeza estava longe de estar sóbria.

Now you've lost your mind, pretty little girl I left behind
I'm not yours, getting rough
but everybody knows you're not that tough
Wandered out on the open road
Looking for a place to call your own
You're scared to death of the road ahead
You pretty little thing, don't get upset


continuava com sua dança incrivelmente sensual me deixando completamente hipnotizado. Aparentemente eu não era a única pessoa ali que estava perdendo a linha com sua dança já que no instante seguinte um homem se aproximou dela começando a dançar colado ao seu corpo. Suas mãos passeavam pelo corpo dela, por cima da roupa, apertando sua cintura ocasionalmente. abriu os olhos, os focando nos meus e um sorriso malicioso se formou em seus lábios. Eu estava achando aquilo incrivelmente excitante, e o sorriso em seu rosto comprovava que essa era sua intenção.
Seus lábios começaram a se mover junto com a música fazendo minhas calças ficarem apertadas. O loiro continuava sua dança pelo corpo da garota, seguindo veemente a letra da música, tentando atrair sua atenção sem nenhum sucesso. voltou a fechar seus olhos ficando agora de frente para o loiro começando a rebolar e descer lentamente o corpo, o provocando. se transformava em uma pessoa completamente diferente quando estava sob o efeito do álcool e aparentemente meu corpo estava adorando aquela já que o incomodo nas minhas calças só aumentava.
As mãos do loiro se prenderam em sua cintura enquanto ele tentava a todo custo alcançar os lábios da garota.

Put your hands all over me
Put your hands all over me
Put your hands all over me
Put your hands all over me


- Se você não fizer alguma coisa, eu faço. – ouvi a voz de Max ao meu lado. Eu nem havia percebido que ele estava ali. O olhei e vi que seus olhos estavam fixos nas mãos do loiro, que começavam a descer até a barra do vestido de .

So come down off your cloud
Say it now and say it loud
Get up in my face
Pretty little girl, come make me day


Caminhei até onde estava e a tirei das mãos do loiro, que protestou. Ignorei e a puxei até um canto da boate a colocando contra a parede. Sua respiração estava ofegante graças a sua dança.
- Você está fodendo com a minha sanidade à dias . Eu não consigo mais entrar no meu quarto e não imaginar como seria te jogar na minha cama e acabar com o meu problema. – despejei tudo de uma vez a pegando de surpresa. Comecei a distribuir mordidas por seu pescoço e senti sua mão no meu braço. Achei que ela fosse me empurrar, mas seus dedos apenas apertaram o local me puxando para mais perto. – Você está me enlouquecendo aos poucos, . A cada dia que passa um pouco da minha sanidade e do meu auto controle evaporam quando você está por perto. – minhas mãos estavam encostadas na parede, ao lado de seu corpo, a prendendo ali. levou suas mãos para dentro da minha camiseta deixando suas unhas arranharem meu abdômen. Forcei meu quadril contra o seu, a colando ainda mais na parede, e um suspiro escapou de ambas as partes. Meu auto controle era quase inexistente naquele momento, assim como a minha sanidade diante dela. Seus lábios encontraram meu pescoço com facilidade, graças aos saltos, deixando uma mordida no local. Dei um soco na parede sentindo o resto do meu auto controle se esvair. – Porra, garota, o que você quer de mim?

Love is a game, you say
Play me and put me away
Put your hands all over

- Put your hands all over me. – sussurrou junto com a música no meu ouvido. Joguei meu auto controle pros ares e agarrei sua cintura com um pouco de agressividade. Levei minha outra mão a sua nuca puxando seu rosto na direção do meu e colei nossos lábios dando início a um beijo desesperado.
Suas unhas agora arranhavam minhas costas, ainda por dentro da camiseta, desci uma de minhas mãos pela sua perna e a puxei para cima fazendo com que ela a prendesse na minha cintura. Parti o beijo e desci meus lábios para o seu pescoço deixando uma leve mordida no local.
- Acho melhor a gente terminar isso em outro lugar. – sua voz falou no meu ouvido. Concordei com a cabeça e me afastei por um segundo. Entrelacei sua mão na minha e a puxei para fora do pub até o carro. O Max podia voltar de uber.
O caminho, que antes havia levado quinze minutos, foi feito em menos de dez devido a minha pressa de chegar logo em casa. Estacionei o carro de qualquer jeito e desci, dando a volta rapidamente para ajudar a descer. Assim que fechei a porta a puxei para mim novamente e a encostei no carro iniciando outro beijo que não durou muito tempo já que me empurrou lentamente. Fui puxado até a porta e levei mais tempo que o necessário para conseguir abri-la. Eu não faço ideia de como, mas instantes depois minhas costas estava colada na porta do meu quatro enquanto estavam de pé na minha frente distribuindo beijos pelo meu pescoço. Apertei sua cintura e comecei a empurrá-la para trás até o meio do quarto. Suas mãos desceram até a barra da minha camiseta a puxando para cima e nos forçando a interromper o beijo. Assim que minha camiseta foi para o chão, nossos olhares se encontraram e eu pude ver a confirmação ali de que aquela noite só acabaria quando estivéssemos os dois cansados, suados e satisfeitos na minha cama.



Capítulo 9 – Dia 7

Acordei no dia seguinte com a sensação de que estava sendo observado; abri os olhos lentamente e me deparei com um par de olhos castanhos profundos me encarando ainda sonolentos.
Eu não sabia como agir.
Não sabia se deveria beijá-la ou simplesmente levantar e fingir que nada havia acontecido. parecia estar no mesmo conflito interno que eu, já que ficou apenas me encarando sem dizer nada.
- Bom dia. – falou finalmente.
- Bom dia. – respondi com a voz rouca. O silêncio voltou a se instalar no quarto instantes depois.
- Eu vou tomar um banho. – falou aparentemente irritada com o silêncio. Enrolou-se no lençol e caminhou até o banheiro, se trancando lá dentro.
Assim que a porta fechou, levantei da cama, caçando minhas roupas, e peguei uma toalha seca e segui para o banheiro do corredor. Deixei a água quente escorrer pelo meu corpo, relaxando meus músculos que, até então eu nem sabia que estavam tensos.
Flashes da noite passada começaram a passar pela minha cabeça: os beijos, os gemidos, os pedidos por mais movimento... Achei que se passasse uma noite com seria o suficiente para tirá-la da minha cabeça, mas aparentemente eu estava enganado. Cada segundo que se passava uma nova parte do meu corpo implorava por um mínimo toque dela.
Eu estava enlouquecendo.
Não sei quanto tempo levei no banho, mas quando voltei para o quarto ainda não havia saído do banheiro. Aproveitei para me vestir rapidamente e recolher as roupas jogadas pelo chão. Estava terminando de colocar minha camiseta quando a porta do banheiro foi aberta. estava enrolada em sua toalha, os cabelos molhados soltos. Seus olhos encontraram os meus e era possível ver ali o mesmo desejo que eu estava sentindo. Ameacei dar um passo em sua direção, mas fui interrompido pelo barulho da porta sendo aberta.
- Vejo que finalmente acordaram. – Jess entrou no quarto, sorrindo. – , você vai almoçar no shopping comigo hoje. Temos uma festa na casa dos nossos tios para ir hoje à noite e eu preciso comprar uma roupa.
- Er... Tudo bem. – murmurou.
- Te encontro lá embaixo em dez minutos – falou e saiu do quarto, voltando a fechar a porta.
- Acho melhor eu colocar uma roupa – falou e foi até sua bolsa, tirou algumas peças de roupa de lá de dentro e voltou para o banheiro. Alguns minutos depois saiu vestindo uma calça jeans justa e uma blusa azul que ia até sua cintura. Seu rosto também estava diferente, uma maquiagem fraca havia sido passada e seus cabelos estavam arrumados em uma trança. Eu parecia um belo idiota a encarando naquele momento.
- Nos vemos mais tarde. – murmurou. Acordei do meu transe e segurei seu braço a impedindo de sair do quarto.
- Espera. Sobre ontem...
- Não precisamos falar sobre ontem, – falou me encarando. – Nós bebemos e transamos, só isso. Não tem o que conversar – e lá estava a cheia de si que eu odiava. Concordei com a cabeça e soltei seu braço, a deixando seguir para fora do quarto.
- Garota irritante – murmurei me jogando na cama. Fechei os olhos com força e respirei pesadamente tentando tirar qualquer imagem da noite anterior da minha cabeça. Bufei irritado ao falhar na minha missão e levantei da cama procurando meu celular. Disquei o número de rapidamente, sendo atendido no terceiro toque.
- Lembrou que tem amigos em Londres, ? – falou assim que atendeu.
- Pare de drama, Parker, te mandei uma mensagem ontem de tarde – falei rindo.
- Certo, e como foi a tal festa?
- Digamos que foi bem... interessante.
- E como é que eu devo interpretar isso? Você e a conseguiram ficar 24 horas sem brigar?
- A gente transou.
- Vocês o quê? – a surpresa em sua voz era evidente.
- Transamos Parker. Sabe, quando o meu...
- Tá, eu entendi. E como foi que isso aconteceu?
- A gente estava no pub e ela começou a dançar e então eu perdi a cabeça. Despejei várias coisas em cima dela e... Aconteceu – resumi, não querendo entrar em detalhes.
- E o que você pretende fazer agora?
- Eu não sei. Tentei falar com ela agora e ela simplesmente voltou a ser a garota irritante de sempre, agindo como se nada demais tivesse acontecido.
- E aconteceu?
- A gente transou, Parker, você ainda não entendeu isso?
- Entendi. Só que você é o , o cara que já dormiu com metade do colégio e nunca fez questão de conversar sobre isso depois.
- Eu sei, mas...
- Com ela foi diferente, não foi? – perguntou, me interrompendo.
- Eu... eu não sei – admiti, bufando irritado.
- Sabe sim, , só não quer admitir.
- E de que merda adianta eu admitir se ela vai continuar agindo como uma cabeça dura? – explodi. – Eu não consigo tirar essa garota da cabeça, , achei que dormir com ela resolveria meu problema, mas na verdade só piorou. Eu não sei mais o que faze,r cara.
- Fala com ela.
- Eu já falei.
- Não estou mandando você dizer que quer fodê-la, . Estou falando para você dizer que quer levar esse namoro falso adiante – abri a boca para protestar, mas fui interrompido antes de emitir qualquer som. – Olha só, cara, eu preciso desligar, mas pensa no que eu te falei, beleza? – falei qualquer coisa em concordância e desliguei o telefone pensando no que havia dito e uma pergunta não parava de ecoar na minha cabeça: eu queria levar aquilo adiante?

's POV

Jess e eu havíamos acabado de sair do restaurante onde havíamos almoçado. Fazia mais de duas horas que estávamos rodando o shopping da cidade e Jess ainda não havia encontrado o "vestido perfeito". Eu não sabia muito sobre a festa, só que seria na casa dos tios de e que era social, o que significava que eu precisaria comprar um vestido também. Eu estava distraída respondendo uma mensagem de quando ouvi Jess dar um gritinho e me puxar pelo braço.
- , esse vestido é perfeito para você. – apontou para um vestido longo na vitrine da loja. Olhei o vestido um pouco incerta.
- Jess, eu não sei se... – tentei falar, mas Jess já estava dentro da loja conversando com uma vendedora. – Jessamine – chamei ao me aproximar.
- Aqui, é para ela o vestido – me indicou para a vendedora, que acenou com a cabeça e logo me entregou um vestido igual ao da vitrine.
- Vai lá, – Jess me empurrou para dentro de um provador. Analisei o vestido por mais um instante antes de finalmente vesti-lo.
Era um vestido longo, vermelho, simples, com uma alça fina e delicada. Me olhei no espelho e sorri, constatando que Jess estava certa, realmente era o vestido perfeito. Saí do provador e minha cunhada logo começou a aplaudir dando pulinhos animados.
- Você tá linda, . Vamos levar – falou a segunda parte diretamente para a vendedora. Tentei protestar, mas Jessamine apenas me empurrou novamente para o provador me mandando trocar de roupa enquanto ela provava um vestido. Troquei a roupa e voltei a tempo de vê-la com um vestido verde-água, tomara que caia, um pouco mais curto que o meu.
- É esse – anunciou se olhando no grande espelho da loja. Jess foi trocar a roupa novamente e voltou com seu vestido em mãos, seguindo para o caixa. Peguei as sacolas e a puxei para fora da loja.
Fui praticamente arrastada até um enorme salão a algumas quadras de distância do shopping. Confesso que quase peguei no sono quando começaram a mexer no meu cabelo. Unhas feitas, cabelos arrumados e quase duas horas depois estávamos fazendo o caminho de volta para a casa dos .
- Ele gosta muito de você, sabe?! – Jess falou.
- O quê? – a olhei, confusa.
- O , ele gosta muito de você. – repetiu.
- Por que diz isso? – perguntei, intrigada.
- Dá para ver. A forma como ele te olha, a preocupação constante que ele tem com você... Tudo nele entrega que você é A garota.
- A garota?
- É, sabe... A garota certa, aquela que pode fazer ele deixar de agir como um idiota – soltei uma gargalhada alta.
- Não acho que alguém possa fazer o parar de agir como um idiota – Jess também riu, concordando com a cabeça.
- Você está certa, mas ele com certeza é um idiota melhor com você – falou, séria. Dei um sorriso amarelo antes de mudar de assunto.
Quando chegamos em casa, pouco mais de quatro da tarde, a casa estava totalmente vazia. Emily e Richard haviam deixado um bilhete na cozinha, avisando que já haviam ido para a casa de Emília, a tia de e anfitriã da festa, e que nos encontravam lá. Jess deduziu que Max e haviam saído para comprar ternos novos, mas logo estariam de volta. Dei de ombros e decidir ir tomar um rápido banho e começar a me arrumar.

's POV

Eram pouco mais de três e meia da tarde quando Max resolveu que deveríamos sair para comprar roupas para a festa, já que eu não havia trazido nada para a ocasião. Ele já havia me feito entrar em três lojas e eu estava começando a ficar mal humorado. Se tinha uma coisa que eu odiava mais do que , essa coisa era comprar roupas. Era o segundo terno que eu provava em uma mesma loja quando Max enfiou sua cabeça pela porta do provador.
- Uau, acho que a sua namoradinha vai gostar desse aí. – falou, debochado. Ele também vestia um terno cinza escuro que lhe caía muito bem.
- Até parece que eu me importo com o que aquela garota acha. – me virei de costas para ele, abotoando o paletó e me olhando no espelho.
- Depois da noite passada eu acho que você se importa sim, e muito. – respondeu.
- Foi só sexo, Max, não é como se eu estivesse perdidamente apaixonado por ela.
- Mas você está!
- Não estou – saí do provador caminhando até a vendedora. – Vamos levar os dois – avisei e vi um enorme sorriso se formar em seu rosto. Retirei o paletó e o entreguei à atendente, vendo Max fazer o mesmo.
- Uma hora você vai precisar sair desse estado de negação, sabe disso – falou ao sairmos da loja.
- Não estou em negação, Max. E por mais que eu estivesse... – vi um sorriso vitorioso se formar em seu rosto. – Esse relacionamento jamais daria certo. Ela me odeia e é assim que as coisas tem que ser.
- Ela transou com você, , nenhuma garota dorme com o cara que odeia.
- Bem, ela dormiu.
- Vocês são dois merdas cabeças duras em estado de negação – falou e dessa vez sua voz soou irritada.
- O quê?
- Você me ouviu. Investe nela, porra. A garota gosta de você, só que é tão idiota que prefere ficar em estado de negação, assim como você. Vocês estão tão acostumados a se odiar e ficarem brigando o tempo todo há anos que qualquer coisa diferente assusta vocês. Não seja um idiota cabeça dura e vá atrás da garota, . – Ao terminar seu mini sermão, Max simplesmente saiu andando, me deixando parado com cara de idiota no meio da rua.

Chegamos em casa e Jess estava jogada no sofá, mexendo em seu celular, dei um breve oi para ela antes de me dirigir ao andar de cima. Quando cheguei no quarto, uma grande sacola de uma loja de vestidos conhecida estava jogada na cama, indicando que havia feito suas compras. O barulho do chuveiro ligado anunciou que ela estava no banho, então peguei minha toalha e fui até o banheiro do corredor.
A água quente escorria pelo meu corpo trazendo várias lembranças com ela. A noite passada, a conversa com Max, as atitudes não tão irritantes de nos últimos dias, as brigas dos últimos anos... Minha cabeça trabalhava a mil tentando pensar em qualquer coisa que não fosse ELA, mas era praticamente impossível. Desliguei o chuveiro e instantes depois eu já estava novamente no meu quarto.
A sacola na cama já não estava mais lá, mas a porta do banheiro continuava trancada indicando que estava se arrumando. Comecei a me vestir e só então percebi que não fazia ideia de como se dava um nó em uma gravata. Tentei fazer alguma coisa seguindo os passos de alguns vídeos na internet, mas acabei desistindo na terceira tentativa. Bati na porta do banheiro.
- Ei, você sabe dar um nó em gravata? – perguntei com a voz cansada. A porta logo se abriu, revelando uma só de calcinha e sutiã.
- Claro! – falou, se aproximando. – Não me olhe assim, você me viu com muito menos do que isso na noite passada – falou e só então percebi que meus olhos permaneciam fixos em seu corpo - principalmente em seu busto e coxas.
- Er... Eu não... Eu...
- Está pronto – anunciou prendendo uma risada. Virou-se e então entrou no banheiro, trancando a porta novamente.
Terminei de me arrumar e fui para a sala encontrando Max e Jess, já arrumados, sentados no sofá mexendo em seus respectivos celulares. Caminhei até eles, me sentando também.
Meia hora se passou desde que eu havia descido e ainda não havia dado nenhum sinal. Max e Jess já estavam ficando impacientes de esperar.
- É a mamãe – Jess anunciou quando seu celular tocou. Pegou o aparelho e foi para a cozinha atendê-lo, voltando alguns minutos depois.
- , vamos logo. – Gritou no início da escada.
- O já tá caidinho por você, não precisa passar tanto tempo se arrumando. – Max gritou ao lado da irmã. Levantei, revirando os olhos e fui até onde eles estavam.
- Vamos, , antes que os dois enlouqueçam.
- Estou indo, podem parar de se esgoelar – sua figura surgiu no topo da escada, me deixando totalmente sem reação.
Seus cabelos estavam presos somente nas laterais com cachos cuidadosamente arrumados nas pontas. Tinha uma maquiagem leve no rosto, mas um batom forte cor de vinho destacava seus lábios. O vestido longo e vermelho caía tão bem em seu corpo que parecia ter sido desenhado especialmente para ela. Meus olhos encontraram os seus e por um momento era como se só estivéssemos nós dois na sala.
- Uau! – disse ao me aproximar da escada lhe oferecendo minha mão, que foi logo aceita. A puxei para perto assim que ela terminou os degraus e aproximei minha boca de sua orelha. – Está fodendo com a minha sanidade de novo, – sussurrei e vi suas bochechas corarem, enquanto ela dava um sorriso tímido.
- Certo, casal, será que podemos sair logo? – Jess perguntou na porta. Max já havia saído de casa e provavelmente já estava ligando o carro. Entrelacei nossos dedos e puxei para fora de casa.
Talvez Max não estivesse tão errado assim afinal.

's POV

A casa dos tios do parecia um verdadeiro palácio. A festa estava acontecendo no jardim dos fundos da casa e deviam ter no mínimo umas duzentas pessoas ali. continuava com sua mão firmemente enroscada na minha e ocasionalmente parava para cumprimentar alguns conhecidos.
Várias mesas e cadeiras estavam espalhadas pelo jardim, todas ocupadas por pessoas incrivelmente bem vestidas. Em uma das pontas do jardim havia um grande bar onde quatro barmans trabalhavam arduamente. Um pouco ao lado havia uma pista de dança, completamente lotada, com um DJ na ponta da pista.
- Esta festa é incrível – comentei com enquanto nos aproximávamos da mesa onde seus pais estavam sentados.
- É, meus tios são um pouco exagerados – respondeu, arrumando a cadeira para que eu me sentasse.
Um garçom veio até a nossa mesa e deixou duas taças de champanhe e alguns petiscos.
- Achei que vocês estavam planejando chegar quando a festa acabasse – Emily falou nos repreendendo.
- Foi mal, mãe, a culpa foi toda da – Max se defendeu.
- Obrigada, Max – o fuzilei com o olhar. – Desculpe, Emily, eu acabei me enrolando demais – falei. Um sorriso se formou em seu rosto antes de responder.
- Bem, a demora claramente valeu a pena, você está linda, .
- Obrigada – sorri, tímida.
- Eu não sei vocês, mas eu estou indo dançar – Jess falou se levantando. – Eu adoro essa música.
- E eu adorei aquele bar. – Max também se levantou – Nos vemos depois – deu uma piscadela e sumiu indo para o bar. Emily e Richard murmuraram alguma coisa um para o outro antes de também se levantar.
- Acho que estamos sozinhos – comentei com .
- É...
- Onde estão seus primos? – perguntei, atraindo sua atenção. Antes que ele pudesse responder, três pessoas se sentaram na nossa frente conversando animadamente.
- Acho que isso responde a sua pergunta – falou ao reconhecer os primos.
- , se você não fosse namorada do meu primo... – Oliver falou meio bêbado, encarando meu decote. Jordan e Brian concordaram com a cabeça, encarando o mesmo ponto que o irmão.
- Vocês são nojentos – deu um tapa na cabeça de cada um.
- Dá para vocês pararem? Estamos em uma festa – falei, quando uma guerrinha de tapas e socos começou.
- Relaxa, gata, é a casa dos meus pais – Oliver deu uma piscadela em minha direção. – É ótimo conversar com vocês, casal do ano, mas tem uma gatinha ali que está chamando muito a minha atenção. Nos vemos depois – levantou-se e saiu correndo até a tal garota.
- Eu vou lá ajudar para quando ele perceber que o namorado dela está logo ali – Brian seguiu o irmão.
- Eu vou beber – Jordan anunciou. Logo e eu estávamos sozinhos novamente.
Peguei minha taça de champanhe e bebi um pouco, voltando minha atenção para a pista de dança. Três músicas se passaram e eu continuava encarando as pessoas na pista. A verdade é que eu simplesmente adorava dançar, e se tinha uma coisa que eu odiava com todas as minhas forças era ir em uma festa e ficar sentada enquanto as outras pessoas se divertiam ao meu redor. Eu queria levantar e sair dançando como se não houvesse amanhã, mas eu não me sentia à vontade em deixar sozinho na mesa. E também não conseguia ter coragem para convidá-lo para ir comigo.
Uma música conhecida começou a tocar e tive que me controlar para não levantar e ir atrás de alguém para dançar comigo. Estava tão distraída que levei um susto quando me chamou.
- Me concede a honra? – ele estava de pé do meu lado com uma mão estendida na minha direção.
- O quê?
- Estou te convidando para dançar, .
- Eu não danço – menti, voltando a me concentrar na minha taça de champanhe.
- Fala sério, , qualquer idiota nessa festa consegue ver que você está louca para ir dançar. E também, eu não aguento mais ficar sentado – deu de ombros.
- Certo, , mas só porque você insistiu muito – aceitei sua mão e fui puxada lentamente até a pista de dança.
- Certo, pessoal, vamos desacelerar as coisas um pouquinho – disse o DJ e logo uma música lenta começou a tocar.

When your legs don't work like they used to before
And I can't sweep you off of your feet
Will your mouth still remember the taste of my love?
Will your eyes still smile from your cheeks?

- Acho melhor a gente voltar para mesa – me virei na intenção de voltar à mesa, mas sua mão me puxou, fazendo nossos corpos colidirem. Sua outra mão foi até a minha cintura, me puxando para mais perto.
- Te prometi uma dança, – falou perto do meu ouvido e começou a conduzir nossos corpos no ritmo da música. Passei um dos meus braços pelo seu pescoço e repousei minha cabeça em seu ombro.

People fall in love in mysterious ways
Maybe just the touch of a hand
Well me, I fall in love with you every single day
I just wanna tell you I am


Era estranho estar envolvida naquela cena. Se há algumas semanas alguém me dissesse que eu estaria em uma festa dançando Ed Sheeran com eu com certeza iria rir da cara da pessoa e chamá-la de louca, mas lá estava eu, nos braços do cara que eu mais odiava no mundo, e eu não estava odiando aquele momento.
Sua mão envolvia minha cintura de uma forma que me mantinha incrivelmente perto, como se ele não quisesse que eu saísse dali. nos afastou, me fazendo dar uma pirueta e logo me puxou, fazendo nossos corpos colidirem. Olhei o céu acima de nós e vi várias estrelas brilhando lindamente, me fazendo rir com a referência da música.

When my hair's all but gone and my memory fades
And the crowds don't remember my name
When my hands don't play the strings the same way
I know you will still love me the same

- Sabe, , eu odeio admitir, mas a minha mãe estava certa, você está incrível – suas duas mãos estavam repousadas na minha cintura, me obrigando a enroscar os braços em seu pescoço. Dei um sorriso tímido.
- Você também não está nada mal, , mas já deve saber disso já que 90% da população feminina dessa festa não tira os olhos de você – comentei ao ver um grupinho de meninas o encarando.
- Não é como se você estivesse causando um efeito diferente na população masculina – falou e eu comecei a rir.
- Acho que somos o casal mais desejado da festa – falei ainda rindo. deu um sorriso fraco antes de concordar com a cabeça.
- E o mais invejado também – completou.

So baby, now, take me into your loving arms
Kiss me under the light of a thousand stars
Place your head on my beating heart, I'm thinking out loud
And maybe we found love right where we are

Nossos corpos continuavam a se movimentar lentamente, tão próximos quanto possível. Suas mãos na minha cintura me mantinham perto, me puxando toda vez que eu ameaçava me afastar um centímetro que fosse. Fechei os olhos e repousei minha cabeça em seu ombro novamente. Meus dedos faziam leves desenhos abstratos em sua nuca e pude sentir suas mãos se apertarem um pouco na minha cintura, em aprovação. Um rápido beijo foi depositado no meu pescoço, me fazendo sorrir.

That maybe we found love right where we are
Oh baby, we found love right where we are
And we found love right where we are

As últimas notas da música se fizeram presentes, sendo logo substituídas por uma música animada que eu não consegui reconhecer. Permanecemos parados na pista de dança, abraçados, até nos afastar e entrelaçar nossos dedos.
- Vem comigo – falou por cima da música e saiu me puxando junto.

's POV

- Para onde você está me levando? – perguntou quando comecei a nos guiar por um caminho afastado da festa. Sua mão continuava presa à minha e nenhum dos dois parecia se preocupar com isso.
- Relaxa, , não vou te sequestrar – falei, brincando.
Poucos instantes depois estávamos no grande jardim particular da minha tia. Eu adorava aquele lugar, as flores coloridas e as grandes árvores me traziam uma estranha sensação de calmaria que eu raramente sentia.
- Esse lugar é incrível – comentou, dando alguns passos entre as flores.
- É o jardim da minha tia, ela o deixa fechado durante as festas. Tem medo que alguém venha aqui e estrague suas amadas violetas.
- Não deveríamos estar aqui.
- Provavelmente. Mas é a casa dos meus tios, , não tem problema.
- Se você diz... – deu de ombros. – Por que me trouxe aqui?
- Sei lá, eu só queria sair um pouco daquela festa – falei, omitindo a parte de que eu queria ficar um tempo sozinho com ela.
A segui por entre as flores até um pequeno banco localizado em baixo de uma árvore. O silêncio que se instalou foi incrivelmente confortável. Arranquei uma pequena flor ao meu lado e comecei a brincar com ela, arrancando suas pétalas lentamente.
- Ei! – a chamei, atraindo sua atenção. Peguei outra flor ao meu lado e coloquei atrás de sua orelha, sorrindo com o resultado.
- Sua tia não vai gostar nada de saber que você está arrancando as flores do jardim dela.
- Provavelmente não, mas ela vai ter que concordar comigo quando eu disser que ela combina com seus olhos – falei, olhando diretamente para seus olhos castanhos.
- Sabe, quando você me pediu para fingir tudo isso para a sua família, eu achei que fosse passar o feriado todo querendo te esfaquear enquanto você dormia – ri de seu comentário. – Mas você me surpreendeu, . Esse acabou se tornando um dos feriados mais divertidos que eu já tive. Obrigada.
- me agradecendo? Acho que estou sonhando – falei em tom de deboche.
- Não estrague o momento, .
- Tudo bem. Você também me surpreendeu, – falei após um instante em silêncio. – Achei que fosse fazer dessa a pior viagem da minha vida, mas não está nem perto disso. Obrigado.
- Acho que realmente tem uma primeira vez para tudo, hã? – falou, brincando. Sorri concordando com a cabeça e peguei sua mão, começando a brincar com seus dedos.
- Acho melhor a gente voltar – falou ao se levantar. Me levantei também segurando seu braço antes que ela se afastasse.
- Certo, só... – aproximei nossos rostos, encostando nossas testas e narizes. Uma das minhas mãos deslizou por seu braço até seu rosto se encaixando em sua nuca.
- Não tem ninguém aqui, ... – sua voz saiu baixa. – Não precisa fazer isso.
- Eu sei – falei no mesmo tom e grudei nossas bocas. Seus lábios logo deram passagem à minha língua, me deixando aprofundar o beijo. Senti suas mãos se enroscarem nos meus cabelos enquanto descia as minhas até sua cintura a puxando para mais perto.
Aquele não era um beijo carregado de desejo ou desesperado. Nossas bocas dançavam como velhas conhecidas que estavam morrendo de saudades uma da outra. Nossas línguas exploravam a boca um do outro tentando gravar cada centímetro. Suas mãos puxavam meus cabelos com um pouco de força. Posicionei uma de minhas mãos no meio de suas costas, a prendendo ali, quando senti seu corpo recuando. Por vários minutos, só existíamos nós dois no mundo, presos naquele momento que pareceu durar tão pouco. Quando a falta de ar se tornou insuportável, quebrei o beijo com leves selinhos e colei nossas testas novamente, permanecendo com os olhos fechados.
- Saia comigo – falei tão baixo que se não fosse a nossa proximidade ela não teria ouvido.
- O quê? – perguntou no mesmo tom. Abri os olhos, me deparando com dois grandes globos castanhos me encarando.
- Estou te convidando para um encontro, – expliquei. – Um encontro de verdade. Sem namoro falso e tudo o mais.
- Eu... Eu não sei – sua voz vacilou. Levei uma mão até seu rosto, fazendo um leve carinho em sua bochecha.
- Fala sério, , qual a pior coisa que pode acontecer? Nos odiarmos? – falei, a fazendo rir – Um almoço, amanhã – acrescentei quando ela permaneceu em silêncio.
- ...
- , a gente está do outro lado do mundo. Ninguém precisa saber o que acontecer aqui. O que acontece na Austrália, fica na Austrália – falei arrancando uma gargalhada da garota.
- Tudo bem – sua voz soou um pouco confiante, enquanto ela concordava com a cabeça.
- Vamos voltar – entrelacei nossos dedos e nos guiei pelo mesmo caminho de volta para a festa.
Assim que colocamos nossos pés no jardim principal onde a festa estava acontecendo, Jess e Max surgiram na nossa frente, ambos com expressões preocupadas.
- Finalmente! Onde vocês se meteram? Estou te procurando há horas – Jess falou, afobada, dirigindo a última parte diretamente para mim. – Achei que já tivesse encontrado com... – Max a cutucou na costela.
- Estávamos conversando. Encontrado com quem? – perguntei, curioso.
- Talvez seja melhor vocês irem embora – Max se pronunciou.
- O quê? Por quê? – o encarei, confuso.
Max abriu a boca para responder, mas antes que dissesse qualquer coisa uma voz atrás de nós se fez presente, fazendo meus músculos se retesarem.
- Oi, .
- Ashley! – falei, surpreso, me virando para encarar a garota.

's POV

E lá estava ela novamente, a garota do restaurante. Ela usava um vestido preto, extremamente colado ao seu corpo, uma maquiagem forte que destacava, principalmente, seus grandes olhos azuis. O cabelo estava preso em um rabo de cavalo bem alto e arrumado. Ela estava bonita, muito bonita. estava tenso do meu lado, parecia que ele estava vendo um fantasma. Sua mão apertava a minha com força.
- Ashley... – falou em tom seco.
- Será que a gente pode conversar? A sós – a garota perguntou apontando para um lugar afastado.
- Ok – respondeu e então se virou para mim. – Eu já volto. – falou e depositou um beijo na minha testa antes de seguir a garota.
- Acho que eu preciso beber – Max anunciou.
- Eu vou com você – Jess disse seguindo o irmão. Segui os dois até o bar, na tentativa de descobrir o que estava acontecendo.
Max pediu duas tequilas e Jess um copo de whisky duplo. Pedi uma bebida qualquer para o garçom e fiquei parada ao lado de Max, esperando-o terminar suas tequilas para finalmente começar com o meu interrogatório.
- E então, qual dos dois vai me explicar o que foi aquilo?
- Como assim? – Max perguntou, se fazendo de desentendido.
- Fala sério, Max, o não fica nervoso daquele jeito na frente de uma garota.
- Aquela é Ashley Vox, a ex namorada do . – Jess explicou. – Antes de ele ser esse galinha idiota que ele é, ele foi completamente apaixonado por ela. Quando meus tios vieram morar na Austrália, ela e o tiveram um romance de verão bem intenso, até ele descobrir que ele não era o único cara na vida dela. O antes dessa garota aparecer era uma pessoa incrível, mas aí eles começaram a namorar e ele nunca mais foi o mesmo. Aquela garota destruiu meu irmão de uma forma que eu nunca vi antes, ele nunca se recuperou disso. Bem, até agora... – acrescentou e saiu em direção à pista de dança.
, o maior galinha do colégio, já teve seu coração partido por uma vadia qualquer. Ninguém jamais imaginaria uma história dessas, não quando se tratava do . Meus olhos percorreram todo o jardim, parando em duas pessoas do outro lado do local que conversavam como velhos amigos. Dei um gole na minha bebida e mordi o lábio, sentindo meu sangue ferver quando ela segurou a mão dele.
- Sabe, você devia disfarçar esse ciúme todo se quer que eu continue acreditando que não sente nada pelo meu irmão. – Max estava parado ao meu lado com um sorriso debochado.
- Não estou com ciúmes.
- Claro que não. Esse grande letreiro na sua testa dizendo que quer matar a garota diz exatamente isso.
Suspirei.
- Está tão óbvio assim? – perguntei em tom de derrota.
- Mais do que você imagina, bonitinha – abri a boca para responder, mas Max já havia desaparecido pela festa.
Caminhei novamente até o bar e pedi outra bebida para o garçom, dessa vez mais forte. Virei metade do copo de uma única vez e me encostei no balcão do bar encarando o "casal". Senti uma estranha raiva me dominar quando vi a garota se jogar em cima dele tentando abraçá-lo. Me virei antes de ver a reação de e terminei a bebida colocando o copo brutalmente sob a bancada. Murmurei alguma coisa para o garçom e comecei a caminhar a passos largos para fora da festa.
Eu não podia estar com ciúmes, a gente nem era um casal de verdade.
Assim que cheguei ao lado de fora da casa, senti uma forte rajada de vento me deixando com frio. Me abracei, tentando fugir do vento frio e continuei a caminhar para onde eu achava que ficava a casa dos . Antes que eu pudesse me afastar o suficiente, senti alguma coisa ser colocada sob meus ombros e um par de braços me envolver. Olhei com o canto do olho e vi que havia me envolvido com seu paletó.
- Está fazendo o que aqui? – perguntei ríspida. me olhou, confuso. – Achei que estivesse bem acompanhado – falei, tentando me afastar de seu abraço.
- E estou, mas minha acompanhante estava saindo da festa e me deixando sozinho lá. – respondeu com um sorriso torto.
- Não use esse sorriso comigo, , isso não vai funcionar.
- Você está parecendo uma namorada ciumenta, .
- Vá à merda, não se trata disso. Só que agora todas as pessoas daquela festa acham que eu sou uma corna mansa – falei, irritada e acelerei o passo, tentando me afastar.
- Tem certeza que é só isso mesmo? Porque está me parecendo ciúmes – o tom de deboche em sua voz era completamente perceptível.
- Fala sério, , eu não tenho motivos para ter ciúmes de você – o olhar debochado em seu rosto estava me deixando irritada. – Se quiser voltar lá e levar ela para um quarto, pode ficar à vontade. – falei e continuei andando a passos firmes. me segurou pelo pulso e me fez encostar em um muro, prensando seu corpo contra o meu.
- Você tem certeza? – passou seu nariz pela minha bochecha. – Porque eu queria muito levar uma pessoa dessa festa para um quarto, mas com certeza não é a Ashley – me amaldiçoei mentalmente quando minha respiração falhou e um sorriso vitorioso se formou em seu rosto.
- ... – minha voz era um suspiro baixo.
- Olha só, , se eu quisesse estar com ela, eu estaria, mas eu não quero. Eu não faço ideia do porquê, mas eu quero estar com você e não com ela, então será que dá para você parar com isso, por favor? – seu tom de voz era sério e seus olhos estavam conectados nos meus, acusando que ele estava falando a verdade. Concordei com a cabeça e me deu um longo selinho antes de entrelaçar nossas mãos. – Vamos embora – tirou as chaves do carro de Max do bolso e balançou na minha frente – eu tenho um encontro amanhã.



Capítulo 10 – Dia 8

Uma música alta tocando ao fundo me despertou no susto. Peguei o celular e murmurei um rouco “alô” quando finamente percebi que era na verdade meu despertador. Encarei a tela um pouco confusa tentando lembrar quando ativei o despertador até que percebi uma pequena folha de papel no criado mudo com uma letra quase incompreensível.

"Precisei resolver algumas coisas pela manhã.
Te encontro no restaurante ao meio dia. Não se atrase.
.
PS: fui eu quem ligou o seu despertador."


Anexado ao bilhete estava um cartão do tal restaurante com endereço e telefone.
Sorri, guardando o bilhete e olhei no relógio vendo que eram 10 horas. Me levantei preguiçosamente e fui para o banheiro tomar um - não tão rápido – banho; ainda com aquele maldito sorriso no rosto. Saí alguns minutos depois e comecei a me arrumar, optei por um vestido azul-marinho que ia até um pouco acima dos joelhos e um par de sandálias rasteira preta. Sequei meus cabelos com um secador e deixei-os soltos, caindo sob os ombros; passei uma maquiagem leve nos olhos e caprichei no batom cor de vinho. Me olhei no espelho sorrindo com o resultado e peguei minha bolsa e celular saindo do quarto.
Jess e Max estavam sentados no sofá assistindo algum reality show enquanto brincavam com Boris, me aproximei lentamente chamando suas atenções apenas quando já estava quase na porta de saída.
- Uau! – Jess assobiou quando me viu – Onde você vai arrumada assim, cunhadinha?
- Eu vou almoçar com o – respondi um pouco tímida. – Vocês sabem onde fica esse restaurante? – lhes entreguei o cartão.
- Não é muito longe – Max respondeu –, precisa de carona?
- Não, vou chamar um uber – respondi, já abrindo o aplicativo no celular. Olhei no relógio constatando que faltavam pouco mais de vinte minutos para o meio dia. – Eu vou indo então, nos vemos mais tarde.
- Bom encontro – Max gritou. Pude ver um sorriso vitorioso em seu rosto antes de fechar a porta.

Eles estavam certos, em menos de quinze minutos eu estava parada na frente do restaurante criando coragem para entrar. Minhas mãos suavam frio, meu coração batia incrivelmente acelerado e meus pés estavam inquietos, me fazendo andar de um lado para o outro há quase cinco minutos. Peguei meu celular e disquei os números de .

- Você deveria estar em um encontro agora – sua voz soou pelo telefone.
- Eu estou nervosa. Faz quase cinco minutos que estou andando de um lado para o outro na frente do restaurante – falei apressadamente.
- Certo, , escute, não é a primeira vez que você sai com um cara e provavelmente não será a última. Você já o odeia nada do que acontecer aí pode ser mais desastroso do que isso, então entre logo nessa porcaria de restaurante antes que ele ache que você está dando um bolo nele.
- Você é a melhor.
- Eu sei.

Desliguei o celular e respirei fundo finalmente entrando no restaurante. O local era claramente da "classe alta". As mesas e cadeiras perfeitamente arrumadas estavam completamente ocupadas por homens engravatados e mulheres com roupas que pareciam incrivelmente caras. As paredes eram em tons de marrom e haviam garçons andando de um lado para o outro com vinhos caros. Caminhei até a recepcionista que me olhou rapidamente.
- Desculpe, estamos lotados – falou.
- Tem alguém me esperando aqui dentro. .
- O Sr. , claro! – conferiu alguma coisa em seu computador – Ele está na mesa 17, é só seguir até o final do restaurante e subir as escadas – sorriu.
- Obrigada.
Atravessei o primeiro andar do restaurante, atraindo algumas atenções. Minhas mãos começaram a tremer assim que cheguei à base da escada. Fala sério, , é só o . Vocês se conhecem desde que eram pequenos, estão dormindo no mesmo quarto há uma semana, não faz sentido estar nervosa com isso.
Dei um longo suspiro, começando a subir os degraus lentamente. Quando estava quase no topo da escada, deixei um sorriso bobo se formar no meu rosto. Sorriso esse que foi desfeito assim que subi o último degrau.
A mesa em que estava sentado ficava no canto oposto à escada. Ele realmente estava lá, mas não estava sozinho. Ao seu lado estava uma garota morena, a mesma da noite passada, Ashley Vox, sua ex-namorada. Não sei se eles chegaram a notar minha presença ali, mas no instante seguinte, suas bocas estavam coladas em um beijo caloroso. Senti todo o ar fugir dos meus pulmões como se tivesse levado um soco me virei rapidamente e desci as escadas atravessando o restaurante com a mesma pressa. Ouvi a recepcionista me perguntar se tinha encontrado a mesa, mas a ignorei saindo do restaurante.
- Sua idiota – murmurei baixinho, sentindo as lágrimas arderem meus olhos. Respirei fundo e comecei a caminhar novamente para a casa dos .

O caminho de volta para casa foi bem mais demorado, já que decidi voltar andando; as lágrimas não me abandonaram por todo o percurso. Eu não podia acreditar que eu estava chorando na rua, em outro país, por causa de , chegava a ser cômico. Quando cheguei na residência dos , atravessei correndo a sala de estar, ignorando os chamados de Jess e Max e me tranquei no quarto, enterrando meu rosto no travesseiro.
- ! – Jess chamou, batendo na porta – O que aconteceu? Você e o brigaram?
- O que aquele idiota fez? – Max perguntou, parecendo realmente irritado.
- Não importa. – gritei com a voz fraca – Nunca realmente importou – sussurrei a última parte para que eles não pudessem ouvir.
Passei algumas horas ali, lamentando minha própria desgraça, até que tomei uma decisão repentina. Mandei uma mensagem para e fiz uma rápida ligação para minha mãe antes de finalmente sair do quarto com as minhas malas em mãos. Me certifiquei de que não havia ninguém na sala e atravessei o cômodo nas pontas dos pés para que não me ouvissem.

's POV

Duas horas da tarde.
Esse era o horário que o meu celular marcava quando eu fui embora do restaurante completamente frustrado e irritado. não havia aparecido e também não respondia minhas mensagens ou ligações, o que só podia significar que eu havia levado um bolo. Joguei o buquê de flores que eu havia comprado na primeira lata de lixo que vi, peguei meu carro e sai sem rumo pela cidade tentando esquecer a frustração.
Eu me sentia um grande idiota naquele momento. Eu havia acordado cedo e passado por quase todas as floriculturas da cidade atrás de um buquê perfeito. Havia comprado ingressos de cinema para um filme meloso qualquer que estava em cartaz e havia convencido a minha tia a me dar a permissão de levar em seu jardim secreto novamente. Isso depois de finalmente ter conseguido reservas no restaurante mais concorrido da região. Tudo isso para levar a porra do maior fora da minha vida.
Não sei ao certo quanto tempo fiquei dirigindo, mas acabei indo parar em um bar quase do outro lado da cidade. O local estava praticamente vazio, exceto por três caras completamente bêbados no fundo do bar e uma atendente; caminhei até o balcão e logo a garota veio me atender. Ela era loira, devia ter uma idade próxima a minha. Olhos azuis, corpo bonito, certamente uma garota com a qual eu ficaria.
- Oi, gracinha – dei meu melhor sorriso – Por que não me dá uma bebida bem forte e senta aqui para gente se conhecer melhor? – pisquei em sua direção. A garota apenas revirou os olhos antes de me alcançar um copo com um líquido transparente. Virei o copo de uma única vez e acenei para a loira indicando para que enchesse o copo novamente.
- E então o que te traz aqui em uma hora dessas? – a garota perguntou enquanto eu virava meu terceiro copo.
- Um fora da garota que eu odeio que, coincidentemente, é minha falsa namorada. Será que vale um desconto? – perguntei, indicando para que ela enchesse o copo pela quarta vez.
- Olha, cara, eu não entendi nada, mas não acho que encher a cara vá resolver as coisas.
- Só enche o copo, gracinha.
Várias doses e algumas horas depois eu estava sentado no bar me lamentando com um cara que havia acabado de conhecer.
- E então ela não apareceu – falei embolado.
- Que merda, cara. Mas relaxa que tem outras gatas por aí – o cara respondeu e eu concordei com a cabeça.
Não sei quanto tempo se passou, mas quando olhei pela janela do bar já estava escuro lá fora. Eu havia ignorado todas as ligações desde que havia entrado ali e sabia que havia grandes chances da minha mãe estar querendo me matar naquele momento.
Minha visão estava completamente embaçada, eu não conseguia pronunciar uma palavra sem me embolar e eu não fazia ideia de como eu voltaria para casa, mas eu não me importava, tudo o que eu queria era beber até sair da minha cabeça. A atendente já havia desistido de encher meu copo e deixando a garrafa na mesa, que já estava quase vazia.
Não sei como, mas consegui reconhecer meu primo no bar conversando com a loira. Ela apontou para mim e Brian começou a caminhar na minha direção com uma expressão nada amigável.
- Oi, cara, senta aí, vamos beber – falei com certa dificuldade, rindo um pouco.
- Vamos embora, , você já bebeu demais para um dia só.
- E quem é você? Minha mãe? – perguntei, debochado.
- Não, mas a não ser que você queira que eu ligue para que ela venha te buscar, você vai levantar daí e vir comigo – seu tom era desafiador, mas mesmo bêbado, consegui perceber que ele estava falando sério. Dei um último gole na garrafa antes de me levantar. Quase caí assim que fiquei em pé, sendo sustentado por Brian, que segurou meu braço.
- Opa – falei, rindo. Brian me arrastou até o bar depositando algumas notas no balcão.
- Isso deve ser suficiente.
- Tchau, gracinha – murmurei, passando pela atendente.
Tropecei mais algumas vezes até chegar ao carro de Brian. Oliver estava sentado no banco do motorista e sua expressão estava tão amigável quanto a do irmão.
- Vou ligar para o Max e dizer que nos o encontramos – Oliver falou, sacando o celular.
- Eu não quero ir para casa – resmunguei.
- O quê?
- Você me ouviu.
- A gente o leva lá para casa – Brian falou, entrando no carro. Oliver confirmou com a cabeça e discou o número de Max rapidamente. Eu podia ouvir os gritos do meu irmão através do aparelho.
O caminho até a casa dos meus tios levou quase uma hora. Brian e Oliver tiveram certa dificuldade em me arrastar para o andar de cima, mas em menos de dez minutos, ou pelo menos foi o que pareceu para mim, eu estava no banheiro de um dos quartos de hóspedes com a cara enfiada no vaso sanitário.
- Vai uma Jack Daniel's aí, cara? – Brian perguntou, irônico.
- Bebe mais que passa – Oliver.
- Engraçados, muito engraçados. Por que vocês não vão se foder? – falei ao me levantar. Levei minha mão a cabeça, sentindo uma forte pontada.
- Coloca ele no chuveiro, eu vou descer e ver com a Martha se tem alguma coisa para essa ressaca – Brian falou, saindo do banheiro.
Oliver me empurrou para dentro do box do banheiro e ligou o chuveiro na água fria.
- Porra! Você sabe que tá frio? – gritei, irritado.
- Não encha a cara que não vai precisar de um banho gelado. Vou pegar algumas roupas, vê se não morre.
Quando sai debaixo do chuveiro, tinha uma toalha e uma muda de roupas a minha espera no banheiro. Me vesti rapidamente e sai do pequeno cômodo, encontrando Brian e Oliver sentados no sofá do quarto.
- Parece que um trem passou por cima da minha cabeça – reclamei.
- Tem uns comprimidos logo ali – Oliver apontou para a mesinha ao lado da cama.
- A Martha também preparou algumas torradas para você.
Caminhei em direção ao móvel e vi uma bandeja com um copo de água, dois comprimidos e um prato cheio de torradas. Ouvi meu estômago roncar me lembrando que eu não havia comido nada durante todo o dia; tomei os comprimidos e peguei uma torrada a colocando quase inteira na boca. Nenhum de nós falou nada enquanto eu comia. Meus primos tinham suas atenções voltadas exclusivamente para seus respectivos celulares digitando sem parar.
- A tia Emily está querendo pendurar sua cabeça na parede como enfeite – Brian disse enquanto eu engolia a última torrada.
- Acho que ela consegue segurar esse sermão até amanhã – me joguei na cama.
- O que deu em você, ? Você e sua namoradinha brigam e resolvem sumir sem dar nenhuma satisfação para ninguém, é alguma brincadeira de mal gosto? - Oliver falou com a voz controlada.
- O quê?
- A também sumiu, , só que ninguém encontrou ela ainda – Brian esclareceu.
- E quem liga para essa garota?
- Ela é sua namorada, – Oliver me repreendeu.
- Não, não é.
- O quê?
- Ela não é minha namorada.
- Certo, vocês brigaram e terminaram isso é normal, mas vai passar e...
- Não, Oliver, você não está entendendo – o interrompi, voltando a me sentar na cama – Ela nunca foi a minha namorada.
- Que merda você ta falando, cara?
- É tudo uma farsa. A só estava fingindo ser minha namorada para minha mãe ficar feliz. Meus parabéns, Oliver, você pode ficar com ela agora.
Eu sabia que não devia estar contando aquilo para eles, mas o alto teor de álcool no meu sangue estava me fazendo não conseguir controlar o que saía da minha boca.
- O que você fez, ? – dei um sorriso irônico.
- A minha mãe queria que eu namorasse sério, “pare de trocar de namorada toda semana" ela dizia sempre que me ligava, mas não era o que eu queria, eu não sou assim; não consigo me prender a uma pessoa por mais do que quinze dias. Então, durante uma das nossas conversas, eu disse que estava namorando. Finalmente eu havia encontrado A garota. Era mentira, óbvio, mas ela não precisava saber. Eu podia mentir por mais alguns meses e um dia, quando ela perguntasse, eu diria que terminamos. O plano perfeito. E então surgiu esse feriado de merda – a essa altura eu já cambaleava de um lado para o outro gesticulando sem parar – A verdade é que eu e a nos odiamos, e é por isso que ela era a garota perfeita para isso. Zero chances de ela se apaixonar, zero chances de ela ficar me perseguindo depois. A garota perfeita.
- Até que...? – Brian me incentivou a continuar. Ele e Oliver permaneciam sentados no sofá completamente concentrados na minha história.
- Até que a gente se beijou e eu comecei a agir como um idiota perto dela. Não brigava mais, a vontade de esganá-la havia sumido; eu até a convidei para um encontro ontem. Pensei em tudo, era para ser o dia perfeito. Imagina só, , empenhado para impressionar a garota que ele mais odiava no mundo, chega a ser irônico – dei uma risada sarcástica – Mas ela não apareceu, claro que não. Não atendeu as minhas ligações, não respondeu minhas mensagens; eu fiquei igual um idiota no restaurante por horas esperando-a chegar e ela não se deu o trabalho de me mandar nem uma mensagem desmarcando.
- E então você resolveu encher a cara – Brian deduziu. Concordei com a cabeça.
- Você é um idiota, sabia? – Oliver falou depois de um tempo.
- Você mais do que qualquer um deveria estar feliz com isso. Pode ir atrás da agora e comer ela até não aguentar mais. Não tem mais nenhum obstáculo no seu caminho – dei um suspiro.
- É aí que você se engana – o olhei confuso – Não sei que tipo de pessoa você acha que eu sou, , mas você é meu primo e mesmo ela sedo uma gata...
- Oliver.
- Se você está nessa situação deplorável é porque em algum momento essa farsa se tornou verdade e eu jamais ficaria com a garota pela qual você está apaixonado.
- Não estou apaixonado.
- Com certeza não. Você só bebeu pra porra e esta com essa cara de cachorro abandonado porque não tinha sua comida favorita no bar – Brian usou todo seu sarcasmo. Mostrei o dedo do meio para eles, os fazendo rir.
- Onde está o Jason?
- Na sua casa, alguém precisa impedir seu irmão de quebrar sua cara.
Senti outra pontada na cabeça e fechei os olhos com força esperando a dor passar.
- Vamos deixar a princesa dormir – Brian falou para o irmão – Ele vai ter um longo dia amanhã.
Oliver me deu dois tapinhas nas costas antes de seguir o irmão para fora do quarto.
Vi meu celular jogado na cama e caminhei até ele. Desbloqueei a tela e vi foto que eu havia tirado de no dia em que toda a farsa começou como papel de parede. Ela não estava arrumada. Seus cabelos estavam um pouco desarrumados, não havia nenhum sinal de maquiagem em seu rosto e sua testa estava enrugada da forma que ela fazia quando não sabia o que estava acontecendo, mas ainda assim a foto não podia ser classificada como feia.
Muito longe disso.
- Mas que merda – joguei meu celular com força na cama e me sentei no sofá – Sai da minha cabeça – esfreguei o rosto com força, apoiando os cotovelos nos joelhos e me dando conta de duas verdades desesperadoras.
Eu estava incrivelmente fodido.
E fodidamente apaixonado.



Continua...



Nota da autora: Estão todos vivos? Hahaha
Olá, meus amores, olha só quem voltou? Sei que fiquei muito tempo sumida, mas tive alguns problemas bem graves familiares e acabei não conseguindo tempo para escrever. Estou de volta e agora prometo pra vocês que vamos ter atualizações regulares, tá?!
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Outras Fanfics:
» NT - Hands All Over - (Continuação da cena do capítulo 08)




Nota da beta: Eu fui do céu ao inferno em duas atualizações, Nath, isso não se faz, tá? Você separou meu casaaaaal, estou sofrendo aqui loucamente hahahah! Como essa ex aparece do nada, tasca um beijo no pp e ela some? Ai, ai, não tô bem. Ansiosa pela continuação!

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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