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Finalizada em 22/03/2021


"Eu irei para você como a primeira neve"

:: Capítulo 1 ::

“Quando eu te segurei eu não sabia que o mundo em que eu estava era tão brilhante. Cheguei até você como um pequeno sopro de vida. É um amor que me chamou sem medo…”.


Ainda alguns dias antes de toda aquela neve surgir numa tempestade antecipada, e deixar todos os garotos presos em Narvik, a primeira neve do inverno já havia caído. Os preparativos para a gravação do vídeo seguiam tranquilamente, e estava perto das cabanas de hospedagem de sua equipe, sentado ao bar do resort. As cabanas, onde ele e seus amigos, ficavam eram próximas a área que seguia para a estação de ski, então lá debaixo, do bar onde ele estava podia ver o cume da montanha gelada. O vidro da janela estava embaçado pelo frio, e minuto a minuto ele esfregava com as mãos enluvadas, a fim de observar lá fora, bem no alto, o teleférico que subia e descia. Aquele cenário fizera se recordar de uma conversa a dois, há muito tempo.

, você gosta de neve? – ele perguntou abraçado ao corpo da dançarina, que mais uma vez o recebia em sua casa, escondido.
— Eu só gosto da neve quando estou acompanhada. Do contrário, o frio me lembra solidão, e o meu maior medo é viver só. Mas por que a pergunta? Quer que eu aumente o aquecedor?

Ela sorriu e perguntou curiosa por não entender se brincava pela temperatura da casa – já que estava uma noite muito fria e ambos tentavam se aquecer abraçados – ou, por não saber se ele apenas estava curioso. notou o silêncio do seu namorado mais jovem, e girou o corpo dentro do abraço dele de modo a encarar seus estreitos e predadores olhos, que agora estavam arregalados e surpresos.

— O que foi ?
… Eu também não gosto de neve pelo mesmo motivo! Como pode uma coincidência dessa?
— Não é coincidência, é só o destino nos mostrando como somos semelhantes…
— Sabe o que isso significa?
— O que?
— Que nós devemos estar juntos em todos os invernos. Assim, quando a primeira neve vier, não nos sentiremos solitários.
— Porque só na primeira neve?
— Tudo bem, em todas as nevascas possíveis enquanto vivermos! – falou mais animado abraçando ainda mais forte.
— E se nós não estivermos juntos em todos os invernos?
— Deixa de ser boba! Eu não vou deixar você passar sozinha pelo frio! Eu prometo que sempre que a primeira neve surgir, eu encontrarei você.


Aquela promessa havia sido selada com um beijo de amor, e sempre achou que essas promessas eram as mais fortes. Mas já haviam se passado oito invernos desde aquela promessa. Ele não era mais um garoto de dezenove anos. A primeira neve novamente caiu, e ele não mais a reencontrou.
O som dos talheres tocando a porcelana, tão próximo aos seus ouvidos fizeram virar o rosto rapidamente, e ele encontrou o garçom servindo-lhe o caldo quente de curry, que havia pedido. Sorriu discreto e não mais olhou para fora. Exatamente ao lado de sua janela, um casal passava apertados entre si, a espantar o frio.
Quando o sininho da porta da cabana tocou, mantinha-se de olhos baixos a saborear o curry tão quente, que espantava o frio de seu corpo. No balcão, o homem fazia o pedido enquanto a mulher escolhia uma mesa.

— Dois chocolates quentes, bem quentes, por favor! Um com marshmallow.

Ele observou a mesa onde ela havia sentado, mas no caminho percebeu o garoto que tomava sua sopa num canto, tão solitário e concentrado e tivera a impressão de conhecê-lo. Min apenas deu de ombros e sentou-se à mesa. parou um pouco de comer e esfregou de novo o vidro da janela, viu de relance correr com a namorada para a estação de ski, os dois abraçados a espantar o frio, e risonhos. Novamente sentiu a solidão que odiava, abraçou o próprio corpo, e voltou a comer. O casal de algumas mesas à frente gargalhava, e algo no som daquela risada o fizera imaginá-la. ergueu a cabeça soltando a colher e não viu o rosto da mulher sentada com o seu namorado. Suspirou por se sentir paranoico e recebeu uma chamada de .

— Oi. – atendeu .
— Onde você está? Estamos indo ao teleférico.
Ahn… Estou tomando uma sopa no…
— No bar da cabana!? Já te encontro!

interrompeu e desligou sem dar a ao menos tempo de reagir. O casal da mesa da frente acabara de se levantar e pegar o pedido que haviam feito. Quando a mão da mulher esticou para pegar o copo de chocolate, sem luvas, o anel que viu também parecia miragem.

— Vista as luvas, está frio! – o homem a pediu tirando o copo das mãos dela.

A mulher estranha obedeceu e seguiu porta a fora com ele. não viu seu rosto, mas não importava. Não era ela de qualquer forma. Não havia como ser. entrou sorrindo também com sua melhor amiga, – a qual poderia dizer que o amigo preferisse que fosse a namorada – dentro do bar e se perguntava como era possível ser feliz no frio. Mas uma coisa o diferenciava de , , do casal das mesas à frente ou quaisquer outros casais: ele estava sozinho.

No lado de fora do bar, a mulher que subia para o teleférico ao lado de Min sentia-se estranha, e o rapaz ao seu lado notou.

— Algo errado?
— Achei ter escutado uma voz conhecida.
— Conhecida? De quem?
— Ah… Ninguém, não era ninguém que eu conheço.

Min sorriu a abraçando ainda mais.
e já saiam do bar direto para a cabana de pegar os próprios equipamentos de ski. Mas insistia para o amigo seguir com sua amiga, e que não precisava esperar.

— Tranquilo , pode ir você! Eu alcanço!

Ele colocou as mãos nos bolsos do casaco, tampou o rosto com seu próprio cachecol, dando as costas ao casal de amigos. sempre estava quieto entre eles, mas principalmente porque detestava o clima de romance entre eles. Assim como e naquela viagem, estava mais discreto em meio ao grupo, se comparado a e . Os dois pareciam vomitar amor por onde iam com suas garotas.

— Estou achando mais solitário e calado do que o normal, .
— É, acho que ele está ansioso para ir embora. Mas logo as gravações acabam, e nós voltamos. Enquanto isso, vamos aproveitar! – abraçou a amiga subindo a colina apressados.

entrou em sua cabana, mais com vontade de ficar do que ir. No entanto, era bem capaz de vir buscá-lo, então sem muito pensar, ele pegou seus equipamentos e voltou caminhando para a estação. Subiu tranquilo, demorando um pouco mais do que esperavam, já que estava pensativo sobre a mulher de minutos antes. O anel de turmalina rosa em formato de um coração, a risada dela… Talvez fosse só o clima de inverno, e tudo que aquilo implicava aos sentimentos antigos tão oprimidos dentro de si, mas havia se lembrado de .
Depois de chegar, viu descer do teleférico em seu ski e deslizar pela neve aos gritos. A namorada logo em seguida. Não viu , e então se arrependia ranzinza de ter ido até ali, mas logo tratou de descer também. Faria bem para esquecer seus pensamentos se encher de adrenalina. Ou pensava que faria, duas voltas depois estava ele ainda mais curioso em que rosto teria a mulher. Decidiu ir embora. Quando havia chegado novamente ao ponto baixo, retirou o ski, subiu seu cachecol a tampar ainda mais o rosto, e caminhou entre a neve sem ter sinal dos amigos. “Sempre me deixam para trás”, pensou rabugento. Então ouviu a risada de novo, dessa vez acompanhada de uma frase:

Oppa, você é tão ruim nisso! – a mulher que passou ao seu lado falava para o homem que vinha atrás.
— Eu só estou sem prática! – o homem respondeu e permaneceu de olhos atentos.
— Min Min, confessa! Você odeia a neve mais até do que eu! – ela virou-se para falar com o homem e viu seu rosto.

Era ela. engoliu a saliva espessa e piscou forte ainda andando, concentrado no casal, a mulher assim como ele estava o olhando confusa. Aqueles olhos… Eram como os olhos… Dele. levou a mão até o próprio cachecol a fim de baixar para que seu rosto ficasse visível, mas a mulher rapidamente virou-se ao ser abraçada por se acompanhante que agora conversava com ela, desatento ao rapaz atrás deles.

— Isso é loucura, , não era ela!

Ele sacudiu a cabeça e voltou para sua cabana, silencioso e ainda pior do que antes. Mal via a hora de acabarem logo as gravações e ele poder voltar para casa.

xxxx


se encontrava no saguão do prédio de recepção do resort acompanhado de . queria verificar qual o horário da pequena excursão pela neve que o Resort oferecia. também se interessava em ver a aurora boreal naquele lugar incrível, mas não conseguia se atentar ao que a funcionária falava para o amigo, pois ele tinha visto uma mulher muito parecida com seu antigo amor passando na recepção acompanhada. Ele foi atrás do casal, deixando confuso o chamando. A mulher e o homem ao seu lado haviam entrado no café do hotel, e ficou observando-a um pouco afastados.
Min Min estava ansioso, não conseguia se concentrar nas palavras consoladoras da irmã.

— Acalme-se oppa! Você não tem culpa! A nossa viagem estava programada há mais tempo do que a descoberta da gravidez da Li Hue.
, eu vou agora!
— O quê!?
— Desculpe irmãzinha, mas Li Hue não me disse porquê estava no hospital, e eu não consigo falar com ela hoje! Eu vou voltar! E se estiver nascendo?
— Oh, ah… Tudo bem, tudo bem! Você precisa de ajuda? Eu vou arrumar minhas malas e...
— Não! Continue a viagem! Aproveite o lugar, e se tranquilize, assim que eu tiver notícias eu te aviso! – Min beijou a testa da irmã e saiu correndo sem ao menos tocar em seu café.

observou o homem se distanciando da mesa apressado, e a mulher voltando a se sentar. Sentiu um bolo na garganta, e identificou a voz de min, – uma surpresa por ouvir música coreana na Noruega – que ecoava baixo na caixa de som local a tocar “I'm Crying”, e sorriu sarcástico. Havia sofrido tanto a partida de , que era irônico a reencontrar daquela forma. tinha certeza que era ela. Aproximou-se pouco a pouco da mulher que agora, sentada sozinha, tinha as mãos mexendo no café do homem que estava ao seu lado, e suspirou pesadamente. ainda às costas dela, segurando-se para não se emocionar, reuniu um fio de voz possível para chamá-la:

?

Ao ouvir sua voz, a mulher ergueu os olhos, arrumou o corpo e lentamente virou-se para trás surpresa. E quando seu olhos se encontraram aos olhos de , ela pôde ver a lágrima escorrer sob o olho direito dele. Levantou-se rapidamente ficando de frente para , e sorriram se abraçando apertados.


— Oh meu Deus, … Como, como você… – ela falava ainda abraçada a ele e emocionada.
— É inacreditável que nos encontramos assim… Como você está!?
— Eu… uau… olha, sente-se aqui! – ela o convidou e o fez, então eles sorriram mais ainda e sentiu um quentinho no coração por vê-lo: — Eu estou bem! Agora na verdade, estou muito surpresa!
— Eu também! Mas estou feliz de rever você! Você está ótima! E o que faz aqui em Narvik?
— Ah… Era para ser um passeio com meu oppa, mas… Ele precisou ir embora. E você?
— Trabalho. Estamos gravando um MV.
— Ah sim… Quer dizer que todos estão aqui ? – ela perguntou com receio.
— Sim… – a observou se desconcertando e mordendo os lábios, segurando a emoção e a perguntou: — ? Tudo bem?
— Eu o vi. Era ele… o .

O silêncio que se seguiu foi interrompido pelo barulho de bebendo o próprio café.

— Você… Quer me perguntar algo sobre ele?
— Não. Eu não sei se devo nem mesmo o ver. Eu causei muita dor ao com nossa despedida.
— E a si também! , não seja dura consigo! Você agiu certo, o não tinha a maturidade que tem hoje para entender…
— Tudo bem ! Mas, estar neste lugar sabendo que ele também está, não é fácil… Há mais do que neve aqui… – ela pronunciou nostálgica como se lembrasse de algo.
— Bem, eu tenho que voltar. Deixei sozinho na recepção e ele já deve ter voltado para junto da equipe, estávamos nos preparando para gravar quando demos uma escapada…

se levantou e o acompanhou no gesto. Sorriram entre si e se abraçaram.

— Qual o número da sua cabana? – perguntou animado.
— 23! E a sua?
— 10… – ele respondeu pensativo e então se deu conta: — Uow… Acho que vocês deverão se encontrar mais vezes… a cabana dele é a 11.
— O quê você quer dizer? – ela perguntou confusa.
— 23/11. É a data do dia que nós fomos apresentados a você. Consequentemente…
não se apaixonou por mim de imediato. – ela o interrompeu sorrindo e respondeu convicta: — Esse foi você!

se sentiu surpreso por ela ter chegado àquela conclusão após tanto tempo, e era verdade. sorria para ele, feliz por reencontrá-lo. Tinha absurdo carinho por , e uma estranha culpa por não ter sido sincera com ele há anos, dizendo-lhe que sabia dos sentimentos dele. Culpada por ter se apaixonado por e não por .

— Mas, relaxe . Eu não pretendo ir vê-los. Mas sinta-se à vontade para vir até minha cabana tomar chocolate quente quando quiser! Ah! E pode me dar seu novo número?

sorria observando a mulher querendo estabelecer ao menos contato com ele. Trocaram telefones, abraços, sorrisos, e retornou ao ponto de partida da equipe. Recebeu broncas dos diretores por seu atraso, e perguntas dos amigos de onde havia se metido. Ele notou silencioso, totalmente agasalhado, observando pela janela do carro e não sabia como diria aquilo ao amigo. se aproximou dele, antes que entrassem ao carro, onde todos já se encaminhavam.

— Onde se meteu?
— Eu vi uma garota e… – começou a falar, e suspirou com a expressão comum de tédio que tinha. Então foi direto ao assunto: — A está aqui!
— Quem?

arregalou os olhos mudando a expressão, que era exatamente o que queria. Sentia-se incomodado quando ia conversar com e ele parecia desinteressado, não que estivesse, era muito atencioso e observador entre os amigos, mas a preguiça era algo entranhado nos gestuais dele na maior parte do tempo. apontou para si e para , e então ficou ainda mais surpreso.

— Aquela ?
— Exatamente.

Os dois entraram no carro rapidamente. não conseguiu tirar os olhos de por toda a manhã de trabalho. Havia uma atmosfera de depressão sob desde a chegada deles a Narvik. Mantinha-se mais quieto, calado e pensativo. Não foi fácil para superar seu amor por , mas para foi pior. Assim como não foi fácil para os dois amigos reestruturar a amizade ferida pela paixão por uma mesma mulher.
estava inquieto com a visão da mulher do dia anterior. Tinha certeza que era ela. Mas, não queria falar sobre aquilo com ninguém, todos iriam o culpar por estar revivendo aquela memória antiga… Mas quando se aproximou sentando ao seu lado, no carro estacionado no meio de toda aquela neve, enquanto esperavam as gravações dos outros meninos acabarem, pegou o chá quente que o amigo o oferecia e se perguntou se entenderia.

— Está tudo bem?
… Eu… – não conseguiu continuar : — Esquece.

Era péssimo tocar naquele assunto logo com .

— Você a viu, não é?

perguntou sem o olhar diretamente, apenas encarando o lado de fora pelo vidro do carro. O silêncio e a expressão espantada de , fizeram explicar-se melhor.

está mesmo aqui .
— Como tem certeza que não se confundiu como eu?
— Porque eu fui falar com ela.

O mundo deu um giro de 360 graus sob os olhos de .

— Ela, está aqui. Tivemos uma conversa breve, mas ela agora sabe que você também está aqui.
— Por que.. Aish! – não estava surpreso, mas estava indignado e revoltado.
— Você quer vê-la?
— Não. Não vai mudar nada do que vivemos ou vamos viver. Eu só quero sair logo desse lugar…
— Parece que há algo entre vocês relacionado à neve que os incomoda.
— A ela não incomoda, pelo visto. Já que está aqui acompanhada.

não pôde dizer nada sobre aquilo, não sabia se o homem com era seu namorado ou não, apenas os viu brevemente se afastando. Pareciam mesmo importantes um para o outro.

— Você pretende estar com ela mais vezes?

A pergunta de o pegou de surpresa.

— Não sei. Eu não sinto mais nada por ela, eu estou em outra… Você sabe! Mas eu estaria mentindo se dissesse que não gostaria de ser amigo de de novo. Tenho carinho por ela.

assentiu compreendendo. Não se importava de fato, só queria se preparar para o caso de seu amigo resgatar o convívio da mulher entre eles.

— Não me importo de verdade. Fique a vontade . é passado.

afirmou e foi chamado por sua equipe. o observou sair do carro e se perguntava silencioso:

— Será mesmo ?

:: Capítulo 2 ::


“Eu te amei muito, olhando para você meu coração vibrava. Mesmo quando estava ridiculamente ciumento, todos esses momentos eram bons”.


parou à porta da cabana de e bateu o chamando, ainda estava cedo, não haveria filmagens naquele dia, apenas algumas fotografias ao fim da tarde. O que significava: mais neve. estava realmente, detestando tudo aquilo, e as coisas só pioraram depois de saber que estava ali. Desde o dia em que lhe contou da presença de sua ex-namorada ali, não mais a viu ou procurou, em contrapartida os meninos já sabiam da novidade e estavam um tanto quanto ansiosos para encontrá-la. foi o responsável por ameaçar cada um deles, em seus piores medos, caso tocassem no assunto com desprevenidamente ou colocassem o amigo em uma situação constrangedora. Ele e sabiam que não estava digerindo bem o fato de que, estava ali tão próxima dele, depois de tantos anos distantes.
As tentativas de de fazer abrir a porta foram totalmente ignoradas, e como se imaginasse aquilo ele bufou e retirou uma pequena chave universal achatada, do chaveiro em seu bolso. Enfiou-a na fechadura, e facilmente abriu a porta da cabana rústica. estava deitado ainda todo coberto sob o edredom. percorreu os olhos pela cabana e viu que pela organização, não havia saído da cama para nada.

. … – ele chamou o amigo, sem sucesso em acordá-lo, então se aproximou e descobriu o amigo devagar e preocupado: — ! Saia da cama, amanhã nós vamos embora e você só tem passado os dias aí!
— Como entrou aqui ?
— Pela porta.

abriu os olhos encarando a porta aberta e a mão de com a chavezinha.

— Você tem esse tipo de coisa?
— Abre qualquer fechadura comum. É útil para quando se está num lugar diferente…
— Eu fico pensando… Que tipo de lugar diferente é este que você teria que usar uma chave dessas…

o encarou debochado por estar exatamente na situação citada, e irritado, tentou voltar a dormir. sabia que só uma coisa o tiraria da cama.

— Ei, tudo bem! Quer ficar a viagem inteira entre seu quarto e as filmagens, então fique! Mas eu vim avisar que se encontrou com , e ela está vindo para o seu chalé daqui quinze minutos.
— O quê!? – finalmente abriu os olhos, desperto: — O que está pensando?
— Ele não tem culpa. É ela que está vindo… Bem, todos já almoçamos e estamos indo ao deck de patinação no gelo.

se levantou e sentado na cama esfregou os olhos cansado. o deixou, e quando encontrou os amigos reunidos frente à cabana de , com suas respectivas acompanhantes e namoradas, explicou a mentira dita ao .

— Bem pelo menos agora ele sai da cama e foge por aí… – afirmou.
— E se a gente se aproveitasse disso? – Liza, namorada de , perguntou e eles a encararam confusos: — Ora pessoal! Esses dois estão fugindo de si desde que souberam um do outro! Não acham que eles devem conversar? Está óbvio que coisas precisam ser ditas! Acabadas ou retomadas! Precisamos fazer e se encontrarem!

Os amigos olharam para a namorada de totalmente surpresos. foi contra a ideia de se meterem naquilo e depois os meninos todos concordaram, mas as meninas não. Sarah, namorada de , olhou para Liza e sorriu concordando como quem dizia que iria ajudar. Depois seguiram todos para o deck, sabiam que iria almoçar antes de qualquer coisa.

estava totalmente agasalhado como de costume, tinha uma touca preta na cabeça, de modo a esconder seu cabelo grande e preto, e caminhava para o restaurante, abraçado em si. estava sentado em sua mesa a folhear o cardápio e quando viu entrando no restaurante empalideceu. Perdeu até a fome. Ele não havia a visto, e ela sabia que se ele o visse iria sair sem comer, então ela esperou dar as costas e pegou seu par de luvas sem notar que uma havia caído. colocou seus longos cabelos sobre o rosto e saiu de cabeça baixa e mãos nos bolsos. Já do lado de fora observou, escondida, com seu coração acelerado e lágrimas nos olhos se formando, a figura de levando seu prato para a mesa onde antes ela estava. Não era possível! Viu ele se abaixar e pegar sua luva e abriu a boca imediatamente. olhou em volta a fim de ver quem era o dono da vestimenta, e se escondeu. Ele sentou-se analisando a luva até que viu as iniciais “TH ♥” bordadas no canto da luva. Não era possível que fosse ela não é? Mas é claro que era!


— Um presente para mim?
— Para nosso primeiro Inverno juntos, !!

sorria gracioso com a curiosidade e empolgação da mulher. era mais velha do que ele dois anos, tal como . adorava dar presentes a ela, porque para ele, a mulher era seu grande primeiro amor e merecia o mundo todo dele. Mas, não ligava muito para aquilo, contudo sempre havia uma gostosa surpresa quando lhe surgia com mimos sem aviso. A mulher abriu a caixinha e viu o par de luvas marrons, com rosa. Era fofinha, e chamou a atenção para a base bordada da luva dela, e da luva dele que veio junto à caixa.

— TH♥ … Ah que fofo!!
— Luvas de namorados oficiais que não podem revelar o namoro, mas podem demonstrar discretamente, não é?
— Você é tão cuidadoso, amor! – sorriu o beijando calmamente.
— Vamos usar essas luvas em nosso primeiro Inverno, nossa primeira neve.


bufou impaciente com a peça de lã em mãos. Sabia que só poderia ser a luva de . Perdeu a fome com as lembranças, mas deixou o objeto em seu bolso e se pôs a comer com rapidez, enchia tanto a boca como se tentasse morrer engasgado. Do lado de fora ainda escorada a observar o homem, escondida deixava as lágrimas caírem em seu rosto e foi rapidamente em direção para fora dali. Passou as mãos aos cabelos, e sua mão com o anel que também lhe dera anos atrás, estava exposta. abraçou-se tristonha e caminhou do restaurante do hotel para o pico dos Pinheiros que havia, junto à estação de ski. Era uma parte de pinheiral, perto dos teleféricos que não só tinha uma linda vista de todo o hotel e da imensidão gelada de Narvik, como também tinha algumas mesinhas de concreto e um pequeno observatório da Aurora Boreal. Quase um museu de fotografias dos turistas e das auroras vistas.

Na pista de patinação do centro de entretenimento do resort ouviam-se gritos e risadas das namoradas de e , não via-se rastro de e Liza, e embora a pista estivesse movimentada, eram as outras meninas que incomodavam . e patinavam com os outros amigos, mas as três meninas restantes cercaram enquanto ele ainda calçava seus patins.

— Por favor, ! Fala onde ela está hospedada! me garantiu que você sabe!
— O que vocês farão? Vão bater lá e dizer "Oi , tudo bem? Viemos te obrigar a conversar com o !?”.
— Calma ! – Ailee, sua amiga e ficante o repreendeu: — Não precisa ficar assim…
— Assim como Ailee? – ele a olhou seriamente.
— Como se estivéssemos tentando fazer algo ruim!
— Deixem e em paz! Se eles tiverem que se acertar o farão por sua própria vontade!

Kira, namorada de notou que perguntar ao namorado sobre aquela situação poderia ser melhor que arrancar qualquer informação de . Nina reclamou da "chatice" do amigo e da falta de sensibilidade por , acusando de não ser romântico, e voltou patinando para o encontro de . O até então, melhor amigo dela, pegou-a no colo rodando e chamando atenção de todos ali por seus gritos.

. O que você está me escondendo? – Ailee perguntou antes que o rapaz terminasse de amarrar os patins.
— Por que eu estaria te escondendo algo?
— O que essa e você já fizeram?
— Do que está falando?
— Esta garota parece um tabu! Ninguém quer nos dizer o que houve entre eles, e evitam o assunto o tempo todo! deixou claro para os meninos não a procurarem!
— Ailee, faça logo a pergunta que você quer!
— Você também ama esta tal ?

A coreana tinha os olhos sérios e com um resquício de medo sob eles. ergueu uma sobrancelha, divertido, e se aproximou de repente beijando a boca de Ailee num selinho rápido. A garota perdeu o ar e ganhou cor em suas maçãs do rosto.

— Não mais. – ele a respondeu encarando profundamente os olhos de Ailee — Mas fui apaixonado por ela, e escolheu . Os dois viveram um amor proibido por nosso contrato e bem… As coisas não acabaram bem entre eles, mas por sorte e eu superamos isso… Pelo menos entre nós dois.
— Entendo…
— Esquece a , o vai acabar a procurando uma hora. Isso se o destino não fizer eles se encontrarem antes! Agora vamos!

se levantou e estendeu a mão para Ailee a fim de que ela fosse patinar com ele.
No teleférico fechado, encarava a imensidão branca mesclando olhares com a luva de em sua mão. Uma garotinha que também estava ali, o reconheceu e ficou o aprontando. A mãe o olhou, envergonhada e sorriu perguntando se a menina gostaria de uma foto. Ela aceitou e ele abaixou à altura dela e foi abraço de surpresa pela criança que sorria largo, para a foto. Depois da foto, a menina cantarolou uma música do grupo e ele sorriu animado! Só mesmo os fãs para fazê-lo rir naquela neve toda que refletia lembranças de por todo lado.

O bondinho parou, mãe e filha acenaram despedindo e descendo junto ao . Elas entraram no observatório e ele foi ao mirante. Havia apenas uma mulher ali, e muita neve por todo lado. Os cabelos dela balançavam chicoteados pelo vento. olhou-o de relance para ela que estava de costas e não a reconheceu. Parou na ponta mais distante do mirante e se pôs a admirar a paisagem, segurando a luva de apertadamente em seu bolso. Uma corrente forte de vento os atingiu, fazendo os cabelos da mulher bagunçaram mais e ela tentar se ajeitar e bufar com todo o frio que saia de sua boca e lhe arranhava o rosto fino. Os dois olharam para o lado na mesma hora e então se perceberam. finalmente estava olho a olho com , embora afastados, ele a encarava quase de olhos fechados e ladinos. sentiu o bolo em sua garganta por não ter conseguido evitar novamente o encontro como fez no restaurante. As mãos de tremiam em seu bolso apertando a luva. E as lágrimas de rolaram mais fortes. Ninguém daria o primeiro passo? Ele olhou novamente a paisagem a frente de si, e abaixou a cabeça negando o que faria. E o observava com o coração partido, os dois novamente, ao mesmo momento viraram seus corpos um para o outro.

— Vamos , vá para ele… – ela sussurrou para si.
— Anda , é só a … É só… – ele bufou não conseguindo terminar, e concluiu antes de dar o primeiro passo: — É só a mulher da sua vida.

Os dois deram passos lentos um para o outro, sem notar que o pinheiral esvaziou e que só havia eles, a neve, poucas pessoas no observatório, e toda aquela paisagem de Narvik testemunhando o encontro entre os dois após oito anos separados.

:: Capítulo 3 ::

“Na escura eternidade, naquele longo caminho, como a luz do Sol, você brilhou em mim. Antes de te deixar ir, eu não sabia que o mundo em que eu estava era tão solitário...”


Quando pararam frente a frente um do outro, não segurou as lágrimas, ao contrário de que não queria chorar na frente dela de novo. Oito anos atrás tudo o que ele fez foi chorar pedindo que ela não partisse, se dispondo a largar o BTS e o que mais ela quisesse para ficarem juntos. Mas ele só tinha 19 anos e nenhuma maturidade amorosa. sabia que a escolha de foi por si, mas também por ele. Ela sabia que era o melhor para os dois naquele momento. Contudo era doloroso estar ali, cara a cara com seu amor. E não soava fácil para ela também.

— Oi … – pronunciou embargada.

… – quase sem voz ele falou e suspirou: — Bem… Como… como você está?

… eu… não queria que você me encontrasse, desculpa.

— Não tem porque se desculpar, não é como se você tivesse planejado isso.

O olhar firme de ainda tinha o mesmo brilho e ardência que fazia a pele de chamuscar, mas agora, com um ar ainda mais maduro e sombrio. ficou encarando-o, sem notar as lágrimas que caiam em automático por seus próprios olhos, e seus pensamentos a levaram às memórias quentes dos dois. Culpa daqueles olhos. Ela nem se deu conta do quanto ele também estava hipnotizado pela face dolorosa dela, até que sentiu os dedos finos e longos de a tocarem seu rosto limpando as lágrimas que caiam. Aquelas mãos que lembrava muito bem do que eram capazes, com gestos fortes ou delicados. A mulher mordeu os lábios e fechou os olhos respirando fundo, e percorreu os olhos por aquela expressão, de modo arredio, fugitivo. Queria segurar o rosto dela em suas mãos e a beijar, malditas lembranças! arfou e pigarreou se afastando um passo, só então notando o quanto eles tinham ficado perto um do outro. Aquela neve toda num instante havia se tornado lava, e agora era gelo de novo.

— Parece que só ficamos nós... – ele pronunciou fazendo abrir os olhos, e desconcertada perceber a situação.

— Vamos descer antes que fiquemos presos aqui em cima… – ela disse.

Ambos andavam lado a lado em silêncio até o bonde. Encaminhavam-se para a última cabine disponível, onde o funcionário do observatório se aproximava.

— Eu já ia conferir se tinha mais alguém! Está se aproximando uma nevasca, vamos encerrar o teleférico hoje, só tem vocês dois aqui?

— Ah, sim! Não havia mais ninguém no mirante, senhor.

— Tudo bem, vocês são os últimos a descer então. Entrem que eu vou acionar o bonde.

e entraram silenciosos, cada um apoiado a uma extremidade do bonde. olhava para a paisagem do vidro, torcendo para aquela descida não demorar tanto quanto parecia. Já o observava, com um grande sentimento de saudade e uma vontade absurda de chorar.

— Se vai ficar me encarando desse jeito, deveria ao menos responder a pergunta que te fiz lá em cima. – ele disse depois de um tempo, sem a encarar ainda mexendo na luva em seu bolso e contemplando os pinheiros nevados.

— O que disse?

— Eu perguntei como você está. – finalmente a encarou.

— Ah… Eu… Eu acho que normal… E você?

— Estaria melhor se não fosse tanta neve…

— Qual o problema com a neve? – perguntou de supetão, confusa, mas o olhar que a direcionou a fez se arrepender e lembrar-se da promessa.

suspirou, e olhando para o chão do bonde, ele puxou a luva de seu bolso e ia entregar a , mas no mesmo instante o bondinho deu um tranco, uma parada bruta que fizera se desequilibrar com o balanço e descer até a outra ponta, no peito de . Ele a segurou pela cintura dela, deixando ambos de olhos arregalados. Novamente estavam muito perto se encarando, e agora até sentindo a respiração um do outro.

— Desculpe… – ela falou.

lambeu os lábios, estremecido e ergueu a luva a altura do rosto dela. olhou pra mão direita dele e reconheceu o objeto. De boca aberta e querendo de novo chorar, ela pegou a luva. Tarde notou, de novo, aquele anel em seu dedo e o reconheceu. Queria sair correndo dali, mas estava preso. Preso entre o presente e o passado no corpo daquela mulher.

— Sabia que era sua luva… – mencionou a afastando para o lado, soltando o corpo dela. E devagar ele caminhou pelo bonde a olhar a ponte do teleférico e viu o funcionário se aproximando da borda: — Houve algum problema.

O rádio de comunicações de emergência dentro do bonde começou a chiar, estava perto e apertou o botão.

— Senhores? Estão bem? Podem me ouvir?

— Sim! Estamos bem e te ouvimos senhor! O que houve?

— Uma pane elétrica devido à nevasca. Estamos trabalhando para reestabelecer o gerador. Não deve demorar mais do que alguns minutos. Por favor, mantenham-se sentados e quaisquer problemas usem o canal rádio.

— Entendido!

estava nervosa, mas imediatamente fez o que ele pediu. sentou-se também, no outro lugar, onde antes estava.

— Melhor equilibramos isso, sabe-se lá que outras surpresas nós teremos.

Ela notou o tom de descontentamento de , e pensou um pouco, mas não pôde evitar a pergunta:

— Está bravo por me reencontrar?

a encarou e engoliu a pouca saliva. Queria dizer que estava muito feliz de reencontrá-la, que queria abraçar ela de verdade e dizer que ainda a desejava. Mas não era mais o garoto estrela e imaturo que ela conheceu.

— Não. Na verdade imaginei que em algum momento isso poderia acontecer, por isso evitei todas as possibilidades de te ver de novo por aqui. Mas, parece que há mesmo um fio vermelho…

— Eu também tenho evitado você, caso ache que eu armei algo…

— Você teria o poder de nos prender aqui? – ironizou ele com a sobrancelha arqueada e um sorriso ladino.

— Claro que não, mas talvez você achasse que eu tenha cercado ao e... Enfim…

— O que tem feito?

— Continuo dando aulas de dança, mas consegui também participar de alguns festivais importantes…

— Para onde você foi depois de fugir de Seoul?

— Eu não fugi, .

O homem a olho entediado e admitiu:

— Talvez eu tenha fugido sim, mas… Não vi outra opção que me permitisse te esquecer… – ela respondeu incisiva: — Eu fui para o Japão.

fez silêncio assentindo, e pensou no que ela havia acabado de dizer.

— Não vai perguntar de mim?

— Eu sei tudo o que você fez enquanto idol. Eu não abandonei o grupo, continuei como uma fã fervorosa de vocês.

— E fugir te ajudou a me esquecer?

Ante que pensasse no que poderia usar como resposta, o rádio chiou de novo e ela ajoelhou-se para apertar o botão:

— Desculpem, mas vai demorar um pouco mais do que o previsto. Por favor, fiquem juntos e se aqueçam, não há perigo até que a nevasca não os pegue. Estão bem não é?

— Sim, estamos bem, mas o que o senhor quer dizer com “até que a nevasca não os pegue”?

— Não se preocupem, iremos arrumar tudo antes dos grandes ventos chegarem.

O homem desligou o rádio e sentiu que faltaria o ar. Começou a respirar fundo e revirou os olhos de raiva da situação.

— Acalme-se … – ele engatinhou indo para perto dela: — Ele disse para ficarmos juntos. Vista essa luva! Por que ainda está segurando isso?

— Qual a probabilidade de morrermos hoje?

— Eu diria que cinquenta por cento, mas ainda temos tempo antes de começar a fazer e dizer aquelas coisas pré-morte.

encarou a expressão séria de , e não soube dizer se ele estava brincando ou falando sério. estava irritado. Se não o tivesse tirado da cama, nada daquilo estaria acontecendo! pegou seu celular no bolso e verificou que havia sinal. Deu graças e telefonou para explicando a situação.

— Presos no teleférico? – gritou para , enquanto todos os outros os encaravam surpresos.

— Sim, vamos até a recepção ter algum tipo de notícia! – afirmou o amigo chamando consigo.

Os dois correram de seu chalé onde se reuniam para a recepção. Tiveram notícias, nada boas, aliás! A tempestade de neve que se aproximava, já havia provocado uma avalanche na estrada de acesso ao hotel, o que demoraria dias para ser resolvido.

— Estamos presos aqui!? – perguntou ao gerente.

— Sim senhor, ninguém pega a estrada para vir ou ir até o caminho ser liberado. Ainda não sabemos quando exatamente a defesa civil irá retirar todo o gelo, mas temos toda a estrutura necessária aqui para qualquer eventualidade.

— E quanto ao teleférico parado? Nossos amigos estão lá!

— Em vinte minutos irão retornar. A queda de energia atingiu o topo também, com isso, por segurança há um desligamento total do teleférico. A energia foi estabelecida aqui na sede e demora um tempinho a reiniciar o sistema lá em cima, mas como ativamos o gerador do teleférico e ele já está carregando a energia da rede, em vinte minutos eles voltam a descer. Por favor, não se preocupem! Informaremos no seu quarto assim que eles descerem.

— Certo. Estaremos aguardando!

:: Capítulo 4 ::

“Lindas flores floresceram e secaram aqui. A estação de você nunca virá outra vez...”.


Alguns minutos se passaram e para e , era como se o tempo tivesse parado. A sensação de estarem horas ali, lado a lado, naquele incômodo silêncio era mútua. O vento começava a se intensificar silvando alto, e a névoa densa a descer sobre o vidro. olhava para as janelas desfocadas, que mais fazia a cabine parecer uma sauna se não fosse tanto frio e pensava: “quando irão nos tirar daqui?”. observou-a pelo canto dos olhos, percebendo a agitação calada da mulher.

— Você não precisa ficar ansiosa , só se passaram quinze minutos.

— Você está contando? – ela perguntou amedrontada.

não pôde segurar o sorriso travesso de quem sabia como a mulher se sentia assustada. Em outros tempos, ele ofereceria seus braços para ela se aconchegar.

— Meu Deus ! Está parecendo que estamos há horas aqui e... E você não sente que o vento está aumentando?

— Está sim. Mas, vamos manter o controle.

— Você sempre foi assim... Frio para as situações extremas... – ela sorriu o encarando.

— E você sempre desesperada.

— É... Mas, eu acho que eu melhorei um pouco neste aspecto.

— Eu tenho certeza que sou um homem melhor em todos.

o encarou e ele se mantinha sério, de olhos fechados ao falar aquilo. Ela não evitou a gargalhada divertida que o fez a olhar um pouco confuso.

— Você... Você continua um metido, !

— Eu não... Ah... – ele riu também — Eu não vou discutir com você sobre isso por que...

— Porque é verdade e você sabe disso!

Os dois riram mais um pouco e de repente, estavam mais confortáveis. virou seu corpo devagar, de modo a ficar de frente para , com a cabeça escorada na parede do bonde, e ainda relutante, imitou o seu gesto. O olhar de um para o outro era saudoso, reconhecível, amigo e apaixonado. Ainda que não se dessem conta deste último.

— Eu estou feliz por te reencontrar, .

Ele observou cauteloso todo o rosto dela, e mordeu os lábios de uma forma sensual e ao perceber o sorriso e rubor do rosto dela, se recompôs.

— Eu também estou feliz por te rever, ... Mesmo que eu tenha evitado.

— Posso te fazer uma pergunta direta sobre isso?

— Quer saber por que eu a evitei?

— Sim.

— Eu acho que não estava pronto para te ver de novo e com o seu namorado. E você, por que me evitou?

pensou um pouco no que ele disse, enquanto o respondia:

— Eu te fiz sofrer demais para ter coragem de encará-lo, e depois... Não é como se todo este tempo tivesse apagado o que eu senti por você. Até... Estar aqui foi como um desafio que eu me propus.

— Um desafio?

— Se eu suportasse toda esta neve depois de você, então eu sobreviveria a não te ter nunca mais.

espantou-se com a resposta e sentiu seu corpo ser magnetizado para ela, travando uma batalha interna entre se fazer imóvel ali e aproximar aos poucos sua mão, engatinhando até a dela.

— Você... Você disse: “me ver com o meu namorado”?

Uhum. – foi a pergunta que ele precisava para afastar a mão que estava quase sobre a dela — Eu os vi juntos andando de snowboard, e te vi também com ele no bar da estação de ski.

pensou com o cenho franzido e sorriu ao constatar de imediato o que havia acontecido. Ela sobressaltou-se em se aproximar mais de e segurou a mão dele entre as suas quase que, num ato desesperado de se justificar:

— Ele é o meu irmão ! – falava sorrindo largo com a mão dele entre as suas, e observava aquele toque, ainda confuso e inerte — Eu vim a esta viagem com ele, mas... Minha sobrinha estava nascendo então ele voltou.

— Com seu irmão? Por que vir com ele? – custou concentrar-se em perguntar.

— Era a única pessoa capaz de me dar força e apoio o suficiente para encarar o meu sentimento de solidão.

A fala triste de , o olhar arrependido e as suas mãos quentes apertando a dele, ecoaram aquela pergunta em seu peito. Ele precisava saber não só sobre aquela história de “sobreviver à neve” como tantas outras coisas, e talvez só aquele momento fosse capaz de lhe permitir descobertas.

... – sussurrou apertando a mão dela de volta, o que chamou a atenção da mulher para aquele gesto e fez o seu coração disparar: — Você suportou esta neve sozinha?

— Até esta manhã sim...

— O que quer dizer com isso?

— Eu pude me distrair com o meu irmão por aqui, e mesmo depois que ele foi embora dias atrás, eu suportei a tudo sem as lembranças. Até esbarrar com você em alguns lugares... Eu retorno amanhã para o Japão, e se não fosse esta manhã, eu acho que conseguiria partir, mas levaria as memórias todas... E também, eu soube quando te vi que eu não conseguiria sobreviver muito tempo sem você . Então, percebi que eu vou te levar comigo independente do tempo e lugar.

— Está dizendo que ainda me ama? – ele perguntou urgente.

— E você? Ainda sente algo por mim?

pensou em fazer o que tinha vontade desde que a encontrou, de longe, naquela viagem. E agora que sabia que ela estava sozinha, e que tentava desesperadamente esquecê-lo por todo aquele tempo, beijar lhe parecia a coisa mais certa. Melhor do que responder aquela pergunta, seria mostrá-la, então ele se aproximou ainda mais dela e quando sua mão tocaria o rosto da mulher, o rádio chiou anunciando a voz do funcionário:

— Senhores! Estão bem? Senhores! Vocês me escutam?

novamente se ergueu para atender ao rádio.

— Sim senhor! Estamos bem, por que ainda estamos parados?

— Acabamos de conseguir reestabelecer a energia, vou soltar o teleférico agora, por favor, se segurem e me digam se tudo continuar normal.


— Claro!


E assim que ela respondeu, o tranco do bonde mostrava que novamente estavam descendo. suspirou aliviada, e jogou a cabeça para trás de olhos fechados. Quase havia a beijado, e agora não poderia simplesmente ignorar aquilo.

— Tudo normal senhor, estamos descendo devagar como antes.

— Oh! Que alívio! Novamente pedimos desculpas senhores, lá embaixo há pessoas os esperando para aquecê-los. Fiquem bem!


— Obrigada senhor!


desligou o rádio, e com a ajuda de se levantou e os dois ficaram de pé novamente um de frente para o outro.

— Acho que... Não nos veremos de novo. – respondeu.

— Você vai embora amanhã e nós também.

— Eu não quero partir novamente sem dizer o que eu sinto .

— Na verdade, da última vez você disse. Você e eu sabíamos dos nossos sentimentos, mas você escolheu partir mesmo assim.

...

— Não estou te julgando. – ele falou a interrompendo — O de hoje, é mais homem que o de ontem, , por isso, fique tranquila. Eu entendo suas motivações.

— Entendo... – ela murmurou sem graça — Em todo caso... Eu preciso responder a sua pergunta. Não devemos partir sem dar mais resposta um ao outro, então... Sim, . Eu ainda te amo, nunca deixei de amar por mais que eu tenha tentado. E essa viagem foi o suficiente para me mostrar que eu não vou mesmo esquecer você.

novamente caminhou devagar em direção a ela, sentindo o choro subir por sua garganta, e tocou o rosto dela com ambas as mãos como queria:

— Eu também te amo, , por todos estes anos e ainda agora...

As lágrimas que caiam dos olhos um do outro não eram de felicidade, pois os dois sabiam que aquelas palavras não mudariam nada. No final, eles seguiriam cada um o seu caminho. No final, tudo seria como antes: apenas memórias.

puxou o corpo de desesperadamente em um abraço. Aquele era ainda, para ela, o mesmo abraço protetor e sufocante, do menino que anos atrás havia feito-a se apaixonar. Mas, agora, não era mais um menino, como ela já havia notado. E o abraço daquele homem intensificava os sentimentos antigos trazendo à tona o gosto de um novo sentimento de posse. Ela agora se sentia pertencida a ele de um jeito diferente. Ela queria estar entregue àqueles braços, como sempre esteve, mas sentia-se agora livre. tomava-a para si com a liberdade que ela tinha e sempre quis. Não era como antes, possessivo e amedrontado em perdê-la. Aquele abraço lhe soava um convite para ficar, mas consciente de que poderia ir quando quisesse.

aproveitou o momento e se afastou devagar, tomando coragem para beijar com todo o desejo que tinha, e que sabia que ele também tinha. E teria feito se não fosse pela porta do bonde abrindo e mostrando que haviam descido. Os dois se separaram e antes que os dois começassem a sair pela porta, uma funcionária adentrou com cobertores aquecidos.

— Senhores? – ela chamou assim que os viu se afastar: — Oh céus, perdoem-nos! Perdoem-nos pelo transtorno! Por favor, tomem estes cobertores para se aquecerem.

A mulher não notou que havia atrapalhado um momento que entre eles, poderia ser o último. E os dois apenas se entreolharam com seus narizes vermelhos de frio e choro, e pegaram os cobertores se enrolando cada um no seu, e se deixando guiar para fora dali pela funcionária.

:: Capítulo 5 ::

“Comecei a me tornar gananciosa. Eu queria viver com você, envelhecer com você, segurar suas mãos enrugadas e dizer quão quente minha vida foi...”.


e estavam afoitos parados do lado de fora da estação, onde o bonde havia acabado de parar. A funcionária entrou correndo logo que as portas se abriram, e os amigos se entreolharam ansiosos. Logo, e saiam enrolados em cobertores de dentro do bonde, com a funcionária desculpando-se tanto que quase se estressava.

— Esta é a ? – Ailee que havia insistido em acompanhá-los, perguntou olhando a outra mulher de cima a baixo.

— Sim, é ela. O grande amor da vida do . – Nam respondeu.

Ailee observou melhor aos traços da mulher, o corpo e seus trejeitos. Era elegante e graciosa em tudo, mesmo com toda aquela roupa de frio. Se não tivesse a certeza de que não sentia mais nada por ela, ficaria intimidada. Os dois amigos se aproximaram do casal que vinha até eles.

— Meu Deus, vocês estão bem? – perguntou se aproximando dos dois.

— Sim, por sorte não pegamos tanto frio como parece que está agora... – respondeu olhando de relance para cima.

O teleférico estava coberto pela névoa agora, não podia se ver nada. sorriu para , que não pôde deixar que as lágrimas escorressem por seus olhos.


— Ei ... – a voz dele era doce e saudosa.

— Nam! – ela se jogou num abraço apertado com ele: — Estou tão feliz em lhe ver!

— Eu também, ! Você fez muita falta por todos estes anos!

sorriu para ela ao constatar que ficou feliz ao saber que ele não mentira.

— Que tal se agora vocês fossem se aquecer melhor, e depois nos encontrarmos para uma bebida quente? Tenho certeza que os outros também querem lhe ver, .

— Ah... – ela balbuciou em dúvida olhando de para .

— Acho uma excelente ideia. Vocês a evitaram tempo demais por minha causa. – afirmou pegando aos amigos de surpresa.

Ele sabia que os amigos queriam encontrar a garota e não o fizeram por receio de magoá-lo. Mas, agora ele mesmo tinha encarado a presença da mulher, e mesmo sem resolverem-se como ele gostaria, não havia motivos para se evitarem.

— Ah, tudo bem... Será uma boa despedida dessa vez.

— Despedida? – Nam perguntou confuso.

— Sim, meu voo de volta para o Japão é amanhã.

... Todos os voos estão sendo adiados, e estamos todos presos aqui. A nevasca provocou uma avalanche que bloqueou a estrada.

e se entreolharam espantados e encararam a expressão divertida de e Nam. Os amigos certamente sorriam por saber que fosse o que fosse que eles tivessem feito ali dentro, poderiam continuar.

— Bem então... Passaremos o Natal aqui?

— Sim. Podíamos planejar algo para amanhã, já que já é véspera.

— Eu deveria saber que marcar a data de retorno para o dia 23 seria problemático... – ela sorriu e os amigos sorriram em concordância.

— A gente também esperava que voltar em cima da hora seria. – respondeu.


— Mas, teve um lado bom! – Nam atestou: — Depois de oito anos, passaremos o Natal juntos a novamente.

Eles sorriram amigáveis, e olhava para a mulher de rabo de olho. Sentiu seu coração vibrar, mas não queria demonstrar para os amigos o quanto havia ficado abalado de um modo positivo com aquilo. Embora, para qualquer um que o visse, fosse possível ler a verdade no brilho dos seus olhos.

— Ah! ! Deixa-me apresentá-la: esta é Ailee, minha namorada.

informou puxando a garota ao seu lado para mais perto, surpreendendo à Ailee, que enrubesceu e fazendo e sorrirem por finalmente assumir. se aproximou da garota a cumprimentando com um sorriso de orelha à orelha e dizendo:

— Parabéns Ailee, você não poderia ter escolhido alguém melhor para lhe fazer feliz, espero que o faça muito feliz também. é muito especial.

A garota de tão surpresa não conseguia responder, apenas sorriu.

— Vamos então? Está muito frio! – Nam falou se apressando e sendo acompanhado por todos. Colocou-se ao lado de e aproveitou para implicar: — Eu achava que eu era muito especial, .

— Ora, ora, você não era assim tão ciumento Nam! Todos vocês são especiais.

— Mas um de nós, é mais que os outros, não é? – Nam brincou ao falar encarando .

— Com toda certeza. – e respondeu mais uma vez pegando de surpresa.

Naquela tarde, esteve com todos os antigos alunos de dança. Tomou café da tarde, juntos, ela conheceu suas namoradas e não foi difícil fazer amizade com elas, pois eram todas adoráveis. Até mesmo Ailee que lhe parecia arredia na estação de ski, aparentemente, após a declaração de havia ficado mais “tranquila”. E de certa forma, entendia a garota. Afinal, ela era o fantasma da vida de e .

Já em seu quarto, enquanto estava deitada em sua cama, após falar com seu irmão e receber a notícia do nascimento de sua sobrinha, pensava no reencontro com . Depois do que aconteceu no bonde, daquele abraço e do quase momento de beijo entre eles, não dissera nada durante o café da tarde. Assim como também não. Talvez, por querer deixar seus amigos matarem a saudade dela, ele se mantivera mais calado e observador, mas a mulher notou os olhares dele em sua direção. Céus... estava dez vezes mais atraente e sedutor.

A chuva que batia na janela de seu chalé, não era capaz de emudecer os seus pensamentos, então , ofegante pelas lembranças, se levantou e foi até sua janelinha e abriu a cortina observando o vidro: tudo estava encharcado lá fora, e a janela embaçada. riscou em um dos quadrantes do vidro: “TH♥”. Suspirou e apagou com a manga de sua blusa, e então ouviu as batidas em sua porta.

Caminhou até lá, em dúvida de quem seria já que ela não solicitou nada. E quão surpresa não ficou ao ver encolhido em si, com as roupas de frio respingadas por chuva, se aquecendo ao esfregar as mãos uma na outra.

!

— Quer dar uma volta?

— Na chuva? – ela falou incrédula encarando o temporal que fazia o pátio dos chalés quase uma sinfonia de gotas grossas a tocarem o chão — Entra!

Puxou o homem para seu quarto, e retirou os sapatos ficando apenas com as meias.

— Pendure seu casaco aqui perto da lareira para secar. – falou enquanto remexia as brasas para o fogo aumentar: — O que faz aqui?

engoliu a saliva espessa de nervosismo e deixou seu casaco sobre a poltrona ao lado da lareira, ajeitou seu cabelo e estalou a língua fazendo uma expressão de dúvida. Ele imaginava se deveria realmente ter ido até ali.

?

— Eu vim... – pronunciou sem a encarar, e então num suspiro de coragem ele olhou diretamente nos olhos de e se aproximou lentamente da mulher, que ainda o encarava parada e curiosa — Terminar algo.

arregalou os olhos ao sentir as mãos de em sua cintura e rosto puxando-a para si, e cara a cara, ele observou a reação dela. não pronunciou nada, apenas fechou os olhos, se deixando levar, então roçou seus lábios nos dela e como a brasa da lareira, ele acendeu o coração de em fogo alto.

A mulher puxou-o pelo suéter colando-se nele de uma forma que a própria física não permitiria, e deixou que suas línguas quentes reconhecessem uma a outra, após tantos anos.
Passo a passo devagar, guiava o corpo de para a própria cama da mulher, e quando os dois caíram juntos nela encarando-se fortes nos olhos, ela deixou uma lágrima escorrer emocionada, e beijou o rosto da mulher por todo o percurso daquela lágrima.

... Eu realmente fui muito gananciosa anos atrás em querer envelhecer ao seu lado... Mas, o que eu farei se ainda continuo sendo?

A voz embargada pelo choro, os olhos inundados e a respiração descompassada de trouxera a ele um sorriso franco e feliz.

— Apenas seja gananciosa...

Ele respondeu enquanto seus dedos dedilhavam pelos botões do suéter de , e seu sorriso franco desaparecia sob os beijos que os lábios dele, depositavam pelo pescoço dela.

:: Capítulo 6 ::


“Foi apenas uma bênção, depois desse breve encontro você chorou como a chuva...”.


O rastro de roupas jogadas pelo chão de sua cabana não foram suficientes para provar a ela que não estava sonhando, mas o braço do homem sobre sua cintura e o seu cheiro na cama dela sim. sorriu abobalhada e virou-se devagar, queria observá-lo dormindo e ter certeza que havia vivido aquilo de novo. Mas, quando se colocou delicadamente de frente para ele, os olhos vivos e profundos de já estavam prontos a estudar as expressões dela, acompanhados de um sorriso.

— Bom dia. – a voz rouca e grave dele, ao seu ouvido, estimulou um arrepio pela extensão de suas costas.

— Bom dia... – ela sussurrou sorrindo e observando todo o rosto dele, como quem ainda não podia acreditar.

— Não foi um sonho. Eu também não acreditei ao acordar e ter você nos meus braços, ... E fiquei tão feliz de ver o seu rosto.

— Eu não achei que fosse possível me apaixonar de novo por você, ...

— Eu também não, mas parece que esse sentimento é como uma droga que depois de uma longa abstinência tem um efeito duas vezes maior.

— Se for isso, então não há reabilitação possível para nós. Continuamos viciados um ao outro, depois de oito anos...

Oito anos. Oito anos que eles não sentiam os toques um do outro, mas tudo era tão igual e ao mesmo tempo, melhor... observou a expressão feliz de , mas identificou no fundo dos olhos dela, a preocupação. Ela ainda era a sua de pé no chão.

... Eu quero muito aproveitar este momento e não pensar ou ser racional, mas o tempo também me fez ter os pés mais ao chão. Então...

— Eu sei o que vai perguntar. – ela o interrompeu delicadamente — Você quer saber se eu vou partir de novo, não é?

— Temos duas vidas que não se cruzam agora, eu só quero saber até onde eu posso me deixar crer nisso aqui.

observou a expressão tranquila e quase fria de , e se surpreendeu. Ele realmente havia amadurecido. A mulher sorriu e se aconchegou ainda mais nos corpo dele debaixo das cobertas, o que o fez sorrir divertido pela imensa provocação que aquele contato estava fazendo, e beijou-o com calma.

— Nós, não precisamos tornar as coisas mais difíceis dessa vez, . Agora não temos impedimentos, não é?

— Não sei... O que você quer dizer com impedimentos? – ele perguntou beijando ao pescoço dela.

— Seu contrato... Outras pessoas... – respondeu devagar entre um som manhoso e outro, provocado pelos lábios de em sua pele.

E naquele momento, o homem retesou. Soltou-se devagar do corpo dela e sentou-se apoiado na cabeceira da cama, a coberta não podendo cobrir seu peito nu. entendeu que queria conversar e deixar as coisas claras antes que pudessem aprofundar ainda mais aquela relação. Direcionou-se a sentar-se apoiada à cabeceira também, e com mansidão e cumplicidade abraçou-se ao peitoral dele sentindo não só o cheiro da pele do homem que nunca deixou de amar, como também o aquecendo com seu próprio corpo. sempre gostou daquilo: era quente, de todas as formas possíveis, – acolhedoramente e deliciosamente – quente.

A questão é que o motivo para sentir-se de repente incomodado e necessitado daquela conversa o mais rápido possível, era justamente a possibilidade de existir outra pessoa na vida de . Até porque, ser apaixonado por alguém do passado não impede ninguém de se envolver com outras pessoas. Não que fosse o caso de , mas certamente foi o caso de .

— Você tem outra pessoa? – ele perguntou diretamente, com aquela frieza que aprendera a ter com os anos, e que não significava que ele não fosse uma pessoa afável.

— Não, eu não pude assumir relacionamentos com mais ninguém desde você. Não que não tivesse a oportunidade, mas... Eu não me senti confortável para tentar te esquecê-lo assim... – ela virou o semblante para encará-lo e perguntou: — E você?

nem ao menos pensou antes de falar. Apenas, entre um breve suspense que mais beirava a postura de sabedoria, ele pôs-se a explicar com calma:

— Te amando eu me tornei tudo o que eu sou hoje. Amando-te, ao seu lado, eu aprendi o quanto é possível amar outra pessoa e como certas formas de interpretação, do que é o amor podem ser erradas. Amando você à distância por oito anos, eu aprendi o verdadeiro sentido de amar uma mulher e do quanto nós não podemos controlar os sentimentos do outro. – ele respondeu encarando-a fixamente.

estava surpresa. Ainda não havia se acostumado – e nem haveria como, já que estavam reunidos há poucas horas – com o novo . Certamente, sua ficha demoraria a cair ainda, e certamente, ele ainda mostraria muito mais do seu novo “eu” para ela. Relembrar o de oito anos atrás trazia certo desconforto a .

... – ela murmurou confusa ainda o encarando e recebendo o seu olhar profundo — O que tudo isso quer dizer?

— Que eu nunca me abri para mais ninguém. Eu só amei e continuo amando você. E também, eu nunca quis nem mesmo tentar esquecê-la por que... Foi assim que eu pude crescer .

No fundo do olhar dele pôde enxergar a dor que foi tomada ao coração dele por todos aqueles anos. morria de medo de ficar só. Esse, na verdade, era o maior medo dos dois, e até mesmo aquela promessa de neve, tinha a ver com não sentirem-se solitários. Mas, o destino é tão onipotente que mostrou para ambos o quanto eles precisavam da solidão de si mesmos, para entenderem-se em si.

E foi na mais completa solidão afetiva que os dois viveram por oito anos. Cada um em um país. Cada um em sua casa. Cada um cercado por seu círculo de amigos. Cada um em sua família, sob sua própria sombra e reflexo. Cada um, rodeado dos seus fantasmas e memórias... E talvez só puderam sobreviver até ali, sozinhos, fortes e maduros porque havia uma única coisa que os ligava. Uma linha tênue entre as lembranças e a solidão: o amor que sentiam um pelo outro. Não seria então, estranho para assim como para , pensar que havia sim, um fio vermelho. O fio que não se partiu.

A lágrima que desceu pelos olhos dela e tocou o abdômen desnudo de , não era de tristeza. Ela não chorava de tristeza desde que o reencontrara ali. Mas, era a mais pura e absoluta felicidade e desejo de tomar a boca de à sua. De sentir suas línguas dançarem e aquecerem os seus corpos já frio pelo tempo, não apenas o tempo de “menos sei lá quantos graus”, mas pelo tempo de solidão.

E exatamente como queria fazer, e como sentiu que também queria, lentamente sentou-se ao colo dele, e observando o rosto delicado do seu homem, pousou sua mão ali e acarinhou , até que ele fechou seus olhos. Afundou seu rosto dentro das mãos de , e permitiu que ela fizesse o que queria. A mulher beijou suas bochechas, seus olhos, seu nariz, recostou suas testas, e delicadamente puxou os lábios dele entre seus dentes.

Ele não precisava de permissão. Sabia exatamente o que ela desejava e como ela gostava que ele assumisse o controle. Aprendeu com ela como reconhecer as necessidades do corpo feminino e como explorar ao seu próprio. Os dois não sabiam, mas naquele momento a memória da sua primeira vez, onde ela surgiu ensopada pela chuva à porta da casa dele, veio às suas memórias vividamente. espalmou a cintura dela, apertando de forma sutil. Ainda não era o momento para apertá-la como ela queria. E sem aprofundar o carinho entre um e outro, apenas brincando de morder e assoprar, apenas curtindo a presença do corpo um do outro, apenas matando a saudade de se beijarem gostosamente como sempre fizeram, eles se mantiveram ali por alguns minutos.

Foi o risinho baixo de felicidade e satisfação de ambos, que os fizeram se abraçar, ela ainda no colo dele, – e sabendo que estava muito excitado no momento – e retomar o assunto de minutos atrás.

— Não temos outras pessoas, menos um contratempo. – ela falou observando as reações dele com travessura: — E sobre o seu contrato?

— Eu não sou mais um garoto, não é? Quanto tempo achou que eles continuariam mantendo aquelas cláusulas todas depois que... – sorriu malicioso e aproximou a boca ao ouvido dela dizendo: — Depois que eu fodi você de tantas formas no prédio da Big Hit?

gargalhou animada só pela menção às lembranças.

— Jura que não tem nem um pouquinho do super controle deles no contrato?
Aish... Ainda tem uma coisa ou outra, mas quanto a relacionamentos, desde que secretos e absolutamente sobre o conhecimento deles, podemos nos envolver. Se não, os garotos não teriam trazido as meninas também, não é?

Hm... É verdade... – ponderou.

— E depois... Você não é mais uma funcionária da casa, não é? E não temos mais o inescrupuloso do Bang como manager.

— Eu sei... – ela sorriu sem graça.

poderia ter ficado muito tempo distante dela, mas ainda sabia reconhecer quando estava incomodada com alguma coisa, e o nome de Bang era mais do que suficiente para gerar náuseas na mulher.

— Tem algo sobre ele que, você tenha escutado? Quero dizer... Compreendo o seu asco por ele... Mas, houve algo mais?

Ela o encarou analisando a expressão desinteressada dele. Em outros tempos, aquela pergunta seria mais uma forma de , tentar controlar tudo o que acontecia em torno dela, mas não foi o que pareceu no momento. Por isso, ela sentiu-se confortável a lhe contar.

— Depois que ele foi demitido da BH, ele veio atrás de mim.

não pode controlar a raiva em sua expressão. Aquele era o que ela se lembrava, mas logo notou que ele suavizou a face e respirou fundo. Pelo visto, havia adquirido um autocontrole impecável. A própria seria capaz de surtar se fosse ela no lugar de .

— Ele... Fez alguma coisa? – perguntou com receio da resposta.

murmurou negativa. sentiu-se aliviado. Ele achava uma injustiça que o assediador de tenha ido atrás dela, e ele, o seu grande amor, o homem que sabia ser o homem da vida dela, tivesse controlado seus ímpetos de ir atrás da sua amada por onde quer que fosse.

— No fim das contas, nosso escândalo serviu para alertar outras empresas do comportamento de homens como ele. Eu cheguei ao Japão e trabalhei um tempo com uma empresa de idols também, e foi lá que iniciei uma política contra o assédio. Foi um passo importante na minha carreira também, digo... Tomar este lugar de fala e defender os direitos das mulheres. O que quero dizer é que, Bang ficou manchado no nosso meio, e eu não faço ideia de onde ele está ou o que está fazendo agora... Mas ele não conseguiu me encontrar no Japão. Ou melhor, até conseguiu, mas eu o vi e me afastei antes. Logo ele foi recusado pela empresa devido aos rumores, que eu confesso, ajudei a reforçar, e nunca mais tive notícias ou o vi. Espero que não esteja assediando mais mulheres por aí.

— Eu espero que ele seja preso um dia, caso ainda não tenha sido. – resmungou com raiva.

— Bem... E nós dois? Vamos levantar e nos arrumar para... Fazer sei lá o quê nesta nevasca?

— Vamos. – ele sorriu dando um selinho nos lábios dela, e segurando firmes as coxas de em seu colo, encarou os olhos dela novamente e disse: — Mas antes... Nós vamos decidir ficar juntos, ou acha melhor apenas deixar tudo acontecer?

— Por que vamos deixar tudo acontecer se nós já estamos a oito anos fazendo isso? Eu quero você . Eu quero você de volta, e eu espero que você também. – pronunciou eufórica e num tom quase desesperado.

— Que ótimo. – suspirou feliz — Porque eu realmente não sei se conseguiria sobreviver longe de você de novo, depois de te ouvir gemer o meu nome a noite toda...

Era ele. Apesar de algumas mudanças, ainda era ele. O seu malicioso, ardiloso, sedutor e sensível. sorriu abertamente aprofundando os carinhos que eles haviam deixado para depois há alguns minutos. Dessa vez, deixaram para depois o café da manhã. O sabor de se experimentarem novamente após oito anos, era melhor do que qualquer coisa que fossem servir no buffet.

:: Capítulo 7 ::

“Eu queria ser feliz de uma vez por todas, mas isso te fez chorar...”


Todos os garotos estavam reunidos a uma única mesa do restaurante do hotel. Conversas e risadas eram possíveis ser ouvidas já da porta de entrada onde e , de mãos dadas ingressavam ao lugar.

— Eles continuam barulhentos... – ela murmurou para sorrindo nostálgica.

— E pelo visto ninguém se importa muito com isso aqui, também. – ele falou ao notar as pessoas indiferentes ao grupo de sete garotos com suas acompanhantes conversando alto, e animados — Você quer buffet ou à lá carte?

— Do jeito que você me deixou faminta, pode ser buffet.

Trocaram risinhos animados e cúmplices.

— Eu te sirvo então, pode ira para a mesa, meu amor.

— Não senhor! Vamos chegar juntos, você sabe que eu gosto de causar impacto!

sorriu com humor e os dois foram servir seus almoços, e não notaram que o grupo estava de repente todo calado, os observando de longe.

— É o ? Com... A ? – perguntou confuso enquanto mastigava um grande pedaço de frango.

— Acho que agora nós não precisaremos mais lidar com o velho ranzinza que se tornou nessa viagem... – murmurou com o olhar indiferente.

... Quem é você para dizer isso do nosso ? Você é velho e ranzinza por todos nessa mesa, ! – falou tirando sarro e fazendo os amigos rirem, exceto que lhe lançou um olhar mortal.

— Exatamente, esse já é o meu posto, eu não sou obrigado a aturar alguém de mau humor além de mim. – respondeu sorrindo e entrando na zoeira.

colocou o prato de em uma bandeja e pediu apenas para ela pegar as bebidas, e a mulher sorriu recordando-se do quanto ele era atencioso. Observou em seu suéter preto de gola alta, os cabelos um pouco ondulados devido ao comprimento grande, e uma expressão serena repousando em sua face enquanto ele se preparava para levar os pratos à mesa. Há dias quando o reencontrou, ele não tinha aquela expressão. Havia tristeza e seriedade demais para um rosto tão lindo como o dele... sentiu vontade de chorar e não pôde segurar a lágrima silenciosa e muito menos a vontade de abraçá-lo. colocou a bandeja na mesa junto aos amigos, que silenciados observavam-no e se preparavam para dizer qualquer coisa, até que um par de mãos se cruzou em torno da cintura do garoto.

sorriu ao olhar para o lado e ver abraçada às costas de , chorando, e então pegou as duas latas de refrigerante das mãos dela. sorria abertamente, vitorioso e feliz por aquilo. Enquanto todos se mantinham atentos àquela típica cena de dorama, pegou as mãos de em seu abdômen e levou aos seus lábios, beijando. Virou o próprio corpo para encarar a mulher, e ao notar o rosto delicado dela molhado pelas lágrimas, secou-as e beijou o caminho por onde aquela emoção havia deslizado até cair nos lábios dela. O beijo calmo e apaixonado, dos dois refletiu a paciência que aqueles dois tiveram. Uma paciência quase eterna à espera do retorno de seu grande amor.


Baixinho, um feliz e emotivo iniciou com sua doce voz, a canção que poderia ser o tema daquele casal, se aquilo fosse um dorama: “I Will Go To You Like The First Snow”, e depois, imerso na emoção do momento acompanhou , enquanto os outros faziam um coro angelical ao fundo. De repente, o romance de e era mesmo um dorama e todo o restaurante estava atento ao casal em pé frente da mesa dos barulhentos coreanos, que agora compunham um concerto à capela emocionante. Quando e terminaram de se beijar e se abraçaram fortemente, a vontade que ele teve de gritar para todos ali saberem o quanto ele a amava, era imensa, mas não era necessário gritar. olhando fixamente nos olhos da mulher à sua frente, segurou os cabelos da nuca dela em sua mão, de forma delicada e sussurrou ao seu ouvido: “Eu sempre te amarei, ”.

Depois da cena romântica vivida, e sentaram-se à mesa com os amigos e almoçaram juntos, conversando e pôde conhecer as outras garotas acompanhantes dos outros meninos. Em especial, estava feliz por que parecia ter em Ailee alguém que o amava como ele merceia ser amado. E até mesmo , que sempre pareceu o que menos se importava com aquilo, tinha uma garota em sua cola que segundo ele “era apenas uma amiga”, mas não enganava a cada sorriso que ela o via esboçar com alguma implicância entre eles. O grupo de amigos decidiu que se encontrariam no salão social do hotel, onde uma lareira se mantinha sempre acesa, para conversarem mais depois da soneca pós-almoço.

— Então antes de irmos descansar, só me deixe perguntar... – falou abraçando e pelos ombros: — É oficial? Vocês estão namorando de novo?

— Namorando? – perguntou ao incerta se era o correto a rotular.

— Por pouco tempo. – respondeu.

Todos se entreolharam confusos com a afirmativa dele, e pegou a mão de , acariciando o anel que ainda estava ali em sua mão e que ele a presenteou oito anos atrás e afirmou:

— Logo seremos noivos. Não é?

A garota deixou a boca abrir em surpresa e ao sentir suas bochechas corarem, ela abanou-se como se pudesse evitar o rubor, e rindo sem graça respondeu:

— Nossa, , você não pode simplesmente me surpreender assim...

— Não deveria ser surpresa. – ele deu de ombros empurrando que ainda os encarava entre eles, e puxando para um abraço seguro, dando a certeza que todos ali desejavam ouvir: — Você mesma concordou que já deixamos o tempo passar demais, enquanto estávamos separados.

— É... Acho que não será o o primeiro a se casar. – confirmou gargalhando alto.

Os amigos saíram para seus devidos quartos, com exceção de . Ele e já haviam passado a manhã toda no quarto, então não estavam cansados como os amigos que fizeram sabe-se lá o que pela nevasca a fora.

— Vamos ao mirante?

— E se ficarmos presos de novo? – ela perguntou.

— Consigo imaginar muitas coisas para fazermos enquanto isso... – sorriu maliciosamente o homem que podia provocar arrepios nela apenas com um olhar.

O casal se aninhou um no outro e pôs-se a subir caminhando. No fim, seria uma longa caminhada íngreme entre skis e snowboards descendo, mas seria um tempo a mais juntos. Por duas vezes ficou com os pés presos na neve, e gargalhava dizendo-a para se virar.

— Kim , você não vai me ajudar!? – ela gritava eufórica e surpresa por ver seu namorado continuar a caminhada com as mãos ao bolso rindo.

— Ah ... Você passou oito anos se virando sem mim!

Aish... Olha como você me esnoba agora. – murmurou ela, baixinho para que ele não a ouvisse, e desacreditada.

Com os pés cheios de neve até a canela, abaixou-se devagar e fez uma bola de neve com as mãos jogando-a em . O homem parou de caminhar e olhou para trás com um sorriso maldoso de quem se vingaria, mas arregalou os olhos ao perceber caída de quatro no chão gargalhando nervosa. Havia caído ao arremessar a bola de neve.

— Como ela consegue ainda me fazer sentir tantas borboletas no estômago? – murmurou para si olhando admirado à sua namorada.

Com dificuldade ele voltou pela neve espessa e abaixou-se à altura dela, que fazia um biquinho falso de raiva.

— Você está virando uma rena. – falou ao tocar o nariz vermelho de — Melhor tirar você daqui antes que congele.

— De quem mesmo foi a péssima ideia em subir andando?

— Ok, eu assumo. – ele ajudou-a a retirar os pés dela da neve, e abaixou-se depois: — Vamos, suba.

o observou abaixado aos seus pés de costas a ela, com aquele convite para carregá-la, e ela escondeu um riso insistindo em não fazerem aquilo:

— A neve está muito fofa neste trecho, vamos acabar caindo os dois.

Aigo... – ele murmurou olhando-a por seu ombro — Não confia na força dos braços do seu homem?

Era uma pergunta simples, mas o pequeno pronome “seu” já trouxera a uma vontade enorme de nunca mais sair daquela neve toda, que dias antes ela se esforçava para resistir e não fugir.

— Suba, .

— Não estamos um pouco velhos para esse tipo de coisa?

— Suba meu amor, é só até chegarmos ao trecho mais firme da neve, e pegarmos o teleférico aberto, é claro... Isso aqui foi uma ideia terrível.

sorriu. Sorriu largamente por várias razões, entre elas a maior de todas: ele a havia chamado de “seu amor”. Sabia que ele a amava, mas não podia deixar de se sentir culpada por ter sido ela a ponta que tanto insistiu no fim do romance, a anos atrás. Pensava nas razões que a do passado tivera para abandonar desistindo do amor que sentiam, e sabia que todas as razões eram plausíveis. Mas, ali, naquele instante sendo carregada nas costas de , ela imaginava como teria sido se não tivessem os dois ficado, tanto tempo, distantes.

— Está tão calada... – constatou quando já estavam quase chegando a um teleférico aberto que subia para os esquiadores.

— Estava pensando como seria se eu não tivesse ido embora...

Hm... Não acho que estaríamos juntos. – afirmou a colocando ao chão, para juntos sentarem-se no aparelho que se aproximava.

— Sério? Por quais razões?

— Não éramos maduros o suficiente. Eu menos ainda... Sei que estraguei tudo no passado com minha possessividade e até certa agressividade, . Eu tive oito longos anos de arrependimento aprendendo como poderia ter amado você da forma certa, e sem acreditar que um dia eu teria a chance de novo...

— Eu também não era tão madura quanto parecia...

Ela observou a neve reluzente abaixo dos seus pés, que começavam a se afastar demais do solo.

— Sabe ... No fim, acho que tudo acontece como deve ser, no momento em que deve ser.. Olhando para nós dois hoje, eu tenho certeza que não há nenhum tipo de motivo que nos fará desistir. Sei que somos pessoas diferentes agora e aprenderemos coisas novas um sobre o outro... Aprenderemos a lidar com as nossas falhas de uma nova forma, e talvez elas nem sejam as mesmas... Mas, eu estou absolutamente pronta para isso agora.

observou o brilho nos olhos de com a compreensão de quem concordava de todas as formas com aquelas palavras. O pouco de altura que já tinham alcançado rumo ao mirante era como o pouco de história e trajetória entre eles, onde lá no topo, avistava o futuro do casal: o futuro sólido como a rocha em que a neve abaixo de si se prendia, quente como nada naquele lugar era, confortável como dormir de coalinha ao pé da lareira e feliz, como ele nunca se recordou de um dia ter estado.

:: Capítulo 8 ::

“Esqueça tudo e siga em frente, pois eu voltarei para você quando a sua respiração me chamar novamente...”.



— A bonita dama aceitaria um drinque? – o som da voz forte em inglês carregado se fez ouvir, aos ouvidos de .

Ela olhou para o lado e se deparou com um norueguês de olhos mais azuis do que o lago congelado de Narvik. Sorriu sem graça e explicou-lhe que ela estava acompanhada, e agradeceu o convite para uma bebida. O rapaz lamentou e se desculpou, enquanto ao lado dela, recém-chegado, fingia não estar ali e nem ter ouvido nada. Quando virou-se sem graça para o lado, deu de cara com sentado ao balcão do bar com um sorriso frouxo no rosto.

— Ei, está aí há muito tempo?

— Cheguei no exato momento em que você era convidada para um drinque quente.

— Ah... – ela murmurou preocupada pela reação que ele teria.

Em tempos atrás, teria a tirado dali, culpando-a ou apenas enfrentado o rapaz falando por ela. Mas, naquele instante ele só fez gargalhar da expressão dela assim que ele a disse:

— Deveria ter aceitado. Eu aceitaria! Era um drinque de graça, !

— Certo... – ela soltou o ar que nem sabia que prendia, e riu — Você realmente mudou . Para melhor.

— Eu não tenho mais medo de te perder, agora que estamos juntos. Eu não sou aquele garoto impulsivo, não se preocupe.

Hm... E quando estávamos separados, você teve medo?

pegou as bebidas que ela havia pedido enquanto o esperava, e sorrindo respondeu:

— Não. Eu não tinha medo, porque eu tinha a certeza de que já havia te perdido...

— Ah ... – murmurou com olhos apertados.

Ela sabia o que era aquilo, também sentia as mãos tremerem a cada vez que buscava notícias do grupo, do rapaz em si. Temia por vê-lo acompanhado em fotografias, ou por noticias de um namoro com alguma bonita cantora ou atriz coreana. saiu do banquinho e se colocou entre as penas do namorado abraçando-o pelo pescoço e iniciando um beijo apaixonado.

surgiu ao lado dos dois, sem que eles notassem e pediu a bebida de Stela enquanto a “amiga” aguardava. Olhou de novo para o casal ao seu lado, beijando-se comportados e transbordando amor por todo o lado, e sorriu antes de fazer uma brincadeira.

Yá, yá, yá! – reclamou ele fazendo e o encararem. levantava os pés desviando de algo imaginário, como uma poça e reclamando para eles: — Vejam isso!

— O quê? – perguntou sem entender analisando fixamente o chão.

— O amor de vocês inundando o lugar... – ele murmurou com expressão travessa.


abaixou a cabeça num risinho bobo e xingava de forma amigável, enquanto ele acenava dando as costas e voltando para a mesa do barzinho da cabana, onde os amigos esperavam.

— Ele é um cara incrível. Não mudou muita coisa... Talvez tenha aprendido a dançar... – ela murmurou quando estava a sós com de novo.

— É ele é sim... E está feliz com ela, embora continue insistindo que são só amigos. – constatou apontando com o olhar, sentar-se ao lado de Stela com cara de ranzinza como se reclamasse por ter ido buscar a bebida dela, e vendo a garota beijar o rosto dele.

— Ela parece gostar muito dele. Aliás, todas elas são garotas incríveis.

— É... Parece que cada uma tem a medida certa para cada um de nós.

sorriu e puxou-o pela mão para se juntarem ao grupo.
O grupo foi abordado de repente por uma fã, funcionária do hotel, para surpresa deles, e que havia visto o vídeo que uma colega de trabalho havia filmado sobre o momento de e . Ela perguntava se eles não gostariam de dar um cover no palco do barzinho para os poucos clientes ali. Os meninos se reuniram rapidamente em reunião e acharam que não teria nenhum problema naquilo. Então foram todos ao palco, deixando suas namoradas sentadas à mesa como tietes apaixonadas a cantarolarem com eles, conversarem se aproximando entre si, e claro... Admirando-os.

Antes de dormir e , estavam abraçados na janela da cabana dele, sentados no banco de alvenaria que havia ali. Ele encostado à parede com a vista toda da janela para ambos admirarem, e ela entre suas pernas com a cabeça recostada a seu peito. As estrelas estavam muito brilhantes naquela noite de quase véspera natalina.

... Quem era o rapaz com você na viagem? – perguntou de repente,

pensou estranhando por que ele não havia reconhecido o irmão dela, até que se lembrou de que não haviam sido apresentados.

— Era o meu irmão, o Min Min.

— AH... Era ele... Eu os vi juntos algumas vezes e achei que era seu... Namorado.

— É verdade... Você não conheceu minha família pessoalmente;

— Não, quando estávamos prestes a fazer isso nós tivemos aquele tempo ruim. Mas, não é engraçado como eu era ansioso para conhecer sua família e acabei por acaso, te reencontrando com seu irmão?

— É como eu disse , nosso momento é agora.

— E onde ele está?

— Minha sobrinha nasceu acredita!? – ela contou a novidade animada: — Ele teve que voltar às pressas. No final, o inverno me queria sozinha aqui. Por pouco eu não fui embora com ele.

— Foi como a nossa promessa dizia... Eu te encontrei na primeira neve. Tudo bem que foi na primeira de muitos anos depois, mas...

— Mas não importa o tempo – ela o interrompeu — O importante é que nós nos reencontramos e nunca mais passaremos inverno algum sozinhos.

refletiu sobre aquelas palavras e uma ideia um pouco... Precipitada, se não fosse toda a história daqueles dois, lhe passou à mente. Abraçou ainda mais em seus braços e a perguntou;

— O que você quer fazer amanhã na véspera do natal?

— Ah... Nós vamos só participar da ceia do hotel não é?

— Mas você não quer fazer nada em especial?

— Tipo o quê?

— Sei lá... Ver a aurora boreal, talvez?

— Eu adoraria, mas provavelmente os acessos estarão fechados devido ao tempo.

— Darei um jeito...

sorriu sabendo que ele perturbaria cada uma das pessoas que pudessem tornar aquele passeio de véspera natalina, possível.

:: Capítulo 9 ::

“Eu não esquecerei. Olhando você, meu coração vibrava mesmo quando eu estava ridiculamente ciumento. Todos esses momentos que você me deu eram bons...”


havia conversado com o responsável no hotel daquele setor de segurança e tecnologia. Não foi nada fácil conseguir a permissão que queria, apesar de ser quem era. Agora, em pleno dia 24 de dezembro todos estavam correndo para cima e para baixo em busca de todo o restante. Precisou convencer cada um dos seus amigos na noite anterior.

Antes ...


se levantou da cama aquecida do seu quarto, onde agora dormia junto a ele. Pegou o celular verificando as horas e constatou que os meninos deviam estar o esperando. Pé por pé, com todo cuidado e delicadeza necessária, ele saiu pela porta debaixo daquele, sobretudo grosso. A neve caía fina, mas suficiente para abarrotar o pátio ao ponto de afundar um pouco o pé. Assim que chegou ao hall do hotel, onde poucas pessoas estavam já que todos deveriam estar em seus quartos dormindo, ) encontrou os amigos enrolados em cobertores quentes. Alguns cochilavam no sofá coletivo do lugar, outros enrolavam-se uns aos outros, e outros com suas respectivas companheiras.

Hey, pessoal... – murmurou e sacudiu que o encarou com um olhar mortal.

— Finalmente! – murmurou bocejando — Por que à uma da manhã neste frio que está fazendo, ?

— Era o único horário possível sem a por perto.

— Você quer dizer, sem ela agarrada a você não é? – falou tedioso e mal humorado ainda o encarando.

— Bem, vamos logo ! Temos sono! – reclamou.

já estava sentado num puff perto deles, e começou a dissertar sobre o motivo de reunir os amigos longe da sua ex-nova-namorada e fez cada um deles prometerem segredo. A missão mais fácil era a de que precisaria apenas passar o dia com , distante de todos os amigos.
Todos dividiram suas tarefas e logo se encaminharam de volta aos aposentos, Ailee animada por ajudar , mas assim como as outras meninas, um pouco invejada de . entrou no seu quarto de novo, com o mesmo cuidado e depois de se aconchegar à sua cama, passou os braços ao redor de , e apertou-a em seu corpo. Aquela era a melhor sensação do mundo, e ele havia sentido falta daquilo, mas não sentiria mais.

No dia 24/12...


A manhã foi tranquila, todos tomaram café juntos, os rapazes encarando com certa curiosidade e também ansiedade. de todos era o mais ansioso. E assim que e terminaram o seu café, inventou que queria andar de ski com ela, e por isso foi puxando-a para longe da mesa. Encarou os amigos com um sorriso de lado, e todos os outros que ficaram se entreolharam num misto de sentimentos.

— Então eu não sonhei mesmo? Ele quer que façamos isso? – perguntou.

— Vai ! Come logo e corre para sua missão... – falou rindo do amigo.

— Minha nossa, mas o só me f***...

terminou de beber seu leite quente um tanto quanto frustrado pela trabalheira que teria. Levou suas mãos às têmporas massageando o local antes mesmo que houvesse qualquer dor de cabeça ali.

— Cadê a Stela? Ela não vai te ajudar? – perguntou .

— Ela não acorda nem que eu coloque um elefante dançando mambo dentro do quarto. – respondeu incrédulo.

Os amigos gargalharam do irônico destino de namorar alguém tão preguiçosa. E diziam que o preguiçoso ali era ele. Respirou fundo se preparando para sair, mas uma cena lhe chamou a atenção antes de sair da mesa: . O garoto estava confuso olhando para todos os pratos e mesas presentes no local.

Aish... Mas quem em sã consciência coloca a comida na responsabilidade do ? – murmurou lamentando por não ter sido dado a ele aquela função e se levantou da mesa ao som dos risos dos amigos.

— Eu tenho duas funções importantes, talvez porque ele confie mais em mim do que em você...

falou antes que não o ouvisse totalmente e apenas acenou sem olhar para trás enquanto saía.

— Bem... Vamos lá! Eu vou ajudar o porque além de conseguirmos o cardápio da noite, teremos ainda que elaborar a filmagem.

Liza falou pegando o seu “ainda estamos nos conhecendo” pela mão, e seguindo para dentro da cozinha. Por sorte, Liza conhecia a maioria dos funcionários que seriam necessários. Logo todos estavam se levantando para suas funções, que eram:

e Stela: Elaborarem a sonoplastia da estação de ski.
e Liza: Conseguirem o cardápio da noite e programarem a filmagem do teleférico.
e Bells, Nina e : Conseguirem os enfeites e cordões luminosos e os colocarem por todo o caminho.
• Ailee e Kira: o figurino de e .
e : conseguir os presentes da noite, e todas as permissões necessárias e liderarem a organização de tudo.
: manter longe de todos por todo o dia.


e chegaram à estação, e a mulher não parava de falar o quanto estava animada para a festa de natal do hotel mais tarde, mas principalmente por naquele natal ela tê-lo de volta. sorriu e imediatamente abraçou por trás, colando seus corpos e beijando o rosto de .

— Eu nunca imaginei que chegaria ao final dessa viagem sendo o homem mais feliz do mundo, .

A garota virou o rosto para encará-lo, e logo que seus olhos se encontraram e trocaram sorrisos, os lábios macios dela foram de encontro ao dele. Mantiveram-se parados no meio da neve e de pessoas que iam e vinham ansiosas para subir à estação de ski, abraçados e em beijos lentos e prazerosos.

— Vamos, antes que nos denunciem por não esconder o nosso amor. – ela falou separando-se dele com pesar.

sorriu abertamente, com seus olhos pequenos e brilhantes e não conseguia acreditar. Era mesmo tudo real? E tudo duraria após aquela viagem? Ela caminhou rumo ao aluguel de skis, mas a puxou para o outro lado apontando os jet-skis para gelo.

— O que faremos?

— Hoje eu vou te proporcionar muitas boas emoções ! – ele falou confiante pegando a chave de um deles, que havia alugado no dia anterior.

observou sentar-se na “moto” e colocar o capacete, apontando para trás de si. Ela iria andar de jet-ski por toda aquela neve? O que tinha na cabeça? E se eles atolassem? Mas tinha tudo pronto!

Iria levá-la pelos campos nevados cheios de pinheiros bonitos, a fim de proporcionar a ela o passeio pela rota que lhe foi indicada, e onde ele poderia a mostrar uma paisagem que nenhum outro hóspede teria. Até porque era proibido sem supervisão, mas conseguira com muito esforço e diálogo que lhe concedessem a chance de fazer aquilo, num percurso curto e sem muitos riscos pela manhã, dado a diminuição temporária da nevasca. Ele também estava com o rádio comunicador a postos. Depois, ele levaria para almoçar no hotel, num almoço privativo que conseguiu. Em seguida, os dois passariam a tarde no spa, sem ela ter a menor noção de que estava sendo preparada para o que viria à noite.

Enquanto isso, e Stela tiveram muito trabalho para conseguir sincronizar os alto falantes de todas as cabines dos teleféricos, com os alto falantes dos espaços externos do hotel. Mas conseguiram programar para que a música iniciasse no mesmo momento por todo o hotel, por cada lugar onde havia um alto falante ali.
e tiveram que usar de sua boa lábia e da simpatia impecável para conseguir a autorização para o uso do teleférico àquela noite, bem como a autorização para o serviço extra da cozinha – ao qual e Liza iriam precisar, e a autorização para que , , Nina e Bells resgatassem o almoxarifado do hotel.

Ailee e Kira estavam vasculhando as roupas de sem que ela soubesse, mas não gostaram de nada. Até porque a mulher não havia levado nada próprio à ocasião, já que não estava ali para isso. Mas juntas, as amigas e respectivas namoradas garimparam o que era possível entre os pertences das outras namoradas, e foram até a lojinha do hotel para comprar roupas possíveis. Nas roupas de também encontraram muita coisa comum para a neve.

— Não dá para eles usarem a mesma roupa de sempre, não é? – Kira pronunciou frustrada por não conseguir pensar em nada.

— Ah, mas o que importa é o momento!

— Ai Ailee! Por favor, claro que não! – a namorada fashion de pronunciou chamando a atenção da outra amiga, surpresa — Ok, sim, mas convenhamos... Podíamos deixá-los ao menos mais próximos do tema!

— Ei! Kira! Eu vi um daqueles conjuntos de agasalho natalinos na loja! Um conjunto de casal!

— Isso! Roupas de casal! Perfeito! Os acessórios nós incrementamos!

Saíram apressadas conseguindo os moletons xadrezes e vermelhos, com os gorros de natal, e as luvas. Mas, um dos acessórios necessários, elas não conseguiram. Alguns metros da lojinha do hotel, precisamente na cozinha do grande restaurante, Liza e estavam provando tudo o que era possível comer, até Liza perceber que passaram tempo demais comendo.

— Misericórdia ! Ainda temos que preparar a transmissão!

— O quê? – ele perguntou com a boca cheia de bolo.

— Céus, você é tão fofo que eu poderia te lamber! – a mulher pronunciou ao vê-lo e se engasgou, Liza riu e virou para a confeiteira dizendo: — Os croissants de chocolate com creme que a gosta, então darão para ser preparados?

— Sim, senhorita! Vão querer a fondue também? – a cozinheira perguntou e Liza assentiu — E o bolo?

A confeiteira olhava ainda comendo as amostras de bolo, porém aqueles pedaços já nem eram mais amostras, mas realmente, ele saboreava com tanta felicidade que ela não iria o impedir. Liza sorriu o admirando e dando-se conta de que não daria mesmo para continuar com aquilo de “estamos só nos conhecendo”. Ela sorriu para a confeiteira atestando:

— Acho que ele já escolheu não é? Vai ser esse sabor, mesmo, obrigada!

— Por nada Liza! Um fofo o seu namorado!

A confeiteira que conhecia a garota de outros invernos, disse risonha para os dois, e parou de comer observando Liza de olhos arregalados e ela também. E de repente, certa de que gostou de ouvir aquilo, Liza passou o dedo no canto da boca de retirando o chantilly dali e lambendo o dedo. O rapaz ficou um pouco atônito, observando a mulher sair da cozinha apressada. encarou a confeiteira e sorriu, pegou um guardanapo e limpou seus lábios. Depois, ele foi até o quarto pegou o seu notebook e caminhou com Liza até o teleférico. Entraram na cabine de controle do alto da estação e já tinham o acesso ao sistema de câmeras, mas ainda precisariam tentar uma maneira de transmitir aquilo para o notebook dele, e também de fazer o download do vídeo. Liza ao notar que o amigo estava bem em resolver aquilo sozinho, foi ao encontro de e Bells, que ela soubera estarem no térreo da estação.

— Vocês conseguiram achar tudo? – ela perguntou vendo o pequeno tumulto pelo único teleférico desativado na base que causou a interrupção de todo o serviço.

— Sim! Temos uma hora para arrumar essa cabine! E então eles irão lacrar ela até a noite, para que o serviço não fique o dia todo interrompido! – falou Bells — Dá pra acreditar no quão o é romântico?

acabou de me mandar mensagem avisando que eles estão no spa já! E a Nina e a Kira disseram que “deram um jeito”... Não sei se isso é bom ou ruim. Mas, ver o que está fazendo me fez sentir até uma pontinha de vontade de...

— Assumir seu relacionamento com o ? – perguntou pendurando as luzes.

Liza ficou sem graça e murmurou que sim, o casal de amigos a olharam surpresos, e Bells então respondeu:

— Eu poderia me apaixonar pelo depois disso tudo... Ele mobilizou um hotel inteiro por ela! No meio de uma nevasca que prendeu todo mundo aqui!

O tom de voz de Bells era tão animado quanto admirado e romântico.

— Hey Bells! – murmurou enciumado: — Eu farei muito mais!

— Isso é uma promessa ? – a namorada o perguntou.

assumiu que sim e as mulheres trocaram olhares e risinhos cúmplices, ele havia dito não é? Pois teria que honrar sua palavra!

— Onde estão e Nina? – Liza perguntou.

— O outro casal que não é um casal está pendurando os enfeites pelo caminho que irá passar até a festa... E as câmeras? – respondeu.

está conseguindo!

:: Capítulo 10 ::

“Algum dia, nos encontraremos de novo e será o dia mais feliz. Eu irei para você como a primeira neve. Eu irei para você...”.


e saíam do spa muito mais relaxados, passaram uma hora num ofuro aquecido, receberam massagem, e tratamentos de beleza incríveis. Agora, sorria ainda mais feliz pelo dia perfeito que tivera com seu novo-antigo-amor.

— Você preparou um grande dia, obrigada . – agradeceu o beijando a porta de sua cabana.

— Não acabou. Mas, agora vamos nos arrumar para a festa...

Hm... Que misterioso!

sorriu e o beijou de novo, acenando fracamente ao entrar pela porta de seu quarto. E assim que a fechou, rodopiou em seu próprio eixo, animada, apaixonada. Extremamente apaixonada. Observou um pacote simples em sua cama, embrulhado de uma forma sutil, e cuidadosa. O que ainda havia preparado?
Ela abriu o pacote dando de cara com um moletom quentinho, felpudo, xadrez, em tema natalino, junto dele um par de luvas de couro marrom e um gorro de natal. Com apenas um cartão que dizia:

“Vista isso esta noite”

sorriu e sentou-se à cadeira de seu quarto pensando em como iria maquiar-se e aprontar seu cabelo, quando uma equipe feminina bateu à sua porta. E ela só percebeu ao abrir a porta do chalé e todas as namoradas dos meninos invadirem seu espaço.

— O que aconteceu? – ela perguntou assustada.

— Este é o esquadrão da moda! – Kira informou enquanto as outras sorriam.

— Mas por quê?

— Oras ! Vamos todas ficar lindíssimas esta noite para a festa, não? – Nina afirmou.

As mulheres então começaram a se arrumar todas juntas no quarto de , sem que a própria soubesse que era tudo uma desculpa para deixar a amiga novata impecável para , mesmo que tivesse que vestir agasalho ao invés de vestido.

No quarto de os garotos também estavam todos reunidos, e estava nervoso embora tivessem tudo sob controle. Ele vestiu a roupa que Ailee e Kira haviam separado.

você está bem com isso? – perguntou preocupado ao perceber o quão calmo e feliz parecia.

— Mas é claro que ele está! Eles estiveram separados por oito anos reprimindo o amor que sentiam! – respondeu firme.

Os olhares se voltaram para a seriedade de , até que quebrou o clima contando:

— Liza vai te assumir também , ela disse.

— O quê?! – o rapaz deu um pulo e a sua aparência controlada se desmontou e agora lá estava ele andando de um lado ao outro no quarto com uma expressão de espanto: — Quando?

— Ah! Então você quer que ela te assuma é? – brincou e apenas deu de ombros concordando — Peça ela em namoro esta noite. É o momento perfeito!

— Graças ao ... – disse encostando-se ao ombro do amigo tão feliz por ele quanto o próprio .

deveria fazer o mesmo!

murmurou e todos notaram que pelo pigarro dele, alguma coisa estava escondendo.

? – pressionou.

— Eu a pedi em namoro esta tarde, enquanto estávamos a sós.

— E? – murmurou.

Agora todos estavam apreensivos. E atentos.

— Ela aceitou!

O alívio de todos era nítido, mas de repente enrijeceu os ombros. Olhou-se no espelho um pouco preocupado, e novamente se pronunciou aproximando-se do amigo.

— Não tem a menor chance de ela não aceitar .

[...]


Enquanto todos estavam na festa, em uma mesa reservada para eles com o notebook de e o de sobre a mesa abertos, levava pelo caminho que ela achava ser o caminho para a festa.

— A festa vai ser no bar da estação?

— Na verdade, lá em cima no mirante.

— O quê? Isso não faz sentido nenhum!

Eles adentraram pelo corredor que dava acesso à estação do teleférico, e começou a se sentir estranha, afinal, ela sabia que tudo estava fechado. Então se lembrou de dizendo que daria um jeito para eles verem a aurora boreal. Será que ele havia conseguido?

No corredor tudo estava um pouco escuro, mas a guiava bem. Eles entraram pela zona de embarque dos bondinhos e então a funcionária presente ali, sorriu para um tanto quanto emocionada. Mas emoção mesmo foi para quando a porta do bondinho se abriu e ela viu todos aqueles pisca-piscas em led compondo uma simples, mas romântica decoração, com alguns enfeites de natal pendurados, e ao chão do bondinho, grossas cobertas e almofadas colocadas a formarem uma “cama”, no centro delas, uma mesinha de madeira com fondue, vinho, croissants quentinhos e um pequeno bolo posto.

? – ela o olhou, confusa.

— Entra, vamos jantar aqui hoje.

... Mas... A festa e...?

— Calma, nós também vamos à festa, mas eu te prometi uma aurora boreal hoje. – ele a abraçou enxugando as lágrimas que escorriam nos olhos dela, de maneira tímida.

entrou e sentou-se em uma das almofadas e mal acreditou quando viu o bondinho todo em vidro começar a subir na noite escura, e cheia de neve de Narvik. Não subiu muito mais do que era seguro, mas o suficiente para que eles pudessem ter a visão perfeita da aurora boreal começando a se formar.

abriu a boca surpresa e emocionada e olhou para os céus, sorrindo ameno, abraçando que se aconchegou em seus braços ainda mais. A aurora boreal de Narvik era linda! Ela via as cores brincando pelos céus, e logo sacou o celular e começou a filmar. apoiou o cotovelo em seu joelho dobrado ao chão e a mão à cabeça, num gesto contemplativo da expressão de à sua frente.

— Você é linda. Mais linda do que toda a aurora. – a mulher o encarou sentindo o seu rosto ruborizar — E ainda mais linda está agora, neste momento.

, você é mesmo tudo o que eu poderia querer, nessa vida e em todas as outras possíveis.

O namorado se aproximou lentamente da namorada, e selou seus lábios num beijo calmo e discreto. Afinal...

Owwwn! Como ele é perfeito! – Liza exclamou ao redor dos outros à mesa, vidrados nas cenas que aconteciam dentro do bondinho.

encarou a mulher e de repente pegou-a pela mão e a arrastou para longe da mesa. Caminhou com Liza até o lado externo do salão de eventos do hotel, sentindo que a brisa fria da noite poderia congelar seu rosto. Respirou fundo três vezes e Liza o encarava, ainda em dúvida, mas paciente.

— Quer namorar comigo?

Disse direto e com os seus dentinhos fofos mordendo os próprios lábios. Ele parecia um coelhinho acuado, e Liza então se jogou no colo dele. Rapidamente a segurou pelas pernas e sentiu suas costas batendo na parede atrás de si. O beijo inesperado de Liza, já era a resposta suficiente para ele.

Stela se aproximou com pratinhos cheios de canapés e sentou-se ao lado de então perguntando:

— E aí, o que eles estão fazendo?

abriu o vinho e eles estão comendo e bebendo enquanto observam a Aurora... Ou seja, nada interessante. – respondeu passando o braço em torno dos ombros da namorada sem tirar os olhos da tela do computador.

— Nada interessante e você não tira os olhos? – Stela zombou fazendo um avião com um canapé para ele abrir a boca.

— Não dá para tirar os olhos do ... Eu entendo o . – brincou.

— Isso não é muito invasivo? Não deveríamos ficar assistindo! – Nina perguntou.

, ele que pediu! – reclamou de boca cheia, pronto a fugir com o computador se tentassem tirar dele.

— Na verdade ele pediu para darmos um jeito de gravar para ele ter o vídeo, o que inventou de transmitir para a gente assistir! – respondeu.

— Justíssimo! Depois de todo o trabalho que tivemos! – falou.

— Falando em ... Cadê ele e a Liza? – perguntou.


[...]


Dentro do bondinho, havia chego o momento. e haviam comido a fatia de bolo que, realmente, estava delicioso. olhou para o relógio e em seguida encarou , um pouco nervoso. Ela terminava de virar um gole de sua taça de vinho, observando os céus de Narvik risonha quando ele tocou em sua mão.

... – chamou-lhe — Você trouxe?

— O anel? Sim, mas não entendi pra quê.

Ela pegou seu anel na caixinha em sua bolsa e entregou ao , ainda confusa. Ele pegou e observou o anel singelo com a pequena pedra rosa em formato de coração. Lembrou-se de quando a deu aquele anel, há mais de oito anos. Olhou para a câmera que ela nem desconfiaria que estivesse ali, não filmando a segurança do casal, mas sim transmitindo o momento para seus amigos.

— Agora, agora! – começou a gritar à sua mesa, em pleno salão quase se engasgando com os canapés e todos amigos se rodearam em torno dos computadores de novo.

A música que saiu da caixa de som do bondinho era a mesma que ecoava por todo o hotel, por cada canto externo que tinha alto falante, mesmo na neve solitária da estação de ski, e dentro do restaurante. Os amigos encararam orgulhosos de seu trabalho. encarou aos alto-falantes do bondinho e de repente estava surpresa. murmurava a letra da música que era tema deles, não haveria como não ser, aliás. Ele olhava fixamente para o anel em seus dedos, e murmurava com tom grave aquelas frases tão significativas de “I Will Go To You Like the First Now”. chorava. Sentiu a lágrima escorrer gelada em seu rosto, por mais que estivessem aninhados em cobertores. A risada eufórica veio depois das lágrimas, jogou seu corpo nas almofadas atrás de si, e levou as mãos ao rosto, risonha. continuava cantarolando e sorrindo largamente ainda com o anel em mãos.

! Você não... – ela falou se levantando e encarando o homem beijar aquele anel.

— Eu não tive como comprar outro já que estamos presos aqui. Mas, hoje eu prometi que você teria muitas boas emoções, uma noite linda com os céus coloridos da Noruega, e... Eu avisei que não seríamos namorados por muito mais tempo... Isso claro... – ele estendeu o anel a ela e disse: — Se você aceitar se casar comigo.

encarou o olhar dele, buscando neles ainda algum tipo de vacilar. Mas, os olhos sedutores de , o olhar que ela era extremamente entregue e apaixonada, não vacilaram nenhum momento. Os olhos dele estavam tão firmes naquela proposta quanto ela em aceitar. estendeu a mão para ele, sem pronunciar nada. arqueou a sobrancelha em dúvida, e viu que ela segurava o choro acenando com a cabeça afirmativa e eufórica. Ele sorriu colocando o anel no dedo dela. E a mulher, logo em seguida, jogou-se sobre ele. Seus braços ao redor do pescoço de colavam seus lábios num beijo muito mais apaixonado e avassalador. movimentou-se a sentar no colo de que não pôde evitar o riso:

— Amor, estão todos nos vendo e ouvindo...

arregalou os olhos surpresa e envergonhada.

— Quem?

— Os meninos...

A mulher então saiu do colo de extremamente envergonhada enquanto ele gargalhava.

— Vamos descer agora, tudo bem?

— Ah, agora eu vou ter que encarar todo mundo?

— Os funcionários que estão controlando o teleférico também merecem festejar, não acha?
— Tudo bem, vamos descer... Mas se o disser qualquer gracinha, eu tenho segredos que a Stela me contou para revelar.

E enquanto o casal sentia o bonde descer, e se preparava para se despedir daquele quase ninho de amor que os fizera se reencontrar e decidirem por mais um passo futuro juntos, lá no salão de festas os amigos riam zoando pela ameaça de , e também felizes por terem visto o pedido de casamento mirabolante de . Felizes por que ali havia um pouquinho de cada um também. ainda atravessou ao corredor agora iluminado e cheio de pisca-pisca, enfeites de natal e frases de declaração apaixonada em cartazes pendurados. Os amigos os receberam com alegria e sentiam-se tão eufóricos e orgulhosos dos amigos, porque oito anos atrás, eles também sentiram a dor daquela separação.

No futuro...


— E foi assim que eu pedi a mãe de vocês em casamento, e nesta mesma cabine, crianças... – falou animado.

Estava abraçado ao seu filho e à que estava também dentro de seus braços, mas com sua filha menor ao colo. Os quatro desciam pelo teleférico, atentos à paisagem e as crianças também atentas à história que o pai começou a contar no início daquela viagem de férias.

— Nossa mamãe! O papai fez isso tudo? – a menina perguntou surpresa.

— Fez sim, Liah... – a mulher sorriu e disse antes de beijar o rosto do marido: — O seu pai foi um príncipe.

olhou novamente para a filha dizendo:

— E nunca aceite menos do que um príncipe!

— Ah... A Liah vai casar com um sapo! – o irmão mais velho zombou provocando a menor que logo fez manha:

— Não vou nada Noah!

— Ei, mas o papai também foi um sapo, tá? – falou desafiadora para que sorriu e desconversou:

— E esta é uma história para uma lição de quando vocês estiverem um pouco maiores!

Assim que terminou de falar, o bondinho parou. Ele e encararam o exato ponto em que o bonde havia parado, e reconheceram que deviam estar exatamente à mesma altura.

— Ih o bondinho parou mamãe! Vocês estão trancados aqui de novo! – Noah falou fazendo os pais rirem pela ironia, e logo se apressando: — Pode contar outra história papai?

— Não deve demorar a descer, Noah, mas o papai conta sim. O que você quer saber?

e olhavam para o filho que encarava à irmã mais nova e ao seu próprio reflexo no vidro do bondinho, um tanto quanto curioso.

— Papai, mamãe... Eu quero saber... Como vocês fizeram a Liah e eu?

sentiu que estava alto demais e tornou-se claustrofóbico de repente, enquanto gargalhava. Aquele menininho impulsivo era mesmo a cópia de um jovem.

— Bem amor, se bem me lembro de quando paramos nesta cabine, tivemos uns quarenta minutos de pausa.

, dessa vez precisa ser menos! – murmurou desesperado.

— Pai! Conta! De onde eu vim!? E a Liah? – insistia o Noah.

— Pensa rápido, , pensa rápido! – murmurava nervoso para si.

Então ainda gargalhando pegou a mão do marido e o confortou:

— Deixa comigo.

Ela sentou-se no chão do bondinho, com Liah em seu colo, atenciosa, e com um impaciente Noah sentando-se no colo do pai. observou a esposa começando a contar a história de um jeito lúdico para os filhos que não desgrudavam os olhos da mãe, e retornou a encarar a paisagem de Narvik pelo vidro. Aquela cabine, daquele bonde, naquele teleférico era mesmo o lugar das emoções e lembranças mais eternas de e .

A neve no final das contas, não significava solidão. A neve mostrou a ele, que para toda grande primavera de bons frutos, é preciso um inverno de recomeço.



FIM



Nota da autora: O negócio é o seguinte! Participei nesse Especial pela primeira vez da minha vida, num COLLAB. E no meio do desenrolar do nosso plot, esta história acabou fugindo de algumas especificações, e eu tive que recomeçar outro PLOT no collab das ASSEMBERS! Mas meeeeu amooooor! Desperdício jogar esse plot fora né? Como eu sou abusada, eu mantive “Nevasca” como um spin-off de “Intro: Singularity” (se você não leu, pode correr para ler, pra conhecer o início desse casal) e também como um spin-off do Collab. Espero que gostem, e não deixe de comentar para eu saber o que vocês estão achando da história! ❤️ A fanfic também tem um playlist no Spotify, aconselho a ler ouvindo! Siga-me no insta de escritora para acompanhar novidades minhas! ♥



Outras Fanfics:
todos links se encontram na página de autora acima.

Deste Especial: • Ensaio Sobre Ela • Castelo de Cartas • Teoria da Branca de Neve • Nevasca • Be • Wine • 2nd Thots
Deste Especial (Saga Jay Park)exatamente nesta ordem: • Replay • I don’t disappoint • Feature • Limousine • Alone Tonight • I Hope You Stay With Me
Deste Especial (Saga Aventura na Ásia)exatamente nesta ordem: • Run It • Oasis • Solo

Qualquer erro no layout dessa fanfic, notifique-me somente por e-mail.


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