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Última atualização: 17/02/2021

ᴘʀᴏʟᴏɢᴜᴇ

As gêmeas francesas curvaram o corpo educadamente em direção ao diretor, Dumbledore, quando este as cumprimentou. Os professores também estavam presentes na reunião ordinária pedida pelo Sr. , que jamais teria um pedido negado devido à sua relevância na sociedade bruxa.
— Bom, será um prazer lecionar para vocês duas esse ano. Apenas precisarão ver a qual casa pertencem. McGonagall, que tal você levá-las até lá?
Era notável que Alvo queria ficar à sós com Julius e Ciara , para que assim, pudessem acertar os últimos detalhes da matrícula das gêmeas. Afinal, era de amplo conhecimento que a transferência da Academia de Magia Beauxbatons — que era referência quanto à classe e pontualidade —, para Hogwarts, era bastante incomum. Ainda mais considerando que estavam no meio do período letivo.
Minerva McGonagall não era um tanto falante, mas instruira educadamente como as garotas deviam se portar diante do Chapéu Seletor. Também pontuou coisas importantes e características básicas sobre as casas. Nada do que ambas já não possuíssem conhecimento anterior.
fora primeiro, sentando-se no banco e tendo o acessório posto em sua cabeça. Pouco tempo depois, em um minuto com exatidão, sua casa fora devidamente anunciada: Grifinória. Não seria estranho que elas ficassem separadas, pois até mesmo em Beauxbatons, as irmãs pertenciam à casas distintas.
fora em seguida, arqueando as sobrancelhas ao ter colocado o Chapéu Seletor em sua cabeça:
“Hum... Difícil. Enxergo sua perspicácia e liderança, sua classe é realmente impecável... Teria grandes feitos em qualquer casa, Srta. . Acredito que a coragem lhe levaria até os caminhos da Grifinória. Mas destaca-se necessidade de provar-se em sua família e possuo devida certeza de que sua ambição lhe trará o crescimento necessário neste período. Então, é melhor que seja...”

— Sonserina!

Houve uma expressão indecifrável vinda do rosto de McGonagall, fazendo com que logo esta saísse dali. Pedira que ambas aguardassem até que seus pais viessem se despedir. As gêmeas, em retrospecto, apenas concordaram com a cabeça, caladas.
— Você ficou quieta desde que chegamos — pontuou, ficando cara a cara com .
Devagar, descera da cadeira em que estava sentada e ficou frente à frente com a irmã. Eram gêmeas e intimamente ligadas desde que nasceram. Tinham uma conexão única e uma bela amizade construída em cima de companheirismo de ambas.
cruzara os braços.
— Ainda não estou bem com tudo isso. Ainda mais tendo que ficar em uma casa distante da sua.
— Não será tão ruim, pelo menos estaremos livres da vigilância da mamãe — rira, fazendo com que a irmã esboçasse o primeiro sorriso singelo desde que chegaram à Grã-Bretanha.
Em Beauxbatons, Ciara era professora em Preparação de Poções, e sempre estivera muito presente na educação das filhas. Porém, ao mudarem de país, a mulher não poderia continuar lecionando, já que o cargo semelhante em Hogwarts era devidamente ocupado.
Pelo menos isso seria vantajoso para as gêmeas. Afinal, qualquer professor que fosse, não seria tão ruim quanto a implicância da própria matriarca.
Antes que pudesse responder sua irmã, logo o salão fora tomado pela presença de seus pais. Ambos perguntaram animadamente sobre as casas que elas pertenciam agora, parabenizando exclusivamente , despedindo-se das gêmeas em seguida, já que estariam ocupados e não as veriam até o Natal.
Quando tiveram que se separar, sorriram singelas, seguindo cada um seu devido caminho, acompanhadas por Snape e McGonagall. suspirou fundo, carregando sua mala sutilmente até o Salão Comunal da Sonserina. Fora devidamente instruída por Severo, que lhe ensinara a compreender a mecânica e a adentrar o local com a senha. Agradeceu o de cabelos longos, que saíra balançando sua capa preta. achou aquilo charmoso, mas guardou para si, com uma risadinha.
Fechou a cara assim quando notara o barulho em que estava aquela sala. Revirou os olhos suavemente, atraindo alguns olhares para si. Não era comum alunos ingressarem fora do período letivo. E era inegável o quão linda a garota era. Obviamente a francesa chamava muito a atenção de todos ali.
Pensara sobre como agiria mediante àquela situação. Mas não precisara, já que uma menina se colocara à sua frente. permanecia de braços cruzados enquanto a garota sorria animadamente:
— Muito prazer! Qual seu nome? Sou Selly Barb, monitora-chefe da Sonserina. Acho que nunca te vi por aqui. Posso te mostrar o dormitório? Você vai adorar.
riu quase que sem reação. A menina se atropelava nas palavras e achava aquilo particularmente fofo.
. — pronunciou ríspida, fazendo com que a garota arregalasse os olhos.
Ouviram-se alguns cochichos que fizeram cerrar os pulsos. A última coisa que gostaria, é chamar a atenção na nova Casa. Ela queria apenas um pouco de paz.
— Então… Pode me mostrar o dormitório?
Sem graça, Selly assentiu. Uns garotos lhe cumprimentaram bobos enquanto passava, recebendo apenas desprezo vindo do olhar de . Ao chegar onde havia uma cama vaga, finalmente sentou-se no móvel. Não era tão delicado quanto suas fronhas egípcias, mas dava para o gasto.
Abriu sua bolsa e pegara o colar que mantivera escondido de seu pai. Deslizou a jóia de prata pura sobre os dedos delicados, sendo que aquela era a única lembrança vívida dele. Selly parara de tagarelar para observar sutilmente a menina da visão periférica de sua cama.
— De onde você é, ? — Barb ficou interessada, trazendo a atenção do restante das garotas do dormitório para si.
— Beauxbatons. Morava na França. — respondera sutil, guardando o colar no bolso.
— Uau! As garotas de lá são muito chiques. — uma loira intrometida comentara.
apenas concordara com a cabeça.
— Ah, fico feliz que esteja em Hogwarts. Espero que sejamos amigas — Selly piscou, presunçosa, divertindo a tristeza aparente de .
Veremos o que o futuro nos aguarda…” pensou , voltando a dar atenção as suas coisas trazidas da França.

Embora não desejasse um recomeço, queria apagar toda sua vida anterior. Não queria que lhe olhassem com receio pelas atitudes de seu pai, queria ser mais grandiosa do que aquela expectativa. E faria de tudo para provar para todos o seu valor.

sᴛᴀʀᴛ-ᴏᴠᴇʀ

prendeu as madeixas de cabelo dourado em um alto rabo de cavalo. Não estava muito animada com o decorrer da semana letiva. Ouvira todas as tagarelices vindas de Selena Barb, absorvendo toda a história da casa Sonserina de ponta à ponta conforme a amiga lhe contava. Também pudera conhecer seus professores, tendo uma particular preferência por Severo Snape, graças ao seu talento com Poções. Por ser filha de Ciara , o professor logicamente já sabia que o talento que carregava era algo passado de gerações, e aparentemente, havia aprovado o destaque da aluna em aula de modo sutil.

também havia conhecido alguns colegas da irmã. Por ser da Grifinória, apresentou-a à Harry Potter, Ronald Weasley e Hermione Granger. Fora apresentada aos famosos gêmeos ruivos, que eram um tanto quanto divertidos, embora não estivesse no clima de pegadinhas. Aquilo tinha mais a ver com sua irmã.

— Acho que podíamos mudar os planos e passar o Natal aqui — comentou, enquanto ambas caminhavam juntas na enorme escada.

— Isso é uma ótima ideia, para ser franca. — riu ácida, lembrando vagamente da grande confusão em que estava metida há um mês atrás com seus pais. — Preciso de espaço daqueles dois. E, principalmente, daquela nova casa.

Ambas teriam a próxima aula juntas, para o terror da Grifinória e felicidade da Sonserina, lecionado pelo professor Severo Snape. Porém, antes que as irmãs adentrassem a sala, puderam observar uma certa aglomeração na entrada no local.

— O que foi, Potter? Está com medo? — o loiro desafiou o menino magricela, que parecia conter a raiva fechando as mãos em punho.

Os amigos de sua irmã estavam frente à frente aos garotos de sua casa. Vicente Crabbe, Gregory Goyle e Draco Malfoy estavam desafiando o outro trio. Mediante às provocações do louro, Rony apenas segurou o amigo, a fim de evitar confusão. , por sua vez, interveio de onde estava:

— Qual é, Malfoy, você não consegue deixar de ser um imbecil por cinco segundos? — avançou contra o loiro e empurrou seu peitoral, valente.

revirou os olhos, suspirando. Não era possível que a irmã quisesse arrumar confusão em sua primeira semana na escola. Nem conheciam direito a maioria dos alunos, mas era muito intolerante em vários aspectos. Principalmente quando se tratava de pessoas implicantes.

— Olha só, temos alguém muito corajosa para quem chegou há apenas alguns dias. — riu debochado.

Harry Potter não era uma pessoa que precisava de defesa externa, de fato, já que sempre fora corajoso para enfrentar seus próprios dilemas. Mas , por sua vez, odiava pessoas folgadas, e não teve boas experiências até o momento com Malfoy.

— Me diga, , por que não nos conta o motivo de vocês terem sido expulsas da Beauxbatons? Todo mundo sabe que essa família de vocês é podre.

O sangue de subiu. Estalou a língua na boca, avançando em direção onde acontecia a confusão. Ele sorriu, satisfeito, vendo que provocara a raiva em ambas as gêmeas e principalmente, no habitual trio de ouro. Obviamente, aquele show rendera olhares curiosos de alunos do sexto ano. finalmente vociferou:

— Escuta aqui, seu grandíssimo filho da…

— Posso saber o que está acontecendo aqui? — a voz ríspida de Severo tomou conta do local, atrapalhando o xingamento que sairia da boca de . — Não me impressiona que vocês estejam metidos nisso… — comentou, observando Harry, Rony e Hermione lado à lado.

Tirou dez pontos da Grifinória, de modo injusto. Embora tentasse protestar, para assumir diretamente a culpa pela confusão, o professor fora era irredutível. simplesmente fuzilou Draco Malfoy com o olhar, fazendo o sangue-puro rir. Ficava imensamente nervosa quando falavam de sua família, principalmente sem saber do contexto.

“Mas aquilo não ficaria assim”, pensou . Afinal, ela sempre acreditara que vingança é um prato que se come frio. E era bastante paciente.



— É verdade que sua irmã arrumou confusão com o Draco Malfoy? E que ela é amiga do Potter? Que droga, por que fui me atrasar logo hoje? Podia ter visto isso a caminho das minhas aulas. Meu Deus, como ela é corajosa, em uma semana eu não conhecia quase ninguém… E eu acho o Weasley bem mais bonito que o Harry, particularmente falando — Selly Barb falava para no Salão Comunal da Sonserina, sentada ao lado da amiga. — Você também não acha, ?

A velocidade atropelada de informações que eram ditas por Sel, fizeram dar uma risadinha. A colega sempre parecia estar no dobro da frequência em que o universo funcionava.

— Esse cara é um idiota — referiu-se à Draco. —, não sobreviveria uma semana em Beauxbatons. — comentou mais para si do que para a amiga.

— Bom, o Draco é realmente problemático, mas é bem gato para compensar!

— Seu senso crítico para homens é questionável, Selena. — fez uma careta.

Selly riu.

— Eu sei que parece loucura, mas eu amo uma pessoa problemática, sabe? Uma cara de mau me deixa derretida...

— Se tem uma coisa de que estou fugindo, é de homens e relações conflituosas. Você deveria fazer o mesmo — sorriu vagamente, fazendo a amiga rir.

folheava algumas páginas do livro de forma descompromissada, enquanto Selly tagarelava sobre a atitude nobre e memorável de sua irmã gêmea. Não dera muita bola, afinal, Barb sempre estava em um ritmo incompreensível. E já estava acostumada com as pessoas ovacionando a coragem de , de qualquer forma. Não se abalara mais.

Não muito longe dali, Draco estava com seus fiéis escudeiros, Crabbe e Goyle, que falavam alguma coisa completamente irrelevante aos ouvidos de Malfoy. Era inegável seu interesse particular pela aluna nova. Afinal, seu progenitor o havia instruído exatamente sobre o perigo que aquela gloriosa família oferecia ao mundo bruxo, e principalmente, à reputação dos Malfoy.

E se havia algo que o loiro odiava, era sentir-se intimidado. Houve um tempo em que ele era brevemente tolerável, mas as coisas pioraram quando conhecera Potter há alguns anos. O nível de raiva e competitividade com o rapaz ultrapassa qualquer fronteira.

percebe o olhar do loiro sobre si, arqueando suavemente sua sobrancelha durante o ato. Obteve como resposta um olhar de desprezo vinda do rapaz, fazendo com que ela revirasse seus olhos verdes.

— Enfim, eu estou entediada. Queria fazer algo emocionante! — Selly reclamou, enquanto fazia um bico.

desviou o olhar de Draco apenas para vê-lo sair do Salão Comunal cercado por sua gangue. Finalmente conseguira olhar nos olhos de Selly, que estavam radiantes esperando alguma reação da amiga.

— Que tal estudar? Isso ajuda a passar o tempo — sorriu enquanto dava a sugestão cínica, fazendo com que Barb mostrasse o dedo.

Em Beauxbatons o sistema de exames era distinto aos de Hogwarts, mas dentro da casa Noble, a priorização pelo estudo era insanamente cobrada. Logo, não se importara diretamente em passar um longo período com a “cara nos livros” para se distrair. Principalmente se aquilo fosse calar as malditas memórias que assombravam sua mente. Vez ou outra, quando distraída, pensava nos toques gélidos do moreno percorrendo sua pele. Ou na língua.

Ah, que desnecessário.

Voltou a apertar o colar de prata que estava em seu bolso, passando o polegar pelo metal texturizado. Sentira os pequenos detalhes sobressaindo, as pequenas pedras de diamante que deixavam a jóia ainda mais delicada. Geralmente fazia isso quando ficava tensa ou ansiosa com algo.

— Já sei! A gente podia assistir ao treino de Quadribol! Eles já devem estar treinando, na verdade, mas eu 'tô louca para ver o Leo! Acho que ainda não apresentei vocês, amiga, ele é tão gato! Tem um cabelo lindo, já até perguntei qual shampoo ele usa, mas ele nunca expõe os segredos… Aquele maldito!

apenas concordou. Por mais que um dia recusasse algum convite de Selly Barb, a mesma sequer a ouviria. Estava sempre tão falante, destoava completamente da maioria de seus colegas sonserinos, competitivos, calados e intimidadores.

Com isso, seguiram para o campo animadamente, pelo menos da parte de Barb. apenas cruzara os braços, observando o enorme campo enquanto se aproximavam. O treino que ocorria era da Lufa-Lufa. O time da casa parecia ter uma tática de jogo bem interessante, deixando entretida com o jogo. Já Selly, apenas comentava sobre os jogadores, um a um, explicando tudo à amiga:

— … Aquele lá no alto é o apanhador do time, o Cedrico Diggory. De longe ele é lindo, mas de perto, é simplesmente perfeito — abanou o próprio rosto, encenando um desmaio. riu com a encenação da amiga. —, e o de cabelos enormes é o Leo, mas chamam ele de Charlie. Ele é artilheiro, não tem defeitos. Tem o John também, aquele ali, dizem que ele é gay, mas eu não acredito...

O treino não demorou para que encerrasse, já que a noite caía rapidamente, deixando que apenas a lua iluminasse o local. Assim que de fato se encerrara, o garoto das enormes madeixas castanhas sorriu ao ver ao longe a amiga Selly sentada na arquibancada. Ela não pôde evitar retribuir o gesto singelo.

— Olha só, então você veio espionar como a Lufa-Lufa vai acabar com vocês no próximo jogo? — comentou ácido, enquanto tomava um gole de água.

Selly revirou os olhos, sendo tomada pela competitividade quando se tratava de sua casa:

— Escuta aqui, Windsor, vou te poupar das grosserias porque vim te apresentar minha nova amiga. Esta é . , este é o Leo.

Ele arqueou a sobrancelha, sorrindo em seguida. Reparou nas roupas apertadas que a Sonserina utilizava, passando a língua nos lábios. Pegara suavemente na mão da novata, depositando um beijo nesta:

— Muito prazer, . Ouvi falar sobre você.

— O prazer é todo meu, Windsor — sorriu a morena, devolvendo a provocação no mesmo tom.

Selly fez cara de nojo para a péssima cantada de Leo, horrorizada que ainda sim o respondera. Não tivera tempo para comentar sobre o fato, pois Cedrico logo se uniu ao trio, fazendo com que Selly respirasse com dificuldade. Seus batimentos cardíacos ficavam claramente afetados com a presença de Diggory, embora ela preferisse não admitir isso em sua frente.

Leo podia ter qualquer garota daquela escola na sua mão, se quisesse. Ele e Cedrico eram os garotos mais populares da casa Lufa-Lufa, tanto pela beleza quanto pela simpatia. Embora isso, ele ficou vislumbrado com a sensualidade daquela francesa. Imaginou o quanto ela ficaria mais bonita, sem todas aquelas vestes impedindo seu campo de visão.

A conversa fluía normalmente entre Cedrico e Selly, embora ela ficasse visivelmente nervosa com a presença do rapaz. Diggory percebeu o olhar predador de Windsor na novata, e não deixou uma risadinha passar em branco com a atitude do melhor amigo.

— Está escurecendo, meninas — Cedrico atentou-se cortando suavemente o clima em que estavam submersos de modo agridoce. —, que tal entrarmos?

Ambas assentiram. Barb sorriu instantaneamente para Diggory, que retribuiu o gesto da menor; após isso, despediram-se dos rapazes, direcionando-se para a respectiva casa. Antes que o quarteto se separasse de fato, uma voz masculina tornou-se audível:

— Hey, — Leo a chamou, atraindo o olhar da dona dos cabelos longos caramelo. —, vai torcer por mim amanhã?

riu debochada, cruzando os braços e arqueando a sobrancelha. Era inacreditável o quanto Leo Charles Windsor era convencido.

— Nem morta, Windsor. Tente não chorar muito quando a Sonserina acabar com vocês. — piscou em direção ao garoto, seguindo em direção as masmorras.


ᴍɪss ʜɪᴍ



O homem trancou a porta de sua sala, soltando a gravata em volta de seu pescoço. O tecido fino e azulado finalmente afrouxou-se, dando liberdade para que retirasse a camisa social branca. Voltou em passos duros em direção à , que estava com o bolero azul claro semi-aberto, resultado dos amassos que deram antes. Retirou os enormes cabelos caramelo ondulados do caminho, voltando a desabotoar a peça da menina. Ela sentiu seus pelos enrijecerem com o toque sutil e as bochechas tomaram uma coloração avermelhada.
Logo, o moreno se livrou do tecido azulado, a deixando apenas com aquele conjunto de sutiã e calcinha rosa-claro, que valorizava a obra de arte que era seu corpo. Ele poderia ficar horas observando aquelas curvas minimamente esculpidas
, a cintura fina, o quadril largo e os seios proporcionalmente perfeitos, moldados pela pele de porcelana.
Ficou no meio das pernas da garota, passeando os dedos em sua coxa. Deixou os corpos propositalmente próximos e encaixados, a fim de sentir o calor da mais nova. Os olhos verdes claro do rapaz se fixaram-nos de , encostando seu nariz no da menor. Suas bocas se encostaram de modo suave, fazendo a garota gemer; em contrapartida, a mão deste se direcionava para a retirar sua calcinha, brincando com o tecido de renda.
Os dedos ficaram próximos à sua intimidade, trilhando o caminho com certa calma e graça. Ele não evitou a risadinha quando a menina gemeu seu nome em retrospecto. Aquilo enchia seu ego para que prosseguisse cada vez mais com as provocações. , por sua vez, apenas passou a mão em volta do pescoço do homem, beijando ele devagar, com saudade daqueles deliciosos lábios.
— Está sentindo minha falta, chérie? — ele sussurrou em seu ouvido, com a voz rouca. Olhou nos olhos da garota e a beijou suavemente. — Em breve nos reencontraremos… bem antes do que você imagina.

acordara com o corpo suado e xingando um palavrão em francês. Como se não bastassem os pensamentos inoportunos, agora ela tinha aquele tormento através dos sonhos, o único momento em que podia descansar — pelo menos, até aquele dia:
Putain de rêve… — “sonho fodido” resmungou, enquanto coçava os olhos. — Pour Dieu
— Que mau humor é esse — Selly esfregou os olhos, bocejando. — Bom dia, amiga. Dormiu bem? Aparentemente não, já que acordou xingando; pelo menos, parecia um xingamento. Afinal, eu não falo francês, né? Só escocês e ainda muito ruim por causa do sotaque…
apenas acenou a cabeça negativamente, prendendo as madeixas douradas. Resmungou algo na língua estrangeira que Barb não compreendeu e fora em direção ao banheiro. A amiga apenas lhe deu espaço, o que era incomum para Selly — movida pela sua curiosidade —, mas o fez graças a preocupação.
Ambas se reencontraram apenas no café da manhã. O clima estava tenso por conta do jogo que haveria contra a Lufa-Lufa, e Draco Malfoy parecia estar mais ácido do que o habitual. Selly comentou como o loiro ficava lindo no uniforme de Apanhador, enquanto permanecera com seus olhos fixos em qualquer canto, sem corresponder aos chamados da colega que permanecia usualmente falante. Não que não concordasse com a afirmação, mas os pensamentos estavam lhe atrapalhando. Pansy olhou feio com o comentário de Barb, já que as duas não se davam muito bem.
— Sabe, , estou começando a achar que você sonhou com algum professor nu. Já aconteceu comigo e foi bem traumático… Nada contra o Snape, de verdade, eu acho aquele cabelo dele até bonito, mas…
— Não teve nada a ver com nudez, Selena — "não nudez explícita", completou a mente de . — Nem professores. Só dormi mal e não estou com bom humor para diálogos. Relaxa.
A garota se recusara a prolongar o assunto ou a continuar ouvindo o falatório em sua mesa. Estava enjoada, nervosa, extremamente tensa com o sonho que tivera. Fora vivido demais, intenso demais. Não era como uma lembrança, mas uma premissa, quase que um aviso com aquelas palavras. Selly percebe quase que imediatamente o incômodo de e apenas se levantou bufando, silenciosa, deixando a garota à mesa. estranhou a atitude da colega, mas ignorou, seguindo calmamente em direção à aula de Herbologia.
A turma estava eufórica para o jogo de Quadribol entre Lufa-Lufa e Sonserina; afinal, ninguém falava em mais nada que não fosse aquilo. , por sua vez, apenas remoeu incessantemente as palavras e cenas quentes que fantasiou naquela noite.

Após a aula, em que não havia absorvido nada de construtivo, resolvera seguir em direção à biblioteca. Lembrou-se da antiga escola, Beauxbatons; em um momento como aquele, provavelmente estaria cercada por Yves e Celine, vivendo sua vida normalmente antes daquela confusão. Ela estava extremamente grata pela conexão repentina com Selena Verus Barb, mesmo que fossem tão distintas. Mas sentia falta da velha rotina, dos velhos hábitos e velhos amigos.
Mas, principalmente, falta dele.
Era desgastante a forma que se sentia emocionalmente dependente daquele homem. Sabia que não estava sendo saudável, e que sua partida recente afetara muito seu modo de agir. Mas não conseguia evitar, a primeira vez que se sentira tão viva fora na presença daquele sentimento da paixão. Suspirou cansada, colocando uma das mãos na testa, batendo as unhas insistentemente em um dos livros que estava consigo.
— Posso saber o que está fazendo aqui?
A gêmea parou em sua frente. Ela estava de braços cruzados e encarando , que permanecia sentada com a face derrotada. Sabia muito bem que sua irmã necessitava de um auxílio mais do que nunca.
— Um bom dia seria bem-vindo, né? — ironizou a de longos cabelos dourados.
— Você deveria ser mais educada. Selly ficou chateada contigo — sentou-se em frente a irmã, cruzando as pernas.
não evitou revirar os olhos.
— Olha, não foi minha intenção. — resmungou. — Tive um sonho estranho e não estou me sentindo bem. Além disso você virou mensageira dela agora?
— E desde quando sonhar é motivo para maltratar alguém? Começou a ficar escrota depois de ir para Sonserina, por acaso?
— E você continua com seus pré-julgamentos, huh? Nada mudou mesmo. — resmungou. fazia a mesma coisa com os pertencentes à Casa Noble, coisa que sempre chateou Liama. — O sonho foi extremamente vívido, sœur (irmã). Ele estava lá. Me disse uma coisa estranha, como se fosse me encontrar, entende?
O sorriso suave de desapareceu instantaneamente da face. A garota parou de alfinetar a irmã (coisa que fazia por puro deleite), e passou a olhar a situação com preocupação:
, não acha que pode ser só…
— Você sabe que eu não fico paranoica à toa. Foi uma experiência lúcida demais para ser apenas um sonho.
arqueou a sobrancelha. Estava pensando em como solucionar um problema daquela magnitude — se é que era realmente um problema. Não tinham nenhum sinal que aquilo havia sido obra do francês, mas acreditava total na palavra da irmã. Sabia que haviam motivos para que estivesse tão perturbada com aquela aparição, ainda mais após as ofensas do pai. Graças a isso, confiou em sua intuição quando ouvira as palavras da gêmea.
Quase que imediatamente, uma ideia atingiu a cabeça de , que saiu andando rapidamente, deixando pensativa. Onde diabos ela estava se metendo? Voltara minutos depois, acompanhada de Hermione Granger. A garota tinha a face confusa, mas disposta a auxiliar as gêmeas:
— Mione, você conhece algum feitiço de sonho?
— Feitiço de sonho? — Granger obteve uma face confusa, pensando acerca da pergunta. — Conheço apenas a Poção do Morto-Vivo. Mas não sei se é bem o que estão procurando.
mordera o lábio. Qualquer tipo de poção estava fora de cogitação. Ele nem sabia onde a garota estava, de qualquer forma. Como tomaria algo vindo dele?
— Mas, talvez haja algo na sessão restrita — Granger falou baixo.
— Podemos ver com Harry de resolver isso mais tarde — dirigiu-se à amiga grifinória.

sentiu-se enjoada. Não queria aquela exposição toda, ainda mais envolvendo o trio de ouro naquilo sabendo das confusões que geralmente se metiam. Não precisava chamar a atenção daquela maneira, afinal.
— Tudo bem, acho que não deve ser nada importante — dera de ombros, tentando não demonstrar o alarde que estava sendo causado por conta daquilo.
— Claro que não, ! Podemos resolver isso! — insistiu. — O Harry tem uma...
— Não quero que envolva Potter nisso. — levantou-se, ríspida. — Já é demais ter que relembrar sobre o assunto, não preciso de mais gente no meio, sœur. De qualquer forma, obrigada, Hermione, você foi incrível. Vamos todas deixar isso para lá.
pegou os livros, pedindo licença para a gêmea e Granger. As grifinórias se entreolharam, curiosas, mais ainda, pois desejava imensamente saber o que tanto atormentava a cabecinha de . Ah, se ela soubesse…

A última aula fora de História da Magia, coisa que até interessava-se e conseguiu distrair-se minimamente. O clima ambicioso entre os lufanos e sonserinos era praticamente palpável durante a aula; Leo Charles, jogador da casa Lufa-Lufa, havia batido uma aposta com Flint, capitão da casa Sonserina, acerca do resultado que essa partida ansiosamente aguardada traria. Obviamente, com insatisfação, o professor Binns tentara cessar o alvoroço que fora criado. Por isso, ficou imensamente grata quando o período da aula finalmente se encerrou.
Pegou todos os livros pensando em como queria tomar um banho e descansar sua cabeça. Suspirou fundo ao passar pela porta, fazendo rapidamente o caminho até o dormitório. Porém, fora interrompida por uma mão em seu ombro. Impacientemente, ela se virou:
Pardon? — Ela resmungou em francês, automaticamente. — Desculpe, estava distraída. Quem é você?
Não estava afim de conversa, ainda mais com uma pessoa que não conhecia. A maioria dos alunos ainda temia a postura de , graças ao mistério envolto ao seu sobrenome.
Vous n'avez pas besoin de me demander pardon(você não tem que me pedir perdão) respondeu o rapaz, em francês, surpreendendo a garota. Ele não era amador. —, mas muito prazer, darling. Ainda não fomos formalmente apresentados.
O rapaz era muito belo. As roupas em detalhes azuis da Corvinal deixavam sua pele branca contrastada de uma forma realmente sensual; os cabelos grandes e lisos, com ondulações nas pontas, o deixavam ainda mais formoso. Os seus olhos eram castanhos claro, quase que como mel, e combinavam com os lábios vermelhos de gloss de cereja. Os brincos em formato de estrela combinavam com a gargantilha de prata, que aparentavam uma nobreza que fizera impressionar-se com sua beleza.
— Sou…
— Sei quem você é. Da famosa Dinastia , não há uma pessoa que não saiba sua identidade, . — ele respondeu, convicto. Logo os corredores ficavam cada vez mais vazios. — Mas eu sou Henry Meddows-Valley, muito prazer.
Ele estendeu a mão. Ela hesitou minimamente, mas prosseguiu, receosa, apertando a mão do rapaz.
— Sei que deve estar curiosa do porquê eu lhe abordei, mas serei breve. Eu não tenho pretensão nenhuma de ajudar pessoas gratuitamente, mas ouvi sua conversa mais cedo na biblioteca e…
— Espera aí, você estava ouvindo minha conversa? — ela arqueou as sobrancelhas.
— Talvez você devesse falar mais baixo, querida. — Henry revirou os olhos como se fosse óbvio. — Eu estou oferecendo uma gentileza e ainda sou julgado! Como pode...
— Que gentileza? Mostrar-se invasivo quanto à minha privacidade?
Henry estalou a língua e cruzara os braços. Meddows-Valley nunca tivera a virtude da paciência e estava um tanto quanto nervoso naquele momento.
— Eu iria lhe mostrar um livro que tem um feitiço que talvez possa te ajudar, mas deveria te deixar aí com sua imensa presunção.
ficou curiosa. Como ele sabia de algo que ou Hermione não sabiam, inteligentes como eram? Talvez ela tenha subestimado cedo demais aquele corvino.
— Ah, é? E por que eu confiaria em você?
— Porque sei que sou sua única solução até agora. E, sinceramente, essa conversa toda não nos levará a nada. Melhor que eu te mostre.
revirou os olhos. Henry era extremamente convencido, ao ponto de que o ego dos dois poderiam brigar por espaço. Odiava sentir-se intimidada, mas havia uma imensa vontade de saber se o que ele falava era real. Seguiu o garoto da casa Corvinal em direção à biblioteca, local em que Meddows-Valley passava a maior parte do tempo.
Henry sabia muito bem como poderiam encontrar aquela informação, e praticamente voou para cima da prateleira anteriormente já visitada pelo corvino. Em retrospecto, sentia seu estômago revirar. Até porque, ela possuía uma grande insegurança quanto ao fato de descobrirem alto relacionado àquilo.
Meddows-Valley voltou com um livro grosso de capa dourada. Gravado em preto, estavam os dizeres Estudos Inacabados do Século XIX por Zintaw Kylian. achou aquele nome familiar, mas nada disse à Henry. O garoto, achando graça no livro incomum, abrira-o, procurando no índice o que queria mostrar à garota da Sonserina; após localizar, buscou pela página cem. As folhas antigas e desgastadas demonstravam o quanto era antigo aquele estudo.
No índice, estava indicado um feitiço como tumulto do sono, mas a página fora rasgada do material. Ambos se encaravam, curiosos. Henry havia notado em como a feição de havia tomado uma expressão confusa, como se tivesse se assustado. As mãos agitadas de levaram os cabelos dourados para trás da orelha da garota, fazendo-a suspirar.
— Mesmo que com a grande possibilidade desse feitiço nunca ter dado certo desde então, e por isso estar com a página rasgada, tem em mente quem poderia tramar algo contra alguém tão simpática como você? — Henry ironizou a parte da simpatia, fazendo a garota revirar os olhos.
suspirou, pondo a mão no bolso em que estava o colar de prata cravejado de diamantes. Ela sabia muito bem que havia uma grande possibilidade daquela associação — que estava fazendo dentro de sua cabeça — ser real. Sempre confiava em suas intuições o suficiente para desconfiar de algo quando estava errada, e naquele dia não foi diferente. Porém, respondeu ao colega recém-conhecido em retrospecto:
— Sinceramente, não faço ideia.
Ah, . Ela mentia com uma facilidade tremenda — sendo filha de quem era —, mas não ao ponto de enganar Henry Meddows-Valley, o perspicaz corvino, que inclusive notara o visível incômodo da garota com a mão no bolso. O que ela podia estar escondendo ali? Quais segredos deveria haver em seu passado em Beauxbatons?


ᴛʜᴇ ʟᴏɴɢ-ᴀᴡᴀɪᴛᴇᴅ ǫᴜɪᴅᴅɪᴛᴄʜ ɢᴀᴍᴇ

O dia amanhecera numa tensão quase que palpável em Hogwarts. A temperatura estava baixíssima, com a névoa deixando o clima ainda mais intimidador; a neblina compunha a paisagem de uma forma agradável, porém não oportuna para a data. Embora isto, nenhum fator era capaz de abalar a animação dos estudantes perante o jogo que aconteceria. A partida da Sonserina contra a Lufa-Lufa deixara os alunos insanos durante a semana, e milhares de apostas haviam sido feitas, grande parte delas sendo financiadas por Fred e George Weasley.

Leo Charles sequer tomara comera algo pela manhã, pois estava focado em seu treino. O time da Lufa-Lufa permanecia bastante concentrado, enquanto Cedrico tentava confortar o amigo e os demais companheiros. Em retrospecto, os rapazes da Sonserina zombavam como a vitória seria fácil, sentados à mesa do café. O capitão Marcus Flint, com a fala carregada em soberba e prepotência, já contava com a vitória de sua casa. na) ouvira todo aquele assunto ao lado de Selly Barb durante a refeição, mas ambas não conversaram muito desde quinta-feira. Selena era particularmente sensível demais, enquanto a amiga era completamente o oposto, e tinha ficado levemente magoada com o tom que utilizara consigo.

Selly, embora tivesse muito carinho por Cedrico e Charlie, jamais deixaria de torcer para o time de sua casa. Desejou boa sorte aos respectivos jogadores, recebendo até mesmo uma piscadela de Flint, seu flerte antigo. Pansy Parkinson revirou os olhos observando o ato; ambas não se davam bem desde que foram nomeadas monitoras da Sonserina no quinto ano. E embora não parecesse, Selena odiava sentir-se ameaçada, pois possuía pavor em não destacar-se da forma como seus pais esperavam. Era realmente um saco viver à sombra do irmão, Jonathan e com a implicância de alguém como Pansy.

Em poucos minutos, os alunos já estavam na arquibancada, extremamente ansiosos para o tão aguardado jogo de Quadribol. Selena tinha o rosto pintado em um verde púrpura vibrante, gritando e dando pulinhos animados, contagiando os colegas ao seu redor. na) acompanhara a amiga, embora não estivesse na mesma empolgação; mesmo assim, Barb convenceu a garota a colocar um lacinho da cor de sua casa em seus cabelos para enfeitar os fios dourados.

A partida de Quadribol havia finalmente se iniciado. Era possível ouvir os gritos insanos de ambas as torcidas, que estavam extremamente ansiosas. Selly pulou ainda mais alto, gritando o nome de cada um dos jogadores de sua casa. O jogo, por sua vez, estava ofensivo e os jogadores faziam zigue-zague pelo campo, sedentos pela vitória.

“O loiro da Lufa-Lufa tirou a goles de Zabini, e já marcou dez pontos! Mas não estou conseguindo lembrar seu nome, acho que é alguma coisa parecida com Stich, ou talvez Buggins...”

— É Cadwallader, Srta. Lovegood! — exclamou a professora McGonagall em voz alta ao lado de Luna, num tom de voz impaciente.

Parte da multidão rira em retrospecto. A outra parte, por sua vez, estava tensa demais para prestar atenção na confusa narrativa de Luna Lovegood.

Malfoy correra os olhos ao redor do campo, procurando o pomo dourado; não havia nem sinal da esfera dourada. Instantes depois, Zabini marcou para a Sonserina. Windsor berrou em ódio, gritando com Zacharias que perdera a posse da goles para o adversário. O arisco rapaz respondeu Leo no mesmo tom em grosseria.

— Dá para prestar atenção na porra do jogo, Smith?! — Leo estava com as bochechas vermelhas, gritando.

“E Zacharias Smith começa a discutir com Leo Windsor”,
irradiou Luna calmamente, enquanto a torcida da Lufa-Lufa vaiava. Afinal, eles já tinham a Sonserina como adversários, não podiam virar-se uns contra os outros. Cedrico gritou do alto, em resposta para o time não se abalar. Luna prosseguiu com sua narrativa, direcionada à Diggory: “Acho que isso não vai ajudá-lo a localizar o pomo, mas talvez seja um estratagema bem sacado...”

Cedrico xingou um palavrão — atitude não usual do mesmo — quando notara a proporção que podia tomar aquela discussão. Era certo que Zacharias se comportava como um completo babaca, mas eles não podiam deixar-se abalar pelo nervosismo. O Apanhador deixara os companheiros momentaneamente de lado para seguir Draco Malfoy, que havia saído em busca de um sinal da bolinha de ouro alada.

Bole e Cadwallader marcaram cada um gol para seus times, dando esperança e alegria para ambas as torcidas. Zabini tornou a golear, desempatando o placar, mas Luna não pareceu notar imediatamente; continuou a narração sem preocupar-se nestes meros detalhes. Tentara chamar a atenção da multidão para nuvens de formas curiosas e a possibilidade de Zacarias Smith, que até o momento não conseguira manter a posse da goles por mais de um minuto, estar sofrendo de uma doença chamada “fiascurgia”.

— Setenta a quarenta para Lufa-Lufa! — pouco tempo depois a voz da professora McGonagall passar pelo megafone de Luna.

“Mas já?”,
exclamou Luna distraída. “Ah, vejam! O Adriano Pucey passa para o capitão Marcus Flint. Será que ele vai conseguir marcar? Não me lembro o placar… Quem está na frente mesmo?"

A Sonserina vibrou. A torcida trajada em tons verdes estava sedenta por uma possível vitória e tinham esperança em uma virada naquele jogo. Os lufanos estavam apreensivos em retrospecto. Os olhos ziguezagueavam pelo campo, afinal, toda a movimentação em campo estava extremamente ágil.

“Sleech marca mais dez pontos para Lufa-Lufa! Ou seria Smith…”

Ouviram-se resmungos. A torcida lufana vibrava; uma vitória em cima da invicta Sonserina após anos, seria histórica. A rivalidade das casas ia além do Quadribol, o que deixava tudo ainda mais tenso.

“Olhem só! Zabini marcou mais dez pontos para Sonserina! Mas quanto está o placar mesmo? Acho que isso significa que é um empate, certo?”

torceu e sorriu quando Blásio marcou o ponto que chegava perto da virada do time. Selly gritara insana, aplaudindo àqueles que representavam sua casa. olhou para cima, vendo Draco Malfoy e Cedrico Diggory competindo pela possível posse do pomo de ouro.

Aquele jogo entraria oficialmente para a história. E com certeza, era mais mais emocionante que as aulas de ballet e coral em Beauxbatons.

A partida estava ficando cada vez mais ofensiva. Conforme os jogadores jogavam com mais avidez, Malfoy e Diggory se direcionaram para a parte mais baixa do campo. O maldito pomo se locomovia com graça, rapidamente, tornando sua posse quase que impossível.

Com isso, Michael McManus, que não conseguira diminuir a velocidade de sua vassoura a tempo, derrubara Malfoy. Todo o ato ocorrera numa fração de segundos, pegando até mesmo a plateia de surpresa. Como estava próximo ao chão, o feitiço aresto momentum fora vociferado para diminuir o impacto da queda, e, mesmo assim, Draco sentiu uma imensa dor em seu braço direito ao atingir a superfície. Diggory, em respeito ao adversário, também descera de sua vassoura e tentara o auxir; o diálogo, porém, era inaudível ao restante da torcida.

Madame Hooch tratou de retirar o loiro que havia se machucado no jogo. Era notável que Malfoy estava lúcido, mas ninguém sabia de fato a gravidade de seu ferimento. A torcida lufana ficou perplexa, mas os sonserinos ficaram furiosos. A perda do Apanhador era inadmissível durante uma partida tão importante. Marcus olhou com ódio o time adversário. As coisas, definitivamente, não ficariam daquela forma.

A abordagem da Sonserina se tornara ainda mais ofensiva quando a partida retornou, até porque, além de tentarem marcar mais pontos contra a Lufa-Lufa, precisavam impedir o então Apanhador do adversário de ter o maldito pomo em mãos.

Lucian Bole recebeu um olhar de Marcus Flint, e sabia muito bem o que deveria fazer, conhecia as artimanhas do Capitão. Encarou Cedrico ao longe e mirou a vassoura em sua direção, já que o garoto estava completamente concentrado em agarrar a pequena bola dourada. O rapaz pegara velocidade, afoito, e Windsor, vendo a cena toda, rapidamente notou a intenção maldosa do adversário para com seu amigo. Enquanto isso, gradativamente, o time da Sonserina cercava os lufanos.

E antes que Bole pudesse finalmente derrubar Cedrico Diggory com uma violência absurda, Leo Windsor se colocara à frente. O impacto fora tão grande que derrubara tanto ele como Lucian de suas vassouras. Charlie caiu automaticamente desacordado graças ao impacto da batida com o adversário, embora ambos tivessem sido adornados pelo feitiço de queda. Selly perdera a cor instantaneamente, pois não suportava a ideia de ver Leo ferido.

Diggory ficou preocupado com o melhor amigo, que estava com ele há tantos anos, mas não tivera tempo de pensar. Mirou a vassoura para longe dos sonserinos, quando finalmente conseguira capturar o maldito pomo de ouro e encerrar aquilo. Tinha um gosto amargo na boca quando agarrara a esfera dourada em mãos, após tamanha confusão. Afinal, embora a torcida Lufana tivesse motivos de sobra para comemorar, pois haviam derrotado o time das cobras, todos os estudantes só conseguiam pensar em uma coisa: como estava Leo Charles Windsor?

E se aquela lesão fosse realmente algo grave?





Selly tremia em pura ansiedade e na) não conseguia deixar de ficar aflita em ver a amiga tão tensa. Embora os jogos de Quadribol tivessem um histórico em eventos violentos, Windsor nunca havia tido nenhuma lesão realmente devastadora. Era a primeira vez que Charlie sofrera uma pancada tão brusca e caiu desacordado, preocupando a todos.

Selly repetia insanamente “eu nem tenho roupas pretas para velório, será que verde é uma cor brega demais? Odeio ficar com meus olhos inchados por chorar”. riu suavemente do último comentário, tentando confortar a amiga. Não era muito boa em acalmar os sentimentos alheios, muito menos os seus, mas tentou fazer o mínimo para se retratar após a última discussão que tivera com Selena. A fala da irmã sobre seu comportamento havia sido um fator que atormentara a cabeça de naqueles dias.

“Começou a ficar escrota depois de ir para Sonserina, por acaso?” a voz de berrava em sua cabeça. Como a irmã era dramática. E ainda usava aquele pré-julgamento ridículo de sempre, assim como fazia com a casa Noble. Sentira que aquilo fora uma influência particular da companhia de Harry, Hermione e Rony, mas preferiu não comentar nada por ora.

O drama gemelar ficaria para outro momento.

Assim que o ambiente hospitalar se esvaziou ao pedido de Madame Pomfrey, na) e Selena atravessaram a enfermaria com pressa, lotada anteriormente graças a quantidade de pessoas preocupadas com o bem-estar de Windsor. A enfermeira apenas permitiu a entrada de ambas as garotas à pedido do charme inconfundível de Leo, pois nem ela aguentava mais tantos alunos amontoados em cima do rapaz. O cativante garoto havia quase que implorado a presença das amigas naquele momento delicado. Principalmente de Selly Barb.

Ele estava estirado em uma maca no canto, às aguardando, e no local também estavam Bole e Malfoy, ambos machucados. Lucian, por sua vez, estava desacordado graças à pancada, enquanto Draco resmungava de dor, dizendo que “o pai dele ficaria sabendo daquilo”. Obviamente havia um enorme drama envolto naquela situação, pois o loiro não suportava se machucar. Era um rapaz extremamente sensível, embora jamais admitisse o fato. Por isso, automaticamente revirou os olhos quando viu na) e Selena passando pelo corredor:

Realmente, uma vergonha… — o loiro rosnou baixinho.

O comentário havia sido mais para si do que para as garotas, embora ambas tivessem ouvido muito bem o que fora dito por Draco Lucius Malfoy. na) instintivamente arqueou a sobrancelha e travou o passo, mas Selena, em um pedido mudo, encarou , para não tornasse a discutir com o loiro naquele estado. Apesar de tudo, Selly compreendia que o rapaz podia estar agindo assim por estar ferido. na), por sua vez, levou em consideração todas as alfinetadas que o loiro comentara à respeito de sua famí, até o momento, para respondê-lo com desdém:

Pardon? Qual seu problema, Malfoy?

Ele deu uma risada debochada, fazendo com que o braço na tipóia doesse levemente. “Essa garota é mesmo muito cínica. Uma sangue-puro que se mete com gentinha dessa laia, tão suja quanto eles” pensara.

Qual o meu problema? Além de vocês duas ficarem vindo bajular o nosso rival após perdermos?

na) riu com acidez. Achava engraçado o quanto Draco conseguia ser patético e problemático. Claro que ninguém além de sua gangue viera vê-lo, de tão desagradável que ele era com os demais colegas da casa.

— Sabe, é realmente impressionante que você não tenha quebrado os dois braços jogando tão mal, Malfoy. — a garota sorriu, enquanto passava ao seu lado na maca da enfermaria. — Eu já teria desistido se fosse você.

— Acho que você é meio sádica, francesinha. — ele comentou baixo novamente. O apelido soava bem no sotaque dele, embora carregado naquele desprezo usual de Malfoy.

Draco não gostava de ser respondido à altura quando provocava, isso porque não contava com essa reação vinda das pessoas. A grande maioria dos alunos tinha medo da influência e poder de Lucius Malfoy, e isso era refletido em como tratavam seu filho. na) sequer sabia quem era o progenitor do seu desagradável companheiro de casa, e por isso, não possuía medo deste.

Afinal, aqueles dois tinham egos enormes brigavam incessantemente por espaço. E aquela discussão, definitivamente, não tinha encerrado-se ali.

revirou os olhos e Selly resolveu ignorar o diálogo repleto em sarcasmo entre e Malfoy, já que estava praticamente sufocando Windsor com um abraço. A amiga finalmente a acompanhara, observando os dois.

— Ainda bem que você está vivo, Leo, eu não tinha nem roupas para uma morte não-oportuna… Sabe, combinar tons de verde em um velório é realmente uma merda. Quer dizer, viver loucamente para morrer nos últimos anos escolares é de foder, não é?

Os pequenos olhos amendoados estavam pequenos e inchados graças ao impacto do baque entre ele e Bole. Leo encarou suavemente os olhos claros de Selly e logo após, a íris esverdeada dos de na).

— Se eu soubesse que receberia visita de tantas garotas lindas, com certeza teria me lesionado antes — ele comentou com graça, dando uma risadinha.

Selly revirou os olhos, querendo dar um tapa no garoto. Como Windsor poderia ser um idiota quando queria!

— De garotas bonitas, Hogwarts já está muito bem apenas comigo, obrigada — Selly respondeu com uma pontada de ciúmes, fazendo Leo rir. —, claro que a na) também não é tão feia assim…

— Cala a boca, Selly — riu de leve do comentário.

Como Selena a fazia bem. Ela provavelmente estaria em uma aura de completa aflição e amargura se não fosse aquele usual bom humor da amiga. Claro que a história daquele maldito sonho ainda não havia saído de sua cabeça, mas pelo menos todos aqueles acontecimentos deixaram o dia mais interessante.

Selly não parou de tagarelar o quanto estava orgulhosa da atitude de Leo, por ter se colocado à frente para defender Cedrico Diggory. Muito embora torcesse arduamente para sua amada casa, não podia negar o desempenho impecável do rival naquele dia. na) concordou em poucas palavras, já que Quadribol, definitivamente, não era sua área de maior conhecimento; aquilo era muito mais o perfil de .

Olha só, mais um sangue-ruim para variar — Draco cortou o assunto do trio em voz alta, resmungando.

Leo, na) e Selena olharam para trás, vendo Henry Meddows-Valley conversando com Madame Pomfrey, no que parecia ser algo sério. Após comunicá-la, avistou-os no canto da sala e não hesitou em andar em direção à eles. na) ficou particularmente curiosa para saber o que o rapaz fazia ali, já que o conhecera há dias atrás.

— Sugiro que não dirija suas palavras até mim, loiro maldito, ou eu termino de quebrar seus braços, darling.

Aquilo trouxe um alívio cômico para o local, menos para Malfoy, que odiou ter que presenciar a situação. Henry, por sua vez, finalmente parou os passos, cessando o barulho de seus sapatos altos e cruzando os braços.

— Henry? Que prazer te ver aqui. — Leo comentou, surpreendendo ambas as meninas.

na) conhecia o corvino há pouquíssimo tempo, e Selly, popular como era, não possuía coleguismo a com o garoto.

— Que ironia — Henry riu. —, assim como da última vez em que nos encontramos. Seminu em uma cama de quinta. Você não aprende mesmo, Windsor.

Oi? — Selly coçou a cabeça.

Leo riu com graça. Nunca se prendeu a rótulos para descrever sua sexualidade, mas aquela não era, definitivamente, uma boa hora para comentar sobre sua vida amorosa — e sexual.

— Minha pauta aqui não era comentar sobre o passado, de qualquer forma — Henry passou a mão através dos longos fios escuros, rindo com escárnio. — McGonagall pediu que eu desse um recado à madame Pomfrey. Passei apenas para dar um olá, darlings. Mas já estou indo. Ah, e parabéns pelo jogo, será um prazer vê-los perdendo para a Corvinal.

Henry mandou beijinhos com a mão direita e virou de costas, direcionando seu passo até a saída da enfermaria. Num lapso, na) levantou-se para ir atrás do garoto, fazendo com que Selly automaticamente arqueasse as sobrancelhas. O jogo de Quadribol havia distraído a cabeça preocupada de , mas agora de volta à realidade, ela necessitava de um auxílio que acreditava conseguir apenas com a inteligência de Meddows-Valley. Não queria recorrer à irmã novamente e se sentir exposta aos colegas grifinórios.

Quando chegara na parte de fora, tocara o ombro do rapaz muito semelhante a como ele lhe abordara na primeira vez em que se viram. Henry não pôde deixar de notar o fato curioso, sorrindo para a garota enquanto notava sua aproximação receosa.

— O que lhe traz até mim, na)? — indagou curioso, deixando a pose com os braços cruzados para colocar uma das mãos na cintura.

mordeu o lábio suavemente, altamente apreensiva. Ela não costumava tomar aquele tipo de atitude, mas algo ainda a atormentava. Sentia um grande incômodo dentro de si.

— Não costumo fazer isso, mas acho que preciso da sua ajuda...

— Hum, uma , em toda sua grandeza, me pedindo ajuda? Devo estar sonhando — riu com surpresa. — diga. Sou todo ouvidos.

na) segurou-se para não dar uma má resposta ao rapaz e apenas respirou fundo:

— Ainda estou curiosa para descobrir mais sobre aquele possível feitiço. Algo me atormenta e não sei dizer o que, mas nunca falhei ao seguir minha intuição, Henry. Sinto que há algo nessa história e eu preciso saber mais…

Ele arqueou a sobrancelha:

— Bom… Posso te ajudar com isso, não será problema algum. — ele sorrira. — Mas... Quero algo em troca.

— O que exatamente? — ela indagou curiosa.

— Vai me comprar uma garrafa de Hidromel no passeio à Hogsmeade. Acho que você ainda não conhece, então vou te mostrar os points de lá. Estou precisando beber, sabe? Ou beijar na boca. Um remember com Windsor cairia bem, mas ele está machucado. Então pode ser álcool mesmo.

— Fechado. — dera uma risadinha, tombando a cabeça para o lado. — Acho que também preciso, de qualquer forma.

— Então, até mais, . — Henry se despediu com uma piscadela. — É um prazer negociar com você.

ʙᴏᴜʟᴇ ᴅ'ʜᴀʟʟᴏᴡᴇᴇɴ

achava noites como aquela particularmente belas; amava o clima gélido, a névoa, mas principalmente, aquela época do ano. A neve que ameaçava cair deixava a paisagem ainda mais exótica. E apesar de tudo, aquela era sua comemoração favorita em Beauxbatons: Halloween. O Dia das Bruxas era conhecido como uma noite agradável, com um esplêndido baile em que os alunos aguardavam todos os anos. , não ficava de fora em meio à animação, mas algumas preocupações esporádicas açoitavam sua mente, impedindo-a de se divertir.
As emoções das irmãs estavam, basicamente, à flor da pele. , encontrava-se em pânico por não saber como auxiliar a irmã, num misto de raiva relacionada a Campbell. Ela nunca aprovara aquela relação, sempre achou muito estranha a forma repentina como ele se aproximara. , por sua vez, abobada e apaixonada, encontrava-se perdida em como agir em meio àquelas circunstâncias.
Deveria falar para ele? Contar à ele sobre suas dúvidas e inseguranças? Poderia realmente confiar nele?

permanecera de braços cruzados, completamente incrédula com o que acabara de ouvir dos lábios da gêmea. De todas as confissões que tivera da irmã, aquela era a mais drástica. Demorou a formular uma frase coesa:
— Você foi extremamente irresponsável. — concluira, passando as mãos no rosto maquiado. — Eu jamais imaginaria algo assim vindo de ti! Porra,
revirou os olhos, incrédula. Sabia que a irmã estava descontente, mas fora a primeira pessoa que conseguira falar sobre aquele assunto tão constrangedor para si.
— Realmente, , tudo que eu precisava ouvir eram suas palavras de apoio! Muito obrigada.
, nem me venha com suas doses de ironia! Ele tem o dobro da sua idade e você sabe que não está na razão! — colocou o cabelo curto atrás da orelha, nervosa. — Eu não quero nem pensar na reação do papai e da mamãe...
nunca levou em consideração a opinião de seus familiares em nenhum aspecto que dizia respeito à sua vida particular. Porém, aquela situação em que se metera era algo muito além de um simples problema. Ela nem conseguia mensurar qual seria a reação de seus progenitores caso descobrissem o que estava a ocorrer. Considerando que Ciara era professora da Academia de Magia e Bruxaria Beauxbatons, aquilo não demoraria a acontecer.
E temia pelo que os pais pudessem fazer contra a irmã. A família era temida por um motivo, afinal.
— Quem disse disse que eles precisam saber de algo, ? — arqueou as sobrancelhas.
— E como você pretende esconder um bebê em sua barriga, sua imbecil? — ela aumentou o tom de voz, levemente irritada com o tom prepotente de . — Puta merda…
automaticamente olhara para os lados, preocupada em estarem sendo ouvidas por alguém. Porém, aparentemente, todos os alunos estavam no salão principal, curtindo a festa de Halloween. Pelo menos, era o que ela achava.
— Fala mais baixo, . Primeiro que é apenas uma suspeita e você está fazendo alarde.
Obviamente, havia um misto de sensações engolindo . Mas o desespero da gêmea não ajudaria em nada naquele momento.
— Não deixa de ser problemático! — interrompeu a irmã rapidamente. — Eu estou cansada de acobertar você nisso. Sabia que uma hora ou outra isso aconteceria!
O descontentamento de era quase que palpável. Estava com um imenso peso na consciência, podia ter intervido naquela situação antes.
— Eu passei dezesseis anos me colocando à sua frente para tudo, ! E quando eu te peço ajuda, é assim que você retribui? Eu nunca saí da linha para nada, fui a filha exemplar…
Haviam lágrimas nos olhos verdes de . Medo, pavor e um misto de inseguranças inundavam seu corpo gradativamente. estava igualmente tensa, pois faria de tudo por sua gêmea. Mas acobertá-la custaria muito caro caso aquilo fosse descoberto pelas pessoas. Afinal, segundo pouco que sabia, ele era mestiço. Isso, em uma família puro-sangue, era considerado um crime.
— Você mesma sabe que isso é uma puta idiotice. Nossos pais são dois imbecis que justificam as atrocidades que cometem com base em uma falsa moralidade. E isso não é desculpa para fazer merda e não se cuidar, .
— Eu não escolhi estar nessa situação. Não estou me isentando da culpa, mas não escolhi passar por isso, ok? Que merda.
colocou a mão na testa. Utilizou toda sua força de vontade para não voar no pescoço da irmã naquele momento.
— Só você não vê que essa situação é tóxica, . Eu estou cansada, de verdade. E me segurando para não ir matar aquele desgraçado irresponsável.
Não sabia como podia ajudar a irmã. Afinal, o que ela poderia fazer?
— Pois bem, não se preocupe então. Não te peço mais ajuda.
, para de teimosia… — pegou a mão da irmã, que soltou-se bruscamente.
— Deixe-me em paz! Preciso respirar.
Saiu e deixou a irmã ali, parada e frustrada. estava furiosa, queria conseguir acabar com todo aquele inferno que estavam vivendo. Até cogitou contar ao rapaz sobre as incertezas da irmã, mas sabia que não estava no seu direito. Aquela situação não pertencia à , e o máximo que ela podia fazer, era assistir o desenrolar de tudo.
E torcer para que o menos nocivo ocorresse.


O barulho dos saltos finíssimos de ecoavam pelos corredores de Beauxbatons. Conhecia todo aquele local desde os onze anos: as paredes em mármore, o acabamento fino, esculpido delicadamente há muitos anos. Os lustres em puro diamante e candelabros em ouro e prata enfeitavam o corredor que a garota percorria, agora com a decoração de abóboras por todo canto. Cortou caminho através de uma passagem secreta pouco conhecida, observando os quadros em movimento, limpando as lágrimas durante o trajeto.
Chegou ao jardim externo oposto ao que conversara com há minutos atrás. Ela não tinha psicológico para voltar para a festa naquele estado, e ter de lidar com os olhares curiosos. E se sua mãe lhe visse? Como explicaria à sua progenitora o motivo de suas lágrimas? Ela, definitivamente, não seria compreensível. Muito menos seu pai.
Voltou a limpar as lágrimas quando notara uma presença no ambiente. Ficou instantaneamente preocupada em ser vista, e quando notara de quem se tratava a aproximação, saiu em disparada do local. Yves e Celine estavam aos beijos no canto de uma parede, e, quando notaram a amiga, que não conversava com eles há algum tempo, cessaram o toque para tentar um diálogo — em vão.
, espera! — a voz masculina fez-se presente. — Por que você está chorando?
Yves soltou a mão de Celine para tentar alcançar , segurando-a pelo ombro. Ele costumava ser seu porto-seguro, e naquele momento, era a última pessoa que a garota queria por perto.
— Conta para nós o que está acontecendo… Estamos muito preocupados com você. — Celine falou, encarando a amiga de soslaio.
Quando se conheceram, há cinco anos, e Celine não tiveram uma primeira boa impressão. Todavia, o jeito amigável de Yves fora o responsável por unir aqueles três, apesar das notáveis diferenças.
— Nenhum de vocês pode me ajudar. Não há nada que ninguém possa fazer.
Sabia que precisava arcar com seus erros e escolhas sozinha, mas era inegável a falta que seus dois melhores amigos lhe faziam. Tudo seria tão mais simples caso eles não tivessem brigado naquele dia.

, você está estranha há meses, a gente odeia te ver distante… — o menino retornou a fala.
suspirou, exasperada:
— Definitivamente, esse não é um bom momento.
— Nunca está sendo uma boa hora para conversarmos, . — Celine cruzou os braços, irritada. — Estou cansada disso.
nunca se comportara assim, jamais agira de uma forma tão ácida. Sempre fora uma garota de personalidade forte, mas nunca distante de quem realmente amava.
— Você não estava preocupada com isso há noites atrás, Celine. — Ela respondeu, sem pensar. Com certeza, o pior erro que cometera.
Celine Levesque descruzara os braços instantaneamente, pegando a varinha que estava no bolso de seu casaco. Yves, preocupado, parou a mão da amada no mesmo instante. Cel era muito cabeça-quente; podia acabar cometendo alguma besteira caso agisse descompensada. Num pedido mudo, encarou os olhos da mesma.
acobertara a amiga todas as vezes que ela se encontrava escondida com o amado. Afinal, ninguém podia saber que Celine estava em um relacionamento com Yves; ele era filho de pais trouxas, e assim como os , a família Levesque era extremamente conservadora. Cel, impaciente, retirou as tranças que caiam em seu rosto, para colocá-las atrás da orelha. Deixou a varinha onde estava, apenas para aproximar-se da amiga, encarando-a por cima:
— Você anda agindo de forma patética. Eu não sei o que deu em você, mas vai acabar sozinha agindo dessa forma. Jogar na minha cara o que fez por Yves e eu? Nós daríamos a vida por ti, , mas você só quer afastar a todos. Qual a porra da dificuldade de dialogar?
A senegalesa era irredutível. Simplesmente virou as costas e saiu dali, se controlando para não tomar alguma atitude da qual se arrependesse. Yves, ainda compreensivo, depositou um beijo na testa da mais baixa, com pena, deixando-a sozinha ali novamente. Era extremamente respeitoso e sabia que o procuraria quando precisasse.
Porém, aquela fora a última vez que vira a amiga.

já não estava mais com seus saltos. O vestido azul claro que delineava seu corpo jovem, já possuía a barra suja com a terra do jardim. parara a longa caminhada apenas para sentar-se perto da fonte que homenageia Perenelle e Nicolau Flamel, antigos estudantes famosos de Beauxbatons. Cruzara as pernas, com os pensamentos lhe engolindo em meio às suas incertezas.
Uma gravidez era a última coisa que planejou em sua vida. Seus pais queriam vê-la casada com um puro-sangue, levando a diante mais uma geração de aurores em sua família. E esse era o plano: orgulhar o legado dos . Em nada combinava ter um filho com seu professor aos dezesseis anos.
Ah, que situação problemática e desnecessária.
Após muito tempo, percebeu a aproximação de alguém. Instantaneamente irritou-se: se fosse Yves ou Celine, provavelmente entraria em outra discussão, ou até mesmo, coisa pior. Se fosse então… Por isso, olhara para trás, em uma aura irritadiça, apenas para surpreender-se com a presença que se encontrava ali.
— Ah, é você. — pronunciou, sem animação.
O homem instantaneamente soube que havia algo errado. Aquela não era a forma como agiria ao vê-lo. Arqueara a sobrencelha enquanto observara a situação em que ela se encontrava.
Definitivamente, havia algo errado.
— Você já esteve mais animada em me ver, .
Klaus sentou-se no banco, colocando o braço atrás da garota. Era melhor evitar aproximar-se dela no ambiente escolar, embora estivessem sozinhos. Ambos eram muito discretos e ninguém jamais imaginaria aquele envolvimento — a não ser a perspicaz gêmea .
— Desculpe, estou meio sem cabeça. — admitiu, cansada. — Acabei discutindo com minha irmã, depois com Celine e Yves… Só queria que essa noite miserável acabasse.
Uma lágrima automaticamente escorrera pela bochecha da garota. Por instinto, ele a limpara com o polegar, curioso com o que poderia ter ocorrido.
— Quer conversar sobre o que aconteceu?
acenou a cabeça negativamente. Conversar sobre o assunto, daria abertura para falar sobre a gravidez. E aquele não era o momento para abordar o assunto.
Não com o pai da criança.
— Então, por que você não está lá dentro? — tentou puxar assunto.
O professor de Defesa Contra Artes das Trevas sorrira ladino. Sua barba bem feita tinha um ótimo odor amadeirado que invadira as narinas de .
— Senti sua falta lá dentro e vim te procurar. Achei estranho que passasse tanto tempo ansiosa para esse baile e não estivesse o aproveitando.
E realmente, não parou de comentar um segundo o quão estava ansiosa. Por isso, aquela tristeza repentina era suspeita.
— Que pena que você está chateada… Mas acho que é uma oportunidade perfeita para eu lhe entregar algo.
— O que?
O coração da francesa acelerou. Ela não sabia o que aguardar, estavam distantes há alguns dias, principalmente depois que surgiram as suspeitas da parte da garota. Klaus, entretanto, colocou a mão no bolso, puxando o delicado arranjo de seda que estava repousado ali. Abriu-o gentilmente, revelando entre o tecido, um lindo colar. A corrente era em pura prata e centralizado, havia uma pepita em puro diamante bruto.
Ficou calada a princípio. Não sabia o motivo de estar sendo presenteada pelo mais velho, mas sentira, naquele momento, que podia confiar em seus sentimentos.
— Nossa, não sei o que dizer. — disse a garota, após muita relutância em pronunciar-se. — É muito bonito.
Klaus sorrira com a reação espontânea. Era a primeira vez que notara um sorriso singelo vindo da garota em muito tempo.
— É uma herança familiar. Espero que isso agrade você.
Ficou ainda mais tensa. Era imensurável o desconforto que sentia por estar escondendo algo dele. Ainda mais naquela magnitude, considerando o lindo presente que recebera. Tateou o material, curiosa, apertando a pequena pedra de diamante contra a palma de sua mão.
— Obrigada, de verdade. Isso é algo muito valioso e nem sei como posso te retribuir.
Não pelo valor financeiro, mas sentimental. Esconder o real motivo pelo qual estava distante, fazia sentir-se desleal. Não gostava de mentir para si mesma, muito menos para ele.
— Não precisa agradecer. — ele cortou a linha de raciocínio da menina, fazendo com que ela voltasse a encará-lo. — Só pense em mim sempre que estiver com ele, e nunca o deixe longe de ti. Isso já será o suficiente.
Ela assentiu positivamente. Abaixou a cabeça, encarando mais uma vez o colar, motivada a abordar o assunto. Talvez, o primeiro passo para resolução de seus problemas, fosse o diálogo.
— Posso te fazer uma pergunta? — ela atraiu sua atenção. O homem instintivamente assentira. — Posso confiar em você?
Klaus hesitou. estava particularmente desconfiada; talvez fosse pelo valioso presente que lhe fora dado. Muito embora ele quisesse guardar para uma ocasião especial, sentiu que aquele momento era um tanto quanto oportuno.
Conhecia em um nível muito maior ao que ela imaginava. A observava há muito mais tempo do que a garota pudesse mensurar. E ela não fazia ideia do perigo em que estava se metendo.
Os olhos verdes de Klaus Campbell encararam as orbes claras dos olhos de . Havia uma serenidade num misto à calmaria que buscava quando necessitava de amparo. Não negava o quanto estava entregue aquele homem, aquele romance proibido. Nada mais fazia seu coração bater tão forte.
Exceto, quando, sem aviso, ele descera sua mão em direção à barriga de e a repousara no local. Sua respiração automaticamente parou, ela estava sem reação. Não havia como ele saber, certo? Se não, outras pessoas teriam reparado também. E se mais pessoas haviam reparado? E se estivesse tão aparente?
Caralho.
— O que você acha? — ele sussurrou baixinho, ignorando toda a confusão que se passava pela mente da francesa.

ᴇxᴘᴜʟsɪᴏɴ

Ciara andara impaciente pelos corredores largos e cuidadosamente decorados em pedras preciosas da Academia de Magia e Bruxaria Beauxbatons. Há pouco, encontrara Celine e Yves, os melhores amigos de sua filha, que haviam lhe contado sobre o comportamento explosivo que tivera mais cedo. Repleta em curiosidade para saber o que poderia ter ocasionado aquela conduta, a mulher resolvera checar pessoalmente a situação.
Nunca fora uma mãe muito carinhosa ou afetuosa, pois o que realmente lhe atormentava a cabeça, era a opinião de terceiros sobre quesitos que envolviam seu sobrenome. Jamais tivera problemas comportamentais com a mais nova das gêmeas, apenas , a mais velha por apenas seis minutos, costumava lhe dar esse tipo de desgaste. Tinha a teimosia muito semelhante à de seu pai, e era tão birrenta quanto o mesmo. , por sua vez, era muito obediente para lhe causar tais constrangimentos.
E por falar em suas filhas, a mãe encontrara a gêmea de cabelos curtos pouco tempo depois, em um corredor estreito, bebericando em um recipiente pequeno de metal — que provavelmente continha bebida alcoólica. Estava sozinha, com lágrimas inundando os olhos verdes herdados da matriarca, bufando enquanto chorava impacientemente. O cheiro de álcool quase deixara Ciara embriagada junto à jovem, que sequer havia notado a presença da mesma no local.
— Me dê isso agora, . — a mãe ordenara com autoridade.
olhou para o lado, percebendo de onde vinha a conhecida voz, revirando os olhos. Terminou de beber o que continha no recipiente, rindo com escárnio, sem nenhum tipo de filtro; apoiara o corpo na parede em que estava, ainda tonta. Entregou o cantil de material gélido com impaciência nas mãos da mãe, que a observa incrédula em meio aos seus atos inoportunos:
— Você e sua irmã estão com algum problema hoje, por acaso? Pour Dieu...
riu com ironia, fazendo a mãe resmungar um palavrão baixo em retrospecto. Em meio às dificuldades motoras, graças à embriaguez, respondera a mais velha em seu típico tom de deboche:
— Agora além de responder pelos meus atos, também respondo pelos de ? — a voz exalara com dificuldade, bastante embargada pela bebida alcoólica. — E ainda dizem que os mais novos não tem privilégios...

Ciara respirou fundo. Não queria perder as estribeiras tão facilmente, ainda mais correndo o risco de alguém chegar e presenciar uma desarmonia na família mais observada da escola:
— Yves e Celine me disseram do comportamento estranho dela mais cedo. E eu sei que você sabe do que se trata, sempre conta tudo para ti. Então não se faça de idiota.
E de fato, ela sabia. Não havia ninguém que conhecesse melhor que sua irmã gêmea, sua fiel escudeira, seu porto-seguro — mesmo quando a companheira fazia merda. Mas jamais diria à mãe o motivo que a estava fazendo beber tanto em tão pouco tempo. Não queria mais problemas além da possível gravidez de .
Ser tia aos dezesseis já era o suficiente.
— Você e o papai fazem um excelente papel em serem ausentes há anos, não sei porque passou a se importar de repente com nossas — ela fez aspas com ambas as mãos, ainda com zombaria. — “atitudes de adolescente”.
Os olhos esverdeados, como o próprio reflexo da mãe-natureza, raivosos e furiosos, faiscaram observando a audácia da filha. Ciara detestava ser desafiada, e a herdeira de seu sobrenome se divertia em fazer aquilo: brincar com sua sanidade. Pegou no braço da menor, apertando o pulso fino e pronunciando em um tom de ameaça usual:
— Torça para eu não ache a sua irmã. Ou vocês duas se verão com o seu pai.
Soltou o braço da jovem, abruptamente, retornando o passo para longe da mais nova. tentou contestar a mãe, não queria que ela encontrasse a irmã abalada como estava. Porém, quase tropeçara nos próprios pés graças a quantidade de bebida que ingerira anteriormente. Maldito hidromel!
Ciara fora mais rápida quando a filha tentara a seguir, jogando fora o cantil de metal na primeira oportunidade. Dobrara o corredor, observando as enormes portas da instituição. Conhecendo bem a , ela deveria estar em algum lugar isolada, assim como a gêmea. Conhecia suas descendentes o suficiente para analisar seu modus operandi durante tantos anos.
Abrira uma das portas que dava em direção ao jardim externo e olhara ao redor, analítica. Inspecionou tudo com as orbes verdes sedentas, semelhante aos de uma águia caçando sua presa, pairando aleatoriamente sobre duas figuras ao longe, sentadas perto da fonte. Oh, não.
Aquilo não podia ser real, ela deveria estar tendo alucinações. Ela preferia que fosse apenas fruto de sua imaginação, mas não: lá estavam eles, unidos em meio a um ósculo. Aquele que quase destruira seu casamento, sua família, que ameaçou sua reputação, agora corrompia sua filha, apenas uma jovem adolescente de dezesseis anos.
sentia a respiração de Klaus ficar mais ofegante. Não era um beijo com segundas intenções ao contrário de outras noites, mas algo com sentimento, conforto, que acalmara a inquietação de . não fazia ideia do porquê seu querido professor sabia da sua suspeita, quase que confirmada, de gravidez. Porém, sentiu-se acolhida e aquilo bastava. A mão em sua barriga trouxe-lhe a paz que seu corpo necessitava exaustivamente nos últimos dias.

? O que pensa que está fazendo?
A menor se assustara. Merda! Por que a mãe havia lhe procurado? Será que a boca aberta de havia denunciado sua situação?
Ela estava completamente sem ação. Apenas desvencilhou-se rapidamente do homem, ficando de pé e dando um passo para trás. Klaus mal se moveu. Os olhos claros brigavam com os de Ciara, sentindo a calmaria esvair-se gradativamente.
— Mãe, eu posso explicar…
— Explicar o porquê de estar agarrada com um professor no meio da escola? Você está ficando maluca? Pensou em sua família em algum momento?
Ciara pega a varinha que estava em seu bolso; o ato fez instantaneamente recuar. Jamais imaginou a própria mãe lhe apontando aquele artefato, mas surpreendentemente, ela o direcionara até o professor Campbell:
— Klaus, você é mesmo um maldito!
Klaus riu com ironia, levantando-se. O professor de Defesa Contra as Artes das Trevas sacou sua varinha tão rápido que fora quase imperceptível aos olhos da garota. Ciara, porém, conhecia muito bem aquelas artimanhas.
— Agora vai me culpar, Ci? Por que você não tenta ser franca uma vez em toda sua vida e conta toda a história para ? Ela merece saber.
A curiosidade atiçou . Então havia um conflito do passado ali? Nunca nem vira a mãe interagir com Klaus durante anos lecionando! Jamais pensaria que ambos se conheciam, ou tinham algo em comum.
— Que história? Do que está falando?
A mãe fora tomada por uma onda de descontrole. Aquele assunto era, definitivamente, proibido. Não podia falar abertamente, não após o Voto Perpétuo.
— História nenhuma! Nada justifica você corromper uma menor de idade, porra. E você, , para o seu quarto, agora. E leve junto a bêbada da sua irmã que deve estar caída em algum corredor! Incrível como vocês duas só arranjam problemas!
— Mas, mãe…
— Chega! — Ciara gritou, encarando a filha em meio ao tormento. — Como diretora da Casa Noble, eu expulso você, , da Academia de Magia e Bruxaria Beauxbatons! E não ouse me contestar mais, ou as consequências serão muito piores.
fica em choque, momentaneamente paralisada. Nem conseguira ter uma ação plausível, e apemas saíra correndo do local, deixando que Klaus seguisse a figura da menor com seus olhos. As lágrimas escorriam incessantemente por sua face, em um misto de medo por si e sua irmã. Quando os dois finalmente ficaram sozinhos, Klaus colocara a mão no bolso. Não tinha medo de Ciara, de qualquer forma. A mulher não era páreo contra ele, e sabia muito bem que ela odiava chamar a atenção de uma forma tão prejudicial para a mesma.
— Você é baixo, Campbell. Ela não tem nada a ver com a porra da sua birra contra o Julius, é apenas uma criança.
Klaus rira, inundado em lembranças da sua adolescência. Ciara ainda era a mesma, arrogante, sempre o subestimando. Aquela sangue-puro era a mesma vadia atrevida de sempre, se intrometendo onde não era chamada.
— BIRRA? Vocês, são hipócritas para caralho. — ele comentou em tom zombeteiro, girando a varinha na mão livre. Suspirou fundo para recompor-se. — Entretanto, acredite, Ci, o que eu faço com a está longe de ser uma diversão infantil. — ele pronunciou com malícia, fazendo a mãe ficar furiosa com o tom prepotente. — Ela vem estando bem ocupada com minhas tarefas extras.
— O que pensa que está sugerindo, seu pedófilo de merda?
— Sua filha, neste exato momento, gera um herdeiro do meu sangue. Do nosso sangue.
Ciara perdeu a cor. Ela entendera muito bem o recado ao utilizar aquele pronome possessivo na frase dita pelo homem já conhecido. Klaus continha um riso escandaloso ao notar o desespero da mãe, que processava aquela informação grotesca dentro de si. Com ódio, apontara a varinha no pescoço de Campbell, deixando com que a risada saísse de si instantaneamente.
Era patético tentar ferí-lo, poderoso como tinha tornado-se.
— Julius jamais permitirá que ela prossiga com a gravidez. Ele irá te matar como já deveríamos ter feito.
Klaus gargalhara, invalidando todas aquelas ameaças fajutas. Aquilo não passava de blefe.
— Eu não tenho medo do Julius, muito menos de você. Ambos foram acovardados durante anos. Acham que podem me machucar agora, que estou mais forte?
Ciara finalmente atacou. As palavras não eram mais suficientes de destilar o ódio que sentia por aquele maldito mestiço. Pronunciara o feitiço Estupore, que sequer atingira o ágil homem, pois com sua perspicácia, desarmou a concorrente rapidamente. Klaus estava em seu melhor momento, em fúria, e faria qualquer coisa para vingar-se após tantos anos vivendo em agonia. Avançou contra a mulher, pegando-a pelo pescoço, apertando sua pele negra entre os dedos.
Ciara soltara um muxoxo. Aquilo não era mais sobre a gravidez da filha, mas sim sobre as pendências mal-resolvidas deixadas naquele passado sombrio. Respirou com dificuldade, tentando retirar de si a mão masculina que a enforcava cada vez mais. Pouco tempo após, praticamente a deixou cair no chão, sem oxigênio suficiente para fazê-la executar um contra ataque. Klaus Campbell, sentindo-se imensamente bem, dobrou os joelhos, ficando na altura da figura caída ao chão:
— Pode tentar se afugentar o quanto quiser, Ciara, é inevitável pagar pelos pecados. E vocês, , os quitarão em vida e com muito sofrimento, no que depender de mim. — Ele riu com escárnio, erguendo as mãos. — Ah, e lembre-se: o futuro da está nas minhas mãos. O bebê em sua barriga será o menor de seus problemas.
O rapaz de pele alva finalmente distanciou-se, apenas para aparatar e sumir diante dos olhos de Ciara. Ela estava sem rumo, jogada, ferida e atormentada pelos fantasmas do passado. Tudo, dali para frente, beirava à uma incerteza a qual ela não estava disposta a passar novamente. Não com suas filhas envolvidas naquela sujeira.
E tudo isso por conta daquele mesmo homem.

— Você é inacreditável, . Um bebê? Com a porra de um mestiço? — ela abriu a porta do dormitório da gêmea, encontrando ali as duas irmãs.
Ambas estavam de olhos inchados, com olhares perdidos e muito abatidas. O efeito do álcool já havia passado em , que estava incrédula com o fato da mãe ter expulsado a irmã da escola. Aquilo era tão descabido! Nervosa, por sua vez, Ciara chegou furiosamente em passos duros até , lhe desferindo um tapa na face, fazendo com que o silêncio reinasse no quarto.
Nunca agressão física havia sido um tópico dentro da convivência dos , o que deixara ambas as filhas horrorizadas com aquele ato violento. , que estava fragilizada, nem conseguiu olhar de volta nos olhos da mãe, ficando apenas com a face virada e sentindo a ardência em sua pele, deixando que as lágrimas rolassem.

— Não ouse bater nela! — vociferou, segurando o braço da matriarca.
tomaria um Avada Kedavra pela irmã sem hesitar. Jamais aceitaria que sua mãe lhe tratasse daquela forma, não em vista da situação completamente caótica que estavam vivendo.
— Abaixa esse tom de voz agora, ! Vocês tem noção da confusão em que se meteram? O mal que Klaus já causou a nossa família, eu deveria ter previsto… Maldição!
— Isso não tem nada a ver com você e seu passado, será que não consegue deixar de ser egoísta e enxergar os problemas dos outros uma vez na vida? — gritou, levantando o tom de voz pela primeira vez com a sua mãe.
ficou realmente impressionada com a reação da gêmea. Deviam ser os hormônios da gravidez falando? Merda, aquelas analogias eram completamente desnecessárias.
— Você deveria ter pensado nas consequências antes de dar para esse maldito mestiço. Não importa, foda-se, não podemos perder tempo. Há coisas que vocês ainda não estão preparadas para saber. — Ciara prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, tensa. — Peguem o Fly, rápido, não podemos mais ficar aqui.
Normalmente, para transitar entre o ambiente escolar francês, a Escola de Bruxaria Beauxbatons dispunha de uma Carruagem envolta no Feitiço de Expansão. Porém, o que Ciara visava naquele momento, era tomar atitudes discretas para que aquela situação tão tensa não chamasse a atenção e não lhe desse ainda mais dor de cabeça.
A última coisa que precisavam, era de plateia.
— Para onde vamos? — , impaciente, pôs-se de pé mesmo que a contragosto.
poderia passar a noite debatendo com a mãe, entretanto, sentiu-se na obrigação de obedecê-la naquelas circunstâncias. Ela temia pelo que poderia ocorrer dali para frente. Por isso, ajudará a irmã a erguer-se, ambas observando as ações da matriarca que encontrava-se tensa:
— Para a Mansão dos .
“Oh, merda.” pensou, apertando os olhos. Aquilo se tornaria um maldito tópico familiar. “Eu já fui expulsa mesmo” finalmente dera de ombros, pegando o Pó de Flu reluzente e prateado em mãos, pensando naquele local que ela conhecia tão bem.

A esposa de Anthony, que também chamava-se , deu um chá para a neta que carregava seu nome. Era talvez a única com ideais flexíveis entre os , e por isso, poupou a pobre jovem de participar daquele show de horrores que viria a seguir. Passara a mão pelos cabelos dourados da menina, que finalmente estava descansando sua cabeça após tamanho estresse.
Tony e Julius, por sua vez, discutiam no escritório enquanto tomavam um gole de whiskey de fogo. O avô da gêmea, impaciente, batera ambas as mãos na mesa, enquanto o seu filho rosnava em raiva.
— Por Merlim, você é um idiota. Já havia lhe dito, deveríamos ter matado esse maldito mestiço há tempos! Mas você e sua teimosia, Julius... — Anthony apagara o cigarro, terminando o seu whiskey em um gole rápido. — Agora ele contaminou minha neta com seus genes impuros. Essa família apenas me decepciona.
Tony era um homem de idade, mas muito bem conservado. O patriarca da família era a voz ouvida em momentos que necessitavam da racionalidade. Mas, ao saber que sua amada e querida neta carregava um filho daquele sangue-ruim filha da puta em sua barriga, pela primeira vez, sentira repulsa de seu próprio sangue.
Julius, por mais idealista e conservador que fosse, sabia que aquilo não era culpa de . Não inteiramente. Ela nunca lhe dera trabalho em nenhum aspecto. Conhecendo o ambicioso e manipulador Klaus, aquela seria uma maneira que Campbell usara para o atingir. Queria ferí-lo e ele mal conseguia perceber. Há quanto tempo aquele maldito dormia com sua filha e ele mal sabia? Deveria ter feito tudo aquilo em modo premeditado, pensado milimetricamente em como iria ferí-los.
Dezesseis anos e ele ainda não tinha desistido. Aquela guerra era desgastante e sem fundamento, e aparentemente, não acabaria por ali.
não prosseguirá com a gravidez, pai. Já conversamos com ela.
— Esse não é o ponto, oras! Essa situação poderia ter sido evitada se você — ele apontara o dedo com força no peitoral de Julius, que rosnou em resposta. — tivesse sido homem. E como sempre, coloca eu e sua mãe em risco graças à educação precária de suas filhas. Agora temos um escândalo nas mãos: uma , grávida de um mestiço! Eu devo estar delirando!
— O que você pretende fazer então, porra? A merda já foi feita! Quer que eu coloque um cinto de castidade nas suas netas, por acaso?
Anthony nunca sentiu tanta vontade de bater em seu filho como naquele momento. Mas controlou-se. Racionalidade era seu forte:
— Vou pedir sua transferência de setor urgentemente. Tem uma unidade aberta no Ministério Brasileiro e…
— Não quero ir para a América. — Julius interrompeu o pai. — Não gostaria que a vida das meninas fosse tão alterada. Você sabe como é.
Anthony riu com escárnio. Seu filho era realmente um grande mimado:
— Além de estar pedindo ajuda, está escolhendo demais… — Bufou, pensou e acendeu outro charuto. Seria o quinto da noite? — Posso conversar com Shacklebolt. Kingsley pode abrir uma exceção para nós em Londres… mas ainda sim, precisarei cuidar da localização de vocês. A Europa não é tão grande, mas por sorte, temos a Mansão em Wiltshire. Hogwarts não é uma escola tão ruim, embora eu prefira Castelobruxo.
Julius acenou com a cabeça.
— Sugiro então que façamos aquilo…
— Sabia que você iria sugerir isso — Tony bufou. —, e eu nem deveria me desgastar com uma magia tão pesada por você. — Ele levantou-se, saindo da parte de trás da mesa de seu escritório. — Então saiba que não estou fazendo isso por ti, mas pela minha neta.
— Que seja. — Julius deu de ombro, impaciente.
Ambos encararam-se. Finalmente, Anthony se aproximou novamente do filho. As mãos, tímidas, uniram-se em um aperto forte, junto aos olhos conectados enquanto a ansiedade os consumia profundamente. Cada um pegara sua varinha em mãos, apontando para o próprio peitoral esquerdo.
Após o silêncio reinar alguns segundos no escritório, o mais velho começara a articular aquele feitiço já conhecido pelo mesmo:
Quantum igitur ad magicum est cor tuum, (ao levar a varinha até seu coração,)
Jurat per unionem virtuti sincerae
(Jura em virtude da sincera união,)
Occulta protegere te voluit
(A proteger o segredo a ti destinado,)

Ferte vobiscum fidelius custoditi.
(E carregar consigo a fidelidade do resguardado.)


O feitiço Fidelius fora finalizado. As faíscas douradas que emanava daquela magia desapareceu no ar. Ambos se encararam, sentindo o poder daquelas palavras exercidas por Anthony, que sentira-se até mesmo fraco após o desgaste. De forma alguma, aquilo poderia ser em vão. Agora a família estava protegida.
Ou achava que estava.
— Escute, Julius — o pai lhe chamou pela última vez naquela noite. — Espero que eu não tenha que agir. Lembre-se do nosso antigo combinado: quero que me traga a cabeça de Klaus Kylian Campbell o quanto antes. Ou a ruína de nosso império será sua culpa!

ʜᴏɢsᴍᴇᴀᴅᴇ ᴀɴᴅ ᴍᴇᴀᴅ

ALERTA GATILHO: Apesar de Nobility ser descrita como uma fanfic restrita, esse capítulo possui um linguajar específico que pode soar ofensivo. Por isso, peço que prossigam com tal consciência daqui para frente. Espero que gostem.

Henry já havia tomado o rumo em direção ao Salão Comunal da Corvinal há um tempo. ficara ali, parada, confusa e com a mão sob a barriga, tomada por lembranças repentinas de pouco tempo atrás. Um gosto amargo automaticamente invadira sua boca sempre que se recordava daquela maldita noite — que mais parecera um pesadelo —, o sabor maldito da Poção Abortum se fazia presente: pútrido, áspero e enjoativo. Sentia-se péssima por não ter arranjado forças para protestar contra aquelas atrocidades vindas de seus próprios parentes; apenas agira da mesma forma de sempre, acatando as ordens da matriarca sem pestanejar. Sua família nada mais lhe informou sobre o paradeiro de Klaus desde então, muito menos lhe amparou emocionalmente quando o corpo jovem expeliu o feto sem vida.
Foi a lembrança mais aterrorizante para . Ver um descendente seu, pobre e indefeso, apenas ser descartado como se fosse um objeto.
As lembranças bombardearam , deixando-a sem fôlego. Era algo digno de ser esquecido, deixado para trás, e a menina sabia muito bem disso; mas toda aquela situação era muito recente para digerir sozinha e sem o devido amparo. Claro que era um ótimo ombro amigo — e o que melhor poderia ser definido como porto-seguro para —, contudo, havia sobrecarregado a gêmea excessivamente nos últimos tempos. Talvez devesse apenas tentar seguir em frente e trilhar seu caminho em Hogwarts, pouco a pouco, como uma adolescente normal.
Mas era difícil tentar ser uma jovem comum quando sua mera existência era envolta em tantos mistérios.
Quando a francesa virou-se para trás, deparou-se com Selly Barb encarando-a através de uma pequena abertura da porta. rira, com graça, notando a falta de discrição de sua colega recente.
— Você costuma ser sempre discreta, Selena?
O rosto fino de Selly fora tomado por uma coloração avermelhada, repleta em vergonha, enquanto tentava redimir-se:
— Oh, , desculpe… Fiquei curiosa para saber sobre o que Henry falava. Me desculpa mesmo… — ela coçou a cabeça, tensa. — Só fiquei preocupada. Talvez com ciúmes de Henry. É estranho ter ciúmes da nossa amizade? Sabe, eu te conheço há tão pouco tempo, porém parece que são anos e…
— Selly — a interrompeu, imediatamente, fazendo a menina permanecer levemente atordoada. —, obrigada.
— Obrigada? Pelo que exatamente? Por pedir desculpas? Pelo ciúmes? Vocês franceses são confusos!
riu com graça, meneando a cabeça em tom de negação. Mordera o lábio suavemente, aproximando-se da colega em um passo singelo. Pôs ambas as mãos nos ombros da amiga — típico gesto francês que fazia única e exclusivamente quando sentia-se à vontade com determinados indivíduos —, repousando os dedos gélidos calmamente.
— Por estar sendo uma ótima companhia. Só isso.
Selly assentiu e pela primeira vez, nada dissera. E nem precisava, afinal. Ela sentira que sentia-se confortável com sua companhia e aquilo era o suficiente.

— Por Merlim, , sou apaixonada pelo seu estilo! — Selena comentou, observando a colega enquanto a mesma se arrumava, olhando no espelho. — Eu amo a moda francesa. Principalmente a trouxa.
riu com graça, meio desconcertada pelo modo desinibido em que a amiga expressou-se. Vestia uma camisa de mangas longas, uma saia xadrez e botas com saltos finíssimos, típica moda francesa que sempre costumava utilizar. Colocou enormes brincos de prata e passou, ligeiramente, um pouco de maquiagem. Selly, por sua vez, estava trajada com uma longa camisa de uma famosíssima banda de rock trouxa, calça sarja e um all star. Correntes de prata cintilante enfeitavam o pescoço da escocesa, contrastando com suas tatuagens e deixando seu visual bem divergente do que costumava ser no período letivo.
— Obrigada, Selly. Adorei a camisa — comentou, pegando uma bolsa em meio às suas malas.
Antes de sair, arrumara as roupas que havia trazido da Academia de Magia e Bruxaria Beauxbatons, dobrando-as metodicamente, como costumava fazer. Porém, algo lhe chamou a atenção: a pedra bruta e reluzente do colar que sempre costumava carregar consigo (pelo menos, desde a fatídica data), fazendo com que um nó se fizesse em seu estômago. O flashback que havia lhe atingido mais cedo, a deixara realmente abalada; não sabia se era prudente carregar uma peça tão significante e acabar falando algo que não devesse sobre Klaus Campbell aos seus novos colegas.
Seus pais a matariam caso ela contasse a alguém que carregou um herdeiro sangue-ruim em sua barriga. E ela não queria ter o mesmo destino que seu descendente.
Mas ela sentia-se estranhamente à vontade em meio a presença de Henry, Leo e Selly. Ao passo que aquilo era incomum, considerando a personalidade reservada da menina, era notável sua evolução nesse aspecto. Talvez Hogwarts lhe fizesse bem, de um modo ou outro.
Selena saiu saltitante, enquanto contava sobre uma tal loja, Dedosdemel, e dos milhares de doces que comeria por estar tão tensa ultimamente. De modo eufórico, pontuou tudo sobre a pitoresca cidade denominada Hogsmeade para a amiga, e de como estava ansiosa para beber no Três Vassouras.
— Finalmente vocês chegaram — Henry bufou, revirando os olhos. riu em retrospecto.
Não era como se ele estivesse esperando ambas, Henry era o típico lobo solitário.
— Quanto drama, Meddows-Valley. — Selly retrucou, utilizando do pouco de sua ironia não usual. — A gente precisava ficar linda, ué!
— Não entendi o que deu errado no processo — ele a olhou de cima a baixo, devolvendo o comentário com um olhar ardiloso e uma risadinha.
Selena deu um tapinha leve no ombro do rapaz, rindo, enquanto se direcionavam para o lado de fora. Automaticamente, pegou no braço do mesmo, tagarelando sobre Leo Charles Windsor e sua preocupação aparente com o amigo, enquanto Henry apenas ficava perplexo com o fato da garota estar tão íntima dele em pouco tempo. Apesar da observação, não comentou nada e apenas deixou que Selly falasse, enquanto arrastava o rapaz e pelos braços.
Ao chegarem na tão falada Dedosdemel, pôde fazer algumas constatações, enquanto observava a rústica decoração. O ambiente, repleto em poeira, possuía uma grande escada de madeira, que direcionava até a loja principal. Podia-se ouvir a abertura e fechamento da porta, juntamente ao sino que tilintava ritmicamente. Haviam inúmeras prateleiras recheadas de doces açucarados e aparência extremamente apetitosa, fazendo abrir um sorrisinho bobo enquanto admirava aquelas novidades com extrema leveza.
Selena pegou alguns tabletes de nugá e quadrados cor-de-rosa de sorvete de coco, e Henry, extremamente simplista e clássico, pôs em suas mãos duas caixinhas de feijõezinhos de todos os sabores. simplesmente pegou alguns pequenos bombons despretensiosamente.
— Então, como estão os preparativos do baile? — Henry indagou com curiosidade, em meio aos passos afobados dos estudantes de Hogwarts.
— Baile? — o observou, curiosa, com uma caixinha dourada repleta de doces em suas mãos.
— Ah, é, às vezes me esqueço que você não esteve sempre aqui. — Selly rira, voltando o olhar repleto em ternura para a garota. — Estamos organizando um baile de solstício!
— Aconteceram alguns há anos atrás, e Dumbledore autorizou fazermos algo esse ano, sabe? Também, o tanto que a Selly e os demais monitores encheram o saco…
Selena franziu o cenho, particularmente ofendida.
— Eu sou monitora-chefe e quero guardar recordações épicas desse lugar! Claro que não podia deixar essa data passar em branco. E, bom, eu adoro festas, de qualquer forma. E provavelmente não frequentarei muitas após me formar e ter que trabalhar com os negócios da família — um bico se formara nos lábios finos de Verus Barb, fazendo rir.
— E quando será esse baile, afinal? — a de cabelos dourados retornou a perguntar, imersa na curiosidade sobre a nova escola.
— Bom, se fosse seguir o Solstício de fato, no dia vinte e dois… Só que decidimos fazer na véspera de Natal mesmo, para unificar datas tão especiais. Geralmente, muitos dos alunos vão para casa, mas por conta do evento, a maioria ficará para prestigiar.
chacoalhou uma pequena caixa de feijõezinhos igual aos de Henry, bastante curiosa. Vinda de uma família tão controladora quanto os , nem pequenos docinhos puderam fazer parte da infância conturbada de e . Lembrou-se das vezes em que comera macarons bruxos, escondida da vigilância da severa mãe, acompanhada pelos seus amigos travessos, Celine e Yves. As pequenas memórias aqueceram seu coração.
— Será que o After Party será na Comunal da Sonserina de novo? — Henry a tirou do transe, pegando sua carteira e retirando alguns galeões.
Os três pagaram por seus respectivos doces, enquanto Selly voltou a enganchar-se nos braços dos amigos. Guiou-os calmamente até a entrada do Três Vassouras, tagarelando outra vez.
— Tomara! Conhecendo bem, Zabini e Pansy já devem estar organizando isso —Selly mordeu o lábio, ansiosa, graças aos pensamentos de uma festa passada que a invadiu repentinamente.
— A tensão sexual que exala entre você e a Parkinson é quase palpável, darling. Tomara que não fiquemos de vela! — Henry comentou, pedindo em seguida, três cervejas amanteigadas.
riu suavemente com a fala do colega. Era notável que Pansy e Selena não viviam em um clima amigável, porém a francesa ainda desconhecia os reais motivos da inimizade. E considerando o quanto Selly era franca em todos os aspectos de sua vida, aquele era um fator que merecia atenção, nem que fosse futuramente.
— Ah, cala a boca, Henry. Ela me odeia, sei lá, desde sempre? Além disso, vi ela chamando o Charlie para o baile. — revirou os olhos, irritada.
— Nem sabia que o Windsor estaria presente. Ele geralmente passa esse período fora.
A Madame Rosmerta passou para entregar as bebidas dos jovens, trocando algumas palavras com Henry, que era seu cliente fiel. Após retirar-se, o trio passou a bebericar a cerveja, ingressando novamente no assunto tempos depois.
— Bom, eu o convenci a ficar. Ele e o Ced passam esse período juntos na maioria dos anos, junto com o Sr. Diggory, mas é sempre bom inovar, né?
— E você vai com quem? — indagou, imersa em curiosidade.
Selly mexeu na pontinha ondulada dos cabelos curtos antes de responder a amiga.
— Bom, eu havia decidido que iria sozinha, mas quando vi que Neville estava sem par, e ele não queria ir para casa esse ano ficar com a avó, então digamos que…
Meddows-Valley praticamente engasgou com a cerveja.
— Para tudo: você e o Longbottom? Inacreditável!
— Até que vocês fariam um casal fofo... — provoca, mordendo o lábio.
Selena revirou os olhos, terminando a bebida em meio a uma pequena risadinha. O grupo de amigos não podia estar melhor: bebendo, jogando conversa fora e esquecendo momentaneamente dos problemas pessoais e escolares. Era como se houvesse apenas eles ali, em meio a singularidade de cada um. Logo , que há pouco mais de um mês viveu o próprio inferno em Beauxbatons, sentia-se extremamente acolhida por duas figuras tão distintas: a falante e nobre Selly, e o clássico e arrogante Henry.
Mesmo com o baixo teor alcoólico da bebida, as cervejas passaram a fazer efeito quando o grupo passou da quinta dose. ria absurdamente das bobagens proferidas pela amiga, fazendo com que recebessem olhares julgadores dos demais frequentadores do bar. Por isso, saíram do ambiente pouco tempo depois, caminhando em direção à Casa dos Gritos. A figura abandonada e decrépita do local o deixavam ainda mais sombrio. , ligeiramente alterada, passou a mão pelo bolso. Não que estivesse com medo, mas encontrou-se desconfortável e angustiada em olhar aquela imagem.
A menina de cabelos dourados perdeu-se em devaneios, deixando de ouvir o que era dito por Henry e Selena — alguma fofoca irrelevante —, tirando o olhar da Casa, olhando para baixo. Um misto de sentimentos ruins atingira seu peito, novamente, a deixando confusa. Se estava bem acompanhada, protegida e cercada de uma nova realidade, o que havia de errado? Ela não conseguia compreender.
Passou a mão pelo colar, sentindo os olhos encherem-se de lágrimas repentinamente. A sensação era aflitiva e tormentosa, deixando-a extremamente desconfortável. Por algum motivo, ela tinha essa sensação toda vez em que se pegava pensando em Klaus.
— Hey, o que é isso? — Henry perguntou curioso, observando o artefato brilhante por cima do ombro da pequena.
instintivamente escondeu o colar, apertando em suas mãos. Nem sabia da existência da jóia, mas fora descuidada naquele momento. O estrago que algumas cervejas amanteigadas podiam fazer era surreal...
— Não é nada demais.
— Claro que é! Me conta, vi você com esse colar outro dia. — Selly deixou que os lábios formassem um bico.
suspirou. Se sentia desleal em não poder compartilhar coisas com alguém como Selena, que exalava franqueza e espontaneidade, enquanto a curiosidade de Henry lhe causou um incômodo aparente.
— É… um presente de uma pessoa especial.
Selly arqueou a sobrancelha:
— Tipo alguém que morreu? Ah, me diz que não foi sua avó, , desculpe...
Henry arqueou a sobrancelha, entendendo a situação de modo gradativo:
— Claro que não, Selena. Ela ‘tá usando um colar de um ex. Eu reconheço um coração partido de longe... , querida, isso é o cúmulo. — ele concluiu com a voz afetada.
Henry Meddows-Valley não era de se apaixonar facilmente, e superava as coisas até que rápido demais. Klaus fora a primeira experiência de tanto no âmbito sexual como amoroso, então ela não soube lidar com o turbilhão de sentimentos.
— Não posso me desfazer — a voz de vacilou —, eu disse a ele que sempre deixaria ele comigo! E como você sabe que é de um ex?
Por Dieu, , é meio óbvio — ele se gabou, tamborilando os dedos em sua coxa. —, mas ouça meu conselho: o único jeito de você superar o passado, é se livrando de coisas como essas. Tem caras tão interessantes em Hogwarts, você não precisa sofrer!
— É… acho que você tem razão.
Ele não tinha, não sabia nem a metade das coisas. Mas algo era certo: talvez devesse esquecer Klaus, afinal, ele nunca havia lhe dito que conhecia sua mãe — não tão intimamente; também não soube dizer como ele sabia que ela estava grávida, muito menos o porquê ele sequer tentou contatá-la desde então. Eram muitas perguntas, poucas respostas, e provavelmente, só ela estava sofrendo, ao passo que seus familiares seguiram suas vidas normalmente.
Quase sempre eu tenho razão, acredite. — Henry se gaba, abraçando a colega pelos ombros.
, por sua vez, tratou de colocar a jóia, que estava enrolada, em seu bolso. Sentiu o peso recair lentamente, voltando seu olhar para as orbes gélidas de Henry.
— O que pretende fazer com isso, afinal? — Selly indagou, curiosa, atraindo a atenção de ambos.
— Poderia queimar — o rapaz sugeriu —, mas o melhor, é só guardar longe de você. Duvido que esse cara não suma da sua mente quando eu te apresentar os meus amigos mais gatos! — Henry sorriu travesso, pensando em algumas possibilidades.
Selly mordeu o lábio, extasiada pela ideia de aprontar um pouco.
— Eu acho incrível. Já imaginou ela com o George? E a com o Fred? Ah, ia ser tão fofo! Iam combinar, um casalzinho de gêmeos!
revirou os olhos, dando uma risadinha antes de responder a colega:
Não viaja, Selly.

Uma aula com Severo Snape não era um jeito confortável de finalizar uma segunda-feira. O clima não estava particularmente amigável entre os alunos da Grifinória e da Sonserina, como de costume. ainda estava mexida pela forma em que se expôs sentimentalmente em Hogsmeade para os amigos, mas incrivelmente mais confortável com o colar guardado em sua caixinha de jóias no dormitório.
Não havia falado com desde então, e sentia muita falta dos diálogos com sua gêmea. Porém, vê-la tão à vontade com Harry, Hermione e Rony a deixou insegura em alguns aspectos. Ela sabia que era bobagem, afinal, elas eram irmãs.
— Então, Srta. — a voz de Snape fez-se presente, trazendo a atenção de até a figura masculina. —, sei que vocês vem de uma linhagem de grandes Pocionistas franceses. Veremos se é tão boa quanto seus ascendentes.
olhou onde estava , em que Severo digira a palavra. A figura intimidadora do diretor da Sonserina parecia não abalar a audaciosa grifinória à sua frente. Selly analisava a cena com angústia, ao lado da amiga da mesma casa.
A garota repetiu os atos feitos pelo professor há poucos minutos, que demonstrara à classe com máxima maestria, a execução da poção Venenum Transuerso, fruto de um estudo francês. Por um pequeno descuido, o líquido translúcido preparado por não atingiu o ponto desejado, fazendo com que o docente torcesse a face em uma careta, demonstrando sua insatisfação.
— Patético. Menos dez pontos para Grifinória.
— Mas, professor… — , tomada por sua valentia, tentou contestar, sendo ignorada por Snape.
Em passos rápidos e duros, o professor dirigiu-se até o lado oposto da sala, fazendo com que sua capa preta esvoaçasse enquanto passava. Ele parou em frente à , que arqueou sua sobrancelha, tensa com a atitude do mesmo. Selly também estava com os olhos arregalados, contendo sua risada de nervosismo.
— E você, Srta., se sairá melhor que sua irmã?
Tudo que não precisava, era da classe toda prestando atenção em seus atos minuciosamente. Respirou fundo, altamente tensa, repetindo as instruções do professor conforme se recordava, pois estava perdida demais em si para dar à devida atenção em seus dizeres.
resmungou, já que a irmã era muito mais talentosa nesse âmbito. Não puxara nenhuma das qualidades dos seus familiares: honra, tradição e talentos antigos. A menina gostava de esportes brutos, quadribol, e as aulas de esgrima e combate que tinham em Beauxbatons, contrastando com a irmã, que era uma exímia bailarina, cheia de doçura e contida, mas que mesmo assim, não era boa o suficiente para seus pais.
Elas nunca eram o suficiente.
— Excelente. — Snape elogiou-a quando a poção se assemelhou a do mesmo, quanto na coloração, como na densidade. — Dez pontos para a Sonserina!
O professor não escondia a predileção para a própria casa, fazendo com que alguns alunos resmungassem. Até mesmo Hermione demonstrou-se incomodada, mas apenas meneou a cabeça. Parou para observar a irmã, que estava distante, e parecia até mesmo desinteressada pelos pontos que conseguira. Logo ela, que era tão competitiva...
Selly olhou a amiga com ternura, enquanto Snape dava algumas informações adicionais sobre a poção em questão. Ao lado das meninas, um certo loiro não conseguia se manter calado:
— Eu ainda estou morrendo de dor, Pansy! Cuidado com meu braço!— Draco dramatizou quando a amiga esbarrou, minimamente, no local enfaixado. — Eu poderia ter morrido naquela queda…
— Quanto drama. Ele podia ganhar um Oscar. — Selly falou baixinho apenas para que pudesse ouvir.
“O que diabos é um Oscar?” pensou a , tendo seu raciocínio interrompido por uma fala nada agradável:
— É impressionante que alguém como você tenha chegado no último ano, Barb.
Era incrível como Draco só dizia coisas inoportunas e desnecessárias. Selly ficou sem reação: era doce demais para avançar contra Malfoy. Embora respondesse seus comentários, nunca agira de forma ofensiva em relação ao loiro, que lhe atacou sem motivo aparente.
— E na sua cabeça deve fazer um eco enorme. — direcionou o olhar até o rapaz, deixando Pansy e Zabini sorridentes com a troca de farpas.
— O que você disse, sua francesa insolente?
— Que seria impressionante você ter uma grama de cérebro dentro da sua cabeça oca, Malfoy. Além de estúpido, é surdo? E aliás, esqueceu-se de sua origem? Me chamar de francesa não é minimamente ofensivo.
Draco fechou as mãos em punho, sentindo-se diretamente ofendido. Malfoy odiava que lhe enfrentassem diretamente, e parecia não ter nada a perder. Embora não fosse violento, sentiu uma imensa vontade de brigar com aquela garota — bonita demais para o próprio bem, diga-se de passagem.
— Srta. , está tudo bem por aqui? — Snape interrompeu o diálogo passivo-agressivo, fazendo com que a ofensa a ser proferida por Malfoy se dissipasse antes de ser proferida.
— Melhor impossível, Professor Snape. — o respondeu com ironia, levantando a sobrancelha.
Severo possuía uma imensa perspicácia e enxergava a recente rivalidade entre aqueles dois. Não era a primeira vez que os via em um clima tenso, afinal, mas sua predileção por Draco era notável.
— Oh, certo… espero que não seja tão encrenqueira como a sua irmã. — lançou um olhar penetrante em direção à grifinória, que devolveu na mesma medida. não se intimidava por ninguém, nem mesmo Severo. — De qualquer forma, o Sr. Malfoy precisa de auxílio no preparo de sua poção, já que seu braço está fraturado e...
— Creio que Pansy ou Blásio podem ajudá-lo, no caso. — respondeu prontamente, levemente incomodada com a ideia de ter que auxiliar o petulante Malfoy.
— Mas isso não seria um problema para alguém tão grandiosa como você, não é mesmo?
odiava sentir aqueles malditos olhares curiosos sobre si. Até mesmo Malfoy exibia um sorrisinho cafajeste em sua face, devido à atitude vinda de seu professor favorito. Era ótimo poder provocar sua mais nova diversão em um território tão confortável para ele.
À contragosto, a sonserina caminhou em direção ao colega de classe, parando ao lado do garoto. Prendera os cabelos dourados em um rabo-de-cavalo alto, pegando os ingredientes em mãos, enquanto Draco agonizava de desconforto.
— Você está fazendo errado. — Malfoy interrompeu o processo iniciado por , a fazendo bufar em frustração.
Ela revirou os olhos, entediada.
— E você sequer está fazendo, Malfoy…
Eu adoraria estar te ajudando — o loiro ironizou —, mas estou com uma fratura no braço, francesinha.
Ela riu, em descrença com o que ouvia. Pegou algumas ervas em mãos, espalhando as pequenas folhas em torno do caldeirão que utilizava para realizar aquela poção. Sua mãe a fazia treinar exaustivamente aqueles atos, que já eram mecânicos em sua mente.
— Fratura psicológica, né? E muito drama, diga-se de passagem. — resmungou, deixando seu olhar vidrado e concentrado no que estava fazendo.
Talvez se ela ignorasse Draco, aquela situação — que parecia divertir o Professor Snape — passaria mais rápido. Ele, por sua vez, encarava a menina minuciosamente, julgando seus atos.
— Quanta insolência. Você nunca deve ter sequer jogado quadribol, não é mesmo?
Eu não devo jogar pior que você, isso é fato.
estava mentindo, afinal, ela havia observado o quão bem Draco jogava. Mas queria abalar seu ego, apenas por prazer. O loiro apenas mordeu o lábio e ajeitou o braço dolorido na tipóia, observando a garota trabalhando em meio a concentração. Não soube dizer o porquê, mas preferiu não falar mais nada e apenas aguardar o final daquela aula, bufando impacientemente. Parkinson e Zabini não o deixaram em paz, de qualquer forma, recebendo olhares furiosos de . Selly, por sua vez, apenas riu da situação engraçada.

— Eu, definitivamente, odeio o Snape. Além de ter me feito passar por aquilo durante a aula, ainda temos esses pergaminhos enormes para entregar em tão pouco tempo.
pôs os livros em cima da mesa, irritada, sentando-se e cruzando as pernas. A biblioteca era um lugar em que a menina passava boa parte de seu tempo, já que ela e Selly estavam estudando muito nos últimos tempos. Ficar no Salão Comunal da Sonserina era inviável, em vista do último diálogo desagradável com Draco.
só precisava de um pouquinho de paz naquele dia caótico.
— Confesso que achei engraçado. — Selly admitiu, em voz baixa, deixando a francesa com um olhar perplexo.
— Que tipo de amiga você é?
Selena gargalhou, recebendo um olhar de reprovação pelo seu tom de voz inadequado ao ambiente em que estavam.
— Desculpa, , mas você e o Draco são tão parecidos que chega a ser trágico. Por isso, eu achei engraçado.
Incrédula, pegou sua pena em mãos, rindo consigo mesma.
— Não vou levar para o lado pessoal para que continuemos sendo amigas, Selly.
A amiga riu singela e copiou o gesto da mesma. Vez ou outra, trocavam alguns olhares que facilmente podiam ser um diálogo não-verbal. transcrevia os versos do livro com certa raiva, incapaz de deduzir se seria capaz de concluir aquela tarefa num período tão curto de tempo.
Algumas horas se passaram, e o cansaço começou a tomar conta dos corpos das jovens sonserinas. espreguiçou-se, exausta, e Selly fora organizar seus materiais, fantasiando a excelente noite de sono que teria após tamanho empenho. Todavia, sua linha de raciocínio sofrera uma interrupção por passos apressados em direção às meninas, levando o olhar das mesmas até a porta. Era Henry.
O que foi, Hen? — Selly indagou, o chamando pelo apelido carinhoso, com a cabeça levemente tombada para a esquerda.
O corvino sentou-se na mesa afobado, direcionando seu olhar até o de . Selly estranhou, mas apenas observou ambos, imersa em curiosidade.
, você não vai acreditar. Achei algo relacionado àquele livro.
As sobrancelhas de se curvaram.
Aquele livro? O que têm?
Henry olhou em direção à Selly, que estava imensamente confusa, pedindo permissão à para falar sobre o assunto na frente da mesma. A garota não ofereceu resistência em falar do acontecimento em frente à amiga, fazendo com que Meddows-Valley prosseguisse:
Fui pesquisar a respeito da vida de Zintaw Kylian, já que estava curioso e ocioso essa tarde. — ele pôs algumas manchetes do jornal Profeta Diário em cima da mesa, para que a amiga observasse. — E acabei descobrindo que, é… Bom, é melhor você mesma olhar e tentar compreender.
Henry lhe direcionou uma das manchetes, deixando-a ainda mais aflita. De todas as coisas que poderia esperar, a última eram aqueles nomes tão conhecidos.
“Após a morte repentina do bruxo Zintaw Kylian, que contribuiu imensamente para o Ministério de Magia Francês e Inglês com suas descobertas, o mesmo deixará suas posses e conquistas para Anthony Kane e .”


Continua...



Nota da autora: Olá, minhas queridas leitoras, como vão vocês?
Como vocês já sabem, o enredo de Nobility trata-se de uma vertente alternativa à que se passam os eventos conhecidos de Harry Potter. Nessa versão, o que ocorreu em Prisioneiro de Azkaban é alterado: Pedro Pettigrew fora preso, Sirius Black inocentado e houve, finalmente, a queda do Lorde das Trevas. Ou seja: todos vivem uma vida utópica e majoritariamente feliz.
Basicamente, peço que não se prendam aos eventos originais, idade dos personagens e outros fatores canônicos, pois adaptei muitos fatores para inserí-los de forma singular para a obra. Espero que leiam com um imenso carinho, já que tentei resgatar a essência de personagens que não tiveram a oportunidade de brilhar originalmente.
Agradecimento especial a toda minha equipe interna, Bruna, Carolyne, Giovana, Lorhayne e Marcella, que sempre me auxiliam com maestria na execução de todos os capítulos. Elena, Luísa e Patrícia, obrigada por terem lido antecipadamente e terem me dado tanta força (como sempre)! Stephanie e Mayara, parabéns por terem ganhado o sorteio, espero que tenham gostado.
Através do meu link.me, vocês terão acesso ao grupo de WhatsApp, playlist e outras fanfics de minha autoria e parceria! https://linkme.bio/sdsthais/
Por hoje é só, beijos!

Nota da Beta: QUE CAP FOI ESSE, HEIN?
Como sempre, você arrasando na escrita, Thais. Esse final me deixou muito com gostinho de quero mais e a cabeça pensando em mil possibildiades! Ansiosa para a próxima att.
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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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