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Última atualização: 21/10/2021

Prólogo

“Quanto sangue vamos derramar, até alcançar a paz?”


Era de noite, quando foi separada de sua família. Chegando em casa, não encontrou ninguém, apenas homens estranhos. Que a levaram dali, ninguém a salvaria, aliás, ela era uma estrangeira. Os homens riam e se vangloriavam por terem raptado a garota. Já estavam longe de Konoha, quando a entregaram a um outro homem.
— Idiotas! — O homem se levantou, e parecia bravo. — Trouxeram a garota errada! A Jinchuuriki da Kyuubi é bem mais velha que essa menina! — O homem andava de um lado para o outro, pareciam ser da Vila Oculta da Pedra. — A garota certa já é uma mulher. — O homem bufou.
— E o que faremos com essa? — Perguntou um dos que a raptou, ela observava atentamente enquanto estava amarrada.
— Eu não sei! Matem, joguem fora, afoguem, eu não me importo! — O homem foi embora, batendo os pés.
— O que faremos? — Eles perguntavam entre si.
— Vamos jogá-la na Vila Oculta da Chuva. — Respondeu um deles.
— É uma boa ideia, existem vários órfãos da guerra por lá. — Eles arrastaram a garota, que estava feliz por ter sido ela, e não a sua irmã. Ela daria a vida pela irmã sem pensar duas vezes. A dor de estar distante da sua família não seria nada comparada a dor de perdê-los. Eles fizeram como disseram que fariam, a jogaram, amarrada no meio da Aldeia. E começou a chover, a chuva se misturava com as lágrimas que escorriam de seu rosto. Ela já havia aceitado que morreria ali, quando fechou seus olhos, esperando pela morte, um deles voltou, cortou a corda e correu. Ela deitou no chão, com os braços abertos, sentia a chuva escorrer pelo seu rosto, e seu cabelo vermelho, grudar em sua pele.
— É uma criança! — Ela escutou uma voz feminina se aproximando dela. A mulher, de cabelos pretos e longos, se abaixou ao seu lado. — Você está bem, querida? — Ela negou com a cabeça, é claro que ela não estava bem, era nítido. A mulher a pegou no colo, e enrolou com seu casaco. — Vou levá-la comigo.
— Você não sabe nem quem é essa criança! — Disse o homem que estava com ela.
— É uma criança, provavelmente uma órfã da guerra, não vou deixá-la para morrer aqui sozinha. — O homem virou os olhos, e a mulher caminhou com ela nos braços. Ela observava tudo ao seu redor, tudo que havia sido destruído pela guerra, aquela Aldeia tinha sofrido tanto quanto seu País. Chegaram em uma casa, e o homem abriu para que a mulher entrasse. A mulher colocou ela em um sofá, e sorriu.
— Qual seu nome? — Perguntou ela.
— Uzumaki . — Murmurou a garota.
— É um prazer, ! Me chama Takanashi Ayumi, e esse é meu marido, Hiroshi. — A garota engoliu seco, o homem desceu com um cobertor, e entregou a ela.
— Vou fazer um chocolate quente. — Disse ele, e Ayumi assentiu.
— Quantos anos você tem?
— Sete. — Respondeu a garota, com a voz trémula.
— Tão pequena... Quer me contar como chegou aqui? — apenas negou com a cabeça. — Certo. — A mulher entortou a boca, olhando para cima. — Que tal tomar um banho quentinho? Não tenho roupas do seu tamanho, mas podemos dar um jeito. — A menina assentiu, segurando a mão da mulher, que havia estendido para guiá-la. Elas subiram uma escada, a mulher a ajudou com o banho, e ficou um pouco assustada com as marcas de cordas e machucados em seu corpo. Após o banho, elas deram um jeito de vesti-la, até que um barulho enorme soou lá embaixo.
— O que foi isso? — Ela se escondeu atrás da mulher, que a levou para o quarto, e a colocou dentro do armário.
— Não saia daqui até que não ouça mais barulhos. — A menina assentiu, e a mulher jogou roupas por cima dela, fechou a porta e saiu correndo do quarto. Os barulhos aumentaram, agora eram gritos, com barulhos altos. Ela obedeceu às ordens que recebera, ouvia passos pela casa, e homens discutindo entre si. Uma hora se passou, ela não aguentava mais ficar ali, não havia mais barulhos e ninguém havia ido tirá-la de lá. Ela desceu as escadas em silêncio, quando chegou a cozinha viu a cena mais triste e chocante que já tivera visto em toda sua vida, as pessoas que a acolheram, mortas sobre a mesa. E o seu chocolate quente em uma caneca, em cima de uma bandeja. Ela se encolheu no canto da cozinha, e abraçou as pernas, chorando. Pessoas bondosas que a tiraram da rua, sem mesmo conhece-la. Era injusto, ela perder tantas coisas em um só dia, era injusto, pessoas boas morrerem pela guerra. Pessoas inocentes estavam morrendo, crianças separadas de suas famílias. Aquele dia mudara sua vida por completo, ela havia conhecido a dor, da pior forma possível. E estava sozinha. Ninguém viria salvá-la.

Aquele dia ficaria marcado para sempre em sua memória, o dia em que uma menina de sete anos, que foi separada de sua família, teve que enterrar desconhecidos que a ajudaram. O dia em que ela percebeu que o mundo era injusto, e se viu sozinha, de novo. E foi ali, naquele momento, que Uzumaki começou a se perder de si mesma. Ela nunca mais veria sua família, Konoha não os ajudaria a procurá-la e ela sabia disso. Imaginava a dor que sua família estava sentindo sem ela, como ela queria abraçar a irmã. Ela só tinha sete anos, e ainda sim, viu mais coisa que muitos adultos. A chuva voltou a cair, se misturando com suas lágrimas. Ela era só mais uma criança sozinha em meio a guerra.

Capítulo 1 - De volta à Konoha

Sentada na grama, limpando seu jardim, percebe a presença de um homem, que parecia ferido, se aproximando. Ela caminha ao seu encontro, era um homem alto de cabelo gande e branco, com umas marcas vermelhas no rosto.
— Com licença, o senhor precisa de ajuda? — Perguntou ela, ela tinha fama de bondosa naquela pequena cidade, mesmo sendo apenas uma máscara para ser aceita. O homem moveu seu olhar para ela, e parecia ter entrado em choque.
— K-Kushina? — Perguntou ele, ela sentiu uma pontada em seu peito, aquele homem conhecia sua irmã.
, na verdade! — Ela sorriu. — De onde o senhor conhece minha irmã?
— Eu fui sensei do marido dela, e agora sou sensei do filho dela. — Respondeu ele, ela sorriu, um sorriso sincero que não dava fazia anos.
— Então ela teve filhos? — O homem assentiu.
— Apenas um, Uzumaki Naruto. — Ele respondeu, abaixando a cabeça. — Você então não sabe o que aconteceu com ela? — Ela negou com a cabeça, fazendo uma expressão de preocupação. — No dia em que deu a luz ao seu filho, o selo da Kyuubi se rompeu... — Ele abaixou a cabeça, e ela ficou paralisada. — Ela e seu marido deram a vida para salvar seu filho e a Aldeia, eles morreram como heróis, e o menino cresceu sozinho. — Ela caiu no chão, desolada, os segundos de felicidade que sentiu ao saber que sua irmã tinha sido feliz se esvaíram com aquela notícia. Aquele mundo era injusto demais, pessoas inocentes continuavam morrendo por culpa de outras pessoas, crianças inocentes se tornavam órfãs por culpa de outras pessoas, aquilo doeu demais nela. — Sinto muito. — Disse o homem.
— Obrigada. — Respondeu ela, se recompondo.
— Você foi a irmã que desapareceu? — Ela assentiu. — Acho que você deveria retornar à Konoha, aliás, Konoha é sua casa. — Ela riu sarcasticamente.
— Minha casa? Konoha colocou um monstro dentro da minha irmã, que causou a sua morte! Konoha nos fez ir até lá, quando sequer puderam nos dar segurança! Eu fui levada de dentro da Aldeia, e jogada em meio à guerra, me tornei órfã com família! Konoha moveu quantos dedos para me salvar? Nenhum! Não venha me dizer que Konoha é minha casa, porque minha casa foi destruída há muito tempo. — Seus olhos haviam mudado, ele podia sentir a frieza em seus olhos, e a dor em casa palavra.
— Mas em Konoha, você tem o seu sobrinho. — Disse ele, tentando convencê-la. Ela teve um momento de clareza, onde quis conhecer o menino, e mais que tudo, quis se vingar de todo sofrimento que Konoha fez sua família passar. Ela se levantou e suspirou.
— Talvez não seja uma má ideia, eu gostaria mesmo de conhecê-lo. — Ela sorriu, e o homem retribuiu o sorriso. — Como é mesmo o seu nome?
— Jiraya! — Respondeu ele, sorrindo.
— Certo, Jiraya! Me chamo Uzumaki .

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No caminho para Konoha, Jiraya explicou à que Naruto não podia saber sobre seus pais, e que eles deveriam conversar com a Hokage sobre como ela se apresentaria para ele, já que não poderia se apresentar como tia. pensava em ganhar a confiança de todos e começar a destruir Konoha por dentro, e tirar seu sobrinho de lá. Jiraya também contou que a Kyuubi agora estava selada no garoto, o que a deixou com mais raiva ainda. Ela não pensaria em como acabar com Konoha ainda, precisava observar cuidadosamente como era de dentro. Quando chegaram na entrada da Aldeia, ela se lembrou de quando morava ali. Enquanto caminhavam para a Mansão da Hokage, recebiam alguns olhares, algumas pessoas se lembravam de Kushina e cochichavam. Jiraya olhava de segundo em segundo para ela, para verificar se estava tudo bem.
— Certo, a Godaime Hokage é uma pessoa muito temperamental, mas acho que não teremos problemas, se você manter a sua simpatia. — Ele sorriu de lado para a garota, que riu fraco. Ele bateu na porta, que se abriu.
— Jiraya? Você usando a porta e ainda por cima batendo? — Perguntou Tsunade, espantada.
— Eu trouxe alguém. — A menina saiu de trás de Jiraya, ficando visível. Tsunade não acreditava no que seus olhos estavam vendo.
— Uzumaki Kushina? — Perguntou ela, perplexa e sem entender o que estava acontecendo.
— Uzumaki . — A garota respondeu, sorrindo.
— Ela é a irmã mais nova de Kushina, que foi raptada quando criança. — Explicou Jiraya.
— Sim, eu me lembro! Achamos que estava morta. — Tsunade tinha seus olhos cheios de lágrimas, era um milagre aquela criança ter sobrevivido sozinha.
— Eu também achei que estava, na verdade, por muitas vezes eu desejei estar. — Disse a garota, abaixando a cabeça. — Foi difícil sobreviver sozinha... Eles queriam a minha irmã, e pegaram a garota errada, então me jogaram em Amegakure, para morrer sozinha, na chuva e amarrada. Mas um deles voltou, e cortou a corda. Não que eu tivesse força para levantar, mas um casal gentil me salvou, e naquela mesma noite, foram covardemente assassinados. — Ela sentiu uma lágrima escorrer de seu rosto, Jiraya e Tsunade a olhavam com pena. — Depois disso, sobrevivi indo de porta em porta, pedindo migalhas de comida, de cidade em cidade, até que encontrei um mestre, que me ensinou ninjutsu e taijustu, mas ele nunca mais apareceu. Eu ia de cidade em cidade pedindo esmola, procurando um lugar para passar a noite ou um lugar que me deixasse trabalhar em troca de comida e um teto. Foi assim que sobrevivi, nunca consegui retornar à Konoha, então me virei em Amegakure. — Tsunade suspirou.
— Bom, você é bem vinda de volta em Konoha, tenho certeza que gostará de conhecer Naruto. — Disse Tsunade, e a garota sorriu, seu sorriso era contagiante, Tsunade retribuiu o sorriso. — Por enquanto vamos apenas dizer que vocês tem um parentesco distante, mas que você não sabe sobre a família dele. — Completou, e a mais nova assentiu. Um homem de cabelo branco, meio acinzentado, bateu na porta, que estava aberta. E quando ela se virou para ele, ele paralisou.
— K-Kushina?!
— Não! — Ela riu. — Pela milésima vez hoje, eu sou Uzumaki , irmã mais nova de Kushina, e você quem é?
... — Ele sussurrou.
sou eu, e você? — Ela virou a cabeça para observá-lo, e estava meio confusa, Tsunade e Jiraya queriam rir.
— Me desculpe. — Ele estava meio sem jeito. — Me chamo Hatake Kakashi, eu era aluno do Minato-sensei, fomos colegas de classe por um tempo.
— Ah, me desculpe. — Ela fez um biquinho. — Eu não me lembro.
— Tudo bem. — Ele sorriu com os olhos. — Não esperava que lembrasse, mas fico feliz que você esteja bem. — Ela sorriu para ele.
— O que deseja, Kakashi? — Perguntou Tsunade.
— Vim reportar a missão. — Respondeu ele, e ia caminhando para fora da sala.
— Aproveitando que está aqui, leve a Uzumaki para esse apartamento. — Ela entregou um papel ao homem, e a garota parou de andar. Esticou a mão e entregou uma chave. — Leve ela e as coisas dela, eu pediria ao Iruka, mas você já está aqui. Reporte a missão depois. — O homem assentiu. — Seja bem vinda de volta, . — Disse, sorrindo e a mais nova retribuiu o sorriso. Kakashi saiu da sala, seguido pela menina.
— Então, você conhece o Naruto? — Perguntou ela, sorrindo.
— Sim, eu sou sensei dele. — Respondeu Kakashi, retribuindo o sorriso. Ela deu um pulinho.
— Que legal! Minato foi seu sensei e você é sensei do Naruto agora, acho que ele deve ser muito importante para você também. — Ela sorria com os olhos.
— Sim, ele é! O Naruto é uma criança extraordinária, você vai adorar conhecê-lo. — Respondeu ele, e ela entortou a boca.
— Espero que ele goste de mim. — Kakashi se virou para ela, que parecia preocupada.
— Com certeza ele irá! — Eles sorriram.
— Vem cá, você é solteiro? — Brincou ela, Kakashi corou, e ela riu. — Só estou brincando, calma. — Ele riu fraco, meio envergonhado. era ousada, e falava o que dava na telha, se todas as pessoas naquela Aldeia fossem como ele, haveriam muitas cenas de vergonha.
— OLHA, O KAKASHI-SENSEI TEM UMA NAMORADA!!! — Eles ouviram gritos, assim que chegaram perto dos apartamentos. Era um garoto loiro, com olhos azuis, seguido de uma menina com cabelo rosa. — Desde quando você está namorando Kakashi-sensei? — Perguntou o menino, se aproximando.
— Seu idiota! — bateu na cabeça do garoto, e a garota de cabelo rosa puxou ele, dando um cascudo.
— Naruto seu idiota! — Exclamou a menina.
— Espera, Naruto? — Ela soltou o menino, e os dois a encararam confusos.
— Você me conhece? — Perguntou Naruto.
— Uzumaki Naruto, essa é Uzumaki . — Ela sorriu e estendeu a mão para o garoto, que tinha os olhos cheios de lágrimas, e a abraçou forte.

Capítulo 2 - Laços

— Acho que você deveria se acalmar. — riu fraco. — Somos parentes, mas não nos conhecemos. — Era difícil agir como se aquela situação não a deixasse triste. — É, Naruto! — Disse a menina de cabelo rosa. — Você é um idiota! A moça acabou de chegar. — Ela se virou para sorrindo envergonhada, e a mais velha retribuiu o mesmo sorriso. — Me desculpe, eu fiquei tão empolgado quando soube que você era uma Uzumaki, como eu! — Ele abaixou a cabeça e suspirou, ela riu. — Não se preocupe, Naruto! — Ela estendeu sua mão para ele, que levantou o olhar para ela, confuso. — É verdade, nós não estamos mais sozinhos. — Ela sorriu, Naruto segurou sua mão e sorriu também, Kakashi estava feliz com aquela situação. Se sentia um pouco triste, por ela só ter voltado agora, após tantos anos, e nem ter visto sua irmã. Naruto pulou em seus braços em outro abraço, aquilo tudo era demais para ele, Kakashi sabia. não sabia o que sentir, se ela estava feliz, triste, com raiva, ela só queria ficar ali, com o que restou da sua família.
— Bom, a -san ainda não se instalou, estávamos indo até o apartamento onde ela vai ficar. — Disse Kakashi, Naruto e se soltaram do abraço, e ela sorriu. — Sim, é verdade! Por que não nos acompanham? — Naruto e Sakura assentiram, animados. Na medida em que caminhavam pela Aldeia, as pessoas a encaravam, boquiabertas. Ela sentia uma sensação estranha, Kushina com certeza foi alguém marcante. Konoha parecia um bom lugar para se viver, sempre pareceu, na verdade. — Bom, chegamos! — Disse Kakashi. — Não sei se Tsunade-sama vai deixá-la na sua antiga casa, ou aqui será permanente. — Aqui está ótimo, obrigada, Kakashi! — Ela sorriu, fazendo-o corar. — Você realmente não se lembra de mim? — Perguntou, ela negou com a cabeça, ele se sentia aliviado. Lembrava de tê-la mandado sair de seu caminho, e ela ter se encolhido, com uma cara triste. Quando ele a observou melhor, viu que ela era idêntica a Kushina, só que mais nova, então pensou em se desculpar, por Minato. Mas ele nunca mais a viu, e depois soube que ela havia sido raptada. — Por que está tão preocupado com isso? — Perguntou ela, Naruto e Sakura se viraram para prestar atenção na conversa. — Aconteceu algo importante que eu deveria me lembrar? Nós tínhamos algum tipo de laço? — Kakashi engoliu seco. — Não, não tem nada que seja importante para lembrar, é que eu me lembro de você… — Ela o interrompeu. — Espero que não fique chateado por eu não lembrar, eu passei por tanta coisa, sempre tentei me lembrar de Konoha, para não esquecer quem eu realmente sou, mas algumas coisas se apagaram. — Ela abaixou a cabeça, Naruto colocou a mão em seu ombro, Kakashi destrancou a porta do apartamento. — Você não deve se preocupar com isso. — Disse Kakashi. — Vem cá, esse Kakashi é solteiro? — Sussurrou, para Naruto e Sakura e os dois arregalaram os olhos, Kakashi se virou para eles e ficou confuso. — Hã? O que foi? — Perguntou. — É que você não respondeu minha pergunta, e eu perguntei a eles. — Kakashi coçou a cabeça. — Que pergunta? — Se você é solteiro. — Ele engoliu seco, e ela gargalhou, Naruto e Sakura estavam boquiabertos. — Qual é o problema em responder uma simples pergunta? — Ela cruzou os braços e fez uma cara feia. — Por que você quer saber? — Naruto cerrou os olhos. — Não vai dizer que está interessada no Kakashi-sensei. — Baka! Se eu perguntei, você já sabe a resposta! — Kakashi e Sakura não conseguiam conter a vergonha. — Eu não sei. — Naruto deu de ombros. — Eu nunca vi o Kakashi-sensei com ninguém. — Nunca? — estava boquiaberta. — Eu nunca nem vi o Kakashi-sensei sem a máscara. — Sussurrou para , que colocou a mão na boca, chocada. — Você é um homem misterioso, Kakashi-san. — Disse ela, com um tom malicioso. Naruto não gostava da ideia de sua única parente estar interessada no Kakashi, Sakura estava envergonhada por fora, mas estava adorando a audácia da mulher. Kakashi estava assustado, em que momento da vida as mulheres começaram a se interessar por ele assim? respirou fundo, se recompondo, e lembrando do que foi fazer ali. — Obasan! — Disse Naruto, se referindo à , que o encarou, com os olhos cerrados.— Você pode morar comigo, e colocar uma placa “Clã Uzumaki” na nossa casa! — Ela não estava ali para isso, mas de alguma forma, estar perto dele era uma sensação tão familiar que ela se sentia contagiada. — Adorei a ideia! — Respondeu ela, ele era exatamente como ela, falava alto, rápido e era desbocado. — Mas eu ainda preciso resolver algumas coisas, por que você não cuida disso? — Naruto assentiu empolgado. — Sakura, por que não ajuda o Naruto com isso? — Sugeriu Kakashi, os dois assentiram e saíram correndo animados. — Eu precisava de um tempo a sós com você. — se animou com a ideia. — Preciso te contar algumas coisas. — Kakashi estava sério. — Por que não entra? — Ela estendeu a mão para dentro do apartamento e o homem assentiu. Eles se sentaram para conversar. — Bom, não faz muito tempo que Konoha se reconstruiu, após o ataque de Orochimaru. — Ela arqueou uma sobrancelha, conhecia esse nome. — E o melhor amigo de Naruto, Uchiha Sasuke fugiu da Aldeia. — Uchiha? — Kakashi assentiu. — Por que? — Ele escolheu seguir Orochimaru. — Aquilo parecia incomodá-lo, apenas assentiu. — Por que está me dizendo isso? — Acho que sua presença aqui fará muito bem para o Naruto, para que ele não se sinta tão sozinho. — Ela fitou o nada e assentiu. — Mas te fará bem? — Ela despertou e sorriu para Kakashi. — Claro. — O sorriso dela era o mesmo de Kushina, o brilho em seus olhos, de alguma forma, ele sentia que era o mesmo brilho que Kushina teria ao falar sobre Naruto. — Afinal, eu sou uma tia, não sou? — Ela continuava com um sorriso largo.
— É, você é. — Kakashi sorriu com os olhos. — Bom, acho que meu trabalho aqui está feito. — Disse, batendo as mãos nas coxas e se levantando. — Se precisar de algo, me procure, certo? — Obrigada, Kakashi. — Disse, se levantando para levá-lo até a porta. Após Kakashi sair, ela respirou fundo. Era mais difícil do que ela pensava, estar de volta, ter contato com o Naruto, ela não deveria criar laços com essas pessoas se quisesse continuar com o plano de vingança.

No outro lado de Konoha, Tsunade designava membros da ANBU para ficar de olho nela.
— Não acha que o Kakashi é suficiente? — Perguntou Jiraiya.
— Preciso do Kakashi em outras missões, e é só por alguns dias, não sabemos o que aconteceu enquanto ela estava fora, então temos que nos certificar que nada de errado vai acontecer.
— Bom, se ela estiver tramando algo, eu duvido que ela consiga seguir em frente.
— Eu concordo. — Tsunade sorriu. — O Naruto tem esse poder de mudar as pessoas.

Capítulo 3 - Desejo

planejava aquela vingança, mas não tinha ideia de por onde começar. Após a conversa que teve com Kakashi, ela achou que encontraria algum aliado, querendo se vingar da Aldeia, mas Orochimaru havia destruído uma das cidades que ela morou. Não queria acabar com vidas inocentes e muito menos compactuar com quem fazia isso. Crianças não mereciam sofrer o que ela sofreu, famílias não deveriam ser destruídas, nada daquilo deveria acontecer. Ela pensava em talvez desistir dessa vingança e curtir o momento com Naruto, mas o desejo de vingança em seu coração falava mais alto. Ela sabia que estava sendo vigiada, os ninjas de Konoha deveriam ser melhores, ela pensava. Não conseguiram passar despercebidos um dia sequer. Então eles desconfiavam dela, aquilo seria interessante.
— Ei, nee-san! — escutou a voz de Naruto, e foi até a porta.
— Ei, Naruto-chan! Algum problema? — Perguntou.
— Quer comer ramen comigo? — O olhar daquele menino era tão puro, trazia tanta calma para o seu coração, o chakra dele trazia uma sensação de estar em casa, era tão bom estar perto dele.
— Por que você não entra e eu cozinho algo? — Sugeriu. — Ramen não é muito saudável. — Que diabos de instinto materno foi esse? Ela cerrou os olhos, escutando seus pensamentos.
— Eba! — Naruto exclamou. — Você sabe cozinhar, nee-san? — Naruto torceu os lábios.
— Eu me virei sozinha por muito tempo, Naruto! — Ela abriu a dispensa e sorriu, disfarçando. — É melhor comermos ramen!
— Por que?
— A dispensa está vazia, ainda não tive tempo de fazer compras! — Naruto torceu os lábios de novo, enquanto ela vestia um kimono vermelho, por cima da sua roupa toda preta.
— Você precisa de dinheiro para fazer compras, pede ao Kakashi-sensei para te ajudar com isso. — Naruto sorriu e fez sinal de positivo com o dedo. — Eu vou te apresentar ao Iruka-sensei.
— Iruka? — Perguntou ela, enquanto saía pela porta.
— Sim, o Iruka-sensei, ele é como um pai pra mim! — Explicou o garoto, seguindo a mais velha.
— Ah, então eu quero conhecê-lo. — Ela sorriu, e deu um tapinha de leve nas costas do garoto. — Onde o Kakashi-san mora mesmo?
— Dois apartamentos depois do seu, do lado do seu tem o Gai-sensei e a Kurenai-sensei… — Ele contou nos dedos. — Acho que o Iruka-sensei também, não estou me lembrando bem. — Eles caminhavam em direção ao Ichiraku.
— Eu não conheço esse Iruka, eu acho. — Ela colocou a mão no queixo. — Kurenai, eu acho que já ouvi esse nome, como já ouvi o do Kakashi, mas Iruka, eu não me recordo.
— Ele é um pouco mais novo que você e o Kakashi-sensei, por isso você não deve lembrar. — Ah, faz sentido. — Eles assentiram.
— Esse aqui é o Ichiraku. — Naruto apontou para a barraquinha. — Olha, o Iruka-sensei está ali! — Exclamou, puxando a mulher para dentro do local, fazendo com que Iruka se assustasse.
— Você é Uzumaki ? — Perguntou ele, ela assentiu, sorrindo. — Estão todos falando de você, é um prazer.
— O prazer é meu, sensei do Naruto. — Ela sorriu, segurando a mão do homem.

Eles conversaram por bastante tempo, e almoçaram todos juntos, gostou da companhia de Iruka, ele parecia ser um bom amigo e ser muito bom para o Naruto, era bom que alguém tivesse cuidado dele, ela se sentia feliz. Seu sentimento naquele momento era de gratidão. Mas Naruto estava certo, ela precisava de dinheiro. Se encontrava completamente perdida nos seus planos, parecia que quanto mais ela queria se vingar, mais algo acontecia para fazê-la mudar de ideia. Sua cabeça era uma completa confusão.
— Naruto? — Perguntou, no meio da conversa. — Eu preciso ir falar com o Kakashi, para resolver aquilo que conversamos.
— Ah, vai nee-san! — Naruto sorriu. — Vou levar um pouco de ramen para jantarmos. — retribuiu o sorriso.
— Nos vemos no jantar, então. — No momento em que se afastou de Naruto, o desejo de vingança voltou para o seu coração. Ela bateu os pés no chão, e bufou, ela deveria ter um plano, não deveria? Enquanto caminhava até o apartamento de Kakashi, foi abordada por um homem de máscara, com um capuz preto.
— Pois não? — Perguntou.
— Eu sou um membro da Ne, recebi ordens para buscá-la. — Disse.
— Você sabe que estou sendo vigiada pela Hokage, não sabe?
— Já cuidamos disso, por favor, me acompanhe. — A garota arqueou uma sobrancelha e, após hesitar, resolveu acompanhar o homem.

Aquele era um lugar estranho, diferente dos outros lugares em Konoha, havia um homem velho, com o braço enfaixado e uma bengala, esperando por ela. Ela olhou ao redor e haviam vários outros mascarados, ela se meteu em uma roubada, pensou.
— Uzumaki , acho que já deve ter escutado falar de mim, Shimura Danzō. — Disse o homem, franziu o cenho.
— Não, nunca ouvi falar do senhor, o senhor já foi Hokage? — É claro que ela já havia escutado histórias sobre a ambição deste homem em se tornar Hokage, e foi enquanto ainda morava em Konoha.
— Não. — O homem respondeu seco. — Mas pretendo ser, e conto com a sua ajuda.
— Minha ajuda? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Eu não tenho interesse em fazê-lo se tornar Hokage.
— Mas não tem nenhum interesse em se vingar? — Aquela pergunta liberou um peso em seu coração. — Se vingar da vontade do fogo que fez sua irmã morrer, então me ajuda a derrubar a Hokage! — Era uma proposta interessante, pensou ela, mas ela não tinha certeza se aquele homem era confiável.
— Preciso pensar sobre isso. — Respondeu, fitando os próprios pés.
— Tire o tempo que precisar, quando tiver uma resposta, sabe onde me encontrar. — Ele fez sinal para o homem de máscara que estava atrás dela, que segurou-a pelo braço e eles desapareceram dali. Ela estava em frente ao seu apartamento, sem entender muito bem o que tinha acabado de acontecer. Não sabia se aquele homem era confiável e muito menos se deveria aceitar, pensando nessas coisas, ela bateu na porta do apartamento de Kakashi, com a cabeça baixa de ainda pensativa. Ela ouviu a porta se abrindo e levantou seu olhar para o homem, que estava sem camisa e com o cabelo bagunçado. nunca havia sentido aquela sensação que tomava conta do seu estômago, o homem corou quando percebeu que era ela e vestiu um casaco, ela ainda estava sem reação.
-san? — Perguntou, fazendo-a dispersar seus pensamentos.
— Não precisava se incomodar vestindo a camisa. — Disse, com um sorriso malicioso. Kakashi corou, mas decidiu que não iria ficar envergonhado com as provocações dela, se ela queria brincar, ótimo! Mas ele ganharia a brincadeira.
— Tudo bem, então. — Ele tirou o casaco e observou bem o corpo do homem.
— Quem te vê com esse monte de roupa, nem imagina, em?! — Brincou, entrando na casa do homem.
— Como será que você é, sem esse monte de roupa? — Provocou ele.
— Quer ver? — Ela fez menção que iria tirar a roupa e Kakashi corou, o que a fez gargalhar. — Ora, Hatake Kakashi, não brinque comigo! Nesses joguinhos, a vencedora sempre será eu.

Capítulo 4 - Planos

se divertia sozinha, lembrando-se de Kakashi envergonhado, talvez ficar em Konoha fosse realmente mais interessante do que ela esperava. Ela não queria ser a tia que iria decepcionar o garoto, então, se quisesse se vingar, talvez tivesse que aceitar a proposta daquele homem. Agir debaixo dos panos era o mais certo naquele momento, apesar dela estar cansada de esconder tudo que sentia. Ela olhava pela janela de seu apartamento e tentava se lembrar de algum momento bom que tivera vivido na Vila, mas não conseguia. Sua vida tinha se tornado tão escura, que haviam destruído todo resquício de felicidade que um dia existiu no seu coração. Alguém tocou a campainha, ela não estava acostumada com tantas visitas, mas se levantou para abrir a porta. Não se surpreendeu quando se deparou com os cabelos amarelos de Naruto, e colocou a mão na cabeça.
— Oi, moleque! — Disse, sorrindo.
— Eu posso entrar? — Perguntou ele, um pouco sério, assentiu e abriu a porta para ele. Os dois sentaram lado a lado, e Naruto suspirou. — Eu não tenho mãe e nem pai, só pessoas que cuidaram de mim, meu melhor amigo foi embora da Aldeia, seguindo o Orochimaru e eu não consegui impedir, mas agora você, uma Uzumaki como eu, está aqui e eu não me sinto tão sozinho, tirando o fato de que eu não te conheço e não sei o que se passa na sua cabeça, mas somos família, não somos? Mesmo distantes, somos família. — Os olhos do garoto brilharam para ela. — Eu não sei muito bem como é ter uma família de sangue, mas eu gostaria de tentar. — arqueou uma sobrancelha, ela queria se manter firme, para não acabar desapontando-o, mas aqueles olhos azuis brilhando para ela, tocaram seu coração.
— Eu tive uma família, um dia, mas isso foi tirado de mim e eu sequer me lembro a sensação de ter uma família, e desde então eu busco pessoas para culpar, porque agora todos eles estão mortos e eu sequer pude me despedir. — Ela abaixou a cabeça. — Você é família, moleque, minha família! — Naruto sorriu com a afirmação dela. — Talvez eu não seja a melhor companhia ou influência do mundo, mas você realmente não está mais sozinho, e nem eu. — O garoto a abraçou.
— Obrigado, isso significa muito para mim. — Respondeu ele, sorriu, saindo do abraço. — Como está sendo para você, retornar para Konoha? — Perguntou Naruto, inclinando a cabeça, se levantou e voltou a olhar pela janela.
— Estranho, confesso, a última vez que estive aqui, toda minha família também estava e agora eles não estão mais. — A ruiva cerrou os punhos. — Eu pensei em várias situações, talvez eu poderia ter voltado para Konoha antes, mas acho que era muito mais reconfortante para minha família, deixá-los acreditar que eu estava morta. — Naruto assentiu.
— Mas você não acha que seria muito melhor se eles soubessem que você estava viva? Se um dos meus pais estivessem vivos, eu iria querer saber. — Disse ele, suspirou.
— Não acho que eles ficariam felizes com a pessoa que eu me tornei, a guerra pode destruir as pessoas de formas inimagináveis. — Ela caminhou até a geladeira, e abriu a porta.
— Você acha que se tornou uma pessoa ruim? — Perguntou Naruto, ela encheu um copo com água e segurou.
— Não, não uma pessoa ruim, mas uma pessoa diferente. — Respondeu, tomando um gole da água do copo.
— Você parece ser uma pessoa muito boa, mas que sofreu bastante, e eu te entendo, eu também sofri muito… — Ele abaixou a cabeça e se espantou com o que ele disse, virando o olhar para ele. — e é por isso que eu quero ser Hokage, porque eu quero que todo mundo que me fez sofrer, me reconheça como Uzumaki Naruto, de Konoha! — Os olhos dele brilharam enquanto ele falava sobre seu sonho, ficou em transe, e acabou derrubando o copo que estava em sua mão. Com uma lágrima escorrendo no rosto, ela se abaixou rapidamente para limpar, quando alguém bateu na porta.
— Pode atender, Naruto? — Perguntou ela, o garoto assentiu e foi até a porta.
— Oi… Ah, aí está você, Naruto! — levantou a cabeça para identificar a voz feminina que entrou na sua casa e pôde enxergar Sakura.
— Sakura-chan, estava me procurando? — Perguntou ele, com uma carinha feliz.
— Sim, a Hokage-sama está nos convocando, te procurei por toda parte. — juntou os cacos de vidro e se levantou. — Ah, -san! — Disse Sakura ao ver a mulher.
— É melhor irem logo, soube que não é bom deixar a Godaime irritada. — Respondeu , sorrindo, Sakura assentiu e puxou Naruto pelo braço, e os dois acenaram antes de sair pela porta, deixando totalmente sem rumo. Ela sentia algo que não conseguia explicar quando conversava com Naruto, é como se ele fosse a personificação dos sentimentos de Kushina e Minato, não tinha outra explicação, ele emanava uma luz que aquecia até mesmo o seu coração escuro. O que ela iria fazer? Todos os seus planos de se infiltrar em Konoha para se vingar, iriam destruir todos os sentimentos bons que ela estava sentindo, ela não sabia o que fazer. É claro que Kushina daria um jeito de resgatá-la, mesmo que indiretamente, não era justo o que tinha acontecido com sua nee-san, mas ela não poderia ignorar seu sobrinho bem ali, querendo uma família, uma família que também foi tirada dele assim como a dela, era assim que tudo ia ser, então? Ela realmente iria ser a família que o garoto queria? Essas perguntas ecoavam na sua mente, e ela sabia que era a coisa certa a se fazer, mas o que ela fazia com todo ódio? Com toda a dor? Com tudo que foi tirado dela? Quais seriam seus planos de agora em diante? não fazia ideia, mas ela sabia que não queria perder o primeiro sentimento bom que sentia em tantos anos, então, ela se permitiu sentir aquilo e esqueceu-se dos seus planos de vingança, por aquele momento, talvez ela devesse mesmo ser uma tia e não uma vingadora.



Continua...



Nota da autora: oiii gente, perdão pelo sumiço, a loucura da vida se misturou com tendinite e etc kkkk mas to de volta, prometo att com mais frequência <3 espero que gostem!





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