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Finalizada em: 06/01/2021

Capítulo Único

Da janela do apartamento era possível ver parte da praça central do bairro e, ao fundo, o rio Han. Ele estava acostumado a ficar naquela mesma posição por horas, apenas esvaziando a mente e tentando achar as melhores palavras para encaixar em alguma letra que estivesse trabalhando na época, sentia paz em sentar naquela poltrona e olhar para fora. Era um dos melhores momentos quando chegava em casa porque sabia que teria paz não só por dentro, mas também o silêncio do apartamento o cercaria e contribuiria para o relaxamento.
No entanto, não se sentia em paz e, de fato, o apartamento estava silencioso, mas isso só traria mais agitação ainda. Daquela vez não contemplava a beleza do lugar, estava de olhos grudados na rua. A cada carro preto que apontava na esquina seu coração pulava uma batida e quando o veículo passava direto pela entrada do portão de garagem, sentia-se irritado consigo mesmo por estar naquela pilha de nervos, então a decepção tomava conta de seu coração para tudo se repetir de novo e de novo.
Ele chegou a levantar dali, andou pela sala e voltou correndo ao ouvir um barulho de buzina, mas era apenas uma pessoa cumprimentando algum conhecido na rua. Repetiu essa cena de sair e voltar correndo devido a algum barulho por mais três vezes antes de desistir e apenas ficar sentado. Yoongi chegou a pegar o celular para fazer uma ligação e ia apertar o botão de chamar quando mais um carro preto apontou na esquina, dessa vez, o que ele estava esperando.
Se antes o coração pulava uma batida, agora ele pulsava loucamente como se fosse um janggu que estivesse sendo tocado em seu peito naquele momento. Um suspiro de alívio escapou dos seus lábios entreabertos enquanto ele tentava controlar a respiração e seu coração. Se ela entrasse em casa e o visse naquele estado de nervos ficaria preocupada e ele não tinha nada, apenas estava sofrendo com a momentânea separação.
Acompanhou todo o trajeto feito pelo carro com a cabeça grudada no vidro gelado da janela. Se não tivessem sasaengs rodando pela vizinhança, ele não precisaria ter sofrido tanto, porque da varanda do segundo andar tinha visão ampla e sem bloqueios do caminho que ela pegou para chegar ali, já poderia ter avistado muito antes.
Quando o portão da garagem enfim se fechou e ele constatou que ninguém tentou entrar escondido, levantou-se da sua poltrona e caminhou a passos largos até a entrada. O condomínio tinha um esquema muito forte de segurança, mas sua paranóia diminuía consideravelmente quando ele podia ver com seus próprios olhos que nenhum perigo estava próximo daqueles que amava. De pé, balançava-se de frente e para trás, distribuindo o peso entre os pés. Era o retrato da inquietação. Por que a demora?
Estava a caminho da sala para pegar o celular que deixara sobre o parapeito da janela quando o bipe característico da porta sendo destravada soou. Ele fez o caminho de volta para a entrada, mas dessa vez não ficou parado, continuou até à porta. estava um pouco atrapalhada com as bolsas na mão esquerda, mas sua mão direita estava firme, segurando sem qualquer dificuldade a carga mais preciosa que poderia carregar: Min Ryung-Soo, o filho deles que estava deitado confortavelmente no bebê conforto, mastigando o mordedor de dinossauro e muito concentrado em tentar pegar as abelhas que "voavam" por cima dele.
esticou o braço direito, indicando que precisava de ajuda com o bebê. Yoongi pegou o bebê conforto e aproximou-se dela, beijou rapidamente seus lábios e, mesmo sobre protestos, enterrou o rosto em seu pescoço, inalando o cheiro que ele agora associava a estar em casa: loção corporal de cerejas e leite materno. Ela tentou desvencilhar-se dos braços do marido, mas ele a abraçou pela cintura e colou seus corpos.
"Não, amor, as conchas podem vazar. Você vai ficar fedendo." disse, tentando criar um espaço entre eles, sem deixar que as conchas de amamentação que estavam em seu sutiã fossem pressionadas, mas Yoongi se negava a soltá-la.
"Não ligo, é apenas leite. Nada que um banho e uma troca de roupa não resolvam." disse entre beijos, que distribuía pelo pescoço e clavícula da mulher.
"Não comece nada que você não vá terminar." ela sussurrou, acariciando os cabelos dele.
"Quem disse que eu não vou terminar?" Respondeu de volta naquela voz gutural, fazendo com que ela sentisse o corpo todo arrepiar.
Nessa hora Ryungsoo atirou o dinossauro ao chão e, achando a peripécia muito engraçada, riu sozinho do feito e passou a arrulhar e balbuciar, como se mantivesse uma conversa muito interessante com as abelhas.
"Seu filho disse." riu e depositou um beijo nos lábios de Yoongi. "Tenho mais coisas para pegar no carro, já volto." Colocou as sacolas no chão, virou-se e saiu, fechando a porta atrás de si.
Suga riu da própria infelicidade. Se antes do bebê nascer eles tinham relações constantes, especialmente nas duas últimas semanas de gestação, quando tentavam induzir o parto visto que já estava na data prevista para o nascimento e Ryungsoo simplesmente não queria nascer, ele viu sua vida sexual com a esposa ser reduzida a longos banhos, sozinho, por cinco meses após o parto.
No último mês, com o bebê já conseguindo dormir noites inteiras, passou a procurá-lo durante a noite. Ela ainda não estava se sentindo confortável no novo corpo, não tinha a mesma empolgação de antes, mas ele fazia questão de sempre deixar que ela iniciasse as intimidades porque apesar de estar constantemente com vontade, sabia que devido aos hormônios da gravidez e do pós-parto, para não funcionava da mesma forma.
A médica dela o explicara muito bem sobre as alterações físicas e hormonais que a gravidez fazia no corpo da mulher e isso foi há quase um ano, quando ele estava fugindo de uma cheia de apetite sexual e estava com medo de machucar o bebê dentro da barriga caso fizessem sexo. Passado o medo inicial, e depois de algumas consultas e exames de ultrassom que comprovaram que o bebê continuava saudável, crescendo bem e da forma esperada, Suga conseguiu relaxar e aproveitar os momentos a sós com a esposa.
Yoongi pegou as bolsas e o dinossauro do chão e foi para a sala, colocou as coisas sobre a mesa de centro e o bebê conforto sobre o sofá, brincou um pouco com filho antes de tirá-lo de lá, retirou o cinto de segurança e o pegou no colo. Ryungsoo estava elétrico, muito feliz por finalmente ir para o colo de alguém.
"Filho, você precisa ajudar o seu appa." Suga disse enquanto levava o bebê para o cercadinho. "Você não quer um irmãozinho ou uma irmãzinha?" O menino o encarava sorrindo e arrulhou em resposta. "Pois então, precisa deixar sua omma e eu providenciarmos um para você." Riu quando o pequeno emaranhou a mão por entre os seus cabelos e puxou. Desvencilhou os fios do aperto firme do menino e continuou a conversa. "Ok, ok. Você não quer dividir a atenção da sua omma com mais ninguém além de mim, já entendi." Beijou a lateral da cabeça do bebê e aproveitou para inalar aquele cheirinho delicioso que eles têm.
Posicionou o filho no centro do cercadinho e colocou seus brinquedos favoritos ao alcance de suas pequenas mãos. Deixaria o filho ali por alguns minutos enquanto arrumava as compras na despensa da cozinha e colocava para esterilizar o mordedor de dinossauro. Estava quase chegando à cozinha com as sacolas quando ouviu o início do choro do menino. Soltou um suspiro cansado, mas logo tratou de agradecer por ouvir a reação do filho.
A noite passada foi difícil para ele e , Ryungsoo passou boa parte da noite febril, eles não conseguiram dormir direito com o bebê irritado, mesmo falando com o pediatra às duas da manhã e o bom doutor os tranquilizando de que era uma pequena febre que provinha do nascimento do primeiro dentinho. levou o pequeno ao consultório do pediatra na manhã daquele dia e Yoongi não pode ir, pois eles mantinham o relacionamento em segredo da mídia e dos fãs e se ele aparecesse no consultório pediátrico, todo o esforço que fizeram por muito tempo para manter tudo em sigilo iria por água abaixo.
Suga tinha vontade de mostrar a família maravilhosa que tinha, mas entendia o medo de de tornar tudo público, porque uma parcela dos fãs dele não tinha relação muito saudáveis com os membros do grupo e podiam ser bem tóxicos. Com o nascimento do filho deles, o instinto de proteger aquele pequeno ser humano indefeso era tamanho que Suga não gostava nem de pensar no que seria capaz de fazer se algum fã fizesse algo de ruim com Ryungsoo. Revelaria os dois para o mundo quando fosse a hora, mas naquele momento quem tinha que saber, já sabia e estava muito feliz pelos três, sendo isso o que importava.
Ele deixou as sacolas sobre a ilha da cozinha e voltou para a sala. Assim que o bebê o viu, começou a rir, gritar feliz e levantou os braços, abrindo e fechando as mãozinhas. Não estava mais sozinho e tinha total atenção de seu pai, seu pequeno mundo estava completo de novo.
"Quer ajudar o Appa com as compras na cozinha?" pegou o filho no colo e agarrou também alguns brinquedos para entretê-lo.
Retornou para a cozinha, mas antes passou no berçário para pegar a cadeira de descanso, posicionou-a no chão e colocou o menino sentado, junto com seus brinquedos. Virou-se para a ilha e começou a retirar os produtos de dentro das sacolas. Enquanto fazia o trabalho de guardar as compras nos armários e geladeira, volta e meia brincava com o filho, que acompanhava seus movimentos com o olhar e balbuciava em resposta às brincadeiras do pai.
Yoongi já tinha guardado as compras e estava esterilizando o mordedor quando, com a visão periférica, pegou Ryungsoo atirar algo para fora da cadeira. Ele sorriu para o filho, pegou a pequena girafa colorida do chão e devolveu para o pequeno, mas ao virar de costas, escutou um pequeno barulho e ao virar percebeu que agora o que estava no chão era o mordedor de estrela que até poucos segundos o bebê usava para aliviar a coceira nas gengivas. Suga franziu o nariz, fazendo uma pequena careta para a criança, que apenas riu em resposta. Pegando o mordedor do chão, o levou para a pia para esterilizar com água quente e sabão quando, novamente pela visão periférica, viu a girafa sendo lançada ao chão.
Suga resmungou, mas pegou a girafa, vendo que o menino o olhava através das fendas que formavam seus olhos e exibia um sorriso banguela contente.
"Essa vai ser a última vez, ok? Não quero você jogando mais coisas." disse com uma falsa cara brava enquanto balançava a girafa próxima ao rosto do pequeno, que respondia de volta com balbucios e gritinhos. "Você vai obedecer seu appa, não vai?" entregou a pelúcia para ele, que quase imediatamente a lançou ao chão.
"Ninguém nunca te obedeceu, hyung." Uma voz familiar surgiu às suas costas. "Seu filho não vai ser diferente" Hoseok comentou rindo ao entrar na cozinha segurando algumas sacolas.
Ao ver o rosto conhecido de J-Hope, o bebê começou a agitar as mãos e pernas, dava pequenos gritinhos de felicidade chamando a atenção do recém-chegado.
"Como está meu afilhado favorito?" disse Hoseok, brincando com o bebê enquanto colocava as bolsas sobre a ilha. Suga balbuciou uma resposta enquanto terminava de secar os mordedores.
"Vá lavar as mãos antes de tocar no meu filho." disse empurrando as mãos de J-Hope, que estavam quase encostando em Ryungsso para levantá-lo da cadeira. O mais novo apenas riu e foi em direção ao banheiro.
"Aish, a senhora Sun-mee é um amor de pessoa, mas como ela gosta de falar!" entrou na cozinha com a única sacola de compras. "Se não fosse pela ligação do Hobi dizendo que estava chegando, eu ainda estaria lá embaixo, ouvindo-a falar." riu da situação.
"Nós íamos atrás de você, mas o pequeno lançador ali não deixou." apontou com a cabeça para o bebê, que estava entretido chupando a mão.
"Como foi a consulta hoje?" disse Hoseok, entrando na cozinha. Logo pegou o bebê e passou a falar com uma voz mais fina. "Você deu um susto nos seus pais, menino. Seu pai está até ganhando cabelos brancos, daqui a pouco não vai nem mais precisar descolorir." riu da própria piada, gargalhando mais forte quando seu afilhado o acompanhou na risada e ouviu Suga resmungar.
"O médico disse que como a febre não estava muito alta, não era nada demais, apenas o primeiro dente nascendo. Vamos ficar monitorando e caso da febre passe dos 38º devemos ligar para ele a hora que for." respondeu. "Vou tomar um banho rápido e já volto para dar de mamar a ele. Você pede o almoço? Eu como qualquer coisa." disse para o marido antes de seguir para a suíte do casal no segundo andar.
Já passava das oito da noite quando todos foram embora da casa de Suga. Pouco depois do almoço os outros membros do BTS apareceram na casa dele para ver como estava Ryungsoo porque não podiam mais morar juntos, mas era como se ainda estivessem, qualquer coisa era desculpa para um estar na casa do outro e quando um chegava, não demorava muito para os outros também aparecerem. Como Suga tinha um filho, as reuniões sempre aconteciam na casa dele e de .
Depois de já estar de banho tomado, o bebê lutava contra o sono, não queria dormir de jeito nenhum, queria aproveitar o máximo dos seus pais juntos e com as atenções voltadas toda para ele. o pegou no colo e o colocou para mamar, já demonstrava novamente que estava com fome, mas apesar de estar descobrindo o mundo ainda, ele sabia que quando a mãe o colocava no peito e começava a embalá-lo da forma que fazia, era para que ele dormisse. Estava resmungando contra o seio de , fazendo a mulher rir com a similaridade dele com seu esposo, que sempre resmungava quando fazia alguma coisa à contra gosto.
Suga acompanhava a cena de longe, encostado na parede do corredor que levava à sala. Enquanto amamentava, olhava para o rosto do filho dele com um pequeno sorriso nos lábios, vez ou outra beijando a pequena mão que segurava firmemente seu dedo indicador. Ele saiu de onde estava e sentou-se atrás da esposa, no vão entre ela e o sofá, abraçando-a com suas pernas e recebendo o peso do corpo dela no seu. Olhava para seu filho por cima dos ombros da esposa e riu quando ela comentou que o filho deles ronronava como o pai.
O bebê ainda resmungava enquanto se alimentava, mas com menos intensidade e já estava com os olhos fechados. Yoongi beijou a lateral da cabeça da esposa e depois depositou um beijo casto em seu ombro descoberto. Levantou sua cabeça e encarou a mulher, conversando pelo olhar. Os dois estavam cansados, mas extremamente realizados como pessoas e tudo isso devido ao pequeno ser humano que resmungava nos braços de . Ele selou os lábios nos dela e de bom grado correspondeu quando ela aprofundou o beijo. Ficaram assim por algum tempo, trocando beijinhos e juras de amor, até que o sono finalmente venceu e eles levantaram do chão, subindo para o quarto.
cuidadosamente colocou o bebê no berço e ficaram os dois velando o sono do menino por um tempo, depois se despiram e foram para a cama. Nos braços um do outro, suspiraram de alívio por terem vencido mais um dia, pela febre ter ido embora e o filho deles estar saudável e dormindo o sono dos anjos. Alívio por saber que tinham um ao outro e que tudo estava bem.


FIM



Nota da autora: Oiii, muito obrigada por ter lido a minha história e não esqueça de comentar! A ideia pra fazer essa fic veio numa conversa no grupo do whatsapp do Extreme, foi graças à Biba que esse surto surgiu. hahahahaha
Para ler mais fics minhas do especial, é só acessar a minha página! Lá tem tudinho!!!
Beijos e até a próxima!!! ^^





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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