Contador:
Última atualização: 09/04/2021

Prólogo

Nervosismo.
Não era algo que eu costumava sentir antes de algum evento, ou show. Tudo isso fazia parte da minha rotina, definia quem eu era e, normalmente, eu não teria motivo nenhum para me sentir nervoso, exceto, é claro, que muita coisa havia mudado nos últimos oito meses. Conhecê-la naquela reunião tinha transformando quem eu era, meu jeito de ver o mundo... e, pior ainda, pela primeira vez, eu me importava com o que diriam quando eu subisse naquele palco.
A opinião dela tinha passado a ser a mais importante para mim.
Encarei meu reflexo no espelho — pela milésima vez —, ao mesmo tempo em que rodava os anéis nos meus dedos, tentando me convencer desesperadamente de que a sensação em meu estômago iria passar só por estar tentando desviar a sensação para outros lugares. A verdade era que ela não ia, e a tendência era só piorar com a presença daquela mulher, que me causava tantas sensações que eu jurava nem ser capaz de sentir até vê-la pela primeira vez.
Eu já tinha sido convidado para milhares de eventos, conhecido muitas mulheres poderosas e mais velhas do que eu. Contudo, tinha alguma coisa nela que me atraía, além do jeito de olhar, andar, falar... e, claro, saber colocar no lugar um homem que acha que só por se enquadrar neste gênero está acima dela. Não sei dizer, tinha algo em específico que fazia eu me remexer por dentro só por estar ao lado dela.
No momento em que eu procurava no fundo da minha mente o que poderia ser — como vinha fazendo nos últimos meses —, escutei três batidas na porta. Eu sabia que era ela.

— Pode entrar! — Gritei, já me levantando e ficando em pé para encarar a porta se abrir.

Merda. Foi tudo que consegui pensar quando ela apareceu no meu campo de visão, usando um vestido vermelho longo que delineava todo o seu corpo, com os cabelos soltos... e espera, ela os tinha cortado. Como sempre, estava perfeita com todo aquele ar sério e a capacidade de passar confiança para qualquer um que estivesse na presença dela.
Não tinha como negar. Eu estava apaixonado, completamente apaixonado pela mulher diante de mim.
— Sr. , está pronto? — Ela perguntou, como sempre fazia nos últimos meses.
Soltei um riso fraco e a encarei da mesma forma de sempre.
— Minha entrada é apenas às 21h, certo? — Perguntei, mas dessa vez sem olhá-la.
raspou a garganta e então voltei a olhar para ela, passando meus olhos por todo seu corpo até parar em seu rosto e me aproximei dela, levando uma das mãos até seus cabelos.
Pude vê-la se arrepiar com meu toque, o que me arrancou um leve riso.
— Você está linda, gostei do cabelo — falei, com os olhos fixados aos dela.
— Obrigada — respondeu, simplesmente.
Ela não precisava falar, eu era capaz de sentir seu incômodo com as minhas demonstrações de afeto, então me afastei.
— Sem problema — disse, voltando para onde estava antes.
? — A escutei me chamar de forma informal e não pude conter o sorriso em meus lábios.
Me virei para encará-la de novo.
— Não é minha intenção ser indiferente a você... — ela disse, sua voz agora estava mais calma.
Ri fraco.
— Essa não é a questão aqui, não estou pedindo para ser alguém que não quer ser.
A vi estreitar os olhos e me aproximei.
— Não estou entendendo...
— Eu só não quero ter que ir embora, entende?
— Quem falou sobre ir? — perguntou, parecendo visivelmente preocupada com o que eu tinha acabado de dizer.
Abri um sorriso fraco e levei minha mão até o rosto dela.
— Mas metade de você não é o suficiente para mim, — falei com sinceridade.
me encarou e permanecemos assim por um tempo, até que a porta do camarim se abriu, de repente, fazendo com que eu me afastasse dela. Estranhamente, permaneceu no mesmo lugar.
— Me desculpa — a assistente falou um pouco sem jeito com o que tinha acabado de presenciar.
me encarou por alguns instantes, para então caminhar até a porta, mas antes se virou para me encarar.
— Te vejo lá fora, ? — Ela perguntou, usando apenas meu nome, o que me pegou de surpresa.
— Sim, Srta. — falei e me virei para a assistente. — Callie, certo?
continuava parada na porta.
— Se puder não contar para ninguém o que presenciou aqui... — Eu odiava ter que dizer aquilo, mas era necessário.
— Pois eu espero que conte — disse e saiu da sala sem que eu tivesse a oportunidade de dizer algo.
Eu não sei por que, mas sempre me surpreendia com .

O evento e o show tinham corrido muito melhor do que eu esperava. Como eu já tinha planejado, cantei uma música que tinha escrito durante os oito meses que passei ao lado de e a reação dela foi muito melhor do que eu esperava. Naquele momento em que a chamei ao palco, parecia que nós dois éramos a única coisa que importava ali, como se não precisássemos nos preocupar com mais nada.
Depois de cantar para ela, nós não conseguimos ficar muito tempo juntos. E era compreensível, estava à frente de uma das maiores empresas dos Estados Unidos, era uma mulher importante e qualquer um seria louco se não quisesse ter ao menos uma conversa com ela naquela noite. Qualquer coisa que ela falasse, ou fizesse, chamava a atenção de todos que estavam à volta dela, não tinha como ser diferente disso.
Como bom admirador que eu era, a observei em vários momentos durante o restante da noite e até trocamos alguns olhares. Eu não sabia explicar, mas alguma coisa parecia ter mudado na forma como ela me encarava em público, sem me mandar mensagens para que eu parasse de encará-la ou me puxar para algum canto, dizendo que eu não deveria fazer isso.
Ela simplesmente parecia não se importar com a nossa interação em público.
Dei um último gole no meu champanhe e vi caminhar até a porta de saída, onde parecia ter uma grande aglomeração de repórteres. Eu sabia qual era a causa daquilo e logo deixei minha taça em cima da bancada, já caminhando até lá para dar o suporte que eu tinha certeza de que ela ia precisar.
Minha música para ela tinha causado tudo isso.
Me aproximei e levei a mão até as costas dela, que pareceu relaxar com meu toque e virou rapidamente o rosto para me olhar. Um sorriso se formou nos lábios dela e lancei um sorriso cúmplice, mostrando que estava ali por ela.
Eu sempre estaria.
— O que você tem a dizer sobre a música que ele escreveu para você? — Uma mulher perguntou.
Bingo. Eu estava certo.
— Vocês estão íntimos há quanto tempo?
Me inclinei e levei minha boca próximo ao ouvido dela.
— Não precisa responder nada disso se não quiser — sussurrei.
— Vocês estão tendo algum relacionamento? Ou podemos supor que é apenas uma aventura?
Revirei os olhos.
— Considerando sua idade — uma repórter falou de forma totalmente arrogante e machista.
— Ei! — Falei irritado e senti segurar minha mão.
— Eu vou responder a todas as perguntas se todos se acalmarem — a mulher ao meu lado disse com toda a sua classe.
O problema é que ficou ainda pior. Eles começaram e se aglomerar de uma forma enlouquecedora e nos bombardear com ainda mais perguntas.
me puxou para mais perto, me pegando de surpresa.
— Eu espero que esteja pronto para o que eu vou fazer — ela sussurrou.
— Sim, como eu disse, só não quero ter que ir embora — falei e ela sorriu.
O tumulto ficou ainda maior com as palavras que vieram da boca de .


Capítulo 1

Japão — ’s tour.



Quem me olhasse naquele aeroporto, desembarcando às seis horas da manhã para mais um show da minha tour, poderia dizer que esse era o motivo de ter um sorriso estampado em meu rosto, ou talvez relacionasse isso à recepção dos meus fãs tão cedo, todos gritando e mostrando de forma calorosa o quanto eu era importante para eles.
De certa forma, essa era uma parte da minha felicidade.
Contudo, eu era o único que sabia de fato de onde vinha o meu sorriso de ponta a ponta. Ela tinha nome, endereço e talvez a personalidade mais forte que eu já havia conhecido em toda a minha vida, e depois de meses dividiríamos o mesmo fuso horário e espaço.
Não é que eu não me importasse com meus fãs, ou que eles não fossem tão importantes quanto, longe disso. A questão é que o que eu vinha vivendo e sentindo por aquela mulher era diferente de tudo que eu já havia experimentado e eu sabia que estar na presença dela mudava toda a atmosfera do ambiente para mim, mesmo que eu me recusasse a admitir isso.
, nós te amamos — uma garota de cabelos escuros gritou mais à frente na aglomeração que tinha ali.
Sorri para ela e me aproximei na intenção de tirar uma foto, enquanto senti meu celular vibrar no bolso da calça, me trazendo uma ansiedade interna que me fazia toda hora acreditar que poderia ser uma mensagem dela. Aquilo era ridículo e infantil, mas era como se eu não pudesse controlar a ansiedade diante de qualquer possibilidade de ter contato com ela, nem que fosse através de uma tela eletrônica.
estava acabando comigo.
Após terminar a sessão de autógrafos, era hora de ir para o hotel e confesso que eu estava ansioso por aquilo. Não só por estar exausto e porque à noite já seria o primeiro show, mas também pelo simples fato de que eu ficaria hospedado no mesmo lugar que a minha atual pessoa preferida no mundo.
E aquilo já era motivo suficiente para eu não conseguir relaxar nem um pouco. Então me recostei no banco do carro e deixei que minha mente divagasse, o que me levou a lembranças com ela.

Fui tirado dos meus pensamentos somente quando chegamos ao hotel onde eu ficaria hospedado por três dias. O local estava rodeado por fãs que fiz questão de cumprimentar mesmo que de forma rápida, pois teria uma reunião em menos de duas horas e eu precisava tomar um banho para ficar apresentável, já que tinha gastado mais de vinte e quatro horas de voo e isso tinha me deixado exausto e com uma aparência péssima.
Adentrei o elevador e corri minha mão para dentro do bolso da calça, já sacando meu celular e o desbloqueando porque estava cansado de esperar só para não me ver rendido à esperança da mensagem dela. Abri primeiro o Instagram, onde pude ver que ela havia postado uma foto em um evento e depois corri os dedos até as mensagens, onde pude ver que tinha algumas que eram dela.
Sorri abertamente e cliquei para poder ler.
E meu sorriso ficou ainda maior.

“Parece que encontrei um tempo livre na minha agenda para aproveitar o presente que você me enviou hoje pela manhã” escreveu, seguida de uma foto do ingresso para o meu show de hoje à noite.

Li mais de uma vez, rolei a tela um pouco para ler o restante e mais uma mensagem me chamou atenção, que também continha uma foto.

“Já começando os rituais para o show.” escreveu com uma foto das pernas dela esticadas na banheira.

Me engasguei ao ver a imagem e bloqueei o celular antes que alguém que estivesse perto de mim visse e o enfiei no bolso, tentando conter minha excitação por aquelas mensagens. Eu nem sabia que tipo de relação eu tinha com , mas conseguia facilmente afirmar que estava completamente rendido a qualquer passo inesperado que ela dava, quase me fazendo gritar de ansiedade.
Depois de alguns andares, finalmente eu havia chegado ao meu e a primeira coisa que fiz assim que entrei no meu quarto foi tirar toda a minha roupa e ir direto para o banho, afinal, eu tinha um compromisso e não poderia me atrasar, ou meu empresário ia me dar um esporro daqueles. Patrick era como meu melhor amigo, mas não podia negar que ele era extremamente profissional e sabia muito bem separar as coisas.
Escolhi uma roupa que me deixava bem arrumado, mas ao mesmo tempo confortável e casual, e assim que fiquei pronto, saí, já indo de novo para o elevador. Eu me encontrava no 23º andar e ele marcava estar no 11º, então eu sabia que ia demorar um pouco e aproveitei para — pela milésima vez — checar meu celular e ver se tinha alguma mensagem.
Resultado: nada.
Como já era de se esperar.
Assim que o elevador apitou, avisando que ele se encontrava no meu andar, ergui meu olhar para frente e quando a porta se abriu, meu coração acelerou de imediato. Ela estava encostada ao espelho, totalmente concentrada em seu celular em suas mãos, com os cabelos soltos, que caíam um pouco sobre seu rosto, e uma expressão calma.
Abri um sorriso largo e adentrei, agradecendo mentalmente por sermos os únicos ali.
Respirei fundo, me perguntando quando ela prestaria atenção em quem tinha acabado de entrar ali, mas se manteve concentrada em seu aparelho, me levando a concluir que provavelmente era algo importante. Me recostei do lado oposto onde ela estava e segundos depois a porta do elevador se fechou, emitindo um barulho que finalmente chamou a atenção dela o suficiente para que a mulher erguesse o olhar.
arregalou os olhos, eu deixei um sorriso perverso escapar dos meus lábios e mudei de lugar, ficando ao lado dela, que respirou tão profundamente que eu pude ouvir perfeitamente o som do ar saindo de seus lábios. Estávamos a poucos centímetros de distância um do outro e a essa altura ela já tinha guardado o aparelho no bolso da calça que usava e seus braços estavam encostados na lateral de seu corpo, quase roçando no meu.
Ri fraco com o nervosismo dela, pois me dava um certo alívio saber que não era o único ali a me sentir assim e levantei o olhar para ver os andares passarem. Ainda tínhamos algum tempo até que chegássemos ao térreo e aproveitei aquilo para observá-la. estava usando um terno preto, com calças da mesma cor e um sapato de salto médio que a deixava um pouco mais alta, mas ainda assim bem mais baixa do que eu.
Seu rosto estava apenas com uma maquiagem leve, algo que eu particularmente gostava bastante. Aquela mulher tinha uma beleza incomparável para mim, então até sem maquiagem eu a ainda a achava a mais bonita de todas e era a única que me chamava atenção independentemente de onde estivéssemos.
O elevador apitou mais uma vez, indicando que iria parar em um andar e ambos nos movemos, de forma que nossas mãos se encostaram levemente, fazendo com que eu a olhasse fixamente e levantasse o olhar em minha direção.
, eu juro que estou tentando controlar minhas ações — falei baixinho, finalmente quebrando o silêncio entre nós. — Só que está ficando cada dia mais difícil.
Ela riu fracamente e sentimos o elevador parar.
— Cala a boca — ela disse baixinho, em um tom de brincadeira que veio acompanhado de um sorriso leve.
Ri fraco e vi cinco pessoas entrarem no elevador. Então me preparei para vê-la se afastar, mas nada aconteceu e eu decidi permanecer onde estava, fingindo que não tinha absolutamente nada acontecendo ali e fui pego de surpresa quando senti encostar as costas de sua mão na minha e levemente entrelaçar nossos dedos.
Sorri para ela e a vi se afastar um pouco e piscar para mim. As pessoas que se encontravam ali estavam conversando em japonês sobre algo que eu não fazia ideia do que era e totalmente concentradas umas nas outras, então eu duvidava que qualquer uma delas tinha sequer reparado no que estava acontecendo ali entre a gente.
Depois disso, a chegada ao térreo foi muito mais rápida, infelizmente. saiu do elevador tão rápido que eu nem consegui ver para onde ela foi e eu segui para o lugar que Patrick havia me informado que aconteceria o almoço com o tal empresário importante que estava interessado em patrocinar meu novo álbum e documentário.
. — Um homem que aparentava ter por volta de uns trinta e cinco anos levantou da mesa que eu havia acabado de me aproximar e estendeu a mão para mim. — É um prazer finalmente conhecê-lo pessoalmente. Thomas Carson!
— O prazer é meu — respondi ao apertar a mão dele e sorri de forma simpática.
Ele voltou a se sentar e fez sinal para que eu fizesse o mesmo.
— Eu estava ansioso para conhecê-lo — Thomas disse sorridente. — Minhas filhas são muito fãs da sua música e elas ficaram muito empolgadas quando contei que o conheceria hoje.
— Eu fico feliz de saber disso — respondi ao me sentar, enquanto tomava nota do ambiente. Reparando que o local era bem amplo, bastante iluminado e dali tínhamos a visão de um jardim muito bem decorado.— Vou mandar os ingressos para que você as leve ao meu show.
O homem sorriu.
— Patrick já me entregou — explicou, enquanto mexia em uma pasta que estava diante dele.
— Bom, então as convido para irem até meu camarim para tirarem fotos e eu dar autógrafos — ofereci e ele assentiu em agradecimento, enquanto tomava nota da pasta e também pegava o copo de água que estava bem de frente para ele.
Patrick não tinha me dito que seria apenas eu e ele no almoço e eu estava começando a me sentir um pouco desconfortável, afinal, além de não ser bom naquilo, eu geralmente precisava de um tempo para me acostumar com quem não conhecia direito. Escutei ele falar mais algumas coisas sobre o que tinha escolhido para o almoço, me perguntando o que achava, ao que apenas concordei a cabeça, pois estava distraído vendo do outro lado do salão.
— Não sei se Patrick te falou, mas eu estou interessado em investir no seu próximo álbum — Thomas disse empolgado. — E também no documentário — acrescentou enquanto me encarava, mas sem demonstrar nenhum descontentamento com a minha distração.
— Sim, ele comentou comigo — afirmei, ainda com os olhos em outro lugar que não fosse naquela mesa.
— Você parece um pouco preocupado, Sr. . Tem algo o incomodando? — O empresário perguntou e voltei meu olhar para ele, me provando que eu estava errado sobre a minha observação anterior.
— Desculpa — pedi, voltando a olhar para Thomas. — Seremos só nós dois para o almoço?
Preferi mudar de assunto, porque não tinha nenhuma explicação que eu poderia dar a ele sobre a minha distração.
— Ah, sim — ele disse de forma retórica, parecendo se dar conta de algo. — Eu convidei uma amiga, espero que não se importe.
— Sem problemas — respondi, dando de ombros.
Ele parou a conversa entre nós ali e se virou como se estivesse procurando alguém e aproveitei a deixa para voltar a olhar a mulher que me chamava tanta atenção. agora já tinha saído de onde estava, se encontrava um pouco mais perto da mesa em que eu estava e parecia falar com algumas pessoas de forma tão distraída que não tinha sequer reparado que eu a olhava.
— Ali está ela — Thomas disse, apontando na direção de e engoli em seco assim que seus olhos encontraram os meus.
Mais do que nunca, eu estava me convencendo que de alguma forma o destino queria nos unir.
, aqui! — Ele gritou o nome dela, já ficando de pé bem na minha frente.
E a ansiedade em saber que a teria tão perto de mim pela próxima hora assolou meu coração de imediato, mas também não conseguia negar o quanto os meus sentimentos estavam me traindo, me fazendo pensar em qual de fato era a relação dela com Carson. E pior do que a ideia de terem sido algo — ou pior ainda, poderem ser ainda mais do que amigos —, me causou uma agitação estranha.
Eu sabia que aquele sentimento era ridículo, porém era como se eu fosse incapaz de controlá-lo.
Engoli em seco quando ela se aproximou e o vi levar uma das mãos até as costas dela. E foi impossível que meus olhos não ficassem completamente fixados àquilo, me fazendo sentir como se algo tivesse cravado meu peito, tamanha era a agonia que eu sentia.
? — Escutei Thomas me chamar e levantei o olhar. E pela forma que ele me encarava, eu deduzi que já estava me chamando há algum tempo. — Essa é — a apresentou e eu fiz questão de me levantar.
Eu estava pronto para abrir a boca e dizer que já nos conhecíamos, mas a forma que me encarava foi o suficiente para que eu me desse conta de como iria agir de forma imprudente e totalmente idiota. Então sorri para ela e voltei a me sentar, depois de apertar a mão dela.
Por mais inseguro que estivesse me sentindo naquele momento, jamais a colocaria em alguma situação que pudesse prejudicá-la.
— É um prazer te encontrar de novo, Sr. acabou falando antes de mim, me pegando completamente de surpresa com aquela fala e eu não pude conter o sorriso.
— O prazer é todo meu — falei calmamente e assenti de maneira que só ela entenderia o que se passava em meus pensamentos.
Eles se sentaram e eu apenas encarava tudo, me esforçando ao máximo para não deixar transparecer o quanto eu estava incomodando com aquela situação. a todo tempo passava os olhos por mim e era impossível não fazer o mesmo com ela. Thomas, vez ou outra, se inclinava para próximo dela e dizia algumas coisas que eu preferi apenas ignorar e fingir que não era capaz de entender, porque o sentimento de inveja que pairava no meu coração era quase lancinante, já que eu jamais poderia fazer o mesmo com ela, não em público.
— Então, voltando ao nosso assunto — Thomas disse e dessa vez virou para me encarar. — Você terá interesse em fechar contrato comigo?
arqueou uma sobrancelha, parecendo surpresa com o que ele havia dito.
é um ótimo cantor — a mulher afirmou. — Tenho certeza de que não vai se arrepender. Temos um evento na empresa onde ele irá se apresentar e só tenho recebido elogios — ela acrescentou e levou a mão até o copo de água que estava em cima da mesa e o encostou nos lábios, mas sem tirar os olhos de mim.
O empresário pareceu surpreso com o que ela havia dito e me encarou como se esperasse que eu dissesse algo.
— Não sabia que se conheciam dessa forma — comentou e seu olhar se voltou para ela, como se estivesse esperando por algum tipo explicação, e apesar de achar aquilo um tanto quanto estranho, eu preferi ignorar.
— Nos conhecemos apenas em uma reunião — me adiantei em responder.
— Eu ando muito ocupada com alguns projetos e infelizmente não tive tempo de acompanhar todo o processo de perto — explicou, com um brilho nos olhos ao falar sobre seu trabalho, algo que eu admirava muito. — Mas, como eu disse, todos têm falado coisas ótimas sobre ele.
Sorri com suas palavras, tentando me esforçar ao máximo para que meu olhar não demonstrasse demais o que se passava dentro de mim. Em um impulso que eu nem sabia de onde tinha vindo, me levantei da minha cadeira, o que gerou um olhar de espanto dos dois.
— Desculpa — pedi calmo. — Eu preciso ir ao toalete. — E saí andando sem nem dar muitas explicações.
Andei a passos largos em direção à placa que indicava os banheiros, tentando controlar todos os questionamentos que me assombravam. E quanto mais longe eu ficava de onde estava antes, maior era a certeza de que minha reação tinha sido ridícula, porém não tinha nada que eu pudesse fazer diante daquilo e continuei caminhando até chegar perto do banheiro masculino. Empurrei a porta com pressa e soltei uma respiração pesada ao encarar meu reflexo no espelho, dando graças a Deus por estar finalmente sozinho para que pudesse recuperar minha sanidade.
Parado naquele quadrado minúsculo, encarando meu reflexo, eu conseguia me dar conta do quanto aquela mulher me afetava e me praguejei mentalmente pela minha falta de controle, algo que jamais havia acontecido antes. Aproveitei que já estava ali mesmo para usar o banheiro e depois de lavar as mãos e jogar um pouco de água no meu rosto para acalmar os ânimos, saí de lá mais calmo.
Caminhei por entre aquele espaço, apreciando um pouco o lugar e me dando conta de que aquele era um dos hotéis mais diferentes que eu já havia ficado, além de muito luxuoso e espaçoso. E foi distraído, prestando atenção na arquitetura do lugar, que senti uma mão puxar meu braço, me trazendo para dentro de uma espécie de armário, e só me dei conta do que estava de fato acontecendo — e de quem era — quando a porta foi fechada e lábios tomaram os meus.
levou as mãos até meus cabelos e embrenhou seus dedos neles, conforme aumentava o ritmo do beijo e levei minhas mãos até sua cintura, a apertando ao passo em que a puxei contra meu corpo, tomando controle do que acontecia ali. Então levei uma das minhas mãos até sua nuca e deslizei meus dedos até os fios de seus cabelos enquanto brincava com a sua língua, para então reduzir o ritmo e colocar seu lábio inferior entre os meus dentes.
Não pude conter um sorriso antes de abrir os olhos para encará-la. Seus olhos estavam arregalados, as pupilas dilatadas e seu peito subia e descia, deixando claro toda a adrenalina que corria dentro dela naquele momento.
— Achei que era alguma fã enlouquecidamente apaixonada — comentei, deixando que um risinho de lado se formasse em meus lábios, porque sabia que reação aquilo causaria nela. Eu apertei o interruptor para que as luzes se acendessem, porque assim poderia vê-la melhor.— Se bem que 'tá parecendo uma.
Suas bochechas ficaram vermelhas, mas a mulher não perdeu sua postura sempre intimidadora e, sem que eu esperasse, deu um tapa leve no meu peito.
— Você está muito abusado — ralhou em uma falsa braveza.
— Ei! — Soltei um gritinho, fingindo que tinha doído e deixei uma risada escapar. — Eu que fui puxado para dentro de um armário e agarrado à força.
Ela riu fraco e aproximou os lábios dos meus.
— Eu não vi você reclamar nem um pouco — soprou com toda a confiança que eu sabia existir dentro dela. — Para falar a verdade, parecia estar se divertindo bastante, Sr. .
Puta que pariu!
Aquela mulher acabava comigo e ela sabia muito bem disso.
Sorri com o que ela havia dito e selei meus lábios aos dela, em um gesto delicado.
— Eu estava mesmo, Srta. — entrei na brincadeira, sendo totalmente sincero nas minhas palavras.
sorriu e se afastou.
— Não sei o que deu em mim — admitiu, expressando o quanto estava surpresa com sua atitude. — Quase não consigo me reconhecer, porque esse não é o tipo de coisa que eu faria.
Ri fracamente enquanto a observava.
— Desculpa por isso — pedi, porque me sentia culpado pelo que havia dito anteriormente.
— Não precisa pedir desculpas. Eu que enfiei a gente nisso! — Respondeu com um sorriso no rosto. — Mas como saímos daqui?
Ri daquilo, porque era engraçado vê-la enfiada em uma situação como aquela.
— Eu vou primeiro — falei, rindo, porque era muito engraçado e recebi um segundo tapa. — Desculpa, mas é hilário você ter nos colocado nessa situação.
A puxei para os meus braços, a escutando soltar um muxoxo e depositei um beijo no topo da cabeça dela para depois me afastar, já preparado para sair daquele armário, mas não sem antes me virar para encará-la.
— Por favor, tenta se controlar da próxima vez, meu anjo. — Ri fraco e saí de lá antes que apanhasse, com um puta sorriso na cara.
Sem dúvidas aquilo tinha melhorado meu almoço e também o resto do dia inteiro. E enquanto eu caminhava de volta para aquela mesa, não pude conter o sorriso estampado em meu rosto e o fato de estar completamente surpreso por ela ter feito aquilo. Mas assim que atravessei a porta do salão, voltei a agir naturalmente para que não deixasse transparecer que algo tinha acontecido no meio tempo em que fiquei fora.
O empresário me perguntou se estava tudo bem quando voltei e, ao me sentar, eu apenas assenti positivamente, porque não queria correr o risco de deixar escapar qualquer empolgação da minha parte.
voltou um tempo depois, dizendo que tinha recebido uma ligação urgente e precisou atender, então sentou-se como se nada tivesse acontecido. Vez ou outra, nós trocávamos olhares discretos e eu precisava me esforçar muito para não deixar transparecer que o que havia acontecido entre nós naquele armário tinha me afetado completamente e que era muito difícil ficar ali com ela naquela mesa sem poder sequer tocá-la ou olhá-la de uma forma diferente. Porém preferi jogar qualquer coisa que fosse negativa para longe e decidi que aproveitaria o fato de estar tão perto dela depois de meses.

🌹 🥀 🌺



O meu dia tinha rendido tanto depois do almoço que eu estava até me sentindo parcialmente cansado, porém o show começaria em menos de duas horas e eu precisava retomar minhas energias. Então, além de ter tomado outro banho no camarim, eu também pedi uma comida e peguei meu violão para ensaiar algumas notas que eu iria usar na noite de hoje. E em meio às canções que eu cantava, acabei escolhendo uma nova que havia escrito recentemente, após uma noite que eu havia passado com .

Sugiro colocar “Fallin’ All In You” do Shawn Mendes, para tocar.

4 meses antes.


Respirei fundo para poder trazer o máximo de ar possível para dentro dos meus pulmões e soltei o ar pesadamente. O que tinha acabado de acontecer ainda estava confuso na minha mente e era impossível negar que aquilo me marcaria por um bom tempo. Enquanto eu escutava o barulho da água que caía no banheiro, porque ela estava tomando banho, dei um pulo da cama e caminhei até o meu closet, onde se encontrava meu violão.
A noite lá fora estava tomada por estrelas e aquilo foi mais que convidativo para que eu caminhasse até a janela e me sentasse no estofado que tinha de frente para ela. Nada seria melhor que aquela paisagem de prédios com suas luzes acesas e o céu iluminado para aguçar ainda mais a minha inspiração naquele momento. Então ali, tomado pela nostalgia de tudo ao meu redor, comecei a tocar o instrumento e, quase sem perceber, compor a primeira música que daria vida ao meu novo álbum.
Fechei meus olhos para que pudesse me entregar ainda mais àquele momento e a letra parecia vir de uma forma natural, que em muitos momentos eu mal conseguia acreditar. E era quase ridículo pensar que a dona daquela inspiração se encontrava no meu banheiro.
I can't see one thing wrong...Between the both of us — cantei, ao passo em que tentava encaixar as notas.
Voltei a abrir meus olhos e me dei conta de que era melhor pegar papel e caneta, então caminhei rapidamente até a escrivaninha que tinha no quarto e voltei rapidamente para onde estava.
Be mine, be mine, yeah... Anytime, anytime. — Anotei o que havia cantado e sorri porque tudo parecia se encaixar perfeitamente.
Fiz alguns ajustes e escutei o barulho do chuveiro cessar, mas como eu sabia que nunca saía do banho apenas de toalha, decidi que continuaria até que escutasse a porta abrir. Então fechei os olhos mais uma vez e continuei.
Ooh, you know I've been alone for quite a while. Haven't I? — Cantei com todo meu coração e a frase havia me tocado de uma forma diferente.
Senti uma movimentação estranha e voltei a abrir os olhos, então a vi parada me encarando. Ela encontrava-se apenas de toalha, com os cabelos molhados e uma expressão tão neutra que me fez sorrir de imediato.
… — sua voz saiu suave e a vi caminhar na minha direção lentamente. E antes mesmo que tivesse chegado perto de mim, todos os pelos do meu corpo já tinham se arrepiado só com a possibilidade de sentir seu toque. — O que você está fazendo?
Sorri para ela e coloquei o violão de lado para que pudesse me concentrar apenas nela.
— Escrevendo — falei simplesmente, mas pela sua expressão achei melhor explicar melhor. — Me veio inspiração para o álbum que eu to querendo começar.
Em um gesto inesperado, ela se aproximou completamente e levou suas mãos aos meus cabelos, fazendo com que a toalha em volta dela caísse e eu segurei o ar com tanta força que achei que fosse me sufocar. Ela soltou uma risadinha com a minha reação, afinal eu já a tinha visto daquela forma, e encostou os lábios nos meus.
— Então acho melhor não te atrapalhar — soprou contra os meus lábios e fez menção de se afastar.
Em um gesto rápido, eu levei minha mão até sua coxa e a puxei de forma que ela caiu no meu colo, ao passo em que soltou um gritinho de susto.
— Não mesmo — falei e a beijei.
Minha mão sem demora apertou sua coxa e a outra que estava livre subiu por suas costas até seus cabe…

Agora.



? — A voz de Patrick reverberou no ambiente, me trazendo de volta à realidade e bufei de forma frustrada.
Elevei meu olhar em direção à porta e vi que ele se encontrava parado ali, me encarando com uma cara confusa. Eu fiquei em silêncio, porque ainda estava entorpecido demais pela lembrança que tinha acabado de ter, deixando que ele continuasse seja lá o que tivesse para dizer.
— Vinte minutos — informou, fazendo com que eu arregalasse os olhos.
Sem responder, desviei meu olhar para o relógio no camarim e fiquei ainda mais confuso.
, você está bem? — Ele insistiu e coloquei o violão de lado, já pegando meu blazer e o vestindo.
— Acho que me distraí — expliquei, enquanto caminhava até ele. — Vamos?
— Você tem certeza de que está bem para fazer esse show? — Patrick perguntou, me encarando e eu fiz a maior cara de naturalidade que consegui. — Você anda meio distraído nos últimos meses, desde aquela reunião.
Dei de ombros e passei por ele, já abrindo a porta para sair.
— Já te disse que isso é coisa da sua cabeça — disse, enquanto caminhávamos. Eu estava nervoso para o show, mas nunca iria admitir isso para ele, afinal só daria abertura para o meu amigo criar ainda mais teorias. — Eu só estou empolgado, é meu primeiro show no Japão.
Ele assentiu sorrindo e então percebi que o assunto havia se encerrado ali para ele e preferi não comentar mais nada. Patrick não era de se meter na minha vida, mas eu sabia ser esperto o suficiente para captar as coisas, então quanto menos eu falasse, menos ele saberia.
Passamos por um extenso corredor, de onde eu já conseguia escutar o barulho de empolgação dos meus fãs. Como sempre, conversei comigo mesmo dentro da minha mente, repassando cada nota e também me tranquilizando de que daria tudo certo, porque apesar dos meus anos de estrada, sempre existia aquela pontinha de insegurança. Cumprimentei algumas pessoas ao longo do caminho e esbocei o melhor sorriso que poderia, porque todos ali tinham se dedicado muito para que o show acontecesse.
Aqueles vinte minutos que Patrick havia dito que eu tinha se transformaram em cinco rapidamente e eu os usei para respirar fundo e trocar algumas últimas palavras com a minha banda antes de entrar no palco, como eu sempre fazia.
Cantando.
Fogos de artifícios estouraram com a minha entrada e a primeira visão que eu tive foi dos meus fãs cantando e pulando. Eu tinha escolhido — como sempre — cantar “There’s Nothing Holdin Me Back” do meu primeiro álbum e de cara pude sentir a empolgação da plateia. O palco era enorme e atrás de mim existia um telão onde se passavam algumas fotos dos meus outros shows. Andei um pouco enquanto cantava para me familiarizar — apesar de ter ensaiado nele —, porque era diferente quando tinha uma multidão te olhando e fui em direção à extensa passarela que existia ali.
Naquela parte, eu conseguia ficar ainda mais perto dos meus fãs e no meio da empolgação que eu sentia naquele momento, meus olhos encontraram os dela. estava na cadeira bem ao meio, na área vip, então ela ficava exatamente de frente para mim enquanto eu estivesse ali. Ela abriu um sorriso casto quando notou meus olhos sobre ela e eu sorri de forma larga, sem me importar. Afinal, qual era o problema de ela ser minha fã?
Pisquei para ela e continuei o show como tinha sido planejado e ensaiado. Porém a ansiedade em cantar a última música pairou meu coração até que chegasse a hora dela e eu achei que fosse vomitar ou simplesmente desistir quando foi anunciado que faríamos uma pausa de cinco minutos para que eu pudesse trocar de roupa e me preparar.
Patrick estava extremamente empolgado com a ideia de que anunciaríamos que aquele show faria parte do meu próximo documentário que seria atrelado ao novo álbum e aquilo até que me ajudou a me sentir do mesmo jeito e me deixou mais aliviado. Ele me informou algumas coisas que eu precisava dizer no palco e então retornamos.
Estrategicamente, eu havia escolhido ficar na passarela bem de frente para a dona da inspiração para aquela música. E mesmo sabendo que não deveria, foi impossível não a encarar na hora que passei a corda do violão pelo meu pescoço e a plateia vibrou. Algo que ela retribuiu.
Peguei o microfone, já desviando o olhar daquela mulher e aproximei minha boca a ele.
— Boa noite, Japão! — Falei em japonês primeiro. — Boa noite, Japão! — Repeti em inglês e gritos reverberaram pelo local.
Aquilo era como música para os meus ouvidos, porque eu amava meus fãs e ainda mais o que eu fazia.
— Eu tenho uma novidade para vocês — comecei a dizer, me esforçando para não encarar . — Decidi que farei um documentário para vocês sobre toda a minha carreira e esse show fará parte dele.
Mais gritos ecoaram.
— Então também decidi trazer um presente para comemorar esse anúncio especial. — Abri meu melhor sorriso, porque eu estava realmente muito feliz. — Guardei a nova música do meu próximo álbum, que será lançado junto a este documentário, para cantar agora.
E de uma forma que eu achei não ser possível, os gritos ficaram ainda mais intensos. Então esperei que se acalmassem para que pudesse continuar o que ainda tinha para dizer e, antes de fazer isso, meus olhos caíram sobre .
— Obrigado pela inspiração — falei, sorrindo e vi seus olhos brilharem, então, rapidamente, ergui meu olhar.
A música começava com uma batida suave e, no momento que ela se iniciou, eu fechei meus olhos, a deixando me envolver. Eu poderia dizer que, mesmo escrevendo outras — algo que evidentemente aconteceria —, aquela sempre seria a minha preferida do álbum e isso tornava meu nervosismo em cantá-la ainda maior.
Sunrise with you on my chest… — comecei a cantar e fechei meus olhos para que pudesse sentir cada pedaço da música e também toda a energia presente naquele lugar. — No blinds in the place where I live. Daybreak, open your eyes… — continuei e eu poderia dizer que era uma das melhores sensações que eu já havia sentido, comparado às outras vezes que eu tinha me apresentado.
Voltei a abrir meus olhos e eles caíram diretamente em . E mesmo que ela não pudesse me dizer naquele momento, eu conseguia ver em seu olhar que ela havia reconhecido a música e que ali, me olhando de forma tão carinhosa, estava dividida entre prestar atenção enquanto eu cantava e na lembrança que provavelmente estava tendo.
'Cause this was only ever meant to be for one night. Still, we're changing our minds here. — Sorri, fazendo uma pausa, porque eu estava quase no refrão e aquela era uma das minhas partes favoritas. — Be yours, be my dear… — Dessa vez, caí meu olhar sobre a dona da música de novo, sem me preocupar se aquilo estava óbvio demais.
Era difícil cantar e não olhar em sua direção, porque tudo que eu estava dizendo naquela letra era sobre ela e eu precisava ver sua reação a cada palavra cantada. Porque era inegável o quanto todas as coisas que eu estava dizendo ali eram reais para mim e eu precisava que ela soubesse, que estava apaixonado com todo meu coração.
Desviei meu olhar para a plateia mais uma vez e naquele momento me concentrei apenas nos meus fãs, porque eles eram parte de tudo aquilo obviamente. Graças a eles eu tive a oportunidade de estar ali, expondo meus sentimentos, mostrando minha música e fazendo algo que eu amava profundamente. E eu poderia dizer, sem dúvidas, que aquela música também falava muito sobre o meu amor por todos eles.
E quando a parte final chegou, eu voltei a fechar meus olhos. Porque tudo que se passava dentro de mim naquele momento era forte demais e eu precisava me concentrar em terminar sem que me emocionasse.
Fell for men who weren't how they appear…Trapped up on a tightrope, now we're here, we're free.Fallin' all in... — cantei de forma mais lenta, conforme me atentava a cada nota tocada no meu violão. — You… — Mais uma vez, meu olhar caiu sobre , que me encarava com os olhos cheios de brilho e em seguida pude ouvir os gritos que reverberam no local.


Depois do show eu tinha recebido alguns fãs no camarim para dar autógrafos e tirar fotos, o que durou ao menos uma hora e meia, apesar do meu cansaço. Então cumprimentei todos que foram responsáveis para que o evento acontecesse — ou quase isso —, agradeci minha equipe, troquei algumas palavras com Patrick, que era pura empolgação, e dei graças a Deus quando pude ir para o hotel. Eu estava exausto, mas apesar de tudo isso, meus pensamentos ainda encontravam-se a mil.
tinha saído de sua cadeira às pressas e eu não tive sequer tempo de trocar uma palavra com ela, como fiz com quem estava na área vip. E do momento que entrei em um banho extremamente quente para que pudesse relaxar até a hora de me jogar na minha cama, ela esteve presente em meus pensamentos a cada segundo, como se algo entre nós tivesse ficado inacabado após o show e aquilo foi o suficiente para que eu não conseguisse dormir.
Rolei na cama por pelo menos uma hora e quando vi que o relógio já passava das duas horas da manhã, me levantei e caminhei até a janela enorme, que me dava a visão da cidade. Eu quase ri da ironia em ir até ali, porque ao invés de me fazer esquecer tudo para que eu pudesse finalmente ir descansar, só me trazia ainda mais lembranças sobre ela e nossos momentos juntos na minha cobertura.
Passei a mão nos cabelos em nervoso, deixando escapar uma risada fraca dos meus lábios, diante da ironia daquilo tudo e estreitei meus olhos ao escutar uma batida na porta, mas ignorei. Então, logo em seguida, vieram mais algumas e eu bufei em frustração comigo mesmo.
Seria possível que eu já estivesse naquele nível em que a mente prega peças na gente? E mesmo contra a minha vontade, eu me arrastei até lá.
Quase tomei um susto quando abri a porta e braços agarraram meu pescoço, ao passo em que lábios tomaram os meus. E eu só não achei que poderia ser alguma fã que havia descoberto o número do meu quarto, porque eu conhecia muito bem o cheiro da pessoa em meus braços, o gosto de seus lábios e a forma como se encaixava perfeitamente em mim.
Empurrei-a contra a parede e me deixei levar por todos os sentimentos que me assombravam naquele momento. Sem demora, suas mãos correram até meus cabelos, onde ela embrenhou os dedos sem hesitar e minha reação àquele toque me fez colocar seu lábio inferior entre os dentes e o morder levemente, então interrompi o beijo entre a gente e a encarei. Seus olhos pareciam queimar ao meu olhar e era bom saber que nos sentíamos da mesma forma, só para variar.
— Com problemas para se controlar, Srta. ? — Brinquei, enquanto a encarava, fazendo com que sorrisse. Dessa vez, ela não optou por me dar um tapa com havia acontecido mais cedo. — A propósito, como descobriu o número do meu quarto?
— Você sabe que controle nunca foi uma qualidade minha, Sr. . — Sorriu abertamente e suas mãos que estavam em meus cabelos começaram a fazer um carinho gostoso naquela região. — E você me enviou pela manhã, lembra? — Franziu o cenho, como se desconfiasse de algo.
— Desculpa — pedi e levei meus lábios aos dela, apenas os selando para que pudesse sentir seu gosto novamente. — O dia foi longo e eu ainda não me acostumei ao fuso — expliquei e vi sua expressão se relaxar, mas ainda assim parecia ter algo mais ali.
— Eu só vim agradecer pelo Show — disse prontamente, enquanto ainda brincava com os fios dos meus cabelos em seus dedos e me vi fechando os olhos por um momento só para que pudesse aproveitar daquele toque.
— O Show? — Indaguei, apenas por saber que ela jamais admitiria que tinha vindo até meu quarto para agradecer pela música. riu fracamente e selou nossos lábios novamente, me arrancando um sorriso no meio do ato. — Hm — resmunguei, a fazendo abrir um sorriso também.
— Só queria que soubesse que eu amei — sussurrou e seus olhos ficaram fixos aos meus. — E que estamos na mesma página.
Quase deixei escapar uma risada com o jeito dela de falar, mas perdi a fala quando a vi afastar-se e virar em direção à porta. Em um gesto rápido, levei minha mão até a maçaneta, virando para encará-la.
— Aonde você pensa que vai? — Perguntei com um tom de brincadeira na voz.
Os olhos dela encontraram os meus e ela parecia um pouco sem reação frente à minha atitude.
— Eu achei que era para eu me controlar — disse em tom de provocação e aquilo me fez passar a língua entre os lábios, porque muitas coisas já tinham me ocorrido.
voltou a se virar, ficando com o corpo colado à parede e eu afastei minha mão da maçaneta e passei meus olhos de seu rosto até percorrer todo o seu corpo e não pude me conter em morder minha boca quando vi que estava de saia. O meu pensamento logo correu longe e eu me abaixei diante dela, que levou o olhar na minha direção, tomando nota do que eu fazia. Sem pressa alguma, levei minha mão até a sua panturrilha, o que fez com que a mulher estremecesse levemente e pude ouvir um suspiro sair de seus lábios.
… — soprou de maneira fraca, me arrancando uma risadinha.
Minha mão foi subindo lentamente, enquanto a outra eu usei para segurá-la, a colocando na parte de trás de sua coxa e me aproximei de modo que meus lábios encostaram em sua pele. movimentou-se em ansiedade e senti suas mãos nos meus cabelos de novo — o que me arrancou um sorriso —, então continuei subindo minha mão enquanto subia os beijos que dava. E quando meus lábios já estavam quase próximos à sua intimidade, a vi arfar e senti seus dedos puxarem meus cabelos com um pouco de força.
Naquele momento, parei o que estava fazendo só para que pudesse elevar meu olhar e ver a expressão daquela mulher diante de mim. Porque não tinha nada naquele momento que eu pudesse apreciar mais do que a ver daquela forma só por receber os meus toques.


Continua...



Nota da autora: Oi, meus amores, tudo bem?
Finalmente eu consegui escrever o primeiro capítulo dessa fanfic! Caramba, eu estou TÃO ansiosa para ver a reação de vocês diante dessa atualização que nem sei colocar em palavras o quanto hahaahahaha. Esse casal é absolutamente tudo e eu me apaixonei TANTO por eles que acabei decidindo fazer uma longfic.
Também queria fazer um agradecimento especial para minha beta e amiga, a Stephanie, porque ela sempre me apoiou muito com essa ideia. Essa fic também é sua, meu anjo! <3
Então me digam aí nos comentários o que acharam! E lembrem que temos grupinho no whats, no face e eu também tenho um perfil de autora no instagram.



Outras Fanfics:
Bellum Vincula [Restritas - Originais - Em Andamento]
Contrato de Sangue [Restritas - Seriados/Lucifer - Em Andamento]
Euphoria [Restritas - Originais - Em Andamento]
Kára [Restritas - Heróis/Marvel - Em Andamento]
Mindhunters [Restritas - Originais - Em Andamento] — Parceria com Stephanie Pacheco
Oblivium [Restritas - Originais - Em Andamento]
Road so Far [Restritas - Seriados/Supernatural - Em Andamento]
Spring Girls [Restritas - Originais - Em Andamento]
Acesse minha página de autora para encontrar todas as minhas histórias

Nota da beta: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


comments powered by Disqus