Perfeito para você

Última atualização: 24/04/2021

Capítulo Um

Eu nunca poderia ter imaginado como era morar em um hotel, até eu morar em um hotel.
Meu pai Steve é um empresário muito bem sucedido no ramo de hotéis e para ele não existia nada melhor do que viver dentro de uma das suas maiores criações.
Palace Hotel.
Tenho que admitir que o hotel realmente é grandioso e recebemos hospedes de todas as partes do mundo, inclusive celebridades, porém morar em um hotel era completamente diferente. As pessoas costumam pensar que pelo fato de eu ter alguém que arrume meu quarto todos os dias, que eu tenha direito a todos os pratos que o hotel oferece é ótimo, porém não é tão bom assim.
Apesar de vivermos no Palace, meu pai projetou uma cobertura para que pudéssemos ter mais privacidade, não que isso conte como alguma coisa realmente, afinal todos nesse hotel sabem quem somos e como nos achar.
Desde cedo eu tinha sido ensinada pelos meus pais a não me preocupar com dinheiro, eles falavam constantemente que tínhamos uma fonte de dinheiro inesgotável e que eu poderia aproveitar minha vida, com limitações é claro. Uma das únicas regras que eu não poderia quebrar de jeito nenhum era me envolver com algum hospede, algo que claramente eu já havia quebrado e meu pai nunca tinha descoberto.
– Papai está furioso com você! – Ouço minha irmã mais velha entrando no meu quarto.
– O que eu fiz dessa vez? – resmungo assim que ela abre as cortinas deixando o sol entrar.
– Você chegou tarde outra vez. – O tom acusatório da minha irmã me faz revirar os olhos. – Eu não aguento mais ouvir o nosso pai reclamando sobre você. – Maddie estava tão vermelha de raiva que me fez rir.
Na maior parte do tempo minha irmã era um pé no saco e uma baba ovo do meu pai. Geralmente Maddison não gostava que eu saísse e aproveitasse bem a noite, pois isso dizia mais trabalho para ela com os tabloides.
– Talvez você devesse sair comigo uma noite dessas. – tento me manter neutra, porém não consigo esconder o cinismo na minha voz.
– Não . Seu tipo de diversão não condiz com meu estilo de vida. – reviro meus olhos e ela bufa.
– Tudo bem! – levanto minhas mãos em sinal de redenção. – Agora você vai fechar as cortinas e sair do meu quarto? – pergunto.
– Eu até poderia, mas papai quer você no escritório dele. – seu sorriso era diabólico, eu poderia dizer que ela estava se divertindo internamente com a minha próxima desgraça. – Saia da cama agora . Não me faça tira-la a força. – me levanto rapidamente, pois não deixaria que essa história se repetisse novamente.
– Já estou indo. – jogo minhas cobertas para o lado e me levanto rapidamente, esse gesto acaba levando tudo a girar ao meu redor.
– Diminua a quantidade de álcool que bebe. Você fede. – eu odeio quando Maddie tenta vir com lições de moral para cima de mim.
– Pelo menos eu tenho uma vida. – cruzo meus braços completamente emburrada.
– Uma vida de fracassos? – abro minha boca para falar algo, porém o choque não me permite. – Soube que você foi rejeitada em mais uma gravadora. – fecho minhas boca e fulmino com os olhos.
– Isso não diz respeito a você. – me aproximo dela. – E além do mais eu tenho uma vida repleta de histórias para contar, e você? – dou algumas batidinhas em seu ombros antes de entrar no banheiro para tomar banho.
Maddison era minha irmã mais velha e talvez a única filha que meus pais se orgulhavam de ter, afinal desde cedo ela seguia meu pai feito um cachorro para entender como era o funcionamento de um hotel, claro que eu tenho uma dívida imensa com ela por ter assumido esse cargo, assim livrando eu e meus irmãos de uma vida sem vida, mas nunca a deixaria saber disso.
O hotel que morávamos tinha sido desenvolvido pelo meu pai, assim como os outros, porém esse hotel tinha sido o projeto de sua vida. Ele queria ter certeza de que tudo que havia sido planejado saísse do jeito certo, para ele o mais importante era ter o cliente satisfeito, e por isso ele acompanhou de perto toda a obra. Assim que ele foi aberto para as pessoas nos mudamos.
O nosso hotel era um dos hotéis mais badalados de Londres, todos queriam se hospedar aqui, sendo um hotel cinco estrelas a nossa prioridade era servir da melhor forma possível todos os nossos hospedes, famosos ou não.
Logo que eu termino meu banho, que a proposito demorou mais do que o normal para irritar meu pai e minha irmã, me visto com a roupa mais confortável que eu poderia encontrar na bagunça que estava meu quarto e saio para o escritório dele. No meio do caminho percebo que não tinha deixado meu café da manhã no quarto, talvez esse fosse um castigo administrado especialmente por Maddie por eu ter voltado apenas hoje cedo, vai entender.
Assim que chego na porta do escritório dou leves batidas na porta e espero que meu pai peça para eu entrar.
– Queria falar comigo? – dou o meu melhor sorriso para ele enquanto entro.
– O que eu falei sobre sair durante a semana? – meu pai era um cara de cinquenta e três anos, que aparenta ser ainda mais jovem, porém seu humor entregava completamente o tipo de pessoa que ele era.
– Não sou mais criança papai. – eu praticamente me jogo na cadeira a sua frente. – E desculpe decepcionar você, mas eu não sou como Maddie. – dou um sorriso de lado. – O que eu posso fazer se depois que Sophie se casou e Alec foi para a faculdade eu me sinto sozinha? – fecho minha cara.
Eu realmente sentia saudades dos meus irmãos, Sophie tinha se casado a mais ou menos um ano e estava morando com seu marido Derek em Nova York, afinal ele tem um escritório de advocacia lá. Alec tinha ido para a universidade no início desse ano, me deixando completamente sozinha nesse hotel imenso.
– Vocês três juntos me davam muita dor de cabeça. – ele massageia suas têmporas em seu rosto e solta um suspiro. – Mas você está me surpreendendo nesse quesito. – fecho minha cara imediatamente, me fazer de coitada e boa filha não estava gerando resultados. – Maddison me contou sobre sua audição. – faço um chiado com a boca, aquela fofoqueira.
– Às vezes as coisas não saem como esperamos. – dou um sorriso sem graça e me levanto.
– Não terminamos ainda. – me sento novamente na cadeira, um tanto irritada por ser mantida ali a muito tempo. – Se isso não der certo eu quero que você prometa que irá para a faculdade. – bufo.
– Tudo bem papai. – concordo me levantando em seguida. – Se nada der certo como cantora, eu irei para a faculdade. – sorrio e saio rapidamente da sala, pois não queria que ele me visse mentindo descaradamente na sua frente.
Solto um suspiro completamente aliviado assim que me vejo fora de seu escritório, eu me sentia feliz por não ter levado um esporro como imaginei que levaria novamente, e se meu pai não se pronunciou em seus termos abundantes minha mãe não o faria. Rapidamente tiro meu celular do bolso assim que o sinto vibrar e abro a mensagem do meu irmão mais velho.
Você definitivamente não é a garotinha do papai.
Junto desse mensagem Alec tinha anexado uma foto minha e de saindo de uma boate ontem à noite e apesar de eu não ser uma pessoa completamente famosa, ainda tinha dois ou um fotógrafos me incomodando nos finais de festas. Eu tinha plena consciência de que Maddison estava puta da cara comigo nessa manhã por conta da foto, afinal, ela odiava que nossa família ficasse exposta.


***


Como eu não tinha tomado café da manhã ainda e o horário do café servido aos hospedes já havia terminado eu faço meu caminho diretamente para a cozinha do hotel e consequentemente para as mãos do nosso talentoso chefe Pietro.
- Se não é a minha garota favorita. – Pietro tinha praticamente a idade do meu pai e desde que eu me entendo por gente ele esteve na família.
Pietro trabalhou com meu pai em seus principais hotéis, e foi transferido para cá assim que o prédio foi inaugurado. Meu pai sempre buscou ter chefes renomados trabalhando em seus hotéis para oferecer uma boa comodidade aos seus clientes.
– Estou um pouco chateada com você. – finjo estar um pouco emburrada e não o abraço quando o mesmo estende seus braços para mim.
– Por que? – Pietro aparentava estar confuso.
– Você não me mandou ovos mexidos nessa manhã. – sussurro.
– Não mandei porque eu vi a hora que a senhora chegou no hotel. – ele revira os olhos para mim. – Posso não ter ovos mexidos para você, mas como eu tinha certeza de que você viria até a cozinha, separei algo maravilhoso para você. – rapidamente meu rosto se ilumina.
– Torta? – pergunto esperançosa.
– Torta. – ele tira uma mini torta da geladeira gigante que tínhamos na cozinha e me entrega.
– Você não poderia fazer meu dia mais feliz. – dou uma garfada na torta e encho minha boca de morangos. – Isso aqui é divino! – falo de boca cheia.
– Apenas o melhor para a minha garota. – ele sorri para mim.
– Como estão as crianças? Faz um bom tempo desde que eu as vi. – apesar de meu pai ser o dono do hotel, Pietro e eu tenho uma relação de pai e filha mais do que eu tenho com o meu próprio pai.
– Elsa as levou para Los Angeles mês passado antes de começar as aulas. – ele explica. – Pensa na alegria. – Pietro balança a cabeça. – Venha almoçar em casa no final de semana, assim você vê as meninas. – concordo com a cabeça, pois estava ocupada demais comendo.
– Isso aqui é o melhor remédio para a ressaca. – digo assim que dou uma última garfada.
– Sei que não sou seu pai, mas tente maneirar na bebida. – bufo. – Eu vi as fotos de ontem. – reviro meus olhos.
– Às vezes apenas acontece. – dou de ombros.
– Se você continuar desse jeito nenhuma agência vai querer contrata-la. – fecho minha cara imediatamente, mesmo sabendo que ele estava certo ao falar dessa maneira.
– É mais forte que eu. – dou um sorrisinho e saio da bancada que eu estava sentada.
– Seus pais se preocupam com você. – Pietro e meu pai se conheciam há muito tempo, talvez em uma época que estudaram juntos, ou algo do gênero. Por isso ele é considerado da família.
– Meus pais apenas se preocupam com o que eu posso causar para a nossa família. – digo um pouco chateada.
A questão é que sabíamos muito bem o favoritismo que meu pai tinha por Maddison, e ele nunca havia realmente tentado ser um bom pai para mim e meus outros irmãos, ele e minha mãe apenas tinham medo de que pudéssemos fazer algo de ruim para a família, então quando Sophie se casou foi quase como um alivio instantâneo para os meus pais.
– Eu conheço vocês desde pequenos , sei muito bem como são seus comportamentos. – dou uma risadinha. – Você, Sophie e Alec viviam para quebrar as regras. – fecho meus olhos ao lembrar da primeira regra quebrada, aquilo quase custou ao meu pai um ataque cardíaco.
– Você tem razão Pietro. Talvez alguns dos cabelos brancos que meu pai tenha foi por causa de mim e meus irmãos. – dou uma batidinha em seu ombro e me despeço. – Vou passear um pouco, Londres está mais bonita do que o normal hoje. – comento ao me lembrar de como estava o céu no momento em que Maddie abriu minhas cortinas.
– Faço isso e pense no que eu te disse. – concordo com ele.
– Antes de eu ir... – eu nem termino a frase e Pietro me entrega um copo térmico com café dentro. – Você é um anjo. – sorrio.
Apesar de boa parte do ano Londres ser nublado e chuvosa, hoje era um daqueles dias em que a cidade estava fenomenal. Caminhar no Hyde Park talvez fosse um dos únicos hábitos saudáveis que eu tinha e que valia realmente cada minuto do meu tempo. Geralmente eu me sentava em algum banquinho e observava as pessoas caminhando por lá. Acredite ou não você consegue aprender muito sobre as pessoas se você apenas observar.
– Bom dia senhora Margareth. – me aproximo de um banquinho e cumprimento a senhora que estava por lá.
, querida. – ela parecia surpresa ao me ver.
– Vejo que a senhora já começou sua cruzadinha. – aponto para o livro de palavras cruzadas em sua mão.
– Pensei que você não viria hoje. – ela me encara levemente curiosa.
– Infelizmente fui acordada cedo demais. – me sento ao seu lado.
– Coitada. – ela bate em minha perna suavemente. – Saiba que acordar cedo, mesmo depois de uma noite de bebedeira é essencial para a sua saúde mental. – solto uma risada.
– Acho que não é bem assim. – faço um barulho com a boca.
– Deixe eu contar uma história para você. – ela se vira para ficar de frente para mim. – Quando eu era mais nova, talvez mais nova que você, minha mãe obrigava eu e minhas irmãs a caminhar cedo. – ela parecia um pouco nostálgica. – Foi assim que eu conheci meu marido. – quando conheci Margareth ela passou horas contando sobre como tinha conhecido seu marido e como o destino tinha sido maravilhoso com ela.
– Adoro suas histórias. – solto um bocejo.
– Vocês jovens estão cada vez mais cansados. – Margareth balança sua cabeça. – Mais deixe que eu conte um segredo. – ela se aproxima mais de mim, como se alguém pudesse escutar o que ela iria me contar. – Um dia você terá histórias maravilhosas para contar. – sorrio.
– Espero que eu seja como a senhora. – dou uma piscadinha.
– Você será melhor. – observo quando seu motorista se aproxima de nós. – Me ajude a levantar pequena . – eu me levanto imediatamente e faço o que ela me pediu.
– Adorei poder ver a senhora hoje. – a levo até onde seu motorista estava.
– Ainda bem que você me encontrou hoje. – ela para de repente. – Amanhã estarei indo para Áustria visitar minha filha mais velho. – o sorriso que ela abre se torna contagiante.
– Não vá tentar esquiar. – afago sua mão antes de entrega-la para o homem que a esperava.
– Pode deixar. – ela acena para mim enquanto caminha lentamente para fora do parque.
Caminho mais um pouco depois de ter me despedido de Margareth e volto para o hotel, à medida que vou me aproximando dele, noto uma movimentação bastante dramática em volta do hotel que me deixa intrigada. Provavelmente deve ser alguém famoso dando entrada e por conta disso o excesso de fãs e impressa estavam ali.
Não querendo ter que ficar me justificando para as pessoas e arrumar briga com alguém ao tentar entrar no hotel, dou a volta no quarteirão e entro pelos fundos.
Eu só queria garantir que chegaria no meu quarto o mais rápido possível e dormir, pois se eu quisesse sair com novamente eu teria que descansar.
– Cuidado. – uma voz rouca bate diretamente em meus ouvidos me fazendo se desequilibrar.
– Porra. – eu não queria xingar tão alto, mas foi inevitável, afinal eu teria caído se a pessoa que estava na minha frente não tivesse me segurado. – Obrigada. – ergo meus olhos para cima e dou um sorriso amarelo ao tentar me desvencilhar de seus braços.
– Olhar para onde anda é a peça fundamental para não se machucar. – o garoto parado na minha frente parecia um pouco constrangido com o nosso contato físico, mas em partes ele tinha um sorriso malicioso em seus lábios.
– Você não devia estar aqui. – assim que saio de seus braços eu o encaro da cabeça aos pés.
– E por que não? – o garoto parecia se divertir com a situação.
– Área restrita. – aponto para a porta que ele tinha aberto.
– Desculpe. – ele mexe em seus cabelos. – Eu estava correndo. – ergo minha sobrancelha para ele. – . – automaticamente eu entendo o motivo do hotel estar tão movimentado na entrada.
. – sorrio e o empurro levemente para sair dali.

Capítulo Dois

Meu pai andava de um lado para o outro dentro do nosso apartamento, ele havia acabado de soltar a bomba dizendo que iria ficar um mês afastado, pois estaria indo cuidar pessoalmente da fiscalização das obras de seu novo hotel. Maddie ficaria como responsável pelo Palace Hotel durante a ausência do meu pai e eu não poderia estar mais feliz com essa notícia.
– Mamãe irá acompanhar você? – tento não deixar aparecer meu entusiasmo.
– Sim. E nesse tempo espero que você realmente se comporte. – reviro meus olhos.
– Eu sempre me comporto. – dou um sorriso torto. – Apenas Maddie que costuma exagerar. – cruzo meus braços e encaro minha irmã.
– Claro. – Maddie me fuzila com o olhar. – Espero que você seja uma boa irmã como sempre. – seu olhar cínico me deixa ainda mais irritada.
– Para o seu desespero é capaz de Alec vir para casa no final de semana. – dou uma risadinha ao ouvir meus pais suspirando.
– Não cause problemas demais . Não quero ter que pagar revistas e jornais novamente para eles não publicarem nada sobre você. – Meu pai odiava ter que se envolver com a mídia para abafar as notícias que poderia sair sobre mim, na realidade ele só fazia isso com medo de manchar a reputação do hotel.
– Prometo que isso não irá acontecer. – eu sabia muito bem que essa poderia ser uma promessa em vão e costumo acreditar que meu pai sabia sobre isso também. – Vou sair com e apenas com ela. – o deixo acreditar.
– É isso que me faz temer ainda mais. – meu pai se senta no sofá de forma relaxada. – Existe mais uma coisa que tenho que falar com você. – observo enquanto ele bate delicadamente com a ponta de seus dedos em seu queixo. – Tem um hospede que você precisa ficar longe. – solto uma risada sem querer e me repreendo mentalmente por ter feito isso.
– Você deve estar falando de ? – pergunto inocentemente.
– Já sabes que ele está aqui? – meu pai parecia um pouco surpreso com a minha agilidade de descobrir hóspedes.
– Nós dois nos esbarramos uns dias atrás. – ele tinha demorado em me dar essa noticia, talvez porque papai estivesse tentando arrumar um jeito de me fazer ficar longe de .
irá ficar por pouco tempo, então espero que você não o incomode. – a postura relaxada do meu pai some rapidamente, por conta disso apenas concordo com o que ele fala.
– Não se preocupe. – abano minha mão. – não faz meu estilo. – eu poderia mentir descaradamente na frente dos meus pais, mas eu realmente não queria nada com e toda a sua pose de celebridade.
– Espero que você esteja falando a verdade. – minha mãe se intromete na conversa.
– É claro. – me levanto do sofá e começo a caminhar para o meu quarto. – Eu disse para vocês que quero ser cantora, mas não irei crescer do jeito mais fácil. – meus pais queriam que eu ficasse longe de porque tinham medo de eu usar ele para alavancar minha carreira de cantora, porém apesar dos meus pais pensarem assim sobre mim, eu nunca faria uma coisa dessas.


***


Não demorou muito para que meus pais fizessem suas malas e partissem de Londres para Nova York. Portanto logo que ambos estão dentro do carro eu aceno para eles e saio rapidamente da entrada do hotel indo encontrar no bar.
– Você não acha que está muito cedo para beber? – sento ao lado de e aceno para o garçom vir.
– Nunca é cedo demais para começar. – minha melhor amiga toma um gole de seu drink e me encara despretensiosamente. – Ouvi dizer que você acabou de colocar seus pais em um carro direto para Nova York. – assim como eu, tinha certa aversão aos meus pais.
– Vou ficar um mês livre deles. – sorrio abertamente. – Quero um cosmopolitan. – me viro rapidamente para o garçom e dou uma piscadinha para ele.
– O que você acha de irmos viajar? – Geralmente quando pedia para viajar era porque ela se sentia entediada.
– Não quero ir para muito longe, não faz nem um mês que eu voltei de Ibiza com Alec. – me debruço no bar.
– Esqueça a viagem então. – ela coloca sua taça no balcão. – Tenho entrada vip no novo pub do . – me inclino rapidamente para o seu lado.
– Por que aquele idiota não me avisou que ele ia abrir essa semana? – pergunto.
– Porque você não tem atendido os telefonemas dele. – reviro meus olhos.
– Estive ocupada. – essa semana realmente tinha sido corrida para mim. Eu estive treinando muito no estúdio de dança que tínhamos no hotel e não tive tempo para os meus amigos.
– Ele só está chateado. – bufo.
– De todos, era o que mais tinha que me entender. – assim como eu queria se tornar cantor, o cara era realmente bom no que fazia, mas depois de um tempo, acabou desistindo.
– Talvez seja por isso que ele está preocupado. – tinha um ponto, mas eu nunca deixaria a acreditar que eu entendia o que ela estava dizendo.
– Ok. – digo quase sem emoção. – Vamos para o novo pub dele. – sorrio.
– Vejo você mais tarde então. – a encaro, confusa. – O quê? Preciso comprar roupas. – ela pisca para mim e eu reviro meus olhos, afinal tudo era motivo de fazer compras.
– Ah! Espere. – seguro sua mão. – Você não vai acreditar em quem está hospedado no hotel. – tento fazer mistério, porém ergue a mão e me corta antes mesmo de eu falar.
. – solto um chiado com a boca.
– Você é uma estraga prazeres. – dou uma leve batida nela.
– Eu gosto de acompanhar o mundo dos ídolos dessa nova geração. – minha amiga se explica. – Agora eu realmente tenho que ir. – ela termina seu drinque e pega sua bolsa que estava apoiada na cadeira. – Vejo você em algumas horas. – aceno para ela e a vejo indo embora.
é uma garota maravilhosa. – o garçom que havia me atendido anteriormente se inclina no balcão.
– Liam? – me inclino um pouco mais para ver seu nome no crachá e ele concorda. – é uma garota excepcional. – dou um sorrio e pulo da cadeira. – Mas ela não gosta de garotos como você. – vejo seu sorriso se fechando aos poucos e me afasto dele rapidamente, eu não tinha a fama de ter a melhor personalidade.
– Você foi meio rude com ele. – dou um pulo de susto ao ouvir uma voz rouca perto do meu ouvido.
. – eu meio que sussurro lentamente seu nome.
– Então você ouviu o que eu disse. – ele tem a minha atenção rapidamente e noto um sorriso completamente torto em seus lábios e seus dentes perfeitamente alinhados.
– Não fui rude. – me coloco na defensiva. – Apenas disse a verdade. – tento passar por ele, porém barra a minha saída.
– Talvez fosse melhor se você se desculpasse com ele. – reviro meus olhos com tamanha insolência.
– Desculpa, mas não. – tento novamente passar por ele, sem sucesso.
– Garotas como você não duram muito tempo no mundo real. – sua observação me deixa um pouco chateada e irritada.
– Garotas como eu estão preparadas para o mundo real. – o empurro levemente e consigo achar uma brecha para sair dali.
Eu odiava quando as pessoas se metiam na minha vida, principalmente aqueles que não sabiam nada sobre ela. não fazia ideia do que Liam havia feito semanas atrás com uma das hospedes do hotel. Meu pai tinha uma regra clara para todos os funcionários que trabalham no Palace Hotel, em hipótese nenhuma se envolva com um hospede. Ele procura frisar isso sempre que contrata alguém novo e em todas as reuniões coletivas que faz com os funcionários. Liam tinha quebrado a regra não uma, mas duas vezes com algumas clientes mais velhas.
Chegando à cobertura eu imediatamente digito a senha para entrar no apartamento construído especialmente para a minha família. Quando digo que meu pai havia feito todo o design do hotel eu não tinha mencionado o que ele havia feito com o nosso apartamento.
Meu pai queria uma residência fixa para viver, mas morar em uma casa não era exatamente o que ele queria, então ao desenhar todo o projeto do Palace Hotel, ele criou em sua cobertura um apartamento de luxo capaz de suprir todas as necessidades de sua família.
– Chegou bem na hora do almoço ser servido. – Maddie já estava na mesa esperando uma das empregadas a servi-la.
– Você sabe que pode muito bem se servir. – praticamente me jogo na cadeira e começo a colocar comida no meu prato.
– E isso teria alguma graça? – ela dispensa a emprega com a mão que praticamente sai correndo do cômodo.
– Você me incomoda. – não escondo o desagrado de estar com ela.
, você me critica, mas trata os funcionários exatamente como eu. – Maddison sorri para mim.
– Tenho meus motivos. – tento ignora-la pelo máximo de tempo que consigo.
– Vi você e no bar. – coloco delicadamente meu garfo e faca na mesa e fecho meus olhos.
– Agora vai ficar me vigiando? – Maddie conseguia tirar toda a paciência que eu tinha.
– Não necessariamente. – reviro meus olhos.
– Você sente prazer em me irritar. – resmungo.
– Até porque não tenho mais nada para fazer da minha vida. – ela ironiza.
– Maddie, você me cansa. – sorrio cinicamente.
– E você é uma babaca. – minha irmã adorava fazer esse jogo de rato e gato.
– Talvez eu fique na casa de esse mês. – comento. – Assim não tenho que olhar para a sua cara todos os dias. – Maddie odiava o tratamento frio, apesar de ela ser fria.
– Faça o que você quiser, contanto que eu não tenha que livrar a sua bunda da cadeia. – reviro meus olhos. Maddison sempre jogaria na cara esse momento conturbado da minha vida.
– Se isso acontecer eu ligo para Alec. – solto uma risadinha, afinal quando fui presa eu estava acompanhada de Alec e Sophie.
– Papai devia cortar a mesada de vocês, talvez só assim vocês irão criar juízo. – ela cruza seus braços e ergue uma sobrancelha.
– E você acha que ele iria fazer isso? – pergunto. – Papai gosta de manter as aparências. – irritada com o rumo que a conversa estava tomando, me levanto e vou rapidamente para o meu quarto.
A primeira coisa que faço assim que ouço a porta do apartamento batendo é sair do meu quarto. Geralmente eu não gostava de brigar com as pessoas, as vezes é claro meu temperamento se sobressaltava e eu acabava me estressando, mas estava tentando de todas as maneiras melhorar esse comportamento.
Notando que a barra estava limpa eu saio pelos corredores do hotel, eu precisava de café, mas não queria ter que ir até a cozinha pegar, com certeza Pietro me colocaria para fora, então a melhor opção seria se eu fosse até a cafeteria mais próxima pegar meu café.
Conforme vou andando para a saída noto uma presença masculina perto de mim.
– Acho que tem me seguido. – solto um suspiro ao ouvir a voz inconfundível de .
– Até porque eu perderia meu tempo e prazer para fazer isso. – me viro para encara-lo.
– Você é sempre tão mal humorada? – observo ele cruzar os braços e me encarar.
– Apenas com pessoas que não conheço. – talvez eu o tenha pego desprevenido com a minha resposta.
– Não sabe quem eu sou? – ele parecia confuso e solto uma risada.
– É meio impossível não saber quem você. – me aproximo o suficiente para ficar cara a cara com ele. – Mais devo dizer que você não me interessa. – jogo um beijo no ar e começo a caminhar saltitante para a saída. não iria me seguir, a não ser que ele queira enfrentar uma legião de fãs que o esperam na saída do hotel.
. Espere. – berra meu nome sem se importar com as pessoas a nossa volta.
– O que você está fazendo? – eu praticamente corro até ele e tampo sua boca.
– Acho que começamos com o pé esquerdo. – ele parecia um pouco envergonhado pela sua atitude.
– O que você quer dizer com isso? – antes que ele me resposta eu praticamente o arrasto para uma sala.
– Eu repreendi você sem saber realmente seus motivos, e nós dois meio que estamos tendo esses encontros. – fecho meus olhos e conto até dez.
– Meu pai é dono desse hotel. – explico. – É normal você me encontrar por aqui enquanto estiver hospedado.
– Entendi. – parece um pouco mais envergonhado.
– Olha não é que eu não goste de você. – começo a falar. – É que eu estou tentando com a minha carreira de cantora, e não acho que vai pegar muito bem se ficarmos perto um do outro. – explico.
– Não sabia que você queria ser cantora. – ele se encosta-se à parede e por um momento eu o fito.
– Você não sabe nada sobre mim. – começo a bater meus pés apressadamente no chão. – Agora por que você está em um hotel e não em uma casa? – pergunto.
– Minha casa em Londres está em obras. Ficarei no hotel pelo menos por um mês. – balanço minha cabeça.
– E você pretende ficar trancado o tempo todo? – eu tento fazer dessa conversa tudo, menos um interrogatório.
– Você parece o tipo de garota divertida. – sorri para mim. – Talvez você pudesse me levar para algum lugar divertido? – bufo.
– E como você sabe que sou uma garota divertida? – me ponho em defensiva. – Até uns minutos atrás você achava que eu era mal educada. – dou um sorriso vitorioso ao ver seu semblante franzido.
– Talvez eu tenha julgado você errado. – tento não revirar meus olhos, mas é inevitável.
– Parabéns pela sua nova percepção. – começo a sair da sala, porém uma força maior me faz parar. – Esteja no primeiro andar as onze da noite, vou levar você para uma das melhores noites que poderia ter em Londres. – dou uma piscadela para ele e saio.
Saindo do hotel encaminho uma mensagem para explicando que sairia conosco essa noite, ela tinha ficado completamente em êxtase por tê-lo conosco naquela noite e eu me perguntava o que tinha de tão especial que todas as garotas caiam por ele.
Aproveitando meu tempo livre fora do hotel encaminho uma mensagem para Sophie explicando meus motivos de não ter viajado com nossos pais para Nova York e aproveito para perguntar o que ela sabia sobre . Esse nome não saia dos meus lábios desde o dia que o conheci, talvez esse seja o encanto que ele tem com as meninas.

Capítulo Três

era a pessoa mais pontual que eu conhecia, onze horas da noite ela tinha mandado uma mensagem para mim avisando que estava esperando na parte de trás do hotel. Geralmente eu sairia pela frente, mas desde que tenho empoleirado ao meu lado e com medo de ser visto por suas fãs, damos a volta no hotel apenas para que ele não fosse encontrado.
qual é o nome do pub que iremos? – enquanto caminhávamos pelos corredores do hotel me pergunta.
– Minds. – digo.
– Ouvi dizer que hoje é a inauguração. – fala atrás de mim.
– Para uma pessoa que não vive em Londres, você está bem informado. – viro rapidamente e dou um sorriso para ele.
– Meu amigo está passando um tempo por aqui. – ele se explica rapidamente.
– Entendi. – agarro sua mão para que ele andasse mais rápido.
– Não faria mal nenhum se eu o chamasse, não é mesmo? – paro por um segundo para falar com ele.
– Chame quem você quiser. Apenas me passe o nome dele quando chegarmos no carro para que eu libere a entrada. – eu não gostava de estar atrasada para os meus compromissos e essa conversa fiada com estava me atrasando. E como eu não era a pessoa mais delicada do mundo, praticamente saio arrastando pelos corredores do hotel até a saída dos fundos para que pudéssemos encontrar o mais rápido possível.
– Demorou. – minha amiga estava completamente incrível em sua roupa, não que ela não fosse maravilhosa nos dias anteriores, porém hoje ela realmente tinha se superado.
– Acho que eu acabei de me apaixonar. – coloco minha mão no coração e sorrio para minha amiga.
– Você me alegra. – joga um beijo para mim que finjo pegar e guardar em meu coração. – Finalmente estou conhecendo pessoalmente. – minha amiga encara da cabeça aos pés e eu juro que ouço um suspiro vindo dela.
– Não acredito que você seja . – parecia surpreso ao descobrir que a minha era .
– Vejo que você sabe quem ela é. – digo tentando quebrar o clima tenso que surgiu de repente.
– Com certeza! – ele parecia um pouco extasiado. – Eu sou muito fã do seu pai. – Adam , pai de era um músico muito conhecido em Londres, as vezes pelo de convivência que tenho com a minha melhor amiga, esqueço que as pessoas o conhecem.
– Que bom que você é fã do meio pai, talvez eu arrume um encontro entre vocês dois. – ela sorri para ele e abre a porta do carro. – Que tal irmos? – solto uma risada.
não gostava quando as pessoas falavam sobre seu pai. Era quase como um tabu, porém eu a entendia, afinal cresceu com pessoas ao seu redor querendo estar ao lado dela por interesse.
– A noite é uma criança. – digo antes de entrar no carro.
O passeio até a nova boate de demorou menos do que eu esperava. E como hoje era sua inauguração era comum ver uma fila se formando na entrada e pessoas muito bem vestidas aguardando pacientemente sua vez de entrar. Claro que tudo estava pré-agendado e muitas pessoas ali deram seus nomes meses antes da boate abrir, apenas para ter a chance de conhecer um lugar planejado por .
– Vamos entrar pela frente? – pergunta.
– Por estarmos com você iremos entrar pelos fundos, já falei com . Ele estará nos esperando. – solto um suspiro ao ouvir se pronunciar.
– Ele ainda está brabo comigo? – olho para minha amiga.
irá perdoar você. – reviro meus olhos.
Eu realmente não tinha feito nada de errado, apenas esqueci de atender as chamadas de e aparentemente ele ficou chateado com isso. Geralmente não atender suas ligações eram motivos para nós brigarmos, pois realmente se preocupava com meu bem estar ou que algo ruim pudesse acontecer comigo.
Saindo de dentro do carro tenho a oportunidade de olhar cada detalhe por fora da boate. O lugar era ainda maior do que os outros empreendimentos que tinha.
Era perceptível ouvir a música tocando do lado de fora, fazendo com que meus músculos relaxassem rapidamente. Era engraçado como uma única batida musical poderia determinar seu humor.
– Espero que essa noite seja muito boa. – abro o meu melhor sorriso e enquanto vou em direção a porta dos fundos.
– Vamos ser as últimas a sair. – enlaça seu braço no meu e acena para nos seguir.
estava ali parado em frente a porta nos esperando e ele estava impecável no que eu diria ser o seu melhor terno até agora. não era a pessoa mais alta do mundo, mas tínhamos uma grande diferença de tamanho e diferente de que era um pouco mais incorporado, puxava mais para a linha do chefe, nerd e sexy.
. – faço uma voz meiga ao me aproximar dele.
. – apesar de ele ainda querer me dar um gelo pelos telefonemas que não atendi, ele me abraça. – Senti sua falta. – era meu melhor amigo desde sempre, e apesar de e eu crescermos juntas é com que tive mais afinidade.
– Eu também. – faço um biquinho. – Desculpa não atender seus telefonemas. – me desgrudo dele e o deixo cumprimentar os outros.
. – ele a cumprimenta com um abraço. – E . – juro que queria entender a necessidade das pessoas terem que pronunciar o nome dele completo.
– Finalmente eu pude conhecer o famoso . – se aproxima e aperta sua mão. – Você é famoso na Califórnia. – ele sorri e sorri junto.
– Vemos que sua fama procede. – enlaço meu braço em . – Podemos entrar? – peço delicadamente.
– Claro. – começa a andar. – Vou levar vocês para um local onde não sejam incomodados. – mais cedo eu tinha feito ligar para e avisar que estava indo conosco e que ele não queria ser fotografado naquela noite, na realidade ele tinha sido bem claro que queria aproveitar sem nenhuma interrupção.
– Obrigada.
Andamos pela boate até chegarmos ao último andar; lugar que ficavam as salas privadas. De lá tínhamos uma visão privilegiada do palco e pista de dança e eu poderia chutar que as pessoas lá de baixo não conseguiam ver nada na parte de cima.
– Eu amei a decoração. – é a primeira a falar.
– Você teve uma influência bem pop para o lugar. – faço contato visual com .
– Eu precisava inovar. – sorri e suas covinhas aparecem. – Vou deixar um dos garçons cuidando diretamente da mesa de vocês. – ele acena para um de seus garotos que praticamente corre até nós. – Pensam o que quiserem. Depois nos acertamos meninas. – ele pisca para mim e .
– Você não vai ficar aqui com a gente? – pergunto.
– Tenho que supervisionar tudo. – explica. – Da próxima vez eu juro que vamos nos divertir juntos. – bufo.
Eu entendia que hoje era o dia da inauguração e que ele devia trabalhar, mas ultimamente tem trabalhado demais e aproveitado de menos.
– Vá. – acena para ele. – Não ligue para o mau humor de . – reviro meus olhos.
– Depois nos falamos. – dou um beijo em sua bochecha e chamo o garçom. – Traga alguns shot de tequila e uma garrafa de vodca, por favor. – inúmero os pedidos para o garçom.
– Você comentou que um amigo viria. – ouço e falando de fundo e fico um pouco rígida.
– Daqui a pouco ele chega. – o ouço responder.
– Interessante. – diferente de mim, amava conhecer e fazer novas amizades, porém eu não tinha muita certeza de que ela ficaria feliz em ver o amigo de .
– Avisei para que quando seu amigo chegasse, ele poderia traze-lo diretamente para cá. – dou um sorriso amarelo para .
– Obrigado. – ele me agradece e se aproxima assim que o garçom trás as bebidas. – Podemos começar? – concordo enquanto pego o copinho de cima da bandeja do garçom e bebo rapidamente meu shot de tequila.
Na realidade eu não era muito fã daquela bebida. O gosto amargo que ela deixava na boca não era muito agradável ao meu paladar, e talvez pelo fato de eu ficar mal nós dias posteriores faziam minha mente não ter uma memória reconfortante da bebida, porém como a tequila era uma bebida bem potente, eu continuava bebendo para que o efeito fosse mais rápido.
– Odeio isso. – faço uma careta depois de beber.
– Não sei como você consegue. – olha com repulsa para seu copo.
– Eu também não. – solto uma risada seguida por um gritinho ao ouvir uma das minhas músicas favoritas tocando. – ! – a chamo para fazer a coreografia comigo. Eu amava dançar, fazia isso desde muito cedo e eu realmente era boa nisso.
Ao primeiro som da música eu me posiciono para começar a coreografia ensaiada tantas vezes por mim no salão de dança do hotel. Eu me mexo freneticamente no ritmo da música, não deixando nenhum passo sair errado, era uma sincronia que eu amava e o melhor de tudo era poder cantar junto com a música.
Era quase como se aquele fosse o meu pequeno show. Enquanto eu dançava com podia sentir os olhos de em cima da gente e pela sua fisionomia ele estava completamente chocado. Quando a música acabou e eu batemos na mão uma da outra e eu me sirvo de vodca.
– Isso nunca fica velho. – fala um pouco mais alto para que eu pudesse ouvir.
– Eu amo essa música. – respondo para ela e me viro para . – O que? – estava paralisado nos encarando.
– Por que você não é cantora? – ele solta uma risada. – Caramba. – na maioria das vezes as pessoas ficavam chocadas com as minhas performances.
– Não tive a oportunidade ainda. – eu limpo um pouco do suor que desce da minha testa. De repente o ambiente estava mais quente do que o normal e isso era eu não faço nenhum esforço extra para dançar.
– Você dança muito bem. – ele aplaude e eu reviro meus olhos.
– É o que eu gosto de fazer. – dou de ombros e fecho minha cara imediatamente quando vejo se aproximando de nós com uma pessoa que eu conhecia muito bem, e sabia que estaria ficando conosco essa noite. – . – cutuco minha amiga de lado ao vê-los se aproximando.
Eu tinha optado em não falar nada para minha melhor amiga, pois eu sabia que ela não ficaria nada feliz em saber quem estaria conosco, porém ao notar a cara que estava fazendo, notei o quanto estava errada.
– Puta que pariu. – ela fala baixinho ao meu lado.
... – tento sorrir para ele, porém ele estava com cara de poucos amigos, apesar de saber que viria o tempo todo. – E . – falo seu nome com um pouco de desagrado.
– Espera. – olha para nós um pouco confuso. – Vocês se conhecem? – ele pergunta.
– Infelizmente. – e eu falamos juntas.
– Meninas. – parecia um pouco desconfortável com a situação.
Reviro meus olhos.
Eu não queria deixá-lo completamente desconfortável, mas era inevitável.
Eu tinha quase certeza de que sabia que estávamos aqui. Era quase impossível não ter comentado que sairia com a gente essa noite.
. – o encaro de cima a baixo. – Como tem passado? – franzo meu nariz. Eu estava tentando a todo custo ser cordial com ele, porém eu sentia que estava falhando miseravelmente.
– Muito bem e você? – ele coça sua cabeça, um pouco desconfortável.
– Que seja. – decido que a melhor maneira era ignorar e não perder meu tempo com isso. O assunto não era meu para ser tratado e sim dele com , porém eu não poderia deixar para trás o fato dele ter sido um babaca com a minha melhor amiga. Depois de ignorar o mundo a minha volta eu começo a me divertir novamente, eu não deixaria um simples fato acabar com a minha noite.
As pessoas na boate eram incríveis, a pista de dança estava exalando uma energia espetacular e tinham muitas pessoas bonitas naquela noite.
Era inacreditável como você aproveita momentos sem mexer no celular ou ficar em cima do horário, o tempo passava sem ao menos você perceber. O ambiente estava tão energizado, com músicas perfeitas tocando a todo momento que eu não tinha percebido a boate esvaziando aos poucos.
– Vocês sempre fazem isso? – estava com as bochechas completamente vermelhas por conta da bebida.
– Sempre que podemos. – me sirvo com um pouco mais de bebida. – E você? – me aproximo para falar em seu ouvido.
– Geralmente ser famoso requer alguns cuidados. – observo ele dar de ombros parecendo um pouco chateado.
– Sabe , o segredo não é ligar para as coisas no momento em que você está vivendo elas. – explicou para ele. – Deve ser maravilhoso ser famoso, ter as pessoas o idolatrando, mas é tudo mentira. – solto um suspiro. – As pessoas não são perfeitas o tempo todo. – eu tirava a minha vida como exemplo.
Meu pai era um cara muito famoso no mundo da hotelaria e todos os seus hotéis estavam na lista dos hotéis mais procurados do mundo, sem eufemismo. Por muito tempo eu tive que lidar com a crítica das pessoas, então eu poderia dizer que cada palavra que saiu da minha boca eram verdadeiras. – Tudo bem não ser normal. – dou algumas batidinhas em seu braço, pois eu não alcançava muito bem em seus ombros.
– Você gostaria de ser famosa? – sua voz falha um pouco.
– Eu já sou famosa. – dou uma risadinha embriagada.
– Como assim? – me encara confuso.
– Com o tempo você vai entender. – dou uma piscadela e olho ao meu redor procurando . – Onde está minha amiga? – continuo olhando ao redor e noto que nem e nem estavam ali. – Droga. – bato levemente na minha testa.
– O que houve? – vem ao meu lado cambaleando um pouco.
– Aparentemente e sumiram. – eu sabia que teria problemas assim que apareceu no camarote mais cedo.
– Eles estão juntos? – me pergunta e eu juro que tento o meu melhor para não rir como se aquilo fosse uma piada.
– Não poderíamos dizer isso desde que seu amigo deu um pé na bunda dela no mês passado. – bufo.
– Uou! – ele parecia surpreso. – não me falou nada sobre estar com alguém. – por um momento achei que poderia estar chateado por seu amigo não contar algo para ele.
– Acontece. – abano minha mão. – Às vezes existem coisas que não devem ser contadas. – dou de ombros.
Eu não conhecia muito bem, tudo o que eu sabia era de que alguns meses atrás o conheceu em uma de suas viagens para Los Angeles e se apaixonou. Há dois meses veio para Londres e e eu o conhecemos. A primeira impressão que tive de era que ele era um cara legal e realmente apaixonante, porém ele sumiu e apenas com uma ligação terminou com .
– Você está certa. – parecia não se importar com o assunto.
– Acho que a noite acabou. – digo assim que olho em meu relógio que passava das quatro horas da manhã.
– E como vamos embora? – fecho meus olhos e tento pensar em uma alternativa.
– Venha comigo. – pego meu celular da bolsa e envio uma mensagem para .
– Pra onde estamos indo? – continuo caminhando com até chegar ao local que tinha me indicado.
– Estou com . . – mantinha um segurança próximo ao seu escritório.
Assim que tenho permissão para entrar, arrasto para dentro.
– O que aconteceu? – estava praticamente dormindo sobre a mesa. – E onde está ? – ele olha para a porta, esperando que mais alguém entre.
– Ajudando o astro teen aqui. – aponto para ir para o sofá e me aproximo de . – E foi embora com , e não tenho como voltar pra casa já que viemos com o motorista dela. – o olho quase como se suplicando por ajuda.
– Porra . – estava chateado. não estava no seu melhor estado e sabíamos que não seria legal ele ser visto saindo daqui carregado por alguém. – Vou ligar para seu irmão. – reviro meus olhos.
Claro que acharia a pior solução para me ajudar.
– Você não pode pedir para alguém nós levar? – pergunto. – Tenho certeza de que Alec está ocupado. – mordo meu lábio nervosa.
, você acha que dá conta de carregar até o quarto dele? – bufo. me conhecia muito bem para saber que o mínimo que eu iria fazer era deixar no corredor sozinho.
Sorrio com o pensamento das pessoas o encontrando.
– Você tem razão, eu deixaria ele se virar sozinho. – praticamente me jogo na cadeira. – Ligue para Alec, ele provavelmente vai querer chutar minha bunda por isso, mas não tenho muito que fazer. – dou de ombros e olho para trás apenas para ver dormindo.
Esperei pacientemente mais de meia hora para que finalmente meu irmão aparecesse para nos ajudar. Nesse meio tempo, que até então estava achando tudo muito divertido me ajudou a ficar sóbria e inclusive me colocou dentro do carro em segurança assim que meu irmão estacionou nos fundos da boate.
– Não acredito que você saiu com ele. – meu irmão aponta para trás. – ? – ele me pergunta. – Você não está tentando se tornar cantora da maneira mais fácil, não é mesmo? – bufo.
Apesar das pessoas terem a impressão de eu ser uma pessoa completamente interesseira, a realidade era completamente o oposto. Eu tinha pavor das pessoas acharem que eu me aproximava delas por querer algo.
– É claro que não. – fixo meu olhar na estrada. – Você não acha que se eu tivesse escolhido a maneira mais fácil eu não teria colado no pai de ? – encaro meu irmão.
– Você tem razão. – Alec fala rapidamente. – Não é que eu esperasse isso vindo de você. – ele começa a se explicar e eu bufo. – Mais é que você vem tentando há dois anos e nunca teve nenhum resultado. – fecho meus olhos ao me lembrar brevemente do meu fracasso.
– Onde você estava? – mudo de assunto rapidamente, pois essa não era uma conversa que eu gostaria de ter com meu irmão depois de uma noite como essa.
– Você quer mesmo saber? – faço um barulho de ânsia de vomito.
– Alec... – murmuro. – Você é nojento. – não consigo segurar uma risada. – Espero que você esteja se cuidando. – eu não precisava ficar lembrando constantemente ele sobre suas obrigações, mas gostava de deixa-lo envergonhado.
... – eu sabia que não tinha como Alec ficar brabo por muito tempo então durante o caminho para o hotel nós dois conversamos.
Por morar em um hotel nós tínhamos o nosso próprio local para estacionar nossos carros. Nenhum hóspede tinha acesso a nossa área, o que facilitou o processo de chegar ao hotel com sem sermos vistos por alguma pessoa estranha. Porém entrar no hotel em si com cambaleando não foi tão fácil quanto eu tinha imaginado. Ele tinha uma tendência em ficar resmungando coisas sem sentindo e eu tinha que me segurar o tempo todo para não rir e não chamar a atenção das poucos pessoas que estavam no local.
Demorou aproximadamente dez minutos de muita persuasão para Alec e eu descobrirmos qual quarto estava hospedado e me sinto completamente feliz quando o deixamos em seu quarto finalmente.
Quando chego no apartamento dos meus pais eu me sentia tão exausta que ao menos perco meu tempo em tirar a maquiagem do meu rosto, eu sabia que dormir de maquiagem fazia mal para pele, porém eu estava tão cansada ao ponto de apenas substituir minhas roupas por uma blusa masculina que eu tinha jogada pelo meu quarto, antes de apagar completamente.

Capítulo Quatro

. – solto um resmungo quando alguém me sacode repetidas vezes.
– Me deixa. – tento me virar para o lado, porém minhas cobertas são tiradas de cima de mim. – Droga! – abro meus olhos apenas para ver Alec me encarando com um sorriso vitorioso. – O que você quer? – me sento na cama e tento arrumar o ninho que estava meu cabelo.
– Tenho uma surpresa para você na sala. – Alec estava empolgado demais e eu bufo.
– Espero que seja realmente uma boa surpresa. – bufo. – Se não for, eu vou matar você. – ameaço que vou bater nele e o mesmo sai correndo do meu quarto deixando a porta entre aberta.
Levanto da cama soltando alguns resmungos no processo, eu estava me sentindo tão cansada e minha cabeça estava prestes a explodir de tanta dor, eu precisava dormir mais para compensar a noite passada, porém Alec acabou me despertando antes que eu pudesse me recompor totalmente.
Ao me encarar no espelho vejo que sou uma completa bagunça. Eu tinha amarrado meu cabelo antes de dormir e não o soltei, resultando em um ninho de fios para ter que desembaraçar. Meu rosto não estava diferente, eu tinha maquiagem espalhada por todo o meu rosto e eu sabia que não iria ser nada fácil removê-la. Antes de começar a tomar banho eu paro na frente da pia e tiro um dos meus produtos de remoção de maquiagem de dentro da gaveta, com um suspiro resignado eu começo a tirar lentamente todos os vestígios de maquiagem da minha pele, eu sabia que não era nada saudável dormir dessa maneira, mas eu estava tão cansada que tirar a maquiagem não estava nos meus planos. Depois de remover tudo da maneira mais delicada do mundo eu entro debaixo do chuveiro. Claro que se eu tivesse tempo suficiente teria pulado o banho no chuveiro e optado pela minha banheira, porém a notícia de que alguém estava me esperando lá fora me fez ser o mais breve possível.
Assim que termino de tomar banho eu escolho uma roupa completamente confortável para vestir, se fosse alguém muito importante, por exemplo, Alec teria me falado sobre o que vestir, e como ele não mencionou nada eu prefiro escolher algo que eu me sinta bem.
. – assim que abro a porta do meu quarto dou de cara com uma das pessoas que eu mais amo nessa vida.
– Sophie. – eu fico parada na minha porta, boquiaberta demais para acreditar que minha irmã estivesse mesmo em Londres. – Por que você não falou que estava vindo? – minha voz soa um pouco mais rouca do que o normal.
– Queria fazer uma surpresa para você. – eu rapidamente a puxo para um abraço.
– Estava com saudades. – minha voz sai um pouco abafada e me desgrudo dela. – Derek. – vou até ele e o abraço rapidamente. Nós não tínhamos tanta intimidade para eu dizer que estava com saudades dele. – E Hayden? – encaro a cunhada da minha irmã, ligeiramente confusa.
– Hayden foi transferida para Londres. – Derek se pronuncia. – Quis me assegurar de que ela chegasse em segurança. – arregalo meus olhos. Eu não tinha nenhuma ideia de que Derek fizesse a linha de irmão preocupado.
– Isso é tão legal. – sorrio para ela e vejo que meu irmão estava muito concentrado na garota. – Você vai ficar conosco no hotel? – pergunto.
– Na realidade. – Alec se intromete um pouco envergonhado. – Ela vai ficar comigo. – eu solto uma risada e aponto de Hayden para Alec.
– Boa sorte. – digo para a garota na minha frente. Alec tinha manias estranhas e era esse um dos motivos que ele não dividia o apartamento dele com ninguém. – Meu irmão é louco. – me aproximo dela e dou dois tapinhas em seu ombro.
– Não sou tão ruim assim. – Alec se defende e todos nós rimos. – A propósito, saiu com ontem. – reviro meus olhos.
Não que eu tivesse feito algo de errado em sair com na noite anterior, porém como era algo que ninguém sabia, não precisava ser espalhado para todos os cantos do mundo.
Alec tinha essa mania idiota de que quando se sentia acuado acabava falando coisas que não precisavam ser ditas para tirar o foco de cima dele.
– O cantor? – minha irmã me olha um pouco desconfiada.
– Sim. – dou de ombros. – Ele esta hospedado aqui. – eu não precisava ficar detalhando tudo para ela, então sou o mais breve possível.
– Papai não falou nada sobre isso? – Sophie me encara.
– Ele disse para não me envolver com . – friso bem a última parte. – Mais ele não está aqui de todo modo. – digo.
– Isso não é bom. – Sophie parecia preocupada. – Você não devia ir contra o que o papai pediu. – observo minha irmã se sentar com certa estranheza. Talvez algo de errado estivesse acontecendo com ela, afinal Sophie nunca falaria para eu ser a favor de algo que nosso pai pedisse.
– Você não precisa se preocupar. – falo desconfortavelmente. – Não quero me envolver com desse jeito. – eu não precisava explicar algo que eu sabia estar passado pela mente de Sophie. – Apesar de ele ser um cara completamente bonito, eu acho que não vale o preço que tenho que pagar. – dou de ombros.
. – minha irmã morde os lábios nervosamente.
– Sim? – pergunto.
– Não queremos que o hotel tenha mais enfoque pelas coisas que você faz. – solto um suspiro. Era engraçado ela falar sobre isso na frente de seu marido, visto que ela foi uma das pessoas que mais causou problemas enquanto esteve aqui.
– Eu não vou me envolver com ele. – estalo minha língua. – Porém, caso isso aconteça, pode deixar que não irei deixar ninguém saber. – dou uma piscadinha para ela e me levanto do sofá. – Vocês já comeram? – pergunto tentando quebrar o clima tenso que pairou no ambiente.
– Ainda não. – Derek fala. – O que vocês acham de irmos comer algo lá embaixo? – Hayden solta um assovio baixo.
– Por mim tudo bem. – eu não tinha certeza de que iria conseguir me alimentar completamente, pois eu podia sentir meu estômago dando voltas, porém recusar a comida do hotel era completamente inaceitável para mim, ainda mais quando a comida faz parte do cardápio dos deuses. – Só preciso tomar um remédio. – eu praticamente saio correndo para a cozinha que tínhamos anexada no nosso apartamento, que apesar de nunca ser usada, foi projetada para ser uma parte chique do apartamento, e procuro pela caixa de remédios que era deixada lá, assim que encontro o que procurava eu tomo meu remédio e volto para a sala.
Todos nós saímos para ir para o restaurante do hotel, e no meio do caminho encontramos uma das camareiras que estava indo arrumar nosso apartamento. Eu procuro cumprimenta-la mesmo que o meu jeito nada caloroso, enquanto os demais apenas a ignoram.
Alec pressiona o botão do elevador e nós esperamos pacientemente até que as portas se abrissem para que entrássemos. A decida não é demorada, afinal o elevador era apenas de uso externo do nosso apartamento, e apenas nós e as pessoas que mantinham o local organizado tinham acesso.
– Tirando tudo o que tem acontecido, como estão as coisas no hotel? – coloco meu celular no bolso para encarar Sophie.
– Normal. Papai fica trancado no escritório o dia todo e mamãe vive saindo para fazer compras. – dou de ombros.
– E Madison tem incomodado? – estranho o súbito interesse de Sophie em Madison.
– Maddie é apenas Maddie. – dou de ombros e praticamente saio correndo pelo saguão assim que as portas do elevador se abrem.
Desde que meus pais foram para Nova Iorque eu mal tinha visto Madison, na realidade era um pouco estranho estar no mesmo local que ela e não saber o que minha irmã estava fazendo.
Madison geralmente ficava no meu pé sobre as coisas que aconteciam ao redor do hotel, mas estranhamente ela sumiu apesar de eu saber que ela está administrando o local com pulso firme.
Deixando para lá o assunto de Madison eu sou a primeira a entrar no restaurante e escolho imediatamente uma mesa para que todos pudessem se acomodar.
. – um dos garçons se aproxima e me cumprimenta. – Sophie. – ele parecia um pouco surpreso ao encontrar minha irmã acomodada ao lado de Derek e muda um pouco sua postura.
– Para você é senhora Williams. – minha irmã responde de maneira áspera e meus olhos praticamente saltam para fora.
– Desculpe. – Parker era uma das pessoas que trabalhava no hotel que eu mais tinha afeto. Ele era um amor de pessoa, e se as pessoas soubessem das coisas que ele tinha passado na vida, tenho certeza de que iriam querer protegê-lo.
– Não precisa se desculpar. – observo Derek se mexendo desconfortavelmente na cadeira. – Apenas lembre-se do seu lugar. – prendo minha respiração e olho imediatamente para Alec. Eu nunca tinha visto uma atitude dessa vinda de nenhum dos dois.
– Parker. – tento sorrir para ele, mas eu estava chocada demais para falar alguma coisa. – Não decidimos ainda o que iremos querer. – dou um sorriso amarelo para ele, eu não sabia onde meter minha cara. – Irei chamar você assim que decidirmos. – dou um olhar de desculpa para ele que sai imediatamente. – Vocês não precisavam tratá-lo daquela maneira. – resmungo encarando minha irmã e cunhado.
– As pessoas tem que entender o lugar delas. – eu praticamente fico quieta depois disso.
Eu não conseguia entender o motivo deles tratarem Parker desse jeito. Geralmente eu não tratava bem os funcionários, mas apenas aqueles que eu sabia que trapaceavam nas regras do hotel. Nunca em nenhum momento me passou pela mente atacar eles da forma que minha irmã e meu cunhado o atacaram.
– Então... – Alec é o primeiro a se pronunciar e eu reviro meus olhos. – Você está ansiosa pela mudança? – meu irmão encara Hayden abertamente e eu coloco uma mão na boca para abafar minha risada.
– Um pouco. – Hayden encara meu irmão igualmente e eu continuo tentando não olhar para nenhum dos dois.
– Aconteceu alguma coisa engraçada ? – Alec me chuta por debaixo da mesa.
– Ainda não. – fecho meus olhos com satisfação ao ver Alec envergonhado.
– Não entendi. – Sophie se inclina sobre a mesa e seus olhos passam de Alec para mim lentamente.
– Em breve você entenderá. – dou uma piscadinha. – Já decidiram o que irão querer comer? – eu tinha certeza de que o café da manhã ainda estava sendo servido.
– Sim. – minha irmã coloca o cardápio sobre a mesa e levanta a mão delicadamente chamando alguém para vir nos atender.
Felizmente essa pessoa não era Parker.
– Já temos o pedido? – o garçom praticamente se curva diante dos meus irmãos certamente por medo do que aconteceu com Parker anteriormente.
– Vou querer um café expresso e uma fatia de bolo de morango. – eu não precisava olhar o cardápio para saber minha escolha.
– Um latte e waffles, por favor. – Hayden pede delicadamente, mas por incrível que pareça eu conseguia ver certa malicia no seu olhar para o garçom.
Interessante.
Meus irmãos e Derek fazem seu pedido em seguida e logo engatam uma conversa sobre o curso universitário que Hayden estava fazendo pelos próximos anos.
– E você? – sou chamada repente e deixo meu celular de lado.
– Desculpe? – eu não tinha prestado atenção na conversa deles realmente, então não sabia sobre o que era sua pergunta.
– Não decidiu para que universidade irá? – Derek me pergunta.
– Não preciso decidir sobre algo que não irei fazer. – dou de ombros e volto minha atenção para o celular.
. – Sophie chama minha atenção. – Estamos conversando com você. – sua voz soa um pouco irritada por eu não estar dando a atenção necessária ao assunto.
– Por que vocês estão me perguntando algo que sabem a resposta? – tento manter a calma na minha voz enquanto respondo.
– Porque você precisa se preocupar com o seu futuro. – Derek continua se intrometendo na conversa.
– Derek. – eu estava achando ele um pouco intrometido demais com relação ao meu futuro, visto que ele estava há mais ou menos um ano na família. – Acho que sou adulta o suficiente para fazer minhas próprias decisões. – explico calmamente. – E ir para a universidade não é uma opção para mim no momento. – dou um sorriso para ele e estreito meus olhos.
... – sou repreendida pela minha irmã, porém não ligo realmente para isso, pois eu sentia a necessidade de colocar Derek em seu lugar naquele momento.
– Mas já que vocês estão tão interessados assim no meu futuro, deixe-me falar que estou trabalhando no hotel quando tenho tempo livre. – não era totalmente uma mentira o que eu acabara de falar, afinal quando Sophie se casou com Derek, meu pai me colocou para fazer momentaneamente as tarefas dela no hotel, porém como ele não confiava muito no meu senso de responsabilidade, papai acabou criando um trabalho para mim, dar aulas de dança para os hóspedes.
Acho que ele fez isso, pois sabia que as pessoas que estão hospedadas em um hotel não iriam procurar fazer aulas de dança, e sim sair para conhecer os pontos turísticos da cidade. Não que eu esteja reclamando. Na realidade eu adoro a ideia de ter o salão apenas para mim pela maior parte do tempo.
– Como eu não soube disso? – Sophie me pergunta.
– Porque ultimamente você não procura saber o que está acontecendo comigo. – eu sabia que minha irmã era uma pessoa ocupada, porém antes passávamos muito tempo juntas e ela sempre procurava saber como as coisas iam.
Depois que Sophie casou, algumas coisas mudaram, e claramente suas prioridades também.
– Isso soa como ciúmes para mim. – Alec cruza os braços e pela sua feição ele estava completamente satisfeito com o rumo que a conversa estava tomando.
– Idiota. – o chuto por debaixo da mesa.
– E você acha que irá trabalhar eternamente para seu pai? – eu não sabia ao certo quando a conversa virou em torno do que eu queria ou não fazer da vida, mas o que eu podia falar com clareza é que esse assunto estava começando a me deixar irritada.
– Não eternamente, mas o suficiente. – corto o assunto assim que a comida chega.
– Você ainda tem em mente se tornar cantora? – minha irmã pergunta e eu poderia dizer que ela parecia desacreditada que eu ainda pensasse nisso.
– Não sei, talvez? – fazia muito tempo desde que eu falei sobre esse assunto com alguém da minha família.
Meus pais eram totalmente contra a carreira de cantora. Eles insistem que isso poderia manchar a reputação do hotel, algo que eu acho ser totalmente o oposto, mas geralmente não discuto com eles sobre o assunto, apenas deixo para lá, pois não vale o esforço de fazê-los entender qual é a minha verdadeira paixão.
Na realidade Madison é a única pessoa que não me pressiona sobre o assunto, acho que na concepção dela, se eu me afastar do hotel será a oportunidade perfeita para ela ser a única a assumir as responsabilidades da rede de hotéis quando meu pai decidir se aposentar. Alec também é um pouco neutro com relação a isso, ele não acredita e nem desacredita de mim, ele apenas não opina sobre isso. Já Sophie era totalmente diferente, na realidade eu sempre achei que ela se preocupava com o fato de eu sair machucada nessa história de ser cantora, porém suas atitudes hoje revelam que talvez eu tenha interpretado a situação totalmente diferente.
– Eu acho que você tem opções maravilhosas, ainda mais sendo filha dos nossos pais. – aparentemente o assunto não havia morrido como pensei.
– Infelizmente eu não penso do mesmo jeito que você. – olho para Alec e praticamente suplico para que ele mude de assunto.
– Por que não deixamos que caminhe da maneira que ela ache certo? – meu irmão sugere.
– Você sabe muito bem porque não devemos deixar ela livre para fazer suas escolhas. – largo meu talheres de maneira bruta.
– Não dá para manter uma conversa assim. – eu arrasto a cadeira e me levanto. – Não sei o que está acontecendo com você hoje. – tento manter a minha voz baixa. – Mas a maneira que você está falando comigo Sophie, não é nada agradável. – eu tinha perdido completamente a fome.
Eu tinha demorado muito para conseguir me livrar dos sentimentos de culpa que eu tinha constantemente pelo fato de não querer seguir ao destino que meus pais fizeram para mim. Eu esperava que pelo menos meus irmãos pudessem entender meus sentimentos e minhas escolhas, o que claramente Sophie não estava fazendo.
No ano anterior eu tive alguns problemas e não conseguia me relacionar direito com pessoas desconhecidas, ficava pavorosa apenas em imaginar ter que sair de casa e ter que lidar com as pessoas. Eu sabia que algo não estava certo comigo e acabei procurando por ajuda sem que meus pais soubessem.
Eu estava ciente de que talvez meus medos pudessem estar relacionados com as cobranças constantes que meus pais vinham fazendo para eu ter uma imagem perfeita diante das câmeras e ao notar que isso estava prejudicando minha vida pessoal eu procurei ajuda, e por um bom tempo eu tive esse medo cruel de que esses sentimentos fossem irreversíveis. Porém depois de receber meu diagnóstico e lutar para vencer meus obstáculos, notei que eu era uma pessoa de carne e osso, que tinha sentimentos e que as pessoas precisavam saber e entender meus posicionamentos. Depois de toda essa conversa exaustiva que tive com minha irmã e seu marido vou caminhando para um dos únicos locais que eu poderia extravasar minha raiva, o salão de dança.
Eu passava tanto tempo no salão de dança praticando que ele tinha virado meu lugar favorito no hotel, e olha que o hotel tem lugares maravilhosos projetados para todos os gostos dos hospedes. Meu pai pensa em tudo realmente.
– O que você está fazendo aqui? – assim que abro a porta do salão eu dou de cara com .
– Me falaram que eu podia praticar aqui. – dou uma risadinha.
Por mais que as pessoas quisessem que eu ficasse longe de , elas eram as próprias a jogarem ele para mim.
– Vai dizer que você dança? – o encaro da cabeça aos pés e solto uma gargalhada, eu podia não estar completamente vestida para um treino, mas não estava longe.
– Você realmente nunca ouviu falar sobre mim? – ele parecia um pouco ofendido, mas a realidade é que eu realmente nunca tinha ouvido falar sobre até ele aparecer de repente no nosso hotel e arrastrar diversas garotas para frente do hotel. – Desculpe. – coloco minha mão no peito. – Mais eu tenho outras coisas importantes para fazer do que ficar pesquisando sobre a vida de cantores. – geralmente eu estava tão focada na dança que eu apenas pesquisava coreógrafos e grupos de dança para eu saber o que estava em alta nos últimos tempos. Eu não era uma pessoa que ficava pesquisando sobre novos cantores, na realidade eu escutava muita música, mas nunca associava os nomes. Talvez eu tenha ouvido alguma música de , mas saber que era dele? Completamente diferente.
– Eu sou cantor e dançarino. – ele explica. – Você devia procurar meu nome na internet. – o cara tinha uma autoestima, nisso eu tinha que concordar.
– Por que eu faria isso? – o encaro lentamente e espero sua resposta.
– Para saber mais sobre mim. – se aproxima. – Eu realmente preciso praticar. – ele para na minha frente. – Você acha que é capaz de dividir esse espaço comigo? - por um momento fico sem palavras.
Eu realmente estava esperando ter o salão apenas para mim, mas acabo cedendo o espaço para ele.
– Você é um hóspede, afinal. – cruzo meus braços e solto um suspiro. – Tem preferência de música? – geralmente eu treinava ouvindo musicas pops, porém ele poderia ter outro tipo de gosto.
– Deixo você escolher. – imediatamente dou play no meu celular e a música explode pelos alto-falantes.
- Fã de K-pop? – não era uma critica. Apenas um comentário.
– Sim. – corto a conversa com .
Eu não gostava de conversar enquanto fazia meu próprio treino.
Tento não pensar muito em dançando e me concentro em minha própria dança. Eu sabia que tinha que treinar muito para ter uma coreografia perfeita, para uma apresentação perfeita. Recentemente eu tinha visto um anúncio de audição seletiva de uma gravadora. Eles estavam procurando por cantores e dançarinos, e no fim iriam escolher duas pessoas para seguirem carreira solo e integrantes para uma nova girlband e boyband. Claro que assim que eu vi o anúncio eu corri para me inscrever, e naquele momento eu tive a brilhante ideia de me inscrever para audição de girlband.
Na realidade entrar em uma girlband nunca tinha passado pela minha cabeça, eu sempre procurei focar em ser cantora solo. Porém as chances de eu conseguir entrar em um grupo são maiores do que eu conseguir a única vaga disponível para solista.
– Você é boa dançando. – assim que termino meu treino me jogo no centro da sala e se aproxima de mim.
– Você não é tão ruim assim. – dou um sorriso para ele. O cara realmente dançava muito bem. Na realidade a dança de me lembrava de quando e eu praticávamos juntos.
– Muito tempo de treino. – ele se gaba.
– Até porque todos nós precisamos treinar se queremos alcançar a perfeição. – me levanto lentamente para pegar um pouco de água. – Por que Londres? – pergunto de repente enquanto encho um copo
– Queria um tempo para poder compor. – ele solta uns barulhos com a boca. – Apesar de viver na Califórnia com meus pais desde que eu era criança, Londres sempre vai ser meu lar. – aceno com a cabeça. – E você? Por que a dança? A propósito me lembro muito bem de você dançando e cantando ontem. – ele solta uma risada. – Inclusive você canta muito bem em outra língua. – fico um pouco sem graça com o seu elogio.
– Era coreano. – explico.
Geralmente eu não me gabava muito, mas quando o idioma era difícil de aprender, mostrar que você sabe falar ele era realmente gratificante.
– Sério? – parecia surpreso.
é coreano. Ele quem me ensinou. – me sento ao seu lado e entrego uma garrafinha de água que julgo ser dele.
– Obrigada. – abre a garrafinha e imediatamente toma o conteúdo de dentro dela. – Você já pensou em ser cantora? – suas palavras me pegam de surpresa.
– Às vezes. – dou de ombros.
– Já tentou alguma vez? – estreito meus olhos, era quase como se ele soubesse do meu passado.
– Algumas vezes. – não era um assunto que eu realmente gostava de falar, afinal quem é que gostava de falar sobre os seus fracassos na vida?
– É realmente difícil. – suspira ao meu lado. – Eu levei alguns anos para conseguir assinar um contrato com uma gravadora. – o encaro surpresa.
– Verdade? – apesar de não conhecer exatamente o estilo musical de , a julgar pela euforia de seus fãs, eu poderia dizer que ele era um ótimo cantor.
– As pessoas costumam julgar muito quando você está entrando no ramo musical. – noto que ele escolhe as melhores palavras usar. – Comigo não foi diferente. – arqueio uma sobrancelha.
– Você poderia me explicar? – eu não queria forçá-lo a falar sobre algo que não o deixasse confortável, por isso pergunto.
– A indústria musical realmente é muito difícil. Se você não é uma pessoa que se molda aos padrões, eles não irão te escolher mesmo que você seja um ótimo cantor. Geralmente eles optam por aqueles que têm o perfil desejado primeiro, para depois dar a oportunidade aos outros. – a reflexão de bate nos meus ouvidos.
– E você não fazia? – a curiosidade me pega de repente.
– Eu tive que lidar com muitas coisas antes de ser o cantor que eles queriam que eu fosse. – faço uma careta. – Eu era uma pessoa muito tímida. – solto uma risada.
Eu tinha visto muita confiança exalando dele na noite anterior, e até mesmo hoje eu vi a mesma confiança. Então era meio difícil de acreditar que as palavras ditas por ele eram verdadeiras.
– Então vamos supor que você era uma pessoa completamente tímida. – balanço minhas mãos. Até que a história estava sendo interessante, pois eu não conseguia entender como uma pessoa tímida podia se transformar na pessoa que era. – Como você ganhou tanta confiança assim? – pergunto.
– O segredo é você aprender a lidar com seus medos. – apoia a mão no queixo. – E na realidade eu tinha muita gente falando que eu tinha uma feição angelical, e que seria um sucesso com as mulheres. – passo a mão pelo meu rosto, completamente desacreditada com o que ele tinha acabado de me falar.
– Então você quer dizer que criou confiança depois que as pessoas falaram sobre você fazer sucesso com as mulheres? – eu começo a rir descontroladamente. – Sério isso? – pergunto em meio a risadas.
– Eu era apenas um garoto naquela época. – se defende.
– Se você era apenas um garoto naquela época, quando é que você se tornou cantor? – eu estava perdida no tempo.
. Penso.
Eu nunca tinha ouvido falar nesse nome, então seu surgimento no ramo musical era uma incógnita para mim.
– Eu me tornei oficialmente um cantor algum tempo atrás, mas apenas ganhei visibilidade há dois anos. – isso realmente explicava muita coisa, eu não conhecia porque geralmente eu acompanhava cantores com mais tempo de carreira.
– E tem sido difícil? – como a conversa estava fluindo de maneira positiva resolvo tirar algumas dúvidas com ele.
– Manter uma aparência saudável e ocultar boa parte da sua vida não é legal. – solto um suspiro. – Mas saber que as pessoas me amam é um alivio.
– Porém manter uma parte oculta da sua vida não é mentir? – apesar de se sentir aliviado, eu não achava certo mentir para seus fãs.
– Sim. – ele concorda comigo. – Mais você tem que entender que nós cantores somos a inspiração dos nossos fãs, e quando você tem fãs mais novos, você tem que aprender a lidar com algumas questões e oculta-las. – faço um barulho com a boca.
– Isso é muito ruim no meu ponto de vista. – expresso minha opinião.
– Por quê? – parecia estar tão fissurado nessa conversa quanto eu.
– Vamos supor que você seja o mundo para os seus fãs. – tento parecer o mais racional possível. – E elas têm uma paixão incrível por você, às vezes até mesmo obsessiva. – explico. – E hipoteticamente falando você se apaixona por alguém e começa a namorar. Você acha que seus fãs irão aceitar o seu relacionamento? – pergunto.
– Acho que elas iriam entender. – responde.
– Tem certeza? – o questiono.
– Por que eu não teria? Acho que elas iriam gostar de me ver feliz. – ele toma mais um pouco de água.
– Ás vezes algumas situações tomam proporções que não ficam sobre seu controle. – eu estava falando isso para ele, pois eu sabia o que era viver sobre uma aparência que não era sua. – Não estou criticando os fãs, porque eu sou fã, mas existem algumas atitudes que me deixam inquieta. – explico.
– Do tipo? – solto um suspiro.
– Muitas vezes os fandoms são tóxicos, eles não aceitam que seu ídolo tenha uma vida sem ser a que elas acompanham. Muitas fãs não aceitam que seus ídolos se relacionem com outras pessoas apenas pelo fato de não acharem certo o rumo que sua vida está seguindo. Não querendo generalizar, mas esse tipo de obsessão está se tornando cada vez mais forte e eu realmente temo pelas fãs e pelos seus ídolos. – faço uma careta.
Eu realmente acompanhava muitos grupos de fãs e às vezes eu ficava assustada pelas atitudes tomadas por alguns. Comprar CD dos seus ídolos e depois queimar algo deles pelo fato dos mesmos demostrem serem apenas seres humanos era algo que eu realmente não conseguia entender.
Muitas vezes eu me questionei sobre o que se passava em suas cabeças, afinal se cada fã que julga seu ídolo por beber, namorar, e ter amigos me falar que sua vida é completamente voltada para seu ídolo assim como elas querem que eles façam, eu daria todo o meu dinheiro.
– Eu sei que existem alguns fãs fora de linha, mas não gosto de julgar todos pelo erro de alguns. – estalo minha língua.
Eu não tinha propriedade para falar mais sobre o assunto, pois eu não era famosa. Na realidade tudo o que eu falei até então tinha sido a minha opinião de fã.
– Você está certo sobre isso. – respondo. – Mais espero que você possa fazer uma reflexão sobre o que eu acabei de falar. – me levanto do chão.
– Onde você está indo? – se levanta também e me encara.
– Eu tenho que tomar um banho e comer alguma coisa. – meu estômago escolhe esse momento para fazer um barulho horrível.
– Você não tomou café da manhã? – por um momento ele parecia preocupado com a minha alimentação.
– Não consegui terminar. – solto uma risadinha. – Nós nos vemos por ai. – faço um sinal de continência para ele e saio do salão rapidamente.
não era uma pessoa ruim, na realidade o tempo que passei com ele realmente tinha sido interessante e do seu ponto de vista eu pude entender um pouco sobre como a indústria musical trabalha, não que eu já não soubesse que eles preferem a aparência ao caráter da pessoa.

Capítulo Cinco

Eu ainda não tinha conseguido digerir toda a conversa que tive com minha irmã e cunhado na parte da manhã. Na realidade eu estava tentando entender o motivo de Sophie começar a me atacar como se ela fosse à dona da verdade, afinal a pessoa que vivia nos holofotes não era eu, e sim ela.
Acredito que Sophie foi uma pessoa muito pior do que eu sou hoje, ela vivia sua vida de um modo completamente insano, o que por um momento trouxe certo prejuízo para o hotel.
Imagino que quando ela se casou com Derek meu pai se sentiu aliviado por não ter que usar da sua influência para impedir que surgisse qualquer publicação referente à vida selvagem que minha irmã levava.
– O que te aflige? – assim que terminei meu treino de dança eu corri diretamente para os braços do meu melhor amigo.
... – eu praticamente lamento na sua frente. - Por que as coisas tem que ser tão injustas? – pergunto.
– O que aconteceu agora? – ele me encara esperando a resposta.
– Sophie está em Londres. – comento. – E ela foi tão má comigo. – eu não queria sobrecarregar com meus problemas, porém ele era a única pessoa que eu tinha mais facilidade para conversar.
– Sophie? Você tem certeza? – muita gente achava estranho o fato de ser meu amigo ao invés de Sophie, afinal os dois tinham idades próximas. E mesmo que nós dois nos conhecêssemos há tanto tempo, não foi capaz de criar um vínculo com Sophie e muito menos com Madison.
– Sim! – me debruço na mesa.
Como eu não tinha tomado meu café da manhã de maneira justa eu liguei para e pedi que ele me encontrasse na nossa cafeteria favorita. Meu melhor amigo era um anjo e prontamente foi, sem ao menos questionar o motivo de eu chama-lo tão cedo.
– O que ela falou para você? – ele me pergunta.
– Ela e Derek ficaram falando sobre eu ir para a faculdade. – qualquer pessoa que escutasse nossa conversa agora acharia que eu era uma pessoa mimada que estava sendo contrariada, mas a questão é que eu realmente me sentia mal pelas coisas que minha irmã tinha falado mais cedo, e o fato do seu marido se meter na minha vida pessoal e ela não falar absolutamente nada me deixou ainda mais chateada.
... – começa. – Nós já conversamos sobre isso, não é mesmo? – cruzo meus braços e bufo.
– Eu sei. – na última conversa que tive com sobre a pressão que eu estava tendo para entrar na faculdade, ele tinha dito que eu apenas seria livre se eu me libertasse das amarras que minha família tinha posto em mim. – Mais eu fico pensando. – comento. – Eles têm um pouco de razão quando falam que eu não tenho nenhuma experiência na minha vida. – reflito. – Se eu sair de casa como eu irei sobreviver? – pergunto para ele como se pudesse ter a resposta certa para as minhas dúvidas.
– Você trabalha para isso. – assim como eu, sabia muito bem que eu não conhecia a palavra trabalho, afinal eu cresci de uma maneira onde sempre tive tudo o que quis em minhas mãos.
– Isso seria um completo desastre. – me debruço na mesa e o encaro. – O que eu devo fazer? – me lamento novamente.
– Foque naquilo que faz você feliz. – pega minha mão e aperta levemente. – E se nada der certo você pode virar coreografa. – solto um suspiro.
– Acho que meu pai enfartaria. – sorrio.
– Você vive constantemente para chocar as pessoas. – reviro meus olhos.
Não é que eu não amasse os coreógrafos, eu apenas não me imaginava sendo uma. Como eu não era a pessoa mais paciente do mundo, eu tinha certeza de que não daria certo, pois eu tenho um sério problema em ter que ensinar as pessoas, mas se eu tivesse que escolher entre ser coreógrafa ou estudar algo forçada, eu escolheria ser coreógrafa.
– Mudando de assunto. – encaro . Eu não queria falar sobre algo que me deixava chateada. – Como estão as coisas? – apesar de eu ter visto recentemente nós não pudemos conversar muito já que o mesmo estava trabalhando no momento.
– Corridas. – arruma sua postura na cadeira.
– Do tipo bom, ou ruim? – me inclino para frente.
– Mais ou menos. – ele me responde. - Nada que você precise se preocupar. – me irritava que não gostasse de compartilhar seus problemas comigo e sempre estava preparado para ouvir os meus.
– Odeio quando você não fala as coisas para mim. – eu não queria parecer estar chateada com isso, mas era inevitável.
– Prometo que em breve você saberá. – sorri para mim. – Não é algo que você realmente tem que se preocupar. – reviro meus olhos e mudo de assunto novamente, já que estava sendo evasivo quando o assunto era sobre o seu cotidiano.
– Como está sua mãe? Faz um bom tempo desde que eu a vi. – eu amava a mãe de , aquela senhora cuidava de mim de uma maneira tão maternal que foi muito fácil me apaixonar por ela.
– Ela foi ao meu apartamento ontem. – coça a cabeça. – Deixou um monte de comida. – ele reclama.
– Comida nunca é demais. – resmungo. – A propósito eu amo a comida da sua mãe! – mostro a língua para ele.
Não que estivesse realmente reclamando da comida que a mãe dele preparava, na realidade eu entendia muito bem o que ele queria dizer com o excesso de comida que ela havia deixado, afinal não faz muito tempo desde que ela foi a casa dele e deixou comida o suficiente para ele comer o mês inteiro.
– Eu também adoro a comida da minha mãe, porém ela exagera às vezes. – reviro meus olhos.
– Você é filho único, ela apenas quer mimar você. – a defendo.
Era muito perceptível o amor que ela tinha por ele.
era seu único parente em Londres, toda a sua família morava na Coreia e eles não tinham exatamente o melhor relacionamento, afinal até onde eu sei a família dela nunca aceitou realmente o casamento dela com o pai de .
. – me chama. – Ela também considera você como filha, mas não leva comida para você porque sabe que sua mãe iria surtar. Tenho certeza de que se não fosse sua mãe, você provavelmente estaria enjoada de comer kimchi e outras coisas. – solto uma risada.
Não era mentira que minha mãe tinha certa antipatia com a mãe de , e ela fazia questão de deixar transparecer esse sentimento em todos os momentos que elas se encontravam.
– Então me convide para jantar. – cruzo meus braços.
Eu amava comida coreana, mas nenhum restaurante superava a comida que a mãe de fazia. Acho que ela coloca tanto amor na hora do preparo que a comida fica com um sabor perfeito.
– Não preciso fazer convites especiais para você. – declara.
– O problema é que você nunca está em casa para jantar. – reflito. – Então acho que podemos almoçar juntos. – sorrio como se eu fosse uma criança que tinha acabado de ganhar o melhor presente de todos.
– Sempre que você precisar. – bagunça meu cabelo. – Agora termine seu café. – ele aponta para minha xicara.
Era sempre muito bom passar meu tempo com , ele sempre esteve ao meu lado em todos os momentos, e principalmente era um bom ouvinte. Nossas conversas sempre fluíam de maneira natural, não era algo que tínhamos que forçar e eu era extremamente grata por isso.
Eu não era uma pessoa que demonstrava meus sentimentos abertamente, mas acredito que saiba do meu amor por ele e que ele é minha âncora nesse mundo.


***


Como prometido, acabei vindo para a casa de apenas para almoçar com ele e me deliciar com a comida de sua mãe.
Eu amava como a casa de tinha sua própria identidade. Conhecendo meu amigo eu sabia que ele tinha levado muito tempo para chegar ao conceito ideal para ele. Sim. amava trabalhar nos mínimos detalhes e claro, ele não deixaria sua casa para trás.
– Ainda é um pouco cedo para almoçarmos. – ele abre a porta para mim. – Então se sinta em casa. – balanço minha cabeça e imediatamente vou para o sofá.
– Você mudou algumas coisas. – digo enquanto observo sua sala recém-decorada.
– Me enjoei dos móveis antigos. – dá de ombros e se senta ao meu lado. – Gostou? – ele me pergunta.
– Não entendo muito sobre decoração, mas acho que ficou melhor agora. – geralmente eu não participava muito da parte decorativa de casa, minha mãe era uma pessoa muito exigente quando o assunto era manter a boa aparência das coisas, então era ela quem supervisionava as mudanças no nosso apartamento.
– Estive pensando em mudar a minha cozinha também. – reviro meus olhos. De todos os cômodos da casa de o único lugar que eu achava que ele não deveria jamais mexer era a sua cozinha.
Olhando daqui o ambiente era realmente convidativo, apesar de ser conjugada com a sala, a cozinha dele era completamente diferente do restante da casa. gostava muito e cozinhar, então ele tinha equipado sua cozinha com materiais de primeira.
– Não acho que a cozinha tenha que ser mudada. – dou minha opinião. – Eu gosto dela assim. – rapidamente pego o controle da televisão de cima da mesinha de centro e a ligo.
– Sério? – olha da cozinha para mim.
– Sim. – concordo. – Mas é a minha opinião. – digo. – Se tem algo incomodando você e você pode fazer algo para reverter, faça. – o encaro gentilmente.
– Eu realmente vou muda algumas coisas, você quer ir às compras comigo? – me olha indeciso.
– Eu amo fazer compras, . – solto uma risadinha. – Quando você quer ir? – pergunto.
– Semana que vem eu vou estar com a agenda livre. – ele olha seu relógio rapidamente.
– Tem algum compromisso hoje? – levanto minha sobrancelha enquanto observo meio aéreo. – Você conheceu alguém? – o encaro boquiaberta com a minha descoberta.
– Pelo contrário. – bufa ao meu lado. – Minha mãe arrumou um encontro às cegas para mim. – começo a gargalhar.
Eventualmente isso era algo que a mãe de faria. Ela realmente tinha esperanças que seu filho encontrasse alguém e se casasse imediatamente.
– Precisa de ajuda? – geralmente me pedia ajuda quando sua mãe o jogava em encontro às cegas. Na maioria das vezes nós dois damos boas risadas com as enrascadas que ela o coloca.
– Acho que dessa vez minha mãe escolheu bem. – continua rindo ao meu lado.
– Como das últimas vezes. – reviro meus olhos, divertida. – Lembra a última garota? – pergunto.
– Não tem como esquecer. – era quase impossível me esquecer da última enrascada que se meteu, eu sempre ria quando lembrava desse momento.
Kim Ha-Yun, ou apenas Sun, era dona de um temperamento forte, e nada poderia fazê-la desistir de casar seu filho, e quando eu falo nada, era realmente isso.
Da última vez eu tinha escutado detalhadamente todos os planos que a mãe de havia feito para o tão esperado encontro às cegas.
O tal encontro de era com a filha mais nova de uma colega dela que havia chego há pouco tempo em Londres, e tanto ela quanto a mãe da garota haviam achado interessante aproximar seus filhos, o problema era que a garota mantinha um relacionamento escondido da sua mãe, e o namorado dela apareceu de repente no restaurante que os dois estavam se encontrando e brigou com .
– Você ficou com um olho roxo. – o empurro levemente.
– Aquilo feriu meu ego. – ele passa a mão no rosto.
– Então porque você não aprende e pede para sua mãe parar com isso? – pergunto.
– Não gosto de magoar minha mãe e no fim eu tenho você para me salvar. – reviro meus olhos. - Acho que seu celular está tocando. – aponta para o meu celular. – Eu já disse para você não deixar ele no silencioso. – ele me repreende.
– Meu celular saiu da loja no silencioso. – mostro a língua para ele. – Alô. – falo assim que atendo o celular.
? – uma voz grossa e totalmente desconhecida fala.
– Quem gostaria? – pergunto desconfiada e fica gesticulando para saber quem é. – Não sei. – sussurro para ele.
– Louis da gravadora Record Music. – meus olhos praticamente soltam assim que ele se apresenta. – Estou ligando para confirmar sua inscrição. – engulo em seco.
– Pensei que assim que eu fizesse a inscrição eu automaticamente estaria confirmada. – falo.
– Você está certa. – Louis responde na linha. – Porém enviamos um material para o seu e-mail assim como dos outros candidatos, e você não retornou. – estranho, afinal eu não tinha recebido nada ultimamente.
– Poderia me encaminhar novamente? – pergunto. – Eu checo meu e-mail diariamente e tenho certeza de que teria visto o que o senhor me mandou. – eu gesticulo para e peço que ele trouxesse seu notebook para a sala.
– Claro. – o cara responde. – Você está com seu e-mail aberto? – ele me pergunta.
– Estou abrindo. – eu nunca tinha demorado tanto para fazer um login no e-mail como hoje. - O abri agora. – vou diretamente à minha caixa de spam. – Recebi seu e-mail. – clico em cima para abri-lo.
– Perfeito. – ele fala. – Existem algumas instruções anexadas que você deverá prestar bem atenção. – Louis explica. – Qualquer dúvida você pode entrar em contato conosco. – Louis se despede e em choque eu olho para .
– O que é? – me encara preocupado.
– Eu fui chamada para a audição. – sussurro.
– Quando você se inscreveu? – me pergunta.
– Essa semana. – eu não conseguia acreditar no telefonema recente. – ... – as palavras pareciam estar travadas no céu da minha boca, pois eu não conseguia pronunciar nada relativamente interessante.
– Isso é maravilhoso, ! – rapidamente me abraça. – Estou tão feliz por você! – ele continua me apertando. – Por que você não falou nada? – não havia julgamento em suas palavras, apenas curiosidade.
– Porque é uma audição fechada, poucas pessoas seriam selecionadas para se apresentar. – explico. – Eu não queria que as pessoas a minha volta criassem expectativas para no fim eu nem ser chamada para o teste. – meu maior medo era não conseguir me apresentar na gravadora, porém isso era algo que eu tinha superado no momento.
– Você vai arrasar. – me solta e segura minha mão. – Eu sei que tem sido difícil para você nos últimos anos, mas tenho certeza de que a sua hora de brilhar vai chegar. – fecho meus olhos e absorvo todas as palavras de .
– Espero que você esteja certo. – eu não sabia que estava chorando até limpar a primeira lágrima que caiu sobre meu rosto.
– Ei. – ele me chama. – Não chore. – me pede. – Essa notícia deve ser comemorada do jeito certo, e não chorando. – eu não aguento segurar as lágrimas, elas caiam livremente pelo meu rosto e perco completamente a postura.
– É que eu sempre chego nessa parte e no fim eu nunca sou escolhida. – continuo com as minhas lamentações.
– Então você deve dar tudo de si para conseguir. – segura meu rosto. Estou falando sério, ! – ele me encara por um longo tempo.
– Se eu não conseguir dessa vez eu realmente vou desistir. – limpo minhas lágrimas.
– Eu entendo que tudo isso é muito frustrante, mas vamos contar apenas como experiências ruins que você teve para alcançar o sucesso. – as palavras de são doces, porém não são suficientes para afugentar o medo e a ansiedade que estou sentindo no momento.
– Não quero que ninguém saiba. – eu mudo minha postura rapidamente. – As coisas que Sophie falou hoje ainda estão me atormentando. – falo.
– Você sabe que pode confiar em mim. – beija minha testa. – Nem irá saber? – ele me pergunta.
– Ainda não estou preparada para falar sobre isso. – solto um suspiro. – Não é que eu não confie nela, é minha melhor amiga. – digo olhando para . – Mais sabemos bem que ela não é uma pessoa que guarda segredos. – fecho meus olhos.
Existiam coisas que eu não poderia falar para imediatamente, pois era questão de segundos para as pessoas ao nosso redor saberem e essa notícia era algo que eu não queria espalhado por ai.
– Tudo bem! – se levanta. – Podemos manter segredo. – ele sorri para mim.
– Aonde você vai? – seguro sua mão imediatamente, eu não estava preparada para deixar ir.
– Vou esquentar comida para a gente. – minha expressão se ilumina rapidamente.
– Quer ajuda? – pergunto.
– Prefiro manter você longe da minha cozinha. – bufo.
Não é novidade nenhuma que ache que eu sou um perigo na cozinha, e concordo que eu não tenho nenhuma experiência, afinal para que aprender a cozinhar se eu morava em um hotel e tinha comida no meu quarto a qualquer momento?
– Prometo que não vou queimar nada. – faço um beicinho.
– Fique longe das toalhas. – ele pega minha mão e me puxa.
– Eu não vou colocar fogo nas toalhas. – passo por ele revirando meus olhos e enxugando os últimos vestígios de lágrimas que eu tinha pelo rosto.
– Pelo que me lembro da última vez... – eu corro rapidamente eu sua direção e tampo sua boca.
– Não precisamos falar sobre isso. – começo a rir quando ele tenta se pronunciar.
– Tudo bem. – morde minha mão rapidamente e eu recuo.
– Odeio quando você faz isso. – imediatamente eu vou lavar minha mão.
– Esse é meu troco. – ele mostra a língua para mim.
– Idiota. – resmungo.
– Você pode arrumar a mesa. – ele indica o balcão acima para que eu pegue os utensílios.
– Você só pede isso porque odeia arrumar a mesa. – aos poucos eu vou pegando as coisas que iriamos precisar para comer e vou colocando na mesa.
Enquanto isso vai organizando a comida para a gente enquanto cantarola alguma música desconhecida.
– Esqueci completamente! – falo de repente e bato na minha testa.
– O quê? – me encara confuso.
– Eu não li o e-mail. – dou um sorriso amarelo para ele.
– Então pegue o notebook e leia. – revira os olhos para mim e eu rapidamente me locomovo para a sala voltando em seguida para a cozinha. – O que o e-mail diz? – ele me pergunta.
– Eles me mandam preparar uma coreografia e uma música para apresentar. – continuo lendo o restante do e-mail.
– Mais alguma coisa? – me olha de lado enquanto termina de colocar o arroz em uma tigela.
– Basicamente isso. – dou de ombros.
– Ok. – sorri para mim. – Se você precisar de ajuda me fale. – ele pisca para mim.
– Isso quer dizer que você vai me ajudar com a dança? – pergunto esperançosa.
– Não. – ele fala imediatamente. – Isso quer dizer que serei um bom ouvido e um bom olho. – bufo.
Eu não queria que se sentisse pressionado sobre a dança, mas eu via muitas vezes em seus olhos a saudade estampada.
Como não gosto de ficar pisando em ovos com não toco no assunto novamente. Apesar de eu ver muitas vezes a saudade estampada em seus olhos é algo que tem que decidir sozinho e no momento que ele estiver preparado tenho certeza de que ele irá me procurar.
Nós dois desfrutamos do nosso almoço calmamente depois disso, e apesar de eu querer ficar mais tempo com eu tinha que voltar para casa e treinar.
Eu sabia que a próxima semana seria decisiva, então eu teria que treinar todos os dias para uma coreografia perfeita e cuidar da minha saúde para que eu não ficasse doente no meio do caminho.

Capítulo Seis

Eu ainda não conseguia acreditar que o jogo tinha virado ao meu favor, claro que o telefonema para uma audição não era realmente uma garantia de que eu pudesse me tornar cantora, porém eram flores em um campo que há muito tempo não florescia.
Contar para qualquer pessoa da minha família não era o caso no momento. Eu tinha medo de que se eu falasse sobre esse assunto eles fossem explodir comigo. E pela última conversa que eu tive com Sophie, eu tive a certeza de que meus irmãos não me apoiavam quando o assunto era meus sonhos.
Antes de o meu pai viajar, eu tinha dito que se nada desse certo eu iria para a faculdade, claro que aquilo tinha sido apenas uma desculpa para que ele saísse do meu pé, porém eu queria provar para todos da minha família que mesmo eu não seguindo o rumo que eles queriam, eu iria obter sucesso.
Do meu jeito.
Enquanto arrumo meu quarto eu paro e olho tudo ao meu redor, eu nasci em uma vida privilegiada, porém isso não permitiu em nenhum momento eu ter uma profissão que realmente gostasse. Muitas pessoas acreditam que nós temos total apoio dos nossos pais para vivermos nossos sonhos, porém aqui era diferente, meu pai, por exemplo, queria que todos os seus filhos vivessem do seu sonho e não o contrário.
Minha ficha ainda não tinha caído completamente, eu tinha tanta coisa para organizar em um espaço muito curto de tempo. Eu tinha que pensar que música iria cantar e que coreografia iria apresentar. Claro que referente à coreografia, não existiam dúvidas de que eu pegaria algo difícil e que eu tivesse habilidade para apresentar. Geralmente pessoas que cantam não dançam muito bem, esse tipo de habilidade elas conseguem com o tempo e dependendo muito do estilo de musical que procede em sua carreira.
O teste seria nas próximas semanas e apesar de eu treinar todos os dias eu sabia que isso era o suficiente para fazer um trabalho bom, mas não perfeito. Então eu pegaria mais pesado nos meus treinos para que não houvessem erros e que eu estivesse em perfeita sincronia com a música. Afinal minhas chances de ser tornar cantora pareciam estar ficando cada vez mais distantes e eu não podia deixar essa oportunidade escapar das minhas mãos.
Terminando de arrumar minhas roupas e separar o que eu não queria para doação resolvo ir novamente para o salão de danças e praticar mais um pouco. Eu queria estar perfeita para o teste. Quando a gravadora entrou em contato comigo mais cedo eu quase não acreditei no que estava acontecendo, eu tinha consciência de que eles deviam ter ligado para outras garotas, então eu tinha que mostrar que apesar de ser mais velha eu poderia muito bem dançar e cantar.
Quando chego ao salão de dança percebo que já estava lá se aquecendo para começar seu próprio treino. Confesso que desde o momento que conheci eu não tinha reparado nele atentamente, pois tinha colocado na minha cabeça que eu não podia ter nenhum tipo de interação física com ele. Ao perceber cada traço, vejo o motivo da preocupação da minha família quando o assunto era ele.
A questão é que realmente era o tipo de cara que eu me envolveria. Ele não era completamente musculoso, mas eu ainda sim eu conseguia ver a definição do seu corpo. também era moreno, e tinha um par de olhos azuis que era capaz de hipnotizar alguém. Sua dança também era incrível, ele tinha o poder de seduzir sem ao menos saber que estava seduzindo alguém. Por incrível que parece também tinha uma pequena covinha no lado direito da sua boca, o que deixa ele adorável.
– Você aqui de novo? – resolvo interromper seu treino, pois não queria perder mais tempo o observando.
– Eu disse para você que eu iria usar o tempo que estou aqui para compor e treinar. – reviro meus olhos.
– Ok. – entro no salão e logo começo a fazer meu aquecimento. – Como você chegou primeiro eu deixo você escolher as músicas. – eu não iria entrar em nenhum conflito hoje. Tudo o que eu queria era poder treinar e tirar o máximo desse treino.
– Prometo que minhas músicas não são tão ruins assim. – passa por mim com um sorriso enorme nos lábios e começa a dançar.
escolhe uma música de hip hop, completamente diferente do que eu imaginava para treinar hoje, mas mesmo assim eu me pego dançando no ritmo da música. Eu tinha feito aulas de dança durante toda a minha vida, comecei com ballet, pois minha mãe achava uma dança maravilhosa na época, depois eu passei por mais alguns estilos de dança até chegar à dança contemporânea.
Eu costumo dizer para mim mesma que minha dança só é boa por conta das oportunidades que tive ao aprender o básico de outras danças. Isso me deu base para criar meu próprio estilo.
– Você dança bem. – se aproxima de mim. – Que tal uma música mais lenta? – reviro meus olhos, mas não consigo segurar uma risada.
– O que você tem em mente? – pergunto levemente curiosa.
– Você vai ver. – ele sorri e dá play na música e ao ouvir os primeiros acordes eu abro um sorriso enorme.
– Just you? – um sorriso brinca em meus lábios. – Eu amo as músicas da Lauren Hart. – ergo minha mão para ele. – Que tal você dançar comigo? – eu não costumava chamar as pessoas para me acompanhar em uma dança, geralmente eu era melhor que eles, mas merecia.
O começo da música é lento, mas o ritmo vai crescendo em cada nota cantada por Lauren. Era surpreendente como nossos corpos simplesmente se encaixavam e ganhavam ritmos conforme a música ia crescendo. solta algumas risadas e palavrões quando eu sem querer piso no seu pé e esse gesto simples me faz rir. Em algum momento da dança eu me afasto dele, mas sem desviar nossos olhos e danço com um sorriso genuíno brincando em meus lábios. acaba se aproximando de mim e seu corpo acompanha o meu como se fossemos apenas um.
Quando a música acaba estamos praticamente com nossos lábios colados e por um momento eu consigo escutar nossas respirações ofegantes por conta da dança.
– Você realmente é boa no que faz. – se afasta de mim.
– Nunca disse que eu era ruim. – vou em direção de onde estava minha garrafa d'água.
– Quanto tempo você tem treinado? – ele se senta no chão e eu o acompanho.
– Eu danço desde os meus quatro anos. – faço um quatro com a mão.
– Uau! – ele realmente parecia surpreso. – E então decidiu continuar? – me pergunta.
– Na realidade minha mãe me obrigou a fazer aulas de dança na infância. – me deito no chão. – Mais quando eu tinha uns seis anos eu comecei a criar gosto. – explico. – Quando eu estava mais velha eu obriguei minha melhor amiga a fazer algumas aulas comigo. – sorrio com a vaga lembrança que tenho de .
– Sério? – ele me pergunta.
– Sim. – me viro de bruços. – Eu consigo ser uma pessoa muito persuasiva quando quero. – pisco meus olhos repetidas vezes.
– Posso ver. – sorri e novamente sua covinha aparece.
– Você tem uma covinha. – me levanto para me aproximar dele. – Eu amo covinhas. – sorrio e arrumo uma mecha de cabelo caiu no meu olho.
– As garotas amam minhas covinhas. – ele passa a mão em seu rosto e eu bufo.
– Você é meio convencido. – faço uma careta e solto um chiado.
– Eu tenho que reconhecer minha beleza. – ele balança suas sobrancelhas e me faz rir.
– Quer ir comer algo? – pergunto de repente.
– Está me convidando para sair do hotel? – me encara com um olhar presunçoso.
– Claro que não. – me embalo para levantar. – Vamos comer no restaurante do hotel. – o encaro como se fosse óbvio o que eu estava querendo dizer quando o chamei para comer.
– Isso parece ser o ideal para mim. – ele ergue sua mão para eu ajuda-lo a levantar. – Vamos! – passa seus braços no meu ombro e me guia para a saída da sala.
Chegando ao restaurante algumas pessoas nos encaram curiosas para saber o que estávamos fazendo ali juntos. Eu não tinha imaginado que o restaurante estaria tão cheio naquele momento, porém ignoro e escolho um lugar para sentar.
– Acho que nós dois juntos chamou muito a atenção. – se senta na minha frente.
– Talvez você tenha chamado à atenção. – me inclino. – Não se preocupe todos os hóspedes são gentilmente instruídos a não incomodar. – explico.
– Talvez seja esse o motivo do meu agente ter escolhido esse hotel até minha casa ficar pronta. – sussurra.
– Você tem razão – tamborilo meus dedos na mesa enquanto espero alguém aparecer para nos atender.
– Não faça isso! – segura minha mão. – Você está me deixando ansioso. – coloco minha mão em cima da minha perna.
– Força do hábito. – dou um meio sorriso. – Só estou com fome. – digo.
– Então peça o que você quer comer. – revira seus olhos e eu mordo o canto da minha boca. – O quê? – ele me pergunta.
– Pode parecer um pouco chato da minha parte, mas eu tenho que perguntar. – me inclino para frente e baixo o tom da minha voz. – Você vai ficar quanto tempo em Londres? – franzo meu nariz e solto uma risadinha.
– Tempo suficiente para que eu possa compor algumas músicas e descansar. – fala igualmente baixo.
– Entendi. – volto a me sentar normalmente na cadeira e somos interrompidos pelo garçom.
– Estão prontos para pedir? – me viro para encará-lo e sorrio.
– O prato do dia. – não perco meu tempo olhando o cardápio. – ? – pergunto e nossos olhos se fixam.
– O mesmo que você. – ele fecha rapidamente o cardápio e entrega para o garçom.
– O quê? – noto o olhar de em mim.
– Por que você trata as pessoas com frieza? – ele me pergunta.
– Eu não as trato com frieza. – gesticulo com as mãos. – Quando você mora em um hotel você não pode ser apenas sorriso para os funcionários, principalmente se você é a filha do dono. – suspiro.
A última vez que eu agi por impulso foi quando eu ajudei uma funcionária com uma hóspede, esse gesto fez com que o hotel levasse um processo do cliente.
Meu pai tinha ficado louco quando descobriu que eu havia me metido na briga da nossa hóspede com um funcionário. Ele ficou horas falando sobre eu não poder me meter em assuntos como esse, e que agora ele teria que pagar uma indenização para o cliente que se sentiu lesado.
No fim das contas a funcionária foi demitida, pois para os meus pais todos os funcionários tinham que ter a olhos e bocas fechados.
– Como você quer se tornar uma artista se você não trata seus funcionários bem? – me pergunta.
– Você não entendeu o que eu acabei de falar? – pergunto. – Existem coisas que não são da minha ossada. – eu explico calmamente. – Você chegou ontem aqui, e está se metendo onde não deveria. – cruzo meus braços e o encaro.
– Entendo. – ele sussurra. – Talvez você viva em um mundo que não condiz com a realidade. – bufo.
– Claro que não! – balanço minha cabeça negativamente.
– Sim! – ele faz um barulho com a boca. – Não é legal tratar as pessoas de um jeito ruim. Suas atitudes são meio estranhas, e você trata as pessoas de maneira rude. – cruzo meus braços e faço uma careta. – Isso não é legal, e as pessoas não gostam disso! – reviro meus olhos.
estava me deixando irritada.
– Não preciso de você me falando sobre o que é certo ou errado. – descruzo meus braços e me inclino para frente. – Se você parar para pensar, você também é um julgador. – dou uma piscadinha para ele.
– Eu não julgo as pessoas! – ele entra em um modo defensivo.
– Tem certeza? – pergunto me referindo a conversa anterior. – Você se mete onde não deve, e tem esse olhar. – com meu dedo indicador circulo no ar seu rosto e dou um sorrisinho cínico para ele.
– Eu sou uma pessoa observadora. – se explica.
– Isso quer dizer que você tem me observado? – pergunto surpresa.
– É inevitável! – ele dá de ombros. – A gente vive se esbarrando. – balanço minha cabeça.
– Já disse para você que isso é normal. – bufo. – Eu vivo nesse hotel, esbarrar com hóspedes acontece o tempo todo. – eu explico pausadamente para que ele não ache que eu esteja atrás dele ou algo do gênero.
– Ainda acho que você tem me seguido. – bufo.
Ele tinha que cair na real.
– Acho que você está se emocionando demais. – faço uma careta.
– Confesse! – se inclina para frente e me encara nos olhos. – Você está caidinha por mim. – imediatamente coloco minha mão sobre a boca para abafar a minha risada.
– Claro! – falo cinicamente. – Até porque eu não tenho mais nada para fazer. – o garçom acaba cortando nossa conversa ao chegar com os pratos.
Tento a todo custo não deixar o assunto voltar à tona novamente, eu queria poder comer em paz e tinha certeza de que se começasse a falar sobre o quanto eu sou uma pessoa ruim, ou que eu estava caidinha por ele eu fosse perder minha cabeça.
Geralmente eu não gostava de ser julgada pelas pessoas, apesar disso sempre acontecer. Muitas pessoas tinham a visão de que pelo fato de eu ter uma vida de princesa, tudo era perfeito. Porém ninguém tinha noção do inferno que muitas vezes eu ou meus irmãos passamos nas mãos dos nossos pais.
Minha vida sempre foi controlada de perto pelos meus pais. Eles tinham tanto medo de serem expostos pela mídia se algum filho deles fizesse algo errado, que eles simplesmente controlavam tudo a nossa volta.
Quando eu fiz dezoito anos eu fugi de casa, naquela época eu achava que seria a melhor decisão. tinha me acolhido em sua casa e no inicio tudo tinha sido flores, até meus pais bloquearem a minha mesada e ter que viajar para fora do país. Em um instante eu me vi sem dinheiro e sem casa para viver, foi aí que a mãe de entrou e me acolheu.
Eu morei com a mãe de por mais ou menos quatro meses antes de sucumbir à vontade dos meus pais e voltar para casa. Nesse tempo eu não tinha conseguido trabalhar em nenhum lugar por falta de experiência, e a falta de dinheiro estava me deixando louca.
Posso dizer que meus pais fizeram uma jogada genial ao cortar minha mesada, pois eles sabiam que eu não iria viver por muito tempo no mundo real.
. – a voz de me desperta dos meus pensamentos. – Desculpe. – ergo minha sobrancelha.
– Pelo quê? – me faço de desentendida.
– Por dizer indiretamente que você era uma pessoa ruim. – solto um bochecho.
– Tudo bem! – abano minha mão. – Vamos esquecer esse assunto. – como eu não queria ter voltar a isso resolvo deixar para lá. Afinal não ficaria tempo suficiente no hotel para eu ter que me preocupar com o que ele achava de mim.
– Se você precisar de ajuda é só falar comigo. – fala de repente.
– E como você ajudaria realmente? – coloco meu prato para frente e o encaro.
– Posso ajudar você sobre a mídia, sobre os fãs. – ele parecia presunçoso demais. – Coisas desse gênero. – começo a rir.
– Ok. – balanço minha cabeça. – Se eu precisar da sua ajuda pode ter certeza de que não irei procurar. – dou uma piscadela.
– Você é confusa. – me encara mais um pouco.
– Um pouco. – sorrio para ele. – Você terminou? – pergunto ao olhar para seu prato.
– Sim. – parecia realmente satisfeito com a comida.
– Senhorita . – Parker se aproxima. – Pietro pediu para trazer pra vocês. – ele colocar duas sobremesas na mesa.
– Você poderia agradecer ele por mim, Parker? – peço gentilmente.
– Claro. – ele sorri para mim e se retira, deixando e eu sozinhos novamente.
– Você tem algo para fazer depois daqui? – pergunto antes de começar a comer minha sobremesa.
– Não! Por quê? – me dá um olhar curioso.
– Então vou levar você para um lugar que apenas alguns hóspedes conhecem. – eu não sei exatamente o porquê, mas apesar de me irritar, tinha algo nele que me fazia querê-lo perto de mim.
– E onde seria? – vejo em seu olhar curiosidade.
– O terraço do hotel. – falo rapidamente e volto minha atenção para a sobremesa na minha frente.
– Sério! Você é estranha. – resmunga antes de seguir meu gesto.
– Eu sou divertida. – não me importo de falar de boca cheia. – Você vai adorar o lugar. – o terraço era um dos melhores lugares do hotel em minha opinião.
Meu pai não costumava deixar o acesso para todos os hóspedes, na realidade aquele local tinha sido projetado para clientes Vips usarem sem serem incomodados por outras pessoas. Normalmente quando não tínhamos tantas pessoas importantes hospedadas no hotel, aquele local ficava praticamente vazio.
– Espero que seja um local bom. – não parecia acreditar muito em mim.
– Na realidade é o único lugar que você pode encontrar paz. – explico. – Meu pai projetou o terraço para que pessoas como você tivessem mais paz enquanto estivessem hospedados aqui. – Não iria explicar para ele que eu também havia ajudado no projeto, afinal meu pai parecia não lembrar muito disso.
Assim que terminamos nossa sobremesa levo para o elevador e seleciono o botão que nos levaria para o terraço. Ele parecia estar um pouco ansioso ao meu lado e isso estava começando a me deixar um pouco inquieta.
Quando chegamos à primeira coisa que eu faço é sair rapidamente do elevador e caminhar para uma porta lateral que dava para o terraço.
– Por aqui. – o chamo.
– Essa é a hora da verdade. – fala assim que me vê abrindo a porta. Quando abro a primeira coisa que me bate é o cheiro das flores. – Caramba. – olho para ele apenas para vê-lo completamente chocado.
– Eu falei para você. – digo enquanto entramos.
– Nunca imaginaria uma coisa dessas em cima de um hotel. – ele me fala.
Na realidade o terraço não era tão grande assim, mas era um verdadeiro jardim, ele tinha sido planejado dessa maneira para deixar os hóspedes mais relaxados.
– Estou chocado. – ele corre para se sentar em um banquinho. – Esse lugar é lindo! – concordo com ele. Cada árvore que foi colocada aqui, cada flor plantada, tudo tem um significado, mas para uma pessoa de fora como eles só enxergam a aparência.
O terraço havia sido planejado para se parecer realmente como uma floresta encantada, na realidade esse tinha sido o tema. Esse lugar em todas as suas fases sempre tinha sido o meu refúgio. A aura que o local emana é alucinante.
– Quando as coisas não estiverem tão bem para você é só vir aqui. – depois de cheirar uma flor me sento ao seu lado.
– Você vem muito aqui? – ele me pergunta.
– Às vezes. – digo. – Não venho mais com tanta frequência. – explico.
– É uma pena, porque esse lugar merece ser usado. – solto uma risada.
– Você tem razão. – encaro o lugar a minha volta e tento recolher novas energias.
– Finalmente você está concordando comigo. – dou um leve empurrão nele, mas não falo nada.
– Não exagera. – peço.
– Bom. Talvez você não seja tão ruim assim. – finjo soltar um bocejo.
– Já está entediada? – tenta parecer ofendido.
– Claro que não! – abano minha mão. – Você não é nada entediante. – sorrio docemente.
– Você é uma péssima mentirosa. – reviro meus olhos ele nem me conhecia direito para falar que eu era uma péssima mentirosa.
– Tento não ser. – caminho lentamente para um banquinho próximo a uma das minhas árvores favoritas. – Sente-se. – bato no espaço ao meu lado e o chamo.
– Você não vai morder? – ele parecia meio cauteloso.
– Idiota! – reviro meus olhos. – Isso não é da minha natureza. – falo.
– Desculpe! Pensei que você era como um pinscher raivoso. – bufo ao ouvir suas palavras. Eu já tinha sido chamada de muita coisa, menos pinscher raivoso.
– Não acho que eu esteja para um pinscher raivoso. – gesticulo. – Estou mais para um lobo. – dou um sorriso de canto.
– Não deve ser legal ter as pessoas julgando você o tempo todo. – comenta. – Eu realmente sinto muito por chamar você de rude. – reviro meus olhos. Eu já estava tão acostumada com as pessoas me achando rude, que eu simplesmente tento não me importar tanto com as criticas.
– E não é. – me viro para encarar Londres a fora. – Mais existem coisas que temos que sobreviver. – o encaro rapidamente.
– Quero me redimir com você. – ele fala chamando minha atenção.
– E como você faria isso? – tento não parecer muito empolgada.
– Vamos sair! – me encara totalmente empolgado.
– Você quer dizer fora do hotel? – se fosse o caso eu realmente acho que não está pensando muito bem.
– Sim. – ele me encara como se fosse óbvio o que ele estava falando desde o começo.
– E como você faria isso sem ser reconhecido? – cruzo meus braços e ergo minha sobrancelha enquanto espero uma resposta.
– Existem disfarces que eu posso usar. – solto uma risada.
– Claro. – eu não estava acreditando que realmente fosse dar certo, mas estranhamente eu queria saber o que ele iria fazer para se redimir.
– Isso é um sim? – ele me olha esperançoso.
– Vou dar essa chance para você. – mostro um pequeno sorriso antes de voltar a encarar a movimentação das ruas ao redor do hotel.

Capítulo Sete

Eu passei o dia anterior pensando se realmente valia a pena sair com por Londres. O meu maior medo era dele ser reconhecido no meio do passeio e as pessoas acharem que tínhamos algum tipo de envolvimento romântico, na realidade isso era o que mais estava me deixando aterrorizada no momento, apesar de eu não ser uma pessoa que sentia medo constantemente, porém a curiosidade de saber para onde ele me levaria estava me dominando no momento.
e eu éramos pessoas completamente diferentes, e com visões de um mundo diferente. Enquanto eu tento ser uma pessoa mais transparente com as pessoas a minha volta, se molda diante aos olhos da sociedade para não decepcionar seus fãs. Algo que realmente me deixava chateada, pois na minha concepção os fãs deveriam ver o lado verdadeiro dele e não o contrario.
– Você está atrasada! – bufo ao ver a figura de do lado de fora do meu apartamento.
– Como você conseguiu chegar até aqui? – coloco minha bolsa sobre meus ombros e o questiono.
Era quase impossível conseguir chegar à cobertura sem nenhuma ajuda.
– Tenho meus métodos. – reviro meus olhos.
– Depois sou eu quem está seguindo você. – Meu humor não estava nos seus melhores momentos, afinal acordar cedo não era meu ponto forte. – Agora me diga como você espera não ser reconhecido na rua? – o encaro da cabeça aos pés ao notar que ele estava normal. – Você vai assim? – aponto para ele.
– Por que não? – olha para sua roupa como se eu estivesse vendo um problema que não existe.
– As pessoas vão saber quem você é. – franzo o cenho e faço um barulho com a boca.
– Não seja por isso! – tira uma máscara de rosto do seu bolso completamente empolgado e eu solto uma risada.
– Isso completa seu estilo. – balanço minha cabeça de um lado para o outro, ainda desacreditada que ele se achasse um gênio por colocar uma mascara para tampar metade do seu rosto. – Mais ainda acredito que as pessoas irão reconhecer você. – falo.
– E você vai assim? – ele questiona imediatamente olhando para minha roupa.
– Você disse para eu usar algo confortável. – olho para minha roupa para ver se havia algo de errado com elas. – Por quê? – pergunto.
– Só estou surpreso. – coloca a mão dentro do bolso da calça.
– E por que você estaria surpreso? – eu estava confusa com sua suposta surpresa, afinal eu não me achava diferente dos outros dias.
– Todas as vezes que encontrei você no hotel, você estava bem vestida. – ergo minha sobrancelha para ele.
Minhas roupas não deveriam ser tópicos de conversa.
– Todas as vezes que nos encontramos eu estava vestida como qualquer outra pessoa. – faço uma careta.
– Desculpe. – ele fala rapidamente. – Acho que me expressei errado. – espero que ele continue a falar pacientemente. – O que eu quis dizer é que em todos os momentos que nós nos encontramos, você estava vestindo roupas bem caras para serem usadas apenas no dia a dia. – a observação de me incomoda um pouco.
– As roupas que eu uso não deviam ser um tópico de discussão, afinal são minhas roupas e meu dinheiro. – dou um sorriso amarelo.
– Você tem razão. – passa a mão desesperadamente pelos cabelos. – Eu realmente me expressei mal. – ele me pede desculpas com os olhos e eu bufo.
– Acho que você fica nervoso toda vez que está perto de mim. – solto uma risada ao ver a cara chocada de .
– Depois eu que sou emocionado. – ele murmura. – Podemos ir? – me pergunta enquanto muda seu peso de uma perna para outra.
– Claro! – agarra minha mão rapidamente e me guia para o elevador.
– Você não precisa segurar minha mão como se eu fosse uma criança. – rapidamente puxo minha mão.
– É apenas o costume. – parecia envergonhado.
– Então é costume sair por ai pegando a mão de todo mundo? – faço uma careta.
– O que? Não! – ele parecia ainda mais chocado com a minha suposição. – Eu apenas tenho um senso de zelo. – rapidamente se explica.
– Ok. – dou de ombros e bato meu pé gentilmente enquanto não chegamos ao saguão. – O carro estará nos esperando? – pergunto de repente.
– Hoje nós iremos a pé. – é a segunda vez no dia que ele consegue me surpreender.
– Você é louco? – o questiono.
– Não! – continua me encarando. – Não vejo mal nenhum em nós dois sairmos a pé. – solto um suspiro.
... – começo a falar, porém ele ergue sua mão me impedindo.
– Eu vou ter um segurança nós seguindo, se as coisas ficarem difíceis ele vai interferir. – meu plano não era ser vista publicamente com ele, ainda mais com a minha audição se aproximando.
– Não quero ter problemas pro meu lado. – êxito em sair com ele por um momento.
Agora mais do que nunca existiam vários fatores que gritavam para eu não sair com ele.
– Por favor, você não vai se arrepender. – sorri docemente para mim. Eu realmente queria dizer que não, mas ao ver o sorriso meigo de eu me senti rendida.
– Se as coisas ficarem feias eu corro e deixo você para trás. – começo a andar rapidamente.
– Uma atitude um tanto quanto infantil. – ele parecia não ter gostado do que eu disse, mas estava rindo.
– Estou apenas sendo sincera. – sorrio para ele e paro para puxá-lo pela mão. – Vamos! – o chamo.
Apesar de ser completamente o meu oposto, eu realmente fiquei interessada em saber mais sobre ele. Um dos motivos que me levou a pesquisar sobre era viver esbarrando com ele pelos corredores do hotel.
Nesse meio tempo eu tinha aprendido que apesar de esconder uma parte da sua vida, essa que eu ainda não tive a oportunidade de ver, ele tentava ser a pessoa mais carinhosa e positiva para todos os seus fãs. Confesso que fiquei chocada com o engajamento que ele teve em países estrangeiros e como em tão pouco tempo se tornou o queridinho de todos.
Esse era um dos motivos que me deixaram aflita em sair com ele, pois apesar de eu fazer direitinho meu dever de casa, eu não queria mesmo que as pessoas pensam o contrario e me julgassem por isso, afinal se minha própria família pensou que eu pudesse usar ele para me tornar cantora, o que seriam as pessoas que não me conhecem? Porém confesso que eu amava ver o circo pegar fogo em alguns momentos e ter um tour por Londres acompanhada de parecia divertido no momento em que aceitei o convite.


***


caminha entusiasmado por mais ou menos quinze minutos. Verdade. Eu tinha feito questão de cronometrar no meu relógio.
Não é que caminhar não seja meu forte, porém não é algo que eu faça com muito entusiasmo. , por exemplo, é uma pessoa que ama caminhar e só ela sabe o quanto eu fugi dela por conta disso.
– Ainda falta muito para chegarmos onde você quer? – pergunto inquieta.
– Não muito. – para e analisa o local a sua volta.
– Espero que realmente valha muito a pena. – solto um suspiro cansado. – E você pode andar um pouco mais devagar? – pergunto. – Minhas pernas são pequenas em comparação com a sua. – era realmente enorme em comparação com o meu um metro e sessenta, ao seu lado eu parecia uma anã.
– Desculpe. – ele vem até mim e começa a rir. – Você realmente tem razão. – compara nossas alturas e eu quase dou um chute em sua canela, apenas pela audácia da sua brincadeira, porém me seguro.
– Engraçadinho. – recupero meu folego durante nossa pequena pausa.
– Podemos continuar? – me pergunta e eu apenas balanço minha cabeça.
Eu não tinha muito que falar na realidade.
parecia muito distraído para perceber o quão frustrada eu estava por ter que andar por mais tempo.
Juro que andamos por mais uns dez minutos após a nossa pequena pausa até chegarmos ao local que queria ir.
Eu podia sentir meus pés latejando por conta da longa caminhada que fizemos e estava prestes a começar a reclamar, porém ao ver a feição de criança feliz que estava fazendo, não fui capaz de falar absolutamente nada sobre isso.
– Chegamos! – ele abre seus braços e aponta para a uma feira livre ao nosso lado.
– Era aqui que você queria vir? – eu estava surpresa por querer ir a uma feira livre.
– Sim! – começa a girar de felicidade e eu praticamente me encolho de vergonha. – Eu aprecio esses pequenos momentos que a vida proporciona. – ele me encara por um tempo antes de sair praticamente correndo no meio das barracas.
– Desculpe por . – me sobressalto assim que escuto uma voz atrás de mim e ao me virar observo o segurança de ao meu lado.
– Vocês costumam pedir muitas desculpas. – digo rapidamente.
– Ele apenas não tem muitos momentos como esse. – ele joga a cabeça para frente para que eu olhasse .
– Como assim? – olho para o segurança.
trabalha demais e geralmente não tem muito tempo para aproveitar. – emito um som de entendimento.
– Então ele é sempre assim? – pergunto enquanto observo comprando algumas coisas em uma lojinha próxima.
– Sim. – ouço uma risada do segurança.
– Entendo. – mordo o canto da minha boca.
– Acho melhor você se juntar a ele. – o segurança me da um leve empurrão em direção a sem me dar a oportunidade de perguntar seu nome.
Aos poucos vou me aproximando de para que ele não se assuste, afinal apesar de estarmos andando por aí juntos, era capaz de ele achar que alguém o tinha reconhecido.
– Cad... Ei. – eu estava quase o chamando pelo nome quando lembro que ele era uma pessoa pública.
! – me entrega um bolinho. – Coma isso! – ele me pede. – É realmente bom! – faço uma careta para o bolinho que ele havia me entregue, pois eu não tinha nenhuma noção de como ele tinha sido preparado e eu era uma pessoa um pouco chata quando se tratava de comida.
– É o que? – pergunto meio indecisa se eu deveria ou não comer.
– Scones. – encaro novamente e aproximo o pãozinho próximo ao meu nariz para cheirar e logo dou uma mordida receosa.
Para minha surpresa o scone que havia me entregado realmente era muito bom.
– Uau! – dou mais uma mordida.
– Bom, não é mesmo? – ele me pergunta com um sorriso enorme nos lábios.
– Sim. – dou minha ultima mordida.
– Sei que você vive por comidas cinco estrelas, mas experimentar algo de pessoas que não tem tanto reconhecimento também é muito legal. – comenta antes de me puxar para outra barraquinha. – Quer alguma coisa? – ele me pergunta.
– Já que estou comendo fora do hotel vou querer um Yorkshire Pudding e um café. – peço assim que vejo o que era vendido na barraquinha.
– Um Yorkshire Pudding e um café saindo para você. – faz o pedido e logo me entrega. – Que tal nos sentarmos em um desses banquinhos? – ele aponta para os bancos próximos ao pequeno parque que tinha ali.
– Tudo bem! – dou de ombros.
Assim que a gente se senta eu começo a comer imediatamente.
– Então, ... – fala arrastadamente.
– O quê? – não me importo de falar de boca cheia.
– O que você faz da vida além de viver no hotel? – a pergunta de é tão repentina que eu quase me engasgo.
– Que tipo de pergunta é essa? – pergunto rindo.
– Apenas curiosidade. – ele dá de ombros. – Eu não conheço você muito bem, apesar de estar compartilhando esse momento único. – aponta ao redor.
– Tudo bem. – limpo minha boca. – Vou saciar seu desejo de saber sobre eu. – finjo pensar um pouco e semicerro meus olhos. – Além de viver no hotel eu vivo pela dança e pela música. – explico.
– Isso não é novidade. – me encara profundamente. – O que eu quero saber é o que você faz sem ser isso. – reviro meus olhos.
– Nada. – dou de ombros.
Eu realmente não fazia nada além de praticar dança e canto. Eu poderia acrescentar fazer compras e sair para beber com os amigos, porém eu não queria parecer fútil demais.
– E se isso não der certo? – joga a pergunta no ar.
– Ainda não pensei sobre isso. – mentira.
Eu vivia pensando sobre isso.
– Sério? – parecia não acreditar em mim.
– Não existe outra opção. – na realidade a conversa que tive com acende na minha mente. Existia sim outra opção, mas essa seria em último caso.
– Acho legal que você seja tão otimista. – ele faz um joinha para mim.
– Sou a única que posso realizar meus sonhos, se eu não for otimista quem será por mim? – pergunto.
– Você tem razão sobre isso. – ele concorda. – Não existe outra pessoa além de você mesma que pode realizar seus sonhos. – pisco meus olhos.
– Então você concorda comigo? – ergo minha sobrancelha.
– Nesse momento sim. – sorri. – Não tem como negar que você tem espírito para seguir de cabeça erguida. – solto uma risada.
– Não posso ser pessimista. – faço uma pequena reflexão. – Durante esse tempo todo não passei em vários testes. – resolvo desabafar. – E apesar de sempre ter sido triste por um tempo, acredito exista um motivo maior para eu não ter consigo antes. – dou um sorriso de canto. – Eu realmente acredito que boas coisas estão por vir. – sinto a leve brisa bater no meu rosto delicadamente.
– Você tem razão! – fala. – Por mais que você se sinta pra baixo por não ter conseguido antes, fazer do hoje uma oportunidade para conseguir no futuro é muito importante. – sua reflexão prende na minha mente.
– Queria que algumas pessoas ao meu redor entendessem isso. – lamento.
– Existem pessoas que não apoiam você? – ele me pergunta curioso.
– Meus pais. – solto um suspiro. – Por eles eu já estaria na faculdade. – olho para . – Isso sempre me pareceu um destino triste. – volto meu olhar para algumas crianças que estavam brincando no parque.
– E porque ir para a faculdade seria triste? – me pergunta. – Acho que se eu tivesse essa oportunidade, eu iria. – solto uma risada engasgada.
– Seria triste, pois não seria algo que eu gostaria fazer de coração e sim por obrigação. – explico. – E sobre a oportunidade de ir para a faculdade, você sempre pode ir. – o incentivo.
– Talvez seja algo que eu faça no futuro. – parecia pensativo.
– Seria uma imagem interessante de se ver. – imagino rapidamente na faculdade e várias fãs correndo atrás dele.
– Talvez. – apoia a mão no queixo. – Na realidade existe mais uma coisa que me deixa intrigado.
– E o que seria? – pergunto.
– Como é morar em um hotel? – começo a rir descontroladamente.
– Depende do ponto de vista. – começo a explicar. – Em alguns momentos é interessante, em outros, entediante. – as pessoas que eu conhecia sempre tinham curiosidade em saber como era morar dentro de um hotel.
Na realidade para mim era normal, afinal nos vivíamos na cobertura e eu apenas tinha contato com os hóspedes quando eu estava andando pelo hotel.
Quando eu era mais nova, eu costumava brincar que o hotel era apenas um condomínio e que as pessoas que viviam ali eram nômades que iam e vinham.
Desde pequena eu sempre tive uma mente muito imaginaria.
– Não consigo imaginar uma situação que faça o hotel ser entediante. – parecia pensar.
– Você fala isso porque nunca morou em um. – o empurro levemente.
– Agora me conte um pouco mais sobre você. – o olho.
– O que você quer saber? – me pergunta.
– Você gosta da vida que leva, ? – falo seu nome pausadamente.
– Depende. – ele solta um suspiro. – Podemos caminhar enquanto eu conto para você meu ponto de vista? – fica de pé.
– Claro. – concordo com ele, pois eu estava um pouco curiosa para saber sua história.
– A realidade de eu ter vindo para Londres é totalmente o oposto do que eu contei para você. – finco meus pés no chão e o encaro, chocada.
– O que você quer dizer com isso? – pergunto.
– Eu estava tão estressado com os ensaios e toda a preparação para o final da turnê que negligenciei minha própria saúde. – o encaro atentamente.
– Sinto muito. – mordo meus lábios, pois eu não era realmente boa com palavras. – O que aconteceu depois? – eu sabia que poderia estar o pressionando, porém como ele tinha começado a falar eu queria saber o final da história.
– Desmaiei logo após o show terminar, fui levado para o hospital. – ele começa a caminhar despretensiosamente.
– Por isso que veio para Londres? – pergunto.
– Os médicos me pediram para descansar. – me explica. – Então eu e meu agente entramos em um acordo de que eu precisava cuidar da minha saúde para poder ser o cara que os meus fãs precisam.
– Isso é triste. – digo pensativa.
Em nenhum momento deixou transparecer que ele estava mal por algum motivo, e muito menos deixou que seus fãs soubessem sobre isso.
– É a vida de um astro. – parece não se importar muito. – Se você for fraco, irá se perder nessa vida. – solto um suspiro.
– As pessoas costumam achar que tudo é lindo e maravilhoso. – reflito.
– Eles gostam de glamourizar uma vida que não existe. – arregalo meus olhos com sua verdade nua e crua.
– Então porque você dá corda para isso? – pergunto me lembrando da nossa conversa sobre transparência.
– Os fãs procuram em nós uma ancora para se apoiarem nos momentos difíceis. – se defende.
– Entendo perfeitamente, mas vocês acabam ficando sufocados e às vezes vocês não mostram quem realmente são por medo dos fãs não aprovarem vocês. – essa era a ideia que eu tinha quando um cantor não era transparente e criava uma persona para agradar seus fãs.
– É um assunto delicado. – continua me guiando enquanto caminhamos.
Eu sabia muito bem o que significava ser fã.
Caramba!
Até eu sou fã! E amo muito meus ídolos! Porém para mim a sinceridade deles era o ponto mais alto que eles poderiam dar aos fãs. A partir do momento que você omite quem você realmente é; você cria uma ilusão para todos.
– Em algum momento nós podemos voltar a falar sobre isso. – decido que o melhor seria finalizar o assunto ali mesmo para que ninguém ficasse chateado, afinal as pessoas tendem a ter opiniões diferentes. – Estou vendo uma cafeteria que eu costumava frequentar, podemos ir? – aponto para o local que eu havia mencionado.
– Você só pensa em comida? – muda completamente sua postura.
– Sim! – ele parecia mais relaxado no momento. – Comida resolve quase todos os nossos problemas. – eu praticamente puxando ele pelo braço até chegar aonde eu queria.
– Uau! – assim que entramos solta um assovio baixo, porém abafado pelo mascara que ele estava usando.
O local era incrível e nunca perdia sua beleza.
A cafeteria lembrava muito locais que eu frequentava enquanto estive em Nova York, porém de uma maneira mais aconchegante.
Por alguns minutos eu perco de vista, pois eu realmente precisava ir ao banheiro.
Assim que volto para a mesa eu encontro algumas garotas ao redor de . Aparentemente ele tinha decidido tirar sua mascara para "tomar" um ar e as pessoas o reconheceram.
Decidida a não chegar perto dele, eu vou diretamente para o outro lado da cafeteria, a fim de observar a situação de longe.
Brevemente faço contato visual com o segurança de e ele acena para mim como se tivesse controle total do que estava acontecendo. Com um leve gesto de cabeça o deixo saber que eu iria esperar por perto, mas sem me aproximar.
Decida ao menos comer alguma coisa enquanto eu estivesse por aqui, me aproximo do balcão para fazer meu pedido.
– Posso ajudar? – a atendente sorri para mim enquanto espera que eu faça o pedido.
– Ah! – coço minha cabeça. – Um mocca, por favor! – sorrio enquanto entrego meu cartão de crédito para ela. – Você o conhece? – pergunto teatralmente.
– Quem não conhece ? – ela me pergunta como se eu fosse algum tipo de aberração.
– Eu não conheço! – sorrio enquanto coloco minha senha na maquininha. – Mais pelo jeito ele é bem famoso. – digo pensativa. – Vocês não deveriam tomar alguma precaução? – indago.
– Isso não é comigo! – a atendente é curta e grossa.
– Ok! – faço uma careta e vou para mesa enquanto espero meu pedido ser preparado.
Aguardo cerca de dez minutos para que meu café ficasse pronto e nesse meio tempo mais e mais fãs começam a entrar no estabelecimento. O segurança que estava nos acompanhando estava próximo de e evitando qualquer ato improprio vindo dos fãs e pelo seu semblante eu podia ver que ele estava começando a ficar tenso.
– Olá. – uma garota se aproxima de mim timidamente. – Posso me sentar com você? Os outros lugares estão ocupados. – olho para a cadeira vazia na minha frente e para a garota me pedindo um favor.
– Claro! – abro um sorriso para ela. – Você é fã dele? – ergo minha cabeça para frente indicando .
– Na realidade não! – ela solta uma risadinha. – Só queria um café mesmo. – ela dá de ombros. – A proposito sou Autumn. – ela ergue sua mão para mim.
. – pego sua mão e a cumprimento. – Parece que vai demorar para o local esvaziar. – murmuro.
– Sim! – Autumn concorda comigo. – Esse é o preço de ser famoso. – a garota sorri e eu inconscientemente sorrio também.
– Ele deve estar sofrendo. – tento segurar uma gargalhada.
– Provavelmente. – ela toma um pouco de seu café.
– Acho que a festa irá acabar. – olho pela janela apenas a tempo de ver alguns seguranças aparecendo.
– Infelicidade para as fãs dele. – Autumn fala e eu concordo.
– Bom. – resmungo. – Pelo menos parece que ele vai ter sossego agora. – assim que os seguranças começam a entrar no estabelecimento, a intensidade dos fãs aumenta para que dê atenção para elas.
– Espero que não confundam a gente como fãs. – a garota parada na minha frente encara a situação com um pouco de receio.
– Acredito que não irão nos expulsar. – respondo.
Eu tinha decidido que apenas iria embora alguns minutos após ser retirado do local. Na realidade eu estava rezando para que ninguém tivesse visto nós dois caminhando até a cafeteria juntos.
– Tudo o que eu quero é poder terminar meu café antes de voltar a trabalhar. – Autumn beberica seu café lentamente.
– Devo dizer o mesmo. – sorrio. – Sabe! – eu chamo sua atenção. – Você não é estranha, será que nos conhecemos? – pergunto enquanto a encaro com mais precisão.
– Acho meio difícil. – ela sorri nervosamente.
– Por acaso você já esteve hospedada no Palace? – pergunto diretamente.
– Não! – a garota se apressa em dizer. – Acho que nunca nós vimos na vida. – a olho, desconfiada, porém Autumn realmente parecia não me conhecer.
– Talvez eu tenha confundido você. – solto um suspiro aliviada ao ver que já estava envolvido em uma redoma de seguranças e que já estava sendo levado para o carro.
– Isso acontece o tempo todo. – ela sorri para mim.
Eu espero aproximadamente dez minutos após a saída de para que eu saísse da cafeteria.
Eu não iria caminhar novamente para o hotel, isso estava fora de cogitação, por isso eu chamo um táxi.
Assim que estou em segurança eu mando uma mensagem para e pergunto como ele estava, afinal eu não tinha ideia do que tinha acontecido assim que seus seguranças chegaram.
Quando chego ao hotel houve certo incômodo para entrar, algumas fãs tinham se aglomerado na entrada novamente e apesar de termos seguranças tentando dispersar a multidão que se formavam, elas continuavam chamando por . Algumas me dirigiram olhares tortos, achando que eu estava furando seus lugares, e acredito que algumas iriam me xingar se não fosse pelos seguranças me chamando de chefe tenho certeza de que teria sido linchada.
Subo imediatamente para a cobertura, o dia tinha sido muito cansativo e tudo que eu podia imaginar era eu na minha banheira e um banho super demorado.
– Posso saber onde você estava? – porém minha alegria durou pouco, pois ao abrir a porta dou de cara com Sophie e Derek na sala, prontos para uma batalha.

Capítulo Oito

Ao observar a fisionomia tensa da minha irmã, eu sabia que ela não estava nada feliz, porém eu não tinha ideia do que poderia tê-la deixado irritada.
Tudo o que eu queria no momento era um banho quente e minha cama, mas meus planos tinham sido interrompidos pela minha irmã que aparentemente iria estender meu tempo na sala.
– E desde quando eu devo avisar para onde vou? – pergunto entediada.
... – ela fala meu nome lentamente. – Precisamos conversar. – bufo.
Eu não achava que realmente tínhamos algo para conversar, na realidade eu tinha uma ideia sobre o que ela falaria, e só de pensar nisso minha cabeça começa a doer.
– Não podemos deixar para outro dia? – tento manter minha calma.
– Não! – pela primeira vez Derek se pronuncia.
– E o que você tem haver com isso? – o encaro por alguns segundos.
– Pense nisso como uma intervenção. – ele fala calmamente para mim.
– Você não tem nenhum direito de fazer qualquer tipo de intervenção. – reviro meus olhos com a sua atitude.
! – o tom de voz de Sophie aumenta. – Você não deve falar com Derek desse jeito. – ela fala categoricamente.
– E de que jeito eu deveria falar com uma pessoa que não sabe nada sobre a minha vida e se mete achando que é meu pai? – pergunto.
– Nós apenas queremos ajudar você. – Derek se intromete.
– Ajudar com o que? – cruzo meus braços. – A fazer minha cabeça para ir pra faculdade? – solto uma risada. – Vocês são hipócritas? – os questiono.
– Não existe hipocrisia em querer ajudar uma pessoa perdida. – encaro Sophie, completamente chocada com suas palavras.
– Perdida? – pergunto confusa. – Por que eu estaria perdida? – Eu ainda não conseguia acreditar nas palavras que minha irmã tinha acabado de pronunciar.
– Sim! Perdida. – Derek se senta no sofá totalmente descontraído, quase como se tudo o que estivesse acontecendo ao seu redor fosse maravilhoso.
– Então me expliquem o motivo de eu estar tão "perdida" – Faço aspas e os encaro, esperando uma resposta.
– Primeiro que você vive pela dança, ninguém em sã consciência faria isso. – Minha irmã começa a enumerar os atos que ela achava errado. – Segundo, você vive por um sonho que não é capaz de realizar. – Cada palavra que sai da sua boca é um soco no estomago. – Terceiro, você tem sido uma vergonha diária para a nossa família desde seu último fracasso. – Olho para cima e conto até dez para não falar nenhuma besteira.
– Se correr atrás dos meus sonhos é errado para você, tudo o que posso fazer é sentir pena da sua mente pequena. – Tento manter uma postura firme enquanto falo. – Eu faço aquilo que eu acho certo ser feito, não importa quantas vezes eu cair no processo, pois tenho certeza de que tudo isso me faz ser uma pessoa forte todos os dias – explico. – Se você acha que eu estou perdida não posso fazer nada, pois essa é sua opinião e nada que eu diga irá fazer você mudar de ideia. – Respiro profundamente. – Mas vocês acharem que eu devo fazer algo do seu gosto não é certo e eu quero que vocês entendam isso de uma vez por todas! – Escuto Derek bufar e o encaro. – Qual é o seu problema? – pergunto.
– Meu problema é a sua falta de respeito com todos a sua volta. – o encaro abismada.
– Uau! – Começo a bater palmas. – Vocês são tão ridículos. – encaro os dois lentamente.
– Ridículos? Nós apenas pensamos no seu bem. – Sophie aponta o dedo para mim.
– Sim! Ridículos. – Balanço minha cabeça negativamente. – Você realmente acha que eu falto com o respeito? – Meu tom de voz se altera. – Seguir meus sonhos deve ser realmente um incômodo para vocês. – Reviro meus olhos.
– Acho que você não entendeu nada sobre o que eu falei. – Sophie parecia estar ficando cada vez mais sem paciência.
– Sophie... – resmungo. – Sabe o que eu realmente não entendo? – Não dou tempo para que ela responda. – Como uma pessoa de espírito livre como você pode mudar drasticamente. – Eu sabia que minhas palavras iriam causar certo desconforto na minha irmã.
– Eu apenas amadureci. – Automaticamente vejo minha irmã ficando na defensiva.
– Tudo bem! – Dou de ombros. – Assim como eu não me meto na sua vida, espero que você nunca mais se meta na minha.
Talvez minha irmã não fosse verdadeira consigo mesma, talvez ela sempre tivesse esse tipo de temperamento, mas não o usava para que eu ficasse ao seu lado em todas as brigas que eu presenciei. Não só com meus pais, mas com Madison também.
– Será que é tão difícil para você aceitar que tem que ir para a faculdade? – Derek se levanta irritado e para na minha frente.
– Mantenha a distância – Aviso. – Primeiro que vocês não são meus pais para obrigarem algo. Segundo, eu não acho que um diploma defina uma pessoa. – Mantenho meus olhos fixos no seu. – Terceiro, se você fizer novamente isso – aponto para onde ele estava – Eu irei tomar uma atitude que você não irá gostar. – Dou dois tapinhas em seu ombro e me afasto. – Espero que você mantenha seu marido longe de mim e que cuide de você mesma. – encaro Sophie. – Se ele não é capaz de controlar sua raiva quando algo não sai do jeito que ele quer, o que ele pode fazer com você, não é mesmo? – Eu não queria que a conversa chegasse nesse ponto, porém, tinha sido inevitável.
Lentamente eu me retiro da sala e vou para o meu quarto. Chegando lá, eu fecho minha porta automaticamente antes de finalmente desabar.
Desde que Sophie chegou a Londres eu não entendia a obsessão dela para que eu fosse para a faculdade, ou de eu ter que fazer as coisas que nossos pais mandassem.
Todas as conversas que tivemos até agora se tornaram discussões no final e eu estava ficando no meu limite próximo. Nem Madison, que costumava me atormentar por conta do meu desleixo, tentava mudar minha opinião. Ela apenas ficava lá, observando tudo o que acontecia a minha volta sem se meter.
Eu não era uma pessoa que demonstrava fraqueza na frente dos outros. Não. Não importa o que as pessoas falam, eu me mantenho firme nos meus pés fazendo com o que ninguém percebesse o quão ruim suas palavras poderiam soar.
Minha autodefesa e controle eram ótimo em momentos como esse. As pessoas costumam pensar que eu não me abalo fácil, mas elas estão enganadas, pois eu costumo guardar tudo dentro de mim.
Eu não tinha conseguido digerir tudo o que Sophie tinha me dito no café da manhã do dia anterior e suas palavras tinham sido suficientes para me atormentarem mais um pouco.
Eu não estava acostumada em ver minha irmã dessa maneira.


***


Todas as brigas me fizeram correr para fora do hotel e ir para os braços dos meus amigos.
Eu não queria que meu dia terminasse de maneira tão melancólica, afinal tinha sido muito legal sair nessa manhã com e eu não queria deixar a briga com a minha irmã estragar o meu humor. Por isso, decido me reunir com meus melhores amigos e manter um bom humor pelo resto do dia.
– O que se passa com você? – agita sua mão no meu rosto, para chamar minha atenção.
Antes de sair do hotel eu tinha mandado uma mensagem para perguntando se ele estava em casa e se havia algum problema de eu ir até lá e chamar .
Prontamente, me respondeu e pediu para que eu fosse pra lá.
– Pensando. – Dou um sorriso para ele. Eu ainda estava meio dispersa.
– Você tem feito muito disso ultimamente. – Sua voz soa um pouco preocupada. – Isso é sobre a audição? – me pergunta.
– Também. – Solto um suspiro. Eu não queria preocupar nesse momento. – Mas não quero falar sobre isso. – Sorrio.
– É por isso que você veio para minha casa? – pergunta, desconfiado. – Foi Sophie, não é mesmo? – sabia me ler perfeitamente.
– Sim. – Dou um sorriso triste.
– Não entendo porque ela está incomodando você. – Concordo com ele.
– Eu também não. – Dou de ombros. – Podemos não falar sobre isso hoje? – pergunto.
– Quando você se sentir pronta para falar, eu estarei aqui. – balanço minha cabeça positivamente e o abraço.
– Se eu não conhecesse vocês dois, diria que ambos estão flertando. – A porta da casa de se abre, revelando com diversas sacolas na mão.
– Assim você me mata do coração! – Rapidamente me afasto de e coloco a mão no meu peito.
– Se vocês queriam privacidade era só ter fechado a porta. – passa por mim, revirando os olhos, e vai ajudar com as sacolas.
– O que é isso tudo? – Meu melhor amigo pergunta, desconfiado.
– Quando me mandou mensagem mais cedo falando para vir até aqui eu sabia que alguém estava na fossa. – Reviro meus olhos.
Sim. Existem algumas pessoas que conseguem me ler muito bem, e duas delas estavam nessa sala.
– O que você trouxe? – Me levanto e corro para o seu lado.
– Sorvete, chocolate. – ela fala, conforme olho nas sacolas. – Tudo o que eu sei que não tem em casa. – implica.
– Eu sou uma pessoa saudável. – se defende.
– Até demais. – Reviro meus olhos, os dois amavam se provocar.
– Podemos comer isso agora? – Abro um sorriso enorme.
– Que tal assistindo um filme? – olha para mim empolgada.
– Vou arrumar a sala. – coloca as sacolas em cima do balcão e vai para sala.
Ele era uma pessoa muito organizada, então não era nenhuma surpresa ele querer organizar a sala para a nossa pequena festa de lamentação.
– Você vai me falar o que aconteceu ou estou sendo intrometida? – cochicha ao meu lado.
– Sobre o que você está falando? – Pergunto, um pouco confusa.
– Você me chamou até aqui, geralmente ficamos no hotel. – Reviro meus olhos.
– Sophie está em casa. – Eu não tinha falado com a semana toda, então eu não sabia se ela tinha noção de que minha irmã do meio estivesse em Londres.
– Sophie? – Ela parecia surpresa. – Você adora Sophie! – Minha amiga me encara, confusa.
– Eu amava a versão antiga de Sophie, não a nova. – Começo a me sentir chateada novamente.
– Como assim? – me pergunta.
– Que tal não falar sobre isso? – interrompe nossa conversa. – nos reuniu com um propósito, não vamos deixá-la chateada. – Sorrio para e faz uma careta.
– Deve ter sido algo grave. – Ela ignora as palavras de . – O que Sophie fez para você? – me pressiona.
... – a repreende.
– Tudo bem. – Dou um sorriso sem graça para eles. – Acho melhor falar sobre isso agora, não é mesmo? – Pressiono meus lábios um no outro.
– Tem certeza? – me olha com cuidado.
– Sim! – Sorrio para ele e me sento em uma cadeira. – Por onde você quer que eu comece? – pergunto para .
– Do começo! Resumidamente, por favor! – Concordo.
– Certo! De forma reduzida. – Penso nas palavras que eu poderia usar para resumir a história. – Sophie apareceu de repente em Londres e, incrivelmente, tem me perturbado para entrar na faculdade. – Explico. – Não só ela como Derek vieram com lição de moral, dizendo que eu envergonho a família com os meus fracassos em busca de me tornar cantora. – Não existia outra forma de explicar o que tinha acontecido.
Na realidade, até agora eu não tinha entendido a necessidade deles brigarem comigo.
– Sophie sempre apoiou você. – fala de repente. – Você tem certeza de que ela usou essas palavras? – ela pergunta.
– Sim! – falo.
– Não consigo acreditar que Sophie faria isso, mas tudo bem. – ainda parecia não acreditar. – As pessoas mudam, afinal. – Um silêncio se instala por um momento.
– Por que não mudamos de assunto? – bate levemente na minha perna. – Você poderia falar para nós o motivo de ter saído com e não ter avisado para ? Você a deixou sozinha. – Rapidamente, muda de assunto e foca no fato da minha amiga ter praticamente me abandonado na inauguração da boate de .
– Eu estava bêbada. – se explica. – E não é como se eu tivesse deixado sozinha, ela tinha você e . – Reviro meus olhos.
Eu amava minha amiga, mas existiam momentos como esse que ela virava uma pessoa um tanto quanto egoísta.
– Tudo bem! Não vou ficar cobrando algo de você. – Solto um suspiro. – Mas lembre que a primeira e única vez que fiz isso, você não falou comigo por um mês. – Eu não costumava brigar por isso, afinal, eu já tinha me acostumado com fazendo isso diversas vezes comigo. Porém, às vezes, eu ficava de saco cheio.
– Não seja tão exagerada! – Ela se levanta da cadeira, sorrindo. – O importante é que eu me acertei com . – Bufo.
– Vocês voltaram? – Faço uma careta.
– Quase isso! – realmente parecia empolga ao partilhar sua recente volta. – É meio complicado, já que em breve ele vai para Los Angeles. – Ergo minha sobrancelha.
– E então terminar com você quando chegar lá. – se levanta e começa a pegar as coisas de cima da mesa para organizar.
– Dessa vez é diferente! – Fecho meus olhos e me esforço para não falar nada.
– Se você acha. – Sorrio para ela, apesar de querer dar na porrada nela por estar sendo trouxa de novo.
– Ele não é tão ruim assim. – se explica por . – Talvez eu tenha exagerado um pouco quando reclamei dele. – Minha amiga pega minha mão. – Imagina o quão interessante seria eu, você, ele e saindo juntos. – solta um suspiro sonhador.
– Isso não vai acontecer. – Tiro minha mão da dela, delicadamente.
– Não diga isso! – revira os olhos. – Tenho certeza de que você vai ceder. – Bufo.
– Se eu ceder ou não, não quer dizer que vou sair por aí com ele. – Sorrio para e me levanto para ajudar .
– A não ser que você já esteja compromissada. – Ela solta de repente e eu paraliso rapidamente.
– O que você quer dizer com isso? – pergunto.
– Acho que vocês dois estão juntos, mas não falam nada porque não querem que eu fique com ciúmes. – Imediatamente eu olho para e começamos a rir juntos.
– Acredito que você tenha uma mente bem fértil. – se aproxima de e bagunça seu cabelo. – Você acha que se fosse para nós dois ficarmos juntos, isso não teria acontecido antes? – ele pergunta.
– Bom... Antes tinha Eileen. – Meus olhos encontram o chão rapidamente e sai da cozinha.
Nós não falávamos sobre Eileen desde o fatídico dia do acidente que tirou sua vida.
– Você não devia ter dito isso. – Suspiro.
– Foi sem querer. – sorri docemente para mim. – Já faz quatro anos, não entendo como vocês dois não superaram. – Prendo minha respiração com suas palavras.
– Não vamos falar sobre isso. – Passo a mão pelo meu cabelo. – Eu vou ver como ele está. – Aponto para o caminho que fez. – Espere aqui! – Dou um sorriso amarelo para ela.
Eu sabia que não tinha feito por mal, mas falar sobre Eileen era tocar em uma ferida não cicatrizada. Acredito que não importe o tempo que passe, o vazio que eu e sentimos apenas em ouvir o nome de Eileen nunca irá passar.
Eileen Wilson foi minha amiga desde que eu tinha dez anos e namorada de por quatro anos. Ela era a pessoa mais doce que eu conheci em toda a minha vida, para ela não existiam momentos ruins. Eileen costumava nos dizer que tudo fazia parte de um plano e que todos nós tínhamos um destino traçado.
Foi em uma noite chuvosa, depois de uma apresentação que nós fizemos, que tudo mudou.
Lembro que naquela noite tinha voltado para casa com sua mãe.
Eileen e eu fomos para casa com o pai dela, pois naquele dia eu dormiria por lá, afinal, meus pais tinham viajado para uma terceira lua de mel e eu não queria ficar sozinha em casa.
Nunca na minha vida eu imaginaria que aquela apresentação teria sido a última que eu faria com Eileen e que os sonhos da minha melhor amiga seriam interrompidos.
À exatas dez horas da noite, um carro colidiu de frente com o nosso, causando instantaneamente a morte da minha melhor amiga e de seu pai.
Eu fiquei aproximadamente dois meses em coma e, quando acordei, não me lembrava de nada sobre o acidente. Quando perguntei sobre Eileen e seu pai, recebi a triste noticia.
tinha ficado fora de si e comigo não foi muito diferente.
... – Eu bato delicadamente na porta, apenas para ele saber que eu estava entrando.
– Oi. – Sua voz soa fraca.
– Sinto muito. – Eu vivia para me desculpar pelos descuidos de . – Você sabe como é – sussurro. – Ás vezes ela se esquece de filtrar as palavras. – Ele ri suavemente.
– Eu sei disso. – me encara. – Eu realmente não queria ficar triste. – Solto um suspiro.
– É meio difícil. – Faço uma careta. – Eu sempre fico triste quando ouço o nome dela, apesar de saber que se Eileen estivesse viva ela estaria chutando minha bunda. – nós rimos.
– Se ela estivesse viva, nós não estaríamos triste. – Concordo com .
– Verdade. – O abraço. – Talvez nós devêssemos rever nossas atitudes para que onde ela esteja não se sinta triste também. – Confesso.
– Eu realmente a amei. – suspira na minha frente. – Às vezes eu acho que não vou ser capaz de ter aquele tipo de amor – ele desabafa.
– Você tem razão – digo lentamente. – Você não será capaz de amar daquele jeito, pois sempre amamos de maneira diferente – explico.
– Eu não sei! – desfaz o abraço.
– É normal você se sentir assim, ela foi seu primeiro amor. – Sorrio para ele. – Independente de quem você amar depois dela, ela sempre vai ser a primeira. – Suspiro. – Mas se você se abrir, você vai ter o segundo, terceiro e assim por diante, até achar uma pessoa que complete você. – Geralmente eu não era boa em conselhos, então esperava estar fazendo um bom trabalho no momento.
– Droga! – fala rapidamente. – Nós nos encontramos para fazer você ficar feliz e agora você está aqui me consolando. – Solto uma risada.
Eu realmente não me importava por estar consolando . Na realidade, eu me sentia aliviada por ele estar me falando mesmo que brevemente o que estava sentindo.
– Não se preocupe com isso. – Acaricio sua mão. – Você sabe que pode contar comigo para sempre. – Pisco meus olhos para ele.
– Assim como você pode contar comigo. – me encara.
– Promete? – pergunto e ergo meu dedo mindinho para ele.
– Sempre. – Ele sorri. – Só falta selar. – encosta seu dedo polegar no meu, delicadamente.
– Agora estamos presos um no outro. – Pisco lentamente.
– Sempre tivemos. – bagunça meu cabelo. – Agora vamos voltar pra sala, garanto que está subindo pelas paredes nesse momento.
– Verdade. – Me levanto de sua cama, rindo, e abro a porta apenas para pegar pulando.
– Desculpe! – Ela nos encara. – Eu realmente não queria ouvir atrás da porta. – solta uma risada.
– Você e sua curiosidade. – Ele passa por nós, ainda rindo. – Vamos! Vamos assistir alguma coisa e comer as coisas que trouxe. – nos chama para a sala, porém, me para no caminho.
– Está tudo bem, certo? – Ela me pergunta de repente.
– Sim. – Mexo minha cabeça. – Apenas não fale mais sobre ela. – Peço delicadamente.
Eu sabia que ela não tinha feito por mal, mas às vezes sua falta de filtro realmente magoava as pessoas à sua volta.
Ela sabia o quão traumático o acidente tinha sido, apesar de eu não me lembrar de nada depois da batida. Porém, eu sempre tive esse sentimento de horror todas as vezes que alguém mencionava aquela noite.
– Vocês estão esperando um convite formal? – grita da sala e eu puxo pela mão.
Apesar de ter deixado o assunto morrer, eu sabia que por dentro ele estava sofrendo, porém, a necessidade que ele tinha de me deixar feliz era posta por cima dos seus sentimentos e eu não gostava de como isso soava.

Capítulo Nove

Há muito tempo eu tinha decido que era uma pessoa que merecia ser protegida. Ele era meu melhor amigo e vê-lo triste me deixava triste também.
Assim que terminamos de ver o primeiro filme, tinha nos dito que teria que ir embora, pois tinha um encontro com . Eu tinha medo de que ela fosse se machucar novamente por conta das babaquices que tinha feito no passado com ela, porém eu sabia que era um caso perdido, e mesmo eu tentando ser uma boa amiga, parecia não me escutar muito bem.
– Agora que foi embora, o que iremos fazer? – pergunto, sem ideias, para .
– Podemos assistir a outro filme. – Ele bagunça meu cabelo.
Na realidade, tinha essa mania horrorosa de viver bagunçando o cabelo das pessoas próximas a ele.
– Ou podemos fazer algo que irá deixar nós dois felizes. – digo de repente.
– E o que seria? – me encara, curioso.
– Podemos ir fazer compras! – Bato minhas mãos uma na outra e pulo empolgada.
– Sei não. – Ele parecia analisar a situação.
– Vamos! – Faço uma voz chorosa, tentando persuadi-lo.
– Ok. – Depois de pensar por um momento, concorda comigo e dá o melhor sorriso.
– Você não devia sorrir desse jeito. – Faço um beicinho.
– Por quê? – faz uma careta.
– Chama muita atenção. – Finjo olhar para os lados e começo a rir da cara que faz.
– Idiota. – Ele se levanta do sofá.
– Isso magoa meu coração. – Coloco minha mão em cima do peito.
– Vou me arrumar. – me encara e revira os olhos para a bagunça que estava na sala.
– Eu arrumo isso enquanto você se arruma. – Me levanto rapidamente e começo a recolher as coisas de cima da mesa.
não precisava de muito para se arrumar. Digo, o cara era dono de uma beleza incrível e não precisava de muito para ficar bonito, além de ser dono do melhor sorriso que eu conhecia. também tinha esse brilho natural em volta dele que deixava todo mundo bem, nunca deixava transparecer suas dificuldades, ou o quanto estava mal e exausto por conta da sua busca interior por perfeição.
costuma esconder bem seus sentimentos, e talvez por sermos amigos por tanto tempo eu saiba ler esses momentos. Eu o amava tanto que chegava a doer, tínhamos essa amizade maravilhosa, e passamos por tantos momentos, bons e ruins, que eu apenas queria guardá-lo em um potinho e não deixar o mundo a sua volta magoá-lo novamente.
– Estou pronto! – de repente brota na sala, me pegando desprevenida.
– Você me assustou. – Coloco a mão no peito para sentir as batidas frenéticas do meu coração.
– Desculpe. – Ele rapidamente se aproxima e me abraça. – Não foi minha intenção.
– Tudo bem! – Minha voz soa abafada, afinal, minha cara estava praticamente enterrada em seu peito. – Agora me largue. – Me afasto dele rapidamente.
– Eu tento aproveitar seus momentos fofos. – Ele pisca para mim. – Vamos! – vai até a mesinha e pega sua chave.
– Mais eu ainda não terminei de arrumar. – Encaro a sala, ainda bagunçada.
– Deixe! Eu arrumo quando voltar. – Ele caminha até mim e me puxa pela mão. – Você acha que ainda consegue comer alguma coisa? – Me pergunta.
– Você está brincando? – Me sinto ofendida com a sua pergunta, afinal, comer nunca era o de menos.


***


Assim que entramos no carro, foi dirigindo com a maior tranquilidade até o shopping da cidade. No caminho nós dois conversamos sobre diversos assuntos e ele acabou me contando algumas coisas que tinham acontecido recentemente na boate que tinha sido inaugurada.
A mãe de nunca tinha aceitado realmente a carreira que ele havia construído em torno das casas de show. Na realidade, ela acreditava ser uma afronta a tudo o que acredita e que deveria acreditar, porém, ela vinha mudando muito seus pensamentos em torno disso, e passou a frequentar as boates.
– Ela foi com um encontro dela no meu bar. – Começo a rir imediatamente, já imaginando onde isso levaria.
– E o que ela fez? – pergunto enquanto mudo a música que estava tocando.
– Minha mãe bebeu todas. – Coloco a mão na boca para tentar abafar o som das minhas risadas. – Um dos meus funcionários me ligou e falou que minha mãe estava bêbada, assim como seu namorado. – Arregalo meus olhos quando ouço a última palavra.
– Espera! – O encaro. – Você disse que era um encontro! – digo, chocada.
– Eu também pensei. – dá de ombros. – Você sabe como minha mãe é. – Ele me explica. – Imagina a minha surpresa quando descubro que ela estava namorando, e o pior, que os dois estavam bêbados no meu bar! – Fecho meus olhos, completamente desacreditada com a informação que acabara de receber.
– Ainda não acredito que sua mãe está namorando! – Imediatamente tiro meu celular da bolsa.
– O que você está fazendo? – me pergunta, sem tirar os olhos da rua.
– Vou mandar uma mensagem para sua mãe! – Começo a digitar.
– Não faça isso! – Ele pede. – Deixe que ela conte para você. – Sorrio.
podia ser um adulto, mas tinha medo da sua mãe.
– Não sei! – Bato com meu dedo no queixo. – Será que faço isso? – pergunto para mim mesma.
– Tudo bem! – se entrega. – Mande uma mensagem para ela. – Reviro meus olhos e faço exatamente isso.
Não demorou muito para que finalmente chegássemos ao shopping e assim que estaciona o carro nós dois vamos diretamente para a praça de alimentação.
– O que você vai querer comer hoje? – Ele para ao meu lado e pergunta.
Fico por um tempinho comtemplando o que eu deveria comer e decido por um hambúrguer.
– Podemos ter McDonald's hoje? – Abro um sorriso enorme.
– Claro! – e eu caminhamos até o local. – O que você vai querer? – ele me pergunta.
– Big Mac. – respondo.
– Olá! Bem-vindos. – Sorrio para o atendente. – O que vocês irão pedir? – ele pergunta.
– Dois Big Mac, por favor! – faz os pedidos.
– Coca-Cola? – o atendente pergunta.
– Uma coca e um suco de maracujá, por favor! – Antes mesmo de ouvir as palavras de eu já sabia o que ele iria dizer e começo a pronunciar com ele. – Porque equilíbrio é tudo. – Reviro meus olhos.
Enquanto paga a conta eu começo a procurar um local para que pudéssemos sentar. Ele tinha mania de não me deixar pagar por nada quando saíamos juntos, algo que me deixava muito irritada. Porém, como eu conhecia e sabia que ele podia ser a pessoa mais teimosa do mundo, parei de tentar convencê-lo a deixar que eu pagasse algo.
Eu gostava muito de ir ao shopping, muitas vezes eu ia para fazer compras, outras apenas para passear. Na maioria das vezes, apenas ficava em uma cafeteria próxima, aproveitando meu café e observando a movimentação. Sempre gostei muito de observar as coisas ao meu redor e ver como as pessoas agiam, pois eu acabava aprendendo muito sobre personalidade.
– Aqui está. – Desperto dos meus pensamentos com colocando a bandeja na minha frente. – Espero que você aprecie a gordura industrial muito bem. – Reviro meus olhos.
– Você reclama, mas ama comer essas coisas. – Eu sabia que vivia por não comer besteiras, mas às vezes em momentos como esse, abrir mão da boa alimentação valia a pena.
– Confesso que eu gosto, mas com moderação. – se defende.
– Às vezes é bom comer essas coisas. – Aponto para a bandeja. – Geralmente eu como apenas a comida do Pietro. – Não que eu estivesse reclamando, pois eu amava a comida do hotel.
– Não sei como você não se enjoa. – dá a primeira mordida em seu lanche.
– Ele vive mudando o cardápio. – Dou de ombros. – Então não há tempo para se enjoar. – Sigo seu gesto e mordo meu lanche. – Ai! – Solto um suspiro satisfatório. – Eu amo isso aqui – falo de boca cheia.
– Está sujo aqui. – limpa o canto da minha boca. – Às vezes você é tão desleixada. – Reviro meus olhos.
– Você me trata como criança. – resmungo.
– Apenas cuido de você. – estava mais relaxado do que quando estávamos em sua casa, o que me deixava feliz.
– Eu sei que cuida. – Mando um beijo para ele e tomo um pouco do meu refrigerante em seguida. – O que iremos fazer depois? – pergunto, deixando decidir.
– Não sei exatamente, foi sua ideia vir até aqui para fazer compras. – Claro que ele jogaria para que eu decidisse algo.
– Ok! – Tento pensar em algo. – Vamos comprar roupas para você! – Bato palmas, empolgada.
– Não! – começa a balançar a cabeça.
– Sim! – Repito seu gesto e começo a rir.
– Você não vai sossegar, não é mesmo? – me conhecia tão bem.
– Não preciso responder. – Volto a comer meu lanche calmamente.
Levamos o nosso tempo para terminar nosso lanche e talvez tenha sido tempo demais, pois a todo o momento parávamos de comer para conversar. Terminando nosso lanche eu recolho tudo e coloco na bandeja para poder jogar fora.
– Vamos passear! – falo de repente e me segue.
Caminhamos por alguns minutos por entre as lojas, e nada tinha chamado minha atenção. O shopping estava meio cheio hoje o que significava ter que ficar desviando das pessoas o tempo todo.
– Olha essa roupa! – Paro de repente assim que algo chama minha atenção.
– Legal! – fala, sem muito entusiasmo.
– Você poderia provar algo assim, não é mesmo? – Mordo minha boca.
... – ficava tão bonitinho quando estava envergonhado.
– Por favor? – Junto minhas mãos uma na outra e peço.
– Não sei! – Ele olha novamente e parece pensar um pouquinho. – Se bem que eu realmente acho que vai combinar comigo. – Solto uma risada.
– Qualquer coisa que você use combina. – reviro meus olhos e o puxo para dentro da loja. – A proposito as roupas que você usa durante seu expediente no bar? – me encara com uma cara engraçada, talvez ele soubesse que boa coisa não iria sair da minha boca. – Você deve usar mais. – pisco para ele.
– Você me vê como um objeto? – Ele sai de perto de mim, bufando.
– Ei! Me espere! – Praticamente corro atrás dele e dou um pulinho, para bater em sua cabeça. – Você sabe que não! – Me sinto ofendida.
– Eu só estava brincando. – massageia o local que eu bati. – É claro que você não me vê dessa maneira. – Ele sorri para mim.
– Olá! – Uma das atendentes se aproxima de nós, timidamente. – Posso ajudar em algo? – ela pergunta.
– Aquela roupa do manequim. – aponta para trás. – Quero saber se tem minha numeração. – Observo meu amigo se encostando de lado no balcão.
– Qual seria sua numeração? – A menina pergunta enquanto encara de baixo pra cima, completamente impactada.
Enquanto faz seus pedidos, ando pela loja para ver se não encontrava mais nada que combinasse com ele. Eu amava quando meu melhor amigo se vestia bem, na realidade ele sempre se vestia muito bem, mas tinha um estilo dele que eu amava mais. O estilo em questão era o que usava enquanto trabalhava no bar. Ele colocava seu cabelo para o lado e usava ternos que o deixavam completamente arrasador.
Qualquer garota se sentiria atraída por ele, juro! e eu tínhamos um gosto muito parecido, por isso separo algumas roupas que eu sabia que iriam deixá-lo interessado e vou até ele.
– Trouxe para você provar. – Entrego para ele uma seleção de blusas e até mesmo bermudas.
– Como sempre, exagerando. – brinca, mas pega todas as roupas que entrego para ele de bom grado.
– Apenas o melhor para o melhor. – Eu adorava deixá-lo sem graça. Talvez esse fosse um dos meus passatempos favoritos.
Espero pacientemente enquanto prova todas as roupas que eu tinha entregado para ele. Claro que todas as vezes que ele provava algo, saia do provador para que eu pudesse ver se a roupa estava boa ou não.
– O que você acha? – Ele dá uma voltinha e para na minha frente.
– Gostei! – Faço um barulho com a minha língua. – Na realidade eu gostei de todas. – Solto uma risadinha quando faz uma careta para mim.
– Então vou levar todas. – Ele volta para dentro do provador e, dois minutos depois, sai de lá com várias roupas no braço.
Se eu não conhecesse o gosto de diria que ele estava sendo exuberante em comprar tudo, mas o conhecendo, não ficava surpresa.
– Vamos? – Pego sua mão e vamos juntos até o caixa.
– Você sabe que acaba com todas as minhas chances de conseguir uma namorada, não é mesmo? – Imediatamente solto sua mão e ele ri. – Estou brincando! – segura minha mão de volta.
– Idiota! – Fico emburrada.
– Vai dizer que eu não seria perfeito para você? – Ele bagunça meu cabelo e sai como se não tivesse falado nada demais.
– Isso já passou pela sua cabeça? – pergunto assim que me recupero do que tinha acabado de ouvir.
– Claro que não! – revira seus olhos e eu bufo. – Você é minha irmãzinha.
! – O chamo. – Agora, mais do que nunca, você precisa namorar. – O provoco.
As pessoas a minha volta escutam o que eu falo e passam a encarar , principalmente as garotas.
– Ter você no meu pé já basta. – Solto uma risada.
– Vou arrumar uma namorada do meu gosto pra você. – Me aproximo dele e o empurro.
– É disso que eu tenho mais medo. – entrega o cartão para o caixa.
– Você duvida do meu gosto? – pergunto, levemente ofendida.
– Claro que não! – abro minha boca para falar, mas nada sai. – Eu acredito no seu bom gosto. – olha para mim sério por um momento antes de abrir o maior sorriso. – O problema seria você arrumar alguém como você, ai eu teria duas pessoas no meu pé. – Ele dá de ombros. – Acho que não daria muito certo. – pisca para mim.
– Ufa. – Coloco minha mão no peito. – Jurei que você não acreditasse em mim. – Ele passa seus braços pelos meus ombros.
– Ai que está, ! Eu sempre acredito em você. – Caminhamos abraçados para a saída.
– Acho bom mesmo. – era um pouco mais alto que eu, então tenho que olhar para cima para encará-lo.
– Você é tão bobinha! – Ele se vira para o caixa e sorri para a atendente, pagando tudo em seguida. – Vamos! Vamos arrumar algumas roupas para você. – Ele muda de assunto rapidamente e me puxa para o corredor do shopping.
Eu não lembrava o quanto provar roupas durante certo período de tempo era cansativo. Quando chegamos à casa de eu estava completamente exausta e com mais sacolas de roupas do que o necessário. Sabia muito bem que a primeira a falar sobre minhas compras excessivas seria Maddie, afinal, era ela quem controlava os meus gastos no mês.
Assim que estava devidamente descalça, praticamente me atiro no sofá e fico lá deitada enquanto prepara a comida para nós dois.
. – me chama.
– Uh? – O encaro por cima do sofá.
– Você poderia pôr a mesa? – Ele ergue sua sobrancelha e espera que eu levante do sofá, pacientemente.
– Percebeu que vivemos por comer? – Vou até a cozinha, rindo.
– Eu tenho que alimentar o seu monstro interior. – Reviro meus olhos.
Era verdade que eu não era dona do melhor humor quando estava com fome, mas dizer que tinha que alimentar o monstro dentro de mim era demais.
– Você não fica longe. – Bufo. – Sabemos que não se torna a melhor pessoa quando está com fome. – Solto uma risada ao ver sua fisionomia.
– Que exagero! – tenta parecer um pouco ofendido. – Você sabe que sou um anjo. – Finjo concordar com ele.
– Você é um anjo quando está dormindo – comento.
– Então você fica me assistindo dormir? – pergunta, divertido.
– O que eu posso fazer? – Dou um sorriso de canto. – Você fica adorável. Se eu pudesse compartilhar os vídeos que tenho você estaria famoso. – Jogo um beijo para ele.
– Como assim vídeos? – Ele se aproxima de mim. – Deixe-me ver! – Me segura, o que causa mais uma onda de risos vindas de mim.
– Se você se comportar eu prometo que mostro para você. – Solto um bochecho.
– Está cansada? – Ele se aproxima de mim e pega os copos, pois eu não alcançava.
– Um pouco. – Faço um beicinho.
– Você quer ficar aqui? – ele me pergunta.
– Posso? – Encaro-o, esperançosa.
Eu não queria ter que voltar para casa e lidar com minha irmã e seu marido.
– Não precisa nem de convite. – sorri para mim e coloca alguns acompanhamentos de sua mãe na mesa.
– Sinceramente? – Chamo a atenção de . – Eu não consigo me cansar da comida da sua mãe. – Abro um sorriso enorme.
– Você comeu isso ontem. – termina de colocar as coisas na mesa e me olha, revirando os olhos.
– Não vejo problemas nisso. – Dou de ombros.
– Vamos comer. – Ele aponta para a comida e eu não espero mais que isso para colocar as coisas no meu prato.
– Meu Deus! – Realmente a comida ficava cada vez melhor.
– Exagerada como sempre.
Terminamos de comer silenciosamente, e eu não tínhamos necessidade de falar o tempo todo, existiam momentos como esse que apenas sentávamos na frente um do outro e apreciávamos a comida silenciosamente.
... – O chamo, assim que termino de comer.
– Fala. – Ele me encara.
– Você lava a louça. – Pisco meus olhos repetidas vezes.
– Ok. – Sorrio enquanto balança sua cabeça negativamente.
? – O chamo novamente.
– Sim? – Ele me olha.
– Posso mesmo ficar? – Pergunto, indecisa.
– Minha casa é sua casa. – pisca seus olhos para mim. – Pode ir descansar, se você quiser. Eu termino tudo por aqui. – Concordo com ele e me levanto.
– Obrigada. – Agradeço por ele me deixar ficar e caminho para seu quarto.
Eu não queria que se sentisse desconfortável comigo em sua casa, ainda mais sabendo que ficaria na sala para que eu usasse seu quarto. Porém, essa era a coisa dele, sempre queria que eu ficasse confortável, e eu tinha certeza de que o convite para eu ficar em sua casa hoje era por conta do que tinha acontecido na minha casa mais cedo.
Antes de me ajeitar para dormir, checo novamente meu celular para ver se tinha recebido alguma mensagem e, como minha tela estava em branco, coloco meu celular novamente na mesinha e me aconchego ainda mais, fechando meus olhos.

Capítulo Dez

Fico um tempo observando dormir e espero pacientemente que ele desperte para que eu possa me despedir dele. No dia anterior nós não falamos muito sobre o assunto de Eileen, acredito que quando encerramos a conversa no quarto de , selamos o nosso silêncio sobre isso, porém, eu estava preocupada em como reagiria nas próximas semanas.
Nós dois sofremos muito com a nossa perda e dificilmente falávamos sobre o assunto, pois ainda machucava muito.
Depois do acidente, tanto eu quanto mudamos completamente nossa mente. , por exemplo, desistiu por completo da dança, ele me falou que todas as vezes que tentava praticar se lembrava de Eileen e isso doía demais. Foi uma perda para mim quando meu melhor amigo desistiu de algo que ele realmente amava, porém entendo perfeitamente seu desejo e irei esperar até o momento que ele se sinta confortável novamente para praticar.
Eu, por outro lado, mudei completamente minha vida.
Antes eu vivia para fazer o que meus pais desejassem, eu tinha uma vida vazia que era totalmente controlada por eles. O único momento que eu tinha de paz era quando eu estava dançando.
Claro que também comecei a sair muito, eu lembro que no momento mais difícil da minha vida eu vivia saindo com , bebendo todos os dias e quebrando todas as regras que meus pais um dia tinham imposto para mim.
Apesar de eu achar o máximo a liberdade recém–adquirida, eu acabei deixando muita coisa de lado, e quando despertei para isso quase que foi tarde demais.
Acredito que muitas gravadoras tinham receio de fechar um contrato comigo por eu viver nos holofotes. Depois de finalmente acordar pra vida e repor meus pensamentos, comecei a ser mais cuidadosa com o que eu fazia.
– Finalmente você acordou! – abro um sorriso enorme quando percebo que estava se despreguiçando.
– Que cheiro é esse? – ele me encara confuso.
– Antes que você ache alguma coisa. – corro até ele e o paro. – Fui até a padaria. – sorrio.
Eu tinha certeza de que ao sentir o cheiro de bacon, tinha despertado por medo de eu ter tentado fazer algo na sua cozinha.
– Desde que horas você está acordada? – ele me pergunta.
– Acho que faz umas duas horas. – pisco para ele. – Venha comer. – eu tinha preparado a mesa perfeitamente e tinha comprado tudo o que e eu costumávamos comer.
– Você comprou o café também? – assim que se senta ele encara a garrafa de café.
– O que você acha? – reviro meus olhos. – Na realidade eu levei a garrafa e pedi para eles encherem e cobrar o valor da quantidade. – eu realmente me sentia muito esperta.
– Era só você ter me acordado que eu fazia café para você. – bagunça meu cabelo.
– Você estava dormindo muito bem, não quis acordá–lo. – eu explico enquanto coloco café na minha caneca.
Sim. Eu tinha uma caneca especialmente para mim na casa dele.
– Ás vezes você tem umas ideias. – ele revira os olhos, mas parecia feliz com a minha iniciativa de preparar seu café da manhã.
– Eu sabia que se tocasse na sua cozinha novamente eu teria problemas. – me defendo.
Ele ainda não aceitava o fato de eu ter acidentalmente queimado uma toalha enquanto o ajudava a fazer comida. Acho que esse foi um dos motivos dele substituir seu fogão antigo e colocar um cooktop na cozinha.
– Nisso você tem razão. – observo preparar seu pão. – O que foi? – ele para de passar a manteiga e me pergunta.
– Depois daqui eu vou para casa. – solto um suspiro.
Independente de Sophie estar irritada comigo ou não, eu não tinha motivos para ficar fugindo do hotel como se o problema fosse meu, afinal aquele lugar não era mais o lar dela desde que a mesma se mudou para Nova York.
– Isso seria ótimo! – me encara. – Não que eu não goste de ter você aqui, mas acho que você não deve fugir. – ele dá um pequeno sorriso.
– Só acho chato o que tem acontecido. – suspiro. – Sophie tem estado no meu pé desde que chegou a Londres. – reviro meus olhos. – Pensei que seria divertido ter ela comigo aqui. – lamento.
– As pessoas mudam . – concordo com ele.
– Eu sei disso , porém Sophie mudou de um jeito que não entendo. – eu ainda não conseguia acreditar nas barbaridades que minha irmã tinha dito, muito menos nessa sua mudança drástica de personalidade.
– Nunca fui próximo de Sophie, mas eu realmente estou vendo essa mudança através de você. – semicerra os olhos. – Tem certeza de que nada está acontecendo com ela? – ele me pergunta.
– Não sei... – fico pensativa. – Ela não me deu espaço para conversar sobre ela. – explico. – Em um momento eu estava completamente feliz por ela estar de volta, e no outro ela estava me atacando com palavras. – dou de ombros.
– Se as coisas ficarem difíceis você pode ficar aqui. – eu sabia que independentemente da situação iria me apoiar.
– Até que sua casa é aconchegante. – pisco para ele e termino meu café. – Acho que está na minha hora. – encaro o relógio no meu pulso. – Me deseje sorte. – aperto com leveza seu ombro.
. – tira minha mão do seu ombro e a segura. – Se as coisas ficarem complicadas venha pra minha casa, nós damos um jeito. – solto um suspiro e concordo com ele.
– Obrigada! – me despeço rapidamente e vou pegando minhas coisas no caminho.
Eu realmente não tinha noção do que aconteceria quando chegasse ao hotel, e muito menos tinha ideia de quanto tempo Sophie pretendia ficar em Londres, a única certeza que eu tinha era de que eu não tinha como fugir de casa por muito tempo.
O trajeto da casa de para o hotel demora aproximadamente uma hora por conta do trânsito intenso. Nesse meio tempo eu recebo uma enxurrada de mensagens do meu irmão querendo saber onde eu estava e o motivo de eu não estar no hotel.
Se eu não conhecesse Alec, poderia jurar que algo estava acontecendo e o desespero dele para me ter no hotel era parte disso.
Assim que termino de ler todas as mensagens sem nexo do meu irmão, eu o respondo.


***


Quando o táxi se aproxima do hotel eu observo uma movimentação estranha em frente ao hotel, inicialmente pensei que tinha haver com e seus fãs novamente, porém assim que o taxi se aproxima da entrada noto que eu estava completamente errada.
O foco dos fotógrafos era nada mais nada menos que minha irmã e seu marido. Ambos estavam pousando na frente do hotel como se fossem o melhor casal do mundo e vivessem livres de preocupações.
Para evitar qualquer envolvimento com minha irmã e meu cunhado, assim que pago o taxista e desço do carro eu começando a andar para longe da entrada principal.
A entrada dos funcionários não era um local que eu usava com frequência, porém em situações como essa, era impossível não utilizá–la, portanto assim que consigo finalmente entrar no hotel eu começo a andar pelos corredores apressadamente para que eu pudesse chegar logo em casa, porém ao dar a volta no ultimo corredor eu dou de cara com uma Madison completamente furiosa em seu terninho preto.
Posso não ter o melhor relacionamento com a minha irmã, mas tinha que admitir que ela ficava poderosa em um terninho e com seus saltos matadores, e tudo isso combinava perfeitamente com a sua fisionomia assustadora.
– O que está acontecendo aqui? – pergunto confusa, ao me referir aos fotógrafos na rua.
– Aparentemente sua irmã e Derek. – Madison alisa seu cabelo para deixá–lo ainda mais preso no coque ela usava no momento. – Acharam uma ideia maravilhosa chamar fotógrafos para dar mais engajamento no hotel. – continuo a encarando, confusa.
– Pensei que quem cuidava do engajamento do hotel era você. – cruzo meus braços.
– Exato! – Madison estrala os dedos na minha cara. – Eles estão passando por cima das minhas ordens. – respiro fundo.
– Acho que eles voltaram para arrumar briga com todo mundo. – falo um pouco apreensiva.
– Tenho certeza de que eles estão tramando alguma coisa. – Madison era uma das pessoas mais desconfiadas que eu conhecia.
– Vai ver eles vão dizer que você não está qualificada para cuidar do hotel. – tento fazer uma brincadeira, porém poderia existir um quê de verdade nisso.
– Claro! – a voz de Madison soa debochada. – Eu vivo por esse hotel. – por um momento eu vejo um vislumbre de preocupação em seus olhos.
– Bom... – tento não ser tão ruim, mas eu era obrigada a plantar a dúvida em sua mente. – Aparentemente eles não vieram aqui apenas para me forçar a ir para a faculdade. – explico.
Desde que Sophie começou a arrumar briga gratuita com todos à sua volta eu comecei a pensar sobre a repentina vinda deles para Londres, e agora parecia que todas as peças do quebra–cabeça estava se encaixando finalmente.
Talvez os dois tenham vindo com um objetivo traçado, e talvez além da ideia de me forçar a ir para uma faculdade, eles tinham em mente tirar Madison da jogada.
– O que você quer dizer com isso? – Madison me pega pelo braço e me guia para o escritório.
– Olha... – cruzo meus braços assim que entramos no escritório. – Apesar de nós duas não nos darmos bem, não acho legal você ser passada para trás diante dos seus próprios olhos. – explico.
– Como assim, ? – percebo que Madison estava começando a perder a paciência.
– O que significa esses fotógrafos na nossa porta? Eles nunca ficam aqui, nem mesmo quando sabem que tem pessoas famosas hospedadas. – há muito tempo meu pai ameaçou processar todos os fotógrafos que ficavam no espaço do hotel. Então geralmente os fotógrafos mantinham uma distância segura, pois acredite ou não eles tinham medo do que meu pai poderia fazer.
– Você tem razão. – Madison se senta na cadeira do papai. – O que você acha que eles estão tramando? – fico surpresa por ela pedir minha opinião.
– Talvez eles queiram mostrar que tem poder. – dou de ombros. – Na realidade eu não tenho ideia do que eles querem. – eu ainda estava muito confusa com o que estava acontecendo ao meu redor.
– Tudo isso é muito estranho. – Madison parecia pensar por um momento. – Talvez eles realmente estejam aqui para tentar assumir o controle do hotel. – a encaro por um momento.
– Papai não daria o controle para alguém que ele não conhece, tenho certeza de que ele não passaria nada sobre as finanças do hotel para Derek. – apesar de o meu pai ser ganancioso, ele não entregaria o segredo do sucesso do hotel para alguém que acabou de entrar na família.
– Ele pode não fazer isso, mas Sophie sim. – Madison começa a mexer nas gavetas da mesa.
– O que você está procurando? – me aproximo da mesa e me inclino sobre essa.
– Papai sempre deixa um caderno de controle por aqui. – faço uma careta, afinal não era algo completamente seguro a ser feito.
– Ele não tem medo de que alguém entre aqui e pegue suas informações? – pergunto, afinal o escritório ficava no térreo do hotel.
– São informações falsas. – Madison me encara como se eu fosse idiota demais por acreditar que nosso pai fosse capaz de deixar informações sigilosas perdidas por ai.
– Ah! – solto um barulho. – E presumo que esse caderno não esteja ai, não é mesmo? – pergunto curiosa.
– Você tem razão! – Madison fecha todas as gavetas e me encara. – Espero que você não fale nada para eles. – ela me encara profundamente.
– Por que eu faria isso? – me sinto ofendida.
– Porque vocês duas são como unha e carne. – reviro meus olhos.
– Tudo o que ela fez até agora foi me repreender. – começo a explicar um dos mil motivos que eu tenho que não iriam me fazer abrir a boca para falar alguma coisa para o casal. – E eu não gosto de pessoas que querem passar a perna nos outros, mesmo que a pessoa afetada seja você. – cruzo meus braços.
– Suas palavras tocaram meu coração. – Madison tenta parecer afetada.
– O que você vai fazer? – geralmente eu não ficaria do lado de Madison, mas esse era um momento único na vida.
– Vou deixá–los pensar que as informações são verdadeiras. – ela me explica.
– E se eles divulgarem? – pergunto preocupada com a possibilidade de isso afetar o hotel.
– Eles não seriam burros. – Madison bate a mão no queixo. – Vamos deixar as coisas desse jeito. – ela fala.
– E o que você vai fazer com os fotógrafos lá fora? – pergunto.
– Provavelmente a sessão fotográfica dos dois já deve ter acabado. – Madison fala. – Não posso fazer nada contra os fotógrafos, já que aparentemente eles foram convidados a entrar. – ela me explica.
– Então vou seguir minha vida e deixar você cuidar de tudo. – sorrio para ela.
Eu realmente não queria me envolver nesse assunto, muito menos estar por perto quando a bomba estourasse.
– Faça isso e suas finanças continuaram controladas. – reviro meus olhos.
Madison tinha acesso a tudo que eu gastava nos meus cartões, provavelmente ela já estava ciente da minha recente compra.
– Obrigada. – agradeço, mesmo não precisando, afinal tudo isso fazia parte do nosso acordo de boa convivência.
Madison e eu tínhamos um acordo de convivência. Era ela quem cuidava dos meus gastos, e na maioria das vezes ela não passava metade do que eu gastava para os meus pais, a não ser quando eles a questionavam, porém Madison justificava meus gastos como gastos estéticos, e meus pais pareciam aceitar perfeitamente essa desculpa.
Na realidade além do nosso acordo de convivência tínhamos um acordo do qual ela não reportava meus problemas e em troca eu deixava ela livre para lidar com os assuntos do hotel sem me meter. Era uma boa moeda de troca, afinal eu não queria ter nada a ver com o hotel e Madison queria o controle absoluto, então enquanto eu estivesse recebendo meu dinheiro e meus pais não soubessem com o que eu gastava, eu estava feliz.
Depois da minha breve conversa com Madison eu caminho um pouco cabisbaixa até o elevador que daria para a cobertura, a súbita vontade de não querer voltar para o meu apartamento apareceu novamente, então decido mudar meu caminho e ir até o salão de dança.
Abrindo a porta do estúdio não fico surpresa em encontrar lá novamente. Ele estava mais presente no estúdio nos últimos dias, e só assim eu pude ver o quanto ele levava a sério a dança.
– Olá! – anuncio minha entrada para que ele não se assustasse.
. – ele para de dançar imediatamente. – Não vejo você desde o nosso passeio. – fico um pouco acanhada.
– Tive algumas coisas para resolver. – me escoro na porta. – Deu tudo certo depois que você deixou a cafeteria? – pergunto.
– Sim! – parecia empolgado. – Foi legal interagir com meus fãs. – balanço a cabeça e caminho e sua direção.
– Pensei que você ficaria desconfortável. – por um momento eu tinha pensando que entraria em pânico.
– Não posso reclamar, as fãs foram pacientes. – ele dá de ombros.
– Você estava rodeado delas. – começo a rir.
– E você estava sentada em uma mesa bebendo café como se nem me conhecesse. – ele tenta parecer ofendido.
– Eu disse que se você fosse descoberto eu sairia correndo e o deixaria para trás. – solto uma risada. – , você tem sorte de eu ter ficado para trás pra observar a situação. – reflito.
– Fiquei surpreso quando você não correu. – ele se senta no chão e bate para que eu sentasse ao seu lado.
– Alguma coisa aconteceu depois? – pergunto curiosa enquanto caminho para me sentar ao seu lado.
– Eu diria que nada de interessante. – me explica. – Mais queria agradecer pela companhia de ontem. – ele começa a falar. – Eu realmente me diverti. – balanço minha cabeça concordando com ele.
– Eu também me diverti. – dou um sorriso para ele. – Foi interessante comer comida de feira. – faço uma observação.
– Nunca tinha feito isso? – me pergunta.
– Não! – mexo minha cabeça. – Minha mãe sempre teve preconceito com essas coisas. – explico.
– Você foi criada em uma redoma? – parecia surpreso com as minhas palavras.
– Quase isso. – solto um suspiro. – Eu realmente tive uma criação diferente. – não lembro realmente de nenhum momento ao ar livre com a minha família toda reunida.
– É um pouco triste. – me encara.
– Como foi a sua infância? – pergunto curiosa.
– Eu nasci em Londres, sabia? – arregalo meus olhos com a informação.
– Sério? Pensei que você era americano. – eu realmente não sabia nada sobre .
– Meu pai é americano. – ele explica. – Vive em Londres até os meus dois anos, depois nos mudamos para Los Angeles. – balanço minha cabeça absorvendo a informação.
– Então você viveu de forma despretensiosa até decidir ser cantor? – pergunto.
– Eu tive uma infância e adolescência normal. – solto uma risada.
– Deve ter sido uma boa infância e adolescência. – falo.
– Verdade! – concorda. – Quando eu era mais novo, meus pais e eu vivíamos na praia.
– O que seus pais fazem exatamente? – soou um pouco intrometida.
– Meu pai é surfista profissional, na realidade hoje ele é aposentado e dá aulas para crianças carentes. – abro minha boca, surpresa.
– Isso é tão legal! – eu realmente tinha achado legal essa iniciativa.
– Sim! – parecia orgulhoso demais. – E minha mãe tem uma loja de roupas. – ele complementa.
– No ramo do surfe, certo? – arrisco.
– Sim! – ele concorda rindo.
– E você acabou sendo cantor. – continuo rindo.
– Quando eu era mais novo participei de várias competições de surfe. – explica.
– Típico de quase todo californiano. – digo.
– Você tem razão, muitos surfam. – ele explica. – Mais eu realmente levava muito a sério as competições. – eu podia sentir o orgulho vindo de .
– E como você escolheu a música? – pergunto.
– Eu aprendi a tocar violão muito cedo, meu pai tocava e me ensinou. – ele parecia nostálgico. – Comecei a gostar de música nesse momento. – o encaro, fascinada por sua história.
– Isso é legal. – o empurro de lado.
– E você, quando decidiu que amava a música, ? – solto um suspiro e penso quando realmente começou meu amor pela música.
– Eu sempre dancei e para ser sincera nunca pensei em mim como cantora. – por muito tempo eu apenas me dediquei a música, foi lá pelos meus quinze anos eu acho que comecei a pensar na música. – Acho que foi depois de assistir as meninas do Little Mix que me interessei pela música. – explico.
– Sério? – realmente parecia surpreso.
– Sim! – balanço minha cabeça positivamente.
Cantar nunca esteve nos meus planos até a minha adolescência chegar. Por muito tempo eu apenas participava de competições de dança e aquilo bastava para mim, porém quando eu me envolvi com a música, eu me senti completa pela primeira vez na minha vida.
Até então participar de competições bastava, mas depois eu fui ficando cada vez mais ambiciosa e me envolvi com a música também.
– Engraçado! Eu podia jurar que você cantava desde pequena. – me encara.
– Não! – eu digo. – Comecei a cantar faz mais ou menos uns quatro anos. – tento fazer as contas.
– Mesmo assim é bastante tempo. – ele afirma.
– Depende do ponto de vista. – tento me expressar da melhor forma possível. – Eu conheço pessoas que tiveram anos de preparação antes de se tornarem cantoras. – eu realmente tinha conhecido muita gente do ramo musical, muitas dessas pessoas se prepararam anos para uma estreia.
– Acho que isso é muito relativo. – fala. – Realmente tem pessoas que levam anos se preparando, mas tem aquelas que já nascem com o talento. – concordo com ele.
– Verdade, porém muitas vezes pelo fato dessas pessoas serem novas demais não conseguem continuar com uma carreira. – ergo minha sobrancelha.
– Você tem opiniões fortes, . – solto uma risada.
– Eu gosto das minhas opiniões fortes. – pisco para ele.
– Eu também, mas só porque você sabe respeitar a opinião dos outros, mesmo quando elas não condizem com a sua. – franzo meus lábios.
– Obrigada! – eu não sabia o que realmente falar para ele, então apenas agradeço.
– O que você vai fazer amanhã? – mudo de posição e me sento de frente para .
– Até aonde eu sei, nada. – cruzo minhas pernas e apoio minha mão no rosto.
– Quer treinar? – me pergunta.
– Acho que não seria tão ruim assim. – eu realmente precisava treinar.
– Temos um acordo? – ele estende a mão para mim.
– Espero que você esteja disposto a acordar cedo. – balanço minha sobrancelha.
– Para dançar? – ele me pergunta. – Sempre. – reviro meus olhos.
– Amanhã, as oito. – me levanto do chão.
– Aonde você vai? – me pergunta, confuso.
– Para casa. – respondo rindo. – Tenho algumas coisas para resolver. – dou uma piscadela e me despeço dele.


***


Passar um tempo com parecia cada vez mais perigoso, mas estava sendo interessante demais. Eu sabia que esse gesto poderia me trazer diversos problemas, porém enquanto estivéssemos apenas interagindo dentro do hotel, não haveria problemas, claro que eu estava sendo extremamente cuidadosa com todo tipo de interação que eu tinha com , pois apesar dos hóspedes serem instruídos delicadamente a não falarem sobre nada do que acontece dentro do hotel, sempre tem um e outro que comenta as coisas e meu maior medo era de que as pessoas soubessem que e eu nos conhecemos, e começassem a tirar conclusões precipitadas sobre nós.
Eu realmente não tinha nenhum interesse em , mas eu estava começando a gostar da companhia dele, então eu só podia torcer para que ninguém descobrisse sobre esses momentos na sala de dança, para que eu pudesse aproveitar o máximo.

Capítulo Onze

Assim que saio do salão de dança, caminho lentamente para pegar o elevador e ir para o apartamento, porém no meio do caminho noto ao menos duas funcionárias chorando em um canto. Eu não sabia muito bem o que estava acontecendo em torno do hotel, mas eu podia sentir a tensão exalando de todos os funcionários desde o momento que cheguei.
Eu tinha dito para mim mesma que jamais iria me meter em assuntos relacionados ao hotel, porém ao encontrá–las chorando, decido me aproximar.
– O que está acontecendo? – eu não sabia o nome de todos os funcionários, então encaro o crachá para saber de quem se tratava.
– Por que a pergunta? – Katherine, a funcionária, me encara furiosa. – Vocês sempre se acham os donos da razão. – a encaro, confusa. – O que adiantaria eu falar sobre o que está acontecendo? – fico um pouco assustada por ser atacada inesperadamente.
– Desculpe! Mas eu realmente não sei o que está acontecendo. – a senhora ao lado de Katherine bufa.
– Como se você fosse muito diferente da sua família. – a senhora começa a falar. – Vocês nos tratam com frieza, e na primeira oportunidade nos demitem! – fico boquiaberta.
Não fazia muito tempo desde que eu tinha falado com Madison, e não acredito que depois da nossa conversa ela teria tempo para demitir as pessoas.
– Acho que ocorreu um equívoco. – tento falar.
– Que equívoco? Fomos chamadas de uma hora pra outra e simplesmente demitidas, sem nenhum aviso! – infelizmente eu não poderia ajudar quando o assunto era demissão, mas poderia descobrir o que estava acontecendo.
Eu iria quebrar minha promessa sobre não me meter nos assuntos do hotel, apenas porque eu realmente não conseguia ver uma injustiça acontecendo diante dos meus olhos.
– Por favor! Esperem aqui. – peço com gentileza.
– Acho que já fomos humilhadas o suficiente. – a senhora agarra a mão de Katherine e as duas saem de perto de mim.
Sem saber o que realmente fazer eu começo a procurar por Madison, minha irmã podia ser várias coisas, mas ela não era uma pessoa que quebrava suas promessas facilmente.
Há muito tempo quando concordamos que eu não me envolveria nos negócios do hotel, eu a tinha feito prometer que só iria demitir pessoas quando não houvesse alternativas, e nesse caso eu sabia muito bem que não existia nenhum problema com finanças para demitir duas funcionárias repentinamente.
– Madison! – eu praticamente abro a porta do escritório furiosamente, mas fecho com delicadeza ao encontrar Alec e Sophie no local. – O que está acontecendo aqui? – pergunto confusa, olhando diretamente para Alec.
– Não me olhe assim! – Alec ergue os braços. – Eu fui chamado de repente. – reviro meus olhos, mesmo que Alec soubesse o que estava acontecendo ele não falaria nada, afinal ele faz aquilo que convém a ele.
– Então...? – encaro Sophie e noto que Madison não estava no escritório. – Onde está Madison? – pergunto.
– Por que esse súbito interesse nela? – Sophie estava sentada na cadeira do papai.
– Do mesmo jeito que estou interessada nela eu quero saber o que você está fazendo aqui. – aponto ao redor do escritório.
– As coisas estão mudando. – solto uma risada desacredita com as palavras de Sophie. – Não acho engraçado! – ela se inclina sobre a mesa. – Eu queria falar com Alec a sós, mas como você chegou acho que posso inclui–la na reunião. – cruzo meus braços e espero que ela continue a falar. – Apenas temos que esperar Derek chegar. – bufo.
– O que você está fazendo Sophie? – pergunto irritada. – Isso nunca foi do seu feitio. – eu ainda não conseguia encontrar palavras para descrever essa mudança abrupta de Sophie. – E desde quando Derek tem acesso ao escritório do papai? – pergunto.
– Desde o momento em que estamos tomando conta do hotel na ausência dele. – arregalo meus olhos e eu podia jurar ter ouvido um palavrão saindo da boca de Alec.
– Desculpe? – pergunto sem entender o que estava acontecendo.
– Quero contar algo engraçado para vocês dois. – Sophie ergue sua sobrancelha perfeitamente desenhada. – Não éramos apenas nós que quebrávamos as regras, aparentemente Madison fazia isso melhor que ninguém. – inclino minha cabeça para o lado, a fim de ouvir melhor as barbaridades que Sophie estava falando.
– O que você quer dizer com isso? – Alec se senta na cadeira que ficava de frente para a mesa do nosso pai.
– Ela tem um caso com um dos nossos funcionários. – Sophie solta uma risada. – Na realidade faz muito tempo que eles estão juntos. – bufo tentando não deixar meu choque transparecer com a notícia de que Madison tinha um relacionamento e que era com um funcionário do hotel.
– Como se você nunca tivesse tido algo com um dos nossos funcionários, ou você se esqueceu de que esse era um dos seus passatempos favorito? – minha voz soa sarcástica.
Todos nós quebramos as regras do hotel e principalmente, as regras dos nossos pais.
Sophie vivia apostando com Alec e eu sobre quanto tempo ela demoraria em sair com um dos funcionários do hotel.
Até onde lembro, ela causou demissão de diversas pessoas sem dó nem piedade.
Sophie amava o jogo de sedução.
– Isso foi no passado. – ela estrala a língua. – Estou em um novo momento da minha vida. – Sophie dá um sorriso de lado.
– E que momento seria esse? – Alec pergunta empolgado.
Eu sabia que Alec sempre ficava ao lado do que convinha a ele, mas não imaginava que ele iria se entregar tão rápido.
– Papai estará muito ocupado em Nova York para se importar com as coisas que estão acontecendo aqui. – Sophie é clara e objetiva. – Derek e eu estamos assumindo o controle. – a encaro, incrédula.
– Você acha mesmo que Maddie vai deixar isso acontecer? – a questiono.
– Ela não tem que deixar, já está acontecendo. – Sophie se levanta da cadeira.
– Tudo isso é um jogo para você? – pergunto semicerrando os olhos.
– Sobre o que você está falando? – minha irmã me encara com cinismo.
– Essa sua súbita vontade de assumir o hotel? – solto uma risada engasgada. – Isso não me entra. – eu digo. – Acho que você está sendo induzida pelo seu marido! – cruzo meus braços.
– As minhas escolhas não tem nada a ver com Derek. – ela me responde com um tom de voz elevado.
– Então por que você decidiu assumir as coisas repentinamente? – pergunto tentando chegar a alguma conclusão.
– Porque já passou o tempo de Madison. – Sophie me explica, e nesse momento a porta do escritório se abre de repente.
– Quem você acha que é para demitir meus funcionários sem a minha permissão? – Madison estava vermelha de raiva e eu me afasto da mesa para que não ficasse no caminho dela.
– Eu também sou dona desse lugar. – Sophie estava serena demais.
– Você não conhece nada sobre o hotel, e vem com essa de que é a dona? – eu me aproximo de Alec e o mesmo dá de ombros, prestando atenção na conversa.
– Assim como você se acha dona e acha que pode administrar o local, eu também posso! – ouço Madison bufar.
– Você está fora de si? – minha irmã pergunta para Sophie. – Porque acho que é isso que está acontecendo. – lentamente me aproximo da porta para poder fechá–la.
Acredito que as pessoas não tenham necessidade de ouvir essa briga.
– Eu estou completamente sã! – o embate das duas é gigante. – É você que está ficando velha demais para esse lugar. – solto um assovio baixo.
– Entenda Sophie, você nunca soube administrar nada na sua vida, o que leva você acreditar que irá administrar o hotel perfeitamente? – Madison indaga.
– Você acha que devemos pará–las? – sussurro para Alec de repente.
– Não! – ele responde rapidamente. – Acho que esse é um duelo dos grandes, devemos deixá–las resolver a situação. – Alec dá de ombros. – Apenas vamos ficar aqui para o acaso delas começarem a se bater. – reviro meus olhos.
Alec amava ver o circo pegar fogo.
– Ok! – falo enquanto observo a situação ao meu redor.
– Nunca soube administrar? – Sophie fala com uma voz afobada. – Você sempre tomou a frente de tudo, como se tivesse fome pelo poder! – minha irmã bate com o punho na mesa e me assusto.
– Sophie! – Madison estava vermelha nesse momento e eu podia jurar que se não fosse pelo seu autocontrole, ela já tinha ido para cima da nossa. – Você nunca se importou realmente com o hotel. – Madison fala de um jeito mais leve. – Você sempre fez aquilo que convinha a você no momento. – vejo Sophie cruzar os braços e diante da situação eu tinha que concordar com Madison, afinal Sophie nunca se preocupou realmente com o que acontecia no hotel.
– Sempre fiz o que convinha para mim? – Sophie a questiona. – Acho que você despertou tarde demais. – fico completamente surpresa com as palavras de Sophie.
– Como assim? – ouço Madison perguntar e começo a prestar mais atenção na conversa que ocorria ao meu redor.
– Eu sempre fiz aquilo que convinha para você. – Sophie explica. – E ao mesmo tempo preparava meu território para assumir o seu lugar. – arregalo meus olhos.
– Você ouviu isso? – sussurro para Alec, porém o mesmo me cutuca para que eu ficasse quieta.
– Então foi tudo parte de um plano para me tirar da jogada? – Madison se senta de maneira relaxada na cadeira, como se minutos antes não quisesse avançar em Sophie pela audácia dela demitir alguns funcionários sem a autorização de Madison. – Você foi paciente! – minha irmã continua falando enquanto bate palmas. – Mais existe uma coisa que não entendo. Derek? Onde ele entra nisso tudo? – eu podia sentir a tensão na sala.
– Ele é apenas um peão no meu jogo. – reviro meus olhos. – Papai jamais confiaria em mim se eu ainda estivesse solteira. – Madison bufa.
– Então seu objetivo aqui é o hotel? – Madison continua questionando as atitudes de Sophie.
– Será que você não entendeu ainda? – Sophie se inclina sobre a mesa. – O hotel e a administração já são meus! – ela volta a se sentar na cadeira e entrelaça suas mãos.
– Estou vendo! – Madison encara suas unhas. – Então boa sorte em administrar um local com informações falsas. – ouço Alec ao meu lado arfar.
– O que ela está falando? – é a vez dele sussurrar para mim e eu o cutucar para ficar quieto.
– Como assim? – vejo um lampejo de pânico nos olhos de Sophie.
– Vou deixar você descobrir sozinha. – eu não estava vendo o rosto de Madison, mas podia jurar que nesse momento ela tinha piscado para a nossa irmã.
– Você não tem medo? – de repente Sophie se torna um pouco sombria.
– Medo do que? – Madison pergunta tranquilamente.
– Que Parker sofrerá as consequências dos seus atos? – mais uma vez arregalo meus olhos.
Essa semana tinha sido cheia de revelações.
– Não se deixe enganar com as coisas que você acha que sabe. – Madison se levanta. – Parker não é nada para mim. – ela bate na mesa delicadamente. – Acho que mais cedo ou mais tarde você vai entender que as coisas acontecem de maneira diferente. – Madison se despede de Sophie e assim que se vira encara Alec e eu.
– Então não existe nenhum problema se eu demiti–lo, não é mesmo? – por um momento eu vejo Madison fraquejar.
– Faça o que você quiser, a administração do hotel é sua agora. – minha irmã se vira novamente para encarar Sophie.
– Ok! – Sophie parecia satisfeita consigo mesma por ter ganho essa batalha.
– Vocês dois. – Madison fala de repente, chamando nossa atenção. – Tenham cuidado com Sophie, ela pode querer passar a perna em vocês também. – ela me encara por um longo tempo antes de sair do escritório e deixar nós três para trás.
– O que foi isso tudo? – Alec se pronuncia de repente. – E por que diabos você quer assumir o hotel? – ele se senta na cadeira e bombardeia Sophie com perguntas.
– Aqui está o fato das coisas. – Sophie começa a explicar lentamente. – Ou vocês fazem o que eu quero, ou assim como Madison, vocês irão sofrer as consequências. – bufo. – Quer falar alguma coisa ? – ela me pergunta.
– Nossos pais vão ficar apenas um mês fora, você acha que quando eles chegarem em casa irão entregar o hotel de bandeja para você? – eu não sabia aonde ela queria chegar com tanta tramoia.
– Papai confia em Derek. – Sophie explica. – Eu tenho tudo planejado, na realidade passei meses pensando no que fazer. – ela sorri de lado. – Mas acho que não devo contar para vocês. – a expressão de Sophie muda rapidamente. – Afinal não sei quando vocês podem mudar de opinião. – reviro meus olhos.
– Faça o que você quiser. – eu não iria entrar no jogo de poder das duas, até porque eu tinha coisas mais importantes para me preocupar no momento.
– Hoje à noite teremos um jantar. – Sophie se pronuncia antes de eu abrir a porta para sair. – Esteja pronta! – para com a mão na maçaneta.
– Apesar de você estar assumindo o controle do hotel, isso não quer dizer que você irá mandar em mim. – viro minha cabeça levemente e dou um sorriso de canto para ela. – Boa sorte com o seu jantar. – eu abro a porta rapidamente dando de cara com Derek. – Entre. Sua esposa e seu cunhado estão esperando por você. – tento sorrir para ele, porém tudo que sai é uma careta.
Depois do último embate eu não conseguia engolir as atitudes de Derek e por um momento eu realmente achei que era ele quem estava manipulando minha irmã, mas ao ver as atitudes de Sophie anteriormente, eu tinha certeza de os dois combinavam perfeitamente.
Nem um minuto depois que a porta do escritório é fechada, sou puxada de repente por uma Madison indignada.
– Vamos conversar lá fora! – ela começa a me arrastar pelos corredores do hotel sem se importar com as pessoas ao nosso redor.
– Você poderia me soltar? – tento me soltar do seu aperto.
– Você irá me seguir ? – Madison pergunta antes.
– Tudo bem! – reviro meus olhos e logo Madison me solta. – Vamos? – pergunto.
Caminhamos lado a lado até um local mais tranquilo para que pudéssemos conversar. Não que eu achasse que Madison iria realmente querer conversar alguma coisa comigo.
– O que aconteceu no escritório antes de eu entrar? – Madison me encurrala na parede.
– É assim que você quer conversar? – ergo minha sobrancelha para ela.
– Estou me assegurando de que você não vai fugir. – bufo.
– Se eu fosse fugir eu não teria concordado em falar com você. – faço uma careta.
– Eu não tenho o dia todo, ! – respiro profundamente antes de falar com Maddie.
– Sophie não falou nada. – apesar de eu ter entrado naquele escritório, eu não fazia ideia do que ela tinha conversado com Alec.
– Não minta para mim! – era nítida a falta de paciência de Madison.
– Não estou mentindo. – me apoio na parede e a encaro nos olhos. – Quando cheguei ao escritório ela já estava com Alec. – explico.
– Isso não é bom! – Madison começa a andar de um lado para o outro, me deixando confusa.
– Madison! – eu a chamo, sem sucesso. – Pode parar de andar de um lado para o outro? – peço fazendo uma careta no processo.
– Estou pensando! – ela para e me encara. – Será que posso confiar em você? – sua pergunta me irrita, e apenas deixa claro o que Madison pensa sobre mim.
– Não estou a favor do que Sophie está fazendo, mas escolhi não me envolver na briga de vocês. – cruzo meus braços.
– Notícia velha! – Madison bufa. – Você quer ouvir algo realmente engraçado ? – balanço minha cabeça positivamente. – Uma hora ou outra você terá que escolher um lado, ficar em cima do muro não é seguro. – seu argumento me bate fortemente.
Eu nunca pensei em nenhum momento que eu deveria escolher um lado, afinal até pouco tempo atrás eu praticamente lambia o chão que Sophie passava.
– Madison, você realmente acha que isso vai pra frente? – pergunto para ela como se a resposta fosse obvia demais. – Assim que nossos pais pisarem no hotel ela vai sair correndo. – era uma conta básica que até uma pessoa leiga saberia fazer.
– Acho que esse não é o caso. – parecia que havia mais coisas por de trás disso tudo, porém eu tinha certeza de que nem Madison e nem Sophie iriam me falar.
– E qual seria? – pergunto.
– Ela vai usar Parker como isca. – como um estralo na minha mente eu me lembro das palavras claras de Sophie.
– Então você e Parker...? – eu não conseguia entender como Madison e Parker acabaram juntos, afinal nenhum dos dois deixou transparecer que tinham um relacionamento.
– Não é da sua conta! – Madison entra na defensiva.
– Você vai deixar Parker ser demitido apenas porque não é mulher o suficiente para assumir um relacionamento público com ele? – pergunto irritada.
– Eu assumir ou não um relacionamento com ele não muda o fato de que ele irá ser demitido. – reviro meus olhos. – Sophie está querendo me desestabilizar. – Madison me explica pacientemente, como se eu não fosse capaz de entender suas palavras.
– E por causa disso você vai deixá–la administrar o hotel e levar o nome do papai pra lama? – todos nós sabíamos que Sophie nunca foi boa com administração, por causa disso meu pai nunca tinha feito questão de que Sophie chegasse perto das finanças.
– Ela vai se enforcar no próprio jogo, . – o sorriso de Madison era assustador.
– Porque você está com os documentos verdadeiros. – completo o que ela iria me falar a seguir. – E ela tem a base de uma administração falsa.
– Até que você não é ingênua. – Madison dá um tapinha no meu ombro. – Fique atenta. – ela me avisa.
– Atenta com o que? – pergunto confusa.
– Seja lá o que Sophie está tramando, isso envolve você. – Madison começa a caminhar novamente.
– Você vai sair assim depois de falar isso? – elevo o tom da minha voz.
– Não me vejo na obrigação de auxiliar você. – minha irmã me olha por um momento antes de rir. – Afinal você está em cima do muro, e nesse momento não vale nada para mim. – bufo.
– Suas palavras ajudaram muito. – reviro meus olhos.
– Decida um lado. – Madison é taxativa.
– E se eu não escolher? – a desafio.
– Aguente as consequências. – minha irmã começa a caminhar e se distanciar de mim.
Por um momento eu fico tentada em chama–la de volta para que pudéssemos conversar. Querendo ou não Madison era a pessoa que cuidava das minhas finanças e a partir do momento que ela abrisse mão da administração do hotel eu não tinha nenhuma ideia do que poderia acontecer com meu dinheiro.
Ficar do lado de Madison parecia certo no momento, afinal a mesma tinha dito que as informações que Sophie têm consigo não são verdadeiras, ou seja, de uma maneira ou de outra, Madison continuaria cuidando do hotel.
Era o que eu esperava do fundo do meu coração.
Por outro lado se Sophie assumir além do hotel, as minhas finanças, tenho certeza de ela iria querer me persuadir a fazer as coisas para ela, afim de eu ter meu dinheiro disponível quando precisasse.
Eu estava numa mesa de sinuca com chance de dar uma única tacada.
Existiam um milhão de escolhas no momento, porém nenhuma delas parecia a certa para mim. Eu queria ser apenas eu mesma nesse momento e não ter que escolher um lado em uma batalha que não era minha.
Céus!
Eu tinha tanta coisa para resolver nas próximas semanas que não poderia deixar esse assunto abalar minhas estruturas.
Minha prioridade no momento não era para quem iria ficar a gestão do hotel enquanto meus pais estivessem fora, e sim dar o máximo de mim para a minha audição na próxima semana.
Eu nunca quis me envolver em assuntos do hotel justamente por isso! Era algo que eu não tinha nenhum interesse, porém agora meu dinheiro estava em jogo, e se eu tivesse que escolher um lado, que fosse o lado vencedor.

Capítulo Doze

Eu ainda estava em choque com Madison, que realmente estava fazendo tudo o que tinha dito e, em nenhum momento ela moveu um dedo para ajudar Sophie nas questões administrativas do hotel. Para deleite de Madison, Sophie estava ficando cada vez mais perdida.
Cinco dias de paz. Esses foram os únicos dias contabilizados, pois no sexto dia o caos reinou.
Eu vinha fugindo do apartamento todos os dias na primeira hora da manhã e me trancando no salão de danças, queria evitar Sophie falando sobre eu ir para a faculdade e Madison me mandando escolher um lado, parar de ficar em cima do muro. Nesse momento tudo o que eu poderia desejar era que meus pais voltassem imediatamente de Nova York e arrumassem a bagunça que minhas irmãs estavam fazendo durante sua guerra de ego.
– Problemas no paraíso? – Sou pega de surpresa por e sorrio.
– Problemas sempre existem. – eu estava sentada no chão, descansando depois de uma sessão de treino pesado.
– Nos últimos dias você esteve aqui com mais frequência. – parecia surpreso.
– Eu passo muito tempo por aqui. – Explico, com um sorriso nos meus lábios.
– Verdade? – me olha, pensativo. – Sempre que perguntei por onde você estava ninguém sabia me responder. – Solto uma risada.
– Então quer dizer que você fica perguntando sobre mim? – Pergunto, curiosa.
– Acho que isso saiu errado. – Ele tampa sua boca para abafar uma risada. – Eu perguntava onde estava à garota que dava aula de dança e sempre me respondiam que você provavelmente estava festejando com seus amigos. – me encara, divertido.
– Essa é a imagem que meus funcionários têm de mim? – Começo a rir.
Nunca imaginei que as pessoas achassem que eu vivia festejando por aí e principalmente durante a semana, mas não os culpo, afinal, por muito tempo foi isso que fiz, mesmo.
– Talvez? – se senta ao meu lado.
– Esse é o preço. – Solto um suspiro. – Sua casa ainda não ficou pronta? – Faltava pouco menos de três semanas para o mês acabar e não tinha comentando mais nada sobre se mudar para sua casa.
– Ainda não. – Ele sorri para mim. – Vai sentir minha falta? – ergue a sobrancelha.
– Não sei! Talvez... – Apesar de ter sido interessante minha interação com , eu não tinha certeza de que saudades era uma palavra a ser usada.
– Eu ficaria feliz se isso fosse real. – Reviro meus olhos.
... – Começo a rir.
Ele realmente era um pouco acelerado demais com suas emoções.
– O quê? Eu realmente gosto da sua companhia. – Ele se defende.
– Claro – falo, desacreditada.
...? – me chama.
– Sim? – Me viro para encara–lo.
– Eu não preciso estar fisicamente com uma pessoa para gostar dela. – Reviro meus olhos. – É sério! – Ele parecia ofendido.
– Até onde eu lembro, você questionou bastante minhas atitudes. – Cruzo meus braços.
– Isso foi antes de eu conhecer você de verdade. – balanço minha cabeça.
– É impossível você conhecer uma pessoa em menos de duas semanas – Conto nos dedos. – Detalhe! Dá pra contar nos dedos a quantia de dias que ficamos juntos. – solto uma risada.
– Não perdi meu tempo contando quanto tempo estivemos juntos. – dá de ombros. – Afinal, o que isso tem a ver com o que estamos falando? – ele me pergunta.
– Tem tudo haver! – Dobro minhas pernas e coloco meu peso sobre os braços. – Esses dias não foram suficientes para conhecer bem uma pessoa. – Explico.
– Eu sei disso. – Ele se aproxima de mim. – Mas foram suficientes para eu entender como sua mente funciona. – Reviro meus olhos, ele era muito contraditório.
– E como minha mente funciona? – questiono.
– Geralmente você tem essa pose de não me questione. – Solto uma risada. – Mas é incrivelmente engraçada e legal quando baixa a guarda. – O encaro, surpresa. – E você faz tudo o que deseja, não importando as consequências. – Ele termina de falar.
– Isso seria um problema? – pergunto.
– Não! – Nossos olhos se encaram por um tempo. – Eu realmente aprendi que essa é a melhor parte de você. – Pisco meus olhos quando noto a proximidade de .
– Você está perto demais. – Me afasto um pouco dele.
– Está com medo? – me pergunta.
– Eu não costumo ter medo. – Me levanto do chão.
– Então por que vive fugindo de mim? – Ele me pergunta, de repente.
– Já passou pela sua mente que talvez eu não queira nada com você? – Não queria parecer rude.
– Gosto da sua sinceridade, vamos ser amigos. – Ele se levanta e ergue a mão para mim.
– Sério? – Pergunto, desconfiada.
– Se você não quiser ter nada comigo, irei respeitar. – me explica. – E como eu achei você uma pessoa interessante, não seria legal perdê–la de vista. – Ele continua com sua mão erguida. – Pegue logo! – praticamente balança sua mão na minha cara para que eu não o deixasse no vácuo.
– Tudo bem! – Seguro sua mão. – Acho que podemos ser amigos por agora. – Pisco para ele.
– Sempre achei que a base de qualquer relacionamento é a amizade. – Solto uma tosse seca de repente.
– Relacionamento? – Começo a rir loucamente. – Você precisa ter sua mente testada. – Dou um tapa em sua testa.
– Estou falando sobre o futuro, quem sabe um dia? – Ele faz uma dancinha engraçada na minha frente.
– Geralmente quando as pessoas se tornam minhas amigas, elas apenas são minhas amigas. – Explico.
– Como assim? – parecia não entender bem o que eu estava falando.
– Por exemplo, . – Gesticulo. – Ele é meu melhor amigo e nós nunca nos envolvemos. – Era engraçado olhar por esse lado, pois essa possibilidade de envolvimento nunca chegou a passar pela minha cabeça.
– Então vamos deixar algumas coisas claras. – se apressa. – Não vamos ter o mesmo tipo de amizade que vocês dois tem. – Ele sorri para mim.
– Isso tudo é desespero para ficar comigo? – pergunto.
– Não! – parecia ofendido. – Isso quer dizer que eu realmente quero conhecer você. – Fecho meus olhos e respiro profundamente.
– Você não tem ideia de onde está se metendo. – Tento fazê–lo entender que se relacionar comigo é um caminho sem volta.
– Temos um oceano nos separando, então acredito que irei sobreviver. – Ele solta uma risada e eu balanço minha cabeça.
– Corajoso. – Eu realmente estava sendo legal em avisá–lo antes.
– Sempre fui. – Ele me dá um leve empurrão. – O que você vai fazer hoje? – me pergunta de repente.
– Ainda não sei. – Tento puxar na minha mente se eu tinha algo para fazer. – Você tem algo planejado? – pergunto.
– O que você acha de pedirmos algo para comer? – Finjo pensar.
– E onde iríamos comer? – pergunto, pois nem em sonhos o levaria para meu apartamento, e muito menos iria para o quarto dele.
– Podemos nos encontrar aqui. – ele aponta para o salão.
– Até que não é uma ideia ruim. – Sorrio para ele. – Você escolhe a comida. – Começo a recolher minhas coisas para sair da sala.
– Você já vai? – Ele parecia decepcionado.
– Sim! – Balanço minha cabeça.
– Mais eu acabei de chegar. – faz um biquinho.
– Infelizmente para você eu tenho que ir para casa, felizmente para mim que irei tomar um banho longo. – Sorrio.
– Vá logo! – Ele praticamente começa a me tirar do salão.
– Isso não conta como ponto positivo para ser meu amigo! – Fico rindo enquanto ele me carrega para fora do salão.
– Você fede! – Ele brinca.
– Assim como você. – Reviro meus olhos quando sou posta no chão. – Vejo você mais tarde. – Aceno para ele e depois fecho a porta.
Eu realmente não tinha intenção de ter nada com no momento e ficava muito contente por ele entender isso e respeitar os meus desejos. Na minha vida eu me envolvi com diversas pessoas, na maioria por conta do desejo dos meus pais. Muitas vezes me vi em situações que normalmente não estaria se não fosse pela influência da minha família.
A primeira coisa que fiz quando decidi que merecia muito mais do que aquilo que as pessoas planejavam para mim foi me afastar dessas pessoas que me causavam mal. Quando era mais nova, posso dizer que não tinha as melhores amizades, afinal, por muito tempo eu apenas me comunicava com pessoas que meus pais colocavam na minha vida. e eram a exceção. , por ser filha da melhor amiga da minha mãe e por tê-lo conhecido em uma aula de dança.
Tirando os dois, minha vida toda foi rodeada de pessoas que esperavam algo em troca e muitas vezes meus pais usavam dessas "amizades" como motivo para fecharem grandes negócios.
– Você tem fugido de mim? – Assim que abro a porta do apartamento sou abordada por Sophie.
– Será que não posso ter um dia de paz? – Olho para cima e reclamo.
– Vai me ignorar? – Apesar da paz ter reinado, Sophie estava impossível de se lidar.
– Não estou fugindo de você. – Dou um sorriso para ela. – Apenas estava treinando. – Começo a caminhar para meu quarto.
– Espere! – Paro imediatamente e encaro minha irmã.
Eu tinha a impressão de que ela não permitiria minha entrada no meu quarto tão fácil assim.
– O que foi agora? – Minha paciência estava começando a se esvair.
– Você estava com aquele garoto, não é mesmo? – Bufo.
– E se eu estiver? O que você tem a ver com isso? – Sophie se levanta do sofá.
– Desista dele. – Ela fala pausadamente enquanto para na minha frente. – Ele é muita areia para o seu caminhão. – Reviro meus olhos.
– Isso é ciúme por eu ter um cantor nas minhas costas? – A questiono. – Se você queria continuar com seus jogos, por que casou? – Sorrio ao vê–la sem palavras. – Foi o que eu pensei. – Assopro no seu rosto e me viro para fazer o caminho para meu quarto.
– Eu inscrevi você na faculdade. – Paro no meio do caminho e conto até três antes de me virar para Sophie.
– Você não tinha esse direito! – Fecho minhas mãos fortemente.
– Eu fui bem clara com você da última vez. – Sophie sorri para mim. – As coisas estão mudando, se Madison não foi capaz de fazer você ir para a faculdade, eu fico feliz em dar a notícia de que consegui. – Fecho meus olhos fortemente.
– Isso tudo é um jogo de poder. – Minha voz soa estridente. – Você apenas está fazendo isso para mostrar aos nossos pais que tem controle das coisas ao seu redor. – Reviro meus olhos. – Está tentando manipular tudo para que quando nossos pais chegarem parabenizem você. – Fico boquiaberta com minha própria descoberta.
– Você está certa! – Sophie bate as mãos uma na outra. – E é por isso que irá para a universidade. – Ela segura meu braço fortemente. – Caso contrário... – Solto um bochecho com a sua recente ameaça.
– O que vai fazer? – A questiono.
– Sua mesada será o primeiro corte. – Coloco a mão na minha nuca e mexo minha cabeça confortavelmente.
– Faça isso! – A desafio.
Eu sabia que tinha muito a perder caso minha mesada fosse cortada, porém, tinha dinheiro suficiente na minha conta para viver os próximos dois meses confortavelmente.
– Não me desafie! – Sophie parecia estar irritada.
– Você sabe que não irei para a faculdade, então cancele a matrícula. – Seguro sua mão fortemente e a tiro do meu braço. – Suas atitudes têm ficado cada vez piores. – Solto um suspiro. – Espero que você recobre a consciência a tempo. – Eu ainda tinha esperanças de que Sophie apenas estivesse passando por um momento difícil na sua vida.
– Acho que você tem que se acostumar com o meu novo eu, . – Sophie volta para o sofá. – Apenas lembre–se das minhas palavras. – Ela fala calmamente. – Quando não tiver nenhum dinheiro, acredito que seus amigos serão os primeiros a abandonarem você. – Sophie fala com tamanha convicção, porém, ela não conhecia realmente os amigos que eu tinha.
– Em algum momento da sua vida irá se arrepender de tudo o que está fazendo. – A encaro por um momento. – E quando se der conta, a única pessoa que você terá ao seu lado será seu marido. – Tento deixar as coisas mais limpas possíveis para que Sophie entendesse que suas atitudes estavam erradas.
– Eu não me importo de perder pessoas no processo. – Minha irmã realmente parecia não ligar muito para o que iria acontecer a seguir e isso me deixava chateada e irritada ao mesmo tempo.
Decidida em não ouvir mais nenhuma palavra de Sophie, caminho a passos pesados para meu quarto e bato a porta. Estava tão irritada com Sophie no momento, ela não tinha nenhum direito de decidir o que eu deveria fazer na minha vida, ninguém tinha esse direito além de mim mesma. Irritada, pego meu travesseiro e coloco sobre meu rosto a fim de gritar, a última coisa que queria era que ela conseguisse ouvir o quão irritada eu estava.
Me sentia tão frustrada pelo fato dessa situação estar ficando completamente fora de controle e, ao que tudo indicava, iria muito mais longe. Pego meu celular imediatamente e envio uma mensagem para Alec, ele não me respondia desde a noite anterior e eu acreditava ser pelo fato de estar completamente ocupado com a cunhada de Sophie. Envio uma mensagem para Madison e pergunto onde ela está. Incrivelmente, depois de tudo o que aconteceu, Madison passava mais tempo fora do hotel do que nele.
Eu tinha uma leve noção de que assim como eu, Madison estava evitando um confronto direto com Sophie, porém, a curiosidade para saber onde minha irmã mais velha estava ganhou e eu mandei a segunda mensagem do dia.


***


Depois de sair do banho, percebo que tinha recebido diversas mensagens e, para minha surpresa, uma delas era de Madison pedindo que eu me encontrasse com ela em uma cafeteria próxima ao hotel. Em um primeiro momento, eu tinha estranhado o fato dela me responder e ainda por cima querer se encontrar comigo, afinal, não tinha ideia do que ela iria conversar e esperava que não fosse nada relacionado a eu estar em cima do muro, pois tinha deixado bem claro que não iria me envolver na briga que minhas irmãs travavam.
Vesti-me rapidamente com algo confortável e troquei meus pertences de bolsa para combinar com o estilo de roupa que eu usava no momento, saindo para encontrar Madison no local mencionado. Chegando à cafeteria, vou direto para o encontro de Madison, um pouco ansiosa para saber o que ela queria falar.
– Olá! – Jogo minha bolsa em uma cadeira e me sento na outra.
– Isso são modos? – A crítica era visível.
– Eu estava em casa, prestes a deitar na minha cama. – Ergo minha sobrancelha. – O que você quer? – Pergunto.
– Estou saindo do hotel. – Arregalo meus olhos.
– Isso não é um pouco extremo? – Pergunto, ainda chocada com a informação.
– Não acho! – Madison realmente parecia tranquila com sua decisão.
– E onde você vai ficar, exatamente? – Me inclino sobre a mesa.
– Não se preocupe com isso. – Minha irmã é evasiva.
– Se você não vai me falar, por que me chamou aqui? – Ergo minha mão para chamar a garçonete.
– Porque precisamos conversar. – Reviro meus olhos.
– Claro! – Balanço a cabeça e me viro para fazer o pedido. – Um café, por favor. – Como não esperava ficar muito tempo na companhia de Madison, opto apenas em pedir um café.
– Você não vai comer nada, ? – Fico surpresa com a pergunta de Madison.
– Desde quando você se preocupa se eu me alimento ou não? – Bufo, não querendo dar o braço a torcer sobre como seu gesto me deixou um pouco comovida.
– Tudo bem! Não irei falar mais nada! – Madison muda sua postura novamente.
– E a senhora, gostaria de mais alguma coisa? – Encaro minha irmã, esperando que a mesma responda.
– Por enquanto está tudo bem. – Ela tinha um sanduiche e um suco na sua frente.
Uma das coisas mais engraçadas era que enquanto eu amava café e era praticamente viciada nele, Madison era completamente o oposto. Ela realmente odiava a bebida e sempre falava que ao tomar café se sentia ansiosa demais, por conta disso apenas bebia sucos e chás.
– Ok! – Bato minha mão suavemente na mesa para chamar sua atenção. – Você não me chamou aqui apenas para me informar que não irá ficar no hotel. – Eu realmente não queria prolongar a conversa por muito tempo.
– Você tem razão, . – Madison sorri de canto. – Quero informar para você sobre suas finanças. – Espero pacientemente que ela termine de falar, porém nada vem a seguir.
– O que têm elas? – Sou obrigada a perguntar e fico um pouco ansiosa com a sua possível resposta.
– Tire todo o dinheiro que você tem em conta. – A encaro, sem entender muito bem onde ela queria ir com aquilo.
– Por que eu iria tirar todo o meu dinheiro da conta? – Pergunto, como se Madison estivesse ficando maluca.
– Porque tenho certeza que papai irá dar o controle para Sophie sobre nossas contas. – Balanço minha cabeça.
Eu não queria acreditar que meu pai pudesse fazer algo do gênero.
– E por que você tem tanta certeza? – Algo tinha que ter acontecido para Madison querer sair repentinamente do hotel e ainda por cima me pedir para tirar meu dinheiro da conta.
– Porque Sophie jogou sujo. – Cruzo meus braços enquanto observo minha irmã mais velha falar. – Ela encaminhou algumas fotos minhas com Parker. – Solto um assovio baixo. – E papai me ligou pedindo delicadamente que eu saísse do hotel e passasse o acesso das contas para Sophie. — Eu não conseguia acreditar em como as coisas tinham mudado repentinamente.
– Você acha que ela me deixaria sem dinheiro? – A questiono.
... – Madison solta um suspiro. – Você está disposta a fazer as coisas que Sophie quer? – Imediatamente fecho minha cara.
Madison me conhecia muito bem para saber que eu jamais faria algo que alguém da minha família mandasse. Eu sempre fui contra tudo que meus pais pediam nos últimos anos, então se fosse parar para pensar nas circunstâncias ao meu redor, meu dinheiro seria o primeiro a ser bloqueado, afinal, deixei bem clara as minhas intenções de não ir para a faculdade na última conversa que eu tive com Sophie.
– Por que você está fazendo tudo isso? – A repentina ajuda de Madison estava me deixando desconfiada.
Nós duas nunca fomos próximas e Madison sempre foi a primeira a pegar no meu pé por eu nunca fazer nada de interessante na vida, muitas vezes me explicou que o dinheiro não brotava de uma árvore e que eu era obrigada a trabalhar, então essa súbita camaradagem dela estava me deixando muito intrigada. Há muito tempo ela tinha me dito para parar de ser uma sonhadora, que um dia o dinheiro iria acabar e, pela minha falta de experiência, eu sairia prejudicada. Porém, nunca acreditei realmente nas suas palavras e agora estava em uma rua sem saída, prestes a ficar sem dinheiro.
– Aceite isso como um presente de despedida. – A encaro sem entender.
– O que você quer dizer com isso? – Por um momento fico preocupada.
– Nosso pai não me quer ao redor do hotel. – Pela aparência de Madison, ela realmente estava chateada com a situação, porém, se mantinha tranquila para que eu não soubesse a realidade. – Então decidi, nesse momento, seguir com meu coração. – Quase engasgo com suas palavras.
– Desculpe? – Seguro uma risada e, antes que Madison pudesse falar mais alguma coisa, somos interrompidas pela garçonete, que deixa minha xicara de café na minha frente. – Obrigada! – Agradeço gentilmente e logo dou um pequeno gole. – Como você me fala que vai seguir seu coração? – Tento não parecer tão sarcástica, porém, era impossível.
– Não fale assim! – Madison parecia ofendida.
– Você tem que concordar comigo. – Tomo mais um pouco de café.
– Eu não concordo. – Ela cruza seus braços.
– Então me fale um ato que você tenha usado o seu coração. – A desafio.
– Ok! – Madison parecia decidida em me mostrar o quão errada eu estava. – Por que você acha que papai nunca obrigou vocês a trabalhar no hotel? – Solto uma risada.
– Não venha me dizer que você se sacrificou por nós. – Reviro meus olhos.
– Claro! – o tom de voz de Madison se sobressai e eu fico ligeiramente surpresa. – Para o papai, Alec era quem deveria assumir o hotel. – Minha irmã revira os olhos. – Ele queria que vocês entendessem como o hotel funcionava desde os quinze anos. – Se sobressalta. – Vocês perderiam toda a adolescência trancados no hotel, aprendendo as funções dele. – Presto atenção em suas palavras. – Pedi para que ele me deixasse administrar o local e quando vocês estivessem mais velhos eu iria ensiná–los, mas aparentemente os anos foram passando e vocês ficaram cada vez mais dispersos com o hotel, aproveitando cada momento da sua vida como se fosse único. – Fecho meus olhos e solto um suspiro. – Nunca se preocuparam realmente com o trabalho, afinal, o dinheiro continuava entrando em suas contas. – Concordo com ela.
– Vamos dizer que você tenha feito isso por nós. – Tamborilo meus dedos na mesa. – Por que nunca falou conosco sobre isso? É por que amou ter o poder nas mãos?
– Claro! Até porque perder minha vida pessoal deve ser realmente muito bom. – Madison parecia estar ficando irritada.
– Madison... Você quer um agradecimento por isso? – Eu não sabia ao certo o que falar para ela.
– Depois de ser passada para trás não é isso que eu preciso. – Ela não parecia ter ficado ofendida com as minhas palavras, o que era um alivio.
– Então o que você quer? – Pergunto.
– Preciso de um favor seu. – Madison se levanta e para ao meu lado, sussurrando algumas palavras em meu ouvido que me fizeram ficar chocadas. – Você acha que pode fazer isso por mim, depois de tudo o que fiz por você? – Seu pedido realmente foi algo que me deixou sem palavras, mas se fosse pesar tudo o que Madison fez por mim diretamente e indiretamente, fazer o que me pediu era o mínimo.
– Ok. – com um suspiro, concordo com ela, e rezo mentalmente para que tudo desse certo.

Capítulo Treze

Depois da minha conversa com Madison eu estava começando a me sentir cada vez mais nervosa, seu pedido não era algo difícil de fazer, pois eu tinha certeza de que se fosse pega no meio do processo eu iria acabar me prejudicando e muito por conta disso.
Procuro escutar atentamente tudo o que minha irmã mais velha estava me pedindo para fazer, mesmo achando um tanto quanto absurdo o que ela estava falando. Anoto mentalmente em quanto tempo eu poderia realizar seu pedido, afinal era algo que exigia que eu agisse rapidamente sem deixar nada explícito para as pessoas ao meu redor.
Mesmo escutando tudo o que Madison tinha me dito, ficar no meio do drama das minhas irmãs estava me deixando completamente atordoada, eu tinha uma audição nos próximos dias e queria dar o melhor de mim para conseguir passar, porém a tensão que eu estava presenciando vinha me deixando cada vez mais desconfortável, inclusive ouvir pela boca de Madison que meu dinheiro estaria em risco.
Eu não era uma pessoa mesquinha, mas aprendi a viver um estilo de vida onde eu esbanjava dinheiro sem ter que me preocupar com o dia seguinte, saber que eu tinha que tirar dinheiro da minha conta para ter alguma coisa no futuro me incomodava, mas não tinha jeito de eu fazer as vontades de Sophie e ir para a faculdade.
Depois de concordar mais uma vez com Madison e garantir que seu desejo iria se realizar eu vou diretamente para o banco. Há muito tempo eu tinha aprendido que apesar da minha família ter uma fonte de dinheiro inesgotável, eu tinha que guardar alguma coisa para que eu não me prejudicasse, por isso eu tinha uma conta secreta. Chegando ao local eu tiro o máximo de dinheiro permitido para saque no banco e vou para um segundo banco, o que eu mantinha apenas para segurança, e deposito meu dinheiro lá. Claro que se meus pais pesquisassem a fundo eles iriam descobrir, mas eles jamais poderiam fechar essa conta.
Eu não queria que Sophie desconfiasse que eu temia que ela pudesse a qualquer momento me tirar todo o meu dinheiro, por conta disso eu deixo pelo menos mil reais na conta, afinal com o fim do mês tecnicamente eu teria torrado todo o meu dinheiro, porém de qualquer forma eu deveria me agilizar em arrumar alguma coisa para fazer, pois o dinheiro que eu mantinha na minha conta secreta era capaz de me auxiliar apenas por dois ou três meses se eu continuasse no meu ritmo normal de gastos.
Assim que revolvo todos os meus problemas pendentes, volto para o hotel com uma tremenda dor de cabeça. Ao chegar ao local a primeira coisa que observo são os funcionários me encarando descaradamente, eu sabia que todos estavam curiosos com a saída repentina de Maddison e a tomada de negócios de Sophie no hotel, até eu se não soubesse o que tinha acontecido ficaria curiosa, porém o fato das pessoas ficarem me observando descadaramente me incomodava muito. Claro que a tensão no hotel ainda era muito visível, não só pelos funcionários que tiverem um baque com a demissão de Parker, mas como a tensão que eu e meus irmãos irradiamos nos últimos dias.
– Finalmente! – fico surpresa ao encontrar Alec no hall de entrada conversando com alguém, pois pensei que meu irmão estivesse ocupado com a faculdade. – Estive procurando por você. – Alec caminha até onde eu estava parada e passa os braços ao redor dos meus ombros.
– O que você quer? – cruzo meus braços ao observá–lo. – Você não estava ocupado demais para ignorar minhas ligações? – eu tinha tentado ligar no dia anterior para o meu irmão, porém ele apenas me ignorou.
– Eu estive ocupado. – o sorriso de Alec era enorme, e reviro meus olhos.
Ele faz questão de frisar bem o estive.
– Ok! – tento passar por ele, porém Alec segura meu braço.
– Qual é! – Alec estava um pouco eufórico.
– Fale de uma vez. – sorrio para o meu irmão.
– Não me diga que você se esqueceu do nosso jantar. – faço uma careta ao me lembrar de que Sophie tinha sido bem clara sobre o pequeno jantar familiar que ela faria essa noite.
– Claro! – dou um tapa na minha testa claramente em uma atuação péssima. – O que? – gesticulo com as mãos.
– Você tinha que ver sua cara, . – meu irmão volta a caminhar comigo. – É um jantar muito importante. – ele começa a detalhar o que iria acontecer no jantar e involuntariamente eu solto um bocejo.
– Tenho mesmo que participar? – pergunto aborrecida.
– É claro! – Alec parecia surpreso com a minha pergunta.
– Alec? – quando obtenho a atenção de Alec em mim, começo a falar. – Você realmente acha que tem clima para um jantar? – solto um suspiro.
– Temos que comemorar! Madison não está mais no comando então isso significa que iremos ficar sossegados, sem ela para encher nossa paciência. – Alec parecia completamente relaxado com o fato de Madison ter sido passada para trás. – Não vai me dizer que você ficou chateada por ela não estar mais no hotel? – Alec devia ter percebido que eu não estava com a melhor feição quando estava falando.
– Não! – balanço minha cabeça negativamente e ao ver o semblante de Alec, vejo que ele não gostou muito da minha resposta.
... – Alec solta um suspiro e começa a caminhar, me levando junto com ele. – Tudo o que você sempre quis na vida foi que Madison parasse de pegar no seu pé por ficar saindo e bebendo por ai. – ele fala lentamente e baixo para que ninguém ao nosso redor ouvisse. – Agora você está me dizendo que está chateada por ela? – meu irmão pergunta.
– Não é bem assim. – mexo no meu cabelo desconfortavelmente. – Só acho que sua comemoração é errada. – solto um suspiro.
– Então me explique, porque sinceramente não estou entendendo você. – Alec me pede.
– Eu concordo quando você disse que eu queria que Madison saísse do meu pé, mas nunca torci para ela ser passada para trás como foi. – apesar das minhas desavenças com Madison, eu nunca torci pelo seu fracasso, e na realidade me sentia aliviada por ela cuidar do hotel e eu não ter que me envolver com isso.
– Para mim isso é a mesma coisa, afinal ela nunca largaria do hotel se Sophie não tivesse feito o que fez para Madison sair daqui. – a atitude arrogante de Alec me deixa um pouco chateada, pois enquanto eu estava tentando mudar essa atitude, parecia que meu irmão se afundava ainda mais nela.
– Não fale assim. – peço com delicadeza.
– Acredite! Você, de todas as pessoas, deveria estar contente. – Alec para na frente do nosso elevador. – Agradeça por Madison ter sido pega com Parker, se não fosse isso ela nunca teria largado o osso. – a repulsa na voz de Alec era visível.
– Você tem algum problema com Parker, Alec? – pergunto assim que as portas do elevador se abrem e entramos.
– Sinceramente? Ele era apenas um funcionário que não tinha onde cair morto, e se você quer saber minha opinião, eu tenho certeza que ele colou em Madison apenas para que ele mudasse de vida. – Alec solta uma risada. – Não sei onde ela estava com a cabeça para se envolver com ele. – reviro meus olhos com as palavras ridículas do meu irmão.
– Você está agindo de maneira arrogante, nem todo mundo nasce com a bunda virada para a lua como nós nascemos. – assim que a porta do elevador se abre eu entro imediatamente.
– Claro que não! – Alec entra no elevador e se encara no espelho. – O problema não é meu se ele nasceu pobre e desafortunado. – arregalo meus olhos.
– Qual é o seu problema? – pergunto irritada. Eu nunca tinha escutado Alec falar tanta idiotice como escutei no momento. Claro que meu irmão não era um santo e eu sabia muito bem que ele agia com arrogância com outras pessoas, mas nunca imaginei que fosse tão sério.
... – Alec para de mexe em seu cabelo e me encara. – Nosso estilo de vida não nos permite sentir pena de pessoas assim, se fizermos a caridade sempre, iremos viver com pessoas correndo atrás de nós e do nosso dinheiro. – ele se aproxima para me abraçar, porém me afasto dele, completamente incrédula. – Você está chateada, tudo bem. – ele suspira. – Só lembre–se nosso estilo de vida não permite que a gente se envolva com pessoas abaixo de nós, então não seja como Madison. – as portas do elevador se abrem e meu irmão sai, me deixando sozinha.
– Alec... – eu corro atrás dele. – Você não deveria falar coisas absurdas assim. – o repreendo. – Ninguém é melhor que ninguém. – me expresso.
– Você está errada . – Alec para com a mão na maçaneta. – A partir do momento em que temos muito mais do que essas pessoas, nós somos melhores. – ele abre a porta e me deixa pela segunda vez para trás.
Balanço minha cabeça negativamente antes de entrar no apartamento e respiro fundo. Eu não conseguia acreditar nas barbaridades que tinha acabado de sair da boca de Alec, eu nunca tinha visto meu irmão agir tão rudemente antes, claro que ele demonstrava um pouco da sua arrogância, mas nunca deixou tão explicito assim. Geralmente Alec apenas ignorava as pessoas quando elas não lhe convinham, porém nunca demonstrou qualquer sentimento de desagrado.
– Olá irmãzinha. – fecho meus olhos enquanto bato a porta atrás de mim.
– Sophie. – abro um sorriso assim que encontro minha irmã sentada no sofá apreciando uma xicara de chá.
– Vejo que você está de bom humor hoje. – Sophie parecia surpresa com a minha súbita mudança de humor.
– Me lembrei dos bons momentos que passamos juntas. – solto um suspiro e me aproximo dela. – Alec me falou que você está planejando um jantar para hoje à noite. – comento de maneira relaxada.
– Parece que as notícias voam por aqui. – minha irmã solta uma risada e eu me forço a rir com ela.
– Alec é um pouco exagerado. Você sabe. – reviro meus olhos teatralmente.
– Bom! – Sophie dá um tapinha na minha perna. – O jantar é realmente importante. – minha irmã me encara. – Posso contar com você? – sua voz não soava como uma pergunta, mas sim como uma ordem.
– Claro. – solto um suspiro.
Atuar não era muito o meu forte, na maioria das vezes, ou quase sempre eu tomava atitudes impulsivas e era descoberta, mas ao ver as atitudes irresponsáveis dos meus irmãos nos últimos dias, me fez ter gás para atuar perfeitamente.
– Que bom! – ela bate palmas bem na minha frente. – Vou ter meus irmãos favoritos ao meu lado hoje. – de repente ela fecha a cara. – Mais isso me lembra de que temos um assunto para resolver. – fecho meus olhos, sabendo o que vinha a seguir.
– Fale de uma vez... – tento não deixar minha raiva transparecer e até pego uma xicara para por um pouco de chá para mim.
– A faculdade... – largo tudo na mesa delicadamente e cruzo meus braços. – Conversei com o papai hoje mais cedo. – a encara com um sorriso.
– E o que você falou para ele? – tento me manter calma a todo custo.
– Falei que você aceitou fazer isso. – fecho meus olhos com força.
– Apesar do meu bom humor, isso não irá acontecer. – falo entredentes.
... – observo Sophie colocar o dedo indicador na testa e respirar profundamente. – Por que é tão difícil para você aceitar suas obrigações? – ela me pergunta.
– Porque ir para a faculdade é minha obrigação? Não foi você quer largou tudo para ter um estilo de vida mais selvagem? – abro um sorriso enorme.
– E me arrependo amargamente pelas minhas escolhas. – minha irmã não parecia muito feliz com as minhas palavras.
– Que pena... – minha voz soa um pouco mais debochada do que eu queria que soasse e me levanto do sofá.
– Onde você está indo? – Sophie me pergunta.
– Não estou a fim de brigar, por isso estou indo para o meu quarto. – solto um suspiro e a encaro. – Espero que você ligue para os nossos pais e explique o quão errada você estava. – a observo mudar de postura.
– Por que é tão difícil de aceitar que você tem uma obrigação com essa família? – Sophie me pergunta.
– Faço a mesma pergunta para você. – sorrio. – Se você está tão preocupada assim, porque não volta você para a faculdade? – pergunto. – Ou você acha que cuidar do hotel será tão fácil sem nenhuma formação? – eu tinha que dar tudo de mim para não entrar em seu jogo no momento.
– Todos nós temos que fazer sacrifícios. – ela indaga. – Acredite eu sacrifiquei toda a minha vida nos Estados Unidos, apenas para voltar para cá e tomar conta dos nossos negócios.
– Primeiramente ninguém pediu para você vir até aqui e brincar de empreendedora. – olho diretamente em seus olhos. – Segundo, não vejo nada que valha meu esforço. – caminho lentamente para o meu quarto.
– Se você não for para a faculdade pode dar adeus ao seu dinheiro. – suas ameaças não eram novidades para mim.
– Faça o que você quiser. – não me dou o trabalho de olhá–la.
– Quem sai perdendo é você. – seu tom de aviso era claro.
– Sophie... – cedendo, eu olho para trás. – Quando nossos pais chegarem, seu sonho irá acabar. – minha voz soa um pouco sarcástica. – Então ficar um tempo sem dinheiro não será problema. – solto uma risadinha para provocá–la.
– Você não entendeu ainda? – minha irmã se aproxima e me encurrala na parede. – Eu não vou embora de Londres, estou me mudando para o hotel permanentemente. – suas palavras me pegam de surpresa.
Na realidade eu estava contando que ela fosse embora logo que meus pais voltassem de Nova York, porém eu estava completamente errada.
– Isso é bom para você. – tento parecer um pouco feliz. – Vai trair seu marido com algum funcionário? – quando me dou conta eu já havia pronunciado tais palavras.
– O que você acabou de falar? – o choque no rosto de Sophie era evidente e eu estava igualmente chocada, pois era algo que devia ter ficado apenas na minha mente e não ao contrário.
– Desculpe! – faço uma careta. – Esqueci que você mudou completamente de personalidade. – tento contornar a situação.
... – minha irmã fecha os olhos e cerra os punhos, por um momento achei que ela fosse me bater. – Não pense em falar essas coisas perto de Derek. – ela me avisa.
– Ou o quê? – ergo minha sobrancelha.
Eu sabia que estava abusando da sorte, porém era um pouco divertido mexer com os sentimentos de Sophie e deixá–la abalada, afinal tudo o que ela estava fazendo era me ameaçar, minhas palavras foram suaves se contar o que ela está fazendo para mim.
– Você sabe que eu nunca traí ninguém. – Sophie tenta se explicar, porém eu solto uma risada sarcástica.
– Será que Derek sabe sobre seu passado realmente? – finjo pensar.
– Não brinque com fogo. – não consigo evitar uma risada ao ouvir seu aviso.
– O que eu posso fazer se eu gosto do fogo? – ergo minha sobrancelha.
Eu não deixaria que Sophie me intimidasse. Ela poderia tirar meu dinheiro, fazer a cabeça dos meus pais, mas nunca me faria mudar de opinião.
– Esse é meu último aviso. – Sophie segura meu braço. – Não abra sua boca para Derek. – mordo minha boca.
– Vamos ver como as coisas irão seguir. – eu me sentia bem por estar no mesmo nível que ela.
– Isso é uma ameaça? – ela me pergunta.
– Você interpreta do seu jeito. – me desvencilho dela e entro no meu quarto.
Por um momento eu me sentia vencedora, era quase como se Sophie e eu estivéssemos em um jogo de xadrez, a cada jogada mais próximas do xeque ficávamos.
Assim que eu entro no meu quarto, percebo que havia uma caixa colocada estrategicamente na minha cama. Sophie sabia muito bem dos meus gostos extravagantes e eu conhecia muito bem sua estratégia de boa vizinhança.
Analiso a caixa por um tempo antes de ceder à tentação e abri–la, e devo admitir que o conteúdo de dentro da caixa me deixou de queixo caído, o vestido era um modelo da minha estilista favorita, e conseguir um vestido dela em prazos curtos era quase impossível, com um suspiro eu o tiro da caixa e analiso cada detalhe cuidadosamente, o tecido era maravilhoso, e apesar dele ser simples, tudo era perfeito.
Depois de analisar o que tinha dentro da caixa, eu volto a organiza–los lá. Minha vontade era de eu me trancar no quarto e não aparecer no jantar que Sophie estava preparando, porém eu tinha algumas coisas para resolver e eu sentia que esse jantar era muito mais do que necessário para eu realizar o que me foi pedido.


***


Antes de abrir a porta do meu quarto eu passo o plano novamente na minha cabeça. Nunca tinha passado pela minha mente que eu iria agir tão rápido, pois eu acreditava que levaria semanas até eu me preparar mentalmente e me sentir confortável em ir contra todo mundo que eu conhecia, mas por incrível que pareça meu coração estava confortável com isso.
Eu podia ouvir a movimentação das pessoas atrás da porta do meu quarto, isso que era apenas um jantar em família que Sophie faria, porém a julgar pelas vozes cada vez mais altas, tinha mais gente do que Sophie falou que teria. Com um suspiro ajeito mais uma vez o vestido que Sophie tinha deixado para mim, e abro a porta do meu quarto, dando de cara com pessoas que eu vinha fugindo nos últimos tempos.
! – sou recebida com sorriso por algumas pessoas.
– Olá! – cumprimento rapidamente às pessoas a minha volta e logo procuro um garçom.
Eu precisava beber para lidar com a situação diante de mim, pois não tinha como passar por essa noite sem álcool no meu organismo. Eu simplesmente sentia repulsa por cada pessoa que estava na nossa casa. A maioria das pessoas que estavam ali estavam por interesse e Sophie parecia não se importar com isso.
! – assim que me avista, Sophie acena para que eu me aproximasse dela. – Você se lembra dos Smith? – ela me apresenta a um casal de aproximadamente quarenta anos.
– Claro! – apesar de não me lembrar deles com clareza, eu ofereço minha mão como cumprimento. – Como vocês estão? – tudo que eu lembrava sobre os Smith era que ambos fecharam negócios com meu pai, mas nunca me preocupei em me aprofundar no assunto.
– Muito bem. – a senhora me responde com um largo sorriso. – Você está ficando cada vez mais linda. – dou um sorriso tímido para ela e aliso meus cabelos em seguida.
– Obrigada! – agradeço.
Procuro sair o mais rápido possível daquele local. Geralmente eu não costumava socializar com as pessoas que meus pais conviviam, pois sempre acontecia alguma coisa. Afinal as pessoas que viviam no círculo social dos meus pais achavam que por terem uma grande quantia de dinheiro, as pessoas a sua volta tinham que aplaudir de pé e concordar com tudo o que falavam. Eu não concordava e essa era uma grande reclamação dos meus pais. Então na maioria das vezes eu não conseguia manter uma conversa civilizada com as pessoas e por conta disso meu circulo social era pequeno, ato que deixava meus pais aterrorizados.
Hipocrisia, eu sei. E apesar de saber que também não sou perfeita e que tem momentos que pareço ser arrogante, eu pelo menos estava tentando mudar, diferente das pessoas que estavam aqui hoje. Eu procurava ser uma pessoa mais humilde a cada dia que passava, mas às vezes eu sinto que falho miseravelmente, pois tem sido muito difícil e eu sei que tudo está relacionado ao tipo de criação que eu tive quando mais nova, não que isso fosse desculpa para os meus atos problemáticos e repugnantes.
! – Alec acena para mim e eu caminho até ele. – Pensei que você não fosse sair do seu quarto.
– Verdade! – Hayden que estava ao lado de Alec se pronuncia. – Ele até me pediu para que eu fosse até lá e chamasse você. – ela sorri docemente para mim.
– Eu estava me preparando para a entrada triunfal. – era um saco ter que agir como se nada de ruim estivesse acontecendo, mas era preciso.
– Que bom que você resolveu se juntar a nós. – Hayden continua falando e ergue sua taça em direção a minha para que pudéssemos brindar.
– Então... Você e Alec? – ergo minha sobrancelha ao encarar os dois juntos. Claro que eu já tinha entendido tudo, só não tinha certeza de que Sophie e Derek tivessem notado.
– O quê? – Alec se pronuncia como se eu tivesse tocado em sua ferida.
– Vocês estão juntos? – sou direta.
– Não! – os dois falam juntos.
– Engraçado. – tomo um gole do meu champanhe. – Vocês parecem tão próximos. – falo com um pequeno sorriso nos lábios.
– Nós apenas conversamos bastante. – Hayden é a primeira a falar.
– E nós moramos juntos. – Alec bagunça seu cabelo, gesto que ele faz quando está nervoso ou mentindo.
– Interessante... – continuo brincando com o casal parado na minha frente.
– Por que você está perguntando isso tão repentinamente? – Alec me pergunta.
– Apenas estava curiosa para saber o que está acontecendo com meu irmão e porque ele não tem atendido minhas ligações. – solto um falso suspiro. – Pensei que quando você falou que estava ocupado, era com a Hayden. – eu sabia que estava jogando sujo, mas não podia deixar essa oportunidade passar.
– Como assim? – Hayden ia ficando cada vez mais vermelha.
– Sabe... Alec e eu conversamos bastante. – dou uma piscadela para Hayden. – Só tomem cuidado. – mudo minha fisionomia completamente.
– Com o que? – Hayden parecia um pouco assustada.
– Não queremos que o caos se instaure com seu irmão, não é mesmo? – eu podia imaginar qual seria a reação de Derek se ele soubesse que meu irmão estava com a sua pequena irmãzinha. – Então... – resolvo mudar de assunto. – Como estão os estudos? – pergunto.
– Entediante. – Hayden entende que quero mudar de assunto e responde prontamente – Mais me aproximei de algumas pessoas. – ela explica com um sorriso nos lábios.
– Fico feliz em saber que você conquistou algumas amizades em tão pouco tempo. – meu objetivo não era deixar a garota sem graça, e sim tentar manter uma conversa para que o tempo passasse mais rápido, mas existiam coisas que eram impossíveis.
– Sophie disse que hoje é uma noite muito importante, vocês sabem por quê? – Hayden encara Alec e eu.
– Não faço ideia. – encaro meu irmão com expectativa, pois eu tinha certeza de que ele sabia alguma coisa.
– Vai ser uma surpresa adorável. – ele apenas sorri para nós e corta o assunto rapidamente.
Novamente me vejo em um local onde a conversa era supérflua, e com uma desculpa eu saio rapidamente dali, começando a andar pelo apartamento.
A maioria das pessoas que se encontravam aqui eram amigos de Sophie, claro que ela não os deixaria de fora, afinal ela queria mostrar o seu recém poder adquirido, o que eu achava uma perda de tempo.
Todos nós conhecíamos o nosso pai, em um momento você é completamente necessário, no outro ele descarta você como se fosse lixo. Sophie estava criando uma ilusão muito bem construída de que mesmo nossos pais voltando de Nova York ela continuaria no poder. Se bem conheço meu pai, é capaz dele começar a ensinar para Alec os negócios da família.
E eu achava que Madison estava certa quando tinha dito que meu pai queria Alec, até porque, por exemplo, meu pai era o único filho homem e ele herdou a maior parte da herança dos meus avós, deixando minhas tias apenas com uma grande pensão, mas de mãos atadas quanto a cuidar dos negócios da família.
– Quanto tempo, . – congelo ao ouvir uma voz muito conhecida e juro que se não fosse todo o meu autocontrole, eu teria avançado na pessoa parada na minha frente.
– Oliver. – falo entredentes. – O que você está fazendo aqui? – pergunto enquanto olho tudo ao meu redor.
– Fui convidado. – ele mantinha uma postura relaxada, atitude que estava me deixando muito incomodada.
– Não acho que você deveria estar aqui. – minha voz não passa de um sussurro.
– Por quê? Está com saudades dos velhos tempos? – ele se aproxima de mim.
– Não se aproxime Oliver. – aviso enquanto tento não fazer uma cena.
– Pelo que eu vejo você ainda continua sendo uma pessoa completamente rancorosa. – solto um chiado.
– Você tem algum problema? – algumas pessoas estavam nos olhando.
– Apenas queria poder conversar com você em particular, . – bufo.
– Pena que isso não irá acontecer. – cruzo meus braços.
Sophie tinha sido muito baixa em chamar Oliver para sua pequena celebração.
– Seja cordial, as pessoas estão nos encarando. – ele acaricia meu braço.
– Não faça isso! – imediatamente tiro sua mão.
– Pensei que poderíamos ser maduros, mas estou vendo que a única pessoa madura aqui sou eu. – eram inacreditáveis as palavras que saiam da sua boca.
– Babaca! – tento sair dali, porém sou encurralada. – Me deixe passar. – o encaro de cima a baixo.
– Só depois que nós conversamos. – seu tom de voz me incomoda e eu fecho meus olhos e conto até dez para que não cometesse uma loucura nesse momento, eu não queria colocar meu plano por água abaixo por causa de um ex–namorado.
– Não existe nenhum tipo de conversa com você. – bufo.
– Está acontecendo alguma coisa aqui? – eu praticamente solto um suspiro em alivio por ver um rosto conhecido.
... – praticamente choro ao ver meu melhor amigo parado bem atrás de Oliver.
– Está acontecendo alguma coisa aqui? – ele pergunta novamente, dessa vez encarando Oliver.
– Como sempre se metendo onde não deve, . – Oliver e nunca se gostaram, e hoje em dia eu realmente entendo o sentimento que tinha por Oliver. – Espero que possamos conversar em algum momento, sem interrupções. – Oliver passa por , esbarrando nele propositalmente.
– Obrigada! – sorrio aliviada assim que Oliver sai.
– O que esse cara está fazendo aqui? – me pergunta.
– Acho que Sophie o convidou. – minha voz soa pensativa.
– O que sua irmã tem na cabeça? – tenta a todo custo não falar alto.
– Não tenho ideia. – dou de ombros. – Na realidade estou surpresa por ela ter convidado você. – abraço meu amigo rapidamente.
– Não só eu! – ele fala. – está por ai com no seu pé. – sempre foi uma pessoa afetuosa com todos, mas depois de tudo o que falou sobre , passou a ter um pé atrás quando se tratava do cara.
– Me sinto aliviada por ter pessoas que eu gosto aqui. – abro um sorriso enorme e encaro . – A propósito, você está perfeito nesse terno. – dou uma piscadinha para ele e logo avisto . – Vamos lá! – seguro a mão de e caminhamos até minha amiga.
– Nossa! – essa é a primeira palavra que fala a me ver. – Você está perfeita nesse vestido. – ela segura minha mão e me faz dar uma voltinha.
– Gostou? – pergunto para ela e analiso meu vestido novamente.
– Amei. – me abraça. – A propósito, esse jantar foi um choque. – ela comenta. – Sua irmã me ligou em cima do laço. – reviro meus olhos.
– Típico dela. – me viro para encarar . – Olá! – o cumprimento.
. – ele acena com a cabeça.
O tempo passa um pouco mais rápido com meus amigos ao meu lado, mas nada me faz superar o desconforto que eu estava sentindo no momento.
Eu estava um pouco sufocada com tanta gente no nosso apartamento e, o pior de tudo, irritada pelo fato de Sophie ter convidado meu ex–namorado para estar presente em seu jantar.
Claro que eu tinha uma breve noção de que ela tinha feito isso para demonstrar que ela sabia jogar sujo, porém eu também sabia, e ela não tinha ideia do que a aguardava.
– Você quer dar uma volta? – acho que notou que eu estava inquieta.
– Podemos fazer isso? – eu praticamente choro de alivio.
– Claro. – passa a mão pelas minhas costas e me guia para saída, porém quando estávamos prestes a abrir a porta somos abordados por Sophie.
– A onde você vai? – ela nem se dá o trabalho de encarar .
– Preciso tomar um ar. – explico.
– O jantar será servido em breve. – Sophie mantém sua postura relaxada para que as pessoas não soubessem que eu estava sendo repreendida.
– Voltamos antes disso. – responde por mim e me guia pela saída.
– Você não tem que defender ela em tudo . – minha irmã soa um pouco rancorosa.
– Não estou defendendo ninguém. – abre um sorriso. – Até porque é capaz de cuidar de si mesma. – dou um olhar de agradecimento para ele e então saímos rapidamente.
– Obrigada. – agradeço assim que saímos do apartamento.
– Você sabe que não precisa me agradecer, . – dá um tapinha na minha cabeça. – Vamos para o terraço? – ele me pergunta.
– Na realidade... – mordo meus lábios, um pouco ansiosa.
– O que? – ele me encara confuso.
– Preciso fazer uma coisa, você me ajuda? – pergunto esperançosa.
– Sempre. – me encara, e eu me sinto muito sortuda, pois mesmo não sabendo o que eu tinha que fazer ele aceitou me ajudar sem nem pensar duas vezes.

Capítulo Quatorze

Assim que eu saio do nosso apartamento eu praticamente corro para o escritório do meu pai. Eu precisava ser rápida para que ninguém desconfiasse do que eu estava fazendo, no fundo eu sabia que não era certo, porém era inevitável ser feito. Se eu não fizesse o que Madison pediu, eu sairia prejudicada, não por ela, pois Madison não podia fazer mais nada estando longe do hotel, porém era Sophie e suas atitudes que me preocupava, ela estava tão séria sobre me mandar para a faculdade, que eu não sabia o que minha irmã poderia fazer enquanto estivesse em Londres.
Eu precisei ser coesa a partir do momento em que as atitudes que minha família vinha tomando poderiam me prejudicar futuramente, e não falo apenas do dinheiro, mas como o pacote completo. Penso comigo mesma de que o que eu tinha acabado de fazer não iria me prejudicar em nada, não era como se eu estivesse passando informação do hotel para uma pessoa completamente estranha, pelo contrario, eu estava passando informação para Madison, a filha mais velha do proprietário.
– Podemos ir? – me pergunta assim que olha para os dois lados do corredor.
– Sim. – balanço minha cabeça positivamente. Eu odiava ter que envolver nessa situação, porém ele era a pessoa que eu mais confiava no mundo.
– Deu tudo certo? – se aproxima de mim e sussurra no meu ouvido.
– Sim! – eu seguro a barra do meu vestido um pouco mais em cima e começo a caminhar, chamando para me seguir para o elevador privativo.
– Você quer realmente voltar para o apartamento? – ele me para de repente, antes das portas se abrirem.
– Eu tenho que voltar. – faço um suspense.
– Por quê? – para na minha frente com as mãos na cintura.
– Porque eu preparei uma surpresinha para Sophie. – pisco para e entro no elevador, sendo acompanhada por ele.
– O que você preparou? – ele me observa com cautela.
está vindo passar a noite conosco. – abro um sorriso enorme.
Mais cedo eu tinha prometido que iria jantar com , então eu precisava manter minha palavra, e por conta disso acabei convidando para ficar com a gente no nosso apartamento. Claro que eu pensei que seria apenas a minha família no momento que o convidei, por isso quando saio do meu apartamento eu mandei uma mensagem para e perguntei se ele se importava em ter mais pessoas no local.
– Você acha que é uma boa ideia? – ouço um suspiro vindo de .
– Eu prometi que iria jantar com ele essa noite. – me explico. – Sei que não é a melhor ideia, mas é um cara legal. – faço um biquinho.
... – me encara, deixando expressa sua opinião.
– Por favor, . – eu sabia que ele não acharia uma boa ideia, mas eu realmente não queria ter que desmarcar meu "jantar" com , por isso mandei uma mensagem para ele enquanto me arrumava, avisando que os planos tinham mudado.
– Você vai arcar com as consequências dos seus atos? – meu melhor amigo segura a porta do elevador para que ela não fechasse.
– Eu sempre arco. – cruzo meus braços e o encaro.
– Então ok. – ele acena para que eu entre e depois me segue.
Depois das palavras silenciosas de me pergunto se eu estava sendo um pouco egoísta em arrastar para a loucura que era minha família. Eu conhecia todos muito bem para saber que depois que a festa terminasse, ambos iriam vir até mim e falar que eu estava usando para conseguir uma oportunidade como cantora.
Típico deles.
– Se você precisar de ajuda, é só chamar. – segura minha mão delicadamente antes de sairmos do elevador.
– Você sempre está do meu lado, mesmo quando sabe que eu posso arruinar tudo. – dou um sorriso de lado.
– Eu sempre vou estar do seu lado. – leva minha mão até seus lábios. – Mais se lembre de que eu sempre deixarei minha opinião clara. – ele beija minha mão delicadamente.
– E qual sua opinião sobre isso? – pergunto enquanto me refiro a nossa conversa anterior.
– Não acho certo você querer usar para irritar sua irmã, porém eu sei que nada do que eu fale irá fazer você mudar de ideia. – suspira antes de voltar a falar. – Por isso irei me certificar que ele não sofra nenhum dano. – reviro meus olhos.
– Desse jeito parece que eu sou uma pessoa ruim. – cruzo meus braços.
– Você não é uma pessoa ruim... – ele para de falar de repente.
– Mas? – pergunto.
– Você só é um pouco mimada. – ele solta uma risada curta. – Mais não se preocupe, amo você do mesmo jeito. – me puxa para um abraço.
– Odeio quando você me chama de mimada. – minha voz soa um pouco abafada.
– Mais essa é a realidade. – me solta. – Você quer saber outra realidade? – ele me pergunta e eu balanço minha cabeça positivamente. – Você tem melhorado bastante, . – ele abre um sorriso enorme e depois enlaça seus braços no meu. – Vamos! Acho que alguém tem que brilhar. – pisca para mim.
Ao abrir a porta sou imediatamente sugada para uma atmosfera de luxuria, era inegável o glamour que nossa casa exalava, e Sophie tinha convidado pessoas que complementavam ainda mais o local e deixava tudo em chamas. Quando sai mais cedo, não existia nem metade dessas pessoas no local. O jantar que Sophie tinha preparado era para ser algo pessoal, porém ela tinha convidado tantas pessoas, que por um momento fiquei atordoada.
– Tem muita gente aqui. – encaro , que estava embasbacado.
– Verdade. – solto um suspiro e assumo uma postura mais cordial. – Espero que não demore muito para terminar. – meu maior desejo era que o jantar terminasse o mais breve possível, mas ao ver a quantidade de pessoas que chegaram até o momento, eu sabia que isso iria se prolongar.
– Parece que seu príncipe encantado já está aqui. – sussurra no meu ouvido e inclina levemente a cabeça em direção ao local que estava.
– Ele não é meu príncipe encantado. – faço uma careta, que parecia estar divertindo .
– Acho que ele seria perfeito para você. – ele continua sussurrando no meu ouvindo, porém agora me empurra levemente para que pudéssemos ir até o local que estava. – ! – se não queria chamar a atenção, ele não deveria ter praticamente berrado o nome de . – Que surpresa! – meu amigo conseguia ser um bom ator quando necessitava.
... – parecia um pouco constrangido diante do chamado caloroso de . – . – encaro da cabeça aos pés e fico chocada em como ele estava perfeito.
. – me aproximo dele e o cumprimento. – Desculpa por isso. – aceno para ele.
– Tudo bem! – dá de ombros. – Acho que vai ser uma experiência interessante. – solto uma pequena risada e pego uma taça de champanhe para mim.
– Pode apostar que vai. – tento ironizar o mínimo possível.
– Onde você estava? – semicerra os olhos, encarando eu e depois .
– Eu precisava tomar um ar. – explico.
– Você podia ter ido até a sacada. – ouço um suspiro vindo de .
– Não seja assim, . – ele fala lentamente.
– Não seja assim? Vamos lá! – passa a fazer birra e eu acabo bebendo em um único gole meu champanhe. – O que vocês dois estavam fazendo? – nos últimos dias tinha invocado que e eu estávamos em um relacionamento e isso estava começando a me deixar desgastada.
– Eu já disse, . – volto a explicar. – Eu precisava tomar um ar. – tento inutilmente suavizar o tom de voz, mas nesse momento era impossível.
– Estamos entre amigos. – ela volta a falar. – Se vocês dois estão juntos, porque não falar disso de uma vez? – minha melhor amiga coloca a mão na cintura e eu fecho meus olhos.
– Não falamos sobre isso porque não existe relacionamento nenhum, . – olho para rapidamente e vejo o quão irritado ele estava.
– Vocês me irritam! – é taxativa. – Isso tudo porque está aqui e você não quer dar o braço a torcer. – ela continua falando e eu reviro meus olhos.
– Você está enganada, . – solto um bocejo. – Eu e não temos nada além de amizade. – sorrio para ela. – E esse assunto já está ficando chato, então podemos esquecer isso? – ergo minha sobrancelha para ela.
– Isso não acaba aqui. – parecia emburrada, mas eu não iria me estressar por conta das suas birras.
– Sabe, ... – de repente fala, com um sorriso nos lábios. – Não tem como e estarem juntos. – ele fala convicto.
– E por que você acha isso? – os encaro com expectativa.
– Porque nós dois estamos juntos. – se eu estivesse bebendo nesse exato momento eu teria engasgado com certeza.
O silencio é absoluto, eu olho para sem entender o porquê de ele estar falando isso e exclusivamente de uma maneira que desse a entender que nós dois realmente estivéssemos juntos. Olho para o lado e vejo bebendo seu champanhe para esconder uma risada, e ao encarar minha melhor amiga percebo que ela estava chocada.
– Como assim? – parecia em transe.
– Não preciso repetir o que eu tenho certeza que você ouviu. – estava relaxado demais.
– Acho que você está mentindo. – ela semicerra os olhos.
– Será? – pergunta enquanto mantém o contato visual. – Então por que eu estaria aqui? – eu tenho que dar um ponto pela criatividade e outro pela atuação de .
– Isso é muito estranho. – ela continua nos encarando. – Como que eu não soube? – olha para mim.
– Porque eu pedi segredo. – me cutuca na cintura, sutilmente, e eu quase consigo escutar uma risada abafada vindo de .
– Exatamente! – falo. – Não queremos que ninguém descubra sobre nós. – aponto para e para mim. – Então podemos não falar sobre isso? – pergunto.
– Isso é muito suspeito. – não parecia convencida. – E você, ? Irá aceitar facilmente saindo com ? – ela encara com um sorriso enorme.
– Não vejo problemas de ela ter uma amizade com e muito menos em sair com ele. – assume uma postura mais séria. – E acredito que isso deva ser discutido entre e eu, e não com você. – ele dá um sorriso final.
– Depois não quero ver você chorando pelos cantos por descobrir uma traição. – engulo em seco depois de ouvir as palavras duras de .
– Acho que não se chama . – sinto parar ao meu lado. protetoramente.
– O que você quer dizer com isso? – pergunta.
– O que quer dizer é que sabemos muito bem o que você fez com . – dou um sorriso para ele.
– Vamos mudar de assunto! – minha amiga muda à postura de repente ao ver que o final da conversa iria sobrar para ela.
– Isso seria maravilhoso. – tento esconder o sarcasmo na minha voz. – Sobre o que você gostaria de falar? – pergunto.
– Podemos falar sobre qualquer coisa, menos sobre meu relacionamento com . – tenho que morder minha língua para não falar o que eu estava pensando no momento.
– Tudo bem! – dou de ombros. – Quando minha irmã falou com você? – pergunto e assim que abre a boca para falar alguma coisa minha irmã aparece.
– Finalmente achei você! – ela passa os braços pelos meus ombros amigavelmente. – Podemos conversar um momento? – Sophie aperta meu ombro com um pouco de força.
– Claro! – sorrio cordialmente e aceno para meus amigos. – O que você precisa? – pergunto para Sophie enquanto caminhamos para a cozinha.
– O que está fazendo aqui? – ela continua sorrindo enquanto fala calmamente.
– Eu o convidei. – aceno para algumas pessoas que me cumprimentavam enquanto andávamos.
– Por que você convidaria , ? – eu podia sentir que Sophie estava louca por conta da presença de .
– Porque tínhamos um encontro hoje. – finalmente paramos de caminhar.
– Vocês tinham o que? – minha irmã arregala os olhos, como se não pudesse acreditar no que tinha acabado de ouvir.
– Um encontro. – finjo sussurrar para ela.
– Isso não é possível! – Sophie muda sua postura ao colocar as mãos na cintura.
– Por quê? – ergo minha sobrancelha. – Não sou o suficiente para ele? – pergunto.
– Exatamente! – minha irmã balança a cabeça. – Isso é um jogo? – Sophie estreita os olhos.
– Jamais faria isso com você. – dou um pequeno sorriso. – Posso voltar para os meus amigos? – pergunto inocentemente.
– Isso não acaba por aqui, amanhã nós iremos conversar. – Sophie fala no meu ouvido para que ninguém ouvisse sua ameaça.
– Amanhã. – balanço minha cabeça positivamente e saio de perto dela com um sorriso satisfatório no rosto.
Volto para o local que eu tinha saído minutos antes ainda com um sorriso nos lábios, assim que chego perto de e percebo que nem e nem estavam por ali.
– Onde está ? – pergunto ao me aproximar.
– Foi embora. – me entrega mais uma taça de champanhe.
– Não ficou para comer? – pergunto estranhando tal atitude.
– Ela disse que tinha algumas coisas para resolver. – dá um sorriso de lado.
– Ela sempre tem. – tomo um pouco de champanhe e solto um suspiro. – A propósito, obrigada . – ergo minha taça levemente.
– Foi engraçado. – ele dá de ombros.
– Você não sabe onde se meteu. – avisa.
– Sério? – parecia pensativo. – Acho que uma pequena mentira não faz mal a ninguém. – ele continua com um ar sossegado.
– Você não conhece , . – solto uma risada, porém me fecho rapidamente ao notar que Oliver ainda estava aqui. – Por que ele não vai embora? – sussurro.
– Ele quem? – olha ao redor.
– Meu ex–namorado. – faço com desprezo.
– Uau! – parecia surpreso. – Quem o chamou? – ele pergunta.
– Sophie, minha irmã. – reviro meus olhos.
– Juro que eu não entendo ela. – se pronuncia. – Ela sabe muito bem as merdas que Oliver fez, e ver ele aqui hoje como se nada fosse nada... – observo meu melhor amigo fechando os olhos com força. Eu entendia muito bem a raiva que ele estava sentindo no momento.
... – o chamo. – Ela quer desestabilizar. – explico. – Tente não ligar para isso hoje. – tento sorrir.
– O que tem esse cara? E o que ele fez para você? – pergunta, chamando nossa atenção.
– Ele se aproximou apenas para fechar um contrato com meu pai. – semicerro meus lábios. – Enquanto ele estava "namorando" comigo. – faço aspas no ar. – Ele tinha uma noiva. – balanço minha cabeça.
– Mentira! – estava aterrorizado.
– Verdade. – dou de ombros.
– Como você descobriu? – ele pergunta de repente.
– Eu descobri. – se pronuncia.
– Sério? – ainda parecia atordoado com a informação.
– Ele foi até um dos meus bares. – explica. – Oliver só não sabia que eu era dono. – o vejo fechar suas mãos fortemente. – Eu dei o meu melhor para não brigar com ele naquela noite.
– Eu sei. – faço uma careta. – Depois disso eu não tive mais nenhum relacionamento. – explico.
– Isso é triste. – observo colocar as mãos dentro do bolso da calça.
– Essa é a minha realidade desde que virei adolescente. – durante toda a minha adolescência eu passei por isso.
Era algo que estava destinado, eu acho. Eu sempre tive pessoas interessadas em mim, principalmente na escola. Geralmente os garotos se aproximavam quando descobriam sobre a minha família. Como eu disse diversas vezes meu pai é muito conhecido no ramo da hotelaria, mas antes dele tinha meu avô e assim por diante.
Minha família é muito conhecida pela mídia, e isso fazia com que não só os garotos, mas como garotas se aproximassem de mim com segundas intenções. Na maioria das vezes meus pais usavam essa situação como moeda de troca, eu ganhava tudo que eu quisesse e em troca eu tinha manter essas amizades próximas para que meus pais se beneficiassem dos pais dos "meus" amigos.
– Ainda bem que você tem pessoas de confiança ao seu redor. – ele aponta para .
– Me sinto feliz com meu circulo de amizade reduzido. – solto uma risada.
– Garanto para você que assim é melhor. – sorri de lado e sua covinha aparece. – O quê? – ele pergunta assim que percebe que eu estava encarando muito ele.
– É só que tanto você quanto têm covinha e eu acho tão bonitinho. – abaixo minha cabeça, envergonhada.
– Sério? – olha para , que estava rindo da situação.
– Ela ama covinhas. – reviro meus olhos, sem encarar nenhum dos dois.
... – faço manha.
– O quê? Estou falando a verdade. – ele dá de ombros.
– Você está me deixando ainda mais envergonhada. – explico.
– Desculpa. – ele pede, rindo.
– Tudo bem! – bato no braço dele. – Não escute o que está falando, às vezes ele delira. – encaro .
– Eu achei muito interessante as informações de . – o defende.
– Você fala isso porque agora sabe que meu ponto fraco são as covinhas. – falo, como se fosse óbvio.
– Na realidade eu não sabia que covinhas eram seu ponto fraco. – parecia estar se divertindo ainda mais.
– Não podemos esquecer as sardinhas, ela ama pessoas com sardinhas. – se junta a para me deixar sem graça.
– Vocês dois não tem mais nada par fazer? – cruzo meus braços.
– É um prazer incomodar você. – se eu não estivesse completamente produzida, teria bagunçado meu cabelo completamente. Ele tinha essa mania.
– Nem pense em fazer isso, . – aponto meu dedo para ele.
– Por quê? Seria um pouco interessante incomodar você. – ele mostra a língua para mim.
– Não queira entrar nessa briga. – assumo uma postura séria.
– O que você faria? – ele me pergunta decidido.
– Espere e verá. – mecho minhas sobrancelhas.
– Ela é só um chihuahua. – e batem na mão um do outro.
– Vocês são péssimos. – balanço minha cabeça, mas no fundo eu estava feliz apesar de tudo a minha volta estar desmoronando.


***


O jantar foi servido logo em seguida e as pessoas se acomodaram como podiam para fazer uma boa refeição. Eu não estava com muita fome, mas precisava comer, pois tinha bebido mais do que o necessário nessa noite.
Eu tinha dito para mim mesma que não iria beber até eu passar na audição, mas eu sabia que se eu não bebesse ao menos uma taça de champanhe as pessoas ao meu redor iriam estranhar. Todos ali sabiam que eu amava champanhe e que amava beber, então como eu não queria chamar mais atenção do que já estava, eu bebi.
Assim que o jantar acaba eu faço questão de acompanhar até a saída do hotel e aproveitou essa oportunidade para me seguir até o hall de entrada.
Algumas pessoas estavam dirigindo olhares curiosos em nossa direção, porém ninguém falou absolutamente nada, principalmente nossos funcionários, que eram instruídos a não falarem sobre nada que vissem dentro do hotel.
Despeço–me de rapidamente enquanto coloco meu amigo dentro de um taxi e volto para dentro do hotel.
– Obrigada por essa noite. – caminho com até a porta do seu quarto.
– Na realidade eu lhe devo desculpas. – falo em um tom mais baixo.
– Por quê? – me encara, confuso.
– Levei você para um jantar com diversas pessoas no local. – explico.
– Não se preocupe com isso, eu avisei para meu agente que iria jantar na sua casa. – sinto a sinceridade de . – Ele inclusive me incentivou a ir. – ele sorri.
– Agradeça seu agente por mim. – paramos na frente de seu quarto finalmente. – E obrigada por essa noite. – olho para o chão rapidamente.
Eu não era uma pessoa que agradecia os outros com frequência, então esse gesto ainda me deixava um pouco desconfortável.
– Não precisa me agradecer. – coloca sua mão delicadamente no meu queixo e o levanta. – Eu realmente gostei de passar um tempo com você, mesmo que isso inclua conhecer sua família no processo. – ele solta uma risada. – E eu realmente gostei de passar mais tempo com . Ele é um cara legal e entendo porque vocês são tão próximos. – semicerro meus olhos.
– Você quer a mim ou a ? – cruzo meus braços e o encaro.
– Eu quero você. – ele sussurra e encara meus lábios.
– Isso seria muito mais fácil se eu não tivesse algo em jogo. – molho meus lábios.
– E o que seria? – me pergunta.
– Eu tenho uma audição em alguns dias. – me afasto um pouco de para manter um limite seguro para minha sanidade. – E você me distrair não é o plano. – explico.
– Eu seria um problema? – me encara.
– Você ser um cantor é um problema. – solto um suspiro.
– E por que seria? – ele continua me fazendo perguntas.
– Porque não quero que você ou qualquer pessoa pense que estou te usando, para me tornar cantora. – dou um sorriso de lado.
– Eu não me importo de ser usado. – ergue uma sobrancelha.
– Mais eu me importo. – eu realmente estava decidida em me manter firme na minha promessa, porém ter próximo de mim estava se tornando muito tentador.
– Ninguém precisa saber. – ele sussurra.
– Droga! – passo a mão pelos meus cabelos. – Não podemos. – digo decidida.
– Tudo bem! – fala, compreensivo. – Boa noite? – solto uma risada com a sua pergunta.
– Sim. – balanço minha cabeça. – Boa noite. – me despeço dele com um aceno e começo a caminhar pelo corredor.
! – me chama de repente.
– Sim? – me viro para encara–lo.
– Juro que você não vai se arrepender. – começa a rir.
– Quem sabe um dia? – pergunto.
– Vou aguardar ansioso. – ele abre a porta do seu quarto. – Só espero que quando você se tornar famosa não se esqueça disso. – para no batente da porta e continua me encarando.
– É uma promessa. – ergo meu dedo no ar e faço uma pequena continência para ele.
– Irei cobrar! – começo a rir e dou as costas para ele.
Se eu continuasse ali a qualquer momento eu mudaria de ideia e ficaria com , então a melhor solução é forçar meus pés a se mexerem no momento.

Capítulo Quinze

Acordo o mais cedo possível para não ter que me encontrar com Sophie no apartamento. Pela noite de ontem eu sabia que minha irmã iria dormir até mais tarde. Ela tinha feito questão de se exibir para todo mundo na noite anterior, e tenho certeza de que ela esbanjou muito dinheiro apenas para poder mostrar seu recém poder adquirido para as pessoas.
Eu não estava a favor dessa decisão, mas desde que meu pai tinha ligado e deixado claro que Sophie estava no comando, eu não poderia falar absolutamente nada. Só esperava que meu pai não caísse do cavalo quando chegasse ao hotel, ou que minha irmã não levasse o hotel ao desastre.
Decidida a não ter que conversar com ela, eu praticamente ando nas pontas dos pés até a saída do apartamento, e noto a bagunça que ele estava. Ninguém tinha limpado o apartamento na noite anterior, e eu realmente sentia pena das pessoas que teriam que organizá–lo hoje.
Saindo do apartamento solto um suspiro aliviada por não ter sido pega. Eu já estava saturada de ter que sair de fininho da minha própria casa, mas era inevitável, afinal as brigas estavam me deixando ainda mais cansada.
Chegando ao térreo do hotel eu começo a caminhar para o restaurante apenas para apreciar um bom café da manhã, porém no meio do caminho sou abordada por completamente sorridente.
– Olá raio de sol! – eu olho para os lados para ver se ele estava falando com outra pessoa.
– Hoje eu sou raio de sol? – solto uma risada.
– Sim! – para na minha frente, sorrindo. – Ver você acabou iluminando ainda mais o meu dia. – reviro meus olhos e volto a caminhar para o meu destino. – Onde você está indo? – ele continua me seguindo.
– Tomar café da manhã. – aponto para o restaurante.
– Ótimo! Ainda não tomei café da manhã. – continua sorrindo para mim e eu semicerro meus olhos.
– O que está acontecendo com você? – o encaro como se algo estivesse errado.
– Acordei feliz! – ele coloca as mãos no bolso e entra comigo no restaurante.
– Isso é estranho. – faço uma careta.
– Eu estar de bom humor? – me encara, abismado.
– Geralmente não encontro você esse horário. – dou de ombros e escolho uma mesa.
– Verdade. – ele me encara pensativo. – Temos que mudar isso antes de eu ir embora. – se apoia na mesa e começa a folhear ao cardápio lentamente.
– Logo você vai embora? – pergunto curiosa.
– Minha casa está quase pronta. – levanta um pouco a cabeça e sorri para mim. – Eu adorei ficar no hotel, mas nada melhor do que ficar na nossa casa. – ele comenta.
– Bom... – semicerro meus olhos. – Eu nunca tive essa experiência. – dou de ombros.
– Sério mesmo que em nenhum momento você morou em uma casa? – me pergunta baixinho.
– Juro. – solto uma risada. Muitas pessoas tinham essa curiosidade.
– Tenho pena de você. – encosta–se à cadeira e me encara. – Nunca passou pela sua cabeça sair de casa? – ele me pergunta de repente.
– Já sai de casa! – cruzo meus braços e o encaro.
– Mentira! – ele parecia não acreditar muito em mim.
– Verdade! – solto uma risada. – Porém não durei muito tempo e voltei. – explico.
– Como assim? – me pergunta.
– Meus pais cortaram todo o meu dinheiro. – dou de ombros.
– Era só você trabalhar. – ele me encara como se fosse uma solução óbvia.
– Fui criada de um jeito do qual nunca precisei me preocupar com trabalho. – suspiro. – Morei com a mãe de por quatro meses, mas acabei voltando para casa porque não queria que ela me sustentasse. – faço uma careta.
– Você e são bem próximos, não é mesmo? – me pergunta.
– Sinceramente? – o questiono. – Ele é quase como se fosse minha alma gêmea, mas não no sentindo romântico, entende? – pergunto para , que começa a rir.
– Não entendo muito bem porque nunca tive essa proximidade com ninguém, mas é bem visível que vocês se preocupam um com o outro. – parecia satisfeito.
– Por muito tempo ele foi meu porto seguro, então é comum nós sermos desse jeito um com o outro. – somos interrompidos por um garçom.
– Senhorita . – ele me cumprimenta rapidamente e encara . – Vocês estão prontos para fazer o pedido? – o garçom pergunta.
– Vou querer um café americano e waffles. – sorrio para ele, gentilmente.
Tudo o que eu não queria no momento era aumentar a tensão que os funcionários estavam sentindo pela mudança administrativa então tento ser o mais gentil possível.
– Vou querer um café americano e ovos mexidos com bacon. – fecha o cardápio e entrega para o garçom.
– Um café típico de americano. – sorrio.
– Tenho que manter uma boa alimentação, geralmente por conta da dança eu emagreço muito rápido. – reviro meus olhos, mas o entendo completamente.
– Sei como é. – um silêncio constrangedor toma conta do espaço que estávamos.
? – me chama, quebrando o silencio desconfortável que havia aparecido.
– Sim? – me apoio delicadamente na mesa para encará–lo.
– Você quer dar um passeio comigo depois do café? – ele me pergunta.
– Se isso envolve caminhadas e possivelmente um reconhecimento dos seus fãs, não. – imediatamente me lembro do momento embaraçoso que tivemos na cafeteria há alguns dias atrás.
– Não vamos caminhar. – me responde rapidamente. – Na realidade eu tenho um compromisso agora de manhã e acho que seria legal você ir comigo. – ele faz um biquinho.
– Irá falar para aonde iremos? Ou irá fazer surpresa que nem a caminhada? – o encaro com os olhos semicerrados.
– Juro que é uma surpresa boa! – ele ergue sua mão para cima. – Podemos ir? – encarar na minha frente, praticamente implorando para sair com ele era tentador de mais.
– Ok! – resolvo ceder novamente.
Logo em seguida nossa comida chega e fazemos nossa refeição silenciosamente. Nós éramos estranhos um para o outro, mas por incrível que pareça existia uma força que constantemente me puxava para perto de .
Quando terminamos nosso café da manhã eu subo para trocar de roupa. Por sorte minha irmã não estava no apartamento, o que agradeci mentalmente por isso. Eu não queria ter que me explicar para ela, e muito menos falar que eu estava saindo com .
Assim que fico pronta me encontro na saída lateral do hotel. No hotel nós tínhamos dois tipos de entrada/saída, a dos funcionários e outra para pessoas famosas, porém nos últimos anos os fotógrafos descobriram essa saída e, por conta disso, meu pai decidiu inverter e hoje chamávamos a saída dos famosos de "saída dos funcionários" como uma espécie de código.
Um carro estava esperando por nós na saída e imediatamente entramos nele.
Eu queria saber para onde estávamos indo, porém reforçava que eu não precisava me preocupar e que logo eu saberia.
Esse logo levou quase uma hora. Quando percebi que estávamos nos afastando cada vez mais da cidade e entrando em um local mais rural, então eu mandei minha localização para apenas por segurança. Eu sabia que não faria nada comigo, porém eu precisava que alguém soubesse onde eu estava para o caso de eu ficar sem sinal ou algo do gênero.
– Chegamos! – abre a porta com uma felicidade enorme.
– Onde estamos exatamente? – pergunto quando ele para próximo da porta do carro, encarando o local.
– Estamos no orfanato da senhorita Mackenzie. – ergo minha sobrancelha. Eu era um pouco leiga com os orfanatos que tínhamos espalhados por Londres, apesar da minha família ser uma grande doadora.
– Eu costumo vir aqui cantar para as crianças quando estou passando as férias. – arregalo meus olhos em surpresa.
– Sério? – pergunto.
– Uhum. – parecia um pouco envergonhado, o que me faz rir.
– Nunca estive em um orfanato antes. – falo pensativa ao encarar o local.
– Sério? – é a sua vez de me encarar curioso.
– Uhum. – faço um barulho com a boca. – Geralmente quem está envolvida com esses assuntos é minha mãe. – saio do carro e o encaro. – Ela sempre falou que não existia necessidade da gente se envolver nesses assuntos. – dou um sorriso sem graça para ele.
– Uau! – parecia chocado. – Teria sido muito mais interessante se vocês tivessem se envolvido. – ele dá de ombros.
– Nós íamos nos jantares beneficentes. – acho que esse foi o gesto mais próximo que cheguei de um orfanato realmente.
– Que bom que você está aqui comigo então. – me puxa pelas mãos. – Se você olhar pelo meu ponto de vista, você irá se apaixonar pelas crianças. – ele sorri para mim e começa a caminhar para a entrada do orfanato.
– Espere! – olho para ele de repente. – Não estou muito chique para um local como esse? – encaro minha roupa.
– Você está linda. – me elogia e eu balanço minha cabeça.
– Não foi isso que eu perguntei para você. – respondo.
– Não se preocupe com isso, se eu achasse que você estivesse chique demais, eu teria falado alguma coisa. – me conforta.
– Ok. – arrumo meu cabelo e começo a caminhar ao seu lado novamente.
O local que acolhia o orfanato era um casarão antigo, com tijolos alaranjados que estavam desgastados por conta do tempo. Seu jardim era impecavelmente tratado e eu podia sentir o cheiro das flores ao redor dela.
Apesar de ser um orfanato, o local era bastante silencioso, eu conseguia ouvir o barulho das árvores de acordo com o vento. me conduz para dentro do local e eu ainda me sentia um tanto quanto surpresa.
Claro que eu já tinha visto casarões assim antes, mas nunca tinha entrado em um de verdade. Quando isso acontece eu fico surpresa, o hall de entrada era praticamente intocado, ele ainda tinha moveis e uma aparência muito escura, algo comum dos casarões que não eram reformados com frequência e mantinham sua originalidade.
– Senhor . – uma senhora se aproxima de nós com um sorriso enorme, pelas suas roupas ela deveria ser a pessoa responsável por todas as crianças.
– Senhorita Mackenzie. – se aproxima dela e a cumprimenta de maneira galanteadora. – Deixe–me apresentar minha amiga, . – ele me puxa delicadamente para frente.
– Olá! – a cumprimento cordialmente.
– Acho que já ouvi seu nome em algum lugar. – ela me encara da cabeça aos pés. – Em breve irei me lembrar. – ela gesticula com as mãos para que nós a seguíssemos. – As crianças ainda estão em aula, que tal tomarmos um chá enquanto isso? – ela pergunta para .
– Seria perfeito. – ele concorda e logo começamos a andar novamente.
– Esse lugar é incrível. – conforme íamos andando pelo local, fico cada vez mais chocada.
– Nós procuramos manter nosso padrão de organização intacto. – senhorita Mackenzie explica. – Muitos pais veem até nós para adotar. – ela começa a explicar.
– Vocês têm aproximadamente quantas crianças? – pergunto curiosa.
– Temos cem crianças nesse orfanato, mantemos nosso número baixo para que todas possam receber a atenção necessária. – ela continua me explicando.
– Entendi. – coço minha cabeça.
Caminhamos mais um pouco até chegarmos a uma sala ao lado direito da casa. A sala mantinha o mesmo padrão do hall de entrada, e se não fosse pelo sol entrando na sala, eu com certeza teria uma sensação de estar presa.
– Então, . – senhorita Mackenzie começa a falar. – As crianças estão realmente ansiosas por você ter vindo hoje. – ela sorri para ele.
– Eu deveria ter vindo antes. – começa a se explicar. – Mas tirei um tempo para descansar minha mente. – ele dá um sorriso para ela, enquanto a mesma começa a nos servir o chá.
– Não tem problema. – ela despeja o liquido em uma xícara para . – Você realmente deveria descansar antes de tudo. – encaro senhorita Mackenzie mais detalhadamente. Ela aparentava ter ao menos uns cinquenta anos e suas roupas eram um tanto quanto conservadoras, não que eu tivesse algum problema com isso, na realidade minha maior curiosidade era saber em como ela conseguia tomar conta desse lugar enorme sozinha. – Você gostaria de chá? – ela me pergunta.
– Por favor! – espero ela me servir.
– Estou curiosa. – assim que ela termina de despejar o liquido na minha xícara, ela encara e eu. – Como vocês se conhecem? – ela aponta de mim para e vice e versa.
– Nos conhecemos no hotel do meu pai. – explico timidamente.
– Entendo. – ela estreita os olhos para mim. – é muito importante para nós... – senhorita Mackenzie começa a falar. – Não o machuque. – e dá um sorriso pra mim.
– Somos apenas amigos, não tem como eu machucar ele. – explico.
– Isso é bom. – sua voz praticamente soa como aviso.
– Não seja dura. – pisca para ela.
– Não gosto de ver um dos meus meninos machucados. – ergo minha sobrancelha para .
– Eu cresci aqui. – arregalo meus olhos rapidamente.
– Sério? – me viro para encará–lo.
– Sim. – balança a cabeça. – Meus pais me adotaram quando eu ainda era novo, então não tenho muitas lembranças daqui. – ele sorri para mim.
– Uau! – eu ainda estava chocada com a informação.
– Espero que você não use isso contra ele. – encaro a senhorita Mackenzie sem entender aonde ela queria chegar.
– É um assunto que eu não costumo falar para as pessoas. – me explica. – Não é que eu tenha vergonha da minha própria identidade, porém é algo que eu não gosto de falar. – seu olhar para mim é fofo.
– Não se preocupe, seu segredo está seguro comigo. – tomo um pouco do meu chá enquanto tento digerir as informações que eu estava recebendo.
tinha me dito uma vez que ele moldava sua imagem de acordo com o que os fãs queriam e não com o que ele sentia, e agora eu entendia muito bem. Quando o questionei sobre mentir para os fãs ele tinha me dito que era algo necessário a se fazer, mas eu não tinha ideia de que as mentiras iam além do que ele demonstrava publicamente.
– Obrigada. – parecia realmente confiar em mim a ponto de me trazer até aqui, então eu não iria tomar a posição de julgadora pelo fato dele não falar sobre sua vida pessoal abertamente aos fãs.
– Não precisa agradecer. – um silêncio paira no local.
– Gostaria de conhecer o local? – senhorita Mackenzie fala de repente.
– Seria ótimo! – fico aliviada por ela quebrar o silêncio incômodo que tinha ficado.
Nós duas levantamos com imitando nossos gestos. Senhorita Mackenzie toma a frente e começa a caminhar, me empurra levemente para que eu a seguisse.
Caminhamos pelos corredores do orfanato enquanto senhorita Mackenzie explica mais sobre o local e sobre sua estrutura. Passamos rapidamente pelas salas de aula onde as crianças estavam estudando sem que eles percebessem e seguimos para a parte de trás da casa.
Se a entrada do local era maravilhosa, a parte de trás era ainda mais gloriosa. O jardim era completamente extenso na parte de trás da casa, as flores e arvores estavam vividas e o cheiro das flores era perceptível, o local quase me lembrava do jardim secreto.
– É lindo aqui! – eu olhava para todos os cantos.
– Tentamos ao máximo que as crianças se sintam confortáveis aqui. – Senhorita Parker explica. – Nos últimos anos temos recebido bastante investimento e com isso pudemos revitalizar os jardins da casa e a biblioteca. – ela continua explicando mais sobre o local.
– Vocês também têm uma biblioteca? – pergunto com os olhos arregalados.
– Sim. – ela sorri para mim. – Recebemos uma grande doação de uma garota há alguns meses, isso foi capaz de atualizarmos o acervo da biblioteca assim como organizar os materiais mais antigos que precisavam de cuidados. – a encaro.
– Isso é realmente muito legal. – sorrio para ela.
– Inclusive demos o nome da biblioteca para a garota. – senhorita Parker sorri para mim.
– Sério? – pergunto.
– Sim! Geralmente os investidores do orfanato não se preocupam com as bibliotecas antigas que as casas têm. – ela me explica. – O que essa garota fez foi realmente maravilhoso.
– Você poderia me falar o nome? – pergunto curiosa.
– Sim! Inclusive vocês partilham o mesmo sobrenome. – era um sobrenome bastante comum em Londres, então provavelmente não seria alguém que eu conhecia. – Madison . – imediatamente eu cambaleio para trás, em choque. – Você está bem? – senhorita Parker pergunta.
– Estou chocada. – murmuro sem realmente acreditar no que eu tinha acabado de ouvir.
– Por quê? – ela me pergunta, porém não sou capaz de responder.
– Porque Madison é irmã dela. – responde por mim e me encara.
Ele claramente não entendia o motivo de eu estar tão chocada com a informação que acabei de receber, porém quando algo dessa dimensão envolve Madison , qualquer um que a conhecesse ficaria completamente chocado.
– Ela é uma garota muito doce, você tem sorte de tê–la como irmã. – Senhorita Mackenzie encara o relógio. – Que tal irmos para o salão? As crianças já estão terminando suas aulas. – ela começa a caminhar novamente, como se há minutos atrás não tivesse soltado uma bomba em cima de mim.
Eu fico paralisada por um tempo, estática no mesmo local, sem entender realmente o que estava acontecendo. Acreditar que Madison tinha feito algo tão legal era um choque para mim, afinal minha irmã no demonstrava nenhuma emoção de afeto e isso não inclui apenas a família, mas a todos que ficam perto dela.
– Vamos? – se aproxima de mim e me chama.
– Claro. – tento sorrir para ele, porém as palavras daquela senhora não saíam da minha mente.
Como minha irmã podia ser uma pessoa tão legal e conosco não?
– Você não parece muito bem. – sussurra no meu ouvido.
– Apenas estou chocada. – explico brevemente.
– Por causa da sua irmã? – ele me pergunta.
– Sim! – solto um suspiro. – É difícil imaginar ela fazendo algo assim. – coço meus olhos.
– As pessoas têm comportamentos diferentes, talvez esse seja um lado que ela não queria que você conhecesse. – fala suavemente.
– Você tem razão. – eu tinha que conversar com Madison mais tarde sobre isso, apenas para ter certeza de que era ela mesma.


***


As crianças começam a se reunir no salão para poderem ver e muitas não continham sua animação. O que para mim era algo cotidiano, para elas era incrível. Eu entendia que estar perto de uma pessoa famosa e sair da sua rotina devia ser incrível, mas nada se comparava a energia que essas crianças estavam exalando apenas por ver naquele momento.
– Olá! – ele cumprimenta as crianças de maneira doce. – Espero que vocês estejam muito bem. – começa a falar. – Sei que já faz um bom tempo desde que eu estive aqui, muitas crianças foram embora pelo que posso ver, mas também temos muitas crianças novas. – ele solta uma risada. – Para aqueles que não me conhecem eu me chamo e hoje tenho uma convidada especial. – ele me chama com as mãos. – Ela não é muito boa com as palavras e pode soar um pouco rude às vezes, mas tem um bom coração. – reviro meus olhos quando me aproximo dele. – Digam olá para , minha amiga. – me apresenta para as crianças e eu fico ali, acenando para elas.
– Olá! – tento sorrir o mais docemente possível.
– Você parece uma princesa. – uma menininha se aproxima de mim. – Eu fiz isso para dar ao , mas pode ficar para você. – ela coloca um colar de flores no meu pescoço.
– Ele é muito bonito. – afago sua mão rapidamente.
– Levou duas horas para ser feito. – ela faz o número com dois com a mão e sorri.
– Você realmente caprichou. – encaro , que estava sorrindo no momento e peço sutilmente para ele fazer algo, pois eu nunca tinha me envolvido em situações como essa.
– E eu? Não ganho nada? – ele se aproxima das crianças e pega uma delas no colo. – Desse jeito eu não irei trazer mais nenhum convidado comigo. – faz um biquinho. – Parece que eu fui esquecido por completo. – ele faz cócegas na barriga de um menino.
– Você pode cantar! – uma das crianças fala e logo um coro surge pedindo para ele cantar para elas.
– Será que devo fazer isso? – olho para , que encara atentamente as crianças a sua frente.
– Sim! – elas falam em coro e eu me junto.
– O que vocês acham de eu ter uma ajudinha? – de repente ele olha para mim.
– Eu? – pergunto para ele.
– Sim! Você. – ele coloca o menino no chão e se aproxima de mim. – O que você acha de cantarmos juntos? – me pergunta.
– Eu acho loucura. – respondo, rapidamente me negando a cantar com ele.
– Por quê? – parecia um pouco ofendido.
– Porque eu não sei nenhum musica sua. – sorrio.
– Não seja por isso. – coloca a mão no queixo. – Que tal cantarmos Beatles? – ele me olha sério e, ao encarar as crianças e ver expectativas em seus olhos, eu cedo.
– Ok! – olho dentro dos olhos de por um tempo. – Mais irei cantar apenas uma música. – sou taxativa.
– Tudo bem! – em algum momento da nossa interação com as crianças mais um banquinho tinha sido posto para que pudéssemos sentar e fazer um pequeno show para as crianças.
Eu me sentia um pouco nervosa. Nunca em toda a minha vida eu tinha tido esse tipo de interação com crianças, na realidade eu vivia fugindo delas, não por não gostar de crianças, mas apenas pelo fato de não me sentir completamente à vontade com elas.
Aproximo-me de , que estava com um violão em mãos, e o encaro sem entender muito bem o que ele iria cantar, porém assim que ouço os primeiros acordes do violão abro um sorriso enorme, pois eu conhecia muito bem essa música, afinal Here comes the Sun era uma música memorável.
Quando começa a cantar fico surpresa em como sua voz era completamente estável. Uma coisa era você ouvir uma gravação, outra era ver a pessoa cantando pessoalmente e sendo adorável com isso. Timidamente vou me unindo a ele conforme a música é tocada e fico chocada em como nossas vozes se completavam perfeitamente.
tinha mudado um pouco os acordes da música, mas nada em que eu não pudesse acompanhá–lo. Fico um pouco insegura em cantar com ele, pois eu realmente não sabia se era boa o suficiente como cantora, mas ao olhar para as crianças e vê–las se divertindo, criei mais confiança para terminar a música.
– O que vocês acharam? – coloca o violão de lado e começa a conversar com as crianças.
– Gostei! – um coro de crianças animadas começa.
– E o que vocês acharam da minha amiga? – ele se inclina um pouco mais para frente e pergunta para as crianças.
– Amamos! – solto uma risada inconscientemente.
– Obrigada. – agradeço para as crianças e fico um com sorriso bobo nos lábios. – Obrigada . – o agradeço também.
– Não precisa me agradecer. – ele pisca para mim. – Vamos cantar mais um pouco. – sorri para mim e acena para que eu pegasse uma cadeira e sentasse ao seu lado.
Ficamos ali por muito tempo, compartilhando algo que nunca pensei que seria capaz de compartilhar e por incrível que pareça meus primeiros fãs eram crianças. Eu estava feliz com a oportunidade que tive hoje, não só pelo fato de conhecer um pouco mais sobre , mas por poder compartilhar um dia maravilhoso com crianças tão educadas e puras.

Capítulo Dezesseis

Passar o dia com tinha sido uma doce surpresa. Não que nosso passeio anterior não tivesse sido, porém diferente de antes, hoje eu pude ver um lado dele que jamais imaginaria poder ver na minha vida. Ele demonstrou ser um ser humano incrível e muito compreensivo, as crianças do orfanato o amavam da mesma maneira que ele as amava e isso era incrível de ser ver. O tratamento que ele deu não só para as crianças, mas também para as pessoas que trabalhavam no local foi maravilhoso e seu gesto de certa forma aqueceu meu coração.
Despedir–me das crianças foi de fato muito triste, elas tinham me passado um misto de sentimentos que nunca, jamais fui capaz de entender. Elas viviam em um orfanato, mas estavam felizes e saudáveis, e não reclamavam da sua situação, diferente de mim que sempre achava defeito nas mínimas coisas ao meu redor. Isso só me fez ver o quão mesquinha eu era, e como minhas atitudes prejudicavam não só a mim, como a todos ao meu redor. tinha razão ao me chamar de mimada, porém a realidade disso me bateu apenas hoje.
? – eu estava distraída com a paisagem quando me chama.
– Sim? – me viro para encara–lo.
– Tenho um pedido para você. – parecia um pouco sem graça.
– Sim? – minha voz soa um pouco abafada, pois eu estava com a minha mão apoiada na boca.
– Você poderia manter isso em segredo? Não é como se eu escondesse essa parte da minha vida. – ele se apressa em falar. – Mas eu não quero que as pessoas comecem a ir até lá. – solto um suspiro.
– Seu segredo está bem guardado comigo. – sorrio singelamente para ele. – A propósito, como você está se sentindo? – eu tinha notado no momento que estávamos nos despedindo das crianças que tinha ficado um pouco triste.
– Eu estou bem. – cruza os braços. – Um pouco chateado por ter que ir embora, mas isso sempre acontece. – ele explica.
– Achei muito legal da sua parte ir até o orfanato. – comento. – E aquelas crianças amam você. – sorrio.
– Apesar de eu ser um cara famoso e muito amado pela minha família, eu acho muito importante sempre lembrar as minhas raízes. – ele me explica.
– Isso é interessante. – falo pensativa.
– Por que é interessante? – me encara, curioso.
– Porque você podia simplesmente ignorar essa parte da sua vida e viver aquela que você construiu com a sua família. – dou de ombros.
– Meus pais sempre me ensinaram que eu deveria me importar com o próximo, quando eu tive dinheiro suficiente para vir até Londres eu procurei o orfanato, primeiro fiz algumas doações anônimas porque confesso, eu tinha muito medo de que as pessoas descobrirem sobre o meu passado, mas depois eu percebi que eu não devo ter vergonha. – segura minha mão e fica brincando com ela. – O meu passado é o reflexo do meu presente, hoje sou o que sou porque eu tive meus pais ao meu lado, porque eu tive a oportunidade de ser adotado, e sinceramente? Eu nunca conheci meus pais biológicos, e não tenho nenhuma noção do que os levou a me deixarem no orfanato, porém sou completamente agradecido. – o encaro confusa. Eu não conseguia entender como uma pessoa se sentia agradecido por seus pais o terem abandonado.
– Como é possível você se sentir agradecido? Você foi abandonado. – sussurro.
– É aí que está! Por muito tempo eu fiquei revoltado, mas essa revolta passava quando eu olhava para os meus pais, foram eles que me criaram; que me deram amor e carinho, por causa deles eu sou o que sou e por conta disso eu decidi aceitar meu passado. – ele explica. – Guardar rancor de coisas que aconteceram em um momento da minha vida que eu sequer lembro não parecia justo com ninguém e principalmente comigo mesmo. – as palavras de eram tão sinceras que apenas me deixaram sem ter o que falar para ele.
– Então você ama seus pais ou é apenas agradecido por eles terem adotado você? – pergunto.
– Eu amo meus pais de uma maneira completamente insana, eles me ensinaram todos os valores da vida, me fizeram aprender com meus erros, me aconselharam e me acolheram em todos os momentos que eu duvidei de mim mesmo. – me encara com um sorriso nos lábios. – Pais não são apenas aqueles que fazem, mas são aqueles que criam. – ele pega minha mão e leva até a sua boca e deposita um beijo ali.
– Você é diferente. – viro meu rosto para esconder um sorriso.
– Isso é um sorriso? – imediatamente vira meu rosto.
– Claro que não. – tento inutilmente esconder meu sorriso.
– Admita. – de repente tem minha atenção novamente.
– Admitir o quê? – ergo uma sobrancelha para ele.
– Estou entrando no seu coração. – ele aponta para mim e eu solto uma risada.
– Claro que não. – reviro meus olhos e rapidamente prendo meu cabelo com o amarrador que eu tinha no pulso.
– Você mudou completamente a sua postura. – é perceptível.
– Amarrar meu cabelo agora é mudar de postura? – o questiono.
– Tudo bem, . – ouço um leve suspiro vindo de . – Eu não quero ser persistente, então vou aceitar a friendzone. – não consigo segurar uma risada. Ver falando desse jeito era realmente engraçado e adorável.
– Você vai acabar me agradecendo por deixá–lo na friendzone. – pisco para ele.
– Por quê? – vejo a curiosidade nos seus olhos.
– Porque eu não sou uma pessoa boa. – meu sorriso diminui um pouco.
– Não diga isso. – parecia surpreso com as minhas palavras.
– Mais cedo ou mais tarde você irá entender que gostar de mim só irá trazer azar para você. – eu realmente estava sendo sincera em cada palavra que pronunciava.
– Eu não entendo... – ergo minha mão para impedi–lo de falar mais alguma coisa.
– Geralmente sou eu em parte o coração das pessoas. E você ,, é uma pessoa não quero que sofra com as minhas atitudes. – o carro para de repente e vejo que chegamos ao hotel. – E eu tenho um objetivo traçado na minha vida, um objetivo que não envolve você. – eu abro a porta do carro rapidamente para poder sair.
Eu não queria parecer megera aos olhos de , não depois de passarmos um dia maravilhoso, mas queria que ele entendesse que eu não era uma pessoa que ele devia se envolver. No começo eu tinha achado muito legal sair com ele e ver aonde nossas atitudes iriam nos levar, mas depois de hoje, quando vi sua verdadeira alma, percebi que não deveria envolvê–lo nos meus jogos e principalmente, que eu não deveria magoá–lo.
Eu praticamente saio correndo para dentro do hotel, porém paro por um momento e coloco a mão no meu peito e percebo que meu coração estava muito acelerado, passo a mão rapidamente pelo meu rosto, completamente confusa com o que eu estava sentindo no momento, pois sou pega por uma mistura de sentimentos, que não esperava ter no momento.
Avisar para que as pessoas ao meu redor sempre se machucavam e que eu vivia por partir corações alheios era o mínimo que eu poderia fazer por ele, mas eu não entendia o motivo das minhas palavras deixarem meu coração apertado, afinal eu me conhecia muito bem e sabia o tipo de pessoa que eu era.
Chegando à porta do meu apartamento, respiro um pouco antes de abri–la. Eu não queria ter que encarar minha irmã, mas sabia que se quisesse um bom banho e descanso, deveria encontrá–la.
– Posso saber onde você esteve até agora? – assim que eu abro a porta do apartamento sou surpreendida por uma comitiva de boas vindas.
– Hoje não, Sophie. – reviro meus olhos e começo a caminhar para meu quarto.
Eu não queria ter que entrar em uma nova discussão com minha irmã, apesar de saber que a conversa da noite anterior não tinha sido finalizada, para meu desespero total.
... – ao ouvir o tom de voz de Sophie eu sabia imediatamente que não deveria abusar de sua paciência.
– Será que pela primeira vez depois de muito tempo você pode me deixar em paz por um momento? – eu tinha um misto de sentimentos rondando minha mente no momento e não queria discutir com Sophie.
– É exatamente por isso que devemos conversar. – para entrar no meu quarto eu deveria passar por Sophie e, ao notar o quão decidida ela estava em não me deixar passar, fecho meus olhos e faço meu caminho para o sofá.
– Por favor, seja breve. – me sento e espero que Sophie comece a falar.
– O que o papai falou sobre ? – reviro meus olhos ao perceber que esse era o assunto urgente que Sophie queria tratar.
– É sobre isso que você quer falar? Realmente? – pergunto para ela enquanto me mantenho o mais relaxada possível diante dessa situação.
– Sim! E você não irá para nenhum lugar até conversarmos sobre isso. – bufo.
– Sophie, você não pode me forçar a ficar aqui ouvindo seu sermão apenas porque você não aceita o fato das pessoas se interessarem por mim. – me levanto do sofá, agora decidida a ir para o meu quarto.
– Você não irá para lugar algum até nós conversarmos. – eu queria gritar com ela por estar sendo uma babaca, porém eu não iria me rebaixar a tanto. – Eu fiquei a noite toda pensando sobre você e e sinceramente? Não existe uma razão compreensiva para vocês dois estarem juntos. – fecho meus olhos e conto até dez mentalmente.
– Sophie... – tento falar, porém minha irmã ergue a mão me impedindo.
– Então eu cheguei à conclusão de que ele tem pena de você, por isso deu suporte ontem falando que vocês estavam juntos. – balanço minha cabeça de um lado para o outro, completamente desacreditada com as palavras da minha irmã.
– Por que você pensa que ele estava me dando suporte? – reúno toda a paciência e equilíbrio para poder falar com Sophie nesse momento.
– Claro! – minha irmã começa a bater palmas e para de repente. – Como se alguém ocupado como ele fosse correr atrás de você. – o sorriso de Sophie era diabólico.
– Esqueci! – digo. – A única pessoa que pode se envolver com alguém rico e bastante conhecido é você. – semicerro meus olhos para ela.
– Essa não é a questão. – Sophie imediatamente assume uma postura defensiva.
– E qual seria? – encaro minha irmã sem desviar meus olhos.
– Você está usando para conseguir uma carreira de cantora. – o que me deixava mais irritada era esse senso de certeza que Sophie exalava quando falava sobre eu estar usando .
– Essa situação me deixa muito irritada. – continuo contando mentalmente. – Você chegou aqui ontem e tem tanta certeza das coisas. – reviro meus olhos. – Isso se chama hipocrisia. – falo sem rodeios.
– Não é hipocrisia. – Sophie cruza seus braços. – Eu apenas estou vendo com meus próprios olhos tudo o que esta acontecendo. – ela parecia tão certa de suas palavras que apenas estava deixando ainda mais irritada.
– Você está certa! Não existe nada entre eu e , satisfeita? – pergunto, imaginando que minha confissão fosse o suficiente para que Sophie me deixasse finalmente em paz.
– Corta essa! – a encaro, confusa. – Eu quero que você admita que tudo isso faz parte do seu jogo, você apenas tentou seduzir , mas ele foi esperto e correu de você. – fecho meus olhos novamente, eu podia sentir que estava no meu limite, então fecho minhas mãos em punhos para controlar a raiva crescente.
– Já tivemos essa conversa antes. – encaro Sophie. – Nada do que eu falar vai fazer você mudar de ideia. – cruzo meus braços.
– Vá para faculdade. – Sophie oferece novamente.
– Você sabe que isso não é uma opção para mim. – eu não queria parecer ingrata, longe de mim, porém essas atitudes estavam me irritando cada vez mais.
... – eu podia sentir que a paciência de Sophie, assim como a minha estava acabando. – Se afaste de e desista de ser cantora. – ela é taxativa.
– Você sabe que não vou fazer isso. – eu estava completamente decidida e nada que ela falasse me faria mudar de ideia.
– Então saia de casa. – arregalo meus olhos assim que as palavras saem da boca de Sophie.
– Desculpe? – pergunto sem acreditar realmente que ela tinha dito algo do gênero. – Você mora aqui para me mandar sair de casa? – a questiono.
– Eu não quero que meus pais sofram por causa de você. – solto uma risada amarga.
– Se esqueceu de que eles também são meus pais? – pergunto.
– Impossível de esquecer. – eu sabia que eu iria acabar magoada enfrentando Sophie.
– Não se esqueça de quem você é e de quem você foi. – eu não queria ser rude com Sophie, porém eu não tinha escolha.
– O que você quer dizer com isso? – minha irmã me pergunta.
– Até pouco tempo você também não era o orgulho da família. – digo. – Ou você esqueceu a sua noite na cadeia? – ergo minha sobrancelha. Eu sabia que Sophie não teria nenhum argumento sobre esse assunto.
– Por que você tem que falar sobre isso? – Sophie me encara constrangida.
– Porque por mais que você lute você nunca será capaz de esquecer completamente o seu passado. – sorrio para ela. – Espero que você aceite o fato de eu não estar usando para me tornar uma cantora. – encaro minha irmã uma última vez. – Sinceramente? Eu estou cansada de você ficar no meu pé, me mandando fazer isso e aquilo. – solto um suspiro, sem acreditar que eu realmente iria fazer isso.
– O que você quer dizer com isso? – Sophie arregala os olhos.
– Estou saindo de casa. – falo algo que esteve trancado na minha garganta por muito tempo. – Acho que está na hora de eu trilhar meu próprio caminho e parar de ficar na sombra dos meus pais e irmãos. – faço uma careta.
– Você nunca irá sobreviver por muito tempo lá fora. – o sorriso de vitória que Sophie tinha nos lábios era muito visível.
– Não fale como se você se importasse. – faço um barulho com a boca.
– Você nunca foi racional. Na primeira oportunidade, quando seu dinheiro acabar, você virá correndo. – Sophie estava tão convicta de suas palavras que apenas ao olhá–la eu sentia nojo.
– Na realidade eu estou sendo muito racional. – solto uma risada. – Eu estive pensando nisso por um longo período. – suspiro. – Está na hora de eu ser eu mesma. – finalmente eu consigo sair dali e no processo faço questão de esbarrar em Sophie, apesar de estar com muita vontade de chorar.
Eu nunca daria o gostinho de Sophie ver o quão abalada eu estava no momento, então eu praticamente corro para dentro do meu quarto. Eu não sabia muito bem o que fazer a seguir, então por um tempo eu apenas me sento na minha cama e fico encarando o nada.
Quando a ficha começa a cair e fecho meus olhos com força, eu tinha acabado de falar para Sophie que eu iria sair de casa. Sair de casa, essas palavras ficam presas na minha mente.
Bato na minha testa. Como eu poderia fazer algo tão insano assim? Eu estava com tanta raiva no momento que falar isso parecia o certo. E apesar de eu ter pensando sobre essa possibilidade diversas vezes, nunca sequer passou pela minha mente sair de casa realmente, porém agora eu teria que cumprir com a minha palavra e imediatamente eu começo a fazer cálculos na minha cabeça. Eu tinha dinheiro suficiente para viver tranquilamente por aproximadamente três meses, gastando dinheiro o suficiente, ou seja, se eu aprendesse a economizar eu poderia viver com esse dinheiro por seis meses.
Enquanto penso no que deveria fazer eu pego uma mala grande e começo a arrumar minhas coisas dentro dela. Eu sabia que teria que voltar em algum momento para pegar o restante das minhas coisas, então pego o que julgo necessário para usar nas próximas semanas e vou colocando nessa mala. Eu tinha um misto de sentimentos no momento, tudo parecia confuso, mas de certa forma algo dentro do meu coração parecia bater em um ritmo excitado, como se ele estivesse esperando que eu tomasse essa atitude há muito tempo.
Pela primeira vez na minha vida eu sentia um alivio enorme dentro de mim, porém ao mesmo tempo me sentia intimidada, pois não sabia o que iria acontecer comigo a partir do momento que eu saísse do hotel. Querendo ou não esse lugar sempre foi minha fortaleza. Vivi tantos momentos bons aqui dentro que me despedir desse local estava sendo difícil, mas eu sabia que eu realmente tinha que fazer isso para o bem da minha sanidade.
Depois de pegar tudo o que eu achava necessário para a minha sobrevivência, eu fecho minha mala. Deixo o restante das minhas coisas organizadas para que quando eu fosse buscá–las facilitasse o processo para que eu as pegasse. Com um último olhar eu fecho a porta do meu quarto, com meus sentimentos à flor da pele.
Eu sabia que não seria nada fácil sair do hotel, mas eu realmente precisava fazer isso para que as coisas pudessem seguir em outro ritmo, eu não queria que os funcionários do hotel me vissem saindo, porém era algo inevitável, eu estava carregando duas malas e uma bolsa de ombros, algo que chamava bastante a atenção das pessoas ao meu redor.
– Onde você está indo com essa mala? – me viro para encarar .
– Estou me mudando. – olho da minha mala para ele.
– Sério? – não parecia estar acreditando realmente. – Tão repentinamente? – ele me pergunta.
– Já estava na hora. – solto um suspiro.
– Qual seria o motivo? – fecho meus olhos.
– Existem algumas diferenças entre eu e minha família. – explico em poucas palavras. – E hoje eu tive a comprovação disso. – dou um pequeno sorriso para ele.
– Você tem algum lugar para ficar? – ele parecia preocupado.
– Tenho sim. – baixo a alça da minha mala e me sento nela.
– Verdade? – parecia esperançoso.
– Sim... Não precisa se preocupar. – me levanto de cima da mala e encaro .
– Não queria ter que me despedir de você desse jeito. – encara os pés e eu acho essa sua atitude um pouco fofa. – Foi realmente muito bom passar um tempo com você, e principalmente partilhar alguns dos meus melhores momentos esse ano. – ele continua falando.
– Eu também tenho muito que agradecer você, então obrigada. – o corredor que estávamos não estava muito movimentando, então não teriam pessoas nos encarando no momento.
Aqui, olhando para eu vejo como o destino é engraçado. Nós sempre temos uma grande rotatividade de pessoas passando pela nossa vida, algumas trilham o caminho ao nosso lado, outras passam apenas para que possamos aprender alguma coisa, e no fim tudo é interligado.
Na vida todos nós nascemos com um propósito, uma missão. No caminho que trilhamos é normal que em alguns momentos nos sentimos próximas a algumas pessoas, e outras não, e o que me deixa mais chocada é que mesmo passando tão pouco tempo com , eu fui capaz de começar a me sentir confortável ao seu lado, apesar do nosso inicio não ter sido muito fácil.
– Espero que você consiga alcançar o que tanto procura. – passa a mão pelos cabelos.
– É por isso que estou saindo de casa. – solto uma risada seca e começo a andar novamente, porém paro no meio do caminho e encaro novamente. – Sabe, , você é uma pessoa boa. – faço um biquinho. – Nunca deixa que ninguém fale o contrario. – pisco para ele.
? – me chama.
– Uh? – pergunto.
– Nunca se esqueça de que você é uma ótima cantora, e uma ótima dançarina. – ele sorri para mim. – O caminho que você irá percorrer pode não ser o mais fácil, mas nunca baixe sua cabeça, essa é uma das qualidades que você tem. – sorrio lentamente.
– Obrigada. – de repente, em meio a tanto caos, as palavras de me confortam. – Vamos nos encontrar novamente. – falo de repente. – E quando nos encontrarmos eu serei uma cantora. – eu poderia estar sendo um pouco sonhadora com isso, mas nada me faria mudar de ideia.
– Espero que isso aconteça de verdade, e quem sabe possamos colaborar um com o outro no futuro. – pisca para mim.
– Espero que não seja uma música romântica. – expresso meus sentimentos.
– Irei escrever uma musica especialmente para nós dois. – reviro meus olhos e encaro meu relógio.
– Isso não é um adeus. – volto a olhar para .
– Não, isso não é um adeus. – ele se aproxima de mim e me abraça fortemente. – Se você precisar de algo, , não hesite em me ligar. – balanço minha cabeça.
– Você não deveria se preocupar com isso. – desfaço o abraço.
– Apesar de você falar que não vale a pena eu me envolver, de certa forma eu já me sinto envolvido, então é sério, qualquer coisa me ligue. – ele me encara profundamente.
– Vou deixar você saber se eu precisar de algo. – eu sabia que iria continuar batendo na mesma tecla até eu aceitar o fato de que ele estava oferecendo ajuda. Por conta disso eu apenas concordo. – Tenho que ir. – aponto para a saída.
– Vá em segurança. – beija minha mão.
– Obrigada! – me viro e começo a caminhar lentamente e, pela primeira vez depois de muito tempo, eu conseguia sentir a minha liberdade revigorada.

Capítulo Dezessete

Pela primeira vez na minha vida eu conseguia sentir a liberdade fluindo pelo meu corpo. A decisão de sair de casa não tinha sido fácil e foi feita no calor do momento, porém para ser bem sincera eu não poderia estar mais feliz com essa atitude, talvez fosse isso que faltava para que eu pudesse finalmente fazer as coisas do meu jeito.
Assim que coloco minha última mala dentro do táxi eu encaro o hotel, e por incrível que pareça não sinto nenhuma onda de arrependimento por estar deixando esse lugar, na realidade eu sentia aliviada. Claro que não posso dizer que passeio momentos ruins nesse lugar, o hotel tinha sido minha casa por muito tempo, e muita coisa aconteceu aqui, porém esse era o momento que eu precisava para dar um passo maior na minha vida e sair do castelo de ilusões que meus pais criaram para os seus filhos.
Entrando no táxi eu tiro meu celular do bolso e envio uma mensagem para . Minha ideia inicial seria ficar com até eu decidir o que fazer, porém minha amiga tinha sido clara ao falar que eu não poderia ficar em sua casa, pois ela tinha visita, então ao perceber que minha amiga não me queria em sua casa, eu recorro a .
Eu achava chato ter que envolver meus amigos no meu drama familiar, mas eu não queria ter que ficar na rua, e muito menos gastar meu dinheiro ficando em algum hotel então me sinto muito grata por me acolher em sua casa novamente.
Espero pacientemente que o táxi dê partida e fecho meus olhos. No momento eu tinha que fazer minha mente trabalhar com a ideia de que sair de casa foi a melhor opção no momento, e não existia nada de errado em abrir mão de todo o conforto que eu tinha se isso trouxesse paz de espírito para mim.


***


O percurso até a casa de não é demorado, pois não tinha tanto movimento nas ruas, e assim que o táxi vira a esquina sou capaz de encontrar meu melhor amigo me esperando na frente da sua casa.
. – abre a porta do carro para mim.
– Você é um doce. – o abraço rapidamente.
– O que aconteceu com a minha melhor amiga? – ele parecia surpreso com meu abraço.
– Eu precisava disso. – faço uma careta e vou até o taxista. – Aqui. – entrego para ele uma quantia maior do que a corrida deu. – Pode ficar com o troco. – pisco para ele e vou até o porta–malas ajudar a tirar minhas coisas.
– Só isso? – ele encara minhas malas um pouco confuso.
– Eu não podia trazer tudo o que tinha no meu quarto. – dou de ombros.
– O quê você vai fazer com as coisas que ficaram para trás? – me pergunta.
– Quando eu alugar um lugar para ficar voltarei para pegar minhas coisas. – minha ideia inicial era com o tempo poder alugar um lugar para eu ficar sozinha e não ter que me intrometer na vida pessoal de .
– Isso é burrice da sua parte. – não parecia muito feliz com o que eu tinha acabado de falar. – Você pode ficar na minha casa até que esteja preparada para morar sozinha. – ele fala pausadamente como se estivesse conversando com uma criança.
... – tento falar, porém ele ergue a mão para me impedir.
– Você quer que eu vá buscar o resto das suas coisas? – conhecendo minha família como eu conhecia, eu tinha certeza de que eles iriam proibir a entrada de no hotel.
– Não precisamos causar mais danos. – ajeito minha bolsa e mochila em cima de duas malas e começo a carregá–las para dentro da casa de .
– Você pode colocá–las no meu quarto. – paro abruptamente.
– Não mesmo! – eu olho para trás para ver me encarando completamente confuso. – Não irei dormir no seu quarto. – explico. – Dessa vez irei ficar com o sofá. – eu estava decidida em não ser um peso para e ficar em seu quarto só irá pesar na minha decisão.
– Isso está fora de cogitação! – ele passa por mim reclamando.
– Você quer que eu vá para outro hotel? – pergunto.
... – seu tom é de advertência.
... – o imito. – Estou falando sério dessa vez. – eu não queria parecer mimada nem nada do gênero, porém eu queria que ele entendesse.
– Não vou discutir com você. – se senta na minha mala. – Vamos fazer um acordo. – reviro meus olhos, claro que ele iria tentar me persuadir.
– Depende muito do acordo. – cruzo meus braços e espero sua proposta.
– Você fica com a sala, mas terá que limpar meu apartamento todos os dias. – abro minha boca indignada. – Ou você fica com meu quarto e não precisa fazer isso. – eu estava sem palavras no momento.
sabia que eu nunca tinha limpado nada na minha vida. Isso poderia ser facilmente chamado de golpe baixo.
– Então enquanto eu estiver aqui vou limpar seu apartamento. – faço uma careta, mas me mantenho decidida.
– Temos um acordo. – ergue sua mão e eu a seguro rapidamente selando nosso acordo.
– Agora o que você tem para comer? – mordo meus lábios.
– Eu sabia que você iria vir faminta. – sorri para mim. – Venha, eu tenho comida de sobra. – meus olhos praticamente brilham.
– É por isso que eu amo você. – jogo um beijo no ar e pega prontamente, colocando em seu coração.
– Você é minha irmãzinha, não poderia deixar você passar fome. – eu praticamente sigo para a cozinha e praticamente salivo assim que vejo o que estava na mesa.
– A comida da sua mãe. – coloco a mão no peito. – Eu estava precisando mesmo disso. – sorrio e me sento imediatamente na cadeira.
– Então coma tudo, tenho certeza de que na próxima semana minha mãe estará abastecendo minha geladeira. – explica e a realidade de repente me bate.
? – chamo sua atenção.
– Sim? – ele tinha pego o celular momentaneamente, porém coloca em cima da mesa para me escutar.
– O que sua mãe irá falar se descobrir que estou ficando com você por um tempo? – mordo o canto da minha boca, um pouco nervosa em pensar na reação da mãe de .
– Vamos deixar para nos preocupar quando for necessário. – ele segura minha mão. – O máximo que pode acontecer é minha mãe querer arrastar você para a casa dela. – solto uma risada ao me lembrar do passado.
– E então ela irá me alimentar eternamente, porque na cabeça dela, eu ainda sou magra demais. – reviro meus olhos.
– Fazer o que se minha mãe gosta de alimentar as pessoas próximas a ela? – dá de ombros. – Agora coma. – ele muda sua postura e me observa.
– Você não vai comer? – pergunto.
– Eu já jantei, afinal tenho que ir para a boate. – me explica.
– Nossa! – bato na minha testa. – Esqueci completamente disso. – faço um beicinho.
– Por isso quero que você durma no meu quarto. – fecho minha cara imediatamente.
– Isso não vai acontecer. – explico.
– Eu não vou estar em casa, então você pode acordar antes de eu voltar e dormir no sofá. – parecia estar se divertindo com a situação a sua volta.
– Você me conhece. – semicerro meus olhos. – E sabe muito bem que depois que eu cair no sono não irei acordar tão cedo. – reviro meus olhos.
– Claro que não! – ele finge que ficou ofendido. – Só estou pensando no seu conforto enquanto estou fora. – decido ignorar e encho minha boca de comida. – Coma devagar. – ele me pede, porém mostro o dedo do meio para ele.
– Você sabe ser bem chato quando quer. – falo de boca cheia.
– Só penso no seu bem. – ele sorri e se levanta.
– Aonde você vai? – engulo o restante da comida.
– Vou trabalhar. – se aproxima de mim e beija minha testa. – Fique a vontade. – ele começa a falar. – E eu falo sério, . Durma na minha cama, quando chegar eu acordo você. – reviro meus olhos, decidida a não ceder.
– Você sabe que isso não irá acontecer. – sorrio para ele e aceno com a mão.
– Você que sabe, . – ele se afasta de mim, rindo.


***


No meu segundo dia morando com , o tédio me pega de maneira incomum. Meu melhor amigo tinha saído para resolver alguns problemas do bar e depois de muito tempo eu tinha desistido de ligar para , afinal, minha amiga não vinha atendendo minhas ligações desde o dia que pedi para ficar hospedada em sua casa. Era quase como se ela estivesse com medo de eu repetir minha pergunta, algo que eu jamais faria depois do não seco que eu recebi dela, e claro que nessa altura do campeonato eu já devia estar acostumada com seus sumiços constantes, pois não era novidade para mim e para ninguém que vivia sumindo.
De repente ouço a caminha tocar, e me levanto do sofá sem nenhuma vontade de atender a porta.
– Surpresa! – realmente sou pega de surpresa em ver parada na porta com várias sacolas na mão.
– O que você está fazendo aqui? – pergunto confusa.
– Você está chateada? – ela passa por mim e entra na casa.
... – eu já estava começando a perder minha paciência antes mesmo dela falar qualquer coisa.
– Eu sei que ontem mal falei com você. – minha amiga vai para a cozinha e começa a esvaziar as sacolas que ela havia trago. – Porém agora eu estou aqui por você. – reviro meus olhos.
– Odeio quando você faz essas coisas. – me aproximo da mesa e me rendo a comida.
– Sei que não fui a melhor amiga. – se põe em modo defensivo. – Mas todos nós temos os nossos problemas. – ela sorri para mim. – Infelizmente eu não estarei sempre por perto para salvar você. – solta uma risadinha.
– Ainda bem que tenho . – resmungo e rapidamente ela fecha a cara.
– Você ama mais do que a mim. – reviro meus olhos.
– Não vamos começar com isso. – eu não queria ter que entrar nesse assunto novamente.
sempre foi uma pessoa um tanto quanto ciumenta quando se tratava das minhas amizades com outras pessoas, mas eu sempre procurei relevar e aceitar seus dramas, afinal eu sabia que era uma pessoa solitária que não confiava muito nas pessoas.
– Ok... – ela pega duas xicaras e serve café para nós duas.
– Então... – eu a estimulo a começar a falar.
– Tenho algo muito importante para falar com você e . – solta de repente.
– Algo relacionado à ? – pergunto intrigada.
– Não só ao , mas Eileen também. – prendo minha respiração.
– Sobre o que você quer falar? – eu sabia que ela entenderia que a pergunta era relacionada à Eileen e não a , até porque eu não tinha nenhum interesse nele.
– É algo que apenas irei falar quando vocês dois estiverem juntos, não quero ter que repetir tudo. – solto um suspiro.
– Então porque você solta isso de repente? Apenas para me deixar curiosa? – tento manter minha voz controlada. sabia que esse era um assunto delicado tanto para mim, quanto para .
– É sério, ... – olho para ela apenas para revirar meus olhos. Às vezes o egoísmo de era algo que me irritava.
– Tudo bem! – dou o braço a torcer. – Vamos esperar voltar para o almoço, assim você pode contar seja lá o que for. – pego um pedaço de torrada e passo manteiga nela.
– E tem mais... – paro imediatamente o que eu estava fazendo.
– Você casou por acaso? – ergo minha sobrancelha, nada mais do que ela fosse falar iria me surpreender.
– O quê? Não! – ela imediatamente fala. – teve que voltar para Los Angeles. – tento prender uma risada.
– Ele deixou você novamente? Por isso que você está aqui hoje? – cruzo meus braços e a encaro.
– Por que você acha que tudo gira em torno de você? – eu podia ver que estava irritada.
– Desculpe, mas não sou eu quem faz isso. – fecho meus olhos e massageio as têmporas. – O que você tem para falar? – pergunto. – Ou isso também faz parte de você jogar algo na mesa apenas para falar que irá contar o que precisa quando chegar? – eu não queria parecer rude, mas realmente estava merecendo.
– Eu preciso conversar sobre . – dou um sorriso para ela antes de beber um pouco do meu café. – Nós decidimos morar juntos. – me engasgo rapidamente com o liquido e começo a tossir que nem louca.
– Desculpe? – pergunto sem entender o que ela havia acabado de falar.
e eu iremos viver juntos. – isso poderia até parecer uma piada, mas eu sabia que estava falando a verdade.
– Ok. – falo novamente. – Se você está feliz, eu fico feliz por você. – sorrio.
O relacionamento não era meu, então nada que eu fosse falar iria fazer rever essa situação. Se ela se sentia bem em ir morar com , então eu iria apoiá–la, mesmo que eu não gostasse dele.
– Tivemos um começo errado. – solta um suspiro. – Mas agora as coisas são diferentes, nós estamos diferentes. – ela continua falando.
– Verdade? – pergunto.
– Sim. – eu consigo ver a convicção em seus olhos. – Nós sentamos e conversamos sobre o passado. – minha amiga explica. – Acho que agora é pra valer. – escuto cuidadosamente cada palavra sua. – Mas agora eu quero saber porque você se mudou para cá – a curiosidade nos olhos de era visível e talvez se ela tivesse parado um pouco do seu tempo para ouvir o meu "drama" na noite anterior. não precisaria me fazer essa pergunta.
– Problemas no paraíso. – resolvo não entrar em detalhes.
– Você sempre teve problemas em casa, mas nunca saiu realmente. – ela fala. – A não ser daquela vez que você morou comigo por um tempo. – solta uma risada. – Eu sempre soube que você voltaria para casa, na realidade aquele foi um ato muito legal de rebeldia para chamar a atenção da sua família. – fecho meus olhos e balanço minha cabeça.
Aquele não tinha sido um ato de rebeldia para chamar a atenção da minha família, longe disso. Eu havia saído de casa pelo mesmo motivo de agora, porém naquela época eu não tinha uma mente tão madura quanto hoje.
– Não é bem assim... – começo a falar, porém me interrompe.
– Vamos ser sinceras. – ela começa. – Você não irá durar muito tempo morando com . – reviro meus olhos.
– Por que não? – pergunto.
– Você aprendeu a viver no luxo, e se compararmos a casa de com a sua você logo irá sair daqui correndo. – ela me explica.
– Acho que você está errada. – finjo indiferença.
– Eu nunca erro. – minha amiga me encara. – Vamos apostar. – ergo uma sobrancelha para ela.
– O que seria a aposta? – pergunto.
– Aposto cinco mil que você não irá durar mais de um mês com e irá correr para debaixo da saia da sua mãe. – reviro meus olhos.
– Então vamos apostar. – eu iria precisar de dinheiro futuramente, então era uma aposta valida.
– Ótimo. – ergue sua mão por de cima da mesa e eu a pego rapidamente.
– Se eu ganhar... Não espera! Eu irei ganhar. – digo com convicção. – Você irá me pagar o dinheiro sem falta. – eu não daria chances para voltar atrás.
– Eu tenho muito dinheiro. – fala. – Perder cinco mil não é nada. – ela sorri para mim.
– Ok! – volto minha atenção para meu café da manhã.
– Ah! – bate a mão para chamar minha atenção. – Lembrei–me de algo! – a encaro.
– O que é? – pergunto.
– Era mentira sobre você e , não é mesmo? – ela me questiona.
– E por que seria? – devolvo.
– Você não iria se relacionar com alguém como ele. – franzo meu cenho.
– Como assim? – pergunto.
– Não queria falar desse jeito, mas como não quero que você se apaixone irei ser direta. – espero com ansiedade a merda que irá sair da boca dela. – Vocês dois não combinam. – imediatamente eu solto uma risada.
– Nossa! – continuo rindo. – Você e Sophie combinam perfeitamente. – mudo minha fisionomia. – Se você continuar desse jeito pode ir para casa. – ser rude estava fora dos meus pensamentos, porém ao ouvir as palavras de , eu podia ver claramente Sophie falando.
Eu odiava quando as pessoas falavam que eu não era capaz de alguma coisa. Como se ficar com fosse realmente difícil para mim, mal elas sabiam que eu estive fugindo das investidas de desde o momento que nos conhecemos e deixei claro que apenas queria a amizade dele.
tinha essa mania de me rebaixar, eu só não sabia se ela fazia isso de proposito ou se era algo genuíno.
– Desculpe por falar a verdade! – ela se levanta irritada da cadeira. – Somos amigas há muito tempo, pensei que eu pudesse falar a verdade para você quando achasse necessário.
– Claro! – passo a mão pelo rosto. – Suas atitudes são sempre as mesmas. – respiro fundo. – Eu estou cheia de problemas, não irei me estressar com suas palavras. – digo por fim.
– Por que você ficou tão chateada com o que eu falei? – ela insiste no assunto.
– Eu não fiquei chateada com as suas palavras, na realidade eu fiquei bem irritada. – eu não queria parecer à bruxa má, mas não tinha me pego em um dia realmente bom. – Você sempre faz isso, . – a ataco com palavras. – Todas as vezes que alguma pessoa se interessa em mim você coloca empecilhos ou fala que tal pessoa não é o suficiente para mim. – tento controlar minha raiva. – Para no final você acabar com essa pessoa! – aponto o dedo para ela.
– Isso nunca aconteceu! – se põe na defensiva.
– Tem certeza? – cruzo meus braços e a encaro. – Desde a época do colégio foi assim, mas quer saber? Eu nunca realmente me importei com isso. – digo de repente. – Para mim a nossa amizade sempre foi mais importante do que qualquer cara, mas para você não parece ser bem assim. – solto uma risadinha.
– O que você quer dizer com isso? – ela me pergunta enquanto mantém uma postura mais séria.
– O que eu quero dizer é que ontem eu precisei de você e você me descartou como se eu fosse nada. – minhas palavras são como facas afiadas que estavam sendo direcionadas para realmente ferir . – Mas todas as vezes que você precisou de mim eu sempre estive lá por você, sempre larguei tudo o que estava fazendo para ajudá–la nos momentos difíceis. – enumero várias coisas que fiz por ela. – E quando preciso de você apenas uma vez, você diz que não pode me ajudar. – termino o que eu tinha que falar.
– Você só pode estar ficando louca! – começa a recolher suas coisas. – Eu sempre ajudei você ! – ela para de repente. – Você é tão ingrata.
– Não. – eu baixo o tom da minha voz. – Você está errada, . – falar tudo o que eu estava sentindo não iria abrir a mente de para a realidade, mas era algo que estava preso há tanto tempo na minha garganta que eu precisava falar.
– Todas as vezes que precisei de você, você arrumou uma desculpa para falar que estava em uma situação pior que a minha. – explico. – Hoje você veio até aqui, não por estar preocupada com o que aconteceu, mas simplesmente porque voltou para Los Angeles. – dou um sorriso amarelo para ela. – Na realidade eu estou de saco cheio das suas atitudes mesquinhas.
– Quem é você para falar de atitudes mesquinhas? – me encara de repente – Você acha que todos têm que se curvar para você, seu ego é do tamanho de toda Londres, se não maior! – eu sabia muito bem que eu era mesquinha e arrogante, mas nunca deixei meus amigos de lado. – É por isso que você nunca irá se tornar uma cantora, as pessoas irão olhar para você e sentir repulsa. – suas palavras me magoam. – Espero que você se arrependa amargamente por me tratar dessa maneira, . – pega sua bolsa e sai rapidamente da casa de , me deixando arrasada.
Meu humor não estava em seu melhor momento, eu estava brigando com todo mundo ao meu redor e estava me sentindo cada vez mais sufocada. Eu me sinto um pouco mal por soltar minhas frustrações em cima de , porém eu não estava completamente errada nessa discussão, apesar dela querer que eu pensasse desse jeito.
Tudo o que eu precisava nesse momento eram meus amigos ao meu lado, me apoiando, mas pelo visto eu não podia contar com para isso. Claro que eu sabia como a mente da minha amiga funcionava, mas o que me deixava mais triste e incomodada era a falta de apoio vindo dela.
Nesses anos que nós nos conhecemos eu sempre estive ao lado de , apoiando ela em todas as suas decisões, só as pessoas mais próximas a nós sabe o que passamos durante esses anos de amizade, porém quando era a vez dela estender a mão para mim e me ajudar, simplesmente fugia. Já faz algum tempo que eu venho percebendo esses pequenos gestos dela, porém nunca fui capaz de falar alguma coisa sobre isso, afinal eu amava muito e sempre relevava essas atitudes.
Idiotice da minha parte, porque agora chegamos onde estamos.
Irritada eu vou até o quarto de e pego um cobertor, assim que me sento no sofá, ligo o ar–condicionado na temperatura mais baixa, e começo a passar os canais pela televisão.
Eu não tinha nada de bom para fazer no momento, então assistir um filme e esperar chegar para o almoço parecia o certo.

Capítulo Dezoito

Depois da pequena discussão que tive com , a mesma não tinha retornado para a casa do meu melhor amigo e muito menos falou o que tinha de tão importante, afinal tinha sido muito clara ao falar que iria apenas contar o que estava acontecendo quando estivesse junto.
Eu queria sentir um pouco de remorso por ter brigado com mais cedo, mas para ser sincera eu estava aliviada com o que aconteceu. Por muito tempo eu apenas fiquei quieta, observando o que minha amiga fazia, não só para mim, mas como para as pessoas ao seu redor. Claro que eu estava ciente que eu mesma era mimada, porém em toda a minha vida eu nunca deixei nenhum amigo meu na mão como estava fazendo nos últimos tempos.
também tinha entrado em contato comigo, comunicando que iria chegar um pouco mais tarde para o almoço porque algo havia surgido no serviço. Em dois dias morando com eu pude observar que meu amigo trabalhava mais do que o normal, e isso estava me deixando preocupada, pois eu não fazia ideia que ele tinha esse ritmo de trabalho. De longe eu ouço a porta se abrir, e por saber que se tratava de , me mantenho sentada no sofá e com os olhos atentos a televisão, infelizmente eu não tinha conseguido dormir novamente nessa manhã, então eu meu sentia um pouco cansada.
– Cheguei. – ouço a voz de e sorrio.
– Quem mais seria? – desvio meus olhos da televisão e encaro .
– Engraçadinha. – ele tinha algumas sacolas na mão. – Você vai ficar apenas olhando, ou irá vir me ajudar? – ergue uma sobrancelha e eu sabia que se ele não estivesse tão ocupado com as mãos, o mesmo teria jogado o cabelo para trás.
– Estou com tanta preguiça. – me levanto do sofá para me alongar. – O que você trouxe de bom? – pergunto quando puxo o ar e não sinto nenhuma fragrância de comida.
– Comida. – ele revira os olhos e passa por mim.
– Espera. Eu ajudo. – corro até .
– Agora não quero mais sua ajuda. – rapidamente ele chega à cozinha e coloca as sacolas em cima da bancada.
– Grosso. – cruzo meus braços e faço uma cara emburrada.
– Você que é mole de mais. – tenta dar um cascudo na minha cabeça assim que me aproximo das sacolas e saio correndo.
– Por que você tem que me tratar assim? – dou um sorrisinho no final.
– Não teste minha paciência, . – mostro a língua para ele. – Está com fome? – me pergunta.
– Uhum. – minha barriga faz um barulho enorme.
– Já vamos comer... – dá a entender que tinha mais coisas para falar.
– Porém...? – pergunto, temendo o que viria a seguir.
– Minha mãe está vindo para cá. – arregalo meus olhos.
– Como você sabe? – imediatamente fico séria.
– Ela me ligou mais cedo. – fecho meus olhos com força.
– Isso quer dizer que ela sabe que estou aqui. – mordo minha boca.
– Sim... – não parecia desconfortável, mas no fundo ele assim como eu, sabíamos que para a mãe dele se dar o trabalho de vir até aqui, a bronca seria certa.
– Tem mais alguma coisa? – pergunto ao ver o olhar distante dele.
– Depois que minha mãe for embora iremos conversar sobre o que aconteceu com . – bufo.
– Ela ligou para você? – não era nenhuma novidade para mim que fosse entrar em contato com depois da sua saída abrupta.
– Sim... – ouço um suspiro vindo dele.
– O que ela falou? – pergunto imediatamente.
... – seu tom sério deixava claro que seria um assunto que iríamos tratar mais tarde, não agora.
– Por favor? – junto minhas mãos uma na hora e faço um biquinho para ele.
– Odeio ceder, . – vira de costas, mas continua falando enquanto pega os pratos para arrumar a mesa. – Mas se você quer tanto saber... – ele para tudo e me encara. – me ligou, chorando. – reviro meus olhos. – Ela me contou que veio até aqui para que todos nós pudéssemos conversar, e que você acabou sendo rude com ela. – fecho meus olhos com força.
– Nós realmente tivemos um desentendimento, mas não foi bem assim. – me aproximo de e tiro os pratos de sua mão para colocar na mesa.
– Eu conheço as duas o suficiente para saber que a discussão deve ter sido bem calorosa. – solto uma risada. – Isso tem acontecido com muita frequência e não quero ter que ficar no meio da discussão de vocês duas. – bufo.
– Não estou pedindo para você fazer isso. – minha voz soa um pouco aborrecida.
– Afinal o que aconteceu? – ele se vira para me encarar novamente.
– Primeiro que eu ainda estou um pouco chateada por ela não me ajudar quando eu estava com problemas. – me sento na cadeira e encaro . – E por fim ela chegou aqui, falou algumas coisas que não me agradaram e nós duas acabamos brigando. – dou a versão resumida do que tinha acontecido anteriormente para .
... – larga tudo o que estava fazendo e se senta na cadeira de frente para mim. – Vocês tem brigado mais do que convivido. – faço um biquinho, tinha razão.
– Eu sei disso. – falo.
– E infelizmente você é a maior culpada disso tudo. – arregalo meus olhos, chocada, pois sou pega completamente desprevenida com as palavras de .
– E por que eu seria a maior culpada? – assumo uma postura defensiva.
– Porque quando você podia cortar o mal pela raiz, você deixou que enraizasse. – ele me explica.
– Não é bem assim. – brinco com a toalha de mesa.
– Então me explique? Porque sinceramente eu só vejo você como culpada disso. – bufo. – Estou falando sério, . – eu sabia que estava falando sério e que talvez ele tivesse razão no que estava falando, mas isso não invalidava o que eu estava sentindo no momento.
– Você sabe que as únicas pessoas que eu pude confiar na minha vida era você e . – minha voz soa um pouco embargada.
– Eu sei disso. – segura minha mão. – Mais a situação está ficando cada vez mais insuportável, e eu vejo isso na primeira fila. – ele me explica. – Você e são pessoas de pensamentos fortes, e acabam magoando uma a outra com suas atitudes. – respiro fundo.
– Eu sei disso. – dou o braço a torcer. – Mais ela falou tanta merda dessa vez que eu apenas explodi. – me explico.
... – volta a me encarar nos olhos. – Vamos ser sinceros, ok? – balanço minha cabeça positivamente. – Isso era só questão de tempo. – ele dá um pequeno sorriso. – Demorou muito para que vocês duas brigassem. – continua falando.
... – olho para cima, para tentar fazer o que as lágrimas que queriam vir não descessem. – falou algumas coisas absurdas para mim hoje. – eu não queria me vitimizar, mas eu realmente tinha ficado chateada com suas palavras mais cedo.
– O que ela falou para você? – o tom de voz de é compreensivo e calmo.
– Ela me falou que caso um dia eu me tornasse cantora, ninguém iria gostar de mim, que as pessoas iriam sentir repulsa toda vez que me vissem. – eu realmente não queria fazer com que ficasse ao meu lado, mas as palavras que eu tinha acabado de falar saíram da boca de mais cedo.
... – novamente para o que estava fazendo e me encara. – realmente falou isso? – ele me pergunta sério.
– Uhum. – balanço minha cabeça positivamente. Eu não queria parecer inocente nessa briga, até porque eu tive minha parcela de culpa, porém as palavras de ainda estavam presas como chiclete na minha mente.
– Por isso que você parece tão pensativa. – ele solta um suspiro.
– Não pense que estou falando isso para aliviar o meu lado. – viro minha cara e continuo com uma postura ereta enquanto falo com ele.
– Jamais pensaria isso. – vejo meu amigo passando a mão pelo rosto.
– Você acha que ela tem razão? – pergunto. – , será que as pessoas nunca irão gostar de mim por conta de quem eu sou? – eu realmente estava preocupada.
... – se senta no sofá e bate ao seu lado para que eu me sentasse também.
– Qual é a sua opinião sobre isso? – continuo com meus questionamentos. – Eu realmente sou uma pessoa ruim? – pergunto preocupada.
– Não é que você seja uma pessoa ruim. – ele começa a falar. – Porém você é um pouco mimada, e às vezes isso interfere muito na sua personalidade. – eu estava ciente disso há muito tempo.
– Estou tentando mudar. – o encaro.
– Eu sei disso. – passa seus braços pelo meu ombro. – E estou orgulhoso. – abro um sorriso enorme. – Mas isso não muda o fato de que você tem uma parcela de culpa em como age com você, ou como as pessoas irão reagir quando conhecerem você. – reviro meus olhos. – Sei que a mudança é um elemento lento, mas se você quer ser uma pessoa pública tem que ter noção de que as críticas e as ofensas irão aparecer todos os dias. – solto um suspiro.
– Eu sei disso. – eu realmente me sentia chateada pelos meus atos no passado, e infelizmente era algo que eu jamais poderia apagar. – Vou tentar resolver essa situação da melhor forma. – Minha consciência ultimamente me cobra pelas minhas atitudes, foi por isso que eu decidi que era hora de mudar completamente, afinal a mudança só poderia partir de mim, e de mais ninguém. Sobre a minha situação com era óbvio que eu teria que resolver as coisas, porém para ser bem sincera era algo que eu não me sentia confortável para fazer no momento.
– Tudo bem. – com um suspiro se levanta e termina de colocar as coisas na mesa. – Você sabe quando deve fazer suas coisas. – ele sorri para mim. – Tudo tem seu tempo, e conhecendo você como conheço, logo irá arrumar uma maneira para se reparar. – a confiança que sentia em mim era arrebatadora.
– Você não vai voltar para o bar hoje? – ergo minha sobrancelha para ele.
– Pensei em não ir para o bar hoje. – dá de ombros – O que você acha de ficarmos em casa e não fazermos nada depois que minha mãe for embora? – balanço minha cabeça positivamente.
– Estou surpresa por você querer ficar em casa. – digo pensativa.
– Estou um pouco cansado. – ele mexe em seu cabelo.
– Podemos ficar em casa, mas você precisa me prometer algo. – me inclino para ficar próxima a ele.
– E o que seria? – me pergunta divertido.
– Você tem que me ajudar nessa coreografia que é realmente difícil. – pouso minha mão em seu ombro.
... – tira minha mão delicadamente. – Você sabe que eu não consigo. – solto um suspiro.
Eu realmente queria que ele fosse capaz de voltar a dançar e deixar tudo o que aconteceu no passado, mas como eu poderia cobrar algo dele se nem eu deixei o passado completamente?
– Nem um pouquinho? – quase encosto um dedo no outro e inclino minha cabeça para o lado.
– Você está muito fofa. – imediatamente aperta minhas bochechas.
– Eu sempre sou fofa. – reviro meus olhos e volto a encará–lo. – Por favor? – junto minhas mãos em uma súplica.
– Talvez. – rapidamente eu abro um sorriso, ter uma resposta positiva de realmente era importante.
– É por isso que eu amo você. – me despreguiço rapidamente.
– Interesseira. – ele terminar de por a mesa.
– Vai ligar para sua mãe para saber que horas ela irá vir? – pergunto tranquilamente.
– Ela apenas falou que viria almoçar. – encaro o relógio na parede.
– Então daqui a pouco ela deve chegar. – arregalo meus olhos.
– Tipo isso. – ele concorda comigo.
– Como será o esporro? – pergunto para ele.
– Eu não tenho ideia. – suspira. – Minha mãe estava um pouco irritada para falar a verdade. – em toda a minha vida eu só tinha visto a mãe de irritada uma única vez, e não foi nada legal.
– Talvez eu devesse pensar em um lugar para ficar depois de hoje. – falo um pouco preocupada.
– Não fale isso. – faz um biquinho.
? – o chamo.
– Sim? – ele me encara.
– Você acha que a casa está organizada o suficiente? – eu amava a mãe de , mas ela tinha um problema muito grande com casa bagunçada.
– Acho que está organizada sim. – olha para o relógio. – Será que ela vai demorar? – ele pergunta. – Estou com muita fome. – solto uma risada.
– Eu também estou. – praticamente choro.
Apesar de eu amar a mãe de , eu ainda tinha muito medo dela. Lembro–me como se fosse ontem quando se esqueceu de almoçar com sua mãe, e ela ligou aproximadamente quinze vezes para ele. Naquele dia nós dois estávamos juntos e não vimos o telefone tocar, e assim como , eu também levei um grande esporro por não atender ao telefone, depois disso eu aprendi a lição mais preciosa com a matriarca dos , nunca, jamais ignorar uma ligação dela.
A mulher sabia ser assustadora quando queria.
, ligue para sua mãe. – peço impacientemente.
– Não quero morrer. – Ele estava fazendo tempestade em copo da água.
– Compreensivo. – solto uma risada curta, pois eu o entendia perfeitamente.
Olhando de um ponto de vista totalmente diferente, era engraçado e um pouco sufocante como a mãe de o tratava. Apesar de ele ser um adulto, tinha medo de como sua mãe podia agir em diferentes momentos, um belo exemplo disso era a reação que ela iria expressar ao ver com os próprios olhos que eu estava morando com . Para ser sincera, teve uma época que a mãe de cismou que estávamos namorando, e levou muito tempo para que ela aceitasse que éramos apenas amigos.
– Só quero ver como vai ser quando minha mãe chegar. – encara a sala, e a cozinha. – Acho que a casa está organizada o suficiente. – tento prender uma risada.
– Não foi você que disse que a sua casa está limpa antes? – pergunto para ele ao notar seu olhar preocupado.
, você conhece minha mãe. – balanço minha cabeça positivamente.
– Você falando assim até parece que somos criminosos. – apesar de estar fazendo piada com o assunto, eu temia no fundo do meu coração que a mãe de brigasse conosco por tudo.
– É sério! – me encara por um momento. – Tenho certeza de que algum momento minha mãe vai passar que nem um furacão por aquela porta. – da cozinha tínhamos uma pequena visão do corredor de entrada.
– Pode deixar, eu protejo você. – mando um beijo para e tiro meu celular do bolso.
... – joga a cabeça para trás e ri. – Será que seus pais falaram com a minha mãe? – ele arruma sua postura e muda de assunto. – É capaz de você levar esporro também. – reviro meus olhos.
– Eles não iriam se dar ao trabalho. – tento não pensar nessa possibilidade.
– Você sabe que seus pais não fazem muito esforço para atrapalhar sua vida. – bufo.
O que acabou de falar não era realmente uma mentira. Geralmente meus pais adoravam complicar minha vida pelo fato de eu não seguir suas regras.
– Mas eu não fiz nada de errado. – sair de casa foi um ato corajoso da minha parte e eu acredito que enquanto eu não esteja fazendo nada que possa manchar a reputação da minha família, meus pais irão ficar longe de mim.
– Espero que não seja isso o motivo da minha mãe vir hoje. – se levanta da cadeira.
– Aonde você vai? – pergunto.
– Estou com uma leve impressão de que minha mãe acabou de chegar. – arregalo meus olhos.
– Tem certeza? – me levanto imediatamente.
– Sim. – ele balança a cabeça firmemente e vai em direção à porta para abri–la. Rapidamente a voz de Kim Ha–Yun toma conta da casa e logo que entra entrega algumas coisas para , vindo em minha direção logo em seguida.
! – me sinto um pouco mais aliviada ao ver o semblante dela, parecia que Ha–Yun estava feliz em me ver. – Faz um bom tempo desde que eu vi você. – rapidamente corro para seus braços abertos.
– Eu estava com tanta saudade da senhora. – inalo profundamente seu cheiro de rosas.
– Eu também. – ela me solta e vai até . – Coloque essas coisas em cima da mesa e comece a guardar. – Kim Ha–Yun era uma senhora baixinha que conseguia colocar medo até em , um marmanjo. – Vocês já comeram? – ela encara a mesa que tinha apenas uma garrafa de café e duas canecas.
– Não. – balanço minha cabeça imediatamente. – Estávamos esperando a senhora. – sorrio.
– Ótimo! – antes dela se sentar, a mesma ajuda a desembalar a comida que tinha trago. – Ainda bem que dessa vez não se esqueceram de mim. – arregalo meus olhos e viro meu rosto para que ela não pegue minha expressão, pois sempre que Ha–Yun tinha oportunidade ela tocava no assunto.
Enquanto estava na primeira sacola, a mãe dele desembala uma e coloca vários potes de comida em cima da bancada, eu praticamente salivo apenas ao sentir o cheiro de comida, sério eu praticamente conseguia sentir o gosto de comida sem ao menos prová–las.
– Isso parece delicioso. – umedeço meus lábios.
– Pena que é para vocês comerem depois. – fecho minha boca e faço uma careta. – Como estão as coisas no hotel, ? – olho para em busca de suporte.
– Estão ótimas. – me viro para encará–la, eu era uma boa mentirosa, mas nada passava do olhar astuto de Ha–Yun.
– Besteira. – seu olhar praticamente perfura minha alma. – Eu já sei de tudo. – arregalo meus olhos e olho para .
– Tudo o quê? – solta uma risada nervosa, quase nos entregando no processo.
– Sentem–se. – ela aponta para as cadeiras a sua frente e eu imediatamente faço o que ela pede.
– Comecem a comer. – Ha–Yun aponta para a comida, nem eu e nem falamos nada. – Vocês pretendiam mentir para mim até quando? – ela mantém uma expressão séria.
– Não era nossa intenção mentir para a senhora. – falo imediatamente, me entregando.
Kim Ha–Yun começa a servir nossos pratos dando uma atenção extra e eu olho para , preocupada.
– Mãe... – tenta chamar sua atenção, porém a mesma ergue a mão para impedi–lo de falar.
Logo que ela terminar de nos servir, Ha–Yun coloca os pratos na nossa frente e gesticula para que começássemos a comer. Na primeira mordida eu praticamente solto um gemido de satisfação, porém me seguro por respeito à mãe de que estava sentada conosco e nos encarando. Eu queria me sentir desconfortável com seu gesto totalmente evasivo, porém eu a conhecia muito bem apenas para saber que ela estava se certificando de que estávamos nos alimentando direito.
– Esse cheiro é tão maravilhoso. – pego os utensílios necessários para comer.
– Você vai comer também mamãe? – começa a se render.
– Sim. – ela é evasiva, porém começa a se alimentar conosco. Era visível que ela estava chateada com alguma coisa, e pelo seu semblante eu podia imaginar que Ha–Yun parecia decepcionada conosco. – Então... – a mãe de começa a tamborilar os dedos na mesa para chamar nossa atenção. – Quem vai me explicar o que está acontecendo? – ela olha para mim e para , sem perder o contato visual. – Porque eu recebi uma ligação muito interessante da sua mãe. – fecho meus olhos imediatamente. – O que está acontecendo? – abro meus olhos e olho para procurando ajuda. – Não adianta olhar para ele com seus olhos de cachorro perdido. – ela bate levemente na mesa para chamar minha atenção. – Então? – respiro profundamente.
– Foi apenas uma briga. – eu sabia que não conseguiria esconder a verdade por muito tempo, porém eu poderia tentar postergar ela.
– Não foi isso que eu fiquei sabendo. – solta uma tosse falsa e eu sabia que ele estava tentando não rir do meu desespero, apesar do seu desespero.
– Eu posso contar a minha versão da história ou a senhora já acreditou no que falaram? – eu estava me sentindo completamente frustrada com essa conversa.
– Prefiro ouvir sua versão, já que não confio em tudo o que acontece na sua família. – solto uma risadinha e logo me repreendo por isso.
– Sophie chegou ao hotel tentando mandar em todo mundo, ela me inscreveu na faculdade sem a minha autorização, e colocou Madison para fora do hotel com ameaças. – tento resumir o máximo que eu posso.
– E isso foi motivo para você querer sair de casa? – eu sabia que Kim Ha–Yun mais conhecida não estava me julgando, apenas procurando entender o que estava acontecendo.
– Aconteceram outras coisas ao mesmo tempo. – faço uma careta.
– E essas coisas não podem ser resolvidas? – ela continua me perguntando.
– Dessa vez não. – encaro Ha–Yun que era uma pessoa repleta de sabedoria. Eu esperava que ela pudesse me dar uma luz sobre o que estava acontecendo.
– O que eu posso dizer para você? – Kim Ha–Yun estava pensativa. – Na vida, nós escolhemos se iremos ou não aprender com os nossos erros. – ela explica com sabedoria. – Se você achou necessário sair de casa é porque algo estava incomodando você por um longo tempo. – balanço minha cabeça positivamente. – As cicatrizes levam tempo para serem curadas, é completamente normal que enquanto elas estejam cicatrizando você se mantenha afastada para não abrir essas feridas. Eu entendo você. – a mãe de segura minha mão delicadamente. – Faça o que você tem que fazer para se sentir bem consigo mesma. – ela sorri para mim. – Sua família ainda estará lá, a decisão sobre mudar de postura está com eles e não com você. – rapidamente limpo uma gota de lagrima que escorrega pelo meu rosto. – Até porque você já iniciou essa mudança. – ela pisca para mim.
– Mamãe. – a chama e quando tem a atenção dela, continua. – O que eles falaram para você? – ele pergunta e imediatamente eu a encaro.
– A mãe de me ligou. – essa parte eu já estava ciente. – Ela contou sobre como humilhou suas irmãs ao dizer que ela era melhor que elas. – não consigo evitar soltar uma risada.
– Típico da minha mãe. – murmuro.
– Exatamente. – Ha–Yun me encara com um sorriso. – Por isso eu sabia que existia algo de errado nessa história. – ela continua me encarando. – Presumo que você esteja ficando aqui? – não adiantava mentir para ela. Em algum momento, por mais que e eu tentássemos esconder, ela iria descobrir.
me acolheu. – tempo manter minha cara de choro.
– Então eu realmente o criei bem. – nos três soltamos uma risada. Eu sabia que no fundo o assunto não estava completamente resolvido, porém Kim Ha–Yun me deixaria respirar aliviada por enquanto.
Enquanto comíamos a nossa refeição, Ha–Yun deixou bem claro a sua insatisfação sobre estarmos morando juntos, ainda mais com a casa de tendo apenas um quarto, algo que a fez me questionar sobre onde eu estava dormindo. Respondo prontamente sua pergunta, não dando espaço para , pois conhecendo ele como conhecia, faria questão de usar essa oportunidade para me fazer ficar em seu quarto e ele na sala. É claro que ao ouvir minha resposta a mãe de não ficou nem um pouco feliz, porém respeitou minha decisão e não opinou sobre isso, pois Ha–Yun me conhecia muito para saber que eu não mudaria de opinião.
Depois que resolvemos o assunto sobre eu morar com a conversa começou a fluir de forma leve e divertida. Eu continuei comendo calmamente, pois não podia agir de forma rude na frente da mãe de , porém enquanto eu comia o almoço que tinha trago para nós, admito que estava pensando na comida que ela trouxe.
Ao terminarmos de comer, a mãe de expulsa ele da cozinha. Ela tinha essa pequena mania de que seu filho não tinha que fazer nada quando ela estava por perto, e acabou sobrando para eu ajudá–la com a limpeza da cozinha.
– Você realmente está bem com tudo isso? – imediatamente sou pega de surpresa com sua pergunta.
– Tenho que admitir que está sendo um pouco difícil. – a mãe de foi a pessoa mais próximo de uma figura materna que eu tive em toda a minha vida, então ser sincera com ela não era um problema.
– Precisa de dinheiro? – imediatamente eu sinto minhas bochechas corando.
– Não. – abano minha mão. – Eu tenho dinheiro suficiente para sobreviver por alguns meses. – eu não queria preocupá–la.
– Certeza? – ela me pergunta.
– Sim. – faço um barulho com a boca. – Eu até iria alugar um lugar para eu ficar, porém disse que eu não preciso fazer isso. – explico.
– Ele fez o certo. – Ha–Yun fala. – Não gosto da ideia de você morando sozinha em qualquer lugar. – coloco minha mão na boca e abafo uma risada.
– Eu adoro o jeito que você se preocupa comigo. – Ha–Yun e eu não éramos pessoas que demonstravam sentimentos a todo o momento, talvez seja por isso que nossas almas tenham se conectado.
– Apesar de você e não ficarem juntos... – ela começa a falar e eu me viro rapidamente. – Eu considero você minha filha. – fecho meus olhos e sorrio momentaneamente com suas palavras.
– Obrigada. – eu mudo rapidamente para o coreano, a pegando de surpresa.
– Toda vez que você fala assim, eu só consigo pensar que ninguém irá conseguir tirar o seu lugar na minha vida e na vida do meu filho. – sorrio lisonjeada.
– Meu lugar é apenas meu. – eu balanço meu corpo enquanto converso com ela. – Mas você tem que ter em mente que em algum momento irá trazer alguém para casa. – explico.
– Eu sei disso. – ela faz uma careta. – Porém quando eu digo que ninguém irá tirar você do seu lugar eu falo sério. – a abraço rapidamente.
– Obrigada. – eu realmente precisava dizer essas palavras.
– Sobre o que vocês duas estão fofocando? – aparece na sala com uma roupa completamente diferente.
– Nada que diz respeito a você. – mostro a língua para ele.
– Crianças... – a mãe de nos repreende.
– Eu não fiz nada de errado. – parecia com uma criança mal humorada todas as vezes que sua mãe chamava a sua atenção.
– Você me chamou de fofoqueira. – sua mãe fala imediatamente e eu continuo guardando a louça que sequei.
– Retiro o que eu disse. – ele se aproxima de nós e abraça sua mãe. – Vai ficar aqui em casa? – pergunta diretamente para ela.
– Não. – Ha–Yun responde rapidamente. – Eu apenas vim para me certificar que vocês estavam bem alimentados. – ela sorri para nós. – Tenho alguns compromissos. – e eu nos encaramos.
– Como está o namoro? – ergo minha sobrancelha para ela, com um sorriso brincando em meus lábios.
Apesar de eu nunca ter visto a mãe de acompanhada, nós sabíamos que ela tinha alguns encontros com homens da sua idade. O que era completamente normal, já que Kim Ha–Yun era viúva e merecia ter alguém para cuidar dela, além de . Eu ainda estava surpresa com a notícia de que ela estava namorando, mas a felicidade que eu estava sentindo por ela era maior que tudo.
– Irei preparar um jantar para vocês se conhecerem. – ela parecia animada com a ideia.
– Eu iria adorar. – falo empolgada.
... – balança a cabeça, pedindo silenciosamente para que eu parasse de falar.
– O quê? – olho para ele, sem entender. – Você está triste por não ser mais o centro das atenções? – tiro sarro dele.
– Idiota. – ele bate delicadamente no meu braço.
– Ai! – digo enquanto massageio o local e faço um pouco de drama. – Sua mão é muito pesada. – finjo uma voz de choro e arranco uma risada de Ha–Yun.
– Crianças... – novamente ela nos repreende.
– Desculpa. – faço um biquinho inocente.
– Você tem sorte de eu gostar muito de você. – eu luto contra todos os sentimentos que tenho de revirar meus olhos para nesse exato momento.
– Quando iremos jantar juntas? – faço uma voz mais manhosa.
– Em breve. – ela sorri para mim e coloca a toalha de louça nos ombros de . – Eu vou para casa. – ela me encara por alguns segundos antes de se virar para . – Cuide muito bem dela e não a deixe beber. – solto uma risada leve com suas palavras.
Ela sempre se preocupava com a questão da bebida.
– Pode deixar mãe. – mal ela sabia que não faziam nem alguns dias que abriu seu bar apenas para que e eu pudéssemos beber.
– Lembrem–se. – ela olha atentamente para cada um de nós. – Eu estou de olho nos dois. – mamãe se despede e do mesmo jeito que ela chegou, ela foi embora.
Eu ainda podia sentir o clima descontraído no ar assim que ela saiu, porém eu me sentia muito mais aliviada sozinha e longe dos seus olhares calculistas.
– Ainda bem que ela já foi. – praticamente volta para dentro de casa sussurrando.
– Estou surpresa por ela não ter falado mais nada sobre eu estar morando aqui. – faço aspas com o dedo.
– Não vamos comemorar muito. – ele pisca para mim.
– Você tem razão. – eu me jogo no sofá. – Quer assistir algum filme? – pergunto mudando de assunto.
– Tudo bem! – se senta no outro canto do sofá. – Você escolhe. – ele me dá o poder do controle e eu sorrio.

Capítulo Dezenove

Os dias passaram voando depois do meu último diálogo com a mãe de , no entanto eu não tinha conseguido falar com , e eu realmente tentei. Aparentemente minha amiga mandou uma mensagem para pedindo para ele me informar que ela não queria falar comigo pelos próximos meses, porque ainda estava muito chateada, e que ela me deixaria saber quando a mesma estivesse preparada. Eu não tinha muito que fazer com isso, afinal nesse momento estava sendo uma escolha dela, e eu iria respeitá–la, apesar de continuar achando que eu não fui a errada na história toda.
Como a semana passou voando, contando com o dia de hoje, faltariam apenas dois dias para minha audição finalmente acontecer. Eu estava tão nervosa com isso que meus treinos pareciam não render o suficiente e minhas mãos não paravam de suar, algo que não era comum acontecer comigo. O sono também não era meu amigo nos últimos dois dias, pois toda vez que coloquei minha cabeça no travesseiro e fechei meus olhos para dormir minha mente viajava para o que poderia acontecer durante a minha audição. Claro que isso era retrato da pressão que eu estava colocando em mim mesma, e tal pressão se dava pelo fato de eu não ter me decidido na escolha da música que iria cantar na apresentação, afinal eu queria que fosse perfeito, e por conta disso parecia que nada se encaixava na minha voz. Eu sabia que um dos motivos de eu estar tão inquieta era pelo fato dos meus pais não terem entrado em contato comigo até o momento, algo estranho, pois eu tinha certeza de que quando eu saísse de casa, a primeira coisa que eu iria receber era uma ligação da minha mãe, porém isso não aconteceu. A única notícia que tive dos meus pais foi por meio da mãe de .
– O que você está fazendo? – se joga ao meu lado no sofá e eu fecho meu notebook imediatamente.
– Nada de mais. – sorrio para ele.
– Parece que você está escondendo alguma coisa. – ele suspira ao meu lado.
– Só estava assistindo algumas coisas. – tento desconversar, porém atiço ainda mais sua curiosidade.
– E eu não posso saber? – cutuca minha barriga.
– É algo relacionado à dança. – falo rapidamente.
– Você se gravou dançando? – me pergunta.
– Sim. – solto um suspiro.
– Posso ver? – ele me pede delicadamente.
– Tem certeza? – me viro para encará–lo completamente contente com sua atitude.
– Sim. – concorda e se ajeita ao meu lado assim que eu abro meu notebook.
– Seria muito legal se você pudesse fazer algumas observações. – peço gentilmente quando dou play no vídeo, claro que eu não tinha esquecido em nenhum momento que tinha dito que iria me dar uma força com relação à dança, mas eu realmente queria que fosse algo que partisse dele.
– Ok... – ele me encara antes de olhar para a tela do meu notebook.
A primeira imagem que aparece é a sala de completamente sem moveis visíveis. Eu estava tão acostumada em ter espaço para treinar que tive que arrastar os móveis para os cantos para que eu pudesse ter espaço na pequena sala de , porém ao olhar o vídeo eu acabo me sentindo um pouco intrometida, afinal eu estava tomando muita liberdade em um local que não era meu, mas ao encarar percebo que ele não tinha ficado chateado com a minha atitude.
Geralmente eu gostava de gravar meus ensaios para que eu pudesse monitorá–los e dessa vez não foi diferente. Eu adorava ensaiar músicas novas e por conta disso aprendi a coreografia de God's Menu do Stray Kids, me lembro de ficar completamente encantada com a produção do MV e as transições que os garotos faziam durante o MV, sem contar com a coreografia maravilhosa e impecável que o grupo apresentou novamente. Eu sabia que a dança era uma peça chave na audição, mas o canto também era. Por conta disso eu dividi meu tempo nas últimas semanas entre treinar meu vocal e manter minhas danças atualizadas.
– Eu gostei bastante da coreografia. – pausa o vídeo e sorri para mim. – Eles são um grupo novo que você está acompanhando? – me pergunta casualmente.
– Os acompanho tem um tempo. – fico empolgada por ter gostado da coreografia.
– Você realmente gostou? – pergunto novamente para ter certeza.
– Eu não sei como eles dançam, mas você pareceu ter certeza do que estava fazendo em cada passo. – fico um pouco aliviada com suas palavras. – Qual o nome do grupo? – apesar do que muitos pensam, não é porque é coreano que ele escute k–pop, na realidade é totalmente o oposto.
– Stray Kids. – falo com orgulho.
– O vocal deles é muito bom, e os garotos que cantam rap me deixaram chocados. – solto uma risada.
– Isso é porque você só ouviu a música, não a apresentação deles. – faço um joinha.
– Quando eu tiver tempo irei dar uma olhada. – se levanta do sofá.
– Aonde você vai? – pergunto confusa ao encarar o relógio.
– Tenho passado tempo demais em casa e com você. – reviro meus olhos. – Vou para o escritório hoje. – solto um suspiro.
– Ok... – fico um pouco chateada de ser deixada em casa novamente, porém eu sabia que diferente de mim, trabalhava.
Eu sabia que tinha que trabalhar, mas seu trabalho em excesso estava me deixando preocupada demais. Na realidade eu tinha medo de que ele voltasse a se sentir melancólico novamente e se fechasse como aconteceu anteriormente.
– Tudo bem para você comer sozinha hoje? – ele me encara preocupado, pois apesar de trabalhar demais, sempre reservava um tempo para comer comigo.
– Claro. – sorrio para ele. – E você não se esqueça de comer. – eu conhecia meu amigo o suficiente para saber que ele não iria se alimentar direito, então era o meu dever pedir algo saudável para ele comer quando chegasse a casa na manhã seguinte.
– Prometo que irei pedir algo. – deposita um beijo na minha cabeça e vai para seu quarto.
Enquanto estava se arrumando eu procuro continuar fazendo meu monitoramento de coreografia e observar onde eu poderia melhorar para ter um melhor desempenho.
Não demora muito para que ele saia do seu quarto completamente vestido para trabalhar e juro que apesar de sermos amigos há muito tempo eu ainda não estava acostumada em vê–lo de terno.
– Se alimente. – ele passa por mim e se despede rapidamente. – E ligue para , ela não veio aqui ainda e todos nós precisamos conversar. – bufo.
– Não garanto que irei ligar para ela. – cruzo meus braços. – Ela não disse que iria informar quando se sentisse preparada para falar comigo novamente? – encaro minhas unhas.
– Eu sei que apesar dela ter sido mimada e errada, você está sentindo falta dela. – reviro meus olhos, porém o que acabou de falar tinha um pontinho de verdade.
– Você não está atrasado? – ergo minha sobrancelha e cruzo os braços em uma tentativa de mudar o rumo da conversa.
– Bobinha. – se aproxima de mim e deposita um beijo na minha testa. – Ligo para você mais tarde. – balanço minha cabeça concordando com ele e logo sai de casa.
Com saindo de casa para ir trabalhar eu volto a ficar jogada no sofá fazendo monitoramento das minhas danças anteriores. Eu sabia que eu era uma boa dançarina, mas nada parecia se encaixar da maneira que eu esperava. A dança era minha paixão desde que eu era criança, porém ultimamente eu tenho ficado estressada demais enquanto pratico, e meu maior medo é de que isso faça com que eu crie certo receio com a dança e passe a olhar para ela de uma forma negativa. Claro que eu sei que na dança temos nossos altos e baixos, porém com a constante cobrança que tenho tem me prejudicado muito.
Como eu resolvi tirar uma pequena folga do meu constante treinamento, resolvo fazer o que me pediu e pego meu celular, decidida em mandar uma mensagem para e pedir para a mesma vir até a casa de para que pudéssemos conversar e resolver a nossa situação pendente, porém uma mensagem de Sophie pedindo que eu a encontrasse no hotel imediatamente chama minha atenção, e claro eu fico com uma pulga atrás da orelha, afinal por que ela estaria me pedindo para encontra–la tão urgentemente?


***


Cedendo ao pedido de Sophie eu decido ir ao seu encontro no hotel. Chegando lá fico surpresa em ver que o movimento tinha caído um pouco, e apesar de estarmos em uma época de baixo atendimento, o hotel sempre estava cheio, o contrário do que eu estava vendo no momento.
Quando entro no hotel a primeira coisa que percebo são os uniformes que os funcionários estão usando, bege com linhas douradas. Totalmente diferente do uniforme padrão e chique que meu pai criou para que seus funcionários usassem, e devo admitir que eu estava um pouco surpresa de ver um novo uniforme disponível para os funcionários, afinal não fazia muito tempo desde que Sophie assumiu o hotel. Durante o curto percurso que faço até o escritório do meu pai percebo que alguns funcionários me encaravam com um olhar aguçado de curiosidade, pois era visível que eles queriam saber o motivo de eu ter me afastado do hotel repentinamente.
Assim que paro na porta do escritório eu bato delicadamente e espero que Sophie me responda.
– Pode entrar. – escuto sua voz abafada através da porta e a abro lentamente.
– Sophie. – a cumprimento assim que entro.
– Sente–se. – ela pede com cordialidade e contrariada faço o que ela pede.
– Qual o motivo de você me chamar? – vou direto ao ponto.
– Acho que você deve estar ciente que nossos pais já sabem que você não está mais no hotel, certo? – minha irmã me encara profundamente.
– A mãe de conversou comigo recentemente. – dou de ombros.
– Papai me pediu para entregar uma oferta de paz. – solto uma risada.
– E qual seria? – fico chocada por eles "entregarem" uma oferta de paz, afinal meus pais não tinham entrado em contato comigo até o momento.
– Eles estão dispostos a esquecer de tudo o que você fez de errado. – eu não tinha feito nada de errado na minha concepção. Apenas o fato deles acharem isso me deixava enojada.
– E se eu não aceitar? – pergunto.
– Eles irão cortar a sua mesada. – suas palavras não me pegam de surpresa, pois de certa maneira eu sabia que isso iria acontecer afinal Madison tinha me avisado.
– Então você pode dizer para eles que a oferta foi negada. – começo a me levantar da cadeira quando sou impedida por Sophie.
– Espere! – ela agarra minha mão.
– O que você quer? – pergunto ao me virar para encará–la.
– Você é minha irmã, . Preciso de você nessa nova fase da minha vida. – Sophie sorri para mim.
– Isso não vai funcionar comigo, Sophie. – deixo bem claro. – Lembre–se, foi você quem começou essa bagunça toda. – semicerro meus olhos. – Na realidade até agora eu não entendi o motivo de você querer tanto assumir o hotel na ausência do papai. – esse assunto era algo que ainda me incomodava. Não que eu estivesse defendendo Madison, porque eu não estava, mas eu concordava que as atitudes de Sophie não eram as melhores.
– Você tem que aprender a seguir o fluxo das coisas, , eu sempre esperei por esse momento. – minha irmã continua com um sorriso nos lábios.
– E qual seria esse momento único? – tento não parecer tão sarcástica, mas era impossível.
– Madison nunca mereceu ter o que tinha. – reviro meus olhos.
– E você acha que isso seria um bom motivo para tirá–la da jogada? – eu queria entender os motivos de Sophie querer assumir os negócios da família, mas nada do que ela falasse parecia ser o suficiente para o meu entendimento.
– Em algum momento todos irão saber o motivo, mas quer saber de algo engraçado? – Sophie solta uma gargalhada. – Todos irão ficar chocados. – solto um suspiro. – Agora eu preciso saber. Qual lado você irá escolher? O lado vitorioso ou o lado fracassado? – minha irmã muda a postura completamente e me encara.
– Quer saber? – faço uma careta, pois não conseguia acreditar que iria pronunciar tais palavras. – Irei ficar do lado de Madison dessa vez. – começo a me afastar da mesa para sair o mais rápido possível daquela sala.
– Você irá perder tudo, , e nunca, jamais irá recuperar as coisas que irá perder. – ela é séria em cada palavra que pronuncia.
– Não se esqueça de que eu sei muito mais do que as pessoas sabem, Sophie, apenas fiquei quieta esse tempo todo. – eu detestava que as pessoas me ameaçassem.
– O que você quer dizer com isso? – ela para por um momento de falar e me encara apavorada.
– Você vai ver. – dou um sorriso de canto que iria atormentar os pensamentos de Sophie por semanas.
! – Sophie grita meu nome, porém eu já tinha fechado a porta atrás de mim.
Nesse momento eu estava me culpando por ter cedido para me encontrar com Sophie. Ela estava tão desequilibrada com o plano ridículo de ficar no poder do hotel que minha irmã não conseguia enxergar as coisas ao seu redor. Eu não sabia se isso tudo era um plano do meu pai para tirar Madison do hotel e nos colocar uma contra as outras para no final pôr Alec no poder, ou era simplesmente Sophie sendo alguém que ela era e escondeu muito bem de mim.
? – enquanto ando pelos corredores do hotel sou parada de repente por alguém.
? – o encaro um pouco confusa.
– O que você está fazendo por aqui? – parecia ofegante.
– Vim visitar minha irmã. – cruzo meus braços e o encaro. – Você está com problemas? – solto uma risada.
– Talvez? – ele me olha indeciso.
– Precisa de ajuda? – pergunto.
– Você me ajudaria, ? – ele morde a boca.
– Fale para mim o seu problema. – balanço minha cabeça.
– Algumas fãs se hospedaram no hotel com o intuito de me encontrar. – ele fala.
– Como assim? – o encaro sem acreditar.
O hotel sempre foi um local seguro para as celebridades, geralmente quando algo do gênero acontecia, tínhamos seguranças no local para controlar o estrago e fazer tanto a segurança da celebridade como a do fã.
– Eu não sei! – noto que ele estava um pouco apavorado. – Só tenho um grupo de dez garotas espalhadas pelo hotel me procurando. – ele estava gesticulando muito rápido com a mão e quase não consigo acompanhá–lo.
! – o chamo. – Eu preciso que você foque. – faço uma careta. – Essas garotas estão juntas? – pergunto.
– Eu encontrei quatro garotas no meu quarto, você sabe o que isso significa? – ele me encara.
– Que o hotel é completamente falho na segurança das pessoas. – por um instante fico arrasada com essa notícia.
– Eu não sei como elas conseguiram passar pelos meus seguranças e abrir a porta do meu quarto. – fecha os olhos por um momento.
– Ok! – era meu dever proteger nesse momento. – Vamos tirar você daqui. – digo para ele.
– Não posso sair do hotel. – fecho meus olhos com força.
– Então você prefere enfrentar as dez garotas que aparentemente estão procurando por você nesse exato momento? – encaro meu relógio.
– Não. – ele balança a cabeça negativamente pata mim. – Mas não quero sair do hotel desse jeito. – aponta para si mesmo e só agora percebo que ele estava apenas de cueca.
– O que aconteceu? – pergunto.
– Eu praticamente fui atacado no meu quarto, eu tinha acabado de sair do banho, não esperava ter companhia. – se o assunto não fosse sério eu estaria rindo nesse momento.
– Ok. – tento pensar em alguma coisa. – Sair com você desse jeito realmente seria muito ruim. – me encosto contra a parede.
– Por que você está fazendo isso? – me encara em pânico. – Daqui a pouco alguém aparece. – ele praticamente chora. – Você disse que ia me ajudar, . – se não fosse o seu desespero eu realmente iria rir.
– Estou pensando em algo, gênio. – reviro meus olhos. – Já sei! – estralo meu dedo. – Vamos para a cozinha, Pietro com certeza irá ajudar. – sorrio.
– Você tem certeza? – ele me olha preocupado.
– Bom... – coço minha cabeça. – Não temos outra escolha, seu quarto foi invadido, e você não tem para onde ir. – faço uma careta.
– E como vamos chegar até lá sem sermos vistos, gênia? – fica olhando ao redor.
– Simples. – digo. – Vamos caminhar depressa. – solto uma pequena risada.
– Eu só posso ter pecado no passado. – começa a resmungar, porém me segue.
– Se você continuar falando e não agilizar tenho certeza de que será pego. – eu não queria colocar medo nele, porém eu não tinha noção de como estava a situação dos fãs no hotel.
– Desculpe! – caminha, porém se mantém atento a todos os passos que damos. – Sinceramente? – ele fala baixinho. – Nunca pensei que iria ter a minha privacidade invadida. – solto um suspiro, pois isso nunca tinha acontecido no hotel.
– Eu devo me desculpar com você. – paro de repente no final do corredor ao notar uma garota correndo paralelamente e impeço que de o próximo passo. – Nada disso estaria acontecendo se minhas irmãs fossem maduras e resolvessem suas situações. – explico sem entrar muito em detalhes.
– Eu resolvi vir até aqui porque além de ser o melhor hotel, ele fornecia segurança, porém eu me ferrei. – concordo com ele.
– Tenho certeza de que meu pai irá sentir vergonha futuramente. – quando vejo que ninguém mais passava pelos corredores, volto a caminhar com nas minhas costas.
– Por que isso tinha que acontecer logo no meu último dia? – paro de andar e tropeça em mim.
– Você já está indo embora? – pergunto para ele.
– Graças a Deus! – joga as mãos para cima e eu semicerro meus olhos.
– Por quanto tempo você ainda irá ficar em Londres? – pergunto.
– Vou ficar por mais um mês e depois voltarei para casa. – ele dá de ombros. – Eu tenho que voltar para gravar um novo álbum. – me explica.
– Entendo. – falo um pouco mais baixo.
– Você irá sentir minha falta? – pergunta descaradamente.
... – não é como se fossemos ser pegos nesse momento por alguém, porém manter o tom da minha voz mais baixo era necessário para não chamar a atenção de ninguém, mesmo que estivesse apenas de bermuda, fato que já chamava a atenção por si só. – Não vamos falar essas coisas quando você tem várias fãs atrás de você. – o chamo com a mão para que pudéssemos finalmente passar pelo saguão. – Você deve ser rápido. – explico. – Eu sinalizei para alguns seguranças agora mesmo. – explico. – Mas se as garotas estiverem por aqui, a quantia de segurança que temos no saguão não irá conseguir contê–las. – depois de terminar de falar, aponto para o lado do restaurante. – É importante que você corra como se sua vida dependesse disso. – explico mais uma vez.
– Por que você está me falando isso? – me encara confuso.
– Porque infelizmente sua localização acabou de ser descoberta. – falo ao apontar para trás e ver algumas meninas vindo desesperadamente atrás de nós. – Corra! – o empurro para frente para que ele pudesse entender o que eu tinha acabado de falar, e observo quando recobre a consciência e começa a correr como se a vida dele realmente estivesse em jogo.
Ajudar foi divertido, apesar de algumas garotas terem tentando entrar no restaurante, mas o que me deixava muito chateada foi a falta de segurança que o hotel estava prestando para os seus hóspedes.
Depois que se escondeu dentro do restaurante e os seguranças do hotel correram para lidar com a situação dos fãs atrás dele, foi comprovado que apenas uma das meninas tinha se hospedado no hotel e que as outras tinham entrado no local sem que ninguém visse. Parece até história de livro, porém era uma realidade que parecia não ser possível no hotel até hoje. E apesar de ter tido sua privacidade invadida por algumas meninas que entraram no seu quarto, ele decidiu que não iria abrir uma queixa contra elas, então a policia acabou não sendo envolvida nesse problema.
– Por que você ajudou aquelas garotas? – pergunto enquanto observava as ruas pelo terraço.
– Eu não acho justo que elas paguem por isso, realmente invadir minha privacidade foi algo completamente errado da parte delas, mas devo admitir que elas tiveram muita coragem de fazer isso. – ele dá de ombros.
– Elas não pensaram nas consequências. – solto um suspiro.
– Por quê? – me pergunta.
– Se fosse qualquer outra pessoa a atitude poderia ser diferente, e agora a história seria outra. – explico. – Essas garotas invadiram sua privacidade, e invadiram o hotel. – balanço minha cabeça.
– Então você não achou uma atitude corajosa? – me encara. – E se fosse você no lugar deles? – olho para ele um pouco confusa.
– Aonde você quer chegar com isso? – coloca uma mecha de cabelo para trás da minha orelha.
– Se você não fosse rica? E se você fosse apaixonada por seu ídolo e tivesse a oportunidade de fazer isso? Você não faria? – engulo em seco.
– Talvez eu fosse pensar nas consequências. – sorrio para ele.
– Cadê aquela garota que queria que todo mundo se explodisse e que deixava claro sua teimosia? Tenho certeza de que essa garota cometeria esse ato sem pensar nas consequências. – ele se aproxima de mim. – Estou certo? – desvio meus olhos dos seus.
– Um pouco. – me afasto dele.
... – me chama.
– Sim? – quando viro para encará–lo percebo o quão próximo ele estava. – O que você está fazendo? – sussurro.
– Eu precisava olhar para você mais uma vez antes de ir embora. – sorri.
– Por que você faz essas coisas? – sinto meu coração palpitar de maneira diferente.
– Porque eu gosto de ver suas reações. – ele se aproxima um pouco mais de mim. – Você está diferente. – sussurra.
– De maneira boa, ou ruim? – pergunto.
– De uma boa maneira. – ele se aproxima mais um pouco.
... – umedeço meus lábios e automaticamente encaro sua boca, me repreendo mentalmente por esse ato.
... – quando percebo sua mão já estava depositada na minha cintura e eu arregalo os olhos.
– O quê...? – não consigo formular uma frase completa, pois no segundo seguinte seus lábios estão pressionados nos meus.
Fico impressionada em como seus lábios tinham um toque aveludado que encaixava perfeitamente com o meu. Nesse momento eu não deveria pensar em como tudo se encaixava e sim acabar com o beijo, pois eu tinha uma promessa feita a mim mesma de que não iria ceder para , porém no momento que nossos lábios começam a se mover em perfeita sincronia, tudo o que eu faço é me dar esse momento de presente e aproveitar, pois seria a última vez que eu deixaria isso acontecer.


Continua...



Nota da autora: Primeiramente um feliz ano novo super atrasado! Infelizmente com a correria do final de ano por conta do serviço e fechamento anual da empresa que trabalho, acabei atrasando em enviar as atualizações, por isso encaminhei uma atualização tripla para vocês.
Espero que gostem!

Outras Fanfics:
5SOS – Lost Boy [5 Seconds Of Summer/Shortfic]
All That You Are Is All I’ll Ever Need [5 Seconds Of Summer/Shortfic]

Nota da scripter: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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