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Última atualização: 05/01/2022

Capítulo 1 – How we met

2001
Mullingar, Irlanda


— Quem está animado para conhecer a casa nova? — Edgar, pai de , perguntou animado olhando a filha pelo retrovisor, que estava sentada no banco de trás, enquanto estacionava o carro em frente a nova residência da família.
— Euuuu! E você, mamãe? — a pequena de cinco anos perguntou a Quinn, sua mãe.
— Eu também estou, sweetie.

Depois de quatro anos morando no Brasil, para que Edgar concluísse sua graduação em Produção Audiovisual na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a família retornou ao país de origem de Quinn.

— Por que não leva para dentro enquanto eu levo nossas malas?
— Não quer ajuda, querido?
— Não precisa. Vão indo e já me junto a vocês.
— Está bem — a irlandesa deu as mãos à filha e seguiu para dentro da nova casa.

A casa era simples, assim como a vizinhança. Tinha um longo jardim à frente, que era dividido ao meio pelo caminho de cimento que dava para a garagem. As residências eram basicamente iguais, num tom pastel com alguns tijolos aparentes, e eram quase coladas umas nas outras. Os jardins das casas eram separados por um pequeno cercadinho, mantendo o padrão típico irlandês.

— Filha, olha que lindo seu quarto! — Quinn abriu a porta para que a garota entrasse.

Os olhinhos da pequena brilhavam ao olhar cada detalhe do pequeno quarto rosa. Apesar de não ser luxuoso, a menina estava encantada.

— Eu amei mamãe, obrigada! — correu para abraçá-la.
— E o papai, também não ganha abraço?
— Siiim! — correu para dar um abraço bem forte no pai.


✨✨✨


~DING DONG~

— Quem será? Não convidamos ninguém.
— Não é sua mãe? — Edgar questionou.
— Vovó!
— Não… Ela só vem no fim de semana.
— Vai ver ela quis matar a saudade e veio mais cedo — o rapaz deu de ombros.
— Acho que não. Ela disse que não viria antes por causa do trabalho. Bem, vou atender a porta.

Assim que Quinn abriu a porta, deu de cara com uma moça loira segurando uma travessa de comida e um pequeno garotinho que aparentava ser um pouco mais velho que .

— Olá, como posso ajudar?
— Oi, desculpe aparecer assim. Me chamo Maura e esse aqui é meu filho Niall. Nós somos seus vizinhos da casa ao lado. Viemos dar as boas-vindas.
— Oh, sim, obrigada! Eu me chamo Quinn. E qual sua idade, Niall? — se abaixou na altura do garotinho, passando a mão em seu cabelo loiro escuro. — Minha filha vai amar saber que tem amiguinhos para ela brincar.
— Eu tenho oito anos — disse o pequeno desinibido.
— Deixa eu chamar a para vocês se conhecerem.

A pequena apareceu na porta, mas ficou grudada na mãe.

— Niall, essa aqui é a .
— Oi, ! — disse ele, animado.
— Dá oi pra ele, filha!
— Oi.
— Ela é um pouco tímida, mas quando pega intimidade, não para de falar.
— É normal, coisa de criança. Esse aqui que é um caso à parte. Desde novinho, sempre foi muito falante e desinibido — Maura explicou.
— Ele é uma graça.
— Bem, não vou tomar muito o tempo de vocês. Sejam bem-vindos! — a loira entregou uma travessa de vidro coberta com alumínio.
— Humm, o cheiro está uma delícia! Deixe-me adivinhar, Shepherd’s Pie?
— Sim!
— Meu prato favorito. Minha mãe costumava fazer sempre para mim, muito obrigada!
— Não há de quê, querida. Até qualquer hora.
— Até!
— Tchau, ! — o pequeno acenou, recebendo um aceno tímido de volta da garotinha.

A noite havia chegado e Quinn havia guardado a torta para o jantar, já que estava exausta para preparar algo depois de tanto desempacotar coisas e desfazer malas.

— Shepherd's Pie, hã?! Não como uma dessas desde meu intercâmbio.
— Isso não é verdade. Eu fiz para a provar quando ainda estávamos no Brasil.
— Ah, mas não conta. Não fica igual com os ingredientes de lá.
— É, e eu não faço tão bem quanto a minha mãe.
— Isso é verdade. A da sua mãe não tem melhor, apesar dessa aqui estar muito boa — Edgar colocou mais um pouco em seu prato.
— Quero mais, papai!
— Ih, acho que alguém gostou — Quinn brincou, fazendo todos rirem.

A primeira noite da família na nova casa havia sido tranquila. havia se adaptado super bem à nova cama e dormido como uma pedra. O dia seguinte amanheceu ensolarado. Após tomarem café, Quinn seguiu a pé com a pequena até o colégio onde estudaria, a fim de resolver sua matrícula. Ao chegarem em frente à casa, avistaram Edgar na porta falando com um rapazinho, que logo descobriram ser Niall, quando ele virou para trás e os olhou.

— Elas chegaram! — disse Edgar, fazendo o pequeno Niall olhar para trás. — Ele estava procurando pela .
— Oi, ! Quer brincar? — ele perguntou animadamente, se aproximando da garotinha.
— Olha , o Niall veio aqui só pra te chamar para brincar!
— Oi — disse timidamente.
— Vá brincar com ele, filha! Olha quantos brinquedos legais — Quinn apontou para o gramado da casa ao lado.

Após receberem um olhar desconfiado da garotinha, ela aceitou. Niall deu as mãos à menina e entrelaçou seus dedos, pegando-a totalmente de surpresa. Então, levou-a até o baixo cercadinho que dividia os gramados de cada casa.

— Você consegue pular? — ele perguntou preocupado com , que negou com a cabeça. — Então vamos pela frente mesmo, vem! — pegou na mão dela novamente.

Quinn aproveitou que estava indo para a casa dos vizinhos e lavou a travessa que Maura havia levado gentilmente a torta e foi entregá-la. Prestes a tocar a campainha, ela logo avistou a mulher sentada enquanto observava as crianças brincarem.

— Olá, como está? — Quinn saudou Maura.
— Estou bem, e você, querida?
— Estou ótima. Vim devolver a travessa.
— Não precisava.
— Claro que precisava. A propósito, estava uma delícia.
— Fico feliz que gostaram, fiz com muito carinho.
— Até a gostou. E eu já tinha feito para ela no Brasil, mas ela não se agradou muito.
— Oh, vocês são do Brasil? Achei que você era daqui, seu sotaque é perfeito.
— Na verdade, eu sou irlandesa, mas meu marido é brasileiro e a também.
— Deixa eu colocar essa travessa na cozinha e trazer uma cadeira pra você. E depois você conta essa história, estou curiosa.

A mulher voltou com duas xícaras de café e, com ajuda de Greg, seu filho mais velho, trouxe a cadeira.

— Esse aqui é Greg, meu filho mais velho.
— Muito obrigada, Greg!
— Não seja por isso — respondeu e foi entrando novamente.
— Ele é mais na dele mesmo, o oposto de Niall. Mas me conta sua história, estou curiosa.
— Oh, sim! Onde parei mesmo?
— Sobre seu marido e filha serem do Brasil.
— Lembrei. Eu conheci Edgar em Dublin, quando ele estava fazendo intercâmbio, e acabei engravidando. Quando o intercâmbio terminou, fomos para o Brasil para ele prestar vestibular. Ele passou na universidade que queria, então decidimos morar no Rio de Janeiro até ele terminar a faculdade, daí voltaríamos para Irlanda.
— E como vieram parar em Mullingar? Não é uma cidade pequena demais para quem morou em Dublin e no Rio de Janeiro?
— Sim, mas recebi uma boa proposta de emprego. Então cá estamos.
— É uma bela história!
— É mesmo.
— Olha lá como eles estão se divertindo — Maura fez com que Quinn voltasse sua atenção às crianças.
— Sim, não é qualquer um que consegue fazer a se soltar tão rápido assim.
— O Niall tem esse poder com as pessoas.
— Ele me parece um ótimo menino.
— Ele é!


Capítulo 2 – Teenage dream

2010
Mullingar, Irlanda


— Bom dia, senhor! — Niall saudou Edgar. — já está pronta?
— Bom dia, Niall! Ela está terminando de tomar café, entre.
— Com licença — entrou na casa e foi em direção à mesa onde tomavam café diariamente.
— Niall! Bom dia, querido! Sente-se e tome café conosco.
— Não vou recusar o convite.
— Claro que não vai — rolou os olhos, fazendo todos rirem.
— Haha, engraçadinha — Niall deu um beijo terno na cabeça da menina e sentou-se ao lado dela.
— Mas vai logo, ou vamos nos atrasar para a escola — reclamou, brincando.
— Eu já estou pronto, mas não se nega a comida da sua mãe. Já você…
— Tá, tá — revirou os olhos. A menina correu para escovar os dentes e buscar a mochila. — Vamos, Horan?
— Sim. Tchau, senhora .
— Tchau, mãe!
— Tchau, meus amores!

Os dois foram conversando e se divertindo enquanto caminhavam juntos até a escola, que não era muito longe dali.
Niall e haviam se tornado melhores amigos desde que a brasileira havia se mudado para Mullingar, um pequeno município da Irlanda no condado de Westmeath. Desde então, os dois se tornaram inseparáveis, até que a diferença de idade foi se tornando um empecilho na vida dos amigos. Enquanto Niall já estava prestes a completar dezessete anos, a garota ainda estava nos quatorze. Embora a pouca diferença de idade, as fases da vida eram distintas e, consequentemente, as amizades e as saídas também. Mas apesar de tudo, sempre tentavam superar as diferenças e se manterem o mais próximo que conseguiam.
Ao toque do sinal, foi em direção ao seu locker. Enquanto pegava um livro qualquer para a aula que viria a seguir, alguém se encostou no armário ao lado, ficando de frente para ela.

— Hey, não te vi o dia todo — Niall disse.
— Agora que você é junior, vai ficar cada vez mais difícil nos vermos — falou, cabisbaixa.
— Mas quando tudo isso acabar, vamos nos ver sempre, até eu enjoar de você, pirralha — Niall abraçou a amiga.
— Hey, me solta! Assim você vai acabar com minha reputação — ela tentava se desvencilhar do abraço dele.
— Que reputação, garota? Você que acabou com a minha faz tempo.
— Agora eu que te pergunto. Que reputação, Horan? — revirou os olhos. — Mas afinal, o que você quer?
— Então, você se importa em voltar pra casa hoje sozinha?
— Por quê?
— Como hoje é sexta, os caras vão matar a última aula pra fazer uma festinha, e aquela menina que eu queria pegar vai estar lá, sabe como é…
— Mas sua última aula hoje é do coral — não entendia como ele estava deixando de fazer algo que amava por causa de más influências dos amigos.
— Eu sei, mas é só hoje. Eu te chamaria para festa, mas você sabe como os caras são com a galera mais nova, e também sua mãe não deixaria — tentou se explicar.
— Tanto faz, Horan — chateada, fechou o armário e já ia saindo, mas o menino segurou seu braço.
— Hey, você está com raiva. Por quê? Eu disse algo errado?
— Eu não estou com raiva.
— Claro que está. Te conheço como ninguém, .
— Eu só não entendo como você vai deixar de fazer algo que é importante pra você só por causa desses idiotas que você chama de amigos.
— Mas é só… — ia continuar, mas foi interrompido.
— É só hoje, eu já entendi, Horan. Divirta-se — disse por fim e saiu andando.

O sinal tocou novamente, anunciando o início da última aula daquela sexta-feira. Desde então, a menina não teve mais notícias de Niall. Sem cabeça para prestar atenção em nada, decidiu sentar no fundão e evitar qualquer constrangimento com o professor em caso de dispersão. Estava calada em seu canto, até que recebeu um cutucão de alguém que lhe entregou um bilhete em seguida.

“O que houve que você tá com essa cara emburrada e sentada no fundo da sala?”

olhou em volta à procura de quem tinha escrito aquilo e encontrou um par de olhos azuis a encarando. Era sua amiga Abbie. Pensou um pouco na resposta que daria e tratou de responder.

“Não é nada, só o Niall fazendo merda e me enchendo a paciência.”

“Sabia que tinha dedo dele no meio. Quando você vai falar pra ele que gosta dele?”

“Tá louca? Nem brinca com isso. Ele nunca vai saber, não quero estragar o que temos. Além do mais, eu sou uma criança pro Niall, ele já vai fazer 17.”

— Ei, você duas aí! Querem compartilhar com a turma o que tem nesse papel ou vão prestar atenção? — nesse momento, as garotas gelaram, principalmente .
— Não, professor, perdão! Não se repetirá — disse.
— É, professor, desculpe!
— Acho bom. Voltando ao assunto da aula…


✨✨✨


Mais um sábado havia chegado. decidiu tirar a tarde para colocar a leitura em dia. Sentou-se no assento de janela em seu quarto, pegou um dos livros que tinha na prateleira embutida na parede e começou sua leitura.
Desde o momento que tiveram no colégio, Niall não entrou mais em contato com a amiga, porque esperava que ela o fizesse. Ao sair do banho, o menino se deparou com concentrada lendo um livro e sentiu sua falta, não hesitando em mandar um SMS.
tomou um susto ao ouvir seu iPhone 3GS – que seu pai havia lhe dado de aniversário – apitar.
Niall
“Você até que fica bonitinha concentrada assim.”


Assim que terminou de ler a mensagem, olhou para a janela do quarto de Horan que ficava em frente ao seu e se deparou com um Niall só de bermuda, secando os cabelos com a toalha.


“Você nem assim consegue ficar bonito.”

Niall
“Ouch! Você não perde uma, mas eu senti sua falta.”


“Conta outra, Horan.”

Niall
“É verdade. Inclusive, tenho uma proposta pra te fazer. O que acha de irmos naquele fairground que comentamos outro dia?”


“Mas aquele fica em Dublin? Teríamos que ir de carro, e você não tem carro.”

Niall
“Eu sei, meu pai vai me emprestar a caminhonete velha dele. A propósito, chega de mensagens, estou acabando com meu pacote de SMS. Se arrume que daqui a pouco passo aí pra te buscar.”

A garota riu da última mensagem do amigo. Não conseguia ficar muito tempo chateada com o rapaz, pois ele sempre soltava uma gracinha que a fazia rir. Foi pedir permissão à mãe, já sabendo a resposta. A mulher amava Niall como se fosse seu filho, então qualquer coisa que ela pedisse e tivesse o irlandês envolvido, a resposta seria sempre “sim”, inclusive deixá-la viajar de carro para Dublin, que ficava a uma hora de distância.

~DING DONG~

— E aí, pronta?
— Sim.
— Cuide da minha bebê, Niall! — Quinn gritou ao fundo. Ela estava assistindo TV na sala acompanhada de Edgar.
— MÃE! — > a repreendeu.
— Pode deixar que vou cuidar muito bem dela — ele piscou para a garota, que revirou os olhos.
— Já sabem o curfew, né?
— Estaremos em casa antes das onze — o irlandês respondeu prontamente.
— Isso mesmo, querido.
— Tchau, mãe! Tchau, pai!
— Tchau, senhor e senhora .

Desde que chegaram à Irlanda, optaram por usar o sobrenome da mãe, já que quase ninguém pronunciava corretamente o sobrenome do pai.

— Tchau, queridos!
— Aproveitem e lembrem-se do curfew — o pai de disse, por fim.

Após uma hora de carro, quando e Niall chegaram à pequena feira onde havia sido montado um parque de rua, o dia já estava começando a escurecer e as luzes coloridas invadiram seus olhos, os fazendo sorrir. Em Mullingar, onde moravam, era comum montarem fairgrounds em feiras sazonais, mas nada comparado à estrutura dos parques de rua que eram montados em Dublin.
observava cada detalhe daquele lugar, desde as cores atrativas, que traziam toda uma atmosfera mágica ao ambiente, até as pessoas. As crianças corriam e se divertiam, a risada delas era cativante; os casais de mãos dadas pareciam uma cena de um filme romântico. Foi inevitável não se imaginar assim com Niall, até que foi desperta de seus pensamentos pelo amigo.

— Em que está pensando?
— Nada.
— Tem certeza?
— Sim, só estava apreciando o local — desconversou.
— Entendi. Onde quer ir primeiro?
— Naquele ali, ó — apontou para um brinquedo que tinha umas cadeiras penduradas e, quando começava a girar, as cadeiras praticamente voavam.
— Tem certeza? Me parece perigoso.
— Tá com medo, Horan?
— Eu? Que medo o quê, garota. Você não que deve nem ter tamanho pra ir nele, sua pirralha — brincou.
— Pó pó pó pó — começou a imitar uma galinha, zoando com o amigo.
— Vamos logo, você está começando a me irritar.
— Para de bobeira, garoto. Você sabe que te irritar sempre foi meu passatempo favorito.
— Eu sei, não estou irritado de verdade. Agora vamos logo antes que eu me arrependa — puxou a amiga pela mão e os dois correram até a fila do brinquedo.


✨✨✨


Domingo era o dia mundial do tédio e da preguiça. Apesar do dia todo livre para se divertirem, em compensação não se podia fazer tantas coisas assim, pois, no dia seguinte – no caso de e Niall – teriam aula. Como era de costume, nos domingos ela aproveitava para tirar um cochilo à tarde logo após o almoço, já que não conseguia durante a semana, pois suas aulas acabavam depois das três da tarde e, nos sábados, geralmente fazia algo com Niall ou Abbie.
Quando a brasileira estava quase pegando no sono, foi desperta por vozes em tom de discussão. Abriu a porta e se certificou do que estava havendo. Estava presenciando algo incomum na vida de seus pais: uma briga. Querendo evitar ouvir tudo aquilo, se apressou em trocar de roupa e saiu sem que os pais percebessem, então foi atrás de seu conforto: Niall.
Edgar havia se formado em produção audiovisual, mas abdicou da carreira quando veio morar na Irlanda com a esposa, que, na época, recebeu uma proposta de emprego quase irrecusável. Como a mulher abdicou de alguns anos de sua carreira ao se mudar para o Brasil enquanto o marido fazia faculdade, ele achou justo fazer o mesmo por ela. Mas, com o tempo, o homem não se sentia mais feliz com essa parte de sua vida. Estava frustrado com o mercado de trabalho não só em Mullingar, mas na Irlanda como um todo. Então, decidiu desabafar com a esposa.

— Quinn, não dá mais — disse em tom de desabafo, enquanto a mulher estava sentada na cama com as pernas estiradas, lendo.
— O que não dá mais? O nosso casamento? — perguntou, assustada.
— O quê? Não. NÃO! — falou prontamente. — Não dá mais pra viver com esse trabalho.
— Mas por que você não muda? Já te ofereci uma vaga lá na empresa onde trabalho.
— Tá vendo? É disso que estou falando. Eu não quero ficar na sua sombra. Também tenho direito de seguir meu sonho, assim como você.
— Mas você trabalha na sua área.
— Aquele trabalho na rádio não é na minha área, e mesmo que fosse, aqui eu não chance nenhuma de crescer e você sabe disso.
— Mas o que quer que eu faça? Eu também amo meu trabalho. Você está sendo egoísta.
— EU ESTOU SENDO EGOÍSTA? Você só pode estar de brincadeira. Eu abdiquei anos da minha vida para estar aqui com você e sua família.
— Eu também!
— Você quer comparar o tempo? A acabou de completar 14 anos e mal visitamos minha família no Brasil.
— E o que quer que eu faça? Abandone meu emprego?
— Não, claro que não! Mas talvez devêssemos voltar para o Brasil, e você sabe que pode trabalhar pelo computador.
— Eu não sei, tenho que pensar a respeito.

Assim que chegou na casa do melhor amigo, Maura a deixou entrar e avisou que Niall se encontrava em seu quarto.

— Hey Nialler — foi entrando após dar dois toques na porta.
— Hey, não achei que te veria hoje — Niall colocou o violão que estava tocando ao seu lado na cama.
— Err… Nem eu.
— Aconteceu algo? Você me parece chateada com alguma coisa
— É só que meus pais estavam brigando.
— Por isso você não está dormindo. Você sempre dorme de tarde no domingo — deduziu. — E por que estavam brigando?
— Não sei, não quis ficar para ouvir.
— Você fez bem. Deixe esses assuntos para os adultos.
— Você estava tocando violão?
— Sim, estava treinando uma música. Quer ouvir?
— Claro!

Niall começou a dedilhar algumas notas no violão. Errou algumas, então começou novamente e seguiu cantando So Sick de Ne-Yo. A voz do irlandês de bochechas rosadas não era das melhores, mas era inegável que o menino tinha talento. Bastava apenas alguns ajustes e sabia que Niall teria um futuro promissor pela frente, e se orgulhava de estar desde o início ao seu lado.

— Uou, você está cada vez melhor nisso!
— Obrigado!
— Você deveria se inscrever no X-Factor.
— Sempre foi meu sonho, mas não sei se estou preparado.
— Mesmo que você não ganhe, vai ganhar experiência e, no ano seguinte, quem sabe não vence?
— Você tem razão. Ainda estão aceitando inscrições?
— Deixa eu tentar olhar pelo celular — mexeu no aparelho enquanto levantava-se da cadeira para se sentar ao lado do amigo na cama. — Aqui diz que as inscrições são até 11:59 da noite de hoje.
— Temos que fazer essa inscrição correndo!
— Deixa eu abrir logo a página do cadastro e fazemos agora mesmo — alguns minutos depois, a inscrição estava feita. — Pronto, você finalmente está inscrito
— Obrigado por acreditar em mim — o garoto deu um beijo na testa dela e a abraçou de lado.
Always!


✨✨✨


— Prontos? Não estão esquecendo nada? — Edgar perguntou assim que estavam todos no carro, antes de dar partida. Ele deixaria a esposa, a filha, Niall e Maura no aeroporto, para que seguissem para Londres, onde ocorreriam as audições do X-Factor.
— Sim! — disseram em coro, e assim deram partida até o aeroporto de Dublin.

Chegaram em Londres pela noite e, cansados da viagem, pediram comida no hotel e caíram no sono, pois o dia seguinte seria longo e cheio de surpresas.

— Ansioso? — Elena perguntou ao amigo enquanto aguardavam juntamente a Maura e Quinn atrás da coxia. Esperavam a vez de Niall, que seria o próximo.
— Um pouco.
— Você vai se dar bem, eu tenho certeza!
— Obrigado!
— Você é o próximo, garoto — uma mulher da produção avisou. Niall, então, se despediu de todos. — Pode entrar no palco.
— Me desejem sorte!
— Você não precisa! — piscou para o amigo, que sorriu em resposta.

E, com toda sua desenvoltura, ele entrou no palco.

— Qual seu nome? — Louis Walsh perguntou.
— Niall!
— Niall o quê? — o jurado continuou.
— Horan!
— E por que está aqui hoje?
— Estou aqui para ser o melhor artista que eu posso ser no mundo — Niall falou graciosamente.
— E quantos anos você tem? — Louis continuava a fazer perguntas.
— Eu tenho 16 anos.
— Você é tipo um Justin Bieber irlandês, né?
— É, eu escuto muito isso — se gabou de brincadeira.
— Você deve ser bem popular na escola — agora havia sido a vez de Katy Perry entrar na brincadeira.
Yeah, pode se dizer que sim — o irlandês brincou.
— Ok, você pode cantar agora — Walsh disse por fim.

A voz de Niall cantando So Sick de Ne-Yo começou a soar pelo teatro, então todas as atenções foram direcionadas ao loiro. O garoto era natural no palco, desinibido como sempre foi desde pequeno. Não havia ninguém capaz de intimidar aquele menino, nem mesmo uma plateia lotada e jurados exigentes. Aquele era o primeiro passo para a vida que ele tanto sonhou, e sabia que para isso teria que pagar um preço. O que não imaginava era que seria tão alto e rápido.

— Eu acho você adorável e você tem carisma… — Katy disse. — Só acho que você deveria trabalhar melhor isso. Você tem apenas 16 anos! Eu comecei quando tinha 15 e só consegui ter sucesso aos 23.
— Acho que você está despreparado, veio com a música errada. Você não é bom o quanto você achava que era, contudo, ainda gosto de você — Simon Cowell disse, apático.
— Sim, é óbvio que você é adorável e tem muito charme para apenas 16 anos. Mas será que essa canção que escolheu era para você? — Cheryl questionou.
— Acho que tem algo que faz com que as pessoas gostem de você instantaneamente, porque você é simpático — foi a vez de Louis falar.
— Simon, sim ou não? — o apresentador do programa perguntou.
— Bom, eu vou dizer sim.
— Cheryl, sim ou não?
— Eu vou dizer não.
— Louis?
— Eu vou dizer sim!
Oh, please! — Katy protestou ao ver que o futuro do jovem irlandês estava em suas mãos.
— Ele precisa de três “sim” — Louis disse.
— Eu preciso dizer que concordo com a Cheryl, você precisa de mais experiência. Ser simpático não vai fazer você vender discos, e sim o talento. E você tem um pouco… Então claro que você está dentro. Don't let us down! — Katy disse por fim.
I won’t

E ele não decepcionou.
No dia seguinte, e sua mãe precisavam ir embora, afinal de contas, Quinn teria que trabalhar e a filha teria aula. O apoio da amiga tinha sido fundamental para que Niall seguisse no programa.

— Não acredito que já tem que ir — disse Niall com um semblante triste.
— Você sabe, amanhã eu tenho aula.
— Sua mãe não te deixou faltar?
— Não. Você sabe como ela é. Se a próxima fase fosse amanhã, talvez ela deixasse, mas ainda faltam alguns dias.
— Eu sei, mas queria que você estivesse aqui.
— Não se preocupe, estarei assistindo de casa. Mal posso esperar pra ver você dançando no bootcamp riu do garoto.
— Há há, engraçadinha!
— Vamos, filha? — Quinn a chamou.
— Aham, só um instante.
— Vou sentir sua falta esses dias, pirralha — o semblante triste de Niall havia voltado.
— Eu também, Nialler — estava tão triste quanto o amigo, talvez até um pouco mais. A garota tinha um pressentimento de que aquela despedida estava mais para um “adeus” do que um “até logo”. — Prometa que vai sempre me ligar e, quando não puder, vai me mandar mensagens.
— Não preciso prometer isso, você sabe que eu vou.
— Prometa, Horan!
— Tá bem, eu prometo! Agora vem cá e me dá um abraço — ele a abraçou forte e beijou os cabelos da amiga. — Vejo você em breve!
— Estarei te esperando em Mullingar.


✨✨✨


Finalmente o dia do bootcamp havia chegado, e Niall não podia estar mais animado e confiante.

Alô, Niall?
— Eu. não. consegui — dizia entre soluços e fungados.
O quê? Por quê, o que houve?
— Eu não sei, claramente não sou bom o suficiente — o loiro falava com a voz embargada enquanto secava as lágrimas com as mãos.
Nunca mais repita isso, está me ouvindo?
— Você não imagina como é ficar ali parado, esperando que alguém chame seu nome e, ao invés disso, ouvir um “sorry, guys”. Hoje foi o pior dia da minha vida! Meu sonho acabou.
Ei, não chora, vai ficar tudo bem. I know it sucks right now, mas tudo acontece por um propósito, então confie no processo. E seu sonho não acabou coisa nenhuma. Nós combinamos que, se você não vencesse esse ano, tentaria o próximo, não foi?
— Sim… Você sempre sabe como me acalmar, queria que estivesse aqui.
Eu também.
, a produção está me chamando. Te ligo depois, ok?
Claro.

Um dos caras da produção interrompeu a ligação do garoto e pediu que ele se juntasse aos demais que haviam sido eliminados. Toda aquela tensão estava deixando Niall cada vez mais nervoso, ele não sabia o que estava acontecendo. O loiro havia acabado de ser eliminado, só queria ir para casa e terminar de chorar o que ainda havia preso dentro de si. Então, após todos se juntarem ali, um dos caras da produção começou a chamar alguns nomes, mas sem dizer o propósito.

— Zayn Malik, Liam Payne, Harry Styles, Niall Horan e Louis Tomlinson, aguardem aqui até serem chamados. O restante está dispensado — o cara da produção falou por fim.

Apreensivos e sem entender o que estava acontecendo, os garotos foram chamados de volta ao palco. Para a surpresa e felicidade deles, foram informados de que continuariam na competição, mas agora em grupo. Cinco garotos que nunca haviam se visto na vida agora estavam juntos em uma banda e nem imaginavam o que o futuro guardava para eles.

Alô?
— VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR! — Niall praticamente gritou ao telefone, recebendo olhares das pessoas em sua volta.
O que aconteceu? perguntou, animada.
— Eu estou de volta à competição!
O QUÊ? MEU DEUS, EU SABIA! — gritou tão animada quanto o amigo, e agora recebendo olhares curiosos de seus pais. — Eles só poderiam estar loucos de eliminar você, só poderia ser um erro.
— Você não está entendendo, eu de fato estava eliminado.
Afinal de contas, o que aconteceu?
— Você não vai acreditar!
Horan, se você falar isso de novo, eu desligo o telefone na sua cara.
— Tá bem, tá bem — o loiro riu e continuou. — Agora estou em uma boyband junto com mais quatro garotos.
O QUÊ? Tipo os Jonas Brothers?
— Sim. Você tinha razão sobre acreditar no processo, as coisas acontecem mesmo com um propósito.
Eu sempre tenho razão — se gabou.
— Para de se achar, sua pirralha.
Nialler, o papai está me chamando. Nos falamos depois?
— Claro, até mais.

A partir do momento em que Niall entrou para a banda, sua vida não foi mais a mesma. e Niall não se viram mais depois disso, pois o rapaz estava sempre ocupado com coisas relacionadas ao programa, mas sempre tentavam manter contato com ligações antes de dormir.


Continua...



Nota da autora: Oiee meninas!! Capítulo 2 entregue como prometido, espero que gostem :)


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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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