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Última atualização: 18/02/2022

Capítulo 1 – How we met

2001
Mullingar, Irlanda


— Quem está animado para conhecer a casa nova? — Edgar, pai de , perguntou animado olhando a filha pelo retrovisor, que estava sentada no banco de trás, enquanto estacionava o carro em frente a nova residência da família.
— Euuuu! E você, mamãe? — a pequena de cinco anos perguntou a Quinn, sua mãe.
— Eu também estou, sweetie.

Depois de quatro anos morando no Brasil, para que Edgar concluísse sua graduação em Produção Audiovisual na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a família retornou ao país de origem de Quinn.

— Por que não leva para dentro enquanto eu levo nossas malas?
— Não quer ajuda, querido?
— Não precisa. Vão indo e já me junto a vocês.
— Está bem — a irlandesa deu as mãos à filha e seguiu para dentro da nova casa.

A casa era simples, assim como a vizinhança. Tinha um longo jardim à frente, que era dividido ao meio pelo caminho de cimento que dava para a garagem. As residências eram basicamente iguais, num tom pastel com alguns tijolos aparentes, e eram quase coladas umas nas outras. Os jardins das casas eram separados por um pequeno cercadinho, mantendo o padrão típico irlandês.

— Filha, olha que lindo seu quarto! — Quinn abriu a porta para que a garota entrasse.

Os olhinhos da pequena brilhavam ao olhar cada detalhe do pequeno quarto rosa. Apesar de não ser luxuoso, a menina estava encantada.

— Eu amei mamãe, obrigada! — correu para abraçá-la.
— E o papai, também não ganha abraço?
— Siiim! — correu para dar um abraço bem forte no pai.


✨✨✨


~DING DONG~

— Quem será? Não convidamos ninguém.
— Não é sua mãe? — Edgar questionou.
— Vovó!
— Não… Ela só vem no fim de semana.
— Vai ver ela quis matar a saudade e veio mais cedo — o rapaz deu de ombros.
— Acho que não. Ela disse que não viria antes por causa do trabalho. Bem, vou atender a porta.

Assim que Quinn abriu a porta, deu de cara com uma moça loira segurando uma travessa de comida e um pequeno garotinho que aparentava ser um pouco mais velho que .

— Olá, como posso ajudar?
— Oi, desculpe aparecer assim. Me chamo Maura e esse aqui é meu filho Niall. Nós somos seus vizinhos da casa ao lado. Viemos dar as boas-vindas.
— Oh, sim, obrigada! Eu me chamo Quinn. E qual sua idade, Niall? — se abaixou na altura do garotinho, passando a mão em seu cabelo loiro escuro. — Minha filha vai amar saber que tem amiguinhos para ela brincar.
— Eu tenho oito anos — disse o pequeno desinibido.
— Deixa eu chamar a para vocês se conhecerem.

A pequena apareceu na porta, mas ficou grudada na mãe.

— Niall, essa aqui é a .
— Oi, ! — disse ele, animado.
— Dá oi pra ele, filha!
— Oi.
— Ela é um pouco tímida, mas quando pega intimidade, não para de falar.
— É normal, coisa de criança. Esse aqui que é um caso à parte. Desde novinho, sempre foi muito falante e desinibido — Maura explicou.
— Ele é uma graça.
— Bem, não vou tomar muito o tempo de vocês. Sejam bem-vindos! — a loira entregou uma travessa de vidro coberta com alumínio.
— Humm, o cheiro está uma delícia! Deixe-me adivinhar, Shepherd’s Pie?
— Sim!
— Meu prato favorito. Minha mãe costumava fazer sempre para mim, muito obrigada!
— Não há de quê, querida. Até qualquer hora.
— Até!
— Tchau, ! — o pequeno acenou, recebendo um aceno tímido de volta da garotinha.

A noite havia chegado e Quinn havia guardado a torta para o jantar, já que estava exausta para preparar algo depois de tanto desempacotar coisas e desfazer malas.

— Shepherd's Pie, hã?! Não como uma dessas desde meu intercâmbio.
— Isso não é verdade. Eu fiz para a provar quando ainda estávamos no Brasil.
— Ah, mas não conta. Não fica igual com os ingredientes de lá.
— É, e eu não faço tão bem quanto a minha mãe.
— Isso é verdade. A da sua mãe não tem melhor, apesar dessa aqui estar muito boa — Edgar colocou mais um pouco em seu prato.
— Quero mais, papai!
— Ih, acho que alguém gostou — Quinn brincou, fazendo todos rirem.

A primeira noite da família na nova casa havia sido tranquila. havia se adaptado super bem à nova cama e dormido como uma pedra. O dia seguinte amanheceu ensolarado. Após tomarem café, Quinn seguiu a pé com a pequena até o colégio onde estudaria, a fim de resolver sua matrícula. Ao chegarem em frente à casa, avistaram Edgar na porta falando com um rapazinho, que logo descobriram ser Niall, quando ele virou para trás e os olhou.

— Elas chegaram! — disse Edgar, fazendo o pequeno Niall olhar para trás. — Ele estava procurando pela .
— Oi, ! Quer brincar? — ele perguntou animadamente, se aproximando da garotinha.
— Olha , o Niall veio aqui só pra te chamar para brincar!
— Oi — disse timidamente.
— Vá brincar com ele, filha! Olha quantos brinquedos legais — Quinn apontou para o gramado da casa ao lado.

Após receberem um olhar desconfiado da garotinha, ela aceitou. Niall deu as mãos à menina e entrelaçou seus dedos, pegando-a totalmente de surpresa. Então, levou-a até o baixo cercadinho que dividia os gramados de cada casa.

— Você consegue pular? — ele perguntou preocupado com , que negou com a cabeça. — Então vamos pela frente mesmo, vem! — pegou na mão dela novamente.

Quinn aproveitou que estava indo para a casa dos vizinhos e lavou a travessa que Maura havia levado gentilmente a torta e foi entregá-la. Prestes a tocar a campainha, ela logo avistou a mulher sentada enquanto observava as crianças brincarem.

— Olá, como está? — Quinn saudou Maura.
— Estou bem, e você, querida?
— Estou ótima. Vim devolver a travessa.
— Não precisava.
— Claro que precisava. A propósito, estava uma delícia.
— Fico feliz que gostaram, fiz com muito carinho.
— Até a gostou. E eu já tinha feito para ela no Brasil, mas ela não se agradou muito.
— Oh, vocês são do Brasil? Achei que você era daqui, seu sotaque é perfeito.
— Na verdade, eu sou irlandesa, mas meu marido é brasileiro e a também.
— Deixa eu colocar essa travessa na cozinha e trazer uma cadeira pra você. E depois você conta essa história, estou curiosa.

A mulher voltou com duas xícaras de café e, com ajuda de Greg, seu filho mais velho, trouxe a cadeira.

— Esse aqui é Greg, meu filho mais velho.
— Muito obrigada, Greg!
— Não seja por isso — respondeu e foi entrando novamente.
— Ele é mais na dele mesmo, o oposto de Niall. Mas me conta sua história, estou curiosa.
— Oh, sim! Onde parei mesmo?
— Sobre seu marido e filha serem do Brasil.
— Lembrei. Eu conheci Edgar em Dublin, quando ele estava fazendo intercâmbio, e acabei engravidando. Quando o intercâmbio terminou, fomos para o Brasil para ele prestar vestibular. Ele passou na universidade que queria, então decidimos morar no Rio de Janeiro até ele terminar a faculdade, daí voltaríamos para Irlanda.
— E como vieram parar em Mullingar? Não é uma cidade pequena demais para quem morou em Dublin e no Rio de Janeiro?
— Sim, mas recebi uma boa proposta de emprego. Então cá estamos.
— É uma bela história!
— É mesmo.
— Olha lá como eles estão se divertindo — Maura fez com que Quinn voltasse sua atenção às crianças.
— Sim, não é qualquer um que consegue fazer a se soltar tão rápido assim.
— O Niall tem esse poder com as pessoas.
— Ele me parece um ótimo menino.
— Ele é!


Capítulo 2 – Teenage dream

2010
Mullingar, Irlanda


— Bom dia, senhor! — Niall saudou Edgar. — já está pronta?
— Bom dia, Niall! Ela está terminando de tomar café, entre.
— Com licença — entrou na casa e foi em direção à mesa onde tomavam café diariamente.
— Niall! Bom dia, querido! Sente-se e tome café conosco.
— Não vou recusar o convite.
— Claro que não vai — rolou os olhos, fazendo todos rirem.
— Haha, engraçadinha — Niall deu um beijo terno na cabeça da menina e sentou-se ao lado dela.
— Mas vai logo, ou vamos nos atrasar para a escola — reclamou, brincando.
— Eu já estou pronto, mas não se nega a comida da sua mãe. Já você…
— Tá, tá — revirou os olhos. A menina correu para escovar os dentes e buscar a mochila. — Vamos, Horan?
— Sim. Tchau, senhora .
— Tchau, mãe!
— Tchau, meus amores!

Os dois foram conversando e se divertindo enquanto caminhavam juntos até a escola, que não era muito longe dali.
Niall e haviam se tornado melhores amigos desde que a brasileira havia se mudado para Mullingar, um pequeno município da Irlanda no condado de Westmeath. Desde então, os dois se tornaram inseparáveis, até que a diferença de idade foi se tornando um empecilho na vida dos amigos. Enquanto Niall já estava prestes a completar dezessete anos, a garota ainda estava nos quatorze. Embora a pouca diferença de idade, as fases da vida eram distintas e, consequentemente, as amizades e as saídas também. Mas apesar de tudo, sempre tentavam superar as diferenças e se manterem o mais próximo que conseguiam.
Ao toque do sinal, foi em direção ao seu locker. Enquanto pegava um livro qualquer para a aula que viria a seguir, alguém se encostou no armário ao lado, ficando de frente para ela.

— Hey, não te vi o dia todo — Niall disse.
— Agora que você é junior, vai ficar cada vez mais difícil nos vermos — falou, cabisbaixa.
— Mas quando tudo isso acabar, vamos nos ver sempre, até eu enjoar de você, pirralha — Niall abraçou a amiga.
— Hey, me solta! Assim você vai acabar com minha reputação — ela tentava se desvencilhar do abraço dele.
— Que reputação, garota? Você que acabou com a minha faz tempo.
— Agora eu que te pergunto. Que reputação, Horan? — revirou os olhos. — Mas afinal, o que você quer?
— Então, você se importa em voltar pra casa hoje sozinha?
— Por quê?
— Como hoje é sexta, os caras vão matar a última aula pra fazer uma festinha, e aquela menina que eu queria pegar vai estar lá, sabe como é…
— Mas sua última aula hoje é do coral — não entendia como ele estava deixando de fazer algo que amava por causa de más influências dos amigos.
— Eu sei, mas é só hoje. Eu te chamaria para festa, mas você sabe como os caras são com a galera mais nova, e também sua mãe não deixaria — tentou se explicar.
— Tanto faz, Horan — chateada, fechou o armário e já ia saindo, mas o menino segurou seu braço.
— Hey, você está com raiva. Por quê? Eu disse algo errado?
— Eu não estou com raiva.
— Claro que está. Te conheço como ninguém, .
— Eu só não entendo como você vai deixar de fazer algo que é importante pra você só por causa desses idiotas que você chama de amigos.
— Mas é só… — ia continuar, mas foi interrompido.
— É só hoje, eu já entendi, Horan. Divirta-se — disse por fim e saiu andando.

O sinal tocou novamente, anunciando o início da última aula daquela sexta-feira. Desde então, a menina não teve mais notícias de Niall. Sem cabeça para prestar atenção em nada, decidiu sentar no fundão e evitar qualquer constrangimento com o professor em caso de dispersão. Estava calada em seu canto, até que recebeu um cutucão de alguém que lhe entregou um bilhete em seguida.

“O que houve que você tá com essa cara emburrada e sentada no fundo da sala?”

olhou em volta à procura de quem tinha escrito aquilo e encontrou um par de olhos azuis a encarando. Era sua amiga Abbie. Pensou um pouco na resposta que daria e tratou de responder.

“Não é nada, só o Niall fazendo merda e me enchendo a paciência.”

“Sabia que tinha dedo dele no meio. Quando você vai falar pra ele que gosta dele?”

“Tá louca? Nem brinca com isso. Ele nunca vai saber, não quero estragar o que temos. Além do mais, eu sou uma criança pro Niall, ele já vai fazer 17.”

— Ei, você duas aí! Querem compartilhar com a turma o que tem nesse papel ou vão prestar atenção? — nesse momento, as garotas gelaram, principalmente .
— Não, professor, perdão! Não se repetirá — disse.
— É, professor, desculpe!
— Acho bom. Voltando ao assunto da aula…


✨✨✨


Mais um sábado havia chegado. decidiu tirar a tarde para colocar a leitura em dia. Sentou-se no assento de janela em seu quarto, pegou um dos livros que tinha na prateleira embutida na parede e começou sua leitura.
Desde o momento que tiveram no colégio, Niall não entrou mais em contato com a amiga, porque esperava que ela o fizesse. Ao sair do banho, o menino se deparou com concentrada lendo um livro e sentiu sua falta, não hesitando em mandar um SMS.
tomou um susto ao ouvir seu iPhone 3GS – que seu pai havia lhe dado de aniversário – apitar.
Niall
“Você até que fica bonitinha concentrada assim.”

Assim que terminou de ler a mensagem, olhou para a janela do quarto de Horan que ficava em frente ao seu e se deparou com um Niall só de bermuda, secando os cabelos com a toalha.


“Você nem assim consegue ficar bonito.”

Niall
“Ouch! Você não perde uma, mas eu senti sua falta.”


“Conta outra, Horan.”

Niall
“É verdade. Inclusive, tenho uma proposta pra te fazer. O que acha de irmos naquele fairground que comentamos outro dia?”


“Mas aquele fica em Dublin? Teríamos que ir de carro, e você não tem carro.”

Niall
“Eu sei, meu pai vai me emprestar a caminhonete velha dele. A propósito, chega de mensagens, estou acabando com meu pacote de SMS. Se arrume que daqui a pouco passo aí pra te buscar.”

A garota riu da última mensagem do amigo. Não conseguia ficar muito tempo chateada com o rapaz, pois ele sempre soltava uma gracinha que a fazia rir. Foi pedir permissão à mãe, já sabendo a resposta. A mulher amava Niall como se fosse seu filho, então qualquer coisa que ela pedisse e tivesse o irlandês envolvido, a resposta seria sempre “sim”, inclusive deixá-la viajar de carro para Dublin, que ficava a uma hora de distância.

~DING DONG~

— E aí, pronta?
— Sim.
— Cuide da minha bebê, Niall! — Quinn gritou ao fundo. Ela estava assistindo TV na sala acompanhada de Edgar.
— MÃE! — > a repreendeu.
— Pode deixar que vou cuidar muito bem dela — ele piscou para a garota, que revirou os olhos.
— Já sabem o curfew, né?
— Estaremos em casa antes das onze — o irlandês respondeu prontamente.
— Isso mesmo, querido.
— Tchau, mãe! Tchau, pai!
— Tchau, senhor e senhora .

Desde que chegaram à Irlanda, optaram por usar o sobrenome da mãe, já que quase ninguém pronunciava corretamente o sobrenome do pai.

— Tchau, queridos!
— Aproveitem e lembrem-se do curfew — o pai de disse, por fim.

Após uma hora de carro, quando e Niall chegaram à pequena feira onde havia sido montado um parque de rua, o dia já estava começando a escurecer e as luzes coloridas invadiram seus olhos, os fazendo sorrir. Em Mullingar, onde moravam, era comum montarem fairgrounds em feiras sazonais, mas nada comparado à estrutura dos parques de rua que eram montados em Dublin.
observava cada detalhe daquele lugar, desde as cores atrativas, que traziam toda uma atmosfera mágica ao ambiente, até as pessoas. As crianças corriam e se divertiam, a risada delas era cativante; os casais de mãos dadas pareciam uma cena de um filme romântico. Foi inevitável não se imaginar assim com Niall, até que foi desperta de seus pensamentos pelo amigo.

— Em que está pensando?
— Nada.
— Tem certeza?
— Sim, só estava apreciando o local — desconversou.
— Entendi. Onde quer ir primeiro?
— Naquele ali, ó — apontou para um brinquedo que tinha umas cadeiras penduradas e, quando começava a girar, as cadeiras praticamente voavam.
— Tem certeza? Me parece perigoso.
— Tá com medo, Horan?
— Eu? Que medo o quê, garota. Você não que deve nem ter tamanho pra ir nele, sua pirralha — brincou.
— Pó pó pó pó — começou a imitar uma galinha, zoando com o amigo.
— Vamos logo, você está começando a me irritar.
— Para de bobeira, garoto. Você sabe que te irritar sempre foi meu passatempo favorito.
— Eu sei, não estou irritado de verdade. Agora vamos logo antes que eu me arrependa — puxou a amiga pela mão e os dois correram até a fila do brinquedo.


✨✨✨


Domingo era o dia mundial do tédio e da preguiça. Apesar do dia todo livre para se divertirem, em compensação não se podia fazer tantas coisas assim, pois, no dia seguinte – no caso de e Niall – teriam aula. Como era de costume, nos domingos ela aproveitava para tirar um cochilo à tarde logo após o almoço, já que não conseguia durante a semana, pois suas aulas acabavam depois das três da tarde e, nos sábados, geralmente fazia algo com Niall ou Abbie.
Quando a brasileira estava quase pegando no sono, foi desperta por vozes em tom de discussão. Abriu a porta e se certificou do que estava havendo. Estava presenciando algo incomum na vida de seus pais: uma briga. Querendo evitar ouvir tudo aquilo, se apressou em trocar de roupa e saiu sem que os pais percebessem, então foi atrás de seu conforto: Niall.
Edgar havia se formado em produção audiovisual, mas abdicou da carreira quando veio morar na Irlanda com a esposa, que, na época, recebeu uma proposta de emprego quase irrecusável. Como a mulher abdicou de alguns anos de sua carreira ao se mudar para o Brasil enquanto o marido fazia faculdade, ele achou justo fazer o mesmo por ela. Mas, com o tempo, o homem não se sentia mais feliz com essa parte de sua vida. Estava frustrado com o mercado de trabalho não só em Mullingar, mas na Irlanda como um todo. Então, decidiu desabafar com a esposa.

— Quinn, não dá mais — disse em tom de desabafo, enquanto a mulher estava sentada na cama com as pernas estiradas, lendo.
— O que não dá mais? O nosso casamento? — perguntou, assustada.
— O quê? Não. NÃO! — falou prontamente. — Não dá mais pra viver com esse trabalho.
— Mas por que você não muda? Já te ofereci uma vaga lá na empresa onde trabalho.
— Tá vendo? É disso que estou falando. Eu não quero ficar na sua sombra. Também tenho direito de seguir meu sonho, assim como você.
— Mas você trabalha na sua área.
— Aquele trabalho na rádio não é na minha área, e mesmo que fosse, aqui eu não chance nenhuma de crescer e você sabe disso.
— Mas o que quer que eu faça? Eu também amo meu trabalho. Você está sendo egoísta.
— EU ESTOU SENDO EGOÍSTA? Você só pode estar de brincadeira. Eu abdiquei anos da minha vida para estar aqui com você e sua família.
— Eu também!
— Você quer comparar o tempo? A acabou de completar 14 anos e mal visitamos minha família no Brasil.
— E o que quer que eu faça? Abandone meu emprego?
— Não, claro que não! Mas talvez devêssemos voltar para o Brasil, e você sabe que pode trabalhar pelo computador.
— Eu não sei, tenho que pensar a respeito.

Assim que chegou na casa do melhor amigo, Maura a deixou entrar e avisou que Niall se encontrava em seu quarto.

— Hey Nialler — foi entrando após dar dois toques na porta.
— Hey, não achei que te veria hoje — Niall colocou o violão que estava tocando ao seu lado na cama.
— Err… Nem eu.
— Aconteceu algo? Você me parece chateada com alguma coisa
— É só que meus pais estavam brigando.
— Por isso você não está dormindo. Você sempre dorme de tarde no domingo — deduziu. — E por que estavam brigando?
— Não sei, não quis ficar para ouvir.
— Você fez bem. Deixe esses assuntos para os adultos.
— Você estava tocando violão?
— Sim, estava treinando uma música. Quer ouvir?
— Claro!

Niall começou a dedilhar algumas notas no violão. Errou algumas, então começou novamente e seguiu cantando So Sick de Ne-Yo. A voz do irlandês de bochechas rosadas não era das melhores, mas era inegável que o menino tinha talento. Bastava apenas alguns ajustes e sabia que Niall teria um futuro promissor pela frente, e se orgulhava de estar desde o início ao seu lado.

— Uou, você está cada vez melhor nisso!
— Obrigado!
— Você deveria se inscrever no X-Factor.
— Sempre foi meu sonho, mas não sei se estou preparado.
— Mesmo que você não ganhe, vai ganhar experiência e, no ano seguinte, quem sabe não vence?
— Você tem razão. Ainda estão aceitando inscrições?
— Deixa eu tentar olhar pelo celular — mexeu no aparelho enquanto levantava-se da cadeira para se sentar ao lado do amigo na cama. — Aqui diz que as inscrições são até 11:59 da noite de hoje.
— Temos que fazer essa inscrição correndo!
— Deixa eu abrir logo a página do cadastro e fazemos agora mesmo — alguns minutos depois, a inscrição estava feita. — Pronto, você finalmente está inscrito
— Obrigado por acreditar em mim — o garoto deu um beijo na testa dela e a abraçou de lado.
Always!


✨✨✨


— Prontos? Não estão esquecendo nada? — Edgar perguntou assim que estavam todos no carro, antes de dar partida. Ele deixaria a esposa, a filha, Niall e Maura no aeroporto, para que seguissem para Londres, onde ocorreriam as audições do X-Factor.
— Sim! — disseram em coro, e assim deram partida até o aeroporto de Dublin.

Chegaram em Londres pela noite e, cansados da viagem, pediram comida no hotel e caíram no sono, pois o dia seguinte seria longo e cheio de surpresas.

— Ansioso? — Elena perguntou ao amigo enquanto aguardavam juntamente a Maura e Quinn atrás da coxia. Esperavam a vez de Niall, que seria o próximo.
— Um pouco.
— Você vai se dar bem, eu tenho certeza!
— Obrigado!
— Você é o próximo, garoto — uma mulher da produção avisou. Niall, então, se despediu de todos. — Pode entrar no palco.
— Me desejem sorte!
— Você não precisa! — piscou para o amigo, que sorriu em resposta.

E, com toda sua desenvoltura, ele entrou no palco.

— Qual seu nome? — Louis Walsh perguntou.
— Niall!
— Niall o quê? — o jurado continuou.
— Horan!
— E por que está aqui hoje?
— Estou aqui para ser o melhor artista que eu posso ser no mundo — Niall falou graciosamente.
— E quantos anos você tem? — Louis continuava a fazer perguntas.
— Eu tenho 16 anos.
— Você é tipo um Justin Bieber irlandês, né?
— É, eu escuto muito isso — se gabou de brincadeira.
— Você deve ser bem popular na escola — agora havia sido a vez de Katy Perry entrar na brincadeira.
Yeah, pode se dizer que sim — o irlandês brincou.
— Ok, você pode cantar agora — Walsh disse por fim.

A voz de Niall cantando So Sick de Ne-Yo começou a soar pelo teatro, então todas as atenções foram direcionadas ao loiro. O garoto era natural no palco, desinibido como sempre foi desde pequeno. Não havia ninguém capaz de intimidar aquele menino, nem mesmo uma plateia lotada e jurados exigentes. Aquele era o primeiro passo para a vida que ele tanto sonhou, e sabia que para isso teria que pagar um preço. O que não imaginava era que seria tão alto e rápido.

— Eu acho você adorável e você tem carisma… — Katy disse. — Só acho que você deveria trabalhar melhor isso. Você tem apenas 16 anos! Eu comecei quando tinha 15 e só consegui ter sucesso aos 23.
— Acho que você está despreparado, veio com a música errada. Você não é bom o quanto você achava que era, contudo, ainda gosto de você — Simon Cowell disse, apático.
— Sim, é óbvio que você é adorável e tem muito charme para apenas 16 anos. Mas será que essa canção que escolheu era para você? — Cheryl questionou.
— Acho que tem algo que faz com que as pessoas gostem de você instantaneamente, porque você é simpático — foi a vez de Louis falar.
— Simon, sim ou não? — o apresentador do programa perguntou.
— Bom, eu vou dizer sim.
— Cheryl, sim ou não?
— Eu vou dizer não.
— Louis?
— Eu vou dizer sim!
Oh, please! — Katy protestou ao ver que o futuro do jovem irlandês estava em suas mãos.
— Ele precisa de três “sim” — Louis disse.
— Eu preciso dizer que concordo com a Cheryl, você precisa de mais experiência. Ser simpático não vai fazer você vender discos, e sim o talento. E você tem um pouco… Então claro que você está dentro. Don't let us down! — Katy disse por fim.
I won’t

E ele não decepcionou.
No dia seguinte, e sua mãe precisavam ir embora, afinal de contas, Quinn teria que trabalhar e a filha teria aula. O apoio da amiga tinha sido fundamental para que Niall seguisse no programa.

— Não acredito que já tem que ir — disse Niall com um semblante triste.
— Você sabe, amanhã eu tenho aula.
— Sua mãe não te deixou faltar?
— Não. Você sabe como ela é. Se a próxima fase fosse amanhã, talvez ela deixasse, mas ainda faltam alguns dias.
— Eu sei, mas queria que você estivesse aqui.
— Não se preocupe, estarei assistindo de casa. Mal posso esperar pra ver você dançando no bootcamp riu do garoto.
— Há há, engraçadinha!
— Vamos, filha? — Quinn a chamou.
— Aham, só um instante.
— Vou sentir sua falta esses dias, pirralha — o semblante triste de Niall havia voltado.
— Eu também, Nialler — estava tão triste quanto o amigo, talvez até um pouco mais. A garota tinha um pressentimento de que aquela despedida estava mais para um “adeus” do que um “até logo”. — Prometa que vai sempre me ligar e, quando não puder, vai me mandar mensagens.
— Não preciso prometer isso, você sabe que eu vou.
— Prometa, Horan!
— Tá bem, eu prometo! Agora vem cá e me dá um abraço — ele a abraçou forte e beijou os cabelos da amiga. — Vejo você em breve!
— Estarei te esperando em Mullingar.


✨✨✨


Finalmente o dia do bootcamp havia chegado, e Niall não podia estar mais animado e confiante.

Alô, Niall?
— Eu. não. consegui — dizia entre soluços e fungados.
O quê? Por quê, o que houve?
— Eu não sei, claramente não sou bom o suficiente — o loiro falava com a voz embargada enquanto secava as lágrimas com as mãos.
Nunca mais repita isso, está me ouvindo?
— Você não imagina como é ficar ali parado, esperando que alguém chame seu nome e, ao invés disso, ouvir um “sorry, guys”. Hoje foi o pior dia da minha vida! Meu sonho acabou.
Ei, não chora, vai ficar tudo bem. I know it sucks right now, mas tudo acontece por um propósito, então confie no processo. E seu sonho não acabou coisa nenhuma. Nós combinamos que, se você não vencesse esse ano, tentaria o próximo, não foi?
— Sim… Você sempre sabe como me acalmar, queria que estivesse aqui.
Eu também.
, a produção está me chamando. Te ligo depois, ok?
Claro.

Um dos caras da produção interrompeu a ligação do garoto e pediu que ele se juntasse aos demais que haviam sido eliminados. Toda aquela tensão estava deixando Niall cada vez mais nervoso, ele não sabia o que estava acontecendo. O loiro havia acabado de ser eliminado, só queria ir para casa e terminar de chorar o que ainda havia preso dentro de si. Então, após todos se juntarem ali, um dos caras da produção começou a chamar alguns nomes, mas sem dizer o propósito.

— Zayn Malik, Liam Payne, Harry Styles, Niall Horan e Louis Tomlinson, aguardem aqui até serem chamados. O restante está dispensado — o cara da produção falou por fim.

Apreensivos e sem entender o que estava acontecendo, os garotos foram chamados de volta ao palco. Para a surpresa e felicidade deles, foram informados de que continuariam na competição, mas agora em grupo. Cinco garotos que nunca haviam se visto na vida agora estavam juntos em uma banda e nem imaginavam o que o futuro guardava para eles.

Alô?
— VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR! — Niall praticamente gritou ao telefone, recebendo olhares das pessoas em sua volta.
O que aconteceu? perguntou, animada.
— Eu estou de volta à competição!
O QUÊ? MEU DEUS, EU SABIA! — gritou tão animada quanto o amigo, e agora recebendo olhares curiosos de seus pais. — Eles só poderiam estar loucos de eliminar você, só poderia ser um erro.
— Você não está entendendo, eu de fato estava eliminado.
Afinal de contas, o que aconteceu?
— Você não vai acreditar!
Horan, se você falar isso de novo, eu desligo o telefone na sua cara.
— Tá bem, tá bem — o loiro riu e continuou. — Agora estou em uma boyband com mais quatro garotos.
O QUÊ? Tipo os Jonas Brothers?
— Sim. Você tinha razão sobre acreditar no processo, as coisas acontecem mesmo com um propósito.
Eu sempre tenho razão — se gabou.
— Para de se achar, sua pirralha.
Nialler, o papai está me chamando. Nos falamos depois?
— Claro, até mais.

A partir do momento em que Niall entrou para a banda, sua vida não foi mais a mesma. e Niall não se viram mais depois disso, pois o rapaz estava sempre ocupado com coisas relacionadas ao programa, mas sempre tentavam manter contato com ligações antes de dormir.


Capítulo 3 – Price of fame

O ano era 2011 e o programa havia acabado. A banda, que se chamava One Direction, ficou em 3º lugar e acabou virando febre no Reino Unido. A vida dos cinco garotos havia se tornado uma correria imensa com os preparativos para lançamento do primeiro álbum, Up All Night. Com o single “What Makes You Beautiful”, a banda rapidamente alcançou o topo das paradas, virando febre no mundo todo.
Com tamanho sucesso, e consequentemente cada vez mais trabalho, a vida de Niall estava ficando aos poucos sem espaço. Apesar da quantidade exagerada de trabalho ao que eram submetidos – e acharem que era algo normal, pois tudo o que estavam vivendo era um grande sonho para eles –, nem só de trabalho os garotos viviam. Também haviam as festas, que se tornaram ainda mais constantes na vida do cantor após completar seus 18 anos. E foi a partir daí que as ligações para foram ficando cada vez mais raras, até que se transformaram apenas em SMS, chegando ao ponto de se transformarem em um grande nada.
A amiga ainda tentou contato algumas últimas vezes, mas, na maioria delas, não obteve respostas, e quando era respondida, eram palavras monossilábicas. Então, desistiu, e o que mais doeu foi ver que o garoto não correu atrás da amizade que tinham.
tinha a sensação de ter sido abandonada pelo melhor amigo. Entendia que ele estava vivendo seu sonho, mas havia sido ela quem mais acreditou nele, quem sempre esteve ao seu lado mesmo nos momentos ruins. Ela não queria fama ou as regalias que a nova vida de Niall podia lhe proporcionar, apenas seu melhor amigo era o que bastava. E sabia que nada seria a mesma coisa dali em diante.


✨✨✨


— Esse show foi insano! — me joguei no sofá do camarim ao lado de Liam.
— Foi incrível, mas estou exausto — Harry se pronunciou.
— Só não está mais que o Mr. Sleepyhead ali — Liam apontou para Zayn, que estava esparramado no outro sofá e dormindo, e caímos na gargalhada.
— Cara, ele dorme em qualquer canto que encosta, como pode? — Louis falou, indignado. — A gente devia pregar uma peça nele.
— Estou sem forças pra isso — Harry falou e foi forçando um lugar entre mim e Louis, em seguida jogando os pés em cima da mesa de centro que havia ali.
— Por que não senta logo no meu colo? — revirei os olhos.
— Tudo bem — Harry jogou o tronco em cima do meu colo e as pernas por cima de Liam, apenas deixando o quadril no sofá.
— Ah, não, sobrou até pra mim — Liam protestou.
— Porra, Harry, eu estava sendo sarcástico.
— Eu sei, mas eu já ia fazer isso, apenas usei de pretexto — Harry me olhava atento, ainda deitado. — Awn, não fique bravo, little Niall. Você é meu irlandês favorito, sabe disso, não é? — Harry cutucou meu nariz com o dedo indicador.
— Eu sou o único que você conhece, Harry.
— Não, tem o Walsh, ele também é irlandês.
— O jurado do programa não conta.
— Chega, vocês dois. Já tá enchendo o saco — Louis fingiu estar irritado. — Mudando de assunto, o que tem de bom pra fazer na Irlanda?
— Algumas das melhores cervejas do mundo, basta pra você? — respondi, me gabando.
— Eu não sei quanto pra ele, mas pra mim é mais do que suficiente — Liam deu de ombros.
— Justo — Louis respondeu em seguida.
— Sua família vai para o show? — perguntou Harry.
— Com certeza, inclusive a . Vou fazer uma surpresa e levá-la ao show — disse, alegre.
— Finalmente iremos conhecê-la. Você falava tanto nessa garota — Harry me fitava.
— Nós também — Louis se pronunciou, seguido por Liam, que confirmou com a cabeça.
— É, também quero que conheçam. Se não fosse por ela, talvez eu nem estivesse aqui. Só me inscrevi no programa por incentivo de . Estou em falta com ela — falei meio cabisbaixo.
— Fica tranquilo. Quando ela me conhecer, nem vai lembrar de você, vamos virar melhores amigos — Harry colocou a mão em meu ombro como se falasse sério.
— Sai fora, Styles! — falei, rindo ao mesmo tempo em que tentava me livrar do abraço que ele tentava me dar.


✨✨✨


O irlandês estava ansioso para rever não só a família, mas também a melhor amiga, pois sabia que nos últimos tempos não havia sido um bom amigo. Então, queria se desculpar e contar sobre a loucura que estava sua vida naqueles últimos dias, aproveitando para fazer o convite para que ela fosse no primeiro show de sua turnê na Irlanda.
Após avisar para Maura que voltava já, Niall seguiu até a casa de . As mãos que seguravam uma cópia autografada por todos os garotos da banda – e que tinha uma dedicatória especial de Niall – suavam ao não saber qual seria a reação da amiga em vê-lo. Ao tocar a campainha, estranhou ao se deparar com uma garota com, aparentemente, uns 12 ou 13 anos de idade – e que nunca havia visto na vida – atender a porta.

— Olá, boa tarde! A ... — o rapaz foi interrompido pela garotinha em sua frente.
OH MY GOSH! IT’S NIALL FROM ONE DIRECTION! — ela gritava.
— Sim, e como é seu nome?
— Carlin, eu me chamo Carlin!
— Carlin, que belo nome. Você deve ser amiga ou prima da , acertei?
— Quem é ? — a garotinha perguntou, confusa.
— Como assim “quem é ”? Você está na casa dela — ri sem humor e confuso.
— Não… Estou na minha casa.

Estranhando a situação, o rapaz conferiu novamente a numeração da casa, e de fato estava na casa correta.

— Tá bem, até mais, Carlin! — Niall saiu ainda mais confuso.

Ao chegar em casa, foi logo perguntar para a mãe o que estava acontecendo.

— Mãe, cadê a ? Eu fui agora na casa dela e uma menina que nunca vi na vida atendeu a porta e disse que aquela era a casa dela. Eu estou confuso.
— Por que não disse que iria até a casa dela? Eu teria lhe poupado trabalho. não mora mais aqui, querido.
— Oh, agora faz sentido. Pode me passar o endereço dela? Preciso passar lá para vê-la.
— Querido, voltou para o Brasil, esqueceu?
— O QUÊ? Como eu iria esquecer de algo se eu nem menos sabia?
— Eu achei que ela havia lhe contado. Quando eu disse que iria te avisar, ela pediu para que eu não falasse nada, porque ela mesma o faria.

Por um breve momento, a mente de Niall o levou para uma das últimas mensagens que a garota havia mandado, mas que ele não respondeu, pois estava ocupado demais em uma das festas que dava constantemente em seu apartamento. A mensagem dizia “podemos conversar?”, e foi por achar que era uma besteira qualquer que não respondeu.

— Não estou acreditando que eu sequer pude me despedir e a culpa é toda minha! — ele dizia com a voz embargada e em um misto de tristeza e raiva de si mesmo.
— Calma, querido, ela só voltou para o Brasil. Você pode visitá-la quando quiser, agora você tem condições para isso.
— Como, mãe? Eu não tenho mais tempo pra nada, e agora com a turnê, o trabalho só vai se intensificar.
— Você pode manter contato com ela por celular ou e-mail. Não é o fim do mundo, meu bem — a mulher tentava acalmá-lo.
— Não acho que ela queira falar comigo, eu fui um péssimo amigo. Ela foi a pessoa que mais acreditou em mim e me incentivou. Se não fosse por ela, eu não teria me inscrito naquele programa e, consequentemente, eu não estaria onde estou hoje. Eu vim no intuito de falar com ela pessoalmente e me desculpar, pois imaginava que ela estaria chateada. Queria fazer uma surpresa, mas agora está tudo perdido, eu a perdi — ele desabafou aos prantos.
— Mas esse era seu sonho, não era? Essa é a vida que sempre sonhou, e você sabe que tudo na vida tem um preço.


Capítulo 4 – Girls from Rio

2014
Rio de Janeiro, Brasil


— Tem certeza que você não vai mesmo pro show com a gente? — Bruna Marquezine, uma das melhores amigas de , a questionou novamente.
— Não, você sabe que não curto a banda — desconversou, pois o único motivo de não ir ao show tinha nome, sobrenome e cabelos loiros.
— Mas podia ir só pra se divertir com a gente! Eu mesma só sei as músicas mais famosas.
— Vou ficar em casa mesmo.
— Você quem sabe, mas agora tenho que ir. Marquei maquiador e cabeleireiro pra daqui a pouco.
— Tá bem, divirta-se! Mande beijos para o pessoal.
— Claro, beijo! — Marquezine se despediu.

Após a família voltar para o Brasil, Edgar logo conseguiu um emprego na Rede Globo por indicação de um grande amigo seu que trabalhava na emissora. Com o passar do anos e seu empenho no trabalho, o rapaz foi se destacando cada vez mais no que fazia, e assim acabou se tornando uma pessoa importante na empresa. Devido ao trabalho do pai – e consequentemente por viver nesse meio –, conhecia muita gente da área, como era o caso de Bruna, que havia se tornado uma grande amiga.
descobriu que o show havia acabado quando recebeu uma mensagem da amiga pedindo para que ela se arrumasse rapidamente e que passaria para buscá-la, pois iriam em uma festa na casa do amigo, Caíque. A menina ainda tentou negar, alegando estar cansada, mas sem sucesso.

— Esse não é o caminho da casa do Caíque — afirmou, confusa.
— Eu sei, mas se eu te dissesse aonde estamos indo, você não iria — Bruna deu de ombros.
— Bruna, querida. Para onde estamos indo? — respirou fundo com um sorriso sarcástico no rosto.
— Para o after da 1D — Marquezine tinha um sorriso amarelo no rosto.
— Porra, Bruna!
— Ah, qual é, vai ser divertido!
— Seu Carlos, assim que o senhor deixar a Bruna, pode me deixar em casa, por favor? — se referiu ao motorista da amiga.
— Claro… — ele foi interrompido por Bruna.
— Nem pensar! Ou você vai comigo ou vai ficar esperando no carro.
— Ah, que merda, Bruna!
— Para de besteira, . Parece até que eles te fizeram algum mal — ela rolou os olhos.
— O quê? Puff, não, claro que não! Você tem cada ideia — desconversou.

E ela não mentiu, eles não lhe fizeram mal algum, exceto por Niall. sabia que, depois do programa, a vida dele mudaria por completo. O que não esperava era que não restasse espaço nenhum para ela. A garota sempre o incentivou e torceu pelo sucesso do amigo, e de fato ficou muito feliz em ver tudo o que ele alcançou e vem alcançando, pois esse era o sonho dele. O que a deixava triste era ver a pessoa que Niall havia se tornado.
Com o tempo, ambos foram perdendo contato – não por falta de vontade ou tentativas, pelo menos não da parte dela. sempre tentou se fazer presente na vida dele, mesmo que por ligação ou até por uma mensagem boba, mas cada vez menos ela recebia sua atenção. Até que parou com as tentativas, e Niall, como era de se esperar, não a procurou mais. E foi nesse momento que ela entendeu que já não cabia mais em sua vida.
Quando seus pais decidiram que retornariam ao Brasil, soube que precisava se despedir de Niall, para ao menos fechar esse ciclo em sua vida. Não queria ir embora com uma amizade que foi tão importante para ela, terminando de forma tão abstrata, sem ao menos um ponto final. Porém, para surpresa de ninguém, sem retorno. Logo a garota decidiu que essa seria sua última tentativa de contato, e assim foi feito.
Encará-lo depois de tanto tempo lhe traria sentimentos e lembranças das quais ela não esperava ter que enfrentar novamente.
“Será que ele se lembraria de mim?”
“Será que ele tem noção do quanto me machucou?”
“Será que todo esse conflito foi coisa da minha cabeça?”

Esses eram alguns dos questionamentos que se passavam em sua cabeça, e da maioria tinha medo da resposta. Talvez esse fosse o real motivo de seu medo em reencontrar Niall.

— Então desce logo, porque já chegamos no hotel.

A entrada principal do Copacabana Palace estava abarrotada de fãs histéricas, e isso se intensificou quando elas viram o carro preto em que Bruna e chegaram entrar na área de desembarque. A atriz acenou para os fãs rapidamente e as amigas logo adentraram o hall do hotel.
Assim que entraram, um cara da produção as aguardava, pois só assim conseguiriam entrar na exclusiva festa que ocorria cobertura, em um ambiente privado que ficava bem ao lado da área da piscina. O andar estava fechado apenas para convidados e com seguranças por toda parte.
A cada passo que dava em direção ao local da festa, o coração de acelerava mais e suas mãos suavam de tanto nervosismo. Encontrar com Niall, depois de tanto tempo e de tantas mágoas, seria algo que ela não estava preparada, mas estava sendo obrigada a encarar.
Assim que entraram na festa, os olhos de logo percorreram o ambiente, que não estava muito cheio, mas apenas avistou seus amigos que já se encontravam no local juntamente com Louis e Liam, que aparentemente pareciam os mais sociáveis da banda. Não pôde deixar de notar que Zayn e Harry conversavam animados em um canto mais reservado do ambiente, e sua mente logo se perguntou onde estava a razão de todo o seu nervosismo. Após se apresentarem formalmente, Liam e Louis pediram licença e saíram.

— Mano, que rolê aleatório! O que o Fiuk tá fazendo aqui? — falou, recebendo uma gargalhada de Bruna em resposta.
— Eu acho que ele é amigo da Manu.
Anyway, eu não sei o que vim fazer aqui, preciso ir embora.
— Espera, a gente ainda nem conheceu o loirinho da banda! E outra, é uma festa, então relaxa um pouco. Vem, vamos dançar com a Anitta — Bruna saiu puxando .

De fato, estava se divertindo. Se livrou dos pensamentos no jovem irlandês por alguns minutos, até que Louis se aproximou com Liam e Niall em seu encalço, que conversavam animadamente. gelou assim que o viu. Foi a última a ser apresentada, pois estava parada no lugar enquanto algumas pessoas tomavam sua frente para cumprimentar o loiro.

— Bem, e essa é a — Liam disse por fim.

Niall passou alguns segundos olhando para a garota em sua frente. Por um segundo não a reconheceu – ela estava diferente, não era mais a garotinha que conheceu anos atrás. havia se tornado uma bela mulher, que fez com que os olhos do cantor brilhassem. Mas não saberia dizer se era a felicidade pelo reencontro ou se de encanto pela beleza da velha amiga. Talvez os dois.

— Meu Deus, é você! — ele a puxou para um forte abraço, fazendo com que todos olhassem confusos. — Quanto tempo!
— Err… bastante tempo — sorriu sem mostrar os dentes.
— Espera aí, vocês se conhecem? — Bruna perguntou, confusa.
— Sim — ia falar mais alguma coisa, mas foi interrompida novamente pela amiga.
— Por que não me disse nada?
— É uma longa história e… — não sabia bem o que falar.
— Oh, então é por isso que você não queria vir — assim que Bruna falou, recebeu um olhar mortal de .
— Você não queria vir? — Niall perguntou, tentando não transparecer tristeza.
— Na verdade, não.

Ao perceber o climão que havia se instalado, Louis logo se pronunciou:

— Drinks pra todo mundo!
— Eu preparo! — Liam gritou e foi seguido pelo pessoal.


✨✨✨


Niall estava sozinho, encostado na parede com uma cerveja long neck em mãos. Tentava apreciar as pessoas dançando e se divertindo, mas seus olhos sempre estavam à procura de . Seus pensamentos foram interrompidos quando Harry tocou em seu ombro.

— Está tão calado, estou te estranhando.
— A tá aqui.
? Quem é ?
— A , cara! Minha amiga de infância.
— Oh, sim, não me lembrava do nome. Faz tempo que você fala dela, anos pra ser mais preciso.
— Eu sei, ela é minha melhor amiga. Quer dizer, era.
— Mas como ela veio parar aqui?
— Aparentemente ela é amiga dessa galera famosa daqui.
— E por que não vai falar com ela?
— Eu falei e acabei descobrindo que ela nem queria vir, e tudo por minha causa.
— Sinto muito, cara.
— Tá tudo bem.
— Olha lá, ela está indo embora. Vá atrás dela, ao menos pra conversarem.
— Não acho que ela queira.
— Cara, aproveita que o destino está te dando essa oportunidade. Vocês precisam conversar. Se ela não quiser, respeite, mas ao menos você tentou.
— Você tem razão, obrigado! — ele deu um abraço em Harry e seguiu .

Niall apressou os passos e foi atrás da garota, para que ela não fosse embora, pois eles precisavam conversar, ele precisava se desculpar. Ao ver que a garota não estava na área da piscina, se desesperou um pouco e começou a perguntar para os seguranças se ela havia usado o elevador, e se aliviou ao ouvir a resposta. ainda estava no local, bastava descobrir onde.
Resolveu procurar no único lugar que ainda não havia ido, na sacada principal do Copacabana Palace. Sorriu ao ver a garota de longe, de olhos fechados, recebendo a brisa do mar que deixava seus belos cabelos esvoaçantes. O cantor foi chegando perto dela e soltou um pequeno pigarro para chamar sua atenção.

— Oh, é você. Me assustou, achei que fosse um segurança pra me tirar daqui — se voltou para frente, numa tentativa frustrada de não prestar atenção no rapaz.
— Desculpe — Niall simplesmente soltou o que estava engasgado fazia anos.
— Não precisa se desculpar por isso — ela continuava a olhar para frente, mas tinha Niall em seu campo de visão periférico.
— Não por isso. Quer dizer, por isso também, mas digo, por tudo! Por tudo que te fiz passar, por todos os momentos que não estive quando precisou de mim.
— Niall — nesse momento, já tinha seus olhos vidrados no rapaz.
— Me deixa terminar — ela assentiu e o rapaz continuou. — Me perdoe por ter sido tão ingrato com a pessoa que mais me apoiou e incentivou desde o começo. Se não fosse você, eu não estaria aqui. Do que adianta eu ter tudo isso se não tenho você para partilhar comigo?
— Niall, você só está onde está por causa do seu talento.
— Mas se você não tivesse acreditado em mim, eu ainda estaria naquele quarto em Mullingar. Não teria me inscrito no programa e conhecido os garotos.
— Está tudo bem, já passou. Isso foi há anos.

Por mais que aquilo tivesse a machucado demais, o fato de Niall estar ciente do que havia feito, além de estar ali se desculpando, cicatrizava as feridas que ele havia deixado.

— Não está. Eu sei que você não queria estar aqui e sei que é por minha causa.
— Não queria mesmo, mas estou feliz de ter vindo.
— Jura?
— Sim, estou feliz que conversamos.
— Eu também.
— Mas me conta, como está sua vida agora que realizou seu sonho de ser mais famoso que o Justin Bieber? — perguntou, fazendo Niall rir.
— Você já sabe tudo sobre minha vida, está por toda a internet.
— Quem disse que eu fico lendo coisas sobre você na internet?

— Ok, ok, talvez algumas coisas. Mas não porque eu quero, e sim porque é inevitável. Vocês estão por toda parte.
— Você sabe o que dizem, somos a maior boyband do mundo — disse convencido, e revirou os olhos. — Eu sei que sou seu favorito, admita!
— Não tenho favorito! Mas se tivesse, seria o Harry.
— Como assim o Harry? EU deveria ser seu favorito!
— Você sabe, aqueles olhos verdes não são de se jogar fora…
— Eu vou ignorar que você disse isso, pois sei que só está dizendo pra me irritar. Mas me conta, qual sua música favorita?
— Eu tenho cara de que escuta boyband?
, você escuta Jonas Brothers.
— Tá bem, tá bem! Boybands são meus guilty pleasures, ok? Mas não conte a ninguém, tenho que manter minha imagem — pôs as mãos no rosto, recebendo uma gargalhada de Niall.
— Seu segredo está a salvo comigo. Mas e você, como está? O que tem feito nesses anos que não nos falamos?
— Nada comparado a você.
— Mas eu quero saber de tudo!
— Bem, eu finalmente terminei o colégio e comecei a faculdade.
— Medicina, certo?
— Na verdade, não. Eu mudei de ideia e agora estou fazendo produção audiovisual.
— Quando você mudou de ideia?
— Um pouco depois de ter me mudado pro Brasil. Visitei o trabalho do meu pai e me apaixonei. A gente não estava se falando, não teria como você saber, então tá tudo bem.
— Como eu fui idiota, perdi tanta coisa da sua vida…
— Você está aqui agora, isso que importa — ela voltou seu olhar para Niall, que a encarava admirado. — Por que está me olhando assim? — perguntou, sem graça.
— Você está linda.

Ele fez com que a garota sorrisse e desviasse o olhar para a praia em sua frente. Niall foi se aproximando ainda mais dela, na intenção de beijá-la. não podia acreditar no que estava prestes a acontecer, sempre sonhou com esse momento.
Niall e sempre foram muito próximos, afinal, cresceram juntos. Ela sempre o viu como amigo, mas quando foram ficando mais velhos, a menina foi se apaixonando pelo melhor amigo. Foi algo inevitável. O sentimento foi crescendo aos poucos, e quando percebeu, já não o via só como amigo.
Ele não sabia, nem poderia saber dos sentimentos dela. A amizade era uma das coisas mais preciosas que ela tinha, e jamais ousaria estragá-la por algo que sabia que não seria correspondido. Afinal de contas, para ele, a garota era apenas uma “criança” apesar da pouca diferença de idade.
Infelizmente, com os acontecimentos na vida de Niall, ele acabou se afastando. Então, após sua última tentativa de contato com o cantor, decidiu que já estava mais do que na hora de seguir em frente, assim como ele havia feito. Ela só não imaginava que os sentimentos estavam escondidos, apenas esperando por um gatilho que tinha nome, sobrenome e lindos olhos azuis.
O rapaz estava cada vez mais perto. Era possível sentir sua respiração quente, assim como seu perfume, que incensava por onde passava. Niall pôs uma das mãos na bochecha de e a acariciou com o polegar, fazendo a garota se arrepiar instantaneamente. Porém, antes que o beijo se concretizasse, foram interrompidos.

— NIALL! NIALL! Oh, espero não estar atrapalhando — sem graça, Liam coçou a cabeça assim que viu Niall e bem próximos.
— Está tudo bem. O que houve?
— Estão todos procurando por vocês, não vão entrar? A Bruna tá achando que a foi embora.
— Nós já vamos, Liam. Só um instante — pediu para o amigo, que saiu e deixou os dois a sós novamente.
— Vai indo na frente, daqui a pouco te alcanço — disse calmamente, com um sorriso tímido no rosto. Ela estava feliz pelo que quase aconteceu segundos atrás, mas ao mesmo tempo confusa. Precisava de um tempo para organizar os pensamentos e ter certeza do que queria.
— Tem certeza? Não quero te deixar sozinha aqui.
— Tenho, tá tudo bem. Vai lá que eu já chego.
— Tá bem — Niall deu um beijo na testa da garota e voltou para a festa.

Algum tempo havia se passado desde que Niall a deixou sozinha na sacada. estava feliz. As coisas pareciam estar se alinhando e talvez até melhor, pois agora, além do amigo de volta, ela estava conhecendo o lado de Niall que sempre sonhou. Sua paixão de infância parecia estar se concretizando.
Então, após colocar os pensamentos e sentimentos no lugar, resolveu voltar para a festa. O lugar era escuro, iluminado apenas por luzes coloridas. O ambiente estava mais cheio que antes, então lutou um pouco para encontrar quem procurava. Avistou Bruna, que estava com seu grupo de amigos, e foi falar com ela.

— Garota, achei que tivesse ido embora.
— Eu estava na sacada.
— Com o Niall, eu sei, ele comentou. Você tem que me contar essa história direito depois.
— Contarei.

Antes que pudesse falar mais alguma coisa, Bruna deu um gritinho ao ouvir um funk tocar, o que fez com que todos a olhassem.

— A Anitta dançando essa música é incrível! Ela dança bem pra caralho!
— Para, garota, não é pra tanto! — Anitta disse rindo do comentário da amiga.

Ao perceber a movimentação, Niall, que estava pegando uma bebida ali perto, se aproximou, vendo que Liam e Louis já se encontravam por ali.

— Então você sabe rebolar? — Niall perguntou com um fundo de malícia.
— Sim, eu trabalho com funk. Se não soubesse rebolar, que tipo de cantora eu seria, silly? — Anitta respondeu divertida. Ela pareceu não perceber a malícia – até então sutil – na voz do cantor.
— Então rebola pra eu ver — ele disse com uma cara de safado que não passou despercebida por ninguém, mas a cantora pareceu gostar do flerte, dessa vez nada sutil. Ele recebeu um olhar furioso de Liam, quase automático, respondendo um “what?” inaudível, dando de ombros logo em seguida.

parecia não acreditar no que estava presenciando. “Quem era aquele?”, a menina se perguntava. Definitivamente não era o cara com quem conversou minutos atrás, muito menos o que conheceu em Mullingar. Aquele era um completo estranho.
Achando toda aquela situação patética, resolveu ir ao banheiro, ação que passou despercebida por todos, já que estavam entretidos com a mulher dançando. Antes de sair do local, deu uma olhada no espelho, passou as mãos no cabelo e balançou a cabeça negativamente. Pegou sua bolsa que estava no balcão da pia e se retirou, voltando para onde seus amigos se encontravam. As pessoas já estavam dispersas pela festa e a cantora já não era mais o centro das atenções.
correu os olhos pela festa, mas logo se arrependeu quando seus olhos pararam em duas pessoas no canto da parede. Anitta agora rebolava em Niall, que tinha as mãos na cintura da mulher, o que fez a garota rir sem humor. Achando que não poderia ficar pior, o loiro deu um beijo na cantora na frente de todos, e a única reação de foi se retirar do local. Já havia visto além do suficiente.
Sem saber o que fazer, avistou a área da piscina vazia e decidiu ir para lá. Deitou em uma das espreguiçadeiras que ficava mais no canto e desabou a chorar. Niall não cansava de decepcioná-la. Uma hora atrás estava prestes a beijá-la, agora estava agarrando outra como se o momento que tiveram nunca tivesse acontecido. Maldita hora em que Bruna a carregou para aquela festa, pensava ela. Tratou de enxugar as lágrimas, então percebeu a presença de alguém.

— Noite difícil também?
— Nem me fale — limpou uma lágrima solitária que correu por seu rosto.
— Acho que você está precisando disso mais do que eu — o garoto mostrou a garrafa.
— Definitivamente.
, certo? — fez uma cara como se tentasse não errar seu nome.
— Isso, você lembrou?
— Tenho uma boa memória, mas não esqueceria um rosto tão bonito — vendo que ela não sabia o que responder, ele continuou. — Você é a amiga de infância do Niall, né?
— Podemos não falar dele?
— Quem é Niall? — o rapaz de olhos verdes recebeu uma risada da garota. — Posso sentar? E assim fazemos companhia um ao outro.
— Sim, por favor! — ela recolheu as pernas e levantou o tronco. Ele se sentou em sua frente.
— A propósito, sou o Harry — ele sorriu para ela.
— Eu sei — sorriu de volta. — Agora me dá aqui um shot, eu preciso de álcool.

Era tão divertido e leve conversar com Harry que não precisou mais de bebida para se sentir melhor e esquecer momentaneamente de Niall.

— Posso te fazer uma pergunta?
— Sim, é verdade. Eu tenho quatro mamilos — Harry disse, tentando se manter sério.
— Não é isso. Peraí, você disse quatro mamilos? — os dois caíram na gargalhada.
— Sim, mas o que queria me perguntar?
— Por que está aqui ao invés de estar curtindo sua festa com seus amigos?
— Não sei. Talvez porque você seja mais divertida que aquele bando de bêbados, ou porque eu não poderia deixar a garota mais linda da festa aqui chorando sozinha.
— Você está fazendo um bom trabalho — sorriu, tímida. — Nem precisei beber muito pra esquecer por que eu estava chorando.
— Posso melhorar ainda mais — eles se olhavam nos olhos, e a tensão sexual só aumentava.
— É? Como? — ela o desafiou, sabendo o que viria a seguir.
— Assim.

Harry, então, foi se aproximando da garota lentamente. Colocou uma das mãos em seu pescoço e a outra em sua cintura, a trazendo para mais perto e finalmente selando os lábios no dela. Sem fôlego, partiu o beijo, agora focado no pescoço de , que logo se arrepiou ao sentir os lábios quentes e molhados de Styles em seu pescoço. Devagar, ele foi a deitando na espreguiçadeira, ficando por cima dela, e voltou a beijá-la.
Após algum tempo, os amassos entre os dois já estavam ficando quentes demais para estarem em público.

— Quer ir para o meu…

Antes que ele pudesse terminar a frase, o respondeu, ofegante:

— Sim!

E assim seguiram para o quarto de Harry.


✨✨✨


Na manhã seguinte, os rapazes estavam reunidos para o café da manhã e conversavam sobre a noite passada.

— Cara, ontem foi uma loucura! Eu só tenho flashes de algumas coisas, mas depois da bebedeira eu não lembro de muita coisa — Niall fez careta por causa da ressaca.
— E você, Harry? Sumiu ontem — Louis questionou.
— Eu estava com a . Ela não estava muito bem, então a fiz companhia.
— Meu Deus, a ! Não me lembro de ter me despedido dela — Niall falou, preocupado.
— Provavelmente não, você estava com a língua enfiada na garganta daquela mulher — Zayn disse, fazendo os garotos rirem. — Qual o nome dela mesmo?
— Anica, eu acho — Liam respondeu.
— Isso, algo assim — Zayn concordou.
— E a viu?
— Óbvio que sim, todo mundo viu — Louis acrescentou. — Você nem fez questão de esconder, ficou com ela no meio de todo mundo.
— Eu a vi um pouco abalada indo em direção à piscina — Liam lembrou.
— Mas o Harry logo cuidou dela — Zayn disse malicioso, recebendo um olhar mortal do amigo. — Ah, qual é? Eu saí pra fumar um e vi os dois no maior amasso na área da piscina, depois foram juntos pro quarto.
— ZAYN! Tenha mais respeito! — Harry esbravejou.
— Não acredito que você fez isso, Harry! Você sabia o quanto ela é importante para mim.

Niall estava desacreditado no que acabara de ouvir. Sentiu ciúmes de de uma forma como nunca havia sentido antes, mas ele sabia que havia ferrado com tudo no momento em que se envolveu com a cantora na festa, pouco depois de ter quase beijado a amiga. Talvez ele não tivesse certeza do que sentia, e por não querer criar expectativas em , acabou a magoando mesmo sem intenção. Ou a causa disso foi sua autossabotagem inconsciente, ou quem sabe ele só queria aproveitar tudo o que o Brasil tinha para oferecer. Mas de qualquer forma, colocaria a culpa na bebida.

— Eu sei, ela é sua melhor amiga. Como eu ia imaginar que você se chatearia que eu ficasse com ela, se você estava se ficando com outra?
— Eu… Eu… Ela não é qualquer uma, Harry — Niall sabia que não estava no direito de exigir nada. Ele havia estragado tudo mais uma vez.
— Eu sei que não, Niall. E eu não a tratei menos que isso. Ela é uma garota incrível, eu amei conhecê-la.
— Ela é! E eu não a mereço.


Continua...



Nota da autora: Oi gente, finalmente o capítulo 4! ☺️ A partir do próximo capítulo já serão os dias “atuais” (2016), então vem muitoo aí! Bem, é isso! Espero muito que estejam gostando, e se puderem deixar um comentário, ficarei muito feliz! Xeruu 🥰
A PP tem insta, para quem quiser acompanhar não só a vida dela, mas também spoilers e avisos de atualizações:




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