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Última atualização: 05/10/2020

"Dizem que, não importa qual seja a verdade, as pessoas veem o que querem ver." — Gossip Girl.

Capítulo 1

''Dizem que, não importa qual seja a verdade, as pessoas veem o que querem ver.'' — Gossip Girl



07:10 a.m.
Santa Cruz, Califórnia

olhou-se no espelho pela última vez naquela manhã, usava uma saia amarela quadriculada e um blazer da mesma estampa, além de uma blusa branca e meia até o joelho da mesma cor e, nos pés, um tênis branco. Poderiam dizer que estava que a cópia fiel da Cher de As Patricinhas de Bevely Hills, mas, na realidade, era como ela verdadeiramente se sentia. Estava muito ansiosa para sua própria volta ao California College, depois de um ano, principalmente porque era seu último ano estudantil.
Desceu as escadas da casa com pressa, indo em direção à cozinha.
— Está atrasada, . — Sr. disse sem abaixar o jornal que lia na mesa de jantar.
— Ah, pai, foram só dois minutinhos. — A garota protestou procurando uma fruta na fruteira.
— Dez. — Corrigiu a filha, confirmando no relógio de pulso. — Não se esqueça de que você vai ficar de babá para os filhos do depois da aula. — A garota parou o que estava fazendo e se aproximou da mesa. — É necessário mesmo isso? — Fez bico e, dessa vez, seu pai abaixou o jornal, olhando-a por cima dos óculos de leitura.
— Só se você quiser uma carta de recomendação para a universidade.
— E ser filha do empresário mais respeitado da região não conta? — A garota se apoiou na mesa, ainda fazendo cena.
— Construa seu próprio império, . — Ambos falaram juntos e a menina riu, depositando um beijo na bochecha do seu progenitor.
— Estou indo, pai. Bom trabalho.
— Vê se não apronta nada, hein?! — Foi a última coisa que ouviu antes de sair da casa.

— Bom dia, Josh. — cumprimentou o motorista, no qual havia aberto a porta do carro para ela.
— Bom dia, senhorita. Vejo que está feliz para a volta às aulas.
— Obrigada. — Agradeceu entrando no veículo.
A garota observou cada detalhe do caminho entre sua casa e colégio, sentia tanta falta que nem ela mesmo entendia. O céu californiano azul, a umidade presente por conta do mar, as arvores, as pessoas. Era diferente. Era lar. Era felicidade de estar de volta.

Assim que cruzou a entrada do California College, era possível ouvir os cochichos por todo o pátio e, logo em seguida, todos os celulares tocaram anunciando a chegada de uma nova mensagem. A garota apertou a alça da bolsa entre os dedos, já sabendo o que esperar.
“Opa! Que surpresa maravilhosa nessa manhã, não é mesmo?! Queen está de volta à Califórnia, será que ela veio disposta a pegar sua coroa de volta? Será que a Becker está disposta a perder a sua? O que sei de certeza é que esse ano vai ser bem agitado, então, peguem a pipoca e escolham seu lado, uma guerra acabou de começar!

xoxo, P.L”

respirou fundo ao ler o post do Poison Lips, a pessoa que estava por trás daqueles lábios virtuais devia ser a mais mal amada possível. A maior certeza que tinha na sua vida é que não sentia falta das fofocas que a cercou por anos e agora ela estava ali, mais uma vez, sendo o centro das atenções, como todos os olhos do local virada para si.
Apertou a alça da mochila com mais força entre os dedos e ergueu a cabeça, se ia fazer aquilo, precisava demostrar confiança. Sendo assim, ignorou os olhares e andou em direção a ala dos armários. Ao chegar ao destino, colocou todos os livros que não usaria em primeiro momento e, ao fechar a porta do armário, quase gritou de susto ao visualizar um grupo de garotas ao seu lado.
— Você não falou que tinha voltado.
Era , também conhecida como ex-melhor amiga da , a nova abelha rainha, e seus zangões ao redor.
— Devo ter me esquecido de comentar. — Disse ironicamente.
— Não fique brava comigo por ter ocupado seu lugar, não tenho culpa se você me abandonou. — observou a garota jogar uma mecha de cabelo para trás, o que a fez quase revirar os olhos, a menina não tinha mudado nada. — Na verdade, é que nem na história: se você deixa um vácuo de poder, alguém ocupa. — Respondeu, já direcionando seu olhar para um grupo de garotos que zoavam no início do corredor.
Reparando em Jake e seus companheiros de time. Chegava a ser impressionante o como em dois anos quase era a mesma coisa, a não ser por uma peça nova no grupo dos meninos. julgava ser novato, pois não se lembrava dele.
. respondeu seus pensamentos. — Entrou no mesmo ano em que você saiu. E se quiser saber, não mexa com ele.
— Mas porq… — Foi interrompida pelo tocar do sino.
— Vou para sala, beijinhos. — depositou um beijo na bochecha da garota e saiu andando com suas colas trás. decidiu ir para a sua também, ainda intrigada com a fala da abelha rainha.

As aulas ocorreram de forma mais normal possível, depois passaria o intervalo com a diretora falando sobre o tempo em que ficou fora e sobre a faculdade, também se inscreveu para o time de vôlei, esporte que praticava nos anos em que esteve com sua mãe. As últimas aulas foram tão chatas quanto às primeiras. Depois do anúncio do fim da aula, apressou-se para não encontrar as abelhas ambulantes, mas os insetos são mais rápidos que humanos.
— Poderíamos tomar um sorvete no Kendrik’s, sabe, colocar todas as fofocas na mesa, sabe? Você ficou fora por bastante tempo. — disse já andando lado a lado com .
— Não tenho o que falar e, além disso, tenho compromisso. — A menina sorriu falsamente, andando mais rápido em direção do carro, que já a esperava.

“Acabamos de presenciar Queen sendo dispensada em meio ao colégio? É isso mesmo, produção? Cuidado , muita coisa por aqui mudou...

xoxo, PL.”
06:12 p.m.
Santa Cruz, Califórnia

chegou quase na hora marcada no seu compromisso, quem atendeu a porta foi o sr. com um belo sorriso no rosto, o rapaz apresentou a casa, Lis, sua companhia noturna de quatro anos, e Julius, sua outra companhia de dez anos.
— Obrigada por ajudar, meu filho mais velho quase não para em casa e, com essa correria do trabalho, estávamos sem saber o que fazer.
— Tudo bem, eu amo crianças, é um prazer.
O homem passou todas as instruções, apresentando algumas partes da casa, e logo saiu, acompanhando por sua mulher. — E então, o que vocês querem fazer? — A menina perguntou olhando para duas criaturinhas a encaravam.
Depois de uma hora, se encontrava sentada no chão da sala desenhando com a mais nova, enquanto observava o garoto jogando vídeo game. — Onde você estuda? — Julius perguntou sem tirar os olhos da TV.
— California College. — Respondeu ainda desenhando uma casa de verão. Ela era terrível desenhando, uma garota de quatro anos estava detonando-a. — Por quê?
— Meu irmão estuda lá. — A menininha a sua frente respondeu sorrindo. — Você desenha muito ruim.
— Nem é tá tão feio assim… — As duas riram da situação. — Como é o nome do seu irmão?
.
parou de desenhar, respirando fundo. Era óbvio. .
Como ela não tinha ligado os pontos? O que parecia demais com o rapaz que a atendeu na porta. Rezou para todos os deuses existentes, se falou para não mexer, é porque tem um motivo grande para isso, e colocaria o joelho no milho para que a fofoqueira venenosa não descobrisse sua localização atual, se não ela estaria ferrada!


Capítulo 2

estava sentada na mesa de jantar lendo, aproveitando o tempo que tinha, já que os mirins estavam adormecidos e esperava alguém chegar para que pudesse ir para casa.
— Não sabia que populares liam. — A mocinha sentiu seu coração acelerar com o susto que tomou. Desviou o olhar da página para observar o , que estava encostado na parede.
— Talvez esteja confundindo as pessoas. — Voltou à atenção para o livro, ouvindo-o ri.
— Sabe, escutei falarem muito de você. — sentou na cadeira que se encontrava na frente dela, com o intuito de chamá-la a atenção, mas ao invés disso, a garota continuou vidrada no livro. — A heartbreaker¹.
Foi a vez de rir.
— Fazia muito tempo que não ouvia alguém me chamar assim…
— Li muito a seu respeito no Poison Lips. — confessou, fazendo a moça rolou as órbitas. Odiava aquele blog.
— Correção, você leu muitas mentiras sobre mim. — Ela o corrigiu, ainda sem encará-lo.
— Não dá para negar, passo por isso também. — O garoto a observou baixar o livro e finalmente encará-lo.
— O que você quis dizer com isso? — o analisou cautelosamente.

Braços cruzados em cima do peito, cabelos bagunçados e ele se mantinha fora de estereótipos. Jaqueta de couto o tornava bad boy, a blusa do Darth Vader denunciava o lado loser, o corpo malhado exaltava a parte atleta e o status o definia como popular.
Lembrou-se do que disse mais cedo e voltou a ficar intrigada com o rapaz. Assistiu os ombros largos de subir e descer, acompanhado com a palavra “nada” que saiu dos seus lábios.
— Não vai demorar para ouvir falar de mim. — Continuou.
— Você não parece curtir muito isso, senhor mistério. — O garoto riu do apelido.
— Como se alguém gostasse de ser o centro das fofocas. — Jogou algumas verdades sobre a mesa. — A não ser que você seja .
Touché. — Foi a última coisa que ela falou antes de descansar as costas na cadeira e voltar a ler.
— Já pode ir para casa, sabia? Já estou aqui mesmo.
— Quer se livrar de mim? — Arqueou uma das sobrancelhas, encarando-o, se divertindo da situação, mas logo voltou sua atenção para o livro.

permaneceu em silêncio, estudando-a. parecia ser uma pessoa diferente do que os boatos diziam. Ficou intrigado, praticamente desenhou uma pessoa totalmente errada. O ar da sala pareceu ficar rarefeito depois de alguns minutos, sentia sua caixa torácica pesada e a respiração falhar, suas mãos suavam de uma maneira que fazia o livro querer escapar da mesma. Estava ansiosa pelas próximas palavras dele, queria saber mais sobre ele. Mas isso ficaria para outro momento, já que o ouviu soltar um “até amanhã” antes de sair do cômodo e subir as escadas.


chegou em casa por volta das nove da noite, pouco tempo depois que os Fosters finalmente voltaram para casa. Estava observando seu pai lendo milhões de papéis, ou deveria estar, já que na verdade estava quase cochilando.

— Como foi seu dia? — O ouviu perguntar, olhando-a por cima dos óculos.
— Nada demais. Normal. — A menina atravessou o escritório, indo parar atrás da cadeira do pai, massageando os ombros do mesmo.
— E o seu?
— Cheio. — Assistiu-o abaixar as folhas e relaxar o corpo.
— Pai, — Chamou-o, mordendo a parte interna da bochecha, receosa com o que ia perguntar. — O que sabe sobre o filho mais velho dos Fosters?
— Ele é um bom rapaz.
— Todos os garotos são bons para você… — Contestou, fazendo-o ri.
— Dessa vez é sério
— Acredito. — disse rindo.
— Estou indo dormir… Aconselho o senhor fazer o mesmo.
— Já subo. — O homem disse, pegando as folhas novamente.
— Sei… — Disse rindo, saindo do cômodo.

estava diferente naquela manhã, vestia uma calça branca detonada e uma regata preta do U2, além do All Star cano alto. Se vestia de várias maneiras enquanto morava com sua mãe. sentia-se livre, lá na Inglaterra ela não precisava usar roupas padronizadas para ser aceita socialmente. Fora que queria espalhar para toda a Califórnia que agora era uma pessoa diferente, evoluída.
A garota desceu as escadarias da casa correndo enquanto tentava enfiar alguns cadernos na bolsa, não daria para tomar café da manhã.
— 15 minutos! — Seu pai gritou quando viu um vulto passar correndo.
— Bom dia! — Foi tudo que conseguiu responder antes de passar pela porta principal.
Algumas horas depois, a garota encontrava-se sentada em uma das mesas do lado de fora do prédio no intervalo se deliciando com um pedaço de torta de chocolate, a fome era tanta que se fosse um bicho já teria engolido o estômago.
— O bolo não vai sair correndo. — sentou do lado da mocinha, que sorriu envergonhada. — Finalmente consegui falar com você.
— Ah, para. Nem sou tão ocupada assim.
— Gostei no novo visual, está cada vez mais bonita. — O garoto elogiou.
— Obrigada. Londres fez bem para mim. — sorriu lembrando-se do último ano.
— E como está a Sra. ?
— Muito bem, na verdade. Perguntou muito sobre você.
— Sério?
a olhou surpreso.
— Aham, quase me deserdou quando soube que terminamos.
— Entendo, minha mãe encheu o saco também. — Riram.
— Pelo menos você começou a namorar com a . — cutucou o rapaz na barriga, rindo. — Achou mesmo que não sabia?
— Não, é só que… Não foi a mesma coisa… Quer dizer, você conhece o furação . — assentiu e ambos riram.
“Flagrados, e rindo e relembrando os velhos tempos. Será que ainda tem sentimentos por ali? Cadê a para se juntar a esse momento?

xoxo, P.L”

Ao sair do prédio do colégio pronto para ir para casa, avistou sentada debaixo de uma árvore, mexendo no celular. Pensou e repensou várias vezes antes de se aproximar da garota, acabando sentado ao lado dela.
— Fica um pouco distante, não quero duas fofocas sobre mim em um mesmo dia. — Ótima recepção, pensou.
— Primeiro, só tem nós dois aqui de qualquer maneira e, segundo, qual foi da paranoia?
— Desculpa. — A garota disse abaixando o celular e encostando a cabeça no tronco da árvore, olhando para os raios solares que escapavam pelas folhas. — Estou mal acostumada.
— Posso fazer uma pergunta? — esperou a menina assentiu para continuar. — Se não gostava tanto disso, porque voltou?
— Meu pai… Desde sempre eu era muito apegada a ele e passar esse ano longe foi um desafio.
— Mas não precisava voltar estudar aqui, tem muitos colégios pela cidade.
— Concordo, só que... — A garota sentou-se mais ereta, encarando o garoto ao seu lado. — Eu não queria recomeçar do zero de novo. Achei que conseguira lidar com a situação melhor.

Ouviu o garoto murmurar um “hum” e desviar o olhar para os estudantes que saíam do prédio. observou ele morder os lábios várias vezes, segurando-se para não falar algo. Olhando de perto, conseguia admitir o quão bonito e atraente ele era, mas em sua cabeça apenas girava aquelas malditas palavras, “não mexa com ele” e se pegou mordendo os lábios também, coçando a língua para perguntar.
— Vai em frente, pergunta. — Falou tentando dialogar o suficiente para que pudesse questioná-lo também.
— Não acho que devo. — Ele respondeu, sem encará-la.
— Qual é! Todo mundo quer saber porque fui embora... — Sabia que era esse era o questionamento que pairava em todo o California College.
— O ponto é se você está disposta a falar a verdade.
— Hum... — A garota fingiu procurar algo na mente, mas a verdade é que não estava preparada para compartilhar isso com ninguém, ainda mais com alguém que mal conhecia. — Acho que acreditar em algumas das versões inusitadas contadas por aí é melhor para todos.

O rapaz voltou a encará-la, sem saber o que falar. Queria perguntar se ela tinha ouvido todas afirmar qual era melhor, mas os celulares de ambos vibraram ao mesmo tempo.
“Flagrada, Queen com um dos nossos jogadores de futebol debaixo das arquibancadas.
[Anexo de uma foto da beijando o atleta]

xoxo, PL”


— Quem é esse? — perguntou olhando para a tela do celular no rapaz, nem se dando o trabalho de pegar o próprio.
— Acho que é o Peralta, não tenho certeza.
— Ela vai pirar total quando vê isso.
— É a , ela faz tudo para ser o centro das atenções.


Capítulo 3

passou quase uma hora olhando para o teto do quarto depois que chegou em casa, procurando o que fazer. Decidiu fazer algo que poderia se arrepender, mas não custava tentar. Pegou o celular e ligou para um número já conhecido por ela!
Não imaginava receber uma ligação sua. riu ao ouvir aquilo, nem a própria imaginava.
— Jake, estou com fome… — Foi a vez do rapaz rir. Parecia um déjà vu, que tinham voltado no tempo.
Burger King?
— Em 10 minutos. — Ela respondeu e desligou em seguida, indo trocar de roupa. Vestiu um short jeans cintura alta com um cropped ombro a ombro amarelo correndo para fora.
Burger King

Quando Copper chegou no seu destino, sua companhia da tarde já estava lá, como sempre, pediram seus lanches e se sentaram na mesa já conhecida por eles.
— Qual foi a da ligação?
— Não sei, a Califórnia está um tédio. — A garota fez drama e o garoto riu.
— E a ? — perguntou com a sobrancelha arqueada, buscando mesmo pela fofoca.
— Achei que conseguiria superar tudo quando decidir voltar, mas olhar para ela fez eu perceber que não. E agora estou sozinha.
— Você tem a mim. — Ele a cutucou de lado, e ela riu. — E, aparentemente, . — olhou surpresa para Jake. Como é?
— Eu vi vocês dois conversando hoje…
— Sou só a babá dos irmãos deles.
— Você caiu dentro de uma teia bem grande. — O garoto comentou e já estava cheia de não receber explicações.
— Por que? Primeira coisa que a me falou foi, basicamente, “fique longe dele”. O que ele tem de tão ruim?
não é o problema, é. Desde que ele entrou, virou o foco de todas as garotas do California College e, consequentemente, do Poison Lips. E todas aquelas que conseguem algo com ele, ver a vida virar um inferno.
— Que? Por que? Algum tipo de maldição? — A garota fez graça.
— Sim, A Maldição da . Desde que ela ocupou seu lugar, incorporou o próprio Lúcifer. Apaixonadíssima por e, quando ele a rejeitou, resolveu infernizar a vida das pobres que ele fica. O coitado nunca namorou com nenhuma no colégio, ninguém aguenta as consequências…
parou para analisar a situação antes de se pronunciar. Que porra tinha acontecido no último ano?
— Isso tudo por conta de um menino? Sério?
— Nem todo mundo passou um ano em outro país para evoluir como você. — Jake rebateu.
— Mas estamos em 2018.
— Tu acreditas mesmo que se não tivesse ido embora, não teria a mesma mentalidade que a de antes? Qual é! Crescemos nesse meio. — A garota calou a boca, era uma reconstrução de pensamento difícil. Ela sabia, não tinha como saber como estaria sua vida se não tivesse “fugido”. — Às vezes é preciso sair da realidade que vivemos para mudarmos a nossa perspectiva de vida.
— Tirou isso de alguma página do Facebook? — Riram.
— Eu sou um sábio, respeite-me. — brincou e eles riram mais ainda.
— Vou mandá-la para uma excursão londrina.
— Vai fazer um favor a todos nós. — O garoto brincou.
— Você é terrível, Jake. A garota só precisa de um toque de realidade.
— Sua missão, senhorita.
Eles riram e mudaram de assunto, mas a garota fez uma nota mental de que precisava saber mais do que tinha acontecido no último ano.
“Flagrados, e sentados na mesa favorita do tempo em que estavam juntos. Parece até flashback! Seria uma possível volta? Fiquem de olho!

xoxo, P.L”

— Odeio ainda mais essa merda do que quando participava dessa bagaceira toda. Ninguém tem o que fazer a não ser falar da vida dos outros? — disse irritada.
— Isso me fez lembrar, não deixa sair algo sobre você e o no PL.
— Por que?
— Você vai provocar uma guerra civil.
deu os ombros.
— Vai que a Marvel me contrata, já me imaginou nas telonas do lado do Homem de Ferro e com Capitão América?
— Ah, é... Certas coisas nunca mudam… — Eles riram. Realmente, nem tudo muda cem por cento.

chegou em casa extremamente cansada, depois do BK eles resolveram caminhar um pouco pela orla. Quando entrou em casa, foi direto para cozinha procurar mais alguma coisa para comer. Entrando no cômodo, encontrou seu pai cantarolando enquanto fazia omeletes.
— Boa noite, filha. — Ele disse sem tirar os olhos do fogão. — Por que veio andando?
— Estava com saudades daqui, e já está chegando o friozinho. — Disse se aproximando do cozinheiro, curioso sobre o que mais velho estava fazendo. — Você está doente?
Questionou com a mão na testa do progenitor, fazendo graça.
— Não reclama, é um momento raro. — Sr. colocou a comida em dois pratos e serviu a mesa, queria ter um momento com sua filha.
— Me diz, com quem você estava?
— Com o Jake, fomos no BK.
A garota escutou um “hum” seco do pai e continuou a comer. Ele não fora muito com a cara do ex no início, mas depois de um tempo foi melhorando.
— Sem namorada, papi?
— Tenho tempo nem para minha filha, quem diria para mulheres. — Aquilo era verdade, e achava deprimente.
— Não se sente incompleto? — Perguntou estudando a linguagem corporal do homem à sua frente. Queria mesmo era perguntar “Não sente vontade de transar?”, mas acho que iria fazer o rapaz engasgar.
— Tenho uma filha que cuida de mim, já tenho o que preciso. — A garota sorriu abertamente.
— Mas vamos trocar de assunto, queria te desejar parabéns.
— Pelo o que? — Perguntou confusa.
— Conversei com a Sra. Ogden quando disse que voltaria para a Califórnia. — Agora se perguntava porque diacho seu pai falou com a diretora do colégio. — Ela ligou-me para avisar que meu pedido foi concedido.
— E qual seria? — A garota estava quase colocando o coração acelerado para fora, ansiosa.
— Você vai organizar o baile de outono desse ano! — O mais velho ouviu um grito fino e logo foi abraçado pela filha que distribuiu vários beijos na bochecha do pai.
— Obrigada! Obrigada! — Repetia sem parar.
— Eu sei que isso é importante para você, que queria seguir esse passo da sua mãe. Sei que é capaz de fazer isso.
— Eu te amo, pai.
— Eu também te amo, bonequinha.

Depois da cena, eles voltaram a comer. não podia estar mais feliz! O baile de outono foi no qual seus pais começaram a namorar, e tinha sido sua própria mãe quem tinha organizado. Era quase como um negócio que a família tinha inventado. Sabia que a popularidade a ajudaria a conseguir isso, pelo menos a que tinha antes de mudar de cidade, mas sabia que usar desse meio para conseguir o que queria era péssimo. Apesar que seu pai ainda sim influenciou na escolha da diretora… Só existe um problema, . sabia que a ex-melhor amiga também queria aquele posto, evoluiria a popularidade da mesma. E ali estava, um pequeno estopim do início da guerra civil entre x .


Capítulo 4

Depois do anúncio do seu pai naquela noite e a conversa que teve mais cedo, nunca esteve tão doida para ter explicações, então decidiu que a melhor forma de sanar suas dúvidas seria fazendo o que mais odiava: ler as fofocas do Poison Lips. Começou por postagens que contava sobre sua saída repentina, não tinha muita coisa, mas havia muitas suposições. Todos sabiam que ela e a tinham brigado antes do sumiço e apontavam isso como a maior causa, também diziam que o motivo delas não se falarem tinha sido . Não podia deixar de admitir que sim, a briga teria incentivando sua ida para Londres, mas elas nunca discutiram por causa do . Quando soube que eles começaram a namorar, mais ou menos um mês depois da sua partida, tinha que admitir que ficará um pouco de ciúmes, mas era o único quem a garota mantivera contato, o único que realmente sabia o que tinha acontecido, então travava o rapaz mais como um irmão do que como uma atração romântica.
Depois disso achou algumas postagens sobre e como ele realmente tinha chamado atenção do blog, mas limitou-se a ler qualquer coisa ligado a ele. Realmente estava interessada em conhecer o garoto, mas não seria daquela forma.
em si não tinha tantas fofocas, um flagra ali, uma briga aqui. Nada novo sob o sol.
, bom, tinha virado a queridinha do blog. Inúmeras páginas sobre garotos, rivalidade, brigas, encrencas e tantas coisas que não conseguia digerir ao mesmo tempo. Quando elas brigaram, tinha sido por causa daquele blog e agora ser o centro das atenções fazia seu estômago embrulhar. Em algumas das postagens, acusaram a de "bajular" a diretora para conseguir a organização do tão sonhado baile. E chegando ali, decidiu parar de vasculhar o blog, já era de madrugada não queria pensar naquele momento como conseguiria enfrentar o furacão (um apelido carinhoso que o PL tinha dando para menina no último ano) iria reagir quando soubesse da notícia.

sentiu um lado da cama afundar, acordando-a. Abriu os olhos com dificuldade por conta da luz e conseguiu visualizar a silhueta de um homem sentado de costas, lendo o jornal. Recusou-se desviar o olhar para o relógio digital que ficava do lado da sua cama, sabia que estava atrasada.
— Espero que você tenha um bom motivo para ter faltado a aula hoje. — O mais velho soltou depois de perceber a movimentação da menina.
— Dormi tarde assistindo Dinastia?! — Falou com medo da reação o pai, mas ele só suspirou, virando-se para ela. Não queria mentir, mas naquele momento ele não precisava saber que passará noite fuxicando a vida dos outros. Além disso, o drama do colégio era mais interessante que biologia.
— Vou deixar hoje passar, mas amanhã quero tomar café da manhã com você na mesa e, de preferência, antes das sete.
resmungou sentando-se na cama, abraçou seu pai após perceber que ele tinha levado o café na cama.
— Te amo, papi.
— Sei que é pela comida. — Riu quando a filha se afastou. — Você tem trabalho hoje à tarde, a Sr. ligou.
— Pelo menos vou olhar para crianças, não para desenhos de organelas.

House’s


, deixa eu maquiar você? — Lis perguntou com a norma padrão errada, enquanto puxava a barra do short da mesma.
— Deixo sim, meu amor. Espera só a tia terminar de fazer a pipoca pro seu irmão, ok?

terminou seu momento chef, colocando a pipoca dentro de um potinho do Homem-Aranha, depois entregando o recipiente para o menino que vestia uma fantasia do mesmo personagem, enquanto assistia De Volta ao Lar. Quer fã maior que esse? A moça só achava graça.

Quando olhou em direção a menor, queria apertar as bochechas dela, estava tão fofa emburrada.
— Já pegou seu kit, maquiadora? — Chamou atenção da menininha, que logo se animou e correu para o cômodo em que ficavam os brinquedos, saindo de lá com vários potinhos. — Já vou avisando que sou uma cliente exigente. — Disse se ajoelhando no tapete da sala.
Lis riu da babá e começou a fazer seu trabalho.

Depois de alguns minutos, a porta principal foi aberta e abriu o canto do olho para poder curar, observando entrar suado do treino. Respirou fundo, a blusa colada e cabelos molhados era uma bela visão, mesmo que preferisse ele longe.

— Fecha os olhos! — menor reclamou e a babá logo a atendeu.
— O que está acontecendo nessa casa? — O mais velho observava a cena achando fofa e engraçada ao mesmo tempo. Tirou o celular do bolso e tirou uma foto, mas esqueceu de desligar o flash.
— Apaga, agora! — falou apontando onde ele deveria estar.
— Não.
— Terminei! — Lis gritou alegre com sua obra de arte, pegando um espelho para mostrar a “cliente”.
Para garota de cinco anos, estava bem feita e bem simples. Só o batom que estava terrivelmente borrado.
— Ficou muito bom, fiquei até com inveja. — recebeu um abraço da menina radiante.
Mas o sorriso dela não durou muito tempo.
— Tá horrível.
! — pegou uma almofada que estava no tapete e lançou em direção do rapaz, que agarrou. — Você precisa aprender o significado de sensibilidade.
— Você é que tá elogiando esse negócio na sua cara.
— Por isso que sou a babá e você é só irmão mais velho. — A garota observou a menininha se emburrar e encher os olhos de lágrimas. Sentiu seu coração partir. Puxou-a para seu colo, aconchegando-a. — Lis, meu amor, promete para mim que você nunca vai se importar com as críticas? Você é uma menina linda e maquia muito bem, só continuar treinando que assim vai chegar em um nível super alto. Não deixa ninguém te dizer o contrário, ok?
A menina concordou com a cabeça, enxugando as lágrimas com as mãozinhas pequenas.
— E você pode me maquiar sempre que você quiser, tá?
— Eba! — A menor passou os braços ao redor do pescoço da garota, abraçando-a. — Você a melhor babá do mundo!

ficou sem palavras para aquele momento, mas retribuiu o abraço. Era a segunda vez que estava cuidando daquelas crianças e já estava apegada, principalmente a mais nova que a seguia para todo lugar. O fato que dela ser a única entre os dois meninos, sempre pedia por mais atenção feminina, já que eles estavam ocupados demais para brincar de boneca com ela.

— Agora vai guardar tudo. — A babá esperou a menor sair e procurou o mais velho pela sala, que já estava sentado com o Julius. — Você é um babaca.
— Desculpa, sempre brinco assim, não achei que dessa vez ela ia ficar triste.
— Não é pra mim que você deve pedir desculpas. — observou a garota levar as mãos na cintura e encará-lo. Acho que ela ficava uma gracinha dessa maneira. — E já apagou a foto?
— Está na minha tela de bloqueio. — mostrou o celular e recebeu outra almofada.
— Você tem problemas!

[...]


podia jurar que estava vendo uma das cenas engraçadas da vida dela: estava sendo maquiado por sua irmã mais nova.
Essa foi a única forma de ele encontrou para se redimir com Lis.
Dando vez a babá para registrar o momento, mas certificou-se que o flash estava ligado de propósito, só para provocar.
— Ei! — Ouviu-o protestar.
— Está na minha tela de bloqueio.

No outro dia.


Naquela manhã, tinha acordado bem mais cedo do que de costume, tomou o café da manhã com o seu pai como dirá o acordo feito na manhã anterior. Hoje optou por saia e blazer quadriculados preto e branco, com uma blusa regata por dentro. Nos pés, vestiu uma bota preta até o joelho, iguais as da Ariana Grande.
Sr. fez questão de deixá-la no colégio.

Agora ela estava a caminho da sala da diretora.

— Sra. Ogden, queria falar comigo? — Disse assim que colocou a cabeça para dentro do cômodo.
— Sim, entre!
sentou-se na cadeira em frente à mesa da mulher e só aí percebeu que tinha mais uma pessoa no ambiente sentada na cadeira do lado. A garota usava óculos e tinha o cabelo preso, parecia aquelas nerds de filme clichê. Mas entendia de moda, pois vestia um macacão cinza com uma blusa amarela de manga longa por baixo, usava tênis com meião até o joelho. Ela era ruiva.
— Essa é a Briana Lowies, é a responsável pelo clube de artes do colégio. Como você estará organizando o baile de outono, achei interessante apresentá-las. Quero que fiquem em contato, para ajudar a montar o cenário e tudo mais.

As garotas se cumprimentaram. não se lembrava dela, talvez fosse novata.

Depois de receber algumas informações sobre quando e onde seria o baile, a diretora liberou ambas.

! — A mulher chamou a atenção antes que a menina saísse da sala. — Fiquei sabendo que você está sendo babá para conseguir uma carta de recomendação. Fico feliz em saber disso.
— Como… — A garota lembrou que a diretora e seu progenitor andavam conversando por ligações, o que a fez sorrir. — Obrigada, foi ideia do meu pai!

Ao sair da sala, deu de cara com Briana a esperando no meio do corredor.
— Você já tem alguma ideia para o baile?
— Não, mas tenho álgebra agora… A gente pode conversar no almoço? — Perguntou da forma mais simpática que conseguiu.
— Tudo bem.

[...]


estava sentada em uma das mesas ao ar livre com Lowies ao seu lado. Ela escrevia algumas coisas enquanto se deliciava com o pedaço de bolo, e sua companhia apenas comia um sanduíche e escutava as ideias, tentando incorporá-las.
— Como é outono, acho tem que predominar o laranja e o amarelo, e pensei em colocar aquelas lâmpadas de filamento de carbono na entrada sabe, as amarelas? Fazer tipo um corredor delas…
— Oi! — foi interrompida por uma voz conhecida, que sentou ao lado dela. A moça observou Briana desviar o olhar para a comida e estranhou a situação.
— Virou meu stalker, ? — Perguntou virando para ele. Por algum motivo naquele dia o rapaz estava diferente, o sorriso estava mais radiante e o cabelo meio bagunçado, deixando um pouquinho mais bonito.
— Só queria te agradecer por ontem, sabe, com minha irmã… — falou sem jeito e a mocinha achou graça.
— Não vacila muito com Lis, ela é a única menina da casa e sua mãe quase não está lá. Ela se sente sozinha às vezes.
— Agora ela tem você. — Ele sorriu mais ainda, fazendo a garota sorrir também.
— Eu sou só a babá, você que é o irmão mais velho.
O rapaz deu os ombros.
— Você quem manda. Mas eu tenho que ir, até mais tarde.

Quando o garoto saiu da mesa, voltou a atenção para a menina sem graça do seu lado, que encarava a comida de uma maneira estranha.
— O que foi isso?
— Nada. — Lowies respondeu ainda sem olhá-la.

Não bastou muito tempo para a lenha queimar dentro da cabeça de e ela entendesse o que estava acontecendo.

— Ai. Meu. Deus! Você gosta dele! — Disse animada.
— Fala baixo. — Briana repreendeu a outra. — Só o acho bonito…
— Que bonitinho, você gosta dele. — Apoiou o cotovelo na mesa e encarou a menina sorrindo, feliz com a descoberta. A ruiva estava tão vermelha que quase não dava pra identificar onde era cabelo e onde era pele.

Ficaram em silêncio por um tempo.

— Já sei! — gritou e bateu palmas, assustando a outra.
— Qual a ideia?
— A melhor de todas. — A menina estava super animada. — Vou juntar vocês dois, serei seu cupido.


Capítulo 5

Sr. tomou um susto quando entrou na cozinha. A garota estava toda suada e ofegante, mas dançava de acordo com a música que escutada. Ela retirou os fones assim que viu o mais velho a encarando e sorriu.
— Boa noite, pai.
— Boa noite, minha querida. De onde vem toda essa energia?
— Estava treinando vôlei. — dirigiu-se em direção a geladeira procurando algo para comer.
— E veio andando? — O mais velho perguntou curioso, erguendo a sobrancelha, mesmo que ela não estivesse o olhando.
— Sim, deu vontade. — A menina deu os ombros. — É bom para pensar, e estou precisando muito ultimamente por conta do baile. — Puxou um iogurte de dentro do eletrodoméstico e se sentou na cadeira em frente a qual o progenitor estava.
— Como anda os preparativos? Tudo certo?
— Ainda está tudo no papel, temos uma semana para decidir tudo e começar a providenciar.
— Ótimo! Qualquer coisa que precisar, só pedir, ok?
— Sim, senhor.
O som da campainha ecoou pela casa, deixando os dois em estado de alerta. Pai e filha se encararam como perguntassem “está esperando alguém?” um ao outro, mas logo entenderam que não. A mais nova correu para atender e quando abriu a porta ficou levemente confusa.
— O que você está fazendo aqui? — encarou a menina a sua frente de cima a baixo, ela tinha bolsa nas costas e travesseiro nos braços.
— Lembra quando a gente fazia noite do pijama na quinta e íamos juntas para o colégio na sexta? Resolvi relembrar esses momentos. — sorria abertamente. a estudou cuidadosamente e no final deu os ombros, tinha que ver onde isso ia dá.
— Entra. — Disse dando passagem.
— Boa noite, Sr. . — disse quando visualizou a figura masculina de braços cruzados encostado na parede que dividia a sala de entrada e a cozinha.
— Boa noite, . É muito bom revê-la.
— Igualmente.
A convidada subiu as escadas primeiro, enquanto encarou seu pai como se disse "está tudo bem" para o seu progenitor, que assentiu voltando para o cômodo que estava.

— Vou tomar banho. Quer pedir algo para comer enquanto isso? — anunciou assim que entrou no quarto, indo pegar o pijama no closet.
— Sushi ou pizza? — perguntou já pegando o celular e indo para um aplicativo de delivery
— Pizza! — As duas responderam juntas e riram, de longe massa sempre foi a comida favorita de ambas.

Quando saiu do banheiro depois de um banho extremamente pensativo e relaxante, encontrou a outra garota deitada na cama zapeando o catálogo da Netflix.
— Você assiste Dinastia? — perguntou quando viu que a séria estava em "continuar assistindo".
— Óbvio?! — Respondeu animada pulando na cama. — Como não assistir? Tipo, Fallon maravilhosa!
— Não é?! E o Adam? Ódio dele.
— Demais, vilão mais chato não tem…
As meninas engataram em uma conversa super animada e só foram parar quando Sr. anunciou que a pizza tinha chegado, carregaram a caixa e suco de laranja para o quarto.
— O que vamos assistir? — perguntou enquanto se deliciava com uma fatia de pepperoni.
— Não sei… Algum de terror?
— Hum… Vou perguntar ao meus seguidores algum. — A menina pegou o telefone, abrindo o Instagram e levantando em uma posição que pegasse bem tanto ela como , que comia sua fatia calmamente. — Amores, estamos aqui sem saber que filme de terror na netflix assistir, indicações? — Colou uma caixinha de respostas no stories e postou. — Vamos fazer um boomerang?
— Vamos. — As duas se arrumaram e imitaram o movimento colocando a pizza na boca, depois uma postou e a outra repostou logo em seguida.
— Como está a semana? — pegou mais um pedaço de pizza e sentando de uma maneira que conseguisse encarar a ex-melhor amiga sem precisar se contorcer.
— Cheia demais, mas matei a saudade daqui.
— Tem andado com quem? — Perguntou com vontade de cutucar um pouco a garota, esperando ansiosa pela resposta.
— Ninguém em específico, mas conheci a Briana Lowies.
— Eu vi você com ela ontem… — Deixou a frase morrer e entendeu que ela reprovava a atitude. Talvez fosse ciúmes, talvez fosse por algo que a menina fez e não a agradou, ou muito provável que fosse pura implicância.
— Ela tem me ajudado com algumas coisas. — não quis falar do baile, não antes da diretora anunciar para todos, sabia que teriam uma discussão e não estava preparada.
limitou-se a levantar os ombros, para baixá-los logo em seguida. Esperava que perguntasse o porquê, mas aparentemente não teria esse gostinho.
— Fiquei sabendo que você passou uma tarde com o Jake… — cutucou a menina na barriga, fazendo-a ri.
— Nada demais, só pra conversar, sabe? E você? Jogador de futebol? Sério?
— Nós duas temos que concordar que não sabemos resistir a atletas…
— Você quem está dizendo. — Elas riram.
— Mas o que não sai da minha cabeça é o . — se sentiu um pouco incomodada quando o nome dele foi citado, mesmo sem entender a razão. — Ele é tão quieto e elétrico ao mesmo tempo que fico encantada.
— Ih, tá apaixonada…
— Que nada! Mas dentre todos do colégio, ele é o único que você não pode ficar, tá ouvindo? Sou ciumenta. — empinou o nariz e logo baixou quando a outra riu. — ‘Bora assistir o filme logo, indicaram Obsessão Secreta.

Na manhã seguinte, tudo foi completamente diferente do resto da semana. As meninas passaram a manhã juntas e conversando sobre o colégio e suas mudanças, apresentou as duas meninas novatas que teria entrado para o grupo delas e poderia dizer que por um momento sentiu saudades, mas ao mesmo tempo sentiu-se enjoada. Não achava que se encaixada ali, entre as fofocas, estava com a mente vagando por aí, sentindo falta de alguém pelos corredores.

O Poison Lips não estava nada mais que agitado. Três postagens sobre elas, uma falando sobre a proximidade repentina e postagens do Instagram na noite anterior, outro sobre terem aparecido e permanecido juntas pela manhã, e a última era particularmente engraçada:

"Entenda os altos e baixos da amizade entre Queen e Queen em um thread;"


Os comentários eram diversos: muitos acham que tinha algo por trás, era fachada, fingimento, tudo que pudesse imaginar, outras apenas parabenizaram por "manter a amizade depois de tudo". E no final da manhã, só sentiu falta de uma pessoa.

Quando chegou na casa dos Fosters era umas quatro da tarde, a resposta para sua pergunta matinal veio com:
— Desculpa te ligar assim, o está até em casa, mas passou o dia com febre e indisposto, achei melhor uma ajuda.
— Tudo bem, sem problemas, gosto de cuidar das crianças. — Respondeu vendo Lis sorrindo atrás dela.

A primeira brincadeira do dia foi baseball, ou quase isso, Julius ficava de um lado do quintal jogando a bola para a irmã mais nova, que pegava e devolvia com uma jogada meio troncha, enquanto a babá estava sentada na grama observando cada momento das crianças. Tudo estava indo tudo bem, até a bola vim com um cálculo um pouco errado e bater na boca da menor. correu até ela, assim como o menino, para ver o estrago.
— Não tem sangue. — falou depois de conferir o lábio inferior e superior da menina, percebendo que o choro era mais drama que dor. — Acho melhor ligar para urgência, não acha, Julius?
— Acho. — Concordou entrando na brincadeira. A menor limitou-se a negar com a cabeça, ainda chorando.
— Acho que vou ligar 911. — Balançou a menina, que riu. — Vem, vamos pôr gelo. — Pegou-a no colo e andou em direção a cozinha, colocando-a em cima da bancada do meio.
Foi até a geladeira, pegou uma pedra de gelo e colocou dentro de um pano de prato, entregando a menina, que levou a boca.
— Me desculpa? — Julius perguntou de cabeça baixa e babá passou a mão pelos cabelos de índio, incentivando-o.
— É claro, seu bobo. — Lis respondeu e o menino sorriu.
No mesmo momento adentrou a cozinha devagar, falando com todos e indo direto para o armário, pegando uma panela e enchendo de água e colocando no fogão, depois pegou um sachê de chá.
— Por que não coloca no micro-ondas? — perguntou achando graça.
— Não sei. — Deu os ombros.
A garota deu a volta na bancada, indo até ele, empurrando-o levemente com os quadris e desligando o fogo.
— Sobe, eu faço para você.
— Não precisa.
— Precisa, não está em perfeitas condições para esse tipo de serviço.
— Obrigado. — Disse saindo da cozinha, mas parando no meio do caminho, olhando para os irmãos. — O que vocês aprontaram? — Cruzou os braços e ergueu uma das sobrancelhas, curioso.
— Foi um grande acidente. — Lis falou abafado por conta do pano.
— Grande quanto?
— Assim. — A menininha fez o tamanho com os dedos, e o rapaz riu.
— Como você é dramática. — Depositou um beijo na testa dela antes de sair do cômodo.
abriu o armário de cima e ficou em dúvida qual xícara pegar.
— Pega a do homem de ferro. — Julius falou e a babá o olhou. — É a preferida dele.
Ela concordou pegando-a, colocando água e logo em seguida no micro-ondas. Enquanto não terminava de esquentar, desceu a menor do balcão e acompanhou eles até a sala, colocando um desenho para assistir.
— Vão querer jantar o que?
— Pizza! — Julius gritou e Lis reprovou.
— Pipoca. — Ela disse e riu.
— Pipoca? — A menina concordou com a cabeça. — E o que tal um macarrão ao molho italiano feito por mim? Juro que é muito gostoso.
Eles concordam animados e ela riu.

O eletrônico apitou logo em seguida, a babá pegou a xícara com cuidado e colocou o sachê dentro, indo até a escada.
— Vou levar o chá do seu irmão, quer ir comigo, Lis?
— Eu não, não sou médica. — Falou inocente dando os ombros e arregalou os olhos surpresa com a resposta, mas preferiu não contestar.
Subiu as escadas devagar e quando chegou na porta do quarto deu algumas batidas de leve, esperando permissão.
— Entra.
estava sentado em sua escrivaninha escrevendo algo no caderno, tirou sua atenção para olhar a garota que entrava com um sorriso leve no rosto, que o fez sorrir também.
— Está aqui. — colocou a caneca em cima da mesa de estudo.
— Obrigada. — Agradeceu admirado com a escolha da caneca.
— Julius disse que era sua favorita. — Esclareceu a dúvida mental do rapaz, que sorriu mais ainda. — Se precisar de algo, só chamar. — Falou já saindo.
— Sabe… — Chamou atenção da moça antes que ela saísse, tenho êxito da ação. — Não precisa se preocupar comigo, sério.
— Não consigo não fazer isso, acho que faz parte de ser babá. — Ela disse e ele riu.
— Mas você é babá dos meus irmãos. — Ele lembrou.
— Sua mãe me chama para cuidar dos filhos dela, não especificou quem. — Piscou para , que riu mais uma vez.
Antes a menina saísse definitivamente, precisou achar mais alguma coisa para conversar, queria estender um pouco mais.
, você teve aula de literatura hoje?
— Tive sim, porque?
— Acho que estamos na mesma sala… Pode me passar o que o professor escreveu hoje?
— Claro, quer meu número? Pode me perturbar quando quiser.
passou o celular para a menina anotar.
Ele podia jurar que essa foi a pior técnica para conseguir o número de uma garota, era péssimo com isso, mas pelo menos deu certo.
Depois de digitar os números, pediu licença e saiu, descendo as escadas. Os menores ainda assistiam o desenho e ela apostou mentalmente consigo mesma por quanto tempo a paz reinaria entre eles. Foi fazer o macarrão, sem tirar o olho dos dois por cima da bancada que separava os dois cômodos.

O macarrão demorou um pouco para ficar pronto, mas ficou no ponto que a babá queria. Julius chamou o irmão mais velho enquanto a Lis ajudou a pôr a mesa, depois de sentados na mesa e devidamente servidos começaram a atacar o prato.
— Isso aqui é muito bom. — A menor disse quase como uma esfomeada de olhos arregalados, sem desviar do prato.
— Achei normal… — falou com uma maneira de alfinetar a moça.
— Você comeu duas vezes! — Julius rebateu. — 'Tá tão bom que vou até registrar. —Disse tirando o celular do bolso.
— Quem eu quero enganar, né? Está muito gostoso. — Se entregou, fazendo todos da mesa ri. — Aprendeu a receita na Europa?
— Aham, meu padrasto é italiano. Aprendi muitas receitas.
— Se me permitir, quero provar todas elas. — Ele soltou meio inocente, mas os irmãos mais novos soltaram um "hum" no meio da mesa, deixando-o sem graça.

Depois de repararem todo o molho do prato, era a hora de dormir, ficou com Lis e com Julius. Depois de dar banho no menino, a babá o deitou na cama e o embrulhou, sentando no tapete do lado logo em seguida.
— Boa noite.
, posso te perguntar uma coisa?
— Claro, meu bem.
— Por que você não namora meu irmão? — A garota ficou surpresa com a pergunta, sem saber como responder direito. Pensou que fosse normal ele pensar algo como isso, já que ela tinha um carinho por eles e tinha a mesma idade que .
— E porque eu namoraria com ele?
— Ele te acha bonita.
— Acha é?! — Perguntou rindo e o menino balançou a cabeça sorrindo envergonhado, como se tivesse acabado de revelar um segredo do estado. — Eu também o acho bonito. — Confessou. — Mas isso não é o suficiente para um relacionamento.
— Droga!
A babá riu da reação, não esperava.
— Agora vai dormir.

Quando a garota saiu do quarto de Julius ele já tinha adormecido, desceu as escadas com a intenção de lavar os pratos, mas o mais velho já fazia isso. Aproximou-se da pia, pegando um pano de prato e enxugando o que já tinha sido ensaboado.
— Eu tenho que dizer que ri demais com a thread da sua amizade com a . — soltou e a menina riu.
— Tenho que confessar que eu também, é muita besteira pra um assunto só.
— Mas fico feliz que vocês tenham que reatado a amizade.
— Não é bem assim, sabe? Tem certas coisas que se ela souber, dá briga na hora.
— Tipo o que? — A garota parou o que estava fazendo para olhar para . Contar sobre o baile estava fora de cogitação por enquanto, e o fato de se obcecada por ele não era novidade.
Deu os ombros.
— Acho que está aqui já é um estopim. — Eles riram.
— Eu gosto quando você está aqui. — Confessou baixo, mas o suficiente para que ela ouvisse e sorrisse de forma tímida.
— Por quê? — Parou o que estava fazendo para encará-lo, fez o mesmo.
— Acho que você me surpreendeu. — Ele disse sincero, estudando o rosto de cuidadosamente, como se quiser guardar cada detalhe da face.
— E porque isso? — Falou diminuindo o espaço entre os dois.
— Eu…
— Você é inacreditável às vezes! — Ouviram Sr. falar ao entrar na casa, interrompendo a conversa dos dois. Voltaram aos pratos devidamente calados e com incógnitas na mente. não sabia responder, por que chamava tanto sua atenção?

Flagrados! O irmão do nosso queridíssimo postou foto da janta juntamente com a nossa Queen … Talvez o menino tenha acabado de revelar que e estariam juntos? Às escondidas ainda mais? O que a nossa Queen acha disso?


Aguardo novas atualizações…
xoxo, P.L



Capítulo 6

acordou por volta das dez horas da manhã, passara a noite fazendo o que mais gosta: assistindo série. Dessa vez ela tinha trocado o drama da família Carrington por intrigas no Caribe, também conhecido como Black Sails.
Tomou seu café da manhã reforçado no lugar do almoço e passou o dia na sala de jogos, tentando fazer algumas missões no GTA. Por volta das quatro horas da tarde, o telefone tocou, trazendo um convite:
— Festa universitária? É sério, Jake?
— Vai ter muita gente legal, o time de futebol vai estar todo lá. E ainda vai ter uma galera da UCLA, você queria ir para lá, não queria?
— Sim, mas.... — Fez uma pausa para torcer os lábios e encarou a tela da tv. — Não sei se meu pai vai deixar.
— Prometo que nada vai dar errado.
— Não se promete coisas que não pode cumprir. Mas vou falar com ele.
Dito isso, desligou o celular e foi até o escritório do mais velho com mil e uma desculpas na cabeça de como conseguir convencê-lo a liberá-la, mas no final ouviu um: “Só tome cuidado”. Assim mesmo, sem muita relutância.
começou a se arrumar por volta das sete da noite, pois tinha combinado com nove da noite. Vestiu uma calça preta skinny, top tomara que caia preto e um casaco de lantejoulas prateadas, nos pés um superstar pretos da Adidas. Um look completo montado pelo Pinterest. Quando entrou no quarto do progenitor, o presenciou frustrado enquanto tentava fazer um nó da gravata.
— Não sei como você conseguiu sobreviver esse último ano sem mim. — Disse rindo aproximando-se dele.
— Também não sei. — Confessou derrotado pelo mísero pedaço de pano, deixando que ela ajeitasse. — Tem falado com sua mãe?
— Sim, pede-me para voltar todos os dias. — Disse finalizando o nó e olhando para ele. — Mas estou bem aqui.
— Muito bem, diria. Outra saída com Jake? — Ele perguntou com sobrancelha arqueada.
— Nada demais. E o senhor, um encontro?
— Uma reunião com três empresários. — Respondeu com cara de tédio, fazendo a garota ri. O mais velho pegou a carteira, entregando algumas notas para ela. — Caso precise pegar um taxi, por favor não entre dentro do carro com alguém bêbado. Estou te dando um voto de confiança. , não quero ter outra conversa daquelas com sua mãe.
— Entendido, pai, prometo que não vou decepcioná-lo.
— E essa noite você é Cinderela.
— Ah, não! Já são quase nove da noite. — Fez birra terminando com o bico, mas não funcionou.
— É meia-noite ou nada. — A menina revirou os olhos, mas sorriu depois. — Quanto foi que paguei nessa calça?
— Não lembro, por quê? — Perguntou olhando para o jeans preto que vestia.
— Esses dois buracos no joelho.
— É a moda.
— Não se faz adolescentes como antigamente. — Brincou e a menina riu, depositando um beijo na bochecha do pai.
— Vou indo!
— Meia-noite. — Foi a última coisa que ouviu quando saiu do quarto, descendo as escadas para esperar sua carona no saguão, em cinco minutos já estava dentro de um carro a caminho da festa.


A festa universitária se comportava como qualquer outra: jogos, bebidas, música e muita baixaria. Jake arrastou a garota pelo lugar até chegar em um grupo de pessoas que conversava em um canto, reconhecer alguns rostos do time de futebol do colégio e o resto fora a apresentados depois.
— Você bebe? — Uma menina da UCLA, que também responde por Antônia, perguntou depois de alguns poucos minutos de conversa.
— Depende, o que tem por aí?
— Vem comigo. — foi arrastada para o local que tinha os freezers, que foram abertos um por um. Optou por tomar Heineken, melhor que as bebidas mais fortes que a foram apresentadas.
As duas se encostaram em um balcão próximo para observar a festa de uma maneira mais ampla, rindo de muitas situações.
— Muita gente bêbada em um só lugar.
— Não pretendo ficar diferente. — A universitária levantou a garrafa que segurava, rindo da situação. — Se acabar frequentando as festas da UCLA vai perceber que ficar sóbrio é desafio, tem muitas brincadeiras para se embriagar.
— E eles forçam a beber? — a viu negar com a cabeça enquanto tomava um gole do líquido.
— A maioria das pessoas acabam querendo entrar na brincadeira. — Antônia deu os ombros e voltou a encarar a galera. — Vem, vamos dançar.

A garota foi arrastada mais uma vez pela mais velha, indo parar no meio da galera. Depois de algumas garrafas, não sabia mais o que fazer, tinha bebido bastante, dançado tanto que sentia suas pernas doer, participado do famoso beer pong e ainda jogado xadrez alcoólico, nunca tinha bebido tanto como naquela noite. O clima americano de festas era bem diferente do britânico e sua mãe nem era tão liberal assim, depois de tudo que aconteceu em Londres, a mulher ficou com pé atrás de liberar a garota para festas um tempo depois e, quando começou a tomar mais liberdade, quebrou a confiança de novo. Já seu pai sempre foi diferente. “Não posso dizer o que pode ou não pode fazer, apenas vou aconselhá-la da maneira que acho certo”, ele dizia. Por conta dessa pequena liberdade, a relação paterna sempre foi mais acolhedora que a materna e sentia-se muito mais à vontade para conversar com o progenitor, apesar de também ter passado dos limites com ele. Sentiu-se enjoada só de pensar que estaria quebrando a confiança dele mais uma vez.
Naquele momento, a lei da inércia falhou e precisou fechar os olhos para não ver o mundo girar, mesmo não adiantando, avisando que era a hora de parar com o álcool. Procurou um lugar mais próximo para se a apoiar rapidamente impedindo-a de cair, dando-se conta apenas quando estava sentada em um sofá tentando se recuperar.
. — Ouviu uma voz chamá-la, e deu conta da presença de pela primeira vez. — Está tudo bem? — A garota jurou que responderia aquela pergunta, mas não conseguiu. — Espere, vou pegar uma água.
Viu a silhueta do rapaz sumir em meio à multidão, voltando logo em seguida com uma garrafa na mão.
— Obrigada. — Agradeceu.
sentou no sofá, do lado dela, parando para analisar a festa e certificar que estava bem.
— O que está fazendo aqui? — Ela perguntou virando-se para ele.
— Jake que chamou. — Respondeu dando os braços. Lembrou-se que teria comentando em algum momento que o time estaria lá.
— Hum. — A menina parou para pensar um pouco, queria conversar mais. — Seu irmão disse que você me acha bonita.
Soltou do nada, como se o álcool a comandasse. O garoto apenas riu, negando com a cabeça.
— Que moleque dedo duro.
— Eu também te acho bonito. — Ela disse atraindo a atenção dele toda para si.
— Obrigado. — Agradeceu sorrindo e ela rezou aos céus para não olhar para os lábios dele.
Ficaram em silêncio por alguns segundos.
— No que está pensando? — perguntou, fazendo-o ri.
— O quão estranho é a Poison Lips seguir meu irmão mais novo.
— Verdade. — A menina fez cara de pensativa.
— Nunca quis saber quem administrava?
— Querer sim, ir atrás não. E depois de algumas coisas, só queria esquecer a existência daquele blog ridículo. — Respondeu dando os ombros e apenas concordou.
admirou o rapaz por um instante, aproximando-se ainda mais. Talvez fosse o álcool ou só usaria isso como desculpa para assumir que estava atraída por , de tantos caras no mundo, tinha que ser logo ele. Riu de si mesma e mordeu os lábios. Chegou um pouco mais perto para certificar se seria correspondida, tendo a certeza quando ele veio ao encontro dela também, mas antes de qualquer coisa, o celular da mesma apitou assustando-a. Faltavam 15 minutos para meia noite.
— Tenho que ir embora. — Falou rápido, levantando. O garoto acompanhou o movimento.
— Porque? Quer que eu vá com você?
— Regras paterna. Não precisa... — Falou passando o olhar pela multidão. — Preciso encontrar o Jake.
E assim ela foi, sem se despedir, entre as pessoas, deixando-o ali. Definitivamente uma cinderela.

A garota acordou desnorteada, encontrou um bilhete do lado da cama, junto com copo de água e comprimidos.

"Bom dia, bela adormecida. Espero que esteja bem. Em caso de ressaca tome os comprimidos, se não, só beba a água mesmo. Fui comprar nosso almoço, caso acorde depois que eu volte, não lerá esse bilhete. Te amo.

Your father¹"


A garota riu, hoje ela tinha trocado de reino? Levantou e certificou-se que não estava com ressaca, pelo menos dava para sobreviver. Foi tomar banho antes de descer, pois ainda estava com a roupa de ontem. Quando desceu, Sr. tinha acabado de chegar com a comida.
— Estou faminta. — Falou depois de pôr a mesa, preparada para atacar a comida.
— A festa foi boa? — O progenitor perguntou e viu a menina afirmar com a cabeça para não falar de boca cheia. — Então… Vamos receber visitas hoje.
— Quem? É sobre negócios?
— Na verdade, é comemoração e vem a família toda.
— Quem são?
— Os Fosters. — Disse simples e a garota o olhou desconfiada, como se tramasse algo.
— E porque o senhor está me dizendo isso só hoje? — O mais velho revirou os olhos.
— Porque decidi ontem à noite no jantar de negócios que estive. — Explicou. concordou dando os ombros.
Engataram em uma conversa sobre a festa e depois sobre a faculdade.
— Gostou mesmo do pessoal da UCLA?
— Gostei sim! Espero conseguir entrar…
— Vamos marcar para ir lá em algum feriado, pode ser?
— Fechado. Pai… — A garota chamou atenção do pai, que a olhou. — Vou dá uma volta de bicicleta agora a tarde, tem problema?
— Não, só tome cuidado e volte antes das oito. — Pontuou o horário do jantar antes de levantar da mesa. — E os pratos são seus.

riu levando tudo para pia logo em seguida. Depois de deixar tudo brilhando, colocou uma calça de malhar, uma blusa e um moletom fechado, tirou a bicicleta antiga dos fundos da área do lazer e saiu para dar uma volta pela cidade.
Seguiu até a costa, para ver o mar, sentindo a brisa gelada bater no rosto, nos fones Chase Atlantic tocava enquanto ela cantarolava. Aproveitou o momento para pensar um pouco na semana louca que teve: teria reatado a amizade com a , mas ela tinha a bloqueado depois do post do Poison Lips e sabia que no dia seguinte ia enfrentar um grande problema; Tinha assumido o baile de outono, que ela tinha alguns planos em mente, mas preferia deixar tudo para segunda-feira; Jake provou que continuava uma pessoa que ela podia confiar e que estaria ali sempre para ajudá-la e , bom, não sabia bem o que pensar sobre ele ainda. E tinha seu pai, que estava mais próximo que nunca e agradeceu aos céus por ele não ter discutido com ele sobre a bebedeira da noite passada.

Parou de pedalar quando chegou perto do píer, descendo da bicicleta e parando para admirar as ondas do mar. Londres não era uma cidade litorânea, então teve muito pouco contato com o mar nesses dois últimos anos. O celular da mocinha vibrou, fazendo-a tirar o eletrônico de dentro do casaco. Deu risada sozinha quando leu a mensagem.


Acabei de ser informado que terei que jantar na sua casa
Me diz que não é seu funeral? 😝

Ainda não hahaha


Que bom, fico feliz que esteja a salvo!

Obrigada.


A garota devolveu o celular ao bolso ainda rindo, montando na bicicleta e refazendo o percurso voltando para casa.

O jantar correu muito bem, depois de devidamente satisfeitos com a comida, , e as crianças foram para a sala de jogos. Os meninos começaram a jogar Mario Kart enquanto ficou assistindo com Lis deitada com a cabeça no colo, já que a menina estava sonolenta.
— Sou muito ruim, sem condições. — disse quando apareceu a palavra derrota apareceu pela terceira vez na tela.
— Perdeu! — Julius fez uma dancinha da vitória e depois mostrou a língua para o mais velho, que olho para rindo.
— Está vendo o que tenho que aturar todos os dias? — A garota negou achando toda a situação engraçada. — Lis dormiu.
— Vou pôr ela no meu quarto. — ajeitou-se no sofá arrumando uma forma de levantar com a menor no colo.
— Deixa que te ajudo. — falou pegando a menina com cuidado para não acordar e seguiu a dona da casa.
Subiram as escadas e entraram no cômodo que ficava na segunda porta à direita do corredor, deitou a irmã na cama e parou para estudar cada detalhe do quarto enquanto cobria a menina. Tinha alguns porta-retratos espalhados e um particularmente o chamou atenção, era e pequenas fantasiadas de algo que ele não sabia identificar.
— Os homens preferem loiras. — Ouviu a menina dizer, fazendo-o encará-la confuso. — É um filme com a Marilyn Monroe, nossas mães eram muito fãs. — Explicou a fantasia.

encostou-se na bancada, virando para ela com os braços cruzados.

— Nem acredito que vocês são ou eram amigas. — Confessou.

aproximou-se do rapaz calmamente, como se duvidasse do que estava fazendo.

— Tenho que admitir que às vezes me pergunto como ficamos tão próximas, mas parando para analisar, somos iguais e nos identificamos. — Ela disse já próxima o suficiente dele. Desde o quase beijo na festa da noite passada, ela não para de pensar o quanto desejava que aquilo realmente acontecesse.
— Não concordo que são iguais. — apoiou os braços na bancada, encarando a garota já mais próxima, extremamente ansioso para o que poderia acontecer.
— Por quê? — soprou, atraindo do garoto para seus lábios.
— Vocês têm personalidades diferentes. — Ele deus os ombros.
tinha certeza que a vontade de beijar um rapaz naquele momento era extrema, mas perguntou a si mesma se realmente valia a pena entrar em uma guerra contra a por conta de um garoto que ela conheceu a uma semana. Certamente não valia. Ou talvez sim? Na dúvida, preferiu adiar esse momento, afastando-se dele e desviando o olhar para outro lugar. O telefone de ambos apitou, tirando a atenção deles do momento. pegou o celular para atender uma ligação.
— Fala, bro! — parou para ler mensagem que recebeu enquanto escutava a conversa. — Ei, cara, calma! O que está acontecendo?... Que? Isso é loucura… Espera, onde você está?... Estou indo para aí.
— Era o Jake? — A garota perguntou assustada.
— Sim, como…?
Ela entregou o celular.

"Acabei de receber a notícia que foi expulso de casa por estar, supostamente, usando drogas. Alguém pode me confirmar? Aguardo informações.

xoxo, P.L"





Continua...



Nota da autora: Depois de muito tempo, decidi que precisava reescrever a história antes de enviar outros capítulos, porque tinha deixando passar muita coisa. Comecei a escrever essa fanfic em 2018 e quando olhava para ela agora em 2020, não conseguia sentir o feeling da história. Então, perdão pela demora e agora sim, Poison Lips está da maneira que quero. Os próximos capítulos já estão por vim, agradeço a todo mundo que se manteve por aqui e bem-vindos aqueles que acabaram de chegar <3
xoxo,





Outras Fanfics:
Longs:
Miss World [Outros/Em Andamento]

Shorts:
La Finale [Futebol/Finalizada]
Casal Hollywood [Atores/Finalizada]
The New Boss [Outros/Finalizada]
Cartas para Você [Outros/Finalizada]

Ficstape:
02. I'll Show You [Purpose/Finalizada]
03. Inalcanzable [RBD/Finalizada]
05. I Could Say [It's Not Me, It's You/Finalizada]


Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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