Última atualização: 23/09/2021

Avisos Importantes

Olá!
Sejam bem-vindos à Racing for Love!
Antes de começarmos, preciso deixar algumas informações importantes para que a história faça mais sentido:
▪️ Essa fanfic retratará a temporada de 2020 da Fórmula 1 sem o corona vírus, então, cronologicamente, ela seguirá o calendário divulgado pela FIA antes da pandemia começar. As corridas serão devidamente identificadas no começo de cada capítulo/narrativa;
▪️ A equipe em que a personagem principal trabalha (Rennen Racing) existe no lugar da AlphaTauri, para que fossem 10 equipes e 20 pilotos;
▪️ Mesmo se passando na temporada de 2020, os pilotos de cada equipe não coincidem com a realidade, pois dois deles estão na Rennen Racing e então remanejamos os demais. Essas são as escuderias e os pilotos de cada uma delas:

EQUIPES: PILOTOS:
Rennen Racing Max Verstappen e Sebastian Vettel
Mercedes Lewis Hamilton e Valtteri Bottas
Red Bull Racing Pierre Gasly e Alex Albon
Ferrari Charles Leclerc e Carlos Sainz
McLaren Daniel Ricciardo e Lando Norris
Racing Point Lance Stroll e Sergio Pérez
Renault Esteban Ocon e Daniil Kvyat
Alfa Romeo Kimi Räikkönen e Antonio Giovinazzi
Williams George Russell e Nicholas Latifi
Haas Romain Grosjean e Kevin Magnussen

▪️ A narrativa será focada principalmente na personagem principal, em alguns momentos podendo focar em Charles Leclerc e excepcionalmente em Max Verstappen;
▪️ Espero que gostem! ❤



Prólogo

Dezembro, 2019

“Jos sofreu um AVC, .”

Durante todo o trajeto até o hospital, a voz de Rosaleen ecoava em sua mente como havia sido na ligação telefônica. Rosie tinha o levado para a emergência logo que percebeu algo de errado, e após ser admitido, a social media da Rennen Racing tinha ligado para .
— Ainda nada? — perguntou, apreensiva ao ver a melhor amiga sentada na sala de espera.
— Ainda não. — As duas se abraçaram. — Você falou com o Max?
— Falei, ele ia tentar um voo para hoje ainda, mas é provável que só venha amanhã. E não consegui falar com Sophie, Max acha que ela ia passar o final de semana na casa de campo com alguma amiga. — A mais velha assentiu. — O que aconteceu?
— Nós estávamos juntando as coisas na sala de reunião e ele reclamou que sentiu um formigamento estranho no rosto e uma dor de cabeça muito forte e quando tentou levantar ele perdeu o equilíbrio. Eu me lembrei de ter lido sobre e achei que o traria mais rápido do que uma ambulância.
— Imagino que sim. Obrigada. — Rosie balançou a cabeça, mostrando que não era nada demais e estava prestes a pegar um copo d’água quando uma médica apareceu na sala de espera.
— Acompanhante de Jos Verstappen. — Anunciou, olhando a prancheta em sua mão.
— Como ele está? — se aproximou da médica.
— Está relativamente bem. Foi realmente um acidente vascular cerebral isquêmico, confirmamos com a tomografia computadorizada. A artéria foi obstruída, impedindo a passagem de oxigênio. Nós fizemos o exame clínico e o exame neurológico mais completo. Ele já foi medicado, o tratamento dele vai ser medicamentoso.
— E ele precisa ficar aqui quanto tempo?
— Pelo menos uma semana. Precisamos ver o processo de recuperação e principalmente descobrir a causa do AVC.
— Ele está acordado? Nós podemos vê-lo?
— Sim, ele está acordado, mas está na UTI e deverá ficar até amanhã. Uma de vocês pode vê-lo por alguns minutos, pois o horário de visita já se encerrou. Mas não é permitido acompanhante. — As duas assentiram.
— Pode ir, . É o seu pai.
— Tem certeza?
— Claro. Eu vou para casa tomar um banho e se você decidir ficar aqui eu trago algo para você comer mais tarde. — assentiu e abraçou a amiga novamente.
— Obrigada.

desligou o celular e fez a higienização, seguindo para o leito de seu pai em seguida. Ele estava com os olhos fechados e ao parar em frente à sua cama ela se viu em um déjà vu com os papéis invertidos. Agora era Jos quem estava na cama de hospital e ela o olhava, desejando com todas as suas forças que ele se recuperasse completamente.

🏎️🏁

Uma semana depois Jos havia recebido alta do hospital e receberia todos os cuidados médicos em casa. Mesmo sem sequelas permanentes, precisaria de tratamento com fisioterapeuta e fonoaudiólogo e com a causa sendo hipertensão, os médicos o proibiram de se colocar em situações estressantes. Sophie fez questão que esse pedido fosse cumprido, afastando o marido das funções de chefe de equipe e CEO da Rennen Racing.
Neste mesmo dia o advogado da RR convocou para uma reunião, e ela poderia esperar de tudo, menos que aquele papel fosse colocado em suas mãos. Era um documento, datado de meses antes e assinado por Jos, dizendo que na falta dele, a filha deveria assumir os cargos dele na equipe. Ela poderia não ocupar os cargos permanentemente caso fosse sua vontade, mas precisaria assumir até a nova contratação.
Ao deixar a sala do advogado, se sentia perdida e sem a menor ideia de como lidar com aquilo. Mesmo acompanhando e sendo braço direito de seu pai por três anos, sentia que não estava suficientemente preparada para assumir nenhuma das funções e sua vontade era conversar com ele, mas não queria correr o risco de estressá-lo, além de não se sentir muito à vontade na casa deles sem a presença do irmão.

🏎️🏁

Janeiro, 2020

tinha voltado das festas de fim de ano que passara na casa de sua mãe em Londres no dia dois. Antes da viagem tinha contado para Rosaleen e para Max, sondando se algum deles sabia da existência daquele documento, e a resposta de ambos foi não, mas nenhum deles tinha achado absurdo ou problemático como ela achava.
Max estava jogando videogame quando ela entrou no apartamento, e estava tão concentrado que não a notou parada ao lado do sofá. Ele tinha pedido para dividir o lugar com ela há um ano, alegando que era muito difícil morar com os pais depois de estar morando sozinho em Mônaco e que não fazia sentido ele ter um lugar só para ele, pois não passava tanto tempo assim em Amsterdã.
— Que susto, ! Quando você chegou? E por que não falou nada? — Pausou o jogo e a encarou.
— Cheguei a pouco tempo, ia falar oi, mas fiquei aqui dando graças ao universo por você ser um bom piloto, porque se dependesse de futebol… — Sentou-se ao lado dele no sofá.
— Não sei do que você está falando, eu tenho um ótimo desempenho na corrida e no FIFA. — Se gabou.
— Seu desempenho é no máximo mediano no FIFA, aceite. — Cruzou as pernas em cima do sofá e recebeu o controle que ele entregou para ela.
— Nos seus sonhos. — A provocou enquanto escolhia seu time preferido para jogar.
— PSV. Que previsível. — Desdenhou.
— Falou a que só joga com o Chelsea. — Se defendeu.
— Claramente o melhor dos dois. Anda, vamos logo. — Max iniciou a partida e nos primeiros instantes nenhum dos dois falou nada.
— Como foi a viagem? — Puxou assunto, tentando desconcentrá-la, pois ela estava jogando melhor do que ele.
— Foi legal. A pessoa mais normal de lá continua sendo meu padrasto. Meu irmão inventou que quer correr de kart e minha mãe surtou. Você sabe o que ela pensa sobre corridas.
— Achou que tinha se livrado desse pesadelo. — Max riu. — Você é uma péssima influência mesmo.
— Sou tão péssima influência que seu pai me colocou para ser sua chefe. — O provocou e marcou um gol em seguida.
— Droga! — Acertou a mão com força no sofá. — Você aceitou assumir os cargos então?
— Não exatamente. Tenho até o final dessa semana para passar a resposta definitiva para o RH.
— O que exatamente você está esperando? — Tentou um contra-ataque, mas o goleiro defendeu.
— O seu pai melhorar e voltar para o cargo que é dele a tempo da pré-temporada.
, você sabe que os médicos já descartaram essa possibilidade. Pelo menos pelos próximos meses ele não pode, minha mãe não vai deixar, nem que tenha que amarrar ele na cama. — Ela riu fraco. — É sério, . Você é a melhor opção e meu pai confiou nisso. Seu pai confiou nisso. Esse documento estava feito sabe-se lá há quanto tempo, porque ele não planejou ter um AVC.
— Eu só não entendo o porquê. — Insistiu.
— Porque você conhece Jos Verstappen e ele jamais correria o risco de deixar a Rennen Racing nas mãos de alguém que ele não confia. E nem adianta me olhar porque não existe a menor possibilidade no mundo de eu parar de correr para administrar a equipe.
— Eu sei, nem faria isso com você. — marcou um gol. — Mas isso eu faço com gosto. — Max mostrou o dedo do meio para ela.
— Você falou com a Rosie ou com a sua mãe? Elas devem ter algum conselho para te dar, se é o que você procura. — Ele não entendia o problema que a irmã estava vendo em assumir o cargo. — Mesmo achando que no fundo você já sabe que quer.
— Eu falei com a minha mãe, mas o único conselho dela foi que eu devo ouvir e fazer o que meu coração mandar. — E então Max explodiu numa gargalhada.
— Esse é um conselho que eu nunca ouvi na vida.
— É claro, todo mundo sabe que você não tem um coração. O que te move é o ódio. — Ele deu uma risada forçada e irônica.
A partida acabou e ele não iniciou a revanche, virou-se de frente para ela.
— O que está te impedindo de ocupar os cargos? — Ela suspirou.
— A possibilidade de tudo dar errado, Max. E dar errado nas minhas mãos. A Rennen fez uma temporada excelente em 2019, terminamos em segundo com uma diferença baixa em relação à Mercedes e esse ano todos estão de olho em nós. Ainda mais com um piloto novo na equipe, tudo é muito promissor e eu não posso correr o risco de estragar tudo isso. E não sei se conseguiria lidar com toda a responsabilidade e com tudo que a mídia falar.
— Tem horas que você é meio lesadinha, né? — abriu a boca em espanto, estava abrindo o coração para o irmão, coisa que não fazia com facilidade. — Fala sério, ! Você é uma piloto foda, você fez seu carro voar num acidente louco, teve que fazer uma cirurgia na coluna com mil riscos e saiu sem nenhuma sequela. Você está acompanhando o pai há o quê? Três anos? — Chutou e ela confirmou com a cabeça. — Você foi a sombra dele lá todo esse tempo, você é a única que está perto de entender a cabeça do velho. Eu não sei o que falta alguém falar para te convencer disso.
— Acho que é isso! — se levantou de uma vez.
— É isso o quê? E pode se sentar aí que eu quero revanche.
— Eu preciso conversar com meu pai. Avise a sua mãe que eu vou para o jantar com você.

🏎️🏁

Naquela segunda-feira entrara pela porta da Rennen como uma nova pessoa. Ter conversado com seu pai sobre ocupar as posições que eram dele a ajudou a aceitar que estava realmente preparada para assumir o desafio. Saber os motivos dele para aquela decisão a deixara mais tranquila e tinha sido um peso fora de seus ombros, principalmente quando disse que poderia continuar ajudando e aconselhando quando ela precisasse, desde que Max e Sophie não soubessem.
Mesmo assim, decidiu fazer um drama para a melhor amiga, alegando que ainda não tinha se decidido sobre assumir o cargo e todas as lamentações possíveis que pudessem ser acrescentadas no que pareceria a maior indecisão da vida dela, mas quando Rosie ameaçou postar uma foto horrível com uma legenda que a chamava de Verstafilha nas redes sociais da equipe foi que ela se deu por vencida, parou com o drama e foi para o RH, assinando e regularizando tudo o que precisava para aquela nova etapa.
A notícia não demorou a se espalhar, pois Rosaleen realmente postou em todos os lugares sobre a nova direção da Rennen Racing e ao final daquele dia convocou os empregados que estavam na sede para se reunirem na área principal.
Anunciara a eles pessoalmente que era oficialmente a nova chefe de equipe e CEO, mas que essa era uma mudança que não impactaria em nada o trabalho que todos estavam desenvolvendo, pois de maneira geral continuariam seguindo o planejamento de Jos. Com exceção de um novo piloto na equipe, todos manteriam suas funções e deveriam continuar se melhorando sempre para que atingissem o objetivo de serem campeões da temporada 2020.
A forma como todos a apoiaram naquele momento e todas as palavras que havia recebido das pessoas que ela conhecia e trabalhava nos últimos anos só a deixou mais confiante e ela podia sentir que aquele ano seria bastante especial.
Com o final do expediente, os funcionários se dispersaram sem demora. pretendia apenas buscar suas coisas em sua sala, mas encontrar Max de macacão e com capacete em mãos no corredor chamou sua atenção.
— Onde está indo? — Perguntou, andando ao seu lado.
— Pegar minhas coisas na sala.
— Está indo para o lado errado.
— Claro que não. — E então Rosie abriu a porta da sala que agora tinha seu nome na porta onde antes ficava o nome de seu pai.
— Bem-vinda à sua nova sala, chefe. — Rosie abriu os braços como se apresentasse o lugar, mas não havia praticamente nada de diferente, a não ser por alguns enfeites trazidos por Rosie.
— Vocês são rápidos. — Sorriu para os dois. — Muito obrigada mesmo! Ter o apoio de vocês é muito importante para mim. — Puxou os dois para um abraço e Max apertou a bochecha dela. — Agora quer me explicar por que você está aqui hoje e com esse macacão? — Deu um tapa, tirando a mão dele de seu rosto.
— É uma surpresa. — Rosie disse enquanto entregava uma caixa para ela.
— Mas a ideia foi minha. — Max acrescentou e olhou de um para o outro com desconfiança.
— Uma surpresa de vocês dois juntos? — Ambos assentiram. — Devo me preocupar?
— Ah, anda logo! — O mais novo reclamou e ela abriu a caixa, encontrando um macacão de piloto da Rennen, verde com azul, exatamente como o do Max.
Ficou sem palavras por alguns instantes, estava emocionada pelo ato dos dois.
— Se o plano era me fazer chorar, vocês quase conseguiram. — Disse com a voz levemente alterada e Rosie a abraçou de lado.
— Não seja tão mole, irmãzinha. Vista logo que eu estou ansioso para correr contra você.
— Como é?
— Não achou que estava ganhando a roupa de enfeite, não é mesmo? — Seu tom de obviedade estava presente.
— Achei sim, um lindo gesto me fazendo sentir ainda mais parte da equipe e me fazendo lembrar dos anos de corrida.
— Não era na-
— Era exatamente isso! — Rosie cortou o Verstappen caçula. — Mas não só isso.
— É… — Max tentou consertar. — Digo, é para lembrar de quando corria, só que correndo.
— O quê? Agora?
— Mas é claro! Os carros já estão nos esperando!
— Por quê? — estava feliz e teria aceitado na primeira oferta, mas adorava fazer o irmão explicar e demonstrar um pouco mais os sentimentos por ela.
— Porque eu sou brilhante e tive a ideia do século. — Se gabou. — Conta para ela, Rosie.
— Menos, Max. Bem menos. — Ele rolou os olhos. — Você ama correr, correr sempre te deixou em êxtase e qual outra equipe tem um chefe de equipe que ainda consegue pilotar super bem? Não tem forma melhor de divulgar nossa nova chefe e o comprometimento dela com a RR do que um post dela com nosso uniforme e correndo com nosso carro.
— Como eu disse, uma ideia genial. Agora anda logo. — Pediu impaciente e assentiu, pegando a caixa e indo se trocar.



Capítulo Um

Janeiro, 2020

estava sozinha no quarto do hotel desde que Rosie havia ido para o próprio quarto se arrumar para a festa de abertura da temporada 2020, coisa que ela também deveria estar fazendo, mas estava parada, olhando fixamente a chuva que caia em Londres naquele dia pela janela. Definitivamente a próxima festa seria em Amsterdã e não seria em plena terça-feira chuvosa.
Estava aliviada por Rosaleen ter reconsiderado o convite dela para ser sua acompanhante na festa, já que Max estava fazendo questão de ignorá-la ao máximo desde que ficara sabendo que tinha perdido o lugar de primeiro piloto da equipe para Sebastian Vettel. ainda conseguia repetir a cena em sua mente, Max entrando furioso no escritório, abrindo a porta com tudo, fazendo um estrondo quando ela se chocou com a parede e questionando com toda a sua incredulidade o fato de não ser mais o principal. não pretendia ofendê-lo com essa atitude, mas Vettel era um tetra-campeão e o irmão ainda não tinha ganhado nenhuma temporada. No entanto, ele não quis ouvir nenhum argumento. Saiu da sala da mesma forma que havia entrado e tinha a evitado desde então.
Marcar presença na festa era essencial. Não era uma festa grande, já que os convidados eram apenas os pilotos, os chefes de equipe, respectivos acompanhantes e investidores. Mas justamente por ser tão restrita, nunca havia ido, mesmo trabalhando na Rennen Racing nos últimos anos. A RR estivera presente ano após ano e em 2020 não seria diferente, estariam presentes no Fountain Studios, no evento sediado pela Mercedes, a campeã da temporada anterior.
considerava que essa festa seria um termômetro do que ela podia esperar da temporada, das opiniões alheias sobre ela à frente da equipe. Da parte dos jornalistas e da mídia em geral, o pontapé havia sido dado no dia que Rosie atualizou as redes sociais mostrando para o público os novos carros, verde e azul escuro. Pelas fotos souberam que Max era quem pilotaria o segundo carro e artigos tanto a condenando quanto a parabenizando rodaram durante uma semana.

Rosie e se encontraram no lobby do hotel duas horas depois e o carro pedido pela mais velha já as esperava. O combinado era ir junto com Max, mas por pura pirraça ele tinha decidido ir antes delas e sozinho. E apesar de ter ficado chateada, resolveu relevar o acontecido. Seu objetivo naquela noite era passar segurança aos investidores e manter o espírito de liderança perante as outras equipes.
Antes mesmo de saírem do carro, perceberam que não poderiam escapar dos fotógrafos na entrada, ainda mais quando um deles chamou pelo nome completo. Depois de alguns flashes e com a chegada de outras pessoas, elas entraram no local. Sem demora, avistaram a mesa reservada para a RR, mas avisou que passaria no banheiro antes. Queria se certificar que o visual ainda estava impecável, da mesma forma que estava quando ela saiu do quarto.
Satisfeita com o que via no espelho, voltou a andar pelo salão. Viu que Sebastian e Hanna já estavam na mesa da equipe e conversavam com Rosie e Max e teria chegado até eles caso não tivesse sido chamada por Christian.
Verstappen!
— Christian Horner! — Ela devolveu com um sorriso e se cumprimentaram.
— Minha esposa, Geri. — A apresentou e a cumprimentou em seguida.
— Como se ela precisasse de apresentações, Horner. — Brincou. — Uma ex-Spice Girl nunca precisaria ser apresentada.
— Tem razão. — Assentiu. — Então, chefe de equipe, hein? — O sorriso no rosto de se alargou. — Logo agora que eu estava tão próximo de te trazer para a RBR.
— Espero que não esteja insinuando que meu pai sofreu um AVC apenas para não me ver em outra equipe. — Lançou um falso olhar alarmado na direção dele. — Ou foi você quem causou o AVC falando isso para ele?
— Claro que não! Você é talentosa, não precisava viver na sombra dele.
— Obrigada, Chris. Mas eu também não viveria na sua. — Alfinetou. — E em todo caso, eu não aceitaria sair de lá a não ser que eu pudesse voltar a correr. — Ele ergueu as mãos, dando-se por vencido.
— E como seu pai está? — Horner pegou duas taças de champanhe, entregou uma à esposa e outra a e pegou uma terceira para ele. Brindaram antes que ela respondesse.
— Está bem, recebendo todos os cuidados, mas você sabe como são os Verstappen, não é mesmo? É nossa especialidade sobreviver aos acidentes. — Ele deu uma gargalhada.
— Não vou mais atrapalhar a sua noite. — Fez um sinal para que ela fosse se divertir. — Aproveite que é por conta da Mercedes, porque ano que vem vai ser por nossa conta. — Contou vantagem e voltou a sorrir abertamente.
— Ouvi dizer que tem outra equipe muito boa competindo de igual para igual, que inclusive ficou em segundo lugar no ano passado. Talvez você se surpreenda. — E com um aceno para o casal ela os deixou.
— Achei que ia precisar de resgate pela demora, mas você já está é bebendo sem mim. — Rosie falou, parando a amiga antes que ela se sentasse. — Então vamos nos servir para eu poder beber também.

Demoraram mais do que seria necessário na opinião de , e a culpada era Rosie que queria experimentar todas as opções veganas servidas. Quando finalmente terminou de se servir, Vettel e Hanna tinham começado e acharam melhor esperar por eles para voltarem à mesa da equipe.
Beberam, comeram e conversaram bastante. Sebastian tinha um conhecimento enorme sobre a Fórmula 1 e tinha ótimas histórias sobre alguns pilotos. Hanna se divertia bastante com o marido, mas não deixou de contar algumas histórias dele que as fizeram rir e ao mesmo tempo admirá-lo ainda mais.
— Alguém já não está mais tão sóbrio assim. — Vettel riu ao ver Max e Daniel dançando desajeitados na pista de dança. Tinha mais de uma hora que não via o irmão.
— Ainda bem, ele bêbado é bem mais fácil de lidar. — desabafou.
— Ele ainda está chateado com a troca? — Ela assentiu. —
— Não, Seb. Eu não vou voltar atrás nessa decisão. — Falou, decidida. — Max precisa aprender que o mundo não gira porque ele existe, ache ruim o quanto quiser.
— Ter você na equipe era nosso sonho. — Rosie entrou no assunto e os três na mesa perceberam que o álcool já tinha a deixado alegre. — Com todo o respeito. — Acrescentou.
— Eu entendo, era meu sonho também. — Piscou para as mais novas que soltaram “awn” em coro. — Querido, vamos dançar? — Hanna pediu e os dois foram para a pista de dança, que estava cada vez mais cheia e engraçada de ver.
Rosie reclamou que estava cansada de ficar sentada e as duas deram uma volta pelo local. Enquanto se servia, a acompanhava olhando as pessoas que ela não conhecia e que deveriam ser investidores. Percebeu alguns olhares em sua direção, mas estava tranquila com a sua aparição naquela noite.

— Todo mundo fala mal de vegano, mas nossa comida é sempre a primeira que acaba nas festas! — Rosie reclamou, atraindo a atenção de .
— No caso, quem comeu a última coisa foi o outro vegano, então a culpa é dele. — implicou.
— E daí?
— E daí que ele comer o último brócolis não faz dele um criminoso. Ele está apenas se alimentando também, porque só come isso.
— Ele comeu os meus brócolis! — Ela reclamou, enfática.
— Vem comigo.
— Para onde?
— Só vem. — repetiu e seguiu puxando-a em direção à mesa da Mercedes.
Se ela estava com vontade de reclamar, nada melhor que ela reclamasse para o outro vegano, afinal era a equipe que falhou em organizar a comida vegana da festa.
— Oi, Lewis. — o cumprimentou.
— Oi. — Respondeu com seu sorriso simpático.
— Minha amiga está aqui brava, porque você comeu a última coisa vegana do cardápio e agora ela está com fome. — Falou num tom divertido e ele riu.
— Não sabia que tinha mais gente vegana no evento. — Ele começou a puxar assunto.
sentia que alguém a observava e essa sensação a fez se desligar do diálogo entre Rosie e Lewis. Não precisou muito para encontrar a encarando fixamente. Ele não estava sorrindo e ela se atreveria a dizer que ele a olhava com certa tristeza, talvez arrependimento. Ela também estava séria. Piscou algumas vezes a fim de quebrar o contato visual entre os dois e exatamente naquele momento Gasly surgiu em sua frente.
— Ficou famosa demais para se lembrar dos amigos, mon coeu¹r? — Brincou e recebeu um abraço apertado de .
— Jamais! Eu nunca me esqueceria de você, Bunny²! — Usou o apelido que tinha escolhido para ele anos atrás. — Eu senti sua falta! — Confessou ainda sem se soltar do abraço.
— Nos vimos no aniversário do Max, . Não tem tanto tempo assim.
— Foi em setembro, para mim é tempo demais. — Ele riu do exagero dela. Quando estavam juntos era como se estivessem de volta na Fórmula 3, sem a metade das preocupações que tinham atualmente.
— Como está sendo essa nova fase? — Perguntou enquanto a guiava para fora para que pudessem conversar melhor.
— Uma mistura de todos os sentimentos que você possa imaginar. — Sentaram-se num banco comprido, lado a lado. — Ao mesmo tempo que é maravilhoso, é assustador. E a todo o tempo eu espero que alguém jogue na minha cara que estou fazendo algo errado, mas até agora parece que está tudo sob controle.
— Mas você está feliz. — Não era uma pergunta, mas assentiu mesmo assim.
— Estaria mais feliz se a Rennen pudesse ter três pilotos. Te levaria comigo sem pensar duas vezes. A Red Bull não te merece.
— Eu estou feliz lá, . Aquela fase ficou para trás, pode acreditar. — Assegurou e ela deitou a cabeça em seu ombro.
— Sabe, Bunny²… Eu não imaginava que poderia me sentir tão realizada com algo que não fosse correr. Esses últimos dez dias foram puxados, mas foram muito bons.
— Estou feliz por você, mon coeur¹. De verdade. — Depositou um beijo no topo da cabeça dela.
— Obrigada.
— O que é que está rolando entre você e o ? — Questionou ao ver o amigo seguindo na direção deles e dando meia volta em seguida.
— Como assim? — Se fez de desentendida.
— Aquele olhar entre vocês lá dentro… — se desencostou e ajeitou sua postura, olhando-o de frente.
— Eu não estava olhando para ele, só estava procurando alguém para conversar enquanto deixei os veganos se entenderem. — Se explicou.
— Então não teria nada a ver com o fato de vocês ficarem antigamente?
— O quê? Ele te contou? — Sua voz saiu mais alarmada do que pretendia e ele começou a rir.
— Não. — Balançou a cabeça. — Você que acabou de me contar. Eu só joguei um verde.
— Idiota! — Deu um tapa no braço dele, mas ele passou o braço pelos ombros dela e a puxou para mais perto. — Como sabia?
— Fala sério, a forma como vocês eram um com o outro naquele ano, tinha que ser cego para não perceber que tinha algo rolando entre os dois.
— Mas se você sempre desconfiou, por que você nunca falou nada? — Balançou a cabeça constatando que era realmente impossível ficar chateada com Pierre Gasly.
— Era o seu espaço e eu tinha coisas mais importantes para me preocupar, como a sua saúde, por exemplo. — Seu tom era de obviedade e imediatamente ela se lembrou de todas as visitas do amigo no hospital. Mas a fazia lembrar também de como tinha sido um babaca e por mais que ela quisesse dizer que todos os sentimentos negativos tinham ficado no passado, sabia que não era verdade.
— Desde o acidente ele nunca mais falou comigo. — Contou pela primeira vez para alguém. — E eu nem sei o motivo. — Acrescentou.
— Espera que eu resolvo isso agora. — Gasly fez menção de se levantar, mas o segurou.
— Nem pense nisso! Não temos nada o que conversar. — Afirmou, convicta, mas ele percebeu a mágoa guardada.
— Você sabe que vão se esbarrar bastante durante a temporada, não é? No paddock ou nas coletivas.
— E se precisarmos nos falar, falaremos. — Ela deu de ombros. — Mas se não precisarmos é melhor.
— Pierre, corre aqui! — Albon gritou, empolgado, fazendo um sinal para que o amigo se aproximasse da porta. — Max apostou com o Esteban quem bebe um litro de uísque primeiro.
Os dois se levantaram e fizeram o caminho inverso, constatando que Albon não estava mentindo. Max e Esteban tinham uma garrafa cada e bebiam sem parar.
— Ganhei! — Max gritou.
— Até nisso você tem que ganhar de mim? — Esteban reclamou, cambaleando.
Max pulava abraçado com Daniel e e Rosie se olharam sabendo que levaria pelo menos mais uma hora para que o Verstappen mais novo estivesse em condições de aceitar ser levado embora.


¹ Mon coeur – meu coração em francês
² Bunny – coelhinho em inglês



Capítulo Dois

A última semana de janeiro seria bastante apertada para todos os compromissos na agenda de . Com a pré-temporada se aproximando, ela queria se reunir com o máximo de frentes de trabalho possível, visando garantir que alcançariam os objetivos a tempo, principalmente com os carros. Rosaleen tinha pedido para que sua reunião fosse a primeira, queria confirmar que todas as propostas levantadas pelo departamento de Relações Públicas e Comerciais da Rennen fossem aprovadas o quanto antes para aquela temporada.
, assim como Rosie, achava que a reunião seria apenas entre as duas, mas Max já se encontrava na sala de reuniões e deixou claro que iria participar. A irmã mais velha chegou a considerar se ele estava sendo olhos e ouvidos de Jos em sua ausência, mas logo desconsiderou isso quando ela mesma já tinha planos de atualizar o pai constantemente das decisões importantes dentro da equipe.
Max e Rosie não precisavam de muito para discutirem e a festa era o motivo do bate-boca da vez. até pensou em interrompê-los, mas em pouco tempo Rosie pegou seu tablet e Max se calou, deixando-a fazer mais uma de suas apresentações.
O primeiro tópico de Rosie era sobre o crescimento da equipe nas redes sociais. A mais velha apresentou números de Instagram, Twitter e Youtube. não tinha o hábito de conferir esses números, mas Rosie garantiu que eram bons números e que repercutiram até mesmo nas contas de Max e do antigo piloto da equipe, Jean Lefebvre.
Depois de apresentar gráficos com o tipo de material que mais atraía os seguidores, a RP expôs as melhores ideias do departamento, que incluíam um game quinzenal, vídeos dos dois pilotos juntos, e lives mensais com alguns games e participação dos seguidores, os presenteando com merchs.
Mas o que mais chamou a atenção de foi saber que vários fãs da Rennen eram crianças e adolescentes, muitos que se espelhavam em Max por ter começado tão novo e tantos outros que se espelhavam em Vettel por ser o campeão que era e a forma. E Rosaleen viu nisso a oportunidade de incluir esse público de forma a atrair mais visualização para a equipe e mais patrocínios também.
Fariam uma espécie de concurso, e os melhores desenhos estampariam não somente o capacete, mas também o macacão e parte do carro e além disso, os escolhidos ganhariam uma réplica tanto do uniforme quanto do capacete. imediatamente pensou nos custos que teriam para colocar a ideia em prática, Max foi quem externalizou a dúvida, mas Rosie sempre estava preparada e apresentou a eles alguns slides que mostravam o retorno que teriam.
Para a primeira reunião oficial, tinha considerado um sucesso. Havia aprovado todas as propostas de Rosie e o fato de Max ter gostado delas, era mais um indicativo de que teriam sucesso.
Apesar de ter o irmão sempre por perto e sempre dando feedbacks sobre tudo dentro da equipe, marcou uma reunião com os dois pilotos. Queria um retorno principalmente de Sebastian, que estava com eles a pouco tempo, mas queria que tudo fosse o mais transparente possível entre os três já que o objetivo de levar Rennen a campeã da temporada dependia deles.
— O que você manda, sis? — Max perguntou, relaxado na cadeira enquanto Sebastian tinha uma postura mais séria.
— Nada de novo. Na verdade, eu queria saber de vocês. O que estão achando do carro até agora? — olhou de um para o outro. — Max, conseguiu notar as mudanças do carro do ano passado para esse?
— Foram mudanças sutis, nosso carro já estava muito bom, mas acho que foram todas mudanças positivas sim. Principalmente se os engenheiros e projetistas conseguirem realizar aquele ajuste na asa. — Ela assentiu, fazendo anotações curtas em sua agenda.
— Sim, vamos nos reunir essa semana ainda para conversar sobre isso. A intenção é que tenhamos poucos ajustes para fazer na pré-temporada.
— Então acho que é isso. — Max deu de ombros e olhou para Sebastian que ainda não tinha dito nada.
— Seb, acho que para você a mudança é um pouco maior porque o carro da Ferrari é diferente do nosso e quando você foi da RBR o motor não era Honda, né? O que me diz?
— É, são carros diferentes e eu fiquei tempo demais lá. — sorriu, adorava a energia que o piloto sempre emanava, até quando não estava em um bom dia. — Ainda estou me adaptando, estou fazendo boas voltas, conseguindo controlar bem o carro, mas sinto que ainda não estou tirando o máximo proveito dele. Ainda não consegui bater o tempo do Max, mas acredito que seja só questão de tempo. — Provocou e sorriu.
— Eu e o carro somos um só há anos, não vá achando que vai ser fácil bater os meus números nessa pista e nesse carro. — Se gabou.
— Nem me fale em bater, Max! — interveio, fazendo os dois rirem. — A última coisa que quero é vocês disputando ao ponto de saírem os dois de um circuito.
— Se você me mandar deixar ele passar eu juro que peço demissão agora. — Max cruzou os braços.
— Larga de besteira, Max. Ninguém vai se demitir e ninguém vai ter que deixar ninguém passar. Vocês precisam ter em mente que no final das contas nosso objetivo é ter a Rennen acima de todos os outros construtores no campeonato, por isso o ideal é que vocês dois estejam sempre no topo, disputem posições, mas sejam prudentes.
— Acho que Barcelona vai nos dar uma ideia mais real tanto do carro como da direção e dos nossos tempos. — Seb olhou Max com um sorriso de canto.
— Sim, será nosso teste real. E como está sendo o relacionamento de vocês com seus engenheiros, suas equipes?
— Tudo perfeito. — assentiu para o irmão, a equipe dele era a mesma há um bom tempo.
— Tudo tranquilo comigo também, demoramos um pouco para falar a mesma língua, ele era acostumado com o Lefebvre, mas conseguimos encontrar uma forma boa de trabalhar e acho que vai ser uma boa parceria sim. — sorriu, aliviada por aquelas palavras.
— Bom, muito bom. Se alguma coisa não estiver funcionando, eu preciso que sejam honestos e nos avisem.

Durante o tempo que passaram ali, ficou satisfeita ao perceber que Max estava menos incomodado com o fato de Vettel ser o primeiro piloto e também que ambos estavam trocando experiências. Admirava como Sebastian via alguns dos pilotos mais novos quase como um pai, a forma como ele sentia orgulho das conquistas deles e isso a fazia acreditar ainda mais na vitória para a Rennen ao final do ano.
Naquele mesmo dia, teria uma reunião mais abrangente com os aerodinamicistas, projetistas e engenheiros e a pauta era o ajuste na asa dianteira dos carros. A ideia era um ajuste que gerasse ainda mais downforce além da introdução de dispositivos no bico da asa, visando gerar maior aproveitamento da energia potencial em potência.
Essa, de longe, tinha sido a mais desgastante para , porque eles conversavam em termos que não eram de tão fácil entendimento para ela. Mesmo assim, o fato de estarem todos de acordo com a mesma linha de raciocínio e com previsão de conseguirem às mudanças até o mês seguinte a deixava com a sensação de dever cumprido.

🏎️🏁

— Para de balançar essa perna, ! Vai dar tudo certo. — Rosaleen tentava acalmar a amiga pela quarta vez.
Estavam em Londres para uma reunião com um representante da Monster, que mesmo já patrocinando a Mercedes, havia enviado uma proposta para patrocinar a Rennen assim que Vettel havia sido confirmado como piloto da equipe. A proposta era para um contrato de três temporadas e havia preferido conversar pessoalmente, para ajustar partes muito soltas antes de formalizarem um contrato.
— Bom dia! Verstappen? — Um rapaz bem jovem entrou na sala de reuniões do edifício comercial. — Sou Joshua, representante da Monster. — Se cumprimentaram com um aperto de mãos.
— Esta é Rosaleen, chefe do departamento comercial. — Apresentou.
— E então, prontas para assinarmos o contrato? — Abriu a pasta já tirando as vias.
— Não tão depressa. — riu fraco. — Analisamos a proposta de vocês e precisamos negociar alguns valores antes.
— O que não ficou claro? — Ele usou um tom que incomodou ambas, o que as levou a trocar um olhar.
— Nesta página aqui, vocês falam que a parceria é para estampar os uniformes da RR e também para o fornecimento de squeezes e vocês trazem o valor. — Ela mostrou a cláusula em questão e Joshua assentiu. — Mas aqui vocês mencionam o uso da imagem dos pilotos e no último e-mail vocês aparentemente sugeriram estampar uma parte bem grande do carro que nem sequer foi mencionada na proposta. E em nenhum momento foi mencionado aumento no valor inicial proposto.
— Bom, vocês têm que ver que o valor em questão já é um valor bem generoso.
— Não estamos buscando caridade. O valor proposto cobre exatamente os primeiros itens que foram mencionados, nada além dele. — foi firme. — Se realmente for do interesse de vocês todos os outros itens que foram mencionados, eu sugiro que nos enviem uma nova proposta para ser analisada, caso contrário, não fecharemos essa parceria. E isso seria uma perda para os dois lados.

Joshua ainda tentou negociar, tentando persuadi-las a fechar o contrato naquela mesa, mas foi impassível e Rosaleen assistia a tudo com uma expressão de divertimento que deixava a amiga mais tranquila. Combinaram então que a Rennen enviaria a nova proposta, adequada ao que o representante tinha levado naquele novo encontro.
Ao deixarem o prédio, ligou para Rodney Sacks, CEO da Monster, esclarecendo que a Rennen enviaria nova proposta, adequando os valores depois da reunião que haviam tido. Ambos sabiam que aquela parceria era valiosa para os dois lados e ele garantiu que analisaria pessoalmente para que pudessem fechar aquele negócio.
estava tão satisfeita por ter conseguido negociar como uma verdadeira CEO que nem se importou em ser levada a um restaurante vegano. Rosie já tinha ouvido falar muito bem do lugar, mas ainda não tinha tido a oportunidade de conhecê-lo, além do que ela nunca perdia uma oportunidade de tentar fazer com que se tornasse vegana também.
Conversavam sobre os planos daquele final de semana na Inglaterra quando foram interrompidas por uma ligação recebida por Rosaleen. ficaria em Londres para visitar a mãe. Essa seria provavelmente a sua última chance de vê-la antes da temporada começar e aproveitaria. Estava encarando a entrada do restaurante quando reconheceu o piloto que acabara de entrar ali.
— Ei, aquele ali não é o Lewis? — Questionou quando Rosie desligou o celular. Ela não era fã número um do piloto, ele não fazia parte nem do seu top cinco, mas sabia que a melhor amiga o admirava.
O piloto acabou aceitando o convite para dividir a mesa com elas e não demorou a fazer seu pedido. Em pouco tempo percebeu que eles tinham mais coisas em comum além do fato de serem veganos e se não fosse algo tão indiscreto, ela sairia e os deixaria conversando, afinal de contas eles pareciam ter se dado super bem na festa.
Os dois acabaram a incluindo de volta na conversa quando o assunto em questão passou a ser a temporada 2020 e defendeu a Rennen com unhas e dentes, garantindo que era a favorita para aquele ano. E em meio a essa conversa ela foi pega de surpresa quando o garçom a reconheceu como a nova chefe de equipe da RR, não era algo que tinha acontecido fora de Amsterdã ainda.
não saberia dizer se Lewis estava apenas sendo curioso ou se de fato se importava com o que tinha acontecido com Jos, mas acabou contando para ele o que tinha de fato se passado com a família e com a equipe desde o final do ano anterior.
A parte mais divertida daquele almoço tinha sido imaginar o caos que seria na mídia a simples especulação que a Rennen estaria de olho em contratar Hamilton. pode imaginar o surto de Max, mesmo sabendo que nada aconteceria com ele.

🏎️🏁

— Você precisa mesmo ir embora amanhã? —- Jordan encarou a irmã enquanto montavam uma réplica do carro de Max.
— Preciso. — respondeu com um sorriso, mas a expressão da criança não era feliz.
— Mas você chegou hoje, você fica com o outro irmão sempre, por que não pode ficar comigo? — a inocência da criança nunca parecia parar de surpreendê-la.
— Não é uma escolha de irmão, Jordan. O meu trabalho é lá e você está aqui estudando. Se você quiser trabalhar conosco um dia, nós vamos adorar. — Ela garantiu.
— A mamãe vai ficar brava. — Ele falou mais baixo como se contasse um segredo.
— Ela vai, mas passa. Sempre passa. — Ela piscou com o olho direito para ele. — Posso te contar um segredo? — Ela falou baixo também e ele assentiu. — Promete que não vai contar para ninguém?
— Prometo. — Balançou a cabeça confirmando. — Me conta!
— Em julho a corrida é aqui na Inglaterra e eu vou levar você para assistir tudo. Que tal? — Sugeriu e ele correu até ela, a abraçando.
— De verdade? Mesmo? — Ela assentiu enquanto retribuía o abraço. — O papai e a mamãe podem ir também?
— Claro que sim, se eles quiserem. Mas lembre-se que é nosso segredo! Vai ser uma surpresa para eles.
— Acho que eu consigo guardar esse segredo. — sabia que não duraria uma semana.
— Terminamos. — Anunciou colando o número 33 no carro. — Eu tenho outra surpresa para você e quase esqueci de te contar. As crianças que fizerem os melhores desenhos de Fórmula 1 da Rennen poderão ganhar um macacão e um capacete. — Ela o cutucou, fazendo cócegas.
- A Rennen é a melhor equipe do mundo! — Ele começou a correr dela, com os braços para cima.
— É mesmo, Jordan. E quando nós ganharmos o troféu no final da temporada eu vou querer você lá comigo. — Apontou o dedo para ele. — Então você vai se comportar e ser um bom aluno na escola também, para eu poder te levar comigo.
— Eu vou ser o melhor, você vai ver. — Ele se deitou na cama dele e se deitou ao lado dele.
— É isso aí! Eu sempre soube que tenho os melhores irmãos do mundo. — Ela voltou a abraçá-lo.
— O Max é um bom irmão? — Perguntou olhando para cima, para o rosto dela.
— Ele é, mas ele emburra muito fácil e ele não gosta de perder.
— Eu também não gosto de perder.
— Pois é, nem eu! Por isso a gente não pode competir. — Ela riu. — Mas de qualquer forma, eu conheço você desde que você nasceu, há sete anos. — Ela brincou.
— Ei, eu tenho dez! — Falou ultrajado e ela fingiu surpresa.
— Então é mais tempo ainda. E o Max eu conheci esses dias, mas eu sempre, sempre, vou defender vocês dois em tudo. Só não conta isso para ele.
— Promete? — ele estendeu o dedinho, como faziam nas promessas desde que ele era criança e ela entrelaçou o próprio mindinho.
— Prometo, Jordan. Eu sempre vou estar aqui para você. — Ela deu um beijo no topo da cabeça dele. — Agora vamos dormir porque se não acordarmos cedo não teremos tempo de correr de kart.
— Eu já estou dormindo. — Disse de olhos fechados e ela ajeitou o cobertor sobre ele.
— Bons sonhos. — Desejou acendendo a luz do abajur ao lado da cama e apagando a luz do quarto em seguida.



Capítulo Três

Fevereiro, 2020.

estava tão empolgada com a pré-temporada que tinha ignorado os resmungos de Rosie e nem estava se importando com a baixa temperatura de Barcelona. Estava devidamente agasalhada com itens da Rennen e estava tão confiante nos resultados da equipe que nem mesmo a presença de câmeras da Netflix e outras entrevistas a estavam incomodando.
Tinham feito uma reunião breve com Rosie, que explicou sobre as provas dos novos macacões e também da revelação dos carros com os desenhos escolhidos, feitos pelas crianças.
, estava justamente querendo falar com você! — A chefe de equipe da Williams a cumprimentou.
— Claro, Claire. Vamos lá para a minha sala. — A guiou pelo motorhome da Rennen.
— Ansiosa para a sua estreia com eles? — Se sentou no sofá de canto, com a vista para o lado de fora.
— Bastante. — Confessou com um sorriso. — Estamos confiantes. Eu estou confiante com as mudanças, com a equipe. Mal posso esperar para viver tudo de novo, mas de uma nova perspectiva.
— Me lembro exatamente como foi minha primeira temporada à frente da Williams. — Sorriu, nostálgica. — Mesmo com todos os prós e contras, não me arrependo de nada.
— Parece super estranho para mim agora, imaginar que cogitei não ficar com o cargo. — Lembrou-se da angústia que sentiu ao ter que decidir.
— Depois que a gente assume e as coisas vão funcionando no nosso controle é muito bom. — Ela concordou. — Mas eu imagino que decidir de uma hora para outra gere uma insegurança.
— Sim, nunca ia imaginar que meu pai fosse passar por aquilo e que se afastaria da Rennen.
— Comigo foi diferente, meu pai sempre deixou claro que quando ele saísse eu deveria assumir, então foi mais natural.
— Você teve tempo para assimilar a ideia. — sorriu. — No fundo é só a insegurança do momento mesmo, porque é uma responsabilidade muito grande. Mas é basicamente o que eu fazia o acompanhando.
— Exatamente. A pressão é a única coisa que atrapalha.
— E o que podemos esperar do seu novo piloto? — lembrou-se de Latifi, a mais recente contratação deles.
— Isso vocês terão que ver nas pistas. — Ela deixou o mistério, mas não se preocupava com eles, sabia que mesmo se tivessem melhorado muito da temporada anterior para a nova, ainda não seriam uma ameaça para a RR.
— Estou ansiosa para as surpresas dessa temporada.
— Vai ser uma boa temporada. — Claire falou, confiante e concordou com a cabeça. — De qualquer forma eu só queria te dar as boas-vindas oficialmente. Não consegui ter um tempinho na festa para falar com você, mas queria dizer que minhas portas estarão abertas para o que precisar. Sei bem como esse mundo pode ser cruel com as mulheres, então se precisar unir forças, sabe onde me encontrar. — Se levantou.
— Muito obrigada, Claire! E faço das suas as minhas palavras. O mundo precisa entender que a Fórmula 1 está mais do que pronta para receber mais mulheres. — Foram interrompidas por batidas na porta.
— Eu já vou. — Se despediu com um aceno e Max entrou assim que ela saiu da sala.
— O que ela estava fazendo aqui? — O irmão questionou com uma expressão curiosa.
— Apenas me desejando boas-vindas e oferecendo um apoio feminino, caso eu precise. — abanou a mão, mostrando que ele não tinha que se preocupar.
— Você tem certeza? Vai que ela estava aqui nos espionando, tentando saber algum dos nossos detalhes secretos para essa temporada…
— Max! — o interrompeu, rindo alto. — Larga de besteira!
— Precisamos ser precavidos, você não pode ser inocente e acreditar em tudo que te dizem.
— O que é que você quer, hein?
— A sua ilustre presença para mostrarmos logo nossas belezinhas para o mundo e enfim as colocarmos para funcionar. — A empurrou para fora da sala.

Os carros estavam realmente lindos e haviam surpreendido até quem já sabia o que esperar. Sebastian e Max devidamente vestidos foram fotografados juntos e separados com seus carros. Assim que autorizados, colocaram a balaclava e capacete e entraram nos respectivos carros. caminhou para seu lugar, colocando seus fones e ficando de olho nos monitores.
Dia após dia ambos os pilotos apresentavam resultados melhores e toda a equipe estava cada vez mais confiante. Claro que não haviam sido flores a todo o momento. Vettel demorou quase três dias para colocar uma volta com o mesmo tempo de Verstappen, e como de costume o mais novo abaixou ainda mais o tempo. A cada dia novos ajustes eram feitos, atendendo sugestões de todos os lados, alguns acabaram não valendo a pena e o carro voltava às configurações anteriores, mas tinha feito questão de documentar tudo aquilo para que trabalhassem no futuro.
As duas semanas passaram voando e Rosie tinha decidido organizar um lanche de despedida da pré-temporada. havia recebido por mensagem o aviso da tal confraternização, avisando que tinha o suficiente e que podiam convidar quem eles quisessem. Acabou enviando uma mensagem para Pierre, mesmo imaginando que Max já o teria feito.
Outra mensagem de Rosie chegou, avisando que o lanche era vegano e imediatamente se lembrou de Lewis. Ela não se oporia aos encontros da amiga com ele, mas esperava não encontrá-lo a não ser que fosse extremamente necessário, já que o maior foco dela era ter Max e Seb à frente do inglês.
Terminou de juntar suas coisas, retornariam para Amsterdã em breve e sempre gostava de deixar tudo organizado antes de fazer algo divertido ou descontraído.
— Finalmente! — Max reclamou da demora da irmã. — Rosie não me deixou comer nada enquanto você não chegasse.
— Você é um esfomeado, Verstappen. Você sabe que é minha Verstappen preferida. — falou para provocá-lo.
— Já podemos comer? — Ignorou Rosaleen e com o aceno da irmã ele pegou um salgado.
— Tem certeza de que esse lanche é aberto para os rivais da Rennen? — Pierre falou mais alto, atraindo a atenção. — Porque pareço um intruso.
— Você nunca vai ser meu rival, Bunny! — abraçou o amigo de lado. — É que o resto não chegou ainda, mas sei que a Rosie chamou o Romain e bem, o Ricciardo nunca precisa de convite, então logo deve estar por aí.
— Eu vou negar até a morte se Rosie perguntar, mas isso aqui está muito bom. — Max falou mais baixo, fazendo com que a irmã e Pierre gargalhassem.
— Rosie, vem cá. — acenou para a amiga. — O Max quer te falar uma coisa. — O olhar do irmão na direção dela foi fulminante e Pierre já estava vermelho de tanto rir.
— Só queria saber se você convidou o outro vegano, estou achando que isso aqui era para ser um encontro entre vocês. — A provocou, inventando a primeira coisa que surgiu em sua mente.
— Pedi para o Sebastian falar com ele. Nem pense em envenená-lo. — apontou o dedo na direção dele e voltou a conversar com Romain.
— Se ele se envenenar é culpa da sua comida. — Falou mais alto e o olhar da mais velha deixava claro o palavrão que ela não havia emitido.
— Foi só falar. — murmurou para si mesma.
— Eu trouxe mais um convidado. — Vettel anunciou, atraindo a atenção para si e Lewis, que caminhavam em direção à mesa.

Max implicou com o piloto, como já era esperado e Rosie se revezava entre defendê-lo e defender todo o seu lanche vegano. Mas tudo isso parecia distante de , que tinha os olhos presos novamente aos olhos de . O piloto da Ferrari passava por ali no mesmo instante em que Sebastian havia atraído o olhar para a entrada da garagem.
Balançou a cabeça, desviando o olhar e tentando focar em qualquer besteira dita pelo irmão. Em outros tempos poderia estar ali com ela e Pierre, mas aquela não era mais a realidade.



A pré-temporada tinha chegado ao fim e nenhuma outra palavra definiria naquele momento a não ser frustrado. O sonho de correr pela Ferrari parecia não fazer mais sentido uma vez que o carro que tinha em mãos não fazia jus ao nome da escuderia. Tinha treinado tanto na certeza de que alcançaria resultados melhores e que o carro estaria melhor, mas não tinha conseguido.
Não só a Mercedes, como a Rennen e um dos carros da RBR, o do seu melhor amigo, tinham estado à frente dele durante aquelas duas semanas. Uma das poucas coisas positivas naquele momento era estar na frente do companheiro de equipe. Voltaria para casa no dia seguinte e se esforçaria ainda mais, afinal o desejo de ser campeão ainda estava vivo.
— Ei, o que vai fazer agora? — Pierre alcançou o amigo que saia da garagem naquele instante. — A Rennen está fazendo um lanche e convidou a gente. — Passou o braço pelo ombro dele, caminhando ao seu lado.
— A gente? — devolveu totalmente incerto, nunca tinha sido chamado para nada da Rennen antes.
— Sim, a me mandou uma mensagem. Estou indo lá agora, inclusive.
— Hum… acho que não é uma boa. — O mais novo se esquivou do braço do amigo. — Fica para a próxima, preciso resolver umas coisas com a equipe agora. — Mentiu.
— Tem certeza? — Pierre sabia que aquilo não era verdade, não entendia por que o amigo não era sincero sobre isso.
— Cara, meu desempenho foi muito abaixo do esperado. — Negou com a cabeça. — Precisamos trabalhar bastante para começarmos melhor na Austrália.
— Você quem sabe. — Pierre deu de ombros e seguiu para a garagem da Rennen, enquanto ele seguia para a motorhome da Ferrari.
Já tinha juntado todas as suas coisas, mas não encontrava a chave do carro em lugar nenhum, a única explicação seria tê-la esquecido na garagem. Fez o caminho inverso, a encontrando em cima do balcão. Guardou-a no bolso da calça e repetia o caminho de pouco tempo antes quando ouviu vozes. Reconheceu imediatamente seu ex-companheiro de equipe, Vettel, e o atual campeão Lewis Hamilton.
Andava a certa distância, não estava com humor para interagir e ambos pareciam felizes demais. Com mais alguns passos, realmente comprovou as palavras de Gasly sobre o lanche ser aberto às outras equipes, pois os dois entraram no espaço da Rennen.
Seguiu-os com o olhar, involuntariamente, notando a presença de Ricciardo e Grosjean. A conversa era alta, assim como as risadas, estava prestes a continuar andando quando, assim como havia sido na festa, seu olhar se conectou ao de Verstappen. Não saberia dizer por quanto tempo se olharam e só pararam de se encarar porque ela quebrou o contato e virou de costas para ele.
respirou fundo e passou a mão pelos cabelos, os bagunçando. Sabia que precisava tomar coragem e conversar com , esclarecer tudo uma vez que esses encontros seriam cada vez mais constantes dali para frente e se a situação o incomodava, provavelmente a incomodava também. Reconhecia que tinha errado com ela, mas não fazia a menor ideia de como consertar a situação depois de tanto tempo.
Adoraria tê-la cumprimentado pelo cargo novo, podia ver o quanto ela estava se dedicando ali e queria poder dizer o quanto estava orgulhoso pelas conquistas dela, e isso dependia única e exclusivamente dele. Poderia contar com a ajuda de Pierre, mas isso significava assumir todos os erros e tudo o que tinha acontecido entre os dois e não correria o risco de odiá-lo ainda mais por contar o que ele havia prometido que não contaria.

Flashback — Setembro, 2016

“— Você não vai contar para o Pierre, não é? — perguntou deitada no mesmo sofá que e com as pernas no colo dele, que via alguma coisa no celular.

— Acho que não. É meio estranho. — Deu de ombros. — Nenhum de nós tem plano de oficializar nada porque nossa meta são as corridas.
— Concordo. — Pegou o próprio aparelho e tirou uma foto dele distraído. — Ninguém precisa ficar sabendo que estamos ficando.
— Na verdade, achei que você tinha contado para o Pierre. — Colocou o celular de lado e fez o mesmo com o dela.
— Por quê? — o olhou com um sorriso.
— Porque vocês são muito amigos, eu acho.
— Vocês são muito mais. Se fosse assim, quem falaria seria você.
— Nós não falamos de muita coisa fora corrida, você é a primeira pessoa desse universo que conseguiu isso.
— E isso também. — Deu impulso com o corpo, roubando um beijo dele.
— Se for para beijar, me beija direito. — Ele a impediu de deitar-se novamente, segurando-a perto de si.
— Beijar e correr são duas coisas que só faço se for direito. Você já deveria ter concluído. — O provocou, mas ele não ligou, aproximou ainda mais seu rosto do dela e a beijou como se fosse a primeira vez.”



Capítulo Quatro

Março, 2020

Desde que tinham aterrissado em Melbourne na quarta-feira, se sentia ansiosa. Mal podia esperar pela reação do público em relação a tudo que Rosie tinha planejado com os carros, macacões e capacetes, e mais ainda, mal podia esperar pelos resultados de Max e Sebastian na classificação.
Os pilotos tinham marcado tempos muito bons e colocado a Rennen Racing nas primeiras posições nos treinos livres de sexta. Mas com o péssimo hábito de esconder o real desempenho e só o mostrar no sábado, Hamilton tinha marcado o melhor tempo do terceiro treino livre e Bottas vinha em terceiro, separando Verstappen e Vettel.
— Pessoal, uma palavrinha, por favor. — falou mais alto, atraindo a atenção dos funcionários na garagem e dos próprios pilotos, que se aproximaram.
— Diga, chefe. — Sebastian brincou.
— Eu quero agradecer a vocês, por todo o excelente trabalho que fizemos em equipe até agora. Tenho certeza de que vamos conquistar muitas coisas nessa temporada e em alguns minutos daremos o primeiro passo para isso. Vocês devem conhecer uma frase que meu pai costumava dizer em todo início de temporada, e mesmo ele não estando aqui, é com ela em mente que devemos fazer nosso treino classificatório. Você não tem…
— Uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão. — Quase todos completaram a frase em uníssono.
— Exatamente. — sorriu, passando os olhos por todos eles. — De coração, muito obrigada! E agora, vamos dominar essa pista. — Elevou o tom de voz e todos aplaudiram, voltando as suas funções em seguida.
— Cada dia melhor nos discursos, hein? — Max apertou o ombro de sabendo que era um ponto dolorido e ela escapou da mão dele.
— Manter essa equipe motivada é essencial. — Bateu o indicador no nariz dele. — Agora vá para o seu carro e me mostre o que é capaz de fazer. — O provocou, enquanto ele colocava a balaclava.
— Com prazer. — Sorriu, convencido, colocando o capacete em seguida.
se sentou no lugar de sempre na garagem, colocando os fones. Pouco tempo depois a pista havia sido liberada e ambos os carros da Rennen saíram. Precisaram dar algumas voltas até que o circuito estivesse sem tanto tráfego e pudessem dar suas voltas rápidas. Max marcou o terceiro melhor tempo, mas Sebastian precisou abortar a volta rápida ao ser fechado por Ocon.
Aproveitou a volta abandonada para voltar aos boxes e realizar a troca de pneus. Saiu faltando pouco tempo para encerrar aquela etapa e conseguiu marcar apenas o quarto tempo. Apesar de melhorar o tempo, Max não tinha conseguido superar o de Bottas e se mantinha na terceira posição.
A segunda parte havia sido mais emocionante, Ricciardo tinha levado a McLaren para a briga e as duas RBRs tinham marcado ótimos tempos também, mas o importante para era ter os dois pilotos da Rennen na última etapa, e eles tinham conseguido. Largariam com pneus diferentes um do outro no dia seguinte o que possibilitava a RR duas estratégias diferentes e ela sentia que estariam no pódio ao final da corrida.
Bottas foi o primeiro a ir para a pista, marcando o seu melhor tempo até então em Albert Park. Ricciardo conseguiu uma volta mais rápida, tomando o primeiro lugar do finlandês, porém durou pouco, pois logo Hamilton quebrou o recorde e ficou com a posição. Verstappen e Vettel voltaram a sair mais ao final do tempo, precisariam dar tudo de si, pois no momento eles ocupavam sétimo e oitavo, respectivamente.
— Isso! Isso! — comemorou quando o nome do irmão apareceu logo abaixo de Hamilton.
A diferença entre os dois era de meio segundo e isso a deixou ainda mais esperançosa. havia relaxado um pouco, quase todos os pilotos já tinham passado e restava a Sebastian cruzar a linha de chegada. A chefe de equipe da Rennen não acreditava na forma como o alemão guiava o carro naquela volta. Tinha chegado o corpo para beirada do assento e balançava a perna sem parar.
— Ele passou todos! — tinha as mãos na boca em espanto. — A Rennen está oficialmente largando na frente da Mercedes. — Murmurou em choque e piscou algumas vezes, e as pessoas próximas a ela começaram a abraçá-la, comemorando as ótimas posições da equipe no grid.
Para aquele resultado provava o esforço de todos, mas significava que ela tinha conseguido e isso a enchia de orgulho e uma sensação maravilhosa tomava conta do corpo dela. Era a equipe comandada por ela que estava ocupando a pole position da primeira corrida da temporada.
— Preparada? — Rosie apareceu ao lado de , que esperava os pilotos saírem dos carros para os cumprimentarem.
— Para o quê? — revezou o olhar entre a amiga e o irmão, que tinha um sorriso grande no rosto.
— Sua primeira coletiva. Com seus dois pilotos no top três, vai se juntar ao Toto e ao Horner. — explicou.
— Parabéns! — sorriu e o irmão fez um hi-five com ela e com Rosie, sendo imitado por Sebastian que vinha logo atrás.
— Rennen já está nos trendings do Twitter e ainda nem viram tudo que temos para essa corrida. — Virou o celular, mostrando a tela para os três. — Agora vocês dois, não demorem, precisamos ir para a coletiva.
— Não precisamos de babá. — Max zoou. — Pode acompanhar a .
— As chances de sua irmã falar merda em público são bem menores. — Rosie devolveu e, depois de alguns minutos, os quatro seguiram pelo autódromo, até às salas de conferência. — Boa sorte! — desejou entrando na maior sala com os dois e continuou andando, vendo os outros chefes de equipe duas salas a frente.
— Claramente a Rennen não está para brincadeira esse ano. — Horner a cumprimentou e ela retribuiu.
— Eu tinha avisado. — Devolveu no tom brincalhão, enquanto colocavam o microfone nela.
Toto tinha se sentado no meio, restando a e Horner ficarem um de cada lado do chefe da Mercedes. Aquela sala era menor e tinham menos repórteres do que na coletiva dos pilotos, mas imaginava que aquilo não fazia diferença no tipo de perguntas que seriam direcionadas a eles. Depois de alguns flashes, a primeira pergunta foi feita.
Verstappen. — Um homem de óculos começou, atraindo a atenção para si. — Os pilotos da RR vão largar em P1 e P3. — concordou com a cabeça. — Seria isso uma prévia do que veremos nesta temporada ou apenas sorte de principiante? — Ela precisou segurar um riso antes de responder.
— Sorte de principiante se tratando de uma equipe que está há dez anos na Fórmula 1? — Devolveu a pergunta com um toque de ironia. — Nossa equipe é a mesma, nosso novo piloto é um tetracampeão mundial e eu também já fazia parte da equipe. Acho que isso responde a sua pergunta. — Sorriu, satisfeita.
— E o que você acha que a Mercedes fez de errado para a Rennen Racing ter conseguido a pole position? — mordeu o lado interno da boca para evitar uma má resposta.
— Eu poderia te responder o que a Rennen fez certo. Se a Mercedes fez algo errado ou não, é com esse homem aqui. — Deu dois tapinhas no ombro de Toto Wolff.
— Nada a comentar. — Toto cortou.
— Toto. — Era uma mulher do outro lado da sala quem perguntava. — Bottas não mostrou resultados tão bons quanto os do Hamilton na temporada passada e vai largar em quinto. O problema é ele ou o carro?
— Todos os pilotos têm pontos fortes e fracos, fizemos uns ajustes no carro dele que simplesmente não valeram a pena. — Respondeu, sério.
— Você acha que esse resultado é um sinal que o domínio da Mercedes está acabando? — Outro repórter perguntou.
— Acho precipitado fazer qualquer afirmação a respeito. É apenas a primeira qualificação do ano.
— Lewis foi visto em um restaurante em Londres com pessoas da Rennen, incluindo a própria . Existe algum medo de perder Lewis Hamilton para RR?
— Nossa parceria com Hamilton vem de longa data e seu contrato está vigente. Da mesma forma que os dos pilotos da Rennen Racing tem contratos pelos próximos anos. Isso não é uma preocupação. — Respondeu no mesmo tom de antes.
— Horner, o que você tem a dizer sobre o fato de não estarem apenas atrás da Mercedes como também da Rennen Racing desde o final da temporada passada? A época de ouro da RBR já acabou?
— Não diria que acabou, mas o esporte é assim, equipes se destacam por um tempo e são superadas e é isso que faz as demais tentarem se superar. — Christian respondeu.
— E como explicar o fato de que a RBR antes era vista sempre ao lado de nomes como Mercedes, sempre no pódio, e agora está competindo por um lugar com equipes como a Racing Point e McLaren? — O primeiro homem voltou a perguntar.
— A culpa é de quem agora? Dos mecanismos, dos pilotos, ou sua? — Um outro rapaz, bem em frente a Christian emendou.
— Somos uma equipe, ganhamos com o trabalho em equipe e quando falhamos, buscamos resolver os problemas e melhorar, não atribuir culpa. — Respondeu. — Como eu respondi antes, vejo a Fórmula 1 como um esporte cíclico e voltaremos a brigar pelo topo em breve. — Afirmou.
, por que Max não é o primeiro piloto da equipe da própria família?
— De novo? Achei que já tínhamos esclarecido isso. — Falou e vendo o silêncio explicou novamente. — Isso é apenas denominação e por ter sido campeão, colocamos Vettel como primeiro. Mas os carros são idênticos e tanto Vettel quanto Max sabem que não temos restrições à disputa pelo primeiro lugar.
— Você acha mesmo que a Rennen Racing tem chance de ser campeã esse ano?
— O primeiro passo para isso é acreditar e nossa equipe inteira está comprometida com esse objetivo. Nossos resultados mostram como melhoramos ano após ano. Então sim, eu acredito na possibilidade, assim como acredito no potencial dos nossos pilotos e de toda nossa equipe. — respondeu concluindo que essas coletivas eram uma completa perda de tempo.
Mais algumas perguntas foram feitas tanto a quanto aos outros dois e ela respirou aliviada quando saiu da sala. Estava satisfeita por não ter tido nenhuma pergunta que a colocasse em situação constrangedora ou que pudessem distorcer o que havia dito. Não sabia se Rosie já estava livre e enquanto conferia as mensagens no celular, topou com alguém no corredor.
— Me desculpe! — pediu, olhando para a pessoa. — Ah, é você. — Mudou completamente o tom de voz ao notar que tinha esbarrado em .
— Tudo bem. — respondeu no mesmo tom.
— Então faremos sua entrevista exclusiva amanhã. — A mulher com credencial de jornalista que conversava com ele lançou um sorriso exagerado na direção dele e não evitou rolar os olhos.
— Não coloque tanta esperança, gosta de desaparecer do nada. — O alfinetou, olhando diretamente em seus olhos e sorrindo sem mostrar os dentes para a mulher, entrou na sala onde a coletiva com os pilotos estava sendo finalizada.

🏎️🏁

sentia uma ansiedade enorme com a corrida prestes a começar. Não se lembrava nem mesmo de se sentir assim quando era ela quem estava dentro de um carro com uma corrida pela frente. Acompanhou as luzes se apagarem e os carros acelerarem na pista, agora era a hora da verdade, era a hora de provar que a Rennen estava forte e brigaria desde o começo pelo título.
Max largou muito bem, assim como Lewis que chegou a ameaçar Vettel na primeira curva. O alemão, no entanto, conseguiu se manter a frente e não precisou de muito para começar a aumentar a distância para o segundo colocado e ficou um pouco mais calma.
Com dez voltas a equipe tinha a certeza de que tinha acertado na configuração do carro, pois os dois estavam muito bem no circuito, e era apenas uma questão de acertar também na estratégia e nos pit-stops para garantirem o primeiro pódio, o que deveria acontecer entre a volta vinte e a vinte-cinco.
Conforme o plano, acharam mais seguro parar Vettel antes que Hamilton o fizesse, era a melhor forma de garantir que ele continuasse ocupando aquela posição. O pit-stop não tinha sido tão rápido, fazendo com que ele voltasse na segunda posição. Lewis liderou a prova por cinco voltas, quando foi chamado para fazer a sua troca de pneus. Max foi chamado ao mesmo tempo e por pouco os dois não se tocaram na saída dos boxes. conseguia imaginar o quanto o irmão deveria ter se chateado vendo que por pouco poderia estar ocupando a segunda posição, mas isso não o desmotivou.
Max continuou forçando a cada volta, chegando a ficar na frente do inglês por duas vezes, mas Lewis havia recuperado e agora estava atento o tempo todo aos retrovisores, ambos brigando pela volta mais rápida já que uma ultrapassagem em Vettel parecia cada vez menos provável de acontecer.
A corrida poderia até ser considerada sem graça pelos espectadores, pois os cinco primeiros pilotos seguiam a corrida exatamente como haviam largado e já estavam na última volta. Ricciardo tinha conseguido segurar sua posição à frente de Bottas e para a felicidade de , Gasly tinha ultrapassado Albon e conseguiria chegar em sexto. Mas se estava relativamente ruim para a RBR que vinha disputando com as equipes medianas, a Ferrari continuava desapontando os fãs, com Sainz ganhando apenas dois pontos pelo nono lugar e em sua frente com o oitavo lugar.
A bandeira quadriculada estava a vista e a equipe toda correu para a grade para comemorar quando Vettel, depois de um ano sofrível na Ferrari, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. O alemão comemorou da forma característica de sempre e sentia tanto orgulho de todos ali que sentiu os olhos úmidos.
Rennen iniciava a competição com quarenta e um pontos, assumindo a liderança dos construtores. Com os três carros parados em frente às respectivas placas, os pilotos saíram dos carros e foram comemorar com as equipes. Depois de abraçarem os engenheiros e mecânicos, os dois abraçaram , que sorria de orelha a orelha. Tiraram então os capacetes e balaclavas e um a um foram entrevistados sobre a corrida.
O pódio foi um momento de extremo orgulho para todos e desejou que seu pai pudesse estar ali para ver ao vivo a execução do hino da Holanda, após o hino da Alemanha. E então a festa no pódio tomou conta do circuito com champanhe e confete para todos os lados.
aproveitou que os pilotos ainda dariam entrevistas e retornou à garagem, queria adiantar ao máximo as partes burocráticas para que partissem de volta a Amsterdã ainda naquele dia, pois na semana seguinte aconteceria o GP de Bahrein. A garagem estava praticamente vazia, com a equipe ainda comemorando o resultado, mas uma presença específica chamou a atenção e enrijeceu.
— Você está na garagem errada. A da Ferrari é a próxima. — Disse sem emoção e se virou assim que ouviu a voz dela.
— Estava procurando pelo Sebastian, queria parabenizá-lo. — Explicou, visivelmente incomodado com a forma indiferente que o vinha tratando.
— Ele e Max ainda não voltaram das entrevistas. — respondeu, passando por ele que continuou parado.
, eu... — coçou a cabeça sem nem saber por onde começar, mas nem considerou ouvi-lo.
— Com licença, tenho coisas para resolver. — Ela cortou, ele não podia simplesmente agir como se nada tivesse acontecido depois de todo esse tempo.
coçou a cabeça, queria muito tentar melhorar a situação, mas ele não fazia ideia de como. notou pelo canto de olho que ele ainda estava no mesmo lugar na garagem, estava se sentindo mal por estar agindo dessa forma, mesmo que em sua mente ela só estivesse fazendo aquilo para se proteger. Ela não queria correr o risco de ser magoada novamente.
. — o chamou assim o que viu andando para fora da garagem, se arrependendo no instante seguinte e se virou, incerto. — Parabéns por ter ganhado a votação de piloto do dia. — Ela tentou sorrir e a expressão dele era dividida em feliz e surpreso.
— Obrigado, eu acho. — Respondeu incerto, esperando que ela logo o afastasse novamente e a atitude a fez rir.
— Você ganhou oito posições, foram oito ultrapassagens muito boas. — Ela foi sincera, abaixando a guarda por um breve momento.
— Acompanhou minhas ultrapassagens? — Perguntou de imediato, bastante surpreso.
— Não precisa se achar, . — Ela voltou com a postura anterior, mas ele tinha entendido que era apenas uma pose. — Meus pilotos estavam super garantidos no pódio, aproveitei para dar uma olhada no restante. Gasly, por exemplo. — Ele concordou com um aceno.
— Bom, falo com Sebastian depois. Te vejo no Bahrein.
não respondeu, apenas deu as costas e seguiu para sua sala, se amaldiçoando por ter perdido a pose que ela vinha mantendo a tanto tempo.
— Nada de ficar falando com ele, . Você não quer ser magoada novamente. — Repetiu para si mesma.



Capítulo Cinco



— P9, . — Ouviu pelo rádio e praguejou mentalmente.
Continuava frustrado, mas dessa vez tinha conseguido levar o carro ao Q3. Se na corrida passada ele tinha conseguido ganhar oito posições, esperava conseguir mais alguns pontos no dia seguinte.
Saiu do carro, tirou suas luvas, capacete e balaclava e abriu o frigobar, pegando uma garrafa de água e dando um longo gole. O calor que fazia em Bahrein chegava a ser desconfortável e a previsão era de que as condições durante a corrida seriam praticamente aquelas.
Passou em seu quarto, trocando o macacão por calça jeans e a camiseta de sua escuderia, e seguindo rapidamente para a sala de reunião onde a equipe já estava reunida. não tinha muito o que acrescentar, vinha dando feedbacks sobre o carro constantemente, mas não parecia surtir muito efeito e agora não poderiam mudar mais a configuração. Teriam que acertar na estratégia, largando de pneus macios e de não cometer nenhum erro.
— Petit Calamar. — Pierre chamou o amigo quando ele saia do motorhome da Ferrari.
— Ressuscitou o apelido. — riu. — Está satisfeito com a classificação?
— Estou largando na sua frente de novo, então não posso reclamar. — negou com a cabeça.
— Eu vou te ultrapassar amanhã e veremos quem vai rir.
— Eu já estou com quatro pontos a mais, amanhã essa diferença vai aumentar e não vai ser para você. — Pierre contou vantagem.
— Que apostar qual de nós vai conseguir um pódio primeiro nesta temporada? — desafiou.
— Na verdade, não. — Pierre riu. — Estou mais interessado em saber o que você e Verstappen conversaram domingo passado.
— Você está me espionando, Calamar? Que vergonha. — Pierre riu ainda mais alto. — Se está me perguntando é porque ela não te contou, o que te leva a crer que eu vou contar?
— Você é o fofoqueiro oficial do paddock, . É um fato.
— Nada demais, eu fui lá cumprimentar o Vettel pelo pódio, mas ele não estava lá.
— Eu estou achando incrível ele se dando bem nessa temporada. Ele não merecia terminar a carreira daquela forma com a Ferrari. Sem ofensas. — Acrescentou.
— Também estou, Seb é um cara incrível, me ensinou muita coisa nesses anos.
— Os conselhos dele quando fui rebaixado da Red Bull ano passado me ajudaram bastante. — Pierre lembrou.
— E largando em P1 amanhã, tenho certeza de que vai estar no pódio novamente.
— A Rennen está muito forte e acho que só não fico com raiva disso por causa da . — Pierre tinha uma consideração muito grande pela amiga. — Eu fico muito feliz em vê-la satisfeita com algo novamente.
— É bem legal ela ter dado essa volta por cima mesmo.
Pierre queria muito insistir no assunto, queria que contasse a ele o que havia acontecido anos atrás, mas o amigo já estava com a cabeça em outro lugar e seguiram juntos para o estacionamento do circuito.

Verstappen

— Max, tente preservar os pneus o máximo possível. A temperatura da pista está bem alta e se precisarmos de duas paradas, colocaremos o pódio em risco.
— Tranquilo. — Max acenou para o engenheiro, colocando os fones nos ouvidos.
— Hora de irem para o grid. Boa sorte! — desejou a ambos os pilotos, sentindo a ansiedade novamente.
Os pilotos guiaram seus carros para o grid e acompanhava tudo pelas telas e áudio. Sainz parecia ter algum problema no carro e ela se sentia feliz por participar dessa volta por cima que o Vettel estava dando. Sempre fora fã do alemão, mas mesmo que não o fosse, piloto nenhum merecia o descaso com que ele fora tratado e a forma como o avisaram do fim do contrato.
Volta de apresentação feita, carros acelerando ao máximo enquanto aguardavam as luzes se apagarem. fechou os olhos brevemente, desejando uma corrida segura e uma a uma as luzes vermelhas se acenderam, apagando em seguida e dando início ao Grande Prêmio do Bahrein.
Vettel e Verstappen tinham feito uma boa largada e prevendo a primeira tentativa de ultrapassagem de Max, o alemão foi mais rápido ao fazer a curva. Acelerou em seguida se distanciando e Max fez o mesmo, enquanto Bottas ameaçava o terceiro lugar de Hamilton.
Com a janela de pit stops aberta, Sebastian e Max foram praticamente os primeiros a pararem. Max já tinha reclamado algumas vezes da degradação dos pneus e que não estava disposto a perder seu lugar para Lewis e não fazia sentido arriscar a ótima corrida de Vettel também.
Lewis liderou a prova por exatas duas voltas e então fora sua vez de parar, garantindo seu lugar à frente do companheiro de equipe. Vettel marcara a volta mais rápida da prova e Hamilton não pretendia deixar esse ponto extra nas mãos de seu maior rival das pistas. Max, que tinha conseguido o ponto na prova anterior, também estava na disputa pelo menor tempo da volta, que acabou ficando com Vettel.
O pódio era composto pelos mesmos pilotos do Grande Prêmio da Austrália, com a diferença de que Max ocupava o segundo lugar e Hamilton o terceiro. tinha, mais uma vez, feito boas ultrapassagens e ganhado algumas posições, terminando em quinto, logo atrás da segunda Mercedes. Os dois carros da RBR vinham em seguida, dessa vez com Albon à frente de Gasly.
e o restante da Rennen Racing já estavam posicionados para comemorar com seus pilotos, ao lado de onde parariam os carros. Ver os dois carros azuis e verdes parando lado a lado e em frente às placas com os números 1 e 2 traziam uma sensação maravilhosa para ela. Eles estavam no caminho certo e seria sob a liderança dela que levariam aquele campeonato.
Vettel foi o primeiro a sair do carro, erguendo o punho direito com a mão fechada, comemorando mais uma vitória. Verstappen saiu em seguida e logo pulou do carro e correu para a grade, pulando para abraçar a equipe e a irmã. Quando Sebastian se aproximou, a festa da equipe foi ainda maior e sentiu as costelas doerem por ter sido espremida na grade para abraçá-los.
Passaram na balança e já sem os equipamentos seguiram para a entrevista antes do pódio. Rosie e sua equipe estavam atualizando todas as redes sociais em tempo real e o número de pessoas que acompanhava a premiação ao vivo no Instagram era enorme. Troféus, champanhe e muita festa. Vettel e Lewis deram um banho um no outro enquanto Max molhava o máximo de pessoas da Rennen que conseguia.

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Abril, 2020

O Vietnã não parecia estar dando sorte para a Rennen Racing. Mesmo mudando a configuração do carro de sexta-feira para sábado, não tinha observado melhoras e isso estava acontecendo com os dois carros da equipe.
Valtteri Bottas tinha marcado o melhor tempo e garantido a pole position para a corrida do dia seguinte e Hamilton vinha logo em seguida, com uma diferença de apenas oito centésimos. Max tinha conseguido o terceiro melhor tempo e Sebastian o quarto, mas a diferença deles para as Mercedes eram de quatro e cinco décimos, respectivamente.
estava preocupada, mesmo que não deixasse transparecer. tinha se classificado em quinto e vendo a forma como ele tinha ganhado posições nas últimas rodadas, sentia que ele poderia ameaçar seus pilotos. Caminhou para a sala de conferência com os outros chefes de equipe, torcendo para que não tocassem novamente no assunto de Max não ser piloto principal da equipe, agora que ele tinha se classificado à frente.

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tinha acabado de fazer seu último treino de reflexo com seu preparador físico já com seu carro no grid. Estava largando de uma ótima posição e sabia que, embora fosse difícil, tinha condições de lutar por um pódio.
— Cuidado com os meus carros, monegasco. — Ouviu alguém falar próximo a ele.
Tinha sido , mas quando ele se virou ela já estava à frente conversando com Vettel. Era estranho para ele que ela tivesse dito algo, ainda mais em tom amistoso. Talvez fosse justamente essa a intenção dela, deixá-lo pensativo ao ponto de se desconcentrar da corrida. tinha visto ela fazer isso mais de uma vez quando correram juntos na F3.
Riu e balançou a cabeça, afastando os pensamentos e voltando focar na corrida que tinha para fazer. Talvez esse fosse um tipo de sinal que ele esperava receber para criar coragem e conversar com ela.

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, você está em P3, ok? P3. — Ouviu pelo rádio e ficou confuso.
— O que aconteceu? — Continuou acelerando ao máximo, já tinha feito sua parada nos boxes e quanto maior a distância que ele tomasse, melhor.
— Algo deu errado com as paradas da Rennen. Max está atrás de você.
— Ok.
não fazia questão de entender, sabia que Max viria com tudo tentando pegar o lugar de volta e nove voltas depois o holandês estava em seu retrovisor. As últimas sete voltas tinham sido uma batalha intensa, ora garantindo que o holandês não pudesse usar o DRS para ultrapassar, ora se defendendo.
Sentiu a onda de alívio em seu corpo ao passar pela bandeira quadriculada. Estava apenas com meio carro à frente de Verstappen, mas havia sido o suficiente. Ele tinha conseguido o seu primeiro pódio na temporada, o primeiro também para a Ferrari e a sensação era muito boa.

Depois do jantar de comemoração com a equipe, subiu para o seu quarto no hotel. Seus irmãos tinham ligado para parabenizá-lo, assim como sua mãe, e quando desligou percebeu o quanto estava exausto. Escovou os dentes, trocou de roupa e se jogou na cama. Abriu o Instagram, tinha recebido várias mensagens por lá também, mas a postagem de Verstappen tinha chamado sua atenção.
Ela estava no meio, entre seu irmão e Vettel, os três sorrindo e com os braços cruzados.

“Não foi nosso final de semana, mas seguimos na liderança. 😉”

enviou a postagem para a própria , enviando seu comentário em seguida.

Sinto muito pelos seus carros, mas pelo menos não tive nada a ver com isso. 😬


Considerando o histórico de interações, nem se surpreenderia se ela nunca abrisse a mensagem dele e por isso se assustou quando o aparelho vibrou em sua mão e o nome dela estava na notificação.

Sinto muito pelos seus carros, mas pelo menos não tive nada a ver com isso. 😬


Se realmente sentisse muito, tinha deixado um deles ir para o pódio no seu lugar.



novamente estava no escuro, mas achou que ela estava brincando e então sem pensar demais, enviou uma resposta.

Sinto muito pelos seus carros, mas pelo menos não tive nada a ver com isso. 😬


Se realmente sentisse muito, tinha deixado um deles ir para o pódio no seu lugar.

Se eu tivesse deixado algum dos seus pilotos ir para o pódio no meu lugar, você me perdoaria?



Assim que leu a mensagem pensou que não deveria ter mandado aquilo. Não era nem a forma e nem o momento certo de tocar no assunto, mas era tarde demais para cancelar o envio, já tinha visualizado.

Sinto muito pelos seus carros, mas pelo menos não tive nada a ver com isso. 😬


Se realmente sentisse muito, tinha deixado um deles ir para o pódio no seu lugar.

Se eu tivesse deixado algum dos seus pilotos ir para o pódio no meu lugar, você me perdoaria?

Você acabou de estragar a conversa.



bloqueou o aparelho e o soltou na cama. Fechou os olhos e respirou fundo. Podia apostar que voltaria a ignorá-lo pelo paddock como tinha sido no começo do ano. Pelo menos agora ele tinha a certeza de que ela não tinha esquecido a situação e que também não seria tão fácil ser perdoado, mas ele pensaria em algo, não conseguiria levar a temporada toda dessa forma.



Capítulo Seis

— Precisa de alguma coisa, Max? — perguntou ao notar, por cima da tela do notebook, que ele passava novamente em frente a sala dela.
— O quê? Eu? — Se fez de desentendido.
— Essa deve ter sido a sexta vez que você passou aqui. — Ela deixou claro que tinha prestado atenção. — Na falta da Rosie, decidiu me importunar? — Salvou os dados que estava analisando e abaixou a tela.
— O quê? A Rosie não está aqui? Nem percebi. — Balançou a cabeça falsamente.
— Você está morrendo de saudade dela, isso sim. — Cruzou os braços e sorriu vitoriosa.
— Pode até ser verdade, mas jamais irei admitir. — continuou esperando, conhecia o irmão o suficiente para saber que ele queria alguma coisa. — Mas já que você tocou no nome dela… — estreitou os olhos na direção dele. — Você bem que podia dar novas instruções para o pessoal postar mais coisas minhas nas redes sociais da Rennen.
— Max, eu não vou passar por cima das decisões da Rosie com o departamento que ela coordena. — O piloto bufou e rolou os olhos. — É por isso que ela é a coordenadora, se fosse para eu fazer esse trabalho, não precisava existir esse cargo.
— Não é para fazer as funções dela, é só dar um toque falando que você sente falta de ver posts sobre o seu piloto favorito de Fórmula 1. — abriu o perfil da RR no Instagram.
— É, tem razão, acho que podemos postar mais sobre o Vettel. — Falou apenas para provocá-lo e ouviu um palavrão em resposta, seguido ao dedo do meio dele, o que a fez gargalhar.
— Vocês são duas ridículas. — Cruzou os braços, visivelmente emburrado. — Na corrida passada eu fiquei na frente dele e ganhei mais destaque? Não.
— Eu vou falar com a Rosie, ok? Vou pedir para a equipe balancear os posts.
— Ótimo. Podemos comer antes de voltar para o hotel? — estava guardando suas coisas na mochila.
— Podemos, mas você paga.
— Vocês duas têm um plano de me falir alimentando vocês por acaso? — Foi a vez de gargalhar. — Todos os dias a Rosie me convida e eu tenho que pagar.
— Alguém já te disse que você reclama demais, Max? — Ajeitou a mochila nas costas e pegou as chaves do seu Honda.
— Além de você e da Rosie, acho que minha mãe. — Sorriu, irônico.
— Chamou o Seb? — Perguntou, conferindo as notificações no próprio celular enquanto seguiam para fora do motorhome.
— Para quê? Para você esfregar mais na minha cara o seu amor pelo seu piloto favorito? — deu um beliscão no braço dele. — Larga de ser louca! — Reclamou, passando a mão pelo local. — Eu mandei uma mensagem para ele, ele está em algum restaurante vegano com o Lewis e o Romain, mas… — Max fez uma cara de desgosto e olhou para a irmã que tinha a mesma expressão no seu rosto.
— Não. — Os dois disseram ao mesmo tempo, rindo.
Max já tinha pesquisado um lugar em que ele gostaria de ir e não demoraram a chegar e nem a fazer os pedidos. Optaram por pedidos tradicionais para não correrem risco de passarem mal. Ainda era quinta-feira e eles tinham muito trabalho a fazer.
— Ei, a gente podia chamar o Pierre para vir comer com a gente. — sugeriu, vendo que o amigo tinha postado uma nova foto.
— Não, nada de chamar seu namorado, não quero segurar vela. — negou e bebeu um gole de água.
— Você sabe que ele é só meu amigo, larga de ser implicante.
— Vocês vivem grudados. — Exagerou propositalmente só porque Rosie tinha contado que ela havia se encontrado com o francês no Vietnã.
— Se ele fosse meu namorado, você saberia. — rebateu.
— Saberia? — Max a olhou, desconfiado.
— Tem razão, não saberia. — Ela riu. — Porque não é da sua conta.
— Eu sabia! Você é muito ridícula.
— Com coisa que você me contaria. — se defendeu e seu irmão deu um sorriso.
— Rosaleen já te contou que está namorando? — Max apoiou os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos.
— E com quem ela estaria namorando? — Desde que assumira o cargo de chefe da equipe, as conversas entre elas sempre caminhavam para algum tópico do trabalho.
— Com a única pessoa capaz de suportá-la, é claro. O vegano que entende o que ela diz. — Max falava sério, mas sua irmã não conseguiu conter o riso.
— A Rosie? Está namorando o Hamilton? — Riu novamente. — E o que, exatamente, te faz achar isso? — Perguntou no exato instante em que seus pratos chegaram.
— Eles estão sempre de conversinhas e sorrisos pelo paddock. Não é possível que você não tenha reparado.
— Ai, Max…
— Além disso, eles sempre comentam nos posts um do outro.
— Agora eu entendi por que você acha que eu namoro com o Pierre. — Ela começou a comer. — Essas coisas não querem dizer nada, Max. Se a Rosie estivesse namorando com ele ou com qualquer pessoa, ela teria nos contado. E outra, ela está tão focada no trabalho, que eu duvido que ela esteja vendo alguém.
— Mais um motivo para ser alguém do trabalho. — Ele gesticulou, mostrando o quão óbvio era aquele raciocínio. — Mande uma mensagem para ela perguntando então.
— Ela está doente e na casa dos pais, não vou importuná-la com isso. — negou.
— Com tanta gente naquele paddock, ela escolheu justo o nosso maior rival.
— Max, você não está com ciúmes, está? — provocou e por estar de boca cheia ele apenas fez uma careta. — Porque esse comportamento se não for ciúme é amor reprimido. — Continuou, vendo-o ficar cada vez mais irritado.
— Ah, cale a boca e coma.

🏎️🏁

A reunião com a equipe depois da classificação não tinha sido nada esclarecedora. Rennen Racing tinha ocupado duas das três melhores posições do grid durante todos os treinos livres e na classificação tinha sido superada pela Mercedes e Sebastian e Max largariam, respectivamente, da terceira e da quinta posição.
sabia que aquele não era um resultado ruim para largar no domingo, o que a incomodava é que tinham revisado todos os dados e não tinha nada de errado. Nenhum dos pilotos tinha tido problema, o que levava a crer que a Mercedes e seus pilotos tinham se encontrado naquela pista e eles precisariam acertar na estratégia para garantirem mais um pódio.
— Que cara é essa? — Pierre brincou ao cruzar com a amiga em frente ao motorhome da Red Bull. — Até parece que seus pilotos vão largar dos boxes amanhã. — Ela riu.
— Eu sei que foi uma boa classificação para a equipe, mas a Mercedes me estressa. — Confessou e ele riu alto.
— Te estressa e irrita praticamente todo o restante do grid. — Acrescentou.
— E para melhorar seu amigo fez uma volta boa o suficiente para se enfiar entre os meus dois carros e largar em P4. — Suspirou, cansada.
— Mon coeur, vocês dois definitivamente precisam sentar e conversar.
— Não precisamos. — Rebateu de imediato.
— Essa tensão não faz bem para nenhum de vocês. E eu tenho certeza de que você sabe disso e ele também. — podia sentir a sinceridade nas palavras dele. — São raras as vezes que vocês se cruzam no paddock e não se estranham.
— Eu acho que você está prestando atenção demais em nós. — Falou na defensiva.
— Vocês são dois dos meus melhores amigos, . Os que eu mais tenho chances de conviver atualmente e seria perfeito se pudéssemos ser os três como antes.
— Seria, Bunny. Mas eu não fiz nada de errado, então não é para mim que você tem que falar essas coisas. — realmente não se abria fácil e pelo tom de voz dela, ele sabia que o que quer que tivesse acontecido, estava longe de ser superado.
— Se ele te procurar, você vai ouvir?
— Se ele não estragar tudo como sempre. — Deu de ombros. — Mas se eu fosse você, deixava isso quieto.
— Ainda bem que você não é. — Sorriu e entrou quando seu engenheiro o chamou.

🏎️🏁



O sonho de dois pódios seguidos ficou mais distante logo na largada. Max Verstappen o ultrapassou antes mesmo da primeira curva e ele não conseguiu reagir. Segurou sua parada o máximo que pôde, cuidando dos pneus já que não tinha nenhum carro o ameaçando.
Mas algo na estratégia não deu tão certo. Enquanto fazia sua troca de pneus sofreu um undercut e Daniel Ricciardo ganhara não só a posição de Albon como também a dele. Ele estava na sexta colocação e mais perto do final da prova seu engenheiro avisou no rádio que Hamilton estava com problemas no câmbio e que vinha perdendo posições.
Mesmo com problemas no carro, Hamilton tinha defendido a posição muito bem em todas as tentativas de ultrapassagem de e garantido para si o quinto lugar, o que deixava o piloto da Ferrari em P6, somando mais oito pontos e ocupando a quinta posição no campeonato de pilotos.
Bottas tinha se mantido em P1 durante toda a prova, marcando inclusive o ponto de volta mais rápida, e os dois carros da Rennen completavam o pódio mais uma vez, com Max à frente de Vettel. Albon, Norris, Gasly e Russell fechavam o top 10.
— Se a Rennen se tornar a nova Mercedes, eu vou ser obrigado a odiar a . — Gasly brincou, esperando a pesagem logo atrás de .
— Eu duvido isso acontecer um dia. — riu, esperando por ele.
— Bom, se ela me contratar eu não vou precisar odiá-la. Já imaginou nós dois correndo pela equipe dela? Seria como antigamente. — Pierre fingiu sonhar.
— Ela jamais tiraria o irmão e tenho quase certeza de que eu sou o último piloto que ela cogitaria ter na equipe dela.
passava do outro lado e virou a cabeça na direção deles como se soubesse que era dela de quem eles falavam naquele momento. Ela sorria, mas era para a própria equipe mais adiante, pois virara o rosto novamente.
— Cara, vocês precisam resolver isso. — Pierre disse quando já estavam mais afastados.
— Resolver o quê? — se fez de desentendido mais uma vez.
— O que quer que tenha acontecido quando vocês dois ficavam. — Pierre falou mais baixo, quase em um sussurro.
— Ela te contou? — perguntou com a voz mais aguda.
— Meu Deus, até para cair no verde que eu jogo vocês são pateticamente idênticos. — O francês balançou a cabeça e riu fraco. — Agora que finalmente arranquei isso de você, o que foi que aconteceu?
— Eu fiz merda. — deu de ombros, assumindo a culpa que tinha assumido para si mesmo há algum tempo.
— Então conserte! — Pierre devolveu no tom mais óbvio que conseguiu.
— É da que estamos falando, Pierre! Você sabe tão bem quanto eu o quanto é difícil… O quanto ela é cabeça-dura. — Pierre assentiu, sabia que a amiga não era a pessoa mais fácil de lidar algumas vezes.
— E se você, dentre todos, foi a quem deu chance uma vez, você consegue uma chance de conversar e resolver.
— Não é tão simples, ok? Eu fiz merda, mas eu demorei a entender isso e não é só uma conversa para resolver, porque ela se irrita comigo com qualquer coisinha. — se defendeu mais uma vez.
— Você pilota um carro a 300km/h, . Não é possível que tenha medo de conversar com a sua ex. — Pierre o provocou com um sorriso e o deixou sozinho e pensativo depois de dar dois tapinhas em suas costas.



Capítulo Sete

— É bom te ter de volta, Rosie. — Vettel sorriu ao cruzar com ela na sede da Rennen Racing.
— O quê? A Rosie não estava aqui? Nem reparei. — Max fez pouco caso e Rosie rolou os olhos.
— Obrigada, Seb. — Ela agradeceu.
— Não dê ouvidos a ele, Rosie. Foi a pessoa que mais sentiu sua falta por aqui. — O alemão falou e Max o olhou com indignação.
— De que lado você está? — O mais novo reclamou e Vettel riu.
— Ah, eu sei, Seb. A quantidade de mensagens que recebi desde que fui para a casa dos meus pais nem me deixa pensar o contrário.
— Convencida. Eu só queria ter certeza de que não era nada contagioso.
— Se iluda o quanto quiser, pirralho. Você não sabe mais viver sem mim.
— Bom, vou nessa. Vejo vocês amanhã. — Vettel se despediu, indo para o lado contrário do corredor.
— Até mais. — Os dois disseram juntos.
— Almoço? — Rosie soltou com um sorriso.
— Viu, você sente a minha falta também. — Max sorriu, convencido.
— Ou apenas gosto de ser alimentada. Você jamais saberá qual dos dois é. — Ela respondeu, entrando na sua sala, apenas para pegar suas coisas e seguir com Verstappen para a garagem da sede. — E a ?
— Tem uma reunião até mais tarde e vai encontrar o Pierre depois. Parece que ele veio para a Holanda mais cedo apenas para encontrar com ela. — Ele deu de ombros.
— Ah sim. Acho que ela mencionou isso em alguma mensagem, mas não me lembrava. — Max deu partida no carro, seguindo para o restaurante vegano que ele mais tinha gostado até então.
— Eu acho que eles têm alguma coisa. — Max falou um tempo depois e Rosie tirou os olhos do celular e o encarou.
e Pierre? — Perguntou em dúvida e riu alto quando Max concordou com um aceno.
— Você está rindo, mas está na mesma situação.
— E você poderia me explicar que situação é essa? — Ela cruzou os braços e ele a olhou brevemente enquanto estavam parados no semáforo.
— Comentários nas fotos um do outro no Instagram, risos e conversinhas pelo paddock… — Deixou no ar, voltando a acelerar. — É exatamente como você e o Lewis.
— A sua imaginação é fértil demais, Verstappen. Não é por isso que se encontra com o Pierre. Ela só quer garantir que ele está realmente bem depois de tudo que ele passou no ano passado e acho que gosta de lembrar de quando eles corriam juntos. — Rosie contou algo que ela achou que Max soubesse, já que nunca escondeu a importância do francês em sua vida.
— E você e o Lewis, gostam de lembrar do quê? — Perguntou com um sorriso, estacionando o carro na vaga do restaurante.
— Não é da sua conta. — Desceu do carro e não o esperou para entrar no restaurante.

🏎️🏁

— Você sabe que eu amo várias coisas em você, mas não ser vegano é definitivamente uma delas. — disse depois de saborear o salmão grelhado e Pierre riu.
— Acho que não conseguiria ser, mas gosto muito de alguns pratos.
— Sim, a Rosie conhece restaurantes muito bons e eu gosto bastante, mas não acho que consiga ser vegana um dia.
— Mudando de assunto… — Pierre voltou a falar depois de um tempo e o encarou. — Não fique brava, mas eu falei com o . — Ela voltou a mastigar pacientemente.
— Falou o quê? — Perguntou, tentando demonstrar que não se importava.
— Que sabia que vocês se pegavam.
— Ótimo, agora além de tudo ele vai achar que eu sou uma fofoqueira. — fez uma careta. — Para alguém que queria ajudar a resolver o problema, você começou fazendo o contrário.
— Você nem esperou eu terminar de falar. — Pierre se defendeu, bebendo um pouco de sua água. — Eu falei que eu sempre soube e é o , ele acreditou em mim. — segurou o riso. — Mas ele acha que você não dá brecha para que vocês possam conversar.
— Não é exatamente minha culpa se ele não consegue não fazer burrada. — Ela deu de ombros.
— Mon coeur, dê uma chance e pelo menos conversem. — Pierre pediu, com um sorriso doce e odiava quando ele fazia isso.
— Espera aí. Ele te contou o que houve? — estreitou os olhos e ele negou.
— Não, só disse que errou e que demorou para perceber e que não é algo que ele possa resolver com uma simples conversa.
— Ele era meu amigo, eu sofri o pior acidente da minha vida, eu poderia ter ficado paraplégica e ele não se prestou a me mandar uma mensagem para saber como eu estava, Pie.
— É o , , e era um com dezenove anos. — Pierre tentou ajudar o amigo.
— Tem horas que não sei se você realmente só quer que a gente se acerte ou se quer saber por pura curiosidade. — Pierre riu alto e ela acabou rindo também. — Vamos pagar, eu preciso voltar para a sede da Rennen. — Disse depois de ver as barras de notificações na tela.
— Promete que vai dar uma chance a ele de se explicar? — Pierre insistiu quando se abraçaram de fora do restaurante.
— Talvez. — Respondeu, com um sorriso enigmático e acenou um tchau antes de entrar em seu carro.

estava tão concentrada em seu trabalho que se assustou com as batidas na porta. Só então desviou os olhos do computador e viu que já estava escuro lá fora.
— Posso entrar? — Rosaleen colocou a cabeça para dentro e entrou de vez quando assentiu. — Problemas?
— Não. Recebemos duas propostas, uma delas englobando até o próximo ano. Estava analisando se seriam viáveis para nós. — Fechou os programas abertos antes de desligar o computador.
— Entendi. E como foi o almoço com o Pierre? — Rosie perguntou, se sentando em uma das poltronas.
— Teria sido melhor se ele não ficasse falando do . — fez uma careta.
— E por que ele anda falando do cabeção? O que ele fez?
— Pierre quer que a gente converse, ele acha que nosso atrito não é saudável e tal. — Deu de ombros.
— Não é saudável ele manter amizade com o monegasco, isso sim.
Apesar de serem amigas há muito tempo, nunca tinha contado para Rosie porque ela e não se davam bem. Ela sabia que tinham amigos na época da F3 até pela quantidade de fotos e pódios divididos por eles, mas evitava ao máximo esse assunto e Rosie a respeitava.
— E você vai? — deu de ombros.
— Se algum dia ele quiser, de fato. Talvez seja bom colocar um ponto final de vez nisso. — Rosie assentiu. — Ah, antes que eu me esqueça, Max pediu para eu falar com você sobre postar mais sobre ele nas redes sociais.
— Eu fiz uma aposta com ele. — terminou de fechar sua mochila e a olhou. — Se ele ganhar a corrida de Zandvoort ele terá uma semana de destaque.
— Rosie!
— Qual é, eu confio na equipe e no Max. Isso foi apenas motivação extra.
— Entendi. Então agora seu novo hobby é fazer apostas com pilotos. — soltou uma indireta, não acreditava que Max estava certo, mas não faria mal perguntar.
— Ah, não, até você? — Rosie rolou os olhos.
— Você não está namorando, está? O Max falou umas coisas…
— E é por isso que eu não posso ficar uma semana afastada, está vendo? Eu fico doente e você passa a dar ouvidos ao seu irmão. — riu.
— Quer carona para o circuito amanhã? — A chefe ofereceu.
— Não é o Max que vai dirigindo, é? — negou. — Ótimo.

🏎️🏁

Os treinos livres tinham sido muito bons para e ele mal podia acreditar que estava disputando bem com os dois carros da Rennen Racing e com as Mercedes. Estava confiante para o treino classificatório como não tinha estado há muito tempo e sua confiança aumentou ainda mais quando o assunto no paddock era de que Lewis estava com problemas no câmbio.
A contagem regressiva havia começado e não demorou a ir para o circuito, e logo nas primeiras voltas notaram que a Rennen tinha feito exatamente o que a Mercedes costumava fazer. Tinham escondido o jogo durante as sessões anteriores e agora faziam voltas num ritmo extraordinário. Correr em casa e com toda aquela multidão estava sendo incrível para Max que tinha conseguido diminuir o tempo da volta mais rápida mais uma vez.
Hamilton realmente estava com problemas, tinha completado apenas duas voltas antes de voltar para os boxes e deu mais três voltas no final do Q2, conseguindo ir para o Q3, mas com mais de um segundo de diferença de Bottas, seu companheiro de equipe. O mesmo acontecia com Sainz, companheiro de equipe de , que tinha sido o piloto na zona de risco.
A Ferrari ocupava o terceiro lugar no campeonato de construtores, tinha superado a Red Bull na terceira corrida e estava conseguindo se manter ali, o problema é que Carlos não era constante e mesmo quando marcava, eram poucos pontos se comparado com .
O monegasco seguiu à risca todas as instruções que eram passadas pelo rádio. Tinha sido um dos últimos a receber a bandeira quadriculada, e gritou de alívio ao saber que tinha ficado apenas atrás dos carros da RR. Largaria em P3 no dia seguinte, ao lado de Bottas.

🏎️🏁

, Bottas não vai atacá-lo. Está com problemas no motor. Tente se aproximar ao máximo do carro de Vettel.
— Entendido.
— Manteremos a estratégia A. — Voltou a ouvir no rádio.
— Ok.
A estratégia significava parar assim que a janela de pit stops estivesse aberta, com pneus mais novos ele conseguiria ir mais longe e depois só precisaria tomar cuidado para não ser ultrapassado.
Aquela estratégia tinha sido realmente a melhor e com isso ocupava a segunda posição, atrás apenas de Verstappen. A corrida estava prestes a acabar e estava extremamente satisfeito com seu primeiro pódio, mais ainda por dividi-lo com um de seus melhores amigos. A Red Bull tinha feito uma estratégia parecida e Pierre tinha conseguido ganhar ainda mais posições, subindo para o terceiro lugar.
guiou o carro até o local apropriado, parando-o em frente à placa com o número dois. Max já tinha saído de seu carro e vibrava com a mão direita fechada. Mesmo com apenas um piloto da equipe no pódio, a comemoração da Rennen Racing era barulhenta. Ele pulou para o chão e correu em direção à equipe que o esperava de braços abertos e se perdeu no sorriso de por alguns instantes.
Balançou a cabeça e saiu ele próprio do carro. Ergueu os dois braços e foi a vez dos gritos de sua própria equipe ecoarem ali. Correu para comemorar com eles, sentindo uma dor enorme nas costelas quando o seu engenheiro o abraçou forte pela grade. Parou para algumas fotos e logo sentiu um braço em seus ombros.
Pierre também tinha saído e eles nem se lembravam da última vez que tinham subido ao pódio juntos. Se parabenizaram e enquanto o francês comemorava com a Red Bull, foi até a bancada em que seus itens pessoais estavam. Tirou o capacete e balaclava, colocando o boné para a cerimônia do pódio. Colocou seu relógio e bebeu um gole de água. Recebeu cumprimento dos outros pilotos que passavam por ali para se pesarem e cumprimentou Max pela vitória assim que ele terminou de dar sua entrevista.
, seu primeiro pódio nesta temporada. Parabéns! Como se sente?
— Cara, é fantástico. A Rennen esteve forte o final de semana todo e tivemos ótimas batalhas na pista. Estou realmente feliz com o pódio e com os pontos que marquei para a equipe. Acho que isso nos mostra a direção que devemos seguir daqui para frente e quem sabe esse resultado se torne mais frequente.
A festa no pódio tinha sido fantástica, os fãs estavam muito animados com seu ídolo em primeiro lugar. Três equipes diferentes no pódio, três pilotos da nova geração, parecia trazer um ar que os espectadores esperavam há algum tempo.
Abriu o Instagram quando estava de volta no hotel. Se já era marcado em vários posts constantemente, com o pódio as marcações tinham praticamente triplicado e ele estava prestes a fechar o aplicativo quando um comentário chamou sua atenção.
Clicou para ver a foto que na verdade era uma montagem de duas fotos, uma acima da outra. A foto de cima era um pódio da F3, com Pierre em primeiro, em segundo e ele em terceiro, e a de baixo era a do pódio de Zandvoort, ele, Max e Pierre.
Lembrou-se do sorriso de ao cumprimentar o irmão assim, era o mesmo daquela foto de anos atrás, era uma das coisas que ele achava mais bonito nela. Bloqueou o aparelho. Talvez Pierre tivesse razão, talvez ele precisasse conversar com de uma vez por todas.



Capítulo Oito

amava estar em Barcelona, era uma de suas cidades preferidas no mundo e mesmo não sendo fã do circuito, acreditava que somariam mais bons pontos para a equipe. Estava descendo para o café da manhã no hotel com Rosie, que também tinha sido contagiada pela energia da cidade, Vettel, totalmente despreocupado, e Max, que queria ter dormido mais.
— Seu bom humor é irritante. — Max reclamou, mordendo um pedaço de torrada com ovos.
— Você é irritante o tempo inteiro e eu ainda te deixo andar comigo. — Rosaleen rebateu e ele rolou os olhos.
— Por que nós temos que ir tão cedo? — Max perguntou, terminando de comer.
— Você realmente não presta atenção em nada? — Vettel perguntou, surpreso.
— Está vendo, Seb. Meu salário deveria ser dobrado do tanto que eu tenho que repetir as coisas porque o Max me ignorou. — Rosie exagerou no drama.
— Eu não te ignoro. — E recebendo um olhar feio dela, reformulou. — Ok, eu não te ignoro tanto assim. Mas ontem eu estava com sono. — Justificou.
— Vocês vão falar com a Netflix hoje. — respondeu com uma paciência que deixou Max desentendido.
— O que você está vendo aí? — Ele tentou puxar o aparelho das mãos da irmã por cima da mesa.
— Não é da sua conta. — Deu um tapa na mão dele, puxando o celular para mais perto do próprio corpo.
— Por que temos que falar com a Netflix de novo? Você sabe que existe a maldição da Netflix no paddock. — Max voltou a falar, mas já não prestava atenção.
tinha recebido uma mensagem de , e ela nem mesmo sabia que ele tinha o número dela, mas isso foi logo esclarecido quando ela abriu o aplicativo.


Online

Oi, .

É o .

Eu sei que o Pierre tem falado com você também e eu acho que ele tem razão.

Eu quero conversar com você.



levantou os olhos da tela, procurando o piloto pelo restaurante, estava a poucas mesas de distância com a sua equipe e tinha o celular em mãos. Parecendo sentir que alguém o olhava, ele levantou os olhos do aparelho e os dois se encararam por alguns instantes. A falta de resposta fez com que ele enviasse mais uma mensagem.


Online

Oi, .

É o .

Eu sei que o Pierre tem falado com você também e eu acho que ele tem razão.

Eu quero conversar com você.

Podemos conversar depois das conferências?



voltou a olhar na direção dele, ele esperava uma resposta.


Online

Oi, .

É o .

Eu sei que o Pierre tem falado com você também e eu acho que ele tem razão.

Eu quero conversar com você.

Podemos conversar depois das conferências?

Domingo, depois da corrida.



leu a mensagem e vendo que ela ainda o olhava, confirmou com um aceno. guardou o celular, torcendo para que tivesse sido discreta o suficiente.
, você vai comer esse bolinho? — Max perguntou, já levando a mão ao prato dela.
— Pode pegar. — empurrou o prato na direção dele.
— Você está muito estranha. — Ele falou, olhando para Rosie e Vettel, buscando confirmação sobre a atitude da irmã.
— Deve ser a convivência com você. — sorriu sem mostrar os dentes. — Agora termine logo esse café da manhã. Quanto mais rápido fizermos tudo, mais rápido ficaremos livres e eu quero aproveitar pelo menos um pouco a cidade.

🏎️🏁

tinha pensado bastante sobre o que fazer. Era a primeira vez que queria conversar e ela tinha prometido a Pierre que tentaria se controlar e ouvir o que quer que o monegasco tivesse a dizer. Mas a ideia de estar a sós com a deixava nervosa e apreensiva.
Depois de uma sexta de treinos livres extremamente positivos para a Rennen Racing e um almoço agradável com algumas pessoas da equipe, aceitou o convite de Rosie para turistar um pouco, afinal ela realmente tinha adiantado ao máximo o seu trabalho para ter um tempo para apreciar a cidade.
Saíram do paddock por volta das quatro da tarde e foram até o Park Güel, um dos pontos turísticos mais agradáveis na visão de .
— Nossa, ar livre. Nem me lembro a última vez que fui a um parque. — comentou quando passaram pela entrada principal do lugar.
— Você devia correr ao ar livre ao invés de correr na esteira. — Rosie sugeriu.
— Acho que se eu fizer isso eu largo a academia e não posso largar. — Deu de ombros enquanto se dirigiam a um dos pavilhões.
As duas já tinham ido até lá antes, mas era um lugar tão grande que não conseguiam visitar tudo em uma única ida. Deixaram os museus de lado e aproveitaram mais a natureza. aproveitou do dom de Rosie para ser fotografada e elas se divertiram no passeio como não acontecia há muito tempo, já que as duas levavam o trabalho muito a sério e aquilo consumia muito tempo.
— O que foi? — Rosie perguntou ao notar a amiga longe em pensamentos enquanto admiravam o mar. — Não falei nada antes porque contrariar o seu irmão é um dos meus passatempos prediletos, mas você está mesmo diferente desde ontem.
me mandou uma mensagem. — falou de uma só vez.
— Ah, foi por isso que estavam se encarando ontem então.
— Você viu isso? — se surpreendeu, achava que tinha sido discreta.
— Vi sim, mas por que ele te mandou uma mensagem? — Rosie fez uma careta e a amiga riu.
— Porque ele ouviu o conselho do Pierre e quer conversar comigo.
— Ah.
— Por que você não gosta dele? — percebeu que nunca soube o motivo pelo qual a amiga não era fã do piloto.
— Por vários motivos. Primeiro que ele corre naquela equipe horrível que fez a vida do Seb um inferno. — assentiu, não era fã da Ferrari também. — Segundo porque quando ele subiu para a Fórmula 1, todo mundo enalteceu demais ele e apagaram o Max, que é muito melhor que ele, vale relembrar. E também-
— Tem mais? — a interrompeu.
— Sim. — Ela assentiu. — Qualquer pessoa que você não goste, eu automaticamente não gosto também.
assentiu e voltou a olhar para o mar. Vendo que ela não diria nada, Rosie resolveu insistir. Apesar de respeitar o espaço da mais nova, ela queria muito entender o que tinha acontecido entre eles.
— E você vai conversar com ele?
— Não sei… tem dias que eu adoraria saber o que foi que aconteceu para mudar tudo, mas outros dias eu acho que seria melhor deixar tudo como está. — Rosie continuava sem saber do que se tratava, mas apoiou-a mesmo assim.
— Você vai saber o que fazer.
sabia que precisava ouvir o que tinha a dizer. Tinha gastado tempo demais de sua vida tentando entender os motivos que o levaram a se afastar completamente de um dia para o outro e, ouvindo o lado dele, talvez ela conseguisse seguir em frente sem o peso que ela carregava dentro de si. Por outro lado, ela estava receosa. Não sabia o que aconteceria quando estivessem a sós, não sabia se conseguiria manter a pose que vinha mantendo por todos esses anos.

🏎️🏁

tinha se acomodado no Pit Wall naquele domingo ao invés de ficar na garagem como sempre. O sábado tinha sido muito bom para Max que tinha assegurado sua segunda pole position do ano e largaria ao lado de Bottas na primeira fila, já para Vettel a classificação não tinha sido tão boa. O alemão tinha sido atrapalhado e não conseguiu abrir uma volta rápida antes do cronômetro zerar. Com isso largaria em P5, atrás de Hamilton e .
No entanto, a chefe de equipe não estava tão preocupada com a atuação da equipe. Max era melhor em largadas do que o finlandês, portanto, era provável que conseguisse se manter em primeiro. E Sebastian não teria problemas em ultrapassar , que não vinha oferecendo muita resistência nas corridas anteriores. Mas Lewis estava ali, e essa disputa seria acirrada.
Vettel e Hamilton realmente disputaram bastante e o público presente no circuito vibrava a cada ultrapassagem. Nenhum deles conseguia abrir mais que um segundo de vantagem na zona de DRS e com a asa aberta, a cada duas voltas um deles se beneficiava e conseguia a terceira posição. No final, Vettel conseguiu abrir vantagem e a equipe comemorou.
Faltavam sete voltas para o final da prova e Bottas tinha se aproximado de Verstappen, tentando ultrapassá-lo em duas curvas, mas sem sucesso. Mas na terceira tentativa houve um toque entre os carros e ambos saíram da pista. ouviu uma série de palavrões do irmão pelo rádio e soube que ele estava bem.
Não ter os dois carros da equipe no pódio era doloroso, mas agora era Vettel quem ocupava a primeira posição e ele tinha total atenção da equipe. Com o safety car, Hamilton conseguiu diminuir bastante a distância entre eles, mesmo assim não foi o suficiente para tentar uma ultrapassagem antes de passarem pela bandeira quadriculada.
Os mecânicos estavam na grade vibrando por mais uma vitória da equipe e viu quando o irmão chegou com raiva na garagem da Rennen. Jogou as luvas na bancada de qualquer jeito e tirou o capacete e a balaclava.
— Você está bem? — se aproximou.
— Estou. O acidente não foi nem investigado? — O piloto buscou informações nas telas.
— Acidente de corrida. — Max riu fraco com a resposta.
— Essa FIA é uma piada mesmo. Mas pelo menos Vettel garantiu o primeiro lugar. — Caminharam para perto da equipe e abraçaram o alemão quando ele saiu do carro e foi até a equipe para comemorar.
E foi só quando o carro da Ferrari parou em frente à placa com o número três foi que percebeu que tinha conseguido seu terceiro pódio naquela temporada. Vettel havia sido o primeiro a dar entrevista e quando trocou de lugar com Hamilton, cumprimentou .
— É sério que eu vou ter que ver o no pódio ao invés de você? — Rosie reclamou alto chamando a atenção dos irmãos.
— A culpa é sua que nos mandou falar com a Netflix. Você sabia da maldição. — Max deu de ombros.
— Pelo menos temos o Seb para nos trazer alegria. — Ela sorriu, vendo a cerimônia de premiação começando.
— Todos nós sabemos que sua alegria na verdade está em ver seu novo affair em segundo lugar. — Max provocou e não conseguiu segurar o riso.
— Também, afinal ele está me devendo oitenta libras. — Respondeu como se não tivesse percebido o que Max realmente insinuava.
Sebastian subiu no pódio fazendo uns passinhos engraçados e se sentia realizada em vê-lo constantemente no topo e feliz de novo. O hino alemão tocou, seguido do hino da Holanda e aquela era uma combinação que não cansaria de ouvir.
— Você tem que ficar aqui? — Max perguntou para Rosie. — Quero ir logo para casa.
— Sim, Vettel tem a coletiva ainda. — Ela respondeu sem olhá-lo, conferindo algumas coisas no celular.
— Eu fico. — falou, atraindo a atenção dos dois. — Podem ir.
— Mas você não tem aquele… compromisso? — Rosie tentou ser discreta, mas isso só deixou Max mais curioso.
— Acho que será adiado de qualquer forma. — indicou o pódio e a amiga entendeu que ela se referia ao fato de também precisar participar da coletiva.
— Ótimo. Adeus, irmãzinha. — Max deu tchau e caminhou ao lado de Rosie para o lado oposto. — Rosaleen, o que acha de irmos para Mônaco mais cedo?
— Parece bom. — Avistou Lewis logo a frente. — Agora você vai arrumar suas coisas enquanto eu vou receber meu prêmio da aposta.
— Vai lá receber beijos do seu amado. — Max mandou beijos no ar.
— Tchau, Max.

🏎️🏁




Online

Parabéns pelo pódio!

Max quer ir embora logo e você deve querer comemorar.

Nos falamos em Mônaco, ok?



só teve tempo de ler a mensagem a noite e sentiu uma onda de alívio, pois, com o pódio, a comemoração na Ferrari havia sido mais longa do que ele esperava e ele tinha esquecido completamente de que conversariam depois da corrida.



Online

Parabéns pelo pódio!

Max quer ir embora logo e você deve querer comemorar.

Nos falamos em Mônaco, ok?

Obrigado.

Te vejo lá.







Continua...



Nota da autora: Foi quase, mas não foi dessa vez AINDA! Hahahaha
Pelo menos finalmente tomou coragem de dar um passo para tentar resolver a situação e parece disposta a isso também. Então só nos resta esperar!
Espero que tenham gostado!
Beijos e até Mônaco! ❤️





Nota da beta: Aiiii, quase meu Deeeus, eu já tava aqui com a roupa pronta para esse evento, e você me trolou lindamente, Larissa kkkk, pelo amor de Deus, eu estou me sentindo iludida hahahh! Ansiosa pela continuação!

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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