Rules of Attraction

Finalizada em 02/09/2025

Capítulo Único

Eu deveria ter desconfiado quando a Ana me convidou para o casamento dela com aquele sorriso de quem sabe de alguma coisa.
Casamentos são sempre perigosos — há champanhe demais, música lenta demais, vestidos desconfortáveis e, invariavelmente, a presença de pelo menos uma pessoa que você passou a vida inteira tentando evitar.
Spoiler: a minha apareceu logo na recepção.
E não veio sozinha.
. — a voz dele me atingiu antes que eu conseguisse me esconder atrás da mesa do buffet. — Achei que você teria inventado uma conferência no Alasca para escapar disso.
Respirei fundo, ajeitei o decote do vestido (se a vida insiste em me dar limões, eu pelo menos vou usá-los estrategicamente) e me virei.
E lá estava ele. .
A mesma gravata torta. O mesmo cabelo que parecia ter brigado com um pente e vencido. O mesmo sorriso irritantemente confiante.
E os mesmos olhos castanhos que, há cinco anos, eu jurei nunca mais encarar de perto.
Mas dessa vez tinha um detalhe a mais: Luísa.
Luísa, que na graduação se especializou em duas coisas — monopolizar professores e transformar minha vida acadêmica em um inferno. Ela estava pendurada no braço dele, como quem sabe exatamente o efeito que causa.
. — sorri como quem encontra uma barata flutuando no café da manhã. — Vejo que você continua incapaz de dar um nó decente em uma gravata.
Ele riu. O maldito riu.
— É, mas continuo dando nós em equações que metade dos físicos do planeta não entende.
Touché. Ele sempre soube me irritar.
— Bom para você. Eu prefiro resolver problemas do mundo real, não brincar de Deus com partículas.
— Por “mundo real” você quer dizer laboratórios de biologia molecular infestados de ratos? — ele inclinou a cabeça, me desafiando.
Eu ia retrucar, mas percebi duas coisas de uma vez:
Ele ainda sabia exatamente como cutucar meu ego científico.
Luísa apertava o braço dele, sorrindo satisfeita como quem marca território.
Meus amigos, a uns dez metros dali, observavam a cena como torcida organizada. Aposto que tinham bingo de “quantos minutos até e começarem a discutir”.
Respirei fundo, ignorando o calor que subia pelo corpo — e não tinha nada a ver com champanhe.
— Não vamos dar esse gostinho para eles — murmurei.
— Para quem?
— Para a arquibancada ali no canto. — fiz um gesto discreto.
Ele seguiu meu olhar, percebeu e sorriu daquele jeito. O sorriso que sempre me deu vontade de socar e beijar ao mesmo tempo.
— Então sugere o quê, doutora?
Eu deveria ter respondido algo inteligente, sarcástico, destrutivo.
Mas, com Luísa colada nele e aqueles olhos me atravessando como antes, tudo o que consegui dizer foi:
— Sugiro fingirmos que somos civilizados.
— Civilizados? — ele arqueou a sobrancelha. — Eu consigo fingir. Mas você… você sempre foi péssima nisso.
Primeiro round, e eu já estava perdendo.
xxx

Se existe um momento em que você sabe que foi traída por todos os seus amigos, é quando eles começam a gritar em uníssono:
Dancem! Vocês eram o casal favorito da turma, dancem pra relembrar!
Eu tentei recusar com a classe de quem sabe que não pode fugir: dei um gole enorme no champanhe e sorri como quem vai ao dentista sem anestesia. , claro, parecia se divertir como se fosse a final da Copa.
— Parece que temos um público — ele disse, oferecendo a mão.
— Parece que você ainda gosta de espetáculos — retruquei, mas aceitei. Porque orgulho tem limite, e recusar só faria eles gritarem mais alto.
A música começou lenta demais, romântica demais. Ele segurou minha cintura com aquela naturalidade irritante, como se os últimos cinco anos nunca tivessem existido. Eu coloquei a mão no ombro dele com a rigidez de uma estátua.
— Relaxa, doutora, você está dançando, não defendendo tese. — o sorriso dele era um insulto.
— Você continua pisando no pé das parceiras, ou já aprendeu a usar coordenadas cartesianas para guiar seus movimentos? — falei, seca.
Ele riu. Maldito. E, claro, pisou no meu pé.
— Ai!
— Só para provar que você ainda me conhece bem.
Aos poucos, entre provocações e olhares atravessados, a rigidez foi cedendo. Eu percebi que meu corpo lembrava mais do que eu gostaria: o encaixe, a respiração perto, o cheiro inconfundível do perfume dele. Como se tivéssemos sido feitos para dançar juntos — ou para coisas muito menos públicas.
Meu coração bateu rápido, não pela música, mas pela lembrança de noites em que o ritmo era outro, mas a sintonia a mesma.
Quando a canção acabou, eu me afastei depressa, como quem percebe que o fogo está chegando perto demais da gasolina.
— Preciso de ar. — anunciei, e saí da pista antes que alguém notasse o rubor no meu rosto.
Ele veio atrás, claro. nunca soube respeitar distâncias seguras.
Lá fora, o ar fresco me atingiu. Apoiei-me na mureta, respirando fundo. Ele se encostou ao meu lado, as mãos no bolso do paletó.
— Você ainda dança bem — disse, a voz mais baixa. — Melhor que muita coisa que vi em conferências internacionais.
— Conferências internacionais? — ergui a sobrancelha. — Está aí a sua desculpa para não responder nenhuma das minhas mensagens há cinco anos?
Ele suspirou, olhando para frente. — Trabalhei no CERN, depois na Califórnia. Projetos grandes, prazos curtos, aquelas coisas que fazem você esquecer de dormir.
— Ou de escrever uma linha para a pessoa com quem dividia a vida. — a acidez escapou antes que eu pudesse segurar.
Ele me olhou de lado, sério dessa vez. — Você acha que eu não pensei em você todos os dias? , eu só… precisei provar para mim mesmo que era capaz.
Engoli em seco. Eu também tinha precisado provar coisas para mim mesma. E falhei em algumas. — Eu fiquei no Brasil, você sabe. Dei aulas, publiquei artigos. Mas a maior parte dos meus projetos… bem, ficaram na gaveta. Financiamento é luxo por aqui.
Ele franziu o cenho, como se de repente tivesse lembrado que minha luta era diferente da dele. — Você merecia reconhecimento. Mais do que eu.
Por um instante, não havia ironia, nem piadas. Só dois idiotas que um dia se amaram, olhando um para o outro e lembrando que, apesar de tudo, ainda importava.
E isso… era mais perigoso do que qualquer dança.
xxx

Eu devia ter desconfiado que a paz não duraria. E, por “paz”, entenda-se: dois minutos de ar fresco, coração acelerado e a sensação inaceitável de que ainda existia algo entre nós.
Porque então surgiu ela. Luísa. Vestido vermelho, salto assassino, sorriso calculado — e a mesma energia venenosa de sempre.
— ela disse, doce como arsênico. — Te procurei na pista. Não imaginei que estivesse ocupado… respirando.
Minha língua coçou para responder algo no mesmo tom. Mas eu me conheço: se começasse, não teria fim, e talvez o casamento terminasse com uma taça de champanhe voando na direção errada. Então, respirei fundo, segurei o copo com força e fiquei em silêncio.
Luísa deslizou o braço no dele, marcando território como quem finca bandeira em solo recém-descoberto. Ele não pareceu se incomodar. Ou pior: pareceu se divertir com a situação.
E, naquele instante, percebi que me observava. Não com indiferença, não com distração. Ele olhava para mim como quem lê um artigo e já prevê as falhas metodológicas: atento, crítico… e completamente consciente de cada emoção que eu tentava esconder.
E eu sabia. Sabia que ele tinha visto. O brilho de ciúme que escapou dos meus olhos antes que eu pudesse apagar.
Ele sorriu de leve, aquele sorriso quase privado, só para mim. — Você sempre odiou perder, . Mesmo quando não havia jogo.
Meu sangue ferveu. — E você sempre adorou acreditar que era um prêmio.
— Talvez eu seja — ele rebateu, a voz baixa, quase um desafio.
Luísa olhou de um para o outro, confusa, sem captar metade do que acontecia ali. Porque o verdadeiro diálogo estava acontecendo nos subtextos, nas memórias, nos corpos que ainda se lembravam.
E, pela primeira vez naquela noite, percebi que a guerra não tinha acabado. Estava apenas começando.
xxx

O casamento acabou sendo… suportável. O que, para mim, já era um elogio imenso.
Ana e o noivo estavam radiantes, a festa foi bonita, e ninguém desmaiou de tanto champanhe — um recorde para a nossa turma. E eu? Bom, eu sobrevivi. Roubando alguns docinhos da mesa de sobremesa, claro. Porque se é para passar a noite cercada de vestidos desconfortáveis, músicas sentimentais e ex-namorados acompanhados de rivais mortais, então eu merecia pelo menos quatro brigadeiros e dois bem-casados.
Quando a música desacelerou e as luzes começaram a piscar sinalizando o fim, percebi que meu corpo inteiro gritava “liberdade”. Apoiei-me em uma cadeira, pronta para ir embora, quando ouvi o “crac” inconfundível: o salto do meu sapato simplesmente se partiu.
— Sério? — murmurei, olhando para o desastre no meu pé. — Nem o salto quis ficar até o fim.
Para piorar, ao checar o celular, descobri que minha carona tinha ido embora. Sem mim. Roubaram a minha carona. Quem faz isso em um casamento?
Foi nesse momento que ele apareceu. , ainda de gravata frouxa, com aquele ar irritante de quem não sofre os efeitos de horas em pé e taças intermináveis.
— Precisa de ajuda, doutora? — perguntou, os olhos imediatamente caindo no meu sapato mutilado.
— Não. — respondi rápido demais. — Só vou atravessar a cidade mancando de madrugada. Parece viável.
Ele arqueou a sobrancelha, o sorriso prestes a se formar. — Posso te levar.
— Dispenso. — Cruzei os braços. — Não quero virar estatística de ex que aceita carona e acaba no noticiário.
— Se te consola, não bebi nada além de refrigerante. — disse, erguendo as mãos como quem mostra inocência. — E duvido que seu salto consiga te carregar até um Uber.
Suspirei. O orgulho sempre foi meu maior defeito. Mas, entre ele e um calo eterno, eu sabia qual doía mais.
— Ok. — admiti. — Mas só porque meus pés estão em estado de calamidade pública.
Ele abriu um meio sorriso satisfeito, como quem vence uma rodada do jogo mais longo da história. Estendeu o braço para me apoiar, e, apesar de todos os alarmes internos, eu aceitei.
Saímos da festa juntos, sob o olhar curioso de meio mundo — tenho certeza de que Ana estava vibrando secretamente do altar improvisado dela. O ar da noite estava fresco, e por um instante, só um instante, eu quase esqueci o quanto detestava casamentos.
Quase.
Porque, enquanto ele abria a porta do carro para mim como se ainda fôssemos… nós, eu não pude evitar pensar: se odiar casamentos já era difícil, odiar estava ficando cada vez mais impossível.
xxx

O silêncio dentro do carro era… perigoso. Não o silêncio confortável, mas aquele cheio de coisas que não foram ditas. O tipo que faz você reparar demais em cada detalhe: o cheiro do carro, a mão dele firme no volante, a curva da boca quando ele se concentrava no trânsito.
Eu precisava quebrar aquilo. Nem que fosse com dinamite.
— Então… — falei, mexendo no cinto. — Onde está sua acompanhante? A Luísa. Aquela que parece ter saído de um catálogo de veneno importado.
Ele riu. Claro que riu. — Achei que você não tinha notado.
— Eu notei, . Eu noto até mosquitos no microscópio, imagina a Luísa pendurada no seu braço.
Ele lançou um olhar rápido de lado, divertido. — Não era nada demais. Eu não tinha ninguém para trazer. Ela está no mesmo projeto que eu, foi prático.
— Prático? — ergui uma sobrancelha. — Tipo aspirina ou planilha do Excel?
— Tipo… conveniente. — respondeu, mas hesitou, e foi aí que percebi que havia mais. O silêncio voltou por dois segundos, até ele completar: — E também achei que você viria com alguém.
Eu pisquei. — Como é que é?
Ele mordeu o canto da boca, meio sem graça, meio provocativo. — Pensei que você apareceria com alguém mais bonito que eu, só para esfregar na minha cara. Então trouxe a Luísa para… equilibrar o jogo.
Por um segundo, esqueci como se respirava. — Você trouxe a minha rival acadêmica de estimação só para me irritar?
— Bom, funcionou, não funcionou? — Ele desviou os olhos da estrada só o suficiente para me dar aquele sorriso idiota, o que fazia tudo pior.
Cruzei os braços. — Você continua insuportável.
— E você continua competitiva. — Ele inclinou a cabeça, quase divertido demais. — Mas confessa: você adorou ver que eu ainda me importo com o que você pensa.
Eu olhei pela janela, fingindo que a cidade iluminada era infinitamente mais interessante que aquele argumento absurdo. Mas o problema é que… não era.
Porque, entre um farol e outro, tudo o que eu conseguia pensar era: se ele realmente trouxe a Luísa só para me provocar… então talvez, só talvez, o jogo nunca tivesse terminado.
Ele ainda dirigia do mesmo jeito. Uma mão firme no volante, a outra relaxada, apoiada no câmbio, como se pudesse ficar horas naquela posição sem perder o controle. E talvez fosse isso que mais me irritava: a naturalidade com que ele me fazia lembrar do que eu queria esquecer.
— Você continua olhando pra mim como se eu fosse um problema — ele disse, quebrando meu devaneio. — Qual é a crítica agora?
— Você ainda me irrita — rebati, de imediato.
Ele riu baixo, aquele som que sempre soava como uma provocação particular. — E ainda assim você ainda gosta.
Meu estômago deu um nó. Porque era verdade.
O carro avançava pela avenida iluminada, e de repente a memória veio sem pedir licença: noites em que a estrada era a mesma, mas o destino era a praia. Eu sentada no banco do passageiro, pés descalços apoiados no painel, o som alto demais. E ele, dirigindo igualzinho, mas com a mão livre descansando sobre a minha coxa.
Senti o corpo reagir só de lembrar — como se meus músculos tivessem memória melhor que meu coração.
Ele percebeu. Claro que percebeu. sempre percebeu.
— Está lembrando também, não está? — perguntou, a voz mais baixa.
— Do trânsito horrível? — retruquei rápido. — Sim, impressionante como você ainda escolhe os piores caminhos.
Ele soltou uma risada curta, mas não desviou os olhos da estrada. — Não é do trânsito.
Minha respiração prendeu por um instante. E então, como se quisesse me testar, ele moveu a mão livre do câmbio… deixando-a descansar perigosamente perto da minha perna. Não me tocou — não ainda — mas a distância era curta o suficiente para acender todos os alarmes.
— Sabe, doutora… — ele murmurou. — É engraçado. Quanto mais tento lembrar dos projetos que fiz depois de você, mais penso que nenhum teve metade da… química.
— Química? — ergui a sobrancelha, tentando soar firme, mesmo quando a pele da minha coxa parecia implorar por um centímetro a mais. — Você está confundindo ciência com nostalgia.
Minha garganta secou. E, por um instante, o carro inteiro pareceu encolher, como se estivéssemos de volta àqueles anos em que tudo era mais simples, mais intenso, mais proibitivamente irresistível.
Eu sabia que devia afastar, cortar o flerte, resgatar o sarcasmo. Mas uma parte de mim — uma parte teimosa e perigosa — queria apenas deslizar a mão sobre a dele e deixar a estrada nos levar a qualquer lugar que não fosse a minha casa.
Quando percebi, já não era o caminho para a minha antiga casa dos pais, nem para o ponto onde eu poderia pegar um táxi. Era o meu apartamento. tinha dirigido direto para lá, como se o trajeto estivesse gravado no piloto automático do corpo dele.
Estacionou em frente ao prédio.
— Droga. Esqueci meu carregador.
Revirei os olhos. — Então a desculpa é bateria, agora? Não tem mais nada mais original?
"Não vai acabar bem", foi a primeira coisa que pensei. A segunda foi pior: "e eu quero que acabe bem?".
— Tenho várias desculpas. Mas essa é a única verdadeira. — Ele deu de ombros, ainda sorrindo.
E foi nesse instante, com a luz do poste iluminando o rosto dele, que eu notei o quanto ele continuava… lindo. O cabelo loiro caindo de um jeito quase desleixado, como se nenhum esforço pudesse domá-lo. Os óculos, que sempre lhe davam um ar mais inteligente do que já era — e, convenhamos, nunca precisou de óculos para chamar atenção.
Foi exatamente esse detalhe que me prendeu nele a primeira vez: aquele contraste entre o garoto que ria fácil e o cientista brilhante por trás das lentes. E agora, anos depois, parecia que nada tinha mudado. Talvez até tivesse piorado.
— Só para carregar o celular — falei, firme, como se fosse possível acreditar na própria mentira.
Ele assentiu, e subimos juntos.
No meu apartamento, a cena foi quase cômica: eu entregando um carregador qualquer, ele largando o celular de lado, como se nunca tivesse existido urgência nenhuma. Nos sentamos no sofá, meio desajeitados. A conversa, no entanto, deslizou fácil demais: lembranças da faculdade, amigos em comum, piadas internas que nunca perderam a graça.
E, entre uma risada e outra, percebi que estávamos perigosamente perto. O braço dele roçava no meu. O cheiro do perfume, familiar, ocupava cada espaço pequeno da sala.
— Você continua igual — ele disse de repente, me olhando nos olhos. — Do mesmo jeito que quando eu te conheci.
— Igual? — arqueei a sobrancelha. — Acha que isso é elogio?
Ele sorriu, lento. — No seu caso, é.
O silêncio que veio depois não era vazio. Era denso, pesado, cheio de uma pergunta que ninguém se atrevia a fazer.
Fui direto para a cozinha, como se o ato de colocar água para ferver fosse uma estratégia de sobrevivência emocional.
— Café? — perguntei, sem olhar para ele.
— Sempre — respondeu, a voz baixa demais para ser inofensiva.
xxx

O cheiro de café recém-passado se espalhava pelo apartamento, preenchendo o silêncio desconfortável que tinha se instalado desde que entrou. Eu mexia distraidamente na colher dentro da xícara, como se aquele movimento automático fosse capaz de abafar o turbilhão dentro de mim.
Ele estava ali, encostado na bancada da cozinha, observando-me com a calma irritante de quem sabia exatamente o efeito que causava.
— Café ainda é seu ritual, né? — ele disse, finalmente quebrando o silêncio.
— Diferente de algumas pessoas, eu não mudo a cada temporada — rebati, entregando-lhe uma xícara.
Nossos dedos se tocaram por um instante quando ele pegou a porcelana, e o arrepio percorreu meu braço como se tivesse memória própria. Ele notou — claro que notou. sempre percebia.
— Você acha que eu mudei tanto assim? — perguntou, levando a xícara aos lábios.
Cruzei os braços, me apoiando contra a pia para não desmoronar.
— Você foi embora, . Isso já é mudança suficiente.
Ele pousou a xícara devagar, sem pressa, como se cada gesto dele fosse parte de uma coreografia ensaiada para me desarmar. Meu coração resolveu acelerar como se fosse uma competição de Fórmula 1.
Ele tomou um gole devagar, os olhos presos em mim.
— Pensei em você todo esse tempo.
Soltei uma risada curta, incrédula.
— Ah, claro. — Soltei uma risada curta, quase amarga. — Você e suas frases de efeito. Aposto que funcionam bem com qualquer garota.
— Não, . — A seriedade na voz dele me fez prender a respiração. — Só funcionam com você.
Minha garganta secou. Eu queria rir, gritar, jogar alguma verdade cruel na cara dele, mas a única coisa que saiu foi um sussurro:
— Se pensou tanto assim, por que não ficou?
Ele inspirou fundo, e o olhar dele parecia carregar anos de confissões não ditas.
— Porque eu sabia que você merecia viver tudo o que sonhava, sem ficar presa a alguém que não podia estar ao seu lado de verdade.
Balancei a cabeça, incrédula, o coração batendo descompassado.
— Você decidiu isso por mim? Sozinho?
— Eu decidi porque te amava demais para te ver pela metade. Eu não queria que a sua vida fosse só espera.
— Espera? — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. — Nós podíamos ter dado certo à distância, . Eu acreditava nisso.
Ele fechou os olhos por um instante, como se minhas palavras fossem um golpe físico.
— Eu também acreditava — confessou. — Mas achei que você merecia mais do que ligações rápidas e saudades intermináveis.
Houve uma pausa, e eu senti o peso de cada segundo pairando sobre nós. Meu peito parecia pequeno demais para tanto sentimento acumulado.
— Você podia ter confiado em mim — murmurei, a raiva cedendo espaço para uma dor antiga. — Não precisava ter me protegido de mim mesma.
Ele se aproximou um passo, devagar, como se tivesse medo de me assustar. Seus olhos estavam firmes nos meus, e havia uma vulnerabilidade ali que me desmontava.
— Talvez eu tenha errado em ir. Mas nunca deixei de esperar por você. Nem um único dia.
Minha respiração ficou curta. Era como se todas as respostas que eu quis ouvir durante anos estivessem vindo agora, tarde demais. Ou cedo demais.
— E a Luísa? — soltei, a palavra carregada de veneno. — Ela parecia bem feliz hoje, agarrada em você.
Ele me encarou por um instante, os olhos escuros, e depois suspirou, passando a mão pelo cabelo. Então, finalmente, falou:
… entenda uma coisa. — Ele disse meu nome como se fosse um hino, cada sílaba gravando-se em mim. — Luísa nunca chegou nem perto de ser você. Nem na inteligência, nem no charme… — a voz dele caiu, rouca, quase um sussurro, carregada de desejo. — Nem no quanto é… gostosa.
O silêncio voltou a se instalar, denso, elétrico. Meus dedos tremiam, e eu precisei soltar a xícara na pia para não deixá-la cair. Ele continuava me olhando como se pudesse me atravessar.
E então, cansada de jogos, de frases enfeitadas, de lembranças e feridas abertas, eu soltei:
— O que você quer de mim agora, ?
Ele deu mais um passo. A distância entre nós parecia um campo magnético prestes a explodir. Sua voz veio baixa, mas carregada de verdade, firme o suficiente para arrepiar cada parte de mim:
— Te beijar.
O ar pareceu sumir da sala.
Meu corpo inteiro queria acreditar, mas minha mente gritava para não cair de novo naquela armadilha brilhante que era .
Antes que eu pudesse racionalizar, ele se inclinou. Devagar, como se me desse a chance de recuar.
— Você não pode simplesmente voltar e… e achar que… — Minha frase se perdeu, porque ele inclinou a cabeça e deixou seus lábios a centímetros dos meus.
O tempo pareceu parar. Eu podia ouvir o som do meu próprio coração, alto, frenético, como se quisesse saltar do peito.
— Me diz para não fazer isso, e eu paro — ele sussurrou, a boca perigosamente próxima.
Minha mente gritava para afastá-lo, mas meu corpo… meu corpo já tinha feito sua escolha. Não consegui dizer nada.
O silêncio foi a minha rendição.
E então ele me beijou.
Primeiro, suave — um toque hesitante, como se pedisse permissão. Mas bastou um segundo para que a contenção ruísse, e o beijo se transformasse em tudo o que havíamos guardado por anos: raiva, saudade, desejo, amor inacabado. Eu agarrei sua camisa, trazendo-o para mais perto, como se temesse que fosse sumir de novo.
Ele me segurou pela cintura, firme, mas com uma delicadeza que me desarmou. Cada movimento era um lembrete cruel e maravilhoso de que ainda havia um “nós” queimando dentro de nós dois.
O beijo se aprofundou, lento no começo, como se ele estivesse redescobrindo cada curva da minha boca, cada resposta do meu corpo. Era um beijo firme, carregado de certeza, mas ao mesmo tempo havia uma delicadeza quase dolorosa, como se ele tivesse medo de me quebrar.
Quando finalmente nos afastamos, ofegantes, nossos rostos ainda colados, percebi que minhas mãos tremiam. Ele encostou a testa na minha, fechando os olhos como se também estivesse tentando se recompor.
— Eu esperei tanto por isso — ele confessou, a voz rouca.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não soube se queria fugir… ou nunca mais deixá-lo ir.
As mãos dele deslizaram pela minha cintura, firmes, seguras, e a forma como me puxava para mais perto dizia mais do que qualquer palavra. Eu me agarrei aos ombros dele, sentindo a tensão dos músculos sob a camisa, cada movimento controlado, contido, mas à beira de perder o controle.

Quando ele roçou os lábios pela linha do meu maxilar, meu corpo inteiro reagiu, e uma lembrança atravessou minha mente: quantas vezes eu tinha sonhado com isso, e quantas vezes tinha jurado que não sonharia mais.

… — ele murmurou meu nome contra a minha pele, e só isso bastou para minhas pernas vacilarem.

Ele riu baixo, um som rouco, antes de me erguer levemente pela cintura, me guiando para fora da cozinha. Nossos passos eram desordenados, atrapalhados, entre risos abafados e beijos urgentes. A cada parede em que eu encostava, ele me cercava com o corpo, me prendendo sem violência, apenas com a presença.

O caminho até o quarto pareceu uma eternidade feita de pequenos beijos interrompidos — o gosto de café ainda em sua boca, a respiração quente contra meu pescoço, o toque seguro de suas mãos explorando minha silhueta como se quisesse memorizar cada detalhe.

Quando finalmente chegamos à porta, ele parou. Seus olhos encontraram os meus, intensos, perguntando sem dizer nada.
Eu não respondi com palavras. Apenas puxei sua nuca para mim e o beijei de novo, com tudo o que tinha guardado por anos. Ele correspondeu de imediato, profundo, como se também estivesse se entregando por inteiro.

Caímos sobre a cama ainda entre risos e suspiros, sem pressa, sem necessidade de nada além daquilo: o beijo, as mãos dele seguras contra minha pele, o calor que nos envolvia. Cada movimento dele misturava força e cuidado, como se dissesse, em silêncio, que eu era algo precioso demais para ser apressado.

— Senti tanto a sua falta… — sussurrou contra meus lábios, a voz rouca, quase um lamento.

— Eu também — respondi, sem conseguir esconder o tremor na minha voz.

Ele começou a distribuir beijos lentos e carinhosos pela minha pele, descendo pela linha do meu pescoço até o ombro, cada toque acendendo em mim uma lembrança e um arrepio. Os lábios dele sugavam com delicadeza, como se quisessem marcar presença sem deixar dor, apenas promessa.

Suas mãos, firmes e seguras, deslizaram até o fecho do meu vestido nas costas. O gesto foi cuidadoso, como se ele tivesse medo de apressar o momento. Quando ouvi o clique suave, prendi a respiração — não de medo, mas da intensidade de tê-lo tão próximo outra vez.

— Eu nunca quis te foder tanto quanto agora.

— Então cala a boca e me fode.

Ele afastou-se apenas o suficiente para tirar a própria camisa. A luz suave do quarto desenhava sombras sobre o corpo dele, revelando linhas fortes, mas não exageradas. Ele não era musculoso no sentido de academia, mas havia nele uma força natural, masculina, que se misturava com a delicadeza com que me tocava. E, naquele instante, ele me pareceu ainda mais lindo do que em qualquer memória que eu guardava.

Ele sussurrou perto do meu ouvido: — Seja uma boa menina e abra as pernas para mim.

Eu já sentia minha calcinha ficando úmida, ao sentir o quanto ele estava duro, pressionando-se contra ela. O calor entre nós aumentava a cada segundo, e meu corpo reagia de um jeito que eu não conseguia controlar. A proximidade dele, o peso do seu corpo contra o meu, me deixavam em chamas. Era impossível esconder o quanto eu o desejava.

— Meu Deus, eu nem te toquei e você já tá molhada… — falou pressionando o polegar entre meus lábios, em movimentos circulares começou a me tocar, arrepios de prazer invadiram meu corpo, eu sentia meu clítoris latejar em resposta ao seu toque.

Sem retirar o polegar de cima do meu clitóris, ele inseriu seus dois dedos dentro de mim. Minha respiração falhou. Um arrepio subiu pela minha coluna.

Ele sorriu. — Gosto de ver você assim… perdida. — Ele massageava enquanto metia os dedos, foi ali que lembrei o porque eu gostava tanto dele. Cada toque parecia calculado para me enlouquecer, ao mesmo tempo cuidadoso e urgente. — Você fica linda com meus dedos dentro de você.

Eu me arqueava contra ele sem nem perceber, perdida na mistura de arrepio e prazer que crescia em ondas. A forma como ele me tocava — como se fosse delicada e preciosa, mas ao mesmo tempo irresistivelmente sua — fazia meu coração disparar e minhas defesas ruírem.

Quando eu estava sentindo a onda de prazer vindo, escuto sua voz: — Ainda não

Ele abriu um sorriso lento, quase cruel, enquanto me prendia com o olhar.
— Me diz… você sentiu falta? Falta de como eu te fazia gozar para mim?

Meu corpo inteiro se arrepiou antes mesmo de eu responder.
— Sim… — confessei, a voz falhando. — Muita.

Ele se inclinou mais perto, o hálito quente roçando meu ouvido.
— Então me mostra o quanto você sentiu minha falta. Quero ouvir, quero sentir….

Ele desfez o cinto com calma, o clique metálico ecoando no quarto silencioso, como uma provocação calculada. Quando empurrou a calça para baixo, meus olhos foram atraídos pelo seu pau grande e duro, que tantas vezes me fez perder o fôlego.

— Olha o que você faz comigo. Tô tão duro pra você.

Posicionou seu pau na entrada da minha buceta, mas ainda não colocou. Não antes de pincelar no meu clitóris latejante, o que me fez revirar os olhos de prazer. Era como se sua pulsação se ritmasse com a minha.

— Não sei como consegui passar tanto tempo longe de você. — Seu pau abria caminho dentro de mim e eu sentia cada centímetro.

… — gemi, quase sem fôlego.

— Eu adoro quando você geme meu nome. — Sua mão apertava minha coxa e sua boca se aproximava do meu peito. Quando abocanhou ele, brincando com sua lingua ao redor do meu mamilo eriçado. Sugando, lambendo. — Você é tão linda toda aberta assim... só para mim.

Eu estava em êxtase pelo excesso de estímulos, minha pele pegava fogo onde a dele encostava.

— Por favor, … — Implorei.

— Por favor, o quê, meu amor? — Ele sussurrou em meus lábios.

— Mais forte.

Foi como se algo tivesse acendido dentro dele, ao ouvir minhas palavras. Seu ritmo acelerou, quanto mais ele acelerava, mais eu me sentia apertada. Mesmo tão molhada.

— Assim? — ele murmurou com um sorriso, a mão firme na lateral do meu pescoço, arrancando de mim um arrepio imediato.

Inclinei o rosto um pouco mais perto, os lábios entreabertos, olhos semicerrados numa mistura de desafio e convite. Assenti devagar, deixando que a expressão no meu rosto dissesse tudo: rendição, mas da forma mais pecaminosa que eu sabia entregar.

Ao notar minha expressão, ele deixou escapar um gemido baixo, rouco, como se tivesse perdido o controle por um segundo. O som atravessou meu corpo inteiro, incendiando cada nervo — e eu amei aquilo, amei a certeza de que era eu quem o fazia ceder assim.

— Eu nunca quis tanto te comer quanto hoje… esse vestido apertadinho, perfeito — Ouvir isso fez eu rebolar mais ainda em seu pau. — Gostosa demais.

Bastou um deslize, uma pausa curta, e eu aproveitei. Empurrei-o suavemente para trás, invertendo nossas posições. Agora era eu que estava por cima, sentindo seus olhos se arregalarem em surpresa e desejo. Sorri de leve, inclinando-me sobre ele, e deixei claro que, a partir dali, quem comandava era eu. E ele estava completamente rendido.

Eu rebolava gostoso em seu colo, molhando nós dois com meu mel e quando eu gemi, ele me deu um tapa tão forte na bunda que fez meu clitóris pulsar e minha buceta apertá-lo em resposta.

Minha respiração acelerava cada vez mais, com suas mãos fortes, guiando minha cintura, controlando meus movimentos. Ele soltava palavrões baixinhos nas brechas de sua respiração entrecortada.

Aumentei a velocidade e vi seus olhos se reviraram para mim.

— Vagabunda, assim vai me fazer gozar. — Sorri safada ao ouvir isso. Essa realmente era a intenção ali, gozar junto com ele.

— Goza comigo, amor. Me enche com teu leite.

E foi assim, que ele perdeu o controle. Suas mãos firmes, enterraram seu pau completamente dentro de mim. Senti sua porra me preenchendo por dentro enquanto ele gemia com sua voz rouca. Meu orgasmo veio logo após, me apoiei em seu peito e senti minha buceta apertando seu pau, sugando cada gota de leite que saia dele.

Depois disso, escorreguei de seu colo, o corpo ainda trêmulo, exausta… mas completamente feliz. A respiração descompassada se misturava à dele, e por um instante tudo pareceu simples outra vez.
Me deitei ao lado dele, e nossos dedos se entrelaçaram no escuro como se nunca tivessem desaprendido o caminho um do outro.

— Você ainda sabe como me enlouquecer — ele murmurou, a voz rouca, carregada de rendição.

Sorri, beijando de leve sua mão antes de responder:
— E você ainda sabe como me fazer feliz.

Assim, de mãos dadas, deixamos o sono nos levar, sem medo, apenas com a certeza doce de que ainda éramos nós.




FIM



Nota da autora: Sem nota.


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