Finalizada em: 04/01/2021

Primeira Aventura: Xangai, China.

I.

“Baby, oh, the world is yours...”
*Música tema desta fanfic: Run It – Jay Park (Aqui)
, você realmente vai fazer isso?
— Você sabe que eu não sou de ir atrás com minha palavra, Cah. E eu já estava com este plano na minha cabeça desde a minha saída do orfanato.
! É A CHINA! Você não vai daqui à esquina com uma mão na frente e outra atrás, quem dirá para a CHINA!

deu de ombros, como quem dizia: “tanto faz” e terminando de amontoar suas roupas em uma mala de mão. Havia terminado a famigerada faculdade de Educação Física, e tinha em mente planos grandiosos. Havia aprendido com o vovô Gê – avô de sua amiga Bela – quando eles ainda moravam no Brasil, que “não há uma só pessoa neste mundo, que não tenha traçada nas linhas de seu destino, uma mísera aventura se quer”. foi criada em orfanato até os dezoito anos, e após sair de lá, encarou a vida de uma forma única. O modo de existir. E nada, absolutamente nada a assustava. Coragem era seu apelido. Então, ir para a China era só o começo da sua aventura de desbravamento da vida, a qual ela havia escolhido a Ásia para se aventurar8.
Cah, sua amiga estudante de biomedicina estava bastante aflita com aquela notícia. Mal chegara à quitinete alugada da amiga, e a viu jogando caixas sobre si. “Esta você doa, esta você pode ficar pra você se quiser alguma coisa daí, estas aqui você vende e me deposita a grana depois, porque vou precisar da grana, e estas você guarda lá na sua casa para mim?”. mal esperou alguma resposta, apenas sorriu e voltou a andar pulando caixas e embrulhos em sacos de lixo. Cah não conseguiria conter , ela era um furacão e a amiga sabia disso. Mas só de ver a empolgação da amiga, Cah sentiu-se invejosa. Queria ter um terço da loucura de e se aventurar cegamente em algo.

— Por que você não vem comigo?
— Porque eu tenho sanidade, você não né ! presta atenção! Você nem fala chinês! Aliás, você mal fala inglês!
— Olha a minha cara de quem vai deixar uma língua me impedir de ser feliz, Cah. Me poupe né... – a garota olhou debochada para a amiga — E depois, meu inglês não é péssimo, dá para sobreviver. E se não der, para que inventaram a internet então? Hello! Não tem nada e ninguém que me faça fincar o pé onde não quero, Cah.
— É eu sei disso, espírito solto.
— Eu sou um corcel indomável, e você deveria vir comigo!
— Eu não posso largar a minha vida !
— Este é o seu problema, Cah! Você acha que a sua vida se resume ao que você tem e faz agora... Cara, olha o tamanho do mundo!?
— Não, . Eu não vou me jogar nesta loucura, tá? E não, você não vai me convencer a ir como sua intérprete. Você que se vire com sua internet e inglês embolado...

A outra gargalhou e começou a dar pulinhos animados e eufóricos, como criança, e assim desemburrou a cara da amiga. Cah gargalhou junto, e foi abraçá-la já com o peito cheio de saudade.

— China... Essa é boa... – resmungou Cah encarando a inacreditável .

lambeu seu rosto e saiu correndo para o outro canto do cômodo já praticamente vazio, pegando outra caixa e entregando a amiga.

— Como eu vou descer com estas caixas todas?
— Para de reclamar, senhorita “pés no chão”. Eu chamei meu vizinho para ajudar.
— Quem? – os olhos de Cah já tinham adquirido um brilho diferente.
— O Luke.
— Hemmings? O Luke fucking lindo Hemmings?
— E eu tenho outro vizinho Luke?
— Ainda não entendi por que você não saiu com ele.
— Porque ele nunca me chamou.
— Até parece ! Você cria as oportunidades... Ai, ai... Se eu tivesse uma chancezinha se quer com aquele Deus, que você chama de vizinho... E... O que foi?

estava piscando e fazendo sinais pouco perceptíveis para Cah, que não parava de falar, mas quando a amiga notou talvez fosse tarde.

Ahn... Este vizinho não seria eu, não é? – Luke estava parado atrás de Cah, encostado à soleira da porta observando as garotas.
— Ah oi... – Cah se virou mais rubra que o chapéu da, chapeuzinho vermelho.
— E aí Luke! – se adiantou indo cumprimentá-lo com um abraço. — Era você sim, a Cah quer sair contigo.
!
— O quê? Esta é a sua chance, depois que eu for embora não poderei mais ser desculpa para você vê-lo.

Luke riu envergonhado, e satisfeito em saber que a amiga da melhor vizinha que ele já teve na vida, estava interessada nele.
— Luke, muito obrigada cara! Eu não posso demorar, meu voo sai daqui há... – olhou para o relógio em seu punho — quatro horas!
— O quê? Você vai daqui a pouco? E está fazendo sua mudança hoje? Você tem merda na cabeça?
— Ué, eu comecei a guardar tudo ontem Cah, por isso pedi ajuda sua e do Luke. E Luke, estas caixas aqui, eu preciso guardar. Pedi pra Cah guardar na casa dela, mas se não couber tudo lá, você se importa de guardar para mim?
— Sem problema, linda. Eu só estou apavorado por você vir com essa notícia de uma hora para outra. Até anteontem estávamos bebendo na cobertura... Você não disse nada.

Cah olhou a amiga, de um modo acusador.

— Bebendo na cobertura, é?
— Me deixa apresentar vocês direito... – desviou o assunto — Luke, esta é a minha amida Cah. Ela faz biomedicina. Bem o seu tipo. E Cah... Este é o vizinho Deus que você já sabe.

Os dois se cumprimentaram envergonhados e mal perceberam quando sumiu do apartamento minúsculo.

— Ah... Ela é doidinha... Vai fazer falta.
— Eu imagino. Não somos tão próximos, mas depois de quatro anos, sei que o prédio não vai ser o mesmo sem ela... – Luke respondeu sorrindo — Mas, e aí, Cah... O que a gente vai fazer?
— Como?
— É pra descer com estas caixas? – ele perguntou duvidoso.
— Ah! Isso! É... Meu carro está lá embaixo. Vamos descendo.

Os dois pegaram uma caixa cada um e se colocaram a descer as escadas esbarrando com na descida, ela retornava para cima.

— Ah! Isso pode descer com tudo! Eu já etiquetei cada coisinha Cah.
— Minha filha, eu não tenho uma picape não tá?
— Mas o Luke tem!
— Sem problema, . Vou encher o carro da Cah com ela, e o resto eu ponho no meu carro.

Cah assustou-se por Luke ser tão despreocupado como . Ele havia caído de paraquedas na mudança tanto quanto ela, mas estava numa boa com tudo aquilo. não tinha tantas coisas a levar para a casa da amiga, mas mesmo assim, Cah não sabia se conseguiria alocar tudo. Bem, algumas coisas iriam ser vendidas e doadas, então seria tranquilo.
informou ao porteiro sobre a saída do apartamento, informou ao Luke que havia vendido os móveis, e os compradores iriam aos dias seguintes ao apartamento dele para pegar tudo, então o amigo vizinho ficaria autorizado a pegar a chave do apartamento na portaria com o porteiro. Depois que tudo fosse esvaziado, o porteiro entregaria a chave para o síndico que também já havia sido informado. E todo o resto de suas coisas seria responsabilidade de Cah.
Naquela tarde, antes mesmo de Cah levar as coisas da amiga para sua casa, ela foi junto ao Luke, no carro dele, acompanhar ao aeroporto. A maluca simplesmente ia sumir de uma hora para outra. No caminho, contou os detalhes de como realizou tudo de forma tão rápida. Mostrou o aplicativo de relacionamentos para estrangeiros em intercâmbio, ao qual havia feito contato com uma agência. A agência era responsável por alocar os estrangeiros em casas, quartos ou apartamentos de padrinhos do programa. E o padrinho da se chamava . Luke achou aquilo um pouco perigoso, mas já havia mostrado ao longo daqueles quatro anos morando ali, que era uma mulher à prova de riscos. E Cah, ainda estava preocupada com sua amiga, mas também se sentia orgulhosa dela. não tinha muito dinheiro, mas guardava desde os dezoito anos uma poupança quase sagrada. Nunca mexeu naquele dinheiro, pois era determinada a usá-lo para sua viagem à Ásia. E havia chegado aquele momento!
Continuaria poupando, gastando o mínimo possível e sendo cuidadosa financeiramente. Iria fazer uns cursos quando chegasse à China, até mesmo para melhorar seu currículo, pois seu sonho de se tornar dublê não seria realizado de uma hora para outra. Sabia que a escolha por Educação Física, não teria sido em vão, na verdade foi bem pensada! A mulher sabia ser boa em esportes, lutava capoeira, dançava, sabia dar aulas, e se tratando de práticas corporais e artísticas tinha uma base ótima! É... sabia o que estava fazendo afinal, por mais que muitas vezes se pegasse perdida.



¹ Vovô Gê, personagem da minha fanfic para ficstape do RBD: “05. Él Mundo Detrás”.


II.

24 horas de voo depois...



Suas costas estavam rígidas, e um leve torcicolo em seu pescoço já se fazia notar. Mas, havia enfim chegado. Inteira. Ansiosa. Animada. começou a se preparar para descer do avião, e logo que seus pés alcançaram o primeiro degrau da escada de pouso, observou ali no alto o lugar. O vento batendo em seus cabelos, mostrando o quão frio fazia naquela terra. O cheiro totalmente novo, de vida nova também. sustentava um sorriso extenso de orelha a orelha, ao contrário de todas aquelas pessoas sérias, com olhos puxados. E ao chegar ao térreo da escada, saltou e dava gritinhos animados. As pessoas que se encaminhavam ao ônibus de saída para a área de desembarque não acreditaram no que viam: uma mulher madura estrangeira, realizando pulinhos e gritinhos infantis, que sacou seu celular e colocou os fones de ouvido, em seguida indo até o ônibus: dançando. ouvia Run It, no volume mais alto que podia, e só gesticulava a música com os lábios, pois sabia que se cantasse seria chamada a atenção. Já não bastavam as pessoas encarando os passinhos de hip hop dela enquanto caminhava para o ônibus, com certa estranheza. Nem todos, alguns filmavam. Mas, só tinha uma preocupação naquele momento: ser feliz.
Na sala de desembarque, algumas pessoas saiam apontando para ela e rindo, cochichando entre si. Ela não prestou atenção àquilo, já tinha extravasado e estava concentrada em achar alguém. O seu “padrinho”, o senhor . Achava loucura não ter foto dele no aplicativo, e sim, foto de um personagem de mangá. Aquilo soava meio psicopata, mas ela não era a pessoa mais normal da Terra. E também, sabia da cultura de autopreservação dos chineses, por isso, não era nada absurdo para eles, não se identificarem por fotos ou dados reais.
Caminhando atenta até o portão de desembarque, ela pegou seu passaporte para ser carimbado com um segundo visto de entrada ao país, e pegou suas malas. Não encontrava nenhum senhor ou pessoa com um mínimo de identificação à sua espera. Então, pegou o celular abriu o WeChat na conversa com o e digitou em inglês¹ :

:
Olá, senhor . Tudo bem?
Er... Eu estou no aeroporto de Xangai agora, o senhor por acaso está por aqui?

:
Eu também estou à sua espera. Me desculpe, estava cochilando na sala de desembarque. Onde você está agora?

:
Pode acenar para cima?

ficou observando aquela mensagem com dúvida e estranhamento. Mas, pigarreou e olhou para os lados, envergonhado e, um pouco reticente ergueu seu braço para o alto e olhando para baixo – a fim de esconder seu constrangimento por um ato tão espontâneo – acenava para ninguém.

Hey! – gritou animada, há poucos metros dele.

Ela levou à mão a boca, se desculpando com as pessoas, enquanto abaixava e levantava a cabeça. encarava a mulher confusa que havia gritado, e abaixou seu braço. Seria ela a brasileira que ele hospedaria pelo programa de intercâmbio? Bem... Não era exatamente como ele a imaginou. Achava que a garota seria mais nova, ou até bem mais velha, jamais se passou que pudesse ser uma mulher com a mesma idade que a sua, e tão... Bonita, de uma forma exótica ao que ele estava acostumado.
sorria caminhando em direção ao rapaz que havia esticado o braço. Percebeu quando ele a encarou que não havia nada de “senhor” nele, e já estava arrependida. Porque era como se escutasse a Cah ao seu lado dizendo: “amiga, eis um senhor oppa aqui, hein”? Como em todas as vezes que assistiram a doramas juntas.
Poucos passos de distância, sorriu ainda mais, e estendeu a mão para cumprimenta-lo. ainda estava encarando-a, sem saber muito, o que fazer. Como se aquela fosse a primeira vez que ele fazia aquilo.

— Você é ? – ela perguntou ainda com a mão estendida.
— Ah, sim. Desculpe... -shi? – ele respondeu pegando a mão dela em cumprimento, por mais estranho que fosse.
— Er... Sem o Shi? Pode ser? Eu ainda não entendi bem os honoríficos, então, eu te chamo como você preferir, mas gostaria que me chamasse apenas de . Tudo bem?

Era a primeira vez que uma estrangeira dizia para ele, que preferia ser chamada conforme a sua cultura logo de cara, não encarou aquilo como uma ofensa, embora devesse.

— Me chame de -Shi. Mas, fez boa viagem, ?

Ela deu um sorriso discreto por ver que ele atendeu ao seu pedido, e por notar o quanto seu nome ficou engraçado no sotaque dele.

— Fiz sim, -Shi. Obrigada por perguntar. Já podemos ir?

Ele assentiu e ela pôs-se a segui-lo. abriu a porta de seu carro para ela entrar, e colocou as malas dela em seu porta-malas. A mulher ainda estava ansiosa pela chegada, mas aos poucos se acostumando com a ficha caindo: estava em Xangai, finalmente!
Pegou seu celular, e começou a instalar o chip que havia comprado para a viagem, cadastrando o número. Com muita dificuldade, aliás.

— Ei, antes de irmos, pode me ajudar com isso? – ela falou assim que entrou ao carro.

o encarava com uma expressão tranquila, e ele puxou o seu cinto de segurança olhando-a com a sobrancelha arqueada em dúvida. Levou o olhar ao objeto que ela segurava: a tela de seu smartphone apresentava algumas perguntas em mandarim.

— Ah... Você vai configurar para o inglês? – ele perguntou.
— Não tem português nisso aí não? O WeChat eu consegui configurar no meu número e idioma.
Hm... Sugiro que reconfigure então, aqui na China o WeChat serve para quase tudo, até para pagar compras. Você também vai precisar de um cartão de transporte público. E... Bem, está no inglês. Não tem o idioma do seu país nas linhas telefônicas daqui.
Hm... Tudo bem. Já está pronto? Qual o meu número chinês?
— Vai chegar por sms para você... – respondeu ainda em tom distante.

Estava estranhando a forma tão displicente como aquela mulher se comunicava com ele, como se eles se conhecessem há tempos. respirou profundamente e recostou-se melhor na poltrona do carro, fechando os olhos brevemente. a olhou, discreto e observou os trejeitos da expressão feliz dela, observou devagar seu corpo e suspirou. Havia se metido numa confusão daquela vez. Ela lhe parecia o tipo de pessoa expansiva e até invasiva.

— E então, por que entrou no programa para padrinhos? – ela perguntava com um sorriso largo.
— Ah... Eu... Eu criei o programa com meu amigo.
— O quê? Então eu estou sendo apadrinhada pelo idealizador do aplicativo?
— Sim.
— Por acaso já tiveram outras pessoas, ou estou sendo uma cobaia?
— Fique tranquila, já estamos no mercado há cinco anos. Mas, eu sempre participei.
— Entendo... Então, somos só nós?

A pergunta dela o deixou um pouco apreensivo.

— Sim, você vai se hospedar na minha casa. Eu tenho um gato. É bom que saiba caso...
— Eu gosto de bichos, relaxe. – ela respondeu risonha, com aquele tom de atrevimento de novo.
— Por que veio para Xangai?
— Eu quero explorar o mundo asiático, então, só escolhi começar pela China. Não sei muito bem o que fazer aqui...

Uma aventureira. sorriu de lado pela primeira vez, desde que a encontrara. Ela não era muito diferente dele, afinal.

— Você tem alguma formação?
— Eu sou formada em Educação Física, pelo meu país mesmo. Mas, eu sei fazer várias coisas, principalmente as que se referem ao corpo. Não sou muito boa com computadores não. Acho que você pôde ver isso quando eu mal consegui instalar um chip, não é? – ela falou simpática.
— O que significa “principalmente as que se referem ao corpo”?
— Como professora de Educação Física sabe? Treinamento, alongamento, massagens, danças... Esse tipo de atividade corporal...
Hm... Entendi. Bom, e você já tem algum trabalho em mente?
— Não! Ajudaria muito se me indicasse como funciona por aqui.
— Eu tenho um bar, alguns amigos que fizeram parte do programa trabalham lá, eu posso fazer um teste com você se quiser.
Hey! Isso seria muito legal! Eu sou uma ótima, bar girl!
Bar girl?
— Você não vai acreditar em quão deliciosos são meus drinques! Preparo-te uma caipirinha clássica que você não vai acreditar!

A empolgação e a forma pouco formal de eram extremamente novas para . Todos os outros estrangeiros tinham suas peculiaridades, mas todos, sem exceção, entravam em seu país em conformidade com seus hábitos. era a primeira “descuidada” que era mais fiel a si, do que ao seu posto de “estrangeira”. Tinha sorte de ter encontrado em seu caminho, do contrário, poderia ofender as pessoas com mais facilidade do que ela imaginava.



¹ Na história e em toda a saga de pela Ásia, a personagem se comunica em inglês, mas eu vou escrever em português.


III.

Três meses depois...


trabalhava no Bar Rouge¹ , começou como garçonete porque não acreditou muito na competência dela como Bar Girl. Mas a garota insistiu muito para mudar de posto, afinal, ser garçonete estava sendo muito pior: a presença de uma garçonete brasileira estava fazendo sucesso no bar, e por mais que a função a ajudasse a aprender mais da língua chinesa, não tinha muito estopim para gracinhas. E numa dessas, ela conseguiu o que queria.

— Solta o meu braço, agora! – ela falou enérgica e firme, para o cliente que estava a cantando minutos antes.
— Como você fala assim com um cliente? Você deve me servir! Não aprendeu o básico dos bons modos?

O homem a segurava, agora pelos dois braços, o que fez sua bandeja cair e praguejar.

— Vai para o inferno! Me solta agora!

O homem se assustou com as maneiras dela, e com o xingamento rude, e explosivo ele se aproximou ainda mais de a olhando firme e a ameaçando:

— Eu não me importo de bater em mulher, bonitinha. Você está na República Popular da China, acaso não tenha percebido.
— E caso não percebeu também, o seu país não tem domínio sobre a minha moralidade. Então, solta o meu braço agora, porque eu também não me importo de me defender.

o enfrentou cara a cara. Não só os clientes já estavam atentos ao tumulto, e chocados, como também os colegas funcionários. Pierre, um francês intercambista que também participou do programa, e era amigo de iria intervir, mas no exato momento, havia acabado de chegar ao estabelecimento e se metido na briga:

— Solta a minha garçonete, por favor, senhor.
— A sua garçonete precisa de uma lição. – o homem encarou , ofendido e revoltado.
— E ela terá, por mim, e não aqui. Solte-a, por favor. Eu me desculpo por seu mau comportamento.
— Mau comportamento? – gritou — O cara tentou me agarrar, -Shi!

então havia entendido o que estava acontecendo. Não era a primeira vez que reclamava daquilo, mas ele sempre achava que fosse exagero da garota. Até vê-la agir tão impulsivamente como agora.

— Ele... Ele tentou?

Assim que a perguntou, se sacudiu para se soltar das mãos do cliente, que já não relutava.

— Acha que eu iria me arriscar desse jeito se não fosse nada? Eu estou engolindo os tipos nojentos que aparecem aqui, calada e pacientemente. Mas, eu não admitirei que me toquem sem o meu consentimento, senhor -Shi.

- encarou o cliente à sua frente e pegou a mão de sua garçonete, decidido.

— Senhor, eu creio que deve desculpas a esta dama.
— O quê?
— Se preferir, pode apenas ir embora. – falava encarando-o energicamente.

Naquele momento, Pierre se aproximou junto com outro rapaz que estava com , e nem percebera. De repente os três pareciam acuar o cliente, como uma gangue de rua. O homem se levantou e ainda encarando aos três, pôs-se a sair devagar do estabelecimento. Aos poucos o movimento voltou ao normal.

— Está bem? – Pierre perguntou para que já se abaixava para pegar a bandeja e a bagunça no chão.
— Deixa isso aí, ! – interviu.

Pierre apenas a encarou abaixado à sua frente, e disse para ela deixar que ele limpasse. Ela ergueu-se de cabeça baixa, pronta a tomar um esporro merecido. Talvez não merecido, vai. O cliente havia sido abusado! percorreu o olhar pelo rosto dela, e girou o corpo da mulher com delicadeza e desamarrou o avental que ela usava.

Er... Eu estou sendo dispensada? – ela perguntou diretamente ao virar de frente para ele de novo e notar seu avental frouxo.

Retirou o avental e continuou em silêncio, ele pegou o avental da mão dela e entregou ao Pierre que também não entendia muito.

— Ligue para Hue, veja se ela pode cobrir a hoje. – ordenou para Pierre que apenas assentiu e voltando-se ao cara que estava ao seu lado ele disse: — Thornburg aproveite os serviços da casa, e nós tratamos daquele assunto depois, tudo bem?

O rapaz sorriu discreto, de um modo enviesado, e encarou a confusa e bela , ao lado de .
O chefe pegou-a pela mão e os dois saíram para o estacionamento do Rouge.

-shi! -shi! – chamava-o enquanto ele nervosamente a arrastava pelo estacionamento: — -Shi!
— Me chame de . ... Como quiser. – ele falou de repente.

não entendia o que estava acontecendo, mas quando ele abriu a porta do seu carro ela apenas entrou sem reclamar. Os dois mantiveram-se em silêncio durante todo o trajeto para casa, o qual não reconheceu por acabar pegando no sono ainda no caminho. Ao chegarem, encarou a mulher dormindo ao seu lado, e mal podia acreditar no que estava fazendo. Suspirou pesadamente e saiu do carro, abriu a porta do carona e cutucou-a a fim de acordá-la.

— Já chegamos brasileira problema.
Hey! – ela falou ao descer do carro — Problemáticos são os seus clientes que acham que podem tudo.

deixou para trás, com a sua expressão sempre tão séria e fechada, com as sobrancelhas arqueadas de quem analisa cada movimento ao redor. Ele entrou em casa logo após ela, e assim que pendurou a chave no chaveiro, viu a garota jogando a sua chave na mesinha. Ela não aprendia mesmo! Ele pegou a chave dela e colocou ao lado da chave dele, no lugar certo.

— Quer água? – gritou da cozinha.

Outra mania que ele não entendia, mas começava aos poucos a se acostumar e até a gostar... Os gritos espontâneos e mal educados de .
caminhou até a cozinha, e parou recostado à bancada ao lado dela enquanto ela bebia sua água tranquilamente.

— Desculpe. – ele disse.
— Por quê? – ela perguntou o olhando de soslaio.
— Por não acreditar das outras vezes...
— Eu vou ser despedida?
— Você sabe mesmo, preparar drinques?
— Claro que eu sei! Você acha o que? Que eu sou uma maluca metida a inventar profissões?
— Bem... Mesmo assim, você vai fazer o teste. E nós já temos o James, então você vai trabalhar menos e ganhar menos.
— É... Isso é um ponto negativo, mas... Eu não tenho escolha não é ?

Ele notou que ela tirou o honorífico formal, e sorriu discreto, tentando disfarçar. Mas ela notou, e aproveitou para perguntar:

— Por que me disse para não usar mais o honorífico?

Sendo pego de surpresa, ele apenas ergueu seu corpo ajeitando a postura e se aproximando dela, ele disse:

— Por que já estamos dividindo a mesma casa há três meses. Isso já nos dá certa intimidade, não é?

Ele falou encarando-a de cima para baixo, por ser um pouco mais alto que ela. até poderia entender errado aquele momento, mas decidiu apenas assentir sem dizer nada, e sem tirar os olhos dos dele.
sentiu-se um pouco estranho, e piscando os olhos, como se despertasse, afastou-se. A caminho de seu quarto apenas falou para ela, sem a encarar:

— Esteja amanhã de manhã no distrito Jing’bin, número 1800. Jingbin Massage , fale com Mei. Diga que o irmão dela te indicou.

E desapareceu da visão de sem dar tempo a ela para agradecê-lo. A mulher sorriu largamente e observando sair altivo de seu campo de visão, recordou o momento anterior de proximidade e sacudiu a própria camiseta virando um copo cheio de água de novo.



¹ O Bar Rouge existe em Xangai e é o segundo bar mais bem avaliado no Google.


IV.

Quatro meses depois...



Fechou a porta do táxi apressada e correu a descer a rua, íngreme do bairro que morava, até poucas casas depois de onde havia descido. Entrou apressada jogando a chave na mesa de centro, sem nem olhar para o lado. que observava a cena e sabia que ela iria jogar a chave na direção deles, pegou-a no ar antes que ela batesse na mesinha.

— Ela ainda vai estragar o meu carvalho.
— É ela? – Kumiko, namorada de Tony Thornburg perguntou-o.
— Sim. É a brasileira que mesmo causando tumulto na vida de , não é expulsa de jeito nenhum. – Thornburg, seu amigo respondeu.
— Pare com isso Tony, ela já se tornou uma amiga.
Hm... Ela é bem bonita. – Kumiko falou e encarou seu namorado com um dedo acusador: — Não te quero perto dela! Já deu para notar que ela é bastante expansiva!
— Expansiva...? – Tony refletiu e com um sorriso malicioso concordou com a namorada que começou a lhe bater.

ria discreto, quando apareceu em dúvida por tantas vozes diferentes. Havia gente na casa e ela não percebeu? Estava a caminho do seu banho, quando surgiu no corredor ainda em dúvida pelas vozes. viu a mulher enrolada à toalha caminhando pelo corredor, quase chegando à visão de todos na sala, e rapidamente correu até ela.

... – ela ia perguntar algo, mas ele a virou em direção oposta, a fazendo caminhar para o banheiro novamente — O que...
— Você perdeu o juízo ? Temos visitas!
— Ah... – ela respondeu na porta do banheiro virando-se para ele — Então eu ouvi vozes mesmo...

!? – Tony chamou-o se aproximando pelo corredor.

Então empurrou para dentro do cômodo e a garota gritou:

— O que está fazendo? Sai daqui!
— O Tony!
— Qual... Qual o problema?
— Eu... – encarava o olhar assustado e arregalado de , e rapidamente saiu do cômodo.

Encontrou Thornburg o encarando malicioso, e apenas falou:

— Vamos pro Rouge.
— Não quer conversar sobre essa atração que você descobriu ter por sua colega de casa?
— Calado, Thornburg.

Mais tarde estava chegando apressada no bar para trabalhar. ainda estava conversando com seu amigo Tony, e Kumiko a namorada dele, conversava com Hue, a garçonete. cumprimentou a todos rapidamente e se colocou atrás do balcão para preparar os drinques.

— Você está apressada hoje ou é impressão minha? – Hue perguntou-a.
— Nossa, desculpa pessoal! Hoje eu atendi trinta clientes de massagem! De repente todo mundo queria marcar um horário comigo, eu saí do distrito Jing'bin atrasada! Mei quase não me deixa sair no meu horário!
— Uau… Trinta clientes? Isso é bom não é? – Hue perguntou com Kumiko concordando em resposta.
— É sim! Mas cansativo né? Minhas mãos estão até doloridas…
Você deve ter mãos de fada… – Pierre falou num tom sugestivo deixando um copo no balcão para limpar e pegando outra bebida para um cliente.
— Eu posso te mostrar qualquer dia… – respondeu tão sugestiva quanto ele.

As meninas brincaram com uma entonação de zombaria, e Pierre piscando para se distanciou voltando a trabalhar. Hue então, se preparando para voltar ao seu posto, agora que havia chegado, olhou para Kumiko e para como se fosse contar um segredo. Apontou na direção da brasileira dizendo:

— Pierre é muito talentoso… Se é que me entendem.
— Tenho notado o interesse dele desde que cheguei… Agora que estou mais habituada em Xangai acho que posso relaxar. – confessou.
— Eu apoio!

Hue saiu deixando uma Kumiko observadora à brasileira, e uma concentrada a seu trabalho.

— Você realmente não se envolveu com ninguém aqui?
— Não! Não é como se eu tivesse tempo… Na verdade, ainda não tenho. Mas eu preciso me divertir. Até minha amiga Cah, não demorou dois meses para começar a namorar o meu vizinho Luke, e eles se conheceram no dia que eu parti do Brasil!
— Entendo! Mas então você nunca ficou com homens chineses?
— Ainda não. O que tem de especial relacionado a outros homens?
— Não sei. Namoro o Tony há tempos, e antes não fiquei com muitos homens.

Kumiko apontou seu namorado ao lado de , e então entendeu que alguém estava indicando o território ali. Mas também lhe passou pela cabeça:

— Espera! Eram vocês que estavam lá em casa há pouco?
— Sim! E nós achávamos que você e o tinham algo…
e eu!? – olhou-a de forma surpresa e fugiu o olhar na direção do seu “padrinho”: — Não… Nós… Nem sei se já posso dizer que somos amigos.
— Entendo. Parece que isso de morar juntos, tem seus limites afinal.

meditou brevemente sobre a fala de Kumiko. De fato, e ela em todos aqueles meses não haviam sido muito invasivos na concepção dela. Salvo a vez que ele a encurralou no balcão da cozinha, no mesmo dia que saiu em sua defesa no bar. E salvo horas antes, em que ele invadiu o banheiro com ela de toalha, e saiu sem nada explicar. havia ficado assustada, mas não podia negar que também se sentiu empolgada! De repente ela estava encarando numa mesa afastada com Thornburg, como se houvesse recém-descoberto um segredo.
Kumiko bebia seu drinque observando o movimento do bar quando voltou a si, e se pôs a preparar outro drinque para ela.

— Uau! Isso é incrível! – a chinesa respondeu satisfeita ao provar o drinque.

sorriu e viu o namorado de Kumiko a chamar. Então perguntou a ela, antes de ser deixada trabalhando sozinha:

— O que eles tanto conversam?
— Eu não sei! Nunca me meti nos assuntos de trabalho deles.

assentiu e retornou a sacudir outro drinque para outro cliente. Quando entregou a bebida pronta para Pierre que havia se aproximando com um sorriso safado para ela, já estava escorado ao balcão e notou o clima entre seus funcionários.

— O que vocês tem feito? – perguntou diretamente para .
— Por enquanto nada… – ela respondeu rindo.

engoliu um bolo de saliva espessa, e sentiu sede. Virou outro gole da bebida que tinha em suas mãos, e decidiu não dar atenção àquilo.

— Você está bem? Notei que chegou atrasada em casa.
— Eu só tive muitos clientes hoje. Mei pediu para eu lhe dizer que ela quer vê-lo!
— Eu irei lá com você num próximo dia… Ela me disse que você é a melhor funcionária…
— Modéstia à parte, eu sou mesmo. Mas ela não pode me dar trinta clientes num dia! Quero dizer, é ótimo, porque ganho por atendimento, mas isso vai trazer problemas para mim entre minhas colegas, e problemas de saúde também! Meus punhos estão até inchados, olha!

apontou suas mãos para que preocupado percebeu o esforço físico da mulher, e sabia que ficar ali batendo drinques iria piorar.

— Peço a Pierre para trocar com você hoje.
— Não ! Por favor! Este é o meu trabalho… – ela falou séria e ele assentiu bebendo em silêncio e observando-a atender a outros clientes, e sorridente.
— Por que estava em casa àquela hora? – ela perguntou ao retornar para perto dele.
— Te esperava para vir…

estranhou o fato já que ele saiu correndo de casa. E ele sabia que deveria esclarecer aquilo.

— Você não deveria ficar andando de toalha pela casa. Principalmente quando o Thornburg estiver lá. Eu fiquei um pouco surpreso, então… desculpe-me.
— Eu que peço desculpas. Acho que a cada dia me sinto mais confortável em casa, e com isso, eu acabo retomando hábitos naturais da minha cultura. Então, entendo porque saiu correndo e me deixou sozinha.
— Me desculpe por isso também.
— Relaxe ... Já somos amigos, não é?
— Amigos?

Ele perguntou mais para si do que para ela. E quando Pierre se aproximou, tomando o lugar atrás do balcão ao lado dela, vendo os dois trocando olhares suspeitos, sentiu que não queria responder que eram amigos.

— Não. Somos mais que amigos. Eu sou seu tutor, .

Ele deixou o copo vazio ali, e seguiu para o escritório do bar. Pierre observou a mulher ao seu lado com uma expressão confusa.

— O que ele quis dizer?
— Quer dizer que ele é responsável por você.
— Como um irmão mais velho? – perguntou animada, mas Pierre observou o chefe pela vidraça do escritório e pensou um pouco, até responder a ela:
— Talvez. A verdadeira intenção por trás do que ele diz só ele pode explicar. As relações orientais têm particularidades que para nós estrangeiros podem ser estranhas.
Hm… Quer saber? Vamos trabalhar!

O final do expediente não demorou, mas para veio como uma eternidade. Pierre a convidou – depois de tantos meses – para sair. Mas estava exausta, então pediu para combinarem outra hora, Pierre compreendeu.

— Eu posso te dar um conselho?
— Claro!
— Coloque uma atadura fria nos punhos.

sabia daquilo. Mas achou fofa a preocupação do colega de trabalho. Despediu-se dele com um abraço, já que os dois eram mais tranquilos em relação aos toques e abraços. Hue despediu-se também subindo na moto de Pierre, que lhe deu uma carona como fazia às vezes, após ter sido dispensado por . A mulher esperou na porta do estacionamento, e logo chegou fechando a porta de aço. Caminharam em direção ao Jeep dele, e mesmo que ela já estivesse acostumada, ele apressou-se a abrir a porta para ela.

— Quando você vai ver Mei?

deitou-se lateralmente no banco do carona, desconfortável pelo cinto, e encarava diretamente. Ele estava absurdamente desconfortável pelo olhar da mulher sobre si.

— Amanhã, que tal?
— Maravilhoso! Significa que poderei dormir mais.

Ele sorriu ao ver a garota fechar os olhos respirando fundo. Encarou as mãos dela, estavam inchadas. E deviam estar doendo. sabia exatamente o que diria à irmã.
Quando chegaram a casa, ele abriu a porta do carona, e pensou pela primeira vez em carregar no colo até o interior de seu lar, mas a mulher despertou antes mesmo que ele a tocasse. foi pego de surpresa.

— O que estava fazendo?
— Eu… Eu ia te acordar.

o encarou tão perto dela e estranhou, mas desceu assim que ele se afastou e como sempre, entrou antes dele. Lembrou-se que ele não gostava quando ela jogava as chaves então as colocou à porta-chaveiros. entrou em seguida e observou a cena com um sorriso tímido. foi para o banheiro e ele para a cozinha. Enquanto a mulher tomava seu banho, preparava um Yakisoba para eles. Na verdade estava pronto antes de sair de casa, e ele apenas esquentou.
saiu do banho, e ao notar o cheiro seu estômago roncou, mas eles sempre esperavam um ao outro para comer. E assim que saiu do banho secando os cabelos, ao passar pela sala viu deitada de qualquer jeito dormindo. Sorriu, um dos seus sorrisos escondidos para a mulher, e cauteloso acordou-a.

— Vamos comer.

Ela assentiu e ao se colocar à mesa, advertiu a ele que aqueles seus horários de alimentação estavam muito errados. Disse também que sentia vontade de voltar a lutar, ou praticar qualquer exercício físico. Afinal, ela não podia ficar parada!

— Você gosta de luta?
— Eu sou capoeirista. Mas também já pratiquei um pouco de jiu jitsu.
— Talvez eu possa te ajudar.
— Você luta?
— Não. Mas tenho um amigo que luta Muay Thai. Ele conhece um rapaz, Seo o nome dele. É coreano, mas tem estado na China para se aprimorar numa academia aqui... Enfim… talvez o meu amigo, possa te apresentar a ele.
— O tal Seo, é do jiu jitsu!?
— Se não me engano…
Hm… Apresente-me ao seu amigo!
— Tem certeza? O Moa é um pouco maluco.
— Me apresente ao Moa, !

A empolgação de ao menor sinal de aventura era cômica, ria abertamente da reação dela, e aquela era a primeira vez que ela o via sorrir daquele jeito.

— Ora, ora… Que belos dentes você tem! – ela falou zombando e ele riu ainda mais.
— Vamos! Prepare um filme para assistirmos e eu lavo a louça.

Ele falou e se surpreendeu ainda mais. Aquilo era novidade. Mas obedeceu. Escolheu no catálogo da iQiyi¹ , um filme para eles assistirem e o aguardou voltar.
Quando apareceu novamente, ele tinha uma bacia de ataduras em gelo em suas mãos. Sentou-se à frente de , e pediu-lhe os punhos. Com isso, ele a enfaixou e a mulher ficou agradecida e também encantada com o cuidado dele. Depois, cobriu-a com um edredom a fim de que ela não sentisse frio pelos punhos congelados.

— Obrigada. – ela falou assim que ele sentou ao seu lado, com certa distância e numa postura ereta, com braços cruzados.
— O que você escolheu para assistirmos?
— Parasita!

Ele assentiu e deu play. Não demorou muito para dizer algo que a estava incomodando desde cedo.


Hm?
— O que quis dizer com ser o meu tutor?

Ele encarou a mulher ao seu lado, com seus olhos grandes arredondados e espertos a encararem-no de volta. estava atenta, e curiosa. estava ansioso e amedrontado. Sabia que começara a sentir uma atração física pela mulher, mas também um sentimento de proteção e cuidado por ela. Sentia-se responsável por , mas também queria ser literalmente responsável por ela, pois, sabia que não era.
No momento em que viu Pierre – que era alguém muito mais próximo à realidade de –, interessado à mulher não deu tanta importância àquilo, porque primeiramente não nutria essas… Sensações novas por ela. E depois, porque não correspondia. Não achou que era uma possibilidade que seus dois funcionários se relacionassem, até que os viu aquela noite com todos aqueles olhares, sorrisinhos e uma atmosfera de flerte.

? – o chamou fazendo-o despertar de seus pensamentos.
— Eu… Bem, eu sou o seu padrinho de intercâmbio.
— Sim, mas… Você disse que um tutor era mais do que um amigo. O que isso significa? As suas obrigações como um padrinho de intercâmbio já foram cumpridas.
— Certo. Talvez eu só queira ser o seu amigo, mas sem parecer que é só uma amizade.

encarou-o de forma confusa e soltou o edredom de seu corpo, sentando-se em postura altiva. Aproximou-se dele um pouco mais no sofá, e encarava as ações da mulher como se ela fosse um predador à sua frente. Ela levou suas mãos, enroladas de ataduras frias, a seu próprio rosto circundando sua face como se, estivesse se preparando para encarar uma grande pergunta.

— O que é ser amigo sem ser só amigo, !?

O olhar urgente dela significava que sim, ela estava se atraindo por ele, e também estava numa seca de homem há tempos demais para não levar em consideração que a postura, sempre tão inalcançável e reticente dele, deixava-a muito, muito tentada a seduzi-lo.

— Eu não sei.

respondeu assustado, e viu o olhar emergencial e devorador de murchar aos poucos. E foi como se um grande sino badalando em sua mente, lhe desse a chance de consertar aquilo antes que por fim, ele chegasse ao soar final, e tivesse feito perder todo o interesse naquela resposta.

— Na verdade… Eu quero me aproximar de você, bastante. Eu só não entendi muito, como fazer isso, já que você é diferente de todas as mulheres que eu já conheci. Mesmo às estrangeiras.

o encarou com felicidade no olhar de novo. Certo! Ele disse que queria se aproximar dela. Bastante. Mas não disse bem, o que se aproximar significava, então talvez fosse melhor deixar que ele conduzisse os passos.

— Bem… – ela ajeitava-se no sofá de novo para responder: — Eu não entendo muito bem o que você pretende, mas, da minha parte eu quero ser próxima de você. No meu país, a amizade tem várias formas de se manifestar, então, seja lá o que você quer dizer com “muito próximo”, começar pela amizade é um bom passo.

assentiu sorrindo fraco, pigarreou e voltou a sua postura retraída. se ajeitou novamente na coberta, e eles voltaram a assistir o filme em silêncio. , em dado momento pegou as mãos de que estava concentrada demais no filme para notá-lo, e refez as ataduras dela. Foi então que ao sentir o frio em seus punhos ela o encarou, surpresa. desculpou-se e observou os pelos do braço dela eriçarem com a temperatura baixa. Aquilo causou nele um novo desconforto. Nunca quis tanto tocar alguém, como queria tocar .
Tenso, acabou de cuidar dela, que tinha uma expressão totalmente voraz em sua direção e que ele fingiu não notar, e retomaram o filme. Quase no final, de repente, a cabeça de pendeu para o lado. Estava dormindo. sorriu, e como faria mais cedo sem obter sucesso, agora ele a pegou nos braços e pôs-se a levá-la ao seu quarto. O cheiro que exalava dos cabelos dela, a temperatura quente da pele dela, e a sua respiração tranquila no pescoço do rapaz, o faziam sentir um descontrole absurdo. queria muito deitar na cama de ao lado dela, e tomá-la para si. Mas não pôde.
A única coisa que pôde fazer foi correr para o seu quarto, e tentar dormir. Mas quando ele fechou os olhos, a imagem de de toalha lhe tomou a mente. Em seguida, as cenas de riso fácil entre ela e Pierre. O sorriso dela para ele no sofá, tão disponível e tentadora, quando ele lhe trocava as ataduras. Fora os inúmeros momentos daquela noite.
Desde que adentrou sua vida, ela tumultuava-a. E Thornburg estava certo, não queria expulsar de sua vida. Entre um virar para o lado e outro, de sua cama, não conseguia esquecer o cheiro e o peso do corpo de sua colega de casa estrangeira sobre si. Seu pênis já lhe dava sinais de animação, com míseras cenas. não quis se masturbar, então foi tomar um bom banho frio para amenizar. Uma aposta infundada, já que a temperatura de Xangai aquela noite, era de 10 graus. Se aquilo não era suficiente, então provavelmente, pegaria um resfriado se não tomasse qualquer antigripal antes de dormir.



¹ Serviço chinês de streaming de vídeo, semelhante ao Netflix.


V.


Na manhã seguinte, acordou descansada e bem disposta. Não dormia bem daquele jeito há algumas semanas e estranhou que não foi acordada pelo relógio. Mas se lembrou de que a levaria para o trabalho de manhã naquele sábado, já que sua irmã Mei queria tanto lhe ver. Contudo, ao olhar para o relógio, quase caiu de cama. Estava muito, muito, muito atrasada! E não era possível que tivesse se esquecido do que a prometeu!
levantou-se caótica, correu ao banheiro para escovar os dentes e tomar banho, saiu enrolada na toalha desesperada para seu quarto, quando notou que havia barulho demais lá dentro. Ele havia percebido que ela estava acordada, mas por que tanto barulho e correria? Viu de relance, da escrivaninha de seu quarto, a mulher correr de toalha para o quarto dela, e levantou-se à sua direção. Parou na porta e bateu devagar.

— O que foi!? – gritou lá de dentro.
— Está tudo bem?

Ele perguntou e não obteve resposta. A maçaneta da porta do quarto dela girou e deu um passo para trás. Observou a mulher raivosa surgir em sua frente ainda enrolada à toalha, e com gotas escorrendo sobre si através de seus cabelos molhados.

— Não está tudo bem ! Eu estou atrasada!

Ela esbravejou e voltou ao seu quarto, deixou a porta aberta e pôs a cabeça numa brecha para lhe falar. Ela ainda vasculhava ao guarda-roupa pequeno.

— Mas você não tem trabalho hoje.

o ouviu e espantada se virou para ele segurando a ponta de sua toalha presa.

— O que?
— Eu vim ao seu quarto mais cedo, te acordei avisando.
— Eu não me lembro disso!
— Você é sonâmbula?
— Às vezes.
— Ah… Bem! Mei cancelou sua agenda de hoje.
— Como!? – desesperou-se: — Eu fiz algo errado?
— Não, não! É só um descanso que eu pedi a ela para você.
— Você o quê? Por quê?
— Porque você precisa descansar. Agora, pode se vestir com calma. Também preparei café, e já comi. Estou no meu quarto fazendo alguns trabalhos, e se quiser podemos sair hoje. Chame se precisar de algo.

Ele saiu a deixando sozinha e não acreditou que teria um dia livre. Ao mesmo tempo em que queria sair e conhecer Xangai, ela também queria ficar em casa e fazer uma rotina de cuidados de si. Sentia falta de Cah para aquele tipo de coisa. E também queria ficar em casa, porque seria a primeira vez que passaria um fim de semana com , depois de se “aproximarem”.
Tomou o seu café da manhã, e foi fazer yoga na sala. Ligou para Cah, pois queria compartilhar os exercícios com ela. Mas se esqueceu de que era noite e foi recebida com uma torrente de frases sem sentido, entre choramingo de saudades e palavrões raivosos da amiga. Por fim, desligou a chamada, já que Cah dormia.
saiu de seu quarto para pegar café, quando se paralisou na sala, ao ver naquele shortinho de lycra, com suas pernas grossas e bem torneadas, e sua bunda farta demais para os padrões chineses. Ficou imaginando como seria vê-la com menos roupas ainda! Sacudiu sua cabeça levemente e foi em direção ao balcão da cozinha, tentando não olhar para com a bunda para o alto e as pernas abertas numa postura nada comportada. Belo yoga! agora tinha uma ereção para controlar, de novo. Sentou-se na banqueta e esperou a cafeteira passar nova dose de café.

— Você faz yoga ?
Ahn, não. Eu só corro…

A expressão de se iluminou!

— Ora! Então podemos correr juntos! Eu estava aflita que não tenho a Cah para forçá-la a praticar yoga comigo!
— Por que não convida Hue para fazer programas femininos com você? Ou até mesmo o yoga?

A conversa estava o acalmando, já não olhava para . Tinha os olhos fixos na tela inerte de seu celular.

— Não sei… Hue e eu ainda não somos amigas. Não sei se ela gostaria de sair comigo. Ao contrário de Mei! Mas como ela está no trabalho, eu não poderia convidar ela para vir aqui.
Mei gosta de você? – ele perguntou surpreso.

Era a primeira vez que ela não pegava no pé de uma nova funcionária, ainda mais uma estrangeira.

— Gosta. Ao menos, me parece que sim! Talvez seja porque eu lhe trago boas clientes.
— Não sei… Mei é astuta, mas não acho que seja isso… – falou baixo como se refletisse sozinho, e não o compreendeu, mas não teve tempo de lhe perguntar nada, já que ele logo foi lhe falando: — Mas e então, você não quer sair !?

E sorrindo tranquila, ela trocou de posição e respondeu:

— Não. Hoje quero ficar em casa. Quero passar o dia com você .

E a sua resposta com aquela voz doce, foi suficiente para estranhar e ficar curioso então olhou na direção de , e se viu surpreso. E arrependido: estava com as mãos no chão, e os pés também, com as pernas abertas e a cabeça entre as pernas o encarando sorrindo. Não havia nada de vulgar ou estranho na posição, mas o que fez o pau de latejar de novo foi o sorriso malicioso dela.
viu o café derramar em sua xícara e levantou correndo para limpar. Em seguida, saiu apressado ao quarto e deixou com suas provocações para trás. Ela notou a falta de jeito dele, e decidiu naquele momento, com um sorriso travesso à face: iria jogar.

Naquele sábado, os dois ficaram em casa durante o dia, ora cada um nas suas tarefas, ora em conjunto. Cozinharam juntos a refeição de almoço, assistiram a uma série de anime favorita de , e pasme: havia gostado também. Conversaram sobre suas vidas, histórias. perguntou o que Tony e faziam juntos no trabalho, e descobriu que Tony era sócio de em alguns negócios que ele não quis aprofundar, mas inclusive, no aplicativo que tornou possível sua estadia ali. perguntou que dia iria conhecer Mao e falou para ela ir segunda feira a um local, assim que saísse do bar. E aproveitou para perguntar o que ela faria no domingo, já que não tinha trabalho. informou ter um curso de pastelaria em doces modelados. Fora outras pequenas coisas um do outro, que acabaram compartilhando e que não passavam de trivialidades. Antes de irem para o bar naquela noite, apareceu vestida e secando os cabelos à porta do quarto de , o apressando. Mas ele estava tão concentrado no notebook que não a ouviu. Ela se aproximou e observou a planilha cheia de códigos, e números. tomou um susto ao ver ali e bateu com a tela fechando o aparelho.

!
— Desculpa… Não entendi nada do que vi, e nem gravei se te preocupa… Eu só vim alertar do horário.
— Não quis te ofender, foi só um susto.

Ela deu de ombros se retirando, e resmungando:

Tsc… Eram só números…Antes fosse pornô.

O trabalho seguiu tranquilo, e no final do expediente, Pierre e iam sair. O que pegou extremamente de surpresa! Ele ficou com ciúme, e passou a noite acordado em casa, até chegar. E ela não chegou tarde. No fim, tinha ido com Pierre em umas baladinhas de Xangai, mas ambos estavam tão cansados que terminaram a noite comendo cachorro quente, já que não era fácil assim de encontrar a iguaria, numa barraquinha de rua e bebendo.
chegou tranquila, e nada arrependida de não ter beijado Pierre. Souberam os dois naquela saída, que eram melhores como amigos do que amantes. No fim, Pierre sabia do interesse de pela mulher. Havia notado, mas ficou quieto. Embora não estivesse chateada por não rolar nada com Pierre, sentiu-se frustrada por novamente, irradiar excitação e não poder extravasar. Logo que abriu a porta de casa, ao fechar pendurou a chave no suporte. Tirou sua bolsa do corpo, e trocou os sapatos de rua por pantufas e entrou. A luz da noite adentrava o vidro da janela da sala, que tinha as cortinas abertas e refletia ao sofá. Foi assim que percebeu dormindo ali, jogado e sem camisa. E sentiu uma pequena coceira no baixo ventre.

— Puta merda… A Cah ia surtar se eu não aproveitasse o momento…

Atenção! A partir daqui, cenas restritas. Se preferir, pode pular.

Sussurrou para si, em sua língua nativa.
Caminhou pé por pé ao seu quarto. Pegou uma das suas camisolas mais “jogo sujo” que tinha guardada, assim como seu lingerie e foi tomar banho no mínimo de barulho possível.
Pensava se iria simplesmente atacar, ou se iria soar provocante de novo. Havia notado que estava atraído por ela, mas ele era extremamente rígido, e inalcançável. Se ela fingisse um sonambulismo ele não a tocaria, e se ela o atacasse, ele poderia rudemente a rejeitar. Assustar não era boa ideia. Então, continuaria no modo provocante, a fim de fazer com que ele perdesse a sanidade, primeiro.
Saiu de seu banho preparada. Caminhou até a sala de novo, e foi em direção ao sofá, mas não estava lá. Ele teria acordado e ido dormir? suspirou confusa quando a luz acendeu. Para o desespero de , que estava de pé na bancada da cozinha bebendo água e acendeu a luz ao notar o movimento de alguém perto. Percorreu os olhos pelo corpo pouco coberto de , parte sutil de sua bunda aparecendo sobre aquela camisola curta.
Muita pele exposta, e ele tinha certeza que era um convite! A mulher não se comportava daquele jeito! E ela sabia dos limites do bom senso.
também o encarou após percebê-lo. O abdômen de tanquinho dele, não era exagerado ou destoante do resto. tinha um corpo atlético dentro do seu biótipo. E estava subindo pelas paredes. Ela se aproximou devagar, enquanto ambos exploravam seus corpos pelo olhar.

— Como foi o seu encontro com Pierre? – ele perguntou sem esforço de não se mostrar interessado.
— Dormiu na sala me esperando?
— Não. Só peguei no sono, mesmo. E você? Voltou tão cedo.
— Pierre e eu... Não vai rolar…
— Lamento.
— Não, não lamenta não… – falou certeira, se aproximando mais e mais de : — Vamos fazer algo juntos, por favor?
— Suponho que não queira ver um filme.
— É o que você quer fazer comigo?
— Quanta permissão eu tenho para te tocar? – ele perguntou finalmente.
— Toda. Em qualquer lugar e pelo tempo que precisarmos, só… me toque , por favor!

Uma sequência de palavras perigosas e suficientes para fazer bater o copo na bancada, e puxar o corpo de de encontro ao seu. Seu pau latejando foi facilmente percebido no moletom solto. Do jeito que gostava. Já estava molhada com os poucos toques das mãos dele a explorar seu seio. O beijo de era voraz, e totalmente libidinoso. Eles mordiam um ao lábio do outro, com prazer lento e suas línguas de misturavam numa necessidade ímpar. passou os dois braços pelo pescoço de e pediu para subir em seu colo. colocou-a sentada na bancada e abriu as pernas dela se colocando no meio. Beijava sua boca, sedento, e alternava entre os seios dela por carinhos com as mãos e sugadas fortes e famintas. Mas queria sentir a mão dele a fodendo.
Pegou a mão de e levou para sua calcinha, e ao contrário do que achou, enfiou logo dois dedos fazendo força e massageando ao mesmo tempo. já sentia que só os dedos não mais bastavam! Forçou a mão dele o pedindo para enfiar um pouco mais. Então , retirou seus dedos de dentro da buceta quente e macia, e abaixou seu moletom, fazendo descer da bancada para chupá-lo. Ela segurou firme o pau de , que preencheu sua boca de uma forma satisfatória. Lambia a cabecinha o fazendo gemer, depois chupou suas bolas causando ainda mais sensibilidade em , e em seguida aumentou a velocidade dos movimentos combinando-os com as mãos que subiam e desciam o masturbando. ficou extremamente entregue, e cada vez mais duro e rígido. O pré-gozo saiu na boca de que engoliu e chupou o pau dele com vontade limpando-o. Subiu lentamente seu corpo, encarando , que sustentava uma expressão séria e voraz. Ele a levou rapidamente ao sofá, com caindo sentada ali enquanto ele ajoelhado, arreganhou as pernas dela abrindo-a com desejo. mordeu o lábio e encarou luxuriosa a expressão bravia de , e se tocou devagar, mas retirou a mão dela dali, e sugou seu pescoço voraz, afundando-se nele.

— A única coisa que você pode fazer agora é gemer alto o meu nome!

Na mesma hora, o calor subiu pelo corpo de ao ver tão comandante daquela forma. Ele lambeu a buceta molhada dela, que vazava descontroladamente, e primeiro sua língua adentrou junto aos seus dedos penetrando-a e provocando cócegas, o que a fez arquear-se numa primeira vez. Depois com beijos e mais linguadinhas, brincou com o clitóris de e ela remexia os quadris com necessidade.

Hmmmm, … Me fode forte, vai…
— Bem duro e fundo?
Ahhn...

mal dava conta de falar. Seus gemidos eram maiores que os miados e ronronados do gato sempre escondido ao quarto de . então foi ao seu quarto pegar um preservativo, dando um tempinho para respirar com calma. E ao voltar, pegou a mão de e pediu para ela acariciar seu pau com vontade. Ela novamente o chupou e colocou com cuidado a camisinha. Voltou a sentar-se arreganhada, e mordeu os próprios lábios com força, tocou seu clitóris enquanto enfiava seu pau dentro dela. Sentiu-a apertá-lo dentro de si, estocou fundo, com vontade, entre beijos, gemidos e dedos no clitóris dela. Depois de ter seu orgasmo, ela o fez gozar. Os dois pegaram no sono, nus ao sofá. Mas de madrugada, acordou com um sonho erótico, e se masturbou enquanto chupava , que gemia sem entender que de novo, aquilo não era sonho.

VI.


No dia seguinte, acordou em sua cama. Estranhou, pois era a segunda vez que aquilo acontecia e não se lembrava de como havia ido parar lá, então deduziu: seu “tutor” gostoso levou-a. se levantou preguiçosa, mas sorridente! Tivera uma noite das boas! E mal podia esperar para viver aquilo de novo. À procura de para provocá-lo mais uma vez, ela saiu pela casa, nua como estava, mas não o encontrou.
havia acordado muito mais duro do que o normal, as memórias da noite passada ainda estavam frescas e nítidas, tão nítidas quanto o corpo da mulher sobre si, naquele sofá. Apesar de desconfortável sono, ele sentia que toda a tensão de seu corpo havia sido dissipada naquele sexo. tocou o rosto de , afastando a franja caída em seus olhos e sorriu. Ele sabia que aquela brasileira iria tirá-lo do trilho. Mas, não podia se apegar! Devia manter certa distância e cuidado, não só por zelo emocional, mas também por não querer decepcionar . Levantou-se e carregou-a no colo para o quarto. Depois de acomodá-la em seu sono profundo, ele foi imediatamente se preparar para o seu compromisso. Nem tomou café, antes de sair foi ao quarto de e viu que ela ainda dormia. Então lhe deixou uma mensagem no WeChat.
foi para seu quarto, desconfiada daquela situação. Por que ele havia sumido? Aquilo era uma fuga? Pegou seu telefone e percebeu a notificação:

:
Desculpe sair desse jeito, eu tenho um importante compromisso hoje.
Precisei sair cedo, fique bem. Até a volta!


Quanto tempo ele ficaria fora para se despedir daquele jeito? ficou intrigada. Não era de se apegar ou apaixonar fácil, mas sabia que geralmente, os homens não fugiam dela. A atitude de era no mínimo curiosa. A mulher tomou banho e aprontou-se para seu curso. Três horas depois, já estava sentada à bancada culinária, uniformizada e animada com o que iria aprender. Os doces refinados chineses, doces à base de ágar-ágar e açúcar, coloridos e modelados à mão, como um processo de artesanato. No final, dava até pena de comê-los.
No curso, conheceu Liu¹. Uma tailandesa que estava em Xangai há alguns anos, muito linda. Liu era simpática e bastante animada assim como , mas não tão espalhafatosa. Liu era elegante de certa forma. As duas conversaram bastante durante o curso de um dia, e Liu contou para que estava fazendo aquele curso para preencher a vaga de camareira em um ótimo hotel de seu país. E perguntou a o motivo dela estar ali.

— Eu não tenho uma razão como a sua, apenas quero aprender o máximo de coisas novas, crescer meu currículo de alguma forma enquanto viajo pela Ásia.
— Você trabalha no que?
— Estou trabalhando na Jing'bin Massage, no distrito de Jing'bin durante o dia e no Bar Rouge, no centro de Xangai pela noite. É cansativo sabe? Mas eu não vim apenas me divertir. Eu tenho um sonho e me esforçarei para realizar.
— Isso é ótimo! Desejo a você, muita sorte .
— E você?
— Eu dou aulas de dança numa escola de Hip Hop. Este é meu sonho: ser uma grande dançarina! Eu nasci em Phuket, e aprendi muitas coisas relacionadas à dança com um grupo de amigos do distrito central. Mas era bastante difícil a vida na ilha para este tipo de sonho. Então eu vim para Xangai aprender coisas novas, como você. Fiz faculdade de dança e tenho trabalhado nisso desde então, mas dar aulas é diferente de ser uma dançarina reconhecida. Por isso estou voltando pra ilha, o Resort ao qual quero trabalhar é bastante renomado, e o salário é excelente! Assim posso juntar mais dinheiro e finalmente tentar a profissão artística na Coréia do Sul.
— Você está determinada! Eu também danço, mas não sou formada como você, tenho formação em Educação Física.
— Para realizar o seu sonho, o que você precisa?

pensou um pouco.

— Eu quero entrar na escola de dublês Chan.
— O que!?

Liu falou espantada e riu.


— É um sonho de criança, mas como pôde perceber, eu preciso lutar muito bem, e ser boa em quase tudo o que a profissão pedir.
— Uau… Olha… Grave meu WeChat! Quem sabe no futuro, nós não possamos nos ajudar?
— Isso é muito gentil da sua parte! Obrigada! Além do mais, vou gostar de criar nova amizade! – sorriu recebendo um sorriso sincero de volta.
— E você tem namorado ?
— Não… E você?
— Relacionamentos são uma forma de amarra, e eu preciso ser livre no momento. Mas quero muito me apaixonar por um CEO irresistível, algum dia, como acontece nos doramas.

As duas riram, trocaram contato e despediram-se ao fim daquele dia. foi trabalhar no Rouge, pela noite, e ainda não tivera notícias de . O movimento no bar foi tão grande que mal pôde mandar mensagem a ele. Quando chegou a casa, ainda não havia chegado. Mas assim que saiu de seu quarto, de banho recém-tomado, e morta de fome e sono, ela ouviu a porta da casa se abrir e o homem surgir com o rosto um pouco machucado.

! O que houve?

Ele sorriu ao vê-la e se aproximou devagar e tranquilo, puxou o corpo dela para si e beijou de surpresa. A mulher não compreendeu, mas correspondeu. sabia que não deveria agir daquela forma, mas se não se importasse, ele iria continuar agarrando-a sem preocupações ou compromissos. Depois de aparecer daquela forma, sabia que era uma questão de tempo até ela o deixar.

— Tive um probleminha com um cliente.
— Cliente? O bar fechou há uma hora! Onde você esteve?
— Fiz uma viagem curta de negócios, nada que você deva saber ou se preocupar. Como foi o seu dia?
— Foi bom… – o observava, minuciosa e suspeita — Tome um banho, eu pedi comida italiana. Você gosta?
— Qualquer coisa pra quem tem fome, serve.

se direcionou ao banho, e estranhava-o ainda mais. Primeiro eles transam gostoso e loucamente, depois ele some, volta machucado e a beijando como se fizessem aquilo há anos? não queria dramatizar nada, mas sua intuição dava alerta de “perigo”. E quando aquilo acontecia, não costumava ignorar. Também não queria se envolver profundamente com ninguém, e se propusesse uma conversa desnecessária sobre o que aconteceu entre eles, daria rótulos aquilo. Não havia acontecido nada além de sexo, e não seria nada mais do que isso dali por diante. atendeu ao pedido do restaurante assim que chegou, e cuidou dos ferimentos de . Ele não a contou nada, por isso na manhã seguinte em que ele a levou para o trabalho na casa de massagem, decidiu perguntar a Mei se ela saberia de algo. Mas antes, deixou os dois conversarem a sós na sala de Mei, e foi trabalhar.

O chá que Mei servia na xícara de seu irmão com tanta atenção e doçura, lhe soavam como ele imaginou: emboscada.

— O que você quer Mei?
— Primeiro, quero falar da estrangeira que você está abrigando.
— Eu sabia…
— Você gosta dela!? Por que se preocupa tanto com ela!? Pretende pedi-la?
— Não gosto, somos só amigos. Não me preocupo, apenas sou gentil. E não há nada para pedir a ela.
! Sabe que com a nossa reputação, não conseguirá se casar com ninguém! Ela é ótima para você, apesar de não ser chinesa.
— Mei, eu não vou me casar. Foi para isso que me chamou?
— Não somente. Mas saiba que eu apoio que você se envolva com ela, antes que ela fuja! O que eu mais queria falar é sobre os irmãos Feng. Eles compraram imóveis na região e tem nos desafiado.
— Eu sei, estive em Pequim ontem, e a conversa não foi das melhores.
— O que conseguiu?
— Eles não querem se afastar, o preço da nossa localidade está alto no mercado internacional, e os negócios com as gangues têm trazido cobiça. Mas impus uma condição ousada: Pequim por Xangai. Parte do território deles pelo nosso.
Tsc… Mei resmungou — Por conta disso, te bateram!
— Exatamente! Agora tenho que ir. Cuide-se e qualquer problema aqui me avise.
— Cuide-se também, irmão .

saiu sem despedir-se de e ela não esperava por aquilo. Mas, quando Mei surgiu, ela sondou:

— Desculpe não aparecer no sábado, senhorita Mei. tomou à frente, e quando acordei, ele já tinha lhe falado.
— Não se preocupe, eu realmente a sobrecarreguei. Sabe... As clientes gostam de seu trabalho ! Você é uma funcionária preciosa a mim. E parece ser preciosa também ao

desviou o olhar, mas Mei a observava, articulada e atenciosa:

— Não é comum ver defendendo uma mulher como fez com você… Talvez, vocês estejam em um romance?
— Não senhorita Mei! Não mesmo! Somos apenas amigos… é apenas atencioso… Mas é também misterioso… – ela aproveitou a deixa: — Ontem passou o dia fora, saiu antes do café e voltou machucado. A senhorita sabe o que aconteceu!?
— Você perguntou a ele? – Mei encarou de forma séria e reprovadora.
— Sim, mas ele não esteve à vontade para dizer.
— Então não é de sua conta . Agora vamos, novas clientes chegaram! Faça seu trabalho.

A mulher saiu de perto de , posuda e séria. retornou ao trabalho com a pulga atrás da orelha. Seu alarme de perigo ressoava novamente, e era oficial: precisaria averiguar no que havia se metido. Já que àquela altura, não imaginava nada diferente de suspeito.
Ao fim do expediente, ela foi encontrar no local que ele havia indicado. Um galpão de artes marciais. entrou no lugar, atenta aos rostos e percebeu lhe acenar. Caminhou até ele, que conversava com um homem forte e cheio de cicatrizes por todo o corpo e rosto.

, este é Mao!

Ela cumprimentou o homem, num aceno de cabeça, e Mao apenas sorriu.

— Você quer aprender jiu jitsu então?
— Na verdade eu já sei alguma coisa, só gostaria de treinar melhor.
Seo Joon está de partida em algumas semanas, mas você ainda o encontra aqui. – Mao falou retirando um cartão de seu bolso e entregando para .
— Obrigada.
— E então irmão , quando vai precisar dos garotos?

Mao voltou ao diálogo com , que sorrindo o puxou um pouco para longe de . observava a mulher ao pegar o cartão com Mao e se indagava sobre o interesse dela em lutar. Mas não pôde se concentrar naquilo, já que Mao não disfarçou o assunto. o chamou fazendo menção de ir embora. Ela precisava dormir antes de ir trabalhar no Rouge, mas pediu-a que o esperasse e eles voltariam juntos de carro. Então enquanto esperava, ela trocava mensagens com Liu, sua mais nova amiga.

Liu:
Consegui, !
Retornarei para Phuket em poucos dias!

:
Parabéns Liu! ☺♥
Desejo para você muito sucesso!



Liu:
Obrigada! Que tudo dê certo para você também!
Sabe… Eles ainda estão contratando!
É um ótimo emprego!
Se você quiser, eu posso enviar o seu currículo.

:
Nossa!
Parece que veio numa ótima hora o seu convite!
Acho que estou metida em problemas…



Liu:
O que aconteceu?

:
Liu, você mora em Xangai há mais tempo, e deve conhecer o Rouge não é?



notou que a tailandesa demorou a digitar, achou que viria um textão, mas a resposta curta apenas mostrava o quanto Liu havia pensado e ponderado na resposta.

Liu:
Conheço.

:
Você também conhece ?



Liu:
Ele é um grande empresário de Xangai, e dono de muitos estabelecimentos junto com sua irmã Mei…
Os irmãos , como são conhecidos…
Mas se não sabia disso quando foi trabalhar para ele… Por que a pergunta agora?

:
Tem algo de errado que eu devesse saber?



Liu:
Por favor, me diz que você não dormiu com ele!

:
Ok…
Eu tenho mesmo um problema não é?



Liu:
Não o conheço a fundo, ele pode ser uma boa pessoa.
Mas talvez fosse melhor você se afastar com cuidado. Não é sobre quem ele é, mas sobre o que ele faz. Os irmãos são os mafiosos de Xangai, inimigos dos irmãos Feng, que lideram parte de Pequim.
Ambas as famílias são ricas e poderosas, e também perigosas. Mas só quem sabe de suas vidas, são aqueles que de alguma forma já ficaram próximos demais.

:
Como você sabe de tudo isso?



Liu hesitou novamente. Mas respondeu um tempo depois, trocava olhares entre observar conversando com Mao, e sua amiga digitando mensagens.


Liu:
Thornburg.

:
Você era algo dele?



Liu:
Digamos que talvez, tenha sido sorte sua esbarrar com a ex-namorada de Tony Thornburg, braço direito e amigo de .
Pulei fora quando descobri tudo, de uma forma muito cuidadosa.
Te aconselho a fazer o mesmo! Invente uma desculpa de que arranjou um bom trabalho, ou de que vai voltar para seu país, mas não arrisque para saber se é vilão ou apenas um bom homem com passado sombrio…



estava certa em ouvir sua intuição! Tudo estava mesmo muito fácil! Mapeou um plano em sua mente, tão veloz quanto sua ida para a China. Liu a ajudaria com o novo trabalho, e enviaria seu currículo. diria que estava indo embora, dias depois, não podia dar na cara que descobriu tudo, e como sabia do espírito livre e aventureiro da mulher, não seria estranho.
Naquela tarde, no caminho de volta, ele a perguntou por que ela queria lutar, e ela foi sincera: queria ser dublê. Logo, a desculpa por um trabalho melhor em outro lugar casaria com um curso que ela inventaria para tal.
Sair de Xangai para a Tailândia só atrasaria ainda mais o sonho de , mas não iria simplesmente ficar ali naquelas condições. Estava perto de um homem, que ela acreditava ser boa pessoa, mas que tinha negócios que a depender dele, ela jamais saberia. O perigo aparente era tentador, mas aquele 1% de juízo que tinha e pouco se manifestava, já dizia a ela veementemente: pule fora. Saia à francesa. Pique a mula de fininho.
Bem, ao menos de uma coisa ela sabia: sua aventura na Ásia estava apenas começando, e se Cah soubesse que ela não investigou direito a vida daquele homem que a hospedaria certamente brotaria em Xangai, com Luke ao seu lado já que eram inseparáveis agora, e a arrastaria para o Brasil. tivera sorte de encontrar Liu. Ela investigou e Liu estava certa, a tailandesa lhe mostrou fotos da época que namorava Thornburg.

No fim, conseguiu sair de boa com e Mei. Ambos desconfiavam que a brasileira já tivesse sido assustada por alguém, mas não viam problema em aceitar que ela iria embora. Não eram pessoas ruins, mas nem todos entendiam, e nem sabia daquilo. A única coisa que lamentava, era o fato de que seus dias voltariam a ser sem graça sem ela ali. Não sabiam se algum dia iriam se reencontrar, mas torcia para que aquilo acontecesse. seria inesquecível em sua vida.
foi embora um mês depois de Liu. Seu próximo destino: Tailândia. E uma coisa era certa, não iria mais dividir um quarto com homens suspeitos.



¹ Liu: personagem da minha saga de fanfics para os Music Vídeos do Jay Park: “MV: Drive”, “MV: Me Like Yuh” e “MV: You Know”.



FIM?



Nota da autora: Entrei neste especial, bem maluca pirada! E em cima do prazo de finalização, então, me perdoe se não tivermos a segunda aventura da nossa personagem até a entrada das fanfics. Espero que vocês gostem! ♥ Obrigada à equipe do KPOP Extreme por me possibilitar participar de um especial tão fantástico!





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*Todos os links na minha página de autora.

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| RBD – Empezar Desde Cero – 05. Él Mundo Detrás |

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