Última atualização: 30/03/2021

Prólogo

Era mais um dia ensolarado na cidade de Boston, como de costume. As crianças corriam e brincavam alegremente, os irrigadores automáticos jogavam água pelas gramas verdes nos jardins, enquanto os pássaros voavam pelo céu azul repleto de nuvens, como se todos comemorassem, em conjunto, o início das férias de verão. Por sua vez, estava deitada em sua cama, folheando uma revista de fofoca entediante (que mostrava um ator até que bonito na capa), enquanto o ventilador de teto se movia, preguiçoso, sem provocar qualquer sinal de frescor na menina.
Ela chegara há um dia na casa dos pais e mal podia esperar para voltar à Ilvermorny. É claro que a garota adorava estar na companhia de Emelina e Máximo, mas não suportava a ideia de não ser permitido usar magia fora da escola, até mesmo na própria residência, onde apenas seus pais, também bruxos, seriam testemunhas de suas habilidades mágicas. Havia tantos feitiços que ela gostaria de treinar e, ao mesmo tempo, mostrar aos pais tudo que tinha aprendido nos últimos meses. Mas, mesmo que proferisse um simples alohomora, a MACUSA ficaria sabendo.
Isso sem contar com a falta que sentiria de suas fiéis escudeiras, Kristen e Madeline, que conhecera logo no primeiro ano de aulas, quando as três foram selecionadas para a Casa Pumaruna. Durante o período que passavam separadas, trocavam cartas por meio do correio-coruja, contando sobre todas as novidades do mundo no-maj. Mas nunca tinha muito o que dizer, porque não tinha mais contato com as pessoas de sua cidade natal. Com exceção de uma vizinha de mesma idade, que, vez ou outra, a convidava para ir ao shopping ou a algum restaurante.
Entediada, a garota revirou os olhos, jogando a revista de lado e se esforçando para levantar da confortável cama. Estava com fome, então desceu as escadas rumo à cozinha. Contudo, antes que chegasse ao cômodo, ouviu as vozes dos pais na sala de estar.
— Estou te dizendo, Máximo, há algo estranho. Digo com toda a certeza — escutou sua mãe dizer em tom de preocupação. — Eu sempre lhe disse, um Lorde das Trevas não desistiria tão fácil, e só há uma explicação para os pesadelos recorrentes que eu tenho tido ultimamente.
— Emelina, isso é loucura! — seu pai parecia estressado com o assunto. — Você-Sabe-Quem se foi há quatorze anos, não há qualquer sinal de sua volta.
A menina franziu o cenho, não fazia ideia sobre a quem seus pais se referiam. Mas permaneceu estática, escondida atrás da parede.
— Eu prometi a ela que cuidaria dele caso algo acontecesse. Viemos para os Estados Unidos amedrontados depois de tudo o que passamos na Inglaterra. Eu não tive coragem de ficar para cuidar do Harry... Prometi à Lilian que, se algo acontecer daqui para frente, eu quero estar lá. Eu quero estar com a Ordem!
— E se Você-Sabe-Quem voltar?! O que acha que poderá fazer?! Nós quase morremos, escapamos por pouco, e agora que temos uma filha, uma vida em Boston, você quer voltar para o abatedouro? Se houver mesmo a volta dessa criatura, devemos ficar o mais longe possível de Hogwarts e de tudo em sua volta.
— Máximo, já passou da hora de voltarmos — Emelina parecia convicta. — Não vou decepcionar Lilian novamente, estarei lá para Harry caso seja necessário e, se você preferir ficar em Boston, não posso fazer nada para mudar isso.
— Você já está decidida, não é? Como sempre, apenas veio me comunicar um fato sem se preocupar com a minha opinião — o pai esbravejou, em uma altura de voz que jamais havia presenciado. — Se um bruxo das trevas tão poderoso está voltando, eu não vou te deixar sozinha... Você sabe que eu não deixaria.
— Nós vamos ficar bem... — a mãe retornou ao tom de voz suave que possuía.
— Entrei em contato com Dumbledore após ter cinco pesadelos seguidos, e ele afirmou que pode continuar os estudos em Hogwarts.
Ao ouvir as últimas palavras, a menina arregalou os olhos e levou a mão à boca, para evitar o grito que sentiu se formando em sua garganta.
— O que ele disse? Sobre a volta do Lorde das Trevas?
— Esse é o ponto, Máximo. Foi Dumbledore quem me fez acreditar que, talvez, não sejam só pesadelos — Emelina suspirou fundo. — Nos mudamos após o aniversário de , as aulas começam no dia primeiro de setembro — a mulher disse, por fim, ao marido.
Sua fome passou instantaneamente. Agora, seu estômago estava embrulhado e sua garganta formava um nó. Ao mesmo tempo, lágrimas brotavam em seus olhos. A menina subiu novamente as escadas o mais rápido possível, bateu a porta do quarto e tirou o rolo de pergaminho do fundo da gaveta de seu armário, pronta para escrever a primeira carta às amigas.


Capítulo 1

Apesar das repetidas brigas entre e seus pais, em razão da brusca mudança de país, a família se mudou para a Inglaterra no meio do mês de agosto, mais precisamente, para uma casa de alvenaria no pacato vilarejo de West Hill. O imóvel era significativamente maior que o anterior. Emelina e Máximo estavam tentando de tudo para melhorar o humor da filha, que vivia trancafiada dentro do quarto sem trocar uma palavra com ambos. Porém, o dia da despedida chegou e o clima continuava o mesmo de dois meses atrás.
Emelina, apesar de apavorada com os pesadelos sobre um possível retorno de Você-Sabe-Quem, estava feliz por estar de volta ao seu país de origem. Sentiu borboletas no estômago ao acompanhar a filha até o Beco Diagonal, onde cumprimentou antigos colegas e fez os exatos passos que seus pais fizeram, quando ela iniciara seus estudos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts com apenas onze anos de idade. Lembrava-se da sensação de felicidade e ansiedade, mas não conseguia conter o sentimento de profunda tristeza ao ver que a filha não compartilhava da mesma alegria.
A garota, embora intrigada sobre quem era “Lorde das Trevas”, “Harry”, “Lilian” e “Ordem”, decidiu não confrontar os pais, uma vez que, com toda essa mudança, não tinha energia para descobrir os segredos que ambos guardaram durante toda a sua vida. Ela estava sentada no chão de seu quarto, dobrando suas últimas peças de roupas dentro do malão da escola.
— Esse uniforme é horrível — reclamou, olhando para a capa com o logotipo de Hogwarts.
— É, Ilvermorny é mesmo a melhor escola de magia e bruxaria — seu pai a observava, encostado no batente da porta.
apenas deu de ombros e ajeitou a capa no canto esquerdo do malão, em cima de alguns livros que estavam estrategicamente empilhados.
— Você sabe que não pode nos evitar para sempre...
— Eu evitei durante dois meses. Só mais algumas horas e passaremos mais um ano separados, nem precisam me esperar no Natal — esbravejou. — Parece que não tenho família, de qualquer forma.
Suas últimas palavras soaram como facas adentrando a pele de Máximo. Aquela garota de quatorze anos era o seu bem mais precioso e, ao pensar que ela se sentia desamparada, como se os genitores tivessem prosseguido com a mudança sem se importar com sua tristeza, ficou completamente desolado.
— Espero que você não precise entender os motivos da sua mãe... — Máximo ficou ainda mais aterrorizado com a ideia por alguns segundos. — Mas nós dois jamais faríamos algo que lhe prejudicaria.
— Já fizeram — a garota quis finalizar o assunto. — Agora, se me der licença, vou tomar um banho para ir a uma escola onde todos já se conhecem e eu serei a estranha.
O homem, pasmo com o modo que a filha finalizou sua breve tentativa de estabelecer uma conversa, deu espaço para que ela passasse. Foi direto ao banheiro presente no corredor, onde se trancou e chorou por alguns longos minutos antes de entrar para seu banho quente. Se sua mãe estava realmente tendo pesadelos durante a noite, a garota estava vivendo um.


O tempo estava horrível, apesar de ser de manhã. Pela cor do céu, tinham a impressão de que viajavam durante o meio da noite. Após três horas e quinze minutos de viagem, os três chegaram à Estação de King's Cross, em Londres, de onde o expresso para a escola sairia pontualmente às onze horas da manhã.
Ao adentrar na construção, olhou para cima, observando com atenção o belíssimo teto de vidro pelo qual se podia enxergar as gotas de chuva caindo ferozmente e os relâmpagos cortando o céu, combinando com o ar neoclássico da estação, em conformidade com os demais edifícios da cidade. Eles caminharam por algum tempo, desviando de pessoas apressadas, carregando bolsas e pastas, até que chegaram à uma parede de tijolos avermelhados localizada entre as plataformas 9 e 10.
— É só atravessar — Emelina falou naturalmente no ouvido da filha, com um sorriso esperançoso no rosto. — Podemos ir de mãos dadas, se quiser.
revirou os olhos e suspirou, empurrando seu carrinho, onde estavam o malão e a gaiola com a sua coruja, em direção aos tijolos. Ela fechou os olhos por um segundo, com a sensação de que acertaria a parede em cheio e quebraria o nariz, mas, quando voltou a abrir as pálpebras, viu um majestoso trem vermelho e preto estacionado, soltando uma densa fumaça branca. Inúmeras crianças caminhavam na plataforma, dessa vez com uma placa redonda que estampava o número 9 ¾, carregando malões iguais aos seus.
— Lindo, não? — sua mãe já estava ao seu lado.
Foi nesse instante que, olhando para todos aqueles bruxos saltitando de alegria, a jovem garota se esqueceu que o destino daquele trem não era Ilvermorny, e sorriu. Emelina observou a expressão rápida e singela no rosto da filha e sentiu uma leveza no coração que não sentia há algum tempo. Teve, naquele precioso momento, a certeza de que se destacaria em Hogwarts.
O mais velho observou os ponteiros de um relógio de ouro, que pendia na parede de tijolos mais próxima.
— Está na hora de ir, querida — Máximo não fazia a menor questão de esconder os olhos embargados em lágrimas, porque, ao contrário da esposa, não sabia se a filha se adaptaria à nova escola. — O trem já irá partir.
— Eu espero que essa escola seja tão boa quanto você disse — a menina olhou para a mãe, que assentiu com a cabeça. — Ainda estou brava, logicamente, mas podem me mandar cartas, apesar de não garantir uma resposta... e... eu volto para o Natal.
Máximo, se recordando da rápida conversa que tiveram pela manhã, sorriu satisfeito. Enquanto as lágrimas escorriam pelas bochechas, disse:
— Receberá um pergaminho no mínimo uma vez por semana, como sempre foi.
— Pai! — chamou sua atenção. — Pare de me envergonhar!
O homem a puxou, abraçando-a com força, enquanto Emelina sorria, observando a cena que se repetia a cada início de ano letivo. Ainda nervosa pela mudança, a menina apenas deu tapinhas leves nas costas do pai e se desvencilhou dele, antes que a cena começasse a chamar atenção das pessoas em volta.
Ela havia ensaiado, durante todo o caminho até a estação, uma despedida dramática para que seus pais se sentissem culpados pelo pesadelo que criaram na vida da unigênita. Porém, ao ver seu pai com os olhos embargados e sua mãe orgulhosa por estar enviando a filha à mesma escola que estudara na infância e adolescência, não pôde se despedir de outra forma.
Por fim, Emelina colocou as mãos nos ombros da garota, olhando-a nos olhos.
— Tenho certeza que se apaixonará por Hogwarts, assim como eu! É uma menina doce e fará bons amigos, ao menos os lufanos são extremamente receptivos e estão sempre prontos para fazer amizade. E não se esqueça de se dedicar e se esforçar, as matérias ficam ainda mais difíceis no quarto ano — ela deu uma pausa. — Ah, e o mais importante: se vir um homem de cabelos lisos e pretos chamado Snape pelos corredores, diga a ele que é um grande filho da...
— Tudo bem! — Máximo cortou a fala da esposa, antes que ela terminasse. — Vá, filha, antes que eu desista de te deixar ir.
Ela franziu o cenho, estranhando a atitude da mãe e pensando em quem seria esse cara, “Snape”, e o que ele teria feito no passado. acenou uma última vez aos pais e empurrou calmamente o carrinho, até ficar próxima de uma das entradas para a locomotiva. Por sorte, um dos funcionários ofereceu ajuda, segurando o seu malão. A garota apanhou apenas a gaiola de prata, enquanto a coruja piava ferozmente, e caminhou, em seguida, até uma das cabines vagas.
O rapaz colocou a bagagem no compartimento acima do banco em que ela sentara e desapareceu de sua visão, fazendo-a se sentir completamente sozinha.
— É, Roxy, agora somos apenas nós duas — disse à coruja, que a observava curiosa com os enormes olhos amarelos. O animal piou, como se conversasse com a sua dona.
Alguns alunos passaram pela cabine, mas, quando viam a menina sentada próxima à janela, continuavam a caminhar até outra cabine. Seu esforço para não se importar se transformou em um nó na garganta, fazendo-a sentir as lágrimas brotando nos olhos. Ela apenas encostou a cabeça no vidro e fechou as pálpebras, imaginando o que seus verdadeiros amigos estariam fazendo nesse exato momento; se estariam sentindo a sua falta como estava sentindo a deles.
— Querida? — ouviu uma voz na porta.
abriu novamente os olhos e limpou as poucas lágrimas que haviam deixado rastros em suas bochechas, imaginando se seria algum aluno perguntando se poderia se sentar naquela cabine. Mas, ao voltar a cabeça para a origem da voz, sua animação se esvaiu.
Lá estava uma senhora, cujos cabelos acinzentados escapavam da touca branca no topo de sua cabeça, combinando com o avental rendado que tampava a parte da frente do vestido listrado que trajava. Em sua frente, estava estacionado um carrinho repleto de doces.
— Quer algum doce? — ela perguntou, de forma calma.
— Não, obrigada...
— Tem certeza? Tem feijõezinhos, sapos de chocolate, mini pudins... Espere... — a senhora fez uma pausa quando olhou bem para o rosto da menina. — Você está indo para o primeiro ano na escola?
— Para falar a verdade, para o quarto — respondeu, um pouco tímida. — Eu estudava em Ilvermorny e meus pais decidiram se mudar para West Hill, então foi feita a transferência.
A vendedora voltou a sorrir, mas, dessa vez, um sorriso bondoso e acolhedor que fez com que o coração da garota se sentisse reconfortado.
— Aqui, querida, pegue um pacote de varinhas de alcaçuz. Cortesia da casa!
— Imagina, fico muito agradecida, mas não posso aceitar!
— Eu insisto.
Sem graça, caminhou até a porta onde a senhora estendia o pequeno pacote de varinhas de alcaçuz em sua direção e agradeceu sinceramente. Ela sabia que a mulher havia se sentido mal ao vê-la sozinha naquela cabine, sendo, muito provavelmente, a única aluna do quarto ano sem qualquer companhia e, por isso, a presenteou com os doces. Ao menos, estavam ótimos.
Quando a senhora saiu do seu campo de visão, empurrando o carrinho para vender doces aos próximos alunos, passou a imaginar como seria se as amigas, Kristen e Madeline, também estivessem indo para Hogwarts. Nesse momento, elas estariam gargalhando sobre os uniformes antiquados que seriam obrigadas a usar e imaginando como seriam os novos professores – provavelmente velhos carrancudos como a Sra. Darbus, da qual não sentiriam a menor falta.


A jovem menina realmente permaneceu sozinha durante todo o restante da viagem, olhando para a paisagem que se estampava do outro lado da janela, modificada pela água da chuva que se tornava ainda mais forte a cada quilômetro percorrido pelo trem, e comendo as varinhas de alcaçuz que ganhara da simpática vendedora. Até que, por sorte, adormeceu e acordou apenas no momento em que o trem parou.
Seus olhos se abriram bruscamente diante do susto que tomara pela freada repentina. Do outro lado do vidro, a chuva grossa que batia nas janelas tornava difícil ver o lado de fora. Mal conseguia ver o que havia além das proximidades, mas sabia que estavam perto de um lago, pois nele observou o reflexo da lua cheia.
Ela se levantou, ainda sonolenta, e, com certa dificuldade, alcançou o malão no compartimento de cima. Roxy piava sem parar, como se também estivesse receosa com a chegada à nova escola de magia e bruxaria.
— Nós vamos ficar bem — proferiu, olhando nos olhos da coruja, dizendo mais para si própria do que para o animal.
Ao sair do trem, percebeu alguns olhares e comentários de alunos que, provavelmente, estavam intrigados com a sua presença, pois sua aparência não se parecia com a de uma primeiranista. Ela acompanhou o fluxo do grupo; os jovens caminhavam e passavam por um portal de ferro preto ladeado por estátuas de javalis alados, onde cumprimentavam um homem grande, realmente grande, com barba e cabelos compridos e emaranhados Ele vestia um colete de couro por cima de uma camisa vinho de tecido grosso e segurava um guarda-chuva rosa chiclete que o protegia da chuva.
— E a senhorita é…? — o homem perguntou, intrigado, com uma voz grossa que fez com que se assustasse.
— S-S- — respondeu, ainda receosa.
— Oh, é claro, Srta. . Me perdoe, não a reconheci! — exclamou, abrindo um sorriso extremamente amigável. — Me chamo Rúbeo Hagrid. Estava aguardando sua chegada, por ordem de Dumbledore, é claro.
A garota não sabia o que dizer e apenas sorriu de volta para a figura à sua frente.
— Deixe-me levar seu malão, venha comigo!
Rúbeo Hagrid segurou sua bagagem como se estivesse levantando uma pluma do chão, enquanto a coruja pareceu arregalar ainda mais os olhos, com medo de ser levantada pelo gigante. A menina ergueu a gaiola e passou a seguir o homem barbudo, tentando se aconchegar debaixo de seu guarda-chuva. Mas isso não mudaria o fato de que ela já estava completamente encharcada.
Os dois se afastaram do mar de alunos e caminharam por alguns poucos minutos que pareceram horas no temporal e na escuridão, sendo iluminados apenas pela lamparina que Hagrid carregava e pelos raios que cortavam o infinito céu. Até que chegaram a um pequeno barco de madeira, posicionado na beira do lago.
Ele entrou primeiro no meio de transporte e se sentou, parecendo mais confortável do que deveria. permaneceu olhando para a cena, relutante a entrar no barco, com medo de que ele virasse, mas, por fim, entendeu que não haveria outra alternativa. Ela e Roxy permaneceram estáticas enquanto o pequeno barco navegava, cortando a água, guiado por magia.
Foi então que a sombra de um castelo surgiu atrás do morro, com diversos pontos de luz que iluminavam a escuridão, deixando-a boquiaberta. Aquela, sem sombra de dúvidas, era a maior construção que já havia visto na vida.
— Bem-vinda à Hogwarts, Srta. ! — Hagrid exclamou, se divertindo com a expressão da garota.
— Essa é a... escola?
— Espere até vê-la de perto, é ainda maior.
E Rúbeo Hagrid estava certo. Conforme os dois se aproximavam do destino, o castelo ficava ainda maior e imponente, exibindo suas paredes de pedras medievais e seus portões e vitrais enormes, enfeitando o lugar. Eles chegaram na margem contrária do lago e, de forma um pouco desajeitada, pisaram em terra firme, que servia de suporte para uma rampa de madeira, a qual guiava até um dos portões da construção.
Mais uma vez, a garota passou a seguir o gigante, carregando apenas a gaiola com Roxy no interior, andando pelo caminho de madeira, passando pelo grande portão e, por fim, adentrando o imponente castelo. Uma vez em seu interior, se deparou com as altas e cavernosas paredes, lotadas de quadros antigos que se mexiam e de archotes. Conforme caminhavam pelos corredores, observou fantasmas perambulando como se fossem pessoas comuns. As escadarias de mármore, que mostravam a magnitude do local, tinham uma altura que parecia infinita.
O silêncio estava instaurado no ar, e não avistava qualquer outro aluno, o que a deixava um pouco mais tranquila, uma vez que não suportava seus olhares como se ela fosse uma criatura exótica. O único barulho que ambos podiam ouvir era o do fogo queimando nos archotes presos às paredes.
Hagrid a guiou até os degraus de uma das escadarias, ajeitou o malão e a gaiola de Roxy no canto esquerdo, olhou-a ternamente e disse:
— Eu cuidarei de suas bagagens, Srta. . Agora, esperamos...
— Esperamos o quê? — perguntou, curiosa, enquanto chacoalhava a varinha no ar, conjurando um feitiço para se secar.
Antes que o gigante tivesse a chance de respondê-la, uma senhora com vestes longas e verdes, de veludo molhado e com os cabelos acinzentados presos em um coque alto, chegou ao topo da escadaria. Ela caminhava com elegância, porém, os observava com uma expressão carrancuda por baixo dos óculos de aros quadrados.
— Que roupas são essas? — a mulher franziu o cenho.
olhou para o homem ao seu lado, confusa.
— Acho que ela está falando com a Srta. — Hagrid cochichou.
— Qual o problema com as minhas roupas? — ela perguntou de volta.
Seus olhos desceram para o próprio corpo, relembrando quais roupas havia escolhido pela manhã e se certificando de que não havia ocorrido qualquer incidente durante a execução do feitiço de ar quente. Assim, constatou que continuavam normais: vestia calça jeans escura com as barras dobradas, camisa xadrez vermelha, jaqueta de couro por cima e calçava um par de coturnos pretos.
— A Srta. deveria estar com as vestes de Hogwarts. Os alunos são instruídos a se trocar durante a viagem! — a senhora parecia extremamente irritada com a quebra de protocolo.
— Céus, eu não sabia! — a garota sentiu as bochechas queimando. — Pode não parecer, mas é o meu primeiro ano aqui...
— Eu sei — sua fala foi interrompida antes que pudesse efetivamente finalizar o pedido de desculpas. — Conheço todos os alunos que estudam aqui e fui devidamente informada sobre sua situação, Srta. . Bem-vinda à Inglaterra e à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts — ela finalmente sorriu, mas pouco amigável. — Aliás, me chamo Minerva McGonagall. Sou a subdiretora da escola.
— O-o-obrigada — engoliu em seco.
— A cerimônia de início do ano letivo já começou. Assim como em sua antiga escola, classificamos nossos alunos em casas. Elas são: Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina... — a professora continuou. — Os alunos do primeiro ano já foram devidamente divididos, só falta a senhorita.
— Tudo bem, só me deixe trocar de roupa...
— Não há mais tempo!
Dito isso, as gigantescas portas de madeira escura se abriram atrás da professora McGonagall, revelando a sala mais mágica que já havia visto. Pratos e taças de ouro refulgiam à luz de centenas de velas que flutuavam no ar sobre as mesas. O teto do salão representava o céu exatamente como se encontrava em seu exterior e, ao final do longo corredor de pedras claras, em um patamar acima do chão, havia uma banqueta que acomodava um chapéu pontudo, sujo e remendado. Ao seu lado, um idoso de barba e cabelos brancos e ondulados trajava magníficas vestes prateadas, bordadas com luas e estrelas, que mais parecia uma joia.


Capítulo 2

Quando se deu conta de que permanecera parada, embasbacada por alguns longos segundos, a jovem menina olhou para os lados e, finalmente, percebeu todos os olhares que recaíam sobre seu corpo estático. Todos os presentes naquele salão, sentados nos bancos que margeavam o grande corredor e nas cadeiras ao fundo do cômodo, observavam cada movimento seu.
— Vá! — Minerva McGonagall empurrou levemente suas costas.
passou a caminhar em passos pequenos como uma criança encrencada indo em direção ao seu castigo. Ela não fazia ideia do que estava acontecendo naquele momento e, ao mesmo tempo, estava irritada por aquela ser a primeira impressão que todos teriam dela: uma estranha caminhando sozinha pelo corredor, sendo a única pessoa da escola inteira sem o uniforme.
Ao longo do corredor, não pôde deixar de escutar os comentários à sua volta: “que cabelo horrível”, “por que ela está sem o uniforme?”, “ela nunca deveria ter saído de Ilvermorny”, o que a fez automaticamente entender que todos já sabiam sobre sua transferência. continuou seus passos com a cabeça erguida, mas desejou, mais do que nunca, ter licença para aparatar.
— Olá! — o homem, que a esperava no patamar ligeiramente superior, exclamou baixinho quando a garota chegou perto, olhando-a com ternura por baixo dos óculos meia-lua na ponta do nariz. — Creio que assim como ouvi muito sobre você, Srta. , sua mãe lhe contou algo sobre mim. Sou o diretor de Hogwarts, Professor Alvo Dumbledore.
— Claramente — ela sorriu sem mostrar os dentes.
Ao contrário do que o diretor imaginava, não possuía o menor conhecimento sobre quem ele era, apenas ouvira seu nome algumas vezes. Apesar de sua curiosidade incessante, não sentiu vontade de ler sobre Hogwarts ou conversar com a sua mãe sobre a escola, porque tudo que estava acontecendo era o oposto do que a menina realmente desejava.
— Sente-se. Posicionarei o Chapéu Seletor no topo de sua cabeça, e ele lhe classificará em uma das quatro casas de Hogwarts — Dumbledore a instruiu, com palavras tão baixas que apenas os dois conseguiam ouvir. — Ele escolherá a casa que mais lhe ajudará a desenvolver os traços de sua personalidade. Mas isso, é claro, não a impede de criar laços com alunos de outras casas.
assentiu com a cabeça, subiu o pequeno degrau e, com as pernas completamente trêmulas, se sentou na banqueta, sentindo o chapéu sendo posicionado sobre sua cabeça.
Hmmm… – o objeto mágico abriu um rasgo junto à aba, que se escancarou como uma boca. — Temos aqui uma bruxa curiosa e criativa. Quem sabe sua morada é a Corvinal, onde poderá aprimorar esses traços…
Seus olhos passaram a observar os alunos posicionados na mesa à sua esquerda, que trajavam vestes azuis. Eles começaram uma pequena movimentação com os dizeres do Chapéu Seletor.
Não... Pensando melhor, sua coragem e determinação se destacam em sua personalidade. Mesmo tão nova, consigo sentir o quanto é nobre, como sua mãe... GRIFINÓRIA! — bradou com certeza.
Os membros da casa, posicionados à sua direita, se levantaram aos gritos e a aplaudiram, enquanto a bruxa caminhava timidamente em direção à mesa. Após ser abraçada por uma menina simpática de cabelos pretos, observou que havia um lugar vago ao lado de uma garota ruiva, de cabelos lisos flamejantes e com sardinhas que enfeitavam seu nariz e bochechas.
— Posso me sentar? — perguntou educadamente ao chegar mais perto.
— Claro! — a ruiva respondeu, animada. — Eu adorei o seu cabelo!
Ela se referia às madeixas metade pretas e metade brancas da menina, que chamavam atenção por todos os lugares que passava. Isso aconteceu durante o seu segundo ano em Ilvermorny, quando foi obrigada a duelar com Tyler Amsen, que a acertou com um feitiço estupefaça extremamente malsucedido. sentia vontade de rir ao lembrar do ocorrido, pois a punição ao garoto foi severa, uma vez que os alunos não poderiam utilizar feitiços que ainda não haviam sido lecionados na escola.
— Obrigada. Ganhei ele quando fui acertada por um estupefaça na minha antiga escola. Você sabe... Duelos... — sorriu. — Meu nome é .
— O Professor Dumbledore falou. Quando ouvi seu sobrenome, não pude pensar em outra coisa. Preciso perguntar! Seu pai é Máximo ? — um garoto à sua frente perguntou, animado.
— Olívio! — a ruiva chamou a atenção do outro.
Os alunos em sua volta, que conseguiam ouvir a conversa, passaram a prestar atenção descaradamente nas palavras da garota, curiosos com sua origem.
— Na verdade, sim — ela respondeu com um meio sorriso.
Seu pai foi batedor e capitão de um dos times de quadribol mais famosos dos Estados Unidos, os Azulões de Fitchburg. O time foi campeão mundial algumas vezes sob a liderança de Máximo, fato que o tornou extremamente conhecido dentro do mundo mágico. A menina estava acostumada com a imediata associação ao genitor e sentia orgulho disso.
— Me chamo Olívio Wood... — ele esticou a mão em sua direção por cima da mesa, com a mesma animação anterior. — Sou o maior fã de quadribol de todos os tempos. Conheço todos os jogadores e, coincidentemente, sou capitão do time da Grifinória, o melhor da escola. Seria uma honra tê-la no nosso time.
— Posso participar dos testes. Mas não se engane, não sou tão boa como o meu pai.
— Podemos participar juntas, também tentarei neste ano... Ah, esqueci de dizer, sou a Gina Weasley — a ruiva também se apresentou, mudando o rumo da conversa em questão. — Legal ter uma estrangeira em nossa escola. Qual ano vai começar?
— O quarto.
— Oh, meu irmão mais velho também! Ei, Rony... — Gina chamou por um garoto que se encontrava um pouco distante, fazendo-o olhar. — Ela será da sua sala!
O outro menino, de pele extremamente clara, com as madeixas da exata mesma cor de Gina e olhos verdes brilhantes, sorriu com o canto da boca e acenou, assim como o menino ao seu lado. Este tinha cabelos bem escuros, um pouco bagunçados, e óculos de grau redondos que pareciam deixar seus olhos azuis ainda maiores.
Porém, antes que a conversa pudesse se estender, o Professor Dumbledore voltou a falar com os estudantes, dessa vez, com os braços abertos num gesto de boas-vindas.
— Só tenho duas palavras para lhes dizer — começou ele, sua voz grave, mas ao mesmo tempo doce, ecoando pelo salão. — Bom apetite!
Dito isso, as travessas vazias se encheram magicamente diante de seus olhos. Se tratava de um verdadeiro banquete. Perto de onde estava sentada, conseguia ver um peru recheado extremamente saboroso, pudim de carne, purê de batatas, farofa e macarrão ao molho de tomate. Sua taça agora estava servida, até a borda, de suco de abóbora, que também estava delicioso.
Gina foi a pessoa mais amigável naquele momento, perguntando absolutamente tudo sobre os mais diversos aspectos da nova aluna de Hogwarts. Ela estava realmente curiosa sobre Ilvermorny, assim como alguns outros colegas, que reagiam animados às informações passadas sobre a sua antiga escola.
— E vocês podem sair da escola durante o ano letivo? — uma garota loira, cujo nome era desconhecido pela menina, perguntou.
— Podemos. Há um povoado perto de Ilvermorny com algumas lojas e restaurantes, então, aos finais de semana, praticamente todos os alunos vão para lá... — riu ao relembrar do lugar. — Mas é claro que temos hora para voltar e temos que seguir algumas regras, como não pregar peças com os no-majs.
No-maj? — os demais perguntaram em coro.
— Sim... — respondeu, com a expressão confusa. — As pessoas que não tem magia no sangue.
— Você quer dizer os trouxas, certo? — Olívio franzia o cenho.
Trouxa? gargalhou. — Assim que vocês os chamam? Minha mãe nunca me contou isso.
— Por isso eu acho que Hogwarts deveria ter um sistema de intercâmbio. Olha como as culturas são diferentes! — uma garota de cabelos compridos e castanhos, com as pontas espessas e encaracoladas, que permanecera quieta até então, falou. — Uma simples palavra se referindo aos trouxas é diferente em um país em que falamos a mesma língua.
— Essa é a Hermione — Gina cochichou. — É amiga do meu irmão Rony... Ela é legal, mas às vezes é mandona e quer parecer muito inteligente, como acabou de fazer — a menina fez uma careta disfarçada.
As duas riram com o comentário, porém, ao olhar para frente, ainda com o sorriso alegre em seu rosto, os olhos de se depararam com olhos cor-de-mel, profundos, que a fitavam da mesa ao lado. Ao notar a troca de olhares entre os dois, o garoto rapidamente voltou a cabeça para o outro lado e iniciou uma conversa animada com outro menino.
— Esse é o primeiro ano que poderei ir à Hogsmeade. Podemos ir juntas, tenho certeza que iremos adorar! — Gina continuou falando, fazendo com que a atenção da outra bruxa retornasse à mesa da Grifinória. — Podemos beber cerveja amanteigada no Três Vassouras. Meus irmãos sempre comentam sobre lá.
Ela riu, imaginando duas meninas de quatorze e treze anos, bebendo cerveja amanteigada em um povoado bruxo. Apesar de continuar a conversar com Gina sobre Hogsmeade, vez ou outra passava seus olhos pelo garoto que observara há pouco, que a ignorava completamente desde a troca de olhares. Seus cabelos castanhos claros recaíam brevemente sobre seus olhos, que se destacavam acima das bochechas rosadas e o sorriso encantador. Ela precisava saber o seu nome.
Após algum tempo, os pratos principais foram magicamente trocados por sobremesas, como torta de caramelo, pudim de groselhas e bolo de chocolate recheado. A chuva ainda batucava com força nas janelas altas e escuras. Mais uma trovoada sacudiu as vidraças e o céu tempestuoso relampejou, iluminando os pratos de ouro.
Quando as sobremesas também tinham sido destruídas, e as últimas migalhas desaparecidas dos pratos, deixando-os limpos e brilhantes, Alvo Dumbledore tornou a se levantar e se direcionou à beirada da elevação, fazendo com que o burburinho das conversas que enchiam o salão cessasse imediatamente, de modo que se ouviam somente o uivo do vento e o batuque da chuva.
— Então, preciso mais uma vez pedir sua atenção para alguns avisos — exclamou, sorrindo para todos. — O Sr. Filch, o zelador, me pediu para avisá-los que a lista dos objetos proibidos no interior do castelo cresceu este ano, passando a incluir ioiôs-berrantes, frisbees-dentados e bumerangues-de-repetição. A lista inteira tem uns quatrocentos e trinta e sete itens, creio eu, e pode ser examinada na sala do Sr. Filch, se alguém quiser lê-la.
— Ninguém lê essa porcaria — Olívio revirou os olhos.
— Eu já li — Hermione revidou, de forma um pouco rude.
O diretor continuou:
— Como sempre, gostaria de lembrar a todos que a floresta que faz parte da nossa propriedade é proibida a todos os alunos, e o povoado de Hogsmeade, àqueles que ainda não chegaram à terceira série — ele suspirou profundamente, como se estivesse se preparando para anunciar uma notícia ruim —, tenho ainda o doloroso dever de informar que, este ano, não realizaremos a Copa de Quadribol entre as casas.
— QUÊ? — vários alunos se indignaram em uníssono.
— Qual é! — Olívio Wood protestou. — Eu não sobreviverei a esse ano sem os jogos de quadribol, não mesmo!
— Inacreditável — Gina cruzou os braços.
— Isto se deve a um evento que começará em outubro e prosseguirá durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores. Mas tenho certeza de que vocês irão apreciá-lo imensamente. Tenho o grande prazer de anunciar que, este ano, em Hogwarts...
Antes que o diretor pudesse fazer o seu grande anúncio, uma trovoada ensurdecedora tomou conta do Salão Principal. Suas portas se escancararam e mostraram um homem apoiado em um longo cajado, coberto por uma capa de chuva preta que ia até o chão.
Todas as cabeças do cômodo se viraram para o estranho, repentinamente iluminado por um relâmpago que cortou o teto. Ele abaixou o capuz, sacudiu uma longa juba de cabelos grisalhos ainda escuros e começou a caminhar em direção à mesa dos professores, deixando um rastro de lama, que estava presa em suas botinas marrons, por toda a extensão do corredor.
Um ruído metálico e abafado ecoava pelo salão a cada passo que ele dava, em decorrência da perna de metal brilhante. Quando finalmente alcançou a ponta da mesa dos professores, virou à direita e mancou pesadamente até Dumbledore. Mais um relâmpago cruzou o teto, fazendo com que prendesse a respiração.
Cada centímetro do homem era assustador, principalmente seus olhos; um era miúdo, escuro e penetrante, e o outro era grande, redondo como uma moeda e azul-elétrico vivo, que se movia continuamente sem piscar. O estranho chegou até Dumbledore, estendeu a mão direita – que era tão cheia de cicatrizes quanto seu rosto –, e o diretor a apertou.
— Gostaria de apresentar o nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas — disse Dumbledore, animado, em meio ao silêncio. — Prof. Moody.
— Esse é o tipo de professor que vocês têm por aqui? — perguntou, no tom mais baixo que pôde, para Gina.
— Digamos que a escola tem um certo problema com os professores de Defesa Contra as Artes das Trevas. Não conheço um que tenha ficado por mais de três meses — ela deixou escapar um risinho.
O Salão Principal permaneceu em silêncio absoluto, enquanto o novo professor tirou uma das mãos do bolso da capa de chuva e segurou um frasco arredondado e branco, do qual bebeu um longo gole. O diretor pigarreou outra vez:
— Como eu ia dizendo, teremos a honra de sediar um evento muito excitante nos próximos meses. Um evento que não é realizado há um século. Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, realizaremos um Torneio Tribruxo em Hogwarts.
— O senhor está BRINCANDO! — exclamou em voz alta um menino ruivo, de rosto magro e pontudo.
— Esse é o meu outro irmão mais velho, Fred... — Gina sussurrou em meio aos risos que invadiram o salão. — E aquele ali é o Jorge. São gêmeos, caso não tenha notado.
— Quantos irmãos você tem?
— Seis — a ruiva se divertiu. — Mas apenas três ainda estudam aqui. Os outros três, por sorte, já são formados.
Dumbledore também deu risadinhas de prazer com o comentário de Fred.
— Não estou brincando, Sr. Weasley... Embora, agora que o senhor menciona, tenho ouvido uma excelente piada durante o verão sobre um trasgo, uma bruxa e um leprechaun que entram num bar...
A Professora McGonagall pigarreou alto.
— Mas talvez não seja a hora... Não... Onde é mesmo que eu estava? Ah sim, o Torneio Tribruxo... Bom, alguns de vocês talvez não saibam o que é esse torneio. Portanto, espero que aqueles que já sabem me perdoem por dar uma breve explicação e deixem sua atenção vagar livremente. O Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos como uma competição amistosa entre as três maiores escolas europeias de bruxaria. São elas, Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Um campeão foi eleito para representar cada escola e os três campeões competiram em três tarefas mágicas. As escolas se revezaram para sediar o torneio a cada cinco anos, e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades... Até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido.
arregalou bruscamente os olhos ao ouvir as últimas palavras do diretor. Não lhe parecia prudente reiniciar uma tradição que, ao que entendera, havia matado alunos. Contudo, ao observar em sua volta, ela parecia ser a única aluna receosa com a notícia, uma vez que o Salão Principal foi tomado de murmúrios de pura animação, todos interessados em participar do torneio.
— Durante séculos houve várias tentativas de reiniciar o torneio... — continuou Dumbledore. — Nenhuma das quais foi bem-sucedida. No entanto, os nossos Departamentos de Cooperação Internacional em Magia e de Jogos e Esportes Mágicos decidiram que já era hora de fazer uma nova tentativa. Trabalhamos muito durante o verão para garantir que, desta vez, nenhum campeão seja exposto a um perigo mortal. Os diretores de Beauxbatons e Durmstrang chegarão com a lista final dos competidores de suas escolas em outubro, e a seleção dos três campeões será realizada no Dia das Bruxas. Um julgamento imparcial decidirá quais alunos terão mérito para disputar a Taça Tribruxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões.
— Estou nessa! — ouviu Fred Weasley dizendo, um pouco alto demais, para os colegas de mesa, com o rosto iluminado de entusiasmo.
— Eu também, obviamente! — Jorge acompanhou o irmão gêmeo.
— No entanto, ansiosos como sei que estarão para ganhar a Taça para Hogwarts, os diretores das escolas participantes, bem como o Ministério da Magia, concordaram em impor uma restrição à idade dos contendores este ano. Somente os alunos que forem maiores, isto é, tiverem mais de dezessete anos, terão permissão de apresentar seus nomes à seleção.
Ante às mais recentes palavras do diretor, o salão foi inundado por protestos indignados e vaias, sendo Dumbledore obrigado a elevar o tom de voz para que pudesse continuar com o anúncio:
— É uma medida que julgamos necessária, pois as tarefas do torneio continuarão a ser difíceis e perigosas, por mais precauções que tomemos, e é muito pouco provável que os alunos abaixo da sexta e sétima séries sejam capazes de dar conta delas. Cuidarei pessoalmente para que nenhum aluno menor de idade engane o nosso juiz imparcial e seja escolhido campeão de Hogwarts — o ancião pareceu dizer isso diretamente aos gêmeos Weasley, que estavam claramente irados. — Portanto, peço que não percam tempo apresentando suas candidaturas se ainda não tiverem completado dezessete anos. As delegações de Beauxbatons e de Durmstrang chegarão em outubro e permanecerão conosco a maior parte deste ano letivo. Sei que estenderão as suas boas maneiras aos nossos visitantes estrangeiros enquanto estiverem conosco e que darão o seu generoso apoio ao campeão de Hogwarts quando ele for escolhido. E agora já está ficando tarde, sei como é importante estarem acordados e descansados para começar as aulas amanhã de manhã. Hora de dormir! Vamos andando!
Um estardalhaço de cadeiras batendo e se arrastando tomou conta do Salão Principal, na medida em que os alunos se levantavam para sair do local como um enxame em direção às portas de entrada.
— Eu com certeza colocarei meu nome — Olívio Wood se gabou. — A glória eterna... É isso que eu sempre imaginei no meu futuro, mas através do quadribol em alguns anos. Se eu conseguir agora, antes mesmo de terminar os meus estudos, por Merlin! Seria incrível.
— Pode parar de sonhar, Wood. Eu serei a campeã de Hogwarts — a garota loira ao seu lado deu um soquinho em seu ombro.
Gina fez sinal para que a seguisse, deixando os demais grifinórios discutindo sobre quem se candidataria a ser o “campeão de Hogwarts”. É claro que os colegas de casa estavam mais interessados que os demais em participar da competição. Afinal, a glória é uma das ambições mais comuns dentro da Grifinória.
Elas caminhavam até a saída. Contudo, antes que atravessassem as duas grandes portas de carvalho do Salão Principal, perguntou:
— Essa mesa é de qual casa?
A novata apontou para a mesa que se encontrava posicionada ao lado da mesa da Grifinória, que ainda contava com alguns alunos com vestes amarelas, onde o menino que avistara antes estava sentado. Ela passou novamente os olhos pelos estudantes que continuavam ali, mas o garoto de olhos cor-de-mel já havia saído.
— Lufa-lufa. São ótimas pessoas... – Gina falava enquanto saíam do cômodo e passavam pelos corredores. — Os corvinos também. Mas se você puder ficar longe dos alunos da Sonserina, essa é uma das dicas mais valiosas que eu posso lhe dar.
— Anotado! — a garota sorriu. — Aonde estamos indo?
— Para a sala comunal da Grifinória, você vai adorar! No início, ficará perdida pelos corredores, é claro. Mas sempre poderá contar com a ajuda dos monitores ou dos professores... e com a minha também!
se sentiu feliz por ter escolhido se sentar ao lado de Gina Weasley. Ela parecia ser uma ótima pessoa e cheia de entusiasmo, o que ajudava a primeira a se sentir menos mal por estar em uma escola repleta de completos desconhecidos. Gina parecia ser uma garota popular, pois, por todo o caminho, cumprimentava diferentes pessoas que passavam, enquanto seus cabelos flamejantes se movimentavam com seu andar. Por sua vez, apenas a seguia como um filhote envergonhado.
Elas caminharam juntas por algum tempo no meio de uma multidão de outros alunos, que, aos poucos, começaram a se dispersar e foram se tornando apenas grifinórios. Até que chegaram na frente de um grande retrato de uma mulher gorda, que pediu uma senha para que pudessem entrar. Gina explicou que a nova senha era semanalmente passada pelo monitor.
Asnice — a ruiva falou.
O retrato girou para frente, expondo um buraco na parede pelo qual as duas passaram. Um fogo crepitante aquecia a sala comunal circular, mobiliada com mesas redondas de madeira escura e fofas poltronas nas cores vermelha e marrom. Os sofás vermelhos com almofadas douradas acomodavam alguns estudantes que conversavam sobre o Torneio Tribruxo, e os enormes tapetes espalhados pelo chão tornavam o lugar ainda mais aconchegante.
Gina a guiou até uma escada em espiral no canto direito da sala, e lá começaram a subir, passando por diferentes dormitórios femininos. Na porta de cada quarto havia os nomes das meninas que ali dormiriam durante o ano. Até que chegaram à uma porta entreaberta onde leram os nomes: “Alene Hughes, Felicity Wright, Hermione Granger, Lilá Brown, Parvati Patil e ”.
— Olhe, você ficará com a Hermione! — Gina exclamou, escancarando a porta para verificar se havia alguém lá dentro. — Ei, Mione. Sua nova colega de quarto, diretamente dos Estados Unidos.
adentrou no cômodo que possuía cinco camas de colunas com cortinados vermelhos escuros, as quais estavam encostadas às paredes de pedras rústicas, cada uma com o malão da dona aos pés. A garota verificou que seu malão, juntamente da gaiola de Roxy, estavam na cama próxima à única janela do quarto, que possuía um lugar acolchoado em tecido vermelho de veludo para sentar.
Gina se despediu e foi para o seu quarto, sobrando apenas o barulho da chuva batendo na janela que preencheu o silêncio constrangedor dentro do cômodo.
— As corujas ficam todas no corujal para não ficarem estressadas dentro dessa gaiola minúscula — Hermione comentou, quebrando o silêncio. — Amanhã posso ir com você até lá.
— Obrigada.
— Não sei como a Professora Minerva lhe permitiu entrar com essas roupas... — a menina passou seus olhos castanhos por . — Ela é extremamente rigorosa quanto ao uso dos uniformes.
A novata ergueu as sobrancelhas; a colega de quarto parecia mais rude a cada palavra. ponderou por algum tempo enquanto se sentava em sua cama. Pensou que não seria de bom tom lançar uma resposta atravessada à uma das meninas que teria contato constante dentro da escola. Relembrou que, apesar das primeiras impressões, Gina afirmara que Hermione era uma pessoa legal.
— Não sabia sobre essa regra, mas, de fato, ela não ficou feliz quando me viu.
Hermione soltou um risinho tímido.
— Ouvi a Gina dizendo que você começará o quarto ano também. Podemos ir juntas às aulas, ainda mais que você não conhece o castelo. Amanhã, no primeiro horário, teremos Herbologia... — a garota dizia enquanto se aconchegava na cama. — Sugiro que durma e conheça as outras meninas apenas amanhã. Elas sempre são as últimas a subir para o dormitório.


Capítulo 3

teve uma ótima noite de sono. Deveria admitir que o colchão e os travesseiros eram melhores que os da sua antiga escola. Quando abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi o céu. Ele indicava que o amanhecer se aproximava, ainda um pouco nublado, mas sem o temporal que se estendeu pelo dia anterior inteiro. Ela se sentou, ainda sonolenta, e pôde perceber que três outras camas ainda estavam ocupadas. As meninas pareciam dormir um sono profundo. Por sua vez, a quarta cama, que ficava posicionada ao lado da sua, já estava vazia, obviamente.
A garota se levantou, calçou as pantufas vermelhas, acariciou a cabeça de Roxy – que estava mais impaciente que o normal – e foi até o banheiro para se arrumar para o primeiro dia de aulas. Ela não estava ansiosa para conhecer seus novos professores e colegas, mas ficou um pouco animada ao descobrir que, no seu horário, a primeira aula seria de Herbologia. Em Ilvermorny, ela se destacava nessa matéria com suas pesquisas e notas, e tinha a intenção de continuar desta forma em Hogwarts.
Após finalizar o banho quente, se enrolou em uma toalha vermelha felpuda e voltou para o dormitório, onde as meninas continuavam dormindo e a quarta cama continuava vazia, mas, agora, era possível escutar uma pequena movimentação pela sala comunal.
Ao abrir o seu malão, percebeu que havia novas vestes posicionadas em seu interior, minuciosamente passadas e dobradas, com detalhes em vermelho e com o símbolo da casa que ela havia sido classificada, Grifinória. Ela se vestiu e, por fim, prendeu metade do seu cabelo em um rabo de cavalo alto, deixando alguns fios soltos na franja. Em seguida, se olhou no espelho de moldura dourada.
— Oh... — Hermione surgiu na porta. — Você já está acordada?! — ela parecia extremamente surpresa.
— Tenho esse costume de acordar cedo — respondeu sem tirar os olhos de sua aparência refletida no espelho. — Essas vestes são tão... feias.
Sua colega de quarto pareceu um pouco chocada com a afirmação que acabara de fazer, mas, ao fim, soltou uma risada enquanto procurava algo em seu malão.
— Como são as vestes de Ilvermorny? — perguntou, curiosa.
— Temos que usar uma capa azul em homenagem à Isolt Sayre, com guarnições em vermelho cranberry, em homenagem ao amor de James Steward por torta de cranberry... — as duas riram juntas. — As vestes são presas por um nó górdio de ouro e, por baixo, temos que usar uma camisa branca com colete de couro preto por cima. Saia para as meninas e calça para os meninos, ambos em tecido xadrez. Mas devo admitir que as meias grossas até os joelhos e os sapatos são idênticos.
— Eu li sobre Isolt e James quando estava lendo sobre as escolas de magia e bruxaria no mundo. Eles foram os fundadores de Ilvermorny juntamente de seus filhos adotivos, certo?
— Isso, Chadwick e Webster Boot. Cada um nomeou as quatro casas de Ilvermorny de acordo com um animal — percebeu que Hermione estava verdadeiramente interessada naquela conversa. — Pássaro-Trovão, Pumaruna, também conhecida como a melhor casa, Serpente Chifruda e Pukwudgie.
Os olhos da garota brilhavam enquanto aprendia novas informações sobre Ilvermorny, fazendo perceber que Gina Weasley estava errada. Hermione não queria parecer inteligente, ela era extremamente inteligente, e tinha prazer em aprender sobre coisas novas, quaisquer que fossem. Elas passaram a conversar sobre a história de ambas as escolas, e a colega de quarto sabia tudo sobre Hogwarts, pois havia lido Hogwarts: Uma História por puro prazer. Quer dizer, quase tudo, uma vez que se mostrou extremamente brava por ter descoberto, no jantar do dia anterior, que são usados elfos domésticos no lugar – informação que não estava presente nas mais de mil páginas do livro.
estranhou o fato de uma bruxa não saber que a escola usava do serviço de elfos nos trabalhos domésticos, mas não contestou.
O discurso de Hermione acerca da necessidade de liberação dos elfos cessou quando as outras meninas começaram a se movimentar na cama, e, assim que acordaram, se apresentou como sendo a nova colega de quarto. Elas pareciam entusiasmadas por terem uma estrangeira no dormitório e também se interessaram pelas particularidades de Ilvermorny. Principalmente Lilá, que estava especialmente curiosa sobre os meninos americanos.
— Como eles são? — perguntava com as mãos juntas, ansiosa.
— São... normais — não sabia o que responder. — Eles são idiotas na maior parte do tempo.
— Você tinha um namorado? — Lilá supôs, com os olhos arregalados.
— Claro que não! — a garota pareceu assombrada com a ideia. — Os garotos da minha sala tinham inteligência mediana, eu mal conseguia estabelecer uma conversa com eles — revirou os olhos ao se lembrar do último ano em que teve que fazer dupla com Carter Holder nas aulas de poções. — E os mais velhos, bom... Eles nos viam como crianças de treze anos.
— Aqui em Hogwarts tem tantos meninos lindos! — Lilá frisou o indicativo de quantidade. — E eu mal posso esperar para as delegações de Beauxbatons e Durmstrang chegarem! — ela soltava suspiros no ar, e Alene a acompanhava. — Você já está interessada em alguém, ?
— Lilá! — Hermione deu um basta na conversa fútil. — Ela literalmente acabou de chegar, como espera que esteja interessada em alguém? Além do mais, não acho que isso seja prioridade para no momento. Ela tem que, praticamente, começar a sua vida do zero, fazer novos amigos, conhecer o castelo, conhecer a biblioteca, se adaptar com o método de ensino... Não é mesmo?
Hermione olhou incisiva para , esperando concordância.
— Sim, claro.
Alene, Felicity e Parvati arquearam as sobrancelhas, sem acreditar nas palavras da mais nova colega de quarto. E elas estavam certas. Quando o assunto veio à tona, automaticamente pensou no garoto da Lufa-Lufa que a observou durante o jantar, mas ela não tinha a menor intenção em dividir esse interesse com as colegas.
Hermione foi quem percebeu que estava quase na hora de descerem para o café da manhã, então se apressou em levar e Roxy até a torre oeste do castelo. Lá, em sua parte superior, ficava localizado o corujal. Foram antes que a pobre coruja-anã, de penas brancas e marrons, surtasse de vez. Chegando ao local, abriu a gaiola e deixou que Roxy voasse satisfeita até um poleiro na parede circular revestida de pedra, onde se aninhou entre outras duas corujas.
Depois, atravessaram diversos corredores e algumas escadarias de mármore até chegarem ao Salão Principal, que ainda contava com o teto amedrontador, demonstrando um céu nublado com nuvens cinza-chumbo pesadas. Havia alguns alunos no local, conversando e comendo, mas o menino que a garota procurava ainda não estava junto de seus colegas lufanos.
Enquanto a menina caminhava, seus cabelos castanhos espessos se moviam, tão rápidos eram seus passos. Sendo seguida por durante todo o percurso, Hermione apenas parou de caminhar quando chegou no meio do corredor, onde se sentou na mesa de madeira com outros dois garotos: um que a garota se lembrava se tratar de Rony Weasley e o seu amigo de óculos redondos.
Um pouco sem graça, também se sentou à mesa, ao lado de Hermione.
— Estes são Harry e Rony — ela disse, apontando primeiro para o de cabelos pretos e, em seguida, para o de cabelos ruivos. — Essa é minha nova colega de quarto, ... Bom, vocês já sabem quem ela é.
— É, eu me lembro que a Gina falou que estaríamos na mesma turma. Você é o irmão dela, certo? — perguntou, sorridente.
— Isso! — ele respondeu com a boca cheia, um pouco paralisado. — Ela chegou a falar sobre o nosso pai?
— Na verdade, não — franziu o cenho.
— Ele sempre falava sobre o seu pai para todos nós. Nossa família sabe tudo sobre quadribol, não é mesmo, Harry? — o ruivo se virou para o garoto ao seu lado, que assentiu. — Ele nos contou que seu pai foi um dos melhores batedores da história, um dos únicos a conseguir executar o rebate duplo! Seria incrível se ele mandasse uma foto autografada para o meu pai, ele se chama Arthur Weasley, ou melhor! Vocês poderiam ir até a minha casa durante as férias, imagem só... Papai surtaria de felicidade e com certeza compraria uma vassoura nova para mim!
A garota sorriu sem mostrar os dentes, se lembrando do genitor lhe contando sobre as vezes em que ele e seu melhor amigo de time, Jeremiah, conseguiam rebater o balaço ao mesmo tempo; imprimindo-lhe tanta força que deixavam alguns adversários desacordados, sendo essa a manobra a qual Rony se referia.
Ronald continuava olhando para ela. Os olhos verdes arregalados exalavam empolgação enquanto comia os ovos mexidos que enchiam o prato à sua frente. Ela percebeu que Hermione tentou repreender o menino, o encarando, porém, sem sucesso.
— Uma pena que esse ano não teremos a Copa das Casas.Tenho certeza que você seria um ótimo acréscimo no time — Rony voltou a falar. — Mas, ao menos, teremos o Torneio Tribruxo. Que ano agitado que você escolheu para se mudar, hein?
— Ronald Weasley! — Hermione chamou sua atenção. — O que deu em você? Mal deixou respirar desde que chegou. Você nem sabe se ela gosta de quadribol! Tome, pegue uma torrada — a menina lhe ofereceu o prato cheio de torradas.
sentiu as bochechas corando e estendeu o braço direito, a fim de pegar uma das torradas presentes no grande prato de ouro. Ela olhou brevemente para o ruivo enquanto passava geleia de frutas vermelhas com a ajuda de uma faca. Ele também estava com as bochechas vermelhas e, concentrado, comia seus ovos.
— Não se preocupem... — ela tentou consolar Rony. — Eu gosto de quadribol e não me importo de falar sobre o meu pai!
O ruivo voltou a erguer a cabeça e sorriu.
— Em Ilvermorny foi a mesma coisa no meu primeiro ano. Eu sabia que aqui não seria diferente. Tenho certeza que papai irá adorar conhecer um grande fã como o Sr. Weasley.
Então, os três começaram a contar animados sobre a recente ida à 422ª Copa Mundial de Quadribol, onde viram de perto o maior apanhador da atualidade, Vítor Krum. ouviu atentamente os relatos, sem conseguir deixar de pensar que o pai logo simpatizaria com Rony e Harry. Os dois falavam sobre o esporte com a mesma empolgação que Máximo, enquanto Hermione se manifestava apenas algumas vezes na conversa. Ela pontuava lembranças importantes assim como sua mãe, Emelina, costumava fazer quando seu pai começava a falar sobre seus tempos de jogador.
— Foi tudo perfeito, por Merlin! Foi um jogão, e quando a Irlanda ganhou, o estádio explodiu em comemoração... — os olhos do garoto ruivo brilhavam ao se lembrar do momento. — Pena que terminou daquela forma — de repente, seu olhar ficou sombroso e seu semblante ficou triste.
— O que aconteceu? — perguntou, curiosa.
— Nada! — Harry foi logo dizendo. — Quero dizer, Rony torceu o tornozelo quando voltávamos à barraca, e ele insiste em fazer drama sobre isso.
A menina sabia dizer quando tentavam esconder coisas de seu conhecimento, e aqueles três definitivamente não estavam contando toda a história. Pelo modo apreensivo que Harry lhe respondera, algo muito pior do que “torcer o tornozelo” havia acontecido naquele dia.
Foi assim que, ao parar para pensar, a jovem bruxa se lembrou das palavras de sua mãe: “Não vou decepcionar Lilian novamente, estarei lá para Harry caso seja necessário”. Estaria ela se referindo àquele Harry? O menino um pouco tímido, de cabelos escuros e bagunçados, com óculos de grau redondos? Não, seria muita coincidência.
Porém, apesar da coincidência, não conseguia deixar de pensar naquela possibilidade. passou a relembrar da conversa que ouvira entre os pais. Talvez, apenas talvez, o acontecimento na 422ª Copa Mundial de Quadribol envolvia o “Lorde das Trevas”, e aquele Harry, que estava sentado em sua diagonal, precisaria da ajuda de sua mãe. Ela precisava conversar com seus pais o mais rápido possível.
Seus devaneios foram interrompidos por um repentino rumorejo acima de todos os alunos, então cem corujas entraram pelas janelas abertas, trazendo o correio da manhã. olhou para o alto e visualizou a coruja do pai: uma coruja-da-igreja, de olhos negros e redondos, que pousou desastrosamente em cima da mesa, quase derrubando a xícara de café de um dos meninos que estavam sentados por perto.
A garota acariciou o topo da cabeça do animal e retirou o pergaminho amarrado em sua pata, observando-o voar novamente e sair pela mesma abertura pela qual entrou no cômodo. Ela abriu o rolo e se deparou com a caprichada caligrafia de sua mãe.

Filha, já sabemos das boas novas. Que alegria saber que você foi selecionada para a Grifinória! Não quis falar antes, mas essa foi a casa em que fui classificada há alguns anos, na qual, inclusive, fui monitora. Sei que só faz um dia, mas já estamos com saudades e esperamos que esteja se sentindo amparada pelos alunos de Hogwarts (também esperamos que o seu humor tenha melhorado...).
Te amamos.
Mamãe e papai.

Ela tornou a enrolar o pergaminho e o guardou no bolso das vestes, voltando a se concentrar no café da manhã à sua frente, porém, sem dizer uma palavra durante o tempo restante que passou no Salão Principal.
Seus pensamentos a acompanharam por todo o caminho pela horta enlameada até chegar, junto dos outros, à estufa número três, onde uma mulher gorducha, com roupas e chapéu beges, aguardava pelos alunos. O lugar era inteiro feito de material transparente, por isso conseguia ver os arredores de Hogwarts que não visualizara durante a noite anterior. Havia uma mesa de madeira comprida, idêntica às do Salão Principal, com materiais de jardinagem em sua superfície, além das mais diversas plantas espalhadas pelo local.
Os alunos, que começaram a chegar, passaram a se posicionar ao redor da mesa central, e Rony permaneceu ao seu lado. Ele abriu a boca – provavelmente iniciaria uma conversa com a menina –, mas foi interrompido por três garotos que haviam acabado de chegar na estufa.
Um deles era magro, com o rosto fino e pontudo, nariz empinado e olhos acinzentados. Seus cabelos eram extremamente loiros, quase brancos, minuciosamente penteados e ajeitados com gel. Ele andava com um ar de superioridade, sendo seguido por outros dois rechonchudos que caminhavam atrás do primeiro, praticamente idênticos, com os cabelos castanhos raspados e bochechas enormes. Ela observou os detalhes verdes em suas vestes, com o símbolo de uma serpente bordado ao lado esquerdo.
O trio se aproximou de onde os dois estavam, e o garoto de olhos acinzentados passou a provocar Rony.
— Saia, Weasley.
observava a cena com o canto dos olhos, enquanto Harry e Hermione, que estavam à sua frente, não tiravam os olhos do amigo.
— Arranje outro lugar, Malfoy — Rony revidou sem tirar os olhos da mesa em que apoiava as mãos.
— Era só o que me faltava, essa escória querer roubar o meu lugar. Você sabe que eu, Crabbe e Goyle ficamos aqui desde o primeiro ano, Weasley — o rapaz proferia as palavras praticamente cuspindo, com raiva.
— Acorde mais cedo da próxima vez e consiga o lugar que bem entender. Pode olhar em volta, quase todos os lugares já estão ocupados — interveio, indigesta com o modo que o garoto falava com o ruivo.
— E você... — ele a olhou de cima a baixo, expressando nojo. — Acha que pode entrar em Hogwarts, desfilar com seu cabelo esquisito e me tratar como bem entender? Se acha alguma coisa por ser filha de um jogadorzinho de quadribol? Vou te dizer uma coisa, você ter feito amizade com esse aí não me surpreende, porque também é da ralé. Ilvermorny é um lixo — ele fez uma careta e os dois amigos riram. — Se bem que Hogwarts, depois que passou a aceitar qualquer um, até sangues-ruins... — olhou com desdém para Hermione. — Também não está muito longe de ter a péssima reputação de Ilvermorny.
— Então você quer envolver nossos pais na conversa? Bom, como estão os seus? Extremamente felizes por terem se livrado de você ou ainda se recuperando dos traumas de terem passado as férias de verão te aturando? — começou a ir para cima do menino, que começou a andar para trás, aterrorizado. — Vou te dizer uma coisa. Ficar meses ouvindo essa sua voz esganiçada não deve ser fácil. Agora vá e arranje outro lugar, porque eu sei bem o que fazer para deixar o seu cabelo igual ao meu.
O menino, que antes demonstrava expressão de preeminência, agora estava com os olhos arregalados e com os cabelos arrepiados, como se acabara de entrar no olho de um furacão. voltou satisfeita para onde estava, ao lado de Rony, que tentava não dar risada da cara de espanto dos outros três. Eles agora se posicionavam em um lugar ao final da mesa, com os ombros encolhidos.
— Draco Malfoy e seus amiguinhos, Crabbe e Goyle — Rony cochichou. — Lamento que tenha tido que lidar com ele no seu primeiro dia. Ele e os amigos sonserinos são insuportáveis. Fique longe deles.
— Gina me alertou sobre os sonserinos — ela olhou brevemente para os demais alunos com vestes verdes. — Agora já sei identificá-los.
A professora, que permaneceu totalmente alheia à briga, finalmente se levantou e se apresentou amigavelmente, e exclusivamente para como sendo a Prof. Sprout. Em seguida, estalou os dedos e plantas feias surgiram à frente de cada aluno, as quais pareciam com lesmas gordas e pretas, que brotavam verticalmente do solo. Elas se contorciam ligeiramente e tinham vários inchaços brilhantes no corpo, que pareciam cheios de líquidos.
— Nossa! — um dos meninos exclamou. — Que é isso?
— Bobutúberas! — prontamente respondeu, atraindo olhares, inclusive o da Professora Sprout. — Esses líquidos são pus, que devem ser coletados para o tratamento de acne forte. Li sobre elas no Manual de Plantas Mágicas para Tratamentos.
— Muito bom, Srta. ! Dez pontos para a Grifinória! — a professora sorriu e os colegas comemoraram brevemente. — Ela está certa, Sr. Finnigan. Esse pus é extremamente precioso, por isso, não o desperdice.
A Prof. Sprout pediu para que os alunos coletassem o líquido em uma garrafa redonda com tampa de rolha, as quais, ao final da aula, seriam fornecidas à Madame Pomfrey, enfermeira de Hogwarts. Sendo assim, todos seguiram os comandos da professora e passaram a cumprir a tarefa utilizando luvas de couro de dragão, uma vez que o pus não diluído poderia afetar a pele desprotegida.
Enquanto recolhia o pus em sua garrafa, olhou para o menino que a professora havia chamado de “Finnigan”, em sua diagonal. Ele espremia sua bobutúbera com os braços completamente esticados, o mais longe possível da planta, com a expressão de quem iria vomitar a qualquer momento. Um cheiro forte de gasolina passou a tomar conta do local fechado, mas a garota estava se divertindo à beça.
Uma sineta ressonante sinalizou o fim da aula e os alunos passaram a se dissipar, indo para a próxima aula. Rony chamou para acompanhá-lo, mas ela respondeu que depois o alcançaria.
A bruxa fechou sua garrafa com a tampa de rolha, que se encontrava em cima da mesa, e sorriu ao observar o líquido amarelo que reluzia no interior do vidro grosso. Olhou ao redor e, no local, havia apenas ela, a professora e outro garoto que conversava entusiasmado com a Prof. Sprout. caminhou até a simpática mulher e entregou a garrafa cheia.
— Oh, isso vai deixar Madame Pomfrey feliz! — comemorou enquanto guardava a garrafa em uma caixa junto das outras. — Excelente performance durante a aula, Srta. !
— Obrigada!
— Você também gosta de Herbologia? — o garoto perguntou, completamente tímido.
Ela o observou, percebendo que ele também fazia parte da Grifinória. O menino a olhava e esperava por uma resposta, mas agora parecia nervoso, como se estivesse repensando sobre a pergunta que fizera. Sua pele branca passou a se tornar vermelha, e seus olhos azuis passaram a fitar tudo, menos ela.
— É a minha matéria preferida — sorriu, acabando com o sofrimento interno do garoto. — De dez livros que eu leio, ao menos seis são sobre Herbologia.
A face do menino automaticamente se relaxou, fazendo com que um sorriso aparecesse em seu rosto.
— Quem sabe a senhorita poderia ajudar o Sr. Longbottom nos cuidados com as plantas? Ele vem até aqui fora do período de aula para me ajudar com essas belezinhas — ela olhou em volta. — É como uma atividade extracurricular.
— Seria ótimo se você pudesse ajudar — ele incentivou e estendeu a sua mão esquerda. — Não nos conhecemos ainda. Sou Neville.
— ela apertou a mão do garoto. — Será um prazer ajudar!
Eles combinaram os horários para que ambos pudessem cuidar das plantas juntos enquanto conversavam e trocavam conhecimentos. Por sorte, teriam a próxima aula juntos, então Neville a acompanhou até o local, apontando para os lugares em que passavam, dizendo “ali é o caminho que usamos até o campo de quadribol”, “ali nós atravessamos para cortar caminho à torre leste”, etc. Eles desceram juntos pelo jardim, com a grama ainda molhada, até uma cabana de madeira, a qual, segundo Longbottom, pertencia a Hagrid, o gigante.
— Aquela ali é a Floresta Proibida — apontou para uma orla repleta de árvores altas e imponentes.
— Você já foi lá?
— Claro que não! — ele se espantou com a possibilidade. — É proibida.
deu uma risadinha como resposta. Já era de se imaginar que o garoto cumpria fielmente as regras da escola.
Rúbeo Hagrid estava parado em frente à cabana com uma das mãos na coleira de um cachorro marrom enorme, de fios espessos e uma baba escorrendo da boca. Havia vários caixotes abertos no chão a seus pés, e o cachorro choramingava e retesava a coleira, aparentemente tentando investigar o conteúdo dos caixotes mais de perto.
A aula de Trato das Criaturas Mágicas passou rápido, sem grandes acontecimentos e com algumas reclamações de Draco Malfoy, que, infelizmente, escolheu um caixote ao lado do de . Os alunos apenas precisavam alimentar os explosivins, que pareciam lagostas deformadas sem cabeça. Mas eles não pareciam gostar das opções separadas pelo professor, que determinou, como tarefa, que todos pesquisassem sobre a alimentação das criaturas.
Juntos, os quatro almoçaram costeletas de cordeiro e batatas na mesa da Grifinória, e, ao final, Harry e Rony avisaram que subiriam à torre norte onde teriam aula de Adivinhação, fazendo Hermione bufar e revirar os olhos. A garota comeu apressada e disse que precisava ir à biblioteca, porque estava trabalhando em algo importante. Os outros três estranharam, mas resolveram não perguntar por detalhes.
não tinha aulas naquele horário, então Hermione tentou repetidamente convencê-la a ir até a biblioteca também, fazendo com que a primeira tivesse que recursar o convite inúmeras vezes. Apenas quando chegaram até uma das portas laterais do castelo, a colega de quarto desistiu de persuadi-la e retirou de sua mochila um exemplar antigo e gasto de Hogwarts: Uma História. Ela entregou-o a para que ela pudesse ler durante o seu tempo livre.
A jovem bruxa ficou feliz com o empréstimo; significava que Hermione lembrara da conversa que tiveram pela manhã. Elas se separaram e caminhou por alguns corredores, passando por alguns alunos que sorriam amigáveis para ela, enquanto outros a olhavam de cima a baixo. Até que chegou em um corredor deserto, cuja parede possuía várias aberturas arredondadas. Ali, poderia se sentar com as costas em um dos pilares, enquanto a brisa fresca do jardim de inverno assoprava em seu rosto.
Ela começou a ler as primeiras páginas sobre a fundação da escola por volta de 993 d.C., mas foi interrompida por uma voz grave à sua frente.
Hogwarts: Uma História — a voz leu a capa do livro. — É a primeira vez que vejo alguém lendo isso — ele soltou um breve riso.
abaixou o exemplar para poder visualizar a figura que se encontrava ali parada e, sem querer, arregalou os olhos.


Capítulo 4

Surpreendentemente, o lufano que chamara sua atenção durante o jantar do dia anterior estava ali, parado à sua frente com as mãos nos bolsos da calça. Seus olhos cor-de-mel agora a fitavam em uma distância muito menor, fazendo com que a garota reparasse em como eles eram bonitos, mesclados com tons escuros de verde e mel, e contornados por uma linha preta. Os fios castanhos claros estavam arrumados em um topete, e a pele clara refletia os poucos raios de sol que surgiam do jardim de inverno. Um sorriso surgiu em seus lábios rosados quando percebeu que conseguira a atenção da mais nova aluna do quarto ano de Hogwarts.
Ela prendeu o ar por um segundo, enquanto o garoto continuava a olhar para o seu rosto delicado, esperando que uma palavra finalmente saísse de sua boca. demorou a perceber a situação constrangedora que criara, por permanecer muda olhando para a face do rapaz. Então, despertou-se de seus devaneios.
— Uma colega de quarto me emprestou — disse, fechando o livro. — Parece que tenho muito a aprender sobre minha nova escola... — brincou, olhando para a grossura do exemplar.
— Já que tocou no assunto, devo perguntar... Por que está matando aula, para ler um livro, logo no seu primeiro dia em Hogwarts? — ele se sentou entre um dos arcos, sem parar de sorrir para a garota.
Os dois estavam separados apenas por um pilar antigo de cimento, o que já era suficiente para fazer com que sentisse borboletas no estômago.
— O quê? — ela riu brevemente. — Eu não... eu não estou matando aula! Eu não tenho aula agora.
O lufano assentiu com a cabeça, passando a olhar em direção à parede de pedras do outro lado do corredor, deixando com que a bruxa, involuntariamente, analisasse seu perfil – o maxilar era bem marcado e a ponta do nariz ligeiramente apontada para cima. Cada detalhe em seu rosto parecia haver sido esculpido em porcelana.
— E você? — ela se deu conta de que ambos estavam fora da sala durante o período de aulas. — Por que está matando aula?
— Ah... Serei sincero com você. Eu estava indo para a aula, com muita vontade de aprender algo novo — ele ironizou, revirando os olhos e cruzando os braços, voltando a olhá-la em seguida. — Mas te vi aqui sentada e lembrei que a cooperação entre bruxos é um dos princípios Hogwarts. Então, vim verificar se você precisava de ajuda para chegar à alguma sala.
A menina sorriu. Ele parecia ser tão doce quanto os seus olhos deixavam transparecer.
— Eu não posso dispensar qualquer chance de fazer amizade por aqui... — esticou sua mão em direção ao garoto. — Prazer, .
Por um lapso de segundo, ele observou a mão da menina esticada à sua frente, e, depois, voltou seus olhos aos dela. Pela primeira vez, olhou profundamente dentro de seus olhos azuis claros. O garoto apertou delicadamente a mão da menina que acabara de conhecer e disse:
— Cedrico Diggory.
Os dois sorriram, um para o outro, e o silêncio se instaurou no corredor. Só era audível o barulho dos galhos das árvores do jardim de inverno, que se moviam e se debatiam de acordo com o sopro do vento gelado do outono.
— Dumbledore disse que você estudava em Ilvermorny... — Cedrico quebrou o silêncio constrangedor. — Mas não disse o motivo de ter se mudado. Quero dizer, Estados Unidos e Inglaterra?
suspirou. Não poderia dizer qual era o real motivo, porque nem ela sabia ao certo. Seus pais inventaram que Emelina havia sido convocada para trabalhar no Ministério da Magia e não poderia recusar o chamado, isso porque não faziam ideia de que a unigênita havia escutado a conversa sobre os estranhos pesadelos da mãe. Outrossim, a garota não queria compartilhar, com um garoto que acabara de conhecer, que estava bisbilhotando, e que, agora, teria que investigar se o Harry que conhecera pela manhã era o mesmo “Harry” da conversa entre os pais.
— Antes de morar nos Estados Unidos, meus pais moravam na Inglaterra. Em Holmes Chapel, para ser mais exata. Minha mãe trabalhava no Ministério, que pediu para que ela retornasse nesse ano... — ela deu de ombros, continuando com a mentira inventada pelos genitores. — … Para o Departamento de Execução das Leis da Magia. E o meu pai conseguiu uma vaga também, no Departamento de Relações Exteriores e Esportes.
Cedrico assentiu com a cabeça. Aquilo não era inteiramente uma mentira, uma vez que ambos realmente passaram a trabalhar no Ministério da Magia. Mas ela tinha pleno conhecimento de que não foram os novos empregos que motivaram a mudança.
— Legal! — ele exclamou, ao mesmo tempo que ela fez uma careta. — Quero dizer, talvez não esteja sendo tão legal para você agora, mas você vai ver como esse lugar é incrível, assim como foi com todos nós... — seu sorriso era, de certa forma, reconfortante. — Além disso, meu pai também trabalha no Ministério, no Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. Eles provavelmente vão se conhecer por lá.
— Tenho certeza que vão — fez força para sorrir.
Eles passaram mais um tempo sentados entre os arcos, separados apenas pelo pilar revestido em cimento, conversando especialmente sobre o Ministério da Magia. Diggory tentava explicar como as tarefas mágicas funcionavam entre os departamentos e o mundo bruxo, enquanto tinha que se esforçar para prestar atenção em suas palavras e não em seu sorriso perfeitamente alinhado.
Quando a sineta tocou alto, o corredor, que antes parecia estar reservado apenas para que os dois pudessem conversar, se encheu de alunos, cujas vestes esvoaçavam com o vento, indicando que as aulas daquele período haviam acabado. Cedrico, apesar de parecer relutante em acabar com aquele momento, se levantou. A garota fez o mesmo, segurando o livro em uma das mãos e jogando a mochila nas costas.
Os dois caminharam lado a lado até o saguão de entrada, que estava lotado de gente fazendo fila para o jantar. Diggory agora contava sobre a experiência que tivera nos jogos de quadribol do último ano letivo, quando se tornou capitão da Lufa-Lufa. ouvia atenta ao relato, achando incrível o modo com que ele ficava mais animado a cada palavra. Cedrico sorria orgulhoso ao se lembrar do jogo em que venceram a Grifinória, mesmo havendo ressaltado que a vitória não havia sido muito justa, por causa da queda de Harry da vassoura.
Porém, antes que pudesse perguntar os detalhes do acidente, eles perceberam uma estranha movimentação um pouco mais à frente. A menina passou a ouvir vozes familiares e ficou na ponta dos pés, com o intuito de ver o que estava acontecendo no meio da multidão. Foi quando todos os alunos ficaram quietos e ela pôde distinguir a voz de Harry, não tão doce como de costume:
— Então vê se cala esse bocão.
Um baque surdo foi ouvido por todos e algumas pessoas soltaram um grito de desespero.
— AH, NÃO VAI NÃO, GAROTO!
se virou de supetão, assim como os outros alunos ali presentes, e viu o Prof. Moody descendo a escadaria de mármore, pisando forte, enquanto mancava com sua perna metálica. Ele tinha sua varinha na mão, apontada diretamente para uma doninha muito alva e magra, que flutuava pelo ar.
Fez-se um silêncio aterrorizado no saguão. Ninguém, exceto o professor, mexia um só músculo. A garota observava a cena com os olhos arregalados, apertando o livro contra o peito, amedrontada com a forma que o animal era jogado de um lado para o outro pelo Prof. Moody, que movimentava ligeiramente sua varinha.
— Ele o mordeu? — perguntou, com a voz grossa e assustadora, chegando perto de onde a fila para o jantar se formava.
— Não — ouviu Harry responder, com a voz hesitante. — Foi por pouco...
— DEIXE-O — berrou o professor.
— Deixe... o quê? — Harry perguntou, claramente espantado com a situação.
— Não você, ele! — vociferou Prof. Moody, apontando para Crabbe, que acabara de congelar em meio a um gesto para recolher a doninha branca.
Moody abaixou a doninha no piso frio de lajotas, que soltou um guincho aterrorizado e fugiu em direção oposta à que todos estavam. Ele foi acompanhado por diversos pares de olhos curiosos, que se perguntavam de onde aquele animal havia surgido.
— Acho que não! — rugiu Moody, tornando a apontar a varinha para a doninha. — Não gosto de gente que ataca um adversário pelas costas — frisou as últimas palavras.
O animal subiu uns três metros no ar, caiu com um baque úmido no chão e quicou de novo para cima, fazendo prender a respiração. Moody movimentava a varinha sem descanso, fazendo com que a doninha fizesse isso repetidas vezes, guinchando de dor, quicando cada vez mais alto, com as pernas e a cauda sacudindo descontroladas.
— Que merda esse homem está fazendo? — Cedrico cochichou, a cabeça se movendo para cima e para baixo, junto com a doninha.
— Não sei! — ela frisou o cenho. — Alguém tem que fazê-lo parar, ele está machucando o bicho!
— Nunca... mais... torne... a... fazer... isso — o professor continuava dizendo, destacando as palavras para a doninha, que continuava a bater no piso de pedra e tornava a subir.
— Prof. Moody! — chamou uma voz chocada.
Era a Prof. Minerva McGonagall, que descia a escadaria com os braços carregados de livros.
— Olá, Prof. McGonagall — cumprimentou Moody calmamente, fazendo a doninha quicar ainda mais alto.
— Que... que é que o senhor está fazendo? — perguntou a professora, seguindo com o olhar a subida da doninha no ar.
— Ensinando — respondeu ele.
— Ensinan... Moody, isso é um aluno? — gritou a professora, os livros despencando dos seus braços.
— É.
— Não! — exclamou ela, descendo a escada correndo e puxando a própria varinha.
Um momento depois, com um estampido, Draco Malfoy apareceu no local, caído e embolado no chão. Seus cabelos lisos e louros estavam sobre o rosto, agora muito vermelho. Ele se levantou fazendo uma careta, e foi nesse momento que entendeu: o professor havia transformado o garoto em uma doninha. Era ele quem estava choramingando de dor. não pode se conter e levou uma das mãos à boca, em sinal de pavor e tristeza pelo que acontecera.
— Moody, nunca usamos transformação em castigos! — disse a professora com a voz fraca, chocada com o que estava acontecendo no saguão. — Certamente o Prof. Dumbledore deve ter-lhe dito isso.
— É, talvez ele tenha mencionado... — Moody deu de ombros, simplesmente.
A jovem bruxa parou de prestar atenção na conversa entre os professores e observou Draco Malfoy – seus olhos acinzentados lacrimejavam de dor e humilhação, seus cabelos não estavam mais arrumados em gel como pela manhã e suas vestes estavam empoeiradas, bem como sua gravata, que lutava para permanecer firme no pescoço, com o nó quase se desfazendo. Ele virou a cabeça em sua direção, fazendo seus olhos se encontrarem, mas logo se desvencilharam.
Prof. Moody segurou o menino pelo antebraço e saiu mancando com ele, na mesma direção em que este tentara fugir alguns minutos antes.
— Esse cara é pirado! — Cedrico não conteve a risada, chamando novamente a atenção da jovem garota. — Meu pai o conhece. Ele era um Auror, mas, depois de anos de trabalho, ficou... desse jeito — o menino apontou com a cabeça para a direção que os dois haviam seguido. — Ficou com mania de perseguição. À todo momento, ele acha que todos estão conspirando para matá-lo.
— Vou ter aula com ele na quinta-feira... — se apavorou ainda mais.
— Uhhh... — Cedrico entortou a boca e colocou uma das mãos no ombro dela. — Boa sorte... Ao menos ele parece não gostar desse mauricinho. O pai dele insiste em comprar vassouras para o time da Sonserina, como se o problema fosse os instrumentos, e não os jogadores — eles riram juntos com o comentário.
Após um breve falatório sobre o último acontecimento, a fila passou a se movimentar – um pouco mais demorada que no almoço –, mas não se importou. Cada segundo a mais esperando, era um segundo a mais na companhia de Cedrico.
Quando finalmente adentraram o Salão Principal, se despediram com um aceno tímido. A garota seguiu para a mesa da Grifinória, onde Rony, Harry e Hermione estavam sentados, agora acompanhados por Gina, Fred e Jorge Weasley, e por outro menino de pele negra, lábios carnudos e cabelos cacheados, que se apresentou como sendo Lino Jordan.
Ronald permanecia de olhos fechados enquanto comia uma coxa de frango bem gordurosa, dizendo que queria se lembrar eternamente de Draco Malfoy em forma de doninha, quicando na frente de grande parte dos alunos de Hogwarts. apenas ouvia a conversa enquanto mastigava sua lasanha de espinafre, uma vez que achou de extrema crueldade o que acontecera. Mesmo se tratando de Malfoy.
Ela mal havia terminado de comer quando Hermione se despediu e saiu novamente correndo, rumo à biblioteca para trabalhar no seu projeto importantíssimo. Os três garotos mais velhos passaram o restante da noite contando sobre como a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, com Alastor Moody, havia sido incrível.
— Então, como foi o primeiro dia? — perguntou Gina, quando já estavam a caminho do dormitório.
— Normal — deu de ombros. — Colhemos pus de bubotúberas, vou ajudar Neville Longbottom com as plantas da estufa número três, e tenho que pesquisar sobre a alimentação dos explosivins.
Ela não havia se esquecido do melhor momento do seu dia, quando Cedrico se sentou ao seu lado e eles puderam conversar até a hora do jantar. Mas não queria parecer boba contando uma coisa dessas, afinal, ele realmente podia ter se aproximado apenas para verificar se ela precisava de ajuda para encontrar a próxima sala de aula. Gina pareceu desapontada com a fala de , mas continuou a dizer:
— Soube que já arrumou briga com Malfoy — a ruiva não conteve o sorriso de plena satisfação. — Rony disse que foi incrível, que acabou com ele!
— Não foi tão grave assim! — ela estava com dó do garoto, mas não queria admitir.
— Rony ficou bastante impressionado — Gina a olhou com as sobrancelhas levantadas. — A família Malfoy merece, sabe, ... Sei que Moody foi duro com ele no saguão hoje, mas você não faz ideia dos absurdos que ele e os seus pais falam — a ruiva passou a falar mais baixo. — Eles acreditam na supremacia mágica e de bruxos “puro-sangue”.
— O quê? — a outra tentou manter o tom de voz baixo. — Isso é tão ultrapassado, mas faz sentido. Ele criticou a escola por aceitar “sangues-ruins” na aula de Herbologia hoje, enquanto discutíamos.
— Provavelmente se referindo à Hermione — elas chegaram ao quadro da mulher gorda, que se abriu demonstrando a passagem para a sala comunal. — Ele não pode vê-la por aí que começa com as provocações, apenas por ela ser filha de pais trouxas.
começou a entender o ódio que os novos amigos sentiam daquele garoto petulante, e as falas de Gina fizeram com que todo o remorso que ela estava sentindo se esvaísse.
Em Ilvermorny, durante as aulas de História da Magia, aprendera sobre a ideologia antiga da supremacia mágica e sobre quantos no-majs e bruxos sofreram, até que finalmente instaurassem a igualdade entre os seres. não conhecia bruxos que defendiam esse discurso, até o momento.
Alguns grifinórios estavam sentados nos sofás e poltronas vermelhas de veludo da sala comunal, inclusive alguns amigos de Gina, que chamaram a garota para que os acompanhassem. Elas se despediram e seguiu o seu caminho para o dormitório, subindo a escadaria medieval em espiral. Lá, encontrou Lilá e Parvati, que também perguntaram sobre o seu primeiro dia. Elas faziam animadas o seu mapa pessoal planetário, solicitado pela professora de Adivinhação.
guardou a carta enviada pelos seus pais em uma caixa, pensando se deveria confrontá-los sobre Harry. Mas achou melhor investigar mais antes, assim, eles não poderiam começar com rodeios sobre o assunto. Decidido isso, tirou um pedaço de pergaminho de dentro do malão e passou a escrever para as amigas.

Kristen e Madeline,
Vocês jamais conseguirão entender o tanto que fazem falta. Sinto falta de acordar todos os dias e ouvir as risadas escandalosas de Kristen e os conselhos descabidos de Madeline. Sinto falta principalmente dos nossos momentos juntas. Hoje foi o meu primeiro dia de aula e, magicamente, o primeiro período foi Herbologia. Mas vamos ao que vocês querem saber: conheci um menino... interessantemente bonito. Seu nome é Cedrico Diggory. Isso é tudo que eu tenho para contar no momento. Espero que, na próxima carta, terei informações mais interessantes! Quero saber sobre Ilvermorny, não economizem informações.
Com muito amor, .

enrolou o pergaminho e o guardou embaixo do travesseiro, para levá-lo até o corujal na manhã seguinte. A garota vestiu o seu pijama e se aconchegou embaixo das cobertas quentes, fechando os olhos com um sorriso no rosto. Talvez Hogwarts não fosse tão ruim, afinal.
Os dias seguintes passaram rapidamente. conheceu o professor Severo Snape durante a aula de Poções e, em menos de quinze minutos, entendeu o motivo do ódio da mãe por aquela figura sombria, de roupas e cabelos pretos, extremamente lisos e oleosos. Ele a olhava por baixo dos fios de cabelo, que insistiam em tampar seus olhos negros, como se já não gostasse da menina.
Ela também teve aula de Transfiguração com a Prof. McGonagall – que passou muita tarefa – e de Defesa contra as Artes das Trevas com o Prof. Moody. Sua aula havia sido tão assustadora quanto imaginava que seria. Ele decidiu demonstrar, na prática, utilizando uma aranha, as três maldições imperdoáveis. Cruciatus, Avada Kedavra e Imperius.
sentia seu corpo arrepiar e a garganta formar um nó ao se lembrar da aula. Alastor Moody torturou impiedosamente uma aranha na frente de todos, que esperneava em desespero, enquanto os alunos da Sonserina riam e os alunos da Grifinória se contorciam em suas cadeiras. Ao saírem da aula, ela, Harry, Rony e Hermione encontraram Neville Longbottom olhando por um vitral. Ele tinha algumas lágrimas escorrendo pelas bochechas grandes e vermelhas.
— Neville? Está tudo bem? — Hermione colocou uma das mãos no ombro do garoto, que permanecia estático olhando para o vitral.
Ele apenas balançou a cabeça para cima e para baixo em resposta, sem tirar as mãos dos bolsos. Seus olhos claros estavam fixos nos gramados de Hogwarts, que estavam tão vazios quanto seu olhar.
— Ei, garoto! — a voz do professor se propagou pelo corredor.
Prof. Moody mancava em direção ao pequeno grupo de alunos que tentava consolar Longbottom. Sua perna de metal reproduzia mais barulho do que o normal, batendo no chão revestido de madeira do patamar em que estavam reunidos.
— Está tudo bem, filho... — disse ele a Neville. — Por que não vem até a minha sala? Vamos... Podemos tomar uma xícara de chá...
Neville ficou ainda mais assustado ante a perspectiva de tomar chá com Moody. Ele não se mexeu e nem falou.
Moody virou o olho mágico para Harry.
— Você está bem, não está, Potter?
— Estou — disse Harry, quase em tom de desafio.
O olho azul de Moody estremeceu de leve na órbita ao examinar Harry. Então, falou:
— Vocês têm que saber. Parece cruel, mas vocês têm que saber. Não adianta fingir... Bom... Venha, Longbottom, tenho uns livros que podem lhe interessar.
Neville olhou suplicante para os outros quatro pequenos bruxos, mas eles não disseram nada. O garoto não teve escolha senão se deixar conduzir, com uma das mãos nodosas de Moody em seu ombro.
— Que foi que houve? — perguntou Rony, trêmulo, observando Neville e Moody virarem para outro corredor.
— Não sei — respondeu Hermione, parecendo pensativa.
— Mas foi uma aula e tanto, hein? — disse Rony a Harry, Hermione e , quando desciam as escadarias de mármore. — Fred e Jorge tinham razão, ele realmente conhece o assunto! Quando lançou a Avada Kedavra, o jeito com que aquela aranha simplesmente morreu, apagou na hora...
percebeu que Harry engoliu em seco nesse momento, com os olhos verdes arregalados. Alastor Moody havia dito em sala de aula que havia apenas uma pessoa no mundo bruxo que tinha sobrevivido àquela maldição, e, pelo pavor no olhar do mais novo amigo, ela pensara que, talvez, o professor estaria se referindo a Harry.
— Foi horrível — resolveu finalizar a conversa quando chegaram à porta do Salão Principal. — E, inclusive, perdi a fome — ela revirou os olhos. — Ele não pode fazer... aquilo.
Os outros três assentiram com a cabeça e se despediram da garota. Ela, então, se dirigiu aos terrenos de Hogwarts para que pudesse iniciar as lições passadas pela Professora McGonagall. já estava muito mais localizada sobre as partes do castelo, agora que estava quase na metade do livro Hogwarts: Uma História, então não precisava da companhia de outro aluno para se locomover.
Na manhã anterior, , inclusive, havia conseguido ir até o corujal sem a ajuda de ninguém – detalhe que a fez ficar um pouco impressionada, em razão das diversas curvas e entradas que tinha que tomar para chegar até o topo da torre oeste. Talvez Hermione já soubesse que o livro a ajudaria a decorar o mapa da escola. Deveria agradecê-la mais tarde.
Ela caminhou por algum tempo, até que avistou o campo de Quadribol da escola, o qual ainda não havia visto. Sorriu, vendo as bandeiras das quatro casas de Hogwarts esvoaçando com o vento que batia, e percebeu que o campo era bem maior do que havia imaginado. passou a ir em direção à sua entrada para observá-lo mais de perto, mas, ao se aproximar, percebeu que não era a única aluna no local.
Cedrico estava sentado na arquibancada com um livro em seu colo, que era usado como apoio para que escrevesse algo em um pedaço de pergaminho. O cachecol amarelo e preto da Lufa-Lufa estava enrolado em seu pescoço, e o menino estava deveras concentrado no que escrevia, não havendo percebido a aproximação da garota.
— Dizem que um capitão de verdade nunca consegue abandonar o navio — sorriu ao se aproximar da arquibancada onde Cedrico se encontrava.
Ele levantou a cabeça na direção da voz e sorriu ao ver de quem se tratava, fazendo sinal para que ela subisse até ele. A garota passou a subir os degraus e se sentou ao lado dele. Dessa vez, não havia qualquer pilar que pudesse ficar entre ambos.
— Pensei que nesse ano eu poderia me destacar no quadribol, quem sabe ser chamado para algum time depois que eu me formasse... — Diggory suspirou. — É triste olhar para esse campo vazio, sabendo que não teremos os jogos.
— Você pode ser um campeão Tribruxo — tentou incentivá-lo. — Vai colocar o seu nome no temido Cálice? — ela fez uma voz de suspense.
Cedrico deu uma risadinha.
— Ainda estou pensando sobre essa possibilidade — ele olhou para frente. — Já que não posso impressionar uma certa garota durante os jogos, quem sabe no Torneio eu consiga...
sentiu as bochechas corarem, pensando se havia a possibilidade de um garoto como Cedrico estar se referindo a ela. Então, abraçou os joelhos e soltou uma risada sem graça. Mas, ao não dizer nada em resposta, o menino mudou de assunto:
— E como foi a aula com o Moody?
— Eu literalmente acabei de sair desse pesadelo — ela revirou os olhos. — Ele nos ensinou sobre as maldições imperdoáveis... — passou a falar mais baixo. — Praticou elas na nossa frente, ficamos atordoados.
Cedrico arregalou os olhos com a informação.
— Imagino o que Dumbledore e o Ministério falariam, se soubessem disso...
— E eles não sabem? Quero dizer... O professor foi contratado por Hogwarts.
— Cada professor tem o seu método de dar aulas. Não acredito que Dumbledore permitiria uma coisa dessas, ainda mais com Harry Potter estando na sala de aula. O garoto deve ser traumatizado!
— Traumatizado? O que aconteceu com ele? — arregalou os olhos. Aquela era sua chance.
— Como assim? Você não sabe sobre Harry Potter?
— Harry Potter? O garoto de óculos arredondados? — ela soltou uma risada. — Por que está falando assim? Até parece que o menino é famoso ou algo do tipo...
Cedrico assentiu com a cabeça, com as sobrancelhas levantadas.
— Ok, o que eu tenho que saber sobre ele? — ela perguntou.
Ele abaixou a cabeça, abaixando o máximo possível do seu tom de voz.
— Todos por aqui conhecem ele. Na ascensão de Você-Sabe-Quem, ele foi até a casa dos Potter e matou os pais do Harry. Mas, ao lançar... certa maldição no Harry, quem morreu foi o próprio Você-Sabe-Quem — Diggory parecia cada vez mais assustado e fazia questão de permanecer no tom baixo. — O boato é que Harry conseguiu matar o maior bruxo das trevas com apenas um ano de idade. O feitiço ricocheteou, ou algo do tipo...
— Como chamam os pais do Harry? Quem é Você-Sabe-Quem?
— Isso você terá que perguntar ao seu amigo — o menino passou a guardar o material na mochila e voltou ao seu tom de voz normal. — Tenho que ir, meus amigos estão me esperando.
relaxou os ombros, enquanto Cedrico se levantou e passou a descer a arquibancada. A garota agora pensava em como abordar Harry Potter sobre o dia que seus pais morreram, mas não fazia ideia de como o faria sem envolver Diggory e seus pais. Várias perguntas surgiam em sua cabeça, sem qualquer resposta.
Ela se lembrou dos pais dizendo as palavras “Você-Sabe-Quem”, se referindo a uma pessoa com grandes poderes das trevas. Uma pessoa que os deixou completamente aterrorizados, a ponto de mudarem de país. Não restavam dúvidas de que sua mãe estava tendo pesadelos com seu mais novo amigo. Então era por sua causa que eles haviam retornado à Inglaterra.
— Ei, ... — ela ouviu a voz calma do menino a chamando. — Ahn... Eu estava pensando... O que acha de irmos à Hogsmeade no sábado?
— Eu adoraria.


Continua...



Nota da autora: olá leitor, se você está aqui, acredito que, assim como aconteceu comigo, essa quarentena aflorou (ainda mais) o seu amor pelo universo de Harry Potter, então eu espero que essa fanfic te ajude a relembrar o sentimento mágico de estar envolvido pela saga, vou me esforçar para isso! Por fim, quero deixar avisado sobre o Instagram que fiz aos leitores, @kingkyliielux, para avisar sobre as próximas atualizações e ficarmos mais próximos. Obrigada por dar uma chance à minha história!



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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