Songs About You

Última atualização: 23/03/2021

Capítulo 1

 "Você vê o melhor de mim.
E você está me fazendo acreditar, que eu sou alguém especial"
Somebody Special, Nina Nesbitt

Vinte e quatro de maio de 2022 — Londres
"Estou indo para aí." — essa foi a última mensagem que havia me mandado.
"Porque você nunca atende essa droga de celular?." havia me ligado três vezes e mandado umas oito mensagens. Eu sabia que assim que ela chegasse eu ia ouvir as suas reclamações.
Abri a porta e deixei destrancada enquanto eu tomava um banho rápido para estar apresentável para as duas. Tinha chegado de viagem no dia anterior e a única coisa que consegui fazer havia sido hibernar por dezessete horas seguidas.Uns minutos após sair do banho o interfone chamou e liberei a entrada das meninas enquanto terminava de colocar o meu pijama.
Apesar de dormir o dia todo, eu ainda estava cansada e estava com bastante fome. e duas entraram no apartamento e cada uma me abraçou. Preciso dizer que as expressões faciais não eram das melhores. Estavam me assustando.
— Como foi a viagem? — perguntou, abrindo a garrafa de vinho que ela havia trazido.
— Cansativa. O que está rolando? — perguntei. Elas entreolharam, soltou um suspiro.
, melhor você se sentar. — soou apreensiva demais. Ao seu lado, pegou um pedaço de pizza e começou a comer, aérea.— Vocês estão me assustando. Estou falando sério, isso não é legal. Está passando um monte de coisas na minha cabeça.
— Não é nada de ruim. — disse, abrindo um sorriso forçado.— Então, o que é? — perguntei, preocupada.
— Primeiro promete que você não vai surtar. — arqueei as sobrancelhas e dei uma mordida na pizza.
— Eu não prometo nada.As duas se entreolharam novamente. — Deixa ela ver, . — pediu e estendeu o seu celular na minha direção. Vi que era uma música que foi lançada pelo meu ex-namorado.
— Pensamos que é sobre você. — levantei as sobrancelhas ouvindo as primeiras estrofes da música e quando terminei me virei para encará-las.
— Sério que esse drama era devido a uma música? Desde quando vocês ouvem Harry Styles? — perguntei, elas continuaram me encarando.
— Julgamos que é sobre você. — levantei as sobrancelhas ouvindo as primeiras estrofes da música e quando terminei me virei para encará-las.

I saw you at the café close to your house (Eu te vi no café perto da sua casa)
Our eyes have found each other (Nossos olhares se encontraram)
And I felt the electricity surrounding us (E eu senti a eletricidade que nos rondava)
Pull me back to you (Me puxar de volta para você)>
And I knew.. I still miss you>(E eu soube que ainda sinto sua falta).

— Não é. — neguei.
— Como podes ter tanta certeza? — perguntou, tentando se manter calma. Ela estava nervosa.
— Harry não escreveria uma música sobre mim. Além disso, não nos vimos desde que terminamos.Soltei uma gargalhada ao notar as expressões de alívio das duas.
— Relaxem meninas. Agora, vocês podem me explicar o que se passa?— Ele lançou essa música durante a madrugada e aparentemente vai ser um álbum sobre músicas sobre a ex-namorada dele. — elas duas olharam na minha direção.
— O vosso relacionamento era privado, mas isso não significa que ele não possa escrever uma ou duas músicas sobre você. — assente com as palavras de .
— Não sou eu. — afirmei.
— Tudo bem. — dá um sorriso fraco na minha direção.
— Terminamos exatamente porque ele não tinha certeza sobre os seus sentimentos sobre mim. Porque ele iria escrever uma música sobre algo que aconteceu há quase um ano, sendo que o que vivemos não foi tão importante assim a ponto de ficarmos juntos?
. — tenta dizer em vão, mas levanto as mãos na sua direção impedindo que ela dissesse mais alguma coisa.
— Eu não tenho muito o que falar sobre o assunto. — soltou um resmungo. — E se ele escrever alguma música sobre você? — me encarou.
— Ninguém vai saber que ele escreveu para mim de qualquer jeito. Agora podemos curtir a nossa noite sem esse absurdo todo? — perguntei.
— Sim, por favor. —  sorri. — , é a última vez que eu te deixo escolher o sabor da pizza de novo. Podemos por favor pedir outro sabor na próxima vez? Estou ficando enjoada de pizza margherita. — resmungou, terminando o seu pedaço de pizza.
— É o melhor sabor de pizza. — respondeu com a boca cheia. — Pepperoni. — falei, dando de ombros.
— Ah! Vocês são chatas. — ela reclamou de volta e ligou a TV começando por procurar por algo para vermos.

I let you walk away (Eu te deixei ir)
And now it's too late (E agora é tarde demais)
To beg please don't go (Para implorar por favor não vai)
All I want (Tudo o que quero)
It's you (É você).

Engoli em seco lendo o coro de "Want you back," e o meu coração está apertado só de ler e pior ouvir a voz de Harry cantar esses versos.
Por uma fração de segundos realmente cheguei a pensar que a música fosse para mim. A última vez que nos vimos foi quando terminamos tudo e garanto que ele não implorou para continuarmos juntos.
A decisão do término foi mútua, mas a ideia de nos separarmos partiu dele. Harry estava compondo e produzindo o seu terceiro álbum e foi difícil conciliar tudo com a refilmagem do filme "Don't Worry Darling" .
O meu trabalho não é tão flexível, que me permita viajar tanto e que possibilitasse estarmos sempre juntos desse jeito, mal nos víamos.A nossa relação era mais à distância do que outra coisa. Nunca me importei com isso, sempre aproveitei cada segundo perto dele da melhor maneira possível.
No entanto, nem sempre o amor que sentimos pela outra pessoa e ela "idem" é motivo suficiente para duas pessoas ficarem juntas.Passamos o resto da noite conversando mais do que vendo o filme que passava na TV.
e se despediram indo para as suas respectivas casas.No feed do meu Instagram era possível ver várias revistas comentando sobre a música que ele lançou. A única que me chamou atenção foi a headlines de "Quem é a mulher sortuda?", li até a metade e desisti atirando o meu celular na cama.
Assisti a alguns episódios de Peaky Blinders e acabei adormecendo no sofá. Quando voltei a despertar meu celular estava vibrando, abri o grupo que eu mantinha com as meninas no Instagram e li as mensagens preguiçosamente.
"Talvez eu seja paranoica e esteja delirando, mas WTF?". mandou isso após mandar uma postagem no grupo.
"Vou ouvir agora". — Respondi no grupo e entrei no YouTube colocando a música para tocar.
Eu tinha a mania de ouvir toda música pela primeira vez com fones. A música entra melhor. Talvez seja neurose minha apenas conseguia sentir melhor a emoção da música, a letra e a batida desse jeito.
Antes que eu dê play na música, meu telefone toca. Vejo o nome de Gemma no identificador de chamada.
— Alô, Gemma. — digo.
— Oi, . — sua voz soa distante como se tivesse alguma coisa errada.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunto, preocupada. Há um silêncio no outro lado da linha que se torna alarmante.
— Harry sumiu, . — não sei o que fazer com essa informação. Respirei fundo pensando em alguma coisa.
— Como assim ele sumiu?— Ele disse que precisava se desligar do mundo por alguns dias. Já vai uma semana e ele não atende as chamadas de ninguém. Estamos ficando preocupadas. — Gemma disse, visivelmente angustiada.
Ele costuma fazer isso quando precisa relaxar, mas nada tão extremo a ponto de ignorar Gemma e Anne.
— Vocês sabem para que lugar ele foi?
— Aí é que está, . Ninguém sabe. Fiquei me perguntando se ele não comentou nada com você.
— Nós não nos falamos tem um tempo, Gemma. — há exatamente uns meses.
— Sei, mas estou — ela suspirou tentando se acalmar — preocupada. Ele desaparece e está lançando um álbum sem que a sua equipe saiba? Esse não é o meu irmão.
— Achei estranho também. — confessei. Harry sempre organiza os lançamentos dos seus álbuns com todo o devido cuidado. Ele gosta de ouvir o álbum com as fãs, sentir a emoção delas e abraçá-las.
— Vocês passaram férias em algum lugar especial ou que marcou muito ele? — ela perguntou.
— Não. — pensei durante uns segundos. — Não faço mesmo ideia. Nós sempre falamos sobre a Grécia, mas nunca aconteceu. Você já falou com a noiva dele?
— Ela sabe tanto quanto nós. — ela disse. — Penso que você me deu uma direção, . Me desculpe pelo incômodo e obrigada.
— Que isso, Gemma. Qualquer coisa me liga. Não importa a hora.— Boa noite, .
— Boa noite, Gemma. — ela desligou a chamada e fiquei encarando a tela do meu portátil, preocupada.
"Desculpem meninas. Estava falando com a Gemma".
"Aconteceu alguma coisa?" — perguntou.
"Harry está viajando e ela está há uma semana sem notícias."
"Ai meu Deus! Será que algo aconteceu?" perguntou.
"Pelo que Gemma explicou, ele precisava se desconectar. Ele tá bem meninas só Harry sendo Harry".
"Porque ela ligou pra vc? Não faz sentido". perguntou.
"Desespero". falou.
"Ela e Anne estão muito preocupadas.".
"Dá pra ver que sim. A ponto de te ligarem. Talvez tenha acontecido alguma coisa".
"Ele está bem". — foi a última mensagem que mandei antes de ligar para Harry.
A chamada caiu direto na caixa postal. Pensei em deixar um recado, mas o que eu diria? Desisti de fazer isso.
"Harry Edward liga pra sua mãe e Gemma com urgência. Elas estão morrendo de preocupação. Só querem saber se você está bem. Xoxo, ".
Deveria acrescentar que também estou ficando preocupada, mas não faria isso. Abri o meu portátil e comecei a trabalhar em alguns projetos que eu tinha pendentes.
Trabalho em um escritório de arquitetura aqui em Londres. Ser arquiteta sempre foi o meu sonho e minha paixão. Desde os meus nove anos que eu sabia exatamente o que queria, ser arquiteta.
Algo vibrando me desperta. Procuro pelo meu celular ainda de olhos fechados. Tentei fazer um esboço de um edifício e me senti sonolenta durante o processo. Cansada demais para levantar disse para mim mesma que levantaria em cinco minutos.
Deslizo os meus dedos e atendo a chamada sem olhar para ver de quem era o número.
— Alô. — digo, receosa.
— Ótimo, você atendeu. — há um suspiro de alívio do outro lado da linha.
— Com quem estou falando? — estou soando grogue. Não me importo, só quero voltar a dormir.Fechei os meus olhos e apoiei a minha cabeça contra a secretária.
— Harry. — abro os olhos violentamente.
— Styles? Harry Styles? — ainda há demasiado sono me impedindo de ficar cem por cento acordada. Estou passando na minha mente quantos Harry conheci na vida que poderiam estar me ligando de madrugada.
— Desculpa te acordar essa hora. — ele disse, brevemente.
— Uh! Você recebeu a minha mensagem. — começo por dizer. — Harry liga pra sua mãe e a Gemma, elas estão preocupadas.
. — ele dá uma pausa longa antes de voltar a falar. — Não tenho recebido mensagens nenhumas. Eu perdi o meu telefone no aeroporto e bem, só me lembro do seu número. — ele falou a última parte sem graça.
Me senti do mesmo jeito, sem graça devido a essa informação. Além disso, quem mais se lembra de algum número que seja? Eu só lembro da casa dos meus pais porque eles ainda usam um telefone fixo e é o mesmo de quando eu era apenas uma criança.
Limpei a garganta.
— No que posso ajudar, Harry? — perguntei.
— Você pode por favor avisar a minha mãe e a Gemma que estou bem? Perdi o meu celular no aeroporto.
— Você quer que eu avise o Jeff?
— Sim, por favor. Antes que ele não mande a Swat procurar por mim.
Ri.
— Claro. — achei estranho ele não ter mencionado a noiva, mas deixei pra lá.
— Acredito que o Jeff está quase fazendo isso.Rimos os dois e eu preciso dizer o quão estranho e familiar isso foi.
— Obrigada, .— Vou mandar também o contato dos três e você pode avisar a eles okay? Desse jeito eles ficam mais relaxados. — ele concordou.
— Harry…O silêncio no outro lado da linha me fez pensar que a chamada caiu. No entanto, olhei para a tela do meu celular e notei que ainda estávamos conectados.
— Está tudo bem? — ele falou tão rápido que foi impossível não notar o sotaque britânico fortíssimo.
— Sim. — suspiro. — Eu só… gostei das duas músicas. Só queria que você soubesse disso. Elas são lindas.
— Que músicas, ? — existe um misto de confusão em sua voz."Want you back e Still you". — o som que Harry lança é de desagrado.
— Como você pode ter ouvido essas músicas? — ele soou confuso, o que foi estranho.
— Harry, você lançou essas músicas nos últimos dois dias.— Eu não lancei nada, . Não era suposto serem lançadas. Minha equipe sabe disso, droga! Não acredito que isso está acontecendo. — ele começou por surtar.
— Já está feito, Harry. Não tem como retroceder. — digo, tentando amenizar as coisas. — Me informe tudo o que você sabe, por favor.
— No Spotify aparece que vai ser lançado o álbum todo. A próxima música é "Versions of you". — silêncio na linha é desesperador. Ainda assim consigo ouvir a respiração alta de Harry.
— Isso não pode estar acontecendo, Bloody hell — ele começa por xingar.
Ouvir o seu sotaque britânico me deixa arrepiada.
— Elas foram lançadas sem o seu consentimento? — preciso ter a sua confirmação.— Sim, , são todas músicas que escrevi no ano passado após terminamos e… — ele solta uma risada amarga. — Eu não ia lançar nenhuma delas apenas precisava escrevê-las de forma de seguir em frente.
Essa informação criou uma sensação no meu estômago. Preferia não focar no que algumas músicas poderiam ser sobre mim.
— Quem mais tem acesso a essas músicas? — perguntei.
Talvez desse jeito possamos impedir quem esteja às lançando.
— Ninguém. — ele admitiu.
— Seu celular! Você chegou a cancelar a conta? — ele pensa por alguns segundos e parece que a ficha finalmente cai.
— Não. — há um silêncio entre nós. Não deixo que se instale e as coisas se tornem constrangedoras.Sei que aquele celular continha a vida de Harry toda ou quase toda sem contar emails, mensagens e fotos.
— Eu preciso voltar para Nova Iorque o quanto antes. — começa por dizer.Começo para dizer o que as revistas, fãs e sites de fofoca estão dizendo. Li tudo pelo meu computador, é claro, mas foi uma sensação estranha.
. — ele começou por dizer. — Me desculpe.
— Porque você está me pedindo desculpas? A culpa não é sua. Harry está tudo bem.— Você não está entendendo. Essas músicas são sobre… — deixei de ouvir a voz de Harry e a linha caiu muda.
Quando olho para a tela do meu telefone notei que a chamada caiu.Eu teria ligado de volta se não fosse um número privado.
Harry me deixou com curiosidade sobre quem escreveu esse álbum. Talvez tenha sido sobre uma garota que ele conheceu após termos terminado.Fiz o que ele pediu e liguei para Gemma e antes para Anne. As duas ficaram aliviadas. Me perguntaram onde ele estava, coisa que não consegui responder. Em momento nenhum pensei em perguntar isso.
Liguei para Jeff e ele estava tão nervoso como o Harry. Se não mais.
Não.
Ele não faria isso.
Não quando ele prometeu, faria? Ele não escreveria canções sobre mim — nós — sendo que a nossa relação foi como um borrão vermelho em uma tela branca.
A pintura não terminada de um artista plástico.
Era isso que éramos.
Um capítulo nas nossas vidas. Não vou dizer o livro que não acabou de ser escrito porque seguimos em frente e essa metáfora significa que o livro teria que ser terminado pelo autor e a nossa história terminou há um ano.


Capítulo 2

Feels, Maren Morris
"Eu preciso de um minuto porque, garoto, você está me fazendo sentir coisas."

2018
Se alguém perguntasse qual é o meu dia da semana, preferido escolheria um dia aleatório. De longe, domingo é o meu dia favorito da semana. Existe algo mágico em estar de pijama, jogada na cama ou acordar tarde.
O combo perfeito era domingo e chuva. Melhor motivo que esse para ter uma desculpa para cancelar o "brunch" com as amigas, impossível.
Aquele domingo em especial estava um dia ensolarado e quente. Saí as pressas da estação Paddington em direção ao restaurante Daisy e May Green sem deixar de passar antes pela estátua azul de Paddington segurando o seu chapéu acima da sua cabeça. O restaurante era, na verdade, um barco que fica no canal perto da estação Paddington. O melhor é que o barco continuava parado e ninguém precisava sofrer com enjoos em alto mar.
Ele era todo colorido com azulejos coloridos de diversos padrões na parte inferior. Na parte superior havia um deck decorado com rosas espalhadas por todo ele dando um toque romântico aquele espaço.
As enormes janelas davam para a vista do canal. Caminhei entre as mesas acabando por tropeçar quando um garçom veio na minha direção. De forma a não cair acabei segurando fortemente nas mãos do homem sentado na mesa ao lado, seu toque era quente e macio.
Os nossos olhares se encontraram brevemente e agradeci mentalmente por não estar vendo os seus olhos escondidos por trás de um par de óculos escuros coloridos. No entanto, seus lábios estavam entreabertos denunciando o seu choque pelo ocorrido.
— Me desculpe. — larguei as suas mãos quentes e macias sentindo o meu rosto esquentar por tocado nele de um jeito tão íntimo. Antes que ele dissesse alguma coisa caminhei em direção a minha mesa sem olhar para atrás.
— Estás atrasada. — disse assim que me terminei de me sentar, a nossa mesa tinha a vista do canal.
— Perdi o trem das nove. — ela abanou a cabeça. — Vocês já fizeram os nossos pedidos?
assentiu.
Ela usava um vestido estilo Oxford azul-marinho e uma maquiagem leve que a deixava ainda mais linda, seus cabelos se encontravam curtíssimos como ela gostava. vivia dizendo que se sentia mais feminina daquele jeito.
Preciso dizer que aquele corte de cabelo — pixie cut. — realçava ainda mais a sua beleza já evidente.
— Acabei de passar vergonha mundial. Tropecei e entrelacei as minhas mãos com as de m estranho. Meu Deus! Você deveria ver a cara dele, quis me enterrar de tanta vergonha.
riu.
— Ele era bonito ao menos? — ela perguntou curiosa.
Revirei os meus olhos.
— Não deu para ver bem, mas ele pareceu ser atraente. — se mostrou mais interessada em ouvir sobre esse assunto que toquei acidentalmente e pediu que eu mostrasse quem ele era. Ela olhou discretamente e concordou que ele era atraente pela distância em que estávamos.
— A fila do banheiro está enorme. Parece que todas as mulheres decidiram ir ao banheiro. — reclamou se sentando ao lado de .
— A área do deck está cheíssima. Penso que está tendo um evento ou algo parecido. — comentei.
— Deve ser por isso que foi impossível conseguir mesa lá em cima. — disse, bebendo sua mimosa.
— Com esse sol melhor ficar aqui dentro. — disse.
O sol bateu sobre o meu rosto me fazendo olhar na direção oposta. Coloquei os meus óculos de sol e olhei para frente na mesma direção da mesa em que tropecei. Tive a impressão que estava sendo observada.
O homem das mãos macias e quentes.
Ele sorriu abertamente como se soubesse que eu também olhava na sua direção, meu coração deu um pulo como se me avisasse de algo que estava escapando aos meus olhos.
? Você me ouviu? — estalou os seus dedos compridos a frente do meu rosto. Quebrei o contacto visual com a leve impressão de que já havia visto o seu rosto em algum lado.
Simplesmente não conseguia colocar um nome ao rosto em questão.
— O quê? — não havia prestado atenção na conversa e não queria admitir que estava olhando para o homem da mesa perto da nossa.
— Ethan perguntou no grupo se vais à festa que ele está organizando. — disse.
— Sim. — respondi.
— Tenho certeza que ele ia te buscar em casa caso fosse necessário. — comentou nos fazendo rir.
Os nossos pedidos chegaram não fez muito tempo. Comemos conversando o tempo inteiro e quando o sol do meio-dia se tornou insuportável para suportarmos decidimos abandonar o Daisy e May Green, me dirigi ao caixa para fechar a conta enquanto e continuaram conversando sentadas.
— Deve ter ocorrido algum engano. — digo lentamente tentando me manter calma após ter repetido a mesma frase cinco vezes.
O restaurante que estava cheio era compressível eles cometerem um erro daqueles.
— Está tudo em ordem, senhora. — a garota no caixa me garantiu.
Não estava tudo em ordem. Se estivesse eu não estaria ali tentando fazer eles entenderem o erro deles.
— Poderias chamar o gerente, por favor? — sorri e a recepcionista soltou um suspiro pesado. Saiu a contra gosto e desapareceu do meu campo de visão.
Se estava sendo chato para ela estava sendo chato para mim. Era suposto eu estar já em um Uber a caminho de casa.
Ficar acordada falando a noite toda com Ethan enquanto eu trabalhava não havia sido uma ótima ideia.
Foi péssima.
Não ia repetir o mesmo erro.
— A senhora tem certeza que a sua mesa é o número 45? — levantei o meu olhar para o homem que substituiu a recepcionista.
— Sim. — dei um sorriso fraco na sua direção.
É claro que eu tinha certeza. Estava tão cheia após ter devorado o "brunch" como se fosse a última refeição que eu faria. Minha barriga estava tão evidente por trás do vestido, era impossível, negar comi mais do que deveria.
Além disso, quem não sabe que não consumiu suco verde? A ideia de pensar em tomar um me deixava enjoada. Eu não consigo tomar suco verde.
Simplesmente não entra.
— Vou confirmar com a mesa 54. — ele saiu sem esperar pela minha resposta. Continuei com o corpo apoiado sobre o enorme balcão da vasta cozinha. As várias janelas do barco deixavam as luzes entrarem no local e deixam o ar mais aconchegante.
Se eu fosse uma pessoa desonesta eu teria pagado a conta que me deram e sairia dali antes que alguém notasse aquele erro. Não faria isso, acredito em carma.
— Sinto muito o gerente não se encontra nas instalações. — soltei o ar devagar e assenti.
— Poderias nos dizer novamente o que consumiu? Acredito que possa haver algum erro aqui. — ela sorriu tentando não dizer que julgava que eu era a pessoa que estava cometendo o erro.
Eram eles.
— Foram três menus de "brunch" completo, três águas, dois chás, seis mimosas e uma jarra de suco de laranja. — precisava dizer tudo de forma que eles entendessem que eu definitivamente não havia consumido dois expressos e um suco verde.
— Aguarde um momento, por favor. — ela olhou para a tela do notebook a sua frente. — No nosso sistema aparece que a mesa em questão pertence a outro cliente.
— Que cliente? — perguntei impaciente.
— Lamento, mas não posso revelar informações sobre os nossos clientes. — coloquei o meu cabelo atrás da orelha como eu fazia quando ficava nervosa.
— Compreendo. — soltei o ar devagar e coloquei as minhas duas mãos tapando o rosto pensando em um jeito de sair daquela situação.
Meu olhar ficou preso no homem que caminhava conversando com a mesma pessoa que eu pedi que confirmasse com a mesa 54 se estava tudo certo com a conta deles.
Primeiro reparei que ele passou as mãos sobre o seu cabelo quando os nossos olhares se cruzaram. Ele estava sem o casaco creme que usava tempo antes, exibindo as suas tatuagens espalhadas pelo seu corpo.
Reconheci as tatuagens e o seu rosto após ele levantar os óculos escuros coloridos até o topo dos seus cachos.
Harry Styles.
Comecei a me sentir nervosa sem motivo aparente. Harry me encarou como se estivesse me estudando, lendo alguma parte de mim que fosse explicar o motivo pelo qual ele estava ali.
— Bom dia. — a voz dele invadiu o espaço em que estávamos, a recepcionista mudou a sua postura automaticamente.
— Bom dia. — respondi virando o meu corpo na sua direção. Retirei os óculos de sol exibindo a minha cara emburrada.
Ele sorriu quando os nossos olhares se encontraram. Dei um sorriso envergonhado por estar naquela situação, principalmente com ele.
— Como posso ajudá-lo, senhor? — não consegui captar nada do que ele falou. Eu estava demasiado ocupada tentando não surtar por dentro.
Era impossível não saber quem ele era. Seu rosto estava estampado sempre em alguma revista principalmente após o término da banda. Aliás, parecia que a sua fama aumentou drasticamente após o término de uma das boybands mais queridas do mundo. Suas músicas eram boas a ponto de tocar sempre nas rádios e eu ouvir de vez quando.~
Não consegui não olhar para ele durante muito tempo. Porque bem, era impossível não olhar quando ele estava tão perto de mim que eu conseguia sentir o seu perfume.
Ele cheira tão bem.
— Penso que colocaram todos os meus pedidos na tua mesa. — Harry comentou chamando a minha atenção pela primeira vez para si.
Estava olhando para o verniz das minhas unhas que começavam a descascar como se olhar para elas, fosse mais interessante do que encarar para o homem em questão.
— Ah! Meu Deus! Então não estou ficando louca? Eles realmente trocaram as nossas mesas? — perguntei aliviada, Harry riu e um sorriso cresceu no canto dos seus lábios.
— Você não está ficando louca. — sorri. — Não tentaste pagar a minha conta? — neguei, rindo em seguida.
— Não. Só estou tentando pagar a minha. — respondi.
Ele assentiu.
— Os números são muito parecidos é muito fácil baralhar. — ele sorriu.
Concordei.
— Pessoas fazem isso? Pagar as contas de estranhos. — ele pensou por alguns segundos antes de responder.
— Acredito que não aconteça regularmente. Talvez quando você quer fazer uma gentileza para a outra pessoa e tornar o dia delas melhor. — ele respondeu.
— Já aconteceu com você? — perguntei, curiosa.
Ele riu.
— É a primeira vez que alguém tenta pagar a minha conta. — senti as minhas bochechas esquentarem, o seu tom foi de brincadeira o que me fez rir por dentro.
— Na próxima eu pago. — Harry arqueou as sobrancelhas, limpei a garganta. — Uma gentileza para o próximo estranho, é claro.
Ele sorriu abertamente sem desviar os olhos dos meus, mordi os lábios nervosamente.
— Em que nome a sua reserva foi feita? — a recepcionista perguntou cravando o seu olhar ao meu. Me aproximei ficando perto de Harry Styles. Ele se virou para me encarar esperando que eu dissesse o meu nome como se quisesse saber quem sou.
Anders. — acredito que falei baixo demais porque Harry repetiu o meu nome para a recepcionista e trocamos um olhar seguido de um sorriso envergonhado por nos encontrarmos naquela situação.
Harry supôs que eu estava tentando pagar a sua conta. As fãs tentam fazer isso? Era compreensível que ele tentasse me impedir de pagar a conta por ele.
A ideia chegava a ser hilariante.
Seu corpo estava apoiado sobre o balcão e o seu olhar se prendia na minha direção vez ou outra. Acredito que ele estava olhando para a sua mesa de forma a ver os seus amigos.
— Porque tanta demora? — Harry virou a sua atenção na minha direção. Ele batia os seus dedos sobre o balcão seguindo um ritmo parecendo tão entediado quanto eu.
— Você está com pressa? — ele perguntou.
— Estou com sono. — ele riu do meu comentário.
Ele olhou para os lados e se inclinou na minha direção.
— Posso confessar algo? — ele perguntou inocentemente, assenti. — Também estou com sono.
— Estou sonhando com a minha cama esperando pelo meu lindo corpo. — soltei um suspiro, Harry sorriu.
— Sua cama parece incrível. — ele comentou, seus olhos verdes presos sob os meus.
Isso é uma coisa sobre ele que eu havia notado. Harry sempre te olha nos olhos quando você está falando como se toda a sua atenção estivesse presa a você.
Ele prestava atenção em você, como se fosses a única pessoa ao seu redor. Isso é algo muito atencioso dele, faz a pessoa em questão se sentir querida.
— Incrivelmente confortável. — sorrimos um para o outro, sorrisos contidos, como se estivéssemos nos imaginando nas nossas camas.
O silêncio se instalou entre nós. Voltei a minha atenção pelo barco procurando por detalhes que tenham me escapado.
Quando voltei a minha atenção no seu casaco, reparei que era idêntico da pessoa que eu me agarrei como se a minha vida dependesse disso, para não cair.
A única coisa que eu conseguia pensar era “aí meu Deus! Agarrei o Harry Styles sem dar por isso”.
Soltei um resmungo.
Harry me encarou por alguns segundos, sorri, mas, na verdade, eu quis me enterrar de tanta vergonha que estava sentindo.
Preferi ignorar que ele era o estranho que eu havia trocado alguns olhares antes.
— Me desculpe — falei.
Harry me encarou confuso pelas minhas palavras. Não sabia como abordar o assunto sem me sentir nervosa.
— Pelo quê? — sua voz saiu rouca, o que fez o meu coração saltitar de empolgação.
— Tropecei em você mais cedo. — me senti sem graça. Não conseguia olhar nos seus olhos de tanta vergonha.
Tentei não dizer' e agarrei as suas mãos como se a minha vida dependesse disso '.
Sou tão desastrada que arrancava sempre risadas de e onde quer que fossemos.
— Tudo bem. — ele deu de ombros. — Minha mão sobreviveu ao teu aperto firme. — ele fingiu uma expressão de dor em seu rosto. Dei uma risada e Harry apenas sorriu.
— Que vergonha!
A recepcionista limpou a garganta.
— Senhores houve um erro no nosso sistema. Lamentamos pelo incômodo. — a recepcionista sorriu na nossa direção.
— Já posso pagar a minha conta? — falei apressadamente.
— Como a conta do senhor, Styles se encontra aberta teremos que fechar primeiro a dele caso ele não for consumir mais nada.
— Harry. — ele a corrigiu gentilmente. — Você pode acrescentar uma garrafa de água e fechar a minha conta, por favor.
Meu celular começou a vibrar sobre o balcão. Era possível ver a foto em que estou sendo abraçada por Ethan pela cintura enquanto ele beija a minha bochecha.
Era uma foto típica de casal.
Harry prendeu a sua atenção para o aparelho vibrante e sorri na sua direção antes de avisar que precisaria atender a ligação.
— Oi! Tampinha. — Ethan falou animado.
— Alô! — havia me afastado o máximo para ter privacidade. Harry estava pagando a sua conta o que significava que iríamos seguir caminhos diferentes. — Aconteceu algo?
— Não sua boba. — ele riu. — Só estou confirmando se você vem essa noite.
— Tenho alguma escolha? — perguntei divertida. — É a tua festa de despedida Ethan, não perderia por nada nesse mundo.
— Desse jeito vou pensar que queres te livrar de mim. — ele disse.
— Não sejas idiota. — fiquei de costas para o balcão. — Não consigo me livrar de ti tão facilmente.
Ele gargalhou.
— Não mesmo, estarei aqui em um fechar de olhos. — ele comentou.
— Sei. — suspirei. — Preciso pagar a minha conta. Falamos mais tarde?
— Sim, vai lá. — ele desligou a chamada.
Quando me aproximei do balcão Harry já não se encontrava lá, tentei não ficar triste que não pude sequer me despedir.
— Voltei. Podemos fechar a minha conta? — perguntei.
Ela sorriu na minha direção como se soubesse de algo que eu não sabia.
— A sua conta já foi fechada. — ela sorriu.
— Como? — perguntei confusa.
— A sua conta foi paga pelo cliente da mesa 54. — ela sorriu novamente e imprimiu o comprovante.
Não sei como me sentir com essa informação.
— Obrigada. — sorri, conferindo a conta.
— Me desculpe novamente pelos transtornos.
— Acontece. — soltei uma risada e ela assentiu.
— Você não é fã dele, não é? — ela perguntou curiosa. Entendendo que eu havia de fato reconhecido Harry, mas não havia o tratado como se soubesse quem ele era. — Simplesmente pirei quando vi ele na minha frente.
Rimos.
— Gosto das músicas dele. — dei de ombros e ela me olhou curiosa. — Eu só não sabia como reagir.
— Meu Deus! Achei fosse desmaiar cada vez que ele olhava para mim. — ela riu, abanando a cabeça. — Você reagiu lindamente.
— Reagi? — perguntei.
— Se eu não soubesse que vocês acabaram de se conhecer diria que já se conheciam. — ela colocou os seus cabelos loiros atrás da orelha.
— Ah! Acredito que é uma mania minha. Trato todo mundo na maior intimidade.
Ela riu.
— Tchau! — pisquei os olhos na sua direção voltando para a minha mesa.
Os amigos de Harry também já haviam abandonado o local.
— Que demora! Julguei que alguém te raptou. — comentou quando me aproximei.
— Pagaste a conta? — fomos andando em direção a saída.
— Eles colocaram os nossos pedidos em outra mesa. Tive que esperar resolverem a situação, mas não paguei a conta.
— Não? — perguntou. — Porque estamos indo embora então? — ela parou de andar se voltando para mim.
— Porque o Harry Styles pagou a nossa conta.
— O quê? Não ouvi bem. — comentou.
— Harry Styles. — repeti.
— Mentira! — soltou um grito. — Como perdi isso?
— Porque vocês não queriam ir pagar a conta. — revirei os olhos.
— Em minha defesa você chegou tarde. — comentou.
— Nada mais justo do que tu pagares a conta pelo tempo que esperamos por ti. — disse.
— Vocês são chatas. — elas riram.e
Fiz um resumo de como  acabaram confundindo a nossa mesa com a mesa de Harry e dos seus amigos.
— Eles acharam mesmo que queríamos pagar a conta do Harry Styles? Nós não somos doidas. — disse, concordei.
— Não é? — ri. — Talvez um pouco, mas nada desse jeito.
— Isso tudo seria evitado se ouvissem quando você falou que a nossa mesa é a 45.
— Teria mesmo. — concordei.
— Não consigo acreditar que perdi a oportunidade de conhecer o Harry Styles. — falou emburrada.

Eu não vou surtar. Simplesmente não vou.
Repetir esse mantra para mim mesma é em vão. Estou surtando porque o meu carro decidiu quebrar no meio da rua. Estava quase escurecendo, ficar sozinha no meio da rua não era uma das melhores opções, mas era a única que eu tinha.
Decidi esperar pelo reboque  trancada dentro do carro e caso alguém aparecesse eu me sentiria mais segura.
Alguém bateu na janela do meu carro chamando a minha atenção. Baixei o vidro do carro olhando para a única pessoa que se dignou a parar para me ajudar.
— Precisas de ajuda? — as palavras saíram a voar dos seus lábios. Não conseguia ver o seu rosto porque estava escondido no capuz do seu moletom e a falta de luz não me ajudava porém ele conseguia me ver perfeitamente pelo lugar em que se encontrava.
— Meu carro quebrou. Estou esperando pelo reboque. — não estava propriamente olhando para ele.  — Obrigada. Foste a única pessoa preocupada o suficiente para parar.
, certo? — ele perguntou quando abri a porta do carro desistindo de ficar lá dentro.
Fechei a porta do carro reparando em seu rosto. Ele havia retirado o capuz mostrando o seu rosto.
— Certo. — digo sem graça pelo fato de que ele se lembrou do meu nome. — Você se lembra do meu nome?
Perguntei isso mesmo? Eu poderia ter dito qualquer coisa mais interessante.
— Sou bom com nomes. — ele sorriu, apesar de a minha pergunta ser boba.
— Oi! — balanço as minhas mãos em um aceno sem graça.
— Oi! — ele repete o aceno com um sorriso no canto dos lábios.
— Não deverias estar sozinha. Está a escurecer. — Harry olha para o céu e depois para mim.
— A assistência técnica está a caminho e depois eu pego um Uber. — ele me olhou por alguns segundos.
— Vou esperar com você.
— O quê? Não precisa! — ele  me olhou como se eu não tivesse voto na matéria, desisti de contraria-lo.
— Não me sentiria bem se a deixasse em uma rua deserta chamando por perigo.
Não disse nada fiquei encarando um homem que passou segurando o seu cachorro pela coleira.
— Obrigada. — digo.
— Pelo quê? — ele se virou para me encarar. Me senti nervosa porque isso acabou nos deixando mais próximos.
— Por ficares aqui comigo e pelo outro dia. — sorri.
— Foi um prazer. — arqueei as sobrancelhas.
— Sinto que estou estragando os teus planos. — Harry me olhou de um jeito que foi capaz de fazer o meu coração bater forte.
— Não estás. — ele respondeu apressadamente. Sorri na sua direção e voltei a olhar para a rua.
Estava tentando me manter sã e não olhar para ele da cabeça aos pés.
O carro do reboque parou perto de nós e eu me afastei de Harry, o homem abriu o capô e deu uma olhada de alguns minutos.
— Terei que levar o seu carro. Pelo que eu vi, vai demorar uma semana para consertar.
— Tudo bem. — digo, desanimada.
Seria uma semana acordando cedo para pegar o ônibus ou trem.
— Passe lá na oficina para conversarmos sobre o orçamento.
— Claro. — começou a cair uns pingos de água. O meu dia realmente não poderia terminar de um jeito pior.
— Vai chover. — Harry comentou quando me aproximei segurando a minha bolsa e os meus sapatos.
— Vou chamar o meu Uber antes que essa chuva piore.
Não era possível!
Minha bateria morreu logo no dia que mais preciso dela. Soltei um suspiro que pareceu mais um choro do que outra coisa.
— O quê foi? — ele perguntou preocupado.
— Desculpe. Estou tendo o pior dia da minha vida. Minha bateria morreu.
Ele  abriu um sorriso simpático.
— Podes chamar na minha casa. — olhei confusa para ele.
— Não. — respondi.
— A chuva vai piorar. Se ficares aqui vais acabar por ficar doente. Além disso, como vais chamar o Uber agora? — já estava escuro. Não tinha muitas opções a não ser aceitar a sua oferta.
— Não quero incomodar. — Harry abanou a cabeça.
— Vou dormir com o coração mais leve se souber que estás a salvo. — mordi os lábios com as suas palavras.
— Tudo bem. — Harry sorriu ao ver que eu desisti de bancar a teimosa. — Você mora aqui perto?
— Minha casa fica a algumas quadras. — ele olhou para trás. Eu me apoiava no poste tentando colocar os meus sapatos de volta. — Se apoia em mim, por favor.
Os nossos olhares se encontraram e sorri envergonhada. Ele sorriu de volta e me ajudou a colocar os meus sapatos.
Harry andou rápido demais para que eu conseguisse, acompanhá-lo de saltos.
— Você está andando muito rápido. As tuas pernas são longas e as minhas não. — ele riu se aproximando e se agachando. — O quê fazes?
— Te ajudando. — ele piscou os olhos e o meu coração bateu tão forte que prendi a respiração por alguns segundos.
— Obrigada. — Harry sorriu e me entregou os meus saltos.
A casa dele era perto do lugar em que o meu carro quebrou. Mal ele trancou a porta a chuva passou a cair com mais intensidade como se esperasse que chegássemos a sua casa.
— Não liga a desarrumação. Raramente fico aqui. — o seu apartamento continha o seu cheiro. A decoração era bonita e gritava Harry por todos os cantos. Estava mais organizada do que eu esperava.
— Gostei da tua casa. — larguei as minhas coisas na entrada e caminhei descalça pelo seu apartamento.
— Por favor se sinta em casa. — Harry disse após me encontrar segurando em uma planta de forma a ver se ela era real.
— A tua casa é aconchegante. — digo.
— Obrigado. Ela é a Heather e aquela é a Lily. — ele apontou para a outra planta no lado oposto que eu me encontrava.
— Elas são lindas. — digo. — Usaste os nomes que queres dar as tuas filhas?
Harry arqueou as sobrancelhas.
— Como sabes que esses são os nomes que quero dar as minhas filhas? — ele  me entregou um copo de água. Harry deu um gole no copo que ele segurava em suas mãos.
— Eu não sabia. Você acabou de me contar. — pisquei os meus olhos.
— Preciso ter cuidado com você. — ele falou brincando.
Gargalhei.
— Sou inofensiva. — Harry me olhou com uma expressão de' és mesmo', dei de ombros. — Preciso carregar o meu iPhone por alguns minutos. — balancei o aparelho na sua frente e ele se aproximou para pegá-lo.
Harry fez sinal para que eu o seguisse.
A sala de estar era espaçosa com enormes sofás e vários quadros nas paredes.
— Deverias avisar a alguém que estás aqui. Alguma amiga, família ou namorado. — ele se virou na minha direção.
— Não tenho namorado então vou avisar as minhas namoradas que estou bem.
— Namoradas? — ele perguntou curioso.
— Sim, elas são muito ciumentas. — ri, dando de ombros.
— Falas a sério? — ele arqueou as sobrancelhas. — Não consigo ler… — ele parou de falar quando soltei uma gargalhada.
— Elas são como minhas irmãs. Desde que os meus pais se mudaram para Nova York elas são a única família que tenho aqui.
— Sentes falta da tua família? — ele perguntou.
— Sim. — ele assentiu. — A pessoa se acostuma com a distância mas a saudade bate a porta sempre. Falo sempre com eles mas não é a mesma coisa que tê-los por  perto.
— Sei como é. — ele sorriu. — Tens fome?
— Sim.
Harry fez sinal para que eu seguisse ele.
A cozinha era ampla com armários brancos, uma ilha no meio da cozinha com bancos pretos e uma pequena mesa redonda de quatro lugares na lateral com uma jarra de flores no centro.
— A única coisa comestível que tenho são cupcakes de um lugar no centro. Eles fazem sabores diferentes não sei se vais gostar.
— Não sou esquisita.
— Tenho suco verde se quiseres. — fiz uma careta e Harry gargalhou.
— Obrigada, mas vou passar.
— Vou fazer chá. Pode ser? — assenti. — Algum sabor que gostas?
— Já estou a comer. — falei de boca cheia. — Iogurte e blueberry. Um dos meus favoritos da Flavourtown Bakery.
— Conheces o lugar? — Harry acendeu o lume e colocou a chaleira no fogão.
— A minha amiga é  confeiteira lá então sempre que eles testam uma receita nova ela me chama. Basicamente estou lá todos os dias. — dei de ombros.
— Um amigo me indicou o lugar. Eles têm muito sabores legais com opções sem glúten ou sem lactose. — ele disse. — Todos os dias? Nunca te vi por lá.
— Normalmente vou lá depois do expediente. — peguei um cupcake de manteiga de amendoim e maçã. — Você vai lá todos os dias?
Eu sabia que não, mas queria testá-lo.
— Não. — ele respondeu se aproximando com uma chávena de chá. Dei um gole sentindo o sabor de Earl Grey. Quase queimei a minha língua, Harry soprava o seu chá lentamente.
— Está aí o motivo pelo qual nunca me viste. — pisquei os olhos e ele riu.
— O que você faz da vida, ? — ele perguntou tentando esconder a sua curiosidade.
— Sou arquiteta. Trabalho em uma empresa aqui perto.
— Isso é legal. Então, você gosta de construir coisas?
— Ou destruir. — Harry se engasgou. — Estás bem?
— Estou. — ele tossiu.
— De certeza? — perguntei preocupada.
— Sim. — ele disse envergonhado.
— Beba água. Vou ligar para a minha amiga e chamar um Uber. — avisei.
— Fique a vontade. — me virei na sua direção sorrindo.
O meu celular já tinha carga suficiente para que eu chamasse um Uber. Harry se juntou a mim descalço e se jogando no sofá. Tentei chamar Uber, mas eles sempre acabavam cancelando e os táxis não estavam trabalhando. A chuva parecia aumentar de intensidade a cada minuto.
— Eles estão sempre cancelando. — digo.
Harry levantou o olhar do seu celular e me encarou.
— Isso é chato. — ele comentou. — A chuva não vai abrandar agora.
A ideia de estar lhe atrapalhando me deu um pânico. Harry pareceu estar notando isso porque ele tentou me assegurar que não tinha problema nenhum em eu estar em sua casaca.
— Deves ter milhares de coisas para fazer Harry, e eu aqui te atrapalhando. — ele sorriu por ouvir o seu nome.
Era a primeira vez que eu o tratava daquele jeito.
— Gosto de companhia, . — soltei um suspiro, abanando a cabeça.
— Odeio a ideia de ocupar o tempo de outras pessoas.
Harry abanou a cabeça.
— Acredite quando digo que não estaria fazendo nada. — ele me encarava com a cabeça pousada no sofá. — Podemos fazer algo juntos até o tempo melhorar e se não tiver nenhum Uber ou táxi disponível te levo em casa. O que te aparece?
— Tudo bem. — limpei a garganta.
— É sempre tão difícil te convencer de algo? — arfei com a sua pergunta que me pegou de surpresa. — Vou considerar isso como um sim. — ele completou.
— Não sou difícil de convencer. — Harry arqueou as sobrancelhas, revirei os olhos.
— Vou fingir que acredito nisso. — empurrei o seu ombro esquerdo e Harry me olhou atentamente. — Você pega intimidade bem rápido.
— Ah! Meu Deus! — gargalhei. — Deveria ter ficado na chuva.
— Você estaria encharcada agora. — não consegui decifrar o seu olhar, franzi as sobrancelhas pensando em alguma resposta sem muito sucesso.
— Vou ligar para a minha amiga . — Harry assentiu e voltou a atenção para o seu celular.
. — falei assim que ela atendeu após o quarto toque.
te liguei como uma doida. — ela disse preocupada.
— Por favor me diga que você não ligou para os meus pais. — ela riu do outro lado da linha.
— Não liguei. Relaxa. — deu um suspiro. — Agora me conta o que aconteceu.
— Meu carro quebrou antes da chuva começar a cair e alguém parou para me ajudar.
— Quem? — o seu tom de voz soou alerta.
— Harry. — dei uma pausa longa. — Estou na casa dele esperando a chuva passar.
 não podse ir para casa de estranhos sem avisar ninguém. Pelo amor de Deus! Não me mata do coração sou muito jovem para morrer. Me manda a localização da casa desse seu amigo.
— Você quer a localização? — olhei para o Harry em pânico, ele me olhou tentando se situar na conversa.
— Se algo acontecer mando a polícia em um instante. — ela se justificou.
— Não vai ser necessário. Harry é inofensivo.
— Não quero saber se ele tem 87 anos e usa fraldas. Já que você não quer me mandar a localização coloca ele no celular. — ela praticamente gritou.
Afastei o celular dos meus ouvidos.
— Ela quer falar com você. — olhei para Harry sem graça e passei o meu celular na sua direção. Ele pegou o aparelho sem pensar duas vezes.
— Oi, sou o Harry. — ele disse calmamente. Mordi os meus lábios esperando para que a conversa terminasse quanto antes. — Não vou magoá-la. Garanto.
Só queria me enterrar após a minha amiga estar dando bronca em Harry Styles.
— Me desculpa. — murmurei e Harry sorriu, fazendo um sinal para que eu relaxasse. A conversa se estendeu durante uns minutos, vi Harry andar pelo apartamento gesticulando a medida que falava.
? — ele me chamou devolvendo o celular. Respirei fundo colocando o aparelho na minha orelha.
. — digo com cuidado. — O que você falou para o Harry?
— Pergunta para ele. Não vou repetir, qualquer coisa me liga que aciono a polícia, se ele tentar algo dá um soco nele. Me ouviu?
— Ouvi. — abanei a cabeça. — Vou desligar agora.
— Tchau! — desliguei a chamada e olhei para Harry esperando que ele dissesse algo.
— Harry. — ele me olhou segurando uma risada. — O que ela te falou?
— Que se eu encostasse um dedo em você ela ia me castrar. — arregalei os olhos. — tapei o meu rosto com as mãos. Ele gargalhou. — Suas amigas são bem protetoras.
— Que vergonha!
— Acho legal que elas se preocupem, eu poderia ser um maníaco tentando conseguir uma vítima.
— Eu também poderia. — olhamos um para o outro e rimos.
— Que bom que estamos os dois salvos. — ele disse.
— Nunca vais esquecer das coisas que ela disse, não é? — perguntei.
Ele negou.
— Já ouvi muitas coisas, porém, ameaças é uma novidade. — ele riu e sua risada preencheu o apartamento todo.
— Estou me sentindo muito mal. — confessei.
— Não te sintas. Foi divertido.
— Levar bronca da amiga de uma pessoa que você acabou de conhecer?
— Essa é uma boa história para os meus amigos. — deu de ombros.
— Isso nunca aconteceu então nem pense nisso. — segurei uma risada.
Harry se afastou de mim, sentando mais distante. Olhei para ele confusa tentando entender o que ele estava fazendo.
falou que precisamos dar distância de dois braços. Não quero acordar de madrugada e descobrir que ela invadiu a minha casa.
— Você não vai parar de tirar uma onda com a minha cara tão cedo, não é? — perguntei.
— Não. — ele revelou. — Gostei da . Preciso conhecê-la.
— Mesmo depois que ela te ameaçou? — ele assentiu.
— Sim. —  ele olhou para o seu celular. — Vou um tomar banho, . Se sinta em casa. — ele apontou para o controle da TV. — Podes ligar a TV e ver algo ou colocar no Netflix.
— Tudo bem. — abri um sorriso e Harry saiu da sala em direção as escadas.
Suspirei e liguei a TV deixando em um canal de filmes sem prestar realmente atenção no que estava passando. Me distraí respondendo algumas mensagens no grupo garantindo que estava bem após alertar .
— Julguei que você dormiu. — Harry sorriu se aproximando usando uma t-shirt larga e calça de moletom colorida.
— Adormeci por alguns minutos. O teu sofá é confortável. — falei grogue e ele riu.
— Todo mundo fala isso. — ele não entrou em detalhes sobre quem falava e eu não seria a pessoa que ia perguntar. — Vou fazer o jantar.
— Queres ajuda? — perguntei.
— Não, você é minha convidada. — pisquei os olhos com as suas palavras me sentindo especial por alguns segundos.
— Ah! Não fala essas coisas que eu pego intimidade fácil. — Harry riu. — Vou te ajudar Harry, isso é indiscutível. — ele me olhou sem expressão nenhuma.
— Só vou fazer uma sopa, .
— Ótimo. — caminhei em direção a cozinha. Harry resmungou e me seguiu. — Vou lavar as mãos primeiro.
— Acabei de tomar banho, não será necessário. — olhei para ele com dúvida.
— O quê? Vem aqui lavar a mão. — ele riu e abanou a cabeça. — Harry!
— No que fui me meter meu Deus. — ele murmurou.
Ri por dentro.
— Eu consigo te ouvir.
— Nem posso reclamar que ela é tão  surtada que  ouve tudo. — revirei os olhos.
— Nós nem nos conhecemos direito e você já está reclamando desse jeito. — não foi uma pergunta, Harry sabia disso. Ele deu de ombros.
— Imagina se nos conhecêssemos. — nos entreolhamos por alguns segundos, eu lavando as suas mãos espalhando a espuma que formava bolas de sabão. Harry não desviou o seu  olhar do meu nem um segundo.
Engoli em seco.
— Toalha. — limpei a garganta. — Por favor.
Sacudi as mãos na pia antes de Harry limpá-las com todo o cuidado possível. Nem eu limpava com tanta delicadeza como ele.
— Não sou a única que pega intimidade fácil. — pisquei na sua direção. Harry abriu um sorriso contido e passou as mãos sobre o seu cabelo.
Ele estava nervoso?
— Você corta os legumes. Pode ser? — Harry abriu a geladeira e colocou um pedaço de abóbora sobre o balcão da cozinha. — Vou fazer uma sopa que a minha mãe me ensinou.
— Está bom. — procurei pelo conjunto de facas enquanto ele colocava a tábua da cozinha sobre o balcão.
— Então você gosta das minhas músicas? — ele  perguntou após eu começar a cortar a cebola. Eu estava praticamente lacrimejando.
Não adiantava dizer que eu não sabia quem ele era ou sequer fingir que nunca vi o seu rosto estampado em alguma revista. Eu não faria isso.
— Algumas. — revelei.
— Você me reconheceu logo de cara? — ele perguntou como se quisesse entender porque não surtei nem pedi uma foto ou sequer um autógrafo.
— Não te reconheci até você tirar os óculos na minha frente após confirmares que trocaram as nossas contas. — dei de ombros.
Harry assentiu digerindo as minhas palavras.
— Então, porque você não falou nada? — ele perguntou.
— O que eu poderia dizer? — perguntei rindo.
— Não sei. — ele riu. — Penso que estou acostumado a pessoas a me tratarem como se soubessem quem sou.
— Normalmente as pessoas sabem quem você é. — ele assentiu.
— Não me trataste desse jeito. — mordi os meus lábios e desviei o olhar das cebolas parando de cortar por alguns segundos. Tinha cebola suficiente para dois dias. Harry ia me matar quando visse a quantidade que cortei.
— Pensei que a situação já era suficientemente constrangedora. Você pensou que tentei pagar a tua conta, admitamos seria doido da minha parte, se eu surtasse ou te tratasse como todo mundo você teria certeza disso. — Harry mexeu a cabeça concordando comigo.
— Eu poderia ter tido o benefício da dúvida. — ele disse.
— Você teria? — ri.
Ele deu de ombros.
— Julgo que sim.
— Voltamos a nos encontrar hoje. Se eu te tratasse de forma diferente você teria aberto a porta da tua casa e me recebido como uma amiga? — perguntei. — Foi uma coincidência você ter parado para me ajudar, mas na sua cabeça você teria se perguntado se eu não estava te perseguindo ou algo parecido.
— Estás? — ele perguntou olhando fundo dos meus olhos. Sua pergunta acabou me machucando mais do que pensei que aconteceria.
— Não. — engoli em seco.
— Olha, , só estou sendo cauteloso. Você não faz ideia de quantas pessoas se aproximam de mim por benefício próprio.
— Não faço ideia Harry, mas eu não fiz isso, não me aproximo das pessoas por benefício próprio. Não uso as pessoas, sei o quão desumano isso é para a pessoa em questão e não gostaria de fazer alguém passar por isso. — larguei a faca na tábua e fui lavar as minhas mãos, meus olhos ardiam por conta da cebola picada.
Harry me seguiu pelo olhar.
— Desculpa. Estou simplesmente tentando entender se posso confiar em você.
Ele me deu um sorriso amarelo.
— Entendo. — digo séria. — Tome cuidado para não machucar outras pessoas desse jeito. Voto em autopreservação, mas tomando todo o cuidado possível para não magoar outros pelo caminho.
Harry mordeu os lábios e assentiu.
Havia uma expressão de culpa em seu rosto.
— Queres ir embora? — eu olhava para a porta pensando em voltar para casa e esquecer de como a minha noite acabou terminando do mesmo jeito que começou: um desastre.
— Quero. — falei sinceramente.
— Estou me sentindo pessimamente. — soltei um suspiro alto. — Estou profundamente arrependido. Me perdoe, .
— Tudo bem. — abri um sorriso fraco após pensar como eu reagiria se fosse o caso contrário.
Minha mãe sempre me falava que eu deveria pensar nos dois lados da moeda. Eu levava a minha vida daquele jeito, me colocando na pele da outra pessoa e tentando me sentir como ela para entender o seu lado.
Soltei um suspiro, assentindo.
— Me dá um abraço? — ele pediu de um jeito que não consegui negar. Mexi a cabeça e Harry me puxou para um abraço forte, repousando o rosto no meu ombro esquerdo.
— Estás a quebrar as ordens da . — Harry riu, me abraçando mais forte.
— Me entendo com ela depois. — suas mãos subiram e desceram pelas minhas costas.
— Harry. — chamei por ele segurando uma risada. — Podes me largar.
Ele riu e me largou com um sorriso em seus lábios.
— Já te falaram que você tem um abraço gostoso? — minhas bochechas esquentaram ouvindo as suas palavras.
— Ei, você gostou do meu abraço? — apoiei a minha cabeça na minha mão direita levantando as minhas sobrancelhas brincando.
Harry riu.
— O que é isso? Não, acredito que não. Pare com isso, . — gargalhei.
— Relaxa! Todo mundo fala isso. — falei sorrindo.
— Você sai por aí abraçando todo mundo? — ele perguntou.
— Meu defeito. — falei.
— Pensei que fosse pegar intimidade fácil e sua teimosia. — minha boca se abriu e fechou sem acreditar em suas palavras.
— Você também tem defeitos, Styles. Queres que eu comece por enumerar eles? — ele sabia que eu me referia a falta de confiança nas pessoas. Não poderia culpa-lo por isso, mas eu jogaria isso na sua cara.
— Não, obrigado. — apontei os meus dedos na sua direção.
— Boa escolha. — Harry sorriu mostrando os seus dentes.
— Minha vida é cheia delas. — tossi duas vezes.
— Convencido. — falei alto para que ele ouvisse.
— Você é terrível. — Harry empurrou os meus ombros lentamente.
Sorri na sua direção notando que apesar de Harry não estar sorrindo havia um brilho em seus olhos.
Harry terminou de preparar a sopa e comemos na sala de jantar com ele me interrogando mais do que outra coisa. Tentei chamar Uber novamente, a chuva ainda caía fortemente e todos os meus pedidos eram cancelados.
Ele colocou um filme no Netflix que ambos ainda não tínhamos assistido. No meio do filme notei que ele adormeceu, a chuva já havia diminuído.
— Harry. — dei um toque em seu ombro avisando que ia chamar um Uber e ir para casa.
— Hum… — ele soltou trocando de posição e deitando o seu corpo no sofá fechando os olhos.
— Estou indo para casa. — avisei.
— Deixa eu te levar. — ele murmurou de olhos fechados.
— Não precisa já chamei um Uber. Obrigada por tudo.
— Estou acordado, . — ele disse ainda de olhos fechados.
Meu celular piscou com uma notificação do Uber avisando que o motorista se encontrava do lado de fora me aguardando.
— Dorme. — falei começando a digitar uma mensagem para o Uber avisando que já ia sair. Arranquei uma folha de uma agenda e escrevi um bilhete para Harry.
“Obrigada pela hospitalidade. Te vejo por aí”.
Deixei o meu número rabiscado com o meu nome, abandonei o pedaço de papel em cima da mesa de centro. Observei ele dormir profundamente no sofá antes de fechar a porta e andar em direção ao Uber que me aguardava pacientemente.


Capítulo 3

 "Procurando algum tipo de significado, respostas em que posso acreditar. Algo agora que você não está por perto"
Love won't let me leave, Seafret


Vinte e cinco de maio de 2022 – Londres
Termino de fazer os rabiscos do edifício que estou trabalhando com Finn, além de arquiteto é ativista e paisagista, estamos tentando incorporar formas de criarmos lugares sem destruir e sim abraçar a natureza. 
Não estava conseguindo ter nenhuma inspiração. Minha mente estava longe e sim nas músicas que Harry Styles escreveu. Havia tantas perguntas em minha mente e nenhuma resposta plausível era boa o suficiente.
— Você está tão concentrada. — levanto o meu olhar na direção da voz que acabou com a minha concentração.
Sorrio na direção do homem parado sobre o batente do meu escritório e me levanto.
— Ethan! Quando você voltou? — ele solta uma risada contra o meu abraço apertado, ele me levanta do chão e beija a minha cabeça.
— Dois dias atrás. — arqueei as sobrancelhas. Não acreditando que ele não me deu notícias de que estava na cidade durante esse tempo todo.
— Porquê você não foi me ver?
— Você precisava descansar, . — ele deu de ombros.
— Não tente bancar essa de amigo preocupado para cima de mim. — dou uma  chapada em seus braços. Ele leva as mãos para a região e me lembro das suas palavras afirmando que tenho mão leve.
— Vim te pegar para almoçarmos. — há um pedido em seu olhar que me faz não negar o seu convite.
— Claro. Vou pegar o meu celular e a minha carteira. — pego os dois seguindo  em direção à saída do escritório.
Ele pegou nas minhas costas como sempre fazia. Questão de hábito, eu acho, porque quando se deu conta do que acabou de fazer retirou as suas mãos rapidamente.
— Vamos a um restaurante italiano. Estou com saudades de comer carboidratos.
— Não sei como você consegue sobreviver sem o que há do bom e do melhor. Sinceramente. — ele riu e apertou o botão chamando o elevador.
— Habituamos a viver sem as coisas que amamos mais rápido do que imaginamos. — seu olhar está preso sobre o meu.
Limpei a garganta.
— Meus pais adotaram um cachorro. — falei para quebrar um clima tenso que se instalou entre nós. Desbloqueei o meu celular e fui mostrando as fotos de Fire.
— Ele é muito fofo, . — ele disse, após ver a última foto e devolver o meu telefone.
— Engraçado que eles decidiram ter um cachorro agora sendo que passei a vida pedindo por um. — reclamei e Ethan riu.
— Eles sentem a tua falta. — assenti e o puxei para fora do elevador assim que a porta se abriu.
— Sentem tanto a minha falta que me substituíram por um cachorro. — debochei e ele riu.
— Como você é insuportável. — ele bagunçou o meu cabelo e falamos de como foram os meus dias visitando os meus pais.
Decidimos ir andando até o restaurante italiano que era apenas umas quadras do meu trabalho.
— Deixaste um dos teus cadernos no meu apartamento.
— Deixei? — tentei me lembrar em vão e Ethan revirou os olhos.
— Quantos cadernos  tens? — ele perguntou e comecei a contar pelos dedos fazendo Ethan rir.
— Cinco ou sete. — ele abanou a cabeça. — Juro que preciso desses todos para o trabalho.
— Sei, eu sei. Você não consegue fazer nada sem ser na mão primeiro. — assenti. — Isso não rouba muito tempo?
— Muito. — dou de ombros. — Mas, não consigo funcionar de outro jeito. É surreal.
Estou sempre rabiscando algo quando estou distraída desse jeito ando sempre com uma pequena agenda na minha bolsa.
— Vou te mandar de volta para o infantário.
— Idiota. — fiz uma careta e ele gargalhou.
Ethan abriu a porta e entramos no restaurante sendo recebidos por toda aquela atmosfera mais moderna.
— Boa tarde, sejam bem-vindos ao Villa di Geggiano. Como posso ajudar? — a recepcionista perguntou e Ethan se aproximou retirando os óculos escuros e sorrindo na direção dela.
— Temos uma reserva em nome de O'Brien. — a recepcionista sorriu na nossa direção e olhou no computador durante uns segundos.
— Venham comigo, por favor. — Ethan estendeu a sua mão na direção e peguei seguindo pelo restaurante.
— Obrigada. — nos agradecemos e ela sorriu nos entregando o cardápio.
Ela virou na nossa direção olhando para Ethan.
— Ela gostou de você. — desviei o olhar do cardápio para olhar para ele durante uns segundos. É claro que ele não havia percebido.
— Você pensa que todo está olhando para mim. — ele revirou os olhos.
— És muito bom a fingir que não chamas atenção, mas vejo mais além. Reconheço qualquer olhar e aquele foi“ te quero”.
Ethan riu e abanou a cabeça.
— Você vê coisas demais, . — ele abriu o cardápio e voltou a sua atenção ali.
— O que aconteceu com aquela garota de ChinaTown?  — perguntei.
— Não deu certo.
— Só isso? Não deu certo? — arqueei as sobrancelhas.
— Não vou te contar nada. — ele falou decidido.
Revirei os meus olhos.
— Tá!  — falei emburrada.
Não demorou muito tempo para a atendente voltar para pegar os nossos pedidos. Pedimos a sugestão do chef e conversamos durante toda a refeição, acabei por pedir por sobremesa e depois pedimos a conta.
Fomos andando até o meu escritório andando. Ethan me deu um abraço forte e disse que ligaria depois.
— Ah! Você chegou. — Finn abriu um sorriso aliviado e me seguiu até o meu escritório.
— O que você manda, Finn. — ele me olhou por alguns segundos e se sentou na poltrona livre de frente para mim.
— Estou ficando doido com o projeto do Smith. — ele confessou.
— Ia te mandar um e-mail com alguns arquivos de como ficou em 5D. Você quer ver agora?
— Sim, por favor. — ri e mexi no rato do computador da empresa abrindo o programa mostrando como o projeto estava ficando.
— Você está muito quieto, Finn. — ele olhava para tudo atentamente e aquele silêncio estava me matando. Smith não era um cliente fácil e gostava de tudo na maior perfeição foi por isso que o nosso chefe, George, nos escolheu para fazer esse projeto.
Decidimos dividir o projeto em dois: Finn ia tratar da construção e eu da projeção.
— Caramba! . Você fez tudo que ele pediu. — assenti.
Várias noites mal dormidas e muitos livros de arquitetura moderna e contemporânea sendo lidos todos os dias. O que ele esperava?
— Eu tentei. — dei de ombros e Finn deu um tapinha nos meus ombros.
— Vamos enviar logo esse projeto para o Smith e esperar que ele ame e se ele odiar, George que nos perdoe, mas ninguém vai conseguir concretizar as loucuras do Smith.
Rimos.
— E foi enviado. — suspirei aliviada como se tirasse um peso no peito.
— Me sinto mais leve. — ele abanou a cabeça e riu.
— George precisa parar de nos dar projetos impossíveis.
— Precisamos aprender o poder de dizer não. — ele me olhou durante uns segundos segurando uma risada.
— Gostamos de coisas impossíveis. — digo.  — Quando mais impossível… — comecei por dizer o dilema que usamos no trabalho.
— Melhor fica o projeto. — ele completou.
Finn se levantou para ir embora e ficou parado no batente da porta digitando no seu celular.
— Não abre agora. — ele piscou os seus olhos e acenou sem esperar pelo meu aceno de volta.
"Você é foda, ". — ri, abanando a cabeça, sem acreditar que essa era a pessoa que eu trabalhava todos os dias.
Continuei mexendo nas minhas mensagens respondendo mensagens dos meus pais e de alguns amigos quando vi a mensagem de Jeff.  Abri a caixa de mensagens e li a sua mensagem.
“Oi, . Como vai? Podemos nos encontrar hoje para tomar um café? Estou em Londres e preciso falar com você”. — Jeff Azoff.
“Claro. Tem um café perto do lugar que trabalho. Te mando o endereço e o horário”.
Quando o expediente terminou andei até o café da esquina, Jeff estava sentado em uma mesa afastada das demais ainda assim perto da janela. Ele se levantou assim que os nossos olhares se encontraram.
! Que bom que você veio. — ele me abraçou, sorriu após nos afastarmos.
— Como estás, Jeff? — perguntei reparando nas olheiras visíveis em seu rosto.
— Estou bem apesar de os últimos dias estarem sendo uma loucura. — ele passou as mãos pelo seu cabelo e soltou um suspiro.
— Vocês conseguiram falar com o Harry? — ele negou e olhou para a janela por alguns segundos. Tempo suficiente para a atendente aparecer com um café e um chá.
— Espero que não te importes, mas eu pedi por ti. — neguei e dei um gole no chá.
— Localizamos o celular do Harry, . — assenti e ele bateu as pontas do seu dedo na mesa. — Apenas a última localização. A pessoa que tem o celular desligou a localização. Ele não comentou nada sobre o lugar em que ele está? Hotel ou deixou um número para ligares?
— A chamada caiu antes que ele pudesse dizer algo. — sorri fraco.
— Vou embarcar para a Grécia amanhã. — me engasguei com o chá molhando o meu blazer preto. Jeff me olhou preocupado. — Estás bem?
Assenti.
— Não esperava que ele fosse para a Grécia. — comentei confusa e Jeff me olhou do mesmo jeito.
Grécia era o lugar que íamos passar as nossas férias antes de terminarmos. Eu estava com a mania que precisava conhecer algumas ilhas como Santorini e Harry acabou topando, mas quando terminamos apesar de a passagem estar comprada e ter tudo pago acabei não indo. Não queria ir e me encontrar com ele no hotel ou em qualquer lugar para ser mais exata.
— Ele comentou com você mais algo? — Jeff perguntou, curioso.
— Todavia não era ele quem estava lançando as músicas. Ele pensa em voltar mais cedo para NY. — Jeff assentiu e passou a mão na nuca.
— Sim, , é a pessoa que tem o celular dele que andou lançando as músicas. — Jeff sussurrou. — Harry não queria que essas músicas fossem lançadas. Ele compôs e gravou, mas foi acordado que jamais faríamos o que está acontecendo.
— Não tem como impedir as músicas de serem lançadas? — perguntei.
— Não sei. — Jeff disse incerto.
— Vocês vão achar um jeito. — ele abriu um sorriso fraco, mas seus olhos diziam que ele não acreditava nas minhas palavras.
Desde que conheci Jeff Azoff ele sempre teve respostas e soluções para tudo. A parceria entre eles é tão boa que não imaginava outra pessoa cuidando da carreira de Harry.
, eu sei que você deve estar se perguntando sobre quem essas músicas possam ser. — concordei. — A única coisa que posso dizer é que você precisa conversar com o Harry sobre esse assunto.
Antes que eu pudesse dizer algo ele olhou para um ponto a sua frente arqueando as sobrancelhas.
— Jeff! — virei o meu corpo na direção da voz vendo Olivia, a namorada de Harry, caminhar na nossa direção com uma expressão preocupada. Ela era ainda mais bonita, alta e graciosa pessoalmente.
— Olivia! Você veio mais cedo. — ele a abraçou e ela se sentou no lugar livre ao meu lado.
— Não estou conseguindo ficar sem notícias dele.
— Olívia, essa é a . Foi com ela que o Harry falou. — ela virou me encarando pela primeira vez como se só notasse a minha presença pela primeira vez.
— Ah! Oi, . É um prazer finalmente te conhecer. — ela sorriu na minha direção e não consegui distinguir se o seu sorriso era falso ou não.
— O prazer é todo meu, Olivia. — sorri.
Senti o seu olhar pesando na minha direção e olhei para Jeff sem graça.
— Como ele está, ? — ela perguntou, preocupada e ansiosa por ouvir uma resposta.
— Ele está bem só parecia assustado com as últimas notícias. — Olivia assentiu e soltou um suspiro aliviado.
Olhei para o relógio no meu pulso e sorri fraco na direção de Jeff.
— Eu preciso ir, Jeff. — me levanto pegando nas minhas coisas e ele se levanta  para me abraçar.
— Ah! Claro. Se o Harry te ligar me avise por favor. — Jeff pediu.
— Eu não acredito que ele vai ligar. Se isso acontecer eu te aviso.
— Tchau! . — Olivia disse, acenando na minha direção.
— Tchau! — digo, antes de me virar e sair do restaurante com a sensação de que havia sido o encontro mais estranho de sempre.
Deixo as vozes dos dois se misturarem no café e não olho para trás.
Quando estacionei estava no hall de entrada sentada mexendo em seu celular, ela se levantou quando passei por ela a chamando e subimos até o meu apartamento.
— Foi estranho como se ela já soubesse tudo sobre mim. — digo.
— Harry deve ter comentado algo sobre você. — deu de ombros e abriu a geladeira para pegar uma garrafa de água.
— É! Deve ser isso. — sorri fraco, abanando a cabeça. — Posso jurar que ela ficou me estudando.
— Você é a ex dele. É bem normal. — ela riu. — Vai me dizer que você nunca deu uma espiada sobre ela.
Ri.
— Ah! Quando eles começaram a namorar? Acho precisar de ver com quem ele estava. — digo e ela assente. — Na verdade, foi mais para ver se ela era mais bonita do que eu. — confessei.
me olhou estranho.
— Você não viu os stories dela, não é? — nos entreolhamos e gargalhamos.
— Claro que não. Não sou boba. — retirei o blazer e os tênis e peguei em meu celular para pedir comida em algum aplicativo. — Vou pedir comida para nós.
— Pode ser ‘sushi’ dessa vez? — ela pediu com um sorriso em seus lábios e a mesma expressão que eu não conseguia negar nada.
— Sim. — ela gargalhou e voltou a mexer em seu celular e o jogou no sofá.
— Ele falou com todas as letras que o único número que ele conseguiu lembrar foi o teu?
me olhou com um sorriso e eu já sabia que ela iria me atirar com uma das suas teorias.
— Sim.
— Penso que ele pensou milhares de vezes antes de ligar para você. Tipo um último recurso.
Nós não nos falávamos há uns meses era estranho que ele ainda se lembra do meu número.
— Acho o mesmo. — pegou o meu celular das minhas mãos e se virou na minha direção.
— Vamos ver se você se lembra do número dele. — abanei a cabeça me negando a passar por esse jogo. — Começo com os primeiros números e você termina.
Olhei para ela pedindo por favor, não.
, não.
— Ah! , por favor. — ela riu. — Desse jeito podemos ver se ainda existe algum pedaço teu que ainda gosta dele.
Ela me olhou sugestivamente e eu soltei o ar devagar. Ela começou por dizer o código e eu terminei o número que eu acreditava que me lembrava.
— Agora que falei o número errado. Podes por favor me devolver o meu celular? — pedi e ela me entregou o meu celular.
, você acertou todos os números. — ela disse, sem graça.
Engoli em seco e bloqueei o meu telefone deixando esse assunto para lá.
— Eu também sei o seu, o dos meus pais e a de cor. Vocês são as pessoas que eu mais ligo. — falei para queimar aquela sensação pesada em meu peito deixando aquela bolha se evaporar.
— Não consigo gravar o sua amiga. O meu e da são parecidos então é mais fácil memorizar. — revirei os olhos não acreditando que ela não conseguia memorizar o meu número.
— Que bela amiga essa que fui arranjar. — falei brava. atirou uma almofada na minha direção.
— Sua besta. — atirou uma almofada na minha direção.
O interfone tocou e atendi avisando que eu ia descer para pegar o meu pedido. Quando abri a porta do meu quarto para pegar um chinelo, meu celular começou a tocar.
, atende por favor. — pedi.
— É um número estranho. — ela me avisou e atendeu mesmo assim.
Calcei rápido e gradualmente sua voz foi soando mais perto. Assim que saí do meu quarto me entregou o celular.
— Vou pegar a nossa comida. — ela piscou os olhos e saiu me deixando sozinha segurando o celular, confusa.
— Alô. — digo, incerta.
Não reconheci o código e o número não era privado.
- Oi, . — mordi a parte interna da minha bochecha. — Estavas a  espera que fosse outra pessoa? — ele perguntou divertido.
— Um, cara alto, lindo de morrer e gente fina. — falei brincando.
— Você acabou de me descrever. — revirei os olhos.
— Claro que não, como estás? — perguntei, curiosa.
— Estou bem. — soltei um suspiro aliviado ao ouvir suas palavras.
— Estás em Santorini, Atenas ou Míconos?
— Como sabes que estou na Grécia? — ele perguntou.
— Estive com o Jeff e ele me contou que a tua última localização foi Grécia. — Harry soltou uma risada.
— Aquele linguarudo! — soltei uma risada. — Vai me conta, qual ilha você acredita que estou.
— Não sei, H. — digo, o seu apelido e me arrependo no mesmo segundo. — Você iria pelo menos óbvio e um lugar mais calmo. Algo como Hidra, Paros ou Escíato.
Ele riu.
— Nunca vou me acostumar com que consegues me ler tão fácil. — eu conseguia imaginar ele revirando os olhos assim como o sorriso que tenho a certeza que está em seus lábios.
— Qual é? — perguntei, impaciente.
— Estou em Thera fica na ilha de Santorini e tem muitos lugares lindos. Você ia amar esse lugar.
Sorri.
— Imagino. — digo, andando até a sala. Me sentei no sofá esperando voltar. — Harry.
Encarei os meus pés pensando em como trazer esse assunto para a mesa.
— O que foi, ? — ele perguntou, preocupado.
— Você deveria ligar para o Jeff e para Olivia. — houve um silêncio incômodo do outro lado da linha. — Ela está desesperada, por assim dizer.
Ele não disse nada por alguns segundos.
— É, você tem razão. — ele começou por dizer. — Vou ligar para eles. Até mais, .
— Harry espera… — digo em vão. Ele já havia terminado a chamada.
Joguei o meu celular no sofá e liguei a TV. entrou uns minutos depois com um sorriso.
— Vocês já terminaram de falar? — ela disse, surpresa. — Ei, que cara é essa?
— Nada. — soltei um suspiro triste.
Ajudei pegando uns pratos e copos e levei tudo para a mesa. Eu estava quieta e estava me contando sobre o seu dia o máximo que eu conseguia fazer era assentir e fazer uns comentários pequenos.
— Fala logo. — implorou.
— Está tudo bem. — dei um gole no chá gelado de pêssego e ela me olhou com uma expressão de “desembucha logo”.
— O que vocês falaram? — ela perguntou, preocupada.
— Não foi nada de mais. Foi mais sobre a viagem. — ela assentiu de forma que eu continuasse a explicar o sucedido. — Entretanto falei da Olivia e o clima mudou.
Ela me encarou sem alguma expressão em seu rosto.
— O que você disse concretamente?
— Que ele deveria ligar para ela. — tapei o meu rosto com a almofada me amaldiçoando em seguida. — Fiz algo de errado?  Estávamos conversando e me lembrou um pouco de quando estávamos juntos. Me lembrei que eu não deveria estar me sentindo desse jeito.
Engoli em seco.
— Você ainda gosta dele. — ela sorriu fraco apertando as minhas mãos.
— O problema é que não sei como me sinto nem como me sentir. Eu só sei que essas músicas estão mexendo comigo. Fico me perguntando é sobre mim? Isso significa que ele ainda sente algo? Se não for porque me sinto triste com a possibilidade que ele não escreveu nenhuma dessas canções sobre mim. Sobre nós.
abriu um sorriso fraco.
— Você tem todo o direito de se sentir desse jeito. — solto o ar devagar olhando para o teto ignorando a dor em  meu peito.
Preciso convencer o meu coração de que se passou um ano, que ele está feliz e por mais que ele tenha sido importante para mim não fomos feitos um para o outro.
— Só não posso me dar a esse luxo. — ela ficou em silêncio durante uns segundos.
— Vamos fazer assim. Você vai desativar suas redes sociais e vai ficar longe do  que possa te levar ao Harry e  nada de ouvir as músicas que estão sendo lançadas. Temos um trato?
De repente a ideia de me afastar de tudo e esquecer as músicas que andavam a mexer com a minha cabeça e bagunçar o meu coração pareceu perfeita.
Abri um sorriso e assenti.
— Já falei que te amo? — abanou a cabeça, negando.
— Não. — enchi a sua bochecha de beijos ouvindo os seus resmungos na minha direção.

Passei a noite revisando alguns projetos o que fez com que eu dormisse mais tarde. Acordei tarde e fui correndo para o trabalho. Fui obrigada a ir dirigindo para chegar mais rápido.
— Estou muito atrasada. — choraminguei assim que Ethan me ligou.
— Sei, estou no seu escritório e nada e você aqui.
— Chego em  10 minutos. — foco a minha atenção na estrada por uns segundos visto que eu estava entrando em uma rua. — Ethan, faz um favor para mim, compra um descafeinado para mim e um bagel.
— Você não muda nunca. — ele resmungou me fazendo rir.
— Por favor, por favor. Ethan. — ele solta um suspiro no outro lado da linha.
— Tá!  — ele finalmente aceita. — Vou cobrar esse favor e garanto que você não vai gostar que tenho a pedir.
— Faço qualquer coisa. — digo.
— Ótimo. Te vejo daqui a pouco.
Quando saio do estacionamento Ethan está me esperando, usando um casaco preto e segurando o meu café e com uma sacola marrom nas suas mãos?
— Você é um anjo. — beijo a sua bochecha e ele dá um abraço de lado.
— Você é um demônio na minha vida.
— Ethan O’Brien. — grito o seu nome e ele semicerra os olhos na minha direção.
Gargalhei tanto que a minha barriga começou a doer.
— Como você consegue chegar atrasada todas as manhãs? — ele pergunta. — Você mora no centro de Londres.
— Acordei tarde. — digo e dou uma dentada do bagel de cream cheese e presunto, parma.
George está parado perto do elevador e quando saio com Ethan sob o meu encalce os nossos olhares se encontram.
! Estava te procurando. — quase cuspi o restante do bagel.
Finn estava ao lado dele e pude ver os seus lábios se movendo“ porque estás atrasada”.
Movi de volta “o mesmo de sempre”. Ele revirou os olhos.
— Estou aqui, senhor. — George pede algo para Margareth, a recepcionista, e faz sinal para que sigamos ele para o seu escritório.
Olho para trás procurando Ethan, mas vejo que ele já havia ido para o meu escritório.
Folgado.
— Sentem-se. — George apontou para às duas poltronas de couro e nos sentamos.
Finn e eu olhamos um para o outro e sem mover os lábios, fomos fazendo perguntas sobre o que se devia aquela reunião relâmpago. — Chamei vocês aqui devido ao projeto Smith. Ele ligou para mim ontem a noite.
Finn e eu nos entreolhamos receando que aquele era o nosso fim. Smith odiou o nosso projeto e George estava decepcionado conosco.
— Senhor com todo o devido respeito, temos trabalhado dia e noite para tornar esse projeto viável. mal tem dormido e senhor olha para essas olheiras. — Finn apontou na minha direção.
— Tem sido difícil. — apoiei o discurso de Finn.
— Por favor, senhor, fale logo que ele odiou o projeto para que possamos seguir em paz.
George nos olhou por alguns segundos e desatou a rir.
— Vocês julgaram que Smith odiou o projeto? — ele abanou a cabeça.
— Sim. — dissemos em uníssono.
— Ele ficou fascinado como vocês conseguiram colocar em prática as ideias excêntricas dele.
— Isso significa que ele amou? — perguntei. Eu precisava ouvir aquelas palavras vindas de George afirmando que Smith — o cliente mais teimoso, cabeça dura e difícil de agradar — gostou por um projeto que eu e Finn estávamos trabalhando como dois condenados.
Finn apertou os meus ombros.
— Ele de fato amou. — soltei um grito de felicidade e pulei da cadeira com Finn.
Abraçamos felizes por (terminado) a fase um do projeto impossível.
— O nosso projeto está massa. — assenti e virei o meu corpo na direção de George que ria dos nossos escândalos.
— Vocês merecem uns dias de folga após tanto trabalho. — Finn mexeu no meu cabelo.
— Não tem coisa que eu mais queira no momento. — George gargalhou. — Não sei mais o que é dormir.
— Suponho que te peguei cochilando durante a reunião da semana passada. — Finn comenta, semicerrei os olhos na direção de Finn.
— Relaxa, , todos nós vimos. Só espero que isso não se repita. — ele pede.
Assenti.
George nos dispensa e saímos do seu escritório mais relaxados do que entramos. Finn e eu nos despedimos um do outro e vou até o meu escritório encontrando Ethan sentando em uma das poltronas livre.
— Como foi? — ele pergunta sem largar o seu celular. Ethan estava com a uma  expressão de concentração estampada em seu rosto.
— O projeto Smith foi aprovado. — sorri e ele sorriu de volta. — E adivinha quem ganhou uns dias de férias? Eu.
— Essas férias são bem merecidas. — ele sorriu. 
— O que foi? — perguntei.
— Vou ter que voltar mais cedo para New York. — ele falou triste.
— Vou te ligar sempre que puder. Vou encher sua caixa cheias de mensagens. — Ethan beijou a minha testa. — Vou continuar te aborrecendo.
— Sua insuportável. — ele murmurou contra a minha testa e o abracei pela cintura.
— Falou a pessoa que saiu de Nova York para me aborrecer. — ele riu.
Ethan e eu nos despedimos e voltei a minha atenção para um projeto antigo que eu precisava revisar. Me perdi durante horas editando coisas que nem notei quando o horário do almoço chegou.
— Ótimo você também não foi almoçar. — Finn colocou a cabeça no escritório e levantou uma sacola de um restaurante na minha direção.
— Eu te mereço. — sorri esticando as minhas mãos para pegar a sanduíche que ele havia comprado e o suco.
— Podemos falar  sobre a fase número dois do projeto antes das merecidas férias. — rimos.
— Espera!  Preciso apontar tudo. — peguei um caderno que eu usava para ideias do trabalho e rabisquei Smith em ponto grande.
— Pensei em irmos dar mais uma olhada no lugar ainda essa semana e adiantar a licença para começarmos a fase dois o mais rápido possível. — ele deu uma risada fraca.
— Você quer dizer antes que Smith não invente outra maluquice? — dei uma risada.
— Isso.
— Concordo. — Finn suspirou aliviado.
— Vou mandar um e-mail para a equipe de sempre. Isso me lembra você vai querer trabalhar com o meu irmão como sempre? — parei de anotar o que estava fazendo e senti as minhas bochechas queimarem.
Não era segredo nenhum que eu tinha um crush pelo gêmeo de Finn, o Jack Harries. Você pode pesquisar no Google além de inteligente, ele é lindo.
Harry vivia tirando uma onda com a minha cara de tanta vergonha que já passei graças a esse crush nem tão inofensivo.
— Aham. — Finn soltou uma risada. — Ah, qual é! Pare com esses sorrisinhos.
Finn levantou as mãos em sinal de redenção e revirei os olhos.
— Além disso, tens mais algum ponto importante? — ele perguntou.
— Precisamos de um novo engenheiro civil. Félix me tira do sério pela falta de empenho dele. — terminei de apontar e fechei a agenda.
, você precisa despedir ele. — Finn me pediu pelo olhar.
Ele não conseguia despedir ninguém e sempre sobrava para eu dar bronca no pessoal ou despedir alguém quando a pessoa não estava seguindo os nossos requisitos.
— Finn, eu não posso ser a única má da fita.
— Só não consigo olhar na cara da pessoa e dizer que não vamos mais precisar dos seus serviços. — abano a cabeça e ele solta uma risada. — Você é impiedosa. Fico com medo do que vou ouvir se fizer alguma borrada.
Revirei os olhos.
— Se eu não puxar no pé do pessoal, as nossas obras nunca vão acabar no tempo devido, atrasos geram mais despesas e isso deixa o cliente infeliz.
— E cliente infeliz é um cliente que não volta mais. — ele suspirou e eu pisquei os olhos na direção dele. — Você tem razão, . Vou tentar ser mais firme.
Comemos as nossas sanduíches e terminamos de acertar mais alguns detalhes.
Abandonei o escritório mais cedo decidindo que teria a noite de sono que preciso a alguns dias. Assim que entrei no elevador havia uma garota mexendo no seu celular nos olhamos quando noa  saudamos,  ela voltou a prestar atenção no celular. Segundos depois a voz de Harry começou a soar por todo o elevador.
And when I'm looking at her
(E quando estou olhando para ela )
I want to shout that you're the one I want
(Quero gritar que é você quem quero)
I search you in her eyes and I remember she will never be you
(Eu te procuro nos olhos dela e me lembro que ela jamais será você )
No one will ever have me like you had me
(Ninguém jamais me terá como você me teve)
I was made for you
(Fui feito para você )

Não há como fugir.
As músicas estavam sendo ouvidas em todos os cantos. Todas as rádios estavam passando todas as músicas que já haviam sido lançadas e parecia ser carma de uma vida passada ou algo muito ruim que eu havia feito nessa vida. 
Todas as revistas sempre falavam sobre as músicas e especulavam  sobre quem poderia ser ex-namorada que inspirou Harry a escrever músicas tão profundas que falam sobre que ele ainda a ama.
Ele estava escrevendo músicas demostrando que nem ele consegue superar a ex tão fácil.
Demostrando que está sofrendo do mesmo jeito que muitos de nós já sofremos e outros estão sofrendo. Mostrando que amar dói e nem sempre amor é suficiente para duas pessoas ficarem juntas.
Todas as matérias terminavam do mesmo jeito: quero ser a garota que conquistou Harry Styles e o inspirou.



Capítulo 4

"Você está presa comigo então eu acho que vou ficar com você"
Stuck with me, The NBHD

2018
Encontrar um lugar para estacionar no centro de Londres é uma grande dor de cabeça. O homem que tentou estacionar o carro no mesmo espaço que eu, soltou vários palavrões quando me viu sair do carro. Corri acenando na direção contrária como se ele fosse um velho amigo.
Harry me ligou dois dias após o nosso encontro e me chamou para irmos tomar um café. Eu sendo mais enrolada do que ele, acabei cancelando aquela tentativa. Ele brincou que se ele, um cantor internacional, conseguia me encaixar na agenda dele. Eu deveria fazer o mesmo.
Nós encontramos durante uma semana inteira fosse para tomar um café antes do trabalho, um chá das cinco, um almoço rápido e até um jantar. Os lugares escolhidos eram sempre  pontos de Londres que nos dariam oportunidade de conversamos calmamente e nos conhecermos melhor.
Styles teve que ir para Nova York durante uns dias e sempre me mandava mensagens aleatórias sobre fatos históricos ou sobre a arquitetura de algum lugar que ele pisava com a foto para que eu contemplasse a obra de arte.
Duas semanas nos falando direito por mensagens e algumas chamadas de voz em que falávamos sobre tudo e nada como se fossemos velhos amigos.
— Harry.
Ele estava parado em frente a Flavourtown Bakery abraçando o seu corpo. Está muito frio e nem o casaco que estou usando parece fazer o devido trabalho.
— Desculpa a demora. Foi difícil achar lugar para estacionar. — Harry arqueou as sobrancelhas.
— Tem um estacionamento na esquina. — ele revelou.
— Nem morta eu vou pagar seis libras por hora em um estacionamento, esse é o preço de um cupcake, com mais três libras consigo comprar dois cupcakes. — Harry riu.
— Então, não reclama. — revirei os meus olhos.
— Não tens frio? — perguntei assim que os nossos olhares se encontraram.
— Está muito quente em L.A. — ele comentou se aproximando e me abraçando. — Oi.
— Oi. — consegui dizer após me recuperar do abraço e do impacto que o seu perfume causou em mim. Já havia me esquecido que ele cheirava tão bem.
Um cheiro que lembrava noites de verão.
— Temos que entrar pelos fundos. — digo.
— Porquê? — ele pergunta olhando para a placa "fechado" colocada sobre a porta.
— Porque o expediente já terminou então tecnicamente estão fechados. — Harry abana a cabeça. Uni as nossas mãos e o puxei na direção da porta dos fundos.
. — o jeito como ele disse o meu nome fez com que eu travasse e me virasse na sua direção. — Disseste as tuas amigas que sou eu, Harry, vindo?
— Estás com medo? — perguntei.
— De conhecer os teus amigos? — ele perguntou, assenti. — Um pouco.
— Os meus amigos não mordem. Não te preocupes, avisei que venho com o meu amigo Harry. — digo, escondendo um sorriso em meus lábios.
Foram essas as exatas palavras que usei para avisar as meninas. Seria ótimo poder ver as expressões e as reações de cada uma.
— Isso não responde a minha pergunta. — sua voz sai abafada.
Virei a maçaneta da porta entrando sendo invadida pelo cheiro de biscoitos assados no ar. Era tão convidativo que o meu estômago deu pulinhos de animação. não estava por perto o que significava que ela estava dando uma olhada no inventário como ela sempre fazia no final do expediente.
— Cheguei! — gritei assim que pisei os meus pés na cozinha.
Não obtive nenhuma resposta de volta. Ao meu lado, Harry olhava para cada canto com curiosidade.
— Já venho. — a voz de sai abafada pela distância.
— Vou ao banheiro.
Antes que Harry diga alguma coisa me tranco no banheiro. Consigo ouvir quando entra na cozinha chamando por mim e sua voz para no meio da frase. Isso quase faz com que faça xixi nas cuecas. Estou rindo tanto que sinto que vou ao inferno.
— Me desculpe nós já estamos fechados. — disse após se recuperar do seu grito estridente, como se tivesse visto um fantasma.
— Eu sei. — Harry disse. — Eu sou o Harry, prazer. Sou amigo da .
. — ela disse. — O prazer é meu.
Mordo os meus lábios enquanto lavo as minhas mãos e saio do banheiro a tempo de ver ele se virar e me lançar um olhar capaz de me matar.
— Ótimo! Não preciso fazer as apresentações. — está com os olhos cerrados.
— Ele é mais bonito pessoalmente. — ela disse baixinho se referindo ao Harry. A voz de é grossa e consequentemente o seu sussurro acabou saindo mais alto do que o normal.
Harry acabou ouvindo, o sorriso divertido em seus lábios o denunciando, ficou sem graça e soltou um palavrão. Tentei segurar a risada, mas não consegui.
— Obrigado. — ele disse sorrindo.
— Perdi alguma coisa? — entrou segurando uma garrafa de vinho em suas mãos. A noite de jogo era algo extremamente importante no nosso grupo de amigos, a competição entre casais era tão alta e garanto, ninguém queria perder.
No princípio, a disputa acontecia todas as sextas até que vimos que rivalidade era demasiado grande e só faltava sairmos aos chutos e pontapés. Diminuímos para uma vez por mês, para a sorte de certas pessoas.
Após o menu degustação iriamos para a casa de Maxi, namorado de , para comer, beber e colocar o papo em dia.
— Não. — aponta para Harry levanto as suas mãos para o seu cabelo como se essa fosse a sua verdadeira intenção.
arqueou as sobrancelhas assim que encarou Harry tímido na sua frente.
— Tu és o Harry, o cara que eu prometi castrar caso encostasse um dedo na ? — ela perguntou o avaliando.
encarava a cena tão tensa como eu esperando como ela iria se desenrolar. Não que fosse fazer algo exagerado, mas a minha amiga tinha um dom de avaliar as pessoas que me assustava.
Ela nunca errava e as coisas eram da seguinte forma: ela gostava da pessoa ou ela não gostava.
— Oi, . É um prazer te conhecer. — ele a abraçou.
— Ele abraçou ela. — disse entredentes, estávamos afastadas daqueles dois vendo a cena atônicas.
não gostava de ser tocada por estranhos. Ela havia falado — ameaçado — Harry uma vez. Isso não era suficiente para a minha amiga deixar que ele invadisse o seu espaço pessoal.
Fiquei incerta sobre o que fazer.
— Espero que ela não dê um soco nele. — soltou uma risada nervosa. Quando olhei para o seu rosto, vi que ela esperava essa cena acontecer e estava preparada para tal.
— Obrigada por cuidares da minha amiga. — abriu um sorriso e fechou o rosto tão rápido que fez com que e eu segurássemos as nossas respirações. — Minhas ameaças continuam de pé.
Harry fez uma cara de pânico.
— Relaxa, estou brincando. — ela soltou uma risada, Harry suspirou aliviado. — Talvez.
A frase ficou pairando no ar e Harry procurou o meu olhar com uma expressão que pedia socorro.
— Estou com fome. Que sabores temos hoje? — perguntei andando até onde ele estava. olhou para mim e vi os seus lábios se movendo em câmara lenta “porque ele me abraçou”, levantei os meus ombros e ela revirou os olhos.
Ela não estava chateada ou com o seu rosto trancado. Eu esperava que o fato dele ser Harry Styles amolecesse o seu coração.
apontou para os seus cupcakes animada.
— Hoje tentei uma receita de beterraba. — me virei para encará-la. — Ah, que legal.
Ela revirou os olhos pela minha falsa animação.
— Alguém vai ficar sem comer os meus cupcakes. — me avisou.
— Beterraba? Ninguém faz cupcakes de beterraba. — reclamei.
— Não come, é simples. — Harry riu. — Mais para nós. — ela piscou os olhos na direção de Harry.
— Tem cupcake de abacaxi com lascas de coco. — disse, me oferendo um. Aceitei mordendo sentindo o cupcake derreter na minha boca.
— Ai, meu Deus. — digo. — Eu nem gosto de coco.
— Meio contraditório vindo de alguém que bebe água de coco. — disse.
— Água de coco é vida. — digo, revirando os meus olhos.
— Um ótimo curador de ressaca e ótimo para hidratar. — completa.
— Deixa eu provar. — Harry se aproxima mordendo o meu cupcake sem a minha autorização. Olhei feio para ele.
— Tem um inteiro te esperando na caixa. — apontei para a caixa cheia de cupcakes.
— Quis provar o teu. — ele deu de ombros.
— Qual é a diferença entre provar o meu e comer o teu? — perguntei.
Era o mesmo sabor e ele teria um inteiro só para ele.
— Quando eu descobrir  te digo. — ele respondeu com um sorriso no canto dos seus lábios.
Revirei os meus olhos.
— Gostaste? — perguntei.
— É gostoso. — sorriu antes de pegar o seu cupcake e devorá—lo.
— Harry a regra é que temos que beber água para limparmos o nosso paladar. Depois escrevemos a nossa nota e o que precisa ser melhorado na receita. — explicou entregando um papel para cada um de nós.
— Tenho que explicar cada ponto? — ele perguntou após ler a folha com atenção.
— Seria de grande ajuda se fizesses isso. — ela se virou para mim e . — Não vou explicar para vocês. Vocês já sabem como as coisas funcionam por aqui.
— Grossa. — disse.
— Gostei delas. — ele sussurrou inclinando o seu corpo na minha direção.
— Elas gostaram de ti. — falei e ele arqueou as sobrancelhas. Harry pareceu pronto para dizer algo e desistiu. — A é mais fácil de agradar, confesso que é muito difícil conquistar a . Ela tem cara de durona, mas derrete mais fácil que manteiga.
— Gostaram? — perguntou, assenti.
— Vocês podem se largar por dois minutos? — a voz de fez com que nos afastássemos.
Não havia me dado conta de que estávamos tão perto um do outro como se fossemos duas cargas diferentes — positiva e negativa — se atraindo.
Harry me olhou sem graça se afastando de mim após as palavras de como se elas fossem uma advertência para nos mantermos afastados.
— Vamos passar para o próximo sabor. — avisou acabando com o silêncio que se instalou na cozinha. Respirei aliviada evitando olhar para o Harry. Dei um gole na água que estava a minha frente e passei para o próximo sabor: beterraba.
Harry já estava comendo o seu e ele parecia gostar.
— Deixa eu provar. — pedi esticando as mãos, Harry me entregou o cupcake, mordi sentindo o sabor não tão forte de beterraba.
— Gostaram? — perguntou esperando curiosamente pela nossa opinião.
— É bom. — Harry disse. — Provavelmente é o melhor cupcake de beterraba que já comi.
ainda colocou pedaços de beterraba caramelizada dentro do cupcake para dar um toque mais refinado.
— Melhor do que eu esperava. — digo.
olhou para esperando pela sua opinião. Ela mastigava calmamente fazendo várias expressões diferentes. Quando terminou deu um gole na água colocada a sua frente em uma lentidão que deixava nós os três mais curiosos pela sua crítica.
— O sabor da beterraba não ficou muito forte, o caramelo foi um diferencial enorme e eu diria que criou um equilíbrio no cupcake.  Ele bastante doce no final devido a cobertura de caramelo tirando isso diria que eu compraria.
é crítica gastronômica. Ela conhece sempre os melhores lugares mais badalados e os melhores restaurantes. — sussurrei perto do pescoço de Harry.
Ele baixou o olhar na minha direção ouvindo atentamente tudo o que eu dizia sem cortar o contato visual. Foi difícil terminar a frase sem engolir em seco por tê-lo tão perto me olhando tão atentamente.
— Por isso vocês estavam no restaurante da outra vez? — ele perguntou, sua respiração bateu no meu pescoço.
— Não. — limpei a garganta, me questionando como era possível ficar afetada com algo tão simples como aquilo. — Foi só um brunch de domingo para colocar o papo em dia.
— Qual é o próximo sabor? — perguntou.
— Caramelo salgado com cobertura de marshmallow. — disse animada.
Ela sempre guardava o melhor para o final. Um hábito que ela levava para tudo especialmente para dar más notícias. Mesmo que você escolhesse ouvir a boa notícia primeiro ela iria dar a má para te fazer chorar primeiro e emendar as coisas com boas notícias.
Nos entreolhamos antes de cada um pegar o seu respectivo cupcake e provarmos. Dei uma dentada fechando os olhos durante uns segundos. A cobertura de marshmallow não era enjoativo e chegava a derreter na boca, a combinação com caramelo salgado era divina.
— Está uma delícia. — soltei um suspiro de prazer, abrindo os meus olhos encontrando o olhar questionador de Harry.
— Parecia estares a ter sexo com o cupcake. — Harry comentou com um sorriso maroto em seus lábios. Meus lábios se entreabriram, não conseguia acreditar que ele havia dito aquelas palavras.
e soltaram risinhos e se afastaram. A capacidade daquelas duas de se afastarem nos momentos mais propícios me surpreendia.
Limpei a garganta.
— Então, nunca tiveste um foodgasm? — perguntei.
Harry deslizou os seus dedos no último cupcake que se encontrava na bandeja, levou os dedos até os seus lábios, e sugou-os lentamente.
Prendi a respiração tentando apagar aquela imagem da minha mente.
— Não que eu me lembre. — ele abriu um sorriso de lado, deixando as suas covinhas a mostra. — Como é?
Ele perguntou inocentemente.
— O quê? — ele riu.
— Estás nervosa, ? — ele perguntou sem-vergonha.
— Deveria? — perguntei, juntando forças para me manter sã e não olhá-lo. Se eu olhasse para ele as chances dele saber que eu estava naquele momento me perguntando se os seus lábios eram macios seriam altas.
Demasiado altas.
Harry gargalhou, obviamente se divertindo com a situação e achando o fato de que eu estava sem jeito, engraçado.
— Estás a flertar comigo? — abanei a cabeça me reprimindo por fazer a bendita pergunta. Vou colocar essa pergunta na lista de coisas que não devo perguntar para Harry.
Nunca.
— Queres que eu flerte contigo? — ele estava sereno com os olhos focados totalmente em mim, esperando pela minha resposta. Um sorriso brincava em seus lábios.
Ele precisava flertar tão naturalmente?
— Queres mesmo ir por aí? — dei um passo em falso na sua direção, Harry não se moveu continuando parado contra a bancada. — Pare de flertar comigo, 
Ele engoliu em seco quando eu me afastei.
e estavam rindo de alguma coisa quando me aproximei. foi a primeira a me ver e deu um cutucão em que também olhou na minha direção.
— Achei que vocês estariam se pegando após Harry dar em cima de você tão descaradamente.
— Ele não deu em cima de mim. — revirou os olhos resmungando algo que não consegui compreender o que foi e riu da sua reação exagerada.
— Não, eu que dei. — revirou os olhos.
— O Maxi disse alguma coisa sobre o jantar? — perguntei olhando diretamente para .
— Ele teve uma reunião de emergência e está no escritório até agora. — ela disse. — Pediu para remarcarmos para outro dia.
— Tudo bem. — digo. —  Jantamos juntas?
— Estou cansada, vou para casa tomar um banho e beber a minha garrafa de vinho sozinha.
? — perguntei.
— Atlas  preparou um jantar romântico. — ela disse animada. — Vai jantar com o Harry.
Ele se aproximou pegando a frase de .
está sozinha e sem planos para essa noite. — disse.
— O jantar foi cancelado. — o situei, Harry assentiu. — Acho que também vou para casa.
— Podemos fazer algo juntos. — ele sugeriu. — Não quero te deixar sozinha.
— Que querido. — disse, revirei os olhos entendendo as suas intenções. Seu olhar dizia ‘por favor pegue o Harry’, mais subtil do que o seu olhar na minha direção impossível.
— Algum restaurante que queiras ir? — perguntei.
— Na verdade, eu prefiro ir para um lugar com mais privacidade. — ele disse.
— Podemos ir para a minha casa. — sugeri.
Estava doida por um banho relaxante e trocar as minhas roupas por um pijama quentinho. Tive reuniões o dia inteiro com clientes e potenciais clientes e chega um tempo que ouvir ideias de outras pessoas e tentar entender exatamente o que elas querem se torna cansativo.
— Sim. — ele sorriu.
— Vocês podem ir, nós limpamos tudo, vão. — fez sinal com as mãos nos empurrando na direção a saída. Semicerrei os olhos na direção dela, não estava surpreendia pela sua atitude vivia fazendo isso na universidade quando eu estava solteira.
Se ela visse algum cara interessante ou bonito ela começava com a sua frase “Oi, você conhece a minha amiga, ? Ela está solteira”, foi desse jeito que acabei conhecendo Ethan em uma festa de calouros.
Não sei como ela pegou na minha bolsa e jogou contra o meu peito ao mesmo tempo que nos colocava para fora. Pedi desculpas a Harry pelo olhar e ele abriu um sorriso divertido mostrando que achou tudo engraçado.

Harry está avaliando cada quadro e pintura espalhado pelo meu apartamento prestando atenção em cada detalhe. Ele nem sequer notou quando saí do banho de pijama de seda e descalça.
— Esse foi um presente quando me mudei para aqui.
— É intrigante. — ele desviou o olhar do quadro para mim, me olhando de cima para baixo, sorrindo quando os nossos olhares se encontraram.
— Essa é uma boa palavra para descrevê-lo. — segurei a risada. — É um autorretrato, foi pintando  quando eu estava na faculdade.
Ele me olhou atentamente.
— Sério? Não parece com o seu corpo. — ele revelou me olhando de cima para baixo, senti o clima do apartamento ficar quente, minhas bochechas esquentaram.
A pintura  começava com o meu rosto desfocado, uma cascata do meu cabelo desce pelo meu pescoço e a  curva do meu corpo. Há várias flores desabrochando após o estômago.
Era uma pintura feita a carvão.
— Nunca me viste nua. Como poderias saber? — ele riu sem demonstrar algum desconforto pelas minhas palavras, um brilho brincava em seu olhar.
— Sou ótimo em captar a essência das pessoas. — ele disse calmamente, me estudou por alguns segundos. — Consigo ver a sua essência, , é bonita.
— Meu Deus! É desse jeito que você consegue levar garotas para a sua cama? — dei uma risada. — És bom nisso, Harry.
Ele deu de ombros.
— Não tentei te levar para a minha cama. — ele revelou. — Queres me ver a tentar?
Não é como se ele precisasse tentar muito, Harry ganhava em questão de beleza, carisma e charme.
— Dispenso. — me afastei em direção a cozinha abrindo a geladeira procurando por alguma coisa comestível. Não me lembrava da última vez que fui as compras, a geladeira praticamente vazia não me deixava com opções para cozinhar o que fosse.
 — Te importas se pedirmos alguma coisa pelo Uber Eats? — perguntei.
Não havia sequer ovo naquela casa.
— Não vais tentar me ganhar pelo estômago? — neguei, rindo. — Não me importo. Tens algo para beber?
Harry abriu a geladeira sem esperar pelo meu convite e retirou de lá uma garrafa de vinho branco.
— Fique a vontade, Styles. — ele se virou e sorriu na minha direção.
— Estou. — ele disse. — Sabes, a nossa casa normalmente espelha uma parte de nós para os outros, eu gosto do que estou vendo.
— Filosofas demais. — revirei os olhos.
— Tu gostas. — sorri. — Quem pintou o quadro?
Conseguia sentir a curiosidade em suas palavras. Era um quadro tão íntimo que para alguém pintá-lo só conhecendo certas partes de você.
— Meu ex-namorado pintou. — Harry arqueou as sobrancelhas e virou analisando novamente o quadro com a cabeça inclinada. — É um quadro bonito.
Harry deu um gole na sua taça.
— Muito realista? — ele perguntou com os olhos presos na minha direção. — Ah, , eu sou curioso. É um defeito.
— Isso depende do teu ponto de vista. — Harry gargalhou, dei um gole sentindo o gosto doce do vinho. Voltaria a comprar com certeza.
— Hum. — ele disse me encarando fixamente.
— Pare de olhar assim para mim. — implorei, rindo de tão nervosa que eu estava. Harry arqueou as sobrancelhas. — Por favor.
Harry riu.
— Pede algo afrodisíaco para o jantar. — sua voz saiu como um sussurro, rouca e profunda, me arrepiando completamente.
Dei um grande gole terminando toda a bebida em minha taça. Harry me olhou segurando uma risada.
— Está tudo bem? — ele perguntou interessado em saber como estava o meu autocontrole.
Quase no ralo.
Assenti.
— Tens certeza? — ele voltou a perguntar enquanto eu enchia a taça de vinho. Levei o líquido para a minha boca relaxando gradualmente. — , isso não vai substituir os meus lábios.
— Cala a boca, Harry. — resmunguei.
Eu desejava era calar a boca dele do melhor jeito que eu conhecia. Beijando-o na minha cozinha sem pensar nas consequências. Harry estava me provocando, testando cada limite meu, se divertindo ao notar que nem eu era imune a ele.
Não sou.
Alguém é? Pessoas imunes a beleza e charme desse homem precisam ser estudadas porque não estou sabendo lidar com cada sensação que estou sentindo.
Nossos olhares se encontram, Harry não desvia o olhar, por um mísero momento parecia que estamos presos em uma bolha nossa.
Que crime seria beijá-lo? Estou achando que não beijá-lo naquele momento seria o pior crime que eu poderia cometer.
Então, desejo que ele queira me beijar da mesma forma que eu desejava. No entanto, vejo em seu olhar que Harry era um provocador nato, ele não iria dar o primeiro passo, seu plano era me provocar e ele se divertir pelo caminho.
Meu plano de fingir que não me sentia afetada por ele poderia ter sido perfeito excepto por uma coisa: eu caí no seu jogo de sedução. Tentei não cair, mas já era tarde demais, me senti atraída por ele desde o momento em que as minhas mãos se entrelaçaram as dele.
Meu olhar se prendeu sobre os seus lábios rosados demorando demasiado tempo na região.
— Se não vais me beijar, não me provoque. — sussurrei contra os seus lábios, roçando-os.
Seu corpo se manteve imóvel enquanto seus olhos escureceram fugindo do tom esverdeado característico para um quase cinza.
— Não é justo. — passei a língua lentamente pelos meus lábios. Harry pareceu em uma guerra dentro de si, decidindo se jogaria o seu próprio jogo naquele momento ou deixaria a jogada para outro momento.
— Talvez não seja. — mordi os meus lábios esperando pelo seu sinal verde.
Não iria beijá-lo a não quer que ele pedisse. Eu poderia estar com muita vontade de beijá-lo, seria bom torturá-lo um pouquinho também.
Harry inclinou o seu corpo na minha direção, tentando unir os nossos lábios e  diminuir  a onda de desejo que se instalou entre nós.
— Não. — abanei a cabeça fugindo dele. Harry me advertiu pelo olhar não gostando da minha atitude. Agora quem estava se divertindo em provocá-lo era eu.
. — meu nome saiu como um pedido. — Me beije.
Sorri por dentro, me aproximando dele novamente, colando os nossos lábios. Sua língua deslizou pela minha me pegando de surpresa. O beijo era lento e envolvente. Diferente do que eu esperava.
Levei as minhas mãos até o seu cabelo e Harry aprofundou mais o beijo prendendo o meu corpo contra a geladeira.
— Harry. — sussurrei contra os seus lábios. — Se quebrares a minha geladeira eu te mato.
— Eu compro outra. — ele partiu o beijo e sorriu.
— Gosto dela. — a geladeira é uma retrô vermelha da Gorenje. — O jantar?
— Estou sem fome. — ele sussurrou beijando o meu pescoço retirando o telefone das minhas mãos e colocando no balcão da cozinha. Me virei na sua direção atacando a sua boca, iniciando outro beijo, as mãos de Harry apertaram a minha cintura dando um aperto forte na região.
— Hum... — murmurei e Harry sorriu contra os seus lábios.
— Lá se foi o teatro ‘não quero te beijar Harry’. — ele comentou.
— Você é insuportável. — falei rindo. — Já te disseram?
Ele negou.
— Normalmente falam que beijo super bem ou que...— empurrei os seus ombros levemente e ele gargalhou.
— Não me beija! Saí daqui. — Harry não me ouviu e me deu vários selinhos, me derretendo por completo, a sensação dos seus anéis contra o meu rosto tornava as coisas mais únicas.
— Não vou mais te beijar. — ele mordeu os meus lábios, roubou um último beijo e pegou na sua taça indo até sala. — Tu vens ou não? — ele gritou da sala.
Olhei para Harry assim que me sentei ao seu lado no sofá. Ele abriu um sorriso no canto dos seus lábios, inclinou o rosto na minha direção tocando os meus lábios.
Sorri.
— Achei que não fosses mais me beijar. — sussurrei.
— Não consegui resistir. — ele revelou escondendo o rosto no meu pescoço.
Sorri.
— Não resista mais vezes. — pisquei os olhos.
Harry gargalhou.


— Nem penses nisso! — respondi.
— São apenas uns dias de viagem. — Harry falou do outro lado da linha. Apoiei o celular contra a orelha enquanto terminava de preparar sanduíche de manteiga de amendoim e geleia de frutas vermelhas. 
— Eu vou dormir na minha cama. — dei uma mordida na sanduíche.
— Lá tem cama se esse for o problema. — ele disse.
— Você não tem mais outra amiga ou amigo para chamar? — perguntei.
— Mas eu quero você. — Harry falou manhoso, revirei os meus olhos.
— Não. — digo, decidida.
— Por favor! Eu nunca te peço nada, .
— Mentiroso. — digo. — Você me arrastou para todos os cantos na semana passada.
Falei indignada.
— Porque eu precisava de companhia. — ele respondeu rapidamente.
— Não sou guarda-costas, Harry. — ele soltou um resmungo.
. — soltei um suspiro.
Não acredito que ele ia usar a carta do meu segundo nome. Harry vivia fazendo isso sempre que queria me pedir algo com jeitinho. Daqui a pouco ele ia pedir que eu aceitasse a sua videochamada para negar o seu pedido olhando nos seus olhos.
Deu para ver como ele é bom com palavras?
— Me deixa te ver. — Harry prolongou as palavras e o seu sotaque ficou mais forte.
— Não.
— Quando eu te ver vamos queimar esse dicionário imaginário dos seus ‘não, Harry’. — soltei uma risada. — Estou com saudades, me deixa ver o teu rosto.
Esse menino vai me matar um dia.
Terminei a chamada e liguei para ele,  Harry sorriu abertamente assim que viu o meu rosto.
— Oi, Hulk. — a máscara de argila verde estava seca pela metade.
— Muito original. — revirei os olhos.
— Vou chegar em Londres amanhã. Sexta-feira te pego para a nossa viagem surpresa.
— Harry não é surpresa se você avisa a outra pessoa! — ele riu.
— Faça as malas. — ele avisou, fingindo que eu não havia negado o seu pedido diversas vezes durante a chamada.
— Eu tenho que trabalhar. — aviso.
— Ah, por favor. Você pode trabalhar lá. 
— Meu Deus, como você é chato. — ouvi a gargalhada de outra pessoa.
— Concordo com você, . — Mitch acenou passando atrás de Harry e piscando na minha direção.
— Mitch me conhece? — Harry riu, achando a minha pergunta idiota. Simplesmente não imaginava que ele falava sobre mim aos seus amigos.
— Nós  falamos sempre ao telefone. — ele respondeu como se aquilo fosse óbvio.
— Porque você me liga toda hora. Maldita hora que te dei o meu número. — Harry sorriu, gostando do fato de que me importunava.
— Gosto dela. — Mitch falou novamente conosco. Piscou pra mim antes de dar a volta e se sentar ao lado de Harry.
Sorri pra ele envergonhada.
Minha vergonha não durou muito tempo.
— Viu só? Até o Mitch acha que ligas muito pra mim. — Harry revirou os olhos.
— Não, não fale com ela. — Harry apertou os lábios em uma linha reta. Mitch acenou freneticamente me fazendo soltar uma risada alta.
— Leva o Mitch com você nessa viagem. — sugeri. 
— Eu tenho planos com a minha namorada. — Mitch gritou e sua voz saiu abafada pela distância. 
— Harry você precisa de uma namorada. — falei.
— Não é fácil arranjar uma namorada. — ele disse.
— O quê? — perguntei, Mitch falou algo, no fundo, que não consegui ouvir.
— Não liga o Mitch. É difícil arranjar uma namorada quando minha vida anda tão corrida.
— Sei. — limpei a garganta. — Mitch! Nós precisamos encontrar uma namorada para o Harry.
Mitch fez um sinal de joia.
— Estou tentando, , o problema é que o Harry não colabora. 
— Eu tenho amigas bonitas. Você quer conhecer alguma? — perguntei.
pare de tentar arrumar uma namorada pra mim. A última vez que você tentou a senhora do supermercado queria ter um filho comigo.
Gargalhei.
— Sinto muito. — falei me lembrando dos sorrisos sem graça de Harry e o beliscão que ganhei na barriga assim que deixamos o supermercado.
Ri tanto naquele dia que minha barriga chegou a doer.
— Semanas de amizade e só eu sofro.
— Dramático. — revirei os olhos, sorrindo em seguida.
— Sol. — ele resmungou. 
Olhei pra ele sem entender nada.
— Tá bom. 
—  O quê? — ele tentou conter um sorriso falhando imediatamente. Mitch ao seu lado abanou a cabeça.
— Vou com você nessa viagem. — Harry sorriu abertamente e se virou para Mitch.
— Ela vai comigo. — comemorou se levantando para dançar segurando ainda o telefone em suas mãos. Mitch e eu rimos até ele voltar a sentar no sofá.
— Eu ouvi. — Mitch disse sem desviar o olhar do seu celular. — Você tem namorado ?
Seus olhos se fixaram na tela esperando pela minha resposta.
— Não. — deu uma risada. — Acho que é por isso que o Harry me ocupa tanto.
— Ah, tá explicado. — rimos, Harry limpou a garganta chamando a minha atenção para ele.
— Ei, porque você está se arrumando toda? — ele apontou para as minhas unhas coloridas. — Você vai sair com as meninas?
— Não. — sorri animada na sua direção. — Lembra o Jack? O cara que eu gosto? Vou vê-lo hoje.
— Ele te chamou pra sair? — Harry perguntou sem acreditar. 
Ri.
— Não. — revirei os olhos. — É o aniversário dele e do Finn então preciso estar no meu melhor game pra ele ver o que está perdendo.
Harry não disse nada.
— Ele não repara em você? — ele perguntou. 
— Ele repara, mas nunca deu um move. — admiti sem graça.
— Que idiota, olha pra você, tão bonita. — sorri.
— Harry você é obrigado a dizer essas coisas. Você é meu amigo.
— Você é bonita  , se ele não consegue ver isso então ele não te merece.
Meu coração sorriu com as suas palavras envolventes. Soltei uma onda de ‘own’ que fofo para deixá-lo sem graça, ele ficou todo vermelho.
— Você nunca se arruma quando saímos juntos. — arqueei as sobrancelhas.
Antes que eu respondesse Mitch voltou a falar dessa vez consegui entender as suas palavras.
— Porque a não quer te impressionar. — ele falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Mitch abanou a cabeça sem segurar uma risada.
— Mitch você se arruma para o Harry? — perguntei.
você acha que eu tenho cara de quem se arruma para o Harry? — gargalhei, negando. — Eu me arrumo para a Sarah, o Harry é efeito colateral do nosso relacionamento.
— Dizes isso apenas para que não desconfie do nosso caso. — Harry disse.
Mitch sorriu.
— Amor! Achei que fossemos guardar segredo por mais um tempo, você sabe, apalpar o terreno. — Mitch mexeu a cabeça na minha direção me indicando.
— Ah, é tranquila. Ela sabe guardar segredo. — Harry se virou e piscou os olhos na minha direção, soltei uma risada tão alta que a minha barriga doeu.
— Não aguento vocês os dois. — falei rindo.
— Vamos marcar algo quando estiveres em L.A. — Mitch sugeriu e Harry riu.
odeia Los Angeles, ela acha que é pra gente metida,  prefere Nova York. — ele falou a última parte debochando.
— Não odeio L.A, Harry. Eu disse que não gosto de L.A nem de Miami. — ele revirou os olhos.
— Jura que você acha o pessoal de L.A metido? — Mitch perguntou, como se eu tivesse o chamado de metido.
Abanei a cabeça.
— Você tem a língua muito grande, H. — ele tirou a língua pra fora me mostrando. — Você não existe menino.
— Precisava comprovar as tuas palavras. — ele piscou os olhos, Mitch riu abanando a cabeça.
Mordi os meus lábios segurando um sorriso.
— Mitch! — ele olhou na minha direção. — Vou comemorar o meu aniversário em Nova York mês que vem. Posso ficar um dia em L.A.
— Vou te levar para os melhores lugares. — ele avisou. — Não ande em L.A com o Harry. Ele só vai em lugares de gente metida.
Rimos.
— Ei, me respeitem. — Harry tentou ser sério, a sua risada o denunciou.
— Ah, preciso me arrumar.
— Tá bom. — Harry falou relutante em desligar. — Queres me mostrar o que vais vestir?
— Pra quê? — perguntei.
— Para te encher de elogios.
— Vou pensar no teu caso, H. — ele sorriu.
— Me deixa ver o Jack. — Harry fez aspas com as mãos quando falou o nome do meu crush.
Mostrei a foto dele pelo meu celular.
— Eu conheço o Jack. — Harry riu.
— Não! — falei emburrada.
— Nós nos cruzamos a uns anos atrás, eles são ativistas. O irmão dele é amigo da Charly, amiga da Gemma.
— Eu conheço a  Charly. — falei rindo. — Eu trabalho com o Finn e ele me apresentou a Charly quando saíram juntos uma vez.
— Mundo pequeno. — ele riu.
Harry pareceu pensativo por alguns minutos. Limpei a garganta.
— Preciso ir, H. Falamos depois. — digo. — Tchau, Mitch.
— Tchau, . — ele gritou de volta acenando  na minha direção.
— Tchau. — Harry se despediu.

Coloquei um vestido preto curto com sandálias finas e fiz uma make up leve com um batom vermelho marcante. Nada muito chamativo, entretanto sexy na medida certa.
— Oi. — abracei o Finn assim que ele abriu a porta. — Feliz aniversário.
— Obrigado. — ele fez sinal com a cabeça para que eu o seguisse.
Fomos até a área da piscina repleta por vários amigos de Finn e Jack. Alguns eu conhecia do trabalho.
— O teu irmão? — Finn se virou com um sorriso nos seus lábios.
Não era segredo nenhum que eu tinha um crush por Jack. Ah, ele não sabia é claro, isso amenizava nas investidas mal sucedidas feitas por mim.
— Está algures conversando com alguém. — ele procurou pelo irmão varrendo o olhar pela festa. 
— Ah! Vou falar com o pessoal. — ele assentiu. Caminhei para o bar de forma a pegar uma bebida e socializar com os amigos dos gêmeos.
Tocava uma música de Calvin Harris no fundo. Estava alta ainda assim era o suficiente para todo mundo conversar em paz.
! Você veio. — Riona beijou as minhas bochechas. — Graças a Deus não sou a única mulher lá do escritório.
Rimos.
— Achei que fosse ter mais gente. — dei um gole no meu tequila sunrise.
Ela riu, concordando com a cabeça.
— Oi meninas, acho que ainda não cumprimentei vocês. — Jack se aproximou mais bonito do que a última vez, um sorriso brincando em seus lábios.
— Feliz aniversário, Jack. — Riona beijou as suas bochechas e ele se virou rapidamente na minha direção.
— Obrigado. — ele respondeu. — Oi, . — me abraçou me pegando desprevenida.
Sorri sem graça e me recuperei rapidamente.
— Feliz aniversário, versão 2.0 do Finn. — ele gargalhou.
— Obrigado. — seu sorriso se rasgou. — Não achei que você fosse vir. 
— Não ia perder essa festa por nada nesse mundo. — sorrimos sem desviar o olhar um do outro.
— Me dá só uns minutos? Um convidado acabou de chegar. — Jack saiu apressadamente na direção em que os convidados que acabaram de chegar.
— Caramba ele é um gatinho. — Riona disse olhando na direção que Jack seguiu com um olhar cheio de segundas intenções.
— Eu sei.
Os gêmeos estavam vestindo roupas parecidas e Jack até fez questão de imitar o penteado do irmão. 
Terminei o meu coquetel e coloquei o copo vazio sobre a mesa cheia de copos que já haviam sido consumidos. Jack passou voando na minha frente, segui Jack para dentro da casa coletando toda a coragem que eu poderia.
— Jack. — ele virou o corpo na minha direção.
...— cortei a sua fala colando os nossos lábios. 
Não fora assim que eu imaginava o nosso beijo. Eu imaginava fogos de artifícios, um arrepio na espinha. Mas não senti absolutamente nada.
Fora como beijar um amigo.
Jack ia dizer alguma coisa, mas alguém se aproximou chamando a sua atenção.
Apoiei o meu corpo contra o balcão da cozinha e peguei no meu celular.
“ Eu beijei o Jack. Foi o beijo mais estranho da minha vida”.
Mandei a mensagem e não esperava que Harry fosse me responder tão cedo.
“Tão ruim assim?”. – ele perguntou.
“Acho que beijar eu mesma teria sido mais divertido”.
“ Você pensa em beijar você mesma?”.
“Você não?”
– perguntei.
“ Nunca pensei nisso”. – Harry respondeu.
“Seria sexy”. – digitei uma última mensagem e bloqueio o meu celular guardando na bolsa.
Jack entrou pela porta da cozinha e soltou um suspiro alto antes de sorrir já minha direção.
— Que sede. — ele comentou abrindo a geladeira e pegando uma garrafa de água mineral.
— Está quente aqui. — comentei.
— Só aqui dentro. — ele comentou.
Mordi os meus lábios pensando em como trazer o assunto a mesa sem deixar um clima estranho entre nós.
— O que foi? — ele perguntou após notar as tentativas que eu tinha de trazer o assunto a tona.
— Nós não clicamos, tudo bem, ainda te acho uma graça, Jack Harries. — bati as minhas mãos nos seus ombros e saí o deixando sozinho sem dar tempo dele dizer alguma coisa.



Capítulo 5

"Mas querido está tudo bem se eu ainda for a melhor que você já teve"
The best you had, Nina Nesbitt

26 de maio de 2022, Londres

Quando liguei o meu celular havia um monte de mensagens por ler. Deslizei os meus dedos pelas notificações decidindo qual abrir primeiro. Havia várias mensagens do número que Harry ligado no outro dia.
"."
"Precisamos conversar."
" Sol, vou embarcar em Londres em algumas horas. Será que podemos nos ver?"
" me responde por favor."
O interfone tocou e larguei o celular na mesa sem responder nenhuma mensagem ou acabar de ler as mensagens dele.
— Bom dia, Sra. . Seu amigo já está subindo
— Bom dia. — agradeci e desliguei a chamada esperando que fosse Ethan ou Finn que estivessem subindo.
O voo de Ethan seria apenas a noite e ele me avisou ontem que passaria para se despedir e Finn me avisou que vai conversar com o engenheiro civil para despedi-lo. Conhecendo- o do jeito que conheço ele vai precisar de apoio moral depois.
Deixei a porta aberta e comecei por preparar um chá para começar o meu dia mais tranquilamente. Nada como uma dose certa de cafeína para me deixar mais animada.
A porta se abriu e deixei a chaleira no fogo enquanto eu verificava com quem estava lidando naquela manhã: um Ethan manhoso ou um Finn cheio de remorso.
Para a minha surpresa não era nenhum dos dois.
Harry estava me encarando com as mãos nos bolsos. Seus cabelos mais curtos do que a última vez em que o vi. Estava vestindo um moletom preto, uma calça clássica creme e vans branco — encardidos — nos seus pés.
Seu rosto evidenciando que ele estava com sono ou cansado.
— Oi. — ele disse, acabando com o silêncio que havia se instalado entre nós.
— Oi. — sorri fraco na sua direção sem saber o que fazer. Abracei o meu corpo esperando que ele dissesse mais alguma coisa. Harry se limitou a me encarar, eu o encarei de volta reparando em cada detalhe dele que eu podia.
Como era possível que ele estava ainda mais bonito? Incrivelmente tão bonito como a última vez que nos vimos.
Minhas mãos estão suando e meu coração está batendo tão forte que tenho medo que ele esteja ouvindo no ponto em que ele se encontra na sala.
Ainda estamos parados olhando um para o outro sem dizer uma palavra.
Isso me deixa ansiosa.
Já havia se passado um ano sem nos vermos, um ano sem nos tocarmos e sem sentirmos o outro.
No entanto, ainda me sentia do mesmo jeito quando o via. Aquela vontade imensa de correr para os seus braços e nunca largá-lo continuava intacta. E o desejo de beijar cada parte do seu rosto e me afundar nos seus braços estava mais forte.
Como era possível?
Tudo o que eu quero nesse momento é sentir o seu abraço me acalmar e me envolver como outro jamais fez. Não existe abraço melhor no mundo. E, de todos o seu é o meu favorito.
Me faz sentir que pertenço a ele e ele a mim.
Harry caminha na minha direção e me abraça fortemente, sua urgência visível em seus passos largos. Seu rosto fica sobre a curva do meu pescoço e posso jurar que ele me cheirou.
Nah, deve ser apenas imaginação minha.
Seu perfume é tão bom que está preenchendo o meu apartamento. Estar desse jeito com ele é como sentir que um pedaço meu está finalmente voltando a casa. Aquela sensação calmante que vem sobre o seu corpo.
Ele afrouxa o aperto na minha cintura e me larga completamente e a sensação de que Harry estava finalmente em casa se evapora.
— O quê estás fazer aqui? — perguntei curiosa.
— Não respondes as minhas mensagens. — ele respondeu, olhando fundo para os meus olhos.
— Acabei de ligar o meu celular. Li algumas mensagens antes de chegares e ia te responder agora.
—Ias mesmo? — revirei os olhos.
— Ia.
— Para dizer que não? — semicerrei os olhos na sua direção.
— Não sei, Harry, provavelmente seria um não. — ele soltou um suspiro.
, nós precisamos conversar.
— Sobre? — arqueei as sobrancelhas e abracei o meu corpo esperando por sua resposta.
— Sobre o que está acontecendo.
— A tua mãe sabe que estás de volta? — o barulho da chaleira se tornou intenso avisando que a água estava fervendo.
— Ainda não liguei. Vim direto do aeroporto pra cá. — Harry me seguiu até a cozinha e começou a reparar nas mudanças pelo apartamento. — Gostei de como o apartamento ficou.
— Obrigada. — entreguei uma chávena na sua direção e ele a pegou sem pensar duas vezes.
Harry soprou o chá algumas vezes.
— Porque queres falar sobre o que está acontecendo?
Me sentei no sofá e ele se sentou do meu lado mantendo uma distância segura. Harry ficou em silêncio por alguns segundos com a testa enrugada deixando claro que ele estava pensado em como abordar o assunto.
Ele apertou a minha mão levemente me pegando de surpresa e me desarmando completamente.
Levantei o olhar procurando por alguma explicação em seus olhos verdes encontrando um misto de sentimentos.
Meu coração deu um pulo grande e descoordenado e antes que eu pudesse dizer alguma coisa a porta do meu apartamento se abriu bruscamente.
— Eu trouxe café da manhã. Passei naquele café perto daqui. ! — Ethan chegou até a sala e ficou nos olhando surpreso, sua boca entreaberta.
Larguei a mão de Harry tão rápido como se eu tivesse cometendo alguma coisa errada ou um crime hediondo.
— Oi, lembra do Harry? — apontei na direção do cantor.
Harry sorriu educadamente.
— Bom dia, como vai? — Harry perguntou estendendo as suas mãos na frente de Ethan.
— Estou ótimo. — Ethan respondeu, apertando as mãos de Harry.
, nos falamos depois. — Harry se virou para mim e me olhou com um semblante sério.
— Você já vai? — perguntei, sem acreditar.
— Eu preciso ir. Te ligo depois. — ele beijou o topo da minha testa e saiu pela porta rapidamente. Meu estômago apertou pelo contato súbito ou pelo fato de que ele me largou bruscamente.
Ethan estava bebendo o café que ele comprou com uma expressão em seu rosto que eu não quis nem traduzir.
— Não diga nada. — Ethan ficou mudo por alguns segundos.
— Ele ainda gosta de você. — soltei um suspiro e voltei a beber o meu chá.
— Não.
— Sim.
Revirei os olhos e decidi mudar de assunto. Existe algo mais estranho do que falar sobre um ex com outro ex? Bem, eu não iria por esse caminho.
— O quê você comprou para o nosso café da manhã? — abri a sacola e tinha um croissant de chocolate quentinho.
Dei uma mordida e voltei a minha atenção para Ethan.
— O que ele veio fazer aqui? — ele perguntou.
— Ele precisava falar comigo. — dou de ombros e Ethan arqueou as sobrancelhas.
— Sobre o quê?
— A tua curiosidade está te remoendo tanto assim? — Ethan fez uma careta.
— Um pouco. — ele admitiu baixinho.
— Ele nunca chegou a falar. Provavelmente é para me agradecer pela ajuda. — dou de ombros.
— Você não fez nada de mais.
— Fiz o suficiente. — soltei um suspiro. — As tuas malas já estão prontas?
— Já. Meu voo é ao meio-dia. — ele resmungou.
— Jake comprou o voo para mais cedo? Ele deve mesmo me amar. — debochei.
Jake, seu assistente, não gostava muito de mim e sempre que eu estivesse com Ethan ele fazia questão de demonstrar a sua falta de amor por mim.
— Nunca entendi porque ele não vai com a sua cara. — ele pensou por alguns segundos. — Eu só vim me despedir e deixar o café da manhã da madame.
Sorri.
— Você é um fofo. — beijei a bochecha de Ethan e ele sorriu.
— Só um fofo? Você consegue melhor do que isso. — gargalhei tão alto que o vizinho deve ter escutado.
Suspiro fundo.
—  Obrigada por ser tudo o que eu sempre precisei. — Ethan me olha sério e vejo em seu olhar que ele está travando uma luta contra si mesmo.
Ele morde os seus lábios de forma a não me beijar e não estragar a amizade que estamos lutando para não destruir.
— Tchau, tampinha. — ele beija a minha bochecha e saí do meu apartamento me deixando sozinha.

Mandei mensagem para as meninas sugerindo ver o pôr-do-sol em um restaurante espanhol, Aqua Nueva, nos arredores de Londres. Elas aceitaram de bom grado e algumas horas depois, estávamos todas sentadas no bar esperando que a nossa mesa ficasse livre.
— Você não ouviu a nova música? — perguntou, curiosa.
— Não. Só ouvi acidentalmente a música que a garota colocou no elevador.
— As músicas estão te perseguindo. — rimos da piada da .
— O quê você acha que Harry quer falar com você? — perguntou, relaxando o seu corpo contra o banco super alto do bar.
O lugar era chique e a atmosfera era bastante descontraída. Estávamos seguindo o code dress do restaurante. Algo mais fino e ainda assim casual.
— Não faço ideia. Não sei se quero realmente saber. — admiti.
— Hum, você está com medo de saber que são sobre você? — já havia tido essa conversa com e era bastante normal que me perguntasse isso.
O meu medo era saber quais músicas poderiam ser sobre mim. Na realidade não eram as músicas. Mas, o efeito e impacto que elas teriam em mim. Abrir essa porta "Harry" de volta na minha vida seria um desastre.
Seria deixar uma tempestade de sentimentos me consumir toda e como recuperar depois de uma tempestade? Após todos os estragos já estarem feitos? Essa é a parte mais difícil.
— Acho que certas coisas são melhor deixar como uma incógnita. — dei uma risada fraca.
Eu ficaria melhor pensando que nenhuma dessas músicas eram sobre mim. Desejando ser essa fonte de inspiração e agradecendo silenciosamente por não ser eu.
— É verdade, Ethan gostosinho, já foi? — perguntou curiosa.
— Já.
— Como foi ter os seus ex-namorados no mesmo ambiente? — manteve um sorriso fraco.
Soltei um suspiro.
— Bizarro, meninas. Sério, achei que Ethan estava estranhando o Harry. — soltou uma risada.
— Nenhuma novidade. — disse.
— Basta saber se você ficaria no lado de quem durante uma briga. — ela voltou a dizer e soltei um resmungo.
— Harry. — respondeu e me deu um empurrão pelos ombros.
— Não é? Voto no Styles também. — respondeu, soltei um muxoxo.
— Eu ia me esquecendo, . Versions of you é linda. — se virou na minha direção. Concordando com as palavras de .

I'm loving each version of you (Estou adorando cada versão de você)
Though would be more impossible (Embora fosse mais impossível)
Fall deep in love with ya (Apaixonar-me profundamente por ti)
But, honey, i've got you like a tattoo (Mas, querida, eu te tenho como uma tatuagem)
And I'm not letting you go i'm taking you everywhere (E não vou deixá-la ir, vou levá-la a todos os lugares)

— Caramba. — soltei uma risada nervosa.
— Esse homem é intenso.
— Adoraria que alguém escrevesse uma música sobre mim. Quer saber? Quero o álbum todo. — disse e soltou um suspiro, pensativa.
e eu nos entreolhamos, sem aguentar mais soltamos a risada que tanto segurávamos.
Pedimos mais alguns drinques antes de irmos para a nossa mesa e comemos algumas tapas. O jantar foi repleto de risadas e conversas sobre como foi a nossa semana.
— Estou falando que quis enfiar a cabeça dela, na impressora para ver se a versão impressa seria menos chata. — falou irritada.
— Ela não deve ser assim tão horrível. — dou um gole em meu sex on the beach.
— Ela é pior. — gargalha ao ver a expressão traumatizada de .
— Isso é terrível, . Você já falou para o seu chefe que ela não sabe nada? Nadinha.
perguntou.
— Não posso dizer nada porque ela é sobrinha do meu querido chefe. — ela revirou os olhos.
— Sinto muito. — digo, entendendo a razão pela qual ela não se pronunciou.
— Tenta lhe ensinar o básico. Marca um dia de garotas e ensina ela como você vivia fazendo com a gente. — sugeriu.
— E você não aprendeu nada, não é amiga? — consigo sentir o gosto amargo das palavras de .
— Nem todo mundo nasceu para estar detrás de um fogão. Eu definitivamente não nasci para fazer doces e sim para comê-los. Ainda mais, é a aluna perfeita. — ela piscou os olhos na minha direção.
— Se precisares de uma ajudante me chama. — aviso.
— Dizes isso porque queres comer depois de o trabalho estar feito.
— Isso me lembra me chama após o trabalho estar feito. — tranca a cara. — Estou brincando! Eu te ajudo a arrumar tudo depois.
— Ótimo. — ela sorri e vira o seu rosto na direção de . — Viu só? Ela até vai me ajudar a arrumar tudo.
— Por interesse próprio. — rebateu.
! — digo, rindo. — É porque te amo amiga.
— Sim, ela ama mais os teus doces. — soltei uma risada com as palavras de . soltou um muxoxo nos fazendo rir.
— Eu te amo amiga. — falei rindo.
— Vou pedir mais uma garrafa de vinho. — levanta as mãos e chama o garçom.
Meu celular vibra e olho para a notificação vendo ser uma mensagem de Harry do seu número antigo.
“Me encontre no Regent's Park às 9h. — Harry
Procurei o seu número novo e liguei para ele. No terceiro toque ele atendeu a chamada.
— Oi, você recuperou o seu número antigo? — perguntei, me levantando da mesa deixando cair o guardanapo no chão. Me virei a tempo de ver apanhando sem parar de falar com .
— Não, porquê? — respirei fundo colocando a chamada no alto-falante verificando se eu não estava ficando maluca ou se era resultado dos inúmeros coquetéis que tive durante a noite.
— Harry, recebi uma mensagem tua para nos encontrarmos no parque. — digo, assustada.
— O quê? — ele perguntou, preocupado. — Eu não te mandei nenhuma mensagem.
— Vou te enviar a mensagem. — enviei o print da mensagem pelo iMessage e fiquei esperando que ele lesse. Nesse tempo fiquei observando a vista do terraço que dava para ver as luzes da cidade.
Lindo.
, foi a pessoa que tem o meu celular. — não consegui dizer nada devido ao choque.
— Eu deveria ir. Sei lá, para tentar ver quem é a pessoa e descobrir o que ela quer.
— Não. — ele falou decidido.
— Por alguma razão essa pessoa me mandou uma mensagem. — digo.
— Mais uma razão para não ires.
— Eu vou. — rebati.
. — ele começou por falar e soltou um suspiro derrotado. — Eu vou com você. Te pego em casa.
— Estou no Aqua Nueva. — avisei.
— Chego daqui a pouco.
Voltei para a mesa e decidi beber uma garrafa de água para me deixar mais sóbria. Não demorou muito e Harry me avisou que chegou.
Me despedi das meninas pedindo que elas não terminassem a noite delas, porque alguém estranho decidiu me mandar mensagem pelo número do meu ex.
Paguei a minha parte do jantar e desci encontrando o Range Rover de Harry estacionado mesmo em frente do restaurante.
Mal entrei no carro e ele acelerou após eu terminar de colocar o cinto de segurança.
— Olá. — ele se vira na minha direção e sorri fracamente.
— Olá.
— Jeff sabe que estamos fazendo isso? — perguntei encarando Harry.
— Não. — Harry desviou o olhar da estrada por alguns segundos.
— Porque eu? Isso não faz sentido.
— Eu não sei. — Harry apertou os seus dedos contra o volante de forma intensa.
— Estás bem? — perguntei, preocupada pela primeira vez.
Ele levanta os ombros.
— Estou. — sua voz foi cortante e tentei não tocar mais no assunto. Virei a minha atenção para a janela notando os lugares que passávamos de carro.
— Sabes que podes conversar comigo sobre o que quer que seja. — ele não estava falando nada e o silêncio estava me matando.
Tinha alguma coisa acontecendo e Harry estava me escondendo.
— Eu sei. — ele disse após tanto tempo calado. — Eu só não quero te arrastar no meio dessa confusão toda.
— Eu já estou no meio dela de qualquer jeito, Harry. — soltou um suspiro derrotado.
— Eu sei. — ele disse.
Ele estacionou o carro e desci esperando por ele. — Fingir que não é a mesma coisa que colocar areia debaixo do tapete.
— Não podes simplesmente fechar os olhos? — ele estava me pedindo para deixar esse assunto de lado.
Não, isso não ia acontecer.
— Não.
Olhei pelos cantos procurando por alguém, mas estávamos os dois sozinhos naquele parque.
— Não tem ninguém aqui. — abracei o meu corpo tentando espantar o frio. Esqueci o meu casaco na cadeira do restaurante.
Como se notasse a minha luta Harry retirou o seu casaco e antes de colocá-lo sobre os meus ombros, me aqueceu com as palmas da sua mão subindo e descendo as mesmas pela extensão do meu braço.
Fixei o meu olhar no seu sentindo o clima entre nós, esquentar.
— Obrigada. — agarrei o seu casaco colorido contra o meu corpo. — Jeff falou que eu deveria conversar com você sobre o que está acontecendo.
— Sim, nós deveríamos conversar sobre isso. — ele concordou.
— Algo como você me contar quem foi a grande inspiração para essas músicas todas.
Ele sorriu.
— Eu ia te contar no outro dia.
— A chamada caiu. — o lembrei. — E hoje mais cedo?
— Também. — ele riu. — De um a dez qual é o grau da sua curiosidade?
— Cinco. — menti e ele deu uma risada. — Oito.
, existem coisas que devem permanecer não ditas.
— Você ia me contar a dois dias atrás, Harry Edward. — ele sorriu ao ouvir eu o chamando daquele jeito. Não foi um dos seus sorrisos contidos, dava para ver as suas covinhas que o deixavam mais bonito.
— Você consegue lidar com a verdade, ? — ele perguntou me fitando como se eu fosse uma obra de arte. Reparei naquele momento que o pequeno espaço que existia entre nós, já não existia.
— Claro que sim. — engoli em seco.
Harry se aproximou mais ainda de mim a ponto de eu sentir a sua respiração bater em meu rosto. Ele inclinou na direção do meu pescoço roçando os seus lábios na região e meu coração acelerou pelo contato imediato.
— É tudo sobre você. — ele sussurrou e se afastou me deixando parada no meio do parque tentando compreender os seus enigmas.
Eu teria acreditado se não fosse a sua risada alta que me acordou do meu transe.
— Você é muito besta, Harry. — resmunguei.
"Me encontre no café"
Notando que eu parei de andar Harry voltou caminhando a passos largos na minha direção. Mostrei o celular para ele e ele leu a mensagem.
— Acho que tem um café perto daqui. — ele pegou nas minhas mãos me puxando para fora do parque.
— Vou entrar. — ele me olhou sério durante uns segundos.
— Não vou te deixar entrar aí sozinha.
— O café está cheio, Harry. — ele soltou o ar devagar não aprovando a minha ideia.
— Ligue para o meu número antigo. Pode ajudar a identificá-lo. — Harry não quis me largar. Seus dedos frios devido os anéis seguravam os meus dedos fortemente como se dissessem "não vai."
— Você precisa me deixar ir. — pedi.
— Parece que estou te mandando para a tua morte. — soltei uma risada.
— Você é muito dramático, Harry. — beijei a sua bochecha me afastando dele.
Entrei no café e comecei por ligar para o número antigo de Harry esperando por ouvir um telefone vibrando ou tocando. Haviam poucas pessoas no café o que facilitava na procura.
Após dar alguns passos, fui contra um cara que não consegui ver o rosto porque ele saiu rapidamente do café.
Desisti de ligar para o número antigo de Harry e caminhei até o balcão para pedir um frappuccino de caramelo e algo para ele. Voltei para o lugar que o carro estava estacionado.
— Trouxe um suco verde para você. — estendi o suco verde na sua direção e voltei a beber o meu frappuccino.
— Obrigada. — ele disse. — Você encontrou a pessoa?
— Não tinha ninguém prestando atenção em mim. — ele ficou refletindo.
— Ele quis saber quem você é e, agora ele sabe. — tentei não me sentir assustada com isso.
— Pode ser uma garota também.
Harry ligou o carro nos tirando do parque escuro. Terminei o meu frappuccino e coloquei as mãos no seu casaco tirando de lá um celular que não era o meu. Virei a capa e soltei uma risada.
Como eu não senti o cara colocar o celular de Harry no meu bolso no mínimo contacto que tivemos?
— O quê foi? — ele perguntou curioso.
— Foi o cara que eu dei um encontrão. Ele devolveu o seu celular.
— Não acredito! — ele estacionou o carro e pegou o celular da minha mão. — É realmente o meu celular. Está desligado.
— Nós podemos carregar e ver que está tudo bem.
— Estamos a umas quadras da minha casa. Vamos passar lá, carrego o celular por algum tempo e depois te deixo em casa.
Concordei.
— Você viu ele saindo do café?
— Além de estar escuro no lugar que eu estava...— assenti. — Perdi a noção do tempo falando com a Olivia.
Harry me deu o seu sorriso que dizia "sinto muito."
— Tudo bem. Não consegui ver nada dele. Estava focada nas outras pessoas, tudo aconteceu muito rápido.
— Isso já nos ajuda a criar um perfil da pessoa.
Em alguns minutos estávamos de volta a estrada. O celular de Harry começou a tocar.
, atende por favor. — peguei em seu celular vendo o rosto de Gemma aparecer na tela.
— Gemma! — falei sorridente.
— Porque você tem o celular do meu irmão? Você é uma fã ou algo do tipo? — ela perguntou brincalhona.
— Seu irmão não consegue viver sem mim. Ele que é o meu fã. — Gemma gargalhou.
— Isso são calúnias. — Harry falou segurando uma risada. 
— Não acredite nele. — digo, em um sussurro.
— O que vocês estão fazendo juntos em um sábado a noite? — ela perguntou.
O lado da Gemma investigativo e questionador já estava ligado. Harry e eu nos olhamos brevemente.
— Eu vi essa troca de olhares. — ela falou, Harry soltou uma risada.
— Você é tão curiosa. — ele disse.
— Ah, me faça o favor. Vocês ficaram um ano sem se verem e eu sou a curiosa? Eu sei que está rolando alguma coisa.
— Boa sorte escondendo coisas de Gemma. — digo.
— Não podemos simplesmente estar colocando o papo em dia? — Harry perguntou, Gemma revirou os olhos, o que passou despercebido por Harry, não por mim.
— Não, H, vocês sabem que não. — Gemma falou impaciente.
— Harry. — ele não olhou para mim. Mas eu sabia que ele estava ponderando contar para Gemma. — Você vai acabar contando de qualquer jeito.
— O que ela disse irmãozinho. — Harry revirou os olhos.
— Eu te ligo quando chegar a casa.
Gemma sorriu com as palavras de Harry e voltou a sua atenção para mim.
— Ethan já te deixou em paz?
— Gemma! — essa menina não tinha filtros. — Ele deve estar entediado no avião agora.
— Vocês voltaram mesmo? — Harry fez um movimento brusco com o carro. Virei para o encarar e ele soltou um "desculpa."
— Como assim Gemma? Eu não voltei com o Ethan, onde você tirou essa ideia maluca? — ela ficou em silêncio confirmando o que eu pensava.
Tive que me segurar para não virar o meu olhar na direção de Harry e perguntar o que o levava a pensar desse jeito.
— Ele postou uma foto te chamando de amor da minha vida, eternos namorados. — ela fez aspas no ar com a sua mão livre.
Ri.
— Ethan é doido. — revirei os olhos. — Eu tive que mandar ele apagar aquela foto.
— Ah! Então, estás solteira? — ela perguntou curiosa.
— Sim. — se não fosse o barulho da respiração de Harry, eu poderia dizer estar sozinha dentro daquele carro. — Não começa. — falei a cortando.
— Você nem sabe o que eu ia dizer. — ela falou, emburrada.
— Posso imaginar que não seria coisa boa. — Gemma soltou uma risada.
— Você e o Harry são tão parecidos.
— Não somos. — ele entrou na conversa.
— O Michal? — perguntei e ela abriu um sorriso.
— Ele está bom. — ela tentou esconder um sorriso, sem muito sucesso. Gemma levantou as suas mãos mostrando o anel de noivado.
— Ah, não acredito que isso aconteceu. — falei animada saltando de empolgação.
Gemma riu.
— Foi romântico. Você sabe que Michal não é nada dessas coisas. Eu ia te chamar pra almoçar pra colocarmos o papo em dia e te contar sobre isso.
— Eu quero saber todos os detalhes. — ela assentiu sorridente.
Gemma me contou brevemente sobre como Michal conseguiu ser romântico pela primeira vez no relacionamento e como ela pensou que ele estivesse tendo um ataque de nervos e não que ia fazer o pedido de casamento.
Harry comentava algumas coisas como o fato de que ele conseguiu ocupar Gemma o dia todo para que ela não desconfiasse de nada.
— O que você está achando das músicas do meu irmão? — ela perguntou.
Ao meu lado, Harry me encarou por alguns segundos, tão curioso como a irmã.
— São bonitas como qualquer música que ele já escreveu. — sorri de lado.
— Isso foi muito fofo. — revirei os olhos com as suas palavras.
— Você gostou mesmo? — ele perguntou curioso, o que me surpreendeu, Harry nunca precisou da minha validação antes.
— Você sabe como fazer uma garota sonhar, Harry Styles.
Seus olhos verdes brilharam de empolgação e ele me deu um sorriso tímido.
— Qual foi a sua favorita? — Gemma perguntou curiosa, chamando minha atenção para ela.
— Essa é fácil de responder. — falei e ela revirou os olhos, impaciente para ouvir que música eu mais gostei. — Vai ser a próxima música. Acho que Harry escreveu para mim. — falei para o provocar e Gemma gargalhou.
— Your skin? — ela perguntou ao irmão, para confirmar.
— Sim. — sua voz saiu rouca e eu tive que me concentrar para não o olhar com outros olhos naquele momento. — Todas as músicas são sobre você. — ele resmungou e Gemma gargalhou ainda mais.
Desliguei a chamada após chegarmos na casa de Harry em Notting Hill. Ele ligou para Gemma enquanto eu fui ao banheiro.
Quando voltei os dois ainda estavam conversando e pelo que pude entender ela não curtiu a ideia de que fomos ver "o estranho", sozinhos.
A decoração havia mudado e o espaço estava mais minimalista. Vários quadros estavam espalhados pela casa incluindo alguns dele mesmo, algumas fotos de Harry com a família e amigos e por incrível que pareça tinha uma foto nossa perdida entre as demais.
Puxei o porta-retrato reparando que sorriamos para a câmara e me perguntei como foi possível eu conseguir sair bem em uma foto e ainda com os olhos abertos.
Na foto, Harry me abraçava pela cintura com o rosto apoiado nos meus ombros. Ele me obrigou a tirar essa foto dizendo que não tínhamos nenhuma foto juntos.
Hélène tirou a foto e acabei não vendo o resultado dela, porque Harry falou insistiu precisar me mostrar algo — sua desculpa para darmos alguns amassos sem a interrupção de alguém.
Ele limpou a garganta.
— Nunca vi essa foto. — falei guardando o porta-retrato no lugar. — Nós parecemos felizes.
Harry sorriu.
— Nós éramos felizes. — qualquer lembrança ou menção do que já vivemos é doloroso demais. Harry tem uma expressão de dor em seu rosto.
Estou me sentindo do mesmo jeito.
— Gemma não gostou da minha ideia? — perguntei.
— De tentares encontrar o cara sozinha? Não. — ele afirmou. — O celular já ligou. Nós devíamos dar uma olhada.
Assenti.
— Ele mudou o código. — Harry me olhou assustado.
Procurei o meu celular notando uma mensagem nova e de um número privado.
"Talvez ele não tenha lutado o suficiente por você. 004758.
Engoli em seco.
— Tenta 004758. — Harry digitou o código e virou o celular mostrando que desbloqueou.
— Ele te enviou o código? — assenti, Harry ficou tenso. — Não estou gostando disso.
— Não me diga! — minha cabeça já estava rodando com tudo isso. — Está tudo aí?
Harry estava mexendo no celular e hora em outra ele trocava um som de irritação.
— Não. — ele passou as mãos sobre os seus cabelos. Algo que fazia quando estava distraído ou nervoso.
Era a segunda opção, é claro.
— O que sumiu? — perguntei, colocando o meu rosto perto do seu para ter melhor vista do seu celular. — Harry!
Ele me olhou apreensivo.
— Todas as nossas fotos sumiram. — encarei ele boquiaberta.
— Você mantinha as nossas fotos no seu celular? — era mais uma pergunta do tipo "mesmo depois de termos terminado a um ano atrás."
— Nunca tive tempo para apagar. — ele levantou os ombros.
— Você manteve só as nossas fotos ou de todas as suas ex? — perguntei, curiosa.
Vi pânico nos seus olhos e, resolvi deixar pra lá.
— Não costumo apagar nada, .
— Você é muito sentimental, H. — ele deixou o seu corpo cair contra o sofá e voltou a mexer no seu celular.
— Foi assim tão fácil me apagar da sua vida? — há dor implícita na sua voz, engoli em seco me negando a ter essa conversa com ele.
— Não vou responder a essa pergunta.
Saí da sala procurando pela cozinha. Sem direção alguma para onde eu estava indo acabei entrando no estúdio de Harry.
— Me perdi. — falei assim que ele atendeu o celular. Ele riu do outro lado da linha.
— Não desliga. Me fala o que você está vendo.
— Acho que é um estúdio. Tem dois sofás grandes, alguns violões e uma guitarra perto da janela. — virei o meu corpo procurando por mais alguma coisa que me ajudasse a identificar o lugar. — E um piano.
— Me desculpa. — desliguei a chamada ao ouvir a sua voz calma perto de mim, me arrepiei com aquilo. — Não deveria ter perguntado aquilo.
— Não foi uma pergunta justa. — digo.
— Eu sei. — ele disse, aéreo.
— Se vamos fazer isso — limpei a garganta — ser amigos. Não deveríamos tocar no passado.
Harry pensou por alguns segundos. E, seu olhar desceu para os meus lábios.
— Você consegue? — ele perguntou.
— O quê? — perguntei de volta.
— Ser apenas minha amiga. — revirei os olhos.
— Você não é tão inesquecível como pensas. — ele abriu um sorriso e eu saí andando na frente.
Harry estava explicando tudo para Jeff ao telefone. Assaltei a sua geladeira comendo uma fatia de bolo de chocolate. Não era fit para o meu alívio.
— Oi. — levantei o olhar encontrando a Olivia me encarando surpresa. — , certo?
— Isso. — dei um sorriso amarelo. — Harry está no escritório conversando com Jeff.
Ela assentiu.
Dei um gole na garrafa de água que peguei antes de comer.
Era possível ver que ela estava se perguntando o que eu estava fazendo ali. Infelizmente para ela, não seria eu quem explicaria.
— Então, vocês acharam o cara? — ela perguntou, curiosa.
— Não. — respondi.
! Jeff falou que ele vai mandar analisarem o meu celular. — Harry entrou abruptamente na cozinha. Descalço e com a camisa branca aberta me deixando ver as suas tatuagens espalhadas pelo seu corpo.
— Que boa notícia, Harry. — Olivia acendeu os olhos assim que o viu. Ele não havia notado que ela estava ali.
— Harry. — ela chamou por ele, ouvindo a voz dela, ele parou de andar na minha direção e virou o seu corpo na direção dela.
— Olivia. — ele sorriu. — Achei que só fosses vir amanhã.
— Não aguentei, precisava te ver. — ela andou na direção dele e beijou os lábios dele.
Virei o meu rosto automaticamente sentindo o meu estômago as voltas. Fui até a sala e procurei pelo meu celular jogado no sofá. Encontrei escondido entre as almofadas coloridas e chamei um táxi.
Harry entrou na sala, seu olhar procurando pelo meu.
— Você está indo embora? — terminei de tirar o seu casaco.
— Estou.
— Vou te levar para casa. — ele se ofereceu.
— Não precisa, já chamei o táxi. Além do mais você estaria deixando a Olivia sozinha.
— Ela não se importa. — lancei um olhar cortando a sua fala.
Ele respirou fundo.
— Tá. Podes ao menos me avisar quando chegares a casa?
— Posso.
Ficamos em silêncio nos encarando até que recebi a chamada do taxista me avisando que chegou.
Harry me acompanhou até ao táxi e abriu a porta para mim.
— Adeus, Harry. — ele abriu um sorriso fraco.
— Adeus, . — ele me abraçou forte, inalei o seu perfume. — Não esquece de me avisares assim que chegares.
— Não vou. — entrei no táxi e o taxista deu partida no carro. Me virei vendo Harry descalço acenando para mim.
Conversei  com o taxista até o assunto morrer. Só queria apagar as sensações que estavam me rondando. Em algum momento ele ligou o rádio e estava tocando músicas aleatórias.
Começou a tocar uma música com uma batida mais lenta e quando a voz do Harry ecoou pelo carro, respirei fundo tentando conter as lágrimas.

I miss touching your skin (Sinto falta de tocar sua pele)
And taste you (E saborear você)
So sweet, eating me inside out (Tão doce, me consumindo de dentro para fora)
I feel so alive (Eu me sinto tão vivo)
When i have you by me side (Quando eu te tenho ao meu lado) So invencible (Tão invencível)



Capítulo 6

 "Você é tão linda. Você não sabe disso? Eu acho que você sabe"
Ur so beautiful, Grace

2018
"Já cheguei".
Empurrei a minha mala de mão e desci encontrando o carro de Harry estacionado do lado de fora do meu prédio.
— Oi. — falei animada assim que nos vimos.
— Oi. — Harry se aproximou me abraçando rápido e pegando a minha mala caminhando com a mesma até o porta malas.
— Achei que você fosse vir com um carro mais chamativo. — comentei.
— Não é muito legal para ir até o lugar que vamos.
Harry estava fazendo segredo sobre o lugar que ele estava me levando.
— Você não vai me dizer para aonde vamos? — perguntei tentando arrancar o que quer que fosse dele.
Ele era um osso duro de roer.
— Nós vamos para a casa de um amigo. — revirei os olhos pela pequena quantidade de informação que ele me passou.
Ele abriu a porta do carro pra mim e fechou. Ele deu partida no carro começando a nossa jornada para o desconhecido.
— Como foi L.A? — perguntei, curiosa.
— Como umas férias rápidas. — rimos.
— Sério, Harry? — perguntei.
Queria olhar pra ele até me cansar, abraçá-lo até ele reclamar seguido por um impulso para beijá-lo. Não sabia que lugar esses sentimentos vinham.  Limpei as minhas mãos no jeans tentando apagar os vestígios de tais pensamentos.
— Foi bom. — ele deu de ombros. — Deu pra ver alguns amigos. Fiquei mais no estúdio do que outra coisa.
— O Mitch? — Harry desviou o olhar da estrada por alguns segundos.
— Você está tentando roubar o meu amigo? — ri da sua pergunta. — Ele está ótimo, está nos braços da Sarah agora.
— Ele não está normalmente?  — perguntei para o provocar.
— Você entendeu o que eu quis dizer.
Assenti.
Conectei o meu celular ao bluetooth do carro de forma a tocar as músicas da playlist que Harry fez para a viagem, tocava My girl dos Temptations baixinho.
— Precisas me contar como foi com o Jack no outro dia.
— Já contei como foi.
— Você não deu detalhes, . — ele afirmou.
Me lembrar daquele detalhe da noite era algo que me deixava desconfortável especialmente quando eu contei para Finn o que aconteceu. Ele riu da minha cara e falou pra eu tirar o Jack da cabeça que ele era mais uma ilusão do que outra coisa.
Ele não deixava de estar errado.
— Eu corri atrás dele e o beijei. Foi só isso. — Harry se virou para me encarar, suas sobrancelhas estavam arqueadas como ele dissesse "não é só isso".
— Você falou que o beijo foi ruim. — assenti, esperando que ele continuasse. — Como um beijo é ruim pra você? — ele perguntou.
Harry estava realmente me perguntando isso? Era como se ele quisesse que eu descrevesse o beijo perfeito.
— Faltou química, Harry. Só queria que ele me deixasse com as pernas bambas.
— Você queria um beijo ou sexo? — dei um tapa nos seus ombros. — Ouch! Doeu, .
— Idiota. — murmurei. — Eu não queria sexo, mas definitivamente queria me sentir envolvida. — Harry assentiu como se entendesse.
Não sei se ele entendeu o que eu quis dizer.
— Então, você queria mais emoção, é isso? — nós olhamos por alguns segundos.
Assenti.
— Queria que os seus beijos me deixassem sem ar e com vontade de beijá-lo de novo e de novo até não poder mais. Queria aquela sensação gostosa no estômago.
Harry ficou em silêncio.
— A química tem que ser inegável daquelas que você olha pra pessoa e você sabe exatamente o que ela quer ou precisa. Não consigo explicar é mais uma daquelas coisas que você precisa sentir.
Mordi os meus lábios fingindo que não pensei em beijá-lo. Aquela conversa estava me lembrando da vez que nos agarramos na minha cozinha e depois na sala de estar. Harry continuou com os olhos vidrados na estrada. O que foi um alívio porque não sabia com que cara eu olharia pra ele.
— Você quer estar apaixonada. — ele disse sorrindo.
— Não. — neguei. — Não quero nada sério com ninguém.
— A tua mente e o teu coração querem coisas diferentes. — ele filosofou.
— Talvez eu queira isso tudo e tenha medo.
— Medo do quê? — ele perguntou.
Suspirei.
Nunca havia entrado em detalhes sobre o meu relacionamento com Ethan do mesmo jeito que Harry não tocava nos seus relacionamentos passados. Era um acordo mútuo que mantínhamos que eu gostava de cumprir.
— De que eu joguei três anos de relacionamento no lixo por algo que eu posso nunca encontrar em outra pessoa.
Harry procurou pelas minhas mãos e apertou gentilmente.
— É preciso coragem para sair de um relacionamento bom quando você sente que algo está faltando. Uma coisa que eu aprendi nos meus relacionamentos é a ouvir a minha própria voz, ela sabe de coisas que não sei.
— Todo mundo acha que estou cometendo um erro, que eu deveria dizer a Ethan que cometi um erro e implorar para voltarmos.
— Como isso te faz sentir? — ele perguntou.
— Que eu não deveria fazer o que os outros querem. — digo. — Nós nos damos muito bem juntos, mas tem algo faltando.
Harry assentiu.
— Viu? Se você voltar com o Ethan você estará se contentando. — soltei um suspiro.
— Você dá ótimos conselhos, Harry. — comentei.
— Só não sou bom para seguir meus próprios conselhos. — ele riu, provavelmente se lembrando de situações que ele deveria seguir seu conselho.
— Acontece. — dou de ombros. — O quê aconteceu com aquela garota que você estava saindo?
— Olivia? Não deu certo. — Harry não se pronunciou mais sobre o assunto então deixei pra lá.
Landslide, a versão de Stevie Nicks, tocava baixo, Harry cantava a música empolgado como se estivesse sentido a emoção de cada palavra.  É uma das minhas músicas favoritas e simplesmente não quero estragar esse momento cantando com ele.
Eu ia arruinar a música com o meu talento nato de não saber cantar, o que fiz foi prestar atenção e deixar sua voz se misturar com a de Stevie Nicks como se eu estivesse tendo o meu próprio concerto privado.
— A regra de viagem de carro é cantar todas as canções. — ele disse.
— Tu queres dizer arruinar todas as canções. — digo.
— Vá lá, não deves cantar tão mal. — Harry me olha com um sorriso cheio de incentivo.
— Dizes isso porque nunca me ouviste a cantar. — não podia cantar na frente de Harry. De jeito nenhum!
. — sua voz saiu como uma súplica. — Canta comigo.
Repito o coro de Fast Car de Tracy Chapman. Harry abre um sorriso me incentivando, canto tão mal que não consigo evitar rir de mim mesma.
— Eu sei sou terrível cantando, acho que nem ganharia um cêntimo como cantora.
— Eu pagaria um cêntimo. — ele disse rindo. — É preciso coragem para cantar desse jeito na minha frente.
Ele vira o seu rosto e sorri.
— Convencido. — revirei os olhos. — E eu achando que fosses dizer algo simpático.
— Queres que eu minta? — ele pergunta.
— Não.
— Eu pagaria um cêntimo. — ele repetiu a mesma frase de minutos atrás.
— Porque eu disse que eu valo um cêntimo. — revirei os olhos, ele riu.
, queres que eu pague mais? — nego.
— Nem eu dólar você me dá. Que espécie de amigo você é? — perguntei.
Ele riu.
— Cinco dólares.
— Esquece. — digo. — Minha carreira foi pelo ralo abaixo pela falta de talento e, porque um amigo não se dignou a pagar mais do que um cêntimo.
Harry gargalhou.
— Depois você fala que sou dramático. — ele comentou.
— Porque você é, Harry Edward, a pessoa mais dramática que eu conheço.
— Uh, . — não deixei de notar a forma que ele pronunciou como se fosse Sophia.
. — corrijo.
. — ele repete lentamente. Por uma fração de segundo parece que o meu nome deve ser apenas pronunciado por ele.
Não me atrevo a dizer nada. Deixo que a voz de Aretha Franklin invadir os meus pensamentos. Não penso em nada a não ser na letra dessa música.
Harry bate as suas mãos no volante no ritmo da música, uma vez ou outra canta uma frase como se soubesse que essa música deveria ser apenas cantada por Aretha.
Cada momento que presto atenção na letra de You make me feel like a natural woman, penso em como alguém já me fez sentir desse jeito. Quando ela canta "eu não sabia o que havia de errado comigo até que o teu beijo me ajudou", penso no nosso beijo e nas sensações que senti como se tudo fizesse sentido, como se tudo se alinhasse.
É uma sensação diferente, uma sensação nova. Nunca me senti desse jeito como se por uma fração de segundos nós pertencemos um ao outro. Travo os meus pensamentos. Eu deveria estar me sentido desse jeito? Como eu poderia estar me sentindo desse jeito?
Foi apenas um beijo.
Repito essa frase para mim mesma até que eu acredito tanto nela que se alguém dissesse que deveríamos ficar juntos seria a piada do ano porque foi só um beijo e beijo não rouba pedaço.
Harry olha para mim como se quisesse ler os meus pensamentos.
— Estás tão quieta. — há um turbilhão de pensamentos passando pela minha mente.
— Estava apenas prestando atenção na letra. — respondi.
Harry morde os lábios.
— Que parte? — ele nem sequer esconde a sua curiosidade.
— Você é muito curioso, H. — abanei a cabeça.
Ele riu.
— Nah, só estou tentando...— ele parou de falar bruscamente.
— Tentando? — perguntei de forma que ele terminasse de explicar os seus pensamentos.
— Eu não sei. — deu de ombros.
— Você não sabe?
— Ai, . — ele solta uma risada nervosa o que me deixa mais curiosa.
— Pare de me enrolar menino. — fiz um coque sem desviar o meu olhar dele.
— Pare de olhar assim pra mim. — ele sussurrou.
— Assim como? — Harry engoliu em seco.
— Como se estivesses pronta para me devorar. — ele riu.
Ri.
— É sério? — perguntei.
Ele assentiu olhando para mim, abrindo um sorriso fraco.
— Estás com medo que eu te devore?
— Eu falei no sentido figurado da palavra.
— Sei.
— Queres me devorar? — um sorriso maroto cresceu em seus lábios. Como ele é tão rápido em mudar o jogo.
— Você é muito safado, H. — solto uma risada.
— Eu nunca escondi que sou. — deu de ombros. — A minha resposta.
— Me responde primeiro. — digo.
Ele suspira.
— Estavas pensativa e eu queria saber quem estava te deixando tão aérea.
— Quem falou ser uma pessoa?
— Ah, eu sei que é. Você soltou um suspiro. — ele imita o suspiro, revirei os meus olhos.
— Você presta demasiada atenção em mim, H.  — ri, Harry deu de ombros.
— Gosto de prestar atenção nas pessoas. — ele disse.
— Pare. — pedi. — Daqui a pouco você vai saber todas as minhas manias, não quero isso.
— Ah, eu já sei algumas.  — ele me provocou.
— Eu também sei algumas coisas sobre ti.
— O quê? — ele perguntou.
— Uma coisa que suas fãs não imaginam é que você importuna os seus amigos.
— Calúnia. — ele riu. — A minha resposta, .
Para provocá-lo sorri da forma mais sedutora que consegui.
— Talvez eu queira. — pisquei os olhos.
— Não brinca com o meu coração, . Eu sou sensível. — ele me avisou.
— Tens dois corações, Harry? — ele me olhou assustado.
Gargalhei.
— Vou anotar sem sentido de humor na minha lista de defeitos do Harry.
— Isso é uma competição para ver quem tem mais defeitos? — ele arqueou as sobrancelhas.
Assenti.
— Minha lista está enorme.
— Mentirosa.
— Poderia estar.
— Está valendo avaliar tudo nessa lista? — ele mordeu os lábios, esperando ansiosamente pela minha resposta.
— Onde queres chegar com isso? — perguntei rindo.
— Exatamente o que passou nessa cabecinha. — meu coração bateu forte naquele momento.
Olhamos um para o outro e rimos.
— Vou me arrepender disso. — abanei a cabeça.
— É só um jogo. — ele disse.
— Que eu faço questão de não perder. — avisei.
— Não podemos ganhar os dois. — trocamos um olhar rápido que dizia que ganhe o melhor.
Quando toca New York de Frank Sinatra nós gritamos a letra tão envolvidos na música que só sentimos prazer em cantar.
Olhei para a placa da cidade Deal. Harry segurou uma risada e continuou a sua atenção na estrada. Dez minutos depois ele estacionou em uma casa branca com flores espalhadas deixando a casa com ar bonito.
— Aqui é bonito. — Harry abriu o porta mala e retirou as nossas bagagens. A casa seguia a mesma arquitetura padrão das restantes casas ao seu redor.
— Espere até veres a cidade. — sorri animada pensando nos lugares históricos que iria conhecer e em observar a arquitetura da cidade.
— Mal posso esperar. — ele destrancou  a porta e entramos. A luz da casa era ótima e a decoração era rústica. Harry foi me mostrando cada canto da casa. Os nossos quartos eram colados e espaçosos.
— Vens sempre aqui? — perguntei.
— Quando eu preciso de um lugar mais calmo para escrever fico um ou dois dias. — ele deu de ombros.
Guardamos as nossas  malas e nos encontramos quinze minutos na frente da casa. Fomos de bicicleta até a feira da cidade, Harry vai à frente comandando o caminho. Ele conhece as melhores barracas e conversa sempre com os vendedores.
Ele  sempre pede para provar as frutas porque quer ter certeza de que está comprando algo doce. Seguro o cesto de compras contra o meu corpo enquanto Harry  procura por morangos tão concentrado que pareceu estar fazendo algo importante.
— Para encontrar um doce só precisa de paciência. — ele pega em um morango e morde, ele suga o restante da fruta e não consigo desviar o olhar.
A única coisa que penso é por favor não faça isso comigo.
— Eu gosto do sabor real do morango. Não é suposto ser doce.
— As frutas são supostas serem doces. — ele afirma. — Vou levar os morangos. — ele entrega os morangos que separou para a dona da barraca e esperamos enquanto ela empacota e faz os seus cálculos.
— Algumas devem ser ácidas. — Harry pegou os morangos e colocou em sua sacola de pano.
— Prove. — ele pede me entregando kiwi já fatiado. Estavamos na tenda a seguir.
— Não.
— Por favor. — sua voz fica mansa, a combinação do seu olhar e sorriso me leva a crer que ele usa esse charme para conseguir o que quer.
— Está bom. — falei após comer um pedaço do Kiwi.
— Levamos? — ele entrega três kiwis a senhora.
— Nós já estamos levando, querido.
Harry se vira e sorri.
— Não sei se gostei desse tom, querida. — ele repete o tom que usei.
— Harry.
— O quê?
— Argh! Seu chato. — ele gargalha.
— Não sei se queres me beijar ou me bater. Qual dos dois?
— Adivinha. — minha voz saiu grave, o que só o fez rir mais ainda.
Harry coloca as suas mãos no meu rosto, me puxa na direção dos seus lábios e os une como se fosse a coisa mais natural do mundo, beijar os meus lábios.
Ele não aprofunda o beijo.
Primeiro, há uma explosão de sentimentos em mim. Segundo, meu coração bate como uma bomba relógio, alto e rápido. Terceiro, isso apenas aumentou a minha vontade de beijar o Harry. É como se eu estivesse com sede e dar um gole na água só aumentasse a minha sede.
— Não era te beijar. — ele olha para mim, me analisando, abre um sorriso de lado mostrando as suas covinhas.
— Discordo. — Harry passa para a próxima barraca.

Harry entra pela cozinha de calção, descalço e sem camisa, consigo ver todas as suas tatuagens como se fosse arte a ser contemplada. Os meus dedos coçam só de imaginar trilhar cada tatuagem que conta uma história.
Estou do mesmo jeito, descalça, cabelo solto e usando um vestido de algodão listrado que me faz sentir mais nua do que outra coisa quando ele olha pra mim da cabeça aos pés.
O vestido sobe devido à malha e pelo jeito que ele está me olhando, desejo usar outra coisa.
Limpo a garganta.
Harry pega um morango e mastiga enquanto me ajuda a guardar as compras que fizemos.
— O quê vamos almoçar? — ele pergunta.
— Não sei. O que tens em mente?
— Spaghetti ai frutti di mare. — minha boca saliva ao imaginar a massa com parmesão ralado.
— Eu gosto. — digo. —  Vamos rezar para que saia bem. Nunca fiz nada tão elaborado e sejamos sinceros sou melhor com doces.
— Nunca comi os teus doces. — ele revela, com um olhar que implora para eu fazer algo para nós.
As minhas mãos não são de fada como , minha amiga nasceu para ser confeiteira, seus doces são de chorar e implorar por mais. Mas, eu conseguia fazer alguns doces gostosos o suficiente para ganhar elogios.
me arrastava para algum curso novo com ela porque eu gostava de aprender e comer, é claro.
— Também nunca comi seus doces. — respondi, Harry revirou os olhos.
Ri.
— Vá lá, faça algo para nós. — ele deu um beijo estalado e molhado na minha bochecha direita.
— Eu vou fazer o almoço, podes fazer a sobremesa. — Harry me olhou como se não gostasse muito da minha ideia.
— Vamos fazer tudo juntos. — ele me informa, baguncei os seus cachos molhados.
Harry beijou os meus ombros e pousou a cabeça ali.
— Você adora me deixar desconcentrada, não é?
— Um pouco. — ele faz sinal com as mãos,  riu em seguida beijando o canto dos meus lábios.
— Outro defeito: provocador nato. — ele abriu um sorriso.
— Certas pessoas consideram isso um talento. — piscou os olhos na minha direção.
— Deve ser legal brincar com a mente feminina. — comentei e Harry se aproximou.
— Não é. — ele me garante. — É mais complicado do que parece. Apenas quero fazer com que a pessoa se sinta confortável perto de mim e quando estou realmente flertando com alguém eu sou tímido.
— Você nunca foi tímido comigo. — comentei.
— Você me agarrou descaradamente na primeira vez que nos vimos. — ele zombou.
— Não foi isso que aconteceu! Meu Deus, Harry, esqueça esse detalhe. — ele gargalhou.
— Prefiro essa versão. — abanei a cabeça. — Me senti confortável com você de cara por isso puxei assunto no restaurante. Não sei explicar , pareceu que já nos conhecíamos.
Ele deu de ombros.
— Eu tenho esse efeito nas pessoas. — dei de língua.
— É mesmo? — Harry se aproximou me encurralando na ilha da cozinha, ficando entre as minhas pernas.
— Harry. — minha mão bateu no seu peito o travando.  Ele riu e beijou a minha bochecha várias vezes.
— Jura que você não quer me beijar?
— Nós estamos cozinhando. — consegui afastá-lo, ele soltou um suspiro alto.
— Qual vai ser a tua desculpa depois? — seu olhar era desafiante.
— Se eu te der um beijo, você me deixa em paz? — perguntei.
Ele assentiu.
Acabei com o espaço entre nós e colei os nossos lábios. As mãos de Harry foram automaticamente para a minha cintura e ele aprofundou o beijo me levantando do chão colocando o meu corpo contra a área da ilha que se encontrava livre.
— Um beijo, Harry. — digo, após achar forças dentro de mim  para quebrar o beijo. Ele riu contra o meu pescoço dando vários beijos na região.
— Foi apenas um beijo. — ele disse contra os meus lábios.
— Deu pra ver. — dei um selinho nele. Harry aprofundou novamente o beijo e dessa vez suas mãos viajavam pelo meu corpo.  — Nós temos o almoço para fazer.
Após o almoço, que acabou por ficar uma delícia, voltamos para a sala de estar. Harry se sentou no sofá dedilhando em sua guitarra enquanto eu tentava focar no projeto que estava trabalho. Inutilmente, minha concentração estava no homem a minha frente submerso em seu próprio mundo compondo.
Ele soltou um suspiro pesado e fechou os olhos irritado.
— Tudo bem? — perguntei fechando o meu laptop. Harry abriu os olhos mexendo a cabeça afirmativamente.
— Não consigo terminar a canção. — mordi os meus lábios encarando-o. Eu estava sentada no chão perto dos seus pés e conseguia ler as tatuagens que ele tinha perto do seu joelho.
Passei os meus dedos nas duas tatuagens e Harry tremeu com o meu toque. Olhei em seu rosto notando o quão afetado ele ficou.
— Uma pena que não posso te ajudar a terminar a canção. — ele sorriu.
— Ajudas só por estares aqui. — sua voz saiu rouca, seus olhos não desgrudaram dos meus.
— Eu vi que tem piscina no outro lado da casa. Queres dar um mergulho?
— Vamos.
A ideia de mergulho foi apenas para Harry relaxar. O máximo que fiz foi molhar os meus pés enquanto ele nadava.

Fizemos panquecas para o jantar com suco de laranja que ele fez questão de espremer porque não suporta o sabor do suco processado. A certa altura nos despedimos e cada um foi para o seu respectivo quarto.
— Não consigo dormir. — Harry invadiu o meu quarto, ele se deitou no lado vazio da cama. — , acorde.
— Me deixa dormir seu folgado. — reclamei de olhos fechados.
— Vou dormir aqui. — ele revelou.
— Não quero. — digo.
— Essa cama é mais confortável que a minha. — abri  os meus olhos só para revirar e voltei a fechá-los porque eles estavam pesados de tanto sono que eu tinha.
— Chato. — virei o meu corpo ficando de frente para ele mantendo uma distância entre nós.
— Não gostei dessa posição. — ele disse, soltei um urro e Harry gargalhou. — É péssima para dormir.
— Você nunca dormiu de conchinha com alguma namorada? — perguntei não querendo realmente ouvir sua resposta.
— Algumas vezes, mas não é dormir conchinha se a pessoa não está dormindo nos meus braços.
Mudei a minha posição, nossos rostos ficaram a centímetros um do outro, mantendo uma distância mínima.
— Está melhor? — perguntei.
— Não. — ele negou. — Podes chegar mais perto? — sua voz falhou, arqueei as sobrancelhas.
— Estou perto. — sussurrei.
— Vira- te. — não tento não fazer o que ele me pediu. Quando virei o meu corpo na direção oposta Harry puxou o meu corpo contra o seu peito e colocou a sua cabeça contra a curva do meu pescoço.
— Melhorou? — ele riu.
— Sim. — ele fungou o meu pescoço. — Você cheira a verão.
— O quê? — abri os meus olhos e me virei para encará-lo.
You smell like summer / Coconut, sand and sea. — ele cantarolou me fazendo rir.
— Isso daria uma música bonita para o verão. — Harry deslizou os seus dedos pelos meus ombros.
— Daria. — ele me olhou com um sorriso diferente do que já havia me dado, por algum motivo aquilo fez com que eu engolisse em seco.
O clima esquentou e de repente olhar nos seus olhos se tornou algo que eu queria fugir com toda a força.
— Eu quero dormir. — ele beijou a minha bochecha e voltou a cantar brincando com o meu cabelo. Não peguei o resto da música porque adormeci.


Harry saiu em sua corrida matinal pela manhã. Ele tentou me levar junto, mas eu estava com tanto sono que nem lembro o que respondi. Quando voltei a despertar ele já estava de banho tomado e reclamando que eu estava acabando de acordar.
Decidi seguir com o meu ritual de domingo. Um banho quente e relaxante.
— Harry! — gritei quando senti o baque de água gelada atingir o meu corpo. Eu esperava água quente para acalmar o meu corpo e não a água tão gelada a ponto de esfriar o meu corpo.
A risada de Harry invadiu o banheiro e eu estava com bastante raiva. Coloquei a toalha e abri a porta do banheiro. Ele estava deitado na cama se matando de rir.
— Não tem graça. — digo.
— Esqueci de avisar que a canalização da casa é antiga, chamei o canalizador para dar uma olhada hoje pela manhã.  — pisquei os meus olhos não acreditando naquela informação.
— Porque você não me avisou? — cruzei as mãos a frente do meu peito.
— Esqueci. — ele falou entre risos. — Desculpa.
— Seu idiota. — gritei correndo na sua direção e batendo nele com a almofada várias vezes.
. — ele riu mais ainda. — Já pedi desculpas.
Ele  conseguiu fugir de mim, rolando na cama e me puxou pela cintura fazendo  com que o meu corpo chocasse contra o dele e as nossas bocas ficassem a milímetros uma da outra.
— Não tem graça, gosto da água fervendo, H. — ele riu e eu olhei feio pra ele.
— Eu sei. — ele disse, seu olhar baixando para os meus lábios. — Talvez nós podemos arranjar outro jeito de te esquentar.
— Dispenso. — falei.
— Engraçado, você falou isso na outra vez. — ele comentou sapeca.
— Dessa vez estou com raiva.                    
— Desconta em mim então. — um sorriso atrevido brincava em seus lábios.
— Vou terminar o meu banho. — me levantei lentamente a tempo de ouvir ele resmungar alguma coisa.
Após o meu banho, desci as escadas vestindo uma t-shirt larga e shorts. Harry estava jogado no sofá descalço com o violão em seu colo e um journal aberto rabiscado.
— O banho foi bom? — ele perguntou  sem parar de dedilhar no violão.
— Foi gelado. — respondi irritada. — Não tem Wi-Fi nessa casa, não tem tv, não tem água quente.
— A ideia é se desconectar. — ele deu de ombros. — Vamos comer? Estou com fome. — ele apontou na direção da cozinha e pelo olhar sofrido que vi em seu rosto acredito que ele esperou bastante por mim.
— Demorei muito? — perguntei.
— Sim. — ele largou o violão no sofá. — Já estava para ir checar se estava tudo bem.
— Eu precisava relaxar.
— Existem vários jeitos de relaxar. — ele pisca na minha direção.
A mesa do café da manhã está pronta. Harry fez suco de laranja e cortou algumas frutas para comermos.
— Comprei pão na padaria. — ele apontou para os pães na mesa. — O novo padeiro é brasileiro e disse que eu preciso provar pão de queijo quentinho.
— Eu amo pão de queijo. — coloquei um pão de queijo na boca e comecei a dançar enquanto comia. — Meu Deus! Saudades do Brasil.
— Você já foi para o Brasil? — ele perguntou curioso.
— Morei em São Paulo durante seis meses.
— Isso parece interessante. — me virei para encará-lo, assentindo.
— Foi divertido até os meus pais decidirem que não era. — dou de ombros.
— Isso nunca te incomodou? Mudar sempre de país? — ele perguntou mordendo a torrada lambuzada da geleia de frutas vermelhas que compramos na feira.
— No princípio era um saco, mas agora eu gosto da ideia de ter amigos espalhados pelo mundo. — sorri —, meus pais finalmente entenderam que precisam assentar em algum lugar e estão em Nova York.
— Isso é ótimo. — ele riu.
— O quê? — o olhar de Harry estava preso em mim como se ele quisesse dizer alguma.
— Mitch quer saber se ainda vais para L.A daqui a duas semanas? — arqueei as sobrancelhas.
— Mitch? — ele assentiu. — Vou ficar um dia em L.A e depois vou para Nova York.
— Eu fiquei pensando porque não dois dias? — ele mordeu os lábios nervosamente esperando que eu dissesse alguma coisa.
— Dois dias? — perguntei.
— Sim, você poderia ficar lá em casa. — ele sugeriu. — Desse jeito você conhece todo mundo.
— Todo mundo? — perguntei confusa. — Quem é todo mundo?
— Adam, Charlotte, Jeff, James. — ele foi enumerando pelos dedos e fiquei o encarando sem reação.
— Você falou de mim pra todos eles? — perguntei.
— Eles são meus amigos. Você é minha amiga. — ele deu de ombros.
Soltei uma risada nervosa.
— Graças a Deus que sou tua amiga porque se fosse tua namorada eu ia me sentir muito nervosa. — soltei um suspiro. — James?
Ele riu.
— James Corden. — ele falou naturalmente.
— Ah! Harry o que você falou especificamente? — perguntei curiosa.
— Que és minha amiga, oras. — ele riu. — O que mais eu poderia dizer? James quer te conhecer porque viria para Deal contigo e ele não acreditou que somos só amigos.
Arqueei as sobrancelhas.
— Porque ele não acreditaria? — mordi o morango sentindo o gosto doce e não o gosto ácido que eu esperava.
— Ah, porque eu... — ele coçou o queixo —, eu nunca trouxe ninguém para aqui antes.
— Okay. — me senti perdida na conversa. — O que uma coisa tem a ver com a outra?
. — ele falou o meu nome nervosamente. — Você faz muitas perguntas.
Harry abanou a cabeça.
Ri.
— Então, tipo você nunca trouxe uma garota pra cá? Eu devia me sentir especial com essa informação? — perguntei para provocá-lo.
— Você é chata. — Harry falou rindo. Me aproximei dele ficando com o rosto perto do seu.
— Foges do assunto, Harry. — ele abanou a cabeça.
— Eu disse que traria a minha amiga para conhecer a cidade. — ele apontou os dedos na minha direção. — Ele achou estranho porque eu nunca chamei ninguém, mesmo quando eu estava namorando.
Assenti.
— Estranho. — mordi a torrada rindo quando ele olhou sem expressão.
— Porquê? — foi a vez dele de perguntar. Harry começou a balancear os pés indicando estar nervoso com a nossa conversa. Bati as minhas mãos na sua perna para que ele parasse.
— Isso não é suficiente para ele achar que existe algo entre nós. — passei a língua pelos meus lábios lentamente. — Você contou que nós ficamos, não foi?
Ele ficou em silêncio e passou as mãos no cabelo nervosamente.

você não faz ideia de como o James consegue arrancar coisas de mim. Eu não falei propriamente que ficamos. Falei que estamos nos conhecendo. — ele deu de ombros.
Assenti.
Estamos nos conhecendo é o novo código de estamos ficando e logo vamos namorar. Não quis prolongar mais o assunto e deixei pra lá. Deveria informá-lo que ele implicou que estamos de fato "juntos?".
Talvez.
— Vamos ver um filme antes do almoço? — sugeri começando a retirar a mesa. Harry pareceu aliviado com a mudança brusca de conversa.
— Se você sugerir ver o documentário que o Jack fez para Netflix eu te abandono. — ri.
— Não vai ser necessário.
— Ótimo. — ele disse. — Qual é o filme?
— Momo. — digo, mostrando o poster do filme.
— É francês. — os seus olhos estavam cheios de curiosidade. — Não sabia sobre esses teus gostos.
— Existe tanta coisa sobre mim que não sabes. — falei.
— Hum, vou descobrir todos os teus segredos e te chantagear.
— Eu sei! Você tem cara de quem faria isso. — ri.
Harry ao meu lado lançou um olhar que me fez gargalhar.
— Não temos wi-fi como vamos fazer isso? — ele perguntou curioso.
— Podemos roubar a internet do vizinho. — mordi os meus lábios e Harry entreabriu os lábios surpreso.
Gargalhei.
— Eu baixei o filme pelo Popcorn Time. — coloquei o filme e me deitei no sofá. Harry fez o mesmo, os nossos ombros se enroscaram, mas ele pareceu não se importar.
— Parece ser bom. — ele comentou.
— Ainda não vi um filme do Christian Clavier que seja péssimo. — os créditos começaram a passar.  — Eu sei que vai parecer pretensioso, porém eu prefiro as comédias francesas. Acho elas mais coerentes do que a comédia americana. — comentei.
— Nós, ingleses também produzimos ótimos filmes. — ele disse.
— Vamos concordar em discordar. — Harry fez uma cara chocada e eu ri.
— Não. — ele abanou a cabeça. — Love Actually é o melhor filme de sempre.

— Hum, nunca assisti. — comentei.
— O filme é bom. Nós vamos assistir um dia desses.
— Não. — abanei a cabeça. Harry apertou as minhas bochechas e beijei as suas mãos que ainda repousavam em meu rosto. 
— Sim. — ele respondeu decidido.
— Não existe "não" no dicionário de Harry Styles? — a questão saiu voando dos meus lábios. Pelo pequeno tempo que nos conhecemos vi que Harry estava aberto a novas experiências.
— Nem sei o que isso significa. — ele beijou a ponta do meu nariz.
— Vou te ensinar o poder de dizer "não".
— Já estás a me ensinar. — ele disse risonho e voltou a sua atenção no filme antes que eu o enchesse com perguntas sobre o que ele estava falando.
Grande parte do filme permanecemos com os nossos corpos encostados um no outro. Harry acabou por deitar o seu corpo no sofá indicando com a cabeça que eu me colocasse confortável do mesmo jeito que ele estava.
Ele acabou ficando de barriga para cima e eu deitada com a cabeça repousando em seus ombros.  A minha mente gritava que aquilo era tão casalzinho, o que definitivamente não éramos. Harry adormeceu durante o  filme e despertou no final do filme quando lágrimas caiam livremente do meu rosto.
— Estás chorar? — ele perguntou com a voz rouca, os seus olhos me estudando.
— Nah, caiu um cisco no meu olho. — funguei baixinho limpando as lágrimas discretamente.
Harry gargalhou.
— Senti o teu corpo a tremer como se estivesses a chorar e os teus olhos estão molhados. — ele mordeu os lábios, abanou a cabeça.
— Não é culpa minha que o final foi emocionante. — levantei o meu corpo e fechei o notebook que estava quase sem bateria.
— Eu adormeci. — ele abriu um sorriso que dizia me desculpe. Levantei os ombros como se não me importasse.
A sua atenção enquanto víamos o filme estava focada em outra coisa. Harry estava olhando para a tela do notebook não propriamente assistindo o filme. Cada vez que eu comentava alguma coisa, sim, sou chata a ponto de comentar algo sobre o filme que estou assistindo, ele parecia perdido.
— Tudo bem, não estavas propriamente a prestar atenção no filme. — dou de ombros.
— Desculpa. — ele se apressa em dizer. — É só que estilos de filmes franceses me trazem memórias que eu julguei estarem enterradas.

— Camille? — Harry assentiu de um jeito triste. — Não imaginei que fosse ser difícil para ti.
— Nós víamos sempre comédias ou dramas franceses porque segundo Camille são os melhores filmes europeus.
— Ela não está errada. — afirmei.
Harry riu.
— Bem, estar fazendo isso sem ela foi estranho. Me lembrou que eu arruinei algo bom com ela por... — ele parou de falar e fechou os olhos por uns segundos.
— Medo? — perguntei.
Harry assentiu.
vais me deixar falar ou queres completar a minha história por mim? — ele fez uma cara de bravo e soltei uma risada.
— Conta. — pedi.
Já havíamos quebrado a nossa regra quando falei sobre o meu relacionamento com Ethan durante a viagem até Deal. Tudo o que falávamos sobre os nossos relacionamentos era algo superficial, nada profundo a ponto de expor como realmente nos sentíamos após o término.
— O que tínhamos era ótimo e eu me assustei e estraguei tudo porque por mais que estivéssemos juntos durante um tempo a ideia de que estávamos indo rápido demais me apavorava. Eu comecei a sabotar a nossa relação gradualmente e Camille sempre me perdoava até que chegou em um ponto que não deu mais para tapar o buraco que se instalou entre nós. O término foi inevitável e apesar de ainda sermos  amigos não consegui apagar cada sensação que eu tinha quando estávamos juntos e sim, é difícil me lembrar que agora somos apenas amigos quando a parte egoísta de mim ainda a quer de volta.
Pisquei os meus olhos tentando lidar com todo o banque de informações que ele atirou em mim.
— É normal sentir falta dela. — digo. — Principalmente quando é tão recente.
— Meu namoro terminou a mais tempo que o teu. — ele disse.
— Sim, mas cada pessoa lida com um término de um jeito diferente. — passei as minhas mãos sobre o seu cabelo que insistia em cair sobre o seu rosto. — A verdade Harry é que não sentimos falta da pessoa e sim de como ela nos fazia sentir porque isso  preenchia o nosso coração.
Deixei os meus dedos repousarem sobre o seu peito sentindo o bater do seu coração. Quando a palma da minha mão descansou em seu peito em uma tentativa de seguir o ritmo do seu coração, os seus batimentos cardíacos aumentaram.
Harry limpou a garganta se afastando quando o seu celular começou a vibrar sobre a mesa de centro. Um suspiro de alívio deixou os meus lábios e abanei as minhas mãos sobre o meu rosto tentando apagar a sensação de frio na barriga que se instalou dentro de mim.



Capítulo 7

"Onde posso ir? Todo mundo está me observando"
Everybody Watching Me, The NBHD

30 de maio de 2022
Segurei o copo de chá gelado com a mão livre quando a outra segurava uma sacola de papel com algumas compras que eu havia feito. A porta do prédio acabou se fechando novamente, soltei um grunhido.
— Me deixe ajudar. — um cara que nunca vi pelo prédio falou abrindo a porta deixando-me passar na frente.
— Obrigada. — sorri gentilmente.
Por dentro, digo a mim mesma que eu tinha a situação controlada.
— Sou o Peter, o novo vizinho. — viro para encará-lo, ele sorri.
— Ah, seja bem-vindo. — abri um sorriso. — Sou a .
Entrei no elevador assim que a porta se abriu.
— Qual é o seu andar? — ele perguntou apertando o botão do quinto andar.
— Nós vamos para o mesmo andar.
Senti o seu olhar como se ele estivesse me estudando. Olhei na sua direção e dei um sorriso fraco.
— A vizinhança é boa? — ele perguntou.
— O bairro é calmo. Tem um café na esquina, um parque e um supermercado a algumas quadras daqui. — ele assentiu. — Quanto aos vizinhos eu não posso realmente falar. Conheço apenas a vizinha do lado, Sra. Lynn, ela tem um gato e normalmente acaba me pedindo açúcar. Ela gosta de fazer doces para os netos e sempre se esquece de comprar.
— Você compra sempre para ela? — ele perguntou curioso.
— Eu sempre compro açúcar para ela. Acho que ela nem sequer repara nisso. — dou de ombros.
— Isso é simpático da sua parte.
— Ela está sempre sozinha. Acho que é o mínimo.
Ele sorriu.
A porta do elevador se abriu e ele saiu primeiro. Peter segurou a porta do elevador para mim não permitindo que a mesma se fechasse contra o meu corpo. Agradeci e saí do elevador.
— Deixa eu te ajudar. Não aceito não como resposta. — ele estendeu as suas mãos na minha direção para pegar a sacola das minhas mãos. Incerta entreguei a sacola nas suas mãos enquanto eu pegava as chaves no bolso traseiro da minha jeans.
Abri a porta do meu apartamento e entrei colocando o copo do meu chá gelado no balcão da cozinha aberta.
— Você quer entrar para tomar um café? — convidei como forma de agradecimento.
— Não quero incomodar. — ele sorriu, rejeitando o meu pedido educadamente.
— Não há problema nenhum. — peguei a sacola das suas mãos e coloquei sobre o balcão da cozinha.
? — ele apontou na minha direção tentando se lembrar do meu nome.
— Certo. — confirmei com um aceno de cabeça.
— Vou dar uma festa sexta-feira de boas-vindas para mostrar o meu novo apartamento aos meus amigos. Você deveria aparecer. — ele sorriu abertamente, ajustando o seu corpo no batente da porta do meu apartamento.
Ah, ele estava flertando comigo.
A sua frase era "eu quero te ver lá com certeza", se uma das meninas estivesse por perto, aceitariam o convite por mim.
— Obrigada pelo convite, vou tentar aparecer. — ele acenou antes de se virar e eu esperei ele entrar no apartamento ao lado do meu e só assim tranquei a porta do meu apartamento.
", tudo bem? É a Emma! Você pode passar na Erskine para identificar o cara do café? Jeff conseguiu as gravações"
"Vou passar aí"
Arrumei as compras e fui dirigindo até a Erskine. A viagem foi rápida visto que a minha casa era no mesmo bairro. Segurei o livro contra o meu corpo e guardei as chaves do carro no bolso traseiro da minha calça jeans preta. Avistei a Emma de longe em uma ligação, nossos olhares se encontraram brevemente e ela acenou na minha direção.
! Você veio mais cedo. — Emma falou me abraçando assim que ela terminou a ligação.
— Estou de folga no trabalho. — sorri.
A sensação de ter folga e poder dormir o tempo todo era ótima. Não era isso que estava acontecendo, claro, mas dava para dar uma relaxada e colocar minhas séries ou leituras em dia.
— Ah, que ótimo. — ela começou a procurar por alguém com o olhar. — Harry está terminando e você pode entrar depois.
— Tá bom.
— Vou avisar que você chegou. — ela desapareceu me deixando sozinha.
Lembro-me de cada música que Harry já escreveu até agora e your skin foi a que mais mexeu com o meu sistema. Como Harry consegue escrever músicas tão perfeitas que parecem mexer com a alma da pessoa? Há um monte de sentimentos que não consigo entender. Minha mente está uma confusão e o meu coração, isso é o pior, está palpitando. Essa sensação me avisa: cuidado, você está pisando em campo minado.
Novamente.
Não posso deixar isso acontecer.
A porta de um dos escritórios se abriu. Olhei naquela direção e Harry colocou a cabeça para fora, provavelmente para confirmar a minha presença. Uma coisa é você ouvir de alguém outra coisa é ver com os próprios olhos.
Ele abriu um sorriso e acenou.
— Ei, estás aqui. — há um sorriso em seus lábios como se ele estivesse fascinado por eu estar ali.
Talvez ele esteja.
— Não, estou na lua e essa é uma miragem minha. — respondi roubando uma risada dele.
. — ele sorriu abertamente. Existe algo na maneira como ele pronuncia o meu nome, como se fosse feito para ser dito por ele. A sensação? Borboletas na minha barriga e um sorriso muito idiota nos meus lábios.
Harry me faz sentir assim, como uma criança que está tendo o seu primeiro amor.
— Harry Edward. — suas mãos me envolveram em um abraço, ele beijou a minha bochecha, um beijo estaladiço, enquanto me tirava do chão. Ele está cheirando tão, mas tão bem que quero afundar o meu nariz no seu pescoço e inalar o seu perfume até me sentir embriagada.
— Você não precisava sair mais cedo do trabalho por isso.
— Estou de folga, Harry. — ele arqueia as sobrancelhas.
de folga? — ele brinca. — Achei que não fosse viver para ver esse dia.
Dramático.
— Eu sempre tirava folgas quando estávamos juntos.
— Porque eu te obrigava. — ele abriu um sorriso, orgulhoso de si mesmo. — Precisava passar algum tempo com a minha namorada.
Harry pisca os olhos na minha direção.
! — Mitch andou sorrindo na minha direção.
— Mitch! — abri os meus braços para abraçá-lo.
— H, não é possível que vocês terminaram e só a ficou mais bonita. — soltei uma risada com as palavras de Mitch.
— Obrigada, Mitch. — minhas bochechas esquentam.
— É injusto. — Harry resmungou.
Não estamos prestando atenção nele. Mitch e eu continuamos a nossa conversa animadamente tentando encher um ao outro com informações sobre as nossas vidas fazendo um resumo sobre as coisas mais marcantes.
— Gostei do seu corte de cabelo. — ele piscou aprovando.
— Também gostei do seu. Foi a Sarah quem cortou? — o seu cabelo estava até a altura das suas orelhas. Desde que o conheci Mitch exibia o cabelo longo, era a sua marca e ele raramente abdicava dos fios longos.
— Foi. Quase surtei quando passei a tesoura. — ele fez uma careta de dor e abanou a cabeça logo em seguida. — Sarah gostou do resultado, eu gostei do resultado. E você?
— Foi um ataque contra Harry. — disparo, brincando. Eu nem sabia que Harry estava por perto e pior ouvindo a nossa conversa quando um coro de hei indignado veio dele.
Mitch gargalhou.
— Mentirosa. — Harry deu um beliscão na minha cintura, firme, porém não forte a ponto de me machucar, do mesmo jeito que ele fazia quando queria… oh!
Harry deve ter visto a confusão em meus olhos porque se deu conta do que estava fazendo, involuntariamente, e largou a minha cintura. Ele estava tão vermelho de vergonha que tive que morder os meus lábios para segurar uma gargalhada.
Mitch percebeu o que se passou.
— O quê você está fazendo? — sussurrei.
— Nada. — ele disse rapidamente, se recuperando. — Tenho uma reunião com a Gucci agora. Você fica bem?
— Fico.
— Te vejo daqui a pouco? — esse é um pedido de "por favor não vai embora sem se despedir".
Assenti.
Mitch começou a falar que deveríamos sair para fazer alguma coisa juntos, que Sarah ia amar me ver. Um jantar, uma noite de filmes eu, eles e quem quer que fosse que eu estivesse saindo.
— Não estou saindo com ninguém. — Mitch arqueou as sobrancelhas confuso.
— Ah! — ele riu e abanou a cabeça. — Desculpe.
— Não sei como alguém chegou a essa conclusão. — revirei os olhos e Mitch riu.
Eu estava quase fazendo uma placa com os dizeres: "não, eu não voltei com o Ethan. Sim, eu estou solteira e não, não vou me casar". Eu entendo, é complicado quando seu ex, Ethan, posta uma foto vossa nas redes sociais no seu aniversário dizendo que ele é o homem mais sortudo da face da terra por poder passar o resto da sua vida ao seu lado. É mais difícil ainda não acreditar quando tem um anel com uma pedra enorme nas suas mãos colaborando com a descrição fofa com o emoji de um coração.
Mas é o Ethan que estou falando. Ele gosta de fazer coisas simplesmente para me tirar do sério. Tive um susto quando fui marcada na foto, li a descrição e vi os comentários nos desejando um noivado feliz.
Vovó Bernadette me deu seu anel de noivado para que eu cuidasse. Minha mãe olhou para o anel nas minhas mãos e levantou o nariz fingindo que nem viu. Era o anel que era suposto ser o seu anel de noivado, mas vovó se negou a dar para ela. Vovó gostava de fazer as coisas do jeito dela.
— Deleta a porra da foto, Ethan. — falei assim que ele atendeu a chamada. Eu nem me importei estarmos em fusos horários diferentes. Ele que me aguentasse após a sua brincadeira.
— Que foto? Temos milhares de fotos juntos. — ele deu uma pausa dramática segurando a sua risada. Sei disso porque ainda teve a audácia de soltar um riso quando eu soltei um grunhido.
— A foto que você fala que vamos passar o resto das nossas vidas juntos. Pelo amor de Deus, Ethan! Minha avó falou que vai comprar o presente de noivado. Apaga isso agora.
— Calma, . Céus, parece que você vai ter um treco. — ele soltou uma risada. — Vovó Bernadette gostou é?!
— Ethan! — gritei e ele riu.
— Como eu gostaria de ver esse rostinho cheio de raiva. — ele comentou. Ó homem que não teme pela sua vida.
— Vá se ferrar. Apaga essa foto agora. — demandei.
— O que eu ganho com isso? — ele perguntou.
— Certas partes desse corpo ainda vão continuar intactas. — falei entredentes para ver se ele entendia de uma vez por todas o que eu queria dizer.
— Você precisa ser mais explícita. Que parte estamos falando? — seu tom de voz ficou mais baixo e soltei um grunhido de raiva.
— Vá se ferrar, Ethan.
— Feliz aniversário, .
Abanei a minha cabeça apagando a lembrança daquela manhã e foquei na voz de Mitch que agora deslizava os seus dedos no ecrã do seu celular e me mostrava algumas fotos. Ele me fez companhia até Emma caminhar na nossa direção.
, pronta? — ela perguntou.     
— Sim.
— Você vai entrar naquela sala e identificar o cara do café. Tudo bem caso você não se lembrar dele.
— Harry identificou ele? — peguntei por curiosidade. Tendo em conta que ele estava no celular falando com Olivia. Eu diria que Harry era um tiro no escuro.
— Ele não serviu de grande ajuda. — Emma me informou.
Ela abriu a porta do escritório e Jeff estava lá com mais um cara que nunca vi na vida.
— Bom dia.
— Bom dia, . — Jeff se levantou e me abraçou. — Pronta para identificar o nosso cara? — Jeff perguntou.
— Claro.
— Esse é o Holland. Vai estar nos ajudar a achar a pessoa que estava com o celular do Harry. — ele olhou para o relógio no seu pulso. — Eu tenho uma reunião com Full Stop Management pelo Zoom e não posso me atrasar. Emma vai ficar o tempo todo com você, como nós velhos tempos.
— Vou cuidar dela, pode ir. — ela garantiu.
— Eu fico bem, Jeff. — ele assentiu, acabou saindo da sala como um vulcão.
Holland foi me explicando que tentariam usar reconhecimento facial para tentar descobrir quem era a pessoa que estava com o celular de Harry. Ele avançou o vídeo até Harry e eu estarmos parados no café conversando, ele segurando na minha mão e me impedindo de entrar no café. Ninguém entrou no café depois de mim e Harry se afastou mexendo no celular até ele sumir do campo de visão da CCTV.
O vídeo mostrava dois garotos saindo após eu ter entrado no café ambos apressados e um segurando um copo de café descartável e outro com as mãos livres.
— Você reconheceu alguém? — Holland perguntou, virando o seu corpo na minha direção. Ele ajeitou o par de óculos de grau que caia sobre o seu nariz e o empurrou para cima.
Olho concentrada para a tela do seu Notebook.
Quando fui contra o "estranho", minhas mãos roçaram contra o seu casaco e para não cair me segurei em um pedaço dele. A fábrica do seu casaco era algodão como se fosse um moletom.
— O cara do capuz. — afirmei. — É ele.
— Vou dar um zoom para termos uma melhor imagem dele.
Assenti.
Emma estava digitando em seu Notebook sem prestar atenção na gente. Com tudo o que está acontecendo aposto que o seu trabalho triplicou.
— Aqui. — Holland termina e dá um play no vídeo.
O cara está caminhando olhando para os seus pés e quando ele levanta o olhar e olha diretamente para a câmera seu rosto está escondido por detrás do capuz e uma máscara que tapa o seu rosto excepto os seus olhos.
Ao meu lado, Holland solta um som de indignação.
— Não é possível. — digo, sem acreditar.
— Ele sabe o que está fazendo.
— Alguma sorte? — Emma desvia o seu olhar da tela do seu Notebook e foca em nós.
— Você não vai acreditar nisso. — começo por dizer. — Não dá para ver quem é.
— Aí meu Deus.— Emma solta já imaginando as suas futuras dores de cabeça.
Holland está falando algumas coisas com Emma e ela está assentindo o tempo inteiro. Não estou prestando atenção, estou pensando no cara estranho.
Ele sabe quem eu sou, como sou e tem o meu número.
É assustador.
Emma e Holland não reparam quando saio da sala para pegar um ar e beber água. Há pingos de água no meu sweater amarelo, estou tão nervosa, minhas mãos estão tremendo.
"Tão doce, me devorando de dentro para fora". — Seu amigo.
Minha respiração como a falhar e olho para todos enquanto o meu corpo todo treme. Há um nó na minha garganta e ela se fecha.
Estou tendo um ataque de pânico.
, estás bem? — não reconheço a voz que está falando comigo agora.
Mas ela é familiar.
Abano a cabeça.
— Inspire e expire calmamente. — a mulher começa a inspirar e a respirar comigo, ela apertou as minhas mãos e começou a repetir que está tudo bem. Gradualmente senti o meu corpo relaxar e o meu foco voltar para o normal.
Olivia me deu um sorriso fraco.
De todas as pessoas, ela era a última que eu esperava que fosse me ajudar.
— Obrigada.
— Eu vou pegar um copo de água pra você.
— Não precisa. — sorri.
— Tem certeza? — ela perguntou preocupada.
Genuinamente preocupada. Isso fez com que eu soltasse um suspiro de alívio e relaxasse o meu corpo fechando os olhos por alguns segundos.
— Sim, está tudo bem. — abri um sorriso fraco na sua direção.
Odeio perder o controle dessa forma, mas os últimos acontecimentos e as mensagens têm me deixado fora de eixo.
— Essa situação é estressante para todos nós. — ela sorri abertamente. Ficamos em silêncio, Olivia pensativa e eu encarando o nada.
Ela limpou a garganta.
— Harry ainda está na reunião com a Gucci? — ela perguntou.
— Sim, acho que você pode ir lá se quiser.
— Acredite, se eu for lá só vou atrapalhar.
Não digo nada.
— Então, você é arquiteta? — Olivia puxa assunto comigo.
— Sim. — digo, sorrindo. — Você é atriz, certo?
— Sim. Nada muito grandioso.
Presumo que ela está falando sobre os seus papéis não afundo o assunto. Não que eu tenha visto muitos filmes dela, no entanto, eu achava que ela era boa no que fazia.
— Você não precisava vir nesse horário. Harry me disse que você está sempre ocupada. Deve ser difícil largar tudo e vir correndo para aqui. — a forma como ela diz, insinua que estou correndo atrás de Harry, não me agrada nem um pouco.
— Não vim correndo para aqui. Estou de folga. — o meu tom de voz é o mais calmo que consigo, mas meu rosto está fechado.
— Não quis dizer...— ela solta uma risada nervosa. — Confesso que minhas palavras possam ser interpretadas de outro jeito, sinto muito , não foi a minha intenção.
Sinto a sinceridade nas suas palavras.
— Tudo bem.
Olivia não desiste. Ela solta uma risada nervosa e se vira para me olhar nos olhos.
— Uma parte de mim, sente que ele te colocou em um pedestal e não consigo competir com você, não que eu realmente queira. Você foi muito importante para ele.
Engoli em seco.
— Acho que Harry nem sequer se deu conta disso. — ela continua a falar. — Mas a forma como ele fala sobre você. Eu soube que deveria te conhecer. Entender toda essa admiração que ele sente.
— Saber que sou inofensiva? — Olivia olha para os seus pés. — Não sou uma ameaça. Não acredito em competição feminina, sem necessidade para isso. Sério, Olivia, você é linda. Sua beleza já é gritante por si. O mundo inteiro vai falar um monte de coisas, vão tentar nos jogar uma contra a outra e isso não importa. Você precisa se lembrar que ele está com você. Para o Harry é isso que basta.
Ela abre um sorriso.
— Agora entendo porque ele te admira tanto. — ela me dá um sorriso fraco.
A porta se abriu e ele saiu com alguns membros da sua equipe caminhando na nossa direção, nossos olhares se encontram e ele sorri.
Meu corpo se esquenta e meu coração começa a bater forte. Travo qualquer sensação e digo para mim mesma: Mantenha essa porta fechada, .
Olivia se levanta caminhando até ele.
Aceno me despedindo, apenas para Harry ver que esperei por ele e vou embora antes que alguém me impeça porque às vezes o melhor a se fazer é ir embora ao invés de esperar o caos acontecer.


Fiquei falando com os meus pais durante uma hora. Os dois tinham um almoço importante e a minha mãe apenas desligou a chamada porque o meu pai ameaçou ela — pela quarta vez.
Foi bom ver o rosto deles pelo FaceTime e Fire que me olhou entediado e soltou um latido quando eu disse que não gostava dele. Interpretei aquilo como "também não gosto de você".
O meu escritório em casa — na verdade, um quarto que eu decidi usar como escritório — estava todo desorganizado após eu passar o dia todo ontem trabalhando. Há vários papéis enormes com projeções de casas, lápis, lixo da borracha por todos os cantos e vários papéis jogados no chão.
Gosto do meu caos quando estou trabalhando, apenas nesse momento, quando termino preciso de ver tudo organizado e limpinho. Passa-me a emoção de dever cumprido. Você pode imaginar que eu tenho a mania de organizar tudo. Se eu deixar algo fora do lugar eu volto para arrumar. Se eu deixar minha cama desarrumada, eu arrumo antes de dormir. Caso não fizer isso, não consigo pregar os olhos.
Não há muitos móveis pelo apartamento. Tem uma grande estante que construí com a ajuda do meu pai. Ela está cheia de livros espalhados por ela. Poesia, ficção, ficção científica, aventura, romance. Escolhe um gênero e você terá. Leio uns clássicos vez ou outra.
As paredes estão pintadas de verde musgo. Tem um enorme quadro de Nova Iorque a preto e branco — a moldura é preta. Após o meu primeiro projeto meus pais me ofereceram uma miniatura do projeto, ele está em uma mesa ao lado de uma poltrona.
No canto, tem o lugar que guardo todos os projetos que já trabalhei. Os papéis estão sobrepostos de forma que não faça confusão.
Maggie Rogers está tocando e posso garantir é uma onda de calmaria. Afundo-me em sua voz até eu cantar o coro com ela.
"Você foi embora". — Harry.
Não é possível que esse menino goste tanto da minha atenção.
Ignoro a sua mensagem. Após terminar de arrumar o apartamento todo tomo um banho, coloco uma t-shirt enorme e um short curtinho. Passo a máscara de argila verde e deito no sofá decidida a ver um episódio de BoJack Horseman — ainda estou presa na primeira temporada.
Meu celular vibrou e vi ser uma chamada de voz. A pessoa? Acho que dá para imaginar quem era. Não atendi porque sinceramente porque eu deveria? O meu celular voltou a vibrar e dessa vez era uma chamada de vídeo e vi um rosto que me fez sorrir e deslizar o dedo pela tela de bloqueio.
— Gemma! — sorrio assim que atendo a chamada de vídeo.
— Eu só tenho uma coisa para dizer: faça as malas nós vamos em uma viagem de carro.
— Viagem de carro? Quando? — perguntei. Havia mandado uma mensagem para gente dizendo que teria folga durante o resto da semana e que se ela estivesse livre poderíamos marcar alguma coisa.
— Amanhã bem cedo. Se prepare. — ela me avisou.
— Para que lugar? — perguntei curiosa sem esconder a minha empolgação.
— Itália. Nós podemos voltar na sexta ou no sábado e descansamos durante o domingo todo. Também tem a opção de voltar só no domingo. — ela sorriu.
Era segunda-feira então teríamos uns bons-dias para aproveitar.
— Itália é grande, Gemma. Fala-me concretamente para que cidade nós vamos.
, você escolhe as cidades. Confio em você, sempre tens os melhores roteiros.
Soltei uma risada.
— Não acorde o monstro, Gemma. — ela gargalhou.
— Depois me envie tudo e o resto eu trato com o meu irmão. — fiquei em silêncio por alguns segundos.
— Ele não vai, certo? — perguntei, Gemma riu do outro lado da linha, ela abanou a cabeça.
— Não, relaxa. — um sorriso ainda brincava em seus lábios.
— Gemma! Você viu o meu celular? — a voz de Harry invadiu a ligação.
— Minha bateria acabou. — ela começou por explicar. — Peguei o seu emprestado.
— Com quem você está falando? — ele colocou o rosto perto de Gemma e olhou pra mim.
. — ele se virou para a irmã. — Porquê você não me avisou? Você sabia que quero falar com ela.
— Porque você é um chato e não me deixaria falar com ela em paz. Como agora. — Gemma olhou feio para o Harry. Ele beijou a bochecha dela e voltou a sua atenção para mim. Sem se importar que estou verde como um pepino.
— Você me ignorou.
— Eu estava ocupada.
— Mas você atendeu a Gemma! — ele reclamou.
— Prioridades. — Gemma respondeu e piscou os olhos na minha direção. — Eu sou mais importante.
— Você foi embora sem se despedir. — ele disse.
— Tecnicamente eu me despedi. Eu fiz um tchau. — Harry revirou os olhos.
— Não acredito que você está fazendo um drama disso, Harry. — Gemma deu um beliscão nele.
— Doeu, Gemma. — ele passou as mãos sobre os seus braços. — , vamos tomar um café?
— Não é boa ideia sermos vistos sozinhos publicamente. — adiantei.
— Vou pra sua casa. — Gemma resmungou alguma coisa e desapareceu.
— Não quero te ver. — digo.
— Essa doeu. — ele levou as mãos sobre o seu peito. — Você ouviu your skin?
— A música é linda, H. — seus olhos brilham com essas palavras. — Então, pra quem você escreveu?
Ontem ouvi a música sem parar e não posso falar de como ela me faz sentir a toda vez que ouço. É uma sensação diferente a cada vez. E, quando ele canta baixinho "te quero mais agora", meu coração falha.
Harry não responderia para quem ele escreveu. As únicas músicas que ele já admitiu sobre quem escreveu foram To be so lonely e Cherry. Sinceramente, não tinha como negar. Ele sempre vem com a frase eu sou gentleman, eu não vou dizer nada. Dá vontade de obrigar ele a falar pra quem ele escreveu a música não que eu já tenha pensado em como obrigar Harry a me contar o que seja.
As outras músicas ele sempre desviava o assunto. Harry é ótimo é dar respostas evasivas que te fazem refletir mais sobre algum assunto do que na letra da música. Você gostou da música, mas o que ela significa pra você? O que ela te faz sentir?
— Para a minha maior fonte de inspiração no último ano. — Harry olha para mim e abre um sorriso travesso. — Gosto de escrever sobre você.
Ele cantarolou.
Quando reviro os olhos ele solta uma risada.
— Com quantas garotas você já usou essa frase? — ele começa a contar pelos dedos me fazendo rir.
— Cinco? — revirei os meus olhos.
— Perdi a conta. — ele fez um sinal com as mãos, soltei uma gargalhada.
— Você realmente sabe como iludir uma garota. — levantei do sofá caminhando até a cozinha, os olhos de Harry seguiram todos os meus movimentos.
— O que foi? — olhei para a minha t-shirt tentando entender porque o seu olhar estava cravado em mim.
— Ei, essa é a minha camisola. — ele ainda olhava atentamente para a minha peça de roupa.
— É?
— Sim, a camisola que eu perdi e você disse que nunca viu.
— Isso é estranho. — segurei uma risada. — Ela pertence a um amigo que esqueceu aqui no outro dia.
— É mesmo? — ele arqueou as sobrancelhas. — Que amigo?
— Você não conhece. — ele riu.
— Acho que está explicado porque o meu guarda-roupa mudou drasticamente após começarmos a namorar.
— Não faço ideia do que falas. — me fiz de desentendida.
A sua t-shirt velha do Hard Rock que ele comprou em um brechó era uma das minhas peças favoritas e estava jogada no meu guarda-roupa, não que ele saiba. Harry julga que Gemma jogou fora após ela afirmar que faria isso. Eu falei que ela não fez isso mas também não me entreguei. Qual é? Porque eu faria isso? Eu uso a peça para dormir ou quando estou com muita pressa e quero tomar café da manhã no café perto de casa.
— Meus moletons, meus casacos, minhas camisolas. Você quer que eu continue? — ele pergunta, enumerando tudo pelos dedos.
— Não. — abano a cabeça.
— O que você está fazendo? — Harry perguntou quando eu larguei o celular na bancada da cozinha. Agora ele encarava o teto cinzento do meu apartamento.
— Preciso regar as minhas plantas. — gritei caminhando até ao armário e enchi com água. Mostrei o regador e caminhei segurando o celular nas minhas mãos e mudei para a câmera frontal.
— Ei, essa é a planta que eu te dei. Ela ainda está viva. — ele falou maravilhado. Talvez tenha pensado que eu tenha me livrado de tudo o que ele representava na minha vida, me livrado de tudo o que me lembrava ele e o arrancado da minha vida como se arrancasse um caco de vidro que se afundou nos seus pés e te deixa sangrando.
Ninguém quer sangrar.
— É uma dragon fly. — era perfeito porque o meu apartamento tinha pouca luz e como eu ficava muito tempo sem regar ela não morria.
Na sala há sofá azul-marinho cheio de almofadas coloridas — em uma extremidade tem um lírio da paz — na mesa de centro tem uma aglaonema pequena — e na mesa lateral um pequeno abajur de mármore.
— H, vamos? — Gemma chamou por ele.
— Um segundo, Gemma. — ele abriu um sorriso triste.
— Você só precisa dizer tchau "" e nós vamos. Eu não posso me atrasar, sou uma das palestrantes. Harry! — ela falou impaciente. Conseguia imaginar ela bater os seus pés no chão involuntariamente.
Quando Gemma está irritada ela bate o pé no chão sem parar.
— Certo. — ele me fez uma cara de pânico.
— Gemma! Vai correr tudo bem. — ela puxou o celular das mãos do Harry e soltou um suspiro.
— Estou nervosa, . — não era segredo nenhum que ela sofria de ansiedade. Gemma sempre falava sobre esse assunto em suas redes sociais.
— Você vai arrasar. — pisquei os meus olhos.
— Você acha mesmo? — ela perguntou insegura.
— Gemma Styles, você nasceu para isso. — ela abriu um sorriso.
— Obrigada.
— Me conta como foi tudo amanhã. — ela assentiu e acenou.
— Tchau, Harry.
— Tchau, .

A porta, tingida de amarelo, da casa que Finn dividia com Jack se abriu. Levantei o meu olhar encontrando um Harries me olhando com um sorriso. Ao contrário das outras vezes em que nos encontramos o seu cabelo não estava preso em um coque, ele caia livremente em seu rosto e um sorriso brincava em seus lábios.
— Oi, Jack. — sorri e o abraçando.
— Como você sabe que sou eu? — ele perguntou, confuso.
— Seu sorriso. — levantei os meus ombros.
— Nós temos o mesmo sorriso. — ele revirou os olhos.
— Você é mais alto. — rebati. Jack era ligeiramente mais alto que Finn e a diferença era minuscula, mas quando você admira certa pessoa você acaba notando até o sinal perto dos olhos que é invisível aos olhos de outras pessoas.
— Finn! está aqui. — ele gritou e se virou para sorrir na minha direção. — Ele está no banho.
Abri um sorriso.
— Então, porque você queria se fazer passar pelo seu irmão? — perguntei.
— É engraçado ver todo mundo se questionar quem é quem. — ele deu de ombros.
— Ah! Isso significa que vocês já trocaram de namorada? — perguntei curiosa.
— Como chegamos até aqui? — ele soltou uma risada.
— Responda a minha pergunta, Jack. — me aproximei dele o encurralando.
— Finn! Vem logo. — ele gritou virando o seu rosto e fugindo do meu olhar. Soltei uma gargalhada notando que o meu jeito estava o deixando sem graça.
— Vou considerar isso como um sim. — pisquei os olhos e andei até a sala me sentando no sofá cinza e o meu corpo se afundou. Ele era tão confortável que se Jack e Finn deixassem eu passaria a noite ali.
— Não. — Jack se aproximou se sentando do meu lado.
— Nunca? — ele negou. — Interessante.
Jack me olhou de um jeito estranho.
— O que há de interessante nisso? — ele arqueou as sobrancelhas.
— Vocês são os únicos gêmeos que eu conheço que nunca pensaram ou nunca trocaram de lugar.
— Não desse jeito. — ele respondeu.
— Não desse jeito. — repeti a frase abrindo um sorriso na sua direção. Ele sorriu de volta e abanou a cabeça como se tentasse se afastar de algum pensamento ruim.
— Você e o meu irmão são dois falhados. O vosso plano é ficar em casa quando vocês não têm que acordar cedo amanhã. — dei de ombros. Finn havia sugerido irmos para um bar e quando ele tocou no nome de Jack e disse que o irmão ficaria em casa eu disse que não estava com saco de aturar gente estranha e que preferia ficar em um lugar mais calmo.
Finn riu notando quais eram os meus verdadeiros planos porque ele sempre sabe o que se passa na minha cabeça esse era o motivo que nos damos bem no trabalho, um completa o outro.
— Foi ideia do seu irmão. Só estou aqui pelo vinho grátis e pela comida. — Jack soltou uma risada.
— Finn me falou que vocês vão conversar sobre alguma coisa relacionada ao trabalho. E se for desse jeito eu prefiro não estar por perto. Quando vocês começam a falar de trabalho parece que o resto do mundo não existe. — soltei uma risada com as expressões faciais
que ele estava fazendo.
Harry dizia a mesma coisa.
Junte uma perfeccionista com alguém igualzinho e a fusão é perfeccionista ao quadrado. Dose dupla de perfeição. Eu já tentei trabalhar com Riona e Finn com Zachary e no final os dois acabaram nos juntando e dizendo que seriamos a dupla perfeita. Não nos largamos depois disso.
— Isso não vai acontecer hoje. Estou de folga. — garanti.
Jack me olhou, mas não se deu por vencido. Esse é o discurso que eu uso cada vez que estou de folga e me junto a Finn. Começamos por dar uma olhada no projeto para ser se está tudo correto e quando dou por mim, estamos analisando a cor da parede ou decidindo mudar de material porque não vai ter o efeito que queremos.
— Vocês precisam de uma vida: sair pra beber com os amigos sem se preocupar se o trabalho está perfeito, conhecer alguém no bar e transar. — o jeito como ele olhou pra mim, fez com que as minhas bochechas esquentassem. Dou uma checada em Jack super rápida que nem ele dá conta.
— Há quanto tempo o Finn está no banho? — caminho até a cozinha, abro a geladeira e vejo que não tem nada para beber. Nada do que eu queira para aquela noite de segunda-feira.
— Eu diria que ele entrou quando você chegou. — revirei os olhos. Finn demorava vidas para tomar banho. Era capaz dele demorar quase uma hora dentro daquele banheiro. O que ele ficava fazendo durante aquele tempo eu não fazia ideia.
— Ótimo, nós vamos ao supermercado. — Jack me olhou de cima para baixo como quem diz "não vamos não". Me aproximei e o puxei pelas mãos tentando levantar o seu corpo do sofá. Seu corpo quase cedeu e Jack fez peso em seu próprio corpo o que fez com que eu acabasse por cair ao seu lado no sofá.
— Você é cabeça dura, hein. — ele abriu um sorriso de lado e abanou a cabeça.
— Nós vamos em um pé e voltamos no outro. Vamos lá, Jack. — fiquei o encarando com cara de cachorro abandonado. Eu não queria ir sozinha no supermercado, queria a sua companhia mais do que tudo.
Jack soltou um suspiro alto, pegou o seu casaco colocado perto da entrada da sua casa e o colocou antes de abrir a porta. Sorri por conseguir tirar Jack de casa, o segui para fora de casa. Ele andou até a sua moto e retirou o capacete estendendo na minha direção.
Pisquei os meus olhos e levantei o olhar até encontrar o seu par de olhos azuis.
, é apenas uma moto. — Jack riu.
— Não vou subir aí. — apontei os dedos para a sua moto como se ela fosse um monstro que fosse me comer viva.
— É uma ótima desculpa pra você agarrar os meus músculos. — me engasguei na minha própria saliva pensando nas minhas mãos agarrando o seu peito fortemente e me senti como uma adolescente que tem um encontro com o menino bad boy da escola.
— Estás bem, ? — ele perguntou mordendo os lábios segurando uma risada.
Filho da mãe.
— Estou ótima. Nós vamos de carro. — acionei o alarme e o carro destrancou. Jack reclamou e acabou me seguindo até o carro.
Eu deveria ter ido com ele em sua moto? Se eu fosse não estaria tão na cara que eu realmente preferia passar mais de cinco minutos me segurando a ele como se fosse a melhor coisa do mundo?
Silêncio prevaleceu entre nós até ele quebrar fazendo a última pergunta que eu esperava vindo dele.
— Então, estás solteira? — olhei pra ele por uns segundos tentando ver se aquela realmente foi a sua pergunta.
— Para me juntares ao Finn de novo? Aquilo foi lamentável. — ele gargalhou.
— Não tento vos juntar nunca mais. — ele me garantiu.
— Solteira. — digo. — Pena que nunca estivemos solteiros ao mesmo tempo. — quero olhar pra ele e ver a reação das minhas palavras, mas preciso manter os olhos na estrada.
— Você realmente sabe me deixar sem palavras, . — ele falou rindo.
— Eu tento. — dei de ombros.
— Dessa vez talvez o destino esteja a nosso favor. — ele sorriu.
Senti um arrepio quando os nossos olhares se encontraram. Um sorriso maroto brincava em seus lábios me deixando sem reação.
— Olhos na estrada, . Não quero morrer sem ter vivido certas experiências. — mordo os meus lábios tentando manter a minha atenção na estrada.
Avistei a entrada do supermercado. Entrei e segui até estacionamento. Estávamos na Tesco perto da casa dos gêmeos. O estacionamento estava vazio para a nossa sorte.
— Chegamos. — estacionei o carro em uma vaga livre perto da entrada do supermercado. Desci do carro e tranquei o mesmo quando Jack saiu do carro.
— Sabe o que é engraçado? — perguntei, Jack abanou a cabeça. — Eu tinha um grande crush por você e Finn passava a vida tirando uma onda com a minha cara.
— O quê? — ele perguntou, as sobrancelhas levemente erguidas.
Eu não acreditava que eu estava falando sobre essa vergonha mundial com o próprio Jack.
— Antes de namorar o Harry. — pegamos um cesto e seguimos até a secção das bebidas concretamente na área dos vinhos.
— Finn nunca me contou nada. — ele soou abismado.
— Talvez ele não queria que eu passasse vergonha após várias investidas ridículas.
Jack começou a rir.
, meu irmão falou que você era lésbica e gostava de flertar com caras por divertimento.
— Não! — grito, as pessoas ao nosso lado me olham feio. Jack começou a gargalhar. Não acredito que Finn tenha dito isso logo para Jack.
Três garotas perto de nós nos encaram curiosas tentando saber o motivo do meu grito. Ele parece não ter notado, estava ocupado rindo da situação.
— Meu irmão não nos queria juntos. — ele pega um Merlot argentino e coloca no cesto. Finn realmente não nos queria juntos.
— Hum, para não estragar a amizade. — dei de ombros.
— Não ter que escolher um lado caso nós brigássemos. — ele pontuou.
— Ou durante o término do nosso relacionamento. — Jack pega um Moscato, o meu favorito, e coloca no cesto. Acredito que duas garrafas sejam suficientes para mim e Finn.
Jack prefere cerveja.
— Nós deveríamos sair um dia desses para um café. — ele comentou como quem não quer nada, como se me chamar para um café fosse algo normal como falar sobre o tempo.
— Me desculpe. Eu não entendi. — o rosto de Jack estava tão perto que se eu inclinasse os nossos lábios se tocariam. Não, ele não tentou me beijar. Ele olhou para mim com um sorriso divertido e deixou o momento passar.
— Você está se vingando por todos os "nãos", ? — ele questionou.
— Claro que sim. — falei abertamente. Convidei Jack para "sair" uns dias depois do nosso beijo para tentar ver se realmente não existia química entre nós. E o que ele me deu? Um belo e redondo não.
Em compensação eu acabei saindo com Harry Styles.
Harry Fucking Styles.
Ele riu.
— Você tem razão. Eu deveria ter percebido antes do Harry. — concordei.
— Você deveria ter percebido quando eu coloquei a minha língua na sua, no seu aniversário. — ele arqueou as sobrancelhas. — Agora, me lembrando, foi como beijar um amigo.
Jack riu.
— Porque você beijou o meu irmão. — faço uma careta tentando me lembrar do beijo que aconteceu a anos atrás. Lembrando bem Jack não me beijou de volta, Finn não me beijou de volta! Ele me deixou fazer todo o trabalho sujo.
— Tá explicado. — agora entendo porque não senti nada. Entendo porque aquele beijo pareceu errado desde o princípio.
Ele assentiu.
— Você e o Styles? — olhei para ele arqueando as sobrancelhas.
— Amigos, só amigos. — ele sorriu, como se as suas chances tivessem aumentado.
Sem prolongar mais a nossa estadia no supermercado pegamos as cervejas de Jack, seguimos até o caixa e pagamos a nossa conta. Jack insistiu em dividirmos a conta e eu nem dei briga. Achei que era justo dividirmos os custos.
Quando saímos da Tesco fomos surpreendidos por uma chuva forte caia do lado de fora do supermercado nos mantendo ali. Aquela chuva não tinha nada a ver com os chuviscos característicos de Londres.
— Você não olhou para a previsão do tempo? — ele perguntou.
— Você olhou? — rebati a sua pergunta. Jack me olhou e levantou os ombros.
— Podemos brincar com o meu irmão visto que ele trabalhou tão duro para nós manter separados. Vamos fazer ele provar o seu próprio veneno.
Abro um sorriso em sua direção. Estou pronta para fazer Finn se arrepender disso.
— Conta comigo.
Corremos até o carro e abandonamos o estacionamento do supermercado. Demorou quinze minutos para chegarmos até a casa, Jack retirou a sacola de compras do porta malas e entramos em sua casa encontrando Finn jogado no sofá.
— Finalmente. — ele revirou os olhos, entediado.
— Fomos comprar bebidas. Você comprou algo para comermos? — perguntei.
— Duas pizzas médias. — ele olhou para o seu irmão gémeo e arqueou as sobrancelhas. — Vocês estão me olhando de um jeito estranho.
Olhei para Jack e ele me olhou de volta.
— Finn... — o tom de voz de Jack era sério, ele pegou nas minhas mãos e as entrelaçou.
— O quê é isso? — ele apontou para nós dois.
— Nós precisamos te contar algo. — Jack me puxa pela cintura e nos nossos corpos acabam caindo no sofá. As suas mãos continuam firmes na minha cintura como se ele não quisesse me largar.
— O quê? — Finn está em alerta, seus olhos arregalados na nossa direção.
— História engraçada, nós fomos ao supermercado juntos, como você pode ver e nos apercebemos o quão duro você lutou... — Jack apoiou o seu rosto nos meus ombros.
— Para nos manter separados. — completei.
— E temos que te agradecer.
— É, porque nos apercebemos, que nós estamos apaixonados. — digo, Jack mantém o seu rosto calmo. Não sei como ele consegue.
Finn, por outro lado, está sério e não diz nenhuma palavra.
— Vocês passaram meia hora juntos e estão apaixonados? — quero rir assim como Jack que para esconder a sua gargalhada está beijando o meu pescoço.
— Sim. — respondi.
— Isso é alguma brincadeira? — ele pergunta.
— Eu te falei que ele não ia aceitar isso. — me virei para Jack, o movimento é brusco e nossos rostos batem um no outro.
— Ah! — murmuro um pedido de desculpa.
— Ele vai ver o que nós vemos, que o nosso amor é verdadeiro. — ele se aproxima de mim como se fosse me beijar.
Finn solta um resmungo alto.
— Parem! — ele grita. Os lábios de Jack que estavam a centímetros dos meus se afastam rapidamente. — Não aguento essa tortura.
— Não foi legal da sua parte. — Jack diz encarando o irmão.
— Sim, não foi. Me desculpem. — Finn admite.
— Porque você não falou simplesmente que nos ver juntos é uma tortura? — perguntei. Deu pra ver pelos últimos minutos que era algo difícil para Finn.
— Não quis ser o idiota que diz "ei, não namore o meu irmão". — ele revela.
— Você fez pior. — digo, Jack se sentou ao meu lado segurando uma cerveja. Deu um gole e assentiu demonstrando dividir a mesma opinião.
— Irmão nos diga porque seria tão mal nos ver juntos? — Jack está curioso, assim como eu, para saber os motivos que levaram Finn a sabotar todas as chances que tivemos no passado.
— Não quero falar sobre isso. — ele respondeu, irritado.
— Nós merecemos um motivo ou razão para tudo isso. — Jack insistiu tentando arrancar algo de Finn que explicasse o porquê daquilo tudo.
Assenti.
— Tá bom. — ele solta um suspiro, dolorido. — Você é o gémeo divertido, engraçado e todas as garotas sempre acabavam por se tornar minhas amigas porque no final queriam apenas que eu ajudasse a te conquistarem. Era um saco.
Jack e eu nos entreolhamos. Finn pareceu bem chateado me fazendo esquecer que por alguns minutos fiquei chateada com artimanhas usadas por ele.
— Sinto muito. — dou um sorriso fraco na sua direção.
— Poderias ter me contado. — Jack diz, olhando no fundo dos olhos do irmão, os dois conversaram pelo olhar e vi a ligação entre gêmeos que você se pergunta se é real bater a porta.
— Eu vou pegar uma taça na cozinha. — avisei, nenhum dos dois pareceu me ouvir. O meu celular vibrou no bolso traseiro da minha jeans.
"E talvez eu ainda te queira. O que há de errado em te querer às duas da manhã? Me diga" — Seu amigo.
"Obrigada pela força, . Harry que lute com a nossa amizade, ela vai continuar sendo forte".— Gemma.
Se eu pudesse bloquear as mensagens do seu amigo o faria num piscar de olhos. Porque ele estava se auto-titulando daquele jeito? Se havia jeito de como se tornar mais estranho, acabou se tornando. Sabe quando você ignora o problema — não que fosse um e eu esperava que não fosse — e esperava que ele suma? Era desse jeito que eu esperava resolver as coisas. Aquilo era apenas a brincadeira de alguém que queria mexer com a minha cabeça e eu não iria deixar mexer com o meu coração.
Não posso negar que esteja começando a ficar assustada. Eu deveria, não é? Ei, é apenas uma mensagem. Nada de mais. Pode ser engano, isso ele mandou para a pessoa errada.
Peguei a taça a enchi com vinho branco e voltei a sala. Finn e Jack estavam rindo sobre alguma coisa mostrando que conversaram tudo o que tinham que conversar.
— O quê vocês estão rindo? — perguntei.
— Te lembras do nosso aniversário? — Finn perguntou. — Eu tentei te avisar que eu não era o Jack. Você não quis me ouvir.
— Por favor, não vamos falar sobre essa vergonha mundial. — digo, eles riram.
— Agora faz sentido aquele seu discurso "nós não clicamos tudo bem ainda te acho uma graça, Jack Harries". — ele afina a voz me imitando.
— Idiota. — murmuro.
— Ei, você não tem que organizar uma viagem para amanhã? — Finn arqueia as sobrancelhas.
— Estou quase terminando. Já escolhi os roteiros, os restaurantes e os melhores lugares para passear.
— Só não cai na lábia de um italiano. — Finn soltou uma risada com a sua dica.
prefere os britânicos. — Jack piscou na minha direção, sorri.
— Por favor, não flertem quando eu estiver por perto. — Jack levantou as mãos no ar se rendendo.
Enchi uma taça com vinho e dei um gole. Encostei o meu corpo no sofá acabando por ficar perto de Jack.
— Quando você volta? — ele perguntou após virar o rosto na minha direção ficando demasiado perto.
— No final de semana.
— Me liga. Vamos fazer algo juntos. — sorri para Jack, ao nosso lado, Finn limpou a garganta.
— Combinado. — pisquei os olhos na direção dele.
A pizza chegou um tempo depois, comemos conversando sobre assuntos aleatórios, enquanto eu terminava todos os planos da viagem. Mandei para a Gemma por e-mail e ela me respondeu por mensagem aprovando tudo.



Capítulo 8

" Você tem tudo, você tem o que eu preciso
Toca-me, tu és eléctrico, querido"

Electric, Alina Baraz

31 de Maio de 2022
Gemma estava me esperando em frente ao meu prédio. O céu estava nublado e chuviscava em Londres. Estava um clima demasiado agradável e perfeito para ficar debaixo das cobertas dormindo. Gemma me ligou uma hora antes de sair de casa e me mandou mensagem avisando estar a caminho.
Desci com a mala feita a última da hora porque acabei ficando mais tempo do que planejei na casa dos gêmeos. Na verdade, a mala estava quase pronta só faltava colocar a minha linha de skin care, escova de cabelo e fechar a mala.
O carro vermelho de Gemma estava estacionado a frente do meu prédio. Sai carregando a minha mala de mão e acenei para que ela destrancasse o porta-mala. Encontrei duas malas distintas, mas não dei importância.
— Bom dia, Gemma. —  falei animada, ela sorriu para mim.
— Bom dia, . — os olhos de Gemma estavam no café perto do meu prédio.
— Vamos? — quanto mais cedo saíssemos de Londres mais rápido chegaríamos a Itália. Tínhamos um longo caminho pela frente e várias paradas para ir ao banheiro. Eu nem iria beber tanta água durante o trajeto para não correr o risco de ter que  ficar indo ao banheiro toda hora esvaziar a bexiga.
— Tem um pequeno problema nessa viagem. — ela mordeu os lábios soando apreensiva.
— Qual? — dou uma olhada no e-mail que mandei para ela no dia anterior. Precisava ver se eu havia errado alguma coisa. A porta do carro se abre e alguém se senta no banco de trás. Viro a minha cabeça encontrando os olhos verdes de Harry me encarando de volta com um sorriso.
Não.
Não é possível que isso esteja acontecendo.
— Bom dia, . — ele sorri.
— Bom dia. — viro-me e encaro Gemma. — O que o seu irmão está fazendo aqui?
— Oh! Nós vamos todos para Itália. — o seu sorriso aumenta e por um segundo eu fico estática o encarando. Absorvendo as suas palavras tentando achar o erro ali.
— Gemma! Isso é alguma brincadeira? — perguntei, incrédula.
— Sinto muito, . — ela me dá um sorriso triste. — Tem mais uma coisa.
— Comprei as passagens de avião. É perigoso ir dirigindo até Itália com esse clima. — Harry sorriu.
— Harry só vai ficar três dias. — ele levanta as mãos mostrando com os seus dedos o tempo que ficaria.
— Tudo bem. — dou de ombros.
Ele já estava ali mesmo, já havia comprado as passagens. Que diferença faria se eu dissesse que não queria ele na minha viagem com Gemma? Nenhuma!
— Comprei café da manhã para todo mundo. — ele me passa um iced tea e um iced coffee.
— Obrigada. — dei um gole no meu iced tea  e estiquei as minhas mãos com o iced coffee de Gemma. Ela deu um gole e coloquei no compartimento para bebidas do carro. 
— Porque precisas ir para Itália, Harry?
— Tenho algumas coisas pendentes com a Gucci. — me virei para encarar Gemma e ela levantou os ombros.
— Okay, como foi a palestra? — Gemma sorriu.
— Correu tudo bem. — ela falou animada.
— Minha irmã arrasou. — Harry falou orgulhoso.
— Eu quero detalhes, Gemma. — ela riu.
Gemma começou a narrar como tudo aconteceu e fez um resumo do seu discurso. Harry já não prestava atenção a nossa conversa e mexia distraidamente no celular.
— Como foi ontem na casa do Finn? — ela perguntou curiosa.
— Foi legal. Acabei passando muito tempo com o Jack. — não consegui conter um sorriso.
— O irmão gêmeo de Finn? — ela perguntou.
— Sim.
— O que você não está me contando? — era incrível de Gemma de saber sempre que alguém está escondendo algo.
— Ele tem um crush por mim. — falei sorrindo.
— Ele tem? — Harry, que estava calado durante alguns minutos, se pronunciou.
— Antes de namorarmos. — expliquei, ele arqueou as sobrancelhas.
— Ele tinha você quer dizer. — ele comentou, me olhando atentamente.
Revirei os meus olhos o ignorando.
— Flertamos a noite inteira. Tenho a certeza que só não ficamos porque Finn estava no nosso pé. Céus, queria que ele me beijasse. — Gemma soltou uma risada com o meu desabafo.
— Podemos trocar de assunto? — Harry perguntou no banco de trás, visivelmente entediado, seu rosto denunciando que não estava confortável com o assunto.
— Não era suposto você estar aqui, Styles. Então não reclame. — ele soltou um suspiro frustrado e voltou a encarar a janela do carro.
— Estou pagando pelos meus pecados. — ele reclamou.
— Meu Deus, que dramático. Como você aguentou ele? — Gemma perguntou.
— Sou um ótimo namorado, um amigo exemplar, ótimo na cama e incrivelmente bonito. Ela não conseguiria dizer não, nem que quisesse. — virei o meu rosto na direção de Harry não acreditando nas suas palavras.
— Não sei, Gemma. Realmente não faço ideia, seu irmão consegue ser um narcisista quando quer. — abanei a cabeça.
— Me fale mais do Jack. — Gemma pediu empolgada ignorando o pequeno show de Harry.
— Vamos sair para um café quando voltarmos de viagem. — falei animada, Harry reclamou de alguma coisa que não consegui entender.
— Essa é a minha garota. — ela falou animada.
— Não podemos passar mais quinze minutos falando sobre o Jack , não vou aguentar.  Harry falou emburrado.
Gemma o ignorou.
— E o vizinho do lado? — ela perguntou curiosa.
— Ainda tem mais outro cara? — me virei a tempo de ver ele fechar os olhos e entreabrir lentamente. Arqueei as sobrancelhas e Harry limpou a garganta.
— Ciúmes? — perguntei, confusa.
— Não. — ele negou. — Só é estranho e desconfortável. 
— Okay. 
— Você não acha que seria estranho eu te contar sobre o meu relacionamento com a Olivia? 
— Não se já não sentimos nada um pelo outro. — Harry ficou calado, o impacto das minhas palavras foi tão grande que Gemma pareceu desconfortável. — Acho que também não me sentiria confortável. — tentei emendar a situação. 
Harry concordou.
— Precisamos de regras. Número um: você não fala sobre suas conquistas e casos quando estou por perto e eu não falo sobre a Olivia.
— Feito. — estendi as minhas mãos e Harry apertou gentilmente. A sensação das suas mãos na minha foi familiar e criou um formigamento na região. — As tuas mãos continuam macias. — pensei alto e me arrependi no mesmo segundo. 
Harry engoliu em seco e virou o seu rosto para encarar a rua.
— Vocês realmente sabem como criar um momento. — Gemma disse, rindo. — Vamos manter essas mãos longe um do outro, okay? Ninguém precisa de um relapso durante esses dias.
— Não vai ser difícil. — Harry respondeu.
— Super fácil. — não queria dizer que não acho isso boa ideia estarmos perto um do outro. Não queria me prender a esses pensamentos e criar coisas na minha cabeça com medo do que poderia acontecer.
Nós podemos ser apenas amigos. Acredito nisso.
O nosso check-in foi feito por Emma. Nenhum de nós iria despachar a bagagem então fomos encaminhados até a sala VIP do aeroporto enquanto esperávamos pelo embarque. Gemma estava nervosa para voar ainda mais com a fina chuva que caía. Harry e eu a mantivemos distraída até o momento que entramos no avião e ele se sentou com ela. O voo estava vazio devido à chuva que caía. Não demorou muito tempo e decolamos. Abri o livro que eu separei para ler durante a viagem.
— Gemma dormiu. — Harry se sentou ao meu lado.
— Você conseguiu fazer ela dormir? — ele assentiu. — Como?
— Cantei pra ela. — ele abriu um sorriso tímido.
— Não acredito. 
— Você quer que eu cante pra você também? — ele perguntou.
— Não. — levantei o livro mostrando a minha intenção de ler.
— Então, Jack? — fechei o livro vendo que não conseguiria ler com a presença de Harry.
— Regra número um. — lembrei Harry de sua própria regra que ele estava quebrando.
— Estou tentando entender essa história. — arqueei as sobrancelhas. — Curiosidade.
Sua testa estava franzida.
— Finn disse que eu sou lésbica. — Harry soltou uma gargalhada me deixando irritada.
— Você é um idiota, H. — ele abanou a cabeça.
— Ele acreditou nisso? — assenti.
— Uma lésbica que gosta de flertar com homens por diversão. — Harry me encarou por alguns segundos.
— Você faria isso mesmo. — ele segurou uma risada.
— Cala a boca, Harry.
— Imagino o choque que ele teve quando começamos a namorar. — ele comentou.
— Decepção. 
— Por ser um idiota. — ele voltou a comentar.
Olhamos um para o outro e sorrimos. 
— Existe reunião com a Gucci?
— Não. 
— Porque você está vindo então? — perguntei.
Harry engoliu em seco e virou o seu olhar para outra direção.
— Não sei. — ficamos nos encarando sem proferir alguma palavra ou som.
— Olivia está de boa com o fato de que vamos passar muito tempo juntos?
— Foi ela quem sugeriu.
É claro que foi ela.
— Olivia acredita que vai ajudar com a nossa amizade.
— Pode ajudar. 
Às duas horas passaram voando com Harry me dando conversa o tempo todo, acabei adormecendo em seus ombros. Chacoalhei Harry pelos ombros o acordando, ele bocejou e piscou os olhos freneticamente tentando se situar.
— Gemma. — ele retirou o cinto e andou até o assento que Gemma se encontrava. Olhei para os dois e vi Gemma apertar as mãos do irmão com o rosto denunciando que acabou de acordar.
Quando a saída do avião ficou liberada deixamos os outros passageiros saírem e pegamos as nossas coisas indo em direção a saída do aeroporto.
Florença nos recebeu com um clima que gritava verão, não via a hora de poder curtir o sol calmamente. Dois seguranças nos acompanharam até o carro que esperava por nós. Gemma dormia com a cabeça nos ombros de Harry e eu explicava para ele o nosso roteiro. Ele comentava vez ou outra quando achava algo interessante e sugeria um lugar que eu pudesse gostar.
— Vocês estão fazendo muito barulho. — Gemma reclamou ainda de olhos fechados.
Harry sorriu e levou o seu dedo indicador para os lábios.
"Tem um lugar incrível que eu quero te mostrar".
"Que lugar?"
"Terás que esperar para ver"
"Harry"
"Não vou te dizer"
"Chato"
"Eu senti sua falta". — essa mensagem fez que eu levantasse o meu olhar até Harry. Ele abriu um sorriso e fiz o mesmo. Sei exatamente o que ele quis dizer — ele sentiu minha falta, não falta de "nós" — senti a mesma coisa.
"Também senti sua falta, H".
— Porque não estamos indo para o hotel? — perguntei curiosa. Eu coloquei o endereço do hotel para poder controlar a rota pelo Google Maps para nos ajudar quando estivéssemos a explorar Florença. Gosto de saber quais são as melhores rotas e trajetos.
— Harry cancelou o hotel. — Gemma abriu os olhos e levantou a sua cabeça.
— Porquê? — olhei para Harry, mas ele não abriu a boca.
— O pessoal da Gucci preparou uma casa para nós. Só para ficarmos durante uns dias.
— Não é ótimo, ? — a voz de Gemma saiu rouca. — Meu irmão se intromete nas nossas férias e muda tudo sem a nossa autorização. — ela bufou, visivelmente irritada.
— Não mudei todos os planos. — ele respondeu, calmamente.
— Como vou achar um namorado para a com você aqui?
— Eu ajudo. — ele disse, revirei os olhos.
— Regra número um. — Gemma e eu dissemos ao mesmo tempo.
— Toda regra tem a sua excepção. — ele rebate.
— Regra número dois: não quebrar nenhuma regra. — digo.
— Não concordo com essa regra. — ele comenta.
— Harry.
— O quê?
— Você às vezes é tão irritante. — ele me olha ofendido, ao nosso lado, Gemma começa a rir.
— Essa viagem vai ser tão divertida. — ela prolongou as palavras e continuou a rir.
— Sim. — dissemos em uníssono, olhando um para o outro.
— Tenho uma regra para os dois: não se toquem, não se beijem e definitivamente não transem.
Harry riu.
— Qual é a piada? — perguntei.
— Você plantou a semente nas nossas cabeças e agora estamos pensando nisso. — eu estava muito bem sem imaginar isso tudo. O olhar de Harry se cravou no meu e ficamos nos encarando por alguns segundos sem desviar o olhar.
— Significa que você já estava pensando nisso. — ela rebateu cortando o nosso contato visual.
— Gemma, não ajudas. — digo.
— Só estou dizendo fiquem um longe do outro. E parem com esses olhares, não aguento mais. — ela soltou um som pela garganta de indignação.
— Que olhar? — Harry perguntou a irmã, se sentindo ofendido com a sua suposição de que não aguentaríamos estar perto um do outro sem querermos nos agarrar.
Gemma não respondeu.
— Também quero saber. — exigi de forma que ela falasse.
— Olhar de "quero muito te beijar, mas não posso". — prendi a respiração ouvindo suas palavras. Harry ao seu lado se remexeu demonstrando estar desconfortável com a frase dita por ela.
— Você não confia em nós? — Harry perguntou soando triste.
— Eu confio em vocês os dois. — Gemma falou em um tom não convincente. Ela soltou um suspiro e se virou alternando o olhar entre nós dois. — Só estou dizendo que ainda existe muita tensão sexual entre vocês e é palpável.
— Transar não é uma opção. — Harry disparou como se estivesse preso em seus pensamentos.
— Não pensa em transar comigo, por favor. — Harry abriu um sorriso fraco que dizia "sinto muito".
— Sexo com um ex é um erro. — Gemma falou. — Com vocês os dois não seria apenas um erro. Seria uma catástrofe.
— Obrigada pela confiança em nós. — digo, irritada. 
Harry encarou o teto do carro com a testa franzida.
— Não pense nisso, Harry. — ele me encara por alguns segundos. Seus olhos verdes estão escuros, engoli em seco e abanei a cabeça.
— Me fale sobre o Jack. — ele implorou com o olhar.
— Sério?
— Ouvir você falar sobre outro cara é brochante. 
— Aí meu Deus. — Gemma solta sem graça. — Estão vendo o que estou falando? Tem tanta coisa errada com vocês os dois.
Respiro fundo.
— Nós fomos ao supermercado e estava chovendo. Saber que ele também tinha um crush por mim, muda as coisas. Ainda acho ele um gato, é claro. Os dois estamos solteiros então porquê não? — levantei os ombros.
— Você deveria sair com ele. — Gemma soltou um muxoxo com as palavras do irmão.
— É sério? — demorei uns segundos para acreditar em suas palavras.
— Jack é um bom cara. — ele continua. — Vocês deveriam explorar isso. 
Não consegui dizer nada porque pareceu que ele estava me empurrando para cima de outra pessoa. Franzi a testa e encarei os seus olhos profundamente tentando achar se ele realmente achava que eu deveria sair com Jack ou se estava simplesmente queria me ver feliz.
Harry virou o seu rosto me impedindo de descobrir os seus verdadeiros sentimentos e quando voltamos a nos encarar a sua expressão facial estava serena.
O apartamento que a Gucci preparou fica no centro de Florença. Pela varanda do apartamento é possível ver a cidade — a vista é deslumbrante — e o seu redor. O assistente de Harry provisório insiste que ele deva contatá-lo para qualquer coisa que precisarmos.
Gemma está explorando o apartamento assim como eu. Demos uma olhada em tudo que era canto e por fim voltamos para a sala buscando as nossas malas.
— Irei avisar caso precisar de alguma coisa. Obrigado por tudo. — Harry aperta as mãos de Mateo, seu assistente italiano, e o acompanha até a porta.
— Acho que esse é o nosso quarto. — duas camas de solteiros são separados por um criado mudo tingido de azul-turquesa.
— É bonito. — Gemma escolheu a cama perto da janela. Ela desfaz as malas e começa a colocar todas as suas roupas sobre a cama.
— Vai ser divertido. — ela pisca os olhos e volta a retirar as suas roupas da mala.
— Estou com fome. — também estou desfazendo a minha mala e retirando tudo o que sei que vou usar. 
— Harry! Estamos com fome. —  grito,  ele não responde o que significa que se enfiou no banho.
Gemma e eu nos olhamos e rimos.
— Banho. — dissemos juntas.
O quarto de Harry é uma suíte o que significa que ele tem um banheiro só para ele. 
— Você quer tomar banho primeiro, Gemma?
Ela abana a cabeça.
— Vou ligar para a mamãe e para Michal avisando que estamos sã e salvos.
— Mande beijos para os dois por mim.
— Vou sim. — ela sorriu.
Caminho até o banheiro segurando os meus produtos de higiene pessoal que separei para a viagem. Fecho a porta do banheiro e tranco a porta. Começo por tirar a roupa e entro no chuveiro.
O contacto da água quente na minha pele me relaxa. Começo a cantar uma música aleatória e quando percebo é uma música que Harry vivia cantando para mim.
Solto uma gargalhada e paro de cantar a mesma. Mas a letra está presa na minha cabeça e estou cantando em minha própria mente.

You smell like summer  (Você cheira a verão)
Coconut, sand and sea  (Côco, areia e mar)

Quando termino o banho há uma fumaça no ar. O vidro está embaçado, passo as minhas mãos nele de forma a ver o meu próprio rosto.  Sorrio para mim mesma e digo que esses dias serão bons para nós dois. Será para construir a nossa amizade e aprendermos a sermos só amigos.
Nada poderia dar errado.
Aproveitei que Gemma estava demorando no banho para ligar aos meus pais  e avisar que cheguei bem. Eles se mostraram céticos quando informei que Harry estava viajando comigo e com Gemma como se aquilo fosse a pior ideia do mundo.
— Eles não acreditam que podemos ser apenas amigos. É chato. — terminei de desabafar e me joguei na cama de casal de Harry.
Era mais confortável e macia do que eu esperava. Meu corpo relaxou durante o contacto com o lençol também macio. Ele já havia terminado de se aprontar. Estava penteando o seu cabelo, que estava mais curto que os últimos dias. 
Harry usava uma camisa branca e um calção com algumas flores bordadas e Vans brancos surrados. 
Estava bonito.
Realmente bonito, exalando a sua beleza como se fosse um acessório. Harry e branco era uma combinação tentadora. Pelo menos ele não estava vestindo nada preto se estivesse todo  o meu autocontrole iria para o ralo.
— É decepcionante. — ele se virou para me encarar pela primeira vez desde que invadi o seu espaço.
— Caramba, . Você está linda. — ri da cara de bobo que ele fez. 
O conjunto laranja com flores azuis espalhadas pela saia cintura alta justa ao corpo e um cropped com a mesma estampa combinava com o meu tom de pele negra.
— Obrigada. — agradeci sinceramente.
Ele ainda continuava me encarando, seus olhos verdes presos em mim. Limpei a garganta de forma que ele parasse de olhar para mim daquele jeito. 
— Amigos não olham amigos desse jeito.  — seu sorriso me aqueceu. Mordi os meus lábios, abanei a cabeça.
— Você tem razão. — ele me dá um sorriso fraco e me olha da cabeça aos pés. — Ele deixa os seus seios perfeitos. — ele aponta para o cropped.
Pego na almofada no outro lado da cama e jogo na sua direção. A almofada bateu em seu rosto e ele soltou um som surpreso.
— Idiota.  — revirei os olhos.
Harry começou a rir.
— Só estou dizendo que muitos italianos não vão conseguir desviar o olhar.
— Quem disse que eu quero que eles desviem o olhar?
Harry riu, abanando a cabeça.
— Você escolheu hoje para brincar com a mente masculina?
— Talvez. — dei de ombros. — Você está se sentindo afetado?
— Talvez. — sorri com as suas palavras.
— Estou pronta! — Gemma gritou.
— Vamos antes que ela pense que estamos nos agarrando. — empurrei Harry para fora do quarto.
Gemma vestia um vestido de verão largo ao corpo, usava um par de óculos da sua coleção e deixou os seus cabelos caírem sobre o seu rosto.
— Essa é a minha irmã. — Harry bateu palmas deixando Gemma vermelha.
— Já escolheram o restaurante? — ela perguntou, após suas bochechas perderam o tom avermelhado.
escolheu um restaurante perto daqui. Podemos ir andando.
— Ótimo. Vocês passaram protetor solar? 
— Sim. — Harry respondeu.
— Espero que gostem desse restaurante. Escolhi com tanto carinho. — mordi a parte interna da minha bochecha de forma a não rir. Harry me olhou estranho como se sentisse que eu estava aprontando alguma.
Para a minha sorte ele não comentou nada. Guardou o seu pensamento para si.
— Eles têm um menu vegan? — ela perguntou.
— Eu liguei para confirmar.  — ela relaxou com as minhas palavras e abriu a porta saindo na frente. 
— Viu só como essa menina é organizada. — Gemma falou orgulhosa, se virando para nos encarar. 
— Espere até amanhã para veres se ainda terás a mesma opinião.  — ele parecia debater sua atenção entre olhar para frente e... — virei a ponto de ver o que ele tanto encarava. Seus olhos estavam presos em mim. 
— Harry! — suas bochechas esquentaram e ele soltou um desculpa totalmente envergonhado.
Revirei os meus olhos, irritada.
— Traumatizado? — ela perguntou. Harry fez cara de assustado quando dei um soco em seus ombros.
Ele limpou a garganta.
— Agora estou. — ele me olhou feio. — Você me acordou às seis da manhã para não perdemos nada da viagem. 
— Te acordei para vermos o pôr do sol em Marbella.
— Eu queria dormir.
— Você não teve problemas nenhum quando eu te acordei para...— o olhar de Harry dizia "cala a boca".
— Ai meu Deus. Eu mereço. — Gemma foi a primeira a sair do elevador e abandonar o prédio que estávamos.
— Para que direção? — Harry se aproximou de mim e apoiou os seus braços no meu ombro.
— Vou ver o mapa. — tirei o mapa da minha bolsa e os dois me olharam torto.
— Florença é conhecido pelos furtos. — Gemma olhou para Harry, em resposta, ele levantou os ombros.
— Sempre em frente. — falei.
— Nós vamos perder. — Harry comentou quando passamos por uma feira em uma rua estreita em Toscana.
— Vira essa boca pra lá.  — Gemma prestava atenção na feira. Às vezes ela parava para conversar com algumas pessoas.
, você está lendo o mapa errado. Temos que virar a primeira direita e não a segunda. — Harry e eu estávamos parados esperando a Gemma caminhar na nossa direção.
— Como você sabe?  — perguntei, irritada, sem querer ouvir a sua resposta. Sabia que seria algo digno de me deixar irritada.
— Eu sei tudo.  — ele retrucou. 
— Harry, estou pegando um atalho.  — ele nem se deu o trabalho de me ouvir. Abanei a cabeça para Gemma e ela riu. 
Harry conseguia ser teimoso quando queria.
— Decidiram qual é o caminho?  — Gemma se juntou a nós com um sorriso em seus lábios, suas covinhas apareceram, a deixando ainda mais bonita. 
— Sim. 
— Não.  — ele respondeu ao mesmo tempo que eu. 
Gemma nos encarou sem proferir nenhuma palavra.
— Você tem certeza de que esse é o caminho, ?  — ela perguntou, apreensiva. 
— Gemma, acredite em mim. não presta com GPS. 
— Porque você é bom a tudo, não é? Seu chato.  — quando Harry ia responder, Gemma puxou o mapa das minhas mãos e foi até a banca de fruta que ela estava a minutos atrás. 
— Você é muito teimoso, Harry. 
— Olha quem fala!  — soltei um grunhido, me afastei de Harry antes que eu dissesse algo que fosse me arrepender. Gemma voltou esticando o mapa na minha direção. 
— Ela disse que estamos perto. Me sigam, crianças. — Gemma falou.
— Se eu estiver certo o que eu ganho?  — os lábios de Harry roçaram no meu pescoço, engoli em seco. 
— Nada. — não ia entrar nos seus jogos porque eu sabia exatamente onde iam terminar. 
Gemma virou a segunda a direita o que me fez sorrir por dentro. Avistei o restaurante e Harry olhou confuso para a fachada. 
, você não existe.  — ela abanou a cabeça.
— Gucci Osteria da Massimo Bottura.  — a fachada é pintada de preto e dá um ar elegante ao restaurante ao mesmo tempo que se misturava com as fachadas ao redor da rua.
— Buon pomeriggio, sejam bem-vindos a Gucci Osteria. — a recepcionista sorriu olhando para cada um de nós, seu olhar em Harry demorou alguns segundos e depois ela voltou o olhar para mim e Gemma. — Por favor, me acompanhem. 
— Sua pirralha.  — Harry sussurrou nos meus ouvidos. 
— Espere até veres o restaurante de mais tarde.  — suas mãos estavam na minha cintura, seus dedos cheios de anéis tocavam a parte nua da minha pele. 
— Não. Essa tarefa vai ser de Gemma, não quero mais as suas surpresas.  — Harry largou a minha cintura e alargou os seus passos na direção de Gemma e a abraçou pelo pescoço. 
Ela se virou e arqueou as sobrancelhas. 
— Está tudo bem?  — ela perguntou, movendo apenas os seus lábios.
— Calor.  — murmurei, ela concordou. 
A  boiserie — paredes revestidas com molduras originalmente feitas com madeira  — é verde ervilha. Cada vez que a luz batia sobre a parede ela adquire um tom mais claro. As cadeiras de veludo do restaurante são verde-floresta e os sofás é verde menta Perto do teto há porcelana de Ginori espalhados pelo restaurante. Na parede há peças de barro que lembravam a era medieval com vários desenhos diferentes. No chão era possível ver padrões florais claros que deixavam o ambiente com um ar mais suavizado. 
O restaurante todo gritava Alessandro Michele.
A recepcionista nos levou até ao lado de fora do restaurante, que havia sido  a área que reservei para nós. 
— Como você conseguiu fazer isso sem que o meu irmão descobrisse?  — Gemma perguntou, encantada pelo fato de que eu havia pego Harry de surpresa. 
— Falei que sou a assistente de Harry Styles e que a sua irmã quis muito que ele viesse conhecer o espaço e que apesar de Harry já ter estado várias vezes no restaurante em L.A nada se compara ao lugar original e que era uma piada interna entre vocês. 
Gemma riu. 
— Não sei como eles acreditaram. 
— Sei ser persuasiva quando quero.  — pisquei os meus olhos para Gemma. 
A garçonete nos entregou o cardápio  — rosa escuro com padrões florais espalhados pelos cantos e estrelas centradas no meio separando-as, no centro há um olho aberto com estrelas ao redor e o nome do restaurante em letras pequenas  — bonito. Abri dando uma olhada pelos pratos quando uma garçonete se aproximou da nossa mesa. 
— Boa tarde, sejam bem-vindos. A nossa chef, Karine, pediu para avisar que caso não encontrem nada que os agrade no cardápio, ela fará algo do vosso gosto. 
— É muito gentil da parte dela. Por favor, mande os meus cumprimentos a chef.  — Harry disse, um sorriso gentil brincando em seu rosto. 
— Gemma?  — perguntei, ela levantou o olhar do cardápio e olhou para a garçonete. 
— Gostei do cardápio.  — a garçonete sorriu para ela e voltou a sua atenção para Harry que avisou que gostaria de fazer já o seu pedido. 
— Ainda não me decidi.  Estou olhando tudo com calma.  — dei um sorriso fraco. 
— Tem algum cocktail que eu possa pedir enquanto espero pelo meu prato?  — Gemma perguntou após fazer o seu pedido. 
— Sinto muito, signorina. Temos uma carta de vinho tinto e branco vindos de toda Itália e alguns franceses. 
— Gostaria de fazer o meu pedido.  — a garçonete assentiu e tirou o bloco de notas e começou a apontar o meu pedido. 
— Boa escolha, signorina.  — ela piscou os olhos na minha direção. 
, vamos dividir a garrafa? Harry decidiu que quer vinho branco.  — ela me olhou implorando pelo olhar. 
— Gemma, acho que vou beber apenas uma taça. Não acho boa ideia beber uma garrafa de vinho enquanto quero explorar a cidade.  — ela riu, assentindo, provavelmente pensando que tenho razão. — Harry! Vinho branco, sério? 
Harry e vinho branco era uma combinação que dava sempre errado. Ele ficava alegre com uma taça e se fosse mais de uma taça, bem bêbado.
— Vou beber água depois.  — Gemma riu, prevendo o resultado, mas não disse nada.
Escolhemos os nossos vinhos e pouco antes de meia hora os nossos pratos chegaram. Me virei para perguntar alguma coisa para Gemma e apanhei Harry, pelo canto do olho, provando o meu prato sem a minha autorização. 
— Harold!  Pare de comer a minha comida.  — ele sorriu, mastigando, sem mostrar os dentes. 
— Não volta a acontecer.  — ele me garantiu. 
Não acreditei em suas palavras preferi fingir que acreditei e voltei a minha atenção para Gemma que me contava alguns babados sobre a revista em que ela trabalha.
— Não sei, acho que chegou um tempo em que preciso de uma nova direção.  — ela falou, mastigando. 
— Vem para Nova Iorque comigo.  — Harry pediu, Gemma esperou que ele explicasse algo que fosse deixá-la com vontade de se mudar para lá. — O lugar está  cheio de oportunidades fantásticas para a tua área. 
— Realmente está.  — ela concordou. — Não suporto a ideia de deixar a mamãe sozinha aqui, Harry. 
— Eu convenço ela a ir com você. 
— Boa sorte com isso.  — Anne vivia dizendo estar com saudades de Harry, mas não suportava a ideia de largar o território britânico por nada nesse mundo. — Anne é muito apegada a Holmes Chapel. 
— Mamãe não vai aceitar, Harry.  — Gemma abanou a cabeça. 
— Talvez se eu conversar com jeitinho, ela aceite.  — Harry disse, tentando se convencer. 
— Não tente nos convencer. Convença a Anne.  — ele soltou um suspiro sofrido com as minhas palavras. 
— Seus pais moram em Nova Iorque, talvez, eles pudessem ajudar.  — ele tenta.
— Harry, meus pais são nômadas.  — ri, abanando a cabeça. Anne ouviria o que eles diriam,  não acho que consideraria mudar de país pelo fato de que eles achem Nova Iorque fantástica. 
— Desde que nos conhecemos eles já mudaram de país duas vezes, né?  — Gemma perguntou, perdida nas contas. 
— Três vezes.  — digo. — Achei que São Paulo seria a agitação que eles tanto procuravam só provaram que eu estava errada. 
— Em menos de três anos? Isso não vai dar certo.  — Harry soltou um som com os lábios, desistindo.
— Você  precisa me convencer primeiro.  — Gemma pisca os seus olhos para Harry. 
— Tente, H, quero te ver falhar miseravelmente.  — ele me olhou abismado, abanou a cabeça. 
— Às vezes penso que você gosta de me provocar.  — dei um gole no vinho tinto sentindo o sabor ácido da uva. 
— Eu? Te provocar? Até parece que você não me conhece.  — fiz a minha melhor expressão de desentendida e inocente. 
— Te conheço bem demais.  — ele rebateu. 
— Continue.  — sorri. 
Harry arqueou as sobrancelhas. 
— Sobremesa?  — Gemma chamou a nossa atenção cortando o contato visual entre nós. 
— Tem uma gelateria aqui perto.  — falei. 
— Tem várias gelaterias em Florença.  — Harry disse. 
— Coloquei  as melhores no nosso roteiro.  — falei especificamente com Gemma, confuso, Harry levanta as sobrancelhas olhando pelo seu telefone.
— Não recebi nada. 
— Ah, você não estava nos meus planos. 
— Vou pedir a conta.  — Gemma se levantou nos deixando sozinhos. 
— É, nunca estive nos seus planos, não é?  — ele perguntou, amargurado. 
— Harry eu só queria uma viagem com a Gemma sem você por perto. Eu gosto da sua companhia mas... — travei com as palavras presas em minha garganta. 
— Fale!  — ele demandou. 
— Eu não sei ser apenas sua amiga.  — sorri, fraco, minha voz falhando. Empurrei momentaneamente minhas defesas e deixei a minha vulnerabilidade aparecer pela primeira vez. 
— Ah! Eu...Me desculpe.  — ele franziu a testa pensando por alguns segundos. — Eu não pensei por esse lado.
— Imaginei. 
— Nós podemos aprender juntos.  — suas mãos apertaram as minhas mãos sobre a mesa. O  seu toque foi como a calmaria em uma tempestade. Seu toque mandou choques eléctricos por todo o meu corpo como se ele me levasse para outro espaço. Prendi a respiração e separei as nossas mãos bruscamente. Ele olhou para mim confuso e abri um sorriso amarelo ignorando as batidas do meu coração que comprovam o que eu já sabia. 
Ainda gosto dele.

— É, isso seria ótimo.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.
Nota da scripter: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

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