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Última atualização: 31/03/2021

Capítulo 1

1° de Setembro, 1971.

— Certo, querida, agora vá até aquela plataforma e me encha de orgulho. — disse Celine, fazendo a filha sorrir, a menina de 11 anos estava nervosa, mas queria parecer confiante para a mãe.

A passagem estava bem ali e ela sabia que poderia ser tudo uma grande mentira, ainda assim correu contra a parede de tijolos, esperando pelo momento do impacto e as risadas das pessoas em volta. Para sua surpresa, não houve impacto e ela abriu os olhos, sorrindo para o local diferente do anterior. Tudo era novo e tão diferente. A plataforma estava cheia de pessoas e tudo era tão mágico que se viu tentada a beliscar a si mesma, para garantir que não estava sonhando.
Ela andou em meio a todas aquelas pessoas, outras crianças se despedindo dos pais antes de entrar no trem, queria que a mãe pudesse estar ali também.

Em meio a algumas malas flutuando, ela viu um homem alto - provavelmente o mais alto que já havia visto na vida - ajudando as pessoas com umas bagagens. A menina resolveu pedir uma ajudinha antes de embarcar.
— Com licença, senhor. Este é o único trem, certo? — ela perguntou e Rúbeo sorriu. Não eram todos que o tratavam respeitosamente, sendo apenas o guarda-caça de Hogwarts. Antes que ele pudesse responder, ela continuou. Hagrid notou que ela parecia nervosa e como não a conhecia, suspeitou que fosse o primeiro ano dela. — O que vai pra Hogwarts, correto?

— Sim, apenas este. — ele respondeu e ela suspirou aliviada. Sem que a menina precisasse pedir, Hagrid se encarregou de embarcar as bagagens dela, que sorriu agradecida.

— Obrigada, senhor. — agradeceu antes de embarcar, carregando apenas uma pequena bolsa.

Anteriormente ao Expresso Hogwarts, apenas havia usado o trem como meio de locomoção algumas vezes no verão, para visitar seu tio em Paris. Apesar de não ser tão bem-vinda na casa do homem. Por sempre ter sido um pouco excêntrica, o companheiro de seu tio não gostava dela. Mas não dava tanta importância a isso.

Ela estava em busca de uma cabine vazia, onde poderia sentar perto da janela e observar a paisagem. Ainda faltavam 10 minutos para o trem deixar a plataforma. Quando finalmente encontrou uma cabine vazia, outra mão sobrepôs à abertura da porta antes que ela pudesse tocá-la. deu um sorriso tímido, o menino abriu a porta e se afastou para que ela entrasse primeiro.
— Espero que não se importe em dividir a cabine. — ele disse e sentou ao lado da janela, onde havia planejado desde que chegou.

— Não mesmo. Me chamo . — ela se apresentou e o garoto fechou a porta, sentindo-se de frente para ela.

— Remus Lupin, é um prazer. — respondeu. notou que ele segurava um livro e logo lembrou-se que também carregava um livro em sua bolsa.

Remus abriu o livro em seu colo e começou a folhear as páginas, parando onde havia lido pela última vez. O barulho da porta chamou a atenção dos dois para uma menina ruiva, que sorriu e entrou.
— Olá, sou a Lily. Posso ficar aqui? — ela disse, e Remus assentiram, sorrindo amigáveis. A ruiva fechou a porta e sentou ao lado de Remus, notando o livro na mão dele. — Ah, ótimo. Eu venho procurando um lugar calmo para ler, mas as outras cabines estão cheias de gente barulhenta.

Assim que a ruiva abriu o livro, a porta foi escancarada.
— Sirius, achei uma! — gritou o menino que abriu a porta. Ele usava óculos e quase deixou o mesmo cair de seu rosto, mas logo ajeitou e encarou Lily. — Tem uma menina aqui!

rolou os olhos e encostou a cabeça na janela de vidro a fim de observar as despedidas das famílias, já estava acostumada a passar despercebida então não faria diferença tentar uma aproximação. Lily, por sua vez, parecia bastante irritada com a presença do recém chegado. A ruiva se levantou e olhou para os dois que mal conhecia ainda.
— Eu vou procurar meu amigo Severo, querem vir? — ofereceu e negou, não iria abrir mão da cabine. Remus também rejeitou a proposta e Lily deu de ombros.

— Oi, linda, eu sou James. Como você se chama? — Potter parou na frente dela e Lily rolou os olhos antes de passar por ele quase o derrubando. — Você viu isso? Ela me ignorou, estou sem palavras.

estava olhando para a janela mas segurou o riso.
— Vem, vamos sentar. — Sirius disse e entrou na cabine, notando a presença dos outros dois — Eu achei que você disse ter apenas uma garota na cabine, não três pessoas. — comentou.

— Ah, eu não os vi. Olá! — tirou os olhos da janela e encarou os dois meninos de pé. Ela estava tentando decidir se falaria ou não com eles após ter sido ignorada, decidiu por não arrumar inimizades em seu primeiro dia. Remus estava um pouco incomodado, mas acenou para os dois. — Sou o James.

— Nós ouvimos — sorriu, concluindo que o menino era um pouco avoado.

— Eu sou Sirius. — o outro disse.

, — os dois meninos assentiram. Nunca ouviram aquele sobrenome antes. — e esse é Remus Lupin. — Ela apontou para o menino sentado à sua frente.

Assim que os dois meninos se sentaram novamente, começaram a conversar sobre Hogwarts. Tal assunto chamou atenção de Remus, que lia A História da Magia, de Bathilda Bagshot. O trem abandonou a plataforma e - apesar do gosto por ver a paisagem passando rápido por ela - deixou a janela e se juntou a eles, para saber mais sobre aquele mundo que tão pouco conhecia.

Ela explicou aos meninos que sua mãe era trouxa e o pai bruxo, mas este não pôde ensiná-la sobre magia, pois havia morrido quando tinha três anos. Minutos depois, um menino chamado Peter se juntou a eles na cabine e logo estava envolvido no assunto também.

Após ter sido recrutada para uma escola de magia que ela não fazia ideia da existência, pensou que nada mais a surpreenderia tanto.
Porém, a cada palavra dita sobre Hogwarts, a menina sorria imaginando se o pai estaria orgulhoso dela.

[...]


Desde as roupas até a decoração, tudo era muito para assimilar. Quando chegaram ao destino final, Rúbeo Hagrid - o homem alto que havia lhe ajudado mais cedo - organizou filas para entrar nos barcos que atravessaram o Lago Negro.
Ela e a maioria dos outros alunos ficaram boquiabertos com a visão do castelo à noite.
Logo que chegaram ao castelo, Hagrid ficou com eles em frente a uma porta e pediu que aguardassem.

Ela e Remus conversavam sobre como o castelo era bonito quando Sirius voltou a comentar sobre as casas.
— Ouvi algumas pessoas dizerem que vamos passar por uma seleção, mostrando o que sabemos sobre magia. — James acrescentou.

— Então eu não vou ficar em nenhuma das casas, já que eu não sei absolutamente nada de magia fora o que vocês me contaram. — resmungou.

— Claro que você sabe, ou não estaria aqui! — Remus a encorajou. — Não me diga que você nunca pensou tanto em algo e essa coisa simplesmente aconteceu. — ele apontou e lembrou dos vários incidentes em casa. Livros flutuando, o quarto nevando…

— Você tem razão, eu acho.

Logo uma mulher de vestes na cor verde esmeralda se aproximou e todos se calaram. Hagrid a apresentou como Minerva McGonagall e a mulher o agradeceu, logo dispensando o guarda-caça.
Lembrando de tudo o que falaram no trem, seu único receio era ser da Sonserina. Era claro que ela era ambiciosa, mas Sirius e James lhe contaram antes que a maioria dos estudantes da casa eram obcecados por pureza de sangue e não gostava nenhum um pouco desse fato.

— Sejam todos bem-vindos. Atrás dessas portas, cada um de vocês será selecionado para uma casa. — Ela parecia ser durona, tinha pose de durona, mas podia ver em sua expressão que ela era uma boa pessoa. A menina se perguntou se ela tinha decorado o discurso. — Sua casa será a sua família durante sua estadia em Hogwarts. Elas são Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Agora venham comigo.

As portas se abriram e alguns alunos ficaram admirados, não estava muito diferente. Não importava o quanto ela tentasse, não conseguia parar de encarar tudo com devoção. De algum jeito, o teto não estava lá e havia inúmeras velas flutuando. Os alunos estavam sentados nas mesas de suas casas, pareciam felizes em estar começando um novo ano escolar.

Ao contrário do que James e Sirius ouviram falar, não havia desafio nenhum para saber em qual casa ficariam. Apenas um chapéu velho que cantava. Aquilo sim era algo que ela não esperava. Após ele cantar, McGonagall começou a chamar os estudantes aleatoriamente.
Vendo de onde estava, parecia aterrorizada.
A primeira menina a ser chamada também parecia tão temerosa quanto ela, mas sorriu ao ouvir o chapéu gritar sua casa. Algumas pessoas depois e se preparava para o momento em que chamassem seu nome.
— ela ouviu McGonagall chamar e foi até o banco, sentindo-se em seguida. podia jurar que seu coração sairia pela boca.

— Oh, você. — o chapéu disse baixo, num tom nada animado, e ela olhou para os outros percebendo que eles não conseguiram ouvir. se perguntou se ele estava cansado de todo o lance de seleção. — Hum… Você não para de pensar, não é mesmo? Não é como as outras meninas da sua idade, eu presumo. Muito excêntrica para isso. — quase levantou e tirou o chapéu. Até ele iria começar a zombar dela? — Muito ambiciosa, e cheia de bravura.

— Acabou, senhor? — ela acabou perguntando, em um tom nada educado.

— Está certo, criança. Então vai ser… — ele começou e pareceu ter suspirado — GRIFINÓRIA!

A mesa da Grifinória comemorou e ela se levantou após McGonagall tirar o chapéu de sua cabeça. Ela estava aliviada por eles estarem felizes com sua chegada e serem tão amigáveis até então. Ela viu alguns rostos familiares do Expresso Hogwarts, todos estavam felizes com suas casas.
A sorte estava a seu lado, afinal. Os amigos que havia feito no caminho para Hogwarts foram sorteados para a mesma casa. Os quatro meninos e até mesmo Lily Evans eram seus novos colegas de casa. não poderia estar mais feliz em começar o ano letivo tão bem.


Capítulo 2

21 de outubro, 1973.

estava aproveitando a tarde após a aula de feitiços no primeiro período, sentada na mesa da Grifinória junto de Marlene e as colegas de quarto da loira. O salão principal estava completamente decorado, já que o Halloween seria em uma semana. pegou duas panquecas em seu prato, comendo enquanto lia o Profeta Diário quando alguém se sentou no banco à sua frente, ao lado de Lily.
— Lily, você quer sair comigo? Vai ser nossa primeira vez em Hogsmead, pensei que poderíamos ir juntos. — James perguntou com um sorriso galanteador, apesar de estar nervoso como quando McGonagall descobriu que ele e os amigos haviam tingido o cabelo de Filch de vermelho.

— E o que te faz pensar que eu iria com você? — a ruiva respondeu e rolou os olhos. Lily não odiava James, mas a insistência dele estava estressando a garota, e ela já estava estressada tentando dar conta de todas as suas matérias apesar de ainda estarem no início do semestre.

— Porque somos almas gêmeas? — James supôs e a garota bufou.

— Sai fora, Potter. — foi apenas o que ela disse e ele se levantou depressa, a expressão dela não era uma das mais agradáveis. notou que apesar de sorrir para Lily, os olhos de James não refletiam tanta felicidade assim. Marlene e Mary conseguiram conter as risadas até o menino estar longe da mesa, indo de encontro aos amigos como se nada tivesse acontecido.

— Ele parece triste. — ela cutucou Marlene. — Porque ela não aceita sair com ele?

Apesar de ter conhecido Lily no primeiro ano, e a ruiva não eram muito fãs uma da outra. Elas se encontravam ocasionalmente quando Marlene estava por perto. não tinha problema nenhum contra a ruiva, apenas não encontrava nada em comum com Evans e então não tentava forçar uma amizade. Às vezes Lily a ajudava com algumas lições, mas era apenas isso. Lily era toda estudiosa e não era a mais dedicada a própria educação. Mary, por sua vez, era doce e gentil até que alguém falasse de Quadribol. lembrava de uma vez no segundo ano quando ela socou o braço de um garoto da Sonserina que ousou falar mal da Grifinória. costumava trocar algumas palavras com ela quando Marlene propositalmente as deixava a sós.

Apesar de ser um pé no saco às vezes, Marlene era a melhor pessoa que havia conhecido em Hogwarts. Ela falava de garotos, música, arte e nunca a incomodava quando estava atrasada com alguma lição, até mesmo emprestando algumas para que copiasse. Marlene olhou para a amiga, lançando um olhar estranho sobre James e logo voltando a encarar .
— Ele parecia bem pra mim. — pontuou a loira, sussurrando — Eu não sei, quero dizer… Eu acho que ela gosta dele, mas Potter fica sempre a rodeando. — tinha uma pequena ideia, já que todos os dias James se encontrava indo e vindo atrás de Lily. — É meio assustador.

— Eu acho muito fofo. — respondeu sem hesitar, mas logo percebeu que talvez tivesse falado demais. — Eu trocaria a por alguém que falasse comigo ou olhasse para mim do jeito que James a olha.

— Mas sua coruja é tão fofa. — Marlene disse rindo.

— Só quando você está por perto. — a garota retrucou.

— De qualquer jeito, você é uma romântica incurável, . Aposto que tem alguém por aí louco pra chamar sua atenção e você não vê. — Marlene disse mais para consolar a amiga. Ela nunca havia visto ninguém demonstrar interesse em , ao menos não em Hogwarts. — E além disso, seu tio é famoso, aposto que várias adolescentes trouxas queriam ser você.

— Eu adoro seu otimismo, McKinnon. — sorriu, grata pelos comentários da amiga, mesmo sabendo que a outra estava tentando agradá-la. Até então, não se lembrava de ter sido convidada para o passeio por ninguém. Nem mesmo Marlene e as meninas. — E você, vai a Hogsmead?

— Sim, acho que tenho um encontro. — Marlene disse um pouco mais alto, a fim de trazer as outras amigas para o assunto. Lily e Mary curiosas, como sempre. estava um pouco triste em saber que não teria a companhia de McKinnon em sua primeira visita ao vilarejo.

— Quem é? — as outras duas quase gritaram juntas ao mesmo tempo. Marlene engasgou com o suco de abóbora, mas logo se recompôs, franziu o cenho e então pediu que as amigas não fizessem alarde, gesticulando para as amigas se aproximarem.

— Um terceiranista da Corvinal, ele veio me convidar e eu achei uma gracinha. — disse antes de tomar mais um gole do suco de abóbora.

As outras sorriram, estava feliz pela amiga. Havia indícios de uma guerra e a família McKinnon estava saindo prejudicada. Eles estavam constantemente mudando para outras cidades, já que os seguidores do até então conhecido como "Lorde" Voldemort foram encarregados de recrutar o pai e irmão de Marlene.

Era bom ver que a amiga não estava deixando de viver por conta de algo que ela não tinha nenhuma parcela de culpa. Só de pensar que alguém se achava no direito de matar inocentes por considerá-los inferiores, sentia calafrios. Ela voltou a comer, dando a última mordida em um sanduíche e se despediu de Marlene com um tapa no ombro da mesma, apenas acenando para as outras duas. Andando depressa para o segundo período da aula de feitiços, com o professor Flitwick.

Era cedo, ela sabia. Nem mesmo Lily - que era conhecida por ser pontual - havia chegado tão cedo quanto ela. A ruiva apenas aproveitava o café da manhã enquanto andava depressa pelos corredores rumo à torre sul, onde ocorria a aula de feitiços. Quem passasse por ela, poderia achar que a garota só estava atrasada. No entanto, estava empenhada em encontrar um lugar vazio para fazer seus desenhos e, de quebra, ainda conseguiria sentar em qualquer lugar longe dos Marotos - com exceção de Remus, que era conhecido por gostar de estudar. Apesar de ser apaixonada por James, ela sabia que ele não levava os estudos tão a sério quanto os outros e ficar babando por ele nas aulas não seria algo bom para as notas.

Poucos minutos depois, o professor Flitwick chegou, junto aos demais alunos. Assim como , Lily também queria sentar próxima ao professor e garantir que escutaria toda a aula, as duas gostavam muito da aula de feitiços.
Quando viu o lugar vazio ao lado de , a ruiva andou depressa para sentar. Era isso ou sentar-se com alguém da Sonserina.

Ao fazer o caminho até o lugar vazio, ela percebeu dois rostos familiares na mesa de trás e hesitou. Lily parou onde estava e olhou em volta, apenas para ver que todos já estavam devidamente em seus lugares.
— Precisa de ajuda, senhorita Evans? — Flitwick disse e a garota negou, andando vagarosamente até a mesa de , ignorando o sorriso idiota de James para ela. Assim que sentou, sorriu tímida para e deixou de lado todo o resto, focando apenas na explicação do professor.

Apesar de estarem conseguindo ouvir uma boa parte da aula, não demorou muito para Sirius e James atrapalharem a aula a cada dois minutos.
James tentou chamar atenção de Lily pela milésima vez naquele dia, puxando um cacho daquela cabeleira ruiva. Sirius se controlava para não rir.
Potter era seu melhor amigo, mais que isso, era seu irmão. Entretanto, a expressão dele após as rejeições de Evans não tinham preço. Obviamente havia momentos em que James ficava realmente chateado, e nesses momentos, Sirius, Remus e Peter eram os responsáveis por planejar inúmeras pegadinhas contra sonserinos afim de ver James feliz novamente. E apesar de sempre ouvir Lily dizendo que nunca sairia com James, toda vez que ela tentava não sorrir diante dos galanteios de Potter, ele tinha certeza que no fim ficariam juntos.
— Lily... — ele ouviu James sussurrar. se esforçou muito em não olhar para trás ao invés da ruiva. Sabia que era apenas James tentando chamar atenção.

— Eu não consigo focar. — Lily sussurrou para , que não sabia o que fazer já que ambas não eram tão amigas. — Você pode pedir que ele pare, por favor, ?

Se já estava desacostumada a falar com Lily, a situação só ficou mais confusa ao ouvir a ruiva chamando-a pelo apelido e a encarando como um filhotinho. O desespero dela era real.

sorriu para a ruiva e assentiu, logo se virando para trás e colocando uma das mãos no encosto da cadeira. Flitwick estava ditando algumas habilidades necessárias para lançar um feitiço de banimento corretamente. Ela hesitou e olhou para Lily, que felizmente estava anotando tudo, e olhou novamente para a mesa de trás, onde James já não mais importunava Lily e anotava as falas de Flitwick. Mas Sirius estava desocupado e a olhava com curiosidade.
— Oi, . — ele disse e ela arqueou as sobrancelhas, um pouco surpresa por ele lembrar dela. Afinal, apenas Remus costumava encontrá-la na biblioteca durante o primeiro e segundo ano para ajudar com as lições e sempre que os outros estavam por perto, ficava tão feliz que não a via. Ela espantou os pensamentos aleatórios e foi direto ao assunto.

— Oi, Sirius, se importa de impedir que o James atrapalhe a Evans? Ela precisa se concentrar. — pediu gentilmente e James largou o que estava fazendo assim que ouviu seu nome.

Ao contrário do que esperava, James apenas sorriu e se aproximou da cadeira de Lily.
— Eu te deixo nervosa, é? — ele disse e Lily bufou.

Ao ver rolando os olhos, Sirius riu, quase alto o suficiente para atrair a atenção de Flitwick e se aproximou dela.
— Não se preocupe, linda. Vou manter o pequeno Potter aqui bem ocupado. — ele se afastou e aproveitou o momento para envolver o pescoço de James com o braço e bagunçar o cabelo dele. Black continuava sorrindo gentilmente e suspeitou que ele estava com um ótimo humor. Ela sorriu agradecida e voltou a assistir a aula, torcendo para que Flitwick terminasse logo.

[...]


As aulas de astronomia eram simplesmente as piores. amava as estrelas no céu, não em livros. Apesar de ser péssima na matéria, ela e a professora Sinistra eram boas amigas. No segundo ano, descobriu que a mulher era fascinada por trouxas e também por roupas. Sendo sobrinha de um estilista famoso, não se conteve e ambas viviam discutindo os desfiles de moda que aconteciam em Paris.

Aurora era uma mulher bondosa, e ver bombando em sua matéria não era exatamente o que ela esperava. Ela conseguia ver o esforço que a menina fazia, mas sabia que sozinha não conseguiria melhorar. Por isso, quando viu a jovem socando um monte de pergaminhos na bolsa antes de deixar a classe, Aurora pediu que ela ficasse um pouco mais.
nem se importou tanto, era a última aula do dia. Marlene se ofereceu para ficar com a amiga, mas a abandonou logo que viu Lily e Mary passeando ali perto.
— Senhor Black, será ótimo se puder ficar também.

olhou para trás, nas últimas cadeiras, encontrou Sirius guardando as coisas dele também, pronto para ir embora. Após alguns segundos, não havia ninguém na sala além dos três. estava segurando um de seus livros, a alça da bolsa quase escorregando de seus ombros. Sirius parou ao lado dela, esperando Aurora terminar de guardar suas coisas e começar a falar.
— Ok… — ela olhou para os dois e desejou que estivesse fazendo a coisa certa — , eu vi que você está tendo alguns problemas com a matéria. Sei que você não gosta muito de pedir ajuda, então estou fazendo por você.

mordeu o lábio inferior, ela queria enfiar a cabeça em um buraco. Queria chorar, mas não iria fazer perto de um garoto, muito menos perto de Sirius, que era melhor amigo de James. A garota permaneceu em silêncio.
— Sirius, você é o meu melhor aluno apesar de sempre atrapalhar as aulas, eu quero que ajude a a alcançar notas melhores. Se fizer isso, eu posso tentar te tirar de algumas detenções.

Sirius não precisava pensar duas vezes. Era claro que ele era o melhor da turma, tudo o que sabia sobre astronomia ele havia aprendido em casa. E se existisse uma chance de escapar de algumas detenções, ele ajudaria quem fosse.
— Vocês dois, fiquem à vontade, eu preciso falar com a Minerva. — ela disse e deixou o lugar.

— Você não precisa ajudar. — disse. Ele estava surpreso em descobrir que ela estava indo mal em astronomia apesar de não saber muito sobre ela, nunca pensou que ela fosse ruim naquela matéria. Apesar de se conhecerem desde o primeiro ano, nunca foi muito de falar sobre si e, desde então, aquele dia estava sendo o mais estranho para os dois. — Eu tenho certeza de que vou falhar de qualquer maneira.

Sirius não conseguia sequer pensar em desistindo tão facilmente. Ela era uma das melhores em poções e transfiguração, como poderia desistir daquela maneira em astronomia?
— Eu te ajudo. — ele disse e ela o olhou como se ele tivesse falado o maior dos absurdos. — Se você quiser, obviamente.

— Você tem certeza? Marlene diz que eu sou uma causa perdida. — ela avisou e ele sorriu. Seus pais sempre diziam que ele era uma causa perdida, por ter valores distintos de sua família. Em seu ponto de vista, ele estava indo muito bem. Por isso, o garoto revirou os olhos e ela riu.

— Começamos amanhã à noite, me encontre na sala comunal. Traga seu livro e um cobertor também, fica muito frio à noite.


Capítulo 3

16 de janeiro, 1974.

Remus foi o primeiro a acordar durante a noite do dia seguinte, observando de sua cama curiosamente enquanto Sirius trocava de roupa. Não era incomum o amigo andar pelo castelo durante a noite, mas o garoto estava saindo até demais. James acordou também, colocando os óculos e logo prestando atenção na mesma coisa que Remus. Lupin cutucou Peter para que ele acordasse.
Sirius passou as mãos pelos cabelos, os amigos não sabiam se era para arrumar ou bagunçar ainda mais.
Potter estava prestes a dizer algo, mas Lupin fez sinal para que ele ficasse em silêncio, esperando algum sinal de que algo estava realmente errado. Então, como o esperado, Sirius pegou um vidro de perfume e borrifou contra si.
Para Peter, aquilo não tinha a menor importância, então ele voltou a dormir sem hesitar. Remus ainda estava imaginando se Sirius iria continuar saindo às escondidas. James só conseguia pensar que se o amigo estava se perfumando, ele estava prestes a encontrar alguém. Se estivesse certo, porque Sirius guardaria segredo sobre? Ele precisava saber.
— Quem é ela? — Potter questionou, fazendo Sirius se assustar e pular onde estava, como se tivesse sido pego durante uma de suas pegadinhas.

— Merlin! Eu pensei que vocês estavam dormindo — ele disse, olhando para as camas e constatando que apenas Peter dormia tranquilamente.

— Nós estávamos, — Remus começou — mas pra quem está saindo escondido, você é a pessoa menos sorrateira do mundo.

James assentiu, achando um ótimo argumento e logo disse:
— Então, você pretende dizer pra onde vai?

— Eu…
Aquele era o problema, Sirius não sabia como explicar que estava se encontrando com . Se ele o fizesse, talvez ela pudesse ficar constrangida e o afastasse. Ele não queria arriscar. — É só uma garota, não sei porque todo esse alarde.

— E porque não contou pra gente? Ao invés de sair escondido? Nós a conhecemos? — James continuou, ignorando o incômodo do amigo. — Ela é sonserina? Sem julgamentos.

— Não, e eu não diria se conhecessem porque não faz diferença. — ele respondeu calmo e olhou para a capa de James, em cima do armário. Ele apontou para o tecido e sorriu — Posso pegar emprestado?

— É toda sua. — James deu de ombros.

— Então você não vai nos contar? — Remus insistiu e Sirius sorriu para ele.

— Não tem nada pra contar. — respondeu e pegou a capa, junto com um cobertor e o livro de astronomia. Remus não deixou o último detalhe passar despercebido. — Agora estou indo, não me sigam.

Os garotos assentiram, deixando o amigo se retirar em silêncio.
— Você vê por que precisamos terminar o mapa? — James sussurrou indignado e Remus balançou a cabeça se recusando a acreditar que Potter fosse tão desleixado a ponto de não observar as mesmas pistas que ele. O livro de astronomia e um cobertor, era óbvio que ele estaria na torre de astronomia.

— Não se preocupe, James. Eu sei para onde ele vai, só não sei com quem.

⚡⚡⚡

Em seu dormitório, pegou o livro de astronomia e alguns doces. Suas colegas de quarto estavam dormindo e se achava muito boa em sair de fininho.
Ao olhar para o cobertor grosso e quentinho, lembrou-se dela e Sirius dividindo o cobertor dele na noite anterior. Um sorriso bobo apareceu em seu rosto e por mais que estivesse se achando uma idiota, ela mordeu o lábio inferior tentando decidir se levaria o tecido ou não.
Dorcas, uma das garotas com quem dividia o quarto, se mexeu em sua cama e tomou aquilo como o empurrão que precisava para finalmente sair do quarto. Sem o cobertor.

desceu as escadas depressa, encontrando nada mais que a sala comunal iluminada apenas pela luz da lua, a lareira apagada. Pegou a varinha entre suas coisas e foi para o meio da sala.
— Lummus. — ela sussurrou e a varinha iluminou o local. arqueou as sobrancelhas, em dúvida se voltava para o dormitório ou não, já que Sirius parecia ter decidido não aparecer.

Ela ouviu passos e estava pronta para correr de volta para o dormitório, caso fosse algum monitor. Mas Sirius apareceu em seu campo de visão e sorriu para ela.
— Nox. — ela sussurrou e guardou a varinha novamente.

— Hey, pronta para detonar em astronomia? — ele perguntou e sorriu.

— Ou ela pode me detonar, nunca se sabe. Eu trouxe o livro de feitiços, assim podemos testar aquela azaração que você falou. — respondeu e estava prestes a sentar na poltrona quando ele a impediu.

— Eu tive uma ideia diferente pra aula de hoje. — disse e continuou em silêncio, esperando que ele explicasse — Primeiro, você precisa prometer que não vai dizer nada a ninguém sobre hoje. Nem pra Marlene.

— Marlene não soube nem das aulas, Sirius. E outra, porque eu iria contar a alguém?

— Só estou sendo precavido. — ele reclamou.

— Tudo bem. — ela cruzou os braços — Vamos nos meter em problemas, não vamos?

— Só se formos pegos, o que não vai acontecer. — ele pontuou e ela deu de ombros.

— Eu prometo não contar pra ninguém. — ela disse e Sirius sabia que não era da boca pra fora.

— Então agora eu te apresento um dos segredos para o sucesso dos marotos. — ele disse, desdobrando o que ela pensou que era um cobertor extra. assistiu Sirius cobrir a si mesmo com o tecido e em um piscar de olhos, ele não estava mais ali.

Ela esfregou os olhos, para ter certeza de que o sono não estava brincando com ela.
— O que? Pra onde você foi? — ela olhou em volta buscando Sirius, mas não o viu. Então esticou o braço e sentiu algo, ela logo puxou a capa, revelando um Sirius sorridente.

nunca havia visto uma capa da invisibilidade, elas eram super raras. Empolgado com o sorriso contagiante dela e seu olhar curioso sobre a capa, Sirius pediu que ela segurasse o cobertor e seu livro, enquanto ele jogava o tecido em cima dos dois.
— Vamos lá, temos que ser rápidos. — ainda que um pouco nervoso, a mão dele buscou a dela e segurou a mesma antes de saírem da sala comunal.

[...]


estava sentada observando o céu pelo grande telescópio, Sirius sentado a seu lado. Eles usaram a capa de James para forrar o chão e dividiram o cobertor, o que acabava facilitando o contato físico inúmeras vezes. sorriu ao reconhecer uma constelação, Sirius apenas observava o rosto dela, iluminado pela luz da lua.
— O que? — ela afastou o rosto do telescópio, sentindo o rosto arder enquanto Sirius a olhava. Ele sorriu ao ser pego no flagra, voltando a olhar para o céu em seguida — Não ouse disfarçar, o que foi?

— Nada demais, só te acho bonita. — respondeu e apoiou as costas na parede, ficando um pouco mais longe dela. fez uma careta. — O que?

— Você não precisa dizer essas coisas. — virou para ele, também apoiando a cabeça no braço para que pudessem conversar.

— Eu digo porque é o que acho. — ele retrucou ainda um pouco confuso e ela assentiu.

— Por quê?

— Porque você é.

— Olha, eu não me importo que você me ache bonita. — ela riu quando Sirius concordou. — Mas isso não faz sentido. Você é o primeiro garoto que realmente fala comigo desde o primeiro ano, sabia? — ela afastou o cobertor e sentou de frente para ele, Sirius permaneceu calado. — Vamos ser honestos, se não fosse pela professora Sinistra pedindo que me ajudasse nós nem seríamos amigos hoje.

O garoto ficou um pouco incomodado porque infelizmente a última frase dita por ela era verdade. Mas estava errada, sempre a achou bonita. Não era algo que ele havia notado semanas atrás, ele tinha certeza. Sirius se aproximou, tentando garantir que ela enxergasse a verdade em seus olhos.
— Eu sei, nós não seríamos amigos se a Sinistra não pedisse pra te ajudar. E nós nos conhecemos no primeiro ano, mas nunca como agora, eu sei. — ele começou e mordeu o lábio inferior, tentando ao máximo não desviar o olhar enquanto ele falava — Mas eu acho você linda e não é algo que digo porque somos amigos. Você é inteligente, engraçada e uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci. E qualquer um que não veja isso é um tremendo idiota. Talvez, um dia, eu tenha sido um idiota também.

Sirius finalizou, os olhos dele encarando os dela. estava confusa e abriu a boca para dizer algo, mas nada saiu. Ela observou Sirius mais uma vez, mordendo os lábios por causa do nervosismo. Ele queria beijá-la. Não era a primeira vez e estava certo de que não seria a última, mas tinha certeza do que queria. No entanto, era incrível e ele não queria arriscar a amizade dos dois.
Passaram-se alguns segundos em que os rostos dos dois estavam mais próximos do que deveriam, podia sentir o cheiro da colônia dele e como se tivesse sido inebriada pelo aroma, ela se aproximou, unindo os lábios aos dele num beijo calmo e que era seu primeiro.
Uma das mãos de Sirius foi parar no rosto da amiga, enquanto a outra puxava o corpo da garota para si.
Não demorou para se afastarem, parecia estar prestes a correr dali, e de fato era o que ela desejava fazer.

O olhar de Black seguia cada movimento da garota, que sem dizer nada, pegou seus livros e pergaminhos e o deixou ali. Sirius não demorou muito tempo repensando o que havia acontecido, ele pegou os próprios pertences e a capa, preocupado que fosse pega andando pelos corredores da escola fora do horário permitido. A encontrou não muito longe da entrada para a sala comunal, ela não o via por causa da capa, mas o garoto foi rápido e jogou o tecido em cima dela antes que a mulher do quadro a visse.
— Cabeça de dragão. — o garoto sussurrou e a Mulher Gorda reclamou algumas vezes antes de finalmente abrir a porta. Antes que pudesse dizer algo, se afastou dele e correu para o dormitório feminino. — Boa noite, .

Aquela noite, Sirius entrou em silêncio no dormitório e com um sorriso de orelha a orelha. Ele tinha certeza de que não era fazia o tipo que pediria ajuda apenas para conseguir um beijo dele, mas se fosse, talvez ele não se importasse em repetir. Mal sabia ele que a cena não se repetiria tão cedo.


Capítulo 4

28 de janeiro, 1974.

Para a felicidade de , aquele dia havia começado maravilhosamente bem. Ela havia dormido como um bebê e estava de bom humor, mesmo acordando cedo para a aula de Poções. Slughorn, no entanto, não parecia tão simpático quanto nos outros dias. Ele entrou na sala com pressa, pedindo que todos fizessem silêncio para a aula começar.

Hestia, sua colega de quarto, ocupou a cadeira a seu lado. Das meninas que dividiam o quarto com ela, sempre achou Hestia uma das mais simpáticas. Elas não se falavam sempre, mas Jones muitas vezes pedia sua opinião ao se vestir. A garota era tão simpática, tinha certeza que se o chapéu não a colocasse na Grifinória, Hestia certamente seria uma verdadeira lufana.

Era a primeira aula do dia e todos esperavam que terminasse para tomarem café no salão principal. agradecia mentalmente por estarem todos preocupados em estudar para os exames finais, assim não seria flagrada olhando para Sirius.
Depois do beijo, ela decidiu evitá-lo em todos os lugares possíveis, morrendo de vergonha por ter sido quem tomou a atitude. Por alguns dias, eles trocaram olhares em algumas aulas e se esbarraram nos corredores do castelo, mas em momento nenhum conseguiram conversar sobre o ocorrido.

Ele e James sempre sentavam próximos à Lily.
Potter não tinha olhos para nenhuma garota além da ruiva e sabia o quão difícil era se sentir invisível, porque imaginava que era isso que James sentia ao ver Evans sendo tão gentil e adorável com todos menos ele.

Um empurrão em seu ombro quase a fez pular na cadeira e encontrar um sorriso divertido no rosto de Hestia.
— Perdeu alguma coisa no fundo da sala? — Hestia sorriu, e olhou na mesma direção que agora evitava. Ela piscou para e voltou a anotar algo no pergaminho — Não se preocupe, você não é a primeira a cair no charme dos marotos. Qual deles é?
— Eu não faço ideia do que você está falando. — disse e também copiou o que havia na lousa.
— Okay, vamos copiar as instruções então. — ela disse fazendo menear a cabeça, totalmente de acordo com a ideia — Não queremos ficar atrasadas na matéria porque você fica encarando os dois, não é mesmo?

A garota deu meio sorriso e um empurrãozinho em Hestia, que não escondia o quanto estava se divertindo com a situação. Sirius tirou os olhos do pergaminho em suas mãos por alguns segundos apenas para dar uma espiada na mesa de .
— O que você tanto olha, Sirius? Temos que combinar a pegadinha de primeiro de abril e você nem me escuta. — James reclamou, fazendo Sirius revirar os olhos e apoiar o rosto na mesa.

— Qual é cara, eu estou cansado.

Era compreensível que Sirius estivesse com sono, mas todos estavam.
James, Peter e ele tiveram a ideia de revezar entre si para acompanhar as aulas de Remus, que mais uma vez estava doente. Na mesa à frente, Marlene ouviu os resmungos de James e deixou as anotações por conta de Lily, se apoiando no encosto da cadeira para falar com Black.

Slughorn bufou, toda vez que olhava para a mesa de algum grifinório, ouvia risadas ou encontrava alunos dormindo enquanto outros faziam o trabalho duro sozinhos. Lily Evans, inclusive, estava tomando todas as anotações enquanto Marlene estava virada para trás, conversando.
O homem já sabia que pelo menos a maioria dos alunos da casa vermelho e dourado eram menos estudiosos, mas se perguntava o porquê de não serem todos como Lily, sua aluna preferida ou Severus, que também era ótimo em poções. Ele se levantou, atraindo a atenção de todos, e olhou para os alunos que o encaravam confusos enquanto ele decidia o que fazer.

— Antes de começarmos a poção de hoje, creio que precisaremos de uma mudança para atingir bons resultados sem os alunos da Grifinória atrapalhando o progresso. — ele disse e todos ouviram risadas de alguns sonserinos — Senhorita McKinnon, troque de lugar com o senhor Potter. Flint, — ele apontou para Teodora, a única sonserina que conversava normalmente com — assuma o lugar ao lado da senhorita Evans. Senhorita Jones, — Hestia e se entreolharam, sabendo que aquela seria a despedida das duas. quase segurou o braço da garota para impedir que ela se levantasse. — pode se juntar a Severus Snape. Aos que continuaram em seus lugares, peço que permaneçam em silêncio ou serão os próximos. Esses serão seus assentos até o fim da classe.

"Alguém está naqueles dias", pensou enquanto assistia os alunos se levantando e trocando de lugar.

— Eu devo ficar de pé? — James sussurrou para o amigo, vendo que McKinnon já estava em seu lugar. Sirius suspirou, perguntando a si mesmo se o amigo conseguiria ser mais lerdo.
— Tem um lugar vago ao lado da . — Marlene bufou, James a irritava fácil e mesmo sem saber, ela causava o mesmo efeito no garoto. Potter não demorou a revirar os olhos e se direcionar à sua nova mesa.

[...]


Em sua mesa, Slughorn lia o Profeta Diário, enquanto os alunos seguiram as instruções que ele havia fornecido anteriormente, a fim de prepararem a Poção Polissuco. Segundo ele levaria quase um mês para ficar pronta e era dividida em quatro etapas.
— Você não é de falar muito, né? Essa aula 'tá um saco, eu queria dormir — James comentou e sorriu tímida.

— Sinto muito, só não consigo parar de pensar em terminar isso e ir comer. — ela explicou, arrancando uma risada do menino. James não riu escandalosamente como sempre fazia, e isso deixou mais tranquila, assim Slughorn não teria motivos para tirar pontos da casa.

— Você leu minha mente. — ele sorriu e tinha certeza que suas bochechas estavam coradas. Era estranho demais falar com James, já que ele nunca havia realmente notado sua existência antes. — Você é amiga da Marlene, não? — James perguntou, lembrava de ter visto a garota sentada com Lily e as amigas, e também de como se conheceram no Expresso Hogwarts. assentiu. — Eu lembro de você no primeiro ano. Como vocês se tornaram amigas? Não me leve a mal, você é toda tímida e ela… — James olhou para sua mesa anterior, o que levou a fazer o mesmo e observar McKinnon e Sirius tentavam cortar uma espécie de planta que não conseguia identificar. A dupla voltou a olhar para os ingredientes na própria mesa. — Ela é a Marlene.

Eles riram e contou sobre seu segundo dia no castelo, quando esbarrou em Marlene no caminho para a aula de Herbologia e elas acabaram formando uma dupla durante a aula.
Desde aquele dia, em que quase desmaiou ao ouvir o grito dos bebês mandrágoras sendo arrancados da terra e McKinnon foi quem rapidamente ajustou os abafadores de , mas não cedo o suficiente para impedir o grito que a garota deu.

— Ah, eu me lembro desse dia! — James disse e mexeu a poção quatro vezes no sentido horário. — Peter ficou confuso quando ouviu você gritar, ele achou que os abafadores não estavam funcionando.

— Pobre Peter. — ela riu e voltou a olhar para o caldeirão, balançando a varinha em seguida — Acho que terminamos. Aqui diz que a poção deve fermentar por 80 minutos.

apontou para a informação citada no livro de poções, ficando um pouco desconcertada quando James se aproximou mais do que ela estava acostumada. Ele apoiou o braço na cadeira em que ela estava sentada e também leu a mesma informação no livro. tentou se afastar discretamente, mas James percebeu o pequeno deslize e sorriu culpado. Nenhum dos dois falou novamente até o fim da aula, quando se despediram.

[...]


Café da manhã e correspondência era a melhor combinação que poderia querer em suas manhãs no castelo. O ato de ler enquanto mastigava era uma das coisas mais prazerosas, na opinião da garota de 13 anos. Além de fazer com que ela, por alguns minutos, parasse de pensar em qualquer coisa que não fosse de comer. Em sua mão direita, segurava uma carta que havia sido enviada pela mãe. Algumas manchinhas vermelhas no papel denunciavam que Celine havia tido problemas com a coruja, como sempre teve desde que havia iniciado seus estudos no castelo. também não era uma das corujas mais educadas.
Ler as notícias nas palavras de sua mãe a fazia lembrar dos dias em casa, nos quais acordava cedo apenas para ler o jornal enquanto tomava café. Celine nunca aprovou que - em suas palavras - seu "bebê" tomasse café forte logo pela manhã, mas não dava muita importância. Uma vez que terminou de ler a carta, ela pegou o jornal do mundo trouxa, que sua mãe enviou junto. Circulado em vermelho, o nome de seu tio em um artigo sobre moda contemporânea a fez sorrir orgulhosa.

olhou para Marlene pronta para contar a notícia, mas o sorriso morreu ao notar os olhos marejados da loira enquanto lia o Profeta Diário. Os ataques às famílias bruxas e trouxas estavam aumentando, o que preocupava não só Marlene, mas praticamente todo o mundo bruxo. Estava tentada a confortar a garota, no entanto, sabia o quanto a amiga odiava os olhares de pena. Mary e Lily pareciam ter tido a mesma impressão, e para tentar distrair Marlene de seus problemas, Mary sabia exatamente o que dizer.
— Me conta tudo. — a morena disse e Marlene parou de mastigar o que estava comendo por alguns segundos, encarando a amiga.

— Eu os vi conversando e eles estavam incrivelmente fofos, uma pena que ele é da Corvinal. — se juntou ao assunto, sorrindo para Mary em agradecimento.

— Você acha que ele vai te convidar pra um passeio em Hogsmead no dia dos namorados? — Lily ficou animada também. Marlene respirou fundo, agradecendo a Merlin por elas não parecerem ter notado o quanto estava chateada.

— Espero que não. — ela sorriu e as outras três se entreolharam, voltando a encarar a amiga como se tivesse nascido um chifre de unicórnio em sua testa — Ele é legal, mas leva muito a sério a rivalidade entre nossas casas. Dá pra acreditar que ele tentou apostar comigo que a Sonserina venceria nosso time no próximo jogo?

— Como ele ousa? — Mary saiu em defesa da amiga, não só pelo fracasso do encontro, mas também porque havia realmente ficado irritada. não conhecia ninguém tão apaixonado por quadribol quanto Mary. Talvez James, mas ele não chegava a tanto. — Não se preocupe, Marlene. Ele não é a pessoa certa pra você.

— Ah, não estou nem um pouco chateada. Eu já segui em frente. — ela disse como se não fosse nada, mas conhecendo as amigas, sabia que não era daquele jeito. — Tenho uma paixonite desde o primeiro ano, mas não sei como agir perto dele. Somos meio que amigos e não quero estragar as coisas.

Ouvindo a amiga falar daquele jeito, quase não a reconhecia. Marlene era a mais extrovertida entre elas e tinha muita facilidade falando com qualquer pessoa, independente do gênero.
— Mas vocês precisam mesmo saber é o que eu vi na aula de poções hoje. — ela disse sorrindo para a amiga — falando com o Potter e os dois rindo. Vocês sabem que ela é afim dele né?

— O que? Não! — Mary se recusava a acreditar, ela era a única das meninas que não teria aula de poções naquele semestre. bufou.

— Isso não tem graça, Marlene. — avisou, deixando de lado o bom humor — Ele é minha dupla, não tem nada demais nisso.

— Você não negou. — Marlene zombou da amiga, que voltou a comer, ignorando os olhares das outras duas que também estavam direcionados a ela.

— De onde você tirou essa ideia? — ela questionou, fingindo estar entediada com a afirmação da amiga. Já havia gostado de James, sim. Mas agora outra pessoa estava tomando conta de seus pensamentos e não sabia como parar, também não sabia como contar para a amiga.

— Você é sempre gentil com ele e eu vi vocês conversando ontem.

— Eu sempre sou gentil com todos. — apontou e Marlene cruzou os braços, reconhecendo que ela estava certa. — Eu sou gentil até com o Avery, e ele é um babaca.

— Seja como for, — Lily falou — fico feliz que ao menos ele vai parar de me perseguir. — ela forçou um sorriso para , que apenas resmungou novamente.


Capítulo 5

14 de fevereiro, 1974. - Valentine's Day.

poderia ser a menina mais educada de sua idade e, como todo ser humano, ela precisava de algumas horas de um sono em paz. No entanto, acordou em pleno fim de semana com gritos animados vindos de suas colegas de quarto. Aparentemente, uma das meninas foi convidada para ir à Hogsmead. Num encontro. No dia dos namorados.
não podia evitar sentir um pouco de inveja. Ela mal conseguia olhar para Sirius e, desde o beijo, ambos não se falavam. Por um lado, estava envergonhada em ter saído correndo naquela noite e, por outro, sentia o estômago dar voltas toda vez que o via. Havia sido seu primeiro beijo e apesar de achar que ocorreu razoavelmente bem, sua insegurança falou mais alto.
Ela podia vê-lo encarando aqui e ali, mas evitava Sirius como a praga, agradecendo aos céus por estar bem em astronomia e não precisar mais da ajuda dele.
— Sinto muito por te acordar, . Tamara foi convidada a um encontro por um menino do sexto ano e as meninas estão enlouquecendo. — Hestia explicou sorrindo envergonhada.
— Tenha um bom encontro, Tamara. — disse, Tamara sorriu agradecida, Dorcas e ela deixaram o dormitório para não incomodar as duas.
estava prestes a deitar novamente e dormir pelo resto do dia quando Hestia saiu de sua cama para pular na dela, como se fosse algo costumeiro.
— Posso te ajudar em algo? — perguntou divertida. Hestia estava sorrindo mais que o normal. — Você 'tá me assustando.
— Eu espero estar. Quando você vai me contar? — perguntou e a olhou confusa — Qual deles é, ? Tenho minhas teorias, mas prestando atenção nos dois, não consegui nada.
— Merlin, do que você está falando? — tentou se fazer de desentendida, mas Hestia Jones não era nenhuma amadora.
— Ah, entendi. Essa é sua cara quando está mentindo. Não se preocupe, não vou contar pra ninguém que você tem crush no Sirius.
Como se fosse fazê-la ficar em silêncio, se jogou em cima da amiga tentando tapar a boca de Hestia assim que a garota disse o nome.
— Merlin! É ele mesmo? — se afastou, revirou os olhos, mas não negou. — Garota, eu achei que você fosse afim do James ou do Remus.
— Remus? De onde tirou essa?
— Vocês têm coisas em comum, tipo livros e essas coisas.
— Uau, acho que talvez eu deva namorar com a Pince. — debochou, fazendo Hestia reagir com uma careta — Mas sim, eu até gostava do James. Agora o problema é outro.
— Black?
— Black.
— Você sabe que ele é sinônimo de problema, né? Ele é gato e todo mundo na escola já começou a notar. — Hestia disse, não para assustar mas porque era verdade — Mas relaxa, eu te dou cobertura.
— Bom saber — riu e puxou o edredom para cima, voltando a se cobrir. Acordaria em meia hora, talvez. Só tinha certeza que precisava descansar.
Hestia se levantou da cama da amiga e voltou para a própria cama, onde sentou, pegou uma almofada e jogou em , que já estava quase cochilando novamente.
— A propósito, feliz aniversário, .
— Obrigada, Jones.
[...]

O dia começou agitado e Sirius se obrigou a levantar da cama. Eles iriam à Hogsmead no feriado e todos estavam um pouco eufóricos. Black quase não conseguiu a permissão para visitar o vilarejo, devido a sua relação com os pais.
Ele não havia tido uma infância tão agradável até então. Desde que passou a enxergar a ignorância de seus pais e o chapéu seletor o colocou na Grifinória, ele era a desgraça da família. Regulus, seu irmão mais novo, estava seguindo o mesmo caminho desastroso do qual Sirius havia fugido, então o mais velho tentava ao máximo ignorar a existência do irmão, apesar de desejar que Regulus enxergasse Walburga e Orion por quem eles realmente eram.
No começo, ele esperava que os pais entendessem tudo de seu ponto de vista, mas desistiu com o tempo e então sua verdadeira família eram seus amigos e os pais de James, e era a isso que lhe dava esperanças de um futuro longe da residência dos Black.
Sirius olhou para Remus, que comia chocolate enquanto jogava Snap Explosivo com Peter. Remus parecia estar mais quieto e abatido ultimamente.
— Está melhor hoje, Remus? — ele perguntou sorrindo e o amigo assentiu. A lua cheia estava chegando e Lupin já se sentia doente, no entanto, seus amigos não sabiam de seu pequeno problema.
Alguns estudantes passaram por eles, na sala comunal, animados para passar o dia em Hogsmead. Uma cabeleira passou com pressa e logo voltou, cumprimentando os garotos.
— Cadê as suas amigas? — Peter perguntou e Sirius estava mais que satisfeito com a atitude do amigo. Se ele perguntasse por , seria estranho, mas perguntas como aquela eram algo esperado de Peter.
— Lily e Mary estão me esperando lá fora. ainda está deitada, os pais dela assinaram a permissão, mas acho que ela desanimou. — a garota respondeu tudo depressa — Só parei pra dar um oi, tenho que ir. Beijos.
— Tchau, Marlene! — Peter e Remus responderam em uníssono.
— Talvez eu compre mais chocolates em Hogsmead, meu estoque está chegando ao fim. — Remus começou — Isso se chegarmos a tempo, né?! — reclamou, se referindo a demora de Potter.
— James, vamos chegar atrasados! — Sirius gritou mais uma vez antes de digerir que o esperassem no pátio. Black, vez ou outra, olhando para a entrada do castelo, esperando o momento em que apareceria.
E assim ela o fez. Saiu praticamente correndo, suas colegas de quarto haviam saído mais cedo, tagarelando sobre comprar poções do amor na Zonko's e ela estava frustrada, pois sabia que teria que procurar McKinnon ou ficaria só.
— Olá! Vocês viram a Marlene? — perguntou a um grupo de grifinórios, respirando fundo. Ela havia corrido todo o caminho do salão comunal até o pátio de Hogwarts, na pressa de encontrar Marlene e perguntar se ela queria ir à Dedos de Mel após o encontro. O grupo negou ter visto a garota e repetiu a pergunta para duas lufanas, que também negaram. Remus e os meninos não estavam muito longe dali e ouviram .
— Ela já foi com Lily e as meninas — Remus disse sem graça e assentiu. Não seria a primeira e nem a última vez que Marlene dispensava a companhia de . Lupin sempre pensava que talvez estivesse sendo amiga pelas duas. De fato, ela estava sempre em segundo plano para McKinnon.
Sirius estava sentado perto de Peter e olhou ansioso para onde a garota estava. O trio já não aguentava mais esperar por James, que mais uma vez estava se arrumando para parecer bonito quando "acidentalmente" encontrasse Lily durante a visita à Hogsmead.
— Ah sim, obrigada, Remus. — disse evitando contato visual com Sirius, nem mesmo se aproximando do grupo e começou seu caminho de volta para o dormitório.
, espera! — Black disse e se levantou, andando depressa até a garota. Remus e Peter assistiram àquela cena totalmente confusos, se perguntando desde quando e Sirius tinham qualquer assunto. A garota parou e esperou que ele a alcançasse. estava nervosa, mal conseguia olhar nos olhos dele, não com Remus e Peter os vigiando de longe — Oi.
Estava decidida a ficar no castelo pelo resto do dia caso não encontrasse Marlene. Embora soubesse que inicialmente não era para serem vistos juntos, Sirius estava pouco se importando e ela decidiu seguir os passos dele.
O garoto sorriu e fez o mesmo, lhe dando o pouco de coragem que precisava para dizer algo. Não muito distante de onde eles estavam, James estava voltando para os amigos quando viu apenas Remus e Peter. Os dois olhavam descaradamente para a entrada do castelo e James acabou por seguir o exemplo dos amigos, tendo uma visão de Sirius e conversando.
Ela nunca pensou que seria amiga de um dos meninos, muito menos ter um carinho tão grande Sirius. Ela adoraria que fossem amigos, mas toda vez que o via, sentia um frio na barriga que antes não costumava sentir, nem mesmo ao ver James. Às vezes ela nem lembrava da existência de James. Naquele dia, entretanto, ela acordou se perguntando quando o veria novamente, porque sabia que onde Potter estivesse, Sirius estaria também.
As mãos dele soavam tanto que Black estava quase se arrependendo de ter ido até ela.
Eram dois pré-adolescentes confusos e medrosos.
— Você não vai? — ele perguntou apontando para a saída do castelo, referindo-se à ida dos alunos ao vilarejo. O único motivo que teria para ir era comprar alguns doces na Dedos de Mel e talvez ver de perto a tão famosa Casa dos Gritos, mas sem companhia ela imaginou que fosse melhor ficar no castelo.
— Acho que não. — ela deu de ombros, um pouco sem graça — Marlene já deve estar na metade do caminho e eu não tenho muitos amigos além dela.
— Você deveria ir. Quero dizer, acho que ir sozinha não deve ser tão ruim quanto pensa. E se você ficar entediada, podemos tomar uma cerveja amanteigada no Três Vassouras. — Sirius disse, ele se sentia mal ao vê-la sempre sozinha quando Marlene se fazia ausente. — Quer saber? Você precisa aparecer. Eu não aceito um não como resposta! — ficou surpresa ao ouvir a última frase, um frio na barriga a fazendo gritar internamente. Por fora, seu rosto ainda não havia reproduzido sua alegria interna. — E se quiser, eu posso te acompanhar de volta ao castelo depois.
— Eu adoraria. — ela respondeu e ele sorriu — Só, para que fique claro, você me deve uma rodada de cerveja amanteigada.
— Tudo por minha conta, linda. — o rubor tomou conta das bochechas de , que sorriu boba apesar de estar tentando agir de forma natural.
— Eu vou entregar minha autorização à McGonagall e pegar minha bolsa no dormitório. — ela disse e mordeu o lábio inferior, consequentemente atraindo o olhar de Sirius para sua boca. Malditos hormônios que estavam a flor da pele. — Vejo você lá?
— Pode apostar que sim. — ele piscou para ela e os dois seguiram seus caminhos.
[...]

Apesar de não gostar muito dos passeios, tinha que admitir que achava Hogsmead um vilarejo adorável. Assim que chegou, a garota fez uma pequena tour que teve início em uma livraria e terminou na Dedos de Mel. Embora tivesse ido para encontrar Sirius, ela tentou não criar expectativas e fazer algumas compras para se distrair, era seu aniversário, afinal. Saiu da loja e alguns passos depois, viu Hestia numa discussão acalorada em seu encontro com o monitor lufano. sorriu ao ver que tudo parecia estar indo bem. Assim que voltou a andar, esbarrou em alguém e acabou por derrubar uma das três sacolas que carregava. Por sorte, era apenas a sacola com os dois livros que comprou.
— Me desculpe. — disse, apesar de não ser sua culpa, ela só era educada demais.
— Olhe por onde anda, .
— Eu pedi desculpas — resmungou, o olhar fixo no chão, onde um de seus livros caiu. A garota se abaixou, pegando o mesmo e devolvendo para a sacola.
— Eu te disse, Sirius não perderia o tempo dele com ela. — ouviu alguém sussurrando e se levantou, tentando entender o que tanto diziam as duas meninas.
— Eu os vi, ele a chamou para vir. — disse a menina que supostamente esbarrou em . Ela não parecia nada amigável — Quer saber? Eu resolvo. Ei, você! — ela chamou , que a encarou confusa.
— Lidia Brown, não é? — tentou adivinhar e Olivia cruzou os braços, tendo o gesto repetido por sua amiga, que estava parada atrás dela como uma sombra.
— Não haja como se não me conhecesse, . Todo mundo me conhece, você não seria diferente.
— Okay? — a garota respondeu, incerta do que Olivia esperava ouvir.
— Eu estava procurando por você. É melhor você ficar fora do meu caminho. — a garota disse, sendo um pouco agressiva. a encarou, indignada.
— Você está brincando, né? Foi você quem quase me derrubou, sua louca. — acusou e Olivia rolou os olhos.
— Não literalmente, sua idiota. Eu quero que você fique longe do Sirius. — ela explicou e não sabia o que dizer — Vi vocês dois juntos. Desde quando vocês são amigos? Eu gosto dele desde o primeiro ano, não vou deixar ninguém ficar entre nós.
estava dividida entre rir da menina ou respeitar a pequena obsessão dela com Sirius para não correr o risco de ser azarada ali mesmo. Estava prestes a dizer que havia entendido o recado, no entanto, não teve a oportunidade.
— E ele sabe disso, Olivia? — alguém disse atrás das meninas. repreendeu a si mesma por ter errado o nome da menina, mas quase sorriu por ao menos quase acertar.
— Olá, Potter. — falou e o garoto sorriu, ele se aproximou ficando ao lado dela, enquanto as duas garotas sorriram tentando disfarçar que haviam sido flagradas.
— Então… Suponho que você seja a namorada do Sirius? — ele apontou para Olivia, cujo rosto ficou vermelho como um tomate. — Não, não é. Talvez você seja a mãe dele, certo? Tentando dizer quando e com quem ele deve falar. Estou certo? — ele provocou, Olivia estava borbulhando de raiva. Antes que a garota respondesse algo, interveio, sentindo-se mal pela garota.
— James, acho que ela já entendeu. — ela sussurrou para Potter que parou de encarar as duas meninas como um cão raivoso — Deixa pra lá, é sério.
Contra sua vontade, James meneou a cabeça e as duas meninas se afastaram de imediato, entrando numa loja qualquer. olhou para ele, confusa em ver Potter sem a companhia dos amigos, só então notando o rosto vermelho dele. Conhecendo tão bem o garoto, ela sabia que ele estava chorando antes de encontrá-la.
— Você tá bem? — ela perguntou, sem rodeios, e ele pigarreou tentando se recompor.
— É, claro. Eu só encontrei com a Evans no caminho e… — ele parou de falar e seus olhos já estavam marejados novamente.
— Entendo. — ela respondeu e sorriu tentando confortá-lo. — Não se preocupe, acho que ela gosta de você.
— Você acha? — os olhos dele transmitiam uma esperança que fez sorrir. Ela sempre soube que James gostava de Lily, mesmo que ele fosse sua paixonite desde o primeiro ano. E ela não tinha certeza se Evans sentia o mesmo por ele, mas mesmo que tivesse, não era ela quem deveria dizer algo.
— Ela seria uma idiota se não gostasse.
Apesar de tentar ignorar, estava ciente dos olhares que alguns estudantes davam ao vê-la parada no meio da rua, conversando com James como se fosse algo corriqueiro. se sentiu incomodada. Ela já sofria bastante com as brincadeiras nada engraçadas que os alunos da Sonserina faziam, estava até acostumada. No entanto, ser confrontada por meninas que ela sequer sabia os nomes, era o tipo de coisa para o qual não sabia se estava preparada. Pré adolescentes eram um saco, mas não os julgava, também era uma deles afinal.
— Quer tomar uma cerveja amanteigada? Eu estou indo ao Três Vassouras. — ele convidou. — Eu pago uma rodada pra aniversariante. — disse a pegando de surpresa. Poucas pessoas sabiam a data do aniversário de : sua mãe, seu tio, Marlene e Hestia.
— Na verdade, eu estava indo pra lá também. — ela sorriu. — Precisei apenas comprar minhocas de gelatina na Dedos de Mel. — ela mostrou uma das bolsas que carregava, com o logotipo da loja. — Vamos?
não era sempre tão confiante, mas em alguns momentos ela se deixava levar. E esses momentos ela gostava de pensar que são atitudes que comprovam que vermelho e dourado realmente eram suas cores. Afinal, os grifinórios são mais conhecidos por sua bravura. E estar indo de encontro a Sirius, para ela, era seu ato de bravura.
Ela e Potter continuaram a caminhada até o pub. respirou fundo antes de adentrar o local, onde encontrou os meninos e - curiosamente - Marlene. Potter sentou ao lado do amigo e o acompanhou em seguida, fazendo com que James ficasse entre ela e Sirius.
Marlene sorriu para os recém-chegados, não entendendo o que fazia ali até ver James se oferecer para pegar as sacolas que ela segurava e colocar no canto da mesa. já imaginava as infinitas possibilidades de fugir.
James nunca foi muito amigo de Marlene, mas Sirius era, e Peter arrastaria um troll por Mary - a colega de quarto de McKinnon -, logo Remus e ele já não se incomodavam tanto com a presença dela.
— Como foi com a Lily? — Peter perguntou. Remus e Sirius repreendendo silenciosamente. Marlene olhou para James, também esperando uma resposta. Ela poderia apostar que o casal ficaria junto até o fim daquele ano, mas vendo ele ao lado de já não tinha tanta certeza.
— O de sempre, mas não quero pensar muito nisso. Seria bom me divertir com meus amigos por um momento. — ele disse, fazendo os amigos sorrirem, o que acabou por lhe dar ainda mais confiança. Se todos viam que ele e Lily eram um casal perfeito, porque a ruiva não conseguia enxergar?
Rosmerta foi até a mesa e logo todos estavam tomando cerveja amanteigada.
— Ah, , se importa se eu contar o que aconteceu? — ele falou e os outros ficaram curiosos, mas não teve tempo para responder, já que Marlene tinha outras dúvidas.
— Desde quando você e são amigos? — McKinnon perguntou sem rodeios, porque em sua mente eles chegando a um lugar juntos era algo totalmente incomum. Sirius tentava agir normalmente e manter a pose de desinteressado em tudo e todos, o que não parecia possível toda vez que pensava em ou ouvia seu nome. Ele tomou um gole da cerveja, ignorando o incômodo por estar ali e não ao lado dele.
— Você diz como se fôssemos inimigos. — James começou e ajeitou o óculos que escorregava pelo nariz. — Mas a questão é que Olivia Brown e mais uma lufana estavam a importunando e eu convidei pra se juntar a nós. — Marlene parecia zangada, mas James não saberia dizer.
— Porque, em nome de Merlin, Olivia Brown estava importunando a ?
— Aparentemente Olivia tem uma queda pelo nosso amigo aqui — ele apontou para Sirius — e surtou porque ele estava conversando com a mais cedo. Acho que alguém é um pouquinho obsessiva. — James finalizou rindo.
Olivia Brown não era pouco, e sim, muito obsessiva. Não era a primeira vez que ela tentava se envolver na vida de Sirius sem que ele pedisse. Desde que roubou seu primeiro beijo no segundo ano, vivia atrás dele na esperança de que Black a enxergasse como sua potencial namorada.
— É, mais cedo eu a convidei para beber conosco. — Sirius finalmente tomou coragem para dizer.
— Você tá saindo com a ? — Peter perguntou. Black encarou o amigo, imaginando como Peter havia chegado àquela conclusão. De todas as coisas que poderia absorver daquela conversa, tinha que ser apenas aquilo? Apesar dos meninos estarem curiosos, Marlene também tinha interesse na resposta para benefício próprio. estava começando a ficar bastante constrangida, encarando o copo em sua mão. As palavras de Peter a fizeram pensar no beijo entre ela e Sirius.
E ele pensava no beijo também, provavelmente mais que ela. A ideia de estar saindo com ela não era tão ruim, mas precisava conversar com antes e talvez convidá-la para um encontro decente.
— Não, somos apenas amigos. — ele disse e encarou Peter quase implorando para que ele desse fim ao assunto. Marlene ficou muito satisfeita com a resposta. Para ela, estava ali com James. Ela e Sirius nunca foram amigos, afinal. sorriu com a resposta de Sirius e decidiu que era melhor distrair Marlene.
— Como foi seu passeio, McKinnon?
A garota começou a falar sobre como o encontro terminou mal e que seria muito diferente se o menino não bancasse o sabe tudo pra cima dela, logo depois de falar mal do time de quadribol da Grifinória. Aquilo fez James e Peter se ofenderem e ambos começaram uma calorosa discussão sobre o esporte. apenas ouvia tudo, concordando com algumas coisas e fazendo careta quando discordava de outras.
Remus se levantou para buscar mais cerveja e McKinnon se afastou dos outros, sentando no lugar dele, de frente para Sirius. Black havia parado de beber e observava a interação de com os amigos, apesar de não fazer nenhum esforço para se envolver no assunto. Ele se perguntava se as coisas ficariam estranhas e se diria não ao encontro. Seria uma pena, ela se dava tão bem com todos, e o restante dos marotos pareciam gostar dela também. A voz de Marlene o despertou de seus devaneios.
— Como você está, Black?
— Bem, — ele forçou um sorriso — obrigada por perguntar. E você?
— Estou ótima. — Marlene sorriu e olhou para — Obrigada por convidar a , ela nem queria vir hoje. Parece que graças a você ela finalmente vai conseguir alguma coisa com o James. — Sirius balançou a cabeça desejando ter entendido errado, mas Marlene se adiantou, não se importando de falar sobre assuntos que não lhe diziam respeito apenas para ter assunto com o garoto. — Você sabe, ela tem uma quedinha por ele desde o primeiro ano.
Sirius sentiu o estômago revirar e olhou para , que estava rindo de algo que James havia dito.
Quando voltou a olhar para a garota sentada em sua frente, não percebeu que estava olhando para ele. Ela o estava observando sempre que tinha certeza que ninguém estaria olhando. Black sorriu para Marlene e voltou a beber sua cerveja amanteigada, não querendo falar sobre o assunto. O sorriso de Marlene para o garoto não passou despercebido por e a carranca de Sirius, foi Remus quem notou, quando voltava para a mesa. Marlene sorriu para Lupin e deixou que o garoto tomasse seu lugar de volta.
— Você 'tá bem? — Remus perguntou ao amigo, apesar de ter notado que ele não estava em seu melhor momento. Sirius deu de ombros. — Devo me preocupar?
O garoto nada disse, mas apenas um olhar para onde o grupinho conversava foi o suficiente para Remus criar algumas teorias.
⭐⭐⭐

No dia seguinte ao passeio, as meninas se reuniram na sala comunal da Grifinória para conversar perto da lareira. Como se já fosse costume, Sirius e James se aproximaram de onde elas estavam sentadas assim que deixaram o dormitório.
James sentou ao lado de Lily e Sirius sentou ao lado de Marlene, de frente para e Mary.
— Olá, garotas. — Potter sorriu, olhando para Lily, que revirou os olhos e proferiu a frase que mais usava com ele:
— Sai fora, Potter. — ela reclamou — Não vê que estamos no meio de um assunto?
Um rubor tomou conta das bochechas de Marlene quando ela olhou para Sirius e não precisou muito para ligar os pontos. Por mais que McKinnon tentasse disfarçar, sabia exatamente o que estava acontecendo.
Repreendeu a si mesma, pois em algum lugar, uma pequena parte dela se pegava pensando em Sirius. E ela sabia, uma vez que Marlene estivesse realmente gostando dele, Black era meio que "proibido". Amizade primeiro, garotos depois. Compartilhar que também tinha uma quedinha pelo garoto certamente iria abalar sua amizade com Marlene. Peter desceu as escadas ainda parecendo sonolento e se juntou a eles, Remus veio logo em seguida, sua aparência era frágil, mas ninguém disse nada.
— Ei, . Boa sorte no exercício de hoje! — James tentou iniciar um assunto, mas tudo o que conseguiu foi um tímido "obrigada" da menina antes que ela voltasse a ler o jornal trouxa. Sirius assistiu a troca de palavras entre os dois e deu o máximo de si para não fazer cara feia, mal sabendo que James apenas havia achado amigável o suficiente para fazer parte de seu círculo de amizade.
— Que exercício? — Peter perguntou, já desesperado.
— Não se preocupe, é só pra . — Marlene acalmou o garoto. — Por falar nisso, você estudou? Eu nunca te vejo estudando.
Lily ouviu a pergunta de Marlene e encarou , do mesmo jeito que Celine costumava fazer com a filha. A garota revirou os olhos e sorriu. Sirius mordeu o lábio inferior, contendo a necessidade de contar para todos que ele estava a ajudando.
— Dorcas me contou que ela sempre saía durante a noite. — Mary, que até então estava em silêncio, decidiu adicionar aquela informação.
fez uma careta para a garota. Uma lâmpada se acendeu na cabeça de Remus.
— Para qual matéria, ? Se quiser, posso te dar umas anotações.
— Oh, obrigado, Remus. São para astronomia, mas não será necessário, tenho tudo que preciso. — ela disse sorrindo e os olhos dele brilharam em realização, antes que pudesse se conter, Remus olhou para Sirius.
O garoto até então, estava discretamente olhando para sem que os outros notassem e tomou um susto ao ver seu amigo o encarando. Black tentou de disfarçar, iniciando um assunto com Marlene, mas era o suficiente para Remus tirar suas próprias conclusões.
— Tenho que ir, preciso falar com a professora Minerva antes das aulas de amanhã. Até mais.
buscou a professora por todo o castelo, até encontrá-la em frente à classe do professor Bins. Ela conversava com o fantasma e se aproximou devagar, não querendo ser mal educada. Assim que os olhos da mulher pousaram na mais nova, Minerva sorriu e se despediu do outro professor.
— Ah, eu estava lhe esperando, . Venha comigo — disse, já seguindo o caminho até a própria sala. Os passos de Minerva eram apressados e tropeçava nos próprios pés para manter o ritmo da mulher. diminuiu os passos quando a McGonagall abriu a porta e entrou ainda acanhada. — Não seja tímida, sente-se ali. Eu tenho algo para lhe dar.
Obedecendo a professora, se sentou e não precisou esperar muito até Minerva voltar, a mulher tinha algo em mãos.
— Você pode não ser muito boa em algumas matérias, mas sei que o que não lhe falta é potencial. — começou Minerva. — Eu quero que fique com isso, tenho certeza que irá melhorar seu desempenho nos estudos.
McGonagall lhe entregou uma caixinha, a qual abriu com os olhos brilhando em curiosidade. não entendia como um colar iria ajudar nos estudos, e olhou confusa para Minerva, que sorriu antes de pegar um pergaminho que havia separado justamente para aquele momento.
— É um vira-tempo, . — Minerva explicou, mesmo sabendo que a garota sabia o que era um. No entanto, não acreditava que a professora estava lhe entregando algo tão fascinante e perigoso ao mesmo tempo.
— Mas como? — a garota perguntou. — Não precisaria ter aprovação do Ministério para usar um?
— Eu posso ter enviado algumas cartas. — Minerva sorriu para a garota, tinha como uma filha, assim como todos os outros alunos.
— Não sei o que dizer, professora. Você tem certeza que pode confiar isso a mim? É muita responsabilidade e isso é perigoso.
, você é capaz de lidar com isso. — a mais velha tomou o colar da caixa que segurava e se aproximou de modo que ambas estivessem com o colar em volta de seus pescoços — Por hora, faremos sua primeira viagem juntas. Para cada hora que você deseja retornar, deve girar o vira-tempo. — Minerva disse e assim o fez.


Capítulo 6

25 de fevereiro, 1974.

estava pegando o jeito com o vira-tempo, mas todo o esforço nos estudos estava lhe esgotando. Por mais que o vira-tempo lhe ajudasse, ele não fazia os resumos e as redações por ela, então estava se virando como podia. Sua pequena vitória da semana foi conseguir assistir as aulas de Aritmancia do dia anterior, que eram no mesmo horário da aula de Poções e finalizar as redações que os professores haviam pedido.
estava aliviada por saber que não veria Marlene e as amigas na aula que viria a seguir. Queria evitar as perguntas delas e de Hestia, que insistiam em questioná-la sobre como havia sido o dia dos namorados, ou melhor, seu aniversário. Não entendia o que poderia ter acontecido, mas Sirius estava a evitando. Não ficaria atrás dele tentando encontrar o motivo, mas também não sabia explicar como o mesmo garoto que tivera a coragem de convidá-la para encontrá-lo em Hogsmeade agora agia como se ela não existisse. Até mesmo James puxava assunto quando a via, mas Sirius se afastava dando uma desculpa ou apenas saía de perto sem falar nada. estava começando a ficar incomodada e mesmo tendo em mente que uma boa conversa provavelmente resolveria tudo, resolveu deixar pra lá. Sirius não lhe devia explicações.

Ao deixar a sala comunal, não ficou surpresa em ver os quatro garotos correndo, mas sim quando, de repente, os quatro pararam a seu lado e começaram a andar com ela, como se fosse algo super normal.
parou de andar subitamente, fazendo com que Peter e James tropeçarem nos próprios pés. Remus e Sirius também pararam, apenas para descobrir o motivo de ter permanecido em seu lugar.
— Vocês precisam de algo, não é? — ela cruzou os braços, estava cheia de sono e isso sempre a deixava irritada com tudo.
— Você pensa mesmo tão pouco de nós? — James fingiu estar ofendido e Remus revirou os olhos.
— Precisamos de um álibi, por favor, diga que estivemos com você esse tempo inteiro. — Remus quase implorou e queria rir, mas não o fez ao ver Filch vindo correndo na direção deles. Completamente ensopado, o rosto do homem estava vermelho como um pimentão e ele rangia os dentes.
— Vocês aí, eu sei que foram vocês! — Filch gritou em meio a outros alunos, atraindo a atenção da professora Minerva, que revirou os olhos ao encontrar os quatro junto de .
— Eu não entendi. — respondeu a Filch e ele a encarou — O que nós supostamente fizemos?
— Você não, eu acho. Eles! — o homem apontou para os quatro — Usaram magia para fazer chover na minha sala! Eu vou contar ao diretor, isso não pode ficar assim.

Minerva já havia se juntado a eles e olhou para , estranhando a presença dos outros quatro.
— Meninos, — a mulher chamou a atenção dos quatro — foram vocês?
— Não mesmo, Minnie. Veja só, acabamos de sair da sala comunal, você pode perguntar a . — Sirius disse e deu de ombros, os outros assentindo como se a opinião deles realmente valesse de algo. McGonagall sabia que eles eram leais uns aos outros, já não tinha motivo algum para mentir.
? — a mulher perguntou a ela, sem notar que parecia desligada. Precisou repetir o sobrenome da menina mais uma vez, mas a mesma só pareceu despertar quando James pôs a mão em seu ombro, notando que ela estava dispersa.
— Ah, sim. Eles saíram de lá comigo. — ela respondeu e Minerva assentiu. Os garotos sorriram para Filch, fazendo Minerva ter certeza de que havia mentido por eles, mas pediu que Argus voltasse a seus afazeres e os deixasse em paz.
— Você está bem? — Peter perguntou, Remus olhou para a garota notando que ela parecia estar um pouco abatida.
— Acho melhor comer algo, você ficaria melhor depois de um bom café da manhã. — Remus avisou — Nós vamos tomar café, porque não vem junto?
— Não se preocupe, vocês podem ir na frente. Eu preciso fazer algo.

[...]


— Parece que alguém caiu da cama hoje — Lily comentou com as amigas, sentando em frente a uma sonolenta. O café da manhã ainda estava na mesa, estava apoiada em um dos braços, encarando o nada e com um prato contendo um sanduíche pela metade a sua frente. Mal havia tocado em seu suco, e estava dormindo acordada. havia passado a madrugada inteira escrevendo uma redação sobre a Rebelião dos Goblins. Sentia saudades de casa, saudades da mãe e do tio, e até mesmo de cortar a grama pela manhã e tomar café com seus vizinhos: uma senhora simpática, seu marido e o filho, que era dois anos mais velho que , mas a tratava como irmã.
— E caiu mesmo, né? — Marlene a cutucou, tentando atrair a atenção da garota — Você poderia ao menos tentar arrumar o cabelo de vez em quando, ? Desse jeito ninguém que se preze vai olhar para você.

Lily sussurrou o nome de Marlene, repreendendo-a pelo comentário e a garota deu de ombros, ciente de que já havia dito coisas piores e nunca havia dado a mínima.
— Não se preocupe, McKinnon. Eu não me importo com a opinião dos outros sobre minha aparência. — Disse com a voz arrastada, Lily estava prestes a enfiar uma colher de cereal na boca, mas parou. — E quando precisar da sua, pode ter certeza que eu vou pedir.

Sem esperar uma resposta, pegou seu prato e levantou, sentando distante das garotas.
— Você poderia ter dormido sem essa. — Mary disse e colocou a mão no ombro de Marlene, fazendo carinho no local antes de se servir.
— Sei que não deveria me envolver nisso, mas eu também sou sua amiga e você nunca me tratou desse jeito. — Lily avisou. — Você deveria pedir desculpas, a não parece estar bem e o jeito como as coisas andam entre vocês não deve ajudar muito. Além do mais, nós duas sabemos que isso começou após o Sirius dizer que a convidou para o passeio com eles.
— Não mesmo. — Marlene teimou. — Eu não estou tratando a diferente e se ela achasse que estou, talvez ela devesse falar comigo ao invés de ficar bancando a coitadinha por aí.
— Bom, eu tentei. — Lily suspirou e Mary deu de ombros. Ambas sabiam que quando Marlene colocava algo em mente, era muito difícil tirar.

A ruiva voltou a comer, em poucos minutos começariam as aulas e teriam um encontro com o professor Silvanus Kettleburn naquela manhã, para tomar notas sobre o comportamento de um Explosivim.
Após alguns minutos, Marlene se levantou e as outras acompanharam, deixando para trás. Desta vez a menina colocou as mãos na mesa e apoiou a cabeça sobre elas. Sabia que precisava levantar, mas a vontade de o fazer era mínima.
Hestia viu a garota sentada sozinha, provavelmente dormindo, e resolveu acordá-la. Com passos leves, se aproximou da colega de quarto e balançou levemente os ombros de .
— Você não tem aula de trato das criaturas mágicas? — Hestia perguntou. assentiu e murmurou algo ininteligível. — Seu sanduíche 'tá pela metade, você deveria comer algo.
— Não consigo. — reclamou sem abrir os olhos e bocejando em seguida.
— Credo, você deveria ter sentado com o Potter e os amigos dele durante o café. — comentou se lembrando de ter visto três dos marotos quase caindo na mesa, enquanto Lupin estava bem acordado e tomava café com pressa. — Até eles já foram pra aula, você precisa levantar.

Bufando, abriu os olhos, pegou o que restava do sanduíche e enfiou de uma vez na boca. Mastigou muito mal e tomou suco para ajudar a comida a descer.
— Uma princesa. — Hestia debochou e levantou praticamente se arrastando em direção a aula, dando a oportunidade para que Jones seguisse o caminho para dar início às próprias atividades acadêmicas.

Apesar de estar atrasada, sentia tanto sono que não via motivo para correr. E por estar tão cansada, não havia notado os dois garotos atrás dela. nunca teve muitos problemas com Avery e Mulciber. Toda vez que um dos dois lhe insultava, insistia em responder educadamente apenas, obviamente sendo sarcástica. E isso deixava o sonserino mais do que irritado. Assim que atingiu seu limite com o sarcasmo dela, Avery estava esperando a oportunidade perfeita para dar uma lição na garota. Ele esperou até ficar sozinha durante o café e, quando a mesma deixou o salão principal, o sonserino chamou Mulciber para ir atrás dela.

Teodora nunca foi do tipo que fazia fofoca ou tomava conta da vida dos outros, mas assim que viu os dois colegas de casa passarem cochichando logo atrás de uma garota da Grifinória, ela soube que eles não estavam com boas intenções. Teo deu uma desculpa para se afastar do grupo com quem estudava e foi atrás dos dois, chegando no momento exato em que abordaram a garota.

Alguns pergaminhos de estavam espalhados pelo chão e ela estava encostada na parede. não via motivo para os dois estarem fazendo aquilo e se arrependeu de ter deixado a varinha junto aos pergaminhos, ao invés de colocar no bolso como sempre fazia.
Agora, a única coisa que poderia ajudar em sua autodefesa estava no chão junto aos trabalhos de Herbologia que havia feito.

Teodora imaginou que poderia ser apenas um casal se beijando, mas pela expressão no rosto da garota e a varinha de Mulciber apontada para ela enquanto Avery se aproximava, Teodora sabia que era qualquer coisa menos isso.
— O que você quer, Avery? Eu não te fiz nada. — perguntou agoniada e o garoto sorriu. Apesar de serem quase da mesma idade, os dois sonserinos eram mais altos e fortes que ela.
— Porque tão arisca, ? — ele debochou e a encurralou na parede — Sua língua não é tão afiada quando está sozinha, certo?
— Só me deixa ir, por favor. — ela pediu num sussurro e eles ouviram passos se aproximando. Avery logo soltou o braço de e deu dois passos para longe dela.
— Acho que a garota não quer companhia, Avery. — Teodora disse com uma expressão nada amigável. — Não que esteja errada, eu não iria querer também.
— Sai fora, Flint. — Mulciber reclamou, encarando Teodora na tentativa de intimidá-la — Cuide da sua própria vida.
— Ah, claro. Que tal eu sair daqui direto pro escritório do professor Slughorn e dizer que Avery e você estão encurralando uma garota? A situação está tão difícil que precisam usar a varinha para que alguém beije vocês. — Ela riu e deu um passo para frente, ficando cara a cara com Mulciber. Com o rosto vermelho de vergonha e raiva, ele apontou a varinha para ela — Oh, o pequeno Mulciber vai me azarar? Você é tão bravo, não é? Eu gostaria de vê-lo tentar.
— Vamos lá, Mulciber. Podemos resolver isso depois. — Avery chamou o amigo, não parecendo tão confiante quanto antes. Ele olhou para , deixando claro que aquele assunto não havia terminado, antes de sair puxando o amigo.

Apesar do susto, estava aliviada. Nunca imaginou que as provocações de Avery iriam tão longe e muito menos que alguém da Sonserina fosse ajudá-la. Suas mãos tremiam e ela estava suando frio, fazendo Teodora recolher os pertences pelo chão sem que a pedisse. Teo aprendeu desde pequena que não deveria demonstrar seus sentimentos, fosse raiva, medo ou compaixão. No entanto, vendo a garota praticamente em choque, ela daria seu melhor.
— Você está bem? — ela perguntou, entregando os pergaminhos de e finalmente ganhando a atenção da garota. balançou a cabeça como se fosse para sair de algum transe.
— Graças a você. — disse e sorriu. Teodora deu um sorriso contido e devolveu os pergaminhos dela. — Obrigada.
— Não se preocupe com isso, apenas lembre-se de reportá-los ao professor Slughorn. — Teodora sugeriu — Ou ao menos tente brigar.
— Eu faria, se pudesse. Mulciber me desarmou antes que eu soubesse o que estava acontecendo. — explicou e apontou para o chão, onde sua varinha estava — Acho que vou fazer aulas de autodefesa durante o verão, ao menos poderei me defender do jeito trouxa.
— Ah, isso é algo que eu definitivamente pagaria para ver. — Teodora finalmente se deixou sorrir. — Sou Teodora Flint.
, mas pode me chamar de .

[...]


— Oh, senhorita . Senhorita Flint! Fico feliz que tenham resolvido se juntar a nós. — ouviu a voz de Silvanus assim que chegou. Todos os outros alunos estavam as encarando e cochichando. Ela revirou os olhos, achando um motivo besta fazerem fofoca com algo tão banal como um atraso e sorriu para o mais velho.
— Eu não perderia uma de suas aulas por nada, professor, desculpe-me o atraso. — respondeu simpática e sorriu para Flint antes de despedir-se e se aproximar do grupo que estava mais afastado. James, Remus e Marlene. Marlene fingiu não notar a presença da amiga.
— Desde quando você chega mais atrasada que Sirius e eu? — James sussurrou perto demais, assustando . A garota olhou para ele confusa, vendo que Remus também parecia esperar sua resposta. Voltar a pensar no que poderia ter acontecido se Teodora não estivesse por perto a fez respirar fundo antes de abrir a boca.
— Tive um problema no caminho até aqui. — explicou e voltou a olhar para frente, tentando disfarçar o fato de que sua voz falhou minimamente. Odiava o efeito que conversar com James causava, mesmo que ele se dirigisse a ela como se fosse a coisa mais comum do mundo. E foi pensando nisso que ela voltou a olhar para ele. — E desde quando você presta atenção quando eu chego?

Sem ter uma boa resposta, James olhou para Remus esperando que este soubesse exatamente como agir.
Revirando os olhos e evitando rir, Lupin se aproximou de e sutilmente indicou que ela se afastasse dos outros dois para poderem conversar a sós.
— Você 'tá bem? — Remus perguntou.

Mesmo tendo todos os motivos para serem amigos desde o primeiro ano, Remus não sabia muita coisa sobre . Já havia notado o quanto ela era uma pessoa reservada e que, assim como Lily, gostava muito de passar algumas horas na biblioteca. Na maioria das vezes apenas para desenhar ou simplesmente passar o tempo lendo alguma obra trouxa.

Ela pensou em voltar a fingir que prestava atenção na explicação de Silvanus, mas pela expressão no rosto de Remus, concluiu definitivamente que não era uma boa mentirosa.
— 'Tá, eu conto. — ela sussurrou e olhou em volta — Você sabe que o Avery vive pegando no pé dos alunos do primeiro ano, né? — Remus assentiu. — Bom, não acontece só com os primeiranistas. Ele vive me chamando de… De sangue-ruim, entre outras coisas.

Remus encarou a garota com um misto de pena e raiva. era uma das garotas mais gentis em todo o castelo, e mesmo se não fosse, não havia justificativa para chamar alguém de tais nomes.
— Porque não me disse antes? Eu e os garotos poderíamos ter dado o troco.
— E consequentemente conseguiriam uma detenção, eu não iria querer prejudicar vocês. — ela explicou, rindo quando notou que mesmo assim o garoto olhou por cima dos outros, tentando encontrar qualquer um dos dois sonserinos. — Mas então, Avery e Mulciber tentaram me encurralar hoje e algo muito legal aconteceu.
— Me diz que você azarou eles, por favor.
— A convivência com seus amigos está te afetando, Lupin. — ela o fez rir — E não, eu não estava com a minha varinha. Aquela garota… Teo, foi ela quem me ajudou.
— Teodora Flint te ajudou? — Lupin perguntou incrédulo e olhou a garota não muito longe dali, fazendo olhar na mesma direção. — Não uma sonserina qualquer? Teodora Flint, você tem certeza?
— Absoluta, ela foi bem agradável inclusive.
— Bom, ao menos sabemos que nem todos os sonserinos são ruins. — ele apontou e ela sorriu, voltando a dar atenção às falas de Kettleburn e deixando Remus curioso sobre a garota Flint.


Capítulo 7

1° de abril, 1974. - April 's Fool

Primeiro de abril era uma data importante. Desde que os Marotos chegaram a Hogwarts, o feriado tomou um novo significado para todos: desconfiança.
Os sonserinos obviamente sofriam com ataques durante todo o período escolar, então para eles era só mais um dia comum. Apaixonados por pegadinhas e sendo criativos do jeito que os Marotos eram, o restante dos alunos tentava se manter longe dos quatro.
Teodora estava prestes a tomar um gole de suco de abóbora quando apareceu em sua mesa e discretamente tirou o copo de suas mãos antes que a garota pudesse levá-lo à boca. Teo já estava de cara feia quando simplesmente apontou para a mesa da Grifinóriauatro rostos familiares encaravam a mesa da Sonserina em expectativa.
— Não seja descuidada. — Saint-Laurent avisou e Teo sorriu agradecida.
seguiu para a mesa de sua casa, parou ao lado de Remus, que a olhou confuso.
— Eu te trouxe isso. — disse e tirou duas barras de chocolate do bolso, entregando ao garoto. Por mais que estivesse animado com as inúmeras armações daquele dia, Lupin estava abatido já que faltavam poucos dias para a lua cheia. — Minha mãe enviou ontem, mas eu estou dando um tempo com o chocolate.
— É muita gentileza, . Obrigado — ele colocou as barras no próprio bolso e ela sorriu, andou para o fim da mesa e ocupou o lugar ao lado de Hestia.
Não seria a primeira vez que era tão atenciosa com ele, Remus sentiu a necessidade de agradecer. Chamou a atenção de Sirius e James, Peter se levantou para ir ao banheiro e Remus tinha certeza de que ele não voltaria tão cedo. Apesar de ter pedido a Remus que não contasse a ninguém sobre o ocorrido com Avery e Mulciber, ele precisava da ajuda dos amigos, para ao menos tentar ajudá-la.
— Nós deveríamos fazer algo, certo? — James perguntou assim que Lupin terminou de contar.
— Ela deixou bem claro que não queria nos envolver nisso. Inclusive, eu não deveria nem estar contando o que aconteceu, mas acho que eles estão apenas esperando o momento em que ela estiver sozinha novamente e a não merece isso — Lupin levou a mão ao rosto se sentindo febril e fez uma careta de dor, apesar de estar feliz em ver que James estava disposto a defender uma colega de casa. Por um lado, ele imaginou que Potter poderia estar tentando ajudar apenas para impressionar Lily. No entanto, não importava qual era a intenção dele por trás do gesto, desde que realmente ajudassem . O garoto tomou um gole de seu suco e esperou que os amigos pensassem em algo útil, atacando uma panqueca em seguida.
— Deve ter algo que possamos fazer. — insistiu Sirius, fazendo Remus parar para lhe dar atenção. — Eu sei que é difícil porque não estamos com ela o tempo todo, mas de...
— É isso! — Remus comemorou. — Tudo o que precisamos é ficar perto dela o tempo todo, nós podemos revezar de acordo com as nossas aulas.
— Você é um gênio, meu amigo. — Potter elogiou e logo seu sorriso morreu — Espera, mas e se ela precisar ir ao banheiro?
— Por Merlin, eu mereço — Remus reclamou, fazendo Sirius rir.

Mesmo com o cuidado extra para não cair em uma das pegadinhas dos Marotos, estava aliviada com o feriado. Fazia tempo que não lia algo que gostasse, então após o café da manhã, pegou um de seus contos trouxas favoritos e aproveitou o silêncio da sala comunal para passar quase uma hora lendo.
Quando os alunos começaram a entrar, alguns bem apressados e resmungando, tirou os olhos do livro e esperou para ver o que ocorria.

Não demorou para Sirius Black passar pelo retrato, rindo tanto que seu rosto ficava vermelho e ele parecia ter corrido uma maratona.
Sirius apoiou a mão em uma poltrona, para recuperar o fôlego que perdera correndo de Filch, até que seu olhar caiu em .
— Saint-Laurent... — disse mais como uma pergunta do que como um cumprimento. Ela sorriu, ao contrário do que ele esperava.
— Em carne e osso. — respondeu divertida, Sirius aproveitou para sentar na mesma poltrona que ela. Aquela proximidade era tudo o que ele vinha desejando e saber que não se sentia desconfortável o fez vibrar por dentro. — Não estava correndo do Filch mais uma vez, estava?
— Pode apostar que sim. — respondeu orgulhoso, fazendo soltar uma risada baixa e balançar a cabeça em negação, imaginando que Filch só teria descanso quando Sirius e os outros finalmente deixassem a escola.

Os dois ficaram em um silêncio desconcertante, o que fez Sirius testar o limite de e afastar o livro da garota, deitando a cabeça na perna esquerda de . Ela pareceu não se importar novamente, e então ele só precisava puxar algum assunto.
Mas do que ele iria falar? Do clima? Não mesmo. Para sua sorte, estava curiosa e ao mesmo tempo contente por estarem no mesmo ambiente, sem se importar se alguém apareceria a qualquer momento. Era como se estivessem de volta às aulas particulares de Astronomia, só que não estavam se escondendo.
— Está animado em ir pra casa no feriado? — foi quem quebrou o silêncio, sem notar a tensão que se fez presente assim que terminou a pergunta.
— Não muito, na verdade. — Sirius bufou e se remexeu na poltrona — É sempre a mesma coisa, inúmeras festas para um bando de ignorantes. — ele disse sem rodeios, passou a observá-lo enquanto ele falava, tentando entender se era alguma brincadeira ou não. — Só se importam com o status e adoram a ideia de que famílias com sangue puro são superiores. Meu irmão, Regulus, está se tornando cada vez mais parecido com eles.

— Sinto muito por isso. — ela começou, finalmente entendendo que o motivo de Sirius e Regulus não se darem bem não era apenas porque o mais velho estava em uma casa diferente, e sim porque Sirius pensava diferente do restante da família. — Se te faz sentir melhor, fico feliz que você não é como eles.

Aquela era a grande preocupação dele, e se em algum momento de sua vida o sangue falasse mais alto? E se em algum momento, ele fosse exatamente o que mais detestava? Ele sabia que nem todos os Black eram maus, seu tio Alphard e sua prima Andrômeda eram duas pessoas que admirava, mas sendo filho de Walburga, ele temia herdar suas piores partes. Foi pensando nisso que ele a encarou, antes de verbalizar a pergunta que a anos martelava em sua cabeça:
— Como eu saberia? O mesmo sangue corre nas minhas veias.

— Você tem o sangue dos Black, e daí? — ela respondeu e tirou o rosto de trás do livro para encará-lo por alguns segundos. — Família não é apenas ter o mesmo DNA, nós é que escolhemos por quem vale a pena lutar. E acredite, eu vejo como você sempre enfrenta tudo pelos seus amigos, desafiando a tudo e todos. Você nasceu naquela família sim, mas encontrou uma aqui em Hogwarts, não deixe que digam o contrário.

Ela colocou o cabelo atrás da orelha e deixou o livro de lado, desta vez sem intenção de abri-lo novamente. Sirius não sabia o que dizer. Não sabia como agir. Talvez fosse a frase mais gentil e acolhedora que já havia escutado até aquele momento. Ter conversas sobre família não era o assunto preferido de , mas seu coração se aquecia ao imaginar que talvez Sirius seguisse seu conselho.

O barulho de passos descendo a escada dos dormitórios chamou a atenção dos dois. apenas colocou o livro em seu colo e Sirius permaneceu deitado. Marlene alternou seu olhar entre Sirius e , que não se moveram. Estavam cansados de se esconder de tudo e todos, no entanto, ao ver os olhos marejados de McKinnon quando ela subiu as escadas correndo.
— Sinto muito, Black. Preciso ir. — Saint-Laurent afastou Sirius para que pudesse se levantar, deixou uma almofada para que ele apoiasse e subiu para o próprio quarto. Sirius resmungou, automaticamente ignorando a almofada e sentando no sofá para vê-la ir novamente.

⚡⚡⚡


3 de abril, 1974. - Um dia antes da Páscoa

Qualquer um que chegasse perto de saberia o quanto ela estava ansiosa para passar o feriado em casa. Além de estar morrendo de saudades da mãe, por mais que Celine enviasse inúmeras cartas durante o período escolar, também sentia falta do próprio quarto. Com seus inúmeros pôsteres de bandas trouxas e a bagunça que sua mãe vivia tentando arrumar. Ela deixou o dormitório, Hestia vindo logo atrás, carregando uma pequena mala. Saint-Laurent havia implicado com ela, não vendo motivo em levar uma mala cheia de roupas para a própria casa, mas Hestia preferia estar sempre prevenida.
As duas desceram as escadas, encontrando a sala comunal pouco movimentada. encontrou dois rostos familiares, mas não sabia se estava tudo bem entre ela e Marlene, por isso apenas acenou para Lily e continuou seu caminho junto de sua colega de quarto.
— O que foi aquilo? Achei que você e a McKinnon fossem amigas desde o primeiro ano. — Hestia perguntou dando uma rápida olhadinha para trás, para se certificar de que não estava alucinando.
— Bom, parece que a Marlene se esqueceu disso e tudo por causa de um garoto. — foi direta. Uma coisa que ela havia aprendido nos últimos dias era que Hestia Jones era uma boa ouvinte, boa conselheira e vinha se mostrando muito mais amiga do que Marlene em todos os anos de amizade. Logo, não esconderia mais nada de Jones. Até porque a garota era muito boa em descobrir tudo.
— Nossa, sinto muito. — Jones abraçou a amiga de lado, tropeçando um pouco no meio do gesto por conta do malão pesado. sorriu.
— Pois eu não, estou cansada de ser sempre a segunda opção de alguém. — disse e não notou que outra pessoa também vinha distraída pelo mesmo caminho. Seu ombro esquerdo foi de encontro com alguém e ela quase tombou para trás, no entanto, Hestia conseguiu puxar a amiga.
Saint-Laurent se virou já pedindo desculpas, encontrando um rosto que ela só estava acostumada a ver algumas vezes pelos corredores e durante os jogos da Grifinória.
— Me desculpe, eu estava distraído e correndo pra pegar minha mala. — o garoto disse atrapalhado e sorriu ao reconhecer em quem havia esbarrado. Hestia olhou de um para o outro, um sorriso divertido no rosto. — Ah, Saint-Laurent. Deve ser meu dia de sorte.
— Te espero lá fora — Hestia avisou, fazendo a olhar confusa antes de ser deixada para trás.
— Olá? — ela disse incerta. Não havia sido apresentada a ele em momento algum em todos os anos de escola.
— Você não deve me conhecer, me chamo Ryan. — ele disse, as bochechas ficando vermelhas de imediato mas tomou coragem e estendeu a mão para cumprimentá-la. sorriu e apertou a mão do garoto. — Ryan King.
— Se eu conheço como capitão do time? Óbvio, mas não imaginava que você me conhecia também. — ela explicou sorrindo e o relógio em seu pulso apitou — Bom, eu preciso ir.
— Oh, eu também. Te vejo após o feriado?
— Com certeza.

[...]


— Eu vou dividir uma cabine com as meninas, mas não esquece de falar comigo ao desembarcar, ok? Quero me despedir direitinho — Hestia avisou ao entrarem juntas no trem. Ela estava se sentindo mal por não ter um lugar a mais na cabine, já que nunca dividia com ela e as outras colegas de quarto, mas um sorriso de Saint-Laurent foi o suficiente para saber que estava tudo bem.
— Assim que o trem parar na estação eu te procuro pra me despedir. — avisou, um sorriso confiante no rosto. Era véspera de feriado e ela estava indo para casa, não tinha nada melhor. Com sua bagagem de mão, uma bolsa da coleção passada que ganhou de presente do tio, ela andou pelos vagões em busca de uma cabine vazia. No entanto, parou no meio do caminho ao ver Avery e Mulciber deixando a cabine onde estavam. Os olhos de Avery brilharam ao vê-la e um sorriso tomou conta de seu rosto, enquanto Mulciber parecia que iria espumar a qualquer segundo. cogitou gritar, mas não havia motivos para aquilo, eles até então não haviam feito nada. A porta da cabine entre eles se abriu, soltou o ar que não sabia estar prendendo até aquele momento. Sirius e James apareceram na porta, sorrindo para ela e ignorando os dois sonserinos.
— Ei, , senta aqui com a gente. — James convidou. Por um segundo ela achou que fosse alguma pegadinha atrasada, mas entre uma pegadinha dos Marotos e encarar os dois sonserinos, não pensaria duas vezes, por isso entrou na cabine.
Assim que a menina entrou, James e Sirius encararam Mulciber e Avery, fazendo os dois voltarem para a cabine que dividiam com alguns alunos que partilhavam dos mesmos ideais.
tomou o lugar vago ao lado de Remus, Peter havia improvisado uma cama no chão e estava roncando.
— Isso é permitido? — ela perguntou, num tom divertido, vendo o garoto babar no próprio braço.
— Mesmo que não fosse, nada o impediria de dormir. — Remus apontou e ela riu, se acomodando no assento, pronta para passar as próximas horas ao lado do grupo de amigos mais conhecido em Hogwarts. Mas ao contrário do que esperava, caiu no sono já nos primeiros minutos de viagem.

[...]


Assim que pôs os pés na estação, sentiu o vento bater em seus cabelos e suspirou. Adorava aquele lugar e as sensações que tinha quando estava ali. Era seu ponto de partida, de uma casa para outra.
Celine veio em sua direção com um sorriso que não cabia em seu rosto, fazendo a garota sorrir com tamanha surpresa. Desde o primeiro ano, Celine não vinha busca-la na estação. A mulher detestava incomodar, então ter que pedir para Minerva acompanhá-la para que ela atravessasse a barreira estava fora de cogitação, mas aparentemente, havia mudado de ideia.
O sorriso dela também não cabia em seu rosto quando apertou num abraço tão forte que a menina possivelmente ficaria sem ar.
— Olha como você cresceu. — disse orgulhosa e revirou os olhos.
— Mãe, se passaram apenas meses! — disse rindo e viu a mulher dar de ombros ao se afastar do abraço.
— Vamos? Eu tenho ótimas notícias! — ela avisou e olhou em volta, procurando Hestia. Quando encontrou o rosto da amiga no meio dos outros alunos.
— Calma aí, você precisa conhecer alguém. — avisou e já estava andando até Hestia, até sentir uma mão em seu ombro e parar, estranhando o toque inesperado.
De repente, James Potter surgiu do nada em seu caminho e sorriu educada, apesar de não entender o que ele poderia querer com ela.
— Hey, . — ele disse, fazendo com que ela olhasse para os dois lados para ter certeza de que ele estava falando com ela, afinal, tinha muita gente na estação e ninguém a chamava daquele jeito.
— Eu perdi alguma coisa? — perguntou incerta e James aparentou estar confuso e ela achou melhor explicar — Ninguém me chama assim.
— Oh, Merlin. Me desculpe, eu só achei que era um apelido legal. — Potter respondeu um pouco sem jeito e ajeitou os óculos no rosto, fazendo notar o rubor em suas bochechas. Por um segundo ela se arrependeu em ter deixado o clima estranho. — Eu estava pensando e achei que poderíamos escrever um para o outro durante o feriado, se estiver tudo bem para você.
— Seria adorável, James. — sorriu largamente e Celine se aproximou.
, nós precisamos ir. — a mãe disse, olhando curiosa para o menino perto da filha.
— Olá, senhora Saint-Laurent. Sou James Potter, é um prazer te conhecer. — James cumprimentou e a mulher sorriu, pensando o quão educado era ele para a idade que tinha. Ao mesmo tempo que queria interrogar os dois, Celine fez uma nota mental para perguntar desde quando a filha havia feito avanços com o crush
— O prazer é meu, James. Pode me chamar de Celine. — ela abraçou de lado fazendo a mais nova ficar vermelha de vergonha e James sorrir. — Vocês são amigos faz muito tempo?
— Não estávamos com pressa? — perguntou, cutucando a mãe, que alternava seu olhar entre e James.
— É, você tem razão. Vou esperar ali, se despeça dos seus amigos logo. — se afastou rapidamente, levando a pequena mala da filha.
— Ela é legal. — James sorriu, observando a mulher se afastar e murmurou algo em concordância. Em seguida, a voz de Euphemia lhe chamou a atenção. — Tenho que ir.
— Eu também. — sorriu e tirou uma caneta do bolso, atraindo a atenção do menino para o objeto que já havia visto Lily usar inúmeras vezes. Ela puxou o braço de James para si e anotou o endereço de sua casa — É pra onde você pode enviar as cartas.
— Ok. — ele disse e continuou parado no lugar. sorriu e se afastou em direção a mãe, puxando-a para conhecer a família Jones. Mais atrás, Sirius assistiu toda a cena. Por mais que James houvesse combinado de se aproximar de por pura proteção, ele não entendia o quanto James estava se importando tão de repente. O garoto suspirou, antes de seguir os gritos de Walburga, que vociferava algo sobre não tolerar atrasos e já sentir vergonha suficiente de ter que buscá-lo.
olhou de relance na direção dos gritos, notando o semblante tristonho de Black. Quando a família de bruxos aparatou, a garota se despediu da família de Hestia e se aproximou de Celine, que aguardava ansiosa.
— Desde quando você e James são amigos?
— Ah, não, mãe. Não começa.

O caminho da estação até a casa foi rápido. Celine estava animada e havia dito a que ela teria uma surpresa no dia seguinte. esperava que fosse um novo conjunto de penas e pergaminhos. Canetas eram práticas e ela usava vez ou outra, mas adorava mergulhar a pena no tinteiro, achava extremamente elegante.
Durante a tarde, desfez a pequena mala e aproveitou para descansar um pouco. Fazia tempo que não dormia na própria cama, ao deitar nela e encarar o teto do quarto, se lembrou de inúmeras vezes em que esteve ali, se perguntando sobre quem ela era e das coisas estranhas que sempre aconteciam com ela por perto. dormiu por algumas horas, mas quando acordou mais tarde, estava decidida a preencher as lacunas que faltavam, e só havia uma pessoa que poderia ajudar naquela tarefa.

Celine estava na sala, passando as roupas para levar. Ela escutou os passos da filha, descendo as escadas e viu quando sentou no sofá.
— Mãe, podemos conversar? — perguntou e Celine olhou para a filha, estranhando o comportamento da mesma, que parecia estar acanhada. sempre havia sido um pouco resguardada com pessoas desconhecidas, mas nunca com a mãe.
— Claro, meu amor. — ela sorriu na tentativa de tranquilizar a filha. — O que você precisa?
— Eu estava me perguntando se você poderia falar sobre o papai. — a garota perguntou receosa de chatear a mãe. Sabia que Celine sentia falta dele, eram grandes amigos. A mais velha se aproximou e sentou junto a ela no sofá. estava crescendo e era normal que quisesse conhecer um pouco do pai.
— Dave e eu não convivemos juntos por muito tempo, como você sabe, — Celine avisou — mas ele sempre foi presente na nossa vida, apesar de não estarmos mais juntos. Quando eu engravidei, Dave e eu costumávamos conversar muito. Nem sempre sobre o mundo mágico, mas também sobre o meu mundo.
— Tipo o quê? — perguntou, feliz em saber que a mãe estava disposta a compartilhar aqueles momentos com ela.
— O dia em que nos conhecemos. Eu trabalhava numa lanchonete e ele entrou, usando aquelas roupas de bruxos e aparentemente perdido. — ela lembrou com um sorriso, fazendo rir do comentário sobre as roupas — Eu trabalhava com outra menina, o nome dela era Liza. E era para ter sido ela a atendê-lo, mas nosso chefe a chamou e eu tive que ir. Ele pediu um café e estava observando cada movimento meu, era engraçado porque ele era um pouco tímido, então mal conseguiu pedir o café sem gaguejar. Depois daquele dia, ele apareceu todos os dias seguintes, até eu tomar coragem para puxar assunto e começamos a conversar.

imaginou a cena com um sorriso no rosto. Às vezes ela quase esquecia o rosto do pai, já que havia perdido-o tão nova. Então recorria ao álbum de fotos de infância. Ele estava repleto de fotos, tanto as tiradas na câmera trouxa de sua mãe, quanto as que seu pai havia tirado. Sua favorita era uma em que Dave e Celine dançavam, uma versão mais nova e sorridente de estava espremida entre os dois.
— A primeira vez que ele me disse algo sobre o mundo mágico foi uma semana antes de você nascer. Óbvio que eu já havia notado certas coisas estranhas que aconteciam, mas foi só na semana anterior que ele decidiu me contar. — Celine explicou — Ele me falou que você provavelmente seria como ele e sobre Hogwarts e suas casas. Pensamos que você iria para Corvinal, a casa do seu pai. Por isso fiquei animada por nós três quando você recebeu sua carta. Quando você me enviou uma carta no primeiro ano, dizendo que havia ido para a Grifinória, eu comemorei por dias seguidos. Apesar de ter sido muito inteligente e meio excêntrico, Dave não era um anjo. Ele me disse que em seu último ano, enfeitiçou o chapéu seletor e ganhou um mês de detenção.
— Oh, isso explica muita coisa. — comentou, lembrando o desânimo do chapéu quando ele foi colocado sobre sua cabeça e Celine a olhou curiosa — Acho que o chapéu continua guardando rancor.

Apesar de antes, Celine pensar que aquelas pequenas lembranças não iriam suprir a falta que Dave fazia, de fato não supriam, mas de algum jeito fizeram se sentir próxima ao pai. Com uma parte que faltava praticamente preenchida, estava feliz e grata pelo feriado do dia seguinte.
— Eu iria esperar pra te contar amanhã, mas sei que você vai me matar se eu não disser. — Celine comentou sorrindo e esperou ansiosa pelo que viria — O filho dos Granger está em casa, acabou de voltar daquele acampamento de escoteiros.
— Aquele ingrato está aqui e não veio me visitar? Ele que me aguarde amanhã, temos muito o que falar. — reclamou, arrancando uma risada da mulher. Celine se levantou e voltou a passar as roupas, subiu as escadas correndo. Não era novidade nenhuma que ela iria correr para o quarto e gritar o vizinho pela janela. Por mais que não quisesse ver seu bebê crescendo, Celine se pegava pensando que os dois acabariam formando um belo casal.


Capítulo 8

O crocitar de acordou . Apesar de querer jogar um travesseiro em cima da ave, ela sabia que seria maldade demais. Quando sentou na cama, notou uma coruja ao lado da sua. Com um pergaminho amarrado em uma das pernas, a coruja até então desconhecida, estava próxima demais de . Ela se aproximou devagar e acariciou a ave antes de desamarrar o que ela carregava. Receber uma carta com o endereço dos Potter era algo que sonhou durante todo o primeiro ano. Engolindo os antigos sentimentos, ela abriu a carta e sorriu vendo a caligrafia de James.

Hey, , sou eu! James, caso você não tenha lido antes de abrir essa carta. Você provavelmente se perguntou o porquê de estar te escrevendo, certo? Bom, eu te acho incrível, os caras também e tenho certeza de que minha mãe concorda, já que ela está ajudando a escrever algo legal. O que me lembrar de avisar que dei seu endereço para o resto deles, assim poderiam te escrever também e sei que eles não devem fazer de imediato, já que não irá demorar até estarmos de volta. Bom, eu pensei muito e já era tempo de nossa amizade começar. Tenha um ótimo feriado, nos vemos na escola.

Seu amigo, J. Potter.

Ps: Eu não sei porque disse isso, quer dizer, já sabemos de quem é a carta, precisamos mesmo nos identificar no fim?


Rindo da última sentença, ela escreveu de volta para James e amarrou o pergaminho na perna de , na esperança de que a coruja fosse dar uma volta e parasse de atrapalhar seu sono durante algumas noites.

Era quase meio dia quando ela saiu do quarto, Celine havia escondido ovos de chocolate pela casa, mas após gargalhar e dizer que já havia passado da fase de pensar que os doces foram deixados por um coelho, a mais velha contou onde havia escondido todos e a garota correu pela casa recolhendo todo chocolate que encontrasse. Com uma sacola cheia, sorriu agradecida e saiu de casa, sentando na grama do quintal dos fundos. Antes que pudesse abrir a embalagem do ovo de chocolate, ouviu o farfalhar de um arbusto e sorriu já se levantando e indo de encontro à responsável pelas folhas que agora caíam em seu quintal.
— Bom dia, Mel. — cumprimentou a vizinha, que sorriu educada e se aproximou da cerca que separava as casas enquanto podava os arbustos.
— Bom dia, . Como vai sua mãe? — a mulher perguntou. Celine e ela haviam se tornado boas amigas desde que a mais nova foi transferida para outra escola, já que a mãe de passava muito tempo sozinha quando estava em casa.
— Ela está bem, como vão o senhor Granger e Hugo? Ouvi dizer que aquele ingrato está aqui desde ontem e não foi me visitar — reclamou, arrancando uma risada da mulher.
— Ah, eles estão ótimos. Inclusive, Hugo está no quarto, você pode ir até lá. — a mais velha informou e disparou em direção a casa.
Logo que entrou, avistou o marido de Melanie sentado na cozinha, lendo jornal. já havia se acostumado com o homem sempre carregando o jornal pela vizinhança, ele adorava ficar por dentro das notícias. Optou por não atrapalhar e subiu as escadas. Ao se encontrar de frente para a porta do quarto, ela suspirou. Fazia praticamente um ano desde que se viram pela última vez, talvez Hugo já nem lembrasse dela. Receosa, ela bateu na porta e ouviu a voz dele, permitindo sua entrada.
O quarto estava um pouco bagunçado, algumas roupas jogadas pelo chão. Hugo estava de costas, sua atenção na parede onde colava o pôster de uma banda que desconhecia.

— Aerosmith? Quem são eles? — ela questionou, com sua voz esganiçada mostrava sua indignação.

Hugo sorriu logo ao reconhecer a voz da amiga, ele largou o pôster e cola em mãos, para em seguida espremer num abraço. ficou contente por ele não tê-la esquecido. Hugo estava mais alto e com um novo corte de cabelo.
— Minha nova banda favorita. — ele disse assim que se separaram. fingiu estar ofendida com o que ele disse. De certo modo, ela realmente estava.
— E quanto aos Beatles? Você não pode resolver que gosta de outra banda assim do nada.
— Nunca foram meus favoritos, você sabe. — ele sorriu — Eram os favoritos da minha mãe.
— Sim, — ela suspirou e sorriu — eu sempre soube que ela tem bom gosto, ao contrário do filho.
Hugo revirou os olhos, não deixando de sorrir também. Ele olhou para a cama e começou a juntar as roupas que estavam emboladas em cima dela, a fim de jogar tudo dentro do armário para que pudessem se sentar.
— Olhe só pra você! 'Tá mais alta do que eu me lembro. — ele disse fazendo-a rir. — O que estão dando pra você comer nessa escola? Suplementos?
— Primeiro, você tá parecendo um velho com esse papo de "olha como cresceu"... — ela zombou fazendo o amigo concordar. Hugo sentou-se na cama mas começou a andar pelo quarto, examinando cada novo detalhe. — segundo, eu poderia perguntar o mesmo. Quando você vai parar de crescer para que eu possa ao menos ter a mesma altura?
— Nunca. — ele respondeu e ela foi em direção a parede, olhando os pôsteres recém colados.
— Aposto que deve ter algum feitiço para isso. — disse mais para si, ainda que Hugo tenha escutado.
— Como assim? — ele perguntou e ela se deu conta do que havia dito.
— Eu quis dizer que — sentia as mãos suando, alternou o olhar entre Hugo e o chão antes de finalmente pensar em uma desculpa que achava plausível — se eu tivesse poderes, provavelmente resolveria isso. Mas e aí? Me conta sobre o acampamento! — ela sorriu, esperando que o amigo deixasse de lado o papo de magia e focasse em qualquer outro assunto.
— Meio entediante, mas até que não foi tão ruim. Aprendi muito sobre natureza e essas coisas. Nada diferente da escola.
— Ciência e essas coisas, super entediante também. — ela suspirou dramática e sentou ao lado dele, vendo o garoto estreitar os olhos, mas assentir. Odiava mentir para Hugo, mas infelizmente não poderia dizer a ele que os fenômenos estranhos que aconteciam quando ela estava por perto tinham um motivo. Se pudesse dizer a ele que magia era real, já o teria feito.
— Mal posso esperar pra voltar a escola, talvez esse ano eu consiga entrar pro time de futebol. — ele disse animado.
— Seria ótimo, mas pra isso você vai ter que aprender a jogar, né? — ela apontou e os dois riram. — Senti sua falta, Granger.
— Eu também, . — Hugo a puxou para mais um abraço. — Eu também.

[...]


— Me diga, . Como está indo na escola? Sua mãe disse que você está se esforçando muito. — o senhor Granger perguntou. Ele costumava ajudar a menina com as lições de casa antes de começar os estudos na outra escola, um tipo de escola preparatória, ele não tinha muita certeza do que era e não iria perguntar. engoliu o restante do suco que estava tomando e olhou para Celine, para ter certeza de que poderia dizer algo ou se era melhor mudar o assunto. Quando a mãe apenas sorriu, começou a falar animada.
— Está indo bem, obrigado por perguntar. Apesar de que estou super cansada e morrendo lentamente, eu consigo acompanhar tudo. — ela dramatizou, fazendo os outros rirem.
— Muito drama, . — Hugo avisou e ela rolou os olhos — Eu aposto que ela é a melhor na classe, ela só é muito dramática e não consegue aceitar elogios.
— Eu não faço isso. — olhou para a mãe — Eu faço?
— Só um pouquinho. — Celine confessou fazendo os demais rirem, ela olhou para o relógio na parede da sala de jantar e notou que estava ficando tarde. — Bom, sinto muito, precisamos ir. precisa pegar o trem para o colégio amanhã cedo.
— O jantar estava maravilhoso, senhor e senhora Granger. — agradeceu, se retirando da mesa. Celine se retirou ao mesmo tempo que a filha, indo para a porta junto dos dois adultos.

e Hugo ficaram mais atrás, ambos já cabisbaixos por ter de se despedir.
— Eu poderia pedir aos meus pais pra te levar na estação amanhã. — ele sugeriu, os olhos brilhando com a ideia de poder passar mais tempo com a amiga.
E lá estava, o brilho nos olhos e o sorriso animado que amava. Infelizmente, seria ela a responsável por acabar com as expectativas do amigo.
— Não podemos, infelizmente minha mãe vai precisar trabalhar amanhã. — ela começou, vendo o semblante do amigo mudar da água para o vinho. — Mas você pode me escrever.
— Escrever? Tipo uma carta? — Hugo estranhou e sorriu.
— É, telefonemas são proibidos por lá. Uma doideira, né? — deu uma risada nervosa sob o olhar atento de Hugo — Mas você pode escrever pra mim, peça a minha mãe para enviar!
, precisamos ir. — Celine chamou da porta e acenou para Hugo.
— Tudo bem, então. — o Granger mais novo deixou de lado o desânimo. Ele era o mais velho, não queria que ela tivesse que vê-lo chorando. — Vou sentir saudades, .
— Eu também, Hugo. — ela o puxou para um abraço — Te amo.
— Também te amo, maninha.

⚡⚡⚡


29 de Abril, 1974.

— Eu sei que eles estão sendo legais, mas é um pouco suspeito, não acham? — insistiu e Hestia deu uma risada, sem tirar os olhos do profeta diário — Eu não sou louca, deve ter alguma pegadinha aí. Oh Merlin, eu vou fazer papel de boba na frente de Hogwarts inteira.

Dizer que estava preocupada era pouco, a garota estava apavorada. Desde que voltou do feriado, três semanas atrás, James e os amigos acompanhavam seus passos a cada segundo. Quando não eram os quatro, eles se dividiam em pares: James e Peter eram o problema atual, já que estavam sentados na mesa ao lado. Claro, não há nada de estranho nisso, a não ser o fato de que é fim de semana e eles estão na biblioteca. Várias perguntas se passavam em sua cabeça. E se Sirius tivesse contado sobre o beijo e agora eles estavam planejando algo contra ela? E se Black nem ao menos lembrasse do beijo? Nesse caso, uma pegadinha pequena e inofensiva seria bem-vinda? suspirou, não se sujeitaria a isso nem em um milhão de anos. Então estava fadada a criar inúmeras teorias sem sentido apenas para manter-se alerta.
— Para de se preocupar. Você sabe, eu não gosto deles. — Teodora começou — Eles são barulhentos e às vezes é difícil fingir que não existem, especialmente o Potter, que vive se gabando sobre o quão maravilhoso ele é…
— Mas... — Teo a encarou como se a amiga fosse louca.
— O quê? Era tudo o que eu tinha a dizer, não gosto deles.
— Você não está sendo de grande ajuda. — Teodora deu de ombros e sorriu, suspirou frustrada, mas não conteve o sorriso. Ela olhou para Hestia — E você? O que você acha?
Fazer Teodora Flint e Hestia Jones se gostarem não exigiu muito esforço. Na verdade, não exigiu esforço algum. as apresentou uma semana após o feriado de Páscoa e daquele dia em diante o trio não se separou. estava radiante, pois apesar de serem tão diferentes, era bom ter amigas que realmente gostassem de sua companhia. Ainda mais agora que Marlene havia dado um fim definitivo na amizade com , Lily e Mary optaram por tomar as dores da amiga, apesar de Evans ainda cumprimentar sempre que preciso.
— Honestamente? Eu não acho que Remus se envolveria se fosse alguma brincadeira de mau gosto. — ela colocou o jornal de lado — Quer dizer, sabemos que ele não é muito fã de bullying então eu não acho que ele concordaria com isso, seja lá o que eles supostamente estão tramando.
— Oh, certo. 'Tá me dizendo que Lupin é diferente dos outros três? — Teodora debochou e revirou os olhos. Hestia sorriu.
— Sim, ele é o mais responsável dos quatro. — ela apontou e assentiu.
— Tudo o que sei é que estão agindo estranho. — voltou a dizer — Olha só o James e o Peter, o único motivo para eles não estarem sentados aqui é provavelmente porque a Teo faz o Peter se cagar de medo. — apontou e as duas amigas olharam para uma mesa não tão distante dali. James e Peter estavam observando-as, logo eles acenaram e tentaram fingir que não estavam olhando durante todo aquele tempo. — Viram só?
— É, isso foi realmente esquisito.
tinha certeza de que os meninos nunca iriam admitir que estavam agindo de maneira suspeita, mas para o azar deles, tinha uma carta na manga. Apenas uma ou duas voltas no momento certo e ela saberia o motivo de estar sendo praticamente perseguida dia e noite. Ela se levantou e foi até a mesa deles, sorrindo gentilmente para Potter.
— Ei James, podemos conversar? — perguntou olhando diretamente para Peter, esperando que ele aproveitasse a deixa e os deixasse a sós.
— Claro, . — ele respondeu e logo olhou para Peter — Você pode ir agora, uma pequena pausa eu diria. Pettigrew não precisou pensar duas vezes, assim que James permitiu sua fuga, ele felizmente deixou a biblioteca. — Então, como posso te ajudar?
— Bom, eu sei que você tem uma capa da invisibilidade. — ela foi direta e os olhos de James se arregalaram por segundos, seguidos de uma risada nervosa de Potter enquanto ele negava veemente. — Ouvi você e Sirius conversando uma vez e acabei pegando essa parte da conversa. — ela mentiu — Seu segredo está salvo comigo, eu apenas queria saber se você pode me emprestar hoje à noite, é pra algo importante.

James olhou curioso para a garota, quase como se pudesse ver através dela e enxergar todos os seus segredos. suspirou frustrada e mordeu o lábio inferior, inconscientemente atraindo a atenção de Potter para tal.
— Quer saber? Isso foi idiotice. — ela voltou a falar, despertando James do transe — Me desculpe por pedir isso e não se preocupe, eu não vou contar pra ninguém.
— Eu te empresto. — o garoto respondeu sorrindo. o olhou como se esperasse alguma reclamação ou exigência.
— Jura? — ela quase gritou, um sorriso enorme estampava seu rosto e James só concordou, também sorrindo. deu um pulo e bateu palmas em seguida, Madame Pince a encarou, fazendo a menina parar a comemoração e sussurrar um pedido de desculpas. — Bom, obrigado James. Te vejo mais tarde na sala comunal?
— Sim, nos vemos lá.

[...]


— Relaxa, cara. Ela não desconfia de nada. — James tentou tranquilizar Peter, que resmungou novamente. Ambos estavam vigiando e as amigas, esperando o momento em que ficasse sozinha, para escoltá-la caso algum aluno da Sonserina tentasse algo contra ela.
— Você acha que elas vão ficar aqui por muito tempo? — Pettigrew perguntou, entediado.
— Elas acabaram de chegar. — James quase gritou em resposta, recebendo um olhar nada gentil da bibliotecária. Pince costumava ter pavio curto com alguns estudantes, principalmente os que ousavam fazer escândalos em sua biblioteca, uma coisa que James e seus amigos estavam bem acostumados a fazer.
Atrás deles, uma estante de livros enorme e a capa de James escondiam , que havia decidido se arriscar e usar o vira-tempo para descobrir o que eles estavam aprontando. Ela quase comemorou ao conseguir ouvir a conversa dos dois.
— Porque não voltamos pra sala comunal? Ela está com as meninas, nada de ruim vai acontecer. — Peter reclamou mais uma vez, fazendo James revirar os olhos.
— Pela milésima vez, não podemos deixá-la sozinha. — James explica — Se por algum motivo a Teodora e a Hestia decidirem tomar outro caminho, ficará sozinha e assim será um alvo fácil pro Avery e o idiota do Mulciber. Mais alguma pergunta?

O rosto de mudou de confusão para surpresa com a realização de que os marotos estavam tentando ajudá-la a se livrar das perseguições dos sonserinos. Ela sorriu, tentando ignorar os olhos que começavam a marejar. Estava prestes a voltar no tempo quando Peter volta a falar.
— Ao menos podemos ler isso e procurar alguma coisa para ajudar o pequeno problema do Remus mais tarde? — se esgueirou para mais perto, olhando em volta para garantir que não esbarrasse em nada e em ninguém. Não poderia ser vista pelos demais, e muito menos por sua versão do passado, que estava sentada a poucos metros dali.
— Oh, é verdade. A lua cheia é em dois dias. — James comentou mais uma vez olhando para a mesa onde as meninas estavam. , Hestia e Teodora encaravam os dois, o que fez James abrir um livro qualquer e fingir ler, antes de acenar para elas como se tivesse acabado de se dar conta da presença delas. fez uma nota mental para verificar se suas teorias acerca de Remus estavam corretas. Remus tinha um problema? Se sim, tornaria sua missão de vida descobrir o que era para tentar ajudá-lo.
"Um mistério por vez", ela pensou e olhou em volta decidindo que talvez pudesse se aventurar um pouco. Por ser mais baixa que os meninos, a capa lhe cobria bem, então não faria mal dar uma volta, ainda mais porque tinha tempo de sobra.

Saiu da biblioteca e tirou a capa quando ninguém estava olhando. Apenas alguns alunos transitavam por ali, entrando e saindo da biblioteca. Outros apenas parados no corredor, conversando, outras vezes flertando. O dia estava lindo e se arrependia de ter passado tanto tempo na biblioteca, porém Hestia estava com problemas em transfiguração, logo Teodora e se comprometeram a ajudar.

Ela andou em passos rápidos e foi direto para o campo de quadribol. Não havia treinos naquele dia então poderia deitar no gramado e aproveitar o sol em sua pele. No meio do caminho, o diretor da escola estava parado e sorriu, convidando-a a se aproximar.
— Olá, diretor Dumbledore. — cumprimentou forçando um sorriso. Se aquele homem descobrisse que ela estava usando o vira-tempo, estaria em sérios problemas.
— Senhorita , que bom vê-la. — ele cumprimentou — Eu estava aqui olhando para esse relógio velho — ele estendeu um relógio de bolso para que ela pudesse ver — e pensando em como o tempo é engraçado. Se arriscar a mexer com ele pode trazer sérios riscos.
"Ele sabe, ele sabe!", uma vozinha na mente de berrava incessantemente e ela sorriu nervosa.
— Bom, você derrotou Grindelwald. Se o senhor está dizendo, quem sou eu pra discordar? — brincou e o mais velho não conteve uma risada. sentiu a necessidade de garantir que tinha controle da situação. — No entanto, se supostamente tivesse os meios para uma viagem no tempo, algum dia, pode ter certeza de que eu tomaria cuidado para não alterar a ordem das coisas. Tudo ficaria em seus devidos lugares.
— Muito bem dito, . — ele sorriu e mexeu na barba — Eu não vou atrasá-la ainda mais, aproveite o dia ou o que resta dele. Divirta-se!

não sabia como, mas as frases dele sempre pareciam cheias de suspense, e foi por esse motivo que ela apenas sorriu e retomou o trajeto até o campo. Dumbledore era um bruxo peculiar, sempre soube.

Ao chegar lá, teve que se esconder por alguns segundos. O time inteiro da Grifinória estava deixando o campo. Quando ela finalmente saiu de trás da mureta que servia de esconderijo, sentiu algo tocar seu ombro. Ela conteve o grito que queria dar, tendo como reação apenas um pequeno sobressalto. Ao olhar para trás, seu rosto quase perdeu a cor e ela sorriu sem graça.

Ryan estava treinando mais que o normal, era muito competitivo, apaixonado por quadribol, e estava louco para levar seu time à vitória naquele ano. Ele sorriu quando notou se escondendo perto do campo e acelerou seu discurso de encorajamento antes de dispensar o time.
— Então nos encontramos de novo, .


Capítulo 9

7 de outubro, 1974.

— Gente, parem de brigar por causa de xadrez bruxo. Eu tenho algo melhor. — Hestia interrompeu a discussão acalorada das amigas. a olhou com uma expressão entediada.
— Me diga, o que nesse mundo inteiro pode ser melhor do que essa jogada incrível que eu fiz? — se gabou e Teodora estava prestes a rir quando a amiga lhe deu um tapa no ombro.
— Uau, muito adulta. , guarde a soberba pra você. — Hestia sorriu e Teodora esticou a mão para um high five, logo sendo correspondida.
— Alguém tá morrendo de inveja porque eu sou incrível no xadrez. — alfinetou Teo, que havia perdido a partida mas se recusava a aceitar. — Tudo bem, o que você tem aí?

Hestia sorriu, ela foi até um canto da sala comunal e empurrou um vaso de plantas, tirando algumas revistas de trás. Havia escondido ali, assim as outras duas colegas de quarto não iriam zombar dela por causa do conteúdo das revistas.
Ao mostrar para as meninas, revirou os olhos ao reconhecer a capa.
— Ah, não. — resmungou, fazendo Teodora alternar o olhar entre as duas sem entender o motivo da expressão contrariada de e a animação de Hestia.
— Ah sim, querida. Revistas de adolescente! — ela disse batendo palmas e Teodora sorriu, imaginando que deveria ser algo legal, apesar da expressão contrariada de .
— Mostra pra mim. — Teo pediu e Hestia lhe entregou uma revista. Teodora folheou rapidamente, parando nas páginas que continham imagens — Porque as fotos não se movem? Decepcionante.
Hestia pegou de volta ao ouvir Teo reclamando.
— Claro que não se movem, é uma revista trouxa. — Jones resmungou e folheou a revista, atenta aos números das páginas. — Não trouxe as revistas pelas imagens, — Ela sorriu ao achar a coluna que tanto buscava. — aqui, dá uma olhada nisso.

Teodora pegou a revista e leu o título da coluna.
— Oh, . Você vai amar isso: Como conseguir a atenção de garotos. — Teodora conteve um sorriso e cutucou a amiga — Nós com certeza vamos ler isso. Bom trabalho, Jones.
— Eu não estou lendo isso e porquê, de repente, você liga pra chamar atenção de garotos? — Hestia deu de ombros, sabendo que aquela pergunta não era para ela e sim para Teo. Flint tentou sorrir, mas não conteve o nervosismo que a fez responder atrapalhada quando respondeu:
— Eu achei que seria divertido, — ela começou e cruzou os braços — você sabe, não estou familiarizada com essas revistas trouxas. E as revistas mágicas só recomendam poções do amor, é patético.

Aquela pequena desculpa poderia ter sido o suficiente para Hestia, que sorriu e voltou a ler a coluna, mas não para . Uma vez que estivessem a sós, ela faria a amiga dizer o que estava escondendo. Dando de ombros, pegou uma das revistas e buscou a mesma coluna que as amigas estavam lendo, notando que havia conselhos para garotos também.
— Vamos lá, eu leio e vocês tomam notas — avisou, a voz arrastada e demonstrando zero entusiasmo.
— Você não vai tomar notas também? Seria de grande ajuda com o Black. — Teo sussurrou e Hestia a encarou desacreditada.
— Teo, querida... — Jones começou, e sentou no chão ao lado da amiga. estava confortável, tinha um sofá inteiro para si, já que as meninas estavam apoiando as revistas na mesa de centro. — Nossa amiga aqui não precisa de uma revista para ganhar a atenção dele. — ela olhou em volta, para ter certeza de que estavam sozinhas na sala — E não só a dele, James escreveu para ela durante as férias e a primeira pessoa a recebê-la na plataforma foi o King.

Teodora esperou explicar tudo, no entanto a garota apenas corou, os olhos arregalados e balançando a cabeça, negando sem parar. Não importava o quanto explicasse que Sirius aparentemente havia esquecido sua existência, Hestia insistia que eles formavam um bom casal. Para sua surpresa, após as férias, James e ela estavam bem próximos. Não de um jeito romântico, ele era agradável e vinha se mostrando uma ótima companhia. James nunca precisou se esforçar para que alguém gostasse dele, além de Lily Evans, obviamente. Ela o considerava um ótimo amigo. E Ryan, bom, não era necessário dizer muito sobre RJ King. Ele era um ano mais velho, capitão do time de quadribol, e todas as garotas o achavam lindo. não seria uma exceção. Talvez Ryan estivesse se aproximando com a intenção de ser mais que um amigo, mas ao contrário dele, tinha certeza que James Potter definitivamente não tinha um interesse romântico nela.
— Você é uma deusa, fala pra gente o segredo. — Teodora brincou e jogou uma almofada na amiga, fazendo Hestia rir alto e abafar o som do porta retrato se abrindo.
— Que segredo? — James perguntou, parando atrás do sofá e o sorriso morreu ao ver Teodora. — Ei, o que a cobrinha está fazendo aqui?
Antes que Teo pudesse responder, Lupin apareceu logo atrás de James.
— Não começa, James. Elas são amigas. — ele sorriu e James concordou a contragosto — Olá, garotas.
Teodora e Hestia acenaram para o garoto, Hestia sorrindo amigável e Teo voltando a ler em seguida. bateu no espaço vago do sofá, apontando para James sentar. Segundos depois Potter estava a seu lado, com um sorriso que não cabia em seu rosto e um braço jogado por cima dos ombros de . Ela não se importou com a proximidade, havia notado que James era uma pessoa que apreciava o contato físico.
Black passou pelo porta-retrato junto de Peter, seu sorriso morreu e ele quase tropeçou nos próprios pés ao ver James e tão próximos. Remus alternou o olhar entre o casal e o amigo, vendo Sirius chamar Peter e subir pro dormitório. Peter e Remus subiram logo atrás.
— Bom te ver, . — ela sorriu e abriu a revista.
— James, eu tenho algo que você vai amar. — ela pegou um pergaminho e uma pena, entregando para ele. — Você pode começar a tomar notas sobre o que eu e as meninas vamos dizer.
— E pra quê?
— Você quer conquistar a Evans ou não? — sorriu para ele, os olhos de James se arregalaram e ele assentiu entusiasmado. — Bom, então vai ser um prazer guiar vocês com o manual pra conseguir um namorado.
, você não tem um namorado. — Teo apontou, James e Hestia não conseguiram conter as risadas.
— Odeio vocês. — ela reclamou, mas sorriu, notando que James e Teodora esqueceram as desavenças por alguns minutos. Ela não os odiava, nem um pouquinho.

Subindo as escadas com pressa, Black apenas balançou o cobertor, deixando alguns livros e roupas irem de encontro ao chão, e se jogou na cama logo em seguida.

Estava confuso e ao mesmo tempo com raiva. Um dos motivos para nunca ter investido em algo com foi porque respeitava o fato de não gostar de ser o centro das atenções. Mas agora se achava um idiota, já que não parecia se importar com os holofotes que acompanhavam James. E se ela nunca realmente tivesse gostado dele? E se ela apenas o usou como um meio de chegar até James? As teorias que tomavam conta de sua mente faziam cada vez mais sentido e Sirius preferia antes, quando não conseguia ver com clareza a situação em que havia se metido.

Mas ele não deixaria uma garota partir seu coração, nem ou qualquer outra.
— Ei, Sirius, você está bem? — Remus perguntou assim que ele e Peter entraram no dormitório. Não estava acostumado a ver Black tão estressado, ao menos com nada além de sua família e Lupin tinha certeza de que o motivo para aquele comportamento tinha nome e sobrenome.

— Eu estou bem, aluado. Apenas cansado de tanta lição. — ele mentiu sob o olhar de Remus. Peter observou em silêncio, sem saber se dizer algo era uma boa ideia.
— Talvez você devesse… — Remus começou a dizer, mas o olhar de Sirius para ele implorava que não terminasse a frase. Se o fizesse, provavelmente terminaria em uma discussão desnecessária. — Talvez nada. Você precisa descansar, sinta-se livre para ficar deprimido. Peter e eu estaremos aqui caso queira conversar.
— Obrigado, mas eu passo. — Sirius respondeu rapidamente, fazendo Remus rir.
— Você vai querer.
— Tenho certeza que não.
— Você pode mentir o quanto quiser, só não sei se está mentindo para mim ou pra você mesmo.
Por fim, Black suspirou e jogou um travesseiro no amigo, antes de lhe direcionar um pequeno sorriso.
— Eu vou ficar bem, cara. Não se preocupe.

[...]


As "aulas" com duraram pouco mais de meia hora, Hestia já havia ido dormir e Teodora já havia voltado para as masmorras. James estava sentado a seu lado, ela não percebeu o garoto atento a cada movimento seu. Alguns alunos entraram na sala comunal, fazendo o barulho de sempre. No meio deles estava Marlene, que em seu pequeno percurso até as escadas, olhou para os dois e cochichou algo com Mary, que a acompanhava.
nem notou as duas, estava ocupada fazendo uma lista detalhada de como James deveria agir e o que ele poderia fazer para não irritar Lily. Mas James estava curioso com o modo que as duas se separaram tão rápido, apenas Mary havia lhe dito algumas coisas, mas ele não acreditava muito nas fofocas que rondavam pelo castelo.
— Então… — ele começou, fazendo ela parar de escrever e olhar para ele — O que houve entre você e Marlene?

não sabia ao certo como aquilo se tornou um assunto importante para até mesmo James comentar. Ela ouvia os comentários pelos corredores. Alguns rumores diziam que ela tinha inveja de Marlene, já outros afirmavam que apenas andava com McKinnon por causa da popularidade dela. No fim do dia, já não se importava mais. Elas nunca foram realmente amigas após o segundo ano.
— Nada sério, ela apenas se tornou alguém que eu não queria por perto. — Explicou e voltou a escrever. — Por quê?

— Bom, ouvi algumas coisas e resolvi checar com você e ouvir o seu lado da história. — ele disse, se virando no sofá para ficar de frente para ela. — Mary disse que tinha um garoto no meio e eu achei estranho, isso não me parece um motivo para você terminar uma amizade.

revirou os olhos. Por mais que não o fizesse por mal, Mary sempre fazia os comentários errados para as pessoas erradas.
— Não parece porque não é.

— Eu sei, mas eu não entendo muito de garotas, então se tiver um cara no meio, acredito que tenha sido muito sério pra fazer vocês cortarem relações. — ele deu de ombros e ela suspirou. — Vamos lá, você sabe que pode me dizer qualquer coisa. Eu estou abrindo meu coração para você desde as férias.
— Não que eu tenha pedido. — ela apontou, rindo da expressão ofendida no rosto dele. — Ok, tem um garoto no meio, mas não é ele o motivo para a amizade acabar, ao menos não é um motivo para mim. — ela deixou o pergaminho na mesinha de centro e sentou na mesma posição que James, ficando cara a cara com o amigo. — Ela tem sido má comigo desde que ele começou a tentar se aproximar. Então eu decidi que não preciso de alguém que vá me fazer mal por um motivo tão idiota.

James deu um sorriso e acariciou a mão dela, tentando de alguma maneira confortá-la.
— Acho que foi uma ótima decisão. — ele disse e ficou surpresa. Marlene passava mais tempo com ele e os garotos do que ela, logo ela pensou que fossem amigos também — Eu nunca gostei dela, ou de como ela está sempre por perto. Ela não tenta ser nossa amiga, sabe? Remus, Peter e eu sabemos que ela só anda com a gente por causa do Sirius. — James disse pensando em todas as vezes que Marlene tentou forçar uma amizade que ambos sabiam que não aconteceria — E o Sirius gosta dela, acha ela bonita e tudo. Mas não quero que ele goste dela, não por esse motivo, não é o que eu espero que ele busque em alguém. Ele é como um irmão pra mim, acho que ele merece muito mais.
— Você é um bom amigo, James. — foi a única coisa que conseguiu responder, apertando a mão dele, que nem havia reparado mas continuava acariciando a dela — Acho que é melhor irmos dormir, está ficando tarde e temos aula amanhã.
— Tem razão, — ele começou a se levantar, estava um pouco constrangido por ter sido tão sincero. Mas era o efeito de nas pessoas, ela passava uma confiança que James só havia encontrado nos pais e em seus três amigos. — vejo você amanhã em poções?
— Isso! — sorriu, ignorando que suas bochechas deveriam estar extremamente vermelhas. — Ah, não esqueça as anotações!

Em meio a uma troca de olhares, sorrisos nervosos e bochechas ruborizadas de ambos, o porta-retrato se abriu e Lily Evans entrou na sala comunal, com um sorriso que diminuiu gradativamente ao ver James. Antes que pudesse supor que ele a estava esperando, notou que também estava ali e os dois pareciam estranhos. Ela pigarreou, fazendo olhar para onde ela estava parada.
— Ei, Evans! Boa noite. — sorriu e chutou James, falhando em ser discreta. — Não esqueça suas anotações, James. — Ela se abaixou para pegar o pergaminho na mesa, e entregou para ele, alternando o olhar entre as notas e certa ruiva.
acenou para Evans, que forçou um sorriso e voltou seu olhar para James. O garoto ajeitou os óculos e deu uma olhada no pergaminho antes de guardá-lo no bolso. Lily achou que ele parecia um pouco aéreo.
— Boa noite, Evans. — ele sorriu, mal conseguindo olhar para ela, e foi direto para o dormitório. Aquilo era novidade, uma vez que ele não desperdiçaria a oportunidade de ficar a sós com Lily, ela sabia, pois estava acostumada com James tentando conseguir sua atenção a qualquer custo. Quem diria que após anos correndo atrás dela James estava dando atenção a outra pessoa? E quem diria que, por mais que tentasse negar, Lily Evans estava sentindo ciúmes?

⚡⚡⚡


14 de dezembro, 1974.

— Psiu, ! — James chamou e a garota se virou para trás, Lupin parecia entediado e Potter sorria para ela.
— Fala logo, James. — ela o apressou, notando que Minerva estava ciente dos sussurros acontecendo durante sua aula.
— É verdade que você vai fazer os testes pro time?
— Quem te contou? — disse um pouco mais alto e olhou em volta, em busca de um culpado, no lugar encontrou o olhar severo de McGonagall.
Ela murmurou um pedido de desculpas e voltou a olhar para trás. — Ok, eu vou fazer os testes, mas não te contei porque sabemos que você criaria expectativas e isso só vai me deixar mais nervosa do que já estou.
— Relaxa, eu vou fazer o teste também. — disse animado e sorriu. — Podemos treinar juntos.
— Não me surpreende nem um pouco, J. Mas obrigado, toda ajuda será bem-vinda.

Atrás deles, uma ruiva observava a interação deles, nada feliz com o sorriso de Potter, que mal cabia em seu rosto. Antes que pudesse pensar muito sobre o que estava prestes a fazer, Evans se apoiou na própria mesa e cutucou James. Após uma terceira vez, o garoto olhou para trás.
— Ah, oi Lily. Posso ajudar? — Potter não precisou fingir surpresa, por dentro ele estava pulando e aplaudindo, mas de acordo com ele precisava ser menos intenso com Lily. E foi por isso que ele esperou pacientemente o momento em que a garota diria algo.
— Eu soube que vai participar dos testes para o time, só queria desejar boa sorte. — as bochechas de Evans poderiam ser comparadas a dois tomates. James sorriu.
— Obrigado, Lily.

sorriu ao ouvir os dois e voltou a prestar atenção no livro em sua mesa, com pressa para finalizar a tarefa, assim como James. Teodora vez ou outra fazia alguns comentários apenas para deixá-la envergonhada, mas se limitava a rir e repreender a amiga.

O humor de Sirius também não era um dos melhores. Ele e Hestia estavam dividindo a mesma mesa, não por vontade própria, mas porque James e Sirius juntos causavam distração demais e isso era motivo suficiente para Minerva decidir separar os dois. Com isso, Jones estava fadada a ouvir o garoto reclamar de suas amigas durante toda a aula.

— Olha só, ela fica por aí confraternizando com o inimigo. — Sirius resmungou ao ver folhear o livro que tinha em mãos e rir de algo dito por Teodora Flint.
— Inimigo é uma palavra muito forte, Black. não falaria com a Flint se ela não fosse uma pessoa legal, e honestamente, Teo é maravilhosa. — ela apontou e Sirius balançou a cabeça, ainda em negação. — Além do mais, se você acha que é chato pra ser vista com sonserinos, imagina o quanto é difícil pra Teodora ser gentil com alguém da Grifinória em público.

— Você não entende. — ele resmungou como uma criança — Ela não pode ser amiga do Seboso e ser uma pessoa normal.
— Ah, então o problema é o Snape. Eu também não entendo essa parte, todos acham que eles namoram ou algo do tipo, mas a Teo não comentou nada até então. e eu não temos coragem de perguntar. — Hestia disse pensativa. — Vocês realmente não gostam dele ou é só por causa do Potter?
— Acredite, ele faz por merecer. — Black revirou os olhos vendo James cutucar . O semblante fechado não passou despercebido por Hestia.
— Posso perguntar algo?
— Você já está perguntando, mas fique à vontade — ele respondeu contrariado.
— Você sabe se a e o James têm algo? — perguntou baixo demais para que Sirius conseguisse entender o que ela dizia. Jones já sabia que não havia interesse vindo da amiga, a carranca de Sirius toda vez que o amigo se aproximava de não era nada discreta. Diante da história entre ele e , Hestia se recusava a acreditar que Sirius havia a esquecido tão de repente ou não sentia ciúmes dos dois. — James e , você sabe de algo?
— Porque eu saberia?
— Você e James são amigos.
— E vocês duas não são? Pare de fazer perguntas idiotas. — ele retrucou.
— Nossa, agora eu conheci o seu lado insuportável. Guarde pra você, Black. — reclamou. Ao ver a expressão culpada no rosto dele, ela aproveitou para insistir no assunto — Você não é nada como a disse.

[...]


Para , discrição e saúde mental eram parceiros que nunca a deixariam. Se ela estivesse fazendo algo, daria o seu melhor sem atrair os holofotes para si. Antes disso, tentava enganar a si mesma, tão serena quanto uma tarde de domingo, para não criar expectativas e se frustrar depois. Era o que fazia desde o beijo com Sirius, ou o dia em que ganhou o vira-tempo de Minerva, e não menos importante que isso: dois dias atrás, quando ela descobriu o segredo de Remus Lupin.
Não era à toa que ele sempre estava cansado ou aparecia com cicatrizes pelo rosto, já sabia que algo estava errado. Os sumiços reforçaram suas teorias, mas só teve coragem de tentar descobrir o segredo de Remus quando ouviu a conversa entre James e Peter. E quando o fez, não soube como encarar o garoto sem o olhar de pena ao imaginar a dor e solidão que ele sentia durante toda lua cheia. Decidiu, então, confrontar James, Peter e Sirius, mesmo sabendo que eles negariam até a morte.
Por esse motivo, ela ficou escondida na sala comunal até vê-los saindo do dormitório, seguindo-os logo depois. Infelizmente, não tinha uma capa para se esconder e sua única opção era andar no castelo às escuras, apenas a luz da lua iluminava os corredores vazios. E assim, conseguia enxergar três pares de sapatos caminhando rapidamente em direção à saída. Ela apressou os passos para acompanhá-los, mas infelizmente foi o que a levou a esbarrar na última pessoa que a ajudaria no momento, ou em qualquer momento. Lucius Malfoy a encarava com um sorriso sádico, como se estivesse encurralando um coelho.
Sirius e James puxaram Peter, fazendo-o parar de andar assim que olharam o mapa mais uma vez. Os dois estavam se sentindo extremamente culpados em ter de ocasionar o esbarrão de com Lucius, no entanto, foi a única solução que encontraram ao ver o nome de no mapa, seguindo seus passos.
— Vamos lá, não temos muito tempo. — ele sussurrou, puxando James pelo braço.
— Mas a … — ele olhou novamente para a amiga.
— Remus precisa de nós, ela pode sobreviver a uma detenção. — James respirou fundo e assentiu, antes de retomarem a caminhada.

Sirius notou quando deu um sorriso na direção em que eles estavam, antes de se virar novamente para Lucius.
— Ora, ora. O que temos por aqui? — Lucius olhou para a garota de cima a baixo com desdém. O distintivo de Monitor Chefe brilhando nas vestes — Se perdeu no caminho pra sua toca, pirralha?

não gostava de mentir. Para ela, quanto mais uma pessoa inventava algo, mais difícil era discernir o que era real e o que não passava de mentira. Mas vendo Lucius ali, ela não precisou pensar duas vezes antes de decidir que mentiria. poderia ser muitas coisas, mas dedo-duro não estava na lista. Ela piscou duas vezes e franziu as sobrancelhas.
— Aqui onde? — perguntou cínica e olhou em volta. — Opa, como vim parar aqui e logo com você?
— Vai dizer que agora é sonâmbula? — ele arqueou uma sobrancelha enquanto negava com a cabeça — Achei que grifinórios fossem um pouquinho mais espertos na hora de arrumar uma desculpa. Até um elfo doméstico mentiria melhor. — ele desdenhou.
— Porque eu mentiria sobre algo assim? Não tenho motivos para isso. — ela insistiu e deu de ombros — Agora me diga, o que você faz aqui?
— O que te interessa o que eu faço pelos corredores a essa hora? — ele retrucou arrumando as vestes e propositalmente deixando seu brasão de Monitor Chefe mais a mostra — O que te interessa é saber o que vai fazer com o Filch pela próxima semana. Isso sim deveria te deixar preocupada.
— Filch? Eca, ele é muito mais velho que eu. — ela zombou, fingindo não ter visto o brasão. Estava morrendo de vontade de rir, mas sabia que seria pior — Diga que não estou interessada e que irei conversar com o diretor, isso é inaceitável.
— Ah, garota. Uma sujeitinha de sangue ruim como você tinha que ser abusada assim. Bem típico. — Lucius suspirou desgostoso e tentando controlar a voz, mas seu rosto já estava bastante vermelho pela raiva — Duas semanas de detenção com o Filch vão te fazer dobrar essa língua e respeitar os seus superiores. Vamos ver se por isso você se interessa, .
— Arrogante e com um péssimo corte de cabelo, típico de um sonserino, eu não esperava menos. — ela sorriu — Vou voltar para a sala comunal agora, tenha uma ótima noite.
— Ah, vai? Sei! — o loiro revirou os olhos descrente — Eu vou te acompanhar até lá pra ter certeza de que não vai escapulir pelos corredores. Se bem que, quem sabe? Se sair de novo, serão três semanas de detenção. Não me parece ruim, certo? — ele começa a andar, mas vê que não está sendo acompanhado. Lucius para e volta a olhar para a garota — Eu não tenho a noite toda, menina! Anda logo ou vou mesmo aumentar sua detenção! — ele cruza os braços e fica esperando até que resolva se mexer para andar.
olhou novamente para o fim do corredor, ficando satisfeita em ver que ao menos um deles havia sido esperto o suficiente para convencer os outros a ir embora.
— Vamos. — ela respondeu arrastando a voz e revirou os olhos, acompanhando o sonserino. Lucius só queria ter certeza de que ela voltaria para o dormitório e então ele daria fim ao dia. No entanto, um suspiro seguido de um sorriso debochado da garota o fez perceber que a ida até o salão comunal da Grifinória não seria em silêncio. E como se quisesse comprovar seu pensamento, olhou para ele mais uma vez — Só pra você saber, eu não namoro garotos mais velhos, então pode tirar o cavalinho da chuva.


Capítulo 10

21 de dezembro, 1974.
Uma semana após o encontro com Lucius, lá estava ela, andando lado a lado com Argus Filch, que parecia particularmente animado por estar punindo mais um aluno. No entanto, irritado com a presença de depois de uma semana inteira ouvindo as gracinhas da garota. E não importava o quanto ele ameaçasse dobrar a duração do castigo, ela sempre ficava mais insolente. Desde que ela havia acobertado os marotos em uma de suas pegadinhas, o homem havia percebido que talvez ela não fosse tão tranquila como todos a descreviam. Quando soube então que ela havia sido pega andando pelos corredores após o horário permitido, logo encontrou uma tarefa para a garota, um dia antes das férias, assim Minerva não descartaria a detenção quando a garota voltasse. Agora estava feliz por ser o último dia do castigo, já não a suportava mais.
— O que ela está fazendo aqui? — Remus sussurrou para os amigos ao ver entrando na sala junto a Filch. Ela não parecia muito amigável e muito menos o mais velho.
— Você irá limpar os troféus. Eu quero que eles brilhem como uma bela manhã ensolarada.
— Você por acaso já apreciou uma bela manhã ensolarada? Porque isso não combina com a sua personalidade. — respondeu mal humorada e ele bufou.
— Cadê sua varinha?
— Deixei no meu quarto, onde eu estava tirando um longo cochilo antes de você mandar a Hestia me chamar.
— Ótimo, você pode começar agora. — ele entregou um pequeno espanador a ela, que olhou incrédula para o objeto antes de pegar das mãos dele. Os meninos assistiam a cena, parando a própria tarefa apenas para ouvir o que eles diziam.
— Você vai me pagar pela limpeza? — ela debochou e ele a encarou com raiva. Como uma criatura tão pequena podia ser tão irritante? Revirando os olhos e resmungando a cada dois segundos, ele se afastou em passos rápidos — Estou brincando, tio Filch — ela zombou mais uma vez. Se pudesse, Argus já teria pendurado a garota de cabeça para baixo na entrada do castelo. Infelizmente, não permitiam esse tipo de castigo como antigamente.
— Eu não sou seu tio! — gritou de volta. "Eu agradeço a Merlin por isso", resmungou. Filch a fuzilou com os olhos mais uma vez e em seguida olhou para os marotos, vendo que nenhum deles trabalhava. — Voltem ao trabalho — ele gritou antes de sair batendo a porta.
pegou o primeiro troféu à sua frente e passou o espanador no mesmo, ignorando os olhares dos marotos em sua direção. Por mais que não visse problema em ganhar uma detenção para ajudar um amigo, estava de mau humor por ter seu sono interrompido. Encarou o troféu em suas mãos, o objeto estava tão velho que ela se perguntava o porquê de não simplesmente jogarem fora ou usarem magia para limpar. Por Merlin, ela estava fazendo a tarefa de Filch? Bom, ele tinha um castelo inteiro para cuidar sem magia, talvez fosse por isso que ele ficava feliz em aplicar aquelas punições. Sirius cutucou James, planejando se aproximar da menina.
! — ele chamou e ela olhou para ele, não com o sorriso fofo que ele estava acostumado a ver. Ele deu um passo para trás e empurrou James para que o mesmo tomasse a frente. Apesar de ter seus motivos para não se aproximar da garota agora, James tomou coragem e puxou assunto.
— Ei, . O que você 'tá fazendo aqui um dia antes de irmos embora? Você deve ter feito algo muito ruim para o Filch não te deixar aproveitar o último dia no castelo…
Ela queria muito jogar o espanador nos dois, mas se eles quisessem fingir que não sabiam o motivo para ela estar ali, então ela fingiria também. Talvez isso lhe desse uma nova oportunidade de descobrir como eles estavam ajudando Remus antes de simplesmente colocá-los contra a parede. Então do mesmo modo que havia mentido para Malfoy a fim de ajudá-los na semana anterior, ela mentiu novamente.
— Ah, semana passada eu estava me sentindo um pouco triste e resolvi tomar um ar fresco, infelizmente acabei esbarrando no Lucius Malfoy e agora estou aqui, finalmente no último dia de uma semana inteira fazendo o trabalho do Filch. — Os dois meninos se entreolharam culpados, queria sorrir, mas manteve o semblante fechado — Bom, se me dão licença, eu tenho quase uma centena de troféus para limpar.
Os garotos se afastaram, Remus encarou os amigos sem entender a expressão quase triste dos dois.
— O que ela fez? — ele perguntou. Sirius e James não queriam que ele tivesse que se preocupar com quase descobrindo seu segredo.
— Nada demais, ela só respondeu o Binns durante a aula dessa semana, achei que o Peter tivesse contado — James foi quem inventou a desculpa e Sirius chutou Peter, para que o mesmo confirmasse a história.
— ISSO! — Peter gritou, atraindo até mesmo a atenção de . Remus olhou para o amigo tentando entender o que estava acontecendo — Eu esqueci de contar. Desculpa, Aluado.
— Acho melhor terminarmos de limpar isso logo — Sirius insistiu, só servindo para deixar Remus ainda mais desconfiado.
[...]

Meia hora se passou e os meninos suspiraram aliviados, haviam terminado a tarefa que Filch tão alegremente havia designado. Remus não esperou um segundo sequer antes de deixar a sala e ir para o dormitório, a última transformação havia sido um pouco pior e ele ainda estava sentindo dores no corpo, mesmo após uma semana.
Peter o seguiu, apesar de que seu destino final seria a cozinha do castelo. Sirius olhou para o outro lado da sala, ainda não estava nem na metade dos troféus. Ele queria ajudar, mas ao notar James enrolando para limpar um simples vaso, percebeu que talvez ela estivesse esperando a ajuda de outra pessoa. Então ele se despediu de James, que pareceu finalmente lembrar que o amigo ainda estava presente, e saiu da sala.
James não diria em voz alta, mas queria ficar a sós com ela. Ele se divertia em sua companhia e parte dele sabia que era sua culpa estar limpando todos aqueles troféus. Bom... Culpa deles, mas James se sentia muito mais culpado por ser mais próximo da garota.
— Parece que uma donzela está precisando ser resgatada. — ele disse se aproximando e antes que ela pudesse perguntar, Potter pegou um troféu e começou a limpar também.
Não era novidade que esperava que Sirius ficasse ao invés de James, ela queria um momento a sós com ele para tentar conversar. Sentia falta de falar com ele. Mas não estava extremamente insatisfeita, James era um bom amigo e estava ali para ajudá-la. O que mais poderia querer?
— Sério, James. Você precisa parar com esse lance de donzela em perigo. — ela avisou finalmente sorrindo, feliz por ter o amigo perto.
— É parte do meu charme. — ele reclamou.
— Isso explica porque a Lily ainda não caiu de amores por você. — ela passou o espanador no rosto dele, que quase deixou os óculos cair ao tentar desviar. O garoto espirrou duas vezes, havia muito pó no espanador.
— Credo, . Você já foi mais inofensiva. — ela revirou os olhos — Ah, eu tenho uma pergunta!
— Faça então, não estamos em aula pra você levantar a mão antes de dizer algo.
— Ouvi por aí que você estava no campo de quadribol, com ninguém menos que o capitão do time. É verdade?
— Esse povo não tem o que fazer não? — ela reclamou, mas acabou rindo. Hogwarts era um lugar tão grande, mas se tratando de fofoca, parecia uma casa de um só cômodo. — Nós conversamos sobre quadribol, e eu falei que tentaria entrar para o time no próximo semestre.
— Legal, legal… — James esfregou o espanador em um troféu e riu, ele estava claramente reprimindo uma pergunta.
— Desembucha, J. Eu acho que sei o que você quer perguntar. — ela insistiu e não ficou surpresa quando James simplesmente largou o troféu que limpava e a encarou. Apesar de achar que sabia exatamente o que ele iria perguntar, ela não fazia ideia de que James estava se sentindo um pouquinho incomodado com a amizade da garota e do capitão de quadribol.
— Você falou sobre mim? — desconversou fazendo-a gargalhar. Ao finalmente conversar com Ryan em sua pequena aventura com o vira-tempo, havia apostado dez galeões com o garoto que James ficaria louco ao saber que ela havia mencionado o nome dele para o capitão do time.

22 de dezembro, 1974.
— É sério, se ela gosta dele então está enviando sinais bem difíceis de entender. — Hestia reclamou, apesar de não ter intenção de ofender a amiga.
— Claro que não! Desde quando ser amiga de outros meninos é uma mensagem para se afastar? — Teo retrucou, aquele argumento foi o suficiente para Jones.
— O que vocês duas estão falando? — perguntou, não conseguindo acompanhar o assunto.
As três estavam na cabine do expresso Hogwarts, o trem estava próximo à estação King's Cross, Teo e Hestia não tinham muito em comum além do interesse pela vida amorosa de .
— Hestia acha que você está mandando os sinais errados pro Sirius sendo amiga de outros rapazes. — a sonserina explicou — Quer dizer, nós sabemos que James e você são amigos, mas as pessoas estão comentando quando te veem com o King.
— Podemos não falar disso hoje? Eles são meus amigos e ponto. Sirius provavelmente se afastou porque, assim como eu, sabe que a Marlene gosta dele. Não estou enviando sinais de "quero ser sua namorada", apenas sinais de "gosto da sua amizade, porque não voltamos a ser como antes?", entenderam?
— Mas é claro que ele tá afim da Marlene, deve ser a razão pra não conseguir não te olhar toda vez que você chega. — Hestia disse debochada, fazendo Teo rir.
— Ou o motivo pra ele sempre estar de mau humor quando ela fala com o James. — a sonserina adicionou, fazendo Hestia rir junto.
revirou os olhos, mas não deixou de sorrir para as amigas. Adorava vê-las felizes daquele jeito. Ainda mais Teodora, por mais que a sonserina tentasse esconder, sabia que ela estava com problemas.
O som do trem parando interrompeu a risada das outras duas, fechou o livro e pegou sua bolsa.
— Já que o assunto está encerrado, me abracem que talvez eu envie presentes no natal. — disse e acabou num abraço triplo. — Credo, não tem como abraçar assim, os peitos da Hestia estão atrapalhando.
— Acostume-se, amiga. Minha mãe falou que a puberdade me deu esses presentinhos. — ela apontou para os seios, um pouco maiores que das outras duas — E eu não pretendo me livrar deles.
— Ah, a puberdade. Mal posso esperar para que ela me atinja desse jeito. — resmungou — Até agora só ganhei essas malditas espinhas.
O trio deixou a cabine, minutos depois as outras duas se despediram de e foram de encontro às famílias. viu Ryan passar não muito longe dali e caminhou até ele, a mala de rodinhas fazendo barulho por onde passava.
— Dez galeões pelos seus pensamentos. — ela disse brincalhona e o garoto sorriu para ela.
— E se eu disser que estava procurando por você? — respondeu fazendo-a corar.
— Bom, então você fez bem porque realmente me deve dez galeões.
— Você tá blefando. Como vou saber que você ganhou a aposta?
— Bom, — ela olhou em volta e encontrou James, parado ao lado de seus pais. O garoto acenou para ela, fazendo os mais velhos reproduzirem o gesto e acenar de volta — se você olhar para trás, James está olhando pra cá descaradamente desde que eu disse que iria apresentar vocês. Mas eu disse que o faria após as férias, então você pode ficar tranquilo.
— Os testes são na primeira semana, ele me conheceria de qualquer maneira. — Ryan apontou e viu sorrir, como um diabinho — Oh, ok. Agora entendi porque vocês são amigos, você é ardilosa .
— Agradeço o elogio, espero meu pagamento até o fim do ano, o endereço que eu te dei é onde vou passar as festas de fim de ano. — ela avisou e viu Sirius passando sozinho, parando não muito longe de onde Celine estava a esperando. A mulher encarava com curiosidade o novo amigo da filha — Preciso ir, ainda vou me despedir de alguns amigos. — ela comentou e abraçou o garoto. Ryan beijou a bochecha dela, fazendo-a corar novamente — Até mais.
Ela se moveu tão sorrateiramente quanto o peso de suas malas permitiam, parando ao lado de Sirius e fingindo procurar por Celine, de costas para o lado da estação que Black observava, com a mente imaginando mil motivos para ela estar ali, e a indiferença estampada em seu rosto caso seus pais o vissem.
— Eu sei que seus pais não aprovariam nossa amizade e estar aqui pode te causar problemas. — ela sussurrou. Se alguém passasse perto dos dois não notariam que eles estavam conversando, já que estavam lado a lado e fingindo ignorar a presença um do outro — Só queria te desejar um feliz natal, mesmo que adiantado.
Antes que ele pudesse responder, Walburga entrou em seu campo de visão, e tão rápido quanto os passos da mulher até o filho, se afastou e foi de encontro a Celine.
⚡⚡⚡

2 de janeiro, 1975.
— Mãe, você pode doar essas roupas para mim? Algumas não servem mais. — pediu, saindo de dentro do closet com uma pilha de roupas, o que a impossibilitava de enxergar o chão onde estava pisando.
— Coloque numa caixa e eu vou enviar para a filha da minha amiga de trabalho. — Celine respondeu ao entrar no quarto. — Você vai ser uma grande estilista um dia, olhe só você, usando suas próprias criações.
A mais nova sorriu com orgulho, a comemoração do ano novo na França havia sido melhor do que imaginava. Seu tio pediu ajuda para criar novas peças durante o tempo em que ela esteve lá, e dois dias após voltar para casa, ele mandou as roupas como presente de Natal. Entre elas uma jaqueta masculina que não largaria por nada no mundo.
— Mãe, você pode me aconselhar com algo? — ela disse e largou as roupas em cima da cama. Buscando uma caixa de papelão em seguida.
Celine sentou na cama, ao lado da confusão de panos que a filha havia arrumado.
— Você sabe que é meu dever como mãe, né? Não precisa pedir por conselhos, eles são de graça e virão sempre de alguém que quer o seu bem. — Celine explicou e assentiu — Então diga, o que vem tirando seu sono?
— É sobre o Hugo. — ela começou — Não me sinto bem mentindo toda vez que ele me pergunta sobre a escola. Ele é como um irmão e eu odeio mentir para as pessoas com quem me importo.
— Eu não sei se isso é uma boa ideia, mas se você confia nele então deveria arriscar. Contando ou não, você tem a mim e eu farei de tudo para não deixar ninguém machucá-la.
— Obrigada, mãe. — se jogou em cima da mulher, a apertando num abraço.
Sorrindo, Celine acariciou os cabelos da filha e a jogou para o lado, levantando em seguida.
— Eu sou uma ótima mãe, não é? — se gabou em tom de brincadeira — Lembre-se de me trazer doces quando terminar o ano letivo, eu estou apaixonada naqueles sapos de chocolate.
sorriu e se levantou, indo até a mala. De lá, tirou uma pequena sacola da Dedos de Mel e jogou para Celine.
— Eu que sou uma ótima filha. — retrucou sorrindo.
[...]

entrou na casa ao lado, sentindo um cheiro maravilhoso vindo da cozinha, para onde ela seguiu de imediato.
— Caramba, Mel. Você precisa fazer esses biscoitos para a minha viagem de volta à escola. — suspirou, o cheirinho de chocolate deixando-a maravilhada.
— Eu estava esperando você, . Hugo está saindo do chuveiro. — Melanie tirou uma bandeja de cookies do forno enquanto se sentava no balcão da cozinha — Experimente esse, é de chocolate e menta.
assoprou o biscoito que lhe foi oferecido antes de dar uma boa mordida. O chocolate derretendo em sua língua fez a menina fechar os olhos, extasiada com o novo sabor. Mel sorriu, empurrando um prato cheio na direção dela e voltou a falar.
— Como foram as férias na casa do seu tio? Você está maravilhosa.
— Obrigada, Mel. Foi incrível, nós precisamos organizar uma viagem a Paris juntos, tio Yves está morando em uma mansão e adoraria ter vocês lá.
— Seria ótimo, querida. Seu tio é muito simpático. — ela falou.
— Ei, ! — Hugo chamou enquanto descia as escadas e a garota levantou da cadeira.
— Eu trouxe algo para você, chegou hoje. Vamos lá em casa olhar? — Hugo assentiu animado e olhou para a mãe, esperando permissão.
— Levem os biscoitos. — Melanie apontou para o prato — Não demore, você tem dentista no fim da tarde!
— Não se preocupe, Mel. Ele estará de volta antes das cinco.
Hugo e ela correram porta a fora e logo em seguida entraram na casa da menina. empurrou um prato de biscoitos para Celine, pedindo que a mulher não comesse tudo. A mais velha sorriu e acenou para Hugo, que acenou de volta e continuou a corrida atrás de , a menina parecia estar em uma maratona.
Ela entrou no quarto e empurrou o amigo para que ele sentasse na cama. O garoto pegou uma revista adolescente jogada em cima da cama e já iria folhear, até ver fechando a porta e abrindo o closet.
Esconder a magia de Hugo estava ficando cada vez mais difícil, era horrível ter que inventar uma desculpa toda vez que ele perguntava se poderia visitá-la na escola e quais matérias ela cursava. estava dando o máximo de si para aprender algumas informações sobre tecnologia e assim poder soltar comentários que ela julgava super interessantes perto dele. Mas no fundo de seu coração, ela sabia que Hugo era digno de confiança.
, você está bem? — ele perguntou gentilmente, ao notar que a amiga estava enrolando o dedo em uma mecha de cabelo. Ele se levantou e segurou as mãos dela. suspirou, ela poderia confiar sua vida a ele.
— Eu tenho algo pra te contar. Conversei com minha mãe, disse a ela que eu poderia confiar meu segredo a você e preciso que você confirme que posso fazer isso.
— Maninha, não há nada que você me diga que me faça fugir. — Hugo sorriu e abraçou a mais nova. o apertou no abraço e segundos depois o soltou, os olhos marejados — Agora me diz aí, o que você precisa contar.
— Será melhor se eu te mostrar, eu acho. — ela disse a ele e mexeu na mala. Ela tirou o Profeta Diário de dentro e escondeu o jornal — Prometa que não vai gritar ou me achar uma esquisita.
— Me dê o papel, . — ele revirou os olhos e ela entregou a ele — Espero que você não esteja jogando RPG novamente.
Hugo lê as manchetes achando confusas e criativas. claramente estava jogando RPG novamente, mas insistia que ele continuasse folheando as páginas. O menino parou subitamente, vendo uma das imagens se mover. Ele esfregou os olhos, acreditando que sua mente estava lhe pregando uma peça.
— Você consegue ver também? — ele sussurrou para e ela assentiu — Como isso é possível? As imagens estão se movendo e tem um monte de coisas que parecem ter saído de um livro de fantasia.
— Hugo, eu sei que não tem um jeito certo de dizer isso e eu levei um bom tempo ma...
, apenas me conte. — ele interrompeu, ainda sem tirar os olhos do jornal.
— Sou uma bruxa. — ela quase gritou e Hugo abriu a boca em um “o” — Não estou em escola preparatória nenhuma, nada de ciência e tecnologia, eu nem gosto dessas coisas.
, essa é a coisa mais emocionante que você me contou em anos. Você jura que não está mentindo? — perguntou e ela sorriu, alegre em ser aceita pelo melhor amigo.
— Eu juro.
— Oh, Deus, você tem que me mostrar. Consegue explodir coisas? Eu tenho um monte de troféus lá em casa, vamos botar fogo em tudo! — Hugo sugeriu animado e a garota riu.
— Foi mal, maninho. Não posso usar magia fora da escola. — ela avisou e ele logo pareceu desanimado — Mas eu trouxe feijõezinhos de todos os sabores, um lembrol e um tabuleiro de xadrez bruxo.
Ignorando que não fazia ideia do que era um lembrol, Hugo tentou imaginar o que havia de diferente num tabuleiro de xadrez.
— Xadrez bruxo? Não é só xadrez?
— É melhor você remarcar o dentista para amanhã, algo me diz que essa tarde vai ser longa.
⚡⚡⚡

— Pai, o que devo fazer para chamar a atenção de uma garota?
Fleamont encarou Sirius como se ele tivesse duas cabeças. O menino havia fugido de casa após o feriado de natal, e estava com eles há quase uma semana. Dois dias atrás, quando foram visitar o vilarejo trouxa mais próximo, o garoto estava rodeado de meninas! Ele já não chamava atenção demais?
— Você acha que está tendo dificuldade com garotas? — perguntou curioso.
— Não todas, só uma.
Ah sim, agora tudo fazia sentido. E saber que Sirius estava se esforçando para ter a atenção de alguém o deixava ainda mais animado. Ele não era cego, ambos os filhos eram bonitos e muito carismáticos, era um prato cheio para as meninas de Hogwarts. Exceto Lily Evans, e agora a tal menina.
— Ah, essa deve ser especial, hein? — o homem sugeriu e Sirius assentiu rapidamente — Bom, você já tentou ser gentil com ela?
— Hum, nós não estamos nos falando como antes…
— Antes?
— Sim, quero dizer. Uma professora me pediu para ajudá-la com as aulas de Astronomia. — Sirius disse rápido, as bochechas ficando vermelhas de vergonha enquanto Fleamont o encarava com um sorriso orgulhoso — Todo mundo sabe que eu sou bom nessa matéria, não é grande coisa. — reclamou.
— Eu não disse nada. — Fleamont riu junto ao filho. — Continua sua história, vai.
— Bom, no começo ela não queria que outras pessoas soubessem das aulas, para não terem uma ideia errada sobre nós. Você sabe como tudo vira fofoca em Hogwarts.
— Nem mesmo um resfriado se espalha tão rápido naquele lugar. — o mais velho riu.
— E eu acho que ela gosta de outra pessoa — James, ele pensou mas não disse em voz alta. Era ridículo imaginar os dois juntos, mas ele continuava lembrando das palavras de Marlene em Hogsmeade. — Não tivemos uma conversa decente sobre o beijo e...
— Espera, vocês se beijaram? — o homem interrompeu, vendo Sirius assentir.
Fleamont estava animado e orgulhoso por estar tendo aquela conversa com Sirius. Não fazia muito tempo desde que o garoto fugiu de casa pela primeira vez para passar um feriado com eles, mesmo que isso causasse problemas a ele quando voltasse para casa. Se é que poderia chamar aquilo de casa, pelo pouco que o menino contava parecia viver em uma prisão, e dois dias fora definitivamente era nada diante de uma semana na casa dos Black. Desde que James explicou a relação de Sirius com a família, Fleamont e sua esposa ficavam preocupados toda vez que ele ia embora. O mais velho e a esposa fizeram ainda mais questão de tratá-lo como um filho.
Apesar de ter James, era bom ter aquela conversa de pai para filho com Sirius, até porque James sempre ia até a mãe para aquele tipo de conversa. Sirius sempre teve uma boa lábia e sabia lidar com garotas, ele sabia exatamente o que o garoto estava passando porque já foi um adolescente apaixonado também, e estava óbvio que seu filho estava finalmente tendo sua primeira paixonite.
Sirius não queria falar com Euphemia, ela provavelmente ficaria muito animada e James acabaria sabendo de algo. Além disso, Fleamont era um ótimo conselheiro.
— E ela não está falando com você, certo? — Ouvir aquelas questões em voz alta faziam Sirius pensar que talvez não houvesse solução. — Ela é do tipo popular ou tímida?
— Ela era um pouco tímida no início, mas agora tem bons amigos, como a Hestia e os garotos.
— Ela é amiga do James e dos outros meninos, então. — Fleamont sorriu lembrando de James ter mencionado uma garota, além de Lily. E ele só lembrava porque ficou surpreso em ver o filho acenando para outra garota que não fosse a ruiva que ele perseguiu por anos. — Olha, meninas na sua idade podem ser um pé no saco, você tem que fazer o que faz de melhor.
— Pegadinhas?
— Flertar.
— Mas e se ela gostar de outro?
— Então ela vai te dizer. Assim como a Lily diz pro James.
— Evans é sempre malvada com o James, eu não sei se quero que a me odeie.
— Eu não acredito que isso vá acontecer, pelo que você me disse ela parece ser uma boa garota. — Fleamont tentou confortar o filho — E se você tem suspeitas de que ela goste de outra pessoa, porque não seguir em frente? James disse que tem uma tal de Marlene que gosta de você, certo? Dê uma chance a ela enquanto nada se resolve.
Sirius assentiu, pensando que talvez aquilo chamasse atenção de . Não era exatamente o que Fleamont havia aconselhado, mas foi o que ele entendeu e assim seria.
— Obrigado pela conversa, isso foi esclarecedor.

15 de janeiro, 1975.
— Cadê a ? Ela disse que iria me ajudar com os cartazes. — Hestia perguntou, Sirius parou o que estava fazendo ao ouvir o nome de . Ele estava decidido a falar com ela, e por esse motivo estava tão empenhado naquela festa. Ele queria ter certeza de que e James estavam tendo algo e nada melhor do que álcool no sangue para fazer as pessoas dizerem coisas que não diriam se estivessem sóbrias, por isso ele conseguiu uma garrafa de whisky de fogo, que usaria para batizar o ponche feito por Hestia. Veritaserum também era uma boa tática, mas ele não era bom com poções e o uso dela poderia causar problemas demais.
— Foi ao campo, os resultados do time saem no fim da tarde e ela disse que volta mais tarde com o James, vai ficar enrolando-o até alguém avisar que está tudo pronto pra festa. — Remus explicou.
— E se o James não passar? Estamos organizando uma festa surpresa sem saber se ele passou? — a garota perguntou novamente, desta vez até mesmo Teodora, que estava sentada no sofá e ignorando os olhares de outros estudantes da Grifinória, se interessou pela conversa.
— Ele passou. King deu a notícia pra ontem e ela deu a ideia da festa. — Remus disse e olhou para Teodora, que continuava apenas observando tudo — Flint, você se importa de ajudar a Hestia com os cartazes?
Jones olhou para a amiga, fazendo a melhor expressão de pobre coitada que conseguia, porém Teodora não se deixava enganar tão fácil.
— Não vou ajudar a organizar uma festa pro Potter. — ela disse e viu uma cabeleira ruiva não muito longe — Ei, Evans! — Lily parou de falar e virou-se, olhando para as cores na gravata da garota. Nunca havia tido uma conversa sequer com a sonserina até aquele momento — Vem ajudar na festa do seu namorado.
Algumas pessoas riram baixo, inclusive Hestia e os marotos, as bochechas de Lily ficaram vermelhas e ela se despediu das meninas com quem conversava, se aproximando em seguida para ajudar. Remus e Sirius trocaram olhares, assim como Teodora e Hestia, todos surpresos por Lily não parecer tão incomodada com o que foi dito por Teo.
[...]

— Tudo bem, gente. Aqui estão os resultados — Ryan disse e todos se espremeram perto do quadro onde ele pendurou o pedaço de pergaminho com os nomes dos novos membros do time. e James estavam esperando os outros irem na frente, Potter estava nervoso e não tinha coragem de se aproximar do quadro. queria rir do amigo, mas sabia o quanto entrar no time era importante para ele. King havia lhe contado o resultado dos testes na noite anterior, dando a ela a ideia de reunir os amigos e planejar uma festa surpresa para James. A agonia do garoto teve fim quando um dos alunos o parabenizou pela conquista, mas nem assim James acreditava. empurrou o amigo até o quadro.
Assim que James sorriu, ela pulou em comemoração e abraçou o amigo. Ela não estava no time, mas estava tão feliz pelo amigo que começou a pular e gritar, Potter tirou-a do chão por alguns segundos, pulando com a amiga no colo. Quando parou, ele olhou confuso para a amiga.
— Espera, mas e você? Seu nome não estava na lista. — James perguntou chateado, para ele deveria estar no time também, ela havia ido muito bem no teste. A garota deu de ombros.
— Eu posso tentar de novo ano que vem, relaxa. — ela disse e ele tentou encontrar ao menos um traço de tristeza no rosto da amiga, mas não achou nada. — Agora vamos comemorar! Eu estou tão orgulhosa, J. Você será um excelente apanhador.
James sorriu de volta e estava prestes a arrastá-la até a sala comunal, para dar a notícia aos amigos, no entanto a aproximação repentina de R.J King chamou sua atenção.
— Bem-vindo ao time Potter. — o capitão falou e James deu um pequeno sorriso, notando que Ryan não tirou os olhos de , podemos conversar?
Ela assentiu sorrindo e Ryan olhou discretamente para James, que ainda estava presente.
— Ah, você quis dizer só nós dois? — perguntou e ele assentiu, ainda sorrindo. James observou os dois, não gostando muito do que estava vendo — Ok, me dê um minuto.
Ela olhou para James enquanto Ryan esperava não muito longe dali. Já estava quase anoitecendo e ela tinha certeza de que a sala comunal estava pronta para receber James. Era para ser apenas uma pequena reunião, mas Sirius havia dito que conseguiria contrabandear cerveja amanteigada para dentro do castelo, então ela tinha certeza de que seria uma noite inesquecível para todos.
— Te vejo depois?
James olhou desconfiado mais uma vez sobre os ombros da amiga, encarando King.
— Tem certeza que não quer ir comigo? Ou se quiser, eu te espero falar com o King e depois nós vamos. — ele insistiu fazendo-a rir.
— Vá contar a notícia aos seus amigos, Potter. Eu prometo que volto para comemorar sua vitória.
Mesmo a contragosto, James assentiu e foi direto para a sala comunal. Ryan se aproximou novamente e sorriu para ela.
— Eu queria ter certeza de que não ficou chateada por causa do resultado. Você foi brilhante no teste e eu adoraria tê-la jogando conosco. — ele elogiou.
— Ryan, nós somos amigos. Não é por isso que você precisa se achar na obrigação de me colocar no time, eu não estou chateada — ela sorriu e deu um leve tapa no ombro dele, que sorriu aliviado — Além do mais, eu fiz o teste por diversão e até mesmo para dar apoio ao James.
— Obrigado por entender. — ele tocou a mão de , que prontamente aceitou o contato inesperado. — O que acha de comer algo na cozinha? Os elfos preparam um chocolate quente delicioso. — ele sugeriu e assentiu, agradecendo mentalmente. A imagem de um elfo preparando chocolate quente para ela tomou conta de sua mente, fazendo-a franzir o cenho.
— Os elfos são pagos para trabalhar na cozinha?
— Não que eu saiba — ele respondeu e por um minuto achou que a garota estava com raiva. — Tá tudo bem?
— Vamos até a cozinha, King. Eu vou dar fim a esse trabalho escravo.




Continua...



Nota da autora: Voltei com os refrescos! Tem muita coisa vindo e eu estou ansiosa demais. O que vai rolar nessa festa? Vocês saberão no próximo capítulo!

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    Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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