The Best Days of Our Lives

Última atualização: 06/10/2021

Capítulo 1

"E de repente a vida te vira do avesso e você descobre que o avesso é o seu lado certo"

30 de março de 2023 ― 7h15.

O despertador começou a tocar com a melodia que eu mais odeio. Obviamente não colocaria nenhuma música boa, porque, com certeza, eu passaria a odiá-la no momento que começasse a me acordar pela manhã.
Hoje é um dia importante, o começo de uma nova fase, um novo emprego, um novo desafio para o qual eu estou me sentindo pronta. Vou levantar, ir para a academia, tomar meu banho, colocar a roupa que escolhi ontem à noite e ir para o meu novo trabalho.

― Você não vai acordar, não? ― Fabi abre a porta do meu quarto pulando, aos gritos, toda empolgada para o nosso dia começar. Minha amiga não dividia mais apenas o apartamento comigo agora, mas também voltada a ser minha dupla do trabalho. A gente amava trabalhar juntas, mas fomos separadas quando ela decidiu se arriscar em uma nova empresa. Finalmente ela havia me convencido a ir trabalhar com ela com a oferta de um cargo de coordenação. A oportunidade era incrível, assim como o salário.
― Já estou indo, estou tomando corag… ― Ela nem me deixou terminar a frase e puxou a coberta, me arrancando da cama. Folgada como sempre.
― Você precisa lavar esse rosto, coloca aquela roupa da academia que eu amo e vamos! Você tem apenas cinco minutos! ― Folgada como sempre.

Desde que eu havia ficado solteira há alguns meses, Fabi me animava a sair, me arrumar e principalmente me jogar nas oportunidades da vida. Isso incluía nos mudarmos para morarmos juntas e dividirmos as despesas e sair com caras idiotas do Tinder.
Me arrumei rapidamente e coloquei o top pink com o shorts-saia ao qual ela se referia. Lavei o rosto e fomos para a academia do prédio com o funk pulando pelos meus fones - só isso me dava forças para malhar essa hora do dia. O celular já vibrava freneticamente com as mensagens do grupo "BAE", um grupo de três amigas reunidas pela paixão pela Fórmula 1 que viraram uma família. Desde que nos conhecemos, há dois anos, nunca ficamos sem conversar um dia sequer. Todos os dias pela manhã elas acordavam dando bom dia e logo um assunto +18 surgia no meio do caminho. A pauta do dia era uma foto do meu piloto preferido Charles Leclerc, que estava marcando todo seu volume nas calças.
Mensagens dizendo que provavelmente ele estava deixando mais a mostra propositalmente porque acabara de terminar o relacionamento com a Charlotte ou teorias de estar usando enchimento, fizeram o treino de uma hora que Fabi me obrigou a fazer passar bem rápido.
Subi de escada os dois andares do prédio até o apartamento dos meus pais que ficavam em frente ao nosso para dar um beijo e ouvir os conselhos da minha mãe para o primeiro dia de trabalho. Depois de uma xícara de café obrigatório de todas as manhãs, fui tomar o meu banho e me arrumar.
O vestido rodado cinza com cinto marcando a cintura, o blazer azul marinho e o all star branco de plataforma eram minha roupa da sorte. Passei uma maquiagem bem leve no rosto, composta apenas por um corretivo, blush e rímel e penteei o cabelo. O perfume "Good Girl" no pescoço e nos pulsos me traziam muitas memórias e me fizeram parar por um momento em frente ao espelho e pensar como minha vida tinha mudado desde o ano passado. O nó na garganta começou a ficar maior e as lágrimas começaram a escorrer pelos olhos. Evoluir e mudar pode ser extremamente doloroso às vezes, mas requerem coragem e é com isso que eu tenho trabalho, coragem!

― Amiga, vamos, não quero chegar atrasada e ainda tenho que te mostrar todo o prédio novo, te levar no RH, apresentar pro time, fazer sua imersão… ― Será que algum dia ela vai aprender a bater na porta? Me perguntei enquanto saía puxada porta afora. ― Você estava chorando?
― Não, amiga, estava apenas viajando nos pensamentos e em tudo o que aconteceu e mudou nesse último ano, principalmente nesses últimos meses. ― Expliquei.
― Ok, eu tenho algo para você hoje que vai te deixar super animada, então pode secar essas lágrimas, tá bom? ― Ela deu um sorriso malicioso e eu tinha certeza que ela estava aprontando algo, mas tive até medo de perguntar. Só podia ser mais um encontro com algum idiota que ela tinha me arrumado.

O escritório era incrivelmente perto da nossa casa e fomos andando tranquilamente, com a Fabi me contando sobre um encontro que teve na noite passada. Essa menina se enfiava em cada enrascada que eu tenho certeza que até o anjo da guarda dela rezava pra Deus ajudar.
O prédio era lindo, imponente, típico de uma empresa daquele porte. Ao subirmos até o 15º andar e sair do elevador dei de cara com uma enorme porta de vidro com estrela no meio e em letras garrafais "HEINEKEN BRASIL". Meu corpo sentiu um arrepio e uma enorme onda de calor tomarem conta de cada membro me fazendo sentir que estava viva e pronta para me jogar de cabeça nessa oportunidade.

― Zeca, essa é a , ela é a sua nova chefe, a mais legal que você terá ― Fabi me apresentou para um menino que seria do meu time.
― Oi boss, bem-vinda! Conte comigo para tudo. ― O jovem se prontificou todo simpático dando um beijo na minha bochecha e um abraço caloroso.
― Obrigada! E cadê o restante do pessoal? ― Perguntei olhando para todas as cadeiras vazias.
― Bem, eu estava esperando vocês chegarem. Temos uma reunião importante sobre o projeto… ― Fabi interrompeu o menino que nos olhou confuso.
― Não, Zequinha! Querido, deixa que desse projeto eu mesma vou falar com a ― Ela sorriu pra mim e deixou eu e o pobre menino ainda mais confusos.

Fabi me mostrou meu novo lugar na grande mesa com notebook, meu crachá e um kit de boas-vindas que continha, além de cadernos, canetas e mochila, todo o portfólio de bebidas da companhia. Em seguida me levou até uma sala de reunião, onde nós duas estávamos sozinhas. Ela me olhava com seriedade. Sentou na minha frente e nesse momento minha barriga já tinha um exército de borboletas gritando de ansiedade.

― Amiga, o que está acontecendo? Que projeto é esse que o Zeca falou? ― Perguntei apressando a menina que parecia que não falaria nada tão cedo.
, quando eu tive que contratar uma pessoa para ser minha dupla e me ajudar a coordenar a área de Relações Públicas, tinha um motivo. Estamos assumindo novos projetos, muitas demandas estão chegando e o time do marketing está enlouquecido trazendo novas ideias. Esse momento pós pandêmico é importante para a empresa ― Ela começou a tagarelar e colocou um calhamaço de papel na mesa.
― Sim, eu imagino, amiga, mas isso seria um problema? Não estou entendendo muito bem o tom que você está usando. Estou preocupada, Fabi ― Eu falava enquanto tentava ler o que tinha no montante de papel que ela mantinha a mão na frente.
― Deixa eu terminar, por favor. Eu preciso que você preste MUITA atenção no que vou te falar ― O tom só ficava mais sério, mas eu assenti com a cabeça para ela continuar falando ― Esse projeto em especial que vai começar será seu. Eu tenho certeza que você é a pessoa certa para isso, mas você é quem vai me dizer se acha que está pronta. Ele é grande e importante, vai durar alguns meses, provavelmente o ano todo e terá muitas etapas ― Ela finalmente tirou as mãos e me entregou o que parecia ser um contrato.

A primeira coisa que vi foi o logo "F1" logo no cabeçalho. Em uma rápida batida de olho percebi do que se tratava. O patrocínio e preparação para o GP do Brasil. Meu olho encheu de lágrimas na hora e eu olhei para ela em uma mistura de busca por comprovação se era o que eu estava pensando, alegria, medo e emoção.

, você está pronta para trabalhar com a Fórmula 1? ― Ela me perguntou com o maior sorriso no rosto. Ela sabia o quanto aquilo significava a chance da minha vida e o quanto me faria feliz.

O pico de adrenalina no meu coração foi tão forte que mal me lembro da minha reação, mas tenho quase certeza que pulei no pescoço dela em um abraço apertado. Eu estava pronta!



Capítulo 2

"Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?"

A primeira coisa que fiz depois de ler todo o contrato e discutir alguns detalhes com a minha amiga, foi ligar para as BAEs, era assim que nos chamávamos por conta do nome do grupo e da tatuagem que fizemos juntas: "BAE" no pulso. Um apelido carinhoso que dois dos nossos pilotos usam e significa "Before Anything Else" e nada nos representa tão bem. Mesmo com a distância por cada uma morar em um lugar do Brasil, somos mais próximas, íntimas e conectadas do que as amizades das nossas próprias cidades.

― "Chamada de vídeo urgente" ― digitei no Whatsapp e todas me responderam na mesma hora, nos conectando instantâneamente. Essa é uma das coisas que mais adoro nelas, sempre que precisamos, estamos lá umas pelas outras.

― GENTE, EU VOU TRABALHAR COM A FÓRMULA 1!!!!!!!!!!! ― Dei um grito para o celular e logo em seguida coloquei a mão em frente a boca, percebendo que chamei a atenção de algumas pessoas que passavam por perto.
― COMO ASSIM? CONTA TUDO ― já quis saber todos os detalhes.
Levei alguns minutos para me acalmar e acalmar as duas que estavam tendo um surto coletivo. Expliquei o que tinha entendido até o momento do trabalho e elas ficaram super felizes, já contando com a possibilidade de conhecerem algum piloto.

O dia passou rápido, conheci quase todas as áreas da empresa, o meu time que era composto por mim, Fabi, Zeca e mais três pessoas. Todos foram muito acolhedores. O momento mais tenso do dia foi conhecer o vice-presidente Diego, mas me mantive calma e consegui ter uma conversa amigável típica do primeiro dia de trabalho. Todos que me conheciam ressaltavam a importância do projeto com a Fórmula 1. Era um grande investimento e nós éramos os patrocinadores master do GP do Brasil, além de ter uma presença global da marca na principal categoria do automobilismo.

― Precisamos dar grande visibilidade para esse patrocínio, espero que você aproveite todos os benefícios que conseguimos deles. São alguns milhões investidos. E claro, espero que você se divirta também, já sabemos que temos uma fã de Fórmula 1 na equipe ― Foi o discurso de Diego ao falar sobre o tema.
― Claro, vocês podem contar comigo, vamos fazer esse trabalho ser incrível. E claro, só de pensar já estou me divertindo, vou aproveitar cada minuto ― Aproveitei para reforçar o quanto eu amava o esporte.

Após um dia de trabalho, a minha cabeça já fervilhava de ideias, trabalhar com o que eu mais gostava não só me deixava feliz, como muito inspirada também. Cheguei em casa e após um banho bem quente e demorado, como eu amava, e de preparar um wrap de frango, deitei na cama e liguei o notebook. Em uma semana teríamos uma reunião com a alta liderança e eu já teria que levar algumas ideias para amplificar o patrocínio.

― Amiga, tô indo no Galleria Bar, tá afim de ir? Vou encontrar um pessoal legal lá ― Fabi entra no meu quarto sem bater na porta, ao melhor estilo Fabi de ser.
― Mas hoje não é segunda-feira? Você vai sair mesmo? ― Perguntei um pouco indignada. Ela tinha um estilo livre de viver a vida, mas eu precisava tentar colocar um pouco de juízo naquela cabeça.
― Sim, segunda-feira e a gente tem que viver a vida todos os dias, não só aos fins de semana ― Ela piscou na minha direção.

Bufei e revirei os olhos, expulsando ela do meu quarto. Não adiantava, estava para nascer quem domaria aquele coraçãozinho.
Pelo menos pude pegar meu jantar e começar uma apresentação cheia de ideias para o meu PF1 (Projeto Fórmula 1). Ainda não sabia o que seria aprovado, mas queria levar o maior número de possibilidades para os meus chefes. Também confesso que para algumas ideias, me inspirei nas minhas amigas, que iriam pirar se tudo aquilo realmente acontecesse.
A semana passou rapidamente com alguns outros trabalhos precisando da minha atenção, o que dividiu o meu tempo entre preparar uma apresentação incrível para impressionar a chefia e aprovações, divulgações e muitos temas bombardeando a minha caixa de entrada.
Quando o dia finalmente chegou, eu já tinha revisado algumas vezes e ensaiado a apresentação, estava torcendo para tudo dar certo.
Entrei na sala, projetei o meu notebook na grande TV e assim que toda a diretoria estava acomodada em seus devidos lugares, comecei a apresentação do meu planejamento.

― Bom dia, pessoal. Bom, eu tenho uma ligação muito pessoal com a Fórmula 1 e me sinto realmente inspirada ao ter a oportunidade de trabalhar com esse esporte. Pensando nesse lado mais emocional do que o automobilismo pode significar na vida de algumas pessoas, preparei uma série de ideias que podem nos ajudar a, não só amplificar o patrocínio, como gerar um vínculo com nossos consumidores e criar uma conexão real com o público do evento. Algo genuíno.

A apresentação fluiu perfeitamente e consegui enxergar alguns olhares positivos, ainda que fosse difícil desvendar o que todas aquelas cabecinhas estavam pensando. Quando terminei, aplausos tomaram a sala e eu me senti aliviada.

, acredito que pelo seu envolvimento, você seja a melhor pessoa para nos dizer se uma ação desse porte impactaria positivamente nossos clientes. Teremos alguns benefícios previamente acordados como um tempo disponível dos pilotos, então acredito que a sua big idea funcione. Por favor, levante os custos e mande para o meu e-mail amanhã. Temos muito trabalho a fazer já que essa é a primeira vez que faremos uma ação assim ― pediu gentilmente  o diretor geral da área de comunicação da Heineken Brasil.

Aquela noite foi mergulhada em uma tabela de excel com orçamentos e prévia de custos, levantamentos e exigências que precisaríamos fazer para a organização da Fórmula 1. Na manhã seguinte tudo estava no e-mail do meu diretor para aprovação. Eu precisava ter as validações o mais rápido possível para começar uma busca de fornecedores e uma série de contatos burocráticos que seriam necessários.
A aprovação foi mais rápida do que eu imaginei. Claro que meus chefes pediram alguns ajustes, mas acabaram facilitando meu trabalho.
Apesar da ansiedade, evitei contar qualquer coisa para as BAEs, porque eu queria fazer uma grande surpresa.
As semanas seguintes foram corridas, cheias de reuniões, briefings, contratações de agências e serviços terceirizados, além de fechamento de contratos. Sem dúvida nenhuma, a pior parte foi o contato com a organização da Fórmula 1, pois necessitava de muitas pessoas envolvidas em intermináveis trocas de e-mails.
Aproveitei algumas informações que tinha em primeira mão como os hotéis dos pilotos e fiz as reservas para as minhas amigas se hospedarem quando chegassem em SP durante o GP. Nos últimos dois anos elas vieram para cá e nós vivíamos fins de semanas inesquecíveis que sempre resultavam em vídeos emocionantes no Tik Tok e fotos dignas de Pinterest. Sempre tentávamos uma foto com algum piloto, mas todas as tentativas foram frustradas. Era realmente muito difícil encontrá-los e ter acesso a eles. Mas esse ano, a nossa sorte estava prestes a mudar.



Capítulo 3

"No regrets, only memories"

Os meses correram tão rápido quanto os pilotos na pista. Quanto mais o GP do Brasil se aproximava, mais certeza eu tinha de que ficaria completamente doida. A quantidade de trabalho era insana e a responsabilidade que estava nas minhas mãos era imensurável.
A venda de ingressos começou e as BAEs conseguiram garanti-los por sorte, pois ficava cada vez mais difícil comprá-los. A Fórmula 1 vinha ganhando força, principalmente entre o público jovem, e garantir a presença era uma disputa acirrada.
Quando o GP do México chegou, Lewis Hamilton ainda estava brigando pela liderança do campeonato com Max Verstappen, o que fazia eu e minhas amigas tremerem de raiva, já que torcíamos pelo Lewis. A cada corrida era uma disputa mais quente nas pistas, roda com roda, avançando, deixando de frear, com investidas rápidas, o que levava os torcedores à loucura.
No México, Hamilton levou a melhor e venceu a rodada. A Mercedes liderava o campeonato de construtores graças ao fracasso do segundo piloto da RBR, Sérgio Pérez, que não conseguia mesmo manter o ritmo. Norris, Lecrerc, Ricciardo, Carlos e Gasly vinham em seguida na classificação geral, deixando os nossos corações quentinhos de felicidade. A disputa estava muito boa naquele ano.
A semana seguinte traria todos os pilotos, engenheiros, equipes e fãs ao Brasil e eu já nem tinha mais um sistema nervoso funcionando. Era movida a pura ansiedade.
A nossa ação com consumidores estava rolando e era um sucesso, muitas pessoas participando e se inscrevendo.
Na segunda-feira entramos no Autódromo José Carlos Pace, ou mais conhecido como Autódromo de Interlagos, para começar a montagem do nosso espaço. Depois de ter trabalhado em alguns muitos eventos por lá, eu conhecia um pouco do ambiente e me sentia confortável de andar naquela pista, no Paddock e na área que tínhamos reservado para as nossas festas.
A ação com os consumidores da Heineken tinha uma dinâmica bem divertida. Na compra de um produto da marca, cada pessoa recebia uma pista, que levava a um lugar da sua cidade, onde a pessoa encontrava uma nova pista. As primeiras 50 pessoas que encontrassem todas as pistas, ganhariam um ingresso para quatro dias de festa que aconteceria após os compromissos de cada dia, como coletivas, treinos livres, classificatório e a própria corrida, no domingo e teria a presença de alguns pilotos. No domingo ainda rolaria um sorteio especial que daria um “passaporte” para o vencedor ir acompanhar a etapa final do campeonato em Abu Dhabi com tudo pago e acompanhante.
A adesão foi gigante e batemos a meta de vendas do ano em poucos meses, pois todos queriam uma dica e o direito de comparecer à festa. No entanto, o resultado só sairia na semana da corrida.
Na quarta-feira à noite, as BAEs desembarcaram no Aeroporto de Guarulhos e eu mandei uma van da empresa buscá-las e levá-las diretamente para o hotel que eu havia reservado. Esse ano em especial, a maior parte dos pilotos ficaria concentrada no mesmo hotel para facilitar o esquema de segurança e locomoção deles. Óbvio que eu dei um jeitinho de colocá-las no mesmo andar que todos ficariam, ter contatos às vezes pode ajudar.
No mesmo dia os pilotos chegavam em horários alternados e se dirigiam para o hotel para descansarem para a quinta-feira, o dia das coletivas. O dia que eu mais estava ansiosa. O dia que eu veria os primeiros pilotos passarem pelo nosso espaço e os brifaria para a ação da nossa marca.



Capítulo 4

"Where there is a flame someone's bound to get burned"

Ao chegar na recepção do Hilton, confesso que estava rezando para esbarrar em algum piloto. O que não foi o caso. Subi direto para o grande quarto das meninas que possuía uma sala central e dois ambientes com uma cama em cada um deles, assim, elas poderiam ficar juntas e fazer a nossa tradicional festa do pijama.
Na bolsa havia duas garrafas de gin, que garantiriam o nosso happy hour. 

― Toc toc, abre a porta, tem alguém aí? ― Bati na porta com toda minha força
― BAAAAAAAAAEEEEEEE!! ― As duas gritavam juntas e corriam para um abraço super apertado, do jeitinho que a gente gostava.
― Trouxe a bebida, vamos comemorar? ― Já estava prontinha pras comemorações.

e me puxaram para dentro do quarto, começando um grande sermão do porquê eu não tinha contado que elas ficariam no mesmo hotel dos pilotos, porque elas teriam vindo mais arrumadas e etc. Eu parei de prestar atenção no “teríamos vindo mais arrumadas”, porque aquelas mulheres já eram perfeitas. Se encontrassem os pilotos de moletom no corredor, com certeza encantariam todos eles.

― Bom, então vocês vão me matar quando eu disser que temos quatro dias de festas com pilotos né? ― Soltei a frase enquanto abria uma garrafa de bebida e procurava pelos copinhos. Quando olhei para trás incomodada com o silêncio, as duas me olhavam com os queixos no chão.
― QUE? ― Foi quase um coro bem ensaiado.
― A ação com a Heineken que eu organizei é uma festa com alguns pilotos. Não serão todos que comparecerão, eu ainda preciso confirmar amanhã quem vai disponibilizar suas preciosas horinhas para fazer alguns fãs felizes. Incluindo nós ― Fui explicando rápido antes que eu perdesse alguma delas para um mal súbito.

A noite se resumiu a atualizarmos as fofocas, beber e pensar na roupa que elas usariam para comparecer à primeira festa no dia seguinte.
Em torno das 3h da manhã, Fabi me ligou preocupada e me fazendo lembrar que eu precisava dormir, pois tinha longos dias de trabalho nos dias seguintes.
Voltei para casa e descansei até às 7h da manhã, sendo acordada por uma Fabi dramática me trazendo 8 mil tipos de problemas diferentes que já aconteciam na montagem do nosso espaço.
Tive tempo apenas de colocar uma calça preta, a camiseta oficial do evento com o “Staff” estampado atrás e meu tênis mais confortável da Adidas, escovar os dentes, preparar uma mochila com itens como maquiagem, perfume, uma roupa nova para a festa daquela noite e pegar meu café em uma garrafa térmica.
Chegando ao Autódromo percebi o caos que estava se instalando. Vários itens da decoração estavam faltando e eu precisava reunir o pessoal e começar a pensar em alternativas. Coloquei a mão na massa e comecei a ajudar na montagem do evento, instalando luzinhas de led, amarrando decorações, ajudando na preparação do bar e resolvendo os problemas que surgiam pela frente.
O dia passou tão rápido que eu mal percebi que já eram 15h e eu não tinha comido absolutamente nada, nem visto as coletivas que aconteciam praticamente embaixo do meu nariz.
Enquanto eu subia em uma escada para pendurar uma luzinha, senti uma cutucada na minha perna. Olhei pra baixo e quase rolei todos os degraus até o chão.

― Opa, cuidado! Você precisa de ajuda? Acho que você não está alcançando ― Meus dois olhos se arregalaram ao perceber que Daniel Ricciardo me oferecia ajuda para pendurar luzinhas, porque o meu 1,55m de altura não me permitia alcançar.
― Eeeer… não, obrigada! Está tudo certo ― Falei meio desajustada, descendo a escada e oscilando de roxa de vergonha para branca como um papel pela falta de comida.
― Tem certeza? Eu estou com tempo livre aqui, posso ajudar.
― Está tudo certo, já consegui colocar ali, mas obrigada! ― Agradeci ainda sem graça
― Tá certo então. Você sabe onde eu posso encontrar a ? Devia me encontrar com ela para receber o briefing da ação de hoje a noite.
― Você… você vai participar? ― Eu ainda não acreditava que um dos homens mais bonitos e concorridos do Paddock participaria da festa na qual eu e minhas quatro amigas estaríamos ― Eu sou a , muito prazer! Eu posso te passar o briefing? ― Tentei manter a minha postura profissional ainda que quase não saíssem palavras da minha boca.
― Ah! Então eu achei a pessoa certa. Muito prazer, eu sou o Daniel Ricciardo, piloto da Mclaren e estou à sua disposição. Alguns amigos estão chegando daqui a pouco, podemos esperar para passar tudo uma única vez? ― Ele fala oferecendo a mão para um cumprimento. Como se aquele homem precisasse de alguma apresentação.

As borboletas do meu estômago lutavam para se manter apenas no meu estômago, mas assim que estiquei o braço para cumprimentá-lo também a pressão disse adeus e eu cambaleei. Zeca surgiu ao meu lado imediatamente me ajudando a me manter em pé.

― Você está bem? O que aconteceu? ― Daniel me perguntava, mas eu já não conseguia responder, buscando forças para não desmaiar.
― Ela não comeu nada o dia todo, está fraca ― Zeca tratou de explicar me fazendo sentar em um pequeno caixote próximo a nós ― Você pode ficar com ela um minuto? Vou buscar um lanche e um suco ― Meu assistente era sempre prestativo e muito companheiro.
― Claro, vai lá, eu fico com ela ― Ele assentiu com a cabeça e me olhava preocupado, enquanto segurava minha mão para evitar que eu caísse de costas no chão ― Ei, a senhorita precisa tratar de comer.

Poucos minutos depois, Zeca estava de volta e ele e Daniel me ajudavam a comer, enquanto eu ia me recuperando aos poucos e já sentia meu corpo se reaquecer. Agradeci aos dois e me levantei garantindo que me sentia melhor. Na mesma hora o olhar de Daniel caiu no meu braço, diretamente para a tatuagem escrita “BAE” no pulso e o grande sorriso começou a se abrir.

― Você tem uma tatuagem escrita BAE?
― É… sim, eu e minhas amigas. Nós fizemos juntas porque nos conhecemos pela Fórmula 1 e hoje somos meio que inseparáveis e…
― Você gosta de Fórmula 1? ― Ele me perguntou incrédulo, o que é uma reação bem normal das pessoas quando digo que gosto do esporte.

Assenti com a cabeça afirmando e na mesma hora a Fabi apareceu do meu lado trazendo outros seis pilotos.

― Amiga, acho que esses moços querem falar com você. Acho que são os seus pilotos ― Fabi não gosta e não acompanha a Fórmula 1. Enquanto ela trazia simplesmente os principais pilotos da categoria para mim, ela enxergava apenas alguns rostinhos bonitos.
― Oi, prazer! ― Todos falaram em coro e eu quase senti meu corpo fraquejar mais uma vez.

Percebendo meu desespero palpável, Daniel se prontificou a me ajudar. ― Pessoal, essa é a , ela vai passar o briefing da ação que vamos fazer hoje. Ela é… é… Desculpa, o que você faz aqui mesmo? ― Ele perguntou sem graça.

― Eu sou coordenadora de relações públicas da Heineken Brasil, o patrocinador master do GP do Brasil ― fui falando rapidamente antes que a voz falhasse.

Na mesma hora avistei Diego se aproximar e parar ao meu lado.

― Ela é a responsável por toda essa ação. Pelas festas que vocês poderão curtir nos próximos dias. Ela é nosso braço direito ― E eu agradeci demais pelo reconhecimento vindo do meu chefe.
― É isso aí, ela é a dona da porra toda ― Fabi falou dando risada com a cara de espanto que eu olhava para todos.
― E ela tem uma tatuagem com o nosso apelido, olha Max ― Max Verstappen, apenas o homem que tem todo o meu amor e o meu ódio oscilando dia a dia, dá um passo pra frente, sorri pra mim, e passa a mão no meu pulso, por cima da tatuagem, me fazendo arrepiar inteirinha.
― E por acaso você gosta de Fórmula 1? ― Ele fala em um tom um tanto zombado.
―  Gosto sim e muito! ― Foi a primeira vez que minha voz saiu firme.
― E você vai assistir a corrida desse fim de semana? ― Charles Leclerc, o homem mais perfeito de todo o Paddock me pergunta com a voz doce e calma.
―  Er… na verdade eu vou estar aqui trabalhando, então talvez eu consiga ver por alguma TV.
―  Mas isso não é justo. A gente está aqui no Autódromo, você está ouvindo o barulho dos motores e não verá isso tudo de perto? ―  Ele me questiona, me fazendo ficar frustrada com a minha própria situação. Eu não tinha pensado nisso ainda.
―  Vamos dar um jeito nisso. ―  Lewis Hamilton se prontifica ―  Me passa seu nome completo, vou pedir para a minha equipe te arrumar uma credencial para ver tudo dos boxes. A propósito, para que equipe você torce? ―  Ele me pergunta, fazendo meu queixo cair na mesma hora.
―  Eu… eu torço para a Mercedes, para você… ―  Falo totalmente sem graça por conta da presença de todos os outros pilotos que estão na minha frente, mas também não posso mentir. A Mercedes sempre foi minha equipe preferida.
―  Não acredito… ―  Max bufa ao fundo fazendo com que todos olhem para ele.
―  E suas amigas da tatuagem? Onde estão? Vamos trazê-las também ―  Lewis me perguntou ignorando o mal humor de Max.

Comento que minhas amigas só possuem os ingressos para assistirem a corrida do Setor A e ele digita algumas coisas no celular, me pedindo alguns dados como nomes completos e número da identidade. Mandar uma mensagem pedindo o número das identidades delas nunca foi tão difícil. Eu e minha mania de querer fazer surpresa dificultam muito a minha vida. Mas no final inventei uma desculpa e tive acesso aos dados que ele precisava.

―  Bom, , eu tinha uma coisa pra você, mas acho que você não vai mais precisar, ainda mais agora que suas amigas também terão acesso aos boxes e tudo… ―  Diego tira uma credencial de livre acesso do bolso da calça e balança no ar. Por mais que eu já tivesse a credencial que Lewis me daria, a atitude do meu chefe foi incrível e eu me senti muito grata.

Pulei em seu pescoço, abraçando-o e agradecendo pela consideração e toda a oportunidade de fazer aquele projeto dar certo.
Nos momentos seguintes precisei passar todo o briefing da ação para os pilotos que prestavam atenção em tudo o que falava e faziam perguntas. Eles pareciam querer fazer algo incrível para os fãs e eu fiquei muito feliz com aquela atitude.
Ao final todos agradeceram e estavam voltando para a pista para uma caminhada de reconhecimento de pista, quando Max parou do meu lado.

―  E aí Mercedista, acho que você não entende tanto de Fórmula 1 assim, principalmente torcendo pelo Hamilton… ―  Ele me deu um sorriso malicioso e eu caprichei no meu olhar de desprezo para o piloto metido a sabichão que estava perto de mim.
―  Vamos fazer assim. Que tal ir assistir a corrida do meu box e depois podemos conversar para ver se você ainda torcerá para ele ―  Ele me propôs tal absurdo com a maior cara lavada.
―  Mas a minha torcida é do Hamilton e da Mercedes, você não pode querer mudar isso ―  Falei com toda minha voz de indignação.
―  Uma chance. Assista e depois conversamos ―  Ele insistiu fazendo um biquinho.

Sim, ele me convenceu com o irritante biquinho da cara de mimado do Max. Uma chance, o que pode acontecer?!



Capítulo 5

"Let's have some fun"

Uma segunda rodada de coletivas acontecia naquela tarde enquanto eu me desdobrava para deixar todo o espaço pronto.
Algum tempo depois minhas amigas chegaram totalmente produzidas. usava um vestido jeans justinho com botões, uma camiseta por baixo e um tênis branco, a maquiagem era clean, com as bochechas rosadas, o que só destacava os traços de boneca que tinha. estava com um vestido curto florido e bota de salto que ajudavam a ficar um pouco mais alta. Os cabelos lisos e o batom vermelho pareciam completar toda a beleza da carioca que exalava sensualidade.
Vê-las me deixou mais tranquila, apesar da minha aparência estar totalmente acabada perto delas. Consegui apenas alguns minutos para trocar a calça preta por um shorts jeans curto e jogar uma camisa por cima da camiseta de staff e garantir um look um tanto mais arrumado. Meu corretivo, blush e rímel de sempre e o perfume completavam o kit “ajude uma desesperada a se arrumar em dois minutos”.
A festa já começava a encher de convidados e os vencedores da ação chegavam ansiosos para encontrar pilotos em seus macacões. Assim como nós três, que só faltávamos roer todas as unhas na espera.
A música ecoava das pickups do DJ e ‘More Than You Know’ do Axwell começou a tocar quando os meus sete pilotos chegaram, trazendo com eles Valtteri Bottas, George Russell, Sebastian Vettel e Mick Schumacher.

―  , chegamos! ―  Daniel acenou pra mim após posarem para algumas fotos no backdrop do espaço VIP da Heineken, vindo em minha direção, seguido por todos os outros.
―  Daniel, oi! Obrigada por virem e disponibilizarem o tempo de vocês para essa ação. Essas são minhas amigas: e . Meninas, esses são… ―  Sim, eu parei de falar porque nenhum deles precisava ser apresentado.

Imediatamente os olhares deles procuravam pelas meninas que eu apresentava. Parecia que buscavam o próximo alvo. Não que eu esteja reclamando, aquilo era tudo o que sempre sonhamos. As fanfiqueiras interiores já estavam com a garrafa de champanhe prontinha naquele momento.

―  Eu trouxe mais alguns amigos, espero que não se importe, eles vão se comportar ―  Daniel ressaltou quando Bottas, Vettel, Russel e Schumacher começaram a interagir com a gente.

Sorri e assenti com a cabeça. Claro que não tinha problema. Mais pilotos para fazerem os fãs felizes e mais homens bonitos para fazerem eu e minhas amigas felizes.
Quando olhei em volta, cada uma já tinha parecido encontrar seu piloto preferido para conversar, o que só me deixava mais feliz. nem piscava ao falar com Lewis e ficava ainda mais vermelha a cada palavra trocada com Carlos, Lando e Daniel.
Alguns fãs se aproximaram e conseguiram a atenção dos pilotos, o que os fez super satisfeitos. Toda a operação da festa estava sob controle. Chamei Zeca e Fabi pelo rádio e avisei que tudo correra bem com a chegada dos pilotos. E então decidi que era a hora de aproveitar o open bar maravilhoso que tínhamos preparado.

―  E então, você pensou na minha proposta? ―  Uma voz rouca chegava por trás de mim enquanto esperava meu líquido da felicidade ficar pronto. Olhei para trás e encontrei um Max debochado me olhando.
―  Hum… não sei, ainda preciso decidir ―  Óbvio que eu não falei que já tinha concordado, não daria o braço a torcer tão fácil assim.
―  Você é sempre difícil assim? ―  Ele me perguntou, me fazendo pensar em mil coisas e eu apenas lancei um meio sorriso com uma sobrancelha arqueada.
―  Então, o que vamos beber?
―  Eu estou meu esperando meu gin-tônica. Você provavelmente beberá água, certo? ―  Provoquei.
―  Ei, barman, vou querer o mesmo que a mocinha aqui pediu, por favor ―  Agora a provocação vinha dele.
―  Um brinde à sua troca de torcida ―  O nível das provocações aumentava a cada movimento. Não só da parte dele, mas da minha também, confesso.

Após fazer um brinde tocando os dois copos, tomamos um gole dos drinks sem tirar os olhos um do outro. O olhar dele era penetrante e a tensão entre a gente poderia ser sentida há quilômetros de distância.
Na mesma hora, ‘Girl From Rio’ da Anitta começou a tocar e minhas amigas correram, me puxando para a pista de dança. Essa música representava toda nossa brasilidade e não perdíamos a oportunidade de dançar sempre que podíamos. Os meninos pareciam se divertir nos olhando um pouco mais distantes.
Pouco tempo depois, nós três não parávamos de rezar para que algo acontecesse com a gente. Um piloto, um beijo, qualquer coisa.
Vimos Lando e Lewis entretidos conversando próximo a uma grande janela que o espaço possuía e eu encorajei as duas a irem falar com os rapazes. Parecia que essa era minha missão naquela noite. Então me sentei em um sofá, aproveitando para descansar do meu infinito dia de trabalho. Peguei o celular e comecei a atualizar as redes sociais. Os perfis de fofoca do Instagram estavam bombando com os pilotos em SP e as especulações de qual balada eles estariam naquela noite. Revirei os olhos. Não queria que fossem a lugar nenhum, apenas ficassem perto de mim, mas sabia que o momento de me despedir chegaria logo. Enquanto me perdia nos meus pensamentos, percebi Charles se aproximar e sentar ao meu lado.

―  Oi! ―  Ele falou simplesmente.
―  Oi ―  Respondi com um largo sorriso no rosto.
―  Quase não tivemos oportunidade de conversar direito. Eu sou o Charles. Corro pela Scuderia Ferrari. Você gosta de Fórmula 1 e torce para a Mercedes, certo?
―  Ah, é...eu sei quem você é ―  Respondo tímida ―  Eu sou a , amo Fórmula 1 e...bem, eu torço para a Mercedes e… para você.
―  Para mim? ―  Ele pergunta surpreso.
―  É… eu torço para a Mercedes, mas meus pilotos preferidos são o Lewis e você ―  Ele fica me olhando por alguns minutos e em seguida abaixa a cabeça e solta uma risada.
―  Nossos amigos parecem estar se divertindo juntos, hein?! ―  O clima estava estranho no começo, mas logo embalamos em uma conversa sobre a vida dos pilotos entre corridas e as festas que sempre aconteciam nos países por onde passavam. Não vimos o tempo passar, a conversa com ele era realmente leve e fluida.

De repente fomos interrompidos por Lewis que nos chamava para uma festa no hotel em que estavam hospedados. Procurei pelas minhas amigas que já estavam na porta do espaço prontas para curtirem o que parecia ser uma grande oportunidade naquela noite.
Olhei para Charles tentando entender o que estava acontecendo e ele me estendeu a mão:

―  Vamos, vamos ter um pouco mais de diversão!



Capítulo 6

“O que tem de ser, tem muita força”

Avisei meu chefe que estava finalizando meu trabalho e me despedi de Zeca e Fabi. Saímos do espaço VIP e demos de cara com uma Ferrari spider amarela que estava à disposição de Charles no fim de semana, aquele era o carro preferido dele.
Ele abriu a porta para que eu entrasse e correu para entrar no carro e se acomodar no banco do motorista. O carro era lindo, todo em couro bege e cheio de botões. Ele já estava familiarizado com toda a tecnologia e ligou o som colocando Olivia Rodrigo no último volume.

All your friends are so cool, you go out every night
In your daddy's nice car, yeah, you're livin' the life
Got a pretty face, a pretty boyfriend, too
I wanna be you so bad and I don't even know you

À nossa frente, pudemos ver e Lewis entrando em uma Mercedes EQC preta junto de Max e Carlos, enquanto e Lando entravam em uma McLaren Artura laranja e Daniel saía em uma McLaren Elva azul royal.
O caminho até o hotel foi rápido e divertido ao lado de Charles. Fui contando sobre a cidade e os pontos altos de morar no Brasil. Não é meu lugar preferido no mundo, mas ainda assim, é minha casa, meu país, então fiz questão de ressaltar as coisas boas.
Ao chegar à enorme recepção do Hilton, subimos direto para a cobertura, onde um espaço luxuoso com piscina aquecida e música alta já estava cheio de pessoas bebendo e conversando. Algumas já estavam dentro da piscina, uns com roupas, algumas mulheres apenas de lingerie. Os garçons passavam de um lado para o outro com enormes bandejas de champanhe que eram rapidamente esvaziadas.
Os pilotos que nos acompanhavam olhavam o ambiente com naturalidade. Aquilo era parte da realidade deles. Mas não da nossa. Para nós três, estar ali era como um sonho sendo realizado. Era como se todas as nossas conversas e planos tivessem saindo do Whatsapp e tomando forma bem na nossa frente.
Meu corpo tremia e minha mão ficou gelada. Percebendo meu nervosismo, Charles pegou em minha mão e me levou para onde o restante do nosso grupo já tinha se reunido próximo à piscina.

―  Hora de se molhar!! ―  Gritou Daniel tirando a camiseta da McLaren, deixando o corpo escultural à mostra. Em seguida, tirou as calças e pulou na piscina fazendo uma pose de bailarina com um sorriso brilhante no rosto.

Percebendo que provavelmente sobraria pra mim, me sentei em uma das espreguiçadeiras, evitando qualquer convite para tirar qualquer peça de roupa que fosse.
e Lewis pareciam discutir sobre algo e saíram de perto de nós assim que perceberam que os olhávamos curiosos.
e Lando se sentaram na beira da piscina e quando estavam quase selando o primeiro beijo, foram interrompidos por Carlos que estava na piscina e se aproximou dos dois. Sério, qual o problema desses homens?! Dava para ver a frustração no rosto da minha . Tadinha.
Charles me trouxe uma taça de champanhe e se sentou na mesma espreguiçadeira que eu estava, nos deixando bem próximos.

―  À nós! ―  Ele levantou sua taça e eu o acompanhei tomando um gole da minha.
―  Você parece nervosa, está tudo bem?
―  Está sim, só... er… um pouco cansada ―  Menti bem, não admitiria que estava super nervosa por estar ali cercada de pilotos lindos e vivendo meu sonho. Ninguém precisava saber que tinha uma fanfiqueira dentro de mim brindando junto com a gente.
―  Vem cá, deixa eu te ajudar ―  Ele se levantou e se sentou atrás de mim, com uma perna para cada lado da cadeira, me encaixando bem no meio do seu corpo, com um pouco de distância. O suficiente para começar uma massagem nos meus ombros.

Na hora em que ele me tocou com as mãos firmes, me arrepiei inteirinha e meu corpo ao invés de relaxar, se enrijeceu.

―  Calma, é só uma massagem. Sem intenção nenhuma… ainda ―  Ele falou no meu ouvido, o que com certeza fez meus olhos se arregalaram e meu queixo cair até o térreo do hotel.

Charles continuou a apertar meus ombros e eu podia sentir quando pegava algum nózinho de tensão formado em minhas costas. Aos poucos a tensão foi dando espaço a uma sensação de relaxamento. Cada toque dele era um eletrochoque maravilhoso por todos os meus membros. O coração começava a pulsar mais forte e meus olhos fecharam, enquanto a minha boca se abria para soltar o ar que estava acumulado dentro de mim. 
As mãos dele começaram a descer para massagear o restante das costas com os polegares, encostando os dedos também em minha cintura. De repente, senti a mão cheia de terminações nervosas aparentes passar pela minha coxa e parar sobre a minha mão, entrelaçando nossos dedos.

―  Vem, vamos sair daqui ―  Ele falou novamente no meu ouvido.

Nem tive tempo de pensar e já estava andando sem saber ao certo para onde.

POV

Eu já estava puta por ter que ouvir o Max vir o caminho inteiro falando da e da torcida dela pelo Lewis e a discussão eterna dos dois. Por que ele estava implicando tanto com isso?! Mas chegar naquela festa maravilhosa que acontecia no hotel que nós e os meninos estávamos hospedados, com tanta gente bonita e muita bebida e ver a mensagem da Nicole chegando no celular do Lewis era muito pior.
Era como um sonho nascendo, querendo se tornar realidade e alguém dar uma paulada. Que saco! Eu já acompanhava ele há muito tempo e sabia muito bem que a ex não trazia nada de bom para a vida dele, muito pelo contrário.
Quando vi ele olhando para o celular, percebi o quanto ele ficou abalado e não me aguentei. Tive que intervir.

―  Mensagem da ex?
―  Nada importante ―  Ele me respondeu ríspido
―  Nada importante e você está tremendo?
―  , vamos curtir a noite, que tal? Sem interrupções.
―  Ela meio que já foi interrompida, né? ―  Percebi que a e o Charles nos olhavam curiosos porque nosso tom de voz começou a aumentar e o puxei ele para um canto para conversarmos melhor.
―  Eu não quero falar disso, ok?
―  Tá bom, não precisamos falar disso agora. Mas você pode se acalmar, por favor?

Ele mal conseguia me olhar nos olhos e eu estava perdendo toda a pouca paciência que estava me sobrando. Todos estavam se divertindo e eu estava perdendo todo o meu sonho se transformando em realidade, por uma crise existencial do sr. Mercedes.
Levantei a cabeça que estava abaixada, com os olhos fixos nas minhas botas de salto 15cm, respirei fundo e virei de costas, começando a andar em direção à piscina. De repente senti uma mão segurar meu pulso com muita força e congelei.

―  Uau, você é pequenininha, mas mais intensa que um furacão, né? ―  Ele finalmente conseguiu focar nos meus olhos, ainda que escorregasse o olhar para o meu colo descoberto pelo decote do vestido repetidas vezes.
―  Eu te acompanho há muito tempo, Lewis, eu sei o que essa mulher signif… ―  Ele colocou a mão no meu cabelo, puxou minha cintura e me calou com um beijo. Q-U-E B-E-I-J-O.

De todas as 180 mil vezes que me imaginei beijando esse homem, nenhuma delas era assim. O beijo era intenso e suave ao mesmo tempo. Tinha força, desejo, quase um… desespero? Mas também era o beijo mais suave de todos, como se eu estivesse pisando em nuvens e comendo algodão-doce. A mão dele estava inquieta passeando por todo meu corpo.

―  Eu preciso de você ―  Ele soltou baixinho no meio do nosso beijo. Ele precisava de mim e eu dele.

Ele me empurrou para dentro do banheiro masculino da piscina, trancou a porta e me colocou em cima da pia. Como se não houvesse mais de 50 pessoas do lado de fora. Era perigoso e excitante ao mesmo tempo.
Sua língua passeava pelo meu corpo, as mordidas na orelha se intensificaram e a mão dele começava a descer mais e mais. De repente, senti suas duas mãos rasgarem minha lingerie com toda brutalidade de um homem que está sedento por sexo. Rapidamente ele buscou um preservativo na carteira e começou a tirar a calça. Eu estava completamente entregue àquele homem.

POV

Enquanto Lando falava do quanto estava animado para correr no Autódromo de Interlagos e de todas as análises de curvas e retas da pista, eu só pensava quando ele iria me beijar.
Decidimos sentar na beirada da piscina, molhando apenas nossos pés, porque eu me recusava a tirar minhas roupas. Procurava por todas e sabia onde estavam, exceto pela que sumiu das nossas vistas, mas Lewis também havia sumido, então provavelmente ela estava se dando muito melhor do que eu.

―  Acho que já falei demais de corridas e pistas. Me fala de você, o que gosta de fazer? ―  Finalmente!
―  Ah eu gosto de assistir Fórmula 1, de sair com as minhas amigas, ler um bom livro tomando um vinho em frente à lareira, viajar…
―  Vinho e lareira? Hum… ―  Ele sorria malicioso para mim e eu sabia o que ele ia falar. Não é atoa que tenho uma fanfiqueira interior ―  Adoro lareiras para… er… você sabe ―  E caiu em uma gargalhada interminável. Meninos...

Quando ele percebeu que eu não o acompanhava em toda sua risada, ficou tímido, coçando a nuca.

―  Não, é que… você sabe. Adoro lareiras e tudo o que podemos fazer com ela. Não. Não com ela, é claro, nela! Não, também não, perto dela… ―  Ele se embolou inteirinho e eu achei a coisa mais fofa. Óbvio que tinha entendido, mas estava aproveitando a situação para me divertir.
―  Sim, entendi. Também gosto disso tudo.
―  É sério? ―  Ele me olhava agora incrédulo, enquanto eu assentia com a cabeça.
―  Nossa, eu poderia te dar um beijo agora.
―  Tá, pode ser!

Ele me olhou ainda mais espantado como se achasse que eu estava brincando. Só que eu não estava. Acorda menino, anda logo, me beija.
Ele começou a se aproximar, colocou a mão na minha coxa e quando eu fechei meus olhos para me preparar para o meu tão aguardado momento de princesa, que beija o príncipe e sai dançando feliz da vida, senti uma onda de água subir nas minhas pernas e alguém se aproximar. NÃO! NÃO! NÃO! Não vou abrir os olhos, não vou terminar esse momento, não vou perder essa oportunidade.

―  E aí, pessoal, tô atrapalhando? ―  FUCK!

Abri os olhos e já tinha perdido Lando para Carlos, que me olhava fixamente.

―  Não, não atrapalhou nada. A gente só tava conversando ―  Lando respondeu enquanto eu dava o meu melhor sorriso amarelo.
―  Ah que bom. Eu tava pensando, no sábado temos a festa oficial da FIA e acho que devíamos convidar as nossas novas amigas para irem. O que você acha, Lando?
―  Ah, é uma boa ideia mesmo. Vai ser mais divertido com elas lá, já que essas festas são sempre um saco.

Ah que ótimo, agora além de ter perdido o meu beijo, fui convidada para uma festa de gala para a qual eu com certeza não trouxe roupa. Precisava falar com as minhas BAEs e estava presa ali entre os dois melhores amigos, SEM MEU BEIJO!



Capítulo 7

“We walk through the fire”

Charles é gentil em cada movimento que faz. Abriu a porta do quarto no qual estava hospedado e me deixou entrar primeiro. O príncipe que imaginamos nos filmes.
Observo cada canto do quarto. Tudo é arrumado, as roupas dobradas, os tênis alinhados, a necessaire com itens de higiene pessoal no canto da mesa. O boné vermelho da Ferrari que não saía da cabeça estava pendurado na cadeira e eu me atrevi a colocar. Virei para ele fazendo uma pose engraçada. Ele começou a rir, aquela risada gostosa com olhinhos fechados, típica de Charles. Ele se aproxima e tira o boné da minha cabeça:

―  Fica linda de qualquer jeito, mas isso não ajuda no que eu quero fazer.
―  Hum… E o que você quer fazer, piloto? ―  Pergunto com um sorriso no rosto.

Ele acaba com a distância entre nós e me beija. Calmo. Gentil. Mas intenso. Nossas línguas dançam num ritmo único. Começo a perder a respiração quando ele vai andando para trás sem interromper o beijo e me joga na cama.

―  Hoje você é minha ―  Ele fala enquanto desabotoa minha camisa e tira minha camiseta. Me lembrem de agradecer à Fabi por me fazer comprar lingeries de renda pretas na última vez que fomos ao shopping.

Ele tira a camiseta que vestia e deita por cima de mim, apoiando o braço na cama para não jogar todo o peso sobre meu corpo. Começamos novamente nossas trocas de beijos e ele começa a suspirar no meu ouvido, me fazendo arrepiar. Os beijos chegam em meu pescoço e logo estou sem meu sutiã e sem meu shorts, assim como ele está sem mais nada. Depois de me provocar com os dedos, ele finalmente me penetra em um movimento calmo e tranquilo que vai ganhando intensidade.
O nosso sexo é tão urgente, tão necessário. É possível sentir muito mais do que desejo.
E depois de muitas investidas, de muitas trocas de posição, finalmente atingindo o ápice juntos. Ele deita ao meu lado recuperando o fôlego enquanto eu ainda estou super sensível e totalmente jogada na cama, quando de repente ouvimos algumas batidas fortes na porta.

―  Você está esperando alguém? ―  Pergunto olhando confusa para Charles que me responde em negativa enquanto se levanta para abrir a porta.
―  CHARLES! CHARLES! CHARLINHO… ―  Me levanto da cama enrolada no lençol quando vejo um Max bêbado invadindo o quarto de Charles e dando de cara comigo.
―  Ah… eu atrapalhei alguma coisa? Me desculpem! ―  Ele faz um biquinho de quem não se arrependeu nem aqui e nem na China ―  Charlinho, você não vai arrumar problemas com aquela menina… Charlotte acho? ―  Ele completa a frase me deixando enfurecida. Todo mundo sabe que eles terminaram há meses.
―  Max, o que você está fazendo aqui? E o que você quer? ―  Perguntei fuzilando ele com o olhar.
―  Eu estava te procurando… pra saber… se você vai assistir a corrida no meu box. Você não me respondeu, lembra? ―  Interrompido por outro soluço ―  Como vi vocês saindo juntos da piscina, pensei que… ―  Antes que termine mais uma de suas frases idiotas, Daniel chega correndo e pede licença para entrar no quarto de Charles.
―  Max, vamos, vou te levar pro seu quarto. Acho que ele está um pouquinho alterado, não é mesmo, BAE? ―  Ele sorri desconfortável com a situação ―  Desculpem gente, continuem o que estavam fazendo.
―  NÃ… ―  Max tentou gritar, mas Ricci colocou a mão em sua boca, impedindo-o de terminar.

Eu e Charles ficamos nos olhando sem entender absolutamente nada do que aconteceu naquele momento.
Meu celular toca, Fabi me ligava preocupada por eu não estar em casa ainda. São 4h da manhã e eu nem notei o tempo passar.
Eu e Charles nos adicionamos no WhatsApp, onde Charles fez um grupo formado por mim, as BAEs, Daniel, Lewis, Carlos, Lando e...Max. Todos começam a responder que já estavam em suas devidas camas prontos para dormir e eu decido que era hora de ir para casa.
Apesar da insistência de Charles para eu dormir com ele, precisava ir embora, tomar um banho, me deitar por pelo menos algumas horas para enfrentar mais um longo dia de trabalho que teria pela frente.



Capítulo 8

“The heart wants what it wants”

Passei pelo espaço VIP da Heineken para garantir que tudo tinha sido limpo e estava preparado para o segundo dia de festa, e deixei Zeca como responsável enquanto eu estava fora para assistir os treinos.

―  Estarei lá, mas estarei com o rádio, qualquer coisa você me chama ―  Instrui meu assistente.
―  Ok, boss! Vai lá, se divirta, nós damos conta de tudo por aqui ―  Zeca sempre prestativo me retribuiu.

As BAEs já me esperavam no Paddock surtando no WhatsApp com tudo o que estavam vendo e vivendo. Ao passar minha credencial de acesso VIP pela catraca e acessar o Paddock, ouvi Max me chamar, me distraindo de todo meu deslumbre com o caminho luxuoso que possuía à minha frente.

―  Ei, Mercedista ―  Que ótimo jeito de começar o dia. Revirei os olhos encontrando forças para não dar um murro na fuça do menino que invadiu o quarto de Charles na noite passada.
―  Oi Max! Tá melhor?
―  Ah… err… Sim, estou melhor. Foi mal por ontem, não quis atrapalhar você e seu namoradinho ―  Cada palavra dele saía mais caçoada.
―  Max, ele não é meu namoradinho e eu nem devia te desculpar pelo que você fe…
―  Ok, ok! Vamos deixar isso no passado, o que acha? Hoje está um dia lindo, perfeito para você me ver brilhando nos treinos. Que tal ir comigo até os boxes?

Daniel apareceu mais uma vez no nosso caminho, parecia que ele estava sempre presente quando se tratava de Max Verstappen.
Ele sorria como sempre e me incentivava a ir para o box da RBR junto de Max.

―  Desculpa, mas hoje eu vou ver o Lewis no box da Mercedes… ―  Eu falei quase me arrependendo só de ver o sorriso no rosto dele sendo desfeito instantâneamente. Meu Deus que menino temperamental ―  Mas acho que o pessoal não vai se importar se eu der uma passadinha na RBR antes.
―  Isso! Vamos! ―  Pronto, lá estava o sorriso de volta nos lábios cheios do piloto.
―  Assim que eu gosto de ver vocês dois ―  Daniel falou deixando a mensagem no ar, porque eu não entendi nada. E apenas saiu andando ―  Nos vemos mais tarde!

Chacoalhei a cabeça tentando esquecer o que Ricci tinha falado e mandei uma mensagem para as minhas amigas avisando que me atrasaria um pouco e veria o comecinho do treino no box de Max e guardei o celular no bolso.
Ao chegar na garagem da RedBull encontrei Christian Horner, uma das pessoas que menos gosto em toda minha vida e fiz questão de passar despercebida. Aquele ambiente não era nada agradável e eu nem sabia o porquê. Max tirou o boné que usava e colocou na minha cabeça. Ok, isso foi fofo.

―  Para me dar sorte! ―  Ele explicou.
―  Você não precisa de sorte. Vai lá, arrasa! ―  Por mais que eu não torcesse por ele e definitivamente não gostasse da equipe dele, eu ainda desejava o melhor para todos no grid, é um esporte perigoso, sabemos disso.

Minha tentativa de não ser notada por Christian foi pelo ralo quando ele parou do meu lado e começou uma conversa me explicando para o que eu olhava. Intermináveis botões de comando, engenheiros de corrida, treinador do Max… Era muita informação e por um pequeno momento eu gostei do homem que foi gentil enquanto eu estava lá.
Uma onda de felicidade tomou meu coração quando Max fez o melhor tempo. Droga! Não posso torcer para ele. Que tipo de traíra com a equipe que eu mais amo eu seria?
O FP1 (free practice 1) terminou e eu tinha esquecido completamente que tinha combinado de encontrar minhas amigas na metade do tempo. Me perdi nas explicações de Christian e no som dos motores. Era maravilhoso ver tudo aquilo tão de perto. Peguei o celular para tirar algumas fotos para mostrar para o meu pai e percebi que tinham algumas muitas mensagens no meu WhatsApp.
Não das minhas amigas, que nem lembraram da minha existência pelo visto, mas de Charles.

 "Cadê você? Achei que viria me ver antes do treino".
―  "Você está no Paddock?"
―  "Meu beijo de boa sorte :("

Caramba, eu esqueci completamente e não chequei mais o celular desde que mandei mensagem para as meninas. Quando começo a digitar um pedido de desculpas enorme, Max volta com o carro para o box e desce disparado em minha direção:

―  E então, o que achou do show? P1 (posição 1), nada mal né? Como se sentiu assistindo diretamente do box do campeão? ―  O menino estava transbordando adrenalina e agitação.
―  Calma aí, piloto. Você foi muito bem, mas essa é só a primeira parte e sabemos que o Lewis nunca se desgasta muito nos treinos ―  Ele me olhava fixamente.
―  Como você sabe de tudo isso? Poderia te colocar no lugar do meu engenheiro agora mesmo.
―  Você ainda não acredita que eu gosto mesmo de Fórmula 1, né?
―  Eu acredito, só achava que era impossível… é… deixa pra lá.
―  Ok, mas agora eu preciso ir. Minhas amigas estão me esperando, fiquei mais tempo aqui do que devia. Você devia me agradecer, te dei sorte mesmo ―  Finalizei dando uma risada em sua direção.

Quando caminhava para sair do box, Max me puxou pelo braço.

―  Obrigada, Mercedista! ―  E me abraçou. Um abraço que eu, definitivamente, não esperava. Minha única reação foi abraçá-lo de volta.

Tirei o boné da minha cabeça e devolvi para ele, deixando o box da RedBull e correndo para a frente do box da Mercedes, encontrando minhas amigas cheias de perguntas do porquê eu tinha ficado na RBR. Elas riram quando contei a situação. Elas sempre souberam que eu tinha uma queda pelo Max, apesar da relação de amor e ódio que eu vivia com o piloto, antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente.
Algum tempo depois, peguei o celular para atualizar as redes sociais com uma foto minha e das minhas amigas, quando lembrei que não tinha respondido o Charles novamente.

―  “Me desculpa. Me enrolei no espaço da Heineken e cheguei atrasada no Paddock. Acabei encontrando Max que me ajudou apenas a chegar no box da RBR, tive que assistir o treino de lá. #QueAzar. Como foi seu treino, baby?” ―  Digitei e enviei rapidamente. Dei apenas uma leve distorcida na história, não poderia ser tão ruim.



Capítulo 9

"Entre o céu e o inferno"

Depois da festa da minha empresa na sexta-feira, as meninas me chamaram para dormir com elas, para atualizarmos as fofocas do que tinha rolado com cada uma na noite anterior.
Faríamos uma festa do pijama animada com gin, tequila, champanhe, pizza e marshmallows. Eu tinha levado meu pijama novo de cetim que todas tínhamos comprado igual e estávamos tirando fotos com nossos looks de dormir ―  que poderiam ser looks de sair facilmente ―  quando Daniel me mandou uma mensagem:

 “O que está fazendo? Quer participar de uma festinha?”
―  “Estou no hotel com as meninas. Que tipo de festinha?”
―  “Melhor ainda. Apenas venham”

Quando eu contei o convite que tínhamos recebido o grito foi coletivo e o alvoroço começou a tomar conta do quarto. As três corriam para passarem maquiagem e arrumarem os cabelos. No fim das contas, acabamos decidindo que iríamos de pijama, afinal, estávamos em uma festa do pijama.
Quando chegamos no quarto de Daniel, estavam apenas nossos pilotos preferidos em samba-canções estampadas e camisetas brancas que marcavam todos os tanquinhos presentes no ambiente. Olá gominhos!
Lewis, Lando, Carlos, Charles e Max eram os convidados de honra da noite. Que novidade!
A primeira garrafa de gin acabou em minutos quando todos resolveram que dar shots seria uma ideia inteligente.

―  Vamos brincar! Temos uma garrafa vazia. Verdade ou consequência? ―  Lando sugeriu levantando a garrafa no ar.
―  Nem ferrando ―  Max reclamava.
―  Eu prefiro 7 minutos no céu ―  Carlos sugeriu esfregando uma mão na outra ―  As coisas estão muito calmas por aqui, vamos apimentar.

Alguns não conheciam a brincadeira, mas todos toparam. Sentados em um círculo, a ponta da garrafa com tampa escolheria alguém para mandar as pessoas para o céu.

―  Eu giro ―  Lando era notavelmente o mais animado. Max parecia não entender nada. Será que esses meninos não tiveram infância? Me preocupei.

A garrafa parou apontando pra mim e eu tinha a missão de enviar um casal para uns minutinhos de… bom, do que eles quisessem. Mas eu não mandaria os casais óbvios, como Carlos bem ressaltou, as coisas estavam muito calmas por aqui.

―  e Daniel, ganharam 7 minutos no céu. Aproveitem ―  Sugeri.

O nosso céu era no banheiro com a luz apagada, para garantir um clima interessante.
Os dois voltaram com as bocas vermelhas e ninguém precisava ser um gênio da lâmpada mágica para adivinhar o que tinha rolado.

―  Eu giro agora ―  se prontificou. Fazendo a garrafa apontar para Daniel, que sorriu.
―  Uuu lalá. Vamos lá. , com quem você irá? Vamos ver… ―  A minha amiga que estava desesperada por um beijo do Lando desde a noite passada parecia rezar o terço todo mentalmente.
―  Você e Charles. Aproveitem e me agradeçam depois ―  Talvez eu tenha ficado com ciúmes, mas sabia que as coisas iam começar a esquentar… até para mim.

se levantou puta da vida porque o primeiro beijo dela em um piloto não seria no seu amado Lando ou em Carlos, mas pelo menos seria em um piloto gato.

―  Minha vez de girar ―  Ela voltou do banheiro toda vermelha, inclusive no pescoço, já avisando. E a garrafa apontava para Lando.
―  e Max é a vez de vocês ―  Eu tomava uma taça do meu champanhe e engasguei com todas as bolhinhas da minha bebida na mesma hora. Eu e Max? Por que ele pensaria nisso? Olhei para Charles que parecia ter incorporado a própria Ferrari e ficado da mesma cor da sua equipe.
―  Pode me mandar pro céu ou pro inferno. Nunca vai rolar nada aqui ―  Apontei para nós dois.

Eu e Max entramos no banheiro com a luz apagada e não falamos nada. O silêncio era tão alto que dava pra escutar ambas as respirações aceleradas. Nossos olhares se encontraram no escuro e a tensão era tão grande que era impossível explicar. Será que ele queria algo? Eu me perguntei, mas ele não fez um único movimento. Não falou uma única palavra. Meu coração estava acelerado e quase era possível ouvi-lo também.
Dei um passo para frente, nos aproximando mais e nossos rostos ficaram a menos de cinco centímetros de distância. Ele mantinha as mãos para trás o tempo todo. Eu sentia sua respiração no meu rosto. Sentia o cheiro mentolado que saía de sua boca. Todo meu corpo queimava por dentro. Bastava um único movimento para grudar nossas bocas em um beijo, mas nenhum dos dois o fez. Permanecemos os sete minutos exatamente assim, sentindo o desejo exalar por todos os nossos poros, mas sem avanço.
Os sete minutos acabaram e bateram na porta pedindo para que saíssemos, quebrando nosso contato mesmo que sem contato. Eu fechei os olhos como se pedisse por mais 2 minutos que fossem, mas batiam com mais força na porta. Me afastei dele recuperando o meu próprio equilíbrio e ele abaixou a cabeça em sinal de frustração, quase mostrando uma fraqueza e eu deixei o ambiente antes dele.
Depois do ocorrido, nem precisávamos mais do banheiro para fazer o céu. Lewis se absteve do jogo e puxou para uma cadeira no canto do quarto, sentando-a em seu colo.
E finalmente teve seu beijo triplo com Carlos e Lando deixando todas nós com uma invejinha boa.
A noite acabou para Max, que decidiu ir para seu quarto dormir, assim que eu e Charles deitamos juntos na cama de Daniel.
Mas afinal o que há entre o céu e o inferno? Eu estava prestes a descobrir.



Capítulo 10

"I knew you were trouble"

A manhã do sábado foi resumida em procurar vestidos para a festa que teríamos à noite. Ninguém conseguia acreditar para o que tínhamos sido convidadas, apenas a festa oficial da FIA. A festa mais glamurosa e aguardada de cada rodada do campeonato.
optou por um vestido curto e salto alto. Eu e fomos na opção longo com decotes poderosos. Almoçamos no shopping e dedicamos a tarde a ficarmos belíssimas no cabeleireiro, fazendo as unhas, maquiagem e cabelo. Um verdadeiro dia de princesa.
Às 20h pontualmente uma limusine parou na porta da minha casa, de onde sairíamos sem os meninos, já que os encontraríamos apenas na porta do evento, pois ainda deveriam passar na festa da Heineken para agraciar os vencedores da promoção com seus rostinhos bonitos mais uma vez.
Os milhares de fotógrafos e incontáveis flashs indicavam que havíamos chegado. Por sorte, nossos pilotos nos aguardavam antes mesmo de desfilarem pelo tapete vermelho. Lewis abriu a porta e nos ajudou gentilmente a sair do carro e acompanhava . Prontamente Charles me estendeu o braço para que o acompanhasse na saga de fotos e paradas que teria de fazer. O mesmo aconteceu com que tinha um Lando em um braço e um Carlos em outro. Aff, sortuda!
A imprensa foi à loucura com a chegada dos top quatro pilotos chegando ao evento com mulheres totalmente anônimas ―  até aquele momento.
Após acompanhá-los na maratonas de sorrisos para câmeras famintas, chegamos na ponta de uma escada que dava acesso à porta do evento de fato. E ao olhar para cima, meus olhos encontraram com o dele. Max olhava toda nossa chegada cinematográfica com um rosto fechado. A boca se apertava, assim como os olhos e as sobrancelhas franzidas.
Charles logo puxou a fila de casais ―  e um trisal ―  para dentro e nos deparamos com um enorme salão cheio de mesas e iluminação baixa. Era tudo fabuloso. As garrafas de champanhe pareciam dançar de um lado para o outro.
Nos acomodamos em nossos lugares e Max se juntou a nós, assim como Russel, Pérez e Bottas. Uma versão Mad Max se sentava à minha frente e tinha olhos cravados em Charles. Ou pelo menos eu acho que era em Charles. O piloto da Ferrari, por outro lado, parecia se divertir e fazia comentários com fofocas do mundo da F1 em meu ouvido. Descobri que Toto Wolff já tinha ficado com metade das mulheres daquela festa e muita coisa que rolava no time de engenheiros. Meu lado fofoqueira foi bem alimentado naquela noite.
Alguns bons drinks depois caímos todos na pista de dança ao som do DJ que tocava BED do Joel Corry com o apenas genial David Guetta.

And why'd I gotta do this the hard way?
My body wants to be in your arms, babe, baby
Something I'll regret in the morning
But I just can't resist when you're calling
I got a bed, but I'd rather be in yours tonight
I got a bed, but I'd rather be in yours, yours

Charles parecia feroz naquela noite. Ele não se contentava em manter as mãos na minha cintura, mas explorava todo o meu corpo, passando das pernas para o cabelo em questão de segundos. Os beijos eram quentes e apressados, diferente das noites anteriores. Mas os limites acabaram quando ele começou a desbravar meu pescoço com a língua bem no meio da pista de dança. Eu quase me derretia em seus braços quando ouvi um barulho de algo que parecia quebrar e rapidamente me despertei do desejo profundo que entrava com Charles.
Todos olhamos procurando o que havia acontecido e paramos o olhar em um Max com pedaços de cristal no meio das mãos do copo que acabara de quebrar com sua própria força.

―  Mas que diabo é isso? ―  Daniel correu para ajudar o amigo que parecia um tanto transtornado.

Os dois se afastaram e nós nos entreolhamos sem entender o que havia acontecido.
Quando estava pronta para me perder nos beijos do meu ferrarista novamente, já havia o perdido para o celular, que parecia não largar a noite toda.

―  Já volto ―  Ele avisou me deixando morta de desejo por mais daquele homem no meio da pista.

As minhas amigas pareciam estar se divertindo. Especialmente que dançava no meio de dois homens que a devoravam com o olhar. Depois de olhar por alguns minutos para a cena, chacoalhei a cabeça afastando os pensamentos de como ela daria conta dos dois depois da festa.
Resolvi me sentar novamente na mesa e checar as redes sociais com algumas fotos que havíamos tirado antes de sair do hotel e na limusine, mas fiquei congelada quando percebi que nossos rostos e fotos do tapete vermelho lotaram meu feed, alimentando perfis de fofocas.

“Quem são as novas marias paddocks que estão saindo com os pilotos nessa rodada do campeonato?”

“Anônimas acompanham pilotos da ponta da principal categoria do automobilismo em festa oficial da FIA no Brasil”

“A internet está indo à loucura tentando encontrar os perfis das garotas que acompanhavam os pilotos em festa nesta noite”.

O mundo estava prestes a virar de cabeça pra baixo e minha respiração começou a ficar descompassada quando Max e Daniel retornaram à mesa. Max tinha a mão enfaixada e era acompanhado pelo amigo que fez sinal para que se sentasse ao meu lado.

―  , você pode ficar com o Max e não deixá-lo quebrar mais nada, principalmente nas próprias mãos?
―  Errr… claro! Mas o que foi que aconteceu aqui? ―  Perguntei para Max, furiosa, mas no fundo, preocupada. Mas a única resposta que obtive foi uma cabeça abaixada balançando em negativa.

Ricciardo nos deixou em um silêncio que gritava dentro de mim. Estávamos sem trocar uma única palavra desde o dia em que nos trancamos em um banheiro com luzes apagadas por sete minutos e absolutamente nada aconteceu.
O tempo passou devagar naquela situação quase nada constrangedora, até minhas amigas aparecerem e anunciarem que estavam indo embora. Eu optei por ficar e esperar Charles reaparecer. Duas horas e nada do menino, nem as mensagens ele respondia mais.
Sem falar nenhuma palavra, Max permaneceu ao meu lado percebendo como eu já me sentia irritada pelo sumiço de seu companheiro de profissão. Era como se ele sentisse que eu precisaria de alguém do meu lado. O filho da puta ainda tem boa intuição?!

―  Chega, vamos sair daqui agora ―  Max se levantou, quebrando o silêncio de mais de 24h que havia se instalado entre nós, quando percebeu uma lágrima escorrer pelos meus olhos.
―  Não, eu vou...esperar.
―  Esperar? Você já esperou. Ele sumiu. Nem deve mais estar nessa festa. Vai continuar aqui nessa situação humilhante? ―  O tom de Max subiu e ele praticamente começou a me arrastar para fora do grande salão.

Humilhante. Essa era uma boa definição para a situação na qual eu me encontrava. Será que Charles estava se vingando pelo dia que não apareci no box? Não! Essa não é uma explicação razoável. Me rendi ao “convite” de Max de sair dali.
Em poucos minutos um Honda que eu sinceramente desconheço estava na porta da festa para nos pegar.

―  Para onde você quer ir? ―  Ele me perguntou. O tom agora era suave e parecia preocupado.

Eu não queria ir para casa e definitivamente não queria ter de contar para as minhas amigas que tinha sido largada no meio da festa. Apenas de pensar em ter que falar sobre aquilo, o nó na minha garganta aumentava.
Me encostei no banco do carro me sentindo relaxada por estar na presença de Max, para quem eu não precisaria explicar nada. ―  Eu não sei. Qualquer lugar longe daqui.
Ele falou algo no ouvido do motorista que saiu acelerando, enquanto ele digitava alguma coisa no celular. Apenas acompanhei o percurso pela janela do carro observando as luzes que iluminavam a cidade. Quando o carro parou, olhei para cima tentando descobrir onde estávamos.
O motorista logo abriu a porta para mim e Max surgiu do lado de fora do carro, me oferecendo a mão para sair. Entramos no prédio que estava bem à nossa frente e ele pressionou o botão do último andar. Já havia percebido. Estávamos no Copan, um dos prédios mais famosos da cidade de SP. Quando chegamos no último andar, ele me puxou para a escada e avançamos ainda mais. Ele abriu a pequena portinha e o vento gelado bateu no meu rosto fazendo meu queixo cair imediatamente.
Estávamos no heliponto do prédio mais alto de SP, com a cidade iluminada inteirinha aos nossos pés. A sensação era de ter alcançado o topo do mundo.

―  Vem! ―  Max me puxava para o centro do heliponto.

Ele tirou o paletó e colocou nas minhas costas e foi buscar uma sacolinha que estava em um dos 4 cantos do grande quadrado.
Ele se sentou no chão, como uma criança feliz no meio do intervalo da escola. O sorriso no rosto de Max quase fazia eu deixar de sentir o vento que batia em todo o meu corpo. Da sacola ele tirou dois cheeseburgers, batatas fritas e dois milk shakes.

―  Se isso não for capaz de melhorar a sua noite, nada mais será ―  Ele afirmava enquanto colocava uma música no celular.

You don't have to say you love me
You don't have to say nothing
You don't have to say you're mine
Honey
I'd walk through fire for you
Just let me adore you

Mal sabia ele que ele já tinha melhorado tudo.



Capítulo 11

"When everything's made to be broken"

Todo o silêncio que tinha nos incomodado nas últimas horas desapareceu, quando embalamos em uma conversa animada sobre carros e viagens pelo mundo. Ele me contava como era conhecer cada lugar e ter a oportunidade de viajar tanto, enquanto eu ouvia deslumbrada. O meu maior sonho é conhecer o mundo e todos que me conhecem sabem. Já aquele momento, com Max abrindo o coração, era raro.
Em um determinado momento ele pegou o celular e tirou uma foto que eu não entendi exatamente do que era.
Algumas horas depois o Sol começava a surgir na nossa frente e eu podia jurar que se esticasse a mão mais um pouquinho, poderia alcançá-lo. O que além de ser lindo, também era triste, porque indicava que era hora de voltar à realidade.
Ele me deixou em casa e seguiu para o seu hotel. E quem diria que de Mad Max, ele viraria o Super Max da minha noite?
Quando deitei na cama finalmente e peguei o celular, meu coração parou.

“O que você acha que está fazendo?”
“Onde está você? O que está fazendo com ele?”
“Bom saber o que você quer, porque comigo você não tem mais nenhuma chance”
“E eu pensei que você fosse alguém diferente”

Infinitas mensagens de Charles me tiraram de órbita por alguns minutos. O que estava acontecendo? Como ele sabia que eu estava com Max?
Meu Instagram também não parava de apitar notificações de novos seguidores e eu abri a rede social procurando por respostas. Será que tinham descoberto a identidade da pessoa que acompanhava Charles na festa?
Mas me deparei com algo muito pior.
Max postou uma foto minha ―  meio desfocada ―  mas que dava para perceber perfeitamente quem estava à frente da câmera. Em uma gargalhada, com a cabeça para trás e um sorriso que chegava a incomodar no rosto. Segurando um cheeseburger e uma cidade iluminada inteirinha ao fundo.
A legenda só dizia “THIS MOMENT”.
Tentei ligar para Charles repetidas vezes, tentei enviar todos os tipos de mensagem, mas a resposta não vinha. O ar começou a faltar e eu já não sabia mais o que fazer, a não ser chorar.
Inconscientemente apertei um número no celular e liguei pedindo por ajuda. Pouco tempo depois minha campainha tocava e ele estava ali, o meu anjo da guarda de sorriso largo que tinha uma testa franzida em preocupação. Daniel era a primeira pessoa que, depois das minhas amigas e minha mãe, estaria ali para mim, sem julgamentos, sem perguntas, mas com um colo que curaria qualquer dor. Com o silêncio e o calor que eu precisava.
Consegui dormir um pouco depois de algum tempo.
Acordei com Ricci me trazendo café, um suco de laranja e pães de queijo.

―  Bom dia, como você está se sentindo?
―  Bom dia. Tudo dói dentro de mim.
―  Você quer me contar o que aconteceu ontem a noite?

Ainda que eu não quisesse tocar no assunto, eu devia isso à ele.

―  Você precisa tomar coragem e falar com o Charles hoje. Ele não pode fazer o que fez e te deixar assim ―  Daniel me aconselhou depois de ouvir toda a história atentamente.

Ele tinha razão. Eu precisava ter o direito de explicar. Aquilo tudo não passava de um mal entendido.

―  “Nós precisamos conversar. Não somos crianças e você não tem o direito de me tratar assim. Me ouça e depois tire suas próprias conclusões”.

A resposta chegou poucos minutos depois ―  “Tudo bem. Conversamos hoje depois da corrida”.

Ótimo. Agora eu só precisava saber direitinho o que falar e tudo seria resolvido. Simples assim.
Ao chegar no Paddock, evitei todos os contatos possíveis para que ninguém percebesse o olho inchado por conta de todo o drama da madrugada passada. Fui direto ao box da Ferrari onde encontrei Charles já com seu macacão, quase pronto para entrar no carro.

―  Por favor, me diz que vamos conversar depois da corrida ―  Falei quase que implorando.
―  Ei, baby, está tudo bem. Acho que exagerei na noite passada. Fiquei com ciúmes. Que tal aproveitarmos depois da corrida lá no meu quarto, tudo o que não aproveitamos na noite passada? ―  Cada palavra que saía de sua boca me deixava mais e mais chocada. Como assim? Tá tudo bem? Como assim? Eu chorei durante 3 horas seguidas, meu olho parece de um jeep saltando pra fora por nada? Como assim?
―  Mas, err… acho que a gente precisava conversar, né?
―  Claro, nós vamos. Agora me deseje sorte, ok? Vou precisar ―  Ele beijou a ponta do meu nariz, vestiu a balaclava e o capacete e se jogou para dentro do cockpit.

Mal pude acenar um tchauzinho e ele já estava concentrado e mexendo nos botões do volante de seu carro.
Silvia Hoffer, a famosa assessora de imprensa da Ferrari parou ao meu lado e me ofereceu um grande headphone vermelho para acompanhar a corrida. Eu estava tensa, confusa, sem entender absolutamente nada do que tinha acabado de acontecer.
Os pilotos já ocupavam suas posições no grid. Lewis largava na pole e Max e Charles dividiam a segunda linha do grid. Quando as luzes se apagaram senti meu estômago se revirar dentro de mim.
Lewis saiu disparado mantendo a ponta da corrida, deixando Max e Charles brigando pela segunda posição para trás.
As investidas de Charles em cima de Max eram agressivas. Na segunda reta da pista Max abriu um pouco mais de vantagem, mas não o suficiente para se ver livre do ferrarista que parecia não querer frear. Quando alcançaram a curva cinco meus olhos estavam grudados na grande TV que mostrava a disputa dos dois pilotos.

―  Alguém precisa falar para ele frear esse carro ―  Eu dei um pequeno grito dentro do box me preocupando.

Na curva oito, Charles foi ainda mais para cima de Max. Nesse momento eu já tinha entendido. Era pessoal. Charles queria arrumar briga não comigo, mas com um de seus principais adversários, e não era fora da pista, mas dentro dela. O problema é que quando você briga a 300 km/h, pode ser fatal.

―  O que esse maluco está fazendo? ―  Max gritava pelo rádio que era aberto para todas as equipes.

Meu corpo relaxou um pouco quando Max conseguiu acelerar mais e se livrar dos ataques de Charles. Os dois completaram a primeira volta sãos e salvos e eu respirei olhando para um outro pequeno monitor que mostrava a câmera de dentro do carro de Charles no mesmo instante em que via ele atravessar o carro de Max e jogá-lo a metros de distância, levando o seu próprio carro junto.
Então eu descobri o que tem próximo ao inferno.



Capítulo 12

“Why does it feel so good but hurt so bad?”

Os momentos seguintes foram um apagão na minha frente e ao meu redor. Podia ouvir um apito dentro da minha cabeça me fazendo girar dentro de mim mesma. Só me dei por mim novamente quando senti o impacto do corpo de Daniel no meu, me apertando forte num abraço que me trazia de volta à realidade.

―  Fica calma. Vai dar tudo certo. Eles vão ficar bem ―  Ele tentava me tranquilizar.

Consegui focar minha visão na TV de novo e via uma multidão de pessoas em volta dos dois carros. Procurei por qualquer sinal de Charles e Max. Nada. Nenhuma resposta.
Logo minhas amigas também estavam em volta de mim, me abraçando, tentando me acordar da transe que entrei mais uma vez.
Sentei no chão e afundei meu rosto no meio dos joelhos, esperando que tudo aquilo acabasse de uma vez por todas.
De repente senti o calor dele em volta de mim. Seu cheiro exalando. Sem nenhuma palavra. Levantei a cabeça e um corte no rosto provavelmente causado em algum momento da colisão fizeram meu coração doer.

―  VOCÊ É MALUCO? O QUE VOCÊ ESTAVA FAZENDO? VOCÊ NÃO RESPEITA SUA VIDA? A MINHA? A DOS OUTROS? O QUE ACONTECEU ALI… ―  Ele me interrompeu segurando meu rosto com as duas mãos, agora geladas.
―  Me desculpa! Eu estava fora de mim.
―  Fora de você? Charles, como você está fora de você a quase 300km/h?

Os barulhos ao nosso redor me distraíram da nossa conversa. Max tinha sido removido do carro e estava sendo levado ao hospital.
A única coisa que podia ser feita era ir até o hospital e esperar por notícias.
Foram longas e agoniantes horas de espera. E finalmente o médico passou para nos avisar que Max tinha lesões no ombro e em uma das pernas, mas estaria pronto para a próxima rodada do campeonato se seguisse todas as recomendações médicas. Meu coração parecia se soltar de um arame farpado e eu consegui, finalmente, respirar de verdade.

POV Charles

Na segunda à tarde, convenci que precisava passar em sua casa para conversarmos, apesar de toda raiva que eu tinha certeza que ela estava de mim, principalmente pelo tom que usava nas mensagens.

―  Você pode começar explicando porque sumiu da festa no sábado?
―  Posso. Meu advogado me mandou mensagem, pois recebi uma proposta de uma equipe e ele estava estudando a possibilidade de marcarmos uma reunião para sabermos melhor do que se tratava. No entanto, meu contrato com a Ferrari possui diversas cláusulas que me proíbem de sentar com qualquer membro de outra equipe com a intenção de tratar de negociações em um determinado período. Precisávamos achar uma brecha. ―  Eu queria contar isso à ela, eu queria contar tudo à ela. Poderia abrir minha vida e meu coração inteiro com essa mulher.
―  Então o que rolou com todo aquele surto nas mensagens e o acidente com Max? Entendo que eu não podia pedir para você me contar isso, mas você também não pode exigir nada de mim, Charles.
―  Eu sei, . Mas desde que eu e a Char… desde que eu terminei meu último relacionamento eu estive 100% focado na minha carreira. Não me permitia olhar para nenhuma mulher. Mas você apareceu e eu me deixei levar porque você… é diferente. Eu sei que você é. Me desculpa por tudo que eu causei. Eu já liguei para o Max e passarei para conversar com ele assim que sair daqui ―  Eu sabia o quanto tinha errado, mas eu estava disposto a consertar.

A Ferrari é tudo para mim, desde que meu tio faleceu antes de poder entrar na Scuderia, eu levo esse lugar na equipe como minha missão na vida. Mesmo que considerasse ouvir outras propostas, sair nunca passou pela minha cabeça.
Exatamente por isso, fiz uma confusão infernal na minha vida pessoal. Terminei com a única pessoa que realmente gostei e com quem eu me sentia livre para ser eu mesmo e engatei um relacionamento que, aos olhos da mídia, seria perfeito, com uma pessoa já conhecida na alta sociedade de Mônaco. De fato, as notícias foram boas, manteve minha reputação de bom moço em alta, mas estraçalhei qualquer vestígio de coração que sobrava dentro de mim. Quando finalmente consegui me desvencilhar sem deixar rastros que pudessem acabar com tudo o que construí, nem pensei mais na possibilidade de me envolver com alguém.
Mas estar com a era como abrir a janela e poder respirar ar puro depois de uma tempestade. A tempestade que era dentro de mim. E quando eu finalmente enxergo o Sol, Max se coloca no meu caminho, não era para menos o meu surto e eu admito, quiz o atingir onde eu mais sabia que doeria, dentro da pista.

―  Mas eu tenho uma proposta para te fazer para que você possa me perdoar.
―  Hmm… e o que seria?
―  A próxima rodada é na Arábia Saudita e eu estava pensando...O que acha de ir comigo? Estou com um jatinho me esperando para sair daqui direto para lá amanhã e tem alguns lugares sobrando… Você poderia levar as meninas também. O que acha?
―  Eu não posso ir, Charles, eu trabalho, você sabe, né?!
―  Você não poderia...hmm, não sei, pedir uma folga ou… trabalhar remotamente de lá? ―  Eu estava disposto a tudo para levá-la comigo e ter mais uma chance com essa mulher.

Depois de algumas ligações e trocas de mensagem pelo celular, ela concordou em ir comigo e levar as amigas. Teríamos uma semana para aproveitarmos algum tempo livre.

―  Mas eu tenho uma condição ―  É… estava tudo fácil demais… ―  Você vai se desculpar com o Max e em sinal de paz, vai oferecer uma carona nesse… jatinho, para ele ir com a gente. E então?

Acho que iremos para a Arábia Saudita juntos, afinal…



Capítulo 13

“I’m leaving with no fear”

Quem não ouviu os berros das minhas amigas quando contei que iríamos para a Arábia Saudita nunca vai entender o que é um surto coletivo de mulheres apaixonadas e de malas prontas para se jogarem no mundo de jatinho.
Deixei todas as minhas malas arrumadas e fui ao shopping com as BAEs para comprarem novas lingeries e algumas peças de roupas, já que elas se prepararam para vir para SP e não para rodar o mundo por aí.
Na terça-feira de manhã um carro passou para nos pegar pela manhã e nos levou direto ao Aeroporto de Guarulhos, onde entramos diretamente em um saguão reservado. Uma equipe nos esperava para nos levarem à imigração e logo depois à sala de embarque. Eu nunca havia entrado nessa parte do aeroporto e tudo o que eu posso dizer é que é absurdamente bonito e luxuoso.
Em um sofá estava sentado Charles com seus headphones, assim como em outro sofá estava sentado Max com seus headphones. Nenhum dos dois se olhavam.
Quando chegamos agitamos o ambiente, pulando, rindo e cumprimentando os dois mal humoradinhos ali presentes.
Quando entramos no jatinho, nenhuma de nós conseguia fingir costume e olhávamos cada detalhe do pequeno avião particular que nos levaria para o outro lado do mundo. Parecíamos crianças no parque de diversão. A nossa aeromoça particular nos serviu champanhe e a decolagem foi mais tranquila do que em aviões convencionais.
Quando todos pareciam, finalmente, ter pego no sono, aproveitei para preparar os relatórios da ação da Heineken que precisaria entregar no dia seguinte para a Fabi apresentar para a diretoria da empresa. Os resultados foram incríveis. Os pilotos interagiram com os fãs e com certeza, conquistamos clientes fiéis.

―  Ei, ocupada? ―  Charles tentava entender o que eu estava fazendo enquanto bisbilhotava na tela do meu notebook ―  Queria te mostrar as outras partes do jatinho.

Ok, não que eu seja a maior conhecedora de jatinhos, mas o que mais tem para se conhecer em uma pedaço de ferro que voa? Me levantei e segui Charles que abriu a porta do banheiro e me empurrou para dentro. Um espaço extremamente apertado, mas que, de alguma forma, deixava tudo ainda mais interessante.

―  Você me chamou para conhecer o banheiro do avião? Não que seja ruim, muito legal, mas assim, eu já andei de avião antes e esse parece bem igual os… ―  Ele me calou com um beijo. Aquele beijo que parecia estar esperando para ser selado há muito tempo. Um beijo quente, apressado e cheio de tesão. Na mesma hora me ergueu e me colocou em cima da pia, tirando minha calça e minha lingerie, enquanto passeava com os lábios em meu pescoço. As mãos começaram a subir novamente pela minha coxa me fazendo arrepiar e gemer baixinho em seu ouvido.
―  Charles.... ―  Foi quase uma súplica.
―  Você é minha. Diz, que você é minha.
―  Aham… ―  A voz quase não saía da minha garganta.
―  Fala, baby, que você é só minha...Quero ouvir da sua boca ―  Ele ordenava enquanto me torturava com um toque leve na minha região íntima.
―  Eu sou só sua, Charles. Por favor… ―  E foi assim que ele me virou e começamos um sexo cheio de desejo, em um dos menores ambientes em que já estive. Não precisávamos de espaço, precisávamos apenas um do outro.

Saímos do banheiro arrumando as roupas e nossos cabelos sem nos preocuparmos muito, pois todos estavam dormindo. Ou quase todos. Os olhos azuis de Max reluziam na meia luz do avião e eles não eram nada amigáveis. Será que acordamos ele? Será que ele ouviu algo? Acompanhei o olhar dele enquanto retornava para a minha poltrona, mas logo em seguida, um par de olhos fechados tomaram conta do azul piscina que antes estavam me fitando.
O resto da viagem foi calmo e consegui focar nos meus relatórios com Charles completamente relaxado dormindo no meu colo. Era lindo ver aquele rosto perfeitamente desenhado perto de mim, sendo tão… meu!
A chegada no país foi uma correria com toda a burocracia de passar pela imigração e pegar malas, mas já havia uma equipe preparada para nos receber e nos levar direto para o hotel. Tudo naquele lugar era grande e luxuoso. Nosso quarto ficava no mesmo corredor dos quartos dos pilotos e tinha vista para o autódromo. Dentro dele, três sub quartos eram separados por uma sala de estar. Maior que meu apartamento em SP, sem dúvidas.
A semana passou rápido e dividimos o tempo entre turistar pela cidade ao lado dos nossos pilotos preferidos e ficar no quarto do hotel trabalhando, afinal, as viagens não se pagariam sozinhas.
Na sexta à noite, eu e resolvemos ficar no quarto e aproveitar um tempo para descansar, pois o fim de semana seria de muitas emoções. acreditamos que estivesse com Lando porque sumiu o dia todo. Nunca dava para saber, porque se não era com ele, era com Carlos.
Pedimos serviço de quarto e compramos máscaras para brincarmos de skin care, vestidas em roupões quentinhos e macios. Quando nos aprontávamos para dormir, entrou no quarto completamente aérea:

―  Ei, mocinha distraída, vai vir falar com a gente, não?
―  Ah! Nem vi vocês aí ―  Ela se sentou em uma rodinha que fizemos no chão.
―  Tá com a cabeça onde, querida? Terra de Lando ou Ilhas de Carlos? ―  perguntou já imaginando que só poderia ser um dos dois amores da vida da nossa gaúcha.
―  Ai gente. Hoje o Lando me chamou pra almoçar e…
―  E…? Por que esse drama todo? Qual o problema?
―  O problema é que o Carlos me chamou pra jantar…
―  Eita. E com qual dos dois você saiu, amiga? ―  Perguntei confusa. Eu que não queria estar no lugar dela e ter que decidir entre dois gatos.
―  Esse é o problema ―  Mais uma vez nos entreolhamos sem entender ―  Eu fui almoçar com o Lando, fomos para o quarto dele. Ele me beijou, beijou meu pescoço, meu ombro, tirou a alça do meu vestido e passeou pelo meu corpo inteiro me fazendo sentir viva como nunca tinha sentido. Passei a melhor tarde de todas. ―  Ela explicava com os olhos fechados, provavelmente revivendo toda a cena na própria cabeça.
―  Eu ainda não entendi o problema…
―  E aí eu saí do quarto dele e quando estava na porta do nosso quarto para vir tomar banho, encontrei o Carlos. E ele me chamou para jantar. E a gente jantou. E aí fomos dar uma volta na nova Ferrari que deram pros meninos da Scuderia passarem o fim de semana ―  Ninguém estava chocada ainda ―  E a gente transou no banco de couro bege com cheiro de carro novo em uma rua deserta aqui perto.
―  QUEEEEEEEEEEEEEEEEE???? ―  Agora o choque foi geral.
―  Eu sei, eu sei. Eu errei. Eu não devia ter feito isso. Com um, com o outro… ―  Mas o sorriso na cara de , esse não negava. Ela não estava nem um pouco arrependida.
―  Amiga, vocês não têm nada concreto. Não é um relacionamento, você não deve nada pra ninguém. Se você aproveitou e está feliz, e sabemos que você está, é o que importa ―  sempre tinha os melhores conselhos.
―  Obrigada, BAEs, vocês estão certas. Acho que vou aproveitar um pouquinho mais disso tudo. Vocês são as melhores!!!!



Capítulo 14

"There's no calm before the storm"

No sábado do treino classificatório estávamos todos muito tensos. Até pelos últimos ocorridos do GP do Brasil. Todos rezavam por uma corrida tranquila, sem grandes emoções, um momento único na Fórmula 1. Pena que nem tudo o que a gente deseja… acontece.
Chegamos na primeira parada do paddock e deixei um Charles tranquilo e focado se preparando para entrar no cockpit, para ir até o box da Mercedes com minhas amigas, de onde acompanharíamos toda a primeira parte do dia dos pilotos. Eu e caminhávamos bem atrás de quando a menina simplesmente parou na entrada do box.

―  Amiga, tá doida? ―  Falei quase causando um efeito dominó de mulheres bem arrumadas no meio daquele tanto de gente. O olhar dela era fixo em um único ponto e olhamos todas na mesma direção, criando uma cena digna de filme de comédia… ou drama.

Lewis estava dentro do carro, ainda sem capacete e Nicole Scherzinger estava parada ao seu lado, olhando para o piloto. Ela falava alguma coisa que não fomos capazes de ouvir.

―  Eu não sou capaz de lidar com isso agora ―  Sinalizou , nos fazendo entender que deveríamos tirá-la de lá. Será que não teríamos paz em nenhuma corrida?

O que era para ser uma manhã tranquila, foi uma manhã regada a nervos à flor da pele, com xingando até a 10ª geração da família do Hamilton. Pobre do tataravô do piloto.
Quando tudo parecia estar calmo na hora do almoço, eu e fomos encontrar nossos respectivos namoradinhos, ficantes, peguetes...chamem como quiserem… foi ao box da Mercedes para lidar com o probleminha de 1,65m de altura e pele bronzeada dela.
POV

Entrei no box e não encontrei ninguém. Provavelmente todos já tinham ido almoçar. O carro dele estava estacionado e juro que eu rezei sete ave marias para espantar a vontade de furar os belíssimos pneus Pirelli novinhos que estavam à minha frente.
O que aquela mulher estava fazendo aqui? Por que ela não deixava Lewis em paz nunca?
Comecei a andar pelo box e me permitir encostar no carro, o que eu não tinha feito até agora. Quando cheguei à frente do carro, me abaixei para passar a mão na asa dianteira, como é que cada pedacinho dessa engenhosidade garante tanta velocidade, equilíbrio e aerodinâmica?
De repente, sinto um corpo quente encostar nas minhas costas e uma mão pousar sobre a minha, com um nariz se aproximando do meu ouvido e respirando fundo para sentir o meu cheiro.

―  Nem se atreva ―  Me esquivei, enquanto ele me olhava com olhos completamente confusos.
―  Eu vi, Lewis. Eu vi ela aqui hoje ―  A nossa relação parecia avançar muito mais rápido do que a de todas as minhas outras amigas com seus respectivos. A gente tinha intensidade, paixão, quase uma urgência de estarmos juntos. Em todos os sentidos.
―  Não quero falar sobre isso ―  Mais uma vez o mesmo discurso. Era sempre o mesmo quando se tratava dela.
―  De novo isso? Até quando você vai se esquivar de falar SOBRE ISSO comigo?
―  , não é o momento.
―  Por que? Por que nunca é o momento? Por que todas as vezes que eu te pergunto dela, você sai pela tangente? ―  Eu não estava disposta a ceder.
―  Porque falar dela não me faz bem. Nada do que venha dela me faz.
―  Mas então o que ela fazia linda e deslumbrante hoje cedo aqui do lado do seu carro?
―  Que? Você viu ela aqui? Por isso você não apareceu...
―  Vi, Lewis, e não pude lidar com a situação, porque eu não tenho informação. Eu não sei o que se passa entre vocês dois, eu não sei onde estou me metendo.
―  Eu vou te contar, tá bom? Eu prometo isso, com todo o meu coração que já é seu. Mas não agora. Não aqui.
―  Onde então? E por que não aqui?
―  Porque aqui, eu estou pensando em fazer uma outra coisa… ―  Ele avançou para cima de mim e me envolveu em um beijo impossível de resistir. Eu tentei, mas quando se trata de Lewis Hamilton…

Ele me virou de costas pra ele, encostando minha barriga no lado esquerdo do carro e afastou minhas pernas com uma das suas. Eu me preocupei que alguém pudesse ver, até ele afastar minha lingerie e começar intensas investidas dentro de mim. Quando estava prestes a atingir o nosso ápice, ele alcançou meu ouvido com os lábios ―  Bem melhor, não acha? Quer que eu pare? ―  Ele me provocou, me fazendo implorar para que finalizasse o que tinha começado.
Como eu poderia odiar esse homem?



Capítulo 15

"All the kingdom lights shined just for me and you"

"Ok, ou esse dia vai ser calmo ou eu vou ficar traumatizada com a Fórmula 1 para sempre", era tudo o que eu pensava naquele domingo.
Pierre Gasly, melhor amigo de Charles, chamou todas nós para irmos até a pista com eles, pois haveria uma cerimônia de abertura com uma homenagem à sei lá quem.
Próximo à  largada, todos os pilotos estavam em um grande círculo, divididos em suas respectivas duplas de equipe, e no centro havia um totem com um capacete vermelho. O hino de algum país, que eu e minhas amigas não identificamos, começou a tocar e nós ainda estávamos um pouco chocadas por podermos estar alí, no meio da pista, apenas um pouco mais para trás de onde todos eles estavam.
O que falavam no microfone era um mistério, já que era dito em árabe. Por isso, nós continuávamos falando e falando, até que um nome no áudio que alcançava todo o autódromo nos chamou a atenção, !
Olhei para os lados para ver se estava ficando maluca, mas aparentemente e entenderam a mesma coisa que eu.
De repente, um Charles sorridente chega à minha frente e me puxa para o meio do círculo, deixando todas nós nervosas e elas em uma crise de riso.
Um rapaz de terno lhe entrega um microfone e ele olha nos meus olhos:

―  Oi! ―  Começou rindo ―  Você pode não estar entendendo nada ainda. Mas esse momento pré-corrida é um dos meus preferidos de toda minha vida. A adrenalina que corre nas veias de cada um de nós, os olhares que trocamos, a tensão que percorre nosso corpo, os pensamentos que tomam nossa cabeça… é tudo sempre tão intenso. É o momento em que você percebe que está prestes a entrar em um carro e acelerar até mais de 300km/h contra seus maiores adversários. É o momento que antecede toda a calmaria e solidão de estar dentro de um carro, ou seja, é o ápice de todas as nossas emoções. ―  Ele respirou fundo e eu já tinha dois olhos pulando pra fora sem entender nada do porquê ele estava falando tudo aquilo alí, olhando pra mim. ―  Aqui, , era o momento em que o meu coração batia mais rápido e mais forte ―  Ele sorriu ―  Mas aí eu conheci você. E eu senti o meu coração bater de um jeito que ele não faz nem aqui. E eu me perguntei por alguns dias, como isso é possível? E então eu cometi uma loucura e joguei meu carro em cima de um colega de profissão. E você, depois de se preocupar comigo e com ele, se preocupou com a minha lucidez. Só depois disso eu entendi.

Ele se aproximou do totem e tirou uma caixinha debaixo do capacete. Uma caixinha azul que eu, como boa romântica que sou, conheço bem. Não me lembro se eu ainda respirava naquele momento. Ele parou na minha frente novamente e continuou:

―  Eu entendi que você me faz perder a razão, mas me traz ela de volta, em dobro. Entendi que você faz meu coração bater forte igual aqui, mas em dobro. E, por fim, eu entendi que esse tempo todo, o meu maior erro era procurar por alguém pra me completar, quando na verdade, eu precisava de você, pra me transbordar.  Por isso, eu quero você para sempre ao meu lado. Pra começar, você quer ser minha namorada?

Não me lembro de, em toda minha vida, ter chorado tanto como nesse dia. Não haviam palavras que respondessem tal declaração de amor. Não haveriam frases, citações ou gestos que me ajudassem a mostrar o tamanho da minha gratidão por tudo aquilo.

―  Sim, sim, sim! Claro que sim ―  Pulei no pescoço do meu piloto preferido e o enchi de beijinhos por todo o rosto e ele me prendeu em um beijo profundo.

Eu estava de aliança, quando os fogos começaram a explodir no céu, o público foi ao delírio e todos os nossos amigos correram para nos abraçar e nos parabenizar. Ou quase todos. Onde estava Max?



Capítulo 16

"High on life till the day we die"

A corrida foi incrível e finalmente pudemos curtir os boxes como gostaríamos, com paz e tranquilidade. E uma muito feliz.
Entramos no espaço da Mercedes e fomos apresentadas para diversos membros, entre eles o todo poderoso chefão Toto Wolff. Lewis fez questão de apresentar cada uma de nós e o homem sorridente e muito simpático nos fez sentir super confortáveis para assistirmos a corrida, nos ofereceu fones e lugares para nos sentarmos.

―  E então, você sempre gostou de Fórmula 1? ―  Ele conversava comigo.
―  Sempre assisti com o meu pai, fazia perguntas, mas confesso que não acompanhava fielmente. Só um tempo depois, quando fiquei mais velha, comecei a entender melhor e me apaixonei.
―  E seu pai torce… pela Mercedes, imagino.
―  Meu pai sempre torceu pelo Senna, consequentemente ele torcia para a McLaren e quando o Hamilton chegou por lá, ele virou fã. Mas com a vinda dele para a Mercedes, meu pai acabou meio que acompanhando. O que me fez torcer pro Lewis e a equipe também.
―  Gostei da honestidade. Muitas pessoas que vêm conhecer o paddock e os boxes falam para todos os pilotos que torcem para cada um eles ―  Esse era o diferencial do nosso grupo. Nunca estivemos dispostas a mentir ou negar nossas torcidas para agradar algum deles ―  Bem, a corrida vai começar, mas fiquei à vontade e aproveite. Se precisar de alguma coisa, pode me chamar, estou sentado bem ali na frente. E ah! Espero te ver mais vezes por aqui.

Uau! Por toda essa simpatia e ―  charme, devo admitir ―  eu não esperava. O cara era um muso.
Hamilton venceu a corrida fazendo todas nós vibrarmos, seguido por Charles e Lando em terceiro. Um pódio surpreendente sem Max nele. 
Na manhã seguinte era hora de partirmos para casa e as redes sociais ferviam com fotos de todo nosso grupo nos perfis de fofoca brasileiros. Até revistas internacionais estampavam os casais do grupinho. Eles tinham descoberto nossa identidade quando Charles postou uma foto de comemoração com todos nós reunidos no pódio na tarde de domingo.
Diversos blogs, jornalistas e até influenciadores famosos entraram em contato com as três meninas para concederem entrevistas sobre como era viver um relacionamento com um piloto de Fórmula 1. Assimilar toda a situação que se passava na nossa frente era difícil. A gente só estava naquela nova “vida” há algum tempo e tanto já tinha acontecido. Amores fatais, loucuras, intensidade. Mas o importante era que estávamos dividindo tudo aquilo e estávamos prontas para viver muito mais.

Killed the demons of my mind
Ever since you came around
We're a river, running wild
How could I have been so blind?
I just live a fast life
Forget about the past time
I'm numb out to escape my feels
And friendships only pass by
Show up, gone, like strobe lights
But with you I feel something real
And I'd walk a million miles just to see your smile
Till the day I die
Oh, I need you by my side, we get high on life
Till the day we die
High on life till the day we die



Capítulo 17

"Hold on just one more day.You know you'll find a way. You've got stars in your eyes"

Duas semanas se passaram rápido com trabalho e muitas trocas de mensagens com Charles. Eu já estava morrendo de saudades.
O jatinho que nos levaria para Abu Dhabi chegaria na quarta-feira e as meninas estavam malucas arrumando tudo. Além disso, eu tinha decidido aceitar o convite de Charles para passar as férias dele em Mônaco para conhecer sua família, e de lá, iríamos para algum outro lugar do mundo.
A viagem seria um pouco menos empolgante sem Charles me convidando para conhecer outras partes do pequeno avião e Max nem dera sinal de vida desde a nossa última interação na Arábia Saudita. Daniel, no entanto, mandava mensagem todos os dias no grupo do WhatsApp, o que garantia nossa diversão.

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A corrida foi um espetáculo. Max precisaria chegar em primeiro para garantir os pontos e vencer o campeonato mundial, o que deixou a disputa acirrada com pit stops cravando recordes. Cada milésimo de tempo contava.
Mas com um pequeno deslize do holandês em uma das curvas, Hamilton conseguiu garantir vantagem e vencer, levando o seu 9º título mundial. O melhor do mundo deixava cada vez mais difícil alguém conseguir bater seus números.
Por mais que quiséssemos comemorar, a primeira coisa que Lewis fez ao sair da cerimônia de premiação, foi tirar de lá e provavelmente comemorar de um jeito mais… privado.
Todos foram embora para se arrumar para a grande festa que haveria naquela noite. Enquanto eu esperava Charles conversar com seu engenheiro, em um Autódromo vazio e silencioso, avistei Max sentado na pista com a cabeça baixa. Meu coração se partiu em um milhão de pedacinhos e, apesar da nossa distância nos últimos tempos, eu sabia que precisava ir dizer alguma coisa para apoiá-lo.

―  Ei, não vai se aprontar para a festa, em um smoking bonito, que provavelmente fará as mulheres irem ao delírio? ―  Me aproximei sentando com as pernas cruzadas ao seu lado.
―  Não vou à festa. Não tenho motivos para comemorar ―  Uma versão Ultra Mad Max olhava com espanto eu sentar no chão sem cerimônias ―  E o que você está fazendo aqui? Você vai sentar nesse chão sujo?
―  Primeiramente, esse chão não é sujo, mas é um chão quase que sagrado… que cheira a adrenalina e remete à momentos inesquecíveis. Sabe quantas pessoas dariam uma vida para poder encostar nele? Segundo, para com isso, Max, é claro que você tem motivos para comemorar. Você quase conquistou mais um título mundial, mas também foi o piloto favorito da temporada. Olha para os seus fãs, olha para a sua equipe… Estão todos muito orgulhosos de você. E outra coisa, o ano que vem está batendo à nossa porta, não temos tempo para lamentações, só para muito treino ―  Ufa, eu falei sem interrupções enquanto ele continuava me olhando espantado.
―  O meu pai não está orgulhoso ―  Ok, essa pegou no fundo da minha alma. Abaixei a cabeça, porque senti que depois dessa, não havia nada que eu pudesse falar.
―  Estou aqui, porque sei tudo o que terei que ouvir quando encontrá-lo e nesse momento, o silêncio desse autódromo é a única coisa que me conforta ―  Ele continuava me dando socos no estômago sem ao menos encostar em mim.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Eu não aguentava imaginar aquilo. De tudo que víamos na TV e nas redes sociais, eu nunca imaginei que seria tão intensa essa briga com o pai dele. Quase não imaginava que fosse verdade e me deparar com tudo isso, era demais para mim. Quando olhei para ele, para começar a buscar palavras de consolo, pude ver que, pelos olhos sempre gelados daquele homem que ainda era só um menino, lágrimas também escorriam.
Eu levantei e o abracei, sem nem pensar muito. Não sabia como ele reagiria, mas eu sabia que eu queria fazer aquilo. E sem relutar, ele me abraçou de volta. Ainda mais apertado. De alguma forma, era exatamente disso que ele precisava.

―  , temos que ir ―  Charles gritava de dentro do box da Ferrari.
―  Vai lá. Seu namoradinho está te esperando ―  Max se soltou rapidamente dos meus braços e retornou à sua forma fria.
―  Me promete que vai à festa? De dedinho?
―  Eu prometo que pensarei a respeito.
―  Não é o suficiente, mas eu sei que é o máximo que conseguirei arrancar desse coraçãozinho. Então… ―  Dei um beijo em sua bochecha e me levantei para caminhar até Charles.

POV Max

Mal sabia ela o quanto eu precisava daquilo. Daquele gesto. Dela. Todos me enxergam como Mad Max e ela ultrapassou todas as barreiras, invadiu minha bolha de proteção particular e me abraçou! Ela me tocou e me fez sentir um choque correr pelo corpo. Não o choque ruim de medo que eu sentia do meu pai, mas um choque de conforto, de alívio.
Resolvi ir à festa para encontrá-la. Talvez eu precisasse dizer o quanto tinha sido importante pra mim.
Cheguei atrasado e todo o grupo de amigos do momento já estava reunido na pista de dança. Daniel dançava de uma forma engraçada, como sempre, junto de e que eram observados por Carlos, Lando e Lewis.
Virei o rosto para procurar a única do grupo que faltava e encontrei uma em um vestido branco com uma fenda que tiraria qualquer homem do sério. Senti meu corpo enrijecer na mesma hora. Quando comecei a me dirigir em sua direção, meu pai surgiu na minha frente pronto para cuspir o monte de besteira que eu já sabia que ouviria. Meus olhos continuavam fixos nela, mas desisti do meu foco quando percebi Charles brotando ao seu lado e beijando-a.
Meu pai estava mais irritado do que nunca. Eu podia ver o vermelho em seus olhos mesmo no escuro e ouvir seus gritos que concorriam com a música alta do ambiente. Ele me pegou pelo braço me chacoalhando quando percebeu que eu não prestava atenção em nada do que ele falava. Eu me sentia fraco, quase cambaleando, quando senti o seu primeiro tapa na minha cabeça.

―  NÃÃÃOOOO!! PARA COM ISSO!! VOCÊ NÃO PODE BATER NO SEU PRÓPRIO FILHO. OLHA O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O PSICOLÓGICO DELE. VOCÊ É LOUCO? MAX DÁ TUDO DE SI POR VOCÊ E É ASSIM QUE VOCÊ RETRIBUI? VÁ BRIGAR COM ALGUÉM DA SUA IDADE ―  Quando recobrei a consciência, vi discutindo com o pior homem de todos: Jos, meu pai.

Ela tinha me empurrado para longe e estava com o dedo na cara dele, gritando todos os tipos de coisas. Por sorte, muitas pessoas estavam em volta e já começavam a segurar a baixinha mais corajosa que já conheci. Ninguém nunca se atreveu a peitar meu pai.

―  Max, como você está? Você está bem? Fala comigo!
―  Você apontou o dedo na cara...do meu pai? E ainda gritou com ele?
―  Me desculpa, eu não podia ter feito nada disso, mas não aguentei. Não podia deixá-lo fazer uma coisa dessas com vc… ―  Coloquei o dedo nos lábios dela, fazendo com que parasse de falar.
―  Obrigado! ―  Eu acho que estava me apaixo…
―  Max, você está bem? ―  Charles parou ao nosso lado me fazendo despertar da minha própria transe.
―  Vou ficar bem. Graças à sua namorada, ela é muito corajosa, Charles. Você precisa cuidar dela.
―  Pois é. Minha pequena selvagem. Podemos ir agora? Você vai ficar bem, Max? ―  Ele insistia em mostrar sua preocupação, mas eu sabia que ele estava preocupado era em tirá-la de perto de mim. Assenti com a cabeça.
―  Max, você tem certeza que vai ficar bem? Precisa de algo? ―  Essa voz sim era de preocupação verdadeira. A voz da minha salvadora.
―  Vou ficar bem. Eu vou arrumar um jeito de ficar.



Capítulo 18

“The eyes, Chico, they never lie”

Eu partia para Mônaco com Charles e e voltavam ao Brasil para nos encontrarem no mês seguinte novamente.
A família de Charles foi extremamente doce comigo. Eram pessoas simpáticas e muito hospitaleiras. Perguntavam sempre o que eu comia ou não, pois gostavam de cozinhar e sempre agradar com pratos magníficos, típicos de Mônaco.
Em uma tarde de domingo, depois que almoçamos, eu e Charles ficamos em seu quarto deitados. A brisa gelada que entrava pela varanda do quarto, era um convite gostoso a ficar abraçada com o meu namorado na cama quentinha.

―  Precisarei sair, você fica aqui? ―  Charles perguntou, me fazendo despertar.
―  Mas… onde você vai? Vai demorar?
―  Tenho que ir ver uma peça do carro que enviaram para a garagem aqui de Mônaco. Devo voltar no começo da noite.
―  Mas hoje? Em pleno domingo?
―  Não tem dia para o meu trabalho, baby. Fica bem e me liga qualquer coisa ―  Não pude nem rebater, pois ele já havia deixado o quarto.

Viajar é muito bom e estar na companhia dele é melhor ainda, mas a parte de ficar sozinha enquanto ele se dedica à equipe era realmente o meu maior desafio. Me levantei e comecei a olhar os livros que ele tinha na estante. Todos de corrida, carros e todas as categorias do automobilismo. Eu começava a entender que aquilo não era a profissão de Charles, mas a vida dele.

―  “Oi, está ocupada? Quer ir comigo até o aeroporto buscar Daniel?” ―  Meu celular tocou com uma mensagem de Max, me fazendo sorrir.
―  “Claro, você me pega aqui?” ―  Respondi sem pensar duas vezes. Ficar trancada naquele quarto sozinha, enquanto o meu melhor amigo chegava à cidade não era uma opção.

Encontrar os dois me trouxe uma sensação de felicidade tão grande. Depois do aeroporto, fomos direto para o apartamento de Max, onde Ricci ficaria hospedado naquela semana.

―  Como estão as coisas com Charles? Vivendo seu próprio conto de fadas monegasco? ―  Daniel me perguntou quando eu ajudava ele a se instalar no quarto de hóspedes.
―  Sim! Um verdadeiro conto de fadas mesmo. Conheci a família dele e fomos a vários lugares aqui por perto.
―  Hummmmm. E por que é que eu ainda sinto uma pontinha de tristeza nessa voz? ―  Era impressionante como Daniel sabia ler as pessoas. A nossa conexão desde o começo também não me ajudava a esconder algo daquele ser humano com sorriso largo.
―  Ah… sabe como é… ―  Cocei a nuca tentando procurar pela melhor forma de explicar, sem parecer uma namorada psicopata e controladora ―  Ele passa bastante tempo se dedicando à Scuderia. Como hoje a tarde, por exemplo, ele saiu e me deixou sozinha. Mas eu não quero parecer chata, nem nada disso. É só que estar em outro país sozinha…
―  Eu te entendo, pequenina. Não precisa se explicar. O que você vai ter que entender é que Charles respira a Ferrari, mais do que qualquer um de nós. Ele tem um propósito muito claro desde a morte de Jules.

Assenti com a cabeça e ele me abraçou. Eu sabia que teria que dividi-lo com a Ferrari. Só precisava encontrar a melhor forma de lidar com isso.

―  E você sabe que tem a mim e a uma outra pessoa ali sempre.
―  É… a outra pessoa ali não é muito minha fã, mas eu sei que tenho você.
―  , … pelo visto você não está olhando bem nos olhos dele. Lembre-se sempre de focar no olhar ―  Focar no olhar? Que tipo de conselho era aquele? Sacudi a cabeça tentando não pensar naquilo, pois já estava com muita coisa para me preocupar.

Resolvemos assistir um filme e eu preparei uma pipoca. Eles não acreditavam que eu sabia cozinhar, porque nenhuma de suas amigas fazia isso. Que realidade é essa?
Daniel dormiu na segunda cena, provavelmente muito cansado da viagem da Austrália até Mônaco e ao final, eu e Max decidimos dar uma volta na praia para ver o pôr-do-sol.
O clima era leve, Max parecia relaxado e feliz com a chegada de seu melhor amigo.

―  E então, como ficaram as coisas com seu pai? ―  Resolvi arriscar o assunto.
―  As coisas estão caminhando. Vamos nos acertando aos poucos. Ainda preciso pensar muito sobre essa relação, mas… No momento tudo que eu posso dizer é obrigado pelo dia da festa. Você realmente foi uma pequena selvagem ―  Ele riu.
―  Ah… você não viu nada ainda. Pode dizer para ele que se ele se meter à besta comigo e com as pessoas que eu gosto, ele vai conhecer uma parte muito pior minha ―  Fiz um sinal com a mão, passando o dedo pelo pescoço, querendo dizer que arrancaria seu pescoço.
―  Uau! E... eu sou uma pessoa que você gosta?
―  Mas é claro que sim! ―  Os olhos… os olhos dele brilhavam e eu lembrei do conselho de Daniel.
―  Então não devo me preocupar com seu lado… selvagem?
―  Ah depende né?! Posso ser muito perigosa, cuidado… ―  Dessa vez, estendi minha mão em forma de garras atacando-o e ele se levantou correndo para longe de mim.
―  AAAAAH! SOCORRO! SOCORRO! ―  Ele ria e corria mais.

Me levantei para correr atrás dele. Ele era rápido, mas diminuía a velocidade se virando para me ver. Quando percebeu que eu me aproximava, ele correu para o mar, começando a jogar água em mim.
O frio era tanto, mas nada poderia me impedir de alcançá-lo e vencer aquela corrida que tínhamos acabado de criar.
Bati meu corpo contra o dele quando finalmente cheguei até onde estava parado. Era possível ouvir nossas risadas a quilômetros de distância.
Ele diminuiu o riso e me olhava fixamente. O mesmo aconteceu comigo, e de repente estávamos presos em uma conexão só nossa. Ele se aproximou e encostou o nariz no meu, segurando minhas mãos. A tensão que tomava meu corpo naquele momento era assustadora.
Quando ele quase encostou os lábios no meu, dei um passo para trás e coloquei uma mão em seu ombro, garantindo a distância segura para lidar com aquele homem.

―  Max, o que você tá fazendo?
―  Eu… eu…
―  É melhor a gente ir embora. Charles deve estar me esperando.
―  Claro, eu te deixo lá.

Nenhuma outra palavra precisava ser trocada.



Capítulo 19

“Maybe that's what happens when a tornado meets a volcano”

POV

Mônaco, finalmente! Parece que aquele mês demorou tanto para passar… Eu não estava só com saudades dos meus dois pacotinhos de felicidade, como das minhas amigas e nossos abraços apertados.
Eu tinha tentado tirar esse tempo para decidir o que eu iria querer fazer, com quem eu gostaria de ficar, mas simplesmente não conseguia me decidir. Sabe aquele sentimento de querer tudo? Então… eu queria tudo aquilo.
Para comemorar nossa chegada, Max fez questão de preparar uma festa na piscina do seu prédio. Uma vista surreal de toda a cidade e muuuuita tequila resumiam a nossa diversão.
Estava de biquíni rindo de alguma coisa que Daniel dizia, quando fui puxada por um Lando com sorriso safado no rosto.

―  Senti saudades, anjinho ―  Ele dizia enquanto me preenchia de beijos, me prensando cada vez mais contra a parede, me permitindo sentir cada curva do seu corpo escultural ―  Não vejo a hora de ter você só pra mim…
―  Lando… eu… ―  Eu não tinha forças para completar frases, porque estava tomada pelo desejo de estar com aquele homem que agora me beijava em todo o pescoço.
―  O que, anjinho? Diz pra mim… o que você quer, hein?
―  Ela quer que você solte ela ―  A voz grave de Carlos que estava parado na nossa frente com braços cruzados me fez pular.
―  Ca...Ca...Carlos?? O que você está fazendo aqui? Eu tava… ―  Tentei me explicar, completamente em vão.
―  Vocês estão… saindo?
―  Sim! ―  Lando respondeu prontamente antes que eu pudesse ao menos reagir.
―  Não, saindo, não, a gente tá… eeerr… se… conhecendo? ―  Meu Deus, as coisas só pioravam.
―  Mas, , eu achei que a gente… que A GENTE tava saindo. O que eu sou para você então? ―  Pronto, a bomba foi jogada e eu tinha dois pares de olhos esperando por explicações que eu não imaginava ter de dar tão cedo.
―  É… a gente tava ne? Rs… ―  Abaixei a cabeça procurando por qualquer coisa que eu pudesse dizer, mas nessa altura do campeonato, a verdade era a melhor coisa que poderia vir ―  A gente tava, e eu o Lando também. Sabe? Acabei envolvida com os dois e simplesmente não consegui me decidir com quem eu queria ficar. Me desculpem. Não sei o que dizer.
―  Bom… eu não sei o que podemos fazer a respeito disso. Eu não quero abrir mão de sair com você, porque acho que a gente… a gente combina, entende, Lando? ―  Carlos saiu na frente, pronto para tirar um dos meus pacotinhos de felicidade da jogada.
―  Eu tenho uma ideia ―  O sorriso malicioso de Lando voltou ao seu rosto e eu me dividia entre felicidade e medo ―  Somos três. Vamos aproveitar isso. Hoje. Agora. E depois… a gente deixa a decidir o que ela quer.

E foi assim que os dois me arrastaram para o quarto de Max.
Os dois pareciam disputar para ver quem daria o primeiro passo, quem faria o primeiro movimento, como se o prêmio fosse… eu? Bom, eu não me importava nem um pouco.
Lando tirou a camiseta e começou a me beijar. Em seguida, Carlos tirou a camiseta e a calça e apareceu na minha frente apenas de cueca branca, me fazendo ferver em puro desejo.
Os dois me envolviam, me queriam. Disputando pela minha atenção. Quando conseguimos nos movimentar para cima da cama, Carlos me beijava, enquanto Lando beijava meu ombro e acariciava as minhas costas, até suas mãos desamarrarem meu biquíni e eu estava entregue aos dois homens que eu mais desejei.
Logo depois da nossa aventura, Lando me beijou e saiu em busca de água para mim. Carlos, por sua vez, me ajudava a me vestir. Um tentando ser mais útil do que o outro.
E ali, eu entendi, a guerra entre os dois, estava declarada.

POV

Eu não poderia estar mais feliz do que eu estava naquela tarde de sexta-feira. Na verdade, eu poderia, se Charles não tivesse ido à uma festa privada da Ferrari e estivesse me beijando, como Lewis e se beijavam.
Já que estava abandonada e segurando muitas velas para minhas amigas, resolvi me permitir tomar um porre. Daqueles que a gente bebe tudo o que vê pela frente, dá shot e acorda com dor de cabeça no dia seguinte. Pelo menos minha dor de cabeça se chamaria tequila e não Charles.
Eu estava de biquíni e dançava ao som de Life Goes On (by E^ST), curtindo minha própria vibe. Me mantendo em uma bolha imaginária, eu olhava a cidade que estava aos nossos pés. Eu amo essa sensação.

I should let go
But I think of you more than you know
I think of you more than you know

Eu cantava de olhos fechados balançando a cabeça e o corpo, quando me virei e encontrei um par de olhos azuis do outro lado da piscina me encarando com divertimento. Sorri em resposta para o dono dos olhos mais impactantes de Mônaco e voltei a observar o movimento das ruas abaixo de nós.

―  Tequila? ―  Os olhos me alcançaram. E me ofereciam tequila.
―  Você não deveria estar embebedando ainda mais as suas visitas, sabia, mocinho? ―  Respondi tirando o copinho da mão dele e virando em seguida. Acho que essa era a 5ª dose e eu já me sentia mole.
―  Hoje é um dia para nos divertirmos, não é? E ver você assim… ―  Ele me olhava dos pés à cabeça enquanto eu estava encostada na grade que cercava o ambiente ―  … me diverte também.
―  Hummmm sei. Então, você não está bebendo?
―  Claro que estou. Gin tônica. Aprendi com uma pequena selvagem no GP do Brasil e meio que viciei.
―  Hum… então a pessoa que te viciou nisso aí tem bom gosto. E aposto que ela tem muito mais pra te mostrar.
―  Ah é? Tipo o que? ―  Ele perguntou arqueando uma das sobrancelhas para mim. Já a minha resposta foi apenas sorrir. Não nego que eu tinha provocado, mas agora não poderia ir adiante.

Em algum determinado momento que eu mesma já não entendia, as meninas resolveram colocar funk brasileiro para mostrar aos meninos, o que me arrancou da conexão com Max e me fez cair na dança com elas. E assim, ao som de Luisa Sonsa, estavam as três meninas rebolando até o chão. Os meninos se divertiam e até arriscavam algumas reboladinhas, sem contar quando eles tentavam cantar junto. Todos se divertiam, exceto Max, que se dividia entre nos olhar e virar para a vista da cidade, hora com a mão no bolso do shorts, hora passando a mão na nuca.
Depois de algumas músicas, decidi que meus joelhos precisavam de uma pausa e fui até o banheiro que ficava dentro de um grande salão.
Enquanto caminhava pelo corredor que dava em direção à porta do lugar que eu precisava chegar, percebi que estava sendo acompanhada e me virei para checar quem era.
Nem me dei conta, quando Max me encostou na parede e se aproximou de mim, me prendendo entre os dois braços apoiados na parede.

―  Você tá me provocando ―  Ele falava pausadamente ―  E eu não sei por quanto tempo eu vou aguentar. Então, por favor, para!
―  Que? Eu? ―  Falei mordendo os lábios, tentando me desvencilhar da culpa daquela conversa que tivemos.
―  Você, . Você não sabe o quanto estou me segurando pra não morder esse lábio como você está fazendo agora ―  Essa me deixou em choque.
―  Max… ―  Eu balançava a cabeça em negativa. Só eu sei o quanto meu corpo estava trêmulo com aquele homem na minha frente me falando aquelas coisas. E não era efeito da tequila. Era efeito Max ―  A gente não…
―  A gente não o quê? Será que você ainda não percebeu?
―  Não percebi o que?
―  Que eu tô louco por você e que você também está louca por mim ―  Meu queixo caiu.
―  Não é com o Charles que você quer estar. Não é perto dele que você enrijece o corpo ―  Ele parecia se divertir com as próprias falas, percebendo toda a verdade que dizia. Droga! Meu corpo realmente ficava tenso perto de Max, mas eu não sabia o motivo ―  ou sabia e não queria admitir.
―  Não é com ele que… ―  Ele se aproximava mais e encostou o nariz no meu ouvido, me fazendo arrepiar ―  Não é ele que você deseja.

Eu quase me derretia inteira feito uma gelatina sem estrutura nenhuma, quando dei por mim. Charles! Não posso! E na mesma hora, pulei para fora do braços de Max.

―  Não, Max, eu não posso. Eu gosto do Charles e é com ele que… ―  Respirei fundo me lembrando do porquê eu fugia daquele homem maravilhoso que estava à minha frente ―  É com ele que eu estou! É ele que gosta de mim e que...
―  Então abre melhor o seu olho, porque só você não percebeu que eu tô apaixonado por você ―  Ele me interrompeu e me deixou sem ar. Que? Como assim apaixonado? Como alguém fala isso e sai andando como ele fez?

I know we be so complicated
Lovin' you sometimes drive me crazy
'Cause I can't have what I want and neither can you



Capítulo 20

“If I should die before I wake, It’s cause you took my breath away”

Com o fim das férias, os pilotos começavam a se preparar para a nova temporada de 2024 e os treinos se intensificavam. Por isso, eu e as meninas voltamos para o Brasil para dar atenção aos nossos trabalhos, familiares e amigos.
Além disso, as três começavam a serem convidadas para eventos de grandes marcas como MAC Cosmetics, Christian Dior e estreias de filmes. Eu e amávamos todo o glamour dos eventos e relutava todas as vezes que tinha que comparecer, porque não se sentia confortável com toda a exposição.
Março lotou nossas agendas de convites, além de um contrato para desenvolvermos uma coleção cápsula para a Baw Clothing com algumas peças inspiradas no universo que mais estávamos inseridas, a Fórmula 1. Foi um trabalho especial pensar nos elementos que iriam compor as estampas das peças de roupa. Era uma marca jovem e super descolada que combinava muito com nossos estilos.
Em uma das reuniões, nossos celulares tocaram com mensagens de Daniel agitando o grupo, como sempre. A novidade era a festa de abertura da temporada de 2024 da F1 que aconteceria em Mônaco na semana seguinte, nos fazendo pular da cadeira. Mais uma festa só podia significar uma coisa: comprar novos vestidos e arrumar as malas.
Eu estava feliz e animada, porém apreensiva. Eu tinha evitado pensar em todos os acontecimentos com o Max desde o nosso último encontro e revelações um tanto assustadoras para mim e agora teria que dar de cara com ele novamente.
Só quem sabia de tudo o que tinha acontecido eram , , Fabi e minha mãe, claro. Nem ousei comentar com Charles, afinal, o que ele seria capaz de fazer dessa vez se já tinha arremessado o carro do adversário pista afora?!

―  Vamos AGORA no shopping. Vocês sabem o quanto é difícil arrumar um vestido e as minions aqui ainda têm que mandar fazer barra ―  dizia apressada.

E lá fomos nós para nossa saga. As três decidiram ir de preto longo. O vestido da era de seda e tinha um decote frontal com uma fenda que deixava toda a perna direita à mostra. Já o de era inteiro de paetê com alcinhas bem finas. E por fim, o meu que tinha um decote nas costas, deixando-as toda aparente.
e voltaram para suas cidades para começarem a arrumar as malas e eu fiquei responsável de pegar os vestidos ajustados em SP antes de embarcarmos para Mônaco, no avião que Charles tinha enviado para nos buscar.

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Nós descemos do avião direto para o hotel para nos arrumarmos, sem nem poder ver nossos pilotos antes. Tínhamos apenas duas horas e isso parecia impossível já que toda vez que nos arrumávamos juntas, parávamos para cantar, fofocar e ver Tik Tok, sem contar a indecisão na hora de escolher qual cor de batom ficaria melhor.
Depois de quase perder o horário mais uma vez, terminamos os delineados e caprichamos muito no rímel. Todas tinham decidido focar nos olhos e deixar lábios mais neutros, para combinar com os vestidos. Conseguimos sair com apenas 25 minutos de atraso em meio a mensagens impacientes de pilotos querendo entrar acompanhados na festa.
Mais uma vez os fotógrafos estavam alucinados e armados de suas câmeras mais poderosas em mãos, apenas esperando para garantir um clique de Charles, Carlos e Lewis cruzando o tapete vermelho com suas recém descobertas acompanhantes.
Dentro da festa, o som era alto, as luzes eram baixas e as champanhes circulavam ferozes como de costume em todos os eventos da F1. A pista estava convidativa e super animada com Daniel e seus passos que ninguém conseguia acompanhar e as três meninas resolveram acompanhá-lo, enquanto nossos acompanhantes paravam para falar com pessoas importantes da FIA sobre atualizações de motores que estavam sendo realizadas para o campeonato que estava prestes a começar.

―  Finalmente alguém para me acompanhar!! ―  Daniel parecia animado com a nossa chegada e nos cumprimentou com beijos, logo nos fazendo girar no ar.

No momento em que ele me girava, e eu voltava à minha posição original, me deparei com quem eu menos esperava encontrar: Max.
Mas não era um Max qualquer. Era um Max sorridente. Mas não era um Max sorridente de felicidade. Era um Max com sorriso sacana, de quem pretende aprontar alguma coisa a qualquer momento. E àquela altura, eu já não duvidava de nada vindo dele. Instantaneamente prendi a respiração.

―  Boa noite, senhoritas.
―  Oi Max, quanto tempo, estava offline no final das férias? ―  automaticamente colou do meu lado em posição de proteção.
―  Pois é, andei precisando pensar em algumas coisas, mas agora estou de volta. Poderão me ver bastante por aí. Imagino que irão para Bahrein…
―  Ainda não sabemos, mas te desejamos toda sorte, viu?! ―  Uma bem sarcástica se plantou no meio da conversa.
―  E a amiga de vocês, não fala? Senhorita Lecrerc?
―  Max ―  Acenei com a cabeça e um sorriso forçado, respondendo à sua provocação e soltando lentamente o ar que prendia.
―  Vem Max, sente o ritmo da música, dança comigo ―  Daniel, completamente alheio a tudo o que acontecia o convidou para se juntar a nós e foi minha deixa para ir encontrar meu namorado.

Charles me apresentava à milhares de rostos, nomes e cargos que eu nunca lembrarei e eu já não aguentava mais sorrir e acenar educadamente. Queria meu namorado, para curtir a festa comigo.

―  Ei, vem aqui um pouquinho ―  O arrastei para o corredor que dava acesso aos banheiros e estava completamente vazio ―  Preciso de você para uma emergência.

Encostei Charles na parede e comecei a beijá-lo. Como senti falta dos lábios macios daquele homem. Desci para o pescoço, indo de encontro ao perfume enlouquecedor dele, depositando beijos e passeando com a língua, quando ele me empurrou.

―  Ei, o que você está fazendo?
―  Eeer… matando a saudade que eu estava de você? ―  Respondi confusa com a pergunta.
―  Também estou com saudades, baby e quero fazer muitas coisas com você. Mas esse não é o melhor momento e nem o melhor lugar para isso…
―  E quando será, ba-by? ―  Perguntei me aproximando novamente dele e arriscando uma mordida em sua orelha.
―  Que tal mais tarde? Podemos ir para o seu hotel e lá resolvemos essa… emergência. Ok? ―  Desviando de mim, ele me deixou sozinha no corredor com dois olhos incrédulos. Ele me deixou sozinha????

Para melhorar ainda mais a minha sorte, Max chegava como uma assombração e se encostava na parede ao meu lado, permanecendo me olhando com um olhar insuportável de satisfação com a minha situação. Respirei fundo e decidi que o melhor a se fazer era ir encontrar minhas amigas.
Na pista de dança, me joguei no ritmo das músicas com , e Daniel para tentar esquecer o golpe que acabara de levar.
Também pude conversar com pessoas diferentes como Valteri Bottas, um piloto que sempre admirei e foi subestimado pela Mercedes na temporada de 2021. Desde que havia chegado à Alfa Romeo em 2022, o finlandês só garantia bons resultados e surpreendia a todos ―  menos a mim e minhas amigas ―  com seu talento para ser o piloto principal de uma equipe.
Russel e Gasly também passaram por nós e pudemos conversar um pouco, enquanto dançávamos com as das batidas da música.
Eu precisava beber algo e resolvi ir até o bar. Avisei minhas amigas e me afastei da pista.

―  Oi, eu queria uma gin tônica, por favor ―  Quando finalmente conseguia matar minha sede de álcool, me virei para observar a festa novamente. Encontrei Charles com mais pessoas importantes do mundo FIA/ Ferrari e acenei com um sorriso. Deus, eu estava desejando tanto aquele homem e nosso momento particular.

Enquanto Charles sorria de volta para mim, senti uma mão gelada em minhas costas e arrepiei.

―  Problemas no paraíso? Parece que ele encontrou companhias mais interessantes ―  Max! O som provocativo saía de seus lábios diretamente em meus ouvidos, enquanto disfarçava uma cara de quem estava apenas me dando bom dia. Cínico.
―  Nenhum problema. Ele está trabalhando, você também devia estar fazendo isso ao invés de importunar mocinhas indefesas por aí ―  Tomei um gole da minha bebida e continuei sorrindo, interpretando a minha melhor feição de quem estava apenas conversando sobre o tempo lá fora.
―  A diferença entre eu e ele é que ele trabalha e esquece as pessoas que gosta, eu… trabalho, mas não me esqueço do prazer… ―  Enquanto o holandês falava, escorregava as pontas dos dedos do meio das minhas costas um pouco mais para baixo, o que me fazia enrijecer mais o corpo e prender ainda mais a respiração.
―  Cala a boca, Max!
―  Uau, que grossa, você não estava assim no box da Red Bull, ou na praia em Mônaco enquanto corria atrás de mim, ou até… ―  Ele se atrevia a chegar cada vez mais perto do meu ouvido, quase encostando os lábios no lóbulo da minha orelha e eu me contorcia.

Olhei para ele arqueando as sobrancelhas, enquanto o desafiava a terminar sua frase absurda. Ele sorria. Um divertimento puro, vendo meu descontrole aparente.

―  Ou até…
―  Vou deixar sua memória trabalhar. Tenho certeza que aquele dia da festa na minha casa deve estar aí dentro em algum lugar. Eu só não sei se é aqui... ―  Ele apontou para minha cabeça ―  Aqui... ―  ele apontou para o meu coração ―  Ou…
―  Não se atreva! ―  Segurei sua mão que se encaminhava para minhas regiões íntimas.
―  Não será necessário… Parece que você já entendeu ―  Ele se divertia cada vez mais, enquanto eu ficava sem ar.
―  Agora você só precisa enxergar que… Você. Me. Quer. Eu não estarei sempre aqui, BA-BY ―  Ele retornara as mãos nas minhas costas e ainda se atrevera a me zombar por conta do meu apelido com Charles que tinha ouvido antes.
―  Chega! ―  Dei um basta e sai andando depressa, parando ao lado da primeira mesa longe daquele poço de pecado e tentando recuperar o fôlego que eu havia perdido já no primeiro toque dele. Esse cara ainda vai me matar.



Capítulo 21

"Still falling for you"

, você está bem? ― Me assustei com a voz atrás de mim e quase dei um pulo. Muito acontecimento pro meu coração suportar em uma única noite ― Parece que viu um fantasma, vem aqui, senta.

Daniel me confortava. Meu amigo sempre sabia quando e como eu precisava dele. Eu só não tinha contado nada sobre Max para ele ainda, pois acreditava que não havia nada para contar. A festa na casa do holandês e as declarações foram um surto coletivo, vamos combinar. Mas essa noite definitivamente me mostrou que tinha alguma coisa acontecendo. Porém, ainda assim, eu preferi esperar antes de contar a qualquer um, tanto para ele como para as Baes.

― Está...está sim, eu só… acho que minha pressão caiu um pouco, foi isso.
― Você sabe que não consegue mentir, né?
― Não estou mentindo, pare de ser bobo.
― Ok então, quando se sentir à vontade, sei que vai me falar. Agora eu quero saber, cadê o seu príncipe encantado de carro vermelho?
― Provavelmente conversando com alguém importante por aí… alguém, certamente, mais importante do que eu.
― Ouch! Estou sentindo um ressentimento nesse tom de voz…
― Ah, Dani, você sabe né… o meu dilema de ser uma namorada altamente compreensível e não aguentar ficar tanto tempo sem ele.
― O que eu sei é que você deveria conversar com ele. Essa história de não querer incomodar só vai te fazer mal, até que um dia você vai explodir.

Pensei por um momento… talvez ele estivesse certo. Claro que ele estava certo. Daniel sempre sabia o conselho exato para dar.

― Você tem razão… vou pensar melhor em como farei isso. Mas e o senhor, está desacompanhado hoje?
― É… sabe como é. Eu não sou o cara de ficar com várias mulheres nas festas. Preciso de alguém, , alguém que seja leve, companheira e tope as minhas aventuras. Mas essa pessoa é mais difícil de achar do que diamantes preciosos.
― Não consigo entender como um cara como você tem dificuldades de achar alguém que valha a pena…
― Eu vou encontrar, sei que vou, não desisto nunca.

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Depois de algum tempo sentada sozinha, observando Daniel voltar à pista e dançando passos um tanto estranhos com e Lando, senti Charles se aproximar de mim.

― Curtindo a festa? ― Uma pergunta cretina de quem deixa a namorada de lado.
― É… está ótima. Mas não mais do que você, né? Muitos contatos, networking, trabalho…
― Ei, isso é importante para mim ― Ele me olhava incrédulo por eu estar cogitando falar algo que afrontava o trabalho dele.
― Tem razão, Cha. Isso é importante para você, mas talvez não seja para mim. Ou melhor, talvez eu não seja para você… ― Levantei decidida a deixar a festa, quando ele me puxou pelo pulso.
― Não faça isso comigo. Eu preciso de você, . Você se lembra? Você é meu ar fresco depois da tempestade. Sem você eu não…
― Você PRECISA de mim ou você me QUER, Charles? Porque são duas situações bem diferentes.
― Podemos não ter essa conversa aqui, baby? ― Respirei fundo e me controlei dez vezes para não mandar tudo pelos ares ali na frente de todo mundo propositalmente. Talvez um showzinho fizesse os investidores dele perceberem que ele também era uma pessoa normal. Mas entendi que não cabia a mim mostrar isso ― Vamos embora, a festa acabou para nós.

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O caminho até a casa de Charles foi silencioso, um silêncio doloroso e perturbador.
Ao adentrar o quarto do meu piloto, senti que finalmente podia respirar e relaxar. Sem olhares, sem expectativas, sem precisar fingir uma perfeição que já não existia tanto assim.

― O que houve na festa? ― Charles tirava a gravata e me olhava confuso, esperando quase que por explicações e, provavelmente, por um pedido de desculpas que ele nunca ouviria da minha parte.
― Me diga você, que tal? Onde você estava? Eu não te vi a noite toda e quando te puxei por dois minutos, você saiu correndo… me diz, Charles, você PRECISA de mim para quê? Ser mais um relacionamento bonitinho para a mídia? ― Daniel estava certo, como sempre. Aquela situação tinha tudo para explodir e... explodiu.
― Como é? ― Ele agora desabotoava as mangas e os botões da camisa já sem o terno ― Por que você está falando assim? De onde veio tudo isso?
― Charles, eu…Talvez eu esteja relutando pra te dizer isso. Mas a verdade é que todas as saídas para reuniões, todos os momentos em que a Ferrari vem primeiro… ― Ele se aproximava, enquanto tirava a camisa e a camiseta que vestia por baixo, me obrigando a oscilar a cabeça entre baixá-la em desapontamento com a minha própria fala, e olhá-lo sendo tão perfeitamente lindo. Mas que droga.
― Eu não quero ser a namorada ingrata e controladora. Eu entendo que você tem o seu trabalho e que ele é a sua prioridade. Mas a verdade é que em todos esses momentos, eu me senti sozinha e essa não é uma sensação que… ― Ele chegava mais perto, soltando o cinto e tirando as calças do terno Giorgio Armani, me deixando cada vez mais desconcertada. Para onde eu olho agora? Como continuo falando com um Charles só de cueca na minha frente com esse abdômen irritantemente definido? ― Eu não quero me sentir sozinha! ― Consegui por fim, finalizar uma frase menos impactante do que eu esperava.
― Meu amor… eu sei, eu te entendo ― Ainda em pé, ele colocou as mãos no meu rosto e eu o olhava de baixo para cima ― A Ferrari não é mais importante do que você. Eu apenas preciso estar presente porque ainda estou buscando me firmar na equipe. Tem muita coisa envolvida nesse jogo.
― E onde eu entro nesse jogo? Por favor, seja sincero comigo.
― Eu estou aqui. Sou todo seu ― Ele segurou minha mão e a colocou em seu abdômen, descendo devagar até alcançar o volume dentro do único tecido que ainda vestia ― Sente? TODO seu.
― Eu posso sentir, mas, ainda… ― Eu tentava cravar uma batalha que já estava vencida. E vencida por ele.

Ele se ajoelhou na minha frente e alcançou meus ouvidos com a boca. ― O que você quer de mim? O que quer fazer comigo? ― Ele me perguntava em meio a beijos e mordidas entre pescoço e orelha.

― Quero você. Quero nós ― Imediatamente ele se colocou de pé novamente, me levantando junto, me virando de costas para ele e colando seu corpo junto ao meu.
― Seu desejo é uma ordem, baby.

Em um breve movimento, Charles afastou as alças do meu vestido, que escorregaram e já estavam no chão, me deixando totalmente vulnerável àquele homem.
Com a firmeza e a delicadeza necessárias, ele me jogou na cama, afastou minhas pernas e começou investidas dentro de mim com movimentos fortes.

― Esperei a noite toda para ter essas costas só para mim.

Eu estava completamente entregue ao prazer e ao meu piloto.

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Acordei com uma bandeja de café da manhã repleta das minhas coisas preferidas para um desjejum: ovos mexidos, panquecas, bacon, café e suco de laranja. Mas a melhor parte era ter Charles só para mim. Longe de toda a cobrança, a perfeição, longe de tudo.

― Que tal se arrumar? Vamos dar uma saída ― Ele me fez voltar à realidade imediatamente com um convite nada tentador.
― Não, vamos ficar aqui, só nós dois. Posso te mostrar umas coisas novas que não deu tempo ontem a noite ― Eu tentei convencê-lo, sentando em seu colo com uma perna de cada lado e agarrando sua camiseta.
― Eu adoraria, juro. Mas tenho algo para te mostrar também ― Ele me deu dois tapinhas na coxa, em sinal para que me levantasse ― Mas com certeza vou querer ver essas novidades mais tarde…

Juntei todas as minhas forças depois de comer mais um bacon e me levantei. Segundo Charles, deveria colocar uma roupa simples, mas sem me dizer para onde iríamos. Um vestido branco curto, com babados e algumas rendas, rasteirinha e uma maquiagem leve combinavam com o dia lindo que fazia em Mônaco.
Charles parecia ansioso e logo saímos em sua Ferrari Spider preta preferida. O caminho foi curto e rápido e logo pude perceber que chegávamos à sede da Ferrari. Meu Deus do céu, esse homem não me dá um dia de paz? Há algumas horas brigamos exatamente por conta dessa equipe e o que ele faz? Me traz para dentro do problema. Que ótimo!

― Chegamos! Vamos?
― Charles, eu não acredito. O que estamos fazendo aqui? Você se lembra de algo do que conversamos ontem?
― Mas é claro. Por isso estamos aqui. Venha!

Ao entrar no pátio principal, duas Ferrari vermelhas clássicas estavam paradas à nossa espera.

― Talvez você não entenda a emoção disso tudo, porque só viu de fora. Mas pense como é estar ali dentro. Como é sentir um carro a 300km/h. A adrenalina correndo pelas suas veias. A sensação de controle.

Charles se aproximou de mim com um capacete todo estilizado, provavelmente de alguma corrida da última temporada, eu só não me lembrava exatamente qual.

― Tente uma vez e me diga se não é viciante ― Ele pedia permissão para colocar o capacete em mim. Dei de ombros. O que mudaria eu entender o quanto era viciante?

Tudo o que eu sentia era um misto de animação por dirigir um carro como aquele, mas um pouco de frustração por ele mesmo não ter entendido tudo o que eu havia falado.

Entrei na Ferrari que me foi disponibilizada e me dirigi para uma pista particular que havia fora da garagem, seguida por Charles que estava no segundo carro. Pelo rádio que nos conectava, Charles fazia uma contagem regressiva.

― VAMOS! ― Ele gritou me permitindo acelerar. Se eu estava fazendo aquilo, queria sentir a emoção de verdade. Pisei fundo no acelerador e disparei na frente dele, que logo me alcançara. Não satisfeita, tentei ultrapassá-lo, mas não consegui. Ele sabia exatamente onde e quando frear nas curvas, o que lhe dava uma boa vantagem. Cheguei perto e os carros ficaram lado a lado, possibilitando que eu o olhasse. Os olhos dele brilhavam como eu nunca tinha visto antes. Charles era bom de verdade naquilo e amava estar ali. Quando ele retornou a atenção para a pista, me deixou totalmente para trás. A adrenalina tomou meu corpo enquanto eu acelerava mais e mais. Era realmente eletrizante.

Finalmente ele me avisou para retornarmos à garagem e parou o carro ao lado do meu.

― E então, o que achou? ― Ele estava do lado de fora da minha Ferrari e esperava pela minha resposta com expectativa.
― É incrível! Cada movimento… ― Ele não me deixou terminar e deu a volta, entrando no meu carro e ocupando o banco do passageiro.
― Você gostou mesmo?
― Sim, se eu puder fazer mais vezes, vou adorar te ultrapassar.
― Você quer vir mais vezes? Mesmo? É sério? ― Quando assenti com a cabeça, Charles me puxou para um beijo.
― Obrigada por isso ― Ele me agradecia, como uma criança que ganhou o brinquedo que tanto desejava ― Será que as coisas que você tinha para me mostrar, poderiam ser feitas aqui?

Sem pensar duas vezes, pulei para o seu colo, enchendo-o de beijos. Aos poucos o clima começava a esquentar e puxei sua camiseta, abri sua calça e levantei meu próprio vestido afastando minha calcinha, para que pudesse fazer com que Charles me penetrasse. já havia transado com Carlos em uma Ferrari e agora era minha vez de estrear o carro.

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Quando me arrumava para sair do carro finalmente, Charles me olhava sorrindo não só com os lábios, mas com os olhos também.

― E o que achou do capacete?
― Eeer… é muito legal. Esses desenhos e tal. Você usou em alguma corrida do ano passado, não é?
― Sim, na Arábia Saudita, a corrida em que te pedi em namoro. Foi meu capacete da sorte para aquele fim de semana ― Sorri com a lembrança e ao olhar para o capacete.
― Agora ele é seu.
― Como assim?
― Quero que guarde com você, para sempre se lembrar de que, entre a pista, a Ferrari e a alta velocidade, você está no meu coração e é sim a minha prioridade.
― Charles, você não precisa…
― Por favor, fique com ele. Eu te amo!

Agora sim, aquele dia fazia sentido para mim. Charles quis me mostrar que eu fazia parte do seu mundo.



Capítulo 22

"Can't make you happier now"

POV Max

Terça-feira era o dia oficial de reunir os amigos e jogarmos Call Of Duty. Sim, a gente gosta de fazer coisas diferentes do que só pilotar também. Às vezes o Lando inventa de ligar a Twitch e fazer live, mas hoje eu precisava só estar com meus amigos, me distrair tomando uma cerveja e jogando conversa fora. Pensar o dia todo naquela mulher já estava me deixando louco. Além disso, o campeonato estava prestes a começar e eu precisava extravasar tudo antes de entrar na pista.

― BAE! Ainda bem que você chegou. O Lando tá apanhando no vídeo game ― Daniel me chama assim desde muito novo. Eu, por outro lado, não consigo pronunciar o apelido. Não que eu não goste, mas essas coisas combinam mais com o estilo despojado do meu melhor amigo.
― Então preparem-se, porque o campeão chegou! E hoje eu preciso dar muitos tiros.
― Você sabe que é mentira né? Só porque o bonitão aí conseguiu acertar dois caras a mais do que eu, tá se achando. Até esqueceu das últimas vezes em que perdeu feio… ― A briga entre Lando e Daniel saía das pistas e vinha direto pro Playstation.

Sentei no sofá e logo arranquei o controle das mãos de Lando. Estava jogando frenético, acertando os bonecos virtuais como nunca e meus amigos perceberam que eu não estava normal. Algo dentro de mim fervia de raiva. Ou de desejo.

― Max, você tá bem? Você acertou até os caras do seu próprio time…
― Pois é, eu nunca te vi jogar assim.
― Por que? Tá falando que eu não sou bom o suficiente? Olha aqui como eu sou melhor que vocês ― Eu falava entre um tiro e outro no jogo.

Então Ricci se levantou da poltrona que ocupava, parou na minha frente, tirou o controle da minha mão e se ajoelhou. Uma atitude que só Daniel Ricciardo poderia ter comigo. Lando também me olhava com dois olhos arregalados sem piscar.

― Fala com a gente, o que tá acontecendo? Tá com algum problema no seu carro?
― Claro que não. Minha equipe nunca me deixaria ter problemas no carro. Você sabe muito bem disso, Daniel.
― Bom, então… essa ira só pode se chamar…

DIN-DON!

― Ué, quem estamos esperando? Vocês pediram pizza? ― Perguntei confuso.
― Eeeer… na verdade… é que eu pensei que… ― Lando se levantava com a mão na nuca e caminhava até a porta, tentando explicar alguma coisa ― A meio que estava sozinha essa noite e eu achei que seria legal convidá-la, sabe, pra jogar com a gente. Espero que vocês não se importem. Ela gosta de jogos e tal…
― Claro que me importo!!! Você convidou a para a NOSSA noite de jogos? Não poderia ser QUALQUER outra noite? Tinha que ser HOJE? ― Eu estava furioso. A presença dela nessa noite, era tudo o que eu não precisava.

DIN-DON! Relutante, Lando foi abrir a porta para a nossa nova companheira indesejada de jogos da noite.

― Oiiiiiiii Landinho! ― Ela chegou sorridente e abraçando Lando.

Entrou na sala e cumprimentou Daniel com um abraço caloroso. Os dois eram muito amigos e dava para notar a intimidade entre os dois. Ela parecia leve e feliz ao lado dele, sem preocupações ou amarras. Já quando olhou para a pessoa que estava sentada no sofá, o sorriso se fechou e abaixou a cabeça. Me cumprimentou com um beijo no rosto e nada mais.
Sem gritos ensurdecedores ou abraços para mim, a pessoa que mais desejava aquele tanto de carinho que a brasileira mais brasileira que eu já conheci, tinha para oferecer.

― Trouxe bebidas, espero que estejam prontos para os meus drinks!
― O que temos aqui? Gin? Por que eu não estou surpreso? ― Daniel a ajudava a carregar os ingredientes do drink favorito dela.
― Aí é que você se engana, australian boy! Eu posso sempre surpreender ― Essa frase caiu como uma bomba no meu colo ― Hoje nosso gin não será preparado com água tônica, mas sim com Red Bull.
― Red Bull??? ― Foi um coro de choque.

Ela piscou para mim, sim pra mim! Ainda estou na dúvida se era pela nossa piada interna com o drink desde que nos conhecemos ou se era pela Red Bull ser a minha equipe.
Quando retornou da cozinha, tinha uma bandeja grande com quatro drinks. Todos tinham gin, red bull sabor coco e açaí e algumas especiarias como pimenta e anis estrelado. Eram excêntricos, refrescantes e deliciosos.

― E suas amigas, cadê? ― Ricciardo perguntou parecendo realmente interessado, o que me pareceu bem estranho.
― A está com o Lewis e a … com o Carlos. Hoje é a noite dele ― Ela falou olhando para Lando que revirava os olhos. Daniel também parecia incomodado. Mas sobre isso a gente conversaria mais tarde.
― O que estamos jogando? ― Ela perguntou já puxando o controle da mão de Daniel.
― Call Of Duty. É assim, você que tem que… ― PAW! ― Fazer basicamente isso mesmo ― Meu amigo começou a explicar, mas pelo visto, ela sabia muito bem o que fazia quando já deu o primeiro tiro.

Duas partidas depois, ela já tinha deixado todos nós com os queixos caídos, atirando em todos os inimigos e vencendo as duas rodadas.

― Ahhh é assim que joga? ― Ela perguntou e sorriu maliciosamente para Ricciardo.
― Tá bom, principiante. Agora é minha vez de dar um show ― Arrisquei provocá-la, afinal, essa era minha atividade preferida: irritar .
― Não esqueça de apertar o X para atirar, tá? ― Eu adoro quando ela entra na minha e provoca de volta criando uma atmosfera de conexão só nossa.

Foi assim a noite toda. Muitas partidas, vitórias e derrotas. Drink após drink. Muita risada. E toda a raiva que eu estava por Lando ter convidado-a, se dissipou.
Lá pelas 4h da manhã, dormia no sofá com os pés esticados em Daniel e sua cabeça escorregou para o meu colo.
Fiquei nervoso e não sabia como agir. Ela estava ali. Com a fisionomia doce que só ela tinha, no meu colo. E eu só pensava como eu a desejava, mas não deveria. Uma briga interna comigo mesmo. Fiquei parado, apenas observando-a, enquanto mil pensamentos iam e vinham na minha cabeça.

― Cara… ― Daniel me chamou, me fazendo despertar do meu devaneio. Olhei rapidamente para ele, tentando disfarçar a minha fixação dos últimos minutos na garota que estava em meu colo ― Você não tá…?
― O que? Não tô o que? ― Se eu tentava disfarçar alguma coisa, meu nervosismo com a pergunta/ suposição de Ricci não ajudou em nada.
― Você tá afim da ? ― Até o Lando tinha percebido alguma coisa.
― Afim? Não! Tá doido? Por ela? Claro que não. Ela namora aquele babaca do Charles que insiste em deixá-la de lado. Claro que ela merece algo muito melhor, mas se quer estar com ele, quem sou eu para julgar, né?
― Meu Deus! Você não tá afim dela… Você tá apaixonado por ela. ― Merda!
― Gente… não… não fala isso alto. A vizinhança não precisa saber ― Pra que eu ia negar? ― Ela sabe. Mas não tá nem aí. Já é humilhação o suficiente.
― Como é que é? Ela sabe? E ela não me contou nada?
― Eu contei pra ela naquela festa em casa.
― Ah… Aquela festa em que todo mundo estava bêbado e certamente não lembra de nada? Max, ela precisa saber de verdade. Ela não está completamente feliz com o Charles, vocês podem ter sido feitos um para o outro.
― Não, Ricci. Deixa isso pra lá. Deixa do jeito que está.
― Mas cara…
― Você sabe que eu não conseguiria fazê-la mais feliz agora.



Capítulo 23

"E mesmo que o céu desmorone, ainda estaremos em meio às estrelas"

POV

Se alguém me contasse tudo o que a gente viveu nos últimos meses, eu mesma não teria acreditado. Passamos de fanfiqueiras anônimas encalhadas, para namoradas de pilotos da principal categoria do automobilismo, ganhando milhões de seguidores do dia para a noite e viajando o mundo em jatinhos. UAU!
Quando a gente acha que não dá pra ficar mais perfeito, Lewis me chama para esquiar nos Alpes Suíços durante os quatro dias de férias que tirou antes do campeonato de 2024 começar. E aqui estou eu, dentro de mais um jatinho, avistando montanhas branquinhas ao lado do meu novo filho Roscoe, enquanto meu piloto digita montes e montes de coisas em seu notebook.

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O frio é quase cortante, mas a sensação de estar em meio à neve é surreal. Me sinto dentro de um filme americano. Botas, jaquetas, calças térmicas e óculos especiais compõe um look super estiloso para rolar mil vezes nessa descida. Coloco os esquis no chão e Lewis corre para me ajudar. Óbvio que ele é profissional nisso, mas eu não faço ideia de como colocar nem o primeiro pé nesses palitos gigantes.

― Amor, acho que isso não vai dar certo. Eu posso ficar sentada aqui e te olhar. Vai lá, GO Lewis! ― Tentei soar animada.
― Nada disso, eu vou, você vai também.
― Mas eu não levo jeito pra essas coisas. Vou acabar com neve até dentro das calças…
― Tudo bem, eu ajudo a tirar ― Ele sorriu malicioso e eu revirei os olhos. Será que até em situações de puro desespero esse homem consegue ter tesão?

Depois de tentar enrolar por muitos minutos, Lewis me colocou de pé… ou tentou me colocar de pé. À medida que ele ia soltando minha mão, eu escorregava para trás e caía de bunda no chão, com os pés amarrados aos palitões.

― Sério, não dá pra mim. Sir Lewis Carl Davidson Hamilton, tira agora esses negócios do meu pé, ou eu vou quebrá-los, transformar em palitinho de picolé e enfiar…
― Ei, ei, ei. Calma lá, mocinha. Tenta uma última vez. Você não pode deixar os dois ESQUIS retos e sim juntar as pontas da frente, formando um V, para não sair deslizando.

Em uma última tentativa, consegui, pelo menos, parar em pé sem escorregar. Aos poucos, Lewis foi me conduzindo e pouco tempo depois, estávamos praticamente dançando na neve. Tá bom, talvez eu tenha exagerado um pouquinho, mas para mim, 8 minutos em pé no esqui foi uma vitória e tanto.
Infelizmente acabei caindo sobre Lewis e engolindo o suficiente de neve para entender que o gosto não é nada agradável como parece. Enquanto eu me recompunha e soltava finalmente os pés do perigo ambulante, Hamilton só ria, sem conseguir ao menos se levantar.

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Retornamos ao hotel e ele me pediu para que o encontrasse em um local que eu ainda desconhecia. Ao caminhar pelos corredores, me deparei com um deck e um grande ofurô ao ar livre. A água parecia tão quente que exalava fumaça, se chocando com todo o ar gelado da Suíça.
Mas o que mais chamava a atenção no ofurô, era o homem dentro dele. De pele morena, coberta pelas minhas tatuagens preferidas. Os braços fortes e o abdômen bem definido. As costas... ahhh, as costas desse homem. Cada traço é perfeito. O cabelo preso em trancinhas, meu penteado preferido. E o pescoço inteirinho me convidando para me aproximar. Nenhuma peça de roupa cobria a perdição que eu chamava de amor nos últimos meses, exceto a cueca box branca quase inútil.

― Uau! Eu poderia viver a vida inteira apreciando essa paisagem ― Anunciei minha chegada, o despertando de algum pensamento enquanto olhava para o céu.
― Você demorou. Vem, entra aqui comigo.

Me livrei das mil camadas de casaco e calças que vestia e me juntei a ele apenas de sutiã e calcinha.
A água estava realmente quente e nos abraçava em meio ao frio. Me aproximei de Lewis e envolvi meus braços ao redor de seu pescoço, beijando-o com carinho. Ele retribuiu, me puxando para seu colo e assim passamos um bom tempo.

― É bom estar com você aqui, pequena. Esse é um dos lugares que mais gosto de estar.
― Sério? Eu não sabia que você gostava tanto assim da Suíça.
― Não digo aqui, na Suíça. Mas aqui, bem debaixo das estrelas. Onde a gente sente que quase pode alcançá-las. Gosto dessa sensação. De sentir que posso alcançar as coisas mais altas desse universo. Com você aqui, isso se torna ainda mais possível.

Meus olhos automaticamente se encheram de água. Lewis me soltou e saiu da água, andando até a sua roupa que estava no chão do deck. Então, ele retirou um envelope de dentro da jaqueta e se juntou a mim novamente, sem molhar o papel.

― Sei que estamos apenas no começo dessa nossa jornada junto. Muitas coisas irão acontecer, vamos enfrentar desafios e momentos incríveis como esse… ― Lewis abriu o envelope e de dentro dele retirou um certificado ― As estrelas vivem dezenas de milhares de anos, você sabia? E porque sei que nosso amor pode durar esse mesmo intervalo de tempo… ― Ele virou o certificado para mim, me mostrando as palavras “Aqui declaramos, que a estrela com as coordenadas RA 13h03m33.35 -53°24'40.3” foi oficialmente registrada com o nome de wis”.

Meu corpo gelou. Meu coração parou. Não consegui mexer nem um músculo sequer.

― Tem uma estrela, lá no céu, uma dessas que a gente pode alcançar aqui, agora mesmo, com o nosso nome. Promete me amar durante todo o tempo em que ela existir?
― Lewis…
― Eu te amo, !
― Eu te amo. E por milhares de dezenas de anos vou amar.

"E mesmo que o céu desmorone, ainda estaremos em meio às estrelas".



Capítulo 24

"I'll be fucked up if you can't be right here"

POV

Na quarta-feira antes da primeira corrida da temporada, todos estávamos ansiosos para o começo do campeonato, mas resolvemos aproveitar o último dia livre dos meninos antes do agito das coletivas, treinos e velocidade na pista.
Daniel alugou um iate para passarmos o dia com muita bebida e o clima gostoso que fazia em março no Bahrein. Eu e as meninas preparamos uma cesta cheia de frutas e muitos petiscos fresquinhos, vestimos nossos biquínis e fomos encontrar Ricci, Lando, Carlos, Charles, Pierre e Lewis.

― Bem-vindas à bordo, eu sou o seu marujo e as acompanharei neste dia! ― Daniel nos recebia vestindo apenas uma sunga azul marinho e um chapéu de marinheiro, nos fazendo babar um pouquinho em tamanha beleza que exibia.

Cumprimentamos todos os demais e quando avancei para a ponta do iate para posicionar minha toalha no melhor ponto do Sol, avistei Max surgindo, me fazendo revirar os olhos. Graças a Deus que eu estava de óculos de Sol e ninguém percebeu a minha reação.

― Bom dia, senhoritas!

Minhas amigas cumprimentaram o cidadão perfeitamente engomado para um dia em alto mar. Ele estava de camisa de linho e uma bermuda curta rosa. Seu perfume exalava a quilômetros de distância e o cabelo ainda molhado entregava que havia saído do banho há pouquíssimo tempo. Droga, como ele é bonito.
Resolvi não me atentar a mais nenhum detalhe antes que me perdesse em meus pensamentos e avancei para a parte frontal do iate, posicionei a toalha e tirei o kimono preto que vestia, em seguida o shorts jeans. Enquanto passava o bronzeador, senti que estava sendo observada e cometi o erro de procurar quem poderia ser. Do outro lado do barco, passando por muitos vidros, meu olhar cruzou com o olhos azuis de Max. Ao invés de desviar, apenas fiquei parada, estática, como se houvesse um campo magnético que não me permitisse mover um membro sequer do corpo.

, me empresta o bronzeador? Eu esqueci totalmente o meu! ― quebrou a corrente que fora construída entre eu e ele.
― Que?
― O bronzeador, amiga. Te falei que trouxe, mas esqueci no hotel. Tá tudo bem? Estava distraída?
― Não, eu… é, pode pegar sim.
― Amiga, você estava olhando para o…
― Charles, estava procurando Charles, amiga.
― Não estava, não. Você não sabe mentir, .
! CORRE AQUI! ― Minha amiga ainda fez questão de compartilhar o momento embaraçoso com a nossa gaúcha e deixar tudo ainda pior.
― Cheguei aqui e me deparo com a olhando fixo para o Max.
― Eu sabia!! Sabia que tinha alguma coisa rolando aqui.
― Gente, para com isso, não tem absolutamente nada rolando aqui, vocês estão malucas? Eu namoro, esqueceram? ― Apontei a aliança do meu dedo para elas, tentando me recordar de que eu estava em um relacionamento.
― Amiga, a gente sabe. Mas você também não está morta. Você sempre falou do Max, você sabe.
― E dá pra perceber que ele te olha de uma forma diferente também.
― Quem olha diferente para ela? ― Charles literalmente brotou no meio da nossa conversa, nos fazendo pular de susto e ficar com caras de pavor. Por um momento o ar ficou até mais pesado.
― Você, Cha! ― disse finalmente ― Dá pra ver como olha para a , quando estão juntos, sabe? Acho muito fofo ― Se tem uma coisa que ela sabe fazer, é sair bem de uma situação e estava aprimorando ainda mais esse poder com a divisão que fazia entre Lando e Carlos.

Ele sorriu e me abraçou, se contentando com a explicação de , por sorte. Encerramos o assunto e finalmente nos sentamos para aguardar a partida do nosso transporte do dia e aproveitar o Sol.
Aos poucos todos ficaram reunidos na proa. Charles estava especialmente colado em mim nesse dia. Alguma parte de seu corpo estava sempre encostada em mim, hora a perna, hora as nossas mãos ou braços, até que enfim, ele se deitou, repousando a cabeça nas minhas pernas.

― Você está linda hoje. Como sinto sua falta quando você não está aqui.
― Não se preocupe com isso, estou aqui todinha para você hoje, Cha.
― Queria que você estivesse sempre. É difícil ter que te dividir com o Brasil ― Sorri com a declaração de Charles que parecia quase um pedido.
― Ei, casal, vamos! Vamos pro mar! ― Pierre nos chamou quando o barco finalmente parou e nós nos juntamos aos nossos amigos na água.

Horas se passaram enquanto aproveitamos o mar com brincadeiras de espirrar água um no outro e corridas.

― Vem comigo ― Charles me chamou de volta para o iate.
― Onde estamos indo?

Sem me dar explicações, Charles me puxou para dentro da cabine, fechando uma porta de vidro atrás de nós.
Meu monegasco me olhava com desejo, exatamente do jeito que eu mais gostava. Ele se aproximou de mim, enroscou as mãos no meu cabelo e me puxou para um beijo. Um beijo calmo e quente que pedia por licença para muitas outras coisas.

― Charles, todos podem nos ver aqui ― Falei entre o nosso beijo.
― Estão todos na água, ninguém vai subir agora, não se preocupe. Vamos aproveitar nosso momento.

E assim, eu permiti que ele me sentasse no grande sofá e avançasse os beijos para o meu pescoço. Abri a boca, já não aguentando de vontade daquele homem. Seus lábios desciam gentilmente explorando o meu colo e finalmente seus dedos abaixaram a alça da parte de cima do meu biquíni, abrindo caminho para Charles alcançar meu peito com a boca.
Quanto mais Charles continuava, mais eu me derretia por ele, totalmente entregue. Suas mãos desfazem os nós laterais da parte inferior do biquíni e sua boca então começou a explorar novas áreas do meu corpo.

― Charles, eu preciso…
― O que? Do que você precisa?
― Preciso de você… ― E sem pensar em mais nada, puxei sua bermuda e sunga em um único movimento, implorando para que ele me possuísse.

Charles me virou de quatro, permitindo uma ótima entrada para sua penetração.
Quando finalmente atingimos o nosso ápice juntos, me virei para olhá-lo e gelei ao me deparar com o lado de fora da porta de vidro.
Max estava parado, com dois olhos cheios de água nos olhando. Meu mundo parou e por um instante não consegui respirar. Há quanto tempo ele estava ali? Por quê estava parado ali?
Me desvencilhei de Charles e vesti o biquíni rapidamente de costas para a porta. Quando me virei novamente, Max já não estava mais lá. Dei um beijo em Charles e sai da cabine.

― Preciso ir ao banheiro, baby, já te encontro na água.

Ao descer as escadas para entrar no banheiro, encontrei Max encostado em um pequeno corredor olhando para o chão.

― MAX! Cassete, o que você estava fazendo ali?
― Era isso que você queria, não era?
― Como assim? Do que você está falando?
― Você estava louca pra esfregar a porra do seu namoradinho na minha cara! Parabéns, ótimo show! Quer aplausos?
― Max, cala a boca, eu não queria nada disso, nem era para você estar aqui… ALI!!!!
― Nem era para eu estar aqui mesmo... ― Ele me olhou como se penetrasse no fundo da minha alma ― Mas não se preocupe, eu não estarei mais.
― Como assim, Max? Do que você está falando? Eu quis dizer que não era para você estar ali naquele momento!
― Eu te avisei.
― Max, não, por favor...

Ele não deu ouvidos e assim saiu, batendo o ombro no meu, com passos largos e pesados. Pegou suas coisas e foi embora sem falar com ninguém. Eu caí no chão e me deixei levar por toda a carga do que havia acabado de acontecer, me permitindo chorar tudo o que precisava chorar.

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POV Lando

O entardecer no Bahrein é um dos meus preferidos. O céu é laranja, a atmosfera é quente e perfeita para uma tarde no iate que o Daniel alugou.
Depois de passarmos o dia todo no mar, entre a nossa guerra de água e as corridas em volta do barco, subimos de volta para comer o que as meninas trouxeram na gigante cesta de petiscos.

, abre a boca…
― Por que? ― Ela me olhou desconfiada.
― Vamos brincar! ― Sim, brincar é uma das minhas coisas preferidas, não importa o lugar ou a situação, sempre temos tempo para uma brincadeira. Nesse caso, não era a brincadeira que eu queria com a , mas ainda assim, a gente podia se divertir.
― Vai, não precisa ficar preocupada!! É só para tentar acertar uma uva.
― Ah, só isso? Ok, mas duvido você acertar ― Ela abriu a boca, fechou os olhos e arqueou a cabeça um pouquinho para trás, mexendo com a minha imaginação.
― Ah é? E o que eu ganho se eu acertar?

Nos olhamos e demos risada, mas sacudi a cabeça e me preparei para tentar acertar o meu alvo. De repente, Daniel surgiu também com a boca aberta na minha frente.

― Adoro essa brincadeira! Aqui! Tenta acertar em mim! ― Abaixei o braço com a uva ainda na minha mão e revirei os olhos. Os poucos momentos que tenho com a minha brasileira ainda querem atrapalhar. Se não era Carlos, agora era o Daniel ― Deixa pra lá…

Sim, ele conseguiu atrapalhar a minha brincadeira e quebrou totalmente o clima que eu tinha criado.
Hoje foi um dia neutro. O combinado quando saíamos com nossos amigos e eu e Carlos estávamos, era que nenhum dos dois podia ficar com , por uma questão de logística, para o clima não ficar pesado e tudo ser justo na relação que tínhamos assumido.
No entanto, hoje ela estava especialmente bonita. O biquíni laranja contrastava com a pele branca e ressaltava cada curva de seu corpo perfeitamente desenhado. Os cabelos estavam presos em um coque molhado e as bochechas estavam rosadas do Sol, assim como ficavam quando estávamos só nós dois. Eu precisava daquela mulher para mim e decidi assumir alguns riscos.
Frustrado pela minha brincadeira não ter dado certo, chamei para um último mergulho enquanto o Sol ainda podia ser visto. Carlos estava ajudando e em alguma situação que eu não tinha entendido muito bem, então era o momento ideal para eu me aproveitar.
Me aproximei dela enquanto nadávamos e encostei nossos lábios.

― Ei, você sabe que não podemos fazer isso hoje.
― Eu sei ― Sorri para ela ― Mas eu estava pensando em… quebrar algumas regras, porque você está especialmente gostosa hoje.
― Hum, então você é um quebrador de regras barato?
― Sabe, , as regras existem para serem quebradas. Além do mais… ― Mordi sua orelha ― Quando as coisas são proibidas... ― E então lambi sua outra orelha ― Elas costumam ser bem melhores… ― Intercalei beijos em seu pescoço ― Bem mais… excitantes. Você não acha?
― Lando… você… não vale… nada…

Minha mão começou então a passear pela parte debaixo de seu biquíni, até que ela segurou meu pulso.

― Você tem certeza?

E então, a puxei para mais perto. O mar calmo nos permitia estarmos juntos entre beijos molhados. Então, afastei a minha sunga e o seu biquíni e a penetrei. O leve movimento da água deixava tudo mais interessante, colaborando com o que eu precisava fazer para satisfazer a nós dois. me olhava pedindo mais, fechando os olhos e anunciando o seu desejo.

― Hmmmm, acho que você quer que eu pare, não é mesmo?
― Você não ousaria fazer isso ― Ela sussurrou em meu ouvido, enquanto cruzava as pernas mais forte ao meu redor.

Juntos, conseguimos alcançar o ponto mais alto do nosso prazer e nos afastamos no exato momento em que Daniel, mais uma vez, apareceu.

― Venham crianças! A festa vai começar!

Quando retornamos ao barco, Ricci tinha garrafas de tequila abertas e sugeriu fazermos rodadas de shots.

― Onde vcs estavam? ― Carlos perguntou assim que percebeu que voltávamos da água.
― Fomos dar um último mergulho ― Falei sem conseguir parar de sorrir.
― Essa hora? Sabem que é perigoso, né? Vem , vou te dar uma toalha quente e tenho uma roupa seca que você pode usar.

Carlos me olhava como se eu tivesse cometido o crime da gripe com a garota.

― Mas então…shots? ― Sugeri, não me importando com a bronca mental de Carlos.

E assim, a noite seguiu à bordo do nosso iate. tinha se despedido de todos e ido embora sozinha por uma razão que aparentemente só Charles e sabiam.
O clima estava leve, perfeito para a despedida das férias de quem começaria uma série de entrevistas no dia seguinte.



Capítulo 25

"Say you'll remember me, standing in a nice dress"

POV

Depois dos treinos e do primeiro classificatório do ano, estávamos todos prontos para grandes emoções no domingo. Esse era oficialmente o último ano de Lewis Hamilton na Fórmula 1 e a busca pelo 10º título.
Durante todo o fim de semana evitei cruzar com Max. Na quarta-feira depois de sua saída teatral do iate, fui para a casa sozinha, tomei um banho e chorei madrugada adentro. O motivo? Nem eu entendi. Eu não deveria me importar com uma única palavra que saía da boca dele, mas por incrível que pareça, elas me acertaram como vinte socos no estômago e meu corpo inteiro doía.
No dia seguinte, sabia que precisava parar de pensar em tudo o que aconteceu ― mais uma vez ― e seguir em frente. Fui ao Paddock todos os dias acompanhar Charles e as Baes e estava feliz por poder assistir a corrida do box da Ferrari naquela noite.
Os carros já estavam na pista fazendo a volta de aquecimento e se preparando para a largada. Max conquistou a pole position, Lando estava em segundo e Lewis largou em terceiro. Charles teve problemas com o motor e largou apenas em sexto, mas estava pronto para ultrapassar os oponentes e confiante de que poderia conquistar o pódio.
Quando as luzes se apagaram indicando o início da corrida, meu corpo estremeceu. Desde o último ano, muitas coisas vinham acontecendo e parecia que tudo se espelhava diretamente nas pistas.
Tanto Max, como Lando e Lewis fizeram uma largada limpa e mantiveram suas posições. Charles conseguiu ultrapassar George e Daniel, garantindo a 4ª posição. A Red Bull estava cada vez mais implacável nos tempos dos pit stops e na estratégia, o que só ajudava Max. Lewis conseguiu ganhar vantagem em cima de Lando em uma das áreas de DRS e o ultrapassou faltando apenas quatro voltas para o fim da corrida, deixando um Lando puto no rádio da equipe.
Já Charles voltou a ter problemas no motor da Ferrari e foi ultrapassado por Daniel, Pierre Gasly e Valtteri Bottas, caindo para a sétima colocação.
A bandeira quadriculada balançou e Max, Lewis e Lando garantiram seus lugares no pódio. Eu sabia que minhas amigas estavam saltitantes, enquanto eu estava apenas preocupada com o mau humor de Charles que me aguardava mais tarde.

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― Nos vemos lá então ― Ouvi Carlos e Charles conversando ao chegar no motorhome da Ferrari.
― Lá onde? ― Arrisquei perguntar.
― Iremos à uma balada hoje, dizem que é a melhor aqui de Bahrein ― Charles me respondeu animado, me surpreendendo.
― Uau! E quem vai?
― Vamos todos! Vamos nos divertir, baby, extravasar esse resultado terrível que tivemos hoje.
― E você não está chateado? Sabe, com o motor e tudo…
― Claro que estou. Foi a primeira corrida do ano e o carro mostrou que não está nas melhores condições. Mas não quero pensar nisso hoje. Semana que vem me reunirei com a equipe e sei que vão encontrar algo que possa nos ajudar a melhorar.

Suspirei em um alívio perceptível com a reação do meu namorado. Sem crises existenciais por conta do carrinho vermelho, sem mau humor e sem brigas. E ainda com uma festinha para melhorar.
Liguei imediatamente para e , para nos reunirmos no hotel e nos arrumarmos. Mesmo viajando com nossos namorados, sempre ficávamos juntas no quarto porque gostávamos de estar juntas.

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O prédio que abrigava a balada era alto e todo espelhado. Subimos no elevador até o último andar, onde, além de uma música extremamente alta, a vista era incrível. Era possível ver toda a cidade e as luzes brilhantes aos nossos pés, transmitindo a sensação que eu mais gostava de sentir: estar no topo do mundo!
Um camarote estava à nossa espera e começamos os brindes e shots da noite. Eu, e dançávamos em cima dos bancos do nosso espaço particular e nem percebemos quando a ficar um pouquinho alteradas.

― Sometimes, all I think about is you, late nights in the middle of June… ― Eu cantava, meio andando de costas, meio dançando, enquanto saía do camarote à caminho do banheiro.
― Ai, me desculpa! ― Me virei para me desculpar com a pessoa com quem eu tinha acabado de trombar e dei de cara com Max. Nenhum dos dois piscaram.
― Max? Vamos? ― Vi uma mulher morena o puxar e imediatamente meu olhar caiu para as mãos entrelaçadas dos dois.

Retornei o olhar para Max sem dizer nada. Ele me olhava como quem confirmava o que eu estava vendo.

― Vamos, vamos! ― Ele respondeu para ela, desviando a atenção de mim e entrando no nosso camarote.

Corri para o banheiro, sendo seguida por e .

― Amigaaaa, você viu aquela mulher que chegou com o Max? Não sabia que ele tava namorando.
― Namorando? ― Indaguei um pouco mais alto do que desejava.
― Ué, não é namorada dele, não? Eu não sei… ― respondeu confusa.
― Mas por que você se importaria dele estar namorando, ? ― já tinha sacado o que nem eu havia percebido ainda ― Admite logo, você tem uma queda pelo Max sim.
― Amiga, eu… Eu não sei! Eu namoro o cara dos meus sonhos. Tô vivendo os melhores dias da minha vida e incrivelmente eu sinto como se nada disso fosse o suficiente. Mas quando o Max tá por perto é como se…
― É como se ele te transbordasse… ― Sim, elas me entendiam. E o melhor de tudo era que jamais me julgariam por sentir o que quer que eu estivesse sentindo.
― É como se queimasse tudo por dentro. Cada parte do meu corpo entra em combustão. E a verdade é que eu tentei apagar todas as vezes.
― Nós te entendemos, amiga. Mas, se o que você tem com Charles não é o suficiente, por que você não se liberta e se permite sentir isso tudo aí pelo estressadinho?
― Porque eu amo o Charles, eu juro que o amo. Mas ainda não consegui sentir que ele me ama do mesmo jeito. Mas de qualquer forma agora também não adianta mais sentir nada pelo Max ― Tentei encerrar a conversa. Tudo o que eu precisava naquele momento, eram muitas garrafas de tequila, vodka, gin ou qualquer coisa que não tivesse um par de olhos azuis.

Voltamos para a pista e passei no bar, garantindo dois copos de bebida. Ao entrar no camarote, Max estava de costas, aos beijos com a morena prensada na parede. Respirei fundo e tomei todo o líquido que tinha nas mãos.

― VAMOS DANÇAR!! ― Gritei subindo no sofá novamente ― TRAZ MAIS CHAMPANHE!!!!!

Daniel me olhou espantado e sem entender muita coisa, mas ele apenas fez o que pedi e pouco tempo depois, um balde com 5 garrafas de Veuve Clicquot chegaram ao espaço com velinhas piscantes.

― VEM BABY, DANÇA COMIGO! ― Eu gritava alto puxando meu namorado e pegando uma garrafa da bebida, tomando direto do gargalo.
, o que você tem? O que está acontecendo?
― Ué, não quer dançar comigo? TUDO BEM, CHARLES, TENHO CERTEZA QUE METADE DESSE LUGAR QUER! ― Sim, talvez eu estivesse um pouco ― muito ― alterada, mas nada que eu enxergasse naquele momento.

Todos me olhavam sem entender. Nem eu mesma entendia.
Minha única reação foi sair andando e me jogar na pista de dança, esbarrando em quase todas as pessoas daquele lugar apertado. Andei de um lado para o outro cantando as músicas que tocavam, dançando conforme a batida ― ok, talvez não tão conforme a batida, mas algo perto disso.

― Say you'll remember me standing in a nice dress, staring at the sunset, babe. Red lips and rosy cheeks, say you'll see me again even if it's just in your wildest dreams… ― Uma versão remixada de Wildest Dreams da Taylor Swift tocava nas pickups do DJ e quando dei por mim, estava em pé, em cima do bar, começando a cantar cada vez mais alto.

Os momentos de surtos são vergonhosos, mas eles também nos ajudam a perceber muitas coisas. Daniel, e correram imediatamente em minha direção para me arrancar de cima da plataforma em que eu me encontrava. Max parou de beijar a mulher que o acompanhava e me olhava incrédulo, com direito a boca aberta e tudo. Por outro lado, Charles se sentou no sofá do camarote, quase que se escondendo.
Cedi aos puxões dos meus amigos e me permiti ser levada embora do local com uma garrafa de champanhe nas mãos e muitas lágrimas no rosto.

― Vai, amiga, coloca tudo pra fora ― segurava meu cabelo enquanto eu vomitava toda a bebida da noite que sobrecarregava meu estômago.
― Eu só quero entender o que está acontecendo. O QUE RAIOS ESTÁ ACONTECENDO? ― Daniel perguntava impaciente. E eu juro que nunca vi aquele homem daquele jeito.
― Para de gritar com a menina. Não tá vendo que ela tá passando mal e você ainda tá piorando a situação ― Por Deus, me defendia.
― Mas eu não consigo entender como isso tudo aconteceu. Onde foi que perdemos o controle?
― Dani… ― Comecei a me levantar do chão e caminhar para a cama, meu amigo me ajudou, me dando apoio.
― Você não percebeu que ela tá afetada pela situação com Max, Daniel? ― Nesse momento, já tinha perdido toda a paciência que lhe restava.

Minhas amigas se deram ao trabalho de contar o que havia acontecido para Ricci e eu complementei com todas as situações, desde o dia na praia, a festa na casa de Max e os momentos em que desencadearam a minha crise existencial no meio de uma balada no Bahrein.

― Cara, você tá ferrada!
― Muito obrigada, Daniel. Eu não tinha percebido isso.

Enquanto eu começava a me recuperar e rir um pouco com meus amigos, alguém bateu na porta do quarto. Nos olhamos pensando quem poderia ser: Provavelmente Charles querendo conversar sobre o meu show.
foi abrir a porta e todas ficamos chocadas.
Era Max. Sozinho.

― A tá aí?
― Eeer… ― Minha amiga me olhou pedindo permissão para deixá-lo entrar e eu assenti ― Ela está sim, entra. Nós vamos ali no bar pegar umas bebidas. Vocês vão ficar bem?

Não me levantei da cama, mas assenti com a cabeça novamente. Max sorriu em agradecimento e ficamos sozinhos.

― Você está toda borrada ― Ele passou o polegar pela minha bochecha, me fazendo fechar os olhos e suspirar.
― Por que você está aqui?

― Por que você está aqui, Max?
― Fiquei preocupado com você ― Ele me respondeu, encostando na mesinha que tinha atrás dele.
― Não ficou, não. Você só está aqui para dançar em cima do meu cadáver, isso sim.
― Para com isso, você sabe que me preocupo com você. Mas achei que o seu namorado estaria aqui.

Me dei ao direito de não responder.

― Você está com ela?
― E por que te interessa?
― Só estou perguntando. Veremos muito ela por aí agora?
― Sim, estou com ela. A conheci há um tempo e não estava interessado porque… ― Ele ergueu o olhar para mim ― Mas entendi que o melhor seria seguir em frente. Estou dando uma chance para mim mesmo, , eu preciso disso.

Engoli em seco. Aquelas palavras caíram como um soco. Dia após dia, Max me surpreendia com as coisas que dizia e dessa vez não tinha sido diferente.

― Estou com ela agora. Mas não deixei de me importar com você.
― Então…
― Então não ficarei mais no seu caminho, pode ficar tranquila.
― Mas você ainda vai se lembrar de mim?
― Standing in a nice dress, staring at the sunset, babe (usando um belo vestido, olhando para o pôr do Sol, querida) ― Ele citou a música da Taylor Swift que eu cantava mais cedo em cima do bar da boate e uma lágrima escorreu dos meus olhos.
― Even if it's just in your wildest dreams (mesmo que seja apenas em seus sonhos mais selvagens) ― Respondi continuando a música.
― Nos mais selvagens ― Ele se aproximou, me deu um beijo na bochecha e saiu do quarto, me deixando, mais uma vez, chorando sozinha ao perceber que algo tinha acabado sem ao menos ter começado.

Nothing lasts forever
But this is gonna take me down



Continua...



Nota da autora:Oi, pessoal! Muito feliz em produzir essa primeira fic e poder compartilhar com vocês. Espero que gostem e que continuem acompanhando a aventura dessas 5 garotas apaixonadas pela Fórmula 1 ❤️ Caso queiram me conhecer melhor, me sigam no Insta!




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