Última atualização: 02/07/2021

Prólogo

71 anos antes



Já havia conferido minha aparência no espelho pelo menos dez vezes na última hora; meu vestido azul estava impecável, assim como minha maquiagem e cabelo. Esse não era meu primeiro encontro com James, aliás, longe disso, nós havíamos saído diversas vezes. No entanto, todas se assemelhavam à primeira: o mesmo frio na barriga, as mãos suando e o coração palpitando tão forte que a qualquer momento sairia da boca.
Pontualmente às oito horas, escutei a campainha tocar. Olhei meu reflexo no espelho uma última vez, peguei minha bolsa e respirei fundo antes de abrir a porta. Assim que o fiz, dei de cara com um James mais lindo que o normal: ele vestia uma camisa na cor creme e uma calça que tinha uma tonalidade parecida. O mesmo abriu um sorriso, estendendo seu braço para que eu pudesse enlaçar o meu.
— Você está linda, . — disse ele e senti minhas bochechas esquentarem, enquanto saímos do jardim da minha casa. Não conseguia me acostumar com os elogios vindos dele, parecia como a primeira vez sempre.
— Igualmente, James.
A caminhada até a Stark Expo foi tranquila, apenas algumas conversas frívolas sobre como tinha sido o dia e como a guerra parecia não ter fim. Sentia James diferente naquela noite, apesar de estar disfarçando bem qualquer que seja o motivo do seu visível incômodo. Provavelmente estava cansado pelo dia no trabalho, ele havia dito que fora estressante. Aninhei-me mais em seus braços quando chegamos na feira vendo todo aquele projeto de carros que conseguiriam apenas flutuar, parecíamos estar no futuro. Observava tudo maravilhada enquanto caminhávamos em direção ao ponto de encontro no qual Steve esperava com outra moça.
— Ei, Rogers! — James sorriu ao cumprimentar o amigo com um abraço e, com um aceno de cabeça, cumprimentou a moça: — Senhorita.
— Barnes! Achei que não chegaria nunca! — retrucou o amigo com um sorriso e James revirou os olhos.
— O que acham de irmos comer? Vi algumas barracas lá fora e estou faminto, não comi nada após o trabalho. — Sugeriu James e todos acataram prontamente, eu não tinha percebido que estava com fome até tocarmos no assunto.
Andamos em silêncio, observando toda a estrutura da exposição. No curto caminho até as barracas de comida, percebi a tensão nos ombros de James e como ele dava risada forçadamente de alguns comentários feitos por Steve.
— O de sempre, ? — ele perguntou indo para fila e eu assenti.
Muitos pais reclamariam de sua filha está saindo com um homem que não possuía nenhum título ou uma conta no banco bem recheada. No entanto, meus pais, apesar de, no início, não terem sido muito a favor do nosso relacionamento, perceberam o quanto me sentia feliz ao lado de James e foram cedendo aos poucos. inclusive, já o convidaram para um jantar em nossa casa na sexta-feira, a fim de conhecê-lo formalmente. Logo quando fiz a proposta a James, ele ficou super envergonhado e temeroso sobre como os meus pais iriam reagir, foi engraçado assistir o embaraço dele sem saber o que fazer, o que levar e como se vestir para o jantar. Sorri boba ao lembrar do momento.
— Espero que esse sorriso seja porque está pensando em mim. — James sussurrou no meu ouvido fazendo com que meus pelos eriçarem com o susto.
— Apenas pensando alto, senhor Barnes. — Respondi pegando o lanche que ele estendeu para mim. Assim que mordi o primeiro pedaço, não pude deixar de escapar o som de prazer que saiu da minha boca e escutei a risada alta de James com a minha reação.
— Uau, esse cachorro-quente deve estar muito bom ou você não come há um bom tempo, senhorita . — Steve brincou, enquanto ocupava o espaço ao meu lado no banquinho.
— Fico com a primeira opção, Rogers. — Retruquei no mesmo tom.
— E aí, vai sentir nossa falta? — perguntou Steve e o olhei sem entender.
— Por que eu iria sentir falta de vocês? — alternei meu olhar confuso entre ele e James, que no mesmo momento ficou tenso e expirou pausadamente.
— Podemos conversar, ? — perguntou e eu assenti, ainda confusa.
Nos afastamos um pouco de Steve e começamos a caminhar. James abriu e fechou a boca diversas vezes como se procurasse as palavras certas para usar naquele momento. Observei cada detalhe do seu rosto tenso: o maxilar travado, as sobrancelhas franzidas, o olhar temeroso e as gotículas de suor que teimava em escorrer pela sua testa. Apesar da expressão um pouco enfezada, ele continuava deslumbrante. Jamais cansaria de admirá-lo.
— Acho que nunca lhe contei... — respirou fundo antes de continuar: — Steve sempre teve uma grande vontade de servir ao país como um militar e, bom, eu nunca consegui não incentivar ele a fazê-lo só porque o seu porte físico não é o requerido para uma guerra. Então, quando os Estados Unidos entraram na guerra em 1941, após o ataque a Pearl Harbor, ele insistiu para que nós nos alistássemos e eu não consegui negar o pedido do meu amigo. — ele fez uma pausa na sua fala e segurou minhas mãos que já estavam trêmulas por imaginar o que viria a seguir — Eu fui convocado naquela época, mas voltei para casa um tempo depois e conheci você... Eu quero que você saiba que foi uma das melhores coisas que me aconteceu. — ele deu um sorriso fraco — Mas eu e ele fomos chamados novamente, e preciso atender quando o país me chama. Eu não queria te deixar, ...
Meus olhos encheram de lágrimas.
— Eu vou te esperar, James Buchanan Barnes. Isso é uma promessa. — Encarei seus olhos azuis tentando passar toda segurança do mundo na minha fala. — Eu te amo! Não posso lhe perder.
— É exatamente por eu te amar que não posso pedir que me espere, ... — ele colou nossas testas e continuou: — Eu vou para o front da guerra, é muito arriscado.
— Não importa! — fiquei exasperada — Eu sou sua, James, e vou te esperar o tempo que for.
Ele pareceu pensar um pouco e seus olhos azuis me encararam tão intensamente que nada mais parecia importar no mundo.
— Nós ainda vamos nos casar, , e a partir desse dia não haverá homem mais feliz no mundo do que eu. — ele disse colocando uma mexa do meu cabelo atrás da orelha e eu sorri em meio as lágrimas que rolavam no meu rosto e no dele — E se eu não voltar, ? E se...
— Shhh... — coloquei minha mão em seus lábios — James, eu e você sempre vamos achar um jeito de voltar um para o outro.
— Promete? — ele perguntou.
— Eu prometo.



Capítulo 1

Janeiro de 1945

Escutei duas batidas na porta e imediatamente estranhei, quem poderia estar aqui em pleno início da manhã? São apenas sete horas! Fechei meu robe enquanto andava em direção a porta, parando apenas para olhar meu reflexo no espelho ao lado da porta. Assim que abri, senti um aperto no peito tão grande que segurei o ímpeto de levar a mão até o local, simplesmente sabia que nada de bom poderia vir da visita de dois soldados em plena guerra.
— Bom dia. Em que posso ajudar? — perguntei com a voz um pouco falha.
— Bom dia, senhorita . Sou Edward Becker e esse ao meu lado é Carl Sanders. — o primeiro deles, um loiro alto, começou a falar e o segundo rapaz limitou-se a um aceno de cabeça. — Poderíamos conversar com a senhorita?
— Hum... Claro. — assenti incerta dando passagem para que eles entrassem. — Por favor, sentem-se. — indiquei o sofá para ambos. — Posso lhes oferecer algo? Água? Café?
— Não, muito obrigada. — concordei com a cabeça enquanto me sentava na poltrona em frente ao sofá.
— Sobre o que os senhores gostariam de tratar comigo? — perguntei, ansiosa.
— Então... — Edward pigarreou. — Foi solicitado por nosso comandante que nós viéssemos dar uma notícia nada agradável a senhorita referente ao Sargento James Barnes. — ao perceber nenhuma resposta da minha parte e antes de continuar, o segundo deles, Carl, abaixou a cabeça. Já sabia que viria algo ruim, só me restava pensar no menos pior. Ele apenas está machucado, mas vivo, por favor, Deus, é a única coisa que te peço. — É com imenso pesar que informamos a morte do senhor Barnes.
Parecia que o chão debaixo dos meus pés havia sumido. Eu podia sentir meus próprios soluços, ouvi-los, mas o mundo inteiro estava distante enquanto tentava processar aquela informação. Não era verdade. Não podia ser verdade. Simplesmente não consigo imaginar meu mundo onde James não exista.
— Obrigada, senhores. Gostaria de ficar um pouco sozinha agora. — Minha voz soava longe aos meus próprios ouvidos enquanto eu tentava enxugar as lágrimas que caíam sobre meus rosto, em vão, elas simplesmente não paravam. Todos os meus movimentos foram automáticos: levantei, os guiei até a porta, acenei como despedida e fechei a porta.
E foi nesse momento que minha ficha caiu: ele estava morto, eu nunca mais iria vê-lo.
Não consegui chegar na metade da sala sem vomitar no tapete todo. A dor era insuportável, conseguia senti-la em cada fibra do meu ser. Toda alegria parecia ter sido dissipada do meu corpo. Nosso felizes para sempre não vai acontecer e eu deveria ter me preparado melhor para isso, ele estava na guerra com todas as probabilidades indicando que não voltaria, ainda assim eu quis acreditar que o universo seria gentil em me conceder essa felicidade.
Mas o erro foi meu, não existem contos de fadas, não existem finais felizes, você apenas tem que se agarrar a todos os momentos de alegria e esperança que a vida lhe concede. Toda a euforia que apenas um homem conseguiu provocar em mim se fora, assim como todos os momentos de tirar o fôlego. Apenas James conseguia provocar essa montanha-russa de sentimentos e, agora, ele não está mais aqui.

1948


— Você sequer está me escutando, agente ? — A pergunta de Howard me tirou do transe em que me encontrava, eu mal sabia como tinha entrado nele para falar a verdade, mas há três anos todos os meus pensamentos se direcionaram a esse dia a qualquer sinal de distração da minha parte. A dor se tornou suportável mas nunca passou, às vezes acho que ela me corrói por dentro. Espero que em algum momento ela se torne tão pequena que eu nem me lembre tanto que ela existe.
— Me desculpe, Stark. Poderia repetir o que disse? Não estou muito bem hoje. — Massageei as têmporas tentando afastar as memórias.
—A HIDRA está agindo novamente, , precisamos colocar nosso plano de intervenção em prática, o FBI e a CIA não estão conseguindo dar conta. — respondeu.
— Não é como se o governo fosse apoiar que criássemos um novo departamento de espionagem assim tão fácil, Howard. — revirei os olhos, impaciente.
— Primeiro, não é um departamento, , é uma nova organização de espionagem. Segundo, existem ameaças que o governo norte americano e o super Capitão América não conseguem resolver sozinhos. Terceiro, temos toda tecnologia necessária para realização do nosso projeto. E, por último, precisamos de Nick Fury.
— Aquele ex-soldado? — perguntei sem entender a relevância daquele homem no nosso projeto.
— Não qualquer ex-soldado, , ele fazia parte do “Comando Selvagem” que consistia em um grupo de soldados que faziam as missões mais perigosas durante a guerra. — fez uma pausa enquanto se recostava na cadeira — Além disso, ele tem muitos contatos com a ONU, aposto que com um pedido dele não iriam se opor em contribuir com a gente. Não seremos uma organização que serve aos Estados Unidos, apesar da base “central” se localizar aqui, a intenção é ter várias ao redor do mundo para podermos abranger todas as áreas.
— Isso eu sei, Stark, não sei se você lembra, mas eu tive uma participação especial na criação desse projeto em especial. — foi a vez dele revirar os olhos — Tudo bem então, precisamos de Nick Fury. Como iremos conseguir isso?
— Essa parte você deixa para mim, .
***



1954

Howard Stark é uma das pessoas que tem minha confiança de olhos fechados, apesar do sarcasmo e do jeito convencido irritante, ele era um bom homem. Trabalhamos durante anos juntos disfarçados para conseguir podres da Alemanha na Segunda Guerra e durante o tempo livre pensamos em criar a SHIELD com o intuito de dar atenção a casos que mais complexos que agências secretas como a CIA e o FBI não conseguiriam dar conta. E, por incrível que pareça, conseguimos com que Fury comprasse nossa ideia e se juntasse a nós, além disso, o próprio conseguiu que nos tornássemos uma organização internacional que, na teoria, só respondemos à ONU. Embora sejamos uma organização sem vínculos legais com nenhuma nação, a maior parte dos nossos agentes e do financiamento partem dos EUA – o que nos coloca sob grande influência desse país. O investimento do governo para criarmos a SHIELD não era apenas porque era uma ideia concreta e com tudo para dar certo, mas sim pela ideia de poder e de controle que teriam de uma forma ou de outra por estarmos em sua terra.
Apesar dos contras de ter os Estados Unidos nos controlando, conseguimos gerir nossa organização de maneira honrosa; Nick Fury é um excelente diretor, possui contatos e os agentes os respeitam. Eu e Howard ficamos com a parte burocrática e a sistematização da nossa agência e com a ciência... Tudo bem, eu ficava com a parte burocrática e sistêmica enquanto Howard fazia o que ele sabe melhor: criar grandes projetos e inovações para aprimorar cada vez mais nosso sistema de investigação. Já conseguimos solucionar casos que para o governo seria impossível em apenas seis anos de organização, imagine o que conseguiremos fazer com o tempo? Além disso, ficamos responsáveis por gerir o herói mais querido do país: Capitão América; essa função foi passada para nós porque informações estavam sendo constantemente vazadas das bases secretas do governo e na SHIELD não permitimos que esse tipo de erro fosse cometido.
— Nós temos um problema, . — Fury entrou na minha porta sem bater e jogou uma pasta amarela tão fina que parecia que não continha nenhum papel. Peguei a pasta que foi jogada em minha mesa e abri: uma folha, apenas a frente, com pouquíssimas informações sobre o que quer que seja isso.
— Posso saber o que é isso? — perguntei balançando a pasta vazia em minhas mãos.
— O caso novo que você tem que solucionar.
— Achei que tinha escutado um “NÓS temos um problema, ”. — disse enfatizando a palavra ‘nós’ na frase.
— Semântica. — revirou os olhos — Nós temos um problema mas é você quem vai resolvê-lo, porque é a melhor agente que nós temos, , já que seus superiores sempre a elogiaram pela obstinação e seu histórico não nega sua excelência quando o trabalho é investigar algo.
— De fato. — concordei — Mas, normalmente, eu tenho uma gama de informações muito maior do que cinco linhas, Fury, isso aqui... — apontei para o papel praticamente em branco na minha frente — Não é nada. O que espera que eu faça com isso?
— Descubra quem é o novo assassino que a HIDRA criou e como ele consegue sair de todas as cenas do crime sem deixar um rastro. — Passou a mão na cabeça visivelmente frustrado — Essas cenas na câmera de segurança foram um maldito acaso!
— Você quer que eu investigue um fantasma?
— Exatamente.

6 meses depois


Frustração é a palavra que define os últimos meses, tenho me sentido cada vez mais inútil no caso e, quanto mais tempo passa, menos eu sei o que fazer. O cara o qual estou procurando parece ser um fantasma, não existe ninguém que sequer chegue às suas características físicas, considerando o fato que ele possui um braço de metal, deveria ser bem fácil localizá-lo. No entanto, já esperava que, envolvendo a HIDRA, nada viria fácil, é preciso de mais empenho da minha parte para pensar fora da caixa. Eles jamais iriam deixar o novo soldado ser de fácil identificação… Talvez seja alguém que eles tenham dado como morto? É uma suposição, mas, ainda assim, não é comum um homem com um braço robótico e esse detalhe passar despercebido por qualquer pessoa.

Meus pensamentos foram interrompidos pela entrada de Howard na sala que, para variar, não se deu ao trabalho de bater na porta.
— Sabe, às vezes seria interessante bater na porta, respeitar a individualidade do outro… — disse com um sorriso irônico.
— Não faz muito meu feitio, sabe? Ainda bem que cheguei, sua cabeça estava prestes a sair fumaça caso eu não intervisse. — retrucou e eu revirei os olhos, pelo menos a visita dele iria me fazer esquecer um pouco do fracasso que estou sendo na minha própria empresa.
— São sete e meia da manhã, Stark, normalmente você começa seu expediente às dez, caiu da cama?
— Eu não encerrei meu expediente ainda, essa é a razão de me encontrar aqui nesse horário. E você deve estar se perguntando: o que ele faz aqui? — arqueei a sobrancelha esperando a resposta que viria a seguir, era uma mania suas perguntas retóricas — Estava inspirado ontem, então, entrei no meu laboratório e pensei: por que não melhorar o soro do super soldado e garantir uma vantagem contra a HIDRA?
— E foi o que você fez? — perguntei sabendo a resposta.
— Foi exatamente o que eu fiz. — sorriu, convencido da sua tamanha esperteza — Claro que ainda vou precisar fazer milhares de testes, mas já é um começo. Estou tão empolgado e cheio de cafeína que precisei vir contar para você, além de estar com medo de encarar uma Maria grávida quando chegar em casa, já que não avisei que passaria a noite aqui. — sentou-se relaxado na cadeira em minha frente — Então, estou matando tempo.
Gargalhei e ficamos conversando sobre frivolidades enquanto ele decidia se iria ou não para casa naquele momento, pelo visto ele realmente tinha medo de sua esposa grávida. Por um momento, quis que minha vida fosse assim; não a mulher dentro de casa, mas a que tem um marido por quem esperar. Sempre soube que minha profissão era de risco e que seria impossível ter uma vida estável ou tradicional, por isso, durante o primeiro ano do curso para agente - o qual eu fui a primeira mulher a participar - repensei diversas vezes se era aquilo que eu queria para minha vida. Eu realmente estaria disposta a deixar de corresponder às expectativas dos meus pais de ser uma dona de casa educada que bordava ou eu iria tomar uma atitude corajosa e ousada? Bom, evidentemente escolhi a segunda opção e não me arrependo, até porque foi ela que me permitiu conhecer James. Na época, ele estava acompanhando Steve na sua primeira entrevista para o alistamento e ficou claro o quanto ele apoiava o amigo, mesmo sabendo da grande probabilidade dele não ser chamado.
James era um tremendo garanhão, principalmente pelo seu porte físico e o sorriso torto que deixava todas as mulheres babando - inclusive eu, mas ele não sabia disso desde o início. Uma das vantagens de ser uma agente secreta é saber esconder bem o que está sentindo, então, me permiti ser difícil por um tempo quando ele me chamou para sair. Minha façanha não durou pelo tempo que eu queria, é claro... Era muito difícil resistir a ele e, quando dei por mim, já estava completamente apaixonada e louca para casar com aquele homem porque ele era tudo com o que sonhei um dia: ele me incentivava, queria que eu crescesse na minha profissão (que ele achava ser administradora) e não me pressionava com assuntos como ter filhos e viver apenas a mercê do provedor da casa, ele queria que eu fosse independente e eu não poderia pedir nada mais que isso.
Fechei os olhos e respirei fundo, não adiantaria me martirizar com as lembranças.
! — Fury entrou na sala, também sem bater.
— Eu gostaria de entender qual o problema dos homens desse lugar com o simples ato de bater na porta. — disse, ainda de olhos fechados.
— Devido ao assunto ser de extrema importância, não me dei ao trabalho. — disse e eu abri os olhos para encará-lo — É bom você estar aqui também, Howard, é missão para os dois.
— A que devemos a honra? — perguntou.
— Tivemos uma pista de Zola em um edifício na Times Square, aparentemente sozinho. Esse seria o timing perfeito para encurralar ele. — disse e eu me empertiguei.
— Nós temos uma pista? É isso? — perguntei e ele assentiu — O que estamos esperando então? Precisamos ir. Agora.

***

Eu e Howard nos encontrávamos na frente do hotel o qual fomos designados; nada de muito luxuoso, na verdade era bastante discreto, sem perder a qualidade e beleza do local, provavelmente era essa a intenção. Observamos toda a movimentação do local, a frente só contava com um segurança, presumimos que fosse o do próprio lugar. Fury já havia descoberto o andar em que Zola se encontrava, porém, não sabia o número exato o que significava que eu e Stark teríamos que nos separar. No entanto, como sabíamos que ali não entram mulheres desacompanhadas, foi ideia minha que entrássemos como um casal. Entramos no elevador com meu braço ainda enlaçado no de Howard, já que havia outras pessoas, assim que chegamos no décimo quinto andar, acabamos com a fachada.
Ambos os lados opostos do corredor se encontravam vazios. Decidimos que eu iria para direita e ele para esquerda. Segundo Howard, Zola gosta de luxo, portanto, estará no melhor quarto do hotel e que deveríamos procurar por um quarto com duas portas, sendo a suíte presidencial. Enquanto andava pelo corredor enorme, pedia baixinho para que desse certo, eu precisava dar um fim naquele caso e Zola era a chave para tudo aquilo.
Estava quase achando que o meu lado do corredor era o errado, até que cheguei no último quarto do corredor, o qual possuía a porta dupla. Prendi a respiração no mesmo momento, sem saber o que fazer. Howard chegou ao meu lado mais rápido do que eu esperava.
— Serviço de quarto. — bati na porta duas vezes, esperando uma resposta. Stark se esgueirou ao lado da porta que iria abrir, deixando sua arma a postos.
— Entre. — escutei o comando de uma voz grave e obedeci.
A última coisa que me lembro é entrar no quarto, escutar barulhos de tiro e sentir uma pressão enorme no meu pescoço, como se tivesse sido injetado algo em mim. Escutei Stark gritando meu nome e, depois disso, minha memória está em branco.
Abro os olhos com dificuldade, minha cabeça parecia pesar milhões de toneladas, mas, em contrapartida, eu seria capaz de derrotar um touro. Olhei ao meu redor tentando reconhecer onde me encontrava, era uma espécie de quarto de hospital, apesar de escutar as máquinas bipando, eu sabia que não estava em um. Examinei minhas mãos, meus pés e tudo estava exatamente igual, exceto pelo fato de eu ser um completo fracasso na missão a qual fui designada. Descuidada seria a palavra mais correta, eu deveria ter sido menos ingênua, é lógico que ele estaria esperando por um ataque. Fui tão amadora. Provavelmente iria escutar muito de Fury sobre meu descuido, era meu dever trazer Dr. Zola preso e ele escapou como areia nas minhas mãos. Era a missão da minha vida.
Howard Stark e um homem que eu nunca vi na minha vida entraram no quarto carregando uma prancheta nas mãos cada, cochichando sobre cada resultado que viam no meu prontuário, presumi. Eles ainda não haviam notado que eu tinha acordado, então pigarreei e os dois olharam para mim como dois fantasmas.
— Agente , você acordou! — Howard foi o primeiro a se manifestar — Como está se sentindo?
— Cabeça estranhamente pesada e energia para correr mil maratonas, se é que isso é possível depois do que aconteceu. — disse, com minha voz falhando no final — Lembro vagamente de conseguir entrar na base e quando cheguei no escritório/laboratório, seja lá o que era aquilo, senti uma pressão enorme, seguida por uma dor excruciante e depois disso tudo é vago.
— Então, depois que Zola injetou aquele líquido em você, nós trouxemos você ao meu laboratório, acompanhada do Dr. Edwards aqui — deu dois tapinhas no ombro do homem ao seu lado — Para tentar descobrir o que havia acontecido, já que apenas eu, que trabalhei com aquele lunático, poderia descobrir o que quer que tenha sido que ele injetou em você. No entanto, você não parava de ter paradas cardíacas, estava com uma hemorragia interna que não conseguimos localizar a origem e, resumidamente, você morreria em minutos se não agíssemos rápido, mas já estávamos sem opção... Foi aí que lembrei da nova fórmula que eu havia feito do soro de supersoldado, completamente diferente da que foi dada a Steve Rogers, e injetei em você, para salvar sua vida. Só que essa fórmula é completamente imprevisível, não sei muito bem quais os efeitos que você pode desenvolver ainda, além dos comuns: super força e jovialidade para sempre, a única coisa que conseguimos identificar foi uma alteração significativa nos filamentos de DNA, coisa que não havia acontecido com Rogers.
— Ok, eu fui uma cobaia para seu teste...
— Que salvou sua vida e não foi nada planejado. — completou Howard me interrompendo.
— Que seja. Mas fui uma cobaia. O que quero saber é: posso continuar minha vida normalmente? — perguntei — Não quero ser nenhum projeto de Steve Rogers 2.0, não é muito a minha praia ficar me exibindo por aí.
Assim que toquei no nome do Capitão me deu um aperto no peito, eu sentia tanta falta dele, mas, ao mesmo tempo, ele me lembrava demais James e doía só de olhá-lo. Sei que é terrível e que Steve sofre tanto quanto eu, eles eram quase irmãos, mas para mim é cutucar uma ferida aberta e não estou pronta para isso ainda.
— É só vir fazer seus exames rotineiros e está tudo certo, . — Dr. Edwards manifestou-se pela primeira vez — Não é como se você não ficasse aqui vinte e quatro horas por dia. Você é uma extensão da SHIELD.
— É verdade. — forcei uma risada. Era muita informação para eu absorver naquele momento, de um dia para o outro tomei um soro que muda completamente todas as partes que eu conhecia sobre mim. Tudo bem, eu não era como as outras mulheres da minha idade que em qualquer mínimo esforço sente medo de quebrar uma unha, mas eu sou muito vaidosa, obrigada e não quero que nada no meu corpo mude, então, perguntei logo: — Meu corpo vai ficar enorme como o de Rogers?
— Não, , por Deus! — Howard começou a gargalhar — Seus músculos estão mais tonificados, fortes e, bom, nenhum homem ou mulher deveria ter a audácia de levantar a mão para você. O seu soro foi uma variação do de supersoldado, nada comparado ao de Steve e precisaremos estudar muito sobre os efeitos que ele causará no seu corpo, ainda é tudo muito novo. — deu um aperto no meu ombro e continuou: — Você deveria tirar a prova, dê uma olhada no espelho. Vamos lhe dar privacidade.
Dito isso, saiu da sala seguido pelo médico. Respirei fundo antes de levantar da cama, assim que coloquei meus pés no chão não senti nada de diferente de imediato, mas quando levantei de fato senti meu corpo um pouco mais pesado que o normal e estava um pouco tonta. Ao ver meu reflexo no espelho fiquei espantada: me sentia mais bonita do que antes, meus músculos dos braços e pernas estavam mais torneados, deixando minhas curvas mais evidentes e, consequentemente, mais atraentes. Analisei cada detalhezinho do meu corpo procurando por qualquer defeito e não achei, até meu cabelo estava mais bonito.
A única coisa estranha disso tudo era que eu conseguia sentir cada vibração da sala, como se algo tentasse se comunicar comigo, mas, logicamente, achei que estivesse alucinando por conta das informações novas. No entanto, algo dentro de mim, bem lá no fundo, sabia que minha vida estava prestes a mudar para sempre.



Capítulo 2

1991

— Howard, não é uma boa ideia você levar os novos soros de supersoldado com vocês no carro. É muito melhor que seja um dos nossos agentes, que são devidamente preparados para isso. — disse, pela milésima vez naquele dia.
— Eu não confio em deixar uma das minhas maiores criações nas mãos de agentes de baixo escalão, , sabe disso. — respondeu e eu revirei os olhos — Não tem como ninguém saber o que estou levando na minha mala.
— Você subestima muito nossos inimigos, Stark. — neguei com a cabeça — Precisa tomar mais cuidado.
— Eu e Maria vamos chegar sãos e salvos em Long Island, não se preocupe, ainda terá muitos anos para me aturar, ; ou acha que vai ser a dona disso aqui sozinha? — respondeu, irônico — E eu ainda preciso passar mais tempo com meu filho, que provavelmente vai me odiar mais ainda por essa viagem.
— Tony ama você, Howard, ele só é um adolescente.
— Que não teve um pai presente. — acrescentou e eu não pude discordar, de fato Howard passava muito mais tempo na SHIELD do que em qualquer outro lugar.
— Ele vai superar. — dei um leve aperto no seu ombro — Te espero aqui na segunda pela manhã, não se atrase.
Ele sorriu e revirou os olhos como quem diz “não precisa se preocupar tanto, ”. Mas eu me preocupo, desde que fundamos a SHIELD, ele virou um dos meus amigos mais próximos, senão o único amigo e eu não tenho outra coisa a fazer a não ser me preocupar, já que ele parece dar tão pouco valor a vida dele. Pronta para ir embora, guardei minhas coisas e fui em direção ao meu carro, o qual Jacob já me esperava para me levar para casa.
— Senhora . — sorriu, enquanto abria a porta dos fundos para que eu entrasse.
Retribuí o sorriso para o senhor me acomodando no banco de trás. Estava exausta, a única coisa que gostaria é uma ducha quente e ver besteiras na televisão, a semana fora agitada demais, precisava desopilar do trabalho. Há alguns anos, tomaria uma boa dose de uísque e dormiria como um neném, mas, depois do soro, o álcool já não faz efeito, mesmo que eu beba vinte garrafas da melhor marca ou qualquer bebida forte. Às vezes, a sensação de entorpecimento faz falta, principalmente quando o estresse é maior do que qualquer coisa.
Assim que cheguei em casa, tomei um banho mais demorado do que o recomendado para manter o meio ambiente íntegro e comi o resto da janta de ontem, zero disposição para fazer o jantar apenas para uma pessoa. Todas as vezes que chego em casa e me deparo com ela vazia pergunto a mim mesma: por que nunca me permiti que alguém entrasse na minha vida novamente? Bom, eu também sabia a resposta para essa pergunta: evitar o sofrimento. Desde James, não consegui mais abrir meu coração para ninguém e sabia que seria uma dificuldade tremenda, que tipo de homem gostaria de estar com uma mulher que jamais envelhece? E para completar o combo ainda é mais forte que ele e não precisa da sua presença máscula para qualquer serviço que foram feitos para homens?
Bufei, irritada. Saber lidar com a minha bagunça não era o problema, vários homens dentro da SHIELD - que sabiam da minha situação - tentaram me cortejar de diversas maneiras, mas nenhum tocou no meu coração e, bem, era provável que nenhum ser humano vivo conseguisse essa proeza. Então, eu preferia ficar sozinha. Porém, havia momentos em que a solidão me assustava e queria ter alguém que afagasse meus cabelos dizendo que tudo iria ficar bem, só que eu lidava com a realidade da melhor maneira possível, repetindo o meu mantra diversas vezes: eu me basto.
Não sei em qual momento eu peguei no sono, mas acordei com o barulho estridente do meu telefone tocando. Olhei para o relógio ao lado da poltrona que marcava duas e quarenta e cinco da manhã. Andei em passos apressados até o telefone, nada de bom poderia vir uma hora daquelas.
— Alô? — atendi hesitante.
— Precisamos que venha agora até a base. — a voz de Nick Fury estava tão séria que me causou arrepios.
Desliguei o telefone e corri para o andar de cima para colocar uma roupa adequada. O percurso da minha casa até a SHIELD não é longo, dura no máximo vinte minutos, dessa vez, pareciam duas horas. Ao colocar os pés na base, me preparei para o pior, vi as caras tristes de alguns funcionários enquanto me dirigia para a sala de Fury. O que aconteceu? Será que conseguiram avisar a Howard? Entrei na sala sem me preocupar em bater e, pela primeira vez em mais de quarenta anos, vi Nick Fury com os olhos marejados.
— O que houve? — perguntei com um fio de voz.
— Howard e Maria sofreram um atentado durante a viagem a Long Island. — disse — Tudo indica um acidente carro, mas as imagens de segurança do local mostram como realmente aconteceu.
— Quem. Foi. — perguntei entredentes, sentindo uma raiva crescente tomar conta de mim.
— O assassino da HYDRA. — sua resposta foi suficiente para que eu partisse o encosto da cadeira no meio.
Até quando esse maldito iria ficar impune de todas as atrocidades que ele cometeu? Ele acabou de matar um homem e sua mulher que viviam vidas decentes, sem fazer mal ao próximo, que tinham um filho. Meu Deus! Quem iria dar essa notícia a Tony? Ele ficaria arrasado.
— Como é possível? Não tínhamos notícias dele desde 1963. — passei as mãos nervosamente pelo cabelo — Como é possível passar quase trinta anos despercebido, Fury? Como isso é possível?
, você precisa se recompor. — disse e eu o encarei com raiva.
— Como você espera que eu me recomponha depois disso, Fury? — falei mais alto do que o esperado — Quero que ele sinta a mesma dor que eu estou sentindo.
— Ele é um fantasma, . Nós precisamos deter a HYDRA.
— Estou pouco me lixando para HYDRA, Fury, se for preciso eu vou até o inferno para procurá-lo e ele vai se arrepender de cada gota de sangue que ele derramou.
Havia anos que não sentia o luto, desde a morte dos meus pais não sabia o que era esse sentimento. Mas a morte de Howard fez com que voltasse com força total. Até quando eu veria as pessoas que eu amo morrer sem poder fazer nada para impedir? Nós montamos uma organização secreta com o intuito de combater ameaças que o governo não conseguia e não conseguimos achar um mísero assassino, o qual foi responsável pela morte do meu melhor amigo. Eu sinto que sou um fracasso. Que tipo de agente eu sou?
Mas ele iria pagar, não importa quanto tempo durasse. Tempo não é o problema para mim. Ele vai se arrepender de um dia ter cruzado o meu caminho.


Capítulo 3

2014

23 anos depois

Respirei fundo enquanto tamborilava minhas unhas no balcão de madeira da cafeteria, observando todos os movimentos lentos da garçonete preparando o meu pedido. Minha bolsa estava pesada demais em meu ombro e tudo que eu precisava era de um bom café para aliviar meu mau humor matinal, definitivamente eu não era uma mulher que gosta de acordar cedo. Depois de uma demora de pelo menos dez minutos, sendo eu a única alma viva do local, a mulher entregou meu pedido com um sorriso falso, o qual eu não fiz questão de retribuir. Andei em passos largos até a rua bebericando o meu café, agradeci aos céus pela base ser tão perto dessa cafeteria, apesar do atendimento mediano, é um dos melhores cafés que já tomei em toda minha vida e, bom, tenho propriedade no assunto.
Uma das minhas premissas é pontualidade, portanto, cheguei trinta minutos antes da minha reunião semanal com Fury, dessa vez presencialmente. No entanto, já sabia que esse quesito não era o forte do meu colega de anos. Olhei meu reflexo no vidro da janela da sala de conferências, ajeitando alguns fios rebeldes que ficaram de fora do meu rabo de cavalo e retoquei meu batom. Quarenta minutos depois, Nick chegou com a cara mais lavada do mundo, sorrindo como se tivesse todo tempo do mundo.
— Bom dia, . É ótimo revê-la cara a cara depois de vinte anos. — disse, irônico.
— Fury. — acenei com a cabeça — Você me vê toda semana, nunca fiquei longe dos negócios. A SHIELD é minha vida, sabe disso.
— Não esperava que fosse voltar para Nova York tão cedo, apenas isso. — respondeu.
— Estava na hora. — dei de ombros — Podemos começar?
— Só um momento, teremos companhia hoje, eles já devem estar chegando.
Assenti e voltei minha atenção para a janela que me dava a vista panorâmica da cidade. Apesar de todas as situações ruins que passei nesse lugar, não conseguia imaginar passar o resto da minha vida em outra cidade. Vivi por muito tempo em vários países da Europa, colocando a SHIELD em maior cobertura no mundo todo, isso foi de extrema importância para que tenhamos a popularidade e respeito de hoje, mas não consegui chamar nenhum daqueles países de lar. E o sentimento de vingança estava me corroendo, quando não estava focada na SHIELD, eu estava tentando seguir qualquer pista que me levasse até o assassino, mas, depois de matar Howard e Maria, ele simplesmente sumiu, o que só fazia com que aumentasse minha raiva. Passei os últimos vinte e três anos alternando entre o sentimento de vingança e luto, coisa que não me fez nada bem. Eu precisava de paz.
— Finalmente, Rogers e Romanoff, achei que teríamos que começar a reunião sem vocês.
Gelei. Não era possível que ele tivesse marcado uma reunião com Steve sem me avisar antes. Respirei fundo algumas vezes com o intuito de me recompor, mas em vão.
— O trânsito estava caótico. — disse uma voz feminina com a qual eu não estava familiarizada.
Assim que virei de frente para os convidados, percebi que Steve me encarava como se estivesse vendo um fantasma, seus olhos não conseguiam esconder a surpresa que perpassa em seu rosto. Não posso culpá-lo, ele não tem notícias minhas desde a morte de James e é por minha culpa, não deixei que ele se aproximasse, ele é a lembrança dolorosa da vida feliz que eu poderia ter tido e, mesmo agora, depois de muitos anos, dói encará-lo.
— Desculpe… — pigarreou — É só que você me lembra muito alguém… Mas é simplesmente impossível…
— Sou eu, Steve. É, hum, complicado. — disse.
— Bom, deve ser muito complicado mesmo para você não ter me procurado, mesmo sabendo que acordei setenta anos depois achando que todos que eu conhecia estavam mortos. — senti o rancor em cada palavra proferida por ele e a culpa atingindo cada partezinha do meu corpo — Como você continua a mesma?
— Uma variação do soro de supersoldado para salvar a minha vida…
— Longa história, Cap, depois vocês colocam a conversa em dia. Precisamos focar no que realmente importa. — interrompeu Fury e eu voltei minha atenção para ele — Vocês não sabem, mas fundou a SHIELD junto com Howard Stark, portanto, ela é tão chefe quanto eu. E é a única pessoa dentro desse lugar que confio a minha vida, portanto, tudo que tiverem para falar, pode ser dito na presença dela.
Todos acomodaram-se ao redor na mesa para começarmos a reunião. No início, apenas discutimos algumas questões das missões que estavam sendo feitas, relatórios, parte que envolveu mais eu e Fury, até chegarmos na missão que seria designado aos dois:
— Vocês dois juntamente com alguns agentes irão em uma operação de resgate de reféns no Lumerian Star, um navio, que foi sequestrado por Batroc, um pirata francês. Rogers será responsável por resgatar os reféns e neutralizar o pirata, enquanto Natasha e os outros agentes te dão cobertura para realizar a missão com sucesso. Tudo que vocês precisam saber está no e-mail que enviei.
— Sim, senhor. — respondeu Steve.
Ambos viraram-se para sair, mas Fury pediu para que Natasha ficasse.
— Você, Romanoff, tem um especial na missão: preciso que entre na sala de controle, colete os dados produzidos no navio que são originários da SHIELD e apague os discos rígidos. Essa parte da missão é sigilosa, apenas nós, presentes nesta sala, sabemos disso. — disse e Natasha afirmou com a cabeça — Ótimo. Dispensada. Boa sorte na missão.
— Por que não contou para Steve essa parte? — perguntei sem entender.
— Existem situações em que o Capitão não está apto para sujar a reputação de bom moço dele e Romanoff nunca se importou com isso. E eu preciso de sigilo, , tem algo errado com a SHIELD e vou descobrir o que é.
— Posso saber o que é? — franzi o cenho em confusão.
— Assim que eu tiver certeza você saberá.
Bufei me recostando na cadeira. Supostamente eu deveria ditar as regras, no entanto, a partir do momento em que elegemos Fury como diretor da SHIELD, sabíamos que tínhamos abdicado de cinquenta por cento desse poder. Se eu me arrependia dessa escolha? Nunca. Nick Fury foi a escolha certa para SHIELD, seu jeito mandão, inflexível - na maioria das vezes - e seu instinto nato para liderança é perfeito para o cargo que ocupa. E sei que ele prefere morrer antes de que algo de ruim aconteça com essa organização. Exatamente por isso que não me prendi a sua preocupação, sabia que ele só me alertava caso fosse algo que estivesse fora de sua alçada e poucas coisas estão fora disso.
Abri a tela do meu notebook e fiquei olhando para a pasta com as poucas informações do assassino de Howard. Não importava quantos anos se passassem, as fotos de como meu melhor amigo havia ficado depois do que aquele monstro fez era o combustível necessário para o sentimento de vingança que crescia em mim há mais de vinte anos. Eu queria ser evoluída, praticar o perdão e agir como um indivíduo racional, mas, quando trata-se desse assunto, não consigo. É simplesmente inconcebível como ele os matou a sangue frio, sem nenhum remorso e ainda teve a audácia de fingir que foi um acidente.
— É inútil alimentar esse ódio, , você sabe. — ignorei seu comentário encarando a tela do computador — Nós o procuramos em todos os lugares e não achamos, está na hora de começar a seguir em frente, entende? Deixaremos um setor responsável para…
— Para que eles não lidem com isso da maneira correta? — interrompi furiosa — Eles não conheciam Howard, Fury, eles não viram seu melhor amigo ser morto a sangue frio por um homem que não temos a competência de identificar. — inspirei fundo e soltei o ar pela boca — Desistir não é uma opção, eu vou achá-lo.




Continua...



Nota da autora: OI, GENTE!!! Atualização dupla para vocês. Já estamos no presente e o tão esperado encontro com Bucky está mais perto do que nunca, hein? Palpites de como vai ser a reação dela ao descobrir quem é o Soldado Invernal? HAHAHHA
Beijos e até o próximo capítulo <3





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