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Última atualização: 03/07/2021

Capítulo 1 - Um Acordo Inesperado

gostava de andar pelos terrenos de Hogwarts, principalmente durante a primavera, onde o clima era agradável o suficiente para estudar ao ar livre. A convivência com os colegas durante praticamente o dia todo, em sua opinião, também era um pouco cansativa. Então, ela aproveitava esses momentos para estudar em locais e horários, com certa distância de outros alunos.
Por muitas vezes, saía de suas aulas e passava o final da tarde no estádio de quadribol, um de seus lugares favoritos da escola, e que se encontrava vazio durante esse período. Os testes começariam dentro de duas ou três semanas, então ela teria o espaço apenas para si. também era artilheira da Corvinal, mas estava afastada no momento, devido a uma lesão no braço, ocasionada em seu último jogo contra a Sonserina. Provavelmente, não teria a oportunidade de jogar dessa vez, pensou, suspirando. Quadribol era demais, e seu esporte favorito no mundo. E voar sempre fora sua paixão. Filha de pais trouxas, ela não tinha tido a oportunidade de voar até chegar a Hogwarts, contentando-se apenas a observar os pássaros e os aviões no céu.
Ao se descobrir versada em magia, fez a aquisição de uma vassoura assim que chegou, e percebeu-se natural no esporte. Era considerada uma das melhores artilheiras do time, no mesmo nível de outras jogadoras como Gina Weasley da Grifinória. E isso lhe dava muito orgulho. Tinha se esforçado e batalhado muito por essa posição.
Um sorriso triste brotou em seus lábios, pensando que voar era como respirar, e que nada lhe trazia essa sensação de liberdade. Esticou o braço esquerdo num movimento brusco e sentiu o músculo se torcer, uma dor lancinante percorrendo sua extensão, um espasmo que a fez se recolher instantaneamente.
Xingou baixinho, e resolveu se concentrar de vez em seu livro de necromancia. O professor Snape tinha pedido um pergaminho de 16 páginas sobre o assunto para a próxima semana e ela tinha que se concentrar caso quisesse entregar um trabalho decente. Sabia que se lamentar pelo ocorrido não melhoria a sua situação.
Distraída, e extremamente focada em seu trabalho, a menina não notou quando um certo alguém, de cabelos ruivos e vestes do time da Grifinória entrou em campo. Ele observou a garota de longe, e soltou um muxoxo de irritação. Não queria ser observado enquanto treinava, ainda mais quando tinha vários aspectos que melhorar. Especialmente tratando-se de , uma das artilheiras mais habilidosas de Hogwarts. Rony sentiu seu estômago embrulhar, sua confiança parecendo se esvair. Ele não precisava de mais alguém achando que não iria conseguir.
Por mais que Harry, o incentivasse, às vezes sentia que o amigo, não confiava 100% na sua capacidade. Será que ele poderia se destacar e ter esse momento de glória, pelo menos uma vez na vida? Não pelos outros, mas por ele mesmo? A garota parecia totalmente absorta em seus livros, e com certeza o acharia tão patético e indigno de atenção, que nem observaria seus movimentos. Sendo assim, Rony subiu na vassoura, e iniciou o seu treino.
desviou os olhos de seu livro quando ouviu o som de uma vassoura sobrevoando o campo. E logo avistou Rony Weasley fazendo uma série de aquecimentos perto dos aros. A menina não conseguiu conter um sorriso, Weasley era esforçado, e tinha feito uma ótima temporada no último ano, a seu ver, ele só precisava de um pouco mais de confiança. É claro que ela observou bem mais que isso, o fato de que o menino tinha deixado de ser desengonçado, e se tornado em...bem, em alguém bem bonito. Ela corou com o pensamento, refletindo que tinha um crush nele há séculos, mas que nunca foi recíproco. Principalmente, porque ele e seus amigos estavam mais preocupados em derrotar Voldemort do que prestar atenção em uma paixão adolescente qualquer.
Esses anos não deveriam estar sendo fáceis para Harry Potter, e era bom que ele tivesse um amigo tão leal quanto o Weasley para contar. Ela sorriu, e voltou-se para seu dever de DCAT, quando de repente, sentiu uma forte pancada na cabeça, que a fez cair entre as bancadas do estádio.
— Fernan-déz – gritou Rony gaguejando, inclinando sua vassoura com velocidade para vir a seu socorro – me desc-ulpe...a goles ricocheteou.
Ela abriu os olhos e encontrou seu rosto vermelho, os olhos arregalados de preocupação. O menino parecia se preparar para ouvir um sermão e tanto. ‘’Acho que ele está acostumado com os rompantes da Granger’’ ri internamente.
— Tudo bem, Weasley – sorri de leve percebendo que eu estava intacta – já aconteceu pior nos jogos – ele estendeu a mão para mim e me ajudou a levantar. Sua mão repousou na minha cintura e de repente estávamos muito próximos. Ele notou a proximidade e se afastou, um pouco sem graça, ainda segurando os meus braços, se certificando que eu estava bem.
— Sinto muito pelo seu braço – ele me soltou delicadamente, coçando a nuca – aquela colisão com o Travis foi feia. Tem certeza que não vai poder jogar esse ano?
— Tenho – suspirou um pouco sentida com a situação, e meio atordoada pelo fato dele estar sendo tão atencioso. Ela esticou o braço novamente, e remexeu os dedos, parando por um instante, e refletindo que aquele momento era uma oportunidade.
— Hey, posso te ajudar a treinar se quiser! – o menino pareceu ficar desconcertado com a sugestão — Ah vamos lá, Weasley! Eu não estou no time da Corvinal este ano, não sei de suas táticas, e nem tudo precisa ser a ferro e fogo. Além do mais, eu sinto muita falta de jogar – insistiu no assunto, o olhando com expectativa. Isso seria ideal. Os treinos seriam menos intensos que o habitual, e ela iria conseguir se recuperar aos poucos.
— Eu adoraria. Eu...gos-taria muito mesmo! Você é excelente – Rony exclamou, se retraindo um pouco depois, ficando da cor de seus cabelos. achou aquilo adorável.
— Podemos treinar todos os dias depois das aulas, te espero amanhã? – estendi a mão para ele que aceitou na mesma hora.
— Te espero amanhã,
— Você pode me chamar de , se quiser – sorri maroto pra ele, que riu, novamente, um pouco sem graça.
— Pode me chamar de Rony.
— Bem, eu tenho que ir, vê se não acerta a cabeça de mais ninguém – riu com vontade, deixando um Rony meio embasbacado para trás.

####


Levantei na manhã seguinte, com os olhos brilhando de expectativa e uma energia descomunal. Era sempre assim que eu me sentia quando estava prestes a jogar quadribol. Adorava sentir a adrenalina de entrar em campo, de ouvir o clamor da torcida, da velocidade e da gana da vitória.
As pessoas se enganam quando dizem que grifinórios ou sonserinos tem mais aptidão ao esporte por sua força, determinação ou velocidade, quando quabribol também é um jogo de estratégia e inteligência. E nisso, nós os ‘’corvos’’, éramos mestres. Também sabemos ser ‘’fogo’’ quando algo desafia nossa mente e nossos limites.
Vesti meu uniforme cantarolando, e minha súbita animação levantou algumas suspeitas entre minhas amigas e colegas de quarto.
— Até parece que você vai jogar quadribol – riu-se uma delas, não imaginando o quanto estava certa sobre aquele tópico.
está impedida de jogar quadribol – minha melhor amiga Ava vociferou, cruzando os braços parecendo muito irritada – você sabe que não pode! Ainda mais depois da lesão que sofreu no último jogo contra a Sonserina.

Revirei os olhos, um pouco chateada com a forma que não só Ava, mas o resto da Corvinal começará a me tratar depois da lesão, como se eu fosse um ser frágil e incapaz de me proteger. Eu sei que a intenção deles era a melhor do mundo, mas francamente, me impedir de jogar?

— Ava, você está exagerando, — o meu bom humor se esvaindo em um segundo – sabe que não jogo quadribol há meses.

— Você não leva essa lesão tão a sério quanto deveria – Ava colocou as mãos na cintura em uma posição extremamente autoritária – Você FICOU EM COMA! Sua recuperação levou um mês – é, eu não tinha comentado essa parte – para alguém que é da Corvinal, você não está utilizando o seu cérebro o suficiente.

— Ava, eu não estou jogando, ok? – menti sim, na cara dura, pelo menos não ainda – eu só acordei de bom humor, está bem? – me aproximei dela e chacoalhei seus ombros. Ava continuou a me olhar desconfiada, e eu sustentei o seu olhar, e ela deu de ombros.

— Você sabe que só quero o seu bem, não é? – disse.

— Sei sim, agora vamos descer, porque estou com uma fome de leão – ri internamente da minha piadinha, meu pensamento vagando até Rony Weasley.

Descemos para o Salão Principal, conversando animadamente sobre as atividades do dia. O lugar já estava cheio àquela hora da manhã. Os professores de Hogwarts exigiam rigor nos horários das aulas, e como fomos acostumados com essa rotina, cada aluno sabia que seu bom desempenho e respeito às regras, era de total responsabilidade sua.
Avistei Rony, acompanhado por seus amigos, e como sempre os três cochichavam, suas feições estampadas com preocupação. Rony olhou em minha direção e nossos olhos se encontraram brevemente. Sorri pra ele, que sorriu de volta um pouco constrangido.

— Eles estão sempre confabulando, não é? – Ava disse de repente, me fazendo virar o meu suco de abóbora nas vestes com o susto – Estava olhando pro Weasley de novo, né? – ela riu alto.

— Dá um tempo, Ava – respondi com raiva, limpando as minhas vestes com a minha varinha. Rony do outro lado do Salão parecia ter achado graça. Sua expressão suavizou um pouco, mas logo foi repreendido por um dos colegas e voltou a prestar no assunto em que falavam.

— Vocês viram o que estão dizendo sobre o Potter? Que ele é O Eleito? – Ava comentou baixinho para nosso grupo de amigas.

— Eu acho que o Profeta Diário mente. Ele e os amigos devem fazer isso para se promover – uma das garotas disse com arrogância.

— Nunca ouvi tantos absurdos em uma frase só – rebati com veemência – eu acredito no Potter.

— Só, porque todas sabemos, que você tem uma quedinha pelo amigo dele, o Weasley – Ruby Wilson me alfinetou, rindo com as outras meninas.

— Não, Wilson. Eu acredito no que é certo. É claro que uma sangue puro como você, não tem realmente com o que se preocupar. – respondi com raiva e a vi se calar com o meu forte argumento – Isso sempre foi maior do que Potter e seus amigos.

— Eu concordo com a – Ava se intrometeu na conversa com cara de poucos amigos. – e acho que quem não concorda tem que rever alguns conceitos. – e eu percebi outras pessoas, que agora acompanhavam as vozes exaltadas, concordando com nossa posição.

Levantei da mesa abruptamente, dando um fim no bate-boca, e caminhei com pressa em direção as Masmorras para a minha primeira aula de Poções. Eu não conseguia entender como algumas pessoas conseguiam defender o indefensável. Ava me acompanhou em silêncio.
Eu não conhecia muito Harry Potter, tínhamos algumas aulas juntos, mas eu acreditava que ele era O Eleito. Não deveria ser fácil carregar essa responsabilidade nas costas, ainda mais quando todo o mundo bruxo estava envolvido. É claro que eu estava um pouco preocupada com o retorno de Voldemort, e o que isso implicaria para nascidos trouxas, mas tentava não pensar muito sobre isso. Minha melhor amiga Ava também era nascida trouxa, e apesar de não tocarmos muito no assunto, eu sabia que isso a preocupava tanto quanto eu.
O dia transcorreu sem mais novidades ou tumultos. No fundo, nada poderia estragar meu humor. Quando as aulas acabaram, segui meu caminho para os terrenos de Hogwarts, e por fazer isso regularmente, minhas amigas não desconfiaram que eu estivesse a caminho do estádio, e dessa vez para treinar quadribol. Meus joelhos quase cederam com a expectativa, meu coração batendo com força entre as costelas.
Entrei no estádio, e fechei os olhos, pensando em todos os ótimos momentos que vivi ali dentro. Fiquei arrepiada dos pés à cabeça, quando dei um impulso e me lancei no ar com toda a velocidade que consegui.
Minha vassoura, uma Nimbus 2001, vibrava contra o vento, e acompanhava meus movimentos como se fossemos uma. Dei um looping de duas voltas consecutivas no ar, e soltei uma gargalhada de alegria, feliz que depois de todos esses meses eu não tinha perdido o jeito.

— Livre, me sinto livre.


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Rony


"Ainda bem que o Harry estava concentrado lendo aquele bendito livro de poções" – Rony pensou aliviado, caminhando em direção ao estádio de quadribol.
— Não sei como ele acreditou que eu iria para a biblioteca – Rony falou consigo mesmo, indignado com a sua resposta – grande mentiroso você é, Rony Weasley!.
Ele precisava treinar para conseguir fazer parte do time este ano e fazer isso sem ajuda do amigo. Não seria justo com os colegas da casa, sem falar que ele gostaria de ser escolhido pela sua capacidade, e não por ser melhor amigo do capitão do time da Grifinória. Então era melhor treinar em segredo, assim Harry não seria tentado a ajudá-lo.
É claro que a ajuda de tinha sido uma enorme surpresa. Ele sempre nutriu uma enorme admiração por ela. Sua técnica no esporte era impecável, mas nunca tiveram a oportunidade de se conhecer. Primeiro que Rony sempre esteve envolvido nas mais diversas confusões que se pode imaginar, e outra que ele não se achava digno da atenção de alguém tão legal.
No início, ele achou que pudesse ser alguma pegadinha, ela não era conhecida apenas por ser uma fera indomável em campo, mas também por ser uma jogadora extremamente íntegra, por isso Rony resolveu não recusar essa chance.
E tinha o fato de que ele estava desesperado também. Estava próximo do estádio, quando ele a viu. Um raio cruzando o céu. Seu corpo leve como se fosse como um pássaro. Rony observou a menina jogar seu corpo para trás, dando dois loopings com a vassoura. Seu rosto iluminado por aquele simples momento. Um sorriso que fez o coração do menino vacilar.
Sua confiança em tudo o que fazia, era simplesmente assombrosa. De longe, ela o avistou e acenou com a mão. Rony acenou de volta meio hesitante. Se ele teve algum desejo no momento, seria ser livre e confiante como ela. Subiu em sua vassoura e já a encontrou no ar, o recebeu com um grande sorriso.
— Preparado, Weasley? – gritou para o menino jogando a goles em sua direção com força. Estimulado pelo momento, Rony agarrou a goles sem quebrar o contato visual.
— Vejo que não perdeu o jeito, . – respondeu no mesmo tom de voz firme. A menina pareceu que gostou do que ouviu. Uma leve tensão de competitividade se instalando entre eles.
— Então vamos começar.

O conhecimento da garota sobre o esporte era vasto. Neste primeiro dia, treinaram algumas técnicas conhecidas, mas que eram difíceis de serem executadas. A Defesa de Oito Duplo é uma defesa de goleiro, em geral usado contra o jogador que cobra uma penalidade. Dessa forma, o goleiro contorna os três aros do gol em alta velocidade para bloquear a goles.
Rony teve que admitir: mesmo estando afastada do campo há meses, e com uma lesão considerável no seu braço direito, com o qual arremessava, compensava com agilidade e estratégia descomunal. Depois de algumas horas treinando, o menino vertia suor. Não se lembrava de ter treinado tão duro nos últimos ano, e surpreendia com o fato dela não ter sido escolhida para capitã do time da Corvinal.
Para sua frustração, não conseguiu defender a maioria dos arremessos, apesar de tentar, tinha consciência de que precisaria treinar mais forte e melhor, se quisesse não só entrar para o time, mas também fazer uma excelente temporada. Não teria tempo de jogar quadribol no próximo ano. Não com tudo o que estava acontecendo com Harry, e a árdua jornada que os esperava adiante.
— MAIS VELOCIDADE, WEASLEY! – gritou ela, repetindo o exercício, enquanto ele contornava os três aros. Inclinou seu corpo e voltou à frente dos aros a tempo de segurar a goles.
— ÓTIMO! É ISSO! – sua voz entrecortou o ar, um pouco ofegante. Os dois inclinaram suas vassouras e desceram ao campo, exaustos, mas felizes.
— Você é muito boa nisso, eu já te disse? – Rony exclamou ofegante, apoiando seus braços em seus joelhos, enquanto retomava seu fôlego.
— Não me importo de ouvir mais uma vez – ela riu esticando seu corpo no gramado. Rony deitou-se ao lado dela. Por um momento, só se ouvia suas respirações ruidosas, devido ao treino excessivo. Rony não pode deixar de notar que o uniforme da garota estava extremamente colado devido ao suor, o que deixava suas curvas em mais evidência.
Desviou o olhar, com as bochechas levemente coradas, que passaram despercebidas pela menina que tinha os olhos fechados no momento. Rony levantou e esticou a mão para a garota, que aceitou a ajuda.
— Você está pronta pra jogar. Não acredito que o professor Flitwick ainda não te liberou — disse ele.
— É, não é tão simples assim – disse em tom de voz baixa. Desviando o olhar.
— Eu só acho que...bem, é muito claro pra mim que você ama isso – Rony exclamou mexendo os braços, se referindo ao estádio e ao quadribol – acho que não deveríamos ser proibidos de fazer o que amamos, não acha?
olhou pra Rony e sorriu, como se ele tivesse tornado uma questão muito difícil, em algo extremamente simples.
— Você é um cara muito legal, Rony.


Capítulo 2 - A Vassoura Escolhe o Bruxo

despediu-se de Rony, e se esgueirou pelo castelo, tentando não ser vista por nenhum estudante de sua casa ou professor. Suas vestes estavam sujas e molhadas de suor. Se alguém a encontrasse naquele estado, Rony daria adeus a sua ajuda e ela, ao quadribol. Pensou rápido, e se deu conta que o banheiro dos monitores sempre ficava vazio aquele horário. Todos deveriam estar ocupados com suas rondas, ou se arrumando para jantar.
Rezando para que nenhuma de suas amigas, principalmente Ava, viesse à sua procura, porque obviamente já estava mais atrasada do que o normal, a menina acelerou o passo, tentando ignorar o desconforto que sentia no seu braço direito sempre que jogava.
A dor aquele ponto estava se tornando insuportável. Comprimindo os lábios na tentativa de não soltar um urro de dor, a menina trancou a porta do banheiro e se despiu vagarosamente com o braço esquerdo. Cambaleante andou até o chuveiro, a água quente tocando seu corpo trêmulo, acalmando a tensão de seus músculos, a dor diminuindo gradativamente, o que a fez suspirar de alívio. Talvez o braço estivesse se curando finalmente, pensou relaxando, encostando seu corpo no azulejo. Subitamente, um espasmo fortíssimo percorreu seu braço em direção as suas costas, e a menina cedeu os joelhos, gritando de dor. Segurou seu braço com força, seu corpo deitado no chão frio do banheiro. O mundo parecia girar ao seu redor, e lágrimas turvaram sua visão. O preço de fazer o que amava, era simplesmente alto demais. Chorou baixinho, o seu corpo ainda trêmulo.
Sentiu falta de quando era forte e saudável, de quando não parecia estar presa em um corpo mais velho que o seu. Será que não existia algum remédio no mundo mágico que pudesse curá-la?
Depois de um tempo que pareceram horas, teve coragem de levantar e terminar seu banho. Com um aceno da varinha, suas roupas ficaram limpas como se nunca tivessem sido sujas.
A garota se olhou no espelho e se enxergou miserável. A maioria das pessoas não a compreendia. “É só um esporte’’, diziam. ‘’Você tem tanto potencial, pode tentar outra coisa’’. Como ela poderia desistir de algo que parecia pertencer a suas entranhas? Como renegar o desejo de estar livre? De estar em controle de tudo, e no topo do mundo? Como frear essa vontade de viver sua essência, de se sentir em seu elemento?
se encarou no espelho novamente, pensando que talvez, as pessoas estivessem certas. No entanto, as palavras de Rony Weasley ecoaram em sua mente no mesmo momento, e um lampejo de determinação passou por seus olhos. ‘’Acho que não deveríamos ser impedidos de fazer o que amamos, não acha?’’ Inspirada pelo pensamento, se sentiu corajosa o suficiente para continuar. Sem mais delongas, a garota decidiu que seria melhor ir se deitar do que enfrentar as amigas.
Quando se deparou com o dormitório vazio, iluminado pela luz do luar, se aconchegou em suas cobertas fofas das cores de sua casa, e se entregou a um longo sono.

##

Rony


Rony sentou para jantar com Harry e Hermione, e os dois estavam comentando algo importante, mas ele não conseguia prestar atenção. Ele estava lembrando-se da tarde que passou com . E de como estar com ela, mesmo que tivesse sido por poucas horas, era fácil.
E nem todas as coisas na vida de Rony eram fáceis. Ele sentia como se não pudesse ser um adolescente de verdade com as preocupações que alguém da idade dele teria. Era como se todas essas questões fossem irrelevantes e fúteis perto do que realmente os aguardava.
É claro que ele não tinha como conversar com os amigos sobre isso. O fardo que Harry carregava já era pesado demais para que ele pudesse compartilhar suas inseguranças e medos. No fundo, por mais que não demonstrassem, todos estavam amedrontados.
Rony achava que não era certo, alguém tão jovem ter que lidar com essas situações, porém, ele jamais se arrependera de ter tomado as decisões que de certa forma, traçaram o seu caminho até ali, Harry era como se fosse seu irmão, e também tinha Hermione. .
Olhou para a amiga, que continuava a falar, tentando entender melhor quando seus sentimentos tinham mudado tanto em relação à garota. Mas ao mesmo tempo, meio incerto, pensando em como nunca tinha reparado em , para começo de conversa. O jeito brincalhão e sorridente da garota, o fazia sentir leve. Involuntariamente, tornou seu olhar para a mesa da Corvinal, mas não a encontrou em lugar nenhum. Sua melhor amiga Ava passava seu olhar por todo o salão como quem busca a amiga, sem a de fato encontrar.

— Rony, você está prestando atenção? – Hermione disse com a voz levemente alterada de irritação.

— Acho que você está obcecado pelo Malfoy, mate – respondeu Rony se reportando a Harry, como se estivesse ouvido toda a conversa.

— Você tem que concordar que ele está agindo muito estranho – Harry insistiu baixando um pouco o tom de voz, e continuando seus argumentos.
Rony não prestou atenção mais uma vez. Seguiu Ava com o olhar, a menina já estava deixando o salão principal.

— Preciso ir...— Rony levantou de repente e saiu a passos largos do salão. Deixando Harry e Hermione intrigados.

— Você não acha que o Rony anda muito esquisito? – perguntou Hermione a Harry desconfiada, observando o menino sair do salão.

— Hoje de tarde, ele disse que iria à biblioteca – Harry comentou como quem quer rir, e Hermione devolveu seu olhar com total incredulidade.

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— Onde será que ela se meteu? – dizia Ava para outra colega da Corvinal – ela não veio comer, será que está bem?

Rony ouviu a menina falar sobre . E ficou um pouco preocupado. Tinha ouvido os boatos que ela levou mais de um mês para se recuperar. Talvez tenha sido imprudente da parte dele ao ter aceitado a sua oferta. Reuniu toda a sua coragem, e foi em direção à torre Oeste onde o se encontra o salão comunal da Corvinal.
Uma estátua de bronze em forma de águia guardava a porta do salão. Rony se aproximou da estátua, sem saber como agir, já que não seria possível entrar, e antes que pudesse dizer alguma coisa, a estátua se manifestou, sua voz feito trovão, ecoando pelo corredor.

— Esta ala é proibida para alunos da Grifinória — Rony quase deu um pulo de susto.

— Eu...se-i....sei...eu gostaria de falar com , se for possível – o menino respondeu com cautela – A Sra. poderia chamá-la?

A grande águia tornou a ficar imóvel, Rony a observou com uma cara engraçada, meio incerto se teria sido eficaz em seu pedido. O menino que já esperava há uns bons 10 minutos, resolveu ir embora, quando a estátua se move, e por trás dela uma sonolenta aparece para encontrá-lo.

— Rony? — perguntou ela sem entender – A estátua disse que você queria me ver. Está tudo bem?

— Está! – respondeu ele apressado, meio sem jeito – Bem, você não apareceu no jantar.... e eu fiquei preocupado...seu braço – dizia Rony se atrapalhando com as palavras.

— Ah, bem...eu estava exausta – disse ela simplesmente, um pouco surpresa.

— Ah, é claro...— Rony estava extremamente desconcertado, tinha que ter considerado essa possibilidade – e, seu braço, tudo bem?

— Não se preocupe, Rony – ela mentiu, abrindo um sorriso encantador – Fico feliz que tenha vindo.

— Mesmo? – ele respondeu sem sentir, e depois quis morrer pelo o que tinha dito. o encarava com um ar de quem estava achando tudo uma graça – ah...então eu já vou...

O menino já tinha virado as costas, quando o chamou novamente.

— Hey, Rony – ele parou no meio do caminho e olhou para a menina que ainda estava encostada no batente da porta, o observando com uma expressão que não conseguia decifrar – nos vemos amanhã?

Rony sorriu em resposta.


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Descobri em Rony, um excelente amigo.
Nós conversamos por horas, sobre diversos assuntos, e discutíamos várias táticas sobre quadribol. Nunca pensei que teríamos essa conexão imediata. Ás vezes, trocávamos olhares no Salão Principal, e parecíamos pensar as mesmas coisas. Nossa amizade passou a ser a melhor coisa do meu dia. E aparentemente para ele também. Acredito que eu era uma válvula de escape para tudo o que acontecia em sua vida.
É claro que ninguém sabia da nossa proximidade. Ava deveria desconfiar de que algo estava acontecendo, considerando que eu me atrasava constantemente para o jantar, e estava mais feliz que o normal. Mas se ela realmente tinha essa desconfiança, nada disse, parecia estar satisfeita de me ver tão bem e disposta.

— Por favor, não me diga que vai me deixar ir sozinha de novo – choramingou Ava – eu não quero ir a outro jantar do Slughorn sozinha!
achava esses jantares uma grande bobagem. E por mais que o professor de Poções insistisse, a menina sempre recusou seus convites. Não tinha interesse em participar de um grupo, que insistia em segregar os colegas dessa forma. Todos tinham habilidades e talentos a acrescentar, e não era a participação em um ‘’clube’’ que determinava seu verdadeiro valor.
— Ava, você sabe que nem você, e nem o professor Slughorn são capazes de me convencer a ir – respondi contrariada – eu odeio esse clube, é elitista e excludente, não tenho o menor interesse em participar.
— Eu amo e odeio sua fibra moral – minha melhor amiga disse o que me fez rir alto. Nunca entendi a dificuldade das pessoas em dizer não.
— Ava, é só não ir. É simples assim — dei de ombros continuando o meu caminho de rotina.
— Você sabe da minha ambição em trabalhar no Ministério da Magia – Ava argumentou, tentando acompanhar meu passo apressado – Slughorn pode abrir as portas para mim, e para você também!
— Ava, eu não preciso de recomendações! — suspirei irritada, tentando não parecer arrogante, e me desculpando na mesma hora por estar sendo – Desculpe, Ava, mas eu odeio essas convenções sociais, e essas trocas de favores. É obvio que ele se utiliza disso para manter seu poder e influência. Com certeza, vai te procurar depois te pedindo um monte de favores.
Ava ficou sem silêncio, considerando suas opções. E eu suspirei fundo, tentando não soar tão revoltada.
— Escute, se isso é tão importante para você, compareça! Você é uma bruxa incrível, e com certeza vai ser bem sucedida em tudo o que tentar fazer – respondi e Ava sorriu de lado, um pouco constrangida – Mas preciso que você entenda que isso não é pra mim, tudo bem?
— Eu odeio ser sua amiga – Ava disse tentando disfarçar um sorriso.
— E além de tudo é uma péssima mentirosa – pisquei.
— Acho que você tem que considerar ainda assim! Não me diga que ainda está pensando em ser jogadora de quadribol? – Ava estreitou os olhos me encarando.
— Como você se sentiria se não pudesse mais ter a chance de trabalhar no Ministério da Magia? – a respondi com outra pergunta na tentativa de não ser pega em minhas mentiras. Ava me conhecia BEM demais, mais do que eu gostaria.
Ava suspirou fundo, seus olhos ficando um pouco tristes, não por nossa quase discussão, mas porque ela tinha acompanhado de perto o meu sofrimento. Além de sermos amigas no mundo dos bruxos, nós também éramos próximas no mundo dos trouxas. E ela sabia que eu carregava mais limitações do que deixava transparecer. Na verdade, Ava era uma das pouquíssimas pessoas que realmente me enxergavam além das aparências. Ela sabia a minha história, e seu desejo era apenas me proteger.
— Eu não vou à festa do Slug – comecei — MAS podemos sentar amanhã e procurar algumas outras opções de carreira para mim, tudo bem?
O rosto de minha melhor amiga se iluminou com a possibilidade. E eu sorri também, a felicidade dela também era importante para mim.
— EU VOU PASSAR NA BIBLIOTECA E VAMOS PESQUISAR JUNTAS – Ava disse sem contar – Imagina o que poderíamos fazer, os avanços que podemos trazer para os nascidos trouxas nas leis bruxas!
Seus olhos brilhavam de tanta animação.
— Mal posso esperar – disse com sinceridade, mas Ava nem ouviu responder, já tinha seguido seu caminho para a biblioteca.
Voltei minha atenção para alguns alunos saindo pelos portões do castelo em direção à Hogsmeade (aqueles que não foram convidados para nenhum “clube”), e tive uma ideia. Corri na direção contrária ao estádio em direção à Sala Comunal da Corvinal. Rony teria que esperar.

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Rony


‘’Clube idiota’’ – resmungou Rony subindo as escadas pisando duro. Ele sabia que no fundo sua irritação era justamente porque não tinha sido convidado. Harry diferente dele, sempre era chamado para festas e confraternizações, ainda mais agora, em que a imprensa bruxa estava escrevendo matérias em favor do menino que sobreviveu. E Hermione era bem...Hermione era a bruxa mais talentosa da série deles.
Rony se sentiu mal por ter sido grosseiro com os colegas há poucos minutos atrás, eles realmente não tinham culpa, mas ser deixado de lado dessa forma, o incomodava demais. Infeliz por deixar afetar-se, o menino se jogou em sua cama, decidido a dormir pelas próximas 24 horas consecutivas, quando pulou de susto checando o horário. Ele tinha se esquecido de seu treinamento completamente! Xingou-se mentalmente, irritado, trocando de roupa o mais rápido que pode. Se existia alguém que ele não queria magoar hoje era .
Só de pensar nos bons momentos que passava com a amiga, o deixava mais leve. Os dois conversavam muito sobre quadribol, mas também suas inseguranças, planos para o futuro e assuntos sem importância. Apesar do pouco tempo de convivência, Rony sentia que podia confiar nela plenamente. Obviamente, nem tudo era compartilhado, a vida pessoal do amigo Harry, bem como as aulas que tinha com Dumbledore, não eram mencionadas. E para a surpresa dele, isso não parecia a incomodar. Era legal, pelo menos uma vez na vida, saber que alguém se interessava por ele, e não o utilizava como ponte para chegar até Harry.
O castelo parecia vazio àquela hora da noite, os alunos mais velhos não convidados para os clubes, geralmente passavam suas sextas no povoado de Hogsmeade. Apesar do horário, o clima estava agradável o suficiente para ficar ao ar livre. O céu estava limpo e estrelado. Uma leve brisa soprava, mas não o suficiente para sentir frio. Rony agradeceu por isso. Os treinos iam ser prejudicados se estivesse um mau tempo. O universo a favor dele, finalmente.
Quando chegou ao campo, no entanto, sua animação se desfez. Estava sozinho. Possivelmente, a menina teria chego para treinar antes dele, e depois de esperar já teria ido embora. Ou estaria no jantar do Slug. Rony não achava que alguém como ela poderia ficar de fora. Desapontado, resolveu dar meia volta, e ater-se ao seu plano original de dormir por 24 horas seguidas, quando ouviu a voz da menina ecoar pelo estádio.

— RONY! ESPERE! – a menina gritou esbaforida. Suas bochechas coradas por causa da corrida. – Rony, mil desculpas, eu tive uma ideia, e me atrasei...

— Calma! Respira – o menino riu-se, feliz por não ter sido o único a se atrasar – eu me atrasei também, achei que já tinha ido embora!

— Ah fala sério, nós temos um trato! Não confia em mim? – disse ela e o menino percebeu que a garota carregava um pacote dentro de suas vestes.

— O que você tem aí? – perguntou curioso, querendo sorrir com a expressão marota que tinha em seu rosto.

— Ah isso? – disse ela como se estivesse algo desimportante – Contrabando! — e soltou uma gargalhada cheia de segundas intenções – mas isso é pra depois! – deixando o pacote de lado e o puxando pela mão.
Rony se surpreendeu pelo contato físico que parecia tão intimo e natural, e aceitou ser conduzido pela menina.

— Eu estava pensando hoje em fazermos um treino mais leve e trabalharmos no nosso estilo pessoal como jogadores – disse a menina soltando a mão de Rony – eu acredito que como as varinhas, as vassouras também possuem emoções, e se conectam com seus donos a partir dos seus sentimentos! Hey, não me olhe como se eu fosse uma lunática, eu falo sério! – riu da cara incrédula do menino – A varinha escolhe o bruxo, se lembra?

— Não sei se realmente estou entendendo...

— Vamos exercitar na prática! Voaremos na mesma vassoura, está bem? – disse, e o menino agradeceu por estar escuro, caso contrário, perceberia o rubor que tomará conta de seu rosto. – Eu conduzo primeiro...

— Pode segurar minha cintura, Ron – disse com carinho, quando o menino se posicionou na vassoura atrás dela.
A menina sentiu as mãos suadas do menino, envolvendo sua cintura, e ela sentiu seu coração perder o passo por um segundo. Tinha que se concentrar, caso quisesse provar o seu ponto de vista.
Rony sentiu que a menina enrijeceu ao seu toque, e se perguntou se ela estaria tão nervosa quanto ele com aquela aproximação.
deu um impulso, e a vassoura se lançou aos céus, com uma estabilidade incrível. Rony se surpreendeu o quanto ela tinha controle do instrumento, mesmo carregando mais uma pessoa.

— Eu me sinto confiante quando eu voo – explicou ela, estabilizando no ar, em uma altura de uns 30 metros – você notou alguma diferença?

— Sim! Sua vassoura está totalmente estabilizada, é como se estivesse voando desacompanhada.

— Exato! Se me sinto nervosa ou com o medo, a vassoura não vai responder os meus comandos como eu gostaria. É por isso que eu preciso que você trabalhe suas emoções! Algumas emoções não são tão ruins como as pessoas pensam. Se eu sinto raiva e consigo canalizá-la, minha vassoura ganha velocidade! – se concentrou e inesperadamente a vassoura disparou feito um jato.

— WOW! – Rony gritou sendo pego de surpresa. Mas sem deixar de perceber que a vassoura exercia uma espécie de campo magnético ao redor dos dois, os impossibilitando de cair.

— Você consegue notar alguma alteração? – perguntou olhando ligeiramente para trás.

— SIM! Isso é incrível! Pode me dar outro exemplo? – Rony pediu recuperando o fôlego.

— Se eu sinto felicidade ou alegria, a vassoura me possibilita fazer movimentos criativos – respondeu empolgada em provar sua teoria – SEGURE-SE – pediu sentindo o aperto em sua cintura se intensificar. voou com velocidade e deu um looping para frente, e depois para trás numa sincronia perfeita.

— WOW! ISSO É DEMAIS! – Rony gritou soltando uma gargalhada de puro deleite.

— Vamos! Sua vez! – a menina disse inclinando seu corpo para o chão. Trocando de lugar com o menino – Lembre-se que, por mais que seu funcionamento seja familiar com a das varinhas, as vassouras precisam que você canalize suas emoções, ao invés de simplesmente senti-las.

Rony suspirou fundo, identificando a emoção mais presente no momento, e se deparou com uma porção delas, como se nada e tudo estivesse em evidência.
O que você sente? – ele sentiu os braços da menina envolvendo o seu torço, e suas mãos firmes e ao mesmo tempo delicadas, parando em cima de seu coração.

Rony vacilou.

— Sinto como se não fosse capaz de fazer isso – ele respondeu sincero, e a vassoura oscilou como se respondesse as emoções de seu dono.

— Eu confio em você – disse, e ele sentiu o aperto dela se intensificar. Teve certeza que ela podia sentir seu coração batendo descontrolado dentro de seu peito.

Rony iniciou seu voo, sua vassoura hesitante, não respondendo seus comandos, e nem ganhando a velocidade esperada. Rony bufou irritado, e a vassoura perdeu altitude.

— O que você sente, Rony? – espalmou suas mãos em seu coração novamente.

O menino sentiu raiva por se sentir inseguro e por não reconhecer seu valor, raiva por ser sempre a segunda opção. Fechou os olhos, ainda sentindo o corpo de abraçado ao seu, e canalizou aquele sentimento, deixando que tomasse conta de seu corpo, e assim que o fez, a vassoura disparou. Os dois cortaram o vento, com extrema estabilidade, voando desta forma seria possível jogar bem mesmo em péssimas condições climáticas.

— UHUL! – gritou sem conter uma gargalhada – É ISSO, RONY! ISSO FOI DEMAIS!

— Vem, quero tentar uma coisa – Rony se virou estendendo uma mão, a garota aceitou e com um rápido puxão, ele trocou de lugares, de forma que a garota que estava em sua garupa, agora ficou de frente para ele.
Suas bochechas estavam rosadas, e seus olhos brilhavam na mesma intensidade das estrelas acima deles. A menina pareceu gostar de sua atitude ousada, e sustentava seu olhar na mesma intensidade.
Rony a trouxe para perto, e ela entrelaçou suas pernas ao redor da cintura dele, os dois ainda suspensos no ar.

— Eu nunca achei que você fosse um aventureiro, Weasley! – ela disse com um tom que estava repleto de malícia.

— Sou um grinifório no fim das contas – ele respondeu com a voz rouca. E então ele inclinou a vassoura em um voo vertical num ângulo de noventa graus. soltou um grito de pura adrenalina, sentindo como se estivesse em queda livre, e quando estava próximo ao chão, Rony freou puxando o cabo da vassoura para cima, mantendo a estabilidade da vassoura novamente.

— INCRÍVEL – jogou a cabeça para trás, e Rony sentiu um desejo crescente dentro de seu peito, como se quisesse beijá-la sem parar e fazê-la para sempre sua. Conflituoso com essa avalanche de sensações que a garota despertava no mais íntimo do seu ser, o menino inclinou a vassoura, e fez a aterrissagem com segurança até o chão.

— Você estava chateado com alguma coisa? – perguntou assim que seus pés tocaram o gramado – é aquele clube idiota não é?

— Sim, mas você fez eu me sentir bem.

— E estou prestes a te fazer sentir ainda melhor – disse ela tirando uma garrafa de hidromel de dentro do pacote que trouxe anteriormente.

Rony gargalhou jogando a cabeça para trás. abriu a garrafa e bebeu um grande gole.

— UM BRINDE AOS DESAJUSTADOS! – gritou levantando a garrafa no ar.

— FODA-SE, SLUGHORN E SEU CLUBE IDIOTA! – Rony gritou e bebeu mais um gole da garrafa. Os dois riram alto, bebendo o líquido escuro como se fosse água. Rony sentiu seu corpo esquentar, pensando em que a vida era boa por proporcionar esses momentos.

— Você foi convidada, não foi?

— Fui, mas não concordo com essas coisas – ela disse dando um leve empurrão nele com o ombro – prefiro estar aqui com você.

— Obrigado – Ron agradeceu, e por um momento seus olhos se encontraram – é legal poder conversar essas coisas com você... você sabe... como eu me sinto...

— E como é que você se sente? – ela perguntou de volta, o que fez o menino rir fraco.

— Eu sinto que todos eles são talentosos, e bem...às vezes eu sinto como se não me encaixasse em lugar algum... – notou como as palavras saíram engasgadas, e como se abrir dessa forma devia ser difícil para ele.

— Não me entenda mal, Ron – ela respondeu, e ele sentiu como se ela pudesse ler a sua alma – mas você é um adolescente, eu acho que ser adolescente é basicamente não se encaixar...

— Fale por você! – ele retrucou em tom de brincadeira – corvina jogadora de quadribol fodona! – riu e tomou mais um gole da bebida, que lhe desceu ardendo pela garganta.

— Eu sou filha de imigrantes no mundo dos trouxas, sei bem como é não se encaixar – respondeu com simplicidade.

— Nunca achei que você poderia se sentir assim – Rony pegou com delicadeza na mão da menina e deu um apertãozinho de leve. – eu digo...você é tão talentosa...inteligente...

O menino não tinha conhecimento de base, mas pelo o que seu pai Arthur falava a situação de imigrantes não era muito diferente dos nascidos trouxas no mundo bruxo.

— E você também é...só precisa acreditar que pode – devolveu o apertão na mão do garoto, que sorriu – Eu vejo você, Weasley.
Os dois se encararam por longos minutos, sentindo a conexão entre eles crescer cada vez mais forte.

— O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO FORA DA CAMA? – a voz de Filch gritou do outro lado do campo, interrompendo o momento.

— CORRE – pegou a garrafa e a mão de Rony, e o puxou com força, saindo em disparada para o castelo. Só podiam ouvir os gritos de Filch atrás deles – ALUNOS FORA DA CAMA! ALUNOS FORA DA CAMA!

Os dois não conseguiam parar de gargalhar enquanto corriam, e com muito custo, conseguiram despistá-lo, e se sentiram sortudos por ele não ter os reconhecido devido ao horário, caso contrário, levariam uma baita detenção. Depois de pararem de correr, perceberam que tinha corrido de mãos dadas durante todo o tempo.
soltou sua mão um pouco sem graça, tentando se apoiar na parede, o hidromel parecendo fazer mais efeito.

— Precisamos ir! Acho que já testamos a sorte o suficiente – supriu uma gargalhada — Boa noite, Weasley – Rony observou a menina cambaleante.

— Tem certeza que consegue chegar sozinha?

— Sim! Só estou preocupada em como vou adivinhar aquela maldição de enigma para entrar na sala comunal da Corvinal – os dois riram ainda mais, e correu sumindo de suas vistas.

Rony apressou o passo (o tanto que conseguiu), ainda inebriado pelos momentos que acabara de vivenciar, e chegou a sua sala Comunal, sem ser pego por nenhum professor, mas não deu sorte com Harry e Hermione, que pareciam esperar por ele.

— Onde é que você estava? – Hermione veio em sua direção, confrontando-o – você...você está alcoolizado? – disse extremamente escandalizada. Harry começou a rir da situação.

— Parece que ele se divertiu mais que a gente, Hermione.

— Você não sabe o quanto está certo — Rony assegurou dando as costas para os colegas, ainda meio tonto. Não estava em condições de discutir, então seguiu rapidamente para o dormitório. Harry seguiu o amigo dando de ombros para uma Hermione que permaneceu estática para trás.

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não teve a mesma sorte que Rony, a mesma se encontrava na frente da sala comunal da Corvinal sem conseguir entrar.

— Sem senha, sem autorização para entrar – repetia a águia constantemente.

— Sra. águia, eu estudo aqui há 6 anos! VOCÊ JÁ ME CONHECE, SABE QUE EU NÃO SOU DE OUTRA CASA – já estava perdendo a paciência. Tinha errado os últimos cinco enigmas. Seu cérebro entorpecido de hidromel não estava funcionando como gostaria.

— Se pertence à Corvinal saberá a senha – respondeu a estátua.

— Fale isso por você! É UMA ESTÁTUA! – a menina retrucou cruzando os braços, considerando dormir ali na frente mesmo.

— E depois dizem que quem pertence à Corvinal é inteligente – uma voz masculina ecoou no corredor, sobressaltando a garota.

— E depois dizem que todos da Sonserina são arrogantes! E não é que estavam absolutamente certos? – estreitou os olhos reconhecendo Thomas Blake, um dos alunos da Sonserina.
— Os boatos são verdadeiros então? Você é mesmo uma boca dura – ele riu divertidamente, e não conseguiu deixar de rir também.

— Como você está, Thomas Blake? Andando pelo castelo a essa hora da noite? – perguntou cumprimentando o menino, Blake era seu parceiro em preparo de poções avançadas.

— O sujo falando do mal lavado – Blake respondeu sem poder se conter, e a menina riu novamente.

— AH, BLAKE! ME AJUDA POR FAVOR! NUNCA TE PEDI NADA! Vou ter que dormir aqui fora se eu não adivinhar esse enigma – choramingou.

— Tudo bem, mas você vai ficar me devendo essa!

— Não tem como você ser caridoso só dessa vez?

— Não! — ele sorriu malicioso e a garota revirou os olhos.

— Você não tem um pingo de bondade nesse teu corpinho hein? – a menina reclamou mais uma vez, e ele não pode deixar de rir. Ela realmente era uma graça – Manda mais um enigma, estátua dos infernos!

“Em uma estante há 10 livros, cada um com 100 folhas. Uma traça faminta come desde a primeira folha do primeiro livro até a última folha do último livro. Quantas folhas a traça faminta comeu?”

— Quem se importa com uma maldita traça? – disse entredentes, furiosa.

— Essa é fácil! – Blake disse cheio de si, e sussurrou no ouvido da garota – 802 folhas.


— A resposta é 802 folhas – respondeu a garota para a estátua que finalmente se moveu – Blake, realmente! Te devo essa! – Blake sorriu e respondeu.

— Tente não se envolver em nenhuma confusão, está bem?

— Você sabe que eu tento – ela respondeu marota dando uma risadinha. Blake riu também esperando a passagem se fechar para finalmente seguir seu caminho para as masmorras.

Capítulo 3 - Eu Vejo Você

A necessidade de dar conta de uma infinidade de trabalhos e deveres da escola fez com que tivesse que suspender seus treinos de quadribol. Rony que estava tão atrasado quanto ela, não se opôs a ideia, inclusive os dois estudavam juntos sempre que podiam, mas o “sempre” se resumia a apenas uma ou duas horas por semana. Agora, além de estar sem praticar o esporte, a corvina também começara a sentir falta desta amizade tão improvável.
Ela conseguia perceber os olhares dele sempre quando passavam pelo mesmo corredor ou estudavam no Salão Principal. No entanto, o menino não tinha tentado se aproximar para conversar ou para dizer um “oi!”.
relaxou seu pescoço, dando uma pausa em suas anotações, olhou para os inúmeros pergaminhos em sua frente, perguntando-se onde estava com a cabeça quando decidiu cursar tantas matérias. Tinha terminado um trabalho complicadíssimo sobre a forma cabalística de Transformação Animalesca em Objetiva e precisaria estudar ainda mais se quisesse preparar com excelência o Antídoto para Venenos Incomuns para sua próxima aula de Poções.
Seu olhar percorreu o Salão Principal procurando Rony, que estava concentrado em seu dever, ela não conseguiu conter um sorriso ao lembrar-se do seu último treino juntos.
Fernandéz, certo? – uma voz infantil a interrompeu de seu devaneio – A professora Minerva deseja vê-la em sua sala – informou uma segundanista da Grifinória – e também me pediram para te entregar isso!
— Muito obrigada...ah? Como é seu nome? – perguntou recebendo um bilhete da garota.
— Jullie Campbell! – a menina parecia super empolgada em falar com ela – você é a minha artilheira de quadribol favorita e nascida trouxa igual a mim! Um dia quero ser igual a você!
— É muita gentileza sua, Jullie! Tenho certeza que irá conseguir se tiver foco e persistência! – a menina abriu um sorriso enorme, suas bochechas ficando coradas de tanta animação.
— GENIAL! – disse Jullie com os olhinhos brilhantes – você poderia assinar o meu livro? — fez questão de escrever várias palavras bonitas para a garotinha, que saiu saltitando pelo Salão Principal.
recolheu seus deveres, e os organizou devidamente na mochila, mas antes disso, abriu o bilhete que Jullie tinha lhe entregado.
Eu vejo você, Fernandéz. Sinto sua falta!
Ron
abriu um sorriso enorme e direcionou seu olhar para o outro lado do salão, onde encontrou um Rony sorridente, olhando para ela. A menina correspondeu com um aceno discreto, sinalizando que podiam conversar mais tarde. Sorriu mais uma vez, mirando o bilhete em sua mão, pensando que eram raras as ocasiões em que realmente demonstrava seus sentimentos. As pessoas a conheciam por ser alguém muito racional, seus posicionamentos eram tão verdadeiros e assertivos, que muitas vezes tinha que controlar este temperamento para não ser taxada de arrogante.
Tinha certeza que herdara a personalidade do pai por quem nutria uma enorme admiração, por mais que ele não fosse bom com as palavras ou demonstrações de afeto, ele sempre dava um jeitinho de fazê-la sentir especial, como quando ele cozinhava seu prato favorito ou como era sempre o único a ir levá-la ou buscá-la na estação de King’s Cross. Ele era meio turrão e teimoso, mas no fundo tinha um coração enorme, disposto a fazer tudo por sua família.
preferia ser assim, talvez porque algumas palavras são mentirosas e promessas em sua maioria não são realmente cumpridas. Por outro lado, é muito difícil esquecer o que já fizeram por você, esta influência por menor que seja não pode ser apagada. As ações de alguém revelam sempre suas verdadeiras intenções.
A sala da professora McGonagall se encontrava no sétimo andar da escola de Hogwarts, perto da Sala Comunal da Grifinória, apressou o passo, subiu as escadas, pulando de dois em dois degraus, e quando chegou, a porta se encontrava semiaberta.
— Com licença, professora! – se anunciou batendo na porta delicadamente.
— Oh, Olá Srta. Fernandéz! Por favor, sente-se – Minerva McGonagall olhou por cima de seus óculos, suas mãos em cima de alguns documentos que parecia assinar.
O escritório tinha formato oval, muito parecido com a sala do professor Dumbledore, a qual visitou uma ou duas vezes, no entanto esta era definitivamente menor, ao invés de quadros, todas as paredes eram compostas por prateleiras abarrotadas de livros de diversos títulos. Todos perfeitamente catalogados e organizados por cor. duvidou que isso fosse trabalho de Madame Pince, a bibliotecária da escola. Professora Minerva também era conhecida por ser absolutamente impecável. Os arquivos e documentos estavam dispostos perfeitamente e milimetricamente sobre a mesa da professora. Uma planta com folhas verdes num tom degradê ocupava um vaso perto da janela, que reconheceu como Acanto’ muito utilizado no preparo de Poções para curar cortes ou queimaduras.
— Vejo que reconheceu minha pequena muda de “Acanto” — a professora seguiu o olhar da aluna e sorriu como se lhe confiasse um segredo – sempre tenho algumas em estoque, os primeiranistas da Grifinória sempre acabam se machucando.
— Em que posso ajudar, professora?
— Na verdade, a pergunta correta seria em que eu posso ajudar você, Srta Fernandéz? – a professora reformulou a pergunta anterior, e a garota ficou um pouco confusa.
— Não sei o que quer dizer, professora.
— Bem, como a Srta. sabe boa parte dos alunos do sexto ano declaram a profissão que desejam seguir e se especializar em seus últimos anos de Hogwarts. Sei de suas aspirações em relação ao quadribol, mas também tenho conhecimento da lesão que te impede de jogar.
levou a mão ao braço direito inconscientemente.
— Hoje, vamos discutir algumas opções. Eu e o professor Flitwick concordamos, que mesmo não sendo a responsável pela Corvinal, sou a pessoa mais indicada para te acompanhar neste processo – reafirmou a professora sem hesitar.
suspirou fundo, sentindo-se sem saída, tentando aceitar o fato de que precisaria se contentar com um trabalho de escritório no Ministério da Magia.
— Eu sei o que se passa por sua cabeça, mesmo que não esteja falando sobre isso, srta. Fernandez – a professora observou e riu fraco, permanecendo em silêncio.
— Não estou aqui para te impedir de jogar quadribol. – disse McGonagall para total surpresa da menina.
— Não...?
— E acredito que tentar dissuadi-la do esporte é uma completa tolice – complementou sem tirar os olhos dela. sentiu como se ela pudesse ler a sua alma – eu gostaria de apresentar algumas opções, não para fazê-la escolher, mas para oferecer alternativas que podem desenvolver o seu potencial como um todo.
nada disse, continuava totalmente estupefata pelo rumo que a conversa estava tomando.
— E cá entre nós, acredito que eu entenda o que a senhorita esteja passando mais do que qualquer pessoa.
A professora Minerva sorriu com os lábios comprimidos em uma fina linha. De sua gaveta, ela retirou uma fotografia e entregou a aluna. observou sem reação, uma jovem McGonagall realizar habilidosamente vários movimentos com a vassoura, Minerva vestia o uniforme do time da Grifinória e parecia tão sagaz como em campo.
— Professora, eu não sei o que dizer.— disse completamente emocionada ainda segurando a fotografia em suas mãos.
— Eu era a melhor apanhadora de quadribol de Hogwarts na época – a professora sorriu timidamente, mas parecia muito orgulhosa de seu feito – levei a Grifinória a vitória por três anos consecutivos.
— Brilhante! – exclamou vendo uma série de fotos da professora – A senhora usou a Manobra de Surfe Inspirado para capturar o pomo? É muito difícil.
— Creio que a senhorita utilizou a mesma manobra na última vez que jogou contra a Grifinória – a menina sorriu timidamente — Eu tinha um talento especial para o esporte, assim como você. Nós somos feitas do mesmo material, Srta. Fernandéz! Somos destemidas, persistentes, competitivas. Se me permite dizer, a Srta. possui diversas habilidades de quem pertence à Grifinória. Às vezes, eu me pergunto o porquê de o chapéu seletor ter te colocado na Corvinal?
— Creio que para me impedir de ser tomada totalmente pelo orgulho e me tornar alguém completamente arrogante, professora. Na Corvinal, eu convivo com bruxos muito mais inteligentes do que eu, e eu acho que isso foi fundamental para eu me tornasse uma pessoa mais humilde e justa.
McGonagall assentiu sem ressentimentos.
— Mas o que aconteceu, professora? Por que resolveu parar? — perguntou sem conseguir se conter.

— Uma falta cometida pelo time da Sonserina, no jogo que decidiria a Copa de Quadribol de 1954 em meu último ano escolar, me deixou com uma contusão e várias costelas quebradas, e, logicamente, fiquei impedida de jogar – a mulher em sua frente explicou sucintamente – quando digo que sei o que está passando, tenho conhecimento de causa.
sentiu sua voz quebrar como se estivesse prestes a chorar na frente da professora, contudo, respirou fundo, sentindo seus olhos ficarem molhados.
— E como você conseguiu superar?
— Eventualmente, eu era uma bruxa de muitos talentos, assim como a senhorita – McGonagall disse tirando os óculos de seu rosto e segurando-o com a mão direita – Sua postura é impecável. A senhorita é uma das primeiras da minha classe, sem falar em outros diversos talentos, obviamente tem potencial para absolutamente tudo que decidir realizar.
— Professora Minerva, eu...eu não sei o que dizer – a garota disse simplesmente.
— Na verdade, eu sei – a professora complementou – a senhorita vai tentar me convencer que nada no mundo te proporciona à liberdade de estar em campo!
riu novamente, ela diria isso em outras circunstâncias, mas a professora a compreendia profundamente.
— Mas se me permite um último conselho, senhorita Fernández: há várias maneiras de ser livre.
sorriu verdadeiramente, sentindo o seu coração explodir de gratidão.
— Eu e o professor Flitwick também concordamos que você pode voltar aos treinos do time como Reserva e com cautela, seguindo com rigidez um tratamento estabelecido pela Madame Pomfrey — o tom da professora foi mais sério dessa vez, soltou uma breve exclamação de felicidade, totalmente extasiada pelo momento, seu coração batendo tão forte, que ela achou que iria desmaiar.
— Sei que já voltou a treinar há semanas com o Sr. Weasley.
arregalou os olhos de susto, sua felicidade sendo substituída por receio.
— Mas, como a senhora sabe? – arriscou perguntar.
— Ah, minha querida, eu sei de tudo que se passa nessa escola – Minerva voltou a colocar os seus óculos – a sua orientação vocacional está agendada todas as terças-feiras às 17h! E devo alertá-la que eu não tolero atrasos – a mulher voltou a assumir sua postura rígida e sisuda.
— Com certeza, professora! Não vou decepcioná-la! – exclamou com o maior sorriso que pode dar. Num ímpeto, a menina jogou os seus braços ao redor da professora, que retribuiu absolutamente surpresa, dando alguns tapinhas nas costas da menina.
Minerva McGonagall observou a aluna sair saltitante de seu escritório, olhou suas fotografias antigas, sentindo-se um pouco saudosa. Pode lembrar com absoluta clareza, a adrenalina de estar em campo, de voar em sua vassoura e de suas experiências quando era tão jovem. Deu um sorrisinho, sentindo-se satisfeita por ter encontrado um propósito em sua vida. Depois, guardou as fotografias na gaveta, pensando que deveria emoldurá-las qualquer dia desses.

***


correu o mais rápido que pode, gargalhando como se fosse uma louca. Finalmente, pensou ela, sem mais mentiras, sem mais julgamentos, sem mais restrições. Sentiu como se pudesse respirar novamente, como se um enorme peso tivesse sido retirado de suas costas.
Não conseguia raciocinar no momento. A única coisa que gostaria mais do que tudo no mundo, era compartilhar a noticia com Rony Weasley. Será que ele ficaria feliz por ela? Será que a abraçaria? Ou ainda melhor... Será que ele a beijaria?
Seu estômago chegou a se contorcer com o pensamento. Não que ela não tivesse pensado nisso antes. Aliás, pensava nisso com frequência, seria hipocrisia dizer que não. Imaginava seus lábios avermelhados colados nos dela, suas mãos fortes segurando firmemente a sua cintura. não conseguia não criar expectativas sobre esse encontro.
A menina estava tão absorta em seus pensamentos, que não viu quando um aluno da Sonserina cruzou seu caminho, vinha a todo vapor não teve tempo de frear ou desviar de seu alvo, a menina trombou com o sonserino com força, mas foi a única a cair no chão. Ele conseguiu de alguma forma manter o equilíbrio. Os pergaminhos escaparam de sua mochila e se espalharam no chão junto com a garota.
— Olha por onde anda – o menino ralhou com a garota – Tinha que ser você, Fernandez... — Thomas Blake deu uma risadinha
— Será que dá pra você me ajudar aqui? – ainda estava no chão, rindo em meio aos seus pergaminhos.
— Essa história de me pedir ajuda está se tornando um pouco frequente, você não acha, Fernández? – ele perguntou entendendo a mão para ela – você se machucou?
— Eu que deveria te perguntar isso! – riu aceitando a ajuda do amigo sonserino.
— Foi só um esbarrão... Bem forte – ele riu bem-humorado– por que a pressa?
— Ah, eu...— a menina vacilou recuperando o fôlego – os professores me autorizaram a voltar para o time.
— Genial! Isso merece uma comemoração, você não acha? – Blake perguntou em voz baixa, olhando profundamente nos olhos da garota, que sentiu seu rosto corar.
— Ah...eu... preciso encontrar alguém agora – disse meio sem graça, os olhos amendoados de Blake ainda fixos nela.
— Nós podemos comemorar no Três Vassouras outro dia – Blake sugeriu sem quebrar o contato visual – você ainda me deve uma, se lembra?
— Claro! Você me diz o dia e o horário, pode ser? – sorriu para o parceiro de Poções – mas agora eu realmente preciso ir!
— Hey, Fernandez! – ele a chamou antes que pudesse continuar seu caminho.
— Sim? – ela falou esbaforida.
— Estou feliz por você. De verdade. – abriu um lindo sorriso pra ele, um sorriso tão lindo, que ele involuntariamente sorriu de volta.


***


procurou por Rony em todos os lugares dentro da escola, sem encontrá-lo. Se deu conta de que talvez ele estaria praticando sozinho no estádio. Os treinos para seleção dos times das casas aconteceriam dentro de alguns dias e mesmo achando que ele teria um ótimo desempenho, Rony insistia que precisava praticar um pouco mais. Seu coração acelerava à medida que se aproximava do estádio, tinha certeza que se ele não tomasse a iniciativa, ela o beijaria.
Talvez, ela nunca o tivesse considerado apenas como um amigo, no fim das contas. Ela parou nas grandes portas do estádio, um pouco apreensiva e diminuindo um pouco suas expectativas, tinha que ter consciência de que o sentimento poderia não ser recíproco. também era muito conhecida pela sua impulsividade, mas que culpa tinha por sentir tudo tão profundamente? Ela se conhecia bem demais, bem o suficiente para entender que o que sentia pelo menino era especial.
Ela agradeceu mentalmente por ter segurado o seu ímpeto, já que desta vez não estavam sozinhos, uma porção de estudantes pareciam ter escolhido aquele mesmo dia para se prepararem para os testes de quadribol. Rony estava ao lado de sua vassoura, e ela observou o ruivo de longe. Ele sorriu quando um dos amigos disse algo engraçado, o canto de seus lábios se curvando para cima levemente. Ele percebeu a presença da artilheira da Corvinal, seu rosto anuviado se suavizando, como se pudesse finalmente ficar confortável. sorriu para ele, e Rony veio ao seu encontro. Os seus olhos não se desgrudaram por nem um momento. sentiu as pernas vacilarem, logo ela, que nunca se interessara por ninguém.
— Oi – ela disse engolindo em seco.
— Oi! – ele respondeu parecendo tão nervoso quanto ela – você está bem? Parece um pouco nervosa?
— Estou de volta ao time da Corvinal – ela disparou sem hesitar.
— BLOODY HELL! – Rony xingou tomando a garota em seus braços, a abraçando tão forte, que a levantou do chão – BRILHANTE! VOCÊ É DEMAIS.
o abraçou sem reservas, gargalhou quando ele a rodopiou no ar, parecendo tão feliz quanto ela. Rony a olhou com extrema intensidade, tentando se segurar para não lhe tacar um beijo na boca, porque estavam sendo observados por muitas pessoas. Rony se afastou dela um pouco sem graça e disse:
— Só podemos comemorar isso de uma forma! – pensou em várias formas não muito ortodoxas de como eles poderiam comemorar e isso envolvia os dois sozinhos se beijando sem parar.
— Como? – ela perguntou tentando não denunciar seus pensamentos.

— Voando! – ele respondeu e gargalhou jogando a cabeça para trás. Isso não era o que ela tinha em mente, mas ela se deu satisfeita devido às circunstâncias.
Os dois subiram suas respectivas vassouras e subiram aos céus, sem que estivessem receosos dessa vez. A garota pensou que se não tivessem em casas opostas, eles seriam ótimos companheiros de equipe, juntos partilhavam de muita dinâmica (e química), como se pudessem adivinhar suas próximas táticas e movimentos.
Os dois jogavam com tanta determinação, que os outros alunos pararam seus treinos para poder observá-los. resolveu colocar em prática uma de suas táticas favoritas: a Derrapagem na Vassoura, um movimento que consiste em contornar os três aros por trás e marcar pontos pela parte da frente. Sem que Rony pudesse antecipar dessa vez, ela contornou os aros em alta velocidade, freou com apenas um dos pés para realizar a derrapagem e quanto foi arremessar a goles no aro em um movimento perfeito, o seu braço se contorceu, a goles escorregou pela sua mão, e ela tombou. percebeu que iria cair, mas nada pode fazer, seu corpo desmontou como se não tivesse mais comando.
— ARESTO MOMENTUM — foi a última coisa que ouviu antes que se entregasse totalmente a escuridão que a envolveu.


***



Rony não soube explicar como conseguiu agir com tanta destreza e precisão. Em uma segundo estava tentando impedir que marcasse um ponto, no outro já estava com a varinha em punho, lançando um feitiço que tinha conjurado apenas algumas vezes na aula de Feitiços, mas que fez toda a diferença no momento. Ele a salvou de uma queda que sem dúvida seria fatal. Todos se aglomeraram ao redor da garota, que ainda flutuava a poucos metros do chão. Rony largou a vassoura em um canto do estádio e correu em sua direção.

— SAIAM DA FRENTE, PRECISO LEVÁ-LA PARA MADAME POMFREY! – gritou em sem paciência, esbarrando em todos que encaravam a cena, petrificados.

O menino nunca tinha se sentido tão nervoso, ele a aconchegou em seus braços, constatando que ainda estava viva e a carregou o mais rápido que conseguiu até a enfermaria. Sentiu-se tão culpado. Ela deveria sentir essa dor há semanas. Rony percebia a garota alongando o músculo de vez em quando, mas sempre quando perguntava, o assegurava que estava tudo bem. Deveria ter sido mais incisivo.
O rosto da garota estava tão pálido, Rony sentiu uma gota de suor escorrer pela sua têmpora, assim que chegou à enfermaria com vários outros alunos em seu encalço, ele a colocou delicadamente em uma das camas da enfermaria e tirou uma mecha de cabelo de seu rosto desacordado.
— O que aconteceu, Sr. Weasley? – Madame Pomfrey veio recebê-los prontamente – e o resto de vocês pode deixar a enfermaria, francamente...

— Não tenho certeza! Nós estávamos jogando quadribol e estava tudo bem! E então ela desmaiou, eu acho que seja o braço dela – Rony falou sem parar, totalmente aterrorizado com a situação.
— Ela deveria ter vindo direto a mim para buscar seu tratamento – Madame lamentou fazendo uma série de exames em uma que começava a recobrar sua consciência.
— O que aconteceu...? – ela disse em um suspiro.
— Nunca mais faça isso comigo, ok? – Rony perdeu a calma se aproximando da cama e segurando a mão da garota.
— Ouch...— disse ela reclamando de dor novamente e Rony se afastou dando mais espaço para Madame Pomfrey trabalhar.
— Você já pode ir, Sr. Weasley!
— Mas... – Rony tentou argumentar.
— Mas nada! Preciso de espaço para eu possa tratá-la da melhor forma que eu puder. Ela vai ficar bem – assegurou a curandeira o direcionando para fora da enfermaria. Rony ficou parado do outro lado da porta, sentindo-se completamente impotente.
— Hey, Rony, você está bem? – Harry e Hermione vieram ao seu encontro – ficamos sabendo do que aconteceu!
— Estou bem! Houve um acidente no estádio com a artilheira da Corvinal, Fernandez – explicou ele recobrando a postura para não parecer tão desolado.
— Você a conhece? – perguntou Hermione erguendo uma das sobrancelhas.
— Sim, estamos treinando juntos há semanas – explicou ele com simplicidade. Hermione fechou a cara no mesmo instante. Harry, no entanto, deu-lhe um leve aceno com a cabeça, como quem compreendia a situação.
— Você sabe que poderia ter me pedido ajuda, não sabe? – perguntou Harry colocando uma das mãos no ombro do amigo.
— Eu sei, mas não queria ser escolhido para o time por ser amigo do capitão – explicou Rony para Harry, que assentiu sem fazer mais perguntas.
Rony deu uma ultima olhada para as portas fechadas da enfermaria, desejando que pudesse ficar, mas como elas permaneceram cerradas, os três caminharam para a Sala Comunal da Grifinória em silêncio.

***


acordou com a cabeça latejando e uma tipoia em seu braço direito, piscou algumas vezes olhando para o cenário ao seu redor, tentando se lembrar do que tinha acontecido, alguns flashes de memória passaram por sua cabeça, o rosto preocupado de Rony olhando para ela. E num sustou sentou em sua cama de enfermaria. Sentada aos pés da cama estava Ava de braços cruzados com uma expressão de pouco amigos.
— Ava, eu posso explicar...
— A sua sorte é que você quase morreu ao cair daquela vassoura, caso contrário, não seriamos mais amigas – ela disse em tom extremamente sério. riu fraco,
— Eu realmente sinto muito, Ava – a menina respondeu sinceramente arrependida.
— Eu não acredito que você mentiu para mim! Eu sou sua melhor amiga – Ava estava realmente chateada com toda a situação e tentava não alterar a sua voz.
— Eu realmente mereço esse sermão, Ava – continuou recostando-se na cama – eu sinto muito mesmo, espero que você encontre um lugar no seu coração para me perdoar.
As duas ficaram em um silêncio desconfortável. de repente achou seus próprios pés superinteressantes, pensando que deveria ter dado mais crédito à amiga e compartilhado tudo o que andara fazendo nas últimas semanas.
— Então, você e o Weasley... já deram umas beijocas? — Ava disse quebrando o momento de tensão e as duas riram.
— AVA – riu alto, segurando o braço que doía – não posso rir...
— Tudo bem, mas não pense que essa conversa acabou — respondeu Ava dando um abraço na amiga.
— Obrigada por tudo, Ava, principalmente por não desistir de mim, eu falo sério! – disse com toda a sinceridade que conseguiu.
— Fique boa logo! Se eu tiver que passar mais um mês sozinha no dormitório com a Eloísa Walsh, eu vou acabar matando alguém! – riu alto mais uma vez.

***


Rony deitou em sua cama e ficou observando o teto, estava mais calmo agora que soube que a garota se recuperaria plenamente de seu machucado. Não se perdoaria se algo tivesse acontecido com ela. Ele realmente se importava com ela, trazia uma leveza para a sua vida. Ela sempre lhe dava esses sorrisos bonitos, mesmo em dias ruins, tinha soluções para aparentemente todos os problemas adolescentes possíveis, e, ela era tão linda...Rony não conseguiria esquecer do dia que voaram no céu estrelado, em seu cabelo esvoaçante e nos seus olhos brilhantes.
— Vocês estão juntos? – perguntou Harry o interrompendo de seu devaneio – eu digo...você e a Fernandez?
— Somos amigos – Rony respondeu com sinceridade – eu gosto muito da companhia dela...
— Ela parece legal...— disse Harry.
— Ela é.— Rony disse um pouco constrangido – mate, você poderia me emprestar a capa de invisibilidade?
Harry sorriu parecendo entender o que ele pretendia e jogou a capa de invisibilidade para o amigo.
— Use a bem – Harry riu. Rony mandou o dedo de meio para ele.

***


Blake caminhou vagarosamente para o estádio de quadribol naquele dia, o garoto jogava no time da Sonserina como goleiro desde o seu segundo ano em Hogwarts. Ele era alto para sua idade e a prática do esporte tinha contribuído para desenvolver o seu porte físico.
Em campo, ele era conhecido como “Muralha”, principalmente por causa de seu tamanho e também pela dificuldade que os adversários encontravam para marcar pontos quando ele estava jogando. Apesar de gostar de praticar esportes, especialmente quadribol, Blake não tinha muitos amigos no time. Não concordava com a postura de muitos dos jogadores e de suas táticas agressivas, uma opinião que não era compartilhada pelo resto da equipe. Contudo, Blake era uma figura de autoridade, muito respeitada entre os colegas da casa e isso não estava relacionado apenas a sua excelência no quadribol, mas também pelo seu ótimo desempenho escolar.
Blake chegou ao vestiário e o encontrou vazio, sentou em um canto como sempre fazia, e tirou sua gaita de boca do bolso e passou pela boca, produzindo um som um pouco melancólico. Sempre tocava sua gaita de boca antes de todos os jogos, como se fosse um ritual de sorte, a música relaxava seus músculos e esvaziava sua mente. Concentração era a chave para um bom desempenho.
Ele ainda soprava delicadamente a gaita em seus lábios, quando alguns companheiros de time começaram a chegar para o treino, como de costume, a maioria acenou com a cabeça em sinal de reconhecimento, mas não puxaram conversa.
Blake preferia dessa forma, isso fazia parte da sua personalidade, seu patrono era um lobo solitário como ele. Ainda soprava delicadamente sua gaita de boca, quando um dos membros do time falou algo que chamou a sua atenção.
— Você soube que artilheira sangue ruim da Corvinal caiu da vassoura hoje de tarde – Travis disse em tom de deboche – deve ter se esquecido como se voa.
Blake parou de tocar no mesmo momento. Um silêncio constrangedor invadiu o ambiente, Travis e Scott se encolheram quando Blake levantou e caminhou ameaçadoramente na direção deles. Os dois pareciam pequenos perto de sua imponência.
— Do que você a chamou Travis? – ele rosnou num tom assustador.
— Artilheira da Corvinal – o menino se apressou a responder, engolindo em seco.
— Foi o que eu pensei – disse Blake esgueirando os olhos – e eu te aconselho a agir com mais respeito daqui em diante. Principalmente quando foi você o responsável pela lesão dela.
— Cla..ro...isso não vai mais se repetir, Blake – Travis abaixou a cabeça mirando os próprios pés.
Blake encarou o menino da cabeça aos pés, o qual parecia querer desaparecer de suas vistas. Sem dizer mais nada, o menino virou as costas e saiu do vestiário. No caminho de volta para o castelo, acabou encontrando o capitão do time da Sonserina.
— Onde você está indo, Blake?
— Não é da sua conta – ele disse simplesmente e o capitão do time não insistiu. Blake era um cara comprometido e jamais perdera um treino antes. Se ele precisava ir, era porque realmente tinha suas razões.
Blake apressou o passo se sentindo um pouco preocupado, tinha acompanhando parte da recuperação de Fernandez, inclusive ele preparava regularmente algumas poções que a ajudavam lidar com a dor, Blake simpatizava com a situação da amiga, ainda mais quando ela se demonstrava tão ativa e apaixonada pelo esporte. estava acordada e se deliciava com uma tortinha de abóbora. Blake a observou por alguns instantes da porta da enfermaria.
— Eu não disse para você não se meter em confusão? – disse ele caminhando lentamente em sua direção.
— Eu juro que não eu tento, mas as confusões me perseguem – a menina fez uma cara culpada. O menino riu fraco.
— Fique boa logo para você acabar com o Travis no próximo jogo – disse Blake olhando para o braço enfaixado da garota.
— Travis é do seu time – disse ela confusa.
— Merecemos perder depois do que ele fez com você – ele disse com sinceridade. sorriu levemente — Eu passo aqui te ver amanhã.
— Eu juro que estou bem, não precisa se incomodar – disse um pouco surpresa com a atitude de Blake, ele era um garoto de poucas palavras, os dois sempre conversaram, mas seus assuntos eram relacionados à escola de um modo geral.
— Eu quero – ele a encarou novamente, seus olhos amendoados geralmente turvos e misteriosos, pareciam mais gentis dessa vez. Ela concordou com a cabeça e ele acenou de volta, seguindo seu caminho para fora da enfermaria sem olhar para trás.


***


Rony se esgueirou para dentro da enfermaria, assim que Madame Pomfrey deixou o lugar para se dirigir ao salão principal. A ala estava silenciosa e vazia, a não ser por uma das camas onde uma jovem corvina repousava. Os candelabros em forma de gárgulas refletiam uma luminosidade quente e dourada, a luz parecendo dançar nas paredes pálidas do castelo. dormia profundamente em sua cama, seus cabelos compridos espalhados pelo travesseiro. Seu rosto estava corado devido às várias camadas de coberta. Rony despiu a capa de invisibilidade e sentou aos pés da cama, a observando dormir.
— Estou sonhando ou você está aqui mesmo? – sussurrou a menina com a voz arrastada
— Fiquei tão preocupado – disse se aproximando da garota e pegando em sua mão.
— Eu estou bem – disse ela dando um daqueles sorrisos que ele amava.
— Por que não me disse? – Rony estava extremamente frustrado – achei que confiava em mim...
— E eu confio. Me desculpe, de verdade...— o menino sentiu sinceridade nos olhos de , que segurou sua mão outra vez – você não quer mais me ver?
— Você sabe que isso é impossível, não é? – ele disse se aconchegando na cama junto com a garota que se deitou em seus braços. Rony deu-lhe um beijinho no nariz.
— Eu estava esperando um beijo de verdade depois de quase morrer, Rony Weasley, mas vou te perdoar, porque você salvou a minha vida – ela disse brincando, mas o menino sentiu verdade em suas palavras e riu baixinho.
— Você fica feliz se eu dormir aqui com você? – Rony perguntou e com um aceno da varinha ele fechou o biombo para encobri-los. se aninhou ainda mais em seus braços.
— Hoje sim, Weasley – disse ela em meio a um bocejo – mas só porque estou extremamente medicada.
Rony riu baixinho, dando um beijo no topo da cabeça da menina, que adormeceu rapidamente em seus braços.

Capítulo 4 - O clube anti-slug

Os testes de quadribol começaram no primeiro dia de outono, o tempo os presenteou com um céu azul perfeito, o que não poderia ser dito da temperatura, que caiu alguns graus naquela semana. Os alunos já ostentavam seus suéteres e cachecóis pelo castelo, uma mistura de pontinhos amarelos, vermelhos, azuis e verdes andando em grupos, aconchegados por causa do frio e do vento que parecia uivar dentre as paredes da escola.
Naquela manhã de sábado, Rony Weasley levantou-se meio pálido, um leve suor tomava conta de suas mãos e ele engoliu o nervosismo a seco. Vestiu-se em silêncio, abotoando seu uniforme de quadribol sem pressa, ajustou os protetores de canela, braço e peito com destreza, conferiu os coturnos pretos uma última vez e por fim olhou-se no espelho. Ele tinha crescido uns bons centímetros nos últimos meses, estava diferente fisicamente, emocionalmente não tinha absoluta certeza.
Seu coração deu um pulo, acelerando como se estivesse correndo a todo vapor e por um momento ele fechou os olhos, suspirando fundo e lembrando que sentir não era sinônimo de fraqueza. “O que você sente, Rony Weasley?” pensou consigo mesmo levando a mão em seu coração, lembrando-se das mãos de espalmadas pelo seu peito. Seu batimento se estabilizando aos poucos.
— Canalize suas emoções – disse para si mesmo se reafirmando na frente do espelho. O menino pode perceber que ao identificar suas emoções era possível ressignificá-las e dessa forma conseguir performar melhor quando voava. Suspirou mais aliviado, sentindo um sorriso brotar no canto de seus lábios. Ele pensou em Fernandez e automaticamente lembrou-se da garota dormindo em seus braços, do cheiro do perfume no cantinho do seu pescoço, como se esquecia de todos os seus problemas quando estava com ela. Talvez ela estivesse certa, talvez ele realmente estivesse devendo-lhe um beijo na boca. Se arrependeu por ser tão burro e não ter tomado uma atitude antes, mas nunca era tarde.
Os colegas de quarto ainda dormiam quando Rony saiu das do dormitório, marchando com confiança para Ala Hospitalar. No caminho encontrou Lilá Brown, uma das colegas de casa, que estranhamente lhe desejou “boa sorte hoje, Rony!”. Ele agradeceu com um aceno da cabeça, os dois não tinham alguma intimidade, nesses seis anos de escola, raramente conversaram, a não ser quando extremamente necessário. O menino deu de ombros, esquecendo-se desse momento e empertigando-se para entrar na enfermaria. Para sua surpresa, estava acordada, os cabelos compridos presos em um rabo de cabelo e as bochechas pintadas com dois riscos das cores da Grifinória.
— GO, WEASLEY! – gritou ela erguendo apenas o braço esquerdo, já que o direito estava ainda em uma tipoia. Rony riu jogando a cabeça para trás, totalmente encantado com a atitude da garota e neste momento tomou uma decisão importante.
— Não seja covarde, Rony Weasley – Rony caminhou em direção à garota com os olhos famintos, fixos em sua boca, a menina se empertigou na cama, pressentindo o que aconteceria a seguir. Tudo pareceu sumir do seu campo de visão, seus olhos fixos nela, em seu rosto pintado das cores da Grifinória, nos seus olhos castanhos e brilhantes. O menino segurou o rosto da garota em suas mãos, suas mãos ficando levemente sujas de tinta e eles chegaram tão perto, tão perto, que o hálito de menta da garota chegou a tocar-lhe a face por um instante.
— O que está fazendo aqui, Sr. Weasley? – Madame Pomfrey disse irritada colocando as mãos na cintura. Rony deixou suas mãos caírem ao lado de seu corpo.
— Mas não é possível... — resmungou totalmente indignada com a interrupção e Rony riu sem saber se ficava constrangido ou com raiva.
— Não estamos em horário de visitas, Sr Weasley – reafirmou a Madame Pomfrey. Rony tentava suprimir uma gargalhada que brotava no fundo de sua garganta.
— Por que eu não posso assistir aos testes? Meu problema está no braço e não nas minhas pernas – reclamou tentando argumentar com a curandeira.
— Nos concordamos que, para voltar ao time, a Srta. precisa seguir o tratamento – uma voz firme ecoou da porta da enfermaria por onde entrou Minerva McGonagall, sua capa esbarrando em seus calcanhares. — e eu acredito que o Sr. Weasley esteja a caminho dos testes de quadribol.
— Boa sorte! Vão te escolher, com certeza! – disse se dando por vencida, dando um daqueles sorrisos que só ela sabia dar.
— Você sabe que a melhor parte não está no teste em si, mas sim na antecipação, não é? – disse Rony piscando para ela e duvidou que ele estivesse se referindo ao quadribol. Rony saiu da enfermaria sob o olhar desconfiado das duas docentes.

***

Se Rony estava sentindo-se nervoso há poucas horas, este sentimento foi facilmente substituído pela raiva. Se ele tivesse que conviver com Córmaco Mclaggen por mais alguns minutos, ele não responderia pelos seus atos. “Arrogante de merda” pensou furioso, seu rosto queimando. Mclaggen não poupava comentários maldosos sobre o time, tampouco o desempenho de seus antigos integrantes, na opinião dele, Harry Potter tinha escolhido Gina e Rony por serem seus amigos e não por suas habilidades no esporte. Rony pensou em avançar e arrebentar a cara daquele — mauricinho ensebado, filhinho de papai, lambe-botas do Ministério – mas de nada adiantaria. Ele iria ganhar essa vaga nem que fosse à força do ódio. A vassoura vibrou debaixo de sua mão. Talvez a raiva realmente não fosse um sentimento ruim e hoje ele testaria isso na prática.
O ruivo percebeu que Harry estava tão incomodado com Córmaco quanto ele, mas sabia que ele não poderia tomar lados. Rony direcionou o olhar para as arquibancadas e Hermione acenou timidamente para ele retribuiu o cumprimento. Lilá Brown também tentou chamar sua atenção com um tchauzinho nem tão discreto, aquele dia não podia ficar mais estranho. Córmaco se aproximou dele e o garoto segurou o seu ímpeto de não partir para uma briga e meter-lhe um soco no meio da fuça.
— Espero que não guarde ressentimentos quando eu ganhar a vaga de goleiro, Weasley – Córmaco lhe lançou um sorriso cínico.
— Você diz SE você ganhar – o menino replicou o encarando sem medo. Córmaco deu uma risadinha debochada parecendo extremamente confiante em suas habilidades.
— Você não se importaria de me apresentar a sua amiga Granger depois, não é? – respondeu Córmaco mudando de assunto e olhando para Hermione nas arquibancadas do estádio. Rony revirou os olhos, dando as costas para o adversário e se concentrando para que pudesse canalizar de forma correta suas emoções.
Harry começou os testes com os batedores, deixando os goleiros por último. É claro que Mclaggen se “voluntariou” para ir primeiro, ele não perderia a oportunidade de se exibir o máximo que puder. Na opinião de Rony, Mclaggen representava o que a Grifinória tinha de pior, o seu estereótipo caricato de quem é extremamente soberbo, egocêntrico e narcisista. O ruivo observou com paciência sem se abater quando Córmaco conseguiu uma, depois duas, três, quatro defesas e perdeu a última por pura tolice, sua vassoura resvalou para o lado oposto no exato momento em que Gina marcou.
Finalmente chegou sua vez, Harry lhe lançou um olhar incerto e ele o odiou por um instante. Deu as costas para todos os colegas que assistiam aos testes em silêncio. Quando se lançou perto dos aros, percebeu que a vassoura estava totalmente estabilizada sem vacilar por causa do vento. Ele encarou Gina tentando antecipar seus movimentos, a garota estava se preparando para fazer uma Derrapagem na Vassoura (manobra que consiste em contornar os três aros e marcar pela frente), mas não estava na velocidade necessária para realiza-la. ‘’Ela vai marcar por frente’’ pensou Rony seguindo sua intenção e conseguindo defender o primeiro ponto.
E assim ele conseguiu fazer mais um... e mais um.... e agora já estava empatado com Mclaggen. O menino se concentrou percebendo que tinha dois artilheiros na área, Gina voava com toda direção dos aros. “Velocidade! Ela vai arremessar a goles de trás para outro artilheiro marcar pela frente”. E ele estava certo mais uma vez. A goles quase deslizou por suas mãos por causa da força em que foi arremessada, mas ao antecipar o movimento, Rony conseguiu defendê-la.
Os alunos da Grifinória vibraram junto com ele, descendo de suas arquibancadas em direção ao campo para cumprimentar os novos escolhidos para o time. Córmaco por outro lado, saiu do estádio pisando duro e bradando aos quatro ventos o quanto fora injustiçado.
— Você foi brilhante, Ron! – Hermione disse vindo ao seu encontro. O menino assentiu um pouco constrangido, sem saber muito bem como reagir ao elogio.
— Parabéns, Rony – Lilá também veio em sua direção, suas bochechas estavam extremamente coradas.
“Isso é muito estranho” – ele pensou olhando para as duas meninas em sua frente, que agora demonstravam estar incomodadas com a presença uma da outra. Rony cumprimentou mais algumas pessoas, sentindo-se muito satisfeito com seu desempenho, mas não demorou a ir. Tinha alguém que certamente estava esperando os resultados dos testes.

***


— Ruby Wilson é a nova artilheira da Corvinal? – Ava se encolheu, fechando os olhos, esperando ter um de seus ataques de fúria, porém, ela permaneceu calma, assimilando a informação.
— É isso? Você não gritar aos sete ventos o quanto a odeia? – Ava perguntou extremamente desconfiada. riu fraco.
— Não me leve a mal, eu continuo não sendo uma fã da Wilson, mas tenho que admitir que ela é uma boa jogadora – disse enfiando um grande pedaço de bolo na boca.
Ava a conhecia bem o suficiente para saber que isso era uma forma de encerrar a conversa e ela tinha consciência de que admitir isso foi muito difícil para a amiga.
— Ava, você está fazendo aquela cara de novo – disse erguendo uma de suas sobrancelhas.
— Eu não estou fazendo cara nenhuma – Ava retrucou um pouco incomodada, focando em seu dever de DCAT – eu só me preocupo com você...
— Você se preocupa demais, Ava – respondeu colocando outro pedaço de bolo na boca. A corvina tinha um pouco de dificuldade de demonstrar sua vulnerabilidade diante a essas questões, na maioria das vezes era mais fácil fingir que estava tudo bem do que conversar sobre o que realmente sentia.
— Todo mundo da nossa casa está triste por não ser você – Ava comentou tentando fazer se sentir melhor e conseguiu, o rosto da amiga se iluminou e ela sorriu consigo mesma.
— Obrigada por passar o seu precioso sábado me passando todos os deveres aqui na enfermaria – disse , os pergaminhos espalhados por toda a sua cama.
— Não é como se eu tivesse tido escolha – Ava sussurrou acenando para a professora McGonagall que as vigiava de perto. As duas riram baixinho.
— Me fale um pouco de você! Como estão as aulas? E o clube do Slug? Eu sinto como se não conversássemos há séculos.
— Sim, você só tem tempo para o Weasley agora – Ava a alfinetou e jogou uma almofada na cara dela, chocada com a audácia da melhor amiga.
— Não ouse mudar de assunto, Ava Thompson! – as duas riram novamente.
— Ah, você sabe, o de sempre! O clube do slug até que é legalzinho – Ava disse sem conseguir conter uma careta.
— Uhum – concordou em tom de descrença.
— Está bem, o clube do Slug é um porre! – Ava disse se juntando a ela na cama da enfermaria e esticando os pés – Da última vez, o professor Slughorn nos contou como se recuperou de varíola de dragão. Foi nojento, é sério!
— E você ainda queria me convencer a ir! – disse entre risos.
— Eu quero que você me convença a NÃO IR! – Ava bufou cruzando os braços, se dando por vencida, não sobreviveria a outro encontro sem a melhor amiga.
— Para sua sorte, eu sei como resolver isso – se entreolhou com a amiga, que a encarou desconfiada.
— Eu conheço esse olhar – Ava sussurrou como se pudesse ler os pensamentos de . Bem, qualquer coisa era melhor do que o Clube do Slug.
riu em tom malicioso, voltando sua atenção ao seu pergaminho. Iria ser muito bom tê-la de volta ao seu convívio. Ava não tinha muitos amigos, estava sempre focada em seus estudos para pensar em qualquer outra coisa, mas ela tinha que admitir que o ano estava sendo estressante o suficiente para viver sem distrações. tinha razão, ela se preocupava demais para alguém tão jovem, precisava se permitir a tentar coisas novas e também a conhecer pessoas diferentes.
As duas continuaram a estudar quando Thomas Blake entrou pelas portas da enfermaria, carregando alguns pergaminhos em suas mãos. Ava reconheceu o menino, o qual sempre fora, o parceiro de Poções de . Ela estranhou a presença do Sonserino no local, já que ele e mantinham uma relação não muito próxima e de extrema cordialidade.
— Thompson – Blake disse calmamente acenando com a cabeça num curto cumprimento, o qual Ava retribuiu estranhando completamente a situação – Vejo que você já está recebendo ajuda para colocar seus deveres em ordem, !
— Sim, Ava se ofereceu para estudar comigo!
— Não mesmo, eu fui obrigada! – Ava disse e deu um cutucão na amiga. As duas riram. E Blake levantou uma das sobrancelhas.
— Eu posso assumir seu lugar caso queira ir! – ele sugeriu e Ava estreitou o olhar como quem suspeita de algo. parecia totalmente alheia à situação.
— Eu bem que gostaria – Ava disse e quis resmungar em forma de protesto – mas a professora McGonagall quis que eu ficasse de olho nessa desmiolada.
— Desmiolada? – vociferou . Ava soltou uma grande gargalhada achando tudo uma graça.
Blake riu fraco balançando a cabeça, seus olhos fixos em . A menina pigarreou um pouco desconfortável, poucas pessoas a faziam sentir tão vulnerável e Thomas Blake era uma delas. Ava observava a cena com as sobrancelhas erguidas como quem acabará de receber um presente de Natal.
— Eu vejo você em aula, então? — Blake perguntou e assentiu, incapaz de formar uma frase, tentando entender quando ele ficara tão atencioso com ela.
Ava não teve tempo de abrir a boca para tecer um de seus comentários, porque assim que Blake saiu pelas portas da enfermaria, Rony Weasley entrou por elas, ainda vestido com seu uniforme de quadribol.
— E então? – perguntou com os olhos brilhando de expectativa.
— Estou dentro – disse ele parecendo feliz e ao mesmo tempo constrangido ao se deparar com Ava.
— Eu não tinha dúvidas disso! – fez menção de querer lhe dar um abraço, mas se conteve por causa da presença da amiga – ah...essa é minha amiga Ava Thompson.
— Como vai, Thompson?
— Muito bem, este dia não tem como ficar mais interessante – disse ela totalmente debochada e os dois ficaram extremamente envergonhados.
— Hm...você vai ficar aqui até quando? – perguntou Rony coçando a nuca, ainda sob a mira do olhar questionador de Ava.
— Eu saio na segunda...
— Eu te vejo então? – ele respondeu sem graça, fazendo menção de sair da enfermaria.
— Nos vemos! — acenou envergonhada, observando o menino sair do seu local – Ava, QUAL É O SEU PROBLEMA?
— O meu problema eu não sei, mas o seu são dois problemas – Ava argumentou caindo na gargalhada mais uma vez.
— O que você quer dizer? – Fernandez disse arregalando os olhos.
, você consegue ser muito burra às vezes!
— Ai, também não precisa ofender! – respondeu emburrada, cruzando os braços.
— Os dois estão caidinhos por você, sua anta! – Ava falou como se explicasse o obvio.
— De quem você está falando? Do Blake? – arregalou os olhos e Ava a olhou com descrença – Ava, você está louca, Blake é meu parceiro de Poções...
— Uhum...e qual outra pessoa se oferece para ficar com a outra em uma Enfermaria em PLENO SÁBADO? – Ava ergueu as sobrancelhas tentando provar o seu ponto de vista.
— Você está enganada, Ava, este é o jeito dele... — sacudiu a cabeça, achando a teoria da amiga totalmente sem cabimento, mas no fundo se questionando se aquilo teria algum fundo de verdade. Blake tinha sido seu parceiro de Poções desde sempre, mas a verdade é que não eram muito próximos, inclusive se deu conta que apesar de estudarem juntos há seis anos, tinha poucas informações sobre ele. O menino sempre fora extremamente reservado, mas ela sempre respeitara seu espaço, Blake era educado e comprometido com seus deveres, além disso, ela sabia que o garoto era um ótimo goleiro e musicista.
— E você está interessada no Weasley, não é? – Ava disse complementando a linha de pensamento da amiga.
— Eu acho que você tinha que dar aulas de Adivinhação! – alfinetou a amiga, que não era muito fã da matéria!
— Ninguém adivinha o que é óbvio! – bradou Ava e as duas engataram em uma longa discussão sobre adivinhação e astrologia bruxa.

***


Os alunos pertencentes à Sonserina tinham histórias de vida um tanto peculiares, deve ser por isso que pensam que a casa é a morada de bruxos das trevas. E sim, uma parcela realmente escolhe esse caminho conscientemente, em outros casos, os pais escolhem por eles e existe um outro grupo, os que não se encaixam em nenhuma dessas polaridades. Geralmente, esses alunos são os solitários ou os que andam em pequenos bandos. Mas, na verdade, o que de fato as pessoas precisam saber da casa Sonserina é que eles conhecem de fato a sua história e vivem sua verdadeira essência. Ser diferente e escolher o próprio caminho independente das opiniões requer coragem.
Blake era um deles. Dificilmente influenciável, detestava o fato de que alguém pudesse escolher quem ele deveria ou não ser. Ele era o senhor de seu destino. O único responsável pelas suas escolhas e odiava o fato de muitos alunos sujarem o nome da casa em nome de Voldemort. Um sorriso macabro brotou em seus lábios como quem sabe de algum segredo muito importante. Todos os alunos partidários de Voldemort andando arrogantemente pela Sala Comunal da Sonserina, achando que estão rodeados de alunos puro sangue, quando na verdade, Thomas Blake também era um nascido trouxa e ele não era o único.
O garoto tirou a gaita prata das vestes e passou a mão pelas inicias gravadas no instrumento, pensando no pai que nunca pode conhecer e que morrera antes de seu nascimento. Sua vida por si só era uma grande ironia, talvez por isso o chapéu Seletor tenha o colocado na Sonserina, Thomas Blake realmente não era um garoto comum. O menino soprou o instrumento delicadamente, estava um pouco frio do lado de fora da escola, mas ele preferia ficar afastado do Salão Comunal da Sonserina, onde Luke Hampton estava realizando (embaixo do nariz do diretor), alguns recrutamentos para o exército de Voldemort. Ele tinha suas suspeitas de que o Professor Snape também estava envolvido. A quem recorreria? Ao Professor Dumbledore? Quem conversara uma vez na vida? Ministério da Magia? Comensais da Morte estariam infiltrados no governo, com absoluta certeza. Voldemort estava esperando a hora certa. Blake tinha certeza disso. O garoto, no entanto, já tinha sua rota de fuga.
Seu pensamento vagou até a sua mãe trouxa, trabalhando despreocupadamente, sem saber que em algum ponto do próximo ano, não estariam mais seguros. A cortina entre o mundo bruxo e o dos trouxas se estreitaria de tal forma que os dois colidiriam cedo ou tarde. Os colegas acreditavam que ele era mestiço, mas se investigassem mais a fundo, descobririam sua verdadeira natureza. E Blake estava disposto a muitas coisas, exceto arriscar a vida de sua mãe. A única família que lhe restara.
No momento, ele tinha a vantagem do conhecimento, mas estava incomodado com o fato de não compartilhar essas informações com outros nascidos trouxas como ele, se perguntou desde quando começara a se importar tanto com outros e, é claro, que pensou nela. e aquele maldito sorriso. Sua entrega, sua paixão, suas palavras eloquentes. Ele poderia citar com tranquilidade suas mais diversas características. Céus, Blake estava perdendo a cabeça. Logo ele, quem nunca se interessara por ninguém além do desejo físico, criara uma conexão com a garota. Não poderia ser mais patético?
O menino era muito prático, talvez teria que ser mais enfático em relações aos seus sentimentos, caso quisesse ser notado. Isso era muito mais culpa dele do que dela. Soprou a gaita em suas mãos mais uma vez, quando alguns colegas da Sonserina se aproximaram dele.
— Blake – cumprimentou Luke Hampton, acompanhado por Pansy Parkinson e Blásio Zabini.
— Hampton – disse Blake endurecendo o tom de voz, guardando sua gaita nas vestes.
— Precisamos conversar – Luke disse em tom de voz sério.
— Sei o que vai me pedir – respondeu Blake encarando o garoto – a resposta continua sendo não.
— Você será um poderoso aliado e sabe disso – Luke insistiu – O Lord das Trevas nos recompensará de formas inimagináveis.
— Não estou interessado no que ele tem a me oferecer. Me surpreende sua atitude. Nunca achei que fosse tão covarde – Blake rebateu e Luke avançou.
— Você sabe que quando a hora chegar você terá que fazer uma escolha – Luke agarrou o braço do Sonserino, que se desvencilhou com repulsa.
— Eu já escolhi – disse Blake entredentes dando as costas aos colegas.
— Ele está escondendo alguma coisa – Luke disse desconfiado — E eu vou descobrir o que é.
— Talvez o Lord das Trevas tenha uma missão especial para ele – ponderou Zabini – o pai dele está trabalhando para nós, tenho certeza que é um dos nossos.
— É, talvez – sussurrou Luke observando Thomas Blake sumir de suas vistas.

***

estava ouvindo pela vigésima vez o tratamento estabelecido pela Madame Pomfrey, seu pé balançava impacientemente, enquanto a mulher a sua frente parecia repetir mais uma vez a lista de remédios, exercícios e injeções. Tudo o que ela desejava naquele instante era tomar seu café da manhã com ovos mexidos e café. Não iria aguentar se tivesse que comer comida de enfermaria. Ela também estava com saudade de sua rotina de aulas e do convívio com os colegas.
— E depois, a Srta. precisa comparecer a enfermaria todas as sextas para a Injeção Rejuvenescedora de Ossos... – continuou Madame Pomfrey.
— Com licença, Madame Pomfrey, eu já anotei todas as informações – disse mostrando um caderno – eu posso ir? Caso contrário, vou me atrasar para as aulas!
A curandeira suspirou fundo como quem fosse reclamar, mas desistiu, apenas acenando com a cabeça. juntou todos os seus pertences e saiu o mais rápido que pode. Não tinha a intenção de voltar àquele local tão cedo. Ela respirou profundamente o ar gelado, a brisa leve bagunçando seus cabelos e ela curtiu aquela sensação como se fosse a primeira vez.
O outono era sua estação favorita, as manhãs de frio, os campos cobertos pela fina geada e os fins de tarde, aqueles que o sol está tão distante que seu calor não lhe aquece, mas você é tocado por aquela luminosidade dourada de qualquer forma. Quando estava a caminho do Salão Principal encontrou Rony, que vinha ao seu encontro. Ela sorriu andando em sua direção e ele sorriu de volta, lhe presenteando com ramalhete de flores do campo coloridas.
— Ron, elas são lindas! – exclamou sorrindo abertamente para o ruivo.
— É bom te ter de volta – Rony disse pegando na mão da garota, seu rosto ficando corado de imediato.
— É bom estar de volta – ela disse sentindo seu coração acelerar. Ela entrelaçou suas mãos com a dele. Sem saber exatamente o que fazer.
— Gostaria de passar o dia com você hoje – ele disse em tom de desculpa – mas Harry precisa de ajuda...
— Parece sério...— franziu as sobrancelhas.
— Não se preocupe – ele disse a trazendo para um abraço, ao qual ela correspondeu com vontade.
— Eu preciso ir, mas espere a minha coruja! – disse sorrindo marotamente e Rony levantou uma das sobrancelhas.
— Pela amor de Merlim, só não vá cair da vassoura mais uma vez...— Rony respondeu e a menina riu.
— Eu estava procurando você por toda parte! – disse Ava vindo em direção aos dois – Ah! Olá, Weasley!
— Oi, Thompson!
— Precisamos ir! Você não pode se atrasar hoje – Ava argumentou puxando a amiga pelo braço (esquerdo!).
— Eu já estou de saída – Rony disse seguindo seu caminho – até mais, – ele piscou para ela.
olhou para Ava como quem lhe confiasse um segredo e elas riram. A conexão entre as duas era incrível. As amigas saíram de braços dados até o Salão Principal. Ava falava sem parar, algo sobre ter tido que ameaçar Eloísa Walsh, mas não se importou, gostava de ver a amiga confortável, falando pelos cotovelos e feliz por ela estar de volta.
Quando chegaram ao salão, se serviu de sua comida favorita, totalmente satisfeita por estar rodeada pelas colegas. Seu olhar cruzou com o de Blake, que olhava fixamente para ela da mesa da Sonserina. lhe deu um tchauzinho, sem saber muito bem como reagir e ele sorriu para ela. Blake nunca sorrira. Não daquela forma. E ela tinha que admitir que ele tinha um sorriso lindo? Se repreendeu por estar pensando essas bobagens e ficou um pouco brava com a Ava por ter colocado essas caraminholas em sua cabeça.
— Lá vem problema... — Ava cochichou parando de falar e desviou a atenção para entender ao que ela referia. Ruby Wilson caminhava na direção delas.
suspirou fundo e enfiou um pedaço grande de torta na boca, porque se conhecia bem o suficiente para saber que cederia as provocações da menina e tinha prometido a uma porção de pessoas que não se meteria em confusão. Isso a fez pensar que tinha que parar de fazer promessas.
Ruby Wilson sentou perto de suas amigas mais próximas e outras colegas de time como a apanhadora Cho Chang. Ela ostentava um grande sorriso e enquanto falava, direcionava seu olhar para em tom de provocação.
— Com certeza ganharemos a Taça de Quadribol este ano! – disse Ruby em um tom de voz elevado – a pior artilheira da Corvinal está fora.
fechou a mão em punho, focando o seu olhar em qualquer parte do salão, o pedaço de torta descendo a seco em sua garganta.
— Realmente acredito que a taça seja nossa esse ano, até porque temos mais seis jogadores no time para fazer o que você não faz — Ava se intrometeu na conversa. E arregalou os olhos.
— Eu sou a melhor artilheira que esse time já teve – Ruby Wilson ficou vermelha se levantando do banco.
— Tenho pena de você, Ruby! Essa sua necessidade de atenção é patética – Ava disse tranquilamente — quando souber ao menos qual lado do uniforme de quadribol é o correto, nós conversamos. Agora pode, por favor, nos dar licença?
percebeu que as vestes da menina realmente estavam do avesso e não conseguiu controlar uma grande gargalhada, logo todos da Corvinal também estavam rindo. O rosto de Ruby empalideceu quando se deu conta que suas vestes estavam de fato do lado oposto. E sem dizer mais nada, saiu correndo do Salão Principal, com suas amigas no seu encalço.
— Ava, o que foi que deu em você? – perguntou entre risos.
— Eu não iria deixar aquela sem noção humilhar a minha melhor amiga! – Ava respondeu totalmente indignada, mordendo com força um pedaço de sua torrada.
— As pessoas são muito más – outra aluna da Corvinal, Luna Lovegood se intrometeu na conversa das duas amigas – se quer saber, você foi a melhor artilheira que nós já tivemos.
— Muito obrigada, Luna – respondeu sorrindo de orelha a orelha. Luna sorriu de volta, voltando sua atenção para uma revista sobre Zomzóbulos.
— Você tem algum horário livre hoje? – perguntou a Ava.
— Eu só tenho Herbologia no primeiro período e depois dois tempos livres! – Ava disse relembrando sua grande de horários.
— Ótimo, porque vou precisar da sua ajuda!

***


— De todos os lugares da escola, nós temos que vir perto do lado negro? – Ava disse estendendo uma espécie de toalha no gramado.
— Ninguém vai nos ouvir aqui! – disse terminando de escrever um bilhete e entregando para sua coruja — D’artagnan você já sabe o que fazer! – a menina deu um petisco para a coruja e fez carinho em sua cabeça antes que ele alçasse o voo.
— Eu ainda não superei o fato de você ter dado nome de um dos Três Mosqueteiros para a sua coruja – Ava fez uma careta.
— Ele é o meu mosqueteiro favorito, ok? – a olhou com raiva, tirando um pergaminho de sua bolsa – e não seremos interrompidas aqui.
— Eu não teria tanta certeza disso – indicou Ava.
Um menino alto e esguio saiu de trás de uns dos arbustos e caminhou em direção das garotas. Ele apagou nas suas vestes o que parecia ser uma ponta de cigarro e com um aceno da varinha o resíduo desapareceu. Sua gravata da Sonserina pendia em suas vestes e como todo aluno da casa, ele também era incomum, algumas de suas unhas estavam pintadas de um esmalte preto desbotado e de sua calça de uniforme pendiam algumas correntes. Ela não tinha muita certeza se o uniforme podia ser customizado daquela forma, mas não podia negar que ele tinha estilo.
Seu gato preto chamado Salém o perseguia em todos os lugares e ambos tinham a mesma condição de heterocromia, quando cada olho tem uma cor característica. Um de seus olhos era de um castanho amendoado, quente e gentil, enquanto o outro era de uma tonalidade forte de verde esmeralda, misterioso e impactante. o conhecia, ele tinha sido seu tutor em Adivinhação e tinha um talento especial para Cartomancia (ler cartas de tarot).
Os dois costumavam interagir bastante durante suas sessões de estudo, e ela tinha aprendido muito mais com ele do que com a professora Sibila Trelawney. Por mais que Ava achasse a matéria um desperdício de tempo, sempre a achara interessante. Não porque era supersticiosa ou algo do tipo, mas porque este processo a levara para um caminho de autoconhecimento muito grande e que tinha influenciado muito em seu desenvolvimento como uma bruxa.
Ela não conseguia se lembrar do por que tinham se afastado, mas provavelmente isso se deu por causa de suas rotinas que raramente coincidiam.
— Hey, Patrick! – acenou para ele, o menino abriu um sorriso tímido, colocando as mãos no bolso e se aproximando das garotas.
— Qual é o nome da organização que você pretende formar? – perguntou ele estreitando os olhos. Ava o encarou com cara de assombro e sorriu. Patrick tinha uma conexão sobrenatural com o mundo mágico, ele entendia o que acontecia nas entrelinhas, nos pequenos sinais do dia a dia, ele costumava dizer que a magia, de qualquer origem, deixa rastros.
— Anti-slug club – a garota respondeu com um sorriso como se estivesse muito orgulhosa de seu feito.
— Já estava na hora! – ele disse em tom de mistério, olhando para o firmamento, a divisa entre o lago e o céu – isso é uma confirmação dos astros e deveremos seguir juntos em um mesmo caminho.
Ava ainda estava boquiaberta, sua face beirando a incredulidade. Ele sentou no chão com as garotas e o seu gato preto se enrolou em suas pernas. Patrick pegou um dos pergaminhos da mão de e desenhou as iniciais “AS” em um risco de apenas uma linha e finalizou escrevendo uma letra de forma caprichada os dizeres “ANTI-SLUG CLUB”. olhou satisfeita para o desenho. Finalmente, tinha tido a ideia há semanas, finalmente conseguiria colocá-la em prática.
— Podemos espalhar esses pergaminhos pela escola e apenas quem não for convidado para o Clube conseguirá ler a mensagem e comparecer no horário e data marcada – disse levantando a varinha e enfeitiçando o pergaminho de forma que ficasse visível apenas para o seu público.
— Ok, mas isso é metade da escola! – disse Ava apavorada.
— Se considerarmos os alunos que já completaram 16 ou 17 anos, este número cai por três – argumentou Patrick.
— Então nós temos um plano! – sorriu. Patrick olhou para as duas garotas e soube que aquele era o início de uma parceria duradoura. Os astros nunca mentem.

***

Após dividir as tarefas com Ava e Patrick, seguiu seu caminho para o corujal onde esperaria D’artagnan chegar com a sua encomenda especial. Ela também pedira para Rony encontrá-la, assim poderia explicar melhor a ideia do AS. A garota tinha outros planos em mente, como beijá-lo sem ser interrompida dessa vez, sentia que estava perdendo o seu autocontrole, estava esperando muito tempo por essa oportunidade, seu corpo se arrepiou só de pensar na imagem mental de ter Rony tão perto dela. Em pensar que eles quase se beijaram na enfermaria...
estava perdida em pensamentos quando avistou D’artagnan, a coruja com pelugem cinza voava majestosa, os raios solares refletiam em suas asas e ele parecia um pontinho brilhante no horizonte. nunca iria se esquecer de quando o viu pela primeira vez, uma garotinha de 11 anos andando pelo Beco Diagonal. Sua conexão com a coruja foi instantânea, D’artagnan esperava por ela.
Ela o recebeu com afeto, fazendo um carinho em sua cabeça e o aconchegando em seus braços antes que pudesse desprender a bolsinha de suas perninhas. A coruja piou de alegria, sacudindo suas asinhas.
— Você é a coisa mais fofa desse mundo D’artagnan! – exclamou ela para o animalzinho que piscou os olhos em entendimento.
— “Engorgio” – exclamou a garota apontando a varinha para a bolsa, que triplicou de tamanho. tinha executado um feitiço de extensão em sua bolsa. De dentro tirou um frasco de bebida. O clube anti-slug iria bombar.
— Bebidas em Hogwarts são proibidas, você sabe disso, não sabe? – uma voz que ela conhecia muito bem ecoou atrás dela.
La puta madre, casi me matas del susto xingou em sua língua materna. O idioma que utilizava com os seus pais em casa.
Lo siento – ele respondeu no mesmo idioma, cruzando os braços e se encostando no batente da porta. ergueu as sobrancelhas em sinal de surpresa.
Hablas español? perguntou cada vez mais intrigada.
Soy um hombre instruído, si se me permite la audácia – ele respondeu com confiança ainda sem quebrar o contato visual.
— Você é realmente uma caixinha de surpresas, Blake.
— Diz a bruxa com uma garrafa de tequila na mão – ele indicou com a cabeça e quis que o chão a engolisse.
— Isso é para uma ocasião especial – disse ela retornando o fraco para a bolsa em seu tamanho original.
— Você quer dizer uma ocasião tipo o nosso encontro no Três Vassouras? – Blake deu alguns passos em direção a garota, parando a centímetros do seu rosto. Ele observou a garota engolir em seco. Blake desceu os seus olhos para os seus lábios avermelhados por causa do frio. deu um passo para trás, mas não tinha realmente para onde ir.
Os olhos de Blake demonstraram algo que ela nunca tinha notado antes: desejo.
— Perdeu alguma coisa, Thomas Blake? – Rony segurou o ombro de Blake e o afastou de .
— Algum problema, Weasley? – vociferou Blake se desvencilhando de Rony.
— Sim, você! – Rony disse como quem se apronta para a briga.
— Rony, está tudo bem! Não foi nada – tentava entender a situação.
— Então está tudo bem para você? – Rony respondeu a garota em tom de ironia virando as costas para sair do lugar.
— Rony, espere, não aconteceu nada – sentiu a voz quebrar e tentou segurar o braço do garoto.
— Tire suas mãos de mim – respondeu Rony com raiva.
— Não fale assim com ela – Blake aumentou o tom de voz e os dois meninos voltaram a se encarar.
— Quem você pensa que é, Thomas Blake? – Weasley o empurrou com uma de suas mãos. Blake era pelo menos dois palmos maior do que Rony, mas ele não recuou – Saia da minha frente. – Blake olhou para e seus olhos marejados e deu um passo para o lado. Ela saiu correndo atrás de Rony e Blake não a impediu.
— Rony, o que foi isso, o que aconteceu? – tentava argumentar em vão.
— Você. Você aconteceu – ele disse com raiva.
— MAS NÃO ACONTECEU NADA!
— NÃO ACONTECEU, PORQUE EU CHEGUEI BEM NA HORA, NÃO É? – ele revidou. recuou e Rony percebeu que ele a tinha ferido com suas palavras. O menino não conseguia controlar sua raiva. Ver sua garota naquela situação, o desestabilizou.
— Eu só penso em você...eu gosto de você, Weasley – ela disse com a voz a ponto de chorar. E o menino sentiu seu próprio coração apertar.
— Eu não tenho certeza disso, já que VOCÊ ESTAVA A PONTO DE BEIJAR AQUELE CARA! – Rony gritou perdendo toda a compostura.
— Eu nunca faria isso com você, Weasley. Eu não sei, porque o Blake estava lá, eu juro que não aconteceu nada...— tentava em vão controlar sua voz que tremia de nervosismo.
— Eu não acredito em você – vociferou ele – Suma da minha frente.
— Como queira – lhe lançou um olhar magoado e sem dizer mais nada lhe deu as costas.

Capítulo 5 - O clube anti-slug

‘’HARRY POTTER: SERÁ ELE O ELEITO?’’ esta era a manchete que estampava a capa do Profeta Diário daquela manhã de quinta-feira. Luke Hampton passou os olhos pela notícia, com um sorrisinho irônico brincando em seus lábios. O jornal apesar de muito influente, também era conhecido por seu conteúdo manipulado pelo Ministério da Magia. Luke conhecia muito bem essa dinâmica, crescera acompanhando a interação dos veículos de comunicação com a sociedade bruxa. Seus pais financiavam essa grande indústria, trabalhando para dar publicidade para os governantes no poder. O uso da mentira como arma de manipulação política assegurava aos Hamptons, sua hegemonia e poder no mundo dos bruxos.
O artigo que hoje exaltava Harry Potter, era nada mais nada menos que uma forma de mascarar as verdadeiras intenções da família, grandes partidários do Lord das Trevas e defensores da supremacia puro sangue. O que a maioria dos leitores do Profeta Diário não percebia é que para cada notícia positiva sobre Harry Potter, havia outras dez sobre desaparecimentos, mortes e eventos inexplicáveis. Uma fórmula simples, mas certeira em causar uma atmosfera de medo e de desconfiança nas instituições governamentais, as quais ruíam diante da sua própria incompetência em conseguir solucionar tantos crimes e encontrar seus culpados. Escolher o que escrever e publicar incidia sobre o mundo bruxo e o ajudavam a moldá-lo.
É claro que ter comensais infiltrados por toda a parte ajudava e muito na manutenção deste clima de terror. Secretamente, inúmeras famílias, até mesmo aquelas que se diziam tão progressistas estavam trabalhando em prol do Lord das Trevas. Engana-se quem diz não pertencer a alguma dessas polaridades, sendo que na opinião de Luke, todos nós vemos o mundo a partir de uma determinada perspectiva, seja essa vinculada a nossa posição social, trajetória ou interesses. E era por essa e outras razões, que Luke Hampton estava certo que Thomas Blake guardava algum segredo. Ninguém consegue ser completamente neutro ou imparcial diante a algum tópico ou questão com tal importância. Luke fitou seu anel prata com a insígnia dos Hamptons e o rodou em seu dedo indicador. Seus pais tinham sido extremamente enfáticos em relação à tarefa que lhe fora dada. Thomas Blake precisava ser recrutado e Luke Hampton cumpriria sua promessa. O sonserino tinha observado o colega de casa nas últimas semanas, seguido seus passos, seus horários e interações. Para alguém que sempre se considerou uma pessoa bastante reservada, Blake tinha cometido alguns erros, mas o principal deles, e o mais bobo de todos foi se apaixonar.
— Quem diria – Luke murmurou para si mesmo observando o colega de classe que tinha os olhos fixos na mesa da Corvinal – Thomas Blake está apaixonado...por uma trouxa.
Isso era tão patético. Luke esperava mais de um adversário que se dizia a sua altura. Tudo o que precisou foi conversar com algumas pessoas, confirmar alguns boatos e pronto, obtivera todas as respostas. Hampton jogou o cabelo para trás e cruzou os braços em uma posição confiante, começando a encarar Fernandez da mesa da Sonserina. Seus olhos se encontraram brevemente e ele lhe deu um de seus melhores sorrisos. franziu as sobrancelhas não compreendendo o gesto, voltando a sua atenção aos seus deveres. Os olhos azuis do garoto se estreitaram por alguns momentos, pensando na melhor estratégia para se aproximar da garota.
O pensamento de se relacionar com alguém nascido trouxa lhe causou certo estranhamento e desconforto, mas suas convicções não vinham em primeiro lugar neste momento. Seus pais tinham aprovado seu plano e concordado que era o melhor a ser feito. Luke observou a garota recolher todos os seus deveres e sair desacompanhada do Salão Principal. Ele a seguiu, lançando um sorriso debochado em direção de Thomas Blake, que o encarou com seriedade.
— Você precisa de ajuda? – perguntou Luke se referindo à quantidade de deveres nas mãos da garota.
o fitou dos pés a cabeça com extrema desconfiança, Luke Hampton era um dos garotos mais populares de seu ano e herdeiro de uma das famílias mais tradicionais no mundo dos bruxos. Ela pode perceber que suas vestes de alta costura estavam perfeitamente alinhadas e absolutamente tudo nele parecia milimetricamente esculpido, exceto por seus cabelos pretos e bagunçados, que se recusavam a seguir seu padrão de perfeição. Os dois pertenciam a lados opostos de um mundo mágico, também imerso em desigualdades e convenções sociais, logo nunca chegaram a conviver e participar dos mesmos círculos de amizade ou de interesse.
— Por que está falando comigo? – devolveu a pergunta, estranhando a aproximação do garoto.
— Você é uma colega e precisa de ajuda — respondeu ele com simplicidade.
— Eu estudo com você há seis anos e tenho certeza que durante esse período, não trocamos uma palavra — disse extremamente debochada — O que você quer Hampton?
— Eu já disse – ele respondeu erguendo os braços em sinal de rendição – eu gostaria de te ajudar.
— Não preciso de sua ajuda – ela respondeu grosseiramente, virando as costas e seguindo seu caminho. Luke entrou em sua frente a impedindo de continuar. bufou em frustração.
— Saia da minha frente – cerrou os dentes perdendo a paciência.
— Não! — ele disse abrindo um sorriso em desafio – você não é a única conhecida por sua teimosia, Fernandez.
— O que eu faço para você me deixar em paz? – perguntou ela e Luke percebeu que a mesma fechou os olhos por alguns segundo tentando controlar o seu ímpeto.
— Saia comigo – ele sorriu encarando a menina dos pés a cabeça. o encarou como se ele tivesse perdido totalmente o juízo.
— O que você tem? – ela perguntou em tom de descrença, achando toda a situação um tanto absurdo.
— Estou interessado em você – Luke sorriu confiante, ainda impedindo a passagem da garota.
— Você não me conhece! – bradou indignada.
— Me dê essa oportunidade – insistiu ele, seus olhos azuis da cor de safira, fixos nela.
Os olhos da garota suavizaram por um instante. Ela abriu um sorriso encantador e Luke piscou os olhos vacilando em sua postura. No que pareceu um milésimo de segundo, a garota mudou a expressão e meteu-lhe um pisão no pé com toda a força que conseguiu.
— VOCÊ É MALUCA? – Luke gritou com o susto sentindo o dedão do pé latejar com força.
Pelotudo de mierda!! – exclamou ela em um idioma que Luke não pode entender.
(N/A: A expressão quer dizer ‘’idiota de merda’’ em espanhol).
sorriu mandando o dedo médio para ele, seguindo seu caminho como se nada tivesse acontecido. Quando estava longe o suficiente, riu sozinha ao lembrar-se da expressão do sonserino ao sentir o salto contra seu pé. ‘’Que ótimo dia para usar botas’’ pensou sem conter um riso escandaloso que lhe escapava pela garganta. Se ela soubesse que bater em alguém lhe traria tanta paz, o teria feito antes. Os últimos acontecimentos ainda martelavam em sua cabeça como se tivessem acabado de ocorrer, mas tinha se passado mais de uma semana. Rony não olhou em sua direção ou tentou falar com ela nem uma vez. Os dois voltaram a ser como eram antes, estranhos, mas sabia em seu íntimo, que nada poderia voltar a ser o mesmo, não quando a garota nutria esses sentimentos, antes tão platônicos e agora tão reais em seu coração. É claro que ela pensou em se desculpar, ensaiou seu discurso um milhão de vezes, planejou diversas abordagens, mas as palavras de Rony ainda ecoavam com força em seus ouvidos e ela não conseguiu engolir o seu orgulho para dar o primeiro passo em direção a uma possível reconciliação.
Ela buscou o olhar do ruivo diversas vezes, quando estavam nas mesmas aulas ou fazendo alguma refeição no Salão Principal e nas raras vezes que os olhares se encontraram, era como se eles não tivessem mais a intimidade necessária para dizer o que precisava ser dito. É óbvio que ela fingiu não se importar, mas seu peito continuou apertado, o coração pedindo para extravasar todos aqueles sentimentos reprimidos. apertou os lábios contendo aquela ardência na base de sua garganta, engolindo o choro que lhe desceu rasgando a laringe.
Seu pai costumava dizer que o tempo era o remédio para todas as feridas, mas será que ele também era capaz de consertar algumas situações? Ela que não era o ser mais paciente do mundo (muito pelo contrário!), teve que se contentar em esperar pelo o que quer que seja. E no meio dessa confusão toda, também tinha Thomas Blake, quem passara a ignorá-la completamente desde o ocorrido. não podia se sentir mais culpada. Como pôde não perceber os sentimentos dele por ela? Ela bufou em frustração, questionando internamente suas faculdades mentais.
Blake também deixara de ser seu parceiro de Poções, aparentemente ele conversou com o professor Slughorn e se disse mais avançado e que sua parceira estava atrapalhando seu desenvolvimento nas aulas. Isso a magoou profundamente, mas de certo merecia, considerando que para toda ação há uma reação. tentou procurá-lo diversas vezes e ele nem fez questão de disfarçar o quanto sua presença era indesejada.
‘’ Dois dias depois de sua briga com Rony, sentindo-se mais tranquila, resolveu procurar Blake com o objetivo de se desculpar por toda a situação constrangedora que causou. Ela o encontrou nos jardins. Blake soprava delicadamente a gaita de boca, totalmente absorto em seus pensamentos. sentiu o coração dar um pulo dentro do peito, suas mãos de repente suadas demais. Ela pensou em desistir e fingir que nada acontecera, mas Blake merecia mais do que sua repentina covardia.
— Blake, eu gostaria de falar com você – ela disse se aproximando dele. O garoto continuou tocando seu instrumento, como se fosse alguém desimportante e indigna de atenção.
— Não tenho nada para falar com você, Fernandéz – respondeu Blake, parando de tocar o instrumento por um instante e continuando logo em seguida.
— Eu...me desculpe, pensei que fossemos amigos – continuou tentando não se afetar por sua hostilidade.
— Não somos – ele disse simplesmente, parando seu olhar sobre ela durante um segundo, para depois virar as costas e seguir seu caminho.
Seu semblante sombrio e seus olhos antes tão gentis, vazios de qualquer expressão atormentaram a garota pelos dias que se seguiram. sentiu uma culpa que nunca sentira na vida. Sorriu por um instante quando avistou Patrick acompanhado pelo seu gato e fiel escudeiro Salém.
— Sinto muito pelo o que aconteceu entre você e o Rony – ele disse sem jeito colocando as mãos nos bolsos.
— Como você...? – perguntou em confusão e o sonserino deu uma risadinha – Eu nunca vou me acostumar com isso. – a menina falou fazendo uma careta.
— Eu sou realmente muito bom – os dois riram – mas eu não ficaria muito triste se fosse você, algo me diz a história de vocês ainda não acabou...
— Eu não tenho tanta certeza disso – suspirou alto.
— Você precisa ter um pouquinho mais de fé! – ele piscou para ela caminhando em direção a Torre de Astronomia com seu gato em seus calcanhares – Eu preciso ir, tenho orientação com o professor Firenze.
— Hey Patrick, antes de ir, o que você sabe sobre Luke Hampton? – perguntou ainda desconfiada pelo súbito interesse do menino.
Os olhos do menino se estreitaram por um instante.
— Eu não se se confio nele, por quê?
— Nada não, te vejo no sábado? – mudou o tom da conversa, se referindo ao clube anti-slug.
— Não perderia por nada.
A festa do Clube Anti-Slug aconteceria no sábado e ela não poderia estar mais desanimada. Lembrou-se de quando ela e Rony brindaram ao anoitecer, onde gritaram suas frustrações a plenos pulmões e compartilharam essa loucura que é ser um adolescente bruxo. Qual era o sentido de levar em frente algo que tinha sido inspirado no relacionamento dos dois? Frustrada e triste, encontrou a única solução que poderia acalmá-la no momento: jogar quadribol.
Seu braço direito tinha melhorado consideravelmente por causa dos tratamentos de Madame Pomfrey, mas não o suficiente para garantir seu lugar de volta ao time da Corvinal. Se ela quisesse de fato voltar a jogar, seria necessário desenvolver outra habilidade, mesmo não sendo canhota, jogar com o braço esquerdo poderia tornar-se uma opção.
Quando estava quase nas portas do estádio, ela observou com tensão, o time da Grifinória sair pelas portas do vestiário. Seu coração deu um pulo ao avistar Rony Weasley. O mesmo saíra por último do vestiário e encontrava-se um pouco abatido. Assim que ele a viu, seu rosto se iluminou por um instante, mas ele pareceu lembrar-se de tudo o que aconteceu, ficando sério mais uma vez. pensou em não dizer nada, mas não pode se conter, mandou seu orgulho as favas e com ele toda a sua dignidade.
— Ron! – disse ela esticando institivamente sua mão com a intenção de tocá-lo e contendo-se logo depois.
— Fernandéz... — ele disse acenando com a cabeça, um silêncio constrangedor permeando a conversa.
— Eu...— ela começou a dizer.
— Sim? – ele perguntou sem graça erguendo as sobrancelhas em expectativa.
— Você ficou sabendo do Clube Anti-Slug?
— É, eu... vi os cartazes... — ele respondeu colocando as mãos no bolso, parecendo um pouco decepcionado com o rumo da conversa.
— Você vai? – perguntou incerta.
— Eu não sei...
— Eu... eu queria te dizer que tudo o que eu fiz foi em sua homenagem...por causa daquele dia no estádio – teve certeza que a mesma lembrança passava pela cabeça de Rony naquele momento.
— Você achou uma forma muito interessante de me contar... — Rony riu sem humor, um misto de deboche e tristeza em sua voz.
— Como eu conserto isso? – chegou perto dele e os dois ficaram a centímetros de distância. Rony percebeu que o sentimento que tentara sufocar continuava vivo e ele quis ceder. Ele desejou confortá-la, pedir desculpas por seu ciúme bobo e depois, beijá-la sem pressa, tê-la finalmente para si. Ele quis acreditar em suas palavras, na sinceridade de seus olhos sempre tão expressivos, mas quem ele estava enganando? Ele não seria bom para ela de qualquer forma.
— O que eu faço para consertar tudo? – a voz de o tirou de seu devaneio, suas mãos delicadas tocaram a sua face em um gesto carinhoso.
— RONY! VOCÊ VEM? – Harry o chamou, o esperando com o restante dos colegas.
...eu preciso ir...— Rony disse e as mãos da garota caíram ao lado de seu corpo em sinal de desapontamento. Weasley apertou uma de suas mãos com amabilidade e lhe lançou um sorriso triste, antes de seguir com os colegas sem olhar para trás.
A corvina observou o menino sumir de suas vistas, suspirou fundo e marchou a passos decididos para os vestiários de quadribol. Ela trocou suas vestes pelo uniforme da Corvinal, decidida a não perder suas vontades e foco em detrimento de garotos. se admirou no espelho, observando seu uniforme abraçar-lhe, imaginando que talvez um dia o trocaria pelas vestes de capitã do time da sua casa.
Ela começou a fazer uma série de treinos, buscando o melhor condicionamento da mão esquerda. No início, sua estabilidade na vassoura, muito acostumada a carregar uma jogadora destra, teve um pouco de dificuldade de se adaptar as novas necessidades de sua dona. focou suas emoções tentando ganhar mais estabilidade e depois do que pareceram horas, sua nimbus 2001 começou a corresponder melhor seus novos comandos.
Ela forçou o braço esquerdo o máximo que pode, errou a maioria dos lançamentos por falta de força, mas tampouco se frustrou pelo resultado. A dose de endorfina aliviou o peso de seu coração, a fazendo pensar mais claramente e chegando a conclusão de que de fato, algumas feridas levam mais tempo para serem curadas e de que não há outro meio a não ser encontrar uma forma de seguir em frente. Quadribol sempre lhe dava todas as respostas que precisava.
De cima da vassoura, ela pode ver que sua melhor amiga Ava andava em direção aos estádios, consultou seu relógio de pulso que marcava nove horas da noite e inclinou o corpo para frente para realizar a sua aterrisagem.
— Você está atrasada – gritou Ava do outro lado do estádio.
— Eu precisava de um tempo – disse caminhando em direção da amiga.
— Você pisou no pé do Luke Hampton hoje? – Ava perguntou curiosa.
— Como é que você sabe? – arregalou os olhos.
— Todo mundo só fala nisso! – Ava soltou uma risadinha – o que raios ele fez para você?
— Ele me convidou para sair – observou Ava piscar os olhos em sinal de incredulidade.
— E assim que você retribui o convite? – Ava perguntou totalmente chocada com o desenrolar da história.
— Eu não sei nada sobre ele, além disso, ele me abordou em um mal dia – cruzou os braços ficando emburrada.
— Você é louca! – Thompson continuava a encarar com total descrença – Você pensou que talvez Luke Hampton seja o que você precisa depois de todo esse drama com o Weasley e o Blake?
— Ok...você está me fazendo sentir muito mal pelo o que eu fiz – choramingou, se arrependendo por ter descontado sua raiva em alguém completamente aleatório.
— Sem falar que ele é um gato, não é? – as duas riram em concordância.
— Pare de sentir pena de si mesma! – Ava bradou a chacoalhando pelos ombros – Você vai curtir o clube Anti-Slug como se deve! Além do mais, tanta gente ficou animada! Esse mérito é todo seu!
— Você realmente é a melhor amiga do mundo, não é? – disse bagunçando os cabelos da mais baixa em um gesto fraternal.
— Se eu perder o jantar mais uma vez, eu vou deixar de ser em alguns minutos.

***


Luke gostava de acordar antes do alvorecer, seus olhos de um tom azul turquesa observavam com extrema concentração o momento em que o sol se esconde próximo à linha do horizonte e começa a iluminar crescentemente as outras camadas da atmosfera, num movimento em espiral onde a tonalidade do céu azul escuro começa a ser pincelado gradativamente pelos primeiros raios solares.
Talvez, para a maioria das pessoas, o crepúsculo matutino fosse um horário desimportante, criado para estender as horas de sono, mas para Luke, este era o momento de organizar seus pensamentos e planejar seus próximos passos. Ele se levantou com sutileza, sem provocar qualquer som e vestiu seu uniforme com tranquilidade, arrumou o anel de prata em seu dedo indicador e analisou a insígnia dos Hamptons. A letra H era adornada por pequenas pedras esmeraldas, ornamentada depois que fora escolhido para a casa Sonserina em seu primeiro ano na escola.
Seu pai costumava dizer que seu nome era seu legado e que caberia a ele manter seu prestígio e poder. Luke iria cumprir seu papel nem que precisasse ir aos confins da Terra e isso inclui ter um relacionamento com alguém nascida trouxa. Seu pensamento acessou a memória do dia anterior, seus olhos azuis se estreitando como o de um animal perigoso. É óbvio que ele não gostou nem um pouco da reação da garota, mas já que teria que carregar este fardo de se relacionar com uma sangue-ruim, pelo menos ela tinha um pouco de personalidade e como um bom predador que era, o que Luke mais gostava no mundo, era de um bom desafio.
É claro que Blake estava facilitando para ele. O garoto abriu um sorriso debochado, se divertindo com os próprios pensamentos. Ele esperava um pouco mais de resistência, mas encontrara um caminho livre de qualquer impedimento. Luke sorriu ao pensar que sempre há oportunidade para manipulação, você só precisa ficar atento para não desperdiça-la.
’— Eu não entendo – o professor Slughorn resmungava para si mesmo, enquanto se preparava para a próxima aula de Poções. Luke chegou cedo aquele dia e pode presenciar a aflição do docente.
— Bom dia senhor! – Luke cumprimentou o professor, que se sobressaltou com sua chegada inesperada.
— Bom dia Sr. Hampton! Como estão seus pais? Muito trabalho no Ministério? – Slughorn abriu um largo sorriso, aquele que ele sempre utilizava para bajular alguém com mais prestígio que ele.
— O Sr. os conhece muito bem, professor! Eles estão sempre empenhados em suas funções – Luke sorriu sem deixar de se sentir orgulhoso – mas o Sr. parece preocupado, posso ajudá-lo de alguma forma?
— Veja, me encontro em uma situação muito delicada – o professor franziu a testa em confusão – por alguma razão, o sr.Blake não quer ser mais parceiro da srta. Fernandéz! Ela é uma ótima aluna, não posso deixá-la sem par.
— Eu posso ser o parceiro dela, se o Sr. quiser – Luke se ofereceu, seu sorriso se alargando ainda mais.
— Isso seria perfeito! – Slughorn soltou uma exclamação de pura alegria – o Sr. tem certeza? Sei que gosta de trabalhar sozinho.
— É claro! Tenho certeza que faremos um ótimo trabalho juntos – Luke reafirmou sua decisão para o professor que pareceu plenamente satisfeito com a resolução do caso. ’’
Luke ficou jubiloso com sua própria perspicácia, ele tinha coletado várias informações sobre a garota, sua excelência no quadribol e ótimo desempenho nas outras matérias, mas ter a chance de conhecê-la melhor, fazer parte do seu dia-a-dia seria mais vantajoso no momento. No entanto, isso levaria mais tempo do que planejara, dessa forma, antes que pudesse se dirigir para a aula de Poções, Luke correu para o corujal e selou uma pequena carta com a insígnia dos Hamptons, informando seus pais sobre sua mudança de planos. Um sorriso satisfeito lhe brotou os lábios enquanto ele observou sua coruja desparecer no horizonte.
***


Luke chegou cedo à aula de Poções, quis assistir a reação de Fernandez quando fosse informada pelo professor Slughorn que ele era seu novo parceiro de aula. Ela enrubesceu e o encarou com os olhos arregalados. não parecia e nada com a garota que pisara no em seu pé no dia anterior.
‘’Ela está arrependida’’ o menino pensou lhe lançando um de seus sorrisos mais amáveis. Tudo estava se desenrolando completamente ao seu favor.
— Hey Luke... me desculpe pelo o seu pé – ela disse assim que chegou.
— Confesso que minha abordagem não foi das melhores – ele disse piscando para ela. Sentiu-se um total idiota, mas precisava ser convincente. .
— Vejo que você é o meu novo parceiro de Poções – ela pigarreou tentando puxar assunto. ‘’Que adorável’’ pensou com repulsa.
— Eu tive alguns problemas – o garoto mentiu, percebendo que o olhar de vagou até Thomas Blake, que agora era parceiro de Alex Fisher da Lufa-lufa.
— É, eu também...— disse em um sorriso forçado.
— O que aconteceu? – Luke se demonstrou interessado, precisava deixá-la confortável, se tornar alguém que pudesse confiar – Eu sempre tive a impressão que vocês eram amigos – o sonserino indicou Thomas Blake em um aceno discreto.
— Não somos – respondeu ela sem graça, parecendo acessar alguma memória.
— Blake não é um cara muito acessível se quer saber – ele respondeu como alguém que tem conhecimento de causa – tenho certeza que fará novos amigos...
— Tenho certeza que sim – ela disse dando uma risada fraca – eu estava pensando...
— Sim? – Ele ergueu as sobrancelhas em um tom de inocência.
— Você, bem... ficou sabendo do clube anti slug? – ela perguntou em voz baixa.
‘’Aquele clube para perdedores?’ Luke pensou de imediato.
— Acho que ouvi alguns rumores, sim...— respondeu.
— Eu gostaria de saber se você gostaria de ir comigo?
’Se eu quero ir a uma festa de perdedores acompanhado de uma sangue-ruim?’’ o moreno ouviu sua própria voz ecoar em sua cabeça.
— Só se você me prometer não pisar mais no meu pé – Hampton ergueu uma das sobrancelhas se referindo ao dia anterior.
riu.
— Só se você for um péssimo dançarino – ela respondeu em tom de desafio.
— Eu sou ótimo em tudo o que me proponho a fazer – Luke com certa malícia, mas ao contrário do que esperava, não enrubesceu dessa vez.
— Eu também – respondeu.

***


Rony estava se sentindo um idiota. Um idiota miserável. Tentou sufocar os sentimentos por , mas falhou em cada tentativa. Lembrou-se de seus olhos marejados e depois de suas mãos em seu rosto. Suas últimas palavras ecoando em seus ouvidos repetidamente: o que eu faço para consertar isso?
‘’O que VOCÊ faz para consertar isso? Quem tinha que consertar algo com você era eu’’ pensou Rony com amargura.
Sentiu que errou ao gritar, errou ao perder a cabeça e magoou quem nunca lhe fez algum mal. Tinha que sentir raiva de si mesmo ou talvez daquele ‘’filho da puta metido do Thomas Blake’’. Seu rosto esquentou com o pensamento. Lembrou-se do menino tão perto da sua garota e teve que se segurar para não ter explodir em outra crise de ciúmes. Ele quis desaparecer ou talvez se bater pelas suas más escolhas. Olhou para seu prato, repleto de suas comidas favoritas e não teve vontade de comer. Ele passou os olhos pelo Salão Principal à procura dela e logo entrou pelas portas do local, acompanhada de Luke Hampton.
Rony se empertigou e encarou a cena com extrema preocupação. Luke se aproximou da garota e depositou-lhe um beijo no rosto. Rony fechou o punho imediatamente. Seu pai Arthur falou sobre os Hamptons, progressistas disfarçados, apoiadores de Você-Sabe-Quem e supremacistas puro-sangue. Isso não era bom sinal.
— Você está bem Rony? – Hermione perguntou estranhando o comportamento do amigo.
está com o Luke Hampton – exclamou ele ainda observando a cena.
— E...? – Harry perguntou tentando entender a situação.
— Luke Hampton é filho de pais supremacistas puro-sangue Harry – Rony explicou encarando o amigo pela primeira vez – Eu estou falando de uma família extremamente perigosa! O que um defensor de bruxos puro-sangue quer com uma nascida trouxa?
— Você quer dizer que ele também é um Comensal da Morte? – Hermione também tornou a olhar a cena com preocupação.
— Eu tenho certeza disso. Os Hamptons são o pior tipo de gente, porque eles agem nos bastidores – Rony encarou os amigos com seriedade.
— Você precisa contar para ela – Harry insistiu.
— Ela não vai acreditar em mim – Rony suspirou frustrado – eu vou ter que pensar em outra maneira.

***


estava tão nervosa. A festa do Clube Anti-Slug aconteceria em algumas horas e todos estavam em polvorosa. Planejar o evento tinha sido muito desafiador, mas com a ajuda de Ava e Patrick tudo estava dentro dos conformes. Ela trocou pelo menos umas três vezes de roupa, até se decidir por um vestido curto de manga comprida e botas de cano alto. Suspirou tentando se acalmar, decidida a curtir essa noite o máximo que conseguisse. Se ela pudesse escolher, iria com Rony Weasley sem pensar duas vezes, mas não tinha o poder de mudar certas situações. Chacoalhou a cabeça afastando os sentimentos pelo ruivo e se concentrou em Luke Hampton. Ele tinha um carisma inegável, sempre a recebia com sorrisos bonitos e estava decididamente disposto a conhecê-la melhor. Talvez Ava estivesse certa. Luke Hampton era alguém que ela precisava no momento.

***


Rony esperou por Luke Hampton na saída das Masmorras, manteve sua varinha em um lugar acessível caso precisasse. Ele não tinha ideia do que o sonserino estava planejando, mas estava disposto a tudo para manter em segurança. O grifinório avistou o garoto e o interceptou antes que pudesse seguir seu caminho.
— Algum problema Weasley? – Luke disse erguendo uma de suas sobrancelhas.
— O que você quer com Fernandéz? – Rony perguntou cruzando os braços sob o peito.
— Isso não é da sua conta – Luke riu em sinal de descrença
— Se afaste dela – Rony meteu o dedo no peito de Luke.
— Tire as suas mãos de mim — Luke rosnou ameaçadoramente, empunhando a varinha e Rony fez o mesmo.
— Eu juro por tudo o que é mais sagrado, se você fizer mal a ela, você é um homem morto — Rony disse sem quebrar o contato visual. Luke o encarava com certo desprezo.
não é propriedade de ninguém – Luke engrossou a conversa, sustentando o olhar do grifinório.
— Não pense que não sei quem você é e para quem você trabalha – Rony encarou o antebraço esquerdo do sonserino, se referindo a uma possível marca negra.
— É mesmo e para quem eu trabalho Weasley? – Luke respondeu em tom de deboche – Pelo visto, o meu empregador me paga melhor do que seu pai no Ministério. – provocou. Do canto do olho, Luke percebeu que o professor Snape caminhava na direção dos dois.
Rony sentiu o sangue ferver, sua varinha caiu de sua mão e quando ele se deu conta, acertou o nariz do sonserino com um soco de direita. Ele o esmurrou com tanta força, que o ruivo pode sentir o osso do nariz de Luke estalar embaixo de seus dedos. Luke caiu no chão, segurando o nariz com as duas mãos, impedindo o jorrar de sangue derramar em suas vestes.
— DETENÇÃO SR. WEASLEY E MENOS 50 PONTOS PARA A GRIFINÓRIA POR AGREDIR OUTROS ALUNOS DELIBERADAMENTE! – Rony escutou a voz do professor Snape e fechou os olhos em sinal de arrependimento, pensando que o tiro saíra pela culatra e que isso estragaria todos os seus planos.
‘’Por que eu fui perder a cabeça logo agora?’’ pensou antes de seguir o docente para a sala de detenção sob a mira de Luke Hampton, que sustentava o mesmo olhar de escárnio em seu rosto.

***


Luke estava atrasado. bateu os pés impacientemente, olhando para todos os lados em busca de um sinal do garoto. Olhou para o relógio que marcava sete horas e trinta minutos. Pensou em sair procurá-lo, mas também considerou a hipótese de ter sido esquecida por ele. Suspirou frustrada, determinada a dar um tempo de todos os garotos do mundo. ‘’Por que garotos são tão burros’’? pensou indignada marchando com confiança para as portas do castelo.
No caminho, encontrou o sextanista Alex Fisher, um garoto tímido da Lufa-lufa, ele estava acompanhado por seu gato branco siamês. Alex conversava e gesticulava com o animal, parecendo nervoso com alguma situação.
— Oi Alex! Tudo bem? – perguntou incerta e o menino faltou morrer de susto.
— Dia......— ele suspirou apertando o gato contra o peito com força, o qual soltou um miado agudo, repreendendo a atitude do seu dono. Alex o colocou no chão com as mãos trêmulas.
— Tudo bem? Precisa de ajuda? – perguntou incerta.
— Sim! Sim! Eu estava tentando convencer Nicolau a ir comigo ao clube Anti-Slug, mas ele não me parece muito animado – o gato siamês tinha deitado de costas no chão e encarava o dono com cara de tédio.
— Você pode ir comigo se quiser – disse tentando controlar o riso. Nicolau realmente não estava nada disposto.
— É mesmo? Eu não quero atrapalhar, pensei em ir, porque tive um dia péssimo hoje...sabe o professor Snape me odeia e eu sou o pior aluno de Defesa Contra as Artes das Trevas...— Alex começou a falar sem parar. piscou tentando acompanhar suas palavras.
— Tudo bem Alex, respira – disse inalando o ar profundamente e incentivando o menino a fazer o mesmo.
— Eu falo muito quando estou nervoso – ele explicou e suas bochechas imediatamente ficaram extremamente coradas.
— Isso acontece comigo às vezes — lhe confidenciou com a esperança de fazê-lo se sentir melhor – Vamos? – Alex sorriu em agradecimento.

***


O Três Vassouras estava tão lotado que teve certa dificuldade em encontrar seus amigos. Patrick tinha conseguido contato com a banda ‘’As Esquisitonas’’ e todos já dançavam no seu ritmo contagiante de rock’n roll. Ava balançou os braços com a intenção de chamar a atenção da corvina. Sua melhor amiga estava com as bochechas coradas, segurava uma grande caneca de cerveja amanteigada e parecia mais relaxada do que o normal.
— UMA SALVA DE PALMAS PARA A BRUXA DO MOMENTO – Ava gritou para todos que aplaudiram e receberam a garota com grande fervor. riu jogando a cabeça para trás, abraçando os amigos que se encontravam no local. Ela pegou uma das canecas de cerveja amanteigada e brindou com o restante.
— UM BRINDE AOS DESAJUSTADOS! – gritou com animação e todos corresponderam com uma grande comemoração. olhou satisfeita ao seu redor. Uma mistura de alunos, confraternizando com outras casas e fazendo novos amigos. Desejou que Rony estivesse ali, mas afastou esses pensamentos, disposta a curtir a noite que planejara com tanto carinho. Seu olhar encontrou o de Alex, que tentava, sem sucesso confraternizar com os demais, percebendo que Patrick se encontrava na mesma situação, ela logo teve uma ideia.
— Eu quero te apresentar alguém – disse puxando a mão do lufano em direção a Patrick, que arregalou os olhos em surpresa.
— Hey Alex! Você conhece o Patrick? – Patrick ergueu uma de suas sobrancelhas, um pouco incomodado com a apresentação. Alex se aproximou do sonserino incerto do que dizer.
— Você tem um gato? Eu tenho um gato. Ele se chama Nicolau – Alex soltou a frase sem se permitir respirar. riu da cara de Patrick que não soube exatamente como reagir, mas ainda respondeu com extrema educação.
— Eu tenho um gato que se chama Salém?
Os olhos de Alex brilharam em resposta.
pensou em ficar e ajudá-los em suas péssimas habilidades de interação social, mas a banda começou a tocar a sua música favorita e ela correu para mais perto da pista de dança. Ela dançou com Ava, jogou seu corpo liberando todas as suas emoções e permitindo se divertir pela primeira vez em dias. Neste momento, só existia ela e sua vontade de curtir ao máximo o fato de ser uma bruxa. se perdeu na melodia, na felicidade ver tantos rostos alegres e cheios de vida, estava tão preocupada com o momento que não percebeu quando um garoto chegou perto dela e colocou suas mãos delicadamente em sua cintura.
— Luke? – deu um pulinho de susto – O que aconteceu com o seu nariz? – o nariz estava um pouco roxo nas extremidades.
— Tive um problema com um grifinório — Luke respondeu sem dar importância ao evento – eles vivem de cabeça quente.
— Você está bem? – ela perguntou arregalando os olhos.
— Você está linda – ele disse a fazendo rodar em seu próprio eixo – Eu jamais lhe deixaria esperando! – Luke pegou o rosto da menina entre as mãos, de forma que pudesse olhar nos seus olhos. Ele encostou seu corpo no dela, apertando sua cintura contra a dele. encarou seus olhos azuis da cor de oceano, profundos, misteriosos e desejou mergulhar em sua imensidão. Talvez ela pudesse se permitir a sentir outras emoções, a gostar de outro alguém.
— Que bom que você veio! – ela exclamou em meio a um sorriso.
Luke selou a distância entre eles em um beijo poderoso, a abraçando com firmeza, seus dedos apertando sua cintura. Em um breve momento, Luke quebrou o beijo e a olhou afetuosamente.
— Você é linda, Fernandéz – murmurou as palavras em sussurro, colando seus lábios novamente, percorrendo a boca dela com destreza. aprofundou o beijo, perdendo suas mãos pelos cabelos do sonserino. Seus lábios eram macios e ele tinha um cheiro intoxicante de um perfume quente e aveludado. Luke pressionou o corpo da garota contra o seu com ainda mais intensidade.
O mundo pareceu desapareceu ao redor deles. sentiu a mão de Luke percorrer o seu corpo, brincar com a barra de seu vestido. Ela suspirou agarrando-se a ele, embrenhando suas mãos em seus cabelos pretos, macios e rebeldes. Um gemido rouco escapou pelos lábios de Luke e sentiu as próprias pernas amolecerem. Sentindo como se fosse perder a cabeça se continuasse a beijá-lo, em um súbito fluxo de consciência, os afastou gentilmente.
— Eu...você é um cara legal Luke, mas precisamos ir com mais calma...— ela suspirou normalizando sua respiração arfante.
— Não tenho pressa alguma – ele sorriu novamente, piscando para ela – vem, vamos dançar!

Capítulo 6 - O Céu é o Limite

O céu noturno tem sido um objeto de estudo, deslumbre e mistério desde os primórdios da humanidade. Os registros astronômicos mais antigos datam de 3000 a.c e isso se deve a vários povos como os sumérios, chineses, babilônios, assírios e egípcios. Desde então, o céu é utilizado como mapa, calendário e relógio. A partir de sua observação é possível contar o tempo, orientar-se na terra e no mar, determinar a chuva e a seca, as estações do ano e as marés. Os antigos também o utilizavam como forma de predizer o futuro, compreender o céu, em muitas culturas é considerado divino.
Naquela noite, particularmente estrelada, o professor Firenze fizera questão de realizar uma aula prática de adivinhação em um dia, que segundo ele, era muito poderoso para predição e manifestação. sempre teve aptidão para todas as matérias que cursava em Hogwarts tanto que a garota possuía certa dificuldade em escolher sua preferida, contudo ela tinha que admitir que as aulas de Adivinhação lhe exerciam um certo fascínio.
atribuía esse fato a sua enorme conexão com o céu, passava horas a admirá-lo, questionando a existência e a imensidão do espaço. Quando pequena, costumava deitar na calçada de casa junto com o seu pai enquanto o ouvia contar o nome e as histórias das constelações. Seu pai fora um homem da terra antes de cruzar o oceano em busca de uma vida melhor na Inglaterra. Ele se orientava pelo céu e sua imensa conexão com a natureza, mesmo levando uma vida de cidade grande e com ela não era diferente.
A corvina possuía um vasto conhecimento de plantas medicinais, conseguia dizer as horas sem precisar de um relógio, ela também era capaz de dizer quando o tempo estava para chuva ou sem nuvens. Isso sem precisar de magia. Ser trouxa também era parte de quem ela era e jamais renegaria a conexão com as suas raízes. Ela pertencia aos dois mundos e isso não a incomodava nem por um minuto.
Muitos bruxos desprezavam a matéria de Adivinhação pelo fato dela não oferecer respostas concretas ou exatas, mas sentia-se fascinada pelo desconhecido e o mistério daquilo que pode ser só imaginado. Sua avidez por conhecimento e pelo aprendizado falava mais sobre ela do que qualquer outra coisa. Sem falar é claro da alegria de voar pelos céus e se sentir parte dele como se fosse outra estrela ou constelação.·.
Patrick e Alex a acompanharam naquela noite, os dois também cursavam a matéria e o professor juntou o sexto e o sétimo ano para aquele especial evento lunar. Ava, contudo, não estava presente, já que detestava Adivinhação e não escolheu a matéria como uma de suas eletivas.
Patrick e Alex estavam se dando muito bem desde que se conheceram no Clube Anti-Slug, ambos tinham vários interesses em comum e no momento discutiam sobre suas formas animais caso fossem animagos. Apesar de ser um assunto de seu interesse, caminhou ao lado deles em silêncio, considerando os últimos acontecimentos. O clube obteve tanto sucesso sua popularidade atingiu níveis astronômicos. Sem falar de que todos estavam comentando sobre ela e Luke Hampton. pode sentir imediatamente o calor de seus lábios colados no dele.
Luke a acompanhou durante todo o tempo e os dois foram os últimos a saírem da pista de dança. A garota pediu uma breve pausa para tomar água e recuperar o fôlego. Luke a observava a todo instante, seus olhos azuis intensos fixos em sua boca. chegou a sentir um frio na barriga. Não soube identificar o sentimento de primeira. De um lado, seu corpo pulsante e excitado desejava mais de seus beijos famintos e de seu perfume intoxicante. De outro, algo em seu âmago, denunciava o risco que estava correndo em seus braços. O torpor da bebida deturpou seu julgamento, preferindo se entregar a química inegável entre eles.
ignorou todas as bandeiras vermelhas, julgando-se apenas neurótica demais, afinal, ela precisava seguir em frente, não é? Sem pensar duas vezes, ela o puxou pela mão, o direcionando para fora do bar, longe do alcance de olhares curiosos de outros alunos. Hogsmeade estava deserta àquela hora da noite e bastaram alguns metros para que estivessem totalmente sozinhos e longe de qualquer outro ruído.
Luke pressionou seu corpo contra o dela, beijando-a com mais ferocidade que antes, suas línguas travavam uma batalha por controle e submissão. Desta vez, ela não impediu suas mãos de passearem por baixo de seu vestido e deslizarem delicadamente por sua parte íntima. Ela não se importou de estarem em público, ocultos pela penumbra da noite, pelo contrário, sentia-se ainda mais estimulada a continuar.
Ela ofegou quando suas mãos quentes deslizaram por dentro de sua calcinha, tocando sua intimidade, incendiando o seu corpo por inteiro. Ela necessitava desse toque e quando encarou os olhos do garoto, teve a certeza de que ele desejava o mesmo. Luke voltou a beijá-la encobrindo um gemido que ficara preso em sua garganta. Ela jogou a cabeça para trás perdendo-se na sensação que suas mãos habilidosas a proporcionavam, mas não o bastante para perceber que alguém caminhava na direção deles. Ela se endireitou em um susto, ajeitando o vestido, normalizando sua respiração, enquanto Luke suspirou fundo, parecendo extremamente frustrado pela interrupção.
— Blake/? – murmurou em um sussurro quase que inaudível.
O garoto, no entanto, lançou um olhar de puro desprezo na direção deles e seguiu sem rumo em direção à escola. A garota sentiu seu rosto queimar de vergonha, vários questionamentos tumultuando a sua mente. Blake estava no Clube Anti-Slug? Blake vira seu beijo com o Luke desde o início? E por que isso a incomodou tanto?
— Está ficando tarde – disse um pouco sem graça – vamos embora?
— Você decide – Luke sorriu estendendo a mão para ela e juntos caminharam de volta ao castelo. Despediram-se nas proximidades da Sala Comunal da Corvinal, para qual, caminhou só, imersa em seus pensamentos. Para sua surpresa Rony a esperava ansioso perto da entrada de sua casa.
— Ron? O que está fazendo aqui? – perguntou sem entender.
— Eu sei que eu errei e que talvez não mereça seu perdão – começou ele falando sem parar – mas você precisa se afastar de Luke Hampton...
— Acho que eu posso decidir isso sozinha, Weasley – respondeu ácida, uma mistura de raiva e mágoa brotando no íntimo de seu ser.
— Você não está entendendo, Luke é perigoso... — Rony tentou argumentar mais em vão.
— Quem você acha que é para brincar assim com os meus sentimentos? – disse um pouco alterada – Você escolheu ficar longe de mim, se lembra?
— Sim e me arrependo todos os dias desde então – Rony rebateu no mesmo tom – mas ele não é quem diz ser , ele não quer o seu bem....
— E você quer? – replicou ficando a um palmo de distância do garoto, sua raiva se dissipando por um instante ao encarar seus olhos verdes, quentes e tão familiares. Ela não pode negar o desejo de descontar toda a sua raiva, frustração e saudade em um beijo em seus lábios vermelhos e convidativos. Ela quis se entregar novamente em seus braços firmes e seguros, mas seu ego ferido lhe impediu, a forçando a dar um passo para trás, mesmo sentindo como se Rony a atraísse feito um imã.
— Eu quero o seu bem – disse ele com firmeza dando um passo em direção à garota.
-Eu acho isso muito difícil de acreditar – disse lhe lançando um olhar decepcionado e entrando na Sala Comunal antes que ele pudesse argumentar de volta.
Suas palavras, no entanto, ecoaram em sua mente e a garota se percebeu contemplativa durante toda a semana. Sua intuição lhe pedindo para acreditar nas palavras de Rony, mas se questionando ao mesmo tempo se aquela afirmação fazia sentido. Como Luke poderia ser perigoso? Um frio lhe percorreu a espinha ao pensar no garoto e nos sentimentos conflituosos que ele lhe despertava. Se relacionar com Luke era como mergulhar em águas turvas, onde você consegue nadar apenas na superfície, sem saber ao certo o que de fato encontrará em suas camadas mais profundas. Estar com Rony, por outro lado, era como voltar para casa, pisar em terra firme, segura e familiar, bastou ficar em sua presença por um segundo que teve vontade de se entregar de imediato, por que não conseguia fazer o mesmo com Luke? Teve raiva de si mesma e de seus pensamentos tão contraditórios, se tinha um sentimento com o qual ela não estava acostumada era a indecisão.
acelerou o passo para acompanhar os colegas em direção à floresta, onde longe, ela conseguiu enxergar alguns alunos em volta de uma grande fogueira. O professor Firenze estava contemplativo. Seu cabelo loiro prateado caia pelas suas costas, feito uma cascata quando iluminada pela luz da lua. O centauro estava afastado dos alunos, próximo a um carvalho milenar de raízes grossas e extensas.
A garota sentou-se no chão ao lado de Patrick e Alex e ali permaneceram em silencio, ouvindo o crepitar das chamas em frente a eles. focou seu olhar no fogo em sua frente, na falha tentativa, de focar-se melhor na aula e não se distrair pelos últimos acontecimentos. Contudo, o seu coração estava angustiado e ela não conseguiu evitar um mau pressentimento.
Estar em contato com a terra suavizou um pouco seu errático coração, tanto que se lembrou de sua terra natal e num ímpeto quis tirar os sapatos, fincar seus dedos na terra gélida e molhada devido a uma chuva torrencial de horas antes. A corvina até duvidou da possibilidade desta aula se realizar, mas o professor Firenze estava certo, como sempre.
— Marte e Plutão logo estarão transitando pelo signo de Áries, a influencia de Marte sobre o ano que está por vir promete intensificar a polarização da sociedade bruxa – Firenze disse ainda sem se voltar para a turma, seus olhos fixos no céu acima dele – Marte e plutão juntos costumam trazer situações mais extremistas e conflitos mais violentos... Se é assim no céu, será na terra.
sentiu o impacto de suas palavras, seu lábio inferior tremelicando em resposta àquela predição. Ela e Alex se entreolharam um pouco incertos. Patrick, no entanto, estava com as sobrancelhas franzidas, parecendo extremamente concentrado nas palavras do professor. Ela teve certeza que essa predição fizera mais sentido para ele do que para qualquer outro aluno presente no momento.
— Vão... Preciso que colham um punhado de malva e artemísia para o que realizaremos hoje – disse ele olhando brevemente por cima de seu pescoço delgado, seu corpo de cavalo sem mexer um músculo.
Lumus enunciou o feitiço com o objetivo de procurar melhor na escuridão, para longe da clareira onde estavam. Sua mãe costumava preparar chá de malva para tratar inflamações como dor de garganta, era uma flor simples de cinco pétalas e uma tonalidade arroxeada.
Suas pernas estavam um pouco trêmulas, denunciando seu estado de espírito. Ela respirou fundo, olhando ao seu redor, procurando um lugar onde teriam mais probabilidade de crescer. Ela concentrou-se em suas características vitais para crescimento como terrenos mais arenosos e ensolarados, se dirigindo para as proximidades do Lago Negro.
A escuridão lhe causou um pouco de claustrofobia tornando sua respiração ofegante, logo ela, sempre tão destemida, se viu completamente assustada naquele momento. Deu graças quando encontrou a planta medicinal, agarrando vários maços de uma vez e colocando dentro de uma pequena cesta.
acelerou ao passo para voltar a clareira, se dirigindo ao antigo carvalho para encontrar os ramos de artemísia, uma planta aromática, muito conhecida como a ‘’erva da deusa’’ ou ‘’rainha das ervas’’, a qual guarda um grande poder no mundo mágico, além de ser utilizada no mundo dos trouxas para acalmar a ansiedade ou tratar problemas no útero ou ovários.
Ela daria tudo para fazer um chá da erva neste momento em que se encontrava tão aflita, mas reuniu sua coragem e voltou para ao redor da fogueira, suas pernas parecendo não atender apropriadamente seus comandos. Quando o relógio marcou meia noite, o professor Firenze começou a entoar um cântico em uma língua desconhecida e angelical, sua parte de cavalo parecendo mais conectada do que nunca com a magia e a terra que os envolviam.
Lentamente, todos os alunos começaram a queimar malvas e artemísia juntas para tentar interpretar os sinais e os desenhos de sua fumaça. Firenze não tinha muita paciência com os alunos apesar de ser um grande conhecedor de esses saberes, na maioria das vezes não se preocupava com traduções errôneas, já que considerava a raça humana ainda iniciante nesta área onde os centauros eram mestres há séculos. Patrick parecia despertar mais o seu interesse. O sonserino demonstrara uma aptidão a qual Firenze sempre achara curiosa.
, no entanto, nunca sentira nada além de uma grande conexão com a terra, o que a tornava mais focada e atenta aos seus ciclos. Naquela noite para sua surpresa, ela percebeu uma sensação diferente, seu corpo vibrava de certa forma e a convidava a acessar algo que estava fora do alcance de sua varinha.
Ela fechou os olhos seguindo seus instintos, guiados completamente pela sua magia interior e exterior. O sentimento pediu entrega e confiança. Ela tirou os sapatos como teve vontade anteriormente, fincando seus dedos na terra gelada, sentindo sua pele umedecer ao contato, o choque da temperatura a incomodou inicialmente, mas depois de alguns minutos, seus pés estavam totalmente aclimatizados.
percebeu seu corpo entorpecer, um formigamento sutil começando a invadir o seu ser e percorrer todos os seus membros. Seus olhos desfocados observavam todos ao se redor como se o próprio tempo fizesse questão de parar por um momento e começar a transcorrer lenta e gradualmente.
Seu olhar encontrou o fogo intenso a sua frente, as chamas alaranjadas dançavam de encontro aos seus olhos castanhos como se estivessem refletidas em um espelho no meio da escuridão. O fogo pediu proximidade e involuntariamente seguiu em direção a esse chamado mágico, caminhando lentamente em direção à fogueira, seus pés afundando ligeiramente na terra molhada.
Ela sentiu-se despida, confortável e ao mesmo tempo poderosa, a magia correndo por entre suas veias feito uma injeção de adrenalina. Ela lentamente soltou a mistura das ervas no fogo e para sua incompreensão a fumaça acre nada revelou, as cinzas, no entanto, caíram sobre seus pés e no chão ao seu redor.
mirou aquilo com enorme curiosidade sentiu no íntimo de seu ser uma vontade crescente de tocá-las. Seus dedos alcançaram as cinzas quentes em contato com a terra gelada e neste exato momento, algo explodiu dentro dela feito uma bomba dissipando tudo e todos ao seu redor.
Ela fora transportada para um cenário de guerra e o que viu fez com que a garota soltasse um grito de pavor. Feitiços voavam para todos os lados, bruxos corriam em meio a poças de sangue e corpos desfalecidos. perdeu o ar e a habilidade de falar, aterrorizada por sua visão. De repente, uma voz feito trovão retumbava dentro dela e seu som ofuscou todo o barulho da batalha em sua frente.
Se você não escolher, escolherei por você.
se levantou tentando fugir do local, buscou sua varinha e se viu desarmada, desatou a correr em meio aos destroços e ao fogo, percebendo que dentre os corpos, havia um rosto conhecido. Seus joelhos cederem pelo pesar e a dor, enquanto lágrimas grossas desciam sobre seu rosto sujo de sangue e fuligem. A voz ainda retumbante em seus ouvidos, continuava a repetir a mesma frase.
Se você não escolher, escolherei por você...
soltou um uivo de desespero, uma dor lancinante percorrendo o seu peito como se seu corpo fosse a própria chama e ela cedeu. Seus olhos se turvaram, a batalha ficou ofuscada e ela desfaleceu acolhendo a escuridão. Quando acordou, ela notou que estava suspensa no ar, braços grandes e musculosos a rodeavam e ela estava de volta a Hogwarts. Ao recobrar sua consciência completamente percebeu que Firenze a carregava de volta para o castelo em seus braços.
‘’Que constrangedor’’ – este foi o primeiro pensamento que lhe ocorreu – ‘’Será que é tarde demais fingir que ainda estou desmaiada?
— Como está se sentindo? – ele perguntou em um tom solene.
— O que aconteceu? – perguntou confusa.
— Nós chamamos isso de visão premonitória, algo incomum de acontecer entre os humanos – o professor explicou fazendo questão de carregá-la para o castelo – a Srta. se lembra de alguma coisa?
franziu o cenho, se esforçando para se lembrar do restante, sentindo-se de repente cansada demais, mas uma frase insistiu em martelar em sua mente.
— Se você não escolher, escolherei por você – murmurou ela com os olhos desfocados e Firenze franziu o cenho, pensativo.
— Isso é uma mensagem pessoal do universo para você – explicou ele – só saberá com o tempo o que de fato significa.
— Acho que eu posso andar agora, professor – disse envergonhada.
— Fique calma, criança – ralhou ele incomodado com a insistência – preciso levá-la a ala hospitalar.
agradeceu ao universo por todos estarem dormindo, caso contrário, morreria de vergonha de ser vista naquela situação.
— Você aqui outra vez? – questionou Madame Pomfrey indignada.
— Ela teve uma visão premonitória, mas recobrou os sentidos no caminho. Eu a trouxe por pura precaução – explicou o centauro a colocando em uma das camas da enfermaria – lhe estimo uma boa recuperação, senhorita Fernandez – exclamou antes de deixar o local. sorriu sem graça
Madame Pomfrey se demonstrou extremamente irritada ao consultá-la, murmurando algo sobre a garota sempre se meter em problemas. Patrick e Alex entraram as pressas na enfermaria a salvando de levar um sermão ainda maior.
— Você está bem? – Alex perguntou sua voz tremendo de nervoso.
— A garota vai ficar bem – disse Madame Pomfrey – pode dormir em sua Sala Comunal, Srta. Fernandez. Espero não vê-la tão cedo.
— Tudo bem...— respondeu em um meio – o que aconteceu? – perguntou aos amigos quando estavam longe o suficiente da enfermaria.
— Bem, estávamos todos tentando interpretar os sinais da queima das ervas...— Alex começou a explicar – eu nunca consigo ver nada naquela fumaceira...
Patrick o cortou impacientemente.
— De repente, você gritou e caiu no chão como quem estava tendo um ataque, todo mundo ficou bem assustado – disse ele resumindo a história.
— O que você viu? – Patrick perguntou com seriedade.
— Não consigo me lembrar direito, eu só...— suspirou tentando afastar os maus pensamentos – podemos falar sobre isso amanhã?
Alex e Patrick se entreolharam, mas sorriram de forma reconfortante.
— Você sabe que somos amigos, não sabe? – Alex disse meio incerto.
— Claro que eu sei – sorriu – nos vemos amanhã.
Todas dormiam quando chegou ao seu dormitório, sentiu-se exausta e assustada ao mesmo tempo. Seu coração disparando ao lembrar-se das palavras que ainda ecoavam em sua mente.
— Se você não escolher, escolherei por você – murmurou as palavras com a esperança que elas fizessem algum sentido, mas não conseguiu encontrar nenhum.
Não soube dizer que horas conseguiu dormir, sempre que tentava fechar os olhos, começava a enxergar um campo de batalha. O som de gritos de pavor a acordaram durante toda a noite, suada e ofegante. suspirou aliviada observando os raios solares que começaram a invadir o dormitório e sentiu-se grata pela noite ter finalmente terminado. Ela sentou-se perto da janela e observou a luz dourada do sol tocar a superfície do lago, iluminando também seus pensamentos.
— Você está péssima – comentou Ava assim que colocou os olhos na melhor amiga, deu um pulinho de susto – Você está bem?
A garota se olhou brevemente no espelho, grandes círculos roxos embaixo de seus olhos, refletindo a péssima noite de sono que tivera e seus pés estavam sujos devido à terra molhada.
— Não consegui dormir – disse ela prendendo o cabelo de qualquer forma.
— Aconteceu alguma coisa? – Ava perguntou preocupada sentando-se do lado da amiga, resolveu partilhar o acontecimento quando estivessem sozinhas e resumiu tudo para não assustá-la demais.
— Se você não escolher, escolherei por você? – Ava repetiu os dizeres da amiga – o que isso quer dizer?
— Não faço ideia — deu de ombros, um pouco incomodada.
— Você não pode deixar isso determinar a sua vida – Ava afirmou com convicção – Se preocupar com algo que você nem sabe se é real, não te fará nenhum bem...
— Você está certa – disse em um meio sorriso sentindo-se um pouco melhor – você me espera? Preciso tomar um banho!
— Vá lavar esse pé imundo! – Ava brincou e riu alto, revidando o insulto com uma travesseirada na cara da amiga.

***


O Salão Principal estava decorado com as cores de Sonserina e Grifinória em homenagem ao jogo de estreia da temporada de quadribol. O local transpirava rivalidade. Todos os alunos falavam alto e gritavam insultos uns para os outros, acirrando o clima pré-jogo, todos, exceto Thomas Blake. O garoto mirava sua gaita de boca, o instrumento brincando em suas mãos, sua cabeça a mil impedindo que ele se concentrasse em qualquer som, a não ser o de seus próprios pensamentos.
Blake estava nos jardins tocando sua gaita de boca enquanto refletia sobre os últimos acontecimentos. É claro que o fato de ter escolhido Weasley o incomodou, mas outro assunto o preocupava mais no momento. Luke estava seguindo os seus passos, Blake começara a perceber que seus amigos mais próximos sempre estavam de alguma forma ao seu redor. Blásio, inclusive, presenciou o que aconteceu entre ele, e Ronald Weasley, o que o levava a crer que Hampton tinha conhecimento de seus sentimentos pela corvina.
Blake suspirou fundo, certo de que Hampton a manipularia de alguma forma para chegar até ele, diante disso, ao avistar a garota andando em sua direção naquela tarde ensolarada nos jardins, ele chegou a difícil conclusão que seria melhor mantê-la longe dele. Blake observou seu caminhar, seu cabelo comprido e volumoso estava quase na sua cintura, um manto que contornava a sua silhueta. Será que ela tinha noção do quão linda ela era? Sua garganta secou e ele desviou o olhar, conflituoso com o que estava prestes a fazer, focou no instrumento a frente dele e o soprou delicadamente, uma melodia triste se instaurando no ambiente.
— Blake, eu gostaria de falar com você – Blake a ouviu falar e ele respirou fundo, vestindo uma máscara que nunca usara com ela.
— Não tenho nada para falar com você, Fernandéz – respondeu ele sem conseguir pensar em algo melhor, voltando a tocar seu instrumento em uma tentativa de ignorá-la.
— Eu...me desculpe, pensei que fossemos amigos – continuou e Blake travou seu maxilar, se arrependendo imediatamente antes mesmo de proferir aquelas palavras, mas ela estaria mais segura longe dele.
— Não somos – Blake respondeu sem hesitação, encarando seus olhos marejados sem que pudesse confortá-la. O sonserino virou as contas, antes que pudesse trair seus sentimentos e seguiu sem olhar para trás.
Naquele dia fatídico, o garoto pensara em tomar a melhor decisão, mas ao invés de protegê-la, deixara o caminho livre para Hampton conseguir sua atenção. Inconscientemente, sua mão se fechou em um punho ao lembrar-se da cena que vira em Hogsmeade, do beijo entre Luke e . Neste exato momento, Hampton começara a abraçar a garota na mesa da Corvinal, a cena chegou a revirar o seu estômago.
‘’Se controle Blake, é isso que ele quer’’ – pensou o garoto procurando outro ponto para focar a sua atenção. Respirou fundo, fechando os olhos por um segundo, assumindo todo o seu autocontrole, uma curiosidade brotando dentro de seu peito. Por que precisava ser recrutado? Por que ele era tão importante?
O garoto vasculhou sua mente em busca de respostas, mas não encontrou nada evidente. Contudo, sua mente ágil trabalhava arduamente em uma melhor estratégia para consertar seus erros. Ele só precisava ter confiança que a oportunidade perfeita surgiria.
Blake levantou discretamente, lançando um olhar de canto de olho para a mesa da Corvinal, percebendo que parecia abalada por algum motivo. Seus olhos se encontraram por uma fração de segundo e ele pode identificar o quão perturbada ela estava. Ele franziu o cenho claramente preocupado, seus olhos denunciando o quanto se importava, mas ela aparentou não perceber, desviando os olhos no mesmo instante, chateada demais com a última conversa que tiveram. Suspirou arrependido, pensando em tudo o que teve a oportunidade de evitar, mas decidido a virar o jogo novamente ao seu favor.

***


— Eu não consigo parar de pensar em você – sentiu a voz de Luke em seu ouvido. Seu corpo se arrepiou no mesmo instante.
— Bom dia Luke – ela não conseguiu conter o rubor em suas bochechas.
— Você está bem? – perguntou ele preocupado, colocando uma das mechas de cabelo da menina atrás de sua orelha.
— Não consegui dormir... — respondeu sem querer entrar no mérito da questão, brincando com a comida em seu prato.
— Você sabe que pode confiar em mim, não sabe? – Luke pegou em uma de suas mãos, apertando levemente. quis rir de nervoso, a conversa com Rony se repetindo em sua mente.
— Eu vou decidir isso ainda – falou ela em tom de brincadeira, mas Luke a encarou com extrema seriedade.
— Foi algo que eu fiz? — disse um pouco preocupado.
— Você não fez nada! – retrucou ela tentando sorrir e disfarçar seus sentimentos. Ela era uma péssima mentirosa.
— Foi por causa do que rolou entre nós? – ele murmurou em voz baixa — Me desculpe se eu me precipitei... eu não quis forçar a barra...
— Você não forçou nada Luke. Eu te beijei, porque quis! – afirmou ela com segurança,
— Eu posso esperar por você – disse ele para total surpresa da garota — tudo bem se você não estiver pronta...
piscou os olhos, totalmente estupefata com o rumo da conversa.
— Eu só acho meio estranho esse seu interesse súbito por mim – disse um pouco envergonhada.
— Nunca passou pela sua cabeça que eu sempre gostei de você e só não tive coragem de assumir esse sentimento antes? – disse ele com firmeza — Você acha mesmo que uma bruxa como você passa despercebida? Você é linda, talentosa, sua personalidade é incrível. Você acha mesmo tão difícil eu ter me apaixonado por você? – terminou ele parecendo indignado e triste ao mesmo tempo.
abriu e fechou a boca sem encontrar as palavras certas a dizer.
— Quando você souber a resposta, você me procura – disse ele com tranquilidade, abraçando a garota e depositando um beijo em seu rosto antes de se dirigir a mesa da Sonserina.
— Eu ouvi tudo – Ava comentou chamando a atenção da amiga.
— AVA THOMPSON! – ralhou indignada com a intromissão.
— E você já sabe a minha opinião sobre o assunto – Ava pontuou como quem avisa amigo é. revirou os olhos.
— Eu sei, mas eu tenho as minhas razões...— disse um pouco frustrada.
— Sua razão se chama Rony Weasley e se ele ainda não se deu conta da garota incrível que você é, ele não te merece – Ava respondeu mal-humorada, enfiando um grande pedaço de torrada na boca.
— Eu te odeio – disse birrenta.
— Eu te odeio mais – Ava retrucou falando com a boca cheia, farelos de torrada voando por todas as direções. As duas se entreolharam e caíram na gargalhada – precisamos ir e pegar um bom lugar nas arquibancadas! Eu mal posso esperar para ver os sonserinos e grifinórios se digladiando em campo.
— Pra quem você vai torcer? – perguntou entre risos.
— Grifinória é claro! Weasley pode ter errado, mas Travis machucou você! Me RECUSO a torcer pro time dele – Ava bufou contrariada.
— Nisso pelo menos, conseguimos concordar – piscou para amiga.


Capítulo 7 – Sorte no Jogo, Azar no Amor

Rony mal conseguira pregar o olho na noite anterior, seus sonhos tão conturbados que quando o primeiro raio de sol iluminou seu dormitório, o menino já se pôs de pé. Ele caminhou a passos lentos para o Salão Principal, seus ombros caídos e semblante cansado denunciavam seu estado de espírito, o garoto estava certo de que jogaria a pior partida de sua vida. Ele nem ao menos se importou com os insultos que recebeu no trajeto, sua mente era seu próprio algoz. Nenhum insulto chegava aos pés dos pensamentos destrutivos que ele tinha sobre si mesmo. Suspirou cansado, lançando um breve olhar para a mesa da Corvinal, seus olhos se demorando por um instante no rosto de Fernandez.
Ele os desviou imediatamente, impedindo a avalanche de memórias que invadiam sua mente toda vez que pensava nela. Se perguntou se um dia se acostumaria com a sensação de sentir tanto e tudo ao mesmo tempo. deu vazão a todos esses sentimentos e o menino não era mais capaz de mantê-los apenas em seu subconsciente. Simas veio cumprimentá-lo, mas Rony mal prestou atenção em suas palavras e na clara animação em sua voz referindo-se a eminente partida de quadribol. Seu estômago vazio se contorceu só de pensar em todos os alunos que contavam com sua performance espetacular no jogo contra Sonserina.
— Eu estou contando com você Rony! Apostei dois galeões na Grifinória — disse o garoto lhe dando um tapinha nas costas. Harry e Hermione o olharam com preocupação quando o mesmo se juntou a eles na mesa da Grifinória. Granger lhe lançou um sorriso reconfortante e estava mais amigável do que de costume. Rony teve a impressão de que a garota estava ensaiando algo para dizer a ele, mas não conseguiu identificar o que com exatidão.
— Como foi ontem? – Rony quis desviar o assunto se referindo ao clube do Slug que acontecera na noite passada.
— Como foi o que? – disse Hermione desviando o olhar do Profeta Diário em suas mãos.
— O jantar do Slughorn.
— Foi bem chato, na verdade – Hermione disse lançando um olhar para Harry – apesar de que eu acho que o Harry gostou da sobremesa.
— O professor Slughorn vai dar uma festa de Natal – disse ela meio constrangida – E nós podemos levar alguém...
— O Mcllagen disse que iria te convidar — Rony mudou de assunto tentando não magoar os sentimentos da amiga.
— Na verdade, eu iria te convidar para ir comigo...
— Sério? Isso é...muito obrigado Hermione, mas não conseguirei participar, sinto muito...— respondeu percebendo que a colega ficara muito chateada, mas ele não conseguia renegar seus sentimentos por e a relação com a amiga sempre fora muito confusa. De qualquer forma, sair com Hermione parecia errado no momento. Um silêncio constrangedor se instalou entre eles, mas para o alívio de todos, fora quebrado por alguém inesperado: Lilá Brown.
— Boa sorte hoje Ron – disse ela – Eu sei que você vai ser brilhante – Rony sorriu amarelo, sua coragem prestes a se esvair, a pressão do jogo se tornando ainda mais evidente.
— Aqui está, Rony – disse Harry servindo um copo cheio de suco de abóbora. O ruivo levou o copo os lábios quando Hermione disse.
— Não beba isso, Rony! – os dois garotos olharam para ela em confusão.
— Por que não? – questionou Rony erguendo uma de suas sobrancelhas.
— Você colocou algo naquela bebida – Hermione acusou Harry.
— Desculpe? – disse Harry.
— Você me ouviu. Eu vi. Você colocou algo na bebida de Rony. Você ainda está com a garrafa na sua mão direita.
— Eu não sei do que você está falando! – Harry disse incomodado.
— Rony, eu te aconselho, não beba isto! – a garota disse novamente, mas Rony apanhou o copo e o bebeu de uma vez só.
— É só suco de abóbora Hermione – respondeu ele de mau humor, cansado demais para discutir. Ela foi para longe deles na mesa e Rony a viu ir sem pesar. Tinha preocupações mais sérias no momento do que uma discussão relacionada a suco de abóbora.
— Quase na hora – Harry disse para ele em tom de animação. Os dois se levantaram da mesa da Grifinória em direção ao estádio de quadribol. O menino tinha consciência do quão importante era um jogo de quadribol, ainda mais contra Sonserina. Ele também tinha noção de que era uma oportunidade perfeita para se ‘’vingar’’ de certa forma de Thomas Blake, mas ao invés de canalizar a raiva em seus adversários, a estava canalizando em si mesmo.
— Que sorte. O clima estar bom, né? – perguntou Harry quando os dois foram para o campo.
— Sim – Rony disse ficando ainda mais pálido. Gina e Demelza já estavam com seus uniformes de Quadribol e esperando no vestiário.
– Condições ideais — disse Gina – E advinha? Vaisey, aquele artilheiro da Sonserina, levou um balaço na cabeça ontem durante o treino e está muito dolorido para poder jogar! E o melhor é que Malfoy está doente também.
— O que? – Rony ouviu Harry dizer – Ele está doente? O que há de errado om ele?
— Não faço ideia, mas é ótimo para nós – disse Gina alegre – Harper está jogando no lugar dele, ele está no mesmo ano que eu e é um idiota.
— Suspeito, não é? – Harry disse – Malfoy não jogar?
— Sorte, eu chamo isto – Rony respondeu ligeiramente mais animado – E com Vaisey fora, isso quer dizer que só temos que nos preocupar com Blake...HEY! – ele disse, de repente, e parou no meio do caminho de colocar as luvas de goleiro para encarar Harry.
— O que? – Harry perguntou confuso.
— Eu...Você...— Rony perdeu a voz, parecia assustado e excitado – Minha bebida...meu suco de abóbora, você não colocou?
Harry ergueu as sobrancelhas, mas não disse nada, exceto – Nós estaremos começando em, aproximadamente, cinco minutos, é melhor você calçar suas botas.
O rosto de Rony se iluminou em realização ao óbvio. Harry colocara a poção da sorte em seu suco de abóbora? Pensou em argumentar com o amigo, mas já era tarde demais, o ruivo começara a sentir um formigamento em seu estômago, uma confiança parecendo brotar do íntimo do seu ser e de repente ele soube o que fazer.
O time da Grifinoria entrou em campo sob o barulho de rugidos tumultuosos e vaias. Um lado do estádio era totalmente vermelho e dourado, o outro, um mar de verde e prateado. Alguns dos alunos da Corvinal e Lufa-lufa também resolveram ver a partida, dentre eles Luna Lovegood com seu famoso chapéu de leão e próximo a ela, acompanhada por Ava Thompson na ala da Grifinória. Rony lançou um olhar alegre em sua direção, sua confiança triplicando de tamanho pelo fato de saber que ela estava lá para apoiá-lo mesmo que não estivessem conversando.
O ruivo subiu em sua vassoura que não hesitou em cumprir as ordens de seu dono, subindo com rigidez e estabilidade até os aros da goles. quis sorrir ao ver o Weasley tão seguro em sua vassoura. Ela também lembrou de seus treinos juntos e do dia que voaram juntos na mesma vassoura. Se fechasse os olhos naquele instante conseguia projetar o momento como se ele estivesse acabado de acontecer.
‘’Boa sorte Ron’’ – desejou ela em pensamento observando o menino se posicionar próximo aos aros do time da Grifinória.
Sonserina entrou em campo logo depois, de longe ela pode perceber que Blake lançou um olhar em sua direção antes de se lançar aos céus para o lado oposto do campo. tinha que admitir o ótimo goleiro que ele era, inclusive teve a oportunidade de jogar contra ele várias vezes e conseguiu desenvolver muito melhor as suas técnicas, porque Blake nunca facilitou para ela, muito pelo contrário, ele sempre dera o seu melhor para tornar cada partida um novo desafio.
não gostava de admitir, mas sentia falta da amizade com o sonserino. Ava não era fã de quadribol como ela, logo, ela não tinha nenhum amigo para discutir táticas ou jogos das casas. Luke tampouco gostava do jogo e não estava em lugar algum depois da conversa que tiveram. A garota suspirou fundo, se concentrando no jogo que começaria em poucos minutos. Não era hora de ceder para seus dramas pessoais. Madame Hooch, a arbitra, se dirigiu para o centro do campo para lançar as bolas da caixa, mas antes disse:
— Capitães deem um aperto de mão — Potter e Urquhart apertaram as mãos com força e a rivalidade que já era intensa naquele momento se tornou ainda maior – Montem em suas vassouras. Quando eu apitar...três...dois...um. O apito soou e o restante dos jogadores impulsionaram do solo duro e congelado e voaram. Então, uma voz diferente da do comentarista habitual, começou a narrar a partida
— Bem, lá vão eles e eu acho que nós todos fomos surpreendidos ao ver o time que Potter reuniu este ano. Muitos pensaram, devido ao desempenho horroroso de Ronald Weasley como goleiro ano passado, que ele seria retirado do time, mas claro que uma amizade intima com o capitão ajuda...
Estas palavras foram recebidas ao som de aplausos e zombaria pelos sonserinos. olhou em direção ao pódio do comentarista, se dando conta que o narrador da partira era o lufano Zacharias Smith.
— ALGUÉM MANDA UM BALAÇO NESSE OTÁRIO! – gritou da arquibancada, seu rosto ficando vermelho de raiva.
— Dois minutos de jogo e você já está perdendo a cabeça – Ava disse sem conter o riso. já estava descabelada, gritando a plenos pulmões a favor da Grifinória.
— VAI WEASLEY! – gritou ela se juntando a torcida da Grifinória, todos voltando a sua atenção para o goleiro que estava prestes a defender seu primeiro ataque.
— Oh, e aqui vem a primeira tentativa da Sonserina em fazer um gol, é Urquhart que lidera o lance...
Rony focou suas emoções, percebendo que o capitão do time da sonserina vinha em alta velocidade em sua direção. Sua vassoura não se mexeu um milímetro enquanto ele antecipava a jogada em sua mente. O capitão era conhecido pelo seu estilo agressivo e individual. O garoto se lançou para o aro da direita ao mesmo tempo em que Urquhart lançou a goles com toda velocidade, a qual Rony não só defendeu, mais redirecionou para Gina a qual voou em disparada a outra extremidade do campo.
— Weasley defendeu bem, algumas vezes a pessoa tem sorte, eu suponho...— disse o comentarista.
— SORTE É O TEU RAB...— começou a dizer.
! – Ava a repreendeu entre risos – É só um jogo!
Blake era focado, conseguia manter a cabeça fria mesmo em frente a grandes adversidades e naquele jogo não era diferente. Mas ele tinha que reconhecer que sem Vaisey na retaguarda, um dos melhores artilheiros do time, ele teria um pouco mais de dificuldade neste jogo. Gina voou em sua direção lançando a goles para o aro direito o qual ele defendeu, no entanto, o artilheiro substituto não conseguiu acompanhar a sua jogada, perdendo a goles para Demelza que marcou no aro esquerdo, sem que ele chegasse a tempo para defender.
— NÃO TEM A PORRA DE UM ARTILHEIRO DECENTE NESSE TIME? – a voz de trovão de Blake ecoou pelo estádio e os jogadores da Sonserina pareceram acordar, se reorganizando para contra atacar. Com uma hora de jogo, Grifinória estava frente com 40 pontos a zero. Blake estava se esforçando ao máximo e se recusava a perder para Weasley, mas com o time desfalcado por dois jogadores e substituídos por outros mais inexperientes, Sonserina estava em clara desvantagem.
— HARPER – Blake gritou para o apanhador da Sonserina – ACHE A MERDA DO POMO, CARALHO!
Rony ao contrário de Blake, não estava tendo nenhum problema. O garoto voou com tanta confiança, que fez defesas espetaculares, algumas com a ponta das luvas dele. Sua incrível performance tinha calado a boca de Zacharias o qual tinha parado de dizer em voz alta que Rony só estava no time, porque Harry gostava dele. Rony encontrou o rosto de no meio da multidão, ela tinha um sorriso de orelha a orelha, seus cabelos estavam bagunçados e suas bochechas vermelhas de tanta euforia.
— Weasley é Nosso Rei – puxou o coro de estudantes que se juntou a ela. Rony estava realmente sorrindo agora.
— Grifinória está na frente por sessenta a zero – continuou Smith – E eu acho que Harper da Sonserina viu o pomo. Sim, ele viu algo que Potter não viu, certamente.
A multidão assistiu o desfecho do jogo em absoluta expectativa, Harper voava acima deles e Harry estava em seu encalço, se o sonserino pegasse o pomo... Grifinória estava apenas com 60 pontos na frente e com certeza perderia. Harper estava tão próximo que estendeu a mão para alcançar a bolinha dourada, mas por alguma razão, desacelerou um segundo, deixando o caminho livre para Potter que se esticou e apanhou o pomo. Quando todos perceberam o que tinha acontecido, a multidão deu um grito tão alto, que as arquibancadas chegaram a estremecer.
— CHUPA ESSA ZACHARIAS SMITH – gritou Ava fazendo festa com o resto dos alunos. riu alto depositando os olhos em Rony, o qual tinha aterrizado e celebrava com companheiros de time. Ele lacrou os olhos com o dela e teve a certeza que esse momento era deles.
Seus olhos não se desgrudaram nem por um segundo, enquanto ela se espremia entre a multidão para encontrar um caminho em direção ao ruivo. Tudo parecia acontecer em câmera lenta, passando com dificuldade naquele mar de gente, seus olhos castanhos de encontro com os azuis de Weasley. Seu sorriso se alargando à medida que a menina se aproximava dele. Numa fração de segundo, uma menina da Grifinória passou por ela, a empurrando levemente e depois correndo em direção a Rony.
A garota quem conhecia pelo nome de Lilá jogou os seus braços ao redor do goleiro da grifinória e selou seus lábios em um beijo apaixonado. Ela fez o que se imaginou fazendo um milhão de vezes. O sorriso da menina desapareceu de seus lábios, quando ela se deu conta de Rony não estava a sua procura no meio da multidão. Seus olhos inesperadamente se encheram de lágrimas, o tempo e o som paralisando por um instante. parou no mesmo lugar, estupefata, antes de virar as costas e correr para o caminho oposto em direção ao castelo.
Rony congelou de susto ao sentir os lábios de Lilá nos seus, chocado com a aproximação totalmente inesperada, demorou para reagir, se desvencilhou da garota com delicadeza, sem intenção de humilhá-la, um desespero latente se instalando em seu coração ao procurar por na multidão e perceber que ela já não estava mais lá.
— Com licença – disse ele a Lilá que lhe lançou um sorriso triste. Outras pessoas chegaram ao seu encontro, o cumprimentando pela partida. Rony não soube se o efeito da Felix Felicis tinha finalmente passado ou se realmente não funcionara tão bem com ele, porque naquele momento ele sentia-se tudo, exceto sortudo.

***


Ele não estava a sua procura, pensou a garota enquanto corria de volta ao castelo, as lágrimas escorrendo livremente pelo seu rosto agora. Ela parou por um momento para recuperar o fôlego, o ar parecendo ter dificuldade em preencher os seus pulmões. Ela limpou as lágrimas com o verso de seu casaco da Corvinal, acalmando seus sentidos e decidindo o que faria a seguir. Rony Weasley tinha seguido em frente, estava mais do que na hora dela abandonar todas as suas lembranças e expectativas e seguir também, agora definitivamente.
De certo, eles não estavam destinados a ficarem juntos, já que toda vez que tentaram, algo aconteceu para os afastarem novamente. normalizou sua respiração, ajeitando sua aparência antes de marchar com os passos decididos em direção as masmorras: Rony Weasley sairia de sua mente uma vez por todas e ela sabia muito bem quem a ajudaria com isso.
Ela seguiu sua intuição e caminhou ainda mais depressa, mais especificamente para a Sala de Poções. Luke passava um pouco de seu tempo livre no local e a garota tinha certeza de que o encontraria lá. E estava certa. Luke estava sentado em uma das mesas da sala de aula, seu queixo estava apoiado em sua mão esquerda, enquanto ele virava páginas de um pergaminho com a direita. O sonserino não estava impecável como de costume, sua gravata estava torta e afrouxada, seus cabelos ainda mais bagunçados. pode perceber o garoto humano por detrás de sua postura. Ela o observou por alguns instantes, antes de entrar pela sala e trancar a porta com um feitiço.
Hampton se deu conta de sua presença, levando um susto de leve.
— Hey – disse ela se aproximando dele.
— Hey – Luke respondeu em tom tristonho.
— Me desculpe por hoje – ela sentou em uma cadeira na frente dele. Luke suspirou pesadamente.
— Isso não vai funcionar se você não confiar em mim – ele disse segurando delicadamente a mão dela. se levantou e se posicionou de frente para o garoto sentando-se em seu colo. Luke arregalou os olhos surpreso por sua iniciativa, engolindo em seco logo em seguida. colocou as mãos do sonserino em sua cintura e ele a apertou com força.
— Mê de uma chance – ela disse se apoiando no garoto e mexendo seu quadril de leve. Luke ofegou.
— O que você está fazendo? – ele ergueu uma das sobrancelhas em tom de desafio – podemos ser pegos!
— Você está com medo? – zombou ela.
Luke sorriu atravessado, seus olhos se estreitando de excitação ao momento. sustentava um sorriso nos lábios e pela primeira vez, mesmo sem querer, o coração do menino palpitou em uma velocidade mais rápida do que a habitual. O sonserino passou a mão pelo cabelo comprido em um gesto de carinho antes de colar seus lábios com vontade e paixão.
Em um movimento rápido, Luke inverteu os papéis, colocando a garota sentada em cima da mesa, se posicionando entre suas pernas. sorriu o puxando novamente para um beijo quente, descontando todos os sentimentos naquele momento, como se sua vida dependesse disso. Seus beijos aumentaram de intensidade de tal forma, a ponto de ela sentir a ereção do garoto pressionando a sua pelve.
O sonserino desceu suas mãos em direção a camiseta de botão da garota e começou a abrir levemente, sentiu como se seu coração pudesse sair pela boca. O garoto se afastou por um instante, seus olhos percorreram o tronco desnudo da garota coberto apenas por um sutiã fino de renda. A corvina engoliu em seco, sentindo sua intimidade pulsar devido a tal cena erótica.
Luke chegou mais perto, suas mãos se posicionando no fecho do sutiã e o abrindo com facilidade. Um arrepio percorreu a espinha da garota quando ele desceu seus beijos tentadores para o seu colo, segurando seu tronco com firmeza. jogou a cabeça para atrás, comprimindo seus lábios na tentativa de suprimir um gemido eminente.
— Você quer ser minha? – ele sussurrou com sua boca colada em seu ouvido.
respondeu ao estímulo, colocando a mão debaixo da camiseta de Luke e a desabotoando depressa. Eles ainda estavam se beijando fervorosamente quando ela se livrou da peça, a jogando em algum canto da sala. No entanto, ao passar a mão pelo tronco desnudo do menino, ela sentiu na ponta de seus dedos a marca de uma cicatriz e de repente, não era apenas uma, mais várias.
afastou os dois, o rosto contorcido de horror ao realizar a quantidade de cicatrizes em forma de cortes na pele do sonserino. Mas não eram cicatrizes de acidentes normais, elas tinham uma coloração acinzentada, vira algo parecido em seus livros de Defesa Contra as Artes das Trevas, aquelas marcas foram provocadas por alguma magia das trevas. O sonserino estava paralisado, parecendo se lembrar de algo.
— Luke? – disse ela em desespero passando a mão pelo tronco do menino – o que aconteceu com você?
O sonserino pareceu acordar de seu transe e se afastou da garota depressa, recolhendo sua camisa e a colocando de volta.
— Luke? – o pegou pela cintura, ainda chocada com a quantidade de cicatrizes – Isso é marca de feitiço das trevas! Quem fez isso com você?
O sonserino nada disse, se preocupava em fechar os botões da camisa com a maior velocidade que conseguia. segurou suas mãos e ao encará-lo, seus olhos azuis estavam frios e distantes.
— Eu...— pela primeira vez Luke não conseguiu encontrar as palavras certas – É melhor você se vestir – disse ele entregando as peças da garota, as quais ela vestiu em silêncio ainda encarando o menino.
— Luke...me desculpe...eu.... — começou, mas ele a interrompeu.
— Eu preciso ir – disse ele meio abalado – Nos vemos depois! – e saiu antes que ela pudesse responder.
***


A atmosfera no vestiário era incrível. Todos estavam comemorando e se preparando para festa de celebração na sala comunal da Grifinória. Rony, no entanto, estava desconcertado. Lilá o beijou na frente de . Logo agora, quando eles estavam literalmente prestes a se reconciliar. Assim que o vestiário ficou vazio, exceto por ele e Harry, Rony resolver perguntar sobre a poção da sorte.
— Você colocou a poção da sorte no meu suco hoje de manhã? – perguntou com preocupação.
— Não, não coloquei – Harry disse se virando para ficar de frente para o amigo.
— Tem certeza? – Rony perguntou estreitando as sobrancelhas.
— Eu não coloquei – disse Harry tirando a garrafa minúscula do bolso, o frasco estava cheio de poção dourada e a cortiça ainda estava lacrada com cera.
— Você defendeu tudo, porque estava se sentindo sortudo. Você fez tudo – disse Harry sorrindo amplamente.
— Droga – pensou ele fechando os olhos.
— Essa não era a reação que eu estava esperando – Harry disse achando graça da situação.
— Eu estava me sentindo sortudo, não me entenda mal – justificou Rony – mas eu esperava beijar a hoje e estávamos próximos a isso, mas Lilá me beijou na frente dela.
— Eu não quis falar nada, mas ela pareceu bem chateada...— Harry mencionou olhando para os próprios pés. Os dois não conseguiam se comunicar bem quando o assunto se tratava de interesses amorosos.
— Eu preciso falar com ela...— disse Rony saindo depressa do vestiário, com a sua vassoura nas costas.
— Mas todo mundo está te esperando no Salão Comunal...— disse Harry.
— DEPOIS HARRY...— gritou Rony já distante do local.

***


estava voltando para a sua Sala Comunal, ainda chocada ao lembrar de todas as cicatrizes de Luke Hampton. Ela tinha certeza que aquilo era obra de magia das trevas. Será que Rony estava certo e Luke realmente estava envolvido com o lado de Voldemort? Ela também considerou a cara de choque do menino e que as cicatrizes eram de certa forma, um gatilho para ele. Se culpou por reagir tão mal, quem sabe se tivesse reagido apropriadamente, Luke contaria a origem de todas aquelas marcas. Sua cabeça doía e ela desejou dormir até esquecer esse dia.
— Onde você se meteu? – Ava a despertou de seus pensamentos, correndo em direção a amiga.
— Você viu o que aconteceu? – perguntou comprimindo os lábios e Ava a envolveu em um abraço fraterno.
— Eu vi. E você vai ficar bem, talvez não hoje, mas eventualmente...— sorriu, algumas lágrimas querendo brotar novamente no canto de seus olhos, Ava como sempre lhe dizia as palavras certas, nos momentos certos.
— Você sempre tem os melhores conselhos – disse com sinceridade.
— Uma das minhas inúmeras qualidades – Ava respondeu cheia de si e as duas riram de leve – mas falando sério agora...onde você estava?
— Bem, eu fui ver o Luke – respondeu a corvina, um rubor tomando conta de suas bochechas.
— Você não perde tempo mesmo! – Ava arregalou os olhos – apesar de eu apoiar você com o Luke, você não acha que essa decisão não foi meio impulsiva? Considerando tudo o que aconteceu hoje com o Weasley?
— Mas você me encorajou a ficar com ele hoje pela manhã! – refutou com indignação.
— Sim, mas em outras circunstâncias e não para superar o fato de que você viu o cara que você gosta beijar outra menina! – Ava ralhou como se fosse óbvio.
— Você como sempre tem razão – suspirou fundo – nada de muito sério aconteceu se quer mesmo saber. Mas Luke tem cicatrizes horríveis pelo corpo Ava e eu tenho certeza que são marcas de feitiço das trevas.
Ava franziu a testa em preocupação.
— Você tem certeza?
— São inúmeras e todas tem a mesma coloração acinzentada – explicou partilhando a apreensão da melhor amiga – Ava, será que o Luke foi torturado?
— E se foi...qual foi o motivo? – Ava replicou e as duas ficaram em silêncio contemplativas em relação a questão.
! – gritou uma voz que ela conhecia muito bem. A garota fechou os olhos suspirando fundo e voltando-se para Rony Weasley.
— O que você quer? – perguntou ela secamente.
— Escute – disse Ava chamando a atenção da amiga – eu já vou indo, nos vemos no Salão Comunal – Rony assentiu com a cabeça, agradecido pela privacidade.
— Eu não estou com a Lilá – começou ele antes que ela pudesse interrompê-lo – Ela me beijou e eu congelei de susto, por isso não reagi! Eu estava esperando por você!
— E você quer que eu acredite nessa história? – riu incrédula.
— Sim, porque é a verdade – reforçou ele.
— Isso não importa mais, porque eu estou com o Luke – a garota respondeu em um tom tão cortante que Rony deu um passo para trás.
— Então foi para ele que você correu? – disse sem controlar o seu ciúme.
— Bem, tecnicamente eu corri para você primeiro, mas aparentemente você estava à espera de outra pessoa – respondeu irônica.
— Eu estava esperando por você! – ele disse exasperadamente – Eu espero ainda por você ...
— Rony toda vez que tentamos ficar juntos algo de ruim acontece e estraga tudo – disse com lágrimas em seus olhos – de certo não é pra ser!
— Eu me recuso a acreditar numa crendice dessas – respondeu ele com firmeza, se aproximando da garota e a trazendo para perto.
— Rony, por favor...— disse lhe lançando um olhar de súplica.
— Se nada que eu disse vai te convencer, talvez isso possa – disse Rony colocando suas mãos no rosto de e selando os seus lábios em um beijo explosivo e cheio de ardor. Ela lançou seus braços ao redor do pescoço do menino, aproximando ainda mais os seus corpos e perdendo os seus dedos no meio de seu cabelo ruivo como sempre tivera vontade de fazer.
Rony encostou a garota contra a parede em um movimento rápido, o descontrole, a saudade e a paixão falando mais alto do que tudo. Ele imaginara este momento diversas vezes, mas a sensação de beijá-la em sonho, não se comparava a um terço a de estar verdadeiramente em seus braços. Os dois estavam ficando sem fôlego, mas nem por isso se deram o trabalho de parar, suas respirações ofegantes se misturavam com o som de suas bocas famintas de desejo.
O ruivo interrompeu o beijo por um instante, ainda pressionando o corpo da garota contra a parede, examinou seus lábios agora vermelhos devido a intensidade do beijo, seus cabelos levemente bagunçados e não pode negar para si mesmo o quão linda ela era e o quão apaixonado ele se encontrava.
— Eu quero você! – disse ele sem quebrar o contato visual – Sei que cabe a você decidir, mas saiba de uma coisa: eu não vou facilitar para o Luke Hampton.
Rony se despediu com um selinho demorado. buscou apoio na parede devido as suas pernas trêmulas e observou o ruivo ir com um sorriso nos lábios.

Capítulo 8 - Ninguém está a salvo

sentiu seu corpo formigar, maravilhada pelo beijo que acabara de acontecer, a garota se amparou na parede onde há apenas alguns minutos tinha sido palco de seu beijo com Rony Weasley. Ela levou a ponta de seus dedos a sua boca ainda quente, um sorriso ainda brincando nos seus lábios. quis rir de tanta alegria, talvez gritar a plenos pulmões ou até mesmo rodopiar em seu próprio eixo, mas suas pernas trêmulas demais impediam essa manifestação, por isso a menina se sentou ali mesmo, no chão do corredor, contentando-se em repetir a cena centenas de vezes em sua mente.
O castelo ainda vibrava de euforia em razão da vitória da Grifinória contra a Sonserina, em todos os cantos da escola era possível ouvir canções e brados de triunfo. Os alunos que ali passavam pouco se importavam com a presença da corvina, parecendo tão absortos em encantamento quanto ela. Ela imaginou novamente os lábios do grifinório contra os dela e seu coração deu um salto tão forte no peito, começando a bater tão rápido, que ela por sua vez, achou que explodiria. Sua biologia constatava o que já era óbvio em seu inconsciente há muito tempo: ela estava completamente apaixonada por Rony Weasley.
O veredito não lhe causou serenidade. sentiu-se subitamente ansiosa, primeiro porque em uma atitude impulsiva procurara Luke Hampton e lhe pedira uma chance. Como iria explicar tudo sem magoá-lo? Os dois tinham muita química juntos, isso era inegável, mas com Rony era diferente, o ruivo desperta-lhe tudo e todos os sentimentos possíveis.
se xingou por ser tão impetuosa, se tivesse racionalizado por um momento, não se encontraria nesta situação. Ela sentia-se de certa forma responsável por Luke, que se demonstrara ainda mais vulnerável em sua presença. A garota bufou irritada, fechando os olhos com força, sua cabeça começando a latejar novamente. Talvez Ava estivesse certa, o que ela mais precisava no momento era de uma boa noite de sono.
se levantou com tranquilidade e caminhou sem pressa até a Sala Comunal da Corvinal, onde todos estariam comemorando a partida. A menina massageou as têmporas pensando que daria tudo para ter uma noite de paz e silêncio, mas as comemorações costumavam se estender pela madrugada afora. Surpreendeu-se pelo fato de que ao entrar no local, ele se encontrava em um silêncio sepulcral. Todos os alunos da Corvinal estavam reunidos e miravam com pesar a quintanista Chloe Wright, a qual chorava copiosamente, sendo amparada pelas amigas. lançou um olhar questionador para Ava, a qual sustentava uma expressão de puro pavor.
— O que aconteceu? – mexeu os lábios, sua pele se arrepiando imediatamente, certa de que algo muito ruim acontecera.
Ava indicou o caminho dos dormitórios com a cabeça, olhou para trás mais uma vez, observando o rosto vermelho e inchado de lágrimas da aluna, seu coração se apertando em solidariedade e empatia. No mesmo minuto, o professor Flitwick entrou pelas portas da sala convocando a aluna para acompanhá-lo, um burburinho voltando a preencher o ambiente. Ava pegou pela mão, a puxando apressadamente para seu respectivo dormitório.
— Ava, o que aconteceu? – perguntou apertando as mãos geladas e trêmulas da melhor amiga.
— Você se lembra que os pais da Chloe estavam desaparecidos? – Ava disse.
— Sim...— respondeu pensando na imensa quantidade de desaparecimentos do último mês.
— Eles estão mortos ... – disse Ava, seus olhos se enchendo de lágrimas – os pais dela foram torturados até a morte...
sentiu o peso daquelas palavras e precisou sentar em sua cama. Os pais de Chloe eram trouxas, como os pais delas. O que aconteceu com Chloe poderia acontecer com elas.
— E se os nossos pais forem os próximos? E se eles estiverem exterminando as famílias dos nascidos trouxas?
a trouxe para um forte abraço, consolando a amiga que desatou a chorar. A garota comprimiu os lábios na tentativa de evitar o choro. As duas tinham comentado sobre a possibilidade do mundo bruxo não ser mais seguro, mas não achavam que fosse algo tão eminente a ponto de planejarem uma fuga ou cogitarem a possibilidade de não voltarem a Hogwarts para cursarem o seu último ano.
— Escute – disse para Ava que ainda soluçava – vamos falar com a professora McGonagall, tenho certeza de que ela pode encontrar uma maneira para que possamos falar rapidinho com os nossos pais! Tudo bem?
Ava soluçou em concordância.
suspirou fundo, desejando em seu íntimo que estivessem bem, mas sabendo que em breve teria que tomar algumas decisões importante, mas para onde iriam?
— E se transformarmos o Clube Anti-Slug em um movimento de proteção para nascidos trouxas? Tenho certeza que muitos não saberão o que fazer...
— Eu acho que seria uma ótima ideia... – Ava concordou avidamente – O que iremos fazer?
— Não sei Ava...você sabe que nossos pais não irão à lugar nenhum sem a gente...— suspirou preocupada, Ava parecia pensar o mesmo.
— Por falar nisso, o que o Weasley queria? – Ava perguntou enquanto esperavam pela professora do lado de fora da Sala Comunal da Grifinória.
— Acho que esse não seja um momento apropriado Ava...— disse sem conter um rubor que subiu em suas bochechas.
— Meu Merlin – disse Ava em realização do óbvio — ELE BEIJOU VOCÊ! E VOCÊ BEIJOU O LUKE!
— AVA! FALE BAIXO! — pediu sem conter.
— Por que você não me contou? – Ava disse estupefata limpando as lágrimas.
— Porque eu achei que os nossos pais estarem em perigo mortal era mais importante!
— Pelo menos você ainda sabe o que é prioridade – Ava disse focando seu olhar na porta da sala comunal da Grifinória. A professora McGonagall passou por ela logo depois.
— Em que posso ajudar, Srta. Fernández e Srta. Thompson?
— Eu gostaria de saber se existe uma forma de nos comunicarmos com os nossos pais e que seja mais ágil do que cartas...— disse .
— Me acompanhem por favor – disse a professora fitando as alunas por cima da armação de seus óculos. McGonagall as conduziu para sua sala particular e conjurou um objeto em sua mesa.
— Um telefone em Hogwarts? – sorriu ao ver o aparelho.
— Uma das melhores invenções trouxas na minha opinião – disse a professora sorrindo de canto – 5 minutos para cada uma é o suficiente?
— Mais do que suficiente! – Ava disse correndo para o telefone.
— E Srta. Fernandez? – disse a professora em tom de preocupação.
— Sim?
— Eu acredito que seria apropriado planejar algumas opções para o próximo ano... — disse em tom de pesar.
— Quer dizer que não vamos poder voltar a Hogwarts?
— Está igual a última vez – a professora comprimiu os lábios – O mundo dos bruxos não é mais seguro para os nascidos trouxas...
suspirou, pensando em tudo o que teria que deixar para trás, mas logo se recompôs para respondê-la.
— Tudo bem professora, muito obrigada...— McGonagall lhe deu alguns tapinhas afáveis nas costas.
— E então? — perguntou assim que Ava desligou o telefone.
— Eles estão bem! — Ava disse – Expliquei brevemente o que está acontecendo e que se eles perceberem algo de estranho, eles precisam me avisar...
— Ótimo! Agora é minha vez! – discou o número um pouco nervosa, mas para seu alivio, alguém logo atendeu.
— Boa tarde! – a voz de uma senhora ressoou do outro lado da linha.
— Hola, mamá! – disse aliviada por ouvir o som de sua voz.
— MI HIJA! Por dios! Como você está? – disse a mulher em tom de alegria.
— Estou bem, mama! Eu só tenho cinco minutinhos, só queria saber se todos estão bem...
— ¡CÁLLATE! TENGO A TU HERMANA EN EL TELEFONO! – gritou a mãe para os gêmeos, irmãos de . A garota riu baixinho. Sentia muitas saudades da família – Estamos muito bem, mi hija, seu pai está na oficina trabalhando!
— Preciso que vocês tomem cuidado, tudo bem? Qualquer coisa fora do normal, não hesite em me mandar uma carta! – disse, o tom de preocupação claro em sua voz. Sua mãe, sempre muito intuitiva, pareceu entender de primeira.
— Algo errado no mundo dos bruxos, mi hija?
— Não ainda... mas sou nascida trouxa, precisamos nos cuidar mais nesses tempos...tudo bem? Eu te explico depois com mais detalhes! Vou mandar uma carta pelo D’artagnan!
— Tudo vai ficar, mi hija...vamos nos cuidar! Escreva assim que puder...
— Tudo bem mamá, te amo!
— Te am...HENRY BÁJATE DE AHÍ, TE VAS A CAER...Tenho que ir filha, seus irmãos estão me deixando louca como sempre... – sentiu seus olhos se encherem de lágrimas de saudade.
— Mande um beijinho neles por mim! – disse a garota assim que desligou.
— Precisamos de um plano com urgência...— disse Ava.
— Eles não vão sem a gente...— replicou suspirando fundo – mas temo que se ficarmos juntos ano que vem, será ainda pior...
— Somos bruxas também no final das contas – Ava disse e as duas concordaram com a cabeça.
— Não acredito que não vamos conseguir voltar ano que vem...— disse olhando de forma nostálgica para as paredes do castelo.
— O que vamos fazer ? – Ava parecia tão triste quando ela.
— Eu não sei Ava...eu não sei...
— Que dia foi esse! Meu Merlim! — Ava disse suspirando – e como foi beijar o Weasley?
sorriu.
— Muito melhor do que eu imaginei...
— Ele realmente mexe com você, não é? – disse Ava.
— Sim, mas tem um problema – suspirou fundo – eu meio que pedi uma chance ao Luke...
EU NÃO CONHEÇO UM SER HUMANO QUE FAÇA TANTA OBRA SEM PENSAR IGUAL VOCÊ...
— Ai Ava! Eu acho que estou farta de drama por hoje...
— Você é um IMÃ de drama, queira ou não...não podemos esquecer o fato de o Luke ter todas aquelas cicatrizes...
— E tem isso também...— disse como alguém que adiciona mais uma lista aos seus afazeres.
— Vamos passar na biblioteca e tentar descobrir mais sobre ele...— Ava sugeriu.
— Hoje? – resmungou sentindo-se cansada só se pensar.
— Hoje não. Mas amanhã pela manhã vamos resolver isso!

***


Ser monitor tinha suas vantagens, ser supervisor de atividades extracurriculares, andar desacompanhado tarde da noite, entre outros benefícios, mas o que Luke mais gostava era o fato de possuir um banheiro privativo, principalmente porque ninguém podia saber do que ele escondia de baixo de suas roupas sempre tão impecáveis. Sua família era reservada e alguns boatos podiam prejudicar a sua imagem no mundo bruxo.
O garoto observou o tronco desnudo no espelho, o que não fazia há muito tempo, ele passou os dedos pelas inúmeras cicatrizes, pensando que por fora ostentava um rosto bonito e até mesmo desejado, enquanto seu corpo era transfigurado em uma porção de cortes cinzas, roxos e pretos.
A tonalidade dos cortes melhorava com o tempo. As de coloração cinza foram as primeiras que ganhou quando não era nem crescido o suficiente para se lembrar do porque as ganhara, apenas de se recordar muito bem da dor ao recebê-las. O garoto colocou sua camisa, fechando os botões delicadamente, abotoando suas mangas com destreza e ajustando o colarinho com perfeição. Há um tempo as cicatrizes não o perturbavam mais. Além de pertencer a uma das famílias mais influentes e tradicionais do mundo dos bruxos, Hampton também era dotado de muitas virtudes: inteligência muito acima da média e um refinamento exclusivo a um tipo muito raro de indivíduos.
Luke sorriu presunçosamente observando a imagem impecável do espelho. Ele com toda certeza não era uma pessoa comum, considerando o fato de que não cedia facilmente as suas paixões e era capaz de controlar muito bem os seus impulsos com o objetivo de se sobressair sobre os demais. Construir esta imagem lhe levou a vida inteira, a ponto de se tornar uma fortaleza impenetrável que o separava do mundo entediante de aflições triviais e corriqueiras.
O sonserino, com o tempo, esqueceu que dentro daquela morada, existia um adolescente, tão humano como qualquer outro, impedido de experimentar e sentir. Iludido ao pensar que os muros que o cercavam eram para protegê-lo quando na verdade serviam para aprisioná-lo. Luke pensou que estava imune a qualquer tipo de emoções, mas isso foi até se envolver com .
‘’Uma sangue ruim’’ pensou ele, o breve pensamento sendo substituído pela imagem de suas mãos delicadas, seus olhos serenos e curvas tentadoras. Luke engoliu em seco, se perguntando que raio de sentimento era aquele. Nunca experimentara nada parecido antes, em sua percepção, as pessoas eram como peças de um tabuleiro de xadrez, quando alcançavam o propósito desejado podiam ser facilmente sacrificadas em prol de um objetivo maior.
Nunca em sua vida se sentira tão conflituoso, mas em seu íntimo, ele sabia que não poderia falhar, seu pai ficaria furioso e Luke não gostava nem de pensar no que aconteceria se o decepcionasse.
— O que eu estava pensando? – Luke se questionou esfregando o rosto com raiva. O garoto mal dormira, revivera a cena em sua mente durante a noite, lembrou-se de sua sensualidade e do contato quente de sua pele contra seu corpo desnudo. O menino urrou de frustração. Como pode baixar a guarda dessa forma? Se deixar cegar dessa forma, arruinaria todo o seu plano, afinal, era apenas mais um peão em seu tabuleiro com uma única função: levá-lo até Thomas Blake.

***


— Isso é muito estranho – Ava comentou ao fechar o vigésimo livro sem encontrar nenhuma informação decente sobre a família Hampton.
— O que é estranho? – perguntou ainda concentrada em um dos livros sobre as famílias bruxas mais tradicionais da Grã Bretanha.
— A família Hampton é dona da maior rede de comunicação bruxa e ainda assim há tão poucos registros sobre os seus feitos...Geralmente, eles gostam de se gabar por sua fortuna, você viu a história da família dos Malfoys? É IMENSA – Ava comentou distraidamente.
— Rony disse que eles costumam agir nos bastidores...— sussurrou – deve ser por isso que não conseguimos encontrar nada...
— Luke parece tão infeliz nessas fotos de família...— Ava apontando de um garotinho de uns 10 anos, que aparentava sorrir forçadamente para o retrato.
sentiu seu coração apertar.
— Temos que ir! Não quero me atrasar para a nossa aula com o professor Snape – disse ajudando a colocar todos os livros no lugar. As duas caminharam depressa para a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, desde que o professor assumira a matéria, a sala estava mais escura do que de costume e estava sendo iluminada apenas por uma vela. nunca se acostumou com as novas fotos nas paredes, muitas das quais mostravam pessoas sofrendo ou portando ferimentos horríveis.
A corvina nunca gostara do professor Snape nem mesmo quando ele lecionava Poções. De todos os professores que tivera em Hogwarts na matéria, o melhor tinha sido o professor Remo Lupin. Infelizmente, ele tinha pedido demissão depois de descobrirem sua condição de lobisomem, o que na opinião da garota, nunca interferira em nada em seu excelente desempenho, mas este pensamento não era compartilhado pelo resto da comunidade bruxa.
e Ava sentaram-se na mesma mesa enquanto esperavam pelo professor, para sua surpresa, assim que Rony entrou na sala, ele veio imediatamente em sua direção.
— Hey! Bom dia – ele disse lhe dando um beijo na bochecha – Não te vi no Salão Principal, está tudo bem?
— Bom dia, eu estav....— começou a responder.
— Algum problema aqui Weasley? – Luke disse se intrometendo na conversa em uma posição ameaçadora. Rony piscou para e sorriu para Luke de forma debochada.
— Nenhum, Hampton! Eu e somos amigos, você não sabia?
— Não sei quais são as suas intenções Weasley, mas é melhor você ficar longe – Luke disse se aproximando do menino que não recuou.
não é propriedade de ninguém – Rony disse repetindo as palavras do sonserino contra ele mesmo. e Ava observavam a cena com os olhos arregalados, a tensão agora palpável entre eles.
— Todos em seus lugares – a voz do professor Snape soou para o alívio da garota que soltou o ar que estava segurando em seus pulmões. Luke seguiu para seu lugar de forma contrariada, Rony pelo contrário ostentava um sorriso triunfante.
— A Arte das Trevas – disse Snape — são muitas, variadas, sempre mudando e eternas. Enfrentá-las é como enfrentar um monstro de várias cabeças que, cada vez que um pescoço é separado, surge uma nova cabeça ainda mais violenta e astuta que antes. Nas últimas aulas temos praticado os encantos não-verbais, mas como o desempenho de vocês está sendo deprimente, hoje realizaremos uma nova tentativa.
— Srta. Fernandez – chamou o professor Snape – a Srta. pode me dizer a diferença de encantos verbais e não verbais?
— A diferença é que ao utilizar um encantamento não verbal o bruxo ganha um elemento de surpresa ao fazer feitiços – respondeu a corvina com confiança.
— Muito bem, a srta. poderia vir a frente para realizar uma demonstração? – o professor ergueu uma das sobrancelhas em sinal desafio.
— Com certeza, senhor – respondeu educadamente.
— Thomas Blake será seu adversário – disse Snape
bufou um pouco frustrada, sua vida não precisava de mais uma dose de drama.
— Algum problema, Srta.? – Snape ergueu as sobrancelhas em sinal de desdém.
— Nenhum, senhor – disse ela se recompondo imediatamente.
levantou tranquilamente e esperou pelo colega que caminhou na direção oposta à sua. Eles se encararam pela primeira vez em semanas. Apesar de sua postura imponente, pode perceber que o garoto se encontrava um pouco abatido. Ela franziu a testa em sinal de preocupação, esquecendo-se por um minuto do desentendimento dos dois.
Os dois costumavam praticar encantamentos não verbais juntos, aliás, Blake costumava ser seu melhor parceiro em todas as matérias, por mais que não conversassem sobre assuntos pessoais, ele sempre esteve presente em todos os seus anos em Hogwarts, ela achou no mínimo estranho tratá-lo como se não se conhecessem.
— Preparem suas varinhas – disse o professor Snape e os dois se preparam para o duelo eminente. Blake não deixou de se sentir desconfortável, não pelo fato de enfrentar , mas por saber que Luke estaria avaliando de perto o seu desempenho com a varinha. ‘’Isso não é bom’’ pensou ele direcionando o olhar para a garota em sua frente.
A corvina atacou por primeiro, Blake defendeu imediatamente, desviando o feitiço que ricocheteou em um dos cantos da sala. sorriu lembrando do quanto os dois costumavam se divertir ao treinarem juntos. Logo, feitiços eram lançados dos dois lados e repelidos com a mesma agilidade em uma sincronia perfeita. Blake gostava da sensação de lutar de igual para igual ainda mais com uma bruxa tão habilidosa quanto ela. Ele tinha esquecido o quanto se sentia desafiado com por perto.
O duelo continuou e nem um dos dois queria dar o braço a torcer. , no entanto, sentiu a vista turvar e no mesmo instante ela foi transportada para a mesma visão de sua aula de adivinhação, a voz retumbante ecoando em seus ouvidos mais uma vez: ‘’se você não escolher, escolherei por você’’. A visão durou um instante, mas foi o suficiente para Blake desarmá-la com um Expelliarmus. piscou os olhos, um pouco desnorteada, algo que apenas Blake pareceu perceber.
— 50 pontos para Sonserina – disse o professor Snape e os alunos da casa vibraram.
seguiu para sua mesa ainda aterrorizada pela visão e sem nem ao menos reclamar sobre a falta de compensação para sua casa. O professor Snape nunca fora justo com os alunos de qualquer forma.
— Injustiça! Você merecia pelo menos 30 pontos – sussurrou Ava assim que ela sentou-se novamente ao seu lado. nada respondeu, apenas lançou um olhar para Blake, que pela primeira vez em semanas, também tinha seus olhos fixos nela. O professor Snape continuou sua aula e eles puderam praticar os feitiços não verbais em duplas até o final.
— O professor Dumbledore pediu para comunicá-los que haverá um Baile de Máscaras neste Halloween – disse Snape em seu costumeiro tom de desdém – Dispensados.
não deixou de lançar um olhar esperançoso a Rony, mas este estava envolvido em uma conversa séria com Harry Potter.
— Vou precisar de sua ajuda – Harry disse à Rony – Tenho certeza que Malfoy vai se aproveitar da festa para fazer alguma coisa.
— O que você está pensando? – perguntou Rony tentando esconder o tom de frustração em sua voz.
— Vamos segui-lo e tentar descobrir o que ele está tramando – Harry disse lançando um olhar desconfiado para Malfoy do outro lado da sala.
Rony suspirou fundo, tentando não descontar no amigo sua frustração por perder a chance de levar para o baile desta vez, mas o mesmo tempo sentia-se um pouco conflituoso. Ele estava um pouco ausente ultimamente. Harry estava passando mais tempo com Hermione do que com ele, e Rony sabia do posicionamento da amiga em relação a Draco Malfoy, talvez ele fosse o único a conseguir ajudar Harry desta vez, quem sabe durante a investigação, ele conseguiria descobrir algo sobre Luke Hampton também.
— Combinado – disse Rony a Harry que acenou com a cabeça em agradecimento. Rony escreveu um pequeno bilhete e pediu para sua coruja entregá-la para . ‘’Espero que ela entenda’’ pensou ele.

***


— Uhh um baile de máscaras — Ava disse assim que saíram da sala do professor – uma festinha é tudo o que precisamos! – continuava sem prestar atenção – Hey, você está me ouvindo?
— Vai ser ótimo – disse afastando a visão de seus pensamentos, comentaria sobre ela em um momento mais apropriado.
— Olha que está vindo – Ava disse se referindo a Luke Hampton – Nos vemos depois...
— Podemos conversar em particular? – ele perguntou impacientemente.
ergueu uma das sobrancelhas desgostando de seu tom de voz.
— Em que posso ajudar, Hampton?
— Eu não quero você perto do Weasley – disse ele.
— Desculpe? – piscou os olhos sentindo-se ofendida.
— É isso mesmo que você ouviu. Fique longe do Weasley – disse ele, seu lábio inferior, tremendo de raiva.
— Você não decide com quem eu falo ou não Hampton – respondeu sem se sentir intimidada — Você não tem esse direito.
— Eu tenho sim – disse ele se aproximando da garota – Nós estamos juntos!
— Em nenhum momento nós concordamos em estar juntos e isso jamais te daria o direito de estabelecer com quem eu converso ou não! Eu não sou sua propriedade Hampton.
— Não foi isso que você disse quando estávamos sozinhos na Sala de Poções...— ele disse ironicamente.
— O que há de errado com você? – estreitou os olhos dando um passo para longe dele – Eu não mereço ser tratada desta forma, quando você se recompor, você me procura, caso contrário, fique bem longe.
Luke pareceu estarrecido com a resposta. o fitou dos pés à cabeça, lhe lançando um olhar magoado e seguindo em frente para alcançar Ava. No caminho, uma coruja pousou em seu caminho, lhe entregando um bilhete.
‘’ , não vou conseguir participar do Baile de Halloween, Harry realmente precisa da minha ajuda. Prometo te explicar tudo assim que puder. Espero que entenda. Sinto muito! – Ron ‘’
— É, parece que vou sozinha dessa vez – suspirou, colocando o bilhete nas vestes e seguindo em direção a amiga que já a esperava no Salão Principal.

Capítulo 9 - Baile de máscaras sombrio

Quando e Ava se dirigiram para o Salão Principal naquela manhã de sábado, o local já estava parcialmente decorado, as velas flutuantes do teto enfeitiçado se divergiam nas tonalidades de prata, preto e dourado, cortinas cobriam todas as janelas conferindo ao salão uma atmosfera um pouco sombria. Todos os alunos pareciam muito animados frente a tal celebração. Os bailes não eram muito frequentes em Hogwarts, eventos de tal magnitude eram celebrados de dois em dois anos. O último fora há dois anos no fatídico Torneio Tribruxo.
não era próxima de Cedrico Diggory, mas sua morte brutal e tão precoce, abalou a todos os alunos, principalmente sua colega de casa Cho Chang e os amigos mais próximos do lufano. Sua percepção romantizada do mundo bruxo também se alterou depois daquele acontecimento, principalmente quando foram comunicados sobre o retorno do Lord das Trevas. teve a certeza de que sua vida mudaria e que por ser filha de pais trouxas, ela já tinha nascido com um alvo no meio de suas costas. Mas também não achou que seria tão cedo, pensou que poderia ter a oportunidade de terminar seus estudos em Hogwarts e de conseguir uma carreira no mundo bruxo, mas tudo mudara e agora tinha que fazer preparativos para sua fuga junto com seus familiares.
A corvina costumava adorar bailes e tinha excelentes memórias do último Baile de Inverno, mas esse evento a deixou um pouco deprimida e nostálgica, principalmente pelo fato de ter o conhecimento de tudo aquilo estava com os dias contados. Tudo tinha mudado tanto nos últimos anos, jamais conseguiria ter adivinhado o curso de todas as coisas que aconteceram. Em pensar que em seu último baile de inverno fora acompanhado por Thomas Blake e hoje nem se falavam mais. Ela ousou olhar para a mesa da Sonserina, onde o garoto lia o profeta diário. Sorriu por um instante, memórias sobre o quarto ano invadindo sua mente.
‘’ andava apressada pelos corredores, tinha despistado Miguel Corner, um de seus colegas de classe, quem estava tentando insistentemente convidá-la para o Baile de Inverno, a garota recusou o convite várias vezes ao perceber que Corner gostaria de leva-la ao baile interessado em ser mais do que seu amigo. Ela tinha dito não tantas vezes que agora evitava falar com o menino com a intenção de não magoá-lo. Ele poderia ter as melhores intenções do mundo, mas ela realmente não estava interessada em sua companhia.
A corvina andou depressa em direção a sua próxima aula de poções quando avistou Miguel no final do corredor. ‘’Ah não’’ pensou ela choramingando por dentro do seu ser. O garoto estufou o peito andando em sua direção confiante de que ela aceitaria seu convite desta vez. E estava inclinada a aceitar, já que não conseguia despistar o menino de qualquer forma.
— Hey , como vai? – disse ele sorrindo de forma encantadora.
— Oi Miguel, eu estou bem e você? – sorriu amarelo.
— Gostaria de saber se você pensou melhor em minha proposta e aceitará o meu convite de leva-la ao baile? – disse ele.
‘’Como se você não tivesse me pedido um milhão de vezes e eu tivesse recusado um milhão de vezes e um!’’ pensou ela frustrada.
— Eu...— começou a dizer, mas foi interrompida.
Thomas Blake, seu parceiro de Poções da Sonserina, se intrometeu na conversa, passou uma de suas mãos pela sua cintura para total surpresa da garota e disse.
— Sinto muito campeão! será minha acompanhante ao baile – Thomas sorrindo abraçando o corpo da garota contra o seu. engoliu em seco, mas foi capaz de sorrir e concordar.
— O Thomas já tinha me convidado Miguel – respondeu e o menino empalideceu.
— Cla-ro, sinto muito...— disse ele gaguejando e deixando os dois para trás.
— Você é o meu herói, literalmente – disse ela corando um pouco, percebendo que o garoto ainda segurava a sua cintura.
— Eu realmente quero ir com você – ele disse – Você aceita ir ao baile comigo?
sorriu. ‘’
— Com que você vai? – Ava perguntou a a sobressaltando – Está no mundo da lua é?
— Eu estava lembrando do baile de Inverno – sorriu sem graça e Ava deu uma risadinha.
— O Blake ainda não voltou a falar com você? – perguntou Ava indicando o garoto com a cabeça. balançou a cabeça em sinal de negação – Você sente a falta dele, não é?
Vocês costumavam ser bons amigos.
— Eu não sei quando tudo ficou tão complicado.
— Eu sei – disse Ava rindo – Você se apaixonou por ele, ele não te deu bola e agora está tudo invertido.
— Ava e suas verdades incomodas – riu sem se deixar abater – Por falar nisso, você vai com quem?
Ava chegou a engasgar com um pedaço de pão que estava comendo.
— Ava Thompson tem um par? – ergueu uma das sobrancelhas em sinal de divertimento e Ava corou até o último fio de cabelo,
— Susana Bones me convidou – disse ela ainda se recuperando de seu engasgo.
— E quando você estava planejando me contar? – disse sorrindo maliciosamente.
— Na hora do baile mesmo, sua vida amorosa é mais interessante – as duas riram.
— Tão interessante que irei sozinha! – riu de sua própria desgraça.
— Você ainda pode ir com o Luke, já que o Rony vai fazer sabe-se lá o que...
— Eu não vou com ele! Não depois dele ter me tratado mal!
— Ele está com ciúmes de você, obviamente! – Ava disse rindo.
— Não sei Ava, ele foi estupidamente grosso! Ele nunca tinha agido dessa forma antes, confesso que fiquei desconfiada.
— Você não vai estar sozinha de qualquer forma, você pode ficar com a gente e também com o Patrick e o Alex! — Ava disse com tranquilidade – fora que tem outros garotos em Hogwarts não é...
— Eu acho que estou farta de tanto drama! – disse e as duas riram novamente.

***


Blake acordara naquela manhã com um único propósito em mente: desmascarar Luke Hampton. O sonserino perdera noites de sono pensando no que poderia acontecer caso continuasse a se relacionar com seu inimigo. O pensamento lhe produziu um arrepio que lhe percorreu a espinha. Pouco se sabia a respeito dos Hamptons era verdade, contudo, Thomas estava certo que seu colega de casa era alguém muito perigoso.
Ele continuava a recrutar alunos da Sonserina e havia boatos de que ele fora incumbido a realizar uma tarefa importante para o Lord da Trevas. Se isso era verdade ou não, essa questão não era a que mais lhe perturbava. Blake continuava a pensar o motivo de ser tão importante e também da insistência de Luke em seu relacionamento com Fernandez.
Ele precisava de mais informações, mas não era articulado o suficiente e possuía pouquíssimos amigos, o que despertaria muitas suspeitas caso saísse pedindo informações por aí, talvez seu desafeto Ronald Weasley pudesse ajudar, seu pai trabalhava no Ministério no final das contas e deveria ter alguma informação valiosa a respeito dos Hamptons.
‘’Weasley sumiu’’ pensou Blake procurando pelo grifinório no salão principal. ‘’O que será que ele deve estar tramando?’’ chacoalhou a cabeça bruscamente, se existia alguém capaz de tirar da do alcance de Hampton esse alguém era ele. Não precisava saber nada dos Hamptons para acabar com o teatrinho sádico de Luke.
Ele percebeu que por algum motivo, e Luke não estavam conversando, talvez fosse uma ótima oportunidade de falar com ela durante o baile e explicar tudo o que ocorrera. Um sorriso torto brotou em seus lábios, uma coisa muito incomum para alguém normalmente tão sério, mas era impossível não lembrar de quando a convidara para o Baile de Inverno, de forma tão inusitada.
‘’ Blake definitivamente não era bom com as palavras. Ele não tinha dificuldade de enfrentar desafios ou até mesmo de jogar quadribol, mas nunca era articulado o suficiente para falar com Fernandez e quem sabe convidá-la para o Baile do Inverno. O sonserino não gostava de admitir, mas estava nervoso, àquela altura, já tinha sido convidada diversas vezes e dissera não para todos seus pretendentes.
Será que ele estragaria a amizade deles caso a convidasse? E se ela dissesse não? Blake estava caminhando para a Sala de Poções quando a viu. tentava recusar o convite de Miguel Corner, quem passara a convidá-la em todas as chances que tinha. Ele caminhou em direção aos dois um pouco irritado. tinha sido completamente clara, por que o corvino não respeitava sua decisão?
— Sinto muito campeão – ele disse passando um de suas mãos pela cintura da garota – será minha acompanhante ao baile – Blake sorriu ainda apertando a garota contra o seu corpo. O rosto de Miguel perdera toda a cor e Blake sorriu por dentro por ser tão ameaçador.
— Você é meu herói, realmente – Blake reprimiu um sorriso ao observá-la tão corada.
— Eu realmente quero ir com você – ele disse – Você aceita ir ao baile comigo?
— Eu iria adorar ir com você Blake – ela respondeu timidamente.’’

Quem sabe finalmente pudesse concertar as coisas e dizer o que gostaria de ter dito há dois anos, mas não disse. Blake levantou-se um salto, saindo a passos largos, sua presença era de tal imponência que os demais alunos abriram caminho para que ele passasse. Não tinha erro, todos sentiam-se intimidados pela sua presença e com Luke não seria diferente, ele acabaria com essa farsa uma vez por todas.

***


sentou de frente para o espelho, passando um pouco de blush em suas bochechas e terminando sua maquiagem com um batom da cor escarlate. Ela gostou do resultado, seus cabelos estavam meio presos e ondulados. Sua aparência estava tão diferente, os seus traços já não eram tão adolescentes, ela se tornava aos poucos a mulher e a bruxa que sempre desejara ser. Ela riu lembrar-se de que no último baile precisou da ajuda de alunas mais velhas para conseguir se maquiar e arrumar o seu cabelo. Ela estava tão nervosa na época.
se admirou no espelho pela trigésima vez, seus cabelos estavam presos em coque propositalmente desleixado, seu vestido verde esmeralda favorecia o tom de sua pele e nunca em sua vida se sentira tão bonita. Será que Blake acharia o mesmo? Ela corou com o pensamento, há um tempo começara a nutrir sentimentos pelo sonserino e já não era capaz de esconder seu desejo de tornar aquela amizade em algo mais.
— É, isso, eu não vou – disse para si mesma, suas mãos suadas de nervosismo.
— Você vai SIM – Ava disse com cara de poucos amigos – Pare de ser covarde! Não combina com você.
— Argh! Onde eu estava com a cabeça quando aceitei o convite dele? – bradou a garota em tom de desespero.
— Mas você recusou o convite de todo mundo, porque estava esperando por ele – disse Ava indignada.
— EU SEI – bufou – mas ainda assim e se ele não sentir o mesmo?
— Você esquece, segue em frente e continua amiga dele! Ninguém é obrigado a ser recíproco – disse Ava com tranquilidade.
— Você faz tudo parecer tão simples – disse — Você vai se encontrar com o Terêncio no salão?
— Sim, achamos melhor nos encontrarmos lá — disse Ava retocando o seu batom – Vamos descer, Blake está te esperando.
— Merlim me ajude – disse e Ava riu.
— Você vai se dar bem!
Blake estava esperando na porta da Sala Comunal da Corvinal, nunca o vira tão elegante, ele vestia um terno preto belíssimo de alta alfaiataria. Ele também segurava um corsage floral da mesma cor do vestido de . Ela chegou a engolir em seco, quando ele, tão rotineiramente sério, sorriu largo para ela.
— Você está...— ele começou a dizer se perdendo um pouco com as palavras. mordeu o lábio em expectativa e o garoto se recompôs novamente – Você está tão linda...
— Você também – sorriu.
— Eu te trouxe um presente – ele disse mostrando o corsage floral e colocando no pulso da garota.
— Eu adorei Blake, é lindo! – disse e o garoto riu um pouco sem graça.
— Vamos?— disse?”
despertou de seu devaneio quando Ava saiu totalmente pronta do banheiro. Thompson sorriu um pouco envergonhada, mas ganhou um olhar encorajador de .
— Você está incrível Ava – disse sorrindo.
— Você não se vestiu ainda?
— Um segundo, pode ir na frente se estiver atrasada, ninguém está me esperando dessa vez – tentou sorrir e Ava a trouxe para um abraço.
— Te vejo depois? – Ava perguntou e consentiu com um aceno.

***


Blake apreciou sua imagem no espelho por alguns minutos, seus traços tão diferentes da última vez que frequentara um baile em Hogwarts, mas não era só isso que mudara. Thomas não era mais o mesmo. Ele que sempre se sentira como um adulto, estava cada vez mais maduro para a sua idade. O sonserino se dirigiu ao Salão Principal devagar, sem conter o nervosismo, principalmente diante de uma noite tão decisiva para ele.
Quando passou pelas portas do Salão e observou todas aquelas pessoas, pensou em como era possível se sentir tão só. Ele colocou as mãos no bolso de seu terno verde escuro e se dirigiu para um lugar mais estratégico, onde pudesse avistar assim que chegasse. Blake percebeu que a garota não estava com sua melhor amiga Ava, a qual estava acompanhada pela lufana Suzana Bones. Suas mãos suaram frio de nervosismo e uma pedra do tamanho de um punho parecendo pesar em seu estômago vazio.
Será que ela viria? Ele se perguntou, seu olhar sempre atento à porta. Blake se serviu de uma taça de ponche de frutas vermelhas e tomou o líquido de uma vez só, na falha tentativa de acalmar seus nervos, a bebida tinha tão pouco álcool que ele duvidou que o ajudaria naquele momento. Ele suspirou desviando seu olhar para as janelas de onde era possível perceber que flocos de neve começaram a cair, bem como a última vez.
‘’ Blake ofereceu o braço a que aceitou gentilmente, suas bochechas coraram no exato momento e o sonserino achou aquilo adorável. Os dois caminharam devagar e em silêncio para o Salão. Ele se culpou por isso, ficava tão nervoso na presença dela, que as palavras pareciam fugir de sua boca, mesmo que tivesse treinado milhares de vezes. Blake arranhou a garganta um pouco desconfortável. Ele era melhor em atitudes do que com as palavras, mas e se acabasse estragando a amizade dos dois?
— Você está bem? – perguntou tocando o braço dele com delicadeza – suas mãos estão geladas.
— Esse terno não é tão quente como parece – disse ele sem pensar fazendo uma careta por causa de sua resposta burra. , no entanto, abriu um daqueles sorrisos que ele amava e Blake se sentiu confortável em ser ele mesmo.
— Thomas Blake com frio? E eu achava que você não era humano – os dois riram levemente.
— Espero que seus sapatos sejam confortáveis – ele disse olhando para os pés da garota – porque hoje vamos dançar até o dia amanhecer.
— Eu vim preparada – disse.’’
Blake sorriu com a lembrança, sua expressão logo se esvaindo assim que Luke Hampton, entrou no Salão, para sua sorte ou não, sem a companhia de .

***


Luke mexeu na gravata sentindo-se um pouco desconfortável. Olhou no Salão e não avistou Fernandez em lugar algum. A garota tinha se recusado a falar naquela semana e tal atitude o deixou desestabilizado, afinal, como pode reagir de tal forma? Um trabalho de meses que estava indo para água abaixo porque ele não conseguia se comportar? Por que estava sentindo ciúme de uma sangue-ruim?
O pensamento lhe gerou desconforto, de repente chamá-la de sangue-ruim de certa forma começou a incomodá-lo, pensar na reação de Rony Weasley e do beijo que dera em seu rosto, o incomodava ainda mais, a ponto de querer azará-lo por isso. Como ele ousa? Um traidor do próprio sangue reivindicar algo que era seu?
‘’ é minha’’ – o garoto disse com raiva, se chocando com as próprias palavras. É claro que ele se referia apenas ao plano, ele não estava apaixonado. Luke riu de sua própria besteira, se questionou por um minuto se estava febril. Como alguém como ele poderia estar envolvido com uma sangue ruim? Ele precisava se concentrar, tinha certeza de que tudo não passava de um desejo físico adolescente.
O sonserino endireitou a postura, lançando um olhar sedutor para um grupo de meninas da sua casa. Ele procuraria conforto nos braços de qualquer uma delas em uma tentativa de tirar essa bobagem de sua cabeça. Ele pode observar que Thomas Blake o encarava do outro lado do Salão e logo recuperou seus sentidos, se ele pensava que poderia contornar a situação de alguma forma, ele estava muito, muito enganado.

***


— O que você está fazendo? – Harry perguntou a Rony que terminava de vestir seu terno para o baile de Halloween. – Nós vamos atrás do Malfoy, se lembra?
— Você não acha que vai ser muito suspeito nós estarmos com nossas roupas normais enquanto todos estão no Baile? – disse Rony erguendo uma sobrancelha.
— Tem razão, assim ninguém vai desconfiar – disse o menino abrindo o seu guarda-roupa
Rony sorriu terminando de arrumar a sua gravata em frente ao espelho, finalmente, estava vestido de forma decente. Talvez nunca vestira uma roupa tão legal em toda a sua vida. Ele mandaria uma carta em agradecimento aos seus irmãos Fred e Jorge pelo ótimo bom gosto. Rony se entristeceu por um momento, pensando em e o quanto gostaria de ser o seu par, mas não perdeu a esperança, quem sabe poderia passar no lugar mais tarde e compensar pelo tempo perdido.
— Você está pronto? – disse Rony a Harry.
— Sim, vamos logo, quanto antes melhor – disse Harry terminando de arrumar a sua gravata.
— E a Hermione? – perguntou o ruivo a Harry.
— Não disse nada a ela, ela não iria ajudar de qualquer forma, acho que não irá ao baile também – disse Harry olhando o amigo de canto.
— Não me olhe com essa cara Harry – disse Rony – Eu não tenho culpa dela estar chateada, você sabe que eu gosto da ...
— Ela parece ser muito legal mate, além de ser uma jogadora incrível – Harry disse colocando uma das mãos no ombro do amigo – Vamos logo! Quem sabe você ainda consegue encontrar a sua garota no baile.
O rosto de Rony se iluminou em resposta.

***


caminhou com confiança, seu vestido de tule cinza era adornado com bordados de flores, mangas bufantes e uma fita vermelha em sua cintura. Não cansou de admirar o seu reflexo e sentia-se totalmente plena e bonita naquele vestido. Os corredores do castelo estavam vazios, provavelmente porque ela estava mais atrasada do que de costume.
Ela apressou o passo, chegando até a porta, onde parou por um momento para apreciar o ótimo trabalho de decoração dos professores. Luzinhas douradas caiam do teto como se fossem flocos de neve, iluminando o local em uma mistura de luz e sombra. Ela esticou o pescoço para encontrar seus amigos naquela multidão, Ava acenou de longe e ela sorriu caminhando em direção a amiga, mas foi interrompida por Luke Hampton no caminho.
, por favor... — ele segurou delicadamente no braço dela. O sorriso da garota se esvaiu, lembrando-se de suas palavras rudes e da discussão que tiveram.
— Você... — ele parou para observar a garota dos pés à cabeça, parecendo maravilhado por sua visão – Você está simplesmente deslumbrante...
— Eu preciso ir, Hampton, com licença – ela disse desviando-se dele, mas foi impedida novamente.
— Por favor, , me deixe explicar...— disse o garoto que parecia sinceramente arrependido – Eu fiquei com ciúmes, eu...
— Isso não justifica o seu comportamento – disse ela suspirando fundo – eu não quero brigar, hoje eu só quero ter uma noite em que eu possa curtir com os meus amigos...por favor, você me deve isso....
Luke pareceu ofendido com suas palavras, mas deu um passo para o lado, liberando o seu caminho, seguiu adiante, tentando não se importar tanto. O sonserino respeitou sua decisão, a garota pode curtir a noite ao lado de Ava, Patrick e Alex. O grupo dançou tanto que ela não teve tempo para se sentir só, a não ser quando uma música lenta começou a tocar e todos partiram para a pista de dança em casais.
caminhou sozinha para o outro lado do Salão, sorriu ao ver Ava e Suzana juntas, bem como Alex e Patrick, ela ficava feliz pelo fato de estarem curtindo tanto esse momento, sabendo que ele não se estenderia para o próximo ano. Ela levou a taça com ponche aos seus lábios, servindo-se de um grande gole, quando Thomas Blake entrou em seu campo de visão.
Ele ficava inegavelmente bonito naquele terno verde escuro, não pode deixar de notar o seu porte tão atlético e como as feições do garoto tinham se transformado na de um homem feito. Ela teve vontade de se bater, principalmente porque esse sentimento a lembrava daquela menina que fora completamente apaixonada por Blake e nunca fora correspondida. Ele caminhou lentamente em sua direção e ela engoliu em seco. Uma avalanche de memórias invadindo a sua mente.
Blake tomou nos braços e a fez girar em seu próprio eixo, tinha aprendido alguns passos de dança o mês inteiro para não fazer feio em frente da garota. riu acompanhando o ritmo dele. Blake não resistiu, seus traços tão lindos, seu sorriso contagiante, quando se deu conta, segurou a garota pela cintura. arregalou os olhos, pressentindo o que viria a seguir, seu coração acelerado denunciava o fato de nunca ter sido beijada antes.
Blake segurou o seu rosto delicadamente e os dois se encararam por longos minutos. Ele colou seus lábios com delicadeza e suspirou de felicidade. Ele desceu uma de suas mãos para a cintura da garota, a outra ainda segurando seu rosto. Blake aprofundou o beijo, inebriado pelo cheiro de seu hidratante corporal e maciez de seus lábios.
— Eu gosto de você Blake – ela disse sorrindo quando se separaram pela primeira vez. Blake congelou, não estava pronto para confessar os seu sentimentos e emudeceu. percebeu o seu choque e chegou à conclusão que entendera tudo errado. Ele apenas se deixou levar pelo momento e gostava dela apenas como amiga.
— Como amigo é claro – disfarçou ela e o menino não disse nada, franzindo as sobrancelhas — Já está tarde! Acho melhor irmos.”
Ela decidira continuar a amizade com o sonserino e os dois nunca mais tocaram no assunto desde então. Uma música lenta começara a tocar e se deu conta que era a mesma de quando o beijou pela primeira e única vez.

I don't really give a damn about the way you touch me
When we're alone
You can hold my hand
If no one's home
Do you like it when I'm away?
If I went and hurt my body, baby
Would you love me the same?
I can feel all my bones coming back


— Fernández – disse ele acenando com a cabeça.
— Blake — disse ela um pouco nervosa.
— Você quer dançar? – perguntou ele estendendo a mão para ela. Ele prendeu a respiração pensando que ela não aceitaria, mas para sua surpresa, aceitou seu convite. Blake sentiu o ar de seus pulmões se esvair assim que a trouxe para perto, segurando em sua cintura, sentindo o cheiro característico de seu perfume hidratante.

And I'm craving motion
Mama never really learns how to live by herself
It's a curse
And it's growing
You're a pond and I'm an ocean
Oh, all my emotions
Feel like explosions when you are around
And I've found a way to kill the sounds, oh


— Você se lembra da vez que viemos juntos? – perguntou ele.
— E tem como esquecer? – disse ela um pouco sem graça.
— Você sabia que eu não sabia dançar e aprendi só pra poder dançar com você?
— Você era tão natural – se surpreendeu arregalando os olhos.
— Eu estava tão nervoso...
— Você? Nervoso? – ergueu uma das sobrancelhas.
— Eu estou nervoso nesse exato momento – ele disse apertando a cintura da garota de leve – Você está tão, tão linda...


Oh, baby, I am a wreck when I'm without you
I need you here to stay
I broke all my bones that day I found you
Crying at the lake
Was it something I said to make you feel like you're a burden?
Oh, and if I could take it all back
I swear that I would pull you from the tide


— O que você quer dizer? – disse ela.
— Eu quero pedir desculpas – ele disse parando por um momento – , eu fiz tudo errado! Eu deveria ter dito naquele último baile que eu também gostava de você e não só como amigo...
prendeu o fôlego.
— Eu...eu achei que você queria só minha amizade – disse ela com a voz trêmula.

Oh, whoa, whoa, whoa
I said no (I said no), I said no (I said no)
Listen close, it's a no
The wind is a-pounding on my back
And I found hope in a heart attack
Oh at last, it is past
Now I've got it, and you can't have it


, eu sou tão burro! – disse ele com eloquência, segurando o rosto da garota – eu sou péssimo nisso, em falar sobre mim, meus sentimentos...e acertar as coisas. Eu não me afastei de você por causa do Weasley, eu me afastei de você, porque Luke Hampton está na minha cola!
— Como assim? – ela disse em choque.
— Ele está recrutando alunos para o exército do Lord das Trevas e por alguma razão que eu desconheço, ele quer a mim também, eu estava tentando te proteger, mas deixei o caminho aberto para ele...
— Quer dizer que Luke está me usando?

Baby, I am a wreck when I'm without you
I need you here to stay
I broke all my bones that day I found you
Crying at the lake
Was it something I said to make you feel like you're a burden, oh
And if I could take it all back
I swear that I would pull you from the tide


— Você não vai acreditar numa besteira dessas, não é ? – Luke surgiu do nada, interrompendo a conversa dos dois.
— Como você ousa dizer uma coisa dessas? – Blake retrucou, parando de dançar, seu rosto se fechando no mesmo instante. O garoto perdeu a razão indo em direção ao garoto e pegando Luke pelo colarinho – Como pode ser tão cínico?
— Não é óbvio ? BLAKE está te usando para chegar até mim! É A MIM que o Lord das Trevas quer – Luke vociferou se desvencilhando de Blake, que riu incrédulo.

Darling, when I'm fast asleep
I've seen this person watching me
Saying, "Is it worth it? Is it worth it? Tell me, is it worth it?" Oh
Guess there is something, and there is nothing
There is nothing in between
And in my eyes, there is a tiny dancer
Watching over me, he's singing
"She's a, she's a lady, and I am just a boy"
He's singing, "She's a, she's a lady, and I am just a line without a hook"


— VOCÊ É IMUNDO – disse Blake sacando a varinha no mesmo momento. Luke fez o mesmo.
— Você não acha muito estranho, ele chegar em você depois de todo esse tempo, só porque agora nós estamos juntos? – Luke disse sem conter um sorriso cínico, o qual passou despercebido por .
, nós nos conhecemos desde sempre, o que você sabe sobre Luke? – argumentou Thomas.
— E o que eu sei sobre você Blake? – a garota disse com lágrimas em seus olhos. Blake abaixou a varinha em sinal de derrota – O que eu sei sobre você? Nos conhecemos todos esses anos e até hoje eu nunca soube de seus sentimentos por mim. Eu sei tão pouco sobre você...

Baby, I am a wreck when I'm without you
I need you here to stay
I broke all my bones that day I found you
Crying at the lake
Was it something I said to make you feel like you're a burden, oh
And if I could take it all back
I swear that I would pull you from the tide


, eu... — Blake não soube encontrar as palavras certas para dizer. Luke observava a cena como quem acabara de ganhar um prêmio.
— Blake não é quem diz ser – Luke disse cruzando os braços em seu peito.
— E você também não é Luke – vociferou – Eu não sei o que está acontecendo entre vocês dois, mas me deixem fora disso.
— O que está acontecendo aqui? – disse a professora McGonagall interferindo na discussão e nos ânimos exaltados.
— Nada professora, Blake e Hampton já estão de saída – disse secamente, virando as costas e deixando os dois garotos para trás.

***


Harry e Rony caminhavam pelos corredores com tranquilidade, os dois estavam com seus trajes de festa, dessa forma, não estavam levantando suspeita alguma. Harry abriu o mapa do maroto com um aceno da varinha e começou a procurar pelo nome de Draco Malfoy. Rony auxiliou o amigo, já que o Salão Principal estava cheio de muitos alunos.
Malfoy se encontrava na festa junto com o restante dos alunos, os dois já esperavam por longas horas. Rony estava um pouco mal-humorado, pelo visto, Harry tinha se equivocado e Draco passaria o resto da noite curtindo o baile de Halloween. No entanto, quando os dois estavam prestes a perder as esperanças, o garoto saiu desacompanhado do Salão e para a surpresa de Rony, ele foi seguido por Luke Hampton.
Os dois amigos entraram em baixo da capa de invisibilidade e seguiram os garotos que se dirigiram para outra parte do castelo. Malfoy andava na frente, despreocupado, como se estivesse indo para sua Sala Comunal, quando na verdade estava indo para a direção totalmente oposta. Draco seguiu para o sétimo andar, deserto aquele horário e esperou por Luke, que chegou um pouco depois.
Harry e Rony estavam logo atrás, encobertos pela capa de invisibilidade, trocaram olhares desconfiados.
— Hampton – disse Malfoy com um aceno na cabeça. Luke acenou de volta, continuando em silêncio. Os dois esperaram um momento para ter certeza de que ninguém chegaria no local. Harry e Rony não ousaram respirar nesse momento.
— Você já conseguiu um meio deles entrarem na escola? – Luke perguntou ainda olhando para os lados.
— Ainda não – respondeu Malfoy um pouco trêmulo.
— O Lord das Trevas está ficando impaciente Draco – Luke disse – Nós todos vamos pagar pela sua incompetência.
— Você quer mesmo falar de incompetência Hampton? – Draco disse em um tom ríspido e astuto. Luke se calou imediatamente – Você só fará parte quando conseguir completar a sua tarefa...
— É aí que você se engana Malfoy – Luke disse levando a barra da manga esquerda e apontando a varinha – ‘’Revelio’’ – assim que ele o fez, a marca negra apareceu dançante em seu braço.
— Eu já sou um deles... – Luke sorriu com satisfação.
A conversa foi interrompido pelo som de passos. Os dois trataram de seguir caminhos diferentes, sem nem ao menos suspeitar que Harry e Rony presenciaram toda a cena. Os dois voltaram para próximo do Salão Principal, onde puderam finalmente despir a capa.
— Eu sabia...eu sabia que ele era um Comensal – disse Rony se referindo a Luke.
— Malfoy também deve ser – Harry comentou com raiva – Precisamos avisar alguém!
— E como vamos provar Harry? – Rony disse – Nós nem podemos dizer que vimos isso sem entregar o fato de que você tem a capa de invisibilidade.
— Vou ficar de olho nele enquanto penso em alguma coisa – Harry disse. Rony suspirou fundo, pensando em uma forma de como provar para que Luke não era quem ela pensava ser.
— O que você está esperando? – disse Harry.
— O que você quer dizer?
— O baile ainda não acabou – Harry disse – vai atrás dela.
Rony olhou o relógio de pulso e sorriu apressando o passo para o local do evento.


***
limpou as lágrimas e caminhou de volta para o grupo de amigos como se nada tivesse acontecido, ela não queria estragar a noite deles de forma nenhuma, por mais que sentisse seu coração quebrar por dentro. Ava dançava animadamente com Suzana e agradeceu pelo fato dela não ter presenciado a discussão. Ava ficaria preocupada com ela como sempre e não aproveitaria a noite como se deve.

I was distracted
And in traffic
I didn't feel it
When the earthquake happened
But it really got me thinkin'


Essa noite não era sobre ela e suas confusões pessoais, mas sobre aproveitar enquanto ainda podiam. Em uma questão de tempo, tudo ficaria para trás, até mesmo Luke, Blake...e Rony. suspirou tristemente pensando o quanto a vida era injusta, tivera bons anos em Hogwarts, mas ao contrário do que se pensa, ela não era muito corajosa quando se tratava de seus próprios sentimentos.

Were you out drinkin'?
Were you in the living room
Chillin' watchin' television?
It's been a year now
Think I've figured out how
How to let you go and let communication die out


O baile estava chegando ao seu ápice, mas resolveu ir embora mais cedo. Ela lançou um olhar em direção aos amigos, que dançavam lentamente, tão apaixonados e ela fechou os olhos bem forte como uma forma de gravar esse momento em sua memória para sempre.
I know, you know, we know
You weren't down for forever and it's fine
I know, you know, we know
We weren't meant for each other and it's fine
But if the world was ending
You'd come over, right?


— Espero que eu não esteja tão atrasado – disse Rony e abriu os olhos no mesmo instante. O garoto estava parado em sua frente, sorrindo e estendendo uma mão para ela.
— Rony? – disse incrédula – Mas você disse que não vir...
— Você guardou sua última dança para mim? – ele perguntou sorrindo de lado e ignorou sua mão estendida, se jogando com força em seus braços.
— Eu não acredito! – disse ela.
— Eu sou bem real – brincou ele convencido e os dois riram – Wow...você está...incrível – Rony a pegou pela mão e a girou em seu próprio eixo.

You'd come over and you'd stay the night
Would you love me for the hell of it?
All our fears would be irrelevant
If the world was ending
You'd come over, right?


— Vem dançar comigo – ele disse e se deixou conduzir para o meio da pista de dança.
passou seus braços ao redor do pescoço de Rony e ele desceu suas mãos para sua cintura, aproximando seus corpos. Ele sorriu um pouco sem graça e sorriu junto encantada por aquele momento. Ele juntou sua testa com a dela, conduzindo a dança em um ritmo lento e a corvina pode sentir seu coração pular de felicidade.

You'd come over and you'd stay the night
Would you love me for the hell of it?
All our fears would be irrelevant
If the world was ending
You'd come over, right?


— Seu coração está batendo tão rápido – disse e Rony riu baixinho.
— É assim que eu me sinto toda vez que estou perto de você – Rony disse – Eu sei, é clichê, mas é real...
sorriu e Rony passou a mão pelo rosto da garota em um gesto carinhoso, dessa vez, não precisava ter pressa, poderia beijá-la no seu tempo. Rony colou seus lábios gentilmente em um beijo tranquilo, mas ainda assim urgente.

The sky'd be falling and I'd hold you tight
And there wouldn't be a reason why
We would even have to say goodbye
If the world was ending
You'd come over, right?
Right?


Quando se separaram por um minuto e olharam profundamente um nos olhos do outro, sabiam exatamente o que fazer. Rony passou o polegar pela bochecha da menina, totalmente maravilhado pelo momento e logo a puxou por uma das mãos a conduzindo para fora do Salão Principal. seguiu Rony para um lado mais deserto do castelo de Hogwarts, engoliu em seco, um pouco nervosa, a lembrança do beijo dos dois a desestabilizando novamente. Os dois caminharam em silêncio, o sentimento falando por si só até chegarem em um corredor sem saída.
I tried to imagine
Your reaction
It didn't scare me when the earthquake happened
But it really got me thinkin'
That night we went drinkin'
Stumbled in the house
And didn't make it past the kitchen
Ah, it's been a year now
Think I've figured out how
How to think about you without it rippin' my heart out


— O que estamos fazendo aqui? – perguntou um pouco confusa.
— Em um dos lugares mais legais de Hogwarts – Rony disse parando de frente para a parede e logo depois, uma porta se materializou na frente deles – A sala precisa.
— Sala Precisa? – riu encantada, tinha ouvido falar desta sala e lido sobre a mesma em alguns livros sobre Hogwarts, mas nunca foi capaz de encontrá-la.
— Não seremos interrompidos aqui – ele disse assim que abrir a porta e tentou não tremer de tanto nervosismo.

I know, you know, we know
You weren't down for forever and it's fine
I know, you know, we know
We weren't meant for each other and it's fine
But if the world was ending
You'd come over, right?



nem pode explorar a sala, porque no momento em que Rony fechou a porta, ele grudou seus lábios nela, seus braços fortes a envolvendo em um beijo cheio de saudade e carinho. sabia que precisavam conversar, ajustar os pontos, mas o sentimento falava mais forte do que tudo. Ela retribuiu o beijo, dando um impulso em seu colo e entrelaçando as pernas ao redor da cintura do garoto.
Ela não soube como ele conseguiu carregá-la em meio a tantos metros de tecido, mas ele deu seu jeito, quando se deu conta, os dois estavam em cima de uma espécie de sofá fofo e ele logo deitou-se sobre ela. Rony aprofundou o beijo, apertando o seu corpo contra o dela e arfou de desejo.

You'd come over and you'd stay the night
Would you love me for the hell of it?
All our fears would be irrelevant
If the world was ending
You'd come over, right?


Ele a beijou no pescoço e fez uma trilha de beijos até o decote do vestido da garota. jogou a cabeça para trás sentindo o contato de seus lábios quentes, aproveitando a sensação de sentir suas mãos firmes pela sua cintura. Rony subiu suas mãos para as costas da menina, abrindo delicadamente o vestido e a deixando totalmente despida. estava apenas com a parte debaixo, porque seu vestido não permitia o uso do sutiã.
Ela corou fortemente quando ele passou os seus olhos famintos pelo corpo dela, admirando-a como se fosse uma obra de arte. Ele passou a mão delicadamente pelo seu corpo, tocando sua cintura e depois os seus seios despidos.
— Você é tão, tão linda...— ele disse e ela riu, corando de vergonha – Você não tem ideia do quão linda você é, não é?

The sky'd be falling while I'd hold you tight
No, there wouldn't be a reason why
We would even have to say goodbye
If the world was ending
You'd come over, right?
You'd come over, right?
You'd come over, you'd come over, you'd come over, right?


sorriu o puxando para perto abrindo os botões de sua camisa rapidamente para sentir o corpo do garoto contra o dela. Ela sentou-se nua de frente para ele, observando seu tronco desnudo, passando suas mãos delicadas, atenta a cada detalhe e ele arfou com esse contato tão delicado, mas ao mesmo tempo tão íntimo. Os dois voltaram a se beijar com mais eloquência, suas mãos explorando cada pedaço de pele de cada um. quis continuar beijando o garoto até o dia amanhecer, mas achou necessário ser consciente nesse momento.
— Ron, você deve saber que eu nunca...eu nunca...fiz...— disse ela sem graça.
— Tudo bem...— ele disse se aconchegando no sofá e abrindo os braços – Vem cá...
sorriu deitando em seu peitoral e ele a abraçou bem forte.
— Não quero apressar as coisas, tudo no seu tempo...tudo bem? – ele disse e sorriu tentando não demonstrar o quanto essa prerrogativa a incomodava. E se eles não tivessem todo tempo do mundo?

***


As mãos de Blake estavam feridas depois de deferir um golpe violento em sua mesa de cabeceira a ponto de parti-la ao meio, ele quebrou quase tudo que estava ao seu alcance, sua sorte é que poderia reparar tudo com a varinha, caso contrário, seus colegas de quarto não ficariam muito felizes com a destruição do dormitório. O ímpeto logo se dissipou e foi substituído por um estado de introspecção e reflexão profunda.
– Como pude ser tão idiota — praguejou Blake. – Aquele desgraçado — continuou Blake como se não pudesse evitar por pra fora toda a raiva que estava sentindo, essa emoção era nova para ele. Jamais se sentira tão decepcionado consigo mesmo, orgulhava-se de sua postura e suas decisões sempre foram muito ponderadas.
Contudo, era inegável o fato de que subestimara Luke Hampton, nunca lhe passara pela cabeça que o rapaz pudesse ser tão astuto e baixo a ponto de conseguir colocar contra ele. O pensamento deixou Blake muito deprimido, a imagem do sorriso dissimulado de Hampton ainda fixo em sua mente.
Finalmente chegou a uma conclusão: ele nunca fora muito articulado, apesar de sua notável inteligência, Blake sempre foi um rapaz de poucas palavras, não intimidava os outros garotos por possuir uma admirável eloquência, mas sim pela sua presença imponente, seu tamanho e sua força.
Um pequeno léxico de palavras bem trabalhas lhe fazia falta agora, era exatamente o que ele precisava para enfrentar alguém como Luke Hampton. Sentindo-se a pessoa mais fracassada do mundo, Blake deitou em sua cama, ainda vestido com a roupa do baile. Ele observou sua gaita de boca na mesa de cabeceira e percebeu que nem o instrumento o ajudaria naquele momento.
Ele tentou pensar em algo que pudesse reverter toda aquela situação, mas o sentimento de impotência era tão grande que Blake não viu outra saída, a não ser esforçar-se para não se deixar tomar conta pelo medo e com esse pensamento aos poucos, ele adormeceu.

Capítulo 10 - O Começo do Fim

Ninguém consegue se preparar para uma tragédia, você se prepara a partir do que você antecipa, mas nem sempre o que se antecipa é realmente o que acontece. É impossível prever a dor para tentar proteger-se dela, não se pode reproduzir de verdade o que só se imagina, por isso a dor da tragédia lhe partirá o coração, não importa o quanto você esteja preparado para ela.
Geralmente, elas ocorrem em dias extraordinariamente comuns, imprevisíveis e capazes de destroçar pessoas, famílias e vidas inteiras. levantou naquela manhã de segunda-feira certa de que viveria um outro dia comum, talvez nem tão comum assim, não depois do que acontecera entre ela e Rony Weasley. Ela se observou no espelho, levando as mãos em seus lábios como se ele tivesse a beijado há poucos minutos.
fechou os olhos lembrando-se da noite do Baile de Halloween, um calor tomando conta de seu corpo instantaneamente ao lembrar de seu toque tórrido sob a pele. Um rubor subiu as suas bochechas ao pensar em sua nudez e da forma que os olhos dele, aqueles olhos azuis feito céu, turvos de desejo como tempestade, percorreram cada milímetro de seu corpo, o memorizando visualmente.
Sua nudez não a incomodou ou a deixou desconfortável, não quando sua conexão com o garoto era tão forte a ponto de sentir que ele pudesse enxergar além do corpo físico e suas imperfeições, mas traços profundos de sua alma. Seu coração se apertou um pouco ao pensar no que o futuro reservava para eles.
— Temos tudo, menos tempo – murmurou ela como se falasse com o próprio reflexo, esperando quem sabe, uma resposta para todas as suas dúvidas.
— Disse alguma coisa? – perguntou Ava terminando de se vestir.
— Parece que alguém está um pouco distraída – não perdeu a chance, olhando para a amiga de soslaio, a qual ficou corada imediatamente – Eu achei que não iria viver para ver Ava Thompson apaixonada.
— Eu não sei do que você está falando – Ava resmungou irritada.
— Talvez, eu devesse mencionar o nome...? – ergueu uma das sobrancelhas em sinal de desafio e Ava bufou.
— Não é o momento para me apaixonar — Ava disse pensativa se referindo a um motivo desconhecido que sabia em seu íntimo o que era.
— Na verdade, talvez o melhor momento é o agora – disse.
— Quando você ficou tão boa em dar conselhos? – Ava perguntou, um sorriso querendo brotar no canto de sua boca.
— Uma palavra para você: trauma – soltou uma risada abafada.
— O que o Weasley fez para te traumatizar? – Ava sorriu maliciosamente.
gargalhou jogando a cabeça para trás.
— Essa é a Ava que eu conheço.
— Por falar nisso, o que você queria me contar sobre o baile?
— Tive uma briga com o Blake e o Hampton – suspirou, sentando-se novamente em sua cama.
— Que horas isso aconteceu? Por que você não me contou? – Ava disse.
— Não quis estragar sua noite com os meus dramas pessoas – riu sem humor, mas Ava continuou a encarando com seriedade.
— Você pode me contar agora – Ava insistiu e a corvina começou a contar sobre tudo o que aconteceu entre ela e Blake, bem como a briga que tiveram e das revelações impactantes de Luke.
— Essa história está muito mal contada ! – Ava disse estreitando os olhos – Thomas Blake, um comensal disfarçado? Acho muito difícil de acreditar.
— Mas Luke disse...— continuou.
— Você sabe que odeio tomar lados, ainda mais quando se trata de você, mas nesse caso, eu concordo com o Blake! Vocês se conhecem há anos, o que você sabe sobre o Luke Hampton, realmente?
parou por um instante, vasculhando todos os seus pensamentos.
— Muito pouco, na verdade, quase nada...
— E se o Luke estiver manipulando você contra o Blake? – Ava perguntou intrigada – E se o Blake estiver certo e Luke for realmente um comensal da morte?
— O que eu faço, Ava? – perguntou exasperada.
— Vamos pensar em alguma coisa! – Ava disse a segurando pelas mãos – Me desculpe...
— Pelo o que? – a encarou confusa.
— Se eu não tivesse te incentivado a ficar com o Luke, talvez você nunca teria se aproximado dele! Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com você! – Ava disse, seus olhos marejados.
— Você não tinha como saber! – a trouxe para um abraço fraternal – Nada disso é culpa sua! Se tem algum culpado, nós vamos descobrir!
Ava se recompôs, limpando as lágrimas com pressa.
— Vamos, se não, vamos nos atrasar.
As duas percorreram o caminho até o Salão Principal apressadas, estranhou o fato de não encontrar nenhum aluno nos corredores, o castelo estava estranhamente silencioso. Ela franziu a testa olhando ao seu redor, um aperto começando a brotar no seu peito. engoliu em seco, tentando não se deixar possuir pelo medo. Ava lhe lançou um olhar preocupado e imediatamente, as duas amigas aceleraram ainda mais o passo, a ponto de estarem quase correndo, a sola de seus sapatos batendo contra o piso de mármore do castelo, sendo o único ruído a ecoar em toda parte.
Elas chegaram acompanhadas de alguns outros alunos, que estavam tão perdidos quanto, para a surpresa de , o professor Dumbledore estava presente e esperava pacientemente a chegada dos alunos atrasados. A corvina olhou ao seu redor, percebendo os rostos apreensivos dos colegas e seu estômago revirou. Ela buscou o olhar de Rony na mesa da Grifinória e para seu alívio ele a encarava de volta, seus lábios, no entanto estavam comprimidos em uma fina linha, seus olhos exalando preocupação mesmo que tentasse evitar.
Assim que se sentou na mesa da Corvinal, deslizou o olhar para o jornal do Profeta Diário daquela manhã, o qual continha a seguinte manchete: ‘’ATAQUE A COMUNIDADE TROUXA DEIXA 50 MORTOS’’. No corpo da notícia, uma lista de nomes de pessoas assassinadas, pais e parentes de muitos estudantes em Hogwarts. Lágrimas turvaram a visão da menina e começaram a escorrer livremente pelo seu rosto, quando ela esticou sua mão trêmula para pegar o jornal em sua frente.
Ela fechou os olhos por um instante, totalmente apavorada, torcendo no fundo do seu íntimo, que o nome de seus pais e irmãos não estivessem naquela lista.
? – a voz de Ava saiu esganiçada e suspirou fundo, reunindo toda a coragem que possuía para abrir os olhos e ler a notícia a sua frente.
Ela passou os olhos pelas informações, as quais revelam o ataque em um dos bairros do subúrbio de Londres, Enfiled, o local da morada de sua família e também da de Ava. reconheceu o local destruído por chamas, uma antiga praça, centro do comércio do bairro, a quatro quadras da sua casa.
Ela prendeu a respiração ao passar seus olhos pela lista de mortos e feridos, reconheceu vários nomes, toda a família da estudante Ana Abbott e os pais de Eloise Mitchell da Corvinal. O casal de idosos, Eloir e John, donos da padaria, onde ela e sua mãe costumavam tomar café também. Os irmãos Jake e Noah, seus vizinhos, tão jovens quanto ela, estavam na lista também. Eles costumavam brincar juntos e irem a mesma escola antes de receber a carta para Hogwarts.
— Eles não estão aqui – disse um soluço de alívio saindo por sua boca, lágrimas escorrendo pelo seu rosto livremente. Ava chorava copiosamente ao seu lado, seus soluços abafados contra a sua mão.
viu Rony ameaçar se levantar para correr em sua direção, mas ele foi impedido pelos amigos, porque o professor Dumbledore se dirigiu a frente do Salão para falar com todos os alunos.
— Vivemos tempos difíceis – começou ele com sua usual voz solene – E nos solidarizamos com os parentes de todas as vítimas. O ataque foi orquestrado por Voldemort e seus Comensais da Morte – houve murmúrios por todo o salão – Gostaria de trazer palavras de conforto, mas receio que no momento, precisamos de extrema cautela.
Um silêncio estarrecedor percorreu o salão, lentamente, os alunos começaram a se dirigir as suas aulas. Rony não hesitou em correr em direção a e ela se jogou em seus braços como se sua vida dependesse disso.
— Que tipo de pessoa chora de alívio e não de pesar pelos mortos? – disse com a voz trêmula e Rony se desvencilhou dela por um instante, levantando seu rosto com as mãos.
— Você não tem culpa de sentir alívio! Nada disso é seu feito – ele disse com a voz firme, a trazendo novamente para um abraço afetuoso.
— Eu conhecia todas aquelas pessoas...— disse, seu olhar buscava o de Rony como quem procura por redenção – Jake e Noah, eles eram tão jovens...
O ruivo a abraçou com força, os dois ficaram abraçados por longos minutos e por mais que as aulas fossem começar em pouco tempo, ninguém ousou interromper o momento deles e de todos os outros alunos que ficaram abalados pela notícia. levou um tempo para conseguir se acalmar completamente, Rony não a soltou nem por um segundo, suas mãos tremiam com a força daquele abraço. O peso da incerteza e medo revirando o seu estômago, certo de que não saberia lidar se aquele tipo de tragédia tivesse atingido sua família ou até mesmo ...ou Harry e Hermione.
— Escute, você não precisa ir a aula hoje, nós podemos fazer alguma outra coisa, tenho certeza que os professores não se importarão – Rony sugeriu.
— Tem certeza? – fungou.
— Eu vou falar com a professora McGonagall – disse o garoto – Você vai ficar bem Thompson? – Rony estendeu a preocupação para Ava.
— Eu vou sim Weasley – Ava disse sorrindo fraco – Cuide bem dela
— Eu volto já – disse ele dando um beijo na testa da garota e caminhando em direção a regente da Grifinória.
— Você tem certeza Ava? – a olhou com seriedade.
— Tudo bem! Eu lido melhor com essas coisas ocupando a cabeça – Ava disse se levantando – Vou perguntar a professora Sprout se ela tem algum serviço, braçal, de preferência...
— Qualquer coisa você, me procura – disse, seu coração se aquecendo ao entrelaçar seus dedos com os de Rony e sair do salão acompanhada por ele – Seus amigos vão ficar bem? – perguntou um pouco incomodada com o olhar que a melhor amiga de Rony lhe lançara da mesa da Grifinória.
— Os pais da Granger são trouxas, não são? – disse com tristeza.
— Ela está preocupada – Rony disse franzindo a sobrancelha – mas os pais dela não estão no país no momento, eles foram visitar a família na França...Você precisa mais de mim do que eles agora...
— Obrigada – disse, seus olhos marejando de pura gratidão. Rony a encarou com um sorriso triste, plantando um beijo no topo da cabeça da menina, conduzindo os dois para os jardins.
O tempo não estava dos melhores, mas os dois caminharam em silêncio, por longos minutos, apreciando a paisagem gelada, a temperatura diminua gradativamente no mês de dezembro e naquele ano em específico, eles esperavam um inverno rigoroso. sentiu como se isso fosse um tipo de mal presságio e de repente, aquela paisagem coberta de gelo, não lhe parecia mais tão tranquila. Ela apertou o casaco contra si mesma e Rony a trouxe ainda mais para perto, roçando o seu queixo contra seus cabelos densos e volumosos. Ela sorriu pensando o quanto desejara tal proximidade entre os dois.
— Você quer conversar? – disse ele colocando uma mecha de cabelo da garota atrás da orelha.
— É só que...— começou e parou por um momento tentando controlar a sua ansiedade – ser uma bruxa, possuir toda essa magia e ser incapaz de proteger meus pais nesse momento, é tão frustrante...
— Minha família é toda bruxa e ainda assim, toda vez que meu pai sai para trabalhar no Ministério, eu fico pensando se ele voltará vivo para casa ou se eles irão se aproveitar do fato de eu ser próximo ao Harry...
— Ninguém está a salvo, não é? – disse um pouco triste e Rony a trouxe para um novo abraço – Harry é o Eleito, não é?
— É o que dizem...— Rony disse evasivo – desculpe, eu confio em você, mas isso não é meu segredo para contar...
— Tudo bem, Ron – sorriu compreensiva – Você conhece o Harry há muito mais tempo e eu sei como vocês são próximos...
— Você se tornou importante para mim também – ele disse – um dia quem sabe, vou poder compartilhar algumas coisas...
— Eu sei e entendo que você não pode me contar tudo – ela disse – mas eu preciso saber de uma coisa, você já sabe, o que vai fazer no ano que vem?
Rony observou o lago a sua frente, seu pensamento vagando por alguns minutos, pequenas linhas de expressão saltavam no canto de seus olhos, o que a fez pensar de que isso era um pensamento recorrente em sua mente.
— Não tenho certeza – ele disse com a voz embargada – mas estou com o Harry desde o início de tudo...Isso não era algo que eu gostaria de discutir com você agora, mas parece que temos tudo, menos tempo...
suspirou tristemente.
— Eu não esperava menos de você, na verdade, eu sempre soube que você iria acompanhá-lo para onde quer que seja...
Rony comprimiu os lábios, desviando o olhar e os dois permaneceram com os olhos fixos no lago a frente por longos minutos.
— Você precisa vir comigo – ele disse de supetão – Eu tenho certeza que ele não se importará...Eu não vou deixar você, não agora que eu te tenho...
— Ron...— foi a única coisa que conseguiu dizer, seu coração transbordando de amor, amor e admiração por aquele garoto.
Ela imaginou uma vida em que pudessem seguir juntos, um mundo sem perigo, um lugar que pudessem explorar, crescer e amadurecer sem tantas preocupações do mundo adulto, mas isso perpassou sua mente por apenas um instante, porque logo pensou em seus pais e irmãos amorosos e de que ela não estava sozinha para decidir.
– Eu não posso deixar os meus pais...
— Nós vamos dar um jeito – ele disse transtornado – Podemos escondê-los na casa da minha família! Vamos pensar em alguma coisa. Você pode participar da Ordem da Fênix...
E ali estava, a chama da esperança, acesa dentro dela mais uma vez. Ron era sua luz no final do túnel, a certeza de que tudo terminaria bem. Ela não conseguiu dizer nada, sua voz embargada demais para falar, se contentou apenas a se aconchegar em seus braços novamente, desejando jamais sair.
— O que é a Ordem da Fenix? – perguntou quebrando o silêncio entre eles.
— É uma sociedade de aurores que lutam contra Você-Sabe-Quem e os seus seguidores – Rony explicou pegando a mão da menina e a conduzindo para a beira do lago – Minha família inteira participa, quer dizer, quase todo mundo, menos o meu irmão Percy, aquele lambe botas do Ministério...você tem que conhecer todo mundo algum dia.
— Você quer dizer a sua família? – perguntou encantada.
— É claro que sim! Você é minha namorada! – disse ele inconscientemente.
— Eu sou? – disse divertida erguendo uma de suas sobrancelhas — Não lembro de você ter me pedido!
— Achei que não era o momento mais apropriado – disse ele um pouco sem graça – mas escapou sem querer.
— Não – disse – É o momento perfeito, é o que temos.
Rony riu fraco, se aproximando dela mais uma vez, olhando profundamente em seus olhos como se ela fosse a sua pessoa favorita no mundo. Os dois se encararam por longos minutos antes de selarem os seus lábios mais uma vez.

***


passou o dia inteiro na companhia de Rony, os dois passearam pelos jardins, almoçaram juntos e conversaram feito um casal de verdade, quando chegou o final do dia e ambos tiveram que seguir para suas respectivas Salas Comunais, ela sentia-se mais confiante em relação ao futuro, ela só não contava com o fato de que Luke Hampton a estaria esperando na porta da Sala Comunal da Corvinal e que era hora de resolver mais uma das pendências desagradáveis da vida.
Ele sorriu para ela, mas o sorriso não atingiu os seus olhos, eles a observavam com tanta frieza que sentiu um arrepio percorrer a sua espinha. Ela parou no caminho, deixando uma distância considerável entre eles. Luke continuou a observá-la talvez com mais intensidade do que antes.
— Quer dizer que você está com o Weasley então? – seus dentes cerrados eram o único reflexo da raiva em seu interior – Um aviso teria sido bem-vindo...
— Eu acho que depois do Baile de Halloween, nós não tínhamos mais tempo para avisos...— respondeu seriamente.
— Você mentiu para mim – disse ele – Você disse que queria ser minha...
— E eu sinto muito por isso – disse ela – mas obviamente você também tinha motivações diferentes para se relacionar comigo. Você é tão mentiroso quanto eu.
— Quem é você de verdade? – Luke perguntou arrogantemente.
— Me responde você Luke, você tem mais a esconder do que eu...— apertou a varinha dentro das vestes instintivamente – Você não tem o direito de me cobrar sinceridade ou lealdade de forma alguma...
O rosto do garoto se contorceu de fúria e ela deu um passo para trás, certa de que ele avançaria em sua direção. pode ver pela primeira vez, a verdadeira face do garoto, o monstro escondido dentro daquele rosto jovem e angelical e pela primeira vez, ela sentiu medo, medo da tormenta e da escuridão daqueles olhos, como um marinheiro que fascinado pelo canto da sereia fora atraído por sua imagem, mas a única coisa que encontrou nas profundezas do mar foi a sua própria morte.
engoliu em seco, seus dedos se apertando tão forte contra a varinha, a ponto de machucar sua pele nos cristais incrustrados no instrumento. Luke voltou a vestir a sua máscara usual, um sorriso voltando a brotar em seu rosto sádico. Ele caminhou devagar na direção da garota e ela não recuou, mantendo sua respiração sob controle.
— É bem o que todos dizem sobre os nascidos trouxas – ele sussurrou em seu ouvido, sua voz rosnando feito um animal perigoso – sangue-ruim sempre aflora.
— Tem razão – disse com calma – Se isso é o que me difere de você, que seja. Não somos iguais e nunca seremos.
— Você vai se arrepender disso – disse ele tranquilamente, uma ameaça por detrás de tanta suavidade, sem mais delongas, ele seguiu seu caminho para as Masmorras da Sonserina.

***


passou alguns dias pensando na ameaça de Luke Hampton, quis mencionar para Rony diversas vezes, mas os dois estavam tão bem que ela não quis estragar todos os ótimos momentos que estavam vivendo juntos. Ela também não mencionou nada a Ava, porque ela estava passando por um momento muito difícil, Ava ficava constantemente nervosa e preocupada com os pais, o que a fez pensar em abandonar o ano em Hogwarts e ir ficar com sua família. a convenceu do contrário, porque precisavam se preparar mais para o que fossem enfrentar, mas muitos nascidos trouxas estavam abandonando seus anos em Hogwarts e fugindo para países vizinhos. Ela não os culpava, mas os compreendia completamente, em seu íntimo, pensou em fazer o mesmo, mas seus pais não iriam por vontade própria.
Não depois de terem imigrado para Inglaterra e passado tantas dificuldades para proporcionar uma vida melhor para os seus filhos. não os convenceria na conversa, ela precisaria de um outro tipo de artifício para mantê-los a salvo. Ela tinha tantas preocupações, que a ameaça de Hampton se tornou secundária. Ele não lhe dirigia mais a palavra, era como se basicamente ela não existisse. não conseguia definir se isso era algo bom ou ruim, convenceu-se apenas de que o garoto estava ‘’extremamente’’ perturbado naquele dia fatídico e não a importunaria de hoje em diante.
É claro que além de perceber seu caráter duvidoso, se deu conta que provavelmente cometera a maior injustiça de sua vida ao acusar Thomas Blake de ser partidário do Lord das Trevas, mas antes de fazer amendas com o colega da Sonserina, ela precisava ter certeza de sua índole, caso contrário, ela estaria entrando em uma confusão maior ainda. E o que ela não precisava no momento era de mais confusões.
Naquele sábado, Ava resolveu ficar descansando ao invés de ir para Hogsmeade e ela tinha combinado com Rony de ir ao povoado para esfriar um pouco a cabeça. Ela encontrou o ruivo sentando com os colegas na mesa da Grifinória e ele fez sinal para que ela se juntasse a eles.
— Bom dia – ela disse cumprimentando Harry e Hermione – acho que não fomos formalmente apresentados! Meu nome é , mas vocês podem me chamar de , se quiserem...
— Sem formalidades por aqui – disse Harry sorrindo, Hermione apenas resmungou um ‘’Bom dia’’ de volta e tratou logo de se retirar da mesa.
— Foi alguma coisa que eu fiz? – perguntou a Rony que se entreolhou com o amigo por um segundo.
— Não é você! Ela está um pouco mal humorada esses dias – ele respondeu e resolveu não tocar mais no assunto, mesmo sentindo que algo de errado estava por trás do comportamento da garota.
— Você vai voltar a jogar quadribol nesta temporada Fernan...quer dizer ? – Harry tratou de mudar de assunto, percebendo o desconforto de todos.
— Eu acredito que não – ela suspirou – ainda estou fazendo tratamento na tentativa de recuperar o meu braço...
— Iria ser divertido enfrentar você em campo – disse Rony em tom de desafio.
— Infelizmente, você não terá o privilégio de perder para mim – os três riram e continuaram a conversar sobre quadribol no geral.
Rony ficou imensamente feliz por terem algo em comum para conversar, seria no mínimo estranho se seus amigos não se dessem bem com a sua namorada. É claro que mais cedo ou mais tarde, ele teria que acertar os pontos com Hermione, ela precisaria aceitar o fato de que os dois eram amigos e faria parte da vida deles daqui em diante.
eu sabia que você é corajosa, mas não ao ponto de namorar o meu irmão – Gina Weasley sentou-se perto do grupo e as duas riram como velhas amigas.
— Dá um tempo Gina – Rony respondeu irritado.
começou a rir da picuinha dos dois, sentindo-se feliz e completa pela primeira vez em muito tempo.
— Espere para conhecer o resto da família – Gina disse continuando a conversar – Fred e George são os piores.
— Eles foram os responsáveis pelos fogos no ano passado, não foram? – disse enquanto todos na mesa acenavam em concordância — Eu nunca vou esquecer daquele dragão correndo atrás da Umbrigde – mais risadas.
— Você vai passar o Natal conosco, não vai? – Gina perguntou incisivamente – Mamãe vai adorá-la – disse para Rony.
— Eu não sei...— disse meio incerta olhando para Rony.
— Eu te convidaria se tivesse TIDO A CHANCE...— ele disse olhando torto para a irmã que sorriu.
— Ninguém mandou ser lerdo... – Gina deu de ombros e Rony lhe lançou outro olhar irado.
— Eu iria adorar...sério – disse um pouco envergonhada, dando uma enorme mordida na torrada em suas mãos. A raiva de Rony pareceu se dissipar em um segundo, um sorriso bobo se formando em seu rosto.
— Vocês são fofos demais para o meu gosto – Gina fez cara de quem iria vomitar, arrancando mais risadas de todos — preciso ir, senão vou me atrasar.
— Você não quer ir a Hogsmeade conosco? – perguntou Harry. ergueu uma sobrancelha para ele como quem desconfia de algo.
— O Dino já me convidou – ela disse dando de ombros – Vejo vocês mais tarde!
— Vamos ir também? – perguntou.
— Vão vocês, acho que vou ficar por aqui – disse Harry.
— Nós não vamos ficar de casalzinho, Harry, você pode vir! – insistiu.
— Mentira, nós vamos ficar sim...— Rony disse e deu um tapa nele. O garoto riu alto.
— Eu gosto dela, Rony – disse Harry se levantando – vejo vocês depois.
— Rony, você vai fazer os seus amigos me odiarem!!! – ralhou com o menino assim que saíram pelas portas do Salão Principal.
— Que bom, porque sou EU que tenho que gostar de você, apenas – ele disse em tom de brincadeira, mas bufou do mesmo jeito – até parece, não é? Eles adoraram você! Claramente, a Gina gosta mais de você de que de mim! – os dois riram.
— Não se preocupe com isso! – ele disse dando um beijo na testa da garota – Vamos nos divertir hoje!
— Você falou sério sobre o Natal? – perguntou aproveitando a maravilhosa sensação de estar de mãos dadas com o menino.
— É claro que sim – disse ele dando um aperto em sua mão – se você não se importar, minha casa é bem modesta...
sorriu.
— Eu vou adorar, mas você vai ter que passar a véspera comigo, essa data é bem importante para a minha família...
— Como é a sua família? – ele perguntou.
— Meu pai é meio turrão, mas no fundo tem um coração enorme – ela começou a dizer com um sorriso – ele é muito trabalhador e sacrificou muito para termos a vida que temos aqui hoje. Ele é a pessoa que eu mais admiro no mundo. Minha mãe tem uma personalidade mais difícil, ela é muito religiosa e ficou super assustada quando recebi a carta de Hogwarts – riu – ela quase teve um ataque do coração! Mas ela é muito amorosa e tem a melhor comida do mundo! Eu também tenho irmãos gêmeos, igual você com Fred e George, eu sei bem o quanto eles podem aprontar...
— Eles parecem ser ótimas pessoas – Rony disse.
— Eles são... — sorriu um pouco nostálgica – Eles são tudo para mim.
Rony parou de andar por um instante, observando com atenção todos os detalhes da garota em sua frente e se sentiu com tanta sorte.
— O que foi? – disse ela.
— Você é linda – disse ele.
Rony a beijou profundamente e apaixonadamente. o abraçou com força, explorando seus lábios macios e quentes. Seu coração, como de costume, estava tão acelerado, que ela se perguntou se um dia se acostumaria a beijar o garoto sem perder toda a compostura.
— Precisamos ir! – disse ela em meio ao beijo – está ficando meio frio aqui fora.
— Ou nós podemos voltar ao castelo e continuar o que começamos aqui – sentiu suas bochechas corarem.
— Nada disso Senhor Weasley! Você me prometeu uma caneca de chocolate com creme extra! E NÃO SE PROMETE CHOCOLATE PARA MIM E NÃO CUMPRE! – Rony riu alto.
— Eu amo como comer é sua prioridade – ele disse – vamos, seu desejo é uma ordem!

***


estava feliz! pensou Blake ao encontrá-la acompanhada de Rony Weasley no povoado de Hogsmeade. É claro que seu coração se apertou e ele sentiu raiva, mas ele tinha que admitir que ela estava melhor acompanhada e agora longe da companhia de Luke Hampton. O qual estava estranhamente quieto nos últimos dias.
Hampton não tentara se aproximar dele em nenhum momento, nem tentar ao menos convencê-lo novamente a participar do plano do Lord das Trevas, para sua surpresa, ele andara sozinho durante toda semana e não conversara com ninguém. Rotineiramente, Luke frequentava suas aulas, fazia suas refeições no Salão Principal e se recolhia cedo todos os dias.
Luke costumava ser alguém influente, rodeado de amigos, o garoto sempre estava participando de todos os clubes, compartilhando suas opiniões e visões de mundo. Ele gostava de ser o centro das atenções a todo o momento e o fato de buscar o oposto disso estava preocupando Blake imensamente.
Ele o conhecia o suficiente para saber que mesmo não gostando de de verdade, o fato dela tê-lo trocado por um ‘’traidor de sangue’’ provavelmente abalara o seu ego. Blake passou a seguí-lo e a observar seus horários como forma de certificar de que ele não faria nada contra em nenhum âmbito. Ele jamais colocaria a felicidade dela em risco, mesmo se tivesse que sacrificar a sua própria, a vendo tão feliz e realizada ao lado de outro alguém.
Por isso, ele estava ali em Hogsmeade, jamais sairia do castelo naquele tempo horroroso, mas ele precisava ter certeza das motivações individuais do garoto. Luke veio acompanhado dos amigos dessa vez, sorrateiramente, ele se desprendeu do grupo que estava distraído comprando vários produtos de Natal e Blake foi rápido o bastante para perceber. O sonserino o seguiu de longe e tomou cuidado para caminhar entre vários grupos para passar despercebido.
Hampton se embrenhou mais fundo no povoado, o caminho ficando mais estreito à medida que eles passavam por dentre os chalés do local. Para a surpresa de Blake, alguém esperava por Luke no final daquela rua sem saída, deserta e a mais escura do povoado. O emissário usava uma capa preta cobrindo o seu rosto totalmente de forma que Blake não conseguiu identificá-lo, o barulho do vento também o impediu de ouvir a conversa, mas ele lhe entregou algo, um frasco contendo um líquido que Blake não conseguiu identificar.
Luke pagou o homem com alguns galeões e retornou para rua principal como se nada tivesse acontecido, seguindo para o grupo de amigos, que não notaram a sua ausência. Blake saiu em disparada a rua principal procurando por e Rony, sua intuição gritando, avisando-lhe do perigo eminente.
Blake os procurou por todos os lugares, sem encontrá-los em lugar nenhum, chegou a perguntar para algumas pessoas e descobriu que os dois tinham voltado para o castelo devido ao mal tempo. O sonserino começou a correr, tão rápido que suas pernas chegavam a doer de esforço por causa da neve que se acumulava à medida que o tempo foi piorando.
Ele continuou a correr com a maior velocidade que pode, um medo avassalador começando a tomar conta de seu peito. Blake simplesmente soube naquele momento que a vida de Fernandez estava em risco. Seu estômago revirou de alivio ao ver o castelo, mas ele continuou correndo como se sua vida dependesse disso. O garoto passou pelo Salão Principal e ao não a encontrar, ele correu diretamente para a Sala Comunal da Corvinal.
Fernandéz, por favor – ele disse a grande estátua de águia, que assentiu.
Os minutos que se passaram foram os mais longos de sua vida. A estátua retornou com uma resposta negativa, logo ele se direcionou para a Sala Comunal da Grifinória em busca de Rony Weasley. Ele subiu as escadas de dois em dois degraus, rezando para que estivesse com ele.
Ele praguejou, devido ao número de escadas, ar começando a faltar em seus pulmões, até o momento em que chegou em frente ao retrato da Mulher Gorda.
— Rony Weasley por favor, é urgente – falou Blake – Por favor, esteja com ele, por favor esteja com ele.
Para sua decepção e terror, Rony saiu da Sala Comunal desacompanhado.
— Posso ajudar? – o ruivo perguntou em confusão.
, ela não está com você? – Blake perguntou horrorizado.
— Por que a pergunta? – Rony respondeu sem entender.
— Onde ela está? Luke vai tentar algo! – sua voz saiu ofegante e estarrecedora.
— Eu a deixei na Sala Comunal da Corvinal, não faz meia hora – disse Rony arregalando os olhos.
— Eu acabei de voltar da Torre da Cornival e ela não estava lá.
Rony empalideceu.
Os dois pareceram ter a mesma ideia e voltaram correndo o mais rápido que puderam para a Torre da Corvinal. Rony ainda estava confuso, não entendendo a gravidade da situação, mas Blake estava aos poucos perdendo o controle, imaginando o que Luke poderia ter feito. Ele sentiu-se tão culpado: culpado por não ter insistido mais nos dois, culpado por não a fazer entender o perigo. Se algo acontecesse, ele jamais se perdoaria.
— Precisamos falar com Ava Thompson urgente – Rony gritou para a estátua.
Ava desceu dois minutos depois, estava de pijama e pantufas.
— O que está acontecendo?
— Onde ela está Ava? Eu a deixei aqui há pouco! – a voz de Rony estava tão trêmula e ansiosa. Ava franziu as sobrancelhas em confusão.
— Ela precisou ir ao Corujal, mas o que.... — Rony e Blake se entreolharam antecipando o pior.
— Ava, peça ajuda à algum professor, AGORA! – Rony ordenou antes de sair correndo em direção ao corujal com Thomas Blake em seu encalço.

***


Ninguém consegue se preparar para uma tragédia, você se prepara a partir do que você antecipa, mas nem sempre o que se antecipa é realmente o que acontece. É impossível prever a dor para tentar proteger-se dela, não se pode reproduzir de verdade o que só se imagina, por isso a dor da tragédia lhe partirá o coração, não importa o quanto você esteja preparado para ela.
sempre gostou de olhar o céu, ela tinha vividas memórias das horas em que passou o observando junto com seus pais e irmãos. E ela estava prestes a morrer olhando para ele. Seu corpo começou a convulsionar, uma ardência terrível percorrendo a sua garganta, sufocando todos os seus sentidos, a impedindo de gritar por ajuda.
Ela tossiu tentando se livrar daquela sensação, sangue começou a brotar de sua boca, pingando na neve sob seus pés e a tingindo de vermelho. procurou sua varinha, mas não a encontrou em nenhum lugar, sua visão começou a ficar distorcida, pontilhada de pequenas luzinhas coloridas.
Seus membros estavam amortecendo e ela entrou em pânico por um momento com medo de morrer engasgada com o próprio sangue, suas pernas cederam e ela deitou-se involuntariamente na neve, sentindo o corpo cansado e dolorido demais. Ela soube que era tarde, após o período inicial de pânico e desespero, sua mente começara a entender de que morreria ali, sozinha.
Ela pensara sobre a morte algumas vezes na vida, mas jamais imaginou que partiria tão cedo. Lágrimas brotaram no canto de seus olhos, triste por não conseguir se despedir de ninguém, arrasada pelo fato de não conseguir concluir todos os seus planos. Neste momento, ela lembrou-se dos pais: de seus abraços calorosos e do amor de sua família. Isso confortou seu coração, saber que amou e fora amada incondicionalmente.
É mais do que a maioria das pessoas conseguem.
pensou em Ava, Blake....e Rony.
A garota tentou gritar mais uma vez, sua voz saindo esganiçada, seu corpo agora totalmente amortecido, mas jamais a encontrariam a tempo estava tarde e cada vez mais escuro. Ela chorou sem som, seus pulmões clamando por ar e quando não havia mais esperança, ela viu no meio da escuridão vultos que pareciam vir ao seu socorro.
– o grito horrorizado de Rony ecoou por todas as partes do castelo – Não, não...
Uma luz iluminou o rosto daquele rapaz que ela amava tanto e ela tentou sorrir, tentou expressar naquele sorriso, tudo o que sentia antes de partir para sempre.
— Eu te amo...— ela mexeu os lábios para ele.
-Não, não ouse, isso não é uma despedida...— ele disse em total negação – VAMOS, temos que tirá-la daqui.
Ela enxergou o rosto de Blake, que ajudava a carregá-la. Seu rosto estava transtornado, banhado de lágrimas desesperadas, ela não precisava de mais nada para saber que ele era inocente.
— Me desculpe...— disse ela com a pouca voz que lhe restava.
Blake sacudiu a cabeça.
, não fale, por favor...
Ela tentou sorriu uma última vez, mas sua cabeça pendeu para trás, a escuridão envolveu os seus olhos e seu coração não resistiu, parando de bater.

Capítulo 11 - No Olho da Tempestade

‘’— Eu realmente não quero que esse dia termine – disse Rony – mas o tempo está piorando, vamos voltar para escola?
— Desculpe por ter insistido! – a tempestade de neve prestes a começar – Eu achei que o tempo não pioraria dessa forma...
— Não se preocupe – disse ele dando um beijo em sua mão – Se formos rápido, chegaremos antes do primeiro floco de neve começar a cair.
Rony estendeu a mão para ela e aceitou, feliz por andarem dessa forma tão íntima. O vento começou a piorar à medida que os dois caminhavam na estrada de volta para o castelo. Vários estudantes os acompanhavam, todos andando muito depressa, ansiosos para se esquentar próximo as lareiras de suas Salas Comunais.
O ruivo apertou o corpo da garota contra o seu, acelerando o passo para que pudesse retirá-la do mal tempo o mais rápido possível, por dentro, o garoto estava em chamas, faíscas de felicidade percorrendo todos os seus neurotransmissores. Tudo estava bem. Ele e finalmente estavam juntos e por mais que o futuro o amedrontasse de certa forma, Rony se concentrou no momento presente e em todas as memórias que podiam compartilhar juntos.
Assim que os dois colocaram seus pés para dentro do castelo, a tempestade começou, se intensificando em questão de segundos.
— O universo ao nosso favor! – disse ela sorrindo.
Rony sorriu largamente, dando um beijo em seu nariz vermelho e gelado.

— Aqui – disse ele tirando algo do bolso – um presente para você lembrar de hoje...
Rony entregou uma fotografia deles juntos em Hogsmeade. Os dois riam para a câmera e depois trocavam olhares apaixonados.
— Como...? – perguntou maravilhada.
— Desculpe se não é muito... – ele disse um pouco sem graça.
selou seus lábios antes que ele pudesse continuar.
— Obrigada – disse ela.
— Vem, eu te levo até a sua sala Comunal – suas bochechas estavam coradas de uma forma adorável – Você quer se encontrar comigo mais tarde?
— Eu preciso fazer um pouco de companhia para Ava, ela não está lidando muito bem com todos esses acontecimentos ultimamente – disse .
— Sem problemas – disse ele – Te vejo amanhã?
sorriu, colando seus lábios novamente, suas respirações se tornando imediatamente ofegantes com aquele contato.
— Eu acho que eu nunca vou me acostumar com isso...— o coração do menino faltava explodir de felicidade.
— Até amanhã, Weasley – piscou ela entrando na Sala Comunal.
subiu cantarolando para o seu dormitório, onde encontrou Ava lendo um livro em sua cama. Ava ergueu uma das sobrancelhas observando o comportamento da amiga.
— Sua alegria é contagiante – mostrou a língua para a amiga.
— Isso é porque você é o próprio Grinch!
— HEY! EU ADORO O NATAL – Ava gritou indignada.
— O que está lendo? – perguntou sentando na cama da amiga – História da Magia. DE NOVO?
— Eu acho esse livro particularmente relaxante – as duas riram.
— Como você está? – perguntou.
— Ah, você sabe, sem muitas novidades – Ava suspirou deixando o livro de lado e se aconchegando em sua cama.
— Você está com muitas saudades do seus pais?
— Mais do que eu geralmente sinto – disse Ava.
— Nós estamos há uns dias do Natal – comentou tentando animar a amiga – Nós os veremos em breve!
— Parece que os dias estão passando muito devagar...— Ava disse derrotada – ah, por falar em Natal, os seus pais mandaram uma carta para você...D’artangnan deixou em cima da sua cama...
— Sério? Que estranho, eu falei com eles ontem mesmo...— disse abrindo a correspondência – Eles disseram que precisam falar comigo urgente...vou ao Corujal e já volto...
— Mas você tem que ir agora? – Ava argumentou – Está escuro e as escadas são lisas!
— Você lembra da última vez que eu ignorei uma carta da minha mãe? – olhou para a amiga com as sobrancelhas erguidas. Ava se encolheu se lembrando dos gritos – Pois é...
— Você quer que eu vá com você?
— Não precisa, volto já! – disse colocando um casaco grosso e saindo pela porta do dormitório.’’
— Ela parou de respirar – disse Blake – Weasley, ela parou de respirar – falar aquela frase lhe custou todo o seu controle emocional – Rápido a coloque no chão e estique os braços dela.
Rony fez com Blake orientou, o sonserino ajoelhou-se ao lado da garota, levando suas mãos para seu tórax e posicionando uma mão sobre a outra bem em cima do osso do peito, iniciando uma massagem cardíaca.
— Vamos lá, – a voz de Blake saiu firme, sem nenhum traço de desespero – Reaja! Não é a sua hora.
Rony estava pálido, assistindo em silêncio, porque seu pânico não ajudaria em nada no momento, para seu certo alívio, Ava cruzou o corredor acompanhada de dois professores, McGonagall e Flitwick.
– o grito simplesmente horrorizado de Ava percorreu feito um eco por todo o castelo, a garota correu em direção a eles, se ajoelhando ao lado dos meninos.
— O que está acontecendo? O que...— disse Ava.
— Ava, eu preciso que você fique calma, porque se eu perder a cabeça, eu não vou conseguir...— a voz de Blake saiu esganiçada enquanto ele continuava a pressionar o peito da garota. Seus lábios e dedos já possuíam certa cor arroxeada. Ava se calou imediatamente, lágrimas escorrendo amplamente por seu rosto redondo.
— Por Merlim....— bradou a professora – há quanto tempo ela está sem respirar?
— Há um minuto – disse Blake, suor começando a escorrer de sua têmpora – É ISSO! Eu tenho um pulso, essa é a minha garota...
— Direto para enfermaria ou iremos perdê-la – disse Flitwick levantando seu corpo inerte do chão e a levando para o local em questão de segundos.
Os outros saíram correndo em seu encalço.
— Preciso saber o que aconteceu — disse Madame Promfrey.
— Nos a encontramos assim, caída próximo ao corujal...
— Preciso saber dos sintomas...
— Ela estava ardendo em febre e sua boca estava espumando – disse Blake interrompendo o outro.
— Ela foi vítima de um envenenamento – disse a curandeira – esse remédio vai inibir o efeito do veneno enquanto tento descobrir o antídoto. Seja o que for, é muito poderoso, é um milagre ela ainda estar viva.
— Como podemos descobrir? – perguntou Rony.
— Vamos voltar ao corujal – disse Blake – quem sabe encontramos alguma coisa – Rony assentiu e os dois saíram correndo da enfermaria antes que pudessem ser impedidos pelos professores.
acelerou o passo apertando seu casaco contra si mesma por causa do frio. O castelo estava deserto, o vento uivando dentre as paredes da fortaleza, a neve mais densa, caía com tanta força que ela começava a se acumular na propriedade.
A corvina pensou em seus pais e o que precisavam conversar de tão urgente, a mensagem era curta e vaga, geralmente seus pais e irmãos lhe escreviam algumas páginas.
Na última carta que escreveram, eles relataram o seu medo em decorrência dos ataques e também do seu pesar ao escreverem sobre a morte de tantas pessoas conhecidas. No entanto, finalizaram o texto, lhe dando palavras encorajadoras e de esperança.
Nós já passamos por pior e sobrevivemos, mi hija. Vai dar tudo certo. Seu pai escreveu ao final. Essas palavras confortaram a garota que se dirigiu ao corujal tranquilamente, certa de que eles queriam saber alguma informação sem relevância para ela, mas de muita importância para a sua família.
Na última vez que se corresponderam, também contou aos pais sobre Rony Weasley e seu apreço pelo garoto. Sua mãe tinha ficado muito animada com a notícia como se aquilo fosse motivo para uma celebração enorme e chuvas de orações em agradecimento a sua Santa Intercessora. soltou uma risadinha, pensando na animação da mãe frente a desconfiança do pai, que testaria Rony de todas as formas para ter certeza de que ele era o bom o suficiente para a sua filha.
A garota começou a se dirigir a torre do Corujal, sem se intimidar pela escuridão, no entanto, um arrepio percorreu a sua espinha assim que ela seguiu o caminho e teve a certeza de que era observada, ela tirou a varinha das vestes e a acendeu olhando ao redor, mas o mal tempo a impediu de ver algo muito adiante, contudo, quando estava prestes a subir as escadas da torre, um vulto saltou em seu caminho impedindo a sua passagem.
— Surpresa – disse Luke, seus olhos brilhavam assustadoramente na escuridão, como se fossem dois faróis de gelo.
— O que quer Hampton? – disse ela apontando a varinha diretamente para ele, que ergueu as mãos em forma de rendição.
— Só conversar – ele disse sorrindo para ela. continuou com a varinha em guarda o observando com desconfiança.
— Não temos nada para conversar – disse ela.
— Eu acho que temos – disse ele sua voz se tornando cada vez mais hostil – afinal, ninguém troca um Hampton por um traidor do sangue.
— Por que isso te fere tanto Hampton? – disse sem entender – você mesmo disse que eu sou uma sangue-ruim...
— Vamos dizer que eu acabei me apegando a você...— ele disse olhando para o corpo da menina.
— Você me dá nojo – disse ela seu estômago se embrulhando no mesmo instante.
— Você não tem muitas opções – ele disse girando a varinha nas mãos – Você deveria ter mais cuidado com correspondência da mamãe e do papai...
— EU JURO POR MERLIM...— ela gritou perdendo toda a paciência, avançando para cima do garoto que não recuou.
— Você jura o que? – Luke chegou ameaçadoramente perto da garota – Eu não sei se você entendeu, mas sou eu quem dou as cartas por aqui...
Os olhos da garota começaram a faiscar de tanto ódio.
— Ou você faz o que eu quero...ou papai e mamãe vão receber uma visitinha dos Comensais da Morte como da última vez...
— Então foi você – disse, lágrimas a ponto de escorrerem de seus olhos castanhos – você foi o responsável pelas mortes em Enfield...
— Eu? – Luke riu-se levando a mão ao peito como se estivesse realmente ofendido – Eu não tive que sujar as minhas mãos com aqueles trouxas imundos, eu apenas fui o mandante...
comprimiu os lábios em uma fina linha. Ela olhou para os lados pensando em suas opções, se o desarmasse, conseguiria correr, mas de repente ela começou a sentir uma breve tontura.
— Eu não tentaria correr se fosse você – disse ele a rondando como se fosse um animal – eu posso ter colocado um pouco de veneno na carta que você acabou de receber...
— O...o quê – disse ela sentindo a sua visão turvar.
— Veja bem – ele começou a explicar – não foram os seus pais que enviaram essa carta...fui eu...você sabe o quão bom eu sou em Poções...então impregnei nela um tipo muito raro de veneno, fatal é claro...você está experimentando os primeiros sintomas, eles tocaram a sua pele e agora está percorrendo as suas correntes sanguíneas...Você está sentindo uma leve tontura e visão turva, estou certo?
engoliu em seco, piscando os seus olhos, tentando se sustentar em suas pernas trêmulas.
— O que eu preciso fazer? – disse ela e o rosto de Luke se abriu em puro deleite.
— Oh...oh...agora estamos conversando – disse ele se aproximando dela – você tem duas opções, primeiro, você vai largar aquele perdedor traidor de sangue e me acompanhar onde eu for no próximo ano, eu vou precisar de uma nascida trouxa para localizar os outros...e a segunda opção, você morre...na próxima hora...
o observou por um instante, sem saber se ele falava sério, Luke continuou a encará-la com seriedade. Ela não conseguiu evitar que uma gargalhada de puro deboche subir pela sua garganta. Já que iria morrer, ela partiria com ele sabendo de seu desprezo.
— E você acha que eu vou preferir você?
Luke sorriu chegando perto dela.
— Você vai morrer engasgada com o seu próprio sangue sujo – Luke lhe lançou um último olhar caminhando para longe dela – Tenha uma boa última noite, Fernandéz.
‘’Vamos lá, ’’ ela ouviu a voz de Blake ecoar em seu inconsciente e uma quantidade de ar voltou a encher os seus pulmões, no entanto, quando a garota abriu os olhos, ela não estava em Hogwarts, mas sim em um gramado verde tão grande a ponto de ser impossível enxergar as suas extremidades.
observou seus pés descalços, sorrindo ao sentir o contato de sua pele contra a grama verde, o calor do sol esquentando suavemente o seu corpo gelado, uma brisa leve esvoaçando os seus cabelos compridos. Ela caminhou por alguns minutos percebendo que estava completamente sozinha. Sem nem se lembrar de como chegara ali, deitou-se sob a grama, se entregando aquele sentimento estranhamente familiar. Ela fechou os olhos contemplando o momento, quando a voz de Blake ecoou novamente pelo campo ensolarado.
‘’Essa é a minha garota’’
sentou-se novamente, se recordando da verdade, de sua última conversa com Luke e do veneno que a matara. Ela observou seus dedos compridos, flexionando seus músculos e sentindo-se viva, mas e se sua mente estivesse lhe enganando?
— Você não está morta – disse uma voz solene atrás dela.
Uma mulher de cabelos longos e rosto tranquilo sorria para ela. observou suas feições, sentindo em seu íntimo como se a conhecesse de algum lugar. A mulher estava usando uma veste tradicional e muito antiga, um vestido azul adornado com bordados prateados e encrustado com pedras de cristal em sua cabeça, a mulher ostentava com imponência uma espécie de coroa, um diadema, o qual conhecia muito bem.
— Você é...você é Rowena Ravenclaw? – disse boquiaberta – Eu...nossa...é realmente uma honra...
— Bobagem querida...não precisamos de formalidades aqui — disse ela estendendo a mão para a garota – Venha, caminhe comigo...
aceitou a mão da mulher, compelida a andar ao seu lado, como se de fato estivessem conectadas de alguma forma. Rowena sorriu de forma maternal para ela e sentiu-se mais tranquila de segui-la para onde quer que fosse.

***



— Lumus máxima – murmurou Rony para conseguir olhar melhor pela escuridão. Ele e Blake começaram a procurar possíveis pistas para o envenenamento da garota. O choque inicial de adrenalina estava se dissipando, suas pernas começaram a tremer e o garoto estava suando apesar do tempo gelado do lado de fora.
Seu coração começou a bater forte, a gravidade da situação pesando em seu estômago, uma angústia torturante se acometendo de seu peito, o impedindo de respirar tranquilamente. Weasley parou por um instante, centrando-se mais uma vez, tentando ignorar o fato de que não estava morta por um triz.
Blake estava tão perturbado quanto ele, a lembrança do momento de suas mãos ressuscitando seu corpo sem vida, o acompanharia pelo resto de seus dias. O sonserino teve que parar por um momento e Rony não o impediu, porque compartilhava do mesmo sentimento de desespero e impotência. Os dois procuraram por pistas em silêncio, incapazes de proferirem qualquer palavra ou expressarem qualquer sentimento, porque se dessem vazão, não seriam capazes de manter a calma. A tempestade de neve estava se tornando cada vez mais forte, cobrindo tudo o que restara das pistas, por pura sorte, Rony conseguiu encontrar traços de sangue – sangue de — pela neve até encontrar um pedaço de papel.
— Blake, acho que encontrei algo...— ele disse se dirigindo ao papel com a mão.
— Não toque nisso – Blake disse imediatamente – isso pode ser envenenado.
— Um pedaço de pergaminho? – Rony franziu as sobrancelhas.
— Sei de algumas formas em que isso é possível – Blake respondeu – Vamos levar até a Madame Pomfrey.
Blake lançou o feitiço de levitação para não tocar no pedaço de papel, certo de que o mesmo estaria envenenado, Luke era muito conhecido pelo seu talento inigualável em Poções, o garoto teve certeza de que o conteúdo do frasco que Hampton recebera em Hogsmeade era de veneno, mas não tinha como comprovar suas suspeitas.
O moreno teve vontade de voltar para o dormitório da Sonserina, onde Luke agora dormia tranquilamente, mesmo carregando uma tentativa de assassinato em suas mãos e fazê-lo pagar pelo ocorrido, nem que isso o sentenciasse a uma vida toda em Askaban, mas a vida de ainda estava em risco e ela era a sua prioridade, ele se vingaria em um outro momento mais oportuno. Blake e Rony chegaram a enfermaria logo depois, o professor Snape também estava presente.
— Encontramos isso perto de onde a encontramos – Blake disse conduzindo a carta no ar por meio de um feitiço.
— Veneno de acromântula – disse o professor Snape ao examinar o papel e cheirá-lo algumas vezes — ele foi impregnado nas páginas dessa carta...
— Alguma prova do culpado? – McGonagall disse olhando para os garotos, mas tanto Blake quanto Rony não tinham como provar que era Luke.
— Não sabemos professora.
— Para fazer um antídoto, precisamos pegar veneno de uma acromântula viva, geralmente a matriz de todas as outras...caso contrário...
Rony arregalou os olhos. Ava começou a chorar perto da cama da amiga.
— Onde posso encontrar um espécime desse, professor? – disse a professora McGonagall.
— Em algumas partes da Escócia, mas receio que a senhorita não tenha todo esse tempo – disse Snape.
— Precisamos tentar – disse a mulher saindo pelas portas da enfermaria.
Rony chamou Blake para um canto do local.
— Escute, os professores não sabem, mas existe uma acromântula no meio da floresta. Não me pergunte como eu sei, não vou deixa-la morrer e se quiser você pode vir comigo.
Blake concordou sem hesitar.
— Vai ficar tudo bem, eu prometo – disse Rony dando um beijo na testa da garota que ardia em febre.
Blake engoliu em seco, apertando a mão da garota, seus dedos frios contra os dele.
— O que vocês vão fazer? – disse Ava em meio a soluços.
Weasley e Blake não responderam, saíram rapidamente da enfermaria, sem que Ava pudesse bombardeá-los de mais perguntas.
— Vamos lá – Blake disse correndo com ele para fora do castelo – Você tem algum plano?
— Da última vez, Harry e eu fomos salvos por um carro desgovernado, acho que não podemos contar com a sorte.
— Conhece algum feitiço contra aranhas?
Rony sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Arania exumai – ele disse – mas não serve para o que estamos prestes a encontrar...
— De quantas aranhas você está falando? – Blake ergueu uma das sobrancelhas.
— Nós vamos entrar em seu covil – Rony disse sombriamente.
Blake xingou baixinho. Os dois despistaram Filch e correram em direção a Floresta Proibida o mais rápido que puderam, encobertos pela escuridão e a tempestade de neve.
— Você sabe que existem mais feras aqui do que qualquer outra, certo?
— Acredite, eu já entrei nesse lugar, mais do que eu gostaria de admitir – disse Rony liderando o caminho.
— Vamos tentar imobilizá-la e depois colocamos fogo em toda essa merda – sugeriu Blake
— O problema vai ser atraí-la para o lado de fora – Rony disse.
— Deixe isso comigo...— Blake conjurou algo das vestes — isso vai fazer com que ele ache que eu possa ser um possível uma possível parceira, mas você tem que ser rápido, porque isso dura só alguns segundos...
Rony sentiu seu estômago embrulhar
— Certo...
— Você tem que manter sua cabeça no lugar – avisou Blake – se temos uma chance de salvá-la é agora...não podemos falhar.
Rony respirou fundo controlando o seu medo. Ele liderou o caminho pela floresta escura, o tempo estava tão ruim, que eles mal conseguiam enxergar o que estava a poucos metros à frente deles, por outro lado, isso também era um bom sinal, já que estavam passando despercebidos por todas as outras criaturas da floresta.
O grifinório parou em frente ao covil da aranha, lembranças de seu segundo ano invadiram sua mente imediatamente, mas ele não era mais aquele garotinho covarde e medroso. Rony preparou a varinha e acenou para Blake.
— Chegou a hora.

***


Rowena conduziu naquele jardim sem fim, o silêncio entre elas não era desconfortável, mas acolhedor. Ela sorriu de leve ao pensar como sua melhor amiga reagiria ao saber que ela conhecera Rowena Ravenclaw, mas este pensamento se desfez no mesmo instante ao pensar se um dia voltaria a vê-la. A mulher mais velha percebeu seu desconforto, apertou seu braço de leve em sinal de carinho.
— Você não está morta – Rowena disse como se lesse seus pensamentos.
— Então, por que estou aqui? – perguntou à mulher que sorriu.
— Você precisa saber de algumas informações para garantir a sua sobrevivência no próximo ano e para que tudo ocorra perfeitamente na guerra contra o Lord das Trevas – a mulher a observou atentamente.
— Então, haverá uma guerra? – disse.
— Oh sim...mas você já sabia disso, não sabia? – Rowena disse – eu fui a responsável por mandar essa mensagem para você...
engoliu em seco, a visão perturbando seus pensamentos.
— Mas por que eu? Por que estou aqui e por que estou recebendo todas essas mensagens?
— Ah, primeiro porque você é uma Corvina, obviamente – a mulher disse em bom tom – e uma das melhores, se me permite o elogio.
sorriu.
— Mas você tem um dom, um dom que nem todos os bruxos possuem e que começou a se manifestar há algum tempo, estou certa? – a garota concordou com a cabeça – Você tem um papel importante a desempenhar no próximo ano – disse a mulher com mais seriedade.
— E o que seria? – perguntou um pouco confusa.
— É uma tarefa difícil e isso te custará – os olhos da mulher ficaram sombrios – ouso em dizer que você jamais será a mesma..., mas você vai desempenhar um papel fundamental na Guerra e sem sua ajuda, estaremos perdidos...
— O que eu preciso fazer? – disse ela.
— É melhor você se sentar – disse a bruxa.
‘’, você precisa ficar viva, por favor’’ se sobressaltou olhando ao redor em busca da voz de Ava. Não a encontrou, era como se o som estivesse ressoando em sua cabeça.
— Não temos muito tempo – disse a mulher – Se você ficar por muito tempo neste plano, não conseguirá voltar...
***


Ava segurava a mão da amiga sem conseguir controlar os seus soluços. O rosto de estava cada vez mais pálido, seus dedos começavam a ficar roxos em suas extremidades. ‘’Por favor, fique viva’’ Ava repetia a frase como um mantra em sua mente, logo ela, que nunca acreditara em milagres, se encontrava pedindo fervorosamente por um. Nunca se sentira tão culpada em toda a sua vida. Se ela tivesse insistido ou acompanhado a amiga nada disso teria acontecido.
, você precisa ficar viva, por favor – disse ela se debulhando em lágrimas – você é minha melhor amiga, se lembra? Você não pode me deixar aqui sozinha.
Ava olhou para o rosto desfalecido de como quem espera um abrir dos olhos inesperado, mas ela continuou tão inerte quanto antes.
— Os pais dela já sabem? – ela perguntou a Madame Pomfrey.
— Eles estão a caminho querida...
— Ela vai ficar bem, não vai? – disse.
— Por enquanto, mas os pais foram convidados a se despedir...— seu tom era triste e solene.
— Não! Você não pode desistir dela! – Ava gritou se levantando de supetão, lágrimas turvavam a sua visão, quando em seu íntimo, ela começou a se preparar para o pior.
– a voz do pai de soou feito trovão na enfermaria vazia – mi hija...
O senhor aparentava ter cinquenta anos, suas feições duras se contorceram de puro pavor e desespero ao ver o estado da filha, a mãe de veio logo atrás, os gêmeos, irmãos da garota, colados em sua cintura, tão assustados quanto o resto da família.
— Por qué no usas magia para curarla? – o senhor Juan disse imperativamente.
— Não podem! É um veneno muito poderoso...— explicou Ava, a mãe de se limitou a chorar ainda mais.
— Qué pasó? – ele perguntou passando suas mãos calejadas pelos cabelos da filha.
— Não sabemos – Ava disse
— Vamos levá-la para um hospital! – disse Amelia, a matriarca da família – precisamos fazer alguma coisa...
— Nós somos a melhor chance que ela tem – a voz do professor Dumbledore soou tranquila e reconfortante – Dois dos nossos melhores professores estão em busca do antidoto neste exato momento...
Cómo puede suceder algo tan terrible dentro de una escuela? – o pai da garota se levantou confrontando o diretor – Minha filha estava SAUDÁVEL e BEM quando a deixei na plataforma 9/3/4 há alguns meses atrás, EU ME RECUSO A LEVÁ-LA DE VOLTA DENTRO DE UM CAIXÃO…
— Juan, por favor – disse a mãe da , tentando controlar suas emoções.
O pai da garota suspirou fundo andando de um lado para o outro tentando acalmar os nervos. Dumbledore não se ofendeu pela reação mais que apropriada dos pais da corvina.
— Eu lhe asseguro que vamos fazer tudo o que está em nosso alcance e devolveremos sua filha viva, sr. .
Amelia sentou-se ao lado da cama da filha, murmurando todas as orações que conhecia em sua língua nativa. Os gêmeos, Henry e Brian, sentaram-se ao lado dos pais em silêncio, seus olhos castanhos, traço característico da família, estavam marejados, seus rostos infantis apavorados de medo e confusão.
— Regresa a nosotros, mi hija (Volte para nós, minha filha) – sussurrou o pai dela em seu ouvido.

***


Blake o frasco em suas mãos e passou por alguns pontos estratégicos de seu corpo como se fosse perfume, o cheiro embrulhou seu estômago, mas ele estava disposto a tudo para salvar a vida de . Ele marcou o território com os pés como tinha aprendido nas aulas de Trato de Criaturas Mágicas, não gostava muito da matéria, mas agradeceu mentalmente por ser tão bom, caso contrário, nunca conseguiriam captar veneno de uma acromântula adulta viva.
Rony estava posicionado estrategicamente a esquerda, dessa forma, o monstro Aragogue, não conseguiria sentir o seu cheiro e não anteciparia o seu ataque. O garoto não ousou respirar quando a aranha gigante começou a rastejar sua couraça para fora de seu covil. A criatura estava mais velha, mas continuava tão horripilante como da última vez que Rony o vira. O grifinório observou os movimentos de Blake, esperando seu sinal para atacar.
Blake fez o possível para atrair a criatura gigante para o mais longe do covil que pode, as acromântulas eram extremamente rápidas e aquela monstruosidade conseguiria voltar para o seu covil em um piscar de olhos. O sonserino engoliu em seco, continuando uma espécie de dança do acasalamento, sentindo suor frio escorrer pela sua têmpora, os seis olhos da criatura observando atentamente todos os seus movimentos, um passo em falso e ele colocaria tudo a perder.
— Agora! – gritou ele para Rony.
— Incarcerous – Rony gritou atingindo a criatura pelo flanco, cordas saíram pela ponta de sua varinha, prendendo o animal que urrou de dor.
— Immobilus – lançou Blake, confundindo a criatura, a qual cedeu na frente deles.
O sonserino conjurou um frasco e correu ao aracnídeo imobilizado de todas as suas funções. Blake tocou naquelas presas enormes, grandes o suficiente para arrancar a sua cabeça e drenou o máximo de veneno que pode. Tudo parecia bem, mas o grito da criatura despertou os demais, os quais começaram a sair em bandos para o socorro do patriarca.
— CORRA! – disse Rony para Blake que saiu em disparada em direção ao castelo, um exército de aranhas atrás deles.
A neve estava tão densa, que suas pernas atolavam até a altura do joelho, diminuindo a distância entre eles e as aranhas, as quais não tinham dificuldade nenhuma para se movimentar. Rony olhou para trás e se arrependeu no mesmo instante, cerca de quinhentas aranhas de diferentes tamanhos os perseguiam àquela altura.
— Mais rápido – disse Rony a Blake
— INCENDIO – bradou Blake e um muro de fogo se ergueu entre eles e as aranhas, as impedindo de continuar em seu encalço, as labaredas muito grandes para conseguirem transpassar, no entanto, o feitiço durou apenas alguns segundos devido as péssimas condições climáticas.
No desespero de correr das criaturas, eles não perceberam que estavam sendo guiados para uma armadilha, as aranhas tinham os direcionado para uma outra caverna na outra extremidade da floresta, de forma que os dois estavam impossibilitados de fugir.
— Pegue o veneno – disse Blake lançando os frascos para Rony – eu vou distraí-las e você corre de volta para o castelo.
— Isso é suicídio!
— A vida dela vale mais do que a minha – Rony soube a quem Blake se referira, ele acenou a cabeça em um movimento de agradecimento.
Blake suspirou fundo, seu coração batendo tão forte igual um martelo, as aranhas diminuíram o passo, se aproximando de suas vítimas com lentidão, suas presas estalando feito um brandir de facas afiadas. O sonserino pensou em em seu sorriso e olhos expressivos, pensando que gostaria de partir com aquela imagem em sua mente.
Ele engoliu em seco, preparando a varinha, focando seu pensamento na garota para não se entregar ao medo e da morte dolorosa que o esperava. Rony respirava alto ao seu lado, incerto do que aconteceria a seguir, mas em comum acordo de que algo precisaria ser feito e que ele se sacrificaria se fosse o caso, para salvá-la.
— Quando eu contar três...— disse ele retomando toda a sua coragem – um...dois...três...
No exato momento em que Blake ergueu sua varinha para lançar um feitiço poderoso, um grupo de centauros rompeu a armadilha, atacando com força e velocidade, afugentando boa parte das aranhas e pisando na cabeça daquelas que ousaram confrontar sua autoridade. O ataque foi tão rápido, preciso e mortal, que as aranhas foram aniquiladas em questão de minutos.
Rony se aproveitou da confusão instaurada pelos centauros e puxou Blake na direção correta a escola e os dois voltaram a correr o mais rápido que puderam. O garoto quase suspirou aliviado quando avistou as luzes do castelo, seu pulmão clamava ardentemente por ar, mas ele não se importou, precisava do antídoto o mais rápido possível.
A distância entre a floresta e a enfermaria era pequena considerando o que os dois tinham acabado de percorrer, mas ainda assim, os últimos minutos transcorreram lentamente, o tempo parando de alguma forma, os únicos ruídos presentes eram de seus sapatos batendo com o piso de mármore.
Em seu coração, a esperança latente de que continuava viva e de que eles chegaram a tempo. Rony não hesitou ao abrir as portas da enfermaria com violência, chamando toda atenção no local para eles. Os presentes abriram os olhos arregalados reparando o quanto os garotos estavam feridos, sujos e molhados por causa da neve.
— Conseguimos – disse entregando o antídoto nas mãos da Madame Pomfrey.
— Mas como...? – começou a mulher, mas se dando conta que o tempo era precioso, ela não se deu o trabalho de mais perguntas, preparando o antídoto imediatamente.

***


suspirou profundamente, seu coração se apertando ao tomar conhecimento de todas aquelas informações. A tempestade estava próxima e todos quem ela mais amava estavam bem no meio dela. Rowena lhe lançou um olhar carinhoso, compreendendo o fardo que acabara de colocar nas costas daquela menina tão jovem.
— Eu vou conseguir me lembrar de tudo isso? – ela perguntou à mulher – eu digo, quando eu voltar?
— Não imediatamente – disse ela – eu vou lançar um feitiço para que você comece a se lembrar de tudo aos poucos e de acordo com o necessário.
‘’Volte para nós’’ – uma voz entoou novamente.
— Chegou a hora – disse Rowena com um sorriso acolhedor – Boa sorte, querida corvina, as respostas estarão sempre dentro de você...— e desapareceu.
— ESPERE! – gritou a garota – Como eu faço para voltar?

***


— Volte para nós, minha filha – disse a mãe de .
Madame Pomfrey despejou um líquido viscoso dentro da boca da garota, o qual ela engoliu com dificuldade. Todos se entreolharam apreensivos enquanto esperavam uma reação de , qualquer que seja. Os minutos se passaram como se fossem horas e ainda assim, ela não demonstrava nenhuma reação.
Será que chegamos tarde demais? pensou Rony, ele se entreolhou com Thomas Blake, tão pálido quanto ele, e teve certeza de que ambos pensavam a mesma coisa.

Capítulo 12 - Segredos Revelados

tentou abrir os olhos, mas estes estavam pesados demais para conseguir mantê-los abertos, sua visão estava um pouco ofuscada, por isso não teve certeza se estava vendo o rosto de seus pais e irmãos ou se tudo era fruto de uma alucinação. Ela não conseguiu distinguir o que estavam falando ou o que estavam fazendo, não conseguiu nem se lembrar do porquê se encontrava naquela situação.
? Cariño mio? – ela ouviu a voz de sua mãe, mas não conseguiu formular nenhuma frase, apenas emitiu um gemido de dor em resposta.
— Ela precisa descansar – disse Madame Pomfrey – o veneno esteve em seu sistema por muito tempo, eu vou prescrever uma poção do sono restauradora.
A garota sentiu um gosto ácido descer-lhe por sua garganta seca, mas foi capaz de engolir cada gota e não se passou nem alguns segundos para que a escuridão lhe engolisse novamente, entregue a um descanso, o qual ela não soube dizer se seria eterno ou não.
não pode presenciar a grande comoção de todos os presentes, a família da garota chorava de alívio e de alegria pelo acontecido. Amélia, a matriarca, não se conteve e puxou Rony e Blake para um abraço triplo, os meninos ficaram um pouco surpreso com a atitude, mas retribuíram o abraço, enquanto a ouviam sussurrar diversas preces em agradecimento, o pai de , contido, mas ainda assim grato, apertou a mão dos meninos formalmente.
Rony se deixou sentar por um instante, a adrenalina se dissipando e dando lugar para o maior sentimento de alívio que já sentira em sua vida. Blake fez o mesmo, contemplando o momento, suas mãos tremiam levemente de susto, cansaço, mas também de raiva. O fato de Luke estar no castelo e ainda ser um ameaça a vida da garota não tranquilizou seus pensamentos.
— Blake? – Rony disse – obrigado...você sabe...por ela...
— Não me agradeça ainda – ele respondeu em um sussuro – Hampton ainda está no castelo...
Rony deixou escapar um longo suspiro.
— Vocês precisam voltar a suas salas comunais – disse Madame Pomfrey.
foi envenenada dentro do castelo, como podemos ter certeza de que ela ficará bem? – Blake argumentou.
Os pais de concordaram em resposta.
— O professor Dumbledore garantirá a segurança dela – disse a professora – ele está realizando encantamentos nesse mesmo instante.
— Nós não iremos sair daqui – assegurou o pai da garota – É melhor você ir descansar também Ava.
Thompson estava com os olhos inchados de tanto chorar, exaustão percorrendo por todo o seu corpo, mais tranquila pela presença da família que ela conhecia tão bem, ela não hesitou em concordar e foi a primeira a deixar o local. Rony e Blake relutaram a deixar a enfermaria e só saíram quando foram escoltados pela professora McGonagall e Snape, respectivamente, para suas salas comunais.
Todos os seus amigos estavam dormindo, quando Rony chegou esgotado ao dormitório da Grifinória. O garoto decidiu tomar um banho para tirar a sujeira de seu corpo, seus machucados arderam ao entrarem em contato com a água, mas este era um pequeno preço a se pagar perto do que realmente poderia ter perdido.
estava viva, mas ainda assim ele não conseguiu se livrar daquela sensação de angústia, um aperto insuportável em seu peito, tão forte, a ponto de fazê-lo puxar por grandes golfadas de ar afim de normalizar a sua respiração. Assim ele permaneceu por vários minutos, tentando se tranquilizar e recuperar a força de seu corpo, extremamente dolorido por causa da tensão. ‘’Ela está bem’’ convenceu-se, mas quando se deitou para dormir, não conseguiu pensar em nada a não ser pelo fato de Luke Hampton estar dentro dos perímetros de Hogwarts.

***


Blake acompanhou o professor Snape até as Masmorras da Sonserina em silêncio, o regente fez questão de escoltá-lo até a porta de seu dormitório, onde lançou um feitiço para garantir que o menino sairia apenas pela manhã. Blake observou quando a porta se fechou atrás dele, suas mãos estavam apertadas em um punho, seu corpo estava gelado por causa da tempestade de neve, mas por dentro, ele estava queimando de raiva.
Ele seguiu para o banheiro e trancou a porta, não quis despertar nenhum dos colegas. Blake observou seu rosto cansado, seus olhos cinzas, no entanto, denunciavam verdadeiramente o seu estado de espírito, ele girou a varinha em um movimento preciso, lançando um feitiço para que não pudessem ouvi-lo e nesse momento, em que novamente encarou o seu reflexo no espelho, ele lançou seu punho direito no vidro.
O espelho se estilhaçou no mesmo instante, pedaços de vidro perfuraram a mão do garoto, sangue vermelho começou a escorrer dentre os seus dedos, mas ele permaneceu com o punho fincado no vidro, seus braços tremiam de fúria, sua respiração extremamente ofegante. O menino soltou um urro, terminando de quebrar o que restava em sua frente, lágrimas ofuscavam sua visão, um turbilhão de imagens martelava em sua mente como se passassem diante de seus olhos feito um filme, mas a mais latente de todas era de sem vida, de suas mãos desesperadas pressionando o seu coração sem vida.
O garoto levou suas mãos ensanguentadas para seus cabelos, desespero tomando conta do seu corpo que começou a tremer violentamente, ele que sempre se considerou uma pessoa contida, não conseguia mais evitar toda aquela avalanche de sentimentos e de seu coração que ardia de amor por aquela garota.
Blake encarou o reflexo quebrado no espelho e percebeu em seus olhos uma expressão antes nunca vista. Ele limpou as lágrimas com o torço da mão e seu rosto ficou manchado com seu próprio sangue, ele girou a varinha sem dizer nada e tudo começou a voltar ao seu lugar. O garoto despiu suas roupas molhadas e entrou debaixo do chuveiro, o sangue de suas mãos se misturando com a água em tom rosado. Ele não se importou com a dor, porque algo muito maior em seu peito tinha se despedaçado, Luke despertou nele o que ele tinha de pior e ele que aguentasse o peso das consequências.
O sonserino não conseguiu dormir naquela noite, varinha em punho, ele observou o nascer do sol pálido daquela manhã tão fria, os campos de Hogwarts estavam cobertos por uma camada grossa de neve como se nunca tivessem sido verdes antes. Blake não se demorou nem por um segundo. vestiu suas roupas colocando o grosso suéter verde da Sonserina por cima de seu uniforme habitual e desceu as escadas para a Sala Comunal e lá ele esperou. Com sua varinha em punho e expressão fechada, ninguém que o encontrou resolveu incomodá-lo, de alguma forma, ele estava mais assustador do que antes.
Os minutos se transformaram em horas, mas Luke Hampton não se juntou ao resto dos alunos da Sonserina. Blake estranhou sua ausência, mas quando um de seus colegas de quarto desceu de seu dormitório, ele se pôs em sua frente, o impedindo de continuar, o menino se encolheu a sua presença.
— Não sei para onde ele foi, os pais o retiraram da escola nesta noite – o menino gaguejou e tratou de sair logo dali.
— Maldito – pensou Blake – O professor Snape deve ter lhe avisado sobre sua tentativa fracassada e tratou de tirar aquele assassino da escola.
Blake seguiu para enfermaria inconformado com o fato de Hampton ter conseguido se livrar de uma cela em Askaban, mas agora ele tinha outros planos em mente. Ele caminhou decidido, cansado de ser aquele garoto ponderado e que não age conforme tem que ser. Esse era um caminho para se tornar um homem de quem ele pudesse realmente se orgulhar.
Seu coração disparou quando encontrou já sentada em sua cama, seus irmãos dormiam nas camas ao lado e ela era auxiliada pela mãe no momento. Grandes olheiras beiravam os seus olhos castanhos, mas eles estavam tão brilhantes quanto antes. Ele sorriu sentindo seu coração se aquecer a sua visão, rindo um pouco ao se lembrar de que boa parte das memórias era com a garota na enfermaria. Ela sorriu pra ele, aquele sorriso que ele não via há meses, capazes de colar o seu coração partido. .
— Sei que não fomos propriamente apresentados Sra. Fernandez – ele disse estendendo a mão, mas a mulher o trouxe para um abraço.
— Não há necessidade de formalidade, meu querido – disse a mulher – não quando você acabou de salvar a minha menina.
sorriu carinhosamente para ele, seus olhos se enchendo inesperadamente de lágrimas.
— Mama, você poderia nos dar um segundo, por favor? – ela pediu com educação e o coração do garoto deu um salto.
Amelia Fernandez lhe deu um beijo na testa.
— Vou procurar o seu pai, ele com certeza está encantando com aqueles quadros que se mexem nas paredes.
Os dois riram baixo.
— Blake, eu...— ela começou a dizer, mas ele a envolveu em um abraço, um abraço forte e reconfortante, um abraço seguro de que tudo ficaria bem. o abraçou de volta, lágrimas começando a escorrer de seus olhos e manchando a camisa do garoto. Ele deu um beijo na testa dela por um instante e a trouxe para um abraço forte novamente, descontando toda aquela saudade e alivio de vê-la viver.
— Blake, eu...eu entendi tudo errado...me desculpe...— disse ela e ele balançou a cabeça em sinal de negação.
— Você não precisa se desculpar – disse ele – eu não agi certo com você e depois do que aconteceu ontem eu só posso te dizer uma coisa...
suspirou fundo, tentando controlar seu choro emocionado.
— Eu amo você – Blake disse sua respiração por um fio – E eu sei que você está com o Weasley e tudo bem por mim desde que você esteja feliz, mas depois do que aconteceu ontem...eu amo você, sinto sua falta e quero o seu bem. Eu sei que fiz tudo errado, que não consegui falar o que gostaria, mas eu amo você desde sempre e não há nada nesse mundo que eu não faria por você...eu...eu só queria que você soubesse...
não soube o que responder, sua versão de dois anos atrás, estaria simplesmente nas nuvens ao ouvir isso, mas ela estava com o Weasley, seu coração, no entanto, se apertou um pouco. Sem saber o que fazer, ela o trouxe novamente para um braço, ele a abraçou forte, suas mãos firmes dando uma volta em seu torço.
— Obrigada por tudo Blake. Eu não sei o que dizer...
— Não precisa dizer nada – ele disse – eu só queria que você soubesse, não quero esconder mais nada de você, inclusive o que eu sinto...
acenou.
— O que aconteceu ontem?
— Você não se lembra? – ela sacudiu a cabeça negativamente.
— Eu lembro de ir até o corujal, mas depois disso nada...
— O que aconteceu com suas mãos? – o encarou horrorizada.
Blake balançou a cabeça em sinal de negação e envolveu as mãos geladas da menina nas suas, começando a colocá-la a par de tudo o que acontecera.
— Não consigo provar que foi o Luke – ela disse com lágrimas nos olhos – não consigo me lembrar, mas acredito em você...
— O que foi? – Blake perguntou ao vê-la franzir a testa.
— Tive a impressão de conhecer alguém enquanto estava...hm...desacordada. – morta, ela estava ‘’quase morta’’.
— Promete pra mim que sempre vai buscar a minha ajuda quando estiver em perigo?
— Como eu vou prometer isso Blake? – a garota o olhou deprimida.
— Eu já sou maior de 17 se lembra? Posso lançar encantamentos na sua casa...não confio em Luke, mesmo que não esteja mais aqui.
A mãe de voltou acompanhada pelo marido.
— Bom dia, sr. Fernandez – Blake se levantou em um pulo para cumprimentar o homem.
— Thomas Blake, certo? – disse o homem.
— Sim, senhor.
— Sou grato por tudo o que fez pela minha filha...
— Gostaríamos de convidá-lo para nossa ceia de Natal, você pode trazer a sua família se quiser... – Amélia disse sorrindo afetuosamente.
— Sou só eu e a minha mãe – respondeu o garoto.
— Serão muito bem-vindos – disse a mulher.
— Não aceitamos não como resposta – o homem disse e a esposa o cutucou nas costelas.
— Faremos o possível para comparecermos senhor – disse Blake sorrindo fraco.
— Juan, pode me chamar de Juan.
— Certo, Juan – Blake respondeu um pouco sem graça – Faça uma boa viagem para casa sim? – ele disse para – nos vemos em alguns dias...
acenou novamente, sua mente fervilhando de pensamentos, não pode deixar de negar que todas as palavras do sonserino mexeram com ela, mas esqueceu-se de seu devaneio assim que Rony Weasley entrou pela porta, andando a passos rápidos na sua direção.
— Rony...— disse ela sorrindo largamente, o menino chegou a acelerar em sua direção, mas ao se dar conta da presença dos pais da garota, diminuiu o ritmo.
— Muito prazer, sr. e sra Fernandez, eu sou Rony Weasley...
— Nos ouvimos falar muito do senhor – disse a mulher com um sorriso maroto e não conseguiu deixar de corar.
— Até demais...— resmungou o pai.
— PAI!
Rony coçou a nuca sem graça.
— É um prazer finalmente conhecê-los.
— Vocês deixá-los a sós querido, eles têm muito o que conversar – a mulher piscou para filha, empurrando o homem porta a fora.
— Eu estou logo ali...do lado de fora – Juan deu um apertão no ombro do menino
— Pai! – cerrou os dentes e Juan deixou escapar uma risadinha.
— Muito obrigado por tudo – disse ele a Rony antes de sair, o ruivo acenou engolindo em seco.
Quando os dois saíram pela porta, Rony se sentou ao lado da garota, levando suas mãos imediatamente para o seu rosto e o tomando nas mãos. Sua respiração se tornou ofegante com o contato, sentimento de alívio de ver aqueles olhos castanhos tão familiares outra vez. Ele encostou a testa dos dois em um movimento de carinho, incapaz de dizer qualquer coisa. Os dois ficaram naquela posição por vários minutos, antes que Rony a tomasse nos braços e a abraçasse com toda a força que possuía.
— Eu fiquei com tanto medo de perder você – sua voz saiu esganiçada controlando o choro que nascia na base de sua garganta.
Ela não conseguiu dizer nada, lágrimas começaram a descer de seu rosto e ela se entregou em seus braços, soluçando alto, ao pensar que achou que nunca mais o veria ou sentiria o seu cheiro.
— Eu estou aqui – ela disse como se pudesse abraça-lo por todo o perímetro – eu não vou ir embora, nunca mais.
Rony selou os lábios deles em um beijo intenso, cheio de desespero, como se nada nem aquilo lhes fosse mais garantido. Ele pressionou seu corpo com o dela, se embebedando de seu cheiro, se embrenhando em seus cabelos compridos. Rony limpou as lágrimas da garota, olhando em seus olhos feito uma promessa e disse:
— Eu não deixar nada acontecer com você...
Nesse momento, uma voz retumbante gritou dentro dela.
— ‘’Se você não escolher, escolherei por você’’
Ela chegou a pular de susto, a voz percorrendo todo o seu corpo, acelerando seu coração em questão de um segundo.
, o que foi? – Rony estava com os olhos arregalados.
— Eu não sei – disse ela piscando os olhos várias vezes apertando seu coração em sinal de angustia.
— Você precisa descansar – Rony afofou as cobertas e auxiliou a garoto para deitar-se novamente – Quando você vai pra casa?
— Acho que hoje mesmo – suspirou ainda um pouco perturbada – O Professor Dumbledore vai nos escoltar até em casa e colocar feitiços de proteção ao redor dela...Você vai vir, não vai? Passar o Natal comigo?
— Não perderia por nada – ele disse dando um selinho na garota.

***


O professor Dumbledore fez questão de acompanhá-los para casa e ainda fez uma inspeção em todos os cômodos sem falar nos feitiços de proteção que lançou ao redor da residência. O Ministério da Magia também fora acionado e agora a casa de também estava sendo vigiada, os pais da garota ficaram um pouco incomodados com a presença dos bruxos no início, mas ambos tinham bom coração e logo estavam dividindo o pouco que tinham com os visitantes. observara a mãe levando grandes xicaras fumegantes de café para os bruxos que pernoitavam do lado de fora da residência.
O Ministério da Magia não tinha pistas em quem tinha a envenenado e apesar da garota não conseguir lembrar claramente, ela tinha certeza de que Luke era o responsável, só de pensar na presença do garoto, os pelos de suas costas se arrepiavam imediatamente. Ela balançou a cabeça afastando a imagem de seus olhos de gelo a perseguindo para onde fosse e tentou se focar na presença de seus pais e irmãos.
— E AÍ eles entraram na enfermaria TODOS SUJOS DE SANGUE E LAMA – contava ser irmão Henry sobre o que acontecera enquanto ela estava desacordada – E ENTREGOU O VENENO DA ARANHANTULA.
— Acromântula, seu burro – Kevin, o outro gêmeo disse rispidamente.
começou a rir, nunca achou que sua história quase trágica, pudesse quase diverti-la naquele momento. Ela estava ansiosa para o Natal, Ava ficara na escola por mais uns dias, Rony e Blake chegariam na véspera de Natal, até lá ela passaria mais tempo com a família, não que isso a incomodasse, já sentia falta das brigas dos irmãos e da presença do pai e da mãe.
Os gêmeos estavam mais grudados nela do que nunca, ficavam deitados em seu colo, checando se estava tudo bem a todo instante e de certa forma tudo finalmente estava. É claro que vários pensamentos perturbavam a sua mente, como se ela não estivesse se lembrando plenamente de tudo, mas ela agradeceu pelos dias de tranquilidade em família. Ela teve um vislumbre do rosto de Luke Hampton na escuridão e deu um pulo de susto. Seus irmãos pararam com a briga e se aconchegaram perto dela.
— Você está bem?
— Vou ficar bem – ela disse apertando os dois em um abraço, preocupada com o futuro da família sabendo que os Comensais da Morte estavam a par de sua localização. Ela segurou as lágrimas lembrando de seu pedido a Dumbledore e do compromisso firmado entre eles. O diretor lançaria um feitiço da memória na família, a qual partiria para Nova Zelândia logo após o Natal, sem nem ao menos lembrar-se dela.
’Professor Dumbledore – disse assim que os pais entraram dentro de casa – eu preciso de um favor...
— E o que o seria, srta. Fernandéz? – perguntou o diretor a observando por cima de seus óculos meia-lua.
— Eles são tudo o que eu tenho e preciso protegê-los, mas não posso realizar magia fora da escola – o professor inclinou a cabeça como se estivesse entendendo o pedido.
— Eu posso lançar um feitiço que pode os manter protegidos por um bom tempo, mas receio que não poderei desfazê-lo quando tudo isso terminar – sua voz soou pesarosa.
— Eu posso desfazer, quando chegar a hora...— suspirou fundo – se um dia tudo voltar ao normal...
— Muito bem então – ele respondeu – aproveite esse Natal com a sua família, talvez seja o último em algum tempo – acenou a cabeça tristemente
.’’
Ela apertou os irmãos com mais força ainda, desejando que não fosse o último Natal de todos.

***


Blake caminhou em direção a sua casa, arrastando seu malão pela rua deserta com a mãe esquerda, a varinha em punho na mão direita dentro de seu bolso. Sua residência era a última de uma rua sem saída, uma casa pequena e muito simples, mas cheia de boas memórias. O garoto sorriu ao observar a quantidade de plantas na frente do local, jardinagem era um dos hobbies favoritos de sua mãe e ele teve certeza que ela tinha comprado mais uma dúzia delas desde a última vez que estivera em casa.
Seu coração se apertou de saudades, sua mãe era sua única família, ela sempre trabalhara muito para sustenta-lo também na escola de Hogwarts, as vezes ele se perguntava como ela conseguia comprar seus materiais sempre tão caros. Ele estranhou as luzes apagadas, não encontrando sua mãe regando as plantas como de costume. Blake conferiu as horas, certo de que ela já tinha voltado do trabalho.
O garoto encontrou sua casa escura e em silêncio, ele empunhou a varinha, murmurando um feitiço para encontrar a presença de humanos, mas não encontrou ninguém, mais tranquilo ele vagou até a mesa de jantar onde encontrou um bilhete de sua mãe, avisando que iria se atrasar por conta do expediente de trabalho, ela estava cobrindo uma amiga durante suas férias.
Blake suspirou aliviado, mas ainda assim lançou alguns feitiços de proteção na residência, ele não tinha notícias do paradeiro de Luke desde que deixara a escola, logo precisava ser mais cauteloso, inclusive, cumpriria seu plano de manter sua mãe em segurança com mais antecedência do que previsto.
Ele segurou um porta retrato contendo uma foto sua e de sua mãe em frente ao jardim de sua casa e sorriu, ele tinha uns quatro anos e não conseguia se lembrar de quem tirara a foto, gostava de imaginar que tinha sido seu pai, mas isso não era possível, o pai de Blake havia falecido antes dele nascer, um trouxa como a sua mãe, comum e muito trabalhador. O garoto tinha uma foto dele e a guardava com muito carinho dentro seus pertences.
O garoto se dirigiu ao seu quarto e se jogou em sua cama arrumada, o cheiro de lavanda despertando mais memórias de infância. Sua mãe manteve todos os pôsteres de suas bandas favoritas nas paredes, apesar de não gostar muito deles, todos estavam um pouco desbotados por causa da ação do tempo. Seu violão estava esquecido atrás de seu guarda roupa. Ele pegou o instrumento, dedilhando suas cordas empoeiradas, o instrumento emitindo um som desafinado.
Ele despertou de seu devaneio quando sua coruja Charlotte começou a bicar a janela impacientemente. Blake sorriu abrindo uma fresta para que a coruja marrom pudesse lhe fazer companhia. ‘’Apressadinha’’ ele riu baixo, quando ela piou e se aconchegou em seu ombro, em seus pés estavam atrelada um pequeno bilhete, ao abri-lo, Blake reconhecer a letra de quase que imediatamente.
Querido Blake,
Espero encontrá-lo bem. Eu estou muito melhor, muito obrigada por todas as cartas que me mandou nesse período. Mamãe (e eu) quer saber se você e sua mãe se juntarão a nós no Natal?
Aguardo sua resposta,
Afetuosamente,

Blake riu baixo, imaginando a mãe da garota insistindo que mandasse uma carta para confirmar a presença dele. Ele tinha conversado com sua mãe e ela tinha concordado em participar, mas para ter certeza, ele resolveu esperar por ela para responder. Se esticou exausto em sua cama, relaxando seus músculos, sentindo o coração bater mais rápido ao pensar em . Ele sorriu reconfortado por sua lembrança e deixou-se dormir tranquilamente.
Ele acordou sobressaltado, ouvindo passos apressados subindo pela escada. Levantando-se em um pulo, ele esperou o visitante com a varinha em punho. Seu coração se encheu de alívio quando sua mãe entrou pela porta descabelada, ofegante e preocupada, mas seu rosto se torceu em confusão ao perceber que como ele, ela também estava segurando uma varinha.
— Blake, filho, você está bem? – ela perguntou se aproximando dele.
— Mãe? Por que você está segurando uma varinha? – ele perguntou confuso, olhando para os dois instrumentos apontados um para o outro. A mulher ainda jovem e de olhos cinzas feito os dele, abaixou o instrumento, lançando lhe um olhar de sombra e culpa.
— Filho, nós precisamos conversar.

Capítulo 13 - O Último Natal em Família

— Eu não tenho o que vestir – gritou contra uma de suas almofadas, se deixando cair em meio a sua cama desarrumada em um gesto dramático.
Rony estava a caminho de sua casa e ela não pode deixar de se consumir pela ansiedade de jantar com seu namorado e sua família pela primeira vez. Ela gostaria de impressioná-lo, como qualquer outra adolescente normal em seu primeiro encontro oficial.
— E essas pilhas de roupa servem para que? – a voz de Ava soou no batente da porta e se levantou num pulo.
— AVA! – gritou indo de encontro a amiga, as duas se abraçaram, dando pulos e gritinhos – VOCÊ É MINHA SALVADORA!
— É TÃO BOM TE TER DE VOLTA – Ava continuava a gritar.
— Ah, é você Ava? – Kevin um dos gêmeos apareceu na porta da garota – Achei que fosse o seu namoradinho ruivo.
corou fortemente ficando sem palavras, enquanto a amiga soltava uma grande gargalhada.
— E você presta atenção em tudo, não é? Pestinha – Ava disse esfregando a mão nos cabelos cacheados do menino.
— Ah, esse é o motivo da gritaria – Juan disse como se já soubesse o óbvio.
— Oi tio! – Ava disse abraçando o pai de .
Ele lhe deu uns tapinhas nas costas.
— Onde estão os seus pais? – ele perguntou.
— Eles estão atrasados como sempre, mamãe resolveu fazer uma nova sobremesa e não deu certo – Ava disse com uma careta – resolvi vir antes para ajudar a .
— Ajudar com o que? – o homem devolveu com uma das sobrancelhas erguidas.
— A escolher a roupa perfeita, ué! – Ava disse como se fosse óbvio.
— Tudo isso por causa daquele cabeça de fósforo? – o pai de brincou para ver a reação da filha, que cruzou os braços.
— Pai, você prometeu se comportar – ela choramingou.
— E ele vai – disse a mãe da garota, beliscando o homem entre as costelas, que se encolheu de dor.
— Você tinha que me avisar desse namoro com mais antecedência, o meu coração não vai aguentar – o pai dela disse fazendo drama.
é tão dramática quanto o pai – Ava fez um comentário e a acertou em cheio com uma almofadada na cara.
— Vou voltar para cozinha – disse Amélia trazendo o marido com ela – já deixei o Kevin cuidando das panelas por muito tempo.
— MÃE! EU ACHO QUE A TORTA VAI QUEIMAR! – Kevin gritou da cozinha.
— DESLIGA O FORNO CABEÇUDO – Henry berrou para o irmão, correndo para a cozinha.
— SANTA MADRE DE DIOS, TODO NATAL É A MESMA COISA – Amélia bufou correndo para a cozinha.
— Eu estava com saudade dessa gritaria – Ava riu sentando-se na cama da amiga.
riu também, mas logo uma sombra passou pelos seus olhos.
— O que foi? – perguntou Ava.
— Feche a porta – indicou – precisamos conversar.
Ela contou para amiga sobre o acordo firmado entre ela e Dumbledore, o diretor apagaria as memórias da família em relação a filha e todos partiriam para outro lugar em seguro. não quis mencionar o local, apesar de confiar em Ava, era melhor que o segredo estivesse nas mãos de poucas pessoas.
— Como você está se sentindo? – Ava perguntou pressionando os lábios.
— Aliviada, aflita, triste – deu de ombros – mas é o melhor a se fazer, Mamãe não quer que eu retorne a Hogwarts, não depois de tudo...e eu sei que se ficarmos juntos, vai ser muito perigoso.
— Você sabe quando? – Ava perguntou.
— Logo após o jantar – sorriu tristemente – eles irão se mudar daqui dois dias. Dumbledore fez questão de fazer todos os preparativos.
— Bem, se quer realmente a minha opinião, é o mínimo que ele pode fazer, depois do que aconteceu na escola, você se lembra de alguma coisa?
— Não – abaixou os ombros em derrota – eu me lembro de seguir ao corujal e depois disso, nada...mas eu tenho certeza que Luke foi o responsável, eu sonhei algumas vezes com ele, como se ele me perseguisse na escuridão.
Ava controlou um arrepio em seu corpo.
— Você tem ideia de onde ele pode estar?
— Nenhuma, mas por isso estou me assegurando de proteger a minha família – suspirou – eu não posso deixá-los aqui, sem proteção e ir para Hogwarts.
— É a decisão mais difícil, mas a mais correta no momento – Ava disse — eu vou viajar com os meus pais, então o seu segredo está seguro comigo. O pior vai ser quando eles voltarem e ver que seus amigos partiram sem nem dar uma explicação.
— Diga que não era mais seguro e que não sabe da localização deles – Ava concordou.
— Eu sei que muitas coisas estão acontecendo, mas vamos aproveitar essas últimas horas que restam e escolher o que você vai vestir.
— Você está certa – suspirou.
— Blake também vai vir? – Ava ergueu uma das sobrancelhas.
— Não! Ele me mandou uma carta falando de um imprevisto e que conversamos melhor quando voltarmos.
— Você tem certeza de que ele está bem?
— Sim, mandei mais de uma carta para ter certeza, me sinto tão mal por ter duvidado dele...
— Não se culpe tanto, Luke tem mais responsabilidade nessa história do que você...
— Blake disse que me ama – soltou sem querer.
— ELE O QUE?
— Fale baixo, Ava – silenciou a amiga – ele disse que não quer mais esconder nada de mim, inclusive o que ele sente.
— E você? Como está se sentindo com tudo isso?
— Eu estou certa de meus sentimentos pelo Rony, mas...
— Mas você ficou balançada com as palavras dele? Acho que é normal, você nutriu sentimentos por ele por anos...
— Parece injusto com o Rony...
— Você teve uma vida antes dele e Rony também! Não é como se nós não soubéssemos que ele e a Granger ficavam brigando igual gato e rato...
— Você não cansa de ser sempre sensata? – riu mudando de assunto para evitar o seu ciúme de pensar em Rony com outra menina.
— Eu sou ótima para dar conselhos, péssima para segui-los.
— E a Suzana, por falar nisso?
— Não consegui mais falar com ela, não depois de tudo o que você passou, eu fiquei meio fora de orbita esses dias...— Ava disse ocupando suas mãos a dobrar as roupas da amiga.
-Por que você não mandar uma carta para ela? Um cartão de Natal?
— Urgh...eu odeio você.
— Você me ama! E agora vai de uma vez, porque você precisa me ajudar com a roupa perfeita!
Ava saiu do quarto por um instante e olhou ao seu redor, memorizando seu quarto de infância em uma lembrança bem apertada. Seus pôsteres de quadribol, misturados com os de seus filmes favoritos, fotos da sua família, uma porção de desenhos de paisagens, criaturas mágicas e momentos de sua estadia em Hogwarts. Ela ia sentir falta de tudo aquilo.

***


Rony ajeitou sua camisa pela trigésima vez, em um braço segurava um calhamaço de flores silvestres, do outro uma sacola com presentes de Natal. Ele suspirou fundo antes de apertar a campainha da casa.
— Não seja covarde – ele murmurou para si mesmo, sentindo suas mãos suarem de nervoso – você enfrentou uma acromântula por essa garota!
Ele apertou a campainha, ouvindo passos atropelados e sendo bem vindo pelos gêmeos, irmãos da . Os gêmeos eram extremamente parecidos com ela, exceto pelos cabelos loiros e lisos.
, SEU NAMORADINHO CHEGOU – Kevin um deles gritou e Rony soltou uma risada fraca. Henry colocou o pé, impedindo sua passagem, olhando para o menino com cara de poucos amigos.
— Se você quebrar o coração dela, você vai se ver comigo...
— Tenho certeza que sim – ele sorriu.
— Por que você ainda está aí na porta, meu querido? – a mulher lançou um olhar feio para Henry que sorriu amarelo.
— Henry só quis se certificar de que eu precisava de ajuda — Rony respondeu mostrando algumas sacolas. O rosto do menino chegou a brilhar de surpresa, correndo para e sussurrando em seu ouvido, ‘’eu gostei dele’’.
— Essas flores são para Sra. – Rony entregou um buque lindo para a mãe de , que logo o trouxe para um abraço receptivo.
— É muita gentileza sua – ela sorriu abertamente – por favor, fique à vontade.
o aguardava na sala, ela passou as mãos pela sua roupa pela trigésima vez, tentando aliviar o nervosismo, mas não pode evitar as borboletas no estômago, assim que lacrou seus olhos com os dele.
— Oi – ele murmurou e ela sorriu beijando seus lábios delicadamente.
— Oi – ela disse de volta, seu rosto adquirindo um tom rosado adorável.
— Vocês me dão ânsia – Ava disse quebrando o clima e os dois riram, Rony depositou um beijo na testa da garota, a trazendo para um abraço.
— Ronald Weasley – Juan veio ao seu encontro, o recebendo com um aperto forte de mão – seja bem-vindo!
— Muito obrigado, sr. Fernandéz.
— Pode me chamar de Juan – ele disse com simpatia – É a sua primeira vez em uma casa... do que vocês nos chamam mesmo?
— Trouxas – Ava respondeu por ele.
— Ah é, que nome mais estranho.
— Já estive algumas vezes na casa do meu amigo Harry, senhor, mas não fui tão bem recebido como aqui.
— Os guardiões de Harry são meio complicados – completou.
— Como você está? – Rony sussurrou.
— Estou feliz que está aqui.
— Está tudo pronto? – e chacoalhou a cabeça como quem diz que não era o momento. tinha o comunicado de sua decisão por carta. E Rony tinha oferecido abrigo até as coisas se ajeitaram. Ele entendeu o recado, apertando sua mão com força.
— Espero que esteja com fome, Rony – Amélia disse terminando de arrumar a mesa.
— Estou sempre com fome – ele disse entre risos.
— Ah, nossos convidados chegaram – disse Juan recebendo os pais de Ava, Charlie e Olivia.
— Você não precisava ter se incomodado – Amélia disse assim que Olivia trouxe um bolo trufado de morango para a residência.
— Não se preocupe, tive que comprar na padaria, já que sou um desastre na cozinha – Olivia rebateu, abraçando a outra como velhas comadres.
— Ah, agora entendo o motivo de seus cabelos brancos, Juan – Charlie disse se aproximando para cumprimentar Rony — Nós ouvimos muito falar do senhor Rony Weasley.
— Muito prazer, sr. Thompson – Rony sentiu suas bochechas esquentarem – Boas coisas, eu espero.
fala de você há anos – Amelia sorriu furtiva
— Nós podemos mudar de assunto, por favor – disse tentando desconversar.
— Como assim há anos? – ele perguntou para ela.
— Ela gosta de você há um tempão, vai me dizer que nunca percebeu? – os olhos do garoto se arregalaram em resposta.
— Que tal falarmos sobre outra coisa que não seja a minha vida pessoal – sorriu forçado querendo morrer pelo rumo da conversa.
— Nós não seriamos os seus pais, sem lhe causar um pouquinho de constrangimento – Juan disse piscando para a filha.
— Nos conte mais sobre você Rony – Amelia disse – como é sua família? Todos eles são bruxos?
— Sim, senhora! Meu pai trabalha no Ministério da Magia, minha mãe se dedicou mais a nossa família, nós somos em sete irmãos, seis meninos e uma menina.
mencionou que vocês também têm órgãos governamentais como no nosso mundo, ele seria um tipo de servidor público?
— Sim, hoje ele é chefe da Seção para Detecção e Confisco de Feitiços Defensivos, ele evita que objetos amaldiçoados cheguem a outros bruxos ou até aos trou...quem não possui magia...
— Vocês escondem o seu mundo muito bem – disse Charlie – se não fosse por nossas filhas nascidas trouxas, nós nunca saberíamos sobre a existência de bruxos...nós achávamos que era coisa de filme...
— Mamãe quase morreu quando soube – disse entre risos – a professora McGonagalll precisou fazer uma visita a nossa casa para convencê-la.
— Mas é claro – disse a mulher com as mãos na cintura – eu achei que essa história de bruxa era coisa do demônio...
Todos começaram a gargalhar, até mesmo a matriarca.
— A magia já tinha se manifestado antes em – Juan falou – ela fazia coisas que nós não conseguíamos explicar, como aquela vez que ela pintou o cabelo de azul, sem tinta...
— Depois aceitamos bem, é claro... – o rosto de Juan se entristeceu, perturbado por alguma lembrança – mas isso foi antes do que aconteceu e agora não voltará a Hogwarts...
— Como assim? – Ava perguntou indignada.
— Se você acha que deixarei a minha filha voltar para aquela escola está muito enganada – Amelia concordava fervorosamente com o marido.
estava extremamente quieta, lhe doía não poder argumentar e armar um plano pelas costas dos pais, mas isso não estava mais em suas mãos. Rony apertou a mão dela novamente e ela conseguiu engolir o choro, fazendo um sinal discreto para Ava parar de insistir.
— Não vamos falar sobre isso hoje – argumentou limpando a garganta – É Natal e eu estou feliz por estarmos juntos.
— Você tem razão mi hija – Amelia disse rindo
— Mamãe, eu estou com fome – Kevin reclamou.
— Quando nos vamos abrir os presentes? – Henry olhava furtivamente para a base da árvore de Natal.
— Nós somos um pouco barulhentos querido – Amelia quis se justificar para Rony.
— Minha família também é! Não se preocupe com isso.
Todos sentaram para jantar e começaram a falar animadamente, o pai de Juan continuou a perguntar a Rony sobre sua vida de bruxo, o qual respondeu todas as perguntas com prazer, neste jantar ele ficou sabendo mais do trabalho do pai da namorada, que era dono de uma oficina de carros, bem como a mulher, que era auxiliar de enfermagem, uma espécie de curandeira, no mesmo hospital onde a mãe de Ava era médica, Charlie era um administrador e trabalhava em uma empresa de exportação.
estava sorrindo o tempo todo, de vez em quando, parava para observar a interação da família, sem se deixar levar pelo aperto em seu peito, fazendo seu coração ficar pequenininho à medida que o ponteiro do relógio se aproximava a meia noite.
Quando estava todos satisfeitos depois de uma refeição completa regada a carne assada, arroz com passas, tortinhas de limão com merengue, entre outras delícias, todos se sentaram ao redor da árvore de Natal para abrir os presentes.
Rony trouxe dois presentes da Geminialidades Weasley para os irmãos da garota, um de Truques de Magia para Trouxas e Varinhas de Brinquedo, que ficaram maravilhados com os objetos, brincando imediatamente com os presentes, os pais da garota receberam uma cesta com diversas iguarias do mundo bruxo como os sapos de chocolate, feijãozinho de todos os sabores, bem como bolos de caldeirão e varinhas de alcaçuz.
— Espero que goste – ele entregou um pacote para que sorriu largamente.
Dentro dele havia uma edição especial de Quadribol através dos séculos, uma caixa de seus bombons de chocolate e caramelo favoritos, e um desenho dela em um porta retrata.
Ela estava vestida com o uniforme de quadribol, seus cabelos soltos sobre o uniforme e ela estava rindo para alguém.
— Eu também gostava de você ‘’há séculos’’, sabia?
Ela o olhou boquiaberta, sem saber o que dizer.
— Eu lembro exatamente desse dia – ele falou – você tinha acabado de voltar de um treino e estava feliz por ter tortinhas de abóbora no jantar.
riu, seus olhos se enchendo inesperadamente de lágrimas.
— Rony, eu...— ela começou a dizer, mas Rony a interrompeu com um beijinho roubado.
— Você gostou? – ele perguntou incerto.
— É o melhor presente de todos – ela riu satisfeita, em retorno, ela lhe deu um suéter azul marinho, o primeiro que não era de segunda mão ou costurado pela mãe. Rony colocou o presente imediatamente, absolutamente chocado com o fato dela conhece-lo tão bem.
— Obrigado! – exclamou com a maior gratidão que pode expressar.
Eles continuaram a conversar por um bom tempo, até esqueceu-se por um momento que aquele seria o último natal de todos juntos, mas começou a ficar tarde e a tempestade de neve forçou a família de Ava a ir para casa antes do previsto. Os gêmeos dormiam no sofá, cansados demais depois de brincarem com suas varinhas de brinquedo.
e Rony continuaram no sofá, vendo um filme de Natal, o garoto assistia a televisão pela primeira vez em sua vida, seus olhos estavam vidrados no aparelho como se fosse a melhor invenção de todas.
— Nós vamos nos recolher, queridos – disse Amelia – tem certeza que não quer ficar, Rony? O tempo está tão feio.
— É muita gentileza sua, mas meus pais já estão vindo me buscar – ele disse se sentindo mal por mentir.
— Foi um prazer – ela disse abraçando o genro – você sempre será bem-vindo aqui na nossa casa.
abraçou a mãe com força, afundando seu rosto no pescoço da mulher, sentindo o cheiro familiar de seu perfume de baunilha.
— Obrigada por tudo, mãe.
— Nos vemos pela manhã, princesa – o pai dela disse lhe dando um beijo na testa.
observou os pais irem para seus quartos, carregando os gêmeos em seus braços e ela comprimiu os lábios na tentativa de não lhe escapar um soluço pela boca. Ela e Rony sentaram em silêncio, esperando a chegada de Dumbledore, seus pertences já estavam todos empacotados devidamente.
Era precisamente meia noite e meia quando eles ouviram uma batida delicada na porta da frente. Quando abriu a porta, encontrou o professor Dumbledore no batente da porta, o diretor estava vestindo um traje bruxo muito festivo nas cores vermelha e dourada.
— Me desculpe atrapalhar o seu Natal, professor Dumbledore – ela disse, mas ele a olhou com extremo carinho.
— Não se preocupe com isso, srta. Fernandéz. Você já está pronta? – ela apenas sacudiu a cabeça dando espaço para que ele entrasse no local.
Dumbledore não se demorou, imaginando o quanto aquilo estava sendo doloroso para a menina, ele iniciou uma série de encantamentos, seus pais e irmãos, completamente adormecidos não perceberam nada e quando acordassem nem se lembrariam da existência dela. Ela beijou os irmãos na testa e deu um último abraço em seus pais, saindo a passos largos da casa.
Rony observou tudo em silêncio e saiu em seu encalço, apertando sua mão com força, enquanto ela soluçava calada.
— Eu sinto muito – disse Rony a abraçando forte.
— Nem todas as lágrimas são más, srta. Fernandez, tenho certeza de que tudo vai se ajeitar eventualmente – Dumbledore disse e no próximo minuto, eles foram engolidos por aquela sensação de rodopio, aparatando em frente a Toca sozinhos.
— Acho que Dumbledore não quis ficar para o jantar – suspirou observando a ausência do diretor.
— Você está bem? – perguntou Rony fazendo um carinho em seu rosto.
Ela enxugou as lágrimas respirando fundo – vamos, vamos conhecer sua família.
— Ah, sejam bem vindos os pombinhos – Fred gritou para quem quisesse ouvir e todos presentes voltaram suas atenções para os dois.
— Está pronta para a segunda parte de constrangimento do dia? – riu.
— Ah, minha querida, o Rony falou tanto sobre você – disse Moly Weasley a trazendo para um abraço forte – veja como ela é linda Arthur.
— Seja muito bem vinda a nossa casa – Arthur veio ao lado da mulher para a receberem na Toca.
— Todos estão comendo, espero que tenham separado um cantinho para comer um pouco mais.
— Parece tudo delicioso! — respondeu um pouco sem graça.
— Me diga , como você é uma Corvina, mesmo sendo alguém de coragem ímpar? – George chegou perto dos dois.
— Por que você diz? – franziu a testa em confusão.
— Porque para namorar o meu irmão Ronald, você deve ter coragem para muito além do normal.
— Cale a boca George – Rony reagiu e George se fingiu de ressentido.
— Sem xingamentos hoje – Molly ralhou com todos eles.
— Foi ele quem começou – Rony e os irmãos começaram uma nova discussão.
vai achar que nós somos uma família de loucos! – a Sra. Wealsey interferiu na discussão, suas bochechas coradas de vergonha.
— Não se preocupe com isso, sua família é linda – disse com um sorrido no rosto.
— Nós já abrirmos os presentes querida – a senhora se aproximou com um pacote – mas eu fiz esse para você.
abriu o pacote e encontrou um suéter de cor vermelha com a letra D bordada no meio.
— Você faz parte da nossa família também...— não pode conter a emoção e se jogou em abraço apertado na sogra, que pareceu muito feliz e satisfeita com a reação.
— Muito obrigada, eu adorei...
– Fred, Jorge, lamento, queridos, mas Remo vai chegar hoje à noite e Gui vai ter de se apertar no quarto de vocês! pode ficar no antigo quarto de Percy.
– Não esquenta – respondeu George – E, como Carlinhos não vem, isto deixa Harry e Rony no sótão, e se Fleur dividir o quarto com Gina...– ... isso é que é um Feliz Natal! – murmurou Fred.– ... e todos ficarão confortáveis.
— Bem, pelo menos terão uma cama – acrescentou a sra. Weasley, um pouco cansada e ansiosa.
— Por que a não pode ficar no meu quarto? – Gina perguntou desgostosa.
— Sem discussão, Ginevra – a garota se calou no mesmo momento.
Todos continuaram conversando madrugada a fora, fez amizade rapidamente com o resto do grupo, inclusive com Remo e Tonks, aurores que participavam da Ordem da Fênix. Eles não falaram muito sobre a ordem, mas ela tinha certeza que faria parte assim que completasse 17 anos, o que seria dentro de duas semanas. Eles se divertiram também com diversos jogos de tabuleiro e descobriu que não conseguia ser boa em xadrez nem no mundo dos bruxos.
Aos poucos, todos começaram a ir para suas camas, Molly levou a garota para o antigo quarto de Percy Weasley, um dos irmãos mais velhos de Rony que não tivera a oportunidade de conhecer pessoalmente, o quarto estava completamente limpo, exceto pela cama ao lado da janela.
Ela trocou de roupa colocando um pijama confortável e se enfiou debaixo das inúmeras camadas de coberta. Ela tentou dormir, mas sua ansiedade não permitiu, ficou a todo momento pensando na família que deixara para trás. Será que ficariam bem? – se perguntava. Seu devaneio foi interrompido assim que a porta se abriu levemente e por ela entrou Rony Weasley.
— Fiquei preocupado, não está conseguindo dormir? – ele entrou no quarto e trancou a porta suavemente
— Sua mãe vai matar a gente – ela disse querendo rir, abrindo espaço nas cobertas para que ele se deitasse junto com ela.
— Ela só vai me matar se ela descobrir – ele brincou e os dois riram baixo.
— Eu não quero que ela me odeie – disse amedrontada
— Tá brincando? Nem a Fleur ganhou um suéter de Natal.
— Pobre Fleur... – os dois riram baixo.
— Ela e a mamãe tem o gênio muito parecido, por isso não se dão bem.
— Que bom que está aqui – cochichou ela, observando como os olhos do garoto ficavam salpicados de luzinhas feito pequenos diamantes por causa da luz do luar.
— Como você está? – ele perguntou se aconchegando a ela.
— Não estou conseguindo dormir, fico pensando neles o tempo todo...— com isso a garota suspirou fundo.
— Sei que acha que não tomou a decisão correta, mas você não tinha muitas opções. Ficar em casa sem usar magia colocaria sua família em mais perigo...
— Obrigada por me acolher – ela disse em um sorriso.
— Fico triste em não poder te ajudar mais...
— Você pode me ajudar me dando vários beijinhos... – ela piscou para ele que sorriu envergonhado.
— Você não cansa de me surpreender, não é?
— É o meu jeitinho – ela sorriu convencida e Rony selou os lábios deles no mesmo instante.
suspirou em meio ao beijo aprofundando suas mãos nos cabelos lisos do garoto. Os dois não conseguiam explicar a conexão e a química entre eles sempre quando estavam juntos. O garoto ofegou com a proximidade, sabendo que não conseguiria parar caso continuasse, mas aquele não era um bom momento e ele tinha plena consciência disso. Quando os dois quebraram o contato, um pouco envergonhados, Rony disse:
— Eu vou ficar aqui até você dormir.

Capítulo 14 - Vislumbre do Futuro

Luke Hampton encarou os pés, incapaz de enfrentar os olhos gélidos do pai, os olhos que herdara, bem como o resto de suas características físicas. Todos os bruxos costumavam comentar quão semelhantes fisicamente os dois eram, como se a aparência física fosse um motivo de orgulho, um troféu a exibir e se gabar. Para Luke, suas feições sempre foram um vislumbre do futuro, em quem em breve se tornaria.
Toda vez que se encarava no espelho e observava suas gemas azuis, consideradas tão belas e marcantes, se recordava imediatamente dos olhares de reprovação do pai, seus olhos eram os faróis que o julgavam a todo instante, feito um carcereiro de suas ações.
A pequena família estava reunida em uma suntuosa sala de estar, os quadros de seus antepassados também o miravam em desapontamento, o garoto voltou a olhar para seus pés, sua mãe também olhava para baixo, seu rosto impassível, seus cabelos pretos contrastavam com sua pele pálida emoldurados em um penteado perfeito.
Imogen Hampton era conhecida pelo seu comportamento impecável, contudo, suas mãos se apertavam em seu colo, uma gotícula de suor brotava teimosamente em sua têmpora e sua pele, apesar de comumente pálida, estava lívida a ponto de seus vasos sanguíneos serem perceptíveis mesmo a certa distância.
O pai do menino o estudava com extrema seriedade, de certo pensando na punição mais correta – pensou – estremecendo por um instante, as cicatrizes de seu torço começaram a arder, um pressentimento da dor que viria a seguir, apesar de estarem cicatrizadas há um bom tempo. Luke engoliu em seco, olhando para o homem a quem chamava de pai, pela primeira vez em horas, tentando demonstrar todo seu arrependido. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, as palavras escapulindo toda que vez que as enunciava.
— Pai...— ele começou a dizer, mas seu pai o interrompeu sem hesitação.
— Cale a boca! – sua mãe chegou a dar um pulinho no sofá, mas logo se recompôs, a mulher balançou a cabeça discretamente para ele em sinal de negação, um aviso de que aquele não era o momento ideal. Luke fez menção de sentar-se no sofá, mas seu pai logo o repreendeu.
— De pé! – sua voz soava como a de um ditador, sempre lhe dando ordens.
O garoto jamais ouvira o patriarca falar afetuosamente com ninguém, nem mesmo com sua companheira, sua mãe – pensou com pesar – sempre pálida e doente, fraca demais para lutar contra os abusos do marido, incapaz de proteger seu primogênito.
Luke desejou ter um irmão com quem pudesse dividir tamanho desprezo e crueldade, mas por alguma infelicidade do destino, este era um fardo que ele carregava só.
Os minutos se transformaram em horas, o som do relógio de pêndulo começou a contar a frequência de seus batimentos cardíacos, o barulho se tornando alto em seus ouvidos. Desesperado, ele olhou para a mãe que continuava olhando para baixo, buscando o menor sinal de apoio em seus olhos, mas os dela estavam tão vazios quanto.
Não se lembravam de ver a mãe feliz e saudável, exceto quando fora para Hogwarts, onde a jurisdição do seu progenitor não conseguia alcançá-lo. Ele se culpava tanto por não ser um bom filho, de não ser o herdeiro que seu pai esperava que fosse, passara anos de sua vida tentando agradá-lo sem êxito algum.
Luke voltou a pensar no que fizera: arriscara tudo, pensara por um momento que o escolheria visto suas outras opções. Ele pensou em suas mãos delicadas percorrendo o seu torço, em sua feição horrorizada diante seus ferimentos, na sensação de aconchego e misericórdia que experimentara pela primeira vez na vida em seus braços, e ele se odiou por isso. Seu pai estava certo, ele perdera a cabeça motivado por um sentimento irreal, talvez o mais frívolo e fugaz de todos – o amor.
Incapaz de carregar mais um culpa frente a tantas dores – o garoto fechou os punhos com raiva – fora a responsável de sua ruína.
— Pai, por favor... – pediu com a voz trêmula – me perdoe, por favor...
Seu pai ergueu os olhos cortando-o, desgostoso em ouvir sua voz. Alan Hampton, conhecia o significado de muitas palavras, mas perdão não era uma delas.
— Você arriscou todo o nosso plano – começou a dizer em uma voz baixa e ameaçadora – você mostrou que não é digno de confiança, você sabe muito bem qual é o preço de suas escolhas...
— Por favor Alan, reconsidere – interviu a mãe do garoto pela primeira vez — Luke já tem cicatrizes de mais.
— E PELO VISTO NÃO APRENDEU COM NENHUMA DELAS – bradou o homem jogando seu copo de whisky de fogo na parede.
Os dois se encolheram a sua reação.
— Vou lhe dar uma marca que será incapaz de esquecer de seu compromisso com essa família e com o plano do Lord das Trevas – sua voz fria conseguiu diminuir a temperatura do cômodo – se possível — Uma marca da qual se lembrara que erra não é permitido a um Hampton.
O menino pensou em suplicar, se ajoelhar diante dele e pedir fervorosamente para não receber mais uma de suas punições, mas antes que pudesse agir, o homem lançou um feitiço diretamente em seu rosto. Luke cedeu os joelhos em puro choque, suas mãos tocaram o seu rosto de onde escorreria um sangue quente e espesso. Não conseguiu chorar, nem emitir nenhum som, apesar da dor excruciante que martelava em seu crânio.
Hampton o observou sem um traço de ressentimento.
— Não – disse mãe dele em um grito sufocado correndo para o lado do filho e o recebendo em seus braços.
— Tire ele daqui. Não podemos sujar este tapete persa de sangue – o homem murmurou voltando a se servir de um novo copo de bebida – um dia ele aprendera o que precisamos fazer para manter o nome da família.
Incredulidade perpassou pelo seu rosto, como se uma peça inútil fosse mais importante que seu filho que sangrava a seus pés. Imogen puxou o menino para fora do aposento, Luke levantou os seus olhos para o espelho em frente a porta, reconhecendo a cicatriz que cortava o seu rosto na diagonal, do topo da sua sobrancelha esquerda para o canto de sua boca na parte inferior direita.
Não se parecia tanto mais com o pai. Nos braços da mãe, pode se sentir vulnerável por um segundo e abraçou-a, os dois chorando juntos no chão gelado de mármore.

***


O Ministério da Magia autorizou a todos os alunos a utilização da rede flu para voltarem a Hogwarts. se despediu da família Weasley a qual a acolhera durante todo esse período. Os dias foram animados por causa da presença de tantas pessoas, o que ocupou bastante os pensamentos da garota, a distraindo da despedida dos pais, que estariam no outro canto do mundo neste exato momento.
Rony a pegou pela mão e junto com Harry, os três foram conversando até o Salão Principal, com sorte Ava também estaria de volta ao castelo e Blake também. Hermione, a amiga de Rony e Harry se aproximou deles com um sorriso.
— Harry! Ron! Como passaram as festividades? – não pode deixar de notar que ela era invisível para a garota – Preciso falar com vocês, a sós...
Ela disse lhe lançando um olhar incomodado.
sentiu raiva de sua forma rude de falar.
— Não entendi o motivo da grosseria – Rony respondeu no mesmo tom – Qual é o seu problema, Hermione?
Granger estava a ponto de lhe devolver uma resposta afiada, mas interrompeu o momento.
— Nos vemos depois – disse apertando a mão do namorado, sem se despedir dele, ela estava cansada de confusões e sensível demais com os últimos acontecimentos.
O Salão Principal ainda estava vazio. caminhou para a mesa da Corvinal e sentou-se tristemente, um pouco triste de não ver Ava entre os presentes. Ela levou uma das tortinhas de caramelo salgado à boca, mastigando lentamente, sem nem mesmo apreciar uma de suas iguarias favoritas, seu estômago roncava em protesto por sua lentidão, mas estava frustrada com o que acabara de presenciar.
Não desejava brigar com ninguém – por que ela tinha que ser tão grosseira? Pensou. Será que ela gosta dele e sente ciúmes? voltou a divagar um pouco incomodada com a situação. Ela olhou para cima, observando os flocos caírem do teto enfeitiçado, sentindo um turbilhão de sentimentos, ela estava tão sensível e a cena com Hermione só piorara as coisas.
Seus olhos passaram pelo o salão e se arregalaram quando encontrou Blake parado nas grandes portas do local. O sonserino estava diferente, aparentava ter amadurecido alguns anos, ele estava vestido com peças finas de alfaiataria, uma camisa social emoldurando o seu porte atlético, seus cabelos um pouco mais curtos e arrepiados, destacando os seus olhos cinzas. Blake nunca fora alguém inseguro, mas tinha algo sobre ele...algo mudado. Ele abriu um sorriso encantador e caminhou em sua direção com uma confiança e altivez nunca vista.
Seu estômago se contorceu no mesmo instante – órgão estúpido — um sentimento estranho permeando o seu íntimo – Blake estava lindo, ele sempre fora alguém muito atraente, mas parece que finalmente tinha se dado conta disso.
— Como está a minha encrenqueira favorita? – brincou ele a chamando para um abraço, ela aceito o abraço, sua colônia masculina invadiu todos os seus sentidos.
— Dando um tempo de todas as encrencas – riu-se ela sentindo o calor do seu corpo a aquecendo e quis chorar no mesmo instante.
— Você está bem? – ele pode sentir sua mudança de humor.
— Só estou um pouco sensível com tudo o que aconteceu – ela sorriu sem graça – você está diferente!
Blake olhou para baixo, seus olhos se escurecendo por um momento, mas ele logo tratou de dispersar essa emoção.
— Eu disse para você que as coisas iriam mudar, eu não podia continuar a viver como um covarde, não depois de tudo...
— Gostei do cabelo – ela elogiou e ele sorriu mais ainda se aquilo era possível
— Como foi o Natal? Sinto muito, tive alguns contratempos e não consegui comparecer – ele pareceu muito sincero.
começou a conta sobre o que fizera em prol de proteger a família, sua voz carregava tanta culpa que a garota mal pode segurar o choro. Blake comprimiu os lábios, instintivamente apertou uma de suas mãos para confortá-la. Em seu íntimo, ele gostaria de fazer mais do que isso, mas respeitava as decisões da garota, inclusive seu relacionamento.
...— disse ele em forma de pesar – eu sinto muito tanto por não estar lá...
— Você não tem culpa...— disse ela limpando o canto dos olhos. Ela estava tão abatida, por mais que tentasse esconder, mas Blake a conhecia bem demais. O sonserino ficou triste por um momento, pensando em tudo o que estava por vir e por mais que quisesse não conseguiria protegê-la.
— Eu comprei um presente de Natal para você... – arregalou os olhos.
— Mas eu não comprei nada... – choramingou ela. Blake soltou uma gargalhada.
— Não tem problema – o garoto tirou uma caixinha das vestes – eu quero que isso fique com você...
resistiu um pouco, mas abriu o presente mesmo assim, o que mais importava para ela no momento, era recuperar a amizade entre os dois. Blake lhe dera um colar com uma pedra bruta de cristal verde.
— Blake, é lindo...— disse ela em um sorriso – mas eu não posso aceitar, isso parece tão caro...
— Aceite como um pedido de desculpas por todo esse tempo que eu agi feito um idiota, que tal?
pegou o objeto com carinho e o colocou no pescoço.
— Linda...— disse ele e a garota sentiu suas bochechas esquentarem no mesmo momento – preciso ir... – Blake lançou um olhar de relance para porta do salão – nos vemos amanhã na aula de Poções.
— Você jura? – ela disse abrindo um sorriso.
— Juro – ele piscou para ela acenando com a cabeça para Rony que estava se aproximando da mesa da garota.
perdeu o sorriso imediatamente, lembrando-se da situação dos dois.
— Me desculpe por hoje mais cedo, mais uma vez – ele disse dando um beijo em sua testa.
— Não quero ser o motivo de conflito entre você e seus amigos – a garota falou desenhando círculos com o dedo nas mãos de Rony – não quero mais problemas e eles parecem me perseguir onde eu vou...
— Você não é o problema, – ele disse lhe dando um abraço apertado – vou resolver essa situação, eu prometo.
Ela abriu um sorriso sincero e lhe deu beijo delicado nos lábios. Rony não pode deixar de notar o pêndulo com um cristal que a garota carregava, ele comprimiu a boca em uma fina linha, um pouco incomodado com o presente, que provavelmente, Thomas Blake dera para ela.
— Bonito colar – ele murmurou forçando um sorriso.
— Você se importa? Blake quem me deu – a garota fez menção de tirar o acessório, mas Rony a impediu.
— Você ficou linda com ele! – Rony a trouxe para um abraço – eu sei que você está lidando com tantas coisas agora, me desculpe por não te incluir nisso...
— Granger parece não gostar da ideia...— se amaldiçoou pela sua língua grande.
— Ela só não conhece você...
— E isso a permite ser sem educação? – a garota sentiu seu sangue borbulhar de raiva.
— Eu pedi desculpas pelo o que aconteceu...— Rony se defendeu.
— Não é você quem precisa me pedir desculpas – suspirou ela controlando todo o seu ímpeto – preciso dormir...nos vemos amanhã? – ela deu um beijo em Rony e partiu antes que ele pudesse dizer alguma coisa.

***



quis chorar de raiva, tristeza e ciúme. Amaldiçoou sua vida, sua má sorte e suas más escolhas, sobrou para Hermione Granger e toda a casa Grifinória. Ela se jogou em sua cama, não conseguindo controlar as suas lágrimas e desejando desaparecer para evitar todo e qualquer tipo de conflito.
— Eu nunca soube que você podia amaldiçoar tanta gente junta – ela ouviu a voz de Ava e ao invés de parar de chorar, seu soluço se intensificou ainda mais. Ava sentou na beirada da cama da amiga e passou a fazer carinho em seus cabelos para que seu choro cessasse.
— Eu sei que parece impossível agora – Ava começou a dizer ainda mexendo em seus cabelos – mas eu prometo que tudo vai ficar bem, você não está sozinha...
— Por que me sinto tão só ainda assim? – fungou encarando a amiga pela primeira vez.
— Tudo é muito recente e você precisa ser mais gentil consigo mesma – abriu espaço para que Ava se deitasse ao seu lado.
— Eu estou com tanto medo, o tempo todo... – a morena soluçou e Ava a encarou com os olhos tristes.
— Eu também – suspirou ela – mas estamos juntas, você é minha irmã de outros pais, se lembra? Eu também sou sua família.
sorriu sem conter suas lágrimas.
— Eu vou ficar aqui e velar o seu sono, igual quando fazíamos quando éramos pequenas e estávamos com medo – a corvina conjurou pequenas esferas de luzes coloridas, as quais piscavam e flutuavam pelo dormitório feito vagalumes.
sorriu fechando os olhos devagar, a visão do dormitório sumindo aos poucos. Logo, ela estava sonhando. A corvina começou a andar por um gramado muito verde e florido, suas mãos tocavam o topo das flores e o sol brilhava intenso acima dela. De repente, tudo escureceu, uma tempestade inesperada e uma voz que ela conhecia bem começou a retumbar pela paisagem.
— Ele vai escolhê-la não importa o que você faça. Ele precisa escolhê-los agora.
A cena mudou e ela viu: Rony, Harry e Hermione...imagens desconexas, Rony e Hermione dançando em um casamento e posteriormente viajando juntos. Seu coração se partiu com a visão, a cumplicidade dos dois e de como eles eram bons juntos, não só os dois, mas o trio em si. Ela sentiu-se tão mal feito uma intrusa.
— Mas ele me ama...— respondeu ela para a voz.
— Ainda assim, ele precisará escolhê-los...
acordou em um susto, sentando-se no quarto escuro, seu rosto manchado de lágrimas, ao seu redor, suas companheiras de quarto dormiam tranquilamente. O sonho ainda estava claro em sua mente, como se fosse uma lembrança de algo real. Imagens de Rony e Hermione, juntos...E por mais que ela não quisesse admitir, que se recusasse a aceitar, algo em seu íntimo começava a entender que talvez, ela não estaria presente em seu futuro.



Continua...



Nota da autora: Quase um mês sem atualização, gente. Termino com um capítulo fofo e volto com um desses. Eu avisei que seria só bomba atrás de bomba a partir desse. Espero que goste! COMENTEM TAMBÉM! Amo vocês.

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Halloween In New Orleans
The Death of Me


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