Última atualização: 25/02/2022

Introdução

O mundo agora não é o mesmo. Humanos são mais do que seres que nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Nossa espécie está se regenerando, voltando a sua origem e isso pode nos levar até a perfeição. A tão sonhada perfeição.
No começo, quando o primeiro bebê regenerado nasceu, todos ficaram surpresos. Ele tinha os olhos perolados sem pupila distinta. Acharam que fosse cego. Mas aí, quando começou a crescer, perceberam que ele era especial. Seus olhos podiam ver mais do que um humano normal conseguiria.
Após aquele acontecimento, mais crianças começaram a nascer diferentes. Por duzentos anos os regenerados se espalharam pelo globo levando consigo suas habilidades extraordinárias. Cada vez mais surgiam pessoas assim e isso deixou os humanos comuns temerosos. E se fossem uma ameaça? E se eles quisessem assumir o controle de tudo?
Por conta disso, o governo decidiu estudá-los. E eles não se opuseram. Não até saberem o que acontecia dentro das paredes dos laboratórios. Para saber como seus genes funcionavam, os cientistas precisaram ir fundo. Recorreram a métodos que se assemelhavam a torturas. Choques, pancadas, dias sem comer ou beber água. Tudo para descobrirem quem eram aquelas pessoas.
E eles descobriram. Os regenerados, como foram chamados, eram o caminho para a perfeição. Suas células estavam voltando à origem, estavam voltando ao tempo em que os humanos vieram a existir. Suas habilidades especiais só aumentariam até chegarem ao ponto onde a pessoa seria perfeita.
Mas ainda havia muito mais para se descobrir. No entanto, os regenerados passaram a se esconder. Eles não estavam mais dispostos a serem maltratados. Assim, passaram a viver entre nós, sem demonstrar do que eram capazes.
Mesmo entre eles próprios houveram divisões. Foram impostas classes de acordo ao grau de regeneração das células de cada indivíduo.
A Classe Alta ou Classe Excelsis, tem o DNA regenerado acima de 70%. Eles são raros e vivem escondidos, pois seus poderes são muito evidentes. Costumam se achar superiores e por isso se casam e se reproduzem apenas entre si.
A Classe Média ou Classe Mediocris, tem o DNA regenerado entre 50 e 69%. São os mais fáceis de ser encontrados, pois além de suas habilidades não serem tão elevadas quanto as dos humanos da classe alta, eles não se escondem. Também, são os que mais nascem e isso os torna a classe mais comum entre os humanos.
A Classe Baixa ou Classe Humili, tem o DNA regenerado abaixo de 50%. Sua quantidade é bem maior do que a da classe alta, mas menor do que a da classe média. Mesmo assim, é difícil encontrá-los, pois eles se escondem. Eles têm medo de ser pegos, já que não tem tantas habilidades para resistir. São pessoas desconfiadas, mas estão dispostos a ajudar, se necessário.
Ao perceberem onde tudo isso poderia levar, o governo mundial resolveu buscar regenerados. Talvez novos estudos fossem capazes de transmitir o gene da perfeição para as outras pessoas. No entanto, sempre existem pessoas que pensam apenas em si mesmas e no poder que podem ter e elas também estavam buscando os especiais.
Em meio a toda essa mudança, onde todos estão em busca de poder ou de tempo, os mais inesperados sentimentos poderão surgir. Num mundo onde o caos é iminente, esses sentimentos podem pôr fim às grandes dificuldades que estão às portas ou podem ser a faísca para que uma rebelião se inicie.
Os regenerados estão cada vez mais próximos da perfeição. Mas talvez isso não seja o que a humanidade verdadeiramente precise.



Capítulo 1: Destino

Diferente dos outros dias, aquela noite estava quente. O vento não soprava de forma alguma e aquilo deixava uma sensação esquisita no corpo. Especialmente para a garota que corria pelos becos escuros da pequena cidade.
Suna.
Ela havia fugido de sua cidade natal e agora estava ali, num lugar que não conhecia, apenas para se esconder. Tinha combinado com um amigo que se encontrariam ali, mas as coisas não estavam saindo como o combinado. Diferente dos outros de sua classe, eles tomava cuidado para não se expor, mas não parecia adiantar muita coisa. A garota continuava a correr e sentia o suor escorrer pelo pescoço e pelas costas, mas não podia parar. Havia se arriscado demais ao tentar proteger um desconhecido e agora estava sendo caçada.
Ouviu um ruído atrás de si e já sabendo do que se tratava, tratou de correr mais rápido. Mas ela não aguentava mais. Suas pernas doíam e não conseguia mais respirar. Foi quando avistou um beco e entrou. No entanto, assim que o fez, se xingou mentalmente. Não havia saída.
- Droga, o que eu faço agora? – sussurrou pra si mesma.
Ao ouvir o som das correntes mais uma vez, arregalou os olhos e recorreu a única solução que conseguia imaginar. Afastou-se um pouco e correu na direção do muro alto, dando impulso para cima, na intenção de agarrar a borda dele. Por um tris ela conseguiu e sorriu com isso.
Quando pensou em pular para o outro lado, sentiu algo frio se enrolar ao seu tornozelo e mordeu os lábios, pois sabia exatamente do que se tratava. Tentou se soltar da corrente, mas foi em vão. Quem a segurava, a puxou com toda força, fazendo a garota despencar de onde estava.
Ao sentir o impacto do seu corpo com o chão duro, urrou de dor e fechou os olhos com força. Desesperada, tentou se sentar e conseguiu após muito esforço. Segurou a corrente e tentou retirá-la de sua perna, mas foi puxada mais uma vez. Enquanto era arrastada, sentiu as costas deslizarem pelo asfalto grosso e pela dor, teve certeza de que havia se machucado feio.
Após alguns segundos, a pessoa parou de puxá-la e se aproximou. A garota teve dificuldades de enxergá-la, pois além de a escuridão dominar tudo, seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas.
- Uma . – o homem disse e analisou a jovem. – Finalmente um controlador de mentes.
A garota não respondeu. Estava paralisada de medo, pois sabia onde tudo aquilo acabaria. Sabia que seria levada para um laboratório para ser estudada. Todos os músculos do seu corpo começaram a tremer quando sentiu a pressão da corrente em seu tornozelo novamente. Mas ele não a puxou.
- Não se preocupe, garota. – o caçador falou. – Só queremos saber do que você é capaz, não vai doer. Bem, talvez só um pouquinho. Ou talvez muito.
Então ele riu. Riu de uma forma que a deixou mais amedrontada ainda. Num impulso, ela se levantou e tentou correr, mas não foi sua melhor decisão. O estranho a puxou de vez, fazendo-a cair. E ele estava irritado. Aquela menina era muito insistente, a tinha seguido desde a entrada da cidade quando a viu ajudar uma criança.
- Você está tomando meu tempo. – ele rosnou, mas parou ao sentir algo atrás de seu corpo.
O caçador se virou e se assustou ao encontrar uma parede gigante de areia. Com certeza se tratava do poder de outro regenerado. Antes que pudesse se proteger ou se esquivar, a areia o envolveu e o começou a esmagá-lo.
A garota não entendeu o que se passava. Se ajoelhou com dificuldade e no segundo que olhou para cima, viu o corpo do homem que a seguiu ser esmagado por areia. Abriu a boca chocada quando o sangue voou por todos os lados, sujando também sua roupa e seu rosto.
Apesar do pânico que lhe atingiu, sem forças, caiu de lado e continuou olhando para frente. Foi quando ouviu passos se aproximando. Dessa vez não tentou fugir, se quisessem pegá-la que a pegassem. A pessoa que vinha, se ajoelhou em sua frente e sem dizer nada passou seus braços pelo corpo delicado dela, a erguendo.
Ainda em silêncio, ele começou a caminhar para fora do beco com a garota nos braços. Ela também não falou, afinal não conseguiria nem se quisesse. Apenas fechou os olhos e perdeu a consciência.

~o~

O loiro abriu os olhos e percebeu que ainda era madrugada. Tudo estava escuro e apenas a luz da lua clareava um pouco o quarto onde se encontrava. Olhou para o lado e encontrou as duas amigas dormindo juntas na outra cama. Era a terceira vez naquele mês que fugiam.
Faziam parte da classe baixa e não tinham tantas habilidades para se protegerem. Além disso, era como se os caçadores estivessem cada vez mais em busca de regenerados.
Ao perceber que não voltaria a dormir, se sentou e colocou os pés pra fora da cama. Levantou-se e, tentando não fazer barulho, caminhou até a porta do quarto da pousada onde estavam. No meio do percurso, porém, tropeçou numa mochila que estava no chão e cambaleou até se segurar numa parede. Aquela agitação toda acordou uma das garotas.
- Naruto, o que está fazendo acordado há essa hora? – ela murmurou. - Está querendo acordar todo mundo?
- Foi mal, . – ele riu sem graça – Só estava sem sono.
- Sem sono? – ela suspirou e se levantou, indo até o amigo. – É por causa da , não é?
- Ela não deveria ter se metido. – ele se sentou em sua cama e a garota o acompanhou. – Deveria ter continuado escondida como mandamos.
- Naruto, ela sabe se proteger assim como nós. – ela falou e passou a mãos nos cabelos. – Não precisa se preocupar.
- Ela tanto sabe se defender, que foi ferida por aquele caçador idiota. – o loiro falou entredentes. – Se eu não tivesse chegado...
- Mas ela está bem agora. – ela o lembrou.
Os dois olharam para a garota deitada na cama. Havia um grande curativo improvisado no seu braço direito que havia sido ferido por uma corrente, mas ela não parecia se incomodar. Dormia tranquilamente e parte dos cabelos lhe caiam sobre o rosto.
- Graças a você. – ele sorriu para a amiga ao seu lado.
- Eu só fiz o que consegui, mas a cicatriz vai ter que sarar sozinha. – a garota observou. – Meus poderes de cura ainda não são tão bons.
- São suficientes. – o loiro disse, mas depois passou a mão na barriga ao sentir o estômago roncar. – Estou com fome.
- Não temos nada aqui. – mordeu os lábios.
- Eu dou um jeito nisso. – ele sorriu.
Naruto se levantou e fez um movimento com as mãos, colocando dois dedos em posição vertical na frente dos dois dedos da outra mão que estavam em posição horizontal. No segundo seguinte um clone seu apareceu.
- Fique com as garotas, vou buscar algo pra comermos. – ele disse ao clone.
- Sim. – o clone respondeu.
- Tome cuidado, Naruto. – falou. – Os caçadores de Konoha estão mais agressivos do que nunca.
- Eu vou ficar bem. – ele piscou e saiu em seguida pela janela que havia no local.
suspirou fundo e voltou para sua cama, se deitando ao lado de . Olhou para a amiga que parecia dormir bem, mas sabia que aquilo poderia acabar a qualquer momento.
Os regenerados estavam sendo procurados independentemente a qual classe pertenciam ou que habilidades possuíam e isso a assustava. Fechou os olhos tentando dormir outra vez, mas temia pelo amigo. Naruto sabia se cuidar, mas estava sozinho.
Olhou para o clone sentando na cama distraído e sorriu. Com certeza o amigo voltaria logo. Se aconchegando ao lado da outro, fechou os olhos e logo cochilou. Porém, se assustou quando ouviu um ruído familiar. Sentou-se de supetão e confirmou o que pensava. O clone não estava mais lá. Apenas uma fina fumaça jazia em seu lugar.
Arregalou os olhos, pois aquilo só podia significar uma coisa. Naruto estava encrencado.


~o~

Faltava pouco para amanhecer e a garota de olhos perolados aguardava ansiosa por aquele momento. Gostava de observar o nascer do sol, pois era como se nada mais importasse. Sentia-se mais leve, como se o peso de ser o que era fosse retirado de suas costas.
Estava sentada no parapeito do telhado da casa onde morava e fechou os olhos ao sentir a brisa fria açoitar sua face. Foi quando ouviu uma voz lhe chamar.
- ?! – a garota se virou lentamente.
- Olá, Neji! – cumprimentou gentilmente o primo.
- Está esperando o sol nascer? – ele perguntou, se sentando ao seu lado.
- Como sabe disso? – ela corou e olhou para frente.
- Sempre vejo você passar pela frente do meu quarto a essa hora. – ele explicou. – Não deve ser por outro motivo, não é mesmo?
- Você está certo. – ela confirmou timidamente. – Mas também gosto de pensar na vida.
- Pensar na vida? – ele a encarou.
- É. – ela fez o mesmo. – Sabe, às vezes eu me pergunto se eu poderia ter sido outra pessoa. E, se fosse, como seria minha vida.
- E por que pensa assim? – o garoto quis saber.
- Por conta disso. – ela apontou para os próprios olhos. – Por que justo comigo?
- Ninguém sabe, . – Neji ergueu os ombros. – As pessoas apenas começaram a nascer diferentes, com habilidades e poderes, e nós ganhamos o byakugan. É estranho, eu sei. Mas pode ser útil.
- Útil? Útil pra quê, Neji? – ela mordeu os lábios. – Não podemos usar o byakugan a menos que seja para beneficiar alguém da classe alta.
- É verdade. – ele suspirou.
- E isso nem é o pior. – a garota baixou o rosto.
- Não, não é. – ele tocou seu ombro – Mas é melhor deixarmos essas coisas pra lá e assistirmos esse espetáculo.
Neji apontou para o céu, onde o sol começava a aparecer. sorriu alegremente ao notar os primeiros raios de sol. Em seu interior, no entanto, havia um conflito. Ela não queria ser quem era. Nunca quis. Mas estava presa àquela vida. Afinal, era apenas o seu destino se cumprindo.



Capítulo 2: Sombras do Passado

As ruas de Konoha estavam vazias. Ainda era madrugada e uma fina neblina deixava tudo embaçado, então não haveria motivos para alguém estar perambulando pela cidade àquela hora. Pelo menos não para pessoas normais.
O jovem de cabelos negros e pele alva como a neve caminhava sem rumo, apenas para tentar pensar em algo que não se resumisse à sua vida. Seus olhos escuros corriam discretamente por todos os cantos e conseguiam perceber tudo, viam até mesmo quando algum rato rastejava silenciosamente para dentro de uma lata de lixo.
Após andar mais alguns metros, resolveu subir num telhado. Sem muito esforço o fez e ajoelhou-se, podendo ver tudo lá de cima. Ao sentir a brisa fria da noite açoitar seu rosto, fechou os olhos por alguns instantes. Ao fazê-lo, as lembranças voltaram.
Recordou-se do tempo em que era feliz, quando tinha uma família e se sentia amado. Pode até mesmo sentir os braços de sua mãe o envolver num abraço carinhoso. Sentiu a mão de seu pai afagar seus cabelos, bagunçando-os. Se lembrou que todos eles estavam lá ao seu lado. Mas não estavam mais.
Todos eles estavam mortos. Estavam mortos por sua culpa. Ele era um regenerado, tinha o DNA modificado em mais de 70% e queriam estudá-lo, mas seus pais não permitiram. Isso lhes custou a vida e o Uchiha nunca se perdoaria.
Puxou o ar para os pulmões assim que mais uma imagem veio à sua mente.
Dessa vez era ele, alguém talvez tão culpado quanto si mesmo pelo que havia acontecido. Aqueles olhos negros profundos e o sorriso gentil não o enganavam mais. Jurou que iria encontrá-lo e o faria pagar. Seu objetivo agora era apenas um. Matar seu irmão, aquele que havia se recusado a ajudar seus pais.
Ainda pensativo, abriu os olhos automaticamente ao ouvir passos embaixo de onde estava. Diferentemente de antes, seus orbes estavam vermelhos com três marcas pretas em volta de sua pupila central. Aquilo o faria ver os movimentos de algum caçador com precisão ou até antecipá-los, mesmo com toda aquela escuridão. Inclinou-se um pouco para frente e esperou, pronto para atacar, se preciso. Franziu a testa, no entanto, assim que viu um garoto que parecia ter a sua idade, parar em frente ao lugar que ele percebeu ser um pequeno mercado.
Após olhar para os lados, o garoto loiro fez um movimento com as mãos e uma cópia sua apareceu. O moreno, que o observava de cima, revirou os olhos ao reconhecer o grau de regeneração dele. 48%, o que o tornava da classe baixa. Deveria estar procurando o que comer. Mesmo assim ele ficou curioso e decidiu assistir ao que aconteceria.
Viu o garoto dizer algo ao clone e depois se aproximar da porta de vidro, pegando um pequeno objeto no bolso de sua calça e abaixando-se perto da fechadura. O Uchiha notou que era um grampo e balançou a cabeça negativamente. Aquilo era o melhor que aquele Humili poderia fazer? Arrombar uma porta com um simples grampo? Era, definitivamente, ridículo.
O processo não demorou muito e logo o loiro a abriu. Olhou tudo em volta mais uma vez e adentrou o local ainda receoso. O outro aguardou mais um pouco enquanto o suposto ladrão continuava dentro do estabelecimento.
Quando se cansou de ficar ali, o Uchiha se levantou. Não perderia mais seu tempo. Antes que desse o primeiro passo, porém, viu algo estranho e semicerrou os olhos para enxergar melhor através da neblina que tinha aumentado. Só então teve certeza do que se tratava. Um caçador se aproximava sorrateiramente do garoto lá embaixo.

~o~

Era a terceira vez que parava para descansar. Sua perna estava machucada e o esforço que fazia não ajudava muito. Mesmo assim, tentava chegar a toda velocidade no lugar onde sabia que ela estaria. Sua melhor amiga, e a única que havia sobrevivido dentre aqueles que conhecia, o esperava.
Mordeu os lábios ao sentir uma pontada no local atingido e se obrigou a se sentar. Não estava muito longe do seu destino. Dali podia ver a entrada da pequena cidade de areia e se perguntou se a garota estaria bem. Ela havia saído um dia antes para não levantarem suspeitas e ele foi no dia seguinte. Por falta de sorte, encontrou um caçador no meio do caminho e precisou lutar. Conseguiu desacordá-lo e fugiu, mas antes teve seu tornozelo machucado por uma daquelas malditas correntes.
Ajeitou o curativo que ele mesmo havia feito e resolveu continuar. Levantou-se lentamente e caminhou, já que não conseguia mais correr. Após alguns metros, percebeu que o vento que antes soprava brando, havia aumentado consideravelmente. Colocou os braços em frente ao rosto como proteção quando areia começou a voar por todos os lados.
- Mas que droga! – ele resmungou. – Uma tempestade de areia justo agora?
Olhou mais uma vez em volta e algo o deixou confuso. Apenas a areia perto de si dançava, mas nos metros ao redor ela continuava parada. Tentou sair do alcance do vento, mas era como se algo o prendesse ali. Começou a ouvir um zunido forte vindo de cima, o que o fez olhar para lá. Surpreendeu-se ao encontrar um redemoinho e este descia em sua direção.
Tudo ainda estava escuro, mas ele pode enxergar muito bem uma silhueta através da areia. Era mulher e uma de suas mãos estava erguida na direção da ventania. Uma regenerada. O moreno só gostaria de saber o que ela queria.
- O que quer comigo? – ele perguntou alto por conta do barulho que o vento fazia.
- O que faz aqui em Suna? – a voz autoritária questionou. – Não sabe que nós não queremos regenerados invadindo nosso espaço?
- Nós quem? – ele quis saber.
- Nós, os que queremos paz. – a garota respondeu.
- E por acaso alguém aqui falou em guerra? – ele retaliou. – Além disso, como sabe que sou um regenerado?
Não houve resposta e para o garoto aquilo era um mau sinal. Aquela mulher era muito poderosa e poderia acabar com ele num piscar de olhos, especialmente pelo fato de ter sido pego desprevenido. Se abaixou e apoiou uma das mãos no chão. Tentaria pará-la e quem sabe evitaria chamar atenção de algum caçador.
Se concentrou e logo pode ver sua sombra se arrastar até onde a garota estava. Instantes depois, o redemoinho começou a diminuir e ele sorriu. Ela estava presa.
- Mas... o que é isso? – agora a voz dela estava assustada. – Eu não consigo me mexer.
- Esse é o efeito de ser capturado pela minha sombra. – ele disse enquanto via a areia baixar.
Então ele pode ver bem quem havia feito todo aquele estrago. Tratava-se de uma jovem loira, com olhos verdes escuros. Seu semblante era assustado e irritado ao mesmo tempo, o que fez o moreno revirar os olhos.
- Foi você que fez isso? – ela se surpreendeu. – Vamos, me solte!
- Só depois que prometer que vai me ajudar. – ele caminhou até ela, a obrigando a fazer o mesmo.
- E por eu faria isso? – ela franziu o cenho.
- Por que posso continuar te prendendo aqui até quando eu bem entender. – ele sorriu vitorioso. – Além disso, não é nada de mais.
- Fale. – ela rosnou após um bom tempo.
- Preciso que me ajude a encontrar minha amiga. – ele pediu. – Ela veio se esconder aqui e já deve ter chegado.
- Outra regenerada? – a loira falou com desdém. – Ao menos posso saber o nome dela?
- . – ele falou. – Esse é o nome dela.
- . – ela murmurou. – Uma controladora de mentes.
- Sim. – ele confirmou. – E então?
A garota o encarou com um sorriso de canto, o que o deixou um pouco desconfiado. Aproximou-se mais um pouco e quando estava a alguns centímetros de distância, ele a olhou nos olhos.
- Você sabe de alguma coisa, não é mesmo? – ele a fitava fixamente.
- Primeiro, me solte. – ela exigiu. – Depois conversamos.
Ele hesitou, pois não sabia se podia confiar naquela garota que parecia gostar de mandar em tudo e todos. Mesmo assim, a segurança de era mais importante. Prometeu aos pais da loira que a protegeria, independente do que acontecesse.
Fez com que sua sombra recuasse enquanto continuava a encará-la. Finalmente, não estavam mais conectados e ela moveu os braços pare ter certeza disso.
- Pronto. – ele disse. – Fiz o que pediu, agora é sua vez de me ajudar.
- Mais devagar, garotão. – ela riu e se afastou dois passos. – Antes me diga o seu nome.
- E pra que precisa do meu nome? – ele bufou contrariado.
- Apenas diga. – ela cruzou os braços.
- Shikamaru. – ele falou num tom tedioso. – Nara Shikamaru.
- É um prazer, Shikamaru. – ela disse, mas sua voz tinha um tom de deboche. – Eu sou .
- Tudo bem, . – ele enfatizou o nome dela. – Será que agora podemos voltar ao que interessa?
- Como quiser. – ela riu abafado. – Me siga.
Sem esperar uma resposta, saiu na frente. Shikamaru a olhou se distanciar e revirou os olhos, a seguindo em seguida. Para ele garotas eram muito problemáticas. E aquela parecia ser das piores.



Capítulo 3: A Luz do Sol

pulou a janela sem fazer barulho, pois não queria acordar a amiga que dormia profundamente. Sabia onde o Naruto tinha ido, então seguiu pela escuridão até chegar ao centro de Konoha. A cidade não era muito grande, então não teve dificuldades.
Olhou para o céu e percebeu que logo o sol nasceria, então teria que encontrar o Uzumaki rápido. Discretamente olhou em volta, mas não o viu, por isso andou mais um pouco.
- Droga, Naruto, onde você se meteu? – a garota resmungou baixo.
De onde estava, podia observar um dos pequenos mercados que o garoto costumava invadir. Nunca aprovou aquele ato e estava ciente que ele também não se orgulhava de praticá-lo, mas ela sabia que Naruto jamais deixaria que elas passassem necessidade, assim aceitava a ajuda do amigo sem protestar.
Franziu a testa confusa, pois era ali que ele deveria estar. Resolveu se aproximar, achando tudo aquilo estranho. Analisou a fechadura e percebeu que tinha sido aberta, mas não havia sinal de ninguém. Para onde será que ele tinha ido? Suspirou longamente, quase se arrependendo da ideia de ter saído e deixado sozinha.
Antes que pudesse voltar, viu algo no chão que atraiu sua atenção. Abaixou-se e observou, soltando um riso abafado em seguida.
- Lámen. – ela balançou a cabeça negativamente. – Só o Naruto pra fazer uma coisa dessas.
se levantou e seguiu a trilha de massa pronta que havia sido deixada pelo amigo. Ela tinha certeza disso, pois ninguém mais entraria num lugar para roubar lámen. Provavelmente ele tinha deixado alguma embalagem se abrir acidentalmente e não havia percebido. A única coisa que a intrigava era o fato de a trilha seguir para longe de onde eles estavam passando a noite. Caminhou atenta até que percebeu para onde estava indo.
A trilha apontava para fora de Konoha.
- Naruto... – sussurrou preocupada.
Dessa vez fez questão de acelerar os passos, pois os primeiros raios de sol já apontavam no céu. Passou pelos portões da cidade e já estava ofegante. Foi quando avistou o amigo de longe. Mas antes que pudesse sentir-se aliviada, viu mais alguém e este se aproximava por trás dele.
Arregalou os olhos quando viu as correntes saltarem de dentro da capa preta e reprimiu um grito alto com as mãos quando viu um delas se enrolar no pescoço de Naruto, o lançando com força ao chão.

~o~

A loira tentou abrir os olhos assim que vozes alteradas a despertaram. Mas era tão difícil fazer com que suas pálpebras a obedecessem. Mesmo assim, insistiu até que finalmente conseguiu.
Sua visão ainda estava sem foco, mas pôde notar que estava num quarto. Apalpou a coisa macia que sentia abaixo de si e confirmou ser um colchão. Gostaria apenas de saber como tinha chegado ali. Se ela se lembrava bem, estava em Suna, fugindo de um caçador.
Tentou se mover assim que as vozes ficaram mais altas, mas aquilo lhe causou dor, arrancando um gemido involuntário de seus lábios. No mesmo segundo, as pessoas que discutiam lá fora, se calaram e a teve receio de que aquilo significasse algo ruim.
Logo, a porta que estava entreaberta foi escancarada e ela viu quem menos esperava naquele instante, adentrar o lugar.
- ?! – a voz do garoto estava alarmada.
- Shikamaru... – ela tentou se sentar, mas sentiu o corpo dolorido e gemeu novamente.
- Não se esforce. – ele correu até ela e a impediu de continuar. – disse que você não está bem.
- ? – ela questionou, enquanto o amigo a obrigava a se deitar. – Shikamaru, onde estamos?
- Estamos em Suna, como tínhamos combinado. – ele falou num tom óbvio.
- Disso eu sei. – a loira disse olhando em volta. – Quero saber que lugar é esse?
- Você não se lembra de como chegou aqui? – ele franziu a testa.
- Eu só me lembro de ter tentado fugir de um caçador... – ela parou de falar e arregalou os olhos. - Mas ele foi morto por uma... Parede de areia.
- Uma parede de areia? – o Nara franziu o cenho. – , como assim, areia?
- A areia o esmagou até que ele estivesse morto. – ela continuava com os olhos arregalados. – E depois...
Então os flashs daquela noite voltaram à sua mente. Ela se lembrou das correntes envolvendo seu tornozelo, de pensar ter sido encurralada, de quando aquela areia apareceu do nada e matou o caçador que a perseguia, fazendo sangue jorrar por todos os lados, inclusive nela. Analisou seu corpo, passando as mãos no rosto em seguida, percebendo que estava limpa agora. Apenas sua roupa tinha algumas manchas vermelhas e escuras.
- , e depois o quê? - Shikamaru insistiu.
- Depois um homem apareceu e me pegou. – ela fitou o teto. – E aí...
Outra vez mais cenas invadiram sua cabeça. Dessa vez a loira se viu deitada na mesma cama que se encontrava agora, mas não conseguia ao menos se mover. Abriu as pálpebras lentamente ao sentir algo úmido tocar seu rosto, talvez um pano molhado, e se deparou com profundos olhos verdes que a fitavam fixamente. Depois, voltou a perder a consciência.
- Foi ele que me trouxe pra cá. – ela murmurou para si mesma.
- Como? – o garoto ao seu lado perguntou.
- O homem da areia. – ela falou mais alto dessa vez. - Foi ele que me trouxe para cá, Shikamaru!
- Homem da areia? – o moreno suspirou fundo sem entender uma só palavra. – Será que poderia ser menos problemática e me explicar isso direito?
Antes que a pudesse se pronunciar mais uma vez, passos foram ouvidos e os dois amigos olharam automaticamente para a porta. A garota loira de olhos verdes parou ao lado da cama e apoiou uma mão na cintura fina, sustentando um olhar enigmático.
- ? – Shikamaru franziu o cenho.
- Eu sei de quem ela está falando. – ela disse.
- Sabe? – disse surpresa.
- Sabe? – Shikamaru fez uma careta.
- Claro que sei. – a garota revirou os olhos. – Como acha que o ajudei a encontrar sua amiga?
- E ele... – a estava receosa. – Ele está aqui?
- E por que isso a interessaria? – a outra falou com desdém.
- Por que eu queria... – virou o rosto, levemente envergonhada. - Queria agradecer.
- Agradecer? – a loira riu abafado. – Pelo quê?
- Por que não deixa de ser tão problemática, ? – Shikamaru semicerrou os olhos para a garota, – Custa responder o que a perguntou?
- Até que não. – ela riu outra vez, – Apenas não sei pra que isso. Aposto que o Gaara não vai querer perder seu tempo com toda essa ladainha.
- E como pode ter tanta certeza? – o homem questionou.
- Por que ele é meu irmão e o conheço suficientemente bem para afirmar que ele não gosta muito das pessoas. – ela respondeu, cruzando os braços.
- Então por que ele me salvou? – quis saber.
- Isso, minha cara, é algo que eu também gostaria de saber. – sorriu de canto.
Em seguida a loira deu as costas aos dois e se retirou do quarto. Shikamaru encarou a que ainda estava deitada e notou algo estranho em sua expressão. Ela estava confusa, mas sabia que sua amiga não costumava duvidar de nada. era o tipo de pessoa que confiava e acreditava em qualquer um e pelo que parecia, as ações daquele homem mexeram com seus sentimentos de alguma maneira.
- Você está bem? – ele perguntou.
- Não faz sentido. – ela fitou o nada. – Shikamaru, ele me salvou. Esse tal de Gaara da areia me salvou.

~o~

Naruto estava escondido atrás de uma das grandes árvores que ficavam fora dos muros de Konoha. No momento em que saiu daquela mercearia, percebeu que alguém o observava. Com certeza era um caçador e ele fez questão de trazê-lo para lá. Tratou até mesmo de desfazer o clone que deixou com as amigas para que mais ninguém seguisse os rastros do seu DNA e as encontrassem.
Ergueu-se um pouco para observar melhor seu clone que caminhava pela trilha com alguns pacotes de lámen nas mãos. Num certo momento, quando ainda caminhava para longe do centro da cidade, se infiltrou na escuridão de um beco e trocou de posto com ele. Agora observava o caçador aproximar-se já com uma corrente na mão. Sorriu ao pensar em como ele ainda não havia notado a diferença.
- Idiota. – murmurou com um sorriso.
Surpreendeu-se, porém, quando viu o homem que usava um capuz, lançar a corrente que cintilava por ter sido exposta aos primeiros raios de sol. Ela enrolou-se no pescoço do outro Naruto, o fazendo ir com força ao chão. Era agora. Ele precisava atacá-lo enquanto ainda estava distraído.
Fez um esforço para manter o clone ainda ativo e preparou-se para sair de lá, mas sentiu todo seu corpo paralisar assim que viu um vulto cor de rosa correr na direção do caçador. A garota o acertou com um soco que o fez ser lançado longe.
- FIQUE LONGE DELE, SEU DESGRAÇADO! – ela gritou a plenos pulmões.
Respirando pesado, manteve-se com os punhos cerrados e olhar semicerrado, sem deixar de encarar o caçador um segundo sequer. Após o baque, lentamente, ele se levantou e a mirou impressionado.
- Você é forte. – ele disse e limpou o filete de sangue que escorria pelo canto da boca – Com certeza daria uma ótima cobaia.
- Nos deixe em paz! – ela rosnou. – Ou vou ter que obrigá-lo a sumir de minha frente.
- Apenas imagine, regenerada. – o homem riu pelo nariz. – Pessoas perfeitas e com super força. Seria o ápice da perfeição, pois essa é uma das qualidades mais desejadas pelos humanos.
- E daí? - ela cuspiu as palavras. – Eu não quero saber o que o seu governo tem em mente pra todos aqueles idiotas lá fora.
- Isso é uma pena. – ele balançou a cabeça negativamente. – Você poderia apreciar a imortalidade e como foi capaz de contribuir para ela.
- Cale-se! – ela berrou outra vez, se preparando para atacar novamente, mas se distraiu assim que o clone ao seu lado desapareceu. – Mas... O quê?
A rosada se distraiu ao ver apenas a fumaça do clone que antes achava ser seu amigo e não percebeu a corrente vir em sua direção. Só despertou quando ouviu uma voz familiar chamar seu nome.
- , CUIDADO! – Naruto gritou e correu até a ela.
A garota entendeu o recado do amigo e se virou até o caçador a tempo de ver o metal prateado vindo em sua direção, mas não conseguiu se desviar, pois a corrente já estava muito próxima. Por instinto, fechou os olhos e levou os braços à frente do rosto num sinal de proteção. Esperou o toque frio envolvê-la, entretanto, esse não veio.
Confusa, abriu os olhos, mas logo precisou apertá-los por conta da claridade que a incomodou. Pensou ser a luz do sol, mas aquele brilho era diferente. Olhou melhor e viu um homem parado à sua frente. Ele tinha os cabelos negros espetados, mas não foi isso que a fez abrir a boca surpresa. Algo semelhante a um grande raio originava-se de sua mão esquerda e impedia que a corrente continuasse seu percurso.

~o~

O sol finalmente havia acabado de nascer e por sua intensidade, o dia seria quente. Isso, porém, não era algo novo. Pelo menos não ali em Suna, onde todos já estavam acostumados com o clima semelhante ao de um deserto.
O garoto ruivo fitou o céu e precisou semicerrar os orbes esverdeados por conta da claridade. Nunca havia gostado do dia, muito menos da luz do sol. Para ele a noite era bem mais acolhedora com todo aquele silêncio que ela oferecia. Havia dias em que ele perdia a noção do tempo por observar a lua a as estrelas.
Da sacada onde se encontrava olhou para a rua abaixo de si e torceu o nariz. Pessoas, humanos comuns, caminhavam de um lado para o outro, entretidas com suas vidas. Como ele odiava cada uma delas. Mesmo sem conhecê-las, sabia que a real ameaça não eram os regenerados e sim as pessoas sem poderes. Eram elas que buscavam alcançar a perfeição por meio daqueles que tinham o DNA diferente.
Ergueu o rosto ao ouvir passos atrás de si, mas não se virou, pois sabia exatamente quem era. Apenas esperou que a irmã falasse.
- Gaara, a garota acordou. – disse.
- E daí? – sua voz saiu fria.
- E daí, que você mesmo pediu que eu o avisasse. – ela revirou os olhos. – Além disso, ela gostaria de falar com você.
Só naquele instante é que Gaara olhou para por cima do ombro. A loira continuava lá, a alguns metros, com uma mão na cintura. Mesmo longe, ela conseguiu notar a frieza nos olhos do outro. Seu irmão não era alguém fácil de lidar, ela sabia. Ele vivia apenas em prol dos próprios desejos. E era por esse motivo que ela gostaria de saber por que Gaara havia salvado a .
- Gaara, o que você está tramando? – ela se aproximou dois passos.
- Gostaria de me explicar sua pergunta? – ele virou metade do corpo para ela. – Pois eu não a entendi muito bem.
- Você sabe sobre o que estou falando. – cruzou os braços. – Vamos, me diga. Por que salvou a ?
- Tenha certeza de que isso não lhe diz respeito. – ele foi grosso, mas a loira não se abalou.
- A única coisa de que tenho certeza é que você não a salvou por compaixão, eu o conheço muito bem, irmãozinho. – ela ergueu as sobrancelhas. – E mesmo que não me diga o motivo de tudo isso, uma hora ou outra vou acabar descobrindo. Afinal, aposto que precisará de minha ajuda.
- Saiba que está enganada. – ele lhe deu as costas e apoiou os cotovelos no parapeito. – Nunca precisei de sua ajuda, agora não será diferente.
fuzilou o outro com o olhar e só não foi para cima de Gaara, pois sabia que ele não hesitaria em machucá-la. Ainda assim, odiava a forma com o irmão tratava as pessoas a sua volta. Ele era frio e arrogante, nunca admitindo que precisava de ninguém. Mas ela sabia o real motivo do ruivo ser assim. Sabia pelo menos de algo que o afetava até hoje e não pensou duas vezes antes de provocar sua ferida.
- Você acha que não precisa de ninguém e é por conta dessa sua arrogância que deixou Kankuro ser capturado. – ela dizia lentamente, mas estava irritada. – Sabe, Gaara. Acho que se você fosse tão bom como diz ser, talvez nosso irmão ainda estivesse vivo.
Depois de cuspir as palavras, se retirou do lugar a passos largos, deixando um ruivo furioso para trás. Gaara virou-se na direção por onde ela havia passado e teve vontade de obrigar a irmã a retirar tudo o que disse. Entretanto, controlou-se e tentou ignorar mais uma de tantas estocadas que, desde aquele dia, machucavam seu peito.



Capítulo 4: Boa Sorte

Assim que os raios de sol que entravam pela janela entreaberta tocaram o rosto da garota que dormia profundamente, ela incomodou-se e despertou. Virou para o lado oposto à luz, mas gemeu assim que sentiu uma pontada no braço direito.
A dor repentina a fez virar-se de volta e ela finalmente abriu os olhos castanhos. Esperou encontrar a amiga dormindo ao seu lado, mas ela não estava lá. Sentou-se no colchão e fitou a cama ao lado onde seu outro amigo dormia e também não o encontrou.
- Aonde vocês foram? – ela murmurou desconfiada
Não encontrá-los fez com que se levantasse sem se importar com o machucado que ganhara de um caçador da última vez que tiveram de fugir. Torceu o nariz ao se lembrar daquele dia. Naruto e haviam dito que ela ficasse longe, pois eles dariam um jeito em tudo. Ela, no entanto, não ficaria parada vendo-os resolver o problema sozinhos.
Entrou na luta e derrubou o caçador com um grande bastão de metal que conseguiu produzir a partir de uma barra de ferro. Mas não foi suficiente, pois ele envolveu seu braço com uma daquelas malditas correntes, e, para livrá-la, Naruto precisou criar uma esfera espiral de pura energia, acertando-o em cheio. Ela gostaria muito de saber como o Uzumaki, que fazia parte da classe baixa, conseguia controlar o DNA a ponto de manipulá-lo e criar algo tão poderoso.
Caminhou até as suas coisas em busca de algo que pudesse calçar e no caminho se deparou com um pequeno bilhete sobre sua mochila. Passou os olhos pela caligrafia bem feita enquanto lia em voz alta o que a pequena folha dizia.
- , fui atrás do Naruto, pois acho que ele se meteu em encrenca de novo. Mas não se preocupe e não venha atrás de nós, voltamos logo. – sua voz continuava baixa - Assinado, .
A revirou os olhos e largou o bilhete que foi até o chão. Ela odiava quando eles tentavam protegê-la. Mesmo que seus poderes fossem pouco desenvolvidos, ela conseguia se virar.
- Me desculpe, mas terei que desobedecer a suas ordens, . – ela sorriu de canto.
Resolveu sair em busca deles, pois sabia que pelo fato de Konoha ser uma cidade pequena, logo os encontraria. Ao menos era o que esperava. Trancou a porta do quarto e guardou a chave no bolso da calça. Assim como os amigos haviam feito anteriormente, saiu pela janela, deixando-a encostada.

~o~

Shikamaru observava as nuvens. No entanto, diferente das outras pessoas que buscavam formas nelas, para ele nuvens eram apenas nuvens. Era como se encará-las o ajudasse a relaxar. Algo tão simples conseguia fazê-lo esquecer-se dos seus problemas, pelo menos por alguns instantes.
Estava na varanda da grande sala onde os dois irmãos Gaara e moravam. A área, que se assemelhava a um jardim, era separada do cômodo por uma porta de vidro. Puxou o ar para os pulmões, pois realmente gostaria de saber como regenerados poderiam ter uma vida tão boa. Era como se eles vivessem livres. Não tinham medo de demonstrar seus poderes. Na realidade, não pareciam temer nada.
Enquanto ainda estava lá, ouviu passos atrás de si e olhou por cima dos ombros, encontrando a loira de Suna. Ela apoiava uma mão na cintura e o encarava com uma expressão curiosa. O Nara apenas revirou os olhos.
- O que tanta faz aí? – ela perguntou ao perceber que ele não diria nada.
- Só estou pensando. – ele respondeu a contragosto.
- E você é sempre tão tedioso assim? – ela perguntou com um sorrisinho provocante.
- Só na maioria das vezes. – ele respondeu sem muito interesse.
- Nossa... – a garota ergueu as sobrancelhas.
- Quer perguntar alguma coisa? – ele finalmente se virou até ela.
- Na verdade não. – balançou os ombros.
- Então o quê? – ele cruzou os braços.
- Eu já disse que não quero saber nada. – ela revirou os olhos – Mas como a casa é minha, acho que posso ficar onde eu quiser.
- É claro que pode. – Shikamaru disse.
lhe lançou um sorriso de canto e depois caminhou até um banco que havia na varanda, ao lado de várias flores. Shikamaru recostou-se ao lado da ombreira da porta, voltando a observar as nuvens. O silêncio instalou-se e nenhum dos dois se atrevia a dizer nada.
Ao sentir-se entediada, começou a brincar com algumas flores. Enquanto controlava o vento, ela fazia com que as pétalas se soltassem e girassem num círculo entre suas mãos.
Aqueles movimentos atraíram a atenção de Shikamaru. Discretamente, ele fitou a garota, mas assim que a loira fez com que as pétalas formassem um tipo de coroa em sua testa, o Nara a fitou diretamente. Foi então que ele percebeu como aquela mulher que demonstrava ser bem problemática era notavelmente bela.
- O que foi? – franziu o cenho ao perceber que Shikamaru a encarava.
- Nada. – ele desviou o rosto constrangido.
A loira pensou em dizer algo, pois já havia percebido que ele não gostava quando ela o provocava. Porém, antes que se pronunciasse, viu o irmão passar pela sala e subir as escadas, indo onde o quarto da estava.
- Ele vai mesmo falar com ela? – ela falou incrédula.
- O que há de mais? – o garoto questionou.
- Nada. – ela riu pelo nariz – Desejo apenas boa sorte para sua amiga.

~o~

A rosada continuava a encarar as costas do homem de forma assustada. Seus olhos verdes correram até o raio que ele segurava e este parecia ser pura energia, como a esfera espiral que Naruto fazia. No entanto, o som que aquele raio emitia se assemelhava ao canto de mil pássaros.
O garoto de cabelos negros semicerrou os olhos vermelhos assim que sentiu a pressão da corrente em seu pulso. Ele sabia que o caçador tinha a intenção de puxá-lo, então fez com que o raio que provinha de sua mão esquerda se estendesse por todo o metal. Ao perceber a energia se aproximando, o caçador foi obrigado a desfazer o laço que prendia o braço do outro.
- Ora, ora, ora! Vejam só o que temos aqui. – o caçador esboçou um sorriso de canto – Uchiha Sasuke, um dos últimos de sua família. É uma honra!
- Tenho certeza que sim. - Sasuke debochou.
abriu a boca pela surpresa. Como assim, aquele homem era um Uchiha? Aquela era uma das famílias de regenerados mais conhecidas que existiam. Eles, assim como os Hyuuga, foram os primeiros a possuir membros com os genes diferentes. Entretanto, algo fez com que os Uchiha fossem exterminados e apenas alguns restaram. Deparar-se com um deles era uma raridade. Ao menos foi o que a tinha ouvido.
- ! – de repente uma voz chamou a atenção de todos os presentes – , VOCÊ ESTÁ BEM?
A garota olhou na direção da voz, encontrando o amigo. Ao vê-lo, sentiu um alivio indescritível, pois agora sabia que ele estava bem. O loiro logo parou ao seu lado e a analisou meticulosamente, buscando qualquer vestígio de machucados nela.
- Naruto, eu estou bem. – ela disse.
- Tem certeza? – ele perguntou, mas ela não pôde responder.
- Mais um regenerado? – a voz do caçador se fez ouvir e ele parecia satisfeito – Acho que minha recompensa será melhor do que o que eu imaginava.
- Será que não percebe que está em desvantagem? – a garota disse – Somos três contra um.
- E qual o problema? – o homem fez com que outra corrente saltasse de sua mão livre – Não vão me dizer que estão com medo.
- Eu vou te mostrar quem está com medo. – Naruto rosnou.
- Naruto, não! – gritou.
O Uzumaki, porém, não a escutou e fez um clone de si. Os dois saíram correndo juntos, passando ao lado do Uchiha que apenas observava. Por um segundo, os olhos azuis e vermelhos se cruzaram, mas Naruto logo desviou e continuou indo na direção do caçador.
cerrou os punhos e criou coragem para se aproximar do homem à sua frente. Ao parar ao seu lado, conseguiu atrair seu olhar, mas teria preferido que ele continuasse como antes. Aqueles orbes vermelhos a fitaram de uma forma tão intensa que ela sentiu suas pernas bambearem. Era como se ele quisesse ler sua alma.
- Não vai fazer nada? – ela perguntou, tentando ignorar aquela primeira sensação.
- E por que eu deveria? – o Uchiha quis saber.
- Se não vai ajudar, o que faz aqui então? – dessa vez ela irritou-se.
- Nada que interesse a nenhum de vocês. – ele foi rude.
- Desculpe-me, senhor da gentileza, mas não tenho tempo para suas doces palavras. – a desdenhou – Agora, se me dá licença, tenho mais o que fazer.
A essas palavras, a garota deu as costas ao garoto, fitando a cena à frente. Viu o momento que o clone de Naruto tentou acertar um chute no caçador, mas o homem conseguiu desviar-se, contra-atacando com um soco, o que fez o clone desfazer-se em fumaça.
Naruto tentou acertar mais alguns golpes no outro, mas este parecia ser bem treinado. Era um caçador dos melhores e talvez por esta razão não se importava em enfrentar todos eles de uma só vez. O garoto tentou mais uma vez e se abaixou, passando a perna sob os pés do caçador, a fim de derrubá-lo. Entretanto, ele percebeu sua intenção e pulou. Ao mesmo tempo o golpeou com um chute enquanto ainda estava no ar, fazendo-o cair estendido no chão.
- EI, IDIOTA, SEGURA ESSA! – uma voz raivosa berrou.
O caçador levantou os olhos a tempo de ver o mesmo vulto rosa de antes vir em sua direção. Dessa vez, porém, pôde se desviar do punho fechado dela. Em consequência, o potente soco acertou o chão, criando uma cratera não muito profunda nele. ergue seu corpo e o procurou, o localizando entre eles e o Uchiha. Era como se ele fosse o alvo mais importante.
Deixando-os de lado, o homem com a capa negra correu na direção de Sasuke e lançou sua corrente com o objetivo de enlaçá-lo, mas o garoto se desviou, dando um salto mortal para trás. Ele semicerrou seus olhos vermelhos e ativou mais uma vez o raio em sua mão. Se aquele imbecil queria jogar, ele iria jogar. Afinal, era bom se divertir um pouco de vez em quando.
correu até Naruto e o ajudou a se levantar. Foi então que aquele som de cantos de pássaros novamente chamou sua atenção. Ela olhou rapidamente para os dois mais afastados e viu o Uchiha segurando seu raio novamente. Ele era muito poderoso pelo que demonstrava.
- Quem é esse cara? – de repente Naruto perguntou.
- Eu não sei. – ela respondeu – Apenas ouvi o caçador dizer que ele é um Uchiha.
- Um Uchiha? – o Uzumaki se surpreendeu – Eles ainda existem?
- Pelo que parece, sim. – a rosada disse tão intrigada quanto o amigo.
Assim que percebeu que o caçador aumentou o tamanho das correntes prateadas, Sasuke expandiu a intensidade do seu raio. O som que ele emitia se tornou mais alto e a luz mais brilhante.
- O que está esperando? – ele perguntou com desdém – Estou aqui, por que não vem me pegar?
- Como quiser. – o homem de capa riu.
O caçador correu até e tentou alguns socos e chutes, mas o outro se desviava de todos eles sem problemas. Era como se ele previsse cada movimento seu. Decidiu usar a corrente, lançando-a a altura do pescoço dele. O Uchiha, porém, previu aquele movimento com seus olhos e segurou o metal frio com força. Rapidamente, fez o raio percorrê-lo até a outra extremidade. Dessa vez ele teve êxito.
O caçador foi ao chão se contorcendo por conta da descarga elétrica e Sasuke aproveitou-se do momento para por fim àquela situação que, em sua opinião, havia se tornado desnecessária. Caminhou até o homem que jazia quase desacordado no chão e ergueu sua mão com o objetivo de golpeá-lo fatalmente com seu raio.
Antes que pudesse fazê-lo, percebeu uma movimentação atrás de si e virou-se até lá, tendo apenas tempo para erguer seu braço, bloqueando o chute de Naruto. O loiro logo voltou a ficar ereto, mas sua expressão não era muito amigável.
- O que pensa que está fazendo? – o Uzumaki disse entredentes.
- Eu pergunto o mesmo. – Sasuke o encarou.
- Você ia matá-lo? – o outro perguntou.
- É o único jeito de fazer com que deixem de nos perseguir. – o Uchiha respondeu apenas.
- Mas é claro que não! – o loiro berrou – Você por acaso é louco?
- Se conhece uma forma melhor é só dizer. – o moreno disse intensificando o raio ainda mais – Até lá, continuarei com meus métodos.
Virou-se até o homem no chão, pronto para acabar com aquilo, mas surpreendeu-se ao encontrar a garota de cabelos rosa entre eles. Ela estava com os punhos cerrados e com as pernas afastadas, um pouco inclinada para frente, pronta para atacar. Sasuke franziu o cenho.
- Se quiser machucá-lo, terá que passar por mim primeiro. – a rosada disse entredentes



Capítulo 5: Eternamente

A estava cansada de ficar deitada. Para ela, permanecer tanto tempo inerte era algo realmente desconfortável. se enquadrava no grupo de pessoas dinâmicas, que não se agradavam com o comodismo, mas sim com a ação. Sempre fora assim desde bem pequena. Era como se uma chama estivesse acesa dentro de si.
A loira sentou-se e colocou os pés para fora da cama, pronta para se levantar, mas no exato momento ouviu a maçaneta da porta ser girada e olhou automaticamente para lá. Esperou ansiosamente para saber quem estaria ali, mas logo seu sentimento foi sanado quando a pessoa finalmente abriu a porta, colocando metade do corpo para dentro.
Os olhos azuis e os esverdeados encontraram-se e a garota sentiu todos os seus membros tremerem com tal contato. Tentou dizer algo, entretanto, assim que viu o ruivo adentrar o recinto, desistiu. Seus olhares, porém, continuaram fixados um ao outro.
Gaara caminhou lentamente até aquela mulher que, em seu palpite, era uma das mais belas que já vira. No entanto, atributos como aquele não costumavam cativá-lo a menos que a pessoa que o possuísse demonstrasse ser alguém nobre, com outras boas qualidades.
Parou a uma distância considerável e cruzou os braços, analisando a expressão corporal dela. Pôde notar que a garota o encarava como todas as outras pessoas. Ela tinha medo. Percebeu isso por conta de sua primeira reação assim que ele entrou. A tentara dizer algo, mas hesitou assim que ele começou a vir até ela. A maneira como estava acuada, com os braços sobre as pernas e os ombros encolhidos, demonstravam o sentimento de temor. Porém, o Sabaku já estava acostumado.
Entretanto, havia algo mais. Algo em seu olhar. Alguma coisa que Gaara não conseguia decifrar. Assemelhava-se a um brilho que de certa forma o intrigou. Instintivamente, se aproximou mais alguns passos, o que fez a garota arregalar os orbes azuis. O rapaz parou, decidindo mentalmente que não deveria aproximar-se mais. Pensou no que dizer, mas para falar a verdade, ele não sabia ao menos o que fazia ali.
- Você é ? – sua pergunta saiu mais como um questionamento.
- Sim... – a garota respondeu num sussurro, desviando olhar.
Por um segundo, a conexão direta entre eles foi cortada e o ruivo incomodou-se minimamente, pois notou que isso apenas se deu por conta de sua abordagem nada amistosa. Soltou um suspiro discreto e fitou o teto, já que tentava entender por que se importava em não ser rude.
- Minha irmã disse que você queria falar comigo. – ele tentou mais uma vez.
- Sim, eu queria. – a loira continuou de cabeça baixa.
- E então? – sua voz voltou a soar fria.
mordeu os lábios ao mesmo tempo em que se atreveu a fitar o homem à sua frente outra vez. Ele aguardava uma resposta, mas ela não sabia o que dizer. Ele era intimidador, mas ela não esperava menos de alguém que a salvou de uma forma tão insólita.
- Eu só... Só queria agradecer. – a finalmente falou.
- Agradecer? – ele a encarou fixamente. – Pelo que, mais especificamente?
- Como pelo quê? – a garota soltou um risinho nervoso. – Por ter me salvado daquele caçador.
- Acredita mesmo que a salvei, ? – ele perguntou, mas parecia mais um questionamento a si próprio.
- Acredito. – ela disse com mais firmeza dessa vez.
Sem pensar, levantou-se e caminhou até estar a alguns passos de distância de Gaara. Ele permaneceu parado, apenas observando quão graciosa era sua forma de andar. Ela encarou-o nos olhos, levantando um pouco a cabeça para isso. Criou coragem e finalmente disse o que queria.
- Acredito sim que tenha salvado a minha vida, apenas não sei por qual motivo. – sua voz saiu determinada, como de costume. – Mesmo assim, queria dizer que sou muito grata. Tenha certeza de que eu nunca vou me esquecer do que fez e que, de agora em diante, terei uma dívida com você. Eternamente.

~o~

continuava parada entre o caçador e o Uchiha. Ela sabia que aquele homem tinha tentando caçá-los, mas matar não era a resposta para aquele problema. Matar não era a resposta para nada.
- Vou pedir de forma educada que saia de minha frente. – Sasuke disse num tom ameaçador.
- Infelizmente, não poderei atender seu pedido. – a rosada respondeu num tom debochado.
Por mais incrível que fosse, ela não sentia medo dele. Aqueles olhos vermelhos não eram suficientes para intimidá-la, muito menos aquele raio ruidoso que provinha de sua mão. Ele poderia ser quem quer que fosse, mas ela havia aprendido a valorizar-se. Sabia qual era sua capacidade e não abaixaria a cabeça para qualquer um.
- Vejo que você não está muito a fim de conversa. – o Uchiha sorriu de canto. – Para sua sorte, eu também não estou. Mas creio que isso não será bom para alguém como você.  
- Como assim, alguém como eu? – ela franziu a testa.
- Uma Humili. – ele disse com desdém. – Fraca e inútil, assim como todos de sua classe.
- Ei, cara, como pode dizer que qualquer um de nós é fraco? – a voz de Naruto encheu o ambiente. – Afinal, como sabe que somos da classe baixa?
- Por que eu posso ver. – Sasuke respondeu. – Meus olhos conseguem diferenciar os diferentes graus de regeneração de DNA e posso afirmar que vocês estão abaixo de cinquenta por cento.
- E daí? – o loiro fez uma careta. – O que isso tem a ver com nossa força e muito menos com quem somos?
- É meio difícil para que pessoas como você entendam. – o moreno soltou um suspiro.
- Já chega! – interrompeu a conversa. – Eu não aguento mais ouvir uma palavra que sai de sua boca, Uchiha. Se se acha tão bom por que não vem aqui e mostra o que sabe fazer?
- ?! – Naruto chamou a amiga, surpreso.
- Seria melhor se saísse do meu caminho. – Sasuke disse apenas.
A rosnou enfurecida por conta do descaso que aquele homem demonstrava. Era como se ele se considerasse melhor do que todos os presentes ali pelo simples fato de fazer parte da classeExcelsis. Semicerrou os olhos e ergueu um dos punhos na direção dele. Não seria humilhada daquela forma por alguém que agia como superior pelo simples fato de pertencer à classe alta de regenerados.
- Você. – ela apontou o punho para ele enquanto falava. – É melhor sumir daqui ou serei obrigada a mandá-lo para o espaço.
- Já disseram o quanto você é irritante? – Sasuke soltou um riso anasalado.
- Tem cinco segundos pra isso. – ela falou. – Quatro...
- Você está mesmo falando sério? – ele desativou seu raio.
- Três... – ela continuou a contagem.
- Cara, é melhor você ir. – Naruto aconselhou.
- Dois... – a disse mais lentamente.
- Acho que isso será interessante. – Sasuke sorriu sem mostrar os dentes.
- Um! – ela terminou. – Perdeu sua chance, Uchiha.
Sem esperar, a rosada lançou-se na direção do rapaz pronta para acertá-lo com um dos seus potentes socos. Este, porém, apenas se desviou para a direita, fazendo-a golpear o ar. surpreendeu-se com a rapidez dele e mais ainda quando Sasuke parou atrás de suas costas. Estavam tão próximos que sentiu o calor que emanava de sua pele e suas pernas bambearam como da primeira vez.  
- Se você conseguir me acertar, eu vou embora e deixo o caçador em paz. – o moreno disse. – Se não conseguir, vou matá-lo.
- O quê? – ela não se atreveu a mover-se.
- Melhor. – ele sorriu de forma maldosa. – Você vai matá-lo.
Ao ouvir aquelas palavras, esbugalhou os orbes esmeraldinos. Aquele homem estava falando sério? Fitou o amigo que estava mais a frente e percebeu que ele estava tão assustado quanto ela.
- O que me diz... – a voz de Sasuke soou mais uma vez com o mesmo tom de desprezo. – Humili?   
A garota tentou desconsiderar aquele desconforto e cerrou os punhos, fechando os olhos com força. Algo a dizia que aqueles olhos viam mais do que a estrutura dos seus genes. Mas, ela poderia muito bem pegá-lo, era só uma questão de atenção.
Naruto percebeu que aceitaria o desafio no momento em que ela abriu os olhos. Havia ali a determinação que era típica de sua amiga. No entanto, ele estava preocupado. Aquele Uchiha era realmente poderoso e era bem provável que ela não conseguisse vencer ou ao menos acertá-lo. Com isso, achou melhor intervir antes que a rosada pudesse se machucar.
- , eu vou. – o Uzumaki disse.
- Como? – ela franziu o cenho.
- Eu luto em seu lugar. – ele deu dois passos. – Não quero que nada aconteça com voc...
- Nada disso. – ela o interrompeu. – Ele desafiou a mim, então eu vou lutar.
- Por que não escuta seu amigo, rosada? – Sasuke falou. – Acho que ele pode ter mais chances.
- , meu nome é . – ela disse entredentes. – E acho melhor se preparar, Uchiha Sasuke. Quanto a você, Naruto, não interfira.
O loiro abriu a boca por conta da surpresa, mas decidiu não contrariá-la. sabia ser sinistra quando queria. Ainda sim, ficaria observando e pararia tudo se percebesse que ela não conseguiria. Naruto passou os olhos de para Sasuke e viu que ele continuava atrás da garota. O Uchiha parecia esperto, mas a rosada também era.
- Tudo bem. – Naruto sorriu. – Boa sorte então, Uchiha!

~o~

As ruas de Konoha ainda estavam vazias, pois não se passavam de seis da manhã. tentava ser discreta enquanto buscava seus amigos. A se afastava cada vez mais do lugar onde haviam passado a noite, mas por sua distração não percebeu isso.
Depois de um bom tempo caminhando, resolveu sentar-se num dos bancos que havia no pequeno jardim da cidade. Sentiu a brisa tocar sua pele, então fechou os olhos para apreciar aquele momento. Ao abri-los, fitou o céu azul com algumas nuvens cor de neve. Sentiu uma imensa paz invadir seu ser e desejou com todas as forças estar com sua família. Porém, havia um problema. Ela ao menos sabia quem eles eram.
Sempre foi uma garota solitária e viveu boa parte de sua infância num orfanato. No entanto, quando seus poderes se manifestaram, ela foi considerada uma ameaça para as outras crianças e então, eles deixaram que o governo decidisse qual seria seu destino. A pequena Mitsahi, porém, sabia o que lhe aguardava e então decidiu fugir em vez de sofrer em prol da perfeição. Falando seriamente, ela não se importava nem um pouco com toda aquela tolice. A única coisa que desejava era que as pessoas voltassem a viver em paz. Que ela e seus amigos pudessem andar pelas ruas, livres.
Suspirou fundo ao se lembrar dos anos difíceis que passou sozinha até que os encontrou. Naruto e . Eles também haviam fugido, mas diferente dela, eles tinham famílias. Foram levados a força, mas conseguiram escapar dos caçadores que os levariam para serem estudados. Os três uniram-se e agora eram companheiros leais, prontos para qualquer dificuldade.
- Onde vocês estão? – a voz da morena saiu preocupada.
Voltou a fechar os olhos, mas logo decidiu continuar sua busca. Antes que pudesse se levantar, porém, sentiu uma fisgada em seu pescoço e passou os dedos finos no local que achou ser o certo. Retirou algo de sua nuca e se surpreendeu ao constatar que o objeto se parecia a um pequeno dardo.
- Mas o quê? – ela franziu a testa e soltou o objeto, fazendo-o ir de encontro a grama verde.
Levantou-se de supetão, mas sentiu sua visão embaçar e levou as mãos aos olhos, esfregando-os com vigor. Aquilo foi em vão, pois continuava a perder cada vez mais o foco das coisas ao seu redor. Tentou sair dali, mas ao dar o primeiro passo, caiu de joelhos.
- O que está acontecendo comigo? – A se perguntou quase entrando em desespero. – Eu não consigo me mexer.
- Esse é o efeito do veneno, querida. – de repente ela ouviu uma voz feminina à sua frente. – Mas não se preocupe, a queremos viva.
ergueu a cabeça, encontrando não uma, mas duas pessoas. Sua visão, porém, estava realmente comprometida e a única coisa que conseguiu distinguir foi a cor dos cabelos do estranho que caminhou em sua direção. Vermelhos. Longos e esvoaçantes, assim como as chamas de fogo.
- Você tinha razão. – o outro mais atrás disse.
- Eu disse que a senti aqui. – a dona dos cabelos vermelhos respondeu. – E quando eu digo que sinto um regenerado, não me engano.  
No segundo seguinte, sentiu todo seu corpo ceder e caiu. Ouviu-os dizer mais alguma coisa, mas sua mente não decifrou o quê. Num minuto estava acordada, porém, logo sentiu suas pálpebras pesarem e perdeu a consciência. A última coisa que conseguiu pensar foi nos amigos e em como eles faziam de tudo para protegê-la.
E em sua mente, as palavras que permaneciam eram apenas: “Me desculpem”.      



Capítulo 6: Dignidade

Shikamaru estava preocupado, especialmente depois da forma como havia desejado boa sorte para . O que havia naquele tal de Gaara para que precisassem ser tão cautelosos?
Ainda estava no jardim da grande casa, porém, sua vontade era subir as escadas que levavam aos quartos para ter certeza de que sua amiga estava bem. Mesmo com aquele desejo, continuou ali, pois sabia que seria uma grande falta de decoro agir daquela maneira.
já não estava mais lá, o que de certa forma, o deixou mais à vontade. Aquela garota era muito problemática, em sua opinião. Sabia exatamente como irritá-lo e, definitivamente, era perturbador. Ninguém, a não ser a própria , conseguia tal feito com tanta facilidade.
Sentou-se no banco onde a loira havia estado segundos atrás e escorou os cotovelos nos joelhos. Precisava pensar numa forma de sair logo dali. Por mais que aquele lugar se assemelhasse a uma fortaleza, onde aqueles irmãos viviam sem medo de qualquer coisa, com certeza eles não seriam bem-vindos.
- Shikamaru. – de repente alguém falou, chamando a atenção do garoto.
O Nara olhou na direção da porta de vidro que separava o jardim da sala, surpreendendo-se ao encontrar . Ela permanecia parada olhando para ele, enquanto segurava a porta com uma das mãos.
- Quando chegou aqui? – ele quis saber, ainda surpreso.
- Deveria estar mais atento. – ela sorriu de forma provocante – E se fosse um caçador?
- Duvido que algum deles consiga entrar aqui. – ele revirou os olhos – Essa casa é praticamente uma fortaleza.     
- Quanto exagero... – a loira riu levemente.
- O que vocês fazem para viverem assim, tão abertamente? – o moreno quis saber.
- E quem disse que vivemos abertamente? – ela apoiou uma mão na cintura e se aproximou.
- Vocês moram praticamente no meio da cidade e numa casa tão grande, além de usarem seus poderes sem qualquer receio. – ele ressaltou – É impossível não serem detectados.  
- Talvez nossos DNAs não sejam tão perceptíveis. – ela balançou os ombros.
- Muito improvável. – ele falou convicto – No mínimo, vocês são da classe média, então não há como passarem despercebidos. Ainda mais, com poderes tão... explícitos.
- Explícitos? – ergueu as sobrancelhas. - Você é sempre tão intrometido?
- Eu não chamaria de intromissão. – ele sorriu de canto – Gosto apenas de observar as pessoas.
- Que seja. – ela bufou.
Ficaram um bom tempo encarando-se, até que a garota se lembrou o que a trazia ali. Afastou-se dois passos e pigarreou, olhando para os próprios pés. Para ela, aquele homem era muito observador e isso era algo que a incomodava profundamente.
- Eu vim saber se não quer tomar um banho ou coisa assim. – sua voz saiu mais receosa do que gostaria, então tratou de se recompor – Você não está com uma cara muito boa.
- Como é? – ele franziu o cenho.
- Você entendeu. – ela estalou a língua – E é melhor responder logo, não estou com muita paciência.
- Problemática... – ele suspirou, mas continuou ao perceber a expressão nada amigável da garota – Tudo bem, pode ser.
Sem dizer nada, deu as costas a Shikamaru e começou a caminhar para longe dele, o deixando confuso. Ao perceber que não era seguida, parou e virou metade do corpo de volta, o encontrando no mesmo lugar.
- Vamos. – ela disse num tom irritado.
- Claro. – ele suspirou e a seguiu.
Enquanto caminhavam, ele ia mais atrás com o olhar fixo as costas dela. O andar firme e confiante de foi capaz de prender sua atenção, mas não por muito tempo. Logo seus olhos o traíram e desviaram para o quadril da loira. Ao perceber que aquele ato era um passe livre para pensamentos impróprios, balançou a cabeça para os lados e tentou se concentrar.

~o~

Sasuke permanecia atrás da garota de cabelos róseos. podia sentir o calor que emanava de seu corpo, mas continuou ali, com os punhos cerrados. Nenhum dos dois havia se atrevido a mover-se, esperando a iniciativa do outro.
- Isso está realmente muito chato. – de repente Naruto se fez ouvir – Quando vão começar?
- Naruto, por que não fica quieto? – a amiga o olhou feio.
- Eu sei que os dois querem ganhar, mas é só uma luta. – o loiro insistiu – Além disso, temos de voltar. A vai nos matar.
- ... – a sussurrou ao lembrar-se da outra.
Resolveu que o Uzumaki estava correto. Eles não tinham todo o tempo que desejavam, ninguém tinha, nem mesmo os regenerados. Esse era o motivo de serem caçados, afinal. O governo buscava a imortalidade e para eles seu segredo estava nos genes modificados.
preparou-se para atacar, erguendo seu punho direito. Tal movimento fez o Uchiha semicerrar os olhos vermelhos, para que pudesse saber onde ela tentaria acertar. Sorriu ao conseguir decifrá-la. Seu rosto era o alvo principal. Quando ela virou-se subitamente, ele apenas desviou a cabeça na direção contrária do golpe.
- Bem direta. – Sasuke debochou.
Sem surpreender-se, a garota apenas tentou outra vez. Ergueu outro punho e o socou. Outra vez Sasuke desviou-se. Ele era veloz. Mas ela também era. Num movimento rápido, ela tentou acertar-lhe um chute. Dessa vez ele segurou seu tornozelo com firmeza, impedindo-a de se afastar.
A rosada fez uma careta, mas não se deixou abalar. Forçou a perna e o obrigou a soltá-la. Sasuke admirou-se com a força que aquela garota franzina demostrava, mas não deixou que suas expressões transparecessem isso. Ao vê-la se aproximar outra vez, notou que se defender não seria suficiente. Desviou-se do novo soco e tentou acertá-la. Ao perceber que seu golpe a atingiria em cheio, sorriu.
Para sua surpresa, segurou seu punho fechado com a mão e o forçou para trás. O olhar determinado dela era diferente de qualquer outro que já vira. Sasuke tentou outra vez, mas a garota o largou e desviou. Ele franziu o cenho irritado.
- O que houve, Uchiha? – a provocou – Já está cansando?
- Por quê? – ele retaliou – Você está?
Ela riu. Sasuke incomodou-se com aquela atitude e ativou o raio em sua mão esquerda. Sorriu desdenhoso ao constatar o olhar amedrontado de . O que não durou muito. A garota logo tratou de recompor-se. Ele não a acertaria.
Correram um na direção do outro e Sasuke tentava acertá-la. fazia o mesmo. Após algum tempo de tentativas frustradas, o Uchiha finalmente detectou uma brecha na defesa dela. Aproveitou-se disso e mirou a energia no abdômen da rosada. Quando estava a centímetros, percebeu algo como temor nos olhos dela e inconscientemente, desativou o raio, acertando-a apenas com o punho fechado.
Apesar disso, a pancada foi suficiente para fazer com que fosse lançada a certa distância. O pequeno corpo arrastou-se pelo chão por alguns segundos e ela teve a certeza de nunca ter sentindo uma dor tão grande.
- ! – Naruto gritou alarmado.
Ela não respondeu. Apenas viu Sasuke se aproximar e se apoiou nos cotovelos, erguendo-se um pouco. Quando estava perto dos seus pés, ele parou e soltou um riso anasalado. Ela o fuzilou com o olhar.
- Acho que terminamos aqui. – o moreno falou – Acima de tudo, obrigado pelo passatempo. Apesar de ter sido um pouco monótono.
cerrou o maxilar. Se aquele imbecil tinha pressuposto que a luta havia chegado ao fim, estava enganado. Ela, , não desistiria tão fácil. Quando o viu dar-lhe as costas, levantou-se mesmo com dificuldade.
- Ei! – ela berrou – Aonde pensa que vai?
Sasuke parou e virou-se para ela com as sobrancelhas erguidas. Aquela irritante ainda queria mais.
- Está fugindo da briga, é isso? – ela tentou provocá-lo.
- Se eu quiser, posso acabar com você agora mesmo. – ele disse com desprezo – Mas eliminar aquele caçador é mais importante.
- Não vire as costas pra mim! – ela continuou alterada – Uchiha!
Ele não deu importância para a garota e continuou a caminhar na direção do calçador ainda desacordado. Quando estava a poucos metros dele, sentiu uma movimentação atrás de si e voltou-se para lá. Foi o suficiente para desviar-se de .
- Por acaso está surdo? – ela falou entredentes.
- Pelo jeito, é você quem está. – ele rebateu.
A garota insistiu. Correu até ele com agilidade e tentou acertar-lhe com força. Em vão. Agora que sabia do que ela era capaz, Sasuke não a subestimaria. Com destreza, o rapaz conseguiu acertar o mesmo lugar de antes, mas com menos intensidade. apenas envergou-se para frente pela dor, mas foi suficiente para desorientá-la. Quando ele se afastou, ela caiu de joelhos.
- Acho que agora já chega. – ele falou num tom calmo.
Deu as costas mais uma vez para ela e andou até o caçador. Estava irritado. Aquela garota o havia dado mais trabalho do que gostaria, mas havia algo mais. Era aquela determinação em seu olhar. O denodo neste era como faíscas e elas o atingiram em cheio. Como alguém poderia ser tão persistente?
Ergueu seu braço e logo o som de mil pássaros pôde ser ouvido. Precisava acabar logo com aquilo e sumir. Apegou-se tanto a este plano que não percebeu o momento que alguém se postou entre ele o caçador. A única coisa que captou foram os olhos azuis arregalarem-se graças a carga elétrica recebida.
 
~o~

A brisa soprava suave, mas era suficiente para fazer com que as folhas das árvores oscilassem de um lado para o outro. No entanto, para as garotas que treinavam exaustivamente dentro daquele dojo, não havia diferença. Os longos cabelos escuros esvoaçavam-se a cada novo golpe e se prendiam nas testas e laterais dos rostos delicados por conta do suor produzido pelo esforço.
sabia que aquele treinamento fazia parte das regras de sua família, mas nunca teve o desejo de sair dos limites do seu território. Para aquela jovem, a vida fora dos portões não tinha nada para lhe oferecer. Não se achava forte o bastante para aventurar-se pelo mundo, especialmente quando regenerados eram tão procurados. Ainda assim, tinha uma pequena curiosidade de saber como eram as coisas além do pouco que conhecia. 
Seu interesse nos humanos comuns era tanto, que cada vez que seu primo voltava de alguma missão da qual havia sido encarregado pelo líder deles, fazia-lhe perguntas. Neji era paciente e mesmo que soubesse que teria o seu momento, onde realizaria as mesmas tarefas, contava-lhe muito.
Mesmo com todas as informações recebidas do primo e também com o que ouvia pelos corredores do território, a Hyuuga reconhecia que havia mais. Muito mais. Apenas aquele receio, o sentimento de covardia a faziam recuar. A moça tinha medo de não ser forte o suficiente.
Enquanto ainda treinava, distraiu-se com seus pensamentos e baixou a guarda por alguns segundos. O suficiente para que sua irmã a atacasse. Por pouco, a mais nova não a acertou com o a palma da mão aberta. Um golpe típico dos Hyuuga. No último segundo, desviou o corpo para o lado direito e bateu com sua palma no braço da outra, desorientando sua mão, que acertou o ar.
- ! – a irmã chamou sua atenção – Onde está com a cabeça?
- Me desculpe, Hanabi. – a mais velha sorriu sem mostrar os dentes – Apenas me distraí um pouco.
- Você nunca se distrai. – a mais nova ergueu as sobrancelhas - Em que estava pensando para me deixar chegar tão perto?
- Não é nada. – ela suspirou.
- Está bem então. – Hanabi não acreditou em suas palavras mais preferiu não insistir – Vamos continuar?
- Claro! – sorriu.
As duas colocaram-se novamente em posição de combate, porém, logo ouviram uma batida discreta na porta. Endireitaram-se e falou que a pessoa entrasse. Instantes depois, viram a luz do sol adentrar o local, assim como a brisa que vinha de fora. Puderam ver um dos membros da família Hyuuga e este pediu para falar com a mais velha.
- Sim. – ela o acompanhou ao ar livre.
- -sama. – o jovem se dirigiu a ela respeitosamente – Hiashi-sama solicita sua presença.
- Minha presença? – ela se assustou por alguns segundos – Posso saber por qual motivo?
- Me desculpe, senhorita. – ele balançou a cabeça negativamente – Foi a única instrução que recebi.
- Tudo bem. – ela mordeu os lábios discretamente - Diga que estou indo.
- Com licença. – ele disse e então se retirou.
A Hyuuga permaneceu alguns instantes tentando compreender o que se passava, mas nada vinha à sua mente. Será que havia feito algo de errado? Mas ela vinha seguindo todas as regras, sem exceções. Seriamente, ela sempre as seguiu.
Respirou fundo e caminhou em direção à sala onde seu pai estaria. Para a jovem, ser a filha do líder dos Hyuuga era uma peso a mais, já que todos sempre esperavam o melhor dela. Sua irmã era mais nova, então não exigiam tanto da pequena. Ainda assim, elas eram o centro de toda a família.
Quando finalmente chegou, bateu à porta e esperou a permissão para entrar, que logo foi concedida. adentrou a grande sala e viu Hiashi sentando atrás de uma mesa talhada em mogno. O móvel estava repleto de papéis e o homem analisava alguns deles, até que finalmente ergueu o olhar para a filha.
- Pai. – ela se aproximou – Me disseram que o senhor gostaria de falar comigo.
- Sim, gostaria. – ele conformou.
- Foi por conta de algo que eu fiz? – a garota apressou-se em se defender – Pois posso afirmar que...
- Não se preocupe, . – a voz firme a interrompeu – Sei que está longe de descumprir qualquer regra. Esperaria isso de Hanabi, quem sabe, mas não de você.
- Então qual o motivo de solicitar minha presença? – a Hyuuga tentou ignorar a pontada de raiva que sentiu ao ouvir o pai se referir a sua irmã como uma desordeira.
- , você está ciente de que será a nova líder da família, não está? – ele perguntou e ela apenas balançou a cabeça – É apenas questão de tempo para que assuma meu lugar.
- Eu sei, pai. – a garota baixou o rosto.
- Antes, porém, preciso saber se está realmente preparada. – Hiashi falou.
- Preparada? – ergueu os olhos.
- Você precisa ser digna de algo tão importante. – o Hyuuga levantou-se – Espero que entenda.
- Sim, eu entendo. – ela desviou o olhar.
- Vou designá-la em uma missão. – ele disse e a garota o fitou assustada.
- M-missão? – sua voz vacilou.
– Será a sua primeira, sei bem. Mas pedirei que Neji a acompanhe. – ele continuou – Assim terei certeza de seu êxito.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, pode-se ouvir uma nova batida na porta. Hiashi disse que a pessoa entrasse, como se já a esperasse e logo a garota reconheceu o primo. Soltou o ar lentamente, pois sempre que estava com Neji, se sentia mais à vontade.
- Hiashi-sama, mandou me chamar? – Neji se aproximou, lançando um pequeno sorriso para a prima, que o retribuiu.
- Sim. – o mais velho falou – Tenho uma nova missão para vocês.
- Para nós? – ele franziu o cenho, mas logo entendeu o que se passava – também irá?
- Exatamente. – Hiashi confirmou – Preciso que seu progresso seja manifesto para finalmente considerá-la apta.
- E para onde devemos ir? – ele tentou desviar o foco da conversa, pois sabia que não se agradava dele.
- Vocês irão para Konoha. – ele disse – Ela está dentro de nossa área de busca e não fica muito longe daqui.
- O que há de tão importante lá? – Neji questionou.
- Ultimamente, muitos regenerados estão se refugiando nessa cidadezinha, mas há um em especial. – ele explicou – Nossos informantes confirmaram que há um Uchiha em Konoha?
- Um Uchiha? – se surpreendeu.
- Um dos últimos. – Neji ressaltou.
- E vocês sabem o que isso significa. – ele continuou – Fomos removidos da lista de regenerados procurados pelo governo. Mas, para isso, precisamos caçar outros regenerados e entregá-los a eles para seus estudos. Isso acontece todos os anos. Se capturarmos esse Uchiha, no entanto, nosso prazo se estenderá, pois ele é muito valioso. Assim como nós, é um Excelsis.
- Então nossa missão é trazer o Uchiha. – Neji disse – Quando?
- Se preparem, pois vocês saem amanhã. – Hiashi decretou – A distância será de no máximo um dia graças a nossa localização. Ainda assim, preciso que sejam diligentes, nosso prazo está quase no fim.
- Sim, senhor. – os dois mais novos responderam em uníssono.
Eram disciplinados, como todos os membros daquela família. Uma família fria e distante que buscava apenas sobressair-se entre as outras e que passava por cima de qualquer valor moral para conseguir o desejado. Faziam parte da classe alta, mas não mediram esforços para se aliar ao governo. Esse foi o motivo de seu progresso. Diferente dos Uchiha, que pela recusa de cooperação, foram exterminados.
Quando os dois finalmente se retiraram, passaram a caminhar lado a lado. , porém, tinha os pensamentos longe. Apenas de pensar que sairia do território, sentia as pernas tremerem. Seu coração palpitava mais rapidamente e o único pensamento que tinha era o de que fracassaria.



Capítulo 7: Inimigos ou Aliados

estava bem próxima àquele homem e podia sentir o calor que fluía do seu corpo. Ainda o encarava nos olhos, mas sentiu um arrepio na espinha quando o ruivo semicerrou seu olhar, como se quisesse analisá-la.
Instintivamente afastou-se dois passos e engoliu seco. Sabia que havia sido bem direta em sua afirmação de que Gaara havia salvado sua vida, no entanto, era o que seu coração dizia. Todos os motivos apontavam para um ato de compaixão mesmo que tivesse confirmado o contrário.
- Eu só queria entender. – de repente a loira falou
- Como? – o outro confundiu-se com a questão
- Por que me salvou? – ela perguntou – Naquela noite, como conseguiu me encontrar?
- Eu costumo andar pela cidade. – ele respondeu, mesmo sentindo-se incomodado ao fazê-lo
- À noite? – espantou-se – Mas e os caçadores?
- Eles não são problema. – Gaara desviou o rosto, mas assim que a se moveu, ele voltou a encará-la
- Nunca tinha visto regenerados que não se preocupavam em ser pegos. – ela se sentou na cama – Durante toda a minha vida, minha família se protegeu, assim como as famílias dos outros que eu conhecia. É estranho ouvi-lo dizer que eles não são problema.
- Alguns de nós simplesmente sabem como lidar com eles. – o Sabaku cruzou os braços.
- E como você lida com eles, Gaara do deserto? – ela ressaltou seu nome – Por que, pelo que vejo, parece ser bem fácil.
- Pode acreditar, . – ele a imitou – Não é nem um pouco.
A garota o fitou totalmente confusa. Gaara havia dito que não era tão simples lidar com os caçadores, mas seu tom de voz despreocupado e sua expressão calma, diziam exatamente o oposto. Tentou não levar isso em conta, pois ele havia feito mais do que deveria por ela, então se levantou. Teria de partir. Shikamaru deveria estar à sua espera.
- Talvez eu nunca saiba os seus motivos. Talvez nem mesmo você saiba. – sorriu ligeiramente. – Mas, possivelmente, um dia possamos descobrir.
- Um dia? – ele questionou.
- Eu tenho que ir. – ela falou. – Shikamaru deve estar me esperando.
Ao ouvir suas palavras, o ruivo descruzou os braços e foi até ela. surpreendeu-se, mas continuou parada.
- Antes de ir, acho que deveria cuidar desse ferimento. – ele apontou para seu tornozelo machucado pela corrente – Não sei se conseguirá continuar sua jornada assim. Além disso, seu amigo também parece estar ferido.
- Shikamaru está ferido? – ela sobressaltou-se. - Que droga...
- Se quiserem... – o rapaz não sabia que palavras usar – Podem se recuperar aqui.
- Sério? – sorriu mais abertamente.
- Sim. – ele disse depois de alguns instantes.
Sem avisar, a garota se aproximou do ruivo e o abraçou. Ficou nas pontas dos pés e envolveu seu pescoço delicadamente. Foi por impulso, porém, ela não se arrependeu daquele gesto. Era a mínima forma de agradecimento diante do que ele havia feito.
- Obrigada! – a loira agradeceu.
Ao sentir os braços finos em volta do seu pescoço, Gaara assustou-se. Nunca ninguém o havia tocado de forma tão afetuosa. Mesmo assim, não teve forças para rechaçá-la. Apenas permaneceu estático, até que ela finalmente se afastou. estava com as bochechas coradas, especialmente pela forma como ele a encarava. Parecia atônito.
- Vou pedir que a ajude. – foi tudo o que o Sabaku disse antes de se retirar.

~o~

- NARUTO! – o grito encheu o ambiente.
Assim que chegou aos ouvidos do Uchiha, este pôde perceber que o brado provinha de . Tentou ignorá-la e apertou os olhos para encarar aquele idiota que recebia a carga do seu raio. Que tipo de retardado se colocava na linha de ataque e para livrar um inimigo?
Não queria precisar ter matado aquele loiro idiota, pois parecia que a garota precisava dele, mas não tinha culpa se Naruto era um intrometido. Viu o garoto fechar os olhos aos poucos e soltou um suspiro. Finalmente, poderia fazer o que desejava.
Quando pensou em retirar sua mão do peito de Naruto, lugar onde havia golpeado, sentiu que algo a segurava ali. Franziu o cenho, mas logo surpreendeu-se ao fitar o Uzumaki.
- Mas o quê... – sua voz saiu mais baixa que o normal.
Era a mão de Naruto que o prendia, e ele o fazia com força. Logo, o loiro ergueu seu rosto e Sasuke notou seus olhos. Não estavam mais azuis. Em vez disso, marcas laranjas estavam ao redor deles. Suas íris tornaram-se amarelas e as pupilas ganharam a forma horizontal.
Mais uma vez o Uchiha tentou afastar-se, entretanto, Naruto também se movimentou. Ainda segurando o pulso de Sasuke, o acertou com a mão livre. O soco foi certeiro ao acertar o rosto do outro, que cambaleou ao ter seu braço libertado. Logo, porém, este se recompôs e assumiu uma posição de guarda.
- Quem é você? – a pergunta saiu mais como um questionamento.
- Acho que já ouviu meu nome. – o outro rosnou.
- Sabe o que quero dizer. – Sasuke irritou-se. – Como pode ter sobrevivido ao meu ataque? Nunca ninguém conseguiu sair ileso, que dirá continuar vivo.
- Acho que podemos tentar descobrir. – Naruto esboçou um sorriso provocador.
O Uzumaki então lançou-se contra o Uchiha. Este tentou esquivar-se, porém, foi pego por um chute do loiro. A pancada veio bem mais forte do que da primeira vez e Sasuke não conseguiu segurar-se, sendo laçando a certa distância. Levantou-se rapidamente ao perceber mais um ataque vindo em sua direção e, por pouco, conseguiu desviar-se.
À distância, analisou Naruto com seu sharingan e percebeu algo diferente. O DNA regenerado dele estava movimentando-se rapidamente por suas células. Era estranho e assustador.
- Você é tão estranho quanto idiota. – Sasuke soltou um riso desdenhoso.
- É exatamente o que pensei sobre você. – Naruto retaliou, continuando. – Por que não vaza, cara? Você já zoou o suficiente aqui, não acha?
- Sério? – o moreno continuava a analisar o outro.
- Você tentou matar aquele caçador e machucou a . – Naruto citou, - Acho que é o suficiente.
- E o que vai com respeito a isso? – Sasuke o provocou
- Eu poderia acabar contigo, mas tenho uma proposta melhor. – Naruto disse. – Você pode ir embora agora.
- Realmente, você é um idiota. – Sasuke riu levemente.
- Então, vamos ter que fazer do jeito difícil. – O Uzumaki bateu o punho direito na palma da mão esquerda.
Naruto correu na direção de Sasuke, preparado para desferir no outro uma sequência de golpes. O Uchiha imitou seu gesto e foi até ele, originando um novo raio de energia que provinha de sua mão esquerda. Quando estavam a alguns metros um do outro, no entanto, foram obrigados a parar assim que ouviram um estrondo vir do outro lado do campo, partindo o solo entre eles. Olharam estupefatos para a direção de onde começava a rachadura, encontrando a com o punho apoiado no chão.
- Já chega! – ela ordenou com o tom de voz ameaçador. – Parem com essa idiotice agora!
- Mas, ... – Naruto tentou falar, mas foi interrompido.
- Sem mas, Naruto. – a rosada voltou a ficar ereta. – Estamos agindo como idiotas, se ainda não perceberam. Deveríamos estar unidos, não nos atacando como se fôssemos inimigos.  
- E por que eu me uniria a pessoas como vocês? – Sasuke soltou.
- Por que, assim como qualquer um, precisará de ajuda. Nem que seja uma única vez. – o encarou fixamente. – Não é só por que faz parte da classe alta que está imune. Não importa o quão bom seja, eles o pegarão algum dia. Na verdade, é exatamente por ser tão raro que eles virão atrás de você, Uchiha.
- Acha que não sei disso? – Sasuke cruzou os braços.
- E ainda assim continua sozinho. – a balançou a cabeça negativamente. – É mais arrogante do que demonstra.
Sasuke semicerrou os olhos ao presenciar a petulância daquela garota. Não teve tempo para respondê-la, porém, pois ouviu um baque surdo à sua frente e olhou quase que automaticamente para lá, encontrando Naruto sentado no chão.
O Uzumaki estava exausto. Usar aquele poder consumia muito suas forças, mesmo que desse a ele um aumento considerável em suas habilidades. Era por esse motivo que só o utilizava quando enfrentava inimigos realmente poderosos. E esse era exatamente o caso. Uchiha Sasuke era o que o garoto definiria como “osso duro de roer”.
- Naruto! – mais uma vez a rosada chamou pelo amigo, correndo até ele.
Ao aproximar-se do loiro, abaixou-se ao seu lado e o examinou minuciosamente. Logo encontrou o que queria. A blusa preta dele estava manchada de vermelho na área do peito, mesmo que a cor escura fizesse com que isso passasse despercebido.
- Vou precisar que tire a camisa. – ela disse – Tenho que curar esse machucado antes que perca mais sangue.
- Tudo bem. – ele concordou.
Sasuke observou a cena sem entender o que se passava. Continuou parado enquanto Naruto se despia e viu a garota aproximar-se do amigo, erguendo a palma aberta perto do lugar atingido. Instantes depois, uma luminosidade esverdeada apareceu ao redor da pequena mão. Ao passo que ela a movimentava levemente, o corte que parecia ser profundo ia fechando-se. Só então o Uchiha percebeu o que fazia.
A mesma garota que destruiu metade do solo onde pisavam com seus potentes socos, curava aquela ferida. A mesma mão que quase o golpeou certeiramente, recuperava com todo o esmero a pele machucada do loiro. Definitivamente, aqueles dois eram mais do que ele poderia ter imaginado.

~o~

Assim que despertou, tentou abrir os olhos, mas foi em vão. Sua cabeça pesava e seus músculos estavam dormentes, impedindo a garota de realizar qualquer movimento. Percebeu, porém que estava apoiada nos ombros de alguém e que a pessoa a segurava pelas pernas.
Suas mãos e pés estavam amarrados e em sua boca havia um tampão de tecido, talvez para impedir que ela clamasse por ajuda. Pelo balançar dos seus corpos, concluiu que este caminhava.
- Vamos parar aqui. – de repente a pessoa que a levava disse.
- Claro que não! – a voz da mesma mulher de antes pôde ser ouvida um pouco mais afastada – Temos que chegar logo.
- Karin, sou eu quem está carregando essa garota. – o outro, que percebeu ser um homem, disse – Não vou caminhar mais nem um metro sem descansar.
- O mestre Orochiramu não vai gostar nem um pouco se demorarmos. – a garota ressaltou.
- Só vamos demorar se estivermos cansados. – ele insistiu. – Se pararmos agora, poderemos viajar mais rápido depois.
- Tudo bem. – ruiva suspirou. – Mas só algumas horas.
- Obrigado. – o outro riu levemente
- Às vezes você é tão insuportável, Suigetsu. – Karin falou irritada.
continuou a fingir que dormia e sentiu o rapaz parar, abaixando-se em seguida. Com calma, depositou o corpo da perto do tronco de uma árvore e a ajeitou, para que permanecesse sentada.
- Vou procurar água. – Suigetsu disse – Toma conta dela.
- Vê se não se perde. – Karin soltou.
- Claro... – o outro soltou um suspiro, mas riu em seguida.
Karin viu Suigetsu afastar-se e quando o perdeu de vista, voltou seus olhos vermelhos para a garota às suas costas. Ela dormia por conta do veneno sedativo e não acordaria tão cedo. Resolveu aproveitar o momento para descansar. Já que haviam parado, não haveria nada de mais nisso.    
 
~o~

As horas se passavam rapidamente e aquilo fazia com que se sentisse cada vez mais apavorada. Pela primeira vez sairia do território de sua família e para realizar sua primeira missão.
Todos os Hyuuga quando atingiam a maioridade eram encarregados de alguma missão em benefício da família. Todos os membros poderiam cooperar para que eles continuassem a viver em segurança.
Era isso que a perolada buscava afixar em sua mente. Era apenas o seu dever, estaria cumprindo seu destino, assim como todos os outros. Precisava mostrar que era digna de ser a nova líder. Ao menos era isso que sempre ouvira desde bem pequena. Além do mais, teria seu primo para auxiliá-la durante todo o percurso. Não havia por que se preocupar.
A garota estava sentada em sua cama, guardando os últimos pertences que levaria consigo numa mochila escura, quando ouviu uma batida discreta na porta do seu quarto. Levantou-se sem pressa e foi até lá, atendê-la. Ao abri-la, viu quem já esperava.
- Neji. – sorriu.
- Já está pronta? – ele perguntou após retribuir o gesto. – Precisamos ir.
- Sim. – ela deu espaço para que ele entrasse. – Vou apenas calçar meus sapatos.
Neji adentrou o recinto, retirando a mochila preta das costas e esperou a prima terminar de se arrumar. Enquanto a via calçar as botas de cano baixo, aproximou-se, sentando ao seu lado.
- Tem certeza que está pronta? – ele perguntou de repente.
- Como assim? – a mais nova parou de amarrar o cadarço e o fitou.
- Você sabe, . – ele esclareceu a questão – Essa missão é diferente das outras que qualquer um de nós já fizemos. Estamos falando de um Uchiha, um Excelsis. Eles podem ser tão ou mais poderosos que nós.
- Eu sei disso. – a garota voltou ao cadarço. – Mas não precisamos nos preocupar, afinal nós somos dois e ele é um.
- Mesmo assim. – Neji insistiu. – Quero que tome cuidado e não faça nada sem mim. Entendido?
- Tudo bem. – soltou um suspiro imperceptível.
Após mais alguns instantes, a Hyuuga finalmente terminou, levantando-se em seguida. Seu primo a imitou e, após ela pegar sua mochila, eles saíram do quarto. Caminharam lado a lado em direção à saída do território.
Assim que viu os grandes portões, a Hyuuga prendeu a respiração. Parou alguns instantes assim que ele foi aberto para que passassem, mas quando Neji avançou, ela não fez o mesmo. Isso chamou a atenção do rapaz, que olhou para trás confuso.
- ?! – Neji franziu o cenho. – Você está bem?
A moça pensou em dizer que não, que gostaria de voltar para dentro e ficar com sua irmã mais nova, porém, ao fitar os dois homens que seguravam os portões para que passassem, notou que eles a analisavam. Todos sabiam que ela seria a nova líder e queriam poder confiar que ela os manteria seguros. Por conta disso, ergueu o rosto e respirou fundo, buscando toda a coragem necessária para seguir em frente.
- Está tudo bem. – ela disse da forma mais firme possível.
Com passos firmes a garota finalmente passou pelos portões, saindo do território de sua família. No segundo que cruzou o limite e se juntou ao primo, uma brisa acoitou sua face, fazendo com que seus cabelos se esvoaçassem e então ela fechou os olhos. Os abriu rapidamente, no entanto e encarou o outro à sua frente. Sorriu.
- Vamos. – disse. – Precisamos voltar o mais rápido possível.
Sem esperar que Neji lhe respondesse, ela iniciou sua caminhada pela floresta que os levaria a Konoha. O Hyuuga mais velho apenas a acompanhou com o olhar, pois estava atônito. O que havia acontecido com ? Onde aquela garotinha medrosa de sempre havia encontrado tanta coragem?
Balançou a cabeça negativamente e riu abafado. Pelo menos agora ela estava determinada. Correu até a prima e quando estava ao seu lado, esta lançou um sorriso terno. O rapaz sorriu de canto.
Juntos, começaram a trilhar o caminho que os levaria até cidade de Konoha. Lá encontrariam o Uchiha e o trariam de volta. Não haviam complicações, tudo daria certo se eles seguissem tudo ao pé da letra.
 
~o~

- Você pode ficar aqui por enquanto. – disse assim que adentrou o quarto.
Shikamaru examinou cada canto do lugar distraidamente e só depois de alguns instantes é que percebeu que a loira havia falado com ele. Olhou para ela, que o encarava com o cenho franzido.
- Tá legal. – o moreno disse apenas.
- O que houve? – a Sabaku apoiou uma mão na cintura.
- Por quê? – ele quis saber.
- Por que você parece mais lesado que o normal. – ela soltou.
O Nara pensou em respondê-la, mas no último segundo recordou-se que estava na casa daquela problemática, então ela poderia muito bem expulsá-lo a hora que quisesse. Não por conta dele, é claro, mais ainda queria que recebesse mais cuidados antes de partirem.
- Vou buscar uma toalha pra você. – disse e fez menção de sair, porém, voltou no meio do caminho – Vai querer alguma roupa ou coisa assim?
- Não quero incomodar. – Shikamaru respondeu.
- Por incrível que pareça, vocês não estão incomodando. – a loira riu levemente. – Acredite.
- Não sabe como é bom ouvir isso. – o outro ironizou.
- É claro. – ela não pareceu se irritar. – E então, vai querer as roupas ou não?
- Já que não sou um incômodo tão grande, vou aceitar essa gentileza de sua parte. – Shikamaru sorriu de canto ao usar aquelas palavras provocadoras.
- Eu já volto. – disse apenas, mas sua vontade de rir não passou despercebida pelo rapaz.
Ao ver a loira sair pela porta, o Nara pôde observar melhor o lugar. Era um quarto grande, assim como o quarto onde se encontrava. Ao lembrar-se da amiga, a preocupação retornou. Será que já havia conversado com aquele esquisito, aquele tal de Gaara?
Resolveu concluir que ela estava bem, afinal ele estava ali para protegê-la, como tinha prometido aos seus pais que faria. Caminhou até estar em frente ao espelho de corpo inteiro e retirou a camisa que já usava há alguns dias. Realmente, precisava de roupas novas. Olhou para seu tronco e detectou algumas marcas por ali. Passou a mão no peitoral definido e gemeu involuntariamente ao passar os dedos sobre um corte mais profundo. Distraiu-se, porém, ao ver pelo reflexo de ao adentrar o quarto.   
- Eu trouxe essas aqui, será que... – a garota parou de falar assim que notou a situação do outro. – Você está sem... está machucado.
- Encontrei um caçador no caminho entre Konoha e Suna. – ele aproximou-se.
baixou o rosto e colocou a camisa e calça que trouxera sobre a cama. Virou-se novamente para ele, mas tentou não olhá-lo nos olhos. Mesmo machucado, ela podia ver muito bem como o corpo de Shikamaru era bem desenhado. E aqueles pensamentos eram constrangedores.
- Bem, espero que sirvam. – ela disse ainda sem fitá-lo. – Vou deixá-lo sozinho.
apressou-se em retirar-se, porém, ao fazê-lo, tropeçou no tapete que ficava à beirada da cama. A garota pensou que cairia, porém, sentiu braços fortes a segurarem firmemente. Olhou para cima, assustada, e encontrou Shikamaru a encarando.
- Achei que eu fosse o lesado. – ele murmurou.
Nenhum dos dois sabia como agir. Os corpos não seguiam os comandos para se afastarem e os olhares continuavam fixados um ao outro. Continuaram assim, até que passos puderam ser ouvidos e estes se aproximavam. Por um impulso, empurrou Shikamaru com força e se distanciou. Foi o tempo exato para Gaara aparecer na porta.
- Gaara?! – espantou-se. – O que faz aqui?
- Preciso falar com você. – o Sabaku respondeu e depois olhou para Shikamaru que havia cruzado os braços, mas logo voltou a encarar a irmã. – Agora.



Capítulo 8: Liberdade

O Uchiha continuava a fitar os dois a uma pequena distância. Como uma Humili conseguia curar? Era algo poderoso demais. Sem perceber, movido por sua curiosidade, ele aproximou-se deles.
terminava de curar o corte no peito de Naruto e estava tão atenta a isso que ao menos percebeu Sasuke chegar a eles devagar. Ao subir os olhos esmeraldinos, o encontrou com os orbes negros cravados nos movimentos que fazia com as mãos. Logo, porém, ele também a fitou e a garota sentiu suas bochechas esquentarem, pois pela primeira vez desde que se conheceram, encontrou tudo menos arrogância na expressão do Uchiha.
Encabulada, voltou a mirar o amigo e viu que ele estava bem melhor. O machucado estava fechado, apenas a cicatriz ficaria, pois ela ainda não tinha a habilidade de removê-las.
- Terminei. – a rosada disse – Foi tudo que consegui fazer, mas espero que fique bem.
- , ficou ótimo! – Naruto sorriu – Agora posso ter certeza de que não vou morrer.
- Naruto! – a garota o olhou com a expressão distorcida – Isso lá é coisa que se diga?
- Foi mal. – o loiro coçou a nuca, mas logo sua atenção foi chamada pelo garoto de pé
Após perceber a cumplicidade daqueles dois amigos, Sasuke teve certeza que não havia mais o que fazer ali. Nunca poderia entender como as pessoas podiam confiar nas outras. A qualquer momento poderiam decepcionar-se. Aquele fato o incomodava tão profundamente que ao menos importou-se com o caçador ainda desmaiado e resolveu partir.
Aos primeiros passos, no entanto, ouviu alguém o chamar e parou. Continuou de costas até que a pessoa falasse.
- Você está ferido, não é mesmo?! – a voz do Uzumaki soou amigável.
- Como? – ele franziu o cenho.
- Você é bem forte, mas também te dei umas bolachas e elas ficaram bem feias, se quer saber. – o loiro riu de sua própria piada. – Mas pode curá-lo.
- E por que acha que preciso de algo que venha de vocês? – ele olhou o outro por cima do ombro.
A , que ouvia tudo mais ao longe, cerrou os punhos às palavras do Uchiha. Quem ele achava que era? Só por que ele era um Excelsis não a trataria como inferior. Não mesmo.
- E quem disse que eu curaria esse imbecil? – a garota soltou.
- ... – Naruto tentou falar, mas foi interrompido.
- Ele que se vire. – ela continuou. – Afinal, é um Uchiha. Faz parte da lendária família de regenerados e aposto que pode conseguir tudo o que bem entender. Ou estou enganada?
Sem esperar resposta, virou o rosto e começou a caminhar na direção do caçador para saber se ele tinha algum tipo de ferimento fatal. Sasuke cerrou o maxilar, mas não respondeu nada. Apenas retornou a seu caminho. Aquela garota era extremamente irritante e esperava não encontrá-la nunca mais.
Naruto apenas observou os dois se afastarem com o semblante confuso. Após alguns instantes, porém, sorriu e balançou a cabeça negativamente. Ele poderia ser um pouco lento para raciocinar, como suas duas amigas diziam, mas percebeu tudo o que aconteceu ali entre aqueles dois. Somente não disse nada, pois tinha a certeza de que o acertaria com um de seus socos destruidores caso soubesse o que se passava em sua mente.

~o~

seguiu o irmão para fora do quarto até estarem no fim do corredor onde os quartos ficavam. Cruzou os braços assim que pararam e esperou que o mais novo dissesse algo.
Gaara virou-se para a irmã e a encarou de baixo à cima. Era visível que a Sabaku estava irritada, então presumiu que interrompera algo entre ela e aquele tal de Shikamaru. No momento em que o viu, não gostou do Nara. Este parecia ser esperto. Esperto demais.
- Vai falar o que quer ou não? – a loira perdeu a paciência.
- Qual o motivo para tanta irritação? – ele devolveu outra pergunta.
- Você sabe como ser insuportável. – ela revirou os olhos.
- Acho melhor medir suas palavras. – ele cruzou os braços abaixo do peito.
observou o olhar intimidador do ruivo e engoliu seco. Gaara não estava brincando. Ele nunca dava avisos em vão, por isso decidiu que deveria parar de provocá-lo. Caso contrário, não teria motivos para se queixar se ele a machucasse.
- Você me chamou aqui para me dizer algo, então diga. – ela falou mais suavemente e o outro percebeu isso.
- Quero que faça uma coisa. – ele respondeu.
- O quê? – questionou.
- Vá até a e cuide dela. – Gaara disse apenas.
Sem mais uma palavra, o Sabaku deu as costas para a irmã mais velha e começou a caminhar na direção das escadas que o levariam ao andar inferior. Não precisaria nem gostaria de prolongar aquela conversa.
abriu a boca, pasmada. Como assim, Gaara lhe dava uma ordem como aquela? Por acaso ele achava que ela era algum tipo de babá? Pensou em ir até ele para questioná-lo sobre tal imbecilidade, mas parou no momento em que se lembrou do olhar mortal que recebera dele instantes atrás.
Cerrou os punhos e seguiu pisando duro até o quarto onde estava. Assim que adentrou o lugar, arregalou os olhos pela surpresa. A controladora de mentes estava caída no chão com as mãos na cabeça, gemendo de dor.
~o~

O céu começava a ganhar tons alaranjados. A brisa agora mais forte balançava as folhas das árvores intensamente e fazia com que os corpos expostos a ela tremessem de frio.
Os dois Hyuugas, porém, estavam devidamente agasalhados e continuavam sua jornada sem preocupar-se com os fios de seus cabelos que se esvoaçavam para todos os lados. Esse movimento, no entanto, era gracioso. Os dois, possuidores de uma grande beleza, se destacariam mesmo em meio a uma grande multidão.    
olhava para todos os cantos, fascinada com a perfeição daquele ambiente cercado de belas e grandiosas árvores. Teve vontade de subir em uma delas, mas aquilo não estava dentro dos planos da missão. Continuou ao lado de Neji até que ele parou.
- O que houve? – ela quis saber.
- Nada. – ele sorriu. – Só percebi que você achou isso tudo aqui incrível.
- Está tão evidente? – suas bochechas coraram.
- Se quer saber, da primeira vez que saí do território Hyuuga, fiquei bem mais empolgado. – ele aproximou-se dela. – A primeira coisa que fiz foi entrar numa aldeia para ver como eram as coisas por lá.
- Sério? – arregalou os olhos, surpresa. – Mas achei que isso fosse proibido. Você sabe, se desviar da rota de caça.
- E é. – Neji riu levemente. – Mas ninguém sabe que faço isso. Bem, agora só você.
- Prometo que não vou contar nada a meu pai. – ela disse.
- Sei que não. – ele tocou o queixo dela delicadamente com os dedos.
, baixou o rosto envergonhada, mas deixou que um riso leve escapasse de seus lábios. Durante todo o tempo que viveu entre os membros de sua família, nunca fora tratada como gostaria. Todos a viam apenas como a herdeira. Achava que fosse inatingível e ao menos tentavam qualquer tipo de contato. As únicas pessoas que a encaravam de maneira diferente eram sua irmã mais nova e seu primo. Hanabi e Neji a tratavam exatamente como ela era: uma garota comum.
- Sei que não estou sendo um bom exemplo ao sugerir isso, mas se quiser, pode escolher algo pra fazer antes de continuarmos. – Neji disse
- Acho melhor não. – balançou a cabeça negativamente.
- É sério. – o outro insistiu. – Não teremos tempo depois.
- É que... – a morena apertou as alças da mochila. – Eu gostaria de...
- De? – ele a incentivou a continuar.
- Gostaria de subir numa árvore. – ela respondeu baixinho.
- Não brinca? – Neji ergueu as sobrancelhas.
- É que assim eu poderia ver tudo lá de cima. – a Hyuuga baixou o olhar. – É meio sem graça, não é?!
- Na verdade, não. – o mais velho falou pensativo. – Nunca tinha pensado nisso antes.
Sem dizer mais nada, Neji segurou uma das mãos da prima e começou a conduzi-la até uma das árvores mais altas. Ao perceber isso, se deixou levar e riu livremente. Encontraram uma árvore realmente grandiosa e começaram a escalá-la com facilidade. Ao chegarem ao topo a garota soltou o ar pela boca de uma só vez. O sol começava a se pôr, dando-lhes uma visão privilegiada. Era tudo tão perfeito.
Esqueceram-se por um momento de tudo lá embaixo. Do mundo que os separava por serem diferentes, de seu governo que os poupava apenas se caçassem seus semelhantes. Neji olhou para a prima, apoiada num galho ao seu lado e sorriu. Durante todo o tempo em que saiu em missões, nunca havia encontrado uma mulher mais bela que ela. era tão sublime quanto um anjo.
Ao perceber o olhar observador do primo, também o fitou. Pela primeira vez, o sentiu tão próximo. Não que ele nunca tivesse a abraçado ou estado perto, mas agora era diferente e ela sabia disso. Para a jovem, Neji sempre fora um modelo de liberdade. Mesmo seguindo todas as regras da família, ele achava uma forma de ser independente. E ao lado dele, ela também se sentia livre.
Ao notar como a moça se sentia, o Hyuuga foi encorajado a aproximar-se. Parou com o rosto a centímetros do dela e esperou. prendeu a respiração por um segundo, mas logo decidiu que não havia motivos para hesitar. Fechou os olhos e o deixou continuar. Assim que seus lábios se tocaram gentilmente, seu coração pulsou mais velozmente.
Enquanto a brisa balançava os longos cabelos com suavidade, trazendo ainda mais encanto àquele momento, a pequena Hyuuga apenas desejou que aquele instante nunca mais se acabasse.
~o~

O sol havia começado a se pôr, mas Suigetsu ainda não havia retornado, o que havia deixado Karin verdadeiramente irritada. Eles já deveria estar de volta a sua caminhada. A ruiva levantou-se e caminhou um pouco para longe do tronco onde havia se recostado. Começou a caminhar de um lado para o outro impaciente.
- Quando esse idiota chegar aqui, vou acabar com ele. – a garota rosnou sem parar de andar.
Enquanto Karin amaldiçoava o companheiro, um pouco mais afastada a recobrava seus sentidos. Ao longo das horas o efeito do veneno começou a diminuir e ela agora conseguia mover-se. Abriu os olhos lentamente e avistou a mesma mulher de antes pisando duro na grama.
tentou ser discreta e observou onde estava. Era um tipo de floresta aberta. Notou também que logo seria noite e que assim seria bem mais difícil para que pudesse escapar. Mexeu um pouco as pernas e, assim como seus braços elas estavam amarrados. Sem deixar de contar a mordaça em sua boca.
Olhou mais uma vez para a ruiva, mas esta estava tão distraída que ao menos notou quando ela endireitou-se e gemeu. Ainda era difícil mexer seus membros por conta da dor. Ao fazê-lo, porém, ouviu um tilintar discreto e olhou para os tornozelos, encontrando correntes amarradas a eles. Aquilo fez com que um pequeno sorriso brotasse em seus lábios.    
A corrente era de metal e talvez isso a ajudasse a fugir. Quando um caçador usava suas correntes, enquanto elas estivessem conectadas ao seu corpo, causariam danos aos regenerados. No momento em que as corretes eram desconectadas, porém, o metal não poderia mais causar lesões no indivíduo. Era como se perdesse sua fonte de energia.
Para havia um motivo a mais. A garota era uma manipuladora de metais e foi assim que conseguiu se safar diversas vezes. Ainda que suas habilidades não estivessem plenamente desenvolvidas, ela sabia se virar.     
Esperou até que o incomodo de Karin a fez ir em busca de Suigetsu e concentrou-se no aço que envolvia seus pulsos e notou que ele era de ótima qualidade. Com toda certeza aqueles caçadores eram especiais. Respirou fundo e aos poucos moldou a corrente. Fez com que se transformasse numa faca de dois gumes. Começou a moldar o metal que seguravam seus pés, mas ouviu passos. Olhou para frente e suspirou aliviada, era apenas o outro caçador chegando.
Com isso, apressou-se, aproveitando do momento em que a garota enchia o amigo com os mais baixos desaforos. Ao conseguir, transformou a corrente em outra faca. Pegou as duas e tentou levantar-se. O fez tão avidamente que se esqueceu de suas limitações por conta do veneno. Uma tontura repentina a envolveu e a foi ao chão, de joelhos. Caiu com as mãos apoiadas no solo e a lâmina de uma das facas cortou a palma da mão direita, fazendo-a urrar de dor. No mesmo segundo as vozes cessaram.
- Droga... – ela murmurou com raiva de si mesma.
Ignorou o corte que sangrava muito e ergueu-se com mais calma. Foi quando viu os dois aparecerem em seu campo de visão. Aquilo a deixou desesperada e sem pensar mais em nada, começou a correr.
- ELA ESTÁ FUGINDO! – Krin gritou.
- Mas como? – Suigetsu estava totalmente confuso.
- NÃO SEI. – ela o puxou pela camisa. – A ÚNICA COISA DE QUE TENHO CERTEZA É QUE A CULPA É SUA.
- Por que ao invés de ficar me acusando, não vamos atrás dela? – o rapaz sugeriu.
A garota o soltou com raiva e eles passaram a correr atrás da . Não poderiam perder aquela regenerada, o mestre Orochimaru precisava de alguém para continuar suas pesquisas e aquela foi a primeira que encontraram.
ouviu os gritos logo atrás de si e teve a certeza de que eles a alcançariam sem dificuldades. Ela estava debilitada e não conseguia ir mais rápido. Sua respiração já era pesada e todos os seus músculos doíam. Sua cabeça latejava a ponto de parecer que iria explodir. Mesmo assim, insistiu.
- VOLTA AQUI, SUA ESTÚPIDA! – ouviu Karin berrar.
- NÓS VAMOS PEGAR VOCÊ! – dessa vez Suigetsu falou.
Aquelas palavras a deixaram em estado de pânico e, ignorando todas as dores que sentia, além do sangue que escorria por sua mão ferida, correu mais rápido. Virou na primeira curva que viu e sentiu seu corpo impactar-se com algo grande. Caiu sentada e gemeu mais uma vez.
No entanto, ao subir seu rosto esqueceu de todas as coisas que a agoniavam. Encontrou um par de orbes negros fitando-a intensamente. 



Capítulo 9: Sacrifícios

Ao adentrar o quarto onde a estava, a encontrou no chão, em prantos. As mãos da moça seguravam sua cabeça com força e ela gemia por sentir algum tipo de dor.
A loira de Suna não soube como agir no primeiro segundo, mas assim que soltou um grito agudo, ela correu até a garota e se abaixou ao seu lado. Receosa, tocou seu ombro, mas não recebeu nenhuma atenção. Resolveu insistir.
- ... – chamou-a – O que você tem?
- Não... – ela gemeu assim que a voz da outra chegou aos seus ouvidos.
- Vamos, me diga o que tem? – a Sabaku insistiu.
- Essas... essas vozes... – murmurou enquanto cerrava os dentes e gemia – Eu não aguento... eu...
E mais um grito. Dessa vez mais alto. não entendeu o que havia lhe dito, então não havia como ajudá-la. Mesmo assim, não podia deixá-la ali, contorcendo-se no chão. Com isso, fez a única coisa que estava ao seu alcance.
- SHIKAMARU! – a garota berrou o nome do Nara.
- Shika... Shikamar... – tentou dizer, mas mordeu os lábios com força.
- Espere aqui, vou chamá-lo. – falou.    
A Sabaku levantou-se e saiu correndo pela porta escancarada, indo na direção que sabia ser a do quarto onde Shikamaru estava. Parou em frente à porta, ofegante por conta da pequena corrida e bateu duas vezes com força. Enquanto esperava, trocava o peso do corpo entre uma perna e outra freneticamente.
Quando a porta finalmente se abriu, um Shikamaru confuso surgiu, mas ao menos deixou que ele perguntasse algo. O puxou pelo pulso, conduzindo-o até a .
- ... – o Nara tentou falar. – Por que está me puxando?
- Eu não posso explicar agora. – ela estalou a língua – Apenas me siga.
- Não tem como me explicar por que estamos correndo sei lá pra onde? – ele franziu o cenho, mas continuou a acompanhado – Sério?
- Você é mesmo um chato. – ela revirou os olhos.
- E você uma problemática. – ele retaliou – Será que poderia pelo menos me dizer o qu...
Antes que ele a questionasse outra vez, a loira parou em frente à porta da e respirou fundo. O moreno a olhou desconfiado, já que aquele era o quarto onde sua amiga se encontrava, porém, permaneceu calado. 
- Sua amiga, a , está meio estranha. – ainda respirava com certa dificuldade.
- Estranha? – o garoto logo preocupou-se – Como assim, estranha?
- Eu sei lá. – a outra balançou os ombros – Ela diz estar ouvindo vozes ou algo do tipo.
- Vozes? – Shikamaru arregalou os olhos – Droga!
Sem esperar mais, o rapaz adentrou o quarto e assustou-se ao encontrar a amiga no mesmo lugar que a deixara. gemia agora mais intensamente e estava deitada em posição fetal.
- ! – o garoto correu até ela.
- Shikamaru... – a loira falou com muita dificuldade – Shikamaru, me ajuda!
- São as vozes outra vez? – ele a pegou no colo.
- Sim... e elas... estão mais altas. – ela agarrou a blusa preta que o outro vestia – Eu não aguento mais.
- , vai ficar tudo bem. – ele deitou a amiga na cama e se sentou ao seu lado – Lembra-se da última vez? Você conseguiu controlá-las, não é?!
- Sim. – ela respondeu baixinho.
- Vamos, respire fundo. – ele pediu.
- Eu não consigo... eu... – a dor a pegou, fazendo com que soltasse mais um grito.
- Vamos, , você consegue. – o Nara insistiu – Concentre-se apenas na sua própria voz.
- Shikamaru... – ela murmurou.
- Vamos lá. – ele ergueu seu rosto com as mãos – Respire comigo.
A garota, que tremia de agonia, olhou fixamente para o rosto do amigo. Os olhos castanhos a acalmaram pouco a pouco e aquelas vozes que perturbavam a sua mente começaram a se ordenar, dando espaço apenas para uma única. Gradualmente, a cessou seu pranto e sua respiração normalizou-se. Seu corpo, que tremia pela dor, estabilizou-se e a garota sentiu a leveza dominar-lhe. Por fim, apenas a sua voz pôde ser ouvida e ela dizia dentro de sua mente:“Somos fortes, . E vamos ficar bem.”

~o~

Assim que o ar faltou, os Hyuuga separaram-se. Aquele momento inesperado, consequentemente, tornou-se uma situação embaraçosa e os dois jovens sentiram seus rostos enrubescerem.
sentia-se estranha, pois aquilo significava menosprezar as regras de sua família. A garota deveria admitir que sempre admirou o primo mais do que a qualquer outra pessoa, no entanto, agir daquela maneira estava fora de cogitação. Eles tinham normas a seguir. Deveriam sempre ser obedientes.
- Acho que... – a perolada decidiu falar – Acho que devemos ir.
Sem esperar respostas, ela desceu rapidamente alguns galhos e quando estava a poucos metros do chão, lançou-se, alcançando o solo com graciosidade. Olhou para cima e logo viu Neji fazer o mesmo trajeto e pular de ainda mais alto. Ele chegou ao chão bem ao seu lado.
- . – o Hyuuga aproximou-se – Eu sinto muito.
- Não deveríamos ter feito isso. – ela baixou o rosto – Nós não podemos.
- Eu sei. – ele soltou um longo suspiro – Não podemos muitas coisas.
- Não devemos deixar que nada aconteça entre nós dois. – a garota falou ainda com o olhar baixo.
- Não podemos deixar que nada disso aconteça entre um de nós e qualquer outra pessoa. – Neji irritou-se – Apenas quando eles disserem que podemos.
ergueu os orbes esbranquiçados e encarou o rapaz à sua frente surpresa. Nunca havia presenciado Neji tão descontente com as regras impostas pela família. Sempre o ouvira falar de como algumas coisas eram injustas ou rigorosas, porém, ele jamais demonstrara tal raiva. Ela podia ver em seu olhar como aquela regra o deixava inconformado.
- Não sei se isso é algo tão ruim. – tentou acalmá-lo - Talvez seja uma forma de nos protegermos.
- É claro. – Neji riu sem humor – Nos obrigar a casar com membros de nossa própria família é uma ótima forma de isolar nossos genes extraordinários.
- Neji... – a morena o chamou gentilmente, mas não teve tempo para falar.
- É melhor voltarmos ao nosso caminho, . – ele ajeitou a mochila nos ombros – Não podemos perder tempo, precisamos encontrar logo esse Uchiha.
- Tudo bem. – ela não insistiu.
Voltaram a caminhar lado a lado, dessa vez sem proferir uma única palavra. Porém, o beijo que ocorrera mais cedo conseguiu mexer com os dois jovens. O mais velho sabia que sua prima era especial, mas com toda certeza ela não se oporia à família por burlar uma de suas regras. A garota, por sua vez, pensava apenas na alegria que a envolveu quando seus lábios se uniram. Entretanto, para ela, era como se faltasse algo. A jovem apenas não sabia dizer o quê.
 
~o~  

continuava paralisada, apenas encarando o homem à sua frente. Os orbes negros eram ameaçadores, diferente de sua expressão facial indiferente e os cabelos escuros balançavam de acordo ao ritmo do vento. Ainda assim, ela notou alguns machucados no rosto alvo.
- Quem é você? – foi tudo que a conseguiu perguntar
- E por que isso interessaria? – o outro foi rude. 
- Escuta aqui... – a garota franziu o cenho.
Antes que pudesse dizer algo, ouviu mais uma vez as vozes dos seus captores e arregalou os olhos, temerosa. Olhou para trás por cima do ombro e ouviu os passos deles se aproximando. Olhou mais uma vez para o rapaz ali e este olhava na mesma direção de ondem vinham os gritos.
- Estão atrás de você? – ele perguntou sem encará-la.
- Na verdade, eles me pegaram, mas consegui escapar. – explicou.
- Quem são? – o moreno quis saber.
- Um garoto esquisito e uma garota ruiva. Ela é esquisita também. – a começou a falar, mas logo fez uma careta – Por que quer saber isso, afinal?
- Por que acho que sei quem eles são. – o garoto disse.
- E você, quem é? – ela questionou outra vez
O jovem a encarou com mais atenção dessa vez, encontrando os olhos castanhos da garota. Reconheceu que ela era uma Humili, pois eles tinham o costume de fugir dos caçadores. Além disso, não havia tentado proteger-se dele com nenhum tipo de habilidade especial. No entanto, havia aprendido há pouco tempo que não deveria subestimar indivíduos pertencentes à classe baixa.
- Tem certeza que quer saber o meu nome agora? – ele falou – Sugiro que saia logo daqui.
- Você está certo. – a soltou um suspiro.
Com dificuldade, levantou-se e só então percebeu que seu sangue havia sujado o chão. Tentou correr, mas lembrou-se que ainda estava debilitada, além de machucada. Que porcaria de veneno era aquela?
- Eu não posso. - ela balançou a cabeça negativamente.
- Por que não? – ele quis saber.
- A garota injetou um veneno paralisante em mim e o efeito ainda não passou. – disse – Posso fugir, mas não vou muito longe.
Quando ouviram o som próximo de um galho se partindo, os dois olharam subitamente para trás. mordeu os lábios, pois sabia que eram eles.
- Eu vou... – a jovem tentou dizer, mas foi interrompida.
- Fique atrás daqueles arbustos. – o rapaz disse.
- O quê? – A franziu o cenho.
- Vou despistá-los. – ele falou simplesmente.
A garota o encarou desconfiada por alguns instantes, mas não havia escolha. Ou confiava naquele estranho ou era capturada mais uma vez. Acenou positivamente com a cabeça e adentrou as árvores, abaixando atrás de alguns arbustos densos. Olhou por uma fresta que havia entre as folhas no exato momento que a dupla alcançou o homem.

~o~

Depois de certo tempo, Ino adormeceu, o que deixou Shikamaru mais aliviado. Ele sabia que os poderes de sua amiga eram grandes demais e em algumas situações ela não conseguia controlar-se. Era comum vê-la entregar-se à confusão mental, quando aquelas tais vozes se desordenavam.
, que apenas observava tudo, aproximou-se ao ter certeza de que a garota estava dormindo. Analisou-a por alguns instantes, notando que sua expressão facial era de calma e leveza. A não parecia nem um pouco perturbada. Era como se nada tivesse acontecido.
A loira subiu o olhar e fitou o rapaz sentado ao lado da moça, percebendo aflição em seu olhar. Era notável que ele se preocupava verdadeiramente com . A Sabaku nunca soube o que era isso, pois perdeu a mãe bem cedo e seu pai, que também havia morrido algum tempo depois, nunca fora uma pessoa capaz de demonstrar qualquer tipo de carinho por nenhum deles. Às vezes, ela se perguntava se Gaara não era o reflexo daquele homem rude, mesmo que o ruivo o odiasse com todas as forças.
Sentou-se perto de Shikamaru e desviou o rosto quando ele lhe encarou. Realmente, ela não considerava aqueles dois como um incômodo, mas sentia-se cada vez mais desconfortável com a presença deles ali. Gaara nunca fora alguém bom, que dirá hospitaleiro. Ela sentia como se o irmão escondesse algo. Decidiu ignorar aquele fato, no entanto. Pelo menos naquele momento.
- Ela está melhor? – A Sabaku perguntou.
- Sim. – o moreno respondeu – Ela perde o controle as vezes, mas sempre consegue voltar ao normal.
- E o que são essas vozes de que ela fala tanto? – ela quis saber.
- É meio difícil de explicar. – Shikamaru soltou um suspiro.
- Preguiçoso... – balançou a cabeça negativamente – Vamos lá, não preciso saber detalhes. Apenas me diga o que preciso saber pra ajudá-la da próxima vez, caso ainda estejam aqui.
- Que saco... – o Nara resmungou, mas após um suspiro começou a falar – A faz parte da família e tem a habilidade de ler e controlar mentes. É um poder extraordinário, especialmente pelo fato de eles fazerem parte da classe média de regenerados. Acho que é por esse motivo que ela tem tantas dificuldades para se controlar.
- Os outros membros da família dela também tem esse problema? – a moça fitou a outra por alguns segundos – Com essas vozes?
- Alguns deles tinham. – Shikamaru disse – Quando entravam em contato com a mente de outra pessoa por muito tempo ou só pelo fato fazerem isso com muita frequência, as vozes daquelas pessoas de certa forma tentava dominar a mente deles.
- Tinham? – a Sabaku franziu o cenho – Por que está falando dos Yamanakas no passado?
- A maioria dos regenerados de Konoha foram capturados, ficar lá não é seguro, pois os caçadores daquela redondeza são implacáveis. Todos os Yamanakas que eu conhecia não tiveram um bom destino. – ele explicou – Sem contar os Hyuugas, é claro.
- A família do Byakugan? – ela questionou, mas não esperou uma resposta – Já ouvir falar sobre eles. Dizem que caçam outros regenerados em troca de liberdade.
- Sim. – o rapaz confirmou – Eles são bem idiotas.
- Mas e vocês, por que estão fugindo? – o fitou nos olhos.
- Como eu já disse, Konoha é perigosa. – ele respondeu – Não só a família de , mas todas as pessoas que conhecemos foram capturadas ou mortas, então não teríamos chances.
Ao ouvir aquelas palavras, arregalou os olhos. Então era assim que outros regenerados viviam? Eles faziam parte da mesma classe que ela e Gaara, a classe Mediocris*, mas não tinham paz. Sempre ouvira falar que a classe média não era tão procurada, mas as coisas pareciam ter mudado.
- Por que será que estão buscando regenerados com tanta urgência? – ela voltou a fitar o rapaz que fez o mesmo.
- Eu não sei. – ele disse – Só sei que se as coisas continuarem assim, não teremos mais como nos defender.
A garota concordou com um aceno de cabeça, mas logo olhou para . Ela ainda dormia, então resolveu fazer um curativo no tornozelo dela, que ainda estava machucado. Enquanto buscava os objetos necessários, ouviu um ruído do lado de fora do quarto, mas quando Shikamaru a chamou desviou sua atenção até ele.
- Precisa de ajuda? – o Nara perguntou.
- Pode ser. – ela respondeu com um pequeno sorriso.
Voltaram a reunir as coisas para o curativo, porém sem fazer muito barulho para não acordarem a .
Do lado de fora do quarto, uma pessoa escutava toda a conversa. Havia chegado ali por conta dos gritos da . Eles o atraíram como um ímã, mas ao perceber que e Shikamaru já ajudavam a garota, deteve-se na entrada. Ouviu tudo o que disseram e para o ruivo era mais do que o suficiente. Refez seu caminho, pois agora sabia tudo o que precisava saber.

~o~

Depois de saber que o caçador estava fora de perigo, e Naruto voltaram para o lugar onde haviam passado a noite. Fizeram o caminho da forma mais rápida que puderam, pois tinham a plena certeza de que receberiam uma bronca de . Haviam saído sem avisá-la.
Quando estavam quase na rua da pequena pousada, pararam de correr. Seria melhor não chamarem indevida atenção para si. Caminhavam lado a lado em meio a todas aquelas pessoas que já circulavam pelas ruas da cidade.
- Maldito caçador. – Naruto murmurou.
- Maldito Uchiha. – cerrou os punhos.
- Acho que devemos chegar a um acordo de que eles dois nos atrasaram. – o Uzumaki disse – Precisamos sair daqui, os caçadores estão muito agressivos.
- Vamos pegar a e ir logo embora, não quero dar de cara com mais nenhum deles. – a rosada tirou alguns fios de cabelo do rosto – E não podemos nos esquecer dos Hyuugas.
- O que têm eles? – o garoto franziu o cenho.
- Naruto, eles são caçadores invencíveis, são treinados para nos capturar, sem contar que eles têm aquele tal Byakugan que consegue nos rastrear a uma longa distância. – a explicou - Nunca conseguiríamos vencê-los.      
- Não acho que seríamos alvos pra eles. – ele balançou os ombros.
- Muitos dariam qualquer coisa pela liberdade. – a garota fitou os próprios pés – Sacrificariam até mesmo aquilo que mais amam.
- Talvez. – o outro abraçou a amiga pelos ombros – Mas é melhor nos preocuparmos com a , ela sim é o perigo agora.
riu levemente com a observação do amigo. Caminharam assim os metros finais e dessa vez entraram pela frente para não levantar suspeitas. Apenas a senhora dona do local estava na recepção e desejou-lhes bom dia. Responderam em uníssono e foram apressados até o quarto enquanto conversavam besteiras.
- Que cabeça a sua para roubar ramem. – disse quando pararam em frente a porta – Que tipo de idiota faz isso?
- Eu não posso ficar sem ramem, você sabe. – outro também riu – É um tesouro para mim.
Ainda rindo, o Uzumaki abriu a porta. O recinto estava escuro, pois a janela jazia recostada com apenas uma pequena fresta permitindo que um filete de luz adentrasse. Ela não era suficiente, assim Naruto ligou o interruptor, iluminando o ambiente. Olhou todos os lados surpreso, pois havia algo errado. Só depois de alguns instantes é que percebeu o quê.
- Naruto, me deixa passar. – empurrou as costas do amigo.
- ... – ele lhe deu espaço e a garota entrou no quarto – Temos um problema.
- O quê? – a outra parou subitamente, mas logo olhou em volta – Onde está a ?
Naruto apenas balançou a cabeça negativamente, mostrando que não sabia. soltou um suspiro aflito, ao perceber o que se passava. Era sempre o que acontecia.
- Ela foi atrás da gente. – a rosada murmurou.
- Mas que droga! – o loiro rosnou.
Sem dizer mais uma palavra, pegaram suas mochilas e saíram pela janela outra vez. Antes, deixaram uma quantia de dinheiro que pagaria e estadia sobre uma das camas. Não podiam demorar, precisavam encontrar a . Ela poderia estar em perigo. Konoha não era tão grande, então não demorariam a achá-la. Juntos, seguiram até o centro da cidade.


*Mediocris: Denominação científica para a Classe Média de Regenerados



Capítulo 10: Ao Anoitecer

Depois de algum tempo caminhando, Sasuke deparou-se com uma situação inesperada. Justamente quando achou que teria novamente paz, encontrou aquela garota. E mais anormal ainda foi quando decidiu ajudá-la. Olhou para o céu quase escuro e se perguntou onde estava com cabeça quando disse que despistaria os caçadores?
Sem mais tempo para raciocinar e concluir que já deveria estar longe, o Uchiha manteve-se parado, apenas esperando que os outros dois se aproximassem. Revirou os olhos ao avistá-los de longe. Eram exatamente quem ele esperava.
- Sasuke?! – o garoto falou com espanto.
- Sasuke! – a garota ruiva repetiu, mas com entusiasmo.
- Suigetsu, Karin... – o moreno disse sem qualquer tipo de emoção na voz.
- O que está fazendo aqui? – o outro rapaz questionou.
- Engraçado, mas era exatamente isso que eu ia perguntar a vocês. – o Uchiha cruzou os braços.
- Estamos aqui a trabalho. – Suigetsu falou.
- Não vão me dizer que estão procurando mais regenerados para Orochimaru. – Sasuke ergueu as sobrancelhas.
- E qual o problema? – o outro rebateu.
- Nenhum. – ele balançou a cabeça. – Só achei que conseguiriam se virar sozinhos, sem precisar de uma babá para mantê-los a salvo.
- Não somos como você, Sasuke. – a garota falou dessa vez. – Não temos tantos poderes para lutar.
- Qualquer um pode lutar. – o Uchiha balançou os ombros uma vez.
- Talvez você possa. – a ruiva insistiu. – Mas somos Mediocris, não duraríamos um dia sozinhos.
- E por causa disso, vocês caçam outros regenerados para que seu mestre continue com suas experiências insanas? – ele deu dois passos para frente.
- Acho que a resposta é sim. – Suigetsu achou graça. – Mas você sabe como é. Afinal, fazia o mesmo.
Aquela acusação não pegou o Uchiha de surpresa. Ele lembrava-se muito bem de seu passado e dos dias que precisou de ajuda para sobreviver. Infelizmente, encontrou-a no lugar errado. Por um período, assim como os caçadores, foi atrás de seus semelhantes com o fim de sobreviver. Foi o mestre Orochimaru que o resgatou, mas diferente do que esperava, ele não sentia-se salvo. O sentimento que tinha dentro do peito era de vazio, faltava-lhe algo. Como agora.
Esse era um dos motivos pelo qual tinha ainda mais raiva daqueles que caçavam regenerados, por saber como agiam. Sem dó ou qualquer tipo de remorso. Todos que eram caçadores preocupavam-se apenas com a recompensa que receberiam do governo por seu bom trabalho. Para os regenerados que decidiam sacrificar seus próprios semelhantes, seus irmãos, a única coisa esperada era a liberdade.
- Não posso discordar disso, mas você ressaltou algo interessante. – o Uchiha sorriu de canto. – Eu fazia, não faço mais. Caçar regenerados não é algo que valha tempo.
- E caçar seu irmão é? – Suigetsu provocou.
- Não estou caçando Itachi, aquele desgraçado vai apenas ter o que merece. – Sasuke tentou não se alterar.
- Uma vingança. – Karin apoiou uma mão na cintura. – Não vejo a diferença entre isso e o que fazemos.
- É claro que não veem. – o moreno debochou.
- Bem, deixando isso para lá. – Suigetsu balançou a cabeça negativamente. – Você por acaso viu uma garota passar por aqui? Ela é meio esquisita, usa uns coques no cabelo e tal.
- Acha que se eu a tivesse visto, diria para onde ela foi? – ele ergueu as sobrancelhas.
- Uchiha Sasuke ajudando pessoas? – Karin riu surpresa. – Achei que nunca presenciaria tal coisa.
- E como pode ter tanta certeza disso? – ele virou-se para ela.
- Por que, meu caro Sasuke, eu posso sentir DNAs regenerados, especialmente se estão ativos. – a ruiva sorriu provocadora. – E pelas minhas contas somos três, mas minha percepção sensorial está detectando mais uma pessoa... bem ali.
Karin apontou para os grandes arbustos às costas do Uchiha. Sasuke ao menos olhou para onde está mostrava e apenas sorriu de canto. Não se surpreendeu com a observação da moça, pois conhecia muito bem suas habilidades. Ela era capaz de sentir os DNAs regenerados e encontrá-los aonde quer que estivessem. Quase nada era capaz de enganá-la.
- Sim, a garota está lá. – ele disse simplesmente. – E vai continuar até vocês irem embora.
- O quê? – os dois disseram em uníssono.
- Você só pode estar de brincadeira. – Suigetsu riu sem humor. – Temos que levar essa garota pro mestre Orochimaru.
- Procurem outra pessoa. – o Uchiha sugeriu.
- Sasuke, estamos atrasados. – Karin bateu o pé no chão. – Não temos mais tempo para procurar outra pessoa.
- Isso não me interessa. – o moreno disse.
- Que ridículo. – a ruiva sobressaltou-se. – Afinal, o que quer tanto com essa garota? Ela é sua namorada ou o quê?
- Isso não importa. – ele não respondeu as questões. – Apenas vão.
- E o que te faz pensar que manda em nós? – Suigetsu semicerrou os olhos.
- Acho que eu poderia lembrá-los. – Sasuke sorriu de canto.
O Uchiha ergueu o braço direito, segurando o pulso com a outra mão. Os outros dois conheciam aquele movimento, sabiam que Sasuke o utilizava para ativar os mil pássaros. O raio de energia que aniquilava quem quer que estivesse em seu caminho.
- Suigetsu, é melhor nós irmos. – a garota engoliu seco. – O Sasuke não está para brincadeira.
- Eu nunca gostei de brincadeiras, Karin. – o Uchiha ressaltou.
- Vamos. – Suigetsu murmurou, mas riu em seguida. – Cara, você curte ferrar com nossa vida, não é mesmo?
Sasuke apenas soltou um riso anasalado enquanto os via afastar-se. Observou-os enquanto Karin resmungou algo contra Suigetsu. Sempre fora assim. Ao perdê-los de vista, finalmente virou-se na direção dos arbustos e esperou a garota dar sinais de vida. O que não demorou muito. Logo avistou os coques e em seguida os olhos castanhos. Ela ainda estava receosa para aproximar-se. Ele soltou um suspiro.
- Eu não vou machucá-la. – Sasuke disse.
- Como vou ter certeza? – a garota gritou de lá. – Você conhece aqueles esquisitos.
- Se eu quisesse, já teria feito. – ele falou sem paciência. – Ou ainda não percebeu isso?
Ela ponderou por alguns instantes, até que finalmente decidiu aproximar-se. Aquele homem tinha salvado sua pele. Com toda certeza Naruto e ficariam muito agradecidos. Lentamente, saiu de entre as folhas e caminhou, parando a alguns metros dele.
- Acho que... Obrigada. – ela disse sem jeito.
- Hm. – ele disse apenas.
- Será que agora poderia me dizer qual o seu nome? – mais uma vez ela insistiu.
- Sasuke... – ele disse sem muita vontade.
- Prazer, Sasuke. – ela respondeu com um pequeno sorriso. – Meu nome é .
Sasuke, entretanto, franziu o cenho, pois algo lhe dizia que conhecia aquele nome de algum lugar. Vasculhou sua mente por alguns segundos até que, por fim, lembrou-se de onde o tinha escutado. . Esse era o nome da amiga de e Naruto.

~o~

parou assim que viu Neji voltar alguns passos. Foi até o primo com o cenho franzido, parando ao seu lado e estranhou mais ainda quando ele tirou a mochila das costas.
- Neji, por que estamos parando? – ela questionou. – Ainda não chegamos em Konoha.
- Já é noite, . – ele disse. – Precisamos parar um pouco.
- Tem certeza? – ela inclinou um pouco a cabeça para o lado. – A cidade não está muito longe daqui.
- Tenho. – ele disse. – Além do mais, quero examinar os arredores da cidade antes de entramos nela.
- Isso seria bom. – a moça concordou.
- Vamos procurar um lugar para ficar e depois fazemos isso. – ele sugeriu.
- Claro. – ela sorriu.
Os dois passaram alguns minutos buscando um lugar não tão desconfortável para passar a noite, até que finalmente, decidiram ficar sob uma grande árvore. A Huuyga sentou-se, recostando-se ao tronco, quando notou algo incomum. Uma mancha de sangue jazia ao seu lado esquerdo. Franziu o cenho, mas passou a mão na marca vermelho escarlate. Não era tão antiga. Na verdade, a garota pôde perceber que fazia apenas algumas horas que alguém havia se machucado ali.
- Neji, olha isso. – ela chamou o mais velho.
- O quê? – ele se aproximou, abaixando ao lado dela.
- Acho que alguém se machucou. – ela apontou o lugar com sangue.
- Então a pessoa está perto. – o outro deduziu.
- Será que pode ser... – a perolada arregalou os orbes.
- O Uchiha? – ele completou. – Talvez. Vamos dar uma olhada.
Ela concordou com a cabeça e levantou-se rapidamente. Deixaram suas coisas bem escondidas e seguiram alguns metros adiante, parando onde se era possível observar a luz recém-chegada da lua.
- Pronta? – Neji perguntou.
- Sim. – respondeu com um pequeno sorriso.
Juntaram as mãos e frente ao peito, um pouco afastadas dele, e ergueram o dedo indicador.
- BYAKUGAN! – disseram em uníssono.
Logo, o campo de visão dos dois jovens foi ampliado. As veias pertos de suas têmporas dilataram-se e agora poderiam ver qualquer um que fosse regenerado a quilômetros de distância.
- Encontrou algo? – Neji perguntou.
- Ainda não. – ela respondeu.
A jovem caminhou mais alguns metros, até que avistou algo notável. Era o fluxo de poder gerado pelo DNA de duas pessoas. Um era mais fraco, chegando quase a ser lento. Já o outro era forte, fluía livremente pelo corpo do indivíduo.
- Acho que encontrei. – anunciou. – Duas pessoas.
- Duas? – Neji se aproximou.
Acompanhou a direção para onde a prima fitava e constatou o que ela disse. Eram duas pessoas. Uma Humili e uma Excelsis. No mesmo segundo o rapaz teve uma certeza.
- As coisas foram mais fáceis do que pensei. – ele sorriu de canto. – Achamos o nosso alvo.

~o~

Naruto e caminhavam apressados pelo centro de Konoha. Já era noite e isso dificultava em tudo a busca por . Os dois perguntavam-se mentalmente o que havia na cabeça da amiga para sair sem eles ou por não deixar ao menos um aviso informando que o fizera.
- Quando eu encontrá-la, juro que vou arrancar aqueles coques. – rosnou.
- E pode ter certeza que vou te ajudar. – Naruto concordou com a amiga. – Aquela maluca sabe que não podemos sair sozinhos.
- Mas você sai. – a rebateu.
- Isso não vem ao caso. – ele desconversou.
- Agora você diz isso. – a garota o cutucou.
- Eu sou homem, tá legal. – ele tentou defender-se.
- E o que isso tem a ver? – a rosada o olhou indignada. – Está querendo dizer que só por sermos garotas, somos fracas?
- Não, eu... – o Uzumaki tentou se justificar.
- Eu só não acabo com você, por que precisamos encontrar aquela idiota primeiro. – ela apressou o passo. – Mas me aguarde, Uzumaki. Me aguarde.
Naruto coçou a nuca e soltou um longo suspiro. Esperava que a se esquecesse daquela conversa, pois ela sempre cumpria com o que dizia. Não estava com muita vontade de perder algum dente ou ganhar um olho roxo.
Caminharam pela pequena cidade até estarem na entrada dela. Ainda assim, não encontraram a amiga.
- Mas que droga! – Naruto socou o ar. – Onde essa garota se meteu?
- Naruto, será que ela saiu da cidade? – a rosada alarmou-se.
- Eu não sei... Talvez. – ele pensou um pouco.
- E o que estamos esperando? – a garota agarrou a mão do amigo. – Vamos atrás dela.
e Naruto aceleraram os passos. Logo estavam do lado de fora de Konoha. Passaram pelo mesmo lugar onde haviam lutado contra o caçador e o Uchiha. Nenhum sinal deles.
- Para onde estamos indo? – Naruto perguntou enquanto encarava as crateras que a amiga havia deixado no chão horas atrás.
- Eu sei lá. – outra continuou correndo. – Temos apenas que encontrar a .
Após correrem vários metros, ouviram o ruído de lâminas chocando-se em algo sólido. Em seguida, gritos femininos vieram. Os amigos olharam-se assustados, pois sabiam de quem era aquela voz. Pelo menos de uma delas. Sem esperar um segundo mais, avançaram em direção a ele. Tinham a certeza de encontrar , apenas esperavam que ela estivesse bem.

~o~

O céu estava mais estrelado do que de costume e isso foi algo que não passou despercebido aos olhos do ruivo. Estava na sacada do andar superior havia um bom tempo e olhava para as alturas fixamente. Aquela era a única forma que encontrava para esquecer-se por alguns instantes de suas preocupações.
Soltou um longo suspiro e apoiou as mãos no parapeito alto. Precisava resolver tudo o mais rápido possível. Precisava mostrar à irmã que era diferente do seu pai. Detestava quando o comparava a aquele homem, o causador de toda aquela situação. Foi por culpa dele que perderam o irmão, mas tentaria reverter tudo. E para isso tinha um plano.
- Gaara. – virou-se subitamente assim quem ouviu a voz da irmã.
- Você. – ele disse apenas.
- E esperava quem? – a loira apoiou uma mão na cintura. – A ?
- O quê? – ele franziu o cenho.
- Sobre ela. – a garota o ignorou. – Vim para avisar que teve um ataque ou sei lá como chamam aquilo. Ela perdeu o controle sobre os poderes por um tempo, mas Shikamaru conseguia ajudá-la a se recuperar.
- Controlar mentes é algo muito pesado para um Mediocris. – o ruivo disse apenas.
- Eu sei. – a outra olhou para o céu. – Não sei como eles conseguiram esse tipo de habilidade.
- Nem eu. – Gaara respondeu, virando-se de costas para ela.
Ao fazer isso, teve a intenção de mostrar para a irmã que a conversa havia sido encerrada. Ela, no entanto, não se importou com sua frieza e, um pouco receosa, aproximou-se, parando ao lado dele.
- Gaara. – ela começou com o tom de voz mais brando. – Sobre mais cedo... Eu não queria ter dito aquilo. Você não teve nada a ver com a morte do Kankuro.
O mais novo olhou para a irmã um pouco surpreso. Ela não costumava pedir desculpas pelo que dizia, especialmente quando se tratava daquele assunto. Permaneceu com os olhos fixados nela até que a loira finalmente o encarou.
- Eu... – ela não sabia como dizer. – D-desculpe.
Gaara não respondeu. Ao menos teve tempo para isso, pois retirou-se logo. Estava envergonhada por admitir que havia usado palavras duras, mas sentiu que deveria fazê-lo. Ver como Shikamaru travava a de certa forma fez com que pensasse em como tratava o irmão. Eles nunca tiveram o melhor dos relacionamentos, porém, ela importava-se com ele. Muito.
O Sabaku acompanhou a mais velha com os olhos até perdê-la de vista. Estava totalmente confuso com atitude dela, mas decidiu não se importar muito com aquilo. Precisava se concentrar em algo muito mais importante.
Como se um imã o atraísse, foi até o quarto de . Era estranho, mas desde que havia chegado, não precisava de motivos para ir até ela. Seu corpo agia por conta própria e quando percebia, estava quase a ponto de segui-la.
Ao terminar o percurso, ergueu o punho direito para bater na porta de madeira, no entanto, algo o fez recuar. O que estava fazendo ali, afinal? A garota já estava bem, então por que se importava?
Deu dois passos para trás, pronto para refazer seu caminho, mas foi surpreendido pela porta que foi aberta de supetão.
- Gaara? – a garota arregalou os olhos. – É você?
- Sim. – ele respondeu apenas.
- Desculpe não esperar que batesse na porta, mas é que depois de uma crise eu não consigo deixar de ouvir as mentes das pessoas que estão próximas. – ela baixou o rosto.
- me falou sobre isso. – ele continuou a encará-la. – Como se sente?
- Melhor. – ela ergueu os olhos. – Mas, me desculpe.
- Tudo bem. – ele deu de ombros.
- Você quer... Entrar? – perguntou.
- Pode ser. – ele respondeu.
A deu espaço para que o ruivo pudesse entrar e ele o fez. Depois que Gaara passou, fechou a porta e caminhou lentamente até ele. O Sabaku virou-se para a garota e a observou. Como ela conseguia ter tanto poder e ainda assim controlá-lo?
- Pode ter certeza que é difícil. – ela disse com um pequeno sorriso.
- Como? – ele franziu o cenho.
- Eu disse que leio mentes indiscriminadamente depois de uma crise. – ela soltou um risinho. – Mas não é intencional. Além do mais, eu só vejo o superficial.
- Interessante. – ele a analisou por alguns instantes.
- Interessante? – a moça arregalou os olhos azuis. – Não acha que estou invadindo sua privacidade?
- Você disse que não é intencional. – ele disse. – Então não há por que culpá-la.
- Estou tentando me controlar, mas não se preocupe, só vejo o que está pensando agora. – a disse. – Não posso ver pensamentos e memórias mais antigas.
De certa forma, aquilo aliviou o Sabaku. Ele não queria que uma estranha vasculhasse sua mente e soubesse algo sobre o seu passado. Porém, continuou sério e pensou em qualquer outra coisa para que ela não percebesse isso.
- Bom, pelo que vejo você já está melhor. – o Sabaku observou.
- Sim. – respondeu e olhou para o tornozelo. – Sua irmã fez um curativo em mim.
Após as palavras da , ficaram sem saber o que dizer e quase o silêncio reinou entre eles. Por sorte, a garota falou. Não era acostumada a ficar muito tempo quieta.
- É, eu só... Só queria agradecer. – fitou os pés, mas logo olhou para ele. – E não precisa se preocupar, pois amanhã mesmo nós vamos embora.
- Amanhã? – ele questionou.
- Sim. – ela confirmou. – Não queremos mais incomodar.
- Não estão. – ele foi rápido em responder.
- Ainda assim, nós vamos. – ela balançou a cabeça negativamente. – Não podemos ficar parados.
- E já sabem para onde vão? – Gaara perguntou.
- Não, mas... – ela tentou se justificar, mas não encontrou palavras.
- Poderiam ficar até decidirem para onde vão. – o ruivo sugeriu.
A garota pensou um pouco na proposta. Era tentadora. Realmente Shikamaru e ela não sabiam para onde ir quando saíssem dali. Eles deveriam procurar um lugar tranquilo para viver, mas talvez não fosse tão fácil se estivessem na mira de caçadores. Acima de tudo, Gaara estava sendo gentil e ela estimava isso.
- Tudo bem. – ela sorriu. – Nós vamos ficar.



Capítulo 11: Implacáveis

- Como assim nós vamos ficar? – foi o que Shikamaru conseguiu dizer ao ouvir as palavras da .
- Eu sei, isso está fora dos nossos planos. Mas, Shikamaru... – a loira se aproximou do amigo. - Pensa bem, nós não sabemos para onde ir.
- Não sabemos ainda. – o moreno soltou um suspiro. – Não vai ser tão difícil encontrarmos um lugar para viver, .
- Se estivermos aqui, com certeza não será. – a garota sorriu.
- Não sei não. – o Nara passou a mão na nuca. – Não confio muito nesses dois.
- Não precisamos confiar em ninguém por enquanto. – ela observou. – Apenas vamos aproveitar o tempo de nossa recuperação para encontramos um lugar seguro.
- Só até você fica melhor. – ele finalmente cedeu.
sorriu ao ouvir aquela resposta e abraçou o rapaz. De certa forma, estava feliz por finalmente poderem se sentir seguros depois de tanto tempo na mira dos caçadores. Haviam perdido muitas pessoas até chegarem ali e agora poderiam recomeçar. Acima de tudo, havia um sentimento esquisito lá no fundo do seu peito. Um sentimento que estava surgindo e que substituía lentamente a dor de tantos sofrimentos.
Ao se afastarem, o Nara fitou a amiga com o cenho franzido. Sabia que havia mais algum motivo para que ela quisesse permanecer ali. Ela não pensava só em sua segurança, ele tinha plena convicção disso.
- O que foi? – a garota perguntou ao perceber a insistência do olhar do outro.
- Como esse Gaara conseguiu convencê-la? – ele questionou.
- Como? – inclinou a cabeça um pouco para o lado.
- Sei que foi ele que falou contigo. – Shikamaru disse. – Só não sei como pôde fazê-la mudar de ideia tão rápido.
- Eu não mudei de ideia, só pensei melhor. – ela defendeu-se. – Precisamos de tempo.
- Tudo bem. – ele sorriu de canto. – Vou fingir que acredito.
- Shikamaru! – a socou o braço do amigo, mas riu em seguida.
Ela deveria admitir: Gaara realmente foi a peça-chave para que escolhesse ficar. Quando ouviu seu pedido para que permanecessem ali até estarem melhor, ela não teve forças para recusar. Talvez fosse um sentimento tolo, mas cada vez que o ruivo aproximava-se sentia seu coração palpitar contra o peito. E a jovem gostava de tal sensação. Era como se cada batida fosse ocasionada pelo calor que emanava do corpo dele.
Soltou um suspiro discreto e sorriu para o amigo. Precisava se concentrar em outras coisas agora. Precisava sobreviver. Só então é que poderia fazer planos para si, para sua vida futura.
- Que tal irmos até o jardim? – sua atenção foi captada pela pergunta do Nara.
- Eles têm um jardim? – a arregalou os olhos.
- Sabia que gostaria disso. – ele riu levemente. – Vamos até lá?
- Claro! – a jovem concordou, entusiasmada.
O garoto então fez um sinal com a cabeça para que ela o seguisse. Abriu a porta do quarto onde estavam e esperou que passasse. Em seguida, fechou-a e foi até a amiga. Começaram a caminhar juntos e ambos mancavam de leve, por estarem com os tornozelos machucados. Aquelas feridas eram a prova de que nenhum regenerado estava seguro. Nenhum.

~o~

- Era só o que me faltava. – Sasuke murmurou para si mesmo.
Não podia acreditar que a vida havia lhe pregado uma peça como aquela. Tinha acabado de ajudar uma Humili. Mas ela não era uma Humili qualquer. Era a amiga daqueles outros dois encrenqueiros que também pertenciam à classe baixa. Era dela que Naruto e tanto falavam.
- Olha, valeu mesmo por ter me ajudado. Se não fosse por você, provavelmente eu já estaria sendo estudada por algum cientista louco. – começou a dizer. – Mas agora preciso voltar. Meus amigos não sabem que saí.
- E como pretende voltar? – Sasuke perguntou. – Ao menos sabe onde está?
- Bem... não. – ela coçou a bochecha com o indicador. – Mas aposto que você sabe, então poderia me dizer.
- Não acho que adiantaria muita coisa. – o Uchiha disse.
- Acha que não posso encontrar o caminho de casa só por que sou uma Humili? – a franziu o cenho. – Escuta aqui, Sasuke. Esse é o seu nome, não é? Nada faz ninguém melhor que ninguém. Você não é melhor do que eu, nem eu sou melhor do que um humano comum. As pessoas precisam entender isso. É só aí que as coisas vão voltar a ser como antes.
- E como as coisas eram antes? – ele perguntou mesmo já sabendo a resposta.
- Todos viviam em paz. Todos. – a garota enfatizou. – Essa busca pela perfeição, pela imortalidade, não passa de uma grande idiotice. Eles querem ganhar mais tempo, mas é exatamente o contrário que está acontecendo.
- E como sabe disso? – o moreno cruzou os braços.
- Por que até hoje, depois de tantos anos de pesquisa, o mundo continua na mesma. – ela balançou a cabeça negativamente. – Não tem como criar regenerados. Ou eles nascem assim ou então já era. São humanos comuns como todos os outros.
- Talvez você esteja enganada... . – o Uchiha disse e sorriu de canto ao perceber o espanto da moça.
- Como assim? – ela quis saber.
- Não é nada demais. – ele deu de ombros. – Vamos.
- Vamos? – ela franziu o cenho outra vez. – Vamos para onde?
- Você não está em condições de andar por aí sozinha. – ele começou a caminhar. – Te levo até a entrada de Konoha, não está tão longe.
Ela pensou em discordar. Fez uma careta para Sasuke, que já seguia caminhando mais a frente, porém, ao sentir uma pontada forte e demorada na palma de sua mão decidiu segui-lo. Ela não poderia se defender. Não tão debilitada. O efeito do veneno quase já havia passado, mas ela ainda sentia seus membros dormentes. Ia mais ao fundo, observando suas costas e só então percebeu sangue manchando a blusa branca. Parece que ele também tinha tido algumas dificuldades.
- Como conseguiu isso? – ela perguntou ao se aproximar.
- Numa luta contra um caçador. – “e contra seus amigos”, o Uchiha completou mentalmente.
- Ultimamente eles estão implacáveis. – soltou um suspiro. – Mas esse caçador estava por aqui?
- Você sempre fala tanto? – Sasuke a olhou de soslaio.
- A sempre fala a mesma coisa. – a garota soltou um risinho e não percebeu o momento em que o Uchiha travou o maxilar. – Mas ela é igualzinha. Talvez vocês pudessem se conhecer.
Sasuke não respondeu. Mas para quê? Para dizer que havia dado uma surra na amiga da garota que havia acabado de salvar? Era melhor que continuasse calado. Enquanto continuava dizendo coisas, sua mente vagava para longe. Tão longe, que não se importou quando a saiu alguns passos na frente.
De repente, ele ouviu algo e parou. Olhou para os lados e para cima, não encontrando nada. Voltou a caminhar, mas sabia que deveria ficar esperto. Caçadores eram um tipo que atacavam sem aviso. Eram sorrateiros e apareciam quando menos se esperava.
Olhou para e a encontrou alguns metros à frente, ainda andando e falando. Revirou os olhos, pensando se deveria mesmo acompanhar a garota, mas não teve tempo para responder sua pergunta. Um vulto pulou de entre as árvores, em frente à . Era uma garota de cabelos negros. Semicerrou os olhos e preparou-se para avançar, mas parou imediatamente ao sentir alguém atrás de si.

~o~

Desceram as escadas e Shikamaru conduziu a moça ao jardim. Ao passarem pela sala de estar, encontraram-se com . A Sabaku franziu o cenho ao vê-los ali, mas aproximou-se.
- Não sabia que já conseguia andar. – ela perguntou.
- Estou melhor agora. – respondeu. – Obrigada pelo curativo.
- Não foi nada. – ela fez um gesto com a mão. – Mas me digam, onde estão indo?
- Shikamaru disse que vocês têm um jardim. – a estava sorridente.
- Sim, temos. – a Sabaku confirmou. – Vão até lá?
- Sim. – respondeu. – Por que não vem conosco?
- Eu? – surpreendeu-se com o pedido. – Acho que...
A loira de Suna então encarou Shikamaru. Não foi difícil perceber que, assim como ela, o garoto também não se sentia confortável com a situação. Ele não queria sua companhia. Inexplicavelmente, notar tal coisa deixou-a cabisbaixa. Sabia que não era simpática, sempre espantou as pessoas, mas agora era diferente. Ela havia tentado ser legal. Pelo menos um pouco.
- Acho melhor não. – ela desviou o rosto.
- Ah, , vamos lá! – insistiu e a outra a fitou um pouco surpresa. – Podemos conversar um pouco.
- Conversar? – a Sabaku fez uma careta.
- Não me diga que é como seu irmão, que não gosta das pessoas?! – a loira deixou um risinho escapar.
- Não é bem assim. – a outra apoiou uma mão na cintura. – Só não sei o que há para conversar.
- Eu também não. – balançou os ombros. – No entanto, as palavras sempre surgem.
Ao perceber que a continuaria insistindo, resolveu ceder. Não sabia como, mas aquela garota era agradável. Mesmo que falasse muito e fosse cheia de esquisitices, a Sabaku conseguia gostar de sua companhia. Agora entendia o motivo de Shikamaru ser tão preocupado. E também o motivo de Gaara estar sendo tão gentil. era cativante. Era o seu total oposto.
juntou-se a dupla e seguiram até o jardim. Ao avistar a porta de correr de vidro, saiu um pouco na frente e a abriu para que eles pudessem passar. acompanhou seus movimentos, mas também prestou atenção ao amigo. Notou que assim que encontraram , ele havia ficado tenso e que durante o curto percurso manteve a mandíbula travada. Agora ele analisava todos os seus movimentos, sem deixar que qualquer um deles passasse despercebido.
- Acho que sei por que concordou comigo. – ela murmurou para que só ele ouvisse.
- O quê? – o Nara fez uma careta.
apenas soltou um risinho maroto e foi ao chamado de . Assim que passou pela porta, porém, seu queixo caiu. Aquele lugar era lindo. Não era enorme, mas podia ver algumas árvores e flores espalhadas ao redor de bancos de madeira. Da forma como gostaria que seu jardim fosse se um dia pudesse ter um. Caminhou radiante até algumas rosas e tocou-as com delicadeza.
- Como conseguem cultivá-las? – ela perguntou. – Aqui é tão quente.
- Temos uma estufa. – respondeu. – Trouxemos essas flores de lá. Quando elas morrem as substituímos por outras.
- E não é meio trabalhoso? – pela primeira vez Shikamaru falou.
- É claro que você perguntaria isso? – riu.
- Até que não. – a Sabaku aproximou-se de e pegou uma rosa amarela. – Eu gosto de transplantá-las para cá. Pelo menos tenho o que fazer.
Distraída, ela colocou a flor nos cabelos, perto da orelha. Por passar tanto tempo em meio às plantas, aquilo havia virado uma mania. Sentia-se mais feminina, mas delicada com aquele adorno. Uma simples flor poderia mudá-la. Fazer da ríspida mulher uma meiga e doce menina. Sorriu com tal pensamento.
imitou-a, pegando uma outra flor violeta, colocando-a em seus longos cabelos presos. Entretanto, tal ato passou despercebido aos olhos de Shikamaru. Este conseguia apenas notar como Terami havia ficado incrivelmente bela com aquela simples flor. Assim como na primeira vez em que a moça fizera uma coroa de pétalas em volta da testa. Não que ela não fosse bonita, mas ele conseguia ver um outro lado dela. Um lado diferente e que o deixava encantado.
Quando a loira percebeu os olhos do moreno sobre si, o encarou. Diferente das outras vezes, porém, Shikamaru não desviou e sentiu as bochechas arderem. Daquela vez ela baixou o rosto, tentando não demonstrar o quão estava envergonhada.
, que observava os dois discretamente, sorriu com a cena. Era estranho ver aquela garota tão durona, corada. Fitou o amigo e este continuava de pé, um pouco afastado delas. Ele olhava para os pés e tinhas as mãos nos bolsos. Estava pensativo. Com um sorriso sapeca virou-se para a Sabaku, chamando sua atenção.
- Onde fica o banheiro? – perguntou no tom mais inocente possível.
- Depois da sala de estar, no fim do corredor. – respondeu. – Quer que eu te leve até lá?
- Não. – a outra negou imediatamente. – Eu me viro.
- Mas... – a Sabaku insistiu, porém foi cortada.
- Volto logo. – a acenou já caminhando. – Até lá divirtam-se.
Os dois encararam a loira com expressões incrédulas até que a perderam de vista. virou o rosto para o Nara e este fez o mesmo, encarando-a sem saber como agir. Sabia exatamente o que tinha feito e ele teve vontade de jogar-se do primeiro penhasco que encontrasse. Ou talvez jogasse a de lá antes disso.

~o~

Sasuke virou-se subitamente a tempo de se desviar do ataque de outra pessoa. Era um garoto de cabelos longos e tinha os olhos brancos. Ele o reconheceu imediatamente. Aqueles dois eram Hyuugas. Sem pensar ativou seu sharingan, pois sabia exatamente o que faziam ali. Aquela era a tão famosa família de caçadores.
Os dois encararam-se desafiadoramente e o Hyuuga colocou-se em posição de luta, erguendo a palma direita na direção do Uchiha. Sasuke segurou o pulso esquerdo com a mão livre, pronto para criar um raio. Antes que pudesse concluí-lo, ouviu um grito atrás de si. Reconheceu a voz de .
A assustou-se e jogou uma das facas que trazia contra a garota, porém errou, acertando uma árvore. Olhou para a outra que sustentava um pequeno sorriso e se amaldiçoou mentalmente por ter saído sem avisar. Segurou a outra faca com a mão boa, mas ao menos teve tempo para se defender, pois a Hyuuga acertou-lhe um golpe no peito, fazendo-a cair sentada.
Sasuke olhou rapidamente para trás e viu no chão. Teve vontade de defendê-la, mas antes deveria se livrar daquele outro. Voltou a encarar o rapaz à sua frente e sem esperar mais, correu até ele, mas o Hyuuga esquivou-se de todas as suas investidas. O Uchiha tentou acertá-lo por cima com um soco, mas ele abaixou-se e tentou derrubá-lo com uma rasteira. No último segundo ele pulou e se afastou.
Ainda no chão, olhou para a morena que se aproximava e por um segundo sentiu medo. Com certeza era uma caçadora. No entanto, apertou a faca com força, decidindo mentalmente que precisava se defender. O Uchiha não podia ajudá-la agora. E ela não queria sua ajuda. Sabia muito bem se livrar sozinha.
- Quem são vocês? – perguntou tentando não parecer temerosa.
- E por que isso importaria? – a outra ergueu as sobrancelhas um pouco surpresa.
- Por que vocês estão tentando nos caçar. – a a fuzilou com os olhos.
- Não me leve a mal, mas não estamos aqui por sua causa. – a morena disse e soltou um riso leve. – Para falar a verdade, nem sei quem você é.
- Então quer dizer que vocês já têm um alvo. – semicerrou os olhos.
- Digamos que sim. – ela respondeu. – E você está atrapalhando.
A continuou encarando a outra à sua frente e percebeu a quem ela se referia. Olhou para onde Sasuke estava e viu mais um garoto com ele. Os dois estavam há poucos metros um do outro, mas iriam atacar-se a qualquer instante. Ela mordeu a bochecha por dentro e fechou os olhos. Por que não podiam ficar em paz nem por um segundo? Abriu-os, porém, quando ouviu os passos da perolada. Ela estava se afastando, estava indo até Sasuke.
Sem esperar mais, levantou-se na velocidade que conseguiu e correu até ela. Com a faca em punho, tentou acertá-la, mas a garota foi rápida e se virou bloqueando seu braço com a mão. Ela era forte.
- Você é bem atrevida. – ela disse.
- E você é bem idiota. – a sorriu com desdém.
Para a surpresa da outra, soltou a faca e a pegou com a outra mão. Mesmo machucada, apertou o metal com força e conseguiu fazer um corte no braço da garota que segurava seu pulso. Esta soltou um grito e num impulso acertou com um soco, fazendo-a cair de joelhos.
- ! – de repente ouviu se nome.
- Estou bem, Neji. Não se preocupe. – ela falou, mas cerrou os dentes assim que sentiu o sangue começar a esfriar. – Só me dê mais um instante, preciso acabar logo com isso.
A Hyuuga não havia tirado os olhos da garota ajoelhada a sua frente. Ela só estava fazendo com que perdessem tempo. Não gostava de machucar as pessoas, mas tinha uma missão a cumprir. Precisava levar o Uchiha para que sua família continuasse livre do governo. Ignorando a dor do corte, abaixou-se em frente à outra e, sem tentar usar tanta força, golpeou-a com a palma da mão, no ombro. Era o suficiente.
ergueu os olhos ao sentir o golpe, porém estranhou. Não havia doído tanto. Na realidade, mal sentiu o punho dela contra seu ombro. Porém, logo sentiu algo dentro de si. Não era como a dormência do veneno da caçadora ruiva, mas parecia enfraquecê-la ainda mais.
- O que está acontecendo? – a Mitashi perguntou. – Meu corpo está ficando fraco.
- Não se preocupe. – a outra respondeu. – Só bloqueei os seus poderes.
- O quê? – ela espantou-se. – Isso é... impossível.
- Pois bem, tente usá-los então. – sugeriu.
Mas não esperou que ela tentasse. Sabia que aquela garota não seria mais um incômodo, então levantou-se para ajudar o primo. Precisavam terminar logo, pois seu prazo estava quase no fim. Olhou na direção onde Neji estava e este, assim como o Uchiha, permanecia parado. Era como se calculassem o momento certo para atacar. Apertou um pouco os olhos e observou melhor o DNA do alvo. Era impressionante. As células moviam-se furiosamente buscando uma forma para expressar seu total potencial.
Decidida, a Hyuuga ergueu o punho na direção de Sasuke e correu para atacá-lo. Ela precisava mostrar que era capaz, precisava ser forte e orgulhar sua família. Todos confiavam nela e precisava honrar tal confiança. Quando estava a alguns passos dele, estendeu o braço para acertar-lhe as costas. Foi surpreendida com a virada súbita do rapaz e ainda mais quando ele se esquivou e tentou golpeá-la com um chute. Com agilidade ela pulou para trás e cerrou os dentes.
Antes que voltasse a avançar contra o Uchiha, Neji o fez. Ele tentou acertar o outro com vários golpes, mas era como se ele previsse cada um deles. No último golpe, Sasuke desviou-se e recuou. Ficou de frente para eles e para e franziu o cenho ao vê-la no chão.
- Já chega! – ele rosnou.
Sasuke ergueu a mão direita em frente a metade do rosto, deixando apenas um de seus olhos visíveis para quem o encarava de frente. Segundos depois, o ruído do canto de mil pássaros pôde ser ouvido e o raio envolveu seu punho fechado. Acabaria de uma vez por todas com aquela estupidez.
Ao ver Neji preparar-se para atacar, se colocou à sua frente. Seu primo surpreendeu-se e tentou dizer algo, porém a garota o interrompeu antes mesmo que pronunciasse uma palavra completa.
- A missão é minha, Neji. – cerrou os punhos. – Eu pego ele!
O rapaz decidiu não interferir. Sabia o que aquele momento significava para ela. A Hyuuga sentiu-se contente ao perceber que poderia fazer tudo sozinha. Olhou por cima do ombro e sorriu.
- Cuide da garota. – ela falou. – Bloqueei os poderes dela, mas ela é esperta.
- Tudo bem. – Neji respondeu.
Ela voltou a fitar o Uchiha. Este já estava preparado, avançaria a qualquer momento. Sentiu certo receio por conta daqueles olhos vermelhos, mas não recuou. Concentrou-se e, em questão de alguns segundos, uma energia azul começou a fluir de suas mãos. Aos poucos, ela tomou o formato da cabeça de dois leões e a garota sorriu satisfeita. Após um suspiro discreto, correu na direção dele.
Sasuke sorriu de canto ao ver os poderes da Hyuuga, mas aquele era um sorriso desdenhoso. Sabia muito bem o que eles queriam, mas se quisessem levar um deles dois, teriam que passar por ele primeiro. Correu na direção da garota ao vê-la se aproximar. Com toda certeza, iria causar um belo estrago.



Capítulo 12: Espinhos

continuava rindo enquanto tentava vez ou outra olhar para trás por cima dos ombros. Gostaria de ver mais um pouco do que aconteceria com seu amigo e com a garota de Suna. Desistiu assim que perdeu a porta de vidro de vista, mas continuou soltando risinhos que eram abafados pelas mãos.
Distraída, a loira virou para esquerda, caminho que a levaria ao corredor. Assustou-se ao se esbarrar com ele, que segurou seu braço, impedindo-a de cair. Ficaram segundos encarando-se até que ela disse algo.
- Me desculpe. – sua voz saiu baixa.
- Não se preocupe. – o rapaz respondeu num tom um pouco mais alto.
- Eu sempre faço isso. – ela riu, sem graça. – Me desculpe, Gaara.
- Eu já disse que está tudo bem. – ele soltou seu braço. – Onde estava indo?
- Ao banheiro. – a loira respondeu, mas logo um sorriso surgiu em seus lábios. – Quer dizer, eu só saí do jardim para deixar o Shikamaru e sozinhos.
- Como? – o ruivo franziu o cenho.
- Você ainda não percebeu? – a garota apoiou as mãos na cintura. – Está rolando o maior clima entre eles, então resolvi dar um empurrãozinho.
- Eles estão... se gostando? – Gaara parecia não acreditar.
- Acho que sim. – ela riu, animada. – E isso é tão legal. Faz tempo que o Shikamaru não dá atenção a outra pessoa que não seja eu. Sei que ele prometeu me proteger, mas posso me cuidar muito bem sozinha.
- Ele fez essa promessa? – o Sabaku perguntou.
- Sim. – a respondeu. – Mas não preciso tanto assim da ajuda dele. Na verdade, não preciso da ajuda de ninguém.
- Tem certeza disso, ? – o rapaz questionou. – Porque, pelo que parece, é exatamente o contrário.
A garota seguiu os olhos dele, encontrando-os fixados ao curativo em seu tornozelo. Revirou os olhos e soltou um suspiro contrariado. Aquilo não passava de um contratempo.
- Isso não é nada demais. – ela falou. – Baixei minha guarda e atraí um caçador, só isso.
- E por qual motivo? – ele perguntou.
- Tentei ajudar um garotinho. – a garota contou. – Ele tinha se perdido dos pais e estava machucado, deveria ter caído ou sei lá. Então entrei na mente dele e descobri onde ele morava e o levei até lá. O problema é que havia um caçador bem na entrada de Suna, mas eu não o vi. Assim que ativei meus poderes, ele conseguiu me rastrear fácil.
- Eles conseguem sentir a atividade dos genes modificados. – ele observou.
- É, eles conseguem. – ela concordou.
De repente, eles ficaram em silêncio. Era como se não soubessem o que dizer ou como dizer. baixou o rosto e soltou um riso leve, mostrando como estava constrangida com aquele momento em que não conseguia pronunciar uma única sílaba. Para ela, tal coisa era uma novidade. A atenção dela só foi captada quando ouviu o suspiro do ruivo. O encarou meio de soslaio e o viu olhando para o nada.
- Você não ia mesmo ao banheiro, não é? – ele perguntou, para a surpresa dela.
- Não. – ela soltou mais um riso – Por quê?
- Bem, já que não está fazendo nada, por que não me acompanha? – Gaara convidou ainda sem encará-la
- E para onde vamos? – a loira questionou com curiosidade.
- Não muito longe. – ele finalmente a fitou. – Você ainda está machucada.
- Quer dizer que vamos sair? – animou-se.
- Se você quiser. – ele balançou os ombros uma vez.
- Claro! – um largo sorriso se formou em seus lábios. – Não me leva a mal, mas não aguento mais ficar trancada aqui.
- Então vamos? – o rapaz sorriu de canto.
Começaram a caminhar juntos até chegarem à porta da grande casa. Saíram e seguiram pelas ruas da pequena cidade. O sol havia se posto há algum tempo, porém, o clima continuava quente como nos outros dias, mas os cidadãos não se incomodavam. Para a , porém, o clima não era nem um pouco agradável. Ainda assim, ela preferia isso a voltar para seu quarto.

~o~

soltou um longo suspiro assim que viu Sasuke e a garota preparando-se para atacar. Arregalou os olhos ao ver o raio na mão esquerda do Uchiha e ficou ainda mais temerosa quando dois leões azuis cobriram os punhos da moça.
- Droga! – ela murmurou e tentou se levantar assim que eles correram um na direção do outro.
- Acho que é melhor ficar onde está, as coisas ali vão piorar. – de repente ouviu uma voz.
Olhou na direção de onde está vinha, encontrando o seu dono. Um rapaz que aparentava ter sua idade e com longos cabelos castanhos. Os olhos dele eram como os da outra garota. Foi aí que ela percebeu com quem estavam lidando.
- Você são Hyuugas! – sua voz saiu surpresa.
- E você descobriu isso sozinha? – o outro ergueu as sobrancelhas.
- Não foi muito difícil, afinal são os únicos caçadores que tem olhos brancos. – ela enfatizou aquilo. – Além do mais, vocês são os mais babacas.
- É isso que acha? – Neji cruzou os braços.
- Não acho, tenho certeza. – a disse entredentes. – Vocês caçam seus semelhantes em troca de... liberdade?
- Cada ser humano tem uma necessidade, essa é a nossa. – o Hyuuga respondeu.
- E você acha que também não queremos ser livres? – ela questionou. – Se é que o que vocês têm pode mesmo ser chamado de liberdade.
- Você fala demais. – ele semicerrou os olhos. – Por que não fecha a boca?
- Por que não estou muito a fim. – ela o encarou desafiadoramente.
- Então acho que terei que dar um jeito em você. – ele balançou a cabeça negativamente.
- Você não ousaria. – dessa vez, ela engoliu seco.
- Se continuar tirando minha paciência... – ele deixou a questão no ar.
- Vocês, olhos brancos, são muito esquentadinhos. – ignorando o medo que sentia, riu. – A outra lá me chamou de atrevida só porque tentei dar umas bolachas nela.
Neji franziu cenho. Por acaso, aquela garota não sentia medo dele? Se sim, conseguia esconder muito bem. Eles eram temidos. Eram os caçadores mais organizados e pelo fato de também serem regenerados, tinham mais poder que a maioria dos outros caçadores. Sua fama se espalhou, especialmente, depois que a família Uchiha foi exterminada. O Governo os culpou por isso, mesmo não sendo totalmente verdade.
Tentando intimidá-la, o Hyuuga aproximou-se e se abaixou, para que pudesse ficar á sua altura. Ao fazê-lo, conseguiu uma melhor visão do rosto da garota e de seus olhos. Tinham a cor de chocolate, mas ao invés de transmitir doçura, ele conseguiu ver raiva emanar por aqueles grandes orbes.
- Acho que você é mais um daqueles regenerados revoltados. – ele disse após sua análise.
- Já falei o que acho de você. – ela não pareceu se incomodar com sua aproximação. – Mas se quiser, eu repito.
- Não sei se ainda não percebeu, mas isso não é nenhum tipo de brincadeira. – o rapaz continuou olhando em seus olhos. – Apenas os mais fortes sobrevivem.
- Sério? – ela inclinou o rosto um pouco para o lado. – E vai me dizer que vocês são os mais fortes, não é?!
- Nem sempre é justo, eu sei. – ele soltou um suspiro. – Mas é a vida. Não podemos alterar o curso do nosso destino.
- Desculpe, olhos brancos, mas eu tenho que discordar desse seu destino. – a esboçou um pequeno sorriso. – O mundo não é dos mais fortes, o mundo pertence a aqueles que são bons o suficiente para sobreviver.
- E como pode estar tão certa? – ele questionou e se aproximou mais um pouco.
- Porque, você acabou de se julgar mais forte do que eu, mas não percebeu quando apontei minha faca para sua perna. – ela disse, convencida
Neji olhou para onde ela também olhava e viu o objeto. Era uma faca totalmente de metal com a ponta extremamente afiada e estava a centímetros de sua coxa direita. Voltou a fitar a menina, a encontrando com um sorriso vitorioso. Foi obrigado a sorrir também.
- Eu poderia acabar com você agora, sabia? – ela disse.
- Poderia. – ele concordou. - Mas não vai.
- E por que não? – ela semicerrou os olhos.
- Por que não está apontando para nenhuma veia importante. – o garoto observou. – Se quisesse me matar teria que subir um pouco mais a faca.
abriu a boca, surpresa, quando sentiu a mão do Hyuuga segurar seu pulso. Sem dificuldades ou protestos por parte dela, o rapaz arrancou o objeto de metal de suas mãos e o jogou longe.
- Coisas afiadas não são brinquedos para crianças. – ele debochou.
- E caçar regenerados por acaso é? – ela o provocou.
- Já chega... – ele murmurou.
Antes que qualquer um dos dois fizesse algo, ouviram um estrondo atrás de si e olharam para lá. A cena que se resumia à suas vistas era inusitada. Sasuke havia acabado de se esquivar de um dos ataques de . No processo, a garota conseguiu acertar uma árvore com seu punho, derrubando metade dela.
A Hyuuga virou-se para o Uchiha e cerrou o maxilar. Havia tentado acertá-lo a todo custo, mas ele era rápido. Além do mais, aqueles olhos pareciam prever cada um de seus movimentos e isso o fazia saber exatamente para onde ir. Mas, ela não desistiria.
- Vamos lá, Hyuuga. – de repente Sasuke falou. – Já estou ficando entediado.
- Achei que estivessem exagerando por falar que Uchihas são presunçosos. – ela sorriu. – Mas não podiam estar mais corretos.
- Eles? – o moreno franziu o cenho. – Eles quem?
- Não tenha pressa. – ela disse. – Logo irá conhecê-los.
colocou-se novamente em posição e cerrou os punhos mais uma vez a altura da cintura. Dessa vez, sua respiração se descompassou graças ao esforço que precisou fazer, mas logo conseguiu. Os dois leões em seus punhos, que antes eram azuis, tornaram-se roxos e maiores. Ela o pegaria e seria agora.
Ao ver as mudanças no poder da garota, Sasuke ergueu as sobrancelhas. Pelo que parecia, ela tinha mais cartas na manga do que aparentava. Porém, para ele aquilo não chegava a ser um problema. Ela havia tentando acertá-lo e ele não precisou de mais do que seu sharingan para se defender. Ao menos atacou.
- Apenas um toque. – a garota falou. – E então terminamos.
- Exatamente. – ele concordou. – Basta apenas um toque.
Ainda com a mão abaixada, o Uchiha ativou o raio. Aquilo havia se tornado fácil com o passar dos anos. Mais uma vez, correram um em direção ao outro. Entretanto, pararam subitamente ao perceberem um tremor incomum sob seus pés. Olharam para baixo e ao verem o solo rachar, esquivaram-se para longe.
O impacto havia sido tão forte que, instintivamente, Neji passou os braços em volta do corpo . Havia muita poeira no ar e só quando ela baixou é que os presentes ali puderam ver o que havia acontecido.

~o~

Depois de longos minutos sem saber como agir, e Shikamaru finalmente resolveram aquela questão. Para os dois, ignorar-se foi a melhor resposta para driblar o constrangimento que sentiam.
A loira continuou brincando com as flores, as levitando no ar vez ou outra, enquanto o rapaz sentou-se num dos bancos perto dela. Estavam quietos e calados, até que algo chamou a atenção do Nara.
- AI! – choramingou.
- O que houve? – ele perguntou, se levantando num pulo.
- Meu dedo. – ela fez uma careta. – O espetei num espinho.
- Pensei que algo pior tivesse acontecido. – ele revirou os olhos, mas mesmo assim se aproximou.
- Se algo pior tivesse acontecido, tenha certeza de que não estaria quase chorando feito uma menininha, mas sim tentando resolver o problema. – ela se virou para ele.
- Tá, eu já entendi. – ele falou. – Me deixa ver isso.
Sem avisos, o rapaz pegou a mão da garota e procurou pelo machucado, encontrando-o logo. Ela havia furado o dedo indicador e um pequeno filete de sangue sujou a ponta dele. Diante de tal atitude, não soube o que falar.
- Não foi muito profundo. – ele observou. – Vai sarar logo.
- Eu sei. – ela respondeu, fitando os próprios pés. – Já estou acostumada.
- A espetar os dedos nos espinhos das flores? – ele perguntou.
- Espetadas não vem só de espinhos. – ela suspirou. – Pessoas costumam machucar muito mais.
- É... – ele suspirou em seguida. – Mas nem todas as pessoas são assim.
Criando coragem, a Sabaku ergueu o rosto, encontrando o olhar do Nara sobre ela. Fixaram os olhares um ao outro e não havia quem os fizesse desviar de direção. Inconscientemente, Shikamaru se aproximou mais da garota e, ainda segurando sua mão, também a trouxe para mais perto de si.
sentiu sua respiração se descompassar assim que percebeu qual a intenção dele. Entretanto, deixou que ele a conduzisse. Ao sentir a respiração do Nara açoitar sua face, fechou os olhos. Eles estavam tão próximos. Sentiu as pernas bambearem quando as pontas dos narizes se roçaram, mas foi forte o suficiente para não demonstrar tal fraqueza.
Shikamaru fitou o rosto da loira de Suna. Como alguém poderia ser tão bela? Não que esse fosse o principal motivo para a vontade de beijá-la o estar corroendo internamente, afinal, já havia conhecido muitas mulheres bonitas. Havia naquela garota, porém, algo que o cativava, que chamava sua atenção. E ele precisava descobrir o quê.
Tentando não parecer muito ousado, continuou apenas segurando a mão dela. Quando os lábios já quase se tocavam, ele também fechou seus olhos. Queria aproveitar o instante, mesmo que fosse uma total loucura.
Quebrando a conexão que havia entre eles, porém, um estrondo pode ser ouvido, e os dois se afastaram assustados. Olharam em volta e viram uma fumaça densa subir ao céu ao longe. Encararam-se, confusos.
- O que foi isso? – Shikamaru perguntou.
- Eu não sei. – ela respondeu, olhando para os lados. – Gaara...
Sem esperar, ela correu para dentro de casa sendo seguida pelo Nara. não sabia o motivo, mas ouvir tal explosão não havia sido algo comum. Precisava encontrar o irmão. Chamou várias vezes, mas em vão.
- Shikamaru, procure aqui em baixo. - ela disse. – Vou procurar lá em cima.
- Tudo bem. – ele respondeu.
Rapidamente, começaram a vasculhar a grande casa, mas não encontraram nem o Sabaku, nem a . Voltaram, encontrando-se ao pé da escada.
- Eles não estão aqui. – mordeu os lábios. – Devem ter saído.
- Você acha que... pode ter sido... – Shikamaru franziu o cenho, mas ao menos completou sua frase.
- Gaara... – a loira suspirou. – Precisamos encontrá-los. Já!
Ela agarrou a mão do jovem e saíram correndo pela sala até estarem perto da saída. Saíram pela porta de madeira amarronzada sem pensar duas vezes. Shikamaru precisava proteger a todo custo. apenas precisava saber se seu irmão estava bem.

~o~

Assim que pode ver a silhueta tomando forma em meio ao pó branco, Sasuke revirou os olhos. Aquilo só poderia ser uma brincadeira. Quando finalmente viu os cabelos róseos balançando com o vento, soltou um longo suspiro. Será que ela sempre teria que destruir tudo?
- ! – gritou ao ver a amiga do outro lado do campo.
Desvencilhou-se de Neji e tentou se levantar, mas ele a segurou pelo braço, impedindo-a de continuar. A o encarou, nem um pouco contente.
- O que pensa que está fazendo? - ela perguntou.
- Acho melhor continuar aqui. – ele disse. – Aquela garota parece ser perigosa.
- Aquela garota... – ela sorriu, orgulhosa. – É minha amiga.
Neji continuou segurando seu braço, mas depois de um suspiro, resolver deixá-la ir. Não havia motivos para tentar protegê-la, estavam ali apenas por conta do Uchiha. Antes que a pudesse soltar, sentiu algo atrás de si e olhou para lá. Foi o tempo exato para ser acertado por um chute que o fez cambalear para trás, soltando .
- NARUTO! – se surpreendeu.
- Você está bem? – o Uzumaki perguntou.
- Sim. – ela respondeu.
- Ótimo! – ele balançou a cabeça positivamente – E quem são esses?
- São Hyuugas. – ela respondeu, vendo Neji se recompor. – Estão aqui para caçar o Sasuke.
- Sasuke? – o loiro fez uma careta.
Olhou para onde a amiga fitava, encontrando o rapaz de mais cedo. Soltou um riso divertido ao lembrar-se de como haviam brigado feito idiotas. Agora estavam mais uma vez ali, lidando com mais caçadores.
- É impressão minha ou esse cara é um ímã para caçadores? – Naruto riu.
- Ele me salvou. – disse apenas.
- Te salvou de quê? – ele se alarmou.
- É uma longa história. – ela fez que não com a cabeça. – Acho melhor darmos um jeito de ajudá-lo.
- Eu vou. – o Uzumaki determinou. – Fique aqui.
- Mas você não... – ela tentou dizer, mas ele se afastou correndo. – Droga!
Ela olhou para o lado e viu Neji olhando para Naruto. Sabia que ele tentaria impedi-lo, então sem pensar duas vezes, tomou sua frente. O Hyuuga surpreendeu-se com tal atitude.
- Se quiser pegar o Sasuke ou qualquer um dos meus amigos, tem que passar por mim primeiro. – ela rosnou entredentes.
- Não sei se esse é um grande desafio. – ele sorriu.
- Talvez você tenha mais poder. – ela disse. - No entanto, posso afirmar que sou bem mais esperta.
- Veremos. – Neji sustentou seu sorriso.
Naruto correu em direção aos outros. Não queria ter deixado a amiga sozinha, mas precisava saber como estava. A alcançou em segundos, parando ao lado da . Ela ao menos o fitou, então o Uzumaki acompanhou seu olhar, encontrando Sasuke e uma garota.
- O que está havendo aqui? – o loiro perguntou.
- Eu não sei. – respondeu. – Acho que estão brigando.
- Acho que querem levar o Sasuke. – ele disse.
- Provavelmente. – a garota concordou. – Ele é um Uchiha, afinal.
- Vamos ajudá-lo. – Naruto falou.
- Como é? – a o encarou, confusa. – Viemos aqui para buscar a .
- Ela me disse que ele a ajudou. Só não sei como. – ele destacou. – E pediu que fizéssemos o mesmo por ele.
- Era só o que me faltava. – revirou os olhos.
- Vamos lá, rosada. – ele cutucou seu ombro. – Não vai ser tão difícil assim.
- Você só pode ser pirado mesmo. – ela balançou a cabeça negativamente. - Naruto, eles são Hyuugas, podem acabar com a gente num piscar de olhos.
- Antes disso, vou deixá-los desacordados. – ele piscou para ela.
Naruto então voltou sua atenção para os dois outra vez e fez o mesmo. Durante os poucos segundos em que estiveram conversando, Sasuke e a garota Hyuuga colocaram-se outra vez em posição de luta. Estavam prestes a atacar e dessa vez com ainda mais força.



Capítulo 13: Olhos de Fogo

A lua já tomava conta do céu e estava rodeada por inúmeras estrelas que piscavam discretamente. Os olhos de , porém, corriam pelas ruas da pequena cidade. Desde o dia que havia chegado ali com Shikamaru, não conseguiram tempo para conhecê-la. Agora, caminhava lado a lado com Sabaku no Gaara, não deixando que nenhum detalhe lhe passasse despercebido.
Já o rapaz encarava o brilho natural que os corpos celestes emitiam. Aquela era uma forma de sentir-se menos perturbado. Após a chegada da e de seu amigo, as coisas definitivamente não seriam as mesmas.
- Aquilo é uma floricultura? – de repente a garota perguntou.
- Como? – ele a fitou, confuso.
- Ali, uma floricultura. – a loira apontou com um pequeno sorriso
- Ah, sim. – ele finalmente entendeu – É uma floricultura.
- Achei que o clima daqui não fosse favorável para o cultivo de flores. – a franziu o cenho.
- Não somos os únicos que têm uma estufa. – o ruivo respondeu.
- É claro que não. – ela soltou um risinho.
Sem avisar, a garota caminhou alegremente na direção da pequena loja. Ao perceber sua intenção o rapaz apenas suspirou e a seguiu. Adentrou o local instantes após ela, encontrando os mais variados tipos de flores. Haviam de todas as cores, no entanto, nada nelas chamava-lhe a atenção. Apenas tinha uma estufa e um jardim em casa por conta da irmã. gostava de cultivá-las, então não iria contra a vontade dela.
- O que estamos fazendo aqui? – ele perguntou, se aproximando da .
- Nada, só estou olhando. – ela respondeu, enquanto inclinava o corpo e apoiava as mãos nos joelhos para poder observar vários jarros com flores laranjas e amarelas.
- Você gosta de flores? – Gaara perguntou.
- Pode apostar. – ela o olhou por cima do ombro. – Quando Shikamaru me contou que vocês tinham um jardim em casa, não pensei em mais nada, só queria ir até lá. E ele é perfeito.
Ela voltou a ficar ereta e se virou para o rapaz com um sorriso doce. Ele a encarou por alguns segundos, até que a ouviu falar outra vez.
- Na verdade, se eu um dia pudesse ter um jardim em minha casa, faria exatamente daquele jeito. – ela suspirou. – Mas talvez isso não vá acontecer tão cedo.
- E por que não? – ele se aproximou.
- E você ainda pergunta? – ela riu pelo nariz. – Estamos sendo caçados, lembra?
- Como esquecer. – ele falou, olhando em seus olhos.
- Mas, se eu sair viva de tudo isso, vou dar um jeito de ter meu próprio jardim. – a garota falava sonhadora.
- Por que não escolhe algumas flores? – Gaara perguntou.
o encarou, surpresa. Ele estava mesmo oferecendo-lhe flores? Assim que sentiu as bochechas esquentarem baixou o rosto, mas resolveu erguê-lo no segundo seguinte. Ela não deveria sentir-se desconcertada, ele apenas lhe oferecia algo simples porque ela gostava de tal coisa.
- Está falando sério? – ela franziu o cenho, mas tinha um sorriso nos lábios. – Posso pegar qualquer uma?
- Fique à vontade. – o rapaz não pôde deixar de esboçar um sorriso de canto.
O sorriso da moça se tornou mais largo e sem demora ela voltou a fitar as mesmas flores de antes. Com os olhos brilhando, pegou um pequeno buquê de flores laranjas e voltou a se aproximar do Sabaku.
- São lírios. – ela disse quando o viu observar as plantas. – As minhas preferidas. Além disso você não tem essas no seu jardim.
- Tem um bom gosto. – ele disse. – Espere só um segundo.
Ela acenou com a cabeça e o viu se afastar, parando em frente ao balcão onde se realizava o pagamento. Observou o momento que a senhora que estava lá cumprimentou Gaara com educação, mas ele apenas jogou uma quantia mais do que suficiente sobre a madeira e lhe deu as costas sem dizer uma única palavra. franziu o cenho, confusa.
- Vamos? – ele perguntou.
- C-claro. – ela respondeu.
Gaara saiu primeiro pela porta de vidro, mas antes de segui-lo, a virou-se para a mulher e acenou gentilmente, surpreendendo-a. Em seguida saiu e ele a esperava.
- Pra onde vamos agora? – ela perguntou.
- Acho melhor voltarmos. – ele disse. – Está ficando tarde e você não pode andar tanto.
- Bobagem. – ela estalou a língua. – Quase nem andamos direito. Suna parece ser uma cidade bem legal, não posso sair daqui sem conhecer pelo menos ao lugares mais importantes.
- Não temos nada grandioso aqui, pode apostar. – ele enfatizou.
- Ainda assim, gostaria de caminhar mais um pouco. – a loira insistiu. – Não gosto de ficar muito tempo parada, é entediante.
- Por que não fazemos isso amanhã? – ele sugeriu. – Será dia e ficará mais fácil percorrer as ruas mais perigosas.
- Tudo bem. – soltou um longo suspiro. – Mas irei cobrar por isso.
Gaara apenas riu pelas narinas e então voltaram pelo o caminho que tinham feito anteriormente. Estavam lado a lado e a apertava o buquê contra o peito, tomando cuidado para não machucar as flores. Vez ou outra o rapaz a fitava de soslaio, sentindo-se enlevado cada vez que a encontrava sorrindo como boba só por olhar para os lírios.
Viraram a equina de um beco que, diferente da hora em que haviam saído, agora estava escuro e deserto. Distraídos, não perceberam o momento que algo foi lançado em sua direção. Apenas quando ouviu o zunido atrás de si é que Gaara virou-se subitamente, a ponto de ver a esfera negra. E ela iria explodir. Entretanto, ele ergueu um círculo de areia no último segundo, impedindo que fossem acertados. Ainda assim, puderam ouvir o estrondo do lado de fora e o chão tremeu consideravelmente.
- Droga. – o ruivo murmurou.
- Gaara, o que foi isso? – falou, assustada.
- Eles estão aqui. – o garoto respondeu. – , fica perto de mim.
Sem pensar muito, a garota aproximou-se, parando às costas dele. Preferiu não tocá-lo para não dificultar qualquer movimento que ele viesse a realizar, caso sofressem mais uma investida.
- São caçadores? – ela ainda estava alarmada. – Descobriram quem nós somos? Mas como, não usamos nossos poderes?
- Eu não sei. – ele fechou os olhos com força. – Apenas não se afaste, tá legal?
- Eu não vou. – ela balançou a cabeça.
Cautelosamente, o Sabaku abriu uma fenda mínima na defesa de areia e pôde observar o exterior. Constatou que não havia mais ninguém ali, por isso resolveu que poderia remover a proteção. Mesmo com a certeza, tateou por e segurou seu pulso. Não podia deixá-la exposta.
Aos poucos a areia dissipou-se e eles voltaram a ver o brilho do luar. No entanto, a fumaça acinzentada trazida por conta da explosão ainda pairava sobre o ambiente. Num ato vigilante, a garota olhou em volta para ter certeza de que estariam seguros.
- Está tudo bem. – de repente ela ouviu-o dizer.
- O que eles queriam? – virou-se para ele com o olhar confuso. – Por que nos lançaram aquela bomba e sumiram? Não é assim que eles agem. São silenciosos e ardis.
- Era uma granada. – o ruivo a corrigiu. – E não sei dizer o motivo desse ataque tão repentino. Talvez o caçador estivesse sozinho e não quisesse enfrentar dois de nós.
- Não. – ela balançou a cabeça, pensativa. – Aquilo não me pareceu um ataque.
- Então o quê? – ele questionou.
- Talvez seja coisa de minha cabeça, mas tudo isso parecia mais um tipo de... aviso. – ela arregalou os olhos.
- E por que eles nos avisariam que estão aqui? – o rapaz franziu o cenho.
- Talvez o aviso não seja esse. – olhou para o céu. - Só não consigo definir o que poderia ser.
O ruivo a encarou diretamente. Realmente, aquele não havia sido um dos típicos ataques dos caçadores. Ao menos eles ou ele haviam usado as tão conhecidas correntes, que poderiam imobilizá-los num só minuto. Fitou as flores que carregava e suspirou, era melhor voltarem.
- É melhor voltarmos. – ele disse. – Não quero que ninguém saiba que estivemos envolvidos nisso.
- Tudo bem. – ela concordou. – Mas só queria agradecer.
Criando a coragem que achava ser suficiente, a aproximou-se do Sabaku e parou apenas quando havia a distância de alguns palmos entre ele. Gaara não soube ao certo o que ela faria, mas continuou parado. Talvez ela o abraçasse novamente.
, por sua vez, sentia seu coração palpitar contra o peito de tal forma que chegava a ficar sem ar. Provavelmente, isso ocorria graças ao que se passava em sua mente, graças ao que estava prestar a fazer. Sabia que não significaria nada para ele, mas desde o momento que recebeu aquelas flores, não conseguia expulsar a ideia de sua cabeça.
Chegou-se ainda mais e quando julgou estar a uma boa distância, encarou o jovem nos olhos. Os dele eram belamente verdes, puros como duas pedras preciosas. Isso foi o incentivo final para consumar seu desejo. Ficou na ponta dos pés e aproximou seu rosto do dele. Ao sentir a sua respiração açoitar sua face, fechou os olhos.
Gaara continuou estático, ainda mais ao perceber a intenção da moça. Em um segundo ela o encarava, no outro pôde apreciar o suave toque entre seus lábios. Tal feito foi tão breve que, ao separaram-se, permaneceram de olhos fechados. Os abriram lentamente e encararam-se sem saber o que dizer. Na realidade, não havia o que se dizer. Precisavam apenas entender o que eram todas aquelas correntes elétricas ganhando vida em seus corpos que agora pareciam querer entrar em combustão.

~o~

A Hyuuga e o Uchiha encaravam-se ameaçadoramente. Nenhum deles havia feito o primeiro movimento, estudando-se cuidadosamente para saber onde e como atacar.
- Parece que a coisa vai ficar feia. – disse ao perceber os olhares deles.
- Vamos acabar logo com isso. – Naruto cerrou os punhos, com vontade de lutar.
- Espera. – a amiga segurou um de seus pulsos.
- O quê? – ele a encarou, confuso. - , precisamos mandar esses caçadores para longe. Eles parecem perigosos.
- É claro que eles são. – ela disse, mas sorriu. – Mas antes eu gostaria de ver o que vai acontecer.
- Como é que é? – ele fez uma careta.
- O Sasuke acha que é melhor do que nós apenas pelo fato de ser um Excelsis. – a rosada apoiou a mão no quadril. – Vamos ver como ele se sai ao enfrentar um Hyuuga. Aposto que não duraria meia hora.
- Isso parece ser interessante. – Naruto riu, entusiasmado. – Sabe, nunca achei que você fosse má.
- Todos têm seus segredos. – ela debochou.
Riram juntos e então o Uzumaki sentou-se na grama. A apenas abaixou-se, apoiando os braços sobre os joelhos. Voltaram a dar atenção para a luta que não sabiam se terminaria tão cedo.
ouviu o riso alto de Naruto, o que a fez olhar por cima dos ombros. Franziu o cenho pela confusão assim que viu o amigo sentado com as pernas cruzadas e abaixada ao seu lado, observando Sasuke e a Hyuuga. Soltou um riso fraco, constatando que tinha os amigos mais loucos do mundo inteiro.
A apenas voltou a olhar para frente quando sentiu algo perto de si. Ao fazê-lo, encontrou-o à sua frente. Não teve tempo para se defender ou atacar, pois o Hyuuga a segurou pelos pulsos, impedindo seus movimentos.
- O que você... – ela falou, enraivecida. – Me solta!
- Acho melhor ficar quietinha aqui. – Neji a segurou mais forte. – Já bastam aqueles dois lá.
- Já disse para me soltar! – ela insistiu.
Encolerizada, a garota tentou fugir dos punhos do rapaz, mas era em vão. Seu corpo ainda estava fraco por conta do veneno anterior e, instantes antes, a Hyuuga havia de certa forma, bloqueado seus poderes.
- Você é um chato! – ela berrou e tentou mais uma vez se desprender.
Para pará-la, Neji segurou-a com força e a encurralou contra uma das grandes árvores do ambiente. Habilmente, prendeu os braços dela sobre a cabeça, apertando-os, mas sem machucá-la. Precisava de algo para pará-la definitivamente. Não gostava nem um pouco da ideia de ser babá de uma Humili.
- Você é bem forte. – ele riu em deboche.
- E nem usei meus poderes ainda. – ela rosnou.
- Que seriam... – ele ergueu as sobrancelhas.
- Acha mesmo que diria para você? – a morena revirou os olhos.
- Você é bem desagradável. – ele cerrou os dentes ao falar.
- Eu? – um sorriso de escárnio deixou o rapaz ainda mais inquieto. – Jura?
O garoto semicerrou os orbes esbranquiçados e, rapidamente, segurou os pulsos de com apenas uma mão. Fechou parte do punho livre, deixando apenas dois dedos esticados, pronto para desacordá-la. Estava com eles próximos ao pescoço dela, quando ouviu o estrondo.
, na tentativa de acertar Sasuke, correu em sua direção e se lançou no ar. O Uchiha foi rápido, desviando-se de seu ataque, que acertou o chão, criando rachaduras ali. Voltou-se rapidamente para ele e investiu outra vez.
- Agora você é meu! – ela murmurou.
- Acho que não. – Sasuke retaliou.
Sem que a Hyuuga esperasse, o rapaz colocou o dedo indicador e o polegar em frente à boca, deixando um pequeno espaço entre eles. Instantes depois, chamas saíram reluzentes por seus lábios.
viu o fogo aproximar-se como um lança-chamas e arregalou os orbes perolados que agora refletiam o tom alaranjado. Todo o lugar foi iluminado e os presentes ficaram abismados. Por um segundo, não parecia haver mais noite. A garota esquivou-se se jogando para o lado, no chão. Ainda assim, parte de seu braço direito foi atingida e ela soltou um urro de dor. Com dificuldade, se levantou.
- Você é mesmo um Uchiha. – ela observou.
- Não tenha dúvidas disso. – ele respondeu.
Mesmo machucada, avançou e Sasuke fez mesmo. Entre golpes e mais golpes, finalmente ela encontrou sua oportunidade. Ele finalmente estava dentro do alcance perfeito.
- Agora. – berrou. – Oito trigramas trinta e duas palmas!
Velozmente, ela acertou o Uchiha, no peitoral, com dois golpes de punho aberto. Mais dois golpes vieram, seguidos de mais quatro. Ainda mais oito pancadas acertaram o corpo de Sasuke. Mas, quando preparava-se para completar seu ataque, sentiu uma dor excruciante no braço queimado e caiu de joelhos.
- Meu... meu braço... – cerrou os dentes.
Segundos depois, Sasuke também caiu. Estava sem forças e não conseguia mover-se direito. Tentou se levantar, mas foi em vão. Ao perceber que era inútil tentar, fitou a garota.
- Você bloqueou meus poderes e meus movimentos. – ele disse.
- Sim. – ela o encarou e sorriu, mesmo estando com dor.
- Então acho que é mesmo uma Hyuuga. – ele completou.
- Ainda não acabamos. – ela enfatizou. – Você vem conosco.
- Gostaria de vê-la tentar. – Sasuke provocou.
sorriu com a proposta. Levantou-se vagarosamente, cerrando os dentes ao sentir o braço latejar. Ainda assim, caminhou até o Uchiha que permanecia no chão, sem poder mover-se direito. Parou perto de seus joelhos e quando ele a encarou, ergueu o punho para desacordá-lo.
Quando seus dedos estavam a centímetros do rosto alvo, porém, sentiu uma mão segurar seu pulso com força. Olhou automaticamente para a pessoa e se deparou com o dono de tal atrevimento.
- Já chega por hoje, não acha? – ele disse.
não teve palavras para responder. Apenas fixou seu olhar no rosto à sua frente. Era claro e nas bochechas haviam marcas peculiares, que se assemelhavam a bigodes de um felino. Entretanto, o que mais lhe chamou a atenção foram os dois orbes azuis que se contrastavam nitidamente com a noite. Pareciam o céu num dia de sol, sem nuvens. Límpidos e vibrantes como águas cristalinas. Por um segundo, teve a plena certeza de que eram os olhos mais belos que já vira.



Capítulo 14: Dor

continuou fitando o rapaz, até que este lhe lançou um sorriso. Porém, tal gesto não era uma forma de demonstrar cortesia e sim um ato que refletia o tamanho da zombaria dele quanto à repentina baixada de guarda da garota. Ao percebê-lo, a Hyuuga franziu o cenho e puxou seu pulso com força, obrigando-o a soltá-la.
- Parece que vocês são meio esquentados. – o garoto debochou.
A garota não respondeu, apenas fez o que achava ser necessário. E naquele momento, o necessário era que ninguém a atrapalhasse. Precisava levar o Uchiha logo para livrar sua família e também para mostrar que era digna de ser a nova líder.
Num rápido movimento, a Hyuuga se colocou em posição de combate e, antes que o loiro pudesse discernir qualquer coisa, o golpeou. O Uzumaki teve tempo apenas para erguer o braço esquerdo, onde recebeu todo o impacto da pancada.
- Você é bem fortinha! – ele disse.
Para a surpresa de , ele riu em seguida. Era como se seu ataque não o tivesse abalado o suficiente. Aquilo a deixou um pouco confusa, porém atacou novamente. Aquele intrometido não seria páreo para ela. Com a outra mão, tentou acertar a área um pouco acima do abdômen dele. Mais uma vez foi surpreendida ao sentir seu pulso ser segurado por seus dedos firmes.
- Você está tentando mesmo bloquear meus poderes? – ele disse, rindo de maneira divertida – Digamos que não será tão fácil.
ergueu os olhos, fitando o rosto dele. Encarou-o nos olhos, mas franziu a testa ao notar que eles não eram mais azuis. Em vez disso, suas íris tornaram-se amarelas e as pupilas ganharam a forma horizontal, tendo marcas laranjas na parte exterior deles.
- Mas o quê? – ela murmurou. – Quem é você?
- Meu nome é Uzumaki Naruto. – ele respondeu com um largo sorriso. – E vou acabar com vocês.
Num movimento rápido, o Uzumaki repeliu a mão da garota com seu cotovelo. Enquanto mantinha a outra ainda entre seus dedos, fechou o punho e tentou socá-la. Ela tentou soltar-se, mas ele a prendia com uma força inimaginável. Para fugir do golpe, sua única saída foi jogar seu corpo totalmente para trás, apoiando-se nas pontas dos pés, se mantendo pendurada apenas pelo braço que Naruto segurava.
Numa fração de segundo, ela voltou a ficar ereta e tentou acertar o Uzumaki com seu punho aberto. Dessa vez, usou mais força, mas ele a bloqueou de novo ao levantar seu braço em frente ao rosto.
Com o Byakugan ainda ativado, a garota analisou o interior dele, notando que se tratava de um membro da classe baixa. Aquilo a intrigou, pois era impossível que alguém que tinha os genes modificados em menos de 50%, expressasse tamanho poder. Voltou a encarrar seus olhos e decidiu que deveria pressioná-lo mais. Precisava acabar com aquela brincadeira. Não tinham tempo.
Após concentrar-se, o leão azul mais uma vez surgiu em sua mão livre. Mirou onde desejava e avançou. Ao perceber a intensidade do ataque, Naruto finalmente soltou seu braço, afastando-se rapidamente. Aquela foi a deixa para que outro leão se manifestasse na mão da Hyuuga. Com o ataque completo, avançou novamente e, para seu espanto, o acertou sem dificuldades.
Observou o garoto cair de joelhos, desacordado e um sorriso surgiu em seus lábios. Havia sido mais fácil do que imaginava. Ao menos agora poderia continuar. Virou-se para Sasuke e este a fitou de volta. Na boca do moreno, porém, havia um minúsculo sorriso.
- Não deveria dar as costas a ele. – Sasuke disse.
- Como? – ela perguntou.
- Só estou dizendo que não deveria baixar a guarda. – o Uchiha sustentou o sorriso – Ele é melhor do que parece.
o encarou com uma expressão confusa, tentando entender onde Sasuke queria chegar. Ela havia acertado o Humili, ele não se moveria tão cedo, não tinha por que se preocupar. Fez menção de se aproximar do Uchiha, porém, seu byakugan captou algo movendo-se logo atrás de si e ela virou-se entrando em posição de combate. Arregalou os orbes esbranquiçados ao confirmar que tal coisa era na verdade Naruto. E ele estava de pé com uma expressão estranha.
- Você está me irritando. – a voz dele saiu como um rosnado. – De verdade.
- Que pena. – ela falou sem muita emoção. – Não era minha intenção magoá-lo, Uzumaki.
- Agora já chega. – ele disse num sussurro.
Em meio a escuridão, uma energia vermelha começou a emanar do corpo do Uzumaki, envolvendo-o completamente. Naruto cerrou os punhos e olhou para . Ela não perdia por esperar.

~o~

De repente, uma brisa suave açoitou os longos cabelos da , fazendo com que seus fios presos num rabo de cavalo alto se esvoaçassem na direção que ela ia. O Sabaku observou tal movimento, captando para si o máximo possível de detalhes, pois algo em sua mente lhe dizia que não presenciaria mais uma visão tão perfeita quanto aquela.
Ainda fitando o rapaz à sua frente, sorriu docemente, sentindo as bochechas esquentarem por estar sendo observada com tal intensidade. Não sabia a razão, mas seu corpo pedia para que o contato que tiveram mais cedo se repetisse. Tentou manter-se controlada e fitou os pés. No entanto, não demorou a sentir um toque delicado na ponta de seu queixo, erguendo mais uma vez seu rosto.
Gaara não sabia por que estava agindo daquela forma, mas algo dentro de si clamava por mais um toque. Nem que fosse o último. Nem que não quisesse mais que aquilo acontecesse. Ele precisava sentir seus lábios mais uma vez. Ainda segurando o queixo dela, aproximou-se, logo sentindo sua respiração descompassada e quente.
Quando os lábios já quase se tocavam, sentiram o vento aumentar demasiadamente, fazendo com que o restante da fumaça se dissipasse por completo. Ainda tentados a continuar, pararam apenas quando ouviram vozes familiares chamando por seus nomes. Afastaram-se de supetão, encontrando quem já esperavam.
- ! – a loira avistou Shikamaru e correu até ele. – , você está bem?
- SHIKAMARU! – ela lançou-se em seus braços. – O que faz aqui?
- Ouvimos o estrondo. – o rapaz explicou. – Viemos correndo, pois sabíamos que poderiam estar em perigo.
- Obrigada por se preocupar. – ela o apertou mais forte. - Mas eu estava com o Gaara.
- Isso não importa. – ele afagou os cabelos dela. – Prometi a seus pais que a protegeria.
- Não comece, por favor. – ela riu contra o ombro dele.
O Nara acompanhou o riso da amiga e fechou os olhos. Sentiu-se aliviado por encontrá-la bem. Sabia que deveria agradecer ao Sabaku por isso, mas algo insistia em sinalizar que não deveria confiar nele. Abriu os olhos e o mirou, deparando-se com o olhar do ruivo sobre eles.
Ao ver a forma como abraçou o amigo, Gaara sentiu um incômodo crescer dentro de si. Tentou ignorá-los, mas era praticamente impossível. Sua atenção só foi atraída pela voz assombrosamente suave de sua irmã.
- Gaara. – o chamou um pouco receosa. – Você está bem?
- Sim. – ele disse apenas.
- Tem certeza? – ela insistiu. – É que nós ouvimos a explosão e...
- Já disse que estou bem, .– ele foi ríspido. – Não se preocupe comigo.
- Me desculpe. – ela baixou o rosto – Eu só queria saber.
Um pouco desconcertada a loira fez menção de que se afastaria. Ao notar o quanto havia magoado a irmã, Gaara sentiu o incomodo em seu peito aumentar. Agora sentia-se mal por dois motivos. Antes que ela pudesse se retirar, segurou seu pulso e a moça parou.
- Gaara?! – estava surpresa.
- Me desculpe. – ele disse num murmúrio. – Apenas não quero que perca seu tempo comigo.
- Gaara, me preocupar com você não é perca de tempo. – ela voltou a se aproximar, dessa vez com um sorriso – Afinal, você é meu irmãozinho.
Pegando-o de surpresa, a garota levou sua mão livre até seus cabelos vermelhos, afagando-os atrás da nuca. Fez isso por alguns instantes, mas logo recuou por não saber qual seria a reação do irmão. Gaara acompanhou a mão de deslizar até estar novamente ao lado do corpo e então a encarou. Estava perplexo por conta da atitude dela. Aquele toque. Há quanto tempo não recebia aquele toque?
Ao ouvi-la pigarrear, porém, ele se recompôs e olhou para os outros que agora se aproximavam deles.
- Acho melhor voltarmos. – Shikamaru disse. – Não é seguro continuarmos aqui.
- Vamos voltar. – Gaara disse.
- É melhor mesmo. – disse. – Não quero me encontrar com mais nenhum caçador.
- Espera aí! – se assustou. – Quer dizer que vocês foram mesmo atacados por caçadores?
- Sim. – a loira respondeu. – Mas eles só jogaram uma granada na gente e sumiram.
- Esquisito. – Shikamaru observou. – Eles não agem assim.
- Eu sei. – a elevou um pouco a voz – É por isso que acho que aquilo, na verdade, foi um aviso e não um ataque.
- Um aviso? – o Nara franziu o . – , isso não é possível.
- Eu sei, só que... – ela tentou insistir.
- Acho melhor deixarmos para discutir esses assuntos depois. – Gaara a interrompeu. – Vamos.
Sem protestar, os outros o seguiram. Caminharam juntos de volta à casa dos Sabaku. Entretanto, o assunto abordado por não saia da mente dos jovens. Cada um deles tinha uma linha de raciocínio quanto ao que aquele ataque poderia representar. Ainda assim, preferiram deixar para discutir isso em segurança.

~o~

Os orbes verdes de esbugalharam-se quando ela viu a energia vermelha fluir do corpo de Naruto, iluminado o ambiente que antes contava apenas com a luz da lua. Sabiam o que aquilo significava. Ele estava perdendo o controle e machucaria quem estivesse por perto.
Levantou-se de onde estava e discretamente foi até o Uchiha, baixando-se do lado dele. Ao notá-la ao seu lado, Sasuke franziu o cenho.
- O que faz aqui? – ele perguntou, ríspido.
- Apenas vem comigo. – ela tentou ignorá-lo e segurou seu braço, passando-o por cima de seu ombro.
- E por que eu iria com você? – ele continuou sendo grosso.
- Por que tenho certeza que não vai querer estar perto do Naruto quando ele perder o controle. – ela falou.
- Perder o controle? – o moreno encarou o loiro. – Tem algo a ver com aquela energia vermelha?
- Sim. – ela respondeu. – Toda vez que aquela coisa aparece, o Naruto fica louco. Ele destrói tudo que vê pela frente.
- Fala isso para aquela Hyuuga então. – ele observou.
- Eu não vou me aproximar agora. – a disse. – Só espero que ele consiga se controlar.
A rosada fitou o amigo mais afastado e soltou um suspiro. Tinha certeza que quando tudo aquilo acabasse, ele se sentiria culpado por todo o estrago causado, mesmo que não tivesse o controle de suas ações. Voltou a mirar o Uchiha e o ajudou a se levantar. Mesmo a contragosto, Sasuke seguiu a garota paro onde ela o levou.
viu o momento em que se afastou com Sasuke, parando atrás de alguns arbustos. Confusa, olhou em volta e só então percebeu o motivo de a amiga ter se escondido. Naruto havia perdido o controle. Aquela coisa vermelha estava lá, em volta dele, controlando todas as suas ações.
A olhou para Neji e percebeu que não faria mais sentido tentar impedi-lo. Sozinho o Uzumaki conseguiria dar cabo dos dois Hyuugas. Baixou as mãos cerradas em punhos e relaxou o corpo. O rapaz estranhou.
- O que houve? – ele questionou. – Desistiu de me enfrentar?
- Na verdade, acho que não preciso mais fazer isso. – ela respondeu. – O Naruto pode dar um jeito em vocês... Sozinho.
Neji finalmente olhou para onde ela havia fitado antes e surpreendeu-se com a aparência do Uzumaki. Ele parecia emanar poder. Usou o byakugan nele e viu que aquela energia vermelha fazia com que os genes regenerados dele, se movessem energicamente, cada vez mais rápido. Parecia que estavam prestes a evoluir para algo maior.
- Sinto muito dizer. – de repente falou. – Mas sua amiga já era.
A expressão do Hyuuga foi tomada por sua aparente preocupação. Sem pensar em nada, correu na direção onde se encontrava. Precisava tirá-la de lá.
- Aonde pensa que vai? Ele vai matá-lo. – berrou ao vê-lo se distanciar. – NEJI!
Mas ele não lhe deu ouvidos. Continuou correndo até estar a poucos metros deles. Preparou-se para atacar quando viu o Uzumaki fazer o mesmo e o repeliu com um chute potente. Mesmo que não tenha atingido seu alvo, foi o suficiente para afastá-lo.
- Neji! – franziu a testa. – O que faz aqui?
- , precisa sair daqui. – ele falou. – Ache o Uchiha e vá embora.
- Como assim? – ela o questionou.
- Apenas faça o que estou dizendo. – ele ordenou.
- Mas e você? – ela quis saber.
- , vai! – ele a olhou por cima do ombro.
- NEJI! – a garota berrou. – Cuidado!
Ele virou-se apenas para receber um golpe certeiro no ombro. As unhas cravaram-se com força, rasgando a roupa ali e a pele por baixo dela. O Hyuuga soltou um urro de dor ao ver seu sangue escorrer, mas tentou contra-atacar. Antes que erguesse sua mão, porém, Naruto o agarrou, apertando seu pulso a ponto de quebrá-lo.
Fora de controle, o Uzumaki largou o ombro dele, prestes a agarrar o pescoço do outro. Mas, antes de fazê-lo, teve sua mão rechaçada por um golpe de Neji, que ainda estava consciente. O Hyuuga tentou atacá-lo, porém, foi lançado com tudo contra o tronco de uma árvore.
- NEJI! – gritou.
Viu o primo cair no chão, praticamente desacordado e sentiu um nó na garganta, mas assim que fitou Naruto, seu sentimento mudou. Sentiu uma raiva imensa tomar conta de si e por ser consumida por ela, o atacou.
Mais rápido do que o normal, Naruto se desviou de cada investida dela, deixando-a frustrada. O suficiente para fazê-la criar novamente os leões, dessa vez roxos.
- Agora você não escapa! – sua voz saiu decidida.
Forçou sua velocidade e investiu freneticamente. Todo seu esforço foi em vão quando um chute vigoroso acertou-lhe a lateral do seu corpo, acima do quadril, seguido de um ataque semelhante um pouco mais abaixo. A dor a fez se desconcentrar e os leões sumiram. O terceiro golpe que recebeu foi bloqueado por sua mão, mas Naruto preparou-se para lhe desferir um soco. Viu o punho aproximar-se de seu rosto, mas não havia para onde ir.
Fechou os olhos esperando que a dor chegasse, porém, tudo ficou calmo de repente. Estranhou, mas apenas abriu os olhos quando sentiu algo pegajoso e quente molhar seus braços. Assustou-se quando viu orbes castanhos encarando-a fixamente e ainda mais ao constatar a dor que eles emitiam. A dor que fora destinada a ela sentir.



Capítulo 15: Segredos Silenciosos

Após voltarem para casa, estranhou a atitude do irmão. Sem dizer uma só palavra, Gaara foi para o escritório que ficava no andar inferior, passando o restante da noite lá.
A loira sabia que ele era reservado, porém daquela vez aquela reação não condizia com os instantes passados. Especialmente depois de observar a , como ela ficou cabisbaixa por ver o Sabaku se afastar sem dar explicações.
Sozinha, caminhou até a cozinha e resolveu preparar um chá. Talvez daquela forma pudesse relaxar um pouco e se esquecer dos últimos acontecimentos. Colocou a água numa chaleira e ligou o fogão, esperando até que o líquido fervesse. Soltou um longo suspiro ao lembrar-se de como o irmão havia reagido a seu gesto de carinho. Em nenhum momento ele a rechaçou, mesmo que tenha ficado tenso e surpreso.
Sorriu sem perceber. Talvez o verdadeiro Gaara ainda estivesse lá, apenas esperando que alguém capaz o trouxesse de volta. E, pelo que parecia, era essa pessoa. Quando viu as bolinhas começarem a aparecer na água, buscou os sachês de chá. Encontrou um pote com alguns dentro e retirou um de lá. Quando já o fechava, porém, teve uma ideia. Lembrou-se que o mais novo gostava de beber algo antes de dormir, mesmo que ele dormisse pouco.
Pegou outro sachê e preparou duas xícaras. Escorou os cotovelos na mesa enquanto via a água tomando uma cor esverdeada e após alguns instantes, finalmente resolveu ir até Gaara. Com um recipiente em cada mão, caminhou até o escritório. Durante o percurso, pensou no que poderia dizer para iniciar uma conversa com o rapaz. Poderia perguntar sobre o ataque dos caçadores de mais cedo. Ou quem sabe, apenas perguntar se ele precisava de algo.
- ... já disse que não! – de repente ela ouviu e parou.
A loira de Suna constatou que aquela era a voz de seu irmão e ao olhar para sua sala, notou que a porta estava entreaberta. Estranhou, pois ele nunca a esquecia assim. Gaara deveria realmente estar distraído. Aproximou-se mais e espiou pelo pequeno espaço, encontrando-o a falar ao telefone. E ele parecia furioso.
- Dá próxima vez, juro que mato todos os imbecis que mandar. – a voz do Sabaku era ameaçadora – Só não o fiz porque a garota estava comigo, mas não tente me testar novamente.
- Com quem ele está falando? - perguntou a si mesma.
- Não me importo. – Gaara voltou a falar – Como assim, meu prazo acabou? Achei que tínhamos um acordo.
A garota franziu o cenho ao ouvi-lo falar em prazo e acordo. Com quem Gaara estava se envolvendo? Segurou a maçaneta, disposta a entrar e tirar toda aquela história a limpo. No entanto, ele falou outra vez.
- Está bem. – o ruivo falou mais calmo. – Eles confiam em nós. Pelo menos a confia, então não vão suspeitar de nada. Podem vir amanhã.
ficou ainda mais confusa. Porém, de uma coisa a moça teve certeza. Nada do que ouviu ali havia sido bom e ela queria saber qual a intenção de Gaara com respeito à Shikamaru e . Viu o irmão colocar o telefone no gancho, então entrou sem ao menos bater na porta.

~o~

arregalou os olhos assim que viu a forma como o amigo atacou aquele Hyuuga. Era bem capaz que estivesse morto. Mordeu os lábios, pois sabia que era difícil fazer Naruto parar quando ele estava fora de controle. E mesmo quando conseguiam, muitos estragos eram deixados pra trás.
- Parece que ele não costuma ficar assim, não é? – de repente Sasuke perguntou ao seu lado.
- Não. – ela sussurrou.
- E por que ele perdeu o controle logo agora? – o Uchiha questionou.
- Eu não sei. – ela respondeu.
- Não sabe? – ele franziu o cenho. – Achei que fossem amigos.
- Nós somos. – ela ressaltou – Mas eu nunca soube o motivo do Naruto ficar assim. Na verdade, nem ele sabe.
- Então quer dizer que não sabem como parar. – ele deduziu.
- Não. – ela baixou o rosto.
Sasuke continuou fitando a rosada. Ela parecia estar realmente preocupada com o amigo e isso era visível em seu rosto. Ao menos precisava usar seu Sharingan para ter certeza. Aquela garota era tão transparente. Viu-a erguer os olhos, mas continuou a encarando. fez o mesmo.
Continuaram sustentando o olhar até que ouviram um grito de dor. Olharam na direção de onde vinha e a sentiu seu peito apertar, quase como se alguém o fizesse.
- TENT... – berrou, mas sentiu uma mão tapar sua boca.
- Shiiiii... – Sasuke a segurou pelo ombro – Não faz barulho, tá legal!
Ela notou que Sasuke também estava alarmado, por isso acenou com a cabeça e ele a largou. A chorava, mas tentava não chamar muita atenção, por isso limpou as lágrimas sob os olhos.
- Eu tenho um plano. – Sasuke disse – Tudo bem?
Ela concordou outra vez e fitou a cena atrás de si. Precisava parar Naruto a qualquer custo e tirar de lá.

~o~

- ?! – ele arregalou os olhos.
- Será que poderia me explicar o que está acontecendo? – ela foi direta. – Que história de acordo é essa? O que quer com a e o Shikamaru?
- Eu não te devo explicações. – ele cruzou os braços.
- Dessa vez essa desculpa não vai servir. – ela deixou as xícaras sobre a mesa de mogno – E é melhor que me fala logo o que quer com eles, ou...
- Ou? – o Sabaku aproximou-se a passos lentos. – O que pensa que pode fazer contra mim, ?
- O suficiente. – a garota cerrou os punhos. – Agora me diz, o que quer com eles?
- É melhor que saia daqui. – ele lhe deu as costas.
- Não vire as costas para mim! – ela falou, enfurecida.
Àquelas palavras, uma rajada de vento atingiu alguns livros sobre a mesa, jogando-os contra a parede atrás de Gaara. Este olhou surpreso para irmã.
- De onde isso veio, tem muito mais. – ela semicerrou os olhos.
- O que está fazendo? – ele franziu o cenho.
- Tentando fazer com que fale. – ela se aproximou alguns passos.
- Eu não posso. – ele falou entredentes.
- Não pode ou não quer? – ela ergueu as sobrancelhas. – E eu que achei que a tivesse mudado você.
- Você não sabe de nada. – dessa vez Gaara a olhou com raiva.
- A única coisa que eu sei é que não há mais jeito para você, Gaara. – a loira engoliu seco. – Acabamos de conhecer essas pessoas, trouxemos elas para nossa casa e já quer tirar proveito de tudo isso?
- Pare... – ele fechou os olhos com força.
- Quando vai apender que as pessoas têm sentimentos, que não pode usá-las a seu bel-prazer? – cuspia as palavras. – Aquela garota, a , ela acha que você sente algo por ela. Mas não. Você só quer tirar vantagem dessa relação.
- Cale-se. – ele cerrou os punhos.
- Mas dessa vez eu não vou deixar. – ela falou decidida. – Por que eles são importantes para mim e pela primeira vez eu entendi o que é ter pessoas que se importam com você ao seu lado.
- , pare. – ele murmurou.
- Não, pare você! – ela berrou. – Já cansei de ter medo.
- Medo? – ele franziu a testa.
- Pode tentar me matar, se quiser. Mas antes vou tirá-los daqui. – ela balançou a cabeça negativamente e abrandou o tom de voz. – E eu achei que pudesse ter meu irmãozinho de volta.
- Teamari, espere! – Gaara pediu, porém a moça continuou.
Como último recurso, o Sabaku fez o que menos gostaria. Sua areia saiu em disparada, bloqueando a porta. A garota riu com desdém.
- Acha que isso vai me parar? – ela preparou-se para dissipar a areia com vento.
- Não, não acho. – ele respondeu. – Mas isso vai.
Gaara ergueu a mão esquerda, fazendo com que mais areia deslizasse até a irmã. Ao vê-la ao redor de si, a garota urrou com raiva e não esperou para atacar. Com chutes e socos fazia a areia destroçar-se, mas esta logo retomava forma. Ao perceber que seria inútil aquele tipo de ataque, ergueu uma das mãos para o alto e começou a criar um redemoinho.
Percebendo onde aquilo poderia parar, o Sabaku decidiu acabar com tudo. Fez com que um discreto fio de areia alcançasse , enlaçando seu tornozelo. Ela tentou reagir, porém era tarde. Gaara fez o fio subir pelo corpo dela até parar ao redor de seu pescoço. Sem hesitar, o fez engrossar e começou a estreitá-lo, enforcando-a.
- G-Gaara... – a voz dela quase não saiu.
Mantendo-se firme, ele comprimiu ainda mais a areia e a viu tentar removê-la de lá, mas em vão. A garota cambaleou para trás até se escorar numa parede. Tentou respirar, mas o ar não chegava aos seus pulmões. Ao sentir que não podia mais continuar, desistiu, soltando seus braços ao lado do corpo.
Ao ver que a irmã cairia, Gaara correu até ela, aparando-a em seus braços. O impacto o faz se ajoelhar, levando-a junto. Após constatar que ela estava desacordada, desfez o fio de areia que estava em volta do pescoço dela. Analisou o lugar e teve certeza de que ficaria marcado. Suspirou.
Sem muito esforço, ajeitou-a em seu colo e a ergueu, caminhando até um sofá que havia no recinto, colocando-a sobre ele. A deitou com cuidado e se abaixou ao seu lado, analisando sua expressão serena.
- Eu sinto muito. – ele sussurrou.
Sem sabe como agir, segurou a delicada mão da moça entre a sua. Há quanto tempo não o fazia? Talvez desde que perderam todos e lhes restou apenas um ao outro. Ao invés de se unirem, se distanciaram.
Agora, porém, ele faria tudo diferente. Tentaria consertar as coisas e fazer tudo voltar ao normal. E ninguém poderia ficar em seu caminho. Nem mesmo sua irmã.
Levantou-se e, após ajeitar o que estava fora do lugar, saiu. Trancou a porta por fora e levou a chave consigo. Manteria a garota ali até que tudo estivesse feito. O que não demoraria a acontecer.

~o~

arregalou os olhos ao ouvir o grito de dor que a garota emitiu. Elas se encararam por longos segundos até que percebeu o que tinha acontecido. As unhas do Humili haviam se cravado na parte de trás do seu ombro direito, impedindo-o de continuar.
Ao vê-lo rasgar a pele dela para tentar soltar-se, franziu o cenho, pois a moça gritou outra vez. Ao ver o sangue dela escorrendo pela camiseta rosa, fez a única coisa que lhe veio à mente. Agarrou-a pelo braço e a puxou.
Caíram juntas e quando viu o garoto avançar para cima delas, o repeliu com um chute. Ao vê-lo a alguns metros de distância, olhou para a morena ao seu lado e ela estava mal. Sangrava bastante, a ponto de ter se sujado com ele também.
- Ei! – ela a chamou. – Garota!
- Sai... sai daqui. – ela murmurou.
- O quê? – franziu o cenho.
- Sai daqui. – ela repetiu. – Ou ele vai te matar.
- Mas e você? – ela quis saber.
- Para mim já era. – a garota suspirou fundo e gemeu pela dor. - Apenas sai daqui.
- Só me diz por que fez isso. – a Hyuuga questionou.
- Por que não posso deixar que o Naruto mate mais ninguém. – ela sussurrou. – Ele não vai se perdoar nunca.
- E acha que ele vai por ter te matado? – disse.
A outra não respondeu, apenas soltou um gemido de dor. mordeu os lábios e decidiu fazer algo que ia contra todos os quesitos daquela missão. Ajudou a garota a se levantar e a conduziu para onde Neji estava. Depois de sentá-la, analisou o primo que ainda permanecia desacordado.
- Eu disse para ele não se meter. – a garota disse e gemeu mais uma vez.
- Qual o seu nome? – perguntou.
- ... – ela murmurou.
- Certo, . Fique aqui. – a Hyuuga ordenou. – Vou dar um jeito nisso.
- Não... – a tentou dizer, mas a outra já se afastava. – Não tem como pará-lo assim.
foi até Naruto. Ela estava um pouco receosa, mas ele estava machucando pessoas e precisava parar. Cerrou os punhos e preparou-se para atacar. Decidiu que só sairia dali quando todos estivessem seguros. Não era esse seu dever, mas seu coração falou mais alto. Ele sempre falava.
- EI! – ela gritou. – Onde você está? Por que não vem aqui me pegar?
Olhou cautelosa ao redor. Não havia visto o momento que ele tinha se escondido. Resolveu ativar o Byakugan, mas no momento que o fez, sentiu algo pular de uma árvore em sua direção. Era ele. Rapidamente, esquivou-se, contra-atacando com alguns golpes. Mas ele era rápido. Muito mais rápido do que a primeira vez.
- Você não vai ferir mais ninguém. – ela falou com firmeza.
Após longas tentativas, ela finalmente o acertou, mas parecia que não havia nem o acertado de raspão. Além de mais veloz e forte, estava também mais resistente. Por perder tempo pensando, perdeu um de seus movimentos e um soco certeiro a fez ir ao chão.
- Droga... – murmurou com raiva.
Tentou se levantar, pois sabia que ele não perderia tempo. Foi quando avistou um vulto negro misturando-se a escuridão. Estreitou os olhos e o reconheceu. Era o Uchiha. Mas o que ele fazia na linha de ataque?
- Saia daí, seu idiota! – ela gritou. – Ele vai matá-lo.
- Não se ele não chegar perto de mim. – Sasuke respondeu e então falou mais alto. – Ou está com medo, Naruto?
Não foram muito segundos para que a atenção do loiro se voltasse para o moreno. Esquecendo a Hyuuga, ele correu até o Uchiha e quando já estava bem próximo, soltou um urro raivoso mostrando que não teria dó.
Entretanto, pegando-o de surpresa, um vulto cor de rosa pareceu entre eles, acertando um potente soco no rosto no Uzumaki. A força usada pela foi tão imensa que o amigo caiu desacordado. Instantaneamente, a aura avermelhada desapareceu do redor dele e tudo voltou a ficar em silêncio.



Capítulo 16: Bom o Suficiente

permaneceu alguns segundos paralisada, até que voltou a si e então correu na direção do Uzumaki. Ajoelhou ao lado do amigo e ao constatar que estava apenas desmaiado, suspirou, aliviada.
- Ele vai voltar ao normal agora? – de repente ouviu uma voz atrás de si.
- Pelo que parece, sim. – a rosada respondeu.
Em seguida, olhou para trás encontrando quem falava com ela. Era a garota Hyuuga. Por um segundo teve vontade de socá-la tão forte como fez com Naruto, mas conteve-se e voltou seu olhar para mais além, encontrando Sasuke a alguns metros, mas logo começou a analisar o amigo.
O Uchiha viu a tocar os ferimentos do loiro, mas estranhou o fato de ela não começar a curá-lo. Continuou onde estava até sentir o cansaço dominar seu corpo mais uma vez. Aqueles Hyuugas eram mesmo poderosos. Seus poderes ainda estavam bloqueados e ao menos conseguia se mover. Teve de se esforçar para distrair Naruto. A contragosto, sentou-se no chão para se recuperar mais rápido.
Ao ouvir o movimento de Sasuke, voltou a fitá-lo e franziu o cenho. Achou que talvez precisasse de ajuda, então resolveu ir até ele. Após acariciar os cabelos de Naruto, levantou-se e foi até o moreno.
- Você está legal? – ela parou perto de seus pés.
- Eu estou bem. – ele olhou para as botas que ela usava. – É melhor ver como estão os outros.
- Tem certeza? – ela questionou. – Eu posso...
- , estou bem. – ele a interrompeu, fitando-a.
- Tudo bem. – ela sustentou o olhar. – Só queria ajudar.
- São eles que precisam de sua ajuda agora, não eu. – ele disse.
Ela o encarou por mais alguns segundos, mas fez o que ele disse. Acenou com a cabeça uma vez e foi até a Hyuuga, que continuava abaixada olhando para Naruto. Cerrou os punhos para controlar-se e parou ao lado dela.
- Onde ela está? – perguntou.
- Está falando de sua amiga? – a encarou.
- Sim. – respondeu.
- Vou levá-la até lá. – a morena se levantou. – Mas ela não está muito bem.
- Não importa. – a foi seca. – Apenas me mostre onde a está.
- Vamos. – ela começou a caminhar.
a seguiu para trás de algumas árvores e num segundo toda a sua raiva foi substituída por um desespero sufocante. estava recostada à árvore e sua cabeça pendia para frente por talvez estar desacordada. Sua camiseta rosa estava rasgada em algumas partes e sangue escorria por seu ombro direito. Os coques bem feitos estavam bagunçados e algumas mechas caíam sobre os olhos de chocolate.
- ! – levou uma das mãos aos lábios.
Sem pensar, a rosada correu até a amiga e se ajoelhou com tudo em sua frente, tocando seu ombro bom. As lágrimas já embaçavam sua visão, mas tentou acalmar-se, pois sabia que agora a precisaria dela.
- Amiga, fala comigo, por favor. – a sacudiu algumas vezes. – , vamos lá!
- ... – a outra murmurou, levantando a cabeça lentamente.
- Ah, meu Deus, você está viva! – a abraçou.
- , você está... me... apertando... – falou pausadamente.
- Me desculpa. – ela a largou. – Tudo bem, vou cuidar de você.
- Eu estou detonada, não é? – a riu anasalado e recostou a cabeça no tronco da árvore, fechando os olhos.
- É. – foi o que conseguiu responder. – Mas vou dar um jeito nisso.
- E o Naruto? – perguntou, abrindo os olhos. – Ele não feriu mais ninguém, não é?
- Demos um jeito nele. – foi o que a disse.
- Como? – insistiu.
- Depois. – a rosada encerrou o assunto. – Agora me deixa ver esse ombro.
Com cuidado, ela analisou o ferimento e fez uma careta. As garras tinham ido fundo e ela teria um pouco de trabalho. Mordeu os lábios enquanto pensava numa forma de limpar o lugar antes de tudo, até que viu outro ferimento na palma da mão da amiga.
- O que foi isso? – ela questionou.
- Um acidente. – respondeu. – Me cortei com uma faca.
- Então me deixa cuidar logo disso. – segurou sua palma com cuidado.
Sem dizer mais nada, aproximou sua mão da mão da amiga e o brilho verde surgiu. Aos poucos, começou a sarar aquele corte mais superficial e menor, vendo-o se fechar lentamente. suspirou aliviada ao sentir a dor diminuir e agradeceu mentalmente por ter uma amiga como .

~o~

O vento quase não soprava e aquilo parecia estranho. Ao menos era para o rapaz que olhava pela janela do quarto onde estava. Fitou o céu escuro, repleto de pontos amarelados e suspirou. Perguntava-se como em tão pouco tempo havia se acostumado com a presença dela. Logo no início, a achou uma problemática, mas depois conseguiu enxergar que tipo de mulher ela era realmente.
Não que ele não a considerasse mais uma problemática, apenas conseguiu achar outras qualidades na Sabaku. Parecia que eles podiam entender-se apenas com uma troca de olhares. Ainda que ela o irritasse facilmente, sentia-se bem ao seu lado. Vagando por seus pensamentos, o Nara recordou do momento em que estavam sozinhos no jardim. Ele iria beijá-la, sabia que iria. Apenas não entedia o motivo.
- Que droga... – murmurou quando a visão dela tomou conta de sua mente. – Isso é tão problemático.
Resolveu sair dali, talvez andar pela casa o fizesse pensar em outras coisas menos constrangedoras. Fechou a porta do quarto atrás de si e seguiu pelo corredor, indo até a . Queria conversar um pouco com a amiga e espairecer.
Após alguns minutos, parou em frente à porta de madeira e bateu. Não demorou muito e ela foi aberta, revelando uma loira cabisbaixa. Ele estranhou seus olhos meio avermelhados e as bochechas coradas e franziu o cenho.
- , você está legal? – ele perguntou cautelosamente.
- Shikamaru... – a garota suspirou fundo. – Eu...
E antes que ele pudesse perguntar qualquer outra coisa, a entregou-se ao pranto. Chorava como uma garotinha desconsolada e isso fez o amigo se assustar.
- , o que houve? – perguntou, alarmado.
Ela não respondeu, apenas adentrou o quarto, continuando a chorar. Shikamaru a seguiu sem saber o que fazer. Sabia que vez ou outra a amiga tinha crises como aquelas, especialmente quando estava naqueles dias de mulher.
Aproximou-se por trás dela e segurou seus ombros com delicadeza. Automaticamente, virou-se de frente para ele e o abraçou pela cintura, enterrando o rosto em seu peitoral. Isso deixou o rapaz ainda mais espantado. Geralmente, em momentos como aquele, a moça costumava afastar quem estivesse por perto.
- Ei, me diz o que aconteceu? – ele tentou mais uma vez.
- Eu sou uma idiota. – ela murmurou, soluçando.
- O quê? – questionou, confuso. – , será que poderia ser mais clara? Sabe que não curto muito ficar decifrando seus enigmas.
- Eu o beijei. – a loira soltou de uma vez.
- Como? –se afastou um pouco, a encarando. – De quem está falando?
- Do Gaara. – ela disse um pouco envergonhada. – Eu beijei o Gaara.
- Me diz que isso não é sério. – riu sem humor.
- E por que eu brincaria com uma coisa dessas? – ela se afastou bruscamente, indo até a janela do quarto.
- Foi mal. – fingiu rendição. – Mas é que isso é um pouco esquisito.
- Eu sei, eu sei... – ela sussurrou, parando e olhando para fora. – Mas é que...
suspirou longamente e limpou as lágrimas sob os olhos, voltando-se para o amigo. Este se aproximou lentamente e ergueu as sobrancelhas, esperando que ela continuasse.
- De verdade, eu não sei o que deu em mim. – ela admitiu. – A única coisa que sei é que naquele momento, eu precisava fazê-lo e, bem... eu fiz.
- E está agora arrependida. – ele sugeriu.
- Não, não é isso! – a negou imediatamente.
- Então o quê? – o garoto abriu os braços.
- Eu não estou, mas... acho que ele sim. – ela tentou prender o choro que ameaçou voltar. – Ele ao menos olhou para mim quando voltamos.
Ao ouvir as palavras da garota, Shikamaru sentiu algo dentro de si fluir. E ele sabia que sentimento era aquele. Raiva. Cerrou os punhos com força e fechou os olhos, soltando um suspiro descontente. Não costumava agir daquela maneira, no entanto, ninguém ousaria brincar com e sairia ileso.
Sem pensar nas consequências, abriu os olhos e encarou a porta aberta. Fez menção de sair, porém, sentiu os dedos finos da garota segurarem seu pulso, por isso parou.
- Shikamaru! – ergueu um pouco o volume da voz. – O que pensa que vai fazer?
- Quem esse cara pensa que é? – disse entredentes. – Ele acha que pode tratar os outros como bem entende e que nada vai acontecer?
- Ei, não é nada disso. – tentou acalmá-lo.
- Claro que é! – ele elevou o tom dessa vez. – Ou vai defendê-lo?
- Não, não vou defender ninguém! – a loira também berrou. – Só não quero que se meta em nenhuma confusão. Shikamaru, eu vi o que ele pode fazer e não vai querer enfrentá-lo.
- Eu não me importo. – o jovem falou mais baixo dessa vez. – Prometi que iria protegê-la.
- Você já está me protegendo, sempre fez isso. – ela se aproximou e segurou seu rosto com as mãos. – Mas não preciso que viva em prol disso, sei me virar sozinha.
- É, você sabe. – ele segurou uma das mãos dela, a mantendo ainda em seu rosto.
- Então me deixe resolver as coisas. – ela pediu.
- Tudo bem. – falou mesmo contrariado.
- Obrigada. – agradeceu com um sorriso.
- Tá. – revirou os olhos. – E eu achando que iria me distrair ao vir falar contigo. Deveria ter me lembrado que você é uma bomba relógio.
riu daquele comentário. Queria evitar que Shikamaru entrasse numa briga com Gaara. Para ela, não era preciso nada daquilo. Tinha certeza que o Sabaku lhe daria uma explicação e tudo ficaria bem.

~o~

estava abaixada ao lado do primo, que continuava desacordado. Aquele tal de Naruto havia pegado pesado com ele. Tentou ajeitá-lo sobre a grama agora escura pela noite, mas parou no segundo que o ouviu gemer. Pelo menos ele estava vivo.
- Neji. – murmurou perto do rosto do rapaz, mas ele continuou imóvel. – Acorda, por favor.
A jovem recebeu apenas o silêncio em troca. Isso fez seu coração apertar, como se todos os sentimentos ruins tivessem se misturado e aumentado sua preocupação. Ergueu os olhos e fitou as duas garotas à sua frente. Foi quando viu a luz esverdeada que emanava da mão direita da rosada. Alguns instantes depois, o corte que havia na palma da , sumiu.
Só então é que a Hyuuga entendeu o que aquela garota havia feito. Ela havia curado a amiga. Automaticamente, uma pontada de esperança cresceu dentre de si e a perolada se levantou. Sabia que tinha poucas chances de conseguir, porém, precisava tentar. Determinada, caminhou até elas.
Ao perceber perto de si, ergueu a cabeça para encará-la melhor. Ficou alguns segundos olhando para ela, esperando que dissesse algo, mas soltou um longo suspiro cansado quando a outra não se manifestou. Sem paciência, voltou a analisar o machucado no ombro de .
Percebendo isso, franziu o cenho.
- Meu primo, ele precisa de ajuda. – ela apontou para Neji.
- Que tipo de ajuda? – a ergueu as sobrancelhas.
- Vi você curá-la. – a morena apontou para a mão da . – Talvez pudesse fazer o mesmo com ele.
- Sério? – riu com desdém. – Depois de tudo o que aconteceu aqui, acha mesmo que eu curaria aquele cara?
- Sei que não nos conhecemos de uma forma muito amigável. – fitou as mãos sujas de sangue. – Mas não era para nada disso ter acontecido.
- Jura? – a falou num tom debochado. – Não é o que parece.
- Deveríamos apenas levar o Uchiha. – virou o rosto. – Apenas isso.
- Apenas isso. – riu abafado ao repetir as palavras da outra. – Que tipo de pessoa pode ser tão estúpida para pensar assim?
- Você não entende. – balançou a cabeça negativamente. – Nenhum de vocês pode entender.
- A última pessoa que me disse isso era bem idiota e arrogante. – a rosada disse. – E agora ele precisa de minha ajuda. Assim como você.
não sabia mais o que dizer. Tinha em mente que aquilo poderia acontecer, pois eles haviam acabado de lutar contra aqueles regenerados. No entanto, ela faria o que fosse preciso para salvar Neji. Pensou em insistir um pouco mais, mas uma voz a fez parar.
- , para com isso. – murmurou.
- Como é? – a franziu o cenho.
- Foi o Naruto que fez aquilo com ele. – a disse.
- Eles se meteram onde não deveriam. – ela retaliou.
- Eu sei disso. – concordou. – Mas combinamos que nunca mataríamos ninguém, que daríamos outro jeito de escapar dos caçadores.
- Mas ele perdeu o controle. – a rosada sussurrou.
- E sabemos o que acontece depois disso. – ela gemeu pelo esforço. – Cure o Hyuuga, pois se ele morrer, o Naruto nunca vai se perdoar.
considerou o que a amiga havia falado e sabia que ela tinha razão. O Uzumaki sempre se martirizava quando voltava de uma crise e daquela vez ele tinha causado grandes estragos. Olhou para o garoto deitado, enxergando sua silhueta em meio à escuridão. Suspirou aflita e, finalmente, decidiu o que deveria fazer.

~o~

A passos lentos, o ruivo saiu do seu quarto, fechando a porta atrás de si. Tinha a vontade de ir até o andar inferior para saber se sua irmã continuava dormindo, mas precisava resolver outra questão antes.
Atravessou o corredor até estar próximo à porta de madeira. Estranhou ao encontrá-la aberta e diminuiu mais ainda suas passadas quando ouviu risos vindos de dentro do quarto. Reconheceu as vozes de imediato. Eram eles.
Voltou a caminhar e ao parar a entrada, bateu levemente. Isso chamou a atenção dos dois jovens que estavam sentados na cama, conversando animados. A garota se levantou no mesmo segundo, surpresa.
- Gaara?! – ela arregalou os olhos azuis.
- Será que podemos conversar? – ele perguntou.
- Eu... é... – a garota estava incerta.
Buscando ajuda, olhou para o amigo atrás de si, mas este apenas fez um sinal com os ombros. Como se dissesse para que ela resolvesse as coisas sozinha. Ao entender, ela revirou os olhos e voltou a encarar o Sabaku.
- Acho que é melhor eu sair. – Shikamaru disse. – Mas se precisar de mim, , basta me chamar.
- Não precisa se preocupar comigo. – ela o lembrou.
- Certo. – ele balançou a cabeça uma vez.
Shikamaru se levantou do colchão e seguiu em direção à saída. Enquanto seguia, encarou Gaara de forma penetrante, mas este não pareceu se abalar, apenas retribuindo com um olhar arrogante. Saiu e fechou a porta, deixando os dois a sós.
, que ainda encarava a madeira escura, fitou os pés. Não teve coragem de encarar o rapaz à sua frente. Ele, porém, quebrou o silêncio.
- , temos que... – ele disse, mas foi interrompido.
- O quê?! – ela falou num tom debochado. – Veio me dizer que estar arrependido do que fizemos ou só que eu beijo mal mesmo?
- De onde tirou isso? – o ruivo questionou.
- De todas as suas atitudes após aquele momento. – respondeu. – Durante todo o caminho até aqui, você sequer olhou para mim.
- Você não está entendendo. – tentou falar.
- É claro que estou. – ela riu sem humor. – Ou vai dizer que sou burra também?
- Por que não me escuta por um segundo? – ele elevou seu tom um pouco mais que o comum.
A garota assustou-se um pouco com sua mudança de humor, mas não deixou que isso se transparecesse. Continuou a mirá-lo insistentemente. Se Gaara queria falar, que falasse.
- Vamos lá, me diga o que não entendo então. – ela cruzou os braços.
Gaara fitou a mulher à sua frente e suspirou discretamente. Ela não deveria ter aparecido em sua vida, não dessa forma. Agora tudo ficava mais difícil. Engoliu seco e cerou os punhos, criando a coragem necessária para dizer. Olhou para ela e admirou sua beleza. Beleza essa que era apenas mais um atributo perto de todas as outras qualidades dela.
- O que aconteceu entre nós... – ele começou a dizer. – Foi um erro.
- Então não sou boa o suficiente para você? – ela mordeu os lábios.
- Não. – a olhou nos olhos. - Eu não sou bom o suficiente para você.



Capítulo 17: Dons Grandiosos

franziu o cenho ao ouvir as palavras do Sabaku. Mordeu o lábio inferior, tentando não dizer nenhuma besteira, mas não podia aceitar aquela desculpa. Como ele poderia saber se era ou não bom o suficiente para ela? Eles ao menos se conheciam direito.
Deu dois passos à frente e cruzou os braços, como se quisesse mostrar que não estava convencida e isso pareceu funcionar. Notou o momento que o ruivo soltou um discreto suspiro, desviando o olhar dela.
- Gaara... eu não sou estúpida. – a loira disse calmamente – Então não haja como se eu fosse.
- , essa nunca foi minha intenção. – ele a fitou ligeiramente, logo voltando a mirar um ponto qualquer.
- Então pare de inventar desculpas. – ela falou firme.
A o olhava fixamente, tentando encontrar qualquer explicação em seus traços. Mas aquele homem era tão fechado. Parecia guardar tudo para si. Passou a língua entre os lábios no momento que ele levantou o rosto, conectando seus olhares. A garota distinguiu ali uma pontada de tristeza. Não, de algo maior. Algo que parecia sufocá-lo. E, de certa forma, passou a sufocá-la também.
- Gaara... – ela se aproximou ainda mais e ficaram cara a cara. – Qual o problema?
- Apenas... – ele hesitou, desviando os olhos outra vez. – Só não confie em mim.
- Como assim? – ela tentou olhá-lo nos olhos. – Por quê?
- ... – de repente, ele a segurou pelos ombros, a afastando alguns passos. - Apenas fique longe.
- Se me quer longe, deve dizer o motivo. – ela segurou um de seus pulsos. – Sabe que se eu quisesse, eu leria sua mente e descobriria, mas quero que seja sincero comigo.
Gaara soltou um novo suspiro. Aquela garota mexia com ele mais do que gostaria, mais do que deveria. A aquela altura, ele deveria estar ciente de que o que poderia acontecer entre eles era inalcançável. Talvez se fossem outras pessoas. Mas ali, agora, não podia deixá-la se aproximar. Não mais.
A fitou decidido, porém, assim que encontrou aqueles orbes azuis sentiu algo revirar dentro de si. Só de mirá-la daquele jeito podia sentir uma energia diferente correr por suas veias e ela era levada até seu coração. Odiou-se por um segundo, por achar que ela não merecia nada do que aconteceria, mas tinha feito um acordo. E esse acordo seria capaz de transformar sua vida.
estava apreensiva, por mais que tentasse não demonstrar. Continuava a segurar o pulso do rapaz e assustou-se quando ele afastou suas mãos de seus ombros, obrigando-a a largá-lo. Pensou em dizer algo, mas ele foi mais rápido.
- Eu sinto muito. – a voz do Sabaku estava carregada de sentimentos que ela não conseguiu entender.
- Sente pelo quê? – ela ergueu as sobrancelhas.
Ele não respondeu. Lutava internamente contra sua vontade de aproximar-se uma última vez. Fechou os olhos, mas estremeceu quando sentiu os dedos finos da tocarem seu rosto. Ao ouvir seu coração pulsar mais rápido, apertou os punhos com força, como se tal movimento o fizesse voltar ao normal.
- Gaara... – a sentiu falar mais perto. – Olhe pra mim, por favor.
Como se um ímã o puxasse, fez o que ela pediu. Abriu os olhos lentamente para encontrá-la próxima, sua respiração açoitando sua face. Aquela visão foi o suficiente para acabar com todo seu autocontrole. Sabia que não deveria fazê-lo, mas o fez.
Segurou sua cintura e a trouxe para perto do seu corpo. Ao mesmo tempo em que selava seus lábios aos dela, a abraçou com força, como se pudesse perdê-la a qualquer segundo. Sentiu as delicadas mãos de enlaçarem seu pescoço e isso o moveu a apertá-la ainda mais contra si.
Separaram-se ofegantes e encostaram as testas. puxava ar para os pulmões, permanecendo de olhos fechados. Quanto a Gaara, ele a fitava e isso lhe trouxe ainda mais desejo do que achou ser possível. Mas era errado. Não podia iludi-la. Não podia iludir-se.
abriu os olhos, surpresa, e ficou ainda mais quando ele voltou a se afastar. Dessa vez, quebrando qualquer tipo de contato entre eles. Sentiu os olhos marejarem, mas segurou o nó em sua garganta, mesmo quando o viu caminhar na direção da porta. Ele segurou a maçaneta e então voltou metade do corpo para ela.
- Me desculpe. – ele pediu sinceramente – Eu não...
Mas, antes que ele pudesse completar sua fala, o som de algo se quebrando pode ser ouvido longe. Como se vidro estivesse sendo estilhaçado. Imediatamente entraram em alerta e sem precisar de palavras, correram até o andar inferior, de onde o ruído tinha vindo.
Desceram as escadas correndo, mas pararam ao perceberam que as luzes estavam apagadas. Além disso, o silêncio instalou-se novamente. Ainda assim, desceram os últimos degraus cautelosamente e Gaara colocou o braço na frente de para que ela parasse. Sozinho, desceu o degrau que faltava e se encostou à parede, olhando discretamente para a sala de estar. Nada.
- Gaara, está muito escuro. – sussurrou.
O ruivo colocou o indicador sobre os lábios, como um sinal para que ela fizesse silêncio e voltou a olhar outra vez. Não havia ninguém ali. Pelo menos não agora. Gaara sabia, no entanto, que aquele barulho não tinha sido coisa de sua cabeça. também o ouvira.
Decidido, começou a caminhar até a sala a passos lentos, logo sentindo a loira em seu encalço. Sabia que se pedisse para que ela ficasse, ela não o obedeceria, por isso prosseguiu. Quando já estavam perto dos dois sofás marrons que ficavam no meio da sala, pararam.
- Não tem ninguém aqui. – disse baixinho.
- Mas com certeza tinha. – ele falou no mesmo tom.
Fitou os cantos ao redor, os olhos já se acostumando com a escuridão e avistou a parede onde o interruptor ficava. Caminhou até lá e só então percebeu que a segurava seu braço. Chegaram e ele finalmente acendeu a luz. Assim que o fez, deparou-se com o que menos gostaria.
Sentado num dos sofás estava um homem. Sua posição era descontraída com as pernas cruzadas, o tornozelo apoiado ao joelho. As roupas escuras, assim como os cabelos, contrastavam com os grandes olhos vermelhos. Apenas o pequeno sorriso no canto de seus lábios parecia não se encaixar com aquela figura. E isso tornou-se ainda mais evidente quando palavras saíram de sua boca.
- Olá, Gaara! - elas pareciam querer cortar qualquer coisa em sua frente.

~o~

A garota olhava chocada para o rapaz deitado no chão. O ferimento em seu ombro era profundo. Muito pior do que o de . Isso, sem contar todas as outras escoriações espalhadas pelo corpo alvo.
Tocou o local mais afetado com cuidado e franziu o cenho quando seus dedos se sujaram de sangue. Porém, tal reação não tinha a ver com aquilo, mas sim com o fato de ter decidido ajudar o Hyuuga.
- E então, você pode ajudá-lo? – ouviu atrás de si.
Virou-se até a pessoa, avistando os grandes olhos perolados da garota. Sua vontade de esmurrá-la agora era menor, mas ainda assim não gostava nem um pouco da ideia de ter que ajudar aquela gente. Eles eram caçadores. Eram regenerados que caçavam sua própria espécie. Fazia apenas por Naruto.
- ... – ouviu chamar seu nome. – Como ele está?
- Mal. – ela murmurou.
- Muito mal? – preocupou-se.
- Muito mal. – ela confirmou, continuando. – Vou tentar fazer o possível.
A Hyuuga apenas balançou a cabeça positivamente. Estava apreensiva com o estado do primo, tinha medo que talvez ele não resistisse. Sabia que Neji era forte, mas o ataque daquele tal Naruto havia sido demais até mesmo para ele. Podia confiar apenas em , mesmo que a rosada fizesse aquilo de má vontade.
A voltou a analisar o garoto. Baixou o ouvido até tê-lo perto de seu nariz e se aliviou. Ele ainda respirava, mesmo que devagar. Chegou o pulso e este também era fraco. Sabia como deveria agir dali para frente.
- Certo. – ela disse. – Antes de tudo, precisarei limpar o ferimento, então gostaria que me ajudasse.
- Tudo bem. – concordou. – Tenho água comigo, só um segundo.
Levantou-se, apressada e correu até onde tinham deixado as mochilas. Enquanto isso, rasgava a camisa de Neji ainda mais, para que pudesse tratar o ferimento. Durante o processo, viu que a observava e não conseguiu ignorá-la.
- O que foi? – ela franziu o cenho.
- Sei por que está ajudando o Hyuuga. – a outra disse.
- Claro que sabe. – ela revirou os olhos. – O Naruto fez isso e temos de consertar.
- Não só por isso. – ela riu levemente. – Você não é tão durona quanto quer demonstrar.
- Como é? – ela ergueu as sobrancelhas.
- Você passou por muitas coisas e achou uma forma de evitar que te machucassem de novo. – disse. – Sei muito bem o que é isso, passei pelo mesmo, lembra?
- Por que não fica quieta e descansa? – a rosada voltou a fitar Neji. – Seu namorado precisa de minha ajuda agora.
- O que você disse? – a ergueu as sobrancelhas.
- Acha que não percebi o clima que rolou entre vocês? – riu.
- Com certeza. – a outra falou com sarcasmo. – Até por que um campo de batalha é um ótimo lugar para se rolar um clima.
As duas riram juntas. fechou os olhos e sacudiu a cabeça negativamente, terminado de rasgar a camiseta do Hyuuga.
- Sei que você é boa, . – voltou a dizer. – Tanto quanto o Naruto é.
A rosada não disse nada, apenas continuou em sua tarefa. Distraiu-se e não viu que alguém as observava. Sasuke estava parado atrás de uma árvore, recostado ao tronco amarronzado. Ele havia ouvido a conversa das garotas e algo lhe dizia que estava certa. não havia concordado ajudar Neji só por causa de Naruto. Havia uma faísca de bondade dentro dela. Uma pequena chama que se assemelhava muito a que havia dentro dele.
O Uchiha continuou ali, até que viu voltar correndo. No entanto, franziu o cenho ao vê-la parar de repente. Observou melhor e se surpreendeu quando ela abaixou-se perto do garoto desacordado no chão e disse algo. Para sua surpresa, ela abriu um dos frascos de água que trazia consigo e estendeu ao Uzumaki que pelo visto havia acordado. Revirou os olhos, pensando que aquele dia estava sendo estranho demais para ele.
Continuou ali, até ouvir um resmungo vir de . Ela parecia precisar de ajuda. Pensou muitas vezes antes de finalmente decidir ir até ela. Resolveu manter fixo em sua mente o fato de que queria saber se estava bem. Ao se aproximar, viu que tentava virar de lado Neji, que já estava rodeado por uma poça de sangue.
- Mas que droga! – ela disse entredentes. – Quanto esse garoto pesa?
- Achei que tivesse superforça. – ele falou com um tom de deboche na voz.
- Haha. – ela fingiu rir. – E eu tenho, Uchiha. Só estou um pouco cansada. Então devo escolher apenas um dos meus poderes para usar.
- Meio estranho isso. – ele se abaixou ao lado dela.
- Fazer o quê. – ela suspirou. – São dons grandiosos demais para uma simples Humili.
- Precisa de ajuda? – ele disse quando a viu tentar virar o garoto outra vez.
- Bem... acho que sim. – ela cedeu.
- E o que eu faço? – Sasuke perguntou.
- O segure de lado. – ela lhe mostrou como deveria fazer. – Preciso terminar de retirar essa camisa.
Ele acenou positivamente, mas antes de fazê-lo fitou , que estava atrás deles. A garota parecia dormir e aquilo era bom. Ao menos ela não gemia de dor. Voltou sua atenção para o Hyuuga e o virou de lado enquanto terminava de retirar o tecido. Arregalou um pouco os olhos, porém, quando Neji soltou um gemido de dor.
- Ele está acordando. – parecia preocupada.
- E isso é ruim? – ele quis saber.
- Com um ferimento desse tipo, com toda certeza. – ela jogou a blusa em farrapos ao seu lado. – As garras atingiram uma veia importante. Precisamos começar logo ou ele não vai suportar a dor.
- Então comece. – ele disse simples.
- Preciso da água que a tem. – a explicou. – Tenho que lavar o ferimento para evitar qualquer infecção.
- Acho que isso pode demorar um pouco. – ele murmurou ao se lembrar da cena anterior.
- Eu vou procurá-la. – disse, decidida – Continue segurando ele desse jeito.
O Uchiha nada disse, apenas a viu se levantar e se afastar. As mãos sujas de sangue balançando ao lado do corpo enquanto caminhava. Ao perdê-la de vista, voltou sua atenção a . No entanto, mais um gemido de Neji chamou sua atenção.
- Vamos, . – ele sussurrou – Se quer mesmo salvar esse cara, tem que andar logo.

~o~

Shikamaru caminhava pela casa do Sabaku distraído. Havia conversado algumas horas antes com , mas não iria incomodá-la novamente. Afinal, ela estava com Gaara. Sabia disso, pois tinha visto o momento que o rapaz passou na frente do seu quarto e sua sombra conseguiu penetrar por breves instantes através da porta entreaberta.
Com as mãos nos bolsos e os olhos fitando os pés, caminhava, talvez para encontrar o sono perdido. Não sabia o motivo, mas ele não vinha de jeito algum. Já estava no andar inferior e passava em frente a uma porta de madeira escura quando ouviu um ruído vir lá de dentro. Franziu o cenho, aproximando-se mais para ouvir melhor.
No começo não distinguiu bem ao que era, mas logo percebeu que se tratava de uma voz. Havia uma pessoa ali dentro. Mas sua voz era tão fraca. Foi quando entendeu o que ela dizia. “Socorro”.
- Ei. – ele bateu na porta uma vez. – Tem alguém aí?
- Shikamaru? – a voz chamou seu nome. – Me ajuda, por favor.
O Nara abriu a boca, alarmado ao reconhecer aquela voz. Era ela. estava dentro daquela sala. Mas por que pedia socorro? Ele não quis saber, queria apenas tirá-la de lá por qualquer motivo que fosse.
Segurou a maçaneta e a girou, mas esta não cedeu. Estava trancada. Isso o fez xingar baixinho. Forçou a porta algumas vezes, ainda mais quando ouviu a voz da Sabaku novamente.
- , só um segundo. – ele pediu e começou a golpear a porta com o ombro – Só mais... um... pouco.
Com um último golpe, conseguiu abrir a porta. Escancarou-a e entrou de vez, procurando a garota. Encontrou-a sentada no chão, perto de um sofá que havia no local, apoiada com uma das mãos no piso e com outra sob o estofado. Parecia que tinha acabado de descer dele.
- ?! – foi até ela e se ajoelhou em sua frente.
- Shikamaru... – ela falou com a voz trêmula.
Sem que ele esperasse, a garota lançou-se em seus braços, o abraçando com força. Percebeu que aquele gesto demonstrava preocupação. Apenas não sabia por quê. Sentiu que a respiração dela estava descompassada, então retribuiu o gesto. A trouxe para si, fazendo com que apoiasse a cabeça em seu peito e suspirou quando ela agarrou sua camisa com os dedos.
- , o que houve? – ele perguntou. – O que fazia trancada aqui?
- O Gaara, ele... – ela parou por um momento, por não ter forças para continuar.
Shikamaru estranhou, se afastando um pouco para fitá-la melhor. Foi então que viu a marca arroxeada no pescoço fino. Parecia que havia sido estrangulada. Automaticamente, uma de suas mãos foi até lá, tocando o lugar com cuidado.
- Quem fez isso com você? – ele perguntou.
- Por favor, vá embora. – ela falou com dificuldade. – Você e a .
- O quê? – ele franziu a testa. – Como assim?
- Vocês... não estão... seguros. – ela engoliu seco. – Não aqui.
- ... – ele repetiu dessa vez a olhando nos olhos. – Me diz agora. Quem fez isso com você?
A garota fechou os olhos e uma pequena lágrima escorreu por seu rosto. Voltou a abri-los quando sentiu o polegar de Shikamaru tocar sua pele, enxugando a lágrima. Como haviam chegado até ali em tão pouco tempo? Segurou a mão dele e o encarou nos olhos. Buscou forças para falar e quando a encontrou, disse.
- Foi o... Gaara. – mordeu os lábios. – Mas isso... não importa.
- E por que não? – Shikamaru ergueu as sobrancelhas.
- Por que... ele quer vocês... e não eu. – ela contou.
Antes que algum deles dissesse mais alguma coisa, ouviram um estrondo ali perto, na sala de estar. Era como o barulho de vidro se quebrando em mil pedaços. Como se um alarme de incêndio houvesse tocado, ambos encararam-se, assustados. Para eles, algo ruim parecia ter acabado de acontecer. E não poderiam estar mais corretos.



Capítulo 18: Pensamentos Profundos

correu até seus pertences que haviam ficado a poucos metros de onde lutou contra o Uchiha. Enquanto vasculhava sua mochila em busca da água que a garota chamada precisaria, pensava em como tudo aconteceu muito rápido. Haviam saído do território de sua família e quando menos esperou, estava lá, batalhando contra aquele homem poderoso e seus amigos. A consequência: Neji estava entre a vida e a morte.
Nunca achou que aquilo fosse possível, pois para ela, o primo sempre fora um exemplo de força e determinação. Jamis achou que alguém, especialmente um Humili*, poderia derrotá-lo. Entretanto, aquele garoto era mais poderoso do que qualquer um que ela já vira. E, o que mais a intrigava, era a mudança drástica em seu interior. Quando ele perdeu o controle, pode ver seu fluxo de poder aumentar de maneira violenta, como se quisesse arrebentar cada célula do seu corpo. Algo impressionante e assustador.
Assim que achou o cantil prateado, agarrou-o com força e levantou-se, correndo até onde a esperavam. Não havia tempo para criar teorias sobre quem aquelas pessoas deveriam ser. Quando já estava próxima, porém, ouviu um gemido. Assustada, parou e fitou a direção de onde ele provinha. Deu de cara com o rapaz loiro que havia machucado seu primo. Ele estava estendido no chão, a poucos passos dela e parecia sentir algum tipo de dor.
Inevitavelmente, a curiosidade tomou conta de seu ser e quando percebeu, seus pés já a levavam para perto do garoto. Não sabia o motivo de fazê-lo, mas algo dentro dela gostaria de informar-se sobre seu estado. Lentamente, a morena abaixou-se, apoiando um dos joelhos ao solo e fitou o rosto dele. Demorou-se por instantes incontáveis observando seus traços peculiares, em especial, as marcas em suas bochechas. Franziu o cenho, porém, ao notar que o que fazia não havia sentido algum. Com toda certeza, quando abrisse os olhos, sua imagem seria a última coisa que ele gostaria de ver.
Soltando um suspiro pesado, decidiu que era melhor voltar até o primo, pois ele precisava de sua ajuda. Todavia, quando fez menção de que se ergueria, Naruto gemeu novamente. Dessa vez, ele forçou as pálpebras, abrindo-as em seguida. Assim que o fez, seus orbes fixaram-se diretamente à pessoa em sua frente. Surpreendeu-se ao reconhecer a Hyuuga. Mas, o mais estranho, era o fato de não conseguir se desviar. Sempre ouviu falar daqueles regenerados, de como seus olhos eram incomuns. Agora, que encarava aquela garota de perto, apenas uma palavra poderia descrevê-los: extraordinários. Sim, era isso que o jovem pensava sobre aquelas duas grandes pérolas.
Um pouco desconcertada pela profundidade daquela troca de olhares, baixou o rosto, sentido as bochechas esquentarem. Apesar de ser uma guerreira, fora de batalha era muito tímida e quando estava perto de desconhecidos não conseguia reagir normalmente. Naruto não entendeu aquela atitude, muito menos quando viu as bochechas da moça tomarem uma cor ligeiramente rosada. No entanto, sua atenção voltou-se para o que ela carregava nas mãos. Ao identificar o cantil, imediatamente sentiu o gosto amargo de sangue na boca.
- Isso... é água? – a voz do loiro saiu rouca e baixa, obrigando-o a soltar um pigarro.
- Sim. – a garota respondeu sem entender muito bem o motivo do questionamento.
- Será que... – mais um pigarro. – Será que poderia me dar um pouco?
- Um pouco? – se surpreendeu, arregalando os orbes perolados.
- Minha boca está seca e com gosto de sangue. – o rapaz explicou, mas logo soltou um suspiro, acompanhando de um sorriso de canto. - Não que isso importe para você, é claro.
A Hyuuga não soube o que dizer. Eles haviam lutado há pouco tempo, mas Naruto agia como se não fosse nada de mais. Em sua mente, pairava o pensamento de que, caso fosse ele que a tivesse atacado, faria de tudo para se afastar. A última coisa que iria querer dele seria um pouco de água. Mas o garoto não parecia vê-la como uma grande ameaça. Caso contrário, não estariam ali, naquela situação.
Engolindo seco, ela fitou o cantil entre seus dedos e, após ponderar por alguns segundos, o abriu. Ainda receosa, estendeu o objeto para o outro, que ficou perplexo por ela ter-lhe atendido a solicitação. Sem deixar de encará-la, fez um grande esforço, sentando-se e pegando o que ela lhe dava. Fitou o cantil e, após tomar fôlego, bebeu um gole do líquido que chegou à sua boca refrescando cada canto dela. Todavia, ao invés de engolir a água, a cuspiu para o lado, deixando que os resquícios de sangue que tanto o incomodavam, fossem com ela. Em seguida, devolveu o objeto para a garota.
- Valeu! – ele disse.
A menina balançou a cabeça uma vez, pegando o cantil da mão de Naruto. Quando o fez, seus dedos se encostaram durante o processo e eles se encararam. se afastou rapidamente, fechando o recipiente, lembrando-se que deveria levá-lo até o primo. Levantou-se, limpando a poeira das roupas.
- Preciso ir. – murmurou, mas o loiro conseguiu ouvi-la.
- Espera! – ele tentou, mas ela lhe deu as costas e continuou caminho rapidamente. – Você por acaso viu minhas amigas?
- Desculpe! – foi tudo o que ela disse.
Naruto permaneceu estático, vendo-a apressar ainda mais os passos, a ponto de iniciar uma leve corrida. Ao mesmo tempo, seus longos cabelos escuros dançavam ao ritmo da brisa, enquanto a luz da lua os iluminava, formando uma fina camada reluzente sobre eles.

~o~

O som de vidro se partindo em mil pedaços foi tão repentino quanto a fina neblina de uma manhã fria. Quando tudo voltou a ficar em silêncio, os dois jovens entreolharam-se, desconfiados. sabia que aquele ruído provinha da sala, onde a única porta de vidro da casa ficava, abrindo caminho para o seu jardim. Sem querer mais esperar, a moça tentou se erguer, porém, ainda estava debilitada e seu esforço lhe causou uma leve tontura.
Vendo que a garota cairia, Shikamaru levantou-se, a segurando pela cintura. Fitou-a minuciosamente, buscando qualquer vestígio de que ela ainda precisasse de ajuda. Entretanto, a loira de Suna se recompôs rapidamente, afastando-se dele, cravando os olhos na porta amarronzada.
- Precisamos ver o que aconteceu. – ela disse, sentindo a garganta arranhar.
- , o que houve? – o rapaz questionou. – Você está bem?
- Eu... não sei. – ela o fitou com a expressão recoberta de dúvida.
- Você disse que o seu irmão queria algo comigo e com a . – o Nara tentou levá-la a raciocinar. – Não sabe nada sobre isso?
- ... – a garota murmurou o nome da outra ao mesmo tempo em que arregalava os orbes claros. – Temos que achá-la!
Desesperada, avançou até a porta escancarada. Precisava encontrar a antes que seu irmão fizesse qualquer coisa a ela. Sabia que Gaara tramava algo contra seus hóspedes, porém, não permitiria que o jovem fosse em frente com seus planos. Chegou ao corredor, mas antes que desse o próximo passo, sentiu dedos firmes em seu pulso. Parou imediatamente, fitando a expressão séria do homem que a segurava.
- Por quê? – a pergunta saiu pelos lábios dele carregada de preocupação.
Shikamaru sempre suspeitou de algo. Desde que chegara a aquela casa, teve a certeza de que estava caminhado através de um campo minado. Nunca conseguiu confiar naquele Gaara da areia. Nem um pouco sequer. E agora que lhe dissera que ela a machucara, confirmou suas incertezas. Fitou o rosto dela, olhando em seus olhos que agora se umedeciam graças às lágrimas. Naquele instante, quis protegê-la de qualquer mal. Porém, ela segurou sua mão e, quebrando a conexão, o conduziu pelo lugar.
- Precisamos achar a sua amiga. – a garota disse, enquanto corriam. – Não podemos deixá-la com o Gaara.
- Se aquele cara encostar um só dedo nela... – o rapaz sussurrou a ameaça.
- Eu não vou permitir que nada aconteça à sua amiga! – ela falou por cima dele num tom decidido, mas então engoliu seco, murmurando. – Não posso permitir.
Continuaram, até chegarem à metade do longo corredor. Pararam lentamente ao perceberem que dali para frente tudo estava escuro, então trocaram mais um olhar significativo. Respirando fundo, a loira não se deixou intimidar, acenando positivamente com a cabeça. Em seguida, virou-se de costas para ele, dando o primeiro passo. Assim que o fez, viu a luz da sala ser acesa e parou novamente.
- Tem alguém lá. – ela sussurrou para Shikamaru.
- Vamos nos aproximar mais um pouco. – ele sugeriu. – Talvez possamos ouvir algo.
murmurou um pequeno “sim”, pronta para seguir em frente. Recostou-se à parede e o Nara ficou logo atrás dela. Cautelosamente, inclinou o corpo para frente para que pudesse ter a visão do perímetro. Não demorou a enxergar a cena. e Gaara estavam parados a poucos metros da porta de vidro, agora espatifada. De pé, de costas para ela, estava um homem de roupas e cabelos escuros.
Então, o mesmo homem virou-se de lado e tirou algo de um de seus bolsos e, após, ergueu o braço num ângulo que ela foi capaz de captar. Assim que viu o que estava em entre seus dedos, o coração da loira de Suna falhou uma batida. Ela reconheceria aquele objeto em qualquer lugar. Mesmo que estivesse do outro lado do mundo.

~o~

A brisa noturna alcançou os fios róseos da garota que caminhava apressada. Levemente, eles movimentaram-se, mas a única ação dela foi colocar uma mecha que a incomodava atrás da orelha. estava impaciente, pensando onde a Hyuuga poderia ter se metido. Ela havia ido em busca de água ou estava procurando uma fonte subterrânea?
Saindo de entre as árvores, a chegou até o campo aberto, podendo ver as muitas estrelas no firmamento. Mas ela não se importava com nenhum daqueles pontos cintilantes sobre sua cabeça e sim em acabar logo com o trabalho que haviam lhe imposto. Se não fosse por seus amigos, ela deixaria aquele garoto lá e que ele se virasse. Não devia nada a ninguém.
Assim que percebeu o que pensava, parou de caminhar de supetão. Desde quando era tão egoísta? Mesmo que não fosse a pessoa mais amorosa do mundo, não costumava ignorar qualquer um que precisasse de ajuda. Ainda que os Hyuuga fossem caçadores, o rapaz corria o risco de morrer e, caso não fizesse nada a respeito se culparia eternamente, pois sabia que poderia salvá-lo. Olhou por cima do ombro para o lugar de onde tinha saído e mesmo que não enxergasse nenhum deles, sua consciência lhe lembrava que contavam com seus poderes. Até mesmo Sasuke.
Sasuke.
Ao se lembrar dele, cerrou os punhos, pois não conseguia entender o motivo de alguém tão arrogante ter se prontificado a auxiliá-la. Suspirando, a garota resolveu deixar suas reflexões para mais tarde, quando não precisasse salvar uma vida. Retomou a caminhada, apressando-se em encontrar , porém, não precisou ir muito longe. A garota vinha correndo com um cantil de água em mãos. Parecia um pouco perturbada, mas nada que merecesse consideração.
- Encontrou a água? – perguntou, mesmo sabendo a resposta.
- Sim. – respondeu, estendendo-lhe o objeto. – Aqui está.
- Certo. – a rosada o pegou. – Vamos voltar.
Lado a lado, as moças voltaram para trás dos arbustos, onde Neji permanecia deitado. Ao ouvir passos atrás de si, Sasuke ergueu a cabeça, fitando por cima do ombro as garotas que se aproximavam. Seus olhos caíram sobre a garota de cabelos róseos, observando o que ela trazia nas mãos sujas de sangue seco. Quando ela estava mais perto, soube ser um recipiente para guardar água e agradeceu mentalmente por isso, já que o sangue do garoto desacordado já sujava suas mãos, assim como seus joelhos que começavam a ser rodeados pela poça vermelha.
- Achei que não viriam mais. – o Uchiha observou, usando um tom sarcástico.
- É melhor começarmos logo isso. – o ignorou, ajoelhando-se do lado oposto, de frente para o Hyuuga.
também abaixou-se, acompanhando tudo calada, mas sem deixar de estar apreensiva. Enquanto a lavava o lugar lacerado com cuidado, esta notava como seus movimentos eram delicados. Após terminar a lavagem, utilizando boa parte da água, pegou o tecido rasgado que antes era a camisa de Neji e secou o local. Antes que mais sangue escorresse, ela ergueu as mãos pequenas, deixando-as o mais próximo possível da pele do rapaz.
Usando toda sua força que restava após aquele longo dia repleto de agitações, conseguiu realizar seu trabalho. Aos poucos, os cortes profundos foram se fechando. Como se agulhas cirúrgicas deixassem pontos precisos, a luz esverdeada que emanava dos dedos da garota reparava o machucado. encarava cada movimento, boquiaberta com a capacidade daquela garota. Curar era a habilidade que qualquer regenerado desejaria. Na verdade, qualquer ser humano gostaria de possuí-la.
Quanto a Sasuke, seus orbes negros não se desviam do rosto da rosada. Ele sabia que aquele esforço estava além de seus limites. Após longos instantes, quando a já ofegava, o Uchiha percebeu seus olhos se fecharem por mais tempo que o suficiente. Mas, ela logo os abriu, não deixando que o cansaço a abalasse. No momento em que os cortes cicatrizaram, a garota decidiu que era o suficiente. Assim que a luz verde se apagou de entre seus dedos, retirou as mãos do local. A ferida estava fechada. Em seu lugar, havia três enormes cicatrizes esbranquiçadas. Era o melhor que poderia fazer.
Exausta, a garota largou seu corpo na grama, sentando-se num só baque. Soltou o ar de uma só vez pelos lábios finos, fechando os olhos ao sentir uma leve tontura. Tinha discernimento de que passara da conta, porém, ninguém precisaria saber disso. Algumas horas de descanso seriam suficientes para que ficasse bem.
- O tirem dessa poça de sangue. – disse para ninguém em especial. – Ele precisa descansar agora.
- Tudo bem. – respondeu.
- Vamos lá então. – Sasuke balbuciou.
Ele havia notado a repentina fraqueza de , mas preferiu não comentar nada. Pelo pouco que tinha conhecido dela, achava que a garota não gostava de se mostrar debilitada para quem quer que seja. Seguiu o que ela disse, erguendo o Hyuuga com a ajuda de . O colocaram ao lado de , que permanecia adormecida. Enquanto o ajeitava, Sasuke ergue-se e buscou a Humili. Ela continuava no mesmo lugar, como se levantar fosse um grande sacrifício.
Após deixar um longo suspiro escapar, o Uchiha aproximou-se, parando ao seu lado. ergueu o rosto, pronta para dizer que não queria nenhum tipo de desentendimento naquele momento. Entretanto, não teve tempo para proferir uma única palavra. O rapaz inclinou-se sobre os joelhos, passando seus braços fortes sobre o corpo esguio, trazendo-a consigo. A rosada ficou perplexa, não conseguindo emitir um som sequer, até estarem ao lado dos outros. Vagarosamente, a colocou ao lado da e se afastou.
abriu os lábios algumas vezes enquanto se encaravam sem desviar. Mas desistiu quando o garoto deu-lhe as costas e caminhou até a árvore oposta, sentando-se sob ela com um dos joelhos dobrados a altura do peito. Com os olhos levemente arregalados graças a surpresa que ainda se apossava de seu ser, o viu recostar a cabeça no tronco. Sua atenção só foi distraída quando ouviu novos passos. Virando o rosto, encontrou Naruto parado, se apoiando numa árvore. Sua expressão, porém, era indecifrável.

~o~

Quando as palavras do homem chegaram aos seus ouvidos, sentiu um calafrio subir-lhe pela espinha. Instintivamente, apertou ainda mais seus dedos ao redor do braço do Sabaku, que permanecia ao seu lado. De forma discreta, virou um pouco a cabeça e pôde ver a porta de vidro que levava ao jardim de em pedaços. Em estado de alerta, não demorou seus olhos ali, logo os trazendo de volta para a pessoa sentada no sofá.
Gaara percebeu quando a garota aumentou a intensidade do seu aperto. Para ele, foi como se ela tivesse espremido seus órgãos internos. Cada um deles. Talvez isso explicasse o motivo de seu estômago estar embrulhado. Ou porque sentia o suor frio escorrer por suas costas. Puxou o ar pelas narinas, disposto a não demonstrar nenhum desses efeitos, prestando atenção no homem sentado. O ruivo o conhecia bem, apenas não entendia o que ele fazia em sua casa.
- O que faz aqui? – esse foi seu questionamento.
Como já deveria esperar, um sorriso surgiu no canto dos lábios do outro. Levemente, este inclinou sua cabeça para o lado, cravando os orbes intensamente avermelhados na garota loira que tentava se esconder atrás do Sabaku. Percebeu quando ela estremeceu e isso só fez com que seu sorriso se alargasse. Então, olhou mais uma vez para o mais novo.
- Acho que já sabe o motivo, meu caro. – as palavras saíram suaves.
Para , porém, a suavidade presente nelas era tão agoniante quanto ter uma lâmina extremamente afiada passada em sua pele. Toda aquela serenidade servia para intimidar e estava sendo muito mais eficiente do que qualquer ataque feroz.
- Nós fizemos um acordo. – de repente Gaara disse sem vacilar. – Eu iria até vocês.
- Sim, eu me lembro. – o outro concordou, continuando em sua posição. – Entretanto, seu tempo se esgotou.
- O quê? – o ruivo murmurou, logo retomando a sua postura sóbria. – O que quer dizer com isso... Uchiha?
- Creio que não precisarei explicar. – o homem ergueu as sobrancelhas.
Então, achando que estavam delongando-se naquelas boas-vindas, ele se levantou. No mesmo segundo, o garoto de cabelo cor de fogo cerrou os punhos. Tinha pleno conhecimento do que o rapaz a poucos passos queria. A única coisa que não compreendia era o motivo de sua hesitação. Eles tinham um acordo, afinal. Bastava fazer a sua parte.
Ao sentir a tensão nos músculos do braço de Gaara, franziu o cenho. Ela não precisava ir muito longe com seus raciocínios para perceber que havia algo errado. Correu os olhos para o homem a quem o ruivo se referiu como Uchiha. Ela conhecia aquele sobrenome, já ouvira falar sobre aquela família nos tempos em que viveu em Konoha. Entretanto, era-se divulgado que eles foram exterminados. Estar frente a frente com um sobrevivente era incrivelmente inesperado.
- Gaara, o que está acontecendo? – murmurou o mais baixo que conseguiu, porém, pôde ser ouvida pelo Uchiha.
- Então quer dizer que ele não contou a você? - o moreno falou, esboçando um novo sorriso.
- Contou o quê? – a garota perguntou, confusa.
- Algo, digamos... – ele respondeu. – Interessante.
- Não há nada a dizer. – o Sabaku o cortou, erguendo o rosto, olhando-o de cima. – Temos um acordo, mas só se o que exigi for entregue.
- Não se preocupe, meu jovem. – o Uchiha deu dois passos em sua direção. – Sou uma pessoa de palavra.
- Eu espero que sim. – o tom de voz saiu como uma ameaça.
O homem deslizou seus olhos de um jovem para o outro uma última vez, deixando que um riso abafado escapasse pelos lábios entreabertos. Com seu poder ativado, ele podia perceber o grau de regeneração deles: dois Mediocris*. O ruivo, ele conhecia há algum tempo. Quanto à garota, provavelmente, ela era a e isso era bom. Todavia, o que mais lhe chamou a atenção foi a forma como ela sentia-se segura ao lado do garoto. E este parecia realmente querer protegê-la. Um erro, pensou. Especialmente pelo que aconteceria em minutos.
Virou-se de lado para eles e levou uma das mãos ao bolso de sua calça escura. Tirou de lá um pequeno objeto. A pedra amarronzada lapidada em formato de estaca, com uma corrente preta amarrada a ela, balançou no ar. Assim que reconheceu o que o Uchiha segurava entre os dedos, o ruivo arregalou os orbes verdes. Recordava-se de tê-lo visto há vários anos, no pescoço de Kankuro, quando o irmão ainda estava com eles. De maneira inconsciente, deu um passo à frente, com o intuito de observar melhor o colar, obrigando a segui-lo.
- Parece que se lembra disso. – o homem disse ao perceber a reação de Gaara.
- Sim. – foi a sua resposta.
O Uchiha balançou a cabeça uma vez e, sem cerimônias, lançou o pequeno adereço para ele, que o segurou agilmente.
- Ele está... – a pergunta se perdeu no ar.
- Sim, está. – o outro concordou mesmo assim. – Mas, como foi combinado, sua parte primeiro.
Gaara sequer bobeou ao acenar a cabeça em concordância. Finalmente, após tanto tempo, ele poderia concluir o que desejava. Depois de tantos sofrimentos, conseguiria reconstruir sua vida. Encheu os pulmões de ar e, sem ao menos olhar para o lado, afastou-se de , andando até estar a alguns metros dela. A garota não entendeu aquela atitude e o encarou com uma expressão praticamente indecifrável. Queria saber o que se passava, porém, algo lhe dizia que não gostaria da resposta.
- Você. – ouviu o moreno dizer. – É a , não é mesmo?
- Sou. – ela respondeu, semicerrando os olhos, tentando esconder o temor que sentia. – Por quê?
- Porque você vem comigo. – ele foi direto.
A moça abriu a boca ao mesmo tempo em que arregalava os olhos. Sua primeira reação foi olhar para o Sabaku, parado a pouca distância. Mas ele não retribuiu seu gesto, fitando os próprios pés enquanto apertava o colar na mão direita a ponto dos nós de seus dedos ficaram brancos pela pressão.
- Do que está falando? – a voltou a encarar o Uchiha. – Quem é você, a propósito?
- Acho que isso não é mais importante. – ele disse. – Não agora.
continuou alheia ao significado do que aquele estranho dizia, entretanto, não teve tempo para sequer tentar entendê-lo. Fixou seus olhos azuis nos vermelhos profundos dele, assustando-se quando os pequenos pontos negros ali giraram, unindo-se e ganhando a forma de um cata-vento. A partir daquele instante, tudo se confundiu. Num momento, a garota o encarava. No outro, estava perdida dentro de sua própria mente.



Capítulo 19: Ilusão

Naruto permaneceu estático, observando a cena à sua frente. Sentados, sustentando expressões cansadas, estavam , Sasuke e a garota Hyuuga. Mais ao fundo viu recostada a uma árvore e essa parecia dormir. As roupas da garota estavam rasgadas e sujas de sangue e seus cabelos chocolate encontravam-se desgrenhados. Deitado ao seu lado estava o outro Hyuuga e parecia ser o pior deles.
Ainda que a única iluminação fosse a do luar, o Uzumaki conseguiu captar cada um daqueles detalhes. Os machucados, as peles sujas e pálidas, o sangue. E tudo isso fez seu interior se contorcer em agonia. O garoto sabia o que havia acontecido. Tinha a plena noção de que aquelas pessoas encontravam-se naquela situação por sua culpa. Abriu os lábios, deixando o ar sair por eles, esquecendo-se de suas dores por um momento. Tentando se equilibrar, deu um passo para frente, mas parou assim que uma pontada atingiu seu abdômen.
Quando avistou o amigo, a não soube ao certo como agir. Tinha a consciência de que o rapaz ficaria triste, mas o olhar de Naruto a preocupou verdadeiramente. Parecia estar chocado, ignorando até mesmo suas dores. Entretanto, isso não durou muito e logo o Uzumaki permitiu que o que sentia transparecesse em seu rosto sujo de barro. Essa ação obrigou a moça a despertar, levantando-se e cambaleando na direção dele.
- Naruto... – a garota murmurou assim que parou em sua frente.
- Eu fiz isso? – foi a primeira coisa que saiu de seus lábios.
- O quê? – a rosada arregalou os olhos. – Não, isso não...
- ! – o rapaz disse com seriedade, calando-a. – Não tente mentir para mim, sei do que sou capaz quando perco o controle.
Ela não respondeu. Baixou os orbes esverdeados, engolindo seco. Não adiantaria mentir para o amigo, pois ele não era estúpido. Porém, não tinha a coragem suficiente para explicar o acontecido. Não suportaria presenciar a aflição do Uzumaki. Ao vê-lo tentar caminhar, o segurou pelos ombros, o impedindo.
- Não faça isso. – a pediu.
- Eu... – o loiro correu os olhos até tê-los sobre a . – Eu machuquei a , não foi?
- Por favor... – a garota pressionou seus dedos contra a pele dele.
- Eu sabia que isso aconteceria um dia. – ele fechou os olhos com força, cerrando os punhos.
Então, sem mais palavras, o rapaz desvencilhou-se da amiga e, dando-lhe as costas, seguiu para longe dos outros. permaneceu paralisada, com os olhos marejados, vendo-o se afastar. Pensou em segui-lo, entretanto, não tinha forças para isso. Tentou, mas após alguns passos, caiu ajoelhada. Havia curado todos os presentes, esquecendo-se de sua própria saúde. Prestes a chorar, mordeu os lábios com força. Para sua surpresa, alguém parou de pé ao seu lado. Erguendo a cabeça, encontrou a garota Hyuuga, que sustentava uma expressão estranha. Parecia sentir pena, algo que ela não queria e nem precisava. Por isso, desviou o rosto rapidamente, travando o maxilar.
Ignorando a garota ali, esforçou-se para se erguer, apoiando uma das mãos no joelho. Todavia, uma leve tontura a envolveu, tirando-lhe o equilíbrio. Antes que despencasse, duas mãos a seguraram com firmeza. Olhou com espanto para , que não se abalou, passando um dos braços da sobre seu ombro. Sem diálogos, a morena conduziu a rosada, a auxiliando a se sentar perto de Sasuke que apenas observava tudo calado.
- O que está fazendo? – questionou. – Preciso falar com o Naruto.
- Não está em condições. – respondeu.
- Agora você vai se fingir de boa moça? – ergueu as sobrancelhas.
- Sabe que estou certa. – a Hyuuga ignorou aquele comentário.
- Eu não me importo. – a garota disse entredentes.
- Fique aqui. – ela suspirou discretamente. – Eu converso com ele.
- O quê? – franziu o cenho. – Hyuuga!
Mas não teve tempo para completar sua fala. se levantou e, trocando um último olhar com a , seguiu decidida na direção por onde Naruto havia ido.
- Idiota... – murmurou, cerrando os punhos.
- Deveria esfriar um pouco a cabeça. – de repente, Sasuke falou.
- Agora não, Uchiha. – ela suspirou, apoiando a cabeça nos joelhos.
Sasuke acompanhou seus movimentos, deixando um leve riso escapar de sua boca. Porém, ao ver que a realmente não queria conversa, decidiu deixá-la em paz e voltou a recostar a cabeça no tronco. Lentamente, sentia que seus poderes regressavam. Nesse meio tempo, notou a garota ao seu lado relaxar. A fitou de soslaio, confirmando que havia adormecido.
Em certo momento, olhou para os outros dois que também continuavam desacordados, analisando de longe que agora parecia um pouco melhor. De repente, movimentou-se e ele a encarou no mesmo instante. Logo, ela estava quieta e enquanto os olhos negros ainda fitavam a garota, suas pálpebras pesaram. Entretanto, Sasuke forçou-se a manter-se desperto. Não poderia deixá-los desprotegidos.

~o~

O grito que escapou da garganta da cortou o silêncio noturno. Levando as mãos as têmporas, tentou retomar o controle de seus pensamentos, mas era praticamente impossível. Aquele homem conseguiu desestabilizá-la com um simples olhar e ela sentia que ele estava lá, a confundindo.
- O quê... – tentou falar, entretanto, as palavras ficaram entaladas.
Graças à visão a sua frente, a garota não conseguiu mais resistir. Largou as mãos ao lado do tronco, fitando a mulher que caminhava em sua direção. Os cabelos castanhos agora soltos emolduravam seu rosto, destacando os olhos da mesma cor. Seus movimentos eram graciosos, encantando a loira. Os orbes azulados cravaram-se na mais velha, irradiando toda a devoção que era acostumada a demostrar quando estavam juntas. não entendia o que acontecia, porém, seu coração não se importou, dando dois passos na direção dela.
- Mãe... – a palavra saiu repleta de surpresa. – Mãe, é você?
- Sou eu, minha querida! – a voz da mulher chegou aos ouvidos da filha, causando-lhe um calafrio. – Eu voltei para você, meu amor.
- Mãe! – correu até ela, a abraçando com força. – Eu... eu senti tanto a sua falta.
- Eu sei, minha menina. – a mais velha afagou seus cabelos longos. – Eu sei.
- Mas como isso é possível? – se afastou por um segundo, a fitando nos olhos.
- Isso não importa, querida. – ela respondeu, acariciando o rosto da menina. – Estamos juntas agora.
- Estamos? – a loira perguntou.
- Para sempre. – a mulher sorriu.
Abrindo um sorriso sincero, deixou que as lágrimas escorressem por seu rosto. Apertou mais a mãe contra si, soluçando ao sentir o perfume floral escapar de seu vestido azul-petróleo. Não sabia que sentia tanta saudade, apenas agora tinha entendido a profundidade das rachaduras em seu coração. Quando viu os pais morrer em sua frente, não teve reação. Permaneceu estática, observando os caçadores tirarem a vida daqueles que ela mais amava.
Shikamaru fora sua salvação, a tirando da linha de fogo. Fugiram de Konoha por dias, sem rumo, tentando sobreviver. Agora estavam ali em Suna. Haviam encontrado regenerados que lhes ofereceram abrigo. Há quanto tempo não dormia numa cama? Há quanto tempo não comia bem? Ou tomava um banho decente? Ela não se lembrava, pois um novo pensamento impregnou a sua mente.
Assustada, olhou em volta com estranhamento. Estavam na sala da casa dos Sabaku. Entretanto, só ela e sua mãe permaneciam paradas no meio do cômodo que agora era dominado pelo silêncio. Franzido o cenho, soltou a mulher, cambaleando para trás.
- , querida. – a mulher questionou docemente. – O que houve?
- Você... – ela lutou para dizer o que queria. – Você está morta.
- Não, meu bem. – a outra negou com a cabeça. – Eu estou bem aqui.
- Mãe... – murmurou. – Eu queria que estivesse, eu queria... Mas, sei que não é possível.
- ... – a mãe tentou falar, porém, foi interrompida.
- Não! – a mais nova fechou os olhos com força. – Não é verdade. A minha mente... alguém está... me manipulando.
Desesperada, a levou as mãos à cabeça mais uma vez. Agora sentia a confusão. O lugar era real, a situação não. Ela sabia muito bem qual havia sido o destino de sua progenitora, por isso esforçou-se para se libertar. Mesmo que doesse. Mesmo que seu coração pedisse que ela aproveitasse aquela ilusão por mais tempo. Porque era exatamente isso o que aquilo era. Uma ilusão.
Forçou a mente, tentando se libertar do domínio, entretanto parecia que a outra pessoa era extremamente poderosa. Abriu os olhos, já sentindo a raiva lhe dominar. Ela era uma , a maior família de regenerados controladores de mentes de que se havia notícia. Não permitiria que a pegassem em seu próprio truque. Cerrando os punhos, a moça encheu os pulmões de ar, decidida a reassumir o controle de seus pensamentos.
- Saia da minha mente. – sua voz saiu decidida. – Agora!
No mesmo minuto, a imagem ao redor se desfez, estilhaçando-se como um vidro partido em mil pedaços. Em câmera lenta, os cacos caiam, mas antes que chegassem ao chão eram consumidos por uma luz cintilante que surgiu do próprio fragmento. Então tudo fico branco. Arregalando os olhos, a menina percebeu que havia chegado ao seu limite, sentindo uma dor agoniante atingir seu crânio. Soltou um grito de dor, caindo ajoelhada mesmo que agora estivesse livre da ilusão.
Assim que caiu de joelhos, Gaara ergueu o rosto que mantinha abaixado até o momento. Imediatamente, pensou em ir até a garota para ampará-la. Entretanto, hesitou ao ver o olhar do Uchiha. Era como um aviso e ele o acatou, interrompendo seus passos no mesmo instante.
- Parece que, finalmente, alguém fez o seu trabalho direito. – o moreno disse. – O primeiro Sabaku que não nos decepciona. Meus parabéns, Gaara. Ela é realmente a cobaia perfeita.

~o~

A brisa da madrugada era fria. Vez ou outra, ela tornava-se um pouco mais forte, balançado as folhas e derrubando algumas delas na grama verde. Para , essa pequena oscilação passou despercebida, pois seu objetivo agora era encontrar Naruto. Como da primeira vez que conversou com ele, não sabia exatamente o que dizer. Mesmo assim, foi em frente, determinada a achar o garoto e pelo menos levá-lo até seus amigos.
Caminhou mais um pouco, adentrando ainda mais a floresta. Sem precisar utilizar seu byakugan, avistou o Uzumaki sentando com as pernas em posição de índio. Parecia meditar, mantendo a cabeça erguida na direção do céu, onde a lua brilhava. Lentamente, ela se aproximou, mas não foi muito longe. Logo o loiro percebeu que não estava sozinho, esquecendo-se por um momento do firmamento. Olhou por cima dos ombros para a pessoa às suas costas, franzido a testa ao reconhecer a Hyuuga.
- O que quer aqui? – as palavras saíram entredentes.
- Seus amigos precisam que volte. – tomando coragem, ela respondeu.
- Preciso ficar sozinho. – o Uzumaki voltou a olhar para cima.
- Naruto... – a garota pronunciou seu nome com calma. – Eles precisam de você.
- Precisam de mim... – o garoto murmurou, fechando os olhos com força. – Não sei se percebeu, mas todos estão machucados por minha causa. Acha mesmo que precisam de mim?
- Não conheço você, não conheço nenhum de vocês. – a perolada deu dois passos à frente. – Ainda assim, só por ouvir a forma como falaram a seu respeito, tenho certeza que sim, elas precisam.
- O que você tem a ver com isso, afinal? – o garoto elevou um pouco o tom.
arregalou os olhos diante daquela reação e, quando o rapaz se levantou de vez, deu um passo para trás. Naruto percebeu a hesitação da garota, franzindo o cenho. Porém, aproveitou-se daquele traço de temor para se livrar dela, avançando a passos fortes em sua direção. Mesmo que seu corpo implorasse por descanso, o Uzumaki queria ficar a sós com sua própria aflição.
Ao perceber a intenção do garoto, a Hyuuga recuou, mas ele continuava vindo até ela. Parou apenas quando recostou-se a um grande tronco, apoiando as costas nele. A moça entreabriu os lábios, tentando formular uma frase coerente, mas Naruto foi mais rápido, socando a árvore atrás dela.
- Não quero que diga nada, não quero mais ver você ou aquele outro Hyuuga por aqui. – as palavras saíram baixas, num misto de frustação e raiva. – Eu fui o culpado por todo esse estrago, mas vocês me fizeram chegar a esse ponto. Seus... patifes.
A garota permaneceu estática, enquanto as palavras chegavam a sua mente. Ele a havia chamado de patife. A comparou a uma criminosa sem escrúpulos. Respirou fundo ao perceber que, naquele instante, era assim que se sentia. Todavia, não poderia deixar que ele a intimidasse daquela forma. Fitou o braço erguido com o punho fincado no tronco, logo voltando seu olhar para o loiro. Ergueu o rosto e, mesmo que temesse um ataque de fúria, permitiu que as palavras deslizassem de entre seus lábios.
- Durante toda a minha vida fui treinada para um único propósito. – ela disse. – O de proteger a minha família, independentemente do que precise fazer para consegui-lo. E hoje foi a minha chance de mostrar que estou fazendo isso.
- Você diz proteger sua família. – o garoto soltou um riso, sem humor. – E quanto aos seus semelhantes? Acha que somos menos importantes e que por isso tem o direito de nos caçar?
- Não acho que somos melhores ou piores do que ninguém. – a Hyuuga balançou a cabeça negativamente. – Mas essa é a vida. Não podemos fugir de nosso destino, nem se quisermos.
- Destino... – Naruto fechou os olhos sem acreditar no que ouvia. – Vou dizer o que sei sobre destino.
Sem pensar direito, espalmou as duas mãos no tronco, encurralando a garota. Há alguns instantes ele a queria fora dali, entretanto, agora ela iria ouvi-lo. Fitou-a bem fundo nos olhos e, naquele momento, o mar e as pérolas se conectaram sem haver quem pudesse separá-los.
- Eu cresci com meus pais e tive uma vida feliz, até virem atrás de nós. Eles foram levados e só consegui escapar por que minha mãe me escondeu dos caçadores. Depois disso, nunca mais os vi e nem sei se estão vivos. – a cada palavra, o coração do Uzumaki doía mais. – Mas eu aprendi a me virar e, graças a isso, sobrevivi. Se estou aqui, foi por causa de meus próprios esforços. Todos os dias, eu escolho o que farei com minha vida, decido quem eu quero ser. Então, não me venha com esse papo de destino, pois para mim, não passa de uma forma de desculpar todas as más decisões que uma pessoa tomou.
- Não é tão simples. – balbuciou.
- É bem simples. – ele rebateu. – Apenas abra seus olhos, Hyuuga. Somos quem queremos ser e ninguém tem nada a ver com isso.
Ainda fitando a moça, ele deu dois passos para trás. Com satisfação, percebeu que a tinha deixado sem palavras. Apesar disso, algo praticamente o obrigava a continuar encarando aqueles orbes perolados. Ignorando aquele pensamento, Naruto cerrou os punhos, dando as costas a ela.
- Diga a para não se preocupar comigo. – o rapaz sussurrou mais calmo. – Se não se importar, é claro.
Então, sem mais, adentrou a mata a passos lentos e despreocupados. Por dentro, porém, sua alma pedia por repouso não só físico, mas mental. Havia chegado ao seu limite e não sabia mais se aguentaria suportar aquela carga de ser diferente dos outros humanos. Não depois de ter quase matado uma das poucas pessoas que amava.
permaneceu estática. Estava deveras perplexa por conta de tudo o que o garoto lhe dissera. Nunca pensou que alguém desprezasse tanto a ideia de uma lei predeterminada para a vida. Desde pequena foi doutrinada assim, então para ela o destino era algo real. Todavia, Naruto fora tão firme em sua concepção que, por um segundo, a certeza que irradiava de seus belos olhos quase a abraçou.

~o~

arregalou os orbes claros assim que a berrou, caindo de joelhos. A Sabaku não sabia o porquê, porém, sentiu seu coração se apertar ao ver a moça sofrer. Foi como ela própria tivesse sido atingida pela dor que sentia. Shikamaru, ao seu lado, sentiu o mesmo. Sem mais suportar, passou pela loira de Suna, tendo a ampla visão de sua amiga.
tremia violentamente e sucumbiria a qualquer momento ao que quer que a tenha atingido. Todavia, o garoto não se importava com nada daquilo, queria apenas que ela ficasse bem. Olhou na direção do ruivo, vendo-o parar apenas por receber um olhar do o homem estranho lá. Cerrando os punhos, não mediu esforços a agir. Porém, parou assim que ouviu as palavras do estranho.
- Parece que, finalmente, alguém fez o seu trabalho direito. – o moreno disse. – O primeiro Sabaku que não nos decepciona. Meus parabéns, Gaara. Ela é realmente a cobaia perfeita.
O Nara deixou o queixo cair, olhando para a garota atrás de si. encolheu os ombros ao constatar que sua suspeita estava correta. Seu irmão tinha vendido e Shikamaru para os caçadores. Ela só não entedia o motivo. Não que houvesse uma justificativa para tal ato, ainda assim, a mulher acreditava que o mais novo tinha algum objetivo. Só não o deixaria seguir adiante com seus planos.
- Isso não vai ficar assim. – ela murmurou para o rapaz.
Ousada, parou ao lado de Shikamaru, erguendo a mão direita. Instantaneamente, uma ventania começou a se formar em todo o ambiente. O vento se tornou tão forte que as coisas ao redor foram levitadas, chamando a atenção dos presentes até os dois parados ali atrás.
- É melhor dar o fora da minha casa e deixar meus amigos em paz. – a garota falou num tom grave e ameaçador. – Quem quer que você seja.
Assim que reconheceu a irmã, Gaara entreabriu os lábios, surpreso por vê-la de pé ao lado do Nara. era poderosa e difícil de lidar, porém, não era páreo para aquele Uchiha. Pensando em protegê-la, fez com que sua areia deslizasse pelo piso discretamente, até que se enrolasse nos pés dos dois jovens à entrada do corredor. Ao sentir a pressão conta seus membros inferiores, a garota abaixou a mão, pasmada. No mesmo segundo o vento cessou e os objetos foram ao chão, causando ruídos por todos os lados.
- O que está fazendo? – perguntou ao irmão.
- ... – o Sabaku respondeu. – Fique fora disso.
- Fique fora disso? – ela berrou, deixando que toda a fúria que sentisse transparecesse em suas palavras. – Você quer vender meus amigos a caçadores e quer que eu não faça nada?
- Você não sabe do que está falando. – Gaara deu dois passos em sua direção.
- Não fale comigo como se eu fosse uma idiota. – ela disse entredentes. – Eu juntei os fatos e entendi. Você não ajudou a e o Shikamaru porque ainda tem humanidade dentro de si. Foi exatamente pelo contrário. Você é um monstro!
O rapaz não soube o que dizer. Estava paralisado pelas palavras da irmã mais velha. era uma mulher mais inteligente do que ele imaginaria que fosse. Mas, era ainda mais venenosa, sabendo exatamente como atingir suas feridas não cicatrizadas.
- Então, essa é sua irmã. – de repente, a voz do homem de preto encheu recinto. – Uma controladora de ar.
Todos olharam para ele, inclusive que jazia abaixada, sem conseguir se levantar. Após se libertar da ilusão mental, teve a plena certeza de que aquele homem fora o responsável por ela, entretanto, se esqueceu daquele fato assim que ouviu as palavras de . Então aquele foi o motivo para Gaara os ter ajudado. Ele não era um bom homem mal compreendido. Não. Como a irmã disse, era apenas um monstro.
Ainda fitando o Uchiha, Gaara percebeu que este dava atenção demais a , por isso semicerrou os olhos em sua direção.
- Itachi... – o Sabaku murmurou de força ameaçadora.
- Não se preocupe, garoto. – o outro soltou um riso abafado. – Ela não me interessa.
- Nem que interessasse. – o rapaz respondeu.
- Acho melhor encerrarmos por hoje, já nos delongamos demais. – Itachi disse.
- E quanto a sua parte do trato? – Gaara questionou.
- Venha comigo e terá o que deseja. – ele apontou para a porta de vidro estilhaçada.
Assim que viu o homem se mover na direção de , Shikamaru recobrou os sentidos. Mesmo sendo dominado pela areia de Gaara, conseguiu usar sua sombra, que foi na direção do homem chamado Itachi, o paralisando.
- É melhor não encostar nela. – O Nara disse com as mãos ainda erguidas.
A muito custo, o Uchiha conseguiu se virar na direção do garoto, que acompanhou seus movimentos, abismado. Aquele homem era muito poderoso, caso contrário, não teria resistido ao seu domínio.
- Você é um Nara. – o outro soltou. – Tão inúteis quanto aparentam.
Então, assim como fez com a , encarou Shikamaru nos olhos. Aquele contato foi suficiente para que o garoto perdesse a consciência e tombasse, indo de encontro ao chão.
- Shikamaru! – berrou.
Desesperada, tentou se libertar, mas seu irmão aumentou a areia ao redor de seu corpo, a dominado por completo. Em seguida, ele seguiu Itachi, que havia pegado no colo. A garota sequer resistiu. Estava estática, alheia a tudo o que se passava. Quando chegaram a área externa, no jardim, o Sabaku avistou uma mulher de cabelos azuis e olhos acinzentados sentada no banco que sua irmã costumava ocupar.
Assim que os viu, ela se levantou, caminhando até estar perto deles. Parou, mantendo sua postura neutra e olhou para o rapaz ruivo, sabendo quem ele era, assim como a garota que agora dormia graças a alguma ilusão de Itachi.
- E então? – foi a primeira coisa que disse.
- Está feito. – o homem respondeu. – Entregue o que o garoto pediu.
- Como quiser. – ela respondeu, soltando um leve suspiro ao vê-lo lhe dar as costas e caminhar para a saída.
- E, Konan... – Itachi parou de repente, chamando sua atenção. – Quando terminar, traga o Nara também. Ele talvez seja... útil.
Acenando uma vez com a cabeça, a mulher se virou na direção da casa. Lançando um último olhar para Gaara, ela caminhou para dentro da casa, disposta a terminar aquela missão e então voltar para onde estariam seguros.



Capítulo 20: Há Uma Razão

Já era quase dia. De forma tímida, o sol começava a aparecer, iluminando tudo à sua volta. A cada segundo, o alaranjado matinal se tornava mais intenso, deixando o céu incrivelmente lindo e revelando o que antes estava escondido pela escuridão noturna.
Maravilhado, o pequeno garoto de orbes negros fitava o horizonte sem se importar com o tempo que passava. Não queria saber de obrigações, apenas desejava poder aproveitar aquele pequeno momento de paz em silêncio, sem que ninguém o incomodasse.
Paz.
Essa era a palavra. Era o exato sentimento que tomava seu corpo naquele instante, algo que não costumava sentir com tanta facilidade. Inconscientemente, ergueu a mão direita e fingiu tocar o sol que agora brilhava mais claramente. Suspirando, lembrou-se de quando estava com o irmão. Juntos, costumavam ver o amanhecer. Era sempre o mais velho que o acordava. A contragosto, o Uchiha o seguia, pois sabia que no final teriam um ótimo momento.
O menino até se lembrava das perguntas curiosas que fazia e que o outro sempre conseguia responder, fosse o que fosse. Itachi era tão inteligente e gentil. O seu sorriso sempre sincero e bondoso. E era exatamente por esse motivo que não compreendia como ele pôde ser tão mau? Como teve a coragem de trair a própria família? Isso, o pequeno garoto não conseguia aceitar. Seu único objetivo agora era sobreviver e, quem sabe um dia, encontrar as respostas que tanto precisava.
Abrindo os olhos de supetão, Sasuke olhou em volta, procurando qualquer sinal de perigo. Ao perceber que continuavam sozinhos, sua respiração aos poucos voltou ao normal. Ainda assim, manteve-se alerta, pois nunca estariam livres ou completamente seguros, especialmente, num lugar como aquele. Por um segundo, resmungou, descontente consigo mesmo, por ter cochilado por tanto tempo. O dia já surgia e os raios solares acertavam seu rosto sem piedade.
Levemente perturbado graças às lembranças que inundaram sua mente, recostou a cabeça no tronco da árvore às suas costas, deixando que um suspiro cansado escapasse pelos lábios entreabertos. Odiava quando as memórias sobre o irmão voltavam. E odiava ainda mais a forma como havia sido tão ingênuo em acreditar que ele era bom. Só com o tempo, quando deixou de ser um garotinho, percebeu que as pessoas mentiam e fingiam ser o que não eram. E o mais doloroso foi ter que sentir isso na pele, quando perdeu tudo o que mais amava.
Inquieto, se remexeu, notando que seus movimentos já estavam praticamente normais, apenas o lugar onde a Hyuuga o havia acertado doía um pouco. Sem querer, acertou o cotovelo no ombro da garota que dormia ao seu lado, fazendo-a gemer. Automaticamente, Sasuke olhou para a , a tempo de vê-la se encolher, abraçando o próprio corpo.
O rapaz a analisou com calma e agora que a luz matinal iluminava o ambiente, viu o quanto ela estava exausta. Os cabelos bagunçados, caindo sobre metade do rosto, as roupas e as mãos sujas de sangue, evidenciando o esforço que fez para salvar até mesmo um desconhecido. Sem que pudesse evitar, a lembrança de sua mãe invadiu sua mente. A mulher se importava com todos e sempre estava disposta a ajudar quem precisasse.
Um pequeno sorriso iluminou o semblante do jovem e este só aumentou quando fez uma careta, antes de abrir os grandes olhos esverdeados. Por alguns segundos, a garota permaneceu alheia a tudo e só depois de recobrar os sentidos é que notou o olhar do Uchiha sobre si.
- O que tanto olha? – sua voz saiu arrastada e rouca. – Por acaso minha cara está suja?
- Para falar a verdade, está sim. – o moreno a olhou de cima a baixo, assumindo um olhar debochado. – Deveria tomar um banho.
- Eu digo o mesmo. – a garota imitou a expressão dele.
Rindo abafado, ele desviou o olhar, mas ainda pôde ouvir o resmungo que veio da rosada. Lentamente, porém, sua expressão voltou ao normal. Assim que viu deitada ao lado do garoto Hyuuga, sem esboçar qualquer reação, lembrou-se de que havia sido imprudente por ter pegado no sono numa ocasião como aquela.
- Me desculpe... – as palavras saíram baixas, mas foi suficiente para que ouvisse.
- O quê? – ela o encarou, com o cenho franzido.
- Eu não deveria ter dormido... – tentou se explicar. – Estamos muito expostos aqui.
- Por isso. – a balançou a cabeça uma vez. – Sasuke, você não tinha a obrigação de nos vigiar.
- Vocês estavam exaustos e Naruto e a Hyuuga não apareceram. – o rapaz disse. – Eu era o único que ainda tinha alguma força.
- Mesmo assim. – suspirou ao mesmo tempo em que tentava se levantar. – Você não precisa nos ajudar.
Sem esperar uma resposta, a garota caminhou na direção onde sua amiga permanecia deitada. Antes de ir até ela, porém, se abaixou ao lado do Hyuuga e, com olhos clínicos, analisou seu ferimento. Inclinando-se mais para perto dele, tocou o ombro lesionado agora parcialmente curado e deslizou o dedo pelo ferimento profundo e ainda aberto.
- Eu deveria ter feito isso melhor. – suspirou, insatisfeita com o próprio trabalho.
- Você fez o que pôde. – ouviu atrás de si e virou-se para lá, encontrando Sasuke de pé, a poucos passos. – Não deveria se cobrar tanto.
- Sério que está me dizendo isso? – ergueu as sobrancelhas. – Caso me lembre, estava se lamentando por não ter conseguido ficar acordado.
- É diferente. – o Uchiha revirou os olhos.
- Claro que é... – estalou a língua.
Voltando a Neji, decidiu curá-lo um pouco mais. Aproximando a palma da mão do local, não demorou a que uma luz esverdeada surgisse ao redor de seus dedos. Suavemente, o machucado se fechou, até restar uma cicatriz profunda. Impressionado, o rapaz mais atrás observava atentamente o ato. Em todos aqueles anos, nunca tinha visto algo parecido.
Cada vez que curava alguém, seu rosto assumia uma expressão branda, cheia de ternura, totalmente diferente da garota que costumava ser. Em tão pouco tempo ele percebeu a generosidade dela e mesmo que tentasse mostrar o contrário, se preocupava com todos. Franzindo o cenho, o homem não entendeu porque pensava naquilo. Aquelas pessoas o deixavam muito confuso e ele não gostava disso.
- Precisamos achar água. – de repente disse, chamando sua atenção.
- Eu... – olhou ao redor por alguns instantes. – Vou procurar algo.
- Tudo bem. – a garota concordou.
Balançando a cabeça uma vez, o garoto deu as costas aos outros e caminhou na direção oposto, adentrando a mata onde se encontravam. Olhando para o alto, observou o céu, agora completamente azul. Ignorando a brisa matinal que balançava as folhas verdes, continuou sua caminhada que ainda não tinha um verdadeiro rumo.

~o~

permanecia sentada no chão, fitando os grãos de areia ao seu redor que há muito a haviam libertado. Não soube quando, apenas sentiu seu corpo imobilizado ficar livre, porém, não teve forças para se manter de pé, tombando sobre o piso amarronzado.
Minutos ou talvez horas se passaram, mas ela não se moveu, pois não sabia o que fazer. Seus orbes esverdeados permaneciam estáticos em ponto, mas a garota não enxergava nada. Em sua mente, as cenas que haviam ocorrido mais cedo se repetiam vez após vez.
Aquelas pessoas invadindo sua casa e levando seus amigos como se fossem meros objetos. Tratando-os como ratos de laboratório. E o pior era saber que seu irmão estava por trás de tudo isso. Sempre soube que Gaara era uma pessoa difícil, especialmente, pelos traumas que sofreram. Mas com o passar do tempo e com a chegada da , acreditou que ele poderia mudar e voltar a ser o garoto gentil que sempre fora.
Infelizmente, estava enganada. Aquele homem não era a criança com quem havia crescido, era apenas um monstro que se preocupava apenas consigo mesmo. Seu irmãozinho estava perdido e parecia que não poderia mais ser encontrado.
Piscando os olhos algumas vezes, finalmente a mulher voltou a si, vendo a areia que a circundava inerte. Sem pensar, levou a mão direita até ela, pegando um punhado entre os dedos trêmulos.
- O que você fez? – o murmúrio escapou pelos lábios ressecados enquanto a terra deslizava de volta para o chão.
Encontrando um restante de forças, a garota se levantou, cambaleando pela sala agora completamente destruída. Pisou nos cacos de vidro que se partiram ainda mais sob suas botas, seguindo para o jardim que cultivara com tanto cuidado. Passou da porta destruída e seguiu na direção de suas flores. Não sabia o porquê, mas queria estar ali.
Todavia, sua vontade se esvaiu no momento em que o avistou. Sentando no banco que havia perto de algumas rosas, o ruivo mantinha os cotovelos apoiados nas pernas enquanto as mãos escondiam o próprio rosto. Em outro momento, diria que estava angustiado, agora, entretanto, não sabia se o conhecia mais para firmar qualquer coisa.
Gaara não a tinha visto e, por um segundo, pensou em dar meia volta e ir para qualquer outro lugar. Mas não dessa vez. Cerrando os punhos, sentiu a raiva ferver dentro do peito e quando percebeu, já caminhava a passos duros até o mais novo, que não demorou a perceber sua presença, erguendo o rosto em sua direção.
- Seu... – as palavras foram cuspidas assim que seus olhares se cruzaram. – O que fez com eles?
- ... – o rapaz se ergueu, tentando falar algo.
No entanto, suas palavras se perderam quando sentiu o impacto atingir o lado direito do seu rosto, o fazendo virar. Com os orbes arregalados, a sensação dos dedos em sua pele lhe impediu de raciocinar por um instante. Quando finalmente voltou os olhos para a irmã, a viu abaixar a mão usada para golpeá-lo.
- O que... – arfou, franzindo o cenho. – O que pensa que está fazendo?
- Acha que tem o direito de fazer perguntas, de sequer dizer algo? – a garota berrou por cima de sua fala. – Que tipo de pessoa pode ser tão baixa quanto uma que vende os próprios amigos?
- Eles não eram meus amigos. – murmurou.
- Não eram seus amigos? – arfou, incrédula, deixando então que um riso de escárnio passasse pelos lábios. – É claro que não, afinal, só há você e mais ninguém. Você e seu maldito orgulho, você e sua arrogância interminável. Sequer pensou em como eles vão ser tratados? Em que, provavelmente, vão estar mortos em alguns dias?
- Isso não é problema meu. – Gaara disse apenas.
Sem esperar uma resposta, passou pela irmã, voltando para dentro da casa. permaneceu parada, sem acreditar que ele o havia feito e só após alguns segundos é que o seguiu, apressando os passos para o alcançar.
- GAARA! – gritou o outro a plenos pulmões, fazendo-o parar. – Quantas vezes já disse para não me dar as costas?
Enquanto suas palavras saiam com cada vez mais fúria, o ar ao redor as acompanhava, começando a formar um vendaval que terminava de destruir a sala de estar. Virando-se para a irmã, o Sabaku surpreendeu-se ao ver seus olhos que emanavam um brilho azul cintilante, como duas luzes acesas. Não se moveu, mantendo sua areia recolhida, apenas observando até onde chegaria.
- Nós perdemos tudo e ficamos sozinhos e eu cuidei de você. – ela continuou. – Mas de que adiantou?
Ao perceber que Gaara não esboçava nenhuma reação, a raiva da garota expandiu-se e em segundos os cacos de vidro giravam na mesma direção da ventania.
- O que eu sou para você, Gaara? – as lascas afiadas flutuaram na direção do rapaz. - Nada?
O Sabaku viu os fragmentos chegar, mas sequer teve tempo de se proteger. Primeiro, sentiu no rosto, depois o braço direito. Eram como lâminas, prontas para dilacerar tudo que havia em sua frente. A cada novo corte, sua pele imediatamente se regenerava, substituindo-se por areia, que logo tomava a aparência normal. Ainda assim, a dor era real e, pelo olhar que a outra sustentava, ela não pararia tão cedo.
- ... – tentou falar, colocando os braços à frente do rosto para se proteger.
- Está sentindo? – ela o interrompeu, fazendo com que os cacos aumentassem em velocidade. – Essa dor é a mesma que eu sinto aqui.
Apoiando as mãos no peito, a garota arfou, tentando manter-se firme. Queria que aquele maldito sentisse pelo menos uma pequena parte do que ela sofreu por todos esses anos. Que soubesse o que era viver sem ter amigos ou uma família de verdade, sem saber como era ser amada. E, quando por fim descobriu a sensação, a teve arrancada de si sem nenhuma piedade.
Acima de tudo, não se importava com o fato de ser amada, mas de poder devolver esse amor. E com e Shikamaru pensou que, pela primeira vez, poderia fazê-lo. Agora, não fazia ideia de onde e como deveriam estar e seu coração se apertava com as possibilidades. Foi o mesmo que sentiu quando viu Kankuro ser morto por caçadores por causa de dividas que seu pai havia deixado. E, como daquela vez, não pôde fazer nada.
Cerrou os punhos, disposta a seguir em frente, mas quando um gemido agoniante de Gaara encheu o ambiente, as memórias do fatídico dia lhe atingiram com força total. Havia sido exatamente daquele jeito que o mais novo grunhiu antes de ser acertado por um dos caçadores. Sem mais poder suportar, suas pernas bambearam e seu poder vacilou, fazendo com que a ventania cessasse lentamente e o vidro, que antes machucava o Sabaku, tilintasse contra o piso escuro.
Ao notar que o ataque havia cessado, Gaara baixou as mãos, confuso. Então, encontrou ajoelhada, em prantos, abraçando o próprio corpo. Ainda sentindo os cortes se fechando, caminhou até ela, abaixando-se em sua frente. Permaneceu quieto por um longo minuto, vendo-a chorar, mas logo seus dedos se ergueram até tocarem o rosto dela.
O contato fez a moça tremer, porém, ela não se esquivou, mantendo o olhar baixo. O mais novo limpou suas lágrimas, fitando-a profundamente. Nunca a tinha visto assim. Nem mesmo quando perderam o irmão. E seu coração pulsava angustiado ao assistir a cena.
- As coisas não eram para ser assim. – sua voz saiu mansa, como se quisesse dar-lhe algum consolo. – Mas há uma razão.
Sem entender, a garota o encarou, porém, não teve forças para dizer mais nada. E sua confusão apenas aumentou quando ele lhe estendeu a outra mão, abrindo-a para revelar o que havia nela.
- Não se preocupe, agora vai ficar tudo bem. – Gaara dizia enquanto segurava o colar que um dia pertencera a Kankuro.

~o~

A brisa se tornava cada vez mais forte, chegando a derrubar algumas folhas das árvores. Sobre um grande galho, a Hyuuga permanecia sentada, permitindo que seus fios negros se esvoaçassem, revelando seu rosto alvo marcado pela poeira. A garota permanecia ali desde a noite passada e não conseguiu sequer cochilar, acompanhado os últimos minutos da lua e os primeiros raios de sol.
Agora, a luz solar aquecia sua pele, lhe proporcionando um raro momento de paz. Ainda assim, esta não era plena. Não depois de tudo o que havia acontecido. Suspirando, levou a mão até o braço direito, onde a queimadura causada pelo Uchiha latejava. Ainda que estivesse acostumada a sentir dor graças ao treinamento rigoroso que recebera, jamais pensou que as coisas pudessem ser tão perigosas e cruéis. Quando saiu do território de sua família, a ideia de enfrentar pessoas tão poderosas e perder alguém tão importante sequer passou por sua cabeça.
Enquanto o dia ainda não havia raiado, caminhou até onde os outros se encontravam e se abaixou ao lado de Neji. Tocando seu rosto pálido, percebeu que algo não estava certo. Pessoas inocentes foram feridas e por alguém que não tinha a menor intenção de ser agressivo. Se não tivesse sido provocado, Naruto jamais agiria como um monstro descontrolado.
Baixando o rosto, a garota limpou uma pequena lágrima que escapara sem que percebesse. Seus piores medos estavam se tornando realidade. Um por um. Desde criança, tinha o forte receio de sair de sua zona de conforto, pois temia encontrar exatamente o que havia encontrado. Sofrimento, dor e tristeza. Enquanto crescia, a ideia se tornou mais fraca, porém, via que sempre esteve certa.

“Você diz proteger sua família. E quanto aos seus semelhantes? Acha que somos menos importantes e que por isso tem o direito de nos caçar?”

Mordendo o lábio inferior, recordou as palavras que Naruto lhe dissera há pouco. Aquele questionamento a havia pegado desprevenida, especialmente, quando o loiro questionou a certeza que ela tinha no destino. Nunca, em toda sua vida, ouviu alguém que pensasse diferente e agora estava confusa.
Se Uzumaki Naruto não acreditava que tudo estava predestinado, então como poderia manter o controle de suas decisões? Como poderia viver sem problemas? Sem saber o seu lugar no mundo?
Foi nesse momento que o viu. Como se tivesse escutado suas perguntas, o Uzumaki surgiu lá embaixo, cambaleando por entre as árvores. Quando o rapaz parou de andar e se recostou a um tronco, permaneceu paralisada, o encarando de onde estava. Não queria chamar sua atenção, pois algo a dizia que ele não a queria por perto.
- Ah, que droga... – de repente o garoto resmungou, recostando a cabeça no tronco. – Vai mesmo continuar aí me olhando sem fazer nada?
Surpresa, a Hyuuga piscou os grandes olhos perolados sem entender o questionamento. Sequer soube se havia sido dirigido à sua pessoa. Só quando os olhos fechados de Naruto se abriram em sua direção é que teve certeza que ele falava com ela. A moça fitou os orbes que eram como o céu agora azul, sem saber ao certo como agir. Pensou em dizer algo, mas não se moveu, levando de forma automática a mão ao braço lesionado.
A falta de ação por parte da garota fez o Uzumaki revirar os olhos. Se não fosse pela dor e a fraqueza que sentia por todo o corpo, já teria subido naquela árvore e a obrigado a descer. No entanto, apenas podia observar sua postura ereta e os fios balançando ao ritmo da brisa matinal. Mesmo de longe, conseguia enxergar seus olhos e o brilho que havia neles.
- E então, Hyuuga? – Naruto insistiu. – Se ainda não percebeu, eu estou bem detonado.
- E por que iria querer minha ajuda? – a garota questionou, apertando ainda mais o machucado. – Caso me lembre, me queria longe daqui.
- É, eu disse. – suspirou, cansado. – Mas digamos que... exagerei.
- Exagerou? – franziu o cenho.
- Será que podemos conversar sobre isso depois? – ele ergueu as sobrancelhas. – Preciso chegar até minhas amigas.
ponderou por alguns segundos, tirando lentamente a mão do braço e a apoiando no tronco onde permanecia sentada. Hesitou, mas então se lembrou que havia dito à que traria Naruto de volta. Não conseguiu na primeira tentativa, todavia, ali estava ele, pedindo seu auxílio. Deveria aproveitar seu bom humor.
Sem mais delongas, olhou para baixo, procurando um bom lugar para se apoiar e então pulou. A árvore não era tão alta, assim conseguiu pousar, flexionando levemente as pernas. No entanto, estava cansada e fraca graças à noite passada e isso a obrigou a apoiar um dos joelhos no chão para suportar o próprio peso. Ao confirmar que não cairia, se ergueu e olhou para o homem a poucos metros, encontrando seus orbes sobre si.
- Belo pulo. – ele disse, deixando que um sorriso debochado desenhasse seus lábios.
- Vamos, vou te levar até suas amigas. – ignorando a fala de Naruto, ela se aproximou, parando em sua frente.
- Tudo bem. – fingindo se render, o garoto ergueu os braços e foi até ela.
A Hyuuga não perdeu tempo, passando um dos braços de Naruto sobre seu ombro e segurando sua cintura com a mão livre. Começando uma lenta caminhada, seguiram na direção que sabiam ser a certa sem trocar mais nenhuma palavra, o que estava incomodando verdadeiramente o rapaz. Não estava acostumado com o silêncio. Durante toda sua vida conviveu com pessoas enérgicas e expressivas. Ter alguém ao seu lado que não esboçava ao menos um sorriso era um grande problema.
- Já estou imaginando como a vai reagir quando me ver. – riu abafado. – Acho que eu deveria preparar meu funeral.
Após falar, olhou de soslaio para , esperando que ela dissesse algo, porém ela continuou olhando para frente. Até parecia que não havia escutado nada. Franzindo o cenho, o loiro também voltou a fitar o caminho à frente. Definitivamente, aquela garota era bem estranha.
- Eu sei que tivemos uma noite meio conturbada e tudo. – insistiu. – Mas você não vai morrer se der ao menos um sorrisinho.
- Eu não sei se esse seria o melhor momento. – ela rebateu.
- E qual seria então? – o Uzumaki questionou, não esperando uma resposta. – Porque, caso esperemos um momento de felicidade para sorrir, seria melhor desistir.
- Não é isso que quis dizer. – pela primeira vez ela o encarou, parando de andar. – É só que... as circunstâncias...
- Eu já entendi o quer dizer. – ele também a olhou. – Mas não concorda que é melhor espantar a melancolia? Não estou dizendo que não vamos sofrer. Apenas não devemos deixar que esse sofrimento nos domine. Nós decidimos se vamos seguir em frente ou se vamos continuar remoendo nossos erros para sempre.
permaneceu estática, encarando Naruto sem piscar uma única vez. Mais uma vez ele falava sobre suas próprias decisões e escolhas, algo que ela não sabia da existência. Permaneceram ali, parados por um tempo que não souberam calcular. Apenas quando o rapaz riu abafado é que ela voltou a si. Pigarreando, voltou para frente, recomeçando a caminhada. Quanto a Naruto apenas se deixou ser conduzido, afinal, daquela vez não tinha escolha.

~o~

O ar gélido fazia com que os pelos do corpo se arrepiassem, deixando uma sensação estranha na pele. Assim que despertou a garota percebeu isso. Respirou fundo, sentindo uma dor estranha no peito, mas mesmo assim decidiu se levantar.
Suas tentativas, porém, foram em vão. Na primeira delas, percebeu que estava deitada numa maca e seus pés e mãos permaneciam amarrados. Em suas têmporas, fiações haviam sido conectadas. Olhando em volta, assustou-se ao constatar onde se encontrava. Era como um grande quarto branco, repleto de aparelhos de ultima geração da mesma cor.
Deveria ser um dos laboratórios do governo, para onde os regenerados eram enviados para servir como cobaias. Não se lembrava de como havia chegado até ali, recordava-se só do momento que o homem de olhos vermelhos a pegou no colo e nada mais.
Inquieta, forçou os braços novamente, não obtendo nenhum resultado diferente. Pensando em como poderia escapar, olhou mais uma vez em volta em busca de algo que a auxiliasse. Dessa vez, notou algo que não tinha visto antes. Um pouco mais afastados, jaziam enormes tubos de contenção. Eram cinco ao todo. Dentro deles estavam pessoas desacordadas, usando apenas roupas intimas. Imersas num líquido amarelado, usavam máscaras para que pudessem respirar.
O coração da se apertou diante de tal cena, logo querendo desviar o olhar para não mais ver algo tão desumano. Porém, um estalo a fez parar, correndo seus grandes orbes de volta para os jovens. No último tubo havia uma pessoa familiar e a garota não demorou a reconhecê-la.
Quando constatou de quem se tratava, o nome ficou preso em sua garganta, engasgado graças ao horror que tomou conta de todo o seu corpo e de sua mente.



Capítulo 21: Sonho ou Realidade

A brisa matinal continuava a soprar por entre as folhas das árvores, fazendo com que algumas delas se desprendessem e deslizassem suavemente até encontrar o chão. Enquanto era levado por até onde suas amigas permaneciam, o jovem Uzumaki percebeu o percurso de algumas delas, sorrindo com a delicadeza daquele movimento. Iam de um lado para outro, como em câmera lenta, até que finalmente estivessem sobre as outras inúmeras folhas secas.
De maneira inconsciente, fitou de soslaio a garota ao seu lado, pois não conseguiu deixar de associar a graciosidade daquela simples vegetação com a forma como ela agia. Mesmo durante uma luta feroz, ainda que enfrentasse um Uchiha, em nenhum momento a mulher perdeu a postura. Imediatamente pensou que, em outra circunstância, teria se apaixonado por ela. Ao perceber para onde sua mente o levava, soltou um riso abafado, abanando a cabeça. Era mesmo sério que pensaria em romance quando estavam em meio ao caos?
Sem entender a repentina mudança de humor do loiro, afinal ele havia se calado durante o percurso, a garota franziu o cenho e o encarou. Para sua sorte – ou não – Naruto a imitou, e seus orbes se encontraram no meio do caminho. Ao perceber o contato visual estabelecido, a moça desviou os seus imediatamente, voltando a fitar o que havia em sua frente.
- Então... – de repente o Uzumaki começou a dizer. – Parece que você é um pouco tímida ou estou enganado?
- O quê? – surpresa, ela arregalou os olhos, sentindo as bochechas esquentarem. – Eu não sou tímida, eu só...
- Relaxa! – o rapaz riu do desespero dela. – Eu só estava brincando. Não que haja nenhum problema em ser assim, é claro.
Mordendo os lábios de maneira disfarçada, a Hyuuga não disse mais nada. Como ele havia percebido aquilo em tão pouco tempo? Eles sequer tiveram tempo para sentar e conversar e aquele garoto já afirmava algo sobre sua personalidade. E o mais interessante é que estava certo.
- Não me leve a mal. – ele voltou a dizer. – Eu costumo observar bem as pessoas para saber se elas são confiáveis ou não. É um hábito que tenho desde que precisei lutar para sobreviver.
- Você fala em sobreviver... – ela parou de repente e ele foi obrigado a fazer o mesmo. – Como pode ter sido tão difícil se tem tanto poder? Por que não se aliou ao governo para conseguir proteção?
- Não é assim que as coisas funcionam. – o loiro negou com a cabeça. – Poder não significa liberdade, especialmente, se alguém coloca uma coleira no seu pescoço.
- Mas pelo menos poderia proteger a si mesmo e as pessoas a quem ama. – ela tentou rebater.
- Não sei se as pessoas a quem amo ficariam felizes se eu me rebaixasse tanto. – sorriu de lado. – Acho que eles preferem morrer a me ver seguir por esse caminho.
- Eu não entendo... – a perolada fitou o nada.
- Deve ser realmente difícil para alguém que cresceu em meio a pessoas que sacrificam os semelhantes em troca de proteção, entender a gravidade da situação. – Naruto disse, mas não parecia bravo como da primeira vez. – Nem todos tiveram que passar por sofrimentos e torturas e por isso acham que o que fazem é o certo.
- Não pode dizer se uma pessoa sofreu ou não. – franziu o cenho.
- Apenas me responda uma coisa, Hyuuga. – ele a encarou profundamente nos olhos. – Você já ouviu alguma vez os pedidos de socorro dos mais fracos, já viu a forma como os mais vulneráveis são tratados como lixo? Quantas pessoas com quem se importa já foram torturadas ou mortas durante essa busca idiota pela perfeição?
não respondeu. E nem precisaria, na realidade. Ela nunca havia presenciado nada do que Naruto havia citado. Nunca havia deixado a segurança de seu lar antes. Ainda que fosse submetida a um treinamento intensivo aonde chegou até mesmo a desmaiar de exaustão, aquilo nem se comparava ao verdadeiro sofrimento. A garota de olhos perolados tinha sido protegida a vida inteira. Suas mãos delicadas e a pele alva sem nenhum tipo de imperfeição era a demonstração disso.
Sem reação, apenas continuou com a boca entreaberta, sustentando o olhar com o dele. Não sabia que poderia encontrar íris que praticamente liam a sua alma. O azul delas era tão puro que podia enxergar o próprio reflexo e isso a incomodou. Sem ter o que dizer, a garota apenas voltou a olhar para frente, voltando a caminhar.
Naruto a acompanhou sem dizer mais uma palavra. Ele sabia que não era necessário. Deixaria que refletisse no assunto para que, quem sabe, aquela garotinha estourasse sozinha a própria bolha que havia em sua volta.
Não demoraram a chegar e , que analisava os ferimentos de com cuidado, se levantou num só pulo, correndo até eles. Sem pensar duas vezes, Naruto se desvencilhou de e recebeu a amiga com um forte abraço. Ao perceber que não tinha mais espaço ali, a Hyuuga se afastou, indo para perto dos feridos, continuando a observá-los de longe.
- Você está bem? – a o apertou com força. – Sabia que quase morremos de preocupação, seu cabeça oca?
- Me desculpe. – pediu com sinceridade, apesar do riso abafado. – Eu só tive uma crise existencial, mas a Hyuuga me ajudou a voltar.
- A sua sorte é que eu estou exausta e não posso usar meus poderes. – se afastou, o encarando com um olhar repreensivo.
- Eu acabei de chegar e já está me prometendo uma surra? – fingiu estar indignado. – Que tipo de amiga você é?
- Uma que não quer que seja morto por andar por aí sozinho. – rebateu, passando o braço dele em seu ombro. – Agora vamos dar uma olhada nos seus estragos.
- Eu estou bem, só um pouco fraco. – se deixou ser conduzido. – Minhas feridas já estão cicatrizadas.
- Sorte a sua. – estalou a língua. – Mesmo assim vai ficar em repouso até que esteja mais forte.
- Eu não pretendia ir a lugar algum. – riu, sentando-se ao lado de , que desviou os olhos, fingindo estar encarando um outro ponto. – A propósito, cadê o Uchiha? Não vai me dizer que ele já foi embora.
- Eu pedi que ele pegasse um pouco de água, mas... confesso que ele demorou mais do que imaginei. – parou de repente, apoiando uma mão no queixo.
Sem mais delongas, a simplesmente se abaixou e pegou o outro cantil que era usado pelos Hyuuga, começando a caminhar para longe do grupo.
- Ei, aonde vai? – Naruto a chamou, confuso.
- Precisamos de água e eu não posso esperar. – respondeu, continuando a caminhada.
- E aquela história de não andar sozinho por aí? – gritou para que ela pudesse ouvir. – !
Mas a mulher não respondeu. Na verdade, até havia escutado seu amigo berrar, simplesmente, continuando seu caminho sem se importar. Diferente do Uzumaki, ela estava em melhores condições de se defender. Além do mais, não iria tão longe, pois se recordava de haver um riacho nas redondezas.
Caminhando, decidida, pendurou o cantil no ombro e adentrou mais pelas árvores altas, logo ouvindo o som do líquido que corria mais à frente. Pensou em caminhar mais um pouco para encontrar um caminho com menos obstáculos, porém, algo lhe dizia que deveria ir por ali.
No momento que afastou um galho, viu um coelho cinza passar correndo, assustado. O ignorou, seguindo seu caminho. Logo avistou a corrente límpida e seu peito se encheu com bela visão do ambiente. Todavia, enquanto corria os olhos avistou algo na margem, a poucos metros de onde estava. Arregalando os orbes esverdeados, logo percebeu do que se tratava e correu até lá, sem pensar duas vezes.

~o~

A jovem não soube por quantas vezes havia despertado e voltado a dormir. Na realidade, não era como se estivesse num sono bom, onde poderia descansar após um dia repleto de atividades. Cada vez que cerrava os olhos, sua mente mergulhava numa profunda escuridão. Então as coisas começavam a acontecer.
Da primeira vez, estava numa floresta e precisou fugir de lobos vorazes, matando um por um. Da segunda, estava debaixo d´água, presa numa gaiola e, antes que morresse deveria achar a chave e escapar. Na terceira, chamas a cercavam e precisava encontrar um jeito de apagá-las antes que morresse por falta de oxigênio ou queimada. A mulher escapou de cada uma das simulações e, sempre que acordava, era induzida novamente ao sono.
Em dado momento, deixou de contar, pois estava exausta. Se a colocassem novamente naquele estado mental, seria capaz de morrer. Todavia, que diferença faria? Não havia ninguém no mundo que se importava com ela. O único era Shikamaru, seu leal amigo, mas ele também estava em apuros, talvez até já estivesse morto. Então, por que deveria lutar?
- Ela é melhor do que imaginávamos! – alguém disse, admirado.
- As histórias sobre os não estavam erradas! – outro completou. – Ela conseguiu vencer todas as simulações que criamos.
- Até onde será que deve aguentar? – uma voz feminina questionou.
- Vamos descobrir! – outra moça disse num tom sádico.
Sem poder protestar, continuou a ouvir vozes ao seu redor e não demorou a ter a mente sugada para uma nova visão. Dessa vez, estava presa dentro de uma grande caixa. Pensado bem, ela notou que não era tão grande assim, apenas era suficiente para tê-la dentro. Prendendo a respiração, deduziu a verdade sobre o ambiente. Estava presa em um caixão.
Atordoada, tentou se mover, mas apenas conseguiu fazê-lo com os braços, o que aumentou seu desespero. deveria entender que nada daquilo era real, que tudo não passava de uma cena implantada em sua mente. Porém, diferente das outras vezes em que apenas se concentrou e encontrou a saída, agora a loira não conseguia raciocinar com clareza. Não quando um de seus maiores medos tinha vindo assombrá-la.
Após presenciar a morte de membros de sua família, de amigos e dos pais, a garota não era mais a mesma. Apesar de tentar manter a aparência sempre alegre e cordial, por dentro era assombrada todos os dias. Era por esse motivo que perdia o controle às vezes, era por isso que precisava do amigo, pois só ele sabia a respeito. Bem, pelo jeito, não era mais o único.
De alguma maneira, aqueles cientistas haviam vasculhado sua cabeça, encontrando a sua pior fraqueza: o medo da morte. Mas não apenas o medo de morrer e sim de ver aqueles a quem amava perdendo a vida sem que pudesse fazer nada.
- Me deixem sair, por favor! – chorava copiosamente, sem ter controle sobre as próprias ações. – Por favor...
Todavia, ela não foi atendida. Pelo contrário, para seu desespero, o espaço começou a tornar-se menor. Gritando a plenos pulmões, a garota só percebeu o que acontecia quando começou a afundar em algo. Num pequeno instante de lucidez, apalpou o conteúdo que invadia cada vez mais o caixão e logo soube o que era.
Areia. Fina e fria, como a do deserto. Silenciosa e invasiva, como a dele. Como a areia de Gaara.
Quando o nome soou em sua mente, fechou os olhos com força. Agora vivenciava outro medo, o de nunca mais poder encontrar a paz. Pensou que com ele, finalmente, poderia deixar de viver como uma criminosa. Sabaku no Gaara não tinha cativado apenas sua mente, ele havia penetrado em seu coração. E ela não pôde fazer nada. Na realidade, ela não quis fazer, pois pensou que finalmente teria uma vida normal. Achou que havia encontrado um lar, porém, estava enganada.
O homem do deserto não era nada do que pensou. Antes de se trazida, conseguiu ler sua mente mais profundamente e enxergou. Ele estava machucado, era um garotinho assustado que não sabia por onde seguir. Primeiro teve pena, depois não sentiu mais nada. Simplesmente não conseguia.
Pensando no momento em que o homem de olhos vermelhos finalmente a subjugou, na casa dos Sabaku, a mulher finalmente resolveu a questão. Não iria mais lutar. Era melhor deixar que sua mente sucumbisse e assim estaria livre. Ainda que temesse a morte, era sua melhor opção. Assim, apenas fechou os olhos e se deixou ser engolida pela areia.
A simulação mental que corria perfeitamente bem começou a sair do controle no instante que a desistiu. Os aparelhos na sala começaram a emitir sons e a piscar luzes vermelhas, indicando que o procedimento havia falhado. Desesperados, os cientistas em volta da moça começaram a correr de um lado para o outro, tentando normalizar a situação.
- O que está acontecendo? – um deles questionou, ajeitando os óculos e parando em frente a um monitor.
- A mente dela está entrando em colapso! – a resposta veio carregada de surpresa. – Ela falhou?
- Não, ela só não quer mais lutar. – uma das mulheres o corrigiu, digitando velozmente num teclado transparente. – E isso é um problema.
- O que vamos fazer? – o de óculos se aproximou. – Não podemos perdê-la.
- Não vamos. – ela disse, continuando seu trabalho.
Após alguns instantes, a cientista conseguiu desligar os aparelhos responsáveis pelas ilusões, impedindo que tivesse uma morte cerebral. Suspirando aliviados, os profissionais, olharam em volta para os aparelhos que deixavam de causar ruídos. Sem entender o motivo daquele contratempo, encararam-se, pois não esperavam que a garota fosse tão poderosa. Ela foi capaz de simplesmente ignorar a simulação para destruir a própria mente e eles quase a perderam.
- Ela nos forçou a desligar os aparelhos. – um dos homens de cabeça raspada limpou o suor da testa - Como poderemos continuar nosso trabalho se a cobaia não for controlada?
- Talvez haja um jeito de fazê-la colaborar. – a segunda mulher, que usava um longo rabo de cavalo, disse, pensativa.
Os homens e mulheres de jaleco branco se entreolharam novamente, pois sabiam exatamente do que a outra falava. Quando receberam a cobaia do Uchiha e da mulher de cabelos azuis, ela não estava sozinha, havia também um rapaz.
Caminhado mais ao fundo da grande sala, eles encararam os tubos onde alguns regenerados eram mantidos. Homens e mulheres, crianças e idosos. O que importava eram as habilidades que tinham e seus genes modificados. Eles eram a chave para a perfeição. Eram o objeto de suas pesquisas que estavam cada vez mais próximas de um resultado.
Num tubo específico estava o jovem do qual falavam. Os cabelos escuros flutuavam no líquido amarelado que o mantinha desacordado e uma grande máscara cinza ligada a um tubo que subia até o teto do cilindro, o permitia respirar. Estava nu, apenas com a roupa íntima e algumas marcas roxas pelo corpo denunciavam que já havia sido usado para testes e experimentos.
- Esse garoto foi entregue com a . – um deles disse. – É um Nara, não tem muita serventia, pois já foram bastante estudados.
- Sim, eu sei. – a mulher que agia como líder acenou a cabeça positivamente. – Mas não é para isso que vamos usá-los.
- E então? – a outra mulher franziu o cenho.
- Nos dados mentais da cobaia, esse rapaz faz parte de suas memórias afetivas. – explicou, caminhando até ficar frente a frente com o tubo. – Talvez possamos usá-lo como um... incentivo.

~o~

Sasuke não demorou muito a encontrar água. Nas imediações da floresta que circundava Konoha, havia um riacho que corria sereno. Caminhando por entre a vegetação, o homem se aproximou da beirada e fitou a água cristalina seguir o seu rumo. Suspirando, retirou os calçados que usava e entrou devagar, sentindo o líquido frio na pele pálida.
Apreciando aquele breve momento de paz, fitou o céu límpido à sua cabeça no momento que uma águia passava voando. Por um segundo, imaginou como seria se pudesse viver como o pássaro, livre e sem gaiolas em volta. Ainda que houvesse se libertado de sua vida como um caçador, tinha a sensação de viver preso a correntes que o impediam de seguir em frente. Apesar de anos terem passado, não havia encontrado o que tanto desejava.
- São apenas sonhos, Sasuke. – disse para si mesmo com raiva. – Volte para a realidade!
Ao perceber que havia se perdido em devaneios, o Uchiha deixou o ar escapar pelos lábios, baixando o rosto para que pudesse terminar a sua tarefa. Tirando do ombro o cantil pendurado, o abriu e se inclinou para pegar um pouco da água. Após enchê-lo, o fechou para que nada escapasse e o pendurou de volta. Aquele recipiente pertencia ao Hyuuga, mas ele não poderia protestar enquanto permanecesse desacordado.
Voltando para a margem, deixou o objeto perto de suas sandálias e resolveu larvar o rosto e tirar um pouco do sangue que havia em algumas partes do seu corpo. Depois avisaria os outros para fazerem o mesmo. Abaixando-se, uniu as mãos em formato de concha, conseguindo capturar uma boa quantidade de água, que levou até a face. Ao sentir o frescor, Sasuke suspirou, relaxando os ombros.
Mas tão rápido quanto o fez, voltou ao estado de alerta no momento que pensou ouvir passadas às suas costas. Virando-se subitamente, ativou seu poder ocular e os olhos negros tornaram-se avermelhados como sangue. Levantando-se, olhou em volta buscando por algo, mas não havia nada. Desconfiado, deu um passo no exato momento que um coelho saiu de trás de uma moita e correu para longe, assustado.
- Era só o que me faltava. – resmungou.
Revirando os orbes, pensou que nada mais idiota poderia ter acontecido. Constatando que a área estava limpa, voltou para o que fazia, no entanto, manteve os olhos ativos para o caso de o cenário se alterar. Curvou-se novamente, emergindo as mãos no riacho, as esfregando com força para remover a sujeira.
O Uchiha não demorou a remover a maior parte dela e, quando se deu por satisfeito, resolveu voltar para onde os outros estavam. Antes que pudesse se erguer, porém, sentiu o olho direito latejar e levou a mão até lá, automaticamente.
- Que merda é essa? – se questionou, confuso.
Em segundos, o latejar se transformou numa dor aguda, que correu para o outro olho e então para o restante da cabeça. Sem entender o que acontecia, o homem fechou os olhos com força e agarrou as extremidades do crânio, como se o movimento pudesse diminuir sua agonia. Ofegando, se levantou, tentando alcançar seus pertences e assim voltar aos outros.
Entretanto, a dor apenas cresceu, arrancando um grito do Excelsis. Engolindo seco, Sasuke não conseguia compreender o que se passava, insistindo em seus movimentos. Ao dar mais um passo, uma pontada ainda mais poderosa lhe atingiu e ele caiu de joelhos, gemendo.
O que estava acontecendo? O grande e poderoso Uchiha não soube responder à questão. Sequer tinha forças para manter-se de pé, que dirá para acabar com aquele sofrimento repentino. Inclinando-se para frente, sentiu o estômago revirar e pensou que vomitaria a qualquer segundo. Antes, porém, suas pálpebras pesaram. Sem poder lutar contra, o homem desfaleceu a margem do riacho que continuava a correr sem ter o menor conhecimento do que se passava.

~o~

A friagem da noite entrava pela janela aberta no quarto da Sabaku. Ela não sabia como havia chegado até ali, porém, ao despertar, continuou deitada em sua cama sem ter forças para levantar.
Apesar de ter chorado por incontáveis horas, suas lágrimas ainda não haviam cessado e escorriam silenciosamente pelos grandes olhos, molhando a fronha do travesseiro. A dor em seu peito não havia diminuído. Pelo contrário, a cada segundo se tornava cada vez maior e a mulher temia que poderia ser tragada por ela a qualquer instante. Nunca foi muito de se apegar e era justamente por isso que considerava Shikamaru e tão especiais, pois haviam conseguido cativá-la em pouquíssimo tempo.
Se encolhendo sobre o lençol amarronzado, apertou o objeto que segurava com mais força e o aproximou do peito, num gesto que demonstrava o valor que ele tinha. O colar de pedra, lapidado em formato de estaca, pertencia a Kankuro. Ele era o irmão do meio, mas antes de ser morto por caçadores, era quem cuidava deles. O terceiro Sabaku era o responsável por mantê-los unidos, mas ele não existia mais.
Tentando contornar a fraqueza que sentia, a loira de Suna se ergueu, colocando os pés para fora do colchão. Com movimentos lentos, conseguiu levantar a caminhar até a janela e o vento lhe açoitou a face mais pálida que o normal. Apesar de ser noite, algumas luzes na cidade estavam acesas e a luz brilhava intensamente, iluminando a maior parte do ambiente externo. Abraçando o próprio corpo, permaneceu ali por um tempo incontável, olhando para além dos muros altos de sua casa.
De forma inconsciente, sua mente voltou para os amigos. Pensou onde poderiam estar, se estariam sendo maltratados, se sequer ainda permaneciam vivos. Mordendo os lábios, fitou as estrelas, tentando encontrar uma resposta. Era assim que o irmão mais novo fazia. Entretanto, depois do ocorrido, ela acreditava que Gaara apenas fingia meditar. Uma pessoa que agiu daquela maneira, sem demonstrar qualquer piedade, não poderia fazê-lo realmente.
Ao lembrar-se do irmão, percebeu que não fazia ideia de onde ele poderia estar e desejava fortemente continuar sem saber. Talvez não fosse capaz de se controlar caso o encontrasse e temia que pudesse machucá-lo. Mesmo que ele fosse um monstro e que nunca fosse perdoá-lo, a mulher ainda o amava. Seu coração não permitiria que o fizesse qualquer tipo de mal e ela se odiava por isso.
Sabaku no Gaara não se importava com ninguém, além dele próprio. O que havia ocorrido no dia anterior, foi o que precisava para ter a plena certeza disso. Com o íntimo em agonia, desceu os olhos para o grande portão de madeira e o encarou por longos minutos até que o viu ser aberto lentamente. Franzido o cenho, apoiou as mãos no parapeito e se inclinou para enxergar melhor quem ousava invadir sua propriedade àquela hora da madrugada.
Ao avistar o cabelo vermelho refletir a luz do luar, não soube se sentia aliviada ou ainda mais tensa. Com os sentimentos em conflito, o viu empurrar o portão mais um pouco e então uma nova pessoa entrou em seu campo de visão. No início, as marcas roxas semelhantes a pintura e espelhadas por todo o rosto, impediram que o reconhecessem. Mas então, com a ajuda de Gaara, o outro homem começou a caminhar e ela soube imediatamente quem ele era.
Apertando ainda mais o colar contra o peito, o coração da Sabaku começou a pulsar velozmente, pois ela não conseguia acreditar. A adrenalina repentinamente tomou todo o seu corpo e a fraqueza de antes se esvaiu, dando lugar a euforia. Antes que se desse conta, já corria escadas abaixo sem enxergar o que havia pela frente.
A mulher cobriu o espaço que os separava num curto tempo e assim que saiu pela porta da frente os avistou mais uma vez. Gaara o trazia com braço apoiado no seu próprio ombro, o ajudando a caminhar. Ignorando a dificuldade de respirar, atravessou a grande área aberta, indo pela passarela de pedras sem olhar para trás uma única vez.
A cada novo passo ela tinha certeza que ele estava em sua frente. Não poderia ser uma aparição, pois Gaara também estava lá. O seu coração já não aguentava mais quando o chamou para ter certeza de que era real.
- Kankuro! – gritou a plenos pulmões.
O homem apenas teve de erguer os olhos ao ouvir a voz dela, pois foi recebido com um forte abraço. se jogou em seu pescoço, surpreendendo os dois homens, que não tiveram tempo de reagir. Obrigado a soltá-los, o ruivo os viu se abaixarem juntos até estarem ajoelhados no chão. A mulher abraçava o irmão perdido como se ele pudesse escapar a qualquer momento.
- É você... – murmurou em meio às lagrimas. – Não é um sonho?
- Está tudo bem. – afagou seus cabelos com carinho. – Sou eu, sou eu!
Ao receber a confirmação, o pranto da garota de Suna aumentou, sendo capaz de ser ouvido até mesmo fora dos muros. Tudo havia sido jogado de uma só vez em seus ombros e ela não conseguia mais discernir se suas lágrimas eram de tristeza ou de alegria. A única certeza que tinha era a de que seu irmão estava vivo, bem em sua frente.





Continua...



Nota da autora: Gente... o Sasuke bugou. Kkkkkkkk
Mas, falando sério, o que acham que fez o Uchiha desfalecer? Será que vão encontrar o boy?
E quanto à família Sabaku, o que acharam desse final? Esperavam por essa? Haha
Espero que gostem desse capítulo.
Até o próximo!

Muito obrigada pelos comentários e por acompanharem a fic. Caso queiram conversar e interagir, vou deixar o grupo do Face para vocês entrarem. Bjos!





Nota da beta: Caramba, ele deu os dois em troca do Kankuro, eu estou chocadaaaa, no fim o Gaara tem um coração. Agora que recuperou o irmão, trata de se virar e buscar e o Nara, é o mínimo. Quanto ao Sasuke, com certeza foi o excesso do uso do sharingan, e nossa está indo lá kkk. E amei o Narutinho dando uma lição daquelas na . Ansiosa pela continuação. Ansiosa pela continuação!

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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