Through the Veil

Última atualização: 01/09/2020

Capítulo Único

A última coisa que Sirius tinha visto, foi um flash de luz vermelho e então seus olhos estavam repentinamente fixos num grande vazio que o cercava. Era como se ele estivesse em uma sala clara, muito clara para ver qualquer coisa ao seu redor, como ao sair no sol depois de tanto tempo se escondendo em um lugar sombrio.
Parecia estranho e estressante, mas ele tinha certeza de que iria acordar desse sonho a qualquer momento. Provavelmente era só o choque causado pelo feitiço que Bellatrix lançara em sua direção, algo que fizera com que ele, momentaneamente, perdesse a habilidade de ver qualquer outra coisa que não fosse esse clarão.
Mas quando nada mudou por um tempo, ele começou a se preocupar. Para ser honesto, se Sirius realmente pensasse sobre tudo o que tinha acontecido, a última coisa que vira foi o olhar nos rostos de Harry e Remus, sangue correndo de suas bochechas então pálidas, olhos vidrados em seu corpo que cambaleava conforme ele dava vários passos para trás, um tipo de névoa encobrindo seus olhos antes de sentir tudo amortecer.
Se estivesse sob algum feitiço que sua prima lançara sobre ele, não seria possível ouvir toda a comoção que acontecia? Não haveria alguém perto dele, tentando tirá-lo do transe e, eventualmente, da batalha?
Todas as perguntas que passavam por sua cabeça seriam respondidas em pouco tempo, ele tinha certeza disso. A qualquer momento, Remus o acordaria do que quer que fosse e o traria de volta ao presente, lhe daria um sermão por ser tão imprudente e brincalhão enquanto duelava, ele tinha certeza disso.
Mas com o passar do tempo, ele ficou cada vez mais apreensivo com o que realmente estava acontecendo com ele, porque, fosse o que fosse, Sirius sabia que durava muito tempo e não havia sinal de ajuda à vista.
O primeiro momento em que ele percebeu que algo realmente aconteceu foi quando não se sentiu em pânico. Black estava muito calmo e centrado para ser normal.
Havia um certo sentimento de paz dentro de Sirius, algo que ele nunca havia sentido antes, algo que o fez ficar sentado e olhando para a frente enquanto nada mudava ao seu redor. As mesmas luzes brancas vindas de todas as direções, as mesmas paredes brancas, o mesmo vazio na sala. E, no entanto, ele sentiu que este era o lugar mais sereno do mundo.
O segundo momento em que ele percebeu que não estava atordoado ou nocauteado pelo feitiço, foi quando uma figura alta começou a caminhar em sua direção, um pé na frente do outro, lenta e certamente abrindo caminho até ele, a forma graciosa ficando maior quando se aproximou dele, uma juba loira caindo em ondas suaves até os ombros, voando ao redor deles como uma aura.
Ele não conseguia colocar um rosto nessa pessoa, mas um novo sentimento de euforia se apoderou dele, seu coração batendo mais rápido do que em anos, as palmas das mãos suando um pouco enquanto seus ouvidos se acostumavam à ligeira mudança de som.
Sirius sentiu seu estômago revirar significativamente, como se uma debandada estivesse ocorrendo dentro dele, seus dedos tremendo com o simples pensamento do que estava caminhando em sua direção.
Não era um sentimento ruim, mais como algo que ele deveria se lembrar. Era como se todo o seu corpo já soubesse quem era, como memória muscular, mas seu cérebro não conseguia entender. Ou simplesmente se recusou, porque a única pessoa capaz de fazê-lo se sentir assim não poderia ser a pessoa que estava indo naquela direção. Certo?
E quando ele viu aqueles olhos azuis ferozes e rosto bonito, sabia que estava errado o tempo todo. Sabia que estava claramente ferrado e, pela primeira vez na vida, sentiu uma onda de arrependimento e culpa lavando-o ao mesmo tempo que outra coisa, algo que ele não conseguia entender, mas isso o deixava menos nervoso.
Sirius Black não podia acreditar que estava a poucos passos de distância de novamente.
Parecia surreal e nostálgico. Parecia poder respirar novamente pela primeira vez depois de ter sido privado de oxigênio por tanto tempo. Seus pulmões estavam ardendo, os olhos lacrimejando e havia uma respiração curta e irregular que ameaçava deixar seus lábios a qualquer momento.
A mulher continuou andando em sua direção, a distância agora angustiante demais para ele. Ele só queria fechar a brecha entre eles e envolvê-la em seus braços, a cabeça apoiada na curva do pescoço dela, respirando o cheiro dela que ele já havia sido tão viciado.
Sirius queria sentir o corpo dela pressionado contra o dele, o cabelo dela fazendo-lhe cócegas no nariz, os braços delgados ao redor dele e a respiração dela arfando contra o rosto dele. Ele queria sentir o coração dela batendo contra o peito dele, os dedos delicados correndo por seus cabelos, como ela costumava fazer, os dedos dele imprimindo em sua pele quando ele a trazia para mais perto.
O rosto dela, calmo e sereno como ele já havia visto muito tempo antes, estava diretamente na frente dele, ao alcance se Sirius apenas esticasse os braços, mas seus nervos estavam em excesso e ele não podia fazer nada além de olhar para ela, pequenas lágrimas brotando em seus olhos, o coração batendo forte contra a caixa torácica, parecendo como se estivesse tentando explodir para fora do peito.
Ele sentira tanto a falta dela, pensara nela a cada segundo do dia, queria poder vê-la mais uma vez e agora ela estava lá, parada bem na frente dele, seus lábios carnudos adornados por aquele batom vermelho que ele adorava manchar, os cabelos emoldurando suavemente seu rosto, a altura da mulher fazendo seus olhos quase se encontrarem sem ajuda. Ela estava lá e ele não conseguiu impedir que todo o seu ser tremesse, ele não pôde se forçar a dar um pequeno passo à frente e diminuir a distância. Então Sirius esperou.
Ele esperou que ela fizesse o primeiro movimento para alcançá-lo e envolvê-lo em seus braços mais uma vez. Ele esperou que ela dissesse as primeiras palavras, seu cérebro completamente vazio, sua voz presa no fundo de sua garganta. Mas Sirius não esperava o que ela fez, não achou que a primeira coisa que ouviria saindo da boca dela depois de tantos anos seria isso.
— Seu idiota, — ela fervia, a cabeça balançando de um lado para o outro, os olhos fumegando.
Sirius piscou furiosamente, as sobrancelhas franzindo, completamente perdido no que tinha acabado de acontecer. Então ele morreu e a primeira pessoa que ele vê é e ela apenas sente a necessidade de insultá-lo? Que tipo de acolhimento era aquele?
— Então é assim que você escolhe dizer oi depois de tantos anos?
balançou a cabeça mais uma vez, as mãos tremendo quando ela estendeu uma para tocar o braço dele, tentando ver se realmente estava acontecendo e não era apenas uma miragem. Ela sabia que não, porque se Sirius estava ali, ele realmente estava, mas ela tinha que ter certeza.
— Sim, Black — ela murmurou, os olhos encontrando os dele, lágrimas ameaçando derramar a qualquer momento -, porque você está aqui, seu idiota!
Suas palavras, a princípio, não faziam sentido para ele. Ela estava xingando porque estavam juntos?
E então o entendimento o atingiu. Por mais que os dois não pudessem esperar pelo momento em que se reuniriam novamente, isso só poderia significar uma coisa e, pelo olhar em seus olhos, ela não estava disposta a deixar isso acontecer tão cedo.
E, no entanto, lá estava ele, provando que poderia ser idiota o suficiente para conseguir se matar. E caindo através de um maldito véu.
Sem nenhuma outra palavra, Sirius a puxou, seus braços instintivamente se envolvendo em seu pescoço enquanto ele a abraçava, seu rosto encontrando aquele lugar seguro pela primeira vez em tantos anos.
Ele estava morto, mas finalmente estava em casa.






Fim!



Nota da autora: Essa deve ter sido a última coisa do universo de Harry Potter que eu escrevi e, apesar de tudo, uma das que eu mais gosto. A tristeza ainda me corrói só de pensar no fim do Sirius, esse personagem tão maravilhoso tão injustiçado, mas e se tentássemos dar uma nova perspectiva à tudo isso? Então saiu essa oneshot. Espero que tenham gostado!



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