Ties beyond time

Última atualização: 21/01/2024

Capítulo 1


(This is the first I've seen your face, but there's a chance we are soulmates. I know this might sound crazy, cause you don't know my name.)


Eu nunca fui uma pessoa que costumava acreditar em destino ou coisas do tipo, na realidade, acho que podem me chamar de cética. Não é como se a vida tivesse me dado muitos exemplos de coisas boas sendo destinadas para mim, muito pelo contrário.
Minha vida sempre foi extremamente difícil, nunca tive muito a presença da minha mãe já que ela trabalhava para garantir a comida do mês. Então, aprendi a lidar com tudo sozinha, cuidava da casa, do meu irmão, estudava sozinha e cresci assim, até terminar o ensino médio e me ver na opção de decidir qual faculdade eu faria. Obviamente, eu teria que trabalhar para poder bancar a faculdade, mas eu ia lutar para conseguir. Não é como se fosse muito difícil, já que eu sempre tive uma queda pela área da saúde e assim, escolhi ser enfermeira. Assumo que o medo de falhar era enorme, porém, estava ansiosa para o primeiro dia de aula, que seria exatamente amanhã.
Eu comprei um caderno e algumas canetas, imaginando ser necessário para poder acompanhar as aulas, anotar o necessário e também uma mochila, mas também comprei algumas coisas para meu irmão. Sim, aos vinte e cinco anos eu presenteava meu irmão que tinha dezessete.

Eu queria muito descansar, já que eram em torno de 17h e eu trabalharia das 19h até meia-noite, ser garçonete é um grande saco. Mas aproveitei que estava tudo estranhamente calmo em casa e me deitei no sofá, deixando a televisão ligada em um canal aleatório, não demorando muito para pegar no sono.


Estava andando por um jardim florido, totalmente lotado de flores tal como um dia ensolarado na primavera. Era possível perceber vários tipos de flores, algumas até que eu nunca havia visto antes e o céu, não tinha nenhuma nuvem. Quando percebi, um homem alto, talvez uns vinte centímetros a mais que eu, mais velho, usava óculos e tinha um cabelo preto um pouco jogado, sua roupa era escura e sapatos também escuros. Então, ele me abraçou e naquele momento, eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. Era possível me ver como se fosse um filme, de cima. O sol batia em nossa pele, banhando-as com seu calor e eu gostava disso, porém gostava ainda mais da sensação que eu sabia que sentia quando estava ao lado daquele homem.

— Olha, amor… É para você. — ele pegou uma rosa grande e com alguns espinhos em sua parte inferior e me entregou com cuidado, para que eu não machucasse meus dedos.

— Uau… É tão bonita! — exclamei, pegando a rosa da mão dele e cheirando por puro extinto.

— Ela não tem metade da beleza que você tem, isso é certeza. — ele respondeu e eu automaticamente sorri.

Em seguida, era possível perceber o "cenário" ao meu redor ir mudando aos poucos. Naquele momento, estávamos em um hospital. Me peguei parada em um longo corredor e em minha frente havia uma certa movimentação, não era em um quarto e sim no posto de enfermagem. Caminhei até aquele local e pude ver aquele mesmo rapaz, ele estava vestido com um pijama hospitalar e por cima um jaleco branco. Eu me perguntava, como era possível alguém ser tão bonito assim? Deveria ser um crime, com certeza.

Assim que ele me viu, abriu um enorme sorriso em minha direção e caminhou lentamente até mim. Acabei fazendo o mesmo caminho até ele e ao ficarmos próximos, ele me deu um selinho rápido e sorriu novamente.

— É ainda mais bonita de perto, como consegue? — a voz dele saiu em um tom mais grave e eu, apenas o observei. — Eu sinceramente não consigo viver sem você, .

— Eu também te amo, … E eu queria muito saber responder essa pergunta, mas também não sei como. — acariciei o rosto dele rapidamente, porém acabei sentindo um golpe forte no rosto algumas vezes, me fazendo despertar.

Ao abrir meus olhos, pude sentir meu irmão batendo diversas vezes em meu rosto, por instinto eu o levantei e o empurrei levemente para longe.

— Para que fazer isso, garoto? Qual é o seu problema? — me sentei no sofá e percebi que já havia escurecido, olhei no celular e vi que estava atrasada.

— Você está atrasada, sua idiota. — me levantei quase que num pulo daquele sofá e corri para o meu quarto, por sorte o uniforme já estava arrumado, mas eu teria que correr para não chegar atrasada.

— Obrigada por me chamar, eu perdi a noção da hora. — falei mais alto para que meu irmão pudesse ouvir e fui até o banheiro. Escovei os dentes e passei uma maquiagem básica, delineado, batom e iluminador. Estava ótimo, quem ia reparar, né?

Foi difícil, mas ao observar pela janela aquela rua escura, eu sabia que viria uma longa noite a seguir. Trabalhar naquela lanchonete não era fácil, principalmente no período da noite. Mas por fim, decidi pegar minha mochila e coloquei alguns itens necessários como carregador do celular, blusa e um livro que eu estava lendo. Caminhei até a sala onde meu irmão estava e baguncei seu cabelo, dando um beijo de despedida. Eu odiava trabalhar naquela lanchonete, mas era dali que o dinheiro da faculdade vinha, então não poderia ter o privilégio de escolher onde e quando trabalhar.

Depois de caminhar por no mínimo uns treze minutos, acabei chegando na lanchonete e de cara, já recebi uma expressão zangada do meu chefe. O senhor Albert sempre odiou atrasos, principalmente em dias como esse que sempre lotam a lanchonete. Corri até o balcão e comecei a atender as pessoas, depois de fazer um coque desajeitado em meu cabelo.

— Oi, posso ajudar? — perguntei para uma mulher sentada no balcão, ela tinha cabelos pretos ondulados, olhos claros e um sorriso marcante.

— Estou esperando meu noivo, mas acho que vou querer uma cerveja. — ela falou e eu rapidamente assenti, virei as costas e procurei uma boa cerveja que tinha ali. Quando voltei a atenção para ela, foi possível a ver abraçando um homem, que deveria ser seu noivo.

Acabei deixando a cerveja no balcão e antes que pudesse tirar minha atenção deles, o rapaz se virou e abriu a boca para falar, mas era como se não conseguisse encontrar as palavras. Eu, não sabia muito bem o que pensar, afinal, aquele cara era o mesmo cara que havia aparecido em meus sonhos e eu tinha certeza disso. Ficamos em uma espécie de transe bastante constrangedor, até que ele começou a falar, gaguejando um pouco.

— E-eu gostaria de uma cerveja também, por favor. — balancei a cabeça em afirmação e me virei, tentando disfarçar o nervosismo e tremedeira que havia me dado. Depois de segundos tentando me recompor, peguei a cerveja e o servi também.

— Fiquem à vontade, qualquer coisa é só me chamar. — tentei abrir um sorriso, mas na realidade eu queria mesmo é sumir dali.

E foi o que eu realmente fiz, caminhei até a parte de trás do estabelecimento, onde tinha uma pequena copa para os funcionários e apoiei as mãos na pia. Eu estava delirando, era isso? Porque não era possível eu sonhar com alguém que simplesmente nunca vi em minha vida.

Decido tomar um pouco de água e quando saio da copa, dou de cara com aquele mesmo homem e paro na porta, visivelmente surpresa por ele estar ali.

— Você pode me dizer onde fica o banheiro? — antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele foi o primeiro a se pronunciar.

— É a esquerda, senhor. — ele fez uma breve careta, talvez por ter sido chamado de senhor.

Ele era mais velho que eu, chuto que ele tenha no máximo uns trinta e cinco anos. O que o torna bem mais velho do que eu.

— Obrigado. — ele assentiu com a cabeça e seguiu até o caminho indicado e eu voltei para o balcão.

Eu me sentia um tanto desconfortável vendo aquele casal sentado no balcão a minha frente, não era inveja, jamais. Mas eu tinha tido um sonho e tanto com aquele homem, por mais estranho que pareça. Era uma sensação esquisita, eu sentia falta daquilo que aconteceu no sonho, de me sentir amada, realizada e feliz, eu me sentia extremamente feliz nesse sonho.

Acabei despertando dos meus devaneios quando ouvi um "moça" no fundo, alguém me chamava. Era um outro rapaz que estava no balcão e eu sorri, tentando disfarçar.

— E aí, gatinha. Será que você poderia me ver uma cerveja? — respirei fundo ao ouvir a forma que ele havia me chamado, eu odiava ser tratada dessa forma.

— Claro. — Assenti, dando as costas e indo até a geladeira, em seguida o servi e me afastei.

Caminhei até uma das mesas que havia sido liberada, peguei os pratos, copos e levei até a cozinha. Depois, comecei a limpar com um pano com álcool.

— Moça! — ouvi uma voz feminina, era a noiva daquele cara.

Ela era extremamente simpática.

Caminhei para o meu posto inicial e me coloquei de prontidão.

— Pois não? — tentava o máximo possível fazer contato visual com aquele cara, a sensação era bastante confusa.

— Meu noivo aqui está com vergonha de fazer o pedido. Até parece que é tão tímido assim. — ela apontou para o moreno ao seu lado enquanto ria, o mesmo abaixou a cabeça e a balançou em negação. — Gostaríamos de alguns petiscos, alguns frios. Pode ser?

— Lis… — a voz dele em repreensão, porém pude perceber que estavam brincando entre eles.

— Ah, acontece. — acabei sorrindo, levemente sem graça. — Mais alguma coisa?

Ela negou e eu fui até a cozinha, pedindo para a Cher, a mulher que trabalhava na cozinha no período noturno preparasse a tábua de frios para que eu entregasse para eles. Enquanto não ficava pronto, voltei ao balcão e comecei a passar um pano com álcool nos lugares vazios, percebi que a tal mulher havia saído e estava só o homem e por algum motivo, meu coração começou a bater mais forte. O que era ridículo já que ele era comprometido.

Comecei a me xingar mentalmente, tentando me distrair ao limpar o balcão com certa força.

— Acho que se você esfregar com mais força, daqui a pouco tira a cor da madeira. — Ao ouvir a voz alheia, meu corpo estremeceu.

Por que ele estava falando comigo?

— Você sabe como é, tem que ficar bem limpinho. — falei num tom brincalhão, dando um breve sorriso.

— Isso é uma coisa boa. — ele falou, assentindo e eu parei de passar o pano, deixando-o de lado. — Eu te conheço de algum lugar?

Um calafrio atravessou todo meu corpo e por um instante eu pensei que seria possível ouvir meu coração batendo na distância em que ele estava.

— Bem, talvez… Você já veio aqui alguma vez além de hoje? — ele balançou a cabeça em negação. — Então acho que não.

Encolhi os ombros. O que mais eu poderia dizer?

Logo, a tábua ficou pronta e pude servi-los. Já que a mulher dele voltou rápido. O tempo também passou mais rápido do que eu esperava, mas aquilo com certeza era bom, já que estava mais perto do grande dia.

Mas vez ou outra eu me pegava pensando… E se fosse eu ali? Será que estou ficando louca?


Capítulo 2


(All I can say is it was enchanting to meet you. Your eyes whispered: Have we met? 'Cross the room your silhouette, starts to make its way to met the playful conversation starts…)

Londres, 1947

Eu estava sentada no parapeito de um prédio, a noite estava gélida e o céu cheio de estrelas, a cidade iluminada por todas as luzes possíveis de prédios e das ruas. Sentia a brisa sobre meu rosto e a mesma bagunçava um pouco meus cabelos. Estava eufórica, mas não entendia o motivo.

— Cheguei! — uma voz masculina ecoou pelo telhado daquele prédio e assim que me virei, aquela figura tão conhecida e amada por mim estava lá esboçando o mesmo sorriso aconchegante de sempre. Parecia extremamente e verdadeiramente feliz em me ver.

Fui rapidamente em sua direção, me jogando em seus braços e o mesmo me levantou do chão, sem fazer muita força para isso. Em seguida, me colocou no chão novamente e ele me encarou.

— Trouxe seu jantar preferido… Já que você disse estar com desejo. — ele riu, mostrando a sacola em mãos.

Só assim, eu olhei para baixo e notei uma saliência em minha barriga. Caramba, como havia crescido.

— Nossa filha está com fome, não posso fazer nada. — brinquei e ele balançou a cabeça em negação, rindo. Em seguida, colocou suas mãos sobre meus ombros e guiou até a porta onde o mesmo havia saído há minutos.

Porém, ao entrar por aquela porta ao invés de estar numa casa, voltamos para o hospital. Eu estava em frente a um espelho no quarto de descanso e minha barriga estava ainda maior, deixando o pijama hospitalar bastante desproporcional. Eu estava tão feliz, sentia que faltava pouco tempo para que nossa bebê finalmente estivesse conosco.

Respirei fundo e sai daquele quarto, dando de cara com um corredor para a emergência. Já dei de cara com uma mulher que deveria ser enfermeira me entregando alguns prontuários e eu a segui. Aquele corredor era branco, possuía alguns detalhes de madeira envernizada no meio da parede e era possível ouvir os aparelhos.

— Tem um caso de esquizofrenia paranoide no leito dois, já bipamos a psiquiatria, mas nada de chegarem. — a mesma mulher falou e no fim do corredor eu pude ver anotando algo numa folha, bastante concentrado em seu trabalho.

— Chama de novo, por favor. — o paciente estava quieto em seu leito, mas qualquer um em sã consciência que trabalha em hospital sabe que alguém com esquizofrenia é tipo uma incógnita. Pode surtar a qualquer momento.

— As vozes estão me falando que você quer me matar… — o homem começou a falar baixo. — Você quer me matar, doutora? Me matar? Você vai me matar!? — A voz dele começou a aumentar e eu respirei fundo, caminhando lentamente até a porta.

— Calma, senhor. Ninguém vai te matar, você está seguro aqui. — levantei as mãos como se demonstrasse rendimento.

— Você vai, você vai… Mas eu posso te matar primeiro e depois me matar, são as vozes. As vozes estão muito altas. — ele gritou, batendo na própria cabeça e se levantou vindo em minha direção.

Eu deveria sair correndo, chamar alguém, mas simplesmente não consegui.

Tudo ficou em câmera lenta, a aproximação daquele homem, os barulhos dos aparelhos e meu coração. Eu conseguia ouvir meu coração.

As mãos daquele paciente seguraram firme em meus braços e em questão de instantes, me lançou para o chão com toda força que ele tinha, que era muita. Meu corpo havia sido brutalmente jogado no chão, mesmo sem ter certeza se conseguiria, tentei proteger a minha barriga. Esse era meu único pensamento.

O homem veio para perto de mim e colocou suas duas pernas entre as minhas, usando suas duas mãos para apertar meu pescoço. Minhas mãos tentavam desesperadamente tirar as dele dali, mas era quase impossível. Eu só pude ver algumas pessoas atrás dele, inclusive aparecendo com uma expressão desesperada em sua face e depois disso, tudo ficou escuro…"


Acabei despertando assustada, como se tivesse sido realmente sufocada. Eu respirava fundo, recuperando o ar.

— Mas que merda está acontecendo? — falei sozinha, passando uma das mãos sobre a testa.

Rapidamente, peguei o celular que estava ao lado da cama e vi que eram 7h24. Ufa! Não tinha perdido hora. Aproveitei para me levantar e ir ao banho. Toda a parte de higiene pessoal, havia demorado em torno de vinte minutos. Decidi colocar uma roupa casual, uma calça jeans e uma camiseta roxa com as letras NYU estampadas. Aquela era a minha maior felicidade.

Eu sentia um frio na barriga, um misto de emoções ao lembrar do sonho e também ao pensar em como vai ser. Obviamente, o primeiro dia não vai nem ter aula direito, mas estou feliz porque vou começar.

Depois de pronta, desci para a cozinha e vi minha mãe sentada sobre a mesa com uma xícara nas mãos.

— Bom dia, querida. — ela falou e sorriu fraco para mim.

— Bom dia, mãe. Chegou mais tarde do que eu ontem… — respondi, me sentando na mesa e pegando um copo, enchendo de suco dentro do mesmo.

— Pois é, eu fiz algumas horas extras. Você sabe, estamos precisando. — eu assenti.

A família da minha mãe achava um cúmulo eu ir para a universidade, achavam que era um capricho meu, mas minha mãe sempre bateu no peito e por mais que eu tenha entrado alguns anos atrasada, a falta de dinheiro e apoio familiar não me impediu de realizar o meu maior sonho.

— Também vou fazer algumas horas a mais sempre que for possível, nos finais de semana quando não tiver provas ou coisas do tipo, vou tentar trabalhar o dia todo. Quanto mais, melhor. — falei com convicção terminando o suco em quase um gole. — Cadê o ?

— Hoje o ônibus escolar passou um pouco mais cedo, então, ele saiu alguns minutos antes de você descer. — ela deixou a xícara na mesa e me encarou. — Está tudo bem, filha?

— Ah, sim… — suspirei um pouco chateada por não ter dado atenção para ele. — Estou sim, claro.

Minha voz falhou e ela fez uma careta.

— É algo com a faculdade? Pensei que estivesse feliz por estar realizando esse sonho. — ela me encarava, como se tentasse me ler.

— É também, mas… Eu ando tendo alguns sonhos estranhos, sabe? Eu sonhei com um homem ontem e o vi no mesmo dia, pela primeira vez… Como se fosse uma premonição ou sei lá. — era bom falar sobre aquilo com alguém que talvez pudesse me entender. — Hoje tive um sonho com esse mesmo homem, foi bizarro.

— Ok, mas é um sonho bom? — ela apoiou o braço na mesa e a cabeça em sua mão.

— O primeiro foi, parecia um conto de fadas. O segundo começou como um conto de fadas e terminou como um pesadelo. — fiz uma careta e passei as mãos sobre o pescoço, lembrando da última cena do sonho.

— É realmente bastante estranho… Talvez você tenha gostado um pouco dele. — ela abriu um sorriso e eu ri junto, balançando a cabeça.

— Eu gostei mesmo, do que o meu cérebro inventou sobre ele. — encolhi os ombros e me levantei, olhando as horas no celular. — Vou sair um pouco antes para andar um pouco pelo campus, até mais tarde.

Dei um beijo na testa dela, coloquei a mochila nas costas, o celular no bolso e segui o meu caminho até o campus da NYU. Eu não tinha feito esse caminho a pé ainda, então decidi dar uma olhada no maps para ver onde seria melhor. Porém, depois de muito observar, acabei ficando boquiaberta ao perceber que eu demoraria horrores para chegar lá se fosse a pé.

Me xinguei mentalmente, já que teria que usar o dinheiro da comida de hoje para o táxi até lá. E assim o fiz.

O trajeto do Bronx até a NYU foi mais rápido e confortável. Quando cheguei, já havia passado das 8h e eu teria alguns minutos para conhecer o local. Eu já tinha feito antes, mas queria olhar de novo, ver que eu não estava só em um sonho.

Todos os detalhes de vidro do local eram simplesmente magníficos, o tom amadeirado das paredes deixavam o ambiente confortável. Que sorte a minha de estar aqui.

Quando deu a hora da primeira aula, eu fui uma das primeiras a chegar no auditório. Deixei minha bolsa no banco ao lado e suspirei bastante ansiosa, em seguida, peguei meu celular e enquanto não começava, eu mexia no mesmo olhando algumas fotos antigas.

Conforme os minutos se passaram, o auditório foi enchendo de gente. Devia ter em torno de quase cinquenta pessoas ali, uma menina loira se sentou ao meu lado e deu um sorriso, quando eu ia perguntar seu nome, a nossa atenção foi tomada por um barulho de microfone.

— Bom dia, alunos. Sejam bem vindos ao primeiro dia do resto de suas vidas. — uma mulher negra alta, de cabelos compridos havia começado a falar. Ao lado dela, se encontrava um outro homem, ele tinha um cabelo ralo e grisalho, ouvia a mulher falar. O que me surpreendeu de verdade, fazendo com que eu entrasse numa espécie de transe ou sei lá o que, foi que o mesmo homem dos meus sonhos entrou com uma mochila. Porém, ele não subiu para se juntar aos alunos e sim com os outros dois professores.

Eu não sabia se ficava surpresa, ou se saía correndo. Eu teria que conviver com ele todos os dias? Num hospital? Onde a maioria dos meus sonhos com ele acontecem? Meu Deus… Isso não pode estar acontecendo comigo.

Meus olhos ficaram praticamente colados no homem de óculos e mochila nos ombros, seu olhar era terno e ele tinha um sorriso animado nos lábios. Ele era sem dúvidas o homem mais bonito que já vi em meus vinte e três anos.

— … Hoje vocês vão ter apenas introduções sobre algumas matérias, mas a partir de amanhã vocês não terão moleza. Qualquer coisa podem falar comigo, com o Dr. Victor Gómez ou o Dr. .

… Então esse era o nome dele. Será que é o mesmo nome do sonho? Não me lembro bem.

— E aí, pessoal. — pude ouvir a voz que estava sempre presente em meus sonhos. — Como vocês podem ver, a turma é um pouco menor esse ano, mas isso é bom. Vocês devem se empenhar, devem estudar para lidar com vidas e não para fazer provas, não se esqueçam disso. — seu olhar parou sobre mim e ele não falou mais nada, apenas sustentou seu olhar o suficiente para algumas pessoas me encararem também. O que me fez corar e abaixar a cabeça.

— Então… — O homem pigarrou e deu uma risada, tentando disfarçar e então, tirou a mochila das costas e jogou no chão. — Vamos ver… Antes de tudo, quero fazer uma dinâmica com vocês. Já que na enfermagem o trabalho será sempre em grupo, quero que se conheçam melhor. Primeiramente vou falar sobre mim e depois façam o mesmo, ok?

A turma assentiu e eu senti um breve frio na barriga, mas respirei fundo tentando me controlar.

— Meu nome é , nasci em 1984, vamos ver quem é bom em matemática aí para saber a minha idade de cabeça. Me formei um pouco mais velho, mas isso nunca me impediu de fazer o que mais gosto. Acabei fazendo pós-graduação em enfermagem intensivista e é onde mais gosto de trabalhar. Na correria. — brincou, andando de um lado para o outro.

E então, assim seguiu com os outros alunos se apresentando. Eu estava mais para o fundo, então seria uma das últimas.

Sentia o olhar de sobre mim algumas vezes, mas eu tentava disfarçar o máximo possível, porque queria entender o que estava acontecendo comigo.


— Você. — ouvi a voz dele e o mesmo apontando para mim, com um sorriso em seus lábios.

— Bem… Eu não sou muito boa falando sobre mim, mas vou tentar. Meu nome é , tenho vinte e cinco anos, minha entrada na faculdade foi um pouco diferente do que as outras pessoas, mas estou aqui do mesmo jeito. Sempre gostei de enfermagem, principalmente depois que tive que passar um tempo no hospital com meu pai. Quero poder trabalhar na emergência e ajudar muitas pessoas, assim como fizeram com meu pai até ele falecer.

Fui sincera, falando tudo o que veio à minha mente. Certeza que eu estava com a bochecha vermelha de tanta vergonha, mas a superei.

O resto daquela aula havia sido legal, tinha dado introdução dos fundamentos da enfermagem e por mais que seja a parte burocrática, eu não achei tão ruim assim. Assim que a mesma acabou, havíamos sido liberados. Não tinha sido o horário todo ocupado, mas já era quase meio-dia e eu estava faminta. Nesse instante, acabei me lembrando que havia usado o dinheiro para pegar o táxi e murchei no mesmo instante enquanto guardava minhas coisas.

Assim que o fiz, suspirei e fui em direção a saída. Mas antes que pudesse realmente sair, fui impedida por uma voz masculina me chamando.

! — era ele e eu me estremeci por completo.

Me virei para o rapaz e sorri fraco, um pouco tímida.

— Sim? — perguntei, curiosa do porquê ele havia me chamado.

— Acho que descobri de onde nos conhecemos. — ele falou e eu senti um frio na barriga, imaginando quais hipóteses ele poderia dar. — Já devo ter visto você por aqui, talvez quando veio fazer matrícula, conhecer o local…

Ele dizia, mas parecia mesmo era que estava mais tentando convencer a si mesmo disso.

— Bem, eu não vim conhecer o local e quando vim fazer a matrícula, os professores estavam de férias. — respondi simplesmente, encolhendo os ombros.

— Mesmo? Dessa eu não sabia… — ele coçou a nuca e eu sorri um tanto sem graça. — De qualquer forma, agora vamos ter bastante tempo… Digo, eu, você e os alunos da sala. — acabei sorrindo sincera com o que ele havia dito. — Está indo almoçar?

Ele perguntou, dando alguns passos para trás a fim de pegar sua mochila. Assim que o fez, a jogou em seus ombros e caminhou até mim novamente.

— Não vou… — respondi, mexendo na alça da mochila em meus ombros.

— Não? Ficou a manhã toda em aula e não está com fome? — ele perguntou, curioso.

Estou morrendo de fome.

— Na verdade não. — Assim que pronunciei aquelas palavras, meu estômago acabou fazendo um barulho bastante alto, me deixando quase roxa de tão envergonhada.

— Acho que seu estômago está dizendo outra coisa. — ele falou, apontando para a saída do auditório já que havia ficado apenas nós dois ali.

Comecei a caminhar na direção da saída, pensando em uma desculpa que daria para falar o porquê não iria comer.

— Acho que vou me manter na dieta. — falei em um tom de brincadeira, mas o mesmo levantou a sobrancelha e me encarou, dessa vez um pouco mais sério.

— Se está passando fome não é dieta. Você sabe o quanto pode fazer mal ficar de estômago vazio por tanto tempo. — ele me encarava, como se eu fosse aqueles programas de televisão que te prendem do começo até o fim.

— É que eu esqueci o dinheiro em casa, então não tenho como comer. — menti.

— Ah! — ele exclamou. — Isso não é um problema. Eu pago para você.

— Não, . Até parece, não mesmo. — balancei a cabeça com certa urgência o que ele desse risada, porém, percebi que havia agido com mais intimidade do que deveria e fiquei um pouco sem graça. — Digo, professor.

— Não aceito não como resposta, . — ele falou, enquanto chegávamos no refeitório. — Pode me chamar de mesmo, não tem problema.

— Tudo bem… — esfreguei as mãos, ficando na fila logo atrás dele. — Amanhã, assim que eu chegar, te devolvo.

Ele se virou para mim, balançando a cabeça em negação.

— Não precisa. Encare como um presente de boas vindas. — deu um sorriso, assim como em meus sonhos.

Aquilo fez com que eu sentisse um arrepio e abaixasse a cabeça levemente envergonhada, o que durou pouco tempo já que tirei coragem de algum lugar desconhecido para fazer uma piadinha.

— Vai pagar almoço para todos os seus alunos como presente de boas vindas? — perguntei, ainda tendo um sorriso tímido nos lábios.

— Só para os que me deixarem com a impressão de que os conheço a vida toda.

Antes que eu pudesse responder, ele se virou e foi até o balcão, pegando uma bandeja e entregando para mim e depois, pegou outra para si, servindo com a comida que queria ali.

O refeitório era bastante bonito, parecia organizado, suas paredes brancas traziam uma sensação de limpeza absoluta. Tinha tanta variedade de comida ali, eram coisas que eu nunca tinha visto na minha vida. Coisas que talvez fossem boas demais, mas que eu nunca tinha tido dinheiro para sequer experimentar. Acabei me servindo, colocando várias coisas na bandeja e deixei com que pagasse, um pouco tímida por isso, mas não falei mais nada a respeito do que ele havia proposto.

Caminhei para uma mesa, me sentaria sozinha já que talvez fosse um pouco estranho ficar tão próxima de um professor logo no primeiro dia, sabendo que ele é noivo e que ele toma conta dos meus sonhos e pensamentos. Porém, me acompanhou até a mesa e se sentou, ficando de frente para mim.

— O que vão dizer do professor almoçando com a caloura logo no primeiro dia de aula? — falei, abrindo meu suco e colocando o canudo no mesmo.

— Não que eu me importe muito com o que vão dizer, mas tecnicamente já nos conhecemos. — ele proferiu como se fosse óbvio e eu fiquei um tempo olhando fixo para ele, tentando digerir o que o homem falou.

— É… Eu acho. — acabo dando um sorriso nervoso, essa sensação de sempre estar nervosa e ansiosa perto dele, era muito ruim.

— Me conte sobre você então, . — ele falou, enquanto mexia em sua comida, antes de levá-la até a boca.

— Acho que eu já falei tudo o que consigo lá na sala de aula. — ri, dando um gole no suco de laranja que havia pegado.

— Não gosta de falar sobre si? — questionou, me fazendo levantar os ombros.

— Olha, na verdade eu tenho uma grande dificuldade em fazer isso. — acabei rindo, tentando conter a timidez.

Era engraçado porque desde o dia em que comecei a sonhar com , nunca imaginei que o encontraria aqui, nem que falaria com ele. Achei que poderia ser apenas uma peça que minha mente estava pregando.

— Geralmente, pessoas assim são as que mais têm coisas interessantes para contar.

As palavras de soavam extremamente doce, seria muito difícil aguentar esses cinco anos convivendo com ele se eu continuar sonhando daquela forma.

— Ai que você se engana. — falei com certa animação. — Sou super simples, aquele tipo de pessoa sem novidades e sem muitas coisas para contar.

Ele riu, abaixando a cabeça para fitar a comida e deu uma garfada no seu alimento.

— Por que está rindo? É verdade, eu juro. — levantei os braços em rendição.

— É o que veremos. — ele sorriu novamente.

E o resto daquele momento passou quase voando de tão rápido. Eu não sabia decifrar o que estava sentindo e nem o que tinha acontecido. Por que ele havia sido tão bonzinho comigo? Será que ele sonhava comigo também? Queria tanto poder perguntar. Mas o fato era que eu estava encantada, se é que eu poderia usar essa palavra.

Já eram em torno de oito horas da noite e eu estava na lanchonete. Aquele local com certeza precisava de uma pintura, visto que as paredes próximas das janelas estavam descascando, mas eu jamais falaria isso para o chefe, já que ele era um senhor bem chato.

Eu estava limpando o balcão quando de soslaio, acabei vendo uma silhueta que não saía de meus pensamentos e olhei automaticamente para ele, que já estava com um lindo sorriso nos lábios.

usava uma camisa xadrez vermelha e preta de manga longa, uma calça escura e tênis da mesma cor, seus cabelos jogados, barbas por fazer e como sempre e as mãos no bolso.

— Professor , o que te traz até aqui? — tentei ser o mais simpática possível, mas não posso mentir que sentia meu interior estremecer a cada vez que o via, juntamente com uma sensação estranha de nostalgia.

— Já te pedi para que não me chamasse assim. Faz com que eu me sinta com uns sessenta anos. — fez uma careta, se sentando de frente para mim, justamente onde eu estava limpando.

— Desculpa, vou tentar lembrar disso da próxima vez, prof… ! . Então, o que vai querer hoje? — questionei, deixando o pano com álcool embaixo da pia e voltei minha atenção para ele.

— Vou querer uma cerveja. — ele pediu simples e eu prontamente fui buscar o que ele havia pedido. Em poucos instantes, eu já tinha aberto a long neck e entregado para ele.

— Qualquer coisa você pode me chamar. — fazia parte do meu trabalho, essa coisa de estar sempre a disposição do cliente e tal. Mas por sorte, hoje a lanchonete estava vazia.

— Se não for atrapalhar o seu trabalho, me fazer companhia seria uma boa. — ele sugeriu com uma expressão no rosto que eu não soube decifrar, mas foi o suficiente para que eu aceitasse sem pensar duas vezes.

— Enquanto estiver sem movimento, tudo bem. — respondi sinceramente e ele sorriu. — O que te trouxe até aqui? Além de querer beber uma cerveja, é claro.

Poderia parecer um pouco curiosa, até mesmo inconveniente, mas eu só queria puxar assunto. Tudo bem que o silêncio não deveria ser algo torturante, já que a presença de torna tudo estranhamente mais leve.

— Vim arejar a cabeça, na verdade. Muita coisa acontecendo, a cabeça fica a mil. — ele falou e eu assenti, sabia bem como era isso.

— Acho que entendo perfeitamente o que está falando. — concordei, apoiando no balcão.

Ele não respondeu, apenas balançou a cabeça positivamente e manteve seu olhar sobre mim, me fazendo corar.

Puta merda, por que ele fica me encarando desse jeito? As coisas já são tão difíceis quando ele está por perto.

— Até que horas costuma trabalhar aqui? — Questionou, me tirando do transe com um pequeno susto.

— Meia-noite. Espero o Sr Albert fechar e então vou embora. — fiz uma careta quase imperceptível e ele sorriu.

— Que merda… E como vai embora? — ele voltou a perguntar e eu fiquei brevemente curiosa para saber o porquê de todas essas perguntas vindo dele.

— Normalmente vou andando, minha casa fica a uns quinze minutos daqui. — falei normalmente, vendo um casal entrar no local e prontamente me distanciei. Ainda que gostasse daquilo, precisava trabalhar.

O casal que não parecia ter mais de vinte e cinco anos, foram servidos rapidamente. Tinham escolhido apenas cervejas, como era o costume e então, depois disso, me aproximei de .

— É muito perigoso andar sozinha por aqui, . Não existe outra forma de você ir embora? — isso era realmente uma preocupação, que fofo.

— Não tenho saída, não tenho ninguém para fazer isso por mim e infelizmente não tenho habilitação, nem carro, nem mesmo uma bicicleta.

Ele não respondeu, apenas balançou a cabeça e pude perceber que ele estava pensativo. Eu queria muito saber o que se passava na cabeça dele, queria mesmo. Então, as horas foram passando e faltavam praticamente cinco minutos para fechar o estabelecimento, porém, ainda estava ali.

, psiu. — Sr Albert me chamou, ele estava próximo a cozinha.

O Sr Albert era um senhor de aproximadamente setenta anos, eu o conheci quando vim procurar emprego há três anos e ele cedeu. Sempre foi bastante respeitador, porém, como veterano do exército, ele era fechado.

— Sim? — questionei, retirando o avental que vestia.

— Precisa dizer ao seu amigo para ir embora. Não estou querendo ser grosseiro com ele por você, mas está bem explícito o horário que fechamos.

Eu não queria problemas então apenas concordei e fui em direção a , mas dessa vez do lado de fora do balcão. Ele estava… Talvez um pouco bêbado? Não sei se duas cervejas seriam o suficiente para deixá-lo bêbado, mas ele estava aéreo.

? Nós vamos fechar, estou indo embora. — quando o chamei, parece que ele acordou de um transe e me olhou, dando um sorriso super fofo.

— Acho que eu me perdi no horário. — ele riu, se levantando da cadeira e passando as mãos levemente pela camisa.

— Acontece, é um lugar aconchegante. — acabei rindo junto. — Vou só pegar a minha bolsa.

Fui em passos largos até a salinha onde tinha deixado minha mochila e volto rápido, percebendo que ele tinha ficado me esperando.

— Aqui é aconchegante mesmo. — ele respondeu só quando eu cheguei.

Após isso, caminhamos em direção a saída em silêncio, mas não era nada constrangedor, era um silêncio confortável. Quando chegamos na calçada, me virei para e sorri.

— Eu vou por aqui, até amanhã, . — acenei brevemente e quando ia me virar para caminhar em direção a minha casa, o rapaz segurou meu braço.

Assim que senti o toque dele em meu braço, senti uma espécie de eletricidade percorrer desde o braço até o corpo todo e pude vê-lo com uma roupa medieval, sorrindo para mim. Talvez ele tenha sentido o mesmo, porque soltou meu braço com certa rapidez e balançou a cabeça.

— Eu… Eu… Te levo embora. — ele sugeriu e eu neguei.

— Não precisa, . Faço esse caminho há três anos. — ajeitei a mochila nas costas, ainda um pouco atordoada.

— Eu insisto. — ele novamente sugeriu e eu cedi. Seria estranho se eu não cedesse.

— Tudo bem. — assim que aceitei, novamente ele sorriu e apontou para o seu carro.

Fomos caminhando até o carro que estava estacionado no outro lado da rua, era um carro preto, nada tão chique, mas era bonito. Ele destravou o carro, apontou para que eu abrisse a porta e assim o fiz, entrando no carro logo em seguida.

— Realmente não precisava perder seu tempo me levando em casa. — comecei a falar, enquanto o mesmo ligava o móvel.

— Eu sugeri, . Está tudo bem. Só coloca no meu celular o endereço, por favor. — disse me entregando o celular desbloqueado.

Era estranho porque estávamos agindo como se nos conhecêssemos há muito tempo, era isso o que passava para mim, uma sensação de estar em casa, de conforto.

Deixei o endereço no gps e entreguei novamente o celular para ele, me ajeitando no banco do carro. Ele ligou o rádio enquanto começava a dirigir, era possível notar a música que tocava e eu realmente adorava ela.

— Gosto dessa música. — falei sorrindo, enquanto batucava na própria perna.

Say it's true, it's true
(Dizem que é verdade, é verdade)

And we can break through
(E que nós podemos vencer)

Though torn in two
(Embora partidos em dois)

We can be one
(Nós podemos ser um)

(...)

I will be with you again
(Eu estarei com você novamente)

I will be with you again
(Eu estarei com você novamente)

Enquanto cantava new years day do U2, pude perceber de relance que ele me encarava várias vezes com um sorriso no rosto.

O caminho foi mais rápido do que eu queria, mas enfim estava em casa. Assim que estacionou em frente, eu soltei o cinto e me virei para ele meio sem jeito, não sabia se acenava, estendia a mão, abraçava ou sei lá. Por fim, eu apenas acenei.

— Muito obrigada por ter me trazido, . Você me ajudou muito hoje. — comentei sorrindo, ajeitando a bolsa no ombro.

— Não precisa agradecer, está tudo bem. — ele assentiu e sorriu também.

O carro estava escuro, apenas as luzes da rua iluminavam ali, o que era bem pouco. Sem saber o que dizer, ficamos nos encarando por alguns segundos até que eu saí do transe e abri a porta.

— Tudo bem, até então. — acenei novamente, já fora do carro e ele acenou de volta, dando uma piscadela em seguida.

Fechei a porta e queria morrer. Como pode um ser humano ter pego toda a beleza do mundo para si?

Caminhei em direção a entrada de casa e assim que entrei, pude ouvir o barulho baixo do carro dele saindo.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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