Time Out

Última atualização: 12/05/2022

Capítulo 1

1º ano

Scarlett corria pelos campos com o garoto de cabelos negros. Era divertido passar as tardes em sua casa. Era verão e o sol batia em seus rostos enquanto disputavam quem seria o mais rápido. Sempre era divertido quando passava um tempo com ele. Mas tudo acabou com um relâmpago verde e rostos espantados ao seu redor. A última coisa que Scarlett viu foi um sorriso macabro se deliciando com sua partida.


Era a segunda vez que Scarlett acordava em desespero com esse sonho desagradável. De início, ela pensou que era apenas as aventuras gastronômicas noturnas que tem afetado seu sono, porém, após o segundo sonho consecutivo, a morena parou de comer a noite. O que ela não esperava era que voltassem os sonhos durante as semanas até o início das aulas.
— Scarlett, meu raio de sol, bom dia, levante-se, vamos nos atrasar para ir à estação. — Elizabeth apressava sua filha, do outro lado da porta.
— Já estou indo, mamãe. — Se espreguiçando em sua cama, Scarlett observou pela última vez seu quarto. Seu malão estava junto à gaiola de seu pequeno e felpudo gato, ele estava bem tranquilo dormindo em sua almofada. — Salem, está preparado para um novo recomeço? Você acha que farei amigos? Claro, eu tenho os Weasley, mas eles são de anos acima do meu, tirando o Ron.
O gato apenas observava com uma cara deprimente para sua dona, pois mesmo não entendendo o que ela dizia, sabia que estava fazendo um drama. Scarlett então desceu as escadas com seus pertences, a fim de acabar com toda aquela ansiedade. Seus pais já aguardavam na sala, conversando animados sobre alguma notícia do profeta diário.
— Aleluia, pensei que não sairíamos nunca. — Ethan olhou para sua filha e se engasgou de tanto rir.
— Do que você está rindo, pai, o que há de errado? — Scarlet olhava para o seu pai e sua mãe, procurando respostas para o divertimento às suas custas.
— Filha, a não ser que essa seja a moda dos jovens, creio que ir de pijama não é uma alternativa agradável? — Sua mãe lhe abraçava enquanto ria e brigava com o marido ao mesmo tempo.
Corando violentamente, Scarlett não deu ouvidos à repreensão de sua mãe sobre não correr dentro de casa, pois foi logo correndo para seu quarto se arrumar. Estava tão aflita e angustiada com o sonho e a ida para Hogwarts que esqueceu o básico. Ela torcia para que essa situação não fosse repetida no castelo.
Após um tempo, ela tornou a descer as escadas devidamente arrumada e cheirosa para enfim tomar o rumo à estação 9¾. O caminho até a estação foi tranquilo. Ao passar pelo portal para a estação, pôde ouvir uma gritaria e um grupo de ruivos. Automaticamente, um sorriso se estabeleceu no rosto da morena, ver seus amigos de infância era sempre divertido.
— Fred! George! — Scarlett gritava, enquanto corria com suas coisas para alcançar seus amigos.
— Olá, pequena vermelha, como vai nesse dia radiante? — George se aproximava, a abraçando de lado e lhe dando um beijo na testa.
— Oi, George, estou ansiosa. E para de me chamar assim palhaço, você que é o vermelho aqui — dizia, abraçando-o e quase esmagando o mais alto.
— Tão ansiosa que quase veio de pijama para a estação — seu pai falava enquanto cumprimentava o restante da família Weasley. Scarlett escondia o rosto no corpo de Fred, morrendo de vergonha, não tinha coragem nem de protestar.
— Ora ora, Phoenix, querendo já impressionar os meninos de Hogwarts? Você não era assim, parece que a puberdade chega de formas estranhas. AI, SCAR! — Fred reclamava enquanto recebia uma mordida da mais nova em seu braço. — Pequena canibal.
Enquanto se afastava dos gêmeos, emburrada por estarem rindo às suas custas, foi cumprimentar o senhor e a senhora Weasley, ambos a tratavam como um membro da família. Quando seus pais tinham que viajar a trabalho por serem aurores e estarem sempre em missão, ela ficava com eles, então Scarlet se sentia feliz por passar seus melhores momentos com os Weasley.
— Scarlett, minha querida, como você está radiante. A cada dia que te vejo percebo quão bela e deslumbrante você fica. — Molly a abraçou fortemente e acariciou seus cabelos. — Está vendo, Ginevra? Siga o exemplo de Scarlett, uma jovem tão bela e educada.
Scarlett sorriu com os elogios. Na realidade, ela ficara feliz por ganhar elogios e uma repreensão a Gina sem mesmo ela fazer algo. As duas não se odiavam, pelo contrário, eram grandes amigas, já que eram apenas as duas meninas contra os meninos Weasley. Mas isso não deixou de tornar as disputas e competições entre as duas mais divertidas.
Ambas competiam sobre tudo, quem acordava cedo, quem voava melhor, quem jogava quadribol melhor — com toda certeza essa era a pior de todas, as duas amavam quadribol. De início, os gêmeos eram os juízes das suas disputas, o que acabava em confusão em sua maioria, já que sempre um tendia a dar vantagem a algum dos lados, o que elas não gostavam, pois não achavam justas as vitórias. Com isso, Ron se tornou o juíz oficial por ser o neutro nos lados.
— Obrigada, Molly, você também está encantadora. Tem passado os cremes que te dei no Natal? — Molly corou, confirmando com um aceno de cabeça. Já Gina, revirava o olhar para a cena. — Poxa, Ruddy, não fica assim, aposto que daqui uns anos você desabrochará e se tornará uma bela dama. Nem todas tem uma sorte de nascerem belas naturalmente.
— Vai caçar o que fazer, Scar, e já falei, pare de me chamar assim, inferno! — Gina cruzava os braços, zangada enquanto corava.
— Só paro quando você parar de corar por tudo. — Cutucou sua bochecha enquanto caminhava até seus pais para se despedir. — Vou na frente conquistar Hogwarts. Você estará atrás por um ano, espero que ano que vem venha empenhada para derrotar a futura Phoenix de Hogwarts.
Scarlet sorria e se despedia de seus pais, entrando no vagão logo atrás dos gêmeos e de Ron, procurando um lugar para poderem se sentar. Encontraram um vagão onde tinham um menino de óculos, tímido.
— Podemos nos sentar? Os vagões estão lotados — Ron perguntava ao menino, enquanto nos observava, concordando com a cabeça.
— Phoenix, vamos procurar o Lino, temos assunto a tratar com ele — Fred dizia, enquanto acariciava as madeixas de Scarlett. Mesmo o carinho sendo agradável, Scarlett ficou triste por ser deixada pelos amigos e Fred percebeu isso na amiga. — Não se preocupe, Scar, você vai tirar de letra a seleção e todos vão amar você. Não esqueça que você garantiu para Gina que iria estar na frente dela. — Essa última parte ele sussurrou em seu ouvido para que apenas Scarlett ouvisse.
— Ron, cuida da Scarlett. Não deixe a nossa pequena donzela sozinha — George repreendia Ron, enquanto eles saíam.
Com isso, os gêmeos saíram e seguiram seus caminhos, deixando Scarlett com Ron e o menino de óculos. Após apresentações, descobriram que ele era Harry Potter, o menino que derrotou você-sabe-quem. O trio conversava e se divertia, o menino Harry parecia ser bem divertido. No meio da viagem, apareceu uma garota perguntando sobre um sapo, o que era meio estranho, mas depois de um tempo conversando com a menina, ela foi devidamente apresentada como Hermione Granger, que saiu em busca do sapo novamente.
A viagem foi tranquila. Já com seus uniformes, eles foram a caminho dos barcos, encontrando um gigante muito simpático chamado Hagrid. Já preparando para entrar no salão para o grande evento que seria a seleção, houve um pequeno desentendimento por conta de um tal de Draco Malfoy, mas Scarlett estava tão nervosa que nem estava ouvindo, até ouvir o Malfoy falando mal dos Weasley.
— Nossa, meu ouvido está sangrando de tanta baboseira que você está falando, Malfoy. Essa sua mente fechada e preconceituosa ainda irá te colocar em grandes problemas. — Scarlett encarava Malfoy frente a frente. — Se você conquista amigos com dinheiro e sobrenome, só terá bajuladores mesquinhos, ao contrário dos Weasley, que são coração e não pensariam duas vezes em ajudar seus amigos.
— E quem é você, garota? — Malfoy se aproximava com cara de desgosto. — Tem cara de ser uma mestiça insignificante.
— Scarlett Bennett, muito prazer. Deve conhecer meus pais por serem grandes aurores que mandaram a grande maioria dos Comensais da Morte para Azkaban. Seu pai escapou por pouco, estou certa? — Draco ficou pálido ao ouvir o sobrenome de Scarlett, a verdade é que a família Bennett era sim muito famosa por ser uma linhagem de bruxos poderosos.
— Ele estava sobre o efeito do Imperius, não teve culpa dos seus atos. Ele já foi provado inocente — Draco gaguejava um pouco, mas ainda mantinha a pose de sangue purista.
— Claro, claro, o feitiço Imperius, coitado. E aposto que ele mandou você dizer isso, não é verdade? Não se preocupe, não estou questionando a inocência do seu pai, apenas analisando que caráter não se compra com dinheiro, vem de nascença e isso os Weasley tem de sobra. Passar bem! — Após isso, virou de costas, esperando a Professora Minerva retornar. Recebeu um sorriso e abraço de Ron, mas percebeu que ele ainda estava deprimido pelas palavras do Malfoy.
Já havia passado alguns minutos desde que Scarlett estava em pé, esperando sua vez chegar, foi então que ela olhou para as mesas, vendo os gêmeos torcendo por ela, a deixando mais aliviada por saber que tinha amigos ao seu lado. Foi quando ouviu seu nome ser chamado para se sentar no banco.
— Ora, vejo que temos uma aluna brilhante esse ano, com uma mente criativa, disposta a aprender sobre novos assuntos. Uma jovem sagaz, que busca sempre inovar nos momentos de sua vida, possui uma sabedoria sanguínea e um destino interessante. A busca por poder é fascinante, mas não é algo que está em suas prioridades. — Scarlett ficava cada vez mais angustiada pela demora de falar sobre sua casa. — Eu poderia te colocar em duas casas que poderiam aflorar e aproveitar mais essas suas características por conter grande traços dos seus ancestrais, mas vou seguir o caminho mais brilhante para seu futuro, portanto, CORVINAL.
A mesa com a cor azul gritava em comemoração. Já não era novidade para Scarlett em ir para a casa da Corvinal, mas ela ainda tinha um pingo de esperança de quem sabe cair na Grifinória junto aos seus amigos, mesmo sabendo que não possuía nem um pouco das características de um grifinório.
Scarlett caminhava animada para mesa enquanto era abraçada pelos seus novos companheiros de casa, quando sentiu um puxão da mesa da Grifinória, eram os gêmeos, que a abraçaram e a parabenizaram pela conquista da casa da sabedoria.
— Poxa, Fred, parece que nossas tentativas ao longo dos anos de contaminar nossa pequena Phoenix com manias e pensamentos grifinórios falharam, pois não conseguimos burlar o Chapéu Seletor — George falava, enquanto continuava abraçado à mais nova.
— Ora, George, sinto que quanto mais mostrávamos manias ou histórias novas, mais alimentamos o lado corvino de Scar, mas tudo bem, pense por um lado bom. Scar arranjará ótimas cobaias para nossas invenções, já que na Grifinória ninguém mais se voluntaria sem questionar — ele falava, enquanto apertava a bochecha de Scar e brincava com seus cabelos.
— Quer dizer que sou apenas uma ponte para novos clientes para vocês? Bom saber, Doppelgangers. Se me derem licença, vou jantar com meus futuros melhores amigos — Scarlett dramatizava, enquanto se sentava do lado de uma menina com aparência asiática, deixando os Gêmeos perplexos, mas rindo da atitude teatral de sua amiga. Sabiam que Scar nunca os trocaria.
O ano foi passando de uma forma divertida, Scarlett se tornava uma ótima aluna, entrava em algumas confusões por conta dos grifinórios; como na vez que viu Ron e Harry indo para o banheiro feminino onde os professores orientaram que não era para ir, já que o trasgo estava nessa área, ela decidiu os seguir para que eles não arrumassem confusão, entrou em pânico e, ao ouvir gritos, correu para ajudá-los.
Quando entrou no banheiro, viu que Harry estava pendurado no bastão do trasgo e Ron assustado com tudo aquilo. Hermione tentava dizer algo, mas não dava para compreender por conta do barulho que o trasgo fazia ao tentar bater em Harry, foi quando Scarlett compreendeu o que ela tentava dizer e passou para Ron.
Após toda a confusão no banheiro, os professores brigaram com eles e pediram para não arrumarem mais problemas durante o restante do ano, o que não foi feito por nenhum dos mais novos, já que Scarlett se juntou aos gêmeos para criar brincadeiras e o trio grifinório teve um confronto emocionante no final do ano.


Capítulo 2 — O perigo dos olhos avermelhados

2º ano

Scarlett estava animada, pois enfim ela poderia participar dos testes para o time de quadribol de sua casa. Durante o verão, ela treinou bastante com os gêmeos para conseguir entrar para a equipe como artilheira da Corvinal.
— Ei, você vai tirar de letra. Mostre que seu treino valeu a pena, Phoenix. Você será imbatível — Fred tranquilizava Scar, enquanto arrumava seu uniforme.
— Pensando bem, não deveríamos ter nos esforçado tanto para a treinar, porque quando ela entrar para o time, vai dar uma grande dor de cabeça para nós, Fred — George fingia descontentamento para aliviar a tensão, e parece que estava funcionando.
— George, não será mais emocionante com uma competidora à nossa altura? Se bem que de altura ela não tem nada. AI, SCAR! — Fred reclamava, depois de receber um beliscão no braço. — Caramba, eu estou brincando. Isso que eu recebo por ajudar a melhor amiga.
— Anda, é sua vez, GRANDE artilheira da Corvinal. Estaremos aqui na arquibancada. — George apontou para o lugar onde iriam ficar. Lá estavam Harry, Hermione, Ron, Gina e Luna, a novata da Corvinal. Scar acenou para eles e seguiu voando para o campo.
Era nítido o amor e alegria da jovem Bennett toda a vez que entrava em campo para jogar quadribol. Ela se sentia livre e a adrenalina corria em suas veias todas as vezes que pontuava e tornar seu time campeão só motivava mais a morena. Ela amava bolar estratégias e analisar seus competidores para ver onde havia uma falha.
O que os gêmeos disseram sobre a Scarlett estava correto, a cada treino nas férias de verão, ela aprimorava seus movimentos, até conseguia prever o que os gêmeos fariam bem antes. Eles estavam cientes de que ela traria dor de cabeça não só para a Grifinória, mas para todas as casas. Então não foi surpresa quando a capitã do time da Corvinal a colocou no time.
No jantar, ela acabou sentando-se com o time da Corvinal. Todos estavam animados com a nova conquista, até Cho, que era mais na dela, estava feliz que Scar tinha entrado para a equipe. Elas não eram amigas, mas havia muita admiração em ambas as partes. Os gêmeos que não apreciaram essas novas amizades, talvez o famoso ciúmes os influenciasse, mas era nítido que os pensamentos de supostamente perderem a pequena Phoenix os assombravam e deixava um gosto amargo em suas bocas.
Os meses foram passando e, com os treinos e as aulas, Scar não conseguia falar muito com seus amigos grifinórios, e isso estava a deprimindo bastante. Principalmente pelos acontecimentos estranhos que vinham rondando o castelo. Madame Norra petrificada, a mensagem de sangue na parede do corredor e Harry falando com cobras. Por isso, ela decidiu passar no treino dos meninos para dar um abraço, já que não poderia ficar. O capitão Oliver a expulsou da última vez porque ela era estrategista do time da Corvinal e ele tinha medo de ela analisar os seus treinos, já que, no último jogo, a Corvinal havia ganhado.
Quando Scarlett estava se aproximando do campo, viu o time da Sonserina e Grifinória juntos, o que era de se estranhar e de certa forma perigoso. A pequena Bennett ficou intrigada ao notar o trio sair correndo com caras tristes. Ron era o pior deles, parecia que iria vomitar.
— Olá, gente, o que aconteceu com eles? E calma, Wood, não vim analisar seu treinamento, só abraçar meus amigos porque estou com saudades. — Oliver fazia careta, mas não protestou. Os gêmeos chegaram perto e a abraçaram. — Oi, meninos, o que aconteceu?
— Malfoy chamou Hermione de sangue ruim, Ron foi defender, só que sua varinha estava quebrada e o feitiço cara de lesma voltou para ele — Fred explicava, enquanto via Scarlett encarando Malfoy, parecendo que iria matá-lo.
— O que você está encarando, Bennett? Quer um autógrafo? Eu posso dar. — Malfoy começou a rir, mas parou por começar a vomitar lesmas, não só ele, mas alguns meninos da Sonserina. — O que você fez comigo, Bennett?
— Eu não fiz nada, Malfoy, você me viu usando a varinha? Todos aqui viram que minha varinha está no meu cabelo, não teria como eu lançar um feitiço. — Enquanto se explicava, Snape apareceu com aquela cara de morte.
— Senhorita Bennett, posso saber o que a senhora e os gêmeos aprontaram desta vez? — Snape analisava os meninos da Sonserina com desgosto, vendo eles vomitarem lesmas sem parar. — Creio que isso tenha dedo seu. Acho que uma detenção por 1 mês fará você repensar em azarar seus colegas.
— Mas, professor, eu não fiz nada, nenhum de nós fez. Minha varinha está no meu cabelo, como poderia fazer o feitiço? — Snape olhou com dúvidas para o cabelo da menina, preso com a varinha.
— Você poderia ter usado magia não verbal. Todos sabem o quão inteligente e acima do seu ano você está — Malfoy falava enquanto tentava segurar o vômito.
— Me alegra ouvir esses elogios sobre minha pessoa, Malfoy, mas eu ainda não cheguei a esse patamar. Magia não verbal ainda é complicada e exige um grande empenho e tempo, coisa que ainda não possuo, já que estou no time por ser talentosa e não rica — Scarlett se manifestava, desviando seu olhar para Malfoy, depois voltou para Snape. — O senhor realmente acreditaria nessa ideia de que uma segundanista consegue enfeitiçar quase um time usando magia não verbal? Creio que suas expectativas estariam elevadas sobre minha pessoa.
Snape observava toda aquela situação com descontamento. A verdade era que ele não duvidaria que Scarlett soubesse utilizar aquela técnica, os professores comentavam o bom desempenho da jovem Bennett nas aulas, ela realmente era um prodígio e possuía um grande poder que ainda não sabia manusear. Claro que ele nunca assumiria aquilo. Caso ela caísse na Sonserina, ele com toda a certeza iria ajudar a aprimorar seus dons.
Após analisar, Severo decidiu não deixar os gêmeos e Scarlett em detenção, já que não havia provas de que eles haviam feito aquilo, e dispensou o time da Sonserina de treinar, já que não renderia treino para eles com a maioria vomitando lesmas, deixando assim o campo para os grifinórios treinarem.
— Obrigada pela ajuda, Bennett. Se não fosse por você, perderíamos o treino. — Wood se aproximava para agradecer.
— Por mais que eu ame acabar com injustiças, não fui eu desta vez, Wood. Como disse, sou apenas uma aluna do segundo ano, não sou todo esse prodígio que vocês falam. — Ela sorria enquanto caminhava e abraçava os gêmeos para se despedir.
— George, temos que tomar mais cuidado com a Phoenix, você viu? Quase o time inteiro vomitando lesma, estamos criando um monstro — Fred dizia, enquanto se afastava do time e levava Scarlett até o corredor, os três riam da situação.
— Eu vejo isso como uma grande vantagem para nossas brincadeiras. Com essa carinha de anjo e essa mente brilhante, Filch nunca nos pegará. — George bagunçava os cabelos de Scarlett enquanto chegavam ao corredor.
— Mesmo tendo sido sem querer o feitiço, fiquei impressionada. Estava focada em apenas afetar o Malfoy, não sabia que iria afetar o time todo. Bom, mas isso não me deixa menos contente, já que eles usaram de maneira suja o poder de Snape para atrapalharem seu treino — Scarlett falava pensativa, analisando possivelmente suas falhas ao usar a magia não verbal. — Bom, vou para a biblioteca ver se acho livros sobre o assunto, preciso aprimorar. Viu a cara do Snape? Senti uma pontada de orgulho brilhando em seus olhos.
Os meninos deram risadas e se despediram da mais nova. Ela amava passar suas tardes na biblioteca, não apenas por ser da Corvinal, mas sentia uma satisfação. O ambiente, o cheiro de conhecimento sobre diversos assuntos, pessoas calmas ou nervosas focadas em seus estudos, rostos animados ao lerem algo novo e interessante. Para Scarlett, a biblioteca era um universo a parte de Hogwarts, um ambiente que ela frequentava diariamente.
Era uma tarde divertida depois do ocorrido, Malfoy evitava arrumar problemas com Scarlett. Mesmo não tendo provas de que a morena sabia utilizar esse tipo de poder, ele preferiu não arriscar. O castelo estava se tornando cada vez mais tenso, após o rebuliço de encontrar Colin petrificado e posteriormente o fantasma Sir Nicholas, isso assustou a todos, mas principalmente Scarlett, pois ela sentia uma aflição, uma angústia, parecia que um ser estava se aproximando nas redondezas e isso tirava calafrios da jovem bruxa.
Em uma das tardes de estudos na biblioteca, Scarlett viu Hermione entrando em uma das alas afastadas. Desconfiada, foi ver o que estava acontecendo, e quando chegou, viu Hermione petrificada, segurando um espelho. Scarlett correu para ajudá-la, gritando por socorro, foi quando sentiu uma presença maligna se aproximando. "Ora, se não é a descendente de Merlin. Uma oponente forte, dará muito trabalho para ele. Creio que deveria te eliminar logo". Scarlett gelou ao ouvir algo conversar com ela no pensamento. Com medo da morte, ela olhou o reflexo para saber quem era, podia ouvir ao fundo passos e vozes se aproximando, porém era tarde demais, os olhos vermelhos sobre o reflexo a penetraram, acabando a petrificando também.
No hospital, pôde-se sentir grande tristeza. Duas amigas queridas dos meninos Weasley e de Harry estavam petrificadas, imóveis. Os gêmeos, em particular, estavam devastados ao ver sua querida Phoenix quieta, sem esboçar o sorriso encantador que eles tanto admiravam.
¬— Phoenix, eu sinto muito, eu não estava por perto para lhe proteger. Você vai ficar bem, logo poderemos aprontar imensamente pelos corredores desse castelo. — Fred alisava seus cabelos, enquanto segurava seu rosto.
George acariciava sua mão e fazia pequenos desenhos com a pena, mas até isso o desanimava, pois sabia que a mais nova não iria brigar com ele ou dar risada dos seus desenhos malfeitos. Os gêmeos visitavam Scarlett todos os dias. Quando chegaram para uma nova visita, tiveram uma surpresa, a morena não estava mais petrificada, estava conversando com Madame Pomfrey sobre como se sentia e, ao olhar para porta, viu seu par de ruivos favoritos parados, estáticos e surpresos.
— O quê? Foram petrificados pela minha beleza? Venham me abraçar, foi torturante ficar petrificada. — Scarlett sorria para os gêmeos, enquanto via eles correrem para abraçá-la.
— Não acredito que enfim você voltou, Scar, fiquei tão preocupado. Ver você quieta daquela maneira foi torturante — Fred falava, enquanto analisava cada detalhe de sua amiga. Ele estava aliviado por enfim ver o sorriso que radiava seus dias.
— É verdade, linda, olhar para você e não conseguir te irritar foi amargurante demais. — George se sentou na cama ao lado de Scarlett, enquanto apoiava seu braço em seu ombro.
— Pude ver pelas minhas mãos. Sério, George? Tinta à prova d'água? — Ela mostrava a mão onde George havia feito os desenhos. Ele começou a rir, a abraçando mais forte, tentando evitar os tapas que levaria.
A tarde foi divertida com os Gêmeos, eles contaram sobre Gina, que Harry matou o basilisco e que Tom Riddle era você-sabe-quem. O coração de Scarlett se apertou após essa última notícia. A verdade era que toda vez que ouvia algo relacionado a você-sabe-quem, ela não sabia explicar, mas sentia um medo maior que o normal. Ao observar Fred, viu que ele estava com uma cara angustiada, parecia que seus pensamentos estavam lhe matando, algo não estava o deixando feliz. Scarlett apertou sua mão para trazê-lo de volta à realidade, os seus olhos se encontraram e um olhar sério transparecia nos olhos do Weasley, algo que era raro acontecer.
— Scarlett, eu prometo te proteger, prometo nunca te abandonar, prometo sermos melhores amigos para o resto de nossas vidas, então, por favor, nunca me abandone também. — Fred apertava suas mãos em ansiedade pela resposta da amiga.
— Ora, Fred, eu achei que isso já estava prometido na primeira vez que jogamos bomba de bosta no quarto do Percy e você assumiu a culpa sozinho para me proteger. Ou quando eu bati no Flint por ele chamar a Luna de maluca e você o azarou para tomar a culpa. — Scarlett sorria enquanto brincava com os dedos do mais alto.
— É agora que eu os declaro marido e mulher? — George brincava com a situação dramática que os dois à sua frente faziam. — Poxa, até fico com ciúmes se vocês me deixarem de lado assim.
Foi quando Scarlett puxou os dois para a cama, os abraçando e rindo. Eles dois eram muito preciosos para ela, perdê-los estava fora de cogitação, pois ela poderia ver ainda muito futuro pela frente, um futuro cheio de brincadeira e sucesso.
— Até parece que vou me livrar dos dois. Que menina teria dois rapazes lindos, brilhantes e divertidos à sua disposição? Isso é para poucas. Sou uma jovem bruxa de sorte, meus caros. — Ela os abraçava mais forte, ambos riam da situação, os gêmeos um pouco corados pela declaração da mais nova, mas felizes por serem tratados dessa maneira. E foi assim que eles passaram seus últimos dias de aula, aproveitando a companhia uns dos outros.


Capítulo 3 — Jealousy Jealousy

3º ano

As férias seriam empolgantes. Os Weasleys ganharam uma viagem com tudo pago para o Egito. Os gêmeos não paravam de falar um minuto sobre essa viagem, foram a primeiras férias que Scarlett e os gêmeos não ficaram juntos. Molly e Arthur até chamaram Scarlett para ir junto, porém os pais da morena também haviam planejado uma viagem para compensar todo o sofrimento que a filha passou no segundo ano.
Sr. Bennett planejou a viagem por semanas, e quando finalmente havia chegado o tão esperado dia, ele não poderia estar mais radiante e animado. As mulheres da casa também estavam empolgadas, principalmente Scar, seria a primeira vez que iria visitar a América do Sul. Eles iriam passar 2 semanas no Brasil e 1 semana no Peru, a jovem bruxa listou os pontos turísticos mais interessantes que queria visitar.
— Mulheres da minha vida, estão prontas para a melhor viagem? — Ethan pegava a bagagem e já se dirigia ao carro. Por ser um destino longe, eles não poderiam apenas aparatar, seria fatal.
— Papai está parecendo um adolescente com essa empolgação — Scar brincou com o pai, mas a verdade era que os três estavam empolgados, era raro terem um momento assim, só eles, principalmente por conta dos recentes acontecimentos em que Hogwarts vinha sendo atacada por seguidores de você-sabe-quem e criaturas das trevas andando livremente pelos corredores do castelo.
Os pais de Scarlett foram designados a liderar uma investigação sobre esses casos, pois eles sentiam que o Basilisco era só a ponta do Iceberg. Portanto, pediram essas férias no trabalho para terem um momento com Scarlett, já que não iriam ter um momento tranquilo tão cedo, não até acabarem com quem estava por trás de tudo.
A viagem foi emocionante. Scar estava encantada com todos os lugares que foi visitar, mas o favorito dela foi o Castelo bruxo, que fica na Amazônia. O ano letivo deles era diferente, por isso, na época em que foram visitar, ainda estava tendo aula. As aulas eram totalmente diferentes das de Hogwarts, parecia mais aconchegante e ela fez amizade com alguns alunos de lá.
— Por Merlin, esse doce é divino, qual o nome mesmo? — Scar olhava para nova amiga que fez, Fernanda, tinham a mesma idade, então a primeira vez que conversavam foi o suficiente para não se desgrudarem.
— É brigadeiro, Scar, os trouxas daqui são ótimos cozinheiros. Você poderia vir aqui no Natal, é verão, posso te levar à praia e você vai poder experimentar as comidas do nordeste. Sério, não tem igual no mundo. — Fernanda se lambuzava enquanto comia o brigadeiro e imaginava as comidas típicas de sua cidade natal.
— Vou falar com meus pais. Fico triste de já ter que ir embora, meu pai não explicou direito o que aconteceu, apenas que deveríamos voltar com urgência para Londres. — Scarlett terminava de comer e já se levantava, observando a cachoeira. Fernanda havia a levado para nadar e conhecer um pouco da natureza e criaturas mágicas que viviam por lá.
Elas se arrumaram e foram caminhando até o castelo. Scar já estava com o sentimento de saudades, passou apenas 4 dias no castelo, na companhia de Fernanda, mas já a considerava uma amiga querida. A morena foi pega pelo jeito alegre e receptivo dos brasileiros. Quando ela estava perto deles, sentia algo caloroso, uma energia muito boa, ela só não pedia para ficar por conta dos seus amigos em Londres, em especial as suas xerox favoritas.
No aeroporto, com lágrimas, Scar se despedia de sua nova amiga. Ela era grata por todos os momentos que passaram, conhecimentos e experiências que foram trocadas. Ao se despedir, as duas prometeram trocar cartas e manter contato.
A viagem foi tranquila, eles não conseguiram passar no Peru, mas os pais prometeram voltar para visitar com sua filha. Ao chegarem a Londres, eles avisaram que a deixariam no Caldeirão Furado, onde os Weasley estariam, já que teriam que ir ao ministério para mais informações sobre a fuga de Sirius Black.
— Não se preocupe, minha filha, você estará segura, prometemos a você. Temos Arthur para proteger a todos e tenho certeza de que os gêmeos não deixarão que nada aconteça com você. — Ethan a abraçava enquanto deixava as coisas de Scar num quarto do caldeirão, se despedindo de sua filha e descendo para a saída.
— Raio de sol, prometa para sua pobre mãe que irá ficar longe de problemas, por favor. Estou cansada de receber cartas do professor Flitwick dizendo o quanto você é brilhante, mas ao mesmo tempo que suas detenções estão aumentando a cada ano — Elizabeth reclamava, enquanto desciam para se despedir.
— Entendi o recado, mamãe, não deixarei que me peguem. — Scar olhava com cara de inocente para sua mãe, enquanto a abraçava na porta, se despedindo tanto dela quanto de seu pai novamente.
— Não se preocupe, senhora Bennett, iremos cuidar para que Scarlett não arrume confusão. — George apareceu por trás da mais nova, a abraçando de lado. Elizabeth olhou para o rosto do gêmeo, confusa em saber qual dos dois era.
— E eu vou garantir de evitar que esses dois sejam pegos aprontando, senhora Bennett. — Fred apareceu, ficando do outro lado de Scar, e apoiou o braço na cabeça da mais nova, sorrindo para os mais velhos.
— Eu não sei se fico brava por acharem que vou acreditar em vocês ou por me chamarem de senhora. Já disse, meninos, que só Elizabeth está bem. — A mãe de Scar ria, abraçava os meninos e dava adeus aos três. — Por favor, se protejam. Amo vocês!
Scarlett via seus pais entrarem no carro e irem embora rumo ao ministério. Ela estava preocupada, mas sabia que nada iria acontecer com eles, eram bruxos poderosos e reconhecidos no mundo bruxo, só sendo louco para se meter com eles. Ela foi caminhando até os outros Weasleys para ouvir sobre a viagem. Ron era o mais animado e contava sobre a viagem detalhadamente.
Quando estavam prontos para irem à estação, uma coruja apareceu e pousou no ombro de Scarlett. Ela segurava uma carta e a morena estranhou, já que os únicos que mandavam cartas para ela era os Weasleys, seus pais e Luna, mas tinha certeza de que não era nenhum dos citados. Decidiu que abriria no trem, com mais calma.
Já no trem, Scarlett ficou com os gêmeos e Lino, já que no vagão que o trio de ouro estava havia um professor e eles não poderiam correr o risco de um professor ouvir seus projetos para Hogwarts. Se aproximando da escola, Scarlett decidiu ir ao banheiro se trocar, mas deixou a carta cair no chão sem perceber.
Quando voltou novamente ao vagão, viu os gêmeos, com cara de bravos, lendo a carta. Scarlett se revoltou e correu pegar a carta da mão deles, mas Fred foi mais rápido e se levantou, deixando a carta no alto.
— Quer dizer que você está pensando em estudar no Castelo Bruxo? É isso, Scar? Vai nos abandonar por uma nova amiga que conheceu em menos de uma semana? — Fred encarava sua amiga com uma cara de mágoa.
— Primeiro de tudo, que falta de educação é essa em olhar a correspondência dos outros sem a devida permissão? Tia Molly não os educou assim — Scarlett protestava, enquanto, enfim, conseguia pegar a carta e ver que era de Fernanda, sorrindo consequentemente por ver que a amiga não esqueceu de mandar carta para ela. — Segundo, meu caro Frederick, eu não vou para o Castelo Bruxo, por mais que o convite da minha amiga Fernanda seja tentador. Se me der licença, vou para um lugar onde as pessoas tenham classe.
— Calma, Phoenix, não precisa sair. Vamos nos acalmar, ok? Nos desculpe por ler sua carta, erramos. Vem, sente-se aqui. — George se aproximava de sua amiga, que já estava na porta. Foi quando o trem parou brutalmente e o ambiente começou a ficar gelado. Scar pôde sentir algo macabro a encarando do outro lado da porta, ela estava estática. Foi então que a criatura saiu e o ambiente voltou à temperatura normal.
— Está tudo bem com você, Phoenix? Venha, sente-se. Você está pálida. O que era aquilo? — Fred se aproximava, enquanto a colocava sentada entre ele e o irmão.
— Não faço ideia.
Scarlett realmente não sabia o que era aquela criatura, mas ela sentiu um medo absurdo, como se sua felicidade e esperança fossem tiradas sem sua permissão. Ao chegar ao colégio, no jantar de boas-vindas, o professor Dumbledore passou as orientações rotineiras de cada ano, mas o que a deixou surpresa era que Hagrid, o meio-gigante simpático, seria o novo professor de Trato das criaturas mágicas e que dementadores estariam rondando Hogwarts à procura de Sirius Black, o que deixava todo ambiente tranquilo ser destruído.
As semanas de início das aulas estavam sendo até que normais, nada de emocionante. Felizmente, a aula de adivinhação havia chegado. Mesmo a professora Trelawney sendo um pouco dramática em suas adivinhações, ela era muito sábia em momentos oportunos. Infelizmente, esse não foi um dia de sorte para Scarlett, já que na aula, analisando as xícaras e que mensagens traziam, ela pôde ver o Sinistro. Bennett não precisava que a professora fosse em sua mesa para informar o que era, ela sabia exatamente que mensagem passava, e com o coração apertado e um gosto amargo, ela sentia que a morte a rondava.
Estava caminhando para a primeira aula de Hagrid, quando viu Malfoy e seu grupinho zombando de Harry. A garota já estava farta das brincadeiras do loiro. Todo ano era a mesma coisa, ele não perdia uma oportunidade para zombar e maltratar o trio ou quaisquer alunos nascidos-trouxas.
Ela tinha noção de que Malfoy não nasceu no melhor lar, onde te ensinam a respeitar o próximo. A verdade era que ela não sabia muito sobre o garoto e não iria perder seu tempo querendo saber mais sobre ele. Scarlett iria deixar para trás as zoações até ele colocar o nome dela no meio.
— A Bennett está quieta hoje, não veio defender os amigos. Nem ela deve acreditar no que vocês estão falando. Estou certo, Bennett? — Malfoy gritava, do outro lado.
— Santo Merlin, eu só queria assistir a aula em paz — Scarlett bufava, enquanto ignorava Malfoy e seu grupo. Pegando seu livro da aula.
— Está surda, Bennett? — Malfoy continuava a provocando.
— Ai, acredite, se houvesse uma forma de não ouvir sua voz, eu seria a primeira a realizar — Scarlett, por fim, declarou.
— Tem uma forma de você me calar, Bennett.
— Ah, é? Qual seria essa santa magia? — a garota falava, enquanto olhava e o via caminhar até ela, sorrindo cafajestemente.
— Um beijo.
— Por Merlin, garoto, você a cada ano está mais atrevido! Mas eu tenho uma solução para esse problema. — Scarlett se aproximou de Malfoy e, sem ele perceber, pegou sua varinha e lançou o feitiço Silêncio em sua boca. Malfoy se afastou espantado, todos riam da sua situação.
Estava uma confusão total. Os seguidores do Malfoy brigavam com Scarlett e o trio estava ao seu lado, a defendendo; ela só queria poder assistir a aula em paz. Foi quando Hagrid chegou e acalmou os ânimos de todos. Os sonserinos ainda protestavam sobre o feitiço que estava no Malfoy, já que, para surpresa de Scar, nenhum dos lacaios dele sabia o feitiço correto. Hagrid olhou para Scarlett com a expressão de pedido de ajuda, a garota bufou, mas optou por desfazer o feitiço.
A aula começou e Hagrid explicava sobre os Hipogrifos, criaturas aladas fascinantes na opinião de Scarlett, eram orgulhosas e não aceitavam ofensas, adjetivos que Scarlett bem conhecia, mas não iria admitir.
— Orgulhosas e que não aceitam ser ofendidas, ora só pode estar descrevendo Scarlett — Malfoy a provocava novamente. Todo o grupinho da Sonserina ria do comentário do garoto.
— Se arrependimento matasse, estaria morta por reverter o feitiço, Malfoy — Scarlett dizia, enquanto observava o grupo. Iria confrontá-los, mas foi segurada por Ron.
— Esquece ele, Scarlett, só quer te provocar. — Scarlett ainda encarava o loiro, brava.
— Para uma Corvinal, você é bem nervosinha! — Harry brincou com a amiga para aliviar o ambiente. Os quatro riram e aproveitaram o restante da aula.
A aula seria produtiva se Malfoy não bancasse o macho alfa para cima de Bicuço. A sorte dele foi que levou apenas um arranhão, sendo carregado por Hagrid, o encaminhando a enfermaria.
— Pobre Hagrid, ter que ouvir os gritos de Malfoy deve ser agonizante. Acho que eu preferia ouvir as lamúrias de Murta do que isso — Scarlett zombava, enquanto caminhava ao lado do trio até o salão principal para almoçarem. Indo em direção à mesa da Corvinal, ela se sentou com Luna e Cho, já que o clima com os gêmeos em específico estava balançado desde o episódio da carta.
Os gêmeos olharam na direção da mesa da Corvinal, eles estavam mal com toda essa situação. Eles amavam demais Scarlett, e vê-la se afastar por um erro que cometeram os deixavam destruídos.
Após o jantar, o monitor chefe da Corvinal avisou que todos iriam dormir no salão principal, pois Sirius Black havia invadido o Castelo. Como se não bastasse todos os problemas dos anos anteriores, tinha essa agora, um prisioneiro fugitivo, caçando seu amigo. Scarlett alinhou seu saco de dormir ao lado do de Luna e ficou deitada, observando o teto decorado.
Os dias passaram e enfim seria o jogo da Corvinal com a Sonserina. Após o fatídico jogo da Grifinoria em que os Dementadores invadiram o campo, todos estavam em pânico, com medo de acontecer com algum deles. Malfoy estava enfim com o braço melhor e com um suposto olho roxo.
O jogo deu início e Scarlett de primeira conseguiu pegar a goles para então voar em direção aos aros do time rival, a Corvina tinha sangue nos olhos e não perderia a oportunidade de pontuar e vencer a Sonserina. Não que ela odiasse os sonserinos, alguns eram supertranquilos e tinha amigos de lá, com Astoria e Blasio, mesmo o último sendo um seguidor fiel de Malfoy, quando não estavam juntos dava para suportá-lo.
O jogo já havia passado bastante, estava 50 a 20 para a Corvinal. Scarlett não podia vacilar, estava ciente de que o time adversário não era apto a seguir regras e eram um tanto violentos, principalmente com a garota, que desviou de diversos balaços no decorrer das partidas. Foi quando a Hooch apitou o jogo, sinalizando que a partida foi finalizada. Quando ela olhou para baixo, viu Cho segurando o pomo de ouro, alegre com sua conquista. Os corvinos se animaram com a vitória.
Saindo do vestiário, Scarlett sentiu dois pares de mãos a colocando para cima, colocando-a nos ombros. Ela não precisava olhar para saber que eram seus gêmeos favoritos, dando risada com a bagunça que eles faziam no corredor pela vitória de sua amiga.
— Ora, doppelgangers, me coloquem no chão. — Ela ria, enquanto bagunçava os cabelos compridos dos mais altos.
— Apenas quando você nos perdoar — George dizia, enquanto pulava com a amiga ainda em seu ombro.
— Óbvio que eu perdoo, cabeças de bagre. Aliás, não tem o que perdoar, é passado — a mais nova falava, enquanto arrumava sua saia depois de ser colocada no chão novamente.
— Temos tanto o que conversar, principalmente sobre o jogo, sobre os novos produtos que criamos ou a nova crush do Fred. — Scarlett olhou surpresa para o amigo, ela sabia que os meninos não eram santos, mas eles nunca gostavam de alguém em específico, por isso essa notícia a chocou.
— Ora Ora, George, parece que nosso adorável menino está crescendo. Venha, me acompanhe para uma tarde de chá, enquanto colocamos a conversa em dia. — Scarlett entrelaçou o braço de George e foi caminhando com ele no corredor.
Até então, Fred estava estático, primeiro, por pensar que Scarlett não o perdoaria, e, segundo, por seu irmão o entregar assim tão fácil. A ficha só caiu quando viu os dois se afastando dele.
— Suas velhas fofoqueiras, voltem aqui, não me deixem sozinho — Fred gritou, vendo os dois saírem em disparada corredor afora.
Os três estavam felizes contando sobre os seus dias e o quão chato era fazerem pegadinhas sem a companhia de sua amiga. Scarlett sentia o mesmo, mas era aliviante ver que tudo fora resolvido. Estavam rindo das tentativas frustradas de Fred em chamar Angelina para Hosgmeade, parecia que a garota estava realmente mexendo com o coração do amigo de Scarlett e ela ficava feliz com isso.
A tarde terminaria tranquila se a professora Minerva não chegasse e avisasse que Ron estava na ala hospitalar, o que deixou os irmãos preocupados. Os três correram até lá para saber como Rony estava e o que havia acontecido com ele. Quando chegaram à porta, encontraram Hermione e Harry entrando juntos.
— Mas como? Vocês acabaram de sair e já estão aqui? — Ron dirigia a dúvida aos dois amigos.
— Do que está falando, Bilius, bateu com a cabeça em algum lugar? Aliás por que está aqui? Poderíamos evitar visitar a ala hospitalar, por favor — Scarlett dizia enquanto, se deitava ao lado do amigo.
— Longa história, mas eu estou bem, acredite. E pare de me chamar pelo meu nome do meio, vai que essa moda pega — Ron reclamava, enquanto beliscava o braço de Scar.
— Ai, Ron, obviamente ela não vai pegar, porque a pessoa que te chamar assim eu mesma vou azarar. Só eu tenho esse privilégio.
Eles se divertiram, e, por muita insistência, Ron acabou contando para os três o que havia acontecido: que Sirius Black era padrinho de Harry, que o seu adorável rato não era tão adorável assim, já que era Peter Pettigrew em sua forma animaga, e que o rato era o real responsável por entregar os Potters a você-sabe-quem.
Na tarde da manhã seguinte, todos estavam esperando ansiosamente por Harry, já que havia um pacote para ele, revelando posteriormente que ele ganhou uma Firebolt, a vassoura mais rápida do mundo, animando a todos sobre essa nova aquisição.


Capítulo 4

4º ano (parte 1)

Scarlett estava em uma sala bem obscura, as paredes com retratos e árvore genealógica da família que morava lá. Ela não reconhecia nenhum desses rostos. Ao olhar para o lado, viu o menino de cabelos escuros novamente, e seu rosto brilhava ao brincar com a garota, ambos se divertiam na companhia um do outro. Até que um casal entrou correndo na sala, a tirando de lá às pressas. Ela não entendia o motivo, mas seu coração se amargurava de ser separada daquele garoto.

Scarlett acordou cedo naquela manhã. Ela iria para a Copa de quadribol com seus pais e seus amigos. Estava bem animada, pegou seus pertences para ir tomar banho. Após trocada, saiu com Salem no colo, o deixaria com a vizinha até que voltassem do jogo.
— Olá, senhora Margot. Só vim trazer o Salem, obrigada mais uma vez por cuidar dele. — Salem pulou do colo de Scarlett e foi para o colo da velhinha simpática. — Nossa, Salem, até parece que você gosta mais dela do que de mim.
— Não se preocupe, querida, ele só vem comigo porque estou cheirando petisco, você é o verdadeiro amor dele — Senhora Margot falava, enquanto acariciava os pelos de Salem, que olhava com carinha de sono para sua dona. — Ande logo, senão irão se atrasar para o jogo.
Scarlett se despediu novamente de seu gato e de sua amada vizinha e foi para perto dos pais, que já estavam a aguardando para aparatarem até a casa dos Weasley, já que iriam juntos ao ponto da chave do portal.
Ao chegarem à Toca, apenas Arthur e Molly estavam acordados, o restante já estava dormindo. Molly estava cansada de chamá-los, portanto Scarlett resolveu ajudá-la nessa tarefa. Foi caminhando devagar até o andar onde era o quarto dos meninos. Sem fazer qualquer barulho, ela chegou perto da cama dos meninos com a varinha em sua garganta, já preparada para usar o feitiço *Sonorus, que aumentava o volume da voz do executor.
— ACOOOOORDEM! — Scarlett gritou, vendo os meninos do quarto caírem de suas camas com o susto. Ron era o mais engraçado, os cabelos todos bagunçados. — Bom dia, meus raios de sol, sua alegria acabou de chegar. Andem, se arrumem, senão deixaremos vocês aqui.
— SCARLETT, TIRA A VARINHA DA GARGANTA, VAI NOS DEIXAR — George gritava para a amiga, que ainda estava com a varinha apontada na garganta, usando o feitiço.
— Oh, perdão! Bom, levantem-se, vou acordar as meninas. — Scarlett saiu e foi em direção ao quarto das meninas.
Scarlett sabia que se acordasse Gina e Hermione daquela maneira, morreria jovem, portanto, decidiu optar por uma alternativa mais segura. Entrando no quarto, viu que, para surpresa dela, as duas já estavam de pé, se arrumando.
— Nem olha com essa cara de surpresa, só acordamos porque deu para ouvir sua voz daqui do quarto. Aliás, duvido que alguém dessa casa esteja dormindo depois de ouvir seu grito — Gina debochava, enquanto terminava de se arrumar.
Todos tomaram um breve café da manhã e rapidamente partiram para Hogwarts. Os gêmeos zombavam de Percy e seu trabalho no ministério, já que ele não parava de falar, deixando todos cansados de ouvir os maçantes elogios ao ministro Fudge.
A caminhada foi cansativa. Os mais velhos estavam na frente, conversando animadamente, enquanto os mais novos estavam quase desmaiando de cansaço. Scarlett e os gêmeos estavam planejando vender seus produtos na copa, estavam tão distraídos que nem perceberam que não estavam mais sozinhos.
Cedric Diggory estava se aproximando para cumprimentá-los. A mais nova via o mais velho pelos corredores, nunca chegaram a conversar, ele conversava bastante com Cho, mas como as duas não tinham um vínculo de amizade, então não sabia qual era a relação dos dois.
— Olá, pessoal, como vão? — Cedric apertava a mão de cada um, ao fundo dava para ouvir o pai de Diggory se gabando do quanto o filho era incrível e importante. — Desculpem meu pai. Quando ele se anima, não para de falar.
— Até eu me sentiria orgulhosa se você fosse meu filho, você é incrível! — Scarlett se arrependeu rapidamente depois de ouvir essa frase, claramente estranha. — Quero dizer, você é o tesouro da Lufa-Lufa, as meninas não devem sair do seu pé.
— Não é para tanto, Scar. Quer dizer, posso te chamar assim? — Diggory ficava vermelho de vergonha após chamar a morena pelo apelido.
— Claro, mas como devo lhe chamar?
— Do que você quiser. — Ele sorria, fazendo Scarlett corar e imaginar inúmeros apelidos amorosos para o garoto alto de cabelos castanhos.
— Desculpe atrapalhar o casalzinho, mas chegamos à bota. Venha, Phoenix, guardamos um lugar ao nosso lado — Fred dizia, enquanto puxava a amiga, a afastando de Cedric.
Ao se agacharem para pegar a bota, Scarlett se sentou entre Fred e George, estava claro para todos os presentes que os dois estavam enciumados com os flertes que Diggory dava em sua preciosa amiga.
Quando colocaram a mão na bota, ao fazerem a contagem necessária, todos foram sugados. A jovem odiava viajar dessa maneira, nunca conseguia passar por essa passagem sem ficar enjoada ou cair no chão. E dessa vez não foi diferente, tirando o fato que Cedric estendia a mão para ajudá-la a levantar.
— Acho que da próxima vez você pode vir do meu lado e eu te ajudo a não cair — ele dizia, enquanto se afastava e caminhava com o seu pai em direção aos seus lugares.
Os meninos estavam animados vendo o campo em que iria acontecer o jogo, estavam subindo para seus lugares, quando puderam ver os Malfoy embaixo, caminhando para o camarote onde iria ficar o ministro Fudge. Scarlett sabia que aquelas cobrinhas não iriam perder a oportunidade de cutucar a família Weasley, e ela não deixaria barato.
— Eu e o papai estamos no camarote do ministro, foi um convite pessoal do Cornélio Fudge — Draco se gabava.
— Não fique se gabando, Draco, é perda de tempo com essas pessoas. — Eles riam, não percebendo a presença dos Bennett.
— Ora, papai, não foi esse convite que você recusou, pois queria ver com os Weasley? — Scarlett falava, enquanto se aproximava dos amigos, entrando no campo de visão dos Malfoy. Ethan, sabendo aonde sua filha iria chegar, apenas concordou. — Ele perguntou se havia problema em passar o convite para outros, já que não aceitamos. Bom, acho que ser segunda opção não é problema para vocês, correto?
— Não fique se gabando, Scarlett, é perda de tempo com essas pessoas — Ethan dizia, sorrindo para o Lucius de forma superior.
Malfoy ficou vermelho em fúria, e Draco não sabia onde enfiar a cara. Eles não poderiam enfrentar os Bennett, por isso preferiram apenas bater em retirada, mesmo Lucius tendo influência com o ministro Fudge, os Bennett eram uma das famílias tradicionais no ministério e possuíam relevância durante séculos. Ethan só não se tornou ministro por não gostar de burocracia.
Ao chegarem aos seus lugares, Scarlett e Ethan levaram uma bronca de Elizabeth, já que ela não gostava dessas discussões sem necessidade. Porém, no fundo, ela se sentia orgulhosa dos dois, principalmente de Scarlett, que sempre defendia seus amigos de qualquer um.
Os gêmeos estavam na pura animação, apostaram com Bagman que o time da Irlanda iria vencer. Tinham certeza de que com aquele prêmio poderiam enfim avançar com o projeto de sua loja.

Os jogadores da Bulgária apareceram, e lá estava Victor Krum, o apanhador famoso. Scarlett só sabia sobre ele por conta do Ron, que durante semanas havia falado dele e de como estava animado em vê-lo de perto. Os gêmeos chegaram a zombar, falando que o mais novo estava apaixonado por Krum, o deixando com vergonha e bravo.
Como os gêmeos tinham previsto, Irlanda foi a grande vencedora, por isso foram atrás de Barto para receberem o prêmio, porém foram enganados e ficaram realmente bravos, pois Bagman havia sumido.
— O Krum é uma graça mesmo — Scarlett comentava com as meninas na cabana após o jogo, os gêmeos ouviram, então decidiram zombar a amiga.
— Fred, meu companheiro, creio que nossa amiga está chegando à fase de olhar os meninos com outros olhos — George começava, colocando as mãos no rosto de uma forma dramática.
— Estou vendo, George. Ela cresceu tão rápido, logo estará rodeada de rapazes e não irá nos dar bola. Pobres gêmeos ruivos, não farão mais parte de seu coração. — Fred se apoiava no ombro do George, dramatizando igualmente.
— Vocês são dois idiotas. Eu só elogiei o Krum, mas ele não faz meu estilo.
— Verdade, o estilo dela é garotos mais velhos, altos, com cabelos castanhos claros e que pertencem à casa da Lufa-Lufa — Gina falava, enquanto se sentava em um pufe.
— Ruddy, você anda muito fofoqueira. Vou contar quem é seu crush, os meninos adorariam saber. — Gina parou de rir bruscamente, quando ouviu Scar, ela correu para tampar a boca da amiga.
— Ok, ok, não sabe nem brincar. Hermione está rindo, mas está no mesmo barco.
Todos começaram a rir animados, até ouvirem explosões. A princípio, pensaram que era a Irlanda comemorando sua vitória, até o senhor Arthur e os pais de Scarlett aparecerem dizendo que era um ataque e que deveriam sair o mais rápido do local, deixando Fred e George no comando.
Com a confusão, Scarlett se separou do grupo. Quando ela olhou para os lados, todas as barracas estavam em chamas. Olhando para o céu, viu a marca negra feita por um homem estranho. Ela olhou para o chão e viu Harry desmaiado. Se desesperou e tudo à sua volta começou a parar.
Scarlett estava com medo, ver aquela marca a assustava e ela não entendia o motivo, não entendia o porquê do desespero. A garota via seus poderes entrarem em conflito, olhava para os lados novamente e via o fogo congelado no tempo, a fumaça também congelada. Foi quando ela percebeu que o tempo estava parado, mas não sabia como voltar, a verdade era que ela tinha medo de voltar.
Sua magia desconhecida estava a consumindo, era algo novo para ela, algo que Scarlett não compreendia. Quando percebeu, tudo começou a escurecer e ela caiu ao lado de Harry. Acordou com a voz de seus pais chamando por ela. Ao abrir os olhos, viu os rostos dos seus pais e de seus amigos, todos estavam com cara de preocupação, mas aliviados que a jovem havia acordado.
Depois do ocorrido, eles voltaram para casa. Mesmo Molly falando para passarem a noite com eles, Elizabeth achou melhor voltarem para casa, já que as coisas de Scarlett estavam lá e precisavam preparar as investigações sobre o ocorrido na copa.
Após aquele fatídico dia, os pais de Scar ficaram apreensivos com a saúde da menina, portanto prometeram pesquisar sobre essa magia a qual a filha relatou. Ao chegarem à estação, Scarlett se despediu dos seus pais e foi à procura dos seus amigos.
— Sorriam porque sua alegria chegou, rapazes. — Scar abria a porta do vagão em que os meninos estavam com Lino, recebendo um abraço forte deles. Já que eles não se falaram depois do ocorrido, só por cartas, mas a sensação de tocar e abraçar sua preciosa amiga era diferente e bem melhor do que um simples papel. — Nossa, isso tudo é saudades?
— Claro que é, Phoenix. Estávamos todos assustados. — Fred agarrava a amiga em um abraço forte. Se ele pudesse escolher, nunca mais soltaria Scar, ela era forte, mas ao mesmo tempo tão frágil. — Por favor, pare de se meter em problemas.
— Sério mesmo que você está pedindo para a Scar não se meter em problemas? Justo você, Fred? — Lino ria, enquanto olhava para o amigo, que mantinha uma cara de bravo. — Calma, não me mate, você sabe que a Bennett é dura na queda. É mais fácil ela nos salvar do que o contrário.
— Ok, vamos mudar de assunto, vamos falar sobre o que meus pais e meu irmão queriam dizer com um evento emocionante. — George se sentava novamente, batendo no assento para Scar se sentar ao seu lado. E assim passou a viagem inteira do trem, ele formulando teorias sobre que evento grandioso seria. A mais nova apostou que seria algo com outra escola.
No jantar, Dumbledore discursava maravilhosamente bem, dizendo o quanto aquele ano seria promissor e cheio de novas oportunidades. Ele estava no meio do discurso, quando Filch abriu a porta drasticamente e correu pelo corredor do salão até o diretor de Hogwarts de uma forma desengonçada. Tirando boas risadas dos alunos e os gêmeos o zombando da sua corrida.
Após as falas rotineiras, Dumbledore enfim acabou com o mistério sobre o tão esperado evento, o torneio tribruxo foi anunciado. No momento em que ele falou, Scarlett estendeu as mãos para os meninos, já que eles apostaram com ela.
Dumbledore então anunciou as escolas que iriam participar do torneio, elas seriam Durmstrang e Beauxbatons. Todos ficaram surpresos e encantados com as apresentações dos colégios, mas, para as meninas de Hogwarts, os meninos de Beauxbatons era encantadores e elegantes.
Aos se acomodarem, os colégios se misturaram, mas a maioria dos Beauxbatons ficaram no lado corvino. Uma garota loira encantadora se sentou ao lado de Scarlett, junto a uma menina mais nova.
— Olá, é um prazer conhecê-las — Scarlett dirigiu-se às meninas. — Meu nome é Scarlett Bennett.
— Olaar, me chamo Fleur Delacour e essa er Gabrielle, minhah irrmah — disse a loira mais velha, de uma forma amigável. Scarlett percebeu que a mais nova estava tímida, então resolveu treinar seu Francês com as duas para quebrar o gelo. Se falasse mal, pelo menos dariam belas risadas.
— Bonjour, Gabrielle, êtes-vous excité pour le tournoi?* — Scarlett observava a mais nova, na esperança de haver um retorno.
— Oui, oui, Fleur n'a pas arrêté de parler un instant du tournoi* — Gabrielle se animava em poder conversar, já que era tímida e não se garantia com a língua inglesa.
— N'en fais pas trop, Gabrielle. Je suis juste excité* — Fleur dava uma leve bronca na irmã, virando o rosto em seguida para Scarlett. — Et tu parles français! C'iest Fantastique. Je sais déjà qui va m'aider avec l’anglais.*
As três continuaram sua conversa empolgante, quando Alastor Moody apareceu no Salão. Os pais de Scarlett já havia comentado o quanto ele era um ótimo auror, mas que ficou meio louco ao longo dos anos, os Bennett mais velhos chegaram a trabalhar juntos na época da caça aos comensais. Ele até chegou a visitar e frequentar a casa dos bruxos, mas, por alguns motivos, nos últimos anos perderam o contato.
Scarlett gostava de Moody, mesmo ele sendo louco e explosivo, era divertido as tardes em que ele lhe ensinava algum feitiço novo. Mas naquele salão, aquele Moody que olhava para os alunos estava diferente e Scarlett sentia isso, mas não conseguia distinguir a causa.
Ao ser apresentado como novo professor de Defesa contra as artes das trevas, Moody se sentou ao lado dos outros professores. Dumbledore continuou seu discurso junto a Barto, dizendo que para que o torneio fosse mais seguro, apenas os alunos acima de 17 anos poderiam competir, o que deixou obviamente os gêmeos irritados e frustrados, já que com o prêmio do torneio poderiam investir na loja.
Na manhã seguinte, era a aula de Moody, e Scarlett estava realmente apreensiva. Quando chegou, havia apenas um lugar e era na frente de Draco, para sua infelicidade, se sentando ao lado de Neville. Alastor decidiu explicar sobre as 3 maldições imperdoáveis, pegou um inseto de sua mesa e se aproximou dos alunos.
— Boa tarde, turma, quem pode me dizer o nome de uma das maldições? — Alastor se aproximava entre os alunos, buscando respostas, foi quando Ron levantou a mão. — Diga, Weasley.
— Imperius, maldição que dá total controle do corpo da vítima ao bruxo que executou — Ron falava com receio.
— Muito bom, Weasley, vamos à prática. — Assim que Moody falou o feitiço, o inseto começou a agonizar de dor. O professor movia a aranha para todos os lugares, no rosto de diversos alunos. Mas Scarlett não achava graça da atitude. Foi quando ele parou. — Essa maldição deu muito trabalho para o ministério, já que muitos alegaram estar sob o feitiço, mas como poderíamos separar os mentirosos?
A próxima maldição foi Cruciatus, uma maldição de pura tortura, quem a utilizasse muito na vítima poderia acabar a enlouquecendo. Neville quem se levantou para falar sobre ela. Alastor decidiu realizar o feitiço na frente do pobre garoto.
— Creio que já entendemos, professor. Não vê que está o torturando? — Quando Moody olhou para Scarlett, a menina pôde perceber que realmente algo estava estranho nele. Mas não percebeu muito, pois ele se afastou e ouviu as risadas de Malfoy ao fundo.
— O que há de errado, Longbotton? Vai chorar de medo? — Malfoy zombava, enquanto podiam-se ouvir as risadas de seus supostos companheiros.
— Quem não teria, Malfoy? Só sendo patético e cruel para não se sentir mal com esse tipo de feitiço. Aliás, Neville tem motivos plausíveis para não gostar dele, já que Bellatrix lançou nos pais dele, conhece? — Scarlett lançava um olhar raivoso para o garoto.
— Eu não tenho culpa sobre os atos de minha tia — Draco se defendia.
— Pode até não ter culpa pelos atos dela, mas tem pelos seus atos e comentários, a conta um dia fecha — Scarlett terminou, se virando e segurando a mão do amigo, ouvindo o final da explicação da última maldição.
Scarlett não sentia as pernas, foi tudo muito rápido. Alastor lançou o feitiço no inseto, e, assim como o pequeno ser, Scarlett caiu no chão. Houve total movimentação para ajudar a corvina. Até Draco, que havia brigado com a menina há pouco, estava preocupado. Neville a pegou no colo e correu para a ala hospitalar, ignorando qualquer comentário.
Scarlett acordou com Madame Pomfrey a examinando. Ao lado estavam os gêmeos e os professores Dumbledore e Flitwick a encarando em busca de qualquer sinal de dor, mas aparentemente estava tudo tranquilo, só esperavam a confirmação de Papoula.
— Querida, você pode me dizer o porquê do desmaio? Você tem se alimentado direito? — A mais velha a encarava docemente, enquanto finalizava os exames.
— Sim, senhora. Eu não sei o que aconteceu, eu apenas desmaiei. — Scarlett se levantava para se sentar, recebendo a ajuda de George.
— Cuidado, senhorita Bennett, você ainda está frágil. Pode nos dizer então o que aconteceu para você desmaiar? — Professor Flitwick se aproximava, pegando as mãos da menina como forma de proteção.
— Não me recordo bem, professor. A única coisa é que o professor Alastor estava explicando e demonstrando sobre as 3 maldições e acabei desmaiando na última. — Após dar a informação sobre a aula, os professores ficaram pálidos, pois não sabiam que aquela matéria iria ser passada, já que eram feitiços proibidos.
— Alastor só pode ser maluco por falar sobre essas maldições — Flitwick reclamava para Dumbledore. — Eu sei que falar sobre é importante, mas demonstrar? Que absurdo!
— Eu compreendo sua angústia, meu amigo Filius. Irei falar com o professor Alastor. — Dumbledore caminhou até o lado de Flitwick, ele estava segurando a mão de sua amada aluna e a encarando. — Senhorita Bennett, espero que melhore, bom descanso. Meninos, cuidem dela.
Os meninos assentiram e ficaram agarrados com ela até ser liberada. Quando Pomfrey voltou dizendo que Scarlett já poderia voltar às atividades, eles correram até o salão principal para colocar o plano deles em prática, mesmo Scarlett e Hermione insistindo que aquele plano não iria funcionar e que Dumbledore não era tão burro assim.
A única coisa que receberam foi um par de barbas brancas e os cabelos agora brancos. Todos no ambiente se mataram de rir, pois acharam tão engraçado. Já os gêmeos, brigavam entre si para saber quem tinha culpa. Porém, todos ficaram em silêncio quando Cedric apareceu e colocou seu nome no cálice.
— Parabéns, Cedric, será um ótimo campeão. Isso, claro, se for chamado. Quer dizer, não estou dizendo que não vai, e se não for, não é ruim, quer dizer... — Scarlett se enrolava nas suas tentativas de conversar com o Lufano.
— Eu entendi, Scar. Espero que eu seja o campeão e você possa torcer por mim. — Ele sorria para a mais nova. — Sabe, eu queria saber se nesse final de semana você não quer ir a Hogsmead comigo?
— Claro, eu adoraria. — Ela corou, os dois se despediram e foram para sua roda de amigos.
— Scar, você é superinteligente, mas quando se trata em conversar com meninos você é horrível. — Gina ria, enquanto observava a amiga bater a cabeça na madeira da mesa.
— Como você consegue, Ruddy? Faz parecer tão fácil. — Ela encarava a mais nova com uma marca vermelha na testa por conta das batidas.
— Nem eu sei. Venha, vamos planejar a roupa que você vai vestir. Você vai ter um encontro com o Cedric, não é um avanço? — As duas andavam animadas até a comunal da Corvinal.
— Não vai junto, Hermione? — Ron dizia, enquanto observava as duas no final do corredor.
— Nem pensar. A última vez que fui ajudar alguma das duas a escolher roupas para encontros, elas tornaram aquilo uma competição e ficaram disputando qual roupa era a melhor e eu tinha que decidir. Foi uma confusão — Hermione declarou, fazendo os amigos rirem da situação.
No jantar, todos estavam ansiosos para a escolha dos campeões. Scarlett tinha certeza de que Cedric seria o escolhido de Hogswarts, ele era o melhor do seu ano. Dumbledore começou a anunciar novamente as regras, para lembrete de todos. O campeão de Durmstrang seria Victor Krum, e de Beauxbatons, Fleur Delacour. Scarlett se animou ao ver que sua nova amiga iria participar. Só faltava o campeão de Hogwarts.
— E o campeão de Hogwarts é Cedric Diggory — Dumbledore falava, enquanto ouvia gritos das mesas, principalmente da dos Lufanos.
Cedric sorriu e foi em direção ao professor Dumbledore. Ao passar por ela, piscou e sussurrou algo, porém Scarlett não conseguiu ouvir por conta dos barulhos que os colegas faziam.
Estava tudo acabando, quando mais um nome saiu do cálice, revelando ser Harry Potter e deixando-os espantados com a atitude do menino, principalmente por ele ser menor de idade e como dois nomes de Hogwarts saíram do cálice.


Capítulo 5

4ºano (Parte 2)

Alguns dias se passaram e a prova seria na manhã seguinte. Scarlett estava passando pelo salão, quando viu Harry. Ele estava solitário na mesa do café, irritado com algumas atitudes dos seus colegas.
— Olá, Harry. Por que a cara de emburrado?
— Talvez porque ninguém acredita em mim — Harry bufava irritado.
— Bom, eu não sei sobre os outros, mas eu acredito em você. Isso porque só sendo bem idiota e burro para desrespeitar as regras do Dumbledore e colocar seu nome no cálice. Mas não conta isso para os gêmeos, eles surtariam se ouvissem isso.
— Claro. Estava indo falar com o Cedric, quer aproveitar a oportunidade? — Harry a encarou maliciosamente
— Atrevido! Eu só vou para lhe fazer companhia. — Eles riram e caminharam à procura de Cedric.
Ao caminharem até os corredores, viram os alunos usando botons, a princípio torcendo para Cedric, mas depois se transformavam em um insulto ao Harry, o que o deixou claramente irritado, mas seria orgulhoso e não iria falar nada. Ao chegar perto da rodinha onde estava Diggory, todos começaram a zoar o Potter. Ele não ligou e apenas puxou o lufano para longe para conversar.
— Eu pensava que você, sendo a garota do Diggory, iria torcer para ele — o amigo de Diggory acusava a Corvina.
— Ah, meu pai. Agora devo explicações da minha atitude para um zé ninguém. — Scarlett estava sem um pingo de paciência. Por ela, já teria arrancado cada boton no tapa, mas Harry a impediu. — Não é porque eu não uso este boton imaturo e idiota que sou contra Cedric. Aliás, Harry é meu amigo também!
— Desculpa por isso, Scar. Espero que isso não afete nosso encontro depois da prova. — O mais velho a puxava para longe do grupinho, sorrindo tímido. — Eu vou ficar animado em comemorar com a sua companhia.
— Óbvio que irei, já que, de acordo com seus amigos, a sua garota deve torcer para você. — Scarlett sorriu, vendo o Lufano ficar vermelho, já que percebeu que provavelmente ele não parava de falar da Corvina. — Não se preocupe, eu gostei de ser chamada assim, mas acho que poderíamos ir devagar, né? Senão seus amigos nos casam amanhã.
Diggory sorriu e concordou, afirmando que iria falar para os amigos se acalmarem que o casamento só seria depois da formatura dos dois, fazendo-os caírem na risada pela brincadeira. Estavam animados com a conversa, até verem uma confusão com o professor Moody e uma doninha?
Scarlett e Cedric correram para a confusão, como ótimos curiosos que são. Ao chegarem, viram Alastor sacudindo a doninha feito doido. Scarlett, não suportando aquele maltrato com o bichinho, correu e o pegou, o abraçando e protegendo, podia ver que o coração do pobrezinho estava acelerado.
— Mas que palhaçada é essa, Moody? Você não era assim. O que está acontecendo com você? — Ela o encarava e ele fazia caretas, algo que Scarlett estranhou, já que Moody não tinha tiques.
A professora Minerva apareceu, perguntando a situação. Os alunos explicaram que a doninha, até então calma nos braços de Scarlett, seria o Draco. A garota e Minerva ficaram surpresas e a professora brigou com Moody, dizendo que ele não poderia transformar alunos em forma de castigo. Foi então que Moody transformou Draco de volta a humano, não a tempo de a corvina colocá-lo no chão, fazendo Malfoy cair em cima da Bennett.
Os dois se encararam por alguns instantes, até sentirem o puxão de Cedric, levantando Scarlett e vendo se ela estava bem. Malfoy, já de pé e ainda estático, olhou para a garota, ficou vermelho e gritou, dizendo que o pai saberia daquela situação.
— Você está bem, Scar? — Cedric analisava seu rosto para ver qualquer machucado.
— Estou sim, nenhum machucado. Só foi um susto, obrigada. Nos vemos amanhã então, campeão? — Ela sorriu, se afastando e indo para sua aula.
A manhã da primeira prova havia chegado. Scarlett ficou animada ao ver que seriam Dragões, ela amava dragões. Charles, irmão mais velho de Fred e Jorge, trabalhava com eles e todo Natal que passavam juntos a garota ficava horas conversando com ele sobre as criaturas mal compreendidas.
— Bilius, eu não acredito que você sabia e não me contou. Eu queria ver de perto — Scarlett brigava com o amigo, ficando emburrada. Olhou para os lados e viu os gêmeos com apostas. — Eu aposto no Cedric.
— Fred, você viu? Ela já está torcendo e apostando pelo seu amado. — George sorria, pegando o galeão das mãos da amiga.
— George, nossa amiga é uma romântica das antigas. Aposto que ficará aflita quando começar. — Scarlett revirou os olhos com os amigos zombando dela, mas não discordou, pois sabia que era verdade, em partes. — Só não espero ser abandonado e deixado de lado.
A mais nova iria retrucar, mas a prova havia começado e Cedric seria o primeiro. A garota ficou aflita com a situação, mas também maravilhada com o dragão Focinho-Curto, era a criatura que raramente entrava em contato com os seres humanos, portanto era a que menos tinha o número de mortes, comparada aos outros dragões. Entretanto, aquele fato não o tornava menos letal, o Focinho-Curto era uma das mais perigosas, devido ao seu voo ágil e ao fogo extremamente quente. O Focinho-Curto tendia a ser menos ágil no chão, por causa de sua falta de membros da frente.
Mas aquele medo não durou muito, já que Cedric, poucos minutos após o começo da prova, conseguiu pegar seu ovo, deixando a multidão amarela animada com a conquista tão eficaz do campeão. Para Scarlett, os outros concorrentes foram eficazes também em suas conquistas, mas não tão incríveis como Cedric. Naquele momento, faltava apenas Harry. Ao observar o dragão dele, um arrepio tomou conta dela.
— Rabo-Córneo Húngaro. — Scarlett se espantava ao olhar para o dragão, em total choque. — Hogwarts só pode ser louca de colocar esse tipo de dragão na competição.
— Como se os outros fossem mansinhos. Qual a diferença dele, Phoenix? — Fred perguntava.
— Meu caro Fred, ele é o dragão mais perigoso. Ele é irracional, não tem um cardápio refinado, além de ter um ótimo espírito de caçador. Creio que essas correntes não vão prendê-lo por muito tempo, já que ele possui uma força indescritível — enquanto a garota falava animada sobre o dragão, a corrente da fera se quebrou, espantando a todos, já que agora ele estava livre para atacar qualquer um.
O clima estava tenso, já havia se passado algum tempo desde que Harry voou com o dragão em sua cola pelos arredores de Hogwarts. Antes mesmo de Dumbledore fazer algo, Harry apareceu e conseguiu pegar o ovo, concluindo sua prova.
Scarlett correu para a tenda onde estavam os campeões. Chegando lá, viu Harry, o parabenizou e correu em direção a Cedric para falar com ele. Rita apareceu, tirou uma foto dos dois abraçados e sorriu.
— Parece que Hogwarts está na época da primavera, amor juvenil até aquece meu coração. Qual o seu nome, jovem? Há quanto tempo estão juntos? Desmaiou quando viu seu namorado perto da morte? — Rita perguntava freneticamente, deixando os dois inquietos.
— Não acho apropriado você encurralar alunos dessa forma. É repugnante até para alguém como a senhora. Com licença, mas vamos nos retirar, não queremos ser malvistos pelas pessoas estando próximos de você. — Scarlett saiu, puxando a mão de Cedric para longe da jornalista. Ela nem percebeu que ainda segurava a mão do mais velho quando pararam em um lugar afastado.
— Se todas as vezes que você colocar Rita no seu devido lugar precisar segurar minha mão, acho que não vou reclamar — Cedric dizia, rindo. Scarlett tentou soltar a mão, mas ele a segurou novamente. — Não, por favor, eu gosto dessa sensação. Vamos, eu te levo até sua comunal. Nos encontramos no portão para ir a Hogsmead?
E assim os jovens foram até a porta da comunal da Corvinal de mãos dadas e conversando animados com a primeira prova. O garoto estava ainda com a adrenalina no corpo, dizendo que a experiência era imbatível, ele nunca se sentiu daquela maneira. Enquanto a garota se animava, falando novamente do dragão, e isso para ele tornava sua companheira ainda mais especial, por ser uma caixinha de surpresas e conseguir conversar dos mais diversos assuntos.
— Entregue, senhorita Bennett. Te encontro no portão então?
— Claro, senhor Diggory. Estarei pontualmente no local determinado. — Os dois sorriram e Scarlett entrou em sua comunal.
A menina terminou de se arrumar, decidiu que iria com a roupa escolhida por Gina, já que era confortável e ao mesmo tempo acentuava a sua beleza. Usava um vestido florido com o fundo escuro e um cinto marcando a cintura, ele era 5cm acima dos joelhos e deixava a parte dos ombros e colo aparecendo. Seus cabelos estavam soltos e ondulados. Scarlett optou em não usar maquiagem, então correu para calçar suas sandálias e ir ao portão.
Ao chegar, pôde encontrar Cedric impecável, olhando para o corredor que a jovem vinha. Sorriu ao notá-la. O garoto usava calça social e uma camisa preta da mesma cor que a calça. Seus cabelos jogados de forma bagunçada.
— Desculpa, estou atrasada. — Scarlett chegava perto do mais velho.
— Não se preocupe, cheguei a pouco também. Vamos? — Ele estendeu seu braço para que Scarlett pudesse se apoiar, o que a garota fez prontamente.
Chegando a Hogsmead, eles passearam e olharam algumas lojas, até decidirem terminar seu dia tomando cerveja amanteigada. Os dois conversavam sobre tudo, perceberam que tinham muitas coisas em comum. Para os dois, a companhia um do outro era realmente agradável e para ambos estava claro o sentimento que estava se aflorando.
Scarlett estava na sala de estudos da comunal, quando o monitor chefe avisou que era para todos irem à aula de dança que a professora Minerva iria realizar com a Grifinória. A jovem se animou em poder estar na companhia dos grifinórios, já que havia chegado tarde do encontro.
Chegando à sala onde seria passada a aula, conseguiu ver os amigos sentados em um grupo, mas logo que entrou a professora dividiu as turmas, meninas de um lado e meninos do outro. A corvina se sentou ao lado das suas amigas que já estavam lá.
— Anda, senta e nos conte como foi o encontro de vocês. — Gina puxava a amiga para se sentar ao lado dela, fazendo as quatro rirem.
— Foi inesquecível. Ced é um cavalheiro, super educado e muito divertido. Ele gostaria de se tornar um Auror, como eu, temos muitas coisas em comum — Scarlett se empolgava ao falar do encontro para as amigas. — Ele me deixou na porta da comunal e me deu um beijo no rosto.
— No rosto? Eu não sei se fico encantada ou chateada — Gina falava, enquanto se debruçava nas pernas.
— Hora, Gina, foi romântico. Ele aparentemente não quis apressar as coisas — Hermione defendia o garoto.
— Também achei promissor o comportamento de Diggory, não fazem mais rapazes assim ultimamente — Luna falava, enquanto prestava atenção em Rony dançando com Minerva. — Acho que Rony não está confortável com a companhia de professora Minerva para uma dança.
As meninas olharam em direção ao Rony e depois aos meninos e começaram a rir da situação do pobre garoto e como seus amigos estavam zombando dele e não o fariam esquecer sobre aquele episódio.
Ao sair para o jantar, a jovem Bennett decidiu jantar com os amigos grifinórios. Estavam chegando até a mesa, quando sentiu sua mão sendo segurada. Olhou para trás e viu Cedric sorrindo.
— Posso falar com você rapidinho? — O mais velho parecia um pouco nervoso.
— Claro! — Caminharam até a porta do salão principal e pararam lá.
— Gostaria de saber se você já tem companhia para o baile. — Cedric encarava a menina esperançoso e ela, nervosa, balançou a cabeça negativamente. — Então você aceita ir ao baile comigo?
— Sim, seria uma honra ser seu par, Ced. — A garota corou.
— Então eu te encontro na sua porta da comunal para irmos juntos. Bom, vou te deixar jantar. Boa noite, Scar. — O Cedric se afastou, mas retornou, deixando um singelo beijo na testa da garota.
Ao chegar à mesa de seus amigos, viu o grupo todo disfarçando a mudança de algum assunto. Scarlett sabia exatamente que estavam falando sobre ela, já que eles nem a encaravam quando ela se sentou.
— Ok, falem logo.
— Ele te chamou para o baile, não é verdade? — Hermione encarava a amiga.
— Sim.
— E você aceitou? — George perguntou um pouco enciumado, mas feliz pela amiga.
— Sim.
— Estou tão feliz por você, Scar. Já pediu para sua mãe um vestido? — Gina perguntava animada, a morena confirmou com a cabeça. — Posso ver?
— Claro. Aliás, eu tenho um presente para você e para Ron, então vamos ao meu quarto mais tarde. — Scarlett sorria animada para a mais nova, depois olhou em direção aos gêmeos — Aliás, Doppelgangers, já têm pares para o baile?
— Claro — ambos responderam juntos.
— Você tomou coragem para chamar a Angelina? — Scar se animava perguntando para Fred.
— Claro que sim, foi muito fácil — Fred se gabava.
— Tão fácil que ficou se tremendo depois que ela aceitou. Parecia um pinscher de tanta felicidade — George zombava do irmão.
E chegou o tão esperado baile. Scarlett chamou Gina, Hermione e Luna para se arrumarem juntas para o Baile. A jovem estava deslumbrante, o vestido na cor azul marinho, solto, com alças finas, onde na parte superior mostrava apenas a clavícula e os ombros. Já na parte inferior do vestido, havia também uma fenda até a metade de sua coxa esquerda. Optou em usar um scarpin com pedras cintilantes prateadas. Sua maquiagem era leve, mas os lábios eram chamativos por estarem na tonalidade vermelha. Scarlet escolheu não usar muitas joias, optou apenas pelo medalhão que esteve com ela desde criança.
As meninas estavam todas elegantes, Gina com o vestido florido que Scarlett havia lhe dado, ele realçava suas curvas e deixava a mais nova com um ar mais doce. Estavam prontas, foram descendo para encontrar seus pares e lá estavam eles na porta da comunal da Corvinal. Cedric se destacava, realmente magnífico na opinião não só de Scarlett, mas das meninas à sua volta.
Ao se aproximar, o garoto, que estava cumprimentando cordialmente as corvinas assanhadas, lançou seus olhares à garota que seria seu par. Ali, o tempo dele congelou. Cedric sentia seu coração palpitar, era a primeira vez que sentia uma ansiedade e nervosismo nessa situação. Ele então sorriu e sentiu um certo orgulho de si por estar na companhia de uma jovem que possuía não só uma beleza avassaladora, mas sua inteligência e personalidade era o que brilhavam mais.
Cedric se aproximou e fez uma reverência como se estivesse na presença de uma realeza. No coração dele, ele se sentia assim. A corvina que ele conviveu poucos dias já cativava e comandava seu coração, e ele estava disposto a tornar aquilo oficial após o torneio.
— Nunca pensei que eu seria tão sortudo assim. — Cedric se aproximou e beijou sua testa. — Você está deslumbrante, Scarlett, a dama mais linda desse baile.
— E você viu todas as meninas para saber que sou a mais linda? — Scarlett zombava, enquanto caminhavam até o baile.
— Não preciso de provas para esse fato, apenas um louco discordaria dessa afirmação. — Ao chegar, Scarlett pôde perceber os olhares e sussurros sobre ela. — Acho que isso comprova o que estou dizendo.
Os campeões deveriam formar uma fila para a entrada e começo da festa. Scarlett estava nervosa, mas se acalmou ao sentir a mão de Cedric puxando a sua e apoiando no braço do rapaz. Eles caminharam até o meio do salão e então a música da dança dos campeões começou, os dois dançavam e se divertiam ao mesmo tempo.
A festa já estava rolando há um bom tempo. Os pés da corvina e do lufano já não aguentavam de tanto que dançavam na companhia de Fleur, Krum e Hermione. Os cinco se divertiram a noite toda. Foi quando tudo mudou e se transformou em tempestade. Ron estava com sua cara emburrada, sentado ao lado de Harry e seus pares, as gêmeas.
— O que foi, Rony? Você está lindo nesse traje, não vai se divertir ao lado de sua companhia? — Scarlett se aproximava e se sentava próxima aos amigos.
— Só estou desanimado, Scar. Obrigado pelo traje, ele é realmente incrível, bem melhor do que aquelas vestes velhas. — Eles riam, tentando aliviar a pressão.
— Então qual o problema, Bilius? — Ron franziu a testa, demonstrando que estava bravo por chamá-lo assim na frente dos outros.
— Hermione está confraternizando com o inimigo. — Ron fazia um bico enorme. Scarlett já percebia a grande paixão que os dois amigos sentiam um pelo outro, mas a teimosia e orgulho grifinório os atrasava e ambos não resolviam aquilo logo.
— Ora, Rony, mas o torneio é justamente para confraternizar com outras escolas, ampliar seus horizontes, dividir experiências e culturas diferentes. — Scarlett tentava amenizar a situação.
— Eu imagino o que ela deva estar dividindo com ele — Ron soltou.
— Olha, Ronald, o que Hermione deve ou não estar fazendo não te diz respeito. Por um acaso é namorado dela? — Scarlett já se estressava.
— Sou amigo dela — Ron se defendeu, vermelho.
— Exatamente, amigo, portanto não tem direito de ficar nervoso ou irritado com quem Hermione está. Se é tão incômodo, chamasse ela primeiro, mas é teimoso e covarde em relação ao coração que não percebe o que sente. Passar bem! — Scarlett se levantou e saiu de lá.
Scarlett saiu tão irritada com Ron que nem percebeu que havia deixado sua companhia para trás. Tornou a se acalmar quando sentiu braços em volta do seu pescoço, a abraçando, e um beijo no topo da sua cabeça. Olhou para trás e viu o garoto de cabelos castanhos sorrindo e acariciando seus cabelos, tentando acalmar a mais nova.
— Desculpe por aquilo, eu me estressei com o Ron, ele não percebe que gosta dela e fica a tratando daquele jeito. — Scarlett voltava a olhar para o céu estrelado.
— Não se preocupe, seu lado defensor e sincero sempre me cativou. E Ronald não deve perceber porque ele não imagina como é o amor, talvez nunca tenha se relacionado para diferenciar amor de amizade — Cedric falava, enquanto tirava alguns fios rebeldes da bochecha da garota. — Aliás, até para mim é difícil falar sobre sentimentos.
— Como pode? O jovem Diggory, prodígio da Lufa-Lufa, não consegue falar de sentimentos?
— Vamos, não zombe de mim, quero falar mais sobre meus sentimentos para você, Scar, mas vou esperar até o final do torneio, onde tudo estará mais calmo. — Ele sorria. — Vamos, te levo até sua comunal.
A garota corvina não podia estar mais feliz. Sua noite, tirando o momento inoportuno com seu amigo Ron, foi uma das mais inesquecíveis. Scarlett queria guardar cada momento, toque, olhares e conversas que foram trocadas com o Lufano, ela nunca se sentia tão atraída por alguém como se sentia por Cedric. Ela podia perceber o sentimento que crescia em seu coração e isso a aquecia de alguma maneira.
Após o dia inesquecível do baile, a garota estava passando seu fim de tarde estudando, já que teria prova dali alguns dias. Foi quando viu Alastor a chamar para ir falar com Barto sobre algo relacionado à 2ª prova. O que ela não imaginava era que iria ser “refém”, e que Cedric iria ter que salvá-la por ser alguém importante para o Lufano. Mesmo feliz com o fato, ficou ansiosa de tomar uma poção que faria ela ficar desacordada debaixo d’agua, mesmo Barto afirmando que era totalmente seguro.
A prova já havia começado e os gêmeos estavam preocupados, pois não encontraram Scarlett em nenhum lugar. Claro que ela passava algumas tardes com o Diggory, mas não esquecia deles, e tinha combinado de assistir a segunda prova com os dois. Então o motivo do sumiço estava os preocupando, principalmente quando souberam que ela estava naquele lago desacordada.
A prova deu início e os campeões foram para dentro da água. Um tempo se passou, e Cedric conseguiu localizar Scarlett rapidamente. Ele ficou espantado quando viu a menina desacordada, mas foi rápido em desamarrá-la e subir para que eles não ficassem mais tempo debaixo d’água.
Ao chegar à superfície, Scarlett despertou assustada, mas ficou tranquila vendo que Cedric havia conseguido a salvar. O garoto a segurava ainda, a protegendo e levando até a borda. Os dois subiram no píer sem dificuldades e foram colocadas toalhas para se aquecerem. Os dois sorriam um para o outro, de mãos dadas. Mesmo após o pânico de estar dentro do lago, aquilo não abalou os ânimos de estarem um perto do outro.
Os gêmeos correram e abraçaram sua adorável amiga. Eles não sabiam como Scarlett tinha o grande talento de preocupar os dois, cogitaram até colocar em um pote enfeitiçado e protegido para que ela nunca se machuque.
— Scarlett, você está bem? — Fred a analisava de cima a baixo para ver se possuía algum machucado.
— Poxa, Phoenix, vamos ter que mudar seu apelido para little mermaid — George zombava para quebrar o clima de preocupação após ver que a amiga estava bem.
— Estou bem, meninos, obrigada pela preocupação.
— É, não deveríamos nos preocupar, o cavaleiro de armadura amarela veio ao seu resgate — Fred zombava com uma pitada de ciúmes.
— Cavaleiro eu não sei, mas que foi meu salvador, isso eu posso afirmar. Obrigada, Ced. — Scarlett sorria para o Lufano, que estava com seus cabelos bagunçados.
— Não foi nada, era o mínimo que eu deveria fazer, já que foi por minha culpa que você foi parar no lago.
— Não vejo isso como um problema, já que a prova era resgatar alguém que fosse importante para você, então isso me anima de certo modo. — Scarlett corou.
— Não preciso de uma prova para mostrar que é importante, Scar.
— Acho que vou vomitar, Fred, esses dois são melosos demais — George zombava. — Venha, George, vamos nos afastar, vai que isso pega. Vamos zombar o Harry e sua fibra moral.
Os dois riram da cena que os gêmeos faziam enquanto se afastava para zombar de Harry. Ficaram tímidos, mas não se desgrudavam por um minuto. Cedric acompanhou a garota até sua comunal para ela se arrumar. Todos que passavam pelos dois sorriam ao ver o futuro casal que se formava. Aos olhos de todos, eram perfeitos um para outro.
Enfim a última prova havia chegado, o que estava deixando a garota aflita, com o coração apertado. Ela não sabia o motivo, mas isso só aumentava. Ela se sentou ao lado dos Weasley e do senhor Diggory, estavam todos animados. O pai de Cedric havia a conhecido na primeira prova e ele amou a ideia de seu filho ter um relacionamento com a jovem Bennett, além de ser muito bela e ter uma inteligência e talento para a magia incrível, tinha uma família muito bem estruturada.
— Scar, venha aqui um momento. — Cedric apareceu ao seu lado antes da prova dar início. — Eu sei que disse que iria te falar sobre meus sentimentos e nosso futuro só depois do torneio, mas sinto que devo falar agora. Scar, eu gosto de você, pode parecer precipitado, pois nos conhecemos há pouco tempo, mas nesse tempo que passamos juntos foi o suficiente para nutrir esse sentimento. Você é uma garota incrível em todos os quesitos e eu vou me sentir honrado de ser seu namorado. Isso, claro, se você me permitir — Cedric se embolava nas palavras pela primeira vez.
— Ced, eu... — Ela iria terminar a frase, mas Dumbledore chamava todos os campeões à frente.
— Tudo bem, você me responde depois que isso acabar, prometo voltar. — Cedric sorria e beijava sua testa. — Até daqui a pouco, Scar.
Ao se afastar, Scar sentiu um aperto maior. Ela queria que o seu amado ficasse, desistisse da prova. Ela sentia, parecia que algo falava para ela parar o garoto, mas ela não conseguia se mexer, congelada no tempo, vendo-o se afastar cada vez mais.
Já havia passado um bom tempo desde o início da prova, ninguém conseguia comentar ou conversar sobre algo com a garota de tão nervosa que ela estava. Até ela sentir uma dor forte no coração e sua garganta fechar. Ela não podia mais sentir o ar entrando em seus pulmões, sua ansiedade e medo a atormentavam e ela não fazia ideia do que estava acontecendo com ela.
O som da música indicando o grande campeão havia começado a soar. Scarlett viu Harry e Ced saírem do portal. A princípio, a garota sorriu, pois ele havia cumprido sua promessa, mas, ao analisar o desespero de seu amigo em cima do corpo do Lufano, nesse momento, seu mundo desabou. Cedric Diggory estava morto.
Fred e George correram para abraçar a amiga, que estava tentando correr para ver o corpo. Ela gritava e soluçava. Para ela aquilo era um erro, Cedric não poderia estar morto, ele era jovem, brilhante, tinha o mundo para conquistar. Não era justo, ela não o havia dado a resposta, o Lufano se foi sem saber que a garota o amava, suas histórias, que até então, aos olhos de todos, eram perfeitos um para o outro, foram interrompidas pelo destino.
Os gêmeos tiveram que levá-la para ala hospitalar após um desmaio. Os amigos estavam frustrados com o fim que o casal levou. Mesmo enciumados com a aproximação do Lufano com a amiga, eles sabiam que os dois eram bons um para o outro. Por isso, o coração deles se apertava ainda mais por toda aquela situação.
No dia seguinte, Dumbledore começou o seu fatídico discurso sobre o jovem Cedric que se foi, um amigo amável e um aluno exemplar. Foi então que, no final, ele relatou que o verdadeiro causador de sua morte era Lord Voldemort, e que ele havia voltado.
Foi então que o coração de Scarlett estremeceu de medo e ela percebeu que, por algum motivo, antes de Harry aparecer, o desespero que ela sentia era por causa da volta de você-sabe-quem.
Era a despedida das escolas visitantes e Scarlett, mesmo abatida, resolveu dar adeus às suas novas amizades. Falou rápido com Krum, dizendo que torceria para o garoto no próximo jogo da Bulgária, depois se despediu de Fleur e Gabrielle e as duas francesas a convidaram a passar alguns dias em sua casa, prometendo fazer um tour por toda a França. Após as despedidas, se aproximou dos gêmeos e os abraçou.
— Eu nem sei o que faria sem vocês dois, obrigada por estarem comigo. Pode vir qualquer dificuldade, venceremos lado a lado — Scarlett dizia, enquanto ainda estava abraçada aos dois.
Os três sabiam que os dias só ficariam mais sombrios, já que você-sabe-quem havia retornado, mas, para os três amigos, poderia ser qualquer um, eles iriam enfrentar aquele problema juntos.


Capítulo 6 — Laços

5º ano

Scarlett passou suas férias no quarto. Ela não conseguia dormir, a angústia de não ter falado com Cedric, seu coração estava despedaçado, ela se sentia fraca, inútil por não poder fazer nada para impedir que ele fosse morto. Os pais da menina já não sabiam mais o que fazer, era muito sofrimento para uma jovem com menos de 15 anos passar. Foi quando receberam uma carta dos Weasley, chamando-os para uma reunião com a Ordem.
Elizabeth entrou no quarto de sua filha com o coração dolorido de vê-la assim, eles precisavam trazer o raio de sol deles de volta, não aguentavam mais assisti-la sofrendo e se martirizando por algo que não poderia ajudar.
— Minha filha, já está pronta? Vamos passar os últimos dias de férias na Ordem, Molly nos chamou. — Elizabeth se aproximava da cama da mais nova, se sentando próximo à filha.
— Já estou pronta, só me deitei um pouco porque estava cansada. — Elizabeth sabia que era mentira, a verdade era que a garota não via mais ânimo de levantar-se.
— Entendo, meu raio de sol, mas se levante, seu pai está esperando do lado de fora, junto ao Salem. — Elizabeth se levantou e caminhou até a porta, esperando sua filha.
Scarlett saiu da cama, por fim, e as duas foram até a porta onde estava seu pai. O caminho até o endereço da sede foi bem tranquilo e Salem permanecia todo o trajeto com a garota. Dizem que gatos são sensíveis à atmosfera e aos sentimentos ao seu redor, por isso percebem quando o clima não está bom. Na visão do gato, estar com Scarlett naquele momento iria a proteger e aliviar qualquer sentimento negativo.
Ao chegar, pôde ouvir risadas e conversas altas. Scarlett automaticamente sorriu. Naquele ambiente, por mais obscuro que fosse, ela se sentia bem na companhia das pessoas que tanto amava. De repente, os gêmeos aparatam na sua frente.
— Eu disse, George. Eu sinto a presença da nossa adorável Phoenix a quilômetros. — Fred a puxava para um abraço forte, tirando seus pés do chão.
— Fred, desse jeito vai sufocá-la, deixe um pouco para mim. — George puxava a amiga dos braços do irmão e, em um abraço, a girava, fazendo os três rirem sem parar. — Olá, senhor e senhora Bennett, como vão?
— Estamos ótimos, meninos, melhores agora de ver nossa garota sorrindo. Obrigada. — Ethan abraçava os dois ao mesmo tempo.
— Ao seu dispor — os gêmeos falaram ao mesmo tempo, retribuindo o abraço forte.
— Meninos, que saudades, cadê meu abraço? — Elizabeth se aproximava dos garotos e sussurrava apenas para eles. — Cuidem da nossa garota, só vocês conseguem trazer o sorriso para ela.
Os dois bateram continência, como se estivessem recebendo uma ordem de um superior, e já puxaram a garota, colocando-a em seus ombros. Os três riam em direção à cozinha da mansão.
Ao chegarem ao ambiente, Scarlett viu muitos rostos e cumprimentou a todos. Parecia que o coração dela podia ser reconstruído, enfim poderia sorrir. No fundo, viu o professor Lupin e Sirius. A garota caminhou calmamente ao encontro dos dois para cumprimentá-los.
— Olá, professor Lupin. É muito bom poder revê-lo. — Ela abraçava o querido professor. — Tem tomado a poção que lhe enviei? Uma amiga brasileira que me passou, ela tem um amigo lobisomem também.
— É bom te rever também, Scarlett, e muito obrigada pela poção. Graças a ela, minhas luas cheias se tornaram suportáveis e os ingredientes são mais fáceis e acessíveis do que a poção Acônito. — Remus sorriu para a jovem e olhou em direção ao amigo, que a olhava vidrado. — Sirius, essa é a Scarlett, a aluna brilhante com alma de marota. Ela e os gêmeos dão mais trabalho a Minerva do que nós.
— Olá, senhor Black, é um prazer conhecê-lo. — Sirius arregalou os olhos, surpreso com a educação e por ser chamado de senhor, se matando de rir em seguida.
— Por favor, apenas Sirius. É um prazer conhecê-la. Se bem que sinto que já nos encontramos em algum lugar. — O mais velho voltou a analisar o rosto da jovem, procurando por alguma resposta. — Juro que se eu fosse alguns anos mais novo, você roubaria meu coração muito fácil.
— Sirius Black, tenha modos. A Scar tem apenas 15 anos, seu cachorro pulguento. — Remus batia na cabeça do amigo.
— A verdade é que tenho 14 anos ainda, faço 15 apenas em fevereiro. — Ela ria, enquanto via Remus puxar a orelha do amigo.
— E mesmo que você fosse mais novo, não deixaríamos roubar nossa Phoenix da gente. — Fred aparecia e abraçava a amiga de forma protetora.
— Phoenix? Por que esse apelido? — Sirius perguntou. Remus também prestou atenção, já que ele também estava curioso sobre o motivo do nome.
— Quando éramos pequenos, ouvimos a conversa dos nossos pais com os pais da Scar. Eles falaram que ela apareceu como uma Phoenix em suas vidas quando eles mais precisavam. Não entendemos muito bem, mas desde então chamamos ela assim.
Os pais de Scarlett e os Weasley mais velhos, ao ouvirem a conversa, ficaram pálidos, eles não imaginavam que os gêmeos tivessem ouvido a conversa deles e principalmente lembrassem disso, mas se sentiram aliviados por não lembrarem dos detalhes. Scarlett estranhou um pouco a reação dos pais, mas decidiu ignorar. Subiu com suas coisas para o quarto, iria estudar um pouco os livros antigos que havia conseguido sobre a magia temporal.
Passou a tarde toda estudando. Quanto mais lia, mais confuso ficava. O livro que estava lendo era sobre Merlin e seus descendentes. Eles controlavam o tempo, eram conhecidos como os protetores do tempo e destino, mas os últimos descendentes foram mortos por Lord Voldemort, anos atrás, por não aceitarem se juntar a ele na guerra.
A jovem estava tão focada que não percebeu que sua dupla favorita havia aparatado ao seu lado e ficou observando a amiga estudar. Para eles, Scarlett era muito importante, era uma peça que faltava, e não pensariam duas vezes em a proteger ou darem suas vidas por ela.
Os gêmeos puxaram o livro da amiga, chamando a atenção dela agora para os garotos à sua frente. Os dois faziam poses intelectuais, enquanto tentavam ler o livro. A mais nova ria da atitude dos amigos, enquanto se levantava e tentava pegá-lo de volta.
— Vamos, meninos, me devolvam, estou estudando. — Scarlett pulava, tentando pegar o livro.
— Sem chance, Scar, estamos de férias, precisamos focar sua inteligência em outras coisas. — George a puxava para se sentar. — Como os novos produtos da nossa loja, sócia.
— Ok, vamos lá. O que vocês pensaram? Vamos falar de negócios, Doppelgangers.
E assim foi o final da tarde do trio, conversando sobre os produtos e até algumas novas pegadinhas para o ano, já que seria o último ano dos meninos.
Estava sendo tranquilo, quando Scarlett ouviu a voz de Harry no andar de baixo, então foram correndo receber o amigo. Quando estava descendo, ela viu um elfo doméstico resmungando e tentando limpar os retratos que havia na parede.
— Precisa de ajuda? — Scarlett se aproximou. — Olá, me chamo Scarlett.
— Sei quem é você, senhorita, faz tempo que não a vejo andando pelos corredores dos Black. Minha patroa ficaria enojada em saber que você anda com traidores do sangue e nascidos-trouxas.
Scarlett iria perguntar do que o Elfo estava falando, mas ouviu gritos no quarto dos meninos e foi correndo saber. Quando entrou, Harry estava desabafando irritado sobre não ter recebido nenhum tipo de carta ou notícia dos amigos, que ele quem viu Cedric ser morto por Voldemort. Ao citar o nome do Lufano, Scarlett despertou dessa realidade feliz que estava vivendo, voltando para a bolha depressiva, já que ela não se perdoava em estar feliz enquanto Ced estava morto.
Os gêmeos aparataram ao lado da menina, a abraçando e fazendo o trio perceber a presença da amiga. Harry se arrependeu de ter citado o amigo, já que sabia do envolvimento que os dois estavam tendo. Para aliviar a tensão, os gêmeos perguntaram se eles não queriam ouvir a reunião.
Com o projeto novo em mãos, eles foram descendo um fio para que chegasse até a porta da reunião, isso se o Bichento e o Salem, gatos de Hermione e Scarlett, não tivessem estragado e arrancado a orelha do fio.
— Sabe, eu vivo em um relacionamento de amor e ódio com o Salem — Fred dizia.
— Qual é, Fred, ele tem o espírito arteiro, nosso bichinho favorito. — George ria, enquanto desciam as escadas, pegando a orelha dos gatos.
Próximo à hora do jantar, os jovens estavam reunidos, conversando sobre diversos assuntos. Foi então que Molly apareceu na porta, avisando que a janta seria servida, e, claro, para irritá-la, Fred e George aparataram do lado dela, a assustando.
Scarlett se sentou do lado de Gina e Tonks. As três riam das transformações que Tonks fazia, ela era muito divertida. A conversa estava suave, quando Sirius e Moody começaram a atualizar Harry do mundo bruxo, dizendo que o ministério não acreditava nele e no Dumbledore, fazendo-o se irritar novamente. Sirius tentou explicar melhor, mas foi impedido por Molly.
Na plataforma 9 ¾, os gêmeos e Scarlett procuraram um vagão para viajarem tranquilos, encontraram Lino e ficaram sentados aproveitando a viagem juntos. Scarlett não podia negar que voltar para Hogwarts estava a deixando assustada, não queria ter que olhar os corredores e muito menos ver a casa dos lufanos.
— Com licença, Scarlett, vamos para a reunião? — Antonio Goldstein, companheiro de casa da corvina, abriu a porta do vagão, a chamando.
— Que reunião? — Lino perguntava curioso.
— Caro, Lino Jordan, nossa amável amiga se juntou aos inimigos — George dramatizava, olhando para a janela.
— Não comecem, vocês dois. — Scarlett ria, enquanto ia em direção à porta. — Tratem isso como uma agente dupla. — Os quatro se mataram de rir, até Antonio, que estava avoado da situação, acabou rindo com a fala da colega.
A reunião foi mais um esclarecimento sobre as tarefas de cada monitor, locais de cada patrulha. Ron e Hermione ficaram surpresos que Draco Malfoy e Pansy Parkinson eram monitores da Sonserina, algo que não surpreendeu a corvina. Por mais que Draco fosse irritante e a provocasse, o garoto possuía uma inteligência invejável. Scarlett adoraria dividir conhecimentos com ele, se ele não fosse Draco Malfoy.
Ao sair da plataforma, encontrou com os gêmeos e Lino. Estavam indo para as carruagens, quando ouviram uma confusão atrás deles, era Draco e seus lacaios, estavam incomodando o trio novamente. Passaram por Scarlett e os gêmeos, Blaise cumprimentou a menina e Draco parou, percebendo a presença da morena. Malfoy iria provocar a garota, mas percebeu nos olhos dela uma expressão que ele estava familiarizado, decidiu apenas a ignorar e seguir o seu destino.
— Que bicho mordeu o Malfoy que ele não provocou a Scar? Toda vez que ele a encontra, tenta de alguma forma chamar a atenção dela — Lino perguntava, estranhando. Nenhum dos quatro sabia explicar o motivo, já que o Sonserino não sentia piedade ou dó das pessoas.
Chegando ao castelo, estavam todos arrumados e sentados, esperando o grande discurso do professor Dumbledore. Scarlett notou que Hagrid não estava presente na mesa, e que havia um ser cor de rosa sentada na ponta. Por algum motivo, Scarlett não foi com a cara dela. A jovem estava correta em relação aos seus motivos de não gostar da professora. Após ouvir o discurso de Umbridge, estava clara a interferência que o ministério faria em Hogwarts.
No dia seguinte, a sala estava animada. Por falta de lugares, Scarlett acabou se sentando próxima aos Sonserinos, ao lado de Blaise e atrás de Draco, para seu desânimo, já que não queria perder a paciência com ele. Dolores entrou na sala com seu ar autoritário e bizarro.
A aula começou e os alunos se surpreenderam ao saber que não teriam as aulas práticas. Hermione e Harry questionaram o motivo de não a terem. Dolores explicou de uma forma podre que não tinha por que eles treinarem, já que não precisariam se defender de nada.
Revoltado com o pouco caso que estavam fazendo, Harry gritou, falando que Voldemort estava vivo e que Cedric havia sido morto a mando dele, deixando Scarlett angustiada novamente em ter que ouvir isso. Draco e Blaise perceberam a mudança de humor da garota ao ouvir o nome do Lufano e o pouco caso que Umbridge fazia com a morte do garoto.
— Então me diz como ele morreu, Umbridge? — Scarlett gritava e se revoltava.
— Senhorita, levante a mão para falar. — Scarlett riu e se levantou, indo em direção à professora. — Senhorita, por favor, sente-se no seu lugar.
— Vou me sentar assim que a senhora me responder algumas dúvidas. — Umbridge vacilou e se sentou na cadeira que estava atrás dela. — Primeira pergunta, a senhora foi uma campeã?
— Obviamente, não. Apenas alunos são campeões — Umbridge falava, como se fosse óbvio.
— Segunda pergunta, havia monitoramento no labirinto, onde os juízes, professores ou o ministério poderiam ver os alunos? — Scarlett se sentava na mesa da professora, chegando perto dela.
— C-claro que não. — Umbridge estava pálida, por conta da presença assustadora que Scarlett transmitia.
— Então me responde a última pergunta, cara professora. — Scarlett se aproximou e puxou o blazer cor de rosa, deixando-a mais perto do seu rosto. — Como, raios, vocês sabem que Harry está mentindo se vocês não estavam lá com ele? Potter é o único que sabe o que aconteceu, é o único que viu Cedric ser morto. Só sendo bem idiota para pensar que foi um mero acidente. Não zombe da morte de Cedric.
A garota soltou com força a professora e saiu, caminhando até seu lugar, recebendo os olhares espantados dos colegas. Ela estava farta de toda essa situação, e não iria permitir que Voldemort tirasse mais alguém importante para ela.
— Senhorita, qual o seu nome? Está de detenção à tarde pelo comportamento. — A professora tentava se recompor do vexame.
— Scarlett Bennett, ao seu dispor. — Umbridge, que antes tinha voltado à pose de autoridade, voltou a vacilar quando a jovem falou seu nome. — O que foi, professora? Com medo? Não se preocupe, pode continuar a aula.
Mais tarde, lá estava a garota, junto a Harry, para a detenção com a professora Umbridge, que foi intitulada como “vaca rosa” pelos dois. Scarlett estava estressada, a louca tinha dado uma pena mágica que, ao usar, escrevia em suas mãos. Passou pela cabeça da garota de acabar com a graça da suposta professora e mandar uma carta para os pais, mas então ela pensou que a Dolores merecia uma lição bem dada.
Ao sair da sala, foi à procura dos gêmeos nos corredores para bolar uma bela pegadinha contra a sapa horripilante rosa. Encontrou eles vendendo seus produtos e os meninos já estavam cientes da afronta que a amiga fez com a professora. A verdade é que todos os alunos estavam sabendo. A garota contou e mostrou a mãos para os mais velhos. Os ruivos ficaram furiosos, Umbridge havia machucado a querida amiga deles, a pobre professora não imaginava que se meter com a jovem Bennett só a traria problemas futuros.
Semanas foram passando, e a cada dia os gêmeos faziam algo. Até Pirraça, o Poltergeist, se juntou ao trio, derrubando tinta permanente na professora, corredores alagados quando ela se aproximava, ou jogando bomba de bosta em sua sala. E mesmo que a professora pudesse imaginar quem seriam, ela não tinha provas contra eles, o que a deixava cada vez mais irritada. Para a Dolores, foi a gota quando foi criticada por Minerva sobre suas formas de castigo, já que, em sua cabeça deturpada, achava que o modo que estava educando era o correto e quem questionasse estaria questionando o ministério. No dia seguinte, ela foi nomeada como alta inquisidora, na tentativa de reformar e colocar Hogwarts nos trilhos.
Os ânimos estavam à flor da pele no jogo de quadribol. Era Grifinória x Sonserina e, para a angústia dos grifinórios, os jogadores rivais não estavam aliviando e apostaram nas jogadas sujas, porém Harry conseguiu pegar o pomo, conseguindo dar a vitória à sua casa.
Essa vitória não alegrou muito Malfoy, já que, de longe, Scarlett conseguiu ver a confusão que se formava, até ver George e Harry em cima de Malfoy, o batendo. Scarlett correu em direção aos meninos, para impedir que a briga piorasse. Ao chegar, a professora Hooch já havia separado os meninos e os encaminhado para falar com a diretora de suas casas.
— Bennett, acompanhe o senhor Malfoy para a ala hospitalar. — Hooch se aproximou da garota. — E não adianta protestar, é uma ordem.
O caminho para a ala hospitalar foi cheio de reclamações em relação à confusão. A garota já estava farta do loiro, não entendia por que ele agia dessa maneira, havia outras maneiras de conquistar atenção.
— Eu falei que um dia seu preconceito iria te prejudicar, mas você só escuta o que tem vontade — Scarlett falava, enquanto chegava ao local.
— Seus amigos que são primitivos e violentos, eu não falei nada demais — Draco tentava se defender.
— Então não há problema em repetir o que disse para mim. — Scarlett se aproximou do garoto.
— Bennett, já fui castigado o suficiente pelo que eu disse. — Ele se protegia de alguma ação que a garota faria.
— Então confessa que está errado. Deveria pensar antes de agir, Malfoy. Sua sorte é que não estou com ânimo de te bater.
O garoto ficou calado e se deitou na cama, esperando a Pomfrey chegar. A menina iria sair, quando ele segurou seu braço. Eles se encararam por um tempo. Draco queria consolar a menina, dizer que tudo iria ficar bem, ele não sabia o motivo de querer ajudar a garota, porém sabia que daqui para frente as coisas só piorariam.
— Adeus, Bennett — Draco falou, soltando a garota após a chegada da Pomfrey.
As semanas foram passando e Umbridge estava cada vez mais tendo poder sobre Hogwarts. Interrompia as aulas, questionava a aptidão dos professores, analisava o comprimento do uniforme. A gota para a jovem Bennett foi quando Dolores demitiu a professora Trelawney, jogando suas coisas no pátio como se ela fosse uma imunda.
Scarlett se aproximou, revoltada com a vergonha que sua querida professora estava passando e a abraçou tentando a acalmar. A professora Minerva chegou, tentando impedir todo esse vexame, Scarlett iria protestar, quando Dumbledore apareceu e acabou com toda essa confusão.
Cansados das aulas dadas por Umbridge, o trio de ouro decidiu fazer uma reunião para fazer uma proposta. Harry queria ensinar a se defender contra Voldemort, mesmo que muitos ainda questionassem sobre a veracidade do caso. Os amigos estavam voltando animados para o castelo após a reunião ser bem-sucedida e rindo de Hermione, que dizia como era legal quebrar as regras e que a Cho estava descaradamente interessada no Harry, o que obviamente deixou Gina mal com a situação.
— Não fica assim. Harry é tapado, precisa de um berrador para perceber seus sentimentos — Scarlett sussurrava para amiga. — Seria uma boa ideia.
— Não começa, Scar. — Gina ria, enquanto caminhavam de braços dados.
— O que as duas estão fofocando? — Fred se aproximava. As duas se olharam e saíram correndo. — Suas malucas, voltem aqui.
Os treinos começaram, graças a Neville, que descobriu a Sala Precisa. Harry ensinava alguns feitiços, junto à ajuda de Scarlett, já que ela era boa em duelos. E para o azar de Fred e George, não teve um duelo contra a mais nova que eles conseguiram vencer. Para eles, era até gratificante perder, já que podiam ver o sorriso de satisfação da amiga. Aos poucos, Scarlett voltava a ficar animada e feliz.
Faltava poucos dias para o Natal. Os pais de Bennett estavam ocupados com as investigações sobre a fuga dos comensais e a suposta volta de Voldemort. Eles não passariam o Natal com a filha, por isso ela iria ficar com os Weasley. Os Bennett estavam preocupados com os poderes da filha, e por esse motivo também estavam entrando em contato com algumas pessoas antigas no mundo mágico.
Ao acordar na manhã do recesso, Scar foi à procura dos amigos Grifinórios, encontrando apenas Hermione e Harry. A garota estranhou, já que Rony não perderia o café da manhã, mesmo estando morto de sono. Olhou para o canto da mesa, vendo apenas Lino sentado, sem os gêmeos, e ficando confusa. Não havia nenhum Weasley e isso estava ficando preocupante.
— Bom dia, Lino. Onde estão os gêmeos? — Scarlett se sentava próxima a ele, pegando uma fruta.
— Pelo que a Hermione me explicou, o Sr. Weasley foi atacado no ministério. Está no St. Mungus — Lino dizia, já segurando a amiga, que se levantava preocupada. — Fique calma, Scar, ele está bem, conseguiram o salvar. Sente e tome café, os gêmeos pediram para eu cuidar de você até irmos embora.
— Obrigada, Lino. — A garota o abraçou e os dois ficaram conversando. O mais velho fez questão de a acompanhar até a Comunal da garota, se despediram e Scar foi arrumar suas coisas para o Natal, queria saber logo sobre a situação do Sr. Weasley. A jovem sentia que algo ruim estava rondando o castelo, e Scarlett sabia exatamente o que era. Só esperava que seus amigos não fossem feridos nessa guerra por poder.
Enfim o Natal havia chegado. Scarlett ficou tranquila quando chegou à sede da Ordem e viu que o senhor Weasley estava bem. Mesmo com a confusão em que Hogwarts estava, conseguiu comprar presentes para todos os seus amigos.
— Estou tão feliz que o senhor está bem. — Scarlett se aproximava, sorrindo, com um embrulho grande. — Aqui, Sr. Weasley, o seu presente foi o primeiro que comprei. Eu estava passeando com meus pais nas férias e vi isto em uma loja trouxa, achei sua cara.
Os olhos do senhor Weasley brilhavam de alegria em saber que era algo trouxa. Abriu o presente feito uma criança, todos na mesa estavam felizes pela animação do pai. Ao abrir, ficou com uma cara de surpresa, ele não imaginava que faziam brinquedos disso.
— Pelo que a atendente me explicou, é uma réplica fiel a uma Ferrovia. Vem bastante coisa, árvores, trilhos, sinais e o trem, óbvio. Podemos fazer uma pequena cidade em volta e... — Scarlett parou, sendo surpreendida por um abraço do senhor Weasley.
— Obrigado, querida, isso é fantástico. — Eram nítidas a felicidade e gratidão nos olhos do patriarca.
Scarlett estava feliz por trazer alegria para sua segunda família. Saiu distribuindo os presentes para todos. Faltava apenas Harry e Sirius, que mesmo conhecendo pouco o mais velho, a garota já o considerava um querido amigo e sentia algo caloroso quando estava perto dele, como se já o conhecesse.
A morena foi à procura dos dois para entregar seus presentes. Os encontrou em uma sala que era levemente familiar para ela, o que era estranho, já que ela não tinha vindo a esse cômodo na última vez que veio. Ao entrar, viu Harry e Sirius a encarando.
— Desculpe a intromissão, só vim entregar seus presentes. — Se aproximou dos dois, com os presentes em mãos. — Harry, o seu foi o mais difícil de escolher, mas, para minha felicidade, minha amiga Fernanda, a brasileira, me falou sobre os feitiços novos que ela vem aprendendo e eu pedi para ela me mandar um exemplar dos feitiços da América Latina.
Scarlett entregou para o amigo, que estava animado em descobrir mais sobre os feitiços e costumes dos países latinos que a sua amiga tanto falava, ele poderia acrescentar alguns feitiços aos treinos da A.D. Ele agradeceu e se despediu, já que Hermione apareceu o chamando, deixando assim Sirius e Scarlett sozinhos.
— Aqui está o seu, espero que goste. — Scarlett, por fim, entregou o embrulho, meio tímida. — Depois eu tenho que entregar o do professor Lupin, Tonks e do Moody.
— É um capacete. Eu amei, ele é lindo, o meu estava antigo mesmo. Não vejo a hora de subir na minha moto. — Ele olhava para o capacete. — Obrigado, mas eu não imaginava que receberia um presente seu, não preparei nada.
— Não se preocupe com isso, e logo você estará enfim livre das acusações. — Scarlett sorria e se aproximava da parede, onde havia uma árvore genealógica. — A decoração é um tanto encantadora.
— Acho que está longe de ser encantadora. Eu tenho poucos momentos felizes aqui nessa casa, algumas lembranças ainda me assombram. — Sirius encarava a parede, e, por fim, encarou a garota, vendo um medalhão familiar no seu pescoço. — Bonito esse medalhão, é de família?
— Não sei, acredito que sim, esteve comigo desde pequena, nunca o tirei. — Scarlett pegava o medalhão com o Sol e a Lua desenhados, e atrás havia seu nome. — Engraçado você perguntar, pois eu não me recordo de meus pais me entregarem este medalhão.
Sirius analisou as expressões da garota junto ao medalhão, ele tinha uma intuição, mas precisava investigar primeiro, não queria ser precipitado, já que a ideia que ele estava em mente era levemente louca. Os dois desceram para o jantar natalino.
De volta ao castelo, Scarlett estava renovada, passar o recesso na companhia dos seus amigos sempre a alegrava, principalmente nesse momento que a garota estava passando. Estava tomando café com os meninos, quando Simas apareceu para falar com Harry, dizendo o quanto estava arrependido e que acreditava nele.
— Aleluia! Simas resolveu usar os neurônios que ainda restam na cabeça dele! — Scarlett sorria e apoiava seu braço no ombro do Grifinório. — Andem, meninos, podem me pagar. Eu disse que Simas tomaria juízo depois do recesso. Quase pensei que as explosões estavam prejudicando seu julgamento e discernimento do óbvio.
— Scarlett, eu fui uma aposta? — O menino ficava indignado.
— Pois é, Simas, nem para você ser um pouco mais orgulho. Perdemos 10 Galeões — George dizia.
— E você, dona Scarlett, não apostamos mais com você — Fred dizia, fingindo estar bravo, fazendo todos rirem.
Os dias estavam sendo corridos. Por conta da suspeita sobre a armada, Umbridge convidou os alunos para serem da Brigada Inquisitorial, eles estavam acima dos monitores e não era novidade que Draco se juntou a essa palhaçada. Umbridge chamava os alunos para a sala dela, com o intuito de descobrir o que Harry e seu grupo estava aprontando, mas não obtinham sucesso.
Scarlett estava passando para o treino, quando foi puxada com força para dentro de um armário de vassouras. Ela segurou a varinha para lançar uma azaração no infeliz que a puxou, mas a pessoa foi mais rápida, pegando seu braço e a encurralando na parede. Foi então que a garota conseguiu ver quem era o seu raptor.
— Malfoy, espero que você tenha uma ótima razão para me puxar dessa maneira aqui nesse armário — Scarlett falava, enquanto tentava se soltar. — Fale logo, senão vou usar magia não-verbal com você.
— Calma, Bennett, eu tenho meus motivos para te trazer aqui. A Umbridge está desconfiando de vocês e vai descobrir o que estão fazendo. Você é uma corvina, dá para usar um pouco o cérebro. — Malfoy se irritava, não sabia como ajudar, não tinha experiência em ajudar alguém por vontade própria.
— Olha o modo como fala comigo. — Scarlett conseguiu se soltar e foi em direção à porta. — Obrigada pela informação. Umbridge pode até assustar outros alunos, mas eu não tenho medo dela. Adeus, Malfoy.
A garota se afastou da sala, a fechando com um feitiço para Malfoy não a seguir e conseguir descobrir o local onde era o treinamento. Scarlett entrou na sala e viu seus amigos treinando o feitiço Expectro Patrono e foi ao lado dos gêmeos.
— Devo perguntar o que aconteceu? — Harry se aproximou e Scarlett falou sobre o Draco. — Não se preocupe, não tem como eles descobrirem essa sala. Vem, vou te ensinar como fazer o feitiço.
Scarlett estava irritada, ainda não conseguia ter uma memória feliz que pudesse transformar seu patrono em algo corpóreo. Foi quando ela lembrou de algo antigo, a segunda vez que encontrou os gêmeos.

“Era verão. A garota, com seus 6 anos de idade, havia acompanhado os pais para visitar novamente os Weasley, já que a filha ficou encantada com a companhia de outras crianças para brincar. Ao chegarem, viram que os gêmeos pareciam estar implicando com seu irmão, Ron, sobre aranhas. Foi quando a mais nova apareceu para cumprimentá-los com pulseiras de amizade feitas pela garotinha.
— Olá, meninos, se divertindo? Scarlett quer entregar algo para vocês. Ande, filha, não seja tímida. — A pequena se aproximou dos maiores de cabeça baixa, acanhada. Ela estava tão animada, os meninos a trataram tão bem na primeira vez que a viram que ela queria agradecer.
— Aqui está. Essa é para você, George. — A mais nova se aproximou do gêmeo, entregando a pulseira com uma pedrinha que tinha G escrito, e virou para o outro, entregando a outra pulseira que tinha uma pedrinha F. — E essa é para você, Freddy.
— Como sabe nos diferenciar? — Fred perguntava, deixando os pais da menina surpresos e os pais dos meninos, que haviam chegado para cumprimentá-los também.
— Foi bem difícil no início, mas foi divertido olhar as suas diferenças. No final do dia, eu já sabia diferenciar. — A garota sorria.
— Querida, Scar, você acaba de selar nossa amizade, espero que esteja preparada. Já que o destino cruzou nossas vidas, não nos separaremos nunca mais, certo, George? — Fred apoiava os braços no ombro da pequena garotinha.
— Corretíssimo, Fred. Achamos nosso chaveirinho preferido. — George apoiava os braços do outro lado da menina.
Os três passaram a tarde correndo e aprontando com os outros irmãos dos gêmeos, a garota estava tão feliz naquele dia. E foi nesse momento que o laço de amizade deles foi formado, a amizade mais importante para a jovem Bennett.”


Quando Scarlett viu, o seu patrono havia formado a imagem de uma bela fênix. Ela sorriu, pois isso só mostrava o quanto sua ligação com os gêmeos era importante, já que eles que haviam colocado o apelido Phoenix na menina. Quando os dois olharam para o patrono, deram risada.
— Scarlett, será que sua forma animaga é uma fênix também? Seria fascinante, vamos estudar para ser animagos? Fiquei interessado. — George ria animado com a ideia.
— É uma boa ideia, mas, Scar, estou curioso. Qual foi sua memória? — Fred questionava a menina, que sorria para os dois.
— Foi quando eu entreguei a pulseira para vocês. — A garota apontava para a pulseira que ficava no braço dos meninos, fazendo os meninos sorrirem e se olharem de forma cúmplice.
— Isso é incrível, pois foi a memória que eu escolhi. — Ele apontou para seu patrono, brincando ao lado do de Scarlett.
— Digo o mesmo da minha. — George apontava para o terceiro patrono que se juntava aos dois. — Parece que estamos mesmo destinados a ficarmos juntos, Phoenix.
Estavam todos animados com o sucesso do feitiço, quando começaram a ouvir um barulho de explosão do lado de fora, estavam tentando entrar à força na Sala Precisa. Quando Scarlett iria pensar em um plano, já era tarde demais, a parede foi abaixo, mostrando Umbridge, Filtch e Draco, que segurava Cho e sua amiga Marietta com seus lacaios ao lado.
Estavam todos na sala de castigo, com suas penas. Scarlett estava irritada, ela não queria acreditar que Cho e Marietta haviam os dedurado assim, essa história estava muito mal contada. Ao sair da sala Scar, viu Chang ao lado da porta, tentando falar com Harry, mas ele não deu bola para a menina. Cho olhou para o lado e viu Scarlett parada, a olhando, apontou com a cabeça para que fossem para um canto mais reservado.
— Sabe, essa pena realmente dói, espero que você tenha um motivo plausível para ter nos entregado, Chang — Scarlett reclamava, olhando para a mão.
— Eu tenho, Scar, não fui eu que dedurei, foi a Marietta, mas ela não dedurou porque quis, a Dolores usou a poção Veritaserum no chá que ela estava tomando. Quando percebeu, já havia contado tudo. Eu tentei avisar vocês, mas Umbridge me viu e me levou junto para a localização da Sala Precisa. Me desculpe, eu deveria ter sido mais rápida. — Cho abaixava a cabeça, deixando algumas lágrimas caírem.
— Ei, Cho, não fique assim. Creio que nem a pessoa mais poderosa consegue driblar a poção Veritaserum, eu acredito em você. O restante do grupo vai demorar a compreender, mas logo tudo ficará bem.
Era enfim N.O.M.S, a corvina estava nervosa. Não conseguiu falar direito com os gêmeos na noite anterior, porque eles haviam desistido da escola e estava planejando algo grande para encerrar sua saída. Ela já estava na metade da prova, quando começou a ouvir barulho de fogos de artifício, foi então que os gêmeos apareceram voando, destruindo todas as provas e soltando fogos de artifício por todo o lugar.
Todos riam da situação. Alguns fogos estavam enfeitiçados e iam atrás dos membros da Brigada, era divertido ver o caos que os dois irmãos faziam. Scarlett estava animada, quando percebeu um dos fogos enfeitiçados vir em sua direção. Sabendo que os meninos nunca a machucariam, viu os fogos se transformarem em uma fênix e depois explodirem, formando um coração.
O dragão que perseguiu Umbridge foi até para o lado de fora, explodindo. Os gêmeos voaram para fora, causando a maior confusão, todos estavam animados. Quando Scarlett virou para trás, viu Harry caído no chão e correu para ajudar o amigo. Foi quando ele contou da visão e que Sirius estava em perigo.
Chegaram à sala de Umbridge para conseguir falar com alguém da Ordem, mas foram impedidos por Dolores e os meninos da Brigada. Draco se aproximou de Scarlett, a tirando do aperto de Crabble. A sapa tentava de todas as formas tirar informação do grupo, mas não conseguia, foi quando ela sugeriu usar o Crucius para tirar a informação dos alunos.
— Você só pode estar de brincadeira com minha cara, sua vaca. — Scarlett tentava se aproximar, sendo puxada por Draco para permanecer no lugar. — Esse feitiço é proibido, sua deturpada.
— O que Cornélio não vê, Cornélio não sente — Umbridge manifestava.
— Ah, mas você vai sentir se pensar em lançar esse feitiço contra meus amigos, sua vaca rosa ambulante. — A corvina ficava raivosa e podiam perceber que os objetos ao lado estavam se movendo de forma descontrolada.
— Scarlett, se acalma — Draco sussurrava e a puxava para mais perto dele.
— Cala boca, Malfoy. Se não vai ajudar, não atrapalha.
A garota tentava se soltar do aperto do Malfoy, quando Hermione falou sobre a suposta arma que Dumbledore possuía. Umbridge levou Hermione e Harry para o suposto local em que a arma estava, liberando o restando dos alunos. Quando estavam saindo da sala, Draco puxou a garota de lado.
— Scarlett, não vá para o Ministério — Draco aconselhava a menina.
— Você sabe o que vai acontecer, Malfoy. — A garota o encarava, enquanto o pessoal ia na frente.
— Eu não sei. — Draco desviou o olhar, receoso por ter soltado algo.
— Você é um péssimo mentiroso. — Scarlett se soltou do aperto do garoto e saiu correndo para perto dos amigos.
Dentro do Ministério, eles foram atrás da sala em que Harry teve a visão e acabaram entrando em uma sala de profecias. Harry acabou sendo atraído por uma e, assim que pegou, viu a profecia que era sobre ele. O grupo ouviu barulhos se aproximando, quando eles estavam se afastando, Lucius Malfoy apareceu.
— Me dê a profecia, Harry, e todos poderão voltar para casa a salvo — Lucius pronunciava. Próximo ao Malfoy, pôde-se ouvir uma voz aguda e arrepiante, era Bellatrix Lestrange. O coração de Scarlett parou, ela ouviu as histórias da louca do Crucius, mas era totalmente diferente vê-la pessoalmente. Bellatrix e Lucius tentavam de qualquer jeito pegar a profecia do grupo, Lestrange já estava perdendo a paciência com toda aquela enrolação.
— Me entregue logo, Potter — Bellatrix gritava, apontando a varinha para o grupo.
— Vamos manter a calma, tudo que quero é a profecia! — Malfoy dizia.
— Só isso? Não quer um chazinho, não, Malfoy? — Scarlett debochava do mais velho.
— Garota petulante — Lucius retrucava.
O grupo ainda discutia com os dois Comensais da morte, tentando descobrir por que Voldemort queria tanto saber sobre a profecia. Foi quando, sem paciência para tentar escapar, Scarlett jogou um Expelliarmus* nos dois bruxos, fazendo o grupo fugir deles, mas acabaram se separando.
O coração de Scarlett estava acelerado. A cada Comensal que chegava à sua frente, ela lançava algum feitiço para o afastar. Encontrou os amigos novamente no meio do corredor, mas de longe podia ver os comensais se aproximando do grupo. Gina, com a adrenalina na veia, lançou Reducto* em direção a eles, dando um impacto maior nas prateleiras, as desestabilizando e gerando um efeito avalanche. O grupo saiu correndo em direção a alguma saída, mas ficaram encurralados em um lugar que possuía um portal.
Em um momento de distração, eles acabaram sendo capturados pelos comensais. Aleto segurava Scarlett, a impedindo de fazer qualquer feitiço. Todos estavam assustados, Lucius e Harry ainda discutiam. Mas então, para alegria de Scarlett e dos amigos a Ordem apareceu e começou uma verdadeira batalha. Moody foi em direção a Aleto para livrar Scarlett.
Mais pessoas da ordem apareciam para ajudar, e com isso os pais de Bennett. Ela não sabia se sentia alívio ou angústia de seus pais estarem lá no meio do fogo cruzado. Eles conseguiram livrar a maioria dos amigos e colocarem em um lugar seguro. Foi quando Scarlett viu Bellatrix atrás de Sirius e ouviu o feitiço que tanto atormentava os pesadelos da garota. Sirius Black havia sido morto.
Pôde ouvir os gritos de Harry. A garota estava estática, sendo segurada por Moody. Seus pais estavam segurando Lucius para que ele não escapasse. Harry já havia desaparecido e ido atrás de Lestrange. Foi quando Scarlett perdeu o controle novamente, foi tudo muito rápido. A menina sentiu um calor forte nas veias. Aleto tentava fugir, mas paralisou ao olhar em direção à garota. A jovem flutuava e não sentia mais controle sobre seus movimentos. Olhou para o comensal e foi se aproximando, colocando a mão na cabeça do bruxo.
— Tuum erit poena vivere in gelida est. saeculorum corpus tuum et animo est adhæsit in limbo laetior. * — Scarlet falava em uma língua estranha para o bruxo, deixando-o mais assustado. — Supmetxe. *
*(Seu castigo, será viver congelado no tempo. Seu corpo envelhece, mas sua mente estará presa no limbo) *

E assim Aleto paralisou no local, perdendo todo o brilho dos olhos. Scarlett acabou desmaiando assim que disse as últimas palavras. Ela acordou na Ala hospitalar, seus pais haviam saído pouco minutos antes da jovem acordar, estavam mais preocupados com a situação de sua filha, precisavam achar respostas e com a conversa que tiveram com Sirius minutos antes do ataque ao ministério, foi o suficiente para saberem onde começar.
A garota estava caminhando sozinha para ir às carruagens, quando viu Draco vindo em sua direção. Ele estava com uma cara péssima, provavelmente já havia sido informado sobre a prisão de Lucius. O garoto a puxou para uma área afastada e desatou a chorar. Ele não sabia o motivo de estar aliviando seu sofrimento perto da jovem, que aparentemente ajudou na prisão de seu pai.
Scarlett abraçou o loiro, que estava aos prantos e ela o escondia das pessoas para que não conseguissem perceber quem era. o choro durou pelo menos uns 10 minutos, até que o garoto se acalmasse novamente e olhasse para ela. Por mais que os olhos da garota transparecessem sofrimento e algo mais sombrio que o garoto sentia, ele podia ver que ela ainda o olhava com preocupação, por mais que nenhum dos dois tivesse algum tipo de relação.
— Desculpe por essa cena, eu estava a ponto de desabar e não sabia mais a quem recorrer sem ser julgado. — Draco olhou para o chão, envergonhado.
— Draco, você sabe que não precisa ser dessa maneira, sabe que o lado do Voldemort só lhe trará sofrimento — a corvina tentou acalmá-lo. — Aposto que se você for para nosso lado, vai ter apoio e proteção.
— E quanto aos meus pais? Eu os deixo para morrer nas mãos dele? — Ele me olhava irritado só de pensar na alternativa de deixar sua mãe nas mãos daquele monstro. — Você não sabe sobre o que está falando, nunca sofreu pressão para tomar a escolha certa.
— Como você sabe que eu não sofro pressão? Você acha que não entrei em conflito no momento que Cedric caminhava para última prova? Que meu coração não implorava para impedi-lo? Que a cada dia que passa eu não me condeno por não ter falado sobre meus sentimentos para ele? — As lágrimas caíam no rosto de Scarlett. Ela tinha segurado muito esse sentimento e agora, brigando com Malfoy, foi o momento de se libertar. — Bom, Draco, eu sei bem o que é sofrer. Mas eu prefiro ainda dormir com a consciência limpa em saber que não estou matando inocentes por prazer. Adeus, Malfoy, boas férias!
A garota foi se afastando do Sonserino, enquanto o amargo do desabafo ainda corria na boca. Ela teria que viver com esse peso por um bom tempo. Saber que não pôde fazer nada para impedir a morte de Cedric e de Sirius, mas ela faria de tudo para vingá-los.


Capítulo 7 — Destinos Diferentes

6º ano

Com as investigações sobre a volta do Lord Voldemort, a jovem Bennett já não via seu país há um bom tempo. Acharam melhor deixar a menina com os Weasley, tinham certeza de que na casa dos ruivos a filha ficaria segura. Portanto, por mais que o clima estivesse pesado por conta de tudo o que aconteceu no ministério, estar com os Weasley, sua segunda família, ajudaria Scarlett a ficar mais tranquila.
Pela manhã, na residência dos Weasley, todos acordavam para ajudar nas tarefas domésticas. No período da tarde, os gêmeos passavam por lá para buscar a amiga e levá-la para ajudar na loja e distrair sua mente. Foi assim durante as férias todas. Os gêmeos faziam de tudo para manter Scarlett bem, eles sabiam que essas duas mortes seguidas haviam destruído a amiga. Mesmo que Sirius não fosse tão próximo da jovem, os amigos viram o quão sensível a amiga se tornou após o ocorrido.
Faltava apenas dois dias para a volta às aulas. Todos estavam com os nervos à flor da pele, estavam receosos se deveriam voltar para Hogwarts e os pais de Scarlett perceberam que o castelo não era mais tão seguro quanto pensavam. Mas, infelizmente, para Scarlett, não havia a opção de fugir.
A jovem Bennett havia ido buscar um pouco de água na cozinha, quando viu as malas e a coruja de Harry na sala de estar dos Weasley. Ela se aproximou das coisas dele, pensando que ele estava por perto, quando olhou para o lado e viu Gina também com cara confusa.
— O Harry chegou? — a ruiva perguntou animada para amiga, olhando as coisas do Harry.
— Não tenho a mínima ideia, acabei de ver as coisas dele aqui também. Talvez a Molly saiba de algo. — As duas correram para as escadas e começou uma verdadeira confusão para saber se Harry estava ou não na Toca.
— Sim, eu cheguei — o moreno falou, atrás das meninas, com um sorriso. As duas se animaram e foram em direção ao amigo, o cumprimentando.
Os amigos, que estavam aproveitando seus últimos momentos reunidos na tranquilidade, decidiram passar na loja dos gêmeos para Harry conhecer. A loja, assim como o dia de sua abertura, estava lotada. Pessoas das mais diversas idades iam visitá-la, mas em sua maioria adolescentes que buscavam por travessuras.
As garotas decidiram olhar as poções do amor, os gêmeos haviam dito que garantiram esse produto para ser comercializado há pouco tempo e que era um dos queridinhos na loja. Nesses tempos, as pessoas estavam enlouquecidas em busca do amor, por mais que esse sentimento seja algo fabricado. Lilá Brown estava bem tentada a levar a poção, Scarlett pôde ver seu olhar em direção à poção e ao Ron.
— O que nossa cliente favorita está fazendo aqui que nem foi nos cumprimentar? — George abraçava Scarlett, chamando a atenção de todos.
— Não me diga que você vai querer levar a poção do amor, Scar? Acredite, não precisa de poção para caírem nos seus encantos, Phoenix. Só estralar os dedos e terá qualquer homem. — Fred encenava e bagunçava os cabelos de Scarlett.
— Parem de graça, vocês dois, não vou comprar poção nenhuma. — Ela batia neles. — Aliás, não sou eu que devo me preocupar com poção do amor. — A morena olhou em direção ao Rony e Lilá, os gêmeos acompanharam o olhar da amiga e caíram na risada.
— Certamente esse ano vai ser agitado em Hogwarts, posso assim dizer — George dizia, rindo.
— Não há dúvidas! Nosso irmãozinho vai descobrir sobre o amor à força. — Fred ria sem parar. — Espero que fique bem sem nossa companhia, Phoenix. Prometemos mandar mimos para você.
Eles ficaram conversando que nem perceberam o trio se afastar. Scarlett foi à procura dos amigos, já que os gêmeos demorariam demais e Gina havia sumido também. A morena caminhava por todo o Beco Diagonal, não os encontrava em nenhum lugar, haviam sumido. As ruas estavam vazias e perigosas por conta da volta de Voldemort. Scarlett ia voltar para a loja e esperar Gina, quando esbarrou em duas pessoas.
— Perdão. — A garota se dirigiu, olhando para as pessoas que atingiu.
— Está com a cabeça onde, Bennett? Ainda por cima caminhando sozinha por aqui. Ou é muito estúpida ou seu juízo está danificado — Draco dizia, enquanto sorria de forma superior para garota.
— Draco, tenha modos — Narcisa o repreendia, voltando a atenção para a garota em sua frente e que o marido pediu para que Draco ficasse longe e não provocasse. Ela não entendia o motivo, já que a jovem tinha um ar de inocência. — Perdão pelo comportamento do meu filho, esses dias ele tem estado tão avoado com seus deveres que deve ter esquecido de como se deve tratar uma dama.
— Não se preocupe, senhora Malfoy. Sinto que as alfinetadas do Draco só são uma demonstração de amor reprimido por minha pessoa. — A garota sorria de forma presunçosa para o loiro à sua frente, que também sustentava o mesmo sorriso e pose. — Bom, devo ir. Como meu amigo Draco falou, não é bom caminhar sozinha no beco diagonal depois da volta de você-sabe-quem. Com licença.
A garota se despediu, não antes de olhar os rostos pálidos dos dois após ouvirem ser citada a pessoa que não deixava seus sonos e mentes livres. Após o ocorrido, Scarlett conseguiu encontrar os amigos. Foram direto para a Toca, rindo e se perguntando por que Draco Malfoy compraria um armário. Scarlett chegou a contar que acabou esbarrando neles, mas a conversa não foi tão suspeita assim. Para Scarlett, o loiro estava sendo o irritante habitual que sempre fora.
Já na estação para ir a Hogwarts, decidiu ficar no vagão com o trio, já que Gina iria com o Dino, e a garota dispensava ficar de vela para o casal. Após um tempo, a garota ficou de saco cheio da conversa sobre Draco ser ou não um comensal. Em sua cabeça, era algo surreal, os pais de Draco não o colocariam neste perigo, por mais que Lucius fosse o Lucius. Harry acabou saindo da cabine indignado pelos amigos não acreditarem nele e Scarlett, cansada dessa discussão sem fundamento, resolveu dar uma volta pelo trem, comprar alguns doces e aliviar o estresse que aquela discussão trouxe.
A jovem não sabia por que ficava tão irritada com a possibilidade de o Draco ser um comensal. Por mais que o garoto a provocasse e deixasse a garota na maior parte do tempo com vontade de lançar uma azaração no loiro, para ela, se tornar um comensal era ser a favor de pensamentos distorcidos e cruéis, se aliar a pessoas que matam por prazer, e ela via que Draco, por mais mimado que fosse, não era esse tipo de pessoa.
Mergulhada nos seus pensamentos e debates pessoais, a garota nem reparou que estava próxima do vagão da Sonserina, até ouvir a voz da pessoa que ocupava sua mente nessas últimas horas. Draco se colocou na frente da jovem, com seu olhar de superioridade, mas ali a garota pôde notar algo estranho no garoto. Ele estava diferente, com um semblante sério e de culpa.
— O que faz aqui, Scarlett? Errou o vagão ou está procurando um dos seus amigos sangues ruins? — Draco dizia, enquanto a encarava.
— Sabe, Draco, está querendo saber demais da minha vida. Já pensou em comprar um bichinho? Talvez um Pelúcio distraia sua mente. — Scarlett ria enquanto se afastava, mas, por alguma razão, parou e virou para o rapaz novamente. — Nunca é tarde para pedir ajuda e ir para o lado certo, Malfoy. Você seria um grande aliado.
— Quem sabe em outra vida, Bennett. Nessa, meu destino já foi traçado. — Ele a olhava com um olhar duro, porém sincero.
A jovem resolveu ficar no vagão com Gina e Dino, não queria ter que escutar e debater sobre um assunto que, mesmo após o diálogo com o Malfoy, continuava sendo impossível demais para a jovem. Ela já estava arrumada e esse ano Scarlett queria que fosse focado apenas em estudar e ter boas memórias com seus amigos. Que as únicas coisas perigosas fossem as pegadinhas que fizesse pelos corredores.
O jantar foi tranquilo, a única coisa que perturbou a corvina foi o discurso estranho do chapéu seletor, mas não era surpresa para garota, já que você-sabe-quem estava de volta. Então o mal realmente iria rondar Hogwarts, mesmo tendo Dumbledore para os proteger, isso não aliviava o ambiente tenso nos corredores do castelo.
Na manhã seguinte, a garota acordou para sua aula de poções. Ela estava animada, havia ouvido falar sobre as aulas do professor Slughorn, era um professor incrível e muito didático. Não que ela não conseguisse entender as aulas com o professor Snape. Tirando as broncas e bullyings desnecessários, ele explicava bem a matéria. Slughorn explicava sobre duas poções, a Amortentia e a Felix felicis, duas poções potentes, que, de acordo com ele, poderiam trazer um estrago se usadas de uma forma errada. Como se Amortentia fosse feita para algo bom.
— Senhorita Bennett, pode nos dizer qual cheiro está sentindo? — Slughorn se dirigia à garota.
— Bom, sinto cheiro de flor de cerejeira, que é o perfume da minha mãe, café preto fresco, que é o que meu pai sempre toma quando acorda, e, por fim, cheiro de fogos de artificio, que me faz lembrar dos gêmeos e de como é bom passar os dias junto a eles. — A garota sorria nostálgica lembrando dos amigos. Como eles faziam falta nos corredores do castelo.
O professor continuou a explicação e pediu para que fizessem uma poção do morto vivo. O aluno que chegasse ao resultado mais próximo da perfeição, ficaria com a o frasco Felix felicis que o professor havia mostrado no começo da aula. Para a surpresa da Scarlett, o aluno que ganhou a poção foi o Harry. Não que ele fosse burro, mas a corvina sabia que poções não era a matéria favorita do amigo grifinório.
As aulas passaram até que rápido. Scarlett estava animada para ver os testes do time de quadribol da Grifinória. Ron iria fazer para ser goleiro, o garoto passou as férias e a semana da volta às aulas treinando e falando sobre esse teste. Ele estava muito empolgado, mas o ruivo não confiava nas suas habilidades no quadribol mesmo se dissessem o contrário.
Ver Rony naquela aflição deixava suas amigas ansiosas e preocupadas com o desempenho dele no teste. Por mais que ele estivesse se sentindo dessa maneira, conseguiu ir muito bem nos testes. O que mais surpreendeu a corvina foi Hermione azarando Córmaco para que ele errasse a bola e foi divertido ver a pose de galã cair por terra.
— Parece que esse ano vamos ter uma bela disputa, não vejo a hora de jogar contra esse novo time — Scarlett falava, enquanto se aproximava do time da Grifinória.
— Não vai ser fácil para a estratégia da Corvinal, o seu novo capitão vai ter que se esforçar. — Córmaco se aproximava, sorrindo galanteador. — Mesmo você sendo linda desse jeito, não vou deixar uma bola passar.
— Isso se você jogar, né? Que eu saiba, você é reserva do Ron. E não se preocupe, a nova Capitã da Corvinal não vai deixar fácil para vocês também. — Scarlett sorria, enquanto via Córmaco se afastar emburrado.
— Quem é a nova Capitã da Corvinal? — Ron perguntava. — Qualquer um que vier não vai ser páreo para nós.
— Tem certeza disso, Billius? Soube que ela treinou com uns ex-alunos nas férias, uns gêmeos batedores da Grifinória, conhece? — Scarlett falava com o amigo, vendo que ele ainda não havia entendido.
— Não acredito que meus irmãos treinaram com o inimigo. — Ron olhava perplexo para Gina e Scarlett, inconformado, até que a ficha começou a cair. — Mas espera, nós só treinamos com você nas férias.
— Verdade, a capitã da Corvinal também treinou com você. — Rony ficou novamente com cara de confuso.
— Aí, Ronald, por Merlim! Scarlett é a nova capitã da Corvinal. Rogerio, o ex-capitão, estava em dúvida entre escolher ela ou a Cho, até que, no final, Scarlett levou a melhor por conta das suas estratégias — Gina bufava inconformada com a lerdeza do irmão, pois a amiga passou as férias todas falando sobre o quanto estava empolgada para a volta das aulas.
O trio estava estranho e o castelo estava estranhamente normal, mas era sábado, seria o primeiro jogo de Scarlett como capitã, ela estava empolgada e nervosa. Seria com a Lufa-Lufa, era um bom time, mesmo assim, a garota sentia um aperto no coração quando olhava para a casa lufana. Mesmo com esse sentimento, a nova Capitã não deixaria de alcançar a vitória para seus amigos de time, eles contavam com ela e suas estratégias.
— Bom, pessoal, hoje vamos pôr em prática tudo que treinamos e aprimoramos durante os treinos. Zacarias Smith não vai dar moleza, mas contamos com nossa goleira maravilhosa que não vai deixar nenhuma bola passar e, claro, contamos com nossa apanhadora favorita. Cho, pegue esse pomo. Vamos, time, mostrar que corvinos não saem do campo sem uma bela disputa. — Podia ver a animação do time, Scarlett conseguia se contagiar com essa energia.
O jogo deu início, e, como a capitã previu, muitas jogadas antigas do time rival seriam repetidas, mas nem por esse motivo o jogo foi fácil. Os lufanos não davam descanso, porém a Corvinal estava levando a melhor, já que Scarlett havia pontuado três vezes seguidas, não deixando o time amarelo descansar. O placar estava 70 a 40 para o time azul, Scarlett podia ver a briga que Cho e o apanhador da lufa-lufa estavam em busca do pomo.
Scar se irritou quando os lufanos conseguiram pontuar, uma falha na defesa que ela notou e que com toda certeza iria melhorar nos próximos treinos. Quando a jovem olhou para a arquibancada, conseguiu ver seus amigos torcendo por ela, e, para sua surpresa, os gêmeos estavam presentes. Eles não perderiam por nada, sabiam que, por ser o primeiro jogo de Scarlett como capitã, deixaria a amiga com os nervos à flor da pele, por isso vieram a caráter, com roupas da Corvinal e objetos barulhentos também com as cores corvinas, deixando a amiga feliz.
Scar conseguiu pegar a Goles novamente e estava voando em direção aos aros do time rival, quando sentiu algo vindo rápido em sua direção. Em uma fração de segundos, ela conseguiu desviar do Balaço que Zacarias havia, de alguma maneira, lançado em sua direção. O infeliz nem batedor era, o que deixou a corvina com uma leve irritação, mas não se abalou, conseguindo recuperar a Goles perdida e enfim pontuar mais uma vez para a Corvinal. Estava em uma disputa árdua com Zacarias para pegar a Goles, quando a Juíza Hooch apitou, finalizando o jogo. Corvinal havia ganhado a partida, Cho conseguiu pegar o pomo.
— Não foi dessa vez, Smith — Scarlett dizia, enquanto se afastava do garoto, que mantinha uma cara de desgosto para a colega.
No vestiário, podia ouvir a festa dos corvinos, todos estavam animados, e como era sábado, resolveram levar essa comemoração para o Três vassouras. A corvina estava saindo do vestiário, quando viu seus amigos na frente, esperando animados. Correu e abraçou os gêmeos, animada por ver que eles tinham assistido o jogo.
— Estou tão feliz que vocês vieram assistir, e ainda a caráter! — Scarlett dizia, se separando do abraço apertado que havia dado nos amigos.
— Não perderíamos por nada seu primeiro jogo, Phoenix. Você foi fantástica no campo, aposto que Zacarias deve estar te xingando até agora — Fred dizia, enquanto caminhava com a amiga.
— Eu aposto que ele deve estar chorando, isso sim. Boas jogadas, Scar, você liderou muito bem — George dizia, enquanto apoiava o braço no ombro da amiga. — Aliás, para onde estamos indo?
— Obrigada, rapazes. Estamos indo para ao Três vassouras, o time vai comemorar e vocês são muito bem-vindos, já que vieram até a caráter.
Quando chegaram, viram que o bar estava lotado de pessoas com uniforme azul. O time, ao notar a presença da capitã, gritava em alegria e entusiasmo, fazendo os três amigos sorrirem, era uma animação completa. Scar olhou para o lado e viu Gina com Dino, e mais ao fundo viu o trio sentando-se. Assim que notaram a amiga e os gêmeos, os chamaram para se sentar com eles.
— Parabéns pelo jogo, Scar, você mandou bem. 70% das bolas que você pegou foram pontuação garantida para a Corvinal — Ron falava animado.
— Obrigada, Billius, o que fazem aqui? Com essas caras, aposto que estão aprontando. — Scarlett ria dos rostos espantados dos amigos. Até que o professor Slughorn apareceu na mesa deles, fazendo a garota notar o motivo da vinda deles ao Três vassouras.
— Olá, crianças. Belo jogo hoje, senhorita Bennett, posso dizer que será um grande desafio para as outras casas — Slughorn dizia animado.
— Obrigada, professor! Veio para comemoração também ou é só um grande fã da cerveja amanteigada daqui? — Scarlett introduzia uma conversa amistosa com o professor, fazendo Harry ficar focado nela.
— Oh, sim, tenho velhos amigos por aqui. Vim sentir a nostalgia dos pratos espetaculares que eles têm. Isso me fez lembrar, farei um jantar para alguns alunos e gostaria que você comparecesse. — Ele sorriu para a jovem e olhou os outros, notando a presença dos amigos. — E, claro, o convite é estendido para o senhor Potter e a senhorita Granger também.
— Seria uma honra, professor — os três diziam.
O professor se afastou e acabaram rindo, pois ele nem percebeu que Rony estava na mesa. Após muitas cervejas, os gêmeos se despediram da amiga, pois não poderiam deixar a loja só com a gerente no comando, mas prometeram irem buscar a amiga na estação no recesso natalino. A garota acabou indo embora sozinha, já que o trio também foi um pouco mais cedo. Estava quase chegando, quando sentiu uma bola de neve na sua cabeça. Ao olhar em direção, viu Blaise sorrindo.
— O que faz aqui, capacho do Malfoy? — Scarlett sorria, se aproximando do amigo.
— Não sou capacho de ninguém, Scarlett. — Ele ria, enquanto jogava outra bola na garota.
— Para com isso, tem quantos anos? 10? Então, o que faz aqui parado e sozinho no meio da estrada? Esperando uma garota é? — Scarlett o cutucava e o provocava.
— Não tem limite de idade para brincar de guerra de bola de neve com os amigos. E pode-se dizer que estou esperando alguém.
Eles estavam animados conversando, Blaise caçoava da corvina por quase perder o braço no jogo por conta de uma defesa de Zacarias, o que deixava a amiga irritada só de lembrar, mas ria quando o Sonserino imitava a cara do artilheiro Lufano após a derrota. Scarlett iria se despedir, quando sentiu outra bola de neve na cabeça.
— Blaise, eu vou fazer você engolir toda neve de Hogsmeade, para com isso! — Scarlett brigava.
— Não fui eu, não. Olha para trás. — Ele apontou com a cabeça, mostrando a direção de onde vinham as bolas. E lá estava Malfoy e Goyle rindo feito duas crianças.
— Bem engraçados, vocês dois. Agora se me derem licença, eu tenho muito o que fazer do que brincar com vocês. — A garota se afastava, enquanto ouvia passos em sua direção. — O que você quer, Malfoy?
— Nossa não posso nem parabenizar uma amiga pela vitória do jogo? — Draco zombava.
— Não somos amigos. — Scarlett continuava caminhando. — Mas obrigada!
— Nossa, você já foi mais gentil, Scar.
— Com você? A última vez que a provocou, ela fez um feitiço para calar sua boca — Goyle dizia, logo atrás, rindo.
— Também teve a vez que ela fez uma poção que mudava sua cor de cabelo para azul da cor da Corvinal. Lembro que só saiu depois de 48h, você ficou irado! — Blaise ria, também acompanhando. — E eu aposto que o surto do time da Sonserina vomitar lesmas no segundo ano tem dedo seu, Scar.
— Sempre bom ter fãs das minhas pegadinhas. — Scarlett reverenciou os dois Sonserinos, que estavam atrás dela e de Draco.
— Muito engraçados, vocês três. Estou me acabando de rir. — Draco se emburrava, enquanto ia na frente, deixando os três sozinhos, o que não deixou de ser mais engraçado.
Ao chegar ao colégio, a menina se despediu dos três e foi para a comunal descansar, já que haveria o jantar de Slughorn na próxima noite. A morena estava empolgada, uma reunião com outras pessoas fora do seu ciclo de amizade, por mais que seus amigos também comparecessem, era empolgante em um jantar assim, nunca tinha participado de um.
A noite do jantar havia chegado e Scarlett estava deslumbrante. Ao chegar ao local, viu que ainda não haviam chegado muitas pessoas à mesa, apenas Blaise e Córmaco. Preferiu sentar-se ao lado do Sonserino a aguentar os flertes do Grifinório a cada cinco minutos. Não demorou muito e Hermione e Harry chegaram para o jantar, assim como os outros convidados. Estava animado o jantar, todos se divertiam com a conversa.
— Como vão seus pais, senhorita Bennett? — Slughorn perguntava esperançoso, depois de ouvir de forma entediante sobre a família de Córmaco.
— Vão bem, professor, atarefados com as investigações da volta de você-sabe-quem. Ficaram felizes que estou tendo aulas com o senhor. Na última carta que me mandaram, meu pai pediu para comunicar que nunca esqueceu sobre a aula de Veritaserum, é muito útil para ele no trabalho — Scarlett falava, enquanto comia a sobremesa, deixando o professor de alguma forma muito orgulhoso do seu trabalho e do carinho que ainda recebia dos seus antigos alunos.
— Desculpe o atraso. — Gina aparecia. Estava pálida e com um olhar triste. Olhou para Scar e viu que havia um lugar entre ela e Harry, indo se sentar com a amiga.
— Não se preocupe, senhorita Weasley, estamos na sobremesa, pode se sentar — Slughorn falava animado.
— Está tudo bem? — Scarlett sussurrava para a ruiva ao seu lado.
— Vai ficar, não se preocupe! — Gina se servia da sobremesa.
— Dino? — Scar continuava conversando baixo, recebendo um balançar de cabeça confirmando o motivo. — Você sabe que é só pedir que eu azaro esse garoto, deixando-o careca por três semanas.
— Eu adoraria ver essa cena, mas creio que não seja preciso, já estou resolvendo do meu jeito. — Gina sorria e apertava a mão da amiga em forma de agradecimento. — Obrigada mesmo assim.
— Sempre!
Após o jantar, a garota foi direto para seu quarto. Havia passado o dia treinando e estudando sobre animagos. Ela ainda não conseguia compreender como iria realizar o feitiço, o medo de virar um animal pela metade ou um animal aquático não estando na água a assustava. E com toda a certeza pediria ajuda e conselhos à professora Minerva sobre essa matéria.
A semana foi corrida. Harry ainda estava com a ideia de que Draco era um comensal, e essa possibilidade tornou a não ser tão impossível após o ocorrido com Susana Bones, já que o caminho em que o loiro apareceu no dia que se encontraram foi o caminho que Susana havia passado. O coração da garota estava mal com a possibilidade de Harry estar certo. Mesmo não sendo amiga de Draco, ela conseguia ver um garoto apenas assustado.
O dia amanheceu ensolarado, seria o primeiro jogo do Ron como goleiro. O garoto só faltava surtar no café, com medo de ir mal, já que eles jogariam contra a Sonserina e a angústia de deixar seus amigos na mão o afetou, deixando-o assim, desanimado, e os comentários da casa das cobras não aliviavam a tensão do ruivo.
— Ai, Malfoy, não tem mais o que fazer, não? Chato! — Scarlett se revoltava, ao se aproximar do amigo ruivo. — Não se preocupe, Ron, você vai mandar muito bem nesse jogo, tenho certeza.
— Toma esse suco. — Harry entregava para o amigo.
— O que você colocou no suco dele? É uma poção para acalmar? — Luna se aproximava, sorrindo.
— Sorte líquida. — Harry mostrava o vidro.
— Não toma isso, Rony! Harry, isso não é certo — Hermione dizia.
— Não mesmo. Ai de vocês se fizerem isso quando for nosso jogo — Scar dizia brava. Mas não teve tempo de impedir o amigo, já que ele havia tomado tudo.
O jogo havia começado, estavam todos à flor da pele. Um jogo de Grifinória contra Sonserina sempre foi emocionante, os times têm uma eterna rivalidade. Ambos não estavam dispostos a entregar a vitória. Para a felicidade de Scar, o amigo estava indo muito bem como goleiro, tornando difícil a pontuação do time rival. Ela estava empolgada com as jogadas que via dos dois times à sua frente. Quando percebeu, a partida já havia acabado, Harry havia garantido a vitória para a Grifinória.
Na comunal da Grifinória estava uma verdadeira bagunça, todos comemorando como Rony foi formidável no jogo, sendo um ponto chave para a vitória sobre a Sonserina. Hermione brigava ainda com Harry por ter usado a poção, mas então ele mostrou o frasco intacto para as duas. Rony havia conseguido por causa das suas habilidades e não por conta de uma poção. Os amigos sabiam disso, o ruivo que não confiava em si e precisava de um empurrãozinho.
A festa estava animada, todos riam com as graças de Rony. Foi quando a cena a seguir não foi tão divertida, não para Hermione. Lilá havia puxado Rony para um beijo, Scarlett sabia da paixão que a amiga tinha pelo amigo, e vê-la dessa maneira desanimada despedaçou o coração. Porém estava feliz pelo amigo, ele era um tapado, mas não podia brigar com ele por algo que tanto ele quanto Hermione não confessavam. Scarlett via a amiga se afastar e iria atrás, mas Harry foi mais rápido, então ela decidiu ir parabenizar e zoar Ron.
— Billius, Billius, você mandou bem no jogo hoje, realmente foram ótimas defesas! — Scarlett se aproximava do casal, puxando o amigo para um abraço.
— Scar, já disse, pare de me chamar assim. — Ele beliscava a amiga. — Cadê Harry e Hermione?
— Foram tomar um ar. Eu também estou indo, tenho que fazer uns resumos das aulas do Snape. Boa noite, Billius! — Scarlett se afastava, rindo da careta do amigo.
O dia da festa que Slughorn havia preparado por semanas enfim chegou. Scarlett acabou aceitando o convite de Blaise, já que Ron ficou fazendo birra por não querer ir à festa idiota. Scarlett usava um vestido longo, solto e azul esverdeado. Possuía alças grossas com flores decorando os ombros e o decote bem-marcado. A jovem optou por um salto com tirar prateadas, seus cabelos presos em um penteado elegante e uma maquiagem leve, apenas destacando os olhos.
O clima estava calmo, Hermione tentava a todo custo fugir de Córmaco, o que deixava o momento mais engraçado. Foi quando as coisas engrossaram. Filch apareceu segurando Draco, dizendo que o garoto veio de penetra na festa, Snape acabou o levando para fora e a corvina pôde ver Harry ir atrás, mas não impediu o amigo.
— Quer que eu te acompanhe para seu dormitório, querida dama? — Blaise reverenciou.
— Por favor, não aguento mais essa festa! — Eles riram.
Caminhavam pelos corredores rindo e comentando sobre a noite divertida que tiveram. Era raro a corvina e o sonserino terem um momento juntos, por conta do ciclo de amizade muito divergente, mas quando eles estavam juntos, era risada na certa, o sonserino não deixava escapar nada. Estavam próximos à entrada para a comunal da Corvinal, quando esbarraram em Snape e Draco, parecia que os dois estavam discutindo.
— Desculpe atrapalhar, professor, estou apenas levando Scarlett ao dormitório — Blaise tentava se justificar, chamando a atenção de Draco sobre os dois.
— Muito cavalheiro de sua parte, senhor Zabini. Creio que de agora em diante senhorita Bennett possa prosseguir sozinha. Se despeçam e acompanhe Malfoy até a comunal de vocês — Snape falou, se retirando.
— Nossa, o professor Snape tirou nota zero em como se comportar com uma dama. Se bem que duvido que ele tenha cortejado alguma, o que explica a dificuldade de saber como agir — Scarlett comentava.
— Porque o interesse, Scarlett, gosta dos homens mais velhos? — Draco zombava.
— Ai, garoto, me erra! — a corvina bufava com o comentário.
— Você está espetacular esta noite! — Draco declarava, a observando.
— Claro que está, sua beleza tem que estar à minha altura, senão ela nem seria minha acompanhante — Blaise zombava, rindo.
— Acho que seria o contrário, Zabini. Bennett não precisa se esforçar para ser linda, ao contrário de você que fica quase duas horas no banheiro se arrumando — Draco declarava, rindo.
— Bom, rapazes, eu adoraria ficar aqui e continuar ouvindo os dois me cortejando e dizendo o quanto minha beleza alegra a manhã dos dois, mas preciso ir antes que o morcegão apareça e brigue comigo. Uma ótima noite para vocês. Obrigada pela noite, senhor Zabini — a jovem reverenciou como uma princesa e depois olhou em direção ao loiro, que sorria. — Malfoy.
A jovem virou e caminhou para sua comunal. A noite realmente foi agradável, fazia um bom tempo que não ria, esquecia dos problemas e vivia como apenas uma adolescente normal, sem ter que pensar em um Lorde das trevas e seus comensais querendo matar seus amigos e destruir o mundo bruxo.
Enfim o recesso havia chegado, para animação de Scarlett. Estava louca para ver seus pais, eles conseguiram uma folga no Natal para ficar perto da filha, mas teriam que voltar no dia seguinte para o ministério. Scarlett ficou no vagão com as meninas, já que Hermione havia se afastado de Ron desde o ocorrido com Lila, o que a corvina achou um pouco errado, já que os dois eram amigos, mas ela também sabia que Mione estava machucada com toda essa confusão.
Ao chegar à estação, pôde ver os gêmeos e os pais a esperando para irem à Toca. A garota correu animada para encontrá-los, os abraçando forte. Fazia tempo que eles não se viam, a garota ficava preocupada que algo pudesse acontecer com seus preciosos pais. Se separou do aperto e foi abraçar os amigos, que também faziam falta nos seus dias.
— Pensei que esse dia nunca chegaria! — Scarlett apertava os dois, enquanto caminhava para ir embora.
Já na casa dos Weasley, estava uma verdadeira festa, todos animados pela reunião. Os pais de Scarlett haviam enfim conhecido Harry pessoalmente, o que deixou o amigo um pouco acanhado, já que recebeu elogios e uma proposta de depois da formatura receber treinamento para ser um auror.
— Tonks, você é uma figura, consegue ser mais desastrada que o Ron. — Scarlett ria, quando viu Dora quase derrubar a bandeja de biscoitos de gengibre, fazendo a lufana corar.
— Eu não sou desastrada, apenas não possuo um bom relacionamento com a gravidade — Tonks falava, enquanto arrumava os biscoitos que ficaram bagunçados. O clima estava realmente harmonioso, se não fosse pela vinda de Percy e o novo ministro, Rufo, para de alguma forma tirar informações de Harry, estragando o clima completamente.
— Feliz natal para você também, Percy. — Scarlett se aproximava do ruivo, enquanto via Fred, George e Gina prepararem algo para aprontar contra o irmão pomposo.
— Olá, Scarlett, como vai? Soube que é capitã e monitora da Corvinal, um grande feito. Espero que seu ciclo de amizades tenha melhorado — Percy dizia com formalidade. Antes que ele falasse mais alguma coisa, foi atingido por purê na cara, o que claramente o irritou e causou a maior briga, deixando Molly terrivelmente mal com a situação.
Após toda a confusão que Percy fez, ele acabou indo embora e o clima ficou tenso. Molly chorava na cozinha, sendo consolada por Arthur e os pais de Scarlett. A amiga viu Fred se afastando, indo para fora da casa, percebeu que o amigo ficou irritado com a situação que o irmão causou.
— O que meu the best está fazendo aqui fora sozinho? — Scarlett se aproximava do amigo.
— Tentando não enviar uma caixa cheia de bomba de bosta para casa do Percy — dizia, olhando para o céu estrelado.
— Seria divertido, mas acho que previsível. Aposto que ele não iria abrir se visse o remetente. Mande um caixa de bombom com laxante em nome de alguma menina que ele esteja flertando — Scarlett dizia, fazendo o amigo rir. — Isso se ele flerta com alguém? Eca, só de imaginar Percy falando com alguma menina me dá ânsia.
— Não vamos imaginar, por favor. Mas essa ideia é fascinante! Obrigado por estar aqui do meu lado, Scar, você é uma ótima amiga! — Eles ficaram abraçados, enquanto Fred voltava a se acalmar. Estavam voltando, quando viram Harry correr e um fogo cercar a Toca.
Eles entraram em pânico. Bellatrix e alguns comensais haviam aparecido e Harry correu atrás de Lestrange para se vingar da morte Sirius. Os pais da garota tentaram impedir, mas Gina também havia ido. Fred ficou segurando e protegendo a amiga, sabia que a mais nova queria ir junto para lutar, mas ele não a deixaria correr esse perigo. Eles estavam todos preocupados, foi quando Lestrange começou a se aproximar da Toca, e com algo ardendo no peito de Scarlett, ela se colocou na frente.
A jovem Bennett não sentiu nada a seguir, ela conseguiu prever minutos antes do ataque de Bellatrix. Quando ela viu, já estava protegendo a casa contra o fogo que a comensal lançava. A batalha para ver quem venceria era árdua, era nítido que a bruxa maníaca tinha mais experiência em duelos, porém a jovem não deixaria que Lestrange machucasse ou destruísse mais alguém que era importante para ela.
Remus, Harry, Gina e os pais de Scarlett já estavam de volta, mas a batalha por poder das duas ainda acontecia. Scarlett já estava cansada, sua força se esgotava, sangue caía de seu nariz por estar se esforçando. Entretanto, o que surgia no lugar do cansaço era uma ira, uma vontade imensa de acabar com a bruxa que tentava a todo custo atear fogo no lar dos Weasleys, a causadora da angústia de seus amigos. Lestrange, percebendo que começou a ficar em desvantagem por conta da volta dos aurores, decidiu fugir antes que eles conseguissem a capturar.
Assim que os comensais sumiram e o fogo foi impedido de destruir a casa dos Weasley, a garota caiu no chão desmaiada por ter usado muita força e magia para impedir o ataque. Acordou no quarto, sentindo Fred e George acariciando seus cabelos. Ela não deixou de sorrir para os dois, vendo que eles notaram que a amiga havia acordado.
— Por Merlim, Scarlett! Por favor, não nos assusta assim! — George acariciava as bochechas da amiga. — Ficamos tão preocupados! Sabemos que você é poderosa e capaz de se proteger, mas ela era uma comensal. Eu não sei o que faria se algo pior acontecesse com você.
— E eu não poderia deixar que ela machucasse vocês. — A garota olhava para os dois. — Eu não sei o que aconteceria se alguém os ferisse ou coisa pior.
— Não pense nisso, Phoenix, estamos aqui ao seu lado. — Fred se aproximava da amiga, deitando ao seu lado e George do outro lado. — Aliás, não querendo alimentar seu ego nesse momento, mas como você parou o fogo? Sua varinha estava no quarto.
— É verdade, Scar. Você usou magia não verbal contra uma comensal, sua maluca. Parecia que você estava controlando o fogo. — George puxava a mão da amiga para cima, analisando para ver se não estava ferida.
— Acho que ela estava controlando o tempo do fogo. Eu vi que na parte que estava perto de Scar as chamas não se moviam, parecia que o tempo estava congelado — Fred concluía.
— Quer dizer que nossa querida amiga conseguiu controlar o tempo do fogo? Só nossa Phoenix mesmo. Temos que correr, Fred, senão iremos ficar para trás — George dizia, rindo.
— Eu não me importo de ficar um pouco atrás, vendo minha pequena brilhar! — Fred olhava para o rosto da amiga, sorrindo.
— Nossa, como vocês estão melosos! — A mais nova ria e os puxava para perto. — E é obvio que se vocês ficarem para trás, farei de tudo para ficarmos juntos.
Os três acabaram adormecendo juntos, a cena era adorável quando os pais de Bennett e dos gêmeos viram. Eles preferiram não os acordar, mas eles escutaram a conversa toda dos filhos, o que os preocupava, principalmente os pais de Scarlett. Eles precisavam conversar com Dumbledore, ver se ele conseguia alguma informação. A filha estava se tornando cada vez mais forte, e depois da conversa de Sirius sobre a Merlim perdida, eles não poderiam perder tempo. Se Voldemort soubesse que a descendente de Merlim não havia morrido, a segurança dela estaria em risco.
As aulas haviam retornado, para tristeza de Scarlett e de seus pais. Por conta de todos os problemas, não conseguiram aproveitar os momentos juntos. Os pais prometeram para a filha que iriam fazer uma viagem quando tudo acabasse. As semanas estavam tranquilas, sem problemas ou comensais à espreita para os matar. Scarlett acordou às pressas por saber que Ron havia sido envenenado, o que assustou a amiga. Ela correu para a ala hospitalar para saber como o amigo estava. Ao chegar lá, viu que professor Dumbledore, Snape, Slughorn e Minerva estavam fazendo questionamentos para Harry, já que Ron estava dormindo. Hermione e Gina também estavam ao lado do amigo.
— Desculpe atrapalhar, acabei de saber por Luna o que aconteceu com o Billius. Que bom que está bem! — Scarlett falava, ficando próxima do professor Snape.
Lilá Brown apareceu correndo desesperada e parou na frente da cama de Rony, que estava desacordado por conta do remédio. E o escândalo começou. Lilá e Hermione discutindo os motivos do porquê cada uma estava lá. Até que Ron murmurou o nome de Hermione, fazendo Lilá sair do local aos prantos.
— Ai, Rown-Rown! Por quê? — Scarlett dramatizava, fazendo os amigos rirem e vendo um leve sorriso de Minerva, mas recebeu um tapa de Snape na cabeça.
— Tenha modos, senhorita Bennett! — Snape a encarava e saía da sala, vendo que não havia mais motivos para sua presença.
— Morcegão acordou mal-humorado — Scarlett falava para os amigos, rindo.
— UMA SEMANA DE DETENÇÃO, SENHORITA BENNETT — Snape gritava, próximo à saída.
O restante se acabou de rir com a careta que a corvina fazia por receber detenção. No jantar, a garota continuava caçoando do Ron, por conta do fora que ele acidentalmente havia dado em Lilá, mas ninguém queria falar o motivo real para a garota estar tão irritada.
Susana apareceu e Harry foi correndo saber se a menina sabia de algo. Quando Scarlett percebeu, Harry estava indo atrás de Draco. A garota correu para ir atrás deles, sabia que aquele confronto acabaria mal. Quando chegou, Draco estava no chão, havia sido atingido por algum feitiço lançado por Harry e não parava de sangrar.
— Merda, Harry, o que você fez! — A garota abaixava próxima de Malfoy, lançando um feitiço que paralisasse temporariamente o sangramento. — Anda logo, vai procurar ajuda, eu fico aqui com ele.
— Não será preciso. Potter, saia daqui e, senhorita Bennett, fique. Você irá me ajudar com o feitiço para salvar a vida do senhor Malfoy. — Snape se aproximava do garoto, assustando os dois, mas Harry tratou de correr do local.
Com a orientação de Snape, a jovem conseguiu realizar o feitiço, fazendo assim com que o sangue voltasse para o corpo do loiro. Eles então o encaminharam para a ala hospitalar para receber os devidos cuidados. A garota estava desolada, olhava o garoto deitado em sua frente, não entendia o motivo dele estar entrando nessa para ajudar pessoas cruéis que não ligavam para vida do próximo, só queriam poder e glória.
— Por que você se tornou um deles, Malfoy? Você realmente concorda com as ideias deles? Realmente ficará feliz com todas essas mortes? — A garota chorava, olhando o garoto deitado desacordado. Ela tinha visto a marca negra no braço do menino quando o professor não estava olhando.
— Senhorita Bennett, o professor Dumbledore quer conversar com a senhora. — Filch aparecia ao seu lado, a assustando. Antes de sair, olhou mais uma vez para o sonserino, que dormia na cama hospitalar. O destino realmente tinha determinado seus caminhos, e por algum motivo ela se culpava por não poder ajudar o garoto a ver o lado correto.
Chegando à sala de Dumbledore, a garota falou a senha e subiu as escadas para a sala do diretor. Ele estava em sua penseira, olhando algo com um olhar profundo e pensativo. Percebeu a presença da aluna e sorriu, fazendo sinal para que se aproximasse.
— Como vai, senhorita Bennett? Gostaria de perguntar, a senhorita já ouviu falar sobre a lenda dos descendentes de Merlin? — Dumbledore falava, enquanto se sentava em sua cadeira. — Balinhas de torta de limão?
— Não, obrigada, professor. Eu sei bem pouco, professor. A lenda diz que os descendentes de Merlin têm controle sobre o destino, como guardiões do tempo e espaço. A última linhagem foi morta por Voldemort em 1966, não sobrando mais nenhum descendente, mas é só isso mesmo que sei. — A jovem se sentava na frente do diretor, o analisando.
— Isso mesmo, minha cara, está correto! Bom, eu gostaria de lhe entregar esse frasco. Quero que você o carregue como se sua vida dependesse disso, não o largue por nenhum motivo. — Dumbledore lhe entregava o frasco que continha um cordão para usar como um colar.
— Tudo bem, professor, mas para que serve esse frasco? — A garota colocava e analisava o recipiente.
— No momento certo, irá saber. Quando você precisar que acreditem em sua palavra, use esse frasco, e o que está dentro dele só poderá ser usado nessa penseira. — A garota olhava confusa para o professor. — Confie em mim, você saberá quando precisará usar! Agora vá, está ficando tarde.
As aulas foram tranquilas, Harry havia sumido e ninguém queria falar onde ele estava. A corvina sabia que algo estranho estava acontecendo, mas preferiu não questionar. Era seu tempo livre e a garota estava aproveitando, caminhando pelos arredores do castelo, quando esbarrou em Malfoy, que acabou a puxando para longe, levando-a até uma sala vazia. Eles não tinham se falado desde o ocorrido no banheiro dos monitores, aliás, não tinha o que falar, ele já tinha tomado sua decisão.
— Malfoy, eu preciso ir para a minha comunal. — A garota tentava sair do aperto que o garoto proporcionava em seu pulso. — Me solta, Malfoy!
— Por favor, fique aqui. Não vá para os arredores da sua comunal ou a sala dos professores. — Malfoy demonstrava ansiedade com algo e a garota havia percebido. — Vai ter um ataque, e os alunos próximos do local irão se ferir.
— O quê? Você só pode estar de brincadeira, Malfoy. Você vai trazer comensais para dentro do castelo? — Scarlett o encarava nervosa. — Têm crianças aqui, seu idiota. Com o que você estava na cabeça?
— Eu não tive escolha, Scarlett — o garoto brigou com a morena.
— Todos temos escolhas, por mais duras e amargas que elas pareçam, sempre há duas opções no nosso caminho. — Scarlett tentava sair do aperto do garoto, mas, quando percebeu, começou a ficar sonolenta. A garota olhou para o lado e viu que em cima da mesa estava um caldeirão com alguma poção e o seu cheiro a deixava sonolenta. — O que você colocou nessa poção? Me solta, eu preciso avisar os outros.
— Sinto muito, Scarlett, não quero carregar sua morte na minha consciência. Não se preocupe, aqui você estará segura. Eu vou enfeitiçar a sala, ninguém vai entrar ou sair até tudo isso acabar, assim como a poção. — O garoto foi soltando a menina, que se abaixava no chão, pois não tinha forças nas pernas para resistir ao efeito da poção. — Eu realmente queria que em outra vida nós pudéssemos ser amigos. Todas as minhas provocações foram uma tentativa falha de fazer amizade com você, mas estamos em lados diferentes nessa luta, nunca poderíamos ser amigos. Sinto muito!
— Draco, por favor, não vá! Não é tarde para você escolher o lado certo! Eu preciso avisar as pessoas... — A garota acabou adormecendo no chão. O loiro pegou sua capa e a cobriu, se levantou e foi em direção à porta da sala. Antes de sair, deu mais uma olhada na garota no chão, ele queria muito ter amigos como ela.
— Respondendo suas perguntas, eu fui forçado a me tornar um deles. Já não penso como eles, não sei mais o que é dormir tranquilo sem pensar em quantas vidas estão sendo interrompidas. Sinto muito! Adeus, Scarlett. — O garoto saía da sala, e, antes de se afastar da porta, fez um feitiço para que a porta não fosse aberta de nenhuma maneira.
“Você precisa acordar!”
A garota acordou com barulhos de explosão vindos do lado de fora e se desesperou ao lembrar do que Malfoy havia confessado. Ela podia ouvir gritos de desesperos dos alunos. Scarlett se levantou e correu em direção à porta, não conseguindo abri-la de maneira nenhuma. Já estava aflita por ficar presa na sala sem conseguir ajudar ou chamar alguém.
Ao olhar para trás, viu que havia uma janela aberta, foi correndo e lançou o feitiço Accio para sua vassoura, que em poucos minutos apareceu e a garota voou pelo castelo. Já estava se aproximando da torre de astrologia, quando viu o corpo de Dumbledore caindo. Ela tentou ser rápida, mas já era tarde demais. Dumbledore havia sido morto, e o que a assustava mais era que o culpado da sua morte era Snape. A garota estava desolada perto do corpo do professor, os aurores haviam chegado para ajudar, mas já era tarde.
Scarlett estava desolada. No enterro do querido diretor, os gêmeos estavam cada um ao seu lado, apoiando a amiga, mantendo-a de cabeça erguida. O caos já estava formado, Lord Voldemort estava mais próximo do seu sucesso, já que Dumbledore havia morrido. Tudo agora dependia do desempenho de Harry em destruir as Horcruxes e acabar com os planos de Voldemort.


Continua...



Nota da autora: Obrigada por acompanhar Time Out. Comente o que achou, seus comentários animam nós escritores. Beijinhos da Thata.

Feitiços:
Sonorus
é um feitiço usado por um bruxo para tornar sua voz mais alta, usado quando é preciso falar para uma grande audiência.

Tradução da conversa entre Fleur, Gabrielle e Scarlett:
Bonjour Gabrielle, êtes-vous excité pour le tournoi? / Oi, Gabrielle, você está animada para o torneio?
Oui, oui, Fleur n'a pas arrêté de parler un instant du tournoi / Sim, sim. Fleur não parou de falar por um momento sobre o torneio.
N'enfais pas trop, Gabrielle. Jesuis juste excité. / Não exagere, Gabrielle. Estou apenas animada.
Ettu parles français! C'iest Fantastique. Je sais déjà qui va m'aider avec l'anglais. / E você fala francês! Isto é fantástico. Já sei quem vai me ajudar com o Inglês.



Nota da beta: Cada capítulo tem um sofrimento diferente, viu!
Mas confesso que estou cada vez mais ansiosa para saber mais sobre os descendentes de Merlim e a habilidade da Scar de controlar o tempo.


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