Última atualização: 17/02/2021

Capítulo 1

Era uma vez o reino de Auradon. Um lugar encantado, repleto de alegria, animais que cantam, bailes de gala, florestas, príncipes, princesas, unicórnios… e vilões. Bom, não exatamente vilões, mas seus descendentes.
Há décadas, o Rei Fera isolou todos os grandes vilões e seus filhos na Ilha dos Perdidos e cercou o local com uma barreira mágica para evitar que eles voltassem a espalhar o caos pelo reino perfeito de Auradon.
Quando Ben, o filho do Rei Fera, finalmente atinge a maioridade e assume o trono, ele decide que Auradon deve deixar para trás o ressentimento e a discriminação e receber os filhos dos vilões no reino, para juntos construírem um futuro de paz e renovação.
Graças a essa bondosa (ou seria estúpida?) decisão do rei recém coroado, os caminhos de Lonnie e Jay se cruzaram.

Depois de Mal, filha da Malévola; Evie, filha da Rainha Má; Carlos, filho de Cruella de Vil e Jay, filho de Jafar, se juntarem com sucesso aos perfeitos príncipes, princesas e outros herdeiros no colégio Preparatório Auradon naquele ano, a Fada Madrinha decidiu que seria uma boa ideia receber mais alunos filhos de vilões no ano seguinte.
Como a aluna perfeita que era, Lonnie Lee simplesmente não poderia negar preencher seu tempo com mais uma atividade extra curricular. Ao final do primeiro ano do ensino médio, a diretora da escola solicitou que alguns alunos se voluntariassem para serem mentores dos novos alunos filhos de vilões que chegariam no ano seguinte.

- Lonnie, com sua habilidade nos esportes, danças, artes marciais, filosofia, literatura, oratória e redação você é uma candidata PERFEITA ao cargo de mentora. No próximo ano letivo, receberemos mais alunos vindos da Ilha dos Perdidos e gostaríamos que eles fossem recebidos de braços abertos, por pessoas que os farão se sentir acolhidos e os guiarão por esse novo caminho. Os mentores serão preparados durante nosso recesso de verão.
Lonnie sorriu sem graça para a diretora.
- Claro, Fada Madrinha, será uma honra - ela deu um meio sorriso, conforme a diretora abriu um sorriso estonteante
- Eu sabia que você não me decepcionaria - a mulher entregou à garota uma pilha de documentos para serem preenchidos
Como era possível que sua mãe tenha fingido ser um homem perante um exército inteiro, lutado pela segurança e honra de sua família, e seu pai tenha liderado uma tropa e lidado com o luto por perder o próprio pai, enquanto Lonnie sentia que não conseguiria suportar o simples período do ensino médio?


Heranças repletas de ouro e jóias; árvores genealógicas puras; tradição e bondade. Esse universo era o completo oposto de tudo o que Jay conhecia. A barreira que havia entre Auradon e a Ilha pode estar desfeita, mas certas ideias levariam séculos para serem quebradas.
Ele estava acostumado com aventuras, afinal, acordar e sobreviver todos os dias na Ilha dos Perdidos era uma aventura; mas não das boas. Porém, correr riscos na Ilha onde ele nascera e crescera e enfrentar perigos com os quais já estava habituado era algo fácil.
Quando se é filho de um vilão, você nasce sabendo como fugir, se esquivar, mentir, ludibriar e atacar. Mas arriscar-se num lugar longe de casa, onde todos ao seu redor são completamente diferentes de você, era algo infinitamente mais desafiador para Jay, por mais que ele preferisse morrer do que admitir isso em voz alta.



Capítulo 2

Ao sair da sala da Fada Madrinha, Lonnie seguiu andando pelo colégio sem nem ao menos prestar atenção em seu caminho. Sua atenção estava focada nos documentos em suas mãos e em como ela falaria para seus pais que não poderia visitá-los neste verão, pois ficaria no Preparatório Auradon.
Sua mente vagava pelo seu futuro, enquanto seus pés a levaram diretamente para o ginásio da escola. Lá era onde Lonnie podia descarregar todos seus sentimentos, energias, medos e pensamentos que a abalavam. Todas suas preocupações se esvaíam junto de seu suor. A carga de adrenalina que preenchia seu corpo ao correr e desferir golpes a faziam se sentir viva como nada mais.
Quando acordou de seus devaneios que duraram todo o caminho que percorreu, se deparou com a entrada da academia. Ao se aproximar, ouviu suspiros e sons de golpes em um dos sacos de areia que lá ficavam pendurados.
"Droga", ela pensou. "Como posso me concentrar em mim mesma quando há outra pessoa no ginásio?" Lonnie se sentiu levemente irritada ao perceber que não poderia se exercitar sozinha como gostava.
Mas ao adentrar o local, ela deixou sua irritação de lado pois quem estava lá era Jay, um colega da equipe de esgrima por quem ela nutria grande afeição.
Lonnie deixou seus papéis em cima da arquibancada. Notando a presença da garota, Jay parou de surrar o saco de areia e retirou seus fones de ouvido.
- E aí! - ele a cumprimentou com um aceno de cabeça
- Oi! - Lonnie deu um sorrisinho e acenou para o garoto. Mesmo distraída e preocupada com seus pensamentos, ela não podia evitar ser simpática e doce.
Ela sentou na arquibancada ao lado de seus documentos com as mãos nos bolsos e passou a observar Jay em seu treino. Lonnie admirava o talento dele para os esportes. A raiva e a brutalidade faziam com que Jay fosse um ótimo esportista, e o levaram a ser um dos melhores jogadores do time de lacrosse da escola e o capitão da equipe de esgrima. Mas a menina era capaz de ver que ele era, acima de tudo, dedicado. Ele tinha um dom, mas não deixava de treinar e tentar se superar em cada competição.
A agilidade e rapidez com que ele se movia; o suor que escorria de seu rosto; a expressão que ele fazia cada vez que colocava mais e mais força nos socos que desferia contra o saco de areia; Lonnie apreciava cada detalhe daquela cena.
De repente ela percebeu que o assistia com demasiada atenção e isso não era bom, pois Jay era um cara legal mas extremamente arrogante em relação às meninas. Se uma delas olhasse para ele por mais de 15 segundos, ele passaria dias acreditando ser o cara mais bonito e charmoso de todo o reino de Auradon. Lonnie não queria passar esta impressão, portanto abaixou a cabeça antes que ele notasse seus olhares.
- Você veio aqui só para me ver treinar ou vai fazer alguma coisa? - ele parou de se movimentar e riu para Lonnie
- Eu queria passar um tempo me exercitando, me ajuda a relaxar. Mas não quero atrapalhar você, posso treinar mais tarde - ela sorriu sem graça
- Muita coisa na cabeça? - Jay a olhou com curiosidade
- Sim. Muitas preocupações - ela suspirou e deu de ombros - Mais do que eu aguento, mas ainda assim, menos do que eu deveria ter.
Jay olhou fundo nos olhos dela, sério.
- Você não me atrapalha. Vamos fazer umas séries juntos! - ele acenou com a mão, chamando a garota - Você é bem fraquinha, acho que eu posso te ensinar algumas coisas! - riu

Lonnie revirou os olhos e mostrou a língua para ele. Ela tirou seu moletom e o jogou no banco enquanto descia a arquibancada.


Capítulo 3

Jay e Lonnie deixavam o ginásio em silêncio, pensativos, apenas o som de suas respirações descompassadas pairava no ar.
Um vento frio desarrumou o cabelo deles, que olharam um para o outro.
- Desvantagens de ter cabelo longo - Jay riu e Lonnie o acompanhou, concordando
Ambos ajeitaram seus longos cabelos pretos e sorriram ao perceber que tinham essa característica em comum. Andaram mais alguns passos em silêncio antes de Jay tirar seus olhos do céu estrelado e focar na garota ao seu lado.
- Lonnie, posso te fazer uma pergunta? - ele rapidamente desviou o olhar antes que ela o fitasse
- Claro - Lonnie o olhou curiosa
- Por que você sempre foi gentil comigo? - mas ele logo se apressou em dizer - Quer dizer, não só comigo, é claro. Com todos os filhos dos vilões.
Lonnie também olhou para as estrelas e refletiu por um momento.
- Jay, eu tenho profundo respeito por todos os corações que habitam essa terra. Não consigo ver você e seus amigos como apenas filhos dos vilões. Pra mim, vocês são alunos e meus colegas como todos os outros.
- Mas você não tem medo de mim? - ele cerrou as sobrancelhas para ela enquanto trocava sua mochila do ombro esquerdo para o ombro direito
Lonnie não foi capaz de segurar o riso.
- Medo de você? Jay, você é forte, rápido e pode facilmente dar uma surra em alguém. Mas existem coisas piores do que isso, como crueldade, preconceito, amargura…
- Hey, eu sou o cara mais cruel, preconceituoso e amargo em todo o reino! - Jay protestou, se virando de frente para Lonnie
- Mais cruel, preconceituoso e amargo? Esse pode até ser o seu pai; você é, no máximo, revoltado… - o tom de voz de Lonnie diminuiu gradualmente enquanto ela notava o sorriso no rosto de Jay diminuir também
- Jay, desculpe. Eu não quis depreciar seu pai. - ela abaixou a cabeça, sem graça
O garoto apenas deu de ombros.
- Eu já estou acostumado, essa é a bagagem que tenho de carregar por ser filho do grande Jafar - ele disse as últimas palavras com uma voz afetada, desejando demonstrar a fama e a grandeza de seu pai - Ele adoraria ouvir você falando assim sobre ele; seria música para seus ouvidos.
Eles contornaram uma das grandes fontes do jardim, indo em direção aos corredores dos dormitórios.
- Você é parecido com ele? - ela quis saber - Não fisicamente, mas no seu jeito de ser.
- Mais do que eu gostaria… - Jay sussurrou, mas no segundo seguinte corrigiu sua postura e fechou a cara - Quer dizer, MENOS do que eu gostaria. Meu pai é o rei dos traidores e indignos de todo o Oriente Médio; eu jamais conquistarei a honra de ser tão vil quanto ele.
Lonnie riu baixinho
- É isso mesmo que você quer, Jay? Ser tão mal quanto ele? Sabe, as vezes eu acho que vocês não são tão ruins como seus pais. Fala sério, se o terrível Jafar encontrasse a filha de uma princesa andando sozinha pelo colégio a noite, ele a acompanharia até o dormitório ou a sequestraria para colocar em prática algum plano maligno? - ela cruzou os braços e olhou para Jay com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso esperto
Ambos pararam em frente à porta do quarto dela.
- Bom, obrigada pela companhia hoje, vilãozinho. Boa noite - ela se despediu enquanto destrancava a porta
- Boa noite, princesinha - Jay a fez rir fazendo uma reverência exagerada - Qualquer dia a gente se encontra de novo para treinar. Eu vou te deixar na lona!
Lonnie levantou uma sobrancelha em tom de deboche.
- Qualquer dia e qualquer hora
Jay já estava quase no fim do corredor quando parou e deu meia volta.
- Hey, por acaso você disse que me acha forte e rápido? - ele deu um sorriso confiante que fez Lonnie revirar os olhos
- BOA NOITE, JAY! - ela bateu a porta


Deitado em sua cama, Jay não conseguia dormir. Em parte, por culpa dos roncos de seu amigo e roomate Carlos, e de Dude, seu pulguento de estimação. Porém, a conversa que teve com Lonnie mais cedo se repetia em sua mente várias e várias vezes.
Em pouco tempo de diálogo, ele se abriu de maneira que nunca havia feito antes, nem com seus amigos ou com seu pai. Afinal, o poderoso Jafar ensinou tudo o que Jay sabe, mas nunca esteve disponível para que o filho criasse algum laço com ele. Os poucos sentimentos que um vilão possui devem ficar sempre escondidos, como uma velha lâmpada mágica numa caverna.
Mas ele pensava não só na conversa com Lonnie, como também no treino que tiveram juntos. Seus movimentos cuidadosos, os golpes calculados, a leveza e a graciosidade. Jay nunca viu uma garota lutar assim. Com certeza não se encontra uma garota como ela em toda a dinastia.



Capítulo 4

O refeitório do Preparatório Auradon estava mais silencioso do que nunca. A balbúrdia dos jovens alunos comendo e fofocando durante as refeições foi substituída pelas enormes mesas quase vazias. Poucos alunos permaneciam na escola durante o recesso de verão. Os filhos dos vilões sempre ficavam, é claro, pois mesmo o reino perfeito e cor de rosa de Auradon era melhor do que voltar para a Ilha dos Perdidos, um lugar imundo, amargo e infeliz. Lá ninguém nunca podia baixar a guarda. Jay sentia falta de suas aventuras, mas era bom não ter de se preocupar com gente perigosa e desonesta o tempo todo. Não que Auradon fosse um lugar perfeito…
Jay ficou sozinho na mesa depois que Mal, Evie e Carlos terminaram de jantar e retornaram para seus quartos. Tomando o último gole de seu refrigerante, ele viu Lonnie entrar no refeitório desacompanhada. Ele acenou para a garota enquanto ela se servia. Quando reparou na presença de Jay, ela logo sorriu e se dirigiu até a ele com sua bandeja em mãos.
- Posso sentar? - ela perguntou gentilmente
Ele afirmou com a cabeça e sentou corretamente no banco, retirando suas pernas que estavam cruzadas em cima da mesa.
- Achei que você e seus amigos preferiam comer no quarto - Lonnie comentou enquanto remexia seu macarrão com queijo
- De vez em quando decidimos sair dos quartos e vir socializar com as pessoas, fazer amigos, olhar umas gatinhas, sabe como é né?! Para tentarmos parecer mais normais, como vocês.
- Como nós? - Lonnie riu - Jay, agora nós todos fazemos parte da mesma comunidade.
- Que lindos! Príncipes, princesas e filhotes do mal unidos numa só voz! Vamos cantar uma bela canção sobre amizade? - ele debochou fazendo uma voz aguda, imitando uma princesa e Lonnie quase engasgou com sua comida ao gargalhar
- Eu estive pensando sobre nossa última conversa. Você disse que não me acha tão mal, não é? Pois então porque não me deixa te mostrar um pouco do que eu sei? - ele sorriu de lado e levantou uma sobrancelha
- O que você quer dizer? - ela perguntou enquanto limpava o canto da boca com um guardanapo
- É simples, princesinha: não pergunte, apenas viva. É assim que fazemos na Ilha.
Lonnie ficou surpresa e um pouco confusa com a proposta. Afinal, o que Jay queria? De qualquer forma, ele era muito brincalhão e ela confiava nele, então se deixou levar. Jay apenas encarou a porta da cozinha que ficava nos fundos do refeitório.


Quando enfim os últimos alunos presentes no refeitório foram embora e as cozinheiras trancaram a porta da cozinha e da despensa, Jay pôde parar de jogar conversa fora com Lonnie e colocar seu plano em prática.
- Sabe de uma coisa, Lonnie? - ele bateu a mão na própria testa - O treinador me indicou algumas vitaminas que eu devo tomar para aumentar meus músculos - ele sorriu e mostrou os bíceps para tentar impressionar Lonnie
- E daí? - ela respondeu com desdém
- E daí que eu deveria começar a tomá-las HOJE, porém todos os suplementos ficam guardados na despensa da cozinha e as cozinheiras já foram se deitar.
- Oh, você pode pedir para a Fada Madrinha abrir a porta da cozinha para você.
- E correr o risco de ir ao quarto dela e vê-la usando camisola? Lonnie, por Deus! Vem, eu tenho certeza que você pode me ajudar com isso! - ele levantou rapidamente a puxando pela mão até a porta da cozinha e ela o acompanhou sem entender nada
- Por acaso você tem um grampo de cabelo aí? - Jay questionou
- Um grampo? Por que você q… - Lonnie começou a questionar, mas antes que ela pudesse encerrar, ele puxou um dos grampos que prendiam o cabelo dela - AI, JAY! POR QUE FEZ ISSO?
- Para podermos entrar na cozinha, ué - ele deu de ombros e esticou o grampo na direção dela
- Você quer que eu abra a porta com um grampo? Jay, isso não é uma boa ideia. Por que simplesmente não pede que alguém abra a cozinha para você pegar suas vitaminas ou sei lá?
- Fada… Madrinha… DE… CAMISOLA! - ele falou entre dentes - E além disso, eu poderia destrancar a porta com esse grampo, mas minha mão está doendo. Lesão esportiva, sabe como é né?! Ser um bom atleta às vezes tem um preço alto. Agora anda logo, estamos perdendo muito tempo!
Jay sussurrou para Lonnie as instruções para que ela pudesse destrancar a fechadura com o acessório. De joelhos em frente a porta e com o ouvido próximo à fechadura, Lonnie comemorou quando finalmente ouviu o som da tranca sendo aberta.
- Shhh! - Jay a repreendeu
Eles entraram na cozinha e Jay empurrou a porta atrás deles com cuidado para não fazer barulho nem trancá-la novamente sem querer. Ele andou por todo o recinto rapidamente, abrindo todos os armários até achar o que queria.
Lonnie esbarrou em uma panela em cima do fogão e a derrubou, fazendo Jay ficar com uma expressão exasperada.
- Desculpe! - Lonnie murmurou - Jay, o que está fazendo???
Jay pegava todos os chocolates que podia e os guardava nos bolsos, nos sapatos, dentro das roupas e até embaixo de sua touca. Ele chegou até a colocar alguns nos bolsos de Lonnie e sugerir que ela escondesse uma barrinha no meio do seu cabelo comprido. Antes que ele pudesse responder à pergunta dela, eles ouviram passos pesados indo na direção deles.
- Malditos ratos! Se a Fada Madrinha tivesse me deixado colocar ratoeiras na minha cozinha... - a cozinheira chefe resmungava em alto e bom som, provavelmente desejando que a Fada Madrinha estivesse pelo corredor e a ouvisse - Aposto que essas ratazanas que invadem a despensa não sabem fazer faxina e costurar vestidos de baile.
Jay e Lonnie se olharam surpresos e correram para se esconder debaixo dos balcões, mas tentando fazer o menor barulho possível. Escondidos em lados opostos da cozinha, ambos prenderam a respiração ao ouvir a velha mulher entrar no cômodo e acender as luzes.
Ela semicerrou os olhos e olhou por toda a volta com seus olhos míopes, procurando por algo que estivesse se remexendo. Pegou uma vassoura e começou a andar com passos curtos e cuidadosos, olhando por todos os cantos.
- Ratatouille, cadê você? - a cozinheira cochichou
Lonnie avistou uma bandeja de frutas em uma mesinha, em frente ao balcão onde ela se escondia. Sem pensar duas vezes, agarrou uma das laranjas que lá estavam e a jogou no chão, fazendo-a rolar até o fim da cozinha.
A movimentação chamou a atenção da senhora, que correu na mesma direção da fruta, pronta para atacar o falso rato. Ela estava tão dedicada a pegar o animal, que se distraiu indo atrás da laranja e não viu quando Lonnie e Jay saíram debaixo dos balcões e correram para fora da cozinha. Ambos correram sem parar e sem olhar para trás até chegarem no corredor dos dormitórios.
Entraram ofegantes no quarto de Lonnie e trancaram a porta. Mal conseguiam falar com a respiração falhada. Jay começou a rir e Lonnie o acompanhou.
- Não acredito que eu acreditei em você! Essa história de pegar vitaminas na cozinha foi tão idiota, como pude me deixar levar?
- Garota, o Carnaval de New Orleans é menos barulhento do que você! Quase fomos pegos várias vezes.
- É claro que quase fomos pegos, Jay! Eu nunca invadi algum lugar ou roubei alguma coisa. Você é o expert nisso.
O rapaz ficou envaidecido e começou a pegar todos os chocolates que escondeu nas roupas e jogá-los em cima da cama da amiga.
- Obrigado, obrigado. Eu sou um expert mesmo.
- Vitaminas, como sou burra… E agora sou cúmplice! - Lonnie falava sozinha e ria de nervoso
- Bom, já está tudo aqui, não é? Não há como devolver, então vamos comer - ele apontou para os doces na cama. Lonnie deu de ombros.
- Um chocolate não vai matar ninguém, não é?!
Eles se sentaram e começaram a devorar os doces. Entre uma mordida e outra, trocavam algumas palavras.
- Eu disse que ia te ensinar um pouco do que eu sei. O que achou? - Jay perguntou
Lonnie engoliu alguns MMs.
- Errado! Roubar não é certo, Jay - ela o repreendeu - Mas de qualquer forma, foi… DIVERTIDO!
O garoto se surpreendeu com a resposta de Lonnie, que continuou a falar animadamente.
- Foi tão legal aprender a abrir uma porta trancada com um grampo. De repente tivemos que achar esconderijos em dois segundos e eu tive certeza que seríamos pegos MAS DEU TUDO CERTO! - Jay riu da animação da garota
- Ok, calma! Foram só algumas sobremesas, parece até que entramos na caverna do Ali Babá e os 40 ladrões. Agora você me entende, pois é assim que eu vivia na Ilha. Sempre me esgueirando, andando em becos escuros mais silencioso do que um gato, fugindo, me escondendo, roubando - ele suspirou
- Parece que você se divertia.
- Fica um pouco chato depois de um tempo. Nunca poder confiar em ninguém é cansativo. Como meu pai sempre diz: "eu não sou um time".
- Talvez você não goste dessa vida, mas só se acostumou com ela. Afinal, era a única forma de vida que você conhecia até vir para Auradon - Lonnie segurou a mão de Jay e ele piscou algumas vezes, surpreso.
- Sei lá, pode ser. Você me faz pensar muito, eu não gosto disso, minha cabeça dói! - ele fez uma expressão de desagrado e a menina riu
- Mas preste atenção: não me coloque mais em enrascadas como esta! Meu diploma não pode ser manchado por regras quebradas - ela disse séria
- Ah, qual é?! Se a Dona Mulan não tivesse quebrado algumas regras o exército chinês estaria morto.
Lonnie suspirou fundo e se jogou de costas na cama
- Nem me fale.
- O quê? Não gosta de falar sobre a guerra? Foi mal - Jay abaixou a cabeça envergonhado
- A guerra passada não é o problema. O que me incomoda é o futuro.
- A CHINA VAI ENTRAR EM GUERRA DE NOVO??? - Jay se assustou e pulou no colchão
- Não, garoto! Não é nada disso.
- Então o que é que te incomoda?
- Meu futuro me preocupa. Eu quero me formar na escola e me alistar na Guarda Imperial de Auradon. Minha família me apoia, mas todos sempre me chamam "a nova Mulan". E se eu nunca for tão valente e boa guerreira quanto ela? Ela faz parecer tão fácil; fala sobre ter se disfarçado para guerrear como quem vai ao jardim colher flores. Eu a admiro tanto que não quero ser uma desonra.
Jay ficou sem reação. Ele não entendia como era possível que as meninas sentissem tantas emoções ao mesmo tempo. Lidar com seus amigos parecia muito mais fácil para ele.
- Bom… - ele começou - desonra parece um pouco exagerado, não? Uma coisa que aprendi aqui em Auradon é "só atravesse a ponte quando chegar nela". Ainda não se preocupe sobre ser uma guerreira; por enquanto, seja só a Lonnie.
Ela deu um pequeno sorriso e respirou fundo.
- Agora, princesinha, aproveite seu chocolate grátis.

Jay se despediu com um aceno de cabeça e levantou rapidamente. Correu até a janela do quarto, abriu-a e pulou para o jardim, como um fugitivo. Antes que Lonnie pudesse levantar e ir até a janela, ele já havia desaparecido na noite.


Capítulo 5

Dividindo seu tempo entre treinos esportivos, seminários da Fada Madrinha sobre o programa de mentoria e se reunir com os poucos colegas que permaneceram na escola, Lonnie tinha uma rotina quase tão cheia quanto no período letivo.
Num sábado, ela decidiu se dar o presente de dormir até mais tarde, para descansar depois de uma semana atribulada. Mas alguém não estava de acordo com ela.
Uma melodia afinada apareceu na mente de Lonnie, e de início ela pensou ser apenas parte dos seus sonhos, mas o som continuou insistente. Ela abriu os olhos relutante e olhou à sua volta, notando que o som não vinha do seu quarto. Irritada e amaldiçoando até a décima geração de quem a acordou, Lonnie foi até a janela e abriu a cortina, tomando um susto.
Ela abriu a janela e coçou os olhos, achando que era apenas uma miragem. Sorriu ao perceber que era real.
- Bom dia, princesinha.
Por algum motivo estranho, Jay decidiu acordar num sábado de manhã e ir tocar flauta debaixo da janela de Lonnie. E tocar muito bem, diga-se de passagem.
- Você está tentando encantar alguma cobra com essa flautinha?
- Encantar não, mas acordar. E parece que eu consegui! - ele gargalhou e Lonnie bufou
- Jay, o que você está fazendo aqui? - ela ajeitou os cabelos bagunçados num coque e sentou na janela
- Sei lá, hoje acordei com vontade de te perturbar. E quis mostrar mais um pouco do que eu sei - ele balançou a flauta na mão
Lonnie deu um sorrisinho e apenas aceitou que não iria mais voltar a dormir.
- Vou me trocar e já desço para falar com você. Espere aí! - ela virou as costas mas deu meia volta antes de fechar as cortinas - Ah, e obrigada pela serenata.
O comentário deixou Jay sem graça.
Lonnie se arrumou rapidamente e logo voltou à janela. Com um pé apoiado no parapeito, ela acenou para que Jay se afastasse.
- O que você vai f…
Antes que o rapaz concluísse sua pergunta, Lonnie havia pulado da janela de seu quarto no segundo andar diretamente para o jardim. Levantou e em seu rosto havia uma expressão de satisfação.
- Eu tenho treinado um pouco de parkour desde o último dia que nos vimos.
- Muito bom!
- Eu nunca imaginei que você fosse ligado em artes. Mesmo tendo me irritado pois me acordou, tenho que admitir que você toca bem.
- Não sou ligado em artes, mas a flauta é uma parte importante da música no Oriente Médio. Pode não parecer, mas eu tive contato com a nossa cultura desde criança, bnt jamila!
Lonnie o olhou sem entender.
- O que?
- É 'garota bonita' em árabe.
Ela sentiu suas bochechas corarem.
- Xièxiè nǐ, péngyǒu. Obrigada, amigo - ela sorriu para ele e fez um gesto de agradecimento típico do Kung Fu. Encostou na palma de sua mão esquerda aberta, a sua mão direita fechada, como se socasse sua mão esquerda.
- Talvez um dia você possa me levar para um de seus roubos na Ilha. Mas só se roubarmos comida e darmos aos pobres! - Lonnie disse de repente
Jay a olhou com uma cara de desdém.
- Eu sou filho do Jafar, não do Aladdin - e revirou os olhos - E além disso, eu nunca levaria você para aquele lugar asqueroso.
- Você poderia aprender algumas coisas com o Aladdin.
- Tipo o quê???
- Tipo ser charmoso e elegante como ele - os olhos de Lonnie brilharam - Fala sério, ele é o príncipe mais bonito do reino! E a deixar as garotas viverem suas aventuras.
Jay fez cara de nojo.
- Lonnie, nós somos amigos mas não sou uma princesinha, ok? Não fale sobre homens comigo - e cruzou os braços fingindo irritação enquanto Lonnie ria
- Bom, falando em aprender, eu estive pensando em te ensinar algo que eu sei. Você já atirou com um arco?
- Tipo o Robin Hood? Não.
- Então essa é a sua chance. Vamos!
A garota puxou Jay pela mão e juntos foram até o ginásio do Preparatório Auradon. Fizeram todo o caminho de mãos dadas, um gesto carinhoso que Lonnie fez espontaneamente. Jay se sentia tão confortável ao lado dela que nem percebeu, apenas segurou a mão dela de volta.
- Você sente saudade da Ilha dos Perdidos?
- Claro, é o lugar onde nasci e cresci. Mas atualmente, tudo e todos que eu preciso na minha vida estão aqui em Auradon.
- E o seu pai? Não precisa dele por perto também?
- Jafar e saudade são duas coisas que não combinam. Eu gosto dele, é claro, mas é bom estar longe. Aqui eu posso ser eu mesmo, e não o substituto do papagaio Iago que meu pai quer que eu seja.
- Mas ele deve sentir sua falta, tenho certeza. Jafar pode ser um vilão mas ainda é seu pai.
- Ele com certeza sente falta das coisas que eu roubava para ele vender no mercado negro; da comida que eu levava para casa; da proteção que eu proporcionava à ele. Desde que nasci ele tenta me fazer ser um vilão tão grandioso quanto ele, mas quando cheguei em Auradon eu percebi que talvez, só talvez, eu tenha a chance de ser algo diferente.
Lonnie diminuiu o passo e olhou fundo nos olhos de Jay.
- Engraçado, não apenas nossos mundos são opostos, mas NÓS somos opostos. Enquanto você quer ser diferente de seu pai, eu luto todos os dias para ser igual à minha mãe. Será que um dia o mundo vai nos olhar apenas como Lonnie e Jay?
- Eu espero que sim. Mas enquanto esse dia não chega, saiba que eu já vejo apenas a Lonnie quando olho para você. Óbvio que é muito legal o fato de você ser filha da mulher que chutou várias bundas do exército inimigo, mas ela não define quem você é.
A essa altura eles já haviam deixado de andar e estavam parados no jardim, olhando ternamente um para o outro. Jay levantou suavemente o queixo de Lonnie, que desviou o olhar. O momento durou alguns segundos, mas para ambos pareceu uma eternidade.
- Acho que deveríamos ir, estou ansiosa para te ver errando todos os alvos - Lonnie sussurrou e mudou de assunto
Jay suspirou e a acompanhou.


E Lonnie estava certa, pois Jay errou todos os alvos iniciais. Ela fez algumas rodadas de teste com ele, pois acreditou que seu jeito atlético o faria ter certa facilidade com a modalidade de arco e flecha, mas não foi o que aconteceu. Na verdade, a maioria das flechas nem chegavam a voar; apenas caíam diretamente no chão.
- Eu te acordei com uma bela serenata e você agradece me trazendo aqui apenas para me humilhar. Inacreditável, Lonnie! - Jay protestou
- Você logo pega o jeito! Você está segurando o arco de maneira tensa, parece que tem medo dele. Deixe eu mostrar como se faz.
A menina pegou o arco e uma flecha, se posicionou e sem pensar duas vezes acertou o centro do alvo mais distante.
- Uau, é muito simples. Simplesmente atire e acerte o centro do alvo! - ele debochou
- Venha aqui, vou te ajudar.
Ele andou até ela a contragosto. Ficou de frente para o alvo redondo e segurou o arco e a flecha.
- Não fique de frente, mas um pouco de lado. Um pé na frente e outro levemente atrás - Jay corrigiu sua posição - Agora imagine uma linha que vai daqui, onde você está, até o alvo. Esse caminho já existe, você só precisa vê-lo em sua mente.
Jay colocou a flecha na corda do arco e se posicionou como Lonnie instruiu, segurando a flecha com três dedos.
- Agora, respire fundo antes de atirar, sem pressa. Lembre que uma flecha só pode ser lançada se for puxada para trás.
Jay atirou e logo em seguida ouviu gritos animados de Lonnie.
- Eu falei que eu ia te ensinar! Não foi tão difícil agora, não é?!
Ele observou a flecha cravada no pequeno círculo vermelho do alvo.
- Na verdade eu sou profissional no arco, apenas quis te surpreender - Jay se gabou
- Garoto, até dois minutos atrás você era um perigo pra você e para mim com esse arco na mão! Mas não precisa me agradecer, estou disponível para mais aulas sempre que quiser
Lonnie pegou o arco da mão de Jay e pediu para que ele se afastasse. Ela foi até sua mochila, pegou uma maçã e posicionou no topo da cabeça dele, que estava parado a alguns metros de distância.
- Lonnie… não me diga que você vai realmente fazer isso? - ele tinha uma expressão de puro nervosismo - Eu não aceitei participar disso!
- Shhh, não se mexa! Me deixe mostrar meu talento.
Jay se virou para os lados nervosamente.
- Eu disse para não se mexer! O que está fazendo?
- Só estou tentando descobrir para qual direção fica Meca. Preciso orar um pouco antes da minha morte.
Lonnie suspirou impaciente o vendo colocar a maçã em cima da cabeça novamente e cerrar os olhos.
Jay apenas ouviu o som da flecha cortando o ar e a maçã caindo a seus pés. Lonnie foi até a fruta saltitando de felicidade e a pegou, pegando a flecha de volta. Ela deu uma mordida na fruta e ofereceu um pedaço para Jay, que suava frio. Ele ficou nervoso, mas não podia negar para si mesmo que nunca se sentiu tão atraído por uma menina antes.


Com apenas um abajur iluminando o quarto, Lonnie encerrou seu dia escrevendo uma carta para a mãe, de quem sempre fora muito próxima. Ambas se falavam pelo telefone com frequência, mas trocar cartas era uma tradição entre elas.
Ela fazia cada ideograma tradicional chinês de maneira cuidadosa, sem deixar o pincel pingar tinta nanquim no papel.

Mamãe,

Sei que demorei para escrever novamente, mas as últimas semanas tem sido tomadas por seminários e treinos, me desculpe. Porém, entre uma tarefa e outra, pude me aproximar de uma pessoa que você iria adorar conhecer.
O nome dele é Jay e fazemos parte da equipe de esgrima do colégio. Ele tem feito meus dias aqui mais divertidos, mesmo entre tantas obrigações.
Eu tenho aprendido tanto sobre a vida dele, suas tradições e sua família. E você não pode imaginar a alegria que sinto em poder compartilhar com ele um pouco de mim.
Sempre tive tanto medo em não ser boa o suficiente para que as pessoas se admirassem de mim, que estava distraída demais para perceber que já faço várias coisas que me deixam orgulhosa de mim mesma, e Jay me fez perceber isso. Ele parece gostar de mim por quem EU sou.
Espero que você e papai possam conhecê-lo na sua visita semana que vem.

Com amor e saudades,

Lonnie



Capítulo 6

Jay estava no jardim do Preparatório Auradon desde a manhã, pulando entre os bancos de pedra, se pendurando nos galhos das árvores e exercitando outras manobras de parkour. Os esportes sempre foram o refúgio para onde corria quando algo não estava bem. Ele tinha essa característica em comum com Lonnie. Ah, Lonnie…
Falando na princesa, ela vinha caminhando pelo jardim com o arco e algumas flechas na mão. Excepcionalmente bonita, pois vestia um vestido rosa e azul, diferente das roupas esportivas que usava no dia a dia.
- Oi! Eu pensei em praticar um pouco de arco antes dos meus pais chegarem para o dia de visita da família - ela disse animada
Jay respondeu sem parar seu treino.
- Hoje eu não posso, tenho algumas coisas para fazer
- Mas hoje é domingo, o que você tem para fazer?
- Coisas pessoais.
- Jay, tá tudo bem? Você esteve sumido nos último dias
- Lonnie - ele finalmente parou de se exercitar e andou na direção dela - Olha só, você é uma garota legal, mas não quero que se machuque. Não pense que o fato de termos passado alguns momentos juntos nas últimas semanas, nos torna automaticamente amigos, ok?!
Lonnie sentiu seus olhos encherem d'água.
- Jay, como assim não somos amigos? Nós nos damos tão bem, eu te compreendo e você me compreende. Aliás, eu sou uma das únicas pessoas na escola que te tratou bem desde quando você chegou.
- Eu sei disso, e agradeço. Mas agora, vai ser melhor para nós dois se nos afastarmos.
- Não entendo essa sua mudança súbita. Eu fiz algo ruim para você?
- Não Lonnie, EU sou ruim! Você não entende isso? - Jay falou em voz alta - Ontem eu finalmente falei sobre você com meu pai, pois as últimas conversas que nós tivemos me fizeram pensar que talvez valesse a pena me aproximar dele. Mas ele me disse a verdade: eu e você nunca daríamos certo. Como você mesma disse: somos opostos! Eu sou um vilão e enquanto eu viver, é só isso que eu serei. Eu não sou rico ou honrado como as pessoas com quem você está acostumada a fazer amizade, ou se apaixonar, sei lá.
- E eu não sou a princesinha delicada e frágil que a maioria dos meninos esperam. Vai dizer que isso te incomoda também?
- O que? Claro que não, Lonnie! Muito pelo contrário; isso é parte do que me fez gostar de você! - a emoção fizera o garoto gritar a última frase
- Homens fortes não têm medo de mulheres bem sucedidas - de repente uma voz masculina chamou a atenção de Lonnie e Jay
Lá estavam eles, Fa Mulan e o General Li Shang. Ambos foram ao encontro de Lonnie e a abraçaram.
- Mãe, pai, quando vocês chegaram?
- Logo agora. Não a encontramos em seu quarto, então viemos procurá-la - Mulan respondeu - E você deve ser Jay?
Jay se surpreendeu com a mãe de Lonnie se dirigindo à ele, e fez uma reverência meio sem jeito.
- Jayden Max, à seu dispor.
Os pais de Lonnie se entreolharam e riram.
- Tudo bem, rapaz. Nenhum amigo da nossa filha precisa nos tratar com tanta formalidade - Shang quebrou o gelo
- Lonnie, nós não pudemos evitar ouvir sua conversa. Por tudo o que você me disse em sua última carta, parece que Jay é realmente uma boa pessoa para se manter por perto - a mulher sorriu para a filha e colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha - E Jay, nossa origem faz parte de quem somos, mas não nos define por completo. Você só será um vilão se decidir ser um. Não se deixe ficar à sombra de seu pai ou de qualquer outra pessoa; é um desperdício de vida.
- Muito obrigado, rainha. Princesa. Ou capitã. Me desculpe, não sei qual é seu título - ele tremia nervosamente
- Apenas Fa Mulan.
- Ou pode chamá-la de sogra - Shang sussurrou para Lonnie, provocando a filha
- O que? - Mulan e Jay perguntaram
- Nada, nada. A tarde está apenas começando, podemos ir almoçar? Jay, nos acompanha?
- Eu? Não. Muito obrigado, mas podem ir sem mim.
- Jay, hoje é dia da família no colégio. Eu não te deixaria sozinho - Lonnie esticou a mão direita para que Jay a segurasse. Ainda sem jeito, ele aceitou o gesto e a seguiu.
Mulan e Shang olharam um para o outro ternamente e sorriram.

- A flor que desabrocha na adversidade é a mais rara e mais bela de todas - Mulan disse baixinho, para si mesma.


Fim.



Nota da autora: Sem nota.

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