Contador:
Última atualização: 22/03/2021

Prólogo


— Você sabe que ele não vale a pena, não é? — Hannah Abbott e me viu olhando para Draco Malfoy pela quinta vez naquela manhã enquanto tomávamos café antes da aula. Sairíamos mais cedo para a primeira tarefa do Torneio Tribruxo e, enquanto todos da escola estavam atentos ao evento, eu observava o garoto de cabelos loiros na mesa da Sonserina.
Não era de hoje que ele me chamava atenção. O garoto que tanto se esforçava e continuava nas sombras. Escondido atrás do nome da sua família e da postura arrogante, ninguém enxergava quem Malfoy era. Talvez por eu ter a mania de confiar sempre no melhor das pessoas, um dos motivos para o chapéu seletor ter me colocado na Lufa-Lufa, o garoto me intrigava.
— Eu sei. — Mentira. Eu já tinha tido essa conversa com Hannah várias vezes, mas eu sabia que não adiantava explicar.
, pela primeira vez a Lufa-Lufa está tendo o destaque que merece. Todo mundo está reunido da sala comunal para apoiar Cedrico na tarefa hoje. Será que você não poderia deixar essa obsessão de lado ao menos por algumas horas? — Abbott não concordava comigo. Ninguém concordava.
Mas eu tinha resolvido que o Torneio Tribruxo seria o momento exato de ir atrás de Malfoy. Ele estaria longe dos holofotes e, depois da campanha “Potter fede” ter sido aderida também pela Lufa-Lufa, ele havia se aquietado.
Ou pelo menos era o que dava a impressão. Sempre com seus leais Crabble e Goyle parecendo guarda-costas o escoltando pelos corredores de Hogwarts. Mas eu já sabia que às vezes Draco fugia dos amigos, cansado das mesmas conversas imbecis. E seria nessa hora que eu iria atrás dele.
As aulas demoraram a passar. Não parecia que uma única pessoa prestava atenção nas aulas. A escola estava dividida entre apoiar Harry Potter e xingar o garoto. Era uma ilusão os lufanos acharem que alguém estava apoiando Cedrico. Mais uma vez Potter tinha conseguido roubar toda a atenção para si.
Quando fomos finalmente liberados, corri para sala comunal para trocar de roupa. Eu amava a sala comunal da Lufa-Lufa: muitas plantas, sempre recebíamos visitas de animais e seres mágicos e éramos mimados o tempo inteiro pelos elfos domésticos. No primeiro ano eu ganhei dez quilos pela proximidade com a cozinha. Por sorte, naquele ano ainda estava em fase de crescimento e logo perdi os quilos extras.
Hoje a cozinha não me impressionava mais. Mesmo que em noites de insônia era fácil escapulir para tomar um chocolate quente sem ser pega nos corredores pelo Fitch. Não que o aborto se importasse com os alunos da Lufa-Lufa. Era uma vantagem ser visto como mais fraco.
Mas, naquele dia, a sala comunal da Lufa-Lufa estava insuportável. Para chegar no meu dormitório tive que me espremer atrás de alguns alunos do primeiro ano que tentavam escutar o que Cedrico Diggory falava no centro da sala.
Eu não fiquei para ouvir. Hogwats tinha outro campeão e sabíamos muito bem quem o Ministério iria apoiar.
A verdade é que eu sempre preferi ficar na minha ao invés de fazer amizade em Hogwarts. Claro que eu tinha alguns colegas mais próximos como Hannah Abbott e Malcolm Preece, artilheiro do time de quadribol da Lufa-Lufa. Porém, passava a maior parte do tempo sozinha lendo no corujal.
Meu sonho era trabalhar no Profeta Diário. Desprezava tudo que Rita Skeeter escrevia e sabia que poderia fazer melhor. E era exatamente o que eu fazia enquanto observava de longe o fogo dos dragões vindo da arena montada no campo de quadribol.
Era claro que eles escolheriam dragões para a prova. De onde estava pude ouvir que Cedrico não teve nenhum problema para passar por eles. Pelo barulho, Harry era o próximo e eu honestamente não estava a fim de ver aquilo.
Desci de uma das torres e andei até o depósito do corujal. Aquele lugar fedia. Não sei quem tinha inventado a ideia de corujas serem boas com entregas de cartas, mas apesar da sujeira, eu gostava das minhas amigas. Eram silenciosas e espertas, sempre atentas para a próxima carta a ser entregue.
Não sei quanto tempo demorei ali. O barulho vindo do campo de quadribol estava insuportavelmente alto agora. Isso só podia significar que Harry Potter tinha passado pela primeira prova, não que eu duvidasse que ele fosse fazer isso.
Escutei passos vindo em minha direção e me questionei se deveria anunciar que estava ali. Mas não demorei a ver quem era.
— Ei, pequena! — Draco Malfoy conversava com uma coruja escura, robusta que aceitava seu carinho como se o conhecesse há anos. — Obrigada pelos presentes hoje de manhã. Você poderia levar essa carta para mamãe?
Ele colocou um pequeno rolo de pergaminho em uma das pernas da coruja que, após receber mais um carinho, levantou voo. Quem diria que Draco Malfoy seria tão carinhoso com um animal.
— Elas gostam de você. — Falei quando vi uma das corujas de Hogwarts aceitando o petisco do garoto. Eu colocava a ração especial em um dos cochos quando ele me viu.
— Hã? — ele olhou para mim assustado, os olhos azuis confusos. — Eu achei que todo mundo estava assistindo Potter quase fazer Hogwarts pegar fogo.
— Não. — Eu ri. — Me recuso a assistir esse torneio. Nada de bom pode vir dele.
— Concordo. É ridículo como sempre abrem exceções para esse garoto. Ele se diz tão comum, mas aceita sempre o tratamento especial. — Draco se sentou na beirada da Torre, observando o movimento de alunos que ainda eram intenso ao longe.
— Alguém com ciúmes? — Me sentei ao lado dele, uma das corujas ainda no meu colo.
Estava começando a escurecer e algumas das corujas despertavam da soneca para voarem pela Floresta Proibida a procura de alimento. Elas eram bem cuidadas por Hagrid e alguns alunos voluntários, eu mesma sempre que podia estava aqui. Mas corujas ainda eram animais selvagens que precisavam do seu tempo solo.
Um pouco como eu mesma.
— Do Potter? Nah. — Draco sorriu. Era a primeira vez que eu via um sorriso de verdade em seu rosto. — Ele é manipulado por Dumbledore. Eu jamais me deixaria ser manipulado assim.
— Falou o garoto que faz tudo que o pai fala. — Eu não conseguia tirar meus olhos dele. Por muito tempo Draco Malfoy me intrigou, mas aquela conversa não era nada que eu esperava. Nada que eu observava ao longe.
Talvez a minha teoria que ele se escondia em um personagem estava mais certa do que eu pensava.
— Nem tudo. — Draco deixou a conversa morrer. Muitos sentimentos não ditos perdidos naquela fala. — Mas eu estou em desvantagem aqui.
— Como assim? — Ele olhou para mim.
— Você sabe meu nome e tudo que eu sei é que você prefere corujas a pessoas.
. Lufa-Lufa. — Estiquei minha mão e ele não demorou a aceitar.
— Prazer, . De onde conheço esse sobrenome? — Draco não me decepcionou. Eu esperava que sua primeira questão fosse a origem da minha família.
Talvez ele fosse sim um pouco previsível.
— Minha tataravó, ou sei lá qual o parentesco, escreveu um dos livros de feitiços que a gente usa. Confesso que não sei nada mais além de que ela era lufana.
— Falando na Lufa-Lufa, você poderia me dizer por que não está torcendo para o campeão da sua casa?
Eu dei de ombros, desviando o olhar para o horizonte.
— Cedrico já tem atenção demais. Não precisa de mais uma aluna mais nova o bajulando. E você? Por que não está com os demais alunos da Sonserina e seus botons de “Potter fede”?
— Aquelas pessoas me cansam. Às vezes eu preciso de um tempo sozinho.
E então nós ficamos até a hora do jantar em silêncio. Eu não conseguia acreditar que Draco Malfoy estava ao meu lado naquela noite de novembro. Era a primeira vez que eu não me importava de ficar em silêncio com outra pessoa.
A partir daquele dia, Draco Malfoy deixou de ser uma simples obsessão para se tornar meu amigo. Um amigo secreto. Nos encontrávamos esporadicamente no corujal, sempre trocando cartas ou mensagens secretas quando um precisava conversar.
Eu aprendi que Malfoy era muito mais do que um herdeiro mimado. Ele amava a sua família, por mais deturpada que fosse. Ele me contava tudo que estava acontecendo no mundo bruxo. A verdade, não o que eu lia no Profeta Diário ou que o Ministério queria que a gente soubesse.
Durante o quinto ano, nós discutimos muito. Eu não concordava com as ações de Dolores Umbridge. Mas, depois de perder Cedrico e da volta do Lord das Trevas, eu também não era mais a mesma garota que tinha passado anos observando um garoto à distância.
Um garoto que agora era meu único amigo. E que, mesmo sabendo disso, tinha escolhido me afastar.
Voltei para o corujal naquele primeiro dia do sexto ano. Draco ainda não tinha aparecido e não o vi no Expresso. Não tive notícias dele durante todo o verão e isso começou a me preocupar. Durante o jantar finalmente o vi ao longe. Ele me olhava com um olhar vazio. Um olhar com medo. Ele desviou o olhar e deixou o salão sem nem ao menos tocar no delicioso banquete de boas-vindas de Hogwarts.
Algo me dizia que aquele ano as coisas seriam diferentes e nada que eu pudesse fazer, mudaria Draco Malfoy.


Capítulo 1

Draco Malfoy

O mundo não era mais o mesmo. Ou talvez só agora que eu estivesse conhecendo o mundo real, encoberto pelos meus mais em mentiras, dinheiro e luxo. Por 16 anos eu soube muito bem que eu era: Draco Malfoy, único herdeiro da família Malfoy, nobre na longa linhagem de bruxos puro sangue. Andava por Hogwarts com o nariz em pé, certo de que um dia, todos ali teriam que respeitar a mim.
Eu era o segundo melhor aluno da sala, mesmo que poucos professores prestassem atenção nisso. Sempre camuflado pelas glórias de Harry Potter e a astúcia da sangue-ruim Granger. Mas ainda assim eu fazia minha parte. Viver nas sombras tinha suas vantagens, entre elas poder ser você mesmo de tempos em tempos.
Agora eu não tinha mais esse luxo. Tudo que sempre valorizei tinha sido jogado na minha cara como a parte mais podre do mundo bruxo. Meu pai estava em Askaban após invadir o Ministério e a Mansão Malfoy tinha se tornado o esconderijo secreto de Lord Voldemort.
Nos meus primeiros anos em Hogwarts disseram que meus pais haviam sido Comensais da Morte do Lord das Trevas antes de Harry Potter dizimar o bruxo. Confesso que no dia em que conheci Potter, ainda no nosso primeiro dia na escola, fiquei decepcionado. Como um menino da minha idade era tão famoso e nem sequer sabia que era um bruxo? Criado por trouxas para viver uma vida medíocre e longe da magia?
Mas agora eu entendia. Minha vida também havia sido roubada de mim. Todas as escolhas que acreditei que teria, todos os amigos que havia feito, todas as minhas conquistas não eram minhas. Se Potter traçou o destino dele quando seus pais morreram, os meus traçaram o meu destino no momento em que eu nasci.
Meu braço ainda ardia pela marca escura encoberta pelas vestes pretas. O barulho do Expresso de Hogwarts parecia o mesmo, mas eu não era mais o mesmo garoto confiante que ia para escola pensando em azarações e comendo todos os sapos de chocolate disponíveis. Meus colegas da Sonserina conversavam, mas eu apenas observava o dia virar noite pela janela no trem.
Naquele ano tudo seria diferente. Eu tinha uma missão dada a mim pelo próprio Lord das Trevas: matar Alvo Dumbledore e descobrir uma forma de seus aliados entrarem em Hogwarts mesmo com os bloqueios e feitiços de proteção.
Seis meses atrás minha única preocupação era ganhar a Taça de Quadribol, dar uns amassos com Pansy no salão comunal e passar os domingos à tarde no corujal com . Agora, eu nem sequer tinha coragem de olhar nos olhos da minha amiga. Eu tinha nojo de mim mesmo. Nojo de quem eu teria que me tornar para me manter vivo.
E o pior de tudo, eu tinha descoberto a força que o medo tinha sobre nós. A capacidade de nos fazer aceitar coisas que jamais imaginávamos. Uma força que ao mesmo tempo que te travava, te motivava. Fechei os olhos apenas sentindo o balançar do trem, imaginando como poderia realizar a minha missão da forma mais rápida possível.
Eu nunca havia sido capaz de matar nem mesmo uma formiga no jardim. Mas eu sempre fui medroso. Sim, Draco Malfoy era um covarde. Todas as palavras afiadas, os gritos, as vontades atendidas... Hoje eu entendia que tudo isso era por medo.
Medo de decepcionar meu pai. Medo do que ele poderia fazer comigo se chegasse em casa e falasse a palavra errada na hora errada. Mas não tinha sido até o último verão que eu entendi isso. O que me movia era o medo. E, naquele ano, seria o que me motivaria. Era eu e meus pais, ou Dumbledore. Como um bom sonserino, faria de tudo para defender os meus. Minha única tristeza era saber que eu não terminaria Hogwarts. Afinal, como voltar para escola depois de assassinar o diretor? Que tipo de escola teríamos para voltar no ano que vem?
A porta da cabine agarrou ao abrir, me tirando o devaneio que nem mesmo as carícias de Pansy conseguiam me distrair.
— Então, Zabini, o que é que o Slughorn queria? — Perguntei, tentando controlar o tom de voz. Eu já tinha escutado história sobre Slughorn. Ele era um sonserino poderoso, havia dado aula em Hogwarts para gerações como mestre de poções. Lord Voldemort escutou um boato que o professor estaria e volta a Hogwarts e recomendou que eu ficasse de olho no homem. Se Dumbledore o fez sair da aposentadoria, era porque também temia pelo seu futuro.
— Puxar o saco de gente bem relacionada. Não que tivesse encontrado muita gente. — Zabini deu de ombros, se sentando ao lado de Goyle.
— Quem mais ele convidou?
— McLaggen, da Grifinória. — Um dos alunos populares do último ano que nunca havia se destacado de verdade, mas agia como se fosse o aluno mais popular da sua turma.
— Ah, sei, ele tem um tio importante no ministério. — Afastei a mão de Pansy da minha perna. Eu gostava dela, Pansy era uma das minhas melhores amigas, mas eu jamais me via casando com ela um dia. Naquele ano, tudo que eu não precisava era de um relacionamento.
Ou qualquer coisa que me desviasse da missão e me fizesse querer ficar em Hogwarts.
— Outro chamado Belby, da Corvinal…
— Não, esse é um retardado! — Pansy falou com uma voz esganiçada, cruzando os braços. Por algum motivo ela estava me irritando naquele dia.
— E Longbottom, Potter e aquela garota Weasley. — Zabini se acomodou no sofá, pegando com Goyle um sapo de chocolate que minha mãe mandara para dividirmos no trem. Eu não havia tocado na sacola de guloseimas. Minha mãe era uma pessoa extraordinária, mas ela estava agindo como se nada estivesse acontecendo. Eu sabia que era a forma dela lidar com a ausência do meu pai e o que tudo aquilo significava, porém às vezes eu só queria que ela surtasse. Gritasse com alguns comensais e fizesse a nossa casa ser nossa novamente.
Porém eu sabia que ela estava agindo da melhor forma possível para nos proteger. Eu e ela tínhamos apenas um ao outro. E era exatamente por isso que eu não poderia falhar na minha missão.
— Ele convidou Longbottom? — Perguntei, sem acreditar que Neville poderia ter algo a interessar Slughorn e eu não.
— Suponho que sim, porque o Longbottom estava lá.
— O que é que o Longbtton tem que possa interessar Slughorn? — Pansy falou como se lesse meus pensamentos.
— Potter, o precioso Potter, obviamente ele queria dar uma olhada no “Eleito”. — Era claro que Potter estaria dentre a elite mesmo sem fazer nada para merecer aquilo. — Mas e a garota Weasley? Que é que ela tem de especial?
Gina Weasley era uma ótima jogadora de quadribol. E muito, mas muito gostosa. Porém nenhum deles jamais escutaria eu admitir isso. Mas, mesmo com suas habilidades, não fazia sentido um bruxo como Slughorn que vangloriava tanto status e riqueza convidar uma Weasley para seu clubinho seleto.
— Tem muito rapaz que gosta dela. — Pansy comentou, seu olhar inocente foi de mim para Zabini. — Até você acha que ela é atraente, não é Blásio? E todos sabemos como você é difícil de agradar!
Pansy já havia tentado convencer Blásio a sair com algumas amigas dela, porém o sonserino raramente aceitava. Eu sei que ele havia ficado com uma bruxa em Paris durante as férias, uma mulher mais velha e que, segundo Zabini, poderia ser uma modelo de revista trouxa. Não fazia a mínima ideia se era verdade, mas também não era assunto meu para me preocupar.
— Eu não tocaria numa traidora do sangue nojenta como ela por mais atraente que fosse. — Zabini fechou a cara e cruzou os braços. Dos meus amigos, ele era o único que eu queria contar a verdade. Porém, eu sabia que quanto mais pessoas soubessem, mais risco teria a missão.
De repente eu senti um cansaço que não tinha nada a ver com a viagem. Aproveitei que Pansy havia se afastado um pouco e me deitei em seu colo. Quase como um movimento automático, ela começou a pentear meu cabelo com os dedos. Seu cafuné sempre me acalmava, era um toque seguro, uma pessoa que eu conhecia e sabia que não me esconderia nada. Senti meu estômago embrulhar ao lembrar do segredo que eu esconderia dela.
— Bem, lamento o mau gosto de Slughorn. Quem sabe ele está ficando senil. — Deu uma pausa deixando a reflexão no ar. — Que pena, meu pai sempre disse que no seu tempo ele era um bom bruxo. Meu pai era uma espécie de favorito dele. Slughorn provavelmente não soube que eu estava no trem, ou…
Era mentira. Meu pai sempre me disse que o nosso novo professor de poções era um bruxo maleável. Sempre iria escolher se safar antes de escolher um lado para lugar e, naquele ano, ele havia escolhido o que quer que seja que Dumbledore lhe prometeu. Eu não poderia deixar de sentir um pouco de simpatia pelo homem, mas isso não significava que eu também não queria os benefícios de estar na elite de Hogwarts.
Ou pelo menos era o que o meu antigo eu pensaria. Talvez, ficar nas sombras seria a melhor estratégia naquele ano.
— Eu não esperaria um convite. — Zabini confirmou minha teoria. — Ele me pediu notícias do pai de Nott quando embarquei. Pelo visto, os dois eram bons amigos, mas quando soube que o velho Nott foi apanhado no Ministério não ficou nada feliz, e não convidou Nott, não é? Acho que Slughorn não está interessado em Comensais da Morte.
— Bem, quem se importa com seus interesses? Quem é ele na ordem das coisas? Apenas um professor idiota. — Me virei no banco, fazendo a melhor performance que já fiz na vida. Se eu ia viver uma mentira, por que não começar agora? — Quero dizer, talvez eu nem esteja em Hogwarts no ano que vem, que diferença me faz se um velho gordo e decadente gosta ou não de mim?
Se algum dos meus amigos me conhecesse melhor, eles teriam percebido o tom da mentira na minha voz. Pensei que Pansy houvesse percebido, mas sua pergunta me pegou de surpresa.
— Como assim, você talvez não esteja em Hogwarts no ano que vem? — Me levantei de seu colo para olhá-la nos olhos. A expressão no seu rosto tinha surpresa, mas também dor. Aquele olhar me fez me sentir pior ainda. Quebrar o coração de Pansy Parkinson, mesmo que nunca tivéssemos tido algo oficial, não seria uma coisa fácil.
— Ora, nunca se sabe. Eu talvez venha a me dedicar a coisas maiores e melhores. — Dei de ombros e voltei a me deitar no seu colo. Mas, dessa vez, seus dedos não procuraram meus cabelos.
— Você está se referindo a ele? — A voz de Pansy estava cada vez mais esganiçada. Eu queria mandá-la calar a boca, para de fazer perguntas idiotas com respostas óbvias.
— Mamãe quer que eu complete a minha educação, mas, pessoalmente, acho que nos dias de hoje isso não seja tão importante. Quero dizer, pensem um instante… — Abaixei o tom da minha voz — Quando o Lorde das Trevas tomar o poder, será que vai se importar com quantos N.O.M.s e quantos N.I.E.M.s a pessoa obteve? Claro que não. Tudo vai girar em torno dos serviços que prestou, a dedicação que demonstrou a ele.
Não era uma mentira, mas eu esperava que também não fosse totalmente uma verdade. Ele já tinha destruído a minha casa, a minha família. O que poderia fazer em poder do mundo bruxo?
— E você acha que será realmente capaz de afazer alguma coisa por ele? — Zabini levantou uma sobrancelha, me desafiando. — Com 16 anos e sem ter completado sua qualificação?
— Foi o que acabei de dizer, não foi? Quem sabe ele não se importa se tenho qualificações. Talvez eu não precise ter qualificações para o trabalho que ele quer que eu faça.
Meus amigos ficaram em silêncio, assustados com minha postura. Se eles tinham se assustado com algo hipotético, com certeza não poderia contar com a ajuda deles para assassinar alguém. Porque era isso que eu teria que fazer antes do ano letivo terminar. A palavra me dava calafrios, parecia algo fora da realidade. Porém, aquela era a nova realidade. A nova vida de Draco Malfoy. Me levantei, sentando novamente perto da janela tentando enxergar algo além da escuridão.
— Já estou vendo Hogwarts. É melhor trocarmos de roupa. — Me levantei, pronto para buscar a capa com o emblema da Sonserina no meu malão.
Mas, antes que eu pudesse esticar o braço, escutei um grunhido quando Goyle puxou o seu malão. Foi rápido, mas eu poderia jurar que tinha visto um tênis surrado se esconder no ar. Só tinha uma pessoa na escola que poderia entrar na cabine sem ser visto.
— Você pode ir andando. Quero verificar uma coisa. — falei para Pansy, me afastando da mão que ela me oferecia. Eu sentiria saudades de ter em Pansy um lugar seguro. Mas eu também precisava protegê-la de tudo isso. Haviam feito essa escolha por mim, ela não precisava ser outra vítima.
Parkinson quis argumentar, mas fechei os olhos antes que ela pudesse ver a verdade. Ela fechou a cara, mas pegou a bolsa e seguiu nossos amigos para fora do Expresso de Hogwarts.
Ainda de costas, busquei a varinha dentro do terno, respirando pela última vez antes que aquele ano letivo começasse. Aquele poderia ser o primeiro ou o último ano da minha vida. E eu faria de tudo para que saísse vivo dele.
— Petrificus Totalus! — A capa da invisibilidade caiu no chão junto com Harry Potter. — Foi o que pensei. Ouvi o malão de Goyle bater em você. E pensei ter visto uma coisa branca riscar o ar quanto Zabini voltou… Suponho que senha sido você quem travou a porta quando Zabini entrou, não?
O garoto tinha uma respiração falha, resultado do feitiço que eu havia lançado nele. Se fosse qualquer outro aluno eu teria pena. Mas olhei aquela oportunidade como um sinal de sorte. Se Potter não pudesse chegar à escola e fosse expulso, minha missão ficaria muito, mas muito mais fácil. E em breve eu estaria do outro lado do mundo, a salvo de toda essa Guerra que não havíamos escolhido lutar.
Pensei se havia falado algo demais para meus amigos. Mas sabia que tinha sido cuidadoso em cada palavra, cada expressão. Melhor ainda se Potter ficasse curioso com o que eu poderia estar planejando. Ele nunca chegaria perto da verdade e, com sorte, iriam mais uma vez chama-lo de louco.
— Você não ouviu nada que me preocupe, Potter. Mas aproveitando que está aqui…
Fechei a cara e levantei meu pé. Era culpa de Harry que meu pai estava preso. Era culpa dele que Voldemort tinha voltado. Era culpa dele que minha vida não era mais minha. E, mesmo que eu soubesse que aquilo era apenas uma forma de dar um culpado para aquela situação, eu jamais poderia esquecer o desprezo de Potter e como ele sempre se achava superior aos outros. Mesmo quando o mérito era de outras pessoas e não dele. No momento em que agi eu me arrependi. Porém, não poderia mais voltar atrás.
Eu jamais poderia voltar atrás daquele ano. Escutei o nariz de Harry quebrando e o sangue começando a sair. Meu estômago mais uma vez embrulhou, mas procurei a capa da invisibilidade para, mais uma vez, arriscar a minha sorte.
— Isso foi pelo meu pai. Agora, vamos ver… — Cobri o garoto com a capa, no fundo desejando que ele fosse embora e se protegesse, mas outro lado meu gritando que ele merecia por tudo que estava por vir. — Calculo que só vão encontrar você quando o trem tiver chegando a Londres. Até mais Potter... Ou não.
Peguei a minha mochila e dei as costas para a cabine. O caminho até Hogwarts estava silencioso. Eu era um dos últimos a entrar pelo portão e quase que Filtch, agora com um detector de Magia Negra, não me deixou entrar. Por sorte, Snape estava por perto e me deu passagem, não sem antes me encarar.
Ele guardava o mesmo segredo que eu. A mesma marca negra no antebraço. Aquele novo dispositivo do zelador poderia ser um atraso no plano, mas eu daria um jeito. Eu sempre dava um jeito.

Meu estômago ainda estava embrulhado quando entrei na sala comunal mais tarde naquela noite. As palavras de boas vindas do diretor haviam sido como uma facada em mim. Não tive coragem de encarar Dumbledore uma vez sequer, fixando o meu olhar no prato vazio à minha frente.
Aquele seria o último discurso de boas-vindas que o diretor daria. Mas eu era a única pessoa na escola que sabia disso. Me perguntei o que ele poderia ter dito diferente se também soubesse o que eu sei.
— Draco! — Pansy estava sentada em um dos sofás da sala comunal me aguardando. Eu não queria lidar com ela naquela noite, porém não conseguiria seguir mais um dia sabendo que poderia colocar ela em perigo.
Andei até o sofá, a penumbra constante da sala comunal da Sonserina deixava o clima ainda mais pesado. Aos poucos, os alunos rumavam para os dormitórios, se preparando para o ano letivo que começaria no dia seguinte.
— Pansy... — Eu afastei a garota quando ela tentou me beijar. Me doía começar a afastar meus amigos tão cedo, mas a era a única coisa que eu poderia fazer. — Eu quero que você seja feliz.
Não faço ideia do porquê essas palavras saíram da minha boca, porém era a mais pura verdade. Pansy Parkinson nunca seria feliz comigo e ela merecia alguém que a valorizasse como eu não fazia.
— O que isso quer dizer, Draco?
— Isso. O que quer que seja que nós dois temos, precisa acabar. — Olhei para seus olhos verdes, vendo as lágrimas se formarem em seus olhos.
— Isso é por causa dele, não é? — Assenti, desviando meu olhar. — Draco, você sabe que pode me contar a verdade.
— Não é isso. — Respirei fundo, balançando a cabeça sem saber como protegê-la sem contar a verdade. — Eu gosto de você, Pan, mas justamente por isso que eu preciso que você fique segura. E eu estou pedindo isso a você, não a Goyle, ou Crabbe ou até mesmo Zabini. Como eu disse no trem, não sei onde estarei ano que vem. Não posso levar você comigo.
Foi a vez de ela assentir. Mesmo com as lágrimas caindo em seu rosto e o nariz vermelho, Pansy se levantou e me encarou.
— Um dia você vai descobrir que não está sozinho, Draco. E eu espero que não seja tarde demais.
Ela deu as costas em direção ao seu dormitório. Alguns terceiranistas me encaravam e eu forcei um sorriso sem dentes. Poucos minutos depois me vi só na sala comunal. A luz esverdeada mal iluminava o ambiente. Encarei a janela com a vista para o fundo do lago, naquela hora não se via nenhum dos seres que habitavam o lugar. Desejei poder eu mesmo ser um sereiano ou uma lula gigante. Qualquer coisa seria melhor do que estar onde eu estava agora.
Ou talvez, isso tudo fosse apenas uma forma de pagar os meus pecados, escondendo cada um dos demônios que habitavam em mim até o momento que fosse a hora deles agirem.


Capítulo 2

Draco Malfoy

Poções era minha matéria favorita. Fórmulas, números e cheiros me entretêm, fazendo esquecer as partes ruins da minha vida. Ter Snape como professor também ajudava. Ele conhecia meus pais e sabia da realidade da minha casa, porém nunca, nos últimos cinco anos, ofereceu ajuda. Ele não era professor de passar a mão na cabeça de ninguém, mas era o único que tratava os sonserinos com justiça. Havia sido o único que se preocupava em de fato nos ensinar.
Porém, assim que entrei na sala de poções, percebi que não teria meu professor favorito naquela disciplina. O professor bigodudo e barrigudo estava parado na frente da sala, aguardando que todos os alunos se acomodassem. Para completar minha decepção, vi Potter e Weasley entrando na sala. Eu tinha certeza que eles não teriam autorização para cursarem mais poções, mas pelo visto o Slughorn tinha critérios menos rigorosos do que Snape.
— Boa tarde, alunos! Hoje nós vamos aprender sobre uma poção perigosa. Alguém já conseguiu descobrir qual é? — Tentei sentir o cheiro, mas tudo que senti foi cera da vassoura, couro e, isso é coco de coruja?
Franzi o cenho e, quando percebi, a Granger já estava falando. Procurei Pansy pelo olhar, mas a garota ignorava totalmente a minha presença ao lado de Zabini. Eu não poderia culpá-la.
— É a poção do amor conhecida por Amortencia. Seu cheiro se altera de acordo com o que atrai a pessoa. Eu, por exemplo, sinto cheiro de grama recém-cortada, pergaminho novo, pasta dental de menta e...
— Muito bom, Senhorita...
— Granger, senhor. — A aula mal tinha começado e a sangue-ruim já estava puxando o saco do professor. Revirei os olhos, mas, quando olhei para frente, encontrei os olhos castanhos de me encarando.
Mordi a bochecha ao perceber a expressão nada amigável no rosto da lufana. Todo ano nós nos encontrávamos no corujal assim que entramos em Hogwarts. Porém, naquele ano eu tinha outras prioridades e, acima de tudo, eu não poderia envolver meus amigos que não tinham nenhuma atração pela magia das trevas nos planos de Lord Voldemort.
era minha amiga desde o quarto ano. Uma amizade improvável, indesejável e completamente platônica. Mas, ainda assim, não pude deixar de reparar que o verão tinha feito muito bem para a garota. Os cabelos loiros pareciam mais claros, o rosto bronzeado e a postura auto confiante que eu não me recordava de ter estado ali antes. estava gostosa.
Desviei o olhar para meu caldeirão, começando a pensar na tarefa que Slughorn escrevia na lousa. Eu tinha terminado com Pansy porque não queria envolver uma amiga na confusão que se tornara minha vida. Eu não tinha o direito de trazer outra. Porém não demorou muito para a própria chamar atenção para si mesma.
— Professor, é verdade que Amortentia pode ser usada para as Artes das Trevas? — Abri minha boca surpreso com a pergunta de . Porém, quando olhei para , ela tinha os olhos presos nos meus. Quase como se aquela pergunta tivesse sido para mim e não para Slughorn.
— Senhorita...
, Professor.
? Você é parente de Miranda ... Bem, esse não é um tema que você deve se preocupar, senhorita.
— Mas ela pode, não é? — insistiu e eu queria mandá-la se calar. Eu sabia muito bem para onde ela estava indo e aquilo deveria ser segredo. Não era possível que ela soubesse. A maioria dos Comensais não sabiam.
Eu não deveria saber. Havia descoberto pelo diário de Tom Riddle que meu pai escondeu na biblioteca Malfoy. No segundo ano tentei ir atrás dele após a Câmara Secreta ser aberta, mas ele havia desaparecido.
— Hipoteticamente — Slughorn percebei que não iria deixar passar —, seus efeitos podem sim resultar em magias negras. Afinal, Amortentia não produz amor verdadeiro, apenas um sentimento obsessivo que passa com o efeito da poção. E, se usado por muito tempo, ela pode inclusive levar quem a ingere a loucura. Mas chega de conversa, vamos começar? Peguem seus caldeirões.
A turma começou a se movimentar picando ingredientes, arrastando caldeirões e diversas conversas paralelas, especialmente das garotas sugerindo a quem deveriam mandar uma poção do amor. Eu não conseguia tirar os olhos de . Tinha algo diferente nela, algo que eu não saberia explicar.
Eu tentei concentrar nos ingredientes, mas meu livro parecia fora de foco. O caldeirão não parecia estar chegando na temperatura ideal, o cheiro estava errado, a cor estava turva. E, antes que eu conseguisse entender onde havia errado, Slughorn anunciou que a aula tinha terminado.
Felizmente, ninguém conseguiu concluir a poção. Ou pelo menos eu achei até escutar a voz irritante de Slughorn se aproximar da mesa do Potter.
— Mas que maravilha, Harry! Parabéns, garoto. Eu estava certo, você herdou mesmo o dom da sua mãe para poções.
Levantei as sobrancelhas encarando Potter. Não era possível. Harry Potter era um dos piores alunos naquela matéria. Se fosse um ano atrás eu faria de tudo para provar que ele colara, mesmo que Granger também não tivesse conseguido concluir a tarefa. Mas naquele ano, eu tinha coisas mais importantes para me preocupar.
Peguei minha mochila no chão e estava guardando meus livros, completamente alheio das conversas paralelas da sala de aula quando escutei um choro agudo. Todos se calaram imediatamente. Hannah Abbott chorava sem parar, tremendo e soltando uns grunhidos estranhos. a abraçava e a vi olhando para Neville que rapidamente veio escorar a amiga para juntos, deixarem a sala.
Todo mundo estava em silêncio. Foi então que percebi que eu era o único da sala que não havia notado Filch entrando sem jeito e dando a pior notícia que alguém poderia receber: a mãe de Hannah havia sido assassinada.
Senti a bile em meu estômago subir. Rapidamente peguei a mochila e fui um dos primeiros a sair da sala, subindo para o corujal. Quando enfim me vi sozinho, senti as lágrimas caindo do meu rosto. Eu era apenas um garoto que achava que sabia demais no meio de uma guerra que não poderia vencer. Mas eu não tinha escolha: ou entrava no jogo, ou seguiria a mãe de Abbott.

Todos os dias era rotina conferir o jornal e torcer para não ter nenhum nome conhecido ali. Mas, mesmo nos nossos maiores pesadelos, não imaginávamos que a morte chegaria tão perto da gente. Para mim isso não era novidade. Aos dois anos meu pai desapareceu, um assunto que não se conversava em casa. Minha mãe passava todo o ano letivo nos Estados Unidos desde que Voldemort tinha voltado.
Ela chegou a insistir que me transferisse para Ilvermorny, mas me recusei. Hogwarts era onde meus amigos estavam. Era onde ele estava. Agora mais que nunca eu não deixaria Draco para me mudar para o outro lado do mundo.
Assim que vi Filch entrando na sala eu sabia que tinha algo errado. Quase torci para que fosse com a minha família. Porém, era a mãe da minha melhor amiga que tinha sido assassinada. Hannah primeiro ficou em choque, mas logo em seguida desabou. Eu a segurei em meus braços e tudo que queria era sair da sala, ir para longe dos olhares julgadores dos meus colegas.
Olhei para Neville Longbottom lhe pedindo ajuda. Eu sabia o quanto ele gostava de Hannah e faria de tudo para protege-la. Assim que ele a puxou para seus braços, deixei que carregasse Hannah para enfermaria. Tinha certeza que Madame Promfrey prepararia alguma poção calmante para minha amiga.
Procurei Draco pelo olhar antes de seguir meus amigos, porém ele não estava em nenhum lugar. Draco Malfoy estava se tornando especialista em desaparecer. Tinha algo errado. Suas olheiras indicavam que ele não dormia direito a noites, o cabelo sempre muito bem penteado estava uma bagunça. E ainda assim aquele homem continuava se vestindo impecavelmente.
Sempre aparências mesmo quando estava prestes a desmoronar. Mas, para o azar de Draco, eu sabia lê-lo melhor do que ninguém. Sabia quando seu pai estava para visitar, sabia quando ele apanhava, sabia quando ele escondia seu medo com comentários maldosos. Ele poderia até tentar, mas não iria se esconder de mim para sempre.
? — Neville me chamou, encontrando comigo no corredor em frente à enfermaria.
— Como ela está?
— Madame Promfrey deu uma poção de sono para ela. Deve dormir por um tempo. Dumbledore entrou em contato com o Sr. Abbott, mas eles chegaram à conclusão que Hannah deve ficar em Hogwarts. É mais seguro.
Assenti e me sentei em um banco que nunca havia reparado existir antes. Era uma merda tudo que estava acontecendo. Nada daquilo parecia real e, ainda assim, já sabíamos que isso iria acontecer desde o Torneio Tribruxo. Draco tinha me avisado no ano passado. Porém é o tipo de coisa que por mais que você saiba, jamais está preparando quando acontece.
— Senhorita , ai está você! Como está a senhorita Abbott? — Slughorn se aproximou e troquei um olhar com Neville antes de encarar o novo professor de poções.
— Abalada, como deve ficar por alguns dias.
— Ou meses. — Neville ponderou. — , vou procurar Gina para lhe contar o que aconteceu. Nos vemos depois.
Neville se levantou sem olhar na cara de Slughorn e o vi se afastando em direção a sala comunal da Grifinória. Ele precisaria de tanto apoio quanto Hannah. Ver a quase namorada passar por algo tão próximo ao que Neville sabia muito bem.
Eu não tinha gostado do Slughorn na sala de aula, mas foi até aquele momento que eu descobri que iria odiá-lo. O mestre de poções ocupou o lugar que antes era de Neville e, com um sorriso na cara como se fosse um dia comum, começou a falar.
— Sabe, , eu tenho um grupo seleto de alunos, meus favoritos, que nos reunimos toda quarta-feira. Temos grandes nomes que já passaram pelo clube quando estudavam em Hogwarts. Uma bruxa inteligente e bem conceituada como você seria uma integrante valiosa dessa mesa. Caso você se interessa, compareça à minha sala na próxima quarta. Às 19 horas.
Antes que eu pudesse responder, Slughorn se levantou, me deixando apenas com um pergaminho nas mãos. O texto era curto, parecia um convite de casamento com data, local e depoimento de ex-alunos. Não sei explicar porquê, mas a sensação que tive era que estava sendo convidada para um Culto. E não fazia ideia do que Slughorn tinha visto em mim além de um sobrenome. Um sobrenome que nem sentia ser o meu.
...

O salão comunal da Lufa-Lufa costuma ser um dos lugares mais animados da escola. Sempre alguma música tocando no fundo, um brilho intenso que lembrava o próprio Sol. Plantas espalhadas pelo chão e um aroma de rosas intenso. Alunos jogando xadrez bruxo ou estudando nas mesas, sofás e poltronas, sempre contando alguma piada ou rindo de algum colega.
Porém, naquele dia, todos estavam em silêncio. Hannah ainda estava na enfermaria, mas a morte da mãe de uma colega fizera com que todos os veteranos lembrassem de outra morte que ainda doía. O quadro de Cedrico Diggory estampado no fundo do salão sorria, bonito e presente como o próprio bruxo um dia fora.
Ele havia sido o herói da Lufa-Lufa. O motivo pelo qual todos nós iríamos lutar quando chegasse a hora. Mas ninguém pensou que a guerra fosse bater na nossa porta tão rápido. Susan Bones estava sentada em um dos sofás com um livro de herbologia aberto e levantou o olhar quando passei.
! Como ela está?
— Como você acha? — Minha colega arregalou os olhos com o meu sarcasmo. — Desculpa. Não estou tendo um dia bom.
— Nenhum de nós estamos, . — Bones deu um sorriso sem graça.
— Hannah está sedada e Pomfrey deve mantê-la na enfermaria por alguns dias. — Ignorei o comentário e apenas respondi a sua pergunta. — Eu vou me deitar, Susan. Estou precisando ficar sozinha.
Ela assentiu e eu fui em direção ao dormitório das meninas. Porém, assim que entrei no quarto, mais meninas da minha turma e do quinto ano estavam falando sobre Hannah. Quem dizia que lufanos eram pacíficos nunca precisaram lidar com as fofocas que essas garotas sabiam fazer.
— ... Malfoy saiu mais cedo e... — Henrriet Payne parou de falar assim que abri a porta. Franzi o cenho e fingi que não tinha escutado o nome de Draco.
Como sempre, se eu quisesse paz, só tinha um lugar em Hogwarts que eu poderia encontrar. Tirei a veste do uniforme, vesti um suéter e peguei um casaco sem falar com as minhas colegas de casa. Dez minutos depois eu estava subindo os degraus para o corujal com algumas garrafinhas de cerveja amanteigada na mochila.
Porém, não demorou para descobrir que a última coisa que eu conseguiria naquele dia era ficar sozinha. Felizmente, quem estava ali era minha companhia favorita e a única pessoa com quem eu queria conversar.
— Finalmente te achei. — Falei ao ver Draco sentado com as pernas soltas e um livro no colo. Ele se virou assustado ao escutar minha voz.
, oi. — Draco vestia o terno preto que aparentemente era o seu novo uniforme. O garoto sempre gostou de se vestir bem. Aparência era tudo para os Malfoy. Mas tinha algo além naquele novo guarda-roupa. Era quase como se ele quisesse se esconder no meio da multidão.
Me sentei ao seu lado e lhe entreguei uma cerveja amanteigada escolhida a dedo. Ficamos em silêncio por vários minutos. Uma das melhores coisas na minha amizade com Draco era isso: nós dois gostávamos do silêncio. A lua já estava nascendo no horizonte quando ele enfim falou algo.
— Eu sinto muito pela mãe da Hannah.
— Você não tem que se desculpar, Draco.
, eu...
— Você não tem. — Olhei nos olhos dele, sempre um tom de prateado e azul brilhante, mas que agora pareciam duas bolas de gude foscas e sem graça. — Não é culpa sua.
Ele assentiu e desviou o olhar bebendo um gole da cerveja. Eu sorri com isso.
— Tem muito que você não sabe, .
Eu não fazia ideia do que responder a isso. Ninguém forçava Draco Malfoy a fazer algo. Ou pelo menos, ninguém forçava o meu Draco a fazer algo que ele não queria. Mas aquele Draco parecia estar há milhares de quilômetros dali.




Continua...



Nota da autora: Demorou, mas a att chegou! Eu estava com um bloqueio enorme com essa fic. porque ela é algo totalmente diferente do que já escrevi. Aproveito essa nota para, apesar de saber que essa fic está classificada como +18, ela é uma história dark, com morally gray characthers e nem eu como autora confio nos meus dois queridos narradores. Ainda estamos no início e eu espero ter uma regularidade de att maior agora. Lembrando que ela é do mesmo universo da minha fanfic com os gêmeos Weasley, "Illicit Affairs". E aí vocês me perguntam: cadê a Morgana? Well, well, well...




Outras Fanfics:
LONGS EM ANDAMENTO:
  • Illicit Affairs (Restrita/ Livros - Harry Potter)
  • Malfeito Refeito (Livros/ Harry Potter)
  • Perfeita Simetria(Original)
  • Where The Demons Hide(Original)

    OUTRAS FICS:
  • I Found Peace in your violence (Shortfic/Harry Potter):
  • Halloween is just a night (Restrita/Esporte)
  • The Last Malfoy's Christmas (Shortfic/Harry Potter)


    Nota da beta: Adorei Illicit Affairs, agora já estou empolgada com essa!
    Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


  • comments powered by Disqus